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Numero do processo: 19515.002152/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. Declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI- Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. Declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO contra Acórdão nº 0521.951, de 19 de maio de 2008, proferido pela 3ª RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 15 2/ 20 06 -7 9 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 853 2 Turma da DRJ/CPS, que julgou por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 547/576. 0 feito, relativo a fatos geradores ocorridos de setembro de 1999 a setembro de 2001, constituiu crédito tributário no montante de R$ 2.674.495,88, incluídos principal e juros de mora calculados até o mês anterior ao de lavratura. Nos campos INTIMAÇÃO (fl.568) e DESCRIÇÃO DOS FATOS (fl.570), as autoridades autuantes relatam que o valor apurado é decorrente de falta de recolhimento de CPMF, estando com exigibilidade suspensa em virtude de decisão judicial (medida liminar concedida nos autos do processo n° 2001.03.00.0236540, do Tribunal Regional Federal da 3a Regido). Os débitos foram apurados com base nas informações fornecidas pelas instituições financeiras junto às quais a fiscalizada mantinha contas correntes, constantes do demonstrativo denominado VALORES INFORMADOS PELOS DECLARANTES (fls. 03/45). No TERMO DE VERIFICAÇÃO N° 01 (fls. 547/556), parte integrante do auto de infração, afirmam os autuantes que, tendo sido intimada a apresentar os comprovantes de recolhimento dos valores da CPMF listados na referida planilha, a contribuinte informou que parte do débito foi objeto de parcelamento junto à Receita Federal e parte não foi recolhida com respaldo em decisão judicial em que a empresa obteve a tutela antecipada em sede de agravo de instrumento, implicando a suspensão da exigibilidade do crédito. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 854 3 Cientificada da exigência em 18/10/2006, em 16/11/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 593/621, na qual alega, preliminarmente, que: 1. 0 auto de infração padece de nulidade, pois não havia autorização para proceder a fiscalização mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, conforme determina a Portaria SRF no 6.087, de 21/11/2005, devendo esta Turma Julgadora, desde logo, declarar a nulidade do presente lançamento em questão; 2. 0 auto de infração é um instrumento inadequado para constituição do crédito tributário, no presente caso, haja vista que a impugnante não cometeu nenhuma infração à legislação tributária, estando amparada por decisão judicial favorável, proferida através de uma tutela antecipada; Assim, inexistindo penalidades a serem aplicadas, o lançamento deveria ter sido feito através de uma notificação de lançamento; 3. Não houve renúncia à esfera administrativa, eis que a propositura da ação judicial foi anterior à lavratura do auto de infração, sendo inaplicável, ao caso, o art. 38 da Lei n° 6.830, de 1980; Somente nos casos de ingresso em juizo "contra o título materializado da obrigação", ou seja, contra o próprio auto de infração, é que há renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa; 4. Além do objeto discutido na esfera judicial, a presente impugnação traz argumentos diversos dos que foram levados A apreciação do Poder Judiciário, tais como a inadequação do meio utilizado, a decadência do direito lançar, a competência para afastar norma que afronta a Constituição Federal e a ilegalidade dos juros de mora exigidos, notadamente pela taxa Selic; 5. Por se tratar a CPMF de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional; Assim, quando da ciência do auto de infração (18 de outubro de 2006), já havia decaído o direito de a Fl. 854DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 855 4 Fazenda Pública constituir a totalidade do crédito tributário, eis que referente aos fatos geradores ocorridos antes de 30 de outubro de 2001; 6. Não é cabível o prazo decadencial de dez anos, estabelecido pelo art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, eis que esta se trata de lei ordinária e normas gerais sobre prescrição e decadência são de competência de lei complementar, a teor do disposto no art. 146, III, "a", da Constituição Federal; Aduz ainda que a aplicação da referida Lei 8.212, de 1991, está restrita às contribuições sociais apuradas e constituídas pelo Ministério da Previdência Social, em nome do INSS, o que não é o caso da CPMF; Assim, conclui que, no presente caso, deve ser observado o prazo previsto no art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional (cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador); Apresenta jurisprudência administrativa e judicial em apoio a sua tese. No mérito, alega a impugnante, em suma e fundamentalmente, que: 7. Deve ser afastada a aplicação da Circular n° 3.001, de 24.08.2000, editada pelo Banco Central do Brasil, a qual, ao obrigar as empresas, financeiras ou não, a depositar todo e qualquer cheque ou dinheiro recebido de seus clientes, violou diretamente o artigo 17 da Lei n° 9.311, de 1996, pois passou a impedir a circulação de moeda por meio de cheque com um único endosso; 8. A autoridade administrativa é competente para afastar a aplicação de norma infralegal, no caso a Circular BACEN n° 3.001/2000, que não se coaduna com os dispositivos legais pertinentes, em obediência aos princípios constitucionais; 9. Estando a matéria objeto do presente processo sub judice, com a impugnante amparada por antecipação de tutela concedida nos autos de Agravo de instrumento n° 2001.03.00.0236540, o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa e, portanto, inaplicável a exigência de juros moratórios, pois Fl. 855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 856 5 não há atraso no recolhimento, não estando caracterizada a inadimplência por parte da impugnante; 10. A taxa Selic jamais poderia ser utilizada como "juros moratórios", uma vez que possui natureza jurídica "remuneratória", totalmente diferente da mora. Ademais, a referida taxa não foi criada por lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, nos termos do art.161, § 10, do Código Tributário Nacional; Assim, os juros que deveriam ser aplicados ao presente caso estão limitados a 1% ao mês.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 09/01/2002 a 31/12/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOBSERVÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CABIMENTO. A eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação do MPF não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário lavrado por autoridade competente no exercício de suas atividades plenamente vinculadas. CPMF. DECADÊNCIA. PRAZO. 0 prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à CPMF é de dez anos, contado a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 857 6 As autoridades administrativas estão obrigadas observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. O único instrumento legal à disposição do auditor fiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. NORMAS PROCESSUAIS. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. Procedese ao exame dos argumentos suscitados na impugnação que não tenham sido levados à apreciação do Poder Judiciário. CREDITO SUSPENSO. JUROS DEMORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora durante o contencioso administrativo ou processo judicial que suspende a exigência do crédito tributário. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 858 7 Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora, equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.” Cientificado do referido acórdão em 30 de outubro de 2008, a interessada apresentou recurso voluntário em 27 de novembro de 2008, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30 de outubro de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 27 de novembro de 2008. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve auto de infração, por meio do qual a Fiscalização constituiu, apenas para prevenir a decadência, o crédito tributário da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira ("CPMF"), relativamente aos fatos jurídicos ocorridos no período compreendido entre setembro de 1999 e setembro de 2001, em razão de a Recorrente ter endossado, uma única vez, cheques recebidos de seus clientes, nos termos do disposto no artigo 17 da Lei 9.311/96, sem depositálos em conta bancária, deixando de sujeitálos à incidência da contribuição em questão. Não obstante, tornase necessário, avançar sobre as questões preliminares expostas pelas recorrente. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 859 8 Quanto ao pedido da recorrente de nulidade do procedimento de fiscalização, traz que fora demonstrado na peça impugnatória que o auto de infração originário do presente processo administrativo padece de nulidade, já que o Sr. Auditor Fiscal não estava autorizado a proceder a fiscalização que ensejou sua lavratura, eis que não foi emitido o competente Mandado de Procedimento Fiscal ("MPF") antes do procedimento fiscalizatório. O que, com efeito, segundo a recorrente, não foi observada a legislação referente aos procedimentos fiscais, especificamente a Portaria SRF n° 6.087, de 21 de novembro de 2005. A DRJ, ao analisar essa questão, entendeu, em síntese, que a eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação do MPF não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário lavrado por autoridade competente no exercício de suas atividades plenamente vinculada. Para melhor elucidar as outras questões, importante trazer a descrição dos fatos constantes do Recurso Voluntário: · Tratase de processo administrativo, oriundo de auto de infração, por meio do qual a Fiscalização constituiu, apenas para prevenir a decadência, o crédito tributário da CPMF, relativamente aos fatos jurídicos ocorridos no período compreendido entre setembro de 1999 e setembro de 2001, em razão de a Recorrente ter endossado, uma única vez, cheques recebidos de seus clientes, nos termos do disposto no artigo 17 da Lei no 9.311/96, sem depositálos em conta bancária, deixando de sujeitálos à incidência da contribuição em questão; · Devidamente cientificada da lavratura do auto de infração, a Recorrente apresentou impugnação em 16/11/2006, a qual foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas. Quanto à alegação da recorrente de inadequação do meio utilizado, traz em seu recurso voluntário que: · Os julgadores "a quo" também não acataram os argumentos quanto à inadequação do meio utilizado, qual seja, o auto de infração, sob a alegação de que "(...) o único instrumento legal à disposição do auditorfiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa."; Fl. 859DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 860 9 · Esse entendimento não poderá prevalecer, merecendo ser reformado por este E. Conselho de Contribuintes, para o fim de determinar a nulidade do lançamento fiscal; · A lavratura de auto de infração só se justifica quando da necessidade de aplicação de penalidades às infrações cometidas pelo contribuinte. Não havendo tais infrações, tem o Fisco outro instrumento jurídico para garantir a constituição do crédito tributário, qual seja, o da notificação de lançamento, prevista nos artigos 90 e 11 do Decreto 70.235/72 (com redação dada pela Lei 8.748/93); · Depreendese da leitura dos aludidos dispositivos que o Decreto n° 70.235/72 instituiu duas formas (art. 9°) e estabeleceu seus requisitos essenciais em dispositivos distintos (art. 10 para o auto de infração e art. 11 para a notificação de lançamento), pelo que não se pode dizer tratarse de formas alternativas e equivalentes, para a realização do lançamento tributário; · A sua escolha não fica a livre critério e oportunidade do Agente Fiscalizador, mas decorre da situação fática de cada caso (a existência, ou não, de falta pelo contribuinte); · Utilizouse o Fisco de instrumento inadequado para constituir o crédito, uma vez que a Recorrente vem discutindo judicialmente a possibilidade de endossar uma única vez os seus cheques coletados pelo sistema organizado, como autoriza o artigo 17 da Lei n0 9.311/96, não cometendo, por isso, nenhuma irregularidade passível de ser apenada e apurada por meio de auto de infração; · Ressaltese que o próprio Auditor Fiscal, reconhecendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em razão da antecipação dos efeitos da tutela concedida nos autos do agravo de instrumento no 2001.03.00.0236540, deixou de aplicar qualquer espécie de multa punitiva contra a Recorrente, conforme se verifica pela leitura do seguinte trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal n.° 1 "No presente caso o agravo reveste de efeito suspensivo, conforme previsão contida no artigo 527, III, e 558, do CPC:, repercutindo imediatamente na suspensão da exigibilidade do crédito tributário." Fl. 860DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 861 10 · Em razão da inadequação do meio utilizado, a requerente aguarda, também por esse motivo, a reforma da decisão recorrida, cancelando se o auto de infração originário do presente processo administrativo. Quanto à argumentação da recorrente de falta de renúncia à esfera administrativa, traz que: · Não deve prosperar o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que "A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento; · Ao se fazer a correta interpretação da Lei 6.830/80, fica claro que o legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que ocorre a interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração para que ele, ou os seus efeitos, sejam desconsiderados (ação anulatória do ato declarativo da dívida, ação de repetição de indébito, mandado de segurança contra ato coator da autoridade fiscal que realizou a autuação); · Tal entendimento pode ser facilmente observado pela leitura do artigo 38 desse diploma legal; · Não fossem suficientes os argumentos de que o artigo 38 da Lei 6.830/80 não é aplicável ao presente caso, devese, ainda, considerar o disposto no artigo 51 da Lei no 9.784/99, que determina que qualquer renúncia na esfera administrativa não mais pode ser presumida, devendo ser requerida mediante manifestação escrita do contribuinte; · Esse dispositivo legal revogou a norma do parágrafo único, do artigo 38 da Lei no 6.830/80, não mais sendo possível presumir a renúncia à via administrativa, a qual deve ser por escrito e de forma clara e precisa. Ademais, argumenta a recorrente que, para haver renúncia à instância administrativa, deveria ter manifestado expressamente tal pretensão à via administrativa, considerando o art. 51 da Lei 9.784/99. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 862 11 Por fim, alega a recorrente a inexigibilidade dos juros de mora contra o entendimento da Turma Julgadora no sentido de que "Incidem juros de mora durante o contencioso administrativo ou processo judicial que suspende a exigência do crédito tributário. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". Continuando, aduz a recorrente que não assiste razão à Turma Julgadora ao entender que "0 prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à CPMF é de dez anos, contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia ter sido constituído". Para tanto, a recorrente manifesta que, pacificando a questão, foi publicada, em 20/06/2008, a Súmula Vinculante nº 8, aprovada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n°1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/91, que tratam da prescrição e decadência de crédito tributário. O que, por conseguinte, em síntese, a recorrente requer seja determinada a reforma da decisão recorrida com o reconhecimento da extinção da totalidade do crédito tributário mantido pela Turma Julgadora, relativo ao período compreendido entre setembro de 1999 e setembro de 2001, uma vez que foram abrangidos pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – já que o auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 18.10.2006. Em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Verifique se houve o recolhimento da CPMF, a qualquer título, no período de setembro/1999 a setembro/2001. · Cientifique a autoridade fazendária para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Fl. 862DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 19515.002152/200679 Resolução nº 3202000.305 S3C2T2 Fl. 863 12 · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 863DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
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Numero do processo: 10880.677985/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de maio/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 5/ 20 09 -0 6 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677985/200906 Resolução nº 3302000.479 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002181/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a existência de omissão, consistente na falta de clareza da motivação que conduziu à conclusão do colegiado, o que impede a parte sucumbente de manejar os recursos cabíveis, cerceando sua defesa.
PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA.
Não se mostra compatível a compensação entre FINCOSIAL e PIS/Pasep quando o provimento judicial, que pretensamente ampararia o procedimento, restringiu o encontro de contas do crédito de FINCOSIAL com parcelas vincendas de Cofins, nos termos do 66 da Lei nº 8.383/91.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3401-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a existência de omissão, consistente na falta de clareza da motivação que conduziu à conclusão do colegiado, o que impede a parte sucumbente de manejar os recursos cabíveis, cerceando sua defesa. PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA. Não se mostra compatível a compensação entre FINCOSIAL e PIS/Pasep quando o provimento judicial, que pretensamente ampararia o procedimento, restringiu o encontro de contas do crédito de FINCOSIAL com parcelas vincendas de Cofins, nos termos do 66 da Lei nº 8.383/91. Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a existência de omissão, consistente na falta de clareza da motivação que conduziu à conclusão do colegiado, o que impede a parte sucumbente de manejar os recursos cabíveis, cerceando sua defesa. PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA. Não se mostra compatível a compensação entre FINCOSIAL e PIS/Pasep quando o provimento judicial, que pretensamente ampararia o procedimento, restringiu o encontro de contas do crédito de FINCOSIAL com parcelas vincendas de Cofins, nos termos do 66 da Lei nº 8.383/91. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, José Luiz Feistauer Oliveira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 21 81 /2 00 3- 97Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Tratase, na espécie de embargo de declaração interposto pela Fazenda Nacional sob a alegação de falta de motivação do acórdão 20403.002, de 12/12/2007, cujo fundamento se resumiu à seguinte frase: “Notase que o auto de infração é indevido, uma vez que a Recorrente comprova a origem dos créditos e a regularidade da compensação realizada.” O processo alberga auto de infração eletrônico de PIS/Pasep, período julho/1998 a setembro/1998, indicando, como ocorrência, a expressão “proc. jud. não comprova” A Fazenda Nacional questionou, também, a ausência de manifestação acerca da vedação à compensação entre o FINSOCIAL e o PIS/Pasep, imposta pelo provimento judicial exarado no processo indicado em DCTF, como asseverado pela decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O presente embargo de declaração foi distribuído com fulcro nos arts. 49, § 7º e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09. O juízo de admissibilidade da peça já foi realizado por ocasião da prolação do despacho nº 340000.712, de 10/10/2011, oportunidade que reitero a existência da omissão assinalada pela Fazenda Nacional, impondo o saneamento do vício. Nesta senda, reexaminando os autos, infiro que não é possível a manutenção do julgamento, na forma como exarado, pela singela integração do voto com a agregação da questão não enfrentada, porquanto a conclusão do seu debate, em meu entendimento, redundará necessariamente na sua revisão, como passo a demonstrar. Inicialmente a justificativa do lançamento correspondia à não comprovação da ação judicial indicada como origem dos créditos utilizados na compensação, entretanto, após apresentação da impugnação, onde o contribuinte juntou cópias de partes de peças das ações judiciais envolvidas (medida cautelar e ação ordinária), a EQAJU/DRF São Bernardo do Campo/SP, através da Representação nº 37/2005, de 27/06/2005, realizou a revisão de ofício do ato administrativo, acentuando que as ações judiciais indicadas, em que pese sua existência, autorizavam a compensação do FINSOCIAL recolhido indevidamente tãosomente com parcelas vincendas da COFINS, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Portanto, houve alteração da motivação do lançamento, que passou a ser a falta de amparo judicial para promoção da compensação na forma realizada. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13819.002181/200397 Acórdão n.º 3401002.761 S3C4T1 Fl. 11 3 Mantido o lançamento parcialmente pela DRJ Campinas/SP, com exoneração da multa de ofício pela aplicação da retroatividade benigna (art. 90 da MP 2.15835/2001 c/c art. 18 da Lei nº 10.833/03), o contribuinte, em recurso voluntário, limitouse a argumentar que o crédito tributário já estava extinto mediante compensação, sem, no entanto, contestar a falta de respaldo judicial para sua realização. É inconteste que o provimento judicial exarado garantiu o direito à compensação do indébito de FINSOCIAL, porém, restringiuo, nos termos da Lei nº 8.383/91, às parcelas vincendas de Cofins, o que resulta na impossibilidade de realização da compensação com débitos de PIS/Pasep e, como conseqüência, a homologação do procedimento, motivo pelo qual mostrase procedente a exigência do crédito respectivo. Por conveniente, registro que, à época do encontro de contas, já se encontrava vigente a possibilidade de compensação créditos tributários com quaisquer tributos administrados pela RFB, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96, contudo, suas disposições não eram aplicáveis ao caso sub examine, seja porque o direito creditório ainda não era líquido e certo, seja porque não houve observância ao procedimento estabelecido pela IN SRF 21/97. De outra banda, data maxima venia, ainda que houvesse a prova da origem dos créditos, como asseverado pela decisão embargada, não se verificava a regularidade do procedimento compensatório, como restou demonstrado. Com estas considerações, voto por acolher o embargo de declaração interposto, com efeito infringente, para promover as modificações necessárias no acórdão, negando provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10580.001034/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da perda de seu objeto.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da perda de seu objeto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 10 34 /2 00 8- 57 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: junho/1999 a fevereiro/2001. Data da lavratura da Auto de Infração: 17/12/2007. Data da ciência do Auto de Infração: 26/12/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 52, II, da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 280, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 lavrado em desfavor do Recorrente, em razão de dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, ainda que a titulo de adiantamento, estando a empresa em débito com a Seguridade Social, consoante discriminado no Anexo I, conforme relatório fiscal a fls. 34/37. CFL 52 Dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio quotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento, estando em débito com a Seguridade Social. Informa a Autoridade Lançadora que o histórico fiscalprevidenciário do Recorrente dá conta que a empresa foi fiscalizada pela auditoria previdenciária em 2002, tendo sido notificada por falta de recolhimento de contribuições e autuada por descumprimento de obrigações acessórias, tais como não elaboração de folha, não efetivar matricula no INSS, omissão de fatos geradores em GFIP (crime de sonegação) e, inclusive, por não ter apresentado documentos, entre eles os Livros Diário. Relata a fiscalização que, na análise da contabilidade apresentada pela empresa, foram identificados valores repassados pela empresa aos sócios através da conta 1.1.2.09.01.12 ADIANTAMENTO DE DIVIDENDOS A SOCIOS, em 30/09/2006, relativos a adiantamento de lucros referentes ao exercício de 2006 e diversos lançamentos nos meses de 03 a 06/2007, nas contas 1.2.1.02.01.01 GERVASIO MENEZES DE OLIVEIRA, 1.2.1.02.01.02 WILLIAM ROGERS LIMA DE OLIVEIRA e 1.2.1.02.01.09 LITZA MELO GUSMAO DA SILVA com a discriminação de "participação nos lucros". Aponta a fiscalização ter sido de R$ 11.488.667,07 (onze milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, seiscentos e sessenta e sete reais e sete centavos) o montante distribuído aos sócios, sendo que, no período indicado, a empresa se encontrava em débito com a seguridade social, inclusive com diversos débitos inscritos em divida ativa e outros tantos débitos oriundos de dívidas confessadas através da Guia de recolhimento do FGTS e informações previdência social GFIP sem recolhimento. A penalidade aplicada obedeceu à memória de cálculo estipulada no Parágrafo Único do art. 52 c.c. art. 34, ambos da Lei nº 8.212/91, consistente no montante equivalente a 50% das quantias pagas ou creditadas, atualizada desde a data da distribuição, nos termos especificados no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 38 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.001034/200857 Acórdão n.º 2302003.601 S2C3T2 Fl. 362 3 Informa o auditor fiscal autuante não serem aplicáveis a esta espécie de infração tributária os efeitos das circunstâncias agravantes apuradas pela fiscalização. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 111/118. A Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1523.093 – 7ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 320/324, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da DecisãoNotificação em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 334. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 336/334, requerendo, ao fim, que seja declarada a insubsistência do auto de infração lavrado. Contrarrazões a fl. 217. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 21/05/2010. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios no dia 21/06/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Devidamente intimado da decisão de 1ª Instância Administrativa, o Ente Federativo em tela ofereceu tempestivamente Recurso Voluntário requerendo a declaração de insubsistência do auto de infração lavrado. Ocorre, todavia, que aos 04 dias do mês de setembro de 2014, o Recorrente protocolizou, na CAC/DRF/SDR, Requerimento de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, a fl. 358, requerendo, para fins de adesão ao Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior, instituído pela Lei 12688, de 18 de julho de 2012, a desistência total da impugnação e do recurso interpostos no processo administrativo em epígrafe, declarando ainda, no mesmo instrumento, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referido recurso. Nesse cenário, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário oferecido pela SOCIEDADE MANTENEDORA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DA BAHIA LTDA., em razão de desistência expressa aviada no Requerimento de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo acima citado. 3. DECISÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário formulado a fls. 128/168, em razão da perda de seu objeto. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.001034/200857 Acórdão n.º 2302003.601 S2C3T2 Fl. 363 5 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003505/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.345
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/2010-33 e 11065.003479/2010-88, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/2010-33 e 11065.003479/2010-88, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/201033 e 11065.003479/201088, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 03 50 5/ 20 10 -7 8 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003505/201078 Resolução nº 2302000.345 S2C3T2 Fl. 267 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003505/201078 Resolução nº 2302000.345 S2C3T2 Fl. 268 3 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o seguinte crédito tributário lançado: a) contribuições da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais; b) contribuições da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; c) contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE). Consta que o procedimento fiscal foi dificultado em razão do contribuinte não ter apresentado o Livro Caixa nem o Livro Diário, solicitados inicialmente por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de 06/04/2010 (fls. 79/80), e após pelo Termo de Intimação Fiscal – TIF 02, de 30/09/2010. (fls. 82). O contribuinte apresentou à fiscalização declaração firmada pelo sócioadministrador e por técnico em contabilidade (fls. 94), com data de 08/10/2010, informando que não possuía registros de escrituração contábil e nem escrituração do Livro Caixa desde 01/01/2006 até 31/12/2009. Nesse contexto, foram encaminhadas representações fiscais para exclusão do contribuinte do Simples e do Simples Nacional. A exclusão de ofício foi formalizada por meio dos Atos Declaratórios Executivos nº 123/2010 (Simples) e nº 124/2010 (Simples Nacional), anexados às fls. 95 e 96 deste processo. Após a impugnação da recorrente, como afirmado, a DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: * embora excluída do Simples Nacional, está apresentando recurso contra acórdão que julgou improcedente a impugnação aos Atos Declaratórios de Exclusão; * o lançamento decorre da exclusão do Simples Nacional, mas os recolhimentos efetuados foram feitos de acordo com o previsto no ordenamento jurídico para empresas que estavam enquadradas no Simples Nacional, sendo indevido os efeitos retroativos a 01/01/2006; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003505/201078 Resolução nº 2302000.345 S2C3T2 Fl. 269 4 * o mesmo vale para as multas de ofício por infração pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, posto que tais infrações jamais ocorreram; * a exclusão se deu pelo não cumprimento de uma obrigação acessória (falta de escrituração do livro caixa), não tendo o condão de transformar atos legais em ilegais; Assim, caso os Atos Declaratórios de Exclusão não sejam anulados, será devido apenas o valor do tributo recalculado, com a respectiva multa de mora. Caso assim, não se entenda, deve ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003505/201078 Resolução nº 2302000.345 S2C3T2 Fl. 270 5 VOTO Consta dos autos que a recorrente foi excluída do Simples e do Simples Nacional por meio dos Atos Declaratórios Executivos nº 123/2010 (Simples) e nº 124/2010 (Simples Nacional). Referidas exclusões constituem questões prejudiciais ao mérito recursal, sendo de se ressaltar que não há definitividade de decisões quanto a tais controvérsias (trânsito em julgado administrativo), conforme se verifica dos apensos 11065.003478/201033 (Simples) e 11065.003479/201088 (Simples Nacional) Entendo, portanto, não ser possível prosseguir com este julgamento sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa dos sistemas favorecidos (Simples: 11065.003478/201033 e Simples Nacional 11065.003479/201088), razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem para aguardar as decisões definitivas, na esfera administrativa, sobre as referidas questões e, somente após tal informação, retornem os autos a este Colegiado, devidamente instruídos com informações a respeito do desfecho de ambos os processos. Repiso que os processos que tratam das questões prejudiciais encontramse em apenso, com recurso voluntário interposto e pendente de julgamento. Ocorre que a competência para julgamento é da Primeira Seção deste Egrégio Conselho (art. 2°, V, do RICARF), razão pela qual os autos dos processos 11065.003478/201033 e 11065.003479/201088 devem ser desapensados para encaminhamento ao referido órgão. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento à recorrente e concedido prazo para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13687.000536/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO EM DILIGÊNCIA. CONCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE.
