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Numero do processo: 10880.971447/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 47 /2 01 6- 26 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971447/201626 Acórdão n.º 3401006.499 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000575/2007-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004,2005
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, nos prazos legais, sujeitará a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$100,00 (cem reais), insusceptível de redução.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenha relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação tributária. A responsabilidade solidária tributária alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, bem como aquelas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
Numero da decisão: 1003-000.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça que deram provimento parcial para afastar a solidariedade em relação a Sávio Ruiz de Lima Verde.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, nos prazos legais, sujeitará a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$100,00 (cem reais), insusceptível de redução. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenha relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação tributária. A responsabilidade solidária tributária alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, bem como aquelas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, nos prazos legais, sujeitará a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$100,00 (cem reais), insusceptível de redução. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenha relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação tributária. A responsabilidade solidária tributária alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, bem como aquelas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça que deram provimento parcial para afastar a solidariedade em relação a Sávio Ruiz de Lima Verde. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 75 /2 00 7- 38 Fl. 2581DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 Relatório Exclusão do Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Porto Velho/Rondônia n° 12, de 21.05.2007 fl. 39, com efeitos a partir de 05.04.2004: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM PORTO VELHO - RO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 238, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 02 de maio de 2007, e tendo em vista o disposto no inciso I, do artigo 195 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, e o que consta do processo administrativo n° 10240. 000575/2007-38, declara: Art. 1° Excluída do Simples a empresa QUALIMAX INDÚSTRIA COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE RAÇÃO LTDA., CNPJ n° 06.185.537/0001-50. Art. 2° A exclusão surtirá efeito a partir de 5 de abril de 2004, obedecendo ao disposto no inciso III do art. 196, do mesmo instrumento legal. Art. 3° Poderá o contribuinte, dentro do prazo de 30 (trinta dias) dias da ciência deste, apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém-PA, por meio desta unidade, assegurados, portanto, o contraditório e a ampla defesa. . Art. 4° Não havendo manifestação no praz estipulado, a exclusão tomar-se-á definitiva. Autos de Infração Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 128- 132, com a exigência do crédito tributário no valor de R$100,00, a título de Multa de Ofício Isolada referente a 24.09.2009. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SISTEMA SIMPLES Inobservância da comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES . " O contribuinte ultrapassou, no ano-calendário de início de suas atividades, o limite de receita bruta previsto na legislação, conforme verificado em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, e nas Guias de Informação e Apuração do ICMS mensal, declaradas pelo contribuinte ao fisco estadual de Rondônia. A empresa foi excluída do SIMPLES a partir de 05/04/2004, conforme Ato Declaratório Executivo n° 12, de 21/05/2007. Dessa forma, tendo sido excluída da sistemática desde o inicio de suas atividades, não restando impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que antecedeu 0 início dos efeitos da exclusão, foi aplicada a multa mínima prevista. [...] Fl. 2582DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 Arts. 13, inciso II e 21, da Lei n.°9.317/96 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 134- 143, com a exigência do crédito tributário no valor de R$892.357,06, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada, referente aos anos-calendário de 2004 e 2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado. Descrição dos fatos e enquadramento legal: 001 - RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valores de receitas omitidas, apuradas com base em informações obtidas junto ao fisco estadual de Rondônia, não declaradas pelo contribuinte ao fisco federal. Tais valores são relativos a declarações prestadas e notas fiscais apresentadas pelo contribuinte ao fisco estadual, e informações contidas no Livro Registro de Saídas da filial de Guajará-Mirim, cuja cópia consta em processo administrativo fiscal do estado de Rondônia. Multa aplicada conforme enquadramento legal discriminado, pelas condutas do contribuinte de omitir a ocorrência do fato gerador e não atender intimação para prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal. [...] REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas determinada a partir de levantamento de quantidade de mercadorias adquiridas para revenda, sendo constatada a ocorrência de saídas de mercadorias sem emissão de nota fiscal. A verificação foi realizada em análise aos elementos contidos no processo administrativo tributário do Estado de Rondônia n° 01-03469-1. Multa aplicada conforme enquadramento legal discriminado, pelas condutas do contribuinte de omitir a ocorrência do fato gerador e não atender intimação para prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal. [...] 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Valores de receitas declarados em DSPJ - Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, relativos a apuração pelo regime do SIMPLES. Durante o procedimento fiscal verificou-se hipótese de exclusão do SIMPLES, desde o início das atividades da empresa e, dessa forma, procedeu-se ao lançamento de oficio relativo aos valores de receitas abaixo listados. Multa aplicada conforme enquadramento legal discriminado, pela conduta do contribuinte de não atender intimação para prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal. [...] Arts. 286, 532 e 537 do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: O Auto de Infração, fls. 144-154, com a exigência do crédito tributário no valor de R$272.639,46 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte Fl. 2583DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970,§ 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, inciso II do art. 8º e inciso II do art. 68 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. O Auto de Infração, fls. 155-165, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.258.337,89 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, inciso III do art. 10 e inciso I do art. 93 da Lei nº 10.833, 29 de dezembro de 2003, bem como parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. O Auto de Infração, fls. 166-175, com a exigência do crédito tributário no valor de R$451.269,71 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e § 2ª do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06, fl. 188, com fundamento no art. 124 do Código Tributário Nacional. Impugnação Cientificadas, as Recorrentes apresentaram impugnações. Está registrado na ementa e no excerto do voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 01-19.392, de 30.09.2010, fls. 735-748: PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. Fl. 2584DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 MANDADO PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). LANÇAMENTO REFLEXO. É dispensável a emissão de novo MPF, ou de MPF complementar, quando as infrações apuradas, em relação ao tributo contido no MPF-F, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos. Hipótese em que estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. A reaquisição da espontaneidade não caracteriza o encerramento do procedimento fiscal, pois somente devolve ao sujeito passivo a possibilidade de confessar ou pagar espontaneamente seus débitos junto à fazenda pública. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. PROVA EMPRESTADA. As declarações oferecidas pelo sujeito passivo ao ente tributante gozam de presunção de veracidade, podendo serem utilizadas na apuração da obrigação tributária de competência de outro ente, salvo se restar comprovada a sua inveracidade. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. LEVANTAMENTO POR ESPÉCIE. PERÍODO. O levantamento quantitativo por espécie de mercadoria ou produto, utilizado para caracterizar a omissão de receita presumida deve ter período de abrangência compatível como fato gerador do tributo afetado pela receita. FATO GERADOR. ERRO DE. IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. MULTA DE OFICIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco o de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de oficio, que não se reveste do caráter de tributo. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorrem de infração dolosa à lei. Fl. 2585DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Procedente em Parte [...] O IRPJ e a CSLL, apurados no lançamento, têm fato gerador trimestral. O PIS e a COFINS, mensal. A apuração efetuada pelo fisco estadual correspondeu ao período compreendido entre a data de início de atividade do sujeito passivo, 05/04/2004, e da data do levantamento físico do estoque, 25/07/2005. Logo, improcedente a omissão de receita, caracterizada pelo levantamento por espécie; por erro de identificação da matéria tributável dos fatos geradores do tributo (art. 142 do CTN). Recurso Voluntário Notificada em 06.11.2010 (sábado), fl. 753, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.12.2010, fls. 754-781, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II. DAS PRELIMINARES II. A - DA ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Após a retificação do Auto de Infração, pelo julgamento de 1ª instância, não foi apresentada planilha com os novos valores cobrados, assim está sendo ferido o princípio do devido processo legal, impedindo a recorrente de poder se defender de todos os valores que está obrigada a pagar. [...] Sem essa planilha, não é possível localizar possíveis equívocos e o contraditório e a ampla defesa estão prejudicados. Requer-se assim, a anulação do acórdão, ou que o processo seja convertido em diligência para serem elaborados as planilhas necessárias, bem como com a intimação da parte para complementar o Recurso Voluntário. II. B - DA ILEGAL RESPONSABILIZAÇÃO - AINDA SOBRE A ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DE 1ª INSTANCIA Preliminarmente, temos que a sujeição da responsabilidade pelos Autos de Infrações ao Sr. Sávio Ruiz de Lima foi feita de modo totalmente irregular e deverá ser revista por este Conselho. Ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos exigidos neste processo, não se atentou aos artigos legais, nem aos princípios que regem o instituto da sujeição passiva. [...] Ressalte-se que, o Sr. Sávio sequer foi fiscalizado nos autos indicados acerca de seu interesse comum sobre o fato gerador, sendo surpreendido com sua inclusão como solidário e, nesta subsunção de responsabilidade, não foi demonstrado o imperioso aproveitamento econômico como condição de sua solidariedade pelo art. 124 do CTN. [...] Fl. 2586DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 Não obstante, como informado alhures, o Sr. Sávio foi admitido na sociedade como gerente de vendas em 01/09/2006, com poderes gerais de representação da sociedade por meio de instrumento de procuração. Além de não ser o único procurador da empresa referenciada, não há como se presumir o benefício econômico advindo desta suposta supressão tributária. [...] No caso do inciso I do art. 124, mister se faz a comprovação do envolvimento do sujeito passivo solidário na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, ainda, seja demonstrado o proveito econômico sobre o fato. Apenas possuir função de gerência na sociedade empresária não enseja aludida responsabilização, consoante farta jurisprudência dominante. [...] Pelo exposto, sua qualidade de terceiro estranho à autuação fiscal impede a perseguição de seu patrimônio, tornado ilegítimo o arrolamento de bens intentado contra seu patrimônio, bem como sua permanência como responsável, sob pena de desferir tratamento antijurídico e arbitrário. II. D - DA MORA É pacífico em sede doutrinária que o simples inadimplemento do tributo não pode gerar a responsabilização de terceiros porque esta ocorrência não é presumida como abusiva, fraudulenta ou criminosa, tanto que a lei prevê o direito à mora quanto à carga tributária futura, vez que existem mecanismos legais e constitucionais que estabelecem a mora como uma circunstância extravagante, excepcional, porém possível. [...] Eis, pois, que se infere o direito à mora, estado indesejável, extravagante, porém lícito e juridicamente possível. [...] A configuração da simples mora não caracteriza a fraude, não realizando a previsão normativa que desencadeia a responsabilidade pessoal do terceiro. [...] II. E - DA AUSÊNCIA DE DOLO POR PARTE DOS REPRESENTANTES [...] Ora, como visto, o simples atraso no pagamento dos tributos não basta para configurar infração do art. 135 do CTN, pois a responsabilidade de administradores ou gerentes deve ser resultado de ato obrado com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos, fatos estes que devem ser provados pelo Fisco, o que não foi o caso destes autos. [...] E, quando essa prova não é feita, é inadmissível se acolher o pedido de redirecionamento sob o singelo argumento da responsabilidade objetiva das pessoas elencadas no artigo 135 do CTN. É necessário um mínimo de fundamento concreto e aceitável da responsabilidade do sócio pelo crédito tributário, sob pena de submetê-lo à situação constrangedora de réu de Execução Fiscal, com todas as decorrências daí advindas, tais como negativa de obtenção de CND, inserção em cadastro de entidades inadimplentes, custos com defesas na esfera judicial e outros. [...] Destarte, a responsabilidade do Sr. Sávio Ruiz de Lima por débitos da empresa a qual é somente gerente só podem lhe serem imputadas em condições excepcionais que justifiquem essa penalidade, não basta a mera impontualidade ou mesmo inadimplência do tributo, posto que não houve sonegação de impostos cumulado com enriquecimento pessoal dos sócios, mas sim insuficiência de recursos da empresa para solvê-los, fato corriqueiro em nosso País. II. F - DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 2587DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 O Sr. Auditor Fiscal utilizou de livros e documentos instituídos para a constituição de outro tributo, no entanto, o lançamento de um tem como fato gerador outra situação jurídica. [...] Os presentes autos de infração, após a procedência parcial, está basicamente fundamentado na GIAM que se. trata de um documento meramente informativo apresentado, Secretaria de Finanças Estadual Ora, um documento destinado a apuração da correta base de cálculo do ICMS não deve ser considerado como receita passível de fundamentar uma base de cálculo de IRPJ, por exemplo. Por outro lado, o auditor autuante tinha meios para apurar corretamente a base de cálculo do imposto. Bastava, para isso, recompor o caixa impugnante. [...] Desta forma, toda a fiscalização foi maculada pela utilização desproporcional da prova emprestada, sem se dar o trabalho de realmente verificar os fatos geradores dos tributos ora cobrados. Assim, requer-se seja anulado completamente o auto de infração. III – DO MÉRITO III. A – DA ILEGAL E DESPROPORCIONAL MULTA APLICADA Se for considerado correta a utilização das bases de cálculo, temos que o valor atribuído a multa foi totalmente desproporcional, não podendo ser mantido por este E. Conselho. [...] O agravamento dos percentuais de multa, de 75% para 112,5% e de 150% para 225%, deu-se pela suposta falta de atendimento, pela Recorrente, ao pedido de esclarecimentos contido no Termo de Intimação n° 004, lavrado em 14/02/2008, e no Termo de Re-intimação, lavrado em 23/04/2008. [...] A conduta da Impugnante sempre foi de atender, com presteza, a todos os questionamentos formulados pela fiscalização, somente não o fazendo, no caso do Termo de Intimação n° 0004, e do Termo de Reintimação n° 0001, por não tê-los recebido. III.A.1 - Da Afronta aos Princípios da Razoabilidade/Proporcionalidade, do Não Confisco, e da Capacidade Contributiva. [...] III.A.2 - Princípios da Razoabilidade/Proporcionalidade [...] III.A.3 - Princípio do Não Confisco [...] III.A.4 - Princípio da Capacidade Contributiva [...] III.,A.5 - Da Revisão Necessária do AIIM em face da Multa Imposta Além da afronta aos princípios descritos, deve-se ressaltar o fato de que a infração decorre de descumprimento de obrigação acessória, o que deve ser visualizado como uma infração básica, não acarretando a aplicação de multa exorbitante de 225%, como a aplicada ao caso. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: IV - DO PEDIDO Pelos argumentos acima despendidos, serve o presente Recurso Voluntário para: Fl. 2588DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 - requerer a exclusão do responsável; - a anulação do julgamento, por cerceamento de defesa; - a nulidade do processo administrativo, por utilizar provas emprestadas; - a redução do percentual da multa. Requer-se, por fim. a realização de sustentação oral na forma regimental pelo Dr. Eduardo Fleury, inscrito na OAB/SP 273.434. com endereço na Rua Funchal. 