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Numero do processo: 19515.003445/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
No caso de tributo lançado por homologação, não havendo antecipação de pagamento, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O valor cuja origem restar comprovada na impugnação deve ser excluído do lançamento.
Numero da decisão: 2402-006.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, considerar válida a segunda intimação do lançamento e nula a primeira intimação. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Denny Medeiros da Silveira. Por voto de qualidade, reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos anos-calendário de 2002 e 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que reconheceram a ocorrência da decadência também em relação ao ano-calendário de 2004. Por unanimidade de votos, excluir do lançamento os depósitos referentes (i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, (ii) aos valores relativos a cheques devolvidos e (iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à decadência, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Julgado na sessão de 4/12/18, com início às 14h, a pedido do contribuinte e com anuência do presidente da Turma.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente MAURO SERGIO BERTAGLIA e FAZENDA NACIONAL Recorrida MAURO SERGIO BERTAGLIA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEM ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, não havendo antecipação de pagamento, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O valor cuja origem restar comprovada na impugnação deve ser excluído do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 45 /2 00 7- 54 Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.786 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, considerar válida a segunda intimação do lançamento e nula a primeira intimação. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Denny Medeiros da Silveira. Por voto de qualidade, reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator) que reconheceram a ocorrência da decadência também em relação ao anocalendário de 2004. Por unanimidade de votos, excluir do lançamento os depósitos referentes (i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, (ii) aos valores relativos a cheques devolvidos e (iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à decadência, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Julgado na sessão de 4/12/18, com início às 14h, a pedido do contribuinte e com anuência do presidente da Turma. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício e Redator designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1745.156 (fls. 1614/1637), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 490 a 500, referente aos anoscalendário de 2002 a 2005, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 11.129.205,36, sendo R$ 5.229.144,71 a título de imposto suplementar, R$ 3.921.858,52, de multa de oficio, e R$ 1.978.202,13, de juros de mora, calculados até 31/10/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 497 a 499) que foi apurada a seguinte infração: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.787 3 Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999 e artigo 10 da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 486 a 489, que integra o auto de infração, consignouse o que segue, em síntese: em razão da apuração de expressiva movimentação financeira (conforme Tabela n° 1), foi o contribuinte intimado a apresentar seus extratos bancários e a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas referidas contas, bem como a demonstrar a correta tributação desses valores (fls. 26 e 27); não atendida a intimação, foi lavrada nova intimação, reiterandose a solicitação, cuja ciência se concretizou por meio de Edital (fls. 29 a 34), visto que a correspondência retornou com a anotação de que o destinatário "mudouse"; não tendo havido manifestação do fiscalizado, expediuse a Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira de fl. 37 ao Banco Safra S/A, que forneceu cópia dos extratos bancários do contribuinte (fls. 39 a 454); foi então lavrado o Termo de Intimação tf' 02/2007, de fl. 458 (com ciência por via postal, fl. 485, em razão de alteração de domicílio do contribuinte), para, novamente, interpelálo acerca da demonstração, por meio de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados nas contas bancárias de sua titularidade, em consonância com o anexo Demonstrativo de Apuração dos Créditos Bancários (fls. 459 a 482) e, também, do oferecimento à tributação dos valores creditados; tal intimação também não foi atendida, configurandose a hipótese prevista no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; a Tabela n° 2 (fl. 488) consolida, por mês, os valores omitidos, já expurgados os créditos decorrentes de transferências entre contas do próprio fiscalizado (art. 2, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996), os de estornos de lançamento, os de cheques depositados e posteriormente devolvidos, os de resgates de aplicação financeira (já submetidos à tributação exclusiva na fonte), os de empréstimos bancários e os de outros valores já tributados, identificados na planilha de fls. 459 a 482. Uma vez devolvida pelos Correios a correspondência contendo o auto de infração (fl. 506), com a anotação de "Endereço Insuficiente FALTOU INDICAR BLOCO", a ciência foi efetuada por meio do Edital n° 4/2008 (fl. 510), afixado em 14 de janeiro de 2008 e desafixado em 30 de janeiro de 2008. Transcorrido o prazo para impugnação, sem a manifestação do sujeito passivo, o processo foi remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição do débito em Dívida Ativa da União. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.788 4 Pelo oficio juntado por cópia à fl. 524, a Delegacia de origem informou a PFN quanto à existência de decisão judicial que deferiu ao contribuinte a possibilidade de discussão da exigência na esfera administrativa, no estado em que se encontra o processo administrativo (fls. 527 a 529), e solicitou o retorno do presente feito para cumprimento da determinação judicial. Em 13 de maio de 2010 (fls. 534 e 552), foi o contribuinte intimado a apresentar "defesa para possibilitar a discussão na via administrativa, conforme dispõe medida judicial expedida pela 23" Vara da Justiça Federal/MG, em 08/05/2009". Em 14 de junho de 2010, o interessado apresentou a petição de fls. 553 a 618, por intermédio de procuradores (fls. 619 e 625 a 628), acompanhada dos documentos de fls. 623 a 1559. Alega, preliminarmente, o que segue, em síntese: o contribuinte não foi corretamente notificado do lançamento, só tendo tomado conhecimento de sua existência ao tentar alienar imóvel de sua propriedade, por terse deparado com a existência de débito relativo à Secretaria da Receita Federal; socorreuse do Poder Judiciário para que lhe fosse concedida a reabertura de prazo para a apresentação da impugnação administrativa, tendo sido deferida, nos autos da Ação Ordinária n°2009.38.00.0118192, a antecipação dos efeitos da tutela (fls. 630 a 648); foi intimado em 13 de maio de 2010 a apresentar impugnação administrativa ou recolher o débito discutido (fls. 649 a 651); resta patente a tempestividade da impugnação, amparada em provimento jurisdicional que lhe garantiu o direito à ampla defesa e ao contraditório, apresentada dentro do prazo estabelecido no artigo 15 do Decreto n° 70.235/1972; os depósitos ocorridos entre janeiro de 2002 e abril de 2005 foram atingidos pela decadência, por se aplicar, ao caso em tela, o prazo estabelecido no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, eis que o contribuinte efetuou recolhimentos de IRPF durante todos os anos que foram objeto do lançamento (fls. 652 a 662); devese, ao menos, reconhecer a decadência quanto aos anos calendário de 2002 a 2004, caso se entenda que o fato gerador do IRPF, em casos de omissão de receitai considerase ocorrido no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Quanto ao mérito, afirma que os depósitos identificados em sua conta corrente referemse às seguintes operações: i) alienação de participações societárias, carros e imóveis, cujo ganho de capital já teria sido devidamente tributado; ii) transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários; iii) cheques devolvidos (sem fundos) da conta corrente; iv) resgates de investimentos em renda fixa e liquidação de swap já Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.789 5 tributados definitivamente pela fonte pagadora; v) empréstimos tomados de pessoas físicas e retorno de recursos disponibilizados no exterior; vi) devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o impugnante e pessoas de seu convívio pessoal próximo. Aponta, ainda, a existência de valores considerados em duplicidade pela Fiscalização. Acrescenta que obteve um aumento substancial de seu patrimônio com a alienação de participação societária da empresa Protocoloweb Participações Ltda., o que lhe teria possibilitado desenvolver diversas atividades comerciais durante o período autuado, inclusive, emprestar recursos a pessoas de seu convívio pessoal próximo. Nas razões das págs. 11 a 60 da peça de defesa (fls. 563 a 614), busca detalhar os fatos que, no seu entender, comprovariam a natureza dos créditos em sua conta bancária, os quais não representariam acréscimo patrimonial ou não seriam sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pois sua tributação seria definitiva ou exclusiva na fonte. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração e, ainda, o encaminhamento das intimações e notificações relativas ao presente feito ao seu procurador, com envio de cópia ao contribuinte. Protesta por todos os tipos de provas admitidas em direito. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1745.156 (fls. 1614/1637), cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo disposto no artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional e passa a ser disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Não subsiste o lançamento relativamente aos créditos cuja origem restou evidenciada nos autos. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.790 6 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1651/1700, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. De igual modo, o Recurso de Ofício interposto pela Unidade de Origem em face da exoneração parcial do crédito tributário deve ser conhecido, eis que presentes os respectivos pressupostos de admissibilidade. Neste contexto, considerando que a análise de mérito da procedência (ou não) do recurso de ofício tangência a análise de mérito do recurso voluntária, estas serão feitas simultaneamente quando a matéria a ser julgada for comum aos dois recursos. Da Decadência (objeto apenas do Recurso Voluntário) Aduz o Recorrente, em sede de preliminar, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente aos depósitos bancários compreendidos no período de janeiro de 2002 a abril de 2005, à luz do art. 150, § 4º do CTN. Neste ponto, esclarece o Recorrente, desde a impugnação apresentada, que não foi corretamente notificado do presente Auto de Infração, só tendo tomado conhecimento de sua existência ao tentar realizar a alienação de imóvel de sua propriedade, momento em que se deparou com a existência do débito em aberto relativo à Secretaria da Receita Federal, constante na Certidão de Dívida Ativa ("CDA") n° 60.1.08.00042093. Prossegue o contribuinte elucidando que ao procurar obter informações sobre o procedimento administrativo que teria dado origem à referida CDA, apurou que não havia sido corretamente intimado pela Secretaria da Receita Federal sobre o procedimento fiscalizatório e o Auto de Infração que o originara. Neste contexto, interpôs, o Autuado, a Ação Ordinária n° 2009.38.00.0118192 (fls. 635), para que lhe fosse concedida a reabertura de prazo para a apresentação da Impugnação administrativa. Verificando os pressupostos para a concessão do provimento antecipatório, o MM. Juízo da 23 Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte — MG, em 08 de maio de 2009, concedeu a antecipação dos efeitos da tutela (fls. 651), assegurando a discussão na via administrativa por meio da reabertura do prazo para apresentação de Impugnação. Em virtude da concessão do referido provimento jurisdicional, foi reaberta discussão na via administrativa, tendo o Autuado sido intimado a apresentar Impugnação administrativa ou recolher o débito discutido em 13 de maio de 2010 (comprovante dos correios às fls. 654), data considerada pelo Recorrente como marco inicial do lustro decadencial. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.791 7 A DRJ, por seu turno, destacou que a correspondência contendo o auto de infração e seus anexos foi remetida por via postal, para o endereço do contribuinte então constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ou seja, a R. Maria Elizabeth Pessoa, 200, Ap. 205, Belo Horizonte/MG — CEP 30660050, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 504 e consulta de fl. 507. A postagem ocorreu em 12 de novembro de 2007, segundo consulta de fl. 504. Todavia, a referida correspondência foi devolvida em 07 de janeiro de 2008 com a informação "Endereço Insuficiente FALTOU INDICAR BLOCO" anotada em carimbo dos Correios no verso do envelope de fl. 506. Por ter resultado improfícua a tentativa de intimação por via postal, foi lavrado o Edital n° 4/2008 (fl. 510), afixado em 14 de janeiro de 2008 e desafixado em 30 de janeiro de 2008. Assim, a ciência do lançamento efetivouse em 29 de janeiro de 2008, ou seja, 15 (quinze) dias após a publicação do edital, em conformidade com o previsto no artigo 23, § 2°, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972, acima reproduzido. Neste ponto, o Recorrente destaca que o endereço consignado pela SRF no momento da intimação estava incompleto. Após esta tentativa frustrada, a SRF afixou em sua unidade localizada em São Paulo SP, o Edital n° 04/2008, na tentativa de intimar o Recorrente, durante o período de 14 a 30 de janeiro de 2008, contrariando o disposto no art. 23, § 1°, inciso II c/c §4° do Decreto n° 70.235/72, que assim preceitua: Art. 23. Farseá a intimação: § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; Neste contexto, possuindo o contribuinte domicílio tributário em Belo Horizonte – MG e tendo a fiscalização publicado o Edital de intimação acerca da lavratura do auto de infração objeto do presente processo na DRF localizada em São Paulo – SP, a referida intimação editalícia restou sem efeito. Tanto que, nos dizeres do Recorrente, o Poder Judiciário decidiu nos autos da Ação Ordinária acima mencionada, a reabertura de prazo a fim de ser possível a discussão na esfera administrativa, visto o Recorrente, ao não ter tido em nenhum momento a ciência do referido processo de fiscalização, ter sido privado do exercício ao seu direito de defesa. Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.792 8 Dessa forma, não tendo servido para o fim ao qual se destinava o Edital nº 04/2008, tanto que o Poder Judiciário determinou a reabertura da discussão na esfera administrativa, outra não pode ser a conclusão senão a de que a ciência do Auto de Infração pelo Recorrente se deu apenas e tão somente em 13 de maio de 2010. Fixada esta premissa, impende esclarecer ainda que, sobre a matéria em análise, o CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda, nos casos de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, como no caso concreto, considerase ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. Esta é, inclusive, uma matéria sumulada por este Conselho. Vejamos o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, e sem mais delongas, como o caso vertente tem por objeto o IRPF referente aos AnosCalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, o fato gerador mais antigo é, pois, aquele datado de 31/12/2002, nos termos da Súmula CARF nº 38 em destaque. Pois bem!! Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a Lei 9.250/95, art. 7º e art. 13, parágrafo único, dispõem que: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subsequente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos. Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicandose então, para se apurar a decadência, o comando do CTN, art. 150, § 4º. No presente caso, tendo o contribuinte apurado rendimento com tributação exclusiva / definitiva, conforme se infere das cópias das Declarações de Ajuste Anual acostadas aos autos a partir das fls. 5, bem como efetuado o pagamento do imposto apurado sobe ganhos de capital, resta indubitável a aplicação do comando inserto no susodito art. 150, § 4º do CTN, pelo que resta configurada a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento objeto do presente processo, conforme tabela a seguir: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.793 9 Ano Calendário Fato Gerador Termo Inicial (da decadência) Termo Final (da decadência) Ciência do Lançamento Decaído? 2002 31/12/2002 31/12/2002 31/12/2007 13/05/2010 Sim 2003 31/12/2003 31/12/2003 31/12/2008 13/05/2010 Sim 2004 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2009 13/05/2010 Sim 2005 31/12/2005 31/12/2005 31/12/2010 13/05/2010 Não Assim, voto por acolher, em parte, a preliminar de decadência suscitada, declarando extinto o crédito tributário referente aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Do Mérito No que tange ao mérito, observese que o lançamento foi motivado pela falta de comprovação da origem dos créditos em contas bancárias do contribuinte, com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. O contribuinte aduz, em síntese, que os depósitos identificados em sua conta corrente referemse às seguintes operações: i) alienação de participações societárias, carros e imóveis, cujo ganho de capital já teria sido devidamente tributado; ii) transferências entre contas de mesma titularidade e empréstimos bancários; iii) cheques devolvidos (sem fundos) da conta corrente; iv) resgates de investimentos em renda fixa e liquidação de swap já tributados definitivamente pela fonte pagadora; v) empréstimos tomados de pessoas físicas e retorno de recursos disponibilizados no exterior; vi) devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o impugnante e pessoas de seu convívio pessoal próximo e vii) a existência de valores considerados em duplicidade pela Fiscalização. Vejamos, então, cada uma das situações apontadas pelo Recorrente, ressaltando, mais uma vez que, considerando que a análise de mérito da procedência (ou não) do recurso de ofício tangência a análise de mérito do recurso voluntária, estas serão feitas simultaneamente quando a matéria a ser julgada for comum aos dois recursos. Dos valores decorrentes de alienação de participação societária (objeto apenas do Recurso de Ofício) O Recorrente afirma que os créditos abaixo identificados são decorrentes da alienação da participação societária que detinha na empresa Protocoloweb Participações Ltda., CNPJ n° 03.645.812/000182: Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.794 10 Conforme constatado pela DRJ, os documentos apresentados pela defesa, de fls. 668 a 840, dão conta de que o contribuinte detinha participação de 25% (vinte e cinco por cento) na referida sociedade e que firmou, juntamente com os demais sócios, contrato de cessão da totalidade das cotas para a empresa Intemet Group do Brasil Ltda., CNPJ n° 03.368.522/000139, o qual sofreu sucessivos aditamentos e foi objeto de questionamento judicial e finalmente, de reconvenção. Os três primeiros valores acima foram pagos por força do disposto na Cláusula Segunda, item "2.1 (v)" do Sétimo Aditamento ao contrato citado (fls. 741 a 761), conforme comprovantes de depósito de fls. 762 a 764. O valor de R$ 2.737.901,00 referese à parcela especificada no item "2.1 (vi)" da referida Cláusula Segunda, que foi paga em razão da cassação da liminar que concedera a antecipação da tutela nos autos da Ação Ordinária, Processo n° 03.0709911, proposta pela empresa adquirente com vistas à anulação do negócio ou a redução do preço (fis. 792 a 833). O valor de R$ 5.500.000,00 corresponde à parte que coube ao contribuinte do saldo devedor fixado por acordo, cuja homologação pôs fim à demanda (fls. 834 a 840). O recebimento das importâncias citadas foi informado nos Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital integrantes das declarações de ajuste anual dos respectivos exercícios (fls. 13, 17 e 23). Portanto, os valores constantes da tabela acima devem, de fato, ser excluídos do lançamento, por restar comprovado que foram auferidos em decorrência de alienação de participação societária, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Dos valores decorrentes de alienação de imóveis (objeto apenas do Recurso de Ofício) Neste ponto, aduz o contribuinte que os créditos abaixo identificados se referem a valores recebidos em decorrência da alienação de imóveis de sua propriedade: O Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Direitos sobre Imóvel, juntado por cópia às fls. 865 a 871, referese ao imóvel localizado à R. Femandes de Abreu, 159, apto. 1701, em São Paulo/SP. De acordo com a Cláusula Segunda do referido contrato, o preço da cessão seria pago em quatro parcelas, nos valores de R$ 200.000,00, R$ 300.000,00, R$ 388.608,94 e R$ 419.697,66, nas datas de 25/03/2004, 15/04/2004, 15/07/2004 e 15/01/2005, respectivamente, mediante crédito na conta corrente n° 285.9055, mantida pelo cedente na agência n° 112 do Banco Safra. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.795 11 Segundo o interessado, foram descontadas das duas primeiras parcelas as importâncias de R$ 40.000,00 e R$ 50.000,00, respectivamente, a título de corretagem. A referida operação foi informada nos Demonstrativos da Apuração dos Ganhos de Capital de fls. 22 e 28, anexos às declarações de ajuste anual dos exercícios de 2005 e 2006. A cópia da Escritura Pública de Venda e Compra de fls. 875 a 877 comprova que o contribuinte, por intermédio de procurador, recebeu o valor de R$ 200.000,00, em 14/07/2004, pela alienação de um imóvel situado na R. Desembargador Plínio Guerreiro, na cidade de Salvador/BA. A escritura de fls. 880 a 883, relativa à anterior aquisição do imóvel pelo contribuinte, demonstra que a referida rua passou a ser denominada Waldemar Falcão e que foi paga na operação a importância de R$ 200.000,00. A declaração de bens e direitos que integra a declaração de ajuste anual do exercício de 2005 informa que não houve ganho de capital na alienação (fl. 20). Portanto, os valores constantes da tabela acima devem, de fato, ser excluídos do lançamento, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Das transferências entre contas correntes de titularidade do contribuinte (objeto apenas do Recurso de Ofício) Neste ponto, o contribuinte sinalizou inicialmente uma divergência entre o valor da movimentação financeira relativa ao anocalendário de 2003, de R$ 3.454.326,33, sobre o qual incidiu a CPMF, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, à fl. 486, e o montante utilizado como base de cálculo do imposto lançado por presunção de omissão de rendimentos, de R$ 4.806.981,04, correspondente ao mesmo período. Tal inconsistência seria indicativa da existência de transferências entre contas de mesma titularidade, nas quais não era cobrada a CPMF, bem como da inclusão indevida dos respectivos valores na base de cálculo do imposto. O Contribuinte aduziu que os valores constantes nas tabelas das páginas 23 e 24 da sua peça impugnatória correspondem a transferências entre contas correntes das quais era titular. Junta as cópias dos extratos de fls. 889 a 1105, que demonstram o débito na conta de origem e o crédito na conta de destino, nas mesmas datas e valores. Neste ponto, a DRJ concluiu que: Cabe observar, todavia, que o crédito no valor de R$ 7.300,00, de 28/09/2005 ("doc. 26.69", fls. 1090 e 1091), efetuado na conta n° 011.2017, não foi computado na determinação da receita omitida, de acordo com o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários, à fl. 481. Ressaltese, ainda, que há erro no somatório dos créditos indicados na tabela elaborada pela defesa (fl. 576), pois o total de R$ 769.479,14 foi apurado antes da inserção dos dois últimos créditos, de R$ 9.000,00 e R$ 4.316,00. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.796 12 Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores a seguir, totalizados mês a mês, conforme prevê o artigo 42, § 3°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, que estabelece que não serão considerados, na apuração da omissão de rendimentos, os créditos decorrentes de transferência de outras contas do próprio contribuinte: Analisandose os documentos acostados aos autos e citados pelo órgão julgador de primeira instância, verificase que não há reparos a serem feitos naquele Acórdão em relação à matéria ora em análise, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Das transferências da conta investimento para a conta corrente (objeto apenas do recurso voluntário) O interessado alega que os créditos discriminados na tabela da pág. 26 da peça de defesa (fl. 583) seriam relativos a transferências de sua conta de investimento n° 801.3115, decorrentes de liquidações de títulos, que seriam tributadas exclusivamente na fonte, nos moldes do disposto no artigo 10 da Lei n° 11.033/2004, que trata da tributação dos rendimentos de aplicações ou operações financeiras de renda fixa ou de renda variável. A DRJ manteve o lançamento neste ponto, aduzindo, em síntese, que: De acordo com os extratos da conta corrente n° 285.9055, de fls. 147 a 159, todos os créditos em referência apresentam o histórico "Lib. Vinculada", diversamente do informado na tabela de fl. 578 e na declaração do Banco Safra S/A, à fl. 881. Segundo a declaração mencionada, os referidos créditos têm, ainda, a seguinte descrição: "Transf da Conta n° 801.3115 — Liq. Títulos". O histórico e a descrição citados não são suficientes para se concluir que se trata de liquidação de operação financeira ou de transferência entre contas do próprio contribuinte. Assinalese Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.797 13 que o interessado não apresenta o extrato da conta n° 801.3115 ou os documentos relativos à aludida liquidação de títulos. Ademais, não foi evidenciado nos autos que as aludidas liquidações de títulos sofreram retenção na fonte, como alega a defesa. Em sua peça recursal, o contribuinte esclareceu inicialmente que a declaração emitida pelo Banco Safra SM (doc. 25 da Impugnação e 01 do Recurso), instituição financeira em que o Recorrente mantinha a conta corrente n° 285.9055, evidencia trataremse de valores decorrentes de contas investimento, na medida em que apresenta no histórico dos valores depositados a seguinte descrição: "Transf. de C/I". Neste ponto, observese o seguinte trecho da tabela constante na referida declaração emitida pelo Banco Safra: Observese, ainda, em outro lançamento referente à transferência da conta nº 801.3115, possui o seguinte histórico: “Transf. da Conta”. Registrese, pela sua importância, que o referido histórico foi aceito pela DRJ em relação às operações de transferências entre contas de mesma titularidade. Ademais, com vistas a afastar a premissa do órgão julgador de primeira instância, o Recorrente trouxe aos autos extratos bancários da referida conta nº 801.3115 (fls. 1.710 a 1.173), os quais evidenciam que tal conta era do Recorrente, pelo que os valores tidos como depósitos pela fiscalização se referem a movimentações entre contas de mesma titularidade. Verificase por meio dos referidos extratos que os valores abaixo lançados pela Fiscalização constantes na conta corrente nº 285.9055, objeto da autuação, coincidem em datas e valores com aqueles da referida conta investimento: Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.798 14 Assim, dou provimento ao recurso voluntário neste ponto, para excluir do lançamento os valores acima identificados, por se tratarem de créditos decorrentes de transferência de outras contas do próprio contribuinte. Dos valores decorrentes de empréstimos concedidos pelo Banco Safra S/A (objeto apenas do recurso de ofício) Quanto aos créditos efetuados na conta n° 011.2017, nos valores de R$ 50.000,00, R$ 30.000,00, R$ 65.000,00 e R$ 4.500,00 e nas datas de 23 e 24 de janeiro e 28 e 29 de maio de 2003, respectivamente, temse que estes se referem a transferências das contas garantidas nº 6570084 e 6564645, de acordo com a declaração do Banco Safra S/A, às fls. 886 e 887. O contribuinte destacou que tais transferências têm a natureza de empréstimos de curto prazo, para cobertura de saldo negativo na conta corrente dos clientes, os quais podem ser quitados a qualquer momento, com a incidência de juros e taxas administrativas. Destacou, ainda, que os dois primeiros valores foram quitados em 31 de janeiro de 2003, no montante de R$ 80.838,53, e os dois últimos, em 28 de julho de 2003, no total de R$ 72.462,46, o que se comprova pelos extratos de fls. 335 e 344, cujos lançamentos a débito indicam, no campo "Num. Docto.", as contas garantidas citadas. Diante dos esclarecimentos e documentos apresentados, a DRJ concluiu que restou comprovada a alegada natureza dos créditos, devendo o montante de R$ 149.500,00 ser excluído do lançamento relativo ao anocalendário de 2003. Inexistindo reparos a serem feitos na decisão de primeira instância neste particular, negase provimento ao recurso de ofício neste ponto. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.799 15 Dos valores tributados exclusivamente na fonte (objeto apenas do recurso de ofício) Na tabela da pág. 31 da peça de defesa (fl. 588), o contribuinte relaciona diversos créditos identificados no extrato bancário com o histórico "Liquidação Swap". Apresenta os "Demonstrativos de Liquidação SWAP" de fls. 1113 a 1123, relativos à maioria dos créditos. Observa o interessado que as referidas operações foram tributadas na fonte, conforme prevê o artigo 5° da Lei n° 9.779/1999, combinado com o artigo 1° da Lei n° 11.033/2004. A DRJ, examinando os documentos à luz do art. 770, § 2º, inciso II do Decreto 3.000/99, concluiu que devem ser excluídos do lançamento os créditos relativos às liquidações de operações de swap, que totalizam R$ 43.319,70 no anocalendário de 2004 e R$ 8.223,04 no anocalendário de 2005. Ainda neste ponto, o contribuinte destacou a existência do crédito no valor de R$ 649.500,64, efetuado em 30 de janeiro de 2003 na conta n° 011.2017, identificado no extrato de fl. 335 com o histórico "Ordem Crédito". O "Demonstrativo Pagto. de Resgate de Títulos de Renda Fixa" de fl. 1129 evidencia que se trata de resgate de aplicação financeira, operação essa também tributada de forma definitiva, nos termos do dispositivo legal acima mencionado. Dessa forma, concluiu o colegiado de primeira instância que cabe ainda excluir do lançamento o valor correspondente à referida operação. Analisandose os documentos apresentados pelo contribuinte, concluise pela exatidão do r. Acórdão neste particular, pelo que se nega provimento ao recurso de ofício neste ponto. Dos valores relativos a depósitos lançados em duplicidade (objeto apenas do recurso de ofício) Nos termos da decisão de piso, temse que: O interessado afirma que os créditos de R$ 1.140,00 e R$ 7.262,25, de 20/05/2005, foram considerados em duplicidade pela Fiscalização. De acordo com o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários, às fls. 477 e 478, foram relacionados créditos nesses valores como ocorridos nas contas nº 285.9055 e 13286.3281. Todavia, não há créditos nos valores e data citados na conta n° 286.3281, conforme extrato de fl. 55, devendo ser excluídos do lançamento. Assim, mantémse incólume a decisão de primeira instância neste ponto pelos seus próprios fundamentos, negandose, por conseguinte, provimento ao recurso de ofício neste item. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.800 16 Dos valores relativos a cheques devolvidos (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Aduz o Recorrente que, entre os equívocos cometidos pela Fiscalização, destacase a exigência do IRPF relativo a depósitos de cheques considerados como crédito bancário, os quais tiveram seus valores estornados diante da ausência de fundos disponíveis na conta corrente dos sacados. Neste sentido, a r. decisão de 1' instância houve por bem cancelar as exigências relativas a 58 cheques, restando mantidas a autuação no que tange a 13 deles. Às fls. 1.632, a DRJ colacionou a tabela abaixo, aduzindo suas razões para a manutenção da cobrança em face destes cheques: O Contribuinte, por meio de sua peça recursal, aduziu em síntese que a DRJ se limitou a verificar tão somente o dia que o Recorrente mencionou em sua impugnação e, de forma objetiva, apresentou a tabela abaixo com as razões para o cancelamento da exigência fiscal: Analisandose os extratos bancários de fls. 123, 126, 128, 131, 133 e 143, bem como o Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários (a partir das fls. 463), conclui se que: Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.801 17 Ref. Data Valor Razão para o Cancelamento (conf. Recorrente) Alegação Procedente? Extrato Bancário às fls: 2 09/08/2004 5.500,00 O cheque foi depositado em 09/08/04 e devolvido no dia seguinte, 10/08/04 Sim 123 4 22/09/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/09/04 e devolvido no dia seguinte, 23/09/04 Sim 126 5 22/10/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/10/04 e devolvido no dia útil seguinte, 25/10/04 Sim 128 6 24/11/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 24/11/04 e devolvido no dia seguinte, 25/11/04 Sim 131 7 08/12/2004 5.500,00 O cheque foi depositado ern.08/12/04 e devolvido no dia seguinte, 09/12/04 Sim 133 9 23/03/2005 2.756,00 O cheque foi depositado em 23/03/04 e devolvido no dia seguinte, 24/03/04 Sim 143 10 09/05/2005 4.900,00 O cheque foi depositado em 06/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 09/05/05 Não 11 11/05/2005 4.900,00 O cheque foi depositado em 10/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 11/05/05 Não 12 23/05/2005 13.300,00 O cheque foi depositado em 20/05/05 e devolvido no dia útil seguinte, 23/05/05 Não 13 09/06/2005 4.900,00 O cheque foi depositado dia 08/06/05 e devolvido no dia útil seguinte, 09/06/05 Não Analisandose o Demonstrativo de Apuração de Créditos, verificase que tais valores não foram considerados pela fiscalização, seja na data do depósito do cheque, seja na data da sua devolução. A rigor, não houve, portanto, lançamento em relação a tais valores No que tange aos cheques que tiveram a sua devolução confirmada – referências 2, 4, 5, 6 e 7 da tabela supra – observese, a título meramente exemplificativo, o extrato constante às fls. 128 dos autos, referente ao mês de out/2004: Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.802 18 Já em relação aos valores que não fazem parte do lançamento, observese o seguinte trecho do levantamento fiscal, referente ao mês de maio/2005, evidenciando que não há, ao contrário do que sustenta o recorrente, qualquer lançamento no valor de R$ 4.900,00, seja no dia 06/05, seja no dia 09/05: Neste contexto, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto e dar provimento ao recurso voluntário, excluindose do levantamento fiscal os valores abaixo identificados, por se tratarem de depósitos em cheque posteriormente devolvidos: Ref. Data Valor Razão para o Cancelamento (conf. Recorrente) Alegação Procedente? Extrato Bancário às fls: 2 09/08/2004 5.500,00 O cheque foi depositado em 09/08/04 e devolvido no dia seguinte, 10/08/04 Sim 123 4 22/09/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/09/04 e devolvido no dia seguinte, 23/09/04 Sim 126 5 22/10/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 22/10/04 e devolvido no dia útil seguinte, 25/10/04 Sim 128 6 24/11/2004 2.756,00 O cheque foi depositado em 24/11/04 e devolvido no dia seguinte, 25/11/04 Sim 131 7 08/12/2004 5.500,00 O cheque foi depositado ern.08/12/04 e devolvido no dia seguinte, 09/12/04 Sim 133 9 23/03/2005 2.756,00 O cheque foi depositado em 23/03/04 e devolvido no dia seguinte, 24/03/04 Sim 143 Dos valores decorrentes de retomo de recursos mantidos no exterior (objeto apenas do recurso voluntário) No que tange à matéria em questão, temse como prejudicada a sua análise de mérito, em face do reconhecimento da decadência em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. Dos valores decorrentes de mútuos tomados junto aos Srs. Maurício Montano Silva Meismith e Caio Mário Paes de Andrade (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Neste ponto, esclareceu o contribuinte, por meio de sua impugnação, conforme tabela da pág. 43 (fls. 545) que os referidos créditos seriam decorrentes de mútuos tomados de pessoas físicas. A DRJ julgou este item procedente em parte, nos seguintes termos: Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.803 19 É entendimento assente na esfera administrativa que o empréstimo deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário, coincidente em datas e valores, que deverá ser compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo mutuante à data do empréstimo realizado. Também é fato que tanto o mutuário quanto o mutuante têm a obrigatoriedade de informar o empréstimo na declaração de rendimentos, por sua repercussão na variação patrimonial. No caso concreto, no cotejo do extrato da conta nº 285.9900, de titularidade do Sr. Maurício Montano Silva Meismith, de fls. 1150, 1169 e 1171, com o extrato da conta n° 285.9055, da qual o interessado era titular (fls. 111, 147 e 149), confirmase a transferência dos valores de R$ 291.353,00, R$ 100.000,00, e R$ 200.000,00, respectivamente, nas datas de 11/03/2004, 31/05/2005 e 10/06/2005, da primeira para a segunda conta, uma vez que os lançamentos a débito indicam a conta de destino. Em consulta às declarações de ajuste anual do Sr. Maurício, constatouse que foram informados os saldos em 31/12/2004 e 31/12/2005, relativos aos mútuos concedidos ao contribuinte, nos mesmos valores por este declarados como dívidas e ônus reais, de R$ 750.000,00 e R$ 1.978.254,00, respectivamente (fl. 22). Verificouse, ainda, que o mutuante possuía capacidade financeira para os desembolsos. Por ter sido comprovada a efetividade dos empréstimos tomados do Sr. Maurício Montano Silva Meismith, devem os respectivos valores ser excluídos do lançamento. Quanto ao crédito no valor de R$ 50.000,00, de 29/12/2005, que seria decorrente de mútuo tomado do Sr. Caio Mário Paes de Andrade, o contribuinte faz menção à transferência da conta corrente do suposto mutuante, mas não apresenta qualquer prova dessa alegação. Uma vez que a comprovação de que os recursos se originaram do patrimônio do mutuante é indispensável para evidenciar a efetividade do