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Numero do processo: 11080.720747/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO NA ELEIÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. OFENSA AO ARTIGO 142 DO CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL.
A escolha equivocada de fato gerador e base de cálculo, que no presente caso se fazem sobre verbas recebidas em ação trabalhista já declaradas na Declaração de Ajuste Anual como sujeitas à tributação, bem como a utilização de base de cálculo referente a outro processo judicial, que não àquele a que se refere a autoridade fiscal, fulminam o lançamento por ofensa do artigo 142 do CTN, por vício material insanável.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS que entendeu tratar-se de vício formal decorrente de erro de fato.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ERRO NA ELEIÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. OFENSA AO ARTIGO 142 DO CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. A escolha equivocada de fato gerador e base de cálculo, que no presente caso se fazem sobre verbas recebidas em ação trabalhista já declaradas na Declaração de Ajuste Anual como sujeitas à tributação, bem como a utilização de base de cálculo referente a outro processo judicial, que não àquele a que se refere a autoridade fiscal, fulminam o lançamento por ofensa do artigo 142 do CTN, por vício material insanável. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 07 47 /2 01 1- 12 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS que entendeu tratarse de vício formal decorrente de erro de fato. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11080.720747/201112 Acórdão n.º 2401004.145 S2C4T1 Fl. 149 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA Somente são isentas de tributação as parcelas recebidas por meio de reclamatória trabalhista descritas na legislação, devidamente identificadas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. O crédito pago após o vencimento é acrescido de multa de ofício e juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Utilizome do Relatório da DRJ/POA para melhor descrever os fatos do presente processo. A Notificação de Lançamento nº. 2009/022320903044559 (fls. 82/85) realizou o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 5.040,00, já acrescido de multa de 75% e juros de mora, referente ao anocalendário de 2008. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 83, foi verificada omissão de rendimentos, no valor de R$ 9.634,80, recebidos em virtude de processo judicial trabalhista, conforme documentos apresentados pelo contribuinte. Ainda segundo a autoridade fiscal, foram deduzidos dos rendimentos omitidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte ao seu advogado. Após ser julgada improcedente a impugnação do contribuinte, este foi notificado do acórdão nº. 1039.857 em 08/08/2012 (AR fls. 120/121), apresentando seu recurso voluntário, de fls. 124/131, em 06/09/2012, onde alega: a) Preliminarmente, o caráter confiscatório da multa de 75%; b) Equívoco do AFRFB em realizar o lançamento sobre valores recebidos em ação de repetição de indébito tributário, e não em ação trabalhista, conforme indicado pela autoridade fiscal na Notificação de Lançamento nº. 2009/022320903044559; c) O valor tido no lançamento fiscal como omissão de receitas (R$ 9.634,80), já deduzidos os honorários, foi declarado como rendimento isento e nãotributável decorrente da “ação tributária” nº. 2005.71.00.0186717 na Declaração de Ajuste Anual (fl. 91); Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 d) O valor recebido como êxito da ação trabalhista nº. 00352200302104 005 foi de R$ 8.018,00, já deduzidos os honorários, e foi declarado como Rendimento Tributável na Declaração de Ajuste Anual (fl. 89); É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11080.720747/201112 Acórdão n.º 2401004.145 S2C4T1 Fl. 150 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente – Da alegação quanto ao caráter confiscatório da multa de 75% O recorrente alega que a multa incidente no lançamento, de 75%, possui caráter confiscatório e, assim, afrontaria o art. 150, IV, da Constituição Federal, sendo inconstitucional a sua aplicação. A multa de ofício é aplicada nos termos do art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96. Nos termos da Súmula CARF nº. 2, foge à alçada deste Colegiado o afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Eis o enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, destacase que o próprio Supremo Tribunal Federal vem afastando a tese ora defendida pela recorrente, conforme julgados das suas turmas julgadoras: EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. CDA. Nulidade. Alegada violação do art. 5º, LV, da CF/88. Matéria infraconstitucional. Afronta reflexa. Multa. Caráter confiscatório. Necessidade de reexame de fatos e provas. Taxa SELIC. Constitucionalidade. 1. A afronta aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa ou do contraditório, quando depende, para ser reconhecida como tal, da análise de normas infraconstitucionais, configura apenas ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal. 2. Ambas as Turmas da Corte têmse pronunciado no sentido de que a incidência de multas punitivas (de ofício) que não extrapolem 100% do valor do débito não importa em afronta ao art. 150, IV, da Constituição. 3. Para acolher a pretensão da agravante e ultrapassar o entendimento do Tribunal de origem acerca da proporcionalidade ou da razoabilidade da multa aplicada, seria necessário o revolvimento dos fatos e das provas constantes dos autos. Incidência da Súmula nº 279/STF. 4. É firme o entendimento da Corte no sentido da legitimidade da utilização da taxa Selic como índice de atualização de débitos tributários, desde que exista lei legitimando o uso do mencionado índice, como no presente caso. 5. Agravo regimental não provido. (RE 871174 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 julgado em 22/09/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe224 DIVULG 10112015 PUBLIC 11112015) (grifamos) Assim, nego provimento ao recurso voluntário quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. Mérito – Do lançamento sobre omissão de receitas O recorrente alega que o AFRFB responsável pela notificação de lançamento incorreu em equívoco ao fazêlo. Para melhor elucidação da questão, faço abaixo um breve histórico do lançamento e dos documentos acostados ao presente processo administrativo fiscal. Nos termos da “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL” contida na Notificação de Lançamento, à fl. 83, temos que: Como se vê, a descrição é bastante clara em mencionar que a omissão de rendimentos apurada se deu em “virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 9.634,80”. Segundo o recorrente, foram entregues à fiscalização documentos referentes a todos os rendimentos recebidos no anocalendário de 2008 e, de fato, há duas ações judiciais na qual o mesmo obteve êxito e recebeu valores. Eis os processos (abaixo os valores já líquidos informados pelo recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, descontados os honorários advocatícios pagos em decorrência de cada um dos processos): Autos Valor 00352200302104005 (Trabalhista) R$ 8.018,00 2005.71.00.0186717 (Tributária) R$ 9.634,80 De acordo com as informações acima, que se obtém dos documentos acostados ao presente PAF (cópias dos autos 2005.00.0186717 fls. 43/78; cópias dos autos 00352200302104005 fls. 105/108), não restam dúvidas quanto aos valores atribuídos a cada um dos processos. Verificados os valores efetivamente recebidos em cada um dos processos judiciais, necessário se faz verificar o tratamento tributário atribuído pelo contribuinte a cada um dos recebimentos, ou seja, se houve ou não omissão de receitas referente a recebimento em processo trabalhista, conforme afirmado pela fiscalização. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11080.720747/201112 Acórdão n.º 2401004.145 S2C4T1 Fl. 151 7 Na DIRPF (transmitida em 17/04/2009) do recorrente, referente ao Exercício 2009, anocalendário 2008 (fls. 88/94), este fez assim constar: a) Declaração dos valores recebidos na ação trabalhista, junto à reclamada Brasil Telecom S/A (fl. 89): b) Declaração dos valores recebidos na ação tributária, junto à reclamada Brasil Telecom S/A (fl. 91): Da Declaração de Ajuste Anual do recorrente se extrai a conclusão, inequívoca, de que (i) os valores recebidos na ação tributária, de repetição de indébito relativo ao imposto de renda pessoa física, foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis e (ii) os valores recebidos na ação trabalhista foram declarados como rendimentos tributáveis. Ora, diante do contexto fático acima demonstrado, conclusão óbvia é a de que o AFRFB ao realizar o lançamento sobre "omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 9.634,08" Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 incorreu em dois erros no lançamento de ofício: (i) eleição equivocada da hipótese de incidência, posto que os valores recebidos a título de ação trabalhista já haviam sido oferecidos à tributação; e (ii) eleição equivocada da base de cálculo, pois se utilizou dos valores recebidos na ação tributária, referentes a repetição de indébito de Imposto de Renda da Pessoa Física, para sobre estes realizar o lançamento justamente de Imposto de Renda da Pessoa Física. Ressaltese que o equívoco do AFRFB no lançamento implicou, inclusive, em indução a erro do próprio contribuinte para apresentação de sua peça impugnatória, bem como da própria DRJ/POA, posto que a discussão em primeira instância focouse na natureza das verbas (se indenizatórias ou não) que resultaram na sentença procedente (na ação tributária) para fins de restituição do imposto de renda que indevidamente incidiu sobre determinadas verbas. Em outras palavras, discussão absolutamente irrelevante e desconexa com o verdadeiro objeto da presente notificação de lançamento. Assim, restando devidamente demonstrado que o AFRFB equivicouse duplamente na eleição de elementos essenciais ao lançamento, quais sejam, o fato gerador (hipótese de incidência) e a base de cálculo, há que ser considerada nula a Notificação de Lançamento nº. 2009/022320903044559 (fls. 82/85), por ofensa ao art. 142 do Código Tributário Nacional. O art. 142 do CTN estabelece que “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (grifamos). No lançamento em questão, nitidamente o AFRFB equivocouse na eleição do fato gerador do lançamento, posto que não ocorreu qualquer omissão relativa ao recebimento de verbas em processo trabalhista, pois já estava declarada, e ainda se utilizou de base de cálculo indevida, referente ao processo tributário, fulminando o lançamento. Assim, não resta alternativa que não seja a anulação do lançamento de ofício, por vício insanável do mesmo, como bem já decidiu este Conselho em inúmeros julgados: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (CARF, 1ª Seção, 3ª Câm., 2ª T.O., Acórdão nº. 1302001.170, PAF nº. 16682.720314/201282, Rel. Alberto Pinto Souza Junior, 11/09/2013) LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. No caso de existência de saldo negativo, este não afeta a apuração da base de incidência do IRPJ e da CSLL, uma vez que o saldo negativo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11080.720747/201112 Acórdão n.º 2401004.145 S2C4T1 Fl. 152 9 é crédito do contribuinte e que pode, inclusive, ser objeto de pedidos de compensação com outros tributos de outras espécies, por meio da apresentação da competente PER/DCOMP. Assim, caso se realize o lançamento e não se promova a absorção desse crédito, é dado ao julgador administrativo promover referida redução, que não afeta a formação da norma individual e concreta de tributação, mas apenas a composição do valor exigível a partir da autuação. (CARF, 1ª Seção, 4ª Câm., 1ª T.O., Acórdão nº. 1401001.086, PAF nº. 16327.002326/0010, Rel. Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, 07/11/20132013) RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. (CARF, Segunda Seção, 2ª Turma Especial, Acórdão nº. 2802003.359, PAF nº. 13002.720640/201122, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida, 11/03/2015) Conclusão Assim, por vício material insanável em requisitos indispensáveis ao lançamento (fato gerador e base de cálculo), nos termos do art. 142 do CTN, voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário e anular a Notificação de Lançamento nº. 2009/022320903044559 (fls. 82/85). Carlos Alexandre Tortato. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Numero do processo: 10907.002837/2004-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 12/03/1999 a 09/07/1999
IPI-IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART 173, I, DO CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO ANEXO II DO RICARF/2015. SÚMULA CARF Nº 101.
Não realizado o pagamento do IPI-importação antes da saída do produto estrangeiro da repartição que processou o despacho aduaneiro, o prazo que o Fisco tem para formalizar a exigência do crédito tributário é de 5 cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o desembaraço aduaneiro.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido, para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Maria Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PAGAMENTO NÃO EFETUADO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART 173, I, DO CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO ANEXO II DO RICARF/2015. SÚMULA CARF Nº 101. Não realizado o pagamento do IPIimportação antes da saída do produto estrangeiro da repartição que processou o despacho aduaneiro, o prazo que o Fisco tem para formalizar a exigência do crédito tributário é de 5 cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o desembaraço aduaneiro. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos ao Colegiado recorrido, para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Maria Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 28 37 /2 00 4- 75 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 705 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Inicio o relatório, transcrevendo o relatório do Acórdão nº 6.368, de 12/09/2005, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS): 'Trata o presente processo de reclassificação tarifária efetuada pela fiscalização referente a várias DI'S registradas no período de 12/03/1999 a 09/07/1999, nas quais a importadora descreveu as mercadorias como sendo sacolas e bolsas térmicas de nylon e PVC classificandoas no código 3923.90.00, solicitando o "Ex" 01 com redução da aliquota para zero. A reclassificação feita pela fiscalização foi para o código 3923.29.90, originando diferença de aliquota de IPI, sendo, então, exigido mediante a formalização do Auto de Infração de fls. 107 a 122, o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), vinculado b. importação e demais acréscimos moratórios, no valor total de R$13.428.415,66. A fiscalização aduaneira entendeu, com base nas descrições das mercadorias e nos elementos existentes no processo, que as mesmas não se tratavam de simples embalagens e que tinham natureza de brindes e eram sacolas ou bolsas reutilizáveis. Desta forma procedeu desclassificação de "embalagens para produtos alimentícios", "Ex" 01 do código 3923.90.00, adotando a classificação do código 3923.29.90 de "outras bolsas de outros plásticos". A autuada apresentou impugnação tempestiva às fls. 1251 136 alegando o que segue: 1) em preliminar, requer o cancelamento do Auto de Infração lavrado em dezembro de 2004, por ter ocorrido a decadência do direito de lançar em julho de 2004, tendo em vista que os fatos geradores se deram entre março e julho/1999. Referese ao art. 150, §4º do CTN e cita jurisprudência administrativa e judicial. 2) no mérito, argúi que procedeu a correta classificação tarifária, haja vista que a finalidade das bolsas térmicas é a utilização destas como embalagem para produtos alimentícios. Estas bolsas foram empregadas para a formação de kits com produtos industrializados pela importadora (peru, lombo suíno, torta, etc.). A bolsa térmica era para proteger os produtos e o auto de infração não prova que as bolsas não seriam utilizadas como embalagem. Uma vez que as mercadorias tratavamse de embalagens de produtos alimentícios, não estavam obrigadas ao pagamento de IPI. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 706 3 3) contesta o lançamento da multa no auto de infração, vez que as importações que deram origem ao presente auto de infração foram praticadas por outra empresa que posteriormente foi incorporada à autuada. Desta forma, como sucessora, só é responsável pelos tributos eventualmente devidos pela incorporada, não existindo previsão legal de sucessão de multas. 4) por último requer, caso seja necessário ao julgador, a realização de perícia para a constatação da utilização das bolsas como embalagem.' A DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação em decisão, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 12/03/1999 a 09/07/1999 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. APLICAÇÃO DO ART 173, I, DO CTN. Em não havendo o pagamento do IPI devido por ocasião da apresentação da declaração, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA DA EMPRESA INCORPORADORA PELOS TRIBUTOS DEVIDOS PELA INCORPORADA. As multas, bem assim como os juros de mora, são devidos em todos os casos em que o recolhimento do tributo aduaneiro ocorra, ou venha a ocorrer, após a data do seu vencimento. A empresa incorporadora é responsável também pelos acréscimos de tributos devidos pela incorporada. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 12/03/1999 a 09/07/1999 Ementa: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBALAGEM PARA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. BOLSAS E SACOLAS TÉRMICAS. CLASSIFICAÇÃO MAIS ESPECÍFICA Ainda que próprias para o acondicionamento de produto alimentar, enquadramse nos respectivos códigos as bolsas e sacolas térmicas com classificação mais especifica no código 3923.29.90." Contra a decisão, foi apresentado recurso voluntário, por intermédio do qual, a contribuinte repetiu os argumentos trazidos na peça de impugnação. O recurso voluntário foi provido. A ementa da decisão é a seguinte: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 707DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 707 4 Período de apuração: 12/03/1999 a 09/07/1999 REVISÃO ADUANEIRA. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para que a administração tributária efetue o lançamento nos casos de revisão aduaneira é de cinco anos contado da data do registro da Declaração de Importação DI." Contra a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à lei, sustentando que a decisão contrariou o art. 173, I, do CTN, Foram apresentadas contrarrazões defendendo a decisão atacada. É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 708 5 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. Passo à discussão da matéria, em relação a qual teria ocorrido interpretação contrária à lei, que se resume à questão da decadência na formalização de auto de infração para a exigência de IPI devido na importação de produtos estrangeiros, que não foi recolhido antes do desembaraço aduaneiro. 1. Decadência. A respeito desta matéria, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo CivilCPC, o STJ decidiu pela aplicação do art. 173, I, do CTN, em caso de tributo sujeito a lançamento por homologação em que não tenha ocorrido pagamento antecipado do tributo, nos seguintes termos: "O prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito." No presente caso, exigese Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI, devido na importação de produtos estrangeiros que não teria sido recolhido no momento previsto na lei. Vejase a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI: "Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. (...)" "Art . 19. O impôsto será lançado pelo próprio contribuinte: I) na guia de recolhimento; a) por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira, nos casos de importação e de arrematação em leilão; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 709 6 b) antes do pagamento, no caso do art. 81; II na nota fiscal: a) por ocasião da saída do produto do respectivo estabelecimento produtor, ressalvadas as hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do inciso II, do art. 5º; b) no momento de conclusão da operação industrial, na hipótese do § 1º do art. 2º, e por ocasião do consumo ou da utilização do produto, da exposição à venda ou da venda, respectivamente, nos casos das alíneas " a ", " b " e " c " do inciso I, do artigo, 5º. (...) Art . 20. O lançamento consistirá na descrição da operação que o originar e do produto a que se referir, na classificação fiscal dêste no cálculo do impôsto devido e no registro de seu valor, em parcela destacada, na guia ou na nota fiscal em que deva ser efetuado. Parágrafo único. O lançamento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte. Art . 21. A autoridade administrativa efetuará de ofício o lançamento mediante a instauração do processo fiscal, quando o contribuinte não o fizer na época própria ou fizer em desacôrdo com as normas desta lei. (...) Art . 22. O lançamento regularmente homologado, ou o efetuado de ofício, será definitivo e inalterável ressalvados os casos de vício expressamente previstos na legislação reguladora do processo administrativo tributário. (...) Art . 26. O recolhimento do impôsto farseá: I antes da saída do produto da repartição que processar o despacho nos casos de importação e de arrematação em leilão de produtos de procedência estrangeiro; II na quinzena subsequente ao da ocorrência do fato gerador, nos demais casos. (...) Logo: i) O lançamento do IPI é de responsabilidade do contribuinte e sujeito à homologação; ii) O critério temporal para a configuração do fato gerador do IPIimportação (art. 2º, I, da Lei nº 4.502, de 1964) é diferente do estabelecido para o IPI devido nas vendas de produtos industrializados (art. 2º, II, da Lei nº 4.502, de 1964): no caso de produtos Fl. 710DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 710 7 estrangeiros, a regra geral é de que o fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro; tratandose de produtos nacionais, o fato gerador ocorre no momento da saída do produtos do estabelecimento produtor; iii) O Recolhimento do IPIimportação deve ser feito antes da saída do produto estrangeiro da repartição que processar o despacho aduaneiro. No presente caso, em que se discute a exigência de IPIimportação, a contribuinte registrou Declarações de ImportaçãoDI para importar produtos estrangeiros, tendo informado código de classificação fiscal, para o qual a alíquota do IPI seria 0% (zero por cento). As DI foram desembaraçadas no canal verde de conferência (fl. 156 do e processo) sem qualquer recolhimento de IPI. Uma vez que foram liberadas no canal verde, o desembaraço foi realizado automaticamente pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex na mesma data de registro das DI. Posteriormente, em procedimento de fiscalização, foi constatado que o código correto para a classificação de mercadorias seria outro, para o qual havia previsão de alíquota de 15% (quinze por cento) de IPI. Uma vez que em todas as DIs foi informado que o IPI a recolher seria R$ 0,00 (zero), e a admitindo que a classificação fiscal correta dos produtos seria aquela informada pela fiscalização, todas as declarações e as mercadorias nelas descritas foram desembaraçadas sem recolhimento do IPI devido. 1 Não há nos autos nenhuma prova de que houve algum recolhimento de IPI importação dos produtos importados. O Livro Registro de Apuração de IPI, cujas cópias foram juntadas pela contribuinte, não provam o contrário. Nele são apurados os valores de IPI a recolher, devidos pelas saídas de produtos industrializados do estabelecimento da contribuinte. Esta apuração não se confunde com a apuração do IPIimportação. Se tivesse sido pago IPI nas operações de importação, este teria reflexo no cálculo do IPI devido na saída do estabelecimento da contribuinte, porque poderia ser apropriado como crédito na apuração deste. Porém, qualquer recolhimento de IPI devido pela saída do estabelecimento não causa nenhum reflexo sobre o IPIimportação, que é devido pelo desembaraço aduaneiro. Portanto, com fundamento no art. 62 do Anexo II do RICARF, de 2015, e tendo em vista a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo, no presente caso, em que se cuida de tributo sujeito a lançamento por homologação, e que a obrigação ex lege de pagamento do tributo, antes da saída do produto da repartição que processou o despacho aduaneiro, não restou adimplida pela contribuinte, aplicase o art. 173, I, do CTN para contagem do prazo decadencial. 1 Atualmente, assim como no período fiscalizado, o cálculo do IPIimportação é feito na própria declaração de importação, pela aplicação de alíquota própria para cada classificação fiscal informada, e o pagamento é feito via débito bancário automaticamente. Assim, a informação de código fiscal com alíquota 0% de IPI permitiu que o desembaraço se fizesse sem o débito automático do imposto, logo, sem o seu recolhimento. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 711 8 Cito o art. 173, I, do Código Tributário NacionalCTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966): "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)." E o termo inicial para contagem do prazo deve atender à Súmula CARF nº 101 do CARF, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. As DI discutidas nestes autos foram registradas no período de 12/03/1999 a 09/07/1999, portanto no exercício de 1999, e poderiam ser submetidas à revisão aduaneira neste mesmo período. Assim, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 1º/1/2000. A ciência do auto de infração ocorreu em 15/12/2004, fl. 107 do processo em papel (fl. 108 do eprocesso), logo, antes do decurso do prazo quinquenal para se configurar a decadência. Por estas razões, a decisão recorrida deve ser reformada na matéria da decadência. Omissão na apreciação de matérias recorridas. Compulsando os autos, verifico que a classificação das mercadorias e a exigência da multa, questões suscitadas pela contribuinte no recurso voluntário, não foram apreciadas, tendo em vista a preliminar de decadência que definiu o futuro das demais matérias. Acontece que o sujeito passivo tem a prerrogativa de exercer o amplo direito de defesa em todas as instâncias, sem qualquer indevida supressão. A apreciação, neste julgamento, de matéria não analisada pelo Colegiado a quo provocaria a supressão de instância administrativa, uma vez que esta Turma apreciaria originariamente, em segunda instância, matéria que não poderia ser objeto de recurso especial, o que caracterizaria desrespeito ao devido processo legal. Tendo em vista que se propõe neste voto a reforma da decisão recorrida, impõese o retorno dos autos à instância a quo, para que o julgamento seja complementado, com apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário. Em outra ocasião, no Acórdão nº 9303002.892, relatado pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, esta Turma da Câmara Superior também decidiu devolver o processo à instância de origem, 3ª Seção de Julgamento do CARF, para análise de questões de mérito que restaram prejudicadas na decisão combatida por recurso especial: Fl. 712DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.002837/200475 Acórdão n.º 9303003.852 CSRFT3 Fl. 712 9 "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/04/2006 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. REVENDA. POSSIBILIDADE. A revenda da mercadoria, ainda que referendada por medida judicial, autoriza a conversão da pena de perdimento em multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. GARANTIA À AMPLA DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nas hipóteses em que o acórdão recorrido decide com base em questão prejudicial e que tal questão é afastada pela instância ad quem, é defeso à instância revisora adentrar nas demais questões de mérito, sob pena de caracterização da supressão de instância e, consequentemente, do cerceamento do direito de defesa." Conclusão. Por todo exposto, em especial por entender que se aplica ao caso a decisão do STJ proferida no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), submetido ao regime do artigo 543C do CPC, o que impõe reconhecer que não se operou a decadência, e que a apreciação, nesta instância, de matérias suscitadas em recurso voluntário, não apreciadas pela instância a quo, implicaria supressão de instância e cerceamento do direito de ampla defesa, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para reformar a decisão recorrida em relação à decadência, devendo o processo retornar à 3ª Seção de Julgamento do CARF para complementar o julgamento, apreciandose as demais matérias suscitadas no recurso voluntário. Sala de sessões, 17/05/2016 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 713DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.000984/2010-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO
