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Numero do processo: 11971.000155/2003-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO.
Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade e não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade e não se prestam a rediscutir matéria já decidida. Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 1. 00 01 55 /2 00 3- 36 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 765 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 709 a 720), de 24 de agosto de 2015, interpostos pelo Contribuinte em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 3101 001.819 (fls. 682 a 696), de 25 de fevereiro de 2015, da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário (fls. 621 a 652) apresentado pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: O contribuinte acima qualificado formalizou pedidos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, nos valores de R$ 1.535.010,08 e R$ 1.146.904,74, referentes aos 4º trimestre de 2002 e 1º trimestre de 2003, respectivamente, com fundamento no art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, cumulado com pedidos de compensação, apresentados através de PER/DCOMPs. 2.No Termo de Informação Fiscal de fls. 247/274, a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pleito, proposto nos valores de R$ 282.025,33 (4º trimestre de 2002) e R$ 103.590,76 (1º trimestre de 2003), depois de historiar a legislação aplicável e consignar as seguintes informações, aqui repisadas no que interessa ao deslinde do litígio: 2.1.A partir do 1º decêndio de 2002, constatouse o registro de valores significativos no Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI, a título de crédito presumido, com base em CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO MDIC/SDP/Nº 002/02 (fls. 205/206), que encontra fundamento no Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001, e na Portaria MDIC/MF n.º 258, de 14 de outubro de 2001, e atinge fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 2002 até 31 de dezembro de 2010. A sua utilização condicionase ao cumprimento das cláusulas e condições constantes do Termo de Compromisso MDIC/SDP/N.º 002/02 (fls. 207/209). A sua base legal é a Lei n.º 9.440/97 (art. 1º, Inciso IX, e §1º, alínea “h”, e §14); 2.2.Com fulcro no §14 do referido diploma legal, editouse o Decreto n.º 3.893/2001, que, em seu art. 1º, previu que incentivo fiscal do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, poderia ser concedido até 31/12/2010 e no montante correspondente à aplicação do percentual de 7,30% sobre o faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria. Mais adiante, em seu art. 6º, o mesmo diploma regulamentar previu que a forma pela qual se poderia efetivar o benefício seria a utilização do crédito presumido de IPI (inciso IX), determinando a sua escrituração no RAIPI; 2.3.O contribuinte formulou o pedido com base na Lei n.º 9.779/99, cujas formas de utilização estão previstas nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96, de modo que apenas o saldo credor acumulado, estimado em função da sobreposição dos valores de créditos relativos a aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos pelo contribuinte em relação aos valores de débitos pelas saídas, é que será passível de ressarcimento. Assim, o art. 11 da Lei n.º 9.779/99 somente pode servir de fundamento legal ao pedido de ressarcimento que inclua valores do saldo credor acumulado decorrente da acumulação desses créditos. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 766 3 Quanto ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.440/97, verificasse que os valores a este título compuseram indevidamente o montante apresentado nos pedidos de ressarcimento, porquanto inexiste previsão para tal forma de utilização, uma vez que o referido diploma legal, que criou o benefício, nada mencionou acerca da possibilidade de serem ressarcidos valores do citado incentivo, limitandose o diploma regulamentar a estabelecer a forma pela qual se efetivaria o benefício. O Decreto n.º 3.893/2001 também não abriu tal possibilidade, resumindose a determinar que o crédito presumido seria escriturado no RAIPI, o mesmo sucedendo com o Regulamento do IPI de 1998 (RIPI/98); 2.4.O RIPI/2002, em capítulo especialmente dedicado ao setor automotivo, determinou, em seu art. 112, §4º, que o referido incentivo fiscal deve ser escriturado no RAIPI, sem nada prever acerca de outra possível utilização, como ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições federais. Em idêntico sentido, a Instrução Normativa – IN SRF n.º 210, de 30 de setembro de 2002, à época vigente, relacionava quais créditos poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie ou mesmo compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrativos pela SRF, não mencionando o crédito presumido instituído pela Lei n.º 9.440/97; 2.5.O fato de, após a edição da Lei n.º 9.440/97, ter sobrevindo o regime de substituição tributária, mediante suspensão obrigatória do IPI para as vendas, no mercado interno, de chassis, carrocerias, peças, partes, componentes e acessórios aos fabricantes de veículos, determinada pelo art. 5º da Medida Provisória (MP) n.º 1.916/99, convertida na Lei n.º 9.826/99, não autoriza a conclusão de que o benefício de crédito presumido só cumpriria a sua função se fosse reconhecido o direito ao ressarcimento dos respectivos valores, já que, com as saídas com suspensão obrigatória do IPI, pouco se teria a usufruir do benefício, uma vez que não haveria débitos do IPI a serem compensados com o crédito incentivado acumulado na escrita. Em primeiro lugar, a própria lei que regula o regime de substituição (suspensão) obrigatória prevê que a suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. Em segundo, o fato de o contribuinte ter poucas saídas tributadas pelo IPI, uma vez que parcela significativa de sua produção sai com suspensão, é uma circunstância econômica, de mercado ou mesmo organizacional; 2.6.Se o legislador desejasse que o valor concedido a título de incentivo pudesse ser aproveitado para extinguir débitos de outros tributos, teria sido explícito, como o fez para o crédito de IPI a título de ressarcimento do PIS e da COFINS, da mesma forma assim poderia ter agido o Poder Executivo, ao regulamentar a forma pela qual o beneficiário poderia se utilizar do crédito em tela (cita ementas de decisões do Segundo Conselho de Contribuintes, sustentando o seu entendimento); 2.7.O contribuinte creditouse indevidamente de valores referentes ao IPI destacado nas entradas de mercadorias ou bens recebidos para demonstração, o que a legislação proíbe. Tais valores não são passíveis de ressarcimento nem de manutenção na escrita fiscal; 2.8.Em função da reversão à escrita fiscal de valores de crédito presumido que foram desconsiderados na apuração do saldo credor passível de ressarcimento, foi necessário verificar a sua exatidão, conforme registrado pelo contribuinte, que, para tanto, foi intimado a demonstrar a base de cálculo de tais valores. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo, no qual constatados dois equívocos: primeiro, a inclusão indevida na base de cálculo, quando as contribuições e o crédito presumido eram calculados sobre o faturamento, de valores a título de devoluções de vendas e de vendas para o mercado externo, que são imunes à incidência das contribuições sociais; segundo, o Decreto n.º 5.710/2006 promoveu significativa Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 767 4 mudança na metodologia de cálculo do crédito presumido, pois editado com vistas a corrigir distorções geradas pelo diploma anterior (Decreto n.º 3.893/2001), que previa metodologia de cálculo do incentivo incompatível com o regime vigente de apuração das contribuições. Seus efeitos devem retroagir ao início da efetiva aplicação pelo contribuinte do regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Assim sendo, o cálculo do crédito presumido, com base no valor correspondente ao dobro das contribuições devidas terá vez, para o PIS, a partir de dezembro de 2002 e, para a COFINS, a partir de fevereiro de 2004. O contribuinte, mesmo após a entrada em vigor do Decreto n.º 5.710/2006, não promoveu o lançamento dos valores de incentivo consoante nova forma de cálculo, tampouco ajustes no saldo credor decorrentes dos efeitos retroativos do referido decreto. Foi necessário, então, chegar ao valor a ajustar na escrita fiscal, de forma a compensar eventuais diferenças a menor ou a maior no saldo credor acumulado até o último período de apuração da escrita reconstituída, que foi março de 2006, tendo em vista que este é o período de apuração imediatamente anterior à data de transmissão do PER (Pedido de Ressarcimento) relativo ao primeiro período não incluído neste procedimento fiscal. 3.Às fls. 275/276, a autoridade a quo deferiu em parte os pedidos de ressarcimento, nos valores propostos pela autoridade diligenciadora, bem como determinou a homologação das compensações, no limite do crédito reconhecido. 4.Irresignado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade (fls. 280/308), com as razões de defesa a seguir sintetizadas: 4.1.Face à sistemática da suspensão do IPI nas vendas efetuadas às montadoras de veículos, apresenta inevitável acúmulo de crédito de IPI na escrita fiscal. Atende à lógica de desenvolvimento do país, quanto ao benefício proposto pela Lei n.º 9.440/97, que a Lei n.º 9.430/97 (art. 74) assegure a compensação de créditos passíveis de ressarcimento ou de restituição; 4.2.Não há na lei elementos que façam conceituar o que são créditos passíveis de ressarcimento. As Instruções Normativas – IN da Secretaria da Receita Federal tentam definir a expressão “passível de ressarcimento”, sem exaurir o seu alcance. Nos dicionários jurídicos, o termo “ressarcimento” está ligado à idéia de indenização. No caso, está ligado à compensação dos prejuízos da empresa por manter as suas instalações na Região Nordeste; 4.3.O art. 3º, inciso III, da IN SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, expressamente previu como passível de ressarcimento o saldo credor de IPI decorrente do crédito presumido, como ressarcimento do PIS e da COFINS, instituídos pela Medida Provisória – MP n.º 1.532/1996, convertida na Lei n.º 9.440, de 14 de março de 1997. O art. 12 da mesma IN permitiu a compensação entre quaisquer tributos e contribuições sob a administração da RFB. O art. 103, §1º, do Decreto 87.891/82 (RIPI/82) estabeleceu que, quando do confronto de débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte; 4.4.Não se pode sustentar a tese de que a IN SRF n.º 21/97 é inaplicável ao caso, em vista de sua revogação pela IN SRF n.º 210/97, pelo simples motivo de que uma Instrução Normativa não pode criar nem restringir direitos, mas apenas explicitálos (reproduz escólios doutrinários para fundamentar o seu entendimento); 4.5.Saber qual crédito é passível de ressarcimento é o ponto chave para decidir a presente demanda, diante do que dispõe o art. 74 da Lei n.º 9.430/97, o que é definido pelo art. 3º da IN SRF n.º 21/97. Não é porque a IN SRF n.º 210/2002 “deixou de homologar os créditos da Manifestante como aqueles passíveis de ressarcimento, de maneira explícita, da mesma forma como fazia a IN SRF n.º Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 768 5 21/97, que tais créditos deixaram de ser passíveis de ressarcimento”. A IN SRF n.º 210/2002 não é exaustiva quanto aos créditos passíveis de ressarcimento; 4.6.Numa interpretação teleológica da Lei n. 9.440/97, percebesse que a sua finalidade é dar efetividade ao que dispõem os arts. 43 e 151 da Constituição Federal. A idéia central do Regime Automotivo é a desconcentração do setor automobilístico, concentrados nas Regiões Sul e Sudeste, realçando a perspectiva de crescimento econômico das Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Ainda que não houvesse legislação permitindo a compensação do saldo credor de IPI, decorrente do acúmulo de crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.440/97, não se pode negar o benefício. O que o Fisco pretende é reconhecer o benefício como se servisse apenas para adornar a escrita fiscal da empresa; 4.7.As saídas de produtos da empresa se dão com suspensão do IPI, com o conseqüente acúmulo de saldo credor. O seu prejuízo pode ser vislumbrado sob diversos ângulos: em primeiro, o decorrente de propaganda enganosa do legislador; em segundo, o custo com a logística; em terceiro, o enriquecimento ilícito por parte do Fisco; 4.8.Não há na legislação o que seja ressarcimento, daí que se deve buscar o conceito adotado pela doutrina, “que, aliás, advém do direito privado” (art. 110 do CTN). No dicionário De Plácido e Silva, está ligado à idéia de reparação, indenização, “obrigação do Estado de fazer” (reproduz excerto doutrinário). No caso, aplicase à indenização como satisfação de reparar prejuízo, porque se trata de benefício para as empresas que se instalarem nas Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Sem ele, não é viável manterse nas referidas regiões; 4.9.Ainda por força do art, 108, inciso I, do CTN, é legítimo o pleito da empresa, pois, acaso não se concorde com as considerações anteriores, o máximo que se pode dizer é que existe uma lacuna na legislação, já que a lei apenas assegura a utilização dos créditos, mas se esquiva de dizer como. O objetivo do legislador, ao positivar as Leis n.º 9.363/96 e 9.440/97, foi o de que, em ambos os casos, fossem utilizados pelos beneficiados, de modo que as regras conferidas na primeira devem ser aplicadas ao benefício concedido pela segunda. A isonomia é outro elemento de integração no caso de lacuna, que pode se enquadrar tanto no inciso II, quanto no inciso III do art. 108 do CTN; 4.10.É de ser expurgada da exigência os juros à base da taxa Selic, vez que não pode ser utilizada como taxa de juros moratórios legais (reproduz excertos doutrinários para fundamentar o seu convencimento). O limite máximo de juros só pode ser de 1% (um por cento). A Lei n.º 9.065/95 conferiu à taxa Selic natureza remuneratória. Ademais, constitui verdadeiro anatocismo, ferindo o art. 253 do Código Comercial e o art. 4º da Lei 22.626/33. A Suprema Corte vedou a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada (Súmula 121). 5.Ao final, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento, via compensação, do saldo credor do IPI decorrente do acúmulo de créditos presumidos, instituído pela Lei n.º 9.440/97. Ainda, que, na dúvida, seja conferida a interpretação que lhe for mais favorável (art. 112 do CTN), bem como a juntada posterior de provas e a realização de perícia e diligência. A DRJ em RECIFE/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 769 6 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.º 9.440/97. UTILIZAÇÃO. REGISTRO NO RAIPI. A legislação previu que o benefício previsto na Lei n.º 9.440/97 somente poderia ser utilizado por meio de lançamento no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), não havendo, assim, previsão legal para permitir outra forma de utilização (inteligência do art. 6º do Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de ilegalidade/ inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 484 e seguintes, onde basicamente reafirma os argumentos apresentados em primeira instância, aduzindo a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Esta turma de julgadora, em sessão realizada em 11 de novembro de 2011, converteu o julgamento em diligência, a fim de ser verificado o atendimento do prazo recursal. Em atendimento à Resolução 3101000.191, a Agência da Receita Federal do Brasil em Jaboatão dos Guararapes (PE) informou que o Recurso Voluntário de folhas 613 a 644 foi protocolado na referida Agência através do processo 19647.022085/200875, em 29/12/2008. O processo foi novamente encaminhado a este Conselho e redistribuído a este Conselheiro Relator. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora analisado o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 709 a 720), em 24 de agosto de 2015, visando sanar alegadas omissão e obscuridade no referido voto. O CARF, por sua vez, apresentou Despacho S/Nº (fls. 741 a 743), em 14 de setembro de 2015, no qual entende ser admissível a interposição dos Embargos por constatar omissão e obscuridade da referida decisão. É o relatório. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 770 7 Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte, em face ao Acórdão nº 3101001.819, de 25 de fevereiro de 2015, proferido pela 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, são tempestivos. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Os embargos ora analisados visam sanar alegadas omissão e obscuridade presentes no referido Acórdão que possui a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ABORDAGEM DE TODOS OS ARGUMENTOS. INEXISTÊNCIA. A argumentação de nulidade da decisão recorrida, lastreada no fato de que nem todos os argumentos esgrimidos na impugnação foram enfrentados pelo julgador a quo, encontrase superada tanto no plano do processo judicial como no administrativo, uma vez que já pacificouse o entendimento de não ser necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, e sim que o julgador deve apresentar razões suficientes para fundamentar o seu voto. CREDITO PRESUMIDO DE QUE TRATA O ART. I°, IX DA LEI Nº 9.440/97. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IMPOSSIBIILIDADE. Nos termos da legislação de regência, o credito presumido de IN como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins estatuído no art. 1º, IX da Lei n° 9.440/97, até o advento do Decreto n° 6.556/08, ocorrido em 09/09/2008, somente permitia a sua utilização através da dedução do imposto devido pela saída de produtos tributados, não havendo previsão para seu ressarcimento ou mesmo compensação com outros tributos administrados pela RFB. Recurso Voluntário Negado Inicialmente argumenta o Contribuinte que houve omissão por parte do Acórdão embargado uma vez que este não apreciou a evolução legislativa a respeito do reconhecimento do crédito solicitado pelo Contribuinte. Cito trecho dos Embargos que bem elucidam a posição do Contribuinte (fls. 715 a 717): Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 771 8 No Recurso Voluntário interposto pela Embargante foi afirmado de forma expressa que a negativa de reconhecimento do crédito solicitado pela Embargante se deveu ao argumento de que o Decreto 2.179/97 faz referência ao art. 103 do Decreto 87.891/82 (RIPI), que por sua vez tão somente previa o direito à manutenção dos créditos na escrita para compensação com o próprio IPI. Ocorre que estando o citado RIPI de 1982 revogado, haveria a necessidade de se buscar no RIPI do momento do pedido de compensação o dispositivo legal tratasse da utilização dos citados créditos incentivados. E esse tal artigo era o 179, que textualmente previa o direito ao ressarcimento, nos seguintes termos: Art. 179. Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, e que não forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecidas pelo Secretário da Receita Federal, inclusive o ressarcimento em dinheiro. Parágrafo único. Estão amparados pelo disposto neste artigo os créditos a que se referem os arts. 71, 85, §2º, 91, §2º, 94, §2º, 97, §2º, 99, 103 e 159 a 162. Notese que o art. 179, em seu caput, faz clara menção que aos créditos incentivados previstos em lei (que é o presente caso – Lei nº 9.440/97), estavam assegurados a sua manutenção e utilização inclusive o ressarcimento em dinheiro. O parágrafo primeiro traz tão somente uma explicação, quanto aos créditos incentivados previstos no próprio RIPI (não previstos por lei), que também (mas não só) gozariam da prerrogativa de poderem ser ressarcidos em dinheiro. Assim, a decisão embargada não apreciou o fato de que o art. 179 do RIPI/1998 (Decreto nº 2.637/98) previa textualmente as possibilidades de ressarcimento dos créditos incentivados previstos em lei. Os créditos discutidos no presente processo são aqueles previstos no art. 1º, IX, DA Lei nº 9.440/97. Pela forma com que está redigido, o acórdão além de não apreciar tal fato, e trazer um claro prejuízo a Embargante, nega vigência ao caput do art. 179 do Decreto nº 2.637/98, que previa a possibilidade de ressarcimento em dinheiro dos créditos previstos pela Lei nº 9.440/97. Ou seja: a decisão embargada foi omissa quanto à regularidade do pedido de ressarcimento, nos termos do art. 179 do Decreto nº 2.637/98, que era o Regulamento a ser aplicado no momento do pedido de ressarcimento, e quanto ao alcance do seu parágrafo único. Chega até a fazer referência, mas não decide, no todo, a lide. Na sequência, em seus Embargos, o Contribuinte aduz que houve obscuridade na ora analisada decisão a respeito da alteração do Decreto nº 2.179/1997 pelo Decreto nº 6.556/2008, conforme se verifica no seguinte trecho dos Embargos (fl. 717 e 718): Ora, a decisão chega à conclusão de que havia uma vedação ao direito ao crédito; que a vedação era prevista no Decreto nº 2.179/97, e, por fim, que tal vedação apenas foi extinta pelo Decreto nº 6.556/08. A partir de tal conclusão, questionase: é dado aos Decretos criarem ou extinguirem direitos? No entender da Embargante, não. Os direitos, principalmente no âmbito tributário, são criados e extintos pelas leis. Ora, é certo que não pode o Decreto “criar ou modificar tributos, nem impor aos contribuintes ou terceiros a eles relacionados, deveres novos (não contemplados na lei). Deve, sim, limitarse a reduzir o grau de generalidade e abstração da lei Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 772 9 tributária, aumentando a segurança jurídica das pessoas de algum modo submetidas às regras de tributação.” (cf. Roque Carrazza). Diante disso, devese entender que o Decreto 6.556/2208 nem criou regra nova, nem poderia ter criado. Devese entender que nada mais fez que compilar toda a evolução legislativa, notadamente com o advento da Lei 9.430/96 e alterações posteriores, bem como a alteração no próprio RIPI, num único documento (Decreto 2.179/96), como forma de facilitar a fiel execução da Lei 9.440/96. Em que pese a admissibilidade dos Embargos de Declaração e os argumentos expostos pelo Contribuinte de que ocorreu omissão e obscuridade no ora embargado acórdão, cabe citar trechos do referido voto para elucidar a questão e desta forma as razões para decidir (fls. 692 a 696): No mérito, alega a recorrente que a compensação do saldo credor do IPI com outros débitos administrados pela RFB seria permitida, que a Instrução Normativa SRF nº210/2002 não explicitou todas as hipóteses em que o ressarcimento seria possível, e que a autoridade fiscal distorceu o sentido da Lei nº 9.440/1997, esvaziando todo o conteúdo legal. Segundo seu entendimento, o conceito de ressarcimento aponta para a necessidade de compensar os investimentos elaborados pelas empresas com a manutenção na região Norte, Nordeste e CentroOeste para gozar do beneficio da Lei nº 9.440/1997, e que a analogia deveria ser utilizada como meio de integração capaz de solucionar o caso presente. Relativamente aos argumentos lançados pela recorrente, adoto, em sua totalidade, as razões de decidir do Acórdão nº 340300.746, da lavra do Conselheiro Robson José Bayerl, uma vez que se trata de caso idêntico, inclusive havendo identidade de partes e proximidade no período de apuração, a seguir reproduzido: A questão central de debate nestes autos se restringe em definir se ao crédito presumido de IPI previsto art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97 foi garantida a manutenção e utilização e sob que forma. Para tanto, necessário se faz uma incursão pela legislação de regência da matéria. Neste passo, reproduzo o inteiro do teor do art. 1º da Lei nº 9.440/97: (...) Observase que a regulamentação da forma de utilização do crédito presumido em tela foi remetida à edição de decreto específico, no caso, corporificado pelo Decreto nº 2.179/99, que dispôs sobre a concessão de incentivos fiscais para o desenvolvimento regional para os produtos que especifica, cuidando deste benefício fiscal em seu art. 6º, cuja redação original era a seguinte: “Art. 6º Os "Beneficiários" poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: I – isenção do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de "Bens de Capital" e seus acessórios, sobressalentes e peças de reposição; II – redução de 45% do imposto sobre produtos industrializados incidente na aquisição de "Insumos" e seus acessórios, sobressalentes e peças de reposição; III – isenção do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante; IV – isenção do IOF nas operações de câmbio realizadas para pagamento dos bens importados; Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 773 10 V – isenção do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração do empreendimento; VI – crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. Parágrafo único. Os créditos a que se refere o inciso VI serão escriturados no livro Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, e sua utilização darseá nos termos do previsto no art. 103 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982.” (destaquei) O art. 103 do RIPI/82 (Decreto nº 87.981/82), equivalente ao art. 178 do RIPI/98, aprovado pelo Decreto nº 2.637/98, então vigente, por seu turno, estabelecia o que segue: “Art. 178. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte (Lei nº 5.172, de 196, art. 49, parágrafo único). § 2º O direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento.” Da leitura sistemática dos dispositivos envolvidos não é outra a conclusão alcançada senão que, de fato, a legislação apenas garantiu o aproveitamento do referido crédito presumido como dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, sem previsão de sua utilização como ressarcimento ou compensação, nos moldes vindicados. Nos termos do art. 179 do mesmo regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98) apenas os créditos incentivados nominalmente identificados garantem a utilização por outras formas que não o mero abatimento na conta gráfica, dentre eles, não figurando o crédito presumido do art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97. (...) Reforça o raciocínio exposto, coincidente com o externado pela decisão recorrida, consoante o qual o benefício fiscal não permitia o seu ressarcimento ou a sua utilização para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a superveniente alteração do Decreto nº 2.179/97 pelo Decreto nº 6.556/08, que, a meu sentir, suprindo a falha, textualmente passou a prever outras formas de utilização do crédito decorrente. (...) No entanto, o próprio decreto tratou de esclarecer que sua eficácia não seria retroativa, não albergando, portanto, os pedidos de ressarcimento e/ou compensação formalizados em data anterior à sua vigência, como no caso corrente. Todavia, o direito creditório foi preservado, porquanto o dispositivo que encerra a vigência das alterações é claro ao dispor que alcançará o saldo credor acumulado até a data de sua publicação, ou seja, o direito foi garantido, contudo, o seu exercício foi diferido para 09/09/2008, data da publicação do diploma, o que Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 774 11 exigirá a formalização de novo pedido de ressarcimento, não sendo possível o aproveitamento deste feito. De outra banda, não procede a alegação que o direito à compensação estaria resguardado pelo art. 74, caput da Lei nº 9.430/96, ao passo que havia previsão que o direito à compensação se vincularia a créditos passíveis de restituição ou ressarcimento, o que não é a hipótese do crédito presumido em debate, como copiosamente exposto. Também é improcedente a pretendida integração da legislação, por meio da analogia, com o tratamento dispensado ao crédito presumido da Lei nº 9.363/96, com espeque no art. 108 do Código Tributário Nacional. A uma, porque é pressuposto para utilização da analogia a ausência de legislação, o que não ocorre, pois a legislação existe, sendo inexistente a previsão para acolhimento da pretensão do recorrente. A duas, porque o art. 4º da Lei nº 9.363/96 prevê a hipótese de ressarcimento em espécie, no caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em dedução do IPI devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, o que não acontece com a Lei nº 9.440/97. Respeitante às disposições dos arts. 3º e 12 da IN SRF 21/97, tenho que melhor sorte não agasalha a aspiração do recorrente, isto porque o art. 4º do mesmo ato normativo impede textualmente o ressarcimento em espécie do crédito presumido previsto no art. 1º, IX da Lei nº 9.440/97, sendo que o art. 5º veda a sua compensação com outros tributos administrados pela RFB. Nestes termos: Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I – decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização; II – presumidos de IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, instituídos pela Lei nº 9.363, de 1996; III – presumidos de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituídos pela Medida Provisória nº 1.532, de 18 de dezembro de 1996.(*) Art. 4º Poderão ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, os créditos mencionados nos inciso I e II do artigo anterior, que não tenham sido utilizados para compensação com débitos do mesmo imposto, relativos a operações no mercado interno. Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. (...) Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado.” (destaquei) (*) convertida na Lei nº 9.440/97. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11971.000155/200336 Acórdão n.º 3301003.237 S3C3T1 Fl. 775 12 Ainda que o caput do art. 12 possa induzir à ilação que a compensação seria admitida indistintamente entre os créditos do art. 3º, por não haver qualquer ressalva, entendo não ser possível acolher tal inteligência justamente pela literalidade e especificidade dos citados arts. 4º e 5º que, a meu ver, se sobrepõem à generalidade do art. 12, caput, todos da IN SRF 21/97. No que tange aos argumentos de natureza sócioeconômicos, tenho que não seja esta a seara adequada para o seu exame, porquanto não compete a este Conselho Administrativo aquilatar a justeza das normas vigentes e muito menos avaliar ou emitir juízos de valor acerca dos motivos de ordem política que ensejaram a edição, pelo Poder Legislativo, dos diplomas componentes do sistema legal pátrio Na leitura dos argumentos trazidos acima, constantes nos Embargos de Declaração, bem como, no voto do acórdão embargado, fica patente que o Contribuinte, com a devida vênia, pretende rediscutir matéria já julgada, o que, para tanto, não se prestam os embargos. Assim, entendo que o Contribuinte propõe em embargos rediscutir matéria de mérito, o que não deve ser objeto de Embargos de Declaração. Das interpretações possíveis ao presente caso, no processo de subsunção legal, coube aos julgadores decidirem, e, assim o fizeram por unanimidade de votos, quando da prolatação do Acórdão nº 3101001.819 em de 25 de fevereiro de 2015 e não me consta omissão ou obscuridade no acórdão ora embargado, apenas posições interpretativas distintas. Nestes termos, diante da legislação vigente e os autos do processo, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração interpostos pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 779DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000844/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE COMO ORDENANTE OU REMETENTE.
Tendo as provas carreadas aos autos identificado o contribuinte como beneficiário de recursos ao exterior que configuraram acréscimo patrimonial e tendo este optado pela simples negativa de autoria, correta a presunção de ser ele o sujeito passivo da obrigação tributária respectiva.
Numero da decisão: 9202-004.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor De Souza Lima Júnior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE COMO ORDENANTE OU REMETENTE. Tendo as provas carreadas aos autos identificado o contribuinte como beneficiário de recursos ao exterior que configuraram acréscimo patrimonial e tendo este optado pela simples negativa de autoria, correta a presunção de ser ele o sujeito passivo da obrigação tributária respectiva.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE COMO ORDENANTE OU REMETENTE. Tendo as provas carreadas aos autos identificado o contribuinte como beneficiário de recursos ao exterior que configuraram acréscimo patrimonial e tendo este optado pela simples negativa de autoria, correta a presunção de ser ele o sujeito passivo da obrigação tributária respectiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor De Souza Lima Júnior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 44 /2 00 7- 63 Fl. 584DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial, de fls. 530/539 do eprocesso, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2101002.371, julgado na sessão do dia 21 de janeiro de 2014, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSFERÊNCIA ILEGAL DE RECURSOS AO EXTERIOR. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL EM DOCUMENTO ANEXO A LAUDO DE EXAME ECONÔMICOFINANCEIRO. O Recorrente não foi identificado como remetente ou ordenante dos recursos, mas como seu beneficiário no exterior. A única presunção que poderia eventualmente ter sido utilizada, quando muito, é a de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o que não foi feito pela fiscalização. Ainda que a acusação fosse de depósitos bancários de origem não comprovada, caberia à fiscalização demonstrar de forma inequívoca a ligação do Recorrente com os remetentes dos recursos, tanto do Brasil como do exterior, o que também não foi feito. Precedentes. Recurso provido. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 270/278 e processo, para exigência de IRPF referente aos exercícios 2002, 2003, 2004 e 2005, anos calendários 2001, 2002, 2003, 2004, multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo Contribuinte, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 262/269. No TVF a fiscalização informa que o procedimento foi motivado por informações oriundas da Equipe Especial de Fiscalização, que identificou o Contribuinte como beneficiário de transações de divisas no exterior. As referidas informações foram obtidas a partir de Laudos Periciais, após análise das mídias computacionais da operação Beacon Hill/Banestado. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 9202004.514 CSRFT2 Fl. 585 3 Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de fls. 281/296 do eprocesso, alegando em síntese: Cerceamento ao direito de defesa, pelo fato de que não teve conhecimento de qualquer dos documentos produzidos a partir das solicitações formuladas pelo Delegado da Polícia Federal do Paraná; Nenhum dos documentos foram juntados ao auto de infração; Não participou da produção das referidas provas, não lhe foi dada ciência de que estariam sendo produzidas, porque, jamais teve qualquer tipo de envolvimento com a empresa Beacon Hill Service Corporation; Nunca houve uma quebra específica do seu sigilo, eis que nunca foi objeto de fiscalização nos Estados Unidos ou no Brasil; Cabe ao Fisco, diante das pseudo remessas, fazer a prova da ocorrência do fato gerador do tributo, demonstrando o aumento patrimonial ou o consumo, ou ambas as ocorrência; O tributo objeto do lançamento, não tem razão de existir por ausência de subsunção do fato ao tipo; dentre outros argumentos. A 3ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, conforme acórdão nº 1735.867, de fls. 379/392, julgou procedente o lançamento, mantendo a integralidade do lançamento. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, fls. 397/429, que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 21 de janeiro de 2014, sendo dado provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. Após a decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de fls. 530/539, requerendo o seu provimento para reestabelecer o lançamento tributário, apresentando como divergência os Acórdãos ns. 2801 00.245 e 340200.111, cujas ementas transcrevo: Acórdão nº 280100.245 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no § P, do artigo 3° da Lei 7.713/88. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS INSTRUÇÃO OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas e de instrução realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. Fl. 586DF CARF MF 4 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 340200.111 Ementa: DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. DIRPF RETIFICAÇÃO EFEITOS. A Declaração retificadora, independentemente de prévia autorização por parte da Autoridade Administrativa e nas hipóteses em que admitida, substitui a originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de revisão. Sendo assim, qualquer procedimento de revisão e conseqüente lançamento devem tomar por base a última declaração retificadora regularmente apresentada. EMENTA VOTO VENCEDOR BEACON HILL. MULTA QUALIFICADA. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. JUROS DE MORA TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devido, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°4). Rejeitada a preliminar. Recurso parcialmente provido. Conforme despacho de fls. 548/552, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 9202004.514 CSRFT2 Fl. 586 5 O Contribuinte intimado, conforme AR de fls. 559 apresentou contrarrazões alegando o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois os acórdãos utilizados como paradigmas apresentam situações diferentes do presente caso, requerendo a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo, porém, o Contribuinte em suas contrarrazões requer o não conhecimento do Recurso Especial em virtude da ausência de paradigma. Diante de tal argumento, analisarei se os acórdãos utilizados pela PGFN apresentam o dissídio jurisprudencial necessário para o conhecimento de seu recurso. Divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional Como se depreende da leitura do relatório acima, o presente caso versa sobre omissão de rendimentos, em que a autoridade lançadora utilizou as ordens de pagamento em que consta o contribuinte como beneficiário de crédito como prova de omissão de rendimentos, fundamentando o lançamento com base no seguinte enquadramento legal: artigos 1º ao 3º e parágrafos, da Lei 7.713/88; artigos 1º a 3º da Lei 8.134/90; art. 37 e 38, 43 e 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83, do RIR/99; art. 1º, da Lei 9.887/99; art. 1º, da MP 22/2002, convertida na Lei nº 10.451/2002; art. 1º, da Lei 10.451/2002. Conforme se verifica dos autos. O argumento apresentado pelo contribuinte não merece prosperar, no que diz respeito ao conhecimento do Recurso Especial, pois, com a leitura do Acórdão nº 280100.245, referente ao processo nº 10580.010888/200662, verificamos a questão, no que diz respeito ao enquadramento legal e a situação de fundo semelhante, conforme parte da ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A incidência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento em lei, especificamente no § 2º, do artigo 3° da Lei 7.713/88. Assim, esse acórdão já configura o dissídio jurisprudencial necessário para conhecimento do Recurso, razão pela qual deixo de analisar o segundo paradigma e conheço do Especial interposto pela PGFN. Omissão de rendimento – mérito No que diz respeito ao mérito, razão não assiste a Fazenda Nacional, não devendo ser reformada a decisão recorrida. Fl. 588DF CARF MF 6 Conforme já descrito pelo Conselheiro Otávio Cipriani, no julgamento da DRJ, no lançamento tributário, a tese que necessariamente tem que ser demonstrada é a ocorrência do fato gerador do imposto, conforme se verifica: No lançamento tributário, a tese que necessariamente tem que ser demonstrada é a ocorrência do fato gerador do imposto. Se a infração apontada foi "Omissão de Rendimentos", a descrição dos fatos deve reproduzir todo o caminho lógicodedutivo percorrido pela autoridade lançadora que a levou à conclusão de que o contribuinte auferiu rendimentos, mas não os ofereceu à tributação. A realidade fática demonstrada nos autos deve ser identificada com a norma que prevê uma situação em abstrato. Em outras palavras, o fato demonstrado deve se subsumir à norma para que se possa afirmar ter ocorrido o fato gerador. Do contrário, não havendo esta congruência, o raciocínio dedutivo carecerá das hipóteses necessárias para se atingir a conclusão que se deseja e a tese restará não demonstrada. (...) No caso em exame, a tese a ser demonstrada é, necessariamente, a "Omissão de Rendimentos" e, data vênia, tal demonstração não foi feita. Seguindo as palavras do professor Alfredo Augusto Becker, poderseia dizer que "não houve a realização integral da hipótese de incidência' pela demonstração nos autos de "todos os fatos nela previstos e que formam a composição específica àquela hipótese de incidência", Ou, no dizer de Paulo de Barros Carvalho, não houve a demonstração da "ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente", pois há necessidade de que satisfaça "a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata". Ora, imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que o sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os tenha oferecido de à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta uma breve comparação entre os rendimentos comprovadamente recebidos e à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos é que requer provas específicas. No caso de omissão de rendimentos, seja recebido de pessoa física ou de pessoa jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos, a natureza destes rendimentos, e comprovada a efetiva percepção dos valores recebidos. Neste caso, a prova é direta e os autos devem trazer todas estas demonstrações de forma clara. (...) Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 206/213), a autoridade lançadora relata que o contribuinte foi identificado como beneficiário de movimentação financeira no exterior e "conforme entendimentos do art. 37 c/c o art. 55, ambos do Fl. 589DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 9202004.514 CSRFT2 Fl. 587 7 vigente Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, as operações no exterior são rendimentos e segundo determinação do ar i. 38, do mesmo RIR/1999 esses rendimentos são m jeitos a tributação". Não se vislumbra o nexo causal entre constar o contribuinte como beneficiário final de transferências financeiras e a omissão de rendimentos a ele atribuída. Notese que no citado Termo, expressamente, se admite o desconhecimento acerca da natureza e da fonte dos rendimentos, uma vez que menciona tratarse de rendimentos decorrentes de atividade exercida ou de capital situado no exterior. (...) Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Entendo que ordens de pagamento entre contas no exterior, ainda que os titulares sejam terceiras pessoas, e cuja origem dos recursos restou não comprovada pelo real beneficiário da transferência, poderiam servir como subsídios para se apurar eventual omissão de rendimentos com base na presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96. No entanto, tal não foi o caso do presente lançamento. Dessa forma, em face de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento, devendo ser cancelado integralmente o crédito tributário exigido. (Destaquei) Da análise dos autos, se verifica que o Contribuinte não foi identificado como remetente ou ordenante dos recursos, mas como seu beneficiário no exterior. Assim, a fiscalização não instruiu o processo com os elementos suficientes para comprovação da autoria. Neste sentido, destaco os julgados do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITA OPERAÇÃO BEACON HILL AUSÊNCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Nos casos em que se verifica a ocorrência de remessas de valores ao exterior, a fiscalização deve instruir o processo com elementos suficientes à comprovação da autoria. A constatação do nome do contribuinte em documentos relativos às remessas, em documentos apreendidos junto a terceiros, não basta, por si só, para comprovação da autoria. (Acórdão nº 1201001.134, referente ao processo nº 10380.100672/200563 Destaquei). Fl. 590DF CARF MF 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia. Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO “BEACON HILL”. RECORRENTE APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. Cabe à Fiscalização comprovar de forma inequívoca a titularidade da conta no exterior, na qual foram depositados recursos considerados como rendimentos omitidos. Hipótese em que inexistem provas da vinculação do recorrente com a conta bancária no exterior. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF n.° 4. (Acórdão nº 2101002.306, referente ao processo nº 19515.003149/200672 Destaquei). Diante de todo exposto voto no sentido de conhecer o Recurso Especial interposto pela PGFN, para no mérito negar provimento mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Fl. 591DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 9202004.514 CSRFT2 Fl. 588 9 Tratase de lançamento decorrente da quebra do sigilo bancário da empresa Beacon Hill, operação já examinada anteriormente neste CARF quanto a outros sujeitos passivos. Especificamente quanto aos "casos Beacon Hill", alinhome aqui, quanto à necessidade de comprovação de autoria e de vínculo entre o beneficiário objeto de autuação (consoante elementos anexados aos autos) e a remessa objeto de lançamento, às considerações traçadas pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no âmbito do Acórdão 9.202 02.315, de lavra desta mesma Turma e datado de 24 de setembro de 2012, verbis: "(...) Não se pode perder de vista que, em situações desse tipo, a comprovação somente pode ser feita de forma indiciária, por se tratar de operação obviamente destinada a movimentar recursos de maneira escusa e dissimulada, do país para o exterior, de forma a mantêlos fora do alcance das autoridades nacionais. Como consequência, é natural que não haja recibos assinados, nem documentos com identificação pormenorizada da origem desses recursos, ou outras informações que, em situação comum, seriam esperadas. Mas, com indícios suficientemente fortes vinculando o contribuinte às operações financeiras, correta a atitude da autoridade fiscal em iniciar a ação fiscal e intimar o sujeito passivo a esclarecer os fatos, podendo, inclusive, identificar os verdadeiros proprietários dos recursos. A simples negativa de autoria não serve para desconstituir a força das provas apresentadas. (...)" Assim, em tais situações, com a devida vênia, discordo do posicionamento de um dos julgadores vencidos em 1a. instância e esposada pela nobre Relatora, quanto à impossibilidade de utilização de prova indiciária, o que resulta na possibilidade, in casu, de comprovação da sujeição passiva do autuado através de indícios. Feita tal digressão, verificase que, no caso em questão, contrariamente ao alegado, houve efetiva ação fiscal junto ao contribuinte (vide Termo de Início de Ação Fiscal de efls. 198/199), devendo ser ressaltado que: a) Quanto aos elementos de prova carreados aos autos, todas as informações utilizadas foram devidamente transferidas à Receita Federal do Brasil e estão embasadas em documentos obtidos junto a instituição financeira de renome, com o aval das autoridades americanas e consulares brasileiras, conforme bem relatado no Relatório de Ação Fiscal às e fls. 262/263. Não há, assim, qualquer motivo para duvidar de sua veracidade; b) Nestas informações, há registros das operações de remessa dos recursos ao exterior consubstanciando fortes indícios de que o cliente era o sujeito passivo deste processo era o beneficiário das remessas, em especial a partir dos elementos de efls. 52 a 103 e 156 a 179, onde o nome do contribuinte aparece expressamente como beneficiário, sendo que, adicionalmente: b.1) Quanto à alegação de existência de homônimos que seriam beneficiados pelos rendimentos, de se aceder ao observado pela autoridade fiscal. no seguinte sentido: (...) Fl. 592DF CARF MF 10 A identificação do fiscalizado e inequívoca, uma vez que apenas existe um único nome "Nam Hyun Kim" na base de dados do Cadastro de Pessoas Físicas. Também não há sentido em buscar homônimos fora do Brasil, uma vez que, conforme descrito no histórico da quebra do sigilo bancário, toda a movimentação no exterior mantém elos de ligação com brasileiros que operacionalizavam as transações. (...)" Adicionalmente, uma vez descaracterizada a existência de homônimos, acho pouco razoável a hipótese que se remeta, à margem do sistema financeiro e a título de mera liberalidade, recursos tendo como beneficiários terceiros, sem qualquer vínculo com o "real beneficiário", fazendoo somente para "prejudicálo" e, ainda, a hipótese de que tenham sido tais recursos objeto de correto oferecimento à tributação em território nacional; b.2) Adicionalmente, conforme muito bem observado pela autoridade fiscal: " (...) Foram identificadas operações financeiras no exterior durante o anocalendário de 2004, nas quais a pessoa jurídica onde o fiscalizado possui participação societária, "No Mi Tex Comercio e Representação Ltda.", figurou como ordenante de divisas por meio das contas/subcontas mantidas/administradas na instituição financeira Citibank/Lespan, conforme documentos de fls. 57 a 58 , e abaixo discriminadas: Data Valor Cambio(R$/USD$) Valor(R$) 08/03/04 100.000,00 2.8744 287.440,00 22/03/04 70.000,00 2,9099 203.693,00 (...)" Desta forma, sendo convincente a prova (indiciária) de que o contribuinte aqui lançado foi o real beneficiário dos recursos e que se pode presumir se tratarem de rendimentos não oferecidos à tributação, correto o lançamento efetuado. A propósito, finalmente, de se aceder aqui, integralmente, à consideração seguinte do voto vencedor em 1a. instância: "(...) Os créditos demonstrados em nome do contribuinte representam, evidentemente, um item do patrimônio de seu titular e, assim, corresponde a rendimentos, tributáveis ou não, obtidos anteriormente, ou a dividas e obrigações assumidas. Ao contribuinte, que é obrigado a prestar informação de sua situação pessoal para fins de lançamento do imposto de renda, cabe indicar e comprovar a fonte de onde promanaram os recursos movimentados. É exatamente assim que se procede com relação a qualquer outro elemento componente do patrimônio individual ou dispêndio efetuado, ou seja, procedendo à tributação da aquisição de renda ou do acréscimo patrimonial verificado quando não devidamente justificado pela renda Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200763 Acórdão n.º 9202004.514 CSRFT2 Fl. 589 11 declarada, por restar legitimada a presunção de omissão de rendimentos. (...)" Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 594DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.732384/2013-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A existência sentença em ação judicial que busque ressarcir o erário municipal de apropriação indébita de valores devidos a título de contribuições previdenciárias, por si só, não constitui amparo legal para suspender a exigibilidade de crédito tributário regularmente constituído.
Numero da decisão: 2201-003.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A existência sentença em ação judicial que busque ressarcir o erário municipal de apropriação indébita de valores devidos a título de contribuições previdenciárias, por si só, não constitui amparo legal para suspender a exigibilidade de crédito tributário regularmente constituído.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-31T10:26:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: MUNICÍPIO DE XEXEU.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-03-31T10:26:00Z; Last-Modified: 2017-03-31T10:26:00Z; dcterms:modified: 2017-03-31T10:26:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: MUNICÍPIO DE XEXEU.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:efc19d77-1857-11e7-0000-e93177cc7ef0; Last-Save-Date: 2017-03-31T10:26:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-03-31T10:26:00Z; meta:save-date: 2017-03-31T10:26:00Z; pdf:encrypted: true; dc:title: MUNICÍPIO DE XEXEU.pdf; modified: 2017-03-31T10:26:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-03-31T10:26:00Z; created: 2017-03-31T10:26:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-03-31T10:26:00Z; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-31T10:26:00Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 654 1 653 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.732384/2013-54 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.484 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE XEXEU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A existência sentença em ação judicial que busque ressarcir o erário municipal de apropriação indébita de valores devidos a título de contribuições previdenciárias, por si só, não constitui amparo legal para suspender a exigibilidade de crédito tributário regularmente constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata do Auto de Infração de fl. 608 a 615, do qual teve origem o DEBCAD 51.053.029-0, referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, apuradas A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 04 80 .7 32 38 4/ 20 13 -5 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS MUNICÍPIO DE XEXEU MUNICÍPIO DE XEXEU FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 654DF CARF MF 2 nos balancetes mensais de despesas e não informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, no período de 01 a 12/2010. Ciente do lançamento em 28 de março de 2014, conforme AR de fl. 587, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 590/593, lastreada, basicamente, na alegação de que aderiu ao parcelamento de débitos objeto da Lei 12.810/2013 e, portanto, em seu entendimento, não faria sentido a cobrança de contribuição através de Auto de Infração de período alcançado pelo parcelamento, fl. 591, 593 c/c 604. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I considerou-a improcedente, fl. 619/623 por entender que a adesão a parcelamento alcança apenas os valores declarados espontaneamente, não retirando a legitimidade de lançamento de ofício cujo objeto sejam diferenças não declaradas e não justificadas. A Autoridade de 1ª Instância sustenta que os valores declarados em GFIP para fins de inclusão no parcelamento instituído pela Lei 12.810/2013 foram deduzidos das bases de cálculos apuradas, fl. 622. Ciente do Acórdão da DRJ em 26 de junho de 2015, fl. 632, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 635/639, em 24 de julho de 2015, cujos argumentos serão tratados no voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. O recorrente afirma que o atual prefeito foi o responsável pelas informações em GFIP do quadriênio 2009/2012, já que o prefeito anterior havia se omitido. Sustenta a impossibilidade de prestar informações sobre os registros contábeis do período, tampouco comprovar o recolhimento dos valores divergentes, em razão de prática de crime de apropriação indébita cometido pelo gestor anterior. Alega que deverá haver a suspensão do crédito tributário ora em discussão até o trânsito em julgado da decisão que condenou o ex-gestor municipal ao ressarcimento das contribuições previdenciárias indevidamente apropriadas, afirmando que o erário público municipal não teria condições de efetuar o pagamento dos valores apresentados. Ampara seus argumentos na previsão constante dos incisos III e V do art. 151 da Lei 5.172/99 (CTN), afirmando que, no caso em concreto, além do presente recurso administrativo, há ação civil pública de apropriação indébita que condenou o ex-prefeito ao pagamento dos valores previdenciários desviados e que, portanto, a suspensão do crédito tributário também poderá ser deferida no âmbito judicial através do pedido de antecipação de tutela, fl. 638/639. Conclui sua peça recursal pugnando pela suspensão do crédito tributário até o regular ressarcimento do valor desviado pelo ex-gestor municipal. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10480.732384/2013-54 Acórdão n.º 2201-003.484 S2-C2T1 Fl. 655 3 Diante dos argumentos acima expostos, de plano, constata-se que não se discute o mérito das infrações identificadas no curso do procedimento fiscal, restando a lide administrativa restrita à discussão sobre a suspensão do crédito tributário lançado. Vejamos o que dispõe os preceitos legais utilizados pelo contribuinte para amparar seus argumentos, Lei 5.172/66 (CTN): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (...) Sobre a possibilidade de suspensão do crédito tributário a partir de concessão de medida liminar judicial, importante destacar que não foi juntado aos autos qualquer elemento que demonstre que o judiciário já tenha se manifestado sobre o tema específico. Ademais, a afirmação do contribuinte de que a suspensão do crédito tributário também poderá ser deferida no âmbito judicial através do pedido de antecipação de tutela (fl. 639) apenas robustece a convicção de que, de fato, ainda não houve decisão judicial que ampare a suspensão pretendida. Naturalmente, a qualquer tempo, se for o caso, a suspensão será acatada nos termos do provimento judicial comprovado. Já em relação às reclamações e os recursos nos termos das leis que regulam o processo tributário administrativo, é certo que, por conta da Impugnação e do Recurso Voluntário interpostos tempestivamente, ambos instrumentos previstos no Decreto 70.235/72, o crédito tributário em discussão está suspenso, mas permanecerá assim apenas até a decisão definitiva na esfera administrativa, sendo certo que será definitiva a decisão de 2ª instância da qual não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido prazo sem a sua interposição, conforme prevê o inciso II do art. 80 do Decreto nº 7.574/2011. Alcançado o caráter de decisão definitiva, os autos seguirão para cobrança amigável e, se não extinto por pagamento ou parcelado, o crédito tributário será inscrito em Dívida Ativa da União, tudo nos termos do 81 do mesmo Decreto 7.574/2011. Conclusão Pelo exposto, por falta de amparo legal para suspender a exigibilidade do débito regularmente constituído até o regular ressarcimento do valor desviado pelo ex-gestor municipal, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 656DF CARF MF 4 Fl. 657DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720167/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA
O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Não resta configurada a hipótese de decadência no presente caso.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO.
Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente.
