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4668861 #
Numero do processo: 10768.014335/99-73
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRRF - RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE - PRAZO - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA - 1. O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, restará às autoridades administrativas a homologação expressa da atividade assim exercida pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), a chamada homologação tácita. 2. O prazo qüinqüenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo, somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. No caso dos autos, como não houve a homologação expressa, o crédito tributário somente se tornou “definitivamente extinto” (sic § 4º do art. 150 do CTN) após cinco anos da ocorrência do fato gerador ocorrido em janeiro de 1991, ou seja, extinguiu-se em janeiro de 1996. Assim, o dies ad quem para a restituição se daria tão somente em janeiro de 2001, cinco anos após a extinção do crédito tributário. Pelo que afasto a decadência decretada pela decisão recorrida. PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO-INCIDÊNCIA - Vencida a questão do prazo para a restituição do indébito tributário, o processo deve ser devolvido para a instância "a quo" analisar o mérito, dizendo se os valores percebidos pelo contribuinte, sobre os quais incidiram o imposto que se pretende restituir, decorrem de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV ou a programa de incentivo à aposentadoria (AD nº 95/99). Recurso provido.
Numero da decisão: 102-44486
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Leonardo Mussi da Silva

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ementa_s : IRRF - RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE - PRAZO - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA - 1. O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, restará às autoridades administrativas a homologação expressa da atividade assim exercida pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), a chamada homologação tácita. 2. O prazo qüinqüenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo, somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. No caso dos autos, como não houve a homologação expressa, o crédito tributário somente se tornou “definitivamente extinto” (sic § 4º do art. 150 do CTN) após cinco anos da ocorrência do fato gerador ocorrido em janeiro de 1991, ou seja, extinguiu-se em janeiro de 1996. Assim, o dies ad quem para a restituição se daria tão somente em janeiro de 2001, cinco anos após a extinção do crédito tributário. Pelo que afasto a decadência decretada pela decisão recorrida. PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO-INCIDÊNCIA - Vencida a questão do prazo para a restituição do indébito tributário, o processo deve ser devolvido para a instância "a quo" analisar o mérito, dizendo se os valores percebidos pelo contribuinte, sobre os quais incidiram o imposto que se pretende restituir, decorrem de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV ou a programa de incentivo à aposentadoria (AD nº 95/99). Recurso provido.

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O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, restará às autoridades administrativas a homologação expressa da atividade assim exercida pelo contribuinte, ato homologatório este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, Vil, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita. 2. O prazo qüinqüenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo, somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário. No caso dos autos, como não houve a homologação expressa, o crédito tributário somente se tornou "definitivamente extinto" (sic § 4° do art. 150 do CTN) após cinco anos da ocorrência do fato gerador ocorrido em janeiro de 1991, ou seja, extinguiu-se em janeiro de 1996. Assim, o dies ad quem para a restituição se daria tão somente em janeiro de 2001, cinco anos após a extinção do crédito tributário. Pelo que afasto a decadência decretada pela decisão recorrida. k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10768.014335/99-73 Acórdão n°. : 102-44.486 PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO-INCIDÊNCIA - Vencida a questão do prazo para a restituição do indébito tributário, o processo deve ser devolvido para a instância "a quo" analisar o mérito, dizendo se os valores percebidos pelo contribuinte, sobre os quais incidiram o imposto que se pretende restituir, decorrem de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV ou a programa de incentivo à aposentadoria (AD n° 95/99). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GLÓRIA PIRES BRASIL. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. d-40,-- ANTONIO DE/ FREITAS DUTRA PRESIDENTE LEONA MUSSI DA SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 1 E Z 200: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÓVIS ALVES, VALMIR SANDRI, MÁRIO RODRIGUES MORENO, BERNARDO AUGUSTO DUQUE BACELAR (SUPLENTE CONVOCADO), DANIEL SAHAGOFF e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA ==v - •f PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • n SEGUNDA CÂMARA - Processo n°. : 10768.014335/99-73 Acórdão n°. : 102-44.486 Recurso n°. : 122.902 Recorrente : GLÓRIA PIRES BRASIL RELATÓRIO Requereu o contribuinte a restituição do imposto de fonte incidente sobre as verbas recebidas a título de PDV no ano-base de 1991, exercício de 1992. A DRF negou este pleito, tendo o contribuinte manifestado seu inconformismo perante a DRJ, que, todavia, manteve a negativa. Irresignado com a decisão da DRJ, recorre o contribuinte ao Conselho de Contribuintes, pugnando pela modificação da decisão recorrida. É o Relatório. 3 /0/11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • . SEGUNDA CÂMARA -;oz Processo n°. : 10768.014335199-73 Acórdão n°. : 102-44.486 VOTO Conselheiro LEONARDO MUSSI DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Primeiramente, entendo que não houve a decadência do direito de pleitear a restituição pelo contribuinte. De fato, o contribuinte protocolou em 01/07/99 o pedido de restituição do imposto que alega "pagou" indevidamente, mediante retenção na fonte durante o período-base de 1991. Entendo que o prazo qüinqüenal para restituição do indébito tributário só começa a fluir ou da homologação expressa feita pelas autoridades administrativas ao lançamento e recolhimento antecipado realizado pelo contribuinte ou da homologação tácita que ocorre pelo decurso do prazo de cinco anos do fato gerador, não havendo aquela homologação expressa (art. 150, §4°, do CTN). Isto porque, o artigo 156, VII, do CTN, assevera que a extinção do crédito tributário no caso do lançamento por homologação somente se dá com "o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do artigo disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°". Somente havendo o pagamento e a homologação do lançamento realizado, por delegação legal, pelo contribuinte é que ocorrerá a extinção do crédito tributário e o início do prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168, I, do CTN. - 4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10768.014335199-73 Acórdão n°. : 102-44.486 Apenas para não deixar passar em branco, quanto ao argumento daqueles que entendem que apenas o pagamento extingue o crédito tributário, cabe ressaltar que, quando o CTN no artigo 156, I, prevê a extinção do crédito tributário pelo pagamento, está se referindo aos casos em que a própria autoridade tributante se encarrega de efetuar o lançamento tributário, ou seja, verifica a ocorrência do fato gerador, determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido, identifica o sujeito passivo e, sendo o caso, aplica a penalidade cabível, ou seja, nos lançamento por declaração (art. 147 do CTN) e de ofício (art. 149 do CTN). Não é o caso dos autos, onde o contribuinte promove todas aquelas atividades, nos termos do artigo 150 do CTN e da legislação do imposto de renda, cabendo à autoridade administrativa apenas a homologação expressa deste lançamento, quando haverá a extinção do crédito tributário ou, se inexistir a homologação expressa, com o decurso de cinco anos do fato gerador, a chamada homologação tácita. No caso dos autos, tendo em vista que não houve a homologação expressa do lançamento efetuado pelo contribuinte, o prazo de cinco anos para a restituição somente fluiria a partir de janeiro de 1996, após cinco anos do fato gerador ocorrido em janeiro de 1991, assim o prazo final para restituição somente se daria em janeiro de 2001. Destarte, inexiste a qualquer decadência do direito de pleitear a restituição do indébito tributário. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA - . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r SEGUNDA CÂMARA ; Processo n°. : 10768.014335/99-73 Acórdão n°. : 102-44.486 Vencida a questão do prazo para a restituição do indébito tributário, o processo deve ser devolvido para a instância "a quo" analisar o mérito, dizendo se os valores percebidos pelo contribuinte, sobre os quais incidiram o imposto que se pretende restituir, decorrem de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV ou a programa de incentivo à aposentadoria (RD n° 95/99). Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida, afastando a decadência do direito para restituição do indébito tributário, devendo o processo retornar para a instância "a quo" que deverá analisar o mérito da questão. Sala das Sessões - DF, em 18 de outubro de 2000. / LEONARDO MUSSI DA SILVA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10814.003201/95-73
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IMUNIDADE: Abrange o II e o IPI. A imunidade prevista pelo art. 150, VI, § 2º da Constituição Federal abrange o II e o IPI. Recurso provido.
Numero da decisão: 301-29054
Decisão: DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO

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A imunidade prevista pelo art. 150, VI, § 2° da Constituição Federal abrange o II e o IPI. O RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 07 de julho de 1999 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente 0 ..111:~114MSOPCARLOS - ,1 • FILHO Relator 15 MAR 201)0 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LEDA RUIZ DAMASCENO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, PAULO LUCENA DE MENEZES e LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES. Ausente o Conselheiro FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO. tmc . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.681 ACÓRDÃO N' : 301-29.054 RECORRENTE : FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA - CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO RELATÓRIO A ora Recorrente foi autuada em virtude da importação de bem destinado à operação de suas emissoras de radiodifusão educativa, descritos na DI 012144 de 20/02/95. Na ocasião, entendeu a Fiscalização que a imunidade tributária • pleiteada (artigo 150, inciso VI, "a", § 2° da CF) não alcança o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados Devidamente representada e observando o prazo legal, a Recorrente sustentou em sua impugnação os seguintes argumentos: a) é a Recorrente fundação instituída e mantida pelo Poder Público; b) a importação dos bens submetidos a desembaraço vincula-se às suas finalidades essenciais; c) art. 150, VI, "a", § 2° da CF estabelece hipótese de imunidade, vedando a instituição, como hipótese de incidência de qualquer imposto, de um fato que envolva o patrimônio, a renda ou os serviços das fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, vinculados a suas finalidades essenciais ou dela • decorrentes; d) goza, pois, a Recorrente, da imunidade constitucional no caso em questão, estando exonerada, por conseguinte, do recolhimento dos impostos de importação e do IPI vinculado; e e) indevida a exigência de recolhimento da multa prevista no art. 40, I da Lei n° 8.218/91, reservada aos casos de falta de recolhimento, falta de declaração e declaração inexata, o que não ocorreu no caso concreto. Na decisão de primeira instância (fls. 150 e seguintes), a autoridade a quo julgou procedente o lançamento por entender que a Constituição Federal, ao fazer menção "patrimônio, renda ou serviços" (art. 150, VI, "a"), seguiu a classificação adotada pelo CTN, em que os impostos, a partir de seus fatos geradores, estão divididos em quatro categorias (impostos sobre comércio exterior, impostos 2 _ . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERlt,IRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.681 ACÓRDÃO N' : 301-29.054 sobre o patrimônio e a renda, impostos sobre a produção e a circulação, impostos especiais). Por conseguinte, a imunidade não seria extensiva ao II e ao 'PI, que estavam hospedados em categorias não beneficiadas com o privilégio fiscal. A exigência tributária, outrossim, foi agravada, sendo exigida a multa do art. 364, II do RIPI182 (fls. 158). Inconformada, a Recorrente interpôs tempestivamente o recurso cabível, repisando os argumentos já apresentados. Esclarece o serviço de arrecadação (fls. 185) que o Contribuinte está dispensado da efetivação do depósito recursal, nos termos da IN/SRF n° 93/98. • Não há contra-razões, em face do valor envolvido. É o relatório./ • 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.681 ACÓRDÃO N° : 301-29.054 VOTO O recurso de fls. 162/176 é tempestivo e atende às demais formalidades exigidas, pelo que do mesmo tomo conhecimento. A matéria ventilada nos autos já foi objeto de diversas manifestações por parte deste Colegiado. Sob o meu prisma de avaliação, contudo, entendo que a imunidade • tributária das fundações públicas (CF/88, art. 150, VI, "a", § 2°) estende-se aos impostos de importação (II) e sobre produtos industrializados (IP1), desde que preenchido o requisito da vinculação da importação dos bens em relação às suas finalidades essenciais ou dela decorrentes, o que foi comprovado nestes autos. Instituída e mantida pelo Estado de São Paulo, a Fundação "Padre Anchieta" Centro Paulista de Rádio e TV Educativa tem como finalidade "a promoção de atividades educativas e culturais através da rádio e da televisão" (art. 30 do Estatuto), cabendo à mesma, para a consecução de seus objetivos: "I — operar emissoras de rádio e televisão; II — promover a ampliação de suas atividades em colaboração com emissoras de rádio e televisão públicas ou privadas, entrosadas no sistema nacional de radiodifusão educativa, mediante convênios ou outro modo adequado; III — colaborar com as emissoras de rádio e televisão em geral, na esfera dos interesses comuns; IV — praticar demais atos pertinentes às suas finalidades." (art. 40 do Estatuto). • Importação de equipamentos para promoção de emissões de rádio e televisão, por conseguinte, comporta evidente vinculação à atividade essencial da fundação em tela e, assim sendo, é a operação em questão enquadrada na imunidade tributária do art. 150, VI, "a". Quanto à extensão da vedação constitucional, somente a Constituição tem o condão de limitar o conceito de "patrimônio", visto tratar-se, no caso, de imunidade, não sendo possível adotar-se uma interpretação restritiva, como já decidiu o Supremo Tribunal Federal (R.E. n° 101.441-5/RS). Note-se que a melhor doutrina não apresenta posições discrepantes, podendo-se apontar, a titulo de ilustração, os estudos de Gilberto de Ulhôa Conta e Aloysio Meirelles de Miranda Filho, bem como o de Plínio José Marafon, ambos abordando o tema sob o prisma do IOF (Cadernos de Pesquisas Tributária n° 16, Resenha Tributária, p.p. 52 e 226, respectivamente).1 4 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.681 ACÓRDÃO N' : 301-29.054 Na esfera judicial, a matéria já foi igualmente apreciada, tendo o Supremo Tribunal Federal, ainda sob a égide da EC n° 01/69, decidido: IMPOSTOS. IMUNIDADE. Imunidade Tributária das Instituições de assistência social (Constituição, art. 19, III, letra c). Não há razão jurídica para que dela se excluissem o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados, pois a tanto não leva o significado da palavra "patrimônio", empregada pela norma constitucional. Segurança restabelecida. Recurso extraordinário conhecido e provido (R.E. n° 88.671, Relator Ministro Xavier de Albuquerque, 1* Turma, DJU de 03/07/79, pp. 5.153/4). • Referida orientação, porém, manteve-se inalterada com a promulgação da Carta Magna de 1988. Neste sentido, o Egrégio Tribunal Regional da Terceira Região, entre outros tantos, assim decidiu: EMENTA. MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. APELAÇÃO DESACOMPANHADA DAS RAZÕES. ENTIDADE AS SITENCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. FINALIDADES ESSENCIAIS DA ENTIDADE. PATRIMÔNIO. INTEGRAÇÃO. I — Apelação que não contém os fundamentos de fato e de direito do inconfonnismo da parte, inobstante o disposto no artigo 514, H, do Código de Processo Civil. Não conhecimento. — A APAE é entidade assistencial sem fins lucrativos de utilidade pública, cuja função básica é o atendimento gratuito aos excepcionais. ifi — A importação de conjunto de instrumento formando sistema neonatal computadorizado para análise automática e detecção dos distúrbios metabólicos causadores do retardamento mental ou fisico em recém-nascidos e de outros aparelhos que utilizam a rediação gama, também computadorizados, tem absoluta conformidade com as finalidades essenciais a entidade. IV — As mercadorias, uma vez adquiridas, integram o patrimônio da impetrante, isto por manterem ação direta com a atividade por ela desenvolvida. V — Imunidade reconhecida. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.681 ACÓRDÃO N" : 301-29.054 VI — Remessa oficial desprovida Sentença confirmada. (Apelação em Mandado de Segurança n'' 121254, Rel. Juiza Lúcia Figueiredo, Revista do Tribunal Regional Federal n'' 21, p. 365) Esta Colenda Câmara, por sua vez, adota essa mesma orientação. Neste sentido, pode-se mencionar os Recursos 119.685 e 119.689, ambos relatados pela insigne Conselheira Leda Ruiz Damasceno. Diante do exposto, e por tudo o mais que do processo consta, dou provimento ao recurso. É o meu voto, 4P Sala das Sessões, em e . e ju b de-199' il CARLO -!". nt, tr ' SER FILHO - Relator o 6 Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1

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4671367 #
Numero do processo: 10820.000825/2001-13
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2003
Ementa: COOPERATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÉVIO. Nos lançamentos de ofício em que é exigido PIS-PASEP devido por cooperativa em relação às receitas decorrentes de operações praticadas em não-associados, não existe a necessidade de procedimento prévio para descaracterização da cooperativa, até porque a razão do lançamento decorre de expressa disposição legal na situação especificada. PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos estão descritos e o enquadramento legal consta do auto de infração, de tal forma que a autuada tem todas as condições de exercitar seu direito de defesa. PIS. COOPERATIVAS. A teor do que dispõe o art. 2º, I, § 1º, da MP nº 1.212/95, suas reedições e por último da Lei nº 9.715/98, as sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada com base no faturamento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não-associados. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-77038
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa

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V.131n 15" Segundo Conselho de Contribuintes Processo n9 : 10820.000825/2001-13 Recurso n9 : 121.664 Acórdão n 201-77.038 Recorrente : UNIMED DE ANDRADINA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP COOPERATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO. PROCEDI- MENTO PRÉVIO. Nos lançamentos de oficio em que é exigido PIS-PASEP devido por cooperativa em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não-associados, não existe a necessidade de procedimento prévio para descaracterização da cooperativa, até porque a razão do lançamento decorre de expressa disposição legal na situação especificada. PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos estão descritos e o enquadramento legal consta do auto de infração, de tal forma que a autuada tem todas as condições de exercitar seu direito de defesa. PIS. COOPERATIVAS. A teor do que dispõe o art. 2, I, § I Q, da MP n 1.212/95, suas reedições e por último da Lei ri 2 9.715/98, as sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada com base no faturamento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não-associados. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIMED DE ANDRADINA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em lde julho de 2003. ct.l.91-1*.;.-cer)* osef Maria Coelho Marques P • • I • • Ir Serafim Femandes Corrêa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Antonio Mario de Abreu Pinto, Roberto Velloso (Suplente), Adriana Gomes Régo Gaivão, Sérgio Gomes Velloso e Rogério Gustavo Dreyer. 1 22 CC-MF• v. Ministério da Fazenda Fl. ts4,l'.---;:tr Segundo Conselho de Contribuintes -wcus • - Processo n: 10820.000825/2001-13 Recurso re 121.664 Acórdão n2 : 201-77.038 Recorrente : UNIMED DE ANDRADINA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO RELATÓRIO O contribuinte acima identificado foi autuado em relação ao PIS-PASEP, período de apuração 10/1998 a 12/2000, por falta de recolhimento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não-associados. Em tempo hábil apresentou impugnação alegando: a)a necessidade prévia de descaracterização da cooperativa; b)que os atos que praticou são cooperativos; c) a necessidade de perícia para comprovar que não pode sofrer incidência tributária pois é uma cooperativa; d)que não existe faturamento nas cooperativas; e e)ser improcedente o lançamento, por cerceamento do direito de defesa, e, se assim não entender, porque o lançamento é mera suposição, já que não ficou provada a prática do ato cooperativo. A DRJ em Ribeirão Preto - SP manteve integralmente o lançamento. Foi apresentado recur o voluntário reiterando as alegações iniciais que subiu mediante Mandado de Segurança. É o relatório. etik 2 22 CC-MF —v-s-r/ Ministério da Fazenda Fl. t.1,-:140 Segundo Conselho de Contribuintes ?a, 3 Processo n' : 10820.000825/2001-13 Recurso d : 121.664 Acórdão n : 201-77.038 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERAFIM FERNANDES CORRÊA O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe apreciar o alegado cerceamento do direito de defesa. Diz a recorrente haver necessidade de realizar perícia para mostrar que todos os seus atos são cooperativos. E mais. Haveria por parte do Fisco a obrigação de descaracterizá-la previamente como cooperativa para, só então, proceder ao lançamento. No meu entender, não há a exigência de descaracterizar a recorrente como cooperativa, muito menos de realizar perícia para definir se os atos que pratica são, ou não, cooperativos Em primeiro lugar, porque não se trata de descaracterização corno cooperativa, mas sim de cumprir a lei que determina a exigência do PIS-PASEP na situação em que especifica. Ou seja, a recorrente continua sendo cooperativa, mas em relação àquelas receitas previstas na Lei, está sujeita ao pagamento da contribuição. Depois, a perícia só é cabível nos casos de complexo entendimento dos fatos, o que não é o caso presente, onde, em verdade, os fatos são muito claros, como clara é a matéria de direito, como demonstro, a seguir. Do exame do processo, resulta evidente que a recorrente é uma cooperativa de prestação de serviços médicos formada a partir de um grupo inicial de médicos cooperados a quem a cooperativa destina serviços. Essa mesma cooperativa vende planos de saúde ao público, a quem presta serviços, através de seus médicos cooperados, ou de terceiros. Essa a realidade dos fatos. Sendo assim, a meu ver, está claro que o ato cooperativo só ocorre quando a cooperativa prestar serviços médicos aos seus próprios médicos cooperados. Quando esses serviços forem prestados a terceiros que adquiriram, ou não, os planos de saúde vendidos pela cooperativa, o ato é não-cooperativo. A respeito de tal situação, não pode haver dúvidas de que está correta a exigência do PIS-PASEP, ante o que dispõe o art. 2, I, § 1°, da MP n 1.212/95, suas reedições e por último a Lei na 9.715/98, a seguir transcrito: "Art 22 A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; II - pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações, com base na folha de salários; III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. § P As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagame to mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em ação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados." (dest 3 2Q CC-MF :_j_n Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes - Processo flQ : 10820.00082512001-13 Recurso n° : 121.664 Acórdão fl9 201-77.038 Isto posto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em lde julho de 2003. SERAFIM FERNANDES CORRÊA. /kl \ 4

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4673159 #
Numero do processo: 10830.001375/99-72
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO - Nos casos de repetição de indébito de tributos lançados por homologação, o prazo de cinco anos inicia-se a partir da extinção definitiva do crédito tributário.
Numero da decisão: 102-44629
Decisão: Por unanimidade de votos, RECONHECER a inocorrência da decadência e determinar o retorno dos autos à primeira instância para apreciação do mérito.
