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Numero do processo: 10980.011850/2008-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-004.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Recurso Especial Negado.
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 50 /2 00 8- 66 Fl. 235DF CARF MF 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2201002.450, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 119/123, por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações, referente a fato gerador ocorrido em 31 de outubro de 2003, no valor de R$ 3.771.750,00, acrescido de multa de ofício de 75% e dos respectivos juros de mora. A auditoria, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 107/121, identificou que os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) apresentada no exercício de 2004, fls. 05/11, como isentos e não tributáveis no valor de R$ 25.149.998,78, eram provenientes do valor recebido em decorrência da participação societária na empresa Editora Gazeta do Povo S.A. Todavia, sobre tais valores deveriam ter sido calculados o imposto devido sobre o ganho de capital. O contribuinte, por meio de procuradores legalmente habilitados, apresentou a impugnação tempestiva, fls. 127/131, na qual confirma que a suposta omissão teve origem na reavaliação do capital social de empresa da qual é sócio, no processo de incorporação da Editora Gazeta do Povo S/A pela Paraná Mídia Participações em 2003. Porém, que os valores foram devidamente consignados como rendimentos isentos e não tributáveis na DAA/2004, em observância do art. 4º do DecretoLei n° 1.510, de 1976, que declarava a não incidência de imposto de renda sobre alienações efetivadas após cinco anos da data da subscrição ou aquisição. Argumenta que à época da publicação da Lei 7.713, de 1988, que revogou todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão do imposto de renda das pessoas físicas, as quotas já estavam em seu poder há mais de cinco anos. Isso estaria demonstrado na 15ª alteração do Contrato Social, fls. 39/40, cuja data de aquisição das quotas alienadas ocorreu em seis de julho de 1973, portanto, quinze anos antes da vigência da referida Lei. Assim, estaria assegurado o direito de alienálas sem incidência do imposto, independentemente da data da alienação. Alegou, também, que deveria ser reconhecido o seu direito adquirido de não incidência de imposto de renda sobre a alienação de suas quotas em virtude do fato, incontestado, de que já as havia adquirido trinta anos antes da alienação e quinze anos antes da revogação do DecretoLei nº 1.510/1976, que o amparava. Que a retirada desse direito seria uma grave ofensa aos princípios de direito vigentes em nosso País. Citou o artigo 6° da Lei de Introdução do Código Civil, o artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e doutrinas, para afirmar o seu direito adquirido à isenção, e assevera que a matéria vem sendo examinada constantemente pelos tribunais, judiciais e administrativos, com sólida jurisprudência a respeito. Por fim, contestou a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, por meio do Acórdão nº 0620.396, fls. 140/146, de 16 de dezembro de 2008, por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 9202004.506 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte interpôs o recurso voluntário em 20 de fevereiro de 2009, fls. 151/156, no qual reprisou os argumentos apresentados na impugnação quanto ao direito adquirido à isenção do imposto de renda sobre a alienação da participação societária e quanto à cobrança indevida dos juros de mora sobre a multa de ofício. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 159/234, negou provimento ao Recurso Ordinário. Às fls. 188/200, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo que o acórdão paradigma teve entendimento em sentido diametralmente oposto ao do Acórdão recorrido, no sentido de que considera aplicável o benefício do DecretoLei 1.510, de 1976, às alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei 7.713, de 1988. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 223/226, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, deu seguimento do recurso, por entender que ser possível caracterizar a divergência, haja vista que as matérias discutidas são coincidentes, e as decisões divergem. Isso porque o recorrente anexou paradigma cuja decisão, em situação semelhante, entende aplicável o benefício do DecretoLei 1.510, de 1976, às alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei 7.713, de 1988. Às fl. 228/232, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 119/123, por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações, referente a fato gerador ocorrido em 31 de outubro de 2003, no valor de R$ 3.771.750,00, acrescido de multa de ofício de 75% e dos respectivos juros de mora. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência entre o Acórdão paradigma, com entendimento em sentido diametralmente oposto ao do Acórdão recorrido, no sentido de considera aplicável o benefício do DecretoLei 1.510, de 1976, às alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei 7.713, de 1988. O acordão recorrido aduziu que embora o recorrente argumente que a fiscalização deixou de observar o disposto no DecretoLei n° 1.510, de 1976, a tributação sobre o ganho de capital decorrente da reavaliação do capital social de empresa da qual o autuado é sócio, no processo de incorporação das ações da "Editora Gazeta do Povo S.A." pela "Paraná Fl. 237DF CARF MF 4 Mídia Participações S.A." em 2003 foi correta, mesmo que estas ações já estivessem em seu poder há mais de 15 anos. O contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, conforme defende o contribuinte o direito a não incidência já estava consagrado e fazia parte de seu patrimônio e de sua personalidade. A garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. Entretanto, analisando a legislação que rege a matéria, assiste razão o acórdão recorrido, pois não se verifica no lançamento qualquer ofensa ao direito adquirido, já que houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713/1988. Adoto aqui o mesmo posicionamento do acórdão recorrido, que assim dispôs: “De acordo com o art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ou seja, surgindo uma lei nova, ela deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Não podem prevalecer à lei nova os dispositivos expressamente revogados à época da concretização do fato gerador. No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10980.011850/200866 Acórdão n.º 9202004.506 CSRFT2 Fl. 11 5 Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Nesse sentido importante ainda dar o devido destaque para essa parte final, na qual o acórdão recorrido ressalva que a isenção pode ser revogada a qualquer tempo, com exceção da isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Assim, o benefício ora tratado não constitui, em absoluto, uma isenção condicionada, já que não foram atendidos, cumulativamente, os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer expressamente o artigo 178 do CTN. Ainda importa salientar que os Tribunais Superiores já firmaram entendimento de que não há direito adquirido a regime jurídico. E que a discussão em tela não possui ainda decisão em sede de repetitivo de controvérsia que vincule este órgão. Diante do exposto, não há como manter o benefício ora tratado para além da edição da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que esta o revogou expressamente, sendo que não se tratava de isenção condicionada, já que não foram atendidos os dois requisitos para tal, repise se – prazo certo e determinadas condições – como requer o artigo 178 do CTN e assim voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito negarlhe provimento, É o voto. Fl. 239DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721362/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2014
ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. MULTA.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1301-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. MULTA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 118 1 117 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721362/201375 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.119 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2016 Matéria Multa Atraso entrega DCTF Recorrente ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. MULTA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Waldir Veiga Rocha. Relatório ARCOS DOURADOS COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1146.374, de 09/06/2014, da 4ª AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 13 62 /2 01 3- 75 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.119 S1C3T1 Fl. 119 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Tratase de Impugnação manejada pelo sujeito passivo objetivando desconstituir o crédito tributário formalizado por meio da Notificação de Lançamento correspondente a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de março de 2013, no valor de R$ 290.373,21. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando em síntese que atrasou a entrega da DCTF referente ao mês de março em apenas um dia. Lembra os princípios da administração pública, em especial o da finalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade. Destaca o valor da multa aplicada pelo atraso do cumprimento da obrigação acessória em hum dia e afirma que o alto valor cobrado fere estes princípios. Continua afirmando que a multa no valor de R$ 290.373,21 por um dia de atraso fere ainda os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. Finaliza requerendo o cancelamento da multa ou aplicação da multa mínima. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1146.374, de 09/06/2014 (fls. 85/88), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2013 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Ciente da decisão de primeira instância em 03/12/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 93, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/12/2014 conforme carimbo de recepção à folha 98. No recurso interposto (fls. 98/114), a recorrente reitera, com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.119 S1C3T1 Fl. 120 3 Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de março de 2013. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da finalidade, proporcionalidade, razoabilidade e nãoconfisco. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.119 S1C3T1 Fl. 121 4 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9+784/1999: Quanto à alegação de que a multa estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e do não confisco tributário, cabe destacar que não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela CF, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Ademais, o princípio da razoabilidade, finalidade, da capacidade contributiva e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador. Tais princípios orientam a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observados esses princípios, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Também aqui seu pedido não pode ser atendido. Essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.119 S1C3T1 Fl. 122 5 Waldir Veiga Rocha Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 18/08/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002624/2003-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/1999, 01/06/2000 a 30/04/2003