A utilização de empresa-veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1302-002.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário e em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Não resta configurada a hipótese de decadência no presente caso. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. A utilização de empresa-veículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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INOCORRÊNCIA O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário. Não resta configurada a hipótese de decadência no presente caso. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros, desde que o faça licitamente. A utilização de empresaveículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário e em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 67 /2 01 4- 89 Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.263 2 LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, inicialmente transcrevo o relatório da DRJFNS: “O Auto de Infração (em Documentos Diversos – Outros Doc.22) exige da Interessada o recolhimento de R$ 2.577.808,70 título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acrescido de multa de ofício de 150%, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e de juros de mora, relativamente a fato geradores ocorridos nos anoscalendário de 2011 (Lucro Real Anual) e 2012 (Lucro Real Trimestral – 1º e 4º trimestres). Nos anos calendário de 2009 e 2010, com regime de tributação apurados sob as regras do Lucro Real Anual, também houve matéria tributável, mas integralmente compensada com o prejuízo do período, assim como ocorreu também com a matéria tributável apontada nos 2º e 3º trimestres de 2012 (Lucro Real trimestral). Segundo consta no Auto de Infração, o lançamento fiscal foi efetuado em face de: CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.264 3 Em decorrência deste lançamento, foi ainda lavrado o Auto de Infração (em Documentos Diversos – Outros Doc.23) a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.265 4 – CSLL, para os mesmos fatos geradores, na importância de R$ 930.171,14, acrescida da multa de ofício de 150% e de juros de mora à época do pagamento. Do Termo de Verificação Fiscal (em Documentos Diversos – Outros Doc.21) extraemse os detalhes da autuação, que a seguir se reproduz, de forma resumida, mas com as palavras dos autuantes, litteris: [...] 2. Das denominações utilizadas neste Termo de Verificação Fiscal 6. Conforme restará patente adiante, algumas pessoas jurídicas serão recorrentemente mencionadas ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, porquanto estritamente vinculadas à infração fiscal ora caracterizada. 7. Exatamente por tal motivo e visando a evitar desnecessárias repetições de longos nomes empresariais (acompanhados das respectivas inscrições no CNPJ), convencionouse que tais sociedades e fundos de investimento serão aqui referidas por denominações mnemônicas, as quais guardam relação com suas completas razões sociais. Pretendese, desta forma, não só tornar a leitura deste termo mais fluida, mas também facilitar sua intelecção. 8. O demonstrativo a seguir identifica cada uma de tais sociedades, bem como apresenta as convenções doravante adotadas: 3. INTRODUÇÃO 9. Nos próximos itens deste Termo de Verificação Fiscal, discorreremos com as devidas minúcias sobre os fatos a seguir sintetizados, suas conseqüências tributárias e punitivas, bem como identificaremos os respectivos sujeitos passivos. 10. O objeto principal da presente autuação corresponde à glosa de deduções da amortização de ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2009 a 2012 de RAIA, sociedade sucedida pela fiscalizada RAIADROGASIL. 11. A ilicitude da amortização decorreu da intercalação da sociedade veículo GRAPPA entre os investidores PRAGMA e GAVEA e a investida RAIA. Apesar de PRAGMA e GAVEA manifestarem claramente a intenção Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.266 5 de adquirir participações em RAIA, realizaram tal operação por intermédio de GRAPPA, sociedade que havia sido criada poucos dias antes da aquisição e que foi incorporada por RAIA, quando então RAIA passou a amortizar ilicitamente o ágio gerado em decorrência da sua própria aquisição. 12. Conforme demonstraremos a seguir, a intercalação de GRAPPA teve o propósito exclusivo de possibilitar a amortização do ágio na aquisição do investimento em RAIA por PRAGMA e GAVEA. 13. Em razão da ação intencional para evadirse do pagamento dos tributos, a multa foi qualificada ao patamar de 150%. 14. Em razão da incorporação de RAIA por RAIADROGASIL ocorrido em 2012, a autuação foi promovida contra RAIADROGASIL na condição de responsável por sucessão. A responsabilidade se estendeu também às multas pela razões expostas no item específico deste termo de verificação. 15. Essa é a breve síntese da autuação. A seguir, passamos a descrever e a comprovar cada um dos seus pormenores. 4. Da infração fiscal – Glosa de encargos de amortização de ágio 4.1.Origem do ágio amortizado 16. Em 30 de setembro de 2008, foi celebrado contrato de investimento (Contrato), Doc 02, fls. 70 a 122, tendo como partes: de um lado, PRAGMA, representado pelo seu gestor Pragma Gestão de Patrimônio, CNPJ 04.920.763/000101, GAVEA, representado pelo seu gestor GIF Gestão de Investimento e Participações Ltda, CNPJ 08.052.758/000185, e GRAPPA; e, de outro lado, RAIAADM e seus sócios. No Contrato, RAIA figurou ainda como parte interessada. 17. Na consideração “H” do Contrato, GAVEA e PRAGMA manifestam expressamente seu interesse de investir na RAIA, por meio da GRAPPA. A seguir, na cláusula 3.1 do Contrato, GRAPPA se comprometeu em investir R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões de reais) em RAIA mediante a subscrição de 4.447.262 (quatro milhões, quatrocentos e quarenta e sete mil, duzentas e sessenta e duas) ações, que representariam 22,17% do capital de RAIA. 18. Esse investimento poderia ser ainda aumentado pelo exercício de opções de compra e venda até o limite de 30% do capital total e votante de RAIA após incorporar RAIAADM, possibilidade esta que estava disciplinada pelo “Contrato de Opção de Compra e Venda de Ações” (Doc 02, fls. 123 a 145), em que constam RAIAADM e GRAPPA, respectivamente, como outorgante e outorgada, mas também PRAGMA e GAVEA como coobrigados solidários. Desse ato, vale destacar a cláusula 3.1 ‘Os Coobrigados Solidários, por este ato e na melhor forma do direito, declaramse, solidariamente entre si e com relação à Grappa, principais pagadores e coobrigados solidários pelo cumprimento de todas as obrigações da Grappa perante a Raia Participações e os Acionistas Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.267 6 Originais, inclusive mas não limitadamente à obrigação de comprar e pagar e efetuar o pagamento do Preço de Exercício’ 19. Também merece atenção o “Acordo de Acionistas” (Acordo), Doc 02, fl. 147 a 218, também celebrado, em 30 de setembro de 2008: de um lado, por PRAGMA, GAVEA e GRAPPA; e, de outro lado, por RAIAADM e seus sócios; e tendo RAIA como parte interveniente. Nele, vale destacar os termos da cláusula 2.7: “(...) a Pragma e a Gávea exercerão através da Grappa todos os direitos e obrigações que lhes são atribuídos ou atribuídos à Grappa neste Acordo. (nosso negrito). 20. Nessa oportunidade (30/09/2008), conforme o próprio Contrato, RAIAADM detinha praticamente 100% (15.608.995 de 15.609.000 do total de ações) do capital de RAIA. Ademais, manifestouse a intenção de RAIA incorporar RAIAADM. Por outro lado, GAVEA e PRAGMA detinham a totalidade das ações de GRAPPA, 50% cada uma (como comprova o “Contrato de Opção de Compra e Venda de Ações”, consideração “F”, fl. 129 do Doc 02). 21. GRAPPA, ao adquirir a participação societária em RAIA, fez com ágio (conforme informação que consta do Laudo de Avaliação, Doc 02, fl. 250; dentre outros documentos). 22. Posteriormente, em 30/09/2009 (conforme ficha cadastral completa da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Doc 15; Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de Incorporação da Grappa Investimentos e Participações S.A. pela Raia S.A, Doc 02, fls. 226 a 232; Ata da Assembleia Extraordinário de GRAPPA, Doc 02, fls. 240 a 242; dentre outros documentos que comprovam a operação), GRAPPA veio a ser incorporada pela sua própria investida (RAIA); e, logo no mês seguinte, RAIA começou a amortizar o referido ágio. 4.2. Caracterização da ilicitude 23. O desenvolver desses fatos nos conduzem claramente a uma só conclusão: GAVEA e PRAGMA, interessadas em adquirir participação societária em RAIA, arquitetaram previamente intercalar uma sociedade (GRAPPA) com o único propósito de promover a sua incorporação e, assim, aproveitar a amortização do ágio na operação para, ilicitamente, reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL de RAIA. 24. Nos três documentos que serviram para formalizar a aquisição (o Contrato de Investimento, Doc 02, fls. 70 a 122; o Contrato de Opção de Compra e Venda de Ações” Doc 02, fls. 123 a 145; e o Acordo de Acionistas, Doc 02, fl. 147 a 218), GAVEA e PRAGMA manifestam o seu interesse original de investir em RAIA, e assumiram para si direitos e obrigações equivalentes àqueles assumidos por GRAPPA. 25. Ademais, GRAPPA foi constituída poucos dias antes da celebração dos atos anteriormente descritos (conforme ficha cadastral completa da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Doc 15, GRAPPA foi Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.268 7 formalmente constituída apenas em 01/10/2008, com início das atividades em 22/09/2008) e veio a ser incorporada por RAIA um ano depois. [...] 28. Também vale mencionar o descrito no item 2.1 do Instrumento Particular do Protocolo e Justificação de Incorporação da Grappa Investimentos e Participações S.A. pela Raia S.A., in verbis: “Tendo em vista as razões de ordem societária e negocial que justificaram a participação indireta na Raia foram ultrapassadas, os acionistas da Grappa decidiram passar a deter diretamente o investimento na Raia, de modo a buscar maior eficiência administrativa, organizacional e financeira, com a racionalização e maximização de resultados e minimização de custos, o que será atingido através da incorporação da GRAPPA pela RAIA”, (...) 29. O texto acima transcrito não aponta, com um mínimo de certeza e precisão, que razões teriam sido consideradas para se ter intercalado GRAPPA entre os investidores e a investida. 30. Nada obstante, em face da possibilidade de haver, ao menos, um escopo não tributário para promover a intercalação de GRAPPA entre os reais investidores (PRAGMA e GAVEA) e a investida (RAIA), intimamos a fiscalizada a explicitar quais teriam sido essas supostas razões de ordem societária e negocial (item 6 do TIF02, Doc.03). 31. A fiscalizada respondeu à indagação, em 30/09/2014. Apresentamos o seu inteiro teor, in verbis: A participação indireta na RAIA S.A. por Épica Fundo de Investimento em Participações (CNPJ/MF nº 09.180.643/000139 – “Épica FIP”) e GIFII Fundo de Investimento em Participações (CNPJ/MF nº 08.669.289/0001 48 – “GIFII FIP”) se deu por meio da sociedade holding Grappa Investimentos e Participações S.A. (“Grappa”). As razões de ordem negocial e societária são decorrentes do exercício regular do objeto social da Grappa, correspondente à aquisição de participações societárias. Essas razões societárias e negociais foram ultrapassadas no momento em que se entendeu que a participação dos referidos fundos de investimento na Raia S.A. deveria ser direta. 32. Notase, de forma cristalina, que a fiscalizada se esquivou ao responder. 33. Diante da direta e expressa indagação acerca das razões que teriam levado à intercalação de GRAPPA, a fiscalizada respondeu de forma vaga, genérica e evasiva. Não informou nenhum dado específico. Não indicou qualquer ganho ou vantagem de cunho operacional. 34. Estamos seguros de que nem poderia fazêlo, pois o único ganho objetivado foi a redução ilícita da tributação. 35. Abaixo, ilustramos em quatro figuras como se desenvolveram as etapas que serviram para intercalar GRAPPA com a finalidade de Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.269 8 aproveitar ilicitamente o ágio da operação para reduzir ilicitamente o montante do IRPJ e da CSLL. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.270 9 [...] 37. A criação, intercalação, e incorporação de GRAPPA foram, do ponto de vista negocial, fases totalmente desnecessárias para PRAGMA e GAVEA adquirirem participações em RAIA. Por isso, o fiscalizado foi incapaz de apontar de forma específica quais teriam sido as razões não tributárias que levaram as partes a seguir um caminho mais longo para a realização do negócio. 38. Esses fatos denotam que a intercalação da GRAPPA foi arquitetada, desde o início, com o propósito exclusivo de permitir a sua posterior incorporação pela fiscalizada para o aproveitamento fiscal do ágio. Note Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.271 10 se que a única “intervenção” de GRAPPA foi apenas servir de passagem dos investimentos de PRAGMA e GÁVEA em RAIA. 39. O emprego da GRAPPA foi claramente um caminho mais longo, seguramente mais oneroso e, portanto, injustificável, do ponto de vista não tributário. Claramente, a inclusão da GRAPPA no negócio não possui qualquer substrato societário. Seu propósito foi o de possibilitar a sua incorporação para, ilicitamente, promover a amortização do ágio na aquisição. 40. A GRAPPA foi uma empresa de duração efêmera, que se caracterizou como uma empresaveículo, ou seja, aquela que se intercala entre o real adquirente (no caso, PRAGMA e GAVEA) e a adquirida (especificamente, RAIA) com o único propósito de conduzir, ilicitamente, o ágio. [...] 43. É relevante consignar que as amortizações do ágio foram realizadas nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2012, por meio de exclusões, cujos valores declarados nas respectivas DIPJ coincidem precisamente com aqueles registrados no LALUR para cada um destes anos (Doc 10 a 13) e que estão expressa e especificamente identificados como amortização do ágio incorporado de GRAPPA na apuração do ano de 2009. 44. No anocalendário de 2011, RAIA adotou técnica diferente, mas com os mesmos efeitos sobre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Lançou, na DIPJ, a amortização do ágio diretamente no resultado do exercício e não como uma exclusão. Por isso, não há registro desses valores no LALUR. [...] 5. Da infração apurada 47. Como já descrito anteriormente, após a incorporação da GRAPPA realizada no ano de 2009, a RAIA passou a deduzir de suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os encargos de amortização do Ágio. 48. Para tanto, a RAIA pretendeu se valer dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 (matrizes legais do artigo 386 do RIR/99), in verbis: [...] 49. Tais amortizações, contudo, não poderiam ser licitamente deduzidas pelo fiscalizado na apuração de suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que usou o ilícito expediente da intitulada “empresaveículo” 6. Dos valores apurados e que serão objeto do lançamento de ofício 50. Diante do exposto nos subitens anteriores, apresentamse a seguir os valores que serão objeto de glosa nos anos de 2009 a 2011, em relação aos quais RAIA apurou o IRPJ e a CSLL, em bases anuais, e nos quatro trimestres de 2012 em razão da opção pela tributação trimestral realizada por RAIA: PA Valor (R$) Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.272 11 2009 4.433.114,16 2010 16.135.294,89 2011 16.454.727,24 1T 2012 4.113.681,81 2T 2012 4.113.681,81 3T 2012 4.113.681,81 4T 2012 2.724.454,54 7. Da multa qualificada 51. Em face dos lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes das glosas já devidamente caracterizadas em itens precedentes, cumpre o exame da multa de ofício incidente sobre os créditos tributários ora constituídos. 52. A Lei nº 9.430/96 (com redação atualmente dada pela Lei nº 11.488/2007) constitui o diploma legal que dispõe acerca das multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício. Na situação em comento, há que se destacar a previsão contida no seu artigo 44, inciso I, combinado com o § 1º: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) (....) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 53. Diante das informações reunidas no curso deste procedimento fiscal – como já detalhadamente antes exposto –, resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores da infração ora apontada à norma que veicula a exasperação da multa de ofício aplicável sobre créditos tributários objeto de lançamento de ofício. 54. O patamar de 150% é destinado a apenar as condutas ilícitas intencionalmente praticadas pelos sujeitos passivos tributários. Essa sanção deve ser aplicada em razão do elemento subjetivo da prática delitiva – do querer praticála –, aspecto volitivo do ilícito exaustiva e Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.273 12 inequivocamente caracterizado pelos fatos descritos ao longo do presente termo. 8. Da responsabilidade tributária da sucessora RAIADROGASIL 55. Em 2012 (mais precisamente, em 30/11/2012), RAIA (contribuinte na data dos fatos) foi incorporada por RAIADROGASIL, conforme comprovam diversos documentos juntados aos autos, como a DIPJ/2012 de RAIA (Doc 08). Na data da incorporação e desde 10/11/2011, RAIA era subsidiária integral de RAIADROGASIL em razão de operação de incorporação de ações. Nessa operação, RAIADROGASIL emitiu ações que foram integralizadas com a totalidade das ações de RAIA, conforme comprovam: (i) formulário de referência 2011 entregue pela RAIA DROGASIL à CVM (Doc 17) e (ii) a ata da Assembléia Geral Extraordinária de RAIA, realizada em 10/11/2011 (Doc 19). 8.1. Do controle comum 56. Passamos a analisar cada uma dessas operações (a incorporação de ações e a incorporação propriamente dita) a fim de demonstrar, não só a sucessão societária entre o contribuinte (RAIA) e o responsável (RAIA DROGASIL), mas também o fato de ambas estarem sob o mesmo controle. 57. Do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de Emissão da RAIA S.A. pela DROGASIL S.A., merecem destaque as seguintes passagens: ‘(i) Em 02 de agosto de 2011, as Companhias e os acionistas que exercem o controle de cada uma delas firmaram acordo de associação e outras avencas (“Acordo de Associação”); (ii) Por meio de uma associação entre iguais (“Associação”) e através da incorporação de ações da Raia pela Drogasil (“Incorporação de Ações”), o Acordo resultará na criação da Raia Drogasil S.A. (“Raia Drogasil”), cujo controle será compartilhado pelos acionistas que atualmente exercem o controle das Companhias; (...) 1.1.1. Em consequência da Incorporação de Ações, a Raia tornarseá subsidiária integral da Drogasil, mantendo sua personalidade jurídica e patrimônio próprio, e os acionistas da primeira receberão ações ordinárias da segunda, nos termos previstos no presente Protocolo e Justificação.’ 58. Desse modo, com a incorporação de ações, os acionistas de RAIA se tornaram acionistas de Drogasil, a qual (que desde então assumiu a nova denominação RAIADROGASIL) passou a deter a integralidade das ações de RAIA. 59. No ano seguinte, em 30/11/2012, RAIA foi incorporada por RAIADROGASIL, como comprovam, dentre outros documentos: (i) a DIPJ/2012 de RAIA (Doc 08), (ii) Ata da Assembleia Geral Extraordinária de RAIADROGASIL (Doc 20) e (iii) o Protocolo e Justificação de Incorporação de RAIA pela RAIADROGASIL (Doc 20). Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.274 13 60. Desse modo, em relação aos fatos geradores ocorridos em 2011 e 2012, o controle comum é evidente, pois RAIA era subsidiária integral de RAIADROGASIL. 61. No tocante aos anteriores (2009 e 2010) e desde o início da intercalação da empresaveículo GRAPPA, também podemos concluir que não houve descontinuidade do controle. Em nenhuma das etapas, houve a transferência de controle societário entre grupos societários distintos. 8.2 – Da responsabilidade pelos tributos e pelas multas 62. Passase agora a discorrer acerca da responsabilidade tributária da RAIADROGASIL pelos créditos tributários da RAIA. 63. Em face das operações ocorridas, é inegável a responsabilidade da incorporadora pelos tributos devidos pelas incorporada, a teor do que preceitua o art. 132 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. 64. De igual sorte, na presente situação, a responsabilidade da incorporadora não se adstringe aos tributos devidos, mas também às multas aplicáveis à incorporada. E são várias as razões que conduzem a tal conclusão. 65. As infrações foram cometidas pela RAIA, quando pertencia ao mesmo grupo econômico da qual atualmente faz parte RAIADROGASIL, como demonstramos no item precedente. Assim, urge refutar peremptoriamente tanto o desconhecimento por parte da incorporadora (RAIADROGASIL) quanto aos atos ilícitos praticados pela RAIA, quanto uma pretensa impossibilidade de evitálos. Tampouco se sustenta a hipótese de desconhecimento da sucessora quanto ao passivo (aqui entendido lato sensu) da sociedade incorporada. Destarte, justificase plenamente a responsabilidade da sucessora final pelas infrações imputadas à sucedida, visto afastadas quaisquer excludentes de responsabilidade juridicamente admitidas. 66. Nesse passo, é oportuno socorrerse de excertos de ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para ilustrar o entendimento ora esposado: MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. (2o CC. Acórdão nº Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.275 14 20309645. Rel. Francisco Maurício R. De Albuquerque Silva. 3a Câmara. Decisão: 16.06.2004) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM – SUCESSÃO – CARACTERIZAÇÃO – A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator sob pena deitar por terra as normas gerais insculpidas nos artigos 129 e 136, também do CTN , não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum. (1º CC. Acórdão nº 10708562. Rel. Natanael Martins. 7a Câmara. Decisão: 24/05/2006) MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO – Cabível a imputação da multa de ofício à incorporadora, quando o controle da incorporada e da incorporada é exercido pelas mesmas pessoas. (1º CC.Acórdão nº 103 22932. Rel. Leonardo de Andrade Couto. 3a Câmara. Decisão: 28/03/2007). 67. A jurisprudência acima transcrita está atualmente consolidada na Súmula CARF nº 47, indiscutivelmente aplicável à descrição fática: “Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico”. 68. Mas ainda que todas as circunstâncias que particularizam a situação aqui analisada (e que foram antes minudentemente discutidas) não fossem suficientes para caracterizar a responsabilidade da RAIADROGASIL pelas penalidades tributárias impostas à sucedida RAIA – o que se admite tão somente para efeito de argumentação –, persevera argumento de superlativa robustez que não deixa margem a qualquer dúvida quanto a tal responsabilidade. 