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Numero do processo: 16004.000038/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS RECURSOS RECEBIDOS.
A falta de intimação ao sujeito passivo, para comprovar a origem dos recursos depositados em conta bancária, macula o lançamento efetuado e impossibilita a aplicação automática da presunção contida no artigo 42, da Lei n. 9.430/96.
Numero da decisão: 1201-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS RECURSOS RECEBIDOS. A falta de intimação ao sujeito passivo, para comprovar a origem dos recursos depositados em conta bancária, macula o lançamento efetuado e impossibilita a aplicação automática da presunção contida no artigo 42, da Lei n. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 38 /2 01 1- 43 Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, lavrados contra a contribuinte na sistemática do Simples e relativos ao anocalendário de 2006, em razão da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários efetuados na conta do sócio e não oferecidos à tributação. Como os fatos e o conjunto probatório são bastante extensos, reproduzimos, a seguir, o relatório da decisão de primeira instância (grifos no original): Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe os Impostos e Contribuições integrantes do Simples, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 92.647,23 (fl. 1153), Contribuição para o PIS no valor de R$ 67.719,54 (fl. 1175), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 93.924,96 (fl. 1197), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 275.820,77 (fl. 1224) e Contribuição para Seguridade Social – INSS de R$ 795.168,73 (fl. 622), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário de R$ 3.937.783,00 (fl. 03), em virtude de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada e insuficiência de recolhimentos em razão da mudança de faixa das alíquotas provocada pela inclusão da receita omitida. Conforme Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 1085/1107), o procedimento fiscal teve início na pessoa física do Sr. Sinval Galvão da Silva (CPF 785.572.83849), sócio administrador da empresa fiscalizada SING JOIA DIFERENTE COMERCIAL LTDA ME, o qual foi intimado em 26/03/2009 (fls. 05/11) a apresentar documentos e extratos bancários de movimentação financeira do Banco BRADESCO S.A, Caixa Econômica Federal e UNIBANCO União de Bancos Brasileiros S.A referentes ao período de janeiro a dezembro de 2006. De acordo com o documento de fls. 15/17, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo, o que foi concedido conforme Termo de Resposta n° de 16/04/2009 (fls. 19/20) e, em 12/05/2009, o contribuinte Sinval Galvão da Silva apresentou os esclarecimentos de fls. 27/31 alegando não ter localizado os extratos solicitados, bem como os demais documentos constantes na intimação. Esclareceu também que os lançamentos a crédito registrados nas citadas contas bancárias em nome da pessoa física, provêm de operações mercantis realizadas pela empresa Sing Joia Diferente e Comércio Ltda – ME, da qual é sócio, e Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 4 3 que a Receita Federal estaria autorizada a requisitar os extratos bancários diretamente das instituições financeiras. Diante disso, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para o Banco BRADESCO S.A, Caixa Econômica Federal e UNIBANCO – União de Bancos Brasileiros S.A. Além dos extratos em meio papel e magnético (depósitos, aplicações financeiras e contacorrente), foram requisitados os dados constantes da Ficha Cadastral do sujeito passivo e cópias de documentos lançados a crédito e débito. Em atendimento, as instituições apresentaram os documentos de fls. 07/637, 641/671 e 674/684 do Anexo I, que correspondem às fls. 1275/2339, 2346/2432 e 2412/2432 dos autos desse processo. De posse dos extratos bancários, a fiscalização relacionou os depósitos/créditos nas contas de titularidade do Sr. Sinval Galvão da Silva (fls. 33/182) e intimouo, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls. 33/188) em 04/08/2009 a comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas bancárias de sua titularidade. Em resposta (fls. 190/196), o contribuinte Sinval Galvão da Silva apontou um erro na relação de depósito por constar um crédito de número 284 no valor de R$ 219.332,00 no dia 09/02/2006 quando o correto seria R$ 2.193,32. Alegou não possuir a integralidade dos registros/anotações e reiterou que, embora lançados na pessoa física, tais créditos originamse de operações mercantis da empresa SING JOIA DIFERENTE INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME e anexou, por amostragem, cópias de documentos correspondentes a registros de vendas de produtos da empresa SING efetuados por vendedores autônomos da empresa SING, cujos nomes estão identificados nos depósitos (créditos), com o fim de demonstrar que os créditos realizados são resultantes de operações mercantis. Com o objetivo de comprovar a realização de operações mercantis da pessoa jurídica SING JÓIA DIFERENTE E COMÉRCIO LTDA ME através de contas bancárias da pessoa física Sr. Sinval Galvão da Silva, a fiscalização intimou vários contribuintes a informarem o motivo e o fato jurídico, acompanhados de documentos comprobatórios hábeis e idôneos, que justificassem as remessas/depósitos feitos nas contas bancárias da pessoa física do Sr. Sinval Galvão da Silva. Das respostas colhidas a fiscalização concluiu que estaria evidente a vinculação dos créditos nas contas correntes da pessoa física do Sr Sinval Galvão da Silva com a empresa SING JÓIA DIFERENTE COMERCIAL LTDA – ME e, diante disso, foi efetuada a abertura de MPF Diligência nº 0810700/01078/2009 e emitido o Termo de Intimação Fiscal n° 01 em 14/09/2009 (fls. 489), por meio do qual referida empresa foi intimada a apresentar o Livro Caixa , Livro de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e livro de apuração de ICMS. Foi facultado a empresa a apresentação de Livro Diário e Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 5 4 Razão, na hipótese de manter escrituração contábil. Não atendida a intimação, foi emitido Termo de Reintimação Fiscal nº 02 (fl. 497) em 02/10/2010. Por meio do expediente de fls. 501, a empresa apresentou o Livro Caixa nº 010 e Livro de Registros de entradas relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 e informou que estava enquadrada no regime do SIMPLES FEDERAL e, por conseqüência, estava desobrigada da apuração do LIVRO DE SAÍDA e do LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS e que manteve escrituração pelo livro CAIXA não apurando assim o livro Diário e o livro Razão no período em questão. Também entregou declaração (fl. 503) de que não mantinha escrituração contábil e, posteriormente, em atendimento ao Termo de Intimação n° 03 (fl. 505) apresentou cópias do contrato social e alterações (fls. 255/601). Ao analisar os documento apresentados, a fiscalização constatou que a escrituração contábil não continha em seus lançamentos histórico claro da movimentação financeira bancária. O procedimento de diligência foi então convertido em procedimento de auditoria fiscal e foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal em 01/06/2010 (fls. 603/605), por meio do qual a empresa foi intimada, entre outros, a apresentar os extratos bancários de todas as contas bancárias e a reescrituração do Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira da pessoa jurídica (SING) e da pessoa física (Sr. Sinval G. Silva). Em 22/06/2010 a empresa requereu à fl. 609 o prazo de 60 (sessenta) dias para comprovar por documentos os fatos e alegou já ter requerido junto aos Bancos e Empresas cópias dos documentes comprobatórios das referidas operações. Foi concedido (fl. 611) 30 dias para apresentar os documentos solicitados a contar de 28/06/2010. Em 27/07/2010 a contribuinte, em resposta, informou (fls. 615/617) que estaria apresentando os extratos de conta bancária mantida no Banco SUDAMERIS fls. 619/688) de titularidade da Intimada e, ainda mais uma vez, a cópia do Livro Caixa de 2006. Esclareceu ser optante pelo Simples Federal e que estava dispensada da escrituração contábil regular, mantendo apenas o Livro Caixa devidamente escriturado, como permitido pela legislação. Com efeito, os lançamentos teriam sido feitos de forma globalizada, especialmente referentes à movimentação bancária, e que não possuía condições de esmiuçar os lançamentos como exigido na intimação fiscal. Reiterou não possuir mais anotações e/ou registros que permitissem identificar os lançamentos com a especificidade exigida na notificação fiscal. Em 29/07/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fl. 690), ciência em 02/08/2010 (AR de fl. 692), para a empresa Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 6 5 SING JÓIA DIFERENTE COMERCIAL LTDA ME apresentar os extratos bancários referentes ao UNIBANCO União de Bancos Brasileiros S.A, Nossa Caixa S.A, Banco do Estado de São Paulo BANESPA e Banco Santander S/A. Em 13/08/2010 a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 694/696 informando que estaria apresentando (docs. Anexos fls. 619/767) os extratos das contas bancárias de titularidade da Intimada mantidas junto às instituições financeiras UNIBANCO União de Bancos Brasileiros SA e Banco NOSSA CAIXA S/A e alegou que as respectivas movimentações bancárias estariam devidamente lançadas no livro Caixa de 2006 (já na posse do Fisco – fls. 756/767). Com relação aos extratos de contas bancárias mantidas no Banco Estado de São Paulo SA BANESPA e no Banco Santander (Brasil) SA, do período de 2006, alegou desconhecer a existência das mesmas e autorizou que a Receita Federal requisitasse os extratos, em papel e em meio magnético, de eventuais contas bancárias de titularidade da Intimada junto instituições financeiras Banco Estado de São Paulo SA BANESPA e Banco Santander (Brasil) SA, do período de 2006, já que são absolutamente desconhecidas as existências das mesmas pela Intimada. Diante disso, a fiscalização, em 19/08/2010, emitiu as Requisições de Informações sobre a Movimentação Financeira RMF nº 0810700.2010.000570, 0810700.2010.000588, 0810700.2010.000596 e 0810700.2010.000600 e 0810700.2010.000618, respectivamente UNIBANCO S.A, Nossa Caixa S.A , BANESPA, Banco SANTANDER S.A e Banco SUDAMERIS S.A em 18/08/2010 (fls. 01 a 12, 64 a 66, 87 a 89, 121 a 123 e 157 a 160 do Anexo II. Em atendimento, essas instituições financeiras enviaram a documentação que consta às fls. 13 a 63, 67 a 86, 90 a 120 124 a 156 e 161 a 199 e 202 a 289 do anexo acima citado. Em 13/10/2010 foi lavrado o Termo de intimação Fiscal nº 003 (fls. 768/772), ciência em 18/10/2010 (AR de fl. 809), para a empresa apresentar, dentre outros, os documentos que deram origem aos créditos referentes a contas bancárias nºs 1315834 e 1313318 Agência 1299 do UNIBANCO S.A (atual Banco ITAÚ UNIBANCO S.A) relacionados ao Termo (fls. 774/807). Foi esclarecido que os valores encontramse em anexo (fls. 774/807) ao termo de intimação, relacionados em ordem cronológica e enumerados (coluna nº de ordem), como segue: Conta n. 1315834 créditos nº 01 a 67 (02 folhas) e Conta nº 1313318 créditos nº 01 a 701 (13 folhas). Em 05/11/2010, a empresa informou à fl. 811 que, em levantamento preliminar efetuado na documentação referente ao período, constatou a existência de Movimentação de Créditos ou Depósitos entre as contas da mesma Pessoa Jurídica e que já havia requerido junto aos Bancos e Empresas cópias dos documentes comprobatórios das referidas Operações e requereu o prazo de 30 (trinta) dias para comprovar por documentos os lançamentos ora apresentados. Foi concedido prazo de 10 dias. Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 7 6 Após pedir prorrogação de prazo (fl. 811), a empresa, em 18/11/2010, apresentou esclarecimentos de fls. 813/829 relativos ao Termo de intimação Fiscal nº 003, alegando o seguinte em relação aos lançamentos a crédito nas contas 1315834 e 1313318 de titularidade da empresa: Lançamentos a crédito na conta 1315834 No que se refere a conta nº 1315834, a planilha correspondente é composta de 02 folhas, onde estão elencados lançamentos a crédito de nºs. 01 a 67 e como é dado ver da própria planilha, todos os lançamentos a crédito existentes na conta 1315834, à exceção dos créditos de nºs 7, 59 e 62 são provenientes de transferências automáticas de valores creditados originalmente na conta 1313318 (também objeto da presente intimação fiscal), isto porque a conta 1315834 é a chamada "conta garantida ou garantidora"; procedimento bancário comum para as empresas. (...) Da mesma forma, os lançamentos a crédito restantes, de nºs 7, 59 e 62 elencados na planilha relativa à conta 1315834. são também resultantes de transferências, não automáticas, de conta de titularidade da Intimada. Mais uma vez o cotejo entre a planilha da conta 1315834 e os extratos da conta 1313318 é suficiente para demonstrar tal ocorrência. (...) Desta forma, todos os lançamentos a crédito ocorridos na conta 1315834 e elencados na respectiva planilha, de nº 01 a 67 são decorrentes de transferências de outra conta de titularidade da própria Intimada ( 1313318). (...) Lançamento a crédito na conta nº 1313318 No que se refere à conta nº 1313318, a planilha correspondente é composta de 13 folhas, onde estão elencados os lançamentos a crédito de nº s 01 a 701. Como já explicitado no tópico anterior, todos os lançamentos a crédito na conta 1313318, elencados na planilha sob o histórico "TRASNF. 1299/1315834 SING JOIA DIF" são provenientes de transferências da conta 1315834 (de titularidade da Intimada e também objeto desta intimação fiscal). Tratamse de valores que saíram da conta garantidora (1315834) e retornaram para a conta de movimentação (1313318). Tal fato também é facilmente comprovado pela análise dos extratos da conta 1315834, já solicitados junto a Instituição Financeira (doc. anexo), em cotejo com a planilha do Fisco relativa conta 1313318. Basta que se faça uma correlação entre os lançamentos a débito, sob o título "TRANSF. 1299/1313318 SING JOIA DIFERENTE", ocorridos na conta 1315834, com os lançamentos a crédito elencados na planilha relativa à conta 1313318, sob o título "TRANSF. 1299/1315834 SING JOIA DIF". Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 8 7 Assim, todos os lançamentos a crédito ocorridos na conta 1313318 e elencados na respectiva planilha sob o histórico "TRANSF. 1299/1315834 SING JOIA DIF" são decorrentes de transferências de outra conta de titularidade da própria Intimada (1315834). Na planilha relativa à conta 1313318, da lavra do Fisco, ainda consta enorme quantidade de lançamentos a crédito que são provenientes de reapresentação ("redepósito") de cheques anteriormente depositados e devolvidos por insuficiência de fundos. Estas situações são aferidas mediante o cruzamento dos créditos elencados na planilha do Fisco com as devoluções de cheques constantes dos extratos da conta 1313318, já na posse do Fisco. Assim, diante do exíguo tempo disposto para responder ao Fisco e da grande quantidade de lançamentos para averiguar, indica, apenas como exemplificação, através do Demonstrativo que anexa a presente, algumas situações que refletem créditos originados na reapresentação de cheques devolvidos (doc. anexo). Vale observar que na hipótese de reapresentação de cheques devolvidos, o respectivo crédito era lançado na conta corrente como "DEPÓSITO EM CHEQUE". Com efeito, todos os lançamentos a crédito constantes na planilha do Fisco relativa à conta 1313318, cujo histórico seja "DEPÓSITO EM CHEQUE", são provenientes de reapresentação de cheques devolvidos. Quanto ao crédito de nº 684 (da planilha do Fisco), no valor de R$ 4.475,00, o mesmo se constitui apenas em devolução de numerário, que anteriormente havia sido debitado na conta 1313318 através de DOC emitido, mas não efetivado diante de divergência no CNPJ do beneficiário. De fato, no dia 19/12/2006, conforme extrato da conta 1313318 (na posse do Fisco), a Intimada emitiu um DOC para a AGF ARTEFATOS GEMA E FUNDIÇÕES LTDA, para pagamento de matéria prima pela mesma fornecida (ouro para industrialização, chamado ouro mil teor 0,999). Assim, foi debitado de sua conta a importância de R$ 4.475,00, sob o título "EMISSÃO DOC C BRADESCO S.A. AGF ARTEFA". No dia 20/12/2006, diante da constatação de uma divergência no CNPJ indicado no DOC emitido pela Intimada, a instituição financeira devolveu o valor anteriormente debitado. Assim, creditou na conta corrente, sob o título "DOC DEV. DIVERGÊNCIA CPF CNPJ AG. CONTA", a exata quantia de R$ 4.475,00. Na mesma condição encontrase o crédito de nº 398 (da planilha do Fisco), no valor de R$ 30.400,00. Tratase apenas de um estorno realizado pela instituição financeira, em razão de um lançamento a débito em duplicidade. De fato, da análise do extrato da conta 131331 (na posse do Fisco), verificase que no dia 13/07/2006 ocorreu em duplicidade um lançamento a débito relativo a "TED REMETIDA BRADESCO SIMONE SALVIANDO D", cada qual no valor de R$ 30.400,00. A fim de estornar um dos débitos indevidamente lançados, a instituição financeira, no mesmo dia 13/07/2006, promoveu um lançamento a crédito, historiado como "DEVOLUÇÃO TED C/CH. Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 9 8 TITULAR PG CX.AG.", no exato valor de R$ 30.400,00. Por derradeiro, esclarece que os lançamentos a crédito restantes na planilha elaborada pelo Fisco reportamse a operações mercantis realizadas pela empresa Intimada. Às fls. 827/829 consta um Demonstrativo intitulado de “SITUAÇÕES ELENCADAS COMO EXEMPLIFICAÇÃO DE LANÇAMENTOS A CREDITO PROVENIENTES DE REAPRESENTAÇÃO DE CHEQUES DEVOLVIDOS NA CONTA 1313318” Requereu prorrogação de prazo, por mais 30 dias, para apresentar os extratos da conta corrente 1315834 que já havia solicitado à instituição financeira (fl. 825). No Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, às fl. 1095, a autoridade fiscal reportandose à resposta da contribuinte ressaltou que “a contribuinte protocolou resposta à intimação citada, no entanto não juntou os documentos comprobatórios solicitados”. Na data de 04/11/2010 foi emitido o Termo de intimação Fiscal n° 04 (fls. 831/861), cuja ciência se deu em 05/11/2010 (fl. 863), pelo qual a empresa foi intimada a apresentar documentação referente a origem dos créditos nas contas mantidas no Banco SANTANDER (Agência 0715 conta nº 130001585), Banco SUDAMERIS (atual Banco SANTANDER S.A Agência 1735 conta nº 9010270) e Nossa Caixa (atual Banco do Brasil S.A Agência 540 conta nº 040009897), conforme relação de fls. 837/861. Foi esclarecido que os valores encontramse em anexo ao presente de intimação (fls. 837/861), relacionados em ordem cronológica e enumerados( coluna nº de ordem) , como segue: Conta nº 130001585 créditos nº 01 a 28 (01 folha), Conta n. 9010270 créditos nº 01 a 443 (08 folhas) e Conta nº 040009897 créditos nº 01 a 201 (04 folhas). Em 10/12/201 a contribuinte, em atendimento à intimação Fiscal de nº 04, apresentou os esclarecimentos de fls. 865/871, abaixo transcritos, relativos à movimentação financeira (lançamentos a crédito) efetuada nas contas bancárias nº 130001585 (Agência 0715, do SANTANDER S/A), 9010270 (Agência 1735, do SUDAMERIS), e 040009897 (Agência 540, da Nossa Caixa). Lançamentos a crédito na conta nº130001585 – Santander S/A No que se refere à conta nº 130001585, a planilha do Fisco correspondente é composta de 01 folha, onde estão elencados lançamentos a crédito de nºs 01 a 28, que totalizam R$ 29.490,77. Muito embora, devido ao lapso temporal, já que se reportam a operações bancárias ocorridas no ano de 2006, não possua mais anotações e/ou registros que permitam identificar os lançamentos com a especificidade exigida na notificação fiscal, pode afirmar que todos os lançamentos a crédito ocorridos na respectiva conta provêm de operações mercantis, de compra e venda de mercadorias, realizadas pela Intimada. Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 10 9 Acredita, até pelo reduzido montante depositado durante o ano, que tal conta tenha sido aberta para atender interesse de eventual cliente ou de vendedores autônomos, vulgo sacoleiros, que mediante mostruário ou catálogo vendem os produtos da Intimada diretamente a clientes, realizando o pagamento através de depósitos bancários. Lançamentos a crédito na conta nº40009897 – Nossa Caixa S/A No que se refere à conta nº 40009897, a planilha do Fisco correspondente é composta de 04 folhas, onde estão elencados lançamentos a crédito de nºs 01 a 201, que totalizam R$ 18.604,19. Muito embora, devido ao lapso temporal, já que reportamse a operações bancárias ocorridas no ano de 2006, não possua mais anotações e/ou registros que permitam identificar os lançamentos com a especificidade exigida na notificação fiscal, pode afirmar que todos os lançamentos a crédito ocorridos na respectiva conta, COM EXCEÇÃO DAQUELES COM O HISTÓRICO "TAR OP ATI", "JRS. CTRS." que referemse a estornos de débitos feitos indevidamente na conta e "DEV. CH. BLQ." que referemse a reapresentação para depósito de cheques devolvidos , provêm de operações mercantis, de compra e venda de mercadorias, realizadas pela Intimada. Acredita, até pelo reduzido montante depositado durante o ano, que tal conta tenha sido aberta para atender interesse de eventual cliente ou de vendedores autônomos, vulgo sacoleiros, que mediante mostruário ou catálogo vendem os produtos da Intimada diretamente a clientes, realizando o pagamento através de depósitos bancários. Lançamentos a crédito na conta nº 9010270 – Sudameris S/A No que se refere à conta nº 9010270, a planilha correspondente é composta de 08 folhas, onde estão elencados os lançamentos a crédito de nºss 01 a 443. Na citada planilha, da lavra do Fisco, consta enorme quantidade de lançamentos a crédito que são provenientes de reapresentação ("redepósito") de cheques anteriormente depositados e devolvidos por insuficiência de fundos. Estas situações são aferidas mediante o cruzamento dos créditos elencados na planilha do Fisco com as devoluções de cheques constantes dos extratos da conta 9010270 , já na posse do Fisco. Assim, diante do exíguo tempo disposto para responder ao Fisco e da grande quantidade de lançamentos para averiguar, indica, apenas como exemplificação, através do Demonstrativo que anexa a presente, algumas situações ocorridas até Março/2006 e que refletem créditos originados na reapresentação de cheques devolvidos (doc. anexo). Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 11 10 Com efeito, todos os créditos ocorridos durante o ano de 2006 na conta 9010270. provenientes de reapresentação de cheques devolvidos, não representam nova operação mercantil. Quanto ao crédito de nº 269 (da planilha do Fisco), no valor de R$ 40.000,00, o mesmo se constitui em empréstimo tomado pela Intimada junto à instituição financeira. De fato, é possível aferir pelos extratos da referida conta bancária que no dia 04/08/2006 houve um lançamento a crédito de R$ 40.000,00, sob o histórico "LÍBER. CONTR. 93/0680753". Referido empréstimo foi pago, através de débito na própria conta, em 06 parcelas mensais de R$ 7.182,06, que totalizaram R$ 43.092,36. Assim, o Fisco pode constatar, através dos extratos que estão em seu poder, que nos meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro do ano de 2006, exatamente no dia 04 de cada mês, existiram lançamentos a débito no valor de R$ 7.182,06 cada um, os quais corresponderam ao pagamento das primeiras 04 parcelas do empréstimo. Por derradeiro, muito embora, devido ao lapso temporal, já que se reportam a operações bancárias ocorridas no ano de 2006, não possua mais anotações e/ou registros que permitam identificar os lançamentos com a especificidade exigida na notificação fiscal, esclarece que os lançamentos a crédito restantes na planilha elaborada pelo Fisco reportamse a operações mercantis realizadas pela empresa Intimada. À fl. 873 consta um Demonstrativo que a contribuinte intitulou de “SITUAÇÕES ELENCADAS COMO EXEMPLIFICAÇÃO DE LANÇAMENTOS A CRÉDITO PROVENIENTES DE REAPRESENTAÇÃO DE CHEQUES DEVOLVIDOS NA CONTA 9010270” No Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, às fl. 1095, a autoridade fiscal reportandose à resposta da contribuinte ressaltou que “embora o contribuinte tenha protocolado resposta em 10/12/2010 (fls. 432 a 436), novamente deixou de apresentar a documentação solicitada, ou seja, as alegações da empresa não foram acompanhadas de nenhum documento comprobatório”. Em relação à conta bancária mantida no Banco BANESPA/SANTANDER (conta esta que seria desconhecida pela empresa fiscalizada), o autor do procedimento fiscal destacou que, após efetuar análise e comparação das fichas cadastrais de autógrafos encaminhadas pelas instituições financeiras, foi constatada uma extrema semelhança entre as assinaturas do sócio Sinval Galvão da Silva. Em 09/12/2010 foi lavrado o Termo de Reintimação nº 05 (fl. 883) para a contribuinte apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, todos os documentos e comprovantes solicitados através do Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 12 11 Termos de Intimação Fiscal nºs 03 e 04, lavrados respectivamente em 13/10/2010 e 04/11/2010. Em 20/12/2010 a contribuinte assim se manifestou (fls. 887/891): A Intimada discorda da equivocada alegação de que tais intimações não foram atendidas até o momento. De fato, o Termo de Intimação Fiscal nº 03, datado de 13/10/2010, foi devidamente atendido através da resposta protocolizada em 18/11/2010. A única pendência existente é o fornecimento de extratos da conta corrente 1315834, do Unibanco SA, já solicitado a instituição financeira e até o presente momento não entregue a Intimada. De qualquer forma, tal situação restou informada ao Fisco através de outra reposta remetida por meio do Correio (com AR) e recebida pelo Fisco em 09/12/2010. Da mesma forma, o Termo de Intimação Fiscal n° 04, datado de 04/11/2010, foi devidamente atendido através da resposta protocolizada em 10/12/2010. Em ambos os casos, foi informado ao Fisco que devido ao lapso temporal, já que se reportam a operações bancárias ocorridas no ano de 2006, não possui mais anotações e/ou registros que permitam identificar os lançamentos com a especificidade exigida na notificação fiscal. Ademais, também foi informado ao Fisco, em resposta protocolizada no dia 16/07/2010, que por ser optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, a Intimada está dispensada da escrituração contábil regular, mantendo apenas o Livro Caixa devidamente escriturado, como permitido pela legislação. Com efeito, os lançamentos são feitos de forma globalizada, especialmente referentes à movimentação bancária, o que dificulta ainda mais a identificação dos lançamentos com a especificidade solicitada pelo Fisco. Mesmo assim, as respostas da Intimada para as Intimações de n.s 03 e 04, protocolizadas em 18/11/2010 e 10/12/2010, forneceram constatações e explicações oriundas dos extratos (já na posse do Fisco) e das próprias planilhas fornecidas pelo Fisco, as quais foram suficientes para demonstrar que os lançamentos a crédito identificados não poderiam ser considerados na sua integralidade como provenientes de operações mercantis, existindo ali presentes: "redepósito" de cheques devolvidos, transferências entre contas da mesma titularidade, estornos bancários, empréstimo, etc. No Termo de Constatação Fiscal, a autoridade fiscal ressaltou que a declaração apresentada em 20/12/2010 também ficou desprovida de provas documentais e que “o fato concreto e relevante é que a empresa fiscalizada deixou de comprovar a origem dos créditos”. Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 13 12 Segundo a fiscalização, após excluir dos créditos os valores de cheques devolvidos, estornos e aqueles resultantes de transferências bancárias, os créditos bancários remanescentes (extraídos da movimentação bancária da pessoa física do sócio Sr. Sinval Galvão da Silva e os extraídos da movimentação bancária da empresa SING Jóia Diferente Comercial Ltda) foram relacionados às fls. 967/1083 e consolidados, mês a mês, à fl. 1099, os quais foram levados à tributação como omissão de rendimentos com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. No que se refere a escrituração contábil, a autoridade fiscal ressaltou que não foi possível a identificação detalhada dos lançamentos referentes aos registros de movimentação financeira bancária no Livro Caixa nº 010, e que não houve a apresentação da reescrituração contábil, conforme foi solicitado. Ainda, segundo a fiscalização, o uso das contas bancárias em nome da pessoa física Sr. Sinval Galvão para o exercício da atividade mercantil da empresa SING teve o intuito de omitir vultosos valores obtidos no exercício da atividade comercial. Teria havido simulação de um artifício doloso com o intuito de impedir a administração fazendária do conhecimento destes valores, gerando em conseqüência omissão de receitas e redução de tributos devidos. Destacouse ainda o fato de a contribuinte ter declarado à Receita Federal no ano calendário de 2.006 valores visivelmente inferiores em comparação com a movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada, restando, assim, flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade (multa qualificada de 150%) na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996. Inconformada, a empresa apresentou a impugnação de fls. 3015/3078 aduzindo como razões de defesa o seguinte: PRELIMINARMENTE Nulidade do auto de infração falhas reveladoras da ausência de certeza e segurança, requisitos indispensáveis ao lançamento tributário ofensa aos princípios da legalidade e moralidade administrativa. Alegou nulidade do lançamento ao argumento de que se tem na presente autuação é um lançamento frágil, precário, inseguro, com excesso de exação, pois o Fisco resolveu "deitar" sua pretensão na presunção de que todos os depósitos bancários ocorridos nas contas correntes identificadas fossem "receitas" e omitidas, dando isso por suficiente, abdicando de suas obrigações intrínsecas e privativas, aquelas da essência do ato, consistente em buscar a verdade material, verificar a efetiva ocorrência do fato gerador e, principalmente, determinar a matéria tributável, dandose por satisfeito com a precária descoberta dos créditos representados pelos depósitos bancários. Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 14 13 Segundo a impugnante alguns depósitos revelam simples transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, redepósito de cheques devolvidos e anteriormente depositados, tomada de empréstimo, estornos, etc. Citou que prova disso seria o demonstrativo de fls. 413/414 (fl. 827 da numeração digital) elaborado pela Autuada, que relaciona, por amostragem apenas, alguns créditos provenientes de reapresentação de cheques devolvidos na conta bancária 1313318 do Unibanco SA. Acrescentou que na resposta de fls. 406/411 (fls. 813/823 da numeração digital), especialmente as fls. 409 (fl. 819), o Autuado teria demonstrado que a reapresentação de cheques devolvidos era historiado nos extratos da conta 1313318 do Unibanco SA como "DEPÓSITO EM CHEQUE", de forma que todos os lançamentos a credito com esse histórico não se traduziriam em receitas e, no entanto, nenhum dos valores indicados por amostragem no demonstrativo teria sido excluído pelo Fisco, já que constam expressamente da relação de créditos levados à tributação (fls. 524/541). Idêntico tratamento teria sido dado pelo Fisco ao demonstrativo de fls. 436 (fl. 873 da numeração digital), no qual a autuada relacionou, por amostragem, alguns créditos provenientes de reapresentação de cheques devolvidos na conta bancária 9010270 do Sudameris e nenhum dos valores indicados por amostragem foi excluído pelo fisco, já que constam expressamente da relação de créditos levados à tributação (fls. 524/541 ou fls. 1049/1083 da numeração digital). Reportandose às respostas aos Termos de Intimação alegou que na resposta de fls. 432/435 (fls. 865/872 da numeração digital), especialmente a fl. 435 (fl. 871 da numeração digital), a Autuada teria demonstrado que o lançamento a credito de R$ 40.000,00, no dia 04/08/2006, na conta bancária 9010270 do Sudameris SA (fl. 426) tratavase de empréstimo tomado junto à Instituição Financeira e, em que pese a análise dos respectivos extratos não deixem qualquer dúvida quanto a origem do crédito, seja em razão do histórico lançado "LÍBER. CONTR. 93/0680753", seja em razão dos lançamentos à débito efetuados nos meses subseqüentes como pagamento do empréstimo, tal valor também não foi excluído pelo fisco, que o levou a tributação (fls. 534 ou fl. 1069 da numeração digital). Na resposta de fls. 406/411, especialmente às fls. 408, a Autuada teria demonstrado que o lançamento a crédito de R$ 3.500,00, no dia 10/02/2006, na conta bancária 1315834 do Unibanco SA, tratavase de transferência entre contas de mesma titularidade, de forma que o extrato da conta bancária 1313318 do Unibanco SA revela lançamento a débito "TED REMEDITIDA MESMA TITULARIDADE" exatamente em 10/02/2006 e no valor de R$ 3.500,00. Ainda na resposta de fls. 406/411 (fls. 813/823 da numeração digital), especialmente à fl. 408 (fl. 817 da numeração digital , a Autuada também teria demonstrado que o lançamento a crédito de R$ 13.900,00, no dia 06/12/2006, na conta bancária Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 15 14 1315834 do Unibanco SA, tratavase de transferência entre contas de mesma titularidade, de forma que o extrato da conta bancária 1313318 do Unibanco SA revela lançamento a débito "TRANSFERENCIA PARA TERCEIRO" exatamente em 05/12/2006 e no valor de R$ 13.900,00. Em que pese a análise dos respectivos extratos não deixarem qualquer dúvida quanto à origem dos créditos citados, tais valores também não foram excluídos pelo fisco, que os levou a tributação (fls. 525 e 540 ou fls. 1051 e 1081 da numeração digital). Alegou que não só os valores indicados por amostragem deixaram de ser excluídos, mas também todos os demais existentes que se enquadram nas situações narradas. Acrescentou que, como exemplo do alegado, é possível citar créditos oriundos de cheques devolvidos, ocorridos na conta bancária 8200062, do Unibanco SA. Segundo a impugnante, a análise dos extratos correspondentes (fls. 643/654 ANEXO I) revela com clareza ímpar a ocorrência de inúmeros depósitos (redepósitos) de cheques devolvidos e que tais valores foram inseridos pelo Fisco em sua relação de créditos sujeitos ao lançamento tributário (fls. 483/523 ou 967/1047 da numeração digital). A impugnante relacionou em sua impugnação (fl. 3022), por amostragem, alguns depósitos que estariam nessa condição. Reafirmou que tudo que foi citado até então é mera exemplificação para demonstrar o quão precário e inseguro é o presente lançamento tributário, não esgotando todas as situações de créditos, ocorridas nas contas bancárias investigadas, que não se prestam à tributação e que assim foram considerados pelo Fisco, e que serão oportunamente discutidas e demonstradas nesta impugnação em tópico específico. Alegou que fere o princípio da moralidade administrativa quando o Fisco, à fl. 578, ao proceder a acusação contra a Autuada, alega "depósitos bancários não escriturados", pois afinal, por duas oportunidades foi entregue ao Fisco o Livro Caixa n° 10 (fls. 250 e 307), que traz registrado toda a movimentação financeira da Autuada, e que estranhamente não cuidou o Fisco de juntálo nestes autos, motivo pelo qual a Impugnante promove a terceira juntada (doc. anexo). Afirmou que se o Fisco utilizase de extratos bancários para provar a existência de depósitos bancários, não pode por lhe ser cômodo e conveniente ignorar informações fornecidas pelos próprios extratos, destacadas pela Autuada em suas respostas, as quais demonstraram e comprovaram que dentre os depósitos bancários havia créditos relativos a depósito de cheque devolvido e anteriormente depositado, transferências entre contas de titularidade da Autuada, empréstimo bancário, estornos, etc, e que era obrigação privativa do Fisco verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, analisando de forma ampla e metódica os extratos bancários, excluindo todos os valores que nestas condições se encontravam. Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 16 15 Por fim, após alegar que o Fisco teve à sua disposição praticamente 02 anos de prazo (início da ação fiscal foi em 25/03/2009 fl. 02) e diante de tamanha inconsistência que retira do lançamento os pressupostos da segurança e certeza, requereu a nulidade do Auto de Infração. MÉRITO 1 Insubsistência do auto de infração erro na adoção do critério de apuração. Com relação à infração “depósitos bancários não escriturados” alegou que jamais deixou de contabilizar qualquer operação bancária, tendo inclusive oferecido à fiscalização os extratos que possuía, autorizado a quebra de seu sigilo bancário para obtenção diretamente junto às instituições financeiras dos extratos que não possuía, e entregue o Livro Caixa nº 010, relativo ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006, livro este ora apresentado pela terceira vez neste procedimento fiscal (doc. anexo). Acrescentou que embora tenha notificado o contribuinte para apresentálo em 02 oportunidades fls. 244 e 301 , o que foi feito fls. 250 e 307 , o Fisco "matreiramente" não se preocupou em juntar o mesmo aos autos, exatamente para "sustentar" que "não havia histórico claro da movimentação financeira bancária" (fl. 545), transparecendo a inverídica idéia da existência de "depósitos bancários não contabilizados". Todavia, o LIVRO CAIXA N° 010, ora novamente juntado, revela que a movimentação bancária foi contabilizada. Alegou que, quando das respostas às notificações fiscais (fls. 250 e 307/308), o Autuado esclareceu que não possuía escrituração contábil regular, na medida em que, por ser optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, estava dispensado, mantendo apenas o Livro Caixa devidamente escriturado, como permitido pela legislação. E, portanto, os lançamentos foram feitos de forma globalizada, especialmente referentes à movimentação bancária. Daí a se dizer que, estando todas as operações bancárias contabilizadas, não haveria como se aplicar a regra contida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, isto porque tal dispositivo, que há de ser interpretado literalmente, somente pode ser utilizado para operações mantidas à margem da contabilidade, o que não se aplica ao caso em questão. Esta é a razão de que jamais se poderia falar em omissão de receitas de operações regularmente constantes dos registros contábeis da empresa. Segundo a impugnante, pelas normas da contabilidade, se houve um ingresso de numerário, obrigatoriamente a sua origem tem que estar dentro da própria movimentação financeira da empresa e, assim sendo, a atitude correta do Fisco seria reconstituir a conta "caixa" e, aí sim, na eventual ocorrência de saldo credor, efetuar a tributação, mas nunca tributar "por atacado" como procedeu. Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 17 16 Acrescentou que em razão da inequívoca contabilização da movimentação financeira, fica claro que os depósitos bancários não são, em si e por si mesmos, sinais exteriores de riqueza, podendo ser apenas, e quando muito, indícios dela. Concluiu que o critério de apuração fiscal baseado exclusivamente no artigo 42 da Lei 9.430/96 é equivocado e não se presta ao fim pretendido, razão pela qual requereu a decretação de sua insubsistência (com a conseqüente extensão aos lançamentos reflexos). 2 Decadência Alegou ser pacífico o entendimento de que o IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, FINSOCIAL e IRPF são lançamentos do tipo por homologação, ou seja, o imposto de renda e essas contribuições ajustamse aos ditames do artigo 150, § 4º , do CTN, tendo a contagem do prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador, sendo que este ocorre mensalmente tanto que a própria fiscalização definiu como sendo o fato gerador mensal. Dessa forma, tendo a Autuada sido cientificada da lavratura do Auto de Infração em 28/02/2011, a ação fiscal não mais podia alcançar fatos ocorridos no período de JANEIRO E FEVEREIRO de 2006, por ter decorrido o prazo decadencial para se efetuar o lançamento do imposto. 3 Dos créditos que não correspondem a receitas auferidas e que foram considerados pelo fisco Necessidade de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo usada pelo fisco Na Impugnação, especificamente no tópico "III.3 DOS CRÉDITOS QUE NÃO CORRESPONDEM A RECEITAS AUFERIDAS E QUE FORAM CONSIDERADOS PELO FISCO NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DOS RESPECTIVOS VALORES DA BASE DE CÁLCULO USADA PELO FISCO", sob os títulos BANCO BRADESCO AG. 3520 CONTA CORRENTE 7234 e BANCO UNIBANCO AG. 1299 CONTA CORRENTE 8200062", a contribuinte apontou inúmeros equívocos da Fiscalização, relativamente aos créditos decorrentes da movimentação financeira/bancária do Sr. Sinval Galvão da Silva (CRÉDITO I). Reafirmou que o Fisco levou a tributação créditos referentes a depósitos bancários que não se traduzem em receitas tributáveis, pois tratase, na verdade, de créditos que correspondem a simples transferências de valores entre contas, depósitos de cheques devolvidos ("redepósito"), empréstimo tomado junto a instituição financeira, estornos de valores debitados indevidamente, créditos indevidos feitos na conta bancária e que foram estornados, etc. Acrescentou que, quando instada a se manifestar pelo Fisco com referência a origem dos depósitos bancários, sempre o fez identificando, na medida do que lhe era possível naquele momento e ainda que por amostragem, aqueles créditos não sujeitos à tributação. Alegou ser inverídica a afirmação do Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 18 17 Fisco, contida no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (fls. 542 e seguintes), no sentido de que o Autuado nunca apresentou documentação hábil para comprovar a origem dos depósitos bancários, pois as respostas às intimações foram baseadas nos próprios extratos bancários usados pelo Fisco, cujas informações emanadas dos extratos sempre foram claras e suficientes para a demonstração da origem dos depósitos, quando os mesmos consistiam em créditos de simples transferências, de depósitos de cheques devolvidos, de estornos de valores débitos indevidamente, de empréstimo, etc. Portanto, não era necessário qualquer outro documento para tanto. Alegou que o Fisco teve tempo mais que suficiente (mais de 02 anos) para analisar todos os extratos fornecidos pelo Autuado e pelas Instituições Financeiras e, portanto, nada justifica não ter excluído da base de cálculo usada no lançamento os créditos não sujeitos à tributação, partindo daqueles identificados pelo Autuado por amostragem e ampliando sua apuração/investigação para todos os demais existentes nestas condições nas contas bancárias. Na peça impugnatória a contribuinte relacionou, por instituição financeira, alguns créditos representados por depósitos bancários que, segundo alegou, não constituem receitas tributáveis e que, erroneamente, estão incluídos nas relações de créditos do Fisco (fls. 483/541), e requereu que a totalidade dos valores nestas condições (não apenas os demonstrados por amostragem) seja excluída da tributação. BANCO BRADESCO AG. 3520 CONTA CORRENTE 7234 Segundo a impugnante, consta enorme quantidade de lançamentos a crédito que são provenientes de reapresentação ("redepósito") de cheques anteriormente depositados e devolvidos por insuficiência de fundos, e que não se prestam a tributação, mas foram incluídos pelo Fisco em sua relação de créditos tributáveis de fls. 483/523. Conforme Demonstrativo I (fls. 3050/3051) elaborado pela impugnante foram lançados R$ 38.601,61 a crédito provenientes de reapresentacão de cheques devolvidos na conta 7234 Banco Bradesco ag. 3520 conta corrente 7234, os quais teriam sido incluídos pelo Fisco em sua relação de créditos tributáveis de fls. 483/523. Segundo alegou estas situações são aferidas diante de criteriosa análise dos respectivos extratos bancários (ANEXO I DO AUTO DE INFRAÇÃO PROCESSO 16004.000038/2011 43 fls. 335/454), mediante o cruzamento das informações relativas às devoluções de cheques e subseqüentes depósitos ocorridos. Salientou que em muitos casos os cheques devolvidos não eram individualmente depositados (redepositados) pelo Autuado diretamente no "caixa" da Instituição Financeira e que, na verdade, após serem conferidos pelo Autuado eram novamente depositados através dos "caixas automáticos", de forma que o lançamento a crédito respectivo historiava o total do depósito efetuado ("valor do envelope usado no depósito global"), e não o valor individual de cada cheque. É assim, Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 19 18 inclusive, pelo valor total do depósito, que o crédito aparece na relação de créditos tributáveis de fls. 483/523 do Fisco. Como exemplo citou o caso de 02 cheques devolvidos, no valor de R$ 100,00 cada um, serem novamente depositados pelo Autuado nos "caixas automáticos", o crédito respectivo historiado no extrato corresponderia a 01 depósito bancário de R$ 200,00, e não 02 (dois) depósitos de R$l 00,00 cada um. Segundo a impugnante, diante do exíguo tempo disposto para analisar e averiguar a grande quantidade de lançamentos constantes do extrato (ANEXO I DO AUTO DE INFRAÇÃO fls. 335/454), relacionou, apenas por amostragem, através do Demonstrativo anexo, algumas situações ocorridas até marco/2006 e que refletem créditos originados na reapresentacão de cheques devolvidos. Requereu que estes e todos os demais créditos nestas condições sejam excluídos do tributação pelo Fisco. Haveria ainda nos créditos elencados pelo Fisco como receitas tributáveis (fls. 483/523), valores que foram creditados indevidamente na conta bancária da Impugnante e na sequência estornados pela Instituição Financeira e, portanto, são créditos que nunca existiram para o Autuado e que equivocadamente foram considerados pelo Fisco. A seguir a impugnante relacionou os valores abaixo, obtidos por amostragem, e que teriam por base os extratos bancários (ANEXO I DO AUTO DE INFRAÇÃO fls. 335/454), e que deveriam ser excluídos da tributação: FLS. 341 ANEXO I dia 24/01/2006 – depósito de R$ 6.300,00, o qual foi estornado no mesmo dia sob o histórico "OPERAÇÃO IRREGULAR" através de um débito de R$ 6.300,00; FLS. 341/342 ANEXO I dia 25/01/2006 depósito de R$ 3.771,00, o qual foi estornado no dia 26/01/2006, sob o histórico "OPERAÇÃO IRREGULAR" através de um débito de R$ 3.771,00; FLS. 346 ANEXO I dia 13/02/2006 – depósito de R$ 2.042,38, o qual foi estornado no mesmo dia sob o histórico "OPERAÇÃO IRREGULAR" através de um débito de R$ 2.042,38; FLS. 347 ANEXO I dia 16/02/2006 – depósito de R$ 4.807,00, o qual foi estornado no mesmo dia sob o histórico "OPERAÇÃO IRREGULAR" através de um débito de R$ 4.807,00; FLS. 349 ANEXO I dia 23/02/2006 – depósito de R$750,00 a título de transferência entre agências, o qual foi estornado no mesmo dia sob o histórico "ESTORNO DE LANÇAMENTO" através de um débito de R$ 750,00. Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 20 19 Ressaltou que situação idêntica as narradas acima foi observada pelo Fisco, que houve por bem não considerar o crédito. Seria o caso constante às fls. 345 do Anexo I, no dia 09/02/2006, em que houve o lançamento a crédito de R$ 219.332,00, o qual foi estornado no mesmo dia sob o histórico "Operação Irregular" através de um débito no mesmo valor. Como é evidente que tal crédito nunca existiu para o Autuado, o Fisco com acerto não o elencou em sua relação de créditos tributáveis (fls. 483/523). Concluiu não haver justificativa para que os créditos em idênticas condições sejam levados pelo Fisco à tributação. Alegou que também é possível encontrar créditos correspondentes a meras transferências feitas pelo sócio da empresa, Sr. Sinval, os quais obviamente não constituem receitas tributáveis. Citou como exemplo, às FLS. 350 do ANEXO I, onde consta os lançamentos a crédito no extrato bancário, no dia 02/03/2006, nos valores de R$ 600,00 e R$ 1.579,83, historiados como "DEPOS TRANSF AUTO AT SINVAL GALVÃO DA SILVA". Alegou que podese encontrar também na relação de créditos levados a tributação pelo Fisco (fls. 483/523), valores que são oriundos de VENDA DE EQUIPAMENTOS (MAQUINÁRIOS) USADOS da Autuada. Tal constatação foi efetuada pelo próprio Fisco, mediante a intimação de fls. 459/461 ao contribuinte Marlon Schimidt, o qual foi identificado como o depositante da quantia de R$ 19.630,00, em 10/05/2006, na conta corrente em questão, conforme se observa das FLS. 374 DO ANEXO I. Em resposta ao Fisco, de fls. 462, restou informado que o valor por aquele contribuinte depositado era pagamento pela aquisição de maquinários usados, os quais eram empregados no conserto e confecção de jóias, ocorrida no ano de 2004. Logo, por se tratar de venda de equipamentos, e não de mercadorias, tal crédito não se sujeita a tributação nos moldes da imposta pelo Fisco neste lançamento, devendo referido valor ser excluído da base cálculo usada. Portanto, diante do exposto, deve ser determinado a exclusão não só dos exemplos citados por amostragem, mas de todos os créditos que encontramse nas condições aqui narradas, exatamente por não corresponderem a receitas tributáveis. BANCO UNIBANCO AG. 1299 CONTA CORRENTE 820006 2 Alegou que uma análise dos extratos da conta bancária 820006 2, do Unibanco SA (fls. 643/654 ANEXO I) revela com clareza ímpar a ocorrência de inúmeros depósitos (redepósitos) de cheques devolvidos na conta 8200062, os quais não deveriam ter sido relacionados pelo Fisco como receitas tributáveis. A impugnante relacionou no Demonstrativo II anexo à impugnação (fl. 3054), algumas situações ocorridas as quais, segundo alegou, refletem créditos originados no reapresentação de cheques devolvidos, e requereu que estes, no total de R$ 10.504,96, e todos os demais créditos nestas condições sejam excluídos da tributação. Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 21 20 BANCO UNIBANCO AG. 1299 CONTA CORRENTE 131583 4 Alegou que uma análise nos extratos da conta bancária 1315834 do Unibanco SA (FLS. 51/62 ANEXO II) DO AUTO DE INFRAÇÃO) revela que todos os valores lá depositados eram provenientes de transferências entre contas de mesma titularidade e que, no caso em questão, os créditos eram oriundos da conta bancária 1313318 do Unibanco SA (FLS. 21/ 49 A N E X O II). Citou as seguintes situações que seriam reveladoras de transferências entre contas, as quais foram indevidamente tributadas pelo Fisco (FLS. 525 e 540): lançamento a crédito de R$ 3.500,00, no dia 10/02/2006, na conta bancária 1315834 do Unibanco SA (FLS. 52 ANEXO II), de forma que o extrato da conta bancária 1313318 do Unibanco SA revela lançamento a débito "TED REMETIDA MESMA TITULARIDADE" exatamente em 10/02/2006 e no valor de R$ 3.500,00 (FLS. 23 ANEXO II); lançamento a crédito de R$ 13.900,00, no dia 06/12/2006, na conta bancária 1315834 do Unibanco SA (FLS. 62 ANEXO II), de forma que o extrato da conta bancária 1313318 do Unibanco SA revela lançamento a débito "TRANSFERENCIA PARA TERCEIRO" exatamente em 05/12/2006 e no valor de R$ 13.900,00 (FLS. 48ANEXO II). BANCO UNIBANCO AG. 1299 CONTA CORRENTE 131331 8 Alegou que uma análise dos extratos da conta bancária 1313318 do Unibanco SA (FLS. 21/49 ANEXO II), revela com clareza ímpar a ocorrência de inúmeros depósitos (redepósitos) de cheques devolvidos, os quais, por óbvio, não deveriam ter sido relacionados pelo Fisco como receitas tributáveis, mas foram (fls. 524/541). A impugnante relacionou no Demonstrativo III anexo à impugnação (fl. 3056), algumas situações ocorridas as quais, segundo alegou, refletem créditos originados na reapresentação de chegues devolvidos, requerendo que estes, no total de R$ 63.715,22, e todos os demais créditos nestas condições sejam excluídos da tributação pelo Fisco. Ressaltou que na hipótese de reapresentação de cheques devolvidos, o respectivo crédito era sempre lançado na conta corrente 1313318 como "DEPÓSITO EM CHEQUE" (Vide extratos no ANEXO II FLS. 21/49) e, com efeito, todos os lançamentos a crédito constantes nos extratos bancários relativos à conta 1313318, cujo histórico seja "DEPÓSITO EM CHEQUE", são provenientes de reapresentação de cheques devolvidos, e portanto, deveriam ser excluídos da relação de créditos tributáveis do Fisco (fls. 524/541). Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 22 21 Alegou haver ainda nos créditos elencados pelo Fisco como receitas tributáveis (fls. 524/541), valores que foram creditados na conta bancária da Impugnante pela Instituição Financeira apenas como estorno de débitos indevidamente realizados e que, portanto, não são receitas tributáveis, mas equivocadamente foram considerados pelo Fisco. Citou, como amostragem, os seguintes valores que teriam como base os próprios extratos bancários (ANEXO II DO AUTO DE INFRAÇÃO FLS. 21/49): FLS. 49 ANEXO II dia 20/12/2006 – crédito de R$ 4.475,00: o mesmo se constitui apenas em devolução de numerário, que anteriormente havia sido debitado na conta 1313318 através de DOC emitido, mas não efetivado diante de divergência no CNPJ do beneficiário. Segundo afirmou, no dia 19/12/2006, conforme extrato da conta 1313318 (FLS. 49 ANEXO II), a Impugnante emitiu um DOC para a AGF ARTEFATOS GEMA E FUNDIÇÕES LTDA, para pagamento de matéria prima pela mesma fornecida (ouro para industrialização, chamado ouro mil — teor 0,999). Assim, foi debitado de sua conta a importância de R$ 4.475,00, sob o título "EMISSÃO DOC C BRADESCO SA. AGF ARTEFA". No dia 20/12/2006, diante da constatação de uma divergência no CNPJ indicado no DOC emitido pela Impugnante, a instituição financeira devolveu o valor anteriormente debitado. Assim, creditou na conta corrente, sob o título "DOC DEV. DIVERGÊNCIA CPF CNPJ AG. CONTA", a exata quantia de R$ 4.475,00 (fl. 49 anexo II); FLS. 37 ANEXO II dia 13/07/2006 – crédito de R$ 30.400,00: tratase apenas de um estorno realizado pela instituição financeira, em razão de um lançamento a débito em duplicidade. Segundo afirmou, da análise do extrato da conta 1313318 (fls. 37 Anexo II), verificase que no dia 13/07/2006 ocorreu em duplicidade um lançamento a débito relativo a "TED – REMETIDA BRADESCO SIMONE SALVIANO D", cada qual no valor de R$ 30.400,00. A fim de estornar um dos débitos indevidamente lançados, a instituição financeira, no mesmo dia 13/07/2006, promoveu um lançamento a crédito, historiado como "DEVOLUÇÃO TED C/CH. TITULAR PG CX.AG.", no exato valor de R$ 30.400,00 (fls. 37– Anexo II). Solicitou, diante do exposto, a exclusão não só dos exemplos citados por amostragem, mas de todos os créditos que encontramse nas condições aqui narradas, exatamente por não corresponderem a receitas tributáveis. BANCO SUDAMERIS AG. 1735 CONTA CORRENTE 9010270 Alegou que uma análise dos extratos da conta bancária 9010270 do Sudameris SA (FLS. 162/191 ANEXO II), revela com clareza ímpar a ocorrência de inúmeros depósitos (redepósitos) de cheques devolvidos, os quais, por óbvio, não deveriam ter sido relacionados pelo Fisco como receitas tributáveis, mas foram (fls. 524/541). Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 23 22 A impugnante relacionou no Demonstrativo IV anexo à impugnação (fl. 3061), algumas situações ocorridas as quais, segundo alegou, refletem créditos originados na reapresentação de cheques devolvidos, requerendo que estes, no total de R$ 29.419,80, e todos os demais créditos nestas condições sejam excluídos da tributação. Alegou haver ainda dentre os créditos elencados pelo Fisco como receitas tributáveis (fls. 524/541), valores que foram creditados na conta bancária da Impugnante pela Instituição Financeira a título de empréstimo. Citou os seguintes valores que estariam nessas condições: FLS. 181 ANEXO II dia 04/08/2006 – crédito no valor de R$ 40.000,00: o mesmo se constitui em empréstimo tomado pela Impugnante junto à instituição financeira. Afirmou que é possível aferir pelos extratos da referida conta bancária que no dia 04/08/2006 houve um lançamento a crédito de R$ 40.000,00, sob o histórico "LÍBER. CONTR. 93/0680753" (fl. 181 anexo II). Referido empréstimo foi pago, através de débito na própria conta, em 06 parcelas mensais de R$ 7.182,06, que totalizaram R$ 43.092,36. Assim, o podese constatar através dos extratos (FLS. 183, 185, 187 e 189 — anexo II), que nos meses de Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro do ano de 2006, exatamente no dia 04 de cada mês, existiram lançamentos a débito no valor de R$ 7.182,06 cada um, sempre historiados como "PAGTO. CONTR. 93/0680753", os quais corresponderam ao pagamento das primeiras 04 parcelas do empréstimo. Solicitou, diante do exposto, a exclusão não só dos exemplos citados por amostragem, mas de todos os créditos que encontramse nas condições aqui narradas, exatamente por não corresponderem a receitas tributáveis. BANCO NOSSA CAIXA AG. 540 CONTA CORRENTE 40009897 Alegou que uma análise dos extratos da conta bancária 040009897 da Nossa Caixa Nosso Banco SA (FLS. 80/86 ANEXO II), revela com clareza ímpar a ocorrência de depósitos (redepósitos) de cheques devolvidos, bem como de créditos referentes a estornos de débitos indevidos, os quais, por óbvio, não poderiam ter sido considerados pelo Fisco. Assim, segundo alegou, os lançamentos com histórico "TAR OP ATI", "JRS. CTRS.", referemse a estornos de débitos feitos indevidamente na conta. Já os lançamentos com histórico "DEV. CH. BLQ.", que reteremse a reapresentação para depósito de cheques devolvidos. Portanto, estaria equivocada a inclusão pelo Fisco dos respectivos valores na relação de créditos tributáveis (fls. 524/541), motivo pelo qual requereu que sejam os mesmos excluídos da tributação. Por fim, concluiu que dentre os créditos levados a tributação, elencados pelo Fisco nas suas relações de fls. 483/523 e 524/541, há inúmeros que não correspondem a receitas auferidas e, portanto, a revisão do lançamento tributário, com a exclusão de TODOS os créditos não sujeitos a tributação, é medida de justiça. Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 24 23 4 Da indevida aplicação da multa agravada (150%) Alegou que para aplicação da multa de ofício de 150% é indispensável comprovar tratarse de casos de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, e que embora o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença de dolo, um comportamento intencional., específico, de causar dano à fazenda pública, mediante a utilização de subterfúgios que escamoteiam a ocorrência do fato gerador. Alegou que a fiscalização indicou sucintamente (fls. 550/552) que o contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários em suas contas, bem como utilizou, para desempenho de sua atividade, as contas bancárias do seu sócio, Sr. Sinval Galvão, e ainda que da análise do Livro Caixa n° 010 não foi possível a identificação detalhada dos lançamentos referentes aos registros de movimentação financeira. Segundo a impugnante a justificativa do Fisco é precária e infundada e já é suficiente para afastar o indevido agravamento da multa, e que o Fisco não quis admitir foi que toda a movimentação financeira, em especial a referente as contas bancárias em nome do sócio Sinval Galvão, estava registrada no livro caixa nº 010, o que espanca qualquer imputação de fraude ou conduta dolosa. Acrescentou que nunca se ocultou da fiscalização, em nenhum momento dificultou ou criou embaraços à ação fiscal e sempre respondeu as notificações do Fisco e sempre facultou ao Fisco a quebra de seu sigilo fiscal. Após citar a Súmula n° 14 do 1° Conselho de Contribuintes "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", solicitou o cancelamento da penalidade ao argumento de não ter ficado caracterizado qualquer das hipóteses ensejadoras de sua aplicação, nem o necessário "evidente intuito de fraude". 5 Dos lançamentos reflexos (Pis, Cofins, CSLL e INSS) Alegou que pela estreita relação de causa e efeito, bem como porque os lançamentos possuem a mesma base factual, as objeções trazidas na presente Impugnação, nas matérias que dizem respeito à tributação do IRPJ, devem, por pertinentes, ser consideradas igualmente como oponíveis aos Autos de Infração lavrados por via reflexa, para exigência dos demais tributos incidentes sobre matérias idênticas (PIS, COFINS, CSLL e INSS). 6 Do requerimento Requereu, preliminarmente, que seja reconhecida a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO (e reflexos) e, acaso superada a questão preliminar, no mérito seja reconhecida a INSUBSISTÊNCIA TOTAL do lançamento tributário (e reflexos), por ser uma medida de justiça. Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 25 24 Esta Turma de Julgamento, por meio da Resolução 14001.592 (fls. 3121/3141), entendendo que a fiscalização pouco argüiu de forma precisa contra as razões apresentadas pela contribuinte para não considerar comprovada a origem dos valores depositados, decidiu por converter o julgamento em diligência para a fiscalização manifestarse a respeito de cada uma das alegações e esclarecimentos prestados pela contribuinte durante o procedimento fiscal e, se fosse o caso, rever o lançamento, cientificando a interessada de todos os termos eventualmente lavrados. Em atendimento, o autor de procedimento fiscal, após exaustivo trabalho de revisão e análise dos argumentos da impugnante, emitiu a Informação Fiscal de fls.3234/3283. Com relação aos créditos decorrentes da movimentação bancária da pessoa física do Sr. Sinval Galvão da Silva a autoridade fiscal alegou no item 1.5 que as justificativas do contribuinte foram todas apreciadas e analisadas, sendo que não houve alteração de valores (CRÉDITO I). Mais adiante (fl. 3275) assim justifica: Permanecem os mesmos valores, posto que o contribuinte não se manifestou a respeito destes na impugnação, conforme relatado no item 1.5. Com relação aos créditos/depósitos nas contas da pessoa jurídica (CRÉDITO II) reconheceu, em parte, a procedência das alegações da impugnante e excluiu diversos valores da relação de depósitos de origem não comprovada. Manifestandose sobre a Informação Fiscal a impugnante alegou que é certo que a Impugnação apresentada pelo contribuinte traz no tópico "III.3 DOS CRÉDITOS QUE NÃO CORRESPONDEM A RECEITAS AUFERIDAS E QUE FORAM CONSIDERADOS PELO FISCO NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DOS RESPECTIVOS VALORES DA BASE DE CÁLCULO USADA PELO FISCO", sob os títulos BANCO BRADESCO AG. 3520 CONTA CORRENTE 7234 e BANCO UNIBANCO AG. 1299 CONTA CORRENTE 8200062", mais de 06 (seis) laudas apontando inúmeros equívocos da Fiscalização, relativamente aos créditos decorrentes da movimentação financeira/bancária do Sr. Sinval Galvão da Silva (CRÉDITO I, como adotado pelo Fisco). Com efeito, permitese acreditar que o Fisco não tenha atentado para tais argumentos, de forma que tenham passado desapercebidos. Com relação a movimentação financeira da empresa Sing Jóia Diferente Comercial LtdaME, resumida no quadro crédito II, alegou que merece destaque a enorme quantidade de ajustes e exclusões, em especial as que são tardiamente reconhecidas pela Fiscalização (ou seja, exclusões propostas após a lavratura do auto e apresentação de impugnação), o que revela a precariedade, insegurança e incerteza que nortearam a presente ação. Por fim, destacou que além dos erros reconhecidos pelo Fisco através das exclusões sugeridas/aceitas no curso do processo Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 26 25 administrativo, em razão obviamente da impugnação ofertada, ainda há que se considerar as exclusões que fatalmente necessitarão ocorrer, na medida em que as justificativas apresentadas relativamente aos créditos da movimentação financeira da pessoa física forem analisadas de forma efetiva, o que até então não aconteceu. Em sessão de 21 de agosto de 2013 a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir parte dos valores imputados como omissão de receita, mantendo, contudo a qualificação da multa em 150%, para os créditos remanescentes. Da decisão a DRJ apresentou Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Com o provimento parcial da impugnação, a interessada apresentou petição (fls. 3.390) na qual abdicou do direito de recorrer a este Conselho, informando que promoveu o pagamento dos créditos mantidos na decisão, à vista, com os benefícios conferidos pelas Leis n. 11.941/2009 e 12.865/2013. Constam dos autos cópias dos DARF relativos a esses pagamentos (fls. 3.401 e ss.), assim como manifestação da Receita Federal (fls. 3.455) no sentido de que os montantes foram pagos a partir da reabertura do prazo previsto na Lei n. 11.941/2009. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como se observa da longa descrição dos fatos e do trâmite do processo, cuidase, neste voto, apenas do Recurso de Ofício apresentado pela Delegacia de Julgamento, pois houve o pagamento dos valores mantidos pela decisão ora recorrida. Nada obstante e independentemente do resultado final deste processo , entendo que a autoridade competente deverá analisar os pagamentos efetuados e confrontálos com o montante exonerado pela Delegacia de Julgamento, a fim de verificar a integral correspondência entre os valores. Restanos, pois, analisar os fundamentos que levaram o Acórdão de origem a exonerar parte do crédito tributário autuado. A exigência decorre de omissão de receitas, representada por depósitos bancários de origem não comprovada, de sorte que foram tributados tanto os créditos efetuados Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 27 26 na conta da empresa como aqueles verificados na conta de titularidade do sócio principal, Sr. Sinval Galvão da Silva. A fiscalização, depois da solicitação de diligência pela Delegacia de Julgamento de origem, retificou os cálculos e os dividiu em duas tabelas, uma relativa à pessoa física e outra com a apuração da pessoa jurídica (Crédito I e Crédito II). E foi justamente o montante tributado em razão dos depósitos na pessoa física que foi exonerado pela decisão recorrida. Depois de longa análise da movimentação bancária (fls. 3.348 e ss.), os julgadores concluíram que não houve, conforme determinação legal, intimação para que a empresa justificasse a origem dos referidos depósitos. Reproduzimos, a seguir, os argumentos expendidos na decisão, pela sua relevância: Tratandose de omissão de receita oriunda de uma presunção legal – depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos utilizados nestas operações –, e sendo juris tantum, ela transfere o ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação tributária, o contribuinte. Evidentemente, quando se pretende imputar a titularidade dos valores creditados em conta bancária a terceira pessoa, para atribuirlhe a responsabilidade da comprovação de sua origem e conseqüentemente inverter o ônus da prova do montante tributável como omissão de receitas, cabe ao Fisco, além do procedimento de intimação, primordialmente demonstrar, de forma robusta, a efetiva titularidade da conta bancária, mesmo que tal demonstração esteja calcada em indícios os quais devem conduzir inequivocamente à convicção de que o fato é verdadeiramente aquele que se quer provar (transferência de titularidade) e que não esteja apenas baseado em meras suposições ou dê margem a outro tipo de conclusão. Nos presentes autos entendo que ficou caracterizada a transferência de titularidade, fato este não contestado. Entretanto, uma vez comprovado que os valores movimentados nas contas da pessoa física de Sr. Sinval Galvão da Silva pertencem de fato à pessoa jurídica da qual é sócio, deveria a fiscalização relacionar individualmente cada depósito/crédito e intimar o efetivo titular da conta, no caso a empresa, a comprovar origem dos recursos utilizados nessas operações. Esta é a carga probatória atribuída ao Fisco, o qual precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada e intimar o contribuinte (titular efetivo da conta) a fim de satisfazer o onus probandi a seu cargo. Não o fazendo, não há como considerar caracterizada a hipótese legal que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 28 27 E, examinando os autos, não constatei intimação para a empresa comprovar a origem dos depósitos feitos nas contas abertas em nome de Sinval Galvão da Silva, apenas este foi intimado, e informou que os recursos eram decorrentes da atividade da empresa. Entendo que foi por essa razão que a empresa, durante os trabalhos fiscais, não se manifestou a respeito dos valores creditados na conta corrente da pessoa física, só vindo a fazer na impugnação. Ora, diante disso, é forçoso reconhecer que a fiscalização, ao deixar de intimar a empresa para comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária aberta em nome de sócio, não agiu conforme o mandamento contido na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, implicando assim na invalidade da presunção da omissão de receita com base em depósitos de origem não comprovada. Com efeito, há que ser excluído da relação de depósitos de origem não comprovada todos os valores dos créditos/depósitos feitos nas contas bancárias abertas em nome de Sinval Galvão da Silva, no montante de R$ 6.276.416,90 (CRÉDITO I). A base legal da infração, como vimos, é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (grifamos) Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 29 28 A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Contudo, é evidente que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. Como tal conduta não foi observada in casu, entendo que não merece reparos, neste ponto, a decisão recorrida, até porque a intimação, na exata dicção do artigo 42, não é faculdade da autoridade fiscal, mas sim providência essencial para que a presunção possa servir de base para a tributação por omissão de receitas. Sem a devida diligência do Fisco a lei não autoriza a imputação automática da infração nem a definição, tabula rasa, da base de cálculo. Compete à autoridade perquirir e analisar os documentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, de forma que a ausência de tal providência macula o lançamento efetuado. Nesse sentido a inteligência da Súmula n. 29 deste Conselho: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. De se notar que, no caso dos autos, os depósitos pertenciam à empresa, circunstância que não foi afastada pela fiscalização, que os tributou na pessoa jurídica. Esta deveria, pois, ser intimada e ter a oportunidade de se manifestar. Portanto, considero acertada a decisão de primeira instância, em homenagem aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. No que tange aos valores apurados nas contas da pessoa jurídica, a decisão promoveu ajustes na base de cálculo apurada pela fiscalização, para reconhecer que alguns montantes deveriam ser excluídos, como nas hipóteses de reapresentação de cheques devolvidos, estornos efetuados na mesma data e devolução de numerário. Por força desses ajustes, o valor original autuado, de R$ 3.265.390,41, foi reduzido para R$ 2.942.009,20, conforme tabela de fls. 3.353 e 3.354. Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16004.000038/201143 Acórdão n.º 1201001.357 S1C2T1 Fl. 30 29 Entendo corretas, porque comprovadas, as referidas exclusões. No mais, a decisão de primeira instância afastou os argumentos de nulidade e de decadência, e confirmou a multa qualificada de 150% para os créditos remanescentes. Como a empresa afirma ter efetuado o pagamento desses montantes, na sistemática da Lei n. 11.941/2009, cabe à Delegacia de Jurisdição do contribuinte, no momento em que finalizar os procedimentos relativos a este processo, verificar a correlação entre os valores recolhidos/parcelados e o crédito tributário aqui mantido. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso de Ofício e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 12466.000947/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/02/2002 a 05/11/2003
Não tem esse grau de julgamento ou segunda instância administrativa competência para julgar recurso não previsível na legislação pertinente
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3402-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, pois não cabe recurso voluntário contra decisão deste colegiado que deu provimento a recurso de ofício..
