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7769799 #
Numero do processo: 13888.910762/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/09/2011 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.910762/2012­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­006.051  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 23/09/2011  COMPENSAÇÃO.  PROVA  SUFICIENTE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.   Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado  suficientemente,  mediante  documentos  contábeis  e  fiscais,  a  existência  do  direito creditório pleiteado.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  convocado),  Carlos  Henrique  de  Seixas  Pantarolli,  Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 62 /2 01 2- 71 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.910762/2012­71  Acórdão n.º 3401­006.051  S3­C4T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  Despacho  Decisório  eletrônico  que  não  homologou  a  compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito  indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte.  A decisão de 1ª  instância  julgou o  recurso  improcedente  ao  argumento  de  que  não  havia  prova  exaustiva  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  vindicado,  pois  não  foram  juntados  os  registros  contábeis  da  operação,  imputando  ao  recorrente  o  ônus  da  prova  do  direito requerido.  O Recurso Voluntário  sustentou a possibilidade de juntada de documentos  nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  revisão  do  despacho  eletrônico,  por  força  do  Parecer  Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto  ao  direito  pleiteado.  Foram  anexados  à  peça  recursal  o  ADE  nº  53/06  (CARTEPILLAR  BRASIL LTDA, admissão no RECOF),  laudo  técnico contábil e extrato do  livro Registro de  Saídas.  Considerando  a  documentação  carreada  aos  autos  pela  Recorrente  no  Recurso  Voluntário,  este  Colegiado  converteu  o  feito  em  diligência  para  que  a  unidade  preparadora  da  RFB  se  manifestasse  acerca  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório,  bem  como  da  disponibilidade  e  da  suficiência  do  crédito  para  a  compensação  pretendida.   O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da  procedência,  disponibilidade  e  suficiência  do  crédito  para  extinguir  o  débito  declarado  no  PER/DCOMP.  A Recorrente ratifica as razões recursais.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3401­006.017,  de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/2012­05.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401­006.017):  "A controvérsia posta nos autos cingia­se à existência de crédito  de COFINS  decorrente  de  pagamento  a maior  no  valor  de  R$  36.019,17  (competência MAI/2008),  recolhido mediante DARF,  Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.910762/2012­71  Acórdão n.º 3401­006.051  S3­C4T1  Fl. 4          3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de  R$ 19.860,91 (competência AGO/2012).   O  feito  tramitou  em  1ª  instância  sem  que  a  Recorrente  fizesse  prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária  da  suspensão  do  tributo  por  vender  mercadorias  à  pessoa  jurídica  habilitada  no  RECOF  sem  juntar  os  respectivos  documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações.   Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu  tal  carência  probatório,  de  modo  que  este  Colegiado  resolveu  converter o feito em diligência para que a unidade preparadora  da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência,  disponibilidade e suficiência do direito creditório.  Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal  em sede de diligência:  3.  Em  nossa  análise  verificamos  que  o  crédito  alegado  pelo  contribuinte  na  Dcomp  (R$  36.019,17),  encontra­se  disponível  para  compensação,  em  nossos  sistemas,  após  as  retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período  de  apuração  05/2008.  A  emissão Despacho  Decisório  de  nº  de  Rastreamento  042024158  foi  realizada  em  03/01/2013  e  as  retificações  citadas  foram  realizadas  em  29/01/2013  e  30/01/2013,  respectivamente.  Portanto,  não  havia  saldo  disponível  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório,  o  que  motivou seu indeferimento inicial.  4.  Ademais,  da  análise  do  Livro  de  Registro  de  Entradas  e  Saídas,  do  DACON,  dos  documentos  fiscais  apresentados  pela  recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são  de  venda de  produtos  a  empresa  beneficiária  do RECOF e,  por  consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins  em  suas  aquisições  no  mercado  interno,  dentro  das  condições  previstas  no ADE nº  53,  de  24  de  julho  de  2006  e  da  IN SRF  417/2004  (alterada  pela  IN  SRF  547/2005  e  posteriores),  concluímos  que  a  manifestante  faz  jus  a  compensação  dos  créditos  de R$  36.019,17,  de  Cofins  (cód.  5856),  período  de  apuração  30/05/2008,  demonstrados  na  Dcomp  nº  28653.88994.190912.1.3.04­6142.  Conforme  verificamos  nos  relatórios  do  Sistema  de Apoio Operacional  (fls.  198  a  200),  o  crédito  utilizado  na  Dcomp  tratada  nesse  processo  é  suficiente  para  extinguir  o  débito  declarado  (R$  19.860,91,  Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não  utilizado  nessa  Dcomp  foi  utilizado  em  outra  Dcomp  relacionada,  de  nº  04211.25185.270912.1.3.04­0704,  tratada  no  processo  nº  13888.910730/2012­76,  sendo  que  também  nessa  Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para  extinguir  o  débito  declarado  (R$  30.778,44,  CSLL  (2484),  vencido  em  28/09/2012),  conforme  vemos  no  relatório  de  fls.  200. (grifo nosso)  É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe,  está disponível e é suficiente para se homologar a compensação  pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo  Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.910762/2012­71  Acórdão n.º 3401­006.051  S3­C4T1  Fl. 5          4 que  deve  ser  acolhido  o  resultado  da  diligência  para  se  reconhecer  o  direito  creditório  e  homologar  a  compensação  declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142.   Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e,  no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  decidiu  por  CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                              Fl. 237DF CARF MF

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7735132 #
Numero do processo: 13839.002652/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. 0 imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.° 38 deste CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada. Hipótese em que não há na impugnação e no recurso voluntário nenhum documento que comprove as alegações do contribuinte. Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.999
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. 0 imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.° 38 deste CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada. Hipótese em que não há na impugnação e no recurso voluntário nenhum documento que comprove as alegações do contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Processo n° 13839.00265 4-18 AcOrdao n.° 2101 -00.99 S2-CIT I Fl. 401 CAIO MARCOS MARCOS CANDff) -Pres ente ALE It-to NDRE NAOKI NIS IOKA - Relator EDITADO EM: 16.02.2012 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 279/282) interposto em 21 de maio de 2009 contra acórdão proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 253/261), do qual a Recorrente teve ciência em 23 de abril de 2009 (fl. 266), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 164/167, lavrado ern 14 de dezembro de 2004, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada nos anos-calendário de 1999 e 2000. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Quando comprovado com documentos hábeis e idôneos, aceita a comprovação da origem dos depósitos bancários. DEPÓSITOS QUE PERTENCEM A TERCEIRO - INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. Os extratos da movimentação bancária, estavam em nome da fiscalizada, e, somente com provas de que ocorreu a "Interposição de Pessoa", é que poderia haver a transferência dessa responsabilidade tributária para outra pessoa. 2 Processo n° 13839.002652/2004-18 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.999 FL 402 MULTA ISOLADA- FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO, A TITULO DE CARNE-LEÃO. Somente quando provada a origem dos depósitos bancários como de procedência das Pessoas Físicas, cabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido, a titulo de Carnê-Leão. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 253/254). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 279/282), basicamente repisando os argumentos ventilados ern sua impugnação, no que concerne aos valores objetos do auto de infração. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator conheço. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele A Recorrente aduz em seu recurso voluntário, preliminarmente, a perempção em relação aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 1999 e 2000, em decorrência de o inicio da fiscalização ter ocorrido em 15 de agosto de 2003 e até a presente data o procedimento não ter sido finalizado. No mérito, sustenta que apresentou documentação hábil e idônea, demonstrando a origem dos depósitos bancários. Adicionalmente, alega que desde o ano- calendário de 2004 vem sofrendo continua diminuição patrimonial. No que tange à perempção alegada, não assiste razão à Recorrente. Com efeito, como tenho me manifestado, entendo que é aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4 0 ., do CTN, po is, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Todavia, o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Sendo assim, no que se refere ao fato gerador correspondente ao ano- calendário de 1999, que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/1999, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2004. Tendo o lançamento sido notificado em 14/12/2004 (fl. 164). resta patente a inocorrência da decadência. 3 Processo n° 13839.002652/2004-18 S2-CITI Acórdao n.° 2101-00.999 E I. 403 Quanto à perempção ainda, cumpre esclarecer que este CARF firmou entendimento segundo o qual não há prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. É o que se extrai da Súmula n° 9. Afasto, portanto, a preliminar suscitada. No mérito, verifica-se que o lançamento foi realizado com base na presunção do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, que assim preceitua: "Art 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°. 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos." Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando- se diretamente o fato indicidrio, tem-se, por conseguinte, a formação de um juizo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, prova-se especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legitima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Este tribunal administrativo, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do contribuinte desconstitui-la com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a 4 Processo n' 13839.002652/2004-18 S2-C1T1 AcOrdao n.' 2101-00.999 Fl. 404 presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ONUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n°. 158.817, relatora Conselheira Nabia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA - procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ONUS DA PROVA - Se o emus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegações." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n°. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No mais, os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROVA — No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciar-se com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do ano-calendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n°. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) 5 Processo n° 13839.002652/2004-18 S2-C I T1 Acórdão n.° 2101 -00.999 Fl. 405 "DOCUMENTOS — GUARDA — 0 prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de oficio o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n°. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, a controvérsia foi perfeitamente delineada pela Recorrida, nos seguintes termos: "Contribuinte alega que os recursos da sua conta bancária objeto da fiscalização, foram provenientes da movimentação financeira das atividades de bingo. sendo que as mesmas serviam tanto para os depósitos dos valores arrecadados, que seriam objeto de repasse para pagamento de prêmios, pagamentos de 1RRF sobre as premiações, bem como para os valores que eram repassados todos os meses para a entidade Bragança Judô Clube cujas arrecadações tinham as seguintes destinações. A contribuinte era sócia, das empresas BRAGANÇA JOGOS ELETRÔNICOS LIDA, com CNPJ 02.693.113/0001-45, e na empresa R & S JOGOS ELETRÔNICOS LIDA, com CNPJ 03.572.414/0001-83, conforme fazem prova xerox de seus Contratos sociais em anexo, empresas estas que no ano de 1998 e 2000, firmaram contrato junto a entidade BRAGANÇA JUDÔ CLUBE, inscrita no CNPJ 51.316.180/0001-56. Somente foram apresentados documentos das Pessoas Jurídicas, tais como: Cópias dos Contratos Societários, nas fls. 174 a 186; Cópias dos Contratos de Prestação de Serviços entre as empresas e a entidade esportiva, nas fls. 187 a 192; Cópias dos comprovantes DARFs, de pagamentos de IRRF sobre valores dos prêmios, nas fls. 193 a 251; e, Cópia do Alvará de funcionamento da empresa como atividade Bingo, na fl. 173. Alega que toda a movimentação financeira imputada para ela não era seu ganho e sim movimentação da atividade do Bingo, que por razões operacionais, eram movimentadas em seu nome pessoal, e, que a prestação de contas, estão arquivados junto a CEF e o INDESP" (fl. 259). Ocorre, todavia, que a simples alegação da Recorrente no sentido de que o depósitos bancários efetuados em suas contas correspondiam a movimentações financeiras das empresas Bragança Jogos Eletrônicos Ltda., R & S Jogos Eletrônicos Ltda. e Bragança Judô Clube não é suficiente para demonstrar a origem dos depósitos em suas contas bancárias, principalmente na hipótese dos autos, em que não há nenhuma prova de que os recursos movimentados eram realmente das referidas empresas. Meros DARFs., contratos sociais de empresas e contrato de prestação de serviços não tam o condão de demonstrar nem a origem dos depósitos como sendo decorrente 6 Processo n° 13839.002652/2004-18 S2-C I TI Acórdão n.° 2101-00.999 Fl. 406 de bingo, nem os pagamento dos prêmios correspondentes, o que afasta, portanto, a alegação no sentido de que os recursos movimentados seriam das empresas. Necessário ainda esclarecer que, durante a fiscalização, a Recorrente não prestou qualquer tipo de esclarecimento, limitando-se a requerer dilação de prazo para apresentação de documentos. Assim, não tendo a Recorrente trazido aos autos outros documentos que pudessem comprovar a origem dos depósitos, o recurso não 4 eve ser provido. Eis os motivos pelos quais voto no se e ido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. L UL ALEXA DRE NAOKI NISHIOKA Relator 7

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Numero do processo: 10880.991929/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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3402­006.551  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de abril de 2019  Matéria  CRÉDITO ÔNUS DA PROVA  Recorrente  BIMBO DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010  PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E  CERTEZA.  Os  valores  recolhidos  a maior  ou  indevidamente  somente  são  passíveis  de  restituição/compensação  caso  os  indébitos  reúnam  as  características  de  liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte  possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 19 29 /2 01 2- 79 Fl. 2397DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia  Elena de Campos.  Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Compensação  formulado  para  o  aproveitamento  de  crédito  de  PIS  Não  cumulativo  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  realizado  na  competência de abril/2010 (Código de receita DARF 6912, pago em 25/05/2010). O valor pago  a maior  seria  no montante  originário  de R$  141.894,27  (e­fl.  03).  Uma  vez  que  o  valor  do  crédito  declarado  já  tinha  sido  utilizado  em  compensações  anteriores  (PER/DCOMP  24937.44149.151210.1.3.04­0090) e para pagar o débito de PIS Não Cumulativo do período,  foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada (e­fl.  07).  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ, ementado nos seguintes termos:    "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 30/04/2010  DÉBITOS  INDICADOS  PARA  COMPENSAÇÃO.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE.  A suspensão da exigibilidade dos débitos  indicados para compensação decorre da  lei, não sendo cabível a manifestação das DRJs sobre o assunto.  DÉBITOS  INDICADOS  PARA  COMPENSAÇÃO.  FORMALIZAÇÃO  PARA  FINS  DE COBRANÇA.  Não  há  necessidade  de  formalização,  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento, dos débitos indicados para compensação em Dcomp não homologada,  em face da natureza de confissão de dívida desta.  ALÍQUOTA ZERO. PÃES DIVERSOS DO PÃO COMUM. DESCABIMENTO.  A  alíquota  zero  da  Contribuição  incidente  sobre  a  receita  bruta  de  venda  no  mercado  interno do pão comum a que se  refere o  inciso XVI do art. 1° da Lei n°  10.925,  de  2004,  não  se  aplica  a  outros  produtos  que  não  ao  pão  que  contenha  apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, tal qual definido  na exposição de motivos à Medida Provisória n° 433, de 2008  MULTA E JUROS MORATÓRIOS. NÃO HOMOLOGAÇÃO.  A  exigência  de  multa  e  juros  moratórios  decorre  da  falta  de  recolhimento  tempestivo  dos  tributos  devidos,  evidenciada  a  partir  da  não­homologação  das  compensações efetuadas, tendo por fundamento legal o art. 61 da Lei nº 9.430, de  1996.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/04/2010  DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.   Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  PEDIDO  de  DILIGÊNCIA ou perícia.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido" (e­fls. 2.259/2.260)    Intimado  desta  decisão  em  20/08/2015  (e­fl.  2.274),  a  empresa  apresentou  Recurso Voluntário  em 15/09/2015  (e­fls.  2.276/2.291)  alegando,  em síntese que os  créditos  pleiteados  são  válidos,  sendo  decorrentes  da  comercialização  de  produtos  de  panificação  Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10880.991929/2012­79  Acórdão n.º 3402­006.551  S3­C4T2  Fl. 2.394          3 sujeitos à alíquota zero (hot dog, pão de hamburguer e pão bisnaga, que devem se enquadrar no  conceito de "pão comum" ­ NCM 1905.9090 Ex 01). As soluções de consulta proferidas para a  Recorrente afirmando que esses produtos não poderiam ser admitidos como "pão comum" não  seria  pronunciamentos  finais,  contra  as  quais  foi  apresentado  recurso  de  divergência,  bem  como estariam em sentido contrário ao firmado em laudo técnico acostado aos autos. Sustenta  ainda que confirmada a validade do crédito, descabida sua desconsideração em razão da não  retificação da DCTF.  Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho para julgamento.  É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne  O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido.  Contudo, atentando­se para o presente caso, observa­se que a Recorrente se  volta  exclusivamente  para  questões  abstratas  em  torno  do  suposto  crédito  pleiteado,  sem  demonstrar sua origem e validade mesmo em se admitindo como correta a  tese geral por ela  defendida.  Primeiramente,  essencial  novamente1  firmar  o  contribuinte  figura  como  titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o  ônus  de  prova  quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito.  Em  outras  palavras,  o  sujeito  passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência  do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe.  Assim,  caberia  ao  sujeito  passivo  trazer  aos  autos  os  elementos  aptos  a  comprovar  a  existência  de  direito  creditório,  capazes  de  demonstrar,  de  forma  cabal,  que  a  Fiscalização  incorreu em erro  ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade  com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722.  Com  efeito,  o  ônus  probatório  nos  processos  de  compensação  é  do  postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova  de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo:    "Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Período  de  apuração:  31/07/2009  a  30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade  material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever  de  colaboração  por  parte  do  particular,  unidos  na  finalidade  de  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora  com  a  realidade  dos  acontecimentos.                                                              1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402­004.763,  de 25/10/2017, de minha relatoria.  2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será  apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da  exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir;"  Fl. 2399DF CARF MF     4 PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Nos  processos  derivados  de  pedidos  de  compensação/ressarcimento,  a  comprovação  do  direito  creditório  incumbe  ao  postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.  Não  se  presta  a  diligência,  ou  perícia,  a  suprir  deficiência  probatória,  seja  do  contribuinte  ou  do  fisco.  (...)"  (Processo  n.º  11516.721501/2014­43.  Sessão  23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401­003.096 ­ grifei)    Atentando­se  para  o  presente  caso,  não  se  vislumbra  qualquer  fundamento  fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao  crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida.  Com efeito, a cópia da DCTF referente à competência de abril/2010 acostada  aos autos confirma os valores trazidos no Despacho Decisório de PIS Não Cumulativo devidos  (e­fl.  71). Assim,  não  foram  apresentados  quaisquer  outros  documentos  fiscais  ou  contábeis  que  pudessem  demonstrar  que  o  valor  do  PIS  Não  Cumulativo  devido  em  30/04/2010  não  alcançava o montante de R$ 498.237,50, como indicado no Despacho Decisório Eletrônico (e­ fl. 07):    Em suas defesas, a Recorrente apenas afirma, de forma geral e sem qualquer  fundamento fático concreto, que o crédito pleiteado estaria respaldado em discussão em torno  do enquadramento de parte dos produtos por ela vendidos e importados na previsão de alíquota  zero do inciso XVI do art. 1° da Lei n° 10.925/2004.  A  ausência  de  substrato  fático  para  as  alegações  gerais  de  direito  trazidos  pela Recorrente  pode  ser  facilmente  depreendida  pela  análise  da  planilha  das  e­fls.  87/2.255  que,  segundo  a  Recorrente,  fundamentaria  o  valor  do  crédito  pleiteado.  Primeiro  porque  a  referida  planilha  não  traz  quaisquer  informações  concernentes  às  operações  realizadas,  constando apenas duas colunas: "ID_EMPRESA" e  "VLR_TOT_ITEM_SEM_SUBST". Assim,  não  é  possível  confirmar  sobre  quais  operações  se  referem,  ou mesmo  se  correspondem  ao  período  de  apuração  relacionado  ao  presente  processo.  Ademais,  a  planilha  não  traz  uma  precisa quantificação do montante de crédito pretendido. Assim, observa­se que em qualquer  momento  nestes  autos,  a  Recorrente  apresentou  uma  memória  de  cálculo  com  a  precisa  Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10880.991929/2012­79  Acórdão n.º 3402­006.551  S3­C4T2  Fl. 2.395          5 composição  do  valor  original  do  crédito  declarado  na  PER/DCOMP de R$  141.894,27, não  sendo possível avaliar a precisa origem desse crédito.  Acresce­se que a Recorrente não evidenciou como a  tese de direito por  ela  sustentada  concretamente  teria  refletido  em  sua  apuração.  Ora,  cumpre  relembrar  que  a  Recorrente  está  sujeita  à  apuração  das  contribuições  na  sistemática  não  cumulativa,  como  indicado  em  sua  DCTF  acostada  aos  autos.  Com  isso,  os  produtos  que  passaram  a  ser  considerados  como  alíquota  zero,  que  foram  anteriormente  tributados,  possuem  reflexos  na  apuração dos débitos e dos créditos das contribuições. Isso porque estes produtos, além de não  comporem a base de cálculo (débito ­ art. 1º, §3º, I, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003),  as  aquisições  a  eles  correspondentes  igualmente  não  podem  ser  admitidos  como  créditos  dedutíveis (art. 3º, §2º, II, Lei n.º 10.833/2003):    "Art.  1º  (...)  § 3o Não  integram a  base  de  cálculo  a  que  se  refere  este  artigo  as  receitas:  I ­ isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota  0 (zero);" (grifei)    "Art.  3º  (...)  §  2o  Não  dará  direito  a  crédito  o  valor:(Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição,  inclusive no caso de  isenção,  esse último quando  revendidos ou utilizados como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  0  (zero),  isentos  ou  não  alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei)    Assim,  ainda  que  se  considere  que  a  origem  dos  créditos  aqui  pleiteados  seriam  relacionados  a  discussão  abstrata  de mérito  de  que  produtos  por  ela  comercializados  estariam  sujeitos  a  alíquota  zero  (o  que  apenas  se  cogita,  vez  que  não  foram  apresentadas  memórias  de  cálculo  do  crédito),  confirma­se  que  igualmente  não  foram  demonstradas  pela  Recorrente os reflexos desta tese no cálculo não cumulativo das contribuições por ela apuradas,  ou seja, nos créditos e nos débitos por elas considerados.  Nesse  sentido,  observa­se  que  a  Recorrente  não  trouxe  aos  autos  qualquer  evidência concreta de que se crédito se respalda,  integralmente ou parcialmente, na discussão  geral de direito por ela invocada, de que parte de seus produtos se enquadram na previsão da  alíquota  zero.  A  discussão  de  mérito  invocada  pela  Recorrente  não  possui  concreta  correspondência com o presente processo, não sendo possível confirmar que o valor pleiteado  se refere à esta discussão de direito. Inexiste nos autos sequer indício da existência do crédito,  pautando­se a empresa na discussão geral em torno da aplicação da alíquota zero para alguns  produtos por ela comercializados.  Portanto, a discussão de mérito invocada não resolve a lide aqui trazida, vez  que  não  é  possível  confirmar  a  origem  do  crédito  indicado  no  PER/DCOMP. Desta  forma,  inexiste  qualquer  documento  ou  alegação  jurídica  concreta  nos  presentes  autos  suscetível  a  alterar a conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações,  que deve ser mantida.  De forma conclusiva, cumpre mencionar que a ausência de demonstração do  crédito foi igualmente evidenciada na r. decisão recorrida:    Fl. 2401DF CARF MF     6 "Diante  de  todo  o  aqui  exposto,  conclui­se  que,  à  época  do  proferimento  do  Despacho Decisório, o crédito utilizado na compensação declarada não existia e,  portanto,  a  decisão  nele  prolatada  estava  correta  e  baseou­se  em  informações  declaradas à Administração Tributária pela própria manifestante.  Não obstante, a contribuinte defende a existência do crédito com base em redução a  zero  da  alíquota  a  que  estaria  submetido  seu  faturamento.  Justifica  a  não  retificação  da  DCTF  relativa  ao  período  de  apuração  analisado  visto  estar  sob  procedimento  de  fiscalização  por  parte  da  RFB,  estando,  portanto  impedida  de  retificar a aludida declaração.  Também não retificou a DACON." (e­fl. 2.264 ­ grifei)    Contudo, naquela decisão, os  julgadores optaram por ingressar na discussão  de direito genericamente invocada pela Recorrente, o que não será realizado nesta seara face a  impossibilidade  de  confirmação,  nos  presentes  autos,  da  origem  do  crédito  pleiteado,  encontrando a Recorrente óbice à sua discussão pela ausência de provas da origem e liquidez  do crédito pleiteado. Ou seja, uma vez que não é possível confirmar que o crédito pleiteado nos  presentes  autos  se  refere  concretamente  à  discussão  de  direito  aventada  de  forma  abstrata  (alíquota zero de produtos), esses argumentos não serão aqui apreciados.  Insta  mencionar  que  após  o  presente  processo  ser  colocado  em  pauta  de  julgamento,  em  11/04/2019,  a  empresa  apresentou  uma  série  de  planilhas  que  supostamente  respaldariam seu direito a crédito (e­fls. 2.395/2.396). Foram anexados aos autos dois arquivos  não  pagináveis  com  planilhas  que  corresponderiam,  nas  palavras  da  Recorrente:  (i)  a  "apuração  centralizada  das  contribuições  e  respectivos  comprovantes  do  recolhimento  dos  montantes  de  PIS  e  COFINS  lá  indicados";  e  (ii)  a  "apuração  do  PIS  e  da  COFINS  especificamente  recolhidos  sobre  a  comercialização  de  produtos  classificados  como  “pão  comum” no período objeto desse processo." (e­fl. 2.395)  Atentando­se  primeiramente  para  a  planilha  de  apuração  do  PIS/COFINS  devidos  no  período  (mencionada  no  item  i  acima),  observa­se  que  a Recorrente  trouxe  uma  planilha  de  cálculo  atualizado,  com  a  alteração  no  campo  "Receitas  Isentas  ou  Sujeitas  à  Alíquota Zero" que alcançaria o valor total de faturamento de R$ 8.599.652,76. Contudo, ao se  comparar a planilha do  cálculo original e a planilha com o cálculo  atualizado, observa­se os  créditos descontados no mês não sofreram qualquer alteração:    Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 10880.991929/2012­79  Acórdão n.º 3402­006.551  S3­C4T2  Fl. 2.396          7   Novamente:  a  Recorrente  não  evidenciou  como  a  tese  de  direito  por  ela  sustentada concretamente teria refletido em sua apuração.   Quanto  a  planilha  de  composição  do  valor  do  crédito  relacionado  ao  "faturamento do pão comum"  (item  ii  acima),  confirma­se que,  somente  agora,  a Recorrente  pretendeu apontar qual seria a composição do seu crédito, com uma série de filiais da pessoa  jurídica  e  uma  relação  de  notas  fiscais  especificamente  quanto  a  filial  em  Raposos  que  respaldariam  seu  crédito.  Contudo,  além  de  não  relacionar  todas  as  notas  fiscais  que  supostamente respaldariam seu crédito, a empresa não apresentou nenhum documento suporte  desta planilha, nem mesmo notas fiscais exemplificativas.  Além disso, as planilhas detalhadas do suposto crédito relacionado a filial de  Raposos  indicam  na  coluna  "VLR_TOT_ITEM_SEM_SUBST"  valores  negativos  do  faturamento, sem qualquer esclarecimento por parte da empresa da razão para isso. A planilha  indica a quantidade de pães que  teriam sido vendidos e o preço unitário de cada pão, mas o  faturamento  é  indicado  com  um  sinal  de  negativo.  E  na  soma  para  alcançar  o  valor  total  faturado no estabelecimento esses valores são considerados como negativos. Vejam­se:  Fl. 2403DF CARF MF     8   Estas planilhas, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem  do crédito como pretendido pela Recorrente.   Desta forma, mesmo os documentos anexados em 11/04/2019 não alteram a  conclusão alcançada no despacho decisório pela não homologação das compensações, que deve  ser mantida.  Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne.                                Fl. 2404DF CARF MF