129. cj. 13-A. CEP 04551-060. São Paulo-SP. Notificada em 22.12.2010, fl. 798, o sujeito passivo solidário, Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06, apresentou o recurso voluntário em 07.12.2010 e 27.12.2010, fls. 783-796 e 799, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II - DAS PRELIMINARES II.A - DA ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Preliminarmente temos que a sujeição da responsabilidade pelos Autos de Infrações ao Recorrente foi feita de modo totalmente irregular e deverá ser revista por este Conselho. [...] Assim, ao deixar de analisar os documentos apresentados, o Sr. Auditor Fiscal foi extremamente autoritário, impondo mais uma penalidade ao substituído, não tendo a possibilidade de serem analisados pelo emissor da sujeição os argumentos e provas de sua situação real sobre os débitos. Fazendo assim, o Sr. Auditor feriu diversos princípios inerentes ao processo administrativo, que podem e devem levar a anulação do julgamento de primeira instância, para que sejam analisados os documentos apresentados, se manifestando conclusivamente sobre os diversos documentos apresentados e que demonstravam a situação do sujeito responsabilizado. II.B - DA INDEVIDA RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIRO Caso V. Exa. entendam que o julgamento possa prosseguir, temos que antes de se adentrar ao mérito do processo, impera-se a exclusão da responsabilização do Recorrente. [...] Sobre esses argumentos, no entanto, 0 Recorrente nunca participou da sociedade, foi apenas admitido como gerente de vendas em 01/09/2006, com poderes gerais de representação da sociedade por meio de instrumento de procuração, conforme os documentos juntados aos autos. No entanto, o Recorrente não era o único procurador da empresa referenciada, eis que muitas outras pessoas possuíam poderes gerais de representar a pessoa jurídica perante clientes, órgãos do governo, instituições financeiras e demais atos de gerência da sociedade. Ressalte-se que, o Sr. Sávio sequer foi fiscalizado nos autos indicados acerca de seu interesse comum sobre o fato gerador, sendo surpreendido com sua inclusão como solidário e, nesta subsunção de responsabilidade, não foi demonstrado 0 imperioso aproveitamento econômico como condição de sua solidariedade pelo art. 124 do CTN. Isso é facilmente constatável pela evolução de seu patrimônio através de suas declarações de imposto de renda, as quais demonstram que não existe sinal de acréscimo patrimonial decorrente de suas atividades de mero gerente comercial. [...] Fl. 2589DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 In casu, o patrimônio do Requerente foi constituído antes de suas atividades nessa empresa. o que vem tentando manter e, inclusive. alienando alguns bens para manutenção dos demais patrimônios. Pelo exposto, sua qualidade de terceiro estranho à autuação fiscal impede a perseguição de seu patrimônio, tornado ilegítimo o arrolamento de bens intentado contra seu patrimônio, bem como sua permanência como responsável, sob pena de desferir tratamento antijurídico e arbitrário. II.C - DA MORA É pacífico em sede doutrinária que o simples inadimplemento do tributo não pode gerar a responsabilização de terceiros porque esta ocorrência não é presumida como abusiva, fraudulenta ou criminosa, tanto que a lei prevê o direito à mora quanto à carga tributária futura, vez que existem mecanismos legais e constitucionais que estabelecem a mora como uma circunstância extravagante, excepcional, porém possível. [...] Dessa forma tendo em vista que a lei traz para a mora a previsão de sanção específica e em respeito ao princípio da legalidade, é inadmissível presumir, a partir da conduta do inadimplente, a violação de lei, contrato ou estatuto e, consequentemente, ato fraudulento hábil a caracterizar a responsabilidade pessoal dos terceiros. A configuração da simples mora não caracteriza a fraude, não realizando a previsão normativa que desencadeia a responsabilidade pessoal do terceiro. [...] II D - DA AUSÊNCIA DE DOLO POR PARTE DOS REPRESENTANTES [...] Ora, como visto, o simples atraso no pagamento dos tributos não basta para configurar infração do art. 135 do CTN, pois a responsabilidade de administradores ou gerentes deve ser resultado de ato obrado com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos, fatos estes que devem ser provados pelo Fisco, o que não foi o caso destes autos. [...] Dessa forma, resta pacífico o entendimento de que é “conditío sine qua non” a apresentação de prova definitiva quanto à gestão abusiva por parte dos integrantes da pessoa jurídica nos débitos tributários. [...] Destarte, a responsabilidade do Recorrente por débitos da empresa a qual é somente gerente só podem lhe serem imputadas em condições excepcionais que justifiquem essa penalidade, não basta a mera impontualidade ou mesmo inadimplência do tributo, posto que não houve sonegação de impostos cumulado com enriquecimento pessoal dos sócios, mas sim insuficiência de recursos da empresa para solvê-los, fato corriqueiro em nosso País. Por fim, se for considerado correta a manutenção do Recorrente como responsável, temos que deve ser considerado como responsável subsidiário, devendo primeiro ser buscado o adimplemento da obrigação junto a empresa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: IV - DO PEDIDO Pelos argumentos acima despendidos, serve 0 presente Recurso Voluntário para: Fl. 2590DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 - requerer a exclusão dos responsável; Requer-se, por fim. a realização de sustentação oral na forma regimental pelo Dr. Eduardo Fleury, inscrito na OAB/SP 273.434, com endereço na Rua Funchal. 129. cj. 13-A. CEP 04551-060, São Paulo-SP. Consta no Despacho Sacat/Porto Velho/RO de fl. 259 que em 30.03.2011 a Recorrente apresentou desistência parcial do recurso voluntário em razão da opção pelo parcelamento formalizado no processo nº 18208.121546/2011-01 de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 ( Programa de Recuperação Fiscal – Refis), fls. 805-806. Remanesce no presente processo tão somente a exigência da multa de ofício isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples no valor original de R$100,00, fls. 128-132 e 844-858. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, deles tomo conhecimento. Preliminar - Delimitação da Lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal ficam restritos a argumentos em face da multa de ofício isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples e da responsabilidade solidária do Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748- 06 as quais, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Em relação às demais questões trazidas nos recursos voluntários importaram a desistência por parte das Recorrentes, conforme determina o art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Mérito As Requerentes solicitam que sejam intimadas por meio do seu representante legal. A previsão legal é de que o sujeito passivo seja intimado validamente no domicílio tributário por ele eleito (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 127 do Código Tributário Nacional e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nesse sentido determina a Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo", que é de aplicação obrigatória (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Logo, a pretensão aduzida pelas Recorrentes não está contemplada nas formalidades legais. As Recorrentes requerem fazer sustentação oral. Fl. 2591DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 A possibilidade jurídica de o sujeito passivo ou seu representante legal de fazer sustentação oral está amparada no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A solicitação deve ser apresentada na forma, no tempo e na lugar previstos nas orientações constantes no site institucional. As Recorrentes alegam que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, de art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sobre a matéria consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 01-19.392, de 30.09.2010, fls. 735-748, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 1.4 DAS NULIDADES 1.4.1 Do contraditório e da ampla defesa A recorrente suscita a nulidade .do lançamento por cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. O direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos temos do art. 14 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a impugnação da exigência fiscal. Desta forma, o procedimento de fiscalização, que antecede a fase litigiosa, e um procedimento inquisitório, cuja participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. A contestação das informações contidas no auto de infração, dos documentos juntados ou ate' mesmo de eventuais irregularidades somente pode ser realizada em momento posterior, com a apresentação da impugnação, iniciando o devido processo administrativo. O lançamento é ato administrativo vinculado e obrigatório realizado pela autoridade fiscal com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, calcular o montante devido e, se for o caso, aplicar a penalidade devida. [...] Por outro lado, há situações em que a lei assegura o contraditório e a ampla defesa antes do lançamento ou antes mesmo da instauração do processo administrativo fiscal. São os casos dos procedimentos para exclusão do contribuinte do SIMPLES (art. 15, §3°, Lei 9.317/96) e de suspensão de imunidade (art. 32 e §§, Lei 9.430/96). Fl. 2592DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 Entrementes, o direito ao contraditório e a ampla defesa se exerce com a exata compreensão de todos elementos que identificam e provam o ilícito aventado e com o oferecimento do prazo legalmente constituído para recurso. O presente processo versa sobre a exclusão do contribuinte do SIMPLES (fl. 39) e o lançamento de créditos tributários referentes ao período em que o contribuinte era optante do SIMPLES. . A respeito da exclusão do SIMPLES, a recorrente alega que foi impedida de apresentar recurso à decisão. Todavia, o § 3° do Ato Declaratório Executivo n° 12 (fl. 39), de 21/05/2007, cientificado ao contribuinte em 01/06/2007 (fl. 42), possibilitou expressamente a este apresentar manifestação de inconformidade, dentro do prazo de trinta dias da ciência da decisão. A cabeça do Ato Declaratório, por sua vez, aponta o motivo da decisão. Pelo que, no que diz respeito à exclusão do SIMPLES, não há de se falar em cerceamento da defesa. No que tange ao lançamento, a recorrente alega que os fatos narrados nos Autos de Infração não demonstram o histórico do procedimento fiscal, as provas utilizadas, nem a origem dos valores que compõem a base de cálculo do lançamento. Alega ainda a ausência de fundamentação para as penalidades aplicadas. Entretanto, verifica se nos autos do processo que cada Auto de Infração também é integrado pelo Termo de Verificação de Infração de folhas 178-188, que, por sua vez, descreve, de maneira pormenorizada, a identificação das infrações e as provas utilizadas, tanto para o lançamento do principal como para as penalidades aplicadas. Outrossim, os Autos de Infração fazem referência expressa do enquadramento legal das infrações verificadas e dos juros e das penalidades aplicados, bem como convoca o sujeito passivo pagar ou impugnar o débito constituído para com a Fazenda Nacional, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do lançamento. Razão, porque descabida a tese de cerceamento do direito de defesa para o lançamento. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. A proposição afirmada pelas Recorrentes, desse modo, não pode ser ratificada. As Recorrentes discordam do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, tem-se que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável., cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. Fl. 2593DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 5º da Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples pressupõe a ausência de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, nos prazos legais, que sujeita a pessoa jurídica a multa correspondente a 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o início dos efeitos da exclusão, não inferior a R$100,00 (cem reais), insusceptível de redução (art. 13 e art. 21 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Trata-se de responsabilidade objetiva do agente por infrações fiscais interpretada à luz do art. 136, art. 137 e art. 112 do Código Tributário Nacional, em face da qual inexiste mitigação, ressalvando disposições em contrário da legislação de regência. As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária, o que reforça o exame fiscal aprofundado para fins de apuração do ilícito tributário e a sua justa causa. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque os referidos documentos são de pleno conhecimento da Recorrente, que aliás, o escriturou com base nas informações contidas em seus documentos contábeis e fiscais. No presente caso houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito de modo que está correta a aplicação da multa de ofício isolada por falta de comunicação da exclusão do Simples no valor mínimo de R$100,00. A proposição das Recorrentes, por conseguinte, não pode ser sancionada. As Recorrentes aduzem que a imputação da responsabilidade como sujeito passivo solidário não pode subsistir. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenha relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação tributária. A responsabilidade solidária tributária alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, bem como aquelas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude (art. 124 e art. 135 do Código Tributário Nacional), a despeito da evolução patrimonial do sujeito passivo solidário. Verifica-se, assim, que não é o inadimplemento de tributos, por si só, que gera a responsabilização de terceiros. Consta nas Procurações emitidas pelo 3º Ofício do Registro Civil e Tabelião de Notas de Porto Velho que em 01.12.2004, fl. 121 do Anexo I e 25.07.2005, fl. 127 do Anexo I, a Fl. 2594DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 Recorrente nomeou e constituiu seu bastante procurador o Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06 com poderes, em especial, para: [...] gerir, administrar, vender, doar e transferir pelo prazo, preço e condições que aprouver quaisquer bens imóveis e móveis em nome da Outorgante podendo para tanto dito procurador tratar de todos os negócios da Outorgante transigir livremente em Juízo ou fora dele; pagar, receber, firmar recibos,; dar e receber quitação; comprar mercadoria dentro do ramo de negócio da Outorgante; admitir e demitir empregados; aceitar, sacar, descontar e levar a protesto letras de câmbio, duplicatas, notas promissórias, contas de vendas, cheques, conhecimentos e outros títulos de débito, movimentar contas correntes a prazo fixo, de caução e outras nos bancos e casas bancárias; depositar e retirar dinheiro, títulos e valores; emitir e endossar cheques, fazer saques e retiradas; reconhecer saldos e assinar quaisquer documentos, cartas de ordens e demais papéis necessários; apresentar-se representando a Outorgante no foro em geral; contratar e distratar advogados podendo estes usar dos poderes contidos na cláusula “Ad-Judicia et extra” para em qualquer Juízo, instância ou Tribunal, mover toda e qualquer ação em direito admitida, no interesse da Outorgante, [...] Por conseguinte houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06, com base nos fundamentos de fato e direito a seguir, fl. 188: O sujeito passivo acima identificado nomeou e constituiu seu bastante procurador o sujeito passivo solidário acima identificado, outorgando amplos e ilimitados poderes para administrar os negócios da pessoa jurídica, inclusive movimentar contas bancárias, através de procurações datadas de 01/12/2004 e 25/07/2005. Foi verificado que o sujeito passivo solidário representou a pessoa jurídica em atos de gerência no período objeto do procedimento fiscal, principalmente no que diz respeito a movimentação financeira, sendo verificados vários cheques e recibos de retiradas emitidos pela pessoa jurídica, assinados por representação pelo sujeito passivo solidário, e dentre esses cheques, diversos destinados á pessoa física do sujeito passivo solidário. Dessa forma, o sujeito passivo solidário acima identificado detinha plenos poderes de agir em nome da pessoa jurídica, e ficou caracterizado o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária principal durante o período fiscalizado, no qual o sujeito passivo acima identificado infringiu a legislação tributária. . Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Por seu turno, está registrado no Termo de Verificação de Infração, fls. 178-187: 5. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foram verificadas as situações detalhadas a seguir, que resultaram na responsabilidade solidária do Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06, conforme discriminado nos autos de infração. Em análise à capacidade econômica da pessoa jurídica, e de seus sócios, verificou-se a incompatibilidade entre o faturamento da pessoa jurídica levantado, e a capacidade econômica de seus sócios. Foi levantado o faturamento da pessoa jurídica da ordem de R$ 2.000.000,00 em 2004 e de R$ 6.000.000,00 em 2005. A sócia Maria Eutália da Paz, detentora de 99% do capital social, apresentou rendimento declarado de R$ 15.000,00 em 2004 e RS 4.200,00 em 2005, não realizou movimentação Fl. 2595DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 financeira em seu nome, e não foram verificadas transações com imóveis e veículos em seu nome. Foram solicitadas a ofícios de registros eventuais procurações outorgadas pela pessoa jurídica, e foram analisados processos administrativos tributários solicitados ao fisco estadual. Verificou-se procuração outorgando plenos poderes de gerência da pessoa jurídica ao Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde (folha 121 e 127 do anexo I do processo), e também foi verificado que o Sr. Sávio, na utilização de poderes outorgados, representou a pessoa jurídica junto ao fisco estadual de Rondônia tomando ciência de atos realizados (folha 129 do anexo I do processo). O Sr. Sávio, por sua vez, realizou transações imobiliárias em 2005 e 2006, e apresentou uma movimentação financeira da ordem de R$ 150.000,00 em 2004 e de R$ 170.000,00 em 2005. Além disso, verificou-se também a avançada idade da Sr. Maria Eutália, 87 anos, e a não relação de parentesco com o procurador constituído, fato tendente a dificultar a identificação da ligação do Sr. Sávio com a empresa. Em análise à documentação solicitada ao Banco Bradesco S/A (anexos VII, VIII e IX do processo), verificou-se que a movimentação financeira da pessoa jurídica era realizada de fato através do Sr. Sávio, conforme diversos cheques e recibos de retirada assinados por ele próprio. Foram identificados, inclusive, cheques emitidos pela pessoa jurídica, nominais ao próprio Sr. Sávio (folhas 67, 69, 77, B3, 119, 121, 123, 135, 137, 151, 161, 169, 181 e 182 do anexo VII; folhas 06, 08, 10; 12, 14, 16, 38, 44, 55, 112, 148, 164, 170, 188 e 190 do anexo VIII; e folhas 26, 30, 34, 38, 50, 51, 58, 60, 68 e 94 do anexo IX do processo) e nominais à empresa, sacados pelo Sr. Sávio (folhas 52, 101 e 103 do anexo VII; folhas 53, 83 e 93 do anexo VIII; e folhas 02, 22, 24 e 92 do anexo IX do processo). Tendo em vista_ a incompatibilidade entre o patrimônio da principal sócia- administradora (99% do capital social) e resultado das atividades da empresa, ao contrário do que foi verificado em relação ao Sr. Sávio, e tendo em vista o fato da gerência com amplos poderes realizada pelo Sr. Sávio e a retirada de valores da conta da empresa pelo próprio, verificou-se que o resultado das atividades da empresa é de fato interesse do Sr. Sávio, e não dos sócios identificados no contrato social, interpostos dessa forma com o objetivo de omitir a participação do Sr. Sávio. Dessa forma, restou verificada a responsabilidade solidária de Sávio Ruiz de Lima Verde em relação aos créditos tributários lançados pelos autos de infração relativos a esse termo, em acordo com o disposto no artigo 124, inciso I, da Lei 5.172/66 - Código Tributário Nacional. Sobre a matéria consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 01-19.392, de 30.09.2010, fls. 735-748, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 2.8 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O responsável solidário -alega que o inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração á lei, de modo a ensejar o redirecionarnento da execução aos sócios. E mais, que não poderia figurar no pólo passivo da obrigação tributária, uma vez que sequer é sócio, mas apenas um procurador. E ainda, que no caso concreto, não houve o preenchimento dos quesitos necessários para a responsabilidade solidária nos termos dos artigos 124, 134 e 135 do CTN. Ocorre que a responsabilidade tributária, diferentemente da responsabilidade por cotas de responsabilidade civil (art. 1.052, CC), pode ser dirigida a qualquer Fl. 2596DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-000.730 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10240.000575/2007-38 pessoa na forma definida expressamente pela lei tributária (art. 121, II, CTN). Ou seja, não será a condição de sócio o único quesito capaz de atribuir à pessoa física a responsabilidade pelos créditos tributários devidos pela pessoa jurídica. Nesse passo, verifica-se, no caso concreto, que o responsável solidário possuía, ao tempo das infrações, amplos poderes para representar e gerenciar à pessoa jurídica (fls. 121 e 127). Tendo sido inclusive comprovado o exercício desses poderes por meio da movimentação bancária empreendida por aquele (fls. 37-199, do Anexo VII, e Anexo VIII) e pelo recebimento do Auto de Infração do fisco estadual (fls. 129, Anexo I), em nome da pessoa jurídica. E mais, que no curso desse período, mormente no ano-calendário 2005, foi constatada a prática da sonegação tributária, na forma prevista pelo art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64, conforme visto no tópico referente à qualificação da multa. Pelo que, nos termos dos incisos II e III do art. 135, do CTN, cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor e mandatário da empresa, Sr. SÁVIO RUIZ DE LIMA VERDE, pelos créditos tributários resultantes dos atos praticados com infração de lei, qual seja a omissão dolosa dos fatos geradores dos tributos devidos (art. 71, I, Lei 4.502/64), ocorrido no ano-calendário 2005. Neste sentido, o Sr. Sávio Ruiz de Lima Verde, CPF 044.541.748-06, fl. 188, possui comunhão de interesses e conjuga esforços para a consecução das atividades econômicas exercidas e assim é responsável solidário pelo crédito tributário constituído pelo lançamento formalizado no presente processo. A conclusão oferecida pelas Recorrentes, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2). Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Conclusão Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 2597DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000328/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO.
Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Numero da decisão: 3401-005.984
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO. Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO. Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 03 28 /2 01 1- 42 Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.501 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da 3 ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que homologou parcialmente os créditos relativos a pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2008, vinculados à receita de exportação, e respectivas DCOMP´s. Do Pedido de Ressarcimento e do Despacho Decisório O contribuinte apresentou a PER n.º 26890.84708.301106.1.1.097098, para ressarcimento do saldo credor de COFINS nãocumulativa, decorrente das operações de exportação; da mesma foram, foi analisada a DCOMP’s de nº’ 40563.03216.300709.1.3.097910. Tais pedidos foram analisados sob “tratamento manual” que resultou no Despacho Decisório nos seguintes termos: Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.502 3 78. Em face das considerações contidas neste despacho, conforme o disposto no §14 do artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, disciplinado nos artigos 57 a 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, nos incisos VII do artigo 222 e III do artigo 298 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 587/2010; e ainda na competência delegada pela Portaria DERAT/SP nº 187/2011; DECIDO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO no montante de (...), considerandose HOMOLOGADAS AS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO VINCULADAS até o limite do valor deferido. Entre os motivos da homologação parcial, resumese: (A) RECONHECIMENTO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO: No item 37 do referido despacho, é afirmado que "o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês", sendo considerado embarcado o bem na data da Declaração de Despacho de Exportação ("DDE"). Uma vez que a impugnante utiliza como parâmetro a data na qual ela emite a nota fiscal, as informações por ela apresentadas foram desconsideradas, sendo utilizadas as informações constantes do SISCOMEX (data do embarque) para fins de apuração dos índices de rateio e retificação dos DACON. A empresa apresentou memoriais de cálculo acerca das exportações em dois momentos distintos: primeiramente quando o período fiscalizado era de apenas dois trimestres e também após o período ser alargado para dezesseis trimestres. Informações conflitantes foram apresentadas nestes dois momentos. Uma mesma DDE foi apropriada em meses diferentes: no momento da sua contabilização em 12/2006 e também no momento do seu embarque em 27/06/2006 (DDE 2060718565/1). (B) MÉTODO DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS – RATEIO PROPORCIONAL: Em razão dos ajustes feitos pela fiscalização com relação ao momento de reconhecimento da receita de exportação, novos índices de rateio foram calculados para cada mês de apuração de tais contribuições sociais. Através do levantamento dos valores referentes às Receitas do Mercado Interno e do Mercado Externo levantados anteriormente, chegouse a novos índices de rateio detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria. (C) MOMENTO DE APURAÇÃO DOS INSUMOS E SERVIÇOS COMO CRÉDITOS: Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.503 4 A metodologia de apuração das entradas de mercadorias e serviços feita pela empresa baseiase no momento de lançamento da Nota Fiscal, em afronta à legislação (arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Houve uma auditoria externa na empresa em 2009 executada pela empresa Ernst Young cujo resultado foi a inclusão extemporânea de novas rubricas de crédito para ressarcimento, mais especificamente sobre serviços tomados nos períodos de julho de 2006 a outubro de 2009. Nessa auditoria externa, a mesma metodologia baseada no momento de lançamento da Nota Fiscal foi utilizada. Foram levantados casos, como por exemplo, a Nota Fiscal 1624637 com emissão em 30/12/2005 cujo lançamento e crédito se deu apenas em 09/2006 (documento 3056505608). (...) A data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (critério este idêntico ao adotado pelo sistema Contágil, aplicativo de auxílio ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente homologado pelos órgãos centrais da RFB para o auxílio do exercício das atividades de fiscalização). Não cabe à Autoridade Fiscal flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem sim ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes. Vale ressaltar ainda que não cabe à Autoridade Fiscal realocar as notas fiscais nos meses corretos da sua emissão, e sim tão somente verificar a sua correta apropriação no DACON analisado, cabendo a sua simples glosa em caso contrário. (D) CRÉDITO SOBRE INSUMOS: Não foram considerados como insumos: suporte administrativo feito por empresas terceirizadas, consultoria de implantação do BSC (Balanced Scorecard), locação de notebook e computadores sem especificação do local da sua utilização, reembolso de salários e encargos, correios, atividades de contabilidade, locação de mãodeobra temporária, atividades de consultoria em gestão empresarial, supervisão, diligenciamento, consultorias inespecíficas, consultoria de qualidade, atividades de serviços financeiros, locação de móveis, locação de salas, locação de máquinas de café, locação de coberturas, locação de equipamentos de higiene, filmagens e fotos, cursos de capacitação (idiomas, MBA, etc...) para funcionários, custos para congressos de liderança, fornecimento de arranjo de flores, confecções de cartões de visita de funcionários, etc... (...) Insumos – Passagens, hospedagens e despesas de veículos – SD 200815 Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, não foram considerados como insumos: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, despesas de transporte de supervisores, etc... (...) Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.504 5 Fretes Hipóteses de Crédito – SD 200711 Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, foram considerados como frete: despesas de exportação, inclusive frete, Frete Internacional, despachantes aduaneiros, agenciamento marítimo. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, arguindo o seguinte: (A) CERCEAMENTO DE DEFESA. Os despachos decisórios ora guerreados, da maneira como foram lavrados, veiculam cerceamento do amplo direito de defesa da contribuinte, devendo ter sua nulidade decretada, na medida em que não foi dado pleno acesso à documentação utilizada para fundamentar a decisão ora combatida. Não só foi negado acesso à contribuinte, como tais informações eram absolutamente indispensáveis ao perfeito exercício do seu direito A ampla defesa. Mais: não foi demonstrada a metodologia adotada pela fiscalização para recalcular os índices de rateio utilizados para indeferir ou deferir parcialmente o pedido de homologação das PER/DCOMPs apresentadas, sendo que o respectivo cálculo se baseia em premissas não encontradas nos autos. (B) DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DO PROCEDIMENTO UTILIZADO AO RECÁLCULO DOS ÍNDICES DE RATEIO. Dois dos mais importantes argumentos encontrados no despacho decisório para fundamentar o indeferimento dos pedidos de compensação/ressarcimento formulados pela impugnante se referem ao correto momento de contabilização (i) da aquisição de insumos, para fins de creditamento de PIS/COFINS, e (ii) das receitas de exportação, para fins de determinação dos créditos passíveis de compensação/ressarcimento. De forma lacônica, o despacho decisório aborda qual seria o correto período de competência para desconto de créditos de PIS/COFINS e reconhecimento de receitas de exportação (a esse tema se voltará oportunamente nos tópicos "IV" e "V" da presente manifestação de inconformidade). Em razão da alteração da metodologia adotada pela contribuinte, o despacho decisório afirma que novos índices de rateio foram calculados, estando tais índices "detalhados nos memoriais de cálculo desta auditoria" (conforme extraído do item 46 do despacho decisório). Das planilhas que instruem o presente processo administrativo extraise que a fiscalização promoveu a comparação entre os valores originalmente informados pela impugnante nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais ("DACON") e os valores por ela (fiscalização) "auditados" (i.e., valores supostamente corretos). Ocorre que a impugnante, analisando a documentação que foi disponibilizada, não conseguiu identificar a origem desses valores "auditados". Nos documentos/planilhas que instruem o despacho decisório, tais valores são demonstrados de forma muito vaga, não havendo pista de como os mesmos foram calculados. Melhor explicando, as planilhas que fundamentam o despacho decisório Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.505 6 limitamse a comparar os valores informados pela contribuinte com os valores "auditados" pela fiscalização, não demonstrando como esses valores "auditados" foram calculados. Repitase: não é encontrado a indicação da origem desses valores "auditados". Considera que tal fato configura cristalino cerceamento do direito de defesa da contribuinte, visto que ainda que se aceite, para fins argumentativos, como corretas as premissas adotadas pelo despacho decisório, se mostra impossível aferir se o recálculo dos índices de rateio promovido pela fiscalização condiz com a realidade. Outro exemplo de que a metodologia adotada pela fiscalização cerceou o direito da defesa da contribuinte se refere a ausência de demonstração de quais os créditos decorrentes da aquisição de insumo, pretensamente registrada fora do período de competência, foram glosados. Ou seja, a fiscalização não demonstrou, por nota fiscal, quais aquisições foram realocadas de um certo mês para o mês anterior, ou outro mês passado. Tal demonstração é imprescindível para que a contribuinte possa verificar a correção do procedimento adotado, ou se houve algum erro na aplicação do próprio critério do Fisco (sem inclusão, por exemplo, de notas fiscais que não dizem respeito a aquisições de insumos). (C) DO MOMENTO DO RECONHECIMENTO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. De acordo com o despacho decisório, o procedimento adotado pela impugnante no reconhecimento das receitas de exportação estaria em desacordo com a legislação vigente. Em linhas gerais, o despacho decisório afirma que as receitas de exportação deveriam ser reconhecidas para fins de PIS/COFINS quando do registro das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) no SISCOMEX. Tendo em vista que a impugnante contabiliza as receitas de exportação quando da emissão das notas fiscais que documentam essa operação, o controle da empresa "não foi aceito", sendo então utilizados os dados constantes do SISCOMEX. É ainda feita breve menção a uma DDE que, supostamente, teria sido registrada em duplicidade. O procedimento contábil adotado pela IMPUGNANTE encontra sólido alicerce legal, sendo absolutamente indevida a desconsideração feita pela fiscalização. Será ainda demonstrado que não (nunca) houve registro em duplicidade de nenhuma DDE, não sendo correta a afirmação contida no despacho decisório nesse sentido. Por fim, a IMPUGNANTE demonstra que ainda que aceitas como corretas as premissas adotadas pela fiscalização — para fins argumentativos — a metodologia de cálculo dos novos indices de rateio se mostra absolutamente inadequada, violando os princípios mais basilares do sistema tributário nacional. Alega que o ADI SRF nº 22, de 2002, não determina o momento de contabilização da receita de exportação. Estabelece o momento em que se dá por ocorrida a condição resolutiva imposta pela legislação para que tal receita possa gozar das isenções prescritas respectivamente pelos arts. 5º, I, da Lei n° 10.637/2002 e 6º, I, da Lei n° 10.833/2003. A Nota Fiscal NF é o instrumento previsto na legislação que visa justamente documentar a transferência de posse/propriedade de bens, sendo a DDE documento de natureza regulatória. A NF materializa o instrumento pelo qual a venda é, via de regra, documentada para fins fiscais. Sua emissão tem o claro objetivo de servir de estopim ao fenômeno da incidência tributária. No caso do ICMS/IPI, a NF registra Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.506 7 um débito desses impostos; no caso do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a emissão da NF marca o momento da venda e, dependendo das particularidades das condições dessa operação, da receita. Para a empresa, o momento da emissão da nota é o momento correto de escrituração da receita de exportação para fins de PIS/COFINS, pois essa receita já foi anteriormente tributada pelo IRPJ/CSLL, tendo sido esse deslocamento de reconhecimento de receitas uma opção que beneficiou o Fisco. Alega que, se a falta de emissão de NF configura omissão de receitas, a emissão de NFs em operações de venda, contrário senso, implica necessariamente a contabilização de receitas de venda para fins de PIS/COFINS. Extremamente interessante ao presente caso é o mandamento contido na Portaria do Ministério da Fazenda — MF n° 356, de 05 de dezembro de 1988. Tal portaria define o critério de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais. No momento de emissão da NF de exportação, o valor ali descrito deve ser reconhecido como receita de exportação, consagrando o regime de competência. Qualquer mutação no preço entre essa data e a data de embarque deve ser considerada como receita operacional complementar, devendo ser emitida nova NF para documentar o lançamento contábil. A partir desse momento, novas receitas têm natureza financeira (variação cambial positiva). Por todo o demonstrado, temse que, em consagração ao regime de competência, as receitas de venda de bens devem ser consideradas como realizadas por ocasião da emissão da nota fiscal de venda. Eventual mutação numérica no valor da operação deve ser corrigida mediante a emissão de nota fiscal complementar, cuja competência — ai sim — é no momento do embarque das mercadorias exportadas. No caso em tela, se está diante de uma suposta antecipação no registro de receitas. Se tais receitas fossem tributáveis, não restaria configurado nenhum prejuízo ao Erário, na medida em que antecipação de tributação jamais poderia ser enquadrada como postergação ou redução do lucro real. No caso das receitas de exportação, a ausência de prejuízo é ainda mais flagrante na medida em que tais receitas não estão sujeitas ao PIS/COFINS. Tais receitas foram oferecidas à tributação do IRPJ/CSLL, o que demonstra existir um benefício ao Erário. Aceitar a penalização da empresa por supostamente antecipar o reconhecimento de receitas é se prender a um formalismo absurdo e que não encontra base legal. A metodologia adotada pela empresa deve ser considerada como correta, devendo os autos ser cancelados. Assim é que a metodologia adotada pela IMPUGNANTE deve ser considerada como correta, sendo o despacho decisório ora combatido reformado integralmente para, então, serem consideradas homologados os PER/DCOMPs apresentados por essa sociedade. (D) DA INCORREÇÃO DO CÁLCULO DOS NOVOS ÍNDICES DE RATEIO. Conforme demonstrado anteriormente, o direito à defesa e contraditório da impugnante foi flagrantemente cerceado, na medida em que essa sociedade não teve acesso imediato e irrestrito às informações e documentos que fundamentam os despachos decisórios, bem como não são encontrados nos documentos disponibilizados nada que indique quais foram as premissas utilizadas pela fiscalização quando do recálculo dos índices de rateio utilizados no presente caso. Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.507 8 Dentre as informações que não constam precisamente dos documentos que instruem o processo administrativo em epígrafe, merece destaque o recálculo da proporção entre as receitas de exportação e receitas internas. Aparentemente, a metodologia adotada pela fiscalização foi a seguinte: as receitas de exportação contabilizadas pela impugnante quando da emissão das respectivas notas fiscais (e refletidas na DACON) foram utilizadas como parâmetro. Tais receitas foram comparadas com os dados do SISCOMEX. Sempre que verificada divergência entre essas fontes, a diferença foi desconsiderada. Na prática, significa dizer que sempre que uma operação teve sua DDE registrada no SISCOMEX em mês posterior ao da emissão da nota fiscal, essa operação foi desconsiderada para fins de cálculo dos novos índices de rateio. Como já comentado, a fiscalização não revelou quais notas de venda e DDEs considerou nessa metodologia, impedindo a impugnante de verificar a sua correção e até mesmo se ocorreram erros materiais (como, por exemplo, consideração de uma mesma nota duas vezes, etc.). A metodologia adotada pela fiscalização fez com que as receitas que foram excluídas de determinado mês, em virtude de um suposto equivoco no período de competência, fossem ignoradas para os demais efeitos fiscais, i.e., não foram realocadas ao supostamente correto período de competência. Nesse particular, cabe salientar ainda que o artigo 6° do DecretoLei n° 1.598/77, especialmente em seu parágrafo 6°, é claro ao determinar que os valores que competirem a outro período de competência deverão ser realocados a esse período, quando do cálculo do lucro real a ele correspondente. Tal dispositivo foi regulamento pelo artigo 247 do Regulamento do IRPJ. Tal mandamento foi objeto de análise da própria Secretaria da Receita Federal, por intermédio do Parecer Normativo n° 02/1996. Tal mandamento não representa nenhuma benesse ao contribuinte, mas sim a consagração dos princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, confiança legitima e proporcionalidade. Registrese ainda que tal realocação não é uma faculdade do agente fazendário, mas uma exigência legal. Ao ignorar tal fato, a metodologia adotada pela fiscalização criou um efeito cascata. Assumindo que existe uma certa homogeneidade entre o percentual de receitas de exportação e locais, se mostra óbvio que eventual alteração no critério de reconhecimento de receitas de exportação somente produziria efeitos no primeiro mês. Nos demais meses, as receitas eventualmente desconsideradas seriam "compensadas" pelas receitas neles realocadas. Significa dizer que, matematicamente, a realocação de receitas a períodos posteriores eliminaria os feitos da desconsideração das receitas supostamente não pertencentes àquele período de competência, de forma que os indices de rateio calculados pela impugnante iriam necessariamente condizer (ou ser muito próximos) com a realidade. Nesse diapasão e na remota hipótese de se entender como o correto período de competência ao reconhecimento de receitas de exportação remete ao período em que a DDE foi registrada no SISCOMEX, se mostra necessária a reforma do despacho decisório ora combatido com a finalidade de promover o recálculo dos indices de rateio adotados pela fiscalização, sendo necessariamente realocados as receitas de exportação desconsideradas em determinado período àquele de sua competência. Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.508 9 (E) INEXISTÊNCIA DE DUPLICIDADE DO REGISTRO DE DDES. Afirma que não houve registro em duplicidade da DDE 2060718565/1 (e de nenhuma outra DDE ou operação). A operação que deu origem à referida DDE foi contabilizada uma única vez (12/2006), sendo que todos os efeitos fiscais dela decorrentes estão exclusivamente relacionados a esse momento. A empresa não conseguiu identificar qual seria a motivação da Fiscalização ao mencionar tal operação, visto que não existe nada em suas demonstrações contábeis e fiscais que levem a esse fim (não existe registro em duplicidade). Não foi encontrado nas informações/documentos que instruem o presente processo administrativo nada que fundamente tal conclusão, o que reforça o argumento de que o direito à ampla defesa e contraditório está sendo cerceado. (F) POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS/COFINS FORAM DA COMPETÊNCIA DE EMISSÃO DA NOTA FSICAL (CRÉDITO EXTEMPORÂNEO) Ao escriturar os créditos de PIS/COFINS no mês de lançamento das notas dos fornecedores na contabilidade, e não no mês da emissão das mesmas (em período anterior), a empresa adotou prática que beneficiou os cofres públicos. A Fiscalização também ignorou que, como a própria Administração Tributária normatizou, qualquer discussão tributária em que haja a alegação de que o regime de competência foi desrespeitado exige que o Fisco identifique o regime competente, com os efeitos fiscais correspondentes. Argumenta que o momento de emissão da nota fiscal na venda de mercadorias não é, via de regra, o momento em que a compra e venda produz efeitos patrimoniais, não sendo esse o marco temporal para escrituração do custo na contabilidade do adquirente, mas sim a tradição efetiva ou simbólica dos insumos vendidos à empresa (também em virtude do conceito de ativo). No momento em que o fornecedor entrega insumos à empresa, com a tradição da coisa, os riscos passam a ser do comprador, e não do vendedor (art. 492 do CC). Esse é o momento no qual o adquirente escritura o custo da coisa e o passivo devido ao alienante. Para que a contabilização dos insumos ocorra, é necessário que a empresa tenha a propriedade dos mesmos, o respectivo controle, bem como os respectivos riscos e benefícios. Como normalmente o fornecedor está obrigado a entregar os insumos no estabelecimento da empresa, fácil concluir que o custo (e o desconto do crédito de PIS/COFINS respectivo) não deve ser apropriado quando da emissão da NF, mas sim no momento da entrega. Considera que não se pode aceitar a alegação do r. despacho ora questionado de que o sistema "ContAgil" adota a data de emissão de nota fiscal como momento de apropriação de créditos de PIS/COFINS. Nesse ponto, a fiscalização não esclareceu qual é esse sistema, sua base legal, onde pode ser verificado pelo contribuinte, etc. Mesmo que tivesse esclarecido, muito provavelmente o critério do momento para desconto de créditos de PIS/COFINS não resistiria à análise exposta acima. Ora, não pode o fisco simplesmente negar o pedido de ressarcimento da Impugnante com base no referido sistema simplesmente porque ele é o sistema interno do fisco federal. Deve haver uma justificativa, um motivo, que permita ao contribuinte analisar e questionar o raciocínio de tal sistema, o que não houve no caso, caracterizando outra hipótese de cerceamento de defesa. Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.509 10 No que se refere ao crédito dos serviços, sua escrituração se dá apenas no momento em que a empresa recebe a fatura do prestador. Algumas vezes, o prestador emite a fatura em um dos últimos dias do mês, mas a empresa só a recebe posteriormente. Nesse momento a empresa aprova os serviços e o respectivo pagamento, razão pela qual os créditos de PIS/COFINS são então apropriados. A apropriação de créditos de PIS/COFINS em um dado período ou nos meses subseqüentes constitui uma faculdade, um direito do contribuinte. Conforme os arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a empresa poderá descontar créditos de PIS/COFINS das contribuições devidas, a fim de se alcançar o efeito não cumulativo das mesmas. Ou seja, podese subtrair do PIS/COFINS devidos em um dado mês os créditos dessas contribuições. A utilização do verbo poder indica uma faculdade para a empresa, que pode, querendo, em um mês pagar o PIS/COFINS integralmente (sem considerar os créditos), para apenas descontar os mesmos do débito de PIS/COFINS devido no mês seguinte. O § 4º daqueles artigos confirma também a faculdade da empresa de aproveitar o crédito de PIS/COFINS não utilizado em um determinado mês nos períodos seguintes. Em outras palavras, se o contribuinte não utiliza os créditos de PIS/COFINS em um certo mês, ele tem o direito de usar os mesmos nos períodos seguintes. A leitura conjunta de tais dispositivos, combinada com o § 1º dos arts. 3º, demonstra que o contribuinte pode apurar créditos de PIS/COFINS com relação a insumos e serviços adquiridos no próprio mês corrente, ou nos meses anteriores (já que o crédito não aproveitado em um dado mês pode ser utilizado nos seguintes, do que decorre que o crédito não calculado e aproveitado em um período pode ser escriturado e utilizado nos períodos posteriores). No caso concreto, em que há um lapso temporal entre a data de emissão da nota e a sua escrituração na contabilidade (quando da entrada do bem na planta), mesmo que a interpretação do Fisco estivesse correta (o crédito deveria ser apropriado no mês de emissão da notafiscal), também nessa situação o Termo deveria ser reformado, tendo em vista que a empresa estaria simplesmente exercendo um direito seu, baseado nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, de reconhecer créditos de PIS/COFINS em períodos posteriores ao mês em que os mesmos poderiam ser escriturados e aproveitados. Da Decisão de Primeiro Grau Foi proferido Acórdão, pela 3ª Turma, da DRJ/FOR, negando provimento às razões da Recorrente nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.510 11 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.511 12 Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. DECADÊNCIA. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO. Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.512 13 Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Preliminar de Decadência Com relação à alegação de que presente pedido de ressarcimento estava tacitamente homologado, em decorrência do decurso de prazo de cinco anos entre a data de apresentação do PER/DCOMP, vejo que a decisão da DRJ foi acertada. Não há na legislação tributária previsão de prazo para a análise de pedido de ressarcimento, havendo, sim, para o exame de pedido de compensação (artigo 74, §5º, da Lei Federal 9430/1996). Como bem frisado na decisão recorrida: Na compensação, o contribuinte promove o encontro de contas e requer que o procedimento seja homologado pela Administração Tributária. Caso a homologação não ocorra, os valores compensados são imediatamente exigidos nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Esta operação está sujeita a prazo para homologação, pois envolve a cobrança de um débito que o interessado pretende extinguir. Logo, é de se esperar que a lei que regulamenta o pedido de compensação também preveja um prazo para o Fisco decidir sobre o direito pleiteado. Assim como existe prazo para lançamento (decadência) ou cobrança (prescrição) de um tributo. No ressarcimento ou na restituição o contribuinte requer que seja declarada a existência de um crédito. Não existe procedimento anterior a ser objeto de homologação. O indeferimento do pedido de restituição/ressarcimento, mesmo que ocorrido após o decurso do prazo decadencial, não atinge a segurança jurídica, pois não implicará na cobrança de débitos confessados. Feitas essas digressões passemos ao caso em litígio. Foram apresentadas duas declarações: a primeira se refere a pedido de ressarcimento (PER/DCOMP nº 26890.84708.301106.1.1.097098) entregue em 30/11/2006, e a segunda à declaração compensação (PER/DCOMP nº 40563.03216.300709.1.3.097910), datado de 30/07/2009. Considerandose que somente a segunda PER/DCOMP é que está sujeita a prazo para homologação e que o contribuinte foi cientificado do Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.513 14 despacho decisório em 20/03/2012, facilmente se conclui que não ocorreu a homologação tácita questionada pela manifestante. Assim, adotando os mesmo fundamentos da DRJ, afasto essa preliminar Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: (a) Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos não cumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? (b) É possível a apropriação de créditos decorrentes da nãocumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? (c) No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS nãocumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. (A) SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS nãocumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.514 15 II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazê lo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.515 16 Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.516 17 Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. (B) SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.517 18 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.518 19 Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. (C) SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.519 20 agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.520 21 a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais não cumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.521 22 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.522 23 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.523 24 efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a nãocumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.524 25 Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.525 26 efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.526 27 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas, especialmente aqueles mencionados no Despacho Decisório, itens 67 e 68. Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.527 28 Por isso mesmo, entendo pela manutenção das glosas propostas no despacho decisório, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 12585.000328/201142 Acórdão n.º 3401005.984 S3C4T1 Fl. 3.528 29 Fl. 3528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003503/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL.
As cooperativas de eletrificação rural podem excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os gastos administrativos, financeiros e semelhantes conforme arts. 15 da MP 2.158/2001, art. 15 e art. 17 da Lei 10.684/2003.
COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO.NÃO INCIDÊNCIA.
Nos termos do REsp 1.164.716, não incidem o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados.
Numero da decisão: 3201-005.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições as despesas administrativas vinculadas às receitas de eletrificação rural e os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados, nos termos do REsp 1.164.716.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. As cooperativas de eletrificação rural podem excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os gastos administrativos, financeiros e semelhantes conforme arts. 15 da MP 2.158/2001, art. 15 e art. 17 da Lei 10.684/2003. COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO.NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do REsp 1.164.716, não incidem o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados.
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ELETRIFICAÇÃO RURAL. As cooperativas de eletrificação rural podem excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os gastos administrativos, financeiros e semelhantes conforme arts. 15 da MP 2.158/2001, art. 15 e art. 17 da Lei 10.684/2003. COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO.NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do REsp 1.164.716, não incidem o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições as despesas administrativas vinculadas às receitas de eletrificação rural e os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados, nos termos do REsp 1.164.716. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 03 /2 00 6- 47 Fl. 2031DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1623.546, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.032 3 Fl. 2033DF CARF MF 4 Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.033 5 Fl. 2035DF CARF MF 6 Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.034 7 Fl. 2037DF CARF MF 8 Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.035 9 Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 2039DF CARF MF 10 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.036 11 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, aduz a Recorrente que o lançamento fiscal seria nulo pois não apresentaria de modo claro as exclusões e inclusões realizadas na base de cálculo apurada. Não vislumbro qualquer nulidade no procedimento fiscal, valendome do que foi consignado no acórdão Recorrido: Ademais, em sede de Recurso Voluntário a Recorrente não foi capaz de infirmar o quanto restou decidido pelo acórdão Recorrido, limitandose a repisar as mesmas razões de impugnação, sem qualquer demonstração objetiva de nulidade no lançamento. Desse modo, afasto a preliminar arguida. Fl. 2041DF CARF MF 12 Quanto ao mérito, discorre a Recorrente que se trata de uma sociedade cooperativa de eletrificação rural e que, portanto, a ela são aplicáveis tanto as normas que regem o sistema cooperativista, como aquelas aplicáveis ao setor elétrico. Apresenta as normas que entende aplicáveis, especialmente aquelas expedidas pelo órgão regulador do setor elétrico, ANEEL. Explica a forma de composição dos custos tarifários e a natureza de determinadas contas contábeis. Também discorre sobre a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos e defende a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conforme declaração do Supremo Tribunal Federal. Inicialmente há que se esclarecer que, por se tratar de uma cooperativa de eletrificação rural, a possibilidade de exclusão dos gastos administrativos, financeiros e semelhantes, deve ser admitida conforme arts. 15 da MP 2.158/2001, art. 15 e art. 17 da Lei 10.684/2003. Nada obstante, o STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Assiste razão, portanto, à Recorrente no que diz respeito impossibilidade de se exigir o PIS e a COFINS sobre receitas decorrentes da prática de atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados com os seus próprios cooperados. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 11516.003503/200647 Acórdão n.º 3201005.322 S3C2T1 Fl. 2.037 13 Na hipótese dos autos, a princípio, não se verifica, qualquer acusação fiscal de que a cooperativa teria apurado receita de atos não cooperativos. Portanto, em se apurando, em liquidação, que a receita tributada é exclusivamente advinda destes atos cooperativos típicos, não há sequer base de cálculo imponível. Assim, pelas razões expostas, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições as despesas administrativas vinculadas às receitas de eletrificação rural e os atos cooperativos, assim entendidos como aqueles praticados entre cooperativas e cooperados, nos termos do REsp 1.164.716. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 2043DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.003397/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRÊNCIA.
São tributados como rendimentos omitidos, a título de acréscimos patrimoniais a descoberto, quando verificado excesso de aplicações de recursos sobre origens de recursos, que evidenciam renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
Veículo declarado no livro caixa deve ser excluído da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto.
MULTA AGRAVADA OU QUALIFICADA.
Intimação por edital por si só não autoriza o agravamento da multa por descumprimento à intimação.
