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Numero do processo: 13971.720196/2008-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação não foi realizada de forma tempestiva.
Numero da decisão: 9202-005.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ARL AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente INDUMA S/A INDÚSTRIA DE PAPEL E PAPELÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação não foi realizada de forma tempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 96 /2 00 8- 82 Fl. 246DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2005, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Ribeirão Pequeno, localizado no Município de TaióSC. Conforme descrição dos fatos (efl. 03) a autuação foi assim resumida pelo órgão fiscal: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: Glosa da área de 400 hectares declarada como sendo de Reserva Legal, tendo em vista que, em que pese constar a averbação da área na matricula 9607 do Registro de Imóveis da Comarca de Taió/SC, esta só se deu em 21/12/2006 (averbação AV59607), portanto em data posterior ao fato gerador do imposto. Exercício ARL Declarado ARL Apurado Averbação ADA 2005 400ha 0ha 27/09/2007 (efls. 46/48) 2008 (efls. 45) Irresignado com a autuação o Contribuinte apresentou Impugnação (efls. 71/92), que foi julgada improcedente conforme o acórdão n° 0420.967, proferido pela DRJ em 02/07/2010, possuindo a seguinte ementa (efls. 108/116): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RESERVA LEGAL. REQUISITOS. AVERBAÇÃO Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 247 3 Devidamente intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 121/140). Em sessão plenária de 03/12/2014, foi julgado o recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102003.209 (efls. 156/164), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação, na data da ocorrência do fato gerador, impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso Voluntário Negado Cientificada do acórdão em 04/02/2015 (efls. 169), o Contribuinte interpôs, no dia 18/02/2015, o Recurso Especial de efls. 172/178, com fundamento no artigo 64, II c/c artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visando rediscutir o restabelecimento da ARL – Área de Reserva Legal declarado, alegando contrariedade à lei nº 9.636, de 1996 e ao art. 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965 (com redação dada pela Lei n° 7.803/89). Em exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial, conforme o Despacho s/n, de 30/09/2015 (efls. 206/208). O paradigma indicado pela Contribuinte possui a seguinte ementa: Fl. 248DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial negado. O contribuinte peticionou reiterando os fundamentos já apresentados em sede do Recurso Especial (efls. 210/212). A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões sustentando que “a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área” (Art. 16 § 2°)” considerando, portanto, a averbação da ARL à margem da matricula do imóvel de caráter constitutivo. (efls. 222/237). Ao final, a Fazenda Nacional pede seja negado provimento ao Recurso Especial, mantendose o inteiro teor da decisão recorrida. O Contribuinte, às efls. 240/244, apresenta petição na qual apresenta argumentação de que ocorreu prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, razão pela qual pede o reconhecimento da extinção do crédito fiscal em discussão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial do Contribuinte, contra decisão por maioria dos votos proferida em 03/12/2014, foi interposto na modalidade de divergência jurisprudencial previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Destarte, sendo tempestivo e estando de acordo com os demais requisitos do Regimento Interno, o Recurso Especial deve ser conhecido. Antes de adentrar no mérito da questão acerca da intempestividade da averbação no caso de ARL, é preciso enfrentar o tema suscitado pelo Contribuinte acerca da ocorrência de prescrição intercorrente neste processo administrativo fiscal. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 248 5 Para enfrentar esse tema vale destacar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que pode ser verificado nos seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 174, DO CTN. MINISTÉRIO PÚBLICO. ILEGITIMIDADE PARA RECORRER. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. INOCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão ou sentença, omissão, contradição ou obscuridade, nos termos do art. 535, I e II, do CPC, ou para sanar erro material. 2. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Deveras, consoante assente, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 3. O recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. [...] 14. Recurso especial desprovido. (REsp n° 1113959/RJ, Min. Rel. Luiz Fux, Primeira Turma, unânime, DJe 11/03/2010)(Grifei). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE AUTORIZATIVO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. POSSIBILIDADE. REVISÃO DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. JUROS DE Fl. 250DF CARF MF 6 MORA DEVIDOS DURANTE O TRÂMITE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. INCIDÊNCIA. ARTS. 161 DO CTN E 5º DO DECRETOLEI Nº 1.736/1979. 1. Afastada a alegada ofensa ao art. 535 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre a matéria posta em debate na medida necessária para o deslinde da controvérsia. 2. Impossibilidade de conhecimento do recurso especial relativamente à alegada violação aos princípios da igualdade e da isonomia tributária (arts. 5º, caput, e 150, II, da Constituição Federal), sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal no âmbito do recurso extraordinário. 3. O acórdão recorrido se manifestou no mesmo sentido da jurisprudência desta Corte adotada em sede de recurso especial repetitivo, na sistemática do art. 543C, do CPC, (REsp nº 1.113.959/RJ), quanto à inexistência de dispositivo legal a autorizar a prescrição intercorrente na pendência de julgamento de impugnação administrativo após notificação de lançamento do crédito tributário através de auto de infração, uma vez que o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III, do CTN. 4. A jurisprudência deste STJ já se manifestou no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001. É que a Lei n. 8.021/90 já albergava a hipótese de lançamento do imposto de renda por arbitramento com base em depósitos ou aplicações bancárias, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Outrossim, revisar a ocorrência ou não de comprovação da origem dos recursos em questão é providência incompatível com este apelo extremo, haja vista o óbice da Súmula nº 7 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt n° REsp 1638268/MG, Min. Rel. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, unânime, DJe 01/03/2017)(Grifei). Além do posicionamento que vem mantendo o STJ, este Conselho também possui posicionamento semelhante, inclusive, sendo assunto sumulado. A Súmula n° 11 do CARF dispõe que “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Desta forma, diante da referida súmula e persistindo a ausência de previsão legal estipulando a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, não merece ser acolhido o pedido formulado pelo Contribuinte para que seja extinto o crédito fiscal pela ocorrência de prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Passando à análise da exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, tendo em vista glosa de 400ha relativos a ARL – Área de Reserva Legal, uma vez que a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel ocorrera em data posterior à do fato gerador. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 249 7 No acórdão recorrido, negouse provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que a averbação é intempestiva, razão pela qual se sustentaria a glosa realizada pelo Fisco e a consequente manutenção do crédito fiscal. Adentro o tema a ser rediscutido utilizandome dos preciosos conhecimentos do Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Acórdão n.º 9202003.474. Neste aspecto, cumpre trazer breve digressão acerca da incidência do ITR bem como das hipóteses de sua isenção. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal nº 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Fl. 252DF CARF MF 8 Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal nº 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 250 9 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Fl. 254DF CARF MF 10 Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/ 2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 251 11 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinquenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 256DF CARF MF 12 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 252 13 § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a ideia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental nº 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% Fl. 258DF CARF MF 14 previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. O caráter não constitutivo da averbação pode ser ratificado pelo fato de que atualmente está positivada na legislação não ser uma exigência a averbação da Reserva Legal junto ao Cartório de Restrito de imóveis. Ora, se para que uma reserva legal atualmente exista não precisa de averbação, apenas um raciocínio contraditório poderia afirmar que a averbação é elemento constitutivo, afinal o conceito de Reserva Legal continua o mesmo. Desta forma, não tendo sofrido alteração o conceito de reserva legal, não assiste razão dizer que em 2005, uma área não era considerada reserva legal por ausência de averbação, e hoje, 2017, ressaltese novamente, sem nenhuma alteração de conceito, uma determinada área é considerada reserva legal mesmo que não averbada em cartório. Assim voto por DAR PROVIMENTO ao recurso do Contribuinte, para reformar o acórdão recorrido, e desconsiderar a glosa referente à área de reserva legal ante o caráter declaratório que possui a averbação dessa área de utilização limitada, extinguindose o crédito fiscal. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto aos requisitos para fins de exclusão da área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR. Acerca do tema, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal/Utilização Limitada junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 253 15 de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, Fl. 260DF CARF MF 16 cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13971.720196/200882 Acórdão n.º 9202005.416 CSRFT2 Fl. 254 17 diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" Quanto à necessidade de apresentação ou protocolização do ADA também abranger a área de Reserva Legal, ressalto que entendo que a averbação da Reserva Legal, pública e de natureza constitutiva, na forma acima defendida, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação, considerado aqui, ainda o elemento volitivo do proprietário na eleição de tal área. Todavia, independentemente do ADA, no caso em questão, conforme se depreende da averbação de efl. 48, a área de Reserva Legal em litígio só restou averbada em 27/09/2007, assim, após o fato gerador em questão, ocorrido em 01/01/2005, não sendo, assim, passível de exclusão da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, a partir do entendimento acima esposado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001795/2005-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano - calendário: 2004 Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 torna-se cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano - calendário: 2004 Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 torna-se cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 0 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001795/200514 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 180200.897 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente LAICÃO COMÉRCIO DE ARTIGOS PARA ANIMAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano calendário: 2004 Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DO IMPEDIMENTO LEGAL. Havendo nos autos prova de que a pessoa jurídica tenha ultrapassado o limite legal da receita bruta em 31/12/2003 tornase cabível a sua exclusão do Simples a partir do o ano calendário subseqüente, ou seja, 01/01/2004, por restar configurado o impedimento legal de que trata o inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem descrever a lide adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.57/60) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo, formalizado em 10/06/2005 pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, de exclusão da contribuinte do Simples. 2. Relata o Auditor Fiscal da Receita Federal autor do procedimento, em despacho exarado em 09/06/2005, que no curso do procedimento fiscal instaurado contra a contribuinte foi constatado, conforme "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta" (fl. 2), que a fiscalizada, enquadrada na condição de empresa de pequeno porte no Simples, auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no regime em questão, no valor de R$ 1.988.927,71, sendo cabível sua exclusão da sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004, com fulcro no art. 14, inciso I, e 15, inciso ,IV, da Lei n°9.317, de 05/12/1996 (fls. 2 e 3). . 3. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 26, em 06/07/2005, para excluir a autuada do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004 (fl. 5). 4. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9°, inciso II, 12, 14, inciso I, e 15, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 6° da Lei n° 9.779, de 19/01/1999;artigos 20, inciso II, 21, 23, inciso I, 24, inciso IV e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003. 5. Consignouse, ainda, no art. 2° do ADE em, comento, que a exclusão surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da , Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 6. Cientificada do ADE em 21/07/2005 (fl. 5 verso), a interessada apresentou manifestação de inconformidade, com razões á fls. 6 a 18 e anexos às fls. 19 a 31. Alega, em síntese, que: 6.1. Preliminarmente, registrese a tempestividade do presente contraditório. 6.2. A defendente não concorda com os efeitos retroativos do ato de exclusão tendo em vista que o anocalendário 2004 já havia se encerrado quando da emissão do ADE, o mesmo tendo ocorrido com o prazo para entrega da Declaração' de Imposto de Renda Pessoa Jurídica para aquele anocalendário. Assim,, os efeitos da exclusão devem se materializar a partir da ciência do ADE em comento. Violação ao direito adquirido e ao princípio da irretroatividade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 2 3 6.3. De acordo com os artigos 5°, inciso XXXVI, e 150, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal de 1988, "os efeitos da legislação só poderão surtir após sua vigência, devendo ser respaldados os direitos já adquiridos dos cidadãos, de tal sorte que quaisquer outros atos também devem observar essa restrição constitucional". 6.4. Portanto, o direito pátrio veda que a legislação, assim como demais atos administrativos, dentre eles o ADE, tenham efeitos retroativos à data de sua emissão, em afronta aos direitos e fatos perfeitamente concluídos, como demonstra o caso que se discute. 6.5. O Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), prevê em seu art. 103, inciso I, que os atos administrativos só entram em vigor e, por conseqüência surtem seus efeitos, após a data de sua publicidade. 6.6. O art. 146 do CTN determina que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução 6 17. O art. 105 do CTN registra que a legislação tributária aplicase i im1 ediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles suja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entretanto, necessário ressaltar que o anocalendário 2004, atingido retroativamente elo ADE emitido em julho de 2005, encontrase encerrado, de modo a não se encontrar /na esteira dos fatos pendentes. 6.8. Este é o entendimento de nossos tribunais em casos análogos, nos quais foi reconhecida a impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão da Simples (transcreve ementas de julgados do Tribunal Regional Federal da/ Primeira Região à fl.10). Violação ao princípio da hierarquia das normas. 6.9. Os efeitos retroativos do ADE foram determinados pela autoridade fiscal com base no art. 15, inciso IV, da Lei n°9.317/1996, e no art. 24, inciso IV da IN SRF n° 355/2003, em total afronta a dispositivos de Lei de categoria normativa superiores, desrespeitando, assim, o princípio da hierarquia das normas, ainda mais porque o Código Tributário Nacional tem caráter de Lei Complementar, ante sua recepção pela CF/1988. 6.10. Assim, é de se imaginar que se as Leis emanadas do Poder Legislativo devem obedecer a uma hierarquia, não há que prevalecer uma Instrução Normativa editada pelo Secretário da Receita Federal, que visa apenas interpretar uma Lei, patentemente violadora das normas hierarquicamente superiores, quais sejam a CF/1988 e o CTN, este último com Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 eficácia de Lei Complementar (transcreve doutrina e ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça às fls. 13 e 14, em apoio à sua tese de que o CTN, aprovado pela Lei n° 5.172/1966, tem natureza de Lei Complementar). i 6.11. Desta forma, é inegável o caráter de Lei Complementar do CTN, de modo que a Lei n°9.317/1996 e a IN SRF n°355/2003 não podem contrariar a irretroatividade nele prevista. 6.12. Asseverese que se extraiu direitos intocáveis da defendente, eis que no anocalendário de 2004 a empresa . estava inscrita nó Simples e procedeu ao recolhimento dos tributos devidos em conformidade com a legislação pertinente. Violação ao princípio da isonomia. 6.13. A Lei n° 9.317/1996 viola por completo o princípio da isonomia tributária abrigado no art. 150, inciso II, da CF/1988, que proíbe o legislador tributário de instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. 6.14. Isto porque o art. 15 da Lei n° 9.317/1996 estabelece "formas alternativas" para os efeitos da exclusão de contribuintes do Simples. 6.15. No caso que se discute, como a exclusão da contribuinte ocorreu por suposta extrapolação do limite de receita bruta permitido para permanência no Simples, o comando da legislação prevê que a exclusão surta efeito a partir do ano calendário subseqüente à ocorrência deste fato. 6.16.Por outro lado, acaso a recorrente tivesse sido excluída do regime simplificado nas hipóteses previstas no art. 9°, incisos XV e XVI, da Lei n°9.317/1996, a exclusão surtiria efeitos a partir do anocalendário subseqüente ao, ciência do ADE, nos termos do art. 15, inciso VI, da mesma Lei, com a redação dada pela Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005. 6.17. Nesta seara, visando averiguar afronta ao princípio constitucional da isonomia, devemos indagar se os diferentes motivos ensejadores da exclusão são fatores capazes de efetivamente diferenciar as pessoas, o que de fato, ocorreu no caso em comento. 6.18. Também devese analisar se os referidos critérios eleitos pelo legislador possuem correlação lógica e justificável com o tratamento jurídico diverso entre tais pessoas, dispostas pela mesma norma que, neste caso, confere a um contribuinte o direito de se beneficiar do Simples até o anocalendário subseqüente ao da ciência do ADE, e a outro, como a defendente, suprime todo o seu direito em relação a um fato jurídico perfeito e acabado, ao retroagir seus efeitos para um anocalendário "completamente encerrado". 6.19. A Lei n° 9.317/1996 não poderia, jamais, veicular normas diferentes para cada contribuinte, tendo em vista que as microempresas e empresas de pequeno porte são iguais entre si, não podendo ser tratadas deforma desigual: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 3 5 Conclusão. 6.20. À vista de todo exposto, demonstrada a abusividade do ADE no tocante aos seus efeitos, em razão de estar pautado em Lei e Instrução Normativa que contradizem normas hierarquicamente superiores e violam os princípios da irretroatividade e da isonomia, requer que seja acolhida a presente defesa, para o fim de determinar que a exclusão da recorrente do Simples se opere tão somente a partir da ciência do ato de exclusão em comento, a qual ocorreu em 20/07/2005, afastandose por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPOI), decidiu pelo indeferimento da solicitação do Contribuinte mediante o Acórdão nº 1620.714, de 12/03/2009 (fls.56/64), assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM DO LIMITE LEGAL. EXCLUSÃO. Constatado que a receita bruta, no ano calendário de 2003, ultrapassou o limite legal, é cabível a exclusão da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN) APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. Incabível a discussão acerca da data de vigência do ato administrativo, da aplicação da legislação a fatos geradores futuros ou pendentes e da alteração em critério jurídico adotado na atividade de lançamento, nos termos dos artigos 103, 105 e 146 do CTN, posto que os termos retroativos da exclusão discutida nos autos estão fundamentados em Lei que autoriza a sua aplicação. DECISÕES L ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. A eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para ¡empresas que se encontram em situação distinta. A empresa foi cientificada da decisão acima, conforme o Aviso de Recebimento (AR, fl.68), de 28/01/2010 (5a.feira), e, interpôs o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 01/03/2010 (2a feira), fls.69/82, com os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade em sede de primeira instância, acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. Finalmente requer que a exclusão do SIMPLES se opere tão somente a partir da ciência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DICAT/DERAT/SPO N° 26, de 06 de julho de 2005, a qual se deu no dia 20 de julho e 2005, afastandose por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Verificase da Representação Fiscal, fl.02, que foi constatado, conforme o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (receita declarada e/ou adicional apurada pela fiscalização), que a recorrente enquadrada na condição de empresa de pequeno porte, auferiu, no decorrer do ano calendário de 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para ingressar no Simples no valor de R$ 1.988.927,71. Conforme relatado, tanto na manifestação de inconformidade apresentada em sede de primeira instância, quanto na peça recursal, o contribuinte se insurge contra a retroatividade dos efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 26, de 06, de 2005, para o ano calendário de 2004. A Recorrente não nega que tenha auferido, no anocalendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no regime do Simples, no valor de R$ 1.988.927,71, portanto, ultrapassado o limite legal de R$ 1.200.000,00,e que, incorreu na vedação à opção pelo Simples, disposta no inciso II do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. No entanto, discorda que os efeitos da exclusão possam retroagir ao ano calendário de 2004 mas, tão somente a partir, da ciência do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DICAT/DERAT/SPO N° 26, de 06 de julho de 2005, a qual se deu no dia 20 de julho e 2005, no que afastaria por completo sua retroatividade para o ano calendário de 2004. É inegável que a recorrente auferiu, no ano calendário 2003, receita bruta excedente ao limite estabelecido em lei para permanecer no regime em questão, no valor de R$ 1.200.000,00 sendo cabível sua exclusão da sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2004, com fulcro na Lei n°9.317, de 05/12/1996, que assim dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória no 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória no 275, de 2005) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei no 11.307, de 2006) (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Destaquei) Desse modo, ainda, que constatada a situação excludente, prevista no inciso IV do artigo 9º, referente ao ano calendário de 2003, e, expedido o Ato Declaratório somente em 2005, os efeitos da exclusão retroagem ao tempo em que incorrida tal situação excludente, surtindo os efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido na Lei 9.317/96, vigente à época do fato gerador da exclusão. Aduz a Recorrente que o procedimento de exclusão fere o direito adquirido e o princípio da anterioridade, na medida em que se determinou fossem os efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES retroativos ao ano calendário já encerrado de 2004. Tratase pois, de respeito ao princípio da legalidade, pois, de acordo com o inciso IV do art. 15 da Lei no 9.317, de 1996, a exclusão do SIMPLES na condição de que trata o presente processo (inciso II do caput do art. 9o da Lei 9.317/96) tem efeito retroativo a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, ou seja, a partir Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19515.001795/200514 Acórdão n.