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, pois não cabe recurso voluntário contra decisão deste colegiado que deu provimento a recurso de ofício.. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, pois não cabe recurso voluntário contra decisão deste colegiado que deu provimento a recurso de ofício.. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 09 47 /2 00 4- 64 Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Tratase de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 30239.533 de 18 de junho de 2008 proferido pela Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, fls. 1.972, que pelo voto de qualidade, acordou em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do redator designado o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa que redigiu o voto vencedor em fls. 1.973 verso a 1.977 dando provimento ao recurso de ofício apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O referido acórdão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Período de Apuração: 16/02/2002 a 05/11/2003 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RECURSOS DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Considerase ocorrida a presunção legal de interposição fraudulenta quando não comprovada a origem dos recursos empregados em atividade de comércio exterior, independentemente da demonstração de vínculo entre estes e cada operação de importação realizada. Recurso de Ofício Provido. Em 22 de junho de 2011 a Recorrente tomou ciência da referida decisão, AR fls. 1981 verso. Assim, em 21/07/2011 a Recorrente interpôs Recurso Voluntário da decisão proferida pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes acima mencionada em fls. 1.983 a 1.991. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, mas dele não tomo conhecimento, pois não é pertinente sua interposição, por não haver previsão na legislação de regência. O Recurso Voluntário é recurso de contribuinte em fase da decisão de primeira instância administrativa. A decisão que se pretendia recorrer é contra decisão dessa segunda instância administrativa proferida pela Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso de Ofício da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contudo, não tem esse grau de julgamento ou segunda instância administrativa competência para julgar recurso não previsível na legislação pertinente. Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso apresentado pelo contribuinte. É como voto. VALDETE APARECIDA MARINHEIRO – Relatora. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 12466.000947/200464 Acórdão n.º 3402002.941 S3C4T2 Fl. 3 3 Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720599/2010-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 05 99 /2 01 0- 41 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 160), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Pis nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010 (AR fls. 30). Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise (fls. 02 e 57), pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720599/201041 Acórdão n.º 3802002.287 S3TE02 Fl. 162 3 o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 160), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2009. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 89 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 131 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720599/201041 Acórdão n.º 3802002.287 S3TE02 Fl. 163 5 Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720599/201041 Acórdão n.º 3802002.287 S3TE02 Fl. 164 7 eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10480.727379/2012-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DCTF. DIPJ. DIVERGÊNCIAS.
Constatado que os débitos confessados em DCTF são inferiores aos valores informados em DIPJ, dada a discriminação de bases de cálculos constantes nesta última, prevalecerão as informações contidas na DIPJ, salvo se o contribuinte demonstrar o contrário.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
O não atendimento de intimação para comprovar documentalmente fato escriturado ou declarado importa inversão do ônus da prova.
DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS.
A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.
Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na determinação do lucro real.
DESPESA. DÉBITO PARCELADO.
A despesa com tributos é dedutível na apuração do lucro real segundo o regime de competência. Compete ao contribuinte provar que não deduziu no tempo oportuno tal gasto, se intenta excluí-lo do lucro real de período ulterior.
Numero da decisão: 1402-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DESPESAS. NECESSIDADE. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis do lucro real as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS. INTIMAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. O não atendimento de intimação para comprovar documentalmente fato escriturado ou declarado importa inversão do ônus da prova. DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 73 79 /2 01 2- 49 Fl. 5556DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.557 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na determinação do lucro real. DESPESA. DÉBITO PARCELADO. A despesa com tributos é dedutível na apuração do lucro real segundo o regime de competência. Compete ao contribuinte provar que não deduziu no tempo oportuno tal gasto, se intenta excluílo do lucro real de período ulterior. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DCTF. DIPJ. DIVERGÊNCIAS. Constatado que os débitos confessados em DCTF são inferiores aos valores informados em DIPJ, dada a discriminação de bases de cálculos constantes nesta última, prevalecerão as informações contidas na DIPJ, salvo se o contribuinte demonstrar o contrário. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Fl. 5557DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.558 3 Relatório CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 08 27.202 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleca/CE que julgou procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ (fls 3/46), da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls 47/78), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 79/85) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins (fls 86/92), com fatos geradores ocorridos nos anos de 2008, 2009 e 2010, compondo um crédito tributário de R$ 26.325.442,37, já computados os juros moratórios e a multa de ofício (75%). 2. Consoant e Descrição dos Fatos contida nos Autos de Infração (AIs), Termo de Verificação Fiscal (TVF) (fls 94/127) e Planilhas Demonstrativas (fls 128/132), o contribuinte incorreu nas seguintes infrações fiscais: (i) DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS, uma vez que o contribuinte não comprovou que as despesas lançadas nas contas 3.3.6.01.011 Viagens, 3.3.7.02.020 – Eventos, 3.3.7.02.018 – Promoção, são consideradas necessárias à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora (fatos geradores em 2010) (arts. 299 e 300 do RIR/99); (ii) DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS, na medida que o contribuinte deixou de apresentar a documentação comprobatória de diversas despesas lançadas nas contas 3.3.3.01.004 – ICMS, 3.3.5.04.006 Consultoria, 3.3.7.02.016 Mídia Imprensa, 3.3.6.01.011 – Viagens, 3.3.7.02.020 – Eventos e 3.3.5.04.006 Consultoria (fatos geradores em 2008, 2009 e 2010); (iii) DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DE ROYALTIES SEM OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS, já que o contribuinte não comprovou a averbação no INPI do contrato de cessão de uso de marcas (fatos geradores em 2008, 2009 e 2010); (iv) FALTA DE TRIBUTAÇÃO DE OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS, porquanto o contribuinte deixou de comprovar diversos lançamentos de estorno efetuados no primeiro trimestre de 2009 nos grupos das contas 4.4.1 – Receitas Não Operacionais – e 4.3.1 – Outras Receitas Operacionais (fato gerador em março de 2009); Fl. 5558DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.559 4 (v) OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA, caracterizada pela falta de comprovação de diversos lançamentos de estorno efetuados no grupo da conta 4.3.2 Receita Financeira, especialmente na conta 4.3.2.01.002 Descontos Obtidos (fato gerador no 1º trimestre de 2009); (vi) FALTA DE ADIÇÃO DE DESPESA INDEDUTÍVEL, referente a valores lançados na conta contábil 3.3.7.02.002 – Brindes (fatos geradores em 2008, 2009 e 2010); (vii) DECLARAÇÃO INSUFICIENTE DO IRPJ, na medida que o valor do imposto confessado na DCTF é inferior ao informado na DIPJ (fato gerador no 1º trimestre de 2010); (viii) AJUSTE INDEVIDO DO REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO (RTT), dado que o sujeito passivo excluiu ilegalmente as receitas de incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Paraíba, contrariando o capítulo II da Lei n° 11.941, de 2009 (fatos geradores em 2010). 3. Por configurarem exigências reflexas ao IRPJ, as infrações ensejaram o lançamento da CSLL. Apenas a infração (iv) deu azo aos lançamentos do PIS/Pasep e da Cofins. 4. Cientificado pessoalmente dos AIs em 05.06.2012, o contribuinte apresentou impugnatória (fls 5305/5325), na qual requer a improcedência dos lançamentos tributários, com base nos argumentos abaixo sumariados: (i) São os nulos os lançamentos do IRPJ e da CSLL, decorrentes da insuficiente comprovação da necessidade das despesas glosadas, uma vez que a autoridade fiscal não apresenta os motivos (de fato) que balizaram tal entendimento (art. 10, III, do Decreto n° 70.235/72; Acórdão Carf n° 110100.622, sessão de 23.11.2011); ademais, foram produzidas as provas possíveis (notas fiscais e comprovantes de despesas), levando em conta que elas dizem respeito à contratação e tomada de serviços de natureza imaterial (viagens, eventos e promoção) (arts. 923 e 924 do RIR/99) (Acórdão Carf n° 1301000.755, sessão de 24.11.2011) [infração (i)]; (ii) As glosas realizadas pela autoridade tributária são improcedentes porque o impugnante possui e apresentou, seja no curso da fiscalização (fls 349/370), seja na fase de impugnação, toda a documentação hábil e idônea a comprovar a materialidade e a efetividade das despesas incorridas [infração (ii)]; (iii) O impugnante, em relação às marcas “NAGEM” e “NAGEM INFORMÁTICA”, fez prova de seu registro perante o INPI, conforme se verifica dos certificados de registro de marca colacionados aos autos (fls 666/673), bem como da celebração do contrato de licença de uso com a empresa DSI Empreendimentos Ltda. (fls 674/684); ademais, a exigência do registro no órgão de proteção não constitui obstáculo à dedutibilidade da despesa, porquanto o vocábulo “terceiros”, empregado no caput do art. 140 da Lei n° 9.279/96, deve ser compreendido apenas no sentido de “particulares”, não sendo aplicável ao Estado Brasileiro, perante o qual interessa saber apenas se há prova do uso da marca (art. 2º, III, e art. 140, § 2º, da Lei n° 9.279/96) [infração (iii)]; Fl. 5559DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.560 5 (iv) Os incentivos fiscais, na forma de crédito presumido de ICMS, concedidos ao contribuinte pelo Estado da Paraíba no ano de 2010, mas condicionados à implantação de uma unidade fabril (filial 20) nessa unidade da federação, não compõem a base de cálculo do IRPJ, por se tratar de típica subvenção para investimento, e não subvenção para custeio (art. 443 do RIR/99; arts.15, caput e § 4º, 16, 18 e 21, da Lei n° 11.941, de 2009); para receber o crédito presumido o impugnante cumpriu os termos do acordo celebrado com o Estado (Termo de Acordo n° 2010.000053 fls 449/450), implantou a nova filial, tudo com base no Decreto nº 23.210, de 2002; nada obstante, observase que somente com a edição da Lei n° 11.638, de 2007, as subvenções para investimentos passaram a ser registradas como receita, mas, ainda assim, elas continuam não sendo tributáveis, tanto para fins de IRPJ quanto de CSLL, conforme preceituam os arts. 15, caput e § 4º; 16; 18 e 21, todos da Lei n° 11.941, de 2009, que instituiu o Regime Tributário de Transição RTT [infração (viii)]; (v) O valor do IRPJ lançado, alusivo ao primeiro trimestre de 2010, resultou do confronto entre os valores informados na DIPJ e na DCTF, colhendose o de maior expressão numérica (DIPJ), de modo que os fatos padecem de vício de investigação pela autoridade fiscal (art. 142 do CTN e art. 904 do RIR/99), que haveria de ter consultado a contabilidade, cujo conteúdo informativo tem primazia sobre as declarações (arts. 923 e 924 do RIR/99); ademais, a função exercida pela DIPJ em nosso sistema tributário federal já não possui o mesmo peso fiscal de outrora, devido ao fato de ter perdido sua função clássica de instrumento para a apuração do imposto devido, transformandose em documento meramente informativo [infração (vii)]; (vi ) Os valores estornados dizem respeito a receitas, como tais anteriormente contabilizadas, que seriam utilizadas pelo impugnante para a promoção de campanhas de venda e de marketing de produtos dos seus fornecedores, os quais, por discordância quanto aos valores a serem por eles pagos, acabaram cancelando os eventos promocionais programados, porém não realizados; de mais a mais, o impugnante não dispunha à época, como tampouco hoje dispõe, de meios para justificar o estorno, justamente por se tratar de prova diabólica (comprovar um nãofato), seja das receitas não realizadas, seja do cancelamento dos eventos promocionais (campanhas de venda e de marketing); por fim, os valores estornados não caracterizam receitas tributáveis, razão pela qual não deveriam mesmo compor a base imponível do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins [infração (iv)]; (vii) Os valores estornados dizem respeito a receitas financeiras de descontos concedidos por fornecedores (conta nº 4.3.2.01.002), como tais anteriormente contabilizadas, mas que, por discordância quanto aos seus montantes, deixaram de ser reconhecidos pelos fornecedores; de mais a mais, o impugnante não dispunha à época, como tampouco hoje dispõe, de meios para justificar o estorno, justamente por se tratar de prova diabólica (comprovar um nãofato), seja das receitas financeiras não realizadas, seja do cancelamento dos descontos; por fim, os valores estornados não caracterizam receitas tributáveis, razão pela qual não deveriam mesmo compor a base imponível do IRPJ e da CSLL [infração (v)]. Fl. 5560DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.561 6 Em análise da impugnação apresentada, a 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE julgoua parcialmente procedente, exonerando o crédito tributário referente à infração de omissão de receitas relativa a crédito presumido de ICMS por considerar tal benefício fiscal como uma subvenção para investimento. Em razão do montante de tributos exonerado, recorreuse de ofício ao CARF. O contribuinte foi cientificado da decisão em 20 de novembro de 2013 (fl. 5.510), apresentando em 06 de dezembro de 2013 o recurso voluntário de fls. 55125532. Reforça todos os argumentos expendidos em sua impugnação, que abordam os seguintes temas: a suposta ilegalidade do art. 355, § 3º, do RIR/99; da ausência de necessidade de averbação do contrato de cessão de marcas junto ao INPI para fins de dedutibilidade de despesas com royalties; o lançamento referente à divergência entre DCTF e DIPJ não poderia prosperar, uma vez que o contribuinte não reconheceu que haveria erro nos valores informados em DCTF, não cabendo se cogitar de inversão do ônus da prova no caso concreto, e, na ausência de outros elementos de prova que deveriam ser angariados pela autoridade autuante, o lançamento feriria o art. 142 do CTN, e arts. 904, §§ 1º e 2º, 923 e 924 do RIR/99 (escrituração seria mantida com observação das disposições legais, fazendo prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, o que jamais sequer teria sido ventilado). A respeito do tema argumenta ainda que o próprio julgador da DRJ teria reconhecido que a DCTF, por sua força constitutiva de crédito tributário teria prevalência em relação à DIPJ, de caráter meramente informativo. Contudo, tanto o lançamento quanto o acórdão guerreado teriam dado maior força probante à DIPJ pelo simples fato de constar valor maior nesta declaração do que naquela; ataca a glosa de despesas, algumas consideradas desnecessárias e outras não comprovadas, bem como em relação à tributação dos valores referentes a estornos escriturados em contas de receita. A respeito da decisão da DRJ, requer a declaração de sua nulidade por cerceamento de seu direito de defesa em razão: (i) decisão recorrida não teria se pronunciado sobre alegação de que não há previsão legal a atrelar a dedutibilidade de despesas com royalties à averbação do contrato no INPI; (ii) ausência de análise dos argumentos referentes à exigência de IRPJ do primeiro trimestre de 2010 advindo das divergências de informações entre DIPJ e DCTF; (iii) a ausência de análise de seus argumentos referente aos lançamentos estornados no primeiro trimestre de 2009. É o relatório. Fl. 5561DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.562 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de tributo e/ou multa em valor superior a R$ 1.000.000,00 (m milhão de reais). Assim, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, restam preenchidos os pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Passo à análise dos recursos. 2. RECURSO DE OFÍCIO A questão controvertida é relativamente simples. Tratase da exigência de IRPJ e reflexos referente a suposta omissão de receitas advinda de incentivos fiscais concedido pelo Estado da Paraíba sob a forma de crédito presumido de ICMS. A decisão de primeira instância, ao analisar a impugnação apresentada, concluiu tratarse de subvenção para investimento, não podendo, portanto, ser submetida ao crivo da tributação. Compulsando os autos, entendo perfeita a decisão recorrida, uma vez que o incentivo fiscal em debate possui características que o classificam, sem sombra de dúvidas, como subvenção para investimento. A redação original do art. 182 da Lei nº 6.404/76 ( Lei das S/A LSA) estipulava que os valores relativos a doações e subvenções recebidos pelas empresas deveriam ser registrados em conta de Reserva de Capital, não compondo, portanto, o resultado e o lucro líquido do exercício. Já o § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77, alterado pelo Decretolei nº 1.730/79, assim determina: Art. 38. [...] § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) Fl. 5562DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.563 8 b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. De acordo com as novas normas contábeis, tais valores devem ser contabilizados como receitas. Contudo, sob a égide do Regime Tributário de Transição e também após o advento da Lei nº 12.973/2014 , tais valores devem ser excluídos para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante disso, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais transcrevo para evitar tautologia, por economia processual e com a autorização do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: 5. Por fim, o impugnante se insurge contra a tributação, em 2010, de receitas de incentivos fiscais concedidos pelo Estado da Paraíba, sob a forma de crédito presumido de ICMS [infração (viii)]. 6.De acordo com o TVF, o contribuinte lançou o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Paraíba na conta de receita 4.5.1.01.001 Incentivos Fiscais. Todavia, efetuou ajuste mediante inclusão na linha 02 da ficha 09 A Demonstração do lucro real (Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT), reduzindo, assim, indevidamente o lucro líquido do exercício para efeito de apuração do lucro real em cada trimestre. 7. A autoridade fiscal fundamentou o ato no art. 392 do RIR/991 e na Solução de Consulta SRRF/4ªRF/DISIT nº 18, de 20052. 8.De outra parte, o impugnante sustenta que os incentivos fiscais, na forma de crédito presumido de ICMS, concedidos ao contribuinte pelo Estado da Paraíba no ano de 2010, não compõem a base de cálculo da contribuição, por se tratar de típica subvenção para investimento, e não subvenção para custeio (art. 443 do RIR/99; arts.15, caput e § 4º, 16, 18 e 21, da Lei n° 11.941, de 2009). Para receber o crédito presumido, a impugnante cumpriu o acordo celebrado com o Estado, implantando uma nova unidade fabril (filial 20) naquela unidade da federação (Termo de Acordo n° 2010.000053 fls 5341/5351), com observância do Decreto nº 23.210, de 2002. 9.Observase, a partir da documentação juntada nos autos, que o Estado da Paraíba concedeu ao contribuinte regime especial de tributação do ICMS, dentro do qual a modalidade de crédito presumido, com vigência no período de 01.03.2010 a 31.12.2015, conforme Termo de Acordo de Regime Especial – TARE. 1 Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n° 4.506 de 1964, art.44, inciso IV); 2 O incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PB) n° 23.210, de 2002, constitui para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo da CSLL e do IRPJ, visto tratarse de receita que compõe o resultado operacional e o lucro real da pessoa jurídica, como também integrará as bases de cálculo do pis e da cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de isenção. Fl. 5563DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.564 9 10. De acordo com a cláusula primeira, parágrafo primeiro, do referido Termo, o crédito presumido corresponde à diferença entre o valor do débito apurado sobre as saídas com base nas alíquotas de 17%, 25% e 12% e o débito gerado sobre as respectivas saídas mediante aplicação dos percentuais de 3%, 5% e 1%, conforme o caso. Para poder fruir o benefício, o contribuinte se comprometera perante o poder concedente a abrir uma nova filial, a auferir receita em determinado patamar, a manter empregos em nível estipulado, entre outros, conforme oitava alteração contratual. Segundo o impugnante, estas condições foram integralmente atendidas. 11. Em vista disso, o contribuinte passou a registrar o crédito presumido no Livro de Apuração do ICMS, sob a indicação TARE, e na contabilidade na conta nº “4.5.1.01.001 – Incentivos Fiscais”. 12. Sob a ótica contábilfiscal, a assinalada na impugnação, o crédito presumido constitui subvenção para investimento, de modo que não se configura igualmente receita ou faturamento. Ressalta o impugnante que “a caracterização de subvenção para investimento não se dá e não depende de sincronismo, ou seja, da estreita correlação entre os recursos e a sua aplicação específica nos empreendimentos incentivados”. 13. Com efeito, este entendimento também já foi observado por esta Turma de Julgamento, no Acórdão nº 0820.000, de 8 de março de 2011: IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento de Estado da Federação, dentre eles a concessão de crédito presumido de ICMS, configura outorga de subvenção para investimentos, por força do art. 443 do RIR/99, quando presentes os seguintes requisitos: (i) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; (ii) registro da transferência em conta de reserva de capital, que somente deverá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. 14. No mesmo sentido, o Carf assim se pronunciou: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO E SINCRONISMO. CARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na Fl. 5564DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.565 10 determinação do lucro real. (Acórdão nº 1402001.277, de 04.12.2012) SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como pré condições à fruição da benesse. (Acórdão 1101000.661, de 31.01.2012) 15. Em vista disso, devese excluir da base de cálculo do imposto e da contribuição social o crédito presumido de ICMS. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 3. RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1 ARGUIÇÕES DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Aduz a recorrente que a decisão recorrida seria nula por diversas razões. Passo a discorrer sobre cada uma dessas alegações. 3.1.1 Decisão recorrida não teria se pronunciado sobre alegação de que não há previsão legal a atrelar a dedutibilidade de despesas com royalties à averbação do contrato no INPI Não procede tal alegação. No item 37 do voto condutor do aresto recorrido a transcreveuse o § 3º do art. 355 do RIR/99, negritandose, inclusive, trecho do dispositivo regulamentar que dispõe sobre a necessidade de averbação de tal contrato no INPI. Vejase (com os negritos contidos no original): Art. 355. [...] § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Fl. 5565DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.566 11 Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Em complemento, consta no item 39 do voto: "Desse modo, haja vista a ausência de registro dos contratos no INPI, formalidade essencial para a dedutibilidade, deve ser mantida a glosa efetuada." Entendo que tal citação é mais do que suficiente a não ensejar qualquer nulidade do lançamento, uma vez que não é permitido às autoridades julgadoras de primeira instância insurgirse contra legalidade de dispositivo regulamentar expresso. Rejeito, pois, tal preliminar. 3.1.2 Ausência de análise dos argumentos referentes à exigência de IRPJ do primeiro trimestre de 2010 advindo das divergências de informações entre DIPJ e DCTF Nos itens 54 a 60, sem sombra de dúvidas, a autoridade julgadora externou seu entendimento sobre o porquê da manutenção da exigência. Sendo suficiente a análise dos pontos abordados para o deslinde da controvérsia, tornase desnecessária a apreciação das demais teses jurídicas, pois “o julgador não é obrigado a examinar todos os fundamentos suscitados pelas partes se apenas um deles é suficiente para decidir a lide, nos exatos termos do pedido” (STJ, REsp 495711/MG, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 26.04.2005, DJ 13.06.2005 p. 232). Além disso, decidiu o STJ que o magistrado, ao fundamentar as razões do seu convencimento, não está subordinado a fazêlo como quem responde a um questionário jurídico (EDcl no CC 47784/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 12.12.2005, DJ 20.02.2006 p. 180). No mesmo sentido, o STF já firmou entendimento de que o juiz, para atender à exigência de fundamentação do art. 93, IX, da CF, não está obrigado a responder a todas as alegações suscitadas pelas partes, mas tão somente àquelas que julgar necessárias para fundamentar sua decisão (ARAI 417161, Carlos Velloso, 2ª T, DJ 21.3.03). Ora, não há porque não transpor tais entendimentos ao processo administrativo fiscal. Desse modo, tal arguição de nulidade também não merece prosperar. 3.1.3 Ausência de análise de seus argumentos referente aos lançamentos estornados no primeiro trimestre de 2009 A abordagem sobre tais matérias encontrase nos itens 40 a 46 do voto, sendo válidas todas as considerações do tópico precedente deste voto (item 3.1.2). Rejeito, portanto, também esta arguição de nulidade. Passo à análise do mérito. Fl. 5566DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.567 12 4 MÉRITO 4.1 DA GLOSA DE DESPESAS TIDAS COMO NÃO NECESSÁRIAS Alega a recorrente que a autoridade fiscal não se desincumbiu de seu ônus probatório em relação à ausência de necessidade de glosas de despesas com viagens, promoções e eventos. Discordo de tal entendimento. A meu ver, as provas apresentadas pela recorrente não são aptas a demonstrar a necessidade de tais despesas. Por oportuno, transcrevo excerto da decisão recorrida que muito bem analisou os elementos referentes a tal infração: 9. Quanto à infração (i), a autoridade fiscal glosou certas despesas com viagens, promoções e eventos, registradas na contabilidade e declaradas à RFB, tendo em vista que o contribuinte, regularmente intimado, não haver demonstrado a necessidade de realização da despesa para a empresa e para a manutenção da fonte produtora (art. 299 do RIR/99). Observa que foram apresentadas “apenas algumas notas fiscais e comprovantes de pagamento das despesas, sem, no entanto, ter sido apresentado qualquer documento comprobatório de que as mesmas preenchiam as condições para dedutibilidade previstas nos artigos 299 e 300 do RIR/99”. 10. O impugnante alega, em síntese, ausência de motivação para a glosa, o que implicaria a invalidade dos lançamentos. 11. É certo que gastos realizados com viagens, eventos e promoções não são em tese indedutíveis na apuração do lucro real. Por outro lado, a comprovação de realização da despesa ou custo, mediante documentos fiscais e contábeis, não assegura a sua dedutibilidade. É preciso que o fiscalizado, uma vez provocado, demonstre os requisitos legais da dedutibilidade (necessidade, normalidade ou usualidade), sob pena de ver glosada a despesa, por força do mecanismo de inversão do ônus da prova, 3 que se depreende do art. 923 do RIR/99 (verbis: “A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” – grifo nosso). 12. Com efeito. 13. A comprovação do fato imputado já por ocasião da lavratura auto de infração é aqui reclamada tendo em conta a presunção de veracidade que milita em prol dos dados declarados e contabilizados pelo contribuinte. Sendo assim, até prova em contrário a cargo da fiscalização, devese ter por verazes os dados prestados pelo contribuinte. Daí se infere que não basta a desconsideração imotivada de um dado declarado ou escriturado para viabilizar a formalização do ilícito e da exigência fiscal correspondente. Fazse necessário que a fiscalização colete, já no curso do procedimento fiscal, elementos de prova baseados na escrituração contábilfiscal e na documentação 3 Adotase uma perspectiva procedimental do ônus da prova, que se centra na relação dialética entre os deveres de investigação fiscal e colaboração cidadã. Fl. 5567DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.568 13 fiscal do contribuinte, de modo a evidenciar os pressupostos com base nos quais o ato será emanado. Notese que é a lei (art. 9º do Decreto n.º 70.235/72) que define o momento processual adequado à apresentação das provas porventura coletadas no curso da ação fiscal: o da lavratura do auto de infração. Dessa forma, caso a pretensão fiscal não venha acompanhada da prova do ilícito imputado, não cabe à autoridade julgadora, notadamente após a interposição da impugnação, suprir deficiência probatória dessa espécie, sob pena de inversão tumultuária do processo administrativo tributário. 14. O princípio da cientificação, normalmente um irrelevante jurídico na disciplina do procedimento fiscal, ganha força normativa na densificação promovida pelos arts. 27 e 28 da Lei nº 9.784, de 19994, erigindoo a pressuposto de validade do lançamento tributário. Com efeito, ressalvada a hipótese em que a infração estiver claramente demonstrada, revelase imprescindível a prévia intimação do contribuinte, no curso do procedimento fiscal, a fim de que a fiscalização possa reputar inverídico fato declarado ou escriturado, sobre o qual milita presunção de veracidade. Inexistindo a prévia intimação, temse a aplicação desvirtuada da norma jurídica tributária, especificamente no aspecto material, que impõe a comprovação do fato imputado (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2.ª ed., São Paulo: Max Limonad, 2001, pp. 127128). 15. Na espécie, o contribuinte, uma vez intimado (Termo de Intimação nº 10, às fls 686/702), procurou justificar a necessidade das despesas com viagens, promoções e eventos, dando uma resposta linear: “informamos que temos estabelecimentos em vários estados, como seja, Ceará, Alagoas, Paraíba, Bahia, Sergipe, Maranhão, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e que temos mais de 1.000 funcionários (...) ainda mais a nossa despesa com (...) somou (...) representando um percentual de apenas (...) em relação ao faturamento” (fls 704 e 825). 16. Ora, o fato de o contribuinte possuir vários estabelecimentos espalhados pelo Brasil não legitima, por si só, gastos com viagens, promoções e eventos. É mister que se faça a comprovação documental e a demonstração circunstanciada de que tais operações foram imprescindíveis para a existência da empresa e a manutenção da fonte produtora. Isso efetivamente não restou minudenciado pelo impugnante. 17. Estáse a ver, portanto, que o agente fiscal se desincumbiu do ônus (na verdade, do dever) de comprovar a ilegitimidade das deduções, utilizandose do expediente de inversão do ônus da prova, previsto no art. 27 da Lei nº 9.784/99, porquanto o contribuinte foi intimado previamente a justificar, no curso da ação fiscal, o fato de haver deduzido certas despesas. 4 Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Fl. 5568DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.569 14 18. Mantémse, portanto, a glosa das despesas não demonstradas como necessárias. E diante de tal decisão, o que fez a recorrente em seu recurso voluntário? Simplesmente limitouse a afirmar que a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus probatório. Ora, compete ao contribuinte demonstrar a necessidade, usualidade e normalidade de suas despesas. Compulsando os autos, não vejo como aceitar tais elementos: notas fiscais e comprovações de pagamentos não são aptas a comprovar o porquê dos gastos, tampouco sua correlação com os negócios da empresa. Como considerar justificada a necessidade de despesas com viagens, promoções e eventos se a recorrente não as identifica e correlaciona com suas operações? Nesse cenário, em relação a tal infração, considero inatacável o lançamento realizado, assim como as conclusões da decisão recorrida. 4.2 DESPESAS NÃO COMPROVADAS: FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM ICMS, CONSULTORIA, MÍDIA IMPRENSA, VIAGENS E EVENTOS Em relação às despesas com parcelamento de ICMS, concluiu a decisão recorrida que os extratos dos processos de parcelamento não espelhariam as parcelas já adimplidas, bem como haveria incompatibilidade entre os valores constantes da documentação apresentada e as despesas escrituradas. Destaco as conclusões do voto condutor do aresto a respeito do tema: 20. A despesa com ICMS (3.3.3.01.004) teria origem em pagamentos de débitos parcelados. A fiscalização reputou comprovada apenas uma das parcelas relativas a determinado parcelamento, haja vista a estrita correspondência entre datas e valores pagos e contabilizados (fl 104). Quanto às demais despesas com o imposto, foram efetuadas as glosas, seja porque os extratos dos processos não espelhavam as parcelas já quitadas, seja porque os valores constantes da documentação apresentada pelo fiscalizado estavam incompatíveis com as despesas lançadas na conta. No caso, teria sido ainda pago a parcela de R$ 98.910,22, vencida em 08.01.2009, a qual padecia de explícita vinculação aos valores contabilizados e glosados. 21. Por ocasião da impugnação, já que não havia anteriormente localizado, o contribuinte traz a documentação que comprovaria a despesa de ICMS no valor de R$ 2.943.959,94, lançada em 30.06.2009. 22. Compulsando a documentação apresentada, apuramse os seguintes montantes de parcelas vencidas no segundo trimestre de 2009, em função dos parcelamentos efetuados: 2008.242541 64, R$ 383.707,60 (fls 5047/5086); 2009.60160003, R$ 154.161,10 (fls 5389/5390, 5395/5396). Nada menciona a respeito dos parcelamentos nº 207160.0012/034 e 207104.0700/089. Fl. 5569DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.570 15 23. A propósito do tema, o art. 344 do RIR/99 determina que a despesa com tributos é dedutível na apuração do lucro real segundo o regime de competência. 