Numero da decisão: 2201-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o agravamento da penalidade de oficio e para excluir do cálculo do APD o valor referente à aquisição do veículo Mitsubishi. Vencido o conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator, que negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRÊNCIA. São tributados como rendimentos omitidos, a título de acréscimos patrimoniais a descoberto, quando verificado excesso de aplicações de recursos sobre origens de recursos, que evidenciam renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Veículo declarado no livro caixa deve ser excluído da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. MULTA AGRAVADA OU QUALIFICADA. Intimação por edital por si só não autoriza o agravamento da multa por descumprimento à intimação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o agravamento da penalidade de oficio e para excluir do cálculo do APD o valor referente à aquisição do veículo Mitsubishi. Vencido o conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator, que negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 33 97 /2 00 7- 63 Fl. 157DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 103/111, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 87/94, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, exercício 2004, decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF (fls. 26/33), referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/Goiânia-GO. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 28): O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados. Em sua DIRPF 2004, declara rendimentos tributáveis no valor de R$ 12.580,53. Pleiteia desconto simplificado de R$2.516,10, reduzindo a base de cálculo do imposto para R$ 10.064,43. Declara rendimentos isentos de R$ 20.000,00, perfazendo um total de rendimentos líquidos de R$ 30.064,43. Por outro lado, declara na coluna de bens do ano de 2002 o valor de R$856.929,96 e, na coluna de 2003, o valor de R$ 169.561,83. Este acréscimo patrimonial de R$ 112.631,87 teve como fonte os rendimentos líquidos declarados, R$ 30.064,43, resultando em um acréscimo patrimonial a descoberto da ordem de R$ 82.567,44. A Receita Federal coletou junto a Cotril Motors Ltda, concessionária de veículos, informações sobre a aquisição de veículo marca Mitsubishi, tipo camioneta, modelo L- 200 Sport, ano 2003, modelo 2004, pelo valor de R$ 82.400,00, pago à vista, pois não consta da nota fiscal qualquer restrição, seja por reserva de domínio ou alienação fiduciária, bem como não consta de sua DIRPF 2004 a declaração de qualquer dívida ou ônus reais. Assim, constatou-se acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 164.967,44 (R$ 82.567,44 + R$ 82.400,00). O enquadramento legal consta dos autos (fl. 30). Da Impugnação O contribuinte apresenta impugnação, 03/07/2007 em 03/07/2007 (fls. 37/42), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Fl. 158DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa O auto de infração é nulo pelo motivo de não ter conhecimento do Termo de Inicio de Ação Fiscal, em 06/03/2007 (fl. 04). Os correios devolveram o envelope com a indicação de que estava ausente, sendo demonstrado também, em 11/04/2007 que devolveram, com a mesma indicação, o envelope (fl. 05). No dia 26/04/2007, foi publicado e afixado no mural da Receita Federal, porém não teve conhecimento do feito, pois é produtor rural. Mérito Discorda do Fiscal, porque o veículo mencionado foi declarado na atividade rural, no mês 11/2003, juntamente com os valores relativos à despesa. A diferença constante das folhas onde demonstra o aumento de capital, no valor de R$ 37.500,00, aplicação do BB de R$ 13.105,53, saldo em c/c do BB de R$ 2.026,34 e Brasil Prev. VGBL de R$ 60.000,00 são valores que deveriam ter sido considerados pelo fiscal, se tivesse considerado os Contratos de Custeio Agrícola, junto ao BB e declarados na DIRPF exercício 2004 em Dívidas Vinculadas à Atividade Rural, valor de R$ 674.129,02 e o valor efetivamente pago de custeio em 2003 foi de R$ 393.314,24. Assim, restou um saldo de R$ 280.814,78. Tratando do veículo de R$ 82.400,00, refere-se à divergência da DIRPF 2004, mas de acordo com a própria instrução de preenchimento da Receita Federal, foi declarado o valor do bem nas Despesas e não de declarada na parte de Bens da Atividade Rural. Faz demonstrativo de cálculo do patrimônio e sua evolução, chegando a um saldo de R$ 311.524,60. Foi feita a retificação da DIRPF como demonstra o documento em anexo. Sendo assim, sob qualquer ângulo que se veja a questão, a autuação é equivocada, pois não houve descumprimento da obrigação. Requer a anulação e improcedência do auto de infração. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou o lançamento procedente, conforme ementa abaixo (fls. 87): Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OCORRENCIA. São tributados como rendimentos omitidos, a título de acréscimos patrimoniais a descoberto, quando verificado excesso de aplicações de recursos sobre origens de recursos, que evidenciam renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 103/111, limitando-se a reafirmar o alegado em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 159DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Voto Vencido Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. No caso em questão, a meu ver, todos os pontos objeto do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, são os mesmos que já foram devidamente tratados na decisão recorrida. Aplicável ao caso o disposto no artigo 57, § 3º, do RICARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Sendo assim, em atenção ao disposto no artigo 57, § 3º, transcrevo a decisão recorrida, com a qual concordo: Fl. 160DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Do Mérito Sustenta o lmpugnante que o veiculo mencionado foi declarado na atividade rural, no - mês 11/2003, juntamente com os valores relativos à despesa. A diferença constante das folhas onde demonstra o aumento de capital, a aplicação do BB, o saldo em c/c do BB e o Brasil Prev. VGBL são valores que deveriam ter sido considerados pelo fiscal, se tivesse considerado os Contratos de Custeio Agrícola, junto ao BB e declarados na DIRPF exercício 2004 em Dívidas Vinculadas à Atividade Rural, no valor de R$ 674.129,02, e o montante efetivamente pago de custeio em 2003, que foi de R$ 393.314,24, restando um saldo de R$280.814,78. Sem qualquer razão, no entanto. Antes de passar às considerações de mérito, cumpre abordar a questão da Declaração Retificadora encaminhada pelo contribuinte em 02/07/2007 (fls. 66/71). Essa Declaração foi devidamente anulada pela Receita Federal do Brasil, uma vez que entregue depois de já notificado do lançamento em 12/06/2007 (fl. 34), o que não é permitido pela legislação tributária (Código Tributário Nacional, art. 147, § 1°). Assim, considerar-se-á válida apenas a DIRPF Simplificada, exercicio 2004, originalmente entregue (fls. 11/16). Feita essa consideração, passa-se à análise do mérito. A partir das informações constantes do Auto de Infração, constata-se que o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos e esclarecimentos especificados no Termo de Fl. 161DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Início de Fiscalização (fls. 04/09), contudo não atendeu à intimação, seja por via postal, seja por edital. Como consequência, todos os valores informados, a título de atividade rural, receitas e despesas, não foram considerados como comprovados, já que não houve a apresentação de qualquer documento (Livro-Caixa, comprovantes etc). Os rendimentos tomados, no valor de R$ 12.580,53, foram tão-somente aproveitados como Rendimentos Tributáveis informados pelo contribuinte e em seu beneficio, não como indicação de que toda a sua Atividade Rural foi considerada, pois não o foi, vez que nada apresentou. É isso que está explícito no Auto e, que observa na Demonstração de Variação Patrimonial, onde não estão registrados os movimentos de receitas e despesas da Atividade Rural. Na fase impugnatória, a partir do demonstrativo de sua suposta atividade rural, o contribuinte deveria ter acostado documentos comprobatórios de suas receitas, despesas 5:3 Livro-Caixa (Lei n° 9.250/1995, art. 18). Art. 18. O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do ano-calendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. § 2" A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. § 3 ° Aos contribuintes que tenham auferida receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais) faculta-se apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. Da exegese do preceito acima transcrito, depreende-se que não seria facultado ao contribuinte, considerando o caso em tela, meramente apresentar prova documental não acompanhada de Livro-Caixa. Em relação ao aumento de capital, ao saldo em c/c do Banco do Brasil e à Brasil Prev. VGBL foram considerados pelo Fiscal como aplicações, não como origem de recursos, uma vez que a situação em 31/12/2003 declarada foi de aumento patrimonial, e não de redução (fls. 13, 20/25). De outra forma: não poderiam ser usados como fonte para comprovar o acréscimo patrimonial, vez que são registros de emprego de fundos. Correto, portanto, o procedimento fiscal. No tocante ao veículo Marca Mitsubishi, L-200, no valor de R$ 82.400,00, não informado em nenhum local da Declaração, argumenta o Impugnante que foi declarado nas despesas e não na parte de Bens da Atividade Rural, de acordo com instruções de preenchimento da Receita Federal. Limita-se, como se observa dos autos, a fazer essa afirmação genérica, sem apontar o dispositivo onde tal procedimento é assim indicado pela Receita Federal do Brasil. O fato é que não existe tal instrução. É obrigatória a inclusão de todos e quaisquer bens da atividade rural na Declaração, inclusive há quadro próprio para esse fim. Por fim, o Impugnante acosta documentos em que comprovariam Contratos de Custeio Agrícola, junto ao Banco do Brasil, declarados como Dívidas Vinculadas à Atividade Rural, no valor de R$ 674.129,02, e, segundo diz, não considerados pela Fiscalização. Além de notas que comprovariam as despesas da atividade rural do mês de novembro de 2003, no valor de R$ 129.700,00, onde supostamente estaria incluído o veículo supracitado (fls. 73/79). Cabe repisar, o reclamante não apresentou comprovação de suas receitas e despesas declaradas da atividade rural, na fase impugnatória, acompanhada de escrituração do livro-caixa, como requer a legislação tributária, muito menos declarou o veículo como bem vinculado à atividade rural. Assim, continua a ser desconsiderada a suposta Fl. 162DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 atividade e tomado como auferido apenas o montante já admitido pela legislação, supracitado. A titulo de argumentação, ainda que a atividade rural anual declarada estivesse amplamente comprovada e considerada, com a apresentação de Livro-Caixa e documentos comprobatórios, o que não ocorreu, os empréstimos ou financiamentos obtidos especificamente para emprego em atividade rural constantes da DIRPF 2004 não teriam o condão de justificar acréscimo patrimonial de bens/direitos não relacionados à atividade por falta de amparo legal (IN SRF n° 83, de 2001, art. 21). Tanto o veículo não se encontra informado nos bens da atividade rural, quanto os acréscimos restantes apurados (VGBL, saldos bancários, p. ex.) não têm aquela natureza Art. 21. Os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não justificam acréscimo patrimonial. Ante o exposto, voto pela PROCEDÊNCIA do lançamento. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator Designado Em que pese o costumas acerto bem como os lógicos argumentos exposto pelo Relator em seu voto, com a devida vênia, ouso dele discordar em relação à multa agravada em à inclusão do veículo Mitsubishi no cálculo do APD, conforme adiante exposto. Da intimação por edital e da multa agravada Acredito que não se pode utilizar a intimação por edital como subterfugio para a aplicação da multa agravada de 112,5% pelo não atendimento de intimação para o contribuinte prestar esclarecimentos. Ora, sabe-se que raramente o contribuinte irá atender uma intimação por edital. Tanto que, de fato, não atendeu. O RECORRENTE somente apresentou defesa administrativa pois foi intimado do auto de infração por via postal (fl. 38), no mesmo endereço no qual não recebeu as intimações para apresentar esclarecimentos durante a fiscalização (fls. 06/09). Ademais, a ausência de documentos/esclarecimentos a serem apresentados pelo contribuinte não obstaculizaram a lavratura do auto de infração por parte da autoridade lançadora, pois a constatação do APD decorreu da mera análise da declaração de ajuste do RECORRENTE, da seguinte forma: - bens em 31/12/2002: R$ 56.929,96; - bens em 31/12/2003: R$ 169.561,83; - acréscimo patrimonial no período: R$ 112.631,87 (= R$ 169.561,83 – R$ 56.929,96); Fl. 163DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 - rendimento líquidos declarados: R$ 30.064,43; - acréscimo patrimonial a descoberto: R$ 82.567,44 (= R$ 112.631,87 – R$ 30.064,43). Quanto ao APD em relação ao veículo Mitsubishi (valor de R$ 82.400,00), este fato será objeto de análise adiante em tópico específico. Sendo assim, acredito que deve ser afastada a multa de ofício agravada de 112,5%, aplicada pelo não atendimento de intimação para o contribuinte prestar esclarecimentos, devendo a mesma ser reduzida para o percentual comum de 75%, conforme art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Contudo, isso não significa que houve cerceamento do direito de defesa, ou ainda a nulidade do lançamento, como alega o RECORRENTE, pois a intimação por edital é forma prevista em lei e, portanto, válida, conforme art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (com redação em vigor à época dos fatos): Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim, entendo que, no presente caso, o direito de ampla defesa e do contraditório, assegurado pela Constituição, foi atendido plenamente, em vista de que foi oportunizado ao contribuinte o prazo de trinta dias, contados da data do recebimento do auto de infração, para que fosse apresentada sua impugnação quanto a todos os pontos divergentes, bem como apresentação de toda a documentação que julgasse necessária. O contribuinte, também demonstrou compreender todos os fatos que lhe foram imputados. Prova disso é que o RECORRENTE apresentou sua defesa tempestivamente, o que ensejou a instauração do litígio quanto às matérias e deu ensejo à apresentação do recurso voluntário ao CARF, o qual é objeto de análise, além de ter incluído ao processo documentos de seu interesse. Sendo assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa no presente caso, devendo, apenas, a multa de ofício de 112,50% ser reduzida para 75%, conforme razões expostas. Do veículo Mitsubishi Fl. 164DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 Em síntese, o RECORRENTE alega que o veículo Mitsubishi (nota fiscal de numero 011983, da COTRIL MOTORS LTDA) foi declarado na atividade rural, no mês 11/2003, juntamente com os valores relativos à despesa. Afirma que, “de acordo com a própria instrução de preenchimento da Receita Federal do mesmo ano, foi declarada (sic) o valor do bem nas Despesas e não de declarada na parte de Bens da Atividade Rural” (fl. 109). A DRJ, por sua vez, entendeu que o contribuinte fez alegação genérica, “sem apontar o dispositivo onde tal procedimento é assim indicado pela Receita Federal” (fl. 93). Apontou que, na realidade, não existe tal instrução, na medida que é obrigatória a inclusão de todos e quaisquer bens da atividade rural na Declaração, inclusive há quadro próprio para esse fim. Ademais, a autoridade julgadora de primeira instância afirmou que os valores informados a título de atividade rural não foram considerados como comprovados, já que não houve a apresentação de qualquer documento (Livro-Caixa, comprovantes etc.). Diante disto, aliando à não declaração do veículo como bem vinculado à atividade rural, não acatou as alegações de defesa do RECORRENTE. Contudo, quando da apresentação do seu Recurso Voluntário, o contribuinte acostou aos autos o livro caixa do ano-calendário 2003 (fls. 121/152), argumentou em suas razões que deixou de apresentar tal documento quando da impugnação “vez que nem mesmo foi mencionado nas notificações acostada ao processo o LIVRO CAIXA DO ANO 2003” (fl. 108). Entendo que assiste razão ao RECORRENTE. De fato, o auto de infração não foi originado por suspeitas ou infrações relacionadas ao Livro Caixa da atividade rural. A autoridade lançadora apenas afirma que “o Contribuinte declara rendimentos tributáveis no valor de RS 12.580,53”, contudo sequer esclarece que tal rendimento foi oriundo da atividade rural. Ou seja, não houve questionamentos a respeito das receitas e despesas rurais no presente caso. Caso houvesse avanço das investigações neste sentido, certamente a fiscalização iria apurar o resultado da atividade rural pelo arbitramento de 20% da receita bruta, o que corresponderia ao rendimento tributável de R$ 232.922,72, conforme demonstra a própria declaração do contribuinte (fl. 19). Sendo assim, não compactuo do argumento da DRJ, no sentido de que, no presente caso, foi desconsiderada a suposta atividade rural do contribuinte (fl. 92): Como consequência, todos os valores informados, a título de atividade rural, receitas e despesas, não foram considerados como comprovados, já que não houve a apresentação de qualquer documento (Livro-Caixa, comprovantes etc). Os rendimentos tomados, no valor de R$ 12.580,53, foram tão-somente aproveitados como Rendimentos Tributáveis informados pelo contribuinte e em seu benefício, não como indicação de que toda a sua Atividade Rural foi considerada, pois não o foi, vez que nada apresentou. É isso que está explícito no Auto e, que observa na Demonstração de Variação Patrimonial, onde não estão registrados os movimentos de receitas e despesas da Atividade Rural.” No meu entendimento, s.m.j., ao acatar (e não contestar) o valor declarado de R$ 12.580,53 como rendimento tributável oriundo da atividade rural, a autoridade fiscal aceitou os valores de receitas e despesas rurais originalmente declarados pelo contribuinte. Portanto, a apresentação de Livro-Caixa e documentos comprobatórios no presente caso podem, sim, corrigir eventuais distorções no lançamento. E foi o que ocorreu em relação ao veículo Mitsubishi. Fl. 165DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.184 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.003397/2007-63 A nota fiscal nº 011983 de fl. 23 (apresentada novamente pelo contribuinte à fl. 112) atesta a compra do veículo Mitsubishi em 13/11/2003 por R$ 82.400,00. No Livro Caixa, consta como lançamento nº 45 uma despesa de R$ 82.400,00, em 13/11/2003, na conta “maquinas e equipamentos agrícolas”, indicando como histórico a NF 011983 (fl. 144). Referido trecho do livro caixa atesta, ainda, que o total de despesas no mês de novembro/2003 foi da ordem de R$ 129.700,00, mesmo valor originalmente informado na declaração de ajuste anual (fl. 19). Aliás, os valores de receitas e despesas mensais declaradas espelham exatamente os totais em cada mês escriturados em livro caixa. Esta constatação afasta eventual suspeita de confecção posterior do livro caixa. Sendo assim, entendo que resta comprovado o fato de o RECORRENTE ter declarado o veículo Mitsubishi como despesa da atividade rural no referido ano de 2003, deixando, contudo, de informar tal veículo na relação de bens da atividade rural, o que pode plenamente ser reconhecido (e sanado) como um erro material. Portanto, não merece prosperar o cálculo de fl. 29, que incluiu o valor de R$ 82.400,00 no rol de Bens e Direito do próprio contribuinte (sem relação com a atividade rural), o que majorou o APD de R$ 82.567,44 para R$ 164.967,44. Transportar referido veículo para a rol de Bens e Direitos do contribuinte demandaria uma comprovação, por parte da fiscalização, de que o veículo não estaria relacionado à atividade rural, o que não foi feito no presente caso. Conclusão Por tudo acima exposto, entendo que deve ser dado parcial provimento ao pleito do RECORRENTE, para: (i) Reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%; e (ii) Excluir do cálculo do APD o valor de R$ 82.400,00, referente ao veículo Mitsubishi (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720880/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ITR. IMÓVEL PARCIALMENTE LOCALIZADO NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO.
Observada a legislação aplicada à matéria, estando comprovado que parte da sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, a área do imóvel inserida nos limites do parque deve ser considerada como de preservação/interesse ecológico.