69. A correta exegese do já suscitado art. 132 do CTN é extraída por meio de interpretação sistemática com os preceitos do art.129 do mesmo diploma legal, in verbis: SEÇÃO II Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifamos) 70. Tratase de dispositivo que inaugura a Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do Código Tributário Nacional e que estabelece o delineamento geral aplicável aos preceitos da aludida seção. É inegável que o dispositivo dirige a responsabilidade tributária aos créditos tributários. Tampouco se pode Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.276 15 refutar que, na acepção técnica, os créditos tributários abarcam não apenas os tributos, mas também eventuais multas cominadas ao sujeito passivo infrator. Destarte, a despeito do art. 132 se referir apenas a tributos, sem alusão a penalidades aplicáveis, à luz de nosso ordenamento jurídico, a interpretação sistemática do dispositivo conduz inegavelmente à conclusão de que a responsabilidade dos sucessores também alcança as sanções imponíveis aos sucedidos. 71. Neste sentido, são inúmeras as decisões dos Conselhos de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) que se coadunam com tal posicionamento, conforme se aduz dos excertos a seguir exemplificados: MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. Aplicase multa de ofício à incorporadora por infração cometida pela incorporada, ainda que apurada após a incorporação. (2o CC. Acórdão nº 20310074. Rel. Francisco Maurício R. De Albuquerque Silva. 3a Câmara. Decisão: 16/03/2005) MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. O art. 132 do CTN deve ser interpretado em harmonia com o art. 129 do mesmo diploma legal, sendo a sucessora responsável, perante o fisco, pela regularização da situação fiscal da sucedida (2º CC. Acórdão nº 201 78499. Rel. Sérgio Gomes Velloso. 1a Câmara. Decisão:06/07/2005) COFINS. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada por meio da interpretação sistemática com o art. 129 deste diploma legal, de tal sorte que o disciplinamento constante na Seção II Responsabilidade dos Sucessores diz respeito a "créditos tributários", incluindose as multas, sejam elas moratórias ou punitivas, e, ainda, aplicandose por igual aos créditos tributários já constituídos, bem assim àqueles constituídos após o evento da sucessão. (2o CC. Acórdão nº20177517. Rel. Sérgio Gomes Velloso. 1a Câmara. Decisão:16/03/2004) 72. Destarte, por todas as razões acima expostas, resta demonstrada a licitude da cominação de multas de ofício na RAIADROGASIL, em face de infrações cometidas pela sucedida RAIA. Após análise da Impugnação ofertada pelo contribuinte, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, por maioria de votos, julgaram procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: (i) afastamento da qualificação da multa de ofício, e (ii) manutenção da multa de ofício de 75% à Sucessora (Interessada). A referida decisão (Acórdão 0738.373) ficou ementada da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Fatos Passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.277 16 O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Glosa de Despesas. Incorporação de Sociedade Investidora (empresa veículo) por Sua Investida. Ausência de Propósito Negocial. Amortização do Ágio. Indedutibilidade. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade, investidora, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade investida (“empresa veículo”), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria investida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Inaplicabilidade. Constatado que na conduta da fiscalizada não existe a condição prevista no art.72 da Lei nº 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). Multa de Ofício. Sucessão Empresarial. Continuidade do controle. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que os controladores da sucedida permaneceram sob controle, ainda que compartilhado, da sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. CSLL. Extensão Legal. Planejamento Tributário Inoponível ao Fisco. Decorrência Lógica. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.278 17 por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Ciente da decisão, a Turma Julgadora recorreu de ofício, tendo em vista a exoneração do sujeito passivo do pagamento de encargo da multa qualificada em montante superior ao limite fixado pelo Ministério da Fazenda. Nada obstante, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: I. Da efetiva operação realizada: · Sustentou a validade de todos os atos societários praticados e do ágio analisado; informou que, apesar de os Srs. Agentes Fiscais terem afirmado que a Recorrente se “esquivou” de responder suas indagações, não emitiram qualquer intimação adicional; · Alegou que a E. Turma Julgadora tentou aperfeiçoar o lançamento fiscal, ao tentar justificar que a duração efêmera da sociedade não teria sido o único motivo para a glosa procedida pela Autoridade Fiscal, existindo, também, a falta de propósito extra tributário; · Afirma que a GRAPPA (empresaveículo) foi constituída com o objeto social de participação em outras sociedades, exercendoo de forma legítima ao adquirir as ações da Raia; II. Da Preclusão/Decadência da Possibilidade do Fisco Questionar a Origem do Ágio: · Aduz ter transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 2008 e a ciência dos autos de infração originários do presente processo administrativo (15/12/2014); III. Da Legitimidade das Operações Realizadas e Posterior Aproveitamento Fiscal do Ágio pela Recorrente · Discorre acerca da natureza jurídico/contábil do ágio na aquisição de participações societárias; licitude da aquisição de participação societária com ágio; e tratamento tributário dispensado ao ágio no ordenamento jurídico brasileiro; IV. Da Demonstração do Propósito Negocial e da Necessidade da Sociedade GRAPPA: Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.279 18 · Sustenta que a única forma de garantir a certeza do investimento dos fundos Gávea e Pragma na Raia, independente da celebração do acordo de acionistas, seria mediante a utilização da sociedade Grappa; · Diferentemente da alegação do Fisco de que a empresa Grappa não possuía atividade operacional, a Recorrente afirma que em sua contabilidade há despesas operacionais que comprovam o contrário; · A existência de substância econômica na manutenção da Grappa como uma empresa operacional, mesmo após a ocorrência do investimento na Raia, deixa claro não se tratarem de operações estruturadas em sequência, realizadas apenas com o objetivo de economia tributária, como equivocadamente referendado pela DRJ; V. Da Impossibilidade de Ingerência pela Autoridade Fiscal na Atividade Desenvolvida pela Recorrente · As operações livremente organizadas pelos contribuintes somente poderiam ser contestadas com base em sua legalidade estrita, estando sujeitos à desconstituição apenas nos casos em que fosse contestada a ocorrência de atos ilícitos, realizados depois da ocorrência do fato gerador, ou se houvesse simulação. Uma vez superadas tais teses, devem ser aceitas como válidas e legítimas para todos os fins fiscais; · A operação analisada pela DRJ ainda poderia ter sido realizada licitamente, de outra forma, sem prejudicar o direito ao aproveitamento fiscal do valor do ágio amortizado; VI. Da Validade da “Sociedade Veículo” na Jurisprudência do CARF · Neste ponto, sustentou que o argumento de utilização de empresaveículo, isoladamente, não é suficiente para fins de glosa da amortização de despesas de ágio, quando este foi obtido de acordo com a lei. Neste sentido reuniu diversos Acórdãos do CARF em concordância com a tese exposta. VII. Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização · O ordenamento jurídico foi silente quanto à adição da parcela do ágio ao lucro líquido, logo, mesmo que se considere a amortização fiscal do ágio indedutível para fins da apuração da base de cálculo do IRPJ, não se poderia estender o mesmo entendimento à CSLL por falta de previsão legal; VIII. Da Impossibilidade do Lançamento da Multa na Hipótese de Responsabilidade Tributária por Sucessão · Na data em que a infração foi cometida, as empresas (sucessora e sucedida) não estavam sob o mesmo controle, ou pertenciam a Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.280 19 um mesmo grupo econômico, portanto, de acordo com a Súmula CARF nº 47, impossível lançar multa de ofício em face da sucessora; · Tendo em vista a disposição do art. 132 do CTN, como não houve lançamento fiscal da multa até o ato sucessório, a multa não poderá ser transferida ao sucessor; IX. Impossibilidade de Exigência da Multa: a Dúvida · Aqui, a Recorrente sustenta que, em caso de dúvida na aplicação da multa, esta não seja aplicada em atenção à necessidade de interpretação mais favorável ao contribuinte. X. Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa · Por fim, aduz ser ilegal a cominação de juros sobre a multa, uma vez que a multa não se insere no conceito de tributo. É o relatório. Voto De acordo com o Despacho de fl 1.365, o Contribuinte juntou ao processo Recurso Voluntário em 08/04/2016. A ciência do Acórdão da impugnação se deu em 11/03/2016. Portanto, o presente recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Alega a Recorrente que muito embora o ágio tenha sido amortizado a partir da incorporação da GRAPPA em 09/2009, o fato contábilsocietário, que deu origem ao referido ágio, ocorreu no anobase de 2008. Assim, os Srs. Auditores Fiscais, referendados pela decisão da DRJ, não poderiam questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio após o decurso de 05 anos, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 2008 e a ciência dos autos de infração originários do presente processo administrativo (15/12/2014). No entanto, a referida preliminar não merece provimento. Isto porque, para a constituição de créditos de IRPJ e CSLL, o Código Tributário Nacional prevê a modalidade de lançamento por homologação, no qual a atividade administrativa limitarseá a verificação da atividade do contribuinte, ou seja, compor a base de cálculo, aplicar a alíquota e efetuar o pagamento. Desta feita, concluise que a homologação procedida pelo Fisco denotase pela apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, e não pela verificação do ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. Logo, o prazo decadencial correrá em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.281 20 origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É, exatamente, para ter esse controle que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 estabelece que: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Assim, a jurisprudência, a meu ver pacífica do CARF, converge no sentido de que “se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examinálos. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN.” (Acórdão: 9101002.387, Número do Processo: 10970.720271/201211, Data de Publicação: 14/09/2016, Contribuinte: METALSIDER LTDA, Relator(a): LUIS FLAVIO NETO) Para reforçar o entendimento esposado, transcrevese trecho do Acórdão nº 1302001.817, de relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa, para quem a “a homologação tácita prevista no art. 150, §4º do CTN recai sobre a atividade de apuração do crédito tributário pelo sujeito passivo, em regra revelada ao Fisco por meio do pagamento ou da confissão da dívida. O registro contábil do ágio não afeta o resultado tributável antes de sua amortização fiscal, e assim não integra a atividade de apuração do crédito tributário. Logo, somente se cogitará de revisão da atividade de lançamento a partir do momento em que esta for praticada, ou seja, a partir do momento em que a amortização do ágio afetar a determinação do crédito tributário.” Em face do exposto, tendo em conta que o ágio apurado em 2008 só foi amortizado em 2009, quando fez valerse de sua condição de direito creditório, alterando a base de cálculo dos tributos e, assim, sendo passível de glosa pelo Fisco, entendo adequada a formalização da exigência em tela. Por conseguinte, REJEITO a preliminar de decadência arguida. DO MÉRITO É importante termos em conta que o ágio discutido neste processo é legítimo conforme referenda a própria decisão recorrida. Vejamos: “Entendo estarmos diante de um caso legítimo de ágio, entre empresas sem ligação societária entre elas e mesmo que tivesse (não considerando aqui a recente alteração na legislação sobre o assunto, uma vez que não Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.282 21 afetaria minha conclusão, para estes fatos geradores do lançamento), tal situação não interferiria na solução do litígio. (...) Houve uma aquisição de investimento (participação societária) com dispêndio de recursos das controladoras de GRAPPA, tudo comprovado, onde o custo de aquisição foi superior ao valor patrimonial das ações da investida, a Raia S/A, daí o surgimento do ágio, legítimo, ao meu sentir.” (grifos originais) Desta feita, não há contestação quanto à legitimidade do ágio formado nas operações societárias em análise. A essência da autuação, então, repousa na utilização da suposta empresaveículo GRAPPA que, além de ter operado em um curto espaço de tempo, não possuía qualquer substrato societário, segundo a fiscalização, sendo seu único propósito o de conduzir ilicitamente o ágio. Vejamos trecho do Acórdão de Impugnação: “A minha concordância ao lançamento tributário (glosa de despesa e/ou exclusão indevida com amortização de ágio) repousa nas seguintes fundamentações apontadas pela autoridade autuante: 37. A criação, intercalação, e incorporação de GRAPPA foram, do ponto de vista negocial, fases totalmente desnecessárias para PRAGMA e GAVEA adquirirem participações em RAIA. Por isso, o fiscalizado foi incapaz de apontar de forma específica quais teriam sido as razões não tributárias que levaram as partes a seguir um caminho mais longo para a realização do negócio. 38. Esses fatos denotam que a intercalação da GRAPPA foi arquitetada, desde o início, com o propósito exclusivo de permitir a sua posterior incorporação pela fiscalizada para o aproveitamento fiscal do ágio. Note se que a única “intervenção” de GRAPPA foi apenas servir de passagem dos investimentos de PRAGMA e GÁVEA em RAIA. 39. O emprego da GRAPPA foi claramente um caminho mais longo, seguramente mais oneroso e, portanto, injustificável, do ponto de vista não tributário. Claramente, a inclusão da GRAPPA no negócio não possui qualquer substrato societário. Seu propósito foi o de possibilitar a sua incorporação para, ilicitamente, promover a amortização do ágio na aquisição. 40. A GRAPPA foi uma empresa de duração efêmera, que se caracterizou como uma empresaveículo, ou seja, aquela que se intercala entre o real adquirente (no caso, PRAGMA e GAVEA) e a adquirida (especificamente, RAIA) com o único propósito de conduzir, ilicitamente, o ágio.” Desta forma, o Acórdão recorrido referendou o lançamento tributário procedido pela Autoridade Fiscal sustentando, como visto, que a constituição da empresa GRAPPA, tinha a única finalidade de servir de canal de passagem do ágio anteriormente apurado, pois, a evidência de sua efêmera duração, da inexistência de atividades operacionais, além de ser um caminho mais longo e oneroso para realização da operação Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.283 22 societária, não haveria outro motivo, que não o tributário, a motivar a constituição da mesma. Como visto, a autuação baseiase na necessidade de existência de propósito negocial para realização de operações societárias. Aqui, a controvérsia se desdobra na possibilidade das Autoridades Administrativas, quando da análise das operações de reestruturação societária que originaram o ágio e/ou de sua transferência – mais especificamente na criação de empresaveículo em conformidade com a lei – possam entrar na motivação do contribuinte para proceder de tal forma. Assim, as Autoridades verificariam se as mesmas estariam providas de algum propósito negocial, podendo, conforme o caso, desconstituílas, requalificálas, glosar possíveis amortizações de ágio, etc. Pois bem, a despeito da clara insegurança jurídica que a análise da motivação dos contribuintes em situações como a descrita acima, ou seja, apesar do contrassenso que seria permitir aos julgadores deste Conselho que averiguassem o intuito daqueles que agiram em conformidade com a lei tributária, o assunto merece uma análise mais detida. Em sua marcante tese de doutoramento (“Teoria da Imposição Tributária”, Ed. Saraiva, 1983) Ives Gandra da Silva Martins, apresentou pela primeira vez, à luz do direito tributário moderno, que o tributo correspondia a uma norma de rejeição social. Na sua brilhante obra, argumentou que a norma tributária não goza da mesma aceitação que normas como a do direito à vida. Neste sentido, chegou à conclusão de que, quanto à norma tributária, tratavase de norma de restrição de direitos em favor da sobrevivência do Estado, retirando da sociedade parcela daquilo que produz, objetivando o preenchimento das finalidades públicas. A norma de rejeição social implica sempre restrição de direitos. No mesmo sentido, a norma tributária implica restrição do direito à propriedade, aos rendimentos e ganhos do trabalho e capital e proventos de qualquer natureza, razão pela qual os princípios pertinentes à norma de rejeição social são igualmente aplicáveis à norma tributária. Na vanguarda de tais princípios, estão aqueles que compõem o primado da legalidade, estes: o princípio da estrita legalidade (apenas o que estiver plenamente desenhado na lei obriga), da tipicidade fechada (impõe que o legislador preveja, na maior medida do possível, os aspectos necessários à constituição do fato gerador) e o princípio da reserva da lei (vincula a imposição tributária à reserva de lei formal, entendida como aquela elaborada com participação precípua da representação popular). Para o debate em tela, me reservo à análise do princípio da estrita legalidade que, em outras palavras, decorre do caráter de restrição imputados tanto à Administração quanto ao Administrado. Sobre o referido princípio Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 35ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 41.) expressa: “A legalidade, como princípio de administração (CF, art. 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. A eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da Lei n. 9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.284 23 conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos.” Como exposto, o princípio da estrita legalidade aplicado à Administração, compreende a ideia de subordinação da Administração Pública às leis, sendo que esta somente poderá fazer aquilo determinado em lei, e não aquilo que a lei expressamente proibir. Estando, o ato administrativo, estritamente aprisionado aos quadrantes da lei, não cabe à Administração adentrar na motivação do particular em proceder conforme os ditames legais. A alegação de “inexistência de propósito negocial” advém de construção jurisprudencial estrangeira que não encontra validade no nosso Ordenamento Jurídico, justamente por conflitar com uma gama de princípios, como o da Legalidade Tributária, descrito acima, além de outros princípios como a livre de iniciativa, estes últimos provenientes da Ordem Econômica. Neste sentido, colaciono as seguintes ementas provindas de Acórdãos deste Conselho: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. Bem como, notase que tal regra não está presente em nenhum outro dispositivo legal de nosso sistema jurídico, seja nacional ou federal. Neste tom, registrase, nenhuma norma pátria veda que a realização de negócios tenha por finalidade a redução da carga tributária de forma lícita. É o que se observa no §3º, art. 2 o da Lei das SA, o qual dispõe que a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades (empresa veículo), também, como forma de beneficiarse de incentivos fiscais. Somese a tal assertiva o fato de que a contribuinte possuía motivação negocial, clara, posto que encontravase impedida, por regras da ANEEL, de realizar a incorporação diretamente. Motivo pelo qual se valeu de uma empresa veículo. (Acórdão nº 1302001.978; Relatora: Talita Pimenta Felix; Data da Sessão: 14/09/2016) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.285 24 A utilização de empresaveículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. (Acórdão nº 1201001.507; Relator: Luis Fabiano Alves Penteado; Data da Sessão: 14/09/2016). As ementas acima são contundentes ao afirmarem que a existência de propósito negocial seria apenas um “plus” para demonstrar a validade e lisura das operações societárias; não havendo fundamento para a referida exigência no âmbito da legalidade, nem cabendo à Administração realizar exigências diversas das previstas em lei. Neste ponto, é importante pontuar que a lei tributária assume seu atributo de imperatividade quando constatada a ocorrência do fato jurídico tributário, não tolerando outra conduta do sujeito passivo que não o adimplemento da obrigação tributária, sob pena de sanção punitiva. Contudo, a imperatividade da lei tributária reside, justamente, no consequente de sua norma, ou seja, na obrigação do sujeito passivo em recolher um valor exprimível em moeda ao sujeito ativo da prestação. Esta obrigação decorre da verificação de um fato ocorrido em determinada local e tempo, e constituída por meio do lançamento tributário. Assim, se o atributo imperativo da lei tributária está em seu consequente, conclui se que somente haverá fraude à referida lei, se seu comando (recolher tributo) for frustrado por quem incorra no fato jurídico tributário. Não existe, contudo, qualquer comando imperativo no antecedente da norma tributária obrigando o particular a incorrer no fato jurígeno tributário, sendo ele livre para organizarse da forma que, licitamente, lhe oferte menor oneração. Por outro lado, é importante ressaltar que mesmo os atos procedidos pelo contribuinte em plena atenção às disposições legais podem ser desconsiderados uma vez constatada a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, isto é, quando se comprove que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. Porém, na própria decisão recorrida reconheceuse a inexistência de conduta dolosa que impedisse, ou retardasse as características da obrigação tributária, (conforme fl. 29 do Acórdão de Impugnação), à seguir transcrito: “Não consegui identificar a subsunção dos atos praticados pelos envolvidos no processo, caracterizadores do tipo previsto nas hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n. 4.502/1964. No que se refere à ocorrência do fato gerador, não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento.” Como se infere da decisão de primeira instância, as atividades foram praticadas em conformidade com a lei, não apresentando quaisquer embaraços à consecução Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 16561.720167/201489 Acórdão n.