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7561619 #
Numero do processo: 13839.901466/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o PERD/COMP nº 14650.70457.281113.1.2.04-0354 (fls. 37-39), transmitido em data de 28/11/2013 e referente ao período de apuração em 31/03/2009, para restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações: O Despacho Decisório nº 085164753, de 04/06/2014 (fls. 41), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Às fls. 43 foi proferido Despacho de Encaminhamento pela SEORT-DRF-JUNDIAI-SP nos seguinte termos: "Visando atender ao Art. 33 § 1ºda Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define os procedimentos necessários à formalização de processo administrativo diante da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico, informo que o presente processo foi instruído com os seguintes itens, quando existentes:I)PER/DCOMP tratados no processo de crédito;II)Cópias das intimações enviadas pelo processamento eletrônico;III) Documentos comprobatórios da análise do crédito, arquivados no processo administrativo de que trata o art. 32;IV)Cópia do despacho decisório;V) Manifestação de inconformidade;VI)Comprovante de ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e considerando que a manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, encaminho este processo ao SERET–DRJ–RPO-SP para prosseguimento." Foi proferido o Acórdão nº 08-38.795 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 45 a 51), julgando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS. Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da pessoa jurídica, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, não incluídos no ativo imobilizado, intrínsecos à atividade e que sejam diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte teve ciência da Intimação Eletrônica nº 13837/85/2017 (fls. 53) em data de 10/05/2017 e interpôs Recurso Voluntário de fls. 59 a 90 em data de 08/06/2017, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 91-95) e Contrato Social e Alterações (fls. 96-112). Às fls. 113 foi proferido despacho de encaminhamento do recurso para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS

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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o PERD/COMP nº 14650.70457.281113.1.2.04-0354 (fls. 37-39), transmitido em data de 28/11/2013 e referente ao período de apuração em 31/03/2009, para restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações: O Despacho Decisório nº 085164753, de 04/06/2014 (fls. 41), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Às fls. 43 foi proferido Despacho de Encaminhamento pela SEORT-DRF-JUNDIAI-SP nos seguinte termos: "Visando atender ao Art. 33 § 1ºda Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define os procedimentos necessários à formalização de processo administrativo diante da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico, informo que o presente processo foi instruído com os seguintes itens, quando existentes:I)PER/DCOMP tratados no processo de crédito;II)Cópias das intimações enviadas pelo processamento eletrônico;III) Documentos comprobatórios da análise do crédito, arquivados no processo administrativo de que trata o art. 32;IV)Cópia do despacho decisório;V) Manifestação de inconformidade;VI)Comprovante de ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e considerando que a manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, encaminho este processo ao SERET–DRJ–RPO-SP para prosseguimento." Foi proferido o Acórdão nº 08-38.795 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 45 a 51), julgando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS. Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 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Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 91-95) e Contrato Social e Alterações (fls. 96-112). Às fls. 113 foi proferido despacho de encaminhamento do recurso para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.

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3402­001.475  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  25 de outubro de 2018  Assunto  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Recorrente  TEGULA SOLUÇÕES PARA TELHADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros  Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a  diligência proposta.      (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.       (assinado digitalmente)  Cynthia Elena de Campos ­ Relatora.    Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra  (Presidente),  Diego  Diniz  Ribeiro,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Cynthia  Elena  de  Campos,  Pedro  Sousa  Bispo, Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne,  Rodrigo Mineiro  Fernandes  e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 46 6/ 20 14 -2 7 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 117          2   Relatório  A Contribuinte  formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o  PERD/COMP  nº  14650.70457.281113.1.2.04­0354  (fls.  37­39),  transmitido  em  data  de  28/11/2013  e  referente  ao  período  de  apuração  em  31/03/2009,  para  restituição  dos  créditos  escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos  seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações:    O  Despacho  Decisório  nº  085164753,  de  04/06/2014  (fls.  41),  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Jundiaí,  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição  por  considerar  inexistente  o  crédito,  fundamentando  pela  aplicação  do  Art.  165  do  Código  Tributário  Nacional.  Às  fls.  43  foi  proferido  Despacho  de  Encaminhamento  pela  SEORT­DRF­ JUNDIAI­SP nos seguinte termos:  "Visando  atender  ao  Art.  33  §  1ºda  Norma  de  Execução  Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define  os  procedimentos  necessários  à  formalização  de  processo  administrativo  diante  da  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  despacho  decisório  eletrônico,  informo  que  o  presente  processo  foi  instruído  com  os  seguintes  itens,  quando  existentes:I)PER/DCOMP  tratados  no  processo  de  crédito;II)Cópias  das  intimações  enviadas  pelo  processamento  eletrônico;III)  Documentos  comprobatórios  da  análise  do  crédito,  arquivados  no  processo  administrativo  de  que  trata  o  art.  32;IV)Cópia  do  despacho  decisório;V)  Manifestação  de  inconformidade;VI)Comprovante  de  ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 118          3 considerando  que  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  é  tempestiva,  encaminho  este  processo  ao  SERET–DRJ–RPO­SP  para  prosseguimento."   Foi  proferido  o  Acórdão  nº  08­38.795  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Fortaleza  (CE)  (fls.  45  a  51),  julgando  pela  improcedência  da  Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a  31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS.  Consideram­se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração  da  Cofins  não  cumulativa,  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à  venda ou na prestação de serviços.  O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem  ou  serviço  que  gera  despesa  necessária  para  a  atividade  da  pessoa  jurídica, mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  não  incluídos  no  ativo  imobilizado,  intrínsecos  à  atividade  e  que  sejam  diretamente  aplicados  ou  consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação  do serviço.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  A Contribuinte teve ciência da Intimação Eletrônica nº 13837/85/2017 (fls. 53)  em data de 10/05/2017 e interpôs Recurso Voluntário de fls. 59 a 90 em data de 08/06/2017,  pugnando  pela  procedência  da manifestação  de  inconformidade  para  que  seja  reconhecido  o  direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.  Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:  * Tem por objeto social a atividades no mercado  interno e externo, sobretudo,  fabricação  de  artefatos  de  cimento  para  uso  na  construção,  depósitos  de  mercadorias  para  terceiros,  exceto  armazéns  gerais  e  guarda­móveis,  comércio  atacadista  especializado  de  materiais  de  construção  não  especificados  anteriormente;  fabricação  de material  sanitário  de  cerâmica;  comércio  varejista  de  ferragens  e  ferramentas;  fabricação  de  válvulas,  registros  e  dispositivos semelhantes, peças e acessórios.  * Houve  pedido  de  restituição  de  pagamento  indevido  ou  a maior  a  título  de  COFINS/PIS no  regime não  cumulativo  em  razão  de  créditos  decorrentes  de  pagamentos  de  comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.  * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e  constitucionais  do  PIS­COFINS:  artigos  149,  195,  I  ­"b"  e  parágrafo  12º,  239,  todos  da  Constituição Federal,  bem como pelas  seguintes  legislações: Leis Complementares n.  7/70  e  70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.  * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:   Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 119          4 "O  PIS/PASEP  no  regime  cumulativo  está  estruturado  da  seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo:  pessoa  jurídica;  (iii)  –  critério  material:  faturamento  de  mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de  cálculo  (valor  do  faturamento)  e  alíquota  (0,65%);  (v)  –  critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal:  faturamento mensal (critério da competência).  Do  mesmo  modo,  a  COFINS  no  regime  cumulativo  tem  a  seguinte regra­matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União;  (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material:  faturamento  de  mercadorias  e/ou  serviços;  (iv)  –  critério  quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota  (3%);  (v)  –  critério  territorial:  território  nacional;  (vi)  –  critério  temporal:  faturamento  mensal  (critério  da  competência)."  * Argumentou pelo regime da não­cumulatividade para o PIS/COFINS.  *  Argumentou  que,  diante  de  gastos,  custo,  pagamento  realizado  pelo  contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz  de  contribuir,  de  forma  direta  ou  indireta,  para  a  obtenção  de  receita  daquela,  há  de  se  considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando  crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito  no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício  desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar  a constitucionalidade da lei.  *  As  comissões  de  representantes  comerciais  nada  mais  são  do  que  a  remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica  que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.  O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 91­95) e Contrato  Social e Alterações (fls. 96­112).  Às  fls.  113  foi  proferido  despacho  de  encaminhamento  do  recurso  para  julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  É o relatório.    Voto  Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora.    Pressupostos legais de admissibilidade  O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de  admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 120          5   Da necessidade de diligência para julgamento do recurso  Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da  questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como  insumos,  que  geram  direito  ao  crédito  das  contribuições,  ou  como  despesas  necessárias  à  atividade da  empresa,  sem vinculação ao processo produtivo  e  incapazes de gerar  crédito na  sistemática não­cumulativa.   Assim alega a Contribuinte:  i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades  comerciais,  procede  à  contratação  de  representantes  comerciais  para  escoamento  de  sua  produção  própria,  sendo  que  tal  modalidade  de  venda  representa  aproximadamente  87%  do  faturamento.  ii)  Que  a  função  desempenhada  por  tais  representantes  é  notadamente  imprescindível  para  sua  cadeia  produtiva,  na  medida  em  que  estes  são  responsáveis  pela  intermediação  dos  negócios,  com  a  prospecção  de  clientes  e  desenvolvimento  do  mercado,  assim  como  participam  diretamente  no  processo  negocial,  lançando  os  pedidos  aceitos  no  sistema  e  formatando  as  cargas.  Além  do  mais,  frequentemente  efetua  a  contratação  do  transporte das mercadorias vendidas.  iii)  Em  razão  do  critério  da  essencialidade,  é  incontestável  que  os  valores  desembolsados  quanto  à  atividade  realizada  pelos  representantes  comerciais  devem  ser  entendidos  como  insumo  na  cadeia  de  produção  e  vendas  dos  produtos  que  fabrica,  conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições  destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração não­cumulativa das  referidas contribuições.  Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo  entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito  de crédito:   (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da  receita para si;    (ii)  –  já  aquelas  que  se  utilizam  dos  representantes  não  terão  100%  das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de  comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS  e COFINS.  Constata­se  que  o  fundamento  pelo  qual  a  DRJ/FOR  julgou  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei  nº 10.637/2002, bem como da IN­SRF nº 247/2002. Vejamos:  No  presente  caso,  as  comissões  pagas  aos  representantes  comerciais  não  podem  ser  consideradas  como  aplicadas  ou  consumidas  diretamente  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda.  Tampouco  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 121          6 podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para  a  consecução  das  atividades  principais  da  empresa.  Assim,  as  comissões pagas aos representantes comerciais  são despesas que não  se  caracterizam  como  insumos,  não  sendo  admissível,  portanto,  a  apuração de créditos relativamente a esses dispêndios.  Este  também  é  o  entendimento  da  Solução  de  Consulta  nº  98,  da  SRRF07/Disit, transcrito abaixo:        (...)  17.  Dessa  forma,  os  bens  e  serviços  que  forem  necessários  ou  essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não  puderem  ser  considerados  como  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços  não  se  caracterizam  como  “insumos”,  não  sendo  admissível,  portanto,  a  apuração  de  créditos  relativamente  a  esses dispêndios.  18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos  de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo  com  o  art.  299  do  Decreto  nº.  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99),  são  todas  aquelas despesas  necessárias,  usuais  e  normais  para as operações da empresa.        (...)  Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade.     Inicialmente,  consigna­se  que  o  contribuinte  do  PIS  e  da  COFINS  não­ cumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos  calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos  destinados à venda.  De  fato  havia  divergências  quanto  ao  conceito  de  insumos  aplicável  às  contribuições sociais.  No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento  do Recurso Especial nº 1.221.170 ­ PR, processado em sede de recurso representativo de  controvérsia,  que  o  conceito  de  insumo,  para  efeito  de  tomada  de  crédito  das  contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve  ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.  Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa ­ SRF  nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade  da  Instrução  Normativa  ­  SRF  nº  404/2004,  as  quais  restringiam  o  direito  de  crédito  aos  insumos que  fossem diretamente  agregados  ao produto  final,  ou que  se  desgastassem  com o  contato físico com o produto ou serviço final.   Outrossim,  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  publicou  em  data  de  03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN­MF, aceitando o conceito  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 122          7 de  insumos para crédito de PIS e Cofins  fixado pelo Superior Tribunal de  Justiça,  conforme  Ementa abaixo transcrita:  Documento público. Ausência de sigilo.  Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR  Recurso  representativo  de  controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN  SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos  critérios de essencialidade ou relevância.  Tese  definida  em  sentido  desfavorável  à  Fazenda  Nacional.  Autorização para dispensa de contestar e  recorrer com  fulcro no art.  19,  IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n°  502, de 2016.  Nota  Explicativa  do  art.  3º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  nº  01/2014.  Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o  processo produtivo  e a  prestação de  serviços,  que neles possam ser direta ou  indiretamente  empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou  da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial  perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes".  Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizando­se do  chamado  “teste  de  subtração”  do  insumo,  de  modo  a  verificar  a  imprescindibilidade  e  a  importância  de  determinado  item  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  Neste  sentido,  transcrevo  os  itens  14  a  17  da  SEI  nº  63/2018/CRJ/PGACET/PGFN­MF:  "14.  Consoante  se  depreende  do Acórdão  publicado,  os Ministros  do  STJ  adotara  m  a  interpretação  intermediária,  considerando  que  o  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância.  Dessa  forma,  tal  aferição  deve  se  dar  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  para  o  desenvolvimento  da  atividade  produtiva,  consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de  serviços.  15. Deve­se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo  produtivo,  na  medida  em  que  determinado  bem  pode  fazer  parte  de  vários  processos  produtivos,  porém,  com  diferentes  níveis  de  importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por  meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos  a  revelar  a  imprescindibilidade  e  a  importância  para  o  processo  produtivo.  16. Nesse diapasão, poder­se­ia caracterizar como insumo aquele i tem  –  bem  ou  serviço  utilizado  direta  ou  indiretamente  ­  cuja  subtração  implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou,  pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço  ou produto inútil.  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 123          8 17. Observa­se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de  insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez  retirados  do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade­fim da  empresa,  estejam  eles  empregados  direta  ou  indiretamente  em  tal  processo.  É  o  raciocínio  que  decorre  do  mencionado  “teste  d  e  subtração”  a  que  se  refere  o  voto  do  Ministro  Mauro  Campbell  Marques."    Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração  da  essencialidade  ou  relevância  do  representante  comercial  às  atividades  desenvolvidas  pela empresa.  Através  do  atos  constitutivos,  é  possível  verificar  que  a  Recorrente  tem  por  objeto social as seguintes atividades:    Constata­se, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos  de cimento para uso na construção (CNAE 23­30­3­02) e, por atividade econômica secundária  a seguinte descrição:  CÓDIGO  E  DESCRIÇÃO  DAS  ATIVIDADES  ECONÔMICAS  SECUNDÁRIAS 52.11­7­99 ­ Depósitos de mercadorias para terceiros,  exceto  armazéns  gerais  e  guarda­móveis  46.79­6­04  ­  Comércio  atacadista especializado de materiais de construção não especificados  anteriormente  23.49­4­01  ­  Fabricação  de  material  sanitário  de  cerâmica 47.44­0­01 ­ Comércio varejista de  ferragens e  ferramentas  28.13­5­00  ­  Fabricação  de  válvulas,  registros  e  dispositivos  semelhantes, peças e acessórios  Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade  que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio  de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da  atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente  87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento.  Não  obstante  os  fundamentos  que  embasam  as  razões  recursais,  o  fato  é  que  neste  processo  administrativo  não  há  nenhuma  prova  que  ateste  a  essencialidade  da  representação comercial na atividade da empresa Recorrente.  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901466/2014­27  Resolução nº  3402­001.475  S3­C4T2  Fl. 124          9 Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral  pelo Superior Tribunal  de  Justiça,  resultando na  incidência  do  artigo  62,  §  2º do Regimento  Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade  material,  faz­se necessária a  realização de diligência para uma melhor  compreensão sobre as  características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas  em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise.  Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972,  proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de  Origem  intime  a  Contribuinte  para  apresentar  nos  autos  a  comprovação  de  que  os  serviços  prestados  por  representantes  comerciais  em  sua  atividade  empresarial  são  essenciais  e  relevantes,  em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário  e Razão, bem como  demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio.  Com  a  apresentação  dos  documentos  pela  Contribuinte  e  elaboração  de  Relatório  Fiscal  com  os  esclarecimentos  necessários  pela  Autoridade  Fiscal,  intimar  a  Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no  prazo de 30 (trinta) dias.  Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este  Colegiado para julgamento.  É a resolução.      (assinado digitalmente)  Cynthia Elena de Campos   Fl. 124DF CARF MF

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7551206 #