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7763343 #
Numero do processo: 10880.904193/2009-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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1003­000.054  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Data  07 de maio de 2019  Assunto  PER/DCOMP  Recorrente  POLOPOS ENGENHARIA E COMÉRCIO LIMITADA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  verificar  a  comprovação  inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de  IRPJ do ano­calendário de 2003.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva  (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi  Nakayama.    Relatório    A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração  de Compensação (Per/DComp) nº 04850.32821.301204.1.3.02­2003 em 30.12.2004, fls. 01­20,  utilizando­se do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original  de  R$8.572,50,  apurado  pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  anual  do  ano­ calendário de 2003.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 19 3/ 20 09 -1 0 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 385          2 Consta no Despacho Decisório Eletrônico,  fl. 20, que as  informações  relativas  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  foram  analisadas  das  quais  se  concluiu  pelo  indeferimento do pedido:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  constatou­se  que  não  houve  apuração  de  crédito  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  correspondente  ao  período  de  apuração  do saldo negativo Informado no PER/DCOMP.  Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo  de crédito: R$ 8.872,60  Valor da contribuição social a pagar na DIPJ: R$ 0,00   Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes  PER/DCOMP: [...]  Enquadramento Legal: Parágrafo 1° do  art.  6º  e  art. 28 da Lei 9.430, de 1996.  Art. 5 ° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Cientificada,  a Recorrente  apresentou  a manifestação  de  inconformidade.  Está  registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/SPI/SP nº 16­26.522, de 30.08.2010,  fls.  217­225:  COMPROVAÇÃO.  OFERECIMENTO  DA  RECEITA  Á  TRIBUTAÇÃO.  NECESSIDADE.  Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é  necessário  que  (i)  o  contribuinte  apresente  comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes' integrem a base de cálculo  do imposto devido.  DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ  Não foi reconhecido crédito líquido e certo em favor do contribuinte, razão pela  qual mantém­se a decisão recorrida.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Notificada em 29.09.2010, fl. 226, a Recorrente apresentou o recurso voluntário  em 26.10.2010, fls. 275­279, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade.  Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que:  Após  análise  do  Despacho  constatamos  se  tratar  de  erro  no  preenchimento  da  DIPJ ano base 2003 exercício 2004, pois não foi  transcrito na linha 13 da ficha 12, o  valor  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  portanto  não  aparecia  o  valor  do  crédito  pleiteado nas PER/DCOMP.  Diante  do  acima  exposto  o  contribuinte  procedeu  à  retificação  da  DIPJ  2003/2004 de forma tempestiva, sanando desta maneira a hipótese da não existência do  crédito  apontado.  Após  a  retificação  da  DIPJ,  protocolamos  a  manifestação  de  inconformidade em 20/02/2009.  Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 386          3 O  contribuinte  tomou  ciência,  em  29/09/2010,  através  da  intimação  de  n°  8248/2010  de  14/09/2010  e  acórdão  n°  16­26522  de  30/08/2010,  comunicando  o  resultado do  julgamento do  acórdão  improcedente a manifestação de  inconformidade,  alegando  Direito  Creditório  não  Reconhecido;  da  necessidade  de  comprovar  o  oferecimento  da  receita  à  tributação,  bem  como  da  necessidade  da  apresentação  dos  informes de rendimentos.  Ainda  sobre  o  acórdão,  consta  em  folha  224,  item  9.2.3  que  “o  valor  total  do  crédito pleiteado é de R$ 50.703,17, valor este superior ao discriminado na ficha 53 da  DIPJ”. Todavia a Lei prescreve o direito de corrigir o crédito pela taxa Selic sendo que  o valor informado na DIPJ [...]  Senhores Conselheiros entendemos ter afastado o motivo da negativa de primeira  instância de não possuirmos crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública.  Concernente ao pedido expõe que:  DO PEDIDO   À  vista  do  exposto,  demonstrada  insubsistência  total  de  decisão  de  primeira  instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso.  É o Relatório.    Voto    Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora   O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente discorda do procedimento fiscal e para tanto diz apresentar DIPJ  Retificadora consignando um saldo negativo IRPJ no valor original de R$43.721,38, apurado  pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  anual  do  ano­calendário  de  2003,  por  ter  recebido Termo de Intimação para este fim.  O sujeito passivo que  apurar  crédito  relativo a  tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  31.10.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento  se  submete  ao  rito  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de março  de  1972,  inclusive  para  os  efeitos  do  Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 387          4 inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de  13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da  Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003).  O pressuposto é de que a pessoa  jurídica deve manter os  registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art.  51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995).  Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  a  Recorrente  deve  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Os  diplomas  normativos  de  regências  da  matéria,  quais  sejam  o  art.  170  do  Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam  clara  a  necessidade  da  existência  de  direto  creditório  líquido  e  certo  no  momento  da  apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar­se­ia extinto sob  condição resolutória da ulterior homologação.  O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela  Recorrente  quanto  ao  preenchimento  dos  requisitos  de  liquidez  e  de  certeza  necessários  à  extinção de débitos  tributários.  Instaurado o  contencioso  e  estabilizada a  lide,  não  se  admite  que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório  aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto.  A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso  se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em  conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o  art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução  Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº  1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de  julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do  art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996.  A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório  diverso  do  originalmente  identificado,  apenas  trazida  em  sede  de  impugnação,  constitui  inovação  da  matéria  tratada  nos  autos,  não  podendo  ser  objeto  de  análise  neste  processo.  Ainda,  a  manifestação  de  inconformidade  não  é  meio  adequado  para  retificação  dos  dados  declarados  pela  incompatibilidade  dos  instrumentos  e  pela  preclusão  da  possibilidade  de  referida  retificação  após  instaurada  a  fase  litigiosa  no  procedimento.  Ademais,  como  a  alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório,  houve a estabilização da lide.   Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 388          5 Apenas  nas  situações  comprovadas  de  inexatidões  materiais  devidas  a  lapso  manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da  Requerente.  O  erro  de  fato  é  aquele  que  se  situa  no  conhecimento  e  compreensão  das  características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os  erros  de  escrita ou  de  cálculos. A Administração Tributária  tem o  poder/dever  de  revisar  de  ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido  na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde  o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de  fato, desde que devidamente comprovado.   O  conceito  de  erro  material  apenas  abrange  a  inexatidão  quanto  a  aspectos  objetivos,  não  resultantes  de  entendimento  jurídico,  como  um  cálculo  errado,  a  ausência  de  palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou  a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão  material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32  do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art.  149 do Código Tributário Nacional). Por  inexatidão material  entendem­se os pequenos  erros  involuntários,  desvinculados  da  vontade  do  agente,  cuja  correção  não  inove  o  teor  do  ato  formalizado,  tais  como  a  escrita  errônea,  o  equívoco  de  datas,  os  erros  ortográficos  e  de  digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica  disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria.  Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações,  já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca  da  liquidez  e  da  certeza  do  valor  de  direito  creditório  pleiteado.  Para  que  haja  o  reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior  de  tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados  informados  em  todos os  livros de  escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem como os  documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170  do Código Tributário Nacional).  Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto­Lei nº 1.598, de 26 de  dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a  favor  do  sujeito  passivo  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei,  por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.  A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos  que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto  no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do Decreto­Lei nº 486, de 03 de  março  de  1969,  que  preveem,  em  última  análise,  "que  os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial e  fiscal e os  comprovantes dos  lançamentos neles efetuados  serão conservados até  que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram."  Tem­se  que  se  considera  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante,  cujo  efeito  é  a  preclusão.  Diferentemente  em  relação a juntada de conjunto probatório em sede de segunda instância de julgamento há que  ser  observado  que  na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  forma  livremente  sua  convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, conforme o princípio  da persuasão racional (art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).  Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 389          6 Verifica­se que os dados presumidamente errados não podem ser considerados  de plano, pois os elementos de prova produzidos no processo, tais como memórias de cálculo e  cópia de excertos do Livro Diário não evidenciam de forma categórica a liquidez e da certeza  do direito creditório pleiteado, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional,  bem  como  art.  15,  art.  16  e  art.  29  do  Decreto  nº  70.235,  de  06  de  março  de  1972,  que  estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material.  Na  apuração  do  IRPJ,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir  do  imposto  devido  o  valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das  receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Para tanto deve ser aplicado inclusive  o enunciado da Súmula CARF nº 80 que prevê que  "na  apuração do  IRPJ, a pessoa  jurídica  poderá  deduzir  do  imposto  devido  o  valor  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  desde  que  comprovada  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas  correspondentes  na  base  de  cálculo  do  imposto", por ser de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do  Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09  de junho de 2015).  Tem­se que nos estritos  termos  legais este entendimento está de acordo com o  princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal,  art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de  1999,  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235,  de  06  de  março  de  1972  e  art.  62  do  Anexo  II  do  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015).   Tendo  em  vista  a  apresentação  de  DIPJ  retificadora  em  sede  de  litígio  de  Per/DComp  nos  presentes  autos,  bem  como  do  início  de  prova  produzido  pela Recorrente  e  com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o  julgamento na  realização de diligência para  a  autoridade preparadora  da Unidade da Receita  Federal  do  Brasil  que  jurisdicione  a  Recorrente  cotejar  as  informações  fornecidas  pela  Recorrente  mediante  apresentação  dos  elementos  de  prova  mediante  assentos  contábeis  e  fiscais que evidenciem as alegações constantes no recurso voluntário com os registros internos  da RFB para aferir  a verossimilhança, a clareza,  a precisão  e a congruência das  informações  constantes no Per/DComp, do valor correto indicado na Declaração de Informações Econômico  Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  retificada  em  cotejo  com  a  identificação  da  inexatidão  material contida da DIPJ original referente ao período objeto de exame, cujas cópias devem ser  juntadas aos presentes autos. Ainda os autos devem ser instruídos, se houver, com a relação dos  pagamentos efetuados no período, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte  (DIRF)  e  o  Per/DComp  em  que  foi  utilizado  o  direito  creditório  pleiteado. Na  apuração  do  IRPJ, a Recorrente podendo deduzir do IRPJ devido o valor retido na fonte permitido em lei  específica,  deve  comprovar  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas  correspondentes  na  base  de  cálculo do tributo do período (Súmula CARF nº 80).  Ainda  a Recorrente  deve  ser  intimada  a  apresentar  a  integralidade  do  recurso  voluntário original, fls. 275­279, já que está faltando a fl. 03 de 05.  A  autoridade  designada  para  cumprir  a  diligência  solicitada  deverá  elaborar  o  Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar  a comprovação  inequívoca da  liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a  título de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2003  para  compensação  dos  débitos  ali  confessados.  Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10880.904193/2009­10  Resolução nº  1003­000.054  S1­C0T3  Fl. 390          7 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos  referentes às diligências  efetuadas  e do Relatório Fiscal  para  que,  desejando,  se manifeste  a  respeito  dessas  questões  com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela  inerentes1 .   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                                1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República.  Fl. 390DF CARF MF

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Numero do processo: 10410.901864/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
Numero da decisão: 3201-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduo industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de venda. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduo industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de venda. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.

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3201­005.302  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  COFINS NÃO CUMULATIVO ­ PEDIDO DE RESSARCIMENTO  Recorrente  TRIUNFO AGROINDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS  O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não­cumulatividade  do  PIS  Pasep  e  da  COFINS  é  aquele  em  que  o  os  bens  e  serviços  cumulativamente  atenda  aos  requisitos  de  (i)  essencialidade  ou  relevância  com/ao processo produtivo ou prestação de  serviço; e  sua (ii) aferição, por  meio  do  cotejo  entre  os  elementos  (bens  e  serviços)  e  a  atividade  desenvolvida pela empresa.  PROCESSO  PRODUTIVO.  PRODUÇÃO  DE  AÇÚCAR  E  ÁLCOOL.  ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  no  cultivo  da  cana  de  açúcar  guardam  estreita  relação  de  relevância  e  essencialidade  com  o  processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e  configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do  crédito das contribuições não­cumulativas.  REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE  DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE  CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.  No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de  bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados  à  venda,  suportado  pelo  comprador,  e  devida  à  pessoa  jurídica,  propicia  a  dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.  CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­CUMULATIVAS.  SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS  E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 64 /2 01 3- 03 Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.824          2 Os  serviços  e  bens  utilizados  na  manutenção  de  veículos,  máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  geram  direito  a  crédito  das  contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  VEÍCULOS,  MÁQUINAS  E  EQUIPAMENTOS.  CRÉDITO  SOBRE  DEPRECIAÇÃO.  UTILIZAÇÃO  EM  ETAPAS  DO  PROCESSO  PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.   A  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  sobre  encargos  de  depreciação  em  relação  a  veículos,  máquinas  e  equipamentos  adquiridos  e  utilizados  em  etapas  pertinentes  e  essenciais  à  produção  e  à  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda,  conforme  disciplinado  pela  Secretaria  da  Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  ARMAZENAGEM  E  FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.  Concede­se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete  contratado  relacionado  a  operações  de  venda,  desde  que  amparado  em  documentos  fiscal  e  o  ônus  tenha  sido  suportado  pela  pessoa  jurídica  vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial  ao Recurso Voluntário,  apenas para conceder o  crédito das  contribuições  para o PIS/Cofins, revertendo­se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e  3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e  legislação pertinente à matéria:  I  ­  Serviços  utilizados  como  insumos  na  fase  agrícola:  (item  1.1)  Serviços  de  Terceiros­ Equipamentos  Agrícolas:  serviços  de  manutenção  e  solda  em  equipamentos  agrícolas  e  de  irrigação, e  serviços de  "lavagem de  roupas­herbicidas";  (item 1.2) Manutenção e Reparo de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros  na  manutenção  de  implementos  agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através  da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados  em veículos próprios, utilizados no transporte de cana);  II ­ Bens utilizados como insumos na  fase  agrícola  (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus  e Câmaras, Material  de  Manutenção,  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte da cana­de­açúcar e nos centros de custos  relacionados à  fase  agrícola,  tais como:  Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação  de  Herbicidas, Produção de Mudas; III ­ Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação  de  açúcar  e  álcool  (itens  "4.1"  e  "4.2")  ­  transporte  de  resíduo  industriais;  serviços  de  dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; IV ­ Encargos de depreciação de  bens  utilizados  na  fase  agrícola:  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V ­ Despesas com armazenagem e fretes nas  operações de venda.  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Presidente em Exercício e Relator  Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.825          3 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Giovani  Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Charles  Mayer  de  Castro  Souza),  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Laercio  Cruz  Uliana  Junior  e  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira  (Presidente  em  Exercício).  Ausente  o  conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.  Relatório  Para bem relatar os fatos, transcreve­se o relatório da decisão proferida pela  autoridade a quo no Acórdão nº 14­64.835:  Trata­se de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins não  cumulativa  do  2º  Trimestre  de  2012,  no  importe  de  R$  220.345,21,  formalizado  por  meio  do  PER/DCOMP  nº  12331.86219.190413.1.5.09­1847  (fls.  34/41),  ao  qual  a  contribuinte  vinculou  declarações  de  compensação  nas  quais  procurou  extinguir  débitos  próprios,  relativos  a  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB.  Analisada a pretensão,  foi  emitido o Despacho Decisório nº de  Rastreamento 095447480 (fl. 42), no qual o direito creditório foi  reconhecido  parcialmente,  disso  resultando  declaração  de  compensação  homologada  parcialmente  e  declarações  de  compensação não homologadas, além de inexistência de saldo a  ser ressarcido.  Os  fundamentos  da  decisão  estão  no  Relatório  Fiscal  de  fls.  1208/1243,  no  qual  a  autoridade  fiscal  se  manifestou  pelo  deferimento  parcial  do  pedido  e  expôs  os  motivos  de  seu  entendimento, conforme segue.  Inicia  esclarecendo  que:  a  empresa  dedica­se  à  produção  e  comercialização  de  açúcar  e  álcool  utilizando  como  matéria­ prima  básica  a  cana­de­açúcar  obtida  mediante  produção  própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas  deste  ramo,  tem  produção  sazonal,  normalmente  ocorrendo  o  período de safra/produção entre os meses de setembro a março;  a  comercialização  é  feita  tanto  no  mercado  interno  como  no  externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o  álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno.  Passa  a  tratar  dos  créditos  glosados  informando  inicialmente  que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da  não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação  própria  e  não  pode  ser  confundido  nem  interpretado  à  luz  da  legislação do IRPJ.  Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a  contribuinte  apresentou  planilhas  detalhadas  em  que  demonstrava  a memória  de  cálculo  dos  valores  de  crédito  que  informou  no  DACON  e  que  embasaram  seus  Pedidos  de  Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.826          4 Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam  os  insumos  “que  foram  utilizados  para  compor  os  créditos  discriminados  por  utilização  em  AGRICULTURA  ou  INDÚSTRIA”.  Diz  ainda  que,  na  AGRICULTURA,  a  contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças  de  veículos...)  com  o  transporte  e  movimentação  de  cana­de­ açúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana  produzida  em  suas  diversas  fazendas  até  a  unidade  fabril”.  Ressalta (os destaques são do original):  Ora,  em  relação  aos  gastos  ocorridos  na  Agricultura,  tais  aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por  tratar­se de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de  cultivo da cana­de­açúcar e outro, a produção de álcool e açúcar.  A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte  da cana­de­açúcar que utiliza na própria atividade industrial.  Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a  produção de cana­de­açúcar  são dois processos diferentes e que  não  se  confundem  para  fins  de  apuração  de  PIS  e  Cofins  no  regime  não­cumulativo.  Além  disso,  não  representam  gastos  com insumos utilizados na produção de produtos destinados  à  venda  e  sim  gastos/insumos  utilizados  na  obtenção  de  matérias prima para o próprio consumo.  Note­se que a empresa não vende cana e sim açúcar e álcool e  a  legislação  do  PIS/COFINS  é  clara  quando  restringe  o  direito  ao  crédito  apenas  a  insumos  utilizados  na  produção  ou fabricação de produtos destinados à venda.  Registra  que  este  entendimento  está  expresso  em  diversas  Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que  o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento  agroindustrial  como,  por  exemplo,  siderúrgicas  com  produção  própria  de  carvão  vegetal,  indústria  de  papel  com  produção  própria de eucaliptos, e acrescenta:  E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens  e  serviços  aplicados  na  área  agrícola,  nem  assim  os  supostos  créditos seriam integrais, uma vez que a maioria das atividades  agrícolas  (entre  as  quais  se  inclui  a produção de  cana...),  está  sujeita a que parte dos seus custos com preparo e plantio seja  imobilizada  através  da  EXAUSTÃO  e,  ao  contrário  da  depreciação  e  da  amortização,  não  existe  qualquer  previsão  legal para o creditamento de quotas de exaustão. (...) (destaques  no original)  Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação:  A  empresa  apresentou  uma  planilha  denominada  Serviços  de  Terceiros­Agrícola  na  qual  relacionava  todos  os  serviços  de  manutenção,  frete  de  cana,  solda,  diversos,....efetuados  na  área  agrícola.  