Nome do relator: Mário Rodrigues Moreno

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ VICENTE. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RECONHECER a inocorrência da decadência e determinar o retorno dos autos à primeira instância para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO 111 FREITAS DUTRA PRESIDENTE -4441111~Nk MÁRIO ROb RIGUES MORENO RELATOR FORMALIZADO EM: 08 MAR 200t Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÓVIS ALVES, VALMIR SANDRI, LEONARDO MUSSI DA SILVA, AMAURY MACIEL e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. MINISTÉRIO DA FAZENDA 44, - ;Á- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA Mr. Processo n°. : 10830.001375199-72 Acórdão n°. :102-44.629 Recurso n°. : 123.573 Recorrente : JOSÉ VICENTE RELATÓRIO O contribuinte pleiteou junto à Delegacia da Receita Federal de Campinas-SP ( fls. 1 e sgs.) a restituição do imposto que teria pagado a maior no exercício de 199, sob o argumento de que o mesmo foi indevidamente descontado dos rendimentos recebidos por adesão a plano de desligamento voluntário — PDV oferecido pelo empregador. O pedido foi indeferido (fls. 13) sob o fundamento de que já havia decorrido o qüinqüênio previsto na legislação para o exercício do Direito. Inconformado, reiterou seu pleito junto à Delegacia de Julgamento de Campinas ( fls. 17 ) juntando documentos. A autoridade monocrática (fls. 22/24) manteve a Decisão da Delegacia da Receita Federal, não analisando a mérito e repelindo a pretensão do contribuinte sob o fundamento de que é descabida a admissão da retroatividade" ex tuna" da Instrução Normativa nro 165/98 tendo em vista os termos do Ato Declaratório SRF nro 96/99 e Parecer PGFN/CAT nro 1538/99. irresignado, recorre tempestivamente a este Conselho ( fls. 26/40 ) , reiterando a argumentação expendida nas peças vestibulares, no sentido de que não teria ocorrido o prazo decadencial. É o Relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10830.001375/99-72 Acórdão n°. :102-44.629 VOTO Conselheiro MÁRIO RODRIGUES MORENO, Relator A Decisão recorrida merece reparo. Consoante entendimento que vem sendo dado por esta e por outras Câmaras deste Conselho, inclusive a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Superior Tribunal de Justiça, o prazo para os contribuintes solicitarem restituição de indébito é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ao teor do inciso I do Art. 168 do Código Tributário Nacional. Desta forma, perquiri-se qual o momento em que ocorreu a extinção do crédito tributário na hipótese dos autos. Nos termos do inciso VII do Artigo 165 combinado com os parágrafos 1° e 4° do Artigo 150 do Código Tributário Nacional, nos casos de lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário somente ocorre com sua homologação, expressa ou tácita. Não tendo ocorrido, na hipótese dos autos, homologação expressa, tem-se que ocorreu a homologação ficta, que se efetiva após cinco anos da ocorrência do fato gerador, nos estritos termos do parágrafo 4° do Art. 150 do CTN. Sendo a repetição do indébito pretendida pelo recorrente referente ao exercício de 1994 e não tendo ocorrido a homologação expressa, operou-se a homologação tácita, sendo extinto definitivamente o crédito tributário cinco anos MINISTÉRIO DA FAZENDA k • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10830.001375/99-72 Acórdão n°. : 102-44.629 após a ocorrência do fato gerador, data a partir da qual, inicia-se o prazo assinado no inciso! do Art. 168 do CTN. Por outro lado não esta devidamente comprovado através de documentação completa que os valores recebidos decorrem de PDV. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso, para reconhecer que a contribuinte formulou a pedido de restituição dentro do prazo legal, afastando a ocorrência da decadência, devendo o processo retornar à primeira instância para apreciação do mérito propriamente dito, em observância ao princípio do duplo grau de jurisdição. Sala das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2001. MÁRIO RODRIGUES MORENO 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.009040/98-40
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/1996 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação, de sorte que não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. Sendo o beneficiário pessoa jurídica, o IRRF incidente na distribuição de dividendos é considerada definitiva, salvo na hipótese de compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-49.362
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Núbia Matos Moura

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I to;'•,'-ik. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768.009040198-40 Recurso n° 160.200 Voluntário Matéria IRF - Ano(s): 1995 e 1996 Acórdão n° 102-49.362 Sessão de 05 de novembro de 2008 Recorrente VALE DO RIO DOCE NAVEGAÇÃO S/A (DOCENAVE) Recorrida 8' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASS UNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/1996 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação, de sorte que não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. Sendo o beneficiário pessoa jurídica, o IRRF incidente na distribuição de dividendos é considerada definitiva, salvo na hipótese de compensação com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. . . .. •. Processo n°10768.009040/98-40 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.382 Fls. 2 li i!Iyásse; I ? kr • . , ler SOA MONTEIRO Pr sidente rtiafitl'A ......._.NUE MATOS MOURA Relatora FORMALIZADO EM: 2.2 DE?. 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Eduardo Tadeu Farah. 2 Processo n° I 0768.00904019840 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 3 Relatório VALE DO RIO DOCE NAVEGAÇÃO S/A DOCENAVE apresentou Pedido de Restituição, fls. 01, acompanhado de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, fls. 02, em 12/05/1998. Os créditos, segundo demonstrativo apresentado pela contribuinte, fls. 03, referem-se ao Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF sobre dividendos e juros sobre o capital próprio, códigos 4424 e 5706, nos valores de R$ 2.065.711,18 e R$ 2.977.867,67, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária DERAT/RJ deferiu em parte o pedido, conforme Parecer Conclusivo n° 212/05, fls. 273/278, reconhecendo o direito creditório, no valor de R$ 2.977.867,67. Em seu arrazoado a DERAT esclarece: Em relação ao pedido de Restituição/Compensação, do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre a receita de DIVIDENDOS auferidos, esclarecemos que o tratamento tributário, se encontra regulamentado no art. 2", parágrafo 1°, Alínea B, da Lei 8.849/94, com a redação dada, pelo artigo 2° da Lei n° 9.064/95, transcrita abaixo, que restringiu a compensação do referido imposto retido na fonte, apenas com o imposto incidente na fonte na distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, não cabendo, portanto, o reconhecimento do direito creditó rio a este título. Diante do exposto, proponho o não reconhecimento do direito creditó rio decorrente do IRRF sobre os Dividendos auferidos nos anos calendário de 1996 e 1995. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 309/322, que encontra-se assim resumida no Acórdão DRJ/RJOI n° 12-13.816, de 30/03/2007, fls. 358/371: Tempestividade É tempestiva a manifestação de inconformidade, já que foi cientificada do despacho decisório de fl. 273/278 em 18.08.2006 e protocolou a referida manifestação em 19/09/2006; Débitos Extintos — Homologação Tácita: Preliminarmente, cumpre destacar que os débitos objetos do pedido de compensação n° 10768.009040/98-40 foram formalizados por meio das Declarações de Compensação em 12/05/98, 15/09/99, 23/09/99 e 30/09/99, conforme fl. 02, 65, 67, 71 e 73 dos autos (Doc. 04); Assim, constata-se que os pedidos de compensação foram homologados tacitamente uma vez que, de acordo com o art. 74, §§ 2°, 4° e 5° da Lei n° 9.430/96, passados 5 (cinco) anos da entrega do pedido de compensação sem qualquer objeção por pane da Receita Federal quanto ao pedido formulado (no caso, o prazo era 30/09/04), encontra- se definitivamente extinto o crédito tributário objeto do pedido de compensação no valor em comento; 3 . . Processo n° 10768.009040/98-40 CCO I /CO2 Acórdão n.° 10249.362 Fls. 4 Cita posicionamento da Egrégia 2 " Turma do Tribunal Regional Federal da 4° Região no julgamento do agravo de instrumento no 2005.04.01.050857-9/SC e jurisprudência administrativa a respeito que corrobora o entendimento; Direito inequívoco ao crédito relativo ao saldo nevativo de IR decorrente do pagamento de IRRF sobre receitas de dividendos: Resta comprovado nos autos, às fl. 05 e 06 (doc. 05) que houve pagamento de dividendos pela Companhia Siderúrgica Nacional à Docepar com retenção na fonte; Conforme decisão do Fiscal da Receita, o fundamento para que o crédito de IRRF sobre receitas de dividendos não fosse reconhecido baseia-se no art. 2°, parágrafo 1°, alínea b, da Lei n°8.849/94, com a redação dada pelo artigo 2° da Lei n°9.064/95, que teria restringido a compensação de IRRF sobre receitas de dividendos apenas com imposto incidente na fonte na distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; Entretanto, no caso concreto, esse dispositivo não pode ser aplicado já que o IRRF sobre receitas de dividendos tornou-se saldo negativo de IRPJ depois de encerrado o período do ano-base correspondente, devendo-se aplicar a regra geral de restituição do saldo negativo, conforme o artigo 5° da Instrução Normativa e 460, de 18/10/2004, e conseqüentemente homologação da compensação deste crédito com qualquer tributo; Esclareça-se que a interpretação correta que deve ser extraída do art. 2", §1", alínea b, da Lei n° 8.849/94, com redação dada pela Lei e 9.064/95, é a de que o IRRF sobre receitas de dividendos pode: (z) ser compensado com imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; ou (iz) ser considerado como "antecipação", sujeita à correção, e, portanto, não auferido lucro real no final do respectivo ano-calendário, tornar-se saldo negativo no ano-calendário posterior, compensável com qualquer tributo; Para se confirmar a correção da interpretação acima, veja-se que a sistemática aplicável ao saldo negativo, formado a partir do IRRF sobre dividendos, segue a mesma lógica do recolhimento antecipado de IRRF sobre juros sobre capital próprio, regido pela Lei n°9.249/1995; De todo modo, ainda que se entenda que o IRRF sobre dividendos, em caso de inexistência de lucro real, não se transforma em saldo negativo no ano-calendário posterior ao da retenção, não há que se negar o direito creditó rio da ora recorrente, pelos motivos que passa a expor; Advento da Lei que estabeleceu a isencão de IRRF sobre dividendos pagos — direito de manutencão do saldo de créditos acumulados de IRRF recolhidos até a data da isencão Após a edição da Lei n° 9.249/95, que afastou a tributação de IRRF sobre dividendos, a recorrente ficou impossibilitada de compensar seu 4 • Processo n° 10768.009040/98-40 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 5 saldo negativo de IRPJ decorrente de IRRF sobre dividendos com o imposto incidente na fonte na distribuição de dividendos; Isso não significa, entretanto, que o seu crédito acumulado (saldo negativo de IRRO existente quando da edição da isenção não deva ser reconhecido; Cita jurisprudência da 4" Câmara do Conselho dos Contribuintes; Portanto, tendo em vista que as retenções e, por conseqüência, o crédito, foram regularmente apurados, não há qualquer razão para vedar o aproveitamento dos valores sob o argumento de que a lei supostamente só permite a compensação do crédito com o imposto incidente sobre os dividendos. Ora, se o imposto a ser compensado com o crédito foi isentado, a manutenção do direito é assegurada ao contribuinte, podendo este requerer a restituição do crédito, ou ainda, compensá-lo com outros tributos; Cabe, ainda, verificar que o artigo 2°, §1", alínea b, da Lei n° 8.849/94 in fine, com redação dada pelo artigo 2° da lei n" 9.064/95, permite a compensação de IRRF sobre dividendos com o imposto incidente na fonte sobre a distribuição de "outros interesses". Dessa forma, seria possível compensar, por exemplo, IRRF sobre receita de dividendos com IR sobre os valores pagos ou creditados a títulos de juros remuneratórios do capital próprio. Nessa hipótese, os valores de saldo negativo decorrentes das retenções efetuadas sobre os pagamentos de dividendos poderão ser compensados com os valores devidos no presente caso a título de IRRF, enquanto que o saldo negativo formado a partir do IRRF incidente sobre o pagamento de JCP será utilizado para compensar os demais tributos (PIS, COFINS, ...); Conclusão Do exposto, solicita: Que seja reconhecida a homologação tácita das compensações e, conseqüentemente, sejam extintos integralmente os débitos da Companhia Vale do Rio Doce e da Navegação Vale do Rio Doce — DOCENAVE, conforme dispõe o art. 74, 02°, 4" e 5' da Lei n° 9.430/96; Alternativamente, que seja reconhecido o crédito de saldo negativo de IRPJ gerado a partir do IRRF sobre receita de dividendos recolhidos como antecipação do IR devido, relacionado à fl. 03 dos autos e comprovado às fl. 05 e 06, e que, conseqüentemente, sejam extintos os débitos da Companhia Vale do Rio Doce e da Navegação Vale do Rio Doce — DOCENA VE; Ou, ainda, seja reconhecido o crédito de IRRF sobre receita de dividendos recolhidos como antecipação do IR devido e tal crédito seja utilizado para homologar débitos compensados de IRRF, na modalidade de "outros interesses" de que trata o artigo 2°, §1°, alínea b, da Lei n° 8.849/94 in fine, com redação dada pelo artigo 2° da Lei n° 9.064/95; 417° 5 . , . Processo n° 10768.009040/98-40 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 6 Requer, ainda que sejam produzidas todas as provas em direito admitidas, em especial documental e pericial, para que não haja qualquer dúvida acerca do direito creditó rio da Recorrente a titulo de saldo negativo de IRPJ gerado a partir do recolhimento como antecipação de IR devido em 1995 e 1996; Os advogados comunicam endereço. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de restituição e compensação, cujos créditos são de terceiros, não foram convertidos em DCOMP. Não estão, portanto, sujeitos à homologação tácita. COMPENSAÇÃO. IR!?? NA DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. A tributação do IRRF incidente na distribuição de dividendos é considerada definitiva, salvo a hipótese de compensação na forma estabelecido no artigo 2°, §1°, alínea b, da Lei n° 8.849/1994, com a redação dada pela Lei n° 9.064/1995. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 375, a contribuinte apresentou, em 18/06/2007, Recurso Voluntário, tls. 378/397, no qual reproduz e reforça as alegações apresentadas na impugnação, acrescentado que: (..) conforme se verificou no § 4" do art. 74 da Lei n°9.430/96, os pedidos de compensação não apreciados tornam-se, perante a SRF, declaração de compensação desde a data do seu protocolo. Ora, este dispositivo, instituído em 2002, não fez qualquer restrição quanto a débitos de terceiros, motivo pelo qual o intérprete não deve fazê-la. É o Relatório. 44/9 6 Processo n° 10768.009040/98-40 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 7 Voto Conselheira NUBLA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A lide que se apresenta trata de Pedido de Restituição de créditos de IRRF sobre dividendos, que o contribuinte pretende compensar com débitos de terceiros. Os Pedidos de Restituição e Compensação foram apresentados em 12/05/1998 e somente foram apreciados pela unidade administrativa de origem em 14/10/2005. Em seu recurso, assim como em sua impugnação, a defesa solicita que seja reconhecida a homologação tácita das compensações, conforme disposto no art. 74, parágrafos 2°, 4° e 5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 1 , dado que transcorreram mais de cinco anos entre as datas de protocolização dos Pedidos e de suas apreciações. No voto condutor da decisão de primeira instância a autoridade julgadora rechaçou tal hipótese e fundamentou sua decisão em Parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PGFN/CDA/CAT n° 1.499/05, que conclui que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. Veja-se que os parágrafos 2 0, 4° e 50 foram introduzidos pela Lei n° 10.637, de 2002, que também modificou o capite do art. 74, justamente para restringir as compensações aos débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Assim, correta a decisão de primeira instância que concluiu pela não-conversão dos pedidos de compensação em Declaração de Compensação, de modo que tais pedidos não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela Autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nestes termos, passa-se ao exame do Pedido de Restituição do IRRF sobre dividendos, no valor de R$ 2.065.711,18. Tal quantia foi retida da contribuinte quando do I Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada ã Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(1ncluido pela Lei n° 10.637, de 2002) C..) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigoancluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003) ro 7 . . Processo n°10768.009040/98-40 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 8 recebimento de dividendos da Cia Siderúrgica Nacional nos meses de maio e dezembro de 1995 e abril de 1996. Na decisão recorrida a autoridade julgadora de primeira instância faz um retrospecto da legislação pertinente à matéria e com propriedade chega à acertada conclusão. Desse modo, a partir de 30/09/1994, com a publicação da MP 638, não foi mais possível para a pessoa jurídica considerar o IRRF em questão como antecipação do imposto devido. Somente para a pessoa fisica foi mantida a opção. Além disso, apenas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderiam considerar o IR retido sobre lucros recebidos como antecipação do lucro que viesse a distribuir. Caso contrário, a tributação seria considerada definitiva. Esta MP foi reeditado sucessivamente (849, 919, 952, 977 e 1003, todas de 1995) até ser convertida na Lei n°9.064, de 20/06/1995. No caso concreto, conforme doc. 05, houve pagamento de dividendos pela Cia Siderúrgica Nacional à Docepar com retenção na fonte em maio/1995, dezembro/1995 e abril/1996. Nestes períodos, conforme já exposto anteriormente, o IRRF passou a ser considerado definitivo, com a única opção de ser compensado com o IRRF devido pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real por ocasião da distribuição de seus lucros ou dividendos, não subsistindo, portanto, a alegação da interessada de que poderia ser considerado antecipação do IRPJ devido na declaração de rendimentos, vindo a compor o saldo negativo do IRPJ passível de restituição, conforme art. 5' da IN 460/2004. Saliente-se que em havendo regra especifica que regulamente a matéria (art. 2' da Lei 8.849/94, com redação dada pela Lei n° 9.064/95), não cabe a aplicação da legislação do IRRF sobre juros sobre capital próprio (Lei n°9.249/1995) ao caso em questão. Andou bem a autoridade julgadora de primeira instância em sua decisão. De fato o disposto no art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de setembro de 1995, é textual ao disciplinar que os lucros e dividendos calculados com base nos resultados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa fisica ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Registre-se que na forma do disposto no inciso I do art. 111 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), interpreta-se, literalmente, a legislação tributária que disponha sobre a suspensão ou exclusão do crédito tributário. É, portanto, de se concluir que o disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995, não alcança os lucros e dividendos apurados em balanço encerrado em 31 de dezembro de 1994 e 1995, que é o caso, os quais continuam sujeitos à tributação quando e na forma em que forem distribuídos, ainda que esta distribuição ocorra em período posterior a 1° de janeiro de 1996, oportunidade em que o imposto retido na fonte poderá ser compensável com o imposto de renda que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver que recolher nipp 8 . . Processo n° 10768.009040/98-40 CCO1 /CO2 Acórdão n.° 102-49.362 Fls. 9 relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, conforme disciplina o art. 2°, letra "b", da Lei n° 9.064/95, que continua em vigor até o presente. É o que estabelece os arts. 655 e 656 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que dispõe sobre os lucros apurados nos anos-calendário de 1994 e 1995: Art. 655. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, relativos aos lucros apurados nos anos-calendário de 1994 e 1995, quando pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no País, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte à aliquota de quinze por cento (Lei n° 8.849, de 1994, art. 2°, e Lei n°9.064, de 1995, art. 1°) Art. 656. O imposto descontado na forma do artigo anterior será (Lei n° 8.849, de 1994, art. 2°, § ,e Lei n°9.064, de 1995. art.r ): 1 - deduzido do imposto devido na declaração de ajuste anual do beneficiário pessoa Pica, assegurada a opção pela tributação exclusiva; II - considerado como antecipação, compensável com o imposto que a pessoa jurídica beneficiária, tributada com base no lucro real, tiver de recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses; III - definitivo, nos demais casos. Conclui-se, portanto, pela manutenção da decisão de primeira instância, indererindo-se o Pedido de Restituição em exame. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 05 de novembro de 2008. 444 NUBIA MATOS MOURA 9 Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043000.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043200.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043400.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10820.001261/99-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA — MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO. Reforma-se a decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que aplica retroativamente nova interpretação, à luz do que preceitua o art. 2°, parágrafo único, inciso XIII, da Lei 9.784/99 c/c o art. 146 do CTN. Decadência afastada e os autos devolvidos à MU para novo julgamento por não ocorrer no caso a situação prevista no art. 515, § 3°, do Código de Processo Civil. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36.432
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente) e Paulo Roberto Cucco Antunes votaram pela conclusão Vencido o Conselheiro Walber José da Silva que negava provimento e fará declaração de voto.
