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Numero do processo: 13839.901466/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.475
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o PERD/COMP nº 14650.70457.281113.1.2.04-0354 (fls. 37-39), transmitido em data de 28/11/2013 e referente ao período de apuração em 31/03/2009, para restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações:
O Despacho Decisório nº 085164753, de 04/06/2014 (fls. 41), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Às fls. 43 foi proferido Despacho de Encaminhamento pela SEORT-DRF-JUNDIAI-SP nos seguinte termos:
"Visando atender ao Art. 33 § 1ºda Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define os procedimentos necessários à formalização de processo administrativo diante da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico, informo que o presente processo foi instruído com os seguintes itens, quando existentes:I)PER/DCOMP tratados no processo de crédito;II)Cópias das intimações enviadas pelo processamento eletrônico;III) Documentos comprobatórios da análise do crédito, arquivados no processo administrativo de que trata o art. 32;IV)Cópia do despacho decisório;V) Manifestação de inconformidade;VI)Comprovante de ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e considerando que a manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, encaminho este processo ao SERETDRJRPO-SP para prosseguimento."
Foi proferido o Acórdão nº 08-38.795 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 45 a 51), julgando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS.
Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da pessoa jurídica, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, não incluídos no ativo imobilizado, intrínsecos à atividade e que sejam diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
A Contribuinte teve ciência da Intimação Eletrônica nº 13837/85/2017 (fls. 53) em data de 10/05/2017 e interpôs Recurso Voluntário de fls. 59 a 90 em data de 08/06/2017, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 91-95) e Contrato Social e Alterações (fls. 96-112).
Às fls. 113 foi proferido despacho de encaminhamento do recurso para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
É o relatório.
Voto
Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora.
Pressupostos legais de admissibilidade
O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o PERD/COMP nº 14650.70457.281113.1.2.04-0354 (fls. 37-39), transmitido em data de 28/11/2013 e referente ao período de apuração em 31/03/2009, para restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações: O Despacho Decisório nº 085164753, de 04/06/2014 (fls. 41), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Às fls. 43 foi proferido Despacho de Encaminhamento pela SEORT-DRF-JUNDIAI-SP nos seguinte termos: "Visando atender ao Art. 33 § 1ºda Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define os procedimentos necessários à formalização de processo administrativo diante da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico, informo que o presente processo foi instruído com os seguintes itens, quando existentes:I)PER/DCOMP tratados no processo de crédito;II)Cópias das intimações enviadas pelo processamento eletrônico;III) Documentos comprobatórios da análise do crédito, arquivados no processo administrativo de que trata o art. 32;IV)Cópia do despacho decisório;V) Manifestação de inconformidade;VI)Comprovante de ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e considerando que a manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, encaminho este processo ao SERETDRJRPO-SP para prosseguimento." Foi proferido o Acórdão nº 08-38.795 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 45 a 51), julgando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS. Consideram-se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da pessoa jurídica, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, não incluídos no ativo imobilizado, intrínsecos à atividade e que sejam diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte teve ciência da Intimação Eletrônica nº 13837/85/2017 (fls. 53) em data de 10/05/2017 e interpôs Recurso Voluntário de fls. 59 a 90 em data de 08/06/2017, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 91-95) e Contrato Social e Alterações (fls. 96-112). Às fls. 113 foi proferido despacho de encaminhamento do recurso para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 46 6/ 20 14 -2 7 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 117 2 Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil o PERD/COMP nº 14650.70457.281113.1.2.040354 (fls. 3739), transmitido em data de 28/11/2013 e referente ao período de apuração em 31/03/2009, para restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais, o que fez com as seguintes informações: O Despacho Decisório nº 085164753, de 04/06/2014 (fls. 41), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Às fls. 43 foi proferido Despacho de Encaminhamento pela SEORTDRF JUNDIAISP nos seguinte termos: "Visando atender ao Art. 33 § 1ºda Norma de Execução Codac/Cosit/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, que define os procedimentos necessários à formalização de processo administrativo diante da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico, informo que o presente processo foi instruído com os seguintes itens, quando existentes:I)PER/DCOMP tratados no processo de crédito;II)Cópias das intimações enviadas pelo processamento eletrônico;III) Documentos comprobatórios da análise do crédito, arquivados no processo administrativo de que trata o art. 32;IV)Cópia do despacho decisório;V) Manifestação de inconformidade;VI)Comprovante de ciência do despacho decisório ao sujeito passivo.Diante do exposto, e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 118 3 considerando que a manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva, encaminho este processo ao SERET–DRJ–RPOSP para prosseguimento." Foi proferido o Acórdão nº 0838.795 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 45 a 51), julgando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 COFINS. CRÉDITO DE INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da pessoa jurídica, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, não incluídos no ativo imobilizado, intrínsecos à atividade e que sejam diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte teve ciência da Intimação Eletrônica nº 13837/85/2017 (fls. 53) em data de 10/05/2017 e interpôs Recurso Voluntário de fls. 59 a 90 em data de 08/06/2017, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 119 4 "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. O recurso foi instruído com documento de representação (fls. 9195) e Contrato Social e Alterações (fls. 96112). Às fls. 113 foi proferido despacho de encaminhamento do recurso para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 120 5 Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 121 6 podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS não cumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 122 7 de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 123 8 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 2330302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901466/201427 Resolução nº 3402001.475 S3C4T2 Fl. 124 9 Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. É a resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906500/2015-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/10/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 00 /2 01 5- 93 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.202. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.906500/201593 Acórdão n.º 3301005.242 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.902853/2012-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO.
As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA.
A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ.
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada.
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
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Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 28 53 /2 01 2- 32 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 90 2 Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da restituição da contribuição para o PIS, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0254.302, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 24.03.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em Per/Dcomp 25859.26726.041209.1.2.044110, transmitido em 04.12.2009. Da síntese dos fatos Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 91 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 69 a 72), verbis: Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 30/11/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando crédito disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 10/10/2012 (fl. 65), o contribuinte apresentou, em 09/11/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 2/4, alegando, em síntese, que a origem do crédito pode ser confirmada no Dacon retificador transmitido em 30/11/2009, no qual consta que não foi apurado débito para o período em questão, restando indevido o pagamento realizado. Informa que se equivocou em não retificar a DCTF em tempo hábil e que tentou retificála após receber o despacho decisório, não obtendo êxito devido a limitações de transmissão de arquivos para o sistema da RFB. Por fim, requer seja reconhecido o crédito pleiteado e determinada a sua restituição. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 1ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Na ausência de provas, o Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados em DIPJ e em DCTF, não pode ser considerado instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "COMUNICADO Nº 293/2014" de efl. 74, corroborado pelo Aviso de Recebimento "AR" de efl. 75, conheceu do teor do Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 92 4 acórdão vergastado em 10.04.2014, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 12.05.2014, conforme depreendese do carimbo de protocolo aposto na "Folha de Rosto" do presente recurso voluntário (efls. 77 a 85), apresentou respectiva petição recursal. Do recurso voluntário Ciente da decisão a quo, e com ela inconformado, o recorrente apresentou recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando pela reforma do acórdão da 1ª Turma da DRJ/BHE. Nesta petição recursal, além de repisar os fatos que ensejaram a transmissão do referido Per/Dcomp e os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, notadamente para reafirmar o equívoco relativo a não retificação da DCTF e a para confirmar a apresentação de Dacon retificadora, como elemento de prova do pagamento indevido, salienta que existe jurisprudência administrativa, no âmbito do Carf, que admite "a retificação da DIPJ no decorrer do processo de compensação para possibilitar que a parte interessada aponte de forma correta, o saldo negativo (...)". Diante do alegado, requer: (i) a reforma da decisão prolatada, que não homologou o pedido de restituição; (ii) a determinação do retorno dos autos a DRF/Cascavel, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras; (iii) a produção de provas, por todos os meios em direito admitidos, especialmente a pericial; (iv) que o presente recurso seja recebido nos efeitos suspensivos e devolutivo; e (v) que seja dado provimento ao pleito para reconhecer seu direito creditório e homologar a restituição objeto do presente Per/Dcomp. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 14.05.2014 (efl. 88), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 93 5 de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi apresentado em 12.05.2014, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 10.04.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Preâmbulo I Da produção de prova, diligência e/ou perícia No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Frisese, a produção de provas, a realização de perícia ou diligência deve ser efetivada para a elucidação de fatos e/ou complementação de prova, isso tudo à critério da autoridade que realiza o julgamento do processo. Não obstante convém relembrar sobre a legislação que trata do momento da produção de prova. Para tanto, o Processo Administrativo Fiscal (PAF D. 70.235/72) esclarece que cabe ao interessado carrear aos autos os documentos que permitem corroborar suas alegações defensivas, verbis: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Desta feita, não constatando a apresentação de qualquer novo documento que corrobore e sustenta suas alegações recursais e não demonstrando quaisquer das situações tipificadas no parágrafo 4º, do artigo 16, do PAF, dáse a preclusão. Veja, ao declarar que dispunha de crédito pago indevidamente, o recorrente assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza, no entanto, assim não procedeu. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 94 6 Por fim evidenciase também que afora a dita preclusão processual, conforme se verá adiante, não há questão de fato a ser elucidada. Portanto, é de se concluir pelo indeferimento do presente pleito. Preâmbulo II Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. Porém, não obstante a prescrição legal acima evidenciada, cabe assentar que a doutrina interpreta o chamado "direito líquido e certo" aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente, entendimento este corroborado por robusta jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme exemplificam as ementas transcritas, verbis: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Preâmbulo III Da suspensão da exigibilidade Embora nestes autos em nenhum momento aventouse a hipótese da interrupção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em face da não homologação da restituição pleiteada pelo contribuinte, em respeito ao recorrente tratarseá do tema em breves linhas. Vejase, a partir de 31.10.2003, com a edição da Medida Provisória nº 135 convertida na Lei nº 10.833, ambas de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível, pois a declaração em Per/Dcomp, feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos créditos informados como recolhidos a maior ou indevidamente e/ou dos débitos indevidamente compensados. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 95 7 Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25.10.1966), dispõe que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Neste contexto, é suficiente reafirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão até que ocorra sua definitividade na esfera administrativa. Preâmbulo IV Do princípio da verdade material O recorrente pretende fundamentar a reforma do acórdão recorrido, bem assim seu pedido de produção de prova, diligência e perícia, no recorrentemente aventado princípio da verdade material. No entanto, como sobejamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido, o motivo do indeferimento do pretendido direito creditório reside no fato de a autoridade competente da DRF/Cascavel constatar, após exame nos sistemas informatizados da RFB, que o valor do referido crédito, pleiteado que foi em Per/Dcomp, a "partir das características do DARF discriminado (...), foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 96 8 contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. Do mérito É fato inconteste que o indeferimento do presente pedido de restituição, pela unidade fiscal de origem, tem motivação no fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido integralmente utilizado para quitar débito de PIS não cumulativo, declarado para o período de 30.11.2004, não restando, portanto, saldo disponível para ser restituído. Da DCTF original, referente ao mesmo período de apuração, observase que o contribuinte vincula integralmente o Darf discriminado no presente Per/Dcomp a débito de PIS nãocumulativo declarado. Por sua vez, o contribuinte informa que não transmitiu DCTF retificadora, mas que apresentou, em 30.11.2009, Dacon retificador, que, ao seu talante, evidenciaria a inexistência de PIS nãocumulativo a pagar e, por conseguinte, comprovaria a existência do crédito pleiteado. No entanto, o voto condutor do acórdão recorrido adverte, corretamente, "que na DIPJ/2005 ativa, retificada em 23.12.2008, o contribuinte declarou o mesmo valor devido que consta na DCTF original, isto é, R$ 3.102,42", evidenciando, portanto "divergências não esclarecidas entre os valores informados pelo interessado nas declarações encaminhadas à RFB (DCTF, DIPJ e Dacon ativos)". Desta feita, didaticamente, a relatora do voto condutor da decisão a quo pontua que, não obstante o "no Dacon retificador o contribuinte não informe valor a pagar de PIS nãocumulativo para o período em questão, na ausência de outras provas, essa declaração não pode ser considerada, por si só, instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado no pedido de restituição". Ressalta que "os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida, sendo tal declaração o documento que comunica a existência de crédito tributário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O Dacon e a DIPJ, por outro lado, são instrumentos hábeis para a consolidação e a apuração de PIS nãocumulativo para o período de 31.11.2004". Diante desta premissa, a relatora, de maneira absolutamente clara, concluiu que a "apresentação de Dacon retificador, com redução do valor do débito anteriormente confessado e com valores divergentes daqueles informados em outras declarações, não basta para justificar a reforma da decisão de indeferimento de restituição", posto que "fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante no Dacon retificador". Portanto, constatase no caso ora sob exame que o acórdão recorrido, analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da não homologação da compensação declarada, fez questão de esclarecer que não bastava ao contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido, a trazida aos autos somente do "Dacon retificador, com valores divergentes daqueles declarados em DIPJ e DCTF", desacompanhado de "documentos comprobatórios", ou seja, aqueles que "atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado". Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 97 9 Neste ponto, importa reforçar que o Dacon se trata de demonstrativo e não configura uma confissão de divida. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387, de 2004, foi ele instituído como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, com objetivos semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. É o que se infere dos controles que são exigidos na Instrução Normativa referida, verbis: (...) Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 a Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I as receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de2003; II as aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no Pais; III aos custos, despesas e encargos vinculados eis receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas a apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. (...) Tanto o é que sua apresentação não dispensa a informação dos valores correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583, de 2005, que passou a impor a retificação do Dacon, nos casos em que a retificação da DCTF acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo, verbis: (...) Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 98 10 Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. (...) Art. 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Concluise daí que, ao contrário da DCTF, o Dacon possui apenas caráter informativo e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por inexistência de disposição legal. Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manterse fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10935.902853/201232 Acórdão n.º 3001000.544 S3C0T1 Fl. 99 11 interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Portanto, não há dúvida de que o despacho decisório foi corretamente exarado e que o acórdão recorrido não merece qualquer ressalva nessa matéria. Da conclusão Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903298/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 32 98 /2 01 5- 61 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10875.903298/201561 Acórdão n.º 1302003.120 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente ao IRPJ, incorrido no anocalendário de 2014, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10875.903298/201561 Acórdão n.º 1302003.120 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10875.903298/201561 Acórdão n.º 1302003.120 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10875.903298/201561 Acórdão n.º 1302003.120 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720002/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJSão Paulo I (acórdão n. 1649.460 fls. 536/555), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 3.468.365,74 (Três milhões, quatrocentos e sessenta e oito reais e setenta e quatro centvos), referentes ao Imposto de Importação, Contribuição PIS/PASEP – Importação, Contribuição COFINS – Importação, Juros RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 00 2/ 20 08 -4 5 Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 662 2 de Mora – calculados até 29/02/2008, Multa Proporcional (75%), e Multa Regulamentar (Classificação incorreta – 1%), em razão da reclassificação fiscal da mercadoria efetivamente importada, e multa por falta de Licença de Importação. O auto de infração foi lavrado tendo como contribuinte principal o importador, no caso a empresa BETRA TRADING LTDA, CNPJ 00.722.985/000401e como solidário a empresa TING INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 04.827.795/000167. A lavratura do auto de infração decorreu da revisão aduaneira realizada pela EQFIS da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, com base no inciso III, do §1° do art. 14 da Portaria COANA 36/2006. Foram abrangidas pelo processo revisório as declarações de importação registradas no período de março de 2004 a junho de 2005, que tinham a empresa BETRA TRADING LTDA. como importador e a empresa TING INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. como adquirente das mercadorias importadas. Os valores lançados constituídos por impostos, contribuições e multas são apresentados na tabela que segue: As Declarações de Importação sobre as quais foram lançados os créditos tributários, encontramse listadas às fls. 160 a 162 dos autos. O Termo de Constatação Fiscal, menciona às fls. 178 que as mercadorias descritas e classificadas incorretamente tratamse azeitonas "verdes" ou "pretas", "recheadas" ou "descaroçadas" ou "fatiadas" ou "com caroço", todas conservadas em salmoura e acondicionadas em barricas plásticas. Consta do Termo de Constatação fiscal que acompanha o auto de infração que: Através do Processo Administrativo n° 10831.003663/200570 (fls. 320), a empresa TING formalizou, em 11/04/2005, Consulta Fiscal solicitando orientação quanto à correta classificação das mercadorias designadas como "azeitona recheada", "azeitona fatiada" e "azeitona com caroço". Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 663 3 Posteriormente, em meados de 2005, alterou a classificação fiscal dessas mercadorias do código N CM 0711.20.10 para o N CM 2005.70.00 (fls. 318). Em 15/09/2005, foi exarado o Despacho Decisório Diana/SRRF/8aRF n° 277, pelo qual foi declarada a INEFICÁCIA da Consulta (fls. 332), haja vista a não observância de requisito previsto pelos incisos III, IV e V da IN SRF 230/2002, segundo o qual não produz efeitos a consulta formulada por quem estiver intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta e/ou por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado antes de sua apresentação, para apurar os fatos que se relacionam com a matéria consultada. No caso, a consulta foi motivada em faze da irresignação manifestada pela contribuinte quanto à retificação da DI 05/01406675, registrada em 11/02/2005, determinada por Auditor Fiscal da Receita Federal que, no ato de conferência aduaneira, reclassificou a mercadoria da posição 0711.20.10 para 2005.70.00, assim se manifestando, in verbis (fls. 338): "Classificar corretamente a mercadoria da AD 01, vez que se trata de azeitona recheada, que sofreu uma preparação prévia, foi descaroçada, recebeu recheio de pimentão, tendo inclusive em sua composição ácido lacto (conforme consta no rótulo afixado na embalagem), passou pelo processo de fermentação, tornandose consumível,conforme Notas Explicativas das posições 07.11 e 20.05 da NESH. Recolher os tributos devidos e multas dos arts. 636, I, e 645, I, do Dec. 4.543/02. Informar, em dados complementares, o valor e motivo dos recolhimentos." Ainda no termo de constatação, é mencionada a decisão judicial referente ao Mandado de Segurança n° 2005.70.02.0034131, impetrado para liberar a mercadoria da D.I. 05/01406675, para qual a fiscalização da RFB solicitou a retificação que consistia na mudança da classificação fiscal da NCM 07.11 para a NCM 20.05. A referida decisão judicial consta das fls. 343 a 346 e menciona: ‘... Assim, a mercadoria importada deve ser enquadrada no capitulo 20 da TIPI e não no capitulo 07, pois não está simplesmente conservada em água salgada, mas passou por tratamento especial com fermentação láctica, o que afasta a possibilidade de conservação transitória. .Diante do exposto, indefiro a liminar pretendida.” As Impugnações Foram apresentadas impugnações pela empresa Importadora, BETRA TRADING LTDA, e pela empresa TING INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, adquirente da mercadoria e autuada como responsável solidária. As impugnações mencionadas, apresentam alegações que em grande parte são comuns. Estas alegações são apresentadas na seqüência. (...). Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 664 4 2. Devidamente processada, as citadas impugnações foram julgadas improcedentes nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/07/2004 a 24/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições do Capítulo 07 da NCM classificamse no Capítulo 11 ou na Seção IV. É o que sucede com as azeitonas preparadas ou conservadas por quaisquer processos não previstos naquele Capítulo. Classificamse no código NCM 2005.70.00 (Seção IV) pela aplicação da 1ª RGI/SH e 6ª RGI/SH. REVISÃO ADUANEIRA A revisão aduaneira não é uma revisão de lançamento, pois seu objeto é uma declaração do agente contribuinte(importador/exportador) e o sistema jurídico tributário brasileiro não aceita lançamento feito por particular. Este lançamento só ocorre de fato, quando da homologação expressa ou tácita da declaração do sujeito passivo. Incorreto o entendimento que a homologação do crédito tributário devido na importação ocorre na fase de despacho aduaneiro, uma vez que a análise da exatidão dos valores dos impostos devidos na importação, por previsão legal expressa do DecretoLei 37/66 artigo 54 realizase no procedimento de revisão aduaneira, que deve ser entendida a fase de homologação dos créditos tributários na importação, e não como a revisão de lançamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte Betra Trading interpôs o recurso voluntário de fls. 570/594, oportunidade em que repisou as alegações aventadas em sua impugnação. Não obstante, o contribuinte Ting Indústria não foi intimado da decisão a quo, o que motivou a resolução n. 3402001.238 (fls. 599/602) desta Turma julgadora para esse fim. Ato contínuo, devidamente intimado, o contribuinte Ting apresentou o recurso voluntário de fls. 619/645, oportunidade em que também reiterou suas razões defensivas. 4. É o relatório. Voto 5. Os recursos voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos por esse Colegiado. 6. Consoante se observa dos autos, a presente discussão diz respeito à classificação fiscal da mercadoria importada pelas recorrentes, i.e., azeitonas. A respeito da controvérsia que paira sobre a presente lide, a instância a quo faz um pertinente resumo, o qual transcrevo abaixo: Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 665 5 (...). Discordamos do entendimento manifestado nas impugnações que a classificação fiscal correta das azeitonas encontrase na NCM 020.10.00, fundamentado nos fatos da azeitona importada ser um produto hortícula, de sofrer apenas um tratamento primário e temporariamente para transporte sem processo fabril, de não ser liberada pela ANVISA para consumo no estado em que é importada. O motivo da discordância encontrase nas próprias regras de classificação do Sistema Harmonizado e na NESH, conforme explanação que segue. Para efeitos legais, a classificação de um produto é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral nº 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse, mutatis mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar nº 1 – RGC 1). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto nº 435/1992, trazem em referência ao capítulo 07 PRODUTOS HORTÍCOLAS, PLANTAS, RAÍZES E TUBÉRCULOS, COMESTÍVEIS as seguintes considerações gerais: O presente Capítulo compreende os produtos hortícolas de qualquer espécie, incluídos os vegetais mencionados na Nota 2 do presente Capítulo, frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água ou a vapor), ou ainda provisoriamente conservados ou dessecados (incluídos os desidratados, evaporados ou liofilizados). Deve notarse que alguns destes vegetais, secos, triturados ou pulverizados, se empregam às vezes como tempero mas não deixam, por isso, de se classificar na posição 07.11. Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições deste Capítulo classificamse no Capítulo 11 ou na Seção IV. É o que sucede, por exemplo, com as farinhas, sêmolas e pós, de legumes de vagem secos e com as farinhas, sêmolas, pós, flocos, grânulos e pellets, de batata (Capítulo 11), e com os produtos hortícolas preparados ou conservados por quaisquer processos não previstos neste Capítulo (Capítulo 20). ... Os produtos hortícolas deste Capítulo, mesmo que apresentados em embalagens hermeticamente fechadas (cebola em pó, em latas) permanecem aqui classificados. Na maioria dos casos, todavia, os produtos contidos nestas embalagens encontramse incluídos no Capítulo 20 por terem sido preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no presente Capítulo. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 666 6 ... (Grifos acrescidos) ... Por sua vez a NESH para à posição 0711 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR TRANSITORIAMENTE A SUA CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. traz as seguintes considerações: Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinamse geralmente a servirem como matérias primas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentamse geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificamse no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). Já para o capítulo 20, a citada NESH traz as seguintes considerações gerais: ... 6)Os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados por processos diferentes dos previstos nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura. ... (Grifos acrescidos) Para a posição 2005 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06. a citada NESH traz as seguintes notas explicativas: O alcance da expressão "produto hortícola" na presente posição está limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos (com exceção dos produtos hortícolas preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético da posição 20.01, dos produtos hortícolas congelados da posição 20.04 e dos produtos hortícolas conservado em açúcar da posição 20.06) classificamse aqui quando tenham sido preparados ou conservados por processos não previstos nos Capítulos 7 ou 11. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 667 7 O modo de acondicionamento não influi na classificação destes produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes hermeticamente fechados. Todos estes produtos, inteiros, em pedaços ou esmagados, podem ser conservados ao natural (em água, por exemplo) ou ainda preparados com molho de tomate ou outros ingredientes, para consumo imediato. Podem também apresentarse homogeneizados ou misturados entre si (macedônias). Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citarse: 1) As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada, classificamse na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). ... 7. Do resumo acima é possível perceber que a discussão aqui travada consiste em saber se a azeitona importada pela recorrente (i) sujeitouse ou não a processos de conservação ou preparação diferentes daqueles indicados nos Capítulo 7, 8 e 11 do Sistema Harmonizado e, anda, (ii) se tais preparações ou conservações foram suficientes para transformar o produto importado em apto para o imediato consumo humano, independentemente, pois, de qualquer outra preparação. 8. Tratase, portanto, de questão de ordem técnica e que, por conseguinte, demanda um tratamento por órgão ou agente especializado para esse fim, motivo pelo qual tornase essencial a realização de elaboração de perícia técnica para providenciar o que segue: (i) identificar quais foram os tipos de processos de conservação e preparação que os produtos importados objeto da presente fiscalização se subordinaram, detalhando, ainda, se tais processos se diferem ou não daqueles indicados nos Capítulos 7, 8 e 11 do Sistema Harmonizado; (ii) responder se após os processos de conservação e preparação os produtos importados estavam ou não aptos ao imediato consumo humano, justificando tal resposta. Em caso negativo, identificar quais são os outros processos realizados para tornar tal produto suficiente para o consumo humano. 9. Caberá à unidade preparadora determinar órgão técnico ou expert devidamente credenciado perante a RFB para a realização da perícia aqui designada. Antes, todavia, da sua realização, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála. 10. Concluída a perícia, bem como apresentada a manifestação da unidade preparadora, o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, manifestarse a respeito da providência tomada em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10166.720002/200845 Resolução nº 3402001.620 S3C4T2 Fl. 668 8 11. Ato contínuo, este processo deverá retornar para este Tribunal e, antes de movimentação para este Relator, deverá ser dada oportunidade para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido. 12. Tomadas todas as providências acima indicadas, o processo deverá ser movimentado para este Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento. 13. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro. Fl. 668DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912359/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.
Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.
OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.
A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo anocalendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.911556/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 23 59 /2 00 9- 61 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10783.912359/200961 Acórdão n.º 1201002.613 S1C2T1 Fl. 3 2 (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão recorrido, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido (código: 6106 SIMPLES). De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Entretanto, o contribuinte argumenta que mencionado PER/DCOMP não proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo regime do Lucro Real, em síntese, considerando: (i) Em janeiro de 2005, o contribuinte formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, inclusive recolhendo o valor devido sobre esse regime simplificado; (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real, possibilitando a transmissão da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); (iv) O pagamento indevido originou dos recolhimentos dos Simples Federal (código: 6106), enquanto não confirmada a opção pela Receita Federal do Brasil, efetivando as respectivas compensações (PER/DCOMPs) com IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com vigência a partir de janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10783.912359/200961 Acórdão n.º 1201002.613 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.608, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.911556/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.608): O acórdão recorrido identificou "que a interessada não manifesta inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à DRJ/RJO1, bem como da consequente anulação do débito constante do respectivo despacho decisório, sendo que, como adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente para apreciação da respectiva demanda." prosseguindo que "tendo em vista suas idas e vindas pelas sistemáticas de apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a legislação a que esta Relatora está submissa e que rege a matéria, adotada a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva) para todo anocalendário, conforme o art. 3º, caput, da Lei nº 9.430, de 1996 ("A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário")." Todavia, a primeira e irretratável opção do contribuinte foi pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10783.912359/200961 Acórdão n.º 1201002.613 S1C2T1 Fl. 5 4 Posteriormente, a Receita Federal do Brasil convalidou a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005. Adicionalmente, o contribuinte ressaltou que não realizou qualquer pagamento no anocalendário de 2005, inerente ao lucro real, nem foi transmitida a Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a modificação do regime simplificado. Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, preceitue que a "declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil o suficiente para exigência do débitos indevidamente compensados", vemos que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, impossibilitando qualquer exigência tributária oriunda da apuração do lucro real. O cancelamento da declaração de compensação, requerida pelo sujeito passivo, limitarseá enquanto não sobrevier a respectiva decisão administrativa, segundo o artigo 82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 900/2008, reiterando a previsão da antecedente Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 600/2005. Entretanto, não haverá impedimento para revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sobretudo, quando evidenciada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real. Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para janeiro de 2005, consoante decisão da própria Receita Federal do Brasil, ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real. Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos (código: 6106 SIMPLES) no correspondente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10783.912359/200961 Acórdão n.º 1201002.613 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720088/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/12/2011
PROCESSO PRINCIPAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA MULTA.
Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, impõe-se o ajuste da multa aplicada
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/12/2011
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2011
INFRAÇÕES. MÁ-FÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE.
Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente.