mútuo, remanesce a exigência no que tange ao referido crédito. Como se vê, a DRJ, tendo concluído que restou comprovada a efetividade dos empréstimos tomados do Sr. Maurício, mediante análise dos extratos bancários e da DAA deste, excluiu do levantamento fiscal os respectivos valores. Já em relação ao Sr. Caio, não tendo o Recorrente trazido aos autos qualquer meio de prova, a DRJ manteve a autuação. Neste contexto, com vistas a elidir a acusação fiscal, o contribuinte logrou trazer aos autos cópia da DAA Exercício 2006, AC 2005, do Sr. Caio Mario Paes de Andrade (fls. 1.738), na qual consta expressa a informação do empréstimo em análise: Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.804 20 Assim, tendo o Recorrente a real existência do empréstimo em referência, voto por negar provimento ao recurso de ofício neste ponto e dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação o montante de R$ 50.000,00, referente ao mútuo obtido junto ao Sr. Caio Mario Paes de Andrade. Dos valores decorrentes de quitação de mútuos concedidos pelo contribuinte e operações de desconto de cheques (objeto tanto do recurso voluntário, quanto do recurso de ofício) Neste ponto, à luz do disposto no § 3º do art. do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto as conclusões da decisão de primeira instância por seus próprios fundamentos, nos seguintes termos, in verbis: Pugna o interessado pela exclusão de todos os demais créditos em sua conta corrente da base de cálculo do imposto ora exigido, ainda que não individualmente conciliados em datas e valores, uma vez que seriam referentes a devolução de mútuos e desconto de cheques realizados entre o contribuinte e os Srs. Thiago Cauzim Rivera e Jorge Camasmie Neto, com os quais tinha um convívio pessoal próximo. Argumenta que possuía apenas um controle informal de tais quantias, não encontrado em virtude do tempo transcorrido, e que, por ser uma pessoa física, não possui o rigor contábil no controle de suas operações, tal como o existente em uma pessoa jurídica. Quanto aos mútuos que teriam sido concedidos ao Sr. Thiago Cauzim Rivera, alega que emprestara inicialmente a quantia de R$ 152.000,00, por meio da entrega de cheques de sua conta corrente, conforme instrumento particular de fl. 1173 a 1177, e que teria sido devolvido pelo mutuário o valor de R$ 102.000,00, mediante a entrega de cheques recebidos dos clientes da Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.805 21 empresa Thiago Cauzim Rivera EPP, CNPJ n° 04.630.466/0001 21, remanescendo um saldo devedor de R$ 50.000,00. Posteriormente, teria sido concedido à referida pessoa um segundo empréstimo, no valor de R$ 213.720,00, de acordo com o contrato de fls. 1178 a 1182, que teria sido disponibilizado pelo interessado por meio de três cheques, tendo sido localizados dois deles, conforme cópia de fls. 1183 e 1184, sendo que o cheque no valor de R$ 158.720,00 foi entregue ao próprio mutuário e o cheque no valor de R$ 50.000,00 teria sido utilizado para pagamento de fornecedor da empresa mencionada. Alega que as devoluções dos empréstimos eram realizadas mediante a entrega de cheques de clientes da empresa individual do Sr. Thiago Rivera e que efetuava, ainda, o desconto de cheques de terceiros como forma de adiantamento de recursos para a citada empresa, fatos esses confirmados por declaração dessa pessoa (fls. 1185 e 1186). Entende que as aludidas circunstâncias explicariam a grande quantidade de cheques depositados em sua conta corrente e o crescimento exponencial da dívida do Sr. Thiago Rivera entre os anos de 2002 a 2005, conforme informado na declaração de ajuste anual do interessado. Considera, ainda, que o grande número de devoluções de cheques ocorridas em sua conta corrente corroboraria a alegação de que os recebimentos de cheques de terceiros decorrem de quitação parcial de mútuo. Entretanto, os elementos de fls. 1173 a 1184, acima referidos, quando muito, caracterizariam indícios de transferência de recursos do patrimônio do contribuinte para o do Sr. Thiago Rivera. Todavia, o que está em questão é a comprovação da origem de recursos que ingressaram no patrimônio do interessado por meio de créditos bancários, que deve ser feita pela apresentação de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, com a importância creditada. Assim, não é suficiente para elidir a tributação em foco a mera alegação de que os créditos correspondiam a cheques de clientes da empresa da qual o Sr. Thiago Rivera era titular, descontados pelo contribuinte ou a ele entregues como pagamento de mútuos. Destaquese que a declaração da referida pessoa, de fls. 1185 e 1186, além de ter sido firmada em data recente, não é hábil a comprovar fatos que repercutem no patrimônio de pessoa jurídica, tais como o desconto de títulos e o pagamento de mútuos, ainda que por meio de cheques de clientes, que devem ser registrados na contabilidade da empresa. Desse modo, não logrou o interessado demonstrar que os valores em litígio tiveram origem na atividade comercial de terceiros. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.806 22 No que tange aos empréstimos que teriam sido tomados pelo Sr. Jorge Camasmie Neto, assevera a defesa que foram concedidos no intuito de fomentar as atividades das empresas Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. e Indústria e Comércio Jorge Camasmie Ltda.. Apresenta cópia do Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Garantia Hipotecária datado de 02 de agosto de 2003 (fls. 1187 a 1193), correspondente ao empréstimo no montante de R$ 711.014,35, além de cópias de notas promissórias que seriam vinculadas ao contrato citado (fls. 1194 a 1207). O referido negócio jurídico é confirmado pela cópia do processo judicial de fls. 1283 a 1559, relativo à Ação de Execução movida contra as empresas mencionadas, cuja petição inicial dá conta de que os devedores não efetuaram o pagamento das parcelas de números 4 (quatro) a 19 (dezenove) estabelecidas no contrato, razão pela qual foi requerida a penhora dos bens dados em garantia. Pela exata coincidência de valores entre os créditos datados de 02/10/2003 e 23/10/2003, ambos no valor de R$ 37.173,69, com as primeiras parcelas do contrato em referência (fl. 1285), aliada à informação de que foram pagas três parcelas, cabe excluir tais créditos da autuação. O contribuinte alega, ainda, que teria concedido outros empréstimos ao Sr. Jorge Camasmie, mediante transferências eletrônicas documentadas (TED) para a empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. (fls. 1208 a 1250), recebendo, em contrapartida uma quantia a título de duplicatas, conforme descrito nos aditamentos ao instrumento de confissão de dívida de fls. 1251 a 1262. Assevera que a quitação do restante do mútuo teria sido realizada mediante a entrega de cheques de terceiros e descontos de duplicatas de valores futuros a serem recebidos de clientes da referida empresa. Afirma que muitos dos cheques utilizados para quitação da dívida foram devolvidos por falta de fundos e que muitas das duplicatas foram protestadas por falta de pagamento, de acordo com os "Avisos de Instruções/Ocorrências sobre Títulos" de fls. 1263 a 1282. Os "Aditamentos do Instrumento de Confissão de Dívida de 02 de Agosto de 2003" de fls. 1251 a 1262, não podem ser aceitos como prova da entrega de duplicatas pela empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda., por diversas razões: não há evidências de que os mencionados aditamentos tenham sido formalizados à época neles indicada, tais como o registro ou o reconhecimento de firmas (nem sequer foi aposta a firma do contratado ou de testemunhas); a petição inicial da Ação de Execução acima citada não menciona a existência de aditamentos ao contrato; não foram discriminadas as duplicatas entregues. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.807 23 Outrossim, em nenhum dos "Avisos de Instruções/Ocorrências sobre Títulos" de fls. 1263 a 1282 consta a empresa Tinturaria Industrial de Tecidos Ltda. Como "Cedente/Sacador". Assim, a entrega de duplicatas pela referida empresa deveria ser comprovada, no mínimo, pela apresentação de cópia das duplicatas e do registro da amortização de mútuo e do desconto de títulos na contabilidade da pessoa jurídica. Quanto às alegações de repasse ao contribuinte de cheques de clientes das empresas da qual o Sr. Jorge Camasmie era sócio, não podem ser aceitas pelas razões já expostas no tocante ao suposto empréstimo tomado pelo Sr. Thiago Rivera. Registrese, pela sua importância, que o próprio Recorrente reconhece, na sua peça recursal, que os depósitos em análise não possuem sua origem efetivamente comprovada. É o que se infere, pois, do Item III – Das Conclusões, alínea c), do Recurso Voluntário, na qual o Recorrente lista todas as operações cujos depósitos lançados se encontram comprovados, com exceção, justamente, das operações referentes às devoluções de mútuos concedidos e descontos de cheques, em relação às quais o Recorrente, por meio da alínea e) do susodito Item III – Das Conclusões, expressamente afirma que a vasta documentação apresentada evidencia a concessão e devolução de empréstimos realizados pelo Recorrente a pessoas de seu convívio social Neste contexto, voto por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício neste particular. Da intimação do Advogado Por fim, no que tange ao pedido do Recorrente para que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório nesta Capital do Estado de São Paulo, na Rua Padre João Manoel, n.° 923, 8° andar, em atenção ao DR. MIGUEL PEREIRA NETO, tratase de matéria sumulada por esse Egrégio Conselho, pelo que se indefere o referido pedido, nos à luz da Súmula CARF nº 110, in verbis: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Conclusão Por todo o exposto, concluo o voto no sentido de: a) conhecer e negar provimento ao recurso de ofício; e b) conhecer o recurso voluntário, para: b.1) acolher, em parte, a preliminar de decadência, declarando extinto o crédito tributário referente aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004; Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.808 24 b.2) no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para, nos termos deste voto, excluir do levantamento fiscal os depósitos referentes: i) às transferências da conta investimento para a conta corrente, ii) aos valores relativos a cheques devolvidos, e iii) ao valor decorrente de mútuo tomado junto ao Sr. Caio Mário Paes de Andrade. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Ilustre Relator quanto aos anoscalendário atingidos pela decadência. O Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, traz a seguinte regra geral quanto à decadência, em seu art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, há regra específica disposta no art. 150, caput e § 4°, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 19515.003445/200754 Acórdão n.º 2402006.788 S2C4T2 Fl. 1.809 25 Pois bem, tendo em vista que o Imposto Renda Pessoa Física (IRPF) se constitui em tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo previsão legal para a antecipação do pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, o prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrai a regra do art. 173 do CTN, por força da própria parte final do § 4° do art. 150 do CTN. Não havendo antecipação de pagamento, independente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, contandose o prazo decadencial de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ademais, em relação ao IRPF, a ocorrência do fato gerador se dá com a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza (vide artigo 43 do CTN), sendo que tais rendimentos, ao teor do artigo 7º da Lei nº 9.250, de 1995, estão sujeitos a ajuste anual. Dessa forma, o fato gerador do IRPF se apresenta como periódico ou complexivo de periodicidade anual, pois se realiza ao longo de um intervalo de tempo, e só se completa em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. No caso em tela, o lançamento diz respeito aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e foi cientificado ao Contribuinte em 13/5/10 (conforme decidido por este Colegiado, por maioria de votos), porém, segundo as Declarações de Ajuste Anual (DAAs) de fls. 5 a 25, não houve antecipação de pagamento. Logo, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Vejamos, então, qual era o prazo decadencial para cada um dos anos calendário em análise: Ano‐Calendário Último dia para lançar 2002 31/12/2008 2003 31/12/2009 2004 31/12/2010 2005 31/12/2011 Desse modo, como o lançamento ocorreu em 13/5/10, restaram atingidos pela decadência apenas os anoscalendário de 2002 e 2003. Conclusão Isso posto, voto por reconhecer a ocorrência da decadência apenas em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001441/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2006
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIROS. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA.