º 1302002.045 S1C3T2 Fl. 2.286 25 da obrigação tributária. Outrossim, para que o ato praticado em conformidade com a lei seja considerado simulado, importa que o mesmo seja abusivo. Ocorre que, o ato cujo efeito é consoante o ordenamento, não pode ser considerado como abusivo. O legislador tributário, não desconsidera o fato de o contribuinte buscar uma maneira menos onerosa de conduzir seus negócios, seja por motivos tributários, societários, econômicos ou quaisquer outros. A liberdade de iniciativa e autoorganização de que dispõe a iniciativa privada é uma garantia constitucionalmente assegurada que, como tal, não deve sofrer restrições. Assim, se o legislador emite norma que permite que o investimento faça frente à rentabilidade que lhe deu fundamento, possibilitando sua dedução da base de cálculo de impostos como o IRPJ e da CSLL, a não tributação não pode ser considerada resultado abusivo. Por isso, discordo da afirmação ínsita na decisão recorrida, quando afirma que “...o direito de autoorganização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, devendo ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual supressão de tributos seja oponível ao Fisco.” (fl. 25 do Acórdão de Impugnação) À vista do exposto, tendo os atos sido procedidos em conformidade com a lei; não havendo fraude, dolo ou simulação na execução dos mesmos, e não sendo dada a análise quanto à existência, ou não, de propósito negocial, considero indevida a glosa procedida, bem como a qualificação da multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário, cancelando a autuação procedida e pelos mesmos fundamentos, NEGO provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 2286DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.907801/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. No caso, constatou-se que o crédito havia sido utilizado em outro PER/DCOMP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. No caso, constatou-se que o crédito havia sido utilizado em outro PER/DCOMP. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. No caso, constatouse que o crédito havia sido utilizado em outro PER/DCOMP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 78 01 /2 01 1- 10 Fl. 244DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) no Acórdão nº 1443.849, de 20/08/2013, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração Julho de 2000, no valor de R$ 52,84. O Pedido de Restituição, de autoria do contribuinte Green Veículos Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 68.947.738/000102, foi transmitido em 07/06/2005, através do PER nº 17059.81300.070605.1.2.043570, fls. 2/4. Em 30/07/2005, o contribuinte foi incorporado pela empresa Pará Automóveis Ltda., CNPJ nº 74.386.137/000162. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência da empresa incorporadora, o que ocorreu em 21/12/2011, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10850.907801/201110 Acórdão n.º 3403003.998 S3C4T3 Fl. 245 3 II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos constantes à fl. 8, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa incorporada, Green Veículos (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Fl. 246DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/07/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/09/2013, a Recorrente foi intimada da decisão (fl. 60). Inconformada, em 16/10/2013, se socorre a este Conselho, reproduzindo em seu Recurso Voluntário (fls. 62/82), na essência, as mesmas razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando mais documentação comprobatória. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/03/2014, os membros da extinta 1ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.703, nos seguintes termos (fls. 127/133): "(...) Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para a Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento". Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10850.907801/201110 Acórdão n.º 3403003.998 S3C4T3 Fl. 246 5 Os autos, então, foram encaminhados à DRF em São José do Rio Preto (SP), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 147/149. Concluído os trabalhos, a Recorrente foi intimado para ciência de Resolução CARF neste processo, bem como da Informação Fiscal dela decorrente elaborada pelo Fisco (fls. 154/155). Decorrido o prazo constante na intimação, não consta dos autos manifestação do interessado. Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3801 000.703, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. Ressalto que no presente processo deve ser alterada a identificação da Recorrente, passando a constar os dados da pessoa jurídica descrita no cabeçalho deste acórdão, sucessora por incorporação daquela que apresentou o PER. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3801000.703, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 248DF CARF MF 6 Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de COFINS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da COFINS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3801000.703, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem "(...) apure a composição da base de cálculo da COFINS, com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 147/149 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, desta forma concluiu a fiscalização (fl. 148): "(...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado à titulo de COFINS para a competência julho de 2000 foi R$9.534,68, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$9.572,52, pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$37,84. Desta forma, proponho que o direito creditório pleiteado no PER nº 17059.81300.070605.1.2.043570, transmitido em 07/06/2005 (fls. 02/04) seja indeferido, uma vez que o mesmo foi utilizado no PER/DCOMP nº 07488.05592.271108.1.3.045852, controlado através do processo nº 10850.909900/201128. Proponho também que cópia desta informação fiscal seja anexada ao processo nº 10850.909900/201128". Após a conclusão da diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado, e protocolou sua manifestação, concluindo nos seguintes termos (fl. 171): "(...) Diante da diligência acima, verificase que a fiscalização reconheceu parcialmente o direito ao crédito requerido no PER n. 17059.81300.070605.1.2.043570, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.907801/201110 Acórdão n.º 3403003.998 S3C4T3 Fl. 247 7 tendo em vista a diferença entre o valor pleiteado e valor apurado, indeferindo o crédito tão somente em razão de sua utilização em outro processo. Em conformidade ao entendimento da fiscalização, a ora Requerente requer seja expedido ofício ao processo administrativo n. 10850.909900/201128 contendo a cópia |desta informação fiscal que reconhece parte do crédito pleiteado". Como se vê, após Intimação (fls. 136), a Recorrente apresentou os Livros Diário e Razão do mês de julho de 2000, que verificados pelo Fisco, conforme Balancete e Contas do Razão (fls. 140/146), bem como da DIPJ referente ao anocalendário 2000 (Ficha 20A – Cálculo da COFINS), apurouse, através do demonstrativo de fl. 148, o valor da base de cálculo e da contribuição da COFINS referente ao mês de julho de 2000. Conforme demonstrado na planilha, o valor apurado à titulo de COFINS para a competência julho de 2000 foi R$ 9.534,68, enquanto que o valor recolhido, considerando os dois pagamentos supracitados, foi de R$ 9.572,52, pelo que, restou um recolhimento a maior de R$ 37,84. No entanto, constatouse que o direito creditório pleiteado no PER nº 17059.81300.070605.1.2.043570, transmitido em 07/06/2005 (fls. 02/04) foi utilizado no PER/DCOMP nº 07488.05592.271108.1.3.045852, controlado através do processo nº 10850.909900/201128, portanto deve ser indeferido o pedido. 3. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de dar negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido no Pedido de Restituição (fls. 02/04), nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 250DF CARF MF 8 Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003662/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Embargos. Omissão/contradição.
Identificada a existência de contradição/omissão da decisão embargada quanto à fundamentação que levou ao afastamento da responsabilidade tributária neste caso concreto, tal vício há de ser sanado.
Acórdão que passa a ter validade com o seguinte teor:
"Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO
Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração.
DECADÊNCIA.
Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA.
Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto..
MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Neste caso particular em análise, deverá ser afastada a responsabilização do sócio-gerente da pessoa jurídica contribuinte, tendo em vista a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio, considerando que consta dos autos certidão de óbito do mesmo, com a informação de que o falecido era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome.
Recurso Voluntário Provido em Parte".
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Embargos. Omissão/contradição. Identificada a existência de contradição/omissão da decisão embargada quanto à fundamentação que levou ao afastamento da responsabilidade tributária neste caso concreto, tal vício há de ser sanado. Acórdão que passa a ter validade com o seguinte teor: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração. DECADÊNCIA. Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto.. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Neste caso particular em análise, deverá ser afastada a responsabilização do sócio-gerente da pessoa jurídica contribuinte, tendo em vista a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio, considerando que consta dos autos certidão de óbito do mesmo, com a informação de que o falecido era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. Recurso Voluntário Provido em Parte". Embargos acolhidos.
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COM. DE ALIMENTOS E EXP. EIRELI EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Identificada a existência de contradição/omissão da decisão embargada quanto à fundamentação que levou ao afastamento da responsabilidade tributária neste caso concreto, tal vício há de ser sanado. Acórdão que passa a ter validade com o seguinte teor: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração. DECADÊNCIA. Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 62 /2 01 0- 30 Fl. 399DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto.. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Neste caso particular em análise, deverá ser afastada a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte, tendo em vista a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio, considerando que consta dos autos certidão de óbito do mesmo, com a informação de que o falecido era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. Recurso Voluntário Provido em Parte". Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301003.198 S3C3T1 Fl. 400 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 29/11/2010 em face da empresa BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. (denominação social da empresa à época), por meio do qual foi lançada de ofício a cobrança da diferença apurada de IPI entre o valor escriturado nos livros RAIPI do sujeito passivo e o valor declarado em DCTF (período de 10/01/2005 a 31/12/2005), no valor total de R$ 23.154.634,66 (vinte e três milhões, cento e cinquenta e quatro mil, seiscentos e trinta e quatro reais e sessenta e seis centavos). O fiscal autuante enquadrou a hipótese nos arts. 24, inc. II, 34, inc. II, 122, 123, 127, 139, 200, inc. IV, 202, inc. II e 204 do Decreto nº 4.544/02. Foi aplicada ainda multa de 150%, com fundamento no art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, tendo constado do Relatório do Trabalho Fiscal que estaria caracterizado, em tese, o dolo do agente (Sr. Isaac Vianna) e a consequente sonegação. Ao Sr. Isaac Vianna foi dada ciência da lavratura do auto de infração, na qualidade de responsável solidário. Em 30/12/2010, foram apresentadas impugnações administrativas em nome de ambos os sujeitos passivos solidários (BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. e ISAAC VIANNA). Ato contínuo, em sessão realizada em 29 de abril de 2011, os membros da 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora (MG) entenderam por julgar a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO. Deve ser exigido, de ofício, o IPI apurado pela própria contribuinte e que não foi declarado nem recolhido, cabendo à autuada comprovar, e não apenas alegar, que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, notadamente quanto a créditos do imposto que, supostamente, não teriam sido considerados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. DECADÊNCIA. Fl. 401DF CARF MF 4 Na ausência de qualquer antecipação de pagamento do imposto, o prazo decadencial aplicável é o art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. A infração à legislação tributária enquadrada na definição legal de sonegação impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade ou à ilegalidade de multa de ofício e juros exigidas com amparo em lei vigente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Cabível a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte quanto aos atos praticados com infração à lei. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada quanto ao teor da referida decisão em 13/03/2012, a BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou em 22/03/2012, tempestivamente, recurso voluntário, por meio do qual pleiteou o cancelamento das exigências objeto deste processo administrativo, alegando, resumidamente, que: (1) teria havido cerceamento do seu direito de defesa parte dos livros teriam ficado retidos e apenas teriam sido apresentados à empresa em 15/12/2010, quando já havia decorrido metade do prazo para impugnação; (2) os valores lançados no livro de registro de apuração do IPI não poderiam ser considerados para fins de apuração da base de cálculo do imposto, visto que o livro não atende aos requisitos formais impostos pela legislação, uma vez que não possui assinatura do contador responsável, bem como em razão da discrepância entre o valor do imposto debitado lançado no livro e o valor dos créditos a que o contribuinte tem direito diversos documentos da recorrente teriam sido roubados, o que suscitou a lavratura do Registro de Ocorrências nº 016/05400/2005, tendo o livro em questão sido preenchido para atender exigência formulada verbalmente pelo agente fiscal, que teria ameaçado impor à recorrente "multa impagável"; (3) a sistemática de tributação adotada pelo fiscal fora equivocada, uma vez que a base imponível deveria ter sido apurada pelo arbitramento do resultado, tal como prevê o art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda; (4) o crédito tributário relativo ao período de janeiro a novembro de 2005 teria sido fulminado pelo instituto da decadência, uma vez que seria aplicável ao caso vertente a regra disposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; (5) não se justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%, seja porque o dolo não se presume e não haveria nos autos qualquer espécie de Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301003.198 S3C3T1 Fl. 401 5 comprovação de intuito doloso da contribuinte, seja porque a aplicação de penalidade em tal percentual violaria o princípio constitucional do não confisco; (6) seria inaplicável a taxa Selic, face ao seu caráter "remuneratório" e não "moratório"; (7) não teria sido demonstrado pelo fiscal autuante o ilícito praticado pelo sócio administrador Isaac Vianna, apto a justificar a responsabilização com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Na sessão de julgamento realizada em 14/10/2014, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que fossem adotadas as medidas necessárias para que o responsável tributário, Sr. Isaac Vianna, também fosse intimado quanto ao teor da decisão da DRJ, para que pudesse interpor recurso voluntário, caso tivesse interesse. Em atendimento à tal determinação, foi constatado que o Sr. Issac Vianna havia falecido em 25/11/2011, conforme atesta a certidão de óbito constante de fls. 354 destes autos, que informa que o mesmo era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do Recurso Voluntário interposto em nome da BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA., tendo sido proferido o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração. DECADÊNCIA. Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. Fl. 403DF CARF MF 6 Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto.. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Deverá ser afastada a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte no presente caso, em razão do seu falecimento durante o trâmite do processo administrativo (recurso repetitivo do STJ AGARESP 201300992802). Recurso Voluntário Provido em Parte. Face à tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs embargos declaratórios através dos quais alegou que haveria contradição no julgado, já que o aresto emanado pelo STJ e que foi utilizado como paradigma para o provimento parcial do recurso trataria de caso diverso do analisado nesta contenda. Apontou ainda suposta omissão do julgado, uma vez que a responsabilidade teria sido afastada com fundamento tão somente no falecimento do sócio gerente, sem que tratasse expressamente sobre a ausência de herdeiros ou bens a partilhar. Verificada a tempestividade dos embargos opostos, estes foram admitidos e encaminhados a esta Relatora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301003.198 S3C3T1 Fl. 402 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Consoante acima narrado, a Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios com supedâneo em dois fundamentos: (i) contradição, já que o aresto emanado pelo STJ e que foi utilizado como paradigma para o provimento parcial do recurso trataria de caso diverso do analisado nesta contenda; (ii) omissão, uma vez que a responsabilidade teria sido afastada com fundamento tão somente no falecimento do sóciogerente, sem que tratasse expressamente sobre a ausência de herdeiros ou bens a partilhar. Para que melhor se compreenda o cerne dos embargos declaratórios opostos, transcrevese a seguir passagem da decisão recorrida que tratou sobre este tema específico (afastamento da responsabilização do sóciogerente em razão do seu falecimento): VII. DA RESPONSABILIDADE DO SÓCIO/ADMINISTRADOR. Por derradeiro, alega o contribuinte em seu recurso administrativo que não teria sido demonstrado pelo fiscal autuante o ilícito praticado pelo sócio administrador Isaac Vianna, apto a justificar a responsabilidade tributária deste com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Quanto a este último argumento, importante mencionar que, após diligência solicitada nos presentes autos, no sentido de determinar a intimação pessoal do Sr. Isaac Vianna quanto ao teor da decisão de primeira instância administrativa, restou constatado que o mesmo falecera em 25/11/2011, conforme atesta a certidão de óbito constante de fls. 354 destes autos, a qual registra que o mesmo era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. Como é cediço, a jurisprudência pátria não admite a substituição tributária do responsável tributário quando este falece antes da inscrição em dívida ativa, face à nulidade da CDA, visto que ainda não houve a constituição definitiva do crédito tributário. É o que se extrai da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, em matéria submetida ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. CDA EXPEDIDA CONTRA PESSOA FALECIDA ANTERIORMENTE À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NULIDADE. REDIRECIONAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 392/STJ. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. OBRIGAÇÃO DOS SUCESSORES DE INFORMAR SOBRE O ÓBITO DO PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL E DE REGISTRAR A PARTILHA. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. O redirecionamento contra o espólio só é admitido quando o falecimento do contribuinte ocorrer depois de ele ter sido devidamente citado nos autos da execução fiscal, o que não é o caso dos autos, já que o devedor apontado pela Fazenda municipal faleceu antes mesmo da Fl. 405DF CARF MF 8 constituição do crédito tributário. Precedentes: REsp 1.222.561/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/05/2011; AgRg no REsp 1.218.068/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 08/04/2011; REsp 1.073.494/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/09/2010. 2. Não se pode fazer mera emenda do título executivo, a teor da Súmula 392/STJ, que dita: "A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução". Matéria já analisada inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.045.472/BA, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009). 3. O argumento sobre a obrigação dos sucessores de informar o Fisco acerca do falecimento do proprietário do imóvel, bem como de registrar a partilha, configura indevida inovação recursal, porquanto trazido a lume somente nas razões do presente recurso. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. ..EMEN: (AGARESP 201300992802, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:10/09/2013 ..DTPB:.) Sendo assim, diante deste fato novo e superveniente, que inviabiliza o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa para fins de constituição definitiva do crédito tributário em baila, bem como torna inócua qualquer manifestação sobre o tema, e com fundamento em decisão proferida pelo C. STJ em recurso repetitivo, afasto a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna. Inicialmente, aponta a Fazenda Nacional que haveria contradição no julgado acima, pois o aresto emanado do STJ e que foi utilizado como paradigma para o provimento parcial do recurso atesta que no caso de execução fiscal, o redirecionamento somente seria possível quando o falecimento ocorre após a citação, pois nesse caso o espólio assumiria a lide, como de praxe. Ou seja, no caso analisado pelo STJ, tratavase de CDA expedida contra pessoa falecida antes da constituição do crédito, ocasião na qual não se permitiria a emenda do título executivo para alterar o sujeito passivo da execução. Defende, então, que o caso dos presentes autos seria diverso, pois ainda não teria sido emitido o título executivo, dada a ausência de definitividade do lançamento. Em tal caso, portanto, entende que, não tendo sido finalizada a fase de constituição do crédito, seria possível a baixa dos autos em diligência para que se intime o espólio para que exerça o contraditório e a ampla defesa. Ao analisar o tema de forma mais detida, concordo com o entendimento trazido pela Procuradoria em seu recurso. Embora o fundamento constante do AGARESP 201300992802, à primeira vista, pudesse ser extensivo à situação aqui analisada, concordo que não corresponde exatamente ao caso aqui analisado, pois versa sobre a inépcia da petição inicial em execução fiscal. Sendo assim, reconheço que não é o mero falecimento do sóciogerente da empresa que enseja o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna. Ocorre que, no caso ora analisado, consta da certidão de óbito constante de fls. 354 destes autos, a informação de que o falecido era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. Considerando que as informações constantes da certidão em questão gozam de fé pública, e que não há qualquer elemento nos autos que questionem essa informação (a Procuradoria, inclusive, em nenhum momento colocou em dúvida essa informação), há que se reconhecer que, neste caso concreto, não haveria a possibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301003.198 S3C3T1 Fl. 403 9 Entendo, pois, que o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deva ser mantida, não apenas em razão do seu falecimento, como também pela particularidade deste caso concreto, em que foi certificada a inexistência de herdeiros ou informações acerca de bens em seu nome. Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001681/2003-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA.