Crédito do contribuinte reconhecido em diligência fiscal, com a concordância do contribuinte requerente, exauri a apreciação.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de reconhecer o direito creditório na forma da informação fiscal das fls. 337/339, de 16.07.2014.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO EM DILIGÊNCIA. CONCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. Crédito do contribuinte reconhecido em diligência fiscal, com a concordância do contribuinte requerente, exauri a apreciação. Recurso Voluntário Provido em Parte - Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 352 1 351 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13687.000536/200861 Recurso nº 13.687.000536200861 Voluntário Acórdão nº 2803003.860 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de novembro de 2014 Matéria Restituição Recorrente TERMO ELETRO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO EM DILIGÊNCIA. CONCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. Crédito do contribuinte reconhecido em diligência fiscal, com a concordância do contribuinte requerente, exauri a apreciação. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, no sentido de reconhecer o direito creditório na forma da informação fiscal das fls. 337/339, de 16.07.2014. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 7. 00 05 36 /2 00 8- 61 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13687.000536/200861 Acórdão n.º 2803003.860 S2TE03 Fl. 353 2 Relatório Trata Recurso Voluntário que busca reforma da decisão da DRJ que manteve a negativa ao pedido do Requerimento de Reembolso (RR) de saláriofamília pagos entre 08/2004 e 11/2007, nas competências identificadas em epígrafe, protocolado em 03/09/2008. A negativa deuse em razão da alteração do Regime de Apuração da recorrente, que teria sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL), a partir 01/01/2004, e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), a partir de 01/07/2007, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 002/2009, de 28 de janeiro de 2009 e Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 004, de 02 de fevereiro de 2009, respectivamente, em virtude de ter desempenhado atividades vedadas pelo inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Logo, o pedido de reembolso deveria enquadrarse no regime de apuração e tributação ao qual a requerente deveria estar enquadrada. E mesmo que ela estivesse impugnando ou recorrendo das decisões de exclusão, estas não teriam efeito suspensivo, tendo sido mantidas em julgamento da mesma DRJ (Processo nº 10970.000610/200855, Acórdão n° 0926064 de 09/09/2009 da 2 a. Turma de Julgamento). Inconformada com a manutenção da negativa, apresentou Recurso Voluntário, reforçando o dever de suspensão dos efeitos das decisões de exclusão em razão da Recorrente ainda estar questionando administrativamente as mesmas, bem como outros argumentos. Em novembro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. As cópias não foram fornecidas pela Secretaria, mas pela própria contribuinte, demonstrando que o julgamento pela Primeira Sessão de Julgamento do CARF/MF foi favorável ao contribuinte no sentido de cancelar a exclusão. Mesmo assim, os autos foram devolvidos à análise. Em diligência do próprio relator junto ao COMPROT do CARF/MF e Secretaria da Receita Federal, verificouse que após tal julgamento os autos foram devolvidos e devidamente arquivados. Assim, ficou comprovado que a exclusão ao regime ao Simples foi revogada. Com base nessas provas, foi solicitada nova diligência para que (1) indiferentemente da exclusão da contribuinte do SIMPLES NACIONAL E FEDERAL, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, e respectivos valores; (2) havendo qualquer carência de requisito, que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, obseravando os itens anteriores, inclusive sobre o Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13687.000536/200861 Acórdão n.º 2803003.860 S2TE03 Fl. 354 3 valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Em resposta, a autoridade fiscal analisou os documentos, informou que não havia qualquer carência de requisitos ao pedido, e reconheceu a existência dos créditos a serem restituídos ao contribuinte. A recorrente manifestouse concordando com a informação fiscal. Os autos retornaram à turma. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13687.000536/200861 Acórdão n.º 2803003.860 S2TE03 Fl. 355 4 Voto O recurso voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido. Ao que se verifica aos autos, o único fundamento trazido pela decisão de indeferimento de restituição e acórdão a quo para negar a restituição foi a exclusão da parte do Simples Nacional e Federal, o que não lhe permitiria a restituição dos valores pleiteados. Contudo, como relatado, o único fundamento de negativa foi revertido, reconhecendo a improcedência da exclusão. Atentese que, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Bem como, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por motivação de oficio (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição como o caso do qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito darlhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13687.000536/200861 Acórdão n.º 2803003.860 S2TE03 Fl. 356 5 preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Como o resultado da diligência houve o reconhecimento de forma demonstrada de grande parte do crédito do contribuinte, bem como o mesmo concordou plenamente com tal resultado, apenas resta ao CARF/MF aprovar e ratificar o crédito reconhecido como devido ao contribuinte na forma da informação fiscal das fls. 337/339, de 16.07.2014. Isso posto, voto para conhecer o recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento no sentido de reconhecer o direito creditório na forma da informação fiscal das fls. 337/339, de 16.07.2014. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904114/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 14 /2 00 8- 81 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904114/200881 Acórdão n.º 3803006.715 S3TE03 Fl. 65 2 O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, do período de apuração identificado na ementa supra, no valor atualizado até então de R$ 2.588,33. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora após a ciência da decisão de origem, declaração essa que, segundo ele, comprovaria o valor correto da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 02/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904114/200881 Acórdão n.º 3803006.715 S3TE03 Fl. 66 3 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de declaração de compensação não homologada por falta de comprovação do crédito pleiteado. Para justificar o direito alegado, o Recorrente se vale apenas da DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo que o seu não acatamento configura ofensa ao princípio da verdade material, nada trazendo aos autos que pudesse demonstrar a origem e comprovar, com documentação hábil e idônea, o crédito argüido. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação do crédito pleiteado, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, não tendo nem mesmo demonstrado a origem do pagamento efetuado a maior. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904114/200881 Acórdão n.º 3803006.715 S3TE03 Fl. 67 4 Apenas a apresentação da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, inclusive sem menção à justificativa do pagamento realizado a maior, não é apta a demonstrar e comprovar o direito creditório pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode ir além das provas carreadas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Nesse contexto, por ausência de prova do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000737/2005-95
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES.
A entrega da DCTF fora do prazo fixado em lei enseja a aplicação de multa correspondente, nos moldes da legislação tributária de regência.