24. Assim, se os débitos foram anteriormente declarados e só posteriormente parcelados, a dedução provavelmente se operou no período em que incorrida a despesa com o débito declarado, independentemente de ele ter sido pago. Entretanto, se não tiver sido deduzido o tributo impago, está autorizado o contribuinte a excluir do lucro real o valor consolidado do parcelamento no momento do seu deferimento, pois que a exclusão nos períodos subseqüentes constitui apenas uma postergação de despesas que favorece a Fazenda Nacional. Nesse sentido, o Acórdão nº 101 94363, de 19.11.2003, do então Conselho de Contribuintes. 5 25. Agora, se os tributos foram constituídos mediante lançamento de ofício, ao que se teria seguido o parcelamento, pode o contribuinte deduzir o valor consolidado da dívida no momento em que parcelada. 26. Na espécie, o contribuinte não explicita se os débitos de ICMS foram espontaneamente declarados, hipótese em que a despesa correspondente poderia ser deduzida quando incorrida, ou se foram constituídos de ofício, hipótese em que a exclusão se legitimaria com o deferimento do parcelamento da dívida. E, dentro dessa última suposição, se não foram deduzidos na consolidação. 27. Para examinar os pontos levantados no parágrafo acima, seguemse o número dos parcelamentos, data de consolidação e valor consolidado das dívidas: 2090090, 19.02.2009, R$ 357.444,98 (fl 351); 131091, 30.01.2009, R$ 989.101,81 (fl 352); 2008.24254164, 30.04.2008, R$ 3.462.560,17 (fl 358). 28. Como o contribuinte deduziu o valor de R$ 564.439,20+R$ 141.080,80 no primeiro trimestre de 2009 e nada menciona sobre a dedução no primeiro trimestre de 2008 (fl 103), ratifica se o fundamento erigido para a glosa da despesa: “os extratos dos processos não espelham as parcelas já quitadas e os valores constantes da documentação apresentada pelo fiscalizado estão incompatíveis com as despesas lançadas na conta”. 29. Mantémse, assim, a glosa da despesa com ICMS. Em seu recurso a recorrente assim se manifestou: As eventuais diferenças encontradas entre as parcelas já quitadas e os valores apresentados, considerados incompatíveis com as despesas lançadas na conta, são facilmente explicadas, 5 IRPJ. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES. PARCELAMENTO. CONSOLIDAÇÃO DE DÉBITOS. Com o deferimento do pedido de parcelamento, cabe a apropriação como despesas operacionais ou como exclusão do lucro líquido para a determinação do lucro real, do valor consolidado correspondente aos tributos e contribuições parcelados. Se não foi contabilizado quando da consolidação de débitos como despesas operacionais, a exclusão do lucro real nos períodos subseqüentes constitui apenas uma postergação de despesas que favorece a Fazenda Nacional. Fl. 5570DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.571 16 tendo em vista que à data em que foram lançadas na conta até o momento do deferimento do parcelamento, a despesa total sofreu atualização monetária criando a disparidade detectada pelo Julgador de 1º Grau. Contudo, não apresentou ou demonstrou quaisquer dessas disparidades entre os extratos de parcelamento e os valores escriturados, ou seja, não há sequer um cálculo que demonstre de forma objetiva a diferença de correção monetária arguida. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido Fl. 5571DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.572 17 notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Fl. 5572DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.573 18 Entendo, assim, que tal glosa deve ser mantida. No que atine às despesas com consultoria, mídia impressa, viagens e eventos, limitouse a recorrente a afirmar que a autoridade lançadora não questionou a necessidade das despesas glosadas para a atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora. 30. As despesas com consultorias (3.3.5.04.006) foram glosadas por dois motivos: uma parte delas, porque sequer foram apresentados documentos comprobatórios das despesas; outra parte, porque o contribuinte não logrou comprovarlhes a efetividade, malgrado a entrega das notas fiscais das operações (fls 360/369). Em relação ao primeiro grupo, único contrastado, o defendente aduz juntar com a impugnação documentos que comprovariam as seguintes despesas com consultoria: R$ 910.000,00, 01.01.2009; R$ 10.000,00, 11.03.2008; R$ 128.000,00, 11.03.2008; R$ 85.000,00, 29.05.2008; R$ 10.000,00, 16.06.2008; R$ 20.000,00, 18.06.2008; R$ 200.000,00, 30.06.2008; R$ 85.000,00, 18.06.2008; e R$ 390.000,00, 15.12.2008. 31. Entretanto, o impugnante não referenciou, mediante demonstrativo, as operações de consultoria aos documentos que alega ter juntado aos autos, de modo que não foi possível identificálos, ou sequer encontrálos. Dessa forma, mantémse a glosa da despesa com consultoria. 32. A despesa com mídia impressa (3.3.7.02.016), no valor de R$ 369.415,20, referese ao primeiro trimestre de 2008. Por sua vez, a documentação juntada é pertinente ao período de dezembro de 2008 a dezembro de 2009, nada dizendo respeito ao trimestre examinado (fls 3769/4077). Portanto, conservase a glosa da despesa com mídia impressa. 33. A despesa com viagens (3.3.6.01.011) diz respeito ao primeiro e ao terceiro trimestre de 2009, apresentando os valores de R$ 1.033,68 e 5.685,20, respectivamente. 34. Os documentos juntados, supostamente às fls 5122/5286, registram operações que não foram relacionadas às despesas glosadas, o que seria um encargo do impugnante. Ademais, pela incompatibilidade entre as datas e os valores documentados e glosados não se revelou possível fazer essa vinculação. Assim, sustentase a glosa das despesas com viagem. 35. Pela mesma razão, concluise igualmente em relação às despesas com evento (3.3.7.02.020) e consultoria (3.3.5.04.006). Ora, a autoridade autuante considerou que em relação a despesas com consultoria, para várias dessas despesas não foram sequer apresentados documentos comprobatórios. Assim sendo, não haveria qualquer razão para se questionar sua necessidade. Em relação a tais despesas em que houve apresentação de documentação, a decisão foi clara ao concluir que não houve correlação entre os documentos apresentados e os pagamentos efetuados. A recorrente, por sua vez, nem em sede de recurso voluntário buscou Fl. 5573DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.574 19 sanar tal ausência de vinculação, limitandose a questionar que as despesas seriam necessárias e estariam devidamente comprovadas. Em relação às demais glosas de despesas consideradas não comprovadas, a decisão recorrida indicou com precisão o descompasso entre valores e até períodos entre documentos e escrituração, não havendo qualquer novo elemento trazido pela recorrente a ensejar a alteração das conclusões da decisão de primeira instância. Desse modo, nego provimento ao recurso em relação a tal ponto. 4.3 DESPESAS COM ROYALTIES Em relação à despesa com royalties, a exigência está embasada no § 3º do art. 355 do RIR/99, o qual, por sua vez, exige a averbação do contrato junto ao INPI. Entendo ser oportuno novamente reproduzir as conclusões da decisão recorrida: 37. Com efeito, a averbação no INPI do contrato de cessão de uso da marca é requisito legal imprescindível para a dedução da despesa com royalties. Nesse passo, são insuficientes a comprovação do registro da marca, o contrato de licença de uso ou mesmo a efetividade da despesa (fls 665/684). A questão é de legalidade, por força do § 3º do art. 355 do RIR/99, verbis: Art. 355. [...] § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. [grifos do original] [...] 39. Desse modo, haja vista a ausência de registro dos contratos no INPI, formalidade essencial para a dedutibilidade, deve ser mantida a glosa efetuada. Conforme consta nos autos, a ausência de averbação do contrato de cessão de uso da marca é fato incontroverso. A meu ver, este colegiado não pode deixar de aplicar dispositivo expresso do RIR/99, tampouco questionar sua legalidade. Fl. 5574DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.575 20 De toda forma, entendo que o art. 140, § 2º, da Lei nº 9.279/966, não possui o alcance buscado pela recorrente, qual seja, "que para efeitos de prova de uso, a averbação junto ao INPI não é condição essencial". O § 2º do art. 140 desse mesmo dispositivo legal é claro ao impor como condição à produção de efeitos perante terceiros, a averbação do contrato de uso da marca. Segundo ainda tal dispositivo, os efeitos perante terceiro somente se iniciariam a partir da data de sua publicação. Há de se entender que os terceiros a que se refere a norma não é a Fazenda Nacional, para a qual, sem dúvida, fazse necessária a averbação do contrato de cessão junto ao INPI para fins de dedutibilidade da despesa. Vejase que a legalidade do § 3º do art. 355 do RIR/99 é corroborada pelo próprio INPI. A Resolução INPI nº 94/2003, transcrita a seguir, foi editada com o intuito de não penalizar os contribuintes que possuíam interesse em deduzir os pagamentos de royalties referentes a contrato de cessão de uso de marcas, por eventual morosidade na análise da averbação de tal contrato. Tal ato permite que a dedutibilidade de tais pagamentos possa retroagir à data de protocolo do pedido, e não somente após a publicação de sua averbação: Art. 3º Para fim de dedutibilidade fiscal de despesas com royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, consoante o disposto na DECISÃO nº 9, de 28 de junho de 2000, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, o prazo de início da tramitação do processo de averbação, no INPI, do respectivo contrato, poderá retroagir à data do PROTOCOLO AUTOMATIZADO.” A citada Decisão nº 9/2000 prolatada pela então Coordenação Geral do Sistema de Tributação foi recentemente confirmada pela Cosit por meio da Solução de Consulta nº 146, de 08 de junho de 2015, cuja ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM ROYALTIES São dedutíveis as despesas com royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes correspondentes ao período de tramitação do processo de averbação no INPI do contrato respectivo. Esse período, portanto retroage somente até a data do protocolo do pedido de averbação, sendo vedada a dedução fiscal dessas despesas quando incorridas em período anterior a essa data. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 2000, art.353, incisos IV, “a”, art. 354, inciso I e art. 355, § 3º; Decisão CST nº 009/2000; Resolução INPI nº 94/2003 e Resolução Bacen nº 3.844/2010. Resta assim evidente a legalidade do § 3º do art. 355 do RIR/99. 6 Lei nº 9.279/96. Art. 140. O contrato de licença deverá ser averbado no INPI para que produza efeitos em relação a terceiros. § 1º A averbação produzirá efeitos em relação a terceiros a partir da data de sua publicação. § 2º Para efeito de validade de prova de uso, o contrato de licença não precisará estar averbado no INPI. Fl. 5575DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.576 21 Isso posto, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal infração. 4.3 ESTORNOS DE RECEITAS ESCRITURADAS COMO NÃO OPERACIONAIS E OPERACIONAIS Sobre a matéria, colaciono o trecho correspondente da decisão recorrida: 40. Por sua vez, os estornos de receitas escrituradas como não operacionais (4.4.1) e operacionais outras (4.3.1) se deram por ausência de justificativa e comprovação [infração (iv)]. Os estornos também implicaram os lançamentos do PIS/Pasep e da Cofins, já que apenas as receitas não operacionais relativas às vendas de ativo imobilizado podem ser excluídas da base de cálculo dessas contribuições (fl 125). 41. De outra parte, o impugnante sustenta que os valores estornados dizem respeito a receitas que seriam utilizadas pelo impugnante para a promoção de campanhas de venda e de marketing de produtos dos seus fornecedores, os quais, por fim, acabaram por cancelar os eventos promocionais programados. Para comprovar a alegação, foram juntados o razão analítico da conta 4.4.1 e alguns relatórios internos (fls 5330/5363). 42. Por certo a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, uma vez questionados os fatos pela fiscalização. O contribuinte foi regularmente intimado a justificar e comprovar as operações que geraram os estornos de receita. Nesse contexto, se a receita foi anteriormente faturada e registrada, o estorno haveria de ser comprovado primariamente mediante documento fiscal próprio e cancelamento do pagamento, que não foram trazidos ao conhecimento da autoridade fiscal ou julgadora. Esses documentos comprovariam certamente o alegado não auferimento da receita. 43. Sabese que o cancelamento do evento promocional se dá por distrato ou suspensão da execução do contrato, que também não vieram aos autos. Por isso, a prova de ambos os fatos (positivos, por sinal) não se revela diabólica ou impossível para o impugnante, como ele ajuíza. 44. Ademais, apenas o fato negativo não delimitado no tempo e no espaço não se mostra passível de comprovação,7 o que não se tem na espécie. 7 (...) E nem todo fato negativo é impossível de ser provado, demandando prova diabólica afinal, viuse, acima, que os fatos relativamente negativos são perfeitamente susceptíveis de serem provados, bem como os fatos absolutamente negativos, em alguns casos, também são (ex.: certidões negativas emitidas por autoridade fiscal) (DIDIER JR., Fredie. BRAGA, Paula Sarno. OLIVEIRA, Rafael. Curso de direito processual civil. Direito probatório, decisão judicial, cumprimento e liquidação da sentença e coisa julgada. v.2. 3. ed. Salvador: Juspodivm, 2008, p. 8889) Fl. 5576DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.577 22 45. Não se cogita que o estorno de receita não seja, mas, uma vez levado à conta de resultado, ele reduziu indevidamente o IRPJ e a CSLL. Da mesma forma, tendo diminuído a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de ser ela recomposta com a glosa do estorno, mediante lançamento de ofício (fls 119 e 125). 46. Portanto, correta a glosa do estorno. Em relação ao tema, a recorrente realizou estorno em algumas contas de receita. Alega que os valores diziam respeito a receitas que seriam utilizadas pela recorrente para a promoção de campanhas de venda e de marketing de produtos de seus fornecedores. Em razão de discordâncias quanto aos valores a serem por eles pagos, teria havido cancelamento dos eventos promocionais programados, mas não realizados. Entendo que andou muito bem a decisão recorrida. A recorrente não trouxe sequer um distrato a fim de comprovar suas alegações. Também não procedem suas alegações sobre exigência de prova impossível, conforme muito bem abordado pela decisão recorrida. Assim, mantenho tal decisão pelos seus próprios fundamentos. 4.4 OMISSÃO DE RECEITA FINANCEIRA ESTORNOS NÃO COMPROVADOS Segundo a recorrente, alguns descontos obtidos junto a fornecedores e contabilizados como receitas financeiras não se concretizaram. A decisão recorrida afirma que bastaria ao contribuinte comprovar que os valores efetivamente pagos a seus fornecedores coincidiriam com as notas fiscais correspondentes, o que, sem sombra de dúvidas, demonstraria que de fato não teriam existido tais descontos. Perfeitas tais considerações, o que afasta qualquer dúvida de que a obtenção de tais provas pela recorrente seria impossível, conforme alega a defesa. Ocorre que a recorrida, em nenhum momento processual, trouxe aos autos qualquer elemento de prova da inexistência de tais descontos que ensejaram estornos em seus registros contábeis atinentes a receitas. O que se observa é que o contribuinte mantém sua argumentação sobre a possibilidade de utilização de estornos, mas não comprova documentalmente qualquer uma de suas alegações. Ademais, os fatos narrados pela recorrente enquadramse perfeitamente no conceito de descontos condicionais, os quais, por sua natureza, somente se perfectibilizam na data em que realmente são auferidos, ou seja, não haveria qualquer lógica falarse em estorno em um segundo momento, haja vista que se reputam ocorridos no mesmo momento em que os descontos forem concedidos, qual seja, na data do pagamento efetuado a menor do que o originalmente pactuado (valor inferior ao contido nas notas fiscais de aquisição). Concluo, portanto, que a decisão recorrida deve ser confirmada também em relação a esta infração. Fl. 5577DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.578 23 4.5 DIVERGÊNCIA ENTRE IRPJ CONFESSADO EM DCTF E INFORMADO EM DIPJ Sobre tal infração, assim consta no voto condutor da decisão recorrida: 54. Na seqüência, examinamse as objeções feitas contra a imputação de declaração insuficiente do IRPJ com fato gerador no primeiro trimestre de 2010 [infração (vii)]. Enquanto a DCTF registra um débito de R$ 89.670,26, a DIPJ assinala o valor de R$ 790.564,33 (fl 119). 55. Segundo o impugnante, o IRPJ lançado resultou do confronto entre os valores informados na DIPJ e na DCTF, colhendose o de maior expressão numérica (DIPJ), sem maiores investigações na contabilidade do contribuinte, de modo que os fatos padecem de vício de investigação pela autoridade fiscal (art. 142 do CTN e art. 904 do RIR/99). Ademais, o conteúdo informativo da DCTF tem primazia sobre o da DIPJ, cujo caráter passou a ser meramente informativo (arts. 923 e 924 do RIR/99). 56. Cumpre inicialmente observar que não há primazia do conteúdo declarado na DCTF em relação ao da DIPJ, pois ambas têm igualmente caráter informativo, enfeixando a mesma idoneidade instrumental e força de veracidade. Estremamse, todavia, as declarações quanto ao caráter formal ou processual, uma vez que a DCTF tem força constitutiva do crédito tributário, diferentemente do que ocorre com a DIPJ (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84, c/c o §1º do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004). Entretanto, a diferença formal não influencia no valor da informação prestada, que é a sua veracidade. Assim, eventual divergência informativa do mesmo dado contábilfiscal retiralhe a presunção inicial de veracidade, instaurandose o dever de investigação da autoridade fiscal e o dever de colaboração do fiscalizado, ambos voltados para a elucidação da inconsistência (fls 941/1002 x fls 1003/1006). 57. Na espécie, o contribuinte foi intimado a esclarecer a divergência entre os valores dos tributos declarados (Termo de Intimação Fiscal nº 8, de 08.02.2012, fls 500/501), em face do qual se manifestou nos seguintes termos (fl 502): “Quanto aos valores de R$ 790.564,33 e R$ 286.763,16 devidamente apurados e reconhecidos na DIPJ de 2011, se houver uma autorização desta fiscalização faremos a retificação da DCTF”. 58. Ora, a resposta do contribuinte não elucida a indagação fiscal, de modo que se instaura um desequilíbrio entre o cumprimento dos deveres de investigação fiscal e de colaboração cidadã. Nessa condição, a prova do fato imputado (“declaração insuficiente do IRPJ e da CSLL”) perfectibilizase, pelo mecanismo de inversão do ônus da prova acima explicitado. 59. Ademais, bem examinada a resposta do contribuinte, dela se extrai muito mais: a confissão (tácita) quanto aos valores prestados na DIPJ. Fl. 5578DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.579 24 Nesses termos, reafirmase a infração relativa à “declaração insuficiente de IRPJ e CSLL”. A recorrente, por sua vez, limitase a alegar que o desatendimento às intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, e que competiria ao Fisco a prova de que os dados da DIPJ (declaração meramente informativa) prevaleceriam em face dos confessados em DCTF (declaração que implica confissão de dívida). Mais uma vez a irresignação da recorrente não merece prosperar. Em nenhum momento a recorrente buscou demonstrar que o valor de IRPJ devido informado em DIPJ estaria incorreto, ou de modo contrário, a correição do débito confessado em DCTF. Muito antes pelo contrário. Houve, isso sim, uma confissão tácita, conforme se extrai de resposta do contribuinte à fl. 502: "Quanto aos valores de R$ 790.564,33 e R$ 286.763,16 devidamente apurados e reconhecidos na DIPJ de 2011, se houver uma autorização desta fiscalização faremos a retificação da DCTF". Vêse, assim, que não se trata de mero desatendimento à intimação com a consequente conclusão de que os fatos correspondentes seriam verdadeiros, mas uma explícita concordância da recorrente de que o valor de IRPJ confessado em DCTF era menor do que o efetivamente devido e informado em DIPJ. Convém ressaltar que, enquanto na DCTF informase/confessase somente o valor débito de um tributo devido, na DIPJ, de modo diverso, há uma total discriminação de todos os itens que compõem a base de cálculo do tributo, chegandose ao valor devido. Em situações normais, o valor confessado em DCTF deveria ser idêntico ao informado em DIPJ, mas não foi o que ocorreu no caso concreto. E há de se considerar que, tratandose de mero erro, estatisticamente seria muito mais fácil o preenchimento incorreto de uma linha da DCTF (no campo onde efetivamente se informa o valor do débito confessado), do que equivocarse em diversas fichas da DIPJ, nas quais constam os balanços, demonstrações de resultado, demonstração do lucro real e, ao final, cálculo do imposto devido. Logo, concluo que uma vez constatado que os débitos confessados em DCTF são inferiores aos valores informados em DIPJ, dada a discriminação de bases de cálculos constantes nesta última, prevalecerão as informações contidas na DIPJ, salvo se o contribuinte demonstrar o contrário. Ressaltase ainda, novamente, que, no caso concreto, ainda durante o procedimento fiscal a recorrente concordou expressamente que os valores informados em DIPJ seriam os corretos. Mantémse, assim, também esta exigência. Fl. 5579DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10480.727379/201249 Acórdão n.º 1402002.243 S1C4T2 Fl. 5.580 25 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, por rejeitar as arguições de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 5580DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 18043.720068/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
INEXISTÊNCIA DE GLOSA. AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece do recurso na parte que interposta contra glosa não efetuada pela fiscalização, dada a evidente inexistência de interesse recursal.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL. Devem ser restabelecidas as despesas médicas amparadas por recibos emitidos pelos prestadores de serviços que preencham os requisitos do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, salvo se demanda fundamentada de comprovação adicional não for atendida.
DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. PAGAMENTOS EFETUADOS POR TERCEIRO NÃO INTEGRANTE DA ENTIDADE FAMILIAR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS E DE SUA VINCULAÇÃO À COBERTURA DOS GASTOS DO PLANO. São dedutíveis as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus tenha sido suportado por um terceiro não integrante da entidade. Nesse caso, contudo, é necessária a comprovação da transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte daquela entidade, e que seja possível vincular essa transferência à cobertura dos custos com o plano.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar parcial provimento para restabelecer a dedução de R$12.000,00, nos termos deste voto.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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AUSÊNCIA DE INTERESSE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece do recurso na parte que interposta contra glosa não efetuada pela fiscalização, dada a evidente inexistência de interesse recursal. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A DEMANDA DE COMPROVAÇÃO ADICIONAL. Devem ser restabelecidas as despesas médicas amparadas por recibos emitidos pelos prestadores de serviços que preencham os requisitos do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, salvo se demanda fundamentada de comprovação adicional não for atendida. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. PAGAMENTOS EFETUADOS POR TERCEIRO NÃO INTEGRANTE DA ENTIDADE FAMILIAR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS E DE SUA VINCULAÇÃO À COBERTURA DOS GASTOS DO PLANO. São dedutíveis as despesas com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus tenha sido suportado por um terceiro não integrante da entidade. Nesse caso, contudo, é necessária a comprovação da transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte daquela entidade, e que seja possível vincular essa transferência à cobertura dos custos com o plano. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 04 3. 72 00 68 /2 01 3- 09 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar parcial provimento para restabelecer a dedução de R$12.000,00, nos termos deste voto. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18043.720068/201309 Acórdão n.º 2402004.778 S2C4T2 Fl. 118 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 9.791,46, relativo ao anocalendário 2011. O lançamento decorreu da glosa de dedução indevida de previdência privada e Fapi no montante de R$ 4.933,00, face à constatação de que o valor correspondia a saldo de saldo de VGBL. Também foram glosadas despesas médicas na quantia de R$ 14.673,46, por falta de comprovação ou ausência de previsão legal para sua dedução. Em sede de impugnação, o contribuinte arguiu, em apertada síntese, que: os valores deduzidos são referentes à contribuição à previdência privada e ao FAPI por ele efetuado, tendo como dependente e beneficiária sua cônjuge; a legislação permite a dedução de despesas com fisioterapeuta; a glosa das despesas médicas referente à Unimed Sorocaba é indevida, eis que o contribuinte demonstrou, cabalmente, o pagamento das despesas (ônus financeiro). Vale dizer, o contribuinte Fabrício Fonseca Cardini, tinha como dependente no plano de saúde, a Sra. Vilma Fonseca Cardini (sua genitora), mas quem suportava o ônus financeiro do pagamento do plano de saúde, era o impugnante. A instância de primeiro grau manteve parcialmente a exigência, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA. Apenas é isenta do imposto de renda pessoa física a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL). Não há previsão legal para dedução das aplicações efetuadas nos planos VGBL. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS PLANO DE SAÚDE PAGAMENTOS EFETUADOS POR TERCEIRO NÃO INTEGRANTE DA UNIDADE FAMILIAR. São dedutíveis as despesas médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. Entretanto, se o terceiro não for integrante da entidade familiar, há que se comprovar a transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte da entidade familiar. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. A mera apresentação de recibos não é suficiente para comprovar as despesas médicas declaradas quando presentes nos autos elementos que geram incertezas sobre o valor efetivamente pago e o serviços prestados. Não comprovada a despesa, deve ser mantida a glosa. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/7/2013, demandando o cancelamento do débito fiscal reclamado e aduzindo que: a glosa da contribuição ao FAPI deve ser restabelecida, pois a dedução pautouse em orientação da própria Secretaria da Receita Federal e no informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora; os recibos da fisioterapeuta devem ser admitidos, conforme entendimento administrativo; assumiu o ônus das despesas referentes à Unimed, de acordo com documentos bancários que anexa. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18043.720068/201309 Acórdão n.º 2402004.778 S2C4T2 Fl. 119 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser apenas parcialmente conhecido, entretanto. Explico. A fiscalização glosou R$ 4.933,00 de um total de R$ 6.407,16 deduzidos como contribuição paga à Itaú Vida e Previdência S/A., CNPJ nº 92.661.388/000190, em benefício de sua dependente Vilma Fonseca Gardini (fls. 12 e 56). Consoante mencionado, tal glosa foi motivada porque tal valor referiase, na realidade, a saldo de VGBL, e não a contribuições vertidas para PGBL ver documentos de fls. 62/63. Todavia, o contribuinte apresenta irresignação, em sua peça recursal, voltada contra uma suposta não aceitação da dedução da contribuição ao FAPI feita pela Schneider Electric do Brasil, no valor de R$ 4.586,81 (fl. 43). Essa glosa, destaquese, nunca ocorreu, tendo sido a dedução em tela acatada pela fiscalização. Não há, então, interesse recursal a ser defendido pelo contribuinte para fins de reformar o lançamento quanto à glosa de contribuição ao FAPI, visto que tal glosa nunca existiu. Em decorrência, ausente na espécie utilidade recursal, requisito indispensável para a admissão dessa irresignação. Cumpre assim não conhecer do recurso, no particular. Das despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Vejase que a própria legislação tributária conferiu a documentos do tipo descrito no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, supra reproduzido, o valor de prova do pagamento um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Reconhecese, sob outro prisma, que a fiscalização bem como o julgador de primeiro grau, no caso de documentos apresentados em primeira mão nessa instância recursal tem a faculdade de demandar elementos adicionais com vistas a atestar a efetividade dos pagamentos, forte nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (respectivamente, §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Convém atentar, todavia, ser necessário que essas normas sejam lidas e interpretadas em conjunto com o art. 79, § 1º (art. 845, § 1º do RIR/99) desse mesmo diploma, o qual estabelece: Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: (...) § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...) Dessa sorte, a regra geral é a aceitação de recibos e/ou notas fiscais de prestação de serviços, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de outros elementos para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18043.720068/201309 Acórdão n.º 2402004.778 S2C4T2 Fl. 120 7 fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. No caso concreto, verificase que os pagamentos declarados como efetuados a Mileny Scrocca Menuzzo Gardini (fl. 44), perfazendo um total de R$ 12.000,00, foram glosados pela fiscalização sob a alegação de que o contribuinte "não comprovou o efetivo pagamento (ônus financeiro)" (fl. 14). Não obstante, o contribuinte carreou aos autos recibos médicos atestando os pagamentos efetuados a essa profissional, os quais constam respectivamente às fls. 24/35. Notese que tanto a fiscalização quanto o aresto vergastado não apontaram qualquer mácula de cunho formal nos indigitados recibos. A instância recorrida refere apenas que não há documentos médicos que respaldem o tratamento fisioterápico realizado, nem especificação da natureza desse, aludindo ainda ao fato de que a profissional "é casada com o filho do contribuinte". Além dessas razões não serem bastante para por si sós infirmarem o teor dos documentos apresentados, não foram elas trazidas no curso do procedimento, mas sim pela instância recursal, a qual não incumbe inovar buscando fundamentação adicional para a manutenção do gravame, mormente quando os elementos de prova em questão já haviam sido carreados durante a ação fiscal. Nesse andar, deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no valor de R$ 12.000,00 vinculadas aos pagamentos à Mileny Scrocca Menuzzo Gardini, CPF nº 269.699.45871. De outra parte, a Receita Federal do Brasil, em interpretação coerente e sistemática do art. 8º da Lei nº 9.250/95, c/c os arts. 1.565, 1.566 e 1579 do Código Civil, sob o lume do disposto nos arts. 226 e 229 da Constituição Federal, vem esclarecendo nos seus sucessivos Manuais "Perguntas & Respostas" do Imposto de Renda de Pessoa Física que: O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis as despesas com instrução ou médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus. Entretanto, se o terceiro não for integrante da entidade familiar, há que se comprovar a transferência de recursos, para este, de alguém que faça parte da entidade familiar. À vista desse entendimento, a DRJ/SP1 não acatou dedução de despesas médicas na quantia de R$ 2.673,46, declarados como pagos à Unimed Coop. Trab. Médicos e tendo como beneficiária sua dependente Vilma Fonseca Gardini. Realmente, o comprovante apresentado (fl. 22) demonstra que se trata de plano cujo titular é Fabrício Fonseca Gardini, o qual, segundo o aresto vergastado, é maior de idade e não residente com os pais, não integrando, consequentemente, a entidade familiar. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 O contribuinte, em sede de recurso voluntário, argumentou que o ônus financeiro do convênio médico sempre foi seu, relacionando oito transferências bancárias efetuadas em favor de Fabrício Fonseca Gardini, totalizando R$ 4.594,00, e que teriam dado suporte às expensas do plano, juntando, ainda, os respectivos comprovantes. Sem embargo, não lhe assiste razão. Não há como correlacionar as transferências em tela aos gastos com o indigitado plano. Os valores não são coincidentes (R$ 4.594,00 em transferências frente a R$ 2.673,46 consignados no comprovante da Unimed), não restando tampouco esclarecida a temporalidade de cobrança das mensalidades do plano ou mesmo sua eventual anualidade, de maneira a permitir encontrar correspondência entre ditas transferências e os encargos cobrados. Vale registrar que tais transferências podem ter tido motivação completamente diversa da alegada, não havendo como, à míngua de qualquer evidência adicional, aceitar a versão dos fatos tal como narrada pelo recorrente, visto que este não se desincumbiu de seu ônus de trazer elementos suficientes para amparála. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de R$ 12.000,00 (doze mil reais) a título de despesas médicas, vinculada aos pagamentos realizados à Mileny Scrocca Menuzzo Gardini. Ronnie Soares Anderson. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10880.729277/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador.
MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002.
A normatização do denominado método PRL60, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000.
MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO.
A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL -60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV - 60%PLV - VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova roupagem também não macula sua essência que é provocar o surgimento do preço parâmetro de comparação a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV - 60%(PLV - VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV - 60%PLV - VA)).
IMPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA.
É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos
Numero da decisão: 1401-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de perícia, em AFASTAR a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento em relação a "ilegalidade da IN 243/2002". Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou pelas conclusões; 2) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação ao pedido de abatimento do crédito presumido do PIS e Cofins do Preço de Revenda para efeito de cálculo do preço parâmetro. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório apresentará declaração de voto defendendo a legalidade da IN com outros fundamentos..
