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Numero do processo: 16327.903796/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1672.996, proferido pela 8ª Turma da DRJ/SPO, na sessão de 24 de maio de 2016, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 79 6/ 20 14 -1 5 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 196 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 85, em que foi apreciado o documento PerDComp nº 38252.40213.040112.1.3.049007 (fls. 89/93) por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRRF (código 5706) do período de apuração 3º Decêndio de Dezembro de 2011, apontando que o crédito utilizado é decorrente do Pagamento Indevido ou a Maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (código 6758) devida no ajuste anual do anocalendário de 2009, no valor original na data da transmissão de R$ 23.162.555,83 (fl. 90). 2. O Despacho Decisório (fl. 85) encontrase fundamentado no art. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996, art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, e assim dispõe: 3. Cientificada do Despacho Decisório em 14/10/2014 (fls. 84), a contribuinte apresentou em 07/11/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 02 a 08, acompanhada dos documentos de fls. 09 a 83. 3.1. Na peça de defesa, após sucinta descrição dos fatos a contribuinte alega, em preliminar, prejudicialidade do processo administrativo pertinente a PerDComp cujo crédito é oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2009 (processo n° 16327.903402/201429, no qual se discute a glosa de imposto pago no exterior na apuração do IRPJ devido no anocalendário de 2009). Isto porque, conforme artigo 15 da IN 213/2002, verificase que a utilização de imposto pago no exterior na compensação com a CSLL devida no Brasil poderá ser feita no montante que exceder o valor compensável do IRPJ devido. Destacou, ainda, a interessada que a análise do direito creditório do Saldo Negativo do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2009 foi efetuada em conjunto, nos autos do processo 16327.720411/201486. 3.2. Ainda em sede de preliminar, a contribuinte alega a nulidade do despacho decisório, com base no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, por cerceamento do direito de defesa, porquanto na visão simplista e sem nenhuma motivação por parte da Autoridade Fiscal, do total do crédito pleiteado, no valor do R$ 23.162.555,83, o Manifestante teria direito apenas ao montante de R$ 5.439.596,13. Depois de comentar as informações disponibilizadas no Processo nº 16327.720411/201486 (ref. análise do direito creditório), acusa que em nenhum momento a Autoridade Fiscal demonstra os motivos ensejadores da glosa ora combatida, resumindose a afirmar que as parcelas de IRRF recolhidas no exterior foram glosadas "(...) por falta de previsão legal (...)", sem, contudo, apontar qual foi a situação fática que determinou a suposta não observância da lei ou mesmo qual dispositivo legal foi supostamente infringido, o que estaria a caracterizar o cerceamentos do direito de defesa. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 197 3 3.2. Defende ainda a “EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO” e, considerando que a análise da autoridade fiscal foi a mesma tanto para a apuração do saldo negativo do IRPJ, como para a CSLL devida no anocalendário de 2009, apresenta os mesmos argumentos já aduzidos nos autos do P.A. nº 16327.903402/201429, a saber: a glosa não está pautada na falta de comprovação do direito creditório e nem mesmo no eventual descumprimento de requisitos ensejadores do direito à compensação. Isso porque, no despacho decisório ora atacado não há nenhum questionamento em relação à documentação apresentada pelo Manifestante em sede de Fiscalização e que, inclusive, encontrase disponível no processo n° 16327.720411/201786; a título exemplificativo, o Manifestante junta a estes autos as guias de IRRF recolhidas no exterior devidamente consularizadas, sobre remessas de juros efetuadas para a filial do Manifestante, cuja origem foi devidamente demonstrada no curso da fiscalização e que, juntamente com o restante da documentação disponibilizada no processo administrativo acima mencionado, demonstram o direito creditório pleiteado; Dessa forma, resta ao Manifestante apenas a demonstração de que a base legal para a compensação dos tributos retidos contra sua filial em paraíso fiscal (Nassau) é o art. 9º da MP 2.15835, de 2001, que transcreve à fl. 06; Como se vê, a intenção do legislador ao criar a regra contida no art. 9º, da MP 2.15835/2001) foi a de evitar a dupla tributação sobre o mesmo fato gerador. Assim, se os rendimentos que sofreram retenção na fonte compuseram os resultados da matriz no Brasil (ora Manifestante) nos anoscalendários de 2008 e 2009, como de fato ocorreu e, inclusive, foram demonstrados e não questionados pela fiscalização, resta devidamente demonstrado que a compensação da forma como realizada encontra amparo legal; reconhecida a possibilidade de compensação dos tributos retidos contra a filial em Nassau, deve ser reconhecida a adição da integralidade dos tributos retidos no exterior (no valor de R$ 102.118.172,77! para o ano de 2008 e R$ 50.281.999,732 para o ano de 2009) para fins de cálculo do limite do imposto a ser compensado no Brasil. A planilha abaixo demonstra a observância desse limite por parte do Manifestante: Ou seja, da leitura do quadro acima, verificase que o limite real para utilização do imposto pago no exterior para dedução da CSLL é de R$ 51.469.857,23 e não de R$ 22.437.218,62 calculado pela Autoridade Fiscal, portanto, o valor utilizado pelo Manifestante respeita o limite legal, não havendo, portanto, motivos para a glosa levada a efeito pela RFB; Dessa forma, considerando que a legislação não traz nenhuma restrição quanto ao procedimento feito pelo Manifestante, deve ser reconhecida a parcela de imposto, no Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 198 4 montante de R$ 23.162.555,83 e, consequentemente, homologada a compensação pleiteada. 3.3. Concluindo pelo total descabimento do indeferimento do pleito, a interessada requer a reforma da decisão denegatoria proferida no presente processo para que seja deferida a totalidade da compensação pleiteada, ou quando menos, que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório pela falta de indicação do motivo do indeferimento do crédito, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2009 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do despacho decisório quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo/contribuição pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. CSLL. DECLARAÇÃO ANUAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CSLL EXTERIOR. FILIAL SEDIADA EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. DEDUÇÃO. LIMITE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. OBSERVÂNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, observandose, contudo o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços. A glosa do valor do “Imp. Pago no Exterior” (Linha 69 da Ficha 17 da DIPJ), por falta de previsão legal, acarreta o aumento da Contribuição Social a Pagar e, por conseguinte, diminui o valor do indébito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 199 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 38252.40213.040112.1.3.04 9007, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente ao "Pagamento Indevido ou a Maior" da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (código 6758) devida no ajuste anual do anocalendário de 2009, no valor original na data da transmissão de R$ 23.162.555,83 (fl. 90), com débitos de IRRF (código 5706) do período de apuração 3º decêndio de dezembro de 2011. Antes de analisar os argumentos mencionados em sede recursal, impende apreciar a prejudicialidade consignada pela recorrente relativamente ao Processo Administrativo Fiscal nº 16327.903402/201429. Vêse que, nos termos da decisão recorrida, a parcela do direito creditório que não foi reconhecida relacionase com a decisão tomada no referido processo administrativo, no qual analisouse a parcela de IR Exterior passível de compensação com o IRPJ e a CSLL no anocalendário de 2009, entendendose por glosar o IR pago no Exterior (Acórdão nº 16 72.995 8ª Turma da DRJ/SPO). A decisão recorrida chegou a esta conclusão, porém, não sobrestou o presente processo, por adotar o entendimento de que o Decreto 70.235, de 1972, não autoriza qualquer suspensão do trâmite processual. Confirase os termos da referida decisão administrativa: 5.1. No presente caso, não resta qualquer dúvida de que a parcela do direito creditório que não foi reconhecida – no total de R$ 17.722.959,71 (Aumento da CSLL anual devida/a pagar linha 76 em decorrência da glosa do IR – Exterior – Linha 69 da Ficha 17 da DIPJ 2010 – AC 2009) – relacionase com decisão tomada em processo administrativo – P.A. nº 16327.903402/201429 – no qual analisouse a parcela de IR – Exterior passível de compensação com o IRPJ e a CSLL no anocalendário de 2009. 5.1.1. Registrese, por oportuno, que nesta mesma sessão foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 16327.903402/201429 e, conseqüentemente, foi ratificada a glosa do IR Pago no Exterior feita pela autoridade fiscal (Acórdão nº 16 72.995 – 8a. Turma da DRJ/SPO). 5.2. Com efeito, ainda que sobrevenham decisões administrativas (e/ou judiciais) dando provimento aos argumentos apresentados pela contribuinte, fato é que, até o presente momento, tais valores discutidos encontramse indisponíveis para fins da compensação ora pretendida. Portanto, ausente o atributo da liquidez e certeza a que se refere o caput do art. 170 do CTN: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 200 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifo acrescentado) 5.3. Ademais, há de se lembrar que o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, não autoriza qualquer suspensão do trâmite processual. Porém, entendo que há nítida a correlação entre aquele e o presente processo, pois o direito creditório pleiteado neste processo depende do que for decidido no processo administrativo nº 16327.903402/201429, que discute o Saldo Negativo do IRPJ, vez que a utilização de imposto pago no exterior na compensação com a CSLL devida no Brasil poderá ser feita no montante que exceder o valor compensável do IRPJ devido. Consultando o sítio do CARF, verificase que este processo ainda não foi julgado por este Conselho, aguardando seja sorteado para um dos relatores da 1ª Seção. Assim, a confirmação do montante de imposto pago no exterior passível de dedução da base da CSLL, com a conseqüente apuração do recolhimento a maior deste tributo, possui relação de prejudicialidade com o processo acima mencionado, no qual se discute a glosa do imposto pago no exterior na apuração do IRPJ devido no anocalendário de 2009. Realmente, a origem da diferença objeto de discussão no presente processo reside em outro processo, o nº 16327.903402/201429. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que for lá decidido, vez que os créditos lá tratados são responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, impondo se considerar o resultado do julgamento daquele processo ao caso em análise. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16327.903402/201429. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16327.903402/201429. 3. A Unidade Preparadora se manifeste, conclusivamente, acerca de eventual saldo de imposto pago no exterior na apuração do IRPJ devido no anocalendário de 2009, e se ele é suficiente na compensação com a CSLL devida no Brasil. (devida no ajuste anual do ano calendário de 2009) Concluída a diligência, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16327.903796/201415 Resolução nº 1301000.415 S1C3T1 Fl. 201 7 Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724800/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja juntada cópia integral do Recurso Voluntário, nos termos da Resolução anterior. Acompanhou o julgamento pela Recorrente, Dra. Bruna Luiza Assis Rodrigues Rocha OAB/MG 151.523.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja juntada cópia integral do Recurso Voluntário, nos termos da Resolução anterior. Acompanhou o julgamento pela Recorrente, Dra. Bruna Luiza Assis Rodrigues Rocha OAB/MG 151.523. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja juntada cópia integral do Recurso Voluntário, nos termos da Resolução anterior. Acompanhou o julgamento pela Recorrente, Dra. Bruna Luiza Assis Rodrigues Rocha OAB/MG 151.523. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 80 0/ 20 11 -8 7 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 578 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 30/04/2003 para constituição de crédito sobre serviços por intermédio de tomadora de serviços de construção civil contratados por empreitada global, e contra a empresa Construtora Castilho Ltda, CNPJ 65.124.224/0001 50, prestadora dos aludidos serviços, ambas incluídas no pólo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente por contribuições sociais previdenciárias patronais. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2000 LANÇAMENTO FISCAL SUBSTITUTIVO. CORREÇÃO DO VÍCIO FORMAL ANTERIOR. A expressa informação, no Auto de Infração substitutivo, do dispositivo legal que autoriza o procedimento fiscal de arbitramento corrige o vício formal que determinou a nulidade do Auto de Infração anterior por ausência da referida informação. SERVIÇOS QUE NÃO COMPÕEM O CUB. NÃO COMPROVAÇÃO. Rejeitase, por falta de provas, a alegação de que as notas fiscais listadas no lançamento fiscal se referem a atividades que não compõe o CUB, e, em conseqüência, é necessário a apresentação de guias de recolhimentos específicas da obra para afastar a responsabilidade solidária. HIPÓTESE LEGAL DE UTILIZAÇÃO DE PERCENTUAIS REDUZIDOS. SERVIÇOS REALIZADOS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE MEIOS MECÂNICOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A apuração da remuneração mediante a utilização de percentual reduzido, de 12%, para a apuração da remuneração à mãode obra empregada em construção civil fica restrita à hipótese legal, de serviços que, comprovadamente, são executados mediante a utilização de meios mecânicos. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO EFETUADA POR SUBEMPREITEIROS. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. Deve ser retificado o débito para a exclusão de retenção comprovadamente efetuada por subempreiteiros. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 579 3 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PEDIDO DE REVISÃO DE ACÓRDÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. OBSTÁCULO AO INÍCIO DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Pendente de julgamento pedido de revisão de Acórdão com efeitos suspensivos, fica obstado o início da contagem do prazo de decadência para a lavratura de Auto de Infração em substituição a lançamento fiscal anterior anulado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Conforme Relatório Fiscal e anexos, o processo em epígrafe compreende os Autos de Infração DEBCAD 37.315.6434 e DEBCAD 37.315.6442, lavrados contra a empresa já identificada, tomadora de serviços de construção civil contratados por empreitada global, e contra a empresa Construtora Castilho Ltda, CNPJ 65.124.224/0001 50, prestadora dos aludidos serviços, ambas incluídas no pólo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente por contribuições sociais previdenciárias patronais, inclusive SAT/RAT, e contribuições sociais previdenciárias de ônus dos segurados, incidentes sobre remuneração paga a mãodeobra que executou as obras de construção civil do Núcleo Unifácil City Mall Barreiro e Núcleo Unifácil Eldorado. Registra o Relatório que a citada remuneração, sobre a qual incidiu a exigência, foi apurada por aferição indireta, com base nos valores de notas fiscais de serviços, em razão da não apresentação, pela empresa tomadora de serviços fiscalizada, dos documentos a que se referem o art. 220 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O procedimento fiscal teve por fundamento o art. 33, §3º da Lei 8.212/91 combinados com arts. 233 a 235 do RPS. O Relatório esclarece também que: Foi efetuado comparativo de multa calculada segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, com multa calculada segundo a legislação em vigor (alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009), aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. O Auto de Infração foi lavrado em substituição à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.188.0674, de 30/04/2003, julgada nula em razão da omissão do fundamento legal que autorizou o arbitramento, conforme Acórdão nº 587, de 25/05/2005 da 2º Câmara de Julgamento de Recursos da Previdência Social – Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 580 4 CRPS, decisão esta confirmada através do Despacho 2400.043/2009, de 02/04/2009 da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. O lançamento substituído faz parte do processo nº 15504.724800/201187, conforme despacho às fls. 1092 do referido processo. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Vicio formal reiterado na nova autuação – O lançamento fiscal mantém o mesmo vicio formal que resultou na anulação do lançamento anterior porque não foi respeitada a legislação para fins de aplicação do arbitramento por aferição indireta: Tal qual ocorrido na autuação anterior, não foi averiguada a documentação específica que registra as ocorrências relacionadas à remuneração dos segurados empregados, como folhas e recibos de pagamento, RAIS ou GFIP, etc. O lançamento se deu com base somente em Notas fiscais de serviços não tendo sido informado ao contribuinte que o lançamento se daria por arbitramento, conforme art. 33, §3º da Lei 8.212/91. Inexistência da responsabilidade solidária em relação às notas fiscais 336, 338, 343, 350, 352, 353 e 357, por força do item 21 da OS INSS/DAF 165/1997. As referidas notas fiscais foram emitidas no período março a junho de 2000, na vigência da OS INSS/DAF 165, de 11/07/1997, que, em seu art. 21, prevê a elisão da responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no anexo I. Conforme planilha de preços anexada ao contrato em questão, a Construtora contratada pela UNIMED prestou serviços relacionados às atividades descritas no anexo I da OS INSS/DAF 165/97. Por outro lado, foram apresentadas GPS da construtora com recolhimento englobado em seu CNPJ, conforme atesta o Relatório fiscal. De acordo com o item 27 e subitens da OS INSS/DAF 165/97 não se pode atribuir responsabilidade à tomadora dos serviços pela inexistência de segregação dos valores das contribuições por obra, nem mesmo eventual falta de correspondência dos valores recolhidos com aqueles declarados na escrita contábil da construtora. E nem se alegue que a contratação não foi específica para as atividades indicadas no anexo I da OS INSS/DAF 165/1997, pois a legislação não traz essa limitação. Assim, afastada a responsabilidade solidária. Redução da base de cálculo utilizada no arbitramento. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 581 5 O percentual de 20%, utilizado para apurar a remuneração, deve ser reduzido para 12%, em razão do disposto item 31.2.1 da OS INSS/DAF 165/97 e tendo em vista que a planilha de preços anexa ao contrato e a cláusula segunda deste comprovam que foram utilizados equipamentos mecânicos na realização dos serviços em questão. Por cautela, caso se entenda pela aplicação da IN INSS/DC 69/2002, vigente à época da autuação originária, requer a redução do percentual de 20% para 14% conforme art. 77, §1º do citado ato normativo, o qual prevalece na atual IN RFB 971/2009. Por salvaguarda, requer, também, diligência para a juntada dos autos da NFLD 35.488.0674, com todos os seus anexos que evidenciam o enquadramento dos serviços na hipótese de redução do salário de contribuição. Retenção da contribuição por subempreiteiros – necessária baixa em diligência É necessário baixar o processo em diligência também para a análise dos comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias retidas dos subempreiteiros juntados pela Construtora Castilho nos autos da NFLD 35.188.0674. Conforme Decisão Notificação nº 11.401.4/170/2004, no lançamento anulado, a fiscalização havia procedido a revisão dos valores lançados, deduzindo as retenções comprovadas nos autos, entretanto, ao efetuar o lançamento substitutivo sob análise tais valores foram desconsiderados. Caráter confiscatório da multa de ofício A multa de ofício aplicada tem caráter confiscatório conforme doutrina e jurisprudência que reproduz. Assim, deve ser reduzida conforme o inciso IV do art. 150, da Constituição Federal. A empresa prestadora de serviços autuada, Construtora Castilho Ltda., também apresentou defesa alegando em resumo: Decadência Os fatos geradores em foco ocorreram no período março a junho de 2000 e haviam sido objeto do lançamento fiscal no processo 37172.001615/200423, anulado por vício formal. Assim, a contagem do prazo de decadência é regida pela norma do inciso II do art. 173 do CTN, contandose 5 anos da data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior. No caso concreto, em 25/06/2005, com o escoamento do prazo de 30 dias após a notificação do sujeito passivo, tornouse definitiva a decisão exarada no Acórdão 587, de 25/05/2005, da 2ª CAJ do CRPS, que anulou o lançamento anterior. O entendimento da autoridade lançadora, de que a coisa julgada, ocorreu apenas em 02/05/2009, data do Despacho nº 2400043/2009 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 582 6 da Quarta Câmara da 2ª Seção do CARF, que rejeitou o pedido de revisão com efeito suspensivo, fundado nos arts. 60, I e 63 do Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS 88/2004), não pode prevalecer porque a citada revisão não é propriamente um recurso pelo qual se devolve a instância superior o direito de rever a decisão de órgão inferior, obstando a formação da coisa julgada. Tratase de verdadeira ação rescisória administrativa, que tem o condão de elidir a coisa julgada administrativa, assim não interrompendo o prazo decadencial contado na forma do inciso II do art. 173 do CTN. Cita jurisprudência do CARF no sentido de que a decisão atacada por pedido de revisão faz coisa julgada independentemente de ser objeto de intenção revisional. Reproduz decisão judicial com o mesmo entendimento. Aduz ilegalidade do art. 60 da Portaria MPS 88/2004 ao argumento de ofensa ao CTN, eis que a revisão de ofício do crédito tributário somente pode ser efetuada nos moldes e hipótese do art. 149 do CTN que se trata de rol taxativo. Caráter confiscatório da multa A multa de ofício aplicada fere o princípio constitucional do não confisco e da razoabilidade e, portanto, deve ser reduzida a patamares condizentes com a realidade econômica do país e com o ordenamento pátrio, principalmente com a Constituição Federal. Impossibilidade de aplicação da taxa SELIC É ilegal também a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária, sendo necessário a sua substituição por juros moratórios de 1% ao mês conforme art 161 do CTN. O julgamento foi convertido em diligência para que se saneasse a falta de páginas do recurso voluntário: Compulsando os autos, constatase às fls. 433 que não foram juntadas aos autos as demais páginas do recurso voluntário. Conforme paginação do documento, faltam as páginas 24 a 31 do recurso voluntário. Em resposta, afirmase que, fls. 575: Atendida a resolução e cientificado os sujeitos passivos, encaminho o processo para prosseguimento. É o Relatório. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15504.724800/201187 Resolução nº 2301000.647 S2C3T1 Fl. 583 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Compulsando os autos a partir das fls. 560 onde fora juntada a Resolução, não identifico a juntada das páginas 24 a 31 do recurso voluntário. Também examinei o processo apenso e nele não consta as páginas. Também não constam até a presente data documentos pendentes de juntada. Assim, voto por converter o julgamento em diligência para que seja saneado o processo tal como solicitado anteriormente e, após, seja oportunizada a manifestação da recorrente no prazo de 30 dias antes da tramitação a este CARF. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.721208/2014-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MÚTUO. REQUISITOS PARA COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou por meio de registros que demonstrem que a quantia foi efetivamente emprestada e que posteriormente foi retornado no mesmo montante, ou acrescida de juros e/ou correção monetária. O contrato particular de mútuo, por si só, não tem condições absolutas de comprovar a efetividade da operação, devendo estar lastreado por elementos que comprovem a sua existência material.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
Para conhecimento da matéria pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela instância de origem, pois não admitida a supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.836
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MÚTUO. REQUISITOS PARA COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou por meio de registros que demonstrem que a quantia foi efetivamente emprestada e que posteriormente foi retornado no mesmo montante, ou acrescida de juros e/ou correção monetária. O contrato particular de mútuo, por si só, não tem condições absolutas de comprovar a efetividade da operação, devendo estar lastreado por elementos que comprovem a sua existência material. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Para conhecimento da matéria pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela instância de origem, pois não admitida a supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MÚTUO. REQUISITOS PARA COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou por meio de registros que demonstrem que a quantia foi efetivamente emprestada e que posteriormente foi retornado no mesmo montante, ou acrescida de juros e/ou correção monetária. O contrato particular de mútuo, por si só, não tem condições absolutas de comprovar a efetividade da operação, devendo estar lastreado por elementos que comprovem a sua existência material. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 12 08 /2 01 4- 09 Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 757 2 comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Para conhecimento da matéria pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela instância de origem, pois não admitida a supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10240.721208/201409, em face do acórdão nº 1150.051, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 758 3 Crédito tributário contestado Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrida no anocalendário de 2010, conforme demonstrativo abaixo: 1.1 A declaração de ajuste da contribuinte relativa ao ano calendário fiscalizado está às fls. 697/703, tendo como resultado a inexistência de saldo a pagar ou a restituir. Procedimentos da Fiscalização Antes mesmo de iniciar a ação fiscal sobre a contribuinte, foi feita diligência (fls. 39/40) na empresa Fênix Distribuidora de Bebidas Ltda ME, CNPJ 09.468.883/000133, da qual ela é sócia majoritária, com a finalidade de verificar a regularidade da distribuição de lucros no valor de R$ 5.394.880,83, informados como rendimentos isentos pela fiscalizada. A fiscalização constatou, com base nas informações coletadas, “que a empresa FENIX apresentou prejuízo no exercício de 2010, revelando incapacidade para distribuir lucros no montante declarado pela Sra. Ana Paula no referido anocalendário 2010 (R$ 5.394.880,83)”. Acrescentou que “o Balanço Patrimonial da empresa FENIX demonstra a inexistência de reservas de lucros suficientes para permitir o pagamento do montante declarado a título de lucros”. Foi elaborado o demonstrativo a seguir: Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 759 4 3. A ação fiscal foi iniciada em 25/02/2014 por meio do Termo Início de Fiscalização de fls. 42/44. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF autorizador teve o número 02.5.01.00 2013003279. Foi solicitado à contribuinte que apresentasse a seguinte documentação: ◦ Cópia dos Contratos de Mútuo vigentes, ou quitados, no Ano Calendário de 2010, em nome da Contribuinte acima identificada De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) das Efetivas transferências dos Valores da Contribuinte para o Beneficiário do Contrato de Mútuo, e os Comprovantes Bancários dos Efetivos Pagamentos por parte dos Beneficiários dos Contratos de Mútuo para a Contribuinte acima identificada. De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Documentação Bancária (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) Comprobatória do Recebimento de Lucros e Dividendos recebidos pelo titular (Contribuinte acima identificada) da empresa FENIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, CNPJ n° 09.468.883/000133, conforme valores declarados em sua DIRPF AC 2010 De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Documentação Bancária (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) Comprobatória do Recebimento de Lucros e Dividendos recebidos pelo titular (Contribuinte acima identificada) da empresa SIGNO IMOBILIARIA, CNPJ n° 01.765.235/000137, conforme valores declarados em sua DIRPF AC 2010 – De 01/01/2010 até 31/12/2010. 3.1 A contribuinte, após pedido de prorrogação deferido, atendeu à intimação (fl. 100) entregando: (i) Tabela com Resumo das Mutações Patrimoniais Ano – 2010 (fl. 101); (ii) Balancete – Signo Imobiliária e Construtora – ano 2010 (fls. 102/104); (iii) Balancete – Fênix Distribuidora de Bebidas – ano 2010 (fls. 105/108); (iv) Balancete – Alfa Casa S/A – ano 2010 (fls. 109/114); (v) Extrato Bancário – Ana Paula Guerra Nogueira – ano 2010 (fls. 115/138); (vi) Boletim de Ocorrência – Alfa Casa (fl. 139). 