Nome do relator: LUIS ANTONIO FLORA

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LTDA. RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA — MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO. Reforma-se a decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que aplica retroativamente nova interpretação, à luz do que preceitua o art. 2°, parágrafo único, inciso XIII, da Lei 9.784/99 c/c o art. 146 do CTN. Decadência afastada e os autos devolvidos à MU para novo julgamento por não ocorrer no caso a situação prevista no art. 515, § 3°, do Código de Processo Civil. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente) e Paulo Roberto Cucco Antunes votaram pela conclusão Vencido o Conselheiro Walber José da Silva que negava provimento e fará declaração de voto. Brasília-DF, em 19 de outubro de 2004 • PAULO RI TO CUCCO ANTUNES Presidente zercício a. • 4L LUI ai FLORA Relat. 2 3 FEV 2005 iZe/eteéJáe Participaram, ainda, do presente julgamento, os segui files Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, MARIA HELENA COITA CARDOZO e LUIZ MAIDANA RICARDI (Suplente). Ausentes os Conselheiros SIMONE CRISTINA BISSOTO e HENRIQUE PRADO MEGDA. tITIC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÀMARA RECURSO N° : 126.362 ACÓRDÃO N° : 302-36.432 RECORRENTE : TANABÉ & CIA. LTDA. RECORRIDA : DRERIBEIRÃO PRETO/SP RELATOR(A) : LUIS ANTONIO FLORA RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que manteve despacho decisório de indeferimento de pedido de restituição do FINSOCIAL, sob o fundamento de ter ocorrido a decadência. 3 Consta dos autos que o pedido (protocolo) da contribuinte ocorreu em 07/07/99, reportando-se ao período de apuração de 01/10/89 a 31/03/92. A decisão recorrida entende, em síntese, que o direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente deve observar o prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Em seu apelo recursal o contribuinte aduz em prol de sua defesa, em suma, que o prazo de decadência se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos, conforme jurisprudência judicial, que existe lei específica do FINSOCIAL estabelecendo prazo de dez anos e que não é o caso de decadência, mas sim de prescrição. É o relatório. I 0 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.362 ACÓRDÃO N° : 302-36.432 VOTO Em linhas gerais, nos casos de pedido de restituição do FINSOCIAL tenho me posicionado, reiteradamente, no mesmo sentido da conclusão exposta pela ilustre autoridade julgadora de primeiro grau de jurisdição administrativa, ou seja, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, em virtude de posterior declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Entretanto, no presente caso, verifica-se que o pedido de restituição foi formalizado quando a própria Secretaria da Receita Federal, através do Parecer COSIT 58/98, manifestou-se no sentido de que o prazo para a contagem da decadência, no caso da majoração da alíquota do FINSOCIAL, seria a data da publicação da Medida Provisória 1.110/95, posteriormente convertida na Lei 10.522/02. Por outro lado, a decisão recorrida reporta-se ao Ato Declaratório SRF 96/99 para declarar a ocorrência da decadência, negando-se, assim, o pedido de restituição à recorrente. No entretanto, por se tratar de ato interpretativo posterior, a sentença deixou de observar o disposto no art. 2°, inciso XIII, que veda a aplicação retroativa de nova interpretação, ferindo o princípio da segurança jurídica. A mesma regra está • contida no art. 146 do CTN. Destarte, para evitar situações desiguais em relação a outros contribuintes que na época tiveram deferido os seus pedidos de restituição/compensação, voto, excepcionalmente, no sentido de dar provimento ao recurso, afastando a decadência, devolvendo-se os autos à autoridade julgadora de primeiro grau de jurisdição administrativa para que esta se pronuncie sobre as demais questões de mérito, pois, entendo, que dada as peculiaridades do pedido não é o caso de ser aplicado o disposto no art. 515, § 3°, do Código de Processo Civil. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2004 LUIS A Nb ti '4\ SP, FLORA — Relator 3 A MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 126.362 ACÓRDÃO N° : 302-36.432 DECLARAÇÃO DE VOTO Esta Declaração de voto se faz necessária para deixar patente que este Colegiado não decidiu o mérito do pedido da Recorrente, cuja competência é privativa da autoridade da Secretaria da Receita Federal, indicada na IN SRF n° 460/04, dentre as quais não se inclui o Delegado de DRJ. Ademais, ao analisar o pedido de restituição, combinado ou não com pedido de compensação, a autoridade competente acima referida deverá, p 1 evidentemente, observar as normas contidas na IN SRF n° 460/04, especialmente seu artigo 50, haja vista a grande quantidade de ações judiciais envolvendo a matéria objeto deste litígio, quer impetradas diretamente pelas empresas interessadas, quer impetradas por suas entidades de classe. É o que tinha a declarar. Sala da Sessões, em 19 de outubro de 2004 # t/ 4 l 4 WALBER(a SÉ DA ILVA - Conselheiro , o 4 Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.007910/98-19
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Verificada a exatidão da decisão singular, é de se mante-la na íntegra, por seus jurídicos fundamentos. IRPJ – ERRO NA TRANSCRIÇÃO DE VALORES – Não cabe a autuação por erro dos valores que originaram o lucro real do período-base se tal decorre da transcrição errada de um desses valores. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 105-12894
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Nilton Pess

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-18T19:46:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-18T19:46:10Z; Last-Modified: 2009-08-18T19:46:10Z; dcterms:modified: 2009-08-18T19:46:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-18T19:46:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-18T19:46:10Z; meta:save-date: 2009-08-18T19:46:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-18T19:46:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-18T19:46:10Z; created: 2009-08-18T19:46:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-18T19:46:10Z; pdf:charsPerPage: 1080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-18T19:46:10Z | Conteúdo => • - •• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Recurso n.°. : 119.021 - EX OFFIÇIO Matéria: : IRPJ - EX.: 1994 Recorrente : DRJ - RIO DE JANEIRO/RJ Interessada : LATAS DE ALUMÍNIOS S.A - LATASA Sessão de : 16 DE JULHO DE 1999 Acórdão n.°. : 105-12.894 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Verificada a exatidão da decisão singular, é de se mante-la na íntegra, por seus jurídicos fundamentos. IRPJ — ERRO NA TRANSCRIÇÃO DE VALORES — Não cabe a autuação por erro dos valores que originaram o lucro real do período-base se tal decorre da transcrição errada de um desses valores. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO/RJ. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. „ VERINALDO ilf" IQUE DA SILVA PRESIDENTE Ar NILTON PÉSS RELATOR FORMALIZADO EM: 2 3 co A 1999 , - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS PASSUELLO, LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA e IVO DE LIMA BARBOZA. Ausentes, justificadamente os Conselheiros ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. .1 -0 l ' 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 Recurso n.°. :119.021 Recorrente : DRJ - RIO DE JANEIRO/RJ Interessada : LATAS DE ALUMÍNIOS S/A - LATASA RELATÓRIO A interessada, LATAS DE ALUMÍNIOS S.A. LATASA, teve contra si lavrado Auto de Infração referente a IRPJ, originada da revisão sumária de sua declaração de rendimentos correspondente ao ano-calendário de 1993 (DIRPJ/94), Auto de Infração e anexos — folhas 82/87, indicando lucro real diferente da soma de suas parcelas e prejuízo fiscal indevidamente compensado no período-base de outubro do mesmo exercício. Em sua impugnação, o contribuinte alega que a diferença apurada decorre de um erro de datilografia na transposição do valor constante na linha 51 (lucro líquido do período-base) do quadro 04 do anexo I (demonstração do resultado do período- base) para a linha 01 (lucro líquido do período-base) do quadro 04 do anexo 2 (demonstração do lucro real), sendo o valor correto aquele constante da linha 51 do anexo 1, no valor de Cr$ 130.837.412,00, conforme pode ser verificado pela movimentação das contas do balancete de setembro de 1993. A autoridade julgadora monocrática, através da decisão DRJ/RJO 661/98 fls. 101/103), considera o lançamento improcedente, recorrendo de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes, de seu próprio ato decisório. É o relatório. 3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.°. : 10768.007910/98-19 Acórdão n.°. : 105-12.894 VOTO CONSELHEIRO NILTON PÊSS - Relator. O recurso foi interposto de conformidade com o entendimento da autoridade julgadora, em atenção a legislação então vigente. Não vejo como alterar as razões de decidir da autoridade julgadora monocrática, pois o mesmo escudou-se em documentação anexada pelo impugnante, após a análise desenvolvida e descrita, que amparam e solidificaram sua decisão. Perfeitamente demonstrado no processo, a ocorrência de erro material na transcrição de valores, referente ao mês de setembro/93 — 130.837.412 (fls. 92 — linha 51), para 230.837.412 (fls. 96— linha 01). Assim, por apresentar a matéria desonerada valor superior ao atual limite de alçada, fixado de acordo com a Portaria MF n.° 333, de 11/12/97, conheço do recurso de oficio interposto, e voto por NEGAR provimento, devendo ser definitiva a decisão da autoridade julgadora singular, proferida no presente processo. É o meu voto. Sala das Sessões - D, 16 de julho de 1999. 40/111 .41 t NILTON PÊS 4 Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.009953/2002-95
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, INSTITUÍDA PELO DECRETO-LEI Nº 2.295/86. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF PRECEDENTES JUDICIAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 191.044-5/SP (DJ de 31/10/1997) O RE 191.044-5/SP, interposto pela Fazenda Nacional, não foi conhecido pelo STF, ratificando-se assim a decisão exarada pelo TRF, no sentido de que o decreto-lei nº 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1998. Cogitar-se de que aquele julgado tenha declarado a inconstitucionalidade do citado diploma legal em face da Constituição de 1967 seria extrapolar os limites do recurso, afrontando-se assim os consagrados princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformatio in pejus. De resto, o voto-vista do Ministro Ilmar Galvão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que, até aquele momento, o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vício originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora - e nem poderia ter sido - declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a incostitucionalidade dos artigos 2º e 4º do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e ex nunc (e não ex tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos de procedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO Nº 2.346/97. As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto nº 2.346/97, a saber no controle difuso, os efeitos erga omnes e ex tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1º e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4º, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4º, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE Nº 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de inconformidade (repetição de indébito) DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, parece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação de decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução do Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn podem ser ajuizada a qualquer tempo, o considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada pra qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp nº 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT Nº 58/98 O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória nº 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória nº 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a quo do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselheiros de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF nº 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36.367
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Luis Antonio Flora, Walber José da Silva e Simone Cristina Bissoto votaram pela conclusão. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fatia Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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ementa_s : COTA DE CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, INSTITUÍDA PELO DECRETO-LEI Nº 2.295/86. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF PRECEDENTES JUDICIAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 191.044-5/SP (DJ de 31/10/1997) O RE 191.044-5/SP, interposto pela Fazenda Nacional, não foi conhecido pelo STF, ratificando-se assim a decisão exarada pelo TRF, no sentido de que o decreto-lei nº 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1998. Cogitar-se de que aquele julgado tenha declarado a inconstitucionalidade do citado diploma legal em face da Constituição de 1967 seria extrapolar os limites do recurso, afrontando-se assim os consagrados princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformatio in pejus. De resto, o voto-vista do Ministro Ilmar Galvão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que, até aquele momento, o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vício originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora - e nem poderia ter sido - declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a incostitucionalidade dos artigos 2º e 4º do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e ex nunc (e não ex tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos de procedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO Nº 2.346/97. As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto nº 2.346/97, a saber no controle difuso, os efeitos erga omnes e ex tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1º e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4º, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4º, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE Nº 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de inconformidade (repetição de indébito) DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, parece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação de decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução do Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn podem ser ajuizada a qualquer tempo, o considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada pra qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp nº 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT Nº 58/98 O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória nº 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória nº 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a quo do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselheiros de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF nº 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.

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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF • PRECEDENTES JUDICIAIS RECURSO EXTRAORDINÁRIO INI° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/1997) O RE 191.044-5/SP, interposto pela Fazenda Nacional, não foi conhecido pelo STF, ratificando-se assim a decisão exarada pelo TRF, no sentido de que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Cogitar-se de que aquele julgado tenha declarado a inconstitucionalidade do citado diploma legal em face da Constituição de 1967 seria extrapolar os limites do recurso, afrontando-se assim os consagrados princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformatio in pejus. De resto, o voto-vista do Ministro limar Gaivão somente apontou o vício originário com o escopo de justificar mudança de entendimento, já que até aquele momento o decreto-lei inquinado era por ele considerado constitucional, com a ressalva de que a alteração de alíquota pelo IBC, embora não admitida pela nova ordem constitucional, não poderia ser materializada, tendo em vista a extinção daquele órgão. Assim, a ementa e a conclusão do RE 191.044-5/SP estão corretas, delas não constando o vicio originário simplesmente porque tal inconstitucionalidade, apesar de discutida, não fora — e nem poderia ter sido — declarada naquele julgado. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N° 408.830-4/ES (DJ de 04/06/2004) No RE 408.830-4/ES, o STF finalmente declarou, incidenter tantum, a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295/86 frente à Constituição de 1967. Na oportunidade, foi enviada mensagem ao Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal), bem como foi cientificado o Presidente da República, o que invalida a alegação de impossibilidade de edição de Resolução por aquela Casa Legislativa ou de ato do Executivo autorizando a restituição pleiteada. 55k. tIDC • MINISTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. Tratando-se de declaração do STF em sede de Recurso Extraordinário, lida-se com o controle difuso de constitucionalidade, cujos efeitos operam-se inter partes (e não erga omnes) e a nunc (e não a tunc). Assim, na ausência de Resolução por parte do Senado Federal ou de ato do Presidente da República estendendo os efeitos do precedente a terceiro não integrante da relação processual, não há como sequer cogitar da restituição pleiteada. OBSERVAÇÃO DAS DECISÕES DO STF PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL DECRETO N° 2.346/97 As decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, obedecidos os procedimentos estabelecidos no Decreto n° 2.346/97, a saber: no controle difuso, os efeitos erga omnes e a tunc estão condicionados à suspensão da norma inquinada, por meio de Resolução do Senado Federal ou de autorização do Presidente da República, salvo se o ato praticado com base na lei inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial (art. 1° e §§); mediante autorização do Secretário da Receita Federal, os órgãos lançadores e preparadores da SRF podem deixar de lançar créditos tributários, bem como retificar, cancelar e deixar de inscrever em Dívida Ativa da União os créditos já lançados e ainda não pagos (art. 4°, incisos I a IV); os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem, por si sós, afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, na hipótese de crédito tributário, quando houver Oimpugnação ou recurso não definitivamente julgado contra a sua constituição, descartado assim o caso de restituição, que pressupõe a existência de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, parágrafo único). PARECER PGFN/CRE N° 948/98 O parecer em epígrafe explicita que tanto as DRJ como os Conselhos de Contribuintes não só podem como devem afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, com ou sem Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal, porém ressalva que tal afastamento deve se dar na precisa forma do art. 40, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97. E essa precisa forma, como assentado no item anterior, não inclui restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento. Com efeito, o parecer de que se cuida trata p_1, 2 _ _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 especificamente do julgamento de impugnação de lançamento (exigência de crédito tributário), e não de manifestação de • inconformidade (repetição de indébito). DECADÊNCIA REGRA CONTIDA NO CTN O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN). POSICIONAMENTO DO STJ O STJ pontificava que o termo de início para a contagem da decadência seria, no caso do controle concentrado, a data de publicação da decisão do STF e, no controle difuso, a data de publicação de Resolução pelo Senado Federal. Assim, tendo em vista que a ADIn pode ser ajuizada a qualquer tempo, e considerando-se a discricionariedade do Senado Federal na edição de Resoluções, perpetrar-se-ia a imprescritibilidade no Direito Tributário, o que poria em risco a segurança jurídica. Diante dessa problemática, o STJ vem revendo o seu entendimento, passando a considerar como dies a quo para contagem da decadência, no caso de inconstitucionalidade de tributo sujeito a lançamento por homologação, a mesma data considerada para qualquer outro caso de pagamento indevido, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco" a contar da data do pagamento (AGREsp n° 591.541, de 03/06/2004). POSICIONAMENTO DO PARECER SRF/COSIT N° 58/98 • O parecer em comento, antes de definir o dies a quo da contagem do prazo decadencial, parte da premissa de que, no controle difuso, a configuração do indébito requer a publicação de Resolução do Senado Federal, de ato do Secretário da Receita Federal ou de algum substitutivo que, à guisa de exceção, confira efeitos erga omnes à decisão do STF (a exemplo da Medida Provisória n° 1.110/95, relativamente ao Finsocial). O termo inicial para contagem do prazo decadencial seria, então, a data de publicação do ato que teria estendido os efeitos do julgado a terceiro não participante da relação processual. No caso da cota café, tal ato não existe. ANALOGIA DA COTA CAFÉ COM O FINSOCIAL. Tanto a cota de contribuição sobre exportações de café como o Finsocial constituem exações que, após extinta a sua cobrança, yk 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA t ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 foram declaradas inconstitucionais pelo STF no controle difuso, sem a emissão de Resolução do Senado Federal, embora em ambos os casos aquela Casa Legislativa tenha sido comunicada. No que tange • ao Finsocial, a maciça jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e CSRF é no sentido de que, ausente a manifestação do Senado Federal, o reconhecimento do direito à restituição do indébito tributário somente nasceu com a edição da Medida Provisória n° 1.110/95, considerando-se inclusive como dies a atm do prazo decadencial a data da publicação da citada MP (30/08/95), e não a data de publicação da decisão do STF (02/04/93). Quanto à cota café, não foi editado qualquer ato autorizando a sua restituição, encontrando-se a autoridade administrativa impedida de promovê-la, conclusão essa que se harmoniza com o próprio raciocínio aplicado ao Finsocial. VEDAÇÃO REGIMENTAL É vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação de lei, em virtude de inconstitucionalidade, salvo nos casos especificados, que não incluem a situação em tela (art. 22-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, com a redação dada pela Portaria MF n° 103/2002). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Luis Antonio Flora, Walber José da Silva e Simone Cristina Bissoto votaram pela O conclusão. Vencidos os Conselheiros Paulo Affonseca de Barros Fatia Júnior e Paulo Roberto Cucco Antunes que davam provimento. Brasilia-DF, em 14 de setembro de 2004 _ HENRIQLV PRADO MEGDA Presidente AvIARIA HELENA COTTA CAlet 19 CUT 2004 Relat0ra Participou, ainda, do presente julgamento, a seguinte Conselheira: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL Esteve presente o Advogado Dr. GERALDO MAGELA PINTO GARCIA, OAB/MG — 84.890. 4 • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA fi • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 RECORRENTE : MERCANTIL TRADING S/A RECORRIDA : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC RELATOR(A) : MARIA HELENA COTTA CARDOZO RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO A interessada apresentou, em 27/06/2002, por meio de seu procurador (instrumento de fls. 41), o pedido de restituição de fls. 01, no valor de R$ 82.375.305,89, referente a Cota de Contribuição sobre Exportação de Café, recolhida de maio de 1987 a março de 1990, com base no Decreto-lei n°2.295/86. O pedido foi apresentado na forma da Instrução Normativa SRF n°21/97. O pedido de restituição veio acompanhado de texto contendo fundamentação legal (fls. 04 a 10) e demais documentos de fls. 11 a 1.003. A fundamentação legal do pedido aponta, basicamente, os Recursos Extraordinários ifs 191.044-5/SP e 198.554-2/SP, cujos acórdãos foram publicados em 31/10/97, os Recursos Extraordinários nos 212.835/SP (01/02/99), 210.056 (03/04/98), 215.913 (03/04/98) e 237.712-8/MG (13/05/99), o parecer do consultor José Antonio Minatel, o Recurso n° 120.653, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, julgado em 17/10/2000, o Parecer PGFN/CRE n° 948/98, o Decreto n°2.346/97, a Instrução Normativa n°21/97, com a redação dada pela de n° 73/97 e a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL Em 04/07/2003, a Alfa'ndega do Porto do Rio de Janeiro/RJ, por meio do Parecer SEORT n°20/03 (fls. 1.010 a 1.013— Volume 3), denegou o pedido de restituição, assim concluindo: "O contribuinte pleiteia a restituição das contribuições pagas a titulo de cotas de contribuição sobre a exportação do café, extinta em 04/1990. Não tendo defendido o seu direito judicialmente, dentro do prazo de cinco anos, apela pela via administrativa doze anos após, com base em recursos extraordinários julgados pelo STF no exercício do controle difuso da constitucionalidade, que produz rj 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA op" • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eficácia meramente intraprocessual, sendo o tributo indevido somente para as partes litigantes, já que recorreram à tutela jurisdicional antes de decair o seu direito. Deve-se fazer a distinção dos dois momentos que ocorrem para a extinção do crédito tributário: um que o tributo era devido e ocorreu o pagamento, o outro em que ele deixou de ser devido, porque a Excelsa Corte assim o decidiu. São direitos diversos e para os dois há um prazo decadencial de cinco anos. O beneficiário da declaração de inconstitucionalidade da norma legal terá cinco anos a partir da decisão do STF para repetição do indébito. Quanto ao peticionário deste, não tendo nenhuma decisão judicial que o beneficie, a extinção do crédito tributário ocorreu com o pagamento da contribuição e portanto, houve caducidade do seu direito, que não pode mais ser exercido por nenhuma das duas vias (administrativa e judicial). Quanto à consolidação das normas de procedimento dada pelo Decreto n° 2.346/97, é inequívoco que afasta a possibilidade de revisão de matéria atingida pelo Instituto da Decadência e será excludente para todos os órgãos da Administração Pública, mesmo sendo competente para afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo STF." DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Por meio da Intimação n° 216/2003 (fls. 1.014 — Volume III), interessada foi instada a comparecer à Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, para tomar ciência do indeferimento do pleito. Às fls. 1.014/verso — Volume III, consta o AR-Aviso de Recebimento relativo à citada intimação, sem o registro da data de ciência do destinatário, porém com carimbo do Correio de Origem datado de 25/07/2003. Às fls. 1.013 — Volume III consta registro de ciência ocorrida em 09/09/2003, sem a identificação do signatário. Em 14/09/2003, a interessada apresentou, por seu advogado, a Manifestação de Inconformidade de fls. 1.117 a 1.137/Volume III, contendo os seguintes argumentos, em síntese: A inconstitucionalidade do DL 2.295/86 - o Supremo Tribunal Federal pacificou a controvérsia por ocasião dos RE n's 191.044-5/SP e 198.554-2/SP, cujos acórdãos, de igual teor, foram publicados no D.J.U. de 31/10/97, quando os nobres Ministros, em Sessão Plenária, por decisão unânime, não conheceram do recurso extraordinário interposto pela União tkj, 6 " MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESe SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Federal, sendo reconhecida a inconstitucionalidade das cotas de contribuição frente à ordem constitucional atual e pretérita, esta última objeto do voto do Ministro limar Gaivão (fls. 674 a 695 - Volume III); - no mesmo sentido inúmeros outros acórdãos, dentre os quais os RE rt's 212.835/SP, de 01/02/99, 210.056, de 03/04/98 e 215.913, de 03/04/98 (cita trecho de parecer do consultor José Antonio Minatel — fls. 697 a 721 — Volume III); - no RE n° 237.712-8/MG (fls. 964 a 975 — Volume III), o relator, depois de considerar que a matéria encontrava-se pacificada, após o julgamento no âmbito do plenário do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, restabelece o entendimento contido na sentença exarada por Sacha Calmon Navarro Coelho (fls. 968 a 975 — Volume III), reconhecendo o direito creditório relativo às cotas realizadas entre maio de 1987 e abril de 1990, com base em parecer de Gilberto de UlMa Canto (fls. 976 a 995 — Volume III), concluindo que a exação sempre padecera do vicio de inconstitucionalidade, estendido com redobrada força ao sistema introduzido pela Constituição de 1988; - formada a jurisprudência definitiva do STF sobre a questão, diversos acórdãos dos TRF reconhecendo indevidos todos os recolhimento efetuados a partir da entrada em vigor do Decreto-lei n° 2.295/86 já transitaram em julgado; - ressalta-se o julgamento proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos autos do Recurso n° 120.653, Acórdão n° 303-29.433, em 17/10/2000, de relatoria do Conselheiro Zenaldo Loibman (fls. 996 a 1.003 — Volume III); - não existe impedimento ao julgamento da matéria, por inexistência de ato do Secretário da Receita Federal ou de Resolução do Senado, já que o Decreto n° 2.346/97 demonstra que a condição necessária e suficiente para a extensão dos efeitos de decisão plenária do STF é a de que esta fixe, de forma inequívoca e definitiva, interpretação de texto constitucional; - para exemplificar, no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução especifica do Senado Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, já transformadas em lei, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição; A Decadência do Direito - existem duas posições pacificadas na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; e? 