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Numero do processo: 10183.906954/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.924
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 4/ 20 11 -4 1 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.906954/201141 Resolução nº 3201000.924 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10183.906954/201141 Resolução nº 3201000.924 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906954/201141 Resolução nº 3201000.924 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906954/201141 Resolução nº 3201000.924 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720261/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO DESPORTIVO. NATUREZA SALARIAL.
Os valores fixos e mensais pagos ao contribuinte, jogador de futebol, através de empresa constituída para esse fim, não pode ser considerado como retribuição pelo direito de uso de imagem de forma a não integrar os rendimentos tributáveis do contribuinte, se constatado que a remuneração paga pela licença seja mera contrapartida do trabalho do atleta, incidindo, no caso, o imposto de renda na pessoa física sobre tais rendimentos.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, visto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções.
RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA.
Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.
Numero da decisão: 2202-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto à infração de omissão de rendimentos: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Fernanda Melo Leal, que deram provimento ao recurso. Quanto à multa qualificada: por maioria de votos, desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que a manteve. Quanto à compensação: por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para compensar os tributos e contribuições pagos pela pessoa jurídica, relativos aos rendimentos reclassificados, com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO DESPORTIVO. NATUREZA SALARIAL. Os valores fixos e mensais pagos ao contribuinte, jogador de futebol, através de empresa constituída para esse fim, não pode ser considerado como retribuição pelo direito de uso de imagem de forma a não integrar os rendimentos tributáveis do contribuinte, se constatado que a remuneração paga pela licença seja mera contrapartida do trabalho do atleta, incidindo, no caso, o imposto de renda na pessoa física sobre tais rendimentos. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, visto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto à infração de omissão de rendimentos: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Fernanda Melo Leal, que deram provimento ao recurso. Quanto à multa qualificada: por maioria de votos, desqualificá-la, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que a manteve. Quanto à compensação: por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para compensar os tributos e contribuições pagos pela pessoa jurídica, relativos aos rendimentos reclassificados, com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO DESPORTIVO. NATUREZA SALARIAL. Os valores fixos e mensais pagos ao contribuinte, jogador de futebol, através de empresa constituída para esse fim, não pode ser considerado como retribuição pelo direito de uso de imagem de forma a não integrar os rendimentos tributáveis do contribuinte, se constatado que a remuneração paga pela licença seja mera contrapartida do trabalho do atleta, incidindo, no caso, o imposto de renda na pessoa física sobre tais rendimentos. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, visto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 61 /2 01 4- 13 Fl. 1309DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, quanto à infração de omissão de rendimentos: pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Fernanda Melo Leal, que deram provimento ao recurso. Quanto à multa qualificada: por maioria de votos, desqualificála, reduzindoa ao percentual de 75%, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que a manteve. Quanto à compensação: por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para compensar os tributos e contribuições pagos pela pessoa jurídica, relativos aos rendimentos reclassificados, com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício, vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que negou provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF em função da identificação de omissão de rendimentos, cumulada com a inclusão de responsável solidário. Tendo sido apresentadas Impugnações, a DRJ manteve o crédito, mas afastou a responsabilidade solidária. Ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 04/09/2014 foi formalizado Auto de Infração (fls. 5/17) para constituir crédito de IRPF referente aos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012 em função da "omissão de rendimentos decorrentes de cessão de direitos de uso de nome, voz e imagem". Conforme o Relatório Fiscal (fls. 19/29): "17. A pessoa jurídica E F CAMPOS ESPORTES LTDA foi utilizada como intermediária no recebimento de valores devidos a título de direitos de imagem, quando, na verdade, quem estava sendo remunerado era o sócio EDIMO FERREIRA CAMPOS. Utilizouse um artifício, com a finalidade de enquadrar rendimentos próprios da pessoa física em uma tributação menos onerosa. 18. Não foi apresentado qualquer documento de cessão dos direitos de imagem de EDIMO FERREIRA CAMPOS para E F CAMPOS ESPORTES LTDA. Ainda que exista tal documento, a referida cessão de direitos de imagem para E F CAMPOS ESPORTES LTDA é reputada inexistente materialmente, não Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.310 3 surtindo efeitos tributários, haja vista a natureza jurídica do direito de imagem, conforme analisado a seguir. 19. O direito à imagem constitui direito personalíssimo, indisponível e intransmissível, protegido pela Constituição Federal no art. 5º, incisos V, X e XXVIII, 'a'. Como tal, não pode ser alienado e apenas seu titular pode dele fruir e dispor. 20. O direito de imagem é uma das vertentes do direito da personalidade, tal como caracteriza o artigo 20 do Código Civil, incluído dentre os artigos que tratam do direito de personalidade. 21. O próprio Código Civil, em seu artigo 11, estabelece a intransmissibilidade dos direitos da personalidade (dos quais, o direito à imagem é parte integrante), salvo previsão legal em contrário. 22. Dessa forma, o direito de imagem não pode ser transmitido a outra pessoa para que esta o negocie como se titular desse direito fosse. Apenas o real titular do direito pode explorálo comercialmente. Assim, o proveito econômico decorrente da exposição da imagem, todavia, sempre será do seu titular, pois apenas este pode licenciar o uso de sua imagem. 23. Portanto, a empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA não poderia negociar, em nome próprio, os direitos de imagem de um dos seus sócios, em razão da impossibilidade lógico jurídica de ser detentora/titular de tais direitos. 24. Conforme analisado anteriormente, verificase a vinculação da vigência dos contratos firmados com SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS e UNIMEDRIO à relação de trabalho do jogador com os clubes PALMEIRAS e FLUMINSENSE, respectivamente, bem como o estabelecimento de uma série de obrigações pessoais ao jogador. Vemos que a relação contratual entre a pessoa jurídica e os contratantes está apoiada na relação do sócio com o clube, na qualidade de jogador, evidenciando o caráter pessoal dessa relação e consequentemente dos rendimentos. 25. Disseminouse no meio esportivo brasileiro, de um modo geral, a prática de se remunerar o direito de uso de imagem de atletas por meio de pagamentos a pessoas jurídicas. Apesar desse “padrão”, tal prática revelase irregular para fins tributários. O direito de uso de imagem deve considerar o caráter personalíssimo da remuneração de que trata. Está claro que a remuneração pelo direito à imagem só poderia ter ocorrido na pessoa física do atleta, único detentor de tal direito, independendo de intermediação feita por pessoa jurídica. (...) 29. É legítimo que, diante de duas formas possíveis de se efetuar um negócio, a escolha do contribuinte recaia sobre aquela que lhe impõe um menor ônus tributário. É o que se chama de "elisão Fl. 1311DF CARF MF 4 fiscal", permitida pela legislação. Não obstante, é preciso que as diferentes opções de operação estejam de fato disponíveis, sejam legítimas. No caso analisado, a forma utilizada não corresponde à realidade, é uma ficção. Não basta que a pessoa física vista uma "capa" de pessoa jurídica e emita notas fiscais. A situação jurídica deve corresponder à situação de fato. Em não correspondendo, o que ocorre é a "evasão fiscal", não permitida pelo ordenamento jurídico, sendo nesta situação que o caso analisado se enquadra." fls. 25/26; (...) "34. Estabelecida a natureza personalíssima dos direitos de imagem de EDIMO FERREIRA CAMPOS, a descrição dos fatos aponta a ocorrência, em tese, de simulação por parte dos contratantes e beneficiários (autuado, clube e empresas contratantes), em cujo cerne está o dolo de fraudar o pagamento de ônus fiscais (além de trabalhistas e previdenciários). (...) 36. É o que se depreende dos fatos já narrados: uma total desconformidade entre a realidade (a contratação dos serviços da pessoa física do sócio representante) e a manifestação de vontade declarada (através de contratos entre a pessoa jurídica E F CAMPOS ESPORTES LTDA e SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS e UNIMEDRIO). 37. Não resta dúvida de que o verdadeiro contratado nos instrumentos firmados com a empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA foi a pessoa física do sócio EDIMO FERREIRA CAMPOS. Todos os envolvidos tinham plena consciência disto. (...) 40. Por se tratar de simulação, a infração do item IV.1 enquadrase no preceito estabelecido no Artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei n.° 9.430/96 (com alterações posteriores), sujeitandose à multa de ofício qualificada." fl. 28; (...) "41. E F CAMPOS ESPORTES LTDA é responsável solidário, com base no art. 124, inciso I, da Lei n.° 5.176/66 (Código Tributário Nacional), tendo em vista o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. 42. A pessoa jurídica, representada pelo próprio contribuinte EDIMO FERREIRA CAMPOS, seu sócio administrador, atuou na simulação, servindo de intermediária para a cessão de direitos de uso de nome, voz e imagem, firmando contratos e emitindo notas fiscais, conforme já exposto neste relatório. 43. Destaquese que a receita da empresa no período de 2010 a 2012 provém exclusivamente dos rendimentos ora imputados à pessoa física, fato gerador do lançamento." fl. 29. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.311 5 Intimado em 09/09/2014 (fl. 265), o Contribuinte apresentou Impugnação em 07/10/2014 (777/795 e docs. anexos fls. 796/1.215). A Responsável Solidária, intimada no mesmo 09/09/2014 (fl. 270), apresentou impugnação em 07/10/2014 (fls. 273/293 e docs. anexos fls. 294/774). Chegando à DRJ, esta proferiu o acórdão nº 1276.909, de 17/06/2015 (fls. 1.230/1.257), que deu provimento parcial à Impugnação, tão somente para excluir o sujeito passivo solidário, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Restando comprovado que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de reduzir indevidamente sua base de cálculo, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, omitindo rendimentos em sua declaração de ajuste anual, a fim de se eximir do imposto devido. COMPENSAÇÃO DE IRPJ COM IRPF. A pessoa física, em seu nome, não pode pleitear os impostos apurados, lançados e recolhidos, mesmo que indevidamente, pela pessoa jurídica, sendo que, a única entidade competente para pleitear a restituição deste indébito é a própria pessoa jurídica, na forma da legislação e por meio de seus representantes. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, porque, conforme legislação vigente, ela compõe o crédito tributário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Somente cabe a responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário quando ficar demonstrado o interesse comum na situação que constitui fato gerador da respectiva obrigação. Fl. 1313DF CARF MF 6 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido. Intimado da decisão de 1º grau em 23/06/2015 (fl. 1.268), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/07/2015 (fls. 1.271/1.291), argumentando, em síntese: · Que os direitos personalíssimos têm dois vieses: o moral, que não admite cessão, e o patrimonial, que admite a cessão e a exploração econômica. Nesse contexto, conclui ser válida a cessão de direitos de exploração da imagem do jogador; · Que o art. 92 da Lei nº 9.610/1998 fundamenta a diferenciação entre o aspecto moral e o aspecto patrimonial do direito de imagem; · Que não houve simulação nem conluio, porquanto as partes declararam exatamente a realidade do negócio que perfazia; · Que devem ser compensados os valores recolhidos pela pessoa jurídica com os valores lançados na pessoa física, sob pena de se configurar enriquecimento ilícito e sem causa; · Que o Contribuinte não agiu com dolo, mas sim em conformidade com a legislação, inclusive levando a pessoa jurídico a manter integral e corretamente a sua contabilidade e declarações tributárias; e · Que deve ser excluída a multa de ofício nos termos da Súmula CARF nº 73 ou, subsidiariamente, ser aplicada a Súmula CARF nº 14. Enfim, em caso de persistência da dúvida quanto à existência ou não de dolo, deve ser aplicada a regra do art. 112 do CTN. A responsável solidária foi intimada da decisão em 24/06/2015 (fl. 1.269). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da tributação do serviço personalíssimo por meio de pessoa jurídica: O mérito da lide recai sobre a viabilidade ou não da exploração dos direitos patrimoniais, com a tributação dos respectivos rendimentos, por meio de pessoa jurídica. Como se observa do Relatório Fiscal, a fundamentação da autoridade lançadora focou exclusivamente na inviabilidade da cessão do direito de imagem para pessoa jurídica. Argumentou que, tratandose de direito personalíssimo, não poderia ser transferido para terceiro para que este a explorasse economicamente; que, em verdade, a referida exploração econômica só poderia ser feita pelo próprio indivíduo, pessoa física, titular do direito personalíssimo. Nesse caminho, reclassificou os rendimentos provenientes do Palmeiras Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.312 7 (2010) e da UnimedRio (2011 e 2012), retirandoos da pessoa jurídica e atribuindoos à pessoa física do ora Recorrente. O acórdão recorrido, registrando que não se confundem o contrato de exploração do direito de imagem com o contrato de trabalho, e admitindo a viabilidade em tese da operação adotada pelo Contribuinte, concluiu que ocorreu simulação no caso concreto, o que levou à desconfiguração do negócio como firmado. Efetivamente, anotou que, diante das circunstâncias fáticas, ficou claro que o negócio firmado entre o Contribuinte, a pessoa jurídica e as fontes pagadoras serviram exclusivamente para dissimular o pagamento direto das fontes pagadoras ao Contribuinte, e, com isso, reduzir a tributação. Isso porque a única fonte de receita da pessoa jurídica era a exploração do direito de imagem do Contribuinte; também, porque o Contribuinte era o principal sócio da empresa (com 95% das cotas), sendo que a outra sócia era sua esposa, que não realizava qualquer atividade esportiva. Em seu recurso, por sua vez, o Contribuinte se escora na viabilidade da operação jurídica. Argumenta que os direitos personalíssimos podem ser observados por dois aspectos: (1) o moral, este intransmissível; e (2) o patrimonial, passível de exploração econômica e de cessão. Nesse contexto, indicando o art. 129, da Lei nº 11.196/2005, os arts. 24, 25, 90, §2º, e 92 da Lei nº 9.610/1998, o art. 87A da Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé), e os arts. 83, III, e 980A, §5º, do CC/2002, bem como a ausência de proibição expressa, concluiu ser sim possível a operação jurídica como realizada. Pois bem. Em primeiro lugar, é importante registrar, como fez a autoridade julgadora de 1º grau, que os contratos de cessão de direito de imagem e de trabalho não se confundem. São, efetivamente, de natureza diversa um civil e outro trabalhista e, no caso concreto, apenas uma das fontes pagadora cumulou o posto de empregadora do Contribuinte e de autorizada, pela pessoa jurídica, a explorar os direitos de imagem do atleta. O que é mais, o lançamento não toca no assunto, não havendo qualquer acusação de que se trataria de confusão negocial. Pelo contrário, fundamentou o lançamento exatamente no fato de que os rendimentos eram provenientes da exploração do direito de imagem e que este, por ser personalíssimo, era intransmissível. Mais, foi expressa em afirmar que: "30. Foram apuradas as seguintes infrações: IV. 1. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE CESSÃO DE DIREITOS DE USO DE NOME, VOZ E IMAGEM 31. Conforme constatado anteriormente, os rendimentos recebidos em decorrência da cessão de direitos de uso de nome, voz e imagem de EDIMO FERREIRA CAMPOS devem ser tributados na pessoa física do fiscalizado. 32. Os rendimentos recebidos de SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS (no ano de 2010) e UNIMEDRIO (nos anos de 2011 e 2012) foram listados nas Tabelas 1 e 2 e estão totalizados na Tabela 3. (...) Fl. 1315DF CARF MF 8 33. Tendo em vista que o contribuinte não declarou estes rendimentos em suas Declarações de Ajuste Anual dos respectivos exercícios 2011, 2012 e 2013, restou caracterizada infração de omissão de rendimentos decorrentes de cessão de direitos de uso de nome, voz e imagem, sujeita à multa de ofício qualificada de 150%, conforme item V. Manter o lançamento por esse motivo constituiria, portanto, inovação por parte da DRJ. Passando ao cerne da questão, é interessante anotar que o tema da possibilidade de constituir uma pessoa jurídica para explorar os direitos de imagem de uma pessoa física não é novo e já causou inúmeras discussões acaloradas neste e.CARF. Contudo, a Lei nº 111.196/2005, especificamente em seu art. 129, veio por fim à discussão, estabelecendo expressamente que: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Ora, não restam dúvidas de que é possível a exploração dos benefícios econômicos dos direitos personalíssimos, inclusive o direito de imagem, por meio de pessoa jurídica. Não é necessário, no presente caso, enveredar pela discussão da aplicabilidade retroativa ou não dessa norma, vez que os fatos geradores se referem ao anocalendário de 2010, 2011 e 2012, posteriores à sua promulgação. Nem se argumente, como fizeram a autoridade lançadora e a DRJ, que o negócio jurídico foi simulado porquanto o Contribuinte era titular de 95% das cotas e que a única receita da pessoa jurídica provinha da exploração dos seus direitos de imagem. A verdade é que a Lei nº 12.441/2011, que alterou o Código Civil de 2002 para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada, insculpiu no Códex Civil o art. 980A, §5º, que determina expressamente: Art. 980A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. (...) § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. Ora, quem pode o mais, pode o menos: se é expressamente permitida a criação de uma EIRELI com o objetivo de explorar os direitos patrimoniais da cessão do direito de imagem, certamente também será permitida essa atividade a uma sociedade limitada. O simples fato de que a pessoa jurídica foi criada especificamente para explorar os direitos de Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.313 9 imagem do Recorrente, e não de outras pessoas cumulativamente, não implica em ilicitude nem abuso de poder. Em suma, uma vez que é lícita a cessão dos direitos patrimoniais de imagem do atleta para uma pessoa jurídica, e que não se configurou simulação no ato, entendo que deve ser cancelado o auto de infração. Nessa esteira, uma vez que entendo por dar provimento ao Recurso Voluntário, deixo de me pronunciar sobre a questão da compensação dos tributos recolhidos pela empresa e da multa qualificada, suscitadas subsidiariamente pelo Contribuinte. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado. Inobstante o bem fundamentado voto do Ilustre Relator, peço vênia para divergir pelas seguintes razões. Com o advento da Lei nº 11.196/2005, notadamente o art. 129, a partir de 1º de janeiro de 2006 foi introduzido tratamento tributário novo aos rendimentos oriundos de prestação de serviços personalíssimos executada por meio de pessoas jurídicas, não havendo, em princípio, qualquer proibição ou vedação para a contratação de pessoas jurídicas para a prestação de tais serviços. Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. O referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um atleta, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica. Nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. Fl. 1317DF CARF MF 10 Esse entendimento sobre a possibilidade de os rendimentos oriundos de prestação de serviços personalíssimos serem tributados pelas pessoas jurídicas é reforçado pela leitura da Medida Provisória MP nº 690/2015, que pretendeu alterar as regras de tributação das receitas das pessoas jurídicas provenientes da exploração do direito de uso de imagem. Art. 8º A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 25. ....................................................................... § 6º As receitas decorrentes da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular ou o sócio da pessoa jurídica devem ser adicionadas à base de cálculo sem a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995.” (NR) “Art. 27. ....................................................................... § 8º As receitas decorrentes da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular ou o sócio da pessoa jurídica devem ser adicionadas à base de cálculo sem a aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995.” (NR) “Art. 29. ...................................................................... Parágrafo único. As receitas decorrentes da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular ou o sócio da pessoa jurídica devem ser adicionadas à base de cálculo sem a aplicação dos percentuais de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995.” Os artigos 25 e 27 da Lei nº 9.430/96 referemse à tributação da pessoas jurídicas pelo lucro presumido e pelo lucro arbitrado, respectivamente, enquanto o art. 29 diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vejamos a exposição de motivos da MP nesse ponto: 6. O segundo ponto deste projeto diz respeito à tributação incidente sobre a cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular ou o sócio da pessoa jurídica. Atualmente, diversos profissionais constituem pessoas jurídicas para o recebimento dos rendimentos de cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz (personalíssimos). Esses rendimentos podem estar sujeitos ao percentual de presunção quando a empresa opta pela tributação com base no lucro presumido. 7. Especificamente em relação à presunção do lucro, ao aplicar o percentual de presunção (32%) aos rendimentos recebidos a título de cessão de tais direitos, presumese que o restante do rendimento (68%) foi consumido na geração deste rendimento, o que não representa a realidade nas atividades personalíssimas. 8. Tais atividades não demandam estruturas físicas e profissionais bancadas pelo profissional que cede os direitos autorais, a imagem, nome, marca ou voz para a realização das Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.314 11 tarefas, permanecendo tal estrutura custeada pelo contratante de seus serviços. 9. Portanto, as receitas auferidas em decorrência dessas atividades não requerem aplicação de percentual de redução de lucro presumido, já que não se presumem despesas decorrentes de seu exercício. 10. Sempre é bom lembrar que a tributação pela sistemática do lucro presumido é opcional, permanecendo como regra a tributação pelo lucro real, onde todas as despesas podem ser deduzidas na apuração da base de cálculo do IRPJ. 11. Ademais, , tais atividades, de cunho personalíssimo, possuem remuneração que se enquadram economicamente como verdadeiros rendimentos de trabalho e não de capital. 12. O art. 8º altera os arts. 25, 27 e 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, buscando mitigar a diferença existente entre a tributação da remuneração de cunho personalíssimo como rendimento de pessoa física e como renda da pessoa jurídica pelo lucro presumido ou pelo lucro arbitrado. Embora o art. 8º da MP nº 690/2015 tenha sido vetado quando da sua conversão em lei, a sua propositura veio demonstrar a possibilidade de tributação na pessoa jurídica das atividades de cunho personalíssimo. A opção pela tributação na pessoa jurídica relativa à remuneração decorrente de cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem já existia para as empresas individuais de responsabilidade limitada EIRELI , criadas pela Lei nº 12.441/2011, que introduziu o art. 980A na Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). Art. 980A – [...] 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. Sobre esse assunto, transcrevo abaixo excerto do voto vencedor do ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 10617.147, de 05/11/2008. Inicialmente, se havia alguma dúvida quanto à possibilidade de cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física para pessoa jurídica, mesmo que a primeira seja sócia da segunda, tal dúvida dissipouse inteiramente com a Lei nº 12.441/2011, que incluiu o art. 980A do Código Civil, permitindo a transferência de tais direitos para a nova empresa individual de responsabilidade limitada. Ora, se pode ocorrer a transferência para a empresa individual, com muito mais razão para a sociedade simples ou empresária, no vigente Estatuto Civil, ou para as sociedades comerciais ou civis de profissão regulamentada, tipologia societária do Estatuto Fl. 1319DF CARF MF 12 decaído. Eis a nova dicção do art. 980A do Código Civil, com a redação dada pela Lei nº 12.441/2011: [...] Apesar da alteração acima ter sido efetuada no Código Civil vigente, devese reconhecer que não há qualquer óbice a impedir a atribuição dos direitos já referidos à sociedade comercial ou civil de profissão regulamentada do Código de 1916, até porque a proteção aos direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física tem sede no art. 5º, XXVII (aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar), XXVIII, “a” (são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas), da Constituição da República, não se podendo dizer que o art. 980A, § 5º, do Código Civil tenha criado um instituto de cessão de direito não existente anteriormente, ou seja, considerando a constitucionalização do direito civil, forçoso entender que a possibilidade de cessão dos direitos citados existe, pelo menos, desde o advento da Constituição de 1988. Assim, não resta dúvida quanto à possibilidade de cessão para a pessoa jurídica de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física. Entretanto, o artigo 129 da Lei nº 11.196/2005 deve ser interpretado sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro, não possuindo o condão de afastar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o trabalhador – contratado sob o manto de pessoa jurídica – e o empregador. Para que essa forma de contratação seja considerada e gere efeitos, tornase necessário que a constituição da pessoa jurídica prestadora de serviços seja verdadeira e efetiva, o que no presente caso não ocorreu, conforme veremos a seguir. A imagem como bem jurídico teve seu direito tutelado pela Constituição Federal, no art. 5º, inciso X, bem como no Código Civil de 2002, art. 20, e possui algumas características peculiares. Além de direito personalíssimo, é absoluto oponível erga omnes , indisponível não pode se dissociar do corpo humano , indissociável impossível não associá la àquela pessoa e imprescritível inexistindo prazo legal para defendêlo em Juízo , podendo ser objeto de contrato entre pessoas físicas e jurídicas. Em relação a atletas e, em especial a jogadores de futebol, há grande dissenso na doutrina quando se discute qual seria a natureza jurídica das verbas pagas a título de direito de uso da imagem. Há quem entenda que a cessão do direito de imagem só existe em virtude da profissão de atleta, ou seja, os clubes ou seus patrocinadores celebram com o jogador ou com uma pessoa jurídica por ele constituída um contrato pelo qual irão divulgar a imagem do atleta, inclusive vinculandoa à venda de produtos. Assim, como o referido contrato é celebrado somente em função da relação de emprego entre o clube e o atleta, não haveria dúvida de que o pagamento efetuado em razão do direito de imagem tem natureza salarial e assim deve ser tributado. Por outro lado, existe um entendimento de que o contrato de cessão de direito do uso de imagem, por ser autônomo, paralelo e inconfundível com o contrato desportivo, Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.315 13 integra um direito da personalidade do atleta e pode ser cedido, tendo finalidade distinta do salário. Entendo que a distinção entre as finalidades dos contratos de cessão de direito de imagem somente pode ser aferida no caso concreto e uma indagação a ser feita, de crucial importância para o deslinde da questão, é se o contrato de direito de uso de imagem é autônomo em relação ao contrato de trabalho. Sendo positiva a resposta, é possível que se esteja diante de um contrato de natureza civil e os rendimentos dele provenientes não integram a remuneração do atleta, a depender de outras variáveis a serem analisadas caso a caso. De modo contrário, não havendo autonomia entre o contrato de direito de uso de imagem e o contrato de trabalho, o que se tem é um contrato simulado, com a intenção de mascarar a real remuneração do esportista, com especial interesse na diminuição do pagamento dos tributos, tanto pelo contratante como pelo contratado. No caso em exame, o Relator entendeu que a fundamentação da autoridade lançadora focou exclusivamente na inviabilidade da cessão do direito de imagem para pessoa jurídica. No entanto, com a devida vênia, vejo que essa não é a melhor interpretação a ser dada aos fundamentos do lançamento, pois se verifica pelo Relatório Fiscal de fls. 19/29 que uma das razões que o sustentam é justamente a vinculação entre os ditos contratos de imagem e os contratos de emprego com os clube. Vejamos o que diz o relatório fiscal: 10. Durante as vigências dos contratos de trabalho com o PALMEIRAS e o FLUMINENSE, o fiscalizado era sócio administrador da empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA. Alguns aspectos relevantes de seu Contrato Social de Constituição, registrado na Junta Comercial em 03/06/2005, estão a seguir destacados: [...] 