3.2 A análise da Tabela com Resumo das Mutações Patrimoniais Ano – 2010 levou à constatação de diversos valores pagos pela empresa Fênix à contribuinte: 4. Nova diligência foi feita na empresa Fênix, sendo solicitados “Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) das Efetivas Transferências e/ou Pagamentos de Valores do Contribuinte acima identificados em Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 760 5 favor da Sra. Ana Paula Guerra Nogueira, CPF nº 150.753.728 05, referente a distribuição de dividendos, empréstimos, ou a qualquer outro título”. 4.1 A empresa entregou os extratos da conta corrente nº 00804207 no Bradesco referente ao período de 01/06 a 31/12/2010 (fls. 142/200). 5. Outra solicitação, para a entrega dos documentos abaixo relacionados, foi feita à contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal datado de 21/07/2014. A intimada conseguiu uma prorrogação por mais cinco dias do prazo, mas não atendeu à solicitação. ◦ Cópia do Contrato de Mútuo DA EMPRESA ALFA CASA & COMERCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUCAO LTDA, CNPJ 09.607.634/000181, COM ACESSAO DE DIREITOS CREDITORIOS A ELA PERTENCENTES, pactuado no AC/2008, no montante de R$ 1.700.000,00; os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) da efetiva transferência do valor da Contribuinte para o Beneficiário do contrato; e os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) de quitação do referido empréstimo De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Cópia do Contrato de Mútuo COM A EMPRESA FENIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA,CNPJ N. 09.468.883/000133, pactuado no AC/2009, no montante de R$ 2.300.000,00; os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) da efetiva transferência do valor da Contribuinte para o Beneficiário do contrato; e os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) de quitação do referido empréstimo De 01/01/2010 até 31/12/2010 ◦ Cópia do Contrato de Mútuo COM A EMPRESA ALFA CASA & CONSTRUCAO COMERCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUCAO S/A, CNPJ N. 09.607.634/000181, pactuado no AC/2009, no montante de R$ 3.900.000,00; os Aditivos Contratuais majorando no AC/2010 para R$ 7.929.148,97; e os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) da efetiva transferência do valor da Contribuinte para o Beneficiário do contrato – De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Extrato Bancário com o saldo inicial e final CREDOR EM CADERNETA DE POUPANCA, BANCO DO BRADESCO, conforme informado em sua DIRPF AC/2010 De 01/01/2010 até 31/12/2010; ◦ Cópia do Contrato de FINANCIAMENTO TRATOR E EQUIPAMENTOS AGRICOLA COM O BANCO BRADESCO FINAME AGRICOLA, CONFORME CONTRATOS NOS 202510 8, 2025094, 2025116 E 2017652, pactuado no AC/2008, no montante de R$ 188.520,00; e os Comprovantes Bancários (Cheques, TED, DOC, Transferências, etc.) de quitação do referido empréstimo De 01/01/2010 até 31/12/2010; Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 761 6 ◦ Extrato Bancário com o saldo inicial e final EM CONTA CORRENTE, BANCO BRADESCO, conforme informado em sua DIPRF AC/2010 – De 01/01/2010 até 31/12/2010. 5.1 Prosseguiu a fiscalização, conforme consignado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVCF) de fls. 11/28, cujos principais trechos são reproduzidos a seguir: 21. Considerando que a Contribuinte deixou de apresentar os documentos comprobatórios dos bens e direitos declarados em DIRPF/AC 2010 e tendo em vista a apresentação do extrato da sua movimentação financeira no Banco Bradesco, emitimos o Termo de Intimação Fiscal nº 2, cuja ciência deuse em 21/08/2014 conforme AR dos Correios, intimandoa a comprovar a origem de todos os créditos em sua contacorrente, no prazo de 10 (dez) dias corridos. 22. Em 29/08/2014, a Contribuinte, em atendimento ao Termo de Intimação nº 2, entregou nesta delegacia os extratos bancários da empresa ALFA CASA E COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO S/A, mantida junto ao Banco Bradesco, agência 2167, Conta Corrente n° 00302007, do período de 01/01/2010 a 31/12/2010. DA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 23. De posse de todos os documentos, procedemos à análise e o cotejo com as informações declaradas na DIRPF/AC 2010, e constatamos o seguinte: RENDIMENTOS ISENTOS – LUCROS RECEBIDOS 24. A Contribuinte declara ter recebido da empresa FENIX Distribuidora de Bebidas Ltda a importância de R$ 5.394.880,83 a título de Lucros distribuídos, porém da análise da escrituração contábil dessa empresa, constatamos a incapacidade para a distribuição lucros, posto ter experimentado prejuízo contábil no AC/2010 no montante de R$2.280.622,56 e não haver lucros acumulados suficientes para tal distribuição. 25. De acordo com o art. 10 da Lei 9.249/95, “Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior.” 26. Em resumo, somente poderá haver distribuição de lucros, sem a incidência do IR, se a empresa demonstrar ter auferido lucro suficiente no exercício ou se demonstrar haver lucros acumulados suficientes para distribuílos, o que não ocorreu no caso em análise. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 762 7 27. A Contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo recebimento dos lucros da FENIX e apresentou uma planilha denominada “Resumo das Mutações Patrimoniais” (TABELA 2), sugerindo que os valores recebidos no montante de R$ 5.145.037,00 encontramse lançados na escrituração contábil da empresa (conta contábil “394”). 28. Analisamos a conta sugerida (n° 394) e não constatamos qualquer lançamento de lucros distribuídos. Tratase, na verdade, de conta do ativo imobilizado contendo históricos diversos, vejamos: 29. Dos valores acima mencionados, constatamos a saída da conta bancária da FENIX (Banco Bradesco) no montante de R$400.000,00, R$300.000,00, R$2.000.000,00 e R$700.000,00, e o ingresso dos respectivos valores na conta bancária da Contribuinte (Banco Bradesco), nos dias 23/06/2010, 25/06/2010, 21/07/2010 e 23/07/2010, respectivamente. 30. Considerando que os valores de R$400.000,00, R$300.000,00 e R$2.000.000,00 referemse a empréstimos e o valor de R$700.000,00 referese a depósito em contacorrente; e considerando a incapacidade da Fênix para distribuir Lucros, afastamos a hipótese de recebimento de lucros e intimamos a Contribuinte a apresentar os contratos e mútuos e a justificar a origem dos créditos em contacorrente. OPERAÇÃO DE MÚTUO COM AS EMPRESAS FENIX, ALFA E SIGNO 31. A Contribuinte declarou na ficha em bens e direitos – DIRPF/2010 diversas operações de mútuos realizadas com as empresas FENIX, ALFA e SIGNO, das quais é sócia proprietária, conforme valores abaixo: Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 763 8 32. A Contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os Contratos de mútuos e os comprovantes do efetivo recebimento e/ou pagamento dos empréstimos, conforme o caso, porém não os apresentou. 33. Analisamos então a planilha “Resumo das Mutações Patrimoniais” (TABELA 2), apresentada pela Contribuinte, onde constam valores a receber e a pagar para empresa FENIX e confrontamos com as contas contábeis 1165 e 1760 da escrituração contábil da empresa. Além disso, analisamos também o Balancete da empresa FENIX, informado no SPED Contábil. Concluímos que os valores informados na planilha “Resumo das Mutações” e os valores contidos nessas mesmas contas no SPED Contábil da empresa FENIX estão em acordo. No entanto, a empresa não comprovou que os valores informados foram provenientes de mútuo entre a FENIX e a Sra. a Paula, nem a Sra. Ana Paula conseguiu fazer tal comprovação. Ademais, os valores informados pela Sra. Ana Paula, em sua DIRPF AC/2010, referente a contratos de mútuo divergem completamente dos informados na planilha “Resumo das Mutações” (TABELA 2), e dos valores que foram informados pela empresa FENIX em seu SPED Contábil. 34. Pelo exposto, consideramos que os documentos apresentados são insuficientes para comprovar a ocorrência dos empréstimos concedidos para as empresas FENIX e ALFA. 35. Ressaltase que a contabilidade da empresa FENIX apresenta valores lançados na conta do ativo imobilizado (conta 394) que se referem à devolução de empréstimos à Contribuinte, no montante de R$400.000,00, R$300.000,00 e R$2.000.000,00, conforme TABELA 3, porém também consideramos como prova insuficiente para comprovação da operação, pois desacompanhada dos Contratos de Mútuo e respectivos comprovantes de transferência bancária efetuada por ocasião da pactuação do suposto contrato entre a Contribuinte e a empresa beneficiária (FENIX). 36. Não obstante a falta de comprovação da natureza da operação, concluímos que os valores de R$400.000,00, R$300.000,00 e R$2.000.000,00 foram recebidos da empresa FENIX, uma vez que consta a saída de numerário da movimentação financeira da FENIX e entrada do respectivo numerário na movimentação financeira da Contribuinte, porém, repitase, sem causa comprovada. Consideramos tais valores como rendimentos tributáveis por presunção legal nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 37. Ainda, a Contribuinte entregou os extratos do Banco Bradesco de sua conta corrente AC/2010 como prova do recebimento dos lucros e mútuos. 38. Do cotejo entre o seu extrato e o extrato da empresa FENIX, foi possível identificar parte dos créditos no montante de R$ Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 764 9 400.000,00, R$ 300.000,00, R$ 700.000,00 e R$ 2.000.000,00, oriundos da FENIX, coincidentes em data e valor, entre tantos outros existentes. Porém, não foi possível determinar a natureza da operação que deu causa aos créditos, já que a hipótese de lucros recebidos foi antes afastada em razão da incapacidade financeira da empresa e a operação de mútuo não restou comprovada tendo em vista a insuficiência de documentos apresentados. 39. Do cotejo entre o seu extrato e o extrato da empresa ALFA CASA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO S/A, foi possível identificar parte dos créditos no montante de R$ 57.000,00, R$ 19.121,51, R$ 35.000,00, R$ 28.781,44, R$ 15.000,00, R$ 35.000,00, R$ 65.000,00, R$ 43.000,00, R$ 45.000,00, R$ 5.376,53, R$ 10.000,00, R$ 46.000,00, R$ 93.000,00 e R$ 8.000,00, oriundos da ALFA CASA, coincidentes em data e valor, entre tantos outros existentes. Porém, não foi possível determinar a natureza da operação que deu causa aos créditos, já que a hipótese de lucros recebidos foi antes afastada em razão da incapacidade financeira da empresa e a operação de mútuo não restou comprovada tendo em vista a insuficiência de documentos apresentados. 40. Em razão dos fatos acima, segregamos todos créditos constantes do seu extrato bancário e elaboramos o ANEXO 01, do qual a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados mediante apresentação de documentação hábil e idônea, conforme o Termo de Intimação Fiscal nº 2. 41. Transcorrido o prazo da intimação, a Contribuinte não comprovou a origem dos créditos havidos em contacorrente. Sendo assim, esta fiscalização concluiu pela existência de créditos de Origem não Comprovada, considerados como Omissão de Receita no montante de R$ 4.858.111,61, por presunção legal nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Infração apurada 6. A fiscalização caracterizou a infração de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada nos seguintes termos: (...) I – OMISSÃO DE RECEITA – CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 43. De posse dos referidos extratos bancários, segregamos todos os valores creditados e excluímos os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e referentes aos resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários, de acordo com o art. art. 42, § 3º, inciso I da Lei nº 9.430/96; art. 849, § 2º, inciso I do RIR/99). Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 765 10 44. Sendo assim, verificamos que a Contribuinte obteve os seguintes valores de créditos de origem não comprovada e/ou não oferecidos a tributação no AC 2010, caracterizados pela Fiscalização como receitas omitidas por presunção legal: . R$ 4.858.111,61 (quatro milhões oitocentos e cinquenta e oito mil cento e onze reais e sessenta e um centavos). 45. Os valores creditados em contacorrente encontramse identificados no ANEXO 02 do presente Termo de Verificação, e consolidados mês a mês conforme Tabela 5 abaixo: 6.1 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração (fl. 4), consta a seguinte observação: Obs: Comprovar a origem dos créditos não significa simplesmente demonstrar quem fez o depósito, mas, principalmente, IDENTIFICAR A NATUREZA DA OPERAÇÃO QUE DEU CAUSA AO CRÉDITO, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, com data e valores coincidentes aos do respectivo crédito. 6.2 Foi aplicada a multa qualificada de 150% (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º) sob a seguinte fundamentação: 49. Em 2011 a Contribuinte já havia sido autuada, desta feita por Variação Patrimonial a Descoberto (processo n° 10240.720572/201109), porém, se utilizando do mesmo artifício em sua declaração DIRPF: Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, a título de Distribuição de Dividendos, e, para tal fiscalização, doação, nos AC 2008 e AC 2009. 50. À época, a Contribuinte havia prestado declaração à Receita Federal do Brasil, informando ter recebido R$ 810.384,41 a título de dividendos da empresa SIGNO FACTORING FOMENTO e R$ 5.442.859,39 a título de doação do Sr. JOSE CALEIDE MARINHO DE ARAÚJO, no AC 2008, e R$ 1.000.000,00 a título de dividendos da empresa SIGNO FACTORING FOMENTO, no AC 2009. Como a Sra. Ana Paula era a sócia majoritária (98,80%) da empresa SIGNO FACTORING FOMENTO, presumese que ela sabia que a referida empresa não tinha meios de distribuir dividendos Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 766 11 naqueles anos, pois tinha realizado prejuízo nos referidos AC. Além disso, em função de não ter comprovado de nenhuma forma ter recebido a citada doação, em montante expressivo, não há motivos para efetuado tal declaração. 51. Da mesma forma, a Sra. Ana Paula é a sócia majoritária (97%) da empresa FENIX, restando claro que ela sabia que a referida empresa não possuía meios para distribuir lucros no AC 2010. Assim mesmo, apresentou declaração do imposto de renda da pessoa física, informando ter recebido R$ 5.394.880,83 a título de lucros, ou seja, apresentou DIRPF contendo informações diversas da verdadeira. 52. Assim, a multa qualificada justificase por ter adotado tal prática mais uma vez e ter auferido rendimentos de origem não comprovada deixando de oferecêlos a tributação, o recebimento de rendimentos tributáveis. 6.3 O auto de infração (fls. 2/9 e 495/496) foi cientificado pela via postal à contribuinte em 18/09/2014 (AR à fl. 503). Impugnação 7. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 508/518) ao lançamento, com as principais alegações reproduzidas a seguir. (...) Inclusive, a sócia em questão, na condição de administradora da pessoa jurídica, sempre pautou sua administração pela observância da legislação contábil, fiscal e societária, em especial, na efetivação tempestiva das mutações patrimoniais da empresa, tudo conforme permite a legislação pertinente, notadamente o que estabelece a Resolução CFC n° 750/93, em seus artigos 4º , 5º , 6º , que assim prescrevem, respectivamente: Art. 4º O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância. Art. 6º O Princípio da Oportunidade referese ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 767 12 (...) Conforme permite o Decreto n° 70.235/72, cabe a contribuinte ANA PAULA GUERRA NOGUEIRA impugnar o auto de infração com base nas seguintes alegações: a) Respaldo na contabilidade das transações realizadas pela empresa FÊNIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA e a contribuinte supracitada; b) Operação atípica de venda dos bens e direitos da empresa FÊNIX, amparada pela emissão de notas fiscais no formato eletrônico, NOTA FISCAL ELETRÔNICA E DOCUMENTO AUXILIAR DANFE, ou seja, documentação hábil e idônea; c) Depósito com origem comprovada (transferências bancárias) da empresa FÊNIX DISTRIBUIDORA para a conta da contribuinte ANA PAULA GUERRA NOGUEIRA, sua sócia majoritária, a titulo de ANTECIPAÇÃO DE LUCROS, de acordo com o que preceitua o art. 51 da instrução normativa da SRF n° 11/96; d) Multa de ofício de 150% determinada de forma arbitraria pela autoridade fiscal. (...) Assim, é certo que a empresa FÊNIX DISTRIBUDORA DE BEBIDAS LTDA cumpriu a norma em vigor, enviado à SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL sua escrituração contábil do período de 01/01/2010 a 31/12/2010, no formato digital conforme recibo de envio (ANEXO 01). Por outro lado, como demonstrado em linhas pretéritas, toda a mutação patrimonial da empresa encontrase evidenciada na Escrituração Contábil Digital, inclusive a VENDA DOS BENS E DIREITOS da empresa FÊNIX DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA a empresa ACRER BEER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS IMP. E EXP LTDA, em 15/07/2010, demonstrada através da conta 1737 Venda do Ativo permanente ou Imobilizado, que ensejaram as transferências de numerários da conta corrente da empresa FÊNIX DISTRIBUDORA para a conta corrente da SRA. ANA PAULAGUERRA NOGUEIRA, inclusive identificadas pela própria autoridade fiscal, item 29, folha 09. Diante de tais fatos, temse por equivocada a tese da autoridade fiscal no tocante a não apresentação de qualquer tipo de documento pela empresa Fênix, pois a mesma cumpria o previsto no AJUSTE SINIEF N° 07/2005, que institui a Nota Fiscal Eletrônica e o Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica. (...) No que diz respeito a incapacidade da empresa FÊNIX DISTRIBIIDORA em distribuir lucros e afastar definitivamente a presunção de omissão de rendimento prevista no art. 42 da Lei Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 768 13 n° 9.430/96, transcrita pela autoridade fiscal no item 42, folha 13 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, referente à hipótese de rendimentos com origem não comprovada na conta da contribuinte ANA PAULA GUERRA NOGUEIRA, há de se observar os princípios de contabilidade e a previsão na instrução normativa da SRF n° 51 de 11/1996, que versa sobre LUCROS DISTRIBUÍDOS POR CONTA DE PERÍODOBASE NÃO ENCERRADO, que assim diz: Art. 51 Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. Veja que o art. 51, da Instrução Normativa da própria Receita Federal não VEDA o procedimento adotado pela empresa referida, de modo que tornase insubsistente o lançamento efetivado. De mais a mais, a transferência efetivada da empresa Fênix à sócia Ana Paula não se tratou de distribuição de lucros, mas sim de valores obtidos pela venda de bens do ativo imobilizado da empresa, valendo como prova os registros contábeis e notas fiscais correspondentes (cópias em anexo). Devese esclarecer que NÃO há vedação legal quanto a tal operação. Aliás, há incongruência entre os fatos verdadeiros e o fundamento e enquadramento dado pela autoridade fiscal à presente autuação. Em momento algum houve infração ao art. 10 da Lei n° 9.249/95, pois que NÃO se tratou de distribuição de lucros da empresa à sócia Ana Paula. Repitase: como dito, os valores destinados à Ana Paula referemse a valores obtidos com as vendas de ativos da empresa Fênix. Oportuno observar que a autuação em momento algum tratou desse assunto, inclusive tal operação foi contabilizada como venda de ativo. À propósito, a própria autoridade fiscal cuidou de identificar que, efetivamente, não havia distribuição de lucro. Ora, por obviedade, só haveria distribuição de lucro se lucro houvesse, daí inconteste de dúvida que o fundamento apontado Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 769 14 nesta autuação mostrase incongruente, notadamente a infração ao art. 10, da Lei n° 9.249/95, de maneira que nula a autuação levada à efeito, já que arraigada em dispositivo sem qualquer relação com os fatos apontados. Inclusive, vale ressaltar que a interpretação dada pela autoridade fiscal autuante ao art. 10, da lei referida e total diferente daquela trazida em seu relatório. Veja que a disposição literal do artigo citado, ao contrário do imaginado, não serve para exigir imposto de renda da DEFENDENTE, ainda mais para fazer interpretação extensiva, senão por presunção. Vale destacar que a fiscalização (vide item 33fls.10 relatório) apontou que fez a análise da planilha correspondente a mutação patrimonial da empresa em questão, sobretudo o balancete com o SPED contábil e identificou que tais valores estão de acordo, o que demonstra regularidade no procedimento então adotado. (...) Já em relação a empresa SIGNO IMOBILIÁRIA E CONSTRUTORA LTDA, a distribuição de lucro foi realizado através de lucros do exercício, conforme escrituração contábil encerrada em 31 de dezembro de 2010 (ANEXO 03). Relativamente a empresa ALFA CASA E COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO S/A, na época a contribuinte Ana Paula Guerra Nogueira ocupava o cargo de Diretora Presidente e obteve empréstimos através de operações de mútuo, especificados no item 39, folha 12, que não puderam ser comprovados em função intemperes da natureza que inundaram o subsolo da empresa, ocasionando a perda de documentos, registrados no Boletim de Ocorrência protocolado junto à autoridade fiscal, item 15, folha 05. Desta feita, temse por evidente que não houve omissão de rendimentos por parte da DEFENDENTE, uma vez que todas as operações identificadas pela autoridade fiscal foram devidamente justificadas e comprovadas, tudo de forma regular e na conformidade da legislação vigente aplicável à espécie. (...) Inicialmente, há que se destacar que a argumentação lançada pela autoridade fiscal para justificar o percentual de 150%, à título de multa de ofício, data vênia, não encontra sustentação fática, e por conseguinte, legal. (...) Ora, como bem demonstrado, todas as operações foram devidamente contabilizadas e informadas ao Fisco correspondente, daí não há que falar em fraude ou simulação. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 770 15 Relembrase que o fato da autoridade fiscal não admitir que se trata de uma operação atípica, em especial pela venda dos ativos da empresa Fênix, não é razoável apontar que houve fraude. Como se viu, houve um adiantamento à sócia, cujos valores foram da venda de ativo imobilizado da empresa Fênix, sendo que posteriormente, com o encerramento das demonstrações contábeis, constatouse prejuízo no exercício findo em 2010, tudo conforme anexo recibo. Insistase: Todos os procedimentos, sobretudo as transferências de numerários à conta corrente da DEFENDENTE foram devidamente demonstrados em sua Declaração de Rendas, na contabilidade de cada empresa, de modo que não se afigura razoável aplicar a multa majorada em 150% (cento e cinquenta por cento) Veja que a autoridade fiscal lastreiase em fato conjecturais para imputar a multa majorada, evidentemente, sem fundamento legal à tanto. (...) A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a DEFENDENTE que seja acolhida a presente impugnação para o fim de anular o auto de infração em destaque, isentadoa das cominações aplicadas, sobretudo do imposto e multa. Outrossim, caso se entenda pela manutenção do lançamento, requerse a redução da penalidade aplicada, de 150% para 75% sobre o valor do tributo eventualmente devido, por não haver razão jurídica suficiente ao agravamento da multa. Por último, Protesta, ainda, pela produção de prova documental e pericial, especificamente para demonstrar que os valores creditados em conta corrente (tabela 5, Item 46) correspondem a venda de ativo imobilizado da empresa Fênix, os quais, por disposição legal, não sujeitam à tributação, e não se trata de omissão de rendimentos. Sem prejuízo de outros quesitos, indicase o Sr. Cláudio Marcio Lopes Trovão, brasileiro, casado, contador, com lastro no CRC SP 216431/09, inscrito no CPF/MF n° 126.822.21866, com endereço à Rua Boa Vista, n° 314, 4º andar, Conjunto E, na cidade de São PauloSP CEP 01014909, como assistente de perito. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado a título de rendimentos isentos, provenientes de lucros distribuídos pelas empresas Signo Imobiliários e Fênix Distribuidora de Bebidas. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 736/ 754, reiterando as alegações expostas em impugnação, bem como sustenta a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de mora. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 771 16 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Omissão de rendimentos A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 772 17 Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos anexados em impugnação não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados, a exceção dos já excluídos do lançamento pela DRJ. Assim, persistiu sem comprovação de origem dos depósitos. A contribuinte sustenta que a origem dos valores decorre de contratos de mútuo, porém deixou de apresentar aos autos elementos para comprovar tal alegação. Em especial, deveria ela apresentar prova de que os valores foram efetivamente emprestados. No caso, o valor dos mútuos são expressivos, sendo frágil a prova de que estes ocorreram, por mera alegação amparada com informações lançadas na contabilidade de empresa de qual a contribuinte é sócia majoritária. Aliás, importa mencionar o Acórdão CARF nº 2202002.132, onde prevaleceu o entendimento de que "o negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou através de registros que demonstrem que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juro". A ementa do acórdão é abaixo transcrita: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008. [...] MÚTUO. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O negócio jurídico de mútuo deve ser comprovado por contrato registrado em cartório à época do negócio, ou através de registros que demonstrem que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juro; [...] (Acórdão CARF nº 2202002.132, Relator Conselheiro Rafael Pandolfo, julgado na sessão de 22 de janeiro de 2013.) Assim, não havendo contrato registrado em cartório à época do negócio, ou provas que demonstres que o dinheiro foi entregue e retornado no mesmo montante, ou com juros, deve ser mantido o lançamento. Necessário ainda, referir que o contrato particular de mútuo, por si só, não tem condições absolutas de comprovar a efetividade da operação, devendo estar lastreado por elementos que comprovem a sua existência material. Igualmente, não há prova, apresentada de forma individualizada pela contribuinte, de que há transferência de mesma titularidade. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 773 18 Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Devido à insuficiência probatória, correta a posição da Fiscalização de não considerar os contratos de mútuo como origem. Por tais razões, compreendo que não merece provimento o recurso do contribuinte quanto a esta matéria. 2. Multa qualificada A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%) por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte da contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 774 19 Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Nestes termos, foi editada a Súmula CARF nº 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10240.721208/201409 Acórdão n.º 2202003.836 S2C2T2 Fl. 775 20 No caso, a contribuinte tão somente não conseguiu demonstrar que os valores recebidos tiveram origem em mútuo, ou ainda, que fossem rendimentos isentos ou não tributáveis. Não verifico que haja conduta dolosa da contribuinte por ela não conseguir provar o que alega. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. 3. Matéria não impugnada. Supressão de instância. Verifico que se trata de inovação de defesa a alegação de não incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Assim, não possível seu conhecimento por este Conselho, porque há uma supressão de instância. As alegações fáticas apresentadas na impugnação não são as mesmas apresentadas na peça recursiva e não as considero suficientes para alterar a decisão de primeira instância Ocorre que para conhecimento da matéria pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, necessário que haja prévia decisão pela instância de origem, pois não admitida a supressão de instância. A contribuinte não requereu em impugnação a exclusão do juros de multa sobre a multa de ofício, tendo somente realizado tal alegação em recurso voluntário. Logo, a análise nesta fase processual seria supressão de instância, estando preclusa tal alegação. Diante disso, não conheço do recurso quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 775DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720390/2015-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 18/05/2010, 18/06/2010, 24/06/2010, 27/07/2010, 16/11/2010, 15/12/2010, 02/02/2011, 03/02/2011, 16/02/2011, 16/03/2011, 24/03/2011, 14/04/2011, 06/07/2011, 20/07/2011, 22/07/2011, 29/07/2011, 07/10/2011, 20/10/2011, 16/11/2011, 01/12/2011, 06/12/2011, 16/12/2011, 22/12/2011, 26/12/2011, 18/01/2012, 01/02/2012, 08/02/2012, 15/03/2012, 27/03/2012, 26/04/2012, 10/05/2012, 01/06/2012, 05/06/2012, 26/06/2012, 28/06/2012, 17/07/2012, 24/08/2012, 08/10/2012, 15/10/2012, 18/10/2012, 06/11/2012, 17/12/2012, 26/12/2012, 15/01/2013, 23/01/2012, 24/01/2013, 19/02/2013, 06/03/2013, 08/04/2013, 03/07/2013, 18/07/2013, 19/07/2013, 23/07/2013, 22/08/2013, 23/10/2013, 29/10/2013, 29/11/2013, 05/12/2013, 16/12/2013, 17/12/2013, 23/12/2013
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. OPERAÇÃO NO MERCADO INTERNO. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTABILIDADE.