Para  fins  de  melhor  visualização,  a  ação  fiscal  "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do  serviço  prestado:  Frete  de  Cana,  Serviços  de  Terceiros­ manutenção  e  solda  de  equipamentos  agrícolas,  Serviços  Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.827          5 Diversos e Serviços de Terceiros­manutenção e solda de veículos  e equipamentos de transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na  Planilha  Manutenção  e  Reparos,  que  foi  dividida  em  Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a  "quebra"  não  implicou  alteração  nos  valores  totais,  que,  de  qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam  glosados, uma vez que referem­se a atividades que não ensejam  creditamento.  Passa  então  a  informar  as  glosas  efetuadas,  relativas  a  aquisições para a área agrícola:  1.1  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA   Do  valor  total  de  Serviços  Utilizados  como  Insumos  foram  glosados os seguintes créditos referentes a agricultura:  •  Serviços  de  Terceiros­Equipamentos  Agrícolas:  serviços  de  manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação;  • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola,  de  natureza  indireta  e  administrativa,  tais  como  Consultoria  Agrícola, Consultoria  em Meio Ambiente,  Lavagem de Roupa­ Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador.  •  Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas  e irrigação.  Os  valores  glosados  estão  demonstrados  abaixo  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Serviços  utilizados  como  Insumos”  e  “Serviços  de  Terceiros  Prestados  na  Agricultura­ Creditamentos Glosados”, Anexo 04.  (...)  1.  2  BENS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA   Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas  a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à  aquisição  de  bens  utilizados  em  automóveis  e  veículos  para  a  movimentação  e  transporte  da  cana  de  açúcar.  Além  disso,  apresentou  todas  as  aquisições  em  uma  única  planilha  (“Bens­ Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem.  Com  o  objetivo  de  melhor  apresentação  e  visualização  dos  créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da  empresa,  utilizando  a  mesma  classificação  existente  na  Contabilidade  (SPED  Contábil­Req.  1dffe5fa­2f93­48db­9308­ 3175c5a3a827,  Anexo  01),  ou  seja,  Óleo  Diesel,  Material  Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção.  A seguir,  a empresa  foi  intimada a  identificar centros de custos  (item  2  do  Termo  de  Intimação  n°  03)  e,  com  base  nas  informações  recebidas  (Respostas Apresentadas  pela Empresa  ­  Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.828          6 Anexo  03)  e  com  base  nas  informações  contábeis  que  identificavam  o  centro  de  custo  para  o  qual  o  material  foi  requisitado,  foram  separados  aqueles  gastos  específicos  da  agricultura  (  bens  utilizados  em  tratores,  colheitadeiras,  equipamentos  de  irrigação,...)  daqueles  mais  específicos  do  transporte  (caminhões,  automóveis,  motos,..).  Em  Agricultura  foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs,  Carregadeiras, Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador, Aplicação  de  Herbicidas,  Produção  de  Mudas,....  Em  Transportes  foram  classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford  Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,...  Os  valores  contábeis  foram  separados  por  Agricultura  e  Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições  constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes,  Pneus e Câmaras e Material de Manutenção.  Os  valores  glosados  estão  relacionados  abaixo  e  também  nas  Planilhas  da  Ação  Fiscal  “Apuração  do  Rateio  entre  Bens  Utilizados  na  Área  Agrícola  e  no  Transporte  de  Cana”  e  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos”  (Anexo 05).  1.  3  OUTRAS  GLOSAS  DE  CRÉDITOS  EFETUADAS  NA  ÁREA AGRÍCOLA   Outros  créditos  também  foram  glosados  na  área  Agrícola,  tais  como  o  Frete  de  Compras,  Transporte  de  Cana,  Transporte  de  Pessoal  e  Aluguéis  de  Veículos,  os  quais  se  encontram  apresentados em tópicos específicos, a seguir.  Discorre  então  sobre  os  fretes  de  compras,  salientando  a  inexistência de previsão legal para a apuração de créditos  sobre  tais despesas. Depois,  justifica as glosas  relativas a  “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as  glosas  relativas  a  “Frete  de  Compras  na  Aquisição  de  Cana­de­Açúcar de Terceiros”.  Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de  cana:  A empresa possui diversas  fazendas onde planta cana­de­açúcar  que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma  vez  colhida  esta  cana  é  transportada  de  seus  estabelecimentos  agrícolas  até  a  sua  unidade  fabril.  Neste  processo  de  movimentação da matéria­prima, a empresa tanto utiliza sua frota  própria  de  caminhões  e  reboques  como  também  pode  utilizar  serviços de terceiros.  Nos dois casos  trata­se da mesma situação, que é o comumente  chamado “frete interno”, ou seja, o  transporte de matéria­prima,  produto  em  elaboração  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  de  uma mesma  empresa.  E  o  crédito  para  tal  tipo  de  transporte  é  totalmente  vedado  pela  legislação  e  por  Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.829          7 inúmeras  Soluções  de  Consulta  e  Julgamento.  Confiram­se  algumas:  Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas  DRJ, e conclui:  Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens  Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores  de  Serviços  Utilizados  como  Insumos”,  “Serviços  com  Creditamento  Glosado”  e  “Detalhamento  da  Apuração  das  Glosas  em  Frete  de  Cana:  Própria  e  Adquirida  de  Terceiros”  (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados.  Prossegue (destaques no original):  Em  Bens  Aplicados  em  Equipamentos  e  Veículos  de  Transporte  de  Cana:  Óleo  Diesel,  Lubrificantes,  Pneus  e  Câmaras,  Material  de  Manutenção,  Os  critérios  utilizados  na  segregação  destes  créditos  foram  os  já  expostos  no  item  1.2  –  Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola.  (...)  Em Serviços Aplicados  em Equipamentos  e Veículos para  o  Transporte de Cana: Serviços de Terceiros­Caminhões, Motos  e  Automóveis,  Manutenção  e  Reparo  de  Veículos  e  Equipamentos de Transporte e Frete de Cana.  (...)  A seguir, o Auditor­Fiscal discorre sobre os créditos glosados na  indústria. Sustenta (os destaques são do original):  Como  já  exposto  anteriormente,  enseja  o  creditamento  a  utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda” (lei 10.833/03, art. 3o,  II), que, no caso da empresa, é a  fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise  dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração,  foram  identificados diversos grupos de bens  e  serviços que não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  da  legislação  do  PIS/COFINS. São eles:  4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE  RESÍDUOS   Foram  glosados  dispêndios  com  Dedetização  e  Transporte  de  Resíduos,  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e  “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04).  (...)  4.2 – BENS E SERVIÇOS C/NATUREZA DE ATIVO FIXO   Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.830          8 Na  análise  dos  bens  que  compuseram  o  crédito  pleiteado  pela  empresa, foi constatada a existência de bens de alto valor unitário  e com nítida natureza de ativo fixo.  De acordo com o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de  1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR),  deverão  ser  capitalizadas  partes  e  peças,  cuja  substituição  resultar  aumento  de  vida  útil  superior  a  um  ano  da máquina  ou  equipamento  ao  qual serão integrados:  “Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional,  as  despesas  com  reparos  e  conservação  de  bens  e  instalações  destinadas a mantê­los em condições eficientes de operação (Lei  nº 4.506, de 1964, art. 48).  § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e  peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição  do  respectivo bem,  as despesas  correspondentes, quando aquele  aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim  de  servirem  de  base  a  depreciações  futuras  (Lei  nº  4.506,  de  1964, art. 48, parágrafo único).”  Sobre o  assunto  convém destacar parte da Solução de Consulta  204:  (...)  Ora, é evidente que,  se  tratando de partes e peças  significativas  em um equipamento, a sua substituição  irá aumentar a vida útil  deste  equipamento.  É  o  caso,  por  exemplo,  da  substituição  ou  retífica de um bloco de motor de automóvel ou de um rotor em  uma bomba. Desta forma a ação fiscal buscou identificar bens de  alto  valor  unitário,  significativos  e  relevantes  na  máquina  ou  equipamento e que não tenham sido novamente requisitados pelo  menos nos dois anos seguintes.  Os  valores  glosados  estão  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05).  (...)    4.3 ­ OUTROS BENS ­ DIVERSOS  Foram  também  glosadas  aquisições  diversas,  tais  como  lâmpadas,  fechaduras  para  porta,  peças  para  ar­condicionado,  ferramentas,  graxa  e  outros.  Em  relação  ao  material  de  construção glosado, convém ressaltar que a  legislação não veda  seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação,  onde  passa  a  ter  seu  credito  efetuado  indiretamente  através  da  depreciação.  Sobre  a  graxa,  que  representou  a  glosa  mais  significativa,  segue  abaixo  parte  do  Acórdão  DRJ  02­  42.382  sobre o assunto:  Acórdão DRJ N° 02­42.382 de 04 de fevereiro de 2013.  Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.831          9 GASTOS COM GRAXA   Assim,  não  procede  a  alegação  de  que  estaria  revisto  o  entendimento  contido  na  Solução  de  Divergência  COSIT  n°  12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº  15/2008,  uma  vez  que,  conforme  acima  demonstrado,  ambas  tratam  de  questões  específicas  diversas  e,  portanto,  convivem  perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si.  Por  conseguinte,  a  justificativa  para  enquadramento  da  graxa  como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito ­ por se  constituir produto indispensável à realização de suas atividades ­  cai  por  terra,  uma  vez  que  a  citada  Solução  de  Divergência  COSIT  n°  12/2007  já  abordou  profundamente  essa  questão,  conforme transcrito abaixo:  18.3)  Em  termos  técnicos,  as  graxas  são  diferentes  dos  óleos  lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de  um  fluido  com  um  espessante,  resultando  em  um  produto  homogêneo com qualidades  lubrificantes. Segundo a Agência  Nacional  do  Petróleo,  Gás  Natural  e  Biocombustíveis  (ANP),  enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por  destilação do petróleo bruto,  utilizados para  reduzir o  atrito e o  desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de  relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais,  a  graxa  é  lubrificante  fluido  espessado  por  adição  de  outros  agentes,  formando  uma  consistência  de  'gel'  e  tem  a  mesma  função  do  óleo  lubrificante,  mas  com  consistência  semi­sólida  para  reduzir  a  tendência  do  lubrificante  a  fluir  ou  vazar.  Não  fosse  a  disposição  literal  que  se  encontra  no  art.  3°  Leis  nº  10.637,  de  2002,  e  nº  10.833,  de 2003  (“bens  utilizados  como  insumo  ...  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”),  as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto,  o  referido  artigo  não  contém  o  termo  graxa  e,  por  isso,  não  se  pode  desonerar  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque:  18.3.1)  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  a  exclusão  do  crédito  tributário  (art.  111  do  CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na  lei;  18.5)  Os  combustíveis  e  lubrificantes  geram  direito  ao  creditamento  não  porque  sejam  insumos  diretos  de  produção,  mas apenas por disposição legal.  (...)  19.2)  Graxas.  Trata­se,  mesmo  no  contexto  produtivo  da  interessada,  de  insumo  indireto  de  produção.  Embora  seja  uma  mercadoria  com  propriedades  lubrificantes,  difere  dos  lubrificantes,  também  ditos  óleos  lubrificantes  e,  por  isso,  deveriam  constar  literalmente  da  legislação  em  tela.  Como  tal  Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.832          10 não  ocorre,  também  aqui  se  constata  que  não  geram  direito  a  crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins;  Os  valores  glosados  estão  abaixo  demonstrados  e  também  nas  Planilhas  “Apuração  dos  Valores  de  Bens  Utilizados  como  Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05).  O  Auditor  Fiscal  abre  então  um  tópico  intitulado  “OUTROS  VALORES  GLOSADOS”,  que  divide  em  vários sub­itens, conforme segue:  5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL   A  empresa  contrata  serviços  de  transporte  tanto  para  os  funcionários  de  sua  área  agrícola  como  também  para  funcionários da indústria.  Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na  legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir  de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a  legislação  do  PIS/COFINS,  pelo  fato  de  não  se  aplicar  diretamente  ao  processo  produtivo.  Pese  ainda  o  fato  da maior  parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola.  Sobre  o  assunto  convém  destacar  as  seguintes  Soluções  de  Divergência:  (...)  Foram os seguintes os valores glosados,  também demonstrados  nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de  Serviços  Utilizados  como  Insumos”  e  “Serviços  com  Creditamento Glosado” (Anexo 4):  (...)  5.2 – SERVIÇOS DE ALUGUEL DE VEÍCULOS   A  legislação  permite  o  creditamento  de  Aluguéis  de  Prédios,  Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV:  (...)  Note­se que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da  empresa”  ao  contrário  de  outras  disposições  em  que  vincula  o  crédito  à  prestação  de  serviços  e  à  produção  ou  fabricação  de  bens ou produtos destinados à venda.  Desta  forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados  pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas  e  Equipamentos.  Inclusive  aqueles  relacionados  à  Agricultura,  uma  vez  que,  repetimos,  para  este  tipo  de  dispêndio  a  Lei  não  restringiu o creditamento à produção ou  fabricação de produtos  destinados à venda.  No  entanto,  e  embora  tivesse  sido  englobado  no  valor  dos  Aluguéis  de  Prédios,  Máquinas  e  Equipamentos  informado  no  Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.833          11 DACON,  foram  glosados  os  dispêndios  com  aluguel  de  automóveis  e  aeronaves,  os  quais,  a  própria  empresa  separou  e  discriminou  em  planilhas  próprias  e  separadas  das  planilhas  de  Aluguéis  de Máquinas  e  Equipamentos.  Foram  os  seguintes  os  valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração  dos  Valores  de  Aluguéis  de  Máquinas  e  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas”  e  Relatório  Despesas  de  Aluguéis  de  Máquinas  e  Equipamentos  Locados  de  Pessoas  Jurídicas, Anexo 06:  (...)  5.3 –DEPRECIAÇÃO   A  legislação  do PIS/COFINS vincula  o  direito  ao  creditamento  de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de  serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confira­se o  art. 3o da lei 10.833/03:  (...)  Desta  forma encargos de depreciação de bens não utilizados na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  não  ensejam  aproveitamento  de  crédito.  É  o  caso  de  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura  ou  transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores.  Convém ressaltar que, mesmo na absurda hipótese de concessão  de  crédito  para  agricultura  e  transporte  de  cana,  nem  assim  os  valores  apresentados  pela  empresa  poderiam  ser  integralmente  acatados,  uma  vez  que  a  empresa  incluiu  bens  do  tipo  “Nissan  Livina”,  “Mitsubshi  L  200”,  “Pajero  TR  4”  e  outros,  que  nem  com muita  boa  vontade,  poderiam  ser  considerados  integrantes  de um processo produtivo de fabricação de açúcar e álcool.  Mesmo no processo de fabricação do açúcar e do álcool também  foram encontrados bens que, que embora alocados fisicamente na  área  industrial,  não  se  enquadram  no  conceito  de  utilização  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  como  por  exemplo,  bomba centrífuga na casa de hóspedes, quadro de distribuição de  energia do banheiro industrial, roupeiro em aço, águas residuais,  betoneira, ferramentas manuais, splits, ar condicionado, escadas,  e outros.  (...)O  detalhamento  dos  itens  glosados  está  demonstrado  na  Planilha “Apuração das Glosas em Depreciação” e “Apuração  dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”,  Anexo 06.  5.  4.  DUPLICIDADE  NO  APROVEITAMENTO  DE  CRÉDITOS   A  empresa  adquire  partes  e  peças  para  uso  normal  em  máquinas,  equipamentos  e  instalações  de  seu  processo  produtivo.  É  o  caso  de  fusíveis,  parafusos,  material  elétrico,  Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.834          12 perfis,  contatores,  tubos,  etc...  Tais materiais  ensejam  direito  a  crédito e são normalmente creditados quando de sua aquisição.  No entanto estas mesmas peças também podem ser requisitadas  do  Almoxarifado  para  o  Ativo  Imobilizado,  geralmente  em  grandes  reformas  ou  recuperações  na  conta  142010990002  ­  Obras em Andamento.  Ao  se  analisar  os  registros  contábeis  desta  conta  foram  observadas  inúmeras  contabilizações  de  grupos  de  contas  (Material  Elétrico  e  Material  de  Manutenção)  que  tem  seu  crédito apropriado quando da aquisição.  No  Termo  de  Intimação  n°  04  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar  dados  dos materiais  requisitados  para  essa  conta  e  constatou­se que para os Grupos Material Elétrico e Material de  Manutenção, a maioria dos materiais requisitados, constava nas  Planilhas de Bens­Insumos apresentadas pela empresa, ou seja,  tiveram seu crédito apropriado no momento da aquisição.  O problema é que, quando termina a recuperação ou reforma, o  valor registrado em Obras em Andamento é creditado e debitado  à  conta  específica do bem no Ativo  Imobilizado. E, a partir do  momento  em  que  a  reforma  ou  instalação  é  ativada,  a  mesma  peça que teve seu crédito apropriado quando de sua aquisição,  passa a ser novamente creditada, através da depreciação do bem  no qual foi empregada.  Em  resumo,  uma  clara  (e  ilegal)  situação  de  duplicidade  na  apropriação de créditos.  Como é muito difícil definir o destino de uma peça de uso geral,  o  procedimento  correto  seria  o  de  apropriar  a  totalidade  do  crédito  na  aquisição,  porém  efetuando  o  estorno  proporcional  quando  de  uma  eventual  e  posterior  destinação  ao  Ativo  Imobilizado. Para tal a empresa poderia ter utilizado a Linha do  DACON  de  “Ajustes  Negativos  de  Crédito”.  No  entanto  os  valores que a empresa registrou nesta linha referem­se apenas a  devoluções de compra.  No  Termo  de  Intimação  N°  9  a  empresa  foi  então  intimada  a  apresentar,  em  arquivo  magnético,  os  materiais  requisitados  para  Obras  em  Andamento.  No  arquivo  apresentado  a  ação  fiscal  desconsiderou  da  apuração  aqueles  materiais  que  não  foram  objeto  de  creditamento  na  entrada,  tais  como  tintas,  eletrodos, cimento e outros. Também  foram desconsiderados os  materiais que  já  tinham sido glosados por não se enquadrarem  no conceito de insumos, tais como lâmpadas e tomadas.  Abaixo e nas planilhas “Glosa de Bens Utilizados como Insumos  ­ Duplicidade na Apuração do Crédito ­ Bens com Creditamento  na Aquisição Requisitados para o Ativo Fixo” e “Apuração dos  Créditos  de  Depreciação  dos  Bens  do  Ativo  Imobilizado  e  Ajustes  Negativos”,  Anexo  06,  estão  demonstrados  os  valores  apurados:   Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.835          13 (...)  5.  5.  DESPESAS  DE  ARMAZENAGEM  E  FRETE  DE  VENDAS   A maior parte da produção de açúcar da empresa é destinada e  transferida  para  os  armazéns  da  CRPAAAL­Cooperativa  Regional  dos  Produtores  de Açúcar  e Álcool  de Alagoas,  onde  fica  armazenada  aguardando  uma  futura  venda.  Esta  situação  ficou evidenciada através da Diligência efetuada na CRPAAAL,  em que esta foi intimada a apresentar os recebimentos de açúcar  da  Usina  Triunfo  (Anexo  1  ­  Termos  da  Ação  Fiscal).  Na  resposta apresentada (Anexo 3 ­ Cartas e Respostas da Empresa e  Diligências)  ,  vê­se  claramente que  a maior parte do açúcar  foi  destinada  aos  armazéns  da  Cooperativa.  Mesmo  boa  parte  do  açúcar  destinado  à  exportação  também  não  foi  transferida  diretamente  ao  Porto  de  Maceió,  mas  sim  a  um  armazém  da  Cooperativa em Marechal Deodoro, onde ficou armazenada até o  seu transporte ao Porto.  Para  confirmar  esta  situação,  o  Porto  de  Maceió,  através  da  EMPAT­Empresa  Alagoana  de  Terminais  Ltda,  também  foi  diligenciado  no  sentido  de  informar  os  recebimentos  de  açúcar  para exportação da Usina Triunfo.  Na  resposta  apresentada  (Anexo  3  ­  Cartas  e  Respostas  da  Empresa  e  Diligências),  a  EMPAT  discriminou  todos  os  recebimentos  de  açúcar,  datas,  quantidades  e  transportadora.  Constatou­se que a maior parte do açúcar foi transportado através  da  “Transportadora  Padre  Cícero”  que  nem  sequer  foi  relacionada  dentre  os  Fretes  de  Venda  com  direito  a  crédito  informados na Planilha apresentada pela Usina Triunfo (Anexo 2  ­ Planilhas Apresentadas pela Empresa ­ Serviços).  Ou seja, açúcar transportado dos armazéns da Cooperativa para o  Terminal da EMPAT.  Nesta  situação  fica  claro  que  não  existe  nenhuma  vinculação  entre  o  frete  e  a  venda.  Tanto  assim,  que  não  há,  no  Conhecimento de Transporte, nenhuma indicação de quem seja o  cliente da mercadoria. Na realidade trata­se de “frete interno” ou  “frete  logístico”,  ou  ainda  “frete  para  formação  de  estoque”,  o  qual  não  apresenta  qualquer  relação  com  a  efetiva  operação  de  venda. Sobre o assunto já foram emanadas diversas Soluções de  Consulta, cujos trechos de maior interesse abaixo transcrevemos:  (...)  E mesmo para os demais fretes de vendas, ao cotejar a Planilha  de  Fretes  de  Venda  apresentada  pela  empresa  com  as  informações recebidas nas Diligências, constatou­se ainda que:  • A Usina Triunfo  se  creditou  de  fretes  de  transportadoras  que  não foram relacionadas dentre as transportadoras que entregaram  o  açúcar  no  Terminal  da  EMPAT,  como  por  exemplo,  A  J  B  Transportes e Sandoval F de Moraes.  Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.836          14 •  E  mesmo  dentre  as  transportadoras  relacionadas,  foram  verificadas  discrepâncias,  como  por  exemplo  o  fato  de  a Usina  Triunfo ter se creditado de fretes da “R de Oliveira Transportes”  desde  início  de  2009  quando,  de  acordo  com  informações  da  EMPAT,  tal empresa só começou a realizar entregas no Porto a  partir  de  Setembro  de  2009.  Também  foram  verificados  alguns  fretes de transportadoras dos quais a Usina Triunfo se apropriou  de  créditos,  não  compatíveis  com  as  informações  de  datas  e  quantidades fornecidas pela EMPAT/CRPAAA.  Foram  os  seguintes  os  valores  glosados,  também demonstrados  nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas”  e  Relatório  Despesas  de  Armazenagem  e  Frete  de  Vendas­  Creditamentos  Glosados, Anexo 06:  (...)  O  Auditor­Fiscal  apresenta  então  um  tópico  intitulado  “APURAÇÃO  DOS  VALORES  DO  CRÉDITO”,  no  qual  esclarece:  Como  resultado  das  glosas  efetuadas  foram  apurados  novos  valores  de  crédito,  demonstrados  na  Planilha  “Resumo  da  Apuração  dos Créditos”  e  “Apuração  dos Valores  dos Créditos  Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 06.  (...)  O  valor  correto  apurado  para  o  Pedido  de  Ressarcimento  em  questão totalizou R$ 74.205,12 (setenta e quatro mil duzentos e  cinco reais e doze centavos). As glosas de crédito totalizaram R$  146.140,09 (cento e quarenta e seis mil cento e quarenta reais e  cinquenta  e  nove  centavos)  correspondente  ao  somatório  dos  valores indevidamente solicitados.  Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”.  Cientificada  do  Despacho  Decisório  por  via  postal  em  15/12/2014,  conforme Aviso de Recebimento – AR de  fl. 46,  no  dia  09/01/2015  a  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade de fls. 02/07.  Após  breve  resumo  do  objeto  da  manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  passa  a  contestar  as  glosas  efetuadas alegando, inicialmente, que a autoridade fiscal teria se  equivocado na glosa dos créditos. Transcreve o caput e o inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  e  sustenta:  É  claro  o  dispositivo  em  comento  ao  prever  a  possibilidade  de  utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens  e serviços utilizados como insumos da produção de bens.  No  caso  em  questão,  resta  incontroverso  que  a  Manifestante  exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de  açúcar e sua transformação em açúcar e álcool.  Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.837          15 Assim,  os  gastos  com  a  aquisição  de  bens  e  as  despesas  incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito  à apropriação do crédito a título de COFINS não cumulativa.  Analisando­se  o  despacho  decisório  ora  combatido,  observa­se  que  a  decisão  combatida,  ao  glosar  diversos  créditos  utilizados  pela  Manifestante,  ignorou  as  especificidades  da  atividade  agroindustrial por ela desenvolvidas, cindindo, de forma absurda,  as  atividades  agrícolas  e  industriais,  com  o  único  propósito  de  impedir  a  plena  fruição  dos  créditos  que  a  legislação  tributária  assegura ao contribuinte.  Com  efeito,  a  grande  controvérsia  estabelecida  no  Despacho  Decisório  está  em  saber  se  a Manifestante  poderia  apropriar­se  de  créditos  a  título  de  COFINS  não  cumulativa  pelas  despesas  relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de  açúcar  que  será  utilizada  como  matéria  prima  no  processo  de  industrialização.  A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue  chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade  agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho  decisório aqui impugnado.  Passa então a discorrer  sobre “atividade agroindustrial”.  Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212,  de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa  SRF nº 660, de 17 de  julho 2006, salienta que “a própria  Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a  atividade  desenvolvida  pela Manifestante  se  enquadra  na  categoria  de  ‘agroindustrial’,  não  se  confundindo  com  a  atividade agropecuária nem com a atividade industrial em  sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original):  Resta  demonstrado,  portanto,  que  a  pessoa  jurídica,  como  sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a  industrialização  de  produção  própria  ou  de  produção  própria e adquirida de terceiros" enquadra­se no conceito de  agroindústria.  Essa  premissa  é  fundamental  para  que  se  compreenda  o  direito  creditório  da  Manifestante,  que  foi  absurdamente  glosado  no  despacho decisório aqui impugnado.  A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada  pelo  art.  22­A,  caput,  da  Lei  n°  8.212/91,  abrange  a  industrialização  da  produção  própria  ou  de  terceiros.  Portanto, tratando­se de produção própria, as despesas incorridas  na  lavoura,  plantio,  conservação,  aplicação  de  herbicidas,  adubação,  além  de  outras  geram  direito  ao  crédito  da COFINS  não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03.  Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria  uma situação anti­isonômica, pois a aquisição de matéria­ prima, no caso, cana­de­açúcar, de terceiros daria origem  Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.838          16 ao  crédito  presumido  da Cofins,  enquanto  a  produção  da  matéria­prima  pela  própria  industrializadora  não  seria  beneficiada com o creditamento. Acrescenta:  Assim,  usinas  de  açúcar  que  predominantemente  adquirissem  canas de açúcar através de  terceiros (fornecedores) gozariam de  uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito  presumido  gerado  nessa  aquisição)  em  relação  às  usinas  que  optassem por  investir na produção própria da matéria­prima  (as  quais  não  teriam  direito  ao  crédito  de  insumos,  segundo  o  despacho decisório ora questionado).  