Numero do processo: 10680.906500/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/10/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.906500/2015­93  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3301­005.242  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de setembro de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 25/10/2011   PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.   Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo  da  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direto  fazê­lo  em  outro  momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10680.904943/2015­40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Ari  Vendramini,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 00 /2 01 5- 93 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  pedido  de  restituição  formalizado  por  meio  de  PER/DCOMP  para  obter  reconhecimento  de  direito  creditório  do  tributo  por  suposto pagamento a maior ou indevido.  Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho  Decisório Eletrônico,  formalizado no sentido do  indeferimento da  restituição pretendida pela  interessada,  explicando  que  o  pagamento  indicado  já  estava  integralmente  alocado,  não  restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse  crédito.  Inconformado,  o  interessado  apresentou  manifestação  de  inconformidade  tempestiva  esclarecendo  que  durante  procedimento  de  auditoria  interna,  realizada  nas  apurações  dos  tributos  da  companhia,  foram  identificados  pagamentos  a  maior  em  determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita  Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição  dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores.   Entende  que  a  Per/Dcomp  está  em  conformidade  com  o  art.  74  da  Lei  nº  9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a  insubsistência e improcedência do despacho decisório.   A DRJ  julgou a manifestação de  inconformidade  improcedente,  nos  termos  do Acórdão nº 06­057.202.  Inconformada com decisão  de  primeira  instância,  a  contribuinte  apresentou  recurso voluntário, em síntese,  trazendo argumento novo, de que o pagamento  indevido seria  da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva.  É o relatório.  Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 4          3   Voto               Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.223,  de  27  de  setembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10680.904943/2015­40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­005.223):  "O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade1.  A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido:  Segundo  a  versão  apresentada pela  defesa,  o  crédito  apontado  (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS  de  31/03/2010,  conforme  informado  na  DCTF  retificadora  apresentada em 06/11/2014.   Constatou­se  que  o  despacho  decisório  foi  emitido  levando  em  conta  as  informações  contidas  na  DCTF  retificadora,  transmitida  em  06/11/2014,  a  qual,  como  se  vê,  trata­se  da  DCTF  retificadora  que  a  contribuinte  alega  conter  as  informações corretas correspondente ao débito do período.   Nessa  DCTF,  o  débito  de  COFINS  confessado  do  período  de  apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado  por  meio  de  vários  pagamentos  (DARF)  que  totalizam  R$  871.733,98  e compensações  no  valor  de R$ 696,80  –  restando,  saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a  tela extraída do  sistema de controle de declarações:                                                              1  Ressalte­se  ser  desnecessário  responder  todos  as  questões  levantadas  pelas  partes,  em  já  havendo  motivo  suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o  , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315­DF, julgado de  8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi).  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 5          4     Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no  sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015.   No  sistema  de  controle  de  arrecadação,  verificou­se  que  os  pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de  R$  871.733,98  –  foram  validados  e  vinculados  ao  débito  de  Cofins do período (código 2172).   No entanto,  tendo em vista que os pagamentos validados  foram  insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência  de  outros  pagamentos  para  o  mesmo  período  de  apuração,  dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema  informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do  saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas  copiadas a seguir:     Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 6          5   Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no  PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o  débito  de  COFINS  de  31/03/2010,  em  face  das  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte  na  DCTF  retificadora  apresentada  à  Receita  Federal,  não  restando  crédito  para  a  restituição pretendida:  [...]  Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela  Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores,  e  de  acordo  com  o  disposto  no  Decreto­Lei  nº  2.124,  de  13/06/1984",  tal  declaração constitui­se em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente  para a exigência do crédito tributário.    A  recorrente,  alega  que  o  pagamento  indevido  de  R$275,20,  seria  provenientes  e  originário  "de  SCP’s  (Sociedades  em Conta  de Participação),  das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta:  O  débito  montante  de  R$  1134352,27,  declarado  em  DCTF,  alberga  valores  devidos  de  Cofins  de  várias  SCP’s  que  tem  a  Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias  participantes.   A  título de  lembrete  sabe­se que os  sócios ostensivos de SCP’s  são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros,  enquanto  que  os  sócios  participantes  (antigos  sócios  ocultos),  não têm essa obrigação.  Em  vista  dessa  situação,  a  Recorrente  é  responsável  pelas  obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de  DCTF com os competentes recolhimentos tributários.  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 7          6 No caso em questão, o valor  recolhido, R$ 275,2 é proveniente  da  atividade  da  SCP,  "Laguna Beach"  contrato  anexo, Doc.  1,  que recolheu este valor.  Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia  de R$ 0   Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita  Federal  acaba  violando  a  individualidade  de  outra  pessoa  jurídica,  uma  vez  que  o  crédito  solicitado  diz  respeito  a  uma  sociedade  em  conta  de  participação  específica  que  tem  a  Recorrente  como  sócia  ostensiva. O  quadro  abaixo,  demonstra  muito bem a composição deste crédito.  Tanto que o código do imposto é o 2172­08, cujo dígito identifica  ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação.    Portanto,  no  caso  da  decisão  ser  mantida,  permanecer­se­á  uma  verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à  sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta  de débitos tributários que não são dela.  “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  Ano­calendário: 2008  SOCIEDADES  EM  CONTA  DE  PARTICIPAÇÃO.  SUJEIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  Na  apuração  dos  resultados  da  sociedade  em  conta  de  participação  serão  observadas  as  normas  aplicáveis  às  demais  pessoas  jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de  participação  não  se  confunde  com  o  sócio  ostensivo,  os  resultados daquela não podem ser  tributados diretamente neste  mas apenas distribuídos na proporção da participação.”  (CARF,  Recurso  Voluntário  Recurso  de  Ofício,  PTA  15504.724276/2013­14,  Acórdão  1402­  002.208.  Relator  Dr.  Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacou­se)  Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF  126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar  uma  SCP  em  que  ela  é  a  sócia  ostensiva  e  que,  por  isso,  é  obrigada  ao  cumprimento  das  obrigações  acessórias,  dentre  elas, a entrega de DCTF.  Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede  de  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direto  de  fazê­lo  em  outro  momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.  Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco,  que  não  a  DCTF  retificada  e  o  DARF  dado  como  pago  indevidamente.  Tal  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.906500/2015­93  Acórdão n.º 3301­005.242  S3­C3T1  Fl. 8          7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do  peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil.  Assim,  por  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                               Fl. 85DF CARF MF

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Numero do processo: 10935.902853/2012-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T1  Fl. 89          1 88  S3­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.902853/2012­32  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3001­000.544  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  17 de outubro de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ RESTITUIÇÃO ­ PIS ­ PAGAMENTO INDEVIDO  Recorrente  COODETEC COOPERATIVA CENTRAL DE PESQUISA AGRÍCOLA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 30/11/2004  JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  jurisprudenciais  para  os  quais a lei atribua eficácia normativa.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/11/2004  DILIGÊNCIA  E/OU  PERÍCIA.  JUNTADA  DE  PROVAS.  DESNECESSIDADE.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  diligência  e/ou  perícia,  quando  tal  providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.  Ao  indicar  como  crédito  um pagamento  indevido,  destacando,  inclusive,  as  informações  constantes  do  Darf  pleiteado,  sem  proceder  a  qualquer  retificação,  não  há  como  transmudar  a  vontade  expressa  na  Dcomp  transmitida,  sendo  desnecessária  a  diligência  e/ou  perícia,  bem  assim  a  eventual juntada de novas provas.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  APRESENTAÇÃO DE RECURSO.  As  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.  VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.  Ainda  que  o  Processo  Administrativo  Fiscal  Federal  esteja  jungido  ao  principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi­ lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido  processo legal.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 28 53 /2 01 2- 32 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 90          2 Data do fato gerador: 30/11/2004  DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA.  A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração,  mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram  confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal.  ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO  DECLARADO EM DIPJ.  O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do  direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado  pela  fiscalização  através  de  outros  meios  que  estivessem  à  disposição  da  Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação  de  suas  declarações.  O  não­atendimento  pelo  contribuinte  desta  intimação,  gera a não­homologação da compensação declarada.  PER/DCOMP.  DÉBITO  DECLARADO.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS  PROBATÓRIO.  AUSÊNCIA DE  PROVA.  Oportunizada,  em  face  do  exercício  do  contraditório,  com  a  trazida  da  manifestação de  inconformidade  e do  recurso voluntário,  a  apresentação  de  documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento  capaz  de  afastar  a  conclusão  contida  no  despacho  decisório  contestado,  mantém­se  o  indeferimento  da  restituição  da  contribuição  para  o  PIS,  por  inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.  Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 02­54.302, da 1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  ­ DRJ/BHE­ que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.03.2014, julgou improcedente a  manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em Per/Dcomp  25859.26726.041209.1.2.04­4110, transmitido em 04.12.2009.  Da síntese dos fatos  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 91          3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (e­fls.  69 a 72), verbis:  Relatório  O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito  nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de  PIS não­cumulativo, relativo ao fato gerador de 30/11/2004.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte  emitiu  Despacho  Decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a  restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi  utilizado  na  quitação  integral  de  débito  da  empresa,  não  restando crédito disponível.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado  em  10/10/2012  (fl.  65),  o  contribuinte  apresentou,  em  09/11/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  2/4,  alegando,  em  síntese,  que  a  origem  do  crédito  pode  ser  confirmada no Dacon retificador transmitido em 30/11/2009, no  qual  consta  que  não  foi  apurado  débito  para  o  período  em  questão, restando indevido o pagamento realizado. Informa que  se  equivocou  em  não  retificar  a  DCTF  em  tempo  hábil  e  que  tentou  retificá­la  após  receber  o  despacho  decisório,  não  obtendo  êxito  devido  a  limitações  de  transmissão  de  arquivos  para  o  sistema  da  RFB.  Por  fim,  requer  seja  reconhecido  o  crédito pleiteado e determinada a sua restituição.  É o relatório.  Da ementa da decisão recorrida  A  1ª  Turma  da  DRJ/BHE,  ao  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi  vazada nos seguintes termos, verbis:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/11/2004  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO  CRÉDITO.  Na  ausência  de  provas,  o  Dacon  retificador,  com  valores  divergentes daqueles declarados em DIPJ e em DCTF, não pode  ser  considerado  instrumento  hábil  para  conferir  certeza  e  liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Da ciência  O  contribuinte,  conforme depreende­se  do  "COMUNICADO Nº  293/2014"  de  e­fl.  74,  corroborado  pelo Aviso  de Recebimento  "AR"  de  e­fl.  75,  conheceu  do  teor  do  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 92          4 acórdão vergastado em 10.04.2014,  razão pela qual,  irresignado com a decisão  recorrida, em  12.05.2014,  conforme depreende­se do  carimbo de protocolo  aposto na  "Folha de Rosto" do  presente recurso voluntário (e­fls. 77 a 85), apresentou respectiva petição recursal.  Do recurso voluntário  Ciente  da  decisão  a  quo,  e  com  ela  inconformado,  o  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  através  de  patrono  legitimamente  constituído,  pugnando  pela  reforma  do  acórdão  da  1ª  Turma  da  DRJ/BHE.  Nesta  petição  recursal,  além  de  repisar  os  fatos  que  ensejaram  a  transmissão  do  referido  Per/Dcomp  e  os  argumentos  apresentados  na  sua  manifestação  de  inconformidade,  notadamente  para  reafirmar  o  equívoco  relativo  a  não  retificação da DCTF e a para confirmar a apresentação de Dacon retificadora, como elemento  de prova do pagamento indevido, salienta que existe jurisprudência administrativa, no âmbito  do  Carf,  que  admite  "a  retificação  da  DIPJ  no  decorrer  do  processo  de  compensação  para  possibilitar que a parte interessada aponte de forma correta, o saldo negativo (...)".  Diante do alegado, requer:  (i)  a  reforma  da  decisão  prolatada,  que  não  homologou  o  pedido  de  restituição;  (ii) a determinação do retorno dos autos a DRF/Cascavel, para que aprecie a  matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras;  (iii)  a  produção  de  provas,  por  todos  os  meios  em  direito  admitidos,  especialmente a pericial;  (iv)  que  o  presente  recurso  seja  recebido  nos  efeitos  suspensivos  e  devolutivo; e  (v) que seja dado provimento ao pleito para reconhecer seu direito creditório  e homologar a restituição objeto do presente Per/Dcomp.  Do encaminhamento  Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 14.05.2014 (e­fl. 88), que,  na  forma  regimental,  foi  distribuído  e  sorteado  para  manifestação  deste  colegiado  extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator  Da competência para julgamento do feito  Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23­B do Anexo II  da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 93          5 de Recursos Fiscais ­RICARF­, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é  competente para apreciar o presente feito.  Da tempestividade  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  12.05.2014,  depois  da  ciência  do  acórdão recorrido, ocorrida em 10.04.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  de  regência,  de modo  que  dela  conheço.  Preâmbulo I ­ Da produção de prova, diligência e/ou perícia  No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a  deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo  18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993,  tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador.  Frise­se, a produção de provas, a realização de perícia ou diligência deve ser  efetivada  para  a  elucidação  de  fatos  e/ou  complementação  de  prova,  isso  tudo  à  critério  da  autoridade que realiza o julgamento do processo.  Não obstante convém relembrar sobre a legislação que trata do momento da  produção  de  prova.  Para  tanto,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  (PAF  ­  D.  70.235/72)  esclarece  que  cabe  ao  interessado  carrear  aos  autos os documentos que permitem corroborar  suas alegações defensivas, verbis:  (...)  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  (...)  Desta feita, não constatando a apresentação de qualquer novo documento que  corrobore  e  sustenta  suas  alegações  recursais  e  não  demonstrando  quaisquer  das  situações  tipificadas no parágrafo 4º, do artigo 16, do PAF, dá­se a preclusão.  Veja, ao declarar que dispunha de crédito pago  indevidamente, o  recorrente  assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza, no entanto, assim não procedeu.  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 94          6 Por fim evidencia­se também que afora a dita preclusão processual, conforme  se verá adiante, não há questão de fato a ser elucidada.  Portanto, é de se concluir pelo indeferimento do presente pleito.  Preâmbulo II ­ Da jurisprudência administrativa  Cabe  esclarecer  que,  no  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  jurisprudenciais  indicados  pelo  recorrente,  somente  devem  ser  observados  os  atos para os quais a  lei  atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos  termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional ­CTN­.  Porém, não obstante a prescrição legal acima evidenciada, cabe assentar que  a doutrina interpreta o chamado "direito líquido e certo" aquele cujos aspectos de fato possam  comprovar­se  documentalmente,  entendimento  este  corroborado  por  robusta  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  exemplificam  as  ementas  transcritas, verbis:  DIREITO CREDITÓRIO ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de  tributo pago/retido a maior que o devido em face da  legislação  tributária  ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com  documentos  hábeis  e  idôneos  o  indébito  efetivamente  apurado.  Recurso  Voluntário  Procedente  em  Parte  (1º  CC,  1ª  Câmara,  Rec.  Voluntário  nº  160140,  Proc.  nº  10283.001953/98­14,  Rel.  Valmir Sandri, Acórdão nº 101­97098, Sessão de 19/12/2008)  COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Compete  ao  contribuinte  a  apresentação  de  livros  de  escrituração  contábil  e  fiscal  e  documentos  hábeis  e  idôneos  à  comprovação  do  alegado  sob  pena  de  acatamento  do  ato  administrativo  realizado.  (Acórdão  3803­02.491  ­  3ª  Turma  Especial,  Terceira  Seção  do  CARF,  processo  administrativo  10467.902984/2009­88)  Preâmbulo III ­ Da suspensão da exigibilidade  Embora  nestes  autos  em  nenhum  momento  aventou­se  a  hipótese  da  interrupção da suspensão da exigibilidade do crédito  tributário, em face da não homologação  da  restituição  pleiteada  pelo  contribuinte,  em  respeito  ao  recorrente  tratar­se­á  do  tema  em  breves linhas.  Veja­se,  a partir  de 31.10.2003,  com a  edição da Medida Provisória nº 135  convertida  na  Lei  nº  10.833,  ambas  de  2003,  a  suspensão  da  exigibilidade  de  débito  compensado  tornou­se  possível,  pois  a  declaração  em  Per/Dcomp,  feita  pelo  contribuinte  passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência  dos  créditos  informados  como  recolhidos  a  maior  ou  indevidamente  e/ou  dos  débitos  indevidamente compensados.  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 95          7 Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional ­CTN­  (Lei  nº  5.172,  de 25.10.1966),  dispõe  que  as  reclamações  e os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo,  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  Neste contexto, é suficiente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito  tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa.  Preâmbulo IV ­ Do princípio da verdade material  O  recorrente  pretende  fundamentar  a  reforma  do  acórdão  recorrido,  bem  assim  seu  pedido  de  produção  de  prova,  diligência  e  perícia,  no  recorrentemente  aventado  princípio da verdade material.  No  entanto,  como  sobejamente  demonstrado  no  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  o  motivo  do  indeferimento  do  pretendido  direito  creditório  reside  no  fato  de  a  autoridade competente da DRF/Cascavel constatar, após exame nos sistemas informatizados da  RFB,  que  o  valor  do  referido  crédito,  pleiteado  que  foi  em  Per/Dcomp,  a  "partir  das  características  do  DARF  discriminado  (...),  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos  (...),  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição".  Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes  autos, verificou­se que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado.  Diante destas  constatações  e  o  que  dos  autos  consta,  aí  também aliado  aos  corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel  deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha  aos  autos  documentos  e/ou  informações  que  venham  confirmar  seu  direito,  digo  isto  pois  entendo  que  tal  concessão  importaria  em  desrespeito  aos  prazos  estabelecidos  na  legislação  processual de regência, como vimos anteriormente.  