A omissão de receitas detectada em face dos registros contábeis e em análises de operações no mercado interno, não pode ser fundamento único a ensejar a aplicação da multa por ocultação do real adquirente em operações de importação, a qual deve ser aplicada àquele que não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nestas específicas operações, do que não se desincumbiu a fiscalização.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. OPERAÇÃO NO MERCADO INTERNO. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTABILIDADE. A omissão de receitas detectada em face dos registros contábeis e em análises de operações no mercado interno, não pode ser fundamento único a ensejar a aplicação da multa por ocultação do real adquirente em operações de importação, a qual deve ser aplicada àquele que não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nestas específicas operações, do que não se desincumbiu a fiscalização. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 90 /2 01 5- 57 Fl. 1758DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos e atos processuais, adoto o relatório da decisão a quo, vazado nos seguintes termos: Tratase de processo inaugurado para recepcionar as informações e documentos que redundaram na lavratura do auto de infração, que se prestou a constituir o crédito tributário decorrente da aplicação da multa prescrita no art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no montante original de R$ 11.900.668,49, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, durante os anos de 2010 a 2013, suscetíveis da aplicação da pena de perdimento, por já terem sido consumidas/revendidas ou não localizadas. Segundo relata a autoridade que presidiu o procedimento de fiscalização, “O escopo do procedimento foi a verificação de suspeitas objetivamente identificadas de que a empresa fiscalizada tivesse efetuado importações com ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação e prática de interposição fraudulenta, durante os anos de 2010 a 2013” (fl. 9). Asseverou que a fiscalizada, constituída no final de 2009, com sede em Manaus, atuando no comércio atacadista de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico, “(...) já foi autuada em diferentes situações pela Receita Federal, entre elas subfaturamento de mercadorias, ocultação do real adquirente e importação de mercadorias falsificadas” (fl. 10). Aduziu que o primeiro aumento do capital social (no valor de R$ 750 mil) foi contabilizado em contrapartida a empréstimo do sócio majoritário e administrador (Sr. Imad Alawie), o que não implica em aumento do patrimônio, como deveria ocorrer. E a contabilização do segundo aumento do capital social (no valor de R$ 4 milhões) foi realizada em contrapartida da conta adiantamento de clientes. Entretanto, “(...) em documento entregue pela própria empresa, é possível notar que em vários dos valores aparece o nome do Sr. Imad Alawie (sócio majoritário e administrador) além da palavra mútuo antecedendo” (fl. 11). Outro mútuo lançado nesta conta foi com a empresa World Magic Entertainment, “(...) empresa que é fornecedora da Imadco e não cliente, como pode ser comprovado pelas notas fiscais e pelas importações feitas pela contribuinte no período fiscalizado” (fl. 11). Como a fiscalizada não soube justificar tais lançamentos contábeis (alegando erro), a autoridade fiscal concluiu que Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10283.720390/201557 Acórdão n.º 3402004.276 S3C4T2 Fl. 1.759 3 “Esse tipo de operação dá margem à manutenção de passivo fictício na contabilidade, pois se for realmente um aumento de capital e for incorporado ao patrimônio da empresa, esse empréstimo não será pago e continuará no passivo da empresa” (fl. 11). Analisando os documentos fiscais, a contabilidade e as informações constantes nos extratos bancários, a autoridade fiscal constatou diversas inconsistências relatadas individualmente em seu relatório (fls. 917), relativamente às operações de venda das mercadorias pela fiscalizada, após o que asseverou (fl. 15): Pela análise desses adquirentes e de suas respectivas notas fiscais é possível a identificação de condutas por parte da Imadco que tendem a ocultar o real adquirente da mercadoria, não sendo possível para a fiscalização identificar se quem realmente comprou e pagou pela mercadoria é quem consta na contabilidade, no extrato ou ainda uma outra empresa, já que a grande maioria dos depósitos são feitos em dinheiro. Outro ponto controverso são os valores depositados a maior ou a menor e as notas fiscais não pagas, o que faz levantar algumas questões: Que empresa aceita que seu comprador não pague as mercadorias ou então que pague menos e mesmo assim continua vendendo a prazo para o mesmo? Que comprador que paga mais do que o valor da nota fiscal pela mercadoria? Quem vende a prazo sem datas ou valores definidos para os pagamentos? Se a venda foi dividido em dez vezes, o usual é que, se a venda for de R$1.000,00 cada parcela será R$100,00 e com datas de vencimento definidas. Que empresa que possui unidade unicamente em Manaus faria o pagamento de suas faturas em São Paulo? Que empresa ainda recebe a maioria das vendas, normalmente de valor elevado, em dinheiro? E, ao analisar o extrato bancário de 2011, a fiscalização identificou alguns depósitos que não constavam da contabilidade, concluindo, novamente, que esta situação “leva a manutenção de passivos fictícios, que já foram quitados mas que continuam no balanço patrimonial da empresa, possibilitando a entrada de recursos cuja origem é desconhecida” (fl. 15). Fato este que foi possível confirmar na auditoria contábil (“análise das contas de resultado e do disponível”) efetuada, com saldos credores persistentes na conta disponível (como também na conta clientes), absorvidos por empréstimos lançados no dia 31/12 de cada ano, “(...) para que a conta feche o ano com saldo devedor” (fl. 15). Registrou a autoridade que o art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda prevê que tais situações caracterizamse como Fl. 1760DF CARF MF 4 “(...) omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção” (fl. 15). A fiscalização também identificou irregularidade nas escriturações das contas que registraram contratos de mútuo, porquanto “(...) em 2012 e 2013 o saldo da conta do ativo foi devedor, porém a do passivo também foi devedor, quando deveria ser credor” (fl. 16). Por fim, constatouse que a empresa apresentou persistente prejuízo contábil nos anos fiscalizados (seja no resultado bruto, seja no resultado operacional, conforme o ano). Diante desta situação, concluiu a autoridade que “Isso implica dizer que a empresa não consegue se manter apenas com suas operações. No longo prazo, uma empresa com margem negativa é inviável” (fl. 16). Em face das constatações havidas no procedimento fiscalizatório, a autoridade fiscal relatou suas conclusões, nos seguintes termos (fls. 1617): 5. CONCLUSÕES A empresa não consegue demonstrar com fidedignidade as operações da empresa e seus recebimentos. Por meio da análise feito e dos exemplos, é possível perceber que: 1) Os recursos utilizados para o aumento do capital social ou não correspondem a um verdadeiro aumento no patrimônio ou mantêm um passivo fictício; 2) Os recursos que ingressaram nas contas correntes da empresa a título de recebimento de clientes não correspondem, em sua integralidade, às operações de vendas da empresa, retratadas pelas notas fiscais de saída; 3) A conta "Clientes", presente no ativo circulante, a partir de 2012 possui saldo credor; 4) Foi evidenciado saldo credor na conta caixa em diversas ocasiões no decorrer do período fiscalizado, o que indica que o contribuinte efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas (receitas mantidas à margem da escrituração); 5) Não é possível identificar a origem lícita e a disponibilidade de todos os recursos que são utilizados no comércio exterior; 6) É vinculada, portanto, a aplicação da penalidade prevista no art. 23, § 1o do DecretoLei n° 1.455/76. Uma vez que as mercadorias já foram revendidas, aplicase a multa equivalente prevista no § 3° do mesmo artigo; 7) A tabela "DEMONSTRATIVO DE MULTA DE VALOR EQUIVALENTE" apresenta o cálculo da multa devida. Nela constam os números das declarações de importação registradas em 2010 e 2011, o valor aduaneiro das mercadorias e as notas fiscais de saída que comprovam a revenda das mesmas; 8) Considerando, ainda, o disposto no § 1° do artigo 81 da Lei 9.430/96, no § único do artigo 11 da Instrução Normativa SRF Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10283.720390/201557 Acórdão n.º 3402004.276 S3C4T2 Fl. 1.760 5 n° 228/2002 e no artigo 37, inciso III, da Instrução Normativa RFB n° 1183/2011, formalizouse Representação Fiscal com finalidade de instauração de procedimento para declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa Imadco Comerciode Brinquedos Eletrônicos Ltda.” A ciência do lançamento foi procedida em 10 de fevereiro de 2015, na pessoa de procurador regularmente estabelecido (fl. 1677). Em 2 de março de 2015 foi protocolada a impugnação do sujeito passivo, nos termos da peça de fls. 16861704, por meio da qual aduz, em apertada síntese, que: a) o auto de infração é nulo, porquanto lavrado por presunção, não havendo provas concretas para sustentála. Os fatos apontados pela fiscalização “(...) NÃO CONDUZEM À CONCLUSÃO DE QUE A IMPUGNANTE PRATICOU A CONDUTA QUE LHE É IMPUTADA” (fl. 1691), sendo ônus dela “(...) comprovar a veracidade da autuação realizada ... com a determinação exata da matéria tributável, nos termos do art. 142 do CTN (...)” (fl. 1692); b) os fatos invocados pela fiscalização constituem elementos inservíveis para a aplicação da pena (seja de perdimento, seja pecuniária), o que também fulmina de nulidade o lançamento. Como a espécie trata de aplicação de penalidades e não de constituição de crédito tributário, “(...) o regime jurídico é o de direito penal, pois, com efeito, o direito administrativo sancionador se conecta com os mais diversos ramos do direito” (fl. 1696). Isto porque, neste contexto, “(...) Se aplicada pena inadequada ou não capitulada em norma prévia ao fato que dá origem à imposição, ou mesmo inexistente no Sistema Jurídico Brasileiro, é evidente que não se estará respeitando – no caso – o devido processo legal (...)” (fl. 1697). E, no caso concreto, a autoridade expressa dúvidas em seu relatório fiscal, que “(...) não autorizam a imposição de penalidades no Direito Brasileiro (...)” (fl. 1698); c) o lançamento deve igualmente ser anulado em razão da usurpação de competência da autoridade competente, que deve implicar na nulidade do procedimento fiscalizatório. Isto porque, à luz do disposto no art. 27 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 (e também do art. 774 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro)), a autoridade autuante “não detém competência legal para aplicação da pena de perdimento” (fl. 1698). Ou seja, apenas após a aplicação da pena de perdimento, por parte da autoridade competente, “(...) É QUE, ENTÃO, PODERSEÁ, EVENTUALMENTE, CONVERTER A PENA APLICADA EM PENA DE MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA” (fl. 1699). Neste contexto, deixou de ser respeitado o devido processo legal sendo “(...) NULO DE PLENO DIREITO O ATO ADMINISTRATIVO RETRATADO NO AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNADO (...)” (fl. 1700); Fl. 1762DF CARF MF 6 d) os substratos fáticos apontados pela fiscalização, caso fossem adequadamente comprovados, são imprestáveis para fundamentar a aplicação da penalidade de perdimento apenas, “(...) QUANDO MUITO, à constatação de que teria havido omissão de receitas” (fl. 1700). d) os substratos fáticos apontados pela fiscalização, caso fossem adequadamente comprovados, são imprestáveis para fundamentar a aplicação da penalidade de perdimento apenas, “(...) QUANDO MUITO, à constatação de que teria havido omissão de receitas” (fl. 1700). Concluiu a impugnante requerendo o julgamento pela procedência da impugnação, com a consequente declaração da improcedência do auto de infração. A DRJ/FNS, em 31/05/2016, julgou o lançamento improcedente (fls. 1736/1748) ao fundamento, em resumo, por entender que o que dá margem à interposição fraudulenta presumida "é não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, e não, necessariamente, a omissão de receitas relacionadas a operações no mercado interno". Sendo o valor exonerado superior ao limite de alçada, foi interposto o recurso de ofício ora sob exame. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Inicialmente corroboro com o entendimento vazado na decisão a quo no sentido de que a aplicação da multa a que se refere o art. 73 e seus §§ da Lei 10.833/2003, substitutiva da pena de perdimento de mercadoria (DL 1.455/76), prescinde de prévio procedimento administrativo tendente à imposição da pena de perdimento da mercadoria como condição para sua válida aplicabilidade. Como bem pontuado na r. decisão, o fato de o lançamento ter sido fundamentado com base em presunção a partir de vários elementos fáticos, tais como integralização do capital social de forma duvidosa, extratos bancários, etc., não implicam, por si só, sua improcedência. É o que vimos chamando de interposição fraudulenta presumida, a qual é admitida diante da análise casuística dos vários elementos probatórios trazidos aos autos e que convergem para provar fraudes em suas mais variadas formas no sentido de concluir pela interposição fraudulenta, sobre a qual dispõe o vigente § 2º do Art. 23 do Decretolei 1.455/76. Porém, a norma que estabelece a presunção relativa não desincumbe a Fazenda, na sua função fiscalizadora, de demonstrar a ocorrência do fatobase, que, no presente caso, é o próprio procedimento fiscalizatório a demonstrar que, não obstante seus esforços para tentar descobrir a verdade dos fatos, mediante intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, por exemplo, a contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não se encontram encartados nos autos quaisquer documentos relativos às operações de comércio exterior. E a análise fiscal concentrouse nas evidências extraídas da contabilidade da fiscalizada, que indicam a existência de omissão de receitas. Além disso, a Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10283.720390/201557 Acórdão n.º 3402004.276 S3C4T2 Fl. 1.761 7 autoridade fiscal relata inconsistências relativas a algumas operações entre a fiscalizada e seus clientes, sem relacionálas com as específicas operações de importação realizadas no período. Neste ponto, vejase os termos postos no relatório fiscal (fl. 15): “Pela análise desses adquirentes e de suas respectivas notas fiscais é possível a identificação de condutas por parte da Imadco que tendem a ocultar o real adquirente da mercadoria, não sendo possível para a fiscalização identificar se quem realmente comprou e pagou pela mercadoria é quem consta na contabilidade, no extrato ou ainda uma outra empresa, já que a grande maioria dos depósitos são feitos em dinheiro. (...)” A análise que levou a auditoria a esta conclusão reportouse a operações no mercado interno, não se reportando a qualquer específica operação de importação. Ou seja, a acusação de ocultação do real adquirente, neste caso, reportouse a operações no mercado interno. A autoridade fiscal concluiu, ao analisar os registros contábeis da fiscalizada, que “5) Não é possível identificar a origem lícita e a disponibilidade de todos os recursos que são utilizados no comércio exterior” (fl. 17). Observase, assim, que a acusação fiscal não se direcionou à falta de apresentação, pela fiscalizada, dos específicos comprovantes da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Ao contrário, depreendeu que isto não restou comprovado em face dos lançamentos historiados na contabilidade da fiscalizada. E, ante esta acusação fiscal, a impugnante direcionou seus reclamos contra a conclusão da fiscalização de que a omissão de receitas (vendas no mercado interno), se devidamente comprovada, poderia fundamentar o lançamento dos tributos incidentes sobre elas, mas não poderia fundamentar a acusação que daria lastro ao lançamento guerreado. Concluise, então, que há um descompasso entre a acusação fiscal e os fundamentos do lançamento impugnado. De fato, a infração reportada pela autoridade autuante (de omissão de receitas) não se coaduna com o elemento típico da infração objeto da autuação (ocultação presumida dos reais adquirentes das mercadorias importadas pelo sujeito passivo), pelo que concluo pela correção da r. decisão Forte no exposto, nego provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 1764DF CARF MF 8 Fl. 1765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907208/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.242
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 08 /2 01 2- 79 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.845. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907208/201279 Acórdão n.º 3302004.242 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000051/2007-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000 EMPRESA INATIVA - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à empresa inativa.