Numero da decisão: 1302-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e prejudicialidade apontadas e não conhecer da alegação de decadência, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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DCOMP Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/12/2011 PROCESSO PRINCIPAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE AJUSTE DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foi homologada parcialmente a compensação declarada, impõese o ajuste da multa aplicada ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/12/2011 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2011 INFRAÇÕES. MÁFÉ. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 88 /2 01 4- 26 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 344 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e prejudicialidade apontadas e não conhecer da alegação de decadência, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 209 a 234) interposto contra o Acórdão nº 0131.691, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 198 a 204), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As disposições do Código de Processo Civil têm aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal, neste não se impondo quando houver previsões legislativas específicas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 345 3 de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O presente processo cuida de Auto de Infração (fls. 14 a 17), relativo a multa isolada aplicada, com base no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, em decorrência da não homologação da compensação de que trata a Declaração de Compensação (DComp) nº 09543.71901.291211.1.3.022134, com crédito total apurado no valor de R$ 2.903.680,68 O sujeito passivo apresentou, em 20/08/2014, Impugnação ao lançamento, cujas alegações foram sintetizadas pelo Acórdão recorrido, do seguinte modo: "1. Houve a decadência do direito da fazenda pública promover a glosa das despesas ocorridas no anocalendário 2006; 2. Apresentou impugnação contra o lançamento que alterou a base de cálculo da IRPJ (processo nº 15578.720163/201378), bem como manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação (processo nº 15578.720031/201346); 3. Dessa forma, o lançamento é nulo por não haver decisão definitiva acerca dos recursos apresentados nos processos nº 15578.720163/201378 e 15578.720031/201346; 4. Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação e da manifestação de inconformidade em relação a este processo, conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil; 5. Apenas com o trânsito em julgado dos citados processos administrativos que a situação jurídica se constituirá definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN; 6. Devese aguardar o desfecho daqueles processos administrativos, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN; 7. Requer a suspensão do processo e/ou a conversão do julgamento em diligência, até que seja proferida decisão final (com trânsito em julgado) nos autos dos processos n° 15578.720163/201378 e 15578.720031/201346; 8. A multa é inconstitucional por violar o direito de petição, o devido processo legal e os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 346 4 9. A multa é ainda indevida pela ausência de máfé do sujeito passivo na apresentação das compensações não homologadas; 10. A multa aplicada representa um verdadeiro bis in idem, pois nos autos do processo 15578.720163/201378 já foram aplicadas penalidades/multas, objetivando coibir a prática de atos contrários à legislação em vigor." Este processo foi juntado por apensação ao processo administrativo nº 15578.720031/201346, que trata do Recurso Voluntário contra a decisão que não homologou a compensação informada na DComp nº 09543.71901.291211.1.3.022134 (fl. 197). O Acórdão recorrido afastou as preliminares de nulidade do Auto de Infração Despacho Decisório, de conexão e prejudicialidade do processo administrativo n° 15578.720163/201378 em relação aos presentes autos, e os pedidos de suspensão ou conversão do processo em diligência. Refutou, ainda, a apreciação de alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de preceitos normativos. No mérito, rejeitou a alegação de decadência do direito da Fazenda Pública para promover glosas de despesas em relação ao anocalendário de 2006, por ser matéria já apreciada nos autos do processo nº 15578.720031/201346. Por fim, não acatou as teses de que a multa aplicada seria indevida, por não haver sido configurada a máfé do sujeito passivo, e de que a penalidade constituiria bis in idem em relação àquelas aplicadas nos autos do processo administrativo nº15578.720163/2013 78. No Recurso Voluntário apresentado (fls. 209 a 234), a Recorrente: a.1) Suscita, mais uma vez, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, o que violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN, posto que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos. a.2) Sustenta, ainda, que ao contrário do afirmado no Acórdão recorrido, o caso trata sim de lançamento de créditos tributários, posto que em decorrência do não reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento; a.3) Invoca, em favor de sua alegação, o Acórdão nº 10708.306, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem como aponta que decisão proferida pelo julgador de primeira instância, no âmbito do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas no âmbito dos presentes autos; b.1) Igualmente, repete as alegações de nulidade do Parecer e Despacho Decisório que não homologaram a compensação declarada, bem como de prejudicialidade do Recurso Voluntário apresentado no processo administrativo nº 15578.720163/201378, já que, ao seu ver, os fatos produzidos na ação fiscal que resultou naquele processo foram ilegal e indevidamente utilizadas para embasar as glosas realizadas no caso sob análise; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 347 5 b.2) Afirma que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº 15578.720163/201378, houve cerceamento do seu direito de defesa, no sentido de que foi impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e que após o resultado definitivo daquele processo poderá resultar em reflexos na apuração do saldo negativo de que tratam os presentes autos; b.3) Por força da alegada prejudicialidade, defende a suspensão do presente processo, ou conversão em diligência, até que decisão final seja proferida no processo administrativo nº 15578.720163/201378; c.1) No mérito, assevera que todos os valores de tributo referentes ao ano calendário de 2006 devem ser considerados, independentemente da forma e do motivo de sua quitação posterior; c.2) Insurgese, portanto, contra o critério adotado na decisão que não considerou os valores liquidados após o encerramento do exercício, tendo em vista que tal montante não poderia ser utilizado posteriormente; d.1) Alega que a autoridade fiscal não individualizou as DComp que teriam sido homologadas e, desse modo, teriam motivado a glosa da exclusão de receitas procedida pela Recorrente; d.2) A par disso, defende que "o fato de qualquer compensação vir a ser reconhecida posteriormente à composição das exclusões, não haverá de impactar na formação da apuração, que fora calculada anteriormente à sua homologação"; 3) Finaliza, tecendo comentários acerca do acerto do Acórdão guerreado na parte em que reconheceu a insubsistência da glosa referente às despesas com prestação de serviços, ratificando os fatos e fundamentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1 DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 09 de abril de 2015 (fl. 341) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 209 a 234 em 08 de maio de 2015, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradoras, devidamente constituídas às fls. 4.277 a 4.281 do processo apenso nº 15578.720031/201346. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e VI, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 348 6 Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DA REVISÃO DA BASE DE CÁLCULO DO DIREITO CREDITÓRIO A Recorrente invoca a decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2006, uma vez que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos, posto que isso violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN. A análise de tal questão já foi analisada exaustivamente por esta Turma no Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720031/201346, quando se concluiu pela inexistência da referida decadência, posto que, com base no art. 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a Fazenda Pública dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a correção da compensação declarada por meio de Declaração de Compensação, o que inclui, inclusive, a base de cálculo do suposto crédito invocado pelo sujeito passivo, ainda que se refira a fatos ocorridos a mais de 5 (cinco) anos, não para que realize lançamento tributário, mas para embasar a decisão acerca da restituição/compensação. Ademais, como já relatado, os presentes autos dizem respeito apenas à lavratura de auto de infração para constituição de multa isolada, em decorrência de não homologação de compensação declarada em DComp. Assim, a alegação da Recorrente é matéria a ser tratada no âmbito do processo administrativo que analisa a não homologação da DComp (exatamente o de 15578.720031/201346), e não neste, onde devem ser examinada apenas a legalidade do procedimento de constituição da referida penalidade. Isto posto, voto no sentido de não conhecer a alegação de decadência suscitada pela Recorrente. 3. DA INEXISTÊNCIA DE DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720163/201378 No mesmo Acórdão proferido no processo apenso de nº 15578.720031/2013 46, também ficou demonstrada a inexistência de qualquer decorrência entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378. Como esclarecido, este último processo administrativo trata de procedimento fiscal e Autos de Infração relativos aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010. Os presentes autos, por outro lado, como já relatado, dizem respeito a lavratura de auto de infração, em decorrência de não homologação de compensação declarada em DComp apresentada com base em suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado em relação ao anocalendário de 2006, e compensado com débito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do período de apuração de dezembro de 2011 (fls. 4 a 13). Fica patente, portanto, a total dissociação de períodos. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 349 7 O único vínculo existente diz respeito ao aproveitamento, no processo nº 15578.720031/201346, de elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento fiscal que originou o processo administrativo nº 15578.720163/201378, cuja valoração é realizada de modo independente em um e outro processo. Não procede, em absoluto, a argumentação da Recorrente no sentido de que o Despacho de NãoHomologação da compensação informada em DComp e o Auto de Infração de que tratam os presentes autos deveriam aguardar o desfecho final do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já que é cristalino que se trata de matérias totalmente desvinculadas, sendo plenamente possível ao sujeito passivo exercer o seu pleno direito de defesa, como realizou perante as instâncias do contencioso administrativa. Deste modo, inexiste qualquer nulidade na lavratura do Auto de Infração de que tratam os presentes autos, tampouco prejudicialidade deste processo com relação ao de nº 15578.720163/201378, não se aplicando, portanto, o sobrestamento previsto no art. 6º, §5º, do Anexo II do RI/CARF. 4. DA DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720031/201346 No que diz respeito à relação existente entre os presentes autos e o processo administrativo nº 15578.720031/201346, é óbvia a decorrência, sendo importante examinar o procedimento previsto na legislação para tal situação. Vejamos o que dispõe, portanto, o Art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 350 8 preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal." Observase, deste modo, que o procedimento previsto pela legislação, para evitar julgamentos conflitantes, é que os processos tramitem, sempre que possível, vinculados e que o julgamento do processo decorrente aguarde o julgamento de mesma instância do processo principal. Pois bem, no caso sob análise, os processos tramitam apensos, tendo sido distribuídos à mesma relatoria e o julgamento do presente processo pelo CARF somente acontece após este Conselho haver proferido decisão no processo principal. Inclusive, os reflexos da decisão proferida nos autos principais serão observados em tópico específico deste Acórdão. Não há, portanto, qualquer nulidade, nem há previsão na legislação de que se aguarde decisão definitiva no processo principal que analisa a compensação, para a lavratura do auto de infração referente à multa isolada pela nãohomologação, ou mesmo para o julgamento de recurso apresentado no processo decorrente. A invocação que a Recorrente faz à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência de reclamações e recursos (art. 151, inciso III, do CTN) é plenamente aplicável ao caso, no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, enquanto pendente de julgamento os recursos nele interpostos, na forma prescrita pela legislação. Contudo, a referida suspensão (também aplicável ao débito indevidamente compensado por meio de DComp), não obsta a lavratura do auto de infração decorrente da não homologação nem impede o trâmite administrativo do processo que trata desta penalidade. Isto posto, mais uma vez, rejeitase a alegação de nulidade do Auto de Infração de que tratam os presentes autos, bem como de suspensão do presente processo até a decisão final do processo administrativo nº 15578.720031/201346. 5. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL A Recorrente sustenta a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, posto que violaria o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal. Neste ponto, cabe invocar a Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termo do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 351 9 No mesmo sentido o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Não procede a alegação da Recorrente de que a inconstitucionalidade invocada já teria sido reconhecida por Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, o que enquadraria o caso na exceção prevista no §1º, inciso II, alínea b, do citado art. 62 do RI/CARF. Deixo, portanto, de analisar as razões recursais apresentadas pelo sujeito passivo em relação a tal ponto, por força dos citados dispositivos. 6. DA AUSÊNCIA DE MÁFÉ A Recorrente repete a alegação de ausência de máfé quando da apresentação das DComp que ensejaram a lavratura do Auto de Infração de que tratam estes autos. Como bem exposto no Acórdão recorrido, a máfé não é elemento constitutivo da penalidade imposta, que decorre meramente de infração à legislação tributária, independentemente da intenção do agente, conforme preceituado pelo art. 136 do CTN. É necessária disposição expressa de lei, para que o elemento volitivo seja considerado, o que não ocorre no caso do art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996. Nego provimento, portanto, ao Recurso Voluntário em relação a tal fundamento. 7. DA INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM Finaliza a Recorrente sustentando que a multa aplicada nestes autos representaria bis in idem com a penalidade imposta no processo administrativo nº 15578.720163/201378. Ora a total desvinculação entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378 já ficou demonstrada nesta decisão. Assim, as penalidades impostas naqueles autos dizem respeito a fatos ocorridos na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da CSLL nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010. A penalidade de que trata esse processo, repisese, diz respeito à compensação de suposto crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em relação ao ano calendário de 2006. Assim, de plano, fica afastada a existência de qualquer bis in idem entre as referidas penalidades. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 352 10 8. DOS REFLEXOS DA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720031/201346 Por meio do Acórdão proferido nos autos do processo administrativo nº 15578.720031/201346, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente, de modo que a compensação declarada por meio da DComp nº 09543.71901.291211.1.3.022134 foi considerada homologada parcialmente, até o montante original de R$ 2.533.234,26 (dois milhões, quinhentos e trinta e três mil reais, duzentos e trinta e quatro reais e vinte e seis centavos), que, atualizado na forma dos art. nº 39, §4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e nº 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, corresponde, à data da apresentação da DComp, a R$ 3.877.621,68 (R$ 2.533.234,26 x 1,5307). Isto posto, a multa imposta ao sujeito passivo deve ser reduzida para considerar apenas a parcela da compensação que restou nãohomologada, ou seja, R$ 1.929.739,68 (R$ 5.807.361,36 3.877.621,68). Em decorrência do dispositivo legal invocado no lançamento, o montante da multa corresponde a 50% do valor do crédito objeto da DComp não homologado, o que, in casu, significa R$ 964.869,84 (50% de R$ 1.929.739,68). 9. DA ALTERAÇÃO DA BASE NORMATIVA Cabe, por fim, fazer alusão à inovação legislativa que alterou o dispositivo que embasou o lançamento da multa isolada de que trata o presente processo. É que, à data do lançamento, o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, possuía a redação conferida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, nos seguintes termos: "§ 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." (destacouse) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 (posteriormente convertida na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015), porém, conferiu nova redação ao citado dispositivo: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (destacouse) Como se observa, a penalidade pela compensação indevida foi mantida, alterandose apenas a sua base de cálculo, que poderá ser de mesmo montante (no caso da compensação integral do crédito) ou inferior (no caso da compensação parcial do crédito). No caso dos autos, o suposto crédito foi integralmente compensado pela Recorrente, de modo que o valor da multa aplicada de acordo com a nova redação do dispositivo legal em tela corresponde ao valor constante do Auto de Infração, de modo que não há que se falar em retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15578.720088/201426 Acórdão n.º 1302003.310 S1C3T2 Fl. 353 11 Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e prejudicialidade, não conhecer da alegação de decadência, e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa imposta ao valor de R$ 964.869,84 (novecentos e sessenta e quatro mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e quatro centavos). (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910590/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/06/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 90 /2 01 5- 17 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.471. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910590/201517 Acórdão n.º 3301005.273 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.902028/2017-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA.