Prosseguindo  um  pouco  mais,  pode­se  dize  ainda  que  é  comezinho  a  obrigação do sujeito passivo, desde  a  feitura de  seu pleito  reivindicatório, passando pela  sua  manifestação  de  inconformidade,  municiar  sua  pretensão  em  documentos  hábeis  suficientes  para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula.  Por  isso,  e não por outra  razão,  é que  a  legislação  impõe ao  contribuinte o  dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e  não da Administração Tributária tal mister.  Desta  feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar  toda e  qualquer  regra  processual  aplicável  ao  processo  administrativo  fiscal  federal  a  fim  de,  ao  arrepio,  dentre  outros,  do  princípio  da  isonomia,  permitir  seja  desbancada  a  competência  originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa  que  competia  ao  sujeito  passivo,  seja  espontaneamente  ou mesmo  depois  de  provocado,  em  face das sucessivas rejeições da sua pretensão.  Portanto,  não  é  correto  afirmar  que  a  aventada  a menor  rigidez  dos  prazos  para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado  da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 96          8 contemplados  pela  instância  a  quo,  impõe  que  estas  tenham  sido  produzidas  no  momento  oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas.  Do mérito  É fato inconteste que o indeferimento do presente pedido de restituição, pela  unidade fiscal de origem, tem motivação no fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  de  PIS  não  cumulativo,  declarado  para  o  período de 30.11.2004, não restando, portanto, saldo disponível para ser restituído.  Da DCTF original, referente ao mesmo período de apuração, observa­se que  o contribuinte vincula integralmente o Darf discriminado no presente Per/Dcomp a débito de  PIS não­cumulativo declarado. Por sua vez, o contribuinte informa que não transmitiu DCTF  retificadora,  mas  que  apresentou,  em  30.11.2009,  Dacon  retificador,  que,  ao  seu  talante,  evidenciaria a  inexistência de PIS não­cumulativo a pagar e, por conseguinte,  comprovaria a  existência do crédito pleiteado.  No entanto, o voto condutor do acórdão recorrido adverte, corretamente, "que  na DIPJ/2005 ativa,  retificada em 23.12.2008, o contribuinte declarou o mesmo valor devido  que consta na DCTF original,  isto é, R$ 3.102,42", evidenciando, portanto "divergências não  esclarecidas entre os valores informados pelo interessado nas declarações encaminhadas à RFB  (DCTF, DIPJ e Dacon ativos)".  Desta  feita,  didaticamente,  a  relatora  do  voto  condutor  da  decisão  a  quo  pontua que, não obstante o "no Dacon retificador o contribuinte não informe valor a pagar de  PIS não­cumulativo para o período em questão, na ausência de outras provas, essa declaração  não  pode  ser  considerada,  por  si  só,  instrumento  hábil  para  conferir  certeza  e  liquidez  ao  crédito indicado no pedido de restituição".  Ressalta  que  "os  valores  declarados  em  DCTF,  a  teor  do  que  dispõe  o  Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida, sendo  tal  declaração o documento que comunica  a existência de crédito  tributário,  instrumento hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  referido  crédito.  O  Dacon  e  a  DIPJ,  por  outro  lado,  são  instrumentos hábeis para a consolidação e a apuração de PIS não­cumulativo para o período de  31.11.2004".  Diante desta premissa,  a  relatora,  de maneira  absolutamente  clara,  concluiu  que  a  "apresentação  de  Dacon  retificador,  com  redução  do  valor  do  débito  anteriormente  confessado e  com valores divergentes daqueles  informados  em outras declarações,  não basta  para justificar a reforma da decisão de indeferimento de restituição", posto que "faz­se mister a  prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor  correto do débito é aquele constante no Dacon retificador".  Portanto,  constata­se  no  caso  ora  sob  exame  que  o  acórdão  recorrido,  analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da  não  homologação  da  compensação  declarada,  fez  questão  de  esclarecer  que  não  bastava  ao  contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido, a  trazida aos autos somente do "Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados  em DIPJ  e DCTF",  desacompanhado de  "documentos  comprobatórios",  ou  seja,  aqueles  que  "atestem,  de  forma  inequívoca,  a  origem  e  a  natureza  do  crédito,  visto  que,  sem  tal  evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado".  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 97          9 Neste ponto,  importa  reforçar que o Dacon  se  trata de demonstrativo  e não  configura uma confissão de divida. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387, de  2004,  foi  ele  instituído  como  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais,  com  objetivos  semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real  ­Lalur­, para  fins do  imposto de  renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real.  É  o  que  se  infere  dos  controles  que  são  exigidos  na  Instrução  Normativa  referida, verbis:  (...)  Art.  3º  O  sujeito  passivo  deverá  manter  controle  de  todas  operações  que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  contribuições  referidas  no  art.  2º  e  dos  respectivos  créditos  a  serem descontados, deduzidos,  compensados ou  ressarcidos, na  forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002,  dos  arts.  2º,  3º,  4º,  6º,  9º  e  12  a  Lei  nº  10.833,  de  2003,  especialmente quanto:  I  ­  as  receitas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  em  conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o  art. 2º da Lei nº 10.833, de2003;  II ­ as aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas  domiciliadas no Pais;  III  ­  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  eis  receitas  referidas no inciso I;  IV  ­  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  às  receitas  de  exportação  e  de  vendas  a  empresas  comerciais  exportadoras  com  fim  especifico  de  exportação,  que  estariam  sujeitas  a  apuração  das  contribuições  em  conformidade  com o  art.  2º  da  Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003,  caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e  V ­ ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da  Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003.  Parágrafo  único.  O  controle  a  que  se  refere  o  caput  deverá  abranger  as  informações  necessárias  para  a  segregação  de  receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e  no  §  8º  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  observado  o  disposto  no  art.  100  da  Instrução Normativa  nº  247,  de  21  de  novembro de 2002.  (...)  Tanto  o  é  que  sua  apresentação  não  dispensa  a  informação  dos  valores  correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583, de  2005,  que  passou  a  impor  a  retificação  do Dacon,  nos  casos  em que  a  retificação  da DCTF  acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo, verbis:  (...)  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 98          10 Art.  12. A alteração das  informações  prestadas  em DCTF  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para a declaração retificada.  (...)  § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos vinculados em declarações anteriores.  (...)  Art.  62  A  pessoa  jurídica  que  apresentar  DCTF  retificadora,  alterando valores que tenham sido informados:  I ­ na Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa  Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora;  II  ­  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador.  Conclui­se  daí  que,  ao  contrário  da  DCTF,  o  Dacon  possui  apenas  caráter  informativo e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por  inexistência  de disposição legal.  Ultrapassada  a  contextualização  fático,  esclareço,  por  oportuno  que  este  colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas  no  processo  administrativo  fiscal,  para  o  fim  de  acolher  provas  apresentadas  nesta  instância  recursal,  entende  que  para  aplacar­se  tais  regras,  o  comportamento  do  sujeito  passivo  é  determinante.  Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos  motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e  suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de  sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida.  No  entanto,  o  recorrente,  ao  manter­se  fiel  à  linha  argumentativa,  mesmo  sabedor  que  o  fundamento  da  decisão  recorrida  assentou­se  na  ausência  de  documentos  que  corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em  provar o direito que alega possuir,  impedindo,  in  totum, que este  julgador aventasse, quiçá, a  hipótese de conversão deste  julgamento em diligência,  com supedâneo no novel princípio da  cooperação,  que  atualmente  tem  redação  implementada  pelo  artigo  6º  da  Lei  nº  13.105,  de  16.03.2015  ­Novo Código de Processo Civil­, que afirma que "todos os  sujeitos do processo  devem  cooperar  entre  si  para  que  se  obtenha,  em  tempo  razoável,  decisão  de mérito  justa  e  efetiva".  Em  suma,  constata­se  que  no  caso  destes  autos,  o  alegado  indébito  não  foi  correta e suficientemente demonstrado e provado.  Estando  o  débito  tributário  formalmente  constituído,  para  que  se  pudesse  infirmá­lo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10935.902853/2012­32  Acórdão n.º 3001­000.544  S3­C0T1  Fl. 99          11 interessado  ­artigo  36  da  Lei  9.784  de  31.01.1999  ­  Lei  de  Procedimento Administrativo­  e  inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03­2015 ­ Código de Processo Civil ­ CPC­.  Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente,  atento  aos  requisitos  de  certeza  e  liquidez  do  crédito,  previsto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional  ­CTN ­ Lei 5.172 de 25.10.1966­, mostra­se  impraticável desconstituir o  que  formalmente  foi  constituído,  pelo  próprio  contribuinte,  por  meio  da  DCTF  original  e  tempestivamente entregue.  Portanto,  não  há  dúvida  de  que  o  despacho  decisório  foi  corretamente  exarado e que o acórdão recorrido não merece qualquer ressalva nessa matéria.  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Voluntário  interposto, para negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri                                Fl. 99DF CARF MF

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Numero do processo: 10875.903298/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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1302­003.120  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2018  Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO ­ CRÉDITO INEXISTENTE  Recorrente  SCR TRANSPORTES ARMAZENAGENS E LOGÍSTICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2014  PERDCOMP  ­  CRÉDITO  ORIUNDO  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  ­  LIQUIDEZ E CERTEZA ­ ÔNUS DO CONTRIBUINTE   O  contribuinte  que  justifica  a  origem  de  seu  crédito  a  partir  de  indébito  surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho  decisório,  deve,  obrigatoriamente,  comprovar  a  correção  dos  novos  valores  retificados  mediante  documentos  hábeis  e  idôneos,  pena  de  não  reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10875.902721/2015­13,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho  Machado,  Carlos  Cesar  Candal Moreira  Filho, Marcos Antônio Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Maria  Lúcia  Miceli,  Flávio  Machado  Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 32 98 /2 01 5- 61 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10875.903298/2015­61  Acórdão n.º 1302­003.120  S1­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando  o  reconhecimento  de  um crédito  decorrente  de  pretenso  pagamento  indevido  concernente  ao  IRPJ,  incorrido  no  ano­calendário  de  2014,  pago,  através  de  DARF  específico,  em  três  parcelas.  Por  meio  de  despacho  decisório  a  DRF  de  Guarulhos  houve  por  bem  não  homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em  decorrência  da  vinculação  de  DARF  à  pagamento,  sem  qualquer  sobra  de  crédito  a  compensação.  Inconformado,  o  contribuinte  manejou  a  sua  manifestação  de  inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que  teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação.   Passo  seguinte,  traz  longo  arrazoado  para  justificar  a  possibilidade  de  se  retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim,  ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório.  Como  argumento  supletivo,  sustentou  que  a  Unidade  de  Origem  não  teria  promovido  a  correta  atualização  do  crédito  pleiteado  que,  segundo  entende,  deveria  ser  corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a  data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada  irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo.  Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento  do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014.  Instada  a  analisar  o  caso,  a  DRJ  de  Recife/PE,  houve  por  bem  julgar  improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez  e certeza.  Após  a  ciência  do  acórdão  acima,  o  contribuinte  interpôs  o  seu  recurso  voluntário,  por  meio  do  qual  reprisa  os  argumentos  já  despendidos  em  sua  impugnação,  à  exceção  de  alegação  nova  concernente  à  inconstitucionalidade  da multa  isolada  aplicada  em  razão de violação ao princípio do não­confisco.  Este é o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10875.903298/2015­61  Acórdão n.º 1302­003.120  S1­C3T2  Fl. 4          3 1302­003.107,  de  20/09/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10875.902721/2015­ 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­003.107):  "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte.  Isto  porque,  no  que  toca  ao  argumento  novo  trazido  com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à  luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72.  Considerando­se,  neste  passo,  que  o  recurso  devolve  apenas  a matéria  impugnada,  por  interpretação  dos  preceitos  do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra  encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário  administrativo  de  forma  supletiva)  e,  tendo  em  conta  que  este  argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como  dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância.  I ­ Da prejudicial aventada pelo recorrente.  Me  permitam  aqui  inverter  a  ordem  de  análise  dos  argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de  nulidade  do  despacho  decisório  por  não  aplicar,  a  seu  ver,  corretamente  os  critérios  de  atualização  do  crédito  oriundo  de  indébito tributário.  Diz­se  aparentemente  porque  o  contribuinte,  efetivamente,  diz  que  o  despacho  deveria  ser  considerado  insubsistente,  única  parte  do  arrazoado  apresentado  que  justificaria,  até  mesmo,  o  conhecimento  desta  matéria.  Isto  porque,  o  despacho  decisório  não  promoveu  a  atualização  do  crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua  existência.  A  alegada  nulidade,  diga­se,  justificar­se­ia  acaso  a  Unidade  Origem  tivesse  reconhecido  parcialmente  o  direito  creditório  em  decorrência,  exclusivamente,  de  erro  de  atualização, mas, insista­se, este não é o caso. Não há iliquidez,  nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação  etérea  e  desconectada  da  realidade  dos  autos,  de  que  não  se  teria  observado  as  regras  de  atualização  do  crédito  postulado,  porque,  reprise­se,  a  DRF  não  homologou,  em  toda  a  sua  extensão, o direito creditório do contribuinte.  A  DRJ  até  se  deu  ao  trabalho  de  esclarecer  como  se  opera  a  atualização  do  indébito  tributário,  justificando  a  inocorrência de  incidência concomitante da  incidência de juros  de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo  que expus acima, de  todo desnecessária semelhante explicação,  já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro  da estrutura do processo.  Assim, voto por afastar esta "prejudicial".  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10875.903298/2015­61  Acórdão n.º 1302­003.120  S1­C3T2  Fl. 5          4 II ­ Do mérito.   Quanto  ao  mérito,  melhor  sorte  não  aproveita  ao  contribuinte.  Como  se  extrai do  relatório acima, o  recorrente,  para  justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação  de  inconformidade,  DCTFs  retificadoras,  reduzindo­se  o  montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia,  nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos  pelos quais  teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF  original,  fazendo  com  que  o  direito  creditório  surgisse  espontaneamente.  O  problema  é  que,  como  a  origem  do  crédito  está  jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento  da  DCTF,  cabia  ao  recorrente,  desde  a  sua  manifestação  de  inconformidade  (=impugnação),  trazer  os  documentos  necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja  compensação se postulava. Essa, diga­se, é a mens legis do art.  170,  caput,  do  CTN,  quando  franqueia  aos  entes  federados  a  realização compensação, senão vejamos:  A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Os  pressupostos,  pois,  do  direito  creditório  a  ser  utilizado  pelo  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  é  a  sua  liquidez  e  certeza,  pressupostos  estes  que antecedem  o  próprio  pedido  de  compensação.  Por  isso,  e  não  por  outra  razão,  compete  ao  contribuinte  demonstrar  tais  liquidez  e  certeza;  é  ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária.  Toda  a  alegação  concernente  à  possibilidade  de  apresentar  a  DCTF  retificadora  após  o  despacho  decisório  é  dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de  declarações  ou  documentos  após  o  início  de  ação  fiscal  ou,  mesmo,  como  no  caso,  após  a  prolação  de  despacho  que  não  homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na  legislação  de  regência  e  a  única  consequência  de  sua  apresentação  extemporânea  seria  o  afastamento  da  aplicação  dos preceitos do art. 138 do CTN.  O  problema  é  que  não  basta  retificar  a  DCTF;  por  força  mesmo  do  art  170  acima  reproduzido,  impõe­se  ao  contribuinte  demonstrar,  documentalmente  (por  meio  de  livros  contábeis  e  fiscais)  os  motivos  pelos  quais  teria  incorrido  em  erro,  demonstrando,  outrossim,  a  correção  dos  novos  valores  informados.  E,  como  já  dito,  o  recorrente  não  se  dignou,  nem  mesmo,  a  explicar  qual  seria,  efetivamente,  o  erro  incorrido  Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10875.903298/2015­61  Acórdão n.º 1302­003.120  S1­C3T2  Fl. 6          5 quando  do  preenchimento  da DCTF  original,  aliás,  como  bem  pontuado pelo acórdão ora questionado.  Diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de  negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                  Fl. 138DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.720002/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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3402­001.620  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2018  Assunto  CLASSIFICAÇÃO FISCAL  Recorrente  BETRA TRADING S/A e outro   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne,  Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira  de Avila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).  Relatório  1.  Por  bem  retratar  o  caso  em  questão,  adoto  como  meu  parte  do  relatório  desenvolvido pela DRJ­São Paulo  I  (acórdão n.  1649.460­  fls. 536/555), o que passo a  fazer  nos seguintes termos:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  lavrado  para  constituição  de  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  3.468.365,74  (Três milhões, quatrocentos e  sessenta e oito  reais e setenta e quatro  centvos),  referentes  ao  Imposto  de  Importação,  Contribuição  PIS/PASEP – Importação, Contribuição COFINS – Importação, Juros     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 00 2/ 20 08 -4 5 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 662          2 de Mora  –  calculados  até  29/02/2008, Multa  Proporcional  (75%),  e  Multa  Regulamentar  (Classificação  incorreta  –  1%),  em  razão  da  reclassificação  fiscal  da mercadoria  efetivamente  importada,  e multa  por falta de Licença de Importação.  O  auto  de  infração  foi  lavrado  tendo  como  contribuinte  principal  o  importador,  no  caso  a  empresa  BETRA  TRADING  LTDA,  CNPJ  00.722.985/000401e  como  solidário  a  empresa  TING  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO LTDA, CNPJ 04.827.795/000167.  A  lavratura  do  auto  de  infração  decorreu  da  revisão  aduaneira  realizada  pela  EQFIS  da  Alfândega  do  Aeroporto  Internacional  de  Viracopos,  com  base  no  inciso  III,  do  §1°  do  art.  14  da  Portaria  COANA  36/2006.  Foram  abrangidas  pelo  processo  revisório  as  declarações de importação registradas no período de março de 2004 a  junho de 2005, que tinham a empresa BETRA TRADING LTDA. como  importador  e  a  empresa  TING  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA.  como adquirente das mercadorias importadas.  Os valores lançados constituídos por impostos, contribuições e multas  são apresentados na tabela que segue:      As  Declarações  de  Importação  sobre  as  quais  foram  lançados  os  créditos tributários, encontram­se listadas às fls. 160 a 162 dos autos.  O  Termo  de  Constatação  Fiscal,  menciona  às  fls.  178  que  as  mercadorias  descritas  e  classificadas  incorretamente  tratam­se  azeitonas  "verdes"  ou  "pretas",  "recheadas"  ou  "descaroçadas"  ou  "fatiadas"  ou  "com  caroço",  todas  conservadas  em  salmoura  e  acondicionadas em barricas plásticas.  Consta  do  Termo  de  Constatação  fiscal  que  acompanha  o  auto  de  infração que:  Através  do  Processo  Administrativo  n°  10831.003663/2005­70  (fls.  320),  a  empresa  TING  formalizou,  em  11/04/2005,  Consulta  Fiscal  solicitando  orientação  quanto  à  correta  classificação  das  mercadorias  designadas  como  "azeitona  recheada",  "azeitona  fatiada"  e  "azeitona  com caroço".  Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 663          3 Posteriormente,  em  meados  de  2005,  alterou  a  classificação  fiscal  dessas  mercadorias  do  código  N  CM  0711.20.10  para  o  N  CM  2005.70.00 (fls. 318).  