Numero da decisão: 2401-006.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de interesse ecológico de 10.551,65 ha.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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IMÓVEL PARCIALMENTE LOCALIZADO NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO. Observada a legislação aplicada à matéria, estando comprovado que parte da sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, a área do imóvel inserida nos limites do parque deve ser considerada como de preservação/interesse ecológico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de interesse ecológico de 10.551,65 ha. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 08 80 /2 01 2- 85 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório ASSOCIAÇÃO DAS FAMÍLIAS PARA A UNIFICAÇÃO E PAZ MUNDIAL, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03062.024/2014, às efls. 457/469, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2010, conforme Notificação de Lançamento, às efl. 03/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 04/10/2012 (AR. fl. 09), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: "Área de Interesse Ecológico não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...]Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 4 3 estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor Total da terra nua foi calculado multiplicando se esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos:município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.[...]" Procedendo à análise da documentação apresentada e dos dados constantes da correspondente DITR/2010, a fiscalização resolveu glosar, integralmente, a área declarada de interesse ecológico, de 10.904,4 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 484.390,00 (R$ 39,33/ha), arbitrando o valor de R$ 19.540.248,28 (R$ 1.586,60), correspondente ao VTN/ha apontado no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, dados referentes ao exercício de 2010, para o município de BonitoMS, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização do imóvel, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 3.907.799,86, conforme demonstrativo de fls. 07. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 473/494, procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, propugna pela imunidade prevista no art. 150, IV, “b”, da Constituição da República, e alega realizar atividades de assistência social pautadas por princípios religiosos em razão de sua natureza, não a descaracterizando como a igreja. Destaca que não há nenhuma acusação fiscal de que a Recorrente não faz jus a imunidade tributária por descumprimento a condicionantes legais. Este argumento somente veio a ser suscitado pela decisão recorrida, inovando sobremaneira o lançamento, sendo vedado. Assevera ser dever da fiscalização indicar os elementos pelos quais buscou descaracterizar a condição de imune, sob pena de não o fazendo, incorrer na improcedência do feito, colacionando jurisprudência sobre o tema. Esclarece ser claro o seu Estatuto Social no sentido de que todo recurso angariado é aplicado exclusivamente para manutenção de suas atividades. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 5 4 Insurgese quanto a nulidade do lançamento pela falta de Ato Declaratório Executivo (ADE) de suspensão de imunidade da contribuinte, por clara violação ao devido processo legal. Informa que o Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi criado pelo Decreto presidencial sem número, de 21/09/2000, com o objetivo de proteger a região de mata que abrange os municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho, no Estado do Mato Grosso do Sul, e que em boa parte desta área, aproximadamente 82%, ainda não foi realizada a devida compra e venda pelo Estado junto aos proprietários. Explicita não haver como prosperar a tributação sobre a área de interesse ecológico, área do Parque Nacional inserida na Fazenda Hope New Hope La Harmonia, uma vez que são de utilidade pública, cuja administração inclusive é de competência e responsabilidade do IBAMA, ou seja, sequer pode a recorrente explorar de fato a respectiva área. Argumenta que a falta de entrega ou entrega tardia do ADA não pode prejudicar o direito que socorre a contribuinte pelo simples fato de tratarse de documento de controle ambiental e não tributário, salientando existir Ato de Autoridade Ambiental atestando de forma cabal que a área indevidamente glosada encontrase inserida no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, reconhecidamente de interesse ecológico. Assevera também quanto a falta de motivação do arbitramento do valor da terra nua. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 08 de junho de 2017, foi proposta resolução pela 1° Turma da 4° Câmara, por maioria dos votos do Colegiado, vencido este Relator, às efls 522/528, in verbis: Ocorre que existe um ponto controvertido, que demanda esclarecimentos adicionais. Com vistas à contestação da Ação de Desapropriação Indireta movida pelo contribuinte contra a União Federal, a Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou que em nenhum momento houve impedimento à continuidade das atividades econômicas tradicionais nas áreas abrangidas pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena, enquanto não houvesse um ato de imissão de posse em favor do Ibama. As únicas restrições impostas se referiam à autorização para desmatamento ou à exploração de recursos naturais com fins comerciais (fls. 229). É verdade que tratase de uma declaração datada do final do ano de 2007, portanto anterior ao exercício de 2010. Porém, além de constar da motivação da acusação fiscal, deixa dúvidas sobre a existência de algum aproveitamento econômico pelo contribuinte na área localizada no Parque Nacional. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 6 5 Dessa feita, com propósito de trazer aos autos elementos adicionais de convencimento ao julgador, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar à unidade preparadora da Receita Federal do Brasil a expedição de ofício ao ICMBio, destinado ao Chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, com a finalidade de que o órgão de controle da unidade de conservação federal auxilie nos seguintes esclarecimentos: (i) em janeiro/2010, com relação à área da Fazenda New Hope La Harmonia inserida dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, quais restrições de atividades econômicas eram impostas? (ii) a Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial exercia ou continuava a exercer atividades econômicas nessa área? Quais atividades e limitações? (iii) explicações complementares, se desejar. Após o pronunciamento do ICMBio, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. Tendo em vista a diligência encimada, em resposta ao Ofício emitido ao chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, foi elaborada a resposta de efls. 533/535, nos seguintes termos: 1. Em resposta ao ofício nº 422/2018DRF/DOU/Gabin , vimos informar o que segue. 2. A Fazenda La Harmonia, matriculada no cartório de imóveis de Bonito sob nº 5660 possui área registrada de 12.315,87 hectares, dos quais 10.551,65 hectares encontramse dentro dos limites do Decreto de criação do Parque Nacional da Serra da Bodoquena PNSBd. 3. Como em outras áreas inseridas no PNSBd ainda não desapropriadas, as restrições às atividades econômicas não são totais, podendo o proprietário continuar a desenvolver as atividades que desenvolvia à época da criação do PNSBd, sem poder ampliála ou introduzir modificações que aumentem a antropização da área. 4. No entanto, considerando que quase toda a área da Fazenda La Harmonia que se encontra dentro do Parque Nacional está muito bem conservada em relação à sua cobertura florestal (como verificase pela imagem de satélite em anexo), e que é improvável que se consiga Autorização Ambiental para supressão vegetal para esta área (dentro do PNSBd), podemos sim considerar que há restrições para o desenvolvimento de atividades econômicas como a pecuária e agricultura devido a dificuldades com o manejo das mesmas (visto que os proprietários não conseguirão abrir, limpar e plantar nas áreas dentro do PNSBd). Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 7 6 4. A exploração de madeira dentro do PNSBd e de outras Unidades de Conservação Federais (UC) foi suspensa em 2005, mesmo em casos em que eram feitas através de Plano de Manejo Florestal Sustentado. Podem haver restrições inclusive para áreas fora das UC, dependendo das normas de sua Zona de Amortecimento ou ainda de decretos mais abrangentes (ex.: plantio de soja transgênica permitido somente além dos 500 m dos limites da UC – essa norma é aplicável ao PNSBd). 5. Não temos como afirmar precisamente se em janeiro de 2010 a Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial (AFUPM) estava desenvolvendo a atividade pecuária, principal atividade desenvolvida naquela propriedade, pois nesta época o principal motivo que fazia a equipe do PNSBd passar por dentro da área era o acesso ao rio Perdido e o caminho encontravase intransitável (durante essa época também, grande parte das pastagens localizadas na parte da propriedade inserida no PNSBd estavam tomadas por alecrim do campo, sem condições de ser pastejadas). Embora na maioria das propriedades da AFUPM localizadas no PNSBd aquela instituição não desenvolvesse diretamente atividades, em algumas delas as terras eram arrendadas a terceiros, para evitar ocupações por demandantes de reforma agrária e também por terceiros que mantinham e mantém até hoje disputas judiciais em relação à posse das áreas. No caso da Fazenda La Harmonia durante muito tempo um senhor conhecido por “Mineiro” esteve morando na área e criando seu gado, principalmente na área fora do PNSBd. Os registros da IAGRO talvez indiquem também nesta época a arrendatária Roberta Salamene, pois em fiscalização em outra área da AFUPM (Fazenda Morraria), o arrendatário afirmava estar arrendando ambas as fazendas, mas foi constatado que os documentos na IAGRO eram apenas referentes à Fazenda La Harmonia. (...) (grifo original) Regulamente intimada da informação fiscal, a contribuinte apresentou manifestação, efls. 578/579, aduzindo: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 8 7 Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos regressaram para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARQUE NACIONAL Na análise das peças que compõem o presente processo, verificase que a Autoridade Fiscal glosou integralmente a área declarada de interesse ecológico, de 10.904,4 ha, que corresponde a aproximadamente 88% da área total do imóvel, por falta de apresentação dos documentos de prova exigidos por meio do Termo de Intimação Fiscal, inclusive no que diz respeito à apresentação do ADA do exercício de 2010, conforme descrito pela autoridade autuante às fls. 05/06. Pois bem. De início, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal/Interesse Ecológico, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Inclusive, observase que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. Dessa forma, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. Superada a questão do ADA, a contribuinte informa que o Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi criado pelo Decreto presidencial sem número, de 21/09/2000, com o objetivo de proteger a região de mata que abrange os municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho, no Estado do Mato Grosso do Sul, e que em boa parte desta área, aproximadamente 82%, ainda não foi realizada a devida compra e venda pelo Estado junto aos proprietários. Explicita não haver como prosperar a tributação sobre a área de interesse ecológico, área do Parque Nacional inserida na Fazenda Hope New Hope La Harmonia, uma Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 9 8 vez que são de utilidade pública, cuja administração inclusive é de competência e responsabilidade do IBAMA, ou seja, sequer pode a recorrente explorar de fato a respectiva área. De fato, nos termos da Lei n° 9.985, de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, os Parques Nacionais constituem Unidades de Proteção Integral, em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos seus limites (artigos 7°, § 1°, 8° e ll, da citada Lei). Para maior entendimento do significado quanto a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, transcrevemos o disposto do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Pois bem, ao analisar o recurso e documentos ofertados pela contribuinte, este Colegiado em oportunidade anterior entendeu por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: (...) Dessa feita, com propósito de trazer aos autos elementos adicionais de convencimento ao julgador, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar à unidade preparadora da Receita Federal do Brasil a expedição de ofício ao ICMBio, destinado ao Chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, com a finalidade de que o órgão de controle da unidade de conservação federal auxilie nos seguintes esclarecimentos: (i) em janeiro/2010, com relação à área da Fazenda New Hope La Harmonia inserida dentro do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, quais restrições de atividades econômicas eram impostas? (ii) a Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial exercia ou continuava a exercer atividades econômicas nessa área? Quais atividades e limitações? (iii) explicações complementares, se desejar. (...) Depreendese do excerto encimado, existir dúvida quanto a existência de atividade econômica pela contribuinte na área do Parque Nacional. Em reposta a Resolução retro mencionada, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, elaborou informação fiscal, às e.fls. 533/535, que diz: Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 10 9 1. Em resposta ao ofício nº 422/2018DRF/DOU/Gabin , vimos informar o que segue. 2. A Fazenda La Harmonia, matriculada no cartório de imóveis de Bonito sob nº 5660 possui área registrada de 12.315,87 hectares, dos quais 10.551,65 hectares encontramse dentro dos limites do Decreto de criação do Parque Nacional da Serra da Bodoquena PNSBd. 3. Como em outras áreas inseridas no PNSBd ainda não desapropriadas, as restrições às atividades econômicas não são totais, podendo o proprietário continuar a desenvolver as atividades que desenvolvia à época da criação do PNSBd, sem poder ampliála ou introduzir modificações que aumentem a antropização da área. 4. No entanto, considerando que quase toda a área da Fazenda La Harmonia que se encontra dentro do Parque Nacional está muito bem conservada em relação à sua cobertura florestal (como verificase pela imagem de satélite em anexo), e que é improvável que se consiga Autorização Ambiental para supressão vegetal para esta área (dentro do PNSBd), podemos sim considerar que há restrições para o desenvolvimento de atividades econômicas como a pecuária e agricultura devido a dificuldades com o manejo das mesmas (visto que os proprietários não conseguirão abrir, limpar e plantar nas áreas dentro do PNSBd). 4. A exploração de madeira dentro do PNSBd e de outras Unidades de Conservação Federais (UC) foi suspensa em 2005, mesmo em casos em que eram feitas através de Plano de Manejo Florestal Sustentado. Podem haver restrições inclusive para áreas fora das UC, dependendo das normas de sua Zona de Amortecimento ou ainda de decretos mais abrangentes (ex.: plantio de soja transgênica permitido somente além dos 500 m dos limites da UC – essa norma é aplicável ao PNSBd). 5. Não temos como afirmar precisamente se em janeiro de 2010 a Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial (AFUPM) estava desenvolvendo a atividade pecuária, principal atividade desenvolvida naquela propriedade, pois nesta época o principal motivo que fazia a equipe do PNSBd passar por dentro da área era o acesso ao rio Perdido e o caminho encontravase intransitável (durante essa época também, grande parte das pastagens localizadas na parte da propriedade inserida no PNSBd estavam tomadas por alecrim do campo, sem condições de ser pastejadas). Embora na maioria das propriedades da AFUPM localizadas no PNSBd aquela instituição não desenvolvesse diretamente atividades, em algumas delas as terras eram arrendadas a terceiros, para evitar ocupações por demandantes de reforma agrária e também por terceiros que mantinham e mantém até hoje disputas judiciais em relação à posse das áreas. No caso da Fazenda La Harmonia durante muito tempo um senhor conhecido por “Mineiro” esteve morando na área e criando seu gado, principalmente na área Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 11 10 fora do PNSBd. Os registros da IAGRO talvez indiquem também nesta época a arrendatária Roberta Salamene, pois em fiscalização em outra área da AFUPM (Fazenda Morraria), o arrendatário afirmava estar arrendando ambas as fazendas, mas foi constatado que os documentos na IAGRO eram apenas referentes à Fazenda La Harmonia. (...) (grifo original) Diante da análise da documentação acostado aos autos, especialmente da Declaração acima transcrita, especificamente nos tópicos 1 e 4 (grifado), merece guarida a pretensão da recorrente, para que seja reconhecida à área de 10.551,65 hectares como de Interesse Ecológico. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente em relação a suposta "Zona de Amortecimento", uma vez que a prórpia contribuinte declarou como área de pastagem e quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. DA IMUNIDADE De início, aduz inexistir dúvidas quanto à observância da entidade dos requisitos inscritos no artigo 14 do Códex Tributária, fazendo jus, portanto, à imunidade contemplada nos artigos 150, inciso VI, alíneas "a" e “c”, da Constituição Federal, e 9°, inciso IV, alínea “c” do CTN, não tendo o Fisco jamais suspendido referido benefício fiscal da contribuinte. A fazer prevalecer sua pretensão, a recorrente suscita a improcedência do lançamento posto que a área em contenda se constituí finalidade essencial da Fundação e, portanto, indispensável ao cumprimento das condicionantes ambientais vinculadas ao Projeto que implanta. Entende que, na qualidade de pessoa jurídica de direito privado, como demonstrado pela documentação juntada, está adstrita à imunidade tributária a teor do disposto no art. 150, IV, “c” c/c art. 150, § 2º, da Constituição da República. Destaca que não há nenhuma acusação fiscal de que a Recorrente não faz jus a imunidade tributária por descumprimento a condicionantes legais. Este argumento somente veio a ser suscitado pela decisão recorrida, inovando sobremaneira o lançamento, sendo vedado. Assevera ser dever da fiscalização indicar os elementos pelos quais buscou descaracterizar a condição de imune, sob pena de não o fazendo, incorrer na improcedência do feito, colacionando jurisprudência sobre o tema. Esclarece ser claro o seu Estatuto Social no sentido de que todo recurso angariado é aplicado exclusivamente para manutenção de suas atividades. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 12 11 Insurgese quanto a nulidade do lançamento pela falta de Ato Declaratório Executivo (ADE) de suspensão de imunidade da contribuinte, por clara violação ao devido processo legal. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da observância dos requisitos da fruição da imunidade insculpida no artigo 150, inciso VI, alínea “c”, e § 4º, da Constituição Federal, para fins de incidência do ITR sobre imóvel rural de propriedade da entidade autuada, ora recorrente. Pois bem! Especificamente acerca desta matéria, o Colegiado já exprimiu seu entendimento na Resolução, o que, afora meu posicionamento pessoal, em respeito ao Principio do Colegiado, adoto a conclusão a seguir: Observo da cópia da Declaração do Imposto Territorial Rural (ITR), exercício 2010, que o contribuinte declarou, em relação ao imóvel rural denominado de Fazenda New Hope La Harmonia, localizado no município de Bonito, estado do Mato Grosso do Sul (fls. 290): "O Imóvel está imune ou isento do ITR? Não" A toda a evidencia, diante da explícita declaração do contribuinte, não é razoável exigir que a autoridade fazendária comprove a inobservância dos requisitos da imunidade em relação ao imóvel rural em comento. Ao contrário, se a recorrente alega estar albergada pela imunidade prevista no art. 150, inciso VI, da Carta Magna de 1988, incumbelhe, quanto ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova (art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). Por isso, com acerto o acórdão recorrido quando entendeu que caberia ao contribuinte demonstrar que as atividades desenvolvidas no imóvel se identificavam com os objetivos institucionais da entidade, conforme estatuto social, atraindo, por consequência, a possibilidade de aplicação da imunidade insculpida no art. 150, inciso VI, alínea "c", c/c § 4º da Constituição da República. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a área de interesse ecológico de 10.551,65 ha, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13161.720880/201285 Acórdão n.º 2401006.629 S2C4T1 Fl. 13 12 Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.907578/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.131