O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa.
NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. VINCULAÇÃO ÀS DECISÕES DO STF. RATIO DECIDENDI
O RE 601.392-PR, julgado pelo Supremo Tribunal Federal - STF, sob o rito da repercussão geral, denota ser irrelevante a coexistência do exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada para a aplicação da imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da CF/88 à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
O efeito vinculante do precedente importa na aplicação da ratio decidendi deste julgado aos tributos que incidam sobre o patrimônio, renda e serviços da referida empresa.
Numero da decisão: 1302-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA. O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. VINCULAÇÃO ÀS DECISÕES DO STF. RATIO DECIDENDI O RE 601.392-PR, julgado pelo Supremo Tribunal Federal - STF, sob o rito da repercussão geral, denota ser irrelevante a coexistência do exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada para a aplicação da imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da CF/88 à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O efeito vinculante do precedente importa na aplicação da ratio decidendi deste julgado aos tributos que incidam sobre o patrimônio, renda e serviços da referida empresa.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA. O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. VINCULAÇÃO ÀS DECISÕES DO STF. RATIO DECIDENDI O RE 601.392PR, julgado pelo Supremo Tribunal Federal STF, sob o rito da repercussão geral, denota ser irrelevante a coexistência do exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada para a aplicação da imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF/88 à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O efeito vinculante do precedente importa na aplicação da ratio decidendi deste julgado aos tributos que incidam sobre o patrimônio, renda e serviços da referida empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 20 28 /2 01 7- 09 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 102 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as preliminares de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 1157.512 – 4ª Turma da DRJ/REC, complementandoo ao final: “Tratam os autos de análise da Pedido de Restituição (PER) nº 16716.47699.290416.1.2.044289, com cópia às fls. 40 a 42, por intermédio do qual pleiteia a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no montante de R$ 39.406.362,13 na data de transmissão, decorrente de Darf no valor de mesmo valor, referente ao 1º trimestre de 2011, com data de arrecadação em 29/04/2011. 2. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório com nº de rastreamento 122286002, em 02/05/2017, com cópia às fls. 43 a 49, que não reconheceu o direito creditório pretendido e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada. 2.1. Consoante consta da fundamentação e da análise do crédito, todo o valor recolhido via Darf foi alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo saldo a restituir/compensar. 3. Cientificado da decisão por via postal em 19/06/2017, conforme cópia de Aviso de Recebimento (AR) à fl. 39, em 19/07/2017 o contribuinte apresentou Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 103 3 a manifestação de inconformidade às fls. 12 a 25, instruída com os documentos às fls. 26 a 39, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. O crédito tem origem em indevida retenção na fonte do IRPJ sobre pagamentos realizados pelos clientes dos Correios, bem como sobre aplicações financeiras suas. Ao negar o direito à restituição das retenções de IRPJ impostas ao contribuinte, a autoridade fiscal tributou valores não incluídos no campo do fato gerador do tributo; 3.2. A ECT é empresa pública, sem escopo lucrativo, criada pelo DecretoLei nº 509, de 1969, para desempenhar serviços públicos essenciais de competência da União estabelecidos no art. 21, X, da Constituição Federal (CF), na qualidade de sua delegatária, e não de exploradora de atividade econômica ou de concessionária de serviço público. Assim, diferentemente das demais empresas privadas que exploram serviços postais nãoexclusivos, não podem recusar entrega, independente da distância, e não gozam de flexibilidade administrativa, sujeitandose ao regime de licitações, contratações via concurso público, e controle de órgãos competentes (TCU, CGU, entre outros). Além disso, como longa manus da União, não faz jus a suscitar o desequilíbrio econômicofinanceiro na prestação do serviço público, como ocorre para as concessionárias. O Ministério Público Federal (MPF), em parecer Nº 7248/10 – MJG, lavrado no Habeas Corpus 105.542 RGS, impetrado contra julgamento colegiado da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou provimento ao REsp 894.730/RS, consignou que a ECT explora serviço de competência da União, sendo por ela controlada e mantida; que seu capital é controlado integralmente pela União; e que desenvolve atividade sob regime de exclusividade, gozando dos mesmos privilégios concedidos à Fazenda Pública, inclusive em relação à imunidade tributária. Sua natureza equiparase à Fazenda Pública no que concerne ao tratamento tributário, conforme art. 12 do referido DL e diversos precedentes judiciais. Assim, tal como a União, não é contribuinte de IRPJ, pois seu resultado positivo não é renda tributável, mas superávit/excedente orçamentário, além do que não configura sujeito passivo de exação por receber tratamento equiparado à Fazenda Pública; 3.3. Não bastasse isso, o Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos da ACO765/RJ, reconheceu que os Correios configuram um braço do Poder Público, devendo lhe ser estendida a imunidade sobre seu patrimônio, sua renda e seus serviços, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF. Reforçando esse entendimento, no RE 601.392/PR (ISS), submetido ao rito da repercussão geral, o STF reafirmou o direito da ECT à imunidade recíproca, inclusive sobre as atividades econômicas outras que são praticadas para viabilizar a prestação do serviço postal. Tal entendimento foi reiterado pelo STF no RE 627.051 (ICMS) e no RE 773.992 (IPTU); 3.4. O processo administrativo deve observar os precedentes firmados sob o rito de repercussão geral e dos recursos repetitivos. O próprio Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão hierarquicamente superior às Delegacias de Julgamento, em seu art. 62, estabelece o dever de aplicar o decidido sob tais ritos. O precedente a ser seguindo não se limita à conclusão explícita extraída do julgado, mas também abrange o raciocínio aplicado pelo julgador para alcançar o resultado. Assim, é um contrassenso afirmar que a imunidade recíproca reconhecida pelo STF nos julgados antes referidos se restringe ao ISS, IPTU e ICMS. A controvérsia aqui é a mesma desses julgados, qual seja, o Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 104 4 direito da ECT à imunidade recíproca, a qual engloba todos os impostos incidentes sobre a renda, o patrimônio e os serviços desta, e, segundo o raciocínio do RE 601.392, aplicase à totalidade de seus serviços, postais ou não. Então sob a ótica de os processos administrativos serem apreciados em consonância com os precedentes judiciais de reprodução obrigatória, também é devida a restituição do IRPJ retido na fonte sobre os pagamentos de clientes e aplicações financeiras. 4. Em 24/08/2017, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 453, de2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 2.231, de 2017, os autos foram remetidos a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife PE para proceder ao julgamento da lide (fl. 63). 5. É o relatório”. Quando do julgamento do caso em deslinde, a DRJ proferiu decisão nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA FEDERAL PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXTENSÃO. A imunidade recíproca a impostos de que trata o art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal aplicase ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às atividades essenciais da empresa pública prestadora de serviço público. As demais atividades desenvolvidas não são consideradas finalísticas da empresa pública federal e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade recíproca. STF. IMUNIDADE RECÍPROCA. ALCANCE. TODAS AS ATIVIDADES. EFEITO DE DECISÃO EM RE COM REPERCUSSÃO GERAL. IMPOSTO MUNICIPAL/ESTADUAL/DISTRITAL. EXTENSÃO AO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. Decisão do STF em recurso extraordinário, em rito de repercussão geral, conclusiva pela aplicação da imunidade recíproca sobre todas as atividades do contribuinte, especificamente em relação a imposto municipal/estadual/distrital objeto do processo judicial, não vincula a administração pública relativamente ao IRPJ. PER. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONDIÇÃO. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 105 5 É condição para o deferimento do pedido de restituição que o crédito pretendido seja líquido e certo. Na espécie, o crédito apontado não atende tal requisito, razão pela qual não pode ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ora analisado, no qual foi alegado, em síntese: a) Nulidade do acórdão recorrido; por ter restado silente em relação à não qualificação da ECT como contribuinte do imposto de renda por força do artigo 12 do DecretoLei nº 509/1969, com o subsequente retorno dos autos à Delegacia para renovação do julgamento; b) Impossibilidade de qualificação da ECT como contribuinte do imposto por força do art. 12 do DecretoLei nº 509/1969; c) Extensão da imunidade recíproca para as atividades econômicas da contribuinte; d) Aplicação dos precedentes do STF, em razão da força vinculante destes. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso é tempestivo, posto que a ciência do contribuinte ter ocorrido em 13/09/2018, e o recurso interposto em 11/10/2018. Portanto, dele conheço. Das Preliminares Aduz a recorrente a nulidade do acórdão recorrido; por ter restado silente em relação à não qualificação da ECT como contribuinte do imposto de renda por força do artigo 12 do DecretoLei nº 509/1969, devendo ser anulada decisão DRJ afim de que seja proferida uma nova decisão afim de ser enfretado o argumento de defesa. Pois bem. Tal questão foi muito bem enfrentada quando do julgamento do processo n. 10166.902030/201770, de relatoria da conselheira Lívia De Carli Germano, litteris: A ECT é uma empresa pública federal, integrante da Administração Indireta da União, criada pelo Decreto Lei 509/1969, à qual incumbe executar e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 106 6 controlar a prestação de serviços postais no território nacional, em regime de privilégio. Nesse ponto, vale observar que, embora o Decreto Lei 509/1969 mencione o regime de monopólio, Eros Roberto Grau pontua a distinção entre monopólio e privilégio, explicando que o monopólio se refere à exploração de atividades econômicas em sentido estrito, enquanto o privilégio se relaciona à prestação de serviços públicos, tais como os serviços postais: ["0 serviço postal — conjunto de atividades que torna possível o envio de correspondência, ou objeto postal, de um remetente para endereço final e determinado — não consubstancia atividade econômica em sentido estrito. Serviço postal é serviço público. A atividade econômica em sentido amplo é gênero que compreende duas espécies, o serviço público e a atividade e conômica em sentido estrito. Monopólio é de atividade econômica em sentido estrito, empreendida por agentes econômicos privados. A exclusividade da prestação dos serviços públicos é expressão de uma situação de privilégio. Monopólio e privilégio são distintos entre si; não se os deve confundir no âmbito da linguagem jurídica, qual ocorre no vocabulário vulgar." A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a exploração do serviço postal e o correio aéreo nacional (art. 21, X). O serviço postal é prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública, entidade da administração indireta da União, criada pelo DL 509, de 10 de março de 1969. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. A ECT deve atuar em regime de exclusividade na prestação dos serviços que lhe incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. Os regimes jurídicos sob os qu ais em regra são prestados os serviços públicos importam em que essa atividade seja desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade. Arguição de descurnprimento de preceito fundamental julgada improcedente por maioria. O Tribunal deu interpretação conforme à Constituição ao art. 42 da Lei 6.538 para restringir a sua aplicação às atividades postais descritas no art. 90 desse ato normativo."(ADPF 46, rel. pio ac. min. Eros Grau, j. 582009, P, DJE de 2622010)]. Considerando essas características, o acórdão recorrido, interpretando as decisões do Supremo Tribunal Federal STF proferidas em sede de repercussão geral, reconheceu a imunidade quanto ao IRPJ calculado sobre a renda auferida pela ECT. Não obstante, a DRJ deu interpretação restritiva a referida imunidade, entendendo que, por aplicação do par. 2o do art. 150, VI, "a" da CF, ela não se aplicaria aos resultados de atividades outras que não as finalísticas na esteira da Solução de Consulta COSIT 117/2014, cuja ementa foi a seguinte: IMUNIDADE RECIPROCA. EMPRESA PÚBLICA FEDERAL PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXTENSÃO. A imunidade recíproca a impostos de que trata o art. 150, VI, "a", da Constituição Federal aplica se ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às atividades essenciais da empresa pública prestadora de serviço público. As demais Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 107 7 atividades desenvolvidas não são consideradas finalísticas da empresa pública federal e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade recíproca. Uma primeira observação, pontuada pela ECT em sua peça recursal, foi a deque o acórdão recorrido passou ao largo da discussão acerca do principal argumento constante da manifestação de inconformidade, relativo à aplicação do artigo 12 do Decreto Lei 509/19 69, o qual equipara a ECT à Fazenda Pública para fins de aplicação de privilégios, o que teria o condão de excluíla do polo passivo da relação jurídico tributária. De fato, assim sustentou a Recorrente em sua manifestação de inconformidade: (...). Neste sendeiro, o Decreto Lei n° 509/1969, recepcionado pela Constituição de 1988 (RE 220.906/DF, e.g.) 1, por meio do qual se criou a ECT, estabelece de modo irretorquível a equiparação da Consulente à Fazenda Pública, reforçando incisivamente que integra a Fazenda Pública Federal em seu art. 12, assim redigido: "Art. 12. A ECT gozará de isenção de direitos de importação de materiais e equipamentos destinados aos seus serviços, dos privilégios concedidos à Fazenda Pública, quer em relação a imunidade tributária, direta ou indireta, impenhorabilidade de seus bens, rendas e serviços, quer no concernente a foro, prazos e custas processuais." Assim se manifestou o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do Subprocurador Geral Mario José Gisi, (N° 7248/10 — MJG) no habeas corpus 105.542 RGS, impetrado contra julgamento colegiado da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, que negou provimento ao REsp 894.730/RS2. De acordo com o parquet a ECT "explora serviço de competência da União, sendo por ela controlada e mantida", de sorte que seus bens, em verdade, pertencem ao Ente que a mantém, "constituem propriedade pública, integrados à prestação de serviço público federal", bem como o "seu capital é controlado integralmente pela União e essa empresa, que desenvolve atividade sob o regime da exclusividade, goza dos mesmos privilégios concedidos à Fazenda Pública, inclusive em relação à imunidade tributária". Reafirmando "a premissa de que os bens da Empresa de Correios e Telégrafos recebem o mesmo tratamento atribuído aos bens da Fazenda Pública", há ainda os seguintes precedentes: RE 229.444/CE, Rel. Min. Carlos Velloso, 2' Turma, DJ 31.8.200; RE 393.032AgR/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, P Turma, DJe 17.12.2009; AI 718.646AgR/SP, Rel. Min. Eros Grau, r Turma, DJe 23.10.2008; ACO 765Q0/RJ, Rel. p/ acórdão MM. Eros Grau, Plenário, DJe 06.11.2008. Portanto, a ECT, tal como a União, não configura contribuinte do Imposto de Renda, pois: (i) não aufere renda tributável, nos termos do art. 153, IV, da Constituição; e, ainda, (ii) não configura sujeito passivo da exação por força do art. 146 do Decreto n° 3.000/1999. Até mesmo uma breve análise da manifestação de inconformidade revela que a questão da imunidade tributária recíproca foi mencionada expressamente como argumento subsidiário, após a consideração de que a ECT deveria, na verdade, ser equiparada à Fazenda Pública, por força do artigo 12 do Decreto Lei n° 509/1969, nos termos acima transcritos. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 108 8 Não obstante, o voto condutor do acórdão recorrido não faz sequer menção ao artigo 12 do Decreto Lei n" 509/1969, não tecendo qualquer argumentação acerca das razões pelas quais a ECT deveria ser considerada contribuinte do IRPJ. É verdade que o julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela parte. O artigo 31 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a decisão deve conter "relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão ordem de intimação, devendo referir se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências." Disso se depreende que o relatório não pode ignorar os argumentos trazidos pela parte, mas tal dispositivo não tem o condão de obrigar o julgador a, necessariamente, rebater cada uma das teses de defesa. É que há casos em que a omissão do julgador sobre fundamento trazido pela parte não resulta em afronta ao contraditório. É o caso, por exemplo, de acolhimento de tese que, lógica ou juridicamente, prejudica a análise das demais. Daí porque o artigo 31 acima transcrito deve ser analisado em conjunto com o artigo 59, II, do mesmo Decreto 70.235/72, o qual estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa. Há, basicamente, quatro situações em que se pode dizer que a omissão resulta em afronta ao contraditório: 1 quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre um dos pedidos. 2 quando, acolhendo um pedido, o julgador não se manifesta sobre argumento trazido pela parte contrária que, levado em conta individualmente, seja, em tese, bastante para justificar a rejeição. 3 quando, de outro lado, rejeitando um pedido, o julgador não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seja, em tese, suficiente para justificar o acolhimento. É o que se dá num caso em que o contribuinte aponta diversos motivos independentes para que um auto de infração seja cancelado o julgador rejeita apenas um deles, sem, porém, examinar todos os motivos apresentados. 4 quando o órgão julgador deixa de se manifestar sobre situação da qual pode — e, portanto, deve — tomar conhecimento de ofício. No caso, entendo que estamos diante da situação enunciada no item 3 acima. Isso porque argumento ignorado pela DRJ (de equiparação da ECT à Fazenda Pública por força do art. 12 do decreto Lei 509/1969) é independente do trazido em seguida (relativo à imunidade recíproca aplicável às empresas públicas prestadoras de serviço público). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 109 9 Isso porque, uma coisa é ser equiparada à Fazenda Pública em virtude de disposição legal que assim o determine, outra é pleitear a aplicação da imunidade recíproca relativa às autarquias e fundações públicas prevista no par. 2º do artigo 150, VI, "a", da CF. A diferença fica clara quando se percebe que, em se decidindo pela equiparação da ECT à Fazenda Pública, perderia força a discussão sobre a incidência de tributos sobre atividades não essenciais/finalísticas, eis que não seria o caso de se aplicar o parágrafo 2o do artigo 150 da Constituição. A questão residiria, apenas, na interpretação do parágrafo 3º do artigo 150 da CF88. Veja se o teor de tais dispositivos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2° A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3° As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Não obstante, a decisão da DRJ está integralmente baseada na premissa de que, por força da Solução de Consulta COSIT 117/2014, que tem efeito vinculante, os órgãos da Receita Federal devem aplicar a imunidade recíproca de que trata o art. 150, VI, "a", da CF não apenas a autarquias e fundações (conforme expressa previsão do par. 2o do artigo 150 d a CF) mas também às empresas públicas. Foi por isso que, ainda seguindo o disposto na SC COSIT 117/2014, a decisão recorrida entendeu que a imunidade recíproca não se aplica às atividades desenvolvidas pela empresa pública federal não consideradas finalísticas. Ocorre que, ao rebater apenas o argumento relativo à imunidade recíproca, a DRJ operou em cerceamento do direito de defesa da ECT, que viu ignorados argumentos independentes do que embasou a manutenção do despacho decisório que rejeitou seu pedido de restituição (qual seja, repita se, o fato de que o Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 110 10 art. 12 do Decreto Lei 509/1969 teria determinado a equiparação da ECT à Fazenda Pública, excluindo a do polo passivo da relação jurídico tributária do IRPJ). Assim, com fundamento no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972, seria o caso de anular o acórdão da DRJ/REC, para que este colegiado profira nova decisão que se pronuncie também sobre os argumentos trazidos no item 3.1 da manifestação de inconformidade. Sem embargo, o Decreto 70.235/1979 também dispõe, no § 3° do artigo 59, que quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Entendo que é o caso, já que o mérito pode ser decidido em favor da Recorrente. Superada as alegações de nulidade, passo a análise do mérito. Do mérito Passando a análise do mérito, podese afirmar que toda a controvérsia da questão em comento gira em torno da abrangência da ratio decidendi, para fins de vinculação do CARF frente aos julgados do Supremo Tribunal Federal, nas linhas do exposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Isto porque o recorrente entende ter direito à imunidade recíproca, em razão da natureza especial do serviço prestado por ela – serviço público em regime de monopólio – bem como pela sua natureza jurídica de empresa pública. Argumenta que o CARF deve seguir esse entendimento, uma vez que o Supremo Tribunal Federal firmou tal entendimento em