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Numero do processo: 18088.720353/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 28/02/2013
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. EXTINÇÃO DO DIREITO.
O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extingue-se em cinco anos contados do recolhimento ou do pagamento indevido.
O STJ, no julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência da LC 118/2005 o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE MEDIDA JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO.
Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de medida liminar em Mandado de Segurança não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Ausência momentânea: Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados do recolhimento ou do pagamento indevido. O STJ, no julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência da LC 118/2005 o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE MEDIDA JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 53 /2 01 3- 03 Fl. 3829DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de medida liminar em Mandado de Segurança não se configura óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.824 3 Relatório Período de apuração: 01/03/2011 a 28/02/2013 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.050.6950 decorrente de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 2150/2266. O lançamento fiscal é composto pelo levantamento codificado como “GL – GLOSA DE COMPENSAÇÃO” e compreende as competências do período de março de 2011 a fevereiro de 2013. As compensações glosadas foram declaradas em GFIP, conforme quadro demonstrativo constante no item 3.1. do Relatório Fiscal ,a fl. 2.150. A Fiscalização apurou que o Contribuinte patrocina as seguintes ações judiciais, com as correspondentes características e que se encontram nos respectivos estágios de tramitação: · Mandado de segurança nº 415866.2011.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre as seguintes rubricas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílio acidente, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, adicional noturno, tendo sido a liminar deferida em relação apenas às seguintes rubricas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílioacidente, abono assiduidade, abono único anual. O processo encontrase pendente de decisão acerca da admissibilidade de recurso de apelação; · Mandado de segurança nº 487782.2010.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras, tendo obtido decisão favorável apenas em relação ao terço constitucional de férias. A ação judicial ainda se encontra tramitando, conforme consulta à pagina eletrônica do TRF da 3ª Região; · Mandado de segurança nº 814865.2011.4.03.6120 – referese ao lançamento fiscal DEBCAD 37.306.1552, que, ao que consta, trata de glosa de compensações relativas ao terço constitucional de férias, tendo sido indeferido o pedido, com extinção sem julgamento do mérito. Presentemente o processo aguardase decisão acerca da apelação proposta pelo Contribuinte. Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 · Mandado de segurança nº 1241682.2010.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre férias, gratificações eventuais, salário maternidade e décimo terceiro salário, tendo havido inicialmente o indeferimento da liminar, o que revertido, em seguida, em relação às férias gozadas, saláriomaternidade e gratificações eventuais. Ação julgada improcedente em primeira instância, com decisão mantida em apelação proposta ao Tribunal Regional Federal. Processo ainda tramitando, conforme consulta à pagina eletrônica do TRF da 3ª Região. Da análise dos demonstrativos apresentados pelo Contribuinte a Fiscalização apurou que a compensação foi realizada da seguinte forma: (a) Foram apurados os créditos consolidados nas tabelas do Anexo II, a fls. 2186/2188, que foram se acumulando, sendo compensadas partes indistintas deste crédito acumulado em várias competências; (b) Não há detalhamento da composição do valor compensado em cada competência, ou seja, não há a determinação dos valores originários, competências, rubricas e juros compensados, nem da composição do saldo a compensar nas competências seguintes; (c) O saldo a compensar, que também se constitui de uma parcela indistinta do crédito apurado e consolidado, é atualizado com juros fixos de 1%, incidente no mês de cada compensação, independentemente do tempo que transcorre entre a apuração e consolidação dos valores e a efetiva compensação; (d) Não há análise da fluência do prazo prescricional sobre os saldos a compensar, uma vez que não há determinação dos valores originários, rubricas e competências que os constituem. Através do TIF n° 02, a Fiscalização intimou o Contribuinte a esclarecer, por escrito, qual a metodologia adotada nas compensações dos créditos apurados, com a discriminação da fundamentação legal. O Contribuinte foi intimado, ainda, a apresentar as planilhas de cálculo que demonstram a composição dos valores compensados e dos saldos a compensar, para cada uma das competências em que houve compensação (de 03/2011 a 08/2012), com as respectivas informações (competências compensadas e a compensar, valores originários compensados e a compensar, rubricas compensadas e a compensar e juros compensados). O Contribuinte não apresentou resposta ao TIF n° 02 e foi reintimado através do TIF n° 03, recebido por via postal em 06/05/2013. Em 24/05/2013, o Contribuinte protocolou pedido de prorrogação de prazo, para atendimento ao solicitado no TIF n° 04, até o dia 20/06/2013. Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.825 5 Em 18/06/2013, o Contribuinte apresentou resposta ao TIF n° 02, composta por esclarecimentos enfeixados em conjuntos denominados como pastas, a saber: (a) Pasta I – “Da Suspensão da Exigibilidade Contribuição Previdenciária Patronal”; (b) Pasta II – “Do Direito a Compensação Administrativa Sem Anuência do Judiciário ou da RFB”: parecer jurídico acompanhado da fundamentação legal e da jurisprudência que, segundo o Contribuinte, disciplinariam o instituto da compensação tributária; (c) Pasta IV – “Da Prescrição LC 118/05”. Do que se constatou nos esclarecimentos apresentados é que o Contribuinte, com exceção da Pasta IV, não respondeu ao solicitado no TIF n° 02. O que apresentou foi um parecer jurídico acompanhado de jurisprudência. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, que integram o saláriode contribuição (artigo 28, da Lei n° 8.212/1991), informadas em GFIP. Ao efetuar as compensações, o Contribuinte deixou de recolher integralmente o valor das contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores declarados em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou defesa administrativa fls. 2317/2513. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1450.101 17ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 3658/3690, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/05/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 3694. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 3695/3703, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que de acordo com o RE nº 593.068, somente incide Contribuições Previdenciárias sobre os proventos que repercutem na aposentadoria do servidor. Por tal razão, o Recorrente apurou créditos compensados com débitos vincendos previdenciários das verbas pagas a título de férias, 1/3 de férias, hora extra, abono tempo de serviço, sexta parte, abono noturno, abono insalubridade, abono periculosidade, premio assiduidade, abono de risco, gratificação função ativ. Vice, gratificação lei 6430, med. grat/ad risco, gratif. aud. Fiscal lei 64, GVC gratif. Fiscal lei 64, gratif. indiv. Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Lei 6563, gratif. cole. lei 6563, gratif. Professor, gratif. coord. Tec e gratif. – GAJ/GAJA – Dec 100; · Reitera as alegações de impugnação; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.826 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 13/05/2014. Havendo sido o recurso voluntário postado na agencia dos correios em 04/06/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente argui a inconstitucionalidade não apenas de parte da legislação que fundamenta os lançamentos fiscais, como também de legislação que dá suporte legal à incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas consideradas integrantes do saláriodecontribuição, além da legislação que estabelece critérios de enquadramento para efeito de contribuição para custeio do SAT. As matérias atinentes à constitucionalidade, bem como à incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as rubricas debatidas nos Mandados de segurança nº 4158 66.2011.4.03.6120, 487782.2010.4.03.6120, 814865.2011.4.03.6120 e 12416 82.2010.4.03.6120, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 3º Região, não poderão ser conhecidas por este Sodalício, uma vez que, em tal louvor, abdicou tacitamente o Recorrente de debatêlas na esfera administrativa. Assentado que as citadas medidas judiciais versam sobre matérias idênticas às tratadas nos ora debatido Auto de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos nas Instâncias Judiciais acima referidas. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Dessarte, não tendo o Órgão Julgador de 1ª Instância conhecido da impugnação na parte atinente às matérias ora em realce, inexistindo consequentemente decisão anterior a respeito do tema em pauta, não pode o órgão ad quem se pronunciar sobre questões antes não conhecidas, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. A celeuma em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando as Demandas Judiciais invocadas pelo Recorrente sobre matérias idênticas às aviadas no Recurso Voluntário ora em juízo, inviável se torna o conhecimento de alegações de idêntico naipe por esta Corte Administrativa, que restringirá sua apreciação e julgamento, tão somente, sobre as questões não incluídas nas ações judiciais em relevo. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.827 9 Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterado nos vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, e em atenção à Súmula nº 01 do CARF. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Devese também atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar e julgar alegações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.828 11 Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA BASE DE CÁLCULO LEGAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.829 13 Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.830 15 observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" Contudo, a base de incidência das Contribuições Previdenciárias não se restringe ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho). A matéria tributável em foco compreende o SALÁRIO e todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, conforme expressamente consignado na alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88, abraçando, portanto, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 eventual, ou seja, sem habitualidade, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO TODOS OS DEMAIS RENDIMENTOS DE = SALÁRIO + DO TRABALHO, PAGOS OU CREDITADOS CONTRIBUIÇÃO A QUALQUER TÍTULO AO SEGURADO. Conforme demonstrado, a habitualidade não é condição para a subsunção de uma rubrica remuneratória ao conceito jurídico de Salário de Contribuição. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do alínea ‘a’ do inciso I do art. 195 da CF/88 c.c. art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.831 17 Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas concebidos para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos lucros a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente do seu patrimônio inercial. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.832 19 j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conforme exaustivamente demonstrado, o conceito jurídico de Salário de contribuição foi constitucionalmente estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo trabalhador, não somente as parcelas integrantes do SALÁRIO, como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, compreendendo, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, em decorrência não apenas dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Dessarte, da dicção dos preceptivos constitucionais e legais ora revisitados dessai que somente estarão a largo da tributação previdenciária, EXCLUSIVAMENTE, as rubricas que se ajustarem literalmente às hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º art. 28 da Lei nº 8.212/91. As demais seguem a regra geral de tributação. 2.1.1. DAS RUBRICAS COMPENSADAS O Recorrente alega que, de acordo com o RE nº 593.068, somente incide Contribuições Previdenciárias sobre os proventos que repercutem na aposentadoria do servidor. Por tal razão, o Recorrente apurou créditos compensados com débitos vincendos previdenciários das verbas pagas a título de férias, 1/3 de férias, hora extra, abono tempo de serviço, sexta parte, abono noturno, abono insalubridade, abono periculosidade, premio assiduidade, abono de risco, gratificação função ativ. Vice, gratificação lei 6430, med. grat/ad risco, gratif. aud. Fiscal lei 64, GVC gratif. Fiscal lei 64, gratif. indiv. Lei 6563, gratif. cole. lei 6563, gratif. Professor, gratif. coord. Tec e gratif. – GAJ/GAJA – Dec 100. Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.833 21 Cumpre inicialmente trazer à balha que as Leis Tributárias, assim como todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo, ingressam no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal, a qual presunção somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Conforme esclarecido no tópico 2.1. supra, as rubricas que não se ajustarem taylor made nas hipóteses de não incidência tributária previstas no §9º art. 28 da Lei nº 8.212/91 mantêm sua condição de parcela integrante do conceito jurídico de Salário de Contribuição, sujeitandose, portanto, à regra geral de tributação, a qual somente poderá ser afastada mediante Decisão Judicial Transitada em Julgado, seja na via difusa de controle de constitucionalidade em Demanda Judicial da qual o Contribuinte seja Parte, seja na via concentrada, esta exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Por isso, enquanto não houver Decisão Judicial transitada em julgado dispondo em sentido oposto, prevalece a presunção de constitucionalidade das leis tributárias. No caso em apreciação, consta dos autos que o Sujeito Passivo ajuizou perante a Justiça Federal os seguintes Mandados de Segurança: · Mandado de segurança nº 415866.2011.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre as seguintes rubricas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílio acidente, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, adicional noturno, tendo sido a liminar deferida em relação apenas às seguintes rubricas: aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílioacidente, abono assiduidade, abono Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 único anual. O processo encontrase pendente de decisão acerca da admissibilidade de recurso de apelação; · Mandado de segurança nº 487782.2010.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras, tendo obtido decisão favorável apenas em relação ao terço constitucional de férias. A ação judicial ainda se encontra tramitando, conforme consulta à pagina eletrônica do TRF da 3ª Região; · Mandado de segurança nº 814865.2011.4.03.6120 – referese ao lançamento fiscal DEBCAD 37.306.1552, que, ao que consta, trata de glosa de compensações relativas ao terço constitucional de férias, tendo sido indeferido o pedido, com extinção sem julgamento do mérito. Presentemente o processo aguardase decisão acerca da apelação proposta pelo Contribuinte. · Mandado de segurança nº 1241682.2010.4.03.6120 – o Contribuinte pleiteia a declaração de não incidência de contribuições previdenciárias sobre férias, gratificações eventuais, salário maternidade e décimo terceiro salário, tendo havido inicialmente o indeferimento da liminar, o que revertido, em seguida, em relação às férias gozadas, saláriomaternidade e gratificações eventuais. Ação julgada improcedente em primeira instância, com decisão mantida em apelação proposta ao Tribunal Regional Federal. Processo ainda tramitando, conforme consulta à pagina eletrônica do TRF da 3ª Região; Merece ser mencionado que as liminares deferidas nos Mandados de Segurança acima citados concederam a segurança, tão somente, em relação ao aviso prévio indenizado, 1/3 de férias, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílioacidente, abono assiduidade, abono único anual. Todavia, tais Ações Mandamentais ainda não transitaram em julgado. Consta, igualmente, que nenhum dos Processos Judiciais acima mencionados encontrase ornado com decisão definitiva de mérito, não se consubstanciando, portanto, em instrumento hábil a afastar a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as rubricas indicadas pelo Recorrente. Por outro lado, merece ser trazido a lume, por relevante, que o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, decidiu não haver incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, sobre o terço constitucional incidentes sobre a remuneração das férias indenizadas ou gozadas e sobre o aviso prévio indenizado. Por outro viés, no julgamento do REsp nº 1.358.281, também submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil, assentou o entendimento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade. Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.834 23 Tais decisões, todavia, ainda não se encontram ornadas com o atributo da coisa julgada, eis que são objeto de Recurso Extraordinário em trâmite no STF. O Resp nº 1.230.957 encontrase suspenso no Superior Tribunal de Justiça, por depender do julgamento do Recurso Extraordinário nº 593.068, com repercussão geral reconhecida. Mediante consulta ao site do STF na internet, verificamos que no julgamento do RE nº 593.068, após o voto do Relator, Min. Luis Roberto Barroso, que dava parcial provimento ao recurso, no que foi acompanhado pela Ministra Rosa Weber, e o voto do Ministro Teori Zavascki, que lhe negava provimento, pediu vista dos autos o Ministro Luiz Fux, 04/03/2015. Como visto, a inexistência de decisão definitiva em torno da matéria afasta a incidência do preceito inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual exige decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) Nesse contexto, estando ainda pendentes de julgamento de recurso as decisões judiciais acima referidas, não há que se falar em decisões definitivas de mérito, tampouco em reprodução, no vertente Recurso Voluntário, dos julgados ora em debate. Prevalece, portanto, a regra geral de tributação incidentes sobre as rubricas utilizadas pelo Recorrente na compensação ora em debate. 2.2. DA PRESCRIÇÃO O Código Tributário Nacional estatui em seu art. 168, II, que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Código Tributário Nacional CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Em 09 de fevereiro de 2005, foi publicada a Lei Complementar nº 118/2005, cujo art. 3º dispôs que, para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 do citado codex, colocando lenha numa fogueira quase extinta, e reacendendo o debate em torno do dies a quo do prazo prescricional ora em debate. Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Malgrado o Poder Legislativo houvesse estatuído, expressamente, numa interpretação autêntica, que o preceito encartado em seu art. 3º possuía natureza interpretativa, sendo aplicado, portanto, a atos e fatos pretéritos, o Supremo Tribunal Federal, devidamente provocado a se manifestar sob o tema, entrou de sola na questão mandando para escanteio a retroatividade legalmente plasmada no art. 4º da citada Lei Complementar, ao fundamento de que a Lei nova havia alterado, materialmente, o termo inicial do prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. RE 566.621/RS Rel. Min. ELLEN GRACIE DJe de 11102011 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.835 25 JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Dessa forma, a norma tributária insculpida no art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 vigência, digase, a contar de 09/06/2005, conforme assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em decisão adiante ementada: AI no EREsp nº 644.736/PE Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJe de 27/08/2007 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118∕2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118∕2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Arguição de inconstitucionalidade acolhida. Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.836 27 A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que "O advento da LC 118/2005 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova." (REsp 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25/11/2009) (os grifos são nossos) REsp 1.153.433 / RS Rel. Min. CASTRO MEIRA DJe de 22/03/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. PRESCRIÇÃO. 1. Extinguese o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação – não sendo esta expressa – somente após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp 435.835/SC, julgado em 24.03.04). 2. Na sessão do dia 06.06.07, a Corte Especial acolheu a arguição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3º o disposto no art. 106, I, da Lei n. 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05 (EREsp 644.736PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki). 3. Nessa assentada, firmouse o entendimento de que, "com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova". 4. Esse entendimento foi ratificado no julgamento do REsp nº 1.002.932/SP, Rel. Min. Luiz Fux (DJe de 18.12.09), submetido ao colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC. 5. Recurso especial provido. Assim, nos termos do REsp nº 1.002.932/SP, julgado na sistemática dos "recursos repetitivos", os recolhimentos efetuados pelo Recorrente em data anterior a 09/06/2005 somente poderiam ter sido utilizados para fins de compensação até a data de 09 de junho de 2010. Ainda de acordo com a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 09/06/2005 , o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento. Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 Considerando que a jurisprudência da Suprema Corte de Justiça acima adotada houvese por produzida na sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do CPC, o entendimento nela esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Nessa prumada, tendo o Autuado realizado compensação de contribuições previdenciárias nas competências de março, junho, julho, agosto e novembro de 2011, agosto/2012 e janeiro e fevereiro de 2013, deflui que todos os créditos decorrentes de recolhimentos efetuados pelo Recorrente em data anterior à vigência da LC nº 118/2005 (09/06/2005) já se encontram fulminados pela prescrição, não se prestando mais para fins de compensação tributária. Em relação aos créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados a contar de 09/06/2005, é de observância obrigatória o prazo prescricional de cinco anos previsto na LC nº 118/2005, de maneira que: · A compensação declarada em GFIP referente à competência março/2011 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de março/2006, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência junho/2011 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de junho/2006, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência julho/2011 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de julho/2006, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência agosto/2011 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de agosto/2006, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência novembro/2011 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de novembro/2006, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência agosto/2012 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.837 29 recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de agosto/2007, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência janeiro/2013 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de janeiro/2008, inclusive. · A compensação declarada em GFIP referente à competência fevereiro/2013 somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 realizados nas competências a contar de fevereiro/2008, inclusive. Devese ser ressaltado, de maneira a exterminar qualquer dúvida, que o mérito apreciado no presente tópico referese exclusivamente à prescrição dos créditos passíveis de serem utilizados para fins de compensação de Contribuições Previdenciárias. O procedimento de compensação depende, ainda, do adimplemento de outras condições legais, tais como a existência de créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo em face da Fazenda Pública Federal decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 e a observância à norma inscrita no art. 170A do CTN, dentre outras. 2.3. DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.838 31 §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 32 a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Realçadas as normas constitucionais e legais supracitadas, deflui que a compensação de contribuições previdenciárias somente e tão somente pode ser realizada com créditos líquidos e certos de titularidade do Sujeito Passivo decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91. NENHUMA OUTRA HIPÓTESE. O exercício do direito à compensação de Contribuições Previdenciárias, portanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade de direito creditório líquido e certo em face da Fazenda Pública decorrente de pagamento ou recolhimento indevido das contribuições sociais a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, dentre outras condições específicas de cada caso. Além disso, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do seu direito creditório, sob pena de prescrição, CONFORME ABORDADO NO ITEM 2.2. SUPRA. De outro canto, produção de outro lote, porém, há que ser demonstrada a efetiva existência de liquidez e certeza do crédito utilizado pelo Contribuinte nas compensações realizadas. Não custa relembrar que o conceito jurídico de Salário de contribuição foi constitucionalmente estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo trabalhador, não somente as parcelas integrantes do SALÁRIO, como, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, compreendendo, até mesmo as rubricas de natureza remuneratória pagas de maneira eventual, em decorrência não apenas dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, ressalvadas as hipóteses de não incidência tributária previstas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Não se deslembre, igualmente, que as decisões judiciais proferidas em sede de Controle Difuso de Constitucionalidade somente produzem efeitos inter partes, não irradiando consequências sobre aqueles estranhos ao processo judicial no qual a decisão houve se por prolatada. Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.839 33 Assim, enquanto a Norma Tributária não for definitivamente extirpada do Ordenamento Jurídico, ela permanece produzindo efeitos sobre os Administrados, ressalvados os casos em que o Contribuinte se encontre protegido por decisão judicial favorável transitada em julgado. Daí a inafastável necessidade do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária de ingressar nas Instâncias Judiciárias competentes para se ter declarada qualquer eventual inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo e, dessa maneira, adquirir o direito à compensação dos valores declarados judicialmente como “indevidamente recolhidos”. Então, somente a partir do Trânsito em Julgado do provimento judicial que lhe for favorável pode o Contribuinte se eximir da observância da Lei genérica e abstrata, nas exíguas condições de contorno da Sentença Judicial. ANTES NUNCA, como assim estatui o art. 170A do CTN. Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104/2001) No caso presente, consta dos autos e do Recurso Voluntário que o Recorrente apurou créditos e procedeu à compensação de valores referentes a férias, 1/3 de férias, hora extra, abono tempo de serviço, sexta parte, abono noturno, abono insalubridade, abono periculosidade, premio assiduidade, abono de risco, gratificação função ativ. Vice, gratificação lei 6430, med. grat/ad risco, gratif. aud. Fiscal lei 64, GVC gratif. Fiscal lei 64, gratif. indiv. Lei 6563, gratif. cole. lei 6563, gratif. Professor, gratif. coord. Tec e gratif. – GAJ/GAJA – Dec 100, nas competências do período de março de 2011 a fevereiro de 2013. Consta igualmente dos autos que os Mandados de segurança nº 4158 66.2011.4.03.6120, 487782.2010.4.03.6120, 814865.2011.4.03.6120 e 12416 82.2010.4.03.6120 ainda se encontram em trâmite no Tribunal Regional Federal da 3º Região, não tendo adquirido, nenhum deles, o atributo da Coisa Julgada. Deve ainda ser considerado que os recursos veiculados no REsp nº 1.358.281, no Resp nº 1.230.957 e no RE nº 593.068 ainda se encontram pendentes de julgamento, inexistindo quanto às matérias neles debatidas qualquer decisão definitiva de mérito. Dessai da pletora documental presente nos autos que o Recorrente não possui qualquer provimento judicial transitado em julgado apto a afastar o Poder de Império das leis tributárias que estabelecem a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as rubricas utilizadas na compensação ora em debate, não se prestando para tal fim decisões isoladas proferidas incidenter tantum em ações judiciais das quais o Autuado não consta como parte do processo, eis que os efeitos de tais decisões operam, apenas, efeitos inter partes, jamais erga omnes. Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 34 Assim delimitadas as condições de contorno fáticas e jurídicas do caso em apreciação, e: · Considerando que o CTN detém competência constitucional para estabelecer regras gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação e crédito tributários; · Considerando que o art. 170 do CTN estatui que a lei só pode autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública; · Considerando que o caput do art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente autoriza a compensação das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; · Considerando que o inciso XI do art. 167 da CF/88 veda, expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social; · Considerando que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei para se escusar do cumprimento de obrigação a todos imposta; · Deve se considerar igualmente que o Sujeito Passivo, ao informar determinada compensação de Contribuições Previdenciárias em GFIP deve ter a plena consciência de está declarando possuir Crédito Tributário LIQUIDO E CERTO em face da Fazenda Pública decorrente de recolhimento indevido ou maior que o devido das Contribuições Sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. No caso em estudo, o Autuado declarou em suas GFIP compensação de contribuições previdenciárias com créditos que sabia não serem certos: A uma, porque as liminares deferidas nos Mandados de Segurança acima citados concederam a segurança, tão somente, em relação ao aviso prévio indenizado, 1/3 de férias, férias indenizadas e em pecúnia, salárioeducação, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílioacidente, abono assiduidade, abono único anual. A duas, porque os Mandado de Segurança acima citados ainda não haviam transitado em julgado, violando, assim, o preceito inscrito no art. 170A do CTN. A três, porque os recolhimentos por ele supostamente realizados sobre as rubricas indicadas SÃO DEVIDOS, em conformidade com as leis tributárias vigentes e eficazes, não possuindo o Recorrente qualquer decisão judicial favorável transitada em julgado lhe conferindo direito creditório apto a compensação de Contribuições Previdenciárias. A quatro, porque parcela dos supostos créditos utilizados na compensação já se houve por fulminada pela prescrição, nos termos do item 2.2. supra. Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.840 35 Nesse contexto, figurando tais rubricas no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, tampouco decisão judicial favorável ao Contribuinte, as contribuições previdenciárias eventualmente recolhidas, incidentes sobre tais verbas, SÃO DEVIDAS, não gerando qualquer direito creditório a ser utilizado em compensações tributárias Repisese que sem o Trânsito em Julgado das decisões judiciais favoráveis ao contribuinte a respeito da inexigibilidade de tributos previstos em lei, os recolhimentos efetuados a tal título não podem ser considerados como indevidos para fins de compensação tributária. Inexistindo comprovação por parte do Interessado de recolhimento indevido ou a maior que o devido das contribuições sociais de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, não haverá constituição de crédito em favor do Sujeito Passivo. Inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Autuado. Procedente a glosa. 2.4. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar em Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do credito tributário correspondente. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Não se deve confundir, todavia, suspensão da exigibilidade do crédito tributário com constituição do crédito tributário. Exigibilidade é a qualidade daquilo que é exigível. Exigível é a obrigação que não se encontra mais submetida a qualquer condição, termo, encargo ou outro empecilho e que pode ter seu adimplemento solicitado pelo credor ao devedor, mediante colaboração da vontade deste. Dessarte, a exigibilidade do crédito tributário configurase na aptidão que permeia o crédito constituído de se integrar no patrimônio ativo do credor e, consequentemente, no patrimônio passivo do devedor. Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 36 Já a constituição do crédito tributário tratase de um direito potestativo do Fisco, decorrente da mera ocorrência objetiva do fato gerador da obrigação tributária principal correspondente, ou do descumprimento de obrigação tributária acessória, o qual direito se mantém hígido até que lhe sobrevenha a decadência. Concluise, portanto, que, enquanto exigibilidade é conceito de direito subjetivo, a constituição do crédito tributário se nos apresenta como conceito de direito potestativo. Para ser exequível é condição sine qua non que o crédito querido seja liquido, certo e exigível. A Obrigação líquida é aquela certa quanto à sua existência, e determinada quanto ao seu objeto e valor. Ou seja, a obrigação líquida existe e tem valor preciso. A característica da certeza diz respeito à existência material de uma obrigação tributária (rectius, crédito tributário), em razão da qual o agente passivo esteja obrigado a uma prestação de dar quantia certa em benefício do agente ativo. A obrigação tributária é abstrata e concretizase no fato gerador, mas individualizase qualitativa e quantitativamente através do lançamento. Tal espécie de obrigação, por si só, não contém os aspectos da exigibilidade, da certeza e da liquidez, próprios de um crédito. Para que a obrigação tributária se revista com tais atributos, fazse necessária a realização de um procedimento de parte da administração pública fazendária, consistente no lançamento. Assim, ao ornar a obrigação tributária com as vestes da certeza e liquidez, o lançamento a transforma em crédito tributário. Portanto, é o ato do lançamento que confere certeza e liquidez à obrigação tributária. A inexistência de impedimentos jurídicos a torna exigível. A suspensão da exigibilidade, assentada no art. 151 do CTN, ataca a exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento imediato do crédito atacado, enquanto perdurar os efeitos da suspensão ou a existência do crédito tributário. Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida convolação da obrigação tributária correspondente, condição que se alcança com a efetiva formalização do lançamento, assim compreendido o procedimento administrativo levado a cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poderseá falar em crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária. Registrese que crédito tributário é direito subjetivo do Fisco, em face do qual se pode opor o Devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário é direito potestativo da Fazenda. Nesse contexto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a autoridade fazendária competente de efetivar Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 18088.720353/201303 Acórdão n.º 2401004.173 S2C4T1 Fl. 3.841 37 o lançamento. A suspensão apenas desobriga o sujeito passivo correspondente do recolhimento do crédito constituído, seja espontaneamente, seja mediante execução forçada. Tão só. Não se deslembre que o próprio art. 140, in fine, do CTN dispõe que as circunstâncias que excluem a exigibilidade do crédito tributário não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Código Tributário Nacional CTN Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nessa perspectiva, demonstrada a ocorrência de compensação indevida de Contribuições Previdenciárias, aplicase o disposto no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Procedente, portanto, o lançamento levado a efeito pela Fiscalização. 3. DECISÃO Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 38 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 11080.011383/2002-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. DECISÃO DO STJ NO RESP Nº 1.116.460/SP PROFERIDA SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Em conformidade com a decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida em sede de recurso repetitivo, não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. DECISÃO DO STJ NO RESP Nº 1.116.460/SP PROFERIDA SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. Em conformidade com a decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida em sede de recurso repetitivo, não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 13 83 /2 00 2- 95 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.011383/200295 Acórdão n.º 2402004.705 S2C4T2 Fl. 171 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 88.851,43 relativo ao anocalendário 1997 (fls. 2/12). O lançamento decorreu da constatação de omissão de ganhos de capital na alienação de imóveis, por desapropriação a título de utilidade pública, para o Estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista a implantação de complexo industrial automotivo, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal (fls. 5/9). Em sua impugnação (fls. 39/51), o contribuinte alegou, em síntese: a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário; a não incidência do imposto de renda sobre as indenizações decorrentes de desapropriações; a inaplicabilidade da taxa Selic e da multa exigida. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 70/74): GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. A desapropriação de imóvel configurase como fato gerador na alienação de bens e direitos. DECADÊNCIA. O direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA — TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. O autuado interpôs recurso voluntário em 4/9/2006 (fls. 78/92), repisando suas alegações quanto à decadência e ao caráter indenizatório dos valores recebidos a título de desapropriação. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da então 3ª Seção de Julgamento do CARF acolheu a decadência do lançamento em 5/3/200 (fls. 100/102), sendo na sequência interposto Recurso Especial da União (fls. 106/117), o qual restou provido pelo Acórdão nº 9202002.397 da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 6/11/2012, que afastou dita decadência e determinou o retorno dos autos à Câmara de origem, para análise das demais questões. Sorteados os autos para este Conselheiro na sessão de março de 2012, passo a sua apreciação. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante supra narrado, o caso vertente trata de ganho de capital apurado em desapropriação de imóvel para fins de utilidade pública, por parte do Estado do Rio do Grande do Sul. A polêmica dantes existente entre o disposto no § 2º do art. 27, c/c os arts. 1º e 2º, do DecretoLei nº 3.365, de 21 de junho de 1941 que apontava para a não sujeição da desapropriação por utilidade pública ao imposto sobre ganho de capital, e os ditames dos arts. 3º e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que traziam prescrições em sentido contrário, restou superada com a apreciação da matéria por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.116.460/SP. Julgado em 9/12/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa:: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.011383/200295 Acórdão n.º 2402004.705 S2C4T2 Fl. 172 5 não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n.1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda.Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (grifei) A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 De sua parte, a própria Receita Federal do Brasil já vem acatando esse entendimento, consoante espelha a Solução de Consulta Cosit nº 105, de 7 de abril de 2014 (Diário Oficial da União de 22/4/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESAPROPRIAÇÃO. INTERESSE PÚBLICO. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.460/SP. REFORMA A SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 54 – COSIT, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2013. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.116.460/SP, no âmbito da sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil (CPC), entendeu que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, tendose em vista que a propriedade é transferida ao Poder Público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. Afastouse, portanto, a incidência do imposto sobre a renda sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por utilidade pública ou por interesse social. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, 19 de julho de 2002 de 2002, art. 19; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012. Resta por conseguinte insubsistente a autuação, por haver constituído crédito tributário amparado na constatação de ganho de capital quando da percepção de valores decorrentes de desapropriação por utilidade pública, de acordo com o circunstanciado no respectivo Relatório de Ação Fiscal. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000616/99-83
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Provido em Parte
Numero da decisão: 9900-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 06 16 /9 9- 83 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13702.000616/9983 Acórdão n.º 9900000.878 CSRFPL Fl. 293 2 Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Jorge Celso Freire da Silva, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0305.824, proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de Finsocial, referente ao período de apuração compreendido entre setembro de 1989 e março de 1992, sob o argumento de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em cinco anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110, ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo o prazo em 31 de agosto de 2000. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 262/263. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário às fls. 267/270. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Voto Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13702.000616/9983 Acórdão n.º 9900000.878 CSRFPL Fl. 294 3 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do Finsocial objeto destes autos seria da edição da Medida Provisória 1.110/95, e o final seria 30/08/2000. A seu turno, a Fazenda Nacional em seu extraordinário defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede o desprovimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado se refere a valores que teriam sido recolhidos entre 04/10/1989 a 01/04/1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 4 de novembro de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13702.000616/9983 Acórdão n.º 9900000.878 CSRFPL Fl. 295 4 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13702.000616/9983 Acórdão n.º 9900000.878 CSRFPL Fl. 296 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (4/11/1999), encontravamse alcançados pela prescrição apenas os créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro de 1989. Os indébitos referentes a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração compreendidos a partir de daquele mês (novembro de 1989) não estavam prescritos. Com base nesses fundamentos, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.917861/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Mauricio Bellucci, OAB/SP nº. 161.891.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 61 /2 01 1- 71 Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Mauricio Bellucci, OAB/SP nº. 161.891. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.725, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 72/78 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 32497.66951.100506.1.2.042388, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917861/201171 Acórdão n.º 3402002.753 S3C4T2 Fl. 2.988 3 contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 07/12/2013 (fl. 81). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 83/103), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.198 (fls. 148/150),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.198 (fls. 148/150), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917861/201171 Acórdão n.º 3402002.753 S3C4T2 Fl. 2.989 5 Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.932/2.933 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 32497.66951.100506.1.2.042388, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 98.087,02 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 08/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 10935255,67, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 7308382,7, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 3.270.181,71 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 3.270.181,71. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 98.105,45. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em sua manifestação (fls. 2.938/2.941), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.940: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 98.087,02, referente a parcela de crédito da COFINS, solicitado neste processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10580.729459/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
Observa-se a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílio-alimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em espécie.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.101
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que deu provimento integral.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. Observase a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílioalimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em espécie. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 94 59 /2 01 1- 20 Fl. 3815DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que deu provimento integral. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 3816DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.815 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1531.954 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente em parte os Autos de Infração: (a) AUTO DE INFRAÇÃO 37.327.9361 (EMPRESA E SAT/RAT); (b) AUTO DE INFRAÇÃO 37.327.9388 (SEGURADO APROPRIAÇÃO INDÉBITA); (c) AUTO DE INFRAÇÃO 37.327.9370 (TERCEIROS OUTRAS ENTIDADES); (d) AUTO DE INFRAÇÃO 37.327.9353 {SEGURADO CALCULADO) Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese as contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes às OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS (contribuições a cargo da empresa contribuição Patronal, Sat/Rat e Outras Entidades e a cargo dos segurados empregados contribuição de segurados), sobre a remuneração paga aos segurados empregados (CLT), não incluídas em GFIP. O Relatório Fiscal aponta os Códigos de levantamento: DAL – Diferença de Ac. Legais. Tem como finalidade apurar as diferenças de atualização monetária, juros ou multa, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor; EE – CONT EMP NÃO DECL EM GFIP FP e EE2 – CONT EMP NÃO DECL EM GFIP FP. Referese às contribuições dos segurados empregados descontadas de suas remunerações consignadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. Esses levantamentos diferem quanto à multa mais benéfica para o contribuinte em razão da alteração na sistemática de aplicação da multa introduzida pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. EP – REM EMP NÃO DECL EM GFIP FP e EP2 – REM EMP NÃO DECL EM GFIP FP. Referese às contribuições patronais incidentes sobre as remunerações consignadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. Esses levantamentos diferem quanto à multa mais benéfica para o contribuinte em razão da alteração na sistemática de aplicação da multa Fl. 3817DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 introduzida pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. GR – GLOSA DE COMPENSAÇÃO EM RET. Este levantamento se refere à glosa de retenção, uma vez que a empresa autuada proferiu à compensação de valores registrados em GFIP superiores aos valores retidos em notas fiscais de serviços, apresentadas pela empresa. RE – CONT EMP NÃO DECL EM GFIP RAIS. Referese às contribuições dos segurados empregados, cujas remunerações estão informadas na RAIS e não consignadas em folha de pagamento, nem declaradas em GFIP. Esses levantamentos diferem quanto à multa mais benéfica para o contribuinte em razão da alteração na sistemática de aplicação da multa introduzida pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. RP – REM EMP NÃO DECL EM GFIP RAIS e RP2 – REM EMP NÃO DECL EM GFIP RAIS. Referese às contribuições patronais incidentes sobre as remunerações informadas na RAIS e não consignadas em folha de pagamento, nem declaradas em GFIP. Esses levantamentos diferem quanto à multa mais benéfica para o contribuinte em razão da alteração na sistemática de aplicação da multa introduzida pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Expõe, ainda, o Relatório Fiscal que foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição as seguintes rubricas que a empresa não reconhece: (i) Pagamento de ALIMENTAÇÃO sendo que a empresa não estava inscrita no PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR; (ii) Pagamento de AUXÍLIO TRANSPORTE em espécie; (iii) Pagamento de AUXÍLIO DE VALE TRANSPORTE sem o devido desconto do empregado; (iv) Pagamento de gratificação de ADICIONAL DE BOA PERMANÊNCIA de forma constante (não esporádica) (v) Pagamento de HORAS EXTRA, em várias rescisões de contrato de trabalho sem considerálas como salário de contribuição. Ainda, o Relatório Fiscal informa que em relação ao cálculo da multa mais benéfica para o contribuinte, observouse a alteração na sistemática de aplicação da multa introduzida pela MP nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 29.08.2011, conforme informação nos autos. Fl. 3818DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.816 5 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 6.1. A impugnação foi apresentada dentro do prazo legal. 