Numero da decisão: 1803-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à empresa inativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 00 51 /2 00 7- 25 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10730.000051/200725 Acórdão n.º 1803001.616 S1TE03 Fl. 112 2 Relatório Tratase, o presente feito de auto de infração de multa por atraso na entrega de Declaração Simplificada Inativa, do anocalendário de 2000, exercício 2001, cujo prazo final de entrega era 31/05/2001 e que foi apresentada apenas em 16/05/2006. Devidamente cientificada a recorrente apresenta suas razões de inconformidade em seara de Impugnação em que refere que no dia 16.05.2006 foi transmitida a Declaração Anual Simplificada do ano calendário de 2001, como Inativa, pela internet. Aduz ainda que já foi dado baixa da empresa na JUCERJA EM 31.10.2002 e que a entrega da referida declaração foi com o intuito de regularizar o cadastro na Receita Federa para que esta recebesse o CNPJ de comunicação da referida baixa. Salienta que de acordo com decisão do STJ, publicada em 14/03/2005 (anexa cópia), constituise em infração formal, que não se confunde com a infração substancial ou material. Aduz também que a recorrente não tem como arcar com o pagamento da referida multa. E, por fim, requer o cancelamento do auto e a devida baixa da empresa. A autoridade de primeira instância entendeu, por bem, manter o auto de infração, porquanto restar estabelecido que a Declaração Simplificada especificada deveria ser entregue em 31.05.2001, mas que somente foi apresentada em 16.05.2006, confirmando que a mesma foi entregue com atraso. Observa o julgador a quo que a recorrente somente deu baixa da empresa, na Junta Comercial em 31.10.2002, ou seja, depois do prazo estipulado em lei para a apresentação da Declaração, ora em apreço, que foi em 31.05.2001. Salienta que em consulta, aos sistemas da Receita, pode constatar que a recorrente consta com situação “Inapta”, não tendo adotado ainda os procedimentos necessário para a baixa do CNPJ, junto ao órgão. Neste caminho, o julgador de primeira instância cita a Instrução Normativa RFB n° 748/2007, referindo que a baixa da inscrição do CNPJ somente produzirá efeito na data da extinção no órgão de registro e que não serão exigidas declarações relativas a períodos posteriores à data da extinção. Assim, como a empresa somente procedeu à baixa da empresa em 31.10.2002, estava obrigada a apresentação da Declaração na data de 31.05.2001. Quanto à jurisprudência juntada pela recorrente, do STJ, afirma a autoridade que tal não favorece a mesma, posto que determina que a entrega da declaração depois da data limite fixada pela RFB constitui infração formal que não se confunde com a infração substancial ou material de que trata o artigo 138 do CTN. E aduz que a o benefício da denúncia espontânea não se aplica às obrigações acessórias, objeto deste processo. Devidamente cientificada do acórdão a quo a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de Recurso Voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto em sua impugnação e acrescentando jurisprudência deste Egrégio Conselho que aduz não ser devida multa por atraso na declaração de empresas inaptas. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10730.000051/200725 Acórdão n.º 1803001.616 S1TE03 Fl. 113 3 É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração de multa por atraso na entrega de declaração. A recorrente está sendo autuada porque a declaração simplificada do ano calendário de 2000, que deveria ter sido entregue até a data de 31.05.2001, somente foi transmitida em 16.05.2006. Importa referir que a empresa somente foi autuada em 05.12.2006. A legislação atual, Lei 9.317/96, definiu multa no descumprimento de obrigação acessória, no caso entrega da declaração em atraso. No presente feito, a empresa recorrente entregou a sua declaração como empresa inativa em 16.05.2006, referente ao ano calendário de 2000, ou seja, cinco anos depois do que deveria ter sido efetuada. A recorrente, além de enquadrarse como microempresa, apresentou sua declaração de rendimentos sem movimento, caracterizando assim sua inatividade, o que impõe a aplicação da multa ora em apreço. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 37DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13896.900072/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 00 72 /2 01 0- 43 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13896.900072/201043 Acórdão n.º 1402002.538 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13896.900072/201043 Acórdão n.º 1402002.538 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13896.900072/201043 Acórdão n.º 1402002.538 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13896.900072/201043 Acórdão n.º 1402002.538 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13896.900072/201043 Acórdão n.º 1402002.538 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001816/2003-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 28/02/2002
31/03/2002
PIS/PASEP. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO.
Tendo o sujeito passivo obtido decisão transitada em julgado - norma individual e concreta, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário - que, por sua vez, concluiu pela constitucionalidade da incidência do PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços.
Numero da decisão: 9303-005.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 28/02/2002 31/03/2002 PIS/PASEP. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Tendo o sujeito passivo obtido decisão transitada em julgado - norma individual e concreta, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário - que, por sua vez, concluiu pela constitucionalidade da incidência do PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Tendo o sujeito passivo obtido decisão transitada em julgado norma individual e concreta, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário que, por sua vez, concluiu pela constitucionalidade da incidência do PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 16 /2 00 3- 21 Fl. 656DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220100.076, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 28/02/2002, 31/03/2002 LANÇAMENTO EFETUADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. ARTIGO 63 DA LEI 1\1° 9.430/96. ARTIGO 49 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 449/2008. APLICAÇÃO DE LEI Nº NOVA A FATOS PRETÉRITOS. REGRA DO ARTIGO 106 DO CTN, INCISO I. A lei aplicase a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa e, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. No caso, o lançamento fora efetuado apenas para prevenir a decadência, em face de ação judicial por meio da qual a autuada efetuara depósitos em seu montante integral, e a lei nova diz que não mais necessário o lançamento de oficio para prevenir a decadência. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, em síntese, que: Fl. 657DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 654 3 · Não há que se falar em aplicação retroativa do art. 49 da MP 449/08, para se cancelar o lançamento fiscal, pois se tratou de aplicação da lei vigente à época dos fatos geradores e do lançamento, qual seja, art. 63 da Lei 9.430/96, o qual permitia o lançamento fiscal, ato jurídico perfeito; · E, ainda que se considere a retroatividade do art. 49 da MP 449/08 c/c art. 106, inciso I do CTN, tal retroatividade resta inócua, eis que não alberga respaldo para o cancelamento do lançamento, tendo em vista que a norma somente esclareceu que a suspensão da exigibilidade de crédito tributário, por depósito judicial prescinde de lançamento, não pronunciando a nulidade de lançamento já efetuado, mormente quando realizado com observância dos arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/72. Em Despacho às fls. 581/582, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, após apreciação do Presidente da 4ª Câmara em exercício à época. Contrarrazões foram apresentadas pela Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., trazendo, em breve síntese, que: · O acórdão recorrido trouxe que o r. art. 49 seria aplicável ao caso em razão de ter caráter meramente interpretativo, nos termos do que dispõe o inciso I, do art. 106, inciso I, do CTN: “Art. 106. A Lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; ” · E, ainda antes do advento da MP 449/08, o entendimento pacífico do STJ era no sentido de que o depósito judicial do tributo devido corresponde a um ato de constituição do respectivo crédito tributário e, por conta disso, já previne a decadência do direito de a Fazenda Nacional em exigir o referido tributo; · O art. 49 da MP 449/08 não criou uma regra nova, mas simplesmente interpretou o art. 63 da Lei 9.430/96 em Fl. 658DF CARF MF 4 conformidade com o entendimento já pacificado pelo STJ no sentido de que, na medida em que o depósito judicial configura modalidade de lançamento, seria descabido lançamento de ofício para constituir débitos tributários objeto de depósito judicial. Requer, por fim, o sujeito passivo, que: · Seja julgado improcedente o Recurso Especial da Fazenda nacional; · Senão isso, sejam os autos do processo remetidos à 3ª Seção do CARF, para que esta aprecie o argumento de mérito que restou prejudicado quando do julgamento do seu recurso voluntário. Posteriormente, em documento às fls 622 a 623, traz o sujeito passivo que: · O auto foi lavrado com exigibilidade suspensa por conta de depósitos judiciais efetuados no Mandado de Segurança (MS) nº 99.00064542, por meio do qual discute a incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis e quaisquer outras receitas que não configurem vendas de mercadorias e serviços, em razão do alargamento da base de cálculo da referida contribuição pelo art. 3º da Lei 9.718/98; · Em 05.03.2009, por meio do acórdão 220100.076, a lª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, decidiu pelo cancelamento do AUTO, por entender que a existência de depósito judicial dos valores nele lançados tornaria desnecessária a sua lavratura.; · Contra o referido Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, cujo julgamento por esta E. 3ª Turma da CSRF foi pautado para próxima quartafeira (dia 07.12.2016); · Ocorre que: ü Em 05.11.2015, transitou em julgado a decisão final proferida nos autos do MS 99.00064542, que concluiu (i) pela constitucionalidade da incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, e (ii) pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas Fl. 659DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 655 5 que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços; e ü Em razão do referido transito em julgado, já foi determinada a conversão em renda a favor da União dos valores depositados, assim como a expedição de alvará de levantamento de eventual saldo remanescente pela PETICIONÁRIA. Considerando tal documento, essa Conselheira emitiu Despacho, trazendo, entre outros: “[...] Em atenção ao Recursos Especial e visando melhorar a transparência dos autos a todas as partes envolvidas para o deslinde das questões envolvendo o auto de infração lavrado, tendo em vista que houve a juntada de documentos (decisão transitada em julgado proferida nos autos do mandado de segurança nº 99.00064542) essenciais, segundo o sujeito passivo, a resolução da questão, vez que concluiu: (i) Pela constitucionalidade da incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, e (ii) Pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços E, inclusive, já foi determinada a conversão em renda a favor da União dos valores depositados e expedição de alvará de levantamento de saldo remanescente. PROPÕESE que os autos RETORNEM à Secretaria da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para vistas à PGFN a fim de se manifestar, se for o caso, acerca dos novos documentos juntados. [...]” A Fazenda Nacional, em atendimento ao Despacho, trouxe: “[...] Considerando que o presente Auto de Infração foi lavrado com exigibilidade suspensa, em virtude do questionamento judicial por parte da contribuinte, por meio do mandado de segurança de nº 99.00064542, e que o mesmo transitou em julgado, conforme documentos constante dos autos, devese cumprir o determinado pela sentença judicial. [...]” Fl. 660DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que deva ser conhecido, eis que se trata de recurso especial fundado no artigo 7°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF 147/07 c/c art. 4° da Portaria MF 256/09, vigente à época, interposto em face do acórdão nº 220100.075, proferido em 5.3.09, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, por aplicação do disposto no art. 106, inciso I do CTN, em face da superveniência do art. 49 da Medida Provisória 449/2008. Recordase que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal à época vigente, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça manejada, segundo a autoridade fazendária, arrola atos legais inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento. É de se atentar que tal regra de admissibilidade, ainda que não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, especificamente no art. 67 do Anexo II, deve ser observado, nos termos do art. 3º da Portaria 343/2015, in verbis: “Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. ” Fl. 661DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 656 7 Sendo assim, o recurso especial deverá, nos termos do art. 3º daquele ato normativo, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria 147/07. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, se: · O art. 49 da MP 449 não seria aplicável ao caso, vez que a legislação aplicável aos débitos informados na DCTF é aquela vigente à época de sua apresentação; · O art. 49 da MP 449/08 não poderia justificar o cancelamento de ato jurídico perfeito consolidado com base na legislação vigente à época de sua constituição, ainda que a legislação permitisse sua aplicação retroativa; · A limitação das hipóteses em que o ato de lançamento pode ser realizado deve ser sempre feita restritivamente, em razão de ser ele ato administrativo vinculado e obrigatório. Para melhor elucidar os fatos, importante ressurgir que a autoridade fazendária lavrou auto de infração para constituir crédito tributário correspondente à diferença entre a Cofins escriturada e os valores por ela declarados em DCTF, relativas aos meses de janeiro, maio e julho de 2001 e fevereiro e março de 2002. A lavratura do auto se deu exclusivamente para prevenir decadência e sem a incidência de multa de oficio, já que a Cofins nele lançada está com sua exigibilidade suspensa por força de depósitos efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00059328. No que tange aos depósitos efetuados, tenho que a existência de depósito judicial dos valores lançados torna desnecessária a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 49 da MP 449/08 (convertida na Lei 11.941/09), in verbis (Grifos meus): “Art. 49. Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, prescinde do lançamento de ofício destinado a prevenir a Fl. 662DF CARF MF 8 decadência, relativo ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso II do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Inegável que, com tal dispositivo, restou claro que se há depósito integral do tributo discutido em demanda judicial – estará obstada a lavratura do auto de infração – o que, por conseguinte, é de se entender que tal depósito judicial encerra verdadeiro lançamento tributário do valor depositado. Quanto ao seu efeito, impossível ignorar a literalidade da norma “Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei nº 9.430” – o que resta acompanhar o entendimento proferido pelo colegiado do acórdão recorrido. Frisese esse entendimento o disposto na exposição de motivos dessa Medida Provisória: “46. O art. 49 procura pacificar as discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a necessidade de lançamento de ofício para evitar a decadência tributária, nas hipóteses em que há depósito judicial em montante integral. O novel dispositivo perfilase com decisões reiteradas dos tribunais superiores, de forma a evitar que várias ações judiciais sejam propostas desnecessariamente.” Ademais, é de se mencionar que tal entendimento está condizente com o emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN/CAT 968/2011 – o que peço licença para transcrever trechos: “[...] 28. Abramse parênteses para analisar o depósito integral do montante da exação devida. O C. Superior Tribunal de Justiça entende que “os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exeqüendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento Fl. 663DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 657 9 da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta”. (STJ, REsp no 1.140.956/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 03/12/2010). [...] À vista do aduzido, concluise que: [...] h) quanto ao depósito integral do montante da exação devida em demanda judicial, o STJ entende que, se houve ajuizamento desta anteriormente à execução fiscal, está obstada a própria lavratura do auto de infração, o que tem correspondência no entendimento de que tal depósito judicial encerra verdadeiro lançamento tributário do valor depositado. [...]” Vêse ainda que o próprio art. 63 da Lei 9.430/96 ao trazer a possibilidade de constituição de crédito tributário pela autoridade fazendária para prevenir a decadência não contempla a hipótese do art. 151, inciso II, do CTN – que trata do depósito integral. Sendo assim, ainda que na conversão da MP 449/08 na Lei 11.941/09 tal dispositivo não mais tenha sido contemplado, pois se tratava de mera norma interpretativa, é de se considerar que o depósito judicial integral obsta a lavratura do auto de infração. No que tange à DCTF, importante trazer que a retificação da DCTF adequando a informação do crédito tributário foi efetivamente considerado no sistema da Receita Federal do Brasil, o que resta também considerar tal informação. Nessa seara, entendo que a informação do crédito lá apresentado constitui definitivamente o crédito tributário, em respeito ao art. 5º, § 1º, do Decreto 2.124/84: Fl. 664DF CARF MF 10 “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.[...]” Frisese tal entendimento o decidido em Recurso Especial 1.120.295/SP – sede de repetitivo que traz que a entrega de DCTF constitui o crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência. Eis o que segue (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. 1. O prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, Fl. 665DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 658 11 não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis : "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva . Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor." 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a Fl. 666DF CARF MF 12 lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis : "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." [...]” Tal decisão há de ser observada pelos Conselheiros, conforme art. 62, § 2º, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Dessa forma, votaria por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento, mantendo o cancelamento do auto de infração. Não obstante, é de se considerar que houve decisão transitada em julgado nos autos do mandado de segurança nº 99.00064542 – o que se reveste de norma individual e concreta, devendo ser obrigatoriamente observada por essa Conselheira. Ademais, cabe trazer que a Fazenda Nacional também se manifestou pela observância da decisão transitada em julgado. Sendo assim, tendo a decisão concluído: · Pela constitucionalidade da incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo; e Fl. 667DF CARF MF Processo nº 18471.001816/200321 Acórdão n.º 9303005.280 CSRFT3 Fl. 659 13 · Pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. E, inclusive, já determinando a conversão em renda a favor da União dos valores depositados e expedição de alvará de levantamento de saldo remanescente. Considerando a decisão transitada em julgado, cabe a autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no poder Judiciário. Lembrando que, haja vista que os débitos objeto do lançamento ora discutido foram objeto de conversão em renda a favor da União, devem ser considerados pela DRF para fins de se considerar, se for o caso, extintos, nos termos do art. 156, inciso VI, do CTN. Em vista de todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ai recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 668DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.730476/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS
A Relação de Corresponsáveis - Coresp, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - Vínculos, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula Carf 88).