A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova.
Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social.
DIGITAÇÃO E COBRANÇA . ATIVIDADE PERMITIDA. SIMPLES FEDERAL.
Não há vedação ao ingresso no Simples Federal de atividade de digitação e cobrança.
NULIDADE SUPERADA. MODIFICAÇÃO DE FUNDAMENTO PELA DRJ. ARTIGO 59, §3º, DO DECRETO 70.235/1972
Não se pronuncia nulidade de decisão da DRJ, quando é proferida decisão de mérito favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972
Numero da decisão: 9101-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA. A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova. Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social. DIGITAÇÃO E COBRANÇA . ATIVIDADE PERMITIDA. SIMPLES FEDERAL. Não há vedação ao ingresso no Simples Federal de atividade de digitação e cobrança. NULIDADE SUPERADA. MODIFICAÇÃO DE FUNDAMENTO PELA DRJ. ARTIGO 59, §3º, DO DECRETO 70.235/1972 Não se pronuncia nulidade de decisão da DRJ, quando é proferida decisão de mérito favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 579 1 578 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.001681/200350 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.578 – 1ª Turma Sessão de 13 de março de 2017 Matéria SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA DE SERVICOS DM LTDA ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 ATIVIDADE VEDADA. SIMPLES FEDERAL. CONTRATO SOCIAL. INDÍCIO. NOTAS FISCAIS. PROVA. A mera descrição de atividade vedada no contrato social é insuficiente para a exclusão do Simples, sendo necessária a demonstração do efetivo exercício desta atividade por outros meios de prova. Além disso, a prova pela contribuinte do não exercício de atividade vedada, com a apresentação de notas fiscais sequenciais, infirma a descrição genérica de atividade vedada no contrato social. DIGITAÇÃO E COBRANÇA . ATIVIDADE PERMITIDA. SIMPLES FEDERAL. Não há vedação ao ingresso no Simples Federal de atividade de digitação e cobrança. NULIDADE SUPERADA. MODIFICAÇÃO DE FUNDAMENTO PELA DRJ. ARTIGO 59, §3º, DO DECRETO 70.235/1972 Não se pronuncia nulidade de decisão da DRJ, quando é proferida decisão de mérito favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto 70.235/1972 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 16 81 /2 00 3- 50 Fl. 579DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por requerimento de inclusão no Simples apresentado em 30/05/2003, com efeitos retroativos desde a abertura da empresa em 28/03/2001. Este requerimento foi indeferido sob os seguintes fundamentos (fls. 32/33): (...) Por outro lado, em decorrência da execução dos procedimentos de revisão de ofício de inclusão administrativa pelo SIMPLES, com efeitos retroativos, nos termos da Nota Técnica CORAT/CODAC/DIPEJ n° 44, de 12 de maio de 2004, o resultado da análise conjunta das informações disponíveis no âmbito da SRF (fls. 23 a 26), confrontadas com a documentação hábil apresentada pelo interessado, identificase que a empresa não atende as condições exigidas para que seja efetuada a retificação de oficio da opção, tendo em vista que a Pesquisa Prévia Automática — PPA, executada no sistema SIVEX para análise da possibilidade de ingresso no Simples (11.26), demonstra a ocorrência de hipótese de vedação à opção pelo SIMPLES prevista na legislação tributária, decorrente do exercício de atividade econômica vedada: CNAE 82113100 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo. A contribuinte, assim, apresentou Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento de inclusão retroativa no Simples (fls. 40/42), que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, conforme acórdão ementado da forma seguinte (124/126): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 580 3 ARQUIVISTA. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que prestar serviços profissionais de arquivista não pode optar pelo Simples. Solicitação indeferida. Transcrevese trecho do voto condutor, para elucidar o entendimento da Turma a respeito do assunto: A atividade da interessada, conforme está descrito em seu contrato social (fl.39), diz "o objeto da sociedade será o desenvolvimento e manutenção de sistema de arquivos em geral" A profissão de arquivista é regulamentada pela Lei n° 6.546, de 4 de julho de 1978, e pelo Decreto n° 82590, de 06/11/1978. Assim sendo, a atividade de controle e organização de arquivo, por caracterizar a prestação de serviço profissional de arquivista, cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida, impede a pessoa jurídica de optar pelo Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Devese, ainda, assentar o fato de que basta o exercício da prestação dos serviços de arquivista, seja por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo Simples seja vedada. Diante disso, mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não habilitada legalmente, a pessoa jurídica não poderá permanecer na sistemática simplificada. (...) Ademais, quanto ao fato da empresa poder permanecer no Simples apesar de constar atividade vedada em seu contrato social, em razão de não exercêla, somente seria admitida se a contribuinte demonstrasse as atividades que realmente exerce por meio de notas fiscais dos serviços prestados. Nesse sentido, por se tratar de inclusão, a atividade exercida necessita estar incontestavelmente comprovada para que a opção pelo Simples possa ser acatada. Dessa forma, não há como favorecer a interessada, tendo em conta que o impedimento inclusão da empresa na sistemática do Simples decorre da descrição de seu objeto social, que deve ser tomada como caracterizadora de sua empresa. Assim, para que a empresa possa ser inclusa no Simples, tomase imprescindível que novos elementos sejam juntados aos autos (notas fiscais) para que seja possível desconstituir a força impressa no seu ato constitutivo. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 135/140), alegando que não teve atividade operacional em 2001, entregando Declaração de Inatividade e que no ano seguinte (2002) passou a prestar serviços de digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobrança de faturas exclusivamente à Empresa Brasileira de Locação de Equipamentos Ltda. Sustenta que não exerce efetivamente atividade de arquivista, embora conste a atividade em seu objeto social (manutenção de sistemas de arquivos). Alega, ainda, Fl. 581DF CARF MF 4 que apresentou declarações de IRPJ na forma do Simples e efetuou todos os pagamentos nessa sistemática, sendo inequívoca sua intenção de adesão ao Simples Federal. O recurso foi acolhido pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls 539/545), conforme acórdão cuja ementa é a seguir colacionada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL. É permitida a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de digitação e cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte. Destaquese trecho do voto do relator, acolhido à unanimidade pela Turma julgadora: No mérito, a questão litigiosa se restringe à solicitação de inclusão retroativa a partir de 28/03/2001. (...) Os autos estão instruídos com a cópia do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, fls. 159/200 e 203/237, como também com as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, fls. 139/158, nas quais estão discriminados: "serviços prestados". No contrato de Prestação de Serviços, fls. 137/138, em que a Recorrente figura como CONTRATADA, consta: A contratada prestará a contratante serviços de digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobranças de faturas. Analisando a legislação citada e o conjunto probatório produzido nos autos, verificase que não restou evidenciada, de forma inequívoca, que a Recorrente presta serviço profissional de arquivista. A Recorrente efetivamente se dedica a prestação de serviços de digitação e cobrança, cujas atividades são permitidas para o opção pelo Simples. Logo, a Recorrente deve ser incluída no Simples a partir de a partir de 01/01/2002. Em 01/07/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão, apresentando recurso especial em 06/07/2011, sustentando divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado pelo acórdão paradigma nº 20212341, no qual consta que "ainda que não esteja exercendo, efetivamente, por estarem relacionados no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples". O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 562/565): O conteúdo decisório do Acórdão recorrido é o de que, embora a recorrente tenha como objeto em seu contrato social o exercício da atividade de "desenvolvimento e manutenção de sistemas de arquivos", esta comprovou que de fato se dedica à prestação de Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 581 5 serviços de digitação e cobrança, que se trata de atividade cuja opção é permitida para o Simples e assim a recorrente deve ser incluída no Simples a partir de 01/01/02. De outra parte, o acórdão paradigma traz o entendimento de que a simples previsão no objeto social da pessoa jurídica de atividade vedada, ainda que não a esteja exercendo efetivamente, constitui impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Consta dos autos o aviso de recebimento (AR) datado de 14/12/12, pelo qual, provavelmente, a contribuinte foi intimada a respeito da decisão que conheceu do recurso especial e para apresentar contrarrazões a tal recurso (fls. 577). No entanto, não consta cópia do ofício encaminhado nesta oportunidade, apenas a descrição de objeto: "Acórdão 180100.302 1ª Turma Especial". De toda forma, antes deste AR já constava às fls. 567 outro aviso de recebimento (AR) endereçado à contribuinte e devidamente recebido em 13/12/11, enviado posteriormente à decisão de admissibilidade do recurso especial. Neste aviso de recebimento consta como descrição a natureza do objeto como "despacho 166/2011 3ª Câmara", que identifica o despacho que admitiu o recurso especial nos autos. E, ainda, acostouse aos autos procuração outorgada pela contribuinte (fls. 570) e termo de vista, subscrito pela procuradora Mirna Aparecida de Lima Reis, às fls. 571, em 30/07/2012. Por fim, cumpre relatar que não foram apresentadas contrarrazões ao recurso especial. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo. Passo à análise da divergência indicada neste recurso, para julgar o seu conhecimento. A divergência apontada no recurso especial referese ao ônus da prova para exclusão do Simples, como também na inclusão retroativa, na hipótese de previsão Fl. 583DF CARF MF 6 em contrato social de atividade vedada para ingresso neste Sistema Simplificado de Recolhimento de Tributos. A Fazenda Nacional Recorrente aponta como acórdão paradigma o de nº 20212341, no qual consta que "ainda que não esteja exercendo, efetivamente, por estarem relacionados no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples". De outro lado, constou do acórdão recorrido que a atividade vedada é descrita no contrato social, mas que "verificase que não restou evidenciada, de forma inequívoca, que a Recorrente presta serviço profissional de arquivista". Portanto, como apontado na decisão que conheceu do recurso especial, há divergência na interpretação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma a respeito da admissibilidade de ingresso no Simples Federal com fundamento em atividade descrita no contrato social. Não obstante isso, ressalto que o acórdão recorrido foi além deste fundamento, tratando da prova nos autos do exercício de atividade que no entendimento dos julgadores da Turma de origem não se subsumiria ao artigo 9º, XIII. A despeito da existência de outro fundamento relevante no acórdão recorrido, conheço do recurso especial, pois entendo que esta Turma da Câmara Superior deve enfrentar a interpretação do artigo 9º, XIII, para decidir se a atividade desenvolvida pela Recorrente amoldase ao citado inciso XIII, para fins de exclusão do Simples, para, depois disso, então interpretar da lei tributária sobre a forma de prova admitida neste caso. Passo à análise do seu mérito. A exclusão do Simples Federal no caso dos autos teve fundamento no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, que prevê: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Consta do acórdão recorrido a descrição das atividades da contribuinte conforme seu contrato social: No Contrato Social, fls. 12/16, está consignado o seguinte objeto: Desenvolvimento e manutenção de sistemas em arquivos em geral. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 582 7 A Turma a quo ainda analisou outros documentos apresentados pela contribuinte: No mérito, a questão litigiosa se restringe à solicitação de inclusão retroativa a partir de 28/03/2001. (...) Os autos estão instruídos com a cópia do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, fls. 159/200 e 203/237, como também com as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, fls. 139/158, nas quais estão discriminados: "serviços prestados". No contrato de Prestação de Serviços, fls. 137/138, em que a Recorrente figura como CONTRATADA, consta: A contratada prestará a contratante serviços de digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobranças de faturas. Analisando a legislação citada e o conjunto probatório produzido nos autos, verificase que não restou evidenciada, de forma inequívoca, que a Recorrente presta serviço profissional de arquivista. A Recorrente efetivamente se dedica a prestação de serviços de digitação e cobrança, cujas atividades são permitidas para o opção pelo Simples. Logo, a Recorrente deve ser incluída no Simples a partir de a partir de 01/01/2002. Pondero que neste contrato de prestação de serviços (fls. 146146/) está identificada a contratante com o CNPJ 02.624.191/000198, que consta como tomador de serviços em todas as notas fiscais sequenciais que forma apresentadas nos autos, além de constar em grande parte dos meses em Livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, dos anos de 2002 a 2007 (a partir de fls. 169). Assim como a Turma de origem, entendo que tais documentos fazem prova da atividade efetivamente desenvolvida pela Recorrida: digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobranças de faturas. Nesse panorama, fazse necessária a análise da diferença, se existente, entre a atividade de arquivista (identificada no contrato social da Recorrida e negativa de inclusão retroativa no Simples Federal) e a atividade de digitação. Caso distintas as atividades, restará analisar se a descrição da atividade de arquivista em contrato social, sem o efetivo exercício desta atividade, seria suficiente para a exclusão do Simples. Passamos à distinção entre as atividades de arquivista e digitação. A atividade descrita no contrato social da contribuinte (digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobranças de faturas) amoldase ao código de atividade 82199/99, segundo o IBGE, que encontrase na seguinte hierarquia (http://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao=9.1.0& subclasse=8219999&chave=digita%C3%A7%C3%A3o): Fl. 585DF CARF MF 8 Seção N Atividades Administrativas e Serviços Complementares Divisão 82 Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo e outros Serviços prestados principalmente às empresas Grupo 821 Serviço de Escritório e Apoio Administrativo Classe 82199 Fotocópias, preparação de documentos e outros serviços especializados de apoio Subclasse 8219 9/99 Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo não especificados anteriormente O IBGE define a atividade (Subclasse 82199/99) em notas explicativas: Notas Explicativas: Esta subclasse compreende o serviço de preparo de documentos o serviço de digitação de textos o serviço de preenchimento de formulários, colocação de selos e despacho de correspondência, inclusive de material de publicidade os serviços de apoio à secretaria a redação de cartas e resumos o serviço de transcrição de documentos Essa subclasse não compreende a impressão de material para uso industrial e comercial (18130/99) o serviço de taquigrafia (grifo nosso) Na lista de atividades que se encontram nesta Subclasse, encontramse as seguintes: Serviço de conferência de textos digitados por terceiros, Serviços de datilografia; Serviços de digitação de faturas, documentos, carnês; Digitação de textos; Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 583 9 Preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo Já a atividade de arquivista está identificada com o código de atividade CNAE 9101500, identificada dentro da seguinte hierarquia segundo o IBGE (http://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao=9.1.0&subclasse=9101500 &chave=arquivo): Hierarquia: Seção R Artes, Cultura, Esporte e Recreação Divisão 91 Atividades Ligadas ao Patrimônio Cultural e Ambiental Grupo 910 Atividades Ligadas ao Patrimônio Cultural e Ambiental Classe 91015 Atividades de Bibliotecas e Arquivos Subclasse 9101 5/00 Atividades de Bibliotecas e Arquivos As notas explicativas desta Subclasse, também verificadas no site do IBGE são as seguintes: Notas Explicativas Esta Subclasse compreende: as atividades de documentação e informação de bibliotecas de todos os tipos, salas de leitura, áudio e projeção, destinadas a servir o público em geral as atividades de catalogação de coleções o empréstimo e armazenamento de livros, mapas, periódicos, revistas, fitas de vídeo, DVDs, obras de arte, etc. as atividades de recuperação de informação as bibliotecas e os serviços de armazenamento de fotos e filmes Esta Subclasse compreende também a gestão de bibliotecas e de arquivos públicos Esta Subclasse não compreende: o aluguel de fitas de vídeo, DVDs, CDs e similares (7722 5/00) Acrescento que a Lei nº 6.549/1978 define Ponderese que a Delegacia da Receita Federal inicialmente indeferiu a inclusão retroativa no Simples por vislumbrar atividade vedada, supostamente incluída na Subclasse 82113100 (Serviços combinados de escritório e apoio administrativo), que Fl. 587DF CARF MF 10 também está em Seção distinta da atividade de "arquivista" da classificação do IBGE. Com efeito, a função de arquivista identificase com a Seção R (Artes, Cultura, Esporte e Recreação) no Grupo 910 (Atividades Ligadas ao Patrimônio Cultural e Ambiental); enquanto as atividades de "serviços combinados de escritório e apoio administrativo" encontramse na Seção N (Atividades Administrativas e Serviços Complementares), Grupo 821 (Serviço de Escritório e Apoio Administrativo) da classificação do IBGE. Esta identificação pela DRF poderia acarretar na nulidade da decisão da DRJ, ao analisar o tema, pois modificou o fundamento da decisão inicial, reconhecendo então a vedação à inclusão retroativa no Simples com fundamento na descrição em contrato social de atividade vedada, distinta da discriminada em despacho decisório inicial. De toda forma, é desnecessária a análise desta nulidade para julgamento do processo. Afinal, nos termos do artigo 59, §3º, do Decreto nº 70.235/1972 "§ 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Pelas razões que seguem, negarei provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por este motivo, superarei a nulidade acima ventilada. A Lei nº 6.546/1978 dispõe sobre a regulamentação das profissões de arquivista, tratando das suas atribuições: Art. 2º São atribuições dos Arquivistas: I planejamento, organização