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(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV 60%PLV VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 92 77 /2 01 1- 74 Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 68 2 comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV 60%(PLV VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV 60%PLV VA)). IMPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR o pedido de perícia, em AFASTAR a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por maioria de votos, NEGAR provimento em relação a "ilegalidade da IN 243/2002". Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou pelas conclusões; 2) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação ao pedido de abatimento do crédito presumido do PIS e Cofins do Preço de Revenda para efeito de cálculo do preço parâmetro. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho. O Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório apresentará declaração de voto defendendo a legalidade da IN com outros fundamentos.. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de ação fiscal desenvolvida com a finalidade de verificar a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em relação à dedutibilidade de custos de bens importados em operações praticadas pela contribuinte com pessoas jurídicas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior, em conformidade com o disposto nos artigos 18 e 23, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a nova redação dada pela Lei n° Lei n° 9.959/2000, e com a Instrução Normativa SRF n° 243, de 11 de novembro de 2002. Consoante relatório fiscal (fls. 2020/2156), a contribuinte atua no segmento da indústria farmacêutica e, no anocalendário de 2006, efetuou ajuste ao lucro líquido no montante de R$ 908.164,98, decorrente da aplicação de métodos de preço de transferência, tendo informado nas Fichas 32 – Operações com o Exterior – Importações de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica do exercício 2007, o seguinte: (...) Depois de analisar as informações prestadas pela contribuinte, a autoridade tributária constatou diferenças entre os preços praticados pela contribuinte e os preços parâmetros obtidos depois de aplicar o do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), tendo efetuado de ofício um ajuste adicional às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2006 de R$40.581,373,46: Valor Total do Ajuste PRL 20% R$ 2.796.155,66 Valor do Ajuste Insumos PRL 60% R$ 9.408.376,71 Valor do Ajuste Acondicionamento PRL 60% R$ 29.285.006,07 Valor Total do Ajuste Apurado pela Fiscalização R$ 41.489.538,44 Valor Total do Ajuste Efetuado nela Empresa (DIPJ/2007) R$ 908.164.98 VALOR TOTAL DO AJUSTE A SER EFETUADO R$ 40.581.373,46 Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos (fls. 2157/2166): Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 70 4 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ 001 – ADIÇÕES – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS – BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR – PESSOA VINCULADA Art. 241 do RIR/99. 10.145.343,35 Juros de Mora (até 31/05/2011) Art.6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 4.596.855,07 Multa Proporcional Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 . 7.609.007,51 TOTAL 22.351.205,93 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 001 – CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art.1º da Lei nº9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art.37 da Lei nº 10.637/02 3.652.323,61 Juros de Mora (até 31/05/2011) 1.654.867,82 Multa Proporcional 2.739.242,70 TOTAL 8.046.434,13 Notificada dos lançamentos em 29/06/2011 (fls. 2160 e 2165), a contribuinte apresentou impugnação ao feito em 27/07/2011 (fl. 2176/2191), deduzindo, em resumo, as seguintes razões: (i) O Auto de infração é nulo pelo erro insanável contido na base de cálculo das exigências fiscais, decorrente da equivocada utilização de valores arbitrados de contribuição ao PIS e de COFINS às alíquotas de 2,1% e 9,9%, respectivamente, sobre o preço de venda de todos os medicamentos nele constantes; Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 71 5 (ii) No entanto, a Requerente não recolhe a contribuição ao PIS e a COFINS sobre todos os seus medicamentos, por suas classificações fiscais se enquadrarem no disposto nos artigos 1º e 3º, ambos da Lei n° 10.147/2000, que desoneraram tais medicamentos visando "a repercussão nos preços da redução da carga tributária" e, assim, não deveriam compor o cálculo do preço parâmetro do método PRL 20% e do PRL 60%; (iii) Da mesma forma como o cálculo do preço de transferência deve ser individualizado por produto, a D. Autoridade Fiscal deveria ter verificado a correta e individualizada tributação dos produtos pela contribuição ao PIS e pela COFINS, o que não foi feito; (iv) A lógica e motivação da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, que tentou privilegiar a geração de valor no país, foi totalmente invertida e desvirtuada pela IN SRF n° 243/2002, que penaliza indevidamente o setor industrial brasileiro e contribui para o perigoso processo de desindustrialização da economia brasileira; (v) A IN SRF n° 243/2002 extrapola as regras previstas na Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 9.959/2000, não podendo ser aplicada para fundamentar as exigências fiscais contidas no Auto de Infração, sob pena de violação do princípio da estrita legalidade tributária; (vi) A exemplo da IN n° 38/1996, cuja aplicação foi afastada pelo E. CARF por conter regulamentação em sentido divergente da Lei n° 9.430/96, a IN SRF n° 243/2002 também deve ser afastada pelo mesmo motivo de ilegalidade que foi reconhecido pelo próprio Poder Executivo (doc. 10), razão pela qual tentou, sem sucesso, corrigir tal equívoco por meio da edição da Medida Provisória n° 478/2009, que não foi convertida em lei; e, (vii) Protesta pela apresentação posterior de novos documentos e pela realização de perícia técnicocontábil acerca dos produtos e matériasprimas importados, a fim de comprovar que seus cálculos de preços de transferência obedeceram ao disposto na Lei nº 9.430/1996. A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR. CONDIÇÕES EXCEPCIONAIS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, a ser demonstrada pelo autuado. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 72 6 A decisão relativa ao IRPJ se estende à CSLL, por decorrerem os lançamentos dos mesmos fatos e elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IMPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei nº 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos.Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O feito foi baixado em diligência para averiguação e ajuste da não consideração do crédito presumido do PIS/PASEP e da COFINS a que teria direito alguns de seus produtos em função da adesão à regime especial. Às fls. 2.473/2.590,. consta Relatório Fiscal do retorno de diligência. Às fls.2.592/2.749, consta manifestação de inconformidade ao retorno de diligência em que a Recorrente propugna pelo acatamento dos ajustes feitos pelo fiscal na medida em que neutralizou o PIS e a COFINS sobre os produtos (medicamentos) constantes em regime especial. A Recorrente repisa novamente os argumentos recursais contra todo o auto de infração combatendo novamente a ilegalidade da IN 243, bem assim aduzindo novos argumentos contra essa ilegalidade. É o relatório. Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, a recorrente imputa a nulidade do feito por questões gerais que mais se ligam ao mérito da lide. Alega vício na apuração das bases de cálculo dos lançamentos, uma vez que a autoridade fiscal teria computado indevidamente valores do PIS e da Cofins nos preços de vendas de medicamentos que, segundo a contribuinte, não seriam, em sua maioria, devidos. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada Perícia A contribuinte requer a realização de perícia/diligência, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 74 8 depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Outrossim, conforme muito bem colocou a decisão de piso: o pedido de realização de perícia para demonstrar que seus cálculos de preços de transferência estão corretos deve ser indeferido, haja vista que esta circunstância deveria ser demonstrada neste momento, em sede de impugnação, mediante juntada de memórias de cálculos, acompanhadas das explicações necessárias para evidenciar seu ponto de vista. Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. MÉRITO O mérito da lide se resolve por duas questões atacadas pela recorrente: A) Ilegalidade da IN 243/2002 B) Base de cálculo equivocada – Não considerou o crédito presumido do PIS/PASEP e da Cofins a que tem direito alguns de seus produtos em função à adesão a regime especial A) LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002 Da possibilidade de alteração de critério jurídico em função de mudança de interpretação da Lei O ponto relevante da primeira questão trazida à baila pela Recorrente refere se à questionamento relacionado à legalidade da IN SRF 243/2002. Tratase de Instrução Normativa que veio regulamentar as determinações da Lei 9.430/96, alterada pelo artigo 2º da Lei 9.959/00, no que tange ao cálculo do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL (60%) para determinação do Preço Parâmetro. O preço parâmetro (PP) por sua vez é o preço limite apurado “de cima para baixo”, a partir do Preço de Revenda Líquido (PRL) visando estimar a dedutibilidade dos custos e margem de lucro relativos aos bens importado por pessoas vinculadas localizadas no exterior. O produto importado cujo preço ultrapassar esse preço parâmetro calculado, sofrerá ajustes tornando essa parcela excedente indedutível para efeito de tributação. Em primeiro há que se confirmar a existência de uma Instrução Normativa anterior, a IN 32/2001, que dava uma interpretação da Lei divergente da IN 243/2002. Ora, é sabido hodiernamente que não existe uma única interpretação correta para um texto de Lei. Isso porque toda lei é feita de texto, e texto tem suas idiossincrasias que independem da nossa vontade de perseguir o máximo de objetividade e univocidade. É uma pena que essa mesma cantilena é repetida infinitamente pelos doutrinadores e o que é pior, é absorvida sem resistência pela grande maioria dos operadores de direito. Pensar assim, data máxima venia, passa desapercebido de questões epistemológicas Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 75 9 essenciais, tais como os limites da linguagem. Desconhece que os conceitos possuem uma textura aberta, como muito bem demonstrou Hart ainda no seu clássico. O conceito de Direito e Alf Ross em seu insuperável livro Justiça e Direito, através dos quais trouxeram, para arejar o Direito, as novidades da revolução linguísticopragmática instalada principalmente pelo “Segundo Wittgenstein” (Investigações Filosóficas). Nessa mesma linha, temos Ronald Dworkin. A doutrina e a jurisprudência têm se enredado nessa difícil missão de extrair “definibilidade” e “precisão” das regras e dos conceitos jurídicos, em “casos fronteiriços”, ou seja em casos tais em que ocorre uma indeterminação semântica no uso de termos gerais inerente a toda e qualquer linguagem, justamente em função do fenômeno da “textura aberta” da linguagem. Essas chamadas “lacunas de reconhecimento” podem representar tanto uma “vaguidade de grau” quanto uma “vaguidade combinatória”. A primeira se refere a dúvidas quanto à quantidade ou grau de presença de uma das propriedades constitutivas de um conceito que deve estar presente no caso particular para que a aplicação do conceito seja possível. A segunda lacuna, a de “vaguidade combinatória”, referirseia à imprecisão a respeito de quais são as propriedades constitutivas de um conceito e a maneira pela qual elas devem estar combinadas para que o uso do termo geral possa ser empregado de forma legítima. Afora isso, paira na interpretação de qualquer texto o “mal” da ambigüidade, dando margem mais de uma interpretação, como parece ser o caso concreto e que se demonstrará mais adiante com mais vagar. Em resumo, por trás de uma interpretação da norma não existe uma realidade objetiva com o qual pudesse ser confrontado diretamente a validez do seu resultado. Nesse sentido, o princípio basilar da legalidade não pode ser usado como escudo para persuadir que a “ferro e fogo” existe uma única interpretação correta de uma texto de Lei. Nesse diapasão, soa peremptório a utilidade dos atos infralegais que visam aclarar a norma e lhes dar concretude. É preciso não cair na ilusão de achar que todo o sentido da norma deva estar registrado literalmente com todas as palavras, como se o legislador fosse um demiurgo todo poderoso que conseguisse prever todas as situações fáticas e complexas que envolvem a realidade a ser coberta por uma determinada norma jurídica. Outrossim, causa espécie quando no trato dessa matéria, não sei se por ingenuidade ou sagacidade, se compara a interpretação da Lei com a Interpretação da IN . Ou por outras palavras, quando se compara a interpretação da Lei n. 9.959/2000 com a interpretação trazida pela IN SRF nº 243/2002. Ora, mas não se pode fazer tal comparação uma vez que a interpretação mais adequada da Lei é o que se está em jogo, é o que se pretende provar. Nesse passo, quem usa desse artifício comete a chamada petição de princípio, que é a falácia utilizada por aqueles que dão por provado aquilo que pretendem ou deveriam pretender provar. Quando se usa açodadamente o princípio da legalidade para dizer que uma determinada interpretação da Lei é a mais adequada, nada mais faz o postulante do que reconhecer que não está fazendo o seu serviço direito, indo para o caminho mais fácil de dar por provado aquilo que deveria tentar provar. O presente voto vai se valer então de todos os tipos de interpretação tradicionais para tentar provar se a IN 243/2002 é legal ou não, justamente por submetêla à toda prova. O que garante que uma interpretação é mais adequada do que outra é verificar como essa interpretação se sai ao se submeter aos mais variados testes de resistência. Antes de fazer isso, Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 76 10 nenhuma valia tem se agarrar em uma determinada interpretação e dizêla que tal ou qual seria a interpretação legal. O art. 146 do CTN, embora trata de questão mais específica envolvendo um mesmo sujeito passivo que foi submetido temporalmente pela Administração Pública a dois critérios jurídicos distintos, na verdade vem amparar a Administração Pública da possibilidade de se fazer uma mudança de critério jurídico, seja porque a interpretação anterior estava visivelmente equivocada, seja porque a Lei sendo interpretada, comportava claramente mais de uma interpretação jurídica. Nesse passo, não há dúvidas que a IN 243/2002, se comparada com a IN 32/2001 implementou mudanças de critério jurídico que passam a valer apenas a partir de 2003. A IN 32/2001 foi, sim, uma interpretação abraçada pela SRF até 2001 e como tal deve ser aplicada até esse limite de tempo. Embora as mudanças de critérios jurídicos não sejam salutares para a segurança jurídica, a Administração Pública não pode ficar “engessada” indefinidamente a uma interpretação equivocada feita por ela mesma. LEGALIDADE DA IN 243/2002 Posta essas questões preambulares passemos ao enfrentamento direto da questão da legalidade da IN 243/2002, começando obviamente por uma interpretação gramatical que é o ponto de partida de qualquer interpretação. Depois, exploraremos aspectos matemáticos relacionados à simplicidade de cada uma das fórmulas em questionamento. A seguir faremos uma interpretação sistemática e finalística buscando pela racionalidade das fórmulas. Demonstraremos matematicamente alguns “mitos” que giram em torno da proporcionalização efetivada pela IN 243/2002. Por fim, submeteremos a um “teste de resistência” os mais fortes argumentos utilizados pelos doutrinadores no que tange a colocar à prova a legalidade da IN 243/2002. A grosso modo a Recorrente se insurge contra a metodologia de cálculo aplicada pela fiscalização com lastro na IN SRF nº 243/2002. Segundo ela, a metodologia de cálculo da Lei nº 9.430/96 não deixaria margens para qualquer mudança por meio de ato infralegal, onde modifica completamente o texto da norma com a inserção inclusive de conceitos de participação de bens importados no preço de revenda final, majorando assim a sua carga tributária em relação a IN anterior. A princípio esclareçase, por importante, que a Lei nº 9.430/96 em sua redação original somente previa para o cálculo da margem de lucro um percentual de 20% a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou direitos. Uma interpretação apenas gramatical da referida norma apontava então para a impossibilidade de aplicação do referido método a situações que não fossem simples revenda de produtos importados sem a agregação de custos por meio de produção local. Nesse sentido, a Lei foi disciplinada pela IN SRF nº 38/97, que claramente vedava a utilização do PRL nessa situação específica, restando apenas como opção os métodos PIC (Preços Independentes Comparados) do CPL (Custo de Produção mais Lucro). Tal fato foi questionado pelos Contribuintes e o então “Conselho de Contribuintes”, atual CARF, produziu jurisprudência contra essa interpretação meramente Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 77 11 gramatical. No caso a jurisprudência passou a afirmar a possibilidade aplicação do método PRL aos casos em que se agrega valor no país e não somente para os casos de simples revenda. É nesse contexto e vindo dar guarida às pretensões dos contribuintes é que foi editada a Lei nº 9.959/00, que alterou o art.18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, cuja interpretação passou também a ser a base da presente controvérsia. No caso, criouse também a margem de lucro de sessenta por cento, dessa feita para os casos em que sobre a importação se agrega valor no país para subseqüente revenda. Mas, a lide circunscrevese não sobre esse percentual, mas sobre a base de cálculo sobre a qual ela incide. Eis os seus exatos termos do referido preceptivo legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (destaquei) A interpretação gramatical é a primeira interpretação que se faz e é muito importante, pois apesar de não conseguir no mais das vezes definir univocamente uma determinada interpretação, ela serve sobretudo para eliminar inúmeras outras interpretações. Esse é o ponto! Dessa forma, essa etapa sempre será seguida por outros métodos de interpretação que possuem o fim de submeter à teste de adequação as hipóteses concorrentes elencadas na etapa anterior. Somente a partir do resultado final desse processo é que poderemos nos referir a uma interpretação adequada para determinada norma. Antes disso, como já se colocou, se referir a uma interpretação legal a partir da semântica apenas do texto da norma ou afirmar que a carga tributária seria maior ou menor é cair na falácia da petição de princípio, dando por provado aquilo que se quer provar. Outrossim, o efeito tributário também é uma consequência da interpretação mais adequada que se dê ao texto da norma, nunca podendo ser a causa ou justificativa para uma interpretação. Interpretação Gramatical Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 78 12 Fórmula adotada pela IN 32/2001 e pela Recorrente A Recorrente faz a seguinte leitura gramatical do texto acima da Lei: “60% sobre o valor integral do preço líquido de revenda do produto menos o valor agregado no País”, representando a seguinte fórmula: PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA PP1=Preço parãmetro PLV=Preço líquido de Revenda VA =Valor agregado Fórmula adotada pela IN 243/2002 Fórmula geral analítica: PP2= PLV – 60%PLV – VA1 Fórmula sintética: PP2=40%PLV VA A diferença entre elas, matematicamente falando é apenas os parêntesis, denotando de plano um problema comum na linguagem, que é o da ambigüidade no plano semântico. Uma outro aspecto que transparece da fórmula é da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da feiúra da primeira e falta de simplicidade. O famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito 1 A fórmulação exata constante na IN 243/2002 (PPn=%nPL –60%(%nPL) ), onde se incorpora efetivamente o fator ponderação de custos para fazer face à produto final revendido que incorpora mais de um insumo importado, será analisada em tópico à parte mais adiante no voto. Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 79 13 complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 2 Apenas olhando para as duas fórmulas meu senso matemático indica que a fórmula da IN 243/2002 é mais simples e bonita. Mas, vamos avante. No plano gramatical e semântico, a favor da interpretação da IN 243/2002 temos que a expressão “diminuídos” concorda gramaticalmente em um primeiro momento com “sessenta por cento sobre o valor líquido de revenda” e a seguir com a expressão “... do valor agregado no país”. Outro ponto a favor dessa interpretação gramatical, está no fato de que teria optado em manter a expressão “e do valor agregado” junto no mesmo item porque caso se criasse um terceiro item isso ficaria incompatível com a existência de apenas duas metodologias de cálculo e não três, afinal o item estava sendo utilizado para representar de forma autônoma cada uma das metodologias: PRL 60 e PRL 20. De outra banda, em favor da interpretação conduzida pela Recorrente teríamos a ausência de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado” para ficar bem caracterizado ai a ausência dos parêntesis. Ora, mas se o objetivo do legislador fosse este mesmo de diminuir o valor agregado da margem de lucro por meio de parêntesis: PP= PLV – 60%(PLV – VA), por óbvio que o seu esforço de bem representar essa situação mais específica deveria ser seguida de uma redação mais robusta que contemplasse essa peculiaridade. Não se desincumbido bem dessa carga de prova, seja através da explicitação da fórmula matemática propriamente dita, como fazemos neste voto, seja através de uma formulação lingüística que ficasse mais claro isso, só se pode interpretar a formulação sem a existência dos parêntesis, ou seja, o valor agregado diminuindo diretamente o PLV para se chegar ao isolamento do preço parâmetro do produto importado (PP). Como se vê, ambas as interpretações poderiam ser possíveis a nível gramatical ou semântico, muito embora num cotejo raso entre as duas, existam mais pontos a favor da interpretação da IN 243/2002. Outrossim, se sopesarmos o valor de um erro de concordância nominal contra um erro de vírgula, pareceme cristalino que pressupor um erro de concordância nominal seria mais grave do que um mero erro de vírgula. Nesse sentido, no nível sintático/gramatical, parece mais razoável que a norma esteja a prescrever no cálculo da margem bruta de lucro, que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, portanto, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida diminuídos depois do valor agregado no país. Mas, por amor ao debate avancemos nos próximos métodos de interpretação. Interpretação lógica e matemática 2 Richard Feynman, citado em Hiperespaço, Rocco, página 149. Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 80 14 Uma outro aspecto que transparece da fórmula é da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da “feiúra” da primeira e falta de simplicidade. Como já se colocou retro, mas não custa repetir, o famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 3 Essa mesma intuição não passou despercebida de Polizelli4: A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. Por outras palavras, com essa interpretação perdese uma característica básica do método que é o “isolamento”. O método de cálculo é feito de “frente para trás”. Intuitivamente partimos do Preço de Revenda e vamos retirando tudo aquilo que seja possível até chegarmos, até isolarmos o preço parâmetro de importação para subseqüente comparação com o preço real importado. Uma vez isolado o preço de importação é que sobre ele deve incidir a margem bruta de lucro de 60%. Somente a fórmula da IN 243/2002 persegue esse desiderato e faz o isolamento de forma perfeita, pois ela retira todo o valor agregado, que é uma variável complicadora e muito peculiar do caso concreto e como tal deve ser expurgada, mesmo porque a margem bruta de 60% vem justamente substituíla. A fórmula da IN 32/2001 ela não expurga o valor agregado, ela faz algo diferente, ela adiciona 60% do valor agregado! PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA Como se vê ela falha em simplicidade, na medida em que a referida fórmula contempla a subtração do Valor Agregado que por sua vez diminui o Preço de Revenda isso tudo no contexto de uma outra diminuição realizada sobre o Preço de Revenda, o que redunda em uma adição “disfarçada” do Valor Agregado para a formação do Preço Parâmetro. 3 Op. Cit. 4 “Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência”. Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 81 15 Ora, afora a questão de falta de simplicidade da fórmula, por que motivo adicionar e não subtrair, e apenas parte do valor agregado e por que nesse percentual de sessenta por cento? Afinal o percentual de 60% seria apenas para cobrir a margem de lucro bruta? Todos os termos de uma fórmula matemática tem que ter uma razão de ser bem objetiva e explicável. Não há razão lógica alguma para esse fato, a não ser admitirmos que essa interpretação é produto de um erro dando origem a essa fórmula por acaso. Interpretação finalística A fórmula da IN 32/2001 ao deixar de subtrair o valor agregado como era de se esperar para atingir o isolamento do valor importado a ser comparado, e ir pelo caminho ilógico de adicionar 60% do valor agregado para apurar o preço parâmetro, faz com que a fórmula deixe de funcionar adequadamente, deixando de fazer os ajustes necessários nos casos de manipulação de preços importados entre partes relacionadas, objetivo maior do Preço de Transferência. E essa distorção acontece, justamente porque a variável independente Preço Parâmetro (PP) a ser calculada aumenta diretamente proporcional a 60% do Valor agregado (VA). Ou seja, quanto maior o valor agregado no país maior se torna o PP e consequentemente menores vão ficando os ajustes até o ponto de não ter mais ajuste nenhum, independente de se fazer manipulação no Preço de importação. Um comportamento absurdo. Nunca esperado para essa fórmula. Outrossim, os Preços Parâmetros calculados com base nessa metodologia distorcida não guarda a mínima correspondência com o valor do bem importado, o que é outro absurdo e precisaria ser explicado. Apesar de taxar de ilegal a IN SRF nº 243/02 o tributarista Schoueri, termina por concordar com a distorção acima apresentada: “7.6.1.3.1 Segundo tais autores, a fórmula acima seria criticável, já que, ao incluir o valor agregado na parcela da margem, surge um encontro de subtrações, o que implica uma adição. Em outras palavras, quanto maior o valor agregado, maior seria o preço parâmetro e, portanto, menor a necessidade de ajuste fiscal. 7.6.1.3.2 Essa observação leva a uma aparente incongruência na aplicação do método. Afinal, se a margem de lucro deve ser suficiente para cobrir todos os custos locais, então lógico seria que quanto maior fosse o volume dos custos locais, tanto maior fosse a margem; aplicandose a fórmula acima, chegase ao contrário: a margem de lucro diminui conforme se agrega valor no País. No limite, caso se agregasse enorme valor no País (e, portanto, caso se necessitasse de uma margem de lucro suficiente para remunerar tal agregação de valor), a margem resultante da aplicação da fórmula acima seria negativa. 7.6.1.3.3 O argumento é forte e coerente e, de fato, não parece passível de contestação a partir da lógica dos preços de transferência. Seria de se esperar que tivesse o legislador cuidado de ampliar a margem de lucro conforme houvesse maior agregação de valor, nunca o contrário.5 5 Preços de transferência no direito tributário brasileiro, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2006, pp.159160. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 82 16 Porém, o mesmo renomado autor objeta que isso seria um efeito indutor positivo previsto pelo legislador para favorecer a agregação de valor no país e que não poderia ser desprezado. Ora, mas o objetivo do mecanismo de preço de transferência é outro completamente diferente não podendo se amoldar a tal desiderato. Na verdade o que se tenta justificar é um efeito errático da fórmula, se seguida uma interpretação errônea, que coincidentemente dá ensejo a um efeito indutor, mas que por óbvio não pode ser considerado um objetivo maior do Preço de Transferência, mormente quando esse efeito indutor torna a fórmula inútil para evitarse manipulação de preços importados advindos de aquisições entre partes relacionadas, finalidade maior desse instituto. Outro aspecto da fórmula não explicado pelos defensores da lógica da IN 32 2001 seria o porquê do legislador se utilizar da expressão matemática (PLVA) na fórmula PP=PLV 60%(PL – VA). Ora, (PL – VA) nada mais é do que Preço do Produto Importado (PPI) +Lucro. Então a margem bruta é uma expressão que faz incidir o percentual de 60% não sobre o valor agregado, mas sobre o próprio preço do produto importado mais o lucro. Ora, por que então não se fez referência direta a essas variáveis. E outra coisa, como explicar que a Margem Bruta seja uma grandeza que dependa do “Preço do bem importado”, se o Preço Parâmetro, que tem paralelismo com o Preço do bem importado, é justamente o que se pretende encontrar? Questão prenhe de questões, todas elas não elucidadas. Por que? Porque é produto da escolha por acaso da interpretação literal equivocada que só pode redundar em irracionalidade na fórmula produzida. Interpretação Sistemática Uma interpretação sistemática da referida fórmula envolve a análise dela a partir dos parâmetros da OCDE. Nesse passo, Victor Borges Polizelli em excelente artigo aponta que a fórmula da IN 243/2002 com a estrutura explícita de “Preço menos Margem de Lucro menos Valor Agregado” apesar de aparentar mudar a estrutura convencional dessa metodologia (“Preço menos Margem de Lucro” apenas) indica que as diretrizes da OCDE longe de vedar essa estrutura até a recomenda quando se é possível adotála. E não poderia ser diferente uma vez que essa nova estrutura é a que melhor se amolda ao conceito de isolamento dos produtos importados, conforme já tratado em outro tópico. Eis a doutrina de Polizelli: Em socorro dessa proposta de interpretação, convém indicar que as diretrizes da OCDE, enquanto orientações gerais, não vedam expressamente a exclusão do valor agregado paralelamente à exclusão da margem de lucro. Pelo contrário, como já adiantado, a OCDE reconhece que é mais difícil determinar uma margem de lucro adequada para as situações em que há grande agregação de valor ao produto (item 2.22). Mais ainda, as diretrizes da OCDE (item 2.19) sugerem que seja conferido maior peso a outros atributos de comparabilidade (funções realizadas, circunstâncias econômicas etc.) quando a margem de lucro disser mais respeito a esses atributos do que ao próprio componente importado. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 83 17 Colocamse assim algumas questões: será que a legislação brasileira não veio a atender exatamente a essas recomendações da OCDE, quando previu a exclusão individualizada do “valor agregado no País”? Seria essa uma forma adequada de se atribuir maior peso à função de produção e à circunstância econômica de alta agregação de valor? 6 E na seqüência o autor indiretamente toca no ponto da falta de simplicidade que por sua vez se liga na falta do “isolamento”, questões já sublinhadas alhures: Fato é que, com a formulação proposta PP=PL –60%x PL – VA é muito mais fácil encontraremse definições apropriadas para os elementos “Valor agregado” e “margem de lucro” de modo a resultar em um preço parâmetro plenamente comparável com o preço praticado na importação. 7 Argumento equivocado de que a mudança de redação para fazer face apenas à ponderação aumentaria os ajustes tributários Não se venha alegar que a redação da IN 2322002 diverge muito da Lei no que tange a incorporação da ponderação e que isso aumentaria a carga tributária da Recorrente através de atos infralegais. Conforme tabelas abaixo, fica bem claro que a ponderação não é o fator que faz aumentar os ajustes, ao contrário, é sempre mais favorável ao contribuinte (vide Tabela III). Outrossim, essa sistemática apenas incorpora uma “lei lógica” adequando melhor a fórmula para situações em que o que está sendo revendido é um produto em que se encontram incorporados vários insumos, no preço de revenda do produto estão compreendidos os preços de venda dos vários insumos que o integram. A ponderação é apenas uma “lei lógica” para fazer essa segregação dos diversos preços de revendas individuais a partir do peso valorativo do produto importado no custo total do produto. Nesse ponto, cabe um parêntese. É que a roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 se modifica ao incorporar a técnica da ponderação, mas sem macular a" sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento. Não se pode olvidar da ideia de que de certa forma o insumo foi também foi revendido. Nesse caso, apurase por proporcionalidade a parcela do preço líquido de venda (PLn) do bem produzido que diz respeito ao insumo importado (PPn). Fórmula adotada pela IN 243/2002 em sua essência Fórmula analítica: 6 "Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência". Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. 7 Ibdem Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 84 18 PP= PLV – 60%PLV – VA Fórmula EXPRESSAMENTE adotada pela IN 243/2002 PPn=%nPL –60%(%nPL) Os mais desavisados observam logo que a fórmula é completamente diferente uma da outra, pois a variável VA (Valor agregado) existente na primeira formulação desaparece na segunda. Ora, mas %n=VI8/(VI+VA), ou seja, o percentual de participação do valor do bem importado sobre os custos totais é uma forma lógica de isolar o valor agregado do bem importado, afinal a variável “Total dos custos” é a soma do Valor Importado mais todo o Valor Agregado a esse insumo. No caso da participação de um único insumo importado, significa apenas a diminuição(subtração) por si só do valor agregado, não necessitando do artifício do rateio proporcional, repartindo o “bolo” em seus pedaços supostamente revendidos (PLVn, PPn). Por outras palavras, a participação do componente importado no preço de revenda líquido (%n x PL) é igual ao preço de revenda líquido do produto final (PLV) subtraído do valor agregado: (%n x PL) = PLVA Nesse passo, Victor Borges Polizelli no seu excelente artigo muito bem divisou essa identidade entre a fórmula genérica da IN 243/2002 (PP= PLV – 60%PLV – VA) e a fórmula derivada, verdadeiramente expressa na IN 243/2002 que contém a técnica da ponderação de custos (PPn=%nPL –60%(%nPL)). Eis abaixo a prova matemática estabelecida pelo referido autor entre a variável Valor Agregado e tudo aquilo que não representa a participação do componente importado “n” no preço de revenda líquido: Neste sentido, o valor agregado poderia então ser identificado como tudo o que não representar a participação do componente importado "n" no preço de revenda líquido ([1 %n] x PL). Aplicando esta identidade à proposição supra: (%n x PL) + ([1 %n] x PL) = PL %n x PL + PL %n x PL = PL PL = PL * Proposição Verdadeira O sentido aqui identificado para o valor agregado é perfeitamente admissível na medida em que reflete a evolução histórica do método PRL (grifei). 9 Segue a seguir um exemplo bem simples de como esse mecanismo de substituição da operação de subtração pelo rateio funciona: Ex.: Dados hipotéticos: PLV=250, VA=40, 40%PLV=100, VI=60, LUCRO=150 8 Valor declarado do bem importado 9 Op.cit. Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 85 19 PP=PLV –60%PLVVA (fórmula analítica) = 40%PLV – VA (fórmula reduzida) PP=10040=60 Aplicandose agora a fórmula EXPRESSA da IN 243: PPn=%nPL –60%(%nPL) %n=VI/(VI+VA)=60/(60+40)=0,6=60% PPn=60%x250 60%(60%x250)=15090=60 É claro que as fórmulas não são idênticas, pois variandose as variáveis (lucratividade, VA etc), como se verá mais adiante nas simulações, a fórmula expressa da IN 243 que contém a ponderação (PPn=%nPL –60%(%nPL)) tende a ter PP diferentes , mas observem, sempre mais favoráveis ao Contribuinte do que a formulação abstrata e que serve apenas para um produto revendido que contenha apenas um único insumo importado (PP=PLV –60%PLVVA). Vide comparação, então, da Tabela 3 com a Tabela 2, respectivamente. Essa lógica foi inclusive construída a partir da jurisprudência do CARF, mais precisamente a partir do brilhante voto proferido pela exConselheira Sandra Maria Faroni, relatora do Acórdão nº 10194.888, de 17 de março de 2005. No caso ela passa em revista as alterações produzidas no art.18 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 9.959/2000. É o famoso caso de Revenda de Párabrisa com preço parâmetro de R$ 32.000,00 para um produto que valeria R$ 10,00. Essa é a distorção causada pela fórmula da IN 32/2001 sem a utilização da ponderação. Outrossim, vêse, ainda, que a questão não é somente de lógica jurídica, mas também de bom senso e de razoabilidade. De importante que se deve ter em mente, para a análise da interpretação de uma norma e seu correspondente ato regulamentar infralegal, é que “Nem sempre lei lógica precisa norma para estar no interior do sistema”, é o que nos ensina o saudoso Jusfilósofo Lourival Vilanova em sua obra “As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo”, São Paulo, Editora Max Limonad, 1997, pg.26. Portanto, apesar de tal previsão não estar literalmente explícita na Lei, vêse que sua sustentação encontra guarida quando posta em confronto com questões de fronteira, como fez a ilustre Conselheira Sandra Faroni no referido Acórdão. Além do que, como se demonstra a seguir, essa ponderação tem apenas o efeito benéfico de reduzir os ajustes se comparado a interpretação da IN 243/2002 sem a referida ponderação. É de se ver. Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 86 20 TABELA 1 – “TESE DO CONTRIBUINTE” IN 32/2001 INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO DENTRO DA MARGEM DE LUCRO – S E M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%(PLV – VA) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 155,4 150 138 124 102 96,6 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI + VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES 0 0 0 0 0 2,4 OBSERVAÇÕES Aqui só há ajustes quando o Valor agregado é ínfimo, fazendo com que a fórmula não funcione para os demais casos! Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 87 21 TABELA 2 – “TESE DO FISCO – PRIMEIRO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – SEM PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%PLV – VA Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 3 6 26 60 86 95 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI + VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES – IN 243 – SEM proporcionalização 4,00 4,00 4,00 0,00 4,00 4,00 OBSERVAÇÕES *Margem bruta maior de 60%(por dentro) ou 150% por fora não tem ajustes! Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 88 22 TABELA 3 – “TESE DO FISCO – ÚLTIMO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – C O M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PPn=%nPL –60%(%nPL) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 0,96 9,60 13,20 60,00 86,40 95,04 PL 240 240 110 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 Proporção do VI sobre Custo total (VI+VA) %=> 1,00% 10,00% 30,00% 60,00% 90,00% 99,00% MARGEM de PL sobre (PBI + VA) Por fora 140,00% 140,00% 10,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES – IN 243 – COM proporcionalização 0,04 0,40 16,80 0,00 3,60 3,96 OBSERVAÇÕES Valor agregado não afeta ajustes, a não ser que a margem bruta ultrapasse 60% (por dentro) ou 150% (por fora). Observar que não há ajustes aqui no ponto em que a proporcionalização do VI (Valor Importado) sobre os custos totais iguala a 60% (por dentro) e em que a Margem Bruta também alcança 150% (por fora) e 60% (por dentro), demonstrando a coerência da formulação. A partir das simulações acima, fica patente a conclusão peremptória de que a ponderação, quando isolada (eu disse quando isolada!) não produz ajustes desfavoráveis ao contribuinte, recaindo em falácia todos os argumentos em contrário. O que gera ajustes mais desfavoráveis ao contribuinte se comparado com a IN 32/2001 é apenas a questão de o Valor Agregado compor ou não a margem bruta, questão essa que não está clara na literalidade da Lei e que só pode ser deslindada a partir da utilização de um vasto conjunto de métodos interpretativos. Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 89 23 Observar como esse erro é reiteradamente difundido inclusive por doutrinadores de renome. Higuchi, citado no Recurso, assim critica a IN 243/2002: O art. 12 da IN 243/2002 não consignou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no País como determina a lei. A instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. 10 Em primeiro lugar, como já se disse a Lei não precisa consignar lei lógica básica para trazer razoabilidade e evitar absurdos, como seria o caso de não se aplicar a ponderação e, por último, como já demonstrado, a ponderação não aumenta os ajustes, pelo contrário, diminui. A questão é outra, o que causa o efeito de aumento dos ajustes é a consideração do Valor Agregado no seio da margem bruta de lucro ou fora dela. E isso, como já se viu, não está literalmente claro na Lei. Nesse passo, cai por terra também o argumento muito utilizado de que a tentativa do executivo de emplacar, mas sem sucesso, a Medida Provisória nº 478, de 29 de dezembro de 2009, restou configurada que a IN 2432001 que teria a mesma redação dessa Medida Provisória, tenha extrapolado a Lei nº 9.430/96. Isso porque em sua redação saltaria aos olhos que a referida Lei teria abarcado em seus dispositivos a variável “participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido”, ou seja, a ponderação. Mas, ora, essa variável quando isolada (eu disse quando isolada) não implica em fazer com que os ajustes aumentem desfavoravelmente aos contribuintes, pelo contrário, os ajustes diminuem, conforme já foi sobejamente demonstrado nas tabelas acima. Outro autor de renome, O Dr. Eurico M D. Di Santi escreveu um artigo muito erudito a respeito da questão, disponível na internet: “Preços de transferência: Fraude à lei e abuso de poder na pretensa regulamentação das Leis 9.430 e 9.959 pela IN 243” 11. O seu mérito é que não ataca em hipótese alguma a ponderação. Vai direto ao ponto nevrálgico da discussão: o papel desempenhado pelo Valor Agregado dentro da fórmula do preço de transferência. Nesse ponto, ele ataca ferrenhamente a desconsideração do Valor Agregado tal qual posta na IN 2432002.Utilizase de argumento já tratado alhures, qual seja, do efeito indutor provocado pela sistemática da legalidade anterior (IN 322001). Ou seja, o efeito extrafiscal da IN 32 foi “incrementar o valor agregado dos produtos finais sujeitos vendidos no País. (...) Ou seja, o método PRL 60 estimulava os contribuintes a agregar tangíveis e intangíveis ao bem importado, atendendo à lógica da Lei 9.959 e da IN 32.” O mérito do seu argumento é indicar um efeito indutor que embora se argumente, como o fiz alhures, que não tenha sido previsto pelo Legislador, é bem provável que de fato tenha acontecido no mundo empírico. O problema é minimizado na medida em que a eficácia e legalidade da IN 32 é garantida pelo Fisco no período em que norteou esse comportamento. Entretanto, tal argumento extrajurídico não é suficiente para se permanecer 10 Imposto de renda das empresas. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo:IR Publicações, 2011, p.158. 11 Disponível em http://www.fiscosoft.com.br/a/5jrd/precosdetransferenciafraudealeieabusodepoderna pretensaregulamentacaodasleis9430e9959pelain243euricomarcosdinizdesanti. Acessado em 04 de junho de 2012. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 90 24 com uma interpretação que sustenta a referida fórmula, como já demonstrado, que chega a resultados absurdos e, em determinado ponto, deixa inclusive de funcionar e produzir o seu efeito e finalidade maior, qual seja, evitar a manipulação de preços entre empresas interrelacionadas e evitar a transferência de lucros entre os respectivos países. Outro ponto atacado pelo Dr. Eurico de Santi diz respeito à tentativa de destrinchar a fórmula da IN 243/2002 provocando o que ele chama de “Adultério” na medida em que “distorce o sentido e a intenção originária da Lei 9.959 e da IN 32”: A IN 243 muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32, mediante a alteração do cálculo do PRL60: (i) a Lei 9.959 e a IN 32 consideravam o valor agregado como pressuposto para aplicação do PRL 60 e, obviamente, o incluíam como variável na forma de cálculo desse método; (ii) a IN 243 inovou ao desconsiderar o valor agregado como variável no cálculo do PRL60, neutralizando o, e dando outra interpretação à palavra "bem". A IN 243, embora assuma o pressuposto da agregação de valor como diferencial para aplicação do PRL60 (hipótese), desconsiderao na solução normativa (consequência), pretendendo considerar a palavra "bem" não na acepção de produto final (após a agregação de valor no País, sentido prescrito pela Lei 9.959 pela IN 32), mas como o próprio insumo importado. Ou seja, a IN 243 passou a entender a palavra "bem" na acepção de insumo, completamente dissociada do "valor agregado no País".12 O argumento é inteligente, bem elaborado e merece ser respondido. Em primeiro lugar, notase uma certa precipitação em afirmar de plano que a intenção da Lei 9.9959 é tal e qual, colocando isso já como uma premissa verdadeira, quando na verdade é isso que se tenta provar. É a chamada petição de princípio. Em segundo lugar, observase em uma leitura atenta de todo o artigo que o autor intencionalmente não enfrenta a questão em seu ponto de partida inicial: a interpretação gramática e semântica. E por que penso que não o faz? Porque ficaria cristalino que a atribuição de estratagemas ardilosos ao conteúdo da IN 243, segundo ele, intencionalmente perpetrados pelo Fisco, não vingaria tão facilmente. O artigo tenta passar a ideia da existência de um plano conspiratório, ardiloso e maquiavélico plantado no seio da IN 243/2002 quando manipula a variável valor agregado. Ora, a variável “Valor agregado” está na literalidade da Lei 9.959, isso não se discute. O que se discute é sua posição matemática dentro da fórmula. A literalidade da Lei dá margem as duas interpretações, logo onde está o ardil da Receita Federal, que apenas se utiliza da opção mais racional e também prevista na literalidade da Lei? O que se tem que provar e o debate deve se instalar é em torno de qual das duas é a mais racional matematicamente! E isso o renomado autor não o fez. Ele em momento algum defende ou tenta explicar a racionalidade da sua hipótese, centrando forças apenas na tentativa de mostrar que a IN 2432002 “muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32”, mas isso não se discute. O que se discute é qual a “legalidade” correta, afinal se é dado à Administração revogar ou anular os seus próprios atos, impingida que está do Interesse Público, por que não poderia mudar sua interpretação da Lei, resguardando os atos colhidos pelo entendimento anterior, quando ela afere cristalinamente que cometera um erro na interpretação anterior? O renomado autor ainda sob esse mesmo aspecto tenta demonstrar a obscuridade da fórmula, na forma de “artimanha”, qual seja, “manter o Valor Agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência)”: 12 Ibdem Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 91 25 A artimanha da "Legalidade" 5 está em manter o valor agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência): com isso, aparentemente, a IN 243 alinhase à Lei 9.430 com a redação dada pela Lei 9.959, pois mantém o valor agregado como critério relevante da hipótese normativa, contudo, o exclui como critério quantitativo relevante na solução normativa. Em cotejo com o ADULTÉRIO PARTE I, perpetrado pela IN 38, a diferença específica entre a IN 38 (julgada ilegal pelo CARF) e a IN 243 (ainda sob julgamento no CARF) é que no ADULTÉRIO PARTE I, a autoridade administrativa criou expressamente nova hipótese normativa introduzindo uma distinção legal (Caso 1 x Caso 2) que não havia na Lei 9.430; agora, no ADULTÉRIO PARTE II, de modo mais dissimulado, a IN 243 mantém a mesma hipótese normativa da Lei 9.430 (após a alteração pela Lei 9.959), confirma a distinção entre Caso 1 e Caso 2, mas elimina os efeitos jurídicos da dessa distinção legal quando não considera o valor agregado na solução normativa. E o faz mediante a obscura alteração da forma de cálculo do preço parâmetro. Ou seja, em termos bem objetivos: a IN 38 foi considerada ilegal porque criou nova hipótese normativa; a IN 243 é ilegal porque parte de uma distinção legal imposta pela Lei 9.959 (mantendo o valor agregado como hipótese para aplicação do PRL60), mas elimina os efeitos dessa distinção, mediante alteração da solução normativa específica para o Caso 1 (desconsiderando o valor agregado na fórmula). Tratase de exemplo clássico de fraude à lei: a única justificativa para o regime do PRL 60 instaurado pela Lei 9.959 é a existência de valor agregado tanto no critério normativo como no critério quantitativo da solução normativa que define o cálculo do preço parâmetro. A IN 243 manteve o critério normativo do valor agregado (na hipótese) sem considerálo na consequência normativa, justamente e não por acaso, na parte mais obscura e nãotransparente desse dispositivo normativo: a fórmula! 13 Esse ponto de sua inteligente argumentação também merece ser respondido. Aqui a inteligência do raciocínio do ilustre doutrinador reside em primeiro lugar reconhecer que a IN 2432002 não inova em relação à Lei 9.959 no que tange a utilização da variável Valor Agregado. Afinal isso foi a inovação justamente prevista na Lei 9.959 quando criou o PRL 60 e como já visto no tópico ligado à interpretação sistemática, uma possibilidade aventada pela OCDE. O autor chama essa previsão de “critério normativo” ou “critério relevante da hipótese normativa”. Porém, aponta um suposto ardil: concomitantemente o desconsidera da consequência normativo em seu chamado “critério quantitativo”. O que de importante tem se a dizer é que de fato a variável “Valor Agregado” constante na Lei como “critério normativo” RELEVANTE foi preservada. E foi preservada da forma mais racional possível, que é expurgando essa variável do Preço Líquido de Revenda para daí encontrar uma base pura sobre a qual aplicar a margem bruta e fixa de 60%, isto é fazer jus a característica mais essencial do cálculo do preço de transferência, o chamado “isolamento”.O que o douto doutrinador chama de desconsiderar o seu efeito da consequência normativo, podemos simplificar tudo com um “sinal negativo” aposto à variável “Valor Agregado” (PP= PLV – 60% PLV VA). É a própria semântica da fórmula que está justamente em discussão em função da interpretação gramatical e de todas as outras formas de interpretações que possam indicar qual a semântica matemática mais adequada que irá dar racionalidade na fórmula. Não há ardil algum aqui, há apenas interpretações mais ou menos razoáveis. E como já se demonstrou sobejamente nesse voto, a desconsideração do VA em sua totalidade seria a fórmula mais racional, pois só ela produz o isolamento necessário para se chegar em uma adequado Preço Parâmetro. 13 Ibdem Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 92 26 Por fim, o ilustre autor traz novamente um outro substancial argumento que merece ser enfrentado: Ocorre que o sistema normativo inaugurado pela Lei 9.959 já ofereceu uma solução normativa LEGAL para os casos em que não se considera o valor agregado: o método PRL20. Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula, ao mesmo tempo em que trai a intenção patente do legislador, que só justificou a margem diferenciada do PRL60 em razão de considerar o valor agregado. 14 Notase, mais uma vez, que nesse ponto o autor contentase em atacar a fórmula da IN 2432002, mas nunca defende a outra opção matemática. Aliás, defende apenas em um único ponto e já muito aqui discutido, a questão extrafiscal do efeito indutor provocado pela fórmula da IN 322001. Novamente se diga, que uma fórmula de preço de transferência não pode se escorar apenas em efeitos extrafiscais, deve ter um mínimo de racionalidade interna para ser adotada e que racionalidade é essa para se evitar a manipulação dos produtos importados não se esclarece. Outrossim, o que se verifica é que a Recorrente nesse ponto ataca na verdade o percentual previsto de 60% previsto, esse sim, indubitavelmente, sem sombra de dúvidas, presente na Lei 9.959 e como tal qualquer falha do legislador em superdimensionálo refoge dessa instância julgadora e muito menos da IN 2432002. Esse ponto abre inclusive brecha para criticar a lógica da IN 32 e elogiar a lógica simples e direta da IN 2432002. É que esta última foi a única que preservou para todos os efeitos a Margem Bruta de Lucro prevista em Lei de 60%, trazendo mais previsibilidade e simplicidade para o importador, pois qualquer que seja o caso concreto essa é a margem bruta e fixa a ser aplicada sobre o valor importado mais o valor agregado para que não seja necessário se fazer ajustes. Explicando matematicamente, se fizermos um gráfico onde no eixo do “X” colocarmos a variável “Valor Agregado” – VA, variandoa paulatinamente e no eixo vertical do “Y” confrontála com a variável “Margem de Lucro” obteremos uma simples linha reta paralela ao eixo do “X” na altura de 60% por dentro ou 150% calculado por fora, indicando o limite a partir do qual não se terá nunca ajustes. Abaixo dessa reta (abaixo de 60% ou 150%) estariam todas as hipóteses onde os ajustes ocorreriam. Vêse aqui novamente o aspecto “beleza” e simplicidade presentes nessa fórmula. Se traçarmos o mesmo esquema gráfico para a fórmula da IN 322001, não obteremos essa mesma simplicidade, muito menos se preservaria o limite de 60% da margem de lucro como parâmetro de ajuste. Ela variaria de 60% até 0% de margem quando atingir um Valor de agregação de 60%. E a partir desse nível de agregação a fórmula provoca Margens negativas, ou seja, a fórmula para de funcionar. Então agora fica fácil de entender porque não se aprofunda nessa discussão, pois a fórmula produz resultados absurdos. Em primeiro lugar, não mantém a Margem de Lucro de 60% prevista em Lei e, por último, deixa de funcionar para nível de agregação maior de 60%, permitindo a partir desse nível a total manipulação de preços, diferente do objetivo maior do instituto do Preço de Transferência. Reitero o que o foi colocado pelo especialista em Direito Econômico Victor Polizelli: : 14 Ibdem Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 93 27 A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. Mas, ainda uma última questão colocado pelo Doutor Eurico de Santi que merece nossa atenção. Segundo o renomado doutrinador: Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula. 15 Conquanto já esclarecido que o referido percentual de 60%, adequado ou não, foi estabelecido explicitamente pelo legislador, cabe justificar o por quê de um aumento do seu patamar de 20% quando já se desconsidera o Valor Agregado. É como se houvesse uma anulação total do mesmo e como tal a fórmula deveria se comportar como se PRL 20 o fosse. Porém, esquecem os defensores dessa tese aquilo que foi muito bem sublinhado pelo Doutorando pela USP, Ricardo Marozzi Gregório, ao analisar o PRL 60 pela ótica da IN 2432002.: Portanto, a margem de lucro – ML – não precisará mais suportar o custo do valor agregado no País. Entretanto, continuará suportando os custos, despesas e remuneração da atividade comercial, bem como a remuneração da própria atividade de agregação de valor no País. E esta seria uma possível razão de a margem percentual de 60% sobre o preço de revenda líquido ser superior aos 20% sobre o preço de revenda menos os descontos incondicionais concedidos previstos para a hipótese em que não há produção local. (destaquei). 16 É que esquecem que com a agregação de valor há justificativa lógica para uma margem diferenciada porque existem outros componentes envolvidos que não se restringem apenas ao próprio valor agregado. Se retiramos determinados custos na forma de valor agregado não estou necessariamente anulando a lucratividade sobre essa agregação. É claro que o ideal seria o estabelecimento de mais de uma margem de lucro para se evitar os extremos, mas tal expediente não foi previsto por Lei. Nesse ponto, entre os próprios doutrinadores há uma certa discrepância na linha de raciocínio. No caso o Dr. Marcelo Natale, economista e advogado, que participou de um debate com o Dr. Natanael Martins (exConselheiro do CARF), com o Dr. Shoueri, entre outros, se vê uma suposta inadequação entre o PRL 60 e a ponderação. Dr. Marcelo Natale (economista e advogado): Ora, no PRL 20, eu compro e revendo sem fazer uma alteração física naquele produto. No PRL 60 eu teria uma justificativa lógica para uma margem diferenciada porque eu tenho outros componentes, i.e. o valor agregado que foi o tópico anterior. E ele é o cerne dessa discussão. Não é possível discutir o PRL 60 sem discutir o valor agregado. Aí nós vamos para a IN 243 e procuramos com microscópio onde 15 Ibdem 16 Preços de transferência:uma avaliação da sistemática do método PRL. Tributos e preços de transferência. 3º vol. Coordenador Luís Eduardo Schoueri. São Paulo: Dialética, 2009, p.189) Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 94 28 está o valor agregado e simplesmente não o encontramos, ele é ignorado solenemente no texto da IN 243, porque foi feito uma proporcionalização linear do cálculo. Reconheço que ele guarda certa lógica, porém ele nada mais é do que o método PRL 20 proporcionalizado. Ora, ele ratifica que deve ser feito uma proporcionalização, portanto, 20% me parece totalmente cabível também nesses casos. E com isso, se por um lado, na introdução do PRL 60, uma margem maior seria justificável, entre aspas, porque eu introduzi o valor agregado, se eu tiro o valor agregado eu tiro a base também que sustenta os 60% ou qualquer uma margem diferenciada daquela dos 20%. Dr. Natanael Martins: Quer dizer, como um bom advogado você estaria a dizer que o PRL a 60 estaria a justificar a aplicabilidade do PRL a 20 com proporção, mas o PRL 60 se desmonta porque a IN tirou da base dele o valor agregado. Dr. Marcelo Natale: Brilhante conclusão. Nesse ponto, ouso discordar dos nobres doutrinadores. A proporcionalização em princípio não deve afetar a margem bruta de lucro a ser aplicado sobre os bens importados, uma vez que ela nada mais faz do que melhor distribuir o valor agregado total para cada um dos seus respectivos componentes importados, quando esse for o caso, isto é, quando o importador não opera com um único bem, produto ou serviço importado.Por outras palavras, a proporcionalização é um método de procura da verdade real, no caso de haver produção local com importação de mais de um bem, no que tange a fazer o isolamento do componente importado de tudo quanto mais aparece no produto final. É, portanto, uma metodologia neutra não afetando o quantum de percentual de margem bruta a ser aplicado. Alegado problema do “efeito circular”na formulação expressa da IN 243/2002 Alegase como falha da IN 243/2002 o fato de que cada vez que o contribuinte busca se aproximar do “preço parâmetro” obtido pela fórmula, ou seja, passando a adquirir o bem pelo valor equivalente ao “preço parâmetro”PP, poderá ficar sujeito a novo ajuste a título de Preço de Transferência. É o seu efeito circular. Tentase provar isso através de tabelas contendo exemplos hipotéticos. O que se observa é que de fato a fórmula se comporta não de forma errática, mas de forma previsível. Só haverá ajustes no momento em que o PL dividido pelo somatório do Valor Importado mais o Valor Agregado (PL/(VI+VA)), for inferior a 60%, se calculado por dentro ou a 150%, se calculado por fora. Exatamente o que a fórmula se propõe a fazer, manter uma margem bruta de 60%, como está previsto na Lei. É claro que o exemplo dado pelo contribuinte não é só hipotético, mas irreal, pois as variáveis são interligadas, não se podendo conceber que a variação aleatória do VI não reflita também em um aumento correlacionado do Valor Agregado. No caso as simulações sempre mantém constante o Valor Agregado. Outrossim, ninguém disse que a referida fórmula da IN 243/2002 é a fórmula perfeita, mas é a mais adequada se comparada com a formulação da IN 32/2011. Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 95 29 Decisões Judiciais Na seara judicial observase que o caminho trilhado foi o mesmo do assumido neste voto. Temse notícias que em 10/02/2011 (DJF3 CJ1 de 18/02/2011, p.596), a justiça passou a ter um entendimento convergente ao do Fisco, quando do julgamento da AMS 200361000173814. Por unanimidade, trilhouse caminho oposto, pela legalidade da IN 243/2002, tendo assim sido ementado: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO – PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro – PRL, estabelecido na Lei nº 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF nº 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa nº 243/02 para a aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art.18 da Lei nº 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (destaquei) No mesmo sentido, pode ser mencionada a recente decisão proferida no mês de março pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho (processo nº 10283.721285/200814), Considerações finais Como se percebe, apesar de ser controverso a conclusão aqui chegada de que mesmo a partir de uma análise gramatical/semântica a interpretação da Lei feita pela IN 243 20002 seja a mais favorável, por todos os outros ângulos que se analisa a questão (interpretação lógica, finalística e sistemática) de fato chegase à conclusão peremptória de que a IN 243/2002 é legal. Outrossim, A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL – 60%x(%nPL)) se modifica, sim, em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). Encerrado o processo interpretativo feito de forma exaustiva, não mais se pode alegar que a IN 243/2002 é ilegal pelo simples fato de divergir da IN 32/2001. A IN Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 96 30 32/2001 é apenas uma versão mal sucedida da interpretação da Lei e como foi consolidada em um determinado lapso de tempo, será acatada para os fatos geradores abarcados pelo referido período em que ela estava em vigor. B) BASE DE CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO ALEGAÇÃO DE NÃO CONSIDERAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO do PIS/PASEP E DA COFINS A QUE TERIA DIREITO ALGUNS DE SEUS PRODUTOS EM FUNÇÃO DA ADESÃO À REGIME ESPECIAL Em relação a este tópico, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) A princípio apresentei meu voto negando provimento ao item “B” na esteira do raciocínio seguido pela decisão de piso. Porém, a maioria dos meus pares tinha entendimento diverso. Nesse contexto me quedei à necessidade desta diligência para averiguar dados necessários aos que pensavam diferente. Conforme relatado, a lógica da Recorrente é no sentido de que não recolhe a contribuição ao PIS e a COFINS sobre todos os seus medicamentos, por suas classificações fiscais se enquadrarem no disposto nos artigos 1º e 3º, ambos da Lei n° 10.147/2000, que desoneraram tais medicamentos visando "a repercussão nos preços da redução da carga tributária" e, assim, não deveriam compor o cálculo do preço parâmetro do método PRL 20% e do PRL 60%. Como quanto maior for o resultado do cálculo do preço parâmetro menores são os ajustes do PRL, a Recorrente pleiteia que a dedução daqueles impostos deve ser anulada, da fórmula do preço parâmetro por conta daquele benefício fiscal. Porém, a especificação dos períodos em que tais ocorrências se deram não se encontra bem definida nos autos, impossibilitando um possível provimento deste tópico de forma certa e incondicional. Diante desse contexto, proponho que feito seja baixado em diligência para: A partir das DACONs, verificar em quais períodos de fato ocorreu o referido benefício fiscal, de forma que em um possível provimento desse recurso que se evite possível locupletamento indevido; A partir das DACONs fazer os ajustes nos autos de forma a anular esse efeito. Em relação a quais períodos ocorreu o benefício fiscal, o fiscal respondeu que: Como pode ser constatado nas duas fichas apresentadas, em todos os meses do anocalendário de 2006 há produtos farmacêuticos cadastrados que geraram direito ao crédito presumido. É importante ressaltar que nas Fichas 09A Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Alíquotas Diferenciadas e 19A Cálculo da Contribuição da Cofins Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 97 31 Alíquotas Diferenciadas a Schering do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. demonstrou, mensalmente, a base de cálculo, as alíquotas aplicadas sobre a base de cálculo e o valor apurado. Constatase que a empresa demonstra nas referidas fichas que para os produtos farmacêuticos que geram direito ao crédito presumido há incidência do PIS/Pasep com a alíquota de 2,10% e da Cofins com a alíquota de 9,90%. Em relação aos ajustes, o fiscal esclareceu da impossibilidade de fazêlo a partir das DACON: Não é possível a partir do Dacon do anocalendário de 2006 fazer qualquer ajuste nos cálculos que geraram o crédito tributário constantes dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL. Vejamos: 1. A empresa Schering apura a receita de vendas mensal e aí estão incluídas todas as vendas dos produtos farmacêuticos. Do mesmo modo, apura a base de cálculo de todos os produtos que geram direito ao crédito presumido e, consequentemente, os valores apurados referemse a todos os produtos de código 090300101 Produtos Farmacêuticos que Geram Direito ao Crédito Presumido; 2. A receita de vendas, os descontos incondicionais concedidos e as os valores do PIS/Pasep e da Cofins, apenas para efeito do cálculo do preço parâmetro, apurados pela fiscalização referemse apenas aos bens para os quais foram apurados preços parâmetros maiores que os preços praticados e, por consequência, geraram ajustes ao lucro líquido e à base de cálculo da CSLL, conforme demonstrado no Termo de Verificação e respectivos Autos de Infração; 3. Apresento, a seguir, os demonstrativos que consolidam, por método de apuração, a receita de vendas, e os valores do PIS/Pasep e da Cofins, para efeito apenas do cálculo do preço parâmetro, todos calculados por esta fiscalização: (...) No cotejamento entre os totais da Tabela I e da Tabela II ficou demonstrado que não é possível a partir do Dacon do anocalendário de 2006 fazer qualquer ajuste nos cálculos que geraram o crédito tributário constantes dos autos de Infração de IRPJ e CSLL. 4. Por último, os preços de transferência são calculados produto a produto e não por totalização de receitas e de valores das contribuições mensais. São calculadas as totalidades dos produtos importados (para a apuração do preço praticado), dos vendidos e/ou revendidos (para a apuração do preço parâmetro), das quantidades passíveis de ajuste e dos ajustes a serem efetuados, sempre em relação ao período de apuração (AC 2006). Não concordo que devam ser feitos ajustes nos autos com o objetivo de não calcular os preços parâmetros com a diminuição das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins. conforme exporei no item das "CONSIDERAÇÕES FINAIS" deste relatório. Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 98 32 Mas, para cumprir o quesito A partir das DACONs fazer os ajustes nos autos de forma a anular esse efeito e considerando tudo acima exposto, informo que não há outra alternativa que não seja o recalculo dos ajustes, produto a produto, conforme o método de apuração determinado na legislação de Preço de Transferência: Como pode ser verificado nas memórias de cálculos dos preços parâmetros, anexadas neste Termo de Verificação, um mesmo insumo importado foi utilizado na produção de medicamentos diferentes. Deste modo, foram apurados tantos preços parâmetros quantos foram os medicamentos produzidos. O que o Fiscal aponta como dificuldade é que pelas normas de preços de transferência, para cada insumo importado corresponde um único preço parâmetro. Assim, teria que se fazer a ponderação de cada um dos preços parâmetros obtidos pela quantidade consumida do insumo no respectivo medicamento. Nas considerações finais, o fiscal declina mais detalhadamente a sua discordância em relação a esses ajustes, inclusive reproduzindo julgados do CARF que iriam de encontra a essa linha de entendimento: Considerações Finais: Os Autos de Infração constantes deste processo constituíram créditos tributários referentes apenas ao IRPJ e CSLL e não foram lavrados autos referentes ao PIS/Pasep e Cofins como afirmou a empresa . O inc. II, do § 7o, do art. 12 da Instrução Normativa SRF n° 243/2002 está apenas discriminando quais são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas conforme determinado no inc. II, do art. 12 da referida IN, ou seja: ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins. Nada mais do que elencar quais são os tributos incidentes sobre a venda. Quando nas normas sobre preço de transferência há referência aos ajustes, elas estão se referindo aos ajustes decorrentes dos métodos adotados e declarados na DIPJ. Não há que se fazer qualquer relação com as deduções referentes ao crédito presumido efetuadas no Dacon, como tentou fazer a empresa efetuando um relacionamento entre os itens 39 e 40 do Recurso Voluntário . Esta fiscalização analisou a classificação tarifária (NCM) de cada um dos medicamentos importados ou produzidos com o objetivo de verificar se atendiam ao disposto na alínea "a", do inc. I, do art. art. Io da Lei n° 10.147, de 21/12/2000 com as alterações posteriores, diferentemente da afirmação contida nos itens 42, 44, 45 e 48 do Recurso Voluntário . As operações de venda não são desoneradas por força dos arts. Io e 3 da Lei n 10.147/2000, com as redações dadas pelas Leis n° 10.548/2002 e 10.865/2004 . Tais artigos, tão somente, instituíram alíquotas diferenciadas de contribuições para determinados produtos farmacêuticos, assim como instituíram um regime especial de crédito presumido às pessoas jurídicas que, atendidas algumas condições, procedessem à industrialização e importação de produtos farmacêuticos. Vejamos: Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 99 33 Ari. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e. de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56. 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3. 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n" 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: 1 incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04,' exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (grifei) Art. 3" Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99. 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. l°,e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: (grifei) / tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6" do art. 5o da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985: ou II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei n" 10.213, de 27 de março de 2001. § Io O crédito presumido a que se refere este artigo será: I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1" desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo: deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, (grifei) § 2o O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1", industrializados ou importados pela pessoa jurídica. § 3" E vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 100 34 A Lei n° 10.147/2000, com suas alterações, é explícita ao determinar que o PIS/Pasep e a Cofins incidirão sobre a receita bruta de venda dos produtos farmacêuticos que especifica. ' Deste modo, não há que se falar de incidência, ou não, sobre os preços dos medicamentos, porque essa afirmação é um equívoco. A empresa Schering utilizase sistematicamente da palavra "preço" baseada na definição da IN SRF n° 243/2002, inc. II, do § 7o, do art. 12. Nesse dispositivo legal, volto a repetir, o legislador teve a intenção, tão somente, de elencar os tributos incidentes sobre as vendas que deveriam ser diminuídos. Se estamos analisando as contribuições devemos nos ater ao texto do inc. I. do art. Io da Lei n° 10.147/2000, ou seja, elas incidirão sobre a receita bruta de venda dos produtos farmacêuticos que especifica. Inclusive, a empresa declarou em relação aos produtos farmacêuticos que geram direito ao crédito presumido a Receita de Vendas, a Base de Cálculo, a Alíquota de 2,10% e o Valor Apurado na Ficha 09A Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Alíquotas Diferenciadas. Na Ficha 19A Cálculo da Contribuição da Cofins Alíquotas Diferenciadas declarou em relação aos produtos farmacêuticos que geram direito ao crédito presumido a Receita de Vendas, a Base de Cálculo, a Alíquota de 9,90% e o valor apurado. Como pode ser constatado há inclusive um valor apurado, mensalmente, das referidas contribuições. Ocorre que esse valor apurado apenas não é recolhido aos Cofres Públicos por força do determinado no art. 3o da Lei n° 10.147/2000 que concedeu um benefício fiscal: o regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação de determinados produtos farmacêuticos. O setor farmacêutico denomina corretamente como "Lista Positiva" aquela que elenca os medicamentos que não se sujeitam ao recolhimento das contribuições por força do benefício fiscal do crédito presumido determinado no art. 3o da Lei n° 10.147/2000. Assim, há outro equívoco contido na nota de rodapé/4 do item 4821, no qual a empresa afirmou: Na "Lista Positiva", sem incidência de PIS e COFINS: Amlrocur, Beiaferon, Bonoferos, Findara, Gestadinona, Iopamiron, Magnevistan, Mesigyna, Mirena, Nebido, Primolout e Urogr afina, (grifei) Os arts. 1ºe 3º da Lei n° 10.147/2000 foram regulamentados no âmbito da Receita Federal do Brasil na IN SRF n° 594, de 26/12/2005: Art. 1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a Contribuição para o PIS/Pasep incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Contribuição para o PlS/PasepImportação) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação) incidentes sobre a comercialização no mercado interno e sobre a importação de: (grifei) VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto n" 4.542, de 26 de dezembro de 2002: (grifei) Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 101 35 a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3. 3002.20.1. 3002.20.2, 3002.90.20. 3002.90.92, 3002.90.99. 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00: Art. 2a São contribuintes nas operações de comercialização no mercado interno dos produtos referidos no art. 1 °: I o fabricante, o produtor ou o importador desses produtos; (grifei) Art. 4o O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para os efeitos desta Instrução Normativa, é o auferimento de receitas na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 1", importados ou produzidos no País. (grifei) Art. 5" A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é: I a receita bruta auferida, o peso ou o volume, conforme o caso, relativos ci venda mensal dos produtos de que tratam os incisos Ia V do art. 1"; e II a receita bruta auferida com a venda mensal dos produtos de que tratam os incisos VI a XI do art. Io. (grifei) Art. 12. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta auferida em operações de venda dos produtos farmacêuticos de que trata o inciso VII do art. I" aplicamse as alíquotas de: I 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento), respectivamente, no caso de venda efetuada por fabricante ou por importador; e (grifei) Art. 17. As alíquotas de que tratam os arts. 9o a 16 aplicamse a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas decorrentes da venda dos produtos relacionados no art. Io, exceto àquelas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), (grifei) Art. 39. Sem prejuízo do disposto nos arts. 26 e 29, pode requerer a fruição de regime especial de utilização de crédito presumido, observada a legislação específica aplicável à matéria, a pessoa jurídica que proceda à industrialização ou à importação de produtos farmacêuticos sujeitos à incidência das contribuições na forma do inciso I do art. 12, classificados na TIPI: (grifei) I na posição 30.03. exceto no código 3003.90.56; II na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46; III nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3. 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2; e IV nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10. 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92. 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 102 36 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às vendas efetuadas para a ZFM. Art. 43. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidem sobre as operações de: Iexportação de mercadorias para o exterior; II venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; e 111 venda de materiais e equipamentos efetuadas diretamente à Itaipu Binacional. Parágrafo único. Para efeito do inciso II consideramse vendidos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Apenas a pessoa jurídica que não se reveste da condição de importador ou industrial está dispensada do recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita bruta auferida em operações de venda dos produtos farmacêuticos, pois essa tributação se processa à alíquota zero. Por outro lado, os fabricantes e importadores se sujeitam às alíquotas de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento), respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. Como determinado nas normas legais o crédito presumido dos produtos farmacêuticos sujeitos ao regime especial é determinado mediante a utilização dessas mesmas alíquotas sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos sujeitos a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta relacionados pelo Poder Executivo, conforme determinado no art. 3o da Lei n° 10.147/2000. O referido crédito presumido poderá ser deduzido do montante devido das mencionadas contribuições, sem prejuízo das demais formas de aproveitamento dos créditos gerados em razão de outras aquisições e pagamentos no mercado interno ou externo no regime da nãocumulatividade, conforme o art. 39 da IN SRF n° 594/2005. Portanto, o regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não exime o contribuinte do recolhimento dessas contribuições. Apenas é um benefício fiscal que assegura a dedução de créditos extras dos valores devidos das contribuições, tendo como contrapartida o compromisso de promover uma diminuição nos preços dos medicamentos proporcionalmente à redução de sua carga tributária. A título de informação transcrevo, abaixo, a ementa do Acórdão 1450.895 Ia Turma da DRJ/RPO, de 11/06/2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 103 37 LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE À DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data da ocorrência do feito gerador e regese pela lei então vigente. A Instrução Normativa SRF n" 243/2002 regulamentou as regras da Lei n° 9.430/1996 relativas a preços cie transferência vigentes no anocalendário de 2008, razão pela qual é ela aplicável aos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nesse período de apuração. REGRAS SOBRE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NA Lei n° 9.430/1996. TRATADO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO DAS RENDAS MODELO OCDE. COMPATIBILIDADE. São aplicáveis os ajustes previstos na Lei n° 9.430/96, por inexistir contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE cpte trata dos preços de transferência nas convenções , e os arts. 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que inserem os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. VINCULAÇÃO POR EXCLUSIVIDADE. São qualificadas como vinculadas à pessoa jurídica domiciliada no Brasil a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual aquela goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para compra e venda de bens, serviços ou direitos. A vinculação de que trata o art. 23, X, da Lei n" 9.430/1996 somente se aplica em relação às operações com os bens, serviços ou direitos para os quais se constatar a exclusividade. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 104 38 regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n" 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos, (grifei) Como coloquei na Resolução, a minha linha de entendimento era contrária a baixar o feito em diligência para fazer tais ajustes. Concordo em todos os seus termos com as considerações finais colocadas pelo fiscal no sentido de não se adotar aqui tais ajustes, que inclusive foi elaborada minuciosamente pelo fiscal deixando registrado todas as suas memórias de cálculo. Nesse sentido passo agora a reproduzir o meu voto originalmente apresentado naquela ocasião e que não foi acatado pelo colegiado tendo em vista o direcionamento do julgamento para sua conversão em diligência. Legislação de regência invocada pela Recorrente (1° e 3° da Lei n° 10.147/2000): Os artigos 1° e 3° da Lei n° 10.147/2000, com as redações dadas pelas Leis n° 10.548/2002 e 10.865/2004, de fato, instituíram alíquotas diferenciadas de contribuições para determinados produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, bem como um regime especial de crédito presumido às pessoas jurídicas que, atendidas determinadas condições, procedessem à industrialização e importação de produtos farmacêuticos: Art. 1° A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, EXCETO NO CÓDIGO 3003.90.56, 30.04, EXCETO NO CÓDIGO 3004.90.46, NOS ITENS 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 E 3006.30.2 E NOS CÓDIGOS 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 105 39 II sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. § 1o Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. § 2o O Poder Executivo poderá, nas hipóteses e condições que estabelecer, excluir, da incidência de que trata o inciso I, produtos indicados no CAPUT, exceto os classificados na posição 3004. § 3o Na hipótese do § 2o, aplicase, em relação à receita bruta decorrente da venda dos produtos excluídos, as alíquotas estabelecidas no inciso II. Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1°, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Art. 3° Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Confins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1°, e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6°do art. 5°da Lei n° 7.347, de 24 de julho de 1985; ou II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei n° 10.213, de 27 de março de 2001. § 1o O crédito presumido a que se refere este artigo será: I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1o desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; II deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2° O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1°, industrializados ou importados pela pessoa jurídica. § 3o É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição. Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 106 40 Por sua vez, o art. 18 da Lei nª 9.430/96 que estabelece a forma de cálculo do preço parâmetro para o método PRL é bastante preciso em seus termos: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (destaquei) Da Lei 10.147/2000 se pode extrair que apenas a pessoa jurídica que não é importador ou industrial está dispensada do recolhimento das contribuições incidentes sobre a receita bruta auferida em operações de venda dos produtos farmacêuticos apontados pela Lei n° 10.147/2000, uma vez que a tributação seria à alíquota zero, por outro lado, os fabricantes e importadores, como é o caso da contribuinte, se sujeitam às alíquotas de 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento), respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins. A incidência é patente. Sendo assim, ao tomar parte do regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica não se exime do recolhimento dessas contribuições, mas tem a faculdade de deduzir créditos extras dos valores devidos das contribuições, tendo como contrapartida o compromisso de promover uma diminuição nos preços dos medicamentos proporcionalmente à redução de sua carga tributária. E o art. 18 da Lei 9.430/96 que dá o tom do cálculo da base de cálculo do método PRL 60, não deixa margens à dúvidas. Isto é, que só é passível de dedução “os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas”, justamente porque é esse o ponto de partida. Qualquer coisa fora desse escopo, não faz parte do ponto de partida e, portanto, não precisa ser ajustado. Ademais é inerente ao método PRL o fato de se tratar de um método de cálculo presumido. ”. O método de cálculo é feito de “frente para trás”. Intuitivamente partese do Preço de Revenda e o legislador comanda que se retire tudo aquilo que seja possível até Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 107 41 chegarmos, até isolarmos o preço parâmetro de importação para subseqüente comparação com o preço real importado Embora na elaboração de seus componentes o legislador vise a uma maior aproximação possível da realidade, isso é obtido até determinado ponto pelo legislador, mas nos exatos termos de seus componentes, não sendo dado ao fiscal ampliar a referida fórmula por mais justa que possa parecer essa ampliação. O método PIC é outro método onde a margem de presunção é bem menor e que se cabível ou utilizado a finalidade prevista pela Lei seria melhor alcançada em função da natureza de seu cálculo, mas não é o caso do PRL. Dessa forma, não se pode fazer um híbrido dos dois métodos com a finalidade de se chegar a um preço parâmetro mais justo, como pretende a Recorrente, misturando um fórmula presumida com outra fórmula em que o custo real é que prepondera. Desta forma, nada a reparar no procedimento fiscal ao reconhecer que a contribuinte estava sob a fruição do regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 e, assim, para fins de determinação do preço parâmetro, deduziu dos preços de venda de cada um dos medicamentos os valores devidos a título de contribuição para o Pis e Cofins. Por todo o exposto, REJEITO o pedido de perícia, AFASTO a preliminar de nulidade e NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 108 42 Declaração de Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio Não obstante a costumeira qualidade contida nos fundamentos do voto do ilustre Relator, peço vênia para acompanhálo pelas conclusões porque minhas razões de decidir na questão da legalidade da apuração do PRL60 pela sistemática da IN/SRF nº 243/02 são um pouco distintas daquelas que foram expostas em seu voto. Destarte, apresento a presente declaração de voto apenas para esclarecer essas razões. Com efeito, desde a introdução da disciplina do controle dos preços de transferência no Brasil, o tema que mais ganhou destaque na doutrina e jurisprudência que trataram do assunto foi, sem dúvida, a apuração do preço parâmetro segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro, o chamado Método PRL. Como tal método foi inspirado no resale price, que é um dos métodos que foram desenvolvidos para a apuração do padrão arm’s length, vale a pena fazer uma pequena digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional para que possamos ter uma visão mais precisa desses conceitos. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no âmbito internacional17: Historicamente, o arm’s length consolidouse como o critério preferido para a alocação de lucros nas transações realizadas entre empresas relacionadas. Tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE, por meio de seu Comitê de Assuntos Fiscais, quanto a Organização das Nações Unidas ONU, por meio de seu Comitê de Especialistas para a Cooperação Internacional em Matéria Tributária, já deixaram claras suas posições favoráveis ao arm’s length ao rechaçar qualquer discussão sobre a possibilidade de adoção de iniciativas que buscavam o estabelecimento de outro padrão para o tratamento do tema, como, por exemplo, a utilização de fórmulas predeterminadas. Afora os Estados Unidos, que foram seus idealizadores, o arm’s length foi sendo paulatinamente incorporado, explícita ou implicitamente, na legislação interna dos diversos países. Internacionalmente, a definição desse padrão costuma ser fundamentada pelo que é indiretamente depreendido no que está estipulado nos parágrafos 1º dos artigos 9º das ConvençõesModelo da OCDE da ONU e dos Estados Unidos. Confirase: [Quando] ... as duas empresas [associadas], nas suas relações comerciais ou financeiras, estiverem ligadas por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, se não existissem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados em conformidade. 17 As referências bibliográficas dos diversos aspectos do referido controle citados neste voto podem ser encontradas na seguinte obra de minha autoria: Preços de Transferência Arm’s Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011. Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 109 43 Foi justamente os Estados Unidos o primeiro país que vivenciou enormes dificuldades quando tentou implementar o controle dos preços de transferência a partir da mera enunciação de uma cláusula tão genérica para o trato da matéria. Foram necessários alguns anos de maturação para se perceber que era preciso desenvolver uma metodologia específica. Por isso, em 1968, foi editada a regulamentação da Seção 482 do Internal Revenue Code (a qual dispunha sobre o arm’s length naquele País), incorporando os chamados métodos tradicionais, para a apuração do padrão na seguinte ordem de prioridade: o comparable uncontrolled price (CUP), o resale price method e o cost plus method. Além destes, abriuse possibilidade para a utilização de qualquer outro método (quarto método), desde que ele chegasse a resultados considerados arm’s length. Os métodos apresentados eram fundamentalmente baseados na comparabilidade entre transações realizadas pelas empresas relacionadas (controlled transactions) e transações realizadas por empresas independentes (comparable transactions). O CUP comparava os preços das transações, o resale price comparava as margens brutas a partir dos preços de revenda (resale margins) e o cost plus comparava margens brutas a partir dos custos de produção (mark ups). Os métodos foram desenvolvidos para o tratamento preferencial de transações envolvendo bens tangíveis. O período entre 1968 e 1986 foi marcado pela insistência do Internal Revenue Service (IRS) e dos tribunais americanos em afirmar a consistência dos métodos estabelecidos na regulamentação da Seção 482. Contudo, os casos difíceis (hard cases) submetidos às cortes daquele País pareciam demonstrar que a ausência de comparáveis, principalmente para intangíveis, era uma realidade muito mais frequente que se poderia supor. Depois de muitas críticas e de um conjunto de propostas e regulamentações temporárias, em 1994, foi editada a regulamentação da Seção 482 que está até hoje vigente. Surgiram o comparable profits method (CPM) e o profit split. O CPM compara margens líquidas (profit level indicators) entre partes controladas e não controladas apropriadamente selecionadas. Por sua vez, o profit split deve ser aplicado quando ambas as partes controladas operam com complexas funções econômicas e expressivos riscos e intangíveis de titularidade própria. A possibilidade de utilização de métodos nãoespecificados (não mais tratada na condição de quarto método) foi também contemplada. Diante dos avanços na legislação americana, o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE aprofundou seus estudos sobre o tema do controle de preços de transferência. Em 1995, a partir dos relatórios que havia publicado em 1979 e 1984 e das novas ideias inseridas nas propostas e na regulamentação final da Seção 482 do IRC, foi publicado o relatório Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations. Depois da sua ConvençãoModelo, os Guidelines, como ficou conhecido o relatório, transformaramse no mais importante desenvolvimento da OCDE na área tributária nos últimos 50 anos. A ideia dos Guidelines é confirmar a adesão da OCDE ao padrão arm’s length estabelecido no artigo 9º da ConvençãoModelo. Sua função é ajudar as administrações tributárias (de países membros ou nãomembros da OCDE) e os grupos multinacionais a encontrar soluções mutuamente satisfatórias para o controle dos preços de transferência. Os Guidelines, no tocante aos métodos sugeridos para a apuração do arm’s length, basicamente repetem aqueles que foram desenvolvidos nos Estados Unidos. Destaquese, de forma mais relevante, a criação do transactional net margin method (TNMM) em substituição ao CPM americano. Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 110 44 Uma questão primordial, quando se aborda o tratamento metodológico que visa a apurar o arm’s length, é o critério de escolha do método. Cada método possui um campo de aplicação típico. O CUP é tipicamente utilizado quando as características dos bens e serviços são comparáveis e, por isso, é possível a determinação direta do preço arm’s length, tais como nas hipóteses de comparação interna e nas situações que envolvem commodities e taxas de juros. O resale price, quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. O cost plus, quando as empresas que configuram uma das partes da transação controlada são do tipo industriais e com a produção preponderantemente vinculada a contratos de encomenda (contract manufacturers), contratos de remuneração continuada (toll manufacturers) e montagens de baixo risco (low risk assemblers) ou do tipo provedoras de serviços (service providers). Os métodos TNMM e CPM, quando as características dos bens e serviços, bem como as funções, ativos, riscos e bases de custos, não são comparáveis. Por fim, o profit split é tipicamente utilizado nas mesmas condições que o TNMM e o CPM, porém, agregamse, ainda, as exigências de que as partes controladas realizem transações intimamente relacionadas e funções complexas ou possuam intangíveis valiosos ou ativos exclusivos. Por essa razão, enquanto que a regulamentação americana, desde a sua criação, preferiu adotar a regra do melhor método (best method rule), a OCDE só recentemente alterou seus Guidelines, abandonando um critério hierárquico que veladamente reconhecia ser impossível a plena aplicabilidade dos métodos, para adotar o critério do “método mais apropriado”. Em ambos os casos, importa notar que o resultado arm’s length deve ser determinado pelo método que, diante dos fatos e circunstâncias, produza a medida mais confiável. Mais especificamente sobre o método resale price, é pertinente dispensar também algumas poucas linhas. Tal método tem como ponto de partida o preço de revenda para uma empresa independente de um bem ou serviço adquirido de uma empresa relacionada. Deste preço de revenda é deduzido um lucro bruto apropriado para se chegar ao preço arm’s length que servirá de parâmetro para a transação controlada. O lucro bruto apropriado é calculado em função da margem de lucro (margem de revenda) arm’s length. Por exemplo, se o preço de revenda de uma mercadoria é $100 e a margem de lucro arm’s length é de 20%, o lucro bruto apropriado será $20 (20% x $100) e o preço arm’s length será $80. A racionalidade do método pode ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço arm’s length = Preço de Revenda – Margem de Revenda x Preço de Revenda A margem de lucro arm’s length deve ser suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos, e, ainda assim, conferir um lucro líquido apropriado para o revendedor. Esta margem de lucro deve ser determinada com base em margens verificadas em operações de revenda realizadas em circunstâncias comparáveis. Tratase de tomar como referência as margens praticadas quando bens e serviços Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 111 45 adquiridos em transações não controladas são revendidos para empresas independentes. Os preços arm’s length são calculados, portanto, a partir de margens arm’s length. Estas, por sua vez, são constituídas sobre uma base de preços praticados em operações de revenda para empresas independentes. Impõese perceber a necessidade de um teste de comparabilidade envolvendo as circunstâncias das transações. As operações de revenda das transações não controladas devem ser realizadas em circunstâncias comparáveis às da operação de revenda da transação controlada. Se nenhuma das diferenças existentes entre as circunstâncias for suficiente para afetar materialmente a margem de lucro no mercado aberto ou se razoáveis ajustes puderem ser feitos para eliminar os efeitos materiais destas diferenças, considerase que há comparabilidade. As margens de lucro das transações não controladas aprovadas no teste da comparabilidade comporão uma amostra que consubstanciará o resultado arm’s length. A qualidade e o tamanho da amostra de transações aprovadas no teste da comparabilidade são importantes fatores diretamente relacionados à confiabilidade do método. A qualidade está relacionada com os ajustes efetuados. O tamanho permite empregar técnicas estatísticas capazes de refletir a distribuição das margens das transações não controladas aprovadas no teste. A confiabilidade será tanto maior quanto maior for o tamanho da amostra e mais próxima da curva normal for sua distribuição. Inferese da própria estruturação do resale price que ele é usado quando é possível constatar que uma das partes na transação controlada realiza operações de revenda. Entretanto, a confiabilidade do método é condicionada às situações em que a empresa revendedora não agrega valor significativo aos bens e serviços revendidos. Por isso, tratase de um método tipicamente usado quando empresas comerciais preponderantemente distribuidoras (stripped distributors) ou agentes comissionados (comissioned agents) configuram uma das partes da transação controlada. A OCDE admite que alguma alteração do produto pode ser feita pelo revendedor. Contudo, reconhece que a aplicação do método será bastante dificultada nas situações em que houver processamento ou incorporação do produto adquirido em produtos mais complexos e quando o revendedor contribuir substancialmente para a criação ou manutenção de intangíveis que são agregados aos produtos revendidos. Quanto maior as funções realizadas, os ativos empregados e os riscos assumidos pelo revendedor, maior deverá ser a remuneração pela margem de lucro e mais difícil de se encontrar circunstâncias comparáveis. Para a OCDE, o uso do resale price será provavelmente inapropriado em tais circunstâncias, mas, para a regulamentação americana, a confiabilidade do método estará a tal ponto comprometida que ele poderá ter que ser afastado por não atender à regra do melhor método (best method rule). Cumpre destacar que o método poderá ser utilizado no controle do preço de transferência exercido sobre a empresa que representa a parte testada (empresa revendedora importadora) ou no controle do preço de transferência exercido sobre a outra parte da transação controlada (empresa relacionada exportadora). Entretanto, o resultado arm’s length observado nas margens de lucro das transações não controladas só pode ser utilizado para o cálculo do preço arm’s length a partir do preço de revenda da empresa revendedora. Por isso, só um dos lados da transação controlada corresponde à parte testada (onesided analysis). Em regra, será o lado que desempenha funções menos complexas e que configure a utilização típica do método, ou seja, operações de revenda. Além disso, as margens de lucro utilizadas para a determinação do resultado arm’s length não devem ser diretamente retiradas das demonstrações financeiras de empresas Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 112 46 que realizam transações não controladas. Ainda que sejam margens brutas calculadas com base no lucro bruto, o qual, por definição, apenas sustenta os custos e despesas operacionais da revenda, e acrescenta uma devida remuneração ao revendedor, é sempre possível que alguns itens de custo ou de despesa sofram tratamento diferenciado nos diversos países, tornando incompatíveis as margens meramente calculadas a partir daqueles demonstrativos. Há necessidade, então, de se promover ajustes adequados para garantir consistência contábil entre as variadas fontes. O desenvolvimento do controle dos preços de transferência no Brasil: Feita essa digressão no contexto histórico do desenvolvimento da disciplina no âmbito internacional, passo, então, à descrição do tema no contexto interno, particularmente com destaque para o objeto da presente análise, qual seja, o método que foi criado no Brasil, para as operações de importação, tendo como inspiração o resale price. O item 12 da exposição de motivos que acompanhou o projeto que resultou na Lei n° 9.430/96 foi bastante claro sobre os objetivos pretendidos com a inserção da nova matéria em nosso sistema tributário. Leiase: 12. As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização, experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (grifei) Como se pode observar, a intenção expressamente declarada na exposição de motivos para se introduzir os dispositivos sobre preços de transferência na Lei nº 9.430/96 foi “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior”. Por conseguinte, fica clara a motivação antielisiva da introdução do controle de preços de transferência no País. Isto corrobora o entendimento que qualifica as regras consubstanciadas pela Lei nº 9.430/96 como cláusulas específicas antielisivas. Percebese também a insinuação de que a legislação que acompanhava a exposição de motivos se apresentava “em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE”. Apesar de o Brasil não ser um país integrante daquela organização internacional, há que se notar o paradigma utilizado como pretexto pelo legislador. Como noticiado, àquela época, os Guidelines haviam sido recentemente divulgados. Eram, portanto, o instrumento mais autorizado para exprimir o pensamento dos países integrantes da OCDE em matéria de preços de transferência. Era de se esperar, então, que a lei brasileira seguisse de perto as recomendações contidas nos Guidelines. Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 113 47 Para iniciar a análise do regime brasileiro dos preços de transferência, cumpre investigar a técnica adotada para aferir o controle dos preços praticados nas transações controladas. Nesse sentido, destacamse as ideias de “preço praticado” e “preço parâmetro”. O “preço praticado” é a média aritmética ponderada dos preços efetivamente praticados nas transações controladas no período de apuração do tributo, enquanto que o “preço parâmetro” é aquele calculado segundo um dos métodos previstos na legislação. Assim, a legislação de preços de transferência instituiu a seguinte ficção: se o “preço praticado é superior, nas importações, ou inferior, nas exportações, ao preço parâmetro”, devese “tributar a renda auferida”. Tratase do ajuste primário consagrado pela matéria em âmbito internacional. O mecanismo utilizado para operacionalizar este ajuste é a figura da adição ao lucro real prevista na legislação do imposto de renda. No que diz respeito aos métodos criados para o cálculo do chamado “preço parâmetro”, o legislador brasileiro reconhecidamente temeu trazer para o País a complexidade da metodologia internacional. Por isso, apesar de se inspirar nos trabalhos da OCDE, adotou uma variedade de mecanismos que tiveram o intuito de promover maior praticabilidade no trato da matéria. Nesse sentido, conquanto, no exterior, o enfoque dos métodos tradicionais resida na comparabilidade de preços (CUP) ou margens brutas (cost plus e resale price), no Brasil, o legislador preferiu manter a comparabilidade apenas para os métodos inspirados no CUP. Quanto aos métodos inspirados no cost plus e no resale price, o legislador inovou ao predeterminar as margens brutas que deverão ser aplicadas. Ademais, ignorou completamente a recomendação de que cada método deve ter um campo de aplicação específico ao conceder uma plena liberdade de escolha do método desde que dentre esses três tradicionais. Outrossim, não aceitou trazer para o País os métodos que foram posteriormente criados para o trato dos casos mais difíceis, como o TNMM e o profit split, e não concordou com a possibilidade de que o contribuinte apure o preço parâmetro por intermédio de outros métodos não especificados. No que tange à denominação empregada, a lei brasileira nominou de forma diferenciada os métodos caso eles se apliquem à importação ou à exportação. Assim, especificamente com base no resale price, foram criados: na importação (artigo 18, inciso II), o método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL; e na exportação (artigo 19, § 3º, incisos II e III), os métodos do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVA – e do Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído de Lucro – PVV. Descrito este panorama, é conveniente agora fazer o relato dos principais aspectos que traçaram a evolução histórica do método que é o objeto da análise do presente voto, qual seja, o PRL18. 1ª Fase: Antes da Lei nº 9.959/00: Ao tratar do PRL em sua redação original, a Lei nº 9.430/96 estabelecia um único percentual, equivalente a 20%, a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou 18 Fruto de novas reflexões, as conclusões aqui expostas são um pouco distintas das que foram anteriormente apresentadas no meu trabalho acadêmico citado pelo ilustre Relator, o qual havia sido publicado há cerca de sete anos (Cf. “Preços de Transferência: uma Avaliação da Sistemática do Método PRL”. In: Luís Eduardo Schoueri (coord.). Tributos e Preços de Transferência. v. 3. São Paulo: Dialética, 2009, pp. 170 a 195. Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 114 48 direitos importados para o cálculo da margem de lucro. O artigo 18, inciso II, desta lei dispunha da seguinte forma: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; De forma semelhante ao que foi feito para o resale price, podemos dizer que a racionalidade do método podia, então, ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,2 x Preço de Revenda Como se pode ver, estava intrínseca na racionalidade do método a ideia de que o cálculo do preço parâmetro parte de um preço de “revenda”. Nesse sentido, a margem de 20% foi predeterminada presumindose que seria suficiente para gerar um lucro bruto capaz de cobrir os custos e despesas operacionais da operação de revenda, considerando as típicas funções realizadas, ativos empregados e riscos assumidos, bem como conferindo um lucro líquido apropriado para uma empresa tipicamente revendedora. Foi por isso que a IN/SRF nº 38/97 tentou explicitar uma vedação não contida, pelo menos expressamente, no texto legal. E foi isso justamente o que causou a maior controvérsia desta fase histórica do método. Tratase daquilo que constou em seu artigo 4º, § 1º: § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pela própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6º e 13. (grifei) Os métodos tratados nos artigos 6º e 13 dessa instrução normativa referiam se, respectivamente, ao dos Preços Independentes Comparados – PIC, inspirado no CUP, e ao do Custo de Produção mais Lucro – CPL, inspirado no cost plus. Portanto, de forma transversa, ela pretendeu vedar a utilização do PRL nos casos em que o bem, serviço ou direito importado tivesse sido empregado na produção local. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 115 49 O fato de isso não constar expressamente no texto legal causou, de imediato, violenta repulsa de parte dos contribuintes, os quais decidiram não obedecer a vedação contida na regulamentação administrativa. Isso gerou uma grande quantidade de autuações que acabaram por demandar a manifestação desta Casa. Os primeiros acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes logo indicaram que a interpretação iria ser consolidada no seguinte sentido: a instrução normativa restringiu indevidamente a aplicação do método PRL19. 2ª Fase: Depois da Lei nº 9.959/00 e até a IN/SRF nº 243/02: Diante de tamanha oposição e da constatação de que alguns setores, de fato, estavam utilizando o PRL, apesar da produção local, a Administração propôs ao Governo Federal a edição da Medida Provisória nº 1.924/99, posteriormente convertida na Lei nº 9.959/00. Esses instrumentos, em seus artigos 2º, assim dispuseram: Art. 2º A alínea "d" do inciso II do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (grifei) Como se vê, a previsão inicial de uma margem de lucro calculada a partir de um percentual único de 20% foi abandonada e se abriu a possibilidade, desta vez explícita, da utilização do método nos casos de produção local. Entretanto, nesta hipótese, com uma margem de lucro a ser calculada aplicandose o percentual de 60% sobre o preço de “revenda” líquido. Não se tratava de um novo método, mas do mesmo método PRL com duas margens percentuais distintas, já que se uma empresa importar idênticos bens para comercialização e para produção local ela terá que apurar o preço parâmetro destas importações a partir de uma ponderação em função das quantidades utilizadas nas duas situações. Cada situação com sua margem apropriada. Notese o problema criado. O método parte do preço de “revenda” do bem importado. Mas se este é aplicado na produção e desta atividade resulta um bem substancialmente diferente daquele que havia sido importado, a rigor, não se poderia mais falar em “revenda”. Nada obstante, a lei mantém essa ideia e introduz um novo componente, o “valor agregado no País”. Esse componente, que não existe no resale price, teve a intenção de trazer alguma racionalidade para um método que, repitase, não foi desenvolvido para lidar 19 Cf., entre outros, os Acórdãos 10194624, de 07/07/04; 10194628, de 07/07/04; 10194859, de 23/02/05; 101 94863, de 24/02/05; 10321859, de 24/02/05; 10195107, de 10/08/05; 10708725, de 20/09/06. Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 116 50 com situações nas quais a parte controlada (que agora pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Mas, antes de aprofundarmos na citada racionalidade, é de se destacar um importante aspecto. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País”. Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. Desprendida das possíveis consequências, a regulamentação administrativa que se seguiu talvez nem tenha percebido esse erro gramatical Primeiramente, a alteração legal foi abordada pela IN/SRF nº 113/00, que se limitou a regular as mudanças no método PRL em função da nova margem. Depois, foi editada a IN/SRF nº 32/01, que regulou toda a matéria dos preços de transferência, revogando a antiga IN/SRF nº 38/97. Tanto a IN/SRF nº 113/00, quanto a IN/SRF nº 32/01, acabaram por dar idêntico tratamento à nova margem de lucro do PRL. Para resumir o que interessa em ambos os textos, reproduzemse aqui os §§ 10 e 11 do artigo 12 da IN/SRF nº 32/01: § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Devese notar que essas disposições normativas, mesmo que inconscientemente, assumiram a mencionada premissa do erro gramatical no texto da lei e consideraram, no cálculo da margem de lucro, que dos preços de “venda” do bem produzido deveriam ser deduzidos tanto os valores que a lei tratou como “referidos nas alíneas anteriores” quanto o valor agregado no País. A construção gramatical das instruções normativas, entretanto, foi alterada de modo que pôde ser mantida a expressão “do valor agregado” sem a incidência do mesmo erro contido na lei. Ademais, tais instruções normativas, sem os devidos cuidados, alteraram o termo “revenda” para a expressão “venda do bem produzido”. Com isso, Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 117 51 considerouse que o valor agregado deveria ser abatido do preço de “venda” para o cálculo do lucro bruto. Tal leitura, de fato, pode até parecer que converge para uma interpretação literal mais próxima possível daquilo que estava contido no texto da lei, contudo, a essência do método sofreu um grave abalo. É que sua racionalidade mudou e passou a ser ilustrada pela seguinte fórmula: Preço Parâmetro = Preço de “Venda” – 0,6 x (Preço de “Venda” – Valor Agregado) Ou seja, aquilo que vier a ser entendido como “valor agregado no País” assume fundamental importância para a racionalidade do método. Tratase de um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. Diante disso, podemos assumir inicialmente as três possíveis acepções para a expressão sugeridas na obra do Professor Luís Eduardo Schoueri20, quais sejam: (i) o preço de venda menos o custo do bem importado; (ii) o custo total menos o custo do bem importado; e (iii) o custo dos fatores locais (mão de obra, materiais secundários, etc). Para avaliar a amplitude de um conceito, é sempre bom refletir com base em exemplos extremos. Nesse sentido, vamos primeiro supor que a transação controlada refirase a importação de um determinado parafuso que vai entrar na produção de um automóvel. Sabese que o preço do parafuso é infinitamente menor que o preço do automóvel. Se olharmos a fórmula acima, é fácil inferir que qualquer que seja a acepção da expressão “valor agregado no País” o preço parâmetro resultará num valor infinitamente superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (i) o preço de venda menos o custo do bem importado, o preço de venda e o valor agregado serão muito próximos e a subtração no segundo termo da fórmula tenderá a zero, fazendo com que o preço parâmetro tenda para o preço de venda (do automóvel). Se a expressão significar (ii) o custo total menos o custo do bem importado, o valor agregado tenderá para o custo total, de modo que a subtração no segundo termo da fórmula até possa ter um valor relativamente inferior ao preço de venda, mas, ainda assim, o preço parâmetro resultará num valor muito superior ao que seria razoável esperar como preço praticado na importação de um parafuso. Se a expressão significar (iii) o custo dos fatores locais, o raciocínio acaba sendo idêntico ao da hipótese anterior. Portanto, estamos diante de uma interpretação na qual uma indústria automobilística que importa uma grande quantidade de um determinado parafuso para a sua produção, seja de uma empresa vinculada, seja de um paraíso fiscal, teria a permissão legal para praticar preços absurdamente superiores ao que praticam empresas independentes. Logicamente, transferindo grandes parcelas de lucros para outras jurisdições. Retornando, então, ao contexto histórico em que foi lançada a disciplina dos preços de transferência no Brasil, é de se perguntar: e onde fica a motivação antielisiva que estava estampada na exposição de motivos que acompanhou a proposta da lei? 20 Cf. Preços de transferência no direito brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2013, p. 229. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 118 52 É claro que esse é um exemplo extremo e que existem muitas outras circunstâncias que poderiam desestimular um planejamento tributário tão agressivo, como, por exemplo, uma elevada carga tributária sobre a importação. No entanto, ele serve muito bem para ilustrar o descompasso dessa interpretação com a própria essência da lei. Apesar disso, alguns autores costumam justificar essa interpretação com o argumento de que o legislador teria criado uma finalidade indutora para a norma. Isso porque quanto maior o “valor agregado no País” maior seria a probabilidade de o controle dos preços de transferência não resultar em ajuste para a empresa. Teriase, assim, um incentivo para a produção nacional. Sinceramente, penso que não se deva incentivar a produção nacional por intermédio de mecanismos que possibilitem a transferência de lucros para o exterior sem a devida tributação em nosso território. Nem acredito que, se quisesse fazer isso, o legislador iria se valer de uma velada fórmula inserida na legislação que deveria essencialmente cuidar do controle dos preços de transferência. No outro extremo, vamos agora supor um exemplo em que uma determinada máquina é importada, um trator por exemplo, e sofre um pequeno processo de fabricação em nosso País. Poderíamos, também como exemplo, citar um beneficiamento que torne suas pás mecânicas mais resistentes a um determinado tipo de solo. É certo que houve produção nacional. E, pelo que diz a lei, a priori, isto já seria suficiente para se deslocar a margem de lucro para o patamar de sessenta por cento. Sendo assim, qualquer que fosse a acepção utilizada para a expressão “valor agregado no País”, sua expressão monetária seria sempre bem inferior ao preço de venda (do trator). Com isso, a fórmula proposta por essa interpretação tenderia para a própria fórmula do método resale price uma vez que o preço de “venda” aproximase bastante de um verdadeiro preço de “revenda”. Neste caso, independentemente da amplitude da margem predeterminada, a fórmula teria, sim, uma racionalidade adequada. 3ª Fase: Depois da IN/SRF nº 243/02: Diante desse quadro, parece que a Receita Federal percebeu o problema criado no controle dos preços de transferência (nas situações em que havia maior agregação de valor no País) com a interpretação que ela própria havia dado pelas instruções normativas que se seguiram à edição da Lei nº 9.959/00. A título de nova regulamentação de toda a matéria dos preços de transferência foi publicada, então, a IN/SRF nº 243/02, revogando a anterior IN/SRF nº 32/01. Com essa iniciativa, a Administração alterou a interpretação que fazia do texto legal sobre o PRL aplicado nas situações em que ocorre produção local ao editar, na nova instrução normativa, os §§ 10 e 11 do artigo 12: § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 119 53 I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Seguindo estritamente o que está estipulado no texto desta nova instrução normativa, a seguinte fórmula se apresenta: Preço Parâmetro = Ci/Ct x Preço de “Venda” – 0,6 x (Ci/Ct x Preço de “Venda”) Sendo: Ci = custo do bem importado Ct = custo total do bem produzido Ci/Ct x Preço de Revenda = participação do bem importado no preço de venda do bem produzido A primeira vista, tal formulação parece em total desacordo com a hipótese de produção local prevista no texto legal. Afinal, o texto da lei não trata de percentual de participação do bem importado. Soa como uma inovação ofensiva à ideia de estrita legalidade corrente no direito tributário pátrio. Nada obstante, é possível vislumbrar uma outra faceta implícita no texto legal. É o que passo a demonstrar. Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 120 54 Avaliação da legalidade da sistemática contida na IN/SRF nº 243/02: Já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli21, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. Apesar de peculiar, parece fazer sentido. Mas, ainda assim, é forçoso reconhecer que faltou a aposição de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado”. Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x Preço de Revenda – Valor Agregado Mas, sendo assim, o que é necessário para que a fórmula da IN/SRF nº 243/02 possa se ajustar a esta fórmula do texto legal segundo a premissa interpretativa da técnica redacional inapropriada? Para responder a isso, há que se ter em mente que a ideia de valor agregado surgiu no texto da lei com a intenção de fazer com que um método criado 21 Cf. “Parâmetros para a Definição de Valor Agregado e Interpretações Possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao Método PRL de Preços de Transferência”. In: Revista de Direito Tributário Internacional nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006, p. 227. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 121 55 essencialmente para lidar com situações de revenda pudesse ser aplicado em casos que ocorre produção nacional. Ou seja, o valor agregado é algo que pretendia trazer alguma racionalidade para o método. Como a lei fala em “revenda” e não faz sentido falar nesse conceito quando o bem importado é inserido na produção, a Administração fez uma nova interpretação do texto legal de modo que a ideia de “revenda” possa ser utilizada quando ocorre a produção nacional. Procurou, então, encontrar no preço de venda do bem produzido qual seria a parcela que poderia ser atribuída ao bem importado. O próprio bom senso sugere que o critério mais lógico para isso seria proporcionalizar o preço de venda do bem produzido segundo a relação estabelecida entre o custo do bem importado e o custo total do bem produzido. No nosso exemplo do parafuso que é importado para entrar na produção de um automóvel, o preço de “revenda” que se considera (Ci/Ct x Preço de Venda) é o do parafuso lá dentro do automóvel. E, da mesma maneira, no caso do trator, o preço de “revenda” que se considera é o do trator importado (sem o beneficiamento) dentro do trator já com as pás mecânicas beneficiadas. E onde entra o tal do valor agregado previsto na lei? Como já foi dito, seu papel é o de trazer alguma racionalidade para o método. Mas, essa racionalidade deve ser atingida com a reconfiguração da noção de “revenda”. Por isso, o conceito de valor agregado mencionado na lei não pode ser estabelecido mediante uma fórmula matemática que tente associálo às corriqueiras conceituações econômicas que normalmente são formuladas mediante aglutinações de itens contábeis tais como aquelas três acepções anteriormente sugeridas. Tal conceito deve ser entendido apenas como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda”. Neste sentido, matematicamente, ele pode até ser dispensado uma vez que tenha cumprido sua função. Então, na fórmula acima, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Notese que com essa concepção de valor agregado a sistemática contida na interpretação administrativa fica condizente com o texto legal mesmo na premissa de que teria havido apenas um erro gramatical. É que nesse caso o texto legal teria a seguinte formulação: Preço Parâmetro = Preço de Revenda – 0,6 x (Preço de Revenda – Valor Agregado) Logo, aqui também, se for substituído o preço de “revenda” pela aludida proporcionalização, o valor agregado deverá ser zerado para que se chegue à fórmula da IN/SRF nº 243/02. Cumpre ressaltar que isso não se trata de uma panaceia inventada para atestar a legalidade da Instrução Normativa. Pelo contrário, buscase fazer a interpretação mais consentânea com a teleologia da lei. A ideia de valor agregado é um conceito aberto que exige construção jurisprudencial para o seu fechamento. E a lei nada disse acerca da medida desse valor. Nada impede que outra acepção possa ser levantada com base numa interpretação que traga alguma racionalidade para um método que, enfatizese mais uma vez, não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada (que pode assumir as características de uma indústria) realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora. Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 122 56 Como se relatou, antes da alteração da lei, o que vigia, pelo menos no sentido que a Administração pretendeu interpretar, era a possibilidade restrita de aplicação do método PRL aos casos de bens, serviços ou direitos exclusivamente revendidos, ou seja, sem produção local. Era a ideia da revenda associada ao comércio. Afinal, na própria denominação do método estava implícita esta noção. Nada obstante, quando foi aberta a hipótese de utilização do método para os casos de produção local, a ideia de que o componente importado participa do produto final e, neste sentido, será (re)vendido permanece. Então, para que o método possa continuar refletindo essa ideia é necessário isolar esse componente de tudo mais que possa aparecer no produto final. O que não se pode é querer que a racionalidade de um método que foi idealizado para situações de “revenda” seja completamente distorcida pela interpretação equivocadamente instituída na segunda fase do processo histórico acima mencionado. Afinal, aquelas primeiras instruções normativas estavam completamente dissociadas da racionalidade do método inspirador, por substituírem, sem os devidos cuidados, o termo “revenda” contido na lei pela expressão “venda do bem produzido”, bem como corromperem o próprio sentido da lei, como o exemplo do parafuso importado para a produção do automóvel pôde bem demonstrar. Admitir tal interpretação, quando combinada com a liberdade de escolha do método inadequadamente inserida em nossa legislação, seria abrir as portas (com a chancela legal) para o próprio planejamento fiscal que o controle dos preços de transferência (medida antielisiva de caráter específico) pretende evitar. Alguém poderia objetar que, sem embargo da maior racionalidade, houve exagero na dimensão da margem predeterminada (60%), o que ficaria mais evidenciado nas situações extremas em que há pouca produção nacional, como no exemplo do trator, e quando não há viabilidade para a escolha de outro método. Afinal de contas, a racionalidade impõe que o preço de “revenda” previsto na lei seja obtido mediante proporcionalização no preço de venda do bem produzido. Nada obstante, isso não seria um problema de legalidade, mas, talvez, de falta de proporcionalidade do legislador na predeterminação da margem. E, como se sabe, estaríamos no campo da investigação da constitucionalidade da lei. Fora, portanto, do âmbito de atuação deste Colegiado. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros com a edição da Lei nº 12.715/12. Conclusão: Diante dessa abordagem interpretativa que fundamenta sua convicção nos contextos histórico e teleológico do Método PRL, impõese constatar que os enfoques adotados pelo ilustre Relator, bem como por diversos dos autores citados, adotam pressupostos completamente distintos. É que eles não discutem a impropriedade de se admitir a ideia de “revenda” num método cuja racionalidade foi essencialmente destinada para situações em que a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos normalmente encontrados em Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 1401001.527 S1C4T1 Fl. 123 57 empresas tipicamente revendedoras. Por isso, também não percebem a sutileza da conceituação do valor agregado apenas como algo que pode atenuar essa adversidade pela reconfiguração da noção de “revenda” e acabam por apegarse a exemplos numéricos para tentar refutar uma ou outra faceta interpretativa. Ou, como já vi em outras decisões e trabalhos doutrinários, desenvolvem análises que privilegiam complexas explicações matemáticas das fórmulas depreendidas do texto legal e da regulamentação administrativa. Com a devida vênia, respeito todas essas opiniões, porém, entendo que pecam por não enfrentar a questão central que toca o tema. Assim, é por tais fundamentos que afasto a alegação de ilegalidade da metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN/SRF nº 243/02. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Conselheiro Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.000998/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
DIVERGÊNCIAS ENTRE DACON E DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DO DACON. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação do Dacon para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea que a sustente, não é hábil a afastar a autuação decorrente da insuficiência de pagamento do tributo apurada pelo cotejo entre os valores declarados a pagar em Dacon e aqueles confessados em DCTF, mormente quando a contribuinte já tinha sido intimada a comprovar o erro material no curso do procedimento fiscal.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO.
Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: DIVERGÊNCIAS ENTRE DACON E DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DO DACON. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação do Dacon para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea que a sustente, não é hábil a afastar a autuação decorrente da insuficiência de pagamento do tributo apurada pelo cotejo entre os valores declarados a pagar em Dacon e aqueles confessados em DCTF, mormente quando a contribuinte já tinha sido intimada a comprovar o erro material no curso do procedimento fiscal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DO DACON. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação do Dacon para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea que a sustente, não é hábil a afastar a autuação decorrente da insuficiência de pagamento do tributo apurada pelo cotejo entre os valores declarados a pagar em Dacon e aqueles confessados em DCTF, mormente quando a contribuinte já tinha sido intimada a comprovar o erro material no curso do procedimento fiscal. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não cabe às autoridades julgadoras que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 98 /2 00 9- 17 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração de exigência da contribuição para o PIS/Pasep e multa de lançamento de ofício, relativamente ao período de apuração de janeiro/2005 a março/2005, no montante de R$ 211.273,82. Constatou a fiscalização, ao examinar o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon relativo ao 1º trimestre de 2005 da contribuinte, que havia divergências entre os valores de PIS/Pasep que nele constavam e aqueles confessados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Não obstante intimada, a contribuinte não demonstrou à fiscalização a ocorrência de erro material no preenchimento das declarações: Insuficiência de declaração e recolhimento de PIS nos meses de janeiro a março de 2005 conforme informações prestadas em DIPJ e DCTF e constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; O contribuinte foi intimado para a apresentação de documentos e livros fiscais e contábeis, que justificassem os fatos descritos acima. (...) Restando evidente que o erro contido no Quadro II — PIS não causou prejuízo ao entendimento do sujeito passivo, cumpre destacar que o sujeito passivo foi informado sobre a necessidade de provar a ocorrência de erro em razão da perda da espontaneidade, prevista no artigo 7°, parágrafo 1°, do Decreto n° 70.235/1972 e em virtude do que prevê o artigo 147, parágrafo 1°, da Lei n° 5.172/1972. Conquanto alertado sobre a necessidade de comprovar o erro, o sujeito passivo não apresentou livros e documentos que comprovassem, em contato telefônico, o representante do sujeito passivo limitouse a dizer que seus livros estavam em poder da AuditoraFiscal que estaria examinando o recolhimento de contribuições previdências. Em contato com a RFB, Sra. Ana Maria Marchi de Carvalho Passos, constatei que os livros retidos por ela eram apenas os relativos aos fatos ocorridos em 2004. Dessa forma, restou prejudicada a retificação do Demonstrativo que visou alterar profundamente a apuração do PIS nos meses de janeiro a março de 2005, inclusive reduzindo o valor da Receita de Prestação de Serviços de janeiro de R$ 5.995.360,69 para R$ 753.165,24 e, em conseqüência dessa alteração, realocar os créditos de PIS retido por terceiros e os decorrentes da apuração não cumulativa da contribuição nos períodos seguintes de forma a ajustar os resultados aos valores informados em DCTF. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000998/200917 Acórdão n.º 3402002.890 S3C4T2 Fl. 190 3 Em razão do exposto, resta configurada a falta de declaração e insuficiência de pagamento de PIS relativamente aos meses de janeiro a março de 2005. (...) Como a retificação do DACON não foi autorizada, o sujeito passivo foi informado sobre a necessidade de se demonstrar a ocorrência do erro material que teria cometido no preenchimento das declarações, contudo, conforme relatado na Descrição dos Fatos, acima, não restou demonstrada a ocorrência do erro. Em vista do exposto, serão constituídos os créditos tributários referentes contribuição para PIS relativamente aos meses de janeiro a março de 2005 conforme demonstrado no item 4 (VALOR TRIBUTÁVEL) desse Termo. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, mediante a qual alegou, em síntese, conforme consta no relatório da decisão recorrida que: somente se todos os elementos estiverem detalhados e demonstrados com clareza e perfeição, em estrita observância ao art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o auto de infração poderá ser considerado formalmente válido (o que não necessariamente induz na validade material ou meritória), sendo que a falta de qualquer um deles resultará na nulidade do lançamento de ofício. No caso em tela, a nulidade da ação fiscal está deflagrada pela inconsistência na fundamentação do auditor fiscal para a lavratura do auto de infração, na medida em que não reconhece a existência de um crédito em favor da impugnante devidamente constante de sua DCTF do mesmo período. Com efeito, a contribuinte ao apresentar suas declarações, por um equívoco, preencheu no Dacon somente seus débitos, porém, em DCTF informou devidamente seus débitos e créditos, com o que, consequentemente, não haveria valores a recolher nos períodos objeto deste auto de infração, com exceção do mês de março/2005, mas ainda assim em valor inferior ao que consta em Dacon; o agente fiscal não pode somente apurar os valores devidos com base em uma declaração, mas sim no conjunto dessas e, identificando inconsistência, deve intimar o contribuinte a justificála. No presente caso, embora tenha sido intimada, não foi aceita a retificadora do Dacon sob o fundamento de que não haveria erro material a autorizála. Caso a retificadora do Dacon não fosse feita haveria contradição entre as declarações apresentadas a ensejar a cobrança de um tributo indevido, como no caso de fato ocorreu. Logo, é evidente a nulidade do auto de infração, já que o fundamento fiscal para sua lavratura é contraditória em si própria, pois é justamente o fato de que existiam créditos em favor da impugnante que ensejou apenas a aplicação de multa, nada sendo exigido a título de IRPJ. Ora, se assim é, não há como prosperar o argumento de que não houve Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 prova da existência de erro material por parte da autuada a ensejar a apresentação de retificadora de DIPJ; a multa aplicada no percentual de setenta e cinco por cento é ostensivamente confiscatória, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. (...) a autoridade autuante, desconsiderando o direito ao crédito da Impugnante, devidamente declarados em sua DCTF e passíveis de constatação de sua DIPJ, as quais estavam em poder da Autoridade Fiscal, não autorizou a Retificação da DACON e lançou os valores supostamente devidos pela Impugnante com base apenas nesta Declaração. entretanto, ainda assim, sob a justificativa de que "o sujeito passivo foi informador sobre a necessidade de provar a ocorrência de erro em razão da perda de espontaneidade", a autoridade lançadora simplesmente desconsiderou todos os créditos legitimamente lançados pela Impugnante. Com isso, sob o argumento de que: sem existência de erro não pode haver retificação das declarações e de que não encontrou erro algum, resolveu, por livre e espontânea vontade, "legislar" e simplesmente desconsiderar todos os créditos existentes na contabilidade da Impugnante, como se a ainda que injustificável ausência de motivo para a retificação das declarações fosse, por si só, suficiente para anular todos os créditos dados pela legislação para a definição da base de cálculo da PIS. Ora, nada mais absurdo! Portanto, em relação ao valor apurado na autuação e que está sendo aqui discutido, necessariamente deverão ser refeitos os cálculos e considerados todos os créditos lançados pela Impugnante, sob pena de violação do disposto na não cumulatividade prevista no artigo 3° da Lei 10.637/02. A Impugnante deixa de novamente juntar aqui tais documentos posto que foram já eles todos apresentados durante a fiscalização, bem como ao fato de que os seus livros relativos a tal período encontramse com a própria Receita Federal do Brasil, em processo de auditoria, conforme também afirmado pela própria autoridade lançadora. Mediante o Acórdão nº 1636.799, de 22 de março de 2012, a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DACON X DCTF. DIFERENÇAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO. PROVA. Constatadas diferenças entre os valores declarados como a pagar em Dacon e os valores confessados em DCTF como devidos, correto o lançamento de ofício para constituir o respectivo crédito tributário, mormente quando a contribuinte, mesmo intimada, não esclareceu a razão de tais divergências. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do lançamento de ofício, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000998/200917 Acórdão n.º 3402002.890 S3C4T2 Fl. 191 5 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 22/01/2014. Em 21/02/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: 1. Nulidade do lançamento A nulidade da ação fiscal, no caso sub examine, está deflagrada pela inconsistência na fundamentação (...) na medida em que não reconhece a existência de um crédito em favor da Impugnante devidamente constante de sua DCTF do mesmo período. Com efeito, a Impugnante ao apresentar suas Declarações DACON E DCTF por um equívoco, preencheu na DACON somente seus débitos, porém em DCTF considerou seus débitos e créditos, o que, consequentemente, não haveria valores a recolher nos períodos objeto deste Auto de Infração, com exceção do mês de março/05, mas ainda assim em valor inferior ao que consta em DACON. (...) o Sr. Agente Fiscal não pode somente apurar os valores devidos pela Recorrente com base em uma Declaração, mas sim no conjunto destas e, identificando inconsistência, deve intimar o contribuinte a justificála. No presente caso, embora tenha intimado, não aceitou a Retificadora da DACON da Recorrente sob o fundamento de que não haveria erro material a autorizála, mas igualmente não verificou os lançamentos contábeis e fiscais da Recorrente para apurar se de fato os créditos eram existentes. Logo, é evidente a nulidade do Auto de Infração em tela, já que o fundamento fiscal para sua lavratura é contraditória em si própria, pois é justamente o fato de que existiam créditos em favor da Recorrente que ensejou apenas a aplicação de multa na lavratura do Auto de Infração relativo ao processo administrativo n° 19515.000997/200972, pelo mesmo agente fiscal (Doc. 01), nada sendo exigido a título de IRPJ. Ora, se assim é, não como prosperar o argumento de que não houve prova da existência de erro material por parte de Recorrente a ensejar a apresentação de Retificadora de DACON. 2. Da apuração indevida da base de cálculo lançada: (...) a autoridade lançadora não concordou com o momento em que a Impugnante procedeu à retificação de sua declaração DACON, anocalendário de 2005, 1o trimestre, o que foi validado pela r. decisão recorrida. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 De fato, neste momento, toda a discussão se funda na possibilidade da Impugnante de, na apuração de eventual PIS devido no período de 2005, poder deduzir de sua base de cálculo os respectivos créditos de tal tributo, conforme expressamente autorizado pelo artigo 3o da Lei 10.637/02, que criou o chamado regime não cumulativo para esta contribuição. Todavia, a autoridade autuante, desconsiderando o direito ao crédito da Impugnante, devidamente refletidos em sua DCTF e passíveis de constatação em sua DIPJ, as quais estavam em poder da Autoridade Fiscal, já que transmitidas eletronicamente, não autorizou a Retificação da DACON e lançou os valores supostamente devidos pela Impugnante com base apenas nesta Declaração. (...) sob a justificativa de que "o sujeito passivo foi informado sobre a necessidade de provar a ocorrência de erro em razão da perda de espontaneidade", a autoridade lançadora simplesmente desconsiderou todos os créditos legitimamente lançados pela Impugnante. Com isso, sob o argumento de que sem existência de erro não pode haver retificação das declarações e de que não encontrou erro algum a Autoridade Fiscal simplesmente desconsiderou todos os créditos existentes na contabilidade da Recorrente, como se a ainda que injustificável ausência de motivo para a retificação das declarações fosse, por si só, suficiente para anular todos os créditos dados pela legislação para a definição da base de cálculo do PIS. Diferentemente do que constou na r. decisão recorrida, não houve falta de comprovação do direito ao crédito, já que este encontrase registrado em sua DIPJ e o mais livros contábeis, houve, sim, falta de fiscalização e apuração dos valores devidos para a lavratura do Auto de Infração. Além disso, impedir que a Recorrente tenha direito ao crédito em apuração do PIS em razão do mero equívoco no preenchimento da DACON afronta o princípio da verdade material, norteador do processo administrativo tributário. (...) tornase dever da autoridade administrativa levar em conta todas as provas e fatos de que tenha conhecimento. No caso em tela, no entanto, tal não ocorreu, haja vista que o Sr. Agente Fiscal, procedimento este acatado pela Delegacia de Julgamento, simplesmente assumiu como corretos os valores declarados inicialmente em sua DACON sem levantar se de fato os valores declarados em DCTF não estariam mais corretos refletindo a correta apuração do tributo. Portanto, em relação ao valor apurado na autuação e que está sendo aqui discutido, necessariamente deverão ser refeitos os cálculos e considerados todos os créditos lançados pela Impugnante, sob pena de violação do disposto na não cumulatividade prevista no artigo 3º da Lei 10.637/02, tendo em vista o princípio da verdade material. 3. Da multa confiscatória: (...) a exigência da multa em percentuais elevados, representa um verdadeiro excesso de exação, porque pune confiscatoriamente o contribuinte por ter adotado um Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000998/200917 Acórdão n.º 3402002.890 S3C4T2 Fl. 192 7 procedimento absolutamente legítimo, inclusive amparado pelas normas e princípios constitucionais e legais. No caso analisado, o caráter confiscatório é ostensivo, pois em virtude de uma suposta irregularidade praticada pela Impugnante, que em momento algum foi devidamente especificada e provada, não trazendo por sua vez qualquer prejuízo aos cofres do Estado, por parte de um contribuinte que sempre honrou com todos os seus compromissos, ultrapassa o aspecto lógico, racional, e fundamentalmente o legal, consubstanciandose em verdadeiro locupletamento ilícito, que o Direito repugna e não admite, por se tratar de fato sem causa legítima, uma vez que não há qualquer fundamento para se exigir o principal e também de confiscarlhe o patrimônio por meio da aplicação da referida multa. (...) Ao final do recurso voluntário, protesta a recorrente pela realização de diligência fiscal junto ao seu estabelecimento para apuração do crédito compensado. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. 1. Preliminar de nulidade do lançamento As alegações da recorrente no que concerne à nulidade do lançamento dizem, em verdade, respeito ao mérito. A alegada "inconsistência na fundamentação" porque não se teria reconhecido a existência de um eventual crédito da recorrente, acaso verificada no julgamento, poderia ensejar à improcedência total ou parcial da autuação. O auto de infração foi lavrado com atendimento aos requisitos do art. 142 do CTN, inclusive com a devida fundamentação para a exigência, qual seja, a "Insuficiência de recolhimento ou de declaração do PIS devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal n ° 003". Ademais, o lançamento foi formalizado pela autoridade competente, sem que qualquer cerceamento ao direito de defesa da recorrente, não havendo também que se falar da nulidade a que se refere o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Pelo que rejeito a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela recorrente. 2. Da alegação de apuração indevida da base de cálculo lançada: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Com relação as alegações da recorrente relativas a desconsideração de seus créditos, é de se ressaltar que não há menção a qualquer glosa de créditos pela fiscalização no presente processo, nem tampouco trouxe a recorrente qualquer comprovação de que teria direito a eventuais créditos. Alegar sem comprovar é o mesmo que não alegar. Não há que se olvidar que seria da recorrente o ônus de trazer aos autos na impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do CPC, a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação. A legislação processual administrativotributária é regida pelo princípio de que quem acusa ou alega deve provar. Cumpre esclarecer que se trata da devida distribuição do ônus probatório às partes do processo administrativo fiscal, não havendo nisso qualquer lesão ao princípio da verdade material. O procedimento fiscal foi realizado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e DCTF e os recolhimentos efetuados, no qual se verificou a insuficiência de recolhimento ou de declaração do PIS devido, na forma do quadro abaixo: Meses de apuração (2005) Débito no Dacon Débito na DCTF Valor recolhido em Darf/Compensados Valores não declarados janeiro 54.127,53 0,00 0,00 54.127,53 fevereiro 33.904,15 0,00 0,00 33.904,15 março 20.347,00 15.863,56 15.863,56 4.483,44 total 92.515,12 Não obstante intimada pela fiscalização a esclarecer as divergências apuradas, a contribuinte meramente declarou em relativamente ao PIS que: "Em relação a este período de 2005, também houve divergência nas DCTF's. Da mesma forma, todas estas declarações foram agora novamente retificadas, de forma a corrigir tais divergências, conforme autorizado na referida intimação". Conforme informou a fiscalização, como a retificação do DACON não foi autorizada, "o sujeito passivo foi informado sobre a necessidade de se demonstrar a ocorrência do erro material que teria cometido no preenchimento das declarações, contudo, conforme relatado na Descrição dos Fatos, acima, não restou demonstrada a ocorrência do erro". A recorrente teria ainda a oportunidade de demonstrar, posteriormente, por ocasião da impugnação, nos termos do art. 16, III e §4° do Decreto nº 70.235/72, a ocorrência do erro material que justificasse a retificação do DACON, mas não logrou êxito em fazêlo. Conforme disposição expressa do art. 147, §1° do CTN Lei nº 5.172/66, a retificação da declaração pela declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, como é a situação da recorrente, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 19515.000998/200917 Acórdão n.º 3402002.890 S3C4T2 Fl. 193 9 admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Nesse aspecto, é de se salientar que os precedentes de julgados deste CARF colacionados pela recorrente Processos n°s 10283.721085/200934 e 16327.909126/200945 são exatamente nesse sentido, de se aceitar a retificação posterior da declaração desde que restar comprovado o erro em que se funda, o que aqui não ocorreu, conforme já dito. 3. Da alegação de confisco da multa de ofício: Quanto à alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que a prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, afasto a alegação da recorrente de confisco da multa. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Por fim, é de se rejeitar o pedido de diligência da recorrente para fiscal junto ao seu estabelecimento para apuração do crédito compensado, vez que se trata de matéria de defesa da recorrente, cujo ônus probatório seria seu, não se prestando a diligência a suprir deficiência probatória das partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento, como no presente caso. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10166.730564/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.
CONFIRMAÇÃO E ALOCAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. COMPETÊNCIA DE DRF.
A competência para confirmar pagamentos e, se for o caso, providenciar a correta alocação é das Delegacias da Receita Federal - DRF.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. CONFIRMAÇÃO E ALOCAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. COMPETÊNCIA DE DRF. A competência para confirmar pagamentos e, se for o caso, providenciar a correta alocação é das Delegacias da Receita Federal - DRF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. CONFIRMAÇÃO E ALOCAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. COMPETÊNCIA DE DRF. A competência para confirmar pagamentos e, se for o caso, providenciar a correta alocação é das Delegacias da Receita Federal DRF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 05 64 /2 01 3- 64 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.730564/201364 Acórdão n.º 2201002.884 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Acórdão 0436.206 da 4ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, restabelecendo a parcela do plano de saúde correspondente ao próprio contribuinte e de seu cônjuge, no montante de R$ 724,56 e reduzindo os rendimentos tributáveis de R$ 161.389,28 para R$ 155.989,28, do que resultou na redução do imposto suplementar de R$ 8.750,31 para R$ 7.066,06. Abaixo trechos da decisão recorrida: Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, reduzindo o imposto suplementar de R$ 8.750,31 para R$ 7.066,06, nos termos do relatório e voto anexos. A DRF de origem deverá confirmar os alegados recolhimentos e, se cabível, providenciar a correta alocação ao crédito remanescente. ... Voto ... Conforme a DIRPF original (fls. 75/81), o contribuinte se equivocou ao informar em duplicidade os rendimentos recebidos de pessoa física. Ele informou ter recebido de Nilsim Vicente Chavier, CPF nº 601.871.07149 o montante de R$ 5.400,00, no quadro Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular (fls. 76). E no quadro Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular, o contribuinte informou ter recebido mensalmente R$ 450,00, totalizando o mesmo montante de R$ 5.400,00. Confirmado o erro de fato no preenchimento da DIRPF, em respeito à busca da verdade material, neste acórdão o montante dos rendimentos tributáveis foi reduzido de R$ 161.389,28 para R$ 155.989,28. Conforme os autos, pela impugnação e documentos a ela anexados, o contribuinte requer o restabelecimento das seguintes despesas: plano de saúde Amil do próprio contribuinte (R$ 362,28), da sua esposa Adélia de Paula Costa (R$ 362,28) e R$ Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 624,02 referente a pagamento para ASTER, CNPJ nº 00.503.367/000128. A certidão de casamento de fls. 07 e pesquisas efetuadas nos sistemas da RFB confirmam que seu cônjuge atende aos requisitos legais para ser dependente. ... Pelo exposto, deve ser restabelecida a parcela do plano de saúde correspondente ao próprio contribuinte e de seu cônjuge, no montante de R$ 724,56. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 50/55, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2011, apurando o crédito tributário no montante de R$ 16.328,07, por ter sido apurada a Dedução Indevida de Despesas Médicas no montante R$ 39.588,35. O autuado foi cientificado do lançamento e apresentou a impugnação às fls. 04/05, alegando que errou no preenchimento da sua DIRPF, retificou e apurou imposto a pagar de R$ 7.726,59, em oito cotas de R$ 965,82. A DIRPF retificadora não consta na base da RFB. Pela análise da retificadora gravada em seu computador constatou outras inconsistências, conforme extrato ora anexado. Juntou ainda certidão de casamento, comprovante do INSS e comprovantes de pagamentos de IRPF. Às fls. 75/81 foi juntada cópia da DIRPF original. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Pagou R$ 7.726,56 de IRPF /2011, em 8 parcelas de R$ 865,82. · Segundo a decisão de primeira instância, o imposto devido é de R$ 7.066,06. · Tem crédito a receber de R$ 660,50. · Pensou que tinha enviado a declaração retificadora. · Requer a anulação do principal no valor de R$ 7.066,06 e da multa, no valor de R$ 5.299,55, bem como o ressarcimento de R$ 660,50. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.730564/201364 Acórdão n.º 2201002.884 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O recurso apresentado parte da concordância com a decisão de primeira instância (imposto devido de R$ 7.066,06), discorre sobre as parcelas e o total recolhido e conclui que tem crédito a receber. Devese esclarecer que este contencioso teve início com uma autuação onde o Fisco considerou indevidas algumas despesas médicas declaradas pelo recorrente e que a isso devemos nos ater. A decisão de primeira instância, para os alegados recolhimentos, após constatar que o recorrente trouxe, junto com a impugnação, os comprovante de recolhimentos de quotas do IRPF do anocalendário 2011 (fls. 31/38), decidiu que a DRF de origem deverá confirmar a efetividade dos pagamento e providenciar a correta alocação, se cabível. Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, reduzindo o imposto suplementar de R$ 8.750,31 para R$ 7.066,06, nos termos do relatório e voto anexos. A DRF de origem deverá confirmar os alegados recolhimentos e, se cabível, providenciar a correta alocação ao crédito remanescente. ... Voto ... Tendo o contribuinte trazido aos autos os comprovante de recolhimentos de quotas do IRPF do anocalendário 2011 (fls. 31/38), a DRF de origem deverá confirmar a efetividade dos pagamento e providenciar a correta alocação. Concordo com a DRJ. Essa é uma atribuição da DRF de origem (autuante). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.730564/201364 Acórdão n.º 2201002.884 S2C2T1 Fl. 5 7 Também concordo com a decisão de primeira instância quanto ao tributo devido e à multa aplicada. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10580.732538/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercícios de 2008, 2009 e 2010, anos calendário de 2007, 2008 e 2009, respectivamente, onde foi exigido o montante de R$ 167.273,09 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 225% (qualificada e agravada), e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na "descrição dos fatos" em seu Termo de Verificação Fiscal, narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito, em resumo que a contribuinte fora intimada a apresentar documentos e esclarecimentos e sempre procedera de forma evasiva, questionando RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 32 53 8/ 20 11 -1 8 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.732538/201118 Resolução nº 2202000.641 S2C2T2 Fl. 268 2 genericamente o procedimento fiscal, não tendo apresentado alguns documentos, enfim; que a contribuinte não comprovara a origem de seus rendimentos como provenientes da atividade rural, que possui tributação beneficiada e, portanto, devem ter a natureza demonstrada, citando o artigo 111, do CTN; após a análise das informações obtidas constatou a existência de valores não oferecidos à tributação, elaborando demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. Ressalta que as receitas e despesas da atividade rural não constam nos demonstrativos, tendo em vista a não apresentação de prova documental da sua aferição, com essa natureza. Cita os artigos 55, 806 e 807 do RIR/1999. Inconformada com o lançamento, a Contribuinte apresentou Impugnação onde alega que demonstrara tudo quanto lhe cabia, no curso do procedimento fiscal; que comprovara a idoneidade dos recursos; requereu a conversão em diligência para que lhe fosse oportunizada a juntada de documentos; tratou dos itens da Intimação Fiscal, insistiu na transcrição da Lei nº 9.250, de 1995, no tocante à tributação da atividade rural; fala em falta de obrigatoriedade em apresentar extratos bancários e questiona a aplicação da multa de 225% . Ao julgar a manifestação da contribuinte, a DRJ em Salvador/BA disse que o lançamento atendia ao sistema jurídico, não havendo que se falar em nulidade; que o demonstrativo de apuração da variação patrimonial tinha considerado devidamente as origens/aplicações de recursos, evidenciandose o acréscimo patrimonial a descoberto, e, quanto à aplicação da multa, afastava a qualificação e o agravamento, concluindo pela aplicação do percentual de 75%. Assim, reputouse parcialmente procedente a Impugnação apresentada, para manter o valor principal, mas reduzir a multa aplicada. Cientificada dessa decisão em 12/07/2012 (AR na folha 244), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/08/2012 (protocolo na folha 245) onde em suma repisa as mesmas alegações da Impugnação e ainda fala que a Fiscalização queria que "abrisse mão de seu sigilo bancário", para epigrafar que não se pode utilizar a movimentação financeira como base de cálculo do tributo; diz que a base de cálculo do IRPF "é o lucro"; defende a interpretação literal da lei tributária; diz que o lançamento "é duvidoso" e faltalhe segurança, cabendo ao Fisco o ônus da prova. REQUER a improcedência da exigência tributária, extinguindose o credito correspondente. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. No Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, colho o seguinte dispositivo: Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.732538/201118 Resolução nº 2202000.641 S2C2T2 Fl. 269 3 declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.(sublinhei) Dispositivo esse que é repetidamente lembrado em decisões deste CARF, como, à guisa de exemplo, no Acórdão 2201002.455, em Sessão de 17/07/2014: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.(sublinhei) Bem, o acréscimo patrimonial então deve ser apurado em demonstrativo que considere não somente os rendimentos tributáveis no ajuste anual, mas também aqueles não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação definitiva. Parcela isenta da atividade rural, o décimo terceiro salário ou ganhos de capital na alienação de bens e direitos, por exemplo. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades assim definidas legalmente, exploradas pelo produtor vendedor. O resultado da exploração deve ser apurado mediante a escrituração de livro caixa, cuja ausência autoriza o arbitramento com base no percentual de 20% da receita. Ou seja, os vinte por cento são tributáveis e os 80% restantes são "resultado não tributável da atividade rural", como consta da declaração de rendimentos (rendimentos isentos e não tributáveis, vide fl. 144). Ao elaborar sua planilha de apuração de variação patrimonial a descoberto, a Fiscalização considerou como "origens" apenas o resultado tributável da atividade rural, declarado, mas não o rendimento não tributável. Justificou no seu Relatório que a Contribuinte não comprovara que aquele rendimento era proveniente de atividade rural, e por isso não poderia assim considerálo para fins de tributação. Mas antes de prosseguir com o julgamento, fico com uma dúvida. Tomemos por base o ano calendário de 2007/exercício de 2008. Por que a Autoridade Fiscal considerou o rendimento de R$ 80.049,00, declarado na DIRPF/2008, e não o rendimento total de R$ 400.245,00? Se é porque a Contribuinte não demonstrou que esses rendimentos eram provenientes de Atividade Rural e não poderiam beneficiarse da tributação somente na base de 20%, então deveria os ter reclassificado (classificação indevida de rendimentos na declaração), ter tributado todo o rendimento, como se da Atividade Rural não fosse mas, dessa Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.732538/201118 Resolução nº 2202000.641 S2C2T2 Fl. 270 4 forma, também incluílo todo como "origens" na apuração de eventual variação patrimonial a descoberto. Em suma, sendo o imposto de renda sujeito a lançamento por homologação, como é que se homologa uma parte da declaração, aceitando um rendimento de R$ 80.049,00, apurado a partir da aplicação de 20% de R$ 400.245,00 (fl. 145), ao mesmo tempo que se desconsidera sua natureza e, conseqüentemente, a forma de cálculo? Tento explicar mais uma vez: como é que se chegou ao valor de R$ 80.049,00? A partir da aplicação do percentual de 20% (arbitramento) sobre a receita da atividade rural de R$ 400.245,00. Mas se a Fiscalização considerar que essa receita não era da atividade rural, porque a Contribuinte intimada não logrou êxito em demonstrálo, como é que usa o valor em seu demonstrativo, homologandoo, sem considerar em seu lançamento os outros R$ 320.196,00? O que era essa diferença, então? Rendimentos tributáveis? Então devem ser considerados na apuração da VPD. Rendimentos nãotributáveis? Igualmente devem ser considerados. Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade responsável pela autuação esclareça: a) por que não considerou no demonstrativo de apuração de variação patrimonial os valores dos rendimentos não tributáveis da atividade rural, conforme declarações da contribuinte; b) se considerou que a contribuinte não logrou êxito em comprovar que eram rendimentos provenientes de atividade rural, por que homologou a tributação da parcela de 20% dos rendimentos declarados, forma de apuração típica da atividade rural; c) dependendo das questões anteriores, considere a possibilidade de revisão de seu demonstrativo de apuração de variação patrimonial a descoberto, nos anos de 2007, 2008 e 2009, retificandoo; d) dê ciência desta Resolução e do resultado da diligência para a Contribuinte, abrindolhe prazo legal para, querendo, manifestarse. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10820.001119/00-19
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc"
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PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Trata-se de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reporta-se exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 27/07/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 02/92. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.001119/00-19 Acórdão n.º 9900-000.741 CSRF-PL Fl. 2 3 Voto Conselheiro designado "ad hoc" Rafael Vidal de Araújo Primeiramente, cabe ressaltar que fui designado ad hoc para redação deste acórdão, porque o julgado anexado e assinado no e-processo pelo Conselheiro Relator Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, que não pertence mais a este Colegiado, não foi formalizado pela falta de assinatura do então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, transcrevo abaixo o voto do documento desentranhado do e- processo, assim como fiz com a ementa e o relatório deste Acórdão: "O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional –PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO- ILL- O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso).(Recurso n° 102-147786.Processo n° 10183.003219/2002-93.Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar - LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º- Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º - Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.001119/00-19 Acórdão n.º 9900-000.741 CSRF-PL Fl. 3 5 106,inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça - STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito torna-se extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontrava-se submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa,implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B,§ 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça - STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B,§ 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.001119/00-19 Acórdão n.º 9900-000.741 CSRF-PL Fl. 4 7 REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº.9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5).Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570-MG,1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº.1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao ano-calendário de 1995,exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento,pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL.LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que,"mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO.TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP(ART.543-C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543-C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10820.001119/00-19 Acórdão n.º 9900-000.741 CSRF-PL Fl. 5 9 Rel.Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A]autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte,sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel.Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62-A, que assim dispõe: Art. 62-A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-ia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 27/07/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 02/92.Sendo assim, encontram-se alcançados pela prescrição o direito à repetição referente aos fatos geradores ocorridos até 27/07/1990. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para considerar prescritos os indébitos fiscais sobre os fatos geradores ocorridos até 27/07/1990, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal- PAF. É assim que voto." (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo ("ad hoc") Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relatório Voto
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