6.2. O auxílio alimentação tem além de mais nada, cunho social, em benefício do empregado que passa a se alimentar melhor e em melhores condições. E a determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho afasta a incidência deste benefício como forma de incorporação ao salário para fins de incidência tributária. Transcreve decisões judiciais. 6.3. A jurisprudência já considerou que quando a concessão do valealimentação não advêm do contrato de trabalho pactuado entre obreiro e empregador, mas da convenção coletiva da categoria, fica afastada a aplicação do art. 458 da CLT e Súmula 241 do c. TST, que atribui natureza salarial às verbas pagas a título de alimentação por força do contrato de trabalho (00085.2008.006.14.003 TRT 14). 6.4. Seguindo a mesma linha de temática, e dentro do mesmo contexto aplicado ao quanto restou definido no tocante aos auxílios alimentações pagos em pecúnia, os valestransportes pagos em pecúnia seguem a mesma conduta sobre o referendado, haja vista o quanto disposto em Convenção Coletiva da Categoria. 6.5. Por simples confrontação do Relatório consolidado fiscal em seu tópico que trata da base de cálculo, as previsões tratadas pela CCT da categoria, que foram determinantes na conduta de boafé da empresa, derrubam por si só os pontos inerentes a tributação aplicada sobre os valores de auxílio alimentação, vales transportes, pagamento de auxílio de vale transporte sem o devido desconto do empregado e demais pontos ali tratados, os quais foram exercidos por força do quanto previsto na CCT da categoria. Transcreve decisões judiciais. 6.6. O art. 2º da Lei n° 7.485/85 estipula que o valetransporte não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para qualquer efeito, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de FGTS e não se configura como rendimento tributável do obreiro. 6.7. Assim, restam impugnados os autos de infração que se pautaram em falta de informações da GFIP com base em supostas remunerações não indicadas nas mesmas, pelo Simples fato de que não se constituem em verbas salariais, e como tais, não são passíveis de tributação de qualquer espécie, devendo ser completamente anulado o auto de infração objeto da presente impugnação em sua totalidade, inclusive no que diz respeito as multas, juros e correções monetárias e demais penalidade administrativas, fiscais e penais incorporadas no referido auto. 6.8. As glosas alegadas nos autos de infração, que foram computadas pelo Ilustre auditor na apuração dos autos de infração impugnados, não restam devidamente comprovadas. Fl. 3819DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Mesmo porque, a fundamentação utilizada no auto de infração é imprecisa e incoerente de acordo com seus próprios termos. 6.9. De acordo com o consolidado no auto de infração impugnado, as notas ficais não foram corretamente informadas, não sendo indicados os números das mesmas, nem os períodos exatos informados. Até porque, a base do procedimento administrativo fiscal foi de janeiro de 2008 à outubro de 2008 e sobre valores oriundos de contrato firmado entre a impugnante e a EMBASA no fornecimento dos serviços contratados pela mesma de forma terceirizada. 6.10. O contrato informado fora assinado e passou a ter validade em 17 de janeiro de 2008. E várias notas datadas de fevereiro de 2008 apensadas ao procedimento fiscal, não foram corretamente apuradas por seu período de indicação e do tempo e faturamento da mesma. Não podendo ser conclusivo os elementos indicados no referido auto de infração. 6.11. Ademais, é importante frisar de que, o Ilustre Auditor em seu auto de infração informa tão somente valores e alega supostas informações errôneas. Não sendo mesmas. Tornando o referido tópico completamente inconsistente, até por falta de amparo legal e de periodicidade comprobatória que possa pautar eventual impugnação mais consistente e sólida. 6.12. Assim, é de fácil constatação de que o auto de infração infringe a Constituição Federal ao afastar o direito da Impugnante da ampla defesa e do contraditório, visto que alega o inconsistente e não apresenta provas robustas e precisas dos valores informados, nos quais faltam elementos consubstanciais para a devida apreciação do quanto alegado. 6.13. Ressaltase, por oportuno, que fica humanamente impossível a contestação de algo que não se tem os elementos suficientes para tais fundamentos. A falta da indicação correta das notas fiscais apuradas em cada período para a confrontação das mesmas, deixa o pedido inepto e impreciso de sua conclusão, devendo ser liminarmente impugnado e anulado em sua totalidade. 6.14. Nos moldes determinantes da CCT da categoria, o adicional de boa permanência tem aplicação após 3(três) meses de serviços prestados pelo empregado sem faltas injustificadas. Nesse diapasão, e de acordo com os contracheques que integram a documentação analisada pelo Auditor Fiscal no procedimento fiscal realizado pelo mesmo junto à Impugnante, restam comprovados que não houve de forma alguma aplicação errônea dos procedimentos fiscais adotados nos mesmos. 6.15. Os contracheques por si só comprovam de que a Impugnante ao realizar o pagamento do adicional de boa permanência o fez com o enfoque de verba salarial e aplicou este benefício dentro de todos os recolhimentos necessários. Inclusive FGTS e INSS, como comprovam os contracheques analisados pelo Auditor e que fazem parte do procedimento fiscal realizado pelo mesmo. Fl. 3820DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.817 7 6.16. Desta forma, inócuas são as alegações infundadas do Auditor, não devendo prosperar tais informações imprecisas, sendo determinada a anulação do auto de infração e demais penalidades correlatas e inseridas no mesmo, por força do quanto comprovado pelos documentos que compõem o procedimento fiscal realizado. 6.17. Não restam dúvidas de que jamais houve qualquer tipo de apropriação indébita por parte da Impugnante. Os valores descontados, seja por força de auxílio alimentação/vale alimentação e vales transportes, o foram feitos por força da CCT da categoria. O que restou demonstrado e comprovado, e pode ser corretamente analisado pelos documentos juntados com a Impugnação. Desta forma, não podem pairar acusações infundadas de apropriação indébita, e nem de retenção de valores indevidamente 6.18. As penalidades assinaladas nos autos de infração impugnados devem ser liminarmente extirpadas dos mesmos, seja por força das determinações legais traçadas na impugnação, seja por força do quanto restou evidenciado que a Impugnante agiu de acordo com os ditames legais aplicados à espécie e dentro da normalidade exigida, não implicando em nenhum tipo de crime e nenhuma forma de apropriação indébita de valores. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1531.954 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PECÚNIA. Integra o salário de contribuição o auxílio alimentação pago em pecúnia recebido em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. VALE TRANSPORTE. PECÚNIA. AGU. SÚMULA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Fl. 3821DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, nos termos do voto e sua fundamentação. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, na forma dos arts. 25, II, e 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Destaquese que, em face do valor de alçada, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, c/c art. 366, § 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, este Acórdão não se submete a recurso de ofício A decisão de primeira instância assim decidiu, em resumo: (i) procede o lançamento da contribuição incidente sobre o auxílio alimentação pago em pecúnia; (ii) acolho o entendimento exarado na Súmula nº 60 da AGU, e voto pela improcedência das contribuições incidentes sobre o vale transporte pago em pecúnia. (ii) manter o Levantamento GR se refere à glosa de compensação em virtude de ter o contribuinte efetuado compensação de valores registrados em GFIP superiores aos valores retidos em notas fiscais de serviços (iv) O impugnante reconhece que o adicional de boa permanência é verba salarial, portanto incontroversa essa questão, mas alega que teria realizado o pagamento das contribuições incidentes sobre esta verba. Não prospera o quanto argüido pelo Contribuinte de que ao realizar o pagamento do adicional de boa permanência o fez com o enfoque de verba salarial e aplicou este benefício dentro de todos os recolhimentos necessários, inclusive FGTS e INSS. (...) 30. Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE EM PARTE a presente autuação, nos termos do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), ora juntado aos autos às fls. 3.758/3.766: 30.1. Mantendo do DEBCAD nº 37.327.9353 a Contribuição Previdenciária lançada, no valor atualizado de R$ 595,23 (quinhentos e noventa e cinco reais e vinte e três centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. 30.2. Excluindo do DEBCAD nº 37.327.9388 a Contribuição no valor de R$ 6.157,44 (seis mil, cento e cinqüenta e sete reais e quarenta e quatro centavos), relativa à retificação realizada, mantendo, da Contribuição Previdenciária lançada, o valor atualizado de R$ 19.972,39 (dezenove mil, novecentos e setenta e dois reais e trinta e nove centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Fl. 3822DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.818 9 30.3. Excluindo do DEBCAD nº 37.327.9361 a Contribuição no valor de R$ 48.005,91 (quarenta e oito mil, cinco reais e noventa e um centavos), relativa à retificação realizada, mantendo, da Contribuição Previdenciária lançada, o valor atualizado de R$ 393.533,53 (trezentos e noventa e três mil, quinhentos e trinta e três reais e cinqüenta e três centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. 30.4. Excluindo do DEBCAD nº 37.327.9370 a Contribuição no valor de R$ 14.193,23 (catorze mil, cento e noventa e três reais e vinte e três centavos), relativa à retificação realizada, mantendo, da Contribuição Previdenciária lançada, o valor atualizado de R$ 54.179,20 (cinqüenta e quatro mil, cento e setenta e nove reais e vinte centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia necessidade de reforma, contrariedade com julgados sobre o tema. O auxílio alimentação tem além de mais nada, cunho social, em benefício do empregado que passa a se alimentar melhor e em melhores condições. E a determinação contida em Convenção Coletiva de Trabalho afasta a incidência deste benefício como forma de incorporação ao salário para fins de incidência tributária. Transcreve decisões judiciais. (..) A jurisprudência já considerou que quando a concessão do valealimentação não advêm do contrato de trabalho pactuado entre obreiro e empregador, mas da convenção coletiva da categoria, fica afastada a aplicação do art. 458 da CLT e Súmula 241 do c. TST, que atribui natureza salarial às verbas pagas a título de alimentação por força do contrato de trabalho (00085.2008.006.14.003 TRT 14). Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 3823DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada nos autos em Despacho de encaminhamento. às fls. 3813. DO MÉRITO. Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia necessidade de reforma, contrariedade com julgados sobre o tema. Analisemos. A argumentação do Recorrente está centrada na não incidência de contribuição social previdenciária sobre os benefícios concedidos em pecúnia a título de auxílioalimentação, porque pode ser pago em pecúnia o auxílioalimentação por força de Convenção Coletiva (conduta admitida expressamente pela própria Convenção). Conforme o constatado no Relatório Fiscal, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de pagamento em espécie, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Recorrente também admite o pagamento de auxílioalimentação pago em espécie, conforme se depreende do Recurso Voluntário às fls. 3783: "Da incidência tributária no auxílioalimentação pago em pecúnia". A Recorrente aduz que a Convenção COletiva da Categoria, na cláusula vigésima segunda, possibilita o pagamento do auxílioalimentação pago em espécie, tendo caráter indenizatório de forma a não se incorporar ao salário. Outrossim, a Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Fl. 3824DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.819 11 Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 3825DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ainda, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Ademais, o disposto em Convenção Coletiva de Trabalho não tem o condão de afastar a exigência de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a isenção de contribuições sociais previdenciárias, nos termos do art. 97, CTN c/c art. 175, I, CTN c/c art. 176, CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (..) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Fl. 3826DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.729459/201120 Acórdão n.º 2202003.101 S2C2T2 Fl. 3.820 13 Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta a incidência de contribuição previdenciária na parcela a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Observase também a não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 porque os pagamentos das parcelas de auxílioalimentação não foram feitos in natura, mas sim foram efetuados em pecúnia. Diante do exposto, não prosperam as argumentações da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 3827DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13654.001068/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. ALINHAMENTO COM DECISÃO JUDICIAL. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do inciso IV da Lei 8.212/1991, redação conferida pela Lei 9.876/1999, que prevê a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Com isso, uma vez declarada a inconstitucionalidade desse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999, em decisão definitiva do STF e na sistemática da repercussão geral, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 10 68 /2 00 8- 29 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001068/200829 Acórdão n.º 2402004.751 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 09/2003 a 12/2003. O Relatório Fiscal (fls. 32/36) informa que as contribuições previdenciárias lançadas foram de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Informa ainda que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/09/2008 (fls. 01 e 41), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 47/109), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0926.559 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 117/119) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001068/200829 Acórdão n.º 2402004.751 S2C4T2 Fl. 4 5 5. por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Constatase que o lançamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A partir da competência 03/2000, tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838/SP EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001068/200829 Acórdão n.º 2402004.751 S2C4T2 Fl. 5 7 Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10469.724378/2012-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS.
As receitas omitidas, apuradas no curso do processo administrativo, estão sujeitas a lançamento de ofício.
IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO.
Nos termos do art. 25, da Lei n° 9.430/96, a tributação pelo lucro presumido tem como ponto de partida a receita bruta, sobre a qual incidirá o percentual do lucro presumido. Assim, por essa forma de tributação, os valores pagos a terceiros são irrelevantes na apuração da base de cálculo dos tributos.
TRIBUTOS REFLEXOS.
Aos contenciosos dos tributos reflexos em relação à apuração do IRPJ, aplicam-se as mesmas soluções para o que houver de comum em tais litígios.
DE EFEITO MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO.
A alegação da inconstitucionalidade da penalidade, por afronta ao princípio do não-confisco (art. 150, VI, CR), não é passível de apreciação por este Conselho, nos termos do art. 62, do Regimento Interno desta Corte.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRÁTICA REITERADA. UTILIZAÇÃO DE NOTAS "CALÇADAS".
A multa de ofício qualificada (art. 44, §1°, da Lei 9.430/96) é aplicável nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fica caracterizada a hipótese do art. 71, da Lei n° 4.502/64, quando verificada a ocorrência de notas calçadas, com a finalidade de ocultação do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 1103-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade, em negar provimento ao recurso da Contribuinte Nerijane de Sousa Guedes Fernandes e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do responsável solidário Marcos Fredson Soares Fernandes, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio Da Silva - Presidente.