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA.
O Fisco, por meio de Auditor Fiscal da Receita Federal, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO
São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do Art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE.
Os atos praticados pela fiscalização, baseados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte constituem elementos lícitos de prova e revestem-se da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção.
Numero da decisão: 2301-005.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) REJEITAR as preliminares e, no mérito, (b) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009 RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS A Relação de Corresponsáveis - Coresp, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - Vínculos, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula Carf 88). CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de Auditor Fiscal da Receita Federal, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do Art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Os atos praticados pela fiscalização, baseados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte constituem elementos lícitos de prova e revestem-se da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) REJEITAR as preliminares e, no mérito, (b) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009 RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS A Relação de Corresponsáveis Coresp”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos Vínculos”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula Carf 88). CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. COMPETÊNCIA. O Fisco, por meio de Auditor Fiscal da Receita Federal, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Inteligência do § 2o do art. 229 do RPS/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do Art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 04 76 /2 01 3- 06 Fl. 1767DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Os atos praticados pela fiscalização, baseados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte constituem elementos lícitos de prova e revestem se da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) REJEITAR as preliminares e, no mérito, (b) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 3648.086, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Curitiba (efls. 1695 a 1712). O processo administrativo é constituído pelos seguintes autos de infração (obrigações principais), atinente às competências 01/01/2009 a 31/12/2009, consolidados em 13/12/2013: (a) AI DEBCAD 51.044.5608: auto de infração de obrigação principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, parte da empresa, incidente sobre os valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais, no montante consolidado de R$7.663.759,69; (b) AI DEBCAD 51.044.5616: auto de infração de obrigação principal, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados (8% – alíquota mínima), incidentes sobre os valores pagos, devidos ou creditados a segurados empregados, no montante consolidado de R$1.115.607,67. Consta do relatório fiscal (efls. 19 a 108): A Santa Barbara S.A. é sociedade anônima de capital fechado, cujo objeto social é: a) indústria da construção civil em todas as suas modalidades, a saber: obras próprias, públicas e particulares, sejam por regime de empreitada, administração e/ou incorporação; b) comercialização de imóveis; c) a execução de serviços e obras de pavimentação, terraplenagem, saneamento básico, obras Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 3 3 rodoviárias e de urbanização, inclusive paisagismo e serviços complementares urbanísticos; d) comércio e/ou importação de materiais, máquinas e equipamentos relacionados com a indústria da construção civil ou eletromecânica, por conta própria ou de terceiros; e) montagens industriais e serviços de projetos, consultoria e execução de instalações técnicas relacionadas à indústria, inclusive a construção civil; f) prestação de serviços delegados pelos poderes Públicos federais, estaduais e/ou municipais, sob a forma de concessão, autorização, permissão ou qualquer outra modalidade, inclusive na área de vistoria veicular, rodovias, saneamento básico, telefonia e energia elétrica; g) serviços relacionados à engenharia agronômica em todas as modalidades, inclusive ajardinamentos urbanos; Arquitetura; Engenharia Ambiental e segurança do Trabalho ". (art. 3°. do Estatuto Social, de 01/11/2011, registrado na Junta Comercial do Estado de Minas em 05/12/2011 sob o n° 4732401) Foram emitidos termos de sujeição passivo em face da responsabilidade solidária, prevista no inciso IX do art. 30 da Lei 8.212, de 1991 e alterações e no inciso II do art. 124 da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN),: GD Empreendimentos e Participações Societárias Ltda., CNPJ: 17.501.131/000155; Marno Participações Societárias Ltda., CNPJ: 01.605.470/000141; Santa Barbara Construções S.A., CNPJ: 39.809.199/0001 39; Santa Barbara Desenvolvimento Imobiliário S.A., CNPJ: 42.928.218/000150 e a autuada, que pertencem ao mesmo grupo econômico, situação comprovada por possuírem os mesmos diretores, conforme contratos sociais anexados. Os valores lançados nos autos de infração referemse às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de segurados empregados e contribuintes individuais (diretores), que não foram declaradas nas guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (GFIP) e nem foram recolhidas pela autuada, tendo sido constituídas pelos seguintes levantamentos: • PAGAMENTO DE COMPLEMENTAÇÃO DO PRÓ LABORE ATRAVES DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS; • REMUNERAÇÃO PAGA ATRAVÉS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS A SEGURADOS EMPREGADOS REGISTRADOS LEVANTAMENTOS: SE e SE2 Competências 01/2009 a 12/2009. • REMUNERAÇÃO PAGA ATRAVÉS DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS A SEGURADOS EMPREGADOS SEM REGISTRO LEVANTAMENTOS SI E SI2 – Competências 01/2009 a 12/2009. As remunerações foram constatadas em pagamentos feitos pela autuada, mediante notas fiscais de prestação de serviços emitidas por pessoas jurídicas que foram consideradas intermediárias na relação contratual entre a autuada e as pessoas físicas que lhes prestaram serviços. Fl. 1769DF CARF MF 4 O modo de operação consistiu na formalização irregular de contratos de prestação de serviços com dezenas de segurados empregados e contribuintes individuais (diretores), sendo, em geral, com prazo indeterminado, mediante a emissão mensal de medições de serviços e emissão de notas fiscais no mês subsequente à prestação de serviços. Tal conduta englobou todos os níveis hierárquicos da autuada, a começar pelos diretores, passando pelo nível gerencial (gerentes de contratos) e chegando ao nível operacional (de engenheiros até técnicos de edificações), e vinha ocorrendo de longa data, visto que foram apresentados contratos com data do ano de 2002, sendo prorrogados até o período fiscalizado. Esta prática ocorreu até mesmo para segurados empregados e contribuintes individuais (diretores) formalmente registrados e recebendo remuneração por folha de pagamento, sendo que muitas das pessoas jurídicas utilizadas para emissão das Notas Fiscais de Serviços (NFS) foram constituídas em datas próximas à data de assinatura dos contratos de prestação de serviços, num indício de que foram formalizadas para atender a um propósito específico. Pela análise da relação de benefícios concedidos aos trabalhadores da autuada, foi possível verificar que vários dos segurados empregados e contribuintes individuais, constavam como beneficiários dos planos de saúde da Unimed/Allianz e como beneficiários nos planos de seguro de vida em grupo da sociedade PasiVera Cruz; entretanto, analisados os lançamentos contábeis referentes àquelas prestadoras de serviços, verificouse que os valores referentes à contrapartida dos segurados, que deveriam ter sido descontados nos seus contracheques, foram lançados nas contas contábeis 3.1.02.01.0001, 3.1.07.08.0001, 3.2.02.01.0002 e 3.1.07.08.0001, sendo estes valores deduzidos dos valores a serem pagos pela prestação de serviços das empresas, em vez serem deduzidas do valor do salário recebido pelos segurados (Anexo V a VI, fls. 118/168). Em relação aos segurados que não tiveram seus contratos de trabalho formalizados pela autuada, a realidade da relação de "prestadores de serviços" entre essa e as dezenas de pessoas físicas remuneradas por intermédio de notas fiscais demonstraram ser a de contrato de trabalho entre empregador e empregado, tendo sido demonstrada a ocorrência, diante dos contratos de prestação de serviços selecionados, dos pressupostos fáticosjurídicos da relação de emprego, encontrados nos artigos 2° e 3° da CLT, ou seja: a) pessoalidade – o empregado não tem como prestar serviço por intermédio de outrem, não pode substituirse por outra pessoa; a obrigação é de fazer, não de delegar; b) onerosidade – a relação de emprego é onerosa, devendo o empregador remunerar pelos serviços prestados pelo empregado; c) não eventualidade – os serviços contratados estão direta ou indiretamente relacionados com as atividades normais da contratante; d) subordinação jurídica os serviços são prestados sob dependência hierárquica que implica no poder diretivo do empregador sobre o empregado, que lhe confere o direito de dirigir a prestação de serviços, dando ordens, fiscalizando, indicando métodos de trabalho e condições de execução das tarefas distribuídas. Outro ponto que evidencia a existência do vínculo empregatício do profissional contratado através de pessoa jurídica é a extensão à maioria dos segurados citados de benefícios oferecidos aos demais empregados da Santa Barbara, referente à Assistência médica e ao Prêmio de Seguro de Vida em Grupo, conforme lançamentos contábeis, constantes nos ANEXO V e ANEXO VI, extraídos das contas contábeis "3.1.02.01.0001Ass. Med. Hosp. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 4 5 Odont. Adm", "3.1.07.08.0001 Prêmio de Seguros Adm", "3.2.02.01.0002 Ass. Med. Hosp. Odont. Custo Direto obra" e "3.1.07.08.0001 Prêmio de Seguros obras. A atribuição dos salários de contribuição se deu com base nos valores das notas fiscais (todos devidamente confirmados nos lançamentos contábeis do sujeito passivo), por critério e método de aferição indireta, art. 33, § 3° e § 6°, e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, e suas alterações, considerando que: • a contribuinte não incluiu nas folhas de pagamento e nas Gfip os segurados empregados identificados neste procedimento fiscal; • a autuada também não identificou e não declarou as remunerações desses segurados empregados nas folhas de pagamento e nas Gfip. O cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados foi elaborado apenas para os segurados empregados sem vínculo empregatício, aplicandose a alíquota mínima vigente à época 8% (oito por cento), prevista no art. 20 da Lei 8.212, de 1991, tendo em vista que o salário de contribuição por empregado foi obtido por critério e método de aferição indireta. A multa imposta esta prevista na Lei n° 11.941 de 2009, art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, referente a multa de oficio de 75%, prevista no art. 44 da Lei 9.430, de 1996. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do Art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. Constatada a ocorrência de simulação, consubstanciada na utilização de empresa inexistente de fato, a fim de obter exclusivamente a redução da carga tributária, é lícita a deconsideração do negócio jurídico e o arbitramento das contribuições devidas Pode o Auditor Fiscal da Previdência Social desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando preenchidas as condições necessárias, conforme o Art. 33, caput da Lei n° 8.212/91 c/c o Art. 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 1771DF CARF MF 6 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o salário de contribuição do segurado empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS ADMINISTRADORES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo "Relatório de Vínculos", não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Os atos praticados pela fiscalização, baseados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte constituem elementos lícitos de prova, e revestemse da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 16/09/2014 para a autuada e para as responsáveis tributárias GD Empreendimentos e Participações Ltda. e Santa Bárbara Desenvolvimento Imobiliário S.A. (efls. 1730, 1732 e 1736). As responsáveis tributárias Marno Participações Societárias Ltda. e Santa Bárbara Construções S.A. foram objeto de intimação por edital eletrônico publicado, para ambas, em 29/09/2014, com ciência em 14/10/2014 (efls. 1741 e 1742). A ciência dessa decisão ocorreu por edital eletrônico, em 14/10/2014 (efl. 1742). Em 15/10/2014, foi apresentado recurso voluntário apenas pela contribuinte (efls. 1743 a 1754), sendo alegado, em síntese, que: (a) somente é possível a imputação da responsabilidade aos administradores, se constatado que concorreram com a prática de atos ilícitos ou com excesso de poderes, nos termos do art. 135, III, do CTN, não sendo possível essa imputação pelo mero não pagamento do tributo, como foi feito no caso concreto, inexistindo, portanto, elemento essencial para extensão de responsabilidade aos administradores; a extensão da responsabilidade tributária ao administrador por lei ordinária em afronta ao art. 135 do CTN é desprovido de amparo jurídico; (b) não está entre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal a fiscalização da existência ou não de relação de emprego, em inteligência ao art. 6° da Lei 10.593, de 2002, que dispõe sobre a reestruturação da Carreira de Auditor Fiscal; Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 5 7 (c) o fato de ter como diretor/funcionário um sócio de uma sociedade que lhe presta serviço não tem o condão de ensejar o reconhecimento de relação de emprego, sendo que tal fato pode até ser imoral, mas não ilegal; a relação entre particulares é regida pela máxima de que o que não está prescrito em lei é lícito, ao contrario dos entes públicos, que só podem fazer o que a lei determina; (d) as afirmações da Auditoria não passam de meros indícios e presunções, tendo em vista que as pessoas jurídicas são autônomas, distintas e independentes umas das outras, estando todas elas em plena atividade, ou, ao menos é o que ocorre na época narrada no auto de infração, cada qual possuindo contrato, quadro social, faturamento e quadro de funcionários próprios devidamente registradas nos órgãos competentes e arcando em nome próprio com todas as obrigações assumidas; não se sabe embasado em que a auditora fiscal afirmou que a emissão de notas fiscais sequenciais pressuporia o pagamento de acerto e de 13° salário; (e) diante da inexistência de relação de emprego e, consequentemente, de pagamentos em contrapartida dessa, não há falar em fato gerador de contribuição previdenciária, devendo ser cancelado o auto de infração. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Da responsabilidade dos administradores A contendora alegou somente ser possível a imputação da responsabilidade aos administradores se constatado que esses concorreram com a prática de atos ilícitos ou com excesso de poderes, nos termos do art. 135, III, do CTN, não sendo possível essa imputação pelo mero não pagamento do tributo. Porém, essa matéria é estranha ao procedimento fiscal, uma vez que, como relatado, não foi atribuída qualquer responsabilidade aos sócios, mas, tão somente, às seguintes sociedades: GD Empreendimentos e Participações Societárias Ltda., CNPJ: 17.501.131/0001 55; Marno Participações Societárias Ltda., CNPJ: 01.605.470/000141; Santa Barbara Construções S.A., CNPJ: 39.809.199/000139; Santa Barbara Desenvolvimento Imobiliário S.A., CNPJ: 42.928.218/000150. Ademais, ser relacionado no relatório de vínculos não significa ter sido caracterizado como corresponsável tributário. Nesse sentido, a Súmula CARF 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado Fl. 1773DF CARF MF 8 unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DAS ATRIBUIÇÕES DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL É alegado não estar entre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal a fiscalização da existência ou não de relação de emprego. Tal matéria já foi objeto de análise por esta turma no julgamento do Acórdão 2301004.536, sessão de 08 de março de 2016, na qual, reconheceu, por unanimidade, que o Fisco, por meio de Auditor Fiscal da Receita Federal, pode afastar a eficácia do contrato de trabalho autônomo e enquadrar os trabalhadores como segurados empregados como decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Reportome ao voto condutor, de lavra da conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis: Mais uma vez valhome dos fundamentos expostos pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo sobre o tema, no acórdão já referido (acórdão nº 2402004.380, sessão de 04/11/2014), cujas razões de decidir adoto aqui: De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor "sanções" sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 6 9 ... Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação.. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Ademais, a verificação do enquadramento feito pela empresa em relação aos segurados que lhe prestam serviços é decorrência lógica das atribuições inerentes à competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições devidas à Seguridade Social. Verificando, a autoridade fiscal, que o trabalhador desempenha suas atividades com a presença de todos os elementos característicos da condição de empregado para fins previdenciários, previstos no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 9o, inciso I, do RPS/99, aprovado pelo Decreto 3.048/99, deve desconsiderar o vínculo pactuado, se em desacordo com a realidade, conforme autorizado pelo § 2o do artigo 229 do RPS/99: Art. 229 ... .... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) O STJ, ao analisar a questão, já se manifestou no mesmo sentido: Fl. 1775DF CARF MF 10 ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes fiscais tem competência para reconhecer vínculo trabalhista para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, não acarretando a chancela aos direitos decorrentes da relação empregatícia, pois matéria afeta à Justiça do Trabalho. 2. O agente fiscal do INSS exerce ato de competência própria quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados a autônomos, por considerálos empregados, podendo chegar a conclusões diversas daquelas adotadas pelo contribuinte. 3. À evidência, o IAPAS ou o INSS, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestada, seja administrativamente, seja judicialmente (REsp nº 515.821/RJ, Relator Ministro Franciulli Netto, publicado no DJU de 25.04.05). (STJ, 2ª T., REsp 575.086/PR, Min. Castro Meira, mar/06) (gn) (Grifouse.) Interposição de pessoa jurídica Caracterização de segurados empregados e contribuintes individuais O lançamento das contribuições previdenciárias decorre da desconsideração de pessoas jurídicas prestadoras de serviços à contribuinte, cujos sócios foram caracterizados como segurados empregados (caso dos funcionários) e contribuintes individuais (caso dos diretores) da autuada. As contribuições devidas foram apuradas por aferição indireta, com base no valor das notas fiscais de prestação de serviço emitidas por tais pessoas jurídicas, em conformidade com os valores lançados na escrituração contábil da autuada. É afirmado que (a) o fato de ter como diretor/funcionário um sócio de uma sociedade que lhe presta serviço não tem o condão de ensejar o reconhecimento de relação de emprego; (b) as afirmações da auditoria não passam de meros indícios e presunções, tendo em vista que as pessoas jurídicas são autônomas, distintas e independentes umas das outras, estando todas elas em plena atividade na época narrada no auto de infração; (c) diante da inexistência de relação de emprego e, consequentemente, de pagamentos em contrapartida dessa, não há falar em fato gerador de contribuição previdenciária. Por primeiro, ressalto que no caso concreto, estamos diante de diversos indícios concordantes, os quais são prova, na lição do paradigmático Acórdão CSRF/01 02.743, que evocando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal citada por Hely Lopes Meirelles, demonstra a um só tempo o entendimento doutrinário, judicial e administrativo acerca da matéria: “Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 7 11 relator poderia dar o assunto por encerrado”. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22a ed., 1997, p. 97.) (Grifouse.) A seu turno, a legislação previdenciária, pela Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6°, e no Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), arts. 229, § 2º, 233 e 235 é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (b) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) (no mesmo sentido, o art. 235 do RPS) Decreto 3.048, de 1999 Art 229. (...) § 2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) (Grifouse.) No caso concreto, como relatado, foram levantados indícios, apurados fatos e restou demonstrado por provas que a autuada recorreu à prática da contratação de dezenas de trabalhadores, utilizandose da sistemática irregular de elaboração de contratos de prestação de serviços Fl. 1777DF CARF MF 12 com pessoas jurídicas constituídas pelos próprios sócios para mascarar verdadeiras relações de emprego, bem como para complementar a remuneração dos contribuintes individuais (diretores) e dos segurados empregados registrados, não submetendo esta remuneração à incidência das contribuições incidentes. Os elementos caracterizados dessas irregularidades estão minuciosamente descritos das fls. 21 a 122, das quais extraio os seguintes excertos, como elementos de meu convencimento. O contrato social da autuada define no art. 17 que: “os diretores perceberão remuneração de acordo com os critérios providos pela Assembléia Geral, observados os limites e condições firmados em lei”. Para o período fiscalizado, as atas de reunião do Conselho de Administração fixaram o valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para a remuneração global dos diretores, o qual deveria ser reajustado em conformidade com o disposto na legislação aplicável à correção dos salários e consoante os critérios de periodicidade adotados pela política salarial da autuada, incumbindo à diretoria proceder a sua distribuição entre seus membros. Porém, no período fiscalizado foi constatado que apenas o Diretor Presidente, Sr. Marcelo Dias, recebeu o pagamento do prólabore com o valor condizente com a responsabilidade do cargo. No pagamento da remuneração dos demais diretores, Rodrigo Carneiro de Mendonça Torres, Eduardo Assis Marini e Djaniro da Silva, foi adotada a prática irregular de parte da remuneração do prólabore ser paga de forma indireta, por meio da emissão de notas fiscais de serviços, simultaneamente ao pagamento do prólabore devido a seu registro formal como diretores. Dessa forma, apenas uma parcela do prólabore foi regularmente paga através das folhas de pagamento e teve as respectivas contribuições previdenciárias recolhidas; a outra, objeto dos auto de infração, em valores mais substanciais, foram pagas indiretamente pela emissão de notas fiscais das sociedades RCMT Engenharia Ltda., Marine Assessoria Empresarial Ltda., e DJ Engenharia e Consultoria SC Ltda. (das quais os segurados são sócios), e, portanto, não foi oferecido a tributação. Foi verificado – pela consulta aos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) – que praticamente toda a receita declarada dos prestadores de serviços (segurados empregados e contribuintes individuais) é oriunda de serviços prestados à Santa Barbara S.A., ou seja, prestaram serviços com exclusividade ao sujeito passivo. Ademais, verificouse que no período do crédito apurado nenhuma das pessoas jurídicas relacionadas pela fiscalização contratou empregados, o que demonstra que o trabalho foi prestado pessoalmente pelos sócios. Além disso, de regra, as notas fiscais de serviços das prestadoras de serviços foram emitidas com numeração sequencial, denotando que a prestação de serviços foi feita de forma exclusiva e ininterrupta, tendo, sempre como tomador dos serviços a própria autuada. Em diversos casos (discriminados no relatório fiscal), além das notas fiscais emitidas mensalmente, referentes aos salários dissimulados, houve emissão extra de duas notas fiscais emitidas por volta de 20 a 22 de dezembro de cada ano (2008 e 2009), que é condizente com as parcelas da gratificação natalina. Uma primeira nota era emitida no mesmo dia do mês e com o mesmo valor fixo conforme estipulados no contrato de prestação de serviços e a segunda nota era emitida no final de dezembro, com valor mais elevado, o que indica provável pagamento da gratificação natalina, e, em alguns casos, o pagamento de férias ao segurado. Vários dos segurados empregados e contribuintes individuais, constavam como beneficiários dos planos de saúde da Unimed/Allianz e dos planos de seguro de vida em grupo PasiVera Cruz; entretanto, analisados os lançamentos contábeis referentes àquelas Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 8 13 prestadoras de serviços, verificouse que os valores referentes à contrapartida dos segurados, que deveriam ter sido descontados nos seus contracheques, foram deduzidos dos valores a serem pagos pela prestação de serviços das empresas (foram lançados nas contas contábeis 3.1.02.01.0001, 3.1.07.08.0001, 3.2.02.01.0002 e 3.1.07.08.0001). Na análise das planilhas nominadas “colaboradores seguro de vida Chubb” de vencimento em 30/01/2008, 31/01/2008 e 30/06/2008, fornecidas pela autuada em atendimento ao TIF11, de 28/11/2013, (fls. 238/240), há uma coluna discriminando o salário do "Colaborador". Tais "colaboradores" na realidade se referem a muitos dos segurados citados no relatório fiscal, sendo que os valores constantes na coluna SALÁRIO são bem superiores ao salário constante nas folhas de pagamento/GFIP apresentadas, mas próximos ao valor da soma dos salários pagos como empregados formalmente registrados e do valor recebido através da emissão de notas fiscais de serviços (fls. 238 a240). No caso das prestadoras de serviços, a maioria de assessoria e consultoria, tais remunerações fixas mensais repetemse por prazo indeterminado, sendo reajustadas na mesma época dos dissídios da categoria dos empregados da autuada e geralmente sendo interrompidas quando há a rescisão contratual do segurado do quadro funcional da autuada ou por contratação do prestador como empregado. Tal conduta (a) engloba todos os níveis hierárquicos da autuada, a começar pelos diretores, passando pelo nível gerencial de gerentes de contratos e chegando ao nível operacional, desde engenheiros até técnicos de edificações e (b) vem de longa data, visto que foram apresentados contratos com data do ano de 2002 sendo prorrogados até o período fiscalizado. Muitas das pessoas jurídicas utilizadas para emissão das notas fiscais de serviços foram constituídas em datas próximas à data de assinatura dos contratos de prestação de serviços. Os contratos de prestação de serviços são padrão, têm o mesmo conteúdo, cláusulas comuns, em geral prazo de vigência indeterminado, descrição do objeto feita de forma genérica e superficial. Os prestadores de serviços são exclusivamente os sócios ou titulares das pessoas jurídicas, que não contratam empregados, e que na pratica prestaram serviços de forma exclusiva ao sujeito passivo. Em relação aos segurados que não tiveram seus contratos de trabalho formalizados pela autuada, a realidade da relação entre a Santa Barbara S.A. e as dezenas de pessoas físicas remuneradas por intermédio de notas fiscais (“prestadores de serviços”) é a de contrato de trabalho entre empregador e empregado, sendo verificada a ocorrência dos seguintes pressupostos fáticosjurídicos da relação de emprego, elencados nos arts. 2° e 3° da CLT: (a) pessoalidade – a prestação dos serviços é feita por pessoas físicas, representadas por profissionais da área de engenharia e atividades correlatas, contratadas sob o manto de pessoas jurídicas; a prova da pessoalidade é demonstrada pela própria relação fornecida pelo sujeito passivo em 28/11/2013, mediante intimação através do TIF10, de 17/10/2013, onde identifica os nomes das pessoas físicas responsáveis pela prestação de serviços relacionandoos com as correspondentes pessoas jurídicas identificadas pelo CNPJ, responsáveis pela emissão das notas fiscais de serviços; a prestação pessoal é também corroborada pelas notas fiscais de serviços apresentadas, onde consta expressamente a identificação da pessoa física responsável pela prestação dos serviços escrita à mão no corpo da nota; a pessoalidade fica também evidenciada quando a autuada estende diretamente às pessoas Fl. 1779DF CARF MF 14 físicas o benefício de seguro de vida e de plano de assistência médica concedidos aos empregados regularmente contratados, por força de convenções coletivas de trabalho; para alguns segurados também é oferecido benefício de auxílio educação; a pessoalidade também está demonstrada pelos inúmeros casos de empregados e contribuintes individuais (diretores) que são remunerados concomitantemente sob as normas da CLT e adicionalmente por intermédio por pessoas jurídicas; o próprio sujeito passivo reconhece a condição de empregado do prestador dos serviços ao formalizar seu contrato de trabalho; (b) não eventualidade – autuada, como visto, tem como objeto a prática serviços de engenharia de construção civil em diversas áreas, envolvendo, dentre outros, a indústria da construção civil em todas as suas modalidades; são esses os trabalhos executados pelos contratados como "prestadores de serviços", consistindo no próprio objeto econômico da autuada, como pode ser visto na discriminação dos serviços contidos nas notas fiscais das PJ e nas cláusulas contratuais; ademais, a prestação de serviços é realizada com habitualidade o que se comprova através da emissão de medições de serviços mensais e da emissão das notas fiscais crrespondentes, sequencialmente; os contratos são firmados por período indeterminado ou, quando firmados com prazo determinado, foram sendo prorrogados por termos aditivos; foram encontrados contratos em vigor desde 2002, apontando a necessidade permanente da contratação deste profissionais; (c) onerosidade – as notas fiscais de serviços através das quais foram remunerados os segurados empregados e contribuintes individuais (diretores) irregularmente contratados encontramse devidamente contabilizadas em diversas contas de despesa; esses valores constituem os salários de contribuição dos segurados empregados e contribuinte individuais irregularmente remunerados através da emissão da referidas notas fiscais; (d) subordinação – é incontestável a subordinação hierárquica, uma vez que os segurados empregados recebem a determinação da autuada, tanto dos serviços a serem executados quanto do prazo de execução; os serviços a serem realizados são os contratados com os clientes do sujeito passivo e muitas vezes constam expressamente dos contratos de prestação de serviços firmados com a autuada e que mascaram a relação de emprego existente; tais contratos são uniformes, têm o mesmo padrão, conteúdo, cláusulas e outras características, o que, por si só, denuncia a subordinação hierárquica, uma vez que, no universo de dezenas de contratos, em nenhum deles os contratados tiveram possibilidade de colocar quaisquer particularidades ou especificidades na prestação dos serviços; apesar da gama variada de serviços prestados, a regra rígida é imposta a todos, pela subordinação a que estão sujeitos; incontestável também a subordinação jurídica: as ordens são expedidas pela autuada aos profissionais executores dos serviços, com indicação das atividades a serem executadas que são as previstas nos contratos entre a autuada e seus clientes, além das previsões contratuais impostas. Em suma, os elementos fáticos probatórios dos autos não foram afastados pela recorrente e são suficientes para demonstrar que os prestadores de serviços relacionados na autuação eram, de fato, empregados e contribuintes individuais (diretores) vinculados à recorrente. Conclusão Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 15504.730476/201306 Acórdão n.º 2301005.066 S2C3T1 Fl. 9 15 Voto, portanto, por rejeitar, por (a) REJEITAR as preliminares, e no mérito, (b) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904996/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 96 /2 01 2- 50 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.457. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904996/201250 Acórdão n.º 3301003.552 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 149DF CARF MF
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