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a primeira, que contempla os casos de indébito decorrente de situação fática não litigiosa (art. 165, incisos I e II, do CTN), é no sentido de que a • decadência do direito à restituição ocorre com o decurso de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento; - a segunda, que abrange os casos em que o indébito manifesta-se no contexto de solução jurídica conflituosa (art. 165, inciso III, do CTN), entende que o prazo prescricional se dá com o decurso de cinco anos, contados da data em que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a lei em que se fundamenta a questão, levando à conclusão de que todos os fatos geradores de pagamentos indevidos anteriores à data da declaração de inconstitucionalidade podem ser objeto de pedido de restituição nos cinco anos seguintes à data da manifestação do STF; - por estreita analogia, o mesmo tratamento deve ser dado aos casos de soluções jurídicas com eficácia erga omnes, como acontece nos casos de ADIn, na hipótese de resolução do Senado Federal que retira do ordenamento jurídico norma declarada inconstitucional, ou, ainda, nas situações em que é editada Medida Provisória ou ato administrativo com finalidade de reconhecer a impertinência da exação; - com efeito, a Coordenação do Sistema de Tributação, mediante o Parecer COSIT n° 58/98, traçou diretrizes inteiramente coincidentes com a orientação acima, emanadas da jurisprudência já pacificada pelo STJ; - o Ato Declaratório SRF n° 96/99 traduz mudança do entendimento oficial sobre a definição do termo inicial da decadência e prescrição na repetição do indébito, já que a Administração Tributária, por meio do Parecer COSIT n° 58/98 fIL tinha posicionamento diferente do defendido pela Procuradoria da Fazenda Nacional W no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, em que se apóia o primeiro dos atos declaratórios citados; - tal fato passa a mensagem de que a Receita Federal submeteu-se à deliberação da Procuradoria Geral da Fazenda, em mudança de entendimento que resultou em tratamento desigual entre contribuintes; - a decisão recorrida aplicou o entendimento do AD SRF n° 96/99, porém a certeza sobre a existência do indébito só aparece com a decisão final da Suprema Corte, o que geralmente acontece em época muito distante da data do pagamento; - devem ser demonstradas as razões jurídicas que invalidam o entendimento do AD 96/99 e, como este tem como único fundamento o Parecer/PGFN/CAT n° 1.538/99, os seus principais tópicos devem ser contraditados; yk_ 8 . . .. MINISTÉRIO DA FAZENDAe , * TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - o principal fundamento de dito parecer é que o entendimento de que o termo inicial para a contagem dos prazos decadenciais coincidente com a data • da publicação do acórdão que declara a inconstitucionalidade, é contrário ao princípio da segurança jurídica, por aplicar o efeito ex tunc de forma absoluta, sem atenuar sua eficácia, desfazendo situações jurídicas que, pela legislação regente, não seriam passíveis de revisão administrativa ou judicial; - ora, devolver tributo indevidamente recebido é situação perfeitamente reversível, cuja correção não ofende ao princípio da segurança jurídica, mas sim é imperativa em face do princípio da moralidade administrativa (art. 37 da CF/88); _ - ademais, obter "o abrandamento do efeito retroativo" da cláusula_ ex tunc significa trazer particularidades somente aplicáveis aos atos discricionários, exigindo juízo de conveniência e oportunidade incompatíveis com a prática dos atos administrativos em matéria tributária (cita jurisprudência do STJ); - uma das mais recentes manifestações do STJ sobre a matéria ocorreu no Recurso Especial n° 198.236-Sr', segundo o qual o prazo para compensação de créditos tributários deve ser contado a partir da decisão do STF que declarar a inconstitucionalidade da exação ou da homologação do lançamento; - assim, é impertinente a equivalência pretendida pelo AD SRF n° 96/99 entre a situação verificada diante de uma norma inconstitucional e a verificada diante da aplicação errada de uma lei válida; - o controle sobre a aplicação da lei válida se insere no campo de domínio do próprio contribuinte, que dispõe de prazo de cinco anos para pleitear a érestituição do pagamento indevido, com termo inicial na data da extinção do crédito tributário (que, conforme o STJ, ocorre na homologação do lançamento), já a inconstitucionalidade depende da ação do poder judiciário; - a solução do problema deve ser buscada no próprio CTN, porém sem a distorção perpetrada pelo Parecer da PFN; - aliás, a solução já foi adotada pelo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 108-05.791 (DOU de 27/10/99), de relatoria do então Conselheiro José Antonio Minatel, segundo o qual o pagamento indevido se materializa na data da decisão da Colenda Corte, sendo que o prazo para desconstituição da indevida incidência só tem início com a decisão definitiva da controvérsia; - para tal conclusão utilizou-se o método sistemático de 14interpretação, todavia se é para empregar a analogia, não é necessário maior esforço 9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CitMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 exegético para que se enxergue fluidos de "revogação, anulação, reforma" em toda a decisão que declara a inconstitucionalidade de lei, já que é inerente ao Poder Judiciário a eficácia de reformar, revogar e anular os efeitos da norma viciada permitindo a aplicação do inciso lido art. 168 do CTN; - liquidando a questão, cita-se o entendimento do RE n° 141.331-0, em que foi relator o Ministro Francisco Resek, referente ao empréstimo compulsório, segundo o qual, declarada a inconstitucionalidade da norma instituidora, surge para o contribuinte o direito à repetição do indébito, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido; Da Correção Monetária do Indébito g - conforme planilhas de cálculo constantes do processo, os valores em moeda da época são atualizados até 31/12/95, já expressos em Reais, com base nos índices previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97; - nas rotinas já normatizadas pela SRF, os pagamentos indevidos são corrigidos monetariamente pelos índices na norma acima, no entanto, conforme jurisprudência dos tribunais e do Conselho de Contribuintes, os chamados "expurgos" inflacionários devem ser aplicados, para obtenção da correção monetária integral. Ao final, a interessada pede a restituição das cotas de contribuição sobre a exportação do café, instituídas pelo Decreto-lei n° 2.245/86, conforme planilha de cálculos juntada aos autos, acrescidas de correção monetária plena e expurgos inflacionários, atualizadas ainda até o efetivo beneficio da contribuinte. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 24/10/2003, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC exarou o Acórdão DRJ/FNS n°3.217 (fls. 1.139 a 1.147 — Volume III), indeferindo a solicitação de restituição, conforme os seguintes argumentos, em resumo: - o pagamento de tributo indevido confere ao contribuinte direito à restituição, a extinguir-se no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme o disposto nos artigo 165 e 168 do CTN e Ato Declaratório SRF n° 96/99; - no caso em tela, os créditos tributários extinguiram-se, em princípio, nas datas dos pagamentos ou cobranças da exação (art. 156, inciso I, do CTN), portanto essas datas cpstituem os marcos iniciais dos prazos decadenciais (art.I 68, inciso I, do CTN); lo MINISTÉRIO DA FAZENDA , tRCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - o Decreto n° 2.346/97, cujas regras vinculam a Administração Pública Federal, determina que decisões proferidas pelo STF, declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, só alcançam os atos que ainda sejam passíveis de revisão (art. 1°, § 1°); - tal mandamento aplica-se inclusive aos casos em que a inconstitucionalidade seja proferida, incidenter tantum, pelo STF e haja suspensão de sua execução pelo Senado Federal (§ 2° do mesmo art. 1°); - o citado decreto não permite que órgãos julgadores administrativos, de qualquer instância, determinem a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida pelo STF em caso concreto, sem que haja prévia e expressa autorização do Presidente da República ou do Secretário da Receita Federal (arts. 1° e - assim, a decisão do STF declaratória de inconstitucionalidade, para a administração pública federal, salvo expressa determinação em contrário, é dotada de efeito ex tunc, que só será pleno se o ato praticado, com base na norma declarada inconstitucional, ainda for suscetível de revisão administrativa ou judicial; - portanto, o Decreto n° 2.346/97 só admite revisão, na esfera administrativa, daquilo que ainda seja passível de modificação, ou seja, quando não tenha ocorrido, por exemplo, a prescrição ou a decadência do direito, ou mesmo quando seja impossível, por qualquer razão, a reversão da situação; - o CTN não prevê tratamento diferenciado em virtude desta ou daquela hipótese, daí que a decadência se opera, peremptoriamente, com o término do prazo retrocitado, independentemente da situação jurídica que envolveu a extinção, O não importando se a lei que serviu de base à exigência foi posteriormente declarada inconstitucional, pois as relações que se concretizaram sob a sua égide só podem ser desfeitas se não houver expirado o prazo para revisão; - interpretação diversa traria desastrosas conseqüências para a segurança jurídica, ressaltando-se que o princípio da segurança jurídica não se aplica apenas ao administrado, mas também à Administração Pública; - a prosperar a tese defendida pela interessada, seria possível imaginar contribuintes reivindicando restituição décadas após o pagamento; - Aliomar Baleeiro já consignava que a restituição de tributo rege-se pelo CTN, independentemente da razão pela qual o pagamento se tomou indevido, e que a inconstitucionalidade era das causas mais freqüentes de aplicação do inciso I, do art. 165; tx"..._ II _ I MINISTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - se existe norma legal sobre a matéria, não pode o intérprete negar- lhe vigência e assumir a função legislativa; - conforme pronunciamento do STF no Recurso Extraordinário n° 57.310-PB, de 1964, "declarada inválida uma lei tributária, a conseqüência é a restituição das contribuições arrecadadas, salvo naturalmente as atingidas por prescrição"; - assim, deve ser rechaçada qualquer pretensão de se considerar as datas de publicação de Acórdão do STF ou de Resolução do Senado Federal como marcos iniciais dos prazos decadencial ou prescricional, _ - no presente caso, os supostos créditos se referem a fatos geradores ocorridos entre 08/05/87 e 07/03/90, portanto o direito de a contribuinte requerer a restituição dos recolhimentos mais recentes decaiu em 07/03/95; - ainda que se adotasse o critério que considera o prazo de cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento, os supostos créditos também teriam sido alcançados pela decadência, em 07/03/2000, já que o pedido de restituição foi protocolado em 27/06/2002; - destarte, fica demonstrada, preliminarmente, a necessidade de se indeferir o pleito, tomando-se desnecessária a análise do mérito do pedido; - não obstante, o presente pedido de restituição não reúne as mínimas condições para ser seriamente analisado, pelos motivos a seguir elencados; - a interessada não figurou como parte em nenhum processo judicial no qual tenha sido declarada a inconstitucionalidade de que se trata; - não existe decisão do STF, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, na qual tenha sido declarada a inconstitucionalidade dos atos normativos que instituíram a exação objeto do processo; - não existe Resolução do Senado Federal suspendendo a execução dos atos legais e normativos que instituíram a quota de contribuição ao IBC, embora existam decisões eventuais do STF, proferidas em sede de controle difuso, nas quais foi declarada a inconstitucionalidade dos atos mencionados; - não existe ato administrativo do Presidente da República ou do Secretário da Receita Federal que autorize a extensão administrativa dos efeitos de eventuais decisões proferidas pelo STF, em sede de controle difuso, nas quais tenha sido declarada a inconstitucionalidade dos referidos atos legais; t9.k_ 12 - _ • , MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a conjugação dos fatos descritos leva à conclusão de que os atos legais e normativos que instituíram a exação de que se trata são válidos em relação à • interessada, daí não poder a contribuinte pleitear a restituição de qualquer valor recolhido a esse título, ainda que o direito não houvesse sido alcançado pela decadência. DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada do Acórdão de primeira instância em 17/11/2003 (fls. 1.147 a 1.149 — Volume III, a interessada apresentou, em 05/12/2003, tempestivamente, por seu advogado, o recurso de fls. 1.150 a 1.176, acompanhado dos documentos de fls. 1.177 a 1.228 —Volume III. A peça de defesa reafirma as razões contidas na Manifestação de Inconformidade e acrescenta as seguintes alegações, em síntese: - pelos votos dos Ministros, exarados no Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, o STF julgou que a contribuição ao IBC, cobrada na exportação de café, já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade verificado na origem; - é indiscutível que, após a CF/88, a exação foi declarada inconstitucional e que, pelos votos dos demais Ministros, a inconstitucionalidade ocorrera na origem, portanto a interessada tem o direito de reaver tudo quanto pagou; - tais conclusões foram confirmadas por novos pronunciamentos dos Ministros Sepúlveda Pertence e Carlos Velloso, exarados nos RE n's 214.206-9 e 290.076-6; O - traçando-se um paralelo entre a questão do IAA e do IBC, o Ministro Sepúlveda Pertence, no RE n°214.206-9, pronunciou-se no sentido de que o Ministro limar Galvão, no RE n° 191.044, demonstrara a inconstitucionalidade originária do Decreto-lei n° 2.295/86; - o próprio Ministro Carlos Velloso, relator do leading case, em seu voto no RE n° 290.079, julgando a incidência do salário-educação, afirma que no julgamento da cota do IBC o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do Decreto-lei n° 2.295/86 em face da Constituição pretérita; - portanto, o Decreto-lei n° 2.295/86 foi definitivamente declarado inconstitucional pelo STF por conter vício na origem, ou seja, desde a sua edição já era incompatível com a Carta Magna passada; - importante salientar que, não sendo conhecido o recurso interposto pela Fazenda Nacional, como no caso do RE n° 191.044-SP, estabelece-se um 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 incidente processual em que não há o envio ao Senado Federal, para suspensão da execução da norma, apesar da declaração definitiva da inconstitucionalidade; - uma vez formada a jurisprudência definitiva do STF sobre a questão, diversos acórdãos dos TRF reconhecendo como indevidos todos os recolhimentos efetuados a partir da entrada em vigor do Decreto-lei n° 2.295/86 transitaram em julgado, sem distinção quanto às datas dos pagamentos; - não existe impedimento ao julgamento da matéria do ponto de vista constitucional, por inexistência de Resolução do Senado Federal acerca do Decreto-lei n° 2.295/86; - a pessoa jurídica que recolheu quota de contribuição do café sem questioná-la perante o Poder Judiciário tem o direito de pleitear a devolução dos valores pagos diretamente à autoridade administrativa, uma vez que para essa empresa o indébito nasce do contexto da decisão do STF, ainda que no controle difuso, considerando-se que, no caso em tela, a hipótese de ADIn ou da remessa do acórdão ao Senado Federal ficaram prejudicadas; - conforme art. 1° do Decreto n° 2.346/97, as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, devem ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, sob pena de violação do princípio da isonornia; - determinou também o Poder Executivo que, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo STF (parágrafo único do art. 4° do diploma legal acima); - a validade do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, conforme art. 37, caput, da Constituição Federal; - se a decisão recorrida está confirmando texto contrário ao texto constitucional, em detrimento do dispositivo constitucional acima, a autoridade administrativa superior deve proceder à sua revisão (cita doutrina de Aurélio Pitanga Seixas Filho); - a recorrente não pretende a declaração de inconstitucionalidade privativa do Poder Judiciário, mas impedir que se faça exigência em desacordo com o texto constitucional; 1_ 14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA •. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - nos meios fazendários, é comum confundir-se declaração jurisdicional de inconstitucionalidade de lei, com aplicação de princípio constitucional, que nada mais é que aplicação do princípio da legalidade ao caso concreto, - se a missão dos órgãos julgadores da Administração Fazendária é aplicar a lei tributária, assim deve se portar e, sendo a Constituição a lei das leis, deverá ser aplicada em primeiro lugar; - assim, a autoridade administrativa obriga-se a anular exigência incompatível com o texto constitucional, afastando ato contrário ao seu texto, conforme os princípios da ampla defesa e do devido processo legal, mesmo na hipótese de procedimento administrativo (cita doutrina de Edvaldo Brito); - o Parecer PGFN/CRE n° 948/98, em resposta a consulta da SRF acerca da competência dos Conselhos de Contribuintes para decidir sobre matéria constitucional, especialmente para aplicar aos casos sob seu julgamento pronunciamentos de inconstitucionalidade declarados pelo STF, assinalou expressamente que, no caso de decisões sem eficácia erga omnes, há uma regra especial exclusivamente aplicável aos órgãos julgadores da Administração Tributária, que devem (e não só podem) afastar a aplicação da lei declarada inconstitucional pelo STF, citando como base o art. 4°, parágrafo único, do Decreto-lei n° 2.346/97; - ainda, o citado parecer interpretou a expressão "as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional", constante do decreto acima, como "a decisão plenária transitada em julgado, ainda que única e mesmo quando decidida por maioria de votos, se nela foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela"; - assim, por tratar-se de decisão plenária, com mérito apreciado e efetiva declaração de inconstitucionalidade, o presente caso encontra-se em sintonia com o citado parecer, e seus efeitos devem ser respeitados pela Administração Pública; - isso porque a decisão plenária retira da norma a presunção de constitucionalidade, assim é necessário aplicar-lhe os efeitos quando da prática de atos administrativos, sobretudo em sede de julgamento (cita o RE n° 191.906-SC); - observe-se que os tribunais administrativos não estariam negando vigência a norma constitucionalmente editada, porque isso já teria sido declarado pelo STF; - os órgãos públicos estariam apenas dando efetividade a uma decisão alcançada com ânimo definitivo pelo STF, mantendo íntegra a decisão 15 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA• ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 constitucional pelo órgão máximo, o que suplanta qualquer restrição, já que tal dever ancora-se nos princípios da isonomia e da moralidade que devem nortear a atividade administrativa, sobretudo de julgamento; - em duas oportunidades tais pedidos foram providos pelo Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdãos 302-34.812 e 303-29433); - não obstante o Secretário da Receita Federal, na interinidade como Ministro da Fazenda, tenha editado a Portaria n° 103/2002, buscando restringir a competência dos Conselhos de Contribuintes na apreciação de matérias de cunho constitucional, uma vez admitida a obrigação de a Administração acatar a declaração de inconstitucionalidade emanada de decisão plenária do STF, verifica-se que nesse processo não se trata de hipótese de aplicação de tal portaria, ou seja, não se trata de negar aplicação a dispositivo de lei ainda não declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, portanto, de negar vigência à referida portaria; - quanto à alegação de ocorrência da decadência, a jurisprudência judiciária consolidou entendimento de que o prazo para repetição de indébito somente se conta quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, ainda que no controle difuso, conforme Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 43995/RS ; - saliente-se que, no caso do precedente acima, apreciado pelo STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis (RE n° 121.336), sendo que na data da conclusão do julgamento não havia sido editada qualquer resolução senatorial, exatamente como no presente caso; O - na mesma linha de raciocínio, cita-se a decisão do STJ no REsp 200909/RS, de relatoria do Ministro José Delgado; - a tese de que, declarada a inconstitucionalidade da exação, segue- se o direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento, podendo ser exercitado no prazo de cinco anos, a contar da decisão plenária declaratória, se ajusta, dentre outros, ao RE n° 136.883-RJ, de relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence; - o Conselho de Contribuintes também já apreciou a matéria, citando-se os Acórdãos trs 106-11.582/00, 107-05962/00, 108-06283 e CSRF/01- 03.239/2001; - não parece sensato, ou mesmo ético, pelo princípio da isonomia, que a tese defendida pela decisão recorrida (prazo decadencial de cinco anos contados a partir do pagamento indevido) amplamente derrotada nos tribunais e nos Conselhos 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 de Contribuintes, continue a nortear as decisões da administração, em prejuízo do • contribuinte que cumpriu regularmente suas obrigações, mesmo porque o Ato Declaratório SRF n° 96/99 há muito deveria ter sido revogado; - render-se à evidência dos fatos, no presente caso, também faz parte do interesse público, já que os processos desembocarão nas instâncias superiores, que vêm decidindo contrariamente a esta tese, acarretando maiores ônus aos interesses do Estado e do cidadão; - a questão toma-se pior quando se percebe que a questão preliminar da decadência, colocada pelos julgadores administrativos, apenas serve de pretexto para retardar a análise de mérito; - no que diz respeito à competência da SRF na administração da cota do IBC e à ausência de receita a ser anulada, a recorrente pede licença aos Conselheiros para que se adote o entendimento expresso no voto do Conselheiro Zenaldo Loibman no Recurso n° 120.653; - quanto à correção dos valores, a jurisprudência é no sentido de que a correção monetária constitui mera atualização de valor, visando garantir o equilíbrio das relações jurídicas e evitando o enriquecimento sem causa (REsp ti% 43.055-0, 51.007-1, 40.600-SP, dentre outros); - a Advocacia Geral da União, atendendo à solicitação do Ministro da Fazenda, emitiu o Parecer AGU n° GC-96/96 (DOU de 18/01/96), aprovado pelo Presidente da República, no qual se discute a incidência de correção monetária nas parcelas relativas a repetição de indébito tributário, anteriormente à Lei n° 8.383/91, que deve ser obrigatoriamente observado pelo Poder Executivo; - doutrina e jurisprudência reconhecem que a correção monetária nada adiciona à dívida, mas apenas impede que o devedor se beneficie da desvalorização da moeda (cita Arnold Wald e Álvaro Villaça de Azevedo, bem como julgados do STJ); - para que a correção monetária seja plena, evitando-se o enriquecimento sem causa da União, ela deverá incidir desde o recolhimento • indevido, pelos índices da inflação real, desprezados eventuais expurgos decorrentes de planos econômicos (cita julgado do STJ); - o recente Acórdão do STF (RE n° 226.855), referente ao FGTS, não deve ser interpretado como prejudicial à atualização dos indébitos tributários, já que o que se decidiu não foi propriamente acerca da correção monetária como meio de resguardar o poder aquisitivo da moeda, mas sim como decorrente do regime estatutário; 17 . . - , MINISTÉRIO DA FAZENDA i TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a UFIR somente foi utilizada para atualizar indébitos tributários pela Lei n° 8.383/91, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995, não existindo norma - legal expressa para o período anterior; - a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 veio uniformizar os índices a serem aplicados pela SRF e, considerando-se a formação dos coeficientes constantes de sua tabela, verifica-se que estes não contemplam diversos expurgos inflacionários (Planos Bresser, Verão e Collor I); - em resumo, os índices corretos de correção monetária a serem aplicados são aqueles constantes da tabela de fls. 1.168 — Volume III; _ - excluindo-se os índices constantes da citada norma de execução,—.. obtém-se a tabela de expurgos inflacionários a ser utilizada (fls. 1.168— Volume III); - acompanhando a jurisprudência dos tribunais, o Primeiro Conselho de Contribuintes tem garantido a correção de créditos tributários pelo IPC entre janeiro de 1989 e fevereiro de 1991, assumindo expurgos representativos e garantindo correção mais justa que a prevista na NE 08/97 (Acórdão n° 107-04.931/98), - cita-se ainda trecho do voto proferido no Recurso n° 123.370, de relatoria do Conselheiro Luiz Martins Valero (1° CC, 7' Câmara); - o entendimento acima foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/01-04.456; - conforme arts. 30 e 2° das Leis n's 9.249 e 9.250/95, respectivamente, os valores constantes da legislação tributária, expressos em UFIR, IP seriam convertidos em reais pelo valor da UFIR de 1°/01/96; - por outro lado, conforme art. 40 da Lei n° 9.250, a indexação pela UFIR foi substituída pela taxa Selic, a partir de 1 0/01/96, e, pelo art. 75, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, a partir de 1°/01/97, a UFIR passou a ser utilizada, no âmbito da legislação tributária federal, apenas para atualização dos créditos tributários objeto de parcelamento concedido até 31/12/94, sendo definitivamente extinta como indexador pelo art. 29 da MP n° 1973-67/2000; - concluindo, a requerente possui o direito de ver incluídos os índices expurgados na correção dos valores indevidamente recolhidos, garantindo-se assim a preservação dos direitos contidos nos arts. 5°, caput e incisos XXIV c/c XXII, 150, inciso II, e 37, da CF/88, bem como o respeito ao princípio da vedação do enriquecimento sem causa; is MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - a interessada pede sejam as considerações e fundamentos legais do Acórdão n° 303-30.959 considerados como parte integrante do recurso. Ao final, a recorrente pede a restituição dos créditos referentes ao recolhimento das cotas de contribuição sobre a exportação de café, instituídas pelo Decreto-lei n° 2.245/86, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e a inclusão dos expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Pede ainda seja aplicado o disposto no art. 