MULTA QUALIFICADA. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Não é de se aplicar a mesma multa qualificada quando não configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9303-004.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial e em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIMAVEL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO MÁQUINAS E VEÍCULOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/1999, 01/06/2000 a 30/04/2003 MULTA QUALIFICADA. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Não é de se aplicar a mesma multa qualificada quando não configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial e em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 26 24 /2 00 3- 16 Fl. 1013DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20218.403, de 18/10/2007, proferido pela 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/1998 a 30/04/1999; 01/06/2000 a 30/04/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. Não é nulo o auto de infração originado de procedimento fiscal que não violou as disposições do art. 142 do CTN nem as do art. 10 do Decreto n 2 70.235/72. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. CRÉDITOS DE FINSOCIAL. DECISÃO JUDICIAL QUE SÓ AUTORIZA A RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. FALTA DE PEDIDO PRÉVIO A RFB. Se a decisão só autoriza judicial a restituição, a inexistência de desistência da execução da sentença e a falta de pedido prévio h RFB impossibilita a compensação na escrita fiscal da contribuinte, mormente quando se trata de tributos de espécies diferentes. A desistência da execução em momento posterior a ocorrência dos fatos geradores tributados não produz qualquer efeito sobre o lançamento, só garantindo a realização de compensação com débitos vincendos após a efetivação da desistência e desde que seguidas as regras fixadas em lei e nas instruções da RFB. A alegação de que compensara créditos de PIS com débitos de Cofins, fato só argüido após a realização da diligência determinada por este Colegiado, além de se constituir em matéria preclusa, não poderia ser efetuada sem requerimento prévio a repartição competente da RFB. Autorização judicial proferida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2000.85.00.54888, acaso existente, não retroage para justificar as alegadas compensações entre tributos de espécies distintas efetuadas na escrita contábil antes da impetração desta ação judicial, por não ter sido este o objeto do pedido. LANÇAMENTO. ART. 90 DA MP N2 2.15835/2001. VALORES DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE. De acordo com o disposto no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA POR LEI OU DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DO INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL DEVIDO: 75%. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10510.002624/200316 Acórdão n.º 9303004.258 CSRFT3 Fl. 1.014 3 Se não ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n2 4.502/1964, a multa de oficio por compensação indevida deve ser reduzida para o percentual de 75%. Recurso provido em parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente alega que, quanto à aplicação da multa qualificada, o entendimento adotado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho divergiria da interpretação pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF (Acórdão: CSRF/0202.026), pelas Quarta e Primeira Câmaras do então Segundo Conselho de Contribuintes (respectivamente, Acórdãos nº 20400.417 e 20178326) e pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão n.°10707280), os quais, ao analisarem situações análogas, concluíram pela aplicação da referida multa, nas situações em que sistematicamente o contribuinte declara a menor, em DCTF, valores devidos de contribuição, com evidente intuito de furtarse ao recolhimento do tributo. O exame de admissibilidade do recurso especial encontrase às fls. 706/709. A contribuinte também apresentou recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido (fls. 985/987). Posteriormente, compareceu aos autos informando que desistira de parte dos valores discutidos no recurso especial. Não houve apresentação de contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Conforme informado no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, foram duas as infrações lançadas: a) compensação de valores em DCTF sem qualquer base legal ou autorização judicial; e b) declaração em valores inferiores aos escriturados nos Livros de Registro do ICMS e do ISS. Após a decisão proferida pela DRJ, o litígio chegou ao então Segundo Conselho de Contribuintes, que, por meio do Acórdão nº 20218.403, manteve a exigência da Cofins, porém reduziu a multa aplicada para o percentual de 75%. Contra esta redução, é que se insurgiu a Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso especial foi acertadamente admitido pelo presidente da Segunda Câmara. No caso em exame, a fiscalização afirmou que a contribuinte reiteradamente compensara em DCTF valores da Cofins sem qualquer base legal ou autorização judicial (infração 001). No julgamento, a Turma a quo entendeu inaplicável a qualificação da multa, em divergência com o que decidido por esta CSRF no primeiro paradigma, no qual se acordou Fl. 1015DF CARF MF 4 que a reiterada declaração a menor de valores apurados na escrituração contábil representa prática de “sonegação dolosa” (sic) e, portanto, autoriza a qualificação. Como se vê, a divergência de entendimentos é manifesta. Admitido, porém, na integralidade, ao recurso especial deve ser dado provimento. Disse o seu relator no voto condutor do acórdão recorrido: As normas aplicáveis à compensação administrativa, ao tempo de ocorrência dos fatos geradores tributados, exigiam: 1) o trânsito em julgado da sentença; 2) a desistência da execução judicial, com assunção de todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios; e 3) a formalização de requerimento administrativo. Os documentos trazidos aos autos pela interessada dão conta de que não houve nenhuma autorização judicial que deferisse a autuada o direito de compensar o excesso de recolhimento de Finsocial com valores vincendos da Cofins. Ao contrário, o provimento judicial só lhe garantiu o direito de restituição na via judicial. A desistência da execução em momento posterior à ocorrência dos fatos geradores tributados não produz nenhum efeito sobre o lançamento, só garantindo a realização de compensação com débitos vincendos após a efetivação da desistência e desde que seguidas as regras fixadas em lei e nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Conseqüentemente, a compensação dos indébitos de Finsocial com débitos de Cofins, caso ultrapassada a questão da decadência deste direito) só poderia ser implementada por meio de declaração eletrônica de compensação, posto que a desistência se deu na vigência da MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que passou a exigir este procedimento. (...) No caso do item I do lançamento, a fiscalização informa que todos os valores exigidos foram quitados em DCTF, com créditos de Finsocial cuja restituição estava sendo pleiteada, paralelamente, na via judicial, direito que veio, afinal, a ser reconhecido naquela esfera, como demonstram os elementos constantes dos autos. A ação da contribuinte de informar como forma de extinção de débitos confessados em DCTF os mesmos créditos objeto de pedido de restituição judicial foi considerado fraudulenta pela fiscalização, que aplicou, sobre esta parte do lançamento, a multa qualificada, no percentual de 150%. 0 intuito de fraudar o Fisco estaria presente no fato de esta compensação intentada nas DCTFs terse prolongado no tempo, por vários meses. Segundo a fiscalização, a empresa teria tido a intenção deliberada de beneficiarse duplamente do mesmo crédito, uma Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10510.002624/200316 Acórdão n.º 9303004.258 CSRFT3 Fl. 1.015 5 vez que, apesar de já têlo compensado na escrita e nas DCTF, prosseguiu com a ação judicial que visava a sua restituição em dinheiro. O Colegiado de Primeira Instância manteve a multa qualificada por entender que houve sonegação na prática reiterada de informar em DCTF a compensação de débitos com crédito inexistente de fato A. época dos fatos geradores e a concomitante ação de execução judicial com o fito de restituir estes mesmos créditos, que já haviam sido compensados por conta e risco da contribuinte. (...) A toda evidência, a infração cometida pela recorrente, de compensar nas DCTF créditos a que julgava ter direito líquido e certo, até porque tinha decisão judicial que lhe reconhecera o direito a restituição, não se enquadra na definição de sonegação, fraude ou conluio, como definido na Lei nº 4.502/64. Assim, inexistente o tipo legal necessário à qualificação da multa, deve a mesma ser reduzida para o percentual de 75%, previsto no inciso I do art. 44 da Lei n 2 9.430/96, aplicável aos casos de compensação indevida, com base no § 2 2 do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, supratranscrito. Por oportuno, registrase aqui que as alterações posteriores procedidas, tanto no art. 44 da Lei n2 9.430/96 quanto no art. 18 da Lei n 2 10.833/2003, não deixaram de tipificar a conduta aqui analisada, mantendo para ela a multa de 75%. (g.n.) Com efeito, conforme destacado acima, a contribuinte obteve, em sede judicial, em sentença prolatada em 13/03/2001, o direito à compensação do que pagou a maior. Confirase: Isto posto, reconhecendo a decadência parcial do direito pleiteado, concedo, em parte; a segurança requerida, pelo que autorizo a autora a compensar o valor pago a maior, a título de PIS, no mês de outubro de 1995, conforme atesta o DARF de ft. 120, com parcelas vincendas do próprio PIS, COFINS ou Contribuição Social Sobre o Lucro, não sendo possível acolher se, no particular, que a compensação se dê através da contabilidade da montadora indicada, posto ser a mesma estranha à lide. (g.n.) Constatase que o magistrado não permitiu que a compensação fosse realizada na contabilidade da “montadora”, nada mais falando a respeito da forma pela qual se poderia efetivála. Nada obstante, a contribuinte não poderia têla realizado na forma que a fez. Na data em que prolatada a sentença, a compensação estava disciplinada na Instrução Normativa – IN SRF nº 21, de 1997 (revogada pela IN SRF nº 210, de 30/09/2002), Fl. 1017DF CARF MF 6 que a previu apenas após o transito em julgado e, mesmo assim, mediante entrega de pedido de compensação (art. 12 e ss.). Houve, é claro, descumprimento das normas que, à época, estabeleciam a forma pela qual se dava a compensação. Mas daí concluir caracterizado o dolo, a respaldar a exigência da multa no percentual qualificado, vai uma enorme distância. E em nada altera esse entendimento o fato de a contribuinte ter desistido da execução judicial somente após o lançamento (como se viu, a contribuinte, ao final, obteve, em definitivo, o direito pretendido). O dolo, a vontade clara de não cumprir com as obrigações tributárias, deve estar plenamente configurado e indene de dúvidas. O simples descumprimento de ato normativo não pode ensejar a exasperação da multa, senão que apenas a exigência do que se deixou de pagar, com os consectários ordinariamente exigíveis. Ante o exposto, conheço do recurso especial e negolhe provimento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1018DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905666/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.768
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 66 /2 01 1- 84 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.905666/201184 Acórdão n.º 3402003.768 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.905666/201184 Acórdão n.º 3402003.768 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.905666/201184 Acórdão n.º 3402003.768 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.905666/201184 Acórdão n.º 3402003.768 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001085/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.001085/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.254 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria Pis/Pasep e Cofins Recorrente CERVEJARIA MALTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ISENÇÃO. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 10 85 /2 00 8- 14 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11444.001085/200814 Acórdão n.º 3302003.254 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e à Cofins, no período de janeiro a dezembro/2004. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) no período de janeiro a dezembro de 2004, exigindoselhe contribuição de R$ 421.277,12, multa de oficio de R$ 315.957,79 e juros de mora de R$ 246.904,44, perfazendo o total de R$ 984.139,35. Também foi apurada falta de recolhimento da contribuição para Programa de Integração Social (PIS), no mesmo período, exigindoselhe contribuição de R$ 107.341.01, multa de oficio de R$ 80.505,71 e juros de mora de R$ 63.649.96, perfazendo o total de R$ 251.496,68. Os enquadramentos legais encontramse a fls. 7, 9 e 20. De acordo com os autos, a contribuinte não recolheu as contribuições porquanto teria realizado vendas a empresa comercial exportadora, operação, em tese. isenta. No entanto, não comprovou que as mercadorias foram remetidas diretamente ao estabelecimento do exportador ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa exportadora, como exige a legislação de regência. Sendo assim, a fiscalização considerou que as vendas não foram alcançadas pela isenção das contribuições sociais e lançouas de oficio. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que, como o próprio autuante afirma, promoveu a venda de produtos com fim específico de exportação a empresa comercial exportadora tendo como destino o embarque de exportação, assim, se houver alguma irregularidade, a responsabilidade é da empresa adquirente, de acordo com o art. 9° das Leis n0 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11444.001085/200814 Acórdão n.