Em 15/09/2005, foi exarado o Despacho Decisório Diana/SRRF/8aRF  n° 277, pelo qual foi declarada a INEFICÁCIA da Consulta (fls. 332),  haja vista a não observância de requisito previsto pelos incisos III, IV e  V da IN SRF 230/2002, segundo o qual não produz efeitos a consulta  formulada  por  quem  estiver  intimado  a  cumprir  obrigação  relativa  ao  fato objeto da consulta e/ou por quem estiver sob procedimento fiscal  iniciado  antes  de  sua  apresentação,  para  apurar  os  fatos  que  se  relacionam com a matéria consultada.  No caso, a consulta foi motivada em faze da irresignação manifestada  pela contribuinte quanto à retificação da DI 05/01406675, registrada em  11/02/2005, determinada por Auditor Fiscal da Receita Federal que, no  ato  de  conferência  aduaneira,  reclassificou  a  mercadoria  da  posição  0711.20.10  para  2005.70.00,  assim  se  manifestando,  in  verbis  (fls.  338):  "Classificar corretamente a mercadoria da AD 01, vez que se  trata de  azeitona recheada, que sofreu uma preparação prévia, foi descaroçada,  recebeu recheio de pimentão, tendo inclusive em sua composição ácido  lacto  (conforme consta no rótulo afixado na embalagem), passou pelo  processo  de  fermentação,  tornando­se  consumível,conforme  Notas  Explicativas das posições 07.11 e 20.05 da NESH. Recolher os tributos  devidos e multas dos arts. 636, I, e 645, I, do Dec. 4.543/02. Informar,  em dados complementares, o valor e motivo dos recolhimentos."  Ainda  no  termo  de  constatação,  é  mencionada  a  decisão  judicial  referente  ao  Mandado  de  Segurança  n°  2005.70.02.0034131,  impetrado para liberar a mercadoria da D.I. 05/01406675, para qual a  fiscalização da RFB solicitou a  retificação que  consistia na mudança  da classificação fiscal da NCM 07.11 para a NCM 20.05.  A referida decisão judicial consta das fls. 343 a 346 e menciona:  ‘... Assim, a mercadoria importada deve ser enquadrada no capitulo 20  da TIPI  e não no capitulo 07, pois não  está  simplesmente  conservada  em água salgada, mas passou por tratamento especial com fermentação  láctica, o que afasta a possibilidade de conservação transitória. .Diante  do exposto, indefiro a liminar pretendida.”  As Impugnações  Foram apresentadas impugnações pela empresa Importadora, BETRA  TRADING  LTDA,  e  pela  empresa  TING  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA,  adquirente  da  mercadoria  e  autuada  como  responsável  solidária.  As  impugnações  mencionadas,  apresentam  alegações  que  em  grande  parte são comuns. Estas alegações são apresentadas na seqüência.  (...).  Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 664          4 2.  Devidamente  processada,  as  citadas  impugnações  foram  julgadas  improcedentes nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 05/07/2004 a 24/05/2005  CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Os  produtos  hortícolas  apresentados  em  forma  diferente  daquelas  referidas  nas  posições  do  Capítulo  07  da  NCM  classificam­se  no  Capítulo  11  ou  na  Seção  IV.  É  o  que  sucede  com  as  azeitonas  preparadas  ou  conservadas  por  quaisquer  processos  não  previstos  naquele  Capítulo.  Classificam­se  no  código  NCM  2005.70.00  (Seção  IV) pela aplicação da 1ª RGI/SH e 6ª RGI/SH.  REVISÃO ADUANEIRA  A revisão aduaneira não é uma revisão de lançamento, pois seu objeto  é  uma  declaração  do  agente  contribuinte(importador/exportador)  e  o  sistema  jurídico  tributário  brasileiro  não  aceita  lançamento  feito  por  particular. Este lançamento só ocorre de fato, quando da homologação  expressa ou tácita da declaração do sujeito passivo.  Incorreto  o  entendimento  que  a  homologação  do  crédito  tributário  devido na importação ocorre na fase de despacho aduaneiro, uma vez  que  a  análise  da  exatidão  dos  valores  dos  impostos  devidos  na  importação,  por  previsão  legal  expressa  do Decreto­Lei  37/66  artigo  54  realiza­se  no  procedimento  de  revisão  aduaneira,  que  deve  ser  entendida  a  fase  de  homologação  dos  créditos  tributários  na  importação, e não como a revisão de lançamento.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  3. Uma vez intimado, o contribuinte Betra Trading interpôs o recurso voluntário  de fls. 570/594, oportunidade em que repisou as alegações aventadas em sua impugnação. Não  obstante,  o  contribuinte Ting  Indústria não  foi  intimado  da  decisão a  quo,  o  que motivou  a  resolução n. 3402­001.238 (fls. 599/602) desta Turma  julgadora para esse fim. Ato contínuo,  devidamente  intimado,  o  contribuinte  Ting  apresentou  o  recurso  voluntário  de  fls.  619/645,  oportunidade em que também reiterou suas razões defensivas.  4. É o relatório.  Voto  5. Os  recursos voluntários  interpostos  são  tempestivos e preenchem os demais  pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos por esse Colegiado.  6.  Consoante  se  observa  dos  autos,  a  presente  discussão  diz  respeito  à  classificação  fiscal  da mercadoria  importada  pelas  recorrentes,  i.e.,  azeitonas.  A  respeito  da  controvérsia que paira sobre a presente lide, a instância a quo faz um pertinente resumo, o qual  transcrevo abaixo:  Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 665          5 (...).  Discordamos  do  entendimento  manifestado  nas  impugnações  que  a  classificação  fiscal  correta  das  azeitonas  encontra­se  na  NCM  020.10.00,  fundamentado  nos  fatos  da  azeitona  importada  ser  um  produto  hortícula,  de  sofrer  apenas  um  tratamento  primário  e  temporariamente  para  transporte  sem  processo  fabril,  de  não  ser  liberada pela ANVISA para consumo no estado em que é importada.  O  motivo  da  discordância  encontra­se  nas  próprias  regras  de  classificação  do  Sistema  Harmonizado  e  na  NESH,  conforme  explanação que segue.  Para efeitos legais, a classificação de um produto é determinada pelos  textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais  regras de classificação (Regra Geral nº 1 de Interpretação do Sistema  Harmonizado – RGI 1).  A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada  pelos  textos  dessas  subposições  e  das  Notas  de  Subposição  correspondentes  (RGI  6).  Essas  mesmas  regras  aplicam­se,  mutatis  mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de  uma subposição (Regra Geral Complementar nº 1 – RGC 1).  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  (NESH),  regulamentadas  pelo  Decreto  nº  435/1992,  trazem  em  referência  ao  capítulo  07  PRODUTOS  HORTÍCOLAS,  PLANTAS,  RAÍZES  E  TUBÉRCULOS, COMESTÍVEIS as seguintes considerações gerais:  O  presente  Capítulo  compreende  os  produtos  hortícolas  de  qualquer  espécie,  incluídos  os  vegetais  mencionados  na  Nota  2  do  presente  Capítulo, frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água  ou  a  vapor),  ou  ainda  provisoriamente  conservados  ou  dessecados  (incluídos  os  desidratados,  evaporados  ou  liofilizados). Deve  notar­se  que  alguns  destes  vegetais,  secos,  triturados  ou  pulverizados,  se  empregam  às  vezes  como  tempero  mas  não  deixam,  por  isso,  de  se  classificar na posição 07.11.  Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas  referidas nas posições deste Capítulo classificam­se no Capítulo 11  ou  na  Seção  IV.  É  o  que  sucede,  por  exemplo,  com  as  farinhas,  sêmolas e pós, de legumes de vagem secos e com as farinhas, sêmolas,  pós,  flocos,  grânulos  e  pellets,  de  batata  (Capítulo  11),  e  com  os  produtos  hortícolas  preparados  ou  conservados  por  quaisquer  processos não previstos neste Capítulo (Capítulo 20).  ...  Os  produtos  hortícolas  deste  Capítulo,  mesmo  que  apresentados  em  embalagens  hermeticamente  fechadas  (cebola  em  pó,  em  latas)  permanecem  aqui  classificados.  Na  maioria  dos  casos,  todavia,  os  produtos  contidos  nestas  embalagens  encontram­se  incluídos  no  Capítulo  20  por  terem  sido  preparados  ou  efetivamente  conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no  presente Capítulo.  Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 666          6 ... (Grifos acrescidos) ...  Por sua vez a NESH para à posição 0711 PRODUTOS HORTÍCOLAS  CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS  SULFUROSO  OU  ÁGUA  SALGADA,  SULFURADA  OU  ADICIONADA  DE  OUTRAS  SUBSTÂNCIAS  DESTINADAS  A  ASSEGURAR  TRANSITORIAMENTE A  SUA CONSERVAÇÃO), MAS  IMPRÓPRIOS  PARA  ALIMENTAÇÃO  NESTE  ESTADO.  traz  as  seguintes considerações:  Esta  posição  compreende  os  produtos  hortícolas  que  tenham  sido  submetidos  a  um  tratamento  que  lhes  assegure  provisoriamente  a  conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização  definitiva  (por  exemplo,  por  meio  de  gás  sulfuroso  ou  água  salgada,  sulfurada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam  impróprios para consumo, neste estado.  Estes  produtos  destinam­se  geralmente  a  servirem  como  matérias­ primas  na  indústria  das  conservas.  Consistem  principalmente  em  cebolas  comestíveis,  azeitonas,  alcaparras,  pepinos,  pepininhos  (cornichons),  cogumelos,  trufas  e  tomates.  Apresentam­se  geralmente  em barris ou em tambores.  Todavia,  classificam­se  no  Capítulo  20  os  produtos  que,  mesmo  apresentados  em  água  salgada,  tenham  sofrido  previamente  tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica,  a  fim  de  torná­los  imediatamente  consumíveis  (por  exemplo,  as  azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o  feijão verde).  Já para o capítulo 20, a citada NESH traz as seguintes considerações  gerais:  ...  6)Os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas,  preparados  ou  conservados  por processos diferentes dos previstos  nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura.  ... (Grifos acrescidos)  Para  a  posição  2005  OUTROS  PRODUTOS  HORTÍCOLAS  PREPARADOS  OU  CONSERVADOS,  EXCETO  EM  VINAGRE  OU  EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS  PRODUTOS  DA  POSIÇÃO  20.06.  a  citada  NESH  traz  as  seguintes  notas explicativas:  O  alcance  da  expressão  "produto  hortícola"  na  presente  posição  está  limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos  (com  exceção  dos  produtos  hortícolas  preparados  ou  conservados  em  vinagre ou em ácido acético da posição 20.01, dos produtos hortícolas  congelados da posição 20.04 e dos produtos hortícolas conservado em  açúcar  da  posição  20.06)  classificam­se  aqui  quando  tenham  sido  preparados  ou  conservados  por  processos  não  previstos  nos  Capítulos 7 ou 11.  Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 667          7 O  modo  de  acondicionamento  não  influi  na  classificação  destes  produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes  hermeticamente fechados.  Todos  estes  produtos,  inteiros,  em pedaços  ou  esmagados,  podem  ser  conservados  ao  natural  (em  água,  por  exemplo)  ou  ainda  preparados  com molho de tomate ou outros  ingredientes, para consumo  imediato.  Podem  também  apresentar­se  homogeneizados  ou misturados  entre  si  (macedônias).  Entre  as  preparações  compreendidas  na  presente  posição  podem  citar­se:  1) As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial  em  solução  diluída  de  soda  ou  maceração  prolongada  em  água  salgada.  (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em  água  salgada,  classificam­se  na  posição  07.11  ver  a Nota  Explicativa  desta posição).  ...  7. Do  resumo acima é possível perceber que a discussão aqui  travada consiste  em  saber  se  a  azeitona  importada  pela  recorrente  (i)  sujeitou­se  ou  não  a  processos  de  conservação  ou  preparação  diferentes  daqueles  indicados  nos Capítulo  7,  8  e 11  do Sistema  Harmonizado  e,  anda,  (ii)  se  tais  preparações  ou  conservações  foram  suficientes  para  transformar  o  produto  importado  em  apto  para  o  imediato  consumo  humano,  independentemente, pois, de qualquer outra preparação.  8.  Trata­se,  portanto,  de  questão  de  ordem  técnica  e  que,  por  conseguinte,  demanda  um  tratamento  por  órgão  ou  agente  especializado  para  esse  fim, motivo  pelo  qual  torna­se essencial a realização de elaboração de perícia técnica para providenciar o que segue:  (i)  identificar  quais  foram  os  tipos  de  processos  de  conservação  e  preparação  que os produtos importados objeto da presente fiscalização se subordinaram, detalhando, ainda,  se  tais  processos  se  diferem  ou  não  daqueles  indicados  nos Capítulos  7,  8  e  11  do  Sistema  Harmonizado;  (ii)  responder  se  após  os  processos  de  conservação  e  preparação  os  produtos  importados estavam ou não aptos ao imediato consumo humano, justificando tal resposta. Em  caso  negativo,  identificar  quais  são  os  outros  processos  realizados  para  tornar  tal  produto  suficiente para o consumo humano.  9.  Caberá  à  unidade  preparadora  determinar  órgão  técnico  ou  expert  devidamente  credenciado  perante  a RFB para  a  realização  da perícia  aqui  designada. Antes,  todavia, da sua realização, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar  quesitos  e  indicar  assistente  técnico.  Na  hipótese  de  indicação  de  assistente  técnico  este  deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para  que possa acompanhá­la.  10.  Concluída  a  perícia,  bem  como  apresentada  a  manifestação  da  unidade  preparadora,  o  contribuinte  deverá  ser  intimado  para,  querendo,  manifestar­se  a  respeito  da  providência tomada em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto  n. 7.574/2011.  Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10166.720002/2008­45  Resolução nº  3402­001.620  S3­C4T2  Fl. 668          8 11. Ato  contínuo,  este processo deverá  retornar  para este Tribunal  e, antes  de  movimentação para  este Relator, deverá  ser dada oportunidade para que a Procuradoria  da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido.  12.  Tomadas  todas  as  providências  acima  indicadas,  o  processo  deverá  ser  movimentado para este Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento.  13. É a resolução.  Diego Diniz Ribeiro.  Fl. 668DF CARF MF

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Numero do processo: 10783.912359/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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1201­002.613  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR  Recorrente  CHAMPAGNAT PRAIA HOTEL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.  Existe  impedimento  para  o  cancelamento  do  pedido  de  compensação  (PER/DCOMP),  após  o  respectivo  despacho decisório. Entretanto,  haverá  a  revisão  da  citada  declaração  compensação  no  âmbito  do  Processo  Administrativo  Fiscal  (PAF),  quando  comprovada  a  inexistência  do  débito,  apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.  OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.  A  opção  pelo  regime  de  tributação  é  irretratável  para  todo  ano­calendário,  prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator  do  processo  paradigma.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10783.911556/2009­63,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (presidente),  Eva Maria  Los,  Luis  Fabiano Alves  Penteado, Carmem Ferreira  Saraiva     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 59 /2 00 9- 61 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10783.912359/2009­61  Acórdão n.º 1201­002.613  S1­C2T1  Fl. 3          2  (suplente  convocada  em  substituição  ao  conselheiro  Jose  Carlos  de  Assis  Guimarães),  Luis  Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele  Barra  Bossa.  Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro  Jose  Carlos  de  Assis  Guimarães.  Relatório  O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que  acórdão  recorrido,  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação  (DCOMP)  de pagamento indevido (código: 6106 ­ SIMPLES).   De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP."  Entretanto,  o  contribuinte  argumenta  que  mencionado  PER/DCOMP  não  proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo  regime  do  Lucro  Real,  em  síntese,  considerando:  (i)  Em  janeiro  de  2005,  o  contribuinte  formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das  Microempresas  e  das Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES,  inclusive  recolhendo  o  valor  devido sobre esse regime simplificado;  (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão  da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado  sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do  regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração  simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real,  possibilitando  a  transmissão  da  respectiva Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ);  (iv) O  pagamento  indevido  originou  dos  recolhimentos  dos  Simples  Federal  (código:  6106),  enquanto  não  confirmada  a  opção  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  efetivando  as  respectivas  compensações  (PER/DCOMPs)  com  IRPJ, CSLL,  PIS  e  COFINS,  apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido  do contribuinte de opção pelo Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições  das Microempresas  e  das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES,  com vigência  a  partir  de  janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento  de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES,  retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer  tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado  e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs.  É o relatório.  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10783.912359/2009­61  Acórdão n.º 1201­002.613  S1­C2T1  Fl. 4          3  Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.608,  de  16/10/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10783.911556/2009­ 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201­002.608):  O  acórdão  recorrido  identificou  "que  a  interessada  não manifesta  inconformidade contra o não  reconhecimento do  direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à  DRJ/RJO1,  bem  como  da  consequente  anulação  do  débito  constante  do  respectivo  despacho  decisório,  sendo  que,  como  adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente  para  apreciação  da  respectiva  demanda."  prosseguindo  que  "tendo  em  vista  suas  idas  e  vindas  pelas  sistemáticas  de  apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a  legislação  a  que  esta  Relatora  está  submissa  e  que  rege  a  matéria,  adotada  a  forma  de  apuração  do  IRPJ  com  base  no  lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva)  para  todo  ano­calendário,  conforme o  art.  3º,  caput,  da  Lei  nº  9.430, de 1996  ("A adoção da  forma de pagamento do  imposto  prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do  lucro  real,  ou  a  opção  pela  forma  do  art.  2º  será  irretratável  para todo o ano­calendário")."   Todavia,  a  primeira  e  irretratável  opção  do  contribuinte  foi  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de  Pequeno Porte ­ SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº  9.317, de 05 de dezembro de 1996:   Art.  8°  A  opção  pelo  SIMPLES  dar­se­á mediante  a  inscrição da pessoa  jurídica enquadrada na condição  de  microempresa  ou  empresa  de  pequeno  porte  no  Cadastro  Geral  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda  ­  CGC/MF,  quando  o  contribuinte  prestará  todas as informações necessárias, inclusive quanto:  (...)   §  2°  A  opção  exercida  de  conformidade  com  este  artigo  submeterá  a  pessoa  jurídica  à  sistemática  do  SIMPLES a partir do primeiro dia do ano­calendário  subseqüente, sendo definitiva para todo o período.  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10783.912359/2009­61  Acórdão n.º 1201­002.613  S1­C2T1  Fl. 5          4  Posteriormente,  a  Receita  Federal  do  Brasil  convalidou  a  opção  do  contribuinte  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES,  retroagindo  a  janeiro de 2005.   Adicionalmente,  o  contribuinte  ressaltou  que  não  realizou  qualquer  pagamento  no  ano­calendário  de  2005,  inerente  ao  lucro  real,  nem  foi  transmitida  a  Declaração  de  Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a  modificação do regime simplificado.   Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº  9.430/1996,  preceitue  que  a  "declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  o  suficiente  para  exigência  do  débitos  indevidamente  compensados",  vemos  que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema  Integrado  de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES,  impossibilitando  qualquer  exigência  tributária  oriunda  da  apuração  do  lucro  real.   O  cancelamento  da  declaração  de  compensação,  requerida  pelo  sujeito  passivo,  limitar­se­á  enquanto  não  sobrevier a  respectiva decisão administrativa,  segundo o artigo  82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB)  nº  900/2008,  reiterando  a  previsão  da  antecedente  Instrução  Normativa  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  nº  600/2005.  Entretanto,  não  haverá  impedimento  para  revisão  da  citada  declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo  Fiscal  (PAF),  sobretudo,  quando  evidenciada  a  inexistência  do  débito, apurado pelo regime do lucro real.   Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado  de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES  para  janeiro  de  2005,  consoante  decisão  da  própria Receita Federal  do Brasil,  ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para  liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real.  Isto  posto,  voto  pelo  conhecimento  e  DOU  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário,  determinando  o  cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos  (código: 6106 ­ SIMPLES) no correspondente regime do Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10783.912359/2009­61  Acórdão n.º 1201­002.613  S1­C2T1  Fl. 6          5                                Fl. 56DF CARF MF

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7561943 #
Numero do processo: 15578.720088/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/12/2011 PROCESSO PRINCIPAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, impõe-se o ajuste da multa aplicada Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/12/2011 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2011 INFRAÇÕES. MÁ-FÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente.