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72, pelo princípio da economia processual. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 1.229 — Volume III (última), que trata da tramitação dos autos no âmbito deste Colegiado. É o relatório. )0\ 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA • , , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 VOTO O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de pedido de restituição da cota de contribuição incidente sobre exportações de café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86, recolhida de maio de 1987 a março de 1990 (fls. 12 a 39), denegado pela Alrandega do Porto do Rio de Janeiro/RJ (Parecer SEORT n° 20/03, às fls. 1.010 a 1.013 — Volume 3). Irresignada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, instaurando-se assim o contraditório. Levado o litígio ao exame da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, essa exarou o Acórdão DRJ/FNS n° 3.217, de 24/10/2003 (fls. 1.139 a 1.147/Volume III), declarando a decadência e considerando inconsistente o pedido, razão pela qual foi interposto recurso voluntário, aportando os autos a este Conselho de Contribuintes. Justificando o pedido de restituição, a interessada apresenta, em suas peças de defesa (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, incluindo argumentos do Acórdão n° 303-30.959, da 3° Câmara do 3° CC), alegações que podem ser agrupadas nos seguintes blocos: A) o Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), julgou que a exação de que se cuida já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade na origem, o que foi confirmado por acórdãos posteriores. Entretanto, o equívoco na formulação da ementa do citado precedente do STF, deixando-se de consignar a inconstitucionalidade originária e registrando-se apenas a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, comprometeu a possibilidade de envio de mensagem ao Senado Federal, para a edição de Resolução; B) cabe aos órgãos julgadores administrativos afastar os efeitos do Decreto-lei n° 2.295/86, com base no Decreto n° 2.346/97, efetuando-se a respectiva restituição, independentemente da inexistência de Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal nesse sentido; C) o Parecer PGFN/CRE n° 948/98 assinalou a existência de regra especial aplicável aos órgãos julgadores administrativos, no sentido de se afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo STF; 20 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA. . ' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 - D) quanto à decadência, doutrina e jurisprudência, inclusive do STJ, pontificam que, no caso de indébitos originários de pagamentos considerados indevidos no contexto de solução jurídica conflituosa, o termo inicial para o exercício- do direito à restituição é a publicação da respectiva decisão (no caso, a data de publicação do resultado do julgamento do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, que ocorreu em 31/10/97); E) ainda com relação à decadência, o Parecer COSIT n° 58/98 já orientava no sentido da adoção de procedimentos uniformes na apreciação de pedidos de restituição/compensação, traçando diretrizes coincidentes com a jurisprudência do STJ; _ F) no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução do Senado_ Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição; G) a interessada tem direito à restituição dos créditos pleiteados, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e incluídos os expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Embora esta Conselheira considere a decadência como matéria de mérito (art. 269 do Código de Processo Civil), tal tema vem sendo tratado pelos Conselhos de Contribuintes como preliminar e, por isso mesmo, abordado em primeiro plano. Não obstante, no caso em questão, o posicionamento sobre a decadência passa necessariamente pela abordagem do próprio direito material 0 alegado, razão pela qual serão apresentadas considerações prévias ao exame da decadência que, sem dúvida alguma, encontram-se conectadas à operação de verificação sobre a perda do direito de pleitear a restituição em tela. Antes de mais nada, releva notar que a interessada não figurou como parte em nenhuma das ações judiciais cujos julgados são citados no processo. Por outro lado, em se tratando de Recurso Extraordinário, a manifestação do STF se dá pela via de exceção, também conhecida como controle difuso, incidental ou em concreto, cujos efeitos só atingiriam automaticamente as partes em litígio. Relativamente a terceiros não integrantes da lide, a decisão proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade só lhes poderia ser aplicada se dotada de efeitos erga omnes. c; I 21 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 A problemática aqui abordada traz a lume as diferenças verificadas, no que tange às suas atribuições, entre o Juiz e o Julgador Administrativo. Tais diferenças parecem ser desconhecidas da recorrente, que a todo o momento está a exigir do Julgador Administrativo providências que lhe são defesas, embora passíveis de implementação por parte do Juiz. Assim, é perfeitamente cabível a um Ministro do Superior Tribunal de Justiça, ou mesmo a um Juiz Singular, estender efeitos de decisões do Supremo Tribunal Federal, ainda que proferidas em sede de controle difuso, a terceiro não participante do litígio, sem a necessidade de atendimento a determinados requisitos. Ora, se o próprio controle difuso de constitucionalidade pode ser exercido pelo Juiz Singular (o que significa deixar de aplicar, no caso concreto, lei que entenda inconstitucional), com muito mais razão este estará apto a automaticamente estender efeitos de inconstitucionalidade já declarada pela Suprema Corte. Nesse sentido, cabe trazer à colação trecho de Ronaldo Polettil: "O juiz singular, ao sentenciar, aplica a um caso concreto o comando abstrato contido na norma. Para isso, ele precisa escolher a norma, bem como, interpretá-la. Quando ele deixa de aplicar uma lei, por entendê-la contrária à Constituição, estará, pelo seu juízo, aplicando esta última e declarando a primeira inconstitucional. Não aplica a lei, formalmente válida, pois, contrária à Lei Maior, ela não é lei. A fundamentação de sua decisão, e ela própria, consubstanciam uma declaração de inconstitucionalidade." A atividade do Julgador Administrativo, por sua vez, possui limitações, uma vez que inserida no Poder Executivo, ao qual não é permitido o afastamento puro e simples da norma, já que sua função precípua é exatamente • cumprir e fazer cumprir a lei. Nesse passo, convém esclarecer desde logo que a declaração de inconstitucionalidade, ainda que exarada em Recurso Extraordinário no qual o mérito tenha sido expressamente conhecido e provido, não possui o condão de vincular o Julgador Administrativo, compelindo-o a estender os seus efeitos a terceiros estranhos à relação processual. Não obstante, tal extensão pode ser promovida em situações determinadas, conforme autorização contida no Decreto n° 2.346/97, a ser abordado ainda neste voto. Assim, passa-se à análise do item "A", que contém argumentação no sentido de que o Supremo Tribunal Federal, por meio do Recurso Extraordinário n" 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), teria julgado que a y.,k I POLETTI, Ronaldo. Controle da Constitucionalidade das Leis. Rio de Janeiro: Forense, 2000. P. 198/199. 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 • exação de que se cuida já nascera indevida, por vicio de inconstitucionalidade na origem, mas que, entretanto, o equivoco na formulação da respectiva ementa, deixando-se de consignar a inconstitucionalidade originária e registrando-se apenas a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, teria comprometido a possibilidade de envio de mensagem ao Senado Federal, para a edição de Resolução. A decisão judicial de que se cuida é aquela proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP (DJ de 31/10/97), interposto pela União Federal contra decisão da 3° Turma do Tribunal Regional Federal da V Região, que não conhecera da apelação e negara provimento à remessa oficial, em acórdão assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL — TRIBUTÁRIO — APELAÇÃO — AUSÊNCIA DE RAZÕES — NÃO CONHECIMENTO — DECRETO-LEI 2295/86 — NÃO RECEPÇÃO PELA CARTA MAGNA VIGENTE. I — Apelação interposta pela União Federal não conhecida pela ausência de razões. II — O Decreto-lei 2.295/86 foi extirpado do nosso ordenamento jurídico, pela sua não recepção pelo Sistema Tributário Constitucional. III — O § 1 0, do art. 153, da Constituição atual, que dispõe sobre as hipóteses em que o Poder Executivo pode alterar alíquotas dos impostos, não prevê a contribuição na exportação de café. • IV — Apelação não conhecida. V —Remessa oficial a qual se nega provimento." Em face deste acórdão, a União Federal interpôs Recurso Extraordinário, fundado no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando violação de dispositivos constitucionais (art. 149 da Carta Magna, e 25, inciso I, e 34, § 50, do ADCT). O dispositivo constitucional acima negritado estabelece, verbis: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 III —julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição:" Ora, é sabido que as possibilidades de apresentação de Recurso Extraordinário estão limitadas aos permissivos constitucionais, materializados nas alíneas do artigo transcrito. Assim, antes de se conhecer do recurso, é feito o seu exame de admissibilidade, para a verificação do enquadramento do caso concreto ao permissivo. Não se configurando o enquadramento, o recurso não pode ser conhecido. No caso da alínea "a", em especial, a análise da admissibilidade do recurso se confunde com a própria análise do mérito, já que, se conhecido, o recurso obrigatoriamente terá de ser provido. Isso porque o ato de perquirir se a decisão recorrida contrariou ou não dispositivos da Constituição — no caso, o art. 149 do texto principal, e 25, inciso I, e 34, § 5°, do ADCT — envolve a análise do próprio mérito, ou seja, a análise sobre a constitucionalidade do ato inquinado (Decreto-lei n° 2.295/86). Explicando melhor: houve uma decisão a quo considerando um decreto-lei não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, portanto favorável ao sujeito passivo. Contra esse ato, é interposto recurso pela União Federal, cujo pressuposto de conhecimento é a inconstitucionalidade da decisão a quo. Cabe ao STF, para admitir tal recurso, constatar que a decisão recorrida era efetivamente inconstitucional. Para isso, a contrario sensu, o STF teria de concluir pela recepção do decreto-lei pela Constituição Federal de 1988, o que envolve obviamente a análise do mérito do recurso. Se o STF concluísse pela recepção do decreto-lei, é claro que o recurso teria de ser conhecido e provido. No caso em tela, essa análise foi feita, • concluindo o STF que o decreto-lei não fora efetivamente recepcionado pela Carta de 1988, portanto a decisão não contrariou os dispositivos alegados pela União Federal, daí a impossibilidade de conhecimento do recurso, uma vez que não há subsunção da hipótese ao permissivo da alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal. A problemática do permissivo referente ao Recurso Extraordinário, contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, repete-se na alínea "a", do inciso III, do art. 105, da Carta Magna, desta feita em relação ao Recurso Especial, cuja competência para julgamento é do Superior Tribunal de Justiça. Sobre a questão, a manifestação de Barbosa Moreira2 é válida para ambos os casos (REsp e RE), ressalvando-se que, no caso do STF, trata-se de contrariedade à Constituição, enquanto que o STJ trata de contrariedade a lei federal: 2 MOREIRA, José Carlos Barbosa. Que significa "não conhecer" de um recurso?. Revista da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro, Ano X, n° 9, 1° semestre de 1996, p. 193. )))1/4_, 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 "Ora, limitando o discurso, commoditatis causa, à hipótese de contrariedade a lei federal, não há quem não perceba que, tomada a Constituição ao pé da letra, se teria conferido ao Superior Tribunal de Justiça atribuição intrinsecamente contraditória. Ele deveria julgar o recurso especial apenas nos casos em que a decisão recorrida houvesse contrariado lei federal; ou, em outras palavras: apenas nos casos em que o recorrente tivesse razão Sucede que, para verificar se a lei federal foi mesmo contrariada, e portanto se assiste razão ao recorrente, o Superior Tribunal de Justiça precisa julgar o recurso especial! Quid iuris se, julgando-o, chega o tribunal à conclusão de que não se violou a lei, de sorte que o recorrente não tem razão? Literalmente entendido o texto constitucional, haveria o Superior Tribunal de Justiça andado mal em julgar o recurso: a decisão recorrida não contrariou lei federal, logo a espécie não se enquadra na moldura do art. 105, III, letra a ... Mas como poderia o tribunal, a priori, sem julgar o recurso, adivinhar o sentido em que viria a pronunciar-se, na eventualidade de julgá-lo? Eis o pobre Superior Tribunal de Justiça metido, sem culpa sua, em dilema implacável: diante do recurso especial, ou o julga, a fim de ver se a lei federal foi violada, e arrisca-se a, concluindo pela negativa, exceder os limites traçados pela Carta da República; ou então se abstém de julgá-lo, e assume o risco de descumprir a atribuição constitucional, porque sempre era possível que a lei federal tivesse realmente sido violada..." A questão também não passou despercebida ao Ministro Sepúlveda 111 Pertence, que assim assentou em seu voto, proferido no julgamento do Recurso Extraordinário n° 298.694 (DJ de 23/04/2004): "A dificuldade, quando se cuida de RE pela letra 'a', parece decorrer do dogma de que, então, conhecido, deva ele necessariamente ser provido. Ouso entender chegada a hora de rever a máxima, construída por motivos pragmáticos, que tenho recordado. Já denunciada pelo notável Castro Nunes ( ), a confusão entre a admissibilidade e o provimento do RE, 'a', tem sido objeto de crítica veemente e de inequívoca procedência de Barbosa Moreira )." 25 . , . - MINISTÉRIO DA FAZENDA i TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . _ SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Com efeito, a ementa do Recurso Extraordinário 191.044-5/SP, que tratou da contribuição que ora se examina, trazida à colação pela interessada às fls. 674 — Volume III, permite verificar que os Ministros do STF decidiram, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Extraordinário, inexistindo, por conseguinte, o julgamento formal do mérito. Claro está que, pelos motivos expostos, ligados ao permissivo constitucional, a análise sobre a admissibilidade se confimde com a análise do mérito. Assim, embora no recurso em questão o mérito tenha sido fartamente discutido, ele não foi expressamente julgado em todos os seus aspectos, como por exemplo, quanto aos limites temporais da inconstitucionalidade. O que se quer mostrar é que, embora _ este tema tenha sido tratado, não se sabe qual seria o resultado, uma vez que o recurso não foi conhecido.....7 O Sr. Ministro Relator Carlos Velloso considerou que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988, sendo forte na vigência da Emenda Constitucional de 1969. Nesse caso, tratar-se-ia de revogação do ato legal pela nova ordem constitucional, e somente seriam indevidas, - naquele caso concreto, as contribuições pagas após abril de 1989, por força do art. 25, I, do ADCT à CF/88. Já os Srs. Ministros limar Galvão e Marco Aurélio entenderam que o Decreto-lei n°2.295/86 já nasceu inconstitucional, pois que contrariava o art. 21, § 2°, da Emenda Constitucional n° 01/69. Seria um caso, pois, de inconstitucionalidade pretérita, e considerar-se-iam indevidas, no caso tratado no RE, as contribuições pagas desde a sua instituição. Quanto a esse último posicionamento, que a interessada insiste em O afirmar que foi objeto de decisão no RE n° 191.044-5/SP, releva notar que ele não poderia sequer ter sido votado, ainda que o recurso tivesse sido conhecido. Isso porque a hipótese configuraria reformatio in pejus, o que não é admitido no Direito Pátrio. Explicando melhor: o recurso da União Federal teve como objetivo a reforma da decisão do TRF que, considerando o Decreto-lei n° 2.295/86 não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, conseqüentemente tornou indevidas as contribuições pagas a partir dai (com a ressalva do ADCT, art. 25, inciso I). Assim, o STF jamais poderia, nesse mesmo Recurso Extraordinário, decidir pela inconstitucionalidade pretérita, já que tal decisão tomaria indevidas também as contribuições anteriores à Carta Magna de 1988. Destarte, a União Federal teria, ela própria, recorrido em seu maleficio, uma vez que, interpondo recurso para recuperar as contribuições posteriores à Constituição Federal de 1988, após o julgamento do STF estaria sem essas contribuições, e também sem as contribuições anteriores, o que constituiria y çverdadeiro absurdo processual. 26 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Claro está que o Ministro limar Gaivão só externou a tese da inconstitucionalidade pretérita para justificar sua mudança de posicionamento, pois, como consta de seu voto, até então o decreto-lei em comento era por ele considerado constitucional, apenas com a ressalva da alteração de alíquota pelo Poder Executivo, impossível de ser exercida, uma vez que o IBC já havia sido extinto. O não conhecimento do recurso por unanimidade de votos permite concluir que todos os Ministros concordaram com o fato de que a decisão recorrida não contrariou dispositivo constitucional, uma vez que, do contrário, o recurso teria sido conhecido e provido. Entretanto, não se pode dizer que o Acórdão do STF que aqui se analisa tenha feito coisa julgada, relativamente à inconstitucionalidade de que se cuida. Com efeito, não conhecido o recurso, ficou ratificada a decisão proferida pelo tribunal a quo, que entendeu que o Decreto-lei n° 2.295/86 apenas não fora recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Resta esclarecer que a problemática do permissivo contido na alínea "a", do inciso III, do art. 102, da Constituição Federal, acima retratada, foi recentemente resolvida, por meio do Recurso Extraordinário n° 298.694, publicado em 23/04/2004, assim ementado: "II. Recurso extraordinário: letra 'a': alteração da tradicional orientação jurisprudencial do STF, segundo a qual só se conhece do RE, 'a', se for para dar-lhe provimento: distinção necessária entre o juízo de admissibilidade do RE, 'a' - para o qual é suficiente que o recorrente alegue adequadamente a contrariedade pelo acórdão recorrido de dispositivos da Constituição nele prequestionados - e o juizo de mérito, que envolve a verificação da compatibilidade ou não entre a decisão recorrida e a Constituição, ainda que sob prisma diverso daquele em que se hajam baseado o Tribunal a quo e o recurso extraordinário." (grifei) Diante de todo o exposto, conclui-se que, ao contrário do que afirma a recorrente (ao adotar como fundamento o Acórdão n° 303-30.959, deste Conselho), não houve qualquer erro quando da elaboração da ementa do Recurso Extraordinário n° 191.044-5/SP, e que dela não constou a inconstitucionalidade pretérita simplesmente porque tal tema não era sequer objeto de votação, nem tanto por não ter sido conhecido o recurso, mas principalmente pelo fato de que, naquele caso, o que se discutia era a não recepção do decreto-lei pela Constituição de 1988, nos estritos limites do Acórdão recorrido do TRF, conforme os princípios do tantum devolutum quantum appellatum e da proibição da reformado in pejus. r 27 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA * TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Corroborando esse entendimento, convém trazer à colação trechos do voto proferido no Recurso Extraordinário n° 408.830-4/ES (publicado no DJ de 04/06/2004), em que o Relator, Ministro Carlos Velloso, deixa claro que, até aquele momento, o STF só havia decidido sobre a não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988: "Nos RREE 191.044/SP, 191 .203/SP, 191.227/SP, 191.2461SP e 198.554/SP, por mim relatados, examinamos a questão sob o pálio da CF/88. Decidiu o Supremo Tribunal Federal, então, pela não- recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF188 sujeitou as contribuições de intervenção à lei complementar do art. 146, III, aos princípios da legalidade (C.F., art. 150, I), da irretroatividade (C.F., art. 150, III, a) e da anterioridade (C.F., art. 150, III, b). (—) Quando do julgamento dos recursos extraordinários linhas atrás mencionados, em que o exame da matéria restringia-se à não-recepção, pela CF/88, da citada contribuição, o eminente Ministro limar Gaivão apreciou a questão também sob o pálio da CF/1967." (grifei) Para que não restem dúvidas, o parecer do Ministério Público, cujas conclusões constam do relatório do mesmo RE n° 408.830-4/ES, assim registra: A matéria ora em debate, no que tange à inconstitucionalidade originária do DL n° 2.295/86, não foi, entretanto, decidida pelo Plenário dessa Corte Suprema no RE 191.044/97, vez que o caso em análise naquele recurso dizia respeito à constitucionalidade da contribuição sobre a exportação do café no regime da CF/1988. No entanto, o Exmo. Sr. Ministro limar Gaivão, em seu voto vista, abordou a questão que ora se discute." (grifei) Assim, a inconstitucionalidade pretérita nunca poderia ter constado da ementa do RE n° 191.044-5/SP, pela simples razão de que o vicio originário não fora declarado naquele julgado, que se restringia à não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988. Por esse mesmo motivo não foi encaminhada qualquer mensagem do STF ao Senado Federal, já que esse trâmite é reservado aos casos de declaração de inconstitucionalidade, o que efetivamente não ocorrera no RE 191.044-5/SP, conforme reconhece o próprio Ministro Carlos Velloso no RE 408.830- 4/ES. Com efeito, a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86 só veio a ser declarada, ainda no controle difuso, sete anos depois, quando itsdk 28 - . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 do julgamento do mesmo Recurso Extraordinário n° 408.830-4/ES acima citado, cuja decisão, publicada no DJ de 04/06/2004, a seguir se transcreve: "Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por unanimidade, conhecer do recurso extraordinário e negar-lhe provimento, declarando, entretanto, incidenter tantum, a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, frente à Constituição de 1967. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e Nelson Jobim." Destarte, também cai por terra a afirmação da recorrente (contida no Acórdão n° 303-30.959, deste CC, que integra as razões de recurso), no sentido de que, no caso em tela, não se poderia esperar uma mensagem do Supremo Tribunal Federal para a edição de Resolução do Senado Federal. Isso porque, em 09/07/2004, por força do RE n° 408.830-4/ES — o primeiro a declarar a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86, cuja decisão foi acima transcrita — o Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal encaminhou o Oficio n° 1081P-MC ao Sr. Presidente do Senado Federal (informação disponível em www.stf.gov.br), com o seguinte teor: "Encaminho a Vossa Excelência, para os efeitos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, cópia do acórdão proferido no recurso extraordinário acima referido, mediante o qual o Plenário desta Corte declarou a inconstitucionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986, frente à Constituição de 1967. Seguem, também, cópias da referida legislação, do parecer da Procuradoria Geral da República e da certidão de trânsito em julgado do acórdão, cuja publicação ocorreu no Diário da Justiça de 4 de junho de 2004." Diante do exposto, conclui-se que, relativamente aos precedentes do Terceiro Conselho de Contribuintes, trazidos à colação pela recorrente, exarados em 2000, 2001 e 2003, esses deram provimento a pedidos de restituição, estendendo a terceiros efeitos que nem o próprio STF havia concedido às partes litigantes no RE 191.044-5/SP, julgado em 1997. Explicando melhor, ditos precedentes administrativos não só declararam a inconstitucionalidade originária do Decreto-lei n° 2.295/86 alguns anos antes de o próprio STF fazê-lo (o que ocorreu somente em 2004), como também usurparam a competência do Senado Federal, arvorando-se em atribuir efeitos erga omnes acerca de inconstitucionalidade que só foi comunicada )3P\ 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 àquela Casa Legislativa em 09/07/2004. Tais impropriedades jurídicas dispensam explicações sobre a impossibilidade de adoção dos citados precedentes administrativos. Demonstrado que o RE n° 191.044-5/SP apenas tratou da não recepção do Decreto-lei n° 2.295/86 pela Constituição de 1988, convém trazer à colação a questão da inconstitucionalidade superveniente, que remete a um aspecto extremamente polêmico, objeto de inúmeras manifestações por parte da doutrina e jurisprudência. Trata-se da forma de tratamento do ordenamento jurídico pré- existente, em face do advento de uma nova Constituição. A problemática foi muito bem delimitada por Marcio Augusto de Vasconcelos Diniz 3, como abaixo se - transcreve: "... sob o parâmetro do novo sistema constitucional, ou as normas anteriores são recepcionadas, porque com ele se harmonizam, ou são rejeitadas por serem incompatíveis. A incompatibilidade, aqui, dá origem, em princípio, à cessação de sua vigência. Até esse ponto, jurisprudência e doutrina convivem harmonicarnente. A dissonância passa a ocorrer quanto ao modo pelo qual é visualizada a colisão acima posta em destaque: pelo prisma do Direito Intertemporal - a incompatibilidade se resolve pela revogação - ou através do juízo de inconstitucionalidade." A conclusão do autor, à altura da seriedade do problema, não poderia ser diferente: O"Mesmo que se admita a tese da revogação (não de uma revogação pura e simples, mas de revogação como consequência da inconstitucionalidade), a necessidade de segurança jurídica torna oportuna e necessária a intervenção do Supremo Tribunal Federal, no controle concentrado, para decidir, em caráter 'erga omnes', se a norma está ou não revogada, eis que, no caso, a decisão pressupõe prévia interpretação de normas constitucionais. É bem verdade que, em virtude do controle difuso, aos juizes também poderia ser deferido o conhecimento da questão. Suas decisões, todavia, só produziriam efeitos 'inter partes' e 3 DINIZ, Marcio Augusto de Vasconcelos. Controle de Constitucionalidade e Teoria da Recepção. 4t1 Malheiros, p. 55/56 e 66 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 dependeriam, se e quando a Corte Maior as apreciasse em caráter definitivo, de um agir heterônomo (do Senado Federal, nos termos do art. 52, inc. X, da Constituição Federal) para vir a ter eficácia geral." (grifei) Este posicionamento também é adotado por Ronaldo Polear *, como a seguir se transcreve: "O problema não se resume apenas na questão do quorum necessário à declaração de inconstitucionalidade e despiciendo para a revogabilidade, nem no descabimento da ação direta, se o dispositivo a examinar-se for entendido revogado; nem mesmo na necessidade de o Senado suspender sua execução, a prevalecer a tese da revogação. A questão reside, primeiro, nos critérios para o exame da conformidade da norma com a Lei Maior, e, segundo, nos efeitos do juizo de inconstitucionalidade. Quanto ao primeiro aspecto, não há dúvida de que a lei anterior à Constituição merece igual presunção de constitucionalidade, senão maior, do que as outras. Deve, por isso, ser examinada, no tocante à sua conformidade hierárquica, com o maior rigor, e, somente em caso de radical incompatibilidade, justificar-se-á ser ela afastada de aplicação num caso concreto, se considerada inconstitucional ou revogada. Tal rigorismo se justifica em função da certeza do direito e da segurança jurídica, uma vez que até a data da promulgação do novo texto constitucional nenhuma dúvida se antepunha à lei, que, afinal vinha regendo relações jurídicas, sem qualquer oposição. No tocante aos efeitos, nasce um dilema. Se admitida a tese da inconstitucionalidade, a lei assim declarada não poderá ser declarada nula ex tune, senão a partir da promulgação do novo texto constitucional. Dessa forma, ou se abre uma exceção à doutrina de que a lei inconstitucional é nula desde sempre, não produzindo quaisquer efeitos, ou se admite a tese da revogação, cuja conclusão, todavia, há de ser cercada de iguais cautelas e cuidados daqueles recomendados para a conclusão de inconstitucionalidade. O paradoxo, no entanto, existe em termos deontológicos, pois a lei anterior, desconforme com a nova Lei Maior, estaria a merecer, também, a suspensão de sua execução pelo Senado, após a decisão definitiva do Supremo Tribunal, como forma de 4 POLETTL Ronaldo. Op. cit. p. 1761177. 31 _ • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 garantia e segurança nas relações sociais, qualificadas pelo Direito." (grifei) Assim, ainda que se analise a questão das contribuições recolhidas posteriormente à Constituição de 1988 em sede de aplicação do Direito Interternporal, admitindo-se a teoria da revogação, não estaria descartado, como entende a recorrente, o exame do ato pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Adin, com vistas à aplicação de efeitos erga omnes, nem a sua suspensão pelo Senado Federal, em atenção ao princípio da segurança jurídica. Adicione-se a questão da aferição sobre a ocorrência de prescrição/decadência. As considerações até aqui expostas, por diversas vezes sustentadas por esta Conselheira, visam tão-somente esclarecer quanto à natureza do julgado representado pelo RE n° 191.044-5/SP. Não obstante, reitera-se aqui o posicionamento adotado em outros votos, no sentido de que, ainda que o RE de que se cuida tivesse sido conhecido, declarando-se a inconstitucionalidade pretérita do Decreto-lei n° 2.295/86 — como ocorreu com o RE 408.830-4/ES, julgado em 2004 — a aplicação da respectiva decisão a terceiros não integrantes da lide, ainda mais com a finalidade de promover-se restituição de quantias pagas, não poderia ser automática, conforme será explicitado nos itens seguintes. O argumento contido na letra "B" — afastamento dos efeitos do Decreto-lei n° 2.295/86, pela aplicação do Decreto n° 2.346/97 — requer profunda reflexão sobre o comportamento do Poder Executivo frente aos pronunciamentos do Excelso Pretório. Nesse passo, antes de mais nada, cabe relembrar o comando contido no art. 52, inciso X, da Constituição Federal: "Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: o X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;" Não obstante, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 77, estabeleceu: "Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: 1 - abster-se de constituí-los; crk 32 _ - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais." Como se vê, o dispositivo legal transcrito só prevê hipóteses em que o crédito tributário ainda não foi constituído (inciso I) ou, se o foi, ele ainda não se encontra extinto (incisos II e III). Claro está que o objetivo do artigo não é a desobediência ao mandamento constitucional (art. 52, X), mas sim a promoção da economia processual, evitando-se os gastos com lançamentos, cobranças, ações e recursos, no caso de exigências baseadas em atos legais que o próprio STF vem considerando inconstitucionais. Não se trata, portanto, da concessão de licença ao Poder Executivo para afastar a aplicação da lei, de forma ampla e irrestrita, mas sim de autorização para que sejam evitados procedimentos, de iniciativa da administração tributária, que levariam ao desperdício dos já escassos recursos humanos e materiais. Exercendo a competência atribuída pelo art. 77, acima, o Poder Executivo editou o Decreto n° 2.346, de 10/10/97 (argüido pela interessada em sua defesa), que estabeleceu os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, assim determinando: "Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tune, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. it 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 § 3° O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. (.-.) Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstihicionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo • Supremo Tribunal Federal." (grifei) Quanto ao art. I°, acima transcrito, este determina efetivamente que as decisões do STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, devem ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal, porém deixa claro que, para tal, devem ser obedecidos os procedimentos estabelecidos naquele diploma legal, vedada assim qualquer tentativa de ampliação das hipóteses nele contidas. No que tange aos parágrafos 1° e 2°, do art. 1°, do decreto em tela, não há dúvida de que esses dispositivos autorizam a aplicação dos efeitos erga omnes e ex tune tanto para decisões judiciais em sede de controle concentrado, como também nos casos de controle difuso em que haja Resolução do Senado Federal suspendendo o ato inquinado. Não obstante, a parte final do § 1° esclarece que tais efeitos submetem-se à verificação sobre a ocorrência de fatos impeditivos da revisão pR 34 . , ,, • MINISTÉRIO DA FAZENDA I TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 administrativa ou judicial, como é o caso da prescrição e da decadência (a ser abordada ainda no presente voto). Sem dúvida, a edição do Decreto n° 2.346/97 abriu à Administração Pública Federal um leque de possibilidades frente às decisões emanadas do Supremo Tribunal Federal. Relativamente às decisões definitivas proferidas em sede de controle difuso de constitucionalidade, que é o que interessa no presente processo, o citado decreto, acima transcrito, como não poderia deixar de ser, permaneceu fiel ao comando do art. 77, da Lei n° 9.430/96, como será demonstrado na seqüência. _ O art. 1°, parágrafo 2°, do citado decreto, como já foi dito, permite....._ que tais decisões tenham efeitos erga omnes (extensivos a terceiros não integrantes da lide) e ex tunc (retroativos), após a suspensão da lei ou ato normativo pelo Senado Federal. Tal hipótese não pode ser aplicada ao caso em questão, visto que não há notícia nos autos de que o Senado Federal já tenha suspendido a execução, no todo ou em parte, do Decreto-lei n° 2.295/86. Ainda que houvesse sido emitida dita Resolução, há que se atentar para a parte final do §1°, do art. 1°, do Decreto n° 2.346/97, que ressalva sobre as hipóteses de impossibilidade de revisão administrativa ou judicial (prescrição e decadência). Ressalte-se que o decreto de que se trata, ao mencionar a Resolução do Senado Federal como requisito para a aplicação dos efeitos erga omnes e ex tunc, não faz qualquer concessão aos casos em que eventualmente o Senado Federal possa se recusar a emitir Resolução, razão pela qual não cabe ao intérprete perquirir se se trata de norma já revogada, ou de qualquer outro motivo. • Também não consta dos autos prova de que o Presidente da República tenha autorizado a extensão dos efeitos jurídicos da decisão judicial proferida no presente caso, como faculta o art. 1 0, § 3°, do Decreto n° 2.346/97, embora o Chefe Maior do Executivo tenha sido cientificado da decisão no Recurso Extraordinário n° 408.8304/ES, em 23/04/2004, por meio da Mensagem n° 626, via telex, e também pela Mensagem n°21 (informações em www.stEgov.br ). Relativamente ao art. 4° e seus incisos, ainda que houvesse ato do Secretário da Receita Federal ou do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aplicando qualquer dos procedimentos previstos à cota de contribuição incidente sobre as exportações de café, tal ato só alcançaria os créditos tributários não constituídos (inciso I, primeira parte), ou constituídos e não pagos (inciso I, parte final, e incisos II a IV), hipóteses diversas do caso sob exame, que trata de restituição (crédito ,53‘ definitivamente constituído e extinto pelo pagamento). 35 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Claro está que as providências constantes dos incisos I a IV, do art. 4°, do Decreto n° 2.346/97, não são dirigidas aos Órgãos Julgadores Administrativos, mas sim aos órgãos Lançadores e Órgãos Preparadores do processo administrativo fiscal, já que se trata de não constituição, retificação e cancelamento de créditos tributários; não efetivação de inscrição e revisão de valores inscritos em Dívida Ativa da União; e desistência de ações de execução fiscal (a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional). Quanto aos órgãos Julgadores Administrativos, o parágrafo único, do art. 4°, do decreto em exame traz regra específica, segundo a qual este Conselho de Contribuintes poderia efetivamente afastar a aplicação de ato legal considerado inconstitucional. Entretanto, aquele dispositivo especifica em que situação isso pode ocorrer, ou seja, somente na hipótese de recurso contra a constituição de crédito tributário, ainda não definitivamente julgado. Ora, analisando-se o significado da expressão "recurso contra a constituição de crédito tributário", a única conclusão possível é a de que se trata de crédito tributário ainda não definitivamente constituído, objeto de impugnação e, posteriormente, de recurso. Aliás, essa interpretação guarda total sintonia com o objetivo de economia processual, evitando-se os custos de prosseguimento de um processo em que se discute a constituição de crédito tributário que o próprio STF não mais considera exigível. O dispositivo aqui tratado não prevê, de forma alguma, o afastamento amplo e irrestrito do ato legal inquinado, pois que tal atitude ofenderia frontalmente o art. 52, inciso X, da Constituição Federal, bem como o art. 77 da Lei n° 9.430/96. No caso em questão, em se tratando de pedido de restituição, o crédito tributário foi definitivamente constituído na esfera administrativa, tendo sido • inclusive extinto pelo pagamento (art. 156, inciso I, do CTN), razão pela qual não pode este Conselho de Contribuintes afastar a aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86. Tal procedimento seria exorbitar da competência que lhe foi atribuída pelo par. único, do art. 4°, do Decreto n° 2.346/97 que, como demonstrado, só admite o afastamento da lei inquinada nos casos de crédito tributário ainda em fase de constituição. Em síntese, o Decreto n° 2.346/97 claramente separa as possibilidades de atuação do Poder Executivo em face de decisões do STF em três frentes, a saber: - aplicação, por todos os Órgãos da Administração Pública Federal, direta ou autárquica, das decisões do STF, com efeitos erga omnes e ex tunc, nos casos de controle concentrado, ou no controle difuso, atendidos os requisitos representados pela Resolução do Senado Federal ou ato do Presidente da República (art. 1°, §§ 1°,2° e 3,13, 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N" : 302-36.367 - aplicação, pelos Órgãos Lançadores e Preparadores da Secretaria da Receita Federal e pela Procuradoria da Fazenda Nacional (mediante ato específico do SRF ou do PGFN), das decisões do STF no controle difuso, apenas com a finalidade de evitar a constituição de crédito tributário, ou a cobrança de crédito tributário já constituído mas ainda não recolhido, o que obviamente descarta a efetivação de restituição, que pressupõe crédito já definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, incisos I a IV); - aplicação, pelos Órgãos Julgadores da Administração Fazendária, das decisões do STF no controle difuso, apenas com a finalidade de evitar a constituição de crédito tributário que está sendo discutido em sede de impugnação ou de recurso voluntário, o que obviamente não inclui pedidos de restituição, por se tratar, nesses casos, de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento (art. 4°, parágrafo único). Assim, fica esclarecido que o efeito ex tunc (retroativo), conectado à possibilidade de repetição de indébito, é restrito aos casos elencados no art. 1° do Decreto n° 2.346/97. Quanto ao art. 4°, parágrafo único, do citado diploma legal, onde se inserem especificamente os Órgãos Julgadores da Administração Fazendária, não há que se falar em efeito ex tune, já que se cuida especificamente de créditos em fase de constituição. O que não impede que ditos órgãos, como qualquer outro órgão integrante da Administração Pública Federal, venham a aplicar o efeito ex tunc nos casos de ADIn, de Resolução do Senado Federal ou de ato do Presidente da República, sempre com a ressalva sobre a ocorrência de prescrição/decadência (art. 1°, § § 1°, 2° e 3°). Quanto ao argumento contido no item "C", de que o Parecer PGFN/CRE n° 948/98 teria assinalado a existência de regra especial aplicável aos órgãos julgadores administrativos, no sentido de se afastar a aplicação de lei • declarada inconstitucional pelo STF, cabe apenas reafirmar o que já foi exposto com relação ao item "B", acima, já que dito parecer nada faz além de interpretar o Decreto n° 2.346/97. Esclareça-se, por oportuno, que as conclusões do Parecer PGFN/CRE n° 948/98, em face do advento do Decreto n° 2.346/97, de forma alguma se chocam com aquelas exaradas no presente voto, conforme se observa da leitura do seguinte trecho de dito parecer: "As DRJs não só 'podem' como 'devem', no julgamento de impugnação, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (tanto na 'declaração por via direta', por força do art.1°, § 1°, como na 'por via indireta', com ou sem suspensão de execução da norma pelo Senado Federal, conforme os arts.1°, §§ 2° e 3°, e 4°, parágrafo único), procedimento este que, data venha à opinião do Sr. 31 g • . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Procurador-Chefe da PFN/MS, não está condicionado a prévia manifestação ou autorização do Sr. Secretário da Receita Federal, na precisa forma do já citado art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97 — todo este item vale, nos mesmos termos, para os Conselhos de Contribuintes;" (grifei) Como se vê, o parecer em tela deixa claro que o afastamento da aplicação da lei declarada inconstitucional, pelas DRJ e Conselhos de Contribuintes, não pode ser efetivado de forma ampla e irrestrita, mas sim na precisa forma do art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97. Assim, recordando o que já foi dito no item "B", acima, seguindo a precisa forma do parágrafo único, do art. 4°, do art. 2.346/97, as DRJ e os Conselhos de Contribuintes só podem afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional, no controle difuso, na ausência de Resolução do Senado Federal e de ato do Presidente da República, quando o crédito tributário ainda se encontrar em fase de constituição, o que obviamente exclui os pedidos de restituição. Tanto é assim que o parecer da PGFN de que se cuida menciona sempre a expressão "julgamento de impugnação" (item I, primeiro parágrafo e item 4, letra "b"), característica dos processos de constituição e exigência de crédito tributário, e não "Manifestação de Inconformidade", como é próprio dos processos de restituição. Pelos motivos expostos, considerando que, no presente caso, se trata de restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, conclui-se mais uma vez ser incabível o afastamento da aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86 por este Conselho de Contribuintes. Quanto aos argumentos apresentados pela recorrente nos itens "D" e "E", ambos abordam o instituto da decadência. O item "D" é no sentido de que doutrina e jurisprudência, inclusive do STJ, pontificam que, no caso de indébitos originários de pagamentos considerados indevidos no contexto de solução jurídica conflituosa, o termo inicial para o exercício do direito à restituição é a data de publicação da respectiva decisão que, no presente caso, seria o julgamento do Recurso Extraordinário n° 191.044, publicado no DJ de 31/10/97. De plano, cabe destacar que tal entendimento não encontra amparo no Código Tributário Nacional que, relativamente à restituição de tributos, menciona apenas os casos de pagamento indevido efetuado espontaneamente ou por força de decisão condenatória (art. 165). Na situação em apreço, não consta dos autos que a interessada tenha litigado, administrativa ou judicialmente, acerca da exação que ora se examina. Assim, conclui-se que os recolhimentos por ela efetuados foram espontâneos. Nesse caso, o CTN não promoveu qualquer distinção sobre o motivo de 38 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 o pagamento espontâneo ser considerado indevido — se por simples erro ou em função de posterior declaração de inconstitucionalidade — razão pela qual não cabe ao intérprete elaborar ficções. Esse ponto será ainda desenvolvido no presente voto. Quanto ao posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, releva notar a alternância de interpretações esposadas por essa Corte acerca do tema, ao longo do tempo, de sorte que, ao invés de se falar em "posição definitiva" do STJ, seria mais próprio se falar em "posição atual" daquele Tribunal Superior. Assim, o entendimento do STJ era no sentido de que, no caso do controle concentrado, o dies a quo da contagem do prazo decadencial seria o da publicação da declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Quanto ao controle difuso, o termo inicial seria a data da publicação da Resolução do Senado Federal retirando o ato inquinado do ordenamento jurídico. Dito posicionamento leva à seguinte reflexão: uma vez que a ADIn — Ação Direta de Inconstitucionalidade pode ser ajuizada a qualquer tempo, e tendo em vista a discricionariedade do Senado Federal para editar Resoluções, o STJ teria inaugurado hipótese de imprescritibilidade no Direito Tributário, o que não está previsto nem mesmo na Constituição Federal, salvo no âmbito do Direito Penal, relativamente à pretensão punitiva do Estado quanto à prática de racismo e à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5°, incisos XLII e XLIV). Por esse motivo, o entendimento do STJ vem sendo revisto, no sentido de prestigiar o dies a quo assinalado no CTN, conectado não à declaração de inconstitucionalidade do STF ou à Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário objeto do pedido de restituição. • Ilustrando a mudança de posicionamento dos Senhores Ministros do STJ, convém trazer à colação trecho da ementa do acórdão proferido no Recurso Especial 543.50211S1G (1)J de 16102/2004, p. 220), em que o Relator, Ministro Luiz Fux, ainda que se curvando à posição dominante à época, deixou registrado o seu ponto de vista: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. F1NSOCIAL. MAJORAÇÃO DAS AUQUOTAS. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem IA 39 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratando-se de controle difuso, somente na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do CTN. a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: (...)" (grifei) Mais recentemente, o entendimento do Ministro Luiz Fux, que figurava nos julgados apenas como uma ressalva, transformou-se em posicionamento vencedor, conforme se depreende dos trechos a seguir transcritos, retirados do Agravo Regimental no Recurso Especial 591.541, julgado em 03/06/2004. Nesse acórdão o Relator, Ministro José Delgado, passa a adotar o posicionamento do Ministro Luiz Fux, autor do voto-vista, que a seguir se transcreve: CD "O ilustre Relator negou provimento ao agravo regimental, sob o fundamento de que a Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que o prazo prescricional inicia-se a partir da data em que foi declarada inconstitucional a lei na qual se fundou a exação. Pedi vista dos autos para melhor exame da questão. No que pertine à prescrição da ação de repetição/compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial 435.835/SC, pacificou o entendimento de que deve ser aplicada a tese dos 5 (cinco) anos para a constituição do crédito e mais 5 (cinco) anos para a sua cobrança, restando irrelevante, para o estabelecimento do termo a quo do prazo prescricional, ao MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 eventual declaração de inconstitucionalidade pelo Pretório Excelso. Conseqüentemente, o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado do termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. Confira-se a ementa do referido julgado: 'CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1* Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela • jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco.' Na hipótese dos autos, os autores ajuizaram a ação em 15/10/99, pretendendo o ressarcimento de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de setembro/1989 a março/1996, o que, nos termos dos arts. 168, I, e 150, § 4°, do CTN, revela inequívoca a ocorrência da prescrição relativamente aos períodos anteriores a 15/10/1989, porquanto tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja prescrição opera-se 5 (cinco) anos após expirado o prazo para aquela atividade. 