º 3302003.254 S3C3T2 Fl. 4 3 Para comprovar o alegado, solicitou perícia, que entende como direito garantido pela Constituição Federal." A Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1430.426, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas corno tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando o seguinte: Fl. 772DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11444.001085/200814 Acórdão n.º 3302003.254 S3C3T2 Fl. 5 4 1. A recorrente promovera a venda com o fim específico de exportação, mediante a emissão de notas fiscais constando como adquirente uma empresa comercial exportadora e como destino, o embarque de exportação; 2. A responsabilidade por destinação diversa da exportação é da adquirente das mercadorias, nos termos do artigo 9º da Lei nº 10.833/2003; Ao final pede o integral provimento do recurso voluntário e protesta pela realização de sustentação oral. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme relatado no Auto de Infração de efls. 6 a 694, a autuação ocorreu por a recorrente não ter cumprido o requisito de isenção para a configuração de vendas com o fim específico de exportação, no tocante ao envio das mercadorias diretamente para embarque de exportação ou recinto alfandegado, por conta e ordem da comercial exportadora, nos termos do artigo 45 do Decreto nº 4.524/2002, a seguir transcrito: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): [...] VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. [...] Fl. 773DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11444.001085/200814 Acórdão n.º 3302003.254 S3C3T2 Fl. 6 5 Intimada a informar se o local de entrega das mercadorias foi diverso dos endereços dos destinatários indicados nas notas fiscais, efls. 61, a recorrente respondeu que "os produtos foram entregues nos mesmos endereços da nota fiscal", corroborando a ausência de informação de qualquer outro endereço de entrega constante nas notas fiscais, conforme e fls. 65. A autoridade fiscal ainda informou que a recorrente apresentou provas documentais da suposta exportação apenas de pequena parte dos produtos objeto da autuação, constatando ainda que alguns despachos foram cancelados, outros com quantidades diferentes das notas fiscais correspondentes e outro referente a uma adquirente inapta, para a qual não houve registro de exportação por ela efetuada. Por seu turno, a recorrente alegou que os produtos foram enviados para embarque de exportação. Porém não faz qualquer prova de sua alegação, o que, obviamente, não infirma o anteriormente declarado durante a ação fiscal de que os produtos foram entregues nos endereços dos destinatários informados nas notas fiscais. Além desta alegação, pugnou ainda que a responsabilidade seria da comercial exportadora adquirente por ter dado destinação diversa de exportação. Quanto a esta responsabilidade, não há dúvidas que nas operações de venda com o fim específico de exportação, assim configuradas, a comercial exportadora que não comprovar o embarque para o exterior no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da emissão da nota fiscal pela vendedora ficará sujeita ao pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas pela vendedora, conforme disposto no artigo 9º da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, não é o caso dos autos, nos quais não restou caracterizada a operação de venda com o fim específico de exportação. Frisese que por se tratar de norma isentiva, é aplicável o artigo 111, inciso II do CTN, conferindo interpretação literal aos dispositivos de regência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 774DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 16/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13888.901400/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 00 /2 01 4- 51 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido eletrônico de restituição da COFINS, cumulado com declaração de compensação, denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901400/201451 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 3 3 "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decretolei/del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901400/201451 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 4 5 O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726060/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 06/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 60 /2 01 5- 14 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento, fls 10, lavrada contra a contribuinte acima identificada, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2014, AnoCalendário 2013, em que foi apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 0,00, fls 14. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls 12, foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, no valor de R$ 36.637,97. Não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal nº 2014/304442045143249. O laudo médico apresentado não foi emitido por serviço oficial. A fonte pagadora da contribuinte (INSS) fornece, se for o caso, laudo médico oficial, deixando de reter o IR dos rendimentos de aposentadoria. Cientificada em 10/06/2015, fls 33, a contribuinte protocolou impugnação em 12/06/2015, fls 03, na qual alega, fls 04/05, que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por moléstia grave. Alega ainda que no mesmo dia em que foi entregue a documentação comprobatória para a isenção do Imposto de Renda e sua restituição, relativo ao exercício 2014 (ora contestado), também foram entregues os mesmos documentos para os exercícios 2010 e 2011, cujas restituições foram processadas em 04/2015. Anexa documentos de fls 06/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. A isenção do Imposto de Renda se aplica exclusivamente aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão concedidos aos portadores de moléstia grave cuja condição esteja devidamente comprovada por laudo médico oficial. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.726060/201514 Acórdão n.º 2201003.327 S2C2T1 Fl. 3 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, o direito à isenção, considerando que o laudo médico pericial constante dos autos foi assinado por Perito Médico Previdenciário do Instituto Nacional de Seguro Social (matrícula n.º 1500 422 Fausto de Souza Faria CRM 31292). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta da Notificação de Lançamento, a Fiscalização apurou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, no valor de R$ 36.637,97, em razão da não apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos seguintes: Não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial conforme requisitado pelo Termo de Intimação fiscal n.º 2014/304442045143249. No laudo médico apresentado não foi emitido por serviço médico oficial. A fonte pagadora da contribuinte (INSS) fornece, se for o caso, laudo médico oficial, deixando de reter o IR dos rendimentos de aposentadoria. O acórdão de primeira instância considerou comprovada a natureza dos rendimentos (aposentadoria), mas não identificou o laudo apresentado como oficial por não ter sido emitido em papel timbrado e não constar a indicação do órgão emissor. Sobre da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Salientase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dessa forma, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Nesse contexto, considerando o teor da Súmula CARF n.º 63, que dispõe expressamente sobre a isenção do portador de moléstia grave, observase que os proventos decorrentes de aposentadoria ensejam o direito à isenção, quando cumulativamente considerados com a comprovação de moléstia grave, como segue: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.726060/201514 Acórdão n.º 2201003.327 S2C2T1 Fl. 4 5 rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acerca da comprovação do acometimento de moléstia grave pela recorrente, consta, fl. 15, laudo médico pericial assinado por perito médico previdenciário (Fausto de Souza Faria) e, à fl. 100, a recorrente anexou laudo no qual se identifica o timbre da Previdência Social (INSS) assinado pelo mesmo perito médico previdenciário, com indicação da matrícula, do CRM, dos dados da paciente e a especificação da moléstia e sua definitividade. Ademais, a fim de reafirmar a oficialidade do laudo, em simples consulta à internet, observamse Portarias nas quais figuram o servidor Fausto de Souza Faria, matrícula 1.500.422, como Perito Médico Previdenciário, como exemplo, cabe citar a Portaria n.º 24 de 5 de março de 2015, abaixo transcrita: Nº 24 Designar o servidor FAUSTO DE SOUZA FARIA, matrícula 1.500.422, Perito Médico Previdenciário, do Quadro de Pessoal do Instituto Nacional do Seguro Social, CPF 516.357.12815, para exercer o encargo de substituto eventual da Chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador, DAS 101.1, código 19.401. Portanto, inferese dos documentos acostados aos autos que a recorrente recebe proventos de aposentadoria, como reconheceu o acórdão de piso, bem como, desde 10/01/2008, está acometida de esclerose múltipla (CID G 35), de modo que faz jus a isenção em questão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003537/2001-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/12/1995, 28/02/1996
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaído o período anterior a dezembro/1995, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para julgamento do mérito do recurso voluntário do período não decaído.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaído o período anterior a dezembro/1995, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para julgamento do mérito do recurso voluntário do período não decaído. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995, 30/04/1995, 31/05/1995, 30/06/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/12/1995, 28/02/1996 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º, DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaído o período anterior a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 35 37 /2 00 1- 87 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.003537/200187 Acórdão n.º 9303004.120 CSRFT3 Fl. 154 2 dezembro/1995, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para julgamento do mérito do recurso voluntário do período não decaído. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, que deu provimento ao recurso voluntário interposto por considerar que o prazo para a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao PIS Faturamento é de cinco anos contados a partir do fato gerador, afastando o disposto no art. 45 da Lei 8212/91. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência alegando que a decisão proferida é contrária à lei ao deixar de aplicar, no caso de não haver antecipação de pagamento, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o disposto no artigo 173 inciso I do CTN mesmo diploma legal, já que o artigo 150, § 4º, do CTN aplicase aos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação quando o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento do tributo devido. Em não havendo antecipação de pagamento não se pode falar em lançamento por homologação, razão pela qual o início do prazo decadencial é aquele previsto no artigo 173 inciso I do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido exigido. É o Relatório. Voto O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Tratase os autos de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou procedente o auto de infração do PIS Faturamento, relativo a períodos de apuração compreendidos entre 31/01/1995 a 28/02/1996, cuja ciência ocorreu em 29/03/2001 (fl. 26). O acórdão recorrido considerou, em relação ao lançamento, que, como o Auto de Infração é relativo a períodos de apuração até 02/1996 e a ciência ocorreu em 29/03/2001, todos foram atingidos pela caducidade, vez que efetuado após cinco anos da data Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.003537/200187 Acórdão n.º 9303004.120 CSRFT3 Fl. 155 3 do fato gerador, tendo havido ou não a antecipação de pagamento determinada pelo § 1º do art. 150 do CTN. A PGFN pugna pela aplicação do art. 173, I, do CTN, ante a inexistência de pagamentos. Já o sujeito passivo baseia toda a sua argumentação na tese jurídica de aplicação do art. 150, § 4º, do mesmo código, indepentemente de se haver ou não pagamento. Em nenhum momento contesta a ausência de pagamento. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento; e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.003537/200187 Acórdão n.º 9303004.120 CSRFT3 Fl. 156 4 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal, o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. A aplicação do artigo 62A do antigo RICARF, atualmente § 2º do art. 62 do RICARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, implica adoção da 1 Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13807.003537/200187 Acórdão n.