º 180200.897 S1TE02 Fl. 5 9 de 01/01/2004, e, não a partir de 20 de julho e 2005, data da ciência do Ato Declaratório como pretende a recorrente. Assim, ultrapassado o limite em 2003, indubitavelmente a exclusão darseá em 01/01/2004. Insiste a Recorrente que o art. 15 da Lei 9.317/96 padece de inconstitucionalidade, pois, retroagindo o Ato Declaratório de exclusão do Simples, cientificado ao contribuinte em 2005, fere o princípio da irretroatividade da lei tributária, previsto no art. 150, inciso III, alínea "a", bem como contradiz normas, hierarquicamente superiores e viola o princípio da isonomia. No que tange a alegada ofensa da lei à carta constitucional, não cabe aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicar a lei dita ofensiva, encontrando óbice, inclusive, na Súmula nº 2 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, consolidada no Anexo III da Portaria nº 106 de 21/12/2009, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 22/12/2009, verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 29/05/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13603.721065/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que examinou o mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-09-07T03:00:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-09-07T03:00:52Z; Last-Modified: 2017-09-07T03:00:52Z; dcterms:modified: 2017-09-07T03:00:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:90d1e270-2c34-4969-a367-34f80562c9fa; Last-Save-Date: 2017-09-07T03:00:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-09-07T03:00:52Z; meta:save-date: 2017-09-07T03:00:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-09-07T03:00:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-09-07T03:00:52Z; created: 2017-09-07T03:00:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; Creation-Date: 2017-09-07T03:00:52Z; pdf:charsPerPage: 1285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-09-07T03:00:52Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 25.317 1 25.316 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721065/201459 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.285 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2017 Assunto contribuição previdenciária Recorrente TOSHIBA AMERICA DO SUL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, que examinou o mérito do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira – Presidente e Redator designado. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 06 5/ 20 14 -5 9 Fl. 25317DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.318 2 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls.25.250/25.303) interposto pelo contribuinte contra a R. decisão da DRJCGE (fls. 25.155/25.215) que julgou procedente em parte sua Impugnação ao lançamento dos Autos de Infração — DEBCAD n° 51.036.6872, 51.036.6880 e 51.036.6899, lavrado em face da empresa acima identificada referente referentes às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, segurados empregados e contribuintes individuais para a SEGURIDADE SOCIAL incidentes sobre as remunerações pagas a estes segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP de acordo com relatório fiscal de fls. (49/58). 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 610/612) por sua precisão e clareza: “Os lançamentos dos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.036.6872, 51.036.6880 e 51.036.6899, fls. 03 a 41, onde constam nestes os DD – DISCRIMINATIVOS DOS DÉBITOS, RADA – RELATÓRIOS DE APROPRIAÇÕES DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e os FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DOS DÉBITOS. Os lançamentos dos Autos de Infração foram consolidados em 06/06/2014, com valores totais, fls. 02. Na impugnação de fls 205 a 261, 16107 a 16133 e 19895 a 19920, a sociedade empresária e os sujeitos passivos solidários alegam, em síntese, que: DA PRELIMINAR. DA IRREGULARIDADE DOS ATOS FISCALIZATÓRIOS ANTERIORES AOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA INTEMPESTIVIDADE DA EMISSÃO DE TERMO QUE PRORROGOU O PROCEDIMENTO INICIADO. Segundo o artigo 33, inciso I, parágrafo 3º, do Decreto nº 7.574/2011, prevê que os termos de intimação valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período contado a partir do término, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, desde que lavrado e cientificado ao sujeito passivo dentro do prazo anterior, assim, o Fl. 25318DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.319 3 Termo de Intimação Fiscal nº 03 não foi lavrado e nem cientificado o contribuinte no prazo acima, portanto todos os atos produzidos pela fiscalização a partir desse termo devem ser anulados; DA EXCLUSÃO DA SEGUNDA IMPUGNANTE DO ROL DE SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. Conforme explicitado no item IV desta impugnação, a sociedade empresária Toshiba do Brasil S/A é distinta do sujeito passivo deste lançamento e quanto à sociedade empresária Toshiba sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda foi incorporada pelo sujeito passivo deste lançamento; Pelos fundamentos legais e jurisprudências administrativas de fls. 215 a 217. não há como responsabilizar solidariamente as sociedades empresárias Toshiba do Brasil S/A e Toshiba sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda, portanto devem ser excluídas como sujeitos passivos solidários; DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE EM RELAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DE RESPONSABILIDADE DO SEU ESTABELECIMENTO FILIAL INSCRITO NO CNPJ Nº 08.870.769/000504 E DA NULIDADE PARCIAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Não há como responsabilizar o sujeito passivo deste lançamento em relação aos créditos previdenciários da filial CNPJ Nº 08.870.769/000504, pois esta é um estabelecimento autônomo do estabelecimento da matriz, conforme os fundamentos legais e jurisprudenciais de fls. 217 a 222; DA INOBSERVÂNCIA PELA DRF/CONTAGEM DO PROPÓSITO DA DILIGÊNCIA DETERMINADA PELA DRJ/CGE E DA FRAGILIDADE DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PRODUZIDO. Não foi obsevado pela Autoridade Lançadora a INCORPORAÇÃO da TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA – CNPJ 78.230.182/0001/84 pela TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMERICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172, ao qual esta incorporou aquela em 03/2011, segundo alterações contratuais anexas as fls. 363 a 400 e Fl. 25319DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.320 4 estabeleceu a incorporada como FILIAL CNPJ 08.870.769/0005 04, segundo os argumentos de fls. 16109 a 16113; Por problemas operacionais não conseguiu em tempo hábil a época da assinatura e do registro dos atos societários relacionados a incorporação, o novo número do CNPJ da filial, assim, manteve as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e as GPS – GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL no CNPJ da incorporada, segundo os argumentos de fls. 16109 a 16113; II.1 DA INCONTESTÁVEL OCORRÊNCIA DA INCORPORAÇÃO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/000184) PELA MANIFESTANTE E DA CONFIRMAÇÃO DESSA OPERAÇÃO PELOS ATOS SOCIETÁRIOS FORMALIZADOS E REGISTRADOS.FL 19897 AS 19907. Pelos argumentos e documentos anexos as impugnações reitera a incorporação TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/0001 84) pela TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMERICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172, além disso, também, apresenta as fls. 19926 a 19933, cópias do CNPJ de que a atividade da filial incorporadora se deu em 31/03/2011, da DIRF exercício 2011 ano calendário 2011 da incorporada com extinção em 01/04/2011, RAIS ANOBASE 2011 com data de encerramento em 31/03/2011 e CAGED da incorporada e da incorporadora. DO DIREITO. DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6872. Os valores declarados na DIRF 2012 foram conforme os RPA – RECIBO DE PAGAMENTO AUTÔNOMO e devidamente contabilizados na conta contábil 201020101 – TRANSITÓRIA SERVIÇOS, portanto não houve a infração que sustenta o lançamento do Auto de Infração DEBCAD Nº 51.036.6872; Fl. 25320DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.321 5 Não é possível o lançamento concomitante de multas isoladas e de ofício sobre uma mesma infração conforme fundamentos de fls. 225 a 227; DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6880. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SALÁRIOS DECONTRIBUIÇÃO PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. DA PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) (DOC 6a) Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuição foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas as competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 232 a 233, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, portanto devem ser excluídos do lançamento; Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, logo o lançamento é improcedente; PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000172 DOC 6a. Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuião foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas as competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 232 a 233, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, NÃO HOUVE Fl. 25321DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.322 6 MANIFESTAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA, portanto devem ser excluídos do lançamento; Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, a Autoridade lançadora manifestou de que são saláriosdecontribuição, segundo a legislação previdenciária, entretanto o impugnante não concorda, conforme os argumentos de fls. 16114 a 16119; ITEM 9 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL. FLS. 19907 A 19910. O impugnante manifesta que os valores insertos na coluna H da planilha 2 referemse a adiantamento de gratificação nas competências 12/2010 e 12/2011 e, não sobre os valores lançados a título de adiantamento nas competências 13/2010 e 13/2011, e, que foram devidamente tributados no mês 12/2010 e 12/2011, conforme os argumentos e demonstrações as fls. 19907 a 19910. ITEM 10 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 2 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante alega que os valores das demais colunas da planilha 2, com exceção da coluna H, de que esses valores referemse as rubricas pagas a título de aviso prévio indenizado, ao qual não incidem a contribuição previdenciária, conforme decisão do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504) (DOC. 6 b). As competências 04 a 07/2011 foram declaradas nas GFIP com CNPJ nº 78.230.182/000184 (incorporada pelo CNPJ 08.870.769/000504 em 31/03/2011, fls. 363/368 e fls. 489 a 512), porque devido ao trâmite da incorporação, conforme GPS e GFIP, doc6b2, fls. 513 a 652 e planilha de fls. Fl. 25322DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.323 7 235, portanto os lançamentos nas competências 04 a 07/2011 não devem prosperar; Em relação as competências 04 a 13/2011 divergências das folhas de pagamento e o MANAD são improcedentes, pois os batimentos deveriam ser entre as folhas de pagamento e as GFIP, porque estes são as bases do MANAD, conforme doc 6b3 (podem ser os anexo II a anexo XIV fls. 652 a 15907); PLANILHA Nº 03 DE RELATÓRIO FISCAL. CNPJ Nº 08.870.769/000504 DOC. 6 b. As competências 04 a 07/2011foram declaradas nas GFIP com CNPJ nº 78.230.182/000184 (incorporada pelo CNPJ 08.870.769/000504 em 31/03/2011, fls. 363/368 e fls. 513 a 651), porque devido ao trâmite da incorporação, conforme GPS e GFIP, doc6b2, fls. 513 a 652 e planilha de fls. 235, portanto os lançamentos nas competências 04 a 07/2011 não devem prosperar, pois a Autoridade Lançadora não considerou a INCORPORAÇÃO, segundo as alegações de fls. 16119 a 16123; ITEM 11 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que as supostas diferenças de bases de cálculo de contribuições previdenciárias insertas nas folhas de pagamento e as declaradas nas GFIP no período de 04 a 13/2011 deramse em razão da fiscalização não considerar as GFIP – CNPJ 78.230.182/000184. Justifica que somente conseguiu executar as suas tarefas com o novo CNPJ 08.870.769/000504 a partir do mês de agosto/2011. O manifestante reconhece o erro procedimental de obrigação acessória, mas reitera que as contribuições previdenciárias foram devidamente declaradas e recolhidas e que a DRFB/CONTAGEM não observou a diligência da DRJ/CGE e a incorporação, pelo não aproveitamento das GFIP e GPS da incorporada. ITEM 11 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PLANILHA Nº 3 DO RELATÓRIO FISCAL. Fl. 25323DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.324 8 O impugnante manifesta que as supostas diferenças de bases de cálculo de contribuições previdenciárias insertas nas folhas de pagamento e as declaradas nas GFIP no período de 04 a 13/2011 deramse em razão da fiscalização não considerar as GFIP – CNPJ 78.230.182/000184. Justifica que somente conseguiu executar as suas tarefas com o novo CNPJ 08.870.769/000504 a partir do mês de agosto/2011. O manifestante reconhece o erro procedimental de obrigação acessória, mas reitera que as contribuições previdenciárias foram devidamente declaradas e recolhidas e que a DRFB/CONTAGEM não observou a a diligência da DRJ/CGE e a incorporação, pelo não aproveitamento das GFIP e GPS da incorporada. PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504 DOC 6C, FLS. 15908 A 15933) Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.6 b3 (podem ser os anexo II a anexo XIV fls. 652 a 15907); PLANILHA Nº 5 DO RELATÓRIO FISCAL. CNPJ Nº 08.870.769/0005 04 DOC 6C, FLS. 15908 A 15933. Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.6 b3 (podem ser os anexo II a anexo XIV fls. 652 a 15907), consoante os argumentos de fls. 16123; PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04) (DOC. 6D). Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 6d, fls. 15934 a 15983 e demonstrativo de fls. 237/238, portanto não são saláriosdecontribuição; Fl. 25324DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.325 9 PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/0005 04 DOC. 6D. Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 6d, fls. 15934 a 15983 e demonstrativo de fls. 237/238, portanto não são saláriosdecontribuição, e, a Autoridade Lançadora considerou parcialmente as notas fiscais de serviços, conforme demonstrativo de fls. 16125, que poderiam ser considerados na sua totalidade ou em montante superior, conforme argumentos de fls. 16126; ITEM 12 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 6 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que não considerou as notas fiscais da incorporada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/000184), logo, a fiscalização não considerou a incorporação, assim, frente ao Princípio da Verdade Material, foi comprovado que os valores pagos aos prestadores de serviço que contratou e que foram utilizados indevidamente pela DRFB/CONTAGEM como base de cálculo das contribuições previdenciárias autuadas. O lançamento não deve prosperar em relação a essa parte. PLANILHA Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04). Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 239, referemse as ajudas de custo em decorrência de mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente; PLANILHA Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000504. Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 239, referemse as ajudas de custo em decorrência de Fl. 25325DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.326 10 mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente, fls. 16126; ITEM 13 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHAS Nº 7 E 8 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta a sua reiteração dos argumentos da impugnação, ressaltando mais uma vez que os valores que compuseram indevidamente o lançamento são oriundos das verbas pagas a título de ajuda de custo para alguns de seus empregados para aquisição de mobiliário em locais de operação, não tendo qualquer relação com verba salarial. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS (PRÓLABORE) DE DIRETORES. PLANILHA Nº 9 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0001 72). Apesar dos pagamentos a titulo de prólabore não constarem nas GFIP, as contribuições incidentes sobre este foram recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 242; PLANILHA Nº 9 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/0001 72. Apesar dos pagamentos a titulo de prólabore não constarem nas GFIP, as contribuições incidentes sobre este foram recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 242, 2448 e doc 3, segundo os argumentos de fls. 16126 a 16128; ITEM 14 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 9 DO RELATÓRIO FISCAL. FLS. 19916. O impugnante alega que os valores pagos ao diretor Koji Muramatsum, em especial, a título de prólabore, os quais lançados em folha de pagamento, não foram declarados em GFIP, todavia as contribuições previdenciárias foram recolhidas, como demonstrado na impugnação. PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000504). Fl. 25326DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.327 11 Os diversos pagamentos a título de prólabore aos diretores da filial de Curitiba foram devidamente lançados nas folhas de pagamentos e não declarados nas GFIP, com exceção ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011, foram devidamente incluídos nas bases de cálculo e recolhidas, conforme os documentos anexados doc.6b2, fls 513 a 651; Em relação ao pagamento ao Sr. Hiroyuki Ota na competência 04/2011 consta na GFIP como empregado celetista e a contribuição previdenciária foi devidamente recolhida; Assim, os lançamentos da PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) é parcialmente procedente em relação ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011; PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000504. FLS. 16128 A 16129 Os diversos pagamentos a título de prólabore aos diretores da filial de Curitiba foram devidamente lançados nas folhas de pagamentos e não declarados nas GFIP, com exceção ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011, foram devidamente incluídos nas bases de cálculo e recolhidas, conforme os documentos anexados doc.6b2, fls 513 a 651; Em relação ao pagamento ao Sr. Hiroyuki Ota na competência 04/2011 consta na GFIP como empregado celetista e a contribuição previdenciária foi devidamente recolhida; Assim, os lançamentos da PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) é parcialmente procedente em relação ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011; ITEM 15 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante já demonstrou que os pagamentos efetuados aos diretores atuantes em sua filial, a título de prólabore foram devidamente incluídos na Fl. 25327DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.328 12 base de cálculo das contribuições previdenciárias e recolhidas à época na incorporada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/0001 84), aos quais não foram consideradas pela fiscalização. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS (AUTÔNOMOS). PLANILHA Nº 12 E 13 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/0005 04). O lançamento nas competências 03/2011 a 06/2011 e 10/2011 referentes aos pagamentos as pessoas físicas foram devidamente informados nas GFIP e as contribuições previdenciárias recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 244 e os documentos anexos doc.5, fls. 401 a 474, portanto o lançamento é improcedente. PLANILHA Nº 12 E 13 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/0005 04. FLS. 16129 O lançamento nas competências 03/2011 a 06/2011 e 10/2011 referentes aos pagamentos as pessoas físicas foram devidamente informados nas GFIP e as contribuições previdenciárias recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 244 e os documentos anexos doc.5, fls. 401 a 474, portanto o lançamento é improcedente. ITEM 17 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PLANILHAS Nº 12 E 13 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que os pagamentos pagos as pessoas naturais (autônomos), aos quais sobre estes pagamentos incidem as contribuições previdenciárias foram declaradas e recolhidas na incorporada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/000184), entretanto, não foram considerados pela fiscalização, pois se referem a outra empresa. DA DIVERGÊNCIA DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELACIONADAS AOS RISCOS AMBIENTAIS DO Fl. 25328DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.329 13 TRABALHOPLANILHAS 24 A 26 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) (CNPJ Nº 08.870.769/000504). Há concordância do impugnante em relação ao lançamento no CNPJ Nº 08.870.769/000172 nas competências 01/2010, 01/2011 e 02/2011, fls. 245; Há discordância dos lançamentos CNPJ Nº 08.870.769/000172 e CNPJ Nº 08.870.769/000504 em relação ao FAP – FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO nas competências do ano de 2010 e 2011, pois o contribuinte aplicou o índice FAP corretamente, conforme argumentos de fls. 245 a 247 e os documentos anexos doc 6e, fls.15984 16013; Em segundo lugar o FAP é inconstitucional, conforme os argumentos de fls. 247 a 252; PLANILHAS 24 A 26 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000172 CNPJ Nº 08.870.769/000504. FLS. 16129 A 16131 Há concordância do impugnante em relação ao lançamento no CNPJ Nº 08.870.769/000172 nas competências 01/2010, 01/2011 e 02/2011, fls. 245; Há discordância dos lançamentos CNPJ Nº 08.870.769/000172 e CNPJ Nº 08.870.769/000504 em relação ao FAP – FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO nas competências do ano de 2010 e 2011, pois o contribuinte aplicou o índice FAP corretamente, conforme argumentos de fls. 245 a 247 e os documentos anexos doc 6e, fls.15984 16013. Há erro conforme o demonstrativo de fls. 16129 e 16130; Em segundo lugar o FAP é inconstitucional, conforme os argumentos de fls. 247 a 252; ITEM 19 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL. PLANILHAS Nº 24 A 26 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante alega que no período de 10/2010 a 12/2012, a fiscalização aplicou o índice do FAP incorretamente, conforme demonstrado as fls. 19918. Fl. 25329DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.330 14 A manifestante reitera todos os argumentos expostos na impugnação e na primeira manifestação pela inconstitucionalidade do FAP, em razão da violação do Princípio da Legalidade. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO – PLANILHA 28. A contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/1991 foi declarada inconstitucional pelo STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, portanto o lançamento é improcedente; PLANILHA 28 DO RELATÓRIO FISCAL, FLS. 16132. A contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/1991 foi declarada inconstitucional pelo STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, portanto o lançamento é improcedente; DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6899. Tendo em vista que este lançamento está diretamente relacionado com o lançamento do AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6880, o impugnante reitera as contestações nos itens acima: DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SALÁRIOSDECONTRIBUIÇÃO PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS (PRÓLABORE) DE DIRETORES. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS (AUTÔNOMOS). DA OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O contestador reitera as contestações já expostas acima e requer a improcedência dos lançamentos em observância ao Princípio da Verdade Material, segundo os argumentos de fls. 255 a 258; Fl. 25330DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.331 15 DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6899. FLS. 16132 Tendo em vista que este lançamento está diretamente relacionado com o lançamento do AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 51.036.6880, o impugnante reitera as contestações nos itens acima: DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SALÁRIOSDECONTRIBUIÇÃO PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS – NÃO DECLARADOS EM GFIP. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS (PRÓLABORE) DE DIRETORES. DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS (AUTÔNOMOS). DO PEDIDO. EM PRELIMINAR. Requer a nulidade dos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.036.6872, 51.036.6880 e 51.036.6899 em razão da intempestividade do Termo de Intimação nº 03; Requer a nulidade dos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.036.6872, 51.036.6880 e 51.036.6899 em razão ilegitimidade passiva da primeira impugnante CNPJ Nº 08.870.769/000172 diante da ausência de responsabilidade pelas obrigações tributárias na filial CNPJ Nº 08.870.769/000504; Requer a exclusão da segunda impugnante Toshiba do Brasil S/A e Toshiba sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda. Requer nova diligência, pois houve inobservância da DRFB/CONTAGEM pelo qual foi determinado pela DRJ, a luz do Princípio da Verdade Material; Requer a procedência da impugnação e cancelamento dos lançamentos. Fl. 25331DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.332 16 seja determinada novamente remessa dos autos a DRFB/CONTAGEM para atender a diligência da DRJ/CGE; requer os cancelamentos dos lançamentos. NO MÉRITO. Requer o cancelamento e insubsistência dos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.036.6872, 51.036.6880 e 51.036.6899. Tendo em vista que o impugnante apresentou várias questões, por razoabilidade, foram solicitadas diligências de fls 16028 a 16036 e 16143 a 16150 junto a Autoridade Lançadora para esclarecimentos. A Autoridade Lançadora por meio dos Termos de Informação Fiscal de fls. 16041 a 16052 e 18023 a 18032, esclareceu as questões divergentes apontadas nos pedidos de diligências. O impugnante devidamente cientificado dos Termos de Informação Fiscal de fls. 16041 a 16052 e 18023 a 18032 manifestou as fls. 16107 a 16133 e 19895 a 19920. 3 A decisão da DRJCGE (fls. 25.155/25.215) julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 34 MULTA. DEIXAR A SOCIEDADE EMPRESÁRIA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a sociedade empresária de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições da empresa e o montante das quantias descontadas dos segurados. Fl. 25332DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.333 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. As remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais constantes nos lançamentos contábeis e DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte são saláriosdecontribuição, quando essas remunerações não estão declaradas nas Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP nas formas qualitativas (nome do segurado) e quantitativas (remunerações pagas). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – O contribuinte foi cientificado da decisão de piso (fls. 25.246) em 13/04/2016, e com isso tanto o contribuinte e o responsável tributário interpuseram na mesma peça recursal o recurso voluntário às fls. (25.250/25.303). O responsável solidário foi cientificado às fls. 25.248 em 18/04/2016 da decisão de piso. mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer de forma sucessiva a nulidade do procedimento de fiscalização em vista das prorrogações dos termos de fiscalização, produção de perícia contábil e ao final reforma da r. decisão da DRJ com o cancelamento do auto de infração. 5 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso 6 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminar Fl. 25333DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.334 18 Da Irregularidade dos atos fiscalizatórios 7 Não há nulidade a ser declarada e reconhecida na medida em que não houve cerceamento de defesa e ao contraditório, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. 8 Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. 9 – A respeito do tema trago à colação os seguintes julgados Ac nº 1302 002.090 j. 02/06/17, Ac. nº 1302002.067 j. 25/04/2017 e Ac nº 3302004.019 j. 18/04/2017. Pelo exposto acima, afasto a preliminar de nulidade. Da ilegitimidade passiva do segundo recorrente e da sua exclusão do rol de sujeitos passivos solidários 10 – Nesse ponto entendo com razão a recorrente. 11 A solidariedade apontada pela fiscalização sustentase no art. 30, inciso IX, da Lei nº. 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas (...) omissis IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; 12 – O Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 195 teve como fundamento o item 9 de fls. 56/57 do relatório da fiscalização e assim estabelece como prova para caracterizar a solidariedade passiva da 2ª recorrente Toshiba do Brasil Ltda.: Fl. 25334DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.335 19 “9. Constatação da existência de grupo econômico de fato 9.1) Ao realizar o procedimento de fiscalização do sujeito passivo acima identificado a fiscalização constatou a existência de Grupo Econômico de Fato, pois após exame dos documentos disponibilizados verificase que se está diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Também ficou constatado que a empresa fiscalizada tem como sócia majoritária empresa domiciliada no exterior Toshiba Corporation – CNPJ 05.456.811/000115, que é também sócia da Toshiba Sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda – CNPJ 78.230.182/0001 84 e sócia administradora da Toshiba do Brasil Ltda – CNPJ 61.407.052/000171. 9.2) A fiscalização constatou também o seguir relacionado no que concerne a administração por pessoas físicas das empresas acima relacionadas: 2.1) Atsushi Masuda – CPF 011.565.91961 é sócio administrador do sujeito passivo fiscalizado e da Toshiba Sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda; 2.2) Katsuyuki Sanemasu – CPF 011.581.10952 é administrador do sujeito passivo fiscalizado e administrador da Toshiba Sistemas de Transmissão e Distribuição do Brasil Ltda; 2.3) Tadashi Kono – CPF 012.612.71904 é administrador da empresa fiscalizada e da empresa Toshiba do Brasil Ltda; 2.4) Satoshi Kawada – CPF 235.893.49840 é administrador da empresa fiscalizada e da empresa Toshiba do Brasil Ltda. 9.3) A seguir a fiscalização informa os endereços das pessoas físicas e jurídicas acima relacionadas, conforme cadastro da Receita Federal do Brasil: 3.1 – Atsushi Masuda – Av. Paulista, 2313 – 7º andar Bairro Bela Vista – São Paulo – SP – CEP: 01311300; 3.2 – Katsuyuki Sanemasu – Av. Paulista, 2313 – 7º andar – bairro Bela Vista – São Paulo – SP – CEP: 01311300; 3.3 – Tadashi Kono – Estrada Velha do Barigui, 10511 – Bairro Cidade Industrial – CEP: 81450020 Curitiba – Paraná; 3.4 – Satoshi Kawada Av. Paulista, 2313 – 7º andar Bairro Bela Vista – São Paulo – SP – CEP: 01311300; 3.5 Toshiba Corporation – 11 – Shibaura 1 – Chome S/N – bairro Minatoku – Japão; 3.6 – Toshiba 9.4) Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o Fl. 25335DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.336 20 controle ou a administração de uma delas ou quando se está diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Grupos econômicos de fato são resultado de decisões legítimas de seu controladores, que, não pretendendo dar à sua organização as características do “grupo de sociedade” da Lei 6.404, de 15/12/1976, promovem a constituição de empresas, interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Neste caso, ainda que “de fato”, o grupo econômico assume pública e ostensivamente a sua condição de “grupo”. Assim resta comprovado o afirmado no item 1 acima, ou seja, a existência de uma organização de empresas, interligadas entre si e controladas diretamente ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, constituindo um GRUPO ECONÔMICO DE FATO.” 13 – A meu ver, por mais que tenha indicado no TSPS de fls. 195 o artigo 124 do CTN, a fiscalização caracterizou a solidariedade de forma genérica e sem indicar com precisão de detalhes e comprovação de fatos de como as empresas ora sócias da contribuinte, no caso, se beneficiaram de alguma forma ou transgrediram as normas legais indicadas na fiscalização. 14 – Ao que parece a segunda recorrente apenas foi indicada no TSPS de fls. 195 pelo simples fato de ser sócia da contribuinte principal. 15 – Contudo, a meu ver tratandose de empresas distintas, com personalidades jurídicas próprias, sem qualquer relação de coordenação ou cooperação, essa alegação, isoladamente, é insuficiente para demonstrar a caracterização do grupo econômico. 16 Nesse sentido é o entendimento pacificado, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho a respeito do tema sobre grupo econômico nas relações do trabalho: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. ART. 2º, § 2º, DA CLT. EXISTÊNCIA DE SÓCIOS EM COMUM. A interpretação do art. 2º, § 2º, da CLT conduz à conclusão de que, para a configuração de grupo econômico, Fl. 25336DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.337 21 não basta a mera situação de coordenação entre as empresas. É necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre as outras. O simples fato de haver sócios em comum não implica por si só o reconhecimento do grupo econômico. No caso, não há elementos fáticos que comprovem a existência de hierarquia ou de laços de direção entre as reclamadas que autorize a responsabilidade solidária. Recurso de Embargos conhecido por divergência jurisprudencial e desprovido. (TST – RR – 2149409.2006.5.02.0472, Relator: Horácio Raymundo de Senna Pires. Acórdão publicado em: 15/08/2014) GRUPO ECONÔMICO. ALEGAÇÃO DE ÚNICO SÓCIO EM COMUM ENTRE EMPRESAS. AUSÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS QUE DEMONSTREM O LIAME DE DIREÇÃO UNITÁRIA. INEXISTÊNCIA. O grupo econômico é caracterizado pela direção unitária que lhe dá coesão como um único empreendimento, independentemente das personalidades distintas de seus componentes (CLT, art. 2º, parágrafo 2º). A existência de um único sócio em comum entre empresas, sem outros elementos que comprovem tal unidade de direção, não caracteriza grupo econômico. (TRT2 AP: 02613005119985020039, Relator: RAFAEL EDSON PUGLIESE RIBEIRO, Data de Julgamento: 21/10/2014, 6ª TURMA, Data de Publicação: 29/10/2014) 17 – O fato da fiscalização ter reconhecido como grupo econômico entre empresas com a mera alegação de sócio em comum entre ambas, além de violar literalmente o texto do art. 30, IX e 124, I e II do CTN, afrontando inclusive o princípio constitucional da livre iniciativa, pois restringe, de certo modo, o indivíduo com participação societária em empresa, de constituir nova sociedade ou ingressar em sociedade diversa daquela, tendo em vista o risco da responsabilização solidária entre ambas, ainda que ausentes os requisitos previstos na legislação trabalhista e até mesmo tributária, quais sejam, unicidade de direção, controle ou administração. 18 Entendo que o art. 30, IX da Lei 8.212/91 deve ser aplicado em conjunto com o artigo 124, I ou II do CTN conforme o caso e devidamente comprovado a relação do Fl. 25337DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.338 22 artigo 124 ao caso concreto, aos casos em que lançadas as contribuições previdenciárias e, naquelas situações específicas, verificase a existência de uma ou mais empresas que, ante a constatação fática, formem grupo econômico e, primordialmente, se beneficiem da situação ensejadora do lançamento. 19 – Não fosse assim, com a aplicação apenas de forma isolada do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 estaríamos próximos do caso julgado pelo E. STF, com as devidas ressalvas, do RE 562.276 com repercussão geral reconhecida julgado em 03/11/2010 sobre o art. 13 da Lei 8.620/93 revogada inclusive pela Lei 11.941/09 que dizia; Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 20 Neste sentido, inclusive, é a jurisprudência sedimentada do E. STJ em sua 1ª Seção, a respeito da matéria, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. Fl. 25338DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.339 23 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (EREsp 834.044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) 21 Assim, diante das razões acima, dou provimento ao recurso voluntário nesse ponto para afastar a solidariedade passiva indicada no TSPS de fls. 195 da 2ª recorrente Toshiba do Brasil Ltda. Da ilegitimidade passiva da primeira recorrente em relação aos créditos tributários do estabelecimento filial CNPJ 08.870.769/000504 e nulidade parcial dos AI. 22 – Nesse ponto sem razão a recorrente, tomo como razões de decidir os mesmos termos indicados na r. decisão da DRJ a respeito do tema: “Atentese, que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz, e, por questão da política administrativa tributária para facilitar a fiscalização. Devese lembrar que o ativo do patrimônio social da sociedade empresária é único, logo a criação de filiais, não afasta a responsabilidade da matriz, pois quem tem o bônus, também, deve arcar com o ônus.” 23 – A respeito do assunto tratando da responsabilidade do contribuinte em relação a débitos entre matriz e filial as razões de decidir em recurso repetitivo do E. STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. Fl. 25339DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.340 24 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual "o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei". 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídicotributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. Fl. 25340DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.341 25 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (REsp 1355812/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013) 24 – A Lei 8.212/91 em seu artigo 32 estabelece as obrigações da empresa, relacionado aos fatos geradores previdenciários, não criando distinção entre matriz e filial: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Fl. 25341DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.342 26 IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; 25 – Logo, entendo descabida as razões recursais da contribuinte afastando esse item na forma da fundamentação acima. Da ocorrência de incorporação de fato e de direito da sociedade empresária Toshiba Sistemas de Distribuição pela primeira recorrente. 26 Esse tópico foi reconhecido pela DRJ quanto à incorporação da empresa que havia sido indicada no termo de sujeição passiva solidária (TSPS) e, portanto excluída do polo passivo conforme consta da decisão da DRJ às fls. 25.171: “Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 02 fls. 47 e 48, caracterizando a sociedade empresária TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA – CNPJ 78.230.182/0001/84 como sujeito passivo solidário referente aos lançamentos deste processo, não é possível, pois essa empresa, em tese, foi incorporada pela sociedade empresária, sujeito passivo principal, TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMERICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172. Logo, a sociedade empresária TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA – CNPJ 78.230.182/0001/84, por ser incorporada, não mais existe, em tese, de forma que o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 02 fls. 47 e 48 é improcedente.” Grifamos 27 Logo, nesse ponto nada a se manifestar a respeito em vista do reconhecimento pela DRJ nesse ponto, não havendo interesse recursal da contribuinte nesse aspecto. 28 – Contudo em relação a questão da incorporação de fato e de direito, vale mencionar que o contribuinte reconhece que diversas obrigações acessórias foram deixadas de Fl. 25342DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.343 27 ser entregues ao Fisco e portanto, tenta se beneficiar da sua própria torpeza a fim de compensar eventuais contribuições da incorporada transformada em filial. 29 – Entendo que esse assunto foi devidamente conduzido pela decisão de piso ao decidir: Fl. 25343DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.344 28 Fl. 25344DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.345 29 30 – Tal formalismo é exigido a fim de assegurar as declarações de todos os segurados obrigatórios e evitar possíveis fraudes. Portanto, sabedora da existência das disposições normativas acerca do assunto, caberia ao contribuinte se preparar para cumprir Fl. 25345DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.346 30 com tais obrigações e não transferir o ônus de problemas internos a terceiros. Portanto, nesse ponto afasto os argumentos recursais. DO MÉRITO Do AI DEBCAD 51.036.6872 31 – Nesse tópico, também entendo que não cabe razão ao recorrente e faço minhas as razões apresentadas pela decisão de piso. “Certificase que o fundamento do Auto de DEBCAD Nº 51.036.6872 é em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, ao qual o contribuinte deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, artigo 32, inciso II, combinado com o artigo 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Os documentos acostados pelo impugnante as fls. 401 a 469 não comprovam que houve lançamentos mensais em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada dos fatos geradores apontados pela Autoridade Lançadora na planilhas 12 e 13. Quanto à alegação de que não é possível a aplicação da multa isolada com a multa de ofício, está prejudicada, pois este lançamento decorre da aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória e não há aplicação da multa de ofício.” 32 – Nesse ponto, portanto, mantenho a autuação. Do AI DEBCAD 51.036.6880 Questionamento sobre a Planilha nº 2 do Relatório Fiscal 33 – Quanto a esse ponto alega o contribuinte de acordo com relatório: “Quantos as outras bases de cálculo da planilha nº 2 do Relatório Fiscal são valores referentes aos pagamentos de avisos prévios indenizados, aos quais Fl. 25346DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.347 31 estes têm natureza indenizatória, conforme os fundamentos de fls. 228 a 232 e cópia da decisão judicial em anexo doc.6a1, fls. 475 a 483, logo o lançamento é improcedente;” 34 – Nesse ponto entendo que cabe razão ao contribuinte, pois de acordo com art. 62, § 1º, II, “b” e §2º do RICARF é possível afastar o crédito tributário quando reconhecido através da sistemática do antigo art. 543B do CPC decisão definitivas de mérito do E.STJ nesse sentido, Tema 478 verbis: EMENTA [...]2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). Fl. 25347DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.348 32 A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. [...]3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957 RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 26/02/2014, DJE 18/03/2014) 35 – No caso aplicando a decisão acima indicada dou provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto para afastar o lançamento sobre as diferenças encontradas pela fiscalização em relação ao pagamento do aviso prévio indenizado. 