Revela­se, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada  no despacho decisório ora questionado.  A sub­divisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto  no  art.  22­A,  caput,  da  Lei  n.  8.212/91)  promovida  pelo  despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de  uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins  de  apropriação  das  despesas  da  Manifestante,  gerou  a  glosa  equivocada.  Todas  as despesas que  integram a  fase  agrícola,  envolvendo aí,  mas  não  somente:  o  tratamento  do  solo,  plantio,  manejo  e  colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e  do álcool.  Não  há  como  a  empresa Manifestante  produzir  açúcar  e  álcool  sem  promover  os  tratos  culturais,  plantio  e  demais  trabalhos  sobre  a  lavoura  da  cana­de­açúcar,  que  é  sua  matéria  prima  fundamental.  Essas  etapas  integram  o  seu  processo  produtivo  e  não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o  despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito  de glosar os créditos  fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art.  3o, já assegura ao contribuinte.  Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração  de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área  agrícola, bem como com transporte de pessoal,  transporte  de matéria­prima,  etc,  uma  vez  que  se  trata  de atividades  essenciais ao seu processo produtivo:  O mesmo  sucede  em  relação  aos  custos  com  frete,  serviços  de  transporte  de  pessoal,  serviços  de  dedetização,  transporte  de  resíduos,  serviços  de  manutenção  e  reparo  dos  equipamentos  agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na  área agrícola pela empresa.  De  fato,  seria  inimaginável  que  a  Manifestante  cultivasse  a  matéria­prima fundamental por ela produzida (cana­de­açúcar) e  deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas  caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril.  As  diversas  despesas  com  transporte  (aí  incluindo  o  transporte  dos  trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas  Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.839          17 fazendas  onde  se  situam  os  canaviais,  assim  como  o  transporte  do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao  processo  produtivo  e  integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03.  Não  se  pode  supor  que  esses  custos  seriam  supostamente  "indiretos",  isto  é,  não  integrariam  o  processo  produtivo,  pois,  como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho  decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de  compensação  foi  a de que os  custos  incorridos na  fase  agrícola  seriam desprezíveis.  Afirma ainda:  Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de  que  a  Manifestante  exerceria  atividade  industrial,  quando,  na  verdade, exerce atividade agroindustrial!  A  atividade  do  contribuinte  deve  ser  vista  como  um  todo  único  e  indivisível,  segundo  a  própria  definição  extraída  do  art. 22­A, caput, da Lei n. 8.212/91. Note­se que uma simples  interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude  a  insumos  aplicados  na  “produção  ou  fabricação”  de  bens  e  serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com  o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”.  Por fim, a contribuinte conclui:  Diante  das  considerações  acima  aduzidas,  vem  a Manifestante,  respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o  despacho  decisório  exarado  nos  autos  do  processo  n.  10410.901.864/2013­03, reconhecendo em favor da Manifestante  a  totalidade  dos  créditos  informados  no  PER  12331.86219.190413.1.5.09­1847  e  nas  DCOMP’s  a  ele  correspondentes.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 14­64.835, sessão de 23/03/2017, julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  do  contribuinte  e  não  reconheceu  o  direito  creditório. A decisão foi assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012  NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS.  No  cálculo  da  Cofins  não­cumulativa  somente  podem  ser  descontados  créditos  calculados  sobre  valores  correspondentes  a  insumos,  assim  entendidos  os  bens  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  desde  que  não  estejam incluídos no ativo  imobilizado ou, ainda, sobre os  serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.840          18 aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  do  produto.  Bens e  serviços empregados no cultivo de  cana­de­açúcar  não  se  classificam como  insumos  na  fabricação  de álcool  ou  de  açúcar,  por  se  tratarem  de  processos  produtivos  diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito  à  apuração  de  créditos  na  determinação  da  contribuição  devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e  de álcool produzidos.   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os  mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de  ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator  O  Recurso Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual dele tomo conhecimento.    Considerações Iniciais  No mérito,  consta  dos  autos  que  o  litígio  versa  sobre  o  inconformismo  do  contribuinte  em  face  do  despacho  decisório,  mantido  hígido  na  decisão  a  quo,  que  não  concedeu  o  ressarcimento  da  integralidade  de  saldo  credor  da Contribuição  não­cumulativa,  apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo,  em  razão  de  glosa  de  créditos  com  bens  e  serviços  não  considerados  insumos  e  outros  dispêndios.  A  recorrente  é  uma  agroindustrial  que  se  dedica  às  atividades  de  plantio,  cultivo  e  colheita  de  cana­de­açúcar  com  fins  à  produção  de  álcool  e  açúcar,  este  destinado  principalmente à exportação.  Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não  cumulativa  para  o  PIS/Pasep  e  para  a  Cofins  é  permitida  à  pessoa  jurídica  que  se  dedica  à  atividade  industrial  a  tomada  de  créditos  nas  aquisições  de  bens  e  serviços  considerados  insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas,  a  teor do art. 3º das  Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.  Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.841          19 A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitou­se  apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto  aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal.  De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a  contribuinte,  no  mérito,  insurge­se  quanto  ao  procedimento  fiscal  que  glosou  os  créditos  apropriados  com  os  dispêndios  relacionados  aos  insumos  da  fase  agrícola,  e  mais;  para  a  recorrente,  todas  as  despesas  incorridas  e  sua  atividade  econômica  geram  crédito  a  serem  descontados das contribuições.  Não se trata de uma contestação genérica.   A  recorrente  pretende  o  reconhecimento  dos  créditos  de  insumos  na  fase  agrícola,  tal  como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool  (desde  que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos  com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica.  Assim,  incumbe  a  este  Colegiado  decidir  acerca  da  possibilidade  da  recorrente apropriar­se dos  créditos nas  aquisições de bens  e  serviços vinculados  à atividade  agrícola ­ plantio, cultivo e colheita ­ da principal matéria­prima (cana­de­açúcar) dos produtos  fabricados e destinados à venda.  De outra banda, deve­se decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a  legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep  e da Cofins.  Os  dispositivos  dos  incisos  e  parágrafos  do  art.  3º  da  Lei  nºs  10.637/03  (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio.  De  ressaltar,  contudo, que  este voto deve­se ater  apenas  aos  elementos  que  constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio,  sua correlação com o  centro  de  custo  relacionado  à  natureza  da  atividade  e  o  motivo  da  glosa  efetuada  pela  autoridade fiscal.  Passemos às matérias em litígio.    Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins  Este  Conselho,  incluindo  esta  Turma,  entende  que  o  conceito  de  insumo  é  mais  elástico  que  o  adotado  pela  fiscalização  e  julgadores  da  DRJ  nas  suas  Instruções  Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado  pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente.  Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios  (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no  processo produtivo ou na prestação de serviço.  Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido  pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317­MG,  Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.842          20 no qual se  firmara o entendimento no  tripé de que (i) o bem ou serviço  tenha sido adquirido  para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá­los  ­ em síntese,  tenha pertinência  ao  processo  produtivo;  (ii)  a  produção  ou  prestação  do  serviço  dependa  daquela  aquisição  ­  a essencialidade  ao processo produtivo;  e  (iii)  não  se  faz  necessário  o  consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto ­ que exprime a  possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.  Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendo­se  a  decisão  intermediária  para  concessão  do  crédito  considerando­se  a  essencialidade  ou  relevância  do  bem  ou  serviço  no  processo  produtivo,  conforme  o  REsp  nº  1.221.170/PR,  julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa:  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002  E  404/2004,  DA  SRF,  QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO  DO ART. 543­C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO  CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à  luz dos critérios da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente  conhecido  e,  nesta  extensão,  parcialmente  provido,  para  determinar o retorno dos autos à  instância de origem, a  fim de  que  se  aprecie,  em  cotejo  com  o  objeto  social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução dos  créditos  [sic]  realtivos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual­EPI.  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003; e  (b) o conceito de  insumo deve ser aferido à  luz  Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.843          21 dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.  Este  novo  entendimento,  que  na  verdade  não  conduz  à  divergência  em  relação  à  decisão  no  REsp  indigitado,  insere  outros  fundamentos  para  a  delimitação  dos  elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo  (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa.  A  seguir  os  excertos  do  voto  vista  proferido  pela Ministra  Regina  Helena  Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que  considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotá­los neste voto:  [...]  Nesse  cenário,  penso  seja  possível  extrair  das  leis  disciplinadoras  dessas  contribuições  o  conceito  de  insumo  segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer,  considerando­se  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte,  tal como já expressei, no TRF  da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado  de  Segurança  ns.  0012352­52.2010.4.03.6100/SP  e  0005469­ 26.2009.4.03.6100/SP,  respectivamente  em  15.12.2011  e  31.05.2012.  [...]  Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera:  De  fato,  serão  as  circunstâncias  de  cada  atividade,  de  cada  empreendimento  e,  mais,  até  mesmo  de  cada  produto  a  ser  vendido  que  determinarão  a  dimensão  temporal  dentro  da  qual  reconhecer  os  bens  e  serviços  utilizados  como  respectivos  insumos  [...]  O critério a ser aplicado, portanto, apóia­se na inerência do bem  ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte  (por  decisão  sua  e/ou  por  delineamento  legal)  e  o  grau  de  relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido  integra o  desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção  do produto  final  a  ser vendido, e assume a  importância de algo  necessário à sua existência ou útil para que possua determinada  qualidade,  então  o  bem  estará  sendo  utilizado  como  insumo  daquela  atividade  (de  produção,  fabricação),  pois  desde  o  momento  de  sua  aquisição  já  se  encontra  em  andamento  a  atividade  econômica  que  –  vista  global  e  unitariamente  – desembocará  num  produto  final  a  ser  vendido.  (Conceito  de  insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de  Direito Tributário ­ RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008,  p. 6)  Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.844          22 [...]  Demarcadas  tais  premissas,  tem­se  que  o  critério  da  essencialidade  diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento  estrutural  e  inseparável  do  processo  produtivo  ou  da  execução  do  serviço,  ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade, quantidade e/ou suficiência.  Por  sua  vez,  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço,  integre  o  processo  de  produção,  seja  pelas  singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água  na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de proteção individual ­ EPI), distanciando­se, nessa medida, da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego  da  aquisição  na  produção  ou  na  execução  do  serviço.Desse  modo,  sob  essa  perspectiva,  o  critério  da  relevância revela­se mais abrangente do que o da pertinência.  [...]  Como  visto,  consoante  os  critérios  da  essencialidade  e  relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados  pelo  CARF,  há  que  se  analisar,  casuisticamente,  se  o  que  se  pretende  seja  considerado  insumo  é  essencial ou de  relevância  para  o  processo  produtivo  ou  à  atividade  desenvolvida  pela  empresa.  Observando­se  essas  premissas,  penso  que  as  despesas  referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção  individual  ­  EPI,  em  princípio,  inserem­se  no  conceito  de  insumo  para  efeito  de  creditamento,  assim  compreendido  num  sistema  de  não­ cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base".  Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles  elementos  na  cadeia  produtiva  impõe  análise  casuística,  porquanto  sensivelmente  dependente  de  instrução  probatória,  providência essa, como sabido, incompatível com a via especial.  Logo, mostra­se necessário o retorno dos autos à origem, a fim  de  que  a  Corte  a  quo,  observadas  as  balizas  dogmáticas  aqui  delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  relativos  a  custos  e  despesas  com:água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual ­ EPI.  [...]  Firmado  nos  fundamentos  assentados,  quanto  ao  alcance  do  conceito  de  insumo, segundo o regime da não­cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a  Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.845          23 acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos  de:  1. essencialidade ou relevância, considerando­se a imprescindibilidade ou a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica desempenhada pelo contribuinte;  2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo  entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela  empresa;  Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos  no  contexto  da  atividade  ­  fabricação,  produção  ou  prestação  de  serviço  ­  de  forma  a  demonstrar  que  o  gasto  incorrido  guarda  relação  de  pertinência  com  o  processo  produtivo/prestação de  serviço, mediante  seu  emprego,  ainda que  indireto,  de  forma que  sua  subtração implique ao menos redução da qualidade.  Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições  nas  despesas  com  bens  e  serviços  na  fase  agrícola  (plantio  e  cultivo),  em  que  se  inicia  o  processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte.    Créditos com insumos na fase agrícola  Na  linha  de  raciocínio  assentada,  depreende­se  que  o  processo  produtivo  considera  todo  o  ciclo  de  produção  e  compõe  o  objeto  de  uma  única  pessoa  jurídica,  sendo  indevido  interpretá­lo  como  etapas  distintas  que  se  completam,  e  o  direito  ao  crédito  é  concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no  bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais.   As  leis  que  regem  a  não  cumulatividade  atribuem  o  direito  de  crédito  em  relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à  venda,  inexistindo  amparo  legal  para  secção  do  processo  produtivo  da  sociedade  empresária  agroindustrial  em  cultivo  de  matéria­prima  para  consumo  próprio  e  em  industrialização  propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola  da produção.  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  no  plantio,  cultivo  e  colheita  da  cana­de­açúcar  guardam estreita  relação  de  emprego,  relevância  e  essencialidade  com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção,  razão pela  qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não­cumulativas.  Com  base  nesses  fundamentos  entendo  pela  possibilidade  da  contribuinte  apropriar­se  dos  créditos  de  PIS  e  Cofins  decorrentes  das  despesas  com  bens  e  serviços  utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da cana­de­açúcar, aplicados  no  processo  industrial  da  pessoa  jurídica,  e  atendidos  todos  os  demais  requisitos  da  Lei  nº  10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes  à matéria e que não  incorram nas vedações previstas  nos referidos textos.    Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.846          24 Análise das glosas na fase agrícola  A fabricação de açúcar e álcool e a produção de cana­de­açúcar são processos  indissociáveis  de  forma  que  os  custos  e  despesas  com  a  cultura  de  cana­de­açúcar  e  seu  transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadram­se no conceito legal de  insumo desta fabricação.  A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados  ao  cultivo  da  cana­de­açúcar  que,  posteriormente,  serviria  à  produção  própria  de  açúcar  e  álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem  sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum  outro fundamento foi assentado para glosa.   A  posição  adotada  por  este  Colegiado  para  considerar  custos  e  despesas  geradoras  do  direito  creditório  como  aquelas  em  que  o  bem/serviço  participa  do  processo  produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com  aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir.  Dessa forma revertem­se as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos  itens  a  seguir  relacionados,  atendidos  aos  demais  requisitos  da  legislação  das  Contribuições  não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003,  com  a  observação  adicional  de  que,  em  se  tratando  de  bens/serviços  cujos  dispêndios  são  incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitam­se ao valor da depreciação  (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o  §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002:  Tópico  "1.1  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  ­  ÁREA  AGRÍCOLA"  ­ Serviços de Terceiros­Equipamentos Agrícolas:  serviços de manutenção e  solda em equipamentos agrícolas e de irrigação.  ­ Serviços de Lavagem de Roupa­Herbicidas  ­  Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos  Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação.  Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ­ ÁREA AGRÍCOLA"  ­ Aquisição  de  bens  (Óleo Diesel, Material  Lubrificante,  Pneus  e Câmaras,  Material  de  Manutenção)  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte  da  cana­de­açúcar  e  nos  centros  de  custos  relacionados  à  fase  agrícola,  tais  como  Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas    Fretes na fase agrícola  Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada  de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º,  Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.847          25 I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o  entendimento  de  que  é  legítima  a  apropriação  dos  créditos  do  PIS  e  das  Cofins,  calculados  sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e na  produção  ou  fabricação  de bens  ou  produtos  destinados  à venda. Os  textos  legais:  Lei 10.833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...);  (...)  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do art. 2ª desta Lei sobre o valor:  I dos  itens mencionados nos  incisos  I e  II do caput, adquiridos  no mês;  (...)  Art.  290.  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 13, §1º):  I  ­ o custo de aquisição de matérias­primas e quaisquer outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado o disposto no artigo anterior;  (...)  De acordo com os referidos preceitos legais, infere­se que a parcela do valor  do  frete,  relativo  ao  transporte  de  bens  a  serem  utilizados  como  insumos  de  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  integra  o  custo  de  aquisição  dos  referidos  bens  e  somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições.  Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o  será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica.  Portanto,  revertem­se  as  glosas  do  Tópico  "1.  3  OUTRAS  GLOSAS  DE  CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas:  ­  Fretes  de  compra  (apenas  para  os  valores  comprovados  através  da  apresentação de Conhecimento de Carga)  ­  Transporte  de  cana  (bens  aplicados  em  veículos  próprios,  utilizados  no  transporte de cana)  Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.848          26   Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool)  As  glosas  de  gastos  com  bens  e  serviços  descritos  a  partir  do  item  "4.1"  a  "4.3" do Relatório Fiscal  tiveram  fundamento na  ausência de  enquadramento no  conceito de  insumo.  Como  relatado  linhas  acima,  a  contribuinte  não  questiona  o  conceito  de  insumo  empregado  pelo  Fisco  e  tampouco  asseverou  seu  próprio  entendimento,  apenas  pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial.  Nada  obstante,  a  descrição  de  alguns  dos  dispêndios  permite  concluir  pela  sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida.  Dessa forma revertem­se as glosas relativas a:  ­ Transporte de resíduo industriais;  ­ Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva  Outros  bens  e  serviços  pretensamente  utilizados  nas  atividades  industriais  carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente.    Glosas de Despesas    Os  dispêndios  com  serviços  de  transporte  de  pessoal  carecem  de  previsão  legal para o aproveitamento do crédito.  Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso  como equipamento nas atividades da empresa, mantendo­se a glosa com base no art. 3º da Lei  nº 10.833/03.    Encargos de depreciação  Os  mesmos  fundamentos  para  a  reversão  das  glosas  de  gastos  com  bens  utilizados  na  etapa  agrícola  são  válidos  para  a  manutenção  do  crédito  com  encargos  de  depreciação  de  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura ou transporte da cana.   Mantém­se  as  glosas  de  créditos  dos  demais  encargos  de  depreciação  de  veículos e bens não utilizados nas etapas produtivas e de fabricação.  Produtos acabados ­ Armazenagem e frete na venda  Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.849          27 A fiscalização glosou os créditos com despesas de armazenagem e frete pois  entendeu restar descaracterizada a operação de venda a cliente. Segundo a autoridade fiscal, a  inexistência de informação do cliente­adquirente nos documentos fiscais bem como a entrega  do  açúcar  fabricado  em  locais  que  não  identificam  a  venda/exportação,  no  caso  o  porto  de  embarque, revelam uma mera operação de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete  para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de  venda.  Discordo do entendimento fiscal.  A legislação referente ao PIS/PASEP (Lei nº 10.637/2004) e a COFINS (Lei  nº  10.833/2003)  tratam  da  possibilidade  de  creditamento  do  frete  como  insumo  no  processo  produtivo e na operação de venda  (suas etapas) quando o ônus  for suportado pelo vendedor,  como dispõe:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;  [...]  IX  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação de  venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  A  operação  de  venda  não  se  revela  simplesmente  pela  saída  do  produto  acabado do estabelecimento industrial diretamente ao adquirente ou embarque para exportação.  No caso, a operação de venda comporta uma logística de transporte e armazenagem do açúcar  fabricado, caracterizando­se necessários à atividade final de venda.  Dessa forma, não se pode admitir que as transferências do produto fabricado  restringem­se  a  uma  mera  opção  de  logística  ou  comercial,  mas  essencial  e  necessários  à  preservação dos produtos até que se complete a atividade final de venda.  Neste  sentido  é  o  entendimento  deste  Colegiado  no  Acórdão  nº  3201­ 004.279,  sessão  de  23/10/2018,  cujo  voto  vencedor  na  matéria  é  de  lavra  do  Conselheiro  Marcelo Giovani Vieira, que transcrevo na parte que interessa a este julgamento:  [...]  No  caso  dos  gastos  logísticos  na  venda,  entendo  que  estão  abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete  na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo  3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos  Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.850          28 cuja  semântica  abrange  a  movimentação  das  cargas  na  operação de venda..  Assim,  tais  dispêndios  logísticos  estão  inseridos  no  direito  de  crédito,  respeitados  os  demais  requisitos  da  Lei,  como,  por  exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas  pelo Pis e Cofins.  Outrossim, as discrepâncias entre quantidades e datas nos conhecimentos de  transporte ou documentos do armazenador não desnaturam a operação como de armazenagem e  frete de venda, com direito ao aproveitamento do crédito a teor do inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.  Com essas considerações, concede­se o creditamento dos fretes de produtos  acabados,  em  que  o  ônus  é  suportado  pelo  vendedor  e  pago  à  pessoa  jurídica  beneficiária  domiciliada no País à vista de documento fiscal hábil e idôneo.  Por  fim,  a  ausência  de  refutação  específica  as  todas  os  demais  dispêndios  (insumos ou despesas) glosados, além do não afastamento da acusação fiscal de duplicidade no  aproveitamento de  créditos  (item "5.4") e não apresentação de documentação comprobatória,  mantém­se as glosas efetivadas pela autoridade fiscal.    Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  para  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo­se  as  glosas  efetuadas,  atendidas  os  demais  requisitos  dos  §§  2º  e  3º  dos  arts.  3º  das  Leis  nºs.  10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a:  1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3")  1.1 Serviços de Terceiros­Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e  solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupas­Herbicidas”;  1.2 Manutenção  e  Reparo  de  Equipamentos Agrícolas:  peças  aplicadas  por  terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação;  1.3  Fretes  de  compras  (apenas  para  os  valores  comprovados  através  da  apresentação de Conhecimento de Carga);  1.4 Transporte  de  cana  (bens  aplicados  em  veículos  próprios,  utilizados  no  transporte de cana)    2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2")  2.1  Óleo  Diesel,  Material  Lubrificante,  Pneus  e  Câmaras,  Material  de  Manutenção,  utilizados  em  veículos  empregados  especificamente  na  movimentação  e  transporte da cana­de­açúcar e nos centros de custos  relacionados à  fase  agrícola,  tais como:  Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10410.901864/2013­03  Acórdão n.º 3201­005.302  S3­C2T1  Fl. 1.851          29 Adutoras,  Pivôs,  Carregadeiras,  Grades,  Fazendas,  Tratores,  Sulcador,  Aplicação  de  Herbicidas, Produção de Mudas.  3.  Bens  e  serviços  utilizados  na  fase  industrial  de  fabricação  de  açúcar  e  álcool (itens "4.1" e "4.2")  3.1 Transporte de resíduos industriais;  3.2  Serviços  de  dedetização,  desde  que  nas  instalações  da  atividade  produtiva;    4.  Encargos  de  depreciação  de  bens  utilizados  na  fase  agrícola:  tratores,  colheitadeiras,  caminhões,  reboques  e  outros  bens  utilizados  na  agricultura  ou  transporte  da  cana; e  5. Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas (à vista de  documento fiscal hábil e idôneo).  (assinado digitalmente)  Paulo Roberto Duarte Moreira                                Fl. 1851DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.000836/2009-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese em que o acórdão recorrido trata de adoção equivocada pela fiscalização de período de apuração trimestral quando o correto seria mensal e o acórdão paradigma trata de mero erro na quantificação da matéria tributável, ausente a necessária similitude fática para conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO

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Acórdão nº  9101­004.094  –  1ª Turma   Sessão de  09 de abril de 2019  Matéria  IRPJ   Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  EXPANDRA ESTAMPARIA E MOLAS LTDA.     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE  FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE.  Na  hipótese  em  que  o  acórdão  recorrido  trata  de  adoção  equivocada  pela  fiscalização de período de apuração trimestral quando o correto seria mensal  e  o  acórdão  paradigma  trata  de  mero  erro  na  quantificação  da  matéria  tributável,  ausente  a  necessária  similitude  fática  para  conhecimento  do  recurso especial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.     (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 36 /2 00 9- 89 Fl. 13052DF CARF MF Processo nº 19515.000836/2009­89  Acórdão n.º 9101­004.094  CSRF­T1  Fl. 1.384          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Demetrius  Nichele  Macei,  Viviane  Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo  (Presidente).  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência  (fls. 13.010/13.014)  interposto  pela  PGFN  contra  o  acórdão  1402­001.504  da  2°  Turma  da  4°  Câmara  que  restou  assim  ementado e decidido:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2004  (...)  PIS E COFINS. RECEITA BRUTA MENSAL.   Constatado  que,  na  apuração  do  PIS  e  da  COFINS,  a  fiscalização  utilizou,  equivocadamente,  a  receita  bruta  trimestral, e não a mensal, exonera­se parcialmente a exigência.  Recurso de Ofício Negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.    A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência  de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma nº 103­20.451 que concluiu  no sentido de que, na hipótese de ser constatado erro na apuração da matéria tributável, deve  ser promovida a retificação do lançamento.  Diz a Recorrente:  " Há clara divergência jurisprudencial, eis que, diante da mesma  situação,  qual  seja,  a  verificação  de  ocorrência  de  erro  na  determinação  da  matéria  tributável,  os  órgãos  julgadores  decidiram de forma contrária. O e. Colegiado a quo, decidindo  pela exoneração do PIS e da COFINS em relação ao meses de  janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro  de  2004,  enquanto  que  a  e.  Terceira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  acolhendo  a  tese  de  que  o  lançamento  pode  ser  ajustado  para  corrigir  os  equívocos  verificados na determinação da matéria tributável."    Fl. 13053DF CARF MF Processo nº 19515.000836/2009­89  Acórdão n.º 9101­004.094  CSRF­T1  Fl. 1.385          3 Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial  Em despacho de admissibilidade (fls. 13.041/13.044), fora dado seguimento  ao recurso.  Não  foram  apresentadas  contrarrazões  ao  Recurso  da  PGFN  pela  Contribuinte.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator    Conhecimento  O acórdão recorrido entendeu que o erro cometido pela autoridade fiscal que  adotou  regime  trimestral  de  tributação  do  PIS  e  COFINS  ao  invés  da  correta  apuração  em  períodos mensais, acabou por macular fatalmente o lançamento que acabou sendo exonerado.  Vejamos trecho do acórdão recorrido:  "  ­  em  relação  ao  PIS  e  a  Cofins  o  erro  na  constituição  do  crédito tributário está patente. Ao invés de lançamento de oficio  observando os períodos de apuração mensais desses tributos, tal  qual estabelecido nas normas legais de regência, a Fiscalização  simplesmente  consolidou  as  bases  de  cálculo  ao  final  de  cada  trimestre,  da  mesma  forma  que  procedeu  para  o  IRPJ/CSLL.  Trata­se de um erro primário que há meu ver não pode mesmo  ser corrigido no  julgamento administrativo, pois,  implicaria em  aperfeiçoar o lançamento."    Já o acórdão paradigma de n. 103­20.451 de 10/11/2000, trata de situação em  que o fiscal cometeu erros na determinação da matéria tributável que acabaram por ser sanadas  através de diligência fiscal, conforme trecho que abaixo destaco:  "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida  pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando  equívocos ocorridos na  elaboração do Demonstrativo de Fluxo  Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls. 180/185."  Não  enxergo  aqui  a  necessária  similitude  fática,  qualquer  que  seja  a  lente  utilizada para tanto. O acórdão ora recorrido e o paradigmático trazido tratam de matéria muito  diferentes.   Fl. 13054DF CARF MF Processo nº 19515.000836/2009­89  Acórdão n.º 9101­004.094  CSRF­T1  Fl. 1.386          4 A  situação  dos  presentes  autos  é  de  erro  quanto  ao  correto  período  de  apuração do tributo que fora lançado como se trimestral fosse quando o correto seria mensal. O  acórdão paradigma tratou de erro sanável através de diligencia fiscal ­ mero cálculo.   Assim, inexistente a similitude fática prevista do Regimento deste Conselho  como necessária para seguimento do Recurso Especial.  Portanto, o Recurso Especial não merece ser conhecido.    Conclusão  Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL.    É como voto!    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado                            Fl. 13055DF CARF MF

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7769625 #
Numero do processo: 12585.720333/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­005.963  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  PIS/COFINS  Recorrente  VOITH HYDRO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RATEIO  PROPORCIONAL  DOS  CRÉDITOS DA NÃO­CUMULATIVIDADE  Para  fins  de  cálculo  do  rateio  proporcional  dos  créditos,  deve­se parâmetro  para  o  reconhecimento  da  efetiva  realização  da  exportação  a  data  em  que  houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.  PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.  O alcance do  termo “insumo”, no art. 3º,  I,  “b”,  das Lei 10.833/2003, deve  observar  os  ditames  insculpidos  no  julgamento  do  Recurso  Especial  1.221.170/PR,  com  efeito  de  recurso  repetitivo,  devendo­se  observar,  entre  outros  elementos,  as  premissas  trazidas  pelo  Parecer  Normativo  COSIT  5/2018. Gastos  com  estadia  e  translado  de  empregados,  passagens  aéreas  e  hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de  veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao  conceito  consagrado  pela  jurisprudência  administrativa  e  judicial,  não  gerando direito ao crédito.  CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.  Consoante  art.  3º,  §  4º  da  Lei  nº  10.833/03,  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes, não havendo norma  que  imponha  limites  temporais  que  não  o  prazo  de  cinco  anos  para  sua  escrituração como crédito.             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 03 33 /2 01 1- 75 Fl. 5057DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 3          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao  recurso, para  reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados  créditos extemporâneos.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares,  Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves  de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente).    Relatório  Trata  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  DRJ,  que  considerou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  despacho  decisório,  nos  seguintes  termos:  (..)  JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE  COMPENSAÇÃO.  Não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  o  fato  de  o  julgamento  administrativo,  relativo  a  determinado  auto  de  infração,  ter  sido  efetuado  em data  anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação  não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.  Estando  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide,  deve  ser  indeferido,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência.  ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE  OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO.  É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de  ofício  em  processo  administrativo  de  manifestação  de  inconformidade  que  não  homologou  a  compensação,  quando  os  débitos  relacionados  no  PERDCOMP  não  foram objeto de lançamento de ofício.  ARGUIÇÃO  DE  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da  fundamentação  fática  e  legal  do  despacho decisório  e  que  lhe  foi  oferecido  prazo  Fl. 5058DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 4          3 para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após  seis  meses  da  petição  original,  resta  superada  a  discussão  sobre  nulidade  por  cerceamento do direito de defesa.  (...)  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  RATEIO  PROPORCIONAL.  Na determinação  dos  créditos da não­cumulatividade  passíveis  de  utilização  na modalidade compensação, há de se  fazer o  rateio proporcional entre as  receitas  obtidas com operações de exportação e de mercado interno.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  EXPORTAÇÃO.  FATO  GERADOR.  ASPECTO TEMPORAL.   A  receita  de  exportação  deve  ser  reconhecida  na  data  do  embarque  dos  produtos vendidos para o exterior.   REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  APURAÇÃO  DOS  CRÉDITOS.  MOMENTO.   No  regime  da  não­cumulatividade,  os  créditos  a  descontar/ressarcir/compensar  devem  ser  apurados  em  relação  às  aquisições  de  insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  MOMENTO  DE  UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL.   O  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro  dia do mês seguinte ao de sua apuração.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.   Entende­se  por  insumos  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o  dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente  exercida  sobre o produto  em  fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo  imobilizado  e  sejam  utilizadas  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou  consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO:   (...)   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.   Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período  de  apuração  abrangido  por  auditoria  fiscal,  que  redundou  na  formalização  de  exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado.  (...)    Do Recurso Voluntário  Fl. 5059DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 5          4 Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso,  reprisando  as  razões  apresentadas na Manifestação de Inconformidade.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 3401­005.953,  de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.720271/2011­00.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401­005.953):  "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa  Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de  que  teria  havido  cerceamento  de  defesa  quando  do  despacho  decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara.  Ora,  não  encontra  abrigo  essa  assertiva,  uma  vez  que,  pela  análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por  parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para  o  não  reconhecimento  do  crédito,  não  é  caso  para  admitir  a  nulidade, mas  sim  de  provimento  quando  da  análise mérito  do  recurso – o que será analisado a posteriori.  Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do  lançamento  são  aqueles  previstos  no  artigo  59,  do  Decreto  70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das  hipóteses  ali  encontradas,  razão  pela  qual  afasto  a  preliminar  suscitada pela Recorrente.    Do Mérito  Em  síntese,  o  cerne  do  presente  recurso  possui  três  grandes  pontos que devem ser analisados por esse colegiado:    Qual  deve  ser  o  critério  utilizado  para  o  reconhecimento  de  receitas  de  exportação  para  fins  de  cálculo  do  rateio  proporcional dos créditos não­cumulativos de COFINS passíveis  de ressarcimento?  É  possível  a  apropriação  de  créditos  decorrentes  da  não­ cumulatividade em período de competência distinto daquele em  que houve a aquisição do bem ou do serviço?  Fl. 5060DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 6          5 No  caso  concreto,  qual  deve  ser  o  critério  adotado  para  “insumo”,  para  apropriação  de  créditos  de  COFINS  não­ cumulativo,  e  os  bens  e  serviços  que  geraram  os  créditos  glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele  conceito?    Vejamos.    SOBRE  O  MOMENTO  PARA  O  RECONHECIMENTO  DE  RECEITAS DE EXPORTAÇÃO  A previsão  para  a  utilização  do  saldo  credor  de COFINS não­ cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo  cálculo  via  rateio  proporcional  decorre  está  na  própria  Lei  Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º:    Art. 3º (...)  § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da  Receita  Federal,  no  caso  de  custos,  despesas  e  encargos  vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao  regime  de  incidência  cumulativa  dessa  contribuição,  o  crédito  será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:   I  ­  Apropriação  direta,  inclusive  em  relação  aos  custos,  por  meio  de  sistema  de  contabilidade  de  custos  integrada  e  coordenada com a escrituração; ou   II  ­  Rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos comuns a  relação percentual existente entre a  receita  bruta sujeita à incidência não­cumulativa e a receita bruta total,  auferidas em cada mês.   § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do  crédito,  na  forma  do  §  8o,  será  aplicado  consistentemente  por  todo  o  ano­calendário  e,  igualmente,  adotado  na  apuração  do  crédito  relativo  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa,  observadas  as  normas  a  serem  editadas  pela  Secretaria da Receita Federal.  (...)  Art. 6º  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins  de:  I ­ Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  Fl. 5061DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 7          6 II ­ Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  §2º A pessoa  jurídica que, até o final de cada  trimestre do ano  civil,  não  conseguir  utilizar  o  crédito  por  qualquer  das  formas  previstas  no  §1º  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.  §3º  O  disposto  nos  §§  1º  e  2º  aplica­se  somente  aos  créditos  apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à  receita  de  exportação,  observado  o  disposto  nos  §§  8º  e  9º  do  art. 3º.    Ora,  a  legislação  ordinária  previu  expressamente  a  possibilidade  de  se  fazer  a  apropriação  de  créditos  de  exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria  o critério temporal para se definir qual o momento que a receita  bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida  como gerada.  No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa  404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de  ter sido  legitimada pela legislação ordinária a fazê­lo – tampouco o fez,  limitando­se  a  reprisar  os  ditames  exarados  na  norma  federal.  Caberia  então  verificar  se  haveria  outra  norma  complementar  que pudesse  ser aplicada na estipulação do momento em que a  receita de exportação seria apurada.  Nesse  contexto,  a  decisão  ora  recorrida  caminhou  bem  ao  entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já  que ela definira, há muito tempo, que     A  receita  bruta  de  vendas  nas  exportações  de  produtos  manufaturados  nacionais  será  determinada pela  conversão,  em  cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de  câmbio  fixada  no  boletim  de  abertura  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  para  compra,  em  vigor  na  data  de  embarque  dos  produtos para o exterior.   I.1  Entende­se  como  data  de  embarque  dos  produtos  para  o  exterior  aquela  averbada pela  autoridade  competente,  na Guia  de Exportação ou documento de efeito equivalente.    Não  só  isso,  partindo­se  da  discussão  sobre  quando  se  aperfeiçoa  a  operação  de  venda  ao  exterior,  é  importante  ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela  não  se  adstringe  à  mera  verificação  da  data  da  emissão  das  respectivas  notas  fiscais, mas  sim  quando  houve  a  tradição  do  bem ao respectivo cliente no exterior:  Fl. 5062DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 8          7 A adoção do  regime de  competência  revela  que,  sob  o  aspecto  contábil,  o momento  do  reconhecimento  da  receita,  no  caso  de  venda  de  mercadorias  para  o  mercado  externo,  a  exemplo  de  vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição.   Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a  emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia  levar  a  supor,  mas  sim  a  realização  dos  atos  pelos  quais  foi  fixada a contraprestação. Sob essa questão, extrai­se do Manual  de Contabilidade das Sociedades por Ações ­ Fipecafi (Sérgio de  Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333):   (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser,  normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas  empresas  industriais  e  nas  empresas  comerciais,  a  contabilização  das  vendas  pode  ser  feita  pelas  notas  fiscais  de  vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea  à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma  pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da  entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega  no  estabelecimento  comprador.  Teoricamente,  deveriam  ser  registradas como receita somente após a entrega dos produtos.  (não grifado no original)   Com  a  entrega  dos  bens  (ou  a  prestação  dos  serviços),  e  não  com a mera contratação ou emissão da nota  fiscal, o vendedor  teria  realizado  o  esforço  necessário  para  fazer  jus  ao  preço.  Ocorre  que  o  local  de  entrega  dos  bens  pode  ser  livremente  pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento  em que se considera auferida a receita.  Sendo  certa  a  adoção  da  premissa  acima,  caberia,  no  caso  concreto,  entender  quando  houve,  de  fato,  a  entrega  dos  bens  objeto de exportação ao comprador no exterior.  Diante  desse  cenário,  talvez  fosse  relevante  a  condição  de  compra e venda para cada uma das notas  fiscais  ­ através dos  denominados  INCOTERMS  ­,  porém,  em  se  tratando  de  exportação,  basta  trazer  à  baila  o  fato  de  que,  em  qualquer  hipótese  de  condição  de  venda,  o  responsável  por  proceder  ao  despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente,  não  sendo possível,  em qualquer  hipótese,  conceber a  tradição  de bem antes da averbação do embarque para o exterior.  Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial,  parece­me  razoável  adotar  como  parâmetro  para  o  reconhecimento  da  efetiva  realização da  exportação a  data  em  que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no  SISCOMEX.  Nessa  linha,  entendo a administração  fazendária acertou ao  se  utilizar  dessa  premissa,  devendo  ser  mantida  a  decisão  de  primeiro grau.    Fl. 5063DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 9          8 SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS  O  entendimento  fazendário,  que  restou  confirmado  na  decisão  recorrida,  direciona­se  no  sentido  de  que  os  bens  e  serviços  somente  poderiam  ter  seus  créditos  imputados  ao  período  de  competência em que foram adquiridos.   Contudo, não comungo do mesmo posicionamento.  Primeiramente,  vejamos  o  que  diz  o  citado  artigo  3º,  em  seu  caput e no parágrafo quarto:    Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo  nos meses subsequentes.    Vejam  que,  em  interpretação  literal  e  sistemática,  o  parágrafo  quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito  que  eventualmente  não  tenha  sido  utilizado  para  desconto  da  base  de  cálculo  em  um  determinado  mês  em  períodos  de  apuração subsequentes.  Caso  o  legislador  fizesse  menção  ao  excesso  de  créditos,  ou  mesmo  a  expressão  “saldo  credor”  –  como  o  faz  em  diversos  outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o  feito.  Desse  modo,  não  caberia  restrição  ao  Poder  Executivo  restringir  esse  direito  quando  estabeleceu  normas  relativas  à  gestão  da  fiscalização  e  arrecadação  desses  tributos,  como  faz  crer a decisão ora recorrida.  É  claro  que  o  direito  original  aos  créditos  das  contribuições  parte  do  pressuposto  de  que  eles  devam  ser  registrados  simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a  aquisição  de  bens  e  serviços,  ou  ainda  que  venha  a  ser  apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas  forem  considerados  incorridos.  Todavia,  o  parágrafo  quarto  acima  mencionado  possibilitou  ao  contribuinte  vir  a  registrar  extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na  sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a  aproveitá­los  para  desconto  das  contribuições  sociais  em  períodos  de  apuração  distintos  (futuros)  dos  quais  se  originaram.  Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu  dessa mesma maneira, no Acórdão 3401­004.022, proferido em  outubro/2017,  de  relatoria  do  Conselheiro  Robson  Bayerl.  Vejamos:    Fl. 5064DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 10          9 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período  de  apuração:  01/01/2010  a  31/01/2010,  01/04/2011  a  30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011  PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.  O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003,  não  pode  ser  equiparado  restritivamente  aos  conceitos  de  matéria­prima,  produto  intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  tal  como  detalhado  no  PN  CST  65/79,  tampouco  extenso  como  os  conceitos  de  custo  de  produção  e  despesas  operacionais  da  legislação  do  IRPJ,  arts.  290  e  299  do  RIR/99  (Decreto  nº  3.000/99),  consistindo  em  bens  e  serviços,  inerentes  e  necessários  à  atividade  da  empresa,  adquiridos  e  empregados  diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência  das  contribuições não cumulativas na  etapa anterior da  cadeia  produtiva.  CRÉDITO  EXTEMPORÂNEO.  APROVEITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  Consoante  art.  3º,  §  4º  da  Lei  nº  10.833/03,  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das  DACONs para que seja alocado no período de apuração a que  se refira o dispêndio.  ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO.  O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e  equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º,  IV das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  compreende  apenas  a  retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos  de  locação,  como  regulado pelo  art.  565 e  ss.  do Código Civil  (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais  e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim,  as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos,  nos  contratos  administrativos  de  concessão  das  parcerias  público­privadas.  BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE  ICMS.  INCIDÊNCIA.  SUBVENÇÃO  PARA  INVESTIMENTO.  NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Afastada  a  hipótese  de  caracterização  do  crédito  presumido  concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97,  como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do  art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrando­se o  benefício  fiscal  em  comento  no  conceito  amplo  de  receita  veiculado  no  art.  1º  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  submetendo­se à incidência das contribuições de que tratam.  Recurso voluntário provido em parte.  Fl. 5065DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 11          10   Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca:    Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém,  não  é  a  única  aceitável,  pois,  tanto  as  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  como  as  INs  RFB  247/02  e  404/04  que  as  normatizam,  não  distinguem  o  crédito,  como  espécie,  do  saldo  credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente  para  uma  e  outra  finalidade,  razão  porque  a  interpretação  do  contribuinte  é  também  acertada,  mormente  pela  sua  dicção  literal,  consoante  a  qual  “o  crédito  não  aproveitado  em  determinado mês poderá sê­lo nos meses subseqüentes”.  Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a  qualquer  tempo,  enquanto  não  decaído  o  direito  ao  seu  exercício,  não havendo norma clara que  imponha a  retificação  das  DACONs  para  inclusão  de  créditos  nos  períodos  de  apuração  a  que  se  refiram,  de  maneira  que  não  haveria  obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita  do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que  se  trataria  de  situação  esporádica,  valendo  a  analogia  com  o  Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos  alegados  extemporaneamente  não  impõem  a  reescrituração  do  livro, bastando sua indicação em campo próprio.  Assim,  o  aproveitamento  de  créditos  fora  dos  períodos  de  apuração  a  que  se  referem  é  possível,  como  defendido  pelo  contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato,  este  crédito  não  foi  aproveitado  anteriormente  e  observada  a  delimitação  do  conceito  de  insumo  formulada  no  presente  acórdão.  Entendo  não  ser  possível  criar  uma  vedação,  por  meio  de  interpretação,  onde  a  lei,  ou  mesmo  os  atos  administrativos  correlatos, não expressamente o fizeram.  Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte.    Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar  possível  a  apropriação  extemporânea  de  créditos  das  contribuições  sociais,  observados  os  demais  requisitos  legais  para seu creditamento.    SOBRE  O  CONCEITO  DE  INSUMOS.  SUA  APLICAÇÃO  NO  CASO CONCRETO  Seguindo  a  crescente  orientação  da  Receita  Federal  sobre  o  tema, o despacho decisório  veio a glosar  créditos  referentes a:  serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas  Fl. 5066DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 12          11 e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de  veículos, e despesas de transporte de funcionários.  Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer  reforma a decisão recorrida.  Conforme  vem  sendo  exaustivamente  discutido  pela  doutrina  e  jurisprudência  judicial,  o  conceito  de  insumo  para  fins  de  apropriação  de  créditos  de  COFINS  não­cumulativa  deve  ser  alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de  despesa dedutível, como chegou­se a cogitar.  De  fato,  a  Anteriormente,  a  não­cumulatividade  tributária  no  Brasil  foi  inaugurada  com  o  ICMS  e  o  IPI,  sob  influência  da  sistemática  de  tributação  sobre  o  valor  agregado,  em  voga  em  muitos  países  europeus  a  partir  da  segunda  metade  do  século  XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a  respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como  crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita  dos  itens  creditáveis;  segundo,  até  o  advento  da  não­ cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram  monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal.  