Numero da decisão: 303-35.774
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli (relator), que afastava a exigência
relativa a 2000 e aos três primeiros trimestres de 2001. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios- Redatora ad hoc
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES. A entrega da DCTF fora do prazo fixado em lei enseja a aplicação de multa correspondente, nos moldes da legislação tributária de regência.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES. A entrega da DCTF fora do prazo fixado em lei enseja a aplicação de multa correspondente, nos moldes da legislação tributária de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli (relator), que afastava a exigência relativa a 2000 e aos três primeiros trimestres de 2001. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. (assinado digitalmente) JOEL MIYAZAKI - Presidente (assinado digitalmente) MÕNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS- Redatora ad hoc. Participaram do julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto (presidente), Nilton Luiz Bartoli (relator), Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Tarásio Campelo Borges Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 73 _________ 2 Relatório Trata-se de Autos de Infração (fls. 08 e 09), cujo objeto é a multa por atraso na entrega de Declarações de Débitos e Créditos Federais – DCTF, referentes aos anos- calendários de 2000 e 2001, fundamentada no art. 113, § 3º e 160 da Lei nº 5.172 de 26/10/66 (CTN), art. 4º, combinado com art. 2º da IN SRF nº 73/96, art. 6º da IN SRF nº 126, de 30/10/98, combinado com o item I da Portaria MF nº 118/84, art. 5º do DL nº 2124/84 e art. 7º da MP nº 16/2001, convertida na Lei nº 10.426/02. Inconformado com a lavratura dos referidos AIs, o contribuinte apresenta Impugnação à fl.01, na qual alega em síntese, que: desconhecia a nova lei que obrigava a enviar a DCTF trimestralmente, deste modo, requer anistia; a empresa tinha um rendimento muito baixo, razão pela qual não possuía contador; teve notícia da obrigatoriedade da entrega da DCTF somente quando a SRF, através do PAR, comunicou as pendências existentes, mas, logo em seguida as regularizou; durante algum tempo informou, dentro do prazo, as DCTF’s restantes, até o momento em que a empresa foi desativada; todos os impostos relativos à receita da empresa foram pagos, restando pendentes somente as multas em questão, que são de um valor muito superior a receita bruta da empresa. Ao final, demonstrada a improcedência (total ou parcial) do presente lançamento, requer seja acolhida a Impugnação. Instrui a Impugnação os documentos de fls. 02/10, dentre estes, Contrato Social constitutivo (fls. 02/05), Alteração Contratual (fls. 06/07), AIs nºs 46473707-7 e 46473706-3 (fls. 08/09, respectivamente), bem como cédula de identidade do sócio (fl. 10). Consta às fls.14/15 e 18/27, extrato do processo nº 11040-000.737/2005-95 emitido pela SRF em Pelotas/ RS. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS), esta considerou o lançamento procedente em parte (fls.29/31), nos termos da seguinte ementa (fl.29): “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Ementa: Dispensada a empresa inativa no primeiro trimestre da entrega de DCTF relativa àquele período, inexigível a multa por entrega a destempo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 74 _________ 3 Comprovado o exercício de atividades por parte da empresa nos demais períodos, exigível a multa por entrega de DCTF a destempo. Lançamento Procedente em Parte” Ciente da decisão proferida (AR – fl.34), o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário às fls. 35/37, no qual reitera os argumentos já explanados em sua impugnação e acrescenta que, conforme consta das notas fiscais anexas, em determinados períodos a multa é superior e em outros, é totalmente desproporcional ao faturamento da empresa. Ressalta que, apesar da importância que a referida multa deve ter, o procedimento é burocrático e não resultou em sonegação de impostos, configurando, assim, um caráter confiscatório e desproporcional, o que fere, não só o direito de propriedade previsto no art. 5º, inciso XXII, da CF, mas sobretudo, o Princípio da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Para corroborar seus argumentos, transcreve texto extraído do site do escritório Dupont Spiller Advogados Associados acerca da multa em caráter confiscatório, assim como, excerto de texto do profº Ricardo Lobo Torres acerca da sanção e do princípio da proporcionalidade. Diante do exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, total ou parcialmente. Instrui o referido Recurso Voluntário: tabela discriminando os impostos e multas relativos aos anos de 2000 e 2001 à fl.38 e Notas Fiscais às fls.39/68. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 14/10/2008, em único volume, constando numeração até à fl. 70, última. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF nº. 314, de 25/08/99. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 75 _________ 4 Voto Vencido Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de e-folha 71, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF 1 , aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiu-me o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 303-35.774, não entregue pela redatora designada para redigir o voto vencedor, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. O relator original, Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, também não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Assim, necessária a formalização do voto vencido (do relator original) e do voto vencedor. A minuta do voto vencido foi entregue à Secretaria da Câmara pelo relator original, Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, a qual foi adotada no relatório e será reproduzida neste voto vencido. Voto do Conselheiro Nilton Luiz Bartoli Por conter matéria deste E. Conselho, conheço do Recurso Voluntário, tempestivamente interposto pelo contribuinte. E, ultrapassadas as análises dos requisitos de admissibilidade, passemos ao mérito. Em inúmeras oportunidades já externei meu entendimento acerca da inaplicabilidade de multa mínima por atraso na entrega da DCTF, com respaldo na Instrução Normativa n° 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996. Senão, vejamos: Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante até que se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Como bem nos ensina o cientista idealizador da “Teoria Pura do Direito”, que promoveu o Direito de ramo das Ciências Sociais para uma Ciência própria, individualizada, de objeto caracterizado por um corte epistemológico inconfundível, a norma é o objeto do Direito que está organizado em um sistema piramidal cujo ápice é ocupado pela Constituição que emana sua validade e eficácia por todo o sistema. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 76 _________ 5 Daí porque entendo que, qualquer que seja a norma, deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível não estará compatível com o sistema. No caso em pauta, no entanto, entendo que a análise da Instrução Normativa nº. 129, de 19.11.1986, que instituiu para o contribuinte o dever instrumental de informar à Receita Federal, por meio da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF as bases de cálculo e os valores devidos de cada tributo, mensalmente, a partir de 1° de janeiro de 1987, prescinde de uma análise mais profunda chegando às vias da Constituição Federal, o que será feito tão somente para alocar ao princípio constitucional norteador das condutas do Estado e do Contribuinte. O Código Tributário Nacional está organizado de forma que os assuntos estão divididos e subdivididos em Livro, título, capítulo e seções, as quais contém os enunciados normativos alocados em artigos. É evidente que a distribuição dos enunciados normativos de forma a estruturar o texto legislativo, pouco pode colaborar para a hermenêutica. Contudo, podem demonstrar indicativamente quais as disposições inaplicáveis ao caso, seja por sua especificidade, seja por sua referência. Com efeito, o Título II, trata da Obrigação Tributária, e o art. 113, artigo que inaugura o Título estabelece que: “Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória.” Este conceito legal, apesar de equiparar relações jurídicas distintas - uma obrigação de dar e outra obrigação de fazer - é um indicativo de que, para o tratamento legal dispensado à obrigação tributária, não é relevante a distinção se relação jurídica tributária, propriamente dita, ou se dever instrumental. Para evitar descompassos na aplicação das normas jurídicas, a doutrina empreende boa parte de seu trabalho para definir e distinguir as relações jurídicas possíveis no âmbito do Direito Tributário. Todavia, para o caso em prática, não será necessário embrenhar no campo da ciência a fim de dirimi-lo. Ao equiparar o tratamento das obrigações tributárias, o Código Tributário Nacional, equipara, conseqüentemente as responsabilidades tributárias relativas ao plexo de relações jurídicas no campo tributário, tornando-as equânimes. Se equânimes as responsabilidades, não se poderia classificar de forma diversa as infrações, restando à norma estabelecer a dosimetria da penalidade atinente à teoria das penas. Há uma íntima relação entre os elementos: obrigação, responsabilidade e infração, pois uma decorre da outra, e se considerada a obrigação tributária como principal e acessória, ambas estarão sujeitas ao mesmo regramento se o comando normativo for genérico. A sanção tributária decorre da constatação da prática de um ilícito tributário, ou seja, é a pratica de conduta diversa da deonticamente modalizada na hipótese de incidência normativa, fixada em lei. É o descumprimento de uma ordem de conduta imposta pela norma tributária. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 77 _________ 6 Se assim, tendo o modal deôntico obrigatório determinado a entrega de coisa certa ou a realização de uma tarefa (obrigação de dar ou obrigação de fazer), o fato do descumprimento, de pronto, permite a aplicação da norma sancionatória. Tratando-se de norma jurídica validamente integrada ao sistema de direito positivo (requisito formal), e tendo ela perfeita definição prévia em lei de forma a garantir a segurança do contribuinte de poder conhecer a conseqüência a que estará sujeito se pela prática de conduta diversa à determinada, a sanção deve ter sua consecução. Tal dever é garantia do Estado de Direito. Isto porque, não só a preservação das garantias e direitos individuais promove a sobrevivência do Estado de Direito, mas também a certeza de que, descumprida uma norma do sistema, este será implacável na aplicação da sanção. A sanção, portanto, constitui restrição de direito, sim, mas visa manter viva a estrutura do sistema de direito positivo. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa nº. 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.1984 que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. O Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-Lei nº. 2.124, de 13.06.1984. O Decreto-Lei nº. 2.124 de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional nº. 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação às matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. A antiga Constituição, no entanto, também privilegiava o princípio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos à lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei nº. 2.124 de 13.06.1984 e a Constituição Federal de 1967 (art. 153, § 2º). Em relação à fonte material, verifica-se que há na norma veiculada pelo Decreto-Lei nº. 2.124 de 13.06.1984, uma nítida delegação de competência de legislar, para a criação de relações jurídicas de cunho obrigacional para o contribuinte em face do Fisco. O Código Tributário Nacional, recepcionado integralmente pela nova ordem constitucional, estabelece em seu art. 97 o seguinte: “Art. 97 - Somente a lei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3 do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 78 _________ 7 V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” (grifos acrescidos ao original) Ora, torna-se cristalina na norma complementar que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias aos seus dispositivos (dispositivos instituídos em lei) ou para outras infrações na lei definidas. Não resta dúvida que somente à lei é dada autorização para criar deveres, direitos, sendo que as obrigações acessórias não fogem à regra. Se o Código Tributário Nacional diz que a cominação de penalidade para as ações e omissões contrárias a seus dispositivos, a locução “a seus dispositivos” refere-se aos dispositivos legais, às ações e omissões estabelecidas em lei e não, como foi dito, às normas complementares. Aliás, a interpretação do art. 100 do Código Tributário Nacional vem sendo distorcida com o fim de dar legitimidade a atos da administração direta que não foram objeto da ação legiferante pelo Poder competente, ou seja, a hipótese de incidência contida no antecessor da norma veiculada por ato da administração não encontra fundamento de validade em normas hierarquicamente superior, e, por vezes, é proferida por autoridade que não tem competência para fazê-lo. Prescreve o art. 100 do Código Tributário Nacional: Art. 100 - São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (grifos acrescidos ao original) Como bem assevera o artigo retro mencionado, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são complementares às leis, devendo a elas obediência e submissão. Incabível dar ao art. 100 do Código Tributário Nacional a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vício. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 79 _________ 8 Atos administrativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao “modus operandi” do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação às condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que já fora estabelecido em lei. É nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Yoshiaki Ichihara (in Princípio da Legalidade Tributária, pág. 16) doutrina em relação às normas infralegais (que incluem as Instruções Normativas) o seguinte: “São na maioria das vezes, normas impessoais e genéricas, mas que se situam abaixo da lei e do decreto. Não podem criar, alterar ou extinguir direitos, pois a função dos atos normativos dentro do sistema jurídico visa a boa execução das leis e dos regulamentos. (...) É possível concluir até pela redação do art. 100 do Código Tributário Nacional; os atos normativos não criam e nem inovam a ordem jurídica no sentido de criar obrigações ou deveres. Assim, qualquer comportamento obrigatório contido no ato normativo decorre porque a lei atribuiu força e eficácia normativa, apenas detalhando situações previstas em lei. A função dos atos normativos, seja qual for o rótulo utilizado, só possui eficácia normativa se retirar o conteúdo de validade da norma superior e exercer a função específica de completar o sistema jurídico, a fim de tornar a norma superior exeqüível e aplicável, preenchendo o mundo jurídico e a visão de completude do sistema.” Nesse diapasão, é oportuno salientar que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto lícito, motivação, finalidade, agente competente e forma prevista em lei. Sob análise, percebo que a Instrução Normativa nº. 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato relativamente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF com o fim de informar à Secretaria da Fazenda Nacional os montantes de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade lícita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. No que tange ao agente competente, no entanto, tal conformidade não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal, como visto, não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade. É de se ressaltar que, ainda que se admitisse que o Decreto-Lei nº. 2.124, de 13.06.1984, fosse o veículo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o princípio da Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 80 _________ 9 indelegabilidade da competência tributária (art. 7° do Código Tributário Nacional) e até mesmo o princípio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Ora, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-Lei nº. 2.124 de 13.06.1984, a Portaria MF nº118, de 28.06.1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Registre-se, nesta senda, o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de delegação de poderes (“ubi eadem legis ratio, ibi dispositio”): "E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - LEI ESTADUAL QUE OUTORGA AO PODER EXECUTIVO A PRERROGATIVA DE DISPOR, NORMATIVAMENTE, SOBRE MATÉRIA TRIBUTÁRIA - DELEGAÇÃO LEGISLATIVA EXTERNA - MATÉRIA DE DIREITO ESTRITO - POSTULADO DA SEPARAÇÃO DE PODERES - PRINCÍPIO DA RESERVA ABSOLUTA DE LEI EM SENTIDO FORMAL - PLAUSIBILIDADE JURÍDICA - CONVENIÊNCIA DA SUSPENSÃO DE EFICÁCIA DAS NORMAS LEGAIS IMPUGNADAS - MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. - A essência do direito tributário - respeitados os postulados fixados pela própria Constituição - reside na integral submissão do poder estatal a "rule of law". A lei, enquanto manifestação estatal estritamente ajustada aos postulados subordinantes do texto consubstanciado na Carta da Republica, qualifica-se como decisivo instrumento de garantia constitucional dos contribuintes contra eventuais excessos do Poder Executivo em matéria tributaria. Considerações em torno das dimensões em que se projeta o principio da reserva constitucional de lei. - A nova Constituição da Republica revelou-se extremamente fiel ao postulado da separação de poderes, disciplinando, mediante regime de direito estrito, a possibilidade, sempre excepcional, de o Parlamento proceder a delegação legislativa externa em favor do Poder Executivo. A delegação legislativa externa, nos casos em que se apresente possível, só pode ser veiculada mediante resolução, que constitui o meio formalmente idôneo para consubstanciar, em nosso sistema constitucional, o ato de outorga parlamentar de funções normativas ao Poder Executivo. A resolução não pode ser validamente substituída, em tema de delegação legislativa, por lei comum, cujo processo de formação não se ajusta a disciplina ritual fixada pelo art. 68 da Constituição. A vontade do legislador, que substitui arbitrariamente a lei delegada pela figura da lei ordinária, objetivando, com esse procedimento, transferir ao Poder Executivo o exercício de competência normativa primaria, revela-se irrita e desvestida de qualquer eficácia jurídica no plano constitucional. O Executivo não pode, fundando-se em mera permissão legislativa constante de lei comum, valer-se do regulamento delegado ou autorizado como sucedâneo da lei delegada para o efeito de disciplinar, normativamente, temas sujeitos a reserva constitucional de lei. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 81 _________ 10 - Não basta, para que se legitime a atividade estatal, que o Poder Publico tenha promulgado um ato legislativo. Impõe-se, antes de mais nada, que o legislador, abstendo-se de agir ultra vires, não haja excedido os limites que condicionam, no plano constitucional, o exercício de sua indisponível prerrogativa de fazer instaurar, em caráter inaugural, a ordem jurídico- normativa. Isso significa dizer que o legislador não pode abdicar de sua competência institucional para permitir que outros órgãos do Estado - como o Poder Executivo - produzam a norma que, por efeito de expressa reserva constitucional, só pode derivar de fonte parlamentar." (ADIMC nº. 1296/PE in DJ 10.08.1995, pp. 23554 EMENTA VOL – 01795-01 pp. – 00027) Hans Kelsen, idealizador do Direito como Ciência, estatui em seu trabalho lapidar (Teoria Pura do Direito, tradução João Baptista Machado, 5ª edição, São Paulo, Malheiros) que: “Dizer que uma norma que se refere à conduta de um indivíduo “vale” (é vigente”), significa que ela é vinculativa, que o indivíduo se deve conduzir do modo prescrito pela norma.”... “O fundamento de validade de uma norma apenas pode ser a validade de uma outra norma. Uma norma que representa o fundamento de validade de outra norma é figurativamente designada como norma superior, por confronto com uma norma que é, em relação a ela, a norma inferior.” “... Mas a indagação do fundamento de validade de uma norma não pode, tal como a investigação da causa de um determinado efeito, perder-se no interminável. Tem de terminar numa norma que se pressupõe como a última e mais elevada. Como norma mais elevada, ela tem de ser pressuposto, visto que não pode ser posta por uma autoridade, cuja competência teria de se fundar numa norma ainda mais elevada. A sua validade já não pode ser derivada de uma norma mais elevada, o fundamento da sua validade já não pode ser posto em questão. Uma tal norma, pressuposta como a mais elevada, será aqui designada como norma fundamental (Grundnorm).” Ensina Kelsen que toda ordem jurídica é constituída por um conjunto escalonado de normas, todas carregadas de conteúdo que regram as condutas humanas e as relações sociais, que se associam mediante vínculos (i) horizontais, pela coordenação entre as normas; e, (ii) verticais pela supremacia e subordinação. Segundo Kelsen, em relação aos vínculos verticais, a relação de validade de uma norma não pode ser aferida a partir de elementos do fato. Norma (ideal) e fato (real) pertencem a mundos diferentes e, portanto a norma deve buscar fundamento de validade no próprio sistema, segundo os critérios de hierarquia, próprios do sistema. Os elementos se relacionam verticalmente segundo a regra básica, interna ao próprio sistema, de que as normas de menor hierarquia buscam fundamento de validade em normas de hierarquia superior, assim, até alcançar-se o nível hierárquico Constitucional que inaugura o sistema. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 82 _________ 11 Ora, se toda norma deve encontrar fundamento de validade nas normas hierarquicamente superiores, onde estaria o fundamento de validade da Portaria MF 118, de 28.06.1984, se o Decreto-Lei n° 2.124, de 1.06.1984, não lhe outorgou competência para delegação? Em relação à forma prevista em lei, entendida lei como normas no sentido lato, a instituição da obrigação de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, por ser obrigação e, conseqüentemente, dever acometido ao sujeito passivo da relação jurídica tributária, por instrução normativa, não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à LEI. A exigibilidade de veiculação por norma legal de ações ou omissões por parte de contribuinte e respectivas penalidades inerentes ao seu descumprimento é estabelecida pelo Código Tributário Nacional de forma insofismável. Somente a Lei pode criar um vínculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vínculo. E tal poder da lei é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Ademais a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto- Lei nº. 2.124 de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: “Art. 25 - Ficam revogados, a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: I - ação normativa; II - alocação ou transferência de recursos de qualquer espécie. (grifos acrescidos ao original) Ora, a competência de legislar sobre matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei nº. 2.124 de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa nº. 129 de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, conseqüentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Analisada a norma instituidora da obrigação acessória tributária, entendo cabível apreciar a cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129 de 19.11.1986, Anexo II - 1.1, (e posteriormente, na Instrução Normativa n°73, de 19.12.1996, que alterou a IN n° 129 de 19.11.1986), cujos argumentos acima despendidos são plenamente aplicáveis. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 83 _________ 12 No Direito Tributário a sanção administrativa tributária tem a mesma conformação estrutural lógica da sanção do Direito Penal e se assim o ato ilícito antijurídico deve ter a cominação de penalidade específica. Em artigo publicado na RT-718/95, pg. 536/549, denominado “A Extinção da Punibilidade nos Crimes contra a Ordem Tributária, GERD W. ROTHMANN, eminente professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, destacou um capítulo sob a rubrica “Características das infrações em matéria tributária”., que merece transcrição aqui para servir de supedâneo ao argumento de que, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal: “Tanto o crime fiscal como a mera infração administrativa se caracterizam pela antijuridicidade da conduta, pela tipicidade das respectivas figuras penais ou administrativas e pela culpabilidade (dolo ou culpa). A antijuridicidade envolve a indagação pelo interesse ou bem jurídico protegido pelas normas penais e tributárias relativas ao ilícito fiscal. (...) A tipicidade é outro requisito do ilícito tributário penal e administrativo. O comportamento antijurídico deve ser definido por lei, penal ou tributária. Segundo RICARDO LOBO TORRES (Curso de Direito Financeiro e Tributário, 1993, pg. 268), a tipicidade é a possibilidade de subsunção de uma conduta no tipo de ilícito definido na lei penal ou tributária. (...) Nisto reside a grande problemática do direito penal tributário: leis penais, freqüentemente mal redigidas, estabelecem tipos penais que precisam ser complementados por leis tributárias igualmente defeituosas, de difícil compreensão e sujeitas a constantes alterações.” Na mesma esteira doutrinária o BASILEU GARCIA (in “Instituições de Direito Penal”, vol. I, Tomo I, Ed. Max Limonad, 4ª edição, pg. 195) ensina: “No estado atual da elaboração jurídica e doutrinária, há pronunciada tendência a identificar, embora com algumas variantes, o delito como sendo a ação humana, anti-jurídica, típica, culpável e punível. O comportamento delituoso do homem pode revelar-se por atividade positiva ou omissão. Para constituir delito, deverá ser ilícito, contrário ao direito, revestir-se de antijuricidade. Decorre a tipicidade da perfeita conformidade da conduta com a figura que a lei penal traça, sob a injunção do princípio nullum crimen, nulla poena sine lege. Só os fatos típicos, isto é, meticulosamente ajustados ao modelo legal, se incriminam. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 84 _________ 13 O Direito Penal (e por conseguinte o Direito Tributário Penal) contém normas adstritas às normas constitucionais. Dessa sorte, está erigido sob a primazia do princípio da legalidade dos delitos e das penas, de sorte que a justiça penal contemporânea não concebe crime sem lei anterior que o determine, nem pena sem lei anterior que a estabeleça; daí a parêmia “nullum crimen, nulla poena sine praevia lege”, erigida como máxima fundamental nascida da Revolução Francesa e vigorante cada vez mais fortemente até hoje (Cf. Basileu Garcia, op. Cit., pg. 19) . Na Constituição Federal há expressa disposição, que repete a máxima retro mencionada, em seu art. 5º, inciso XXXIX: “Art. 5º ... XXXIX - Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.”