º 9303004.120 CSRFT3 Fl. 157 5 referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça não apenas pela CSRF, mas também por todas as turmas de julgamento do CARF. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Como o lançamento se refere aos períodos de apuração de janeiro/1995 a setembro/1995, dezembro/1995 e fevereiro/1996, e o sujeito passivo foi cientificado em 29/03/2001, via Auto de Infração, da exigência do PIS Faturamento, estará decaído somente o período anterior a dezembro de 1995 (janeiro/1995 a setembro/1995). Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso interposto pela PGFN, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido, para julgamento do mérito do recurso voluntário do período não decaído. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721057/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 57 /2 00 8- 36 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, em 03/11/2008, foi lavrada Notificação de Lançamento nº 02201/00025/2008 de fls. 20/24, intimando a recorrente a recolher o crédito tributário, no montante de R$ 354.458,93, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2005, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel cadastrado na RFB sob o nº 5.859.0480, denominado “Fazenda Redentor”, com área declarada de 39.500,0 ha, localizado no Município de Canutama/AM. O Termo de Intimação Fiscal nº 02201/00019/2008 de fls. 14/17, intimou a contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001. A notificação de lançamento foi lavrada, pelo fato da contribuinte não ter comprovado a isenção da área declarada a título de preservação permanente do imóvel rural. Portanto, o fato de não ter sido apresentado nenhum documento de prova e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2005, a fiscalização glosou a área de preservação permanente de 3.950,0 ha e a área de reserva legal de 31.600,0 ha, com consequente aumento da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$ 165.526,73, conforme demonstrado às fls. 23. Resumo da autuação: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721057/200836 Acórdão n.º 2301004.776 S2C3T1 Fl. 129 3 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 21/22 e 24. Após ser cientificada do lançamento, na data de 19/11/2008, conforme fl. 25, a contribuinte apresentou, em 05/12/2008 (fl. 29), impugnação de fls. 29/55, instruída com os documentos de fls. 56/79, alegando e solicitando o seguinte: a Administração Pública ao praticar atos administrativos deve indicar expressamente os motivos do ato para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais respectivas, a motivação deve consistir na indicação do texto legal de lei que autoriza a edição do ato, bem como no pressuposto de fato que permite a sua prática, tornando possível o controle da legalidade do ato, no caso o lançamento tributário, e essa exigência é decorrência do princípio da legalidade previsto no art. 5º, II, da Constituição da República; o Fisco utilizou de bases legais genéricas, que não podem nem devem ser tidas como suficientes para sustentar a pretensa infração e que a descrição fática não é suficiente para fornecer ao impugnante condições mínimas de defesa, vez que genérica e abstrata e cita jurisprudência para sustentar sua tese; considera o procedimento utilizado (baseado em descrições genéricas) é expediente tendencioso, eivado de ilegalidades, que só faz por conduzir o lançamento à nulidade e cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, para referendar seu argumento; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 disserta abundantemente sobre as figuras das presunções (comum e legal relativa e absoluta) dentro do ordenamento jurídicotributário; o uso da presunção depende de autorização legal e salienta que não há qualquer dispositivo legal que autorize o uso da presunção para as situações descritas pela fiscalização; embora sejam imaginariamente possíveis, as insinuações fiscais necessitam de materialidade fiscal, tratandose de meros indícios (ou presunção comum), passíveis de investigação adicional; o Fisco usou equivocadamente da presunção e em função do lançamento precário, pede que seja a Notificação de Lançamento julgada nula em sede de preliminar, senão improcedente em seu mérito pela ausência de materialidade; enfatiza o art. 10, § 1º, II, “a” da Lei nº 9.393/1996 faz remição à Lei nº 4.771/65, ao tratar das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório ambiental (ADA) do IBAMA; considera a exigência do ADA por meio da IN/SRF nº 256/02 não está prevista em Lei, ou seja, a referida IN extrapolou, os limites da Lei; considera as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na letra “a”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96, aquelas estipuladas no art. 2º da Lei nº 4.771/65, não precisam ser previamente reconhecidas pelo Poder Público para que ocorra a dedução do ITR, havendo tal exigência apenas quanto àquelas previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65, bem como das alíneas “b” e “c”, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/1996; frisa o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/1996, cuja edição encontra respaldo no art. 106 do CTN, diz que a declaração do contribuinte não está sujeita à prévia comprovação, ou seja, cabe ao Fisco desconstituir a declaração do contribuinte no caso de falsidade da mesma e que tal entendimento pautase no Princípio da Verdade Material, que deve informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento e do processo administrativo, em todas as instâncias; ressalta a ilegalidade da exigência feita pela IN/SRF nº 256/02, quanto à apresentação do ADA para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, como condição para dedução da base de cálculo do ITR, tendo em vista que a previsão legal não generaliza tal exigência para todas as áreas, tãosomente para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal e cita Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes sobre o tema; a multa aplicada de 75% é confiscatória, gerando a inconstitucionalidade referida no art. 150, IV, da Constituição da República, além de ferir os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; Requer: que seja reconhecida (i) a nulidade do lançamento pela falta de motivação, mormente que não traz a verificação correta da realidade fática; (ii) utilização equivocada da presunção, para ter sido utilizado zelo usual para analisar cada ponto elencado pela fiscalização em consonância coma legislação e jurisprudência e não conforme unicamente interesses fiscais; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721057/200836 Acórdão n.º 2301004.776 S2C3T1 Fl. 130 5 requer, quanto ao mérito: seja (i) julgada improcedente a Notificação de Lançamento face a inexigibilidade da apresentação do ADA para efeitos de comprovação de isenção da área de preservação permanente; (ii) o afastamento da multa aplicada no percentual de 75%, por ser de caráter confiscatório; protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial perícia técnicocontábil, a ser designada para apuração dos fatos questionados, pleiteando, ainda, a posterior juntada de documentos. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da averbação tempestiva das áreas de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicala, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi notificada do Acórdão 0351.300 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/09/2013 (fl. 107), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 29/10/2013, sobreveio recurso voluntário (fl. 110). Alega em síntese: que o fato do ato administrativo padece de vício de nulidade, ocorrendo pelo fato de inexistir autorização legal, tendo o ato sido emanado sem fundamento. Completa ainda que, o fisco utilizou de bases legais genéricas, não podendo ou devendo serem tidas como suficientes para sustentar a infração em questão; que o motivo da autuação, só pode ser legítimo se constar no texto de lei que autoriza tal alto. Completa ainda, que o ato administrativo válido deve apoiarse em uma disposição legal que o preveja e seja a situação do fato concreto; que a descrição fática não é suficiente para fornecer a Recorrente as mínimas condições de defesa, por serem genéricas e abstratas; que a fiscalização excedeu os limites legais para o uso da presunção na caracterização da infração cometida contra a Lei 9393/96; justifica que, após a revogação da Instrução Normativa n° 60/2001 pela Instrução Normativa n° 256/01, tratando do fato em questão em seu art. 9, § 2°, I que para a exclusão da área tributável do ITR dos imóveis, não é mais obrigatório ao contribuinte a apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental); reforça a nãoobrigatoriedade do ADA, citando a Lei 4.771/65 e Lei 7803/89 tratando das áreas de preservação permanente, não fazendo menção quanto à exigência do ato declaratório do IBAMA; questiona que além da cobrança de crédito tributário indevido, ainda se exige a cobrança de multa moratória no patamar de 75%, alegando ser desproporcional a arrecadação do valor de “praticamente outro crédito tributário” (fl. 134); esclarece que a contribuinte “tem plena ciência que as multas administrativas são penalidades pecuniárias para compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao erário. Contudo, o fato é que, na situação em epigrafe, a exigência se faz totalmente irrazoável” (fl. 135) pela proporção da multa moratória; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10283.721057/200836 Acórdão n.º 2301004.776 S2C3T1 Fl. 131 7 salienta que as áreas supracitadas não são mais de propriedade da Recorrente, sendo, portanto, inconcebível a incidência do ITR nesse caso. Cita jurisprudência a seu favor, art. 29 do Código Tributário Nacional. pede que seja reconhecida a nulidade do lançamento pela falta de motivação, sendo que não traz a verificação correta da realidade fática; É o relatório Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/09/2013, conforme Aviso de Recebimento, fl. 107. Já o recurso foi apresentado em 29/10/2013 (fl. 110). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. Conforme acentua o despacho de encaminhamento da RFB (fl. 123), a recorrente teria até a data de 21/10/2013 para apresentar recurso, todavia somente apresentou sua defesa em 29/10/2013. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15983.720218/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. LEI Nº 10.256/01. INAPLICABILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito lançado com base na sub-rogação do adquirente da produção rural do produtor pessoa física, prevista no artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, se encontra, no caso em apreço, abarcada por decisão judicial.
FUNRURAL. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre constitucionalidade de lei.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Incabível a aplicação da multa de oficio de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando o contribuinte estiver amparado por decisão judicial concessiva de segurança.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO.
É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada.
DEPÓSITO JUDICIAL DE VALOR DE TRIBUTO NO PERÍODO CONSTANTE DO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO.
Não devem integrar o lançamento de ofício os valores comprovadamente depositados em juízo, se referentes ao mesmo tributo e período constantes do procedimento de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar: i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo interposto; ii) a exclusão do valor do lançamento os valores comprovadamente depositado em juízo nos autos do Mandado de Segurança nº 0007528-56.2010.4.01.3400 e constante do demonstrativo que contém os valores depositados judicialmente e valores recolhidos, anexados à impugnação (docs. 08 e 09; iii) a exclusão da base de cálculo do lançamento do valor relativo à comercialização realizada com o Sr. Jairo Antônio Jambom, referente à competência 01/2011; iv) a exclusão do valor do lançamento do valor depositado em juízo e comprovado às folhas 631 do processo digitalizado. Por maioria de votos, excluir do lançamento a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator), Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