Numero da decisão: 1302-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e prejudicialidade apontadas e não conhecer da alegação de decadência, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 343          1 342  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15578.720088/2014­26  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­003.310  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de dezembro de 2018  Matéria  MULTA ISOLADA. DCOMP  Recorrente  BRAZIL TRADING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 29/12/2011  PROCESSO  PRINCIPAL.  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL.  RELAÇÃO  DE  DECORRÊNCIA E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA  MULTA.   Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal  no qual  foi homologada parcialmente a compensação declarada,  impõe­se o  ajuste da multa aplicada  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 29/12/2011  NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.   Comprovado  que  o  procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente,  não  se  apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade  do lançamento enquanto ato administrativo.   ATO NORMATIVO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  CARF.  AUSÊNCIA  DE COMPETÊNCIA.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 29/12/2011  INFRAÇÕES. MÁ­FÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE.   Salvo  disposição  legal  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação tributária independe da intenção do agente.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 88 /2 01 4- 26 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 344          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  de  nulidade  e  prejudicialidade  apontadas  e  não  conhecer  da  alegação  de  decadência,  e,  no  mérito,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros Carlos Cesar Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 209 a 234) interposto contra o Acórdão  nº  01­31.691,  proferido  pela  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belém/PA  (fls.  198  a  204),  que,  por  unanimidade,  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa:  " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Exercício: 2011   Ementa:   NORMAS  PROCESSUAIS.  NULIDADE.  Comprovado  que  o  procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem  em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.   LEGISLAÇÃO  APLICÁVEL.  As  disposições  do  Código  de  Processo  Civil  têm  aplicação  subsidiária  no  processo  administrativo  fiscal,  neste  não  se  impondo  quando  houver  previsões legislativas específicas.   INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE.  APRECIAÇÃO  VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade  administrativa  não  possui  atribuição  para  apreciar  a  argüição  de  inconstitucionalidade  ou  de  ilegalidade  dos  preceitos  legais  que  embasaram  o  ato  de  lançamento.  As  leis  regularmente  editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção  de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário  do  Poder  Judiciário.  As  alegações  de  inconstitucionalidade  ou  Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 345          3 de  ilegalidade  somente  são  apreciadas  nos  julgamentos  administrativos quando houver expressa autorização.   INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE.  Salvo  disposição  legal  em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação  tributária independe da intenção do agente.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido"  O presente processo cuida de Auto de Infração (fls. 14 a 17), relativo a multa  isolada aplicada, com base no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na  redação  conferida  pela  Lei  nº  12.249,  de  11  de  junho  de  2010,  em  decorrência  da  não  homologação  da  compensação  de  que  trata  a  Declaração  de  Compensação  (DComp)  nº  09543.71901.291211.1.3.02­2134, com crédito total apurado no valor de R$ 2.903.680,68  O  sujeito  passivo  apresentou,  em  20/08/2014,  Impugnação  ao  lançamento,  cujas alegações foram sintetizadas pelo Acórdão recorrido, do seguinte modo:  "1. Houve a decadência do direito da fazenda pública promover  a glosa das despesas ocorridas no ano­calendário 2006;     2.  Apresentou  impugnação  contra  o  lançamento  que  alterou  a  base  de  cálculo  da  IRPJ  (processo  nº  15578.720163/2013­78),  bem como manifestação de inconformidade contra a decisão que  não  homologou  a  compensação  (processo  nº  15578.720031/2013­46);    3.  Dessa  forma,  o  lançamento  é  nulo  por  não  haver  decisão  definitiva  acerca  dos  recursos  apresentados  nos  processos  nº  15578.720163/2013­78 e 15578.720031/2013­46;   4. Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação e da  manifestação  de  inconformidade  em  relação  a  este  processo,  conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil;  5.  Apenas  com  o  trânsito  em  julgado  dos  citados  processos  administrativos  que  a  situação  jurídica  se  constituirá  definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN;   6.  Deve­se  aguardar  o  desfecho  daqueles  processos  administrativos, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN;   7.  Requer  a  suspensão  do  processo  e/ou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  até  que  seja  proferida  decisão  final  (com  trânsito  em  julgado)  nos  autos  dos  processos  n°  15578.720163/2013­78 e 15578.720031/2013­46;   8. A multa é inconstitucional por violar o direito de petição, o  devido  processo  legal  e  os  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade;   Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 346          4 9. A multa é ainda indevida pela ausência de má­fé do sujeito  passivo  na  apresentação  das  compensações  não  homologadas;   10.  A multa  aplicada  representa  um  verdadeiro  bis  in  idem,  pois  nos  autos  do  processo  15578.720163/2013­78  já  foram  aplicadas penalidades/multas, objetivando coibir a prática de  atos contrários à legislação em vigor."   Este  processo  foi  juntado  por  apensação  ao  processo  administrativo  nº  15578.720031/2013­46, que trata do Recurso Voluntário contra a decisão que não homologou a  compensação informada na DComp nº 09543.71901.291211.1.3.02­2134 (fl. 197).  O Acórdão recorrido afastou as preliminares de nulidade do Auto de Infração  Despacho  Decisório,  de  conexão  e  prejudicialidade  do  processo  administrativo  n°  15578.720163/2013­78  em  relação  aos  presentes  autos,  e  os  pedidos  de  suspensão  ou  conversão do processo em diligência.  Refutou,  ainda,  a  apreciação  de  alegações  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade de preceitos normativos.  No mérito,  rejeitou a alegação de decadência do direito da Fazenda Pública  para  promover  glosas  de  despesas  em  relação  ao  ano­calendário  de  2006,  por  ser matéria  já  apreciada nos autos do processo nº 15578.720031/2013­46.  Por fim, não acatou as teses de que a multa aplicada seria indevida, por não  haver  sido  configurada  a má­fé  do  sujeito  passivo,  e  de  que  a  penalidade  constituiria  bis  in  idem em relação àquelas aplicadas nos autos do processo administrativo nº15578.720163/2013­ 78.  No Recurso Voluntário apresentado (fls. 209 a 234), a Recorrente:  a.1)  Suscita,  mais  uma  vez,  a  preliminar  de  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  promover  glosa  de  despesas  em  relação  ao  ano­calendário  de  2006,  o  que  violaria  o  art.  156,  inciso  V,  e  173,  ambos  do  CTN,  posto  que  ultrapassado  o  prazo  de  05  (cinco) anos.   a.2) Sustenta,  ainda,  que  ao  contrário  do  afirmado no Acórdão  recorrido,  o  caso  trata  sim  de  lançamento  de  créditos  tributários,  posto  que  em  decorrência  do  não  reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento;  a.3)  Invoca,  em  favor de  sua  alegação, o Acórdão nº 107­08.306, proferido  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  bem  como  aponta  que  decisão  proferida  pelo  julgador  de  primeira  instância,  no  âmbito  do  processo  administrativo  nº  15578.720163/2013­78, já teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas  no âmbito dos presentes autos;  b.1)  Igualmente,  repete  as  alegações  de  nulidade  do  Parecer  e  Despacho  Decisório que não homologaram a compensação declarada, bem como de prejudicialidade do  Recurso Voluntário apresentado no processo administrativo nº 15578.720163/2013­78, já que,  ao  seu  ver,  os  fatos  produzidos  na  ação  fiscal  que  resultou  naquele  processo  foram  ilegal  e  indevidamente utilizadas para embasar as glosas realizadas no caso sob análise;  Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 347          5 b.2) Afirma que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº  15578.720163/2013­78,  houve  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  no  sentido  de  que  foi  impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e  que após o  resultado definitivo daquele processo poderá  resultar em reflexos na apuração do  saldo negativo de que tratam os presentes autos;  b.3) Por  força da alegada prejudicialidade, defende a suspensão do presente  processo,  ou  conversão  em  diligência,  até  que  decisão  final  seja  proferida  no  processo  administrativo nº 15578.720163/2013­78;  c.1) No mérito,  assevera  que  todos  os  valores  de  tributo  referentes  ao  ano­ calendário de 2006 devem ser considerados, independentemente da forma e do motivo de sua  quitação posterior;  c.2)  Insurge­se,  portanto,  contra  o  critério  adotado  na  decisão  que  não  considerou  os  valores  liquidados  após  o  encerramento  do  exercício,  tendo  em  vista  que  tal  montante não poderia ser utilizado posteriormente;  d.1) Alega que a autoridade fiscal não individualizou as DComp que teriam  sido homologadas e, desse modo,  teriam motivado a glosa da exclusão de receitas procedida  pela Recorrente;  d.2)  A  par  disso,  defende  que  "o  fato  de  qualquer  compensação  vir  a  ser  reconhecida posteriormente à composição das exclusões, não haverá de impactar na formação  da apuração, que fora calculada anteriormente à sua homologação";  3) Finaliza,  tecendo comentários acerca do acerto do Acórdão guerreado na  parte  em  que  reconheceu  a  insubsistência  da  glosa  referente  às  despesas  com  prestação  de  serviços, ratificando os fatos e fundamentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo ­ Relator  1 DO CONHECIMENTO DO RECURSO  A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 09 de abril  de 2015 (fl. 341) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 209 a 234 em 08 de maio de 2015,  dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de  março de 1972.  O  Recurso  é  assinado  por  Procuradoras,  devidamente  constituídas  às  fls.  4.277 a 4.281 do processo apenso nº 15578.720031/2013­46.  A  matéria  objeto  do  Recurso  está  contida  na  competência  da  1ª  Seção  de  Julgamento do CARF, conforme Art. 2º,  incisos  I e VI, e Art. 7º do Anexo II do Regimento  Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015.  Fl. 347DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 348          6 Isto  posto,  o  Recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  2. DA REVISÃO DA BASE DE CÁLCULO DO DIREITO CREDITÓRIO  A Recorrente invoca a decadência do direito de a Fazenda Pública promover  glosa de despesas em relação ao ano­calendário de 2006, uma vez que ultrapassado o prazo de  05 (cinco) anos, posto que isso violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN.   A análise de  tal questão  já  foi  analisada exaustivamente por esta Turma no  Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720031/2013­46, quando se concluiu pela  inexistência da referida decadência, posto que, com base no art. 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a  Fazenda Pública dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a correção da compensação  declarada por meio de Declaração de Compensação, o que inclui, inclusive, a base de cálculo  do suposto crédito invocado pelo sujeito passivo, ainda que se refira a fatos ocorridos a mais de  5 (cinco) anos, não para que realize lançamento tributário, mas para embasar a decisão  acerca da restituição/compensação.  Ademais,  como  já  relatado,  os  presentes  autos  dizem  respeito  apenas  à  lavratura  de  auto  de  infração  para  constituição  de  multa  isolada,  em  decorrência  de  não  homologação de compensação declarada em DComp.   Assim,  a  alegação  da  Recorrente  é  matéria  a  ser  tratada  no  âmbito  do  processo  administrativo  que  analisa  a  não  homologação  da  DComp  (exatamente  o  de  15578.720031/2013­46),  e  não  neste,  onde  devem  ser  examinada  apenas  a  legalidade  do  procedimento de constituição da referida penalidade.  Isto  posto,  voto  no  sentido  de  não  conhecer  a  alegação  de  decadência  suscitada pela Recorrente.  3.  DA  INEXISTÊNCIA  DE  DECORRÊNCIA  COM  O  PROCESSO  ADMINISTRATIVO Nº 15578.720163/2013­78  No mesmo Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720031/2013­ 46,  também  ficou  demonstrada  a  inexistência  de  qualquer  decorrência  entre  o  presente  processo e o de nº 15578.720163/2013­78.  Como esclarecido, este último processo administrativo trata de procedimento  fiscal e Autos de Infração relativos aos anos­calendários de 2008, 2009 e 2010.  Os  presentes  autos,  por  outro  lado,  como  já  relatado,  dizem  respeito  a  lavratura de auto de infração, em decorrência de não homologação de compensação declarada  em DComp apresentada com base em suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa  Jurídica (IRPJ) apurado em relação ao ano­calendário de 2006, e compensado com débito de  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  (IPI)  do  período  de  apuração  de  dezembro  de 2011  (fls. 4 a 13).  Fica patente, portanto, a total dissociação de períodos.  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 349          7 O  único  vínculo  existente  diz  respeito  ao  aproveitamento,  no  processo  nº  15578.720031/2013­46, de elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento fiscal que  originou  o  processo  administrativo  nº  15578.720163/2013­78,  cuja  valoração  é  realizada  de  modo independente em um e outro processo.  Não procede, em absoluto, a argumentação da Recorrente no sentido de que o  Despacho de Não­Homologação da compensação informada em DComp e o Auto de Infração  de  que  tratam  os  presentes  autos  deveriam  aguardar  o  desfecho  final  do  processo  administrativo nº 15578.720163/2013­78, já que é cristalino que se trata de matérias totalmente  desvinculadas,  sendo  plenamente  possível  ao  sujeito  passivo  exercer  o  seu  pleno  direito  de  defesa, como realizou perante as instâncias do contencioso administrativa.  Deste modo, inexiste qualquer nulidade na lavratura do Auto de Infração de  que tratam os presentes autos, tampouco prejudicialidade deste processo com relação ao de nº  15578.720163/2013­78, não se aplicando, portanto, o sobrestamento previsto no art. 6º, §5º, do  Anexo II do RI/CARF.   4.  DA  DECORRÊNCIA  COM  O  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  Nº  15578.720031/2013­46  No que diz respeito à relação existente entre os presentes autos e o processo  administrativo nº 15578.720031/2013­46, é óbvia a decorrência, sendo importante examinar o  procedimento previsto na legislação para tal situação.  Vejamos o que dispõe, portanto, o Art. 6º do Anexo II do Regimento Interno  do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015:  "Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:  §1º Os processos podem ser vinculados por:  (...)  II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e  (...)  § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,  ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão.  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender  estar  prevento,  e  a  decisão  será  proferida  por  despacho do Presidente da Câmara ou  da  Seção  de Julgamento, conforme a localização do processo.  §  4º  Nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  II  e  III  do  §  1º,  se  o  processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 350          8 preparadora,  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  ao  processo principal.  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado  deverá converter o julgamento em diligência para determinar a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal."  Observa­se,  deste modo,  que  o  procedimento  previsto  pela  legislação,  para  evitar julgamentos conflitantes, é que os processos tramitem, sempre que possível, vinculados e  que  o  julgamento  do  processo  decorrente  aguarde  o  julgamento  de  mesma  instância  do  processo principal.  Pois  bem,  no  caso  sob  análise,  os  processos  tramitam  apensos,  tendo  sido  distribuídos  à  mesma  relatoria  e  o  julgamento  do  presente  processo  pelo  CARF  somente  acontece após este Conselho haver proferido decisão no processo principal.  Inclusive,  os  reflexos  da  decisão  proferida  nos  autos  principais  serão  observados em tópico específico deste Acórdão.  Não há, portanto, qualquer nulidade, nem há previsão na legislação de que se  aguarde decisão definitiva no processo principal que analisa a compensação, para a  lavratura  do  auto  de  infração  referente  à  multa  isolada  pela  não­homologação,  ou  mesmo  para  o  julgamento de recurso apresentado no processo decorrente.  A  invocação  que  a  Recorrente  faz  à  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário em decorrência de reclamações e recursos (art. 151, inciso III, do CTN) é plenamente  aplicável ao caso, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído nos  presentes  autos,  enquanto  pendente  de  julgamento  os  recursos  nele  interpostos,  na  forma  prescrita pela legislação.  Contudo,  a  referida  suspensão  (também  aplicável  ao  débito  indevidamente  compensado por meio de DComp), não obsta a lavratura do auto de infração decorrente da não­ homologação nem impede o trâmite administrativo do processo que trata desta penalidade.   Isto  posto,  mais  uma  vez,  rejeita­se  a  alegação  de  nulidade  do  Auto  de  Infração de que tratam os presentes autos, bem como de suspensão do presente processo até a  decisão final do processo administrativo nº 15578.720031/2013­46.   5. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL   A Recorrente  sustenta  a  inconstitucionalidade  do  §17  do  art.  74  da Lei  nº  9.430, de 1996, posto que violaria o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea  "a", da Constituição Federal.  Neste ponto, cabe invocar a Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória  pelos membros do CARF, nos termo do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF  (RI/CARF),  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343,  de  2015),  que  dispõe  que  "O CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.".  Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 351          9 No mesmo sentido o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF:  "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade."  Não  procede  a  alegação  da  Recorrente  de  que  a  inconstitucionalidade  invocada já teria sido reconhecida por Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do  Superior Tribunal de  Justiça,  em  sede de  julgamento  realizado nos  termos dos  arts.  543­B e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código  de Processo Civil, o que enquadraria o caso na exceção prevista no §1º, inciso II, alínea b, do  citado art. 62 do RI/CARF.   Deixo,  portanto,  de  analisar  as  razões  recursais  apresentadas  pelo  sujeito  passivo em relação a tal ponto, por força dos citados dispositivos.  6. DA AUSÊNCIA DE MÁ­FÉ  A Recorrente repete a alegação de ausência de má­fé quando da apresentação  das DComp que ensejaram a lavratura do Auto de Infração de que tratam estes autos.  Como  bem  exposto  no  Acórdão  recorrido,  a  má­fé  não  é  elemento  constitutivo da penalidade imposta, que decorre meramente de infração à legislação tributária,  independentemente da intenção do agente, conforme preceituado pelo art. 136 do CTN.  É  necessária  disposição  expressa  de  lei,  para  que  o  elemento  volitivo  seja  considerado, o que não ocorre no caso do art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996.  Nego  provimento,  portanto,  ao  Recurso  Voluntário  em  relação  a  tal  fundamento.  7. DA INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM  Finaliza  a  Recorrente  sustentando  que  a  multa  aplicada  nestes  autos  representaria  bis  in  idem  com  a  penalidade  imposta  no  processo  administrativo  nº  15578.720163/2013­78.  Ora  a  total  desvinculação  entre  o  presente  processo  e  o  de  nº  15578.720163/2013­78 já ficou demonstrada nesta decisão.  Assim,  as  penalidades  impostas  naqueles  autos  dizem  respeito  a  fatos  ocorridos na apuração do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  (IRPJ) e da CSLL nos anos­ calendários de 2008, 2009 e 2010.  A  penalidade  de  que  trata  esse  processo,  repise­se,  diz  respeito  à  compensação  de  suposto  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  em  relação  ao  ano­ calendário de 2006.  Assim, de plano,  fica afastada a existência de qualquer bis  in  idem entre as  referidas penalidades.  Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 352          10 8.  DOS  REFLEXOS  DA  DECISÃO  PROFERIDA  NO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO Nº 15578.720031/2013­46  Por  meio  do  Acórdão  proferido  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  15578.720031/2013­46,  foi  dado provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pela  Recorrente,  de  modo  que  a  compensação  declarada  por  meio  da  DComp  nº  09543.71901.291211.1.3.02­2134  foi  considerada  homologada  parcialmente,  até  o  montante  original de R$ 2.533.234,26 (dois milhões, quinhentos e trinta e três mil reais, duzentos e trinta  e quatro reais e vinte e seis centavos), que, atualizado na forma dos art. nº 39, §4º, da Lei nº  9.250,  de  26  de  dezembro  de  1995,  e  nº  73  da  Lei  nº  9.532,  de  10  de  dezembro  de  1997,  corresponde,  à  data  da  apresentação  da  DComp,  a  R$  3.877.621,68  (R$  2.533.234,26  x  1,5307).  Isto  posto,  a  multa  imposta  ao  sujeito  passivo  deve  ser  reduzida  para  considerar  apenas  a  parcela  da  compensação  que  restou  não­homologada,  ou  seja,  R$  1.929.739,68 (R$ 5.807.361,36 ­ 3.877.621,68).  Em decorrência do dispositivo legal invocado no lançamento, o montante da  multa  corresponde  a 50% do valor  do  crédito  objeto  da DComp não  homologado,  o  que,  in  casu, significa R$ 964.869,84 (50% de R$ 1.929.739,68).  9.   DA ALTERAÇÃO DA BASE NORMATIVA  Cabe, por  fim,  fazer alusão  à  inovação  legislativa que alterou o dispositivo  que embasou o lançamento da multa isolada de que trata o presente processo.  É  que,  à  data  do  lançamento,  o  §17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  possuía  a  redação conferida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, nos seguintes termos:  "§ 17. Aplica­se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor  do  crédito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo." (destacou­se)  A  Medida  Provisória  nº  656,  de  07  de  outubro  de  2014  (posteriormente  convertida na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015), porém, conferiu nova redação ao citado  dispositivo:  § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento)  sobre  o  valor  do  débito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo. (destacou­se)  Como  se  observa,  a  penalidade  pela  compensação  indevida  foi  mantida,  alterando­se  apenas  a  sua  base  de  cálculo,  que  poderá  ser  de mesmo montante  (no  caso  da  compensação integral do crédito) ou inferior (no caso da compensação parcial do crédito).  No  caso  dos  autos,  o  suposto  crédito  foi  integralmente  compensado  pela  Recorrente,  de  modo  que  o  valor  da  multa  aplicada  de  acordo  com  a  nova  redação  do  dispositivo legal em tela corresponde ao valor constante do Auto de Infração, de modo que não  há que se falar em retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do Código  Tributário Nacional.  Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15578.720088/2014­26  Acórdão n.º 1302­003.310  S1­C3T2  Fl. 353          11 Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e  prejudicialidade,  não  conhecer  da  alegação  de  decadência,  e,  no  mérito,  por  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para  reduzir a multa  imposta ao valor de  R$ 964.869,84 (novecentos e sessenta e quatro mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta  e quatro centavos).  (assinado digitalmente)  Paulo Henrique Silva Figueiredo                                Fl. 353DF CARF MF

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7551293 #
Numero do processo: 10680.910590/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/06/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­005.273  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de setembro de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 25/06/2012   PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.   Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo  da  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direto  fazê­lo  em  outro  momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10680.904943/2015­40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Ari  Vendramini,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 90 /2 01 5- 17 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  pedido  de  restituição  formalizado  por  meio  de  PER/DCOMP  para  obter  reconhecimento  de  direito  creditório  do  tributo  por  suposto pagamento a maior ou indevido.  Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho  Decisório Eletrônico,  formalizado no sentido do  indeferimento da  restituição pretendida pela  interessada,  explicando  que  o  pagamento  indicado  já  estava  integralmente  alocado,  não  restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse  crédito.  Inconformado,  o  interessado  apresentou  manifestação  de  inconformidade  tempestiva  esclarecendo  que  durante  procedimento  de  auditoria  interna,  realizada  nas  apurações  dos  tributos  da  companhia,  foram  identificados  pagamentos  a  maior  em  determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita  Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição  dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores.   Entende  que  a  Per/Dcomp  está  em  conformidade  com  o  art.  74  da  Lei  nº  9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a  insubsistência e improcedência do despacho decisório.   A DRJ  julgou a manifestação de  inconformidade  improcedente,  nos  termos  do Acórdão nº 06­058.471.  Inconformada com decisão  de  primeira  instância,  a  contribuinte  apresentou  recurso voluntário, em síntese,  trazendo argumento novo, de que o pagamento  indevido seria  da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva.  É o relatório.  Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 4          3   Voto               Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­005.223,  de  27  de  setembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10680.904943/2015­40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­005.223):  "O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade1.  A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido:  Segundo  a  versão  apresentada pela  defesa,  o  crédito  apontado  (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS  de  31/03/2010,  conforme  informado  na  DCTF  retificadora  apresentada em 06/11/2014.   Constatou­se  que  o  despacho  decisório  foi  emitido  levando  em  conta  as  informações  contidas  na  DCTF  retificadora,  transmitida  em  06/11/2014,  a  qual,  como  se  vê,  trata­se  da  DCTF  retificadora  que  a  contribuinte  alega  conter  as  informações corretas correspondente ao débito do período.   Nessa  DCTF,  o  débito  de  COFINS  confessado  do  período  de  apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado  por  meio  de  vários  pagamentos  (DARF)  que  totalizam  R$  871.733,98  e compensações  no  valor  de R$ 696,80  –  restando,  saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a  tela extraída do  sistema de controle de declarações:                                                              1  Ressalte­se  ser  desnecessário  responder  todos  as  questões  levantadas  pelas  partes,  em  já  havendo  motivo  suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o  , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315­DF, julgado de  8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi).  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 5          4     Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no  sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015.   No  sistema  de  controle  de  arrecadação,  verificou­se  que  os  pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de  R$  871.733,98  –  foram  validados  e  vinculados  ao  débito  de  Cofins do período (código 2172).   No entanto,  tendo em vista que os pagamentos validados  foram  insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência  de  outros  pagamentos  para  o  mesmo  período  de  apuração,  dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema  informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do  saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas  copiadas a seguir:     Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 6          5   Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no  PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o  débito  de  COFINS  de  31/03/2010,  em  face  das  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte  na  DCTF  retificadora  apresentada  à  Receita  Federal,  não  restando  crédito  para  a  restituição pretendida:  [...]  Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela  Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores,  e  de  acordo  com  o  disposto  no  Decreto­Lei  nº  2.124,  de  13/06/1984",  tal  declaração constitui­se em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente  para a exigência do crédito tributário.    A  recorrente,  alega  que  o  pagamento  indevido  de  R$275,20,  seria  provenientes  e  originário  "de  SCP’s  (Sociedades  em Conta  de Participação),  das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta:  O  débito  montante  de  R$  1134352,27,  declarado  em  DCTF,  alberga  valores  devidos  de  Cofins  de  várias  SCP’s  que  tem  a  Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias  participantes.   A  título de  lembrete  sabe­se que os  sócios ostensivos de SCP’s  são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros,  enquanto  que  os  sócios  participantes  (antigos  sócios  ocultos),  não têm essa obrigação.  Em  vista  dessa  situação,  a  Recorrente  é  responsável  pelas  obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de  DCTF com os competentes recolhimentos tributários.  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 7          6 No caso em questão, o valor  recolhido, R$ 275,2 é proveniente  da  atividade  da  SCP,  "Laguna Beach"  contrato  anexo, Doc.  1,  que recolheu este valor.  Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia  de R$ 0   Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita  Federal  acaba  violando  a  individualidade  de  outra  pessoa  jurídica,  uma  vez  que  o  crédito  solicitado  diz  respeito  a  uma  sociedade  em  conta  de  participação  específica  que  tem  a  Recorrente  como  sócia  ostensiva. O  quadro  abaixo,  demonstra  muito bem a composição deste crédito.  Tanto que o código do imposto é o 2172­08, cujo dígito identifica  ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação.    Portanto,  no  caso  da  decisão  ser  mantida,  permanecer­se­á  uma  verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à  sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta  de débitos tributários que não são dela.  “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  Ano­calendário: 2008  SOCIEDADES  EM  CONTA  DE  PARTICIPAÇÃO.  SUJEIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  Na  apuração  dos  resultados  da  sociedade  em  conta  de  participação  serão  observadas  as  normas  aplicáveis  às  demais  pessoas  jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de  participação  não  se  confunde  com  o  sócio  ostensivo,  os  resultados daquela não podem ser  tributados diretamente neste  mas apenas distribuídos na proporção da participação.”  (CARF,  Recurso  Voluntário  Recurso  de  Ofício,  PTA  15504.724276/2013­14,  Acórdão  1402­  002.208.  Relator  Dr.  Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacou­se)  Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF  126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar  uma  SCP  em  que  ela  é  a  sócia  ostensiva  e  que,  por  isso,  é  obrigada  ao  cumprimento  das  obrigações  acessórias,  dentre  elas, a entrega de DCTF.  Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede  de  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direto  de  fazê­lo  em  outro  momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.  Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco,  que  não  a  DCTF  retificada  e  o  DARF  dado  como  pago  indevidamente.  Tal  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910590/2015­17  Acórdão n.º 3301­005.273  S3­C3T1  Fl. 8          7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do  peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil.  Assim,  por  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                               Fl. 85DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.902028/2017-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA. O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. VINCULAÇÃO ÀS DECISÕES DO STF. RATIO DECIDENDI O RE 601.392-PR, julgado pelo Supremo Tribunal Federal - STF, sob o rito da repercussão geral, denota ser irrelevante a coexistência do exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada para a aplicação da imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF/88 à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O efeito vinculante do precedente importa na aplicação da ratio decidendi deste julgado aos tributos que incidam sobre o patrimônio, renda e serviços da referida empresa.