36 – Prosseguindo nesse mesmo item indica o contribuinte conforme relatório o questionamento de mais dois itens sobre a planilha nº 02 do DEBCAD 51.036.6880: “Da planilha nº 2 do Relatório Fiscal, o contribuinte contesta as competências 13/2010 e 13/2011 coluna H – BC NÃO DECLARADA EM GFIP, que estes saláriosdecontribuição foram informados corretamente nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP relativas às competências 12/2010 e 12/2011, conforme demonstrativo de fls. 232 a 233, pois se tratam de adiantamentos de gratificação pagas aos segurados empregados nas competências 12/2010 e 12/2011, portanto devem ser excluídos do lançamento;” “O impugnante manifesta que os valores insertos na coluna H da planilha 2 referemse a adiantamento de gratificação nas competências 12/2010 e Fl. 25348DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.349 33 12/2011 e, não sobre os valores lançados a título de adiantamento nas competências 13/2010 e 13/2011, e, que foram devidamente tributados no mês 12/2010 e 12/2011, conforme os argumentos e demonstrações as fls. 19907 a 19910.” 37 – A respeito desses itens entendo que não merece reforma a decisão da DRJ que a meu ver analisou os documentos e os argumentos trazidos pela recorrente, sendo que adoto como razão de decidir nesse ponto os fundamentos da decisão do julgador de piso: “Em relação a manifestação do impugnante que os valores insertos na coluna H da planilha dois referemse a adiantamento de gratificação nas competências 12/2010 e 12/2011 e, não sobre os valores lançados a título de adiantamento nas competências 13/2010 e 13/2011, e, que foram devidamente tributados no mês 12/2010 e 12/2011, conforme os argumentos e demonstrações as fls. 19907 a 19910. Lembrase que as declarações das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP é um ato privativo do contribuinte, pois as declarações são de sua inteira responsabilidade, segundo o MANUAL DA GFIP/SEFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 8.4, in verbis: 1.2 – Retificação de informações As informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP, conforme estabelecido no Capítulo V deste Manual. Os fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de novo arquivo NRA.SFP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações. Para a retificação de informações, observar as orientações sobre chave de GFIP/SEFIP e modalidades, nos subitens 7.1 e 7.2. NOTA: No movimento com retificação de informações, será gerada uma GPS – Guia da Previdência Social com base na totalidade dos fatos geradores e demais Fl. 25349DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.350 34 informações. Caso tenham sido recolhidos anteriormente valores devidos à Previdência, no todo ou em parte, esta GPS não deverá ser utilizada. 2 QUEM DEVE RECOLHER E INFORMAR Devem recolher e informar a GFIP/SEFIP as pessoas físicas ou jurídicas e os contribuintes equiparados à empresa sujeitos ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a Lei nº 8.036, de 11/05/1990, e legislação posterior, bem como à prestação de informações à Previdência Social, conforme disposto na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, e alterações posteriores. Ainda que não haja recolhimento para o FGTS, é necessária a informação de todos os dados cadastrais e financeiros para a Previdência Social e para o FGTS. É facultado ao empregador doméstico recolher FGTS para o seu empregado. No entanto, ao decidir fazêlo, não poderá interromper o recolhimento, salvo se houver rescisão contratual. Caso não haja o recolhimento para o FGTS, o empregador doméstico fica dispensado da entrega da GFIP/SEFIP apenas com informações declaratórias. A prestação das informações, a transmissão do arquivo NRA.SFP, bem como os recolhimentos para o FGTS são de inteira responsabilidade do empregador/contribuinte. Constatase que a Autoridade Lançadora efetuou os cruzamentos das folhas de pagamentos com as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, e, em regra estas são os espelhos daquelas, a não ser que houvesse comando de não incidência de contribuições previdenciárias sobre rubricas que têm incidências. A Autoridade Lançadora constatou diferenças desses cruzamentos nas competências 13/2010 e 13/2011. A alegação do impugnante de que essas diferenças referemse ao adiantamento de gratificação nas competências 12/2010 e 12/2011 e, não Fl. 25350DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.351 35 sobre os valores lançados a título de adiantamento nas competências 13/2010 e 13/2011, e, que foram devidamente tributados no mês 12/2010 e 12/2011, não tem lógica, pois, em regra quando há o comando de adiantamento o sistema não calcula a contribuição previdenciária, somente incidindo na competência devida. Apreciando os documentos de fls. 19938 a 19958 verificase que as gratificações aludem ao evento 559 – GRATIFICAÇÃO ÚNICA/ESPECIAL, que foram pagas em 12/2010 e 12/2011. Conseqüentemente, em razão dessas gratificações pagas nos meses 12/2010 e 12/2011, também, estas repercutem nos meses 13/2010 e 13/2011, conforme a Súmula nº 253, do Tribunal Superior do Trabalho, in verbis: Súmula nº 253 do TST GRATIFICAÇÃO SEMESTRAL. REPERCUSSÕES (nova redação) Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A gratificação semestral não repercute no cálculo das horas extras, das férias e do aviso prévio, ainda que indenizados. Repercute, contudo, pelo seu duodécimo na indenização por antigüidade e na gratificação natalina. Assim, a alegação do impugnante não procede, pois se constata que as gratificações devem integrar as gratificações natalinas dos empregados, conseqüentemente, também há incidências de contribuições previdenciárias nos meses 13/2010 e 13/2011, como se depreende do lançamento. De forma que, somente, pelos argumentos e documentos trazidos pelo impugnante não comprovam que as contribuições previdenciárias já foram pagas nos meses de 12/2010 e 12/2011, pois há reflexos das gratificações pagas nos meses 13/2010 e 13/2011, conforme o lançamento. O impugnante deveria ter apresentado especificadamente competência por competência o valor total da folha de pagamento X GFIP X valor total da folha de pagamento contabilizado X os recolhimentos apropriados, por meio de documentos idôneos, pois o ônus probatório é de quem alega, consoante os Fl. 25351DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.352 36 artigos 28 e 57, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, in verbis: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Assim, como o impugnante não trouxe provas de suas alegações, não há como acolher os argumentos de sua impugnação.” 38 – De acordo com o acima exposto, portanto, nego provimento ao recurso nesse item. Planilha nº 3 do Relatório Fiscal CNPJ da Incorporada 39 – Nesse item, alega o contribuinte de acordo com relatório: “O impugnante manifesta que as supostas diferenças de bases de cálculo de contribuições previdenciárias insertas nas folhas de pagamento e as declaradas nas GFIP no período de 04 a 13/2011 deramse em razão da fiscalização não consideradar as GFIP CNPJ 78.230.182/000184. Fl. 25352DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.353 37 Justifica que somente conseguiu executar as suas tarefas com o novo CNPJ 08.870.769/000504 a partir do mês de agosto/2011. O manifestante reconhece o erro procedimental de obrigação acessória, mas reitera que as contribuições previdenciárias foram devidamente declaradas e recolhidas e que a DRFB/CONTAGEM não observou a diligência da DRJ/CGE e a incorporação, pelo não aproveitamento das GFIP e GPS da incorporada.” 40 Após análise entendo que não merece reparos a decisão de piso, que adoto seus fundamentos como razão de decidir: “Assim, pelo Princípio da Verdade Material, aferese que não houve a incorporação de Direito, todavia, a incorporação de fato não foi na data alegada pelo impugnante, mas deve ter ocorrido antes do procedimento fiscal. De forma que a Autoridade Lançadora ante a situação de fato não considerou os documentos relacionados à sociedade empresária TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA CNPJ Nº 78.230.182/000184, visto que não houve a incorporação de Direito, em razão da baixa da incorporada indeferida. Certificase que o contribuinte antes do procedimento fiscal alterou a RAIS e o CAGED, conforme as cópias destes documentos as fls. 19905, assim, deduz se que a partir dessas alterações o impugnante já tinha o CNPJ da filial da incorporadora que incorporou a sociedade empresária TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA CNPJ Nº 78.230.182/000184. (...) Omissis Em virtude disso não procede a alegação de que por problemas operacionais não conseguiu em tempo hábil a época da assinatura e do registro dos atos societários relacionados à incorporação, o novo número do CNPJ da filial, assim, manteve as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP e as GPS – GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL no CNPJ da incorporada. Fl. 25353DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.354 38 O contribuinte deveria ter retificado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP que foram declaradas em nome da TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA – CNPJ Nº 78.230.182/000184, porquanto estas têm caracteres de declaração e confissão de dívida, e, também vinculam as folhas de pagamento e os recolhimentos GPS – GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ao CNPJ , como se depreende do artigo 225, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que regulamento a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, in verbis: (...) Omissis A alteração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP é um ato privativo do contribuinte, pois as declarações são de sua inteira responsabilidade, segundo o MANUAL DA GFIP/SEFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 8.4, in verbis: (...) Omissis De sorte que o contribuinte deveria ter feito a alteração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, segundo o subitem 4.9, do item 4 – MOVIMENTO DE TRABALHADOR, do MANUAL DA GFIP/SEFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 8.4, in verbis: (...) Omissis Após a retificação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, o contribuinte, em ato contínuo, deveria ter requerido junto a DRFCURITIBA para que fossem confirmados as transferências de empregado da incorporada para a incorporadora e, também, que os recolhimentos das GPS – GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL em nome da TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA CNPJ Nº 78.230.182/000184 sejam vinculados a TOSHIBA INFRAESTRUTURA AMERICA DO SUL LTDA 08.870.769/000172. Certificase que a fiscalização, segundo o relatório fiscal de fls. 49 a 130, que as diferenças apuradas constantes na planilha nº 3 referese as folhas de pagamento de salários estabelecimento CNPJ 08.870.769/000172 e 08.870.769/000504, confrontadas com as Guias de Recolhimento do Fundo Fl. 25354DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.355 39 de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP do estabelecimento CNPJ 08.870.769/000172 e 08.870.769/000504, constantes no banco de dados da Receita Federal do Brasil. Por conseguinte, todo documento que não seja do estabelecimento CNPJ 08.870.769/000172 e 08.870.769/000504 não pode ser considerados, pois a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP tem caráter declaratório e vincula a folha de pagamento ao estabelecimento – CNPJ, como também, vincula a GPS – Guia da Previdência Social ao CNPJ. Assim, se o impugnante não alterar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP, consoante o exposto acima, não há como acolher as suas alegações. 41 – Por sorte que, mesmo havendo o reconhecimento anterior da incorporação pela legislação societária, para fins tributários relacionados à obrigação acessória e formalização das declarações que constituem o crédito tributário há a necessidade de seguir a legislação de regência com o fito de manter a Administração Tributária a par dos fatos jurídicos que estão ocorrendo e evitar eventuais fraudes quando da ocorrência dessas mudanças societárias. 42 – Foi o que ocorreu no caso em concreto quando diz a decisão de piso, verbis: “Certificase que a Autoridade Lançadora, analisando os documentos, conforme solicitação da diligência de fls. 16143 a 16150, constatou que não houve a incorporação de Direito a partir de 31/03/2011. Segundo, o cadastro da sociedade empresária TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA CNPJ Nº 78.230.182/000184, cópia fls. 18042 a 18056, verificou que o CNPJ está com a situação SUSPENSA e a solicitação de baixa indeferida, conseqüentemente, a incorporação não ocorreu em conformidade com os artigos 47 e 48, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 25355DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.356 40 Além disso, foi constatado, que notas fiscais de prestadores de serviços em nome da TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA CNPJ Nº 78.230.182/000184 e transferências para esta foram efetuadas após a data de incorporação alegada pelo impugnante.” 43 – Portanto, nego provimento ao recurso nesse tópico. Planilhas nº 5 a 8 do CNPJ da incorporada 44 – Segue alegações da recorrente quanto a esses tópicos em sua sequência: “Os Rateios Diversos – Horas – Jean Carlo Prezepiorski, nas competências 03/2011 a 09/2011 referemse a simples rateio de despesas conta contábil, portanto não são remunerações, conforme os documentos anexados doc.6 b3 (podem ser os anexo II a anexo XIV fls. 652 a 15907), consoante os argumentos de fls. 16123;” 45 – Após análise dos argumentos da recorrente e decisão da DRJ nego provimento nesse tópico e o faço com as mesmas razões de decidir do julgador de piso que segue: Fl. 25356DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.357 41 46 – Portanto, nego provimento ao recurso nesse tópico. Fl. 25357DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.358 42 47 – Segue os pontos controvertidos nesse tópico da planilha nº 06: “Os lançamentos do levantamento Mãodeobra especializada são pagamentos efetuados as pessoas jurídicas, conforme doc. 6d, fls. 15934 a 15983 e demonstrativo de fls. 237/238, portanto não são saláriosde contribuição, e, a Autoridade Lançadora considerou parcialmente as notas fiscais de serviços, conforme demonstrativo de fls. 16125, que poderiam ser considerados na sua totalidade ou em montante superior, conforme argumentos de fls. 16126;” 48 – Nesse ponto o julgador de piso manteve o reconhecimento da incorporação apenas de fato mas não de direito conforme exposto anteriormente e manteve em parte o crédito tributário que já analisado pela autoridade lançadora havia retificado o lançamento em uma parte. 49 – Contudo, apesar das razões do recorrente entendo que melhor sorte não lhe assiste, devendo ser mantido esse ponto do lançamento conforme fundamentos da decisão da DRJ, verbis: Fl. 25358DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.359 43 50 – Pelo exposto nego provimento ao recurso nessa parte também. 51 – De acordo com o relato segue razões recursais quanto as planilhas 07 e 08: “Na competência 05/2011 lançamento Plano de Incentivo mobiliário, demonstrativo de fls. 239, referemse as ajudas de custo em decorrência de mudança de local de trabalho, portanto não são saláriosdecontribuição, logo o lançamento é improcedente, fls. 16126;” 52 – Mais uma vez considero como acertados os fundamentos da decisão de piso e me reporto aos mesmos como razões de decidir em vista de sua precisão e justificativa para a resolução do caso e nego provimento a esse tópico do recurso: Fl. 25359DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.360 44 Das contribuições Previdenciárias incidentes sobre os pagamentos (prólabore) de diretores; das contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos de pessoas físicas (autônomos) Planilhas de 9 a 13. 53 – Após análise do apelo da contribuinte quanto aos itens acima indicados e das razões da decisão de piso, entendo sem razão a recorrente nesses pontos também. PLANILHA Nº 9 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000172. Fl. 25360DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.361 45 Apesar dos pagamentos a titulo de prólabore não constarem nas GFIP, as contribuições incidentes sobre este foram recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 242, 2448 e doc 3, segundo os argumentos de fls. 16126 a 16128; PLANILHA Nº 9 DO RELATÓRIO FISCAL. FLS. 19916. O impugnante alega que os valores pagos ao diretor Koji Muramatsu, em especial, a título de prólabore, os quais lançados em folha de pagamento, não foram declarados em GFIP, todavia as contribuições previdenciárias foram recolhidas, como demonstrado na impugnação. PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/0005 04. FLS. 16128 A 16129 Os diversos pagamentos a título de prólabore aos diretores da filial de Curitiba foram devidamente lançados nas folhas de pagamentos e não declarados nas GFIP, com exceção ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011, foram devidamente incluídos nas bases de cálculo e recolhidas, conforme os documentos anexados doc.6b2, fls 513 a 651; Em relação ao pagamento ao Sr. Hiroyuki Ota na competência 04/2011 consta na GFIP como empregado celetista e a contribuição previdenciária foi devidamente recolhida; Assim, os lançamentos da PLANILHA Nº 10 DO RELATÓRIO FISCAL (CNPJ Nº 08.870.769/000172) é parcialmente procedente em relação ao pagamento efetuados ao Sr. Atsushi Masuda na competência de 10/2011; PLANILHA Nº 12 E 13 DO RELATÓRIO FISCAL CNPJ Nº 08.870.769/000504. FLS. 16129 O lançamento nas competências 03/2011 a 06/2011 e 10/2011 referentes aos pagamentos as pessoas físicas foram devidamente informados nas GFIP e as contribuições previdenciárias recolhidas, conforme o demonstrativo de fls. 244 e os documentos anexos doc.5, fls. 401 a 474, portanto o lançamento é improcedente. Fl. 25361DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.362 46 ITEM 17 DO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL PLANILHAS Nº 12 E 13 DO RELATÓRIO FISCAL. O impugnante manifesta que os pagamentos pagos as pessoas naturais (autônomos), aos quais sobre estes pagamentos incidem as contribuições previdenciárias foram declaradas e recolhidas na incorporada TOSHIBA SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA (CNPJ Nº 78.230.182/0001 84), entretanto, não foram considerados pela fiscalização, pois se referem a outra empresa. 54 – A r. decisão de piso por si só é autoexplicativa e fundamentada e indica o ponto de vista desse relator e portanto faço como minhas as razões de decidir quanto a esses aspectos: Fl. 25362DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.363 47 55 – Decisão quanto a planilha 10: Fl. 25363DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.364 48 Fl. 25364DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.365 49 56 – Quanto as planilhas 11, 12 e 13: Fl. 25365DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.366 50 Da divergência de apuração das contribuições previdenciárias relacionadas aos riscos ambientais do trabalho. 57 – Nesse tópico além de divergências que foram devidamente afastadas pela decisão de piso de forma fundamentada a contribuinte levanta a matéria da inconstitucionalidade de sua incidência do FAP. Fl. 25366DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.367 51 58 – Quanto a esse tópico não conheço do recurso de acordo com Súmula CARF nº 02 que diz: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Das contribuições previdenciárias incidentes sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho 59 – Nesse ponto com razão o contribuinte, pois de acordo com art. 62, § 1º, II, “b” e §2º do RICARF é possível afastar o crédito tributário quando reconhecido através da sistemática do antigo art. 543B e 543C do CPC decisão definitivas de mérito do E.STF nesse sentido, verbis: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento Fl. 25367DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.368 52 da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) 60 – Portanto, nesse tópico dou provimento ao recurso voluntário para exclusão desses valores do lançamento. Do Auto de Infração DEBCAD nº 51.036.6899 61 – Os lançamentos deste DEBCAD são relacionados a parte dos segurados cuja contribuição é incidentes sobre saláriosdecontribuição pagos a segurados que não foram declaradas em GFIP; sobre os valores pagos a prólabore de diretores e pagamentos a pessoas físicas (autônomos) e são reflexos do AI DEBCAD nº 51.036.6880 sendo que o recorrente reiterou os mesmos argumentos relacionados a esses itens no referido DEBCAD e, portanto, como foram afastados essas razões nos termos do voto acima mantenho a autuação deste lançamento na mesma forma e razões de decidir, acima, negando provimento ao recurso nesses tópicos. Conclusão 62 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e afastando as preliminares suscitadas, no mérito dar provimento em parte para excluir da TSPS a segunda recorrente Toshiba do Brasil Ltda.; excluir do lançamento os Fl. 25368DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.369 53 valores a título de aviso prévio indenizado e os valores lançados por serviços prestados por cooperativas. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Em que pese o costumeiro acerto e a fundamentação do voto do ilustre Relator, ouso, com a máxima vênia, dele discordar quanto ao item referente à Planilha nº 3 do Relatório Fiscal (CNPJ nº 08.870.769/00564). Explico. Consta do relatório fiscal produzido em resposta à diligência determinada pelo julgador de piso (fls. 18.028): 11 – Quanto as competências 04 a 07/2011 que teriam sido declaradas em GFIP de outra empresa e que a autuada afirma ter sido incorporada a fiscalização além de reiterar o contido no item a.3 do TIF acima mencionado (fls. 16041 e 16042), reafirma a decisão acima de não considerar por não ser verdadeira a incorporação alegada pela autuada. Assim fica reforçada a argumentação da fiscalização de não caber fazer confronto de valores apurados em folhas de pagamentos de salários de empresa sob fiscalização com valores declarados em GFIP de outra empresa, o que se ocorrido, constituiria não só erro crasso na ação fiscal, mas também infringência à legislação e possibilidade de responsabilização funcional contra a autoridade lançadora. (destaquei) Porém tal fato, a incorporação mencionada, é ponto fundante da defesa quanto a este item da imputação fiscal, posto que a Recorrente alega, desde a impugnação, que houve os pagamentos dos valores devidos de contribuição previdenciária sobre as folhas de pagamento do período de 04 a 07/2011, porém tais pagamentos e informações em GFIP foram realizados pelo CNPJ da empresa incorporada, vez que a regularização da documentação da empresa demorou a ocorrer. Fl. 25369DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.370 54 Como meio de prova de suas alegações anexa ao processo mais de 15.000 páginas de documentos, cópias de suas folhas de pagamento. Aqui o motivo de minha discordância. Há, dentro do presente processo, um verdadeiro embate entre o Fisco e o Recorrente sobre o ônus da comprovação das alegações de ambos. Se por um lado, o Fisco realizou o lançamento por entender que a operação societária alegada não se consubstanciou em face do descumprimento de alguns requisitos, o Recorrente, por outro lado, entende que houve o cumprimento de sua obrigação tributária, embora reconheça que há uma questão formal que deva ser esclarecida, posto que o cumprimento da obrigação se dá por outro estabelecimento. Como meio de prova, anexa um volume gigantesco de documentos que exigem um trabalho minucioso para que possam produzir os resultados esperados pelo Recorrente, trabalho este que – na visão do Fisco – não lhe cabe. A turma recorrida, que em parte anteviu tal situação, determinou diligência com o fito de determinarse a verdade material constante dos autos. O cumprimento de tal diligência, em vez de resolver a situação, acirrou os pontos de argumentação de ambos. Cediço que não cabe à Administração Tributária produzir provas que ensejam a modificação, extinção ou impedimento do direito de crédito tributário, constituído pelo lançamento. Tal produção de prova, no sentido de um documento hábil para que a argumentação da parte, os fatos por ela alegados, seja verificado, é ônus do sujeito passivo. Não obstante, os documentos acostados são, embora em volume que não permita a efetiva comprovação das alegações do contribuinte, indícios veementes da possível veracidade da argumentação trazida pelo Recorrente. Assim, entendo imprescindível nova diligência. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que: i) a Autoridade Preparadora intime o contribuinte para que, querendo, apresente em, no máximo, 30 dias: Fl. 25370DF CARF MF Processo nº 13603.721065/201459 Resolução nº 2201000.285 S2C2T1 Fl. 25.371 55 · os resumos sintéticos das folhas de pagamento do período de 04 a 07/2011 dos estabelecimentos 78.230.182/000184 e 08.870.769/000504; · a comprovação da contabilização das folhas apresentadas, de cada estabelecimento mencionado, por meio do diário e correspondente razão; · a comprovação da entrega das GFIP's respectivas (de forma resumida) e o respectivo recolhimento dos valores das contribuições previdenciárias; · uma planilha demonstrativa da coerência entre os funcionários constantes da folha de pagamento e das GFIPS apresentadas, com no máximo 100 segurados por competência, que permita, que por amostragem, se verifique a coerência entre as informações sintéticas apresentadas, mormente quanto ao local de trabalho e remuneração; · outros documentos que entenda ter valor probante de suas alegações, que sempre de forma sintética, possa permitir que a autoridade lançadora verifique a base de cálculo e a regularidade dos recolhimentos efetuados. ii) Após a apresentação dos documentos, que a Autoridade Lançadora realize a verificação da coerência dos documentos apresentados e produza um relatório circunstanciado sobre os fatos geradores ocorridos, a base de cálculo apurada e os recolhimentos efetuados, se abstendo de se pronunciar sobre a operação societária entabulada. iii) Seja dado ciência desse relatório ao contribuinte, para nova manifestação, em 30 dias. iv) Cumprida a diligência, retornem os autos ao CARF. É como voto. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado Fl. 25371DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001360/90-28
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: CSRF/01-00.082
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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RESOLVEM os Membros da Camara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ON PE. ROD UES cV1;itTSIDEXTE WILFREDO GUST UES RELATOR FORMALIZADO EM 2 8 AGO 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, CANDID° RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, MARIA ILCA DE CASTRO LEMOS DINIZ, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10120/001.360/90-28 ça_ RECURSO N° : 201-0.318 RESOLUÇÃO N° : cs RF / 1-0 . 08 2 RECORRENTE : DIVINO MACEDO PINTO CALCADOS S/A RECORRIDA : PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ACÓRDÃO RECORRIDO N° : 201-68.835 INTERESSADA : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO 0 Sr. Procurador da Fazenda Nacional junto à la Câmara do 2° Conselho de Contribuintes recorre da decisão daquele Colegiado, proferida através do Acórdão n° 201-68.835, de 24 de março de 1993, onde por maioria de votos deu se provimento ao recurso de Divino Macedo Pinho Calçados S/A, relativo ao PIS/Faturamento, decorrente da Processo 10120.001354/90-25 que trata do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Exercícios de 1987 e 1988, períodos base de 1986 e 1987. 2. Importante ressaltar que a decisão da autoridade julgadora de 1° Grau assim decidiu: "Contribuição do FINSOCIAL. Decorrência. Exercício(s) financeiro(s) de 1988, período-base de 1987. Ao se decidir de forma exaustiva matéria tributável, no processo matriz, contra a pessoa jurídica, resta abrangido o litígio quanto aos processos decorrentes. Ação Fiscal procedente em parte." 3. 0 Acórdão prolatado pela Primeira Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, que serviu de mo tivo para o Recurso do Procurador da Fazenda Nacional, deu provimento, por maioria de votos, ao recurso do sujeito passivo, tendo a decisão sido assim ementada: "FIN SOC IA L/FATURAMENTO - Declaração de fornecedores que atestam a quitação de obrigações no exercício posterior - Recurso provido." 4. 0 recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional limita-se a transcrever o voto vencido da lavra do Conselheiro Aristófanes Fontoura de Holanda, o qual conclui que "a existência de saldo de caixa suficiente, não ilidiria o indício de omissão de receita representado pelo "passivo fictício" levantado pela fiscalização..." e4( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10120/001.360/90-28 5. 0 processo relativo ao IRPJ, do qual este é recorrente, Recurso n° 100.829, julgado pela la Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recebeu a seguinte ementa: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA MODIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO INICIAL - A modificação do lançamento inicial pela autoridade administrativa, implica na reabertura de prazo, para nova impugnação por parte do sujeito passivo. 6. Como resumo da decisão ficou decidido o seguinte: "Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de supressão de instância, para devolver os autos à repartição de origem, a fim de que a autoridade de primeira instância aprecie o recurso como se impugnação fora, em obediência ao duplo grau de jurisdição. Acórdão 101.83.740" 7. Como informação sobre a tramitação do processo consta que o mesmo encontra-se arquivado desde 27.02.96, na Repartição. o Relatório. erk MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10120/001.360/90-28 f VOTO Conselheiro Wilfrido Augusto Marques - Relator. Verifica-se do relatório que a decisão da autoridade julgadora de Primeiro Grau considerou a matéria discutida nos autos deste processo como decorrente daquela discutida no processo n° 10120.001354/90-25, Recurso n° 100.829, Acórdão n° 101.83740, relativo ao IRPJ, apreciado pela la Camara do Primeiro Conselho de Con tribuintes. 2. Ocorre que a Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do processo em diligência à Repartição de origem, considerando para tanto, que não existe processo principal e processo secundário, solicitando à repartição de origem que nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, esclareça as razões da divergência entre a Decisão de Primeira Instancia e a Informação Fiscal, bem como explicite quais os documentos apresentados pela Autoridade, A. titulo de comprovação dos itens mencionados." 4. Após as informações prestadas pela fiscalização As fls. 72/73, a Primeira Camara do Segundo Conselho julgou o recurso, considerando as referidas informações, não vinculando sua deliberação, e, tampouco, referindo-se a matéria constante dos autos do processo-matriz. Diante dessa divergência quanto a ser ou não este processo decorrente daquele apreciado pela Primeira Camara do Primeiro Conselho, entendo, por cautela, já que o processo matriz encontra-se arquivado desde 27.02.96, ser indispensável ajuntada do chamado "processo-matriz" aos presente processo, para que após sua detida análise, esta Camara Superior de Recurso Fiscais possa, de maneira inequívoca, deliberar. Assim sendo, proponho, preliminarmente, a conversão deste processo em diligencia à Repartição de origem para a providência acima preconizada. Brasilia -DF, 08 de julho de 1996 Wilfrid° ugu Marq es - elator.
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Numero do processo: 16327.000373/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINACEIRAS. OBJETO SOCIAL
As receitas financeiras integrarão a base de cálculo do PIS nos casos em que se constate sua relação com o objeto social da empresa, independentemente de sua classificação contábil.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto na Lei nº 9.718/98, art. 3º, § 1º, declarado inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS as receitas financeiras.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. PIS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINACEIRAS. OBJETO SOCIAL As receitas financeiras integrarão a base de cálculo do PIS nos casos em que se constate sua relação com o objeto social da empresa, independentemente de sua classificação contábil. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 73 /2 00 4- 70 Fl. 1090DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto na Lei nº 9.718/98, art. 3º, § 1º, declarado inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS as receitas financeiras. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16327.000373/200470 Acórdão n.º 3301004.038 S3C3T1 Fl. 1.091 3 Relatório José Henrique Mauri Relator. Tratase de recurso voluntário (fls. 119 a 138) apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão no 1614.309, da 8ª Turma de Julgamento da DRJ / São Paulo I (fls. 98 a 106) cientificado em 17 de julho de 2008, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano calendário: 1999, 2000, 2001 PIS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 15/03/2004, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 04/14) para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 10.085,89 (dez mil e oitenta e cinco reais e oitenta e nove centavos), incluindo os juros de mora e a multa de ofício (75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/1999 a 31/12/2001. A contribuinte tomou ciência da autuação, por via postal, em 26/03/2004, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 32. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. e o lançamento está fundamentado nos artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07/70; art. 3º da Lei nº 9.715/1998; arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.718/1998. 2.1. No Termo de Verificação (fl. 20), o autuante, assim descreve os fatos: Nas funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em trabalho de revisão interna dos dados obtidos nos sistemas da SRF relativas ao contribuinte acima, decorrente da análise e preparo da ação fiscal relativa ao Mandado de Fl. 1092DF CARF MF 4 Procedimento Fiscal 0816600 2003.002644, cuja fiscalização baseada em dados bancários encontrase suspensa em virtude de ação judicial, observamos que o contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras receitas operacionais. Tratandose de receitas operacionais do contribuinte, ambas estão sujeitas à tributação do PIS e da COFINS. Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificase que o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. O lançamento do crédito tributário se faz necessário tendo em vista o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei 5.172/66, facultado ao contribuinte o direito de ampla defesa administrativa, inclusive com a realização de diligências ou perícias e o acesso ao Judiciário. 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu sócio gerente (doc. de fls. 58 a 71), apresentou, em 26/04/2004, a impugnação de fls. 33 a 57. 3.1. Na peça de defesa, a contribuinte, em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela decadência, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro/1999 e fevereiro/1999. Entende que a Lei nº 8.212/1991 não se aplica ao PIS à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, “b”, da Constituição Federal. 3.2. Defende a impugnante que a exigência a título do PIS, no período de fevereiro/99 a dezembro/01, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição, é ilegal e inconstitucional, por ofender diversos artigos da CF e do CTN. Contrapõese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS e afirma que “faturamento” deve ser entendido como receita decorrente da venda de bens e serviços, afastadas quaisquer outras receitas; 3.3. Reportase a julgados do STF (RE nº 150.7551/ PE) e do STJ (4a Turma – REsp nº 501.628), afirmando que o STJ já reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998; 3.4. Por fim, reclama que a Taxa Selic não pode ser usada como taxa de juros de mora na atualização do suposto débito, dada sua natureza eminentemente remuneratória, , não refletindo, efetivamente, as variações do valor da moeda e reportase ao REsp nº 215.881/PR. No Recurso Voluntário, a Interessada alegou: 1. haver ocorrido a decadência em relação a parte do crédito tributário referente ao PIS (fatos geradores ocorridos em jan/99 e fev/99), em face do disposto no art.150, § 4°, do CTN e da Súmula Vinculante nº 8 do E. STF; 2. ser inconstitucional a exigência do PIS além do faturamento; mencionou o julgamento dos REs n°s 357.950, 358.273 e 390.840, onde restou consolidado entendimento da Corte Suprema no sentido de que os valores recolhidos a titulo de PIS e COFINS, nos Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16327.000373/200470 Acórdão n.º 3301004.038 S3C3T1 Fl. 1.092 5 termos do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 são indevidos em face da patente inconstitucionalidade do citado dispositivo legal; 3. ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instância administrativa aplicando o entendimento já consolidado pelo E. STF acerca da matéria em debate; e 4. a ilegalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. Em sessão de 12/08/2011, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara/3ª Seção de Julgamento, por unanimidade, resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 330200.164, de relatoria do Conselheiro José Antonio Francisco, na qual se determinou as seguintes providências por parte da UL da RFB: “Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento." O Relatório Fiscal da Diligência realizada informa que: “[...] Em síntese, o contribuinte alega que a base de cálculo dos autos de infração consiste em receitas financeiras e outras receitas não oriundas do faturamento, e sim de recuperação de custos. Alega também, que para o ano calendário de 1999 o AFRFB autuante fez o lançamento a maior do que o devido. Trataremos primeiro deste período.” [...] Portanto, para o ano de 1999 constatamos que as alegações do sujeito passivo são parcialmente corretas. Assiste razão quanto ao cálculo das contribuições para o PIS e são insubsistentes em relação à COFINS, conforme o material apresentado em resposta ao nosso termo de início. Para os anos calendários subseqüentes, 2000 e 2001, o sujeito passivo não alegou quaisquer diferenças em relação à base de cálculo dos autos de infração. No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração, constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos, conforme os relatórios apresentados”. Em uma segunda assentada, agora sob a relatoria da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, aquela Turma de Julgamento deliberou por converter o julgamento em nova diligência nos seguintes termos, essencialmente: "Sendo assim, é provável que as receitas ditas pela contribuinte como sendo de natureza financeiras, ou parte delas, sejam oriundas de seu objeto social, compondo as suas receitas operacionais, tais como a própria contribuinte declarou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002. Por tal motivo, conforme acima relatado, em sessão anterior em que se conheceu do presente recurso, entendeu a turma pela necessidade de se demonstrar a composição dessas receitas ditas pela contribuinte como sendo “receitas financeiras”, in verbis: Fl. 1094DF CARF MF 6 “Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento. Após lavratura de relatório, dele deverá ser dada ciência à Interessada, para apresentar resposta em trinta dias, caso não se constate a alegação de que a totalidade de receitas é de natureza financeira." No entanto, o Relatório Fiscal não efetuou essa discriminação solicitada, tendo apenas afirmado tratarse de “receitas financeiras”, tal como alegado pela contribuinte, devolvendo o processo para esse conselho, sem, também, anexar quaisquer elementos comprobatórios. Portanto, tendo em vista a atividade empresarial da contribuinte, entendo necessário que se identifique a composição das “outras receitas operacionais”, assim declarada pela contribuinte em suas DIPJ, discriminando e comprovando principalmente quais as receitas que a contribuinte denominou como sendo financeiras. Motivo pelo o qual, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade preparadora: i) intime a contribuinte para que esta discrimine a natureza e comprove quais as receitas que compõem as “outras receitas operacionais”, principalmente as ditas “receitas financeiras”, anexando documentos probatórios e efetuando planilha demonstrativa; ii).preste demais informações que entendam necessários;" A nova diligência foi atendida nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1058/1069, onde o Auditor Fiscal manifestase pela manutenção do lançamento em face de que, no seu entendimento, estaria vigente à época dos fatos o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, revogado somente a partir de 20/5/2009. Em suas contrarazões a recorrente alega que o Auditor Fiscal extrapolou os limites da diligência e julgou o lançamento, refuta as conclusões da Diligência, exceto quanto ao item "IV. Tipos de Faturização". Na forma regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16327.000373/200470 Acórdão n.º 3301004.038 S3C3T1 Fl. 1.093 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri O Recurso Voluntário foi conhecido na sessão de 12/08/2011, quando a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara/3ª Seção de Julgamento, em sua primeira assentada, resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 330200.164, de relatoria do Conselheiro José Antonio Francisco. Tratase de lançamento em razão de suposta insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, no período de 1999 a 2001. A insuficiência de recolhimento apontada pela Fiscalização é decorrente da base de cálculo das contribuições. Enquanto a empresa autuada calculou os valores recolhidos tomando por base de cálculo o faturamento, a Fiscalização, em cumprimento aos arts. 2° e 3° Lei n° 9.718/98, considerou a totalidade das receitas auferidas. Assim, a fiscalização incluiu na base de cálculo das contribuições as receitas denomidadas "outras receitas", assim identificadas: ressarcimento de despesas bancárias, juros de baixa de títulos, juros ativos, juros de prorrogação de duplicatas, juros sobre pagamento de duplicatas em cartório, ressarcimento de tarifas e despesas bancárias, recuperação/devolução IOF e CPMF. 1 Das receitas financeiras base de cálculo do PIS Da diligência restou confirmado que as receitas objeto da autuação são receitas financeiras e de recuperação de custos. "No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração, constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos, conforme os relatórios apresentados”. Em se tratando de receitas financeiras, entendo que, para fins de composição da base de cálculo do PIS, o seu oferecimento à tributação deverá ocorrer nos casos em que a receita auferida tenha relação com o objeto social da empresa, independentemente de sua classificação contábil. Essa foi a razão, a meu ver, da realização da segunda diligência. Pretendeu a conselheira, à época, aclarar a natureza das receitas que compunham o grupo de contras "outras receitas" para que oportunizasse identificar eventual receita que fosse relacionada ao objeto social: Fl. 1096DF CARF MF 8 "Sendo assim, é provável que as receitas ditas pela contribuinte como sendo de natureza financeiras, ou parte delas, sejam oriundas de seu objeto social, compondo as suas receitas operacionais, tais como a própria contribuinte declarou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002. [...] No entanto, o Relatório Fiscal não efetuou essa discriminação solicitada, tendo apenas afirmado tratarse de “receitas financeiras”, tal como alegado pela contribuinte, devolvendo o processo para esse conselho, sem, também, anexar quaisquer elementos comprobatórios. Portanto, tendo em vista a atividade empresarial da contribuinte, entendo necessário que se identifique a composição das “outras receitas operacionais”, assim declarada pela contribuinte em suas DIPJ, discriminando e comprovando principalmente quais as receitas que a contribuinte denominou como sendo financeiras. Contudo, conforme veremos a seguir, a suspeita não se confirmou, restando razão à recorrente. No Relatório Fiscal da segunda diligência, extraímos a seguinte manifestação do Auditor Fiscal: Portanto, a dúvida suscitada, motivo da diligência, qual seja, "Sendo assim, é provável que as receitas ditas pela contribuinte como sendo de natureza financeiras, ou parte delas, sejam oriundas de seu objeto social, compondo as suas receitas operacionais, tais como a própria contribuinte declarou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002", fora dissipada. Isso porque, constatase tratar a contribuinte de uma empresa de Faturização ou Factoring, consoante consta de seu Contrato Social: “CLAUSULA 3ª O objeto Social será a exploração das operações comerciais, não financeiras,' de "FATURIZAÇÃO ou FACTORING", como especifica a Circular n° 1.359 de 30/09/1988, do Banco Central do Brasil, nas normas vigentes do nosso direito legislado, principalmente na Constituição Federal, em seu artigo 5º inciso XIII, e, nos artigos 191 a 226 do Código Comercial Brasileiro, lastreados em sua essência, nas definições estabelecidas no Código Civil, em seus artigos 1065 a 1078, compreendendo os atos de: Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16327.000373/200470 Acórdão n.º 3301004.038 S3C3T1 Fl. 1.094 9 a) aquisição de direitos creditórios decorrentes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços; b) cessão de direitos creditórios a terceiros e realização de cobrança por conta própria e de terceiros; e, c) exercer, ainda, outras atividades da modalidade "factoring" autorizadas pela ANFAC — Associação Nacional das Empresas de Factoring e que não contrariem expressamente a legislação em vigor no pais. Do confronto das informações oriundas das Diligências realizadas com o objeto social da recorrente, depreendese que as receitas autuadas, tais como ressarcimento de despesas bancárias, juros de baixa de títulos, juros ativos, juros de prorrogação de duplicatas, juros sobre pagamento de duplicatas em cartório, ressarcimento de tarifas e de despesas bancárias, recuperação/devolução IOF e CPMF, têm natureza de "receitas financeiras", não guardando relação com o objeto social da recorrente. Com relação à inclusão de outras receitas, inclusive as receitas financeiras de que cuida o presente processo, na base de cálculo do PIS, por força do alargamento previsto no § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 09/11/2005, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 621, Parágrafo Único, inciso I, determina expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas, inclusive receitas financeiras, da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização, o que acarreta, no caso vertente, o cancelamento integral do crédito tributário lançado no auto de infração Resta, por conseguinte, prejudicados os demais questionamentos apostos no Recurso Voluntário. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o auto de infração. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 1098DF CARF MF 10 Dispositivo Ante o todo exposto, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar o disposto na Lei nº 9.718/98, art. 3º, § 1º, declarado inconstitucional pelo STF, não devendo compor a base de cálculo das contribuições do PIS as "outras receitas". É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1099DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903137/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.410