Fábio Nieves Barreira - Relator.
(assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 17/09/2015.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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As receitas omitidas, apuradas no curso do processo administrativo, estão sujeitas a lançamento de ofício. IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. Nos termos do art. 25, da Lei n° 9.430/96, a tributação pelo lucro presumido tem como ponto de partida a receita bruta, sobre a qual incidirá o percentual do lucro presumido. Assim, por essa forma de tributação, os valores pagos a terceiros são irrelevantes na apuração da base de cálculo dos tributos. TRIBUTOS REFLEXOS. Aos contenciosos dos tributos reflexos em relação à apuração do IRPJ, aplicamse as mesmas soluções para o que houver de comum em tais litígios. DE EFEITO MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. A alegação da inconstitucionalidade da penalidade, por afronta ao princípio do nãoconfisco (art. 150, VI, CR), não é passível de apreciação por este Conselho, nos termos do art. 62, do Regimento Interno desta Corte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRÁTICA REITERADA. UTILIZAÇÃO DE NOTAS "CALÇADAS". A multa de ofício qualificada (art. 44, §1°, da Lei 9.430/96) é aplicável nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fica caracterizada a hipótese do art. 71, da Lei n° 4.502/64, quando verificada a ocorrência de notas calçadas, com a finalidade de ocultação do fato gerador do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 43 78 /2 01 2- 09 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 603 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade, em negar provimento ao recurso da Contribuinte Nerijane de Sousa Guedes Fernandes e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do responsável solidário Marcos Fredson Soares Fernandes, vencido o Conselheiro Fábio Nieves Barreira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio Da Silva Presidente. Fábio Nieves Barreira Relator. (assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator designado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização da presente Resolução, o que se deu na data de 17/09/2015. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 604 3 Relatório Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 392/406), a realização do lançamento de ofício teve como motivação a verificação de omissão de receitas pela recorrente, conforme transcrito abaixo: "A empresa fiscalizada apresentou em 2010 Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF's) relativas aos meses de janeiro a abril, junho a outubro e dezembro, deixando de apresentar as declarações dos meses de maio e novembro (fl. 17), apresentadas após intimação fiscal (fls. 234 a 236). Os valores dos tributos federais por ela declarados naquele ano constam da tabela 1 abaixo: 2010 IRPJ CSLL COFINS PIS Jan 2.665,86 577,60 Fev 195,00 900,00 Mar 9.926,46 8.663,09 5.458,19 1.182,61 Abr 3.910,68 847,31 Mai Jun 5.905,74 5.154,70 122,25 26,49 Jul 164,51 35,64 Ago 1.352,87 293,12 Set 3.133,98 679,03 Out Nov Dez 9.403,62 5.642,17 623,73 135,14 No mês de maio, embora não tenha apresentado a DCTF obrigatória, a fiscalizada efetuou pagamentos relativos ao PIS e a Cofins, nos valores respectivos de R$ 289,45 e R$ 1.335,93 (fls. 64 e 65). No mês de dezembro, os valores recolhidos destas duas contribuições foram superiores aos declarados e por esta razão foram tomados como parâmetro para cálculo dos valores devidos de PIS e Cofins. Os valores declarados em maio e novembro não são considerados para cálculo dos valores devidos, uma vez que as respectivas DCTF's foram apresentadas atendendo à intimação lavrada após o início do procedimento fiscal. No ano de 2010, a empresa fiscalizada constou como beneficiária de rendimentos pagos pelas seguintes empresas (fl. 11): Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104; Sabemi Promo Distribuidora de Crédito Ltda, CNPJ 10.158.522/000170; Banco Mercantil do Brasil SA , CNPJ 17.184.037/000110; e Banco Morada SA, CNPJ 43.717.511/000131. De acordo com as informações constantes nas DIRF's apresentadas, o valor total do rendimento recebido seria de R$ 7.825.188,42. Constatada a discrepância entre os valores declarados em DCTF ou recolhidos pela empresa, as informações por ela prestadas em sua DIPJ (fls. 03 a 10) e os rendimentos que a ela foram pagos no mesmo ano, lavrouse o Termo de Início de Fiscalização (fl. 02), contendo intimação para que a fiscalizada apresentasse os livros comerciais e fiscais do ano sob exame, bem como as respectivas notas fiscais de prestação de serviços. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 605 4 A empresa, no ano sob exame, emitiu notas fiscais de venda de serviços tendo como tomadores o Banco Mercantil do Brasil, o Banco Morada, a Sabemi Promotora e o Banco Gerador (relação anexa, fls. 230 e 231). Não foram emitidas notas fiscais dos serviços prestados à Caixa Econômica Federal. (... ) O cotejo entre as notas fiscais entregues aos tomadores dos serviços (1as vias) e a via de posse da fiscalizada evidenciaram a ocorrência da prática denominada "emissão de notas calçadas", procedimento realizado com o intuito de alterar, para menos, o valor total da nota na via de posse da empresa emitente, sem alteração da 1a via (em posse do tomador do serviço), de modo a permitir uma redução, indevida, do valor dos impostos e contribuições incidentes sobre a operação. A tabela 2 abaixo evidencia a discrepância entre o total mensal da venda de serviços consignada nas Ps e vias dos documentos fiscais relacionados às fls. 230 e 231: Mês 1a via 2a via Janeiro 268.390,69 88.861,98 Fevereiro 730.919,38 30.000,00 Março 1.427.063,54 148.939,81 Abril 518.642,66 130.355,84 Maio 902.883,01 43.531,03 Junho 399.087,91 4.074,85 Julho 385.183,69 5.449,41 Agosto 516.592,06 45.095,84 Setembro 494.099,89 104.465,89 Outubro 452.783,43 141.837,28 Novembro 917.751,18 16.211,15 Dezembro 763.830,45 31.903,21 Total Global 7.777.227,89 790.726,29 As diferenças entre os valores das 1as vias e das 2as vias não foram oferecidas à tributação. A base de cálculo utilizada pela empresa para apuração do imposto e das contribuições devidas está discriminada em cada um dos autos de infração, já que os valores declarados ou recolhidos pela fiscalizada não foram resultantes de uma base de cálculo uniforme. Ainda que se considere a falta de uniformidade, os valores recolhidos ou declarados pela empresa, quando confrontados àqueles apurados a partir das receitas auferidas por ela, considerandose como tais o resultado da venda de serviços expresso nas primeiras vias das notas fiscais (tabela 2), resta configurada a omissão de receita da atividade da empresa para fins de apuração de tributos devidos. Em todos os meses de ano houve apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS em valores inferiores aos devidos, conforme demonstrado nos respectivos autos de infração. Registrese que a empresa, após o início do procedimento fiscal, procedeu à escrituração do Livro Diário reconhecendo como receitas (fls. 307 a 310) os valores constantes nos demonstrativos de cada um dos impostos e contribuições abaixo. Os lançamentos das receitas auferidas no Livro Caixa estão incorretos, posto que foram efetuados pelo valor líquido das mesmas. O lançamentos foram realizados com base no valor total das notas fiscais." Em face da verificação da omissão de receitas, a autoridade fiscal promoveu o lançamento de ofício (fls. 02/ 93), pela falta de cumprimento de obrigação tributária Fl. 605DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 606 5 principal, relativamente à realização de fatos geradores no anocalendário de 2010, conforme segue discriminado (fls. 410, 425, 431), à recorrente e a Marcos Fredson Soares Fernandes: a) IRPJ Lucro Presumido (fl. 410): "0001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. O contribuinte não emitiu as notas fiscais referentes à prestação de serviços gerais, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório fiscal em anexo". (períodos de 2010) b) PIS/Pasep (fl. 425): "0001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Valor apurado conforme relatório fiscal em anexo'" (períodos de 2010) c) CSLL Lucro Presumido (fl. 431): "0001 OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS. O contribuinte não efetuou e/ou efetuou com inexatidão o pagamento ou recolhimento da CSLL, e não declarou ou declarou a menor o valor a pagar, conforme relatório fiscal em anexo". (períodos de 2010) d) COFINS (fl. 442): "0001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA A COFINS. Valor apurado conforme relatório fiscal em anexo." (períodos de 2010) Os recorrente, intimados do lançamento de ofício e do Termo de Sujeição Passiva solidária, em 16/05/2012 (fls. 449/451), ofertaram Impugnação (fls. 456/488), julgada improcedente. Inconformados, os recorrentes interpuseram Recurso Voluntário (fls. 536/571), aduzindo, em síntese, que: a) "Nota fiscal calçada": Diz a recorrente que desenvolve atividade de correspondente bancário, disciplinadas pelas Resoluções Bacen n°'s 3.110/03, 3.156/03 e 3.954/11, por meio de mandato, outorgado pela instituição financeira contratante, para intermediar operações de crédito bancário e de arrendamento mercantil. Para tanto, a recorrente subcontrata os serviços a terceiros, apelidados de "pastinhas", incumbidos de vender os serviços bancários aos consumidores finais. O faturamento da recorrente, diz ela, advém do recebimento de comissões pelos mandantes, instituições financeiras. Adverte, contudo, que parte dos valores recebidos são utilizados para solver os prestadores de serviços terceirizados, os "pastinhas". Assim, aduz a recorrente que os valores constantes nas notas calçadas não teriam o condão de fazer nascer obrigação tributária, pois foram emitidas para fundamentar as comissões devidas pelos prestadores de serviço, constituindose assim, em última instância, em erro de direito, sendo inaplicáveis as disposições do art. 42, da Lei n° 9.430/96. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 607 6 b) Aplicação analógica da atividade de consignação mercantil: Diz a recorrente que a sua atividade é análoga à atividade de consignação mercantil. Nessa linha, em conformidade com o princípio da capacidade contributiva, é de direito a aplicação da norma constante da IN SRF n° 152/98. Sendo assim, na determinação da base de cálculo dos tributos, devem ser considerados, apenas, as comissões recebidas pela recorrente, em razão do mandato, desconsiderandose, por seu turno, as comissões, pagas por ela, aos "pastinhas". c) Ilegalidade e inconstitucionalidade da multa qualificada: Defende a recorrente, que a multa teria natureza confiscatória, inconstitucional. Alega também a ilegalidade da sua aplicação no caso vertente, na medida em que a simples omissão de receita a sujeitaria à imposição da multa de ofício. Ademais, não estaria provado o intuito de sonegar tributos. Assim, pede a requalificação da multa. d) Prova pericial: Requer prova pericial. e)Solidariedade: Com base no arts. 124, 134 e 135 do CTN, a autoridade fiscal imputou ao Marcos Fredson Soares Fernandes a responsabilidade pessoal pelos tributos lançados, por constar no site da recorrente e ser marido da sócia da firma individual. O fato da sua atuação como gestor da recorrente, por procuração e sob orientação da sócia, não é suficiente à imputação da responsabilidade solidária. Isto porque, diz o recorrente, o art. 135 do CTN atinge tão somente os diretores, gerentes, ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado e, ainda assim, apenas pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Dessa forma, os dispositivos legais, nos quais se baseou a autoridade fiscal para a atribuição da responsabilidade solidária ao recorrente exigem dois requisitos: a) se restringe àqueles que são vinculados juridicamente ao fato gerador; b) só admitindo a transferência da responsabilidade tributária contra sócio de sociedade, sendo impossível a transferência da responsabilidade no caso concreto já que se trata de firma individual. Pede, por fim, a reforma do v. acórdão recorrido, para anulação do lançamento de ofício, ou, na improcedência do pedido, a requalificação da penalidade. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 608 7 Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo este Acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 17/09/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Fábio Nieves Barreira, por ocasião do julgamento realizado em 08/04/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. O Relatório e a manifestação de voto abaixo foram apresentados pelo Conselheiro relator durante a sessão e consta dos respectivos arquivos do CARF, tendo sido meramente reproduzidos por mim, redator ad hoc para efeitos de formalização do presente Acórdão. Voto do Conselheiro Fábio Nieves Barreira: "Consta dos autos que a recorrente desenvolve atividade de correspondente bancário, disciplinada pelas Resoluções Bacen n°'s 3.110/03, 3.156/03 e 3.954/11, por meio de mandato, outorgado pela instituição financeira contratante, para intermediar operações de crédito bancário e de arrendamento mercantil. Para tanto, a recorrente subcontrata os serviços a terceiros, apelidados de "pastinhas", incumbidos de vender os serviços bancários aos consumidores finais. O faturamento da recorrente, diz ela, advém do recebimento de comissões pelos mandantes, instituições financeiras. Adverte, contudo, que parte dos valores recebidos são utilizados para solver os prestadores de serviços terceirizados, os "pastinhas". Conforme Resolução 3.954/11, BACEN, a atividade, sob mandato, é desenvolvida pela recorrente por sua conta e risco: "Art. 2° O correspondente atua por conta e sob as diretrizes da instituição contratante, que assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos clientes e usuários por meio do contratado, à qual cabe garantir a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas por meio do contratado, bem como o cumprimento da legislação e da regulamentação relativa a essas transações." A relação jurídica com a instituição financeira, contratante, é instaurada apenas entre ela e o contratado, no caso em tela, a recorrente. O "pastinha", como se verifica, é estranho a relação jurídica. Isto permite dizer que os valores recebidos pela recorrente para a prestação dos serviços, constituem receitas suas, delas não participando o "pastinha", por não possuírem relação jurídica com a instituição financeira. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 609 8 O "pastinha", de outro lado, mantém sua relação jurídica com a recorrente, contratante, que o remunera pelos serviços prestados. Para a contratante, então, os valores despendidos com o pagamentos dos "pastinhas" constituem despesa de sua atividade. É possível concluir pela impossibilidade da tese defendida pela recorrente de que apenas repassa ao "pastinha" os valores recebidos pela instituição financeira, o que afasta a argumentação da recorrente de que a emissão de notas calçadas é erro direito. Também não se coaduna com o sistema jurídico a aplicação analógica da IN SRF n° 152/98. O instituto da analogia, no âmbito do Direito Tributário, deve ser interpretado com restrição. A Constituição da República de 1988, determina que as relações jurídico tributárias devem ser reguladas por lei e que todos devem contribuir com a manutenção do Estado. Logo, a previsão do art. 108 do CTN, é hipótese de exceção, sendo cabível nos casos de ausência de disposição expressa. O sistema jurídico dispõe de norma expressa sobre a tributação, no lucro presumido, dos prestadores de serviços (art. 15, Lei n° 9.249/95). Portanto, deve ser afastada a aplicação analógica da IN SRF n° 152/98. Quanto alegação da inconstitucionalidade da multa qualificada, por afronta ao princípio do nãoconfisco (art. 150, VI, CR), este Conselho, nos termos do art. 62, do Regimento Interno desta Corte, é incompetente para o julgamento de matéria constitucional. Melhor sorte não logra a recorrente quanto a alegação da ilegalidade da multa qualificada. Está provado nos autos, seja pelos documentos acostados ou pela confissão da recorrente, que foram emitidas notas fiscais calçadas. Esse fato se amolda ao disposto no art. 71, do Decreto n° 4.502/64, implicando na incidência do art. 44, § 1o, da Lei n° 9.430/96. Há que ser indeferida a produção de prova pericial, pois a recorrente não satisfez os requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. No que diz respeito à solidariedade atribuída ao Marcos Fredson Soares Fernandes, ela deve ser afastada. Transcrevo a motivação que conduziu o agente fiscal a impingir ao recorrente a solidariedade tributária: "Embora a fiscalizada esteja formalmente registrada na condição de empresária individual, o Sr. Marcos Fredson Soares Fernandes, cônjuge da Sra. Nerijane Fernandes, tem atuação à frente da empresa compatível com que exercia, de fato, o poder de decisão. Informações obtidas no sítio "www.mgcredito.com.br/empresa equipe ", em consulta realizada no mês de janeiro deste ano, dão conta de que a administração da empresa cabe aos diretores Marcos Fredson (email marcos@mgcredito.com.br) e Nerijane Fernandes (email nerijane@mgcredito.com.br). Na fotografia exibida, a posição de maior destaque é ocupada pelo Sr. Marcos Fredson (fl. 296). No endereço eletrônico "www.mgcredito.com.br/empresahistoria", verificase que a MG Crédito foi "fundada em 2008 por Marcos Fredson Soares Fernandes...", sendo fruto da "...experiência de seu fundador como agente de crédito de renomados bancos e financeiras... " (fl. 297). O endereço da sede, segundo informação do mesmo Fl. 609DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 610 9 sítio eletrônico em consulta do dia 30 de abril de 2012 (fl. 298), é Rua Princesa Isabel, 461 Lj. 13, Shopping Cidade Alta, Cidade Alta Natal/RN, o mesmo da fiscalizada. O contrato de prestação de serviços celebrado com o Banco Mercantil do Brasil (fls. 79 a 84) também evidencia o relevância do Sr. Marcos Fredson na administração da empresa. A cláusula 2.2 informa que a senha do usuário máster será encaminhada para um único e exclusivo endereço de email: marcos@mgcredito.com.br, endereço eletrônico do Sr. Marcos Fredson. Instado a prestar esclarecimentos sobre a atuação da empresa fiscalizada (fls. 301 e 302), o Sr. Marcos Fredson informa que em 2010 era agente financeiro da empresa (item 2), que respondia pela parte comercial da empresa, relacionandose com os agentes financeiros (itens 4 e 5). Informa ainda que a emissão de notas fiscais competia ao setor financeiro da empresa, por diferentes pessoas. Declara ainda que possui uma empresa individual em seu nome, cuja atividade foi alterada em 2010 para que pudesse exercer a atividade de intermediação financeira, fato que passou a ocorrer a partir de 2011 (itens 10 e 11). Esclarece ainda que firmou contrato com o Banco Mercantil do Brasil, com vigência a partir de 2011, e que a empresa fiscalizada não opera com o mesmo banco desde dezembro de 2010 (itens 12 e 13). Sal empresa funciona no mesmo Shopping da fiscalizada, em salas contíguas. A empresária, ao esclarecer os fatos relacionados com o procedimento em curso (fls. 303 e 304), informa que participa pouco das atividades da empresa, só comparecendo à sede em caso de necessidade (item 2); que não sabia da existência de notas calçadas na empresa (item 4); que diversas pessoas emitiam notas fiscais, dentre as quais, o Sr. Marcos Fredson (item 8); que não sabia se havia determinação da empresa para emissão de notas fiscais calçadas (item 9); que a atuação de sua empresa está restrita a um convênio mantido com a Caixa Econômica Federal (item 10); e que com a reativação da firma M F Soares Fernandes (cujo titular é o Sr. Marcos Fredson), as atividades da MG Crédito com o Banco Mercantil passaram a ser realizadas por meio desta nova empresa, cessando as atividades da fiscalizada com o banco (item 12). As informações prestadas evidenciam também que a atuação do Sr. Marcos Fredson teve relevância decisória e admite que respondia pela parte comercial da empresa, ou seja, pela parte geradora de receitas. A própria titular, ao ser indagada sobre eventual determinação empresarial para emissão de notas fiscais calçadas, respondeu que não sabia, o que demonstra claramente que havia outro poder de mando no âmbito da entidade. Se ela não sabia se havia ou não tal determinação ou autorização, era porque havia outra pessoa com poderes suficientes para determinar ou não a prática. Caso ela fosse a única pessoa com poder de mando, sua resposta à indagação seria ou sim, ou não. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 611 10 Também evidencia a atuação empresarial do Sr. Marcos Fredson nas atividades da fiscalizada o fato de que uma empresa de sua titualaridade (M F Soares Fernandes) sucedeu à fiscalizada no que diz respeito aos serviços prestados ao Banco Mercantil. A operação realizada confirma o entendimento expresso de que o Sr. Marcos Fredson era, em conjunto com sua esposa, o responsável pela atividade empresarial desenvolvida, tendo relação direta com os fatos desempenhados e, por essa razão, deve responder solidariamente pela satisfação do crédito tributário constituído. A atuação do casal caracteriza a existência de uma sociedade empresarial de fato, respondendo ambos pela totalidade do crédito tributário constituído, já que os atos praticados o foram com infração à lei, pela emissão de notas fiscais calçadas. A responsabilidade solidária está prevista no art. 124 da Lei n° 5.172, de 25 e outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). O inciso I do artigo informa que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Já os arts. 134 e 135 do CTN declara que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Restou demonstrado que os atos praticados o foram com infração à lei (emissão de notas fiscais calçadas), bem como que a entidade se constituía, na verdade, em uma sociedade de fato entre a Sra. Nerijane e o Sr. Marcos Fredson, cabendo a ambos, de forma solidária com a pessoa jurídica, a satisfação da integralidade do crédito tributário constituído." A autoridade fiscal enquadra, primeiramente, a conduta do recorrente solidária, para fins de exigirlhe o pagamento de tributos, no art. 124, do CTN: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica ao declarar que a responsabilidade solidária do art. 124, I, está presente quando a realização do fato gerador não envolve dois pólos opostos, e que do ato resulte a obrigação tributária, não sendo o vício do ato jurídico elemento do art. 124, do CTN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 612 11 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo Fl. 612DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 613 12 de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, Dje 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.( REsp 884845 / SC, Rel. Min. LUIZ FUX). Verificase que, na verdade, a imputação da responsabilidade se dá por fraude tributária, o que se confirma pela aplicação de multa qualificada. Neste caso, a conduta se amoldaria ao 135 do CTN: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 613DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 614 13 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Caberia então ao agente evidenciar que a fraude à lei foi realizada pelo recorrente solidário ou a mando dele. Porém, os elementos trazidos aos autos provam que o recorrente solidário representava comercialmente a recorrente, mas em nenhum momento evidencia sua ingerência na gestão tributária da recorrente. Daí porque, deve ser afastada a responsabilidade solidária atribuída a Marcos Fredson. Diante do exposto, recebo os recursos interpostos para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO PELA RECORRENTE, e para DAR PROVIMENTO AO RECURSO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. É como voto. Fábio Nieves Barreira Relator" Acórdão formalizado em 17 de setembro de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar a Resolução. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 615 14 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. A numeração de folhas referese ao processo digital. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao entendimento de afastar a responsabilização tributária imputada a Marcos Fredson Soares Fernandes. A conclusão apresentada no Relatório Fiscal, à fl. 406, mostrase precisa: A responsabilidade solidária está prevista no art. 124 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). O inciso I do artigo informa que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Já os arts. 134 e 135 do CTN declara que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Restou demonstrado que os atos praticados o foram com infração à lei (emissão de notas fiscais calçadas), bem como que a entidade se constituía, na verdade, em uma sociedade de fato entre a Sra. Nerijane e o Sr. Marcos Fredson, cabendo a ambos, de forma solidária com a pessoa jurídica, a satisfação da integralidade do crédito tributário constituído. (grifei) Os elementos trazidos aos autos reúnem um conjunto de evidências robusto, indicando que a administração de fato era exercida por Marcos Fredson Soares Fernandes. O voto da DRJ/Recife, às fls. 518/520, mostrase elucidativo: 23. Conforme tela do sistema CNPJ, fl. 300, o nome fantasia da empresa NERIJANE DE SOUSA GUEDES FERNANDES é MG CREDITO PESSOAL & CONSIGNADO (destaque não original), tendo por sede o endereço Rua Princesa Isabel, 461, Loja 14, Cidade Alta, Natal RN. 24. Conforme pesquisa realizada pela fiscalização em 10/01/2012 (fls. 296 a 297) em 30/04/2012( fl. 298) no endereço eletrônico da empresa na internet, ali aparecem como diretores da empresa o "Sr. MARCOS FREDSON (Diretor)", sendo o seu email que consta do referido sítio "marcos@mgcredito.com.br" (grifo e destaque não original), e a "Sra. NERUJANE FERNANDES (Diretora)", com email Nerijane@mgcredito.com.br" (vide fl. 296). "Fundada em 2008 por Marcos Fredson Soares Fernandes, MG CRÉDITO é fruto de anos de experiência de seu undador como agente de crédito de renomados bancos e financeiras. O Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 616 15 empreendedorismo nato, visão diferenciada e capacidade única de negociação de Marcos Fredson, logo levaram a MG CREDITO a um lugar de destaque no mercado de correspondentes bancários. (...) No ano de 2011, a MG CREDITO iniciou um planejado e gradativo plano de expansão, estabelecendo uma sólida rede de credenciados em vários estados brasileiros, desde o Maranhão até o Rio de Janeiro. Hoje, estamos com representantes fixos em pelo menos 12 estados das regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sudeste do território brasileiro. (grifos e destaques não originais) 26. Estas informações evidenciam não só o interesse comum do Sr. Marcos Fredson, mas a informação do mesmo, inclusive, como fundador e diretor da empresa. 27. Na página de internet da empresa "MG CREDITO", consultada em 30/04/2012 pela fiscalização, fl. 298, a sede da empresa apresenta o endereço Rua Princesa Isabel, 461, Lj 13, Shopping Cidade Alta, Bairro Cidade Alta Natal RN, CEP 59.025400, que é bastante semelhante àquele que consta na tela do sistema CNPJ, fl. 300, e ao de outra empresa aberta pelo Sr. Marcos Fredson, a saber, da empresa M. F. FERNANDES ME, nome fantasia MG DIGITAÇÃO, CNPJ 02.071.252/000137, conforme tela do sistema CNPJ para esta empresa, fl. 299 28. O Sr. Marcos Fredson, esclareceu no procedimento fiscal (fls. 301 e 302), conforme consta descrito no Relatório Fiscal, nas fls. 404 a 405, que: "... em 2010 era agente financeiro da empresa (item 2), que respondia pela parte comercial da empresa, relacionandose com os agentes financeiros (itens 4 e 5). Informa ainda que a emissão de notas fiscais competia ao setor financeiro da empresa, por diferentes pessoas. Declara ainda que possui uma empresa individual em seu nome, cuja atividade foi alterada em 2010 para que pudesse exercer a atividade de intermediação financeira, fato que passou a ocorrer a partir de 2011 (itens 10 e 11). Esclarece ainda que firmou contrato com o Banco Mercantil do Brasil, com vigência a partir de 2011, e que a empresa fiscalizada não opera com o mesmo banco desde dezembro de 2010 (itens 12 e 13)". (grifos e destaques não originais) 29. Ainda na declaração prestada à fiscalização, fls. 301 a fl. 302, o Sr. Marcos Fredson, esclarece, entre outros aspectos, que: "a empresa Nerijane funciona nas salas 1, 2 e 3 do Shopping Cidade Alta e a empresa M F Soares funciona nas salas 5 e 6 do mesmo shopping". 30. Além disso, a Sra. Nerijane, no que se refere à empresa NERIJANE DE SOUSA GUEDES FERNANDES, conforme Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 617 16 declaração prestada, fls. 303 e 304, ainda descrito no Relatório Fiscal, fls. 405 a 406, informa que: "participa pouco das atividades da empresa, só comparecendo à sede em caso de necessidade (item 2); que não sabia da existência de notas calçadas na empresa (item 4); que diversas pessoas emitiam notas fiscais, dentre as quais, o Sr. Marcos Fredson (item 8); que não sabia se havia determinação da empresa para emissão de notas fiscais calçadas (item 9); que a atuação de sua empresa está restrita a um convênio mantido com a Caixa Econômica Federal (item 10); e que com a reativação da firma M F Soares Fernandes (cujo titular é o Sr. Marcos Fredson), as atividades da MG Crédito com o Banco Mercantil passaram a ser realizadas por meio desta nova empresa, cessando as atividades da fiscalizada com o banco (item 12). (grifos não originais) 31. Percebese, claramente, que o Sr. Marcos Fredson, como o próprio descreve, nas fls. 301 e 302, em 2010, ano relativo às autuações constantes do presente caso, era "agente financeiro da empresa" (NERIJANE), que "respondia pela parte comercial da empresa", sendo as notas fiscais emitida pelo setor financeiro da empresa, do qual se declara como agente, além do que no sítio eletrônico da empresa fl. 296) o mesmo também consta, mesmo em 10/01/2012 como diretor da mesma, o que demonstra sua participação nos negócios da empresa, não só no ano em questão, de 2010. 32. O mesmo Sr. Marcos Fredson descreve que a partir de 2011 passaria exercer a intermediação financeira através da empresa M F Soares Fernandes, CNPJ 02.071.252/000137, quando esta passaria a ter contrato com o BMB e a empresa NERIJANE não mais o teria, o que demonstra uma solução de continuidade para tal contrato. 33. Nas Claúsulas 2.2. e 2.3. do Contrato de Mútuo de Prestação de Serviços, fls. 76 e 77, entre o Banco Mercantil do Brasil S.A. e a empresa NERIJANE DE SOUSA GUEDES FERNANDES, assinado em 02 de abril de 2010, conforme fl. 84, consta a seguinte informação, sobre a qual a Fiscalização chamado atenção em seu Relatório Fiscal: "2.2. A senha do usuário Master, para utilização do sistema Empréstimo Consignado WEB, será encaminhada exclusivamente para o email indicado pela CONTRATADA, qual seja marcos@mgcredito.com.br. A senha é de uso pessoal e intransferível (...). 2.3. A CONTRATADA poderá, a seu critério, criar a partir do usuário Master que lhe foi concedido, usuários de acessos secundários (...)". (grifos não originais) 34. Esse conjunto de informações deixa claro a participação e interesse comum do Sr. Marcos Fredson nos negócios da empresa NERIJANE nos períodos de 2010, objeto da presente autuação, e até mesmo após aquele ano conforme fls. 296 a 298, Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10469.724378/201209 Acórdão n.º 1103001.107 S1C1T3 Fl. 618 17 tendo o Sr. Marcos Fredson, em 2010, sido responsável pela parte comercial da empresa, além de exercer atividade agente financeiro para a empresa, sendo que a titular da empresa, Sra.Nerijane, esposa do Sr. Marcos Fredson, conforme destacado no procedimento fiscal, alegou desconhecimento dos negócios com notas calçadas, tendo afirmando também que "embora titular da firma (...), ela mesma, pessoalmente, participa pouco das atividades da empresa, só comparecendo à sua sede em caso de necessidade" e que "a empresa continua as portas abertas, mas com atuação restrita a convênio mantido com a Caixa Econômica Federal" (vide sua declaração, fls. 303 e 304). Enfim, há que se observar que, no recurso voluntário (fl. 567), o próprio sujeito passivo indireto informa que detinha procuração para gerir a sociedade: 76. A responsabilidade não pode ser imputada ainda em razão de que, se o Sr. Fredson atuou gerindo a sociedade o fez por procuração da sócia, sob sua orientação. Com efeito, o art. 135 do CTN, no qual se embasou o fiscal para imputar a responsabilidade ao sócio da empresa, é claro em sua redação (...) Ora, diante dos fatos apresentados, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal. Restou plenamente caracterizada a administração de fato exercida por Marcos Fredson Soares Fernandes, permeada inclusive de atos deliberadamente ilícitos, como a emissão de notas calçadas. Diante de todo o exposto, voto do sentido negar provimento ao recurso voluntário interposto por Marcos Fredson Soares Fernandes. assinado digitalmente André Mendes de Moura Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 28 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10240.720899/2011-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/01/2009 a 31/12/2009
Recurso Especial de Divergência. Prequestionamento. Necessidade
Não será admitido o recurso interposto pelo contribuinte no qual não se demonstre, por meio da indicação precisa das peças processuais, que a matéria recorrida foi prequestionada.
Inadmissível, portanto, a pretensão de se reconhecer a matéria indiretamente prequestionada na hipótese em que o acórdão recorrido não enfrentou os pontos sobre os quais o recurso especial.