As contribuições sociais destinadas a terceiros não incidem sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Aplicação do entendimento da Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 9202-007.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14485.001441/200712 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.494 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2006 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIROS. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. As contribuições sociais destinadas a terceiros não incidem sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Aplicação do entendimento da Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 14 41 /2 00 7- 12 Fl. 996DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (Debcad nº 35.566.6162) relativa a contribuições destinadas ao Fundo Aeroviário, incidente sobre vale transporte pago em pecúnia. Em sessão plenária realizada em 30/01/2007, a Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social julgou o Recurso Ordinário do Contribuinte, prolatando o Acórdão nº 00091 (fls. 783/790), tendo adotado a seguinte decisão: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS: por Unanimidade em CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA, de acordo com o voto divergente do Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira, e sua fundamentação. Vencido o Relator. Especificamente sobre a matéria objeto do presente Recurso Especial, os argumentos do sujeito passivo foram rejeitados, consoante se depreende dos seguintes trechos do voto vencido que, neste ponto, reflete o entendimento do Colegiado recorrido: Algumas parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja pela sua natureza ou por isenção, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, verbis: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97): (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;. (...) A parte final alínea “f” é clara. Para que seja isenta, a parcela do vale transporte deve ser paga em conformidade com a legislação que disciplina o benefício. Tratase da Lei n° 7.418/85 regulamentada pelo Decreto n° 95.247/87. Seguem transcrições dos dispositivos que criam restrições para sua concessão, verbis: (...) A conclusão que se extrai da conjugação da norma previdenciária com a legislação específica do valetransporte é que, uma vez descumprindo as exigências desta, a empresa não se beneficia da isenção concedida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei n° 8.212, de 24/07/91. A contribuinte teve ciência do acórdão do Recurso Ordinário, juntamente com o Acórdão nº 240201.049, que não conheceu dos embargos por ela apresentados, em 11/12/212 (Termo de Vistas e Ciência de Processos de fl. 887) e, em 12/12/2012, interpôs o Recurso Especial de fls. 901/912 (vide carimbo da Unidade Preparadora, aposto na primeira folha do recurso), com fundamento no inciso II do art. 64 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, Fl. 997DF CARF MF Processo nº 14485.001441/200712 Acórdão n.º 9202007.494 CSRFT2 Fl. 3 3 visando rediscutir a matéria incidência de contribuições sociais sobre vale transporte pago em pecúnia. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 101/2014, de 18/09/2013 (fls. 966 a 968). A contribuinte apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: quanto à inclusão do valor relativo ao valetransporte pago em dinheiro na base de cálculo das contribuições previdenciárias, cumpre destacar que a matéria foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 478.410/SP; Diante da decisão Plenária do STF, a Advocacia Geral da União publicou a Súmula de número 60, de 09/12/2011: SÚMULA N° 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 (*) Publicada no DOU Seção I, de 09/12/2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia , considerando o caráter indenizatório da verba". a Procuradoria da Fazenda Nacional fez mencionar na “Lista de Dispensa de Recorrer” a dispensa da incumbência de apresentação de Recurso Especial e Extraordinário no caso dessa matéria; este Conselho encontrase, por disposição Regimental (art. 62, parágrafo único, Inciso I e art. 62A do Regimento Interno) submetido às decisões definitivas do STF, pelo que, requer seja acolhido o Recurso Especial e provido para afastar a exigência de contribuição ao Fundo Aeroviário, incidente sobre o vale transporte pago em pecúnia. Cientificada do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial em 28/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de fl. 987), a Fazenda Nacional, em 05/06/2014 ofereceu as Contrarrazões de fls. 988/993 (Despacho de Encaminhamento de fl. 994), alegando, em síntese, o que segue: de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91; a única previsão expressa em lei para exclusão da verba valetransporte da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com a legislação específica e não apenas com a lei que rege a matéria; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I; Fl. 998DF CARF MF 4 onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia; o recorrente pagou tal verba sem efetuar o desconto de 6% (seis por cento), no molde previsto pela legislação, o que implica no malferimento das disposições do art. 9º do Decreto nº 95.247/87; o Relatório Fiscal e a própria ausência de argumentos no recurso do contribuinte refutando essa prática constatam tal fato com clareza solar; a verba auxíliotransporte paga em desacordo com a legislação possui inegável natureza remuneratória; ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto; esse ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à empresa recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho; como se verifica na última parte do inciso I do art. 28, da Lei nº 8.212/91, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriode contribuição; assim, sequer o fato de ser previsto em acordo ou dissídio coletivo, pode desvirtuar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias; mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição de 1988; estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme analisado acima, deve persistir o lançamento. Requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto, mantendose a decisão proferida pela 2ª Câmara do CRPS. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O Recurso e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, convém salientar que, a despeito do que afirma a Fazenda Nacional, inexiste nos autos evidências quanto a ocorrência ou não do desconto de 6% (seis por cento) sobre a remuneração dos empregados em relação à parcela paga pela recorrente a título de vale transporte. Assim, não há como considerar tal assertiva. Por outro lado, essa questão foi pacificada neste Conselho a partir da edição da Súmula CARF nº 89. Confirase: Fl. 999DF CARF MF Processo nº 14485.001441/200712 Acórdão n.º 9202007.494 CSRFT2 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. É certo que Súmula CARF nº 89 diz respeito a contribuições previdenciárias e o lançamento em questão referese a contribuição para o Fundo Aeroviário. Contudo, as decisões que suscitaram a edição da referida Súmula fazem menção à jurisprudência, sobretudo do STF, no sentido de que tais valores têm natureza indenizatória. Senão vejamos a ementa de um Acórdão 240102.093, que encontrase entre os precedentes que fomentaram a elaboração da Súmula: VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça,os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Assim, tendo em vista que a contribuição para terceiros, inclusive para o Fundo Aeroviário, tem base de cálculo idêntica à das contribuições previdenciárias, aplicase também a elas o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 89. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial para, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1000DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002269/2002-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 02 26 9/ 20 02 -3 9 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo, em parte, o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, lavrado em 11/11/2001, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 147.121,37, discriminado em Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, multa de ofício vinculada e juros de mora, relativo a falta de recolhimento de débitos do 1º e 2º trimestres de 1997 (PA 0103/97 e 0106/97), posto que não localizados os pagamentos informados, sendo a infração enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de efls. 23. Os valores exigidos estão relacionados no Anexo III do Auto de Infração (efls. 26), a seguir reproduzido: Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou a impugnação de efls. 03/05, acompanhada de documentos. Alega, em síntese, que os débitos foram pagos, conforme DARFs cujas cópias juntou à impugnação e nela relacionou. Em análise preliminar, a autoridade do domicílio tributário da contribuinte, mediante revisão de ofício, excluiu integralmente o valor relativo ao período de apuração março/1997 e parcialmente o relativo a junho/1997, conforme o quadro a seguir reproduzido: A 11ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Mantémse a exigência fiscal dos valores declarados em DCTF, cujos pagamentos não tenham sido comprovados. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 4 3 Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que o tributo objeto da autuação mantida pela decisão recorrida foi devidamente pago, tendo juntado, já à época da impugnação, os documentos de arrecadação para comprovar a improcedência de cada período da autuação. Em recurso voluntário, a recorrente apresenta quadro (fls. 55) 1 no qual relaciona, para cada período de autuação, o valor que foi recolhido e a indicação, nos autos do processo, de seu respectivo documento de arrecadação (DARF). É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A controvérsia se restringe à autuação atinente ao período de junho de 1997, no valor original de R$ 7.219,02, cujo pagamento, segundo consta do acórdão recorrido, a contribuinte não conseguiu demonstrar. Como já assinalado no relatório, parte da autuação foi afastada, pois em procedimento de revisão do auto de infração, a própria unidade de origem concluiu que parte dos pagamentos a título de COFINS, dos trimestres 0103/97 e 0106/97, havia realmente sido realizada, restando, tão somente, a referida parcela de R$ 7.219,02, de junho de 1997 vale registrar que, no acórdão recorrido, já havia sido afastada a multa vinculada à falta de recolhimento deste período, em face da retroatividade benigna. Compulsando os autos, podese verificar que a recorrente trouxe, em fase própria de impugnação, documento de arrecadação à fl. 20, no valor de R$ 7.219,02, atinente à COFINS do período de apuração de junho de 1997. Tal valor corresponde precisamente ao valor do débito de COFINS objeto do presente litígio. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do eprocesso. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11610.002269/200239 Resolução nº 3003000.006 S3C0T3 Fl. 5 4 Ademais, analisando os autos, verificase a existência de extrato retirado do sistema RFBSIEF à fl. 60, no qual há a indicação de quitação de débito de COFINS, do período de apuração 06/1997, no valor de R$ 7.219,02, por meio de pagamento com DARF. Examinando o despacho decisório e a decisão recorrida, não há qualquer explicação sobre a razão da improcedência do suposto pagamento vinculado ao DARF à fl. 20. Teria o pagamento sido utilizado para quitação de outro débito? O pagamento não teria sido localizado? O extrato do sistema SIEF, à fl. 60, não seria suficiente para demonstrar que houve pagamento do débito de COFINS do período 06/1997, fato que afastaria a autuação? À luz do princípio da verdade material e considerando que a recorrente apresentou, em momento processual adequado, documentos robustos para demonstrar seu pleito, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Verificar a consistência do pagamento referente ao DARF à fl. 20, período de apuração de 06/97, tributo COFINS, no valor de R$ 7.219,02, adotando todos os procedimentos cabíveis à confirmação de sua arrecadação, e analisando, em especial, sua disponibilidade para a quitação da autuação objeto do presente litígio. 2. Apresentar relatório com parecer conclusivo, justificando a razão do documento de arrecadação apresentado pela recorrente (fl. 20) não ter sido suficiente para afastar a autuação se for, obviamente o caso. O relatório deverá ser minucioso e fundamentado, devendo conter todos os elementos e documentos que esclareçam a consistência da autuação vide demonstrativo à fl. 44, sobretudo em face dos documentos apresentados pela recorrente, do extrato do sistema RFBSIEF à fl. 60 e de outros elementos que a autoridade tributária entender como necessários. A diligência deverá esclarecer, em suma, se o débito de R$ 7.219,02, atinente à COFINS do período 06/1997, objeto da autuação questionada nos autos, já havia sido pago, considerando, entre outros elementos, o referido documento de arrecadação (fl. 20) e o próprio extrato do sistema RFBSIEF (fl. 60) que parece comprovar o fato de ter havido pagamento da COFINS, período de 06/1997, antes da autuação fiscal. 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 13906.720193/2017-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência)