11. Foi firmado Instrumento Particular de SubLicenciamento de Imagem, exclusivamente do sócio EDIMO FERREIRA CAMPOS, entre SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS (sublicenciada) e E F CAMPOS ESPORTES LTDA (sublicenciante), com vigência de 01/01/2010 a 31/12/2013, sendo estabelecidos pagamentos para todo o período. No entanto, o contribuinte informou que o contrato foi rescindido em 2010, com emissões de notas fiscais até setembro de 2010. Este contrato, em suas cláusulas 3.2 a 3.6, estabelece obrigações pessoais do atleta e, nas cláusulas 2.2 e 2.3, vincula a vigência e os pagamentos ao vínculo empregatício do atleta junto ao clube ao estabelecer: “2.2. Rescindido o presente instrumento, por força de lei, ou em razão da rescisão do Contrato de Trabalho do EDINHO com a SUBLICENCIADA, a SUB LICENCIADA deverá pagar à SUBLICENCIANTE os valores estabelecidos na cláusula 4.1 abaixo, que estiverem vencidos quando da rescisão, e que ainda não tiverem sido quitados”. 2.3. Caso, por qualquer motivo, exceção feita às contusões, acidente do trabalho, férias, convocação para seleção, EDINHO, interromper suas atividades junto a equipe de futebol da SUBLICENCIADA por um período superior a Fl. 1321DF CARF MF 14 15 (quinze) dias por motivos extracontratuais ou alheios às atividades da SUBLICENCIADA, o presente contrato ficará suspenso sem vencimentos, até o efetivo retorno de EDINHO às atividades”. [...] 14. Em 11/01/2011 foi firmado Instrumento Particular de Contrato de Licenciamento de Direitos de Uso de Nome, Voz e Imagem, exclusivamente do sócio EDIMO FERREIRA CAMPOS, entre UNIMEDRIO (contratante), E F CAMPOS ESPORTES LTDA (contratada) e EDIMO FERREIRA CAMPOS (anuente aceitante), com vigência de 11/01/2011 a 31/12/2013, sendo estabelecidos na Cláusula Oitava pagamentos mensais para o período. Este contrato relaciona as obrigações do sócio na divulgação da marca UNIMEDRIO a seus serviços como atleta profissional de futebol do FLUMINENSE (vide Anexo ao contrato) e elenca como hipótese de rescisão o rompimento do vínculo de emprego do atleta com o FLUMINENSE (cláusulas Décima Primeira, Décima Segunda e Décima Terceira). “Cláusula Décima Primeira: Na hipótese do ANUENTE ACEITANTE voluntariamente romper, sem justa causa, o vínculo de emprego que mantém com o Fluminense Football Club, durante o período de vigência do presente contrato, e/ou na hipótese da CONTRATADA rescindir esta avença, de forma unilateral e imotivada, o ANUENTE ACEITANTE e a CONTRATADA ficam solidariamente sujeitos ao imediato pagamento de multa à CONTRATANTE proporcional ao tempo de vigência deste contrato nos seguintes montantes: (...) Cláusula Décima Segunda: A CONTRATANTE poderá rescindir a presente contratação, independentemente de qualquer aviso ou notificação, judicial ou não, sem que fique sujeita a pagamento de qualquer multa rescisória, na hipótese do vínculo de emprego do ANUENTE ACEITANTE, como atleta profissional de futebol, ser suspenso, por justa causa ou vir a ser rescindido, igualmente por justa causa, pelo Fluminense Football Club (...) Cláusula Décima Terceira: A CONTRATANTE poderá rescindir a presente contratação, independentemente de qualquer aviso ou notificação, judicial ou não, na hipótese do vínculo de emprego do ANUENTE ACEITANTE, como atleta profissional de futebol, ser suspenso sem justa causa ou vir a ser rescindido, igualmente sem justa causa, pelo Fluminense Football Club, ficando, nesse caso, sujeita ao pagamento de multa (...) Parágrafo Único: A CONTRATANTE ficará isenta do pagamento da multa prevista no caput desta cláusula no caso vínculo de emprego do ANUENTE ACEITANTE, como atleta profissional de futebol, com o Fluminense Football Club, vir a ser suspenso rescindido, em razão da regular transferência à outra agremiação desportiva ou Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.316 15 sociedade a esta equivalente, nacional ou estrangeira, em caráter provisório ou permanente.” [...] 24. Conforme analisado anteriormente, verificase a vinculação da vigência dos contratos firmados com SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS e UNIMEDRIO à relação de trabalho do jogador com os clubes PALMEIRAS e FLUMINSENSE, respectivamente, bem como o estabelecimento de uma série de obrigações pessoais ao jogador. Vemos que a relação contratual entre a pessoa jurídica e os contratantes está apoiada na relação do sócio com o clube, na qualidade de jogador, evidenciando o caráter pessoal dessa relação e consequentemente dos rendimentos. (destaquei) Percebese, portanto, que não há uma autonomia entre os contratos de trabalho firmados pelo Contribuinte atleta com os clubes Palmeiras e Fluminense e os contratos de licenciamento dos direitos de sua imagem, celebrados entre o clube Palmeiras e a empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA e entre esta e a UnimedRio (vinculado ao contrato com o Fluminense), conforme atestado pela autoridade fiscal. Dessa forma, podese concluir que, de acordo com a Fiscalização, havia uma vinculação entre os contratos de trabalho e a exploração econômica do direito de imagem do sujeito passivo, cujos contratos foram firmados entre o clube Palmeiras e a empresa da qual o atleta é sócio, assim como entre esta e a empresa UnimedRio (vinculado ao Fluminense), tendo como objetivo a redução da tributação do imposto sobre a renda da pessoa física, no caso do Recorrente, e a redução de outros encargos legais, em relação aos clubes esportivos. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é farta no sentido de que a verba paga pelo clube ao atleta profissional a título de cessão do uso do direito de imagem possui natureza remuneratória, ligada diretamente ao contrato de trabalho, porque decorre fundamentalmente do desempenho de suas atividades na entidade desportiva. É o que se depreende dos seguintes julgados: [...] RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. Nos termos do atual entendimento jurisprudencial desta Corte superior, é salarial a renda auferida pelo atleta profissional de futebol a título de direito de imagem, por tratarse de verba paga por força do contrato de emprego. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. [...] (RR880058.2004.5.04.0028, 1ª Turma, Rel. Desembargador Convocado José Maria Quadros de Alencar, DJ de 8/11/2013. RECURSO DE REVISTA DIREITO DE IMAGEM NATUREZA JURÍDICA INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. A renda auferida pelo atleta profissional de futebol pelo uso de sua imagem por parte do clube que o emprega possui natureza salarial e deve ser integrada à sua remuneração para todos os fins. Isso porque constitui uma das formas de remunerar o Fl. 1323DF CARF MF 16 jogador pela participação nos eventos desportivos disputados pela referida entidade, decorrendo, pois, do trabalho desenvolvido pelo empregado. Precedentes deste Tribunal. Recurso de revista conhecido e provido. (RR60800 81.2007.5.04.0011, 1ª Turma, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, DJ de 13/5/2011). [...] DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA JURÍDICA. O Tribunal Regional declarou que o direito de imagem detém evidente natureza trabalhista, que lhe é inerente, em se tratando de pagamento oriundo da relação empregatícia. Sob tal premissa, a Corte de origem decidiu negar provimento ao recurso ordinário interposto pelo Reclamado e manter a sentença na parte em que se reconheceu a natureza remuneratória do direito de imagem e se impôs condenação ao pagamento de diferenças a esse título. No recurso de revista, o Reclamado afirma que o direito de imagem possui caráter indenizatório, porque foi pactuado em contrato civil, totalmente alheio ao contrato de trabalho. Esta Corte Superior tem decidido que a verba paga pela entidade desportiva ao atleta a título de cessão do uso do direito de imagem possui natureza remuneratória, porque a imagem do atleta decorre diretamente do desempenho de suas atividades profissionais. Portanto, a decisão recorrida está de acordo com a jurisprudência desta Corte Superior e não merece reforma. Recurso de revista de que se conhece, ante a demonstração de divergência jurisprudencial, e a que se nega provimento, no mérito. (RR716100 50.2008.5.09.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Fernando Eizo Ono, DJ de 15/3/2013) [...] DIFERENÇAS SALARIAIS. DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA JURÍDICA DA PARCELA. O eg. TRT considerou que a parcela paga como contraprestação pelo uso da imagem do reclamante, de forma fixa, mensal e no decorrer do contrato de trabalho, detém natureza jurídica salarial, razão por que deve integrar a remuneração do autor. Não se trata, no caso dos autos, de ofensa ao direito de imagem garantido constitucionalmente, passível de reparação moral e material, mas de remuneração pela utilização da imagem do autor, em razão do contrato de trabalho firmado entre as partes. Conquanto decorra de direito personalíssimo de natureza civil, no caso concreto a parcela está ligada diretamente do contrato de trabalho e remunera o profissional pela participação em partidas disputadas em favor do clube reclamado. Portanto, a parcela detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins. Precedentes. Recurso de revista conhecido e desprovido. [...] (RR99047.2011.5.09.0028, 6ª Turma, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, DJ de 13/12/2013) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO (LEI Nº 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.317 17 Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em consequência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fáticojurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 639 35.2010.5.02.0083, 3ª Turma, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Publicação: 21/06/2013). No voto vencedor do Recurso Ordinário nº 0004920082.2009.5.01.0009, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Acórdão publicado em 29/07/2011), cuja decisão foi mantida pelo TST, o Desembargador Jorge F. Gonçalves da Fonte assim se pronunciou sobre essa matéria: [...] A prática de pagamento de salários por fora é uma característica negativa desse ramo profissional. As agremiações desportivas que difundem a maior paixão nacional remuneram seus atletas com altos salários e, com raras exceções, esquecem se de aprovisionar recursos para honrar seus compromissos sociais e tributários, isto sem levar em consideração os constantes atrasos no pagamento dos próprios salários dos jogadores. Criouse, então, esse sofisma de direito de imagem, entabulado em instrumento normalmente firmado por empresa constituída pelos respectivos atletas, indiscutível pacto adjeto do contrato de trabalho, que , em resumo, era proveitoso para as duas partes. O clube entende que fica imune aos encargos Fl. 1325DF CARF MF 18 sociais, mormente em relação ao FGTS que deixa de incidir sobre a cessão do direito de imagem, enquanto que o jogador, sob o abrigo de uma pessoa jurídica, recebe significativa vantagem no que tange ao imposto de renda, com alíquota mais baixa comparada ao percentual atribuído a qualquer pessoa física que aufere rendimentos por seu trabalho.[...] Assim, entendo que os valores recebidos pela empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA da SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS (no ano de 2010) e da UNIMEDRIO (nos anos de 2011 e 2012), a título de direitos de imagem do atleta EDIMO FERREIRA CAMPOS constituíamse, na realidade, em uma complementação da remuneração da força de trabalho do jogador em prol das agremiações desportivas Palmeiras e Fluminense, respectivamente, devendo ser tributados na sua pessoa física. Face ao exposto, deve ser mantida a tributação na pessoa física do fiscalizado, conforme apurado pela autoridade fiscal. Qualificação da multa Com o devido respeito ao entendimento da autoridade fiscal, penso que não merece prosperar a sua tese de que ocorreu fraude, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, entendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção de fraude. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a redução da tributação, mediante o pagamento dos tributos na pessoa jurídica. No entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores da qualificação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim definem: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.318 19 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte de que poderia tributar seus rendimentos na pessoa jurídica, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a emissão de notas fiscais, registro nos livros fiscais e pagamento dos tributos na pessoa jurídica, além do que os atos praticados foram regularmente formalizados e registrados. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, visto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Desse modo, voto por desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Compensação dos impostos pagos pela pessoa jurídica No que concerne ao pedido de compensação, entendo que assiste razão ao Recorrente, uma vez que não seria razoável reclassificar as receitas da empresa para rendimentos da pessoa física e obrigar que a empresa solicite uma restituição ou uma compensação posterior, sofrendo o ônus de eventual decadência do direito creditório e Fl. 1327DF CARF MF 20 principalmente da exigência da multa de ofício lançada no presente processo, quando já se sabe que houve pagamento parcial dos tributos sobre tais rendimentos, ora reclassificados. Nesse sentido, temos as seguintes decisões deste Conselho: RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. (Acórdão nº 2102002.441, data de publicação: 11/03/2013, rel. Núbia Matos Moura). RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. (Acórdão nº 2801002.280, data de publicação: 21/10/2012, rel. Tânia Maria Paschoalin). IRPF RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. (Acórdão nº 2202 00252, data de publicação: 23/09/2009, rel. Antonio Lopo Martinez). Cabe aqui transcrever excerto do voto da ilustre Conselheira Núbia Matos Moura sobre o assunto, no Acórdão nº 2102002.441: Já no que diz respeito à alegação da defesa de que a autoridade fiscal deveria ter compensado com o crédito tributário apurado os tributos recolhidos pela Mercury (item 5), temse que embora se reconheça que a pessoa jurídica Mercury e o seu sócio majoritário sejam pessoas distintas, não se pode desconsiderar o fato de que quando a autoridade fiscal afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da pessoa física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou seja, está reconhecendo que parte do tributo que o Fisco deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. A hipótese aventada de a pessoa jurídica pleitear a restituição do indébito não é razoável, posto que tal solução – pedido de restituição – impõe à pessoa jurídica o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que o Auto de Infração estaria correto, contra suas próprias convicções e principalmente em razão da incidência da multa de Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.319 21 ofício sobre a totalidade do imposto apurado no Auto de Infração que, de uma forma ou de outra, já foi recolhido. Nestes termos, deve ser feita a compensação dos tributos e contribuições pagos pela Mercury com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício. Sendo assim, deve ser feita a compensação dos tributos e contribuições efetivamente pagos pela empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA, relativos aos rendimentos reclassificados, com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, assim como para compensar os tributos e contribuições pagos pela pessoa jurídica, relativos aos rendimentos reclassificados, com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. Declaração de Voto Acompanho o Voto Vencedor nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à desqualificação da multa e quanto à compensação, na pessoa física, de recolhimentos efetuados na pessoa jurídica. Da desqualificação da multa Antes de considerações outras, vejamos, primeiramente, o que dispõe a legislação de regência quanto à qualificação da multa em comento: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Fl. 1329DF CARF MF 22 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária p arincipal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da exegese dos dispositivos acima, temse que no caso de conduta dolosa, voltada à prática de sonegação, fraude ou conluio, a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, será aplicada em dobro, ou seja, qualificada. Como se vê, o dolo é o fator determinante na qualificação da multa. Sendo assim, vejamos o que dispõe o Código Penal sobre o dolo: Art. 18 Dizse o crime: Crime doloso I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; Conforme se extrai dessa definição, a conduta dolosa é aquela praticada com intenção, com vontade de obter o resultado. Pois bem, no caso em tela, para receber rendimentos provenientes de cessão de direitos de imagem sem pagar Imposto de Renda na pessoa física, o Recorrente se valeu da empresa E. F. CAMPOS ESPORTES LTDA., da qual era sócio majoritário com 95% das quotas. Dessa forma, os direitos de imagem foram cedidos à empresa do Recorrente e esta, por sua vez, licenciou a SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS e a UNIMEDRIO para a exploração de tais direitos. Com isso, os valores recebidos pela exploração da sua imagem chegaram às mãos do Recorrente na forma de distribuição de lucros, não sofrendo qualquer tributação na pessoa física. Concluise, então, sem muito esforço, que os valores obtidos na cessão de direitos de imagem eram vertidos diretamente para o Recorrente, porém, ao transitarem pela E. F. CAMPOS ESPORTES LTDA., esquivaramse da tributação. Esse, inclusive, é o entendimento do Redator, conforme excerto do Voto Vencedor a seguir transcrito: Dessa forma, podese concluir que, de acordo com a Fiscalização, havia uma vinculação entre os contratos de trabalho e a exploração econômica do direito de imagem do sujeito passivo, cujos contratos foram firmados entre o clube Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.320 23 Palmeiras e a empresa da qual o atleta é sócio, assim como entre esta e a empresa UnimedRio (vinculado ao Fluminense), tendo como objetivo a redução da tributação do imposto sobre a renda da pessoa física, no caso do Recorrente, e a redução de outros encargos legais, em relação aos clubes esportivos. [...] Assim, entendo que os valores recebidos pela empresa E F CAMPOS ESPORTES LTDA da SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS (no ano de 2010) e da UNIMEDRIO (nos anos de 2011 e 2012), a título de direitos de imagem do atleta EDIMO FERREIRA CAMPOS constituíamse, na realidade, em uma complementação da remuneração da força de trabalho do jogador em prol das agremiações desportivas Palmeiras e Fluminense, respectivamente, devendo ser tributados na sua pessoa física. Nesse ponto, tomo a liberdade de trazer à baila as seguintes considerações da decisão a quo: A tentativa de caracterizarse como beneficiário de lucros e dividendos da pessoa jurídica, quando na realidade os rendimentos àquela atribuídos pertenciam à pessoa física, que deveria têlos oferecido à tributação no ajuste anual, visou impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fiscal, o que se amolda à figura da sonegação do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964; o ato de firmar contratos em nome da pessoa jurídica de forma a aparentar inexistente o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, objetivando modificar suas características essenciais, a fim de evitar o pagamento de imposto devido, caracterizase como fraude, na acepção do art. 72 do dispositivo legal; e a participação das pessoas jurídicas nesses procedimentos evidencia a presença do conluio, como prevê o art. 73 da lei. Diante desse quadro, temse clara a intenção (o dolo) do Recorrente de reduzir ou zerar, indevidamente, o montante de Imposto de Renda devido. Tanto é que tal plano arquitetado foi desconstituído pela fiscalização, sendo tal desconstituição confirmada pela decisão de primeira instância e agora por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sendo assim, entendo não restar dúvidas quanto à subsunção das condutas praticadas pelo Recorrente à norma contida no art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, razão pela qual concluo pela manutenção da multa qualificada. Da compensação, na pessoa física, de valores recolhidos na pessoa jurídica Quanto a essa questão, entendo que a sua implementação não deve se basear na razoabilidade da medida, conforme argumenta o Redator do Voto Vencedor, mas sim na sua possibilidade jurídica, a qual não vislumbro na legislação de regência. Fl. 1331DF CARF MF 24 Vejamos o que diz o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, a esse respeito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifo nosso) Segundo observa no dispositivo acima transcrito, a compensação é autorizada entre débitos do contribuinte com créditos que este possui contra a Fazenda Pública. Essa, inclusive, é a inteligência que se extrai do art. 74, da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Grifo nosso) Cabe citarmos, ainda, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17/7/17, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nas Seções VII e VIII deste Capítulo, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. [...] § 3º Consideramse débitos próprios, para fins do disposto no caput, os débitos por obrigação própria e os decorrentes de responsabilidade tributária apurados por todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. [...] Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: I seja de terceiros; Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 15540.720261/201413 Acórdão n.º 2202004.008 S2C2T2 Fl. 1.321 25 (Grifo nosso) Como se vê, a compensação pleiteada pelo Recorrente encontra óbice na legislação, motivo pelo qual não vejo como ser deferida. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1333DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912052/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.767
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 52 /2 01 2- 53 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.793, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912052/201253 Acórdão n.º 3301003.767 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.722816/2012-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 28 16 /2 01 2- 36 Fl. 105DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Temse a fls. 84/90 Recurso Especial de Divergência interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2402005.288 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 11 de maio de 2016, a fls. 74/82, que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consoante Ementa que se vos segue: Acórdão nº 2402005.288 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza vício material. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no dia 30/05/2016, conforme consignado no Despacho de Encaminhamento a fl. 83 De acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010 c.c. art. 5º, caput e Parágrafo Único do Dec. nº 70.235/72, a intimação presumida da Fazenda Nacional deuse, portanto, em 29/06/2016. Nessas circunstâncias, havendo sido o Recurso Especial recebido pela SECAM/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF em 22/06/2016, consoante Despacho de Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15504.722816/201236 Acórdão n.º 9202005.650 CSRFT2 Fl. 106 3 Encaminhamento a fls. 91, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto, que visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com recálculo do imposto de renda, para que seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Na origem, trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, considerado omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrente de ação judicial. Há alegação de isenção por moléstia grave. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e, cientificado o contribuinte, em contrarrazões pugna pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Fl. 107DF CARF MF 4 Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no Acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15504.722816/201236 Acórdão n.º 9202005.650 CSRFT2 Fl. 107 5 atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examinada. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: Fl. 109DF CARF MF 6 RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15504.722816/201236 Acórdão n.º 9202005.650 CSRFT2 Fl. 108 7 No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações Fl. 111DF CARF MF 8 prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória, auferida através de reclamatória trabalhista. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15504.722816/201236 Acórdão n.º 9202005.650 CSRFT2 Fl. 109 9 Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 14, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao nãoexame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário É como voto. Fl. 113DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001202/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Rejeita-se os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão no julgado embargado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-004.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Rejeitase os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão no julgado embargado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 02 /2 00 9- 21 Fl. 195DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir suposto vício de omissão no acórdão nº 3803006.453, de 21 de agosto de 2014. Por meio do referido recurso, a embargante alegou a existência de vício de omissão no citado acórdão, pois o Colegiado dera provimento ao recurso voluntário, sustentando que o contrato e os aditivos juntados pela contribuinte eram suficientes para atender à determinação contida no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002, mas não fez referência à ausência de registro em Cartório dos citados documentos e afastou, injustificadamente, o art. 129 da Lei 6.015/1973 e o art. 66, IV e V, do Código Civil. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, porque, em tese, havia uma suposta omissão no acórdão embargado, em relação à ausência de registro em Cartório dos documentos, uma vez que esse ponto não fora expressamente enfrentado no julgado embargado. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de omissão. Nos presentes embargos, a Fazenda Nacional alegou vício de omissão no julgado embargado, porque o Colegiado admitiu o documento apresentado como despesa de aluguel das instalações industriais, mas não se manifestara sobre a exigência de registro em Cartório de tal tipo de documento, para que possa produzir efeitos em relação a terceiros, conforme exige o art. 129 da Lei 6.015/73 e o art. 66, IV e V, do Código Civil. Para a embargante, como os documentos acostados aos autos pela contribuinte não possuíam registro em Cartório, eles não tinham validade em relação a terceiros. De fato, esse requisito do documento apresentado (declaração do locador) não foi analisado no voto condutor do julgado, que assim se pronunciou sobre a referida prova: À fl. 165 está anexada a Declaração do locador dando conta da relação contratual com a Plasson, tendo como objeto a locação do prédio onde instalada a indústria. Ás fls. 176/180 consta folhas do Diário, com respectivos Termos de Abertura e Encerramento, correspondentes ao 3º trimestre de 2005, extraído em 30/09/2004, com registro dos correspectivos três pagamentos de aluguel, no valor de R$ 5.277,87 Dessarte, foi cumprido o objeto da diligência e comprovados a existência do contrato do aluguel e respectivos pagamentos, correspondentes ao valor escriturado no Dacon. Assim, sendo esta a única controvérsia do processo, deve ser revertida a glosa e reconhecido o crédito pleiteado. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11516.001202/200921 Acórdão n.º 3302004.810 S3C3T2 Fl. 196 3 A leitura dos excertos transcritos revela que ao valorar a declaração do locador em conjunto com os registros contábeis, concluiu o nobre Relator do referido voto que a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos estavam devidamente comprovados. Assim, resta demonstrado que houve apreciação e valoração adequada das provas apresentadas no julgado embargado, com vistas à comprova da despesa com aluguel, logo, a pretensão da recorrente, decerto, implicaria em nova análise e valoração dos documentos probatórios apreciados e valorados no âmbito do julgado embargado, o que não é admitido pelas vias estreitas dos embargos de declaração, porque implicaria em novo julgamento e não supressão de vício de omissão. Por todo o exposto, votase pela rejeição dos presentes embargos de declaração, para ratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010958/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