DIONE JESABEL WASILEWSKI - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Malagoli da Silva (Suplente Convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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SUB ROGAÇÃO. LEI Nº 10.256/01. INAPLICABILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito lançado com base na subrogação do adquirente da produção rural do produtor pessoa física, prevista no artigo 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, se encontra, no caso em apreço, abarcada por decisão judicial. FUNRURAL. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre constitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Incabível a aplicação da multa de oficio de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando o contribuinte estiver amparado por decisão judicial concessiva de segurança. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada. DEPÓSITO JUDICIAL DE VALOR DE TRIBUTO NO PERÍODO CONSTANTE DO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. Não devem integrar o lançamento de ofício os valores comprovadamente depositados em juízo, se referentes ao mesmo tributo e período constantes do procedimento de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 02 18 /2 01 4- 49 Fl. 679DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar: i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo interposto; ii) a exclusão do valor do lançamento os valores comprovadamente depositado em juízo nos autos do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400 e constante do demonstrativo que contém os valores depositados judicialmente e valores recolhidos, anexados à impugnação (docs. 08 e 09; iii) a exclusão da base de cálculo do lançamento do valor relativo à comercialização realizada com o Sr. Jairo Antônio Jambom, referente à competência 01/2011; iv) a exclusão do valor do lançamento do valor depositado em juízo e comprovado às folhas 631 do processo digitalizado. Por maioria de votos, excluir do lançamento a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator), Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. DIONE JESABEL WASILEWSKI Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Malagoli da Silva (Suplente Convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação ao lançamento de contribuições previdenciárias, por subrogação, incidentes sobre aquisição de produtor rural pessoa física. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 15 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.052.6462, no valor de R$ 5.440.548,06, atualizado até setembro de 2014, referente ao valor do tributo (R$ 1.950.198,88), juros (R$ 565.050,83) e multa de ofício (R$ 2.925.298,35), relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas. O crédito tributário constituído se refere a período de janeiro a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência pessoal do representante do sujeito passivo em 08 de dezembro de 2014. Assim se pronunciou a Autoridade Lançadora (fls:17) "A partir da análise da contabilidade, livro de entrada e das notas fiscais eletrônicas, foram relacionadas as compras de Fl. 680DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 679 3 produção rural de pessoas físicas e encaminhada à fiscalizada, conforme Termo de Constatação N° 02, de 27/10/2014. (ANEXO I planilha de compras de produtor rural pretensas pessoas físicas). Neste anexo constam os fornecedores que comercializam apenas com CPF e os produtores rurais que apesar de terem CNPJ, são considerados pessoas físicas, já que de acordo com o Comunicado CAT 45/08 – Comunicado Coordenador da Administração Tributária do Estado de São Paulo, após a implantação do cadastro sincronizado de contribuintes da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os procedimentos, em síntese, no caso de emissão de documentos fiscais de Produtor Rural devem ser os seguintes: I. A obtenção do número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda (CNPJ/MF), em razão do cadastro sincronizado, não descaracteriza a condição de "pessoa física" do Produtor Rural; II. O Produtor Rural deverá informar na Nota Fiscal de Produtor o número de sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda (CNPJ/MF) em campo próprio, e, facultativamente, poderá inserir o seu número de inscrição no Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda (CPF/MF) ou outro número ou código do seu interesse, como informação complementar, nos termos do § 12 do mencionado artigo; III. O Produtor Rural deverá emitir Nota Fiscal de Produtor e o destinatário dos seus produtos, contribuinte paulista, deverá emitir Nota Fiscal de Entrada conforme o disposto nos artigos 136, I, "a", 138 e 141, § 1º do RICMS/2000, além de cumprir as demais obrigações previstas na legislação. Para o período fiscalizado foi utilizado também o SPED Fiscal. Foi anexada, a este processo administrativo fiscal, planilha final encaminhada pela empresa, denominada de ANEXO II, onde estão listadas as compras de produtores rurais pessoas físicas. Para confirmar se tais CNPJ são de produtores rurais pessoas físicas, foi verificada a natureza jurídica dos mesmos e apenas os que tem o código 4081, referente a Contribuinte Individual/ produtor rural foram incluídos no levantamento fiscal. Após iniciados os trabalhos e análise de todas as informações disponíveis no banco de dados da Receita Federal, em 16/10/2014 emitimos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal TIF N° 01 sendo a empresa intimada a se manifestar, dentro do prazo de 05 (cinco) dias, acerca da omissão de valores das GFIP's, referentes à aquisição de café de produtores rurais pessoas físicas, como se segue: Em DACON, que o contribuinte acima informa créditos presumidos COFINS, calculados sobre a aquisição de insumos de origem vegetal de R$4.343.465,66. Estes créditos são calculados aplicandose a alíquota de 7,6% sobre uma base de Fl. 681DF CARF MF 4 cálculo de 35%, conforme previsto no parágrafo 3°, do art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Aplicandose a inversão chegase a aquisição de R$ 163.288.182,71 de produtos rurais de pessoa física. Na GFIP, porém, consta uma base de cálculo de apenas R$43.945.799,55, sendo R$ 35.326.363,07 do estabelecimento 0001 e R$ 8.619.436,48 do estabelecimento 0002. Realizada a importação do Sped Fiscal dos estabelecimentos que prestaram informações, identificaramse aquisições de R$ 114.868.307,21 realizadas de pessoas físicas. Por fim, na DIPJ/AC 2011, Ficha 70, Linha 01, Compras de Mercadorias e Insumos de Origem Rural adquiridos de Pessoa Física, consta uma base de cálculo de R$ 145.182.797.89. Em 27/10/2014, a Sra. Vanessa Ogea Jacob, contadora, CPF: 265.894.32880, acompanhada do Sr. Bernardo Jaramillo Parra, representante da fiscalizada, CPF: 231.285.67867, compareceram ao Serviço de Fiscalização, apresentando por escrito esclarecimentos acerca do que foi solicitado no Termo de Constatação N°01. Destacamos que nos foi entregue uma cópia do Mandado de Segurança impetrado pelo Conselho dos Exportadores do Café do Brasil CECAFÉ, do qual o contribuinte faz parte, junto à 2ª Vara Federal do Distrito Federal (Processo n° 752856.2010.4.01.3400), face à inconstitucionalidade da contribuição do FUNRURAL. Alega a fiscalizada que desse Mandado de Segurança quanto ao FUNRURAL, culminou com a concessão de Liminar aos associados do CECAFÉ, desobrigandoos da retenção e o recolhimento da contribuição do rurícola. Com base nessa liminar entende a empresa não ter a obrigatoriedade da retro mencionada retenção. (ANEXO III Certidão/Liminar em Mandado de Segurança). Aproveitamos a oportunidade e emitimos Termo de Constatação e Intimação Fiscal TIF N° 02, devido à necessidade de ser esclarecido o montante efetivo do valor de aquisição de café de pessoa física, no ano calendário de 2011, uma vez que ainda persistiam algumas dúvidas, bem assim, para que providenciasse dentro do prazo de 05 (cinco) dias a apresentação, neste SEFIS, do contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa STOCKLER COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA. O mesmo nos foi encaminhado via "email", com ofício datado de 03/11/2014. A base de cálculo utilizada para o lançamento da contribuição rural, utilizada na presente ação, foi obtida mediante os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, em confronto com as informações disponíveis no banco de dados da Receita Federal do Brasil. O levantamento RC – Rural Café se refere ao período de 01/2011 a 12/2011, com aplicação da multa de 150%. Convém registrar que verificamos, mês a mês, também o conta corrente da empresa, a fim de compensarmos os valores Fl. 682DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 680 5 já recolhidos, caso fossem os mesmos superiores aos valores devidos e declarados em GFIP. (...) Por seu turno, na presente apuração não houve lançamento referente ao SENAR, pois a fiscalizada recolheu integralmente os valores que seriam devidos a este título. Esses fatos geradores foram omitidos das GFIP's, documento de informações previsto na legislação previdenciária, a qual é elaborada pelas empresas mensalmente e tem a função de evidenciar o devido pelas mesmas à Previdência Social. Diante dessa conduta de omitir fatos geradores por vários meses, tendo ciência de que a prática evitava a cobrança dos valores corretos, figurouse ação dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei nº 4.502/64, e artigo 44 da Lei nº 9.430/96, configurando, em tese, a sonegação de contribuição previdenciária, crime previsto no art. 337A do Código Penal, na redação dada pela Lei nº.9.983 de 14/07/2000, motivo pelo qual os fatos serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo N° 15983.720.246/201466), com comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte. Foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% sobre as contribuições exigidas em face das aquisições junto a produtores rurais pessoas físicas omitidas, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96:" Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 268), tempestivamente. A 12ª Turma da DRJ São Paulo, por unanimidade, por meio do Acórdão 16 68.994 (fls.535), decidiu pela procedência parcial da impugnação. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTORES PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente da produção rural de produtor rural pessoa física deve reter e recolher as contribuições por ele devidas previstas no artigo 25, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, na qualidade de sub rogada no cumprimento dessas obrigações. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI Nº 8.540, de 1992. ABRANGÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1o da Lei nº 8.540/1992, pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Fl. 683DF CARF MF 6 Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, não alcança a contribuição devida após a edição da Lei nº 10.256/2001. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Inexistindo ação judicial que implique na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não se aplica o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96, sendo devida a multa de ofício lançada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64. MEDIDA JUDICIAL. DISPENSA DA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. Existindo medida judicial impedindo a empresa adquirente de efetuar a retenção e recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, o lançamento do tributo devido, ainda que com a finalidade de prevenir a decadência, deve recair sobre o produtor rural pessoa física ou segurado especial. SAT/RAT. ART. 25, INCISO II DA LEI Nº 8.212/91. RETIFICAÇÃO DA ALÍQUOTA. A alíquota prevista no inciso II do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a título de contribuição para o financiamento das prestações por acidentes do trabalho corresponde a 0,1% sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, devendo ser retificados os valores lançados a título de SAT/RAT no Auto de Infração." A cientificação da decisão de primeiro graus foi enviada para o domicílio eletrônico do contribuinte em 22 de junho de 2016, tendo a ciência ocorrida no mesmo dia, por verificação do conteúdo constante do endereço eletrônico oficial, consoante despacho de folhas 587. Em 21 de julho de 2015, tempestivamente (fls. 632), foi interposto recurso voluntário (fls. 589), do qual, em síntese, constam as seguintes alegações: · O crédito tributário lançado se encontra com a exigibilidade suspensa em razão da mandado de segurança interposto pela Recorrente antes do início do procedimento fiscal. · Não obstante a existência da condição de suspensão de exigibilidade mencionada, é reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei 8.212/91 que fundamenta o lançamento. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 681 7 · Alega improcedência do lançamento no tocante a multa de ofício, em razão da suspensão de exigibilidade do crédito, e da qualificadora aplicada, em razão da inexistência de fraude, dolo ou conluio. · Alega ainda a nulidade do lançamento, já que a Fiscalização não se ateve a busca pela verdade material, fundando o auto de infração em informações gerais e cruzamento de declarações transmitidas à Receita Federal sem a preocupação de verificação do tipo de prestação de serviço que existia. · Solicita a exclusão dos valores dos depósitos judiciais realizados em nome de Jairo Antônio Zambom e Francisco José Tonin, cujos comprovantes de depósito são anexados ao voluntário. O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo a analisálo na ordem de suas alegações. DO MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO PELA RECORRENTE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Alega a recorrente a suspensão de exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão da propositura de Mandado de Segurança, com sentença favorável, que a desobriga de efetuar as retenções e os recolhimentos das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física incidentes sobre a comercialização de sua produção. Em complemento, afirma (fls. 594): "17. Objetivando reverter esse provimento liminar, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (“PGFN”) interpôs o Agravo de Instrumento nº 0021324 32.2010.4.01.0000/DF, junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (“TRF1”), em 07.05.2010. Em um primeiro momento, o pedido da PGFN foi acolhido, sendo revogada a liminar concedida em primeira instância (doc. 06 da Impugnação). Porém, após apresentação de Agravo, a Recorrente conseguiu reverter essa decisão (doc. 07 da Impugnação) em 24.05.2011, tendo sido restabelecida a suspensão da exigibilidade do FUNRURAL aos associados do CECAFÉ. 18. Posteriormente, em 28.11.2011, foi proferida sentença (doc. 10 da Impugnação) favorável aos associados do CECAFÉ, de modo que até o presente momento ainda está suspensa a exigibilidade da contribuição em tela. Fl. 685DF CARF MF 8 19. Importante destacar, também com o intuito de ressaltar a boafé da Recorrente em todo o procedimento, que, quando da momentânea interrupção da vigência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, a Recorrente realizou depósitos judiciais das obrigações tributárias relativas ao FUNRURAL (doc. 08 da Impugnação), bem como recolhimentos dessas obrigações, em razão de alguns produtores terem optado por não se valerem do benefício da liminar (doc. 09 da Impugnação), os quais, como será a seguir demonstrado em tópico próprio, foram parcialmente reconhecidos no acórdão impugnado. 20. Neste momento, aguardase o julgamento do recurso de apelação interposto pela União junto ao TRF1, de modo que é inquestionável a vigência de causa de suspensão de exigibilidade (art. 151, inciso IV, do CTN), o que deverá perdurar até o término do processo judicial. 21. Enquanto estiver vigente essa causa de suspensão de exigibilidade, não pode o contribuinte sofrer qualquer ato de cobrança do respectivo crédito tributário, sob pena de ofensa ao texto da lei. Nas palavras de Leandro Paulsen: “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário veda a cobrança do respectivo montante do contribuinte, bem como a oposição do crédito ao mesmo, e.g., com vista à compensação de ofício pela Administração com débitos seus perante o contribuinte ou como fundamento para o indeferimento de certidão de regularidade fiscal (art. 206 do CTN). A suspensão da exigibilidade, pois, afasta a situação de inadimplência, devendo o contribuinte ser considerado em situação regular. Por certo que, tendo ocorrido o lançamento, existe o crédito tributário formalmente constituído, mas não pode ser oposto ao contribuinte. No caso de tributo ainda não lançado, ou seja, quando ainda não houver crédito tributário constituído, a ocorrência de uma das hipóteses do art. 151 em vez de suspender, impede o início da exigibilidade do crédito tributário que venha a ser constituído.” (grifamos e destacamos) 22. A decorrência lógica desse comando legal presente no CTN é a absoluta improcedência da presente autuação na forma em que lançada, mantida pelo acórdão recorrido, uma vez que objetiva a cobrança de crédito tributário que se encontra com exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo, plenamente vigente e produzindo efeitos, devendo, portanto, ser reformada a decisão de primeira instância, na forma como será exposto adiante." Não obstante todo o exposto, em 19 de setembro de 2016, a Recorrente peticiona (fls. 640), pela juntada de certidão atualizada da sustentação oral ( realizada perante a 7ª Turma do TRF da 1ª Região, que julgou improcedente os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 646) em face da decisão, também acostada às folhas 671), que negou provimento à apelação e restou assim ementada. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. PRODUTOR RURAL EMPREGADOR. PESSOA FÍSICA. ART. 1º DA LEI Nº 8.540/92. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 682 9 INCONSTITUCIONALIDADE. ABRANGÊNCIA A TODA CATEGORIA. AÇÃO INDIVIDUAL. OPÇÃO. DISTRITO FEDERAL. EFICÁCIA DA SENTENÇA. 1. “O STF (RE 596.177RS), sob o signo do art. 543B do CPC, o que agrega ao precedente especial força vinculativa que impõe ou muito aconselha sua adoção em casos análogos (por culto à celeridade, à eficiência e à uniformidade interpretativa da CF/88), declarou, sem modulação temporal dos efeitos, inconstitucional o art. 1º da Lei 8.540/92, que alterou a redação dos artigos 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei 8.212/91, instituindo contribuição a cargo do empregador rural, pessoa física, sobre receita bruta proveniente da venda de sua produção, entendendose ocorrida ofensa aos princípios da eqüidade, da isonomia e da legalidade tributária e ocorrida bitributação, ausente, ainda, a necessária lei complementar; a T7/TRF1 entende que a Lei 10.256/2001 (c/c EC 20/98) não "constitucionalizou" tal exação anterior” (AGA 0007369 55.2015.4.01.0000/GO, Rel. Desembargador Federal José Amilcar Machado, Sétima Turma, e DJF1 p. 2792 de 09/10/2015). 2. Devese esclarecer que a sentença proferida nestes autos beneficia a todos os filiados da apelada, independentemente da data da filiação, vez que a entidade impetrante atua na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representa. 3. Registrese ainda que o Superior Tribunal de Justiça, por meio de sua Terceira Seção, decidiu: “Tendo os impetrantes alcançado o mesmo direito em sede de mandados de segurança coletivo e individuais, mostrase razoável a decisão que lhes confere o direito de optarem pelo prosseguimento da execução nestes autos, com a consequente desistência das execuções individuais, em razão do princípio da integral liberdade de adesão ou não ao processo coletivo” (EDEXEMS nº 7385, rel. Min.Paulo Gallotti). 4. Assim, a sentença coletiva proferida no Distrito Federal abrange todo o território nacional. Com efeito, “a eficácia subjetiva da sentença coletiva abrange os substituídos domiciliados em todo o território nacional desde que: 1) proposta por entidade associativa de âmbito nacional; 2) contra a União; e 3) no Distrito Federal. Interpretação do art. 2ºA da Lei 9.494/97 à luz do disposto no § 2º do art. 109, § 1º do art. 18 e inciso XXI do art. 5º, todos da CF” (AEDAGA 1424442, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJE de 28/03/2014). Tais requisitos estão presentes nesta ação coletiva. 5. Portanto, resta evidenciado o direito dos substituídos do Conselho apelado ao quanto fixado em sentença, levando em conta o reconhecimento da extensão dos efeitos da coisa julgada advinda da ação coletiva, vez que, deverá alcançar a todos os associados, legitimandoos à propositura individual da execução de sentença, ainda que não comprovada sua associação à época Fl. 687DF CARF MF 10 do ajuizamento do processo de conhecimento, sendo despicendo o seu ingresso nesta fase recursal. Qualquer questão de natureza individual deve ser examinada na instância competente, restando prejudicado o pedido incidental da empresa IMPÉRIO COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA., de fls. 1678/1682. 6. Vale destacar que a situação fática de cada empresa filiada ao Conselho apelado, com relação aos requisitos objetivos e determinantes para a fruição dos benefícios já devidamente pacificados pela jurisprudência, não somente deste Tribunal, mas também dos Tribunais Superiores, poderão ser objeto de análise pela Fazenda Nacional, sem que tal procedimento, por si só, venha a influir no entendimento manifestado no presente voto. 7. Apelação e remessa oficial não providas." (destaquei) Com a questão processual posta nos termos da decisão trazida ao autos por meio da petição de 19 de setembro passado, se deve concordar com as alegações da Recorrente. Observase a suspensão da exigibilidade conforme alegado pois a segurança obtida é clara em afastar a subrogação escorada na redação da Lei nº 8.212/01 dada pela Lei nº 9.528/97 e também as disposições da Lei nº 10.256/01. Vejamos. Encontramos o seguinte excerto na decisão de primeiro graus prolatada pela Justiça Federal e acostada às folhas 403 do presente processo digitalizado: "SENTENÇA Nº 1061/2011 B (TIPO B) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (2200) PROCESSO Nº 752856.2010.2010.4.01.3400 IMPETRANTE: CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL CECAFÉ IMPETRADO: SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SENTENÇA Tratase de mandado de segurança coletivo, com pedido de liminar, impetrado pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL CECAFÉ contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando que o impetrado se abstenha de obrigar seus associados a efetuarem a retenção e o recolhimento, por subrogação, da contribuição denominada “FUNRURAL”, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que alterou o art. 12, V e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 683 11 (...) DISPOSITIVO Ante o exposto, concedo a segurança para declarar o direito dos filiados do impetrante a se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/95, com redação dada pela Lei nº 8.540/95. Porém, ao verificarmos o voto condutor da decisão de segundo grau, de 17 de novembro de 2015, encontramos às folhas 671: Tratase de remessa oficial e apelação interposta pela FAZENDA NACIONAL contra sentença que concedeu a segurança em ação mandamental coletiva proposta pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL CECAFÉ para afastar a incidência da contribuição para o Funrural incidente sobre a produção dos seus filiados, empregadores rurais, pessoas naturais. O juiz sentenciante entendeu que: “revelase inconstitucional a incidência da contribuição questionada sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção pelo produtor rural, pessoa natural” (fl. 769). Em sua apelação (fls. 1.140/1.152), a Fazenda Nacional defende que a Lei nº 10.256/2001 tornou constitucional a contribuição questionada nesta demanda e que não há a ocorrência de bitributação. Contrarrazões às fls. 1.172/1.179. Apresentado pedido incidental pela empresa IMPÉRIO COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA. (fls. 1678/1682) objetivando o reconhecimento de seu direito aos efeitos da decisão recorrida. O Ministério Público Federal pugna pelo não provimento da apelação e da remessa oficial (fls. 1.189/1.191). É o relatório. VOTO O EXMO. SR. DESEMBARGADOR FEDERAL HERCULES FAJOSES (RELATOR): O egrégio Supremo Tribunal Federal, em julgamento submetido ao regime de repercussão geral, julgou inconstitucional o art. 1º da Lei nº 8.540/92, que criou a contribuição para o Funrural a cargo dos empregadores rurais, pessoas naturais, destacando que a Lei nº 10.256/2001 não teve o condão de sanar a inconstitucionalidade da exação. Nesse sentido, confiramse os seguintes precedentes da Sétima e Oitava Turmas desta egrégia Corte: Fl. 689DF CARF MF 12 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (FUNRURAL). EMPREGADOR RURAL, PESSOA NATURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTE DO STF. NEGATIVA DE SEGUIMENTO AO AGRAVO. 1. O STF (RE 596.177RS), sob o signo do art. 543B do CPC, o que agrega ao precedente especial força vinculativa que impõe ou muito aconselha sua adoção em casos análogos (por culto à celeridade, à eficiência e à uniformidade interpretativa da CF/88), declarou, sem modulação temporal dos efeitos, inconstitucional o art. 1º da Lei 8.540/92, que alterou a redação dos artigos 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei 8.212/91, instituindo contribuição a cargo do empregador rural, pessoa física, sobre receita bruta proveniente da venda de sua produção, entendendose ocorrida ofensa aos princípios da eqüidade, da isonomia e da legalidade tributária e ocorrida bitributação, ausente, ainda, a necessária lei complementar; a T7/TRF1 entende que a Lei 10.256/2001 (c/c EC 20/98) não "constitucionalizou" tal exação anterior. 