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-000.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (e-fls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12-A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (e-fls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. A incidência da tributação exclusivamente na fonte prevista no art. 12A da Lei nº 7.713/88 somente passou a englobar os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidades de previdência complementar com a publicação da Medida Provisória nº 670/15, que deu nova redação ao artigo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurase o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observandose o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (efls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 6. 72 01 93 /2 01 7- 13 Fl. 122DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 36/46) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 20/29), onde se apurou: Omissão de Rendimentos do Trabalho e Número de Meses Relativo a Rendimentos Recebidos Acumuladamente Indevidamente Declarado – Tributação Exclusiva. O contribuinte apresentou defesa (efls. 03/04) alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, uma vez que estes foram recebidos acumuladamente e tributados exclusivamente na fonte, e que o número de meses declarado está correto, conforme documentos acostados. A impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/CGE (efls. 53/55), a qual manteve o crédito tributário exigido no lançamento. Cientificado da decisão de piso em 09/05/2018 (efls. 58), o interessado ingressou com recurso voluntário em 23/05/2018 (efls. 62/65), acompanhado de documentos (efls. 66/117), com os argumentos resumidos através dos excertos a seguir. Primeiramente, cumpre destacar que o auto de infração lavrado tem como Objeto a suposta omissão de rendimentos do trabalho, recebido em Ação Trabalhista da 03a Vara do Trabalho de MaringáPR. Tratase de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF. [...] Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13906.720193/201713 Acórdão n.º 2002000.606 S2C0T2 Fl. 123 3 pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. [...] Considerando ainda que os rendimentos recebidos acumuladamente submetidos à tabela progressiva, quando correspondentes aos anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, por força da alteração do art. 12A da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, promovida pela Lei n° 13.149, de 21 de julho de 2015. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame da Notificação de Lançamento verificase que a autoridade fiscal apurou a omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente através da Caixa Econômica Federal, os quais haviam sido declarados pelo contribuinte como tributáveis exclusivamente na fonte, por consistirem em complementação de previdência privada (efls. 36/46). A decisão recorrida manteve o lançamento conforme razões a seguir reproduzidas (efls. 54/55): Analisando os documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 17 a 20), podemos concluir que houve decisão judicial, a qual resultou em pagamento de complementação de aposentadoria, no valor total de R$ 115.992,89. O artigo 12A da Lei nº 7.713/1988 estabelece que: Fl. 124DF CARF MF 4 Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Como pode ser observado acima somente os valores de aposentadorias pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando pagas de forma acumulada, poderão ser tributadas exclusivamente na fonte. No presente caso os valores foram pagos pelo Itaú Unibanco S/A estando sujeitos, portanto, à tributação no mês de recebimento, mediante a aplicação da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física. Considerando que o contribuinte não ofereceu à tributação tais rendimentos, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos. Impõese observar, inicialmente, que o art. 12A da Lei nº 7.713/88, acrescido pela Medida Provisória nº 497/10, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/10, alterou a sistemática de tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA, quando correspondentes a anos calendário anteriores ao do recebimento. Tais rendimentos passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos, e o imposto calculado mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Cumpre ressaltar, contudo, que, no ano calendário em exame, a incidência da tributação exclusivamente na fonte tinha um alcance limitado, não englobando os rendimentos pagos pelas entidades de previdência complementar, mas apenas os rendimentos do trabalho e os rendimentos provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, tal como exposto na decisão de piso. Somente com a publicação da MP nº 670/15, depois convertida na Lei nº 13.149/15, que deu nova redação ao art. 12A da Lei nº 7.713/88, a restrição quanto à natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente foi extinta, passando a abranger qualquer verba percebida. Correto, portanto, o entendimento da DRJ quanto à inaplicabilidade da sistemática do art. 12A da Lei nº 7.713/88 no caso concreto. No entanto, assiste razão ao recorrente quanto à alegação de que o cálculo do imposto deve considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias. Sobre o assunto, o art. 12 da Lei nº 7.713/88, vigente à época do fato gerador, assim estabelecia: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13906.720193/201713 Acórdão n.º 2002000.606 S2C0T2 Fl. 124 5 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Ocorre que no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, o Plenário do Supremo Tribunal Federal STF afastou a aplicação do art. 12 da Lei n° 7.713/88, consolidando o entendimento de que o imposto de renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, com a utilização das alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos, mês a mês, e não a alíquota relativa ao total satisfeito de uma única vez. A decisão foi assim ementada: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nesse ponto, importa observar que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015. Assim, o imposto incidente sobre os rendimentos decorrentes de complementação de aposentadoria recebidos acumuladamente no ano calendário 2012 deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem, ou seja, pelo regime de competência, afastandose a aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, determinando o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, no montante apurado de R$ 75.392,37 (efls. 38), com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000062/2003-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA
Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644,7.36-PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para
o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.152
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros José Sérgio GOMES (Relatar) e Gervásio Nicolau Recketenvald, Designado para
redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Sergio Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO, DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644,7.36-PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
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Recorrida 3" TUR.MA/DR.I-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995 RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736-PE, em 6 de .junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do R.Esp 1,002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complemental 118/05 Com a não consumação da decadência os autos devem retornar à DRE de origem para a apreciação do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos a DIU de origem para exame do mérito, vencidos os Conselheiros Jose Sergio Gomes (Relator) e Gervásio Nicolau Recketenval& Designado para redign o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado EDITADO EM - lo 10 V 2010 HIGUE0 TAKATA Redator Designado MAR Participar am do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Per cinio da Silva (Presidente), José Sérgio Gomes (conselheiro substituto), Marcos Shigueo Takata, Gervásio Nicolau Recketenvald, Hugo Correia Sotero, Erie Moines de Castro e Silva, 2 Processo n" 13975 000062/2003-05 SI-CI T.3 Aceirckio n " 1103-00152 H 124 Relatório Em foco recurso voluntário contra a decisão da 3" Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que negou provimento à solicitação de reforma do despacho decisório do Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC que, poi sua vez, indeferiu a compensação de apontado saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), apurado pelo contribuinte no ano-calendário de 1995, com débito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Turidica (IRPJ) afeto a estimativa (antecipação) do mês de janeiro de 2003 A declaração de compensação foi protocolada em 26/02/2003, fazendo-se acompanhada de cópias da Declaração de Rendimentos (DIRPJ) do exercício de 1996 e do contrato social. Analisando-a, decidiu a Delegacia da Receita Federal em Blumenau pela ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição/compensação em vista de exaurido o prazo qüinqüenal ditado pelo artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), cujo inicio de contagem, em razão da contribuinte ter optado pelo regime de apuração pelo lucro real anual, se deu em de janeiro de 1996, mês seguinte ao encerramento do ano-calendário, conforme estipulado pelo artigo 5" da Instrução Normativa SRF n" 460, de 18 de outubro de 2004. Inconformada, a contribuinte ingressou corn manifestação de inconformidade argüindo, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por homologação 6 de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (SD) e de alguns Tribunais Regionais Federais, afora recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 01-04,988). Assim, como a Requerente *moil o recolhimento da CSLL no ano de 1995, a homologação tácita ocorreu somente em 2000, e a partir clai conta-se cinco anos par a o prazo prescricional, ou seja, a prescrição irá ocoi el somente em 2005. Aquela .3" Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto da decisão da autoridade -fiscal, isto 6, ratificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de saldo negativo da CSLL extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de Meer): amento do período de apuração, qual seja, o da extinção do crédito tributário, que se (Id com o pagamento, consoante interpretação trazida pelo artigo 3' da Lei complementar n" 118, de 2005. Ciente do decisório em 26 de novembro de 2007, II 72, a contribuinte apresentou em 26 do mês seguinte o recurso voluntário e documentos de tis 73/120 colacionando julgados (inclusive deste Conselho) no sentido de ser decenal o prazo para repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Discorreu, também, acerca da inaplicabilidade das disposições da Lei Complementar n" 118, de 02 de fevereiro de 2005, pot ferir os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade. Ao final, requereu que lhe seja reconhecido r direito e homologada a compensação efetuada. E o relatório, em apertada síntese_ 3 Voto Vencido Conselheiro JOSE SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintidio legal Assim sendo, dele tomo conhecimento. Firmo entendimento de que ao formular o pedido de restituição indireta (compensação) em 26/02/2003 almejando a repetição de saldo negativo de CSLL ocorrente em 31/12/1995 a contribuinte já decaira do direito repetitório, pois transcorrido o prazo quinquenal a que alude o artigo 168, I, do CTN, cuja contagem se inicia na data do efetivo pagamento, modalidade extintiva do credito tributário, e não da homologação do lançamento ditada pelo ti go 150, § 4" desse codex.. O Código Tributário Nacional disciplina o direito à repetição do indébito tributário em confirrmidade com as regras que se seguem: "Art 16,5 0 sujeito passivo lain clii eito, independentemente de évio pio/es/o, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade cio .seu pagamento, iessalvado o disposto no S 4" do at 162, nos seguintes casos I cob, angel ou pagamento espontâneo de ti ibuto indevido ou maio, que o devido em face da legislação ti ibutária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materials do fat° gerador efetivamente ocorrido, Art 168 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de .5(cinco) anos, contados I - nas hipatere,s dos melros I e II do art 165, da data da extinção do crédito tributário, Embora o Superior Tribunal de Justiça tenha sufragado a tese almejada pela defésa, no sentido de que dito marco é contado após os cinco anos fixados para o Fisco homologar o lançamento a que alude o artigo 150 do CTN (a tese dos cinco mais cinco), impera o fato de que o legislador complemental veio lançar a pá de cal nesta questão, a ver pelo artigos 3" e 4" da Lei Complementar