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Diante do exposto, dou parcial provimento ao presente agravo regimental, para prover parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a prescrição da pretensão de repetição e/ou compensação dos valores indevidamente recolhidos, cujos fatos geradores ocorreram em período anterior a 15/10/89. É como voto." (grifei) Após a leitura do voto-vista, o Relator, Ministro José Delgado, retificou o seu voto e adotou o posicionamento esposado pelo Ministro Luiz Fux, conforme Certidão de Julgamento: "Certifico que a egrégia Turma, ao apreciar o processo em e epígrafe, na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Luiz Fux e a retificação de voto do Sr. Ministro Relator, a Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." (Agravo Regimental em Recurso Especial 591.541, Relator Ministro José Delegado, DJ de 16/08/2004, p. 145) Assim, a tese trazida aos autos pela recorrente não mais encontra eco no STJ, que passou a prestigiar o dies a quo estabelecido no CTN (art. 168, inciso I), como forma de respeito à segurança jurídica. Nesse passo, a aferição sobre a tempestividade do pedido de restituição foi, nesse último Acórdão, conectada não à data da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, mas sim à data do recolhimento do tributo. ORessalvada a posição do Superior Tribunal de Justiça, que não mais se coaduna com a tese da requerente, passa-se à análise da restituição de tributos, à luz do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; ok. 42 _ - _ • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, na data da extinção do crédito tributário; II — na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." (grifei) No caso em apreço, como já assentado neste voto, trata-se obviamente de hipótese inserida no inciso I do art. 165, acima transcrito, uma vez que o pagamento foi espontâneo, realizado de acordo com decreto-lei que, embora posteriormente tenha sido declarado inconstitucional, à época dos recolhimentos encontrava-se em plena vigência. Ressalte-se que referido inciso menciona apenas o pagamento indevido, sem adentrar ao mérito do motivo do indébito, concluindo-se então que estão incluídos também os casos de pagamento indevido em função de posterior declaração de inconstitucionalidade da lei que obrigava ao pagamento. O Assim, na situação em tela, uma vez que os créditos tributários mais recentes foram extintos pelo pagamento em março de 1990 (art. 156, inciso I, do CTN), o direito de pleitear a respectiva restituição, na melhor das hipóteses, decaiu em março de 1995. Obviamente, o presente pedido de restituição, protocolado que foi em 27/06/2002, encontra-se inexoravelmente atingido pela decadência. Ainda que se aplicasse aqui a tese dos cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento ("cinco mais cinco") — como entende o STJ inclusive relativamente aos pagamentos indevidos em função de inconstitucionalidade — o direito também já teria perecido, desde março de 2000. Cabe esclarecer que a tese dos "cinco mais cinco" para os lançamentos por homologação foi trazida à colação apenas por amor ao debate, porém não está sendo adotada por esta Conselheira, tampouco encontra amparo nos Conselhos de Contribuintes, como demonstra a ementa a seguir transcrita,v4 43 . . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 representativa da maciça jurisprudência deste Colegiado, mesmo nos casos de exigência de crédito tributário, em que os dez anos só viriam a favorecer a Fazenda Nacional. "IRPJ - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA - O imposto de renda pessoa jurídica se submete ao lançamento por homologação, eis que é de iniciativa do contribuinte a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. _ Como o lançamento foi efetuado em 21/12/98, procede a decadência ..._ argüida em relação ao período de junho de 1992, pois o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, a teor do disposto no art. 150, par. 4°, do CTN, expira após cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador." (Acórdão 107-06.490, de 06/12/2001, Relator Conselheiro Natanael Martins) Recapitulando, a tese defendida pela recorrente é no sentido de que o termo inicial para contagem da decadência seria a data de publicação do precedente do STF, porque somente a partir desse momento os pagamentos poderiam ser considerados indevidos. Tal tese não deixa de constituir argumentação dotada de coerência, tanto assim que chegou a encontrar abrigo no próprio STJ. Nesse passo, esta Conselheira, por ocasião do julgamento dos recursos n''s 123.979 (Acórdão n° 302- 35.343) e 124.274 (Acórdão n° 302-35.344), acompanhou o voto do Conselheiro Relator, no sentido de afastar a decadência e determinar o retomo dos autos à DRJ, a para julgamento das demais questões envolvidas. Ir Não obstante, analisando-se mais detidamente a matéria, chega-se à conclusão de que tal tese, embora coerente, é totalmente desprovida de fundamento legal, de sorte que abraçá-la equivaleria à criação de nova hipótese de dies a quo para a decadência, totalmente à revelia do CTN. Examinando-se a questão da decadência com base no Código Tributário Nacional, as conclusões inarredáveis são aquelas esposadas no Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, cujos principais trechos serão a seguir transcritos. "22. A nosso ver, é equivocada a afirmativa de que 'Inexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional', pois isto representa, indubitavelmente, negar vigência ao CTN, que cuidou expressamente da matéria no art. 168 c/c art. 165. Com 'g 44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 efeito, a leitura conjugada desses dispositivos conduz à conclusão única de que o direito ao contribuinte de pleitear a restituição de tributo extingue-se após cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses referidas nos incisos 1 a III do art. 165. 23. A Constituição, em seu art. 146, LII, 'tf, estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normais gerais sobre 'prescrição e decadência' tributárias; portanto, a norma legal a ser observada nesta matéria é o C1N - cuja recepção pela Carta de 1988, com status de lei complementar, é pacífica na doutrina e na jurisprudência -, que fixou, indistintamente, o prazo de cinco anos para a decadência do direito de pedir restituição de tributo indevido, independentemente da razão ou da situação em que se deu o pagamento. Se o legislador infraconstitucional, a quem compete dispor sobre a matéria, não diferenciou os prazos decadenciais, em função de o pagamento ser indevido por erro na aplicação da norma imponivel ou por inconstitucionalidade desta, ao intérprete é negado fazer tal diferença, por simples exercício de hermenêutica." (grifei) A falta de fundamentação legal da tese defendida pela recorrente, no que tange ao termo inicial para contagem do prazo decadencial, também foi registrada pela doutrina, aqui representada por Eurico Marcos Diniz de Santis: "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi O apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se- iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. 5 SANT!, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Limonad, 2000. P. 273/277). 45 • " • „ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação, serve tão só como novo fundamento jurídico para exercitar o direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (grifei) Assim, o fundamento do Parecer PGFN/CAT no 1.538/99, ao rechaçar a tese de ser a data de publicação da decisão judicial o termo inicial para contagem da decadência, não é apenas a ofensa ao princípio da segurança jurídica, como afirma a interessada em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 1.128, último parágrafo — Volume III), mas também a ausência de fundamentação legal que dê suporte a tal argumento. Tanto é assim que o próprio STJ, como foi acima demonstrado, abandonou tal entendimento, para adotar, relativamente ao pagamento indevido em função de inconstitucionalidade, o mesmo dia a quo que adota para as situações de simples erro no pagamento. Na tentativa de suprir a lacuna, a interessada busca associar a hipótese dos autos ao inciso III do art. 165 do CTN e, conseqüentemente, beneficiar- se do termo inicial do prazo assinalado no inciso lido art. 168. Nesse sentido assevera (fls. 186, último parágrafo): "Para se chegar a tal conclusão bastou a adoção do método sistemático de interpretação, todavia, se é para empregar a analogia, não é necessário maior esforço exegético para enxergar fluidos de 'revogação, anulação, reforma' em toda decisão que declara a inconstitucionalidade da lei, visto que é inerente ao Poder Judiciário a eficácia de reformar, revogar e até mesmo anular os efeitos da norma viciada, permitindo a aplicação da previsão contida no inciso II do art. 168 do CTN..." A fragilidade do argumento acima dispensa comentários sobre a impossibilidade de sua aceitação. Nesse passo, convém relembrar que o inciso III do art. 165 do CTN, conectado ao termo inicial previsto no inciso II do art. 168, trata de situações em que o próprio pagamento do tributo foi efetuado em um contexto rt 46 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA ' • ' • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO INI° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 litigioso, sendo essa a grande diferença em relação aos incisos I e II do artigo 165 (conectados ao inciso I do art. 168), que tratam de pagamentos espontâneos, como no presente caso. A inaplicabilidade do inciso III do art. 165 do C'TN (e inciso II do art. 168) ao caso em apreço também é reconhecida pela doutrina, aqui representada por Hugo de Brito Machado6: "Na hipótese prevista no inciso I, do art. 168, tem-se que o prazo prescricional começa da extinção do crédito tributário em se tratando de (a) cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior ou maior que o devido, ou (b) erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota -e aplicável, no cálculo do montante do débito ou no preparo do documento relativo ao pagamento. Entende-se que se trata de pagamento não precedido de procedimento contencioso, seja administrativo ou judicial... (.-.) Na hipótese prevista no inciso II, do art. 168, do Código Tributário Nacional, o prazo prescricional começa, também, da extinção do crédito tributário. E diversa das anteriores pelo fato de que o pagamento não se deu espontaneamente, mas em face de decisão condenatória. O contribuinte fez o pagamento diante de uma decisão, administrativa ou judicial, que a tanto o condenou. Neste caso o prazo não tem inicio na data do pagamento, mas na data em que se toma definitiva a decisão que reformou, anulou, revogou ou rescindiu aquela decisão condenatória." (grifei) Com efeito, não consta dos autos que a interessada tenha efetuado os pagamentos em tela por força de condenação administrativa ou judicial, ou mesmo que tenha questionado, à época dos recolhimentos, a exação que ora se analisa. Ao contrário, por diversas vezes a recorrente alega em seu favor o fato de haver pacificamente se submetido ao Decreto-lei n° 2.295/86, enquanto que outros contribuintes contra ele se rebelaram. Assim, não há como aceitar a transmutação de um "pagamento espontâneo de tributo" em "pagamento de tributo efetuado por força de condenação, administrativa ou judicial", como quer a recorrente, com a finalidade de beneficiar-se do termo de inicio do prazo decadencial previsto no art. 168, inciso II, do CTN. 6 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 24 ed. São Paulo: Malbeiros, 2004. P. .,sk 196/197. 47 - ,•„ " • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Ressalte-se que as conclusões do Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, bem como as considerações apresentadas pelo Professor Eurico de Santi, acima transcritas, encontram-se em total sintonia com o Decreto n° 2.346/97, objeto de análise quando do exame das argumentações contidas no item "B", cabendo aqui recordar-se o texto de seu art. 1°, § 1°: "Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto." § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial." Conclui-se, portanto, que o efeito ex tunc de decisões do STF declarando a inconstitucionalidade de lei, ainda que em sede de ADIn, não é absoluto, encontrando limites nas hipóteses de prescrição e decadência, que efetivamente impedem a revisão administrativa ou judicial. Conseqüentemente, mesmo que o art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, autorizasse os Órgãos Julgadores da Administração Fazendária a promover também a restituição de quantias pagas, o que se admite apenas para argumentar, no presente caso isso não seria possível, tendo em vista a ocorrência da • decadência. Ainda com relação à decadência, a recorrente argumenta, conforme o item "E", que o Parecer COSIT n° 58/98 já orientava no sentido da adoção de procedimentos uniformes na apreciação de pedidos de restituição/compensação, traçando diretrizes, no âmbito administrativo, coincidentes com a jurisprudência do STJ. De plano, esclareça-se mais uma vez que o posicionamento do STJ, no que tange à decadência do direito à solicitação de restituição, no caso de pagamento indevido por inconstitucionalidade, é o mesmo posicionamento adotado em relação ao pagamento indevido pela simples ocorrência de erro, ou seja, a tese dos "cinco mais cinco", de acordo com a jurisprudência já colacionada. yit 48 , • . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Quanto ao Parecer COSIT n° 58/98, cabe aqui a transcrição de suas conclusões acerca do termo inicial para contagem da decadência, não sem antes fornecer-se o posicionamento do ato em face do próprio direito à restituição: "13. Com relação à segunda questão, a resposta é que nem sempre os delegados/inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de tributo cobrado com base em lei declarada inconstitucional pelo STF. Isto porque, no caso de contribuintes que não foram parte nos processos que ensejaram a declaração de inconstitucionalidade — no caso de controle difuso, evidentemente —, para se configurar o indébito, é mister que o tributo ou contribuição tenha sido pago com base em lei ou ato normativo declarado inconstitucional com efeitos erga omnes, o que, conforme já demonstrado, só ocorre após a publicação da Resolução do Senado ou na hipótese prevista no art. 4° do Decreto n° 2.346/1997. 14. Esta é a regra geral a ser observada, havendo, contudo, uma exceção a ela, determinada pela Medida Provisória n° 1.699- 40/1998, art. 18, § 2°, que dispõe: (...) 19. Logo, os delegados e inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder à restituição/compensação nos casos expressamente previstos na NIP n° 1.699-40/1998, art. 18... 1110(...) 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo, que: c) quando da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no de controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para terceiros não-participantes da lide, é a data da publicação da Resolução do Senado ou a data da publicação do ato do Secretário da Receita Federal, a que se refere o Decreto n° 2.346/1997, art. 4"), bem assim nos casos r{ 49 o • " • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTFUBUTNTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 permitidos pela MP n° 1.699-40/1998, onde o termo inicial é a data da publicação: 1. da Resolução do Senado n° 11/1995, para o caso do inciso 17; 2. da MP n° 1.110/1995, para os casos dos incisos II a VI18; 3. da Resolução do Senado n°49/1995, para o caso do inciso VII19; 4. da MP n° 1.490-15/1996, para o caso do inciso DC. I9" (grifei) Como se pode concluir, o Parecer COSIT n° 58/98, acima transcrito, de forma alguma endossa as alegações da recorrente. Em primeiro lugar, dito parecer reconhece que a simples declaração de inconstitucionalidade, no controle difuso, não tem o condão de ensejar restituições a terceiros não participantes da lide, sendo necessária a presença de elemento que confira efeitos erga omnes ao julgado do STF (Resolução do Senado Federal, ato do Secretário da Receita Federal ou substitutivo). Dessa premissa nasce a segunda conclusão do parecer, no sentido de que, relativamente ao terceiro que não participou da lide no controle difuso, como é o caso da recorrente, o termo inicial para a contagem da decadência seria a data da publicação de Resolução do Senado Federal ou de ato do Secretário da Receita Federal. O parecer em tela cogita, ainda, de uma exceção à exigência de Resolução do Senado ou ato do Secretário da Receita Federal, para a concessão de restituição administrativa, exceção essa representada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 1.699-40/1998 que, como já se viu, elenca várias matérias, cada qual com o seu termo inicial para contagem da decadência, porém dentre elas não consta a cota de contribuição sobre exportações de café. Conclui-se, portanto, que o Parecer COSIT n° 58/98 também não socorre a recorrente, uma vez que, no caso em apreço, não houve manifestação do Senado Federal, tampouco do Secretário da Receita Federal. Além disso, como já foi dito, a cota de contribuição incidente sobre exportações de café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86, não consta entre as matérias elencadas no art. 18 da Medida Provisória 1.699/40-1998, consideradas pelo parecer como passíveis de restituição administrativa. tt_ 7 1 - contribuição de que trata a Lei no 7.689/88; 8 II - empréstimo compulsório instituído pelo Decreto-lei no 2.288/86, sobre a aquisição de veículos automotores e de combustível; III - Finsocial; IV - IPMF; V - taxa de licenciamento de importação; VI - sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações; VII — adicional de tarifa portuária; 9 VIII - PIS - Programa de Integração Social; i° IX - Cofins. 50 • • " . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 De tudo o que foi exposto até o momento, verifica-se que, seja pelas determinações do Decreto n°2.346/1997, seja pela adoção do entendimento esposado nos Pareceres PGFN/CRE n° 948/98 e SRF/COSIT n° 58/98, em momento algum existe autorização para que o Julgador Administrativo suspenda a aplicação de lei ou ato normativo, com a finalidade de promover restituição de quantias pagas (conectada ao efeito ex tune), no controle difuso de constitucionalidade, relativamente a terceiros não integrantes da lide. Como se viu, tal autorização encontra-se condicionada ao atendimento de determinados requisitos, a saber: - Resolução do Senado Federal; ou - ato do Presidente da República, estendendo os efeitos da decisão judicial; ou - ato do Secretário da Receita Federal (essa interpretação, como já assinalado no presente voto, extrapola os limites do Decreto n° 2.346/97, uma vez que o seu art. 4° não trata de restituição). Assim, a conclusão lógica é de que, nas situações em que nenhum destes requisitos foi atendido, não há como conceder-se a restituição administrativa, por falta de previsão legal. Tal era o caso, dentre outros, do Finsocial, trazido como exemplo pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade, e que será objeto do item seguinte. No item "F", a interessada argumenta que, no caso do Finsocial, a inexistência de Resolução do Senado Federal não impediu a Administração Pública Federal, por meio da edição de sucessivas Medidas Provisórias, de estender os efeitos de declaração incidental de inconstitucionalidade, resultando • em centenas de processos nos quais o Conselho de Contribuintes autorizou a restituição. Conforme se viu no item anterior, a restituição do Finsocial e de outras exações foi autorizada pela Medida Provisória n° 1.699-40/1998, a titulo de exceção à regra de exigência dos requisitos representados pela Resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Receita Federal. Note-se que esta conclusão está de acordo com a interpretação do Parecer COSIT n° 58/98, citado pela própria interessada em seu recurso. No caso da cota de contribuição sobre exportações de café, não houve ADIn nem existe Resolução do Senado Federal. Ainda assim, poderia ter sido editado ato do Presidente da República (estendendo os efeitos do precedente judicial), ou do Secretário da Receita Federal (como entende o Parecer COSIT n° 58/98), mas nada disso ocorreu. Tampouco a contribuição de que se trata constou dos incisos elencados no art. 18 da Medida Provisória n° 1.699-40/1998 (original Medida Fek 51 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Provisória n° 1.110/95), ou de qualquer outra MP ou ato legal nesse sentido, daí a conclusão de que a autoridade administrativa encontra-se impedida de autorizar a restituição pleiteada, mesmo pelo prisma extensivo do Parecer COSIT n° 58/98. A despeito de todos esses argumentos, fugindo totalmente à lógica, a recorrente entende, ao trazer como razões de recurso o voto proferido no Acórdão n° 303-30.959, do 3° CC, que a falta dos mencionados requisitos é exatamente o motivo que obrigaria a autoridade administrativa a efetuar a restituição. Ora, não existe qualquer dispositivo legal ou ato interpretativo que entenda que a ausência dos requisitos em tela enseje a pretendida restituição. Ao contrário, é a presença dos requisitos que autoriza a repetição administrativa do indébito. Tanto é assim que, no caso do Finsocial (trazido como paradigma pela- e interessada), em que também foi encaminhada mensagem ao Senado Federal para edição de Resolução (não emitida), foi necessária uma Medida Provisória para que se autorizasse a restituição. Nesse sentido é a jurisprudência majoritária dos Conselhos de Contribuintes e o Parecer COSIT n° 58/98, ambas as fontes citadas pela recorrente: "FINSOCIAL - PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO SOBRE RECOLHIMENTOS DA CONTRIBUIÇÃO - O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Inexistindo resolução do Senado Federal, há de se contar da data da Medida • Provisória n° 1.110, de 31/08/95. Recurso ao qual se dá provimento." (Acórdão n°202-13.949) (grifei) A necessidade da presença de um dos requisitos elencados também é reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o Acórdão CSRF/01-03.239, citado no Acórdão n° 303-30.959 (fls. 262), que a interessada pede seja considerado em seu recurso: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: 52 e e 4 I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso conhecido e improvido." (grifei) Aliás, no caso do Finsocial, em que o STF desde logo, em decisão publicada em 02/04/93, declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos que haviam majorado as aliquotas, enviando mensagem ao Senado Federal, esta simples declaração, no controle difuso, não foi suficiente para promover-se a restituição dos valores indevidamente recolhidos, tanto assim que a decadência, conforme interpretação do Parecer COSIT n° 58/98 e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, citados como parâmetros pela recorrente, consideram como termo de inicio para a contagem do prazo decadencial a data da Medida Provisória n° 1.110/95, publicada somente em 30/08/95. Ora, o entendimento defendido pela interessada é de que o dies a quo do prazo decadencial marca o momento em que o pagamento passa a ser considerado indevido. Não obstante, constata-se que o próprio Parecer COSIT n° 58/98 e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes rechaçam a interpretação de que, no controle difuso, a simples declaração de inconstitucionalidade seria apta a autorizar a promoção da restituição de quantias pagas. Do contrário, no caso do Finsocial, considerariam como dies a quo do prazo decadencial a data de 02/04/93 (publicação da decisão do STF), e não de 30/08/95 (publicação da MP n° 1.110/95), como de fato consideram. Verifica-se, portanto, flagrante contradição na argumentação da interessada, a saber: - a recorrente quer a todo o custo que se promova restituição administrativa da cota do café apenas com a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, sem ato concessivo de efeitos erga omites, e ainda considerando como dies a quo da contagem do prazo decadencial a data do julgado do STF; - paradoxalmente, traz como suporte à sua tese atos administrativos interpretativos e jurisprudência que só confirmam o entendimento de que, no controle difuso, o precedente do STF, por si só, não enseja restituição a terceiro não participante da lide, sendo necessária a presença de elemento que confira efeitos erga 53 , . • • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA ••• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 omnes ao julgado (no caso do Finsocial, esse elemento foi representado por uma Medida Provisória). Não é necessário maior esforço para concluir que o arcabouço argtunentativo da recorrente não serve de suporte à sua tese. Enfim, os casos do Finsocial e da cota de contribuição sobre exportações de café só ilustram o perigo da criação de teses sem amparo legal, divorciadas do CTN, tendentes a buscar soluções discricionárias e casuísticas que, em última análise, logram dilatar indevidamente o prazo para pleitear a restituição de quantias pagas. Destarte, mais uma vez se constata que a jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, acerca da cota do café, trazida à colação pela recorrente, não pode ser acatada, por ser desprovida de fundamentação legal, uma vez que, no caso dessa exação, não se verificou o atendimento a nenhum dos requisitos que, mesmo sob o prisma extensivo do Parecer COSIT n° 58/98, autorizariam a restituição administrativa. Finalmente, no item "G", a interessada alega ter direito à restituição dos créditos pleiteados, apurados conforme planilha de cálculos anexa, acrescidos de correção monetária plena e incluídos os expurgos inflacionários ocorridos no período, atualizados ainda até o efetivo beneficio da empresa. Os itens anteriores demonstraram à exaustão que a autoridade administrativa não pode conceder a restituição pleiteada. Ainda que assim não fosse, o suposto direito encontra-se inexoravelmente fulminado pela decadência. Daí não ILL haver sentido na discussão sobre os acréscimos a serem aplicados aos valores W recolhidos. Entretanto, apenas por amor ao debate, cabe esclarecer que as restituições administrativas seguem as normas estabelecidas nas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal, que refletem a legislação pertinente, inclusive relativamente a eventual aplicação de índices de correção. Por fim, cabe acrescentar que o entendimento esposado neste voto, especialmente no que tange ao Decreto n° 2.346/97, guarda sintonia com o art. 5° da Portaria MF n° 103/2002, que inseriu o art. 22-A no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF n° 55/98 - Anexo II): "Art. 22-A. No julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. tytk 54 , . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 129.095 ACÓRDÃO N° : 302-36.367 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; II - objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; - que embasem a exigência de crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação de execução fiscal." Destarte, no caso em questão, como ficou sobejamente demonstrado, não constam dos autos elementos que logrem atender a qualquer das hipóteses acima, portanto não há como afastar a aplicação do Decreto-lei n° 2.295/86, mormente com a finalidade de promover a restituição de crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, cujo direito já foi alcançado pela decadência. Diante do exposto, seguindo a linha dos votos já proferidos nos Recursos Ws 120.655, 123.827 e 127.650, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. 111/ Sala das Sessões, em 14 de setembro de 2004 ittb.,,g-e- -G ck,oes -MARIA HELENA COTTA CARDGEO - Relatora 55 Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.014100/99-08
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 INCENTIVO FISCAL - PERC - CONCESSÃO - REGULARIDADE FISCAL A prova da regularidade em relação ao tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei nº 9.069/95, há que ser verificada no momento da fruição do incentivo fiscal ou na sua concessão, assim considerado o momento em que a administração tributaria analisa a opção feita pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos. Entretanto, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita.