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 37 /2 01 2- 39 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.673, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903137/201239 Acórdão n.º 3402004.410 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720121/2008-06
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplica-se o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente justificadamente o conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720121/200806 Acórdão n.º 1802000.959 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório FC VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 5.620,31, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 2.810,11, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração, os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrem da constatação de apuração a menor das bases de cálculo presumidas por haver a pessoa jurídica utilizado o percentual de 8% (oito por cento) em vez de 32% sobre a receita bruta (diferença entre o valor de alienação e valor de aquisição de veículos usados), tendo o autuante considerado as parcelas recolhidas ou confessadas em DCTF pela contribuinte, para apurar o IRPJ e a CSLL a pagar. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0335.994, de 19 de março de 2010. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 12/04/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 12/05/2010, insurgindose, essencialmente, contra o percentual a ser aplicado para compor a base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL por entender que o mesmo corresponde a 8% e não 32%. A decisão recorrida relata às fls.87/88 as razões apresentadas pela autuada na impugnação que por serem as mesmas trazidas no presente recurso, por economia processual, adoto e transcrevo a parte do relatório com os argumentos a seguir: A atividade exercida pela empresa é de compra e venda de veículos, assim sendo, não houve intermediação de negócios. O contribuinte não intermediou negócios, como corretor ou consignador, mas sim adquiriu mercadorias, imobilizou seu capital até a respectiva venda do produto. Por sua vez, em operações no qual a empresa eventualmente atuou como consignante de veículos, caberia se considerar a intermediação de negócios. É afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte exerce atividade de comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários, sob o código CNAE 4511 101, contudo, caso a empresa fosse intermediadora de negócios, seu código CNAE seria 4512901 ou 4512902, que descreve intermediários na venda de veículos automotores como sendo “representantes comerciais e agentes do comércio de veículos Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 automotores” ou “comércio sob consignação de veículos automotores”, respectivamente. A Lei nº 9.716/98, em seu artigo 5º, ao dispor sobre a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados, utiliza a expressão “poderão”, ou seja, não existe obrigatoriedade de tal equiparação, o que, inclusive, seria inconstitucional, vez que acarretaria a majoração de um imposto, em desacordo com o artigo 150, inciso I da Lei Maior, além de dar tratamento igual a dois tipos de negócios jurídicos totalmente diferentes. A IN SRF nº 152/1998 em seu artigo 2º não obececeu os ditames da Lei, tendo em vista que a Lei facultou a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados à contribuinte, sendo uma opção a ser exercida pela pessoa jurídica, e não pelos órgãos de fiscalização. Por fim, a recorrente requer a improcedência do auto de infração e o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720121/200806 Acórdão n.º 1802000.959 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do artigo 5º da Lei nº 9.716/98 que assim dispõe: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (...) Como se vê, a Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação É certo que a Lei permite a equiparação como operação de consignação às operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, e não deixou nessa expresso qual o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. O objetivo desses dispositivos foi possibilitar às empresas revendedoras de veículos usados computar, na determinação da base de cálculo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Ou seja, a base de cálculo tributável será somente essa "diferença", nos moldes aplicáveis às operações de consignação. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Desse modo há de se buscar uma interpretação sistemática para concluir que tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Destarte, o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, é o que está previsto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares, ou seja, 32% (trinta e dois por cento) sobre a mencionada diferença/comissão nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. A respeito do percentual de 8% a que alude a recorrente, o mesmo seria aplicado sobre o total da receita bruta (valor da venda) quando a pessoa jurídica não utilizar a faculdade disposta na lei em comento (artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998), o que significa tributação mais elevada para o contribuinte. Entretanto, não é o caso dos presente autos, pois, em nenhum momento a recorrente alega ou demonstra haver adotado como receita bruta o valor total da venda e não, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição, porquanto somente assim comprovaria não haver utilizado a faculdade disposta no mencionado dispositivo legal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004349/2002-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/11/1998
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS
Cabíveis embargos quando a decisão contém omissão sobre ponto essencial o deslinde da controvérsia cujo saneamento se impõe pelo pronunciamento expresso do colegiado sobre o ponto originalmente omisso.
Numero da decisão: 9303-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-00.272, de 22 de outubro de 2009, sem efeitos infringentes, sanando a omissão e a obscuridade apontadas, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que deram efeitos infringentes aos Embargos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-00.272, de 22 de outubro de 2009, sem efeitos infringentes, sanando a omissão e a obscuridade apontadas, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que deram efeitos infringentes aos Embargos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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EMBARGOS Cabíveis embargos quando a decisão contém omissão sobre ponto essencial o deslinde da controvérsia cujo saneamento se impõe pelo pronunciamento expresso do colegiado sobre o ponto originalmente omisso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 930300.272, de 22 de outubro de 2009, sem efeitos infringentes, sanando a omissão e a obscuridade apontadas, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que deram efeitos infringentes aos Embargos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 43 49 /2 00 2- 93 Fl. 580DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Contribuinte (fl. 492 a 496), em face do Acórdão nº 930300.272 (fls. 473 a 479), com fulcro no art. 65, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, buscando sanar os vícios de omissão e obscuridade existentes na decisão, que deu parcial provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo tão somente para aplicar a decadência aos lançamentos referentes aos períodos anteriores a 20/09/1997, negando o pedido de exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da COFINS. O decisum foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1998 a 30/11/1998 COFINS. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, DO CTN. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é o estabelecido no art. 150, §4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei nº 8.212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante nº 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art. 103A da Constituição Federal. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. SÚMULA 02. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10855.004349/200293 Acórdão n.º 9303005.064 CSRFT3 Fl. 537 3 A Embargante sustenta existir obscuridade e omissão, tendo em vista que a exigência da COFINS abarcou fatos geradores referentes ao período de 01/1997 a 11/1998, quando a contribuição era exigida com base na Lei Complementar nº 70/91, enquanto na fundamentação do julgado a negativa de provimento da exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da COFINS deuse com fulcro na inexistência de discussão judicial da Contribuinte sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, inaplicável ao caso dos autos. Alegou, ainda, haver se omitido a decisão na análise da incidência dos juros pela taxa Selic sobre a multa de ofício. Os embargos de declaração da Contribuinte foram parcialmente admitidos, tão somente quanto à incidência da COFINS sobre as receitas financeiras, nos termos do Despacho em Embargos de 22/09/2015 (fls. 532 a 534), por entender estar o acórdão nº 9303 00.272 eivado do vício de omissão apontado, nesses termos: [...] Após essas breves considerações, retornando aos autos, consultando o voto vencedor do acórdão, verificase que a negativa do provimento do recurso quanto as receitas financeiras foi fundamentada na ausência de discussão judicial sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, conforme consta do trecho abaixo, extraído do voto vencedor do acórdão. "No caso em tela, o contribuinte não provou ser protagonista de uma ação incidental de inconstitucionalidade no que tange ao afastamento do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. portanto, a decisão proferida pela Corte Constitucional não pode ser oposta no âmbito administrativo. Sabemos que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, tais como os atos legais capitulados o referido auto." A posição adotada no acórdão recorrido, comprova as alegações constantes dos embargos, a decisão da turma considerou para sua decisão legislação que não era aplicável aos fatos geradores discutidos no processo, sendo necessária a manifestação da turma quanto a aplicação da Lei Complementar nº 70/91 no que concerne a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras. Portanto, quanto a esta matéria foi comprovada a omissão determinado a admissibilidade do recurso. Quanto a omissão por ausência de manifestação sobre a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício, não assiste razão a recorrente. O despacho de admissibilidade do recurso especial inicialmente deu provimento somente para decadência, foi interposto agravo, e em uma segundo despacho foi dado seguimento a decadência e a discussão sobre a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, não existindo no recurso especial interposto pelo sujeito passivo a discussão quanto a incidência da Selic sobre a multa de ofício. A ausência de manifestação da turma quanto a matéria deuse em razão da ausência de discussão da matéria no recurso especial. Confirmado a omissão no acórdão embargado, opino no sentido de que Vossa Senhoria dê seguimento aos embargos quanto a matéria referente a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras e negue seguimento quanto a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício. Fl. 582DF CARF MF 4 [...] O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional são tempestivos, restando analisarse o atendimento aos demais do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, reproduzido no art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Conforme dispõe o art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, admitese a interposição dos embargos de declaração "quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma". No caso dos autos, assiste razão à Embargante quanto à existência dos vícios de omissão e obscuridade no julgado que merecem ser reparados. O processo tem origem em auto de infração lavrado para exigência de COFINS dos períodos de 01/97 a 11/98, com fundamento na Lei Complementar nº 70/91. Assim, considerandose o período de apuração, inaplicável a Lei nº 9.718/98, cuja produção de efeitos para os artigos 2º a 8º iniciouse a partir de fevereiro de 1999 (inciso I, art. 17, da Lei nº 9.718/98). Portanto, a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da COFINS, para o presente litígio, deve ser analisada à luz da LC nº 70/91. Restou assentado no acórdão de recurso especial que os encargos financeiros cobrados nas vendas a prazo de mercadorias constituemse em receitas financeiras, cuja tributação pela COFINS resta afastada pela interpretação da LC nº 70/91, que equiparou o conceito de faturamento à receita bruta, abrangendo tão somente as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse sentido, é o precedente do Supremo Tribunal federal, ao julgar o RE 150.755PE: I. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO E O PROBLEMA DO FINSOCIAL EXIGÍVEL DAS EMPRESAS DE SERVIÇO. 1. O RECURSO EXTRAORDINÁRIO E MECANISMO DE CONTROLE INCIDENTE DA CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, CUJO ÂMBITO MATERIAL, Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10855.004349/200293 Acórdão n.º 9303005.064 CSRFT3 Fl. 538 5 PORTANTO, NÃO PODE ULTRAPASSAR O DA QUESTÃO PREJUDICIAL DE INCONSTITUCIONALIDADE DE SOLUÇÃO NECESSÁRIA PARA ASSENTAR PREMISSA DA DECISÃO DO CASO CONCRETO. 2. CONSEQÜENTE LIMITAÇÃO TEMÁTICA DO RE, NA ESPÉCIE, A QUESTÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 28 DA L. 7.738/89, ÚNICA, DAS DIVERSAS NORMAS JURÍDICAS ATINENTES AO FINSOCIAL, REFERIDAS NO PRECEDENTE EM QUE FUNDADO O ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE É PREJUDICIAL DA SOLUÇÃO DESTE MANDADO DE SEGURANÇA, MEDIANTE O QUAL A IMPETRANTE EMPRESA DEDICADA EXCLUSIVAMENTE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS , PRETENDE SER SUBTRAÍDA À SUA INCIDÊNCIA. II. FINSOCIAL: CONTRIBUIÇÃO DEVIDA PELAS EMPRESAS DEDICADAS EXCLUSIVAMENTE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO: EVOLUÇÃO NORMATIVA. 3. SOB A CARTA DE 1969, QUANDO INSTITUÍDA (DL. 1940/82, ART. 1º, PAR. 2º), A CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL DEVIDA PELAS EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO AO CONTRÁRIO DAS OUTRAS MODALIDADES DO TRIBUTO AFETADO A MESMA DESTINAÇÃO , NÃO CONSTITUIA IMPOSTO NOVO, DA COMPETÊNCIA RESIDUAL DA UNIÃO, MAS, SIM, ADICIONAL DO IMPOSTO SOBRE A RENDA, DA SUA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA DISCRIMINADA (STF, RE 103.778, 18.9.85, GUERRA, RTJ 116/1138). 4. COMO IMPOSTO SOBRE RENDA, QUE SEMPRE FORA, E QUE DITA MODALIDADE DE FINSOCIAL QUE NÃO INCIDIA SOBRE O FATURAMENTO E, PORTANTO, NÃO FOI OBJETO DO ART. 56 ADCT/88 FOI RECEBIDA PELA CONSTITUIÇÃO E VIGEU COMO TAL ATÉ QUE A L. 7.689/88 A SUBSTITUISSE PELA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, DESDE ENTÃO INCIDENTE TAMBÉM SOBRE TODAS AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO PAÍS. 5. O ART. 28 DA L. 7.738 VISOU A ABOLIR A SITUAÇÃO ANTIISONÔMICA DE PRIVILÉGIO, EM QUE A L. 7.689/88 SITUARA DITAS EMPRESAS DE SERVIÇO, QUANDO, DE UM LADO, UNIVERSALIZOU A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO, QUE ANTES SÓ A ELAS ONERAVA, MAS, DE OUTRO, NÃO AS INCLUIU NO RAIO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O FATURAMENTO, EXIGÍVEL DE TODAS AS DEMAIS CATEGORIAS EMPRESARIAIS. III. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL EXIGÍVEL DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO, SEGUNDO O ART. 28 L. 7.738/89: CONSTITUCIONALIDADE, PORQUE COMPREENSÍVEL NO ART. 195, I, CF, MEDIANTE INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO. 6. O TRIBUTO INSTITUÍDO PELO ART. 28 DA L. 7.738/89 COMO RESULTA DE SUA EXPLÍCITA SUBORDINAÇÃO AO REGIME DE ANTERIORIDADE MITIGADA DO ART. 195, PAR. 6., CF, QUE DELAS É EXCLUSIVO É MODALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL E NÃO, IMPOSTO NOVO DA COMPETÊNCIA RESIDUAL DA UNIÃO. 7. CONFORME JÁ ASSENTOU O STF (RREE 146733 E 138284), AS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL PODEM SER INSTITUÍDAS POR LEI ORDINÁRIA, QUANDO COMPREENDIDAS NAS HIPÓTESES DO ART. 195, I, CF, SÓ SE EXIGINDO LEI COMPLEMENTAR, QUANDO SE CUIDA DE CRIAR NOVAS FONTES DE FINANCIAMENTO DO SISTEMA (CF, ART. 195, PAR. 4º). 8. A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL QUESTIONADA SE INSERE ENTRE AS PREVISTAS NO ART. 195, I, CF E SUA INSTITUIÇÃO, PORTANTO, DISPENSA LEI Fl. 584DF CARF MF 6 COMPLEMENTAR: NO ART. 28 DA L. 7.738/89, A ALUSÃO A "RECEITA BRUTA", COMO BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO, PARA CONFORMARSE AO ART. 195, I, DA CONSTITUIÇÃO, HÁ DE SER ENTENDIDA SEGUNDO A DEFINIÇÃO DO DL. 2.397/87, QUE É EQUIPARÁVEL A NOÇÃO CORRENTE DE "FATURAMENTO" DAS EMPRESAS DE SERVIÇO. (RE 150755, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 18/11/1992, DJ 20 081993 PP16322 EMENT VOL0171303 PP00485 RTJ VOL0014901 PP00259) Diante do exposto, existindo os vícios de omissão e obscuridade, são acolhidos e providos os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para dar provimento integral ao recurso especial do Sujeito Passivo. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Reiterou o colegiado, divergindo da n. relatora, a necessidade de o processamento de embargos seguir o quanto apontado em sua análise de admissibilidade. De início, portanto, releva transcrever o que foi admitido: A posição adotada no acórdão recorrido, comprova as alegações constantes dos embargos, a decisão da turma considerou para sua decisão legislação que não era aplicável aos fatos geradores discutidos no processo, sendo necessária a manifestação da turma quanto a aplicação da Lei Complementar nº 70/91 no que concerne a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras. Portanto, quanto a esta matéria foi comprovada a omissão determinado a admissibilidade do recurso. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10855.004349/200293 Acórdão n.º 9303005.064 CSRFT3 Fl. 539 7 Essa menção se mostra necessária na medida em que os embargos postulavam ter ocorrido tanto omissão quanto de obscuridade. Esta última concernente à análise da legislação que só se aplicaria a fatos posteriores. Nesses termos, a omissão reconhecida diz respeito ao não enfrentamento, no voto vencedor, da matéria que deveria ser enfrentada: se as parcelas tratadas pela empresa em seu recurso como receitas financeiras, de fato o eram, como entendera o relator, vencido quanto a isso. O colegiado, pois, debruçouse sobre esse tema e ratificou o posicionamento que prevalecera até a decisão de segundo grau no sentido de que a empresas não financeiras não é dado efetuar operação própria de financiamento, privativo que é das instituições autorizadas a funcionar, e fiscalizadas, pelo Banco Central. Daí que a parcela que, nas operações a prazo, empresa dedicada a venda de bens ou prestação de serviços acresce ao seu preço à vista compõe sim o seu faturamento nos termos da Lei Complementar 70/91, nada modificando nessa caracterização serem eles impropriamente intitulados de juros. Esse o motivo pelo qual, no entender do colegiado, a Câmara Superior de então negou provimento ao recurso do contribuinte quanto às tais "receitas financeiras". Essa conclusão se impõe da clareza do relatório elaborado pelo dr. Leonardo Manzan, que não deixa dúvidas de estarse diante de fatos geradores regidos pela Lei Complementar 70 e não pela Lei 9.718, que só veio a ser indevidamente mencionada pelo redator designado. E por esse mesmo motivo não se pode considerar posição do colegiado a afirmação que ele apõe inicialmente em seu voto vencedor, como conclusão exclusiva sua, no sentido de que tais receitas são mesmo financeiras. Com essas considerações, acolheramse os embargos do sujeito passivo, mas sem os efeitos infringentes que a relatora lhes pretendia conferir, sendo esse o acórdão que me coube redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720065/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. REMESSA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PELOS CORREIOS. DATA DE PROTOCOLO É A DATA DA POSTAGEM. ARTIGO 33 DO DECRETO Nº 70.235/1972. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 19/1997.