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de Pedido de Ressarcimento, de crédito de PIS, não cumulativa – exportação. Conforme Despacho Decisório, o pedido foi parcialmente deferido. Consta de tal decisão que sobre os valores do “Crédito Deferido” não deverão incidir juros compensatórios (taxa Selic), conforme regulamentação do art.83, §5º, inciso I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Consta, ainda, que os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento, objeto do presente PAF, foram juntados ao Processo Administrativo Fiscal - PAF nº 10380.720057/2013-88. De acordo com a informação fiscal integrante do Despacho Decisório, sobre a base de cálculo do crédito pleiteado teriam sido aplicadas diversas glosas, em razão de se constatar que: i) os bens não constituíam insumos (fretes, caixas de isopor reutilizáveis e embalagens secundárias); ii) os produtos foram adquiridos com a finalidade de exportação (camarão_; e 3) as aquisições foram realizadas com suspensão da incidência do PIS/Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 07 57 8/ 20 12 -6 7 Fl. 199DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907578/2012-67 Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, manejando os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, contesta a glosa das aquisições de camarão com o fim específico de exportação defendendo, em síntese, que o fato de as referidas notas fiscais possuírem a anotação “mercadoria destinada à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação” ou ainda “mercadoria destinada com fins específicos de exportação” não implica que a mercadoria a que se referem tenham sido exportadas na forma em que foram adquiridas. Acrescenta que mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas pela Fiscalização foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). No que tange às aquisições de outros insumos, alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS não cumulativa é mais amplo do que aquele previsto para o IPI, e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. Por outro lado, quanto à atualização monetária no ressarcimento, entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigando-o a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Requer, por fim, que as glosas sejam restabelecidas e o valor do crédito pleiteado seja reconhecido e ressarcido com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização. Por seu turno, observa a DRJ que julgou a Manifestação de Inconformidade que os processos administrativos fiscais (PAF) nº 10380.907569/2012-76, 10380.907570/2012-09, 10380.907571/2012-45, 10380.907572/2012-90, 10380.907573/2012-34, 10380.907575/2012- 23, 10380.907576/2012-78, 10380.907577/2012-12, 10380.907578/2012-67 e 10380.907579/2012-10, todos de interesse da contribuinte acima identificada, que têm por objeto os pedidos de ressarcimento dos créditos do PIS e Cofins não cumulativos (exportação). Tais processos foram baixados em diligência para fins de saneamento, tendo em vista que os autos do PAF nº 10380.720057/2013-88, conteriam documentação de interesse Fl. 200DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907578/2012-67 (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc.), relacionada à auditoria manual realizada sobre os pedidos de ressarcimento citados. Foi solicitado que fossem anexadas aos autos dos mencionados PAF as notas fiscais relativas às “mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação” (motivo da glosa) constantes do “Demonstrativo das Glosas sobre Aquisições de Bens Utilizados como Insumos”, referentes ao período de que tratam. Cientificada da diligência fiscal, a interessada manifestou-se para informar que com o trânsito em julgado do Processo 0800383-59.2013.4.05.8100, em 11/12/2014, teve reconhecido o direito a atualização monetária, pela taxa SELIC, do crédito de que trata o presente processo. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, firmando o entendimento de que no âmbito dos pedidos de ressarcimento o ônus de comprovação do direito creditório cabe ao contribuinte. O mesmo acórdão concluiu que as hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração de PIS são somente as previstas na legislação de regência, que é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento. Ficou também assentado que, no regime não cumulativo de PIS somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Ainda com base na decisão prolatada pela DRJ, consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No que tange às embalagens, concluiu-se que apenas aquelas que se caracterizam como insumos, que são as incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907578/2012-67 VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-001.123, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301-001.123). Inicio, consignando que este voto aplica-se aos processos 10380.907567/2012-87, 10380.907568/2012-21, 10380.907569/2012-76, 10380.907574/2012-89 e 10380.907580/2012-36. Após a protocolização do recurso voluntário, a recorrente juntou aos autos petição e cópias de peças do processo judicial n° 0800383-59.2013.4.05.8100, por meio do qual pleiteou o acréscimo de juros Selic aos valores dos Pedidos de Ressarcimento tratados em vinte e dois processos administrativos, entre os quais os acima listados. Com relação ao processo n° 10380.907569/2012-76, os citados documentos foram carreados aos autos juntamente com a manifestação sobre a diligência efetuada pela DRJ. No material juntado, consta inclusive Certidão de Trânsito em julgado de decisão favorável à recorrente. Nos recursos voluntários, sob o tópico "Da atualização monetária do ressarcimento", requereu que o ressarcimento dos créditos fosse acrescido de juros Selic, calculados entre as datas do protocolo do PER e o do efetivo ressarcimento, com base na decisão do STJ no REsp n° 993.164/10. Esta decisão dispõe sobre a incidência dos juros, quando há oposição ilegítima do Fisco ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. E chamou a atenção para o fato de que, entre as datas do protocolo e a da ciência da decisão, já haviam-se passado, dependendo do processo, entre três e oito anos. No processo n° 10380.907569/2012-76, o referido tópico foi incluído na manifestação de inconformidade. E, no recurso voluntário, foi requerida a aplicação da sentença judicial. Nos termos da Súmula CARF n° 1, não cabe a este colegiado dispor sobre matéria entregue ao Poder Judiciário, antes ou depois de iniciado o procedimento administrativo. Assim, deixo de conhecer os pedidos contidos nas peças de defesa e/ou nas petições juntadas aos autos, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento do direito a acréscimo de juros Selic ao valor objeto do Pedido de Ressarcimento em discussão. No tocante aos demais argumentos, o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conversão em diligência Nas peças de defesa, a recorrente pleiteou que os processos acima indicados fossem julgados em conjunto com o de n° 10380.720057/2013-87, pois neste se encontrariam Fl. 202DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.131 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.907578/2012-67 todos os documentos que embasaram o despacho decisório, "sob pena de cerceamento do direito de defesa". Nos votos condutores dos acórdãos editados pela respectivas Delegacias Regionais de Julgamento (DRJ), com exceção do relativo ao processo n° 10380.907569/2012-76, encontra-se inclusive a seguinte passagem: "1. Da preliminar: Na preliminar, a contribuinte argumenta que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/2013-88, sob pena de cerceamento de defesa, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontra-se no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/2013-88, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. Ressalte-se que o Termo Fiscal indica a clara conexão entre este processo e o processo de representação PAF nº. 10380.720057/2013-88, posto que este reúne documentação referente à fiscalização na empresa em questão. Da mesma forma, a análise que aqui se faz recorre ao referido processo para análise da documentação referenciada no Termo Fiscal e/ou na manifestação da contribuinte." De fato, os autos de todos os processos acima listados estão incompletos, não estando presentes, notadamente, a "Informação Fiscal" e planilhas complementares, bem como as notas fiscais examinadas. Reputo que não é o caso de decretarmos a nulidade dos ato administrativo original, por falta de motivação (art. 50 da Lei n° 9.784/99), pois, da leitura das decisões de piso e peças de defesa, infere-se que o despacho decisório foi devidamente motivado. Cabe-nos sim propor a realização de diligência, para que cópia da íntegra do processo n° 10380.720057/2013-88 seja juntada aos autos. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestações. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de 30 dias para manifestações, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.907387/2009-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
EMPREITADA.
A partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido e o coeficiente para determinação com fornecimento unicamente de mão de obra exclusivamente é de 32% para IRPJ e CSLL e na modalidade total com fornecimento de mão de obra e a integralidades dos materiais indispensáveis à sua execução que ali são incorporados é de 8% para IRPJ e 12% para CSLL.
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde.
DADOS COM ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE.
Os dados identificados com erros de fato, por si só, não têm força probatória de comprovar a existência de pagamento a maior, caso em que a Recorrente precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 1003-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 EMPREITADA. A partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido e o coeficiente para determinação com fornecimento unicamente de mão de obra exclusivamente é de 32% para IRPJ e CSLL e na modalidade total com fornecimento de mão de obra e a integralidades dos materiais indispensáveis à sua execução que ali são incorporados é de 8% para IRPJ e 12% para CSLL. PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde. DADOS COM ERROS DE FATO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. FORÇA PROBANTE. Os dados identificados com erros de fato, por si só, não têm força probatória de comprovar a existência de pagamento a maior, caso em que a Recorrente precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 87 /2 00 9- 35 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 37221.98495.260406.1.3.04-1234, em 26.04.2006, fls. 01-02, utilizando-se do crédito relativo a pagamento a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$29,77 contido no DARF de R$69,74 recolhido em 31.03.2000 do 1º trimestre do ano-calendário de 2000 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 29,77 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma DRJ/POR/SP nº 14-30.744, de 27.08.2010, fls. 39- 45: DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam'; aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário Notificada em 21.02.2011, fl. 48, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.03.2011, fls. 49-60, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: HISTÓRICO O recorrente recolheu imposto de renda em valor superior ao efetivamente devido, pois, utilizou a alíquota errada para cálculo da presunção de lucro, visto que, o mesmo se dedica a atividade de construção civil, e, nos serviços com utilização de material tinha direito de calcular o imposto sobre uma base de cálculo definida pela alíquota de 8% (oito por cento), no entanto, utilizou a alíquota de 32% (trinta dois por cento), sendo assim, solicitou a compensação do valor do imposto de renda recolhido a maior por meio do DCOMP, mas, teve seu pedido indeferido pela fiscalização, sob o argumento de que todos os valores pagos pelo recorrente tinham sido usados para pagamento do imposto declarado. [...] DO MÉRITO [...] Antes de entrarmos no mérito das alegações do julgador a quo, importante transcrever as legislações que permitem o direito ao crédito e, para tanto, estamos transcrevendo abaixo a Lei n° 8.383/91, art. 66, § 1º, o artigo 74 da Lei 9430/96, com redação da Lei 10.637/2002 e o artigo 890, do Decreto 3.000/99 [...]. Ora, da exegese da legislação acima, em nenhum momento existe a determinação que o contribuinte mantenha contabilidade para provar o crédito, aliás, apenas o RIR/99 fala em manter a documentação comprobatória da compensação efetuada, sendo assim, não é possível presumir que esta documentação se refere a contabilidade, visto que, o artigo 527, § único, do Decreto 3.000/00, dispensa o contribuinte optante pelo lucro presumido de manter contabilidade, desde que, mantenha livro caixa, [...]. Também é importante enfatizar que ao informar que o contribuinte não apresentou as notas fiscais de serviços que estavam sujeitas ao percentual de 32% (trinta e dois por cento), o que impossibilitou o conhecimento da natureza das supostas operações, também, não encontra nenhum respaldo legal, pois, o recorrente tinha que demonstrar o seu direito ao crédito, portanto, o que era de suma importância apresentar eram as notas fiscais que estariam sujeitas ao cálculo do imposto de renda pela alíquota de 8% (oito por cento) e, sobre as quais, foi erroneamente calculado o imposto de renda com a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), pois, é sobre estas Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 notas que reside a diferença que o mesmo tem direito de compensar e não sobre as notas onde constasse apenas a prestação de serviços, pois, em relação a estas, a alíquota usada pelo recorrente seria correta, portanto, não geraria direito a crédito nenhum. Certo é que, com base na exegese da legislação vigente, o mesmo tem direito líquido e certo de compensar o valor que foi recolhido a maior, por causa da utilização da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) e não 8% (oito por cento) pois conforme pode ser verificado, estas notas constam como serviço com utilização de material. Nem mesmo a alegação do julgador de que “... as notas fiscais de aquisição junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada a sua correlação com a receita bruta....", merece prosperar, preliminarmente porque a regra prevista no item I, alínea "a", do ato declaratório Normativo Cosit n° 6, que normatiza o direito a utilização da alíquota de 8% (oito por cento), não traz referida exigência. Segundo porque, ao anexar as notas fiscais dos fornecedores, o recorrente demonstrou que efetivamente tinha adquirido mercadoria para utilização nos seus serviços e, portanto, sobre as notas fiscais por ele emitidas e que constou a utilização de material ficou patente o seu direito de calcular o imposto de renda \ í com alíquota de 8% (oito por cento). Outro ponto importante a ser abordado, diz respeito ao motivo real utilizado pelo julgador para indeferir o crédito, ou seja, que a receita bruta constante das notas fiscais apresentadas não estava coerente com a receita bruta calculada com base no DARF, sendo que, este foi o único motivo pelo qual o mesmo indeferiu o pedido do recorrente, tal afirmativa leva em conta que, nos processos n°s 10840.907391/2009- 01; 10840.900807/2008-71 e 10840.900791/2008-05, onde o suplicante pleiteou o crédito da mesma forma e com a apresentação das mesmas documentações anexadas a estes processos, a mesma turma, ou seja, a 5ª Turma e o mesmo relator consideraram correto o crédito apenas porque as notas fiscais anexadas aos autos, corresponderam ao valor da receita bruta calculada com base no DARF, sendo assim, ele considerou válida a compensação e deferiu o pedido de crédito do suplicante. O que deixa claro que o único motivo para o indeferimento foi a diferença da receita bruta calculada pelo mesmo. Portanto, se o motivo real para o indeferimento foi apenas o exposto acima, então o mesmo, esta anexando a presente as notas fiscais 252, 253 e 254 (pgs.16 a 18), as quais perfazem o valor total de R$ 626,00 (seiscentos e vinte e seis reais), (diferença apresentada pelo relator do processo). O recorrente anexou as notas fiscais acima apesar de achar que não seriam necessárias, pois, tais notas, não acrescentam nada a título de prova, visto que, as mesmas realmente estavam sujeitas ao cálculo com alíquota de 32% (trinta e dois por cento), pois, ela e somente de prestação de serviços sem utilização de material, e, portanto, não ocorreu recolhimento a maior do imposto de renda sobre esta receita. [...] Sendo assim, considerando que o único motivo para indeferimento da manifestação de inconformidade foi a diferença da receita bruta apurada, o que ficou bem claro, pois nos processos em que as notas corresponderam ao valor da receita bruta o crédito foi deferido, é plenamente admissível, no que diz respeito ao momento da produção de prova documental, [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 No que concerne ao pedido conclui que: III - DO PEDIDO: ANTE TODO O EXPOSTO, pede-se seja recebido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para requerer: a) Seja JULGADO PROCEDENTE O PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, para aceitar as argumentações expendidas pelo recorrente, culminando com a anulação da decisão de primeira instância e a consequente manutenção do direito ao crédito | referente ao imposto de renda recolhido a maior, visto a sua legitimidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Autonomia Processual No que tange ao resultado do julgamento em outros procedimentos, vale ressaltar que para cada processo autônomo que não está vinculado a outros por determinados critérios normativos que justifiquem a análise em conjunto, como é o caso dos presentes autos, prevalece o princípio da persuasão racional mediante o qual a autoridade julgadora forma livremente sua convicção na apreciação da prova (art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Empreitada A Recorrente afirma que tem direito de calcular o IRPJ sobre a base de cálculo definida pela alíquota de 8% pelo lucro presumido pelo exercício da atividade de empreitada de construção civil, na modalidade total. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relaciona-se diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relaciona-se diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o art. 15 e o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, previam que o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor desde que a pessoa jurídica não fosse optante pela tributação com base no lucro presumido. Conforme art. 14 e art. 17 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido e o coeficiente para determinação com fornecimento unicamente de mão de obra exclusivamente é de 32% para IRPJ e CSLL e na modalidade total com fornecimento de mão de obra e a integralidades dos materiais indispensáveis à sua execução que ali são incorporados é de 8% para IRPJ e 12% para CSLL. Consta no Capítulo XIII - IRPJ - Lucro Presumido 2018 1 : 015 -Quais os percentuais aplicáveis de presunção de lucro sobre a receita bruta para compor a base de cálculo do Lucro Presumido? Atividades [...] Percentuais (%) [...] Atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda. Atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] 8,0 [...] Construção por administração ou por empreitada unicamente de mão de obra ou com emprego parcial de materiais. 32,0 [...] 1 Disponível em: BRASIL. Ministério da Economia. Secretaria da Receita Federal do Brasil. Capítulo XIII - IRPJ - Lucro Presumido 2018 <http://receita.economia.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoes-e-demonstrativos/ecf- escrituracao-contabil-fiscal/perguntas-e-respostas-pessoa-juridica-2018-arquivos/capitulo-xiii-irpj-lucro-presumido- 2018.pdf/view>. Acesso em: 25 abr. 2019. Fl. 77DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 019 - Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF nº 25, de 1999, art. 2º;). Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN RFB nº 1.234, de 2012, art. 2º, § 9º) IN RFB nº 1.700, de 2017, art. 33. É imprescindível discorrer ainda sobre o contrato de empreitada para o deslinde da questão controvertida. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. É um contrato em que não há subordinação entre as partes e a remuneração é proporcional ao serviço executado. Esse não se confunde com o contrato de prestação de serviços, em que há uma parcela de subordinação entre o prestador e tomador e a remuneração corresponde ao tempo trabalhado. Do contrato de empreitada decorre a obrigação de resultado, cujos elementos são: (a) a prestação de serviços, relativa ao resultado remunerado, (b) o objeto, que é e obra concluída ou sua parcela, e (c) o consenso, em que as partes expressam sua vontade livremente, sem qualquer obstáculo. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executá-lo, ou de fiscalizar-lhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presume-se verificado. O que se mediu presume-se verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebê-la. Poderá, porém, rejeitá-la, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza (arts. 610 a 626 do Código Civil). Para o fim de comprovação do exercício da atividade de empreitada de construção civil, na modalidade total, é necessária análise do contexto fático probatório mediante projetos básicos, contratos, aditivos, medições, notas fiscais, entre outros elementos, já que um conjunto Fl. 78DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 documental pode formar a convicção do julgador sobre o direito pleiteado, mesmo quando cada um dos escritos não seja suficiente para evidenciá-lo de forma isolada. A Recorrente limitou-se a instruir os autos tão somente com cópias de notas fiscais, fls. 32-35 e 64-66 e assim a inferência denotada na peça recursal não pode ser corroborada. Necessidade de Comprovação do Erro de Fato na Apuração do Pagamento a Maior A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal Fl. 79DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 2 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 3 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 4 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 4 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 80DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Fl. 81DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 O Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base nos dados então existentes nos registros da RFB informados pela Recorrente à época da sua emissão que, após confrontados, emergiram incongruências. Ocorre que nenhum outro critério de verificação da liquidez e certeza do direito creditório foi adotado pela Administração Tributária. Relativamente ao IRPJ, código 2089, do 4º trimestre do ano-calendário de 2000 tem-se que: - no Despacho Decisório emitido em 18.02.2009 e notificado a Recorrente em 04.03.2009 consta o pagamento a maior no valor de R$52.288,04 contido no DARF de R$69.247,57 recolhido em 31.01.2005, fls. 10-13; - na DCTF retificadora apresentada em 26.05.2009 consta o valor de R$16.959,53, fls. 19 e 22; e - na DIPJ original apresentada em 28.06.2005 consta o valor de R$16.959,53, fls. 48 e 52. Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos erros de fato indicados na peça recursal não podem ser corroborados, uma vez que os autos não estão instruídos com os assentos contábeis obrigatórios acompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Este ônus da prova de demonstrar explicitamente a liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado recai sobre a Recorrente. Ademais, indicação de dados quantitativos na peça de defesa, por si só, não é elemento probatório hábil e suficiente para demonstrar, de plano, a existência do indébito indicado no Per/DComp. Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observe-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto de suas alegações e da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Jurisprudência e Doutrina No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2). Fl. 82DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-000.806 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.907387/2009-35 Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.904319/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-006.233