. No âmbito tributário, a trilha é a mesma, estampada no Código Tributário Nacional, art. 97, o qual já tivemos oportunidade de citar no início deste voto. Não há, aqui, como não se invocar teorias singelas sobre o trinômio que habilita considerar uma conduta como infratora às normas de natureza penal: o fato típico, a antijuridicidade e a culpabilidade, segundo conceitos extraídos da preleção de DAMÁSIO E. DE JESUS ( in Direito Penal, Vol. 1, Parte Geral, Ed. Saraiva, 17ª edição, pg. 136/137). “O fato típico é o comportamento humano que provoca um resultado e que seja prevista na lei como infração; e ele é composto dos seguintes elementos: conduta humana dolosa ou culposa; resultado lesivo intencional; nexo de causalidade entre a conduta e o resultado; e enquadramento do fato material a uma norma penal incriminatória. A antijuridicidade é a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico. A conduta descrita em norma penal incriminadora será ilícita ou antijurídica em face de estar ligado o homem a um fato típico e antijurídico. Dessa caracterização de tipicidade, de conduta e de efeitos é que nasce a punibilidade.” Tais elementos estavam ausentes no processo que cito, como também estão ausentes no caso presente. Daí não ser punível a conduta do agente. Não será demais reproduzir mais uma vez a lição do já citado mestre de Direito Penal Damásio de Jesus, que ao estudar o FATO TÍPICO ( obra citada - 1º volume - Parte Geral (Ed. Saraiva - 15ª Ed. - pág. 197) ensina: "Por último, para que um fato seja típico, é necessário que os elementos acima expostos (comportamento humano, resultado e nexo causal) sejam descritos como crime. ... "Faltando um dos elementos do fato típico a conduta passa a constituir em indiferente penal. É um fato atípico." ... Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 85 _________ 14 "Foi Binding quem pela primeira vez usou a expressão 'lei em branco' para batizar aquelas leis penais que contêm a sanctio juris determinada, porém, o preceito a que se liga essa conseqüência jurídica do crime não é formulado senão como proibição genérica, devendo ser complementado por lei (em sentido amplo). Nesta linha de raciocínio nos ensina CLEIDE PREVITALLI CAIS, in O Processo Tributário, assim preleciona o princípio constitucional da tipicidade: "Segundo Alberto Xavier, "tributo, imposto, é pois o conceito que se encontra na base do processo de tipificação no Direito Tributário, de tal modo que o tipo, como é de regra, representa necessariamente algo de mais concreto que o conceito, embora necessariamente mais abstrato do que o fato da vida." Vale dizer que cada tipo de exigência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência. "No Direito Tributário a técnica da tipicidade atua não só sobre a hipótese da norma tributária material, como também sobre o seu mandamento. Objeto da tipificação são, portanto, os fatos e os efeitos, as situações jurídicas iniciais e as situações jurídicas finais." O princípio da tipicidade consagrado pelo art. 97 do CTN e decorrente da Constituição Federal, já que tributos somente podem ser instituídos, majorados e cobrados por meio da lei, aponta com clareza meridiano os limites da Administração neste campo, já que lhe é vedada toda e qualquer margem de discricionariedade." (Grifo nosso) Como nos ensinou Cleide Previtalli Cais "... cada tipo de abrangência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência... " , já que "... lhe é vedada (á Administração) toda e qualquer espécie de discricionariedade." Revela-se, assim, que tanto o poder para restringir a liberdade como para restringir o patrimônio devem obediência ao princípio da tipicidade, pois é a confirmação do princípio do devido processo legal a confrontação específica do fato à norma. Diante do exposto, entendo que a Instrução Normativa nº. 129 de 19.11.1986, não é veículo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque a delegação pela qual se origina é malversação da competência que pertine ao Decreto-Lei, ou seja, porque inova o ordenamento extrapolando sua própria competência. Por oportuno, cumpre transcrever o entendimento de Tribunais Regionais Federais, acerca da imposição de multa, através de Instrução Normativa: Tribunal Regional Federal da 1ª Região Apelação cível n° 1999.01.00.032761 – 2/MG “TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA 129/86. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 86 _________ 15 1 – Somente a lei pode criar obrigação tributária. 2 – A obrigação tributária acessória, consubstanciada em aplicação de multa àquele que não apresentar a DCTF, por intermédio de instrução normativa, é ilegal. Precedentes da Corte. 3 – Apelação a que se dá provimento.” Tribunal Regional Federal da 5ª Região Apelação em Mandado de Segurança n° 96.05.21319-2/AL “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). INSTRUÇÃO NORMATIVA 129/86. ILEGALIDADE. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. - A criação de obrigação tributária deve ser antecedida por lei ordinária, constituindo ilegalidade sua instituição via instrução normativa. - Apelação e remessa oficial tida como interpostas improvidas” Tais precedentes apenas ratificaram vetusta jurisprudência, inaugurada pela atual Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, quando ainda juíza do Tribunal Regional Federal da 1ª.Região: “TRIBUTÁRIO – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS: DCTF – INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 129/86 – ILEGALIDADE 1.É ilegal a criação de obrigação tributária acessória, cujo descumprimento importa em pena pecuniária via Instrução Normativa, emanada de autoridade incompetente. 2.Desatendimento do princípio de reserva legal, sendo indelegável a matéria de competência do Congresso Nacional. 3.Recurso voluntário e remessa oficial improvidos.’(“apelação cível n. 95.01.18755-1/BA No mesmo sentido, ainda: "(...) DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF - INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº. 129/86 - SRF - PORTARIA Nº. 118/84 - MF - OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE - (...). Ofende o princípio da legalidade a instituição de obrigação tributária acessória mediante Instrução Normativa, por delegação do Secretário da Receita Federal, através da Portaria nº. 118/84, baixada pelo Ministério da fazenda. Precedentes: AC 95.01.18755-1/BA, Relª Juíza Eliana Calmon DJU/II de 09.10.95, p. 68250; REO 94.01.24826-5/BA, Relª Juíza Eliana Calmon, DJU/II de 06.10.94, p. 56075. III. Apelação improvida. Remessa oficial julgada prejudicada.".( Apelação Cível nº. 123.128-3 – BA) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 87 _________ 16 Finalmente, a edição da Lei 10.426 de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória nº. 16 de 27.12.2001) somente veio a corroborar tudo o quanto até aqui demonstrado. Com efeito, a adoção de Medida Provisória, posteriormente convertida em lei, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até aquele momento, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação já em vigor. Ora, ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. Conclui-se, portanto, que antes da entrada em vigor da MP 16 de 27.12.2001 não havia disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega de DCTF, e, conseqüentemente, para cominar sanções para sua não apresentação. Da leitura a r. decisão recorrida às fls. 29/31, verifico que a DRJ em Porto Alegre/ RS julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo o valor de R$ 200,00, relativo ao 1º trimestre do ano-calendário 2000, vez que nesse período a empresa não declarou movimento que desse origem à créditos tributários, mantendo-se os demais valores lançados relativos aos trimestres restantes de 2000 (2º, 3º e 4º trimestres), bem como todos do ano- calendário 2001. Nessa esteira, temos os seguintes fatos: Ano- calendário Trimestre Prazo final de entrega Data de entrega pelo Recorrente 2000 2 15/08/2000 26/04/2002 3 14/11/2000 26/04/2002 4 15/02/2001 26/04/2002 2001 1 15/05/2001 26/04/2002 2 15/08/2001 26/04/2002 3 14/11/2001 26/04/2002 4 15/02/2002 26/04/2002 In casu, temos que, para os períodos referentes aos 2º, 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2000 e aos 1º, 2º e 3º trimestres do ano-calendário 2001, não havia para os citados trimestres disciplina válida existente para a exigência de multa por atraso na entrega, consoante já explanado. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 88 _________ 17 Contudo, no que tange ao 4º trimestre do ano-calendário 2001, cuja data de entrega da DCTF foi estipulada em 15.02.2002, e o contribuinte só veio a realizar a entrega em 26.04.2002, conforme comprova o AI de fl.08, a multa deve ser aplicada, tendo em vista que já vigorava a MP 16 de 27.12.2001. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, tendo em vista que as DCTF’s referentes ao 2º, 3º e 4º trimestres do ano-calendário 2000, bem como, as referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2001, tinham prazo de entrega anterior a entrada em vigor da MP nº 16, de 27/12/2001, devendo as multas serem afastadas. No que tange ao 4º trimestre de 2001, isto é, após o surgimento da disciplina válida ou vigente para o cumprimento do dever acessório de sua entrega, ratifico a multa aplicada. Nestes termos, o relator original votou pelo provimento parcial ao recurso. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Voto Vencedor Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Como anteriormente mencionado, por intermédio do Despacho de e-folha 71, nos termos da disposição do art. 17, III, do RICARF, incumbiu-me o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 303-35.773, não entregue pela redatora designada para redigir o voto vencedor, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela redatora designada, que foi acompanhada pela maioria pela maioria dos integrantes do colegiado. A questão discutida nestes autos é idêntica à tratada em outros processos julgados pelo colegiado. Transcreve-se, a seguir, excertos do voto vencedor proferido no Acórdão 303-35.773, de 12 de novembro de 2008, do i, Conselheiro Heroldes Barh Neto, que adota-se como fundamento na solução do presente litígio: "Outrossim, além de não se tratar de denúncia espontânea, a multa aplicada é pautada em fundamentos legais. Primeiramente, em relação à alegação de que somente a lei (strictu sensu) pode prever a cominação de penalidade em caso de não cumprimento de obrigação, o próprio CTN, em seu art.113, §3° estabelece penalidade ao sujeito passivo que descumprir uma prestação positiva, consubstanciada no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, senão vejamos: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 89 _________ 18 § 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, a entrega a destempo da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (que por sua vez foi instituída pela Receita Federal, através da IN SRF n°. 126/98, com amparo no Decreto-lei n°. 2.124/84, bem como no Decreto- lei n° 1968/82 e na MP n° 16/01 convertida na Lei 10.426/02, os quais resguardam o cumprimento da obrigação acessória decorrente da legislação tributária, consubstanciada na entrega das declarações tributárias, notadamente em atenção às normas do art. 113, §§ 2° e 3° do CTN), ocasionará a aplicação de penalidade ao sujeito passivo consubstanciada no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, por configurar urna inobservância à obrigação acessória. Nesse contexto, as instruções complementam e especificam as situações que configurarão esse descumprimento. Assim, segue o art.2°, caput da IN SRF 126/98: Art.2°. A partir do ano-calendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Corroborando o fundamento para a aplicação da multa o § 3° do art.5° do Decreto-lei 2.124/84 enuncia que: '§3° Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância c obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 30 e 4° do artigo 11 do Decreto-lei no 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei no 2.065, de 26 de outubro de 1983'.(grifo) E por fim, a Lei 10.426/02 (conversão da MP n° 16/01), em seu art.7°, inc. II, confirmando a aplicação de penalidade no caso de atraso de apresentação da DCTF, mesmo antes de qualquer procedimento fiscal, bem como elencando benefícios para a apresentação anterior a procedimento fiscal, enuncia que: 'Art.7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), (...), no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, sujeitar-se-á às seguintes multas: II - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11040.000737/2005-95 Acórdão n.º 303-035.774 CC03/C03 Fls. 90 _________ 19 pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3°; § 2° Observado o disposto no § 3°, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio;' § 2° Observado o disposto no § 3°, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio;' Assim, conclui-se que a aplicação da multa resta fundamentada, não obstante as decisões dos julgados citados adotarem tal posicionamento, a legislação elencada é explícita quanto à imposição de penalidade na entrega extemporânea da DCTF." Com base nos fundamentos exposto o colegiado, por maioria dos votos, negou provimento ao recurso voluntário, para considerar devida a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF em todos os períodos abrangidos pelas autuações. E são estas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 13807.012178/00-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO DA EXPLORAÇÃO ANO CALENDÁRIO 1995 - CÁLCULO DO ADICIONAL DO IRPJ - REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA - INAPLICABILIDADE DO MAJUR.
O MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado legislação tributária do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar a forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei.