relação a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Elenca alguns julgados do STF, dentre eles, o RE 601.392/PR, RE 627.051/PE, e o RE 773.992/BA. Cita ainda a ACO 879/PR. A DRJ, por sua vez, entende o decidido nos julgados em referência não se aplicam ao caso em comento, uma vez que nenhum destes analisou especificamente o caso do IRPJ. Para fins de ilustração, observese trecho da decisão do acórdão recorrido, que demonstra claramente tal visão: A CF, em seu art. 150, VI, "a", estabelece vedação à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, estendendo tal vedação às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes, excepcionados aqueles relacionados com a exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 111 11 contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. (...) Assim, ante o exposto, há que se considerar que o contribuinte faz jus a imunidade recíproca "parcial" do IRPJ, ou seja, relativamente às suas atividades finalísticas (serviços postais definidos em lei), não se estendendo às não finalísticas. A partir desse entendimento, para concluir pela procedência ou não do direito creditório representado pelo Darf vinculado em DCTF ao saldo de IRPJ a pagar apurado na DIPJ, seria necessário que o contribuinte tivesse comprovado a composição de suas receitas, indicando as operações que lhe deram causa, a fim de permitir a sua classificação em finalísticas e não finalísticas, e, por conseguinte, viabilizar a apuração por este julgador do montante devido de IRPJ para o período de apuração. Contudo, tal providência não foi adotada, pois o contribuinte se limitou a defender que todas as receitas seriam imunes com base nas decisões proferidas pelo STF relativamente ao ISS, ICMS e IPTU. (Grifei) Nessa seara, é importante definir o que efetivamente possui força vinculante, dentro de uma decisão judicial. Para tanto, devese buscar a compreensão do que é a ratio decidendi. Nas lições de José Renato Camilotti: Queremos dizer que a ratio é eminentemente texto. São os argumentos, narrativas e fundamentos da decisão que permitirão a identificação de seu núcleo fundamental determinante e, a partir dessa composição, é possível estabelecer a construção de norma no sentido lógico estrutural já consagrado, em antecedente e consequente, cujo elo seja o elemento deôntico neutralizado (deverser). A norma da ratio, aqui, é tomada como um redutor de complexidades. (Precedentes Judiciais em Matéria Tributária no STF, editora NOESES, 2018, pg. 103) Segue na mesma linha Freddie Didier Jr: Assim, embora comumente se faça referência à eficácia obrigatória ou persuasiva do precedente, devese entender que o que tem caráter obrigatório ou persuasivo é a sua ratio decidendi, que é apenas um dos elementos que compõem o precedente. A ratio decidendi – ou para os norteamericanos, a holding – são os fundamentos que sustentam a decisão; a opção hermenêutica adotada na sentença, sem a qual a decisão não teria sido proferida Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 112 12 como foi” (DIDIER, Fredie Jr. Curso de Direito Processual Civil. Volume 2. 7ª Edição. Salvador: 2012. p 385) Luiz Guilherme Marinoni corrobora o entendimento, em artigo denominado Uma Nova Realidade diante do projeto de CPC – a ratio decidendi ou fundamentos determinantes da decisão: Já foi demonstrado que a ratio decidendi, no âmbito do common law, é vista como passo necessário à específica solução dada ao caso. No direito brasileiro, contudo, a conformação da ratio decidendi não necessita e não deve sofrer igual restrição. O que se espera de um precedente, ou seja, a sua capacidade de assegurar coerência ao direito, segurança jurídica e igualdade não pode constituir privilégio das soluções definitivas dadas a cada um dos casos. Em princípio, todas as questões, envolvidas e presentes de uma ou outra maneira nos vários processos jurisdicionais, devem contar com os benefícios da teoria dos precedentes. Partindo dessa premissa, ao analisarmos os julgados do STF, resta claro que a ratio decidendi dos acórdãos citados, ou seja, a parte vinculante destes se refere a aplicação da imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Logo, concluise pela aplicação da alínea em sua integralidade, ou seja, no que toca ao patrimônio, renda e serviços da referida empresa. Ademais, com a máxima vênia, o argumento de que a imunidade recíproca só incidiria sobre atividades não abarcadas pelo monopólio não merece prosperar. As decisões acostadas demonstram claramente que o STF considerou irrelevante o fato de o serviço público em regime de exclusividade coexistir com serviço em concorrência com a iniciativa privada. Vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.392 PARANÁ RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) :ECT EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS RECDO.(A/S): MUNICÍPIO DE CURITIBA INTDO.(A/S): ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS SECRETARIAS DE FIANÇAS DAS CAPITAIS BRASILEIRAS ABRASF Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 113 13 público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido O argumento de que o IRPJ não foi especificamente tratado pelos julgados vinculantes não é suficiente para legitimar a cobrança deste por parte da União. Conforme demonstrado, nos casos elencados pelo contribuinte, a razão de decidir consiste na aplicação da imunidade recíproca à referida empresa, tanto pela sua natureza, quanto pela do serviço prestado. Existem, inclusive, julgados da CSRF corroborando tal aplicação: Acórdão nº 1401002.302 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008 IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA. A imunidade recíproca prevista no art. 150, IV, "a", da Constituição Federal, é aplicável à Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que presta serviço público por delegação da União ao Estado do Paraná. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO SEM PROCEDIMENTO ADEQUADO. NULIDADE. O não cumprimento do procedimento administrativo previsto para a descaracterização da imunidade e consequente autuação, implica em sua nulidade. ARBITRAMENTO. AUTARQUIAS PÚBLICAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DISPENSA. A obrigatoriedade de apresentação da Escrituração Contábil Fiscal não se aplica às autarquias, pois não se submetem ao regime jurídico aplicável às empresas privadas no que diz respeito às obrigações tributárias, e, consequentemente, não está obrigada a apresentar os livros exigidos pela legislação comercial e fiscal, tendo em vista ser regida pelas regras de contabilidade pública. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 114 14 Acórdão nº 9101001.883– 1ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência). Ou seja, o que vincula no precedente dotado de efeitos expansivos são as razões que fundamentam a decisão do caso, e não a conclusão casuística dos autos, sob pena inclusive de o precedente jamais poder ser aplicado, uma vez que situações exatamente idênticas dificilmente ocorrem na realidade fenomênica. Importante ainda destacar julgado do CARF que não deixa dúvidas de que este órgão deve respeito ás decisões do STF e do STJ, conforme exposto: Acórdão nº 9303007.290 – 3ª Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. PRAZO.CONTAGEM. DIES A QUO. ART. 150 DO CTN. PAGAMENTO. COGNIÇÃO RESTRITA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ. RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos devem ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apenas o pagamento, strito sensu, do tributo/contribuição devido atrai a aplicação do art. 150 do Código Tributário Nacional para efeito de contagem do prazo decadencial de que dispõe a Fazenda Pública para exigência do crédito Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.902028/201709 Acórdão n.º 1302003.203 S1C3T2 Fl. 115 15 tributário. Nos casos de extinção do crédito por compensação ou dedução na escrita fiscal, ressalvada a exceção prevista em lei para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contase o prazo segundo critério definido no art. 173 do CTN Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de superar as preliminares de nulidade suscitadas, para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001048/2006-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a despesa médica no valor de R$350,00, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento em maior extensão, cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a despesa médica no valor de R$350,00, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento em maior extensão, cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente NILZA CASTURINA PASETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida no recurso e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a despesa médica no valor de R$350,00, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que deu provimento em maior extensão, cancelando também a glosa da profissional Andreia Schimidt no Valor de R$10.580,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 10 48 /2 00 6- 72 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 94 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 3/7), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na redução do imposto a restituir de R$5.949,60 para R$55,97. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$21.431,38, por falta de atendimento ao pedido de esclarecimento. Impugnação Cientificado à contribuinte em 26/6/2006, o AI foi objeto de impugnação, em 19/7/2006, à fl. 2/29 dos autos, na qual a contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória das despesas declaradas. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 43/50): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. O colegiado de primeira instância restabeleceu despesas médicas no montante de R$5.043,71. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 2/6/2009 (fl. 52), a contribuinte, em 2/7/2009 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/82, no qual alega, em apertado resumo, que caberia a revisão da decisão recorrida em respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, indicando a juntada ao seu recurso declarações de ratificação dos recibos apresentados junto a sua impugnação. Requer a produção de prova oral, mediante depoimentos dos emitentes dos recibos e acrescenta que a decisão recorrida não aponta qualquer desconformidade dos documentos comprobatórios com os princípios da honestidade e da boafé. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 95 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Pedido de sustentação oral Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Acrescentese que não existe previsão legal no Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, para realização de sustentação oral por ocasião do julgamento na primeira instância administrativa. Decisão de primeira instância Preliminar de nulidade Depreendese que a recorrente suscita a nulidade da decisão de primeira instância, alegando cerceamento de defesa e inobservância do devido processo legal. Não merece acolhida sua alegação. Vejase que, na impugnação apresentada (fl.2), a contribuinte limitouse a apontar a juntada de documentação comprobatória das despesas médicas glosadas. A decisão recorrida analisou todos os documentos juntados e consignou de forma pormenorizada e fundamentada os motivos que levaram o colegiado a acatar ou não a despesa correspondente. Logo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou ilegalidade dessa decisão. No tocante ao retorno dos autos para produção de prova oral, repisese que inexiste previsão de realização de sustentação oral por ocasião do julgamento na primeira instância administrativa. Acrescentese ainda que o contribuinte deve apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à comprovação de suas alegações, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, admitidas exceções somente nos casos Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 96 4 expressamente previstos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação acrescida pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997. Portanto, a preliminar suscitada não merece acolhida. Mérito O litígio recai sobre as despesas médicas informadas pela recorrente em sua Declaração de Ajuste. Nesse tocante, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). A recorrente informou como dependentes Gentil e Claudina Gomes Cruz (fl.35). Assim, faz jus a deduzir às despesas médicas próprias e a desses dependentes, desde que devidamente comprovadas. De início, cabe observar que a glosa decorreu do não atendimento ao pedido de esclarecimento encaminhado à contribuinte no curso da ação fiscal. Como já registrado neste voto, o colegiado de primeira instância consignou de forma detalhada os motivos que levaram a não aceitação de parte dos documentos juntados. Em seu recurso, a recorrente não aponta os pontos de discordância com a decisão exarada, limitandose a questionar a legalidade da decisão exarada e requerendo a aceitação da documentação juntada a seu recurso. Transcrevo o já citado artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I. a autoridade julgadora a quem é dirigida; II. a qualificação do impugnante; III. os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV. as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V. se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 97 5 Embora faça referência à impugnação, essas disposições se aplicam também ao recurso voluntário. Da leitura do dispositivo, extraise que cabe ao sujeito passivo apontar de forma clara os seus pontos de inconformismo com a decisão recorrida, não podendo o julgador substituir o sujeito passivo nesse tocante. No caso, não tendo a recorrente apontado os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o seu recurso, os pontos de discordância com a decisão de primeira instância bem como suas razões, entendo que devem ser mantidas as glosas das despesas médicas para as quais a recorrente limitase a reapresentar os recibos já analisados na decisão de piso. Nessa situação, temos os gastos informados com DM Corpo e Arte Medicina e Estética Ltda e Domingos Camporez. Passo a análise das demais despesas médicas, reproduzindo a decisão de piso e analisando a prova apresentada por ocasião do recurso. Maria Valdíria Cardoso Valor declarado R$1.700,00 a) recibos juntados a fls. 09: um recibo foi firmado por Maria Valdiria P.Cardoso e outro emitido em seu nome mas assinado por pessoa não identificada que se intitula “secretária”, somando ambos o montante de R$ 1.680,00. Verificase, primeiro, que esses recibos não contêm endereço do seu emitente, contrariando disposição legal acima transcrita. Depois, constatase que esses documentos descrevem pagamento por tratamento psicoterapêutico realizado no ano de 1999. Não se afasta a hipótese de que um tratamento realizado três anos antes possa ter sido quitado somente no ano de 2002. Mas conforme prevê o Decreto 3000, que regulamenta o imposto de renda, as deduções estão sujeitas à comprovação, ainda mais quando se reportam a procedimentos terapêuticos realizados em anos diversos daquele a que se referir a declaração de ajuste anual. Há, portanto, que se comprovar que o efetivo desembolso se deu no ano calendário de 2002 e não em 1999. Inexistindo tal prova nos autos, não se pode acatar tais recibos. Os recibos juntados na impugnação encontramse à fl.11. Em seu recurso, a recorrente junta recibo de fls. 64, ratificado pela profissional, e 65, já juntado anteriormente. Do exame desse documento, verificase que a recorrente buscou sanar a questão da assinatura do recibo pela secretária. Entretanto, as demais razões apontadas na decisão de piso não foram sanadas, justificadas ou rebatidas pela recorrente. Dessa feita, a glosa deve ser mantida. Sidnei Stancechen Valor declarado R$40,00 b) a fls. 10 encontrase o recibo no valor de R$ 40,00 em nome de Claudina Gomes da Cruz, que seria dependente da impugnante. Ocorre que aquele documento não contém nem Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 98 6 endereço nem CPF do emitente. Tal recibo, portanto, não atende ao disposto no inciso III do parágrafo 2° do art. 8° da Lei 9.250 e por isto não pode ser aceito para fins de abatimento. Na impugnação, foi juntado o recibo de fl.12, novamente juntado no recurso acompanhado de documento intitulado de controle interno de honorários médicos (fl.82). O documento não consigna o CPF do profissional, como apontado na decisão de piso. Dessa feita, sua glosa deve ser mantida. Laboratório de Prótese Odontológica Romanini Ltda Valor declarado R$700,00 d) a fls. 13 foi juntada nota fiscal referente a serviços de prótese odontológica emitida pelo Laboratório de prótese Odontológica Romanini Ltda. Observese que esse laboratório está localizado na cidade de LondrinaPR, ou seja, distante aproximadamente 300 quilômetros do domicílio fiscal da impugnante. Isto posto, há que se justificar e comprovar a realização dessa despesa em local tão distante de seu domicílio, quando se sabe que em sua cidade ou na própria Capital do Estado, muito mais perto, haveria clínicas que poderiam prestar o mesmo atendimento. Por não restar justificado e comprovado o efetivo desembolso dessa despesa, não se pode acatar tal documento. Acerca dessa despesa, a recorrente junta declaração emitida pelo dentista Marcio Fernandes, atestando a prestação de serviço de prótese odontológica (fls.70/71). Ora, a nota fiscal foi emitida por uma empresa e, de forma genérica, o senhor Marcio atesta a prestação de serviço de prótese por ele, fazendo referência à nota fiscal. Como apontado na decisão de piso, as despesas com próteses devem ser comprovadas mediante apresentação de nota fiscal e receituário médico. Entendo que a declaração genérica apresentada não se presta a fazer a prova exigida, uma vez que não se configura no receituário a que faz alusão a legislação de regência. Marcio Fernandes Valor declarado R$350,00 e) a fls. 14, encontrase juntado recibo no valor de R$ 350,00, emitido por Marcio do Rocio Fernandes. Esse documento não fornece o nome de quem pagou a despesa nem ao menos indica quem foi beneficiado com suposto tratamento dentário. Não serve para comprovar nada em favor da impugnante haja vista que não há nenhum indicativo de que o recibo tenha sido emitido em seu nome. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 99 7 Em seu recurso, a recorrente junta o recibo de fl.66, o qual confirma a despesa de R$350,00 com o profissional. Assim, a despesa, no valor de R$350,00, deve ser restabelecida. Andréia Schmidt valor declarado R$10.580,00 g) a fls. 21 a 25 encontramse juntados recibos emitidos por Andréia Schimidt Leite referentes a atendimento psicológico, num montante de R$ 10.700,00, embora a impugnante tenha declarado pagamento de R$10.580,00 em favor dessa profissional. Não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou demonstração da efetiva prestação do serviço, sobretudo quando restar dúvidas quanto à idoneidade do documento, uma vez que se tratam de valores expressivos. Desta forma, os recibos apenas presumem o pagamento. Não indicam a sua efetividade. Não fosse apenas pelo expressivo valor da conta que corresponde a quase 20% do rendimento tributável da impugnante, aquele documento descreve atendimentos, por exemplo, no dia 11 de fevereiro, uma segundafeira de carnaval, dia este em que tradicionalmente a maioria dos brasileiros comemora o feriado prolongado de carnaval, ainda mais na condição de profissional liberal, que não se submete a ordens, horários, imposições de nenhum empregador. Descreve atendimento no dia 30 de março, em pleno sábado do feriado prolongado da páscoa, ou sábado de aleluia, como se diz na tradição religiosa. Não se deve afastar a hipótese desses atendimentos terem acontecido nesses dias. Mas, dada a peculiaridade das datas, há que ser comprovado o efetivo atendimento e o desembolso da despesa. Ademais disto, o recibo da parte superior de fls. 21 descreve atendimento psicológico referente aos meses novembro e dezembro/2001, ano calendário anterior. Como já dito em letra “a”, acima, não se afasta a hipótese de que um tratamento realizado no ano anterior tenha sido pago somente no ano de 2002. Mas conforme prevê o Decreto 3000, as deduções estão sujeitas à comprovação, ainda mais quando se reportam a procedimentos terapêuticos realizados em anos diversos daquele a que se referir a declaração de ajuste anual. Há, portanto, que se comprovar que o efetivo desembolso se deu no ano calendário de 2002 e não em 2001. Por tais razões, esses documentos não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas. Em seu recurso, a recorrente junta declaração de fl.58 e recibos de fls.59/63, já juntados às fls. 23/27. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10940.001048/200672 Acórdão n.º 2002000.473 S2C0T2 Fl. 100 8 A recorrente não esclarece as dúvidas suscitadas pelo colegiado de primeira instância quanto às datas de atendimento e aos atendimentos relativos ao anocalendário anterior. Poderia ter solicitado à profissional que justificasse essas situações na declaração anexada. No entanto, não o fez e também não abordou a questão em seu recurso. Isto posto, entendo que a glosa deve ser mantida, visto que os recibos juntados deixam dúvida quanto aos fatos nele consignados e a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que é seu. Sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Manoel Nunes valor declarado R$960,00 h) a fls. 26 encontramse recibos emitidos por Manoel Pedro S Nunes relativos a pagamento a título de “prótese dentária”. ... Conforme se vê, para comprovação das despesas com prótese dentária há que se apresentar receituário médico que indique a necessidade da prótese e apresentação da nota fiscal de aquisição da mesma em nome do beneficiário. Portanto, não bastam simples recibos. Por tais razões, esses documentos não comprovam a realização das despesas. Em seu recurso, a recorrente junta declaração do dentista Marcio Fernandes, declarando a prestação do serviço (fl.69). Os recibos encontramse à fl.68. Como já apontado neste voto e na decisão recorrida, a despesa com prótese requer a apresentação de receituário médico, exigência não suprida pela recorrente. Logo, nesse tocante, nenhum reparo a se fazer na decisão do colegiado de primeira instância. Por fim, cabe esclarecer que no presente lançamento a interessada não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer despesa médica no valor de R$350,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 100DF CARF MF
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