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 19 /2 00 9- 01 Fl. 2144DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que manteve o Despacho Decisório que negou a compensação declarada em PER/DCOMP carreada aos autos. Verifica-se inicialmente que a contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins para fins de compensação com débitos. O suposto direito creditório da contribuinte se fundamenta na alegação de que a prestação de serviços portuários não sofre a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes destes, quando efetuados para pessoa física ou jurídica, residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente o ingresso de divisas, sendo que a intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira, tomadora de serviços portuários, não descaracteriza a exportação deste serviços. Tal argumentação é fundamentada no art.6º, inciso II da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, e na Circular BACEN nº 3.280/2005, bem como na Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, na qual a contribuinte é solicitante. Após análise pela DRF de origem, o pleito de restituição foi negado e, por conseguinte, as compensações realizadas pela contribuinte não foram homologadas. Foi consignado que, intimado o contribuinte para comprovação dos fatos, não restou caracterizada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, em relação aos fatos geradores ocorridos no período litigado, nem tampouco que os pagamentos recebidos pela interessada representam ingresso de divisas no país. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, manejando, inicialmente, os argumentos a seguir sintetizados: __ presta serviços portuários às empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias, sendo que as empresas transportadoras estrangeiras a contratam, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários; __ as transferências dos recursos do exterior e para o exterior, são disciplinadas pelo Banco Central do Brasil - BACEN, através da Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, sendo obrigatória a intervenção de uma agência marítima como representante da empresa de navegação estrangeira, nos termos do § 2o, art. 4o, da IN RFB N° 800, de 27 de dezembro de 2007; __ há duas hipóteses de transferência de valores entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, regulados pela Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005: o envio de divisas do exterior para o País, abordando a questão das despesas portuárias, e o envio do País para o exterior, envolvendo o pagamento do transporte internacional e dedução das despesas portuárias. Nas duas hipóteses citadas, ao final das operações cambiais, o saldo no balanço de Fl. 2145DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 pagamentos na conta de transações correntes é o mesmo e existem contratos de câmbio, celebrados entre o transportador estrangeiro e a agência de navegação, que evidenciam as operações de prestação de serviços, considerando que a manifestante não é responsável pelo fechamento do câmbio, já que o contrato de câmbio é celebrado entre o transportador estrangeiro e a agência marítima, seu representante no Brasil; __ descreve o relacionamento do transportador estrangeiro, do agente do transportador estrangeiro, e do prestador do serviço (manifestante/contribuinte), informando que 70% (setenta por cento) de sua receita tem origem na prestação de serviços a transportadores estrangeiros, fato que pode ser confirmado através de perícia técnica a ser realizada em seu estabelecimento. No mérito, salienta que origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, sendo isenta das contribuições de PIS e Cofins, nos termos do II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002, na redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, devendo o valor pago indevidamente sobre as receitas mencionadas ser objeto de restituição. Para comprovar nexo causal do ingresso de divisas, faz nova juntada de alguns contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e de amostragem das notas fiscais emitidas contra estes, aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no Brasil. Afirma que a existência das agências de navegação, que seria uma terceira pessoa na relação contratual com os transportadores, não desfigura o efetivo ingresso de divisas, pois estas representam os transportadores e fazem os pagamentos e recebimentos por estes. Ainda ressalta que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agências marítimas são de propriedade destas, não podendo ser exigidos da manifestante, sendo que apresenta alguns contratos de empresa do seu grupo empresarial para comprovar as relações entre a instituição financeira, o agente de navegação e o transportador estrangeiro. Sustenta que o ingresso de divisas também ficaria comprovado nos contratos formais firmados entre esta e os transportares estrangeiros, trazendo aos autos alguns exemplos. Nesta relação de atividade, seria frequente o contrato informal (solicitações por e-mail ou por telefone), que não desfiguraria a relação jurídica, sendo que poderia comprovar o relacionamento jurídico por outros instrumentos, como nota fiscal emitida contra o transportador estrangeiro ou contra seu agente/representante no Brasil, registros contábeis, ou, ainda, através de perícia técnica. Traz cópias de contratos traduzidos para o português para alicerçar sua defesa. Também afirma que os serviços administrativos e operacionais do terminal, quando executados para atender navios estrangeiros, compõem toda a atividade portuária, não podendo de forma nenhuma serem segregados uns dos outros, já que todos integram a atividade da empresa, pois sem a prestação destes serviços o atendimento ao transportador estrangeiro não ocorreria. Para reforçar sua alegação apresenta solução de consultas concluindo pela não incidência/isenção de PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior, mesmo mediante a intermediação do agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil, haja vista a efetividade do ingresso de divisas. Por conseguinte, argumenta que estariam provados seus os crédito decorrentes da não incidência/isenção do PIS e da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de Fl. 2146DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil. Como também estaria comprovado o crédito da contribuição relativo às despesas da manifestante com bens e serviços utilizados como insumos, aluguel de prédio locado de PJ, aluguel de máquina e equipamentos, contraprestação de arrendamento mercantil, encargos de amortização de edificações e benfeitorias e quanto ao crédito a descontar pela aquisição de bens do ativo imobilizado. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior da contribuição em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros, bem como seja confirmado o crédito a descontar relativo a bens do ativo imobilizado adquiridos pela contribuinte/manifestante. Por seu turno, a DRJ, por maioria de votos, rejeitou o pedido de diligência/perícia e desconheceu da Manifestação de Inconformidade no que tange a matérias que não tenham sido indeferidas no Despacho Decisório (que não constituem parte litigiosa), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade quanto às demais alegações. Concluiu a instância a quo que a isenção para a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação documental das operações e do ingresso de divisas no país. Nesse sentido, é obrigação do contribuinte comprovar o alegado, nos termos do art.333, inciso II do CPC. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.232, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16636.001408/2009-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.232): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Preliminares Cerceamento de Defesa e Pedido de Perícia Segundo a Recorrente, o v. acórdão 10-48.968, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA aponta, mormente no voto divergente, que a análise dos documentos juntados pela Recorrente à Impugnação passou ao largo da unidade de origem, que sequer questionou Fl. 2147DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 os demonstrativos juntados ao processo, assim como a documentação carreada aos autos, afirmando categoricamente que, se caso persistissem dúvidas quanto à documentação, seria de se cogitar, inclusive, a hipótese de remessa dos autos em perícia para que a unidade de origem verificasse de maneira mais acurada a documentação pertinente às operações embasadoras do direito creditório. Portanto, o CARF, na sua função imparcial de "juízo" dos litígios tributários em segunda instância administrativa, não pode negar à análise da documentação acostada aos autos, bem como toda aquela que se encontra no estabelecimento da Recorrente, que comprova a realidade inerente às operações realizadas pela Recorrente, objetivando o reconhecimento da não incidência do PIS/Cofins na prestação de serviços portuários efetuada a armadores estrangeiros domiciliados no exterior. Consequentemente, a realização de diligência já requerida quando do oferecimento da Manifestação de Inconformidade, deve agora ser deferida para a realização de perícia técnica, e por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento indevido do PIS e da Cofins, sob pena de cerceamento de defesa. Passo à correspondente análise. De fato, é robusta a documentação acostada aos autos pela Recorrente. Vejo que a Recorrente se esforçou para reunir a gama de documentos aqui juntados, diversos carreados, inclusive, após a apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, o indeferimento de pedido de conversão do julgamento em diligência/perícia, quando fundamentado, como o foi pelo órgão julgador a quo, não tem o condão de representar cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória. O inconformismo diante de uma decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. Ademais, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1.972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa quando o julgador a quo proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Neste ponto, ressalto haver limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, a autoridade julgadora de segunda instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária dela (prova), o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, este julgador formará livremente sua convicção. Assim, a insatisfação do contribuinte, sobre este ponto, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de segunda instância. Quanto à reafirmação do pedido de perícia, entendo por sua desnecessidade, porquanto a realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficiente mente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Fl. 2148DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. Portanto, estas preliminares hão de ser rechaçadas. Mérito Os autos tratam da análise do PER/DCOMP nº 07634.97230.301008.1.3.04-5435, por meio do qual a Recorrente informa crédito de pagamento indevido ou a maior cuja gênese seria o recolhimento, em 15/02/2005, para a Cofins, código de receita 5856 (Cofins não cumulativa), período de apuração 01/2005, no valor de R$ 841.704,65, do qual o valor creditória seria R$ 560.998,25. Por intermédio do Despacho Decisório nº 168, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS não homologou a Declaração de Compensação, em razão da inexistência de crédito. No bojo do referido despacho, a unidade de origem salientou que a DCOMP 07634.97230.301008.1.3.04-5435 foi lastreada em crédito referente a pagamento a maior de Cofins em decorrência de retificações na DACON feitas com base no entendimento de que a contribuinte faz jus a não incidência da Cofins sobre receitas oriundas de prestação de serviços para pessoas domiciliadas ou residentes no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Em sua análise, porém, a unidade de origem concluiu que "não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, previstas no inciso II do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período". A partir de então, com a abertura de prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, instaurou-se o litígio administrativo tendo como tema central a possibilidade, ou não, de a Recorrente valer-se da não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Inicialmente, faz-se necessário transcrever a norma que disciplina o assunto em debate, em sua redação original: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Posteriormente, essa norma foi alterada pelo art. 21 da Lei 10.865/2004, que passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, consoante art. 53 do mesmo diploma legal, com nova redação a seguir: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Da leitura da norma, extraímos a necessidade do preenchimento de dois requisitos cumulativos para a configuração da não incidência da Cofins quanto ao caso, a saber: Fl. 2149DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 a) prestação de serviços para a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. Na analise do presente caso, entendo que os referidos requisitos foram satisfeitos pela Recorrente. Vejamos. A Recorrente tem como objeto principal a exploração do terminal de contêineres do Porto de Rio Grande/RS, na qualidade de operador portuário. E, nessa condição, presta serviços portuários (carga, descarga etc.) a empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, mediante contratos. Para a consecução de suas atividades e, em razão natureza inerente a essas atividades, as empresas transportadoras estrangeiras - pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de carga relativas a importações e exportações brasileiras - contratam a Recorrente, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários, sendo estes os responsáveis pelo pagamento dos serviços prestados pela Recorrente mediante prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. Essa relação de intermediação e seus conceitos são expostos pela Recorrente em seu recurso. Vale transcrevê-la: a) Transportador Estrangeiro São as empresas transportadoras estrangeiras, pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de cargas relativas a importações e exportações brasileiras e que contratam a Recorrente, através de seus agentes/representantes no Brasil, para a execução de serviços portuários. b) Agente do Transportador Estrangeiro (agência marítima) É o representante obrigatório no Brasil dos interesses do transportador estrangeiro, administrando os contratos de prestação de serviços em nome do seu principal. Ele recebe do exterior (câmbio tipo 03) ou utiliza receitas auferidas pelo transportador estrangeiro, transferíveis ao exterior, para fazer face aos pagamentos dos serviços contratados pelo transportador estrangeiro. Assim, a agência de navegação efetua a contratação do câmbio, conforme Carta Circular nº 3.280, de 09/05/2005, emitida pelo Banco Central do Brasil e paga aos fornecedores e efetua a prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. c) Prestador de Serviços Ele executa as operações de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou oriundas do ou ao exterior, cumprindo o contrato firmado com o transportador estrangeiro. Também fatura tais serviços ao transportador estrangeiro aos cuidados do seu agente no Brasil e recebe os valores em reais do agente no Brasil, através dos recursos provenientes do exterior, conforme as normas emitidas pelo Banco Central do Brasil. A presença de intermediário, agente do transportador estrangeiro, na operação não descaracteriza a situação de não incidência da Cofins. Nesse sentido foi a conclusão da Solução de Consulta SRRF/08 nº 58, de 07/04/2006, exarada no Processo Administrativo nº 11050.003099/2005-45, em resposta à demanda da própria Recorrente, levando em conta sua situação particular: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo Fl. 2150DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Nos termos acima, tem-se, ainda, já com a alteração das redações das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins pela Lei nº 10.865/2004, a Solução de Consulta SRRF/07 nº 23, 22/03/2011, no Processo Administrativo nº 10768.007322/2010-41, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO. Para fins de não incidência ou isenção da Cofins sobre a receita decorrente da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, o pagamento deve necessariamente representar ingresso de divisas no País. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FAVOR DE ARMADOR ESTRANGEIRO. REPRESENTANTE DO ARMADOR ATUANDO NO PAÍS COMO MERO MANDATÁRIO. Na hipótese de prestação de serviços, efetuada por empresa domiciliada no País, para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que aludem o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 14, III, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. [...] Ainda, tem-se a Solução de Consulta Cosit nº 346, de 26 de junho de 2017, com a seguinte ementa (trecho): [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO-INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, Fl. 2151DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.158-35, de 2001, para o fim de reconhecimento da não-incidência/isenção da Cofins. [...] Enfim, a Administração Tributária reconhece que a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que alude o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. Portanto, neste ponto não há controvérsia. A controvérsia pauta-se na comprovação da efetiva prestação de serviços ao transportador estrangeiro e, consequentemente, no ingresso de divisas. A farta documentação carreada aos autos pela Recorrente, abrangendo notas fiscais de serviço, contratos com armadores estrangeiros, bem como declarações firmadas por estes, e respectivas tabelas de preços praticados, demonstram a efetividade dos serviços prestados e, por decorrência, o ingresso de divisas. Verifica-se nos documentos acostados aos autos que a Recorrente, em virtude de contrato de prestação de serviços com armadores no exterior, às fls. 798-1.277 (Manifestação de Inconformidade) e 1.904-2.157 (Recurso Voluntário), presta serviços portuários a estes e emite nota fiscal de serviços, às fls. 1.300-1.344 (Manifestação de Inconformidade) e 1.829-1.903 (Recurso Voluntário), em nome dos tomadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus representantes/agentes marítimos, os quais atuam como intermediários nessa operação. Considero, portanto, ser incontroversa a comprovação dos serviços prestados diante de arcabouço documental que traz os detalhes da operação de prestação de serviços. No que diz respeito ao ingresso de divisas, embora a fiscalização e a DRJ tenham concluído competir à Recorrente a apresentação dos contratos cambiais para sua comprovação, entendo não ser ônus da dela a apresentação de tais documentos. Conforme mencionado anteriormente, a própria Fazenda Pública entende não descaracterizada a situação de não incidência da Cofins quando, na operação de prestação de serviço para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, haja representante do armador estrangeiro atuando no país como mero mandatário. Nessa situação, havendo o intermediário na operação, este é quem legalmente detém os referidos contratos, em razão da sistemática deste tipo de operação. Logo, não pode a Recorrente ser compelida a apresentar documento da qual não é proprietária e da qual sequer tem posse. Por sua vez, a norma isentiva da Cofins, Lei 10.833, de 2003, não estipulou que competiria ao prestador de serviço a comprovação do ingresso de divisas, em especial nessa situação em que há operação de intermediação. Dessa forma, sendo permitida a intermediação de mandatário do armador estrangeiro na prestação de serviço sem descaracterizar a não incidência da Cofins, a exigência dos contratos cambiais - como único instrumento de comprovação dos ingressos de divisas - a quem não os detenha acaba por impossibilitar, na prática, o uso deste benefício fiscal (não incidência legal), o que, certamente, não é a finalidade da norma isentiva. Dessa forma, compreendo que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. A corroborar as conclusões acima, valho-me da pertinente análise do mesmo assunto e mesmo contribuinte efetuada pelo Conselheiro Walker Araújo no bojo do Processo Administrativo nº 17437.720221/2015-65, Resolução nº 3302-000.772, de 21/06/2018: O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio - diga- se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido -, não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização Fl. 2152DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.007-1.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços (fls.1.616-2.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: [...] IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 2153DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.233 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904319/2009-01 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 2154DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903880/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.155
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 88 0/ 20 13 -7 4 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.903880/201374 Resolução nº 3402002.155 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.903880/201374 Resolução nº 3402002.155 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11080.903880/201374 Resolução nº 3402002.155 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.903880/201374 Resolução nº 3402002.155 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11080.903880/201374 Resolução nº 3402002.155 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 566DF CARF MF
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