Numero da decisão: 9101-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado). Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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O MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado “legislação tributária” do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar a forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 21 78 /0 0- 51 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antonio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado). Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 838/845) interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67 da Portaria MF n° 256/09. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 10323.655 proferido pelos membros da Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “LUCRO DA EXPLORAÇÃO — ERRO NO CALCULO Erro no cálculo do adicional do IRPJ. Cálculo equivocado do contribuinte aplicando o percentual da atividade incentivada à parcela do lucro da exploração” Em suas razões recursais sustentou que o entendimento proferido no acórdão recorrido foi equivocado, pois a adoção da sistemática prevista pelo MAJUR/1996 para o cálculo da isenção relativa ao IRPJ incidente sobre o lucro de exploração da Recorrente, levou à majoração do valor do IRPJ devido no anocalendário de 1995. Assim, tendo em vista que o cálculo previsto pelo MAJUR levou à redução do valor da isenção, quando comparado ao montante apurado de acordo com o critério previsto, à época, pelo § 4° do artigo 558 do RIR/1994, pugnou pela reforma do acórdão proferido, sob o principal fundamento de que houve indiretamente a majoração do IRPJ devido no período. Nesse sentido trouxe como paradigma o acórdão CSRF/0105279 “BENEFÍCIOS FISCAIS — SUDENE LUCRO DA EXPLORAÇÃO MAIOR QUE O LUCRO REAL —CÁLCULO DO BENEFÍCIO NO ADICIONAL — ANO BASE 1995. Para cálculo do benefício sobre o adicional no lucro da exploração sobre as diversas atividades com isenção ou redução, adotase a mesma sistemática de cálculo do imposto e adicional sobre o lucro real, ainda que o lucro da exploração seja superior ao lucro real. As regras restritivas constantes do MAJUR 1996 não encontram respaldo na legislação de regência do benefício.” Em sede de exame de admissibilidade (fls. 8912/894) foi dado seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls.898/900, por meio da qual sustentou que não merece reforma o acórdão recorrido, pois correta a observância das Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 484 3 instruções provenientes da Receita Federal por meio do MAJUR, as quais se destinam a dar orientação ao correto preenchimento da declaração pelo contribuinte e, portanto, devem ser seguidas, pois conforme preceitua o art. 96 do CTN, a expressão "legislação tributária" inclui também as normas complementares que versam sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes e, por constituírem o plexo jurídico do sistema tributário, devem ser igualmente obedecidas nos julgamentos das instâncias administrativas. Por fim, concluiu que foi acertado o acórdão recorrido, o qual não merece reforma É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre destacar que o cerne da questão é a verificação da forma para o cálculo do benefício da isenção do adicional do IRPJ sobre as atividades relacionadas à SUDENE. No acórdão recorrido foi consignado que o cálculo do contribuinte referente ao adicional sobre o lucro foi equivocado, pois este simplesmente multiplicou o percentual da atividade incentivada pelo valor do lucro da exploração, ao invés de calcular corretamente o adicional de imposto de renda. Portanto, cumpre verificar qual é o valor correto da isenção do adicional de imposto de renda calculado de acordo com a legislação vigente. O cálculo a ser feito, considerando o disposto no Regulamento do Imposto de Renda, deve se dar da forma a seguir descrita. Quando ocorre a isenção e redução do imposto de renda sobre o lucro real decorrente de incentivos fiscais relacionados à SUDENE, o § 4º do artigo 558 do RIR/94 (atualmente § 4º do artigo 547 do RIR/99) somente determina como se calcula a BASE DE CÁLCULO do lucro isento, conforme pode ser visto abaixo: “RIR/99 ART. 558 § 4 º O lucro isento será determinado mediante a aplicação, sobre o lucro da exploração (art. 544) do empreendimento, de percentagem igual à relação, no mesmo período de apuração, entre a receita líquida de vendas da produção criada pelo projeto e o total da receita líquida de vendas do empreendimento (Decreto Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 Lei n º 1.564, de 1977, art. 1 º , § 4 º , DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 19, § 1 º , alínea "a ", e DecretoLei n º 1.730, de 1979, art. 1 º , inciso I).” Desta maneira, utilizandose as informações do processo temos o seguinte cálculo: LINHA/DISCRIMINAÇÃO R$ PROPORÇÃO 01 ‐ Atividade Isenta 110.707.865,97 17,87% 03 ‐ Atividade com Redução de 50% 11.027.687,23 1,78% 07 ‐ Demais Atividades 497.855.472,02 80,35% 08 ‐ Total da Receita Líquida 619.591.025,22 100,00% FICHA 21 ‐ RECEITA LÍQUIDA POR ATIVIDADE Para facilitar o entendimento, utilizaremos apenas o cálculo para as atividades ISENTAS, cuja proporção entre a Receita da atividade incentivada e a Receita Total Líquida foi de 17,87%. De acordo com o previsto no RIR, para calcular a parcela do lucro isento devese multiplicar o lucro da exploração que foi de R$ 67.914.162,56 pelo percentual de 17,87%, o que totaliza um lucro isento de R$ 12.136.260,85. O valor do IMPOSTO DE RENDA sobre o lucro isento é o resultado da multiplicação do Lucro Isento (R$ 12.136.260,85) pela alíquota de IR da época (25%) que totaliza R$ 3.034.065,21, este resultado é o mesmo se analisarmos os cálculos apresentados pela empresa e pela fiscalização, o que significa que ambos utilizaram o mesmo critério. O próprio Manual de preenchimento da declaração de imposto de renda (MAJUR) determina que para o cálculo do IRPJ devese multiplicar o LUCRO DA EXPLORAÇÃO pela alíquota de 25%: “MAJUR/2000 Linhas 11/02, 11/07, 11/12, 11/17, 11/22 e 11/27 – Imposto Estas linhas serão preenchidas automaticamente pelo Programa Gerador da DIPJ e indicarão os valores resultantes da multiplicação da alíquota do imposto pelo lucro da exploração correspondente, informado respectivamente nas Linhas 11/01, 11/06, 11/11, 11/16, 11/21 e 11/26.” Portanto, até aqui inexiste divergência. A questão a ser dirimida referese ao cálculo do adicional do IRPJ sobre o lucro isento, já que neste ponto a fiscalização apurou valor menor do que o apurado pelo contribuinte. Passo, então, à análise da regra aplicável. Para o cálculo do adicional, seguindo a mesma linha de raciocínio do cálculo do IRPJ, tese esta defendida pelo Recorrente, devese aplicar a alíquota do adicional, que nesta época era escalonada, sobre o mesmo lucro isento, conforme tabela abaixo: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 485 5 ALÍQUOTA LUCRO DA EXPLORAÇÃO ADICIONAL Parcela do Lucro abaixo de R$ 180.000,00 0% 180.000,00 ‐ Parcela do Lucro entre R$ 180.000,00 e R$ 780.000,00 12% 600.000,00 72.000,00 Parcela do Lucro acima de R$ 780.000,00 18,00% 11.356.260,85 2.044.126,95 TOTAL 12.136.260,85 2.116.126,95 CÁLCULO DO ADICIONAL SOBRE O LUCRO ISENTO ALÍQUOTA LUCRO DA EXPLORAÇÃO ADICIONAL Parcela do Lucro abaixo de R$ 180.000,00 0% 180.000,00 ‐ Parcela do Lucro entre R$ 180.000,00 e R$ 780.000,00 12% 600.000,00 72.000,00 Parcela do Lucro acima de R$ 780.000,00 18,00% 428.872,09 77.196,98 TOTAL 1.208.872,09 149.196,98 50% DE REDUÇÃO 50,00% VALOR A SER REDUZIDO 74.598,49 CÁLCULO DO ADICIONAL SOBRE O LUCRO ISENTO ‐ ATIVIDADES COM REDUÇÃO DE 50% De acordo com a fórmula de cálculo do ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA prevista na legislação da época, o valor referente à parcela isenta é de R$ 2.116.126,95 para as parcelas 100% incentivadas e de R$ 74.598,49 para as parcelas com 50% de redução. Por outro lado, considerando o disposto no Manual de Preenchimento do Imposto de Renda (MAJUR), conforme pretende a fiscalização, o cálculo do adicional seguiria as regras abaixo: O MAJUR, apresenta uma forma diversa para cálculo do adicional nos casos de lucros isentos e determina que quando o Lucro Real for menor do que o Lucro da Exploração, o que ocorre neste processo, a proporção verificada entre a Receita da atividade incentivada e a Receita Total Líquida, que foi de 17,87% segundo já demonstrada anteriormente, deve ser aplicada sobre o valor do adicional total da pessoa jurídica, considerando as atividades normais e as incentivadas, que no período totalizou R$ 9.311.430,53 conforme pode ser visto à página 458 o que totaliza R$ 1.663.952,64 sendo este o valor utilizado pela fiscalização. CÁLCULO DO IRPJ ‐ LUCRO REAL: TOTAL % ATIVIDADE ISENTA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ (Folha 457 ou 16) 52.110.169,64 17,87% 9.312.087,31 IRPJ ‐ ALÍQUOTA DE 25% (Folha 458 ou 17) 13.027.542,41 17,87% 2.328.021,83 ADICIONAL (Folha 458 ou 17) 9.311.430,54 17,87% 1.663.952,64 Desta forma, fica caracterizado que, de acordo com o MAJUR, o ADICIONAL APURADO NO PERÍODO DEVE SER RATEADO proporcionalmente entre as receitas das atividades normais e as incentivadas, sendo que esta forma de cálculo não está prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Segue cópia do exemplo apresentado pelo MAJUR: “MAJUR Linhas 11/03, 11/08, 11/13, 11/18, 11/23 e 11/28 – Adicional Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 6 Estas linhas somente serão preenchidas se a pessoa jurídica apurar lucro real sujeito à incidência do adicional de que trata a Linha 13/03, observando o disposto nos subitens 7.1.4.1.2 e 7.1.5.2.II deste manual. Se o lucro real for menor que o lucro da exploração, o rateio do adicional será efetuado com base na proporção da receita líquida de cada atividade em relação à receita líquida total, indicada nas Linhas 09/01 a 09/09 da Ficha 09 – “Demonstração do Lucro da Exploração”. Exemplo: A pessoa jurídica, na apuração anual do imposto, obteve os seguintes resultados em 31 de dezembro: a) Lucro Real menor que o Lucro da Exploração: Receita Líquida: Linha 09/01 da Atividade Isenta R$1.800.000,00 Linha 09/04 da Atividade com redução de 50% R$ 900.000,00 Linha 09/09 – das Demais Atividades R$3.300.000,00 Linha 09/10 Total da Receita Líquida R$6.000.000,00 Linha 13/03: Adicional no período de apuração R$ 201.600,00 Adicional da Linha 11/03 (Atividade Isenta): Atividade Isenta = R$1.800.000,00 xR$201.600,00 = R$60.480,00 R$6.000.000,00 Adicional da Linha 11/18 (Atividade com Redução de 50%): Atividade c/red. 50% = R$900.000,00 x R$201.600,00 = R$30.240,00 R$6.000.000,00 Assim, diante do exposto, entendo que, de fato, não devem ser aplicadas as regras do MAJUR, pois a forma de apuração do adicional nele prevista é diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, cujas regras, aplicadas ao caso dos autos, restringem o direito do contribuinte previsto em Lei. A previsão pelo MAJUR de uma restrição ao direito do contribuinte previsto em lei, mostrase incompatível com o princípio da estrita legalidade e desrespeita a hierarquia das normas. Neste ponto, é necessário a transcrição de alguns artigos do Código Tributário Nacional – Lei n º 5.172, de 1966 (que tem “status” de Lei Complementar), na parte que trata da legislação tributária: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.” “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 13807.012178/0051 Acórdão n.º 9101002.054 CSRFT1 Fl. 486 7 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Ora, se o MAJUR é um manual que orienta o contribuinte, este não tem força de lei e não compõe o conjunto denominado “legislação tributária” do artigo 96 do CTN, razão pela qual, nos termos do artigo 97 do CTN, não pode determinar forma de apuração do adicional do IRPJ diversa da prevista no regulamento do Imposto de Renda, restringindo direito do contribuinte previsto em Lei. Por sua vez, o contribuinte utilizou outra forma de cálculo que não está prevista no Regulamento do Imposto de Renda, nem no MAJUR, qual seja, utilizou a proporção entre as receitas incentivas e as totais que foi de 17,87%, conforme cálculo já apresentado, e multiplicou pelo valor do lucro da exploração, como se os 17,87% pudessem ser a alíquota de adicional de imposto de renda. CÁLCULO DO CONTRIBUINTE DESCRIÇÃO R$ Alíquota efetiva LUCRO DA EXPLORAÇÃO 12.136.260,85 25,00% IRPJ (25%) 3.034.065,21 17,87% ADICIONAL 2.168.596,79 IRPJ TOTAL 5.202.662,00 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 8 Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para reconhecer o valor da isenção do ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA até o limite calculado nos termos da legislação e do regulamento de imposto de renda em vigor, cujos montantes foram de R$ 2.116.126,95 nas atividades isentas e R$ 74.598,49 nas atividades beneficiadas com redução de 50%. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
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Numero do processo: 13502.001270/2003-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Maria Teresa Martinez López - Relatora.