As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-003.468
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. A Conselheira Vanessa Marini Cecconelo fará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO As pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários que tem por objeto a subscrição de ações compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 84 /2 01 0- 66 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 565 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Demes Brito. A Conselheira Vanessa Marini Cecconelo fará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda contra o Acórdão nº 3302001.867, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou, por voto de qualidade, o Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, entendendo que para a sociedade corretora de valores mobiliários, constitui receita própria da atividade a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo das contribuições. O Colegiado dessa turma acordou, pelo voto de qualidade, que a receita da venda de ações oriunda da “desmutualização da bolsa” conversão das bolsas antigas (associações sem fins lucrativos) em sociedade com fins lucrativos constituídas sob forma de sociedade anônima – estaria sujeita à incidência de PIS e Cofins, sendo publicado acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 566 3 Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição para posterior revenda de ações, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado” Para melhor compreensão dos pontos de discussão, importante trazer parte do voto do relator, que contempla as particularidades do caso concreto (Grifos meus): “[...] Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial, mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pela contribuição, uma vez que, segunda a Interessada, tratar seia de bem do ativo permanente e não do circulante. A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 567 4 Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, que estão definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto anteriormente. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, quer seja pela caracterização de vendas de mercadorias, quer seja pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras. [...] Nesse contexto, as ações podem, sim, ser vistas como mercadorias, de forma que o produto de sua venda enquadrase dentro do conceito de resultado das atividades empresariais, que é, segundo já citadas decisões do STF, a base de cálculo das contribuições. [...]” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, cancelando o lançamento ante a higidez do crédito e subsidiariamente que seja determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 568 5 do RE 609.096, manifestando que o STF reconheceu a repercussão geral no que tange à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da Cofins; invocando, para tanto, o art. 62A, do § 1º, da Portaria 256/09 do RICARF vigente à época. E, ainda, também subsidiariamente, requer o afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício. Segundo o sujeito passivo, por decorrência da operação de desmutualização da Bolsa, ocorreu uma sucessão patrimonial na qual a antiga associada da Bovespa Associação e da BM&F, recebeu ações de Bovespa Holding e de BM&F em substituição aos Títulos Patrimoniais anteriormente detidos. E que, portanto, houve mera substituição dos Títulos Patrimoniais pelas Ações BOVESPA e pelas Ações BM&F – não implicando em reclassificação contábil de “ativo permanente” para “ativo circulante”. O que, por conseguinte, na alienação da totalidade das referidas ações, não haverseia que se falar em tributação da receita de venda desses ativos pelo PIS e Cofins. Traz também o sujeito passivo que, em respeito ao entendimento exarado pelo E.STF, que julgou inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, entendendo que as contribuições incidem sobre o faturamento – “conceito restrito – receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços”, a matéria sob lide estaria sobrestada, considerando a repercussão geral nos autos do RE 609.096. O apelo do sujeito passivo foi admitido parcialmente, nos termos do despacho de fls. 1108/1114 apreciado pelo Presidente da Câmara – o que, para melhor compreensão, reproduzo parte (Grifos meus): “[...] Há quatro controvérsias suscitadas. A primeira referese à classificação/manutenção no Ativo Permanente das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os paradigmas de nº 3403001.757 e nº 3403 001.734, ambos proferidos pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403001.757: Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 569 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pelas segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. Acórdão nº 3403001.734: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 570 7 investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. No acórdão recorrido restou decidido que as ações deveriam ser classificadas no Ativo Circulante, conforme concluise do excerto abaixo, extraído do voto condutor: “A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007.” Portanto, a confrontação entre as ementas e o excerto acima comprova a divergência, pois no acórdão recorrido decidiuse pela classificação das ações recebidas no Ativo Circulante, enquanto em ambos paradigmas decidiuse pela manutenção no Ativo Permanente, e, consequentemente, excluindo a receita de vendas das referidas ações da base de cálculo do PIS e Cofins. A segunda e terceira controvérsias suscitadas referemse à não inclusão das receitas financeiras ou, subsidiariamente, ao necessário sobrestamento do julgamento, tendo em vista a repercussão geral decretada pelo STF nos autos do RE 609.096, acerca do enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou o paradigma de nº 310201.490, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2008, 2009 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES IDENTIFICADAS NO §1º do art. 22 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. LEI 9.718/98. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 571 8 RECEITA BRUTA. PRODUTO DO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PRÓPRIA Após o advento da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS passou a incidir sobre a receita bruta, assim, entendida a decorrente do exercício de atividades empresariais típicas. As instituições listadas no §1º do art. 22 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devem recolher a Contribuição com base na receita operacional decorrente de suas atividades típicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, verificase que o paradigma apresentado exclui as receitas financeiras, sem entretanto especificálas. [...] Neste ponto, inclusive, há consonância entre o paradigma e acórdão recorrido, pois que naquele discutiuse a tributação de PIS e Cofins sobre diversas receitas autuadas em empresa cuja atividade era a exploração de seguros privados, tendo sido decidido que as receitas provenientes do recebimento de prêmios pagos por seus clientes deveriam ser tributadas pelo PIS e Cofins por configurarem produto do exercício das atividades empresariais típicas, segundo interpretação do STF no RE 346.084/PR e Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007. Assim, nesta matéria, o recurso especial não deve ser admitido, a uma porque a tributação para o PIS e Cofins sobre receitas resultantes das atividades empresariais caracterizadas como operacionais é tese defendida em ambas decisões confrontadas, não havendo dissídio quanto a esta questão; a duas, porque a situação tratada na decisão atacada, ou seja, a tributação da venda de ações recebidas em substituição de títulos patrimoniais, no processo de desmutualização das bolsas de valores e mercadorias e futuros, não se assemelha à situação fática tratada no paradigma, ou seja, as receitas financeiras tratadas no paradigma não apresentam semelhança com a situação considerada no acórdão recorrido. [...] Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 572 9 Quanto ao sobrestamento do julgamento, a recorrente não apresentou paradigmas a comprovar a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual o recurso especial também não deve ser admitido nesta matéria. A última controvérsia suscitada referese à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou o paradigma de nº 910100.722, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa transcreve se: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor o tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. No acórdão recorrido, restou assentado no voto condutor que os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme excerto abaixo: “A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício.” Portanto, comprovada a divergência quanto à incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. [...] De outro giro, o presente recurso não deve ser admitido relativamente à não tributação das receitas financeiras e ao necessário sobrestamento do julgamento, tendo em vista a repercussão geral decretada pelo STF nos autos do RE 609.096, acerca do enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras, por inobservância dos pressupostos previstos no artigo 67, caput e §§ 4º e 6º do Anexo II do RICARF. [...]” Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 573 10 Em despacho de folhas 1115 e 1116, houve decisão pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Especiais pela manutenção na íntegra do despacho do Presidente da Câmara, considerando que a situação fática esposada referiuse à tributação de PIS e Cofins sobre a venda de ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, decorrente do processo de desmutualização das bolsas de valores e mercadorias e futuros e no acórdão paradigma, interpretouse a tributação da receita obtida com o recebimento de prêmios de seguros e de receitas financeiras genericamente consideradas. A Fazenda Nacional tomou conhecimento, apresentando Contrarrazões às fls. 1120 a 1152, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose integralmente o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso é tempestivo e entendo que deve ser admitido parcialmente, considerando os paradigmas apresentados pelo sujeito passivo, e conforme bem analisado pelo Presidente de Câmara e pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos despachos de folhas 1108/1114 e 1115/1116. O que concordo em sua integralidade. Por conseguinte, é de se considerar que o apelo do sujeito passivo deve ser conhecido na parte a que se refere a classificação/manutenção no Ativo Permanente das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, pois os paradigmas trazidos refletem a divergência ao confrontarem a classificação contábil (Ativo Permanente x Ativo Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 574 11 Circulante), bem como na parte acerca da discussão sobre a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, pois comprovada a divergência, já que restou assentado no voto condutor que os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, enquanto no paradigma foi acordado entendimento contrário. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, pois tempestivo. Ventiladas tais considerações, passo a iniciar a análise das matérias conhecidas do Recurso Especial do sujeito passivo. Primeiramente, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que assiste razão a recorrente ao ter mantido o registro das referidas ações em conta do Ativo Permanente. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil1, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 575 12 Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 576 13 ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 577 14 expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendê lo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 578 15 Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 579 16 "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civi anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 580 17 transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 581 18 transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.p hp?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 582 19 II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 583 20 Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 584 21 conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 585 22 transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 586 23 muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no acordão 3403003447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 587 24 Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 588 25 Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 589 26 O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 590 27 pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 591 28 Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, indepentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 592 29 Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que, no presente caso, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 593 30 Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer os seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 594 31 Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. No caso em questão, pesquisando no site de Relações com Investidores da sociedade corretora Votorantim, vêse que não opera, tampouco possui autorização, para se realizar operações em carteira própria. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferia pela venda dessas ações objeto de substituição seriam enquadradas como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 595 32 Quanto à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, ainda que já tenha apresentado manifestação favorável a questão principal, expresso que, relativamente à esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Com efeito, somente os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 596 33 É de se trazer também que o art. 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN. O que, por conseguinte, não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º do art. 161 do CTN. Frisese que há reconhecimento pelo não cabimento da referida exigência o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido: da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). E, ainda, importante trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 597 34 Não obstante: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos de qualquer natureza são específicos – ou seja, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94 – o que, nem seria o caso de se aplicar tal dispositivo, cegandose, e definindo que seria possível se aplicar juros sobre a multa de ofício – com base nesse dispositivo. Em vista de todo o exposto, conheço do Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, dou provimento ao recurso. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 598 35 Voto Vencedor Demes Brito Conselheiro Em que pese os fundamentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, prevaleceu meus fundamentos, que levaram o colegiado por maioria divergirem da solução jurídica apresentada pela Relatora. Com efeito, versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, relativo aos períodos de apuração de outubro a novembro 2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como consequência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. Autoridade fiscal alega que as ações recebidas deveriam compor o “ativo circulante” e, quando da venda, haveria a incidência das contribuições; por outro lado, o sujeito passivo entende que a contabilização deveria ocorrer em contas distintas do Grupo de Investimento em seu Ativo Permanente, e as receitas auferidas de bens do ativo permanente, deveria por força de imposição legal, ser excluída da receita bruta para fins de apuração do que for devido a título de PIS e de COFINS. Da origem dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função primordial manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 599 36 SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 600 37 sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 601 38 de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 602 39 Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em consequência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 603 40 (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Dos Efeitos dos registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subsequente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 604 41 I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, de, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 605 42 ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante, o que o sujeito passivo não fez. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. Ressaltando que o sujeito passivo exerce atividade de corretora de valores mobiliários, e tem como atividade principal subscrever títulos para revendelos no mercado futuro. Aliás, essa característica das corretoras está expressamente delineado no art. 2º da Resolução nº 1.655/89: Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 606 43 Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. (destaques não constam no original) Temse que a recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos prevêem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Jurisprudência dos Tribunais sobre "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento e argumentos dos enunciados descritos e manteve os lançamentos tributários, senão vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 607 44 A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 608 45 anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃO Vistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário. Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 609 46 Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 doCódigo Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 610 47 Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados."AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 0001164 33.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3. Conclusões Finais Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Demes Brito – Redator Designado É como voto é como penso. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 611 48 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista destes autos para melhor compreender os fatos ocorridos e a legislação aplicada. A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da Bovespa e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido negado provimento pelo voto de qualidade ao recurso voluntário da Contribuinte, mantendose o crédito tributário lançado pela Autoridade Fiscal, a mesma interpôs perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o apelo especial, que foi admitido nos seguintes pontos: (i) classificação/manutenção no Ativo Permanente das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de títulos patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação; e (ii) incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente (outubro e novembro de 2007), a Contribuinte procedeu à alienação compulsória das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 612 49 novos adquirentes. Na desmutualização, foi firmado acordo entre as bolsas e os acionistas, determinando que fosse realizada por estes a venda, no mercado, de parte das ações recebidas, em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da desmutualização. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (efls. 187 a 194), a Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como havido por parte das corretoras a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 613 50 A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 614 51 O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 615 52 dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há de se considerar também há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Contribuinte sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão à Recorrente ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 616 53 Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF, no acórdão nº 10194540 (processo nº 13897000840200247), de 14/04/2004, já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN, nos temos do já decidido nos acórdãos nºs 10704215, 10246520 e 30130892. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, não Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16327.000984/201066 Acórdão n.º 9303003.468 CSRFT3 Fl. 617 54 havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. Nesse sentido, acórdão nº 3403003447, voto do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. Vanessa Marini Cecconello Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 23/05/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 11080.731985/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS)
A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência.
Numero da decisão: 2301-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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PRAZO PRESCRICIONAL. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE nº 566.621/RS) A partir de 09/06/2005, portanto após término do vacacio legis da Lei Complementar nº 118/2005, o direito de pleitear a restituição ou realizar compensações de tributos lançados por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da data do pagamento, ainda que tenha sido realizado anteriormente à sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 85 /2 01 1- 53 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao indeferimento do pedido de restituição originado em sentença transitada em julgado. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 EXTINÇÃO DO PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO Extinguese em 5 (cinco) anos o direito do contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente. No caso de decisão judicial o prazo é contado da data que se torna definitiva a sentença que julgou os valores indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido ... A contribuinte supracitada teve seu pedido de restituição negado pelo Despacho Decisório SEORT/DRF/POA nº 072/2012, processo nº 11080.731985/201153, motivado pela extinção do prazo para pleitear o indébito, conforme documento das folhas 69 a 71. ... No presente caso o transito em julgado no processo judicial que reconheceu o direito da contribuinte ocorreu em 30/08/2004, decisão do TRF da 4ª Região, e o Pedido de Restituição foi protocolado em 29/01/2011. ... Portanto, tendo a interessada formalizado o Pedido de Restituição em prazo superior a 5 (cinco) anos, contados da data da decisão definitiva que reconheceu o recolhimento indevido, não cabe reparação ao Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: A impugnante apresentou manifestação de inconformidade em 17/02/2012 através de seu representante legal alegando que o prazo prescricional para postular a repetição de indébito tributário de Imposto de Renda é de 10 (dez) anos. Cita jurisprudência do STF e STJ e requer seja declarada procedente o pedido de restituição negado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.731985/201153 Acórdão n.º 2300004.540 S2C3T0 Fl. 128 3 É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A decisão recorrida adotou como fundamento o prazo prescricional quando o direito creditório se origina de sentença judicial transitada em julgado; portanto, não seria caso de discussão sobre teses relativas pagamentos e homologação desses pagamentos: tese dos 5 + 5 anos, 10 anos do pagamento etc. O termo a quo foi a data do trânsito em julgado da sentença, com fundamento no inciso II do artigo 168 c/c o inciso III do artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/14966, Código Tributário Nacional – CTN que nesse caso o prazo é de 5 anos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: (...) III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) . Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Ainda que o termo a quo considerado fosse a data dos pagamentos do IRPF, temos no caso que eles ocorreram anteriormente à vigência da LC nº 118/2005 e vieram a ser considerados indevidos por sentença transitada em julgado em 30/08/2004, sendo que o recorrente requereu a restituição em 29/11/2011, portanto após o término de seu vacacio legis, em 08/06/2005. A jurisprudência pacífica do STJ, de fato, era no sentido de que se aplicaria o prazo de 10 anos para os pagamentos realizados antes da LC nº 118/2005, limitado a 5 anos de sua vigência; contudo, o STF, instado a examinar a matéria, acabou por inovar a regra de fixação do termo a quo. Segundo o entendimento de nossa Suprema Corte, ainda que os pagamentos sejam anteriores a vigência da Lei Complementar nº 118/2005, seria necessário o requerimento ou ajuizamento até o dia 08/06/2005, término do vacacio legis, para que se aplicasse o prazo de 10 anos: STF RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 566621 RS (STF) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.731985/201153 Acórdão n.º 2300004.540 S2C3T0 Fl. 129 5 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. E ainda que se aplicasse a tese mais favorável ao recorrente, segundo o qual foi a adotada pelo tribunal, constato no pedido de restituição que os pagamentos ocorreram em 12/97 e 12/98; portanto, mesmo assim o recorrente não teria direito à recuperação de seu crédito, uma vez que também decorreram mais de 10 anos até o protocolo do requerimento. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11853.720279/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE.