2. Agravo regimental desprovido. (AGA 0007369 55.2015.4.01.0000/GO, Rel. Desembargador Federal José Amilcar Machado, Sétima Turma, eDJF1 p. 2792 de 09/10/2015) (...) Esclareço que a sentença proferida nestes autos beneficia a todos os filiados da apelada, independentemente da data da filiação, vez que a entidade impetrante atua na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representa. Registrese, ainda, que o egrégio Superior Tribunal de Justiça, por meio de sua Terceira Seção, decidiu que: “Tendo os impetrantes alcançado o mesmo direito em sede de mandados de segurança coletivo e individuais, mostrase razoável a decisão que lhes confere o direito de optarem pelo prosseguimento da execução nestes autos, com a consequente desistência das execuções individuais, em razão do princípio da integral liberdade de adesão ounão ao processo coletivo” (EDEXEMS nº 7385, rel. Min.Paulo Gallotti). (...)" (trechos destacados com negritados e sublinhados não constam do original) Claríssimo o comando judicial de primeiro grau. A segurança concedida versa sobre o dever de reter e recolher, por subrogação, com base no comando esculpido pela Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 8.540/95. É explicita a segurança concedida. Os fundamentos legais do decisum se encontram explicitados no dispositivo, que como cediço, contém a força da sentença, no caso específico, o comando mandamental. No caso da subrogação com fundamento legal no artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 8.540/95, sem dúvida, há suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que de todo modo não impede o Fisco de proceder o lançamento, mas afasta o cabimento da multa de ofício. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 684 13 Porém, no julgamento do recurso de apelação da Fazenda Nacional, O TRF da 1ª Região, aponta que o advento da Lei nº 10.256/01 não tem o condão de 'constitucionalizar' a exação em discussão. Objeto de embargo de declaração, a decisão restou intocada, posto que como certificado às folhas 677, tais embargos foram negados. De todo o exposto, forçoso reconhecer a existência de ordem judicial, ainda não definitiva, o que enseja o sobrestamento do presente auto de infração até que se decida definitivamente a presente questão. Recurso provido nessa parte. DO FUNRURAL Questiona a Recorrente a constitucionalidade do FUNRURAL sob a ótica da Lei nº 10.256/01, argumentando ser esta inaplicável pois não encontra previsão de instituição da alíquota cabível, vez que a redação da Lei de Custeio dada pela Lei nº 8.540/92 foi declarada inconstitucional. Seus argumentos se encontram às folhas 595/597 do processo digitalizado. Não obstante a opinião pessoal deste Conselheiro sobre a questão levantada, que esclareço se amolda à esposada pela decisão de piso (fls. 557/561), não cabe a um Tribunal Administrativo, posto que sua competência é de controlar a legalidade do ato administrativo, discutir a compatibilidade existente entre a lei vigente e a Carta Fundamental. Nesse sentido o preceito da Súmula CARF nº 2: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Recurso negado também nesta parte. DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE, E/OU SONEGAÇÃO FISCAL Argumenta a Recorrente (fls 598): "37. No que diz respeito ao lançamento de multa de ofício qualificada em nada menos que 150% do montante principal, as razões para o seu afastamento são ainda mais evidentes. O relatório fiscal da Autuação tratou a imposição e qualificação da multa de maneira simplória, apenas supondo, mas não comprovando a ocorrência de qualquer evento que justificasse sua aplicação, vide destaque a seguir: “Esses fatos geradores foram omitidos das GFIPs, documento de informações previsto na legislação previdenciária, a qual é elaborada pelas empresas mensalmente e tem a função de evidenciar o devido pelas mesmas à previdência social. Diante dessa conduta de omitir fatos geradores por vários meses, tendo ciência de que a prática evitava a cobrança dos valores corretos, figurouse ação dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o Fl. 691DF CARF MF 14 conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei 4.502/64 e artigo 44 da Lei nº 9.430/96, configurando, em tese, a sonegação de contribuição previdenciária, crime previsto no art. 337A do Código Penal, na redação dada pela Lei nº 9.983 de 14 de julho de 2000, motivo pelo qual os fatos serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 15983.720246/201466), com comunicação à autoridade pública competente para proposição de eventual ação penal.” 38. Como se vê, a d. fiscalização fundamentou a qualificação da multa de ofício com base no artigo 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64 e art. 44 da Lei nº 9.430/964, o que configuraria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A, do Código Penal: (...) 39. Antes mesmo de prosseguir, necessário destacar que inexistem crimes omissivos culposos. Portanto, para que haja a aplicação do art. 337A, do Código Penal, necessário que exista a demonstração objetiva da conduta dolosa da Recorrente, o que não ocorre no presente caso, inclusive porque inexistiu essa conduta por parte da Recorrente. 40. A Autuação, porém, desconsidera que a Recorrente apenas deu cumprimento a uma decisão judicial validamente proferida, seguindo a legislação tributária para o cumprimento das obrigações acessórias, o que em muito se afasta da condição de sonegadora. 41. De fato, existe uma diferença enorme entre aquele que adota determinada conduta com base em embasamento legal, tanto da legislação tributária quanto da legislação processual civil, e aquele que com intuito deliberado de sonegação, simplesmente omite informações da fiscalização, de modo a evitar ou retardar o conhecimento de fatos geradores. 42. A linha do tempo abaixo deixa absolutamente clara a cronologia dos eventos processuais e os períodos em que, judicialmente, a Recorrente contou com a vigência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, o que vigora até o presente momento. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 685 15 Antes de adentrarmos na qualificadora da multa de ofício, mister esclarecer do cabimento da penalidade imposta aos lançamentos efetuados pela Autoridade Tributária no caso em apreço. Pelas razões acima apresentadas, o lançamento é procedente porém são cabíveis as situações que ensejam a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, posto que a Segurança concedida com a amplitude dada pela decisão de segundo grau abarca a situação ensejadora do crédito tributário que aqui se discute. Não obstante agora estejam presentes as condições de suspensão de exigibilidade do crédito tributário persiste o cabimento do lançamento efetuado por ato de autoridade e que deve ser acompanhado da multa de ofício, por expressa disposição do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Recordemos o texto legal: "Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." (destaquei) Explicito o comando do parágrafo 1º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96: só não é cabível a imposição da multa de ofício quando o lançamento tributário tenha ocorrido após a condição que determina a suspensão da exigibilidade do crédito. Fl. 693DF CARF MF 16 Por tudo o dito, vimos que no caso in concreto tal condição de suspensão surge somente com a decisão judicial de segundo grau, praticamente um ano depois do lançamento tributário realizado. Porém, quanto à qualificação da multa, assiste razão a Recorrente. Não comprovou a Fiscalização a prática das condutas ensejadoras da qualificadora da penalidade cabível quando do lançamento de ofício. É ônus do Fisco a comprovação da conduta dolosa que enseja a existência da fraude, da sonegação ou do conluio. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? A lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, no caso em concreto, consta do relatório fiscal que a Recorrente buscou tutela judicial no sentido da sua interpretação da legislação tributária, na busca da sua visão de legalidade do cumprimento da exação. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 686 17 Necessário se ater a esse ponto. A conduta ensejadora do acertado lançamento tributário realizado pelo Fisco só foi adotada pelo Recorrente, ao menos para o período objeto do lançamento que aqui se discute, após a existência da sentença judicial que, ao sentir do recorrente, tutelava seu interesse. Como visto acima, a definição de sonegação 'nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário.' Não houve intenção de ocultação ou retardamento do conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. Ao reverso, houve sim a busca de uma tutela oficial para o interesse do contribuinte, que ao contrário de ocultar ou retardar o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador e das condições aplicáveis para o caso concreto, reconhece contabilmente o litígio, provisionandoo, (fls 525) e, como consta do recurso, se escora em entendimento possível da normatização definida pela Administração Tributária sobre o tema (fls. 600), e aplicável ao cumprimento da obrigação acessória. Enfim, importa realçar que a qualificadora da multa exige que a Autoridade Lançadora comprove a prática intencional, pelo contribuinte, das condutas legalmente reprováveis, consoante se observa na expressa determinação do artigo 142 do Código Tributário Nacional no tocante à aplicação da penalidade cabível, e na determinação imperiosa do artigo 9 do Decreto nº 70.235, ao dizer que cabe ao Fisco, apresentar "elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Mero descumprimento de obrigação acessória, quanto mais com o controvérsia existente no caso em apreço, não configura sonegação, quanto mais ao se recordar que existe no mínimo na visão do Contribuinte ordem judicial que ampara seu entendimento. Não soube, ou não pode, a Fiscalização se desvencilhar do ônus. Necessário, portanto, afastar a qualificadora imputada. Recurso provido nessa parte. DESCONSIDERAÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS REALIZADOS Por fim, se insurge o recorrente contra o lançamento contemplar valores que se encontram depositados judicialmente no referentes ao período em que a liminar foi cassada e contra o acolhimento parcial pela decisão de piso dos depósitos judiciais realizados em nome dos produtores rurais referentes ao tributo devido no período fiscalizado. Consta do recurso (fls. 325): "130. Importante destacar que os valores depositados judicialmente pela Recorrente no mandado de segurança impetrado pelo CECAFÉ ainda estão sendo cobrados na exigência tributária ora combatida, ou seja, o valor considerado Fl. 695DF CARF MF 18 na base de cálculo da autuação engloba os valores de base de cálculo utilizados para fazer o depósito judicial 131. Isto de forma alguma deve prosperar, na medida em que o depósito judicial do valor controvertido equivale a pagamento para todos os fins, de tal modo que não se pode aceitar a afirmação do acórdão recorrido de que esses depósitos não seriam relativos à exigência tributária da autuação, dado que efetuados em mandado de segurança que não versa sobre a Lei nº 10.256/2001. 132. Os depósitos judiciais são relativos a contribuição previdenciária exigida pelo artigo 25 da Lei nº 8.212/1991, ou seja, a mesma contribuição previdenciária base demandada no auto de infração. 133. Isso serve para mostrar o quão equivocado é o raciocínio adotado pelo acórdão recorrido, posto que, caso a Recorrente tivesse realizado o recolhimento do FUNRURAL e não o depósito, o crédito tributário em questão seria considerado extinto. Ou seja, a decisão recorrida ainda acaba por traçar diferença inexistente entre recolhimento e depósito judicial. (...) 136. No mais, ao abordar as liminares obtidas pelos produtores rurais para impedir a realização da retenção por parte da Recorrente, o acórdão recorrido desconsidera o provimento obtido por Jairo Antônio Zambom, na medida em que a decisão liminar por ele obtida seria para a não realização do recolhimento e não para deixar de sofrer a retenção. 137. Contudo, esse entendimento está equivocado, vide trecho abaixo destacado, extraído da decisão (doc. 02) que indeferiu o pedido liminar do mandado de segurança impetrado por Jairo Antônio Zambon: “Tratase de mandado de segurança, com pedido liminar, impetrado por JAIRO ANTÔNIO ZAMBON contra ato do Senhor DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO, objetivando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural e o reconhecimento da inexistência de relação jurídica tributária que culmine na retenção e recolhimento da exação.” (grifamos e destacamos) 138. O trecho acima evidencia que o provimento jurisdicional pretendido na ação em questão tinha como objetivo evitar a retenção e recolhimento da execução, não havendo que se falar, com isso, em falta de enquadramento nas previsões da Solução de Consulta Interna nº 1 – COSIT, de 15 de janeiro de 2013. 