EDITADO EM: 16/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Maria Teresa Martinez López Relatora. EDITADO EM: 16/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL. e FÁBIA REGINA FREITAS. Trata o presente processo de auto de infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado com base em supostas divergências constatas entre os valores declarados em DCTF ou pagos/depositados/compensados e os respectivos valores escriturados nos Livros Razão, Diário e respectivos balancetes mensais dos anos base de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, do qual foi o contribuinte cientificado em 28/11/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 27 0/ 20 03 -8 0 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 9 2 A referida exação foi impugnada, subindo os presentes autos a DRJ/Salvador, a qual, por meio do Acórdão n° 1511.133, 4ª Turma, de fls. 177 a 188 considerou procedente o lançamento correspondente. Inconformado com a decisão acima referida, o contribuinte, protocolou o recurso voluntário, de fls. 195 a 224, sendo o presente processo encaminhado a então Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, atualmente Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual, por meio da Resolução n° 20201.213, de fls. 322 a 332, converteu o feito em diligência, encaminhando os presentes autos a DRF, para, de forma conclusiva, se manifestar acerca das seguintes questões: (I) se os créditos detectados pela fiscalização estão ou não vinculados a outros processos administrativos, que digam respeito ao período lançado no presente processo administrativo; (ii) caso a resposta ao item (i) seja negativa ou os créditos estejam parcialmente desvinculados a outros processos, e assim provenientes de erros em DCTF, INFORMAR (demonstrativo com imputação de pagamento) se os mesmos (créditos) são suficientes para abater o saldo devedor restante, descontados os DARFs provenientes de pagamentos reconhecidos pela recorrente (juntados nos autos); (iii) apenas para informação de execução, INFORMAR se os valores depositados na AO n° 2005.33.00.0003250 (fls. 244/265) foram efetuados com juros e multa de oficio lançada no presente auto de infração; (iv) informe, com relação ao período de janeiro de 2001, qual a veracidade das informações trazidas pela recorrente. Nesse sentido, no que diz respeito ao Proc. n° 10580.009879/0082 apensado ao de n° 10580.010801/0091, a identidade e correspondência com estes, bem como o andamento daquele processo administrativo; e (v) em prestigio ao principio da verdade material, preste à repartição de origem os esclarecimentos complementares que digam respeito ao presente processo." Retornam os autos para julgamento, após cientificado, o contribuinte, do resultado da Diligência, com a informação de que: (i) após consulta nos sistemas DCTF GER e SIEFPERDCOMP, não foi localizada a utilização do crédito de COFINS suscitado pelo interessado, vinculada a outros processos; (ii) que, de fato, os depósitos judiciais realizados pela Requerente nos autos da Ação Judicial n° 2005.33.00.0003250, relativos aos períodos de apuração 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001 e 08/2002, foram feitos em seus valores integrais, sendo suficientes para cobrir os respectivos juros e multa de oficio lançados no presente auto de infração, sobejando ainda um saldo credor, conforme Parecer EAC/1 n° 9/2011, à fl. 594; (vi) que o débito relativo a janeiro de 2001 foi extinto através da compensação homologada nos autos do processo n° 10580.009879/0081, no montante de R$ 253.615,20 acrescidos dos pagamentos indicados às fls. 22 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 10 3 para a referida competência, "restando saldo para dois dos três pagamentos, que perfaz R$ 406,93 (quatrocentos e seis e noventa e três centavos)" e (iii) por fim, no que tange aos recolhimentos e demais créditos, a d. Fiscalização analisou os depósitos, pagamentos e compensações vinculados, concluindo pela existência de supostos saldos devedores nas competências de 10/1998, 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001, 04/2002, 07/2002, 08/2002 e 11/2002. Cientificado do Despacho de Diligência, o recorrente detalhadamente se manifesta (excertos): que “Referida decisão, portanto, teve como objetivo melhor instruir os autos do presente processo com a efetiva análise da existência de crédito fiscal de COFINS além dos respectivos recolhimentos e depósitos judiciais vinculados” que, “E como se não fosse suficiente, a autoridade administrativa ainda desconsiderou que os supostos débitos apurados nas competências de 03/1999, 06/2001, 11/2001, 12/2001 e 08/2002, encontramse integralmente depositados na Ação Judicial n° 2005.33.00.0003250, em montante suficiente para cobrir os respectivos juros e multa de oficio lançada no presente auto de infração. Assim, apesar de expressamente reconhecido no Parecer EAC/1 n° 9/2011, à fl. 594 e consignado no próprio relatório de diligência, a autoridade administrativa desconsiderou os respectivos depósitos e compensou os supostos débitos (extintos pela conversão dos débitos em renda da União) com créditos de pagamentos indevido. que “A diligência em análise, portanto, é omissa e precária para os fins pretendidos, violando o principio da verdade material ...” REQUER “que determine a realização de nova diligência para apuração correta e completa do crédito tributário pela Requerente, identificando e utilizando, per si, e de forma cronológica todos os valores existentes para quitação dos supostos débitos tributários.” Das exigências relacionadas às competências de março de 1999 e junho de 2001 Compensação pela Fiscalização de débitos já quitados Nas competências de março de 1999 e junho de 2001, por sua vez, a autoridade administrativa compensa parcialmente os débitos originalmente apurados com crédito de COFINS pago a maior nas competências anteriores, conforme destacado na planilha abaixo, segundo a fiscalização: (...) Ocorre que os débitos de COFINS apurados nas referidas competências foram integralmente depositados na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito à fl. 581 do Relatório Vêse, portanto, que é totalmente improcedente a exigência dos supostos saldos devedores, porquanto os referidos débitos encontramse extintos pela conversão em renda dos depósitos realizados nos autos da Ação Ordinária n° Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 11 4 2005.33.00.0003250, razão pela qual (I) DEVEM SER EXTINTOS OS DÉBITOS EM QUESTÃO (ART. 156, VI, DO CTN), (II) CANCELANDOSE AS COMPENSAÇÕES PROCEDIDAS PELA FISCALIZAÇÃO, (III) COM A RESTAURAÇÃO DOS RESPECTIVOS CRÉDITOS DE COFINS UTILIZADOS PARA A COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS APURADOS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. Por fim, impõese ainda observar que a utilização equivocada dos créditos apurados nas competências de fevereiro de 1999, março e abril de 2001, para quitação dos débitos aqui relacionados resultou na indevida manutenção de supostos débitos apurados nas competências subsequentes numa espécie de efeito em cadeia, o que quedará claro a seguir. Da exigência relativa à competência de maio de 1999 Na competência de maio de 1999, por sua vez, a autoridade administrativa deveria ter compensado o débito originalmente apurado, no valor de R$ 116,55 (cento e dezesseis reais e cinquenta e cinco centavos), com saldo acumulado até março de 1999 no valor de R$ 1.474,90 (um mil, quatrocentos e setenta e quatro reais e noventa centavos), somado ao crédito apurado em abril, no valor de R$ 1.218,05 (um mil, duzentos e dezoito reais e cinco centavos). Ocorre que o referido saldo credor não foi integralmente apurado, conquanto a fiscalização não considerou parte do crédito das competências de novembro e dezembro de 1998, relacionado às compensações não homologadas nos autos do processo n° 13501.000154/200353, mas cuja decisão foi objeto de tempestivo recurso voluntário, ainda pendente de julgamento. Outrossim, no que tange à suposta alegação de que apenas o débito da competência de fevereiro de 1999 teria sido compensado nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, o Requerente apresenta cópia da DCTF do período comprovando que o débito de janeiro de 1999, no montante de R$ 72.336,22 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos) também foi objeto de compensação no processo em questão e deve ser considerado para fins de composição do saldo credor do período (Doc. 02). Registrese, ainda, que o demonstrativo de fls. 408 dos autos que a fiscalização informa não ter analisado é expresso em destacar a existência de outro pedido de compensação nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, relativo ao período de apuração de março de 1998, no montante de R$ 168.640,92 (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e quarenta reais e noventa e dois centavos) !!! Outrossim, no que tange à suposta alegação de que apenas o débito da competência de fevereiro de 1999 teria sido compensado nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, o Requerente apresenta cópia da DCTF do período comprovando que o débito de janeiro de 1999, no montante de R$ 72.336,22 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos) também foi objeto de compensação no processo em questão e deve ser considerado para fins de composição do saldo credor do período (Doc. 02). Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 12 5 Registrese, ainda, que o demonstrativo de fls. 408 dos autos que a fiscalização informa não ter analisado é expresso em destacar a existência de outro pedido de compensação nos autos do Processo n° 13501.000.018/9943, relativo ao período de apuração de março de 1998, no montante de R$ 168.640,92 (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e quarenta reais e noventa e dois centavos)!!! Destarte, não obstante expressamente reconhecido que os valores compensados no processo acima destacados encontramse extintos pela homologação tácita dos pedidos apresentados, a D. Fiscalização mais uma vez omitiuse e não considerou o referido crédito na composição do saldo credor deste período. Além disso, impõese reiterar que a fiscalização ainda imputou — equivocadamente o crédito relativo a fevereiro de 1999 para suposta quitação do débito relativo bi competência de março de 1999, quando, em realidade, referido débito encontrase EXTINTO O DÉBITO EM QUESTÃO PELA CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA (artigo 156, VI, do CTN, nos termos da alínea "h" acima). Ocorre que a utilização equivocada dos créditos apurados nas competências de novembro de 1998 a abril de 1999 resultou na indevida manutenção de supostos débitos apurados nas competências subsequentes numa espécie de efeito em cadeia, o que quedará claro a seguir. Das exigências relacionadas As competências de novembro e dezembro de 2001 Em seu relatório de diligência, a autoridade administrativa manteve em aberto os débitos apurados nas competências de novembro e dezembro de 2001, nos montantes abaixo destacados, sob o fundamento de que não haveria qualquer pagamento indevido ou a maior, em relação aos valores calculados pela fiscalização: (...) Ocorre que os débitos de COFINS apurados nas referidas competências foram integralmente depositados na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito 5 fl. 581 do Relatório aqui impugnado, sendo suficientes para cobrir inclusive os juros e multa de oficio lançados. Das exigências relacionadas às competências de abril, julho e novembro de 2002 Em seu relatório de diligência, a autoridade administrativa manteve em aberto os débitos apurados nas competências de abril, julho e novembro de 2002, nos montantes abaixo destacados, sob o fundamento de que não haveria qualquer pagamento indevido ou a maior, em relação aos valores calculados pela fiscalização: (...) Referida conclusão esta atrelada de parte do crédito apurado pela própria fiscalização, relacionado As compensações não homologadas nos autos do processo n° 13501.000019/200227. Reiterese, entretanto, e em consonância Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13502.001270/200380 Resolução nº 3301000.190 S3C3T1 Fl. 13 6 com o próprio relatório de diligência, que a r. decisão foi objeto de tempestivo recurso voluntário, ainda pendente de julgamento. Assim, além da questionável arbitrariedade praticada pela autoridade administrativa, que nunca poderia desconsiderar um crédito por ela própria reconhecido à época do lançamento, cumpre reiterar a existência de saldo credor acumulado nas competências anteriores e que não foram integralmente utilizados pela fiscalização, e que certamente resultará na extinção dos supostos saldos devedores. Da omissão na análise da competência de agosto de 2002 0 débito de COFINS apurado na competência de agosto de 2002 foi integralmente depositado na Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, conforme inclusive ressaltado pelo Parecer EAC/1 n° 9/2011 (fl. 594), parcialmente transcrito à fl. 581 do Relatório aqui impugnado!! Vêse, portanto, que é totalmente improcedente a exigência do suposto débito, porquanto encontramse extintos pela conversão em renda dos depósitos realizados nos autos da Ação Ordinária n° 2005.33.00.0003250, razão pela qual DEVE SER EXTINTO 0 DÉBITOS EM QUESTÃO (ART. 156, VI, DO CTN) DO PEDIDO Ante todo o exposto, requer sejam plenamente acatadas as razões apresentadas na presente manifestação para declarar a nulidade da diligência, nos termos do artigo 59, II do Decreto n° 70.235/72, em razão dos inúmeros vícios apontados, os quais impediram a demonstração da efetiva composição do crédito tributário, tal como determinada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ou, subsidiariamente, caso não seja este o entendimento de V. Sas., reconhecer integralmente a improcedência da autuação. (...) Diante das colocações do recorrente, acima parcialmente transcritas, quando da análise do resultado da Diligência em confronto com a documentação apresentada e o Parecer EAC/1 n° 9/2011, dúvidas restam a esclarecer, quando da apuração do possível saldo devedor, em confronto com a efetiva análise da existência de crédito fiscal de COFINS (consideração de recolhimentos e depósitos judiciais vinculados, que deveriam ser abatidos do saldo devedor). Para melhor análise e esclarecimentos dos fatos acima, junto a esta E. Turma de julgamento, VOTO no sentido de converter o julgamento em nova Diligência. Para tanto, a DRF deverá se manifestar CONCLUSIVAMENTE, sobre o resultado da Diligência com as alegações trazidas pelo contribuinte. Em havendo alteração no saldo devedor, deve ser elaborada uma nova planilha do resultado final. Posteriormente, cientificar o recorrente, do novo Despacho de Diligência para apresentação de suas considerações, dentro do prazo legal, se assim o desejar. Maria Teresa Martinez López Relatora Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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