O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 72 02 79 /2 01 4- 31 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 102 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3a Turma da DRJ/CGE (Fls. 74), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de impugnação apresentada pelo interessado supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2013, AnoCalendário 2012, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 09 a 12, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi alterado o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$ 15.151,76 para R$ 2.594,13. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 10), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 93.219,03, recebidos pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Em complemento, constou, em suma, que o contribuinte, aposentado desde março de 1994, alega ser portador de doença grave, cegueira em um olho, CID10: H54.4, no entanto, tendo em vista possuir visão normal no outro olho, não está alcançado pela isenção prevista em lei. Cientificado do lançamento, em 15/07/2014, por via postal (fls. 46), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 04 a 08, em 22/07/2014, acompanhadas dos documentos de fls. 09 a 28, onde argumentou, em suma, o que segue: ∙ Apresentou sua DIRPF do Exercício 2013 apurando imposto a pagar, porque não tinha conhecimento de seu direito à isenção do IRPF, por ser APOSENTADO e PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE DA ESPÉCIE CEGUEIRA (CEGUEIRA EM UM OLHO (CID H54.4), contraída em 05/1948, conforme comprova o laudo médico do SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE vinculado ao Serviço de Saúde do DF (Hospital de Base do Distrito Federal). ∙ É servidor aposentado da Secretaria de Estado de Educação do DF, no cargo de professor desde o ano de 1994, e, por portador de Moléstia Grave, tem direito a isenção do IRPF sobre os valores decorrentes de proventos de aposentadoria recebidos, e por essa razão, apresentou declaração retificadora do IRPF, requerendo a restituição dos valores pagos a titulo de IRPF, nos termos da IN SRF n. 15/2001. ∙ No processamento da declaração, foi intimado a apresentar comprovantes de renda do exercício e laudo pericial emitido por Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 103 3 serviço público comprovando a moléstia isentiva, e juntou todos os documentos necessários à comprovação do direito a isenção, especialmente o laudo pericial público. ∙ Para sua surpresa, houve o lançamento tributário, sob o fundamento que o requerente não possui o direito a isenção do imposto de renda, vez que, detentor de cegueira monocular e com visão em outro olho, motivo pelo qual indeferiuse o pedido de restituição. ∙ O direito à isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria e pensão está expresso na lei n.° 7.713/1988, artigo 6.°, incisos XIV e XXI, e no Decreto n.° 3000/1999 (RIR), art. 39, inciso XXXIII; a Receita Federal do Brasil normatizou sobre o assunto, por meio da IN SRF n.° 15/2001, estabelecendo os requisitos para o reconhecimento e fruição do direito a essa isenção. ∙ Seguindo os ditames legais, especialmente dos artigos 54 a 57 da IN SRF n.° 15/2001, apresentou a Declaração Retificadora, requerendo a restituição dos valores pagos a título de IRRF sobre seus proventos de aposentadoria, o que foi ilegalmente indeferido pelo r. Auditor Fiscal, cuja decisão encontrase eivada de nulidade ante a ilegalidade. ∙ Poderseia argumentar que, no âmbito administrativo, a lei tributária isentiva deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN, e, portanto, a Cegueira Parcial não estaria enquadrada nas hipóteses de concessão da isenção do IRPF, porém, essa interpretação não pode se abster de consagrar os princípios constitucionais da isonomia tributária, e dignidade da pessoa humana, especialmente; fazer uma interpretação literal de tal forma que exclua os portadores de cegueira parcial, é uma afronta a Constituição e seus princípios fundamentais, além de uma grande aberração jurídica; além disto, a Lei usa o termo genérico Cegueira, cuja moléstia deva ser identificada em termos médicos, donde surge então o Código Internacional de Doenças— CID 10, que elencada todas as doenças existentes conhecidas, e suas subespécies; dentre as doenças denominadas Cegueira pelo CID, se encontra a Cegueira em um olho (CID H54.4). ∙ A jurisprudência do C. STJ corrobora a tese de que portador de cegueira em um olho e aposentado ou pensionista é detentor do direito a isenção do IRPF. ∙ Administrativamente, o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda Nacional, em julgamento realizado em 2012, acolheu a tese que o portador de visão monocular é isento no IRPF decorrente da moléstia cegueira. Por fim, o interessado requereu: a) o julgamento desta impugnação como totalmente procedente, reformandose totalmente a decisão a quo, reconhecendo o direito a isenção do imposto de renda do recorrente, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 104 4 determinando a imediata restituição dos valores apurados na DAA retificadora; b) a prioridade no processamento e julgamento da presente impugnação, nos termos do artigo 69A. incisos I e IV, da Lei n.° 9784/99. com redação da Lei n.° 12.008, de 2009. Instruem ainda os autos cópia das DAA/IRPF/2013 processada em nome do interessado, retificadora, de Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e novo requerimento apresentado pelo contribuinte em 11/11/2014, acompanhado de documentos relativos à ação judicial movida por ele contra o Distrito Federal (fls. 34 a 39, 56 a 60 e 64 a 72). Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda sobre os proventos de pensão ou aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor, exigese apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique expressamente a data em que essa foi contraída. A exigência de interpretação literal de dispositivo legal que trata da isenção do imposto de renda impõe considerar como albergado na previsão de isenção somente a cegueira total.. Segundo se verifica às fls. 86, através do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM – COMUNICADO de 22/01/2015 o contribuinte foi cientificado em 21/01/2015 por meio de sua Caixa Postal, ciência esta realizada por seu procurador – LEANDRO JORGE DE OLIVEIRA LINO; vindo a interpor Recurso Voluntário em mesma data 21/01/2015 como se verifica às fls. 87, no TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA; No Recurso do Recorrente (fls. 88 e 93), o mesmo reforça os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que trata o litígio exclusivamente de isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 105 5 Constato ainda que a DRJ entendeu não ser possível a concessão de referida isenção por entender que a cegueira deve ser total, ou seja, de ambos os olhos e, portanto, a cegueira monocular não seria hábil a conceder a isenção pleiteada. A esse respeito vale ressaltar o que dispõe o inc. XIV, art. 6o. da Lei 7713/1988, a seguir transcrito: “Art. 6 – Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoa física: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)”(grifos nossos) Aqui ressalto que devese utilizar a mais básica forma de interpretação da legislação, qual seja a literal, em obediência ao que dispõe o artigo 111, II do Código Tributário Nacional, que a seguir se transcreve: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Conforme se depreende do extraído acima, a interpretação a respeito da concessão de isenções em matéria tributária deve ser literal. Em obediência a este mandamento não se pode reduzir a interpretação do disposto no artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/1988 posto que mencionado dispositivo não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Devese, portanto, entender como abarcada pela referida isenção de igual forma a cegueira monocular. Neste sentido vem sendo o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 106 6 cegueira parcial também se enquadra no texto legal.( Acórdão nº 2102002.782 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 20 de novembro de 2013) Ainda neste sentido tomo por empréstimo as bem lançadas conclusões da ilustre Conselheira Núbia Matos Moura, relatora no acórdão 210201301, de 12/05/2011, que se ocupou do tema sob foco com absoluta precisão, verbis: “Para o exame da questão devese observar o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88: Art. 6º. Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) O dispositivo acima mencionado não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no texto legal. Ressaltese, conforme disposto no art. 111, II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção, de modo que não cabe ao intérprete restringir a aplicação da lei, quando o legislador não fez. Vale lembrar que, nesta mesma Turma, quando esteve em julgamento recurso, que tratava de isenção do IRPF sobre rendimentos de aposentado portador de paralisia irreversível e incapacitante, decidiuse, por unanimidade de votos, conforme ementa abaixo transcrita: MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL OU PARCIAL PARA A VIDA LABORATIVA. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. O art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, quando versa sobre a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria em benefício de portador de paralisia irreversível e incapacitante, não qualifica se a incapacidade deve ser total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazêlo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN. (Acórdão nº 210201.166, de 17/03/2011) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 107 7 Vale ainda dizer que tal entendimento encontrase respaldado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se vê abaixo: REsp 1196500 / MT, Relator o Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, unânime, data do julgamento em 02/12/2010 TRIBUTÁRIO. IRPF. ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO NOS DOIS OLHOS COMO TAMBÉM EM APENAS UM. 1. Hipótese em que o recorrido foi aposentado por invalidez permanente em razão de cegueira irreversível no olho esquerdo e pleiteou, na via judicial, o reconhecimento de isenção do Imposto de Renda em relação aos proventos recebidos, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988. 2. As normas instituidoras de isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). Sendo assim, não prevista, expressamente, a hipótese de exclusão da incidência do Imposto de Renda, incabível que seja feita por analogia. 3. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), da Organização Mundial de Saúde, que é adotada pelo SUS e estabelece as definições médicas das patologias, a cegueira não está restrita à perda da visão nos dois olhos, podendo ser diagnosticada a partir do comprometimento da visão em apenas um olho. Assim, mesmo que a pessoa possua visão normal em um dos olhos, poderá ser diagnosticada como portadora de cegueira. 4. A lei não distingue, para efeitos da isenção, quais espécies de cegueira estariam beneficiadas ou se a patologia teria que comprometer toda a visão, não cabendo ao intérprete fazêlo. 5. Assim, numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada por definição médica. Dos documentos acostados aos autos, resta claro que o contribuinte é portador de cegueira em um dos olhos, desde a data de 05/1948, segundo o que consta de laudo pericial acostado às fls. 15 dos autos. Logo, os proventos de aposentadoria ou reforma recebidos da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720279/201431 Acórdão n.º 2201003.017 S2C2T1 Fl. 108 8 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 11829.720033/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/09/2009, 06/10/2009, 13/11/2009, 26/01/2010, 04/05/2010, 10/08/2010, 06/09/2010, 18/10/2010, 03/01/2011, 14/01/2011, 14/02/2011, 17/02/2011, 25/02/2011, 04/04/2011, 14/04/2011, 27/04/2011, 06/05/2011, 07/07/2011, 05/08/2011, 02/09/2011, 13/09/2011, 20/09/2011, 18/10/2011, 17/11/2011
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76; tendo em vista dano ao Erário, por conta da ocultação do real adquirente.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art.135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de infração à legislação, fato que restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios não devem ser afastados do polo passivo da autuação. Bem como, os ex-sócios respondem pelo cumprimento da obrigação tributária que não é mais possível de ser exigida da pessoa jurídica extinta. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminates de nulidade. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento aos recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Airton Ferreira, OAB/SP nº 156464.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim-Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76; tendo em vista dano ao Erário, por conta da ocultação do real adquirente. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art.135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de infração à legislação, fato que restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios não devem ser afastados do polo passivo da autuação. Bem como, os exsócios respondem pelo cumprimento da obrigação tributária que não é mais possível de ser exigida da pessoa jurídica extinta. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 33 /2 01 4- 66 Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminates de nulidade. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento aos recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Antônio Airton Ferreira, OAB/SP nº 156464. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorimRedatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 4.204.374,68 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão, face à não localização. Depreendese do “Termo de Verificação Fiscal” do auto de infração (fls. 11 a 71), que a Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. (CNPJ 04.582.064/000107) foi identificada como sujeito passivo oculto em operações de importação que identificavam como “real adquirente” a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. (CNPJ 08.697.059/000192). Segundo a fiscalização, a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. simulou importações em seu nome ocultando ao longo do período (e até mesmo numa única operação) 02 sociedades empresariais distintas, reais interessadas nas operações de importação, entre as quais a Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.754 3 Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. Relata a fiscalização que as sociedades importavam idênticas mercadorias (CD’s e DVD’s, além de quantidade menos expressivas de fones de ouvido, pensdrives, fitas magnéticas para armazenamento de dados, baterias e recarregadores), sendo que a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. repassava as mercadorias estrangeiras diretamente às sociedades empresariais ou aos clientes destas sociedades. A fiscalização ressalta que nas declarações de importação a operação de importação foi realizada mediante contratação de serviços da Empresa COLUMBIA TRADING S/A, que figurou como “importador” nessas operações de importação (importação por encomenda). Embora esta empresa tenha registrado as declarações de importação, no entender da fiscalização quem de fato ocultou os reais adquirentes foi a Empresa MAEG COM.DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA., motivo pelo qual aquela empresa não foi incluída no pólo passivo da autuação. A fiscalização aponta indícios de que a integralização do capital social da Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. não foi realizada com recursos de origem conhecida, vez que existem incongruências nas declarações apresentadas para fins de imposto de renda, em especial do Sr. HELIO MARTINEZ (CPF 419.283.34849). O Sr. HELIO MARTINEZ também é sócio da Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., sendo que seu cônjuge também constava como sócio (administrador) daquela empresa em grande parte do período analisado. Segundo o relato fiscal, as mercadorias importadas eram, em regra, integralmente “vendidas” em pouquíssimos dias após a entrada em armazém terceirizado. Ressalta a autoridade que a emissão de notas, no mesmo dia, para destinatários distintos indicam que, na realidade, tratavam se de mercadorias com destinatários prédeterminados. Quanto à capacidade operacional da empresa, a fiscalização aponta para o fato de que realizou diligência nos endereços indicados à Fazenda, porém não logrou encontrar o imóvel relativo ao contrato de locação apresentado, sendo o outro imóvel encontrado, porém sem que se possa concluir pela sua aptidão à armazenagem de mercadorias (na escala em que realizadas as importações). Aduz ainda que a empresa não possui estrutura de pessoal compatível com o volume importado no período (apenas um auxiliar de serviços gerais e um supervisor). Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Registra a fiscalização que a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. não recolheu o imposto sobre produtos industrializados não vinculado à importação, embora fosse obrigada quando da saída dos produtos que importou por encomenda. À folhas 39 e 40 a fiscalização apresenta uma tabela onde demonstra o baixo valor nas margens de lucro nas operações em apreço, situação que reforça o entendimento de que tal empresa foi construída como empresa de fachada, sem necessidade de gerar lucro, beneficiando indevidamente as empresas ocultadas. Uma das correspondências comerciais eletrônicas apresentadas pelo importador, Empresa COLUMBIA TRADING S/A, revela que, sequer a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. era considerada pelo fornecedor estrangeiro, vez que este fez referência expressa à Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. (fl. 41). Segundo a fiscalização, a análise da escrituração contábil e dos extratos bancários da Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. revelou que a empresa recebeu recursos de clientes nacionais para cobrir despesas decorrentes da simulação de operação de importação. A Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. recebeu recursos para simular a operação de importação, repassou o dinheiro para a Empresa COLUMBIA TRADING S/A (que já havia fechado o câmbio e registrado a declaração de importação) e “vendeu” as mercadorias importadas para quem havia repassado o dinheiro, nesta ordem. Com vistas a aclarar o modus operandi desenvolvido, à folhas 42 a 47 a fiscalização apresenta exemplos detalhados de todo o ciclo desenvolvido durante o procedimento desenvolvido para realizar a importação das mercadorias. Alerta a fiscalização para o fato de a Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. possuir estrutura operacional compatível com a atividade desenvolvida e de a mesma ser um dos distribuidores oficiais da marca “Philips”, principal marca dos produtos importados pela Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. Também registra que quando a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. parou de figurar como importadora, imediatamente a Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. passou a importar as mercadorias estrangeiras que anteriormente “adquiria” daquela empresa, logo após seu desembaraço. Assim, concluiu a fiscalização que restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo nas declarações de importação em apreço. Em razão dos fatos anteriormente citados, a fiscalização considerou então ocorrida a infração tipificada no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, porém em razão da não Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.755 5 localização das mercadorias foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição à aplicação da pena de perdimento, conforme estabelecido no § 3º do mesmo dispositivo legal. Foram autuadas, no presente auto de infração, apenas as mercadorias repassadas ao real adquirente Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. A fiscalização relata (fls. 57 a 61) que é comum, na escrituração contábil da Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. (lançamentos relacionados à Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA.), encontrar histórico com a indicação de uma nota fiscal que só seria emitida dias depois. Também constata que os lançamentos relacionados aos pagamentos efetuados pela Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. à Empresa COLUMBIA TRADING S/A indicam que os recursos financeiros eram provenientes de terceiros, que permaneciam ocultos nas operações de importação. Além da Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. foram autuados, como responsáveis solidários seus sócios Sr. HÉLIO MARTINEZ e Sr. EGISTO FRANCISCO RIGOLI (CPF 038.782.61810) e a Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., bem como seu sócio o Sr. HÉLIO MARTINEZ. Considerando que as declarações de importação correspondentes às operações de importação analisadas não retratam a realidade dos fatos, a fiscalização indica a existência, em tese, de falsidade ideológica. Ademais, a fiscalização informa que foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificado, o interessado Sr. HÉLIO MARTINEZ apresentou impugnação de folhas 2.031 a 2.039, anexando os documentos de folhas 2.040 a 2.042. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, devem ser consideradas também as razões de defesa da autuada Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., vez que devem ser evitadas repetições desnecessárias; Que, os sócios das empresas autuadas não foram intimados para prestar esclarecimentos ou sequer participar do procedimento fiscal; Que, foi colhido como responsável solidário pelo crédito tributário por conta do simples fato de ser sócio administrador da empresa autuada. Não houve a alegada simulação; Que , o fundamento legal é inaplicável, além de não ter havido ato de gestão com excesso de poderes, contrário à lei ou aos atos Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 societários, o dispositivo trata de obrigações tributárias, o que não é o caso da sanção aplicada; Que, não pode haver transferência da pena de perdimento para o Impugnante. A pena não pode ultrapassar a pessoa do agente (aplicação do princípio da personalidade das penas – princípio da intranscendência das penas). A propriedade das mercadorias era da empresa e não do Impugnante; Requer o recebimento e integral procedência da defesa. Cientificado, o interessado Sr. EGISTO FRANCISCO RIGOLI apresentou impugnação de folhas 2.047 a 2.055, anexando os documentos de folhas 2.056 a 2.059. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, devem ser consideradas também as razões de defesa da autuada Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., vez que devem ser evitadas repetições desnecessárias; Que, os sócios das empresas autuadas não foram intimados para prestar esclarecimentos ou sequer participar do procedimento fiscal; Que, foi colhido como responsável solidário pelo crédito tributário por conta do simples fato de ser sócio administrador da empresa autuada. Não houve a alegada simulação; Que , o fundamento legal é inaplicável, além de não ter havido ato de gestão com excesso de poderes, contrário à lei ou aos atos societários, o dispositivo trata de obrigações tributárias, o que não é o caso da sanção aplicada; Que, não pode haver transferência da pena de perdimento para o Impugnante. A pena não pode ultrapassar a pessoa do agente (aplicação do princípio da personalidade das penas – princípio da intranscendência das penas). A propriedade das mercadorias era da empresa e não do Impugnante; Requer o recebimento e integral procedência da defesa. Cientificada, a interessada Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. apresentou impugnação de folhas 2.088 a 2.101, anexando os documentos de folhas 2.102 a 2.185. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, é injustificada a ausência da Empresa COLUMBIA TRADING S/A no rol das empresas autuadas, vez que aquela empresa foi a responsável pelas importações e prestou serviço de armazenagem; Que, não foi instada a manifestar sobre os fatos imputados à Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA.; Que, destaca os pontos principais da defesa apresentada em nome daquela empresa, tanto em razão do uso da prova emprestada, quanto pelo fato de as pessoas jurídicas envolvidas Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.756 7 possuírem ligação em face da participação societária comum (empresas ligadas); Que, as provas colhidas são nulas porque, tanto os atos emitidos durante o procedimento fiscal, como o ato final (auto de infração), alcançaram uma sociedade que já estava extinta muito antes do início do procedimento fiscal que lhe foi direcionado. O Fisco tinha conhecimento desse fato; Que, a multa não atingiu o valor da mercadoria importada, há ausência de certeza e liquidez, não foi quantificada adequadamente (base de cálculo foi estimada); Que, há nulidade em razão da impossibilidade de lançamento de ofício na revisão aduaneira – força extintiva do lançamento por homologação (mudança do fundamento jurídico); Que, os indícios apontados pela Fiscalização não tem força suficiente para atestar a simulação apontada. Agiu como adquirente de boa fé de mercadoria no mercado interno. Não é possível admitir a alegação da existência de simulação se todas as operações foram regularmente escrituradas e contabilizadas (a validade dessa escrituração não foi questionada); Que, não há vedação legal para a prática do negócio realizado, as operações além de legítimas decorreram das tratativas mantidas com a Philips; Que, não houve dano ao Erário; Que, traz os elementos principais da defesa da empresa acusada de ter cedido seu nome: justificativas da criação e dos negócios da MAEG. Inconsistência dos indícios apontados pelo Fisco. Ofensa aos princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; contratou Perito para lavrar laudo atestando a regularidade das operações; Requer o recebimento e integral procedência da defesa. Cientificados, os exsócios da (extinta) Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. apresentaram impugnação de folhas 2.064 a 2.072, anexando os documentos de folhas 2.073 a 2.083. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, devem ser consideradas também as razões de defesa da autuada Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., vez que devem ser evitadas repetições desnecessárias; Que, como reconhecido pela própria fiscalização, a pessoa jurídica já foi extinta (arquivamento do distrato social um ano antes do início dos trabalhos de auditoria). A empresa não mais existia, há ilegitimidade passiva. Se fosse possível o lançamento, o mesmo deveria reportarse ao sujeito passivo atual (exsócios da sociedade extinta); Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Que, aplicase a vedação do inciso I, do artigo 107, do Código Penal, extinguiuse definitivamente a punibilidade; Que, a aplicação da penalidade é concomitante com a aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07 (Bis in Idem) constante do processo administrativo fiscal n° 11829.720032/201411; Que, há violação ao artigo 29 do Código Penal (inexistência de dosimetria da pena aplicada); Que, não pode ser responsabilizada pela pena de perdimento de mercadoria que sequer era de sua propriedade; Requer o recebimento e integral procedência da defesa. Posteriormente à apresentação de sua impugnação, a Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. anexou aos autos Laudo Pericial Contábil (e anexos) elaborado pelo Perito Contador e Auditor Sr. José Augusto Barbosa (fls. 2.196 a 2.564), em síntese, ratificando como corretos os procedimentos adotados pela Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. no curso das operações comerciais em trato. O acórdão proferido julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o lançamento: DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, infração punível com multa equivalente ao valor aduaneiro quando as mercadorias não forem localizadas para aplicação da correspondente pena de perdimento. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. PÓLO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS EXSÓCIOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Os exsócios respondem pelo cumprimento da obrigação tributária que não é mais possível de ser exigida da pessoa jurídica extinta, que deve ser afastada do pólo passivo da autuação. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato administrativo. Impugnação Procedente em Parte Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.757 9 Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário pelos contribuintes CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., HÉLIO MARTINEZ e EGISTO FRANCISCO RIGOLI, cujos pontos serão abordados no voto. Os autos foram então remetidos a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido (voto vencido quanto ao mérito) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Conforme bem delineado pelo Relatório elaborado pela DRJ, tratase de discussão acerca da aplicação da multa substitutiva à pena de perdimento em face do que considerou ocultação do real comprador das mercadorias importadas mediante simulação, conforme Relatório Fiscal. A fundamentação legal consiste no §3° do art. 23 do DecretoLei 1.455 de 7 de abril de 1976, incluído pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, combinado com seu art. 23, incisos IV e V, §1º, com redação dada pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, e combinado com o inciso VI do art. 105 do DecretoLei n° 37 de 18 de novembro de 1966: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o A pena prevista no § 1oconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; No que toca à simulação pela ocultação do real adquirente, a operação foi assim desenhada pela Fiscalização. A empresa COLUMBIA TRADING S/A realizava as operações de importação, por encomenda, em nome da empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. Esta, por sua vez, ocultava o real importador das mercadorias, que seria a empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA.. A Fiscalização ressalvou que a empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. não era a única adquirente das mercadorias importadas em nome da MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. Em face da referida operação, foram lavrados o Auto de Infração nº 11829.720032/201411 em face da empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA., com a aplicação da multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07; e também o presente Auto de Infração, em face das empresas MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. e CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., como dito, com a multa substitutiva à pena de perdimento (Auto de Infração sob análise). No presente Auto foram também incluídos os sócios gerentes das referidas empresas MAEG e CAMPCENTER, respectivamente HÉLIO MARTINEZ e EGISTO FRANCISCO RIGOLI. A importadora, COLUMBIA TRADING S/A, não foi objeto de autuação fiscal pois, no entendimento da fiscalização, não teria participado da suposta fraude de ocultação do real adquirente. Por fim, assinalase que a empresa MAEG foi excluída do pólo passivo da autuação pelo fato de ter encerrado suas atividades anteriormente à lavratura, conforme acórdão da DRJ. Assim, permanece em litígio os pleitos apresentados pela CAMPCENTER, seu sócio HÉLIO MARTINEZ e de EGISTO FRANCISCO RIGOLI, na condição de sócio responsável pela MAEG, excluída da lide. Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.758 11 Para melhor exame dos argumentos apresentados pelos Contribuintes em seu Recurso Voluntário (recurso único), passo a apreciar cada um dos tópicos de defesa suscitados. "1. NULIDADE ACUSAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM ATO SIMULADO SEM A DEVIDA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA" Nesse tópico os Recorrentes postulam pelo reconhecimento da nulidade da Autuação fiscal por insuficiência na sua instrução probatória. Tal insuficiência decorreria: (i) da ilegitimidade da "prova emprestada" decorrente a utilização de elementos trazidos de procedimento fiscal dirigido exclusivamente à MAEG, punida com a multa por cessão de nome, lavrado quando esta já se encontrava extinta; (ii) ausência de participação da empresa CAMPCENTER no procedimento fiscalizatório que culminou com a lavratura de Auto de Infração em face da MAEG (cerceamento de defesa); (iii) inconsistência entre a alegação de simulação nas operações entre MAEG e CAMPCENTER, ao passo que as operações da empresa importadora, COLUMBIA, foram consideradas legítimas. Com isso, as Recorrentes concluem que não houve adequada instrução probatória quanto à prática de simulação imputada pela Fiscalização, assim como relativamente à responsabilização solidária dos sócios gerentes. Pois bem. Em detida e cuidadosa análise dos autos, tenho que as alegações apresentadas pelas Recorrentes neste tópico não merecem prosperar. O Relatório Fiscal apresentado pela Fiscalização é bastante detalhado, expondo de forma clara e didática a fundamentação utilizada, e foi elaborado de forma individualizada. Ainda que, não se nega, a presente autuação tenha decorrido de procedimento fiscal instaurado em face exclusivamente da empresa MAEG, a Fiscalização cuidou de efetuar a devida correlação daqueles elementos de prova aos fatos apurados no presente Auto de Infração. Sem adentrar ao mérito da fundamentação e das conclusões obtidas no Relatório Fiscal, tenho que este cuidou de relacionar todos os elementos de prova utilizados, efetuando a devida vinculação aos fatos imputados à CAMPCENTER e aos responsáveis solidários. Quanto ao fato de a empresa CAMPCENTER não ter sido intimada durante o procedimento fiscal realizado exclusivamente em face da MAEG, também entendo que este não macula os direitos assegurados à ampla defesa e contraditório, uma vez que todos os elementos de prova utilizados na presente autuação constam dos autos e deles foram cientificados os sujeitos passivos. Nesse sentido, entendo ter sido irretocável a decisão recorrida: Nos termos do artigo 142 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional– CTN), a atividade relacionada a constituição do crédito tributário, isto é, o procedimento relacionado à Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 fiscalização é atribuído exclusivamente à autoridade administrativa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (Grifos acrescidos) Evidentemente, nos casos em que necessário, a autoridade poderá intimar o sujeito passivo para que este apresente documentos ou esclarecimentos, nos termos previstos pela legislação de regência, mas notese que nestes casos o interesse tem por origem a fiscalização e não o interesse do sujeito passivo. Por outro lado, independentemente de decidir por levar adiante a constituição do crédito tributário sem a participação direta do sujeito passivo ou com a participação deste (esclarecimentos e documentos), a fiscalização sempre estará vinculada ao disposto no artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, que determina a formalização da exigência com juntada dos respectivos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ...(Grifos acrescidos) Tal exigência tem por objeto resguardar que os interessados conheçam além dos fundamentos, as provas que dão ensejo à exigência imposta para que assim tenham pleno conhecimento dos fatos jurídicos, permitindo então que seja exercido o direito de ampla defesa e, caso desejem, seja apresentado contraditório. Por fim, o momento para se discordar das provas colhidas e do entendimento firmado no transcurso do procedimento de fiscalização e respectiva autuação se dá na apresentação da impugnação, contestando a exigência efetuada de ofício, quando então a legislação processual oportuniza aos fiscalizados (sujeitos passivos) o contraditório e a ampla defesa, a teor do que dispõe no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.759 13 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... (Grifos acrescidos) No mais, se observa com a mais nítida clareza que os autuados demonstraram total conhecimento dos fatos imputados no auto de infração em trato, bem como da legislação tributária aplicável, tendo exercido suas defesas de forma ampla, não havendo porque cogitar de qualquer hipótese de nulidade por conta do alegado cerceamento do direito de defesa. Por fim, quanto à alegação de ser inconsistente a atribuição de responsabilidade às empresas MAEG e CAMPCENTER ao mesmo tempo em que se considerou legítimo o procedimento de importação realizado pela trading COLUMBIA, entendo que esta, ainda que existente, não vicia a presente autuação. O fato de, eventualmente, existir uma terceira pessoa a quem se possa atribuir responsabilidade tributária não macula a responsabilização daqueles que, no entendimento do Fisco, participaram da conduta punível. Pelo exposto, rejeito a preliminar suscitada. "2. NULIDADE AUSÊNCIA DE TIPICIDADE: O CRIVO FISCAL ATINGIU OPERAÇÕES REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DA CONFIGURAÇÃO DO ILÍCITO ALEGADO (SIMULAÇÃO) SEM A PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA IMPORTADORA" Nesse tópico, após desenvolver a questão relativa à contradição existente entre o fato de ter sido considerado regular a conduta da trading importadora COLUMBIA e atribuir a prática fraudulenta apenas à encomendante MAEG e a adquirente CAMPCENTER, afirma que, ao agir desse modo, a Fiscalização acabou por atingir operação realizada exclusivamente no mercado interno: Desse modo, conclui a Recorrente que há ausência de tipicidade na conduta apontada: Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Esse tópico, como se verá, acaba por se confundir com o mérito da demanda e será analisado adiante. "3. NULIDADE AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DAS MERCADORIAS" Sucintamente, a Recorrente alega apenas: Todavia, o citado §3º do art. 23 do DL 1.455/76 não impõs tal exigência. O fato de a mercadoria já ter sido revendida (situação atestada no Relatório Fiscal e não contestada pela Recorrente), por si, autoriza a aplicação da pena substitutiva. § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Desse modo, afasto a preliminar aventada. "4. NULIDADE FORÇA EXTINTIVA DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO NA REVISÃO ADUANEIRA" Nesse tópico, o Recorrente afirma que "concluído o processo de desembaraço, como se observa no caso presente, o Fisco pretende reabrir o controle no âmbito da revisão aduaneira, o que encontra óbice intrasponível da mudança do fundamento jurídico do lançamento já homologado". Todavia, a legitimidade do procedimento de revisão aduaneira encontra respaldo no artigo 54 do DL 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.760 15 Ademais, o Recorrente não aponta de forma objetiva no que consistiria a alegada revisão no critério jurídico do lançamento (obstativa da revisão aduaneira). Pelo exposto, rejeito a preliminar suscitada. "5. NULIDADE AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ POR IMPOSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO DA FORMAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA MULTA APLICADA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA." Os Recorrentes afirmam que é nulo o lançamento fiscal por não ter sido demonstrada pela Fiscalização a exata composição da base de cálculo da pena de perdimento aplicada. Às fls. 42/43 do Relatório Fiscal, foram relacionadas todas as DIs relativas aos produtos repassados da MAEG para a COLUMBIA: Às fls. 45/47 também do Relatório Fiscal, a Fiscalização esclarece a existência de 8 (oito) DIS nas quais constam produtos entregues tanto à CAMPCENTER, como a empresa diversa, chamada de 'X' em razão de sigilo fiscal. Para estas, foram apresentadas tabelas onde constam a segregação destas mercadorias e o respectivo cálculo dos valores correspondentes àquelas entregues à CAMPCENTER. Desse modo, entendo que houve efetiva demonstração da base de cálculo utilizada pela Fiscalização, afastando a preliminar. "6. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DA SIMULAÇÃO. ADQUIRENTE DE BOA FÉ DE MERCADORIA NO MERCADO INTERNO" "6.1. INEXISTÊNCIA DA ALEGADA CONCENTRAÇÃO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS NAS EMPRESAS TIDAS COMO 'OCULTADAS' " "6.2. REGULARIDADE FORMAL DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS: CLÁUSULA EXCLUDENTE DA SIMULAÇÃO" "6.3. CAUSAS MATERIAIS PARA A CRIAÇÃO DA EMPRESA APONTADA COMO MERA CEDENTE DO NOME: CLÁUSULA EXCLUDENTE DA SIMULAÇÃO " Nesse tópico e subtópicos as Recorrentes desenvolvem, efetivamente, todo seu arrazoado no sentido de afastar o cenário de fraude e simulação apresentado pelo Fisco. Pois bem, consoante literal disposição da norma apresentada como tipificadora da conduta de ocultar o real comprador na operação de importação pressupõe a existência de fraude ou simulação. Sem a comprovação da ocorrência de fraude ou simulação, não há falar em conduta de ocultação punível. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 A ocorrência de fraude pressupõe a existência de vontade do agente em praticar ato simulado, este definido pelo Código Civil Brasileiro: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1oHaverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Atentase que, na hipótese dos autos, a simulação apontada pelo Fisco não está na identificação do real importador, mas na identificação do real encomendante. Ou seja, o efetivo importador, a trading COLUMBIA, realizou a importação de forma legítima, indicando que esta se dava por encomenda de empresa diversa, qual seja, a MAEG. O que o Fisco alega é que a MAEG não poderia apresentarse como encomendante, que esta figura seria, em fato, exercida pela COLUMBIA e outras 4 (quatro) empresas não nominadas pela Fiscalização em face do sigilo fiscal. Ou seja, na hipótese dos autos a "ocultação" seria do real encomendante. A Fiscalização entende que a figura da MAEG seria inócua, uma vez que a encomenda poderia (ou deveria) ser feita sob encomenda pela própria CAMPCENTER e as outras 4 empresas que adquiriram os produtos importados. O seguinte trecho da decisão recorrida deixa claro que, o que pretendeu a Fiscalização, foi desconstituir a existência da pessoa jurídica MAEG: O que se constata, é que é fato incontroverso nos autos que a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. foi “criada” exclusivamente para atender uma demanda de um dos fornecedores da real adquirente, Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. Embora tenha sido criada de “direito”, a Empresa MAEG COM. DE PROD. DE ÁUDIO E VÍDEO E INFORMAT. LTDA. não atuou nas operações de importação como real adquirente de fato, dado que, no plano concreto, as mercadorias continuaram a ser repassadas à Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA. que exercia de fato a atividade de distribuição das mercadorias estrangeiras. A operação de criar uma empresa específica para apenas figurar nas operações de importação como adquirente, sem que tal empresa possua substancialmente interesse próprio nas operações de importação, revela que de fato houve, nas operações de comércio exterior em apreço, a inclusão de um interveniente com vistas a ocultar os reais interessados nas operações de importação. Verdadeira simulação. (...) Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.761 17 Aqui se reforça que a fiscalização não fundamenta a presente autuação na não comprovação da origem dos recursos, mas ao contrário, na certeza de que os recursos que sustentaram a realização das operações de importação foram disponibilizados pela Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., que perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil permaneceu oculta nas declarações de importação formalmente apresentadas. Ora, ainda que, conforme assenta a Fiscalização, a MAEG tenha figurado como verdadeira prestadora de serviços nas operações de importação analisadas, questiono: Se a importação foi realizada pela Trading COLUMBIA, por encomenda da MAEG, sendo esta operação de importação devidamente legitimada pela Fiscalização, como poderia, nos referidos documentos, ser informado ao Fisco, no momento da importação e desembaraço, que a MAEG repassaria essas mercadorias a terceiros? Noto que, em verdade, a situação fática descrita pela Fiscalização mais se enquadra na "inexistência de fato" da pessoa jurídica MAEG do que na alegada ocultação fraudulenta ou interposição de terceiros. Assim, a fraude consistiria na própria criação da empresa MAEG. Nesse aspecto, os Recorrentes justificam a criação da empresa MAEG da seguinte forma: a CAMPCENTER é uma das empresas distribuidoras dos produtos da marca Philips no marcado nacional. alem desta, existem outras empresas que também distribuem os mesmos produtos no território nacional. Esse fato, inclusive, é assinalado pela própria Fiscalização às fls. 37/38 do seu Relatório Fiscal: Chamo a atenção para o fato de que a CAMPCENTER, diferentemente da MAEG, que se apresenta no registro da JUCESP com o objeto social de “COMÉRCIO VAREJISTA ESPECIALIZADO DE EQUIPAMENTOS E SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA, COMÉRCIO VAREJISTA DE BRINQUEDOS E ARTIGOS RECREATIVOS”, a CAMPCENTER se apresenta formalmente como distribuidor. Ademais, consulta ao sítio da Philips, principal marca dos produtos importados pela MAEG, sobretudo das mídias CD e DVD, revela ser a CAMPCENTER um de seus distribuidores oficiais: Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 18 Assim, como esclarecem as Recorrentes, a MAEG foi criada para centralizar, em uma única empresa, a importação de todos os produtos da PHILIPS que seriam comercializados por suas diversas distribuidoras localizadas no território nacional, dentre elas, a Recorrente CAMPCENTER. E, em face da necessidade de a PHILIPS ter essa figura do importador único (no caso, encomendante, já que o importador era a trading COLUMBIA), os sócios da CAMPCENTER optaram por exercer tal papel, estabelecendo uma nova atividade empresarial. Portanto, evidente o propósito negocial na operação. Não é ilegitimo que sócios possam fazer parte de mais de uma empresa. É prática corrente no mercado que as empresas tendam a se especializar em uma única atividade. E, como transcrito acima, é também a própria fiscalização que reconhece que a MAEG e a CAMPCENTER possuem objetos sociais distintos, aquela importa e esta comercializa. Na hipótese dos autos, acrescentase que foram os próprios sócios da CAMPCENTER que constituíram a MAEG, ou seja, inexiste qualquer tentativa de criação de uma empresa laranja, interposta. E mais, a Fiscalização aponta que a criação da MAEG se deu de forma legítima. Houve a criação jurídica da empresa, houve a integralização do capital social em dinheiro, havia movimentação bancária própria da MAEG, esta declarava e recolhia tributos, possuia empregados, havia contratos de armazenagem dos produtos encomendados, dentre diversos outros aspectos e até mesmo o seu encerramento não foi questionado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Logo, com a devida vênia ao robusto trabalho fiscal realizado, tenho que a conduta que o Fisco pretendia punir não é a ocultação do "real vendedor, comprador ou de responsável pela operação" (no caso, o importador, indiscutivelmente, é a trading COLUMBIA) ou a presença de uma interposta pessoa (importador fictício). Em verdade, o que pretendeu foi a desconstituição da personalidade jurídica da MAEG, encomendante) por suposta inexistência de fato desta. Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.762 19 Assim, por não vislumbrar a subsunção do fato à norma, acolho a argumentação dos Recorrente no que diz respeito à improcedência do lançamento fiscal. "7. DA AUSÊNCIA DO DANO AO ERÁRIO" Os Recorrentes, nesse tópico, desenvolvem a seguinte questão: Todavia, tenho que toda a discussão relativa à interpretação sistemática ou valorativa do art. 23 do DL 1.455/76 foge à competência desta Corte Administrativa. É fato, não contestado pelos Recorrentes, que o legislador elegeu como bem a ser tutelado a própria fiscalização aduaneira, definindo como punível a mera conduta de prestar informação não condizente com a realidade dos fatos, não sendo necessária a comprovação de qualquer prejuízo financeiro. Desse modo, sendo vedado à esta julgadora, afastar a aplicação de dispositivo legal, deixo de acolher a alegação apresentada pelos Recorrentes, em consonância com a jurisprudência deste órgão. "III. RAZÕES RECURSAIS DAS PESSOAS FÍSICAS MANTIDAS COMO RESPONSÁVEIS: HÉLIO MARTINEZ E EGISTO FRANCISCO RIGOLI" São dois os itens de defesa relativos à manutenção das pessoas físicas Hélio Martinez e Egisto Francisco Rigoli como solidários pelo débito lançado, os quais se passa a analisar. "8. DA INEXISTÊNCIA DE CONDUTA QUE SE SUBSUMA AOS DISPOSITIVOS LEGAIS INVOCADOS. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE." Entendo que o tópico de subsunção do fato à norma foi devidamente abordado no item em que se discorre sobre a responsabilidade da CAMPCENTER, estendendose, por óbvio, aos demais responsáveis solidários, acatando, portanto, a argumentação de todos os Recorrentes nesse aspecto. Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 20 "9. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA DA PENA DE PERDIMENTO AO IMPUGNANTE: PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE DAS PENAS / INTRANSCENDÊNCIA DA SANÇÃO." Quanto à intranscedência da sanção, entendo não assistir razão aos Recorrentes. Com efeito, o que se "trancendeu" não foi a aplicação da pena, mas, sim, a obrigação de recolhimento de obrigação tributária consistente no descumprimento de obrigação acessória imputada pela Fiscalização. Desse modo, rejeito tal argumento. Por todo exposto, voto por AFASTAR AS PRELIMINARES APRESENTADAS e, no mérito, DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, cancelando integralmente a exigência tributária. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor (voto vencedor quanto ao mérito) Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorimRedatora Designada Inicialmente, ressaltese que discorrerei sobre o mérito do litígio, já que o julgamento foi proferido no sentido, de rejeitar as preliminares e que foram todas já analisadas. Registrese, ainda, que foi excluído do polo passivo da autuação um dos responsáveis solidários, ou seja, a empresa Maeg Com. de Prod. de Áudio e Vídeo e Informat. LTDA; como não houve exoneração de crédito tributário, considerando o inc. I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, no art. 70 do Decreto nº 7574/2011 e no art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, a DRJ/Florianópolis/SC deixou de recorrer de ofício, logo, não há que se comentar sobre esta matéria (exclusão do polo passivo da Maeg). Da mesma forma, a decisão a quo esclarece, após afastar do polo passivo Maeg: Assim, embora seja possível aferir o equívoco fiscal quanto à identificação do sujeito passivo, referido equívoco restou superado em face da atribuição da responsabilidade solidária, tanto aos exsócios da empresa extinta quanto à própria Empresa CAMPCENTER COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIB LTDA., que continuou a desenvolver a atividade comercial anteriormente exercida pela empresa extinta. Versa o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 4.204.374,68 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão, tendo em vista à não localização. Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.763 21 A fiscalização concluiu pela aplicabilidade da pena de perdimento das mercadorias importadas por meio das DI em litígio, pelo cometimento das seguintes infrações, definidas como dano ao erário: a) mercadoria estrangeira importada com ocultação do real comprador, mediante simulação; e b) uso de documento falso necessário ao despacho de importação. Houve, portanto, conversão do perdimento em multa, pela impossibilidade de apreensão de mercadorias, tendo em vistamercadoria estrangeira importada com ocultação do real comprador mediante simulação, bem como uso de documento falso necessário ao despacho de importação. A fiscalização iniciouse através de procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. Através do TVFTermo de Verificação Fiscal e descrição dos fatos, parte integrante do auto de infração em comento, às efls. 11/71, os fatos lá apontandos são importantes para entender o modus operandi das operações de comércio exterior pela empresa. Transcrevese alguns trechos: ...... A análise das informações coletadas levou a Fiscalização a concluir que a MAEG ocultou a CAMPCENTER e a outra sociedade empresária nas operações de comércio exterior, tendo simulado importações em seu nome. Declararamse importações de mercadorias para a MAEG, quando, na verdade, as mercadorias importadas eram destinadas a essas outras pessoas. Cometeram, com isso, a infração prevista no art. 23, V, do DecretoLei 1.455/1976, com redação dada pela Lei 10.637/2002. ....... Tendo por base as notas fiscais eletrônicas de saída entre 29/04/2010 a 13/12/2011, verificase que a MAEG revendeu seus produtos para apenas 05 (cinco) empresas, sendo que 94,1% do peso líquido importado pelas cinqüenta e uma declarações de importação registradas entre junho de 2008 e novembro de 2011 correspondem a CDs e DVDs. Verificouse ainda que no mesmo período, cerca de 93% das importações da MAEG foram revendidas para apenas dois clientes, sendo um deles a CAMPCENTER. A importação de mercadorias para terceiros encomendantes (em sentido amplo) é autorizada, desde que respeitadas as normas que tratam das importações indiretas. ........ Tal como nas modalidades anteriores, a nova legislação tratou de estender as condições de sujeição passiva e responsabilidade tributária ao encomendante, razão pela Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 22 qual sua identificação é imprescindível na declaração de importação. ....... obrigação de o importador informar, no preenchimento da declaração de importação (que é um documento eletrônico), quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, consta tanto no art. 3° da IN SRF 225/2002 quanto no art. 3° da IN SRF 634/2006, anteriormente transcritas. Em ambas as situações – importação por conta e ordem de terceiros ou importação para encomendante predeterminado –, ao preencher a declaração de importação, o importador deve selecionar a opção “importação por conta e ordem” e informar o número de inscrição no CNPJ do adquirente ou encomendante. ....... A configuração da interposição fraudulenta pode se dar tanto com a identificação do interponente (real beneficiário da operação), como também nas situações em que, não havendo esta identificação, o importador não comprova a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações (interposição por presunção). Assim, o § 2.º do dispositivo acima reproduzido aponta apenas uma das hipóteses de interposição, qual seja, a interposição presumida pela insuficiência patrimonial. A ocultação do adquirente ou, mais recentemente, do encomendante predeterminado, é artifício empregado para afastar obrigações tributárias principais e acessórias, quais sejam: (a) não figurar como contribuinte “equiparado a industrial” e evitar a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações subsequentes; (b) não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior; (c) não se submeter a controles administrativos dos órgãos públicos intervenientes nas operações de comércio exterior; (d) interromper a cadeia tributária da COFINS e do PIS, prejudicando a arrecadação de recursos destinados à seguridade social, nos termos da CF/1988, art. 195, incisos I, alínea “b”, e IV; entre outros. .......... Como se observa, a legislação pertinente demonstra uma preocupação que vai além do simples recolhimento de tributos no momento do registro da declaração de importação. Salientese que o caso vertente não se refere à interposição presumida por não comprovação de origem de recursos, mas à simulação tendente a ocultar o real provedor dos recursos, portanto real adquirente das mercadorias importadas. Tal como o adquirente, o encomendante predeterminado é responsável tributário, e, consequentemente, sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes da importação. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.764 23 ..... Os adquirentes de mercadoria estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem por meio de pessoa jurídica importadora, são estabelecimentos equiparados a industrial. O mesmo ocorre com os estabelecimentos que adquirem produtos de procedência estrangeira importados por encomenda. Os estabelecimentos equiparados a industrial são contribuintes do IPI. A saída da mercadoria dos estabelecimentos equiparados a industrial, mesmo que estes não tenham realizado a importação diretamente, constitui fato gerador do imposto, sendo efetivamente devido o valor do IPI em razão da diferença entre o preço de entrada e o preço de saída (não cumulatividade). Na hipótese de o adquirente ou o encomendante da mercadoria ocultaremse, não se apresentando à fiscalização nos termos da IN SRF nº 225/2002 ou da IN SRF nº 634/2006, estarão afastando sua condição de contribuinte do IPI. ...... Nas operações da MAEG, constatase que as mercadorias importadas eram, em regra, integralmente “vendidas” em pouquíssimos dias após suas entradas no armazém terceirizado. A ausência de local adequado para armazenamento de mercadorias (o que será abordado no próximo tópico) corrobora a conclusão de que o foco da empresa, na verdade, era ocultar as importações dos verdadeiros intervenientes. ....... No entanto, não foi apresentado nenhum aditamento com prorrogação deste prazo. Este é o endereço que consta como sede da empresa na base CNPJ da Receita Federal entre 05/07/2007 e 28/04/2010. Após este período e até o fechamento da empresa, o endereço passa para a Rua Francisco José de Camargo Andrade, número 763. Foi efetuada diligência aos dois locais. O imóvel relativo ao contrato de locação apresentado não foi encontrado. O último número visível na rua é o 507, e o imóvel ao lado encontrase abandonado, não havendo nele qualquer indicação de numeração (consta foto do local, retirada do “google maps"/empresa Maeg) .... Inúmeros são os exemplos de mercadorias constantes de uma DI da MAEG, sendo vendidas, todas no mesmo dia, com apenas 1 ou 2 dias de diferença entre a nota fiscal deentrada e a nota fiscal de saída, havendo inclusive casos das mercadorias saírem Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 24 todas de uma vez, com registro numa única nota fiscal. Isso evidencia que o importador sabia, antecipadamente, para quem venderia os produtos importados. As datas são sempre muito próximas. No item 8 do Termo de início de Ação Fiscal e Intimação, foi solicitado que se apresentassem os conhecimentos de transporte rodoviário de carga de cada despacho de importação. Foram apresentados somente 18 conhecimentos. Destes 18, havia um conhecimento com endereço de entrega diverso do apresentado no contrato de locação da MAEG: ..... Ou seja, as mercadorias seguiram diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimento do cliente, não havendo passagem física por armazém ou depósito da MAEG. ........ Cabe ressaltar ainda que, no período para o qual constam notas fiscais eletrônicas de saída da MAEG, foram “revendidas” mercadorias importadas ao amparo de 36 (trinta e seis) DIs. Porém, apenas três delas (DIs 10/09115709, 10/11593760 e 10/17105750) tiveram suas mercadorias destinadas a empresas distintas da CAMPCENTER ou da “X”. ........ Aqui destaco que há montantes significativos de recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos, os quais naturalmente viram crédito para as empresa ocultadas, ou seja, o que a MAEG paga é aproveitado pelas ocultadas. Entretanto, no que tange ao IPI não vinculado à importação, embora fosse obrigação da MAEG recolher quando da saídas dos produtos que importou por encomenda, não há recolhimento. O pagamento de IPI pela MAEG viraria custo, não podendo ser aproveitado pelas ocultadas por estas não configurarem como contribuintes do IPI, e, nesta condição, simplesmente deixou de ser recolhido. ....... Dentre a documentação apresentada havia um email de um funcionário da CYBERNETIC (exportador), chamado Celso Marcos, destinado ao Columbia. Neste email, Celso afirma poder explicar de que forma a CYBERNETIC trabalha, e de que forma a empresa é estruturada para servir e dar suporte ao COLUMBIA E SEUS DISTRIBUIDORES, E NOMEIA A CAMPCENTER. A MAEG não é sequer citada na negociação!! ...... Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.765 25 Aqui cabe ressaltar que MARTINA & NEZI COMERCIAL LTDA é o antigo nome da CAMPCENTER, conforme histórico da empresa armazenado no banco de dados da Receita Federal: ...... Este “modus operandi” se repete durante todo o período abrangido por esta fiscalização, o que comprova que a MAEG ocultou a empresa CAMPCENTER em operações de importação. (consta às efls. 41/47, item 6, o modus operandi da Maeg e Campcenter na operação de comércio exterior). .............. Chamo a atenção para o fato de que a CAMPCENTER, diferentemente da MAEG, que se apresenta no registro da JUCESP com o objeto social de “COMÉRCIO VAREJISTA ESPECIALIZADO DE EQUIPAMENTOS E SUPRIMENTOS DE INFORMÁTICA, COMÉRCIO VAREJISTA DE BRINQUEDOS E ARTIGOS RECREATIVOS”, a CAMPCENTER se apresenta formalmente como distribuidor. Ademais, consulta ao sítio da Philips, principal marca dos produtos importados pela MAEG, sobretudo das mídias CD e DVD, revela ser a CAMPCENTER um de seus distribuidores oficiais: ....... Conforme já foi mencionado, verificase constantemente um depósito da CAMPCENTER próximo aos pagamentos efetuados pela MAEG ao COLUMBIA nos extratos bancários entregues pela MAEG em resposta ao Termo de Intimação no 01 em função do MPFF 0817700.2014.00210. ...... Observase pela informações acima que a presente infração (ocultação do real adquirente das mercadorias) decorre da prestação inexata de informação na declaração de importação (DIs), em discussão, obrigação essa, acessória relacionada aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior, no caso, importação. Portanto, podese concluir que, ainda que decorrente do descumprimento de obrigação acessória, a penalidade pecuniária converteu se em obrigação principal. Verificase a existência de 5 planilhas contendo os lançamentos contábeis da MAEG relacionados à CAMPCENTER, dos anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, onde, lá estão indicados todos os recebimentos de recursos financeiros da CAMPCENTER pela MAEG. Como ressalta a fiscalizaçãoNa coluna “Histórico”, há o detalhamento do lançamento. É comum encontrarmos nesta coluna a indicação de uma nota fiscal que só seria emitida dias depois. As declarações de importação no período estão viciadas pela ocultação do sujeito passivo, então, o montante de multa é o somatório dos valores CIF (valor da mercadoria somado aos do frete e do seguro) em reais dessas declarações, tudo explicado, nos termos do item 9 do TVF. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 26 Então, a empresa MAEG foi “criada” para atender uma demanda de um dos fornecedores da real adquirente, ou seja, a empresa CAMPCENTER. Embora tenha sido criada de “direito”, a MAEG não atuou nas operações de importação como real adquirente de fato, posto que as mercadorias continuaram a ser repassadas à CAMPCENTER que exercia de fato a atividade de distribuição das mercadorias estrangeiras. Concluise que a autuação não se baseou na não comprovação da origem dos recursos, mas ao contrário, na certeza de que os recursos que sustentaram a realização das operações de importação foram disponibilizados pela CAMPCENTER, que perante ao Fisco permaneceu oculta nas declarações de importação formalmente apresentadas, daí fica caracterizada a ocultação. Então, a legislação se preocupa não só com recolhimento de tributos no momento do registro da declaração de importação. No caso, não se trata de interposição presumida pela não comprovação de origem de recursos, mas à simulação tendente a ocultar o real provedor dos recursos, portanto real adquirente das mercadorias importadas. Em assim sendo, tal como o adquirente, o encomendante predeterminado/ importação por conta e ordem é responsável tributário; enfim, sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes da importação. Destarte, os adquirentes de mercadoria estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem por meio de pessoa jurídica importadora, são estabelecimentos equiparados a industrial. O mesmo ocorre com os estabelecimentos que adquirem produtos de procedência estrangeira importados por encomenda, então, esses estabelecimentos equiparados a industrial são contribuintes do IPI e se observa, claramente a quebra da cadeia do IPI, no caso. Pois bem, o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 6.759/2009, vigente à época dos fatos, relacionava a entrada de algumas mercadorias estrangeiras sobre as quais não incidia o imposto de importação. Estes casos estavam listados em seu art. 71. Além destes, a Lei n°. 10.833/2003 criou outras duas situações. Art. 71. O imposto não incide sobre: I mercadoria estrangeira que, corretamente descrita nos documentos de transporte, chegar ao País por erro inequívoco ou comprovado de expedição, e que for redestinada ou devolvida para o exterior; II mercadoria estrangeira idêntica, em igual quantidade e valor, e que se destine a reposição de outra anteriormente importada que se tenha revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destinava, desde que observada a regulamentação editada pelo Ministério da Fazenda; III mercadoria estrangeira que tenha sido objeto da pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida; (inciso com nova redação da Lei n°. 10.833/2003, art.77) (grifei). ....... A Lei n°. 10.833/2003 incluiu uma exceção ao inciso III do artigo acima citado. Se a mercadoria não for encontrada, se tiver sido consumida ou revendida, impossibilitando a sua apreensão, o imposto de importação será cobrado visto que a mercadoria está sendo (ou foi) utilizada no País. Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.766 27 A penalidade prevista em lei para o contribuinte que ocultar o sujeito passivo em operação de comércio exterior (e solidários) é, em regra, o perdimento da mercadoria. Quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida (este é o caso), a penalidade transformase em multa, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. É o que determina o art. 23 do DecretoLei 1.455/1976, com suas alterações: Assim, a fiscalização, ao concluir o procedimento regular, tendo em vista, a ocultação dos reais intervenientes, aplicou a pena de perdimento às mercadorias nos termos do art. 23, V do Decretolei 1.455, de 7 de abril de 1976: O artigo 23, incisos IV e V do Decreto Lei n° 1.455/76, tipifica bem a situação: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Nos casos em que as mercadorias não são encontradas, para aplicação da pena de perdimento, será lavrada uma multa no valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do § 1o do art. 689 do RA/2009. Art. 618 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário(Decreto Lei n°. 37, de 1966, art. 105, e Decretolei n°. 1455, de 1976, art. 23 e §1°, este com a redação dada pela Lei 10.637/2002, art. 59) §1°A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 28 consumida(DecretoLei n°.1455 de 1976, art.23, § 3o, com redação dada pela Lei já mencionada 10.637/2002, art. 59) Considerando os elementos de prova acima comentados e todas as informações abordadas, entendo como correto o procedimento adotado pela fiscalização para o entendimento de que a MAEG serviu apenas para ocultar importações de terceiros, sem a observância de normas vigentes que tratam de importações indiretas ou, por outro lado, de que a CAMPCENTER valeuse, enfim, de outra empresa habilitada a operar no comércio exterior para ocultarse do Fisco, ficando demonstrada as infrações à legislação aduaneira, logo, ensejando aplicação de penalidades com atribuição de responsabilidades. Quanto aos aspectos relacionados à sujeição passiva responsáveis solidários, ou seja, Hélio Martinez: sócio da MAEG e da CAMPCENTER e Egisto Francisco Rigoli, sócio da MAEG. Verificase, pois, que os sócios da empresa MAEG são o Sr.HELIO MARTINEZ , com participação societária de 60%, e o Sr. EGISTO FRANCISCO RIGOLI e da CAMPCENTER possui como sócio administrador o senhor Hélio Martinez, o mesmo que também consta como sócio administrador da MAEG. Inicialmente, quanto à solidariedade, o artigo 124 do CTN dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (Grifei) Então, o inciso I acima reproduzido estabelece que existindo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal haverá obrigação solidária. O inciso II estabelece que, independentemente do interesse comum, a lei poderá designar pessoas que serão solidárias. De outra sorte, uma vez estabelecida a solidariedade, seja por interesse comum, seja por lei, não haverá beneficio de ordem. Pois bem, a infração em discussão não poderia ter sido praticada sem a participação da MAEG, pois referida empresa seria a “real adquirente” das mercadorias estrangeiras, quando em verdade a empresa apenas atuava como mera empresa interposta pelos reais interessados nas operações, recebendo recursos do real adquirente para que as operações de importação pudessem acontecer. Portanto, houve contribuição direta e formal de referida empresa. Já a CAMPCENTER, real adquirente das mercadorias estrangeiras, que embora tenha permanecido oculta nos procedimentos de importação; era a real interessada na aquisição das mercadorias estrangeiras. Diante desses fatos e como visto nos autos, a responsabilidade dos sócios administradores, no auto de infração, foi baseado no art. 135, III, do CTN, que prevê a possibilidade de responsabilização pessoal aos “diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica”. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720033/201466 Acórdão n.º 3201002.239 S3C2T1 Fl. 2.767 29 [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A pessoa física, quando pertencente ao quadro societário de uma determinada empresa, e aceitar a atribuição de sócio administrador, passa a ser responsável pela gestão da mesma. Então, quanto à responsabilidade dos exsócios da já extinta MAEG, não obstante a responsabilidade decorrente da solidariedade na prática das infrações, tais pessoas físicas devem responder ainda em face da responsabilidade decorrente da extinção da empresa (sucessão). Da mesma forma, CAMPCENTER que continuou as atividades comerciais (importação) antes desenvolvidas pela empresa extinta. Nestes termos fica caracterizada a responsabilidade tributária, estabelecida pelos incisos III do artigo 135 do CTN, sendo certo, e completamente indubitável, que a aplicação daquelas disposições, no presente caso, decorrem da verificação de que, na qualidade de “administrador” da empresa autuada, os sócios tinham, portanto, inteiro e integral conhecimento das operações realizadas objeto destes autos, devendo, assim, responder pela infração apontada. É importante destacar, a esse respeito, a existência de precedente específico do Superior Tribunal de Justiça–STJ, que, sob a sistemática própria dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim então já se pronunciou: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SÓCIOGERENTE. ART. 135, III, DO CTN. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE TRIBUNAL SUPERIOR. SÚMULA 7/STJ. RECURSO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de condicionar a responsabilidade pessoal do sóciogerente à comprovação da atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, excepcionandose a hipótese de dissolução irregular da sociedade devedora. 2. A análise da atuação do sócio, para efeito de enquadramento nas hipóteses de redirecionamento previstas no art. 135 do CTN, ou, até mesmo, para constatar a ocorrência de encerramento irregular da sociedade, encontra óbice na Súmula 7 desta Corte: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 3. Recurso desprovido (grifo nosso). (AgRg no REsp 596.134/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 10/08/2006, p. 193. g.n.). Verificase, pois, o julgamento paradigma editado pelo STJ a respeito aos específicos contornos da aplicação das disposições do art.135, inciso III do CTN, e, no caso, a responsabilização tributária do sócio, é clarividente no sentido que não se mostra suficiente a simples demonstração ou identificação da ocorrência do inadimplemento do montante devido. Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 30 É fundamental que, em cada caso, reste devida e especificamente comprovada a atuação com excesso de poder e/ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, sem a qual, definitivamente, não se pode admitir a responsabilização dos referidos dirigentes. A par do esforço empreendido pelo Fisco, entendo que, no caso, restou devidamente comprovada a hipóteses mencionada no caput do mencionado Art. 135 do CTN, para que, então, fique evidenciado a viabilidade da aplicação da referida responsabilização, conforme se observa das informações contidas no Termo de Verificação Fiscal. A responsabilidade tributária apontada teria decorrido, de que os referidos sócios, atuando como “administrador” da empresa, teriam total conhecimento das operações realizadas, sendo por elas, então, imputados como responsáveis solidários. No caso dos autos, verificase a devida configuração das hipóteses autorizativas da referida previsão legal da responsabilidade pessoal do dirigente da pessoa jurídica, contida nas disposições do art. 135, inciso III do CTN, sendo, portanto, completamente devida, assim, a sua imputação, nos termos e fundamentos devidamente apresentados, uma vez que foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art.135 do Código Tributário Nacional, que os integrantes dos quadros societários das empresas, à época da ocorrência dos fatos, agiu com infração de legislação. Com todas essas considerações, divirjo da iluste relatora e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, determinando a manutenção da responsabilidade tributária solidária de Hélio Martinez e Egisto Francisco Rigoli. Conclusão Por todo o exposto, rejeitadas as preliminares e em relação ao mérito, nego provimento ao recurso voluntário, determinando a manutenção dos responsáveis solidários Hélio Martinez e Egisto Francisco Rigoli. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20 /07/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MERCIA HELENA TRA JANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10120.723532/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada.
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL.
Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano-calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano-calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-001.522
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que negava provimento integral e o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que dava provimento apenas para afastar as multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Glosa de depreciação acelerada incentivada. Multa isolada sobre estimativas. Recorrente VALE DO VERDÃO SOCIEDADE ANÔNIMA AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que negava provimento integral e o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que dava provimento apenas para afastar as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 35 32 /2 01 3- 39 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.414 2 multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por VALE DO VERDÃO SOCIEDADE ANÔNIMA AÇÚCAR E ÁLCOOL contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Goiânia, referentes ao IRPJ e a CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, totalizaram o valor de R$ 84.914.211,30. Tal autuação foi fundamentada: (i) na glosa de exclusões referentes à depreciação acelerada incentivada dos custos de formação de lavoura de canadeaçúcar, bem como na glosa de adições referentes às respectivas reversões; (ii) na compensação indevida de prejuízos e bases negativas da CSLL recalculados como decorrência da primeira infração; e (iii) na imposição de multas isoladas sobre estimativas não recolhidas em face das infrações anteriores. Da autuação: Em síntese, a autoridade fiscal assim descreveu o feito: Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.415 3 a) Foi constatado que, além dos bens do ativo permanente (caminhões/tratores) depreciados integralmente no período de janeiro/2008 a dezembro/2010, o contribuinte efetuou a depreciação acelerada incentivada, em percentuais variáveis a cada ano, dos custos incorridos com a formação das lavouras de canadeaçúcar registrados em suas contas do ativo, conforme segue: ANO CUSTO DE FORMAÇÃO (R$) DEP. ACEL. INCENTIVADA (R$) PERCENT. INCENTIVADO 2008 58.055.690,74 26.194.074,01 45.12% 2009 79.714.900,88 39.857.450,44 50,00% 2010 67.394.592,82 67.394.592,82 100,00% b) De acordo com o item 5 do Parecer Normativo CST nº 18/79, os custos de aquisição e formação da cultura de canadeaçúcar devem ser objetos de quotas de exaustão. c) O benefício da depreciação acelerada incentivada na atividade rural, previsto no artigo 314 do RIR/99, não se aplica à exaustão. d) Portanto, o contribuinte excluiu indevidamente, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os supramencionados valores a título de depreciação acelerada incentivada. Consequentemente, adicionou também indevidamente as respectivas reversões nos anoscalendário subsequentes. Tudo conforme segue: ANO EXCLUSÃO INDEVIDA (R$) ADIÇÃO INDEVIDA (R$) DIFERENÇA APURADA REDUÇÃO LUCRO (R$) 2008 26.194.074,01 26.194.074,01 2009 39.857.450,44 5.238.814,81 34.618.635,63 2010 67.394.592,82 28.926.749,30 38.467.843,52 e) As reversões referentes às depreciações aceleradas incentivadas efetuadas em anos anteriores não foram consideradas no cálculo do IRPJ e CSLL devidos porque foram aproveitadas em períodos não alcançados pela fiscalização. f) Devido à conversão em lucro do prejuízo e da base negativa da CSLL apurados em 2008, a fiscalização efetuou de ofício a compensação de saldos de prejuízos e bases negativas acumulados em anos anteriores. Por esse motivo, foram zerados os saldos existentes em 2008, o que redundou no seu indevido aproveitamento nos anos de 2009 e 2010. Como consequência, a fiscalização glosou todas as compensações de prejuízos e bases negativas que haviam sido efetuadas pelo contribuinte. g) Em face das infrações constatadas, a fiscalização refez a apuração das bases de cálculo mensais das estimativas e aplicou a multa isolada prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.416 4 Da impugnação: Conforme relato da instância a quo, a empresa autuada apresentou os seguintes argumentos: DA DEPRECIAÇÃO VERSUS EXAUSTÃO DO CULTIVO DE CANA Inicialmente, a impugnante enfoca considerações técnicas sobre o cultivo da canadeaçúcar, trazendo à colação citações de especialistas da matéria, no afã de demonstrar o processo de formação da lavoura da espécie, e o porquê da mesma não se confundir com floresta, e, portanto, não se exaurir, mas sim se depreciar. Destaca que a Lei nº. 6.404, de 1976, determina a aplicação de exaustão apenas a jazidas e florestas, trazendo a definição de floresta constante do Dicionário Jurídico de Maria Helena Diniz, para firmar a argumentação de que a plantação de canadeaçúcar não se identifica como floresta, sendo, portanto, depreciável, e, neste sentido, valendose de citações legais da própria Lei nº. 6.404, de 1976, do Pronunciamento VIII do IBRACON, de lição de Sérgio de Iudicibus e outros, bem como citação jurisprudência do então 1º Conselho de Contribuintes, afirma ser pacífica a classificação dos recursos aplicados na formação da cultura canavieira no ativo permanente. Prossegue apoiandose em lições de doutrinadores da Ciência Contábil para expor que exaustão e depreciação não se confundem, e, recorrendo à leitura do art. 307 do RIR/99, que define os bens sujeitos a depreciação, conclui que: Este é o caso da cultura canavieira, em que o caule (colmo) é sucessivamente cortado, provocando o desgaste das touceiras/soqueiras, que permanecem intocadas subterraneamente, em situação diversa do que acontece nos bens sujeitos a exaustão, em que os mesmos são objetos da atividadefim do explorador, tal como acontece nas jazidas de petróleo ou de minérios ou, ainda, na cultura de florestas para cortes comerciais. Traz ainda a lume, em reforço ao seu entendimento, a Solução de Consulta Interna nº. 33, de 1987, a qual esclarece, com base no Parecer Normativo nº. 18, de 1979, que “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam canade açúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação”. Invoca também Pronunciamentos do CPC, Deliberação da CVM, Resolução do CFC, doutrinadores da Contabilidade e jurisprudência administrativa, para sustentar o acerto do procedimento adotado e equivocadamente questionado pela autoridade lançadora. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO A impugnante pondera que, caso não se entenda pelo cabimento das contestações ao mérito, há motivações de outra ordem para tornar o procedimento totalmente improcedente. Em primeiro porque, ao considerar indevidas as exclusões, a autoridade fiscal deveria ter recomposto toda a apuração da base de cálculo dos tributos lançados, e não simplesmente tomar o valor da glosa como base dos lançamentos, desconsiderando inclusive as adições efetuadas a título de reversão de exclusões da mesma natureza feitas em anos anteriores. Aduz que, na ausência dessa Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.417 5 recomposição, há uma diferença a maior no lançamento da ordem de R$ 55.058.147,41, conforme demonstra no Anexo I da impugnação. Em segundo porque, se as exclusões seriam indevidas no exercício em que foram feitas, são cabíveis em períodos posteriores, e, assim, sendo, de acordo com o próprio entendimento da RFB (RIR/99, art. 273; PN CST nº. 57, de 1979 e PN Cosit nº. 2, de 1996, constituem postergação do pagamento do tributo para o período posterior ao que era porventura devido, conforme informa demonstrar no Anexo II, afirmando que o valor glosado é exatamente o montante adicionado ao longo do tempo, e, neste caso, por já recolhidos os tributos postergados, o que poderia ser cogitado seria a cobrança dos juros de mora, conforme expresso . DA CONCOMITÂNCIA DE PENALIDADES Protesta contra a aplicação da multa de ofício com a multa isolada, que reputa de exigências concomitantes, porque as sanções possuem a mesma materialidade, o que é incabível, trazendo em seu auxílio lição de Marco Aurélio Greco, além de socorrerse do disposto no art. 15 da IN SRF nº. 93, de 1997 e de jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, arrematando que admitir essa concomitância seria sancionar a contribuinte com penalidade de 150% reservada à prática de fraude, acusação que em momento algum constou da peça fiscal. DOS PEDIDOS DA IMPUGNANTE Conclui a impugnação requerendo: (a) a insubsistência dos autos de infração, reconhecendo a correção do procedimento adotado pela impugnante na exclusão da depreciação incentivada; (b) caso assim não seja entendido, que sejam apreciadas as questões prejudiciais de mérito, nos termos do art. 28 do Dec. nº. 70.235, de 1972, reformandose os lançamentos fiscais nos termos em que referido. Finaliza protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos, bem como pelo direito de ser notificada de da juntada de qualquer peça processual ou fato superveniente que venha a ocorrer nos autos, a fim de que possa se manifestar. Da decisão recorrida: A já mencionada 2ª Turma da DRJ/Brasília, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 0353.374, de 26 de julho de 2013, por meio do qual decidiu pela total procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CULTURA DE CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO VERSUS EXAUSTÃO. O custo de formação de lavoura de canadeaçúcar, por se tratar de cultura cuja capacidade de produção não se extingue com o primeiro corte, deve ser objeto de quotas de exaustão, de acordo com o entendimento expresso pela RFB no Parecer Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.418 6 Normativo CST nº. 18, de 1979, sendo indevida a aplicação da depreciação incentivada acelerada de que trata o art. 314 do RIR/99, que não alterou os conceitos de depreciação e exaustão proclamados nos arts. 305 e 334 do mesmo RIR/99. BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. Na recomposição da base de cálculo não se podem considerar as reversões relativas a anoscalendário pretéritos, alcançados pela decadência, nos quais a empresa se beneficiou indevidamente da depreciação acelerada da cultura de canadeaçúcar. POSTERGAÇÃO. QUOTAS DE EXAUSTÃO. Para que se cogite de postergação, é necessário que se conheça com precisão qual o valor dedutível em cada anocalendário, a título de quota de exaustão, de modo a permitir o reazimento do cálculo do tributo devido em cada período. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. De acordo com a legislação de regência, são penalidades que resultam de fatos independentes a multa de ofício incidente sobre a falta ou insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao final do anocalendário e a multa isolada incidente sobre a falta ou insuficiência das estimativas mensais. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Determina a legislação processual tributária que a prova do sujeito passivo seja apresentada no momento da impugnação da exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ exigido a partir de infrações da mesma natureza. Conforme atestado na ementa transcrita, além de não concordar com a tese da concomitância das multas, a instância a quo entendeu que os custos de formação da lavoura da cultura de canadeaçúcar submetemse à exaustão e não à depreciação. Por conseguinte, não seriam beneficiados pelo regime da depreciação acelerada incentivada previsto no artigo 314 do RIR/99. Fundamentou sua convicção naquilo que está expresso nos itens 5 e 6 do Parecer Normativo CST nº 18/79, na resposta à pergunta 019 do Capítulo XII (Atividade Rural) da publicação “DIPJ 2013 Perguntas e Respostas”, disponível na página da internet da RFB, e no subitem 5.6 da NBC T 10.14 (Aspectos Contábeis Específicos das Entidades Agropecuárias). Ademais não acatou as questões prejudiciais pelos seguintes motivos: (i) a recomposição da base imponível reclamada pela impugnante implicaria em glosa de adições referentes às reversões de depreciações aceleradas incentivadas efetuadas nos anoscalendário de 2003 a 2006, os quais já haviam sido alcançados pela decadência; e (ii) não foi juntada prova adequada da postergação do pagamento. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.419 7 Do recurso voluntário: Em seu recurso voluntário, a empresa autuada repete, de forma reordenada, os argumentos deduzidos na impugnação. Nada obstante, acrescenta as seguintes alegações: 1. Os julgadores valeramse de sofismas e simples afirmações tecidas por contadores para acompanhar a autoridade fiscal. Suas afirmações foram desprovidas de quaisquer recursos técnicos e/ou justificativas que lhes dêem sustento. 2. Quanto à questão prejudicial da recomposição da base imponível, resta pacificado pela jurisprudência do CARF que a decadência diz respeito apenas àquelas hipóteses em que poderá acarretar a exigência de tributo. 3. Quanto à questão prejudicial da postergação do pagamento, a não aceitação desse argumento pelas autoridades julgadoras configura ofensa ao princípio da verdade material. Haveria que se ter determinado à autoridade autuante que demonstrasse os efeitos da postergação do pagamento ou anulasse o lançamento. Tivessem agido assim, teriam verificado que as despesas de depreciação, consideradas indevidas no exercício correspondente, foram (ou serão) adicionadas ao longo do tempo (até 2015). Nesse sentido, reproduz o demonstrativo das exclusões a título de depreciação acelerada incentivada efetuadas nos anoscalendário de 2008 a 2010, com as respectivas reversões adicionadas a partir de 2009 até 2015, inicialmente juntado no anexo II da impugnação (fls. 908). Alega, também, que não procede a negativa das autoridades julgadoras, justificada pela ausência de prova, porque as referidas exclusões constam das DIPJ entregues com a impugnação. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. Caso assim não se entenda, solicita a apreciação das questões prejudiciais. Da diligência: Em 24/09/2014, a extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 1102000.280, reconhecendo o caráter prejudicial da questão levantada sobre a eventual postergação do pagamento, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, em consonância com os dispositivos do Parecer Normativo Cosit nº 2/96, apurasse se houve e em que medida se deu a efetiva postergação dos tributos lançados. Como resultado do procedimento de diligência instaurado na unidade de origem, a mesma autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração elaborou o Relatório Fiscal de Diligência (fls. 1346 a 1358) no qual, resumidamente, tece as seguintes considerações: a) Os ajustes efetuados de forma extracontábil, a título de depreciação acelerada, utilizando percentuais de exclusão dos custos de formação das lavouras de canade açúcar nos valores de 45,12%, 50,00% e 100,00%, respectivamente, em 2008, 2009 e 2010, foram feitos sem critérios técnicos que amparassem tais índices, uma vez que a empresa sempre entendeu que poderia efetuar, a cada ano, a depreciação acelerada incentivada de até 100,00% (integral) com amparo no artigo 314 do RIR/99. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.420 8 b) Embora a fiscalização não tenha obtido um esclarecimento quanto aos índices utilizados pela empresa, este fato não se reveste de importância porque a recomposição das bases de cálculos anuais (glosas das exclusões e, por coerência, desconsideração das adições de suas reversões) foi baseada na circunstancia de não haver previsão legal para a utilização do benefício da depreciação acelerada da lavoura canavieira. c) Anexa aos autos o resultado da consulta ao extrato da empresa, retirado de suas DCTF, no qual constam todos os valores de IRPJ e CSLL declarados no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2013. Fica evidenciado que foram apurados/declarados apenas os seguintes valores (estimativas mensais): Mês / Ano IRPJ (R$) CSLL (R$) Janeiro / 2010 672.561,04 357.340,05 Outubro / 2011 435.850,77 363.193,66 Novembro / 2011 662.331,23 337.174,65 Dezembro / 2011 2.048.562,67 687.389,56 d) Não há que se falar em postergação porque não houve pagamento/declaração dos vultosos débitos apurados pela fiscalização nos anoscalendário de competência posteriores. Relativamente aos recolhimentos de janeiro de 2010, houve o aproveitamento de ofício desses valores na apuração dos tributos devidos naquele ano calendário. e) Em 2011, segundo a DIPJ apresentada antes de iniciado o procedimento de fiscalização, a empresa continuava a excluir a depreciação acelerada incentivada. Quanto ao ano de 2012, ao final do procedimento fiscal, em 09/05/2013, não havia informações sobre a respectiva DIPJ, posto que ainda não havia sido encerrado seu prazo de entrega. Assim, com as informações/elementos que a fiscalização detinha à época da ação fiscal, estava clara a manutenção daqueles ajustes indevidos. Se a empresa fosse ou pudesse ser fiscalizada em períodos posteriores, certamente, haveria que se apurar mais IRPJ e CSLL a pagar pelos mesmos motivos que levaram à autuação em 2008, 2009 e 2010. Não havia recolhimentos, nos anos fiscalizados ou posteriores, compatíveis com os débitos lançados. Portanto, a fiscalização não vislumbrou, nem poderia vislumbrar, tal postergação, porque ela simplesmente não havia ocorrido nem veio a ocorrer posteriormente. f) Com a diligência, foi possível conhecer as retificações das DIPJ e LALUR efetuadas pela empresa em momentos posteriores ao encerramento da fiscalização. O que se depreende é que houve reduções tanto das exclusões quanto das reversões (adições), mas mantevese a diferença entre elas, de forma que não fosse apurado aumento do IRPJ e CSLL a recolher. Portanto, não há que se falar em postergação de pagamento, seja com os ajustes efetuados no decorrer da fiscalização, seja nos ajustes efetuados após encerrado o procedimento fiscal. g) Em relação a 2011, ao efetuar a exclusão da depreciação acelerada incentivada em montantes superiores à reversão dos valores excluídos nos anos anteriores, a empresa continuou reduzindo substancialmente o valor do IRPJ e CSLL devidos, não tendo ocorrido, de modo algum, postergação de pagamento. h) Em relação a 2012, foi possível constatar que houve reversão da depreciação acelerada incentivada promovida no anocalendário de 2011. Mas, não houve reversão de qualquer valor relativo aos valores excluídos nos anos de 2008, 2009 e 2010. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.421 9 Intimada a se manifestar sobre o relatório da diligência, a recorrente alegou que: (i) a autoridade diligenciante fundamentou seu entendimento de que não houve postergação de pagamento em simples lançamentos extracontábeis; (ii) os argumentos da diligência violam o princípio da verdade material; (iii) a autoridade deveria ter procedido ao cálculo dos efeitos da postergação do pagamento até o ano do lançamento ao invés de novamente discorrer acerca da suposta impossibilidade de a empresa se valer do benefício da depreciação acelerada; e (iv) conforme demonstrado na impugnação, o valor da exclusão glosada é exatamente o montante já (e que será) adicionado ao longo do tempo até o ano base de 2015. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente traz à baila duas questões que entende serem prejudiciais ao mérito da questão principal a ser julgada, qual seja, a possibilidade de a cultura canavieira ser beneficiada pelo regime da depreciação acelerada incentivada. Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, em sua obra de referência sobre o tema do processo administrativo fiscal (Processo Administrativo Fiscal Comentado, 3ª ed., São Paulo: Dialética, 2010, p. 423), classificam as questões preliminares (em sentido amplo), também denominadas prévias, em preliminares (em sentido estrito) e prejudiciais. As primeiras, de direito processual, dizem respeito aos pressupostos processuais ou às condições da ação. As segundas, de direito material, interferem no mérito da questão principal. Distinguemse pelo fato de que as questões preliminares (em sentido estrito) impedem o julgamento do mérito, enquanto que as questões prejudiciais tornam despicienda a apreciação do mérito. Ambas, portanto, devem ser conhecidas e decididas previamente, pois que, uma vez resolvidas em favor de quem alega, dispensam o exame da(s) questão(ões) de mérito. Foi com essa perspectiva que, na sessão realizada em 24/09/2014, a extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 1102 000.280, resolveu converter o julgamento em diligência. No caso, se constatada a postergação de pagamento alegada pela recorrente, a análise da questão principal poderia ser dispensada ou, pelo menos, atenuados seus efeitos se a fiscalização conseguisse identificar em que medida Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.422 10 houve a postergação a fim de se quantificar o montante de tributos que deveria ser excluído da autuação. Nada obstante, a diligência apurou que as reversões das exclusões efetuadas nos períodos posteriores foram absorvidas por novas exclusões (sempre motivadas pela mesma interpretação, qual seja, a depreciação acelerada incentivada). Em outras palavras, a manutenção do comportamento (supostamente infracional) da empresa era tal que, nos períodos seguintes, as reversões correspondentes às exclusões dos períodos anteriores não chegava a proporcionar tributos devidos porque novas exclusões eram desencadeadas. Destarte, os poucos pagamentos efetuados referentes aos anoscalendário posteriores aos lançados, tão somente a título de estimativas (cf. fls. 1357 e 1358), no intervalo que antecedeu ao início do procedimento fiscal, não podem ser considerados como aptos para ensejar a postergação alegada. Isso porque se referem à satisfação dos montantes apurados nos respectivos períodos de apuração, os quais, pelas razões expostas, não são resultantes de uma reversão do suposto comportamento infracional. Não se pode perder de vista que o procedimento fiscal teve como foco os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Iniciouse em 23/02/2012 e foi concluído, com o lançamento, em 09/05/2013. Tudo que a autoridade fiscal podia considerar, em termos de postergação de pagamento, eram os tributos pagos "espontaneamente" até o início da fiscalização. Nesse sentido, é preciso o comando do item 6.1 do Parecer Normativo Cosit nº 2/96, que trata da postergação de pagamento em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesa, verbis: 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. Confirase entendimento semelhante proferido no seguinte julgado: DEPRECIAÇÃO ACELERADA. EXCLUSÃO INDEVIDA. TRATAMENTO DE POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A redução do lucro real de um períodobase, pela exclusão indevida da despesa de depreciação acelerada, sem que haja a efetiva demonstração do pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, não é considerada postergação de pagamento, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes com os devidos encargos legais. (Acórdão 120200.390) Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.423 11 Ademais, eventuais pagamentos efetuados em momentos posteriores, mesmo em situações nas quais as reversões perpetradas se refiram aos anos fiscalizados e não tenham sido absorvidas por novas exclusões, não possuem o condão de caracterizar postergação dos tributos lançados. Nessa mesma seara do foco nos anoscalendário fiscalizados, não se pode também acolher a outra alegação prejudicial, a saber, a necessidade de recomposição das bases imponíveis para retirar as reversões das exclusões atinentes a períodos anteriores aos lançados. Como já ressaltado pela instância a quo, essas reversões revelam que a empresa havia se beneficiado do regime das depreciações aceleradas incentivadas em anoscalendário não alcançados pela fiscalização. Assim, independentemente da possibilidade de utilização desse benefício, o fato é que a empresa efetivamente antecipou as despesas que foram posteriormente revertidas. Diante da impossibilidade de a fiscalização retroagir aos períodos fulminados pela decadência, proceder como pretende a recorrente significaria permitir uma segunda dedução das despesas antecipadas. Para confirmar esse raciocínio, é só constatar que a fiscalização, relativamente às despesas antecipadas glosadas, subtraiu as correspondentes reversões das bases imponíveis em períodos subsequentes que também foram alcançados pelo lançamento. Nem se pode invocar que se está a atribuir dois pesos e duas medidas. As razões para a atribuição de tratamentos distintos (um excludente e outro includente) às reversões nas duas questões prejudiciais estão bem claras. Quando se refuta as reversões como fundamento para a existência de postergação de pagamento nos períodos futuros, isso se faz porque se constatou que a manutenção da conduta supostamente infracional (consubstanciada pelas novas exclusões) impede que os pagamentos verificados possam ser justificados por aquelas reversões. Por outro lado, quando se refuta a retirada das reversões das bases imponíveis, isso se faz porque a empresa já havia antecipado as correspondentes despesas. Passemos, então, às questões de mérito. Quanto à possibilidade de a cultura canavieira ser beneficiada pelo regime da depreciação acelerada incentivada, a recorrente empreende um grande esforço argumentativo para enquadrar a situação fática nos contornos do benefício fiscal inserido no artigo 314 do RIR/99. Confirase, assim, o conteúdo desse dispositivo: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Nesse sentido, a recorrente considera que a lavoura canavieira faria parte dos "bens do ativo permanente imobilizado", "adquiridos" por pessoa jurídica que explore atividade rural, "para uso nessa atividade". Traz à colação diversas opiniões e pronunciamentos que, de alguma forma, rechaçam a inclusão da cultura da canadeaçúcar no conceito de floresta e propugnam por sua classificação contábil como bens do ativo permanente sujeitos à depreciação. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.424 12 A fiscalização, por sua vez, entende que a cultura canavieira deve ser tratada, na conformidade do item 5 do Parecer Normativo CST nº 18/79, como as florestas ou plantações de certas espécies vegetais que não se extinguem no primeiro corte, voltando, depois deste, a produzir novos troncos ou ramos, permitindo até um segundo, ou até um terceiro corte. Ou seja, seus custos de formação devem ser objeto de quotas de exaustão e não podem ser alcançados pelo benefício previsto no artigo 314 acima transcrito, o qual se circunscreve à hipótese da depreciação. A DRJ, mesmo depois de analisar as razões da impugnação, manteve o entendimento da fiscalização. Acrescentou que a visão da Receita Federal sobre o tema está corporificada na resposta à pergunta 019 do Capítulo XII (Atividade Rural) da publicação “DIPJ 2013 Perguntas e Respostas”, disponível na página da internet da RFB. A meu ver, o que importa é notar que o benefício fiscal veiculado no artigo 314 do RIR/99 não alcança essa situação mesmo que aquela cultura possa ser contabilmente classificada como bem do ativo permanente sujeito à depreciação. Explico. A possibilidade de depreciar um bem do ativo permanente integralmente no próprio ano de aquisição não é uma circunstância normal das regras de apuração do lucro de uma empresa. Por isso, dizse que ela configura um verdadeiro benefício fiscal. Diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial (segundo o modelo desenvolvido pelos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons modelo SHS) definido numa amplitude global1. Isso significa que considerase renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Tratandose de benefício fiscal, diria que sua natureza é de uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regra matriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios2. Nessa trilha, quando a lei permite a depreciação acelerada de um bem do ativo permanente, nada mais faz do que mutilar, parcialmente, o critério da base de cálculo da regramatriz de incidência. Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: 1 Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law. New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23. 2 Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.425 13 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; A regramatriz de incidência é o resultado do trabalho interpretativo de um conjunto de enunciados veiculados nos textos legais. Há diversas técnicas legislativas para conformar o campo de incidência. A isenção nada mais é do que uma dessas técnicas, por meio da qual, algum aspecto de uma predefinição genérica daquele campo é mutilado. Entretanto, se o legislador opta por essa técnica, o CTN exige uma interpretação literal dos seus enunciados para a produção da regramatriz. E não é de se estranhar que seja assim. Afinal, a regra geral é a incidência sobre a renda global. A mutilação é uma exceção. Por isso, não se pode dar uma amplitude extensiva à regra de isenção. Nesse contexto, há que se indagar se a lavoura canavieira poderia realmente se enquadrar como um bem "adquirido para uso na atividade rural". Não no meu entendimento. Está muito claro que o legislador pretendeu conferir o benefício aos bens "adquiridos" e que servem "para uso na atividade rural". Essa conjugação de termos não permite inferir que o benefício se estende a toda uma plantação de canadeaçúcar, de onde se extraem os próprios insumos da atividade rural, mas, sim, aos bens utilizados como apoio ("para uso") dessa atividade. A título de exemplo, podese citar os veículos, ferramentas e máquinas comumente utilizados na agricultura. Demais disso, prefiro a orientação seguida por boa parte da jurisprudência dessa Casa que não concorda com a classificação contábil da cultura canavieira como bem do ativo permanente sujeito à depreciação, preferindo submetêla ao regime da exaustão (para não falar da amortização, já que, afinal, as despesas para a formação da cultura canavieira parecem possuir certa semelhança com a ideia de despesas préoperacionais que, pelos critérios contábeis vigentes antes da convergência às normas internacionais, deveriam ser apropriadas no ativo diferido). Nesse sentido, vejase os seguintes julgados: EXAUSTÃO DE RECURSOS FLORESTAIS. DEDUÇÃO DOS DISPÊNDIOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. O benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado no próprio ano de aquisição não inclui a amortização nem a exaustão de recursos florestais. (Acórdãos 1301000.556 e 130100.647) RECURSOS FLORESTAIS Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.426 14 Os valores registrados como ativo pela formação de florestas podem ser baixados como despesa na medida da exploração destes recursos; fato legalmente qualificado como exaustão. Tais inversões financeiras não formam ativos passíveis de sofrer depreciação e, por conseguinte, não compõem a base para determinação de incentivos fiscais promovidos por meio de depreciação acelerada incentivada. (Acórdão 120100.420) Portanto, mantenho as glosas referentes aos custos de formação de lavoura de canadeaçúcar e, nesta conformidade, a infração reflexa referente às compensações indevidas de prejuízos e bases de negativas da CSLL. Quanto à imposição de multas isoladas sobre estimativas, sigo o entendimento majoritário da Câmara Superior de Recursos Fiscais que rejeita a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Nesse sentido, pela clareza da argumentação empreendida, peço vênia para reproduzir trecho, conquanto extenso, do voto proferido pela ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias no julgamento realizado em 15/08/2012 (Acórdão nº 910101.455): A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis3: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) 3 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.427 15 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.428 16 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004. Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.429 17 obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.430 18 Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº 105139.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.431 19 De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In:“Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.432 20 paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do ano calendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. A impossibilidade de lançamento da multa isolada concomitantemente com a multa proporcional é explicada na sequência do voto: CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.433 21 mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794– Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.434 22 porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. Observese que esse entendimento foi confirmado pela Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Mesmo que se defenda que esta súmula não se aplica aos fatos geradores posteriores à edição da Medida Provisória nº 351/07, a qual foi convertida na Lei nº 11.488/07, como já ressaltado, o entendimento aqui firmado permanece inabalado com as alterações promovidas pelos referidos estatutos legais. No caso em apreço, a fiscalização lançou as multas isoladas pelo não pagamento das estimativas recalculadas como decorrência das infrações autuadas. Essas mesmas infrações impactaram a apuração feita pela fiscalização dos tributos devidos no final do anocalendário. Tratase, portanto, de concomitância. Por isso, afasto a aplicação das multas isoladas sobre estimativas. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.435 23 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado apenas para afastar as multas isoladas sobre estimativas. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, divirjo em relação ao não reconhecimento do incentivo da depreciação incentivada em relação à cultura da canade açucar. De fato, há decisão do CARF desfavorável à pretensão da defesa. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA FORMAÇÃO DE LAVOURA CANAVIEIRA A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202000.795, de 12/06/2012: ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10120.723532/201339 Acórdão n.º 1401001.522 S1C4T1 Fl. 1.436 24 próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Tenho para mim que a posição adotada é a correta. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como aa árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canadeaçúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 15540.720009/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. SANEAMENTO.