Numero da decisão: 9303-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de prequestionamento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de prequestionamento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/01/2009 a 31/12/2009 Recurso Especial de Divergência. Prequestionamento. Necessidade Não será admitido o recurso interposto pelo contribuinte no qual não se demonstre, por meio da indicação precisa das peças processuais, que a matéria recorrida foi prequestionada. Inadmissível, portanto, a pretensão de se reconhecer a matéria indiretamente prequestionada na hipótese em que o acórdão recorrido não enfrentou os pontos sobre os quais o recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de prequestionamento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 08 99 /2 01 1- 72 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10240.720899/201172 Acórdão n.º 9303003.428 CSRFT3 Fl. 442 2 Tratase de autos de infração lavrados para constituir o crédito pertinente ao PIS e à Cofins que o Sujeito Passivo deixara de recolher, em razão, dentre outras, de haverse utilizado de créditos os quais, no entender da Fiscalização, não fazia jus. O órgão julgador de primeira instância manteve o lançamento fiscal, com o que não se conformou o sujeito passivo que apresentou recurso voluntário. Nas razões recursais, a recorrente discorre novamente sobre a legislação de regência e defende o direito à apuração de crédito, sempre partindo da premissa de que estar seia diante de operação realizadas por estabelecimento localizado fora da ALC e, portanto, sujeito ao pagamento das contribuições, que adquiriu mercadorias daquela área diferenciada. O seguinte excerto do votocondutor do acórdão recorrido resume com propriedade suas razões: A Recorrente se defende com os seguintes argumentos: 1) que suas vendas foram todas tributadas pelo PIS/Pasep e pela Cofins, de modo que não se verificaria a ocorrência da parte final do que consta do inciso II, do § 2º, do art. 3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, acima reproduzido, isto é, suas vendas não se deram à alíquota zero, nem sob isenção; 2) que a desoneração por meio de redução da alíquota a zero equivaleria a uma isenção, e, em assim o sendo, que estariam atingidos os quesitos para o aproveitamento do crédito; e 3) inovando em relação à peça impugnatória, que nem todas as suas receitas estavam sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, o que a colocaria dentre as empresas alcançadas pelo disposto no § 6º, do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, introduzido pela lei nº Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009. Neste caso, para as aquisições que efetuou nos meses de junho a dezembro de 2009 não haveria impedimento legal algum para que fossem apropriados os créditos correspondentes. Julgando o feito, o Colegiado recorrido conheceu parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, negoulhe provimento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUBMETIDA AO ÓRGÃO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LIDE NÃO INSTAURADA. Considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10240.720899/201172 Acórdão n.º 9303003.428 CSRFT3 Fl. 443 3 NÃOCUMULATIVIDADE.. GLOSA DE CRÉDITOS. VEDAÇÃO EXPRESSA AO CREDITAMENTO. DESONERAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. ISENÇÃO E ALÍQUOTA ZERO. EQUIPARAÇÃO INEXISTENTE. O direito ao crédito calculado sobre as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento do imposto por conta de aplicação de alíquota zero na operação anterior contém vedação expressa na parte final do inciso II, do § 2º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, não cabendo se falar em equiparação dessa forma de desoneração à isenção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. VEDAÇÃO EXPRESSA AO CREDITAMENTO. DESONERAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. ISENÇÃO E ALÍQUOTA ZERO. EQUIPARAÇÃO INEXISTENTE. O direito ao crédito calculado sobre as aquisições de bens não sujeitos ao pagamento do imposto por conta de aplicação de alíquota zero na operação anterior contém vedação expressa na parte final do inciso II, do § 2º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, não cabendo se falar em equiparação dessa forma de desoneração à isenção. Recurso Voluntário não conhecido em parte e, na parte conhecida, negado provimento. Mantida a integralidade do lançamento, a contribuinte maneja seu recurso especial, por meio do qual, após narrar as etapas percorridas pelo processo e os fatos que, passa a demonstrar seus elementos de discordância com relação ao acórdão recorrido. Em síntese, postula a recorrente que se reconheça que a alíquota de 0%, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, equivaleria à isenção e, como tal, não impediria a apuração de créditos, como pontuado pelo próprio acórdão recorrido. Transcreve excertos do votocondutor que respaldariam suas alegações. Aduz, nesse trilhar, que tal entendimento encontrarseia igualmente respaldado pela jurisprudência do CARF e, no intuito de demonstrar o necessário dissídio jurisprudencial, acosta ao processo o Acórdão nº 3402002.361, do qual transcreveu o seguinte excerto da ementa: PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. LEIS NºS 10.637/02, 10.833/03 E 11.033/04. AQUISIÇÕES DE INSUMOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO COM SAÍDA SUBSEQUENTE PARCIALMENTE TRIBUTADA. DIREITO AO CRÉDITO PROPORCIONAL. O inciso II, no §2º, dos arts. 3º, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, veda o desconto de crédito sobre a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições ao PIS e à COFINS quando a operação subsequente sujeitarseá suspensão, Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10240.720899/201172 Acórdão n.º 9303003.428 CSRFT3 Fl. 444 4 isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, de modo que quando a operação subsequente for parcialmente tributada, deve ser permitido o direito ao desconto de créditos proporcionalmente às receitas de vendas sujeitas a incidência tributária, os quais podem ser mantidos nos termos do art. 17, da Lei nº 11.033/04. Glosa parcialmente mantida. O recurso foi admitido nos termos do despacho às fls. 425 a 427. Regularmente cientificada, em suas contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão. Essencialmente, reitera o raciocínio trilhado no votocondutor. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Antes de se passar à análise do mérito do recurso especial, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade, agora com a profundidade inerente à condição de relator e com a possibilidade de se submeter tal discussão a este Colegiado. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Pois bem. ao reler os acórdãos recorrido e paradigma, e compulsar os autos cheguei à inexorável conclusão de que o recurso não deve ter seguimento Em primeiro lugar, há de se considerar que o acórdão paradigma não aborda um dos principais fundamentos dos recursos voluntário e especial, no caso, a equiparação entre isenção e alíquota zero. De fato, o acórdãoparadigma reconhece o direito ao aproveitamento proporcional dos créditos sob o fundamento de que, por meio de raciocínio a contrario senso, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 20041 mitigaria a limitação consignada no inciso II, do § 2º, do art. 3º da Lei nº 10.833, 2003, matéria nunca suscitada pela recorrente. Não faz, portanto, qualquer consideração acerca da alegada equiparação entre alíquota zero e isenção, muito menos sobre seus efeitos. Por outro lado, se superada a preclusão e a ausência de questionamento expresso, admitindose que a recorrente pretendeu manejar tal discussão (ainda que não a cite), estarseia diante de matéria que não foi ventilada no acórdão recorrido, ou seja, para qual não houve prequestionamento. 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10240.720899/201172 Acórdão n.º 9303003.428 CSRFT3 Fl. 445 5 O acórdão recorrido, reforcese, limitouse a analisar a exegese do inciso II do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, até porque, como antecipado, a discussão travada no acórdão paradigma jamais foi suscitada pela recorrente. Nessa linha, forçoso é considerar que a matéria que sustentaria o dissídio jurisprudencial não foi prequestionada e, como tal, não pode ter seguimento, em observância ao §3º do art. 67 do Regimento do CARF, vigente à época do recurso, que foi aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Eis sua redação: § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria préquestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Notese, quanto a esse aspecto, que a recorrente argúi, em seu especial, que o Superior Tribunal de Justiça firmara entendimento no sentido de que seria possível demonstrar o prequestionamento indiretamente. Entretanto, dada a literalidade do dispositivo regimental, não vejo como acolher essa alegação. Como visto, cabe à recorrente indicar precisamente que a matéria foi prequestionada, o que afasta toda e qualquer possibilidade de isso ser feito por via indireta, como defende a recorrente. Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11128.003096/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/01/2002
ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA Nº 39 (ACE-39). REGIME GERAL DE ORIGEM DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. FALTA COMPROVAÇÃO DA AUTENTICIDADE. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O direito à fruição do benefício da redução tarifária previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE-39), promulgado pelo Decreto 3.138/1999, depende do atendimento das regras do Regime Geral de Origem da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), instituído pela Resolução nº 78 do Comitê de Representantes do Aladi, consolidado na Resolução nº 252 do referido Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999.
2. Por falta de atendimento do requisito relativo à autenticidade, rejeita-se o certificado de origem emitido por pessoa não habilitada pela repartição oficial ou entidade de classe autorizada pelo país exportador, ou cuja assinatura não coincide com a aposta na lista de assinaturas autógrafas fornecida pelas repartições oficiais e entidades de classe habilitadas pelos países-membros para expedir certificados de origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Demes Brito, Sidney Eduardo Stahl e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Sidney Eduardo Stahl. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou no lugar do Conselheiro Antonio Mario de Abreu Pinto, que se declarou impedido.
Nome do relator: MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2002 ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA Nº 39 (ACE39). REGIME GERAL DE ORIGEM DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. FALTA COMPROVAÇÃO DA AUTENTICIDADE. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O direito à fruição do benefício da redução tarifária previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), promulgado pelo Decreto 3.138/1999, depende do atendimento das regras do Regime Geral de Origem da Associação LatinoAmericana de Integração (Aladi), instituído pela Resolução nº 78 do Comitê de Representantes do Aladi, consolidado na Resolução nº 252 do referido Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999. 2. 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(assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 30 96 /2 00 5- 61 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz – Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Sidney Eduardo Stahl. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou no lugar do Conselheiro Antonio Mario de Abreu Pinto, que se declarou impedido. Relatório 1. Consoante a descrição do auto de infração sob análise, reproduzida no relatório apresentado no julgamento de primeiro grau (Acórdão 1729.243 – 1ª Turma da DRJ/SPOII): A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da declaração de importação nº 02/00696755, registrada em 24/01/2002, cópia de fls. 10 a 13 ou 16 a 19, “Biscoito Salgado Club Social” classificandoo no código NCM 1905.90.20 (NALADISH 1905.90.91), recolhendo o imposto de importação à alíquota de 7,8%, em vez de 19,5%, visto que referida mercadoria era originária da Venezuela e encontrava se negociada no Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138/99, contemplada com preferência percentual de 60%. Ocorre que, conforme relata a autoridade lançadora no auto de infração, para a comprovação de que a mercadoria é originária do país signatário do Acordo, é exigido o Certificado de Origem, que deve possuir os requisitos estabelecidos na Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11, de 21/01/97, e, no caso em tela, quando da análise dos documentos que instruíam a declaração de importação, constatouse que a assinatura do representante do órgão responsável pela Certificação da Origem, Sr. Andrés Azocar, no Certificado nº 004478, cópias nas fls. 20 e 24, não coincidia com a constante nos arquivos da Alfândega do Porto de Santos (fl. 25). Em face da divergência de assinaturas, conforme despacho na fl. 21, a COANA foi comunicada para averiguar a autenticidade do referido Certificado de Origem (processo nº 11128.006269/200250, de fls. 14 a 38). Para esclarecer a divergência das assinaturas nos documentos já mencionados: 1) em 16/12/2002, a COANA encaminhou o Fax nº 1909 (fl. 23) ao Ministerio de la Producción y el Comercio da Venezuela, solicitando que fosse averiguada a autenticidade do Certificado de Origem nº 004478, de 02/01/2002 (fl. 24), cuja assinatura do Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.003096/200561 Acórdão n.º 3102002.282 S3C1T2 Fl. 101 3 funcionário credenciado, Sr. Andrés Azocar, não conferia com a constante dos arquivos da Alfândega do Porto de Santos (fl. 25); 2) não recebendo resposta do fax referido no item (1), a COANA reiterou a solicitação em 24/03/2003, por meio do Fax nº 228 (fl. 26); 3) em 15/04/2003, a COANA foi informada, através da correspondência expedida pelo Ministerio de la Producción y el Comercio da Venezuela (fl. 27), datada de 14/04/2002, que o Certificado de Origem nº 004478 00003, expedido pela Oficina Regional de Barquisimeto daquele Ministério para a empresa: “Nabisco Venezuela, C.A” era autêntico e que foi assinado pela Sra. Aurelana Briceño, funcionária devidamente autorizada para tal fim; 4) em 22/04/2003, a COANA encaminhou o Fax nº 274 (fl. 29), solicitando ao Sr. Eduardo Porcarelli, Diretor Geral de Comércio Exterior do Ministério de Produção e Comércio da Venezuela, esclarecimentos sobre a divergência quanto aos funcionários certificantes do documento em questão; 5) não obtendo resposta para o fax mencionado no item 4, a COANA reiterou a sua solicitação de esclarecimentos em: 1) 31/07/2003 Fax nº 0528, na fl. 31; 2) em 23/01/2004 – Fax nº 0027, na fl. 32. Em 08/03/2005, o Sr. Coordenador Geral de Administração Aduaneira, através da Informação Coana/Gab nº 2005/00141, na fl. 28, finaliza a consulta sobre o Certificado de Origem em questão manifestandose da seguinte forma: “Tendo em vista que esta CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) tentou várias vezes, sem sucesso, confirmar a autenticidade da assinatura do Sr. Andrés Azocar no referido Certificado de Origem, orienta se pela rejeição de tal documento para fins de concessão de preferência tarifária, nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), desqualificandose a origem da mercadoria e aplicandose as disposições da IN SRF nº 149, de 27 de março de 2002. Diante do exposto, encaminhese o processo com cópias dos faxes enviados às autoridades venezuelanas, em anexo, para a Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal para conhecimento e providências cabíveis.” Em face do exposto, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento da diferença de imposto de importação apurada, da multa de ofício sobre o II, capitulada no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, totalizando, com juros calculados até 29/04/2005, o valor de R$ 22.557,90. Cientificado da lavratura do auto de infração em 01/06/2005 (fl. 42verso), o contribuinte, por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumento de Mandato na fl. 58), protocolizou Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 impugnação, tempestivamente, em 01/07/2005, de fls. 52 a 57, alegando a inexistência de prova material capaz de afastar a presunção de veracidade do Certificado de Origem apresentado. Argumenta que “supor” que um fato tenha acontecido ou que sua materialidade tenha sido efetivada, não é o mesmo que exibir a concretude de sua existência, mediante prova direta, conferindolhe segurança e certeza. Alega ainda que: 1) a fiscalização, sem qualquer subsídio técnico, simplesmente presumiu que a assinatura constante do Certificado de Origem não era do responsável pela sua emissão, não tendo produzido nenhuma prova que fosse capaz de calcar o seu entendimento; 2) a autoridade venezuelana confirmou expressamente a autenticidade do documento, bem como da assinatura, não tendo levantado nenhuma objeção à sua aceitação; 3) a autoridade fazendária não se deu por satisfeita e, através de um ato arbitrário, totalmente contrário às provas carreadas aos autos, “resolveu” rejeitar o certificado de origem apresentado pela contribuinte. 2. Com base nos mesmos fundamentos para o lançamento tributário, descritos acima, em especial a orientação dos Sr. Coordenador Geral de Administração Aduaneira, foi o auto de infração julgado procedente em grau de impugnação (Acórdão 1729.243 – 1ª Turma da DRJ/SPOII). 3. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reproduz as razões de impugnação e aduz argumentos adicionais quanto ao princípio da verdade material. Colaciona jurispridência deste Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora. 4. O caso presente versa sobre auto de infração tributária lavrado com base em suspeita da autoridade fiscal quanto à assinatura aposta no certificado de origem que guarnece a operação de importação, beneficiada por redução de alíquota nos termos de Acordo Internacional firmado com a República Bolivariana da Venezuela. 5. Amparouse o Fisco, sem a realização de prova pericial, em suposta divergência de assinaturas, por mera comparação com os registros na alfândega de Santos. Não consta que tal discrepância tenha sido atestada mediante laudo comprobatório. 6. Não há, além de tal presunção, qualquer outro elemento nos autos que desafie a autenticidade do Certificado de Origem emitido. 7. Pelo contrário, às fls. 27, existe manifestação de autoridade governamental venezuelana de que o referido documento é autêntico. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.003096/200561 Acórdão n.º 3102002.282 S3C1T2 Fl. 102 5 8. Salvo melhor juízo, não cabe ao Fisco desconsiderar tal afirmação. O certificado de origem é documento destinado a atestar de onde é originária a mercadoria nele expressamente individualizada. A autoridade competente para sua emissão reconheceu sua autenticidade, independentemente do signatário. 9. O Fisco não questiona a origem da mercadoria, a qual incontroversamente veio da Venezuela, aplicável, portanto, o princípio da verdade material. Do voto proferido pelo Eminente Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, no Processo 10480.010978/0070, Acórdão n. CSRF/0304.125, retiro o seguinte trecho, aplicável mutatis mutandis, ao caso sob exame: Nestes casos a jurisprudência é pacífica no sentido de que se deve privilegiar o conteúdo em detrimento da forma e não o contrário. Não havendo erro ou informação falsa quanto ao país de origem, o Certificado cumpre a sua finalidade, que é a de, como o próprio nome diz, certificar que a mercadoria é advinda de país com o qual há tratamento diferenciado, na tributação do comércio exterior. 