e direção de serviços de Arquivo; II planejamento, orientação e acompanhamento do processo documental e informativo; III planejamento, orientação e direção das atividades de identificação das espécies documentais e participação no planejamento de novos documentos e controle de multicópias; IV planejamento, organização e direção de serviços ou centro de documentação e informação constituídos de acervos arquivísticos e mistos; V planejamento, organização e direção de serviços de microfilmagem aplicada aos arquivos; VI orientação do planejamento da automação aplicada aos arquivos; VII orientação quanto à classificação, arranjo e descrição de documentos; VIII orientação da avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação; IX promoção de medidas necessárias à conservação de documentos; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 584 11 X elaboração de pareceres e trabalhos de complexidade sobre assuntos arquivísticos; XI assessoramento aos trabalhos de pesquisa científica ou técnicoadministrativa; XII desenvolvimento de estudos sobre documentos culturalmente importantes. Notese que dentre as atividades de arquivista não há qualquer menção à mera digitação, o que reforça a distinção entre a atividade desenvolvida pela Recorrida e a atividade de arquivista. O Lei nº 6.546/1978 prevê, ainda, que a o exercício de atividade de arquivista depende de registro na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho, conforme artigo 4º: Art. 4º O exercício das profissões de Arquivista e de Técnico de Arquivo, depende de registro na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho. (Vide Decreto nº 93.480, de 1986) Exatamente por depender deste registro, a atividade de arquivista se subsume à vedação descrita no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, acima reproduzida. Finalmente, a mesma Lei nº 6.546/1978 prevê que o exercício de atividade de arquivista depende de formação especial, não exigida para os digitadores e cobradores: Art. 1º O exercício das profissões de Arquivista e de Técnico de Arquivo, com as atribuições estabelecidas nesta Lei, só será permitido: I aos diplomados no Brasil por curso superior de Arquivologia, reconhecido na forma da lei; Il aos diplomados no exterior por cursos superiores de Arquivologia, cujos diplomas sejam revalidados no Brasil na forma da lei; III aos Técnicos de Arquivo portadores de certificados de conclusão de ensino de 2º grau; IV aos que, embora não habilitados nos termos dos itens anteriores, contem, pelo menos, cinco anos ininterruptos de atividade ou dez intercalados, na data de início da vigência desta Lei, nos campos profissionais da Arquivologia ou da Técnica de Arquivo; V aos portadores de certificado de conclusão de curso de 2º grau que recebam treinamento especifico em técnicas de arquivo em curso ministrado por entidades credenciadas pelo Conselho Federal de MãodeObra, do Ministério do Fl. 589DF CARF MF 12 Trabalho, com carga horária mínima de 1.110 hs. nas disciplinas específicas. Concluo, assim, pela distinção entre a atividade de arquivista, cujo exercício impede a opção pelo Simples Federal, e a atividade de digitação e cobrança, desenvolvida pela Recorrida. Passo à análise da suficiência de descrição de atividade (desenvolvimento e manutenção de sistemas de arquivos") em contrato social para impedimento ao ingresso no Simples, sem que exista prova de que a contribuinte exerça tal atividade. A respeito do objeto social da sociedade, são os ensinamentos de Modesto Carvalhosa: "Para os efeitos de se poder responsabilizar administradores e controladores, devese entender o objeto social como limite da atividade societária. Nesse sentido, o objeto social é o fim para o que a sociedade é constituída. Esse aspecto substancial do objeto societário é o que mais interessa aos acionistas, aos credores, aos concorrentes e à coletividade. Para os efeitos de responsabilidade dos administradores e controladores, o objeto social representa o limite da atividade, não podendo extravasar os precisos termos contidos nos estatutos sociais." (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas: Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, São Paulo, Saraiva, 1997, p. 16) De fato, a descrição de atividade vedada no contrato social é indício do exercício desta atividade, mas não é suficiente à sua prova, cabendo ao auditor fiscal da Receita Federal demonstrar o efetivo exercício desta atividade vedada para exclusão do Simples. Ressalto que o auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal não intimou a contribuinte a apresentar qualquer documento antes da exclusão do Simples, limitandose a analisar o CNAE da contribuinte (fls. 30 e 32 dos autos). Em contrapartida, a contribuinte trouxe aos autos notas fiscais sequenciais (fls. 149/168) e Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviço que demonstram que prestou serviços de "digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobrança de faturas" exclusivamente a um prestador de serviços. Acrescendo, como indicado pelo acórdão recorrido, que há Ato Declaratório COSIT nº 7/2000 que, em caráter normativo, esclarece que "é permitida a opção elo SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de cobranças, desde que essas cobranças sejam extrajudiciais". Nesse panorama, tanto porque a descrição de atividade vedada no contrato social é, isoladamente, insuficiente à prova do exercício desta atividade, na medida em que é mero "fim" pretendido pelo empresário; quanto porque há prova dos autos da atividade de atividade de "digitação, preenchimento de formulários, cadastro de Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10882.001681/200350 Acórdão n.º 9101002.578 CSRFT1 Fl. 585 13 clientes e cobranças de faturas", que infirma a descrição genérica do contrato social de prestação de serviço de "arquivista", voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, confirmando o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003212/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.539
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 32 12 /2 00 9- 69 Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.906, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 9303004.539 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1881DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901045/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.025
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 01 04 5/ 20 12 -4 3 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10480.901045/201243 Resolução nº 3401001.025 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.901. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10480.901045/201243 Resolução nº 3401001.025 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10480.901045/201243 Resolução nº 3401001.025 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.009135/2005-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE.
A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 05/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE. A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte
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BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INDENIZAÇÕES. BENEFICIÁRIAS DA PRÓPRIA OPERADORA. POSSIBILIDADE. A exclusão prevista no inciso III do § 9º do art. 3o da Lei no 9.718/98 inclui os valores pagos a título de indenização dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde relacionados aos eventos ocorridos com beneficiários da própria operadora e com beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Contribuição (i) o valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 91 35 /2 00 5- 03 Fl. 287DF CARF MF 2 referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades; e (ii) a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. Parcialmente vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado, que também excluíam da base de cálculo o valor do custo com pessoal próprio, classificáveis dentro do grupo "eventos indenizáveis líquidos", constante do PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/09), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 209.665,72, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro a dezembro de 2002 (fls. 06/07). A autuação ocorreu em virtude de falta/insuficiência de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 10/15, cuja apuração encontrase discriminada no demonstrativo de fl. 16. A Fiscalização apurou que a empresa deduziu indevidamente da base de cálculo da Cofins e do PIS os valores das despesas pagas aos profissionais e empresas de saúde (consultas, exames, internações, etc.) e não incluiu as receitas financeiras. Foi verificado que a fiscalizada não utilizou exclusões da base de cálculo a titulo de provisões técnicas e que ela não possui obrigações de co responsabilidade, efetuadas contratualmente, com outras operadoras de plano de saúde. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fls. 04/05). Irresignado, tendo sido cientificado em 14/07/2005 (fl. 03), o autuado apresentou, em 10/08/2005, acompanhadas dos documentos de fls. 147/218 e 220/226, as suas razões de defesa (fls. 134/146), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, aduz que o inciso III do §9° do art. 30 da Lei n° 9.718, de 1998, autoriza a dedução dos valores pagos a terceiros (profissionais e instituições de saúde), como indenização aos eventos cobertos pelos planos de saúde, e por isso vem deduzindo da base de cálculo do PIS, desde a edição da MP n° 2.158, de 2001, Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.009135/200503 Acórdão n.º 3302004.120 S3C3T2 Fl. 13 3 os valores desembolsados com a rede própria ou credenciada. Mas, de acordo com a fiscalização, tais valores somente seriam dedutiveis quando decorrentes de transferência de responsabilidade de outras operadoras de plano de saúde. Registra que a inclusão do §9° ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, foi uma conquista da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abrange), do Sindicato Nacional das Empresas de Medicina de Grupo (Sinamge) e do Sindicado Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), como se vê do Oficio encaminhado ao Ministro Pedro Parente, em anexo, cujo pedido foi atendido com o objetivo de dar tratamento isonômico entre as operadoras de plano de saúde e as entidades de seguro, no que diz respeito à possibilidade de deduzir da base de cálculo das contribuições os valores referentes aos sinistros (eventos) ocorridos, efetivamente pagos, conforme a Exposição de Motivos da MP n°2.15834, de 2001, que transcreve. Assim, não havendo ainda regulamentação especifica para as operadoras de planos de saúde, aplicase, por analogia, a regulamentação da exclusão da base de cálculo das seguradoras, por meio do Decreto n° 4.524, de 2002, que deixa bem clara a correta interpretação das deduções relativas às indenizações pagas, ou seja, essas entidades podem deduzir todas as indenizações pagas, depois de subtraídas as importâncias que tenham sido ressarcidas. Como no seu caso não há importâncias recebidas a título de transferências de responsabilidades, não há nada a ser subtraído das indenizações pagas, razão pela qual todo o valor despendido, referente às indenizações líquidas, deve ser deduzido da base de cálculo da Cofins e do PIS. Acrescenta que o "Plano de Contas Padrão", definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que uniformiza as demonstrações contábeis das Operadoras de Planos de Saúde (OPS), reforça o seu entendimento. A Conta 41 (documentos em anexo), do "Plano de Contas", denominada "Eventos Indenizáveis Líquidos" na qual são contabilizadas todas as indenizações efetivamente arcadas pelas operadoras em cobertura aos eventos ocorridos (consultas, exames, hospitalização), e não só as decorrentes de transferência de responsabilidade, subtraídos os valores acaso repassados ou ressarcidos por terceiros, retrata exatamente o descrito no inciso III do §9° do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998. O Plano de Contas aprovado pela ANS determina, inclusive, o lançamento na Conta "Eventos Indenizáveis" dos atendimentos realizados pela rede própria, que também são indenizados pela operadora (Pergunta 50 das "Perguntas e Respostas sobre Plano de Contas" da ANS, em anexo). Assim, também em relação à rede própria ocorre o pagamento de indenização aos médicos, pelos serviços prestados, o que não se confunde com os salários por eles recebidos para atendimento de pessoas que não tenham o plano de saúde da impugnante, que são custos administrativos da operadora. Como a legislação adotou termos técnicos (indenizações, eventos) que vinham sendo utilizados pela ANS, tais termos devem ser interpretados no mesmo sentido utilizado pela Agência, e não no sentido apresentado pela fiscalização. Portanto, não restam dúvidas de que os valores líquidos desembolsados com a rede própria e/ou credenciada podem ser deduzidos da base de cálculo das contribuições. Em seguida, explica que excluiu as receitas financeiras da base de cálculo do PIS não em função de uma norma permitindo sua exclusão, mas em razão da não incidência da contribuição sobre receitas não decorrentes do faturamento (venda de mercadorias e/ou serviços). Isso em função da inconstitucionalidade e da ilegalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, sobre as quais discorre. A esse respeito, transcreve jurisprudência dos Tribunais. Fl. 289DF CARF MF 4 Por fim, requer o cancelamento do feito fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 As exclusões e deduções específicas da receita bruta, legalmente previstas, para fins de determinação da base de cálculo do PIS devida por operadora de plano de assistência à saúde, não implicam que sejam excluídos ou deduzidos os custos relativos aos eventos ocorridos, sem que esses sejam vinculados a associados de outras operadoras. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tratase tão somente de decidir sobre a possibilidade de exclusão da base de cálculo das indenizações efetivamente pagas correspondentes aos eventos ocorridos em relação aos beneficiários da própria operadora e sobre a incidência ou não da Contribuição sobre as receitas financeiras. A primeira questão, embora antes causasse grande polêmica, encontrase hoje pacificada pela Lei 12.873/13, como a seguir se lê. Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida Ou seja, não resta mais qualquer dúvida de que a legislação autoriza a exclusão da base de cálculo das contribuições, do valor correspondente às indenizações efetivamente pagas também quando vinculadas aos beneficiários da própria operadora. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.009135/200503 Acórdão n.º 3302004.120 S3C3T2 Fl. 14 5 Ainda a esse respeito, imperioso destacar que apenas os eventos ocorridos e efetivamente pagos ou, nos termos da Lei, indenizados, são dedutíveis da base cálculo da Contribuição, excluindose deste total, por conseguinte, os eventos prestados diretamente pela rede própria da Operadora do Plano de Saúde. Para maior clareza a respeito do assunto, transcrevo a seguir excerto extraído de artigo1 de autoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que destaca de forma precisa e didática quais custos não podem ser deduzidos da base imponível. Da leitura do texto destacado do voto, é possível concluir que a Relatora utilizou o conceito de rede própria estrito que, de fato, também é o conceito utilizado no Plano de Contas Padrão da ANS, o que se infere do teor das subcontas que integram o desdobramento das contas de Provisão de Eventos a Liquidar, a seguir transcritas, in verbis: 21111902 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para o SUS 211119021 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para o SUS 21111903 Provisão de Eventos/Sinistros a Liquidar para Outros Prestadores de Serviços Assistenciais 211119031 Rede Contratada/Credenciada 211119032 Cooperados 211119033 Intercâmbio Eventual 211119034 Reembolso 211119035 Rede Própria As subcontas “211119032 Cooperados” e “211119035 Rede Própria”, inequivocamente, referemse aos eventos prestados por cooperados da própria OPS e por entidades ou empresas controladas ou controladoras, haja vista que não há o menor sentido no registro de um evento a pagar da própria OPS, que seria, simultaneamente, credora e devedora. Neste caso, certamente, o serviço é prestado de forma indireta, por intermédio de cooperado e empresa controlada ou controladora, e está sujeito a pagamento da indenização pelo correspondente serviço assistencial prestado aos beneficiários. Confirma o asseverado o fato de todos os custos e despesas com os eventos prestados, diretamente, pela rede hospitalar própria ou por profissional assalariado da OPS, inclusive de filial que opere com o mesmo CNPJ, serem apropriados, mensalmente, mediante critério de rateio25, e registrados a débito da conta transitória de Despesa “7111APURAÇÃO DE CUSTOS COM EVENTOS POR MEIO PRÓPRIO”. Assim, como tais valores não são registrados nem integram a conta Provisão de Eventos a Liquidar, consequentemente, em hipótese alguma, haverá o efetivo pagamento (“indenização”) exigido pelo comando legal em comento. 1 BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS DAS OPERADORAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE À LUZ DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF José Fernandes do Nascimento* Fl. 291DF CARF MF 6 Decidido isso, que se diga que, também no que se refere às receitas financeiras, assiste razão à Recorrente. Com efeito, é de amplo conhecimento que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em Regime de Repercussão Geral, pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Sabese que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, não se estende ao caput do artigo 3º, tampouco aos demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. De fato, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Nos precitados Recursos Extraordinários, o Ministro esclarece os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescidos). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. Em decorrência de tais apontamentos, aos quais somamse outras tantas manifestações encontradas na decisão tomada pela Suprema Corte acerca da inconstitucionalidade da base de cálculo definida na redação primitiva da Lei nº 9.718/98, Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.009135/200503 Acórdão n.º 3302004.120 S3C3T2 Fl. 15 7 apenas as receitas que não decorram das atividades próprias ou típicas da sociedade empresária podem ser afastadas da tributação. No caso em tela, não vejo como cogitar que receitas de aplicações financeiras estejam associadas às finalidades para as quais a entidade autuada foi criada. VOTO por dar provimento ao recurso voluntário, para que seja (i) excluída da base de base de cálculo da Contribuições o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e de beneficiários de outras operadoras, deduzida a importância recebida a título de transferência de responsabilidades e (ii) excluir da base imponível, também, a receita decorrente do resultado das aplicações financeiras. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 293DF CARF MF
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