Ao se constatar que o acórdão embargado pode ter incorrido em obscuridade em seus fundamentos, os embargos declaratórios constituem o recurso processual adequado para que tal obscuridade seja sanada.
Numero da decisão: 1301-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos para esclarecer a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos para esclarecer a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 301 1 300 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720009/201161 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de julho de 2016 Matéria IRPJ Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado AGRO PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. SANEAMENTO. Ao se constatar que o acórdão embargado pode ter incorrido em obscuridade em seus fundamentos, os embargos declaratórios constituem o recurso processual adequado para que tal obscuridade seja sanada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos para esclarecer a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, José Roberto Adelino da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua Procuradora, opôs embargos de declaração (fl. 292/295) em face do Acórdão nº 1301001.929, de 01 de março de 2016, às fls. 278/290 deste processo, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 09 /2 01 1- 61 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301002.086 S1C3T1 Fl. 302 2 CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. A alegação é de que o julgado padeceria de obscuridade. Nas palavras da embargante: [...], o colegiado afastou a exigência fiscal, sob o entendimento de que mesmo se considerada a quitação da dívida junto ao banco Citibank sem a subrogação nos direitos de credor, e por via de consequência, a inexistência dessa obrigação no passivo do contribuinte, isto não conduziria à conclusão no sentido de emprego de recursos da fiscalizada na quitação do empréstimo. Contudo, a autuação decorre justamente pela manutenção de obrigação já liquidada no passivo da empresa, conforme se infere do seguinte trecho do termo de verificação fiscal: [...] Ao afastar a exigência sob o argumento de que não haveria prova do emprego de recursos da fiscalizada na quitação da dívida mantida em seu passivo, o acórdão incorre em obscuridade, porquanto o lançamento se fundamenta justamente na manutenção de obrigação já paga no passivo. Logo, no contexto jurídico delineado pelo voto condutor, a autuação deveria ser mantida tendo em vista a conclusão pela liquidação da obrigação mantida no passivo da empresa. Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos, a fim de que seja sanado o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Compulsando os autos, constato que o processo, com o acórdão embargado, foi encaminhado à PGFN em 10/03/2016, quintafeira (despacho de encaminhamento à fl. 291). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 09/04/2016 (sábado), deslocandose para o próximo dia útil seguinte, 11/04/2016, segundafeira. Em 07/04/2016 foram apresentados os embargos declaratórios (despacho de encaminhamento à fl. 296). Os embargos são, pois, tempestivos, à luz do prazo de 5 dias estabelecido pelo art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Ademais, a embargante apontou objetivamente a obscuridade que pretende ver sanada, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos. A embargante alega obscuridade no acórdão embargado. Sustenta que, desde que a autuação se baseia na presunção de omissão de receita por manutenção, no passivo, de obrigação já paga, a conclusão do Colegiado deveria ter sido no sentido de manter o lançamento. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301002.086 S1C3T1 Fl. 303 3 Ocorre que a Turma considerou que a presunção legal, no caso concreto, foi empregada fora do contexto em que concebida. A operação que, originalmente, causou dúvidas ao Fisco ocorreu em 2002. Tratase do pagamento, feito pela Partners, de um contrato de financiamento entre a MPE e o Citibank. Por conta desse pagamento, a Partners terseia subrrogado nos direitos de credor em face da MPE. A discussão girou em torno de dois pontos principais, a saber: (i) a possibilidade legal dessa subrrogação; e (ii) a comprovação da quitação (integral ou parcial) pela Partners do citado contrato. Eis como a Turma avaliou a situação e os reflexos para a autuação aqui discutida (grifos não constam do original): No caso concreto, a acusação de passivo fictício se baseia no fato de que, no entender da fiscalização, a obrigação no valor de R$ 6.503.726,97, mantida no passivo da então fiscalizada em 31/12/2006, já teria sido anteriormente paga. Em 2002, muito antes mesmo da existência no mundo jurídico da interessada no presente processo, a Partners teria liquidado um contrato de financiamento entre a MPE Montagens e Projetos Especiais S/A e o Citibank. Não sendo a Partners parte do contrato, nem mesmo como avalista ou fiador, o Fisco questiona a subrogação da dívida. É questionada, até mesmo, a própria liquidação do débito, se integral ou parcial, visto que o documento do Citibank não o especifica. No entender do Fisco, se a Partners não se subrogou nos direitos de credor em face da MPE, então a MPE não era devedora da Partners, não existiria qualquer dívida a ser assumida pela então fiscalizada Agro, em contrapartida ao recebimento das ações da Sohagro. O passivo da fiscalizada, obrigação em face da Partners, seria então inexistente. Nas discussões travadas até o momento, muita importância se deu à questão da subrogação da dívida, se seria a subrogação legal, nos termos do art. 346 do Código Civil Brasileiro/2002, ou, por outro lado, se seria a subrogação convencional, prevista no art. 347 do mesmo diploma legal. Sustenta o Fisco que não poderia ter ocorrido a subrogação legal, por ausência dos pressupostos para tanto. Por outro lado, a interessada afirma que se tratou, na hipótese, de subrogação convencional, apesar de não apresentar um instrumento legal, datado da época dos fatos, no qual os direitos fossem expressamente transferidos do credor (no caso, o Citibank) para o terceiro que efetuou o pagamento (no caso, a Partners). No meu entender, tal discussão perde relevância, diante do fato de que, ainda que se possa concluir pela inexistência da dívida entre Partners e MPE, não vejo como se possa entender que o desembolso para satisfazer o Citibank, em 2002, teria sido feito pela fiscalizada Agro, que nem mesmo existia à época. Diante disso, o contexto para a aplicação da presunção de passivo fictício se mostra inadequado. O máximo a que se poderia chegar, em tese, seria à afirmação de que a Agro teria recebido da MPE as ações da Sohagro graciosamente, sem qualquer contrapartida, já que o passivo assumido seria inexistente (ou já teria sido quitado pela Partners em 2002). Mas em lugar algum dos autos encontro qualquer afirmação, muito menos prova, de que teria havido um desembolso por parte da Agro, à margem da escrituração, como pagamento das ações recebidas, e que, como conseqüência lógica, toda a operação de assunção de dívida seria simulada. Acrescento, ainda, que não existe nos autos qualquer afirmação ou prova de que a Partners e a MPE tivessem algum vínculo, seja de controle societário, seja de dirigentes em comum, de tal forma que se pudesse pensar em uma operação orquestrada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301002.086 S1C3T1 Fl. 304 4 Por qualquer vertente que se analise a situação, o resultado é o mesmo. Se assumirmos que a obrigação da MPE junto ao Citibank foi quitada pela Partners em 2002, mas que esta (por qualquer motivo) não se subrogou nos direitos de credor, a obrigação contabilizada no passivo da Agro em 2006 se revela inexistente, mas isso não autoriza o entendimento de que os recursos empregados para a quitação da obrigação junto ao Citibank (em 2002) se originaram da Agro, nem que a quitação das ações da Sohagro (em 2006) tenha sido feita em numerário proveniente de receitas omitidas, e não mediante a assunção de dívida. Por outro lado, se for considerado que o documento de quitação da obrigação da MPE junto ao Citibank é insuficiente para comprovar que o pagamento foi feito (integralmente) pela Partners, esta não poderia se subrogar (integralmente) nos direitos de credor em face da MPE, e as conclusões anteriores se repetem. Nessa linha de raciocínio, concluo que a presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício não se aplica à situação sob exame. Não se trata de negar validade à presunção legal, importante instrumento que o legislador põe à disposição do Fisco para coibir a sonegação, mas de aplicála corretamente, dentro do contexto em que concebida. Observese: a presunção legal é de que o passivo inexistente serviria para mascarar, para não deixar aparecer um pagamento que, de fato, teria sido feito com recursos do caixa. No caso, a operação de assunção de dívida, nos moldes em que foi feita, não se presta a esse papel. Isso porque, ainda que inexistente a dívida (caracterizando o passivo inexistente), sua inexistência se deveria a algum vício na operação de quitação junto ao Citibank e subrrogação da dívida entre Partners e MPE, ocorrida em 2002, muito antes da existência da interessada. Em 2006, momento em que a Agro entrou no negócio, adquirindo da MPE as ações da Sohagro e, como contrapartida, assumindo a dívida que aquela empresa (MPE) mantinha com a Partners, não se pode afirmar que algum hipotético vício anterior presente naquela dívida pudesse macular a operação de aquisição das ações. Notese, ainda, que quem questiona o passivo é o Fisco, e não a MPE nem a Partners. Para aquelas empresas, segundo consta dos autos, a dívida era boa e válida, sendo certo que a primeira se considerou desonerada da obrigação que tinha com a segunda, e a segunda passou a se considerar, agora, credora da Agro. Ademais, conforme visto, inexiste nos autos “qualquer afirmação ou prova de que a Partners e a MPE tivessem algum vínculo, seja de controle societário, seja de dirigentes em comum, de tal forma que se pudesse pensar em uma operação orquestrada”. O último parágrafo acima transcrito bem resume o entendimento do Colegiado: a aplicação da presunção legal fora do contexto em que concebida não pode conduzir à exigência tributária. Com essas considerações, tenho por esclarecida a alegada obscuridade. Em conclusão, voto por conhecer dos presentes embargos e, no mérito, dar lhes provimento para esclarecer a obscuridade, sem efeitos infringentes, ratificando integralmente o Acórdão nº 1301001.929, de 01 de março de 2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 15540.720009/201161 Acórdão n.º 1301002.086 S1C3T1 Fl. 305 5 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10909.003516/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO INSANÁVEL. INOCORRÊNCIA. A APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA AINDA QUE EM PATAMAR INCORRETO PODE SER SANADA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO INSANÁVEL, POIS O CRÉDITO PODE SER RETIFICADO. A MULTA DE MORA A INCIDIR DEVE SER AQUELA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA, POIS PERÍCIA É PROVA DIRIGIDA AO JULGADOR E CABE A ESSE DECIDIR PELA SUA NECESSIDADE, PODENDO REJEITÁ-LA. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. POSSIBILIDADE, ESCRITA FISCAL QUE DESRESPEITA OS PRINCÍPIOS DA OPORTUNIDADE E COMPETÊNCIA E AS NORMAS EMANADAS DO CFC. CONTABILIZAÇÃO COM DIVERSAS FALHAS EM SUA FORMALIZAÇÃO. A ANÁLISE DA PROVA É LIVRE AO JULGADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE VALORES A SEREM APROVEITADOS, UMA VEZ QUE FALTA LIGAÇÃO ENTRE ESSES E A OBRA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE CÁLCULO NO ARO, UMA VEZ QUE TODAS AS NOTAS FORAM APROVEITADAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA RUBRICA FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. EXCLUSÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para aplicar a multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, limitada pela multa instituída pelo artigo 35-A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009; além de excluir do lançamento a contribuição previdenciária em razão da alimentação in natura. Vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, em relação ao recálculo da multa de mora.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente EMPRESA CONSTRUTORA SULINA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO INSANÁVEL. INOCORRÊNCIA. A APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA AINDA QUE EM PATAMAR INCORRETO PODE SER SANADA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO INSANÁVEL, POIS O CRÉDITO PODE SER RETIFICADO. A MULTA DE MORA A INCIDIR DEVE SER AQUELA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL. INOCORRÊNCIA, POIS PERÍCIA É PROVA DIRIGIDA AO JULGADOR E CABE A ESSE DECIDIR PELA SUA NECESSIDADE, PODENDO REJEITÁLA. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. POSSIBILIDADE, ESCRITA FISCAL QUE DESRESPEITA OS PRINCÍPIOS DA OPORTUNIDADE E COMPETÊNCIA E AS NORMAS EMANADAS DO CFC. CONTABILIZAÇÃO COM DIVERSAS FALHAS EM SUA FORMALIZAÇÃO. A ANÁLISE DA PROVA É LIVRE AO JULGADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE VALORES A SEREM APROVEITADOS, UMA VEZ QUE FALTA LIGAÇÃO ENTRE ESSES E A OBRA. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE CÁLCULO NO ARO, UMA VEZ QUE TODAS AS NOTAS FORAM APROVEITADAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA RUBRICA FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA. EXCLUSÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para aplicar a multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, limitada pela multa instituída pelo artigo 35A, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009; além de excluir do lançamento a contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 35 16 /2 00 9- 82 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 515 2 previdenciária em razão da alimentação in natura. Vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, em relação ao recálculo da multa de mora. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 516 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.207.7323, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da utilização de mão de obra para a realização de empreendimento de construção civil – segurados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 22 a 28, com período de apuração de 01/2006 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 19 e 20. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 25/08/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 36 a 66, recebida, em 23/09/2009, conforme carimbo de recepção, de fls. 64, estando acompanhada dos documentos, de fls. 67 a 432. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 433. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0726.357 5ª, Turma DRJ/FNS, em 20/10/2011, fls. 438 a 464. A impugnação foi considerada procedente em parte, tendo sido o valor da contribuição reduzido, Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 435 a 437. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/11/2011, conforme AR, de fls. 466. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 467 a 500, recebida, em 19/12/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 501 a 511. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que o auto de infração é nulo, pois foi aplicada multa moratória em patamar superior ao legal, o que implica em vício insanável, ante a impossibilidade de correção da multa de ofício aplicada à maior, devendo ser declarada a nulidade do lançamento; · que a decisão de primeiro grau é nula, na medida que indeferiu o pedido de perícia, o que implica em cerceamento de defesa, sendo lícito a parte requerer provas, impondose, assim, o reconhecimento da nulidade da decisão, devendo ser deferida a prova solicitada; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 517 4 Mérito. · que não há razão para a desconsideração da contabilidade da impugnante, pois as pequenas irregularidades de escrituração verificadas, não alteram a situação da contribuição previdenciária e nem o resultado da empresa, sendo essa tributada pelo lucro presumido, cita precedente do TRF4; · que apesar de o julgador de primeiro grau reconhecer a redução da área de 9.385,56 m² para 9.236,10 m² esse realizou o cálculo de forma errônea, pois considerou a área de redução em 50% como sendo 4.059,38, enquanto o correto é 4.358,27 m², o que implica em significativa diferença, impondose a anulação ou a reforma do cálculo; · que mão de obra de terceirizados não foram consideradas, bem como mão de obra de GFIP 150, em especial da Instaladora Avas Ltda no valor de R$ 33.237,08, devendo o ARO ser reformulado ou anulado; · que com apoio na jurisprudência do STJ a recorrente reitera que não incide contribuição previdenciária sobre alimentação in natura, independentemente, de inscrição no PAT, devendo esses valores serem excluído do AI; · que com o reconhecimento da redução da área de cálculo pelo julgador a quo a redução do valor lançado deveria ter sido no importe de R$ 9.349,56, mas o julgador só reduziu a contribuição em R$ 632, 29, pois não considerou na mão de obra o valor de 24.235,63 de concreto e argamassa, estando tanto o cálculo do agente lançador quanto o do julgador incorreto, cabendo a revisão desses; · Dos pedidos e requerimentos: a) processar o recurso interposto, com efeito suspensivo; b) declarar de ofício a nulidade por vício insanável na aplicação da multa de mora; c) reconhecer o cerceamento de defesa; d) em preliminar: declarar a decadência das contribuições previdenciárias, nos termos da SV nº 08/2008 do STF; e) em preliminar: declarar nulo o auto de infração ante os vícios apontados, bem como pela desconsideração da escrita contábil, pois os fatos apontados pelo fisco não justificam tal atitude; f) considerar a escrita contábil regular; g) determinar diligência pra revisão do cálculo do ARO; h) determinar a realização de perícia técnica na escrita contábil, conforme pedido; i) anular ou modificar o AI. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 512. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 512. Consta, as fls. 513, a juntada por anexação desses autos ao processo 10909.003518/200971. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 518 5 Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 12/03/2015, Lote 01. É o Relatório. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 519 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminares. A aplicação de multa moratória supostamente a maior não implica em vício insanável e muito menos leva a declaração de nulidade do auto de infração, pois seu valor pode ser corrigido, caso e se necessário. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está só foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 25/08/2009, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 02/2005 a 07/2009, Discriminativo Sintético por Estabelecimento DSE, de fls. 09 e10, de forma intermitente. Desta forma, para o período de 02/2005 a 07/2006, Discriminativo Sintético por Estabelecimento DSE, CNPJ 76.062.652/000112 de fls. 09 e 10, bem como para a competência 07/2009, devido ao lançamento do ARO emitido, em 22/07/2009, fls. 85 a 90, CEI 40.590.01445/75, as competências referemse a período de 07/2004 a 06/2007, assim nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 520 7 O indeferimento da perícia contábil solicitada pelo contribuinte por parte da autoridade julgadora de primeiro grau, não opera em cerceamento de defesa e muito menos em nulidade da decisão, pois está dentro do âmbito decisório daquela autoridade o indeferimento de qualquer medida que repute desnecessária ou protelatória, haja vista que aplicase a sua decisão o livre convencimento motivado. EMEN: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IPTU E TAXA DE COLETA DE LIXO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535. INEXISTÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL. COMPROVAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. VALIDADE DA CDA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283 DO STF. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE DA PERÍCIA. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA E CELERIDADE PROCESSUAIS. 1. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 2. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional de cinco anos para o Fisco cobrar judicialmente o crédito tributário. 4. Assim, contase da data da entrega do documento de formalização do crédito tributário pelo próprio contribuinte (DCTF, GIA, etc) o prazo quinquenal para o Fisco acionálo judicialmente, nos casos do tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não houve o pagamento antecipado (inexistindo valor a ser homologado, portanto), nem quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl no AgRg no REsp 859597/PE, Primeira Turma, publicado no DJ de 01.02.2007; REsp 567737/SP, Segunda Turma, publicado no DJ de 04.12.2006; REsp 851410/RS, Segunda Turma, publicado no DJ de 28.09.2006; e REsp 500191/SP, desta relatoria, Primeira Turma, publicado no DJ de 23.06.2003). 5. Por outro turno, nos casos em que o Fisco constitui o crédito tributário, mediante lançamento, inexistindo quaisquer causas de suspensão da exigibilidade ou de interrupção da prescrição, o prazo prescricional contase da data em que o contribuinte for regularmente notificado do lançamento tributário (artigos 145 e 174, ambos do CTN). 6. In casu, acórdão recorrido assentou que a exigibilidade dos créditos tributários se deram de 1994 a 1997. A citação do contribuinte somente ocorreu em 27.4.1999 (fl.. 84 v. do apenso), concluindo pela ocorrência da prescrição somente do exercício Fl. 520DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 521 8 de 1994. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático probatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local analisou a questão sub examine – validade da notificação à luz do contexto fático probatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: “11. (...) o lançamento é válido, porque o contribuinte foi notificado a respeito do crédito tributário, mediante o envio dos carnês para pagamento. 12. Além disso, o Município efetuou a notificação para pagamento dos valores de IPTU, mediante várias convocações por meio de publicações em jornal de grande circulação, conforme se contata dos autos (fls. 107110) 17. (...) Nestas condições, não há que se falar em ausência de notificação, no caso, para justificar a extinção da execução fiscal para pagamento do IPTU dos exercícios financeiros de 1994 a 1997;" (fls. 335/336) 9. Precedentes: (REsp 952.156–MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJ 22.05.2009; REsp 1.052.216RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJ 21.05.2009; AgRg no Ag 646.954/SP, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, DJ 15/10/2007; AgRg no REsp 547737/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 19/12/2003). 10. A ausência de impugnação específica de um dos fundamentos nodais do acórdão recorrido enseja o não conhecimento do recurso especial, incidindo o enunciado da Súmula 283 do STF (É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles) (precedentes: REsp 495.434 CE, Sexta Turma, DJ de 13 de dezembro de 2004; AgRg no AG 512084 MG, Quarta Turma, DJ de 08 de novembro de 2004; AgRg no AG 356794 MG, Segunda Turma, DJ de 18 de outubro de 2004). 11. In casu, as razões recursais revelam a ausência de impugnação da questão relativa à inovação, em sede de apelação, quanto ao pedido da nulidade da CDA. 12. O artigo 330, do Codex Processual, que trata do julgamento antecipado da lide, dispõe que o juiz conhecerá diretamente do pedido, proferindo sentença, quando a questão de mérito for unicamente de direito, ou, sendo de direito e de fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência (inciso I). 