Numero da decisão: 107-09.477
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Luiz Martins Valero

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AV;4: 44- ).°,1;;-,.nr,- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SÉTIMA CÂMARA Processo n° 10768.014100/99-08 Recurso n° 153.757 Voluntário Matéria IRPJ - Ex.: 1997 Acórdão n° 107-09.477 Sessão de 14 DE AGOSTO DE 2008 Recorrente WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA Recorrida 8" TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1997 INCENTIVO FISCAL - PERC - CONCESSÃO - REGULARIDADE FISCAL A prova da regularidade em relação ao tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, há que ser verificada no momento da fruição do incentivo fiscal ou na sua concessão, assim considerado o momento em que a administração tributaria analisa a opção feita pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos. Entretanto, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o present- *ulgado. di MA r O: ' ICIUS NEDER DE LIMA Pre * ente 1 r• 1i. Processo n° 10768.0141r e 4 ,-08 CCOI/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 2 ,i ILÓ) LU • ' TINS n ALERO _ Rela or I . Formalizado em: -2-4 si ad Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Jayme Juarez grotto, Lisa Marini Ferreira dos Santos, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausente, justificadamente a Conselheira Silvia Bessa Ribeiro Biar. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA contra Acórdão n° 8.396/2005 da 8 TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I que não acolheu a sua Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do Pedido de Revisão de Incentivos Fiscais - PERC, relativamente ao exercício de 1997. O indeferimento questionado deu-se pelo Despacho Decisório de fls. 823/824, por considerar a autoridade administrativa que a interessada não demonstrou a regularidade fiscal perante a Administração Pública Federal, estando com isso impedida de receber o beneficio fiscal, tendo em vista o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/95. Apontam-se irregularidades fiscais da empresa traduzidas em débitos, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, reportando-se às fls. 801/821. Na impugnação que inaugurou o litígio, a interessada alegou, em síntese, que estava regular perante o Fisco à época em que o despacho foi proferido, juntando as seguintes certidões: Certidão Positiva com Efeito de Negativa de fls. 858, fornecida pela PGFN; Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863; Certidão Positiva com Efeito de Negativa, obtida junto ao INSS, fls. 865 e Certidão Positiva com Efeito de Negativa, emitida pela Secretaria da Receita Federal, fls. 868. A Turma Julgadora de Primeiro Grau estribou-se nos seguintes fundamentos para indeferir a Manifestação de Inconformidade: 18. Na sua manifestação de inconformidade o contribuinte faz a juntada da Certidão Positiva com Efeito de Negativa de fls. 858/860, fornecida pela PGFN, com validade no período de 04/10/2004 a 04/04/2005; dos Certificado de Regularidade do FGTS, emitidos pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863, vigentes no período de 28/10/2004 a 25/12/2004, da Certidão Positiva com Efeito de Negativa, obtida junto ao INSS, fls. 865/866, válida no período de 16/09/2004 a 15/12/2004 e da Certidão Positiva com Efeito de Negativa, emitida pela Secretaria da Receita Federal, fls. 868, em 21/10/2004, e válida teaté 22/04/2005. Segundo argumenta o contribuinte, a apresentação de 2 Processo n° 10768.014100/99-08 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 3 tais certidões serviria para demonstrar sua regularidade fiscal à época do indeferimento do pedido, havido em 19/10/2004, fls. 824. (.) [...] da análise das certidões apresentadas verifica-se que os Certificados de Regularidade do FGTS, emitidos pela Caixa Econômica Federal, fls. 862/863, foram expedidos em 11/11/2004 e 29/11/2004 e a Certidão Positiva com Efeito de Negativa, da Secretaria da Receita Federal, fls. 868, em 21/10/2004. Portanto, havendo sido tais certidões emitidas em data posterior ao indeferimento do pedido não servem para comprovar a alegação do contribuinte de que em 19/10/2004 estaria regular perante o Fisco, posto não retroagirem no tempo. Para amparar a sua pretensão a impugnante deveria apresentar certidões que estivessem vigentes no período em que o seu pedido foi analisado e indeferido pela DIORT/DERAT/R1. " No recurso a este colegiado a interessada, em longo arrazoado, mostra-se inconformada com o fato de o indeferimento ter se dado por conta de datas de apresentação de Certidões de Regularidade. Reafirma que na data da análise as Certidões apresentadas eram válidas e eficazes. Junta novamente todas as Certidões para provar sua Regularidade Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro - LUIZ MARTINS VALERO, Relator. Este Colegiado tem analisado centenas de recurso contra indeferimento de PERC, sob os mais variados motivos. Prende-se a Receita Federal à disposição literal da legislação, mormente a Norma de Execução SRF/COSAR n° 6/98, que veicula interpretação no sentido de que a regularidade fiscal deve ser verificada no momento da concessão ou reconhecimento. E deve mesmo. Ocorre que não se pode negar o direito do contribuinte de mostrar, no curso do Processo Administrativo, que eventual irregularidade constatada à época da análise do Pedido de Revisão está sanada. A apresentação de Certidões Negativas, Certidões de Regularidade e Certidões Positivas com Efeito de Negativa, ainda que emitidas posteriormente ao despacho denegatório, provam a regularidade fiscal, objetivo maior visado pela Lei n° 9.069/95, art. 60. É o caso desses autos em que todas as vezes que foi instado pela administração tributária a provar sua regularidade o contribuinte apresentou as respectivas Certidões. E repete isso agora no Recurso. 3 Processo n° 10768.014100/99-08 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.477 Fls. 4 Nessa ordem de juizo voto por se DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 14 de agosto de 2008. )1e9 ' EN/1''T VALERO 4 Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.031728/97-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PIS - COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS COM TDA - IMPOSSIBILIDADE - Por falta de previsão legal, não se admite a compensação de Títulos da Dívida Agrária - TDA com tributos e contribuições de competência da União Federal, como também para o pagamento das mesmas obrigações com tais títulos, ressalvada a previsão expressa do artigo 11 do Decreto nr. 578, de 24 de junho de 1992, segundo a qual os Títulos da Dívida Agrária - TDA poderão ser utilizados para pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-72706
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Geber Moreira

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O. U. d : -jo O 5) I 0 1:3 19 99 ..... C Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA ealt ussuzsenswen ~ir t‘'I SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 •Sessão 28 de. abril de. 999 Recurso : 110.599 Recorrente : SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida : DRJ no Rio de Janeiro — RJ PIS — COMPENSAÇÃO/PAGAMENTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS COM TDA — IMPOSSIBILIDADE — Por falta de previsão legal, não se admite a compensação de Títulos da Divida Agrária — TDA com tributos e contribuições de competência da União Federal, como também para o pagamento das mesmas obrigações com tais títulos, ressalvada a previsão expressa no artigo 11 do Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992, segundo a qual os Títulos da Divida Agrária — TDA poderão ser utilizados para pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de esril de 1999 //1/ Luiza Hel -41•‘<nte d , Moraes Presidenta itikliortteikti-jtANI4 R • !ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olímpio Holanda, Valdemar Ludvig, Serafim Fernandes Corrêa e Sérgio Gomes Velloso. LDSS/CRT 3,3 MINISTÉRIO DA FAZENDA Sitht • Sek:t. 41, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 474 ?, Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 Recurso : 110.599 Recorrente : SAINT GERMAIN DISTRII3U1DORA DE VEICULOS LTDA, RELATÓRIO SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. apresentou, em 15/12/97, "denúncia espontânea cumulada com pedido de compensação". Pretende a contribuinte compensar débito de PIS, refe] ente ao mês de outubro/97, com crédito oriundo de Títulos da Dívida Agrária — TDA. Em 27/07/98, insurge-se contra decisão da DRF/RJ, que indeferiu o pleito. A decisão da autoridade administrativa calcou-se: a) na falta de previsão legal para a compensação pleiteada, sendo avocado o Decreto n° 578, de 24/06/92, que não enumerou a possibilidade de utilização dos TDA para quitação de débitos para com a Fazenda Nacional, exceção feita ao ITR (50%); e b) no fato de que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento relativo à matéria denunciada. Em sua peça impugnatória, a contribuinte alega, em resumo, o seguinte: a) a decisão recorrida violou a garantia constitucional de ampla defesa, por não ter abordado assuntos suscitados no pedido inicial, como: 1. a compensação não é mais regulamentada por lei ordinária, mas por lei complementar; e 2. a natureza jurídica dos Títulos da Dívida Agrária (TDA); b) sustenta que a compensação tributária é assegurada à contribuinte pelo art. 170 do CTN, que exige a existência de créditos tributários, em face dos créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública; c) caem por terra, enfatiza a recorrente, os argumentos da autoridade recorrida em estabelecer o sofisma da necessidade da existência de lei ordinária. E prossegue alegando que, vencido o título, sua liquidez e exigibilidade são imediatas, podendo o titular do crédito valer-se do mesmo, como se dinheiro fosse em relação ao seu emitente, ou seja, a Fazenda Pública Federal. Na espécie, o artigo encampado pela autoridade recorrida não tem qualquer aplicabilidade a direitos creditórios relativos aos TDA vencidos, já que estes têm conversibilidade imediata em 2 y MINISTÉRIO DA FAZENDA cg, • Attiilte:r. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4..tsibif Q4•,a7 Processo :. 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 moeda corrente quando de sua apresentação à União (arts. 1° e 3° do Decreto n° 578/92). Se a rigor devem os TDA serem liquidados de imediato quando do seu vencimento — conversibilidade pronta do valor devido em moeda corrente —, tem-se que podem ser empregados como meio de pagamento ou compensação; d) ao propor a compensação em questão, dentro do prazo de liquidação da obrigação tributária, pretendeu a reclamante a extinção integral — por compensação ou pagamento — da obrigação, de modo que, no caso, não há cogitar-se de atraso passível de indenização ou punição moratória; e) o próprio Ministro da Fazenda, Pedro Malan, encaminhou proposta de projeto de lei ao Presidente da República, que enviará ao Congresso Nacional, no qual PREVÊ A POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS TEIA NA QUITAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁMOS perante a Fazenda Nacional, pelo seu valor de face; e f) as multas que se pretende impor não podem subsistir, pois a conduta adotada pela impugnante não é passível de punição. Finalmente, requer seja: a) a reclamação encaminhada à DRJ/RJ para processamento, sob os efeitos do artigo 151,111, do CTN; b)julgada totalmente procedente a impugnação para ser: 1. reconhecida e decretada a nulidade da decisão recorrida, em face do exposto no item acima; e 2. reformada a decisão denegatória, se superado o pedido anterior e, por ato declaratório, ser reconhecida a compensação pretendida, excluídas eventuais multas de mora, com a conseqüente extinção da obrigação tributária, apontada na peça inicial Decidindo a espécie, a autoridade monocrática, calcada nas razões e conceitos invocados na decisão, resolveu: a) manter a decisão reclamada pela ausência de previsão legal, quer para a compensação pleiteada, quer para utilização dos TDA como meio de pagamento de tributos federais, exceção feita aos 50% do ITR; b) JULGAR improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, indeferindo a compensação pleiteada; e 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA '"NR,•tn,," SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 c) NÃO RECONHECER legitimidade à declaração de denúncia espontânea, não se operando os efeitos que lhes são próprios, porque desatendidos os requisitos do art. 138 do CTN. Inconformada, a contribuinte formula o Recurso Voluntário de fls. 58/67, renovando as alegações anteriores, requerendo seja o mesmo julgado totalmente procedente, reformando-se a decisão recorrida para, por ato declaratório, ser reconhecida a compensação pretendida, excluída eventual multa de mora, com a conseqüente extinção da obrigação tributária, apontada na peça inicial (art. 156, II, do Código Tributário Nacional). É o relatório. 4 3C MINISTÉRIO DA FAZENDA `,1:44nnl' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •-• Itínt Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão 201-72.706 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GEBER MOREIRA Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão monocrática que manteve o indeferimento de Pedido de Compensação de PIS com direitos creditorios representados por Títulos da Dívida Agrária — TDA, formulado por SAINT GERMAIN DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. A jurisprudência desta Egrégia Câmara pacificou, na espécie, a partir do judicioso voto proferido pela eminente Conselheira Luiza Helena Galante de Moraes, in Acórdão n° 201-71.069, ao qual me reporto pela precisão de suas razões e conceitos. Como sabido, Títulos da Dívida Agrária — TDA são títulos de crédito nominativos ou ao portador, emitidos pela União para pagamento de indenizações de desapropriações por interesse social de imóveis rurais para fins de reforma agrária, e são regidos por legislação específica que trata de emissão, valor, pagamento de juros e resgate, não tendo qualquer relação com créditos de natureza tributária. Alega a requerente que o seu direito à compensação estaria garantido pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional — CIN. Reza, com efeito, o artigo 170 do CTN, verbis: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo com a Fazenda Pública". Já o artigo 34 do ADCT-CF/88 dispõe: "O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda n° 01, de 1969, e pelas posteriores.". No seu § 5°, assim dispõe: 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Nti,35 4:14,Sfr-7,0„ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.;',at-jrrty Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 "Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele e com a legislação referida nos §§ 30 e 40.". Assim, o artigo 170 do CTN não deixa dúvida de que a compensação deve ser feita sob lei especifica, enquanto que o art. 34, § 5°, assegura a aplicação da legislação vigente anteriormente à nova Constituição, no que não sela incompatível com o novo Sistema Tributário Nacional. Ora, a Lei n° 4.504/64, em seu artigo 105, que trata da criação dos Títulos da Divida Agrária — TDA, cuidou, também, de seus resgates e utilizações. O § 1 0 deste artigo dispõe: "Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural". Já o artigo 184 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a utilização dos Títulos da Dívida Agrária — TDA será definida em lei. O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, e, tendo em vista o disposto nos artigos 184 da Constituição Federal, 105 da Lei n° 4.504/64 (Estatuto da Terra) e 50 da Lei n° 8.177/91, editou o Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992, dando nova regulamentação ao lançamento dos Títulos da Dívida Agrária — TDA. O artigo 11 deste decreto estabelece que os TDA poderão ser utilizados em: "I — PAGAMENTO DE ATÉ CINQÜENTA POR CENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL; II — PAGAMENTO DE. PREÇOS. DE TERRAS PÚBLICAS; II! — PRESTAÇÃO DE GARANTIA; IV — DEPÓSITO, PARA ASSEGURAR A EXECUÇÃO EM AÇÕES JUDICIAIS OU ADMINISTRATIVAS; V — CAUÇÃO, PARA GARANTIA DE: A) QUAISQUER CONTRATOS DE OBRAS OU SERVIÇOS CELEBRADOS COM A UNIÃO; 6 38. fik.r, MINISTÉRIO DA FAZENDA• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10768.031728/97-71 Acórdão : 201-72.706 B) EMPRESTEMOS OU FINANCIAMENTOS EM ESTABELECIMENTOS DA UNIÃO, AUTARQUIAS FEDERAIS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA, ENTIDADES OU FUNDOS DE APLICAÇÃO ÀS ATIVIDADES RURAIS PARA ESTE FIM. VI — A PARTIR DO SEU VENCIMENTO, EM AQUISIÇÕES DE AÇÕES DE EMPRESAS ESTATAIS INCLUÍDAS NO PROGRAMA NACIONAL DE DESESTAT/ZAÇÃO." Resta, pois, muito claro, que a compensação depende de lei específica (artigo 170 do CTN); que a Lei n° 4.504/64, anterior à CF/88, autorizava a utilização dos TDA em pagamento de até 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR; que esse diploma legal foi recepcionado pela nova Constituição Federal (art. 34, § 5 0, do ADCT); e que o Decreto n° 578/92 manteve o limite de utilização dos TDA, em até 50%, para pagamento do ITR e que, entre as utilizações desses títulos, elencados no artigo 11 deste decreto, não há qualquer tipo de compensação com créditos tributários devidos por sujeitos passivos à Fazenda Nacional. Isto posto, e forte no entendimento de que o uso dos TDA fora das hipóteses excepcionais em que tais títulos são admitidos, a compensação requerida como meio de quitação de tributos implica modalidade de pagamento inaceitável, no particular, por ausência de previsão legal. Assim, conheço do recurso, mas nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de abril de 1999 7

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