São intempestivos os Embargos de Declaração opostos após o prazo de cinco dias, conforme art. 65, § 1º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2202-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. São intempestivos os Embargos de Declaração opostos após o prazo de cinco dias, conforme art. 65, § 1º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 09 58 /2 00 7- 51 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2202002.108, de 21/11/2012, o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento. NEWTON SARAIVA MADRUGA, contribuinte inscrito no CPF/MF 170.016.769 34, com domicílio fiscal na cidade Curitiba, Estado Paraná, à Avenida Silva Jardim, nº 2494 – Apto 202, Bairro Água Verde, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 19/21, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 25/26. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, em 13/08/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 07/10), com ciência através de AR, em 19/08/2007 (fls. 18), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 7.501,40 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005 onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES: Glosa do valor de R$ 3.816,00, correspondente à dedução indevida com dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, conforme abaixo discriminado. Não fez provas das dependências. Infração capitulada nos arts. 8.°, inciso II, alínea "c", e 35 da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 2.° e 15 da Lei n.° 10.451, de 2002; art. 38 da Instrução. Normativa SRF n.° 15/2001 e arts. 73, 77 e 83, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. 2 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESA DE INSTRUÇÃO: Glosa do valor de R$ 3.948,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Não apresentou comprovantes de gastos com instrução. Infração capitulada no art. 8°, inciso II, alínea 'b', e § 3° da Lei n. ° 9.250, de 1995; arts. 1° , 2° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002; Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10980.010958/200751 Acórdão n.º 2202004.067 S2C2T2 Fl. 102 3 arts. 39 a 42 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001 e arts. 73, 81 e 83 inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO E/OU SEM VINCULO EMPREGATÍCIO: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.055,28, recebidos pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Infração capitulada nos arts. 1º a 3º e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1º ao 4°, da Lei n.° 8.134, de 1990; arts. 1º e 15 da Lei n° 10.451, de 2002 e arts. 43 e 45 do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fl. 02/04, instruída pelos documentos de fls.03/06, apresentada, tempestivamente, em 10/09/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a Lei nº 9.430 de 1996 no Art. 61 § 3° diz: Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 10 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada A taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atrás. O fato gerador ocorreu em agosto de 2.007, data em que recebi a intimação. Não acho correto pagar juros de mora por um atraso na verificação da declaração, pois quanto mais declarações forem analisada antes da minha mais juros eu pago. Sei que o Governo esta exigindo que a Receita coloque na malha fina um número cada vez maior de contribuintes sem, em contrapartida ampliar o quadro de funcionários; que na folha 02 de 06 em descrição dos fatos e enquadramento LEGAL diz que Erick França Braz não é dependente porque não apresentei certidão de nascimento, porem na folha 04 de 06 os Senhores computam a renda do Erick como omitida. Quando fui intimado a comparecer no posto da receita, no documento pedia apenas para apresentar xerox e originais dos comprovantes de despesas médicas e este item atendi prontamente. Quando em entrevista com Auditor Fiscal ele solicitou as certidões de nascimento e eu solicitei 30 dias pois viajaria no dia seguinte e só retomaria dia 22/08/2007 e obtive como resposta que não poderia deixar o processo parado por tanto tempo e que ao receber a notificação eu poderia apresentar as certidões, as quais anexo ao presente documento. Fl. 103DF CARF MF 4 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR concluíram pela procedência parcial da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que em relação ao dependente Irineu Braz Junior (nascido em 21/09/81), o contribuinte não esclarece a relação de dependência, haja vista que, consoante Certidão de Nascimento à fl. 05, o mesmo é filho de Irineu João Braz. Além disso, o suposto dependente contava 23 anos de idade no anocalendário de 2004, não tendo o interessado acostado aos autos documentos comprovando que o mesmo estava cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, no ano de 2004, assim, não há como restabelecer a dedução correspondente; que, da mesma forma, não esclarece relação de dependência de Erick França Braz, CPF 056.176.70921 (nascido em 24/01/1978), porquanto a Certidão de Nascimento à fl. 06, menciona ser o mesmo filho de Irineu João Braz. Além disso, o impugnante não acostou aos autos laudo médico comprovando a incapacitação mental do suposto dependente, assim, não há, pois, como restabelecer a dedução desse dependente. Em contrapartida, com a exclusão do dependente, impõese excluir da tributação os rendimentos por ele recebidos e autuados, no valor de R$ 5.800,55; que, Hellen Leticia França Barbireski, além da falta de comprovação da relação de dependência, mesmo se considerada como menor pobre, a dedução só seria possível caso o contribuinte possuísse o Termo de Guarda Judicial, o que o próprio contribuinte reconhece não possuílo; que quanto proventos de aposentadoria próprios recebidos do INSS, no valor de R$ 9.254,74, cumpre observar que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender As exigências da lei por máfé, por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido, desconhecimento ou culpa de terceiros. A infração é do tipo objetiva, na forma do artigo 136 do C.T.N. (Lei 5.172, de 1966), isto é, "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato"; que nesse contexto, a simples alegação de que não teria declarado os rendimentos porque a fonte pagadora não lhe teria lhe fornecido o comprovante, não é suficiente para elidir a exigência imposta, até porque poderia ter se valido dos comprovantes mensais para apurar o montante recebido e oferecêlo à tributação; que no que tange à cobrança dos juros de mora, sua cobrança é obrigatória, em razão do caráter vinculado da atividade administrativa de lançamento e da previsão legal existente no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, e o art. 13 da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995, assim, não há como excluílos. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.010958/200751 Acórdão n.º 2202004.067 S2C2T2 Fl. 103 5 As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DEDUÇÕES COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Só podem ser dependentes, para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, aqueles que atenderem aos requisitos legais e a relação de dependência estiver devidamente comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPENDENTE EXCLUÍDO. Cabe excluir da tributação os rendimentos auferidos por dependente, quando a dedução correspondente a esse dependente foi glosada pelo lançamento. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. TRIBUTAÇÃO. Por expressa determinação legal, os proventos de aposentadoria estão sujeitos A. incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual. JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, os juros de mora equivalentes taxa Selic são exigidos por expressa previsão legal, com força vinculante sobre a autoridade lançadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/08/2010, conforme Termo constante à fl. 23, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (02/09/2010), o recurso voluntário de fls. 25/26, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que não se manifesta contra a dedução indevida das despesas de instrução (R$ 3.948,00), pelo que é de se considerar a matéria como não impugnada e, portanto, não litigiosa, conforme o disposto no art. 17 do decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Fl. 105DF CARF MF 6 que se na Notificação de Lançamento às folhas 08/09, foi constatado dedução indevida de dependentes (R$ 3.816,00), por falta da comprovação da relação de dependência, despesas de instrução (R$ 3.948,00). Se eu apresentei a certidão de nascimento e a certidão de casamento com a viúva e mãe do Erick, bem como os comprovantes de despesas com a Associação de Ensino Antonio Luiz, fica claro e notório que eu estou impugnando a matéria, pois estou provando que o Erick é meu enteado e estuda em uma associação particular e desta forma estou provando que é meu dependente; que como ele tinha na época 26 anos só poderia ser dependente se estivesse cursando faculdade ou fosse incapacitado. Eu informei que ele era incapacitado mentalmente e a junta disse que eu não apresentei laudo médico. Posso até apresentar mas se a própria receita disse que o Erick recebeu R$ 5.800,55 de pensão do INSS, qual seria a outra possibilidade de um garoto de 26 anos receber pensão do INSS se não for incapacitado. Não entendi porque a junta que analisou as certidões de nascimento e não fez nenhum comentário referente a certidão de casamento. Acredito que o equivoco da junta foi porque na minha declaração consta pensão alimentícia judicial demonstrando desta forma que eu sou separado, mas não observaram que a Sandra, mãe do Erick e do Irineu é minha segunda esposa; que, em relação ao dependente Irineu Braz Junior (nascido em 21/09/81), o contribuinte não esclarece a relação de dependência, haja visto que, consoante Certidão de Nascimento à fl. 05, o mesmo é filho de Irineu João Braz. Além disso, o suposto dependente contava 23 anos de idade no ano calendário de 2004, não tendo o interessado acostado ao autos documentos comprovando que o mesmo estava cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, no ano de 2004, assim , não há como estabelecer a dedução correspondente. CONTESTO: se eu apresentei a certidão de nascimento e a certidão de casamento com a viúva e mãe do Irineu, bem como os comprovantes de despesas com a Universidade Católica do Paraná fica claro que o Irineu é meu ENTEADO bem como é estudante de curso superior e conseqüentemente dependente; que da mesma forma, não esclarece a relação de dependência de Erick Franga Braz, CPF 056.176.70921 (nascido em 24/01/1978), porquanto a certidão de Nascimento à fl. 06, menciona ser o mesmo filho de Irineu João Braz. Além disso, o impugnante não acostou aos autos laudo médico comprovando a incapacitação mental do suposto dependente, assim, não há, pois, como estabelecer a dedução desse dependente. Em contrapartida, com a exclusão do dependente, impõemse excluir da tributação os rendimentos por ele recebidos e autuados, no valor de R$ 5.800,55. CONTESTO: se eu apresentei a certidão de nascimento e a certidão de casamento com a viúva e mãe do Erick, fica claro que o Erick é meu ENTEADO e como os rendimentos por ele recebidos do INSS é pensão vitalícia recebida devido a morte do pai Irineu João Braz e cuja declaração a Receita recebe anualmente do INSS, acho que fica claro que além da dependência do Erick como ENTEADO os seus rendimentos são isentos conforme. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.010958/200751 Acórdão n.º 2202004.067 S2C2T2 Fl. 104 7 A decisão do colegiado dessa 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (Acórdão nº 2202002.108) foi assim resumida (fls. 36/50): ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Contribuinte foi intimado da decisão em 10/12/2012 (A. R. de fl. 56) e apresentou o recurso de fls. 58/59 em 21/12/2012, alegando, em síntese, que havia apresentado documentos que não foram anexados ao processo, tais como Certidão de Casamento com Sandra Maria França Madruga, Certidão de Nascimento de Irineu Braz Junior e Comprovantes da Universidade Católica do Paraná. Conforme despacho de fls. 98/99, o recurso apresentado foi acolhido como Embargos de Declaração, para que fosse sanada a omissão apontada. O processo foi sorteado para minha relatoria na sessão de 19/01/2017. É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Tratase de recurso interposto pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 2202 002.108, de 21/11/2012, no qual ele alega que havia apresentado documentos que não foram anexados ao processo, tais como Certidão de Casamento com Sandra Maria França Madruga, Certidão de Nascimento de Irineu Braz Junior e Comprovantes da Universidade Católica do Paraná. Embora o recurso tenha sido admitido como Embargos de Declaração pelo então Presidente dessa Turma Ordinária conforme abaixo (fls. 98/99), verificase que ele é intempestivo. Reportome ao Embargo de Declaração apresentados tempestivamente pelo contribuinte Newton Saraiva Madruga, relativo ao Acórdão nº 220202.108, de 21 de novembro de 2012. A Embargante se opõe contra a omissão no voto condutor, no que diz respeito a a dedução de despesas de dependente e de instrução. São esses os fatos, passo a examinálos. Entendo que assiste razão ao Embargante,pois houve omissão por parte do relator no que diz respeito a dedução das despesas com dependentes e instrução tendo em vista que os mesmos eram enteados do Recorrente e não foi analisada a certidão de casamento juntada aos autos. . Desta forma, há omissão a ser saneada uma vez que o voto condutor não efetuou a devida análise da matéria objeto de Fl. 107DF CARF MF 8 embargos de declaração interpostos pela Embargante. Entendo, portanto, devam ser acolhidos os embargos interpostos pelo contribuinte. Observase pelo Aviso de Recebimento (A.R.) dos Correios de fl. 56 que a decisão do Acórdão de Recurso Voluntário foi recebida pelo Contribuinte em 10/12/2012. Assim, ao opor os Embargos de Declaração somente no dia 21/12/2012, estava exaurido o prazo legal de cinco dias, conforme art. 65, § 1º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: [...] II pelo contribuinte, responsável ou preposto; (destaquei) Ante o exposto, não conheço dos Embargos de Declaração, por serem intempestivos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.019854/2001-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