13. Deveras, é cediço nesta Corte que inocorre cerceamento de defesa quando desnecessária a produção da prova pretendida (REsp 226064/CE, Rel. Ministro Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, julgado em 24.06.2003, DJ 29.09.2003 ). 14. Ademais, o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse de seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar diligências que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. 15. Desta sorte, revelase escorreito o fundamento da decisão que dispensou a produção de prova pericial na hipótese dos autos. 16. Agravo regimental desprovido. AGRESP Fl. 521DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 522 9 200801363560 AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1068697. LUIZ FUX. STJ. PRIMEIRA TURMA. DJE DATA:11/06/2010. (destaquei). Assim sendo, com esses esclarecimentos rejeitos as preliminares, salvo quanto a aplicação da multa de mora do artigo 35 na redação da Lei 8.212/91 anterior a alteração introduzida pela MP 449/2009, observandose a limitação em 75%, como explicitado. Mérito. O fisco considerou as irregularidades na escrituração contábil da empresa recorrente relevantes, pois segundo diz o agente lançador essa escrita não respeita as formalidades intrínsecas da escrituração, bem como aos princípios da oportunidade e competência, além de terem sido identificados diversos lançamentos contábeis registrados ao arrepio das convenções sobre a matéria, basta ler os REFISC, de fls. 22 a 28. No caso em análise a empresa apenas diz que as irregularidades não são relevantes para ensejar a sua desconsideração, mas não traz elementos que confirmem essa assertiva limitandose a pedir a prova pericial, sendo dela o dever de demonstrar essa regularidade, conforme precedente do STJ transcrito. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. ..EMEN:(AGRESP 201400697732, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:24/06/2014 ..DTPB:.) Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 523 10 O agente lançador no ARO pautouse pelo Laudo Técnico, de fls. 36 e 37, do processo principal n° 10909.003518/200971, para elaborar o cálculo das contribuições devidas e a ele cabe a escolha dos meios de prova em que vai basear sua decisão, conforme precedente judicial. PREVIDENCIÁRIO. AMPARO SOCIAL. ARTIGO 203 DA CF/88. LEI Nº 8.742/93 E DECRETO Nº 6.214/2007. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE MISERABILIDADE. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. INCAPACIDADE LABORATIVA COMPROVADA. TERMO INICIAL. JUROS DE MORA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. I. Para a concessão do benefício de amparo social, o requerente deverá comprovar ser deficiente ou idoso, e não possuir meios de prover a sua própria subsistência ou de têla provida por sua família, considerandose como tal, a família que possua renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo, nos termos da Lei n. 8.742/93 e Decreto n. 1.744/93. II. Restou comprovada a condição de miserabilidade da parte autora através do relatório social (fl.179/180). III. Em relação ao laudo pericial, cumpre salientar que o princípio do livre convencimento motivado (art. 131 do CPC) garante ao juiz apreciar com liberdade as provas colacionadas aos autos, facultandolhe a escolha dos elementos comprobatórios de sua convicção na perícia e/ou nas demais provas. IV. Reconhecida a incapacidade da parte autora, por ser portador de Hipoplasia hipofisária e hipotireoidismo secundário, ocasionando limitações claras para sua vida, como mostra documento de fl. 15, que demonstra baixo rendimento escolar em virtude da doença, faz jus ao benefício de amparo social ao deficiente. V. Quanto ao termo inicial do benefício, a jurisprudência tem por correta a data do requerimento administrativo (12/11/2007). VI. A correção monetária deve ser realizada de acordo com os índices do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, até a entrada em vigor da Lei nº 11.960/09, de 29/06/2009, que deve ser aplicada a partir de sua publicação. Em relação aos juros de mora, devem os mesmos incidir a partir da citação (Súmula 204 do STJ), à razão de 1% (um por cento) ao mês, até a entrada em vigor da Lei nº 11.960/09, quando haverá a incidência uma única vez, até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança. VII. Honorários advocatícios fixados no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, observandose o disposto na Súmula nº 111 do STJ. VIII. Apelação provida. (AC 00105795020134059999, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 Quarta Turma, DJE Data::06/03/2014 Página::265.) (realcei). Ademais, naquele momento o laudo utilizado era a única base de prova para a finalidade específica e desejando o contribuinte mudar esse parâmetro depois do lançamento deve provar o erro contido naquele, a mera apresentação de outro laudo com um valor Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 524 11 divergente, sem a demonstração da origem do erro e de elementos que o suportem são insuficientes para a alteração do elemento. A decisão de primeiro grau foi clara ao dizer que apenas as GPS' s, de fls. 297 e 298, foram aproveitadas para exclusão do cálculo do ARO, uma vez que só essas estão claramente vinculadas a obra em questão, observese a transcrição. Os documentos apresentados pela recorrente, as fls. 508, GPS 07/2009 identificador 405900144575, não possui autenticação mecânica ou comprovante de pagamento. O extrato de contribuições da Instaladora Avas Ltda, de fls. 509 e 510, não estão ligados a obra que foi objeto dessa autuação. O extrato de contribuições, de fls. 511, além de não identificado, não estão ligados a obra que foi objeto dessa autuação. A decisão de primeiro grau já esclareceu a necessidade de vinculação inequívoca das contribuições a obra que se fiscaliza, sem o qual não se pode considerar o aproveitamento, uma vez que esse pagamento pode ser referente a outra situação, veja a transcrição. Ao tratar da regularização de obra de construção civil, em que a remuneração da mãodeobra utilizada foi apurada com base na área construída e no padrão da obra ou com base na prestação de serviços contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o art. 447 da Instrução Normativa MPS/SRP N° 3, de 14 de julho de 2005 nova redação dada pela IN SRP n° 24, de 30/04/2007, assim dispõe: Art. 447. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimoterceiro salário, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 525 12 cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra. será convertida em área regularizada. na forma prevista no art. 445. considerandose: (...) III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (grifo nosso) Do transcrito artigo, depreendese que a lei permitiu a conversão da mão de obra terceirizada com vinculação inequívoca à obra em área regularizada, desde que informada em GFIP pela prestadora de serviço e comprovado o recolhimento do valor retido. Assim sendo, na ausência de comprovação do pagamento e vinculação específica com a obra, não há como fazer a correlação e o aproveitamento das supostas contribuições em razão da obra. No que tange a contribuição relativa ao pagamento de alimentação in natura, assiste razão a recorrente ao dizer que tal rubrica não é base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do ato declaratório a seguir colacionado. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10909.003516/200982 Acórdão n.º 2202003.225 S2C2T2 Fl. 526 13 ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Desta forma, essa rubrica deve ser excluída do lançamento. Da observação do ARO, de fls. 85 a 90; 502 a 507, podese verificar que as notas fiscais relativas a concreto e que foram utilizadas para a regularização da mão de obra somam a importância de R$ 24.235,63, ou seja, exatamente o valor que a recorrente está a reclamar, o que demonstra que tal valor foi aproveitado, não havendo o que considerar ou corrigir. Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os demais pedidos, salvo quanto a correção da multa de mora, aplicando a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, limitada pela multa instituída pelo artigo 35 A, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009, bem como pela exclusão da contribuição previdenciária em razão da alimentação in natura. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial para: I aplicar a multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior, a Lei 11.941/2009, limitada pela multa instituída pelo artigo 35A, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009; II excluir do lançamento a contribuição previdenciária em razão da alimentação in natura. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16004.000363/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PREPOSTO - INTIMAÇÕES
O Advogado tem competência para receber intimações em nome da empresa. Para tal, não é necessário uma procuração com forma especial. A procuração, outorgada com finalidade específica e por administradora da empresa, confere ao advogado, no mínimo, a qualificação de preposto da empresa. Conforme art. 23, I, do Decreto nº 70.235/72, a intimação pessoal pode ser realizada por meio de simples preposto. Desse modo, não é necessário que a intimação seja feita na pessoa de procurador com poderes especiais para tal.
MULTA QUALIFICADA - CONDUTA POSTERIOR
O fato de o contribuinte ter atendido a fiscalização não afasta, nem mitiga, a conclusão de ter omitido intencionalmente seus resultados ao Fisco. Por seus anos consecutivos foram entregues declarações com conteúdo em branco, o que impõe o lançamento da multa no seu patamar qualificado de 150%.
LUCRO ARBITRADO - PREJUÍZOS FISCAIS
No regime de tributação pelo lucro arbitrado, não se compensam prejuízos fiscais. Estes são próprios da sistemática do lucro real.
LUCRO ARBITRADO - LANÇAMENTO CONDICIONAL
A apresentação posterior, à constituição do crédito tributário, da escrituração não oferecida oportunamente à fiscalização, não afasta o arbitramento, uma vez que o lançamento não é atividade condicional.
Numero da decisão: 1401-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PREPOSTO - INTIMAÇÕES O Advogado tem competência para receber intimações em nome da empresa. Para tal, não é necessário uma procuração com forma especial. A procuração, outorgada com finalidade específica e por administradora da empresa, confere ao advogado, no mínimo, a qualificação de preposto da empresa. Conforme art. 23, I, do Decreto nº 70.235/72, a intimação pessoal pode ser realizada por meio de simples preposto. Desse modo, não é necessário que a intimação seja feita na pessoa de procurador com poderes especiais para tal. MULTA QUALIFICADA - CONDUTA POSTERIOR O fato de o contribuinte ter atendido a fiscalização não afasta, nem mitiga, a conclusão de ter omitido intencionalmente seus resultados ao Fisco. Por seus anos consecutivos foram entregues declarações com conteúdo em branco, o que impõe o lançamento da multa no seu patamar qualificado de 150%. LUCRO ARBITRADO - PREJUÍZOS FISCAIS No regime de tributação pelo lucro arbitrado, não se compensam prejuízos fiscais. Estes são próprios da sistemática do lucro real. LUCRO ARBITRADO - LANÇAMENTO CONDICIONAL A apresentação posterior, à constituição do crédito tributário, da escrituração não oferecida oportunamente à fiscalização, não afasta o arbitramento, uma vez que o lançamento não é atividade condicional.
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Para tal, não é necessário uma procuração com forma especial. A procuração, outorgada com finalidade específica e por administradora da empresa, confere ao advogado, no mínimo, a qualificação de preposto da empresa. Conforme art. 23, I, do Decreto nº 70.235/72, a intimação pessoal pode ser realizada por meio de simples preposto. Desse modo, não é necessário que a intimação seja feita na pessoa de procurador com poderes especiais para tal. MULTA QUALIFICADA CONDUTA POSTERIOR O fato de o contribuinte ter atendido a fiscalização não afasta, nem mitiga, a conclusão de ter omitido intencionalmente seus resultados ao Fisco. Por seus anos consecutivos foram entregues declarações com conteúdo em branco, o que impõe o lançamento da multa no seu patamar qualificado de 150%. LUCRO ARBITRADO PREJUÍZOS FISCAIS No regime de tributação pelo lucro arbitrado, não se compensam prejuízos fiscais. Estes são próprios da sistemática do lucro real. LUCRO ARBITRADO LANÇAMENTO CONDICIONAL A apresentação posterior, à constituição do crédito tributário, da escrituração não oferecida oportunamente à fiscalização, não afasta o arbitramento, uma vez que o lançamento não é atividade condicional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 63 /2 01 0- 25 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi arbitrado o seu lucro nos anos calendário de 2004 a 2008, com base no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) — Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 —, art. 530, III, em virtude de a contribuinte, notificada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentálos. O crédito tributário lançado totalizou R$ 26.318.420,75 (vinte e seis milhões e trezentos e dezoito mil e quatrocentos e vinte reais e setenta e cinco centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: (...) O Termo n° 24 — Verificação e Constatação de Irregularidade Fiscal (fls.8771880) descreve a ação fiscal, relatando que a contribuinte apresentou, desde o ano calendário de 2003, todas as suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) em branco, "zeradas", embora tenha apresentado expressiva receita bruta em todos os períodos. Constatouse, ainda, que a situação cadastral da empresa na Receita Federal se Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000363/201025 Acórdão n.º 1401001.561 S1C4T1 Fl. 1.156 3 apresentava "Ativa", embora não recolhesse IRPJ e CSLL há mais de seis anos. Informouse que a contribuinte foi intimada a apresentar Livro Diário devidamente escriturado, relativamente as operações registradas nos anos de 2004 a 2008 e relacionar mês a mês a receita bruta por ela auferida; em resposta, informou que não escriturou o Livro Diário à época própria e solicitou prazo de noventa dias para fazêlo, sendo que a partir dai sucessivos pedidos de prorrogação de prazo foram protocolados e concedidos pela fiscalização, sem que ela lograsse apresentar referido livro. Arbitrouse o lucro da empresa com base na receita bruta conhecida, após criteriosos e acurados exames e verificações fiscais, a partir dos elementos disponíveis, mediante o cotejo e confronto entre: informações prestadas pela empresa X GIAS/SefazSP X Livros de Saídas. Tendo em vista o arbitramento do lucro da empresa, a apuração das contribuições ao PIS e à Cofins passou a obedecer o regime cumulativo, tendo ela sido intimada a segregar mês a mês as receitas auferidas, sujeitas ou não ao regime da substituição tributária. Concluiuse não haver dúvidas de que a fiscalizada agiu dolosamente, pois, sorrateiramente e de forma reiterada, apresentou suas DIPJ em branco, não recolheu IRPJ nem CSLL, sendo aplicada a multa qualificada. Notificada do lançamento em 27105/2010, conforme aviso de recebimento de fl. 972, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 28/06/2010, com a impugnação de fls. 973/976, alegando, em suma: • O contexto apresentado pelo auditorfiscal na conclusão do processo administrativo prova o ocorrido durante o procedimento, inclusive que a impugnante em momento algum deixou de atender a fiscalização ou se recusou a fazêlo; • Os documentos apresentados bem como a receptividade da impugnante durante o procedimento administrativo são fatos impeditivos para que o auto de. infração prospere; auto este elevadíssimo, impossível de se pagar a vista ou mesmo pelo parcelamento convencional; • A contabilidade da impugnante elaborou o livro Diário à época própria, porém, em razão das péssimas qualidades do local onde estavam armazenados, com infiltrações de água da chuva, eles foram danificados e imprestáveis para apresentação, bem como os documentos que lhe serviram de elementos para elaboração; • Não prestou essa informação ao auditorfiscal, apenas pedindolhe prazo para elaboração do livro Diário, porém já Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 não tinha mais em condições de utilização os documentos necessários para fazêlo; • Em vários exercícios do período objeto de fiscalização, apresentou prejuízos, portanto não teria que recolher qualquer valor a titulo de IRPJ e CSLL; • Não ocorreu de forma continuada a propalada sonegação, e caso fosse concedido um pouco mais de prazo, teria demonstrado com precisão todo o resultado de suas operações do período fiscalizado; • Porém o auditorfiscal de uma hora para outra resolveu encerrar o procedimento, lavrando o auto de infração. Requereu a determinação da insubsistência do auto de infração e o arquivamento de todo procedimento administrativo, com nova verificação dos documentos e livros contábeis existentes. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.006 a 1.011) negou provimento ao recurso voluntário sob o fundamento de que a empresa, apesar de intimada diversas vezes, deixou de apresentar o livro diário no curso do procedimento fiscal, o que caracteriza uma das hipóteses de arbitramento do lucro nos termos do art. 530, III, do RIR/99. A alegação de que os livros foram totalmente destruídos não seria suficiente para elidir a autuação. Ademais, pedido de novo exame de livros e documentos não deve ser acatado, uma vez que não há lançamento condicional. Também não merece prosperar o pedido de compensação de prejuízos, pois estes não são compensados na sistemática do lucro arbitrado. Sorte similar merece ter a alegação de que não teria havido sonegação, em razão da apresentação reiterada de declarações "zeradas" e do não pagamento de tributos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 1.027 a 1.032, em que praticamente se limitou a reiterar (alias, em grande parte, de forma literal) as razões apresentadas na impugnação. Nada obstante, por meio da petição de fls. 1.048 a 1.067, apresentou, intempestivamente as seguintes razões aditivas ao recurso. Haveria nulidade da procuração outorgada a suposto procurador da empresa, o que seria matéria de ordem pública. A autoridade fiscal teria conduzido o procedimento à pessoa incompetente para receber e responder intimações. O início do procedimento de fiscalização foi dado a Senhora Adriana Cássia Neves, na condição de sócia da autuada. Nada obstante, a referida senhora não seria mais sócia da empresa, mas apenas administradora. A procuração, por ela outorgada aos advogados Gilberto Barreta e José Vinha Filho, seria nula, Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000363/201025 Acórdão n.º 1401001.561 S1C4T1 Fl. 1.157 5 pois a firma não está reconhecida e a senhora Adriana não teria competência para outorgar isoladamente procurações em nome da empresa. Desse modo, a recorrente nunca tomou conhecimento de grande parte das intimações realizadas no curso da fiscalização, exceto três de vinte e três, que lhe foram encaminhadas por via postal. Em razão desses fatos, teve cerceado o seu direito de defesa e o amplo contraditório. Ademais, apesar de a autoridade fiscal ter consignado que as declarações de 2004 a 2008 estavam zeradas, deixou de juntar aos autos a declaração de 2008. Ressaltou que a autoridade fiscal nunca intimou o contribuinte para apresentar a referida declaração. Assim, como nunca lhe foi solicitado a sua apresentação, teve a iniciativa de fazer a sua apresentação devidamente preenchida. Por fim, alega que não teve conhecimento de que a fiscalização abarcaria também os anoscalendário de 2004, 2006, 2007 e 2008. Ademais, a simples inexatidão no preenchimento de declarações ou a sua falta de apresentação não ensejaria a aplicação da multa qualificada de 150%. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminarmente, fazse necessário enfrentar a questão atinente ao conhecimento das razões aditivas ao recurso voluntário, pois foram apresentadas intempestivamente. É interessante notar que a ciência da decisão recorrida foi dada por via postal e não pessoal ao advogado José Vinha Filho. No entanto, foi o referido advogado e não qualquer outra pessoa representante da empresa que apresentou o recurso tempestivamente. Ora, se o advogado não fosse a pessoa competente para acompanhar a fiscalização, só poderíamos concluir que a autuada deixou de apresentar recurso voluntário no prazo legal e, desse modo, as chamadas razões aditivas não deveriam nem sequer ser lidas por este relator por terem sido apresentadas de forma totalmente intempestiva, pois a empresa foi regularmente intimada por via postal, algo não contestado pela última peça de defesa. Nada obstante, o advogado José Vinha Filho tinha sim competência para receber intimações em nome da empresa. Para tal, não era necessária uma procuração com forma especial. A procuração lhe foi outorgada com finalidade específica e por administradora da empresa, o que confere ao advogado José Vinha Filho, no mínimo, a qualificação de preposto da empresa. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Conforme podemos verificar pela no art. 23, I, do Decreto nº 70.235/72, a intimação pessoal pode ser realizada por meio de simples preposto. Não é necessário que a intimação seja feita na pessoa de procurador com poderes especiais para tal. Dessarte, conheço as razões aditivas no que se refere à alegação de que não teria tomado conhecimento de atos do presente feito por considerar tema de ordem pública. Afinal, se a própria decadência é matéria de ordem pública e esta deve ser aferida em relação à regular intimação, evidentemente a regularidade das intimações deve compor o leque de matérias de devem ser conhecidas de ofício. Nada obstante, rejeito a referida razão conhecida por considerar que todas as intimações foram corretamente realizadas na pessoa de preposto da autuada. Desse modo, ficam prejudicadas todas as demais razões apresentadas no aditivo recursal por intempestivas. No que se refere ao recurso tempestivamente apresentado, os argumentos lançados correspondem mais ao exercício de protelação que a uma defesa propriamente dita. Afinal, nem sequer chegou diretamente a rebater as razões da decisão que pretendeu contraditar. De todo modo, passamos a revisitar seus pontos. O fato de o contribuinte ter atendido a fiscalização não afasta, nem mitiga, a conclusão de ter omitido intencionalmente seus resultados ao Fisco. Afinal, é difícil crer que uma empresa entregue uma declaração com valores zerados, mas isso é possível. No entanto, seis declarações (são seis anos, portanto, de conduta omissiva) não podem ter sido entregues em branco sem que estivesse presente o caráter intencional da conduta omissiva. A reiteração sistematizada (não foi a ausência de entrega, mas sim, em seguidos anos, a entrega com valores zerados) das omissões revela inequivocamente a intenção de evitar ou, no mínimo, retardar o conhecimento das suas atividades pelo Fisco e, assim, ludibriar o lançamento e cobrança dos tributos devidos. A multa qualificada de 150% deve, pois, ser mantida. O fato de não ter apresentado a escrituração sob a alegação do seu perecimento não infirma, mas sim confirma a medida adotada pela autoridade fiscal de arbitrar os lucros. Também é vazio o argumento de que, no período abarcado pela autuação, teve prejuízos. Afinal, uma vez arbitrado o lucro, juridicamente não há mais a possibilidade de apuração de prejuízos, os quais são próprios da sistemática de tributação pelo lucro real. Igualmente incabível o pedido para a análise de livros e documentos. O arbitramento do lucro não se caracteriza como lançamento condicional. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16004.000363/201025 Acórdão n.º 1401001.561 S1C4T1 Fl. 1.158 7 Isso posto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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