10. Inegável, neste caso, que a operação do recorrente está amparada no Acordo de Complementação Econômica n. 39, introduzido na legislação pátria pelo Decreto n. 3.138, de 16/08/99. 11. A descaracterização do Certificado de Origem, como documento hábil para comprovar a procedência da mercadoria importada, não pode ser implementada de forma automática, sem a prévia comprovação de algum tipo de falsidade. Tal comprovação se concretiza mediante consulta ao órgão emissor do Certificado de Origem do país exportador, como aponta a iterativa jurisprudência deste Conselho: CERTIFICADO DE ORIGEM – Não há como consideralo nulo, sem prova convincente do falso conteúdo ideológico e antes que se proceda à consulta ao órgão emitente do país exportador (Recurso n. 123.177). [...] Equívocos formais no preenchimento do Certificado de Origem carecem de vitalidade para tornálo nulo, antes da consulta entre as autoridades, prevista no artigo 18, do Anexo 1, do 8º Protocolo Adicional de Complementação Econômica n. 18, implementado pelo Decreto 1,568/95, e na Portaria MF/MICT/MRE/11, de 21/01/97 (Acórdão n. 30328.665). [...] ISENÇÃO – CERTIFICADO DE ORIGEM – Na ocorrência de erro de fato e não de direito, corrigido por documentos idôneos, a concessão da isenção não fere o princípio da interpretação literal da legislação que outorga favor fiscal (CSRF, RD/301 0.308). [...] CERTIFICADO DE ORIGEM – Não há como considerálo nulo, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 se proceda á consulta ao órgão emitente do país exportador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão n. 30330.252). [...] CERTIFICADOS DE ORIGEM – Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. (Acórdão CSRF/0304.125). 12. Registrese, ademais, que a Portaria Interministerial n. 11/97, disciplinadora do controle dos Certificados de Origem conforme a fundamentação do auto de infração, determinava, no seu art. 5º, que: Art. 5º. No caso de haver dúvidas fundamentadas decorrentes da efetivação do controle dos Certificados de Origem, a Secretaria da Receita Federal poderá solicitar informações adicionais ao país exportador, com notificação ao Ministério das Relações Exteriores. 13. Tal providência foi efetivada e a resposta da autoridade venezuelana foi de confirmação da autoridade e autenticidade do documento. Não há razão para a fiscalização aduaneira desconsiderálo. 14. Arrematese, por fim, que não cabe à Instrução Normativa SRF n. 149/2002 sobreporse ao Decreto n. 3.138, de 16/08/99, que internalizou o conteúdo do acordo internacional em que amparada a operação de importação objeto do auto de infração. Tratase de aplicação direta das regras de hierarquia das normas, ostentando o Tratado caráter de lei interna por força dos dispositivos constitucionais que tratam do tema. Nesse sentido, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de lhe conferir integral provimento, para cancelar o auto de infração desafiado. (assinado digitalmente) Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, pedese vênia i. Relatora para, com o devido respeito, discordar do entendimento consignado no seu brilhante voto no sentido de que o Certificado de Origem de fl. 22 constitui documento hábil para fim de comprovar a origem da mercadoria descrita na Declaração de Importação (DI) nº 02/00696755 (fls. 18/21), registrada em 23/1/2002, pel De acordo com o referido Certificado, a mercadoria objeto do correspondente despacho aduaneiro de importação era originária da Venezuela, país signatário do Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), promulgado pelo Decreto 3.138/1999, que assegura às mercadorias originárias dos país partes do Acordo preferência percentual de 60% (sessenta por cento). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.003096/200561 Acórdão n.º 3102002.282 S3C1T2 Fl. 103 7 Em face da natureza do benefício fiscal em apreço, a comprovação da origem é condição necessária para que a mercadoria importadas dos países participantes do ACE39 possa beneficiarse do tratamento preferencial pactuado no âmbito deste Acordo. Para fim de comprovação desse requisitos, os documentos de exportação da mercadoria originária de cada Estado Parte devemse fazer acompanhados de declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem, estabelecidos no Regime Geral de Origem da Associação LatinoAmericana de Integração (Aladi), instituído pela Resolução nº 78 do Comitê de Representantes do Aladi, consolidado na Resolução nº 252 do referido Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999, cujos requisitos encontramse estabelecidos nos artigos SÉTIMO a QUINZE do Capítulo II, a seguir transcritos: CAPÍTULO II Declaração, certificação e comprovação da origem Declaração SÉTIMO. Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. OITAVO. A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Nos casos em que a mercadoria tenha sido negociada em uma nomenclatura diferente à NALADI/SH se indicará o código e a descrição da nomenclatura registrada no acordo de que se tratar. NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Certificação DEZ. A declaração a que se refere o Artigo Sétimo deverá ser certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, habilitada pelo Governo do país exportador. Os certificados de origem emitidos para os fins do regime de desgravação terão um prazo de validez de 180 dias, contados a partir da data de certificação pelo órgão ou entidade competente do país exportador. Sem prejuízo do prazo de validez a que se refere o parágrafo anterior, os certificados de origem não poderão ser expedidos com antecipação à data de emissão da fatura comercial correspondente à operação de que se trate, senão na mesma data ou dentro dos sessenta dias seguintes, salvo o disposto no segundo parágrafo do Artigo nono. Autoridades habilitadas para emitir certificados de origem ONZE. Os países membros, através de suas Representações Permanentes, comunicarão à SecretariaGeral a relação das repartições oficiais e entidades de classe habilitadas a emitir a certificação a que se refere o Artigo anterior, com a lista de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas. Ao habilitar entidades de classe, os paísesmembros procurarão que se trate de organizações que atuem com jurisdição nacional, podendo delegar atribuições a entidades regionais ou locais, conservando sempre a responsabilidade direta pela veracidade das certificações expedidas. As comunicações serão publicadas e transmitidas imediatamente às Representações Permanentes, pela SecretariaGeral. Registro de assinaturas de pessoas autorizadas para emitir certificados de origem DOZE. A SecretariaGeral manterá um registro atualizado das repartições oficiais e entidades de classe habilitadas pelos paísesmembros para expedir certificados de origem, bem como das listas de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas. TREZE. Os paísesmembros, através de suas Representações Permanentes, comunicarão à SecretariaGeral as modificações que introduzirem na relação de repartições oficiais e entidades de classe habilitadas para emitir certificados de origem, bem Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.003096/200561 Acórdão n.º 3102002.282 S3C1T2 Fl. 104 9 como as listas de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas. Os paísesmembros utilizarão o formulário que consta como Anexo 3 da presente Resolução para comunicar novos registros de assinaturas de pessoas autorizadas para emitir certificados de origem, bem como a atualização de assinaturas já registradas. As modificações feitas no registro, tanto de assinaturas como das repartições oficiais e entidades de classe habilitadas para emitir certificados de origem, entrarão em vigor quinze dias calendário depois que a SecretariaGeral as tenha comunicado às Representações Permanentes, permanecendo vigentes até então os registros anteriores à modificação. Essas comunicações serão publicadas e transmitidas imediatamente às Representações Permanentes pela Secretaria Geral. Formulário de certificado de origem QUATORZE. Os certificados de origem deverão ser emitidos de conformidade com as normas estabelecidas no presente Regime. Por conseguinte, deverão ser emitidos no formulário único adotado pelo Comitê de Representantes, que consta no Anexo 4 da presente Resolução, para qualificar a origem das mercadorias objeto de intercâmbio, devidamente intervindos, com carimbo e assinatura, pelas repartições oficiais ou pelas entidades de classe autorizadas para sua expedição. Junto ao carimbo da repartição oficial ou entidade de classe autorizada deverá registrarse, também, o nome do habilitado, em letra de imprensa. Comprovação da origem QUINZE. Sempre que um país participante considere que os certificados expedidos por uma repartição oficial ou entidade de classe credenciada do país exportador não se ajustam às disposições contidas no presente regime, comunicará o fato ao mencionado país exportador para que este adote as medidas que considere necessárias para solucionar os problemas apresentados. Em nenhum caso o país participante importador deterá os trâmites de importação das mercadorias amparadas nos certificados a que se refere o parágrafo anterior, mas poderá, além de solicitar as informações adicionais que correspondam às autoridades governamentais do país participante exportador, adotar as medidas que considere necessárias para garantir o interesse fiscal. [...] (grifos não originais) De acordo os preceitos normativos, verificase que somente o certificado de origem emitido por repartição oficial ou entidade de classe habilitada pelo Governo do país Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 exportador, contendo carimbo e assinatura da pessoa autorizada pela repartição oficial ou entidade de classe autorizada. E para verificar se a pessoa que assinou o certificado estava devidamente autorizada pelo órgão competente do país exportador, é exigido que, junto ao referido carimbo, esteja registrado, em letra de imprensa, o nome da pessoa habilitada. Dessa forma, para que o certificado seja acatado pelo país importador, obviamente, o nome e a assinatura da pessoa que o assinou, obrigatoriamente, deve coincidir com o registro atualizado fornecido pelas repartições oficiais e entidades de classe habilitadas pelos paísesmembros para expedir certificados de origem, bem como da lista de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas, conforme exige os artigos DOZE e TREZE anteriormente transcritos. E, em conformidade com o disposto no referido artigo QUINZE, sempre que o país participante considere que o certificado expedido por uma repartição oficial ou entidade de classe credenciada do país exportador não se ajustam às disposições determinadas na referida Resolução, em especial, quando o houver divergência com lista de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas, o país participante importador poderá, além de solicitar as informações adicionais que correspondam às autoridades governamentais do país participante exportador, adotar as medidas que considere necessárias para garantir o interesse fiscal. No caso em tela, informou a fiscalização (fls. 3/4), quando da análise dos documentos que instruíam a referida DI foi constatado que a assinatura do representante do órgão responsável pela certificação da origem, Sr. Andres Azocar, não coincidia com a constante nos arquivos da Alfândega do Porto de Santos, motivo pelo qual o referido documento foi encaminhado, por meio do processo nº 11128.006269/200250, à Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para fim de confirmação da autenticidade do referido Certificado. Em 16/12/2002, a Coana encaminhou o Fax nº 1909 (fl. 25) ao Ministerio de la Producción y el Comercio da Venezuela, solicitando que fosse averiguada a autenticidade do citado Certificado, cuja assinatura do funcionário credenciado, Sr. Andrés Azocar, não conferia com a constante dos arquivos da Alfândega do Porto de Santos (fls. 26/27). Por falta de resposta, a Coana reiterou a solicitação em 24/3/2003, por meio do Fax nº 228 (fl. 28). Em 15/4/2003, a COANA foi informada, através da correspondência expedida pelo Ministerio de la Producción y el Comercio da Venezuela (fl. 29), datada de 14/04/2002, que o citado Certificado de Origem, expedido pela Oficina Regional de Barquisimeto daquele Ministério para a empresa: “Nabisco Venezuela, C.A” era autêntico e que foi assinado pela Sra. Aurelana Briceño, funcionária devidamente autorizada para tal fim. Se antes a divergência era apenas de assinatura, agora a pessoa que havia assinado o documento não estava habilitada assinálo, já que não constava da lista de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas. Em face dessa nova circunstância, em 22/4/2003, a Coana encaminhou o Fax nº 274 (fl. 31), solicitando ao Sr. Eduardo Porcarelli, Diretor Geral de Comércio Exterior do Ministério de Produção e Comércio da Venezuela, esclarecimentos sobre a divergência quanto aos funcionários certificantes do documento em questão. Como não obteve resposta, a Coana reiterou por duas vezes a solicitação dos esclarecimentos, em 31/7/2003, por meio do Fax nº 0528 (fl. 33), e em 23/1/2004, por meio do Fax nº 0027 (fl. 34). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.003096/200561 Acórdão n.º 3102002.282 S3C1T2 Fl. 105 11 Na ausência de respostas que esclarecesse as divergências apontada, em 8/3/2005, o Sr. Coordenador Geral de Administração Aduaneira, através da Informação Coana/Gab nº 2005/00141 (fl. 30), finalizou a consulta sobre o Certificado de Origem em questão manifestandose da seguinte forma, in verbis: Tendo em vista que esta CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) tentou várias vezes, sem sucesso, confirmar a autenticidade da assinatura do Sr. Andrés Azocar no referido Certificado de Origem, orientase pela rejeição de tal documento para fins de concessão de preferência tarifária, nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), desqualificandose a origem da mercadoria e aplicandose as disposições da IN SRF nº 149, de 27 de março de 2002. Diante do exposto, encaminhese o processo com cópias dos faxes enviados às autoridades venezuelanas, em anexo, para a Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal para conhecimento e providências cabíveis. Dessa forma, fica demonstrado que, apesar dos esforços da Coana para fim de esclarecer as divergências em relação à pessoa autorizada e à assinatura apostas no referido certificado, a falta de esclarecimentos por parte da autoridade competente da Venezuela, resultou na rejeição do citado documento para fim de comprovação da origem da mercadoria, tornandoo imprestável para fim de concessão de preferência tarifária, prevista no ACE39. A conclusão da Coana está em perfeita consonância (i) com os requisitos do Regime Geral de Origem da Aladi, instituído pela Resolução nº 78 do Comitê de Representantes da Aladi, consolidado na Resolução nº 252 do referido Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999, e (ii) com as disposições da Instrução Normativa SRF 149/20021, especialmente, com o disposto no art. 10, III, que determina a desqualificação do certificado de origem, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que o certificado foi firmado por funcionário não autorizado. Seguem transcritos os relevantes trechos do citado art. 10, in verbis: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: [...] III tiver sido firmado por entidade ou funcionário não autorizado. Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária 1 Por força do disposto no art. 26, II, as determinação da referida Instrução Normativa também se aplica, no que couber, aos demais regimes de origem preferenciais negociados com países não integrantes do Mercosul, sem prejuízo dos preceitos específicos previstos nos respectivos acordos celebrados. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA 12 de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. (grifos não originais) As provas coligidas aos autos são suficientes para comprovar que o referido certificado de origem não foi firmado por funcionário autorizado e relacionado na lista de funcionários autorizados e suas correspondentes assinaturas autógrafas, que as repartições oficiais e entidades de classe habilitadas para emitir certificados de origem são obrigadas a manter atualizadas, nos termos dos artigos DOZE e TREZE da citada Resolução nº 252, anteriormente transcritos. Por todo o exposto, votase pela improcedência do recurso, para que seja mantida na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13804.000472/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS apurado no regime não cumulativo, com origem em agosto de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre declaração de compensação apresentada pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de PIS oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado no mês RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 47 2/ 20 05 -7 1 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000472/200571 Resolução nº 3201000.578 S3C2T1 Fl. 305 2 de agosto de 2003 pelo regime nãocumulativo e com fundamento no art. 5º, § 1°, da lei n° 10.637/2002. 5. A declaração citada foi apresentada em 31/01/2005, ocupando as fls. 1/2 dos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 22/23), determinou o envio do processo à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 36/38, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 26/31), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 33/34, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 05/11/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 39/42, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente." (fl. 42) 9. Intimada da decisão por via postal em 03/12/2009 (fl. 43 — v.), a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 47/67, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 68/123). Resumo I. Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 48, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza do débito a compensar, bem como o respectivo valor, código e período de apuração. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 32 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000472/200571 Resolução nº 3201000.578 S3C2T1 Fl. 306 3 IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de PIS apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item "6" do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de PIS pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade, Lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON. IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de PIS anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. XI. Assinala que as informações contidas nas fichas 20 e 21 da DIPJ relativa ao exercício de 2004 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluídas nas fls. 53/55. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 20 e 21), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e Demonstrativo do Crédito de PIS ("Anexo 2"). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000472/200571 Resolução nº 3201000.578 S3C2T1 Fl. 307 4 XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 57/67, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo" (fl. 67). 10. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 25.647, de 10/06/2010 (fls. 132 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 151/163, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da PIS apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 28/33, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 34). Posteriormente, em 29/05/2009, foi reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000472/200571 Resolução nº 3201000.578 S3C2T1 Fl. 308 5 arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 35/36), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 37. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 34. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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