Numero da decisão: 1302-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA

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1302­003.203  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de outubro de 2018  Matéria  Irpj  Recorrente  EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRÁFOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  DECISÃO  QUE  NÃO  ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA.  O  julgador  não  está  obrigado  a  se  pronunciar  sobre  todos  os  argumentos  trazidos  pela  defesa.  Todavia,  tal  regra  possui  exceções  a  exemplo  da  hipótese  dos  autos,  em  que  o  julgador,  rejeitando  um  pedido,  não  se  pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese,  suficiente para justificar o acolhimento da defesa.  NULIDADE.  SUPERAÇÃO.  MÉRITO  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  Nos  termos  do  §  3º  do  artigo  59  do  Decreto  70.235/1979,  quando  puder  decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração  de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o  ato ou suprir­lhe a falta.  IMUNIDADE  RECÍPROCA.  EMPRESA  PÚBLICA  PRESTADORA  DE  SERVIÇO  PÚBLICO.  VINCULAÇÃO  ÀS  DECISÕES  DO  STF.  RATIO  DECIDENDI  O RE 601.392­PR, julgado pelo Supremo Tribunal Federal ­ STF, sob o rito  da  repercussão  geral,  denota  ser  irrelevante  a  coexistência  do  exercício  simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com  a  iniciativa  privada  para  a  aplicação  da  imunidade  recíproca  prevista  no  artigo 150, VI, “a”, da CF/88 à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.  O  efeito  vinculante  do  precedente  importa  na  aplicação  da  ratio  decidendi  deste  julgado aos  tributos que incidam sobre o patrimônio,  renda e serviços  da referida empresa.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 20 28 /2 01 7- 09 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 102          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as  preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do  relatório e voto do relator.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos César Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa  (Relator),  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Maria  Lucia  Miceli,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão  11­57.512 – 4ª Turma da DRJ/REC, complementando­o ao final:  “Tratam  os  autos  de  análise  da  Pedido  de  Restituição  (PER)  nº  16716.47699.290416.1.2.04­4289, com cópia às fls. 40 a 42, por  intermédio do qual  pleiteia a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto  sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no montante de R$ 39.406.362,13 na data  de transmissão, decorrente de Darf no valor de mesmo valor, referente ao 1º trimestre  de 2011, com data de arrecadação em 29/04/2011.  2.  Como  resultado  da  análise  foi  proferido  o  Despacho Decisório  com nº de  rastreamento 122286002,  em 02/05/2017,  com cópia às  fls.  43 a 49, que  não reconheceu o direito creditório pretendido e, por conseguinte, não homologou a  compensação declarada.  2.1.  Consoante  consta  da  fundamentação  e  da  análise  do  crédito,  todo  o  valor  recolhido  via Darf  foi  alocado a  débito  confessado  em Declaração de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF),  não  existindo  saldo  a  restituir/compensar.  3. Cientificado da decisão por via postal em 19/06/2017, conforme  cópia de Aviso de Recebimento (AR) à fl. 39, em 19/07/2017 o contribuinte apresentou  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 103          3 a manifestação de inconformidade às fls. 12 a 25, instruída com os documentos às fls.  26 a 39, onde argumentou, em síntese, o que segue:  3.1. O  crédito  tem  origem  em  indevida  retenção  na  fonte  do  IRPJ  sobre pagamentos realizados pelos clientes dos Correios, bem como sobre aplicações  financeiras suas. Ao negar o direito à restituição das retenções de IRPJ impostas ao  contribuinte,  a  autoridade  fiscal  tributou  valores  não  incluídos  no  campo  do  fato  gerador do tributo;  3.2.  A  ECT  é  empresa  pública,  sem  escopo  lucrativo,  criada  pelo  Decreto­Lei  nº  509,  de  1969,  para  desempenhar  serviços  públicos  essenciais  de  competência da União estabelecidos no art. 21, X, da Constituição Federal (CF), na  qualidade  de  sua  delegatária,  e  não  de  exploradora  de  atividade  econômica  ou  de  concessionária  de  serviço  público.  Assim,  diferentemente  das  demais  empresas  privadas que  exploram serviços postais não­exclusivos,  não podem recusar  entrega,  independente da distância, e não gozam de flexibilidade administrativa, sujeitando­se  ao  regime  de  licitações,  contratações  via  concurso  público,  e  controle  de  órgãos  competentes (TCU, CGU, entre outros). Além disso, como longa manus da União, não  faz  jus  a  suscitar  o  desequilíbrio  econômico­financeiro  na  prestação  do  serviço  público, como ocorre para as concessionárias. O Ministério Público Federal (MPF),  em parecer Nº 7248/10 – MJG, lavrado no Habeas Corpus 105.542 RGS, impetrado  contra julgamento colegiado da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ),  que negou provimento ao REsp 894.730/RS, consignou que a ECT explora serviço de  competência  da  União,  sendo  por  ela  controlada  e  mantida;  que  seu  capital  é  controlado  integralmente  pela  União;  e  que  desenvolve  atividade  sob  regime  de  exclusividade,  gozando  dos  mesmos  privilégios  concedidos  à  Fazenda  Pública,  inclusive  em  relação  à  imunidade  tributária.  Sua  natureza  equipara­se  à  Fazenda  Pública no que concerne ao tratamento tributário, conforme art. 12 do referido DL e  diversos precedentes judiciais. Assim, tal como a União, não é contribuinte de IRPJ,  pois  seu  resultado  positivo  não  é  renda  tributável,  mas  superávit/excedente  orçamentário,  além  do  que  não  configura  sujeito  passivo  de  exação  por  receber  tratamento equiparado à Fazenda Pública;  3.3. Não bastasse isso, o Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos  da ACO765/RJ, reconheceu que os Correios configuram um braço do Poder Público,  devendo  lhe  ser  estendida  a  imunidade  sobre  seu  patrimônio,  sua  renda  e  seus  serviços, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF. Reforçando esse entendimento, no RE  601.392/PR (ISS), submetido ao rito da repercussão geral, o STF reafirmou o direito  da ECT à imunidade recíproca, inclusive sobre as atividades econômicas outras que  são  praticadas  para  viabilizar  a  prestação  do  serviço  postal.  Tal  entendimento  foi  reiterado pelo STF no RE 627.051 (ICMS) e no RE 773.992 (IPTU);  3.4.  O  processo  administrativo  deve  observar  os  precedentes  firmados  sob  o  rito  de  repercussão  geral  e  dos  recursos  repetitivos.  O  próprio  Regimento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (Carf),  órgão  hierarquicamente superior às Delegacias de Julgamento, em seu art. 62, estabelece o  dever de aplicar o decidido sob tais ritos. O precedente a ser seguindo não se limita à  conclusão explícita extraída do  julgado, mas  também abrange o raciocínio aplicado  pelo  julgador  para  alcançar  o  resultado.  Assim,  é  um  contrassenso  afirmar  que  a  imunidade recíproca reconhecida pelo STF nos julgados antes referidos se restringe  ao  ISS,  IPTU e  ICMS. A controvérsia aqui é a mesma desses  julgados,  qual  seja, o  Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 104          4 direito da ECT à  imunidade recíproca, a qual  engloba  todos os  impostos  incidentes  sobre  a  renda,  o  patrimônio  e  os  serviços  desta,  e,  segundo  o  raciocínio  do  RE  601.392, aplica­se à totalidade de seus serviços, postais ou não. Então sob a ótica de  os  processos  administrativos  serem apreciados  em  consonância  com os  precedentes  judiciais de reprodução obrigatória, também é devida a restituição do IRPJ retido na  fonte sobre os pagamentos de clientes e aplicações financeiras.  4. Em 24/08/2017, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº  453, de2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 2.231, de 2017, os autos foram remetidos  a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife ­ PE  para proceder ao julgamento da lide (fl. 63).  5. É o relatório”.  Quando  do  julgamento  do  caso  em  deslinde,  a  DRJ  proferiu  decisão  nos  seguintes termos:  “ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011  IMUNIDADE  RECÍPROCA.  EMPRESA  PÚBLICA  FEDERAL  PRESTADORA  DE  SERVIÇO  PÚBLICO.  EXTENSÃO.  A imunidade recíproca a impostos de que trata o art. 150,  VI, “a”, da Constituição Federal aplica­se ao patrimônio,  à renda e aos serviços vinculados às atividades essenciais  da empresa pública prestadora de serviço público.  As  demais  atividades  desenvolvidas  não  são  consideradas  finalísticas  da  empresa  pública  federal  e,  portanto,  não  estão abrangidas pela imunidade recíproca.  STF.  IMUNIDADE  RECÍPROCA.  ALCANCE.  TODAS  AS  ATIVIDADES.  EFEITO  DE  DECISÃO  EM  RE  COM  REPERCUSSÃO  GERAL.  IMPOSTO  MUNICIPAL/ESTADUAL/DISTRITAL.  EXTENSÃO  AO  IRPJ. IMPOSSIBILIDADE.  Decisão  do  STF  em  recurso  extraordinário,  em  rito  de  repercussão geral, conclusiva pela aplicação da imunidade  recíproca  sobre  todas  as  atividades  do  contribuinte,  especificamente  em  relação  a  imposto  municipal/estadual/distrital  objeto  do  processo  judicial,  não  vincula  a  administração  pública  relativamente  ao  IRPJ.  PER.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  CONDIÇÃO.  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 105          5 É condição para o deferimento do pedido de restituição que  o  crédito  pretendido  seja  líquido  e  certo.  Na  espécie,  o  crédito apontado não atende tal requisito, razão pela qual  não pode ser reconhecido o direito creditório.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou Recurso Voluntário  ora  analisado,  no qual foi alegado, em síntese:  a)  Nulidade  do  acórdão  recorrido;  por  ter  restado  silente  em  relação  à  não  qualificação  da ECT  como  contribuinte  do  imposto  de  renda  por  força  do  artigo 12 do Decreto­Lei nº 509/1969, com o subsequente retorno dos autos  à Delegacia para renovação do julgamento;  b)  Impossibilidade de qualificação da ECT como contribuinte do  imposto por  força do art. 12 do Decreto­Lei nº 509/1969;  c)  Extensão  da  imunidade  recíproca  para  as  atividades  econômicas  da  contribuinte;  d)  Aplicação dos precedentes do STF, em razão da força vinculante destes.     É o relatório.  Voto             Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator.    O recurso é tempestivo, posto que a ciência do contribuinte ter ocorrido em  13/09/2018, e o recurso interposto em 11/10/2018. Portanto, dele conheço.  Das Preliminares  Aduz a recorrente a nulidade do acórdão recorrido; por ter restado silente em  relação à não qualificação da ECT como contribuinte do imposto de renda por força do artigo  12 do Decreto­Lei nº 509/1969, devendo ser anulada decisão DRJ afim de que seja proferida  uma nova decisão afim de ser enfretado o argumento de defesa.  Pois bem.   Tal questão foi muito bem enfrentada quando do julgamento do processo n.  10166.902030/2017­70, de relatoria da conselheira Lívia De Carli Germano, litteris:  A ECT é uma empresa pública federal, integrante da Administração  Indireta  da  União,  criada  pelo  Decreto  Lei  509/1969,  à  qual  incumbe  executar  e  Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 106          6 controlar  a  prestação  de  serviços  postais  no  território  nacional,  em  regime  de  privilégio.  Nesse  ponto,  vale  observar  que,  embora  o  Decreto  Lei  509/1969  mencione  o  regime  de  monopólio,  Eros  Roberto  Grau  pontua  a  distinção  entre  monopólio  e  privilégio,  explicando  que  o  monopólio  se  refere  à  exploração  de  atividades  econômicas  em  sentido  estrito,  enquanto  o  privilégio  se  relaciona  à  prestação de serviços públicos, tais como os serviços postais:  ["0  serviço  postal —  conjunto  de  atividades  que  torna  possível  o  envio de correspondência, ou objeto postal, de um remetente para  endereço  final e  determinado — não  consubstancia  atividade  econômica  em  sentido  estrito.  Serviço  postal  é  serviço  público.  A  atividade  econômica  em  sentido  amplo  é  gênero  que  compreende  duas  espécies,  o  serviço  público  e  a  atividade  e  conômica  em  sentido  estrito.  Monopólio  é  de  atividade  econômica  em  sentido  estrito,  empreendida  por  agentes econômicos privados. A exclusividade da prestação dos serviços públicos é  expressão de uma situação de privilégio. Monopólio e privilégio são distintos entre  si;  não  se  os  deve  confundir  no  âmbito  da  linguagem  jurídica,  qual  ocorre  no  vocabulário vulgar."  A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a  exploração do serviço postal e o correio aéreo nacional (art. 21, X). O serviço postal  é  prestado  pela  Empresa  Brasileira  de  Correios  e  Telégrafos  (ECT),  empresa  pública, entidade da administração indireta da União, criada pelo DL 509, de 10 de  março de 1969. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a  prestação dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes,  a exploração de atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado.  A  ECT  deve  atuar  em  regime  de  exclusividade  na  prestação  dos  serviços  que  lhe  incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. Os regimes jurídicos sob os  qu ais em regra são prestados os serviços públicos importam em que essa atividade  seja desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade. Arguição de  descurnprimento  de  preceito  fundamental  julgada  improcedente  por  maioria.  O  Tribunal  deu  interpretação  conforme  à  Constituição  ao  art.  42  da  Lei  6.538  para  restringir  a  sua  aplicação  às  atividades  postais  descritas  no  art.  90  desse  ato  normativo."(ADPF 46, rel. pio ac. min. Eros Grau, j. 582009, P, DJE de 2622010)].   Considerando  essas  características,  o  acórdão  recorrido,  interpretando as decisões do Supremo Tribunal Federal STF proferidas em sede de  repercussão geral, reconheceu a imunidade quanto ao IRPJ calculado sobre a renda  auferida  pela  ECT.  Não  obstante,  a  DRJ  deu  interpretação  restritiva  a  referida  imunidade, entendendo que, por aplicação do par. 2o do art. 150, VI, "a" da CF, ela  não se aplicaria aos resultados de atividades outras que não as finalísticas na esteira  da Solução de Consulta COSIT 117/2014, cuja ementa foi a seguinte:   IMUNIDADE  RECIPROCA.  EMPRESA  PÚBLICA  FEDERAL  PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXTENSÃO.  A imunidade recíproca a impostos de que trata o art. 150, VI, "a",  da Constituição Federal aplica se ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados  às atividades essenciais da empresa pública prestadora de serviço público. As demais  Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 107          7 atividades  desenvolvidas  não  são  consideradas  finalísticas  da  empresa  pública  federal e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade recíproca.   Uma  primeira  observação,  pontuada  pela  ECT  em  sua  peça  recursal,  foi  a deque o acórdão  recorrido passou ao  largo da discussão acerca do  principal  argumento  constante  da  manifestação  de  inconformidade,  relativo  à  aplicação do artigo 12 do Decreto Lei 509/19 69, o qual equipara a ECT à Fazenda  Pública para  fins de aplicação de privilégios, o que  teria o condão de excluí­la do  polo passivo da relação jurídico tributária.  De  fato,  assim  sustentou  a  Recorrente  em  sua  manifestação  de  inconformidade:   (...). Neste sendeiro, o Decreto Lei n° 509/1969, recepcionado pela  Constituição  de  1988  (RE  220.906/DF,  e.g.)  1,  por meio  do  qual  se  criou  a  ECT,  estabelece de modo  irretorquível a  equiparação da Consulente à Fazenda Pública,  reforçando  incisivamente  que  integra  a  Fazenda  Pública  Federal  em  seu  art.  12,  assim  redigido:  "Art.  12.  A  ECT  gozará  de  isenção  de  direitos  de  importação  de  materiais e equipamentos destinados aos seus serviços, dos privilégios concedidos à  Fazenda  Pública,  quer  em  relação  a  imunidade  tributária,  direta  ou  indireta,  impenhorabilidade  de  seus  bens,  rendas  e  serviços,  quer  no  concernente  a  foro,  prazos e custas processuais." Assim se manifestou o Ministério Público Federal, em  parecer da lavra do Subprocurador Geral Mario José Gisi, (N° 7248/10 — MJG) no  habeas  corpus  105.542  RGS,  impetrado  contra  julgamento  colegiado  da  Quinta  Turma do Superior Tribunal de Justiça, que negou provimento ao REsp 894.730/RS2.  De acordo com o parquet a ECT "explora serviço de competência da União, sendo  por  ela  controlada  e mantida",  de  sorte  que  seus  bens,  em  verdade,  pertencem  ao  Ente  que  a  mantém,  "constituem  propriedade  pública,  integrados  à  prestação  de  serviço  público  federal",  bem  como o  "seu  capital  é  controlado  integralmente  pela  União e essa empresa, que desenvolve atividade sob o regime da exclusividade, goza  dos  mesmos  privilégios  concedidos  à  Fazenda  Pública,  inclusive  em  relação  à  imunidade  tributária".  Reafirmando  "a  premissa  de  que  os  bens  da  Empresa  de  Correios e Telégrafos recebem o mesmo tratamento atribuído aos bens da Fazenda  Pública",  há  ainda  os  seguintes  precedentes:  RE  229.444/CE,  Rel.  Min.  Carlos  Velloso,  2'  Turma,  DJ  31.8.200;  RE  393.032AgR/MG,  Rel. Min.  Cármen  Lúcia,  P  Turma,  DJe  17.12.2009;  AI  718.646AgR/SP,  Rel.  Min.  Eros  Grau,  r  Turma,  DJe  23.10.2008;  ACO  765Q0/RJ,  Rel.  p/  acórdão  MM.  Eros  Grau,  Plenário,  DJe  06.11.2008.  Portanto, a ECT, tal como a União, não configura contribuinte do  Imposto de Renda, pois: (i) não aufere renda tributável, nos termos do art. 153, IV,  da Constituição; e, ainda, (ii) não configura sujeito passivo da exação por força do  art. 146 do Decreto n° 3.000/1999.   Até mesmo uma breve análise da manifestação de  inconformidade  revela  que  a  questão  da  imunidade  tributária  recíproca  foi  mencionada  expressamente  como  argumento  subsidiário,  após  a  consideração  de  que  a  ECT  deveria, na verdade,  ser equiparada à Fazenda Pública, por  força do artigo 12 do  Decreto Lei n° 509/1969, nos termos acima transcritos.  