n" 118, de 9 de fevereiro de 2005. Referidos dispositivos assim se expressam: "Ai 1 150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cl//a legislação attibua ao .rujeito passim o clever de antecipar o pagamento rein prévio cyanic da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a i eferida auto; idade, tomando conhecimento da atividade assim obi igado, expres.samente a homologa eve; cicia pelo 4 COMES JOSE ões, VOTO pelo improvimento do recurso voluntário Co Processo n" 13975 000062 12003-05 SI-C1T3 Acónirto n " 1103-00_152 Fl 125 I" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo ex-tingue o ciédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento s 4" Se a lei não /1 vai prazo a homologação, será ele de cinco alms, a contar da ocorrência do lino gerador,- expirado esse prow sem que a Fazenda Publica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente estinto o crédito, calvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art 3' Para eleito de interpretação do inciso 1 do art 168 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a estinção do crédito tributário ocm re, no caso de tributo sujeito a lançamento por hoinologagão, no momento do pagamento antecipado de que (rota o I' do art 150 dar*ritia Lei Art 4' Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3'2, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional "(ênfase acrescida)" Como visto, o artigo 3" fixa que o prazo para a Fazenda Pública homologar lançamento derivado de pagamento antecipado não se confunde corn o prazo, igualmente qüinqüenal, de contagem de decadência do direito de repetir.. Referida norma é suficientemente objetiva e não deixa dúvida quanto ao requisito temporal de admissibilidade do pedido de reconhecimento do direito creditorio, estipulando que o contribuinte tern um prazo de cinco anos contados da data em que o pagamento configurou-se como indevido para formalizar a solicitação de sua restituição junto A unidade administrativa_ Os pronunciamentos jut isprudenciais trazidos pela defesa, aos quais rendo respeito, tam força de lei somente entre as partes nos limites das lides e das questões decididas (CTN, art. 100)„ No que diz respeito A afirmativa de que o reconhecimento da decadência está amparada em legislação que fere institutos e princípios constitucionais e infraconstitucionais, cabe esclarecer que estas matérias não são oponíveis na esfera administrativa, pois o controle jurisdicional da constitucionalidade das leis compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário„ 5 Voto Vencedor Conselheiro MARCOS SHIGUEO 'TAKATA, Redator Designado Peço vênia ao nobre relator, para dissenso quanto à questão do prazo decadencial para a repetição de indébito. Particularmente, minha interpretação 6 a de que o direito à repetição ou compensação de "pagamento" indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior 6 fulminado pela decadência com O decurso de cinco anos da data do "pagamento" indevido ou maior Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Alias, pagamento 6 forma de extinção de obrigação poi excelência . Embora o art. 150 do CTN use a expressão "pagamento antecipado", o próprio § 1" reconhece que se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgrado a literalidade tale em "ulterior homologação do lançamento", evidente a erronia: o que resolve o pagamento é a ulterior não homologação). Como o CTN se aferia à indispensabilidade do lançamento, ele constrói a figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da ocorrência do fato gerador.. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva, o corolário lógico e inescapavel 6 o de que a chamada homologação tácita opera a decadência do direito de lançar. Isto 6, não ha mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), corn o decurso de certo tempo + a inércia da autoridade tiscalizadora: para não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chama-se a isso de homologação tacita. Não se poder resolver o pagamento (que extingue a obrigação) é decair do direito de lançar; decadência que tem o mesmo suporte fritico da chamada homologação tácita Pode-se, pois, dizer que essa tem como sua contraface a decadência. Exegese diversa coaompe a lógica e o sentido do art. 150 do CTN. Pot outro lado, o STJ assentou a seguinte inteligência, por sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Intlingência no Recurso Especial (AI nos EREsp) 644.736/PE, de 6/06/07 1 . 0 art. 3" da Lei Complemental 118/05 só pode ter eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando só é aplicável "sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência": após 120 dias da publicação da Lei - Complementar 118/05, isto 6, a pattir de 9/06/05. Nesses moldes, a segunda parte do art, 4' da Lei Complemental: 118/05 não passa pelo teste de validade E isso porque o STF, em recurso extraordinário em face do "decisum" prolatado nos autos dos EREsp 644 736/PE, reconheceu a ofensa ao art 97 da CF (principio da reserva de plenário), com a consequente inconstitucionalidade daquele acórdão Dai a 1" Seção do ST1 impor o processamento, perante a Corte Especial do SD, de incidente de inconstitucionalidade do art 4" da Lei Complementar 118/05 6 Process° n" 13975 00006212003-05 SI -C113 Acórd5o n° 1103•0152 Fl 126 Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo ST1, por - sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da Al nos EREsp 644.736/PE: a) solne pagamentos indevidos antes de 9/06/05, permanece o entendimento de que o prazo "prescrieional" para repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/06/05, o referido prazo "prescricional" é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. E a inconstitucionalidade foi declarada pelo orgao especial do STJ, em conformidade com o art. 97 da CF 2 , e em consonância com a Súmula Vinculante n" 10 do Supremo Tribunal Federal 3 Ainda, mais recentemente, a 1" Seção do STJ julgou, em sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art 543-C do CPC, o REsp 1,002..932-SP, em 25 de novembro de 2009. No julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, consagrou-se derradeiramente a interpretação dada no julgamento da Al nos EREsp 644.736/PE: a) solme os pagamentos indevidos antes de 9/06/05, o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributário é de cinco mais cinco, limitado ao pi azo maxim° de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos a partir de 9/06/05, o prazo "prescricional é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Como .já disse, não comungo com tal intelecção pelas razões adrede colocadas. Entretanto, diante do . julgamento do REsp 1 .002.932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, forçoso se reconhecer - a pacificação da matéria no STE. Outrossim, v.g,, no REsp 1.096.288-RS, julgado em 9/12/09, no Agravo Regimental (AgRg) no Agravo de Instrumento I 056,899-SP, julgado em 15/12/09, no AgRg no REsp 1.045.690-SP, julgado em 15/12/09, em todos esses julgamentos se fez expressa remissão a interpretação consagrada no regime repetitivo no R.Esp 1.002.932/SP.. Embora discorde desse entendimento do STI, ern face do quadro posto curvo- me a afetação da interpretação do ST.1, para reconhecer o prazo decadencial (ou "prescricional" como quer o STJ) dos cinco mais cinco anos, limitado a cinco anos a contar da vigência da nova lei (Lei Complementar 118/05) Sob o manto dessas razões, reconheço inexistir a consumação do fenômeno decadencial, Art 97 Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público Sumula n" 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgãO fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo clo poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte Nessa ordeal de considerações, dou provimento ao recurso, para que os presentes autos sejam devolvidos à DRE de origem para a apreciação do mérito. o meu voto. MAR FUGUE() TAKATA O
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929603/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/04/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/04/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, em conformidade com as regras estabelecidas pelos arts. 33 e 5o do Decreto no 70.235/1972. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça recursal apresentada. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos (relator original), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 96 03 /2 00 8- 46 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP, indeferida por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) é prestadora de serviços a pessoa jurídica residente no exterior, isenta de recolhimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP sob a receita de serviços, conforme MP no 2.15835/2001 (at. 14, III e § 1o); e (b) recolheu indevidamente a COFINS, lançando a débito em DCTF, que retificou antes do despacho decisório. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado, que teria ensejado a retificação da DCTF). Após ciência da decisão da DRJ, em 23/01/12, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 05/03/2012, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando cópia de documentos e livros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.473, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.925640/200885, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.473): "Conforme relatado a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ no dia 23 de janeiro de 2012, através de carta postal com aviso de recebimento. Vejase: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 3 Diante de seu inconformismo a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05 de março de 2012, conforme carimbo constante na capa do recurso, a seguir exposto: O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. Ademais, a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Oportuno mencionar sobre o Princípio da Continuidade, segundo o qual, iniciada a contagem, incluemse os finais de semana e feriados (não se contam apenas os dias úteis). Diante das considerações explanadas e que a recorrente foi cientificada no dia 23/01/2012, terçafeira, temse que o prazo iniciou no dia 24/01/2012 e encerrou 30 (trinta) dias depois, em 22/02/2012, quartafeira. Portanto, o recurso da recorrente é intempestivo, pois foi interposto apenas no dia 05 de março de 2012, 12 (doze) dias após o término do prazo, sem nenhuma justificativa. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.929603/200846 Acórdão n.º 3401005.479 S3C4T1 Fl. 0 4 Ante o exposto, voto por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a apresentação da defesa encontrase intempestiva, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da peça apresentada a título de Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902140/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.684
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, cuja homologação não se deu nos termos requeridos pela recorrente. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados no fato de que teria tributado erroneamente à alíquota de 3% as receitas de venda de produtos de Código NCM 9018.39.29, sujeitos à alíquota zero (Decreto nº 6.426/2008), tendo, inclusive, retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório para constar o valor correto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 02 14 0/ 20 13 -1 7 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10580.902140/201317 Resolução nº 3402001.684 S3C4T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, vez que ela, em desacordo ao disposto no art. 147 do CTN, limitouse à retificação da DCTF, sem a comprovação do erro correspondente. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que o recolhimento a maior poderia ser facilmente comprovado pelas Notas Fiscais juntadas, bem como pelos livros fiscais da empresa, comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB e pela sua Declaração de Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.683 de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.910312/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.683): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O julgador a quo salientou em sua decisão que: "Para que fosse possível apurar se houve tributação indevida de parte de suas receitas, o interessado deveria ter apresentado todas notas fiscais do período de apuração, acompanhadas dos livros contábeis, para que se pudesse contabilizar as receitas totais, apartar as receitas tributadas à alíquota zero e comparar a Cofins devida com o montante recolhido". Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou os documentos reclamados na decisão recorrida, os quais, poderiam, em tese, comprovar o seu direito creditório ou parte dele. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10580.902140/201317 Resolução nº 3402001.684 S3C4T2 Fl. 4 3 julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.000687/2010-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
MULTA. ATRASO ENTREGA. DECLARAÇÃO. DIPJ.
O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, sujeitando-se à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração.