Contudo,  diferentemente  de  outros  tributos  não­cumulativos,  como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e  da COFINS  limitou­se  a  delegar  à  lei  ordinária  para  que  essa  estabelecesse  quais  setores  de  atividade  econômica  o  regime  não­cumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão  do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal:    §  12.  A  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV  do caput, serão não­cumulativas.    Vejam  que,  em  relação  ao  ICMS  e  ao  IPI,  a  Constituição  Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites  mínimos  para  a  aplicação  do  conceito  da  não  cumulatividade  tributária:    Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  IV ­ produtos industrializados;  II  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada operação com o montante cobrado nas anteriores;  (...)  Art.  155.  Compete  aos  Estados  e  ao  Distrito  Federal  instituir  impostos sobre:   Fl. 5067DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 13          12 (...)  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre  prestações  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal  e de  comunicação, ainda que as operações  e as  prestações se iniciem no exterior;  (...)  § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:   I  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  relativa  à  circulação  de  mercadorias  ou  prestação  de  serviços  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores  pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;    De  tal  forma,  ainda  que  o  princípio  da  não­cumulatividade  guarde  um  significado  próprio  –  qual  seja  a  de  viabilizar  a  tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  deve  ser  encarada  mormente  pelos mandamentos  previstos  nas  respectivas  leis  de  sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites  objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional.  Esse  é  o  comentário  de  Ricardo  Mariz  de  Oliveira,  na  obra  coletiva “Não Cumulatividade Tributária:    Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que  se  trata  de  um  regime  de  não­cumulatividade  parcial,  pois  ele  não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores  listados  “numerus  clausulus”  e  segundo  regras  de  cálculo  prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427)    Assim,  deve­se  ter  em  vista  que  a  não­cumulatividade  não  comporta um conceito absoluto e independente da legislação que  regra  os  tributos  com  essa  particularidade.  Isso  não  será  diferente com as contribuições sociais.  Na  miríade  de  atos  normativos  que  regem  a  contribuições  sociais  não­cumulativas,  é  muito  claro  que  nos  detemos  no  artigo  3º,  das  Leis  Federais  de  regência,  muito  embora  as  modalidades  de  direito  ao  crédito  estejam  espalhadas  na  legislação ordinária que regulam as contribuições  sociais para  setores  específicos  e  operações  específicas,  as  quais  algumas  serão objeto de análise mais adiante.  Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º:    Fl. 5068DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 14          13 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  a) no  inciso  III do § 3o do art. 1o desta Lei;  e  (Redação dada  pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  TIPI;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV  –  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e das Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação dada pela Lei  nº  11.196, de 2005)  VII ­ edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado  pela  locatária;  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei.  IX ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.898, de 2009)  Fl. 5069DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 15          14 XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação de serviços.     E  fica  bem  claro  que  o  item  de maior  questionamento  desde  o  início  da  vigência  do  regime  não­cumulativo  é  aquele  que  se  refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.”  Vejam  que  a  expressão  “insumo”,  na  legislação  de  referência,  não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de  modo  que,  nos  termos  do  artigo  11,  da  Lei  Complementar  95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras  devem  ser  utilizadas  no  texto  legal  em  seu  sentido  comum,  de  modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando  como premissa.   Diante  disso,  cabe  mencionar  que,  segundo  o  Dicionário  Aurélio1,  insumo pode ser definido como o “elemento que entra  no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e  equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”.  No  que  se  refere  ao  conceito  de  insumo  em âmbito  jurídico,  o  eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira:    (...)  é  uma  algaravia  de  origem  espanhola,  inexistente  em  português,  empregada  por  alguns  economistas  para  traduzir  a  expressão  inglesa  'input',  isto  é,  o  conjunto  dos  fatores  produtivos,  como  matérias­primas,  energia,  trabalho,  amortização do capital,  etc., empregados pelo empresário para  produzir o 'output' ou o produto final. (...)    De  fato,  do  ponto  de  vista  puramente  econômico,  o  conceito  acima  nos  parece  apropriado.  Para  a  ciência  econômica,  tal  definição  inclui  todos  os  elementos  necessários  à  produção  de  um bem, mercadoria ou serviço, tais como matérias­primas, bens  intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc.   Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira  mais  restrita,  haja  vista  a  pouca  disposição  existente  até  hoje  para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro.   Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata­ se  do  ICMS  e  do  IPI,  tributos  onde  há  uma  forte  vinculação  física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal,  mesmo  porque  constituem  impostos  sobre  a  “produção  e                                                              1  Novo  Aurélio  Século  XXI  –  O  Dicionário  da  Língua  Portuguesa,  3ª  Ed.  Rio  de  Janeiro:  Nova  Fronteira, 1999.  2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214.  Fl. 5070DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 16          15 circulação  de  bens  e  serviços”,  tal  como  disposto  em  nosso  Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 ­  CTN).  No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do  conceito  de  insumo,  que  acaba  ampliando  o  conceito  básico  e  evidente da tríade matéria­prima/produto intermediário/material  de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama  produto intermediário.  Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou  o  tema,  podemos  citar  um  ato  normativo  que  pode  ser  considerado  como  pioneiro  na  definição  de  insumo:  a Decisão  Normativa  CAT  01/2001,  do  Estado  de  São  Paulo,  que,  ao  exemplificar  mercadorias  que  poderiam  ser  consideradas  insumos,  deu  especial  destaque  àqueles  produtos  que  são  utilizados  no  processo  ainda  que  não  componham  o  produto  final:    Entre  outros,  têm­se  ainda,  a  título  de  exemplo,  os  seguintes  insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de  uma  mercadoria  ou  são  utilizados  nesse  mesmo  processo  produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas;  discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno;  escovas de aço;  estopa; materiais para uso  em embalagens  em  geral ­ tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de  embrulho,  sacolas,  materiais  de  amarrar  ou  colar  (barbantes,  fitas, fitilhos, cordões e congêneres),  lacres,  isopor utilizado no  isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens,  e  tinta,  giz,  pincel  atômico  e  lápis  para  marcação  de  embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor  utilizados  pela  indústria;  produtos  químicos  utilizados  no  tratamento  de  água  afluente  e  efluente  e  no  controle  de  qualidade e de teste de insumos e de produtos.    Porém,  como  podemos  verificar,  o  conceito  amplificado  de  insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão  de  que  são  os  elementos  que  participam  efetivamente  do  processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente,  o  ICMS  demanda  uma  intrínseca  relação  entre  a  entrada  da  mercadoria  utilizada  no  processo  econômico  que  ensejará  a  saída do produto final.   Ademais,  verifica­se  que  enquanto  o  ICMS  e  o  IPI  possuem  profunda  relação  com  a  movimentação  física  de  bens  e  mercadorias,  o  que  se  reflete  na  maneira  como  a  não­ cumulatividade se manifesta – como regra, apropria­se créditos  na  entrada  de  bens  e  mercadorias  que  venham  a  serem  movimentados posteriormente com débito do imposto ­, o PIS e a  COFINS  possuem  relação  com  um  aspecto  absolutamente  econômico,  representado  e  controlado  graficamente  pela  contabilidade, a geração de receitas tributáveis.  Fl. 5071DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 17          16 Nessa  linha,  a  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  deve  se  performar  não  mais  de  uma  perspectiva  “Entrada  vs.  Saída”,  mas  de  uma  perspectiva  “Despesa/Custo  vs.  Receita”,  expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do  Direito  e  aos  legisladores,  que  durante  cinquenta  anos  acostumaram com a “não­cumulatividade física” em detrimento  de uma “não­cumulatividade econômica”   De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar  com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa  que  os  incisos  e  parágrafos  insistem  na  ideia  de  permitir  o  crédito,  por  exemplo,  desde  a  entrada  dos  bens  para  estoque  (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito  intrínseco  da não­cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e  despesa,  que  não  são  registrados  no momento da  aquisição  do  estoque,  mas  sim  quando  da  sua  realização  pela  venda,  e  consequente registro contábil da receita.  Desse  modo,  acredito  que  o  conceito  de  insumo  para  a  legislação  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  parece  ser  mais  abrangente  que  o  utilizado  para  créditos  do  IPI  e  do  ICMS  –  como  faz  crer  das  conclusões  da  decisão  ora  recorrida  –,  de  maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que  ultrapassem  a  vinculação  física  e  recaiam  sobre  o  aspecto  econômico da operação de entrada de bens e serviços.  Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de  créditos das contribuições além dos elementos que compõem os  custos  diretos  e  indiretos  de  produção  através  alocação  por  atividade  (i.e.  “Sistema  de  Custeio  ABC”),  e  incluiu  componentes  que,  em  uma  análise  puramente  contábil,  seriam  classificados  como  despesas  variáveis,  estritamente  atreladas  com a geração de receitas.  Porém,  como  premissa  básica  para  a  apuração  de  créditos  de  PIS/PASEP  e COFINS,  temos  que  os  custos  diretos  e  indiretos  constituem  base  de  cálculo  de  forma  inquestionável;  já  as  despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que  cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou  serviço.  Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a  redação  dada  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  358/2003,  ao  regulamentar a  cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu  insumo de  uma maneira mais  restrita,  contrariando,  em última  análise,  o  espírito  das  Leis  Federais  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003,  que  visavam  mitigar  o  efeito  cascata  das  contribuições e “estimular a eficiência econômica”3:    Art. 66. (...)                                                              3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003.  Fl. 5072DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 18          17 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:    a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...)    Partindo  esse  entendimento,  a  Receita  Federal  amenizou  algumas  restrições,  criando  um  entendimento,  que  vigora  até  hoje  em  diversas  Soluções  de Consulta,  de  que  deve  haver  um  vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo  bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos.  Assim,  destacou  a  Solução  de  Consulta  que  inaugurou  esse  raciocínio:    “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal)  PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS.  Consideram­se  insumos,  para  fins  de  desconto  de  créditos  na  apuração da contribuição para o PIS/PASEP não­cumulativa, os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas,  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de serviços.  O  termo  "insumo"  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gera  despesa  necessária  para  a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados  ou  consumidos  na produção de  bens destinados à  venda ou  na  prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados  com  a  aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  de  bens  ou  prestação  de  serviços  Fl. 5073DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 19          18 geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  contribuição  para o PIS/PASEP devida.  Não dão direito a  crédito os  valores pagos a pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por empresa que se dedica à  indústria e comércio de  alimentos, por não configurarem pagamento de bens e  serviços  enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN  SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o.  COFINS. CRÉDITO. INSUMOS.  Consideram­se  insumos,  para  fins  de  desconto  de  créditos  na  apuração  da  Cofins  não­cumulativa,  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas,  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo  e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados  ou  consumidos  na produção de  bens destinados à  venda ou  na  prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados  com  a  aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  de  bens  ou  prestação  de  serviços  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  COFINS  devida.  Não dão direito a  crédito os  valores pagos a pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por empresa que se dedica à  indústria e comércio de  alimentos, por não configurarem pagamento de bens e  serviços  enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN  SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)”    Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição  anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs:    Artigo 8º. (...)  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  Fl. 5074DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 20          19 I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)    Consideradas,  pois,  as  manifestações  acima,  podemos  afirmar  que o conceito de  insumo para  fins de apropriação de  créditos  de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde  que  tais  itens  estejam  intimamente  ligados  à  atividade­fim  da  empresa  e  que  principalmente  venham  a  ser  utilizados  efetivamente  e  de  forma  identificável  na  venda  de  produtos  ou  serviços,  contribuindo  para  geração  de  receitas,  devendo  ser  inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem  o custo de produção, seja direto ou indireto.  Seguindo essa  linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de  Justiça  no  julgamento  do Recurso  Especial  1.221.170/PR,  com  efeito  de  recurso  repetitivo,  culminando  na  edição  do  Parecer  Normativo  COSIT  5/2018,  que  amplificou  o  espectro  para  a  apropriação  de  créditos  sobre  insumos  na  atividade  dos  contribuintes:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  COFINS.  CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ESTABELECIDA  NO  RESP  1.221.170/PR.  ANÁLISE  E  APLICAÇÕES.  Conforme  estabelecido  pela  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  Recurso  Especial  1.221.170/PR,  o  conceito  de  insumo  para  fins  de  apuração  de  créditos  da  não  cumulatividade  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da Cofins  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  da  relevância  do  bem  ou  serviço  para  a  produção  de  bens  destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa  jurídica.  Consoante  a  tese  acordada  na  decisão  judicial  em  comento:  a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa,  intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”:  Fl. 5075DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 21          20 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo  produtivo ou da execução do serviço”;  a.2)  “ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade e/ou suficiência”;  b)  já  o  critério  da  relevância  “é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço,  integre  o  processo  de  produção, seja”:  b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”;  b.2) “por imposição legal”.  Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei  nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.    Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT  acima  ementado,  verifica­se  que,  no  caso  concreto,  ainda  que  não  guiado  por  esses,  a  fiscalização  acertadamente  glosou  créditos  sobre  despesas  que  –  evidentemente  –  não  teriam  conexão  direta  com  a  atividade  da  Recorrente  a  ponto  de  ser  tratada  como  imprescindível  ou  essencial  à  sua  geração  de  receitas. Por  isso mesmo,  entendo pela manutenção das  glosas  propostas  no  despacho  decisória,  não  merecendo  reforma  a  decisão de primeiro grau nesse particular.  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso,  e  dar­lhe  provimento parcial."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  decidiu  por  dar  provimento parcial ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan    Fl. 5076DF CARF MF Processo nº 12585.720333/2011­75  Acórdão n.º 3401­005.963  S3­C4T1  Fl. 22          21                               Fl. 5077DF CARF MF

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Numero do processo: 10855.904134/2015-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Trata-se de PERDCOMP n. 37061.27274.200715.1.3.04-5694, transmitido em 20/07/2015, não homologado, tendo em vista que o DARF descriminado na declaração de compensação foi integralmente utilizado para a quitação de outro débito. O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998. No Despacho decisório de fls. 7 consta que: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 80.193,93. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta AR de fls. 10). Na data de 26 de janeiro de 2016, o Município de Itu apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde, GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações: "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13 inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998, excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes e de capital." Em 28 de março de 2018, através do Acórdão n° 10-61.755, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido e não homologando as compensações. O MUNICÍPIO DE ITU foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 112). O MUNICÍPIO DE ITU ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 115 a 122, em 27/04/2018. Foi alegado, resumidamente, que: A classificação gramatical ou literal tem como ponto de partida o alcance e significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra-se restrito a base da lei. Ademais, a classificação declarativa limita-se a declarar ou especificar o pensamento expresso ou contínuo de forma explicativa da norma jurídica, sem para tanto, estendê-la a casos não previstos ou restringi-la mediante a exclusão de casos inadmissíveis, constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam. Dentre referidas classificações, merecem destaque a classificação GRAMATICAL ou LITERAL e DECLARATIVA, já que o texto da lei foi clarividente em afirmar que “excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”: Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma. O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] § 7° Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. ” Ora, o termo “transferências” vem descrito no texto da norma de modo genérico (/ato sensu), isto é, descreve as transferências tanto legais constitucionais quanto as voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”. Nesse sentido é que não merece prosperar o parco fundamento dos v. acórdãos de que referidas transferências descrias no §7° estariam restritas tão somente as transferências voluntárias, excetuadas as constitucionais e legais. Se o legislador realmente assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”. Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da contribuição para o PASEP, os valores mensais de todas as transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. O Fisco quer dar interpretação diversa do que realmente foi regulado é, no mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má-fé na aplicação da lei. - Do ônus da prova. Não cabe ao contribuinte, ora município-Recorrente, provar o alegado. Cabe ao Fisco provar a suposta dedução indevida. Deve o fisco diligenciar para apurar a verdade, bastando o uso da informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte. Não parece razoável um procedimento fiscal onde se possa afastar todas as deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de excesso de exação, em tese. De outro lado, em que pese algum entendimento de forma diversa e, em atendimento ao princípio da Verdade Real, carreia aos autos documentação que permite identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração: Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013 Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013 DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer-se, respeitosamente, digne-se V. Exa. seja CONHECIDO o presente recurso e, no mérito, seja dado PROVIMENTO, reformando-se, via de consequência, os v. acórdãos recorridos e determinar o CANCELAMENTO dos débitos fiscais reclamados no presente feito, por ser medida de direito e inteira JUSTIÇA! É o relatório.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD

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O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998. No Despacho decisório de fls. 7 consta que: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 80.193,93. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta AR de fls. 10). Na data de 26 de janeiro de 2016, o Município de Itu apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde, GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações: "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13 inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998, excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes e de capital." Em 28 de março de 2018, através do Acórdão n° 10-61.755, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido e não homologando as compensações. O MUNICÍPIO DE ITU foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 112). O MUNICÍPIO DE ITU ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 115 a 122, em 27/04/2018. Foi alegado, resumidamente, que: A classificação gramatical ou literal tem como ponto de partida o alcance e significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra-se restrito a base da lei. Ademais, a classificação declarativa limita-se a declarar ou especificar o pensamento expresso ou contínuo de forma explicativa da norma jurídica, sem para tanto, estendê-la a casos não previstos ou restringi-la mediante a exclusão de casos inadmissíveis, constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam. Dentre referidas classificações, merecem destaque a classificação GRAMATICAL ou LITERAL e DECLARATIVA, já que o texto da lei foi clarividente em afirmar que “excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”: Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma. O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável: Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] § 7° Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. ” Ora, o termo “transferências” vem descrito no texto da norma de modo genérico (/ato sensu), isto é, descreve as transferências tanto legais constitucionais quanto as voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”. Nesse sentido é que não merece prosperar o parco fundamento dos v. acórdãos de que referidas transferências descrias no §7° estariam restritas tão somente as transferências voluntárias, excetuadas as constitucionais e legais. Se o legislador realmente assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”. Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da contribuição para o PASEP, os valores mensais de todas as transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. O Fisco quer dar interpretação diversa do que realmente foi regulado é, no mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má-fé na aplicação da lei. - Do ônus da prova. Não cabe ao contribuinte, ora município-Recorrente, provar o alegado. Cabe ao Fisco provar a suposta dedução indevida. Deve o fisco diligenciar para apurar a verdade, bastando o uso da informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte. Não parece razoável um procedimento fiscal onde se possa afastar todas as deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de excesso de exação, em tese. De outro lado, em que pese algum entendimento de forma diversa e, em atendimento ao princípio da Verdade Real, carreia aos autos documentação que permite identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração: Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013 Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013 DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer-se, respeitosamente, digne-se V. Exa. seja CONHECIDO o presente recurso e, no mérito, seja dado PROVIMENTO, reformando-se, via de consequência, os v. acórdãos recorridos e determinar o CANCELAMENTO dos débitos fiscais reclamados no presente feito, por ser medida de direito e inteira JUSTIÇA! É o relatório.