A postagem de impugnações e recursos pelos Correios é aceita como protocolo, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário postado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS FINANCEIRAS E NÃO OPERACIONAIS. FATOS GERADORES ANTERIORES À REVOGAÇÃO DO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 1º, DA LEI Nº 9.718/1998, PELO ARTIGO 79, DA LEI Nº 11.941/2009.
Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da lei nº 9.718/1998, conclui-se pelo afastamento desse dispositivo como fundamento para sujeitar receitas financeiras e não-operacionais ar a sujeição ao PIS/COFINS desde o nascimento na norma e não apenas desde a sua revogação pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009, não se admitindo o corte temporal de validade da norma pretendido pela Fiscalização.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISO III, DA LEI Nº 9.718/1998. DESPESAS E CUSTOS OPERACIONAIS REALIZADOS EM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA OPERADORA E BENEFICIÁRIOS DE TERCEIROS. ARTIGO 19 DA LEI Nº 12.873/2013. ARTIGO 106, INCISO I, DO CTN.
Nos termos do artigo 19 da Lei nº 12.873/2013, "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida". Em razão do caráter interpretativo dessa norma, como disposto no artigo 106, inciso I, do CTN, deve ser aplicada de forma retroativa aos fatos geradores anteriores à referida lei interpretativa.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. DEDUÇÕES PREVISTAS NO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISOS I, III E III, DA LEI Nº 9.718/1998. INTERCÂMBIO EVENTUAL.
Nem a dedução prevista no art. 3º, parágrafo 9º, I, da Lei nº 9.718/98, que só alcança os valores pagos a título de corresponsabilidades cedidas (transferência do risco), nem as demais hipóteses previstas no artigo 3º, parágrafo 9º, da Lei nº 9.718/98, contemplam a dedução de valores pagos a título de intercâmbio eventual (sem transferência de risco).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
LANÇAMENTO DE COFINS E DE PIS. APLICAÇÃO DAS MESMAS CONCLUSÕES E RESULTADO DE JULGAMENTO ÀS DUAS CONTRIBUIÇÕES.
No caso analisado, as mesmas conclusões a que se chegou em relação ao lançamento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social devem ser aplicadas ao lançamento de Contribuição para os Programas de Integração Social, o que resulta em igual resultado de julgamento.
Numero da decisão: 3401-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. REMESSA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PELOS CORREIOS. DATA DE PROTOCOLO É A DATA DA POSTAGEM. ARTIGO 33 DO DECRETO Nº 70.235/1972. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 19/1997. A postagem de impugnações e recursos pelos Correios é aceita como protocolo, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário postado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS FINANCEIRAS E NÃO OPERACIONAIS. FATOS GERADORES ANTERIORES À REVOGAÇÃO DO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 1º, DA LEI Nº 9.718/1998, PELO ARTIGO 79, DA LEI Nº 11.941/2009. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da lei nº 9.718/1998, conclui-se pelo afastamento desse dispositivo como fundamento para sujeitar receitas financeiras e não-operacionais ar a sujeição ao PIS/COFINS desde o nascimento na norma e não apenas desde a sua revogação pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009, não se admitindo o corte temporal de validade da norma pretendido pela Fiscalização. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISO III, DA LEI Nº 9.718/1998. DESPESAS E CUSTOS OPERACIONAIS REALIZADOS EM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA OPERADORA E BENEFICIÁRIOS DE TERCEIROS. ARTIGO 19 DA LEI Nº 12.873/2013. ARTIGO 106, INCISO I, DO CTN. Nos termos do artigo 19 da Lei nº 12.873/2013, "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida". Em razão do caráter interpretativo dessa norma, como disposto no artigo 106, inciso I, do CTN, deve ser aplicada de forma retroativa aos fatos geradores anteriores à referida lei interpretativa. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. DEDUÇÕES PREVISTAS NO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISOS I, III E III, DA LEI Nº 9.718/1998. INTERCÂMBIO EVENTUAL. Nem a dedução prevista no art. 3º, parágrafo 9º, I, da Lei nº 9.718/98, que só alcança os valores pagos a título de corresponsabilidades cedidas (transferência do risco), nem as demais hipóteses previstas no artigo 3º, parágrafo 9º, da Lei nº 9.718/98, contemplam a dedução de valores pagos a título de intercâmbio eventual (sem transferência de risco). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE COFINS E DE PIS. APLICAÇÃO DAS MESMAS CONCLUSÕES E RESULTADO DE JULGAMENTO ÀS DUAS CONTRIBUIÇÕES. No caso analisado, as mesmas conclusões a que se chegou em relação ao lançamento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social devem ser aplicadas ao lançamento de Contribuição para os Programas de Integração Social, o que resulta em igual resultado de julgamento.
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TEMPESTIVIDADE. REMESSA DO RECURSO VOLUNTÁRIO PELOS CORREIOS. DATA DE PROTOCOLO É A DATA DA POSTAGEM. ARTIGO 33 DO DECRETO Nº 70.235/1972. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 19/1997. A postagem de impugnações e recursos pelos Correios é aceita como protocolo, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997, devendo ser considerado tempestivo o recurso voluntário postado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. RECEITAS FINANCEIRAS E NÃO OPERACIONAIS. FATOS GERADORES ANTERIORES À REVOGAÇÃO DO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 1º, DA LEI Nº 9.718/1998, PELO ARTIGO 79, DA LEI Nº 11.941/2009. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da lei nº 9.718/1998, conclui se pelo afastamento desse dispositivo como fundamento para sujeitar receitas financeiras e nãooperacionais ar a sujeição ao PIS/COFINS desde o nascimento na norma e não apenas desde a sua revogação pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009, não se admitindo o corte temporal de validade da norma pretendido pela Fiscalização. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISO III, DA LEI Nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 65 /2 01 3- 55 Fl. 1009DF CARF MF 2 9.718/1998. DESPESAS E CUSTOS OPERACIONAIS REALIZADOS EM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA OPERADORA E BENEFICIÁRIOS DE TERCEIROS. ARTIGO 19 DA LEI Nº 12.873/2013. ARTIGO 106, INCISO I, DO CTN. Nos termos do artigo 19 da Lei nº 12.873/2013, "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida". Em razão do caráter interpretativo dessa norma, como disposto no artigo 106, inciso I, do CTN, deve ser aplicada de forma retroativa aos fatos geradores anteriores à referida lei interpretativa. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. DEDUÇÕES PREVISTAS NO ARTIGO 3º, PARÁGRAFO 9º, INCISOS I, III E III, DA LEI Nº 9.718/1998. INTERCÂMBIO EVENTUAL. Nem a dedução prevista no art. 3º, parágrafo 9º, I, da Lei nº 9.718/98, que só alcança os valores pagos a título de corresponsabilidades cedidas (transferência do risco), nem as demais hipóteses previstas no artigo 3º, parágrafo 9º, da Lei nº 9.718/98, contemplam a dedução de valores pagos a título de intercâmbio eventual (sem transferência de risco). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE COFINS E DE PIS. APLICAÇÃO DAS MESMAS CONCLUSÕES E RESULTADO DE JULGAMENTO ÀS DUAS CONTRIBUIÇÕES. No caso analisado, as mesmas conclusões a que se chegou em relação ao lançamento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social devem ser aplicadas ao lançamento de Contribuição para os Programas de Integração Social, o que resulta em igual resultado de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.009 3 André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de 2 (dois) Autos de Infração, lavrados para cobrança de valores a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") e de Contribuição para os Programas de Integração Social ("PIS"), em razão de ter a contribuinte (i) deixado de oferecer à tributação do PIS/COFINS receitas financeiras e receitas nãooperacionais, em relação a fatos geradores ocorridos até 01/06/2009, data da revogação do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009; (ii) excluído da base de cálculo do PIS/COFINS de custos operacionais relacionados a atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes); e (iii) excluído da base de cálculo de receitas denominadas “intercâmbio eventual”, que significam as receitas recebidas de outras operadoras de plano de saúde da Rede Unimed, em contrapartida ao atendimento de beneficiários dessas outras operadoras. Após ter sido cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, julgada parcialmente procedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 28/07/2014, para afastar a cobrança dos valores indicados nos itens (i) e (ii) acima e manter os indicados no item (iii) acima, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, deduzidas as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. OUTRAS RECEITAS NÃOOPERACIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Fl. 1011DF CARF MF 4 Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. INTERCÂMBIO EVENTUAL. Valores que ingressam no patrimônio da pessoa jurídica, com vistas a compensar despesas inerentes à sua própria atividade, ou ao serviço prestado, têm natureza de receita e, por decorrência, devem ser tributados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 (...)” Diante dessa decisão, considerando o disposto no artigo 34, inciso I do Decreto nº 70.235/1972, o valor do crédito tributário exonerado e o valor previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, o Presidente de Turma de Julgamento da DRJ interpôs recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Por sua vez, a contribuinte, ora Recorrente, foi cientificada dessa decisão no dia 04/08/2014, conforme documento de fls 990, apresentando Recurso Voluntário no dia 03/09/2014, conforme documentos de fls. 991 e 1.003, no qual pede a total improcedência dos autos de infração lavrados, a partir do reconhecimento da exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS das receitas denominadas “intercâmbio eventual”, sob a as seguintes alegações: (i) a atividade representaria um ato cooperativo “strictu sensu” e não implicaria em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, sendo apenas as cooperativas prestando serviços entre si pelo “atendimento estabelecido entre as Unimeds, por meio de normas, regras e diretrizes, consolidando a integração no Sistema Unimed e garantindo seu atendimento em todo território nacional” e, por isso, não estariam as receitas dela derivadas sujeitas à tributação pelo PIS/COFINS, por força do artigo 79, da Lei nº 5.764/1971; e (ii) seriam legítimas as exclusões da base de cálculo relativas a atividade de “intercâmbio eventual”, por se enquadrarem no artigo 3º, parágrafo 9º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998. Em seguida, os autos foram remetidos ao CARF, sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 17/03/2016. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O Recurso de Ofício traz duas matérias a julgamento deste Colegiado. Receitas Financeiras e Receitas NãoOperacionais A primeira, se as receitas financeiras e nãooperacionais da Recorrente, que está submetida ao regime da Lei nº 9.718/1998, estão sujeitas à tributação pelo PIS/COFINS, Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.010 5 levando em consideração, de um lado, que foram apuradas até 01/06/2009 e, de outro, que somente a partir da data em referência que o artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, foi revogado pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009. Segundo a Fiscalização, “até 01/06/2009, data em que ocorreu a revogação do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/1998, pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009, a base de cálculo das contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”. Sobre a matéria, importante notar que, na redação anterior à Emenda Constitucional nº 20/1998, a Carta da República previa em seu artigo 195 que a contribuição à seguridade social a carga do empregador incidiria sobre o faturamento. Com a edição da Lei nº 9.718/1998, que trata do PIS/COFINS submetidos ao regime cumulativo, determinouse, em seus artigos 2º e 3º, caput, que: "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Medida Provisória. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Ocorre que referida Lei foi além, ao prever que no artigo 3º, § 1º que: "§ 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Apenas em momento posterior, com a Emenda Constitucional nº 20/1998, é que o artigo 195, inciso I, alínea b, da Carta da República, foi alterado para dizer que as contribuições a cargo do empregador incidiriam sobre "a receita OU o faturamento", o permanece na redação atual do dispositivo e já indica que o conceito de receita não equivale ao de faturamento. Na realidade, tal conceito, na jurisprudência firme do Supremo Tribunal Federal ("STF") até então era no sentido de que o faturamento equivalia a receita bruta, entendida como venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Dessa maneira, sendo a alteração constitucional que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre a receita posterior à Lei nº 9.718/1998, que em seu artigo 3º, § 1º equiparou o faturamento à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica e não se admitindo a convalidação de norma que nasce inconstitucional ou a constitucionalidade superveniente da norma, o STF declarou a inconstitucionalidade do dispositivo do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, em acórdão que possui a seguinte ementa: "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Fl. 1013DF CARF MF 6 Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005) Assim, em razão da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, reconhecida pelo STF com efeitos ex tunc, concluise pelo afastamento do dispositivo para fundamentar a sujeição ao PIS/COFINS das receitas financeiras e não operacionais, desde o nascimento na norma e não apenas desde a sua revogação pelo artigo 79, da Lei nº 11.941/2009, motivo pelo qual devese afastar o corte temporal de validade da norma pretendido pela Fiscalização. Além disso, alguns anos após, essa matéria foi novamente objeto de deliberação pelo STF, em processo submetido à repercussão geral, na qual a Corte reafirmou a inconstitucionalidade do dispositivo em acórdão que possui a seguinte ementa: “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98”. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL00208 02 PP00871 ) Pelo exposto, deve ser mantida a decisão recorrida nesse ponto, que concluiu que “cabe excluir da base de cálculo das contribuições as rubricas “Receitas Financeiras”, “Outras Receitas Financeiras” e “Receitas NãoOperacionais”, visto que não se enquadram na interpretação dada pelo STF”, entendimento que ainda é de reprodução obrigatória pelos membros desse Colegiado, nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF. Exclusão da Base de Cálculo de Custo Operacional A segunda matéria que é trazida pelo Recurso de Ofício diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS, pela Recorrente, de custos operacionais Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.011 7 relacionados com atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), que foi considerada indevida pela Fiscalização, pelos seguintes motivos: “Verificouse, portanto, que a Unimed de Presidente Prudente deduziu, no período fiscalizado, o valor referente aos custos com os atendimentos feitos pelos beneficiários do plano de saúde da própria operadora, dedução esta efetuada indevidamente, sustentada no inciso III do parágrafo 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. [segue transcrição do dispositivo] Ocorre que tal dispositivo legal trata das deduções dos eventos ocorridos efetivamente pagos, mas, no entanto, o entendimento não é o que o contribuinte pretende dar, ou seja, excluir da base de cálculo todos os pagamentos efetuados referentes aos atendimentos de seus próprios beneficiários. O inciso em questão referese à diferença entre duas quantias relacionadas com beneficiários (clientes) pertencentes à outra, operadora de plano de assistência à saúde, qual seja, a quantia efetivamente paga, pela Unimed de Presidente Prudente, referente aos eventos ocorridos com beneficiários de planos de saúde pertencentes à outra operadora, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade desta outra operadora”. (grifos nossos) Portanto, o lançamento é baseado na interpretação de que a Lei nº 9.718/1998 apenas admite a exclusão da base de cálculo de custos de atendimento relacionados com beneficiários de outras operadoras de saúde e que inexistiria respaldo legal para a exclusão de custos de atendimentos aos beneficiários do próprio contribuinte. De acordo com o artigo 3º, parágrafo 9º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998: “§ 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. À luz desse dispositivo, a Receita Federal se manifestou em algumas ocasiões, em linha com o entendimento da Fiscalização, pela possibilidade de exclusão apenas de despesas incorridas para atendimento de beneficiários de outras operadoras, pois, ao se pensar de forma contrária, pela exclusão também das despesas no atendimento de beneficiários próprios, o fato gerador das contribuições se descaracterizaria, de receita para lucro. É ler: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Cofins, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. Fl. 1015DF CARF MF 8 O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Cofins o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade”. (Solução de Consulta nº 06/2010) (grifos nossos) ***** “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO Não é cabível, por falta de base legal, a exclusão, na base de cálculo da Cofins de operadoras de planos de assistência à saúde, de suas despesas e custos, tais como os valores pagos aos profissionais pertencentes à sua rede própria (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, recepcionistas, etc.), bem assim os valores pagos com materiais médicos e medicamentos por elas utilizados, ou taxas e impostos devidos”. (Solução de Consulta nº 34/2002) (grifos nossos) Porém, tal entendimento não era o único, muito menos era pacífico. Tanto é assim que foi editada a Lei nº 12.873/2013, cujo artigo 19 determina o que segue: “Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3o. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) “Art. 8oA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9o do art. 3o desta Lei, observada a norma de interpretação do § 9oA, produzindo efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória nº 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota.” (grifos nossos) Verificase, portanto, que tanto o artigo 9ºA, que afirma que o seu comando se destina “para efeito de interpretação”, quanto pelo artigo 8ºA que se refere ao artigo 9ºA como veiculador de “norma de interpretação”, que dúvidas não existem a respeito da natureza de norma interpretativa desse dispositivo. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.012 9 Em decorrência, nos termos do disposto no artigo 106, inciso I, do CTN, pelo qual “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados”, devese aplicar essa interpretação de forma retroativa, aos fatos geradores ocorridos no ano de 2009, motivo pelo qual a decisão recorrida está correta nesse ponto, em julgar improcedente o lançamento em relação a inclusão na base de cálculo da Recorrente de custos de beneficiários da própria operadora, nos seguintes termos: “mostramse pertinentes as deduções dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, efetivamente pagos, relativas aos custos com beneficiários da própria operadora, além dos custos com beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida (deduzidas as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades)”. Nesse mesmo sentido, há manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e, recentemente, decidiu, de forma unânime, a Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Seção, em julgamento também de Recurso de Ofício de relatoria do Conselheiro Domingos de Sá Filho. Vejam as ementas dos acórdãos a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/1999, 01/01/2002 a 31/12/2003 COOPERATIVAS. UNIMED. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9ºA e 9º B. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98, é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso parcialmente provido.(Número do Processo: 10680.007677/200452; Data da Sessão: 24/03/2015; Relator: Henrique Pinheiro Torres; Acórdão nº 9303 003.295) ***** “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PIS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO CUSTOS DA REDE PRÓPRIA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 9º da Lei nº 9.718/98 entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Fl. 1017DF CARF MF 10 (...)” (Número do Processo: 16682.720906/201202; Data da Sessão: 20/07/2016; Relator: Domingos de Sá Filho; Acórdão nº 3302003.258) Pelo exposto, proponho a este Colegiado negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão recorrida na parte em que afastou os lançamentos realizados sobre receitas financeiras e nãooperacionais e na parte que entendeu correta a exclusão de custos de beneficiários da própria operadora da base de cálculo de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Inicialmente, quanto à tempestividade, verificase que a Recorrente foi cientificada da decisão recorrida no dia 04/08/2014, conforme documento de fls. 990, e apresentou Recurso Voluntário no dia 03/09/2014, pela sua postagem pelos Correios, conforme atesta o carimbo aposto no envelope, juntado aos autos às fls. 991. A postagem pelos Correios é aceita como protocolo de impugnações e recursos, conforme previsto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997, que: “declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo. c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso”. Com isso, realizada a postagem dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 e considerando como data de entrega aquela que consta no carimbo dos Correios, às fls. 991, devese reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto, que preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade e merece conhecimento. Quanto ao mérito, essa parte do lançamento se refere a valores recebidos a título de intercâmbio eventual pela Recorrente pela prestação de serviços a usuários de outras operadoras de saúde, em uma relação em que não há transferência de responsabilidade, conforme se extrai do seguinte trecho da decisão recorrida: “concluise que o atendimento em Intercâmbio ocorre nos casos em que uma operadora de saúde (Cessionária) presta serviços aos usuários de outra operadora de saúde (Cedente). Nestas condições, os custos do atendimento são assumidos pela Operadora de Origem (Cedente), mediante pagamento à Operadora Executora (Cessionária). Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.013 11 Após a realização da diligência solicitada por esta DRJ (Resolução nº 2.001.676, fls. 828/832), restou esclarecido que as deduções efetuadas pela Autuada (rubrica 331 – Intercâmbio Eventual) referemse aos recebimentos decorrentes da prestação de atendimento a beneficiários de outras operadoras de saúde da rede Unimed, situação na qual a Impugnante atuou como Operadora de Saúde Cessionária (vejase Termo de Informação Fiscal e Encerramento de Diligência, fls. 930/932). Inicialmente, cumpre lembrar que, conforme salientado no item III deste Voto, no período fiscalizado não foram detectados pela fiscalização valores oriundos de diferenças positivas havidas entre os custos de co responsabilidades assumidas (contas contábeis “3.1.1.3 – Contraprestações de Coresponsabilidade Assumida” e “4.1.1.5 – Eventos em Co responsabilidade Assumida de Assist.”) e valores ressarcidos por Operadoras Cedentes, os quais seriam passíveis de dedução nas bases de cálculo do Pis e da Cofins, em conformidade com o disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998(vejase o TVF, fl. 601). Examinando os Balancetes Analíticos Mensais do anocalendário 2009 (fls. 74/472) verificase que as receitas originadas da prestação de atendimento na Modalidade Intercâmbio Eventual foram contabilizadas no SubGrupo 333 (Outras Receitas Operacionais de Assistência à Saúde não Relacionadas com Planos de Saúde da Operadora) que, conforme o Plano de Contas instituído pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, consiste de grupo diverso das Receitas de Coresponsabilidades. De fato, na modalidade Intercâmbio Eventual, considerandose o caráter circunstancial e descontinuado do atendimento, a Operadora de Saúde Executora atua como prestadora de serviços conveniada da Operadora de Origem, não havendo que se falar em transferência de responsabilidade. De qualquer modo, a manifestação da Impugnante após a realização da diligência (documento de fls. 951/954) deixa claro que a mesma pretende deduzir as receitas originadas dos atendimentos na modalidade Intercâmbio Eventual, com fundamento no inc. III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, por entender que tais receitas destinamse a fazer frente aos custos operacionais decorrentes do atendimento aos usuários de outras operadoras do sistema Unimed, configurando indenizações de eventos ocorridos. Além disso, a Recorrente suscita a tese de que essas receitas traduzem atos cooperativos e, portanto, estariam fora do alcance da tributação pelo Pis e pela Cofins”. (grifos nossos) Para defender a improcedência do lançamento nessa parte, a Recorrente argumenta que a atividade em questão representaria um ato cooperativo “strictu sensu” e não implicaria em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, sendo apenas as cooperativas prestando serviços entre si pelo “atendimento estabelecido entre as Unimeds, por meio de normas, regras e diretrizes, consolidando a integração no Sistema Unimed e garantindo seu atendimento em todo território nacional” e, por isso, não estariam as receitas dela derivadas sujeitas à tributação pelo PIS/COFINS, por força do artigo 79, da Lei nº 5.764/1971. Fl. 1019DF CARF MF 12 O posicionamento defendido pela Recorrente tem lastro no artigo 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70/1991, que tem a seguinte redação: “Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades”. Acontece que essa isenção foi revogada pela Medida Provisória nº 2158 35/2001 (artigo 23), que, como observado pela decisão recorrida, deu início a uma série de alterações na forma de tributação das sociedades cooperativas, que culminou em uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida por diversas exclusões. Diante disso, a decisão recorrida rejeitou essa alegação, ao afirmar que “não procede a alegação da contribuinte de estar albergada na Lei nº 5.764/71, encontrandose à margem da incidência tributária em seus atos cooperativos, visto que após a revogação da isenção prevista no art. 6º, inc. I da LC nº 70/91 tais receitas passaram a compor as bases de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins”. Esse mesmo entendimento vem sendo exposto no CARF, como se verifica de recente julgado, no qual foi Redator Designado para Voto Vencedor o ilustre Conselheiro José Fernandes. Em detalhada análise da jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre a matéria, o ilustre Conselheiro teceu os seguintes comentários: “Especificamente em relação à tributação das receitas auferidas pelas cooperativas pela Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, depois de longa discussão sobre a matéria, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos RREE 598.085/RJ e 599.362/RJ, realizado sob regime de repercussão geral, nas assentadas dos dias 5 e 6 de novembro do corrente ano, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento aos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, para reconhecer que as receitas das cooperativas auferidas da prestação serviços a terceiros estava sujeita à tributação das referidas contribuições. E esse entendimento, sabidamente, por determinação regimental, deve ser replicado nos julgamento deste Conselho. (...) Em suma, da leitura dos referidos enunciados, extraise que, diferentemente do alegado pela recorrente, para a firme jurisprudência do STF os atos cooperativos (próprios ou internos) são aqueles realizados pela cooperativa com os seus próprios associados (cooperados) na busca dos seus objetivos sociais, e que as receitas provenientes dos atos (negócios jurídicos) praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviço integram o campo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.(...) Cabe ainda ressaltar, que, embora não tenha sido objeto dos referidos julgados, a leitura atenta do teor dos votos que respaldaram os respectivos acórdãos revela que, a partir da revogação dos preceitos legais que isentavam da tributação o ato cooperativo típico ou interno, as referidas contribuições também passaram incidir sobre as receitas provenientes dos mencionados atos”. (Processo nº 16682.720633/201450; Acórdão nº 3302003.136; 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 17/03/2016) Portanto, não se enquadrando as receitas auferidas pela Recorrente como ato cooperativo próprio e diante da revogação da isenção em referência, não merece prosperar o argumento suscitado pela Recorrente. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.014 13 Além disso, argumenta ainda a Recorrente que seriam legítimas as exclusões da base de cálculo da atividade de “intercâmbio eventual”, por se enquadrarem no artigo 3º, parágrafo 9º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, pois, segundo a Recorrente, “configuram indenizações de eventos ocorridos, para efeito da dedução da base de cálculo da COFINS, os pagamentos realizados tanto a título de intercâmbio, bem como a título de custo operacional pelas cooperativas de terceiros (...), desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras”. Ocorre que diferente do alegado pela Recorrente, os valores deduzidos e que foram objeto de lançamento não se referem a pagamentos por ela realizados em favor de terceiros, mas de valores por ela recebidos, em função da denominada atividade de intercâmbio eventual. De acordo com a petição de fls. 838839 apresentada pela Recorrente, por ocasião da realização de diligência, “a conta 3.3.3.1.1.9.0.0.1.1.0.0.1 – INTERCÂMBIO EVENTUAL registra o valor cobrado de outras UNIMEDS referente ao atendimento de beneficiários pertencentes a elas” e os valores registrados em tal conta “referemse a valores cobrados de outras UNIMEDS pelo atendimento, em nossa região, dos beneficiários delas, nas condições descritas na resposta nº 01, que representam atos cooperativos praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Portanto, os valores lançados se referem a recebimento e não a pagamentos realizados pela Recorrente, o que permite chegar à conclusão de que não estão incluídos nas deduções previstas no fundamento legal apontado, artigo 3º, parágrafo 9º, da Lei nº 9.718/1998, que tem a seguinte redação: “§ 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. (grifos nossos) Isso porque, o inciso I contempla apenas os valores pagos pelas cooperativas nas contratações em que há transferência da responsabilidade entre as operadoras, o que não ocorre no caso de “intercâmbio eventual”, atividades cujas distinções foram muito bem feitas pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, em Acórdão de sua relatoria, que peço licença para transcrever abaixo: “É de sumária nitidez a determinação contida na Lei nº 9.718/98 (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OPS), dos valores referentes às corresponsabilidades cedidas. Neste ponto, crucial é saber o que são “corresponsabilidade cedidas”. Fl. 1021DF CARF MF 14 Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações”. (Processo nº 13971.002373/200411; Recurso nº 131.729; Acórdão nº 3302001.765; 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 21/08/2012) Com isso, como já decidido neste Conselho, “a dedução prevista no art. 3º, § 9º, I, da Lei nº 9.718/98 só alcança os valores pagos a título de corresponsabilidades cedidas (transferência do risco), não se incluindo nesta dedução valores pagos a título de intercâmbio eventual”. (Processo nº 13864.720070/201121; Acórdão nº 3403003.333; 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária; Sessão de 15/10/2014; Relator: Antonio Carlos Atulim) Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 15940.720065/201355 Acórdão n.º 3401003.853 S3C4T1 Fl. 1.015 15 E, com relação à dedução do inciso III do parágrafo 9º do artigo 3º, como já analisado linhas acimas, a mesma se destina ao “total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”, não havendo que se deduzir valores a título de receitas recebidas pela Recorrente. Como exposto na decisão recorrida, “ainda que se entenda que tais receitas fazem frente aos custos dos eventos relativos aos atendimentos da modalidade Intercâmbio Eventual, não se pode olvidar que se trata de pagamentos recebidos das Unimed de Origem, em decorrência de eventos realizados em beneficiários destas últimas. Por conseguinte, esses valores configuram, em sua essência, indenizações suportadas pelas Unimed de Origem, e não pelas Unimed Executoras, como é o caso da Recorrente”. Pelo exposto, proponho a esse Colegiado conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1023DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720230/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação da referida área quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria.
Numero da decisão: 2202-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação da referida área quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 02 30 /2 01 0- 88 Fl. 157DF CARF MF 2 Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da Resolução nº 2101 000.166: O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0349.004 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2007, relativamente ao imóvel FAZENDA BRASIL (NIRF 3.331.8727), com área total declarada de 1936,0 ha., localizada no município de Cachoeiras de MacacuRJ. O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. No recurso voluntário repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação sem, contudo, trazer documentação comprobatória aos autos. A área declarada para o NIRF 3.331.8728, denominada Fazenda Brasil, tem 1.936 ha. sendo 1.935 de área de preservação permanente, pois está inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31343/2006. O restante, 1 ha. é de reserva legal. Informa que declarou a ADA para o exercício 2007 em nome da pessoa física responsável tributário da impugnante e acionista majoritário. Entende que a área da fazenda está localizada totalmente dentro do Parque Estadual dos Três Picos e, por isso, isenta do ITR. O referido ADA para o exercício 2007 não consta dos autos do processo. Para conhecimento, constam dos autos os documentos a seguir.. ADA exercício 2008 (fls. 44) para o imóvel Fazenda Brasil, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 19.360,00 ha, definidos como reserva legal. ADA exercício 2009 (fls. 47), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada área nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 46) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727, transmitido em 24/11/2010. O imóvel foi declarado com 1936 ha de área de preservação permanente e 1ha. com mineração. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10730.720230/201088 Acórdão n.º 2202004.149 S2C2T2 Fl. 158 3 Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro que cria o Parque Estadual dos Três picos e do decreto estadual 31343/2002. Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA (fls. 33). Cadastro técnico federal– certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária.(fls. 45) Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Argumenta com decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. Solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n. 07102/00006/2010, tendo em vista que a área declarada em sua declaração de ITR é de preservação permanente, sendo, portanto, isenta to imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 64 eprocesso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE INTERESSE ECOLÓGICO. Fl. 159DF CARF MF 4 Essas áreas ambientais, para serem excluídas do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou ter requerido em tempo hábil o respectivo ADA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal e do ato específico emitido por órgão competente, para a área localizada dentro de Parque Estadual. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN para o ITR/2006, efetuado com base no SIPT, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou de subavaliação do VTN, cabe exigí lo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. Intimado da referida decisão (AR fls. 75), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 77/84, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Em 16 de julho de 2004, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 2ª Seção, emitiu a Resolução 2101000.162, por meio da qual converteu o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Eduardo Souza Leão que assim dispôs: Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado "FAZENDA BRASIL", com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10730.720230/201088 Acórdão n.º 2202004.149 S2C2T2 Fl. 159 5 áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Em resposta, o Cartório do 1º Ofício de Cachoeiras de Macau RJ enviou a Certidão de fls. 134/135, na qual não consta averbação de qualquer área de preservação permanente. O INCRA informou, às fls. 149, que "não consta cadastrado no Sistema Nacional de Cadastro de Imóveis Rurais (SNCR) o nome do imóvel FAZENDA REUNIDA SÃO JOÃO JOAQUIM E PIDADE, localizada no município de Cachoeiras de Macacú. Por fim, o IBAMA, embora intimado, mais de uma vez, não apresentou resposta. O contribuinte foi intimado (AR fls. 151) para se manifestar sobre o resultado das diligência por (Intimação nº 382/2015) e não apresentou resposta. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme mencionado no relatório, a matéria objeto do presente recurso é de natureza eminentemente fática. Tratase da comprovação da área da preservação permanente declara pelo contribuinte em sua Declaração de ITR. De acordo com a Declaração de fls. 34, emitida pela Secretaria Municipal de Turismo, Meio Ambiente e Urbanismo do Município de Cachoeiras de Macacu, é possível constatar que a Fazenda Reunidas São Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil, encontrase em área de preservação permanente. Tal documento, todavia, não especifica qual a área da Fazenda está sujeita à preservação permanente. Sendo assim, pelo teor do mencionado documento, não é possível verificar se a área sujeita à preservação seria a área total do imóvel ou mesmo a área declarada pelo Recorrente em sua DITR. Da mesma forma, nenhum dos outros documentos trazidos pelo Recorrente demonstra que a área de preservação permanente coincide com aquela constante da sua declaração. Exatamente por isso a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 2ª Seção entendeu por bem baixar o processo em diligência para que a mencionada prova fosse corroborada pelos Cartórios de Registro de Imóveis, INCRA e IBAMA. Todavia, da certidão emitida pelo cartório não consta qualquer averbação no imóvel à título de preservação permanente ou reserva legal. O INCRA, por sua vez, declarou que o imóvel em questão não consta de seus cadastrados. E, por fim, o IBAMA, embora intimado, mais de uma vez, não atendeu a diligência. Fl. 161DF CARF MF 6 É importante ressaltar que o Recorrente foi intimado da decisão do CARF que converteu o processo em diligência, bem como do resultado da diligência. Todavia, não apresentou qualquer manifestação ou prova no sentido de esclarecer os pontos suscitados na diligência. Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação da referida área quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a dispensa de prévia comprovação não pode ser entendida para afastar a necessidade de o contribuinte, quando assim exigido pela autoridade fiscal, comprovar o cumprimento de exigências legais previstas para justificar as áreas ambientais que se pretende para fins de exclusão do cálculo do ITR, previstas na lei ambiental (Código Florestal) e legislação tributária (Lei 9.393/96 e Decreto nº 4.382/2002 – RITR). Em face do exposto, entendo que não restou suficientemente comprovada a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal objeto da glosa, motivo pelo qual, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 162DF CARF MF
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