Numero da decisão: 1003-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA. ATRASO ENTREGA. DECLARAÇÃO. DIPJ. O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, sujeitandose à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 06 87 /2 01 0- 07 Fl. 37DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto visando a reforma do Acórdão 12 34.217, proferido pela 5ª Turma da DRJ/ RJI, em 11 de novembro de 2010 (fls 19/21), que julgou procedente o lançamento efetuado (fls.03 ), relativo à exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2005, ano calendário 2004, nos seguintes termos: ASSUNTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 EMENTA DISPENSADA Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 64, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às fls. 27/31, apresentou recurso voluntário, praticamente, reproduzindo os argumentos trazidos quando da impugnação, destacando, em síntese, que: a) o lançamento deuse sob o fundamento de que a Recorrente não teria observado a data final (dia 30/06/2005) para entrega da DIPJ do exercício de 2005, ano calendário de 2004, vez que sua efetiva entrega deuse somente em 11/02/2009; b) tal alegação não pode prevalecer, tendo em vista que apresentou sua declaração acessória do imposto de renda do referido exercício dentro do prazo legal, ou seja, 30/05/2005, por meio da PJSI 2005 Simples; c) à época estava incluída no Sistema de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, tendo sido excluída deste sistema pelo Ato Declaratório n° 445754, de 07/08/2003, contra o qual interpôs o competente recurso administrativo (processo n° 13736000817/200386), cuja decisão final somente se deu em 07/12/2007, quando restou definitiva sua exclusão do Simples, com data retroativa a 2004; d) o acórdão recorrido ignorou tal pendência recursal acerca de sua exclusão do SIMPLES, discussão essa que "tornou a questão como inconclusiva", até a decisão final em 07/12/2007, período em que não estava obrigada à apresentação da DIPJ, ou seja, após a interposição do recurso e antes da decisão final em 2007, cabialhe entregar a declaração de imposto de renda através do sistema SIMPLES, o que foi feito no prazo legal; e) o próprio acórdão da DRJ, contraditoriamente, reconheceu e admitiu que houve a apresentação tempestiva da DSPJ ano calendário 2004, mas que esta não poderia ser acolhida como retificadora, implicando a procedência do lançamento; Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10886.000687/201007 Acórdão n.º 1003000.398 S1C0T3 Fl. 38 3 f) a decisão da DRJ/RJI deve ser reformada, reconhecendose a improcedência da aplicação da multa expressa no Auto de Infração correspondente, com o cancelamento da penalização imputada. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 1234.217, proferido pela 5ª Turma da DRJ/ RJI em 14/12/2010 (fls. 32) e apresentou o recurso competente em 11/01/2011 (fls. 2731). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância em sua impugnação, objetivando a reforma do acórdão recorrido. Contudo, não foram produzidos, pois, no processo, novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já ofertado evidencia que o procedimento de ofício está correto. Desta forma, de acordo com o teor do par. 3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF1, e, por entender que de fato, a decisão recorrida não merece ser reformada, visto serem irretocáveis as considerações nela aduzidas colaciono a este voto parte do seu texto, como fundamento desta decisão: 1 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 39DF CARF MF 4 Conforme determina o art. 16 da Lei das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte "SIMPLES" (LEI n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996), temos que: Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Os efeitos da exclusão da interessada se processaram a partir de 01/01/2002, por força do Ato Declaratório Executivo DRF/NIT n° 445754, de 07 de agosto de 2003, e assim estaria a interessada obrigada à apresentação da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2005, anocalendário 20045 cujo prazo final para entrega encerrouse em 30/06/2006, tendo a mesma apresentadoa somente em 11/02/2009, corretamente ensejando a multa exigida no auto de infração objeto do presente processo. Cumpre destacar que, apesar da interessada ter apresentado tempestivamente Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ SIMPLES do mesmo exercício de 2005, anocalendário de 2004, não há como considerar a DIPJ que ensejou a autuação como sua declaração retificadora, desta forma afastando a aplicação da multa por atraso, uma vez que, por força do art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, não pode ser considerada como retificadora a declaração apresentada com regime de tributação diferente da inicial. Destarte, há que se considerar como declaração original para o exercício de 2005, anocalendário 2004, a DIPJ apresentada extemporaneamente e, por conseguinte, sujeitandose à penalidade pelo respectivo atraso. Ademais, cumpre ressaltar que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, a pendência de solução final do litígio administrativo referente à sua exclusão do SIMPLES, não lhe garantiu a desobrigação do cumprimento dos deveres instrumentais aos quais estava sujeito, como o caso da entrega tempestiva da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, relativamente ao exercício de 2005, anocalendário 2004. Afinal, não há no Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso em voga, bem como o art. 151, III, do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Assim, eventuais pedidos de dispensa do cumprimento das obrigações acessórias e principal não encontrariam azo na legislação pertinente. Portanto, entendese haver previsão legal para a cobrança a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, conforme lançamento de fls. 03, a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar a penalidade prevista na legislação ao seu próprio arbítrio, sob pena de responsabilidade funcional (art. 141, CTN). Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10886.000687/201007 Acórdão n.º 1003000.398 S1C0T3 Fl. 39 5 Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903848/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.645
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 03 84 8/ 20 09 -7 6 Fl. 156DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 4 3 limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10983.903848/200976 Resolução nº 1201000.645 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 14120.000218/2008-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE METAS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGENTE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A simples utilização do critério da assiduidade para fins de cumprimento de metas ou resultados, por si só, não atende ao disposto em lei.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Numero da decisão: 9202-007.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE METAS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGENTE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A simples utilização do critério da assiduidade para fins de cumprimento de metas ou resultados, por si só, não atende ao disposto em lei. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 18 /2 00 8- 78 Fl. 328DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2401003.803 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de dezembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 216: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 9202007.413 CSRFT2 Fl. 3 3 In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 233 a 240, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 261 a 264, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à assiduidade parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR (Contribuições Previdenciárias Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados). Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o ponto nuclear posto em debate atine à possibilidade de a verba denominada pelo contribuinte como “participação nos lucros” integrar ou não o salário de contribuição para fins de cobrança de exações destinadas à Seguridade Social; b) a verba intitulada de “Participação nos Lucros ou Resultados” foi paga pela contribuinte em desacordo com os dispositivos legais, conforme devidamente enfatizado no conjunto fáticoprobatório do Relatório Fiscal, uma vez que o Acordo Coletivo de Trabalho não estabelece qualquer programa de resultados a serem cumpridos pelos beneficiários (empregados); c) não é a mera instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Convenção Coletiva de Trabalho referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório; d) os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo), por si só, e desacompanhado de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem aos Fl. 330DF CARF MF 4 parâmetros do programa de metas delineados no art. 2º da Lei 10.101/2000; e) por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9º, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 317 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) resta claro que a assiduidade é uma meta da mais alta importância na atividade empresarial desenvolvida pela recorrida; b) a Recorrida não efetuou qualquer pagamento em desacordo com a Lei 10.101/2000; c) é perfeitamente possível que as Convenções coletivas de trabalho ou acordos coletivos possam considerar a assiduidade dos trabalhadores como um fator influente nos lucros ou resultados de uma empresa e aceitála como meta a ser alcançada, podendo, portanto, e sem qualquer ofensa à lei, inserir cláusula que considere a assiduidade dos trabalhadores como um fator que causa reflexos na apuração de resultados ou lucros; d) o acórdão trazido pela Recorrente não traduz a melhor interpretação da Constituição Federal e da legislação reguladora da distribuição de lucros ou resultados, consubstanciada na Lei 10.101/2000 e na Lei 8.212/1991, não merecendo acatamento para reformar a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Tratase de crédito tributário de contribuição social como definido na alínea "a", parágrafo único, do artigo 11 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, correspondente à quota dos empregados incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. O fato gerador das contribuições apuradas neste levantamento ocorreu pelo pagamento ou o crédito de remuneração mensal aos empregados através da verba PLP MENSAL, no período de 01/2004 a 12/2004. Esta verba não foi considerada na base de cálculo das contribuições recolhidas. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 9202007.413 CSRFT2 Fl. 4 5 Conforme narrado, a matéria objeto do Recurso Especial, a qual foi admitida para rediscussão referese à assiduidade como parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da Participação nos lucros ou resultados. O acórdão recorrido consignou entendimento no sentido da possibilidade de utilização da assiduidade como meta, em atendimento à Lei 10.101/2000, consoante se extrai dos trechos abaixo transcritos: Ora, tratandose de empresas de ônibus, com mais razão a assiduidade dos funcionários, especialmente motoristas, é determinante ao alcance de lucros ou resultados pretendidos. Havendo faltas de funcionários desse ofício, como exemplo, diminuirão os veículos em trânsito, exigindo o cumprimento de horas extras de outros motoristas ou deslocamentos para cumprir o serviço. Em outra via, o fato de a apuração do valor a ser pago ser mensal, igualmente, não afronta à legislação de regência. Trata se de simples mecanismo de aferição da importância a ser paga, verificada a cada mês, mas apurada ao final do ano para o pagamento em duas parcelas no ano subseqüente. Ou seja, não há se falar em pagamento mensal, mas, sim, de apuração mensal, com percentual predeterminado, estabelecendo o critério da assiduidade para fins de se chegar ao valor a ser destinado a cada funcionário. Como se observa, é um critério claro e objetivo e de fácil entendimento por parte dos funcionários, indo, portanto, ao encontro com os pressupostos exigidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria. Partindo dessas premissas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Não obstante os fundamentos expostos, o meu entendimento converge com o disposto no voto vencido constante do Acórdão de Segunda Instância, pois, com a análise dos termos da Convenção Coletiva, não se vislumbra a estipulação de meta ou resultado, mas sim a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários, conforme fundamentos abaixo colacionados: Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 332DF CARF MF 6 XI. participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O seu art. 1.º dispõe: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Essa diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer regramento infraconstitucional que venha a lhe impor determinados condicionamentos, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estar seia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. (...). Assiduidade como condição para pagamento da PLR A outra questão abordada no recurso referese a utilização da assiduidade dos empregados como condição para que façam jus a participação nos resultados. Iniciemos pela transcrição dos dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho que deu ensejo ao pagamento da verba sob discussão: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 9202007.413 CSRFT2 Fl. 5 7 "44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. 11. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3.º , § 2.º, da Lei 10.101, de 19/12/2000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único. O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário." Conforme se observa não há qualquer resultado ou meta estipulada na CCT, o que esta dispõe é a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários. A recorrente, por sua vez, sustenta que essa condição está em perfeita consonância com a Lei n.º 10.101/2000, posto que as faltas dos empregados gera uma perda de produtividade, que impacta nos resultados do negócio. De acordo com a Lei n.º 8.212/1991, transcrita acima, os valores pagos a título de PLR somente estarão excluídos do saláriode contribuição caso sejam pagos em obediência à lei específica que no caso é a Lei n.º 10.101/2000. Esta exige que o instrumento de negociação entre patrão e empregados contenha regras claras e objetivas quanto à aferição do direito à percepção do benefício. Eis o que dispõe o § 1.º do art. 2.º: §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 334DF CARF MF 8 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Quando analisamos o texto da Convenção Coletiva acima, fica evidente o não atendimento da regra legal citada. Sabese que esta norma menciona critérios e condições que podem ser eleitos no instrumento de negociação, sendo a relação meramente exemplificativa, todavia, o pagamento da PLR deve estar atrelado a algum parâmetro. No caso sob apreciação, verificase que a empresa fica obrigada a pagar a cada empregado o valor correspondente a 11% do seu salário nominal, desde que o empregado não conte com nenhuma falta ao trabalho, podendo este valor ser reduzido em razão do absenteísmo do trabalhador. Na verdade estamos diante de um benefício que não decorre de qualquer meta da empresa, o qual, todavia, pode ser reduzido como punição ao empregado pela falta ao trabalho. De se concluir que, inexistindo na Convenção Coletiva metas corporativas ou individuais a serem alcançadas, o pagamento da verba em questão está em dissonância com a lei de regência, não se aplicando a isenção prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. (...). Não devo acatar também a tese de que a verba poderia ser tratada como "abono assiduidade", a qual estaria fora do campo de tributação para a Seguridade Social. Analisando o § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, dispositivo que traz relação exaustiva dos casos de exclusão de parcelas do saláriodecontribuição, não se verifica qualquer menção ao abono relacionado à frequência ao trabalho. Assim, por falta de previsão legal não se admite que este tipo de abono deixe de sofrer a incidência de contribuições. Quando a Lei (item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28) fala não incidência sobre o abono, faz a ressalva que devem ser excluídos do saláriodecontribuição apenas os abonos expressamente desvinculados do salário, o que não é o caso, haja vista que na espécie o ganho representa o percentual de 11% do salário do empregado para cada mês trabalhado. (...). Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Além dos argumentos expostos, entendo que a assiduidade, que diz respeito ao comparecimento contínuo do colaborador a seu trabalho, é dever elementar do empregado, podendo o seu descumprimento, inclusive, ocasionar justa causa para a rescisão do contrato de trabalho por desídia, conforme se observa do art. 482, alínea "e" da Consolidação das Leis do Trabalho. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 14120.000218/200878 Acórdão n.º 9202007.413 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, a simples utilização do critério da assiduidade não se mostra suficiente para fins de cumprimento de metas ou resultados necessários ao recebimento da PLR desvinculada do salário, de acordo com a interpretação atribuída à Lei 10.101/2000. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 336DF CARF MF
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