Decadência. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Lançamento por Homologação.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 Decadência. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 457 1 456 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.019854/200157 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.104 – 1ª Turma Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MEGAO MINERADORA COMERCIO E SERVIÇO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Se não houver apuração de tributo devido, nem pagamento antecipado, a regra aplicável é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correa, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 98 54 /2 00 1- 57 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 458 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de Divergência de efls. 391 a 400, com fundamento no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, contra o Acórdão nº 110300.354 (efls. 383 a 388), que, por unanimidade de votos, acolheu preliminar de decadência quanto aos fatos geradores anteriores a dezembro de 1996. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Omissão de Receitas Financeiras — IRPJ/CSLL/P1S/COFINS Anocalendário: 1996 Ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DILIGENCIA. NULIDADE. A diligência, determinada pela DRJ para averiguar alegações, da impugnante, de existência de divergências entre as receitas autuadas colhidas de DIRFs emitidas pelas fontes pagadoras e as efetivamente obtidas segundo a recorrente, não caracteriza aperfeiçoamento de lançamento. De igual sorte, não é viciado de nulidade o Auto de Infração baseado em omissão de receitas colhidas de DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, especialmente quando a interessada, regularmente intimada, não logra comprovar qualquer insubsistência dessas informações. DECADÊNCIA — IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS Quando ausente dolo, fraude ou simulação, ao teor do disposto no art. 150, § 40, do CTN (Lei IV 5.172/1966), mesmo que ausentes pagamentos relacionados ao período, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar do respectivo fato gerador, para revisar o procedimento do contribuinte e, quando for o caso, constituir crédito tributário. Sob este enfoque, no caso, o lançamento, notificado ao contribuinte em 28/12/2005, não pode prosperar em relação aos fatos geradores, mensais ou trimestrais, ocorridos anteriormente a 28/12/2000. Alega a Fazenda Nacional divergência jurisprudencial quanto à contagem do prazo de decadência para a constituição de créditos tributários referentes a tributos sujeitos à lançamento por homologação, quando não há antecipação de pagamento. Com relação à divergência suscitada, transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma: Acórdão nº 30238.565 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição entre a decisão proferida e a matéria discutida nos autos, é cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 459 3 ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4 0, do CTN; (c) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. Assim temse por configurada a decadência. Defende a Procuradoria, em síntese, que na hipótese dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a contagem do prazo decadencial deverá se dar com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN, e não no art. 150, § 4º. Nesse sentido, colaciona decisões do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na seqüência, aplicando o artigo 173, I, do CTN, ao caso em análise, afirma que teria o Fisco até 31 de dezembro de 2002 para efetuar o lançamento referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996. Assim, tendo a Contribuinte sido notificada do lançamento em 27/12/2001, sustenta que não há se falar em decadência. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial, para afastar a decadência no caso em exame. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 408 a 410. Cientificada, a Construtora e Mineradora Megaó Serviços e Comércio Ltda apresentou contrarrazões (efls. 422 a 445), alegando, em síntese, que na hipótese de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda Pública dispõe do prazo de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para efetuar a homologação do lançamento, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Sustenta que no caso em tela houve antecipação de pagamento, tendo havido apuração e pagamento do tributo mês a mês, sendo que o lançamento em questão referese a quantia suplementar em razão da omissão de receita. Logo, tendo havido o pagamento antecipado do tributo, tornase aplicável a regra constante no art. 150, § 4º, do CTN. Além disso, afirma que não poderia ter sido realizada revisão do lançamento ocorrida por determinação da DRJ em 2007, pois, conforme art. 149, parágrafo único, do CTN, é vedada a revisão após o decurso do prazo decadencial. Assim, aduz ser indevida revisão do lançamento feita pela DRJ, em sede de julgamento da impugnação, alterando as bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal, sempre as reduzindo. Pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, de modo a que seja integralmente mantida a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 460 4 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente. O recurso é tempestivo porque a PFN foi cientificada do acórdão do colegiado a quo, em 17/03/2011 (efls. 383/407) e manejou o apelo especial em 22/03/2011. A recorrida não apresentou qualquer alegação para não conhecimento do Recurso Especial da PFN, razão pela qual passo diretamente ao exame de mérito. 2 Mérito. 2.1 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL: REGRA DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para melhor análise do mérito, contextualizo os fatos tratados nos presentes autos. Tratase de autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 1996, tendo em conta a apuração, em procedimento de revisão de declaração (malhafazenda) de: (i) omissão de receitas, estas decorrentes da verificação de que o sujeito passivo não declarou receitas de aplicações financeiras, detectadas a partir das DIRF de instituições financeiras; (ii) adição ao lucro líquido, para apuração do Lucro Real, de valor de CSLL deduzida a maior) e, (iii) adição ao lucro líquido de parcela de reinvestimento efetuado na área da Sudene em valor superior àquele calculado com base na legislação vigente. Ao analisar o mérito do litígio o colegiado a quo declarou a decadência dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 1996, deixando incólumes apenas os lançamentos atinentes a esse mesmo período de apuração, ou seja, dezembro de 1996, por aplicar ao caso o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. A recorrente aduz que o acórdão recorrido teria dado interpretação divergente daquela dada por outras decisões proferidas por este órgão, relativamente às regras de contagem do prazo decadencial para lançamento do IRPJ, afirmando que, in casu, deveria ter sido aplicada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, em face da ausência de pagamento prévio. Com efeito, o acórdão recorrido declarou a decadência dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 1996, fiandose na regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, como se verifica à fl. 3 da referida decisão (fl. 365 do volume 2 digitalizado): [...] O segundo ponto alegado no recurso voluntário diz respeito à decadência. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 461 5 Nesse aspecto, inicialmente, é de se afastar o pleito pelo qual a recorrente pretende trazer para a data da realização da diligência (2006), ou mesmo para o julgamento de primeiro grau (2007), o termo final da contagem do prazo decadencial, sob o argumento de que houve revisão do lançamento original, notificado em 27/12/2001. Todavia, mesmo que excluída a pretensão acima, ainda assim, em parte, assiste razão à recorrente quanto à decadência, pois, conforme exposto no relatório, as autuações correspondem, relativamente a todos os tributos lançados, a períodos de apuração mensais do ano calendário de 1996, tendo em vista que a interessada adotou naquele ano a apuração pelo lucro real mensal. Nesse panorama, adoto o entendimento majoritário deste Conselho, que, ao teor do disposto no art. 150, § 40, do CTN (Lei n" 5.172/1966), quando ausente, como no caso, dolo, fraude ou simulação, e mesmo que ausentes pagamentos, tem decidido que o fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar dos respectivos fatos geradores, para revisar o procedimento do contribuinte. Diante disso, considerando que o lançamento foi formalizado em 27/12/2001, persistem as exigências concernentes, apenas, ao período de apuração de dezembro de 1996. [...] Nesse sentido, convém assinalar, de início, que o prazo decadencial para lançamento de tributos federais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, § 4º a respeito de prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 462 6 Para que referida regra seja aplicada é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento antecipado de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido e nos casos em que apesar de apurar, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário, configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Assim, quando não há apuração de tributo devido, como é o caso de apuração de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, ou quando há apuração mas não há pagamento antecipado, ao menos em parte, do tributo, se aplica a regra de contagem de prazo decadencial contida no art. 173, I, do CTN. Esse entendimento, além de pacificado nas esferas administrativas de julgamento, encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, deduzida em julgamentos de recursos representativos de controvérsia como, por exemplo, o Acórdão proferido no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 463 7 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso, o sujeito passivo optou, no anocalendário 1996, por apurar o IRPJ e a CSLL de acordo com as regras do Lucro Real Mensal. Assim sendo, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL nesse anocalendário ocorreram mensalmente. Como se verifica da cópia da DIRPJ (fls. 60 e ss do volume 1 digitalizado), não foi apurado IRPJ e CSLL devidos para os meses de janeiro a maio e de julho a novembro, em virtude de ter sido experimentado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL nos referidos meses, tendo havido apuração de IRPJ e de CSLL somente nos meses de junho e dezembro de 1996. A regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º somente se aplica quando há apuração e pagamento, prévio e antecipado, ainda que parcial do tributo. Diante da ausência de apuração e pagamento, a regra de contagem de prazo decadencial aplicável é a do art. 173, I, do CNT, ou seja, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para os meses de junho e dezembro (únicos que foram objeto de exigência do IRPJ) o sujeito passivo apurou IRPJ e CSLL a pagar, mas não há informações nos autos de que os valores apurados tenham sido recolhidos. Dessa forma, para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro de 1996, o lançamento dos tributos complementares de IRPJ e de CSLL já poderia ter sido efetuado no próprio ano de 1996. Assim, temse como primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, o dia 01/01/1997, tendose expirado o prazo decadencial em 31/12/2001. Como o sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos em 27/12/2001 (cópia do AR à fl. 156 do volume 1 digitalizado), temse que no presente caso não se operou a decadência para esses fatos geradores de IRPJ e de CSLL, devendo ser mantidas as exigências de junho e dezembro de 1996, em relação ao IRPJ e de fevereiro a dezembro de 1996, em relação à CSLL. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 464 8 Da mesma forma, em relação aos lançamentos de PIS e de COFINS, já que também não houve apuração e/ou pagamento desses tributo em nenhum dos meses de 1996 (fls. 133 e ss do volume 1 digitalizado), portanto a regra aplicável é a do art. 173, I, do CTN, o que nos remete ao prazo fatal de 31/12/2001. Como o sujeito passivo foi cientificado em 27/12/2001 (cópia do AR à fl. 156 do volume 1 digitalizado), também não se operou a decadência para o lançamento desses tributos. Entretanto, é importante esclarecer que o PIS relativo ao período de março a dezembro de 1996 já havia sido exonerado pela decisão de primeira instância, não sujeita ao recurso de ofício, haja vista terem sido cobrados sobre receitas financeiras, antes da Lei nº 9.718/99. Remanesceu fevereiro de 1996, no valor de R$ 24,91, sob a modalidade de PIS Repique, calculado sobre 5% do IRPJ lançado. Para a Cofins, todo o lançamento já havia sido cancelado pela decisão de DRJ, por ser decorrente de receitas financeiras. No que diz respeito ao argumento trazido pela Recorrida em contrarrazões no sentido de que houve uma revisão de lançamento ilegal, posto que realizada após a fluência do prazo de que trata o parágrafo único do art. 149 do CTN, cumpre esclarecer: 1 – O lançamento de ofício teve como fundamento três infrações, porém uma delas foi calcada em informações internas à RFB, ou seja, foi feito um cruzamento entre a DIRPJ e DIRF de instituições financeiras que declararam ter feito retenções decorrentes de receitas financeiras auferidas pela autuação. 2 – Como a prova da omissão de receitas estava calcada apenas em extratos do sistema IRF Consulta, as autoridades julgadoras de primeira instância converteram o julgamento em diligência para que as fontes pagadoras fossem intimadas a ratificar ou retificar, mediante documentação hábil e idônea, os valores mensais de rendimentos informados nas DIRF. 3 – Conforme Termo de Diligência de efls. 285 e ss., foram enviados ofícios a nove instituições financeiras, das quais apenas 5 ratificaram os valores lançados, havendo outras alegado não mais dispor dos documentos. Apenas o Banco Simples disse que os valores creditados à autuada nos meses de setembro a dezembro eram superiores ao que fora informado na DIRF. 4 – A autoridade responsável pela diligência também intimou a contribuinte a comprovar também que a sua receita financeira era diferente daquela que havia sido identificada por ocasião da lavratura do auto de infração. 5 – Contudo, como a empresa autuada não logrou comprovar, a diligencia foi encerrada propondo a manutenção do lançamento, conforme item 9 à efl. 288. 6 – Em sua manifestação a respeito do resultado da diligência, a contribuinte não se manifestou quanto aos quantitativos informados pelas fontes pagadoras, o que levou as autoridades julgadoras de primeira instância a exonerarem apenas as receitas para as quais as Fontes Pagadoras não comprovaram as receitas, conforme se pode destaca: Cientificada dos resultados da diligência, a contribuinte não se manifestou especificamente quanto aos quantitativos informados pelas fontes pagadoras acima mencionadas. Assim, os valores de Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10480.019854/200157 Acórdão n.º 9101003.104 CSRFT1 Fl. 465 9 rendimentos que tenham sido confirmados pelas respectivas fontes pagadoras hão de ser considerados como efetivamente creditados à autuada, ressalvandose que, quanto ao Banco Simples, deverão ser mantidos os valores constantes da DIRF à fl. 56, visto que a adoção dos montantes contidos no demonstrativo de fl. 231,encaminhadoatravés do expediente de ft 230, implicaria em agravo da exigência inicial. Outrossim, os rendimentos que teriam sido creditados pelas quatro restantes instituições financeiras (BBC Administração e Participações S/A em Liquidação Ordinária, BANF'ORT Banco Fortaleza S/A em Liquidação Extrajudicial, Banco Cidade Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio S/A e Banco Cidade S/A) não devem ser considerados, por falta de efetiva comprovação. Feitas as considerações acima, é elaborado o demonstrativo a seguir, onde se encontram totalizados os montantes mensais de receitas omitidas. Assim, descabe falar que houve uma revisão de ofício do lançamento ou qualquer outro lançamento de ofício em 2007, por ocasião do julgamento em primeira instância. O que houve foi uma exoneração parcial do crédito tributário lançado por força de ausência de comprovação, por parte da autoridade fiscal, de parte dos valores imputados como receitas omitidas. Por conseguinte, sequer aplicase ao caso o art. 149, do CTN. Aliás, a prevalecer a tese da contribuinte, esta CSRF já não mais poderia exonerar qualquer lançamento de ofício! Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência e restabelecer as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro de 1996. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979279/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 79 /2 00 9- 98 Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10880.979279/200998 Acórdão n.º 1201001.712 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10880.979279/200998 Acórdão n.º 1201001.712 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979279/200998 Acórdão n.º 1201001.712 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979279/200998 Acórdão n.º 1201001.712 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 32DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000650/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES. ATIVIDADES DE AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO.