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 108          8 Não obstante, o voto condutor do acórdão recorrido não faz sequer  menção  ao  artigo  12  do  Decreto  Lei  n"  509/1969,  não  tecendo  qualquer  argumentação  acerca  das  razões  pelas  quais  a  ECT  deveria  ser  considerada  contribuinte do IRPJ.   É verdade que o julgador não está obrigado a se pronunciar sobre  todos os argumentos trazidos pela parte.   O artigo 31 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a decisão deve  conter  "relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  ordem  de  intimação,  devendo  referir  ­  se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências." Disso  se  depreende  que o  relatório não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, mas tal dispositivo não  tem o condão de obrigar o julgador a, necessariamente, rebater cada uma das teses  de defesa.   É  que  há  casos  em  que  a  omissão  do  julgador  sobre  fundamento  trazido pela parte não resulta em afronta ao contraditório. É o caso, por exemplo, de  acolhimento de tese que, lógica ou juridicamente, prejudica a análise das demais.   Daí  porque  o  artigo  31  acima  transcrito  deve  ser  analisado  em  conjunto com o artigo 59, II, do mesmo Decreto 70.235/72, o qual estabelece que são  nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa.  Há,  basicamente,  quatro  situações  em  que  se  pode  dizer  que  a  omissão resulta em afronta ao contraditório:  1  quando  o  órgão  julgador  deixa  de  se  manifestar  sobre  um  dos  pedidos.  2 quando, acolhendo um pedido, o julgador não se manifesta sobre  argumento trazido pela parte contrária que,  levado em conta individualmente, seja,  em tese, bastante para justificar a rejeição.  3 quando, de outro  lado,  rejeitando um pedido, o  julgador não se  pronuncia  sobre  argumento  que,  individualmente  considerado,  seja,  em  tese,  suficiente  para  justificar  o  acolhimento.  É  o  que  se  dá  num  caso  em  que  o  contribuinte  aponta  diversos motivos  independentes  para  que  um  auto  de  infração  seja  cancelado o  julgador  rejeita apenas um deles,  sem, porém,  examinar  todos os  motivos apresentados.   4 quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre situação da  qual pode — e, portanto, deve — tomar conhecimento de ofício.  No caso, entendo que estamos diante da situação enunciada no item  3  acima.  Isso  porque  argumento  ignorado  pela  DRJ  (de  equiparação  da  ECT  à  Fazenda Pública  por  força  do  art.  12  do  decreto Lei  509/1969)  é  independente  do  trazido em seguida  (relativo à  imunidade recíproca aplicável às empresas públicas  prestadoras de serviço público).   Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 109          9 Isso  porque,  uma  coisa  é  ser  equiparada  à  Fazenda  Pública  em  virtude de disposição  legal que assim o determine, outra  é pleitear a aplicação da  imunidade recíproca relativa às autarquias e fundações públicas prevista no par. 2º  do artigo 150, VI, "a", da CF.   A diferença fica clara quando se percebe que, em se decidindo pela  equiparação  da  ECT  à  Fazenda  Pública,  perderia  força  a  discussão  sobre  a  incidência de tributos sobre atividades não essenciais/finalísticas, eis que não seria o  caso de se aplicar o parágrafo 2o do artigo 150 da Constituição. A questão residiria,  apenas, na interpretação do parágrafo 3º do artigo 150 da CF88.  Veja­ se o teor de tais dispositivos:   Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:   (...)   VI  instituir  impostos  sobre:  (Vide Emenda Constitucional  nº  3,  de  1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;   (...)   §  2°  A  vedação  do  inciso  VI,  "a",  é  extensiva  às  autarquias  e  às  fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio,  à  renda  e  aos  serviços,  vinculados  a  suas  finalidades  essenciais  ou  às  delas  decorrentes.   § 3° As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se  aplicam  ao  patrimônio,  à  renda  e  aos  serviços,  relacionados  com  exploração  de  atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados,  ou  em  que  haja  contraprestação  ou  pagamento  de  preços  ou  tarifas  pelo  usuário,  nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente  ao bem imóvel.   Não  obstante,  a  decisão  da  DRJ  está  integralmente  baseada  na  premissa de que, por força da Solução de Consulta COSIT 117/2014, que tem efeito  vinculante,  os  órgãos  da Receita Federal  devem  aplicar  a  imunidade  recíproca  de  que trata o art. 150, VI, "a", da CF não apenas a autarquias e fundações (conforme  expressa  previsão  do  par.  2o  do  artigo  150  d  a  CF)  mas  também  às  empresas  públicas.   Foi  por  isso  que,  ainda  seguindo  o  disposto  na  SC  COSIT  117/2014, a decisão recorrida entendeu que a imunidade recíproca não se aplica às  atividades desenvolvidas pela empresa pública federal não consideradas finalísticas.  Ocorre  que,  ao  rebater  apenas  o  argumento  relativo  à  imunidade  recíproca,  a  DRJ  operou  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  ECT,  que  viu  ignorados  argumentos  independentes  do  que  embasou  a  manutenção  do  despacho  decisório que rejeitou seu pedido de restituição (qual seja, repita­ se, o fato de que o  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 110          10 art. 12 do Decreto Lei 509/1969 teria determinado a equiparação da ECT à Fazenda  Pública, excluindo a do polo passivo da relação jurídico tributária do IRPJ).   Assim,  com  fundamento no artigo 59,  II,  do Decreto 70.235/1972,  seria o caso de anular o acórdão da DRJ/REC, para que este colegiado profira nova  decisão  que  se  pronuncie  também  sobre  os  argumentos  trazidos  no  item  3.1  da  manifestação de inconformidade.   Sem embargo,  o Decreto  70.235/1979  também dispõe,  no  §  3°  do  artigo  59,  que  quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta.   Entendo que é o caso,  já que o mérito pode ser decidido em favor  da Recorrente.  Superada as alegações de nulidade, passo a análise do mérito.  Do mérito  Passando  a  análise  do  mérito,  pode­se  afirmar  que  toda  a  controvérsia  da  questão em comento gira em torno da abrangência da ratio decidendi, para fins de vinculação  do CARF frente aos julgados do Supremo Tribunal Federal, nas linhas do exposto no artigo 62  do Regimento Interno do CARF.  Isto porque o recorrente entende ter direito à imunidade recíproca, em razão  da natureza especial do serviço prestado por ela – serviço público em regime de monopólio –  bem como pela sua natureza jurídica de empresa pública.  Argumenta  que  o  CARF  deve  seguir  esse  entendimento,  uma  vez  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  firmou  tal  entendimento  em  relação  a  Empresa  Brasileira  de  Correios  e  Telégrafos.  Elenca  alguns  julgados  do  STF,  dentre  eles,  o  RE  601.392/PR,  RE  627.051/PE, e o RE 773.992/BA. Cita ainda a ACO 879/PR.  A DRJ, por  sua vez,  entende o decidido nos  julgados  em  referência não  se  aplicam ao caso em comento, uma vez que nenhum destes analisou especificamente o caso do  IRPJ.  Para  fins  de  ilustração,  observe­se  trecho  da  decisão  do  acórdão  recorrido,  que demonstra claramente tal visão:  A CF,  em  seu  art.  150, VI,  "a",  estabelece  vedação à  União, aos Estados,  ao Distrito Federal  e aos Municípios  de instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços  uns dos outros, estendendo tal vedação às autarquias e às  fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que  se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados  a  suas  finalidades  essenciais  ou  às  delas  decorrentes,  excepcionados  aqueles  relacionados  com  a  exploração  de  atividades  econômicas  regidas  pelas  normas  aplicáveis  a  empreendimentos  privados,  ou  em  que  haja  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 111          11 contraprestação  ou  pagamento  de  preços  ou  tarifas  pelo  usuário.  (...)  Assim,  ante  o  exposto,  há  que  se  considerar  que  o  contribuinte  faz  jus  a  imunidade  recíproca  "parcial"  do  IRPJ, ou seja, relativamente às suas atividades finalísticas  (serviços  postais  definidos  em  lei),  não  se  estendendo  às  não finalísticas.  A  partir  desse  entendimento,  para  concluir  pela  procedência ou não do direito creditório representado pelo  Darf  vinculado  em  DCTF  ao  saldo  de  IRPJ  a  pagar  apurado  na  DIPJ,  seria  necessário  que  o  contribuinte  tivesse  comprovado  a  composição  de  suas  receitas,  indicando  as  operações  que  lhe  deram  causa,  a  fim  de  permitir  a  sua  classificação  em  finalísticas  e  não  finalísticas,  e,  por  conseguinte,  viabilizar  a  apuração  por  este  julgador do montante devido de  IRPJ para  o período  de  apuração.  Contudo,  tal  providência  não  foi  adotada,  pois  o  contribuinte  se  limitou  a  defender  que  todas  as  receitas  seriam  imunes  com  base  nas  decisões  proferidas  pelo STF relativamente ao ISS, ICMS e IPTU.  (Grifei)  Nessa seara, é importante definir o que efetivamente possui força vinculante,  dentro  de  uma  decisão  judicial.  Para  tanto,  deve­se  buscar  a  compreensão  do  que  é  a  ratio  decidendi.  Nas lições de José Renato Camilotti:  Queremos dizer que a  ratio é eminentemente  texto. São os  argumentos,  narrativas  e  fundamentos  da  decisão  que  permitirão  a  identificação  de  seu  núcleo  fundamental  determinante  e,  a  partir  dessa  composição,  é  possível  estabelecer  a  construção  de  norma  no  sentido  lógico­ estrutural  já  consagrado,  em  antecedente  e  consequente,  cujo elo seja o elemento deôntico neutralizado (dever­ser).  A  norma  da  ratio,  aqui,  é  tomada  como  um  redutor  de  complexidades.  (Precedentes  Judiciais  em  Matéria  Tributária no STF, editora NOESES, 2018, pg. 103)  Segue na mesma linha Freddie Didier Jr:  Assim,  embora  comumente  se  faça  referência  à  eficácia  obrigatória ou persuasiva do precedente, deve­se entender  que  o  que  tem  caráter  obrigatório  ou  persuasivo  é  a  sua  ratio  decidendi,  que  é  apenas  um  dos  elementos  que  compõem  o  precedente.  A  ratio  decidendi  –  ou  para  os  norte­americanos,  a  holding  –  são  os  fundamentos  que  sustentam  a  decisão;  a  opção  hermenêutica  adotada  na  sentença,  sem  a  qual  a  decisão  não  teria  sido  proferida  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 112          12 como  foi”  (DIDIER,  Fredie  Jr.  Curso  de  Direito  Processual  Civil.  Volume  2.  7ª  Edição.  Salvador:  2012.  p  385)  Luiz Guilherme Marinoni corrobora o entendimento, em artigo denominado  Uma  Nova  Realidade  diante  do  projeto  de  CPC  –  a  ratio  decidendi  ou  fundamentos  determinantes da decisão:  Já  foi  demonstrado  que  a  ratio  decidendi,  no  âmbito  do  common  law,  é  vista  como  passo  necessário  à  específica  solução  dada  ao  caso.  No  direito  brasileiro,  contudo,  a  conformação da  ratio  decidendi  não  necessita  e  não  deve  sofrer igual restrição.   O  que  se  espera  de  um  precedente,  ou  seja,  a  sua  capacidade  de  assegurar  coerência  ao  direito,  segurança  jurídica  e  igualdade  não  pode  constituir  privilégio  das  soluções  definitivas  dadas  a  cada  um  dos  casos.  Em  princípio, todas as questões, envolvidas e presentes de uma  ou  outra  maneira  nos  vários  processos  jurisdicionais,  devem contar com os benefícios da teoria dos precedentes.  Partindo dessa premissa, ao analisarmos os julgados do STF, resta claro que a  ratio decidendi dos acórdãos citados, ou seja, a parte vinculante destes se refere a aplicação da  imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal à Empresa Brasileira  de Correios e Telégrafos. Logo, conclui­se pela  aplicação da alínea em sua  integralidade, ou  seja, no que toca ao patrimônio, renda e serviços da referida empresa.  Ademais, com a máxima vênia, o argumento de que a imunidade recíproca só  incidiria sobre atividades não abarcadas pelo monopólio não merece prosperar.   As  decisões  acostadas  demonstram  claramente  que  o  STF  considerou  irrelevante o  fato de o serviço público em regime de exclusividade coexistir com serviço em  concorrência com a iniciativa privada. Vejamos:  RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.392 PARANÁ   RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA   REDATOR  DO  ACÓRDÃO  :  MIN.  GILMAR  MENDES  RECTE.(S)  :ECT  ­  EMPRESA  BRASILEIRA  DE  CORREIOS E TELÉGRAFOS   RECDO.(A/S): MUNICÍPIO DE CURITIBA   INTDO.(A/S):  ASSOCIAÇÃO  BRASILEIRA  DAS  SECRETARIAS  DE  FIANÇAS  DAS  CAPITAIS  BRASILEIRAS ­ ABRASF   Recurso  extraordinário  com  repercussão  geral.  2.  Imunidade  recíproca.  Empresa  Brasileira  de  Correios  e  Telégrafos.  3.  Distinção,  para  fins  de  tratamento  normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 113          13 público  e  empresas  públicas  exploradoras  de  atividade.  Precedentes.  4.  Exercício  simultâneo  de  atividades  em  regime  de  exclusividade  e  em  concorrência  com  a  iniciativa  privada.  Irrelevância.  Existência  de  peculiaridades no serviço postal.  Incidência da imunidade  prevista  no  art.  150, VI,  “a”,  da Constituição Federal.  5.  Recurso extraordinário conhecido e provido  O argumento de que o  IRPJ não  foi  especificamente  tratado pelos  julgados  vinculantes  não  é  suficiente  para  legitimar  a  cobrança  deste  por  parte  da  União.  Conforme  demonstrado, nos casos elencados pelo contribuinte, a razão de decidir consiste na aplicação da  imunidade  recíproca  à  referida  empresa,  tanto  pela  sua  natureza,  quanto  pela  do  serviço  prestado.   Existem, inclusive, julgados da CSRF corroborando tal aplicação:  Acórdão nº 1401002.302 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária  Sessão de 14 de março de 2018  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano calendário:2008  IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTO SOBRE A RENDA.  ADMINISTRAÇÃO  DOS  PORTOS  DE  PARANAGUÁ  E  ANTONINA.  A  imunidade  recíproca  prevista  no  art.  150,  IV,  "a",  da  Constituição  Federal,  é  aplicável  à  Administração  dos  Portos  de  Paranaguá  e  Antonina,  que  presta  serviço  público por delegação da União ao Estado do Paraná.  IMUNIDADE.  DESCARACTERIZAÇÃO  SEM  PROCEDIMENTO ADEQUADO. NULIDADE.  O  não  cumprimento  do  procedimento  administrativo  previsto  para  a  descaracterização  da  imunidade  e  consequente autuação, implica em sua nulidade.  ARBITRAMENTO.  AUTARQUIAS  PÚBLICAS.  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL. DISPENSA.  A  obrigatoriedade  de  apresentação  da  Escrituração  Contábil  Fiscal  não  se  aplica  às  autarquias,  pois  não  se  submetem  ao  regime  jurídico  aplicável  às  empresas  privadas  no  que  diz  respeito  às  obrigações  tributárias,  e,  consequentemente,  não  está  obrigada  a  apresentar  os  livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em  vista ser regida pelas regras de contabilidade pública.  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 114          14   Acórdão nº 9101001.883– 1ª Turma  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004  IMUNIDADE  É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias  e  empresas  públicas,  desde  que,  entre  outros  requisitos  constitucionais  e  legais:  (i)  Não  distribuam  lucros  ou  resultados  direta  ou  indiretamente  a  particulares,  ou  tenham  por  objetivo  principal  conceder  acréscimo  patrimonial  ao  poder  público  (ausência  de  capacidade  contributiva);  (ii) Não desempenhem atividade econômica,  de modo  a  conferir  vantagem  não  extensível  às  empresas  privadas (livre iniciativa e concorrência).  Ou  seja,  o  que  vincula  no  precedente  dotado  de  efeitos  expansivos  são  as  razões que fundamentam a decisão do caso, e não a conclusão casuística dos autos, sob pena  inclusive  de  o  precedente  jamais  poder  ser  aplicado,  uma  vez  que  situações  exatamente  idênticas dificilmente ocorrem na realidade fenomênica.  Importante ainda destacar  julgado do CARF que não deixa dúvidas de que  este órgão deve respeito ás decisões do STF e do STJ, conforme exposto:  Acórdão nº 9303007.290 – 3ª Turma  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2005  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DECADÊNCIA. PRAZO.CONTAGEM. DIES A QUO. ART.  150  DO  CTN.  PAGAMENTO.  COGNIÇÃO  RESTRITA.  SUPERIOR  TRIBUNAL  DE  JUSTIÇA  STJ.  RECURSOS  REPETITIVOS.  CONSELHEIROS  DO  CARF.  OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.  As decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal  de  Justiça  STJ  em  regime  de  recursos  repetitivos  devem  ser  reproduzidas  no  julgamento  do  recurso  apresentado  pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais.  Apenas  o  pagamento,  strito  sensu,  do  tributo/contribuição  devido atrai a aplicação do art. 150 do Código Tributário  Nacional para efeito de contagem do prazo decadencial de  que  dispõe  a  Fazenda  Pública  para  exigência  do  crédito  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.902028/2017­09  Acórdão n.º 1302­003.203  S1­C3T2  Fl. 115          15 tributário.  Nos  casos  de  extinção  do  crédito  por  compensação  ou  dedução  na  escrita  fiscal,  ressalvada  a  exceção  prevista  em  lei  para  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI,  conta­se  o  prazo  segundo  critério  definido no art. 173 do CTN    Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  superar  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas, para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.   É como voto.    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa                                  Fl. 115DF CARF MF

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Numero do processo: 10940.001048/2006-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a despesa médica no valor de R$350,00, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento em maior extensão, cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a despesa médica no valor de R$350,00, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento em maior extensão, cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.