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3302­001.119  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  25 de abril de 2019  Assunto  MUNICÍPIO. PASEP. BASE DE CÁLCULO.  Recorrente  MUNICIPIO DE ITU  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Jorge Lima Abud ­ Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.  Relatório  Aproveita­se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade.  Trata­se  de  PERDCOMP  n.  37061.27274.200715.1.3.04­5694,  transmitido  em  20/07/2015,  não  homologado,  tendo  em  vista  que  o  DARF descriminado na declaração de compensação foi integralmente  utilizado para a quitação de outro débito.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 04 13 4/ 20 15 -9 9 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 3            2 O contribuinte é pessoa jurídica de direito público interno e como tal  está sujeito à incidência da contribuição para o PASEP, na forma do  artigo 2°, III, da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998.  No  Despacho  decisório  de  fls.  7  consta  que:  “A  análise  do  direito  creditório  está  limitada  ao  valor  do  "crédito  original  na  data  de  transmissão"  informado  no  PER/DCOMP,  correspondendo  a  80.193,93.  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”.  A ciência foi dada ao Município de Itu em 14 de janeiro de 2016 (Carta  AR de fls. 10).  Na  data  de  26  de  janeiro  de  2016,  o  Município  de  Itu  apresentou,  tempestivamente,  manifestação  de  inconformidade,  onde,  GENERICAMENTE E RESUMIDAMENTE faz as seguintes alegações:  "que a Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, por meio do seu artigo 13  inseriu o § 7° no artigo 2° da Lei n. 9.715 de 25 de novembro de 1998,  excluindo da base de cálculo as transferências de convênios correntes  e de capital."  Em  28  de março  de  2018,  através  do Acórdão  n°  10­61.755,  a  2a Turma  da  Delegacia Regional de  Julgamento  em Porto Alegre/RS  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade,  não  reconhecendo o  direito  creditório  pretendido  e  não  homologando  as  compensações.  O  MUNICÍPIO  DE  ITU  foi  cientificado  do  Acórdão  de  Manifestação  de  Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 10/04/2018 (folhas 112).  O MUNICÍPIO DE  ITU  ingressou  com  Recurso  Voluntário,  de  folhas  115  a  122, em 27/04/2018.  Foi alegado, resumidamente, que:  A classificação gramatical ou  literal  tem como ponto de partida o alcance e  significado dos elementos que compõem seu texto. Seu sentido encontra­se restrito a base da  lei.  Ademais,  a  classificação  declarativa  limita­se  a  declarar  ou  especificar  o  pensamento  expresso  ou  contínuo  de  forma  explicativa  da  norma  jurídica,  sem  para  tanto,  estendê­la  a  casos  não  previstos  ou  restringi­la mediante  a  exclusão  de  casos  inadmissíveis,  constatando, o intérprete, tão somente o que as palavras expressam.  Dentre  referidas  classificações,  merecem  destaque  a  classificação  GRAMATICAL ou LITERAL  e DECLARATIVA,  já  que  o  texto  da  lei  foi  clarividente  em  afirmar  que  “excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores  de  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere  com  objeto definido”:  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 4            3 Somado a tudo isso, a doutrina é pacifica no sentido de que a legislação que  envolve matéria tributária deve ser interpretada dessa forma.  O texto da Lei n° 9.715/98 é direto e autoaplicável:  Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  [...]  III  ­  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público  interno,  com  base  no  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital recebidas.  [...]  §  7°  Excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse  ou instrumento congênere com objeto definido. ”  Ora,  o  termo  “transferências”  vem  descrito  no  texto  da  norma  de  modo  genérico  (/ato sensu),  isto é, descreve as  transferências  tanto  legais constitucionais quanto as  voluntárias. Portanto, não cabe ao intérprete restringir o alcance do termo “transferência”.  Nesse  sentido  é  que  não  merece  prosperar  o  parco  fundamento  dos  v.  acórdãos  de  que  referidas  transferências  descrias  no  §7°  estariam  restritas  tão  somente  as  transferências  voluntárias,  excetuadas  as  constitucionais  e  legais.  Se  o  legislador  realmente  assim quisesse, constaria expressamente do texto da lei “transferências voluntárias”.  Se assim não o fez, sua verdadeira intenção foi excluir, da base de cálculo da  contribuição  para  o  PASEP,  os  valores  mensais  de  todas  as  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere  com  objeto  definido,  das  receitas  correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.   O Fisco quer dar  interpretação diversa do que  realmente  foi  regulado é,  no  mínimo, uma enorme insensatez, beirando a má­fé na aplicação da lei.  ­ Do ônus da prova.  Não cabe ao contribuinte, ora município­Recorrente, provar o alegado. Cabe  ao Fisco provar a suposta dedução indevida.  Deve  o  fisco  diligenciar  para  apurar  a  verdade,  bastando  o  uso  da  informática. Cabe ao fisco provar, não ao contribuinte.  Não parece razoável um procedimento  fiscal onde se possa afastar  todas as  deduções ou abatimentos, lançar o tributo mesmo sabendo que a dedução é correta, é crime de  excesso de exação, em tese.  De  outro  lado,  em  que  pese  algum  entendimento  de  forma  diversa  e,  em  atendimento  ao  princípio  da  Verdade  Real,  carreia  aos  autos  documentação  que  permite  identificar as deduções pretendidas dos seguintes períodos de apuração:  Período de apuração: 01/09/2013 a 30/09/2013  Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 5            4 Período de apuração: 01/11/2013 a 30/11/2013  Período de apuração: 01/12/2013 a 30/12/2013  DA CONCLUSÃO  Diante de todo o exposto e, confiante no elevado senso de Justiça, requer­se,  respeitosamente,  digne­se  V.  Exa.  seja  CONHECIDO  o  presente  recurso  e,  no  mérito,  seja  dado  PROVIMENTO,  reformando­se,  via  de  consequência,  os  v.  acórdãos  recorridos  e  determinar  o  CANCELAMENTO  dos  débitos  fiscais  reclamados  no  presente  feito,  por  ser  medida de direito e inteira JUSTIÇA!  É o relatório.    Voto  Conselheiro Jorge Lima Abud  Da admissibilidade.  Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário  tempestivamente  interposto  pelo  contribuinte,  considerando  que  a  recorrente  teve  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/04/2018  (folhas  115),  quando,  então,  iniciou­se.  a  contagem  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  apresentação  do  presente  recurso  voluntário  ­  apresentando a recorrente em 27/04/2018 (e­folhas 118).  O Recurso Voluntário é tempestivo.  Da controvérsia.  · O  processamento  do  PERDCOMP  n.  08088.07845.220615.1.3.04­ 8584,  transmitido  em  22/06/2015,  não  homologado,  tendo  em  vista  que  o  DARF  descriminado  na  declaração  de  compensação  foi  integralmente utilizado para a quitação de outro débito.  Passa­se à análise.  A  Recorrente  juntou  na  Manifestação  de  Inconformidade  cópia  da  Lei  n°  9.715/98, recibo de entrega de retificação de DCTF e balancete analítico competência 09/2013.  Os conceitos de  receitas correntes e de capital  estão definidos no art. 11 da  Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, que estatuiu as Normas Gerais de Direito Financeiro  para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União dos Estados, dos Municípios e  do Distrito Federal:  Art.  11  ­ A  receita  classificar­se­á nas seguintes categorias econômicas: Receitas  Correntes  e  Receitas  de  Capital.  (Redação  dada  pelo  Decreto  Lei  n°  1.939,  de  20.5.1982)  Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 6            5 § 1°  ­ São Receitas Correntes as  receitas  tributária,  de contribuições, patrimonial,  agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos  financeiros  recebidos  de  outras  pessoas  de  direito  público  ou  privado,  quando  destinadas  a  atender  despesas  classificáveis  em  Despesas  Correntes.  (Redação  dada pelo Decreto Lei n° 1.939, de 20.5.1982)  §  2°  ­  São  Receitas  de  Capital  as  provenientes  da  realização  de  recursos  financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens  e direitos;  os  recursos  recebidos de outras pessoas de direito público ou privado,  destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o  superávit  do  Orçamento  Corrente.  (Redação  dada  pelo  Decreto  Lei  n°  1.939,  de  20.5.1982)    A legislação que trata do Pasep, assim dispõe:  ­ Lei Complementar n° 8, de 1970:  Art.  1°  ­  É  instituído,  na  forma  prevista  nesta  Lei  Complementar,  o  Programa  de  Formação do Patrimônio do Servidor Público.  Art.  2°  ­  A  União,  os  Estados,  os  Municípios,  o  Distrito  Federal  e  os  Territórios  contribuirão  para  o  Programa, mediante  recolhimento mensal  ao  Banco  do  Brasil  das seguintes parcelas:  [...]  II ­ Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios:  [...].    ­ Lei n° 9.715/98:  Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  [...]  III ­ pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das  receitas  correntes  arrecadadas  e  das  transferências  correntes  e  de  capital  recebidas.  [...]  §  7°  Excluem­se  do  disposto  no  inciso  III  do  caput  deste  artigo  os  valores  de  transferências  decorrentes  de  convênio,  contrato  de  repasse  ou  instrumento  congênere com objeto definido. ”  [...]  Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas  quaisquer  receitas  tributárias,  ainda  que  arrecadadas,  no  todo  ou  em  parte,  por  outra  entidade  da  Administração  Pública,  e  deduzidas  as  transferências  efetuadas a outras entidades públicas.  [...]  § 6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o  PIS/PASEP,  devida  sobre  o  valor  das  transferências  de  que  trata  o  inciso  III.  (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001)".  (Grifo e negrito nossos)   O Decreto n° 4.524/2002 que regulamentou essa contribuição, assim dispõe:  Art.  67. A União,  os Estados,  o Distrito Federal,  os Municípios  e  suas  autarquias  são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e  Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 7            6 transferências correntes e de capital recebidas (Lei n°9.715, de 1998, art. 2°, inciso  III).  Parágrafo  único.  A  contribuição  é  obrigatória  e  independe  de  ato  de  adesão  ao  Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público.  Art.  68.  A  Secretaria  do  Tesouro  Nacional  efetuará  a  retenção  do  PIS/Pasep  incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as  pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências  para as fundações públicas (Lei n°9.715, de 1998, art. 2°, § 6°, com a redação dada  pela Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001, art. 19, e Lei Complementar n° 8, de  1970, art. 2°, parágrafo único).  Parágrafo  único.  Não  incidirá,  em  nenhuma  hipótese,  sobre  as  transferências  de  que trata este artigo, mais de uma contribuição.  (...)  Art.  70.  As pessoas  jurídicas de direito público  interno,  observado o  disposto  nos  arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas  arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei n° 9.715, de  1998, art. 2°, inciso III,§ 3° e art. 7°).  (...).  § 2° Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão  incluídas quaisquer  receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade  da  Administração  Pública,  e  deduzidas  as  transferências  efetuadas  a  outras  entidades de direito público interno."  Conforme  estes  dispositivos  legais,  as  transferências  correntes,  a  título  de  FUNDEB, recebidas pelas Prefeituras Municipais estão sujeitas ao Pasep.   O Fundeb, que sucedeu ao FUNDEF, foi instituído pela Lei n.° 11.494, de 20  de junho de 2007, sendo que se extrai da referida Lei, que se trata de mero fundo de natureza  contábil, sem personalidade jurídica, que é gerido pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos  Municípios.  Portanto,  o  Fundeb  é  um  registro  de  natureza  contábil  (uma  conta)  constituído  e  mantido  por  um  percentual  da  receita  auferida  pelos  Estados,  pelo  Distrito  Federal  e  pelos  Municípios,  a  ele  destinado.  Segundo  disposição  constitucional,  a  União  complementará  o  Fundeb  sempre  que  o  valor  por  aluno  não  alcançar  o  mínimo  definido  nacionalmente.  Também  por  disposição  legal,  os  recursos  depositados  à  conta  do  Fundeb  serão,  mais  tarde,  distribuídos  no  âmbito  de  cada  Estado  e  Distrito  Federal,  entre  governo  estadual  e  seus municípios,  na  proporção  do  número  de  alunos matriculados  nas  respectivas  redes de educação básica pública presencial.  Nessa  linha  a  manifestação  da  Coordenação­Geral  de  Tributação  da  RFB  (COSIT), através da Solução de Consulta n° 278 de 01/06/2017, que transcrevo em parte:  “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  21.3.  Em  linhas  gerais,  tanto  a  participação  como  a  complementação  dos  recursos  do  FUNDEB  são  transferências  intergovernamentais constitucionais operacionalizadas de modo  indireto,  já  que  é  criado  um  fundo  meramente  contábil  para  distribuir recursos a diversas entidades, devendo seguir a regra  Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 8            7 das  transferências  constitucionais  e/ou  legais  já  exposta  nesse  trabalho. Portanto, seus recursos devem ser inseridos na base de  cálculo  do  ente  recebedor  (o  ente  que  efetivamente  receber  as  receitas do FUNDEB) e o ente  transferidor deve excluir de sua  base  de  cálculo  os  valores  repassados.  Tendo  em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  transferência  dos  diversos  recursos  que  compõem  o  fundo,  apresenta­se  o  tratamento  tributário a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB:  Transferências  da  União  a  outros  entes  federativos  que  compõem  a  participação do FUNDEB  21.3.1.  As transferências efetuadas pela União aos Estados, Distrito  Federal  (DF)  e  Municípios  que  compõem  a  participação  dos  entes  federativos  ao  FUNDEB,  a  exemplo  do  percentual  do  Fundo  de  Participação  dos  Estados  (FPE)  e  do  Fundo  de  Participação  dos  Municípios  (FPM),  devem  ser  inseridas  na  base  de  cálculo  do  ente  recebedor, em razão do inciso III do art. 2°, conjugado com o art. 7°  da Lei n° 9715, de 1998. Também por causa da parte final do referido  art.  7o,  anteriormente  comentado,  o  ente  transferidor  (no  caso,  a  União) deve excluir os valores repassados de sua base de cálculo;  Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão  do  §  6o  do  art.  2o  da  Lei  no  9.715,  de  1998,  os  entes  beneficiários,  apesar de obrigatoriamente  incluírem os montantes  recebidos em sua  base  de  cálculo,  deverão  excluir  da  contribuição  devida  tais  valores  retidos.  Destarte,  como  a  União  já  reteve  a  contribuição  sobre  tais  parcelas,  os  valores  retidos  devem  ser  deduzidos  da  contribuição  devida pelo ente recebedor.  Transferências dos Estados e Municípios que compõem a participação  do FUNDEB.  Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados,  DF  e Municípios  transferidas  ao FUNDEB,  os  entes  transferidores  devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo,  em  razão  da  parte  final  do  art.  7o  da  Lei  n°  9.715,  de  1998.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  quando  os  entes  beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo.  Transferências da União ao FUNDEB ­ parcela de complementação  Quanto  à  parcela  de  complementação,  por  se  tratar  de  transferência  constitucional  e/ou  legal,  quando  for  transferida  para  os  fundos,  a  União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado art. 7o,  deverá excluir os valores entregues da base de cálculo da contribuição.  Tais valores  sofrerão a  incidência da contribuição no ente  recebedor  dos recursos, quando de sua alocação ao fundo. Caso a União venha a  reter  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  incidente  sobre  Receitas  Governamentais quando da transferência aos demais entes, aplica­se o  mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2.  Distribuição dos recursos do FUNDEB  Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 9            8 Uma  vez  distribuídos  os  recursos  dos  fundos  aos  Estados  e  Municípios,  aqui  denominados  Receitas  do  FUNDEB,  os  entes  favorecidos deverão  incluir  em sua base de  cálculo a  totalidade dos  valores  recebidos  (transferências  recebidas),  em  razão  do  inciso  III  do art. 2° da Lei n° 9.715, de 1998. Poderá ser deduzido do valor da  contribuição  devida  o  valor  retido  pela  STN  nas  transferências  realizadas,  em  respeito  ao  §  6° do  art.  2°  da Lei  n°  9.715, de  1998,  para que se evite a dupla tributação de recursos, vedada pelo art. 68,  parágrafo único, do Decreto n° 4.524, de 2002.  21.4.  Reitere­se  mais  uma  vez  que  qualquer  receita  corrente,  transferência corrente e  transferência de capital deve compor a  base  de  cálculo  dos  entes  governamentais,  considerando  as  peculiaridades  já  expostas  quanto  às  transferências  intergovernamentais."  38.  Reforme­se, naquilo em que for contrário a esta Solução  de Consulta, a Solução de Divergência no 02, de 10 de fevereiro  de  2009,  e  a  Solução  de Divergência  no  12,  de  28  de  abril  de  2011.  (Grifo e negrito nossos)   Nesse  diapasão,  traz­se  excerto  do  voto  da  i.  Conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama, no Acórdão CSRF n° 9303.007.9380, de 24/01/2019:  Como já esclarecido nos autos, discute­se a tributação da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  incidente  sobre  as  receitas  de  transferências  efetuadas pela União ao Estado do Rio de Janeiro para  formação do  Fundeb Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica  e  de  Valorização  dos  Profissionais  da  Educação,  destinado  à  distribuição  de  recursos  para  toda  a  educação  básica  nos  estados  e  municípios.  O Fundo não  é mais  do  que  uma  registro  de  natureza  contábil  (uma  conta)  constituído  e  mantido  por  um  percentual  da  receita  auferida  pelos  Estados,  pelo  Distrito  Federal  e  pelos  Municípios,  a  ele  destinado. Segundo disposição constitucional, a União complementará  o  Fundeb  sempre  que  o  valor  por  aluno  não  alcançar  o  mínimo  definido nacionalmente.  Também  por  disposição  legal,  os  recursos  depositados  à  conta  do  Fundeb  serão,  mais  tarde,  distribuídos  no  âmbito  de  cada  Estado  e  Distrito  Federal,  entre  governo  estadual  e  seus  municípios,  na  proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de  educação básica pública presencial.  A  questão  que  se  apresenta  diz  respeito  à  inclusão  ou  não  do  valor  recebido da União pelo Estado do Rio de Janeiro para constituição e  manutenção do Fundo.  A  Lei  n°  9.715,  de  25  de  novembro  de  1998,  especifica  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  devida  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público interno.  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 10            9 Art.2° A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente:  (...)  III  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  público  interno,  com  base  no  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital recebidas.  (...)  Art.70  Para  os  efeitos  do  inciso  III  do  art.  2°,  nas  receitas  correntes  serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas,  no  todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e  deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas.  Nos  termos  da  Lei,  a  contribuição  incide  sobre  o  valor  mensal  das  receitas  correntes  arrecadadas  e  sobre  o  valor  das  transferências  correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas  a outras entidades públicas.  Na  constituição  do  crédito  tributário  neste  controvertido,  a  Fiscalização  Federal  entendeu  que  são  tributadas  as  transferências  feitas  pela  União  ao  Estado  do  Rio  de  Janeiro  e  que  os  valores  depositados  pelo  Estado  no  Fundo  não  constituem  transferências  de  recursos  a  outra  entidade pública  e,  por  conseguinte,  não  podem ser  excluídas da base de cálculo da Contribuição.  De fato, a  leitura das disposições legais supratranscritas não poderia  conduzir  a  outra  conclusão,  pelo  menos  a  priori.  A  transferência  de  recursos ao Fundeb, sejam eles originários de transferências correntes  ou de receitas tributárias do próprio ente federativo, jamais poderá ser  enquadrada  na  hipótese  prevista  no  art.  7°  da  Lei  9.715/98,  pois  o  Fundo, como já se disse, não é uma entidade pública, mas apenas uma  conta de natureza contábil.  Contudo, há uma questão de difícil equalização na apuração da base  imponível quando consideradas as transferências correntes, as receitas  tributárias,  os  depósitos  à  conta  do  Fundo  e  os  valores  que,  na  distribuição  dos  recursos  do  Fundeb,  venham  a  ser  definitivamente  destinados a cada ente federativo.  Como  já  esclarecido  antes,  os  recursos  depositados  no Fundo  serão,  mais  tarde,  obrigatoriamente,  transferidos,  pelo menos  em parte,  aos  Municípios,  dentro  de  cada  Estado  da  Federação  ou  ao  próprio  Estado,  na  proporção  do  número  de  alunos  matriculadas  nas  respectivas  redes  de  educação  básica  pública  presencial.  Ou  seja,  afastada a impensável hipótese de que cada ente federativo receba do  Fundo  o  valor  exato  que  nele  depositou,  induvidosamente,  pelo  menos parte dos  recursos a ele destinados por um determinado ente  federativo serão  transferidos mais  tarde a outras entidades públicas,  ou,  em  caso  contrário,  se  o  valor  depositado  por  determinado  ente  federativo for menor do que o valor recebido do Fundo, haverá uma  transferência  de  recursos  de  outra  entidade  pública  através  do  Fundeb.  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 11            10 Significa dizer que, necessariamente, há necessidade de que se apure  o  saldo positivo ou negativo  com base na diferença entre os  valores  depositados no Fundo pelo ente federativo e dele recebidos.  Segundo  a  decisão  recorrida,  em  recente  Solução  editada  pela Cosit  Solução de Consulta n° 278 Cosit, de 1° de junho de 2017, a Secretaria  da Receita Federal  teria decidido, nas palavras do  i. Relator do voto  condutor da decisão recorrida, que "os valores repassados ao Fundeb  devem ser excluídos da base de cálculo do Pasep" (efolhas 458).  A  Fazenda  Nacional,  por  seu  turno,  considera  equivocado  o  entendimento  expresso  na  Solução,  entende  que  somente  a  lei  pode  determinar a base de cálculo etc.  No  que  diz  respeito  ao  argumento  da  Recorrente,  necessário  reafirmar,  uma  vez  que  já  o  fiz  em  outras  oportunidades,  que,  concessa  venia,  não  me  parece  razoável  que  se  proponha  decisão  contrária ao entendimento da Secretaria da Receita Federal quando  esse é favorável ao sujeito passivo. De fato, se se considerar que todo  o  crédito  tributário  doravante  constituído,  assim  como  todas  as  decisões  tomadas  pelas  delegacias  da  receita  federal  de  julgamento  deverão obedecer a interpretação veiculada na Solução de Consulta, é  de se perguntar como seria possível eximir­se da revisão de ato ainda  não definitivamente julgado e contrário àquilo que uma das partes do  processo  considera  devido?  Poder­se­ia  o  CARF  no  papel  de  quem  determina a exigência, a despeito da Secretaria considera­la indevida.  Mas,  a  despeito  disso,  segundo  entendo,  parece­me  que  nem  a  Recorrente nem o Colegiado recorrido empregou a melhor exegese da  Solução de Consulta Cosit n°278 de 2017.  A  seguir,  transcrevo  o  item  21.3  da  Solução,  no  qual  a  autoridade  prolatora descreve, em linhas gerais, as particularidades do Fundeb e  especifica,  caso  a  caso,  os  critérios  que  devem  ser  empregados  na  apuração da base de cálculo da exação.  21.3. Em  linhas gerais,  tanto a participação como a complementação  dos  recursos  do  FUNDEB  são  transferências  intergovernamentais  constitucionais operacionalizadas de modo indireto, já que é criado um  fundo  meramente  contábil  para  distribuir  recursos  a  diversas  entidades,  devendo  seguir  a  regra  das  transferências  constitucionais  e/ou  legais  já  exposta  nesse  trabalho.  Portanto,  seus  recursos  devem  ser  inseridos  na  base  de  cálculo  do  ente  recebedor  (o  ente  que  efetivamente  receber  as  receitas  do  FUNDEB)  e  o  ente  transferidor  deve excluir de sua base de cálculo os valores repassados. Tendo em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  transferência  dos  diversos  recursos que compõem o fundo, apresenta­se o tratamento tributário  a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB:  Transferências  da União a  outros  entes  federativos  que  compõem a  participação do FUNDEB  As  transferências  efetuadas  pela  União  aos  Estados  Distrito  Federal  (DF) e Municípios que compõem a participação dos entes  federativos  ao FUNDEB, a exemplo do percentual do Fundo de Participação dos  Estados  (FPE)  e  do  Fundo  de  Participação  dos  Municípios  (FPM),  Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 12            11 devem ser inseridas na base de cálculo do ente recebedor, em razão do  inciso III do art. 2°, conjugado com o art. 7° da Lei n° 9715, de 1998.  Também  por  causa  da  parte  final  do  referido  art.  7°,  anteriormente  comentado,  o  ente  transferidor  (no  caso,  a  União)  deve  excluir  os  valores repassados de sua base de cálculo;  Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão  do  §  6°  do  art.  2°  da  Lei  n°  9.715,  de  1998,  os  entes  beneficiários,  apesar de obrigatoriamente  incluírem os montantes  recebidos em sua  base  de  cálculo,  deverão  excluir  da  contribuição  devida  tais  valores  retidos.  Destarte, como a União já reteve a contribuição sobre tais parcelas, os  valores  retidos devem ser deduzidos da contribuição devida pelo ente  recebedor.  Transferências  dos  Estados  e  Municípios  que  compõem  a  participação do FUNDEB  Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados,  DF  e  Municípios  transferidas  ao  FUNDEB,  os  entes  transferidores  devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo,  em  razão  da  parte  final  do  art.  7°  da  Lei  n°  9.715,  de  1998.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  quando  os  entes  beneficiados  receberem  os  recursos  distribuídos  por  meio  do  fundo.  Transferências da União ao FUNDEB parcela de complementação.  21.3.4.  Quanto  à  parcela  de  complementação,  por  se  tratar  de  transferência constitucional e/ou legal, quando for transferida para os  fundos, a União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado  art.  7°.  deverá  excluir  os  valores  entregues  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Tais  valores  sofrerão  a  incidência  da  contribuição  no  ente recebedor dos recursos. quando de sua alocação ao fundo. Caso a  União venha a reter a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre  Receitas  Governamentais  quando  da  transferência  aos  demais  entes.  aplica­se o mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2.  Distribuição dos recursos do FUNDEB 21.3.5. Uma vez distribuídos os  recursos  dos  fundos  aos  Estados  e  Municípios.  aqui  denominados  Receitas  do  FUNDEB.  os  entes  favorecidos  deverão  incluir  em  sua  base  de  cálculo  a  totalidade  dos  valores  recebidos  (transferências  recebidas). em razão do inciso III do art. 2° da Lei n° 9.715. de 1998.  Poderá  ser  deduzido  do  valor  da  contribuição  devida  o  valor  retido  pela STN nas transferências realizadas. em respeito ao § 6° do art. 2°  da  Lei  n°  9.715.  de  1998.  para  que  se  evite  a  dupla  tributação  de  recursos.  vedada pelo art.  68.  parágrafo único. do Decreto n° 4.524.  de­ 2002.  A toda evidência. a conclusão a que chegou o Colegiado recorrido de  que  a  Solução  de Consulta Cosit  n°  278  considerou  que  “os  valores  repassados  ao  Fundeb  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  Pasep”  baseou­se  única  e  exclusivamente  nas  considerações  preliminares  do  item  21.3.  na  parte  em  que  explica  que  os  recursos  devem ser inseridos na base de cálculo do ente recebedor (o ente que  efetivamente  receber  as  receitas  do  FUNDEB)  e  o  ente  transferidor  deve  excluir  de  sua  base  de  cálculo  os  valores  repassados. Contudo.  Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 13            12 salvo melhor juízo. a instância a quo não levou em consideração o que  seguiu­se  a  esse  comentário.  quando  a  Coordenação  de  Tributação  aduz  que  “tendo  em  vista  a  complexidade  da  sistemática  de  transferência dos diversos recursos que compõem o fundo. apresenta­ se o tratamento tributário a ser dado para cada espécie de receita do  FUNDEB”.  a  partir  do  que  define  como  deve  ser  calculada  a  base  imponível  que.  como  a  seguir  se  verá.  é  apurada  com  base  no  saldo  final  decorrente  da  diferença  entre  o  valor  depositado  e  o  valor  ao  final recebido.  Dada  a  complexidade  da  matéria,  simula­se  a  seguir  uma  situação  hipotética  simplificada,  fazendo­se  remissão  aos  itens  da  Solução  de  Consulta.  (21.3.1)  Transferências  da União  corresp.  à  participação  do Estado:  R$ 600.000,00  Valor depositado ao Fundo pelo Estado: R$ 1.000.000,00  Transferência  da  União  ao  Fundo  (parcela  de  complementação)  R$  100.000,00  Valores do Fundeb destinados ao Estado: R$ 300.000,00  O  valor  correspondente  a  R$  600.000,00,  recebido  a  título  de  transferência  da  União  correspondente  à  parcela  do  Fundo  de  Participação  do  Estado  (FPE),  integra  a  base  de  cálculo  da  Contribuição.  Da  mesma  forma,  os  R$  400.000,00  arrecadados  (diferença entre o valor depositado pelo Estado e o valor recebido da  União:  R$  1.000.000,00  ­  R$  600.000,00)  e  destinados  ao  Fundo  integram  a  base  de  cálculo  e  foram  tributados,  por  tratarem­se  de  receita tributária do Estado.  Para  a  apuração  do  valor  que  foi  destinado  a  outras  entidades  públicas,  e,  por  conseguinte,  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo,  apura­se  a  diferença  entre  a  valor  total  depositado  ao  Fundo  (R$  1.000.000,00 item 21.3.3) e o valor com que o Estado foi contemplado  (R$  300.000,00  item  21.3.5),  com  o  que  se  chega  à  monta  de  R$  700.000,00.  Esse  é  o  valor  que  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  das  contribuições.  A  parcela  de  complementação,  tal  como  reza  o  item  21.3.4  não  é  tributada  no  momento  da  transferência,  porque  é  depositada  diretamente pela União ao Fundo e, por conta disso, não é descontada  da base de cálculo.  