Comprovada que a atividade desempenhada pelo contribuinte é típica de agência de viagens e turismo, não se sustenta a acusação de desempenho de atividade vedada para ingresso e manutenção no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES. ATIVIDADES DE AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO. Comprovada que a atividade desempenhada pelo contribuinte é típica de agência de viagens e turismo, não se sustenta a acusação de desempenho de atividade vedada para ingresso e manutenção no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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C. MORAIS AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES. ATIVIDADES DE AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO. Comprovada que a atividade desempenhada pelo contribuinte é típica de agência de viagens e turismo, não se sustenta a acusação de desempenho de atividade vedada para ingresso e manutenção no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 06 50 /2 00 9- 32 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 502 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 0819.350 da 4ª Turma da DRJ em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por resumir o litígio, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: O processo versa sobre migração automática do contribuinte, em 01/07/2007, a partir da sistemática do Simples Federal para o regime do Simples Nacional, de que trata o artigo 18 da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007 (fl. 05). Em 25/06/2009, a Seção de Fiscalização da DRF de São Luís elaborou representação fiscal para que fosse averiguada a regularidade da opção tácita do administrado no Simples Nacional, já que a pessoa jurídica possui CNAE n° 79121/00, relativo a “operadores turísticos”, atividade essa impedida de atuar no referido regime (fl. 01). Em 24/09/2009, a DRF de origem profeiru o Ato Declaratório Executivo (fl. 14), no qual excluiu a pessoa jurídica do Simples Nacional, com efeito a partir de 01/07/2007, “em virtude de exercer atividade econômica vedada de operador turístico, configurada como intermediação de negócios, nos termos do art. 17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123, de 2006”. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fl. 17) contra o referido ato administrativo, alegando, em suma, que: (i) a pessoa jurídica se encontra regular com o Fisco Federal; (ii) não exerce a atividade citada como impeditiva; (iii) está providenciando a alteração contratual, na qual será excluída tal atividade. Na apreciação da manifestação de inconformidade, o colegiado de primeira instância julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 02 de março de 2011, apresentando recurso em 01 de abril de 2011. Por meio da Resolução nº 1801000.261, a então 1ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Com efeito, não há nos autos prova concreta de que o Recorrente realmente exerça atividade de Operador Turístico, tendo sua exclusão do Simples Nacional baseandose fundamentalmente em seu CNAE de atividade de Operador Turístico. Tratandose a atividade de Operador Turístico de atividade “concomitante” de acordo com o anexo II da CGSN nº 6, o contribuinte não deveria ter sido submetido a migração automática. Conforme prescreve o parágrafo único do artigo 3 do CGSN 06 “A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cujo código da CNAE conste do Anexo II Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 503 3 não participará da migração prevista no art. 18 da Resolução CGSN nº 4, de 2007 , podendo, entretanto, efetuar a opção de acordo com o art. 7º da mesma Resolução, sob condição de declaração de que exerce tão somente atividades permitidas no Simples Nacional. Dessa forma, o fato de ter sido indevidamente submetida à migração automática impediu a recorrente de fazer sua declaração de exercício de atividade permitida, declaração esta que segundo a legislação de regência seria suficiente a mantêla no Simples Nacional. Assim, a efetiva verificação pela autoridade fiscal das atividades exercidas pela Recorrente tratase de medida imperativa para permitir sua exclusão do regime. Diante do exposto voto por converter o julgamento em diligencia para que a unidade de jurisdição da contribuinte verifique, por meio de documentação (Notas Fiscais, Contratos, Contabilidade) se a recorrente efetivamente desempenha atividade de Operador Turístico ou de Agente de Viagens como alegado em sua defesa. Os autos retornaram à unidade de origem, e a autoridade fiscal responsável pela realização da diligência a recorrente a apresentar contratos de prestação de serviços formalizados pela empresa no período de 01/07/2007 a 25/06/2009, notas fiscais de prestação de serviços nesse mesmo período e documentos contábeis obrigatórios referentes ao ano calendário 2008. O contribuinte prestou os esclarecimentos e documentos solicitados. Ao final do procedimento, a autoridade fiscal elaborou o relatório denominado “Informação Fiscal de Diligência” (fl. 491492), dando ciência à recorrente de seu inteiro teor. Reproduzo os trechos de interesse: 3. Segundo consulta do código CNAE 2.1 – subclasses, o código 79121/00 representa os Operadores Turísticos compreendendo: “a atividade de organizar e reunir pacotes turísticos e excursões que são vendidas em agências de viagens ou diretamente ao público cliente. As excursões podem incluir uma ou todas dentre as seguintes atividades: transporte, alojamento, alimentação, visitas a museus, lugares históricos e culturais, teatro, música e eventos esportivos”. 4. A subclasse de código 79112/00 representa as Agências de Viagens, que compreende: “as atividades de organização e venda de viagens, pacotes turísticos, excursões; as atividades de reserva de hotel e de venda de passagens de empresas de transportes; o fornecimento de informação, assessoramento e planejamento de viagens para o público em geral e para clientes comerciais; e as atividades de venda de bilhetes de viagens para qualquer finalidade”. 5. Para a verificação dos documentos citados na Resolução do CARF, foi emitido Termo de Intimação no 129/2014, solicitando os contratos de prestação de serviço e notas fiscais de prestação dos serviços no período de 01/07/2007 a 25/06/2009, bem como os documentos contábeis obrigatórios referentes ao anocalendário 2008. 6. Após a apresentação dos documentos solicitados, constatouse: a existência de notas fiscais emitidas pela empresa para outras Agências de Viagens a título de pagamento de comissões; e a falta das notas fiscais de prestação de serviço Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 504 4 relativas a todos os contratos apresentados (contratos estes publicados em Diário Oficial cujos contratantes são entes da administração pública direta e indireta do Estado do Maranhão). 7. Intimada a esclarecer as razões dos fatos, por meio do Termo de Intimação nº 155/2014, a empresa respondeu que as notas fiscais emitidas para outras Agências de Viagens se referem a comissões pagas. 8. Quanto à falta de apresentação das notas fiscais para os entes públicos, a empresa justificou que: “os serviços eram realizados, mediante contratos de prestação de serviços os quais eram publicados no Diário Oficial, conforme documentos apresentados em resposta ao termo de intimação nº 129/2014” (vide fls. 483 e 484). 9. A principal diferença entre Operadores Turísticos e Agências de Viagens, nos termos das descrições contidas nos códigos CNAE de cada subclasse, é a relação existente entre empresas (a atividade de organizar e reunir pacotes turísticos e excursões que são vendidas em agências de viagens) presente nos Operadores Turísticos e ausente para as Agências de Viagens. 10. A existência de notas fiscais emitidas para outras Agências de Viagens sem justificativa explicativa sobre o negócio realizado infere concluir que a empresa exerceu atividade de Operador Turístico (já que pagou comissão a outros Agentes de Viagens). 11. A não apresentação das notas fiscais de prestação de serviço de todos os contratos apresentados (firmados com entes públicos) comprometeu a análise das atividades da empresa, já que não foi possível verificar a natureza dos serviços prestados aos contratantes. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 505 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Conforme relatado, o presente processo foi alvo de resolução proferida por colegiado extinto do CARF (1ª Turma Especial). Solicitouse que a unidade de origem procedesse a diligência junto a recorrente a fim de verificar se essa exercia ou não a atividade de “operador turístico”, registrada no cadastro do CNPJ com o CNAE n° 7912100. Conforme esclarecido pela decisão de primeira instância, essa atividade encontravase impedida de opção pelo Simples Nacional consoante Resoluções CGSN nº 06, de 18/06/2007 (efl. 55), nº 20, de 15/08/2007 (efl. 67) e nº 50, de 22/12/2008 (efl. 76). É importante ressaltar que em 13/09/2010, foi editada a Resolução CGSN n° 77, esclarecendose que a referida atividade como ambígua, ou seja, concomitantemente permitida e impedida de aderir ao Simples Nacional (efl. 80). Essa última Resolução possui eficácia apenas a partir de 01/12/2010, conforme seu artigo 2°. De toda forma, resta evidente que mesmo a atividade de “operador turístico” possui atividades mistas, que podem ou não implicar atividade impedida. O ato declaratório de exclusão da recorrente do Simples Nacional se deu “em virtude de exercer atividade econômica vedada de operador turístico, configurada como intermediação de negócios, nos termos do art. 17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123, de 2006”. É importante destacar que a atividade de “agência de viagem e turismo” não impede o contribuinte de optar pelo Simples Nacional, nos exatos termos do inciso III do § 5º B do art. 18 da Lei Complementar 123, de 2006. Convém analisar a diferença entre “operador turístico” e “agência de viagem e turismo”. A Comissão Nacional de Classificação, mais conhecida como CONCLA, ligado ao IBGE, é o organismo responsável pelas classificações estatísticas do Brasil para temas selecionados usadas no sistema estatístico e nos cadastros administrativos do país e as classificações internacionais a elas associadas. A CONCLA foi criada em 1994 para o monitoramento, definição das normas de utilização e padronização das classificações estatísticas nacionais. As classificações organizadas pela CONCL, entre outras, engloba a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 506 6 Assim expressa o CONCLA (Comissão Nacional de Classificação), quando explica sobre a CNAE de “operadores turísticos” (79121/00): Esta classe compreende: – a atividade de organizar e reunir pacotes turísticos e excursões que são vendidas em agências de viagens ou diretamente ao público cliente. As excursões podem incluir uma ou todas dentre as seguintes atividades: transporte, alojamento, alimentação, visitas a museus, lugares históricos e culturais, teatro, música e eventos esportivos. [grifo nosso] Essa classe compreende também: – as atividades dos guias turísticos. Esta classe não compreende: – as atividades das agências de viagens (79.112) Já referente à CNAE de agências de viagens (79.112/00), assim classifica o CONCLA: Esta classe compreende: – as atividades de organização e venda de viagens, pacotes turísticos, excursões – as atividades de reserva de hotel e de venda de passagens de empresas de transportes – o fornecimento de informação, assessoramento e planejamento de viagens para o público em geral e para clientes comerciais – as atividades de venda de bilhetes de viagens para qualquer finalidade. Essa classe compreende também: – as atividades de venda de passagens aéreas por companhias estrangeiras Esta classe não compreende: – as atividades de operadores turísticos (79.121) Conforme se observa, e nos termos contidos na Informação Fiscal de Diligência, o principal diferencial entre agências de viagens e operadores turísticos é que esses últimos desenvolvem a atividade de organizar e reunir pacotes turísticos e excursões que são vendidas em agências de viagens. Observase que um operador turístico pode utilizar os serviços de uma agência de viagem para atingir seu objetivo de venda ao público em geral. É importante ressaltar as conclusões da autoridade fiscal responsável pela diligência: 10. A existência de notas fiscais emitidas para outras Agências de Viagens sem justificativa explicativa sobre o negócio realizado infere concluir que a empresa exerceu atividade de Operador Turístico (já que pagou comissão a outros Agentes de Viagens). 