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adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de  defesa do contribuinte.  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.   É  passível  de  dedução  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de Renda  a  despesa  médica  declarada  e  devidamente  comprovada  por  documentação  hábil  e  idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  para  restabelecer  a  despesa  médica  no  valor  de  R$350,00,  vencido  o  conselheiro  Thiago  Duca  Amoni  que  deu  provimento  em  maior  extensão,  cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00.  (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 10 48 /2 00 6- 72 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 94          2 Relatório  Auto de Infração  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  –  AI  (fls.  3/7),  relativo  a  imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste  anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na  redução do imposto a restituir de R$5.949,60 para R$55,97.  A notificação noticia  a  dedução  indevida de despesas médicas,  no valor de  R$21.431,38, por falta de atendimento ao pedido de esclarecimento.  Impugnação  Cientificado à contribuinte em 26/6/2006, o AI foi objeto de impugnação, em  19/7/2006,  à  fl.  2/29  dos  autos,  na  qual  a  contribuinte  indicou  a  juntada  de  documentação  comprobatória das despesas declaradas.  A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade,  julgou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 43/50):  Assunto:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA DE  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF  Ano­calendário: 2002  DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.  A  dedução  de  despesas médicas  na  declaração de ajuste  anual  do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea  dos  gastos  efetuados,  podendo  ser  exigida  a  demonstração  do  efetivo pagamento e prestação do serviço.  O colegiado de primeira instância restabeleceu despesas médicas no montante  de R$5.043,71.  Recurso voluntário  Ciente  do  acórdão  de  impugnação  em  2/6/2009  (fl.  52),  a  contribuinte,  em  2/7/2009  (fl.  54),  apresentou  recurso  voluntário,  às  fls.  54/82,  no  qual  alega,  em  apertado  resumo, que caberia a  revisão da decisão recorrida em respeito aos princípios constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  indicando  a  juntada  ao  seu  recurso  declarações  de  ratificação dos recibos apresentados junto a sua impugnação.  Requer a produção de prova oral, mediante depoimentos dos  emitentes  dos  recibos  e  acrescenta  que  a  decisão  recorrida  não  aponta  qualquer  desconformidade  dos  documentos comprobatórios com os princípios da honestidade e da boa­fé.  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 95          3   Voto             Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Pedido de sustentação oral  Cabe  esclarecer  que  as  pautas  de  julgamento  dos  Recursos  submetidos  à  apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data,  horário  e  local,  o que possibilita o pleno exercício do  contraditório,  inclusive para  fins de  o  patrono  do  sujeito  passivo,  querendo,  estar  presente  para  realização  de  sustentação  oral  na  sessão  de  julgamento  (parágrafo  primeiro  do  art.  55  c/c  art.  58,  ambos  do  Anexo  II,  do  RICARF).   Acrescente­se que não existe previsão  legal no Decreto nº 70.235, de 1972,  que regula o processo administrativo fiscal, para realização de sustentação oral por ocasião do  julgamento na primeira instância administrativa.  Decisão de primeira instância ­ Preliminar de nulidade  Depreende­se  que  a  recorrente  suscita  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, alegando cerceamento de defesa e inobservância do devido processo legal.  Não merece acolhida sua alegação.  Veja­se  que,  na  impugnação  apresentada  (fl.2),  a  contribuinte  limitou­se  a  apontar a juntada de documentação comprobatória das despesas médicas glosadas.  A decisão  recorrida  analisou  todos  os  documentos  juntados  e  consignou de  forma pormenorizada e  fundamentada os motivos que levaram o colegiado a acatar ou não a  despesa correspondente.  Logo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou ilegalidade  dessa decisão.  No  tocante ao  retorno dos autos para produção de prova oral,  repise­se que  inexiste  previsão  de  realização  de  sustentação  oral  por  ocasião  do  julgamento  na  primeira  instância administrativa.  Acrescente­se ainda que o contribuinte deve apresentar em sua defesa todos  os  documentos  necessários  à  comprovação  de  suas  alegações,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  admitidas  exceções  somente  nos  casos  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 96          4 expressamente previstos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação acrescida  pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997.  Portanto, a preliminar suscitada não merece acolhida.  Mérito  O litígio recai sobre as despesas médicas informadas pela recorrente em sua  Declaração de Ajuste. Nesse tocante, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos  efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos,  terapeutas ocupacionais e hospitais,  relativos ao próprio  tratamento e ao de seus dependentes  (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art.  73, do RIR/1999).  No  que  tange  à  comprovação,  a  dedução  a  título  de  despesas  médicas  é  condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser  especificados  e  comprovados  com  documentos  originais  que  indiquem  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no Cadastro  de Pessoas Físicas  (CPF) ou Cadastro Nacional  da Pessoa  Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995).  A  recorrente  informou  como  dependentes  Gentil  e  Claudina  Gomes  Cruz  (fl.35). Assim,  faz  jus a deduzir às despesas médicas próprias e a desses dependentes, desde  que devidamente comprovadas.  De início, cabe observar que a glosa decorreu do não atendimento ao pedido  de esclarecimento encaminhado à contribuinte no curso da ação fiscal.   Como  já  registrado neste voto, o colegiado de primeira  instância consignou  de forma detalhada os motivos que levaram a não aceitação de parte dos documentos juntados.  Em  seu  recurso,  a  recorrente  não  aponta  os  pontos  de  discordância  com  a  decisão  exarada,  limitando­se  a  questionar  a  legalidade  da  decisão  exarada  e  requerendo  a  aceitação da documentação juntada a seu recurso.  Transcrevo o já citado artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  I. a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II. a qualificação do impugnante;  III.  os motivos de  fato  e de direito  em que  se  fundamenta, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  IV. as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito.  V. se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo ser juntada cópia da petição.  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 97          5 Embora faça referência à impugnação, essas disposições se aplicam também  ao recurso voluntário.   Da  leitura  do  dispositivo,  extrai­se  que  cabe  ao  sujeito  passivo  apontar  de  forma clara os seus pontos de inconformismo com a decisão recorrida, não podendo o julgador  substituir o sujeito passivo nesse tocante.  No caso, não tendo a recorrente apontado os motivos de fato e de direito em  que  se  fundamenta  o  seu  recurso,  os  pontos  de  discordância  com  a  decisão  de  primeira  instância  bem  como  suas  razões,  entendo  que  devem  ser  mantidas  as  glosas  das  despesas  médicas para as quais a recorrente limita­se a reapresentar os recibos já analisados na decisão  de  piso.  Nessa  situação,  temos  os  gastos  informados  com  DM  Corpo  e  Arte  Medicina  e  Estética  Ltda  e  Domingos  Camporez.  Passo  a  análise  das  demais  despesas  médicas,  reproduzindo a decisão de piso e analisando a prova apresentada por ocasião do recurso.  Maria Valdíria Cardoso ­ Valor declarado R$1.700,00  a)  recibos  juntados  a  fls.  09:  um  recibo  foi  firmado por Maria  Valdiria P.Cardoso e outro emitido em seu nome mas assinado  por  pessoa  não  identificada  que  se  intitula  “secretária”,  somando ambos o montante de R$ 1.680,00.  Verifica­se, primeiro, que esses recibos não contêm endereço do  seu  emitente,  contrariando  disposição  legal  acima  transcrita.  Depois, constata­se que esses documentos descrevem pagamento  por tratamento psicoterapêutico realizado no ano de 1999.  Não  se  afasta  a  hipótese  de  que  um  tratamento  realizado  três  anos antes possa ter sido quitado somente no ano de 2002. Mas  conforme prevê o Decreto 3000, que regulamenta o  imposto de  renda,  as  deduções  estão  sujeitas  à  comprovação,  ainda  mais  quando se reportam a procedimentos terapêuticos realizados em  anos  diversos  daquele  a  que  se  referir  a  declaração  de  ajuste  anual. Há, portanto, que se comprovar que o efetivo desembolso  se deu no ano calendário de 2002 e não em 1999.  Inexistindo tal prova nos autos, não se pode acatar tais recibos.  Os recibos juntados na impugnação encontram­se à fl.11.  Em  seu  recurso,  a  recorrente  junta  recibo  de  fls.  64,  ratificado  pela  profissional, e 65, já juntado anteriormente.   Do  exame  desse  documento,  verifica­se  que  a  recorrente  buscou  sanar  a  questão  da  assinatura  do  recibo  pela  secretária.  Entretanto,  as  demais  razões  apontadas  na  decisão de piso não foram sanadas, justificadas ou rebatidas pela recorrente.  Dessa feita, a glosa deve ser mantida.  Sidnei Stancechen ­ Valor declarado R$40,00   b) a fls. 10 encontra­se o recibo no valor de R$ 40,00 em nome  de  Claudina  Gomes  da  Cruz,  que  seria  dependente  da  impugnante.  Ocorre  que  aquele  documento  não  contém  nem  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 98          6 endereço nem CPF do emitente. Tal recibo, portanto, não atende  ao disposto no inciso III do parágrafo 2° do art. 8° da Lei 9.250  e por isto não pode ser aceito para fins de abatimento.  Na impugnação, foi juntado o recibo de fl.12, novamente juntado no recurso  acompanhado  de  documento  intitulado  de  controle  interno  de  honorários médicos  (fl.82). O  documento não consigna o CPF do profissional, como apontado na decisão de piso.   Dessa feita, sua glosa deve ser mantida.  Laboratório de Prótese Odontológica Romanini Ltda ­ Valor declarado  R$700,00  d) a fls. 13 foi juntada nota fiscal referente a serviços de prótese  odontológica emitida pelo Laboratório de prótese Odontológica  Romanini Ltda.  Observe­se  que  esse  laboratório  está  localizado  na  cidade  de  Londrina­PR,  ou  seja,  distante  aproximadamente  300  quilômetros do domicílio fiscal da impugnante.  Isto posto,  há que  se  justificar e  comprovar a  realização dessa  despesa em local  tão distante de seu domicílio, quando se sabe  que em sua cidade ou na própria Capital do Estado, muito mais  perto,  haveria  clínicas  que  poderiam  prestar  o  mesmo  atendimento.  Por  não  restar  justificado  e  comprovado  o  efetivo  desembolso  dessa despesa, não se pode acatar tal documento.  Acerca  dessa  despesa,  a  recorrente  junta  declaração  emitida  pelo  dentista  Marcio Fernandes, atestando a prestação de serviço de prótese odontológica (fls.70/71).  Ora, a nota fiscal foi emitida por uma empresa e, de forma genérica, o senhor  Marcio atesta a prestação de serviço de prótese por ele, fazendo referência à nota fiscal.  Como  apontado  na  decisão  de  piso,  as  despesas  com  próteses  devem  ser  comprovadas  mediante  apresentação  de  nota  fiscal  e  receituário  médico.  Entendo  que  a  declaração  genérica  apresentada  não  se  presta  a  fazer  a  prova  exigida,  uma  vez  que  não  se  configura no receituário a que faz alusão a legislação de regência.  Marcio Fernandes ­ Valor declarado R$350,00  e) a  fls.  14,  encontra­se  juntado recibo no valor de R$ 350,00,  emitido por Marcio do Rocio Fernandes.  Esse documento não  fornece o nome de quem pagou a despesa  nem  ao  menos  indica  quem  foi  beneficiado  com  suposto  tratamento dentário.  Não  serve  para  comprovar  nada  em  favor  da  impugnante  haja  vista que não há nenhum indicativo de que o  recibo tenha sido  emitido em seu nome.  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 99          7 Em  seu  recurso,  a  recorrente  junta  o  recibo  de  fl.66,  o  qual  confirma  a  despesa de R$350,00 com o profissional.   Assim, a despesa, no valor de R$350,00, deve ser restabelecida.  Andréia Schmidt ­ valor declarado R$10.580,00  g)  a  fls.  21  a  25  encontram­se  juntados  recibos  emitidos  por  Andréia  Schimidt  Leite  referentes  a  atendimento  psicológico,  num  montante  de  R$  10.700,00,  embora  a  impugnante  tenha  declarado  pagamento  de  R$10.580,00  em  favor  dessa  profissional.  Não  basta  a  disponibilidade  de  um  simples  recibo,  sem  vinculação do pagamento ou demonstração da efetiva prestação  do  serviço,  sobretudo  quando  restar  dúvidas  quanto  à  idoneidade  do  documento,  uma  vez  que  se  tratam  de  valores  expressivos.  Desta  forma,  os  recibos  apenas  presumem  o  pagamento. Não indicam a sua efetividade.  Não  fosse  apenas  pelo  expressivo  valor  da  conta  que  corresponde  a  quase  20%  do  rendimento  tributável  da  impugnante,  aquele  documento  descreve  atendimentos,  por  exemplo, no dia 11 de fevereiro, uma segunda­feira de carnaval,  dia  este  em  que  tradicionalmente  a  maioria  dos  brasileiros  comemora  o  feriado  prolongado  de  carnaval,  ainda  mais  na  condição  de  profissional  liberal,  que  não  se  submete  a  ordens,  horários, imposições de nenhum empregador.  Descreve atendimento no dia 30 de março, em pleno sábado do  feriado prolongado da páscoa, ou sábado de aleluia, como se diz  na  tradição  religiosa.  Não  se  deve  afastar  a  hipótese  desses  atendimentos  terem  acontecido  nesses  dias.  Mas,  dada  a  peculiaridade  das  datas,  há  que  ser  comprovado  o  efetivo  atendimento e o desembolso da despesa.  Ademais  disto,  o  recibo  da  parte  superior  de  fls.  21  descreve  atendimento  psicológico  referente  aos  meses  novembro  e  dezembro/2001, ano calendário anterior.  Como  já dito  em  letra “a”, acima, não  se afasta a hipótese de  que  um  tratamento  realizado  no  ano  anterior  tenha  sido  pago  somente no ano de 2002. Mas conforme prevê o Decreto 3000,  as deduções estão sujeitas à comprovação, ainda mais quando se  reportam  a  procedimentos  terapêuticos  realizados  em  anos  diversos daquele a que se referir a declaração de ajuste anual.  Há, portanto, que se comprovar que o efetivo desembolso se deu  no ano calendário de 2002 e não em 2001.  Por  tais  razões, esses documentos não podem ser aceitos como  comprovantes de despesas médicas.  Em seu recurso, a recorrente junta declaração de fl.58 e recibos de fls.59/63,  já juntados às fls. 23/27.  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10940.001048/2006­72  Acórdão n.º 2002­000.473  S2­C0T2  Fl. 100          8 A recorrente não esclarece as dúvidas suscitadas pelo colegiado de primeira  instância  quanto  às  datas  de  atendimento  e  aos  atendimentos  relativos  ao  ano­calendário  anterior.  Poderia  ter  solicitado  à  profissional  que  justificasse  essas  situações  na  declaração  anexada. No entanto, não o fez e também não abordou a questão em seu recurso.  Isto  posto,  entendo  que  a  glosa  deve  ser  mantida,  visto  que  os  recibos  juntados deixam dúvida quanto aos fatos nele consignados e a recorrente não se desincumbiu  do ônus probatório que é seu. Sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste  Anual  nada  mais  do  que  um  benefício  concedido  pela  legislação,  incumbe  ao  interessado  provar que faz jus ao direito pleiteado.  Manoel Nunes ­ valor declarado R$960,00  h) a  fls. 26 encontram­se  recibos emitidos por Manoel Pedro S  Nunes relativos a pagamento a título de “prótese dentária”.  ...  Conforme  se  vê,  para  comprovação  das  despesas  com  prótese  dentária há que se apresentar receituário médico que indique a  necessidade  da  prótese  e  apresentação  da  nota  fiscal  de  aquisição da mesma em nome do beneficiário.  Portanto, não bastam simples recibos.  Por tais razões, esses documentos não comprovam a realização  das despesas.  Em seu recurso, a recorrente junta declaração do dentista Marcio Fernandes,  declarando a prestação do serviço (fl.69). Os recibos encontram­se à fl.68.  Como já apontado neste voto e na decisão recorrida, a despesa com prótese  requer a apresentação de receituário médico, exigência não suprida pela recorrente.  Logo,  nesse  tocante,  nenhum  reparo  a  se  fazer  na  decisão  do  colegiado  de  primeira instância.  Por  fim,  cabe  esclarecer que no presente  lançamento  a  interessada não está  sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação  de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o,  art. 44, da Lei nº 9.430/96, e,  portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boa­fé do contribuinte.  Conclusão  Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  restabelecer  despesa médica  no  valor  de  R$350,00.  (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez  Fl. 100DF CARF MF

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