139. Ademais, na legislação em vigor, não há outra forma de recolhimento a não ser a prevista no art. 30 da Lei 8.212/91, na qual obriga a empresa adquirente por subrogação a recolher a contribuição, isto é, a retenção. Não faria o menor sentido existir uma medida judicial para que fosse reconhecido apenas o não recolhimento e se olvidasse da retenção. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 687 19 140. Por fim, quanto ao produtor rural Francisco José Tonin, o acórdão recorrido destaca que seria necessário que fossem trazidos aos autos os comprovantes de depósito, sem os quais não seria possível excluir os respectivos valores do lançamento. Desse modo, a Recorrente, fundamentada no princípio da verdade material,traz aos autos o comprovante de depósito judicial realizado (doc. 03), o que deve fazer com que seja o respectivo valor excluído do lançamento em questão" Sobre a questão, assim se pronunciou a Turma Recorrida (fls. 566): "Neste tópico, alega a Impugnante ter ocorrido vício insanável no lançamento, vez que a fiscalização teria deixado de considerar valores depositados judicialmente ou então regularmente recolhidos, caracterizando verdadeiro bis in idem. Informa que os recolhimentos de alguns dos valores a título de Funrural ocorreram pelo fato de que alguns produtores rurais preferiram não se valer do benefício da liminar suspensiva da exigibilidade e solicitaram à Impugnante que realizasse normalmente a retenção e o recolhimento dos valores respectivos. Em relação aos depósitos judiciais, esclarece que realizou os mesmos durante o período em que não estava protegida por decisão liminar, quando a União Federal conseguiu a reforma da decisão que concedeu a liminar ao CECAFÉ nos autos do Mandado de Segurança nº 0007528 56.2010.4.01.3400. Apresenta um discriminativo com os valores depositados judicialmente e valores recolhidos, os quais anexou à impugnação (docs. 08 e 09). Em relação aos depósitos judiciais, não podem ser considerados no presente lançamento, vez que foram efetuados em face de decisão judicial obtida no Mandado de Segurança acima citado, que, conforme visto, não abrange as contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, que conforme visto, são objeto da autuação. (...) Das liminares obtidas pelos produtores rurais pessoas físicas Alega a Impugnante que parte dos lançamentos realizados pela fiscalização é improcedente em razão não da liminar obtida pelo CECAFÉ para os seus associados, mas sim em razão da vigência de liminares (doc. 15) obtidas pelos próprios produtores rurais dos quais adquiriu mercadorias, que garantiam a estes produtores rurais o direito de não sofrerem a retenção dos valores relativos à contribuição ao Funrural. Apresenta planilha discriminando os produtores rurais que possuem as ações judiciais, a competência do lançamento, filial, número da nota fiscal emitida, valor da NF e valor da contribuição. (...) Fl. 697DF CARF MF 20 Do acima exposto, embora à época dos fatos geradores (01/2011), o produtor rural Jairo Antonio Zambom tivesse obtido provimento no Agravo de Instrumento impetrado contra a decisão que indeferiu a liminar pleiteada, de acordo com a cópia da decisão juntada aos autos pela Impugnante (doc. 15), verificase que impetrou o Mandado de Segurança a fim de não ser compelido ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização de produção rural de pessoa física, nada constando no referido documento quanto à não retenção das referidas contribuições pelo adquirente de sua produção. Não se enquadra, portanto, na conclusão da Solução de Consulta Interna nº 1 – Cosit, acima transcrita. Cabe observar ainda que já houve o trânsito em julgado da decisão que, reputou devida, em 15/02/2011, a contribuição prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Devem, portanto, ser mantidos os valores lançados na competência 01/2011 em relação ao produtor rural Jairo Antonio Zambom. (...) Diante das informações extraídas da Certidão anexada à impugnação (doc. 15), verificase que através da decisão proferida em 27/08/2010 foi concedida a antecipação dos efeitos da tutela para determinar aos adquirentes da produção dos autores o depósito dos valores retidos a título de contribuição para a seguridade social, destacados do preço pago sobre a produção comercializada, em conta judicial vinculada ao juízo, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário. Assim, a situação do produtor rural Francisco José Tonin não se enquadra na situação prevista na conclusão da Solução de Consulta Interna nº 1 – Cosit, acima transcrita, vez que à época dos fatos geradores (02/2011) não havia decisão impedindo que a adquirente efetuasse a retenção da contribuição sobre a comercialização da produção rural. Ademais, deve ser ressaltado que não foram trazidos aos autos comprovantes dos depósitos judiciais efetuados, conforme determinado na decisão judicial. Devem, portanto, ser mantidos os valores lançados na competência 02/2011 em relação ao produtor rural Francisco José Tonin." (destaquei) Entendo correto o entendimento do Recorrente. Como visto o lançamento tributário em apreço se dá sobre o descumprimento da norma legal aplicável ao período fiscalizado e não amparada pela decisão proferida no mandado de segurança impetrado pela Recorrente. Ora, durante o período que a segurança provisória aqui não considerada foi denegada, o que houve, por expresso imperativo lógico, é a plena vigência da determinação legal e nesse período houve depósito judicial do valor devido, o que por certo, deve ser abatido do lançamento, seja ele integral ou parcial, vez que esse valor depositado será, de todo modo, convertido em renda ao final do processo, no caso de sentença desfavorável, como entende o Fisco. No caso do entendimento do Recorrente prevalecer, esse valor será a ele devolvido e o próprio auto de infração que aqui se discute, o que se alega por simples argumento, será Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 688 21 cancelado por ordem judicial. De todo modo, não se pode admitir que tal valor componha a base de cálculo do crédito constituído pelo lançamento de ofício. Assim, dou provimento ao recurso para que se exclua do valor do lançamento os valores comprovadamente depositado em juízo nos autos do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400 e constante do demonstrativo que contém os valores depositados judicialmente e valores recolhidos, anexados à impugnação (docs. 08 e 09). Quanto às liminares obtidas diretamente pelos produtores rurais que comercializaram a produção, entendo também caber razão ao recorrente nos termos do recurso. Vejamos. O Sr Jairo Antônio Zambom possuía decisão que declarava inexistente a relação jurídica tributária entre ele e o Fisco, como se comprova pelo documento acostado no recurso e, de certo modo, reconhecido na decisão vergastada uma vez que como acima transcrito asseverase que ele: (...) impetrou o Mandado de Segurança a fim de não ser compelido ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização de produção rural de pessoa física, nada constando no referido documento quanto à não retenção das referidas contribuições pelo adquirente (...)" Ora, se o contribuinte substituído não tem que recolher o tributo, por certo que o subrogado também não o tem, pois sua subrogação se dá nos termos da obrigação do contribuinte. Não se pode entender de outra maneira. Assim, devese excluir da base de cálculo o valor relativo à comercialização realizada com o Sr. Jairo Antônio Jambom referente à competência 01/2011. Quanto ao Sr Francisco José Tonin, a decisão vergastada alega que não houve comprovação do depósito dos valores retidos e que sua medida judicial versava justamente sobre tal obrigação de depósito. Como verifico às folhas 631 foi anexada a prova exigida pela decisão recorrida e portanto, deve ser abatido tal valor do lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelo fundamentos esposados, voto por conhecer do recurso para darlhe provimento parcial, determinando: i) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado do mandado de segurança coletivo interposto. ii) a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%; ii) a exclusão do valor do lançamento os valores comprovadamente depositado em juízo nos autos do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400 e constante do demonstrativo que contém os valores depositados judicialmente e valores recolhidos, anexados à impugnação (docs. 08 e 09); iii) a exclusão da base de cálculo do lançamento do valor relativo à comercialização realizada com o Sr. Jairo Antônio Jambom, referente à competência 01/2011; iiiv) a exclusão do valor do lançamento do valor depositado em juízo e comprovado às folhas 631 do processo digitalizado. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 699DF CARF MF 22 Voto Vencedor Redatora designada Dione Jesabel Wasilewski Este voto vencedor se refere à exclusão da multa de ofício de 75%. O auto de infração cuja legalidade ora se analisa foi lavrado em 08 de dezembro de 2014, data em que já havia sido proferida decisão concedendo segurança nos seguintes termos: "SENTENÇA Nº 1061/2011 B (TIPO B) MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (2200) PROCESSO Nº 752856.2010.2010.4.01.3400 IMPETRANTE: CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL CECAFÉ IMPETRADO: SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SENTENÇA Tratase de mandado de segurança coletivo, com pedido de liminar, impetrado pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL CECAFÉ contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando que o impetrado se abstenha de obrigar seus associados a efetuarem a retenção e o recolhimento, por subrogação, da contribuição denominada “FUNRURAL”, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, haja vista a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que alterou o art. 12, V e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97. (...) DISPOSITIVO Ante o exposto, concedo a segurança para declarar o direito dos filiados do impetrante a se absterem de reter e recolher, por sub rogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/95, com redação dada pela Lei nº 8.540/95.” A decisão judicial, ato normativo de efeitos concretos que é, está vertida em linguagem que, como todo texto, demanda interpretação. Por outro lado, devese considerar que a vocação de qualquer ato normativo é a produção de efeitos. Por isso, entre os diversos métodos e interpretações possíveis, devese privilegiar aquele(a) que atribui algum sentido prático ao texto interpretado. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15983.720218/201449 Acórdão n.º 2201003.366 S2C2T1 Fl. 689 23 No caso em questão, o objeto do mandado de segurança foi determinar que a autoridade dita coatora “se abstenha de obrigar seus associados a efetuarem a retenção e o recolhimento, por subrogação, da contribuição denominada FUNRURAL”, e a decisão concessiva da segurança foi clara ao declarar o direito dos filiados da entidade impetrante de se absterem de reter e recolher essa contribuição. Essa autorização só possui efeito se for compreendida como prospectiva, já que se refere à realização (no futuro) de pagamentos sem a retenção das contribuições. Assim, embora tenha feito referência expressa a uma redação não mais em vigor, a decisão judicial estava se referindo à norma de incidência em sua redação atual. Nesse sentido, a menção que se fez ao dispositivo legal só teve por finalidade identificar a exação de que tratava e não condicionar sua aplicação a um período determinado de vigência. Com efeito, a adoção de interpretação literal, com a conseqüente limitação da aplicabilidade desse comando a período anterior a 2001, consistiria em esvaziar de conteúdo a decisão judicial, tanto porque o contribuinte já não teria a possibilidade de se abster de realizar a retenção, quanto porque não haveria sequer o efeito “preventivo”, já que aqueles fatos geradores estariam acobertados pela decadência. Se assim fosse, não haveria sequer possibilidade de a Fazenda Pública apresentar recurso, por falta de interesse processual. Portanto, quando no julgamento do recurso de apelação da Fazenda Nacional, o TRF da 1ª Região aponta que o advento da Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, não tem o condão de 'constitucionalizar' a exação em discussão, ocorre apenas a explicitação dos fundamentos da decisão anteriormente proferida, que em tudo é mantida. Isto posto, no momento em que foi lavrado o auto de infração, o contribuinte encontravase amparado por decisão judicial que lhe concedia segurança para deixar de reter e recolher a contribuição controvertida, de modo que, por força do comando contido no art. 63, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, é indevida a exigência da multa de ofício do art. 44, I, dessa mesma Lei. assinado digitalmente Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Fl. 701DF CARF MF
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