11. A não apresentação das notas fiscais de prestação de serviço de todos os contratos apresentados (firmados com entes públicos) comprometeu a análise das atividades da empresa, já que não foi possível verificar a natureza dos serviços prestados aos contratantes. Em relação a não apresentação das notas fiscais de contratos firmados com entes públicos, no que diz respeito à natureza dos serviços prestados, entendo não haver prejuízo, pois fica evidente que não se trata de atividade que diferencia o operador turístico, qual seja, a utilização de uma agência de viagens para oferecer os pacotes organizados pelo próprio operador. Tratase, portanto, de atividade típica de agência de viagens. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 507 7 No que diz respeito às comissões, a recorrente argumentou em resposta apresentada à própria autoridade fiscal (fl. 484) que as notas fiscais se referem a comissões pagas pela CORIS – Assistência Viagem Seguro Viagem Internacional, ou seja, tratase de intermediação na venda de seguros de viagem. Para analisar se essa atividade é típica em relação às agências de viagens e turismo, ou diria respeito aos serviços prestados por operadores turísticos, fazse necessário analisar a Lei nº 11.771, de 2008, que dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, mais especificamente em seu art. 27, verbis: Das Agências de Turismo Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. § 4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 508 8 IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5o A intermediação prevista no § 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. § 6o (VETADO) § 7o As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. [grifos nossos] Conforme se observa, por expressa determinação legal, a venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens é atividade complementar de agências de viagens e turismo. Em situações como a tratada nos autos, em que o CNAE informado pelo contribuinte não correspondente à efetiva atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, a própria Receita Federal já se manifestou no sentido de que deve prevalecer a natureza da atividade efetivamente exercida. Veja excerto da Solução de Consulta nº 66 – Cosit/2013: 7. Pois bem, ocorre que a atividade de transporte turístico é inerente à atividade de agência de turismo. Deveras, o § 4º do art. 27 da Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, estabelece que o serviço de transporte turístico é uma atividade complementar das agências de turismo. [...] 8. Essa Lei estabelece, ainda, que as agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície (art. 27, § 7º) e que os prestadores de serviços turísticos estão obrigados ao cadastro no Ministério do Turismo, na forma e nas condições por ela fixadas (art. 22). 9. Pelo exposto, podese dizer que quando uma agência de viagem e turismo, no exercício de sua atividade regulamentar, transporta pessoas em veículos próprios, de acordo com as disposições da Lei nº 11.771, de 2008, não ocorre vedação à opção pelo Simples Nacional. Com efeito, nessa hipótese a agência de viagem e turismo está prestando um serviço de transporte turístico, pouco importando se esse transporte ocorre dentro de um município, entre municípios ou entre estados. 10. O fato de o sistema informatizado da RFB vedar a opção pelo Simples Nacional, na hipótese de constar CNAE impeditivo vinculado ao CNPJ da ME ou EPP (nesse caso, o CNAE 49299/02 e o CNAE 49299/04), constitui dado importante a ser considerado, todavia é a natureza da atividade efetivamente exercida pela empresa, confrontada com as vedações e permissões estabelecidas em lei que devem determinar a possibilidade ou não de sua opção pelo Simples Nacional. [grifos nossos] Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10320.000650/200932 Acórdão n.º 1301002.599 S1C3T1 Fl. 509 9 Desse modo, ausente qualquer prova de que a recorrente desempenhava atividade vedada, tratandose de mera incorreção no preenchimento do CNAE, mostrase incorreta a exclusão do Simples Nacional levada a efeito pela unidade de origem, devendo se restabelecer o direito de a recorrente reenquadrarse nesse regime diferenciado de tributação. CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001407/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO PARCIAL EM GARANTIA. TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE.
Transitada em julgado em favor do contribuinte a ação judicial em que a empresa se baseou para a realização dos depósitos considerados parciais. Consideram-se improcedentes os lançamentos realizados a tal título para prevenção da decadência.
Numero da decisão: 1401-001.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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DEPÓSITO PARCIAL EM GARANTIA. TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. Transitada em julgado em favor do contribuinte a ação judicial em que a empresa se baseou para a realização dos depósitos considerados parciais. Consideramse improcedentes os lançamentos realizados a tal título para prevenção da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 07 /2 00 9- 58 Fl. 424DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16327.001407/200958 Acórdão n.º 1401001.936 S1C4T1 Fl. 378 3 Da análise do processo a Delegacia de Julgamento emitiu a seguinte decisão: Fl. 426DF CARF MF 4 Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: 1) Ausência de renúncia à esfera administrativa, em relação à impetração de ação judicial, relativamente à parte contestada. 2) Erro material no elaboração do auto de infração. É o relatório do essencial. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16327.001407/200958 Acórdão n.º 1401001.936 S1C4T1 Fl. 379 5 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O presente auto de infração foi lavrado para a garantia do crédito tributário objeto de depósito judicial realizado sob autorização judicial. Foram apurados débitos de IRPJ e CSLL decorrentes da discussão sobre a legalidade da IN RFB nº 213/2002, formalizados por meio do presente processo nos montantes abaixo: IRPJ: R$ 5.638.508,32 CSLL: R$ 2.029.862,99 Ocorre, no entanto, que os valores depositados pela empresa o foram nas seguintes quantias: IRPJ: R$ 5.638.508,17 CSLL: R$ 1.420.904,05 Da diferença entre os valores dos débitos reconhecidos pela empresa e apurados peça fiscalização e os valores efetivamente depositados resulta a lide do objeto do presente recurso voluntário, diferença esta no montante de R$ 608.958,88. Esta diferença decorre, no entendimento da empresa, da utilização de Base de Cálculo Negativa de CSLL apurada na forma da MP 1.807/99, transformada depois na MP nº 2.15835, para o abatimento de até 30% da CSLL devida de períodos subsequentes. No seu recurso voluntário a recorrente argumenta que o valor do saldo do crédito de CSLL está demonstrado na conta COSIF nº 1.8.8.25.208 e apresenta o documento nº 03 a comprovar esta alegação. No entanto, referido documento apenas demonstra a existência de saldo de Base de cálculo negativa de CSLL passível de compensação. Não demonstra que houve a utilização de parte deste saldo para o abatimento do valor de 30% da CSLL devida apurada pela empresa em relação à ação judicial que deixou de ser depositado. Para que não pairassem dúvidas quanto à falta de vontade de buscar a verdade dos fatos, verificamos também a impugnação apresentada e a documentação a ela acostada. Nesta a empresa apresenta uma simples planilha de apuração onde demonstra os valores de CSLL apurados por cada empresa controlada no exterior e, em cada apuração, apresenta o desconto do valor de 30% da CSLL apurada. Ocorre, que tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário a empresa não logra comprovar que realizou efetivamente a compensação dos 30% da CSLL apurada com os créditos decorrentes da MP 1.807/99. Os documentos apresentados comprovam a existência Fl. 428DF CARF MF 6 de um saldo de CSLL decorrente da MP 1.807/99 que poderia ser utilizado na compensação, mas não comprovam a sua efetiva utilização. Há de se levar em conta que a compensação, ora tratada, é forma de extinção do crédito de tributário e, assim, nem a comprovação do saldo da conta, nem a simples apresentação de planilha apresentando os descontos realizados, onde sequer consta o valor exato objeto da diferença em discussão conseguem provar a realização da compensação como forma de extinção do crédito tributário decorrente da diferença entre os valores apurados e os depositados. MP Nº 2.15835 (Sucessiva da MP 1.80799) Art. 8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § 1o A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. § 2o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 3o O direito à compensação de que trata o § 2o limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. Com toda a sua argumentação a empresa demonstrou que contabilizou o crédito em seu ativo na forma do art. 8º da MP nº 2.15835, no entanto, não demonstrou ter utilizado parte do referido saldo para a compensação de 30% da CSLL apurada. Devese observar, conforme bem destacado pela Delegacia de Julgamento em sua decisão que: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16327.001407/200958 Acórdão n.º 1401001.936 S1C4T1 Fl. 380 7 Da análise realizada pela Delegacia de Julgamento não há reparos a serem feitos. Cabia ao recorrente se desimcumbir do ônus de apresentar a compensação realizada para Fl. 430DF CARF MF 8 possibilitar a exclusão, do presente processo, dos valores da alegada compensação de 30% da CSLL apurada. Notese que a compensação realizada já sob a égide da Lei nº 9.430/96, com as alterações que determinaram a apresentação de declaração de compensação para a realização de compensação, teria de ser demonstrada, primeiro com a apresentação dos registros contábeis da redução do valor do saldo da conta de créditos da MP 1.807/99, juntamente com a extinção do valor do débito lançado. Depois teria de informar o débito com retificação da DIPJ da empresa para li consignar o aumento do valor do débito e a utilização do crédito compensado. Disto não cuidou a empresa. A única prova apresentada foi a da existência de saldos destes créditos em montante suficiente para suportar a pretensa compensação, no entanto, não comprovou a utilização deste mesmo crédito na compensação, posto que não apresentou sequer os registros contábeis relativos à alegada compensação. Assim, não há possibilidade de acatar o seu pedido de exclusão do presente auto do valor de R$ 608.958,88, relativo à pretensa compensação com saldo de créditos originados nas normas da MP 1.807/99, sucedida pela MP 2.15835.; Nestes termos corria meu voto até o conhecimento que o contribuinte juntou ao processo por meio de petição juntada às fls. 379 em diante, comprovação de que foi julgada a apelação do processo nº 2003.61.00.0036185, ao qual se referem os depósitos realizados, onde foi dado provimento à apelação e consideradas ilegais as disposições da instrução normativa na parte em que determinavam a tributação dos ganhos de filiais no exterior. Referida decisão transitou em julgado conforme consulta do andamento do processo junto ao TRF. Sendo assim, o presente auto, que foi elaborado para prevenção da decadência e para possibilitar a cobrança dos débitos caso a ação judicial restasse infrutífera, tornouse improcedente, haja vista, a decisão judicial superveniente e com trânsito em julgado em 23/09/2016, que decidiu pela ilegalidade da imposição da exação. Neste sentido voto por julgar procedente o recurso voluntário a fim de cancelar integralmente a autuação do presente processo. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