É  fato que seria significativamente mais simples se a  incidência  fosse  determinada com base nos  valores que, ao  final,  fossem destinados a  cada ente  federativo;  contudo, não há previsão  legal para  tanto. Nos  termos do art. 2° e 7° da Lei 9.715/98, a Contribuição incide sobre o  valor mensal das  receitas correntes arrecadadas  e das  transferências  correntes e de capital  recebidas, deduzidas, apenas, as  transferências  efetuadas a outras entidades públicas. Não há, portanto, como afastar  a  tributação  que  incide  sobre  a  receita  auferida,  seja  o  ingresso  Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 14            13 decorrente de  transferência ou de arrecadação de  tributos,  pois a  lei  não admite essa possibilidade.  Assim, como no caso do Fundeb, o valor que  foi  transferido a outras  entidades  só  pode  ser  apurado  conforme  metodologia  de  cálculo  acima,  a  base  de  cálculo  necessariamente  deverá  levar  em  consideração  o  saldo  positivo  ou  negativo  dos  valores  ao  Fundo  destinados e dele recebidos.  O  relatório  no  qual  está  fundamentado  o  auto  de  infração  ora  controvertido  esclarece  os  critérios  considerados  pela  autoridade  autuante na apuração da base imponível efolha 307.  Desta  forma,  conclui­se  que  as  receitas  tributárias  arrecadadas  ou  recebidas  pelo  Estado  do  Rio  de  Janeiro  que  foram  destinadas  ao  FUNDEB não podem ser excluídas da base de cálculo do PASEP, por  força  do  disposto  no  art.  7°  da  Lei  n°  9.715/98,  que  determina  a  consideração nas  receitas correntes de quaisquer  receitas  tributárias,  ainda  que  arrecadadas  no  todo  ou  em  parte  por  outra  entidade  da  Administração  Pública,  só  autorizando  a  dedução  das  transferências  efetuadas a outras entidades públicas, o que não é o caso.  Na página seguinte, destaca que "foram considerados todos os valores  de PASEP retidos pela União (...)".  A  conclusão  é  a  de  que  o  trabalho  fiscal  considerou  parâmetros  um  tanto discrepantes daqueles definidos pelo Órgão Central por meio da  Solução  de Consulta  n°  278 Cosit/2017.  No mesmo  sentido,  à  luz  de  tudo  o  que  até  aqui  declinou­se,  salta  aos  olhos  que  a  decisão  recorrida precisa ser modificada, uma vez que tenha, deliberadamente,  excluído da base de cálculo da exação todas as receitas auferidas pelo  Estado  destinadas  ao  Fundeb,  sem  confrontar  o  saldo  final  das  operações  que  envolvem  a  transferência  de  recursos  destinados  e  provenientes do Fundo, tal como demonstrado.  Considerando  que  a  autuação  já  levou  em  consideração  os  valores  retidos  pela União,  voto  pelo parcial  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional,  para  determinar  que  sejam  excluídas  ou  incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o saldo  das operações com o Fundeb conforme explicitado no vertente voto. ”  Por fim, sua conclusão magistral:  1.  As  transferências  da  União  aos  Estados  a  título  de  parcela  de  participação do próprio ente federativo no Fundeb integram a base de  cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep;  2. Podem­se excluir da base de cálculo as retenções já realizadas pela  Secretaria  do  Tesouro  Nacional,  bem  como  os  valores  transferidos  pelos ao Fundeb e incluídos os valores deles recebidos.  Portanto,  esse  entendimento  se  coaduna  com  o  pleito  esposado  pelo  contribuinte, no que diz respeito à exclusão da base de cálculo as retenções já realizadas pela  Secretaria do Tesouro Nacional, bem como os valores transferidos pelos Estados ao Fundeb e  inclusão dos os valores deles recebidos.  Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10855.904134/2015­99  Resolução nº  3302­001.119  S3­C3T2  Fl. 15            14 ­ Do ônus da prova.  Diante do exposto, RESOLVE­SE baixar os autos em diligência, para que a  autoridade preparadora:  1.  Certifique a procedência dos documentos acostados nos autos junto à  Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário; e  2.  Intime o  conbtribuinte  a  apresentar  a base  de  cálculo  do PASEP do  período, identificando as excluões do PASEP.  Ao  final,  deve  ser  facultado  à  recorrente  o  prazo  de  trinta  dias  para  se  pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº  7.574, de 2011.    Jorge Lima Abud ­ Relator.            Fl. 211DF CARF MF

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Numero do processo: 15983.720016/2017-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem disponibilize os documentos solicitados, de modo a conferir ao Colegiado sua plena análise; sendo que, na impossibilidade de fazê-lo, poderá a fiscalização imputar a obrigação à Recorrente e demonstrar de forma exemplificada a discrepância contida nas descrições de mercadorias constante nas Notas Fiscais de saída (vide arquivo SINTEGRA), com as descrições de mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação, de modo a justificar a utilização do critério de arbitramento. Vencida a Conselheira Semírames de Oliveira Duro, que votou pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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3301­001.071  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de março de 2019  Assunto  IPI  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO  Recorrida  Fazenda Nacional    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  Unidade  de  Origem  disponibilize  os  documentos  solicitados, de modo a conferir ao Colegiado sua plena análise; sendo que, na impossibilidade  de  fazê­lo,  poderá  a  fiscalização  imputar  a  obrigação  à  Recorrente  e  demonstrar  de  forma  exemplificada  a  discrepância  contida  nas  descrições  de  mercadorias  constante  nas  Notas  Fiscais de saída (vide arquivo SINTEGRA), com as descrições de mercadorias registradas nas  adições  das  Declarações  de  Importação,  de  modo  a  justificar  a  utilização  do  critério  de  arbitramento.  Vencida  a  Conselheira  Semírames  de  Oliveira  Duro,  que  votou  pela  desnecessidade da diligência.       (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente       (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Marco  Antônio  Marinho  Nunes,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Valcir  Gassen  e  Winderley Morais Pereira (Presidente).  Relatório      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 01 6/ 20 17 -4 0 Fl. 974DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 975            2 Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  do  Acórdão  no.  10­59.741  ­  3ª  Turma da DRJ/POA (fls. 809/845):  Trata­se  de  impugnação  ao  Auto  de  Infração  das  fls.  2  a  4,  lavrado  pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos  (SP) para formalizar a exigência do IPI, acrescido de juros de mora e  multa de ofício no percentual de 75%, totalizando o crédito tributário  R$ 31.628.796,33, à data da autuação.   Conforme o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento das fls. 11 a  30:   (...)4. O estabelecimento fiscalizado é um dos centros de distribuição e  tem  a  função  de  adquirir  mercadorias  no  mercado  nacional  ou  no  exterior  e  transferir  ou  vender  para  os  estabelecimentos  da  empresa  que atuam no comércio varejista e às empresas com as quais mantém  relação de interdependência (Lei n° 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e  Decreto­lei n° 34, de 1966, art. 2°, alteração 5ª). 5. O estabelecimento  CNPJ:  47.508.411/1579­93  da  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  DISTRIBUIÇÃO  importa  diversas  mercadorias  para  revenda.  (...)III­  DAS CONSTATAÇÕES DA FALTA DE LANÇAMENTO DO  IPI NAS  NOTAS FISCAIS DE  SAÍDAS DE PRODUTOS  IMPORTADOS 23. A  empresa não possui escrituração de  IPI  e declarou na DIPJ que não  possui apuração e informações de IPI no período.   Segundo  os  artigos  4°  da  Lei  n°  4.502/1964,  inciso  I  do  art.  9°  do  Decreto  n°  7.212/2010  a  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  DISTRIBUIÇÃO se equipara a estabelecimento industrial pela saída de  produtos de procedência estrangeira.   24. Já que o estabelecimento não possui escrituração de IPI, não houve  creditamento  do  IPI  das  mercadorias  adquiridas  que  entraram  no  estabelecimento,  nem  débito  do  IPI  nas  saídas  destes  produtos  no  período fiscalizado.   25.  Apuramos  o  valor  do  IPI  devido  pela  empresa  concedendo  os  créditos das notas  fiscais de entrada  (importação) não escriturados e  debitamos o IPI referente às saídas sem destaque.   26. Cabe destacar, as saídas dos produtos da fiscalizada tiveram como  destino outros  estabelecimentos da  empresa ou a  estabelecimentos de  empresas com as quais mantenha interdependência.   DA APURAÇÃO 27. Primeiramente, verificamos nos sistemas da RFB  as  importações  realizadas  pelo  contribuinte,  num  segundo  momento  analisamos  SPED  (NF­e)  em  confronto  com  o  arquivo  Excel  do  contribuinte, com o fim de determinar os valores de IPI devidos e não  recolhidos e/ou não declarados.   28.  Da  verificação  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  pudemos  constatar  que  o  mesmo,  como  já  dissemos,  é  um  centro  de  distribuição  que  promove  a  saída  de  mercadorias  estrangeiras  de  importação direta com destino a estabelecimentos da própria empresa  fiscalizada ou a estabelecimentos de firma com a qual mantém relação  de  interdependência,  e,  portanto,  equiparado  a  industrial,  o  que  implica na aplicação do previsto no art.195, inciso I do RIPI, e ainda  Fl. 975DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 976            3 do condicionamento previsto no inciso II do mesmo artigo, vale dizer,  os  produtos  foram  remetidos  a  outro  estabelecimento  da  mesma  empresa que opera na venda a varejo.   29. Verificamos também que o fiscalizado não destacou e não recolheu  os valores de IPI devidos.   30. Que dos diversos Termos de Intimações Fiscais em que se intimou o  contribuinte a apresentar dados concretos de saída, com discriminação  de data, número da Nota Fiscal, quantidade, valor tributável, valor de  IPI  destacado,  pouca  resposta  efetiva  nos  foi  entregue,  como  bem  já  colacionamos  respostas  do  mesmo  em  itens  anteriores.  Vale  a  pena  destacar,  apresentou  em  arquivo  Excel  apenas  listas  gigantescas  de  saídas sem discriminar a que produto importado se referiam.   31. Diante de todo o já exposto, considerando a grande quantidade de  produtos  importados  pelo  contribuinte,  a  definição  de  “produto”  segundo o ADN CST 5, de 04/05/82, a falta de cooperação do mesmo,  concluímos  ser  impraticável  a  obtenção  do  preço médio  corrente  no  mercado  atacadista  da  praça  do  remetente,  assim  como  impossível  discriminar  com  exatidão,  todas  as  saídas  de  um  dado  produto  importado.   32.  Dessa  forma,  considerando  as  constatações  descritas  até  aqui,  considerando as aquisições feitas no exterior, considerando ser assim o  estabelecimento  equiparado  a  industrial,  e,  seguindo  a  sequência  determinada pelo RIPI para a obtenção do Valor Tributável, não nos  restou  outra  saída  senão  a  aplicação  do  VALOR  TRIBUTÁVEL  MÍNIMO, como a seguir abordaremos.   Do Valor Tributável Mínimo 33. Preceitua o RIPI, art. 195, incisos I e  II,  e,  art.  196,  que  quando  a  mercadoria  é  remetida  a  outro  estabelecimento  da  mesma  empresa  ou  a  empresa  com  a  qual  mantenha relação de interdependência, o valor tributável mínimo há de  ser preservado.   34.  Já  o  art.  197,  do  mesmo  Regulamento,  autoriza  o  arbitramento,  destacando­se a hipótese de omissão do contribuinte.   35. Preceitua o RIPI, art. 195, incisos I e II, e, art. 196, que quando a  mercadoria é remetida a outro estabelecimento da mesma empresa ou  a empresa com a qual mantenha relação de interdependência, o valor  tributável mínimo há de ser preservado.   Do  Arbitramento  do  Valor  Tributável  36.  Entretanto,  diante  da  impossibilidade de  se  identificarem as mercadorias  saídas vinculadas  às  importações,  consequentemente  o  valor  tributável  e  o  elemento  temporal  das  mesmas,  torna­se  impossível  a  aplicação  da  legislação  reproduzida nos incisos I e II do art. 195 do RIPI/10, em vista da falta  de apresentação de preço de varejo na praça, e pela impossibilidade de  pesquisa no mercado atacadista. Porém, fato indiscutível é que a saída  das  mercadorias  ocorreu  e  consta  dos  arquivos  apresentados  pelo  contribuinte.   37.  Diante  disso  e  de  todo  o  já  exposto,  não  restou  outro  recurso  à  fiscalização  senão  a  utilização  do  arbitramento  do  valor,  segundo  a  Fl. 976DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 977            4 legislação reproduzida nos art. 197, §2°, e 196, parágrafo único, inciso  I,  do  RIPI/10,  utilizando­se  critérios  razoáveis  à  vista  das  documentações  apresentadas  pelo  contribuinte.  Segundo  o  disposto  neste último artigo a utilização de margem de lucro bruto, constante da  DIPJ, deve ser considerada razoável para determinação de valores de  saídas das mercadorias importadas.   (...)38.  A  margem  de  lucro  a  ser  utilizada  no  arbitramento  do  valor  tributável  está  resumida  na  Tabela  a  seguir,  na  qual  as  fontes  originárias são discriminadas.    39.  Estabelecida  a  margem  de  lucro  (ML=1,59),  apuramos  o  IPI  mensal  na  saída  das  mercadorias  importadas  (PLANILHA  II­ "APURAÇÃO  MENSAL  DE  I.P.I.  NA  SAÍDA  DAS  MERCADORIAS  IMPORTADAS",  anexa  ao  presente  termo).  As  importações  foram  extraídas dos registros do sistema SISCOMEX da Receita Federal do  Brasil.   40.  Um  quadro  resumo,  de  consolidação  mensal,  de  débito  de  I.P.I.  relativo  das  saídas  de  mercadorias  importadas,  apuradas  na  PLANILHA II, é apresentado abaixo.     41.  A  seguir,  PLANILHA  III,  apresentamos  os  valores  apurados  para  lançamentos  de  ofício,  em  relação  às  infrações  da  legislação  do  IPI,  sobre  os  fatos  geradores  ocorridos  durante  as  saídas  das  mercadorias,  mensalmente,  com  as  hipóteses assumidas nos parágrafos anteriores, conforme abaixo.   1­ IPI vinculado recolhido na importação (Crédito de IPI);   2­ IPI na SAÍDA, da PLANILHA II (Débito de IPI) e 3­ Saldo de IPI no  mês (Débito do IPI ­ Crédito do IPI) = Valor do IPI DEVIDO.   Fl. 977DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 978            5  42. Vale a pena ressaltar, embora a legislação tributária condicione o  direito  ao  crédito  do  IPI  à  manutenção  de  escrituração  pelo  beneficiário  nos  seus  livros  fiscais,  à  vista  do  documento  que  lhes  confira  legitimidade,  é  pacífico  o  entendimento  da  administração  tributária  que,  na  saída  de  produtos  de  origem  estrangeira  para  o  mercado interno, deverá ser levado em consideração, para dedução do  tributo lançado de ofício em auto de infração, os créditos relativos ao  IPI  pago  no  desembaraço  aduaneiro  desses  produtos,  ainda  que  não  escriturado em livros próprios.   43. Entendimento esse esposado no Acórdão 201­69.262 de 15/06/94,  da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes.   44. Procedemos, assim, à lavratura do presente Auto de Infração, para  cobrança dos saldos devedores de IPI apurados nessa auditoria.   (...)O enquadramento legal da infração consta da fl. 4 e o dos juros de  mora e da multa de ofício no respectivo demonstrativo da fl. 8.   Irresignado, o contribuinte, por meio de seus procuradores habilitados  nos autos, contesta a exigência às fls. 601 a 643, nos seguintes termos:   Fl. 978DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 979            6 (...)II.1— PRELIMINARMENTE: Nulidade  do Auto de  Infração  II.1.1  —  Inobservância  da  legislação  e  Equívocos  na  Metodologia  do  Levantamento  para  Determinação  do  Crédito  Tributário  5.  Primeiramente, antes mesmo de expor as razões da improcedência da  exigência  quanto  ao  seu  mérito,  a  Impugnante  entende  por  bem  demonstrar  os  equívocos  cometidos  pelo  Sr.  AFRFB  quando  do  arbitramento do quantum supostamente devido.   Explica­se.   6.  A  D.  Fiscalização  arbitrou  a  base  de  cálculo  a  partir  de  dados  extraídos  da  DIPJ/2012,  comparando  a  "Receita  Líquida,  Inclusive  Impostos"  (Diferença  L4  —  L10)  com  o  Custo  das  Mercadorias  Revendidas,  excluído  o  IPI  (CMR  —  IPI),  presumindo  o  fato  de  "margem de lucro" de 59%. 7. Para apurar o imposto devido, portanto,  a  D.  Fiscalização  partiu  dos  valores  das  importações  e  acrescentou  uma margem  de  agregação  de  59%,  calculada  a  partir  da  diferença  entre  o  valor  da  receita  líquida  sobre  o  custo  das  mercadorias  revendidas,  extraído  da  DIPJ.  Ou  seja,  presumiu,  sem  qualquer  fundamentação legal, que a "margem de lucro" seria sempre idêntica,  sem  qualquer  análise  individual  sobre  os  produtos  importados  e  revendidos.   8.  Tal  presunção  não  pode  ser  aplicada  no  presente  caso,  haja  vista  que a DIPJ reflete as operações de venda ao consumidor final, ou seja,  o cálculo realizado pela fiscalização apurou o valor de saída da etapa  subsequente da cadeia, já que o estabelecimento autuado, por se tratar  de  Centro  de  Distribuição,  não  realiza  operação  de  venda  ao  consumidor final.   9.  Além  disso,  arbitrou  uma  mesma  margem  única  para  produtos  completamente distintos.   10.  Tal  como  se  observa  do  Auto  de  Infração  ora  impugnado,  o  Sr.  Agente  Fiscal  deixou  de  aplicar  as  regras  previstas  no  inciso  I,  do  artigo  195,  do  RIPI(...)  para  aferição  do  valor  mínimo  tributável  (o  preço  corrente  no  mercado  atacadista  da  praça  do  remetente),  aplicando uma presunção que não encontra guarida na legislação.   11. Segundo consta dos autos, o Sr. Agente Fiscal,  fundamentando­se  apenas  no  simplório  e  cômodo  argumento  de  "ser  impraticável  a  obtenção do preço médio corrente no mercado atacadista da praça do  remetente, assim como impossível discriminar com exatidão,  todas as  saídas  de  um  dado  produto  importado",  concluiu  ser  impossível  a  aplicação  da  legislação,  notadamente  relativa  aos  incisos  I  e  II  do  artigo 195 do RIPI/10.(...)   12. Ora, ainda que o levantamento do preço no mercado atacadista da  praça  do  remetente,  de  fato,  demande  expressivo  tempo  de  trabalho,  não se pode afirmar, da  forma que o  fez o Sr. Auditor Fiscal, ser  tal  procedimento  impraticável,  a  ponto  de  se  eximir  do  dever  de  observância ao mencionado dispositivo legal e justificar a aplicação de  metodologia  muito  mais  onerosa  ao  contribuinte  (margem  bruta  do  lucro da operação de varejo) prevista no artigo 196, parágrafo único,  inciso  I,  do  RIPI,  aplicável  somente  nas  situações  em  que  inexistir  preço corrente no mercado atacadista.   Fl. 979DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 980            7 13.  Tanto  assim  que,  em  outros  lançamentos,  a  Receita  Federal  circularizou empresas concorrentes e verificou qual o preço praticado  em relação aos produtos importados e revendidos, para arbitrar a base  de cálculo, conforme se observa nos autos do Processo Administrativo  nº  19515.720555/2011­61  (Doc.  02),  decorrente  de  Auto  de  Infração  lavrado  contra  estabelecimento  da  Impugnante.  A  esse  respeito,  vale  transcrever  trecho  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  do  mencionado  lançamento:   "Ou  seja,  lançamos  na  Tabela  02  as  quantidades  totais  mensais  do  Bacalhau  saído  do  estabelecimento,  a  alíquota  média  do  IPI  do  Bacalhau (no caso, ela é a mesma para todos os tipos de Bacalhau —  5%),  o  preço  médio  ponderado  de  venda  no  atacado  do  Bacalhau  (obtido  junto  aos  atacadistas  da  Praça —  conforme  a  Tabela  01)  e  obtivemos o IPI devido mensal e o valor da Multa Isolada, já citada no  item 34 acima". (g.n.)   14.  Portanto,  não  se  pode  afirmar,  como  fez  a  D.  Fiscalização  responsável  pelo  presente  lançamento,  que  se  trata  de  situação  de  "impossibilidade de pesquisa no mercado atacadista". Tanto assim, que  outro  auditor  fiscal,  em  relação  a  estabelecimento  da  própria  Impugnante, realizou tal levantamento, o que, por si só, já deve motivar  o cancelamento do lançamento ora impugnado.   15.  Vale  ressaltar  que  em  outros  casos  (inclusive  anteriores  ao  ora  Impugnado)  envolvendo  outros  estabelecimentos  distribuidores  da  Impugnante,  os  Srs.  Auditores  Fiscais  da  Delegacia  Especial  de  Maiores  Contribuintes  em  São  Paulo  (DEMAC/SP),  utilizaram­se  de  outros  procedimentos  para  aferição  desse  "valor  mínimo  tributável",  alterando o seu critério para apuração do lançamento fiscal.   16.  Com  efeito,  no  caso  do  Processo  Administrativo  nº  16516.720147/2013­27  (Doc.  04),  por  exemplo,  o  Sr.  Auditor  Fiscal,  intimou  empresas  importadoras  atacadistas  da  mesma  praça  do  estabelecimento fiscalizado, ofertantes dos mesmos produtos autuados  naquela  oportunidade,  para  que  apresentassem  as  quantidades  e  os  preços médios dos produtos no período em questão e, só então, a partir  desses dados, aferiu de forma correta "valor mínimo tributável" (qual  seja, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente).   17.  Por  sua  vez,  nos  autos  do  Processo  Administrativo  nº  19515.720857/2013­09 (Doc. 05), outro Auditor Fiscal, para obtenção  do "valor mínimo  tributável", não se utilizou da margem bruta (lucro  bruto),  que  é  a  venda  no  varejo,  mas,  sim,  dos  valores  relativos  às  operações  de  saídas  do  próprio  estabelecimento  autuado  (venda  no  atacado), a partir da verificação do valor líquido de saídas, consoante  Livro Registro de Saídas, observando, assim, o objetivo legislativo de  que o "valor mínimo tributável" previsto no citado artigo 195, do RIPI,  alcance o valor das operações no atacado.   18.  Ademais,  considerando  o  fato  de  que  o  estabelecimento  da  Impugnante  não  realiza  operações  de  varejo,  não  se  mostra  minimamente razoável a mensuração do quantum supostamente devido  através de dados extraídos da DIPJ da Impugnante, distanciando­se da  regra prevista pelos incisos I e II do artigo 195 do RIPI/10.   Fl. 980DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 981            8 19. Nesse  sentido, observe­se o Parecer Normativo CST nº 44/81 e o  Ato Declaratório (Normativo) CST nº 05/82 (Doc. 03), editados com o  objetivo  de  estabelecer,  em  caráter  normativo  e  vinculando  todas  as  Superintendências, o valor tributável mínimo para efeito do cálculo do  IPI  mediante  a  obtenção  do  preço  médio  corrente  no  mercado  atacadista da praça do (estabelecimento) remetente de cada produto, a  saber:   (...)20. Aliás, vale destacar que o artigo 47, II, b, do CTN, igualmente  estabelece que:   (...)21.  Portanto,  uma  vez  que  a  legislação  (tanto  infraconstitucional  como  infralegal)  define  que  valor  tributável  mínimo  para  efeito  do  cálculo do IPI se dará mediante a obtenção do preço médio corrente  no mercado atacadista da mesma praça do (estabelecimento) remetente  de cada produto, não há dúvidas quanto ao equívoco do levantamento  efetuado pela D. Fiscalização para determinação do crédito tributário  consubstanciado e indevidamente exigido, visto que, no presente caso,  foi indevidamente utilizada para esse cômputo a margem de agregação  (lucro  bruto),  apurada  em  relação  à  totalidade  das  receitas  e  não  o  preço  no mercado atacadista,  nos  períodos  de apuração  fiscalizados,  margem esta estranha às operações realizadas pelo estabelecimento de  fato autuado.   22.  Vale  ressaltar  que  o  estabelecimento  ora  autuado  não  realiza  operações de venda no varejo, pelo contrário, sua atividade baseia­se  na distribuição das mercadorias, a qual se dá por meio de operações  de  transferências  e  de  venda  no  atacado  entre  empresas  do  mesmo  Grupo Econômico.   23. Pode­se, portanto, afirmar que a D. Fiscalização se equivocou ao  considerar  operações  que  não  possuem  correlação  com  aquelas  realizadas  pela  Impugnante,  já  que  a  operação  efetuada  é  de  transferência  entre  estabelecimentos  ou  venda  a  empresas  interdependentes. Nesse caso, deveria ter sido fixada a base de cálculo  mínima  (conforme  previsão  legislativa),  a  fim  de  que  não  se  transferissem  mercadorias  em  valores  que  não  pactuem  com  a  realidade da operação.  24.  Nesse  sentido,  em  observância  à  regra  da  "autonomia  dos  estabelecimentos" (que rege o cumprimento das obrigações pertinentes  ao imposto em questão – IPI), ao serem considerados, para cálculo do  valor mínimo  tributável, os valores de operações de venda no varejo,  indiscutivelmente, acabou­se por violar a regra para aferição do valor  mínimo  tributável,  prevista  no  artigo  195,  do  RIPI(...).25.  Ora,  se  a  Fiscalização  não  dispunha  do  valor  das  operações  realizadas,  a  margem  a  ser  por  ele  considerada  para  aferição  do  valor  mínimo  tributável  deveria  ter  sido  a  de  atacado  (operações  efetivamente  realizadas pela mesma) e jamais, como o fez, valores relativos à venda  no  varejo,  operações  completamente  diversas  daquela  efetivamente  praticadas  no  caso  concreto  e  diversa  daquela  que  expressamente  impõe a legislação. Ao se adotar referido procedimento, acaba­se por  autuar  os  valores  de  operações  dos  varejistas,  estabelecimentos  que  não  realizaram  operações  de  importação  e,  mesmo  que,  ad  Fl. 981DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 982            9 argumentandum, prevalecesse a  linha sustentada pela fiscalização, de  equiparar os importadores, jamais seriam alcançados pelo IPI.   26.  Nesse  sentido,  o  Sr.  Auditor  deveria  ter  feito  a  relação  das  mercadorias  comercializadas  e  circularizado,  na  praça  ou  para  os  concorrentes, a apuração do preço praticado em determinado período  para os mesmos bens.   (...)28.  Mas  não  é  só!  Ainda  que  se  admitisse  a  irregular  apuração  levada a efeito pela D. Fiscalização, nas operações de transferência de  um produto para estabelecimentos da mesma pessoa jurídica que opere  exclusivamente na venda a varejo, o já mencionado art. 195, inciso II,  do RIPI, determina que o valor tributável não pode ser inferior a 90%  do preço de venda aos consumidores.   29. Não há dúvidas, portanto, que a utilização, para apuração do valor  mínimo  tributável,  da  margem  bruta  (lucro  bruto)  declarada  pela  Impugnante  em  sua  DIPJ  do  período  fiscalizado,  se  mostra  indiscutivelmente  ilegal  e,  ainda  que  admitida  como  legítima,  restou  calculada em montante superior ao devido.   30. O artigo 196 do RIPI, ao regulamentar a matéria, previu no caput  que,  para  fins  de  aplicação  do  valor  tributável  mínimo,  deve­se  considerar a média ponderada dos preços de cada produto. Vejamos:   (...)31.  Ou  seja,  ao  regulamentar  a  matéria,  o  supracitado  artigo  instituiu  as  regras  dos  dispositivos  a  ele  relacionados,  de  forma  a  estarem  todos  semanticamente  alinhados. Assim,  quando o  legislador  previu o dever de observância à média ponderada de cada produto, sua  intenção  não  foi  tributar  segundo  a  margem  normal  da  atividade  exercida,  considerando  todos  os  produtos  comercializados  pelo  contribuinte.   32.  Não  se  pode  desprezar  que  tal  procedimento  somente  pode  ser  adotado nas hipóteses de real impossibilidade de verificação do valor  mínimo tributável, nos termos em que previsto no artigo 196, parágrafo  único e inciso I, do RIPI, o que, definitivamente, não é a situação dos  autos,  tanto  assim  que  a  própria  Fiscalização  já  procedeu  de  forma  diversa.   33. É exatamente isso que estabelece o artigo 197, §2º, do RIPI, o qual  foi, inclusive, suscitado pela própria Autoridade Fiscal.   34. O dispositivo supracitado afirma que somente nas situações em que  não  for  possível  apurar  o  valor  real  da  operação  (in  casu,  isso  é  perfeitamente  possível  de  ser  apurado,  como  foi  realizado,  inclusive,  em  outros  lançamentos  contra  a  própria  Impugnante)  é  que  o  arbitramento,  com  a  devida  ressalva  de  avaliação  contraditória,  se  dará na forma do disposto no art. 196, do citado Texto Regulamentar  (anteriormente transcrito).   35.  Ora,  I.  Julgadores,  não  é  preciso  ser  especialista  contábil  ou  financeiro para constatar que a margem de lucro bruta declarada em  sede de DIPJ abrange tanto o lucro auferido pela comercialização de  produtos  nacionais  quanto  de  produtos  importados  e  não  apenas  os  produtos  objeto  da  autuação  e,  assim,  acaba,  indiscutivelmente,  Fl. 982DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 983            10 distorcendo o "suposto" valor tributável mínimo para efeito do cálculo  do IPI.   36.  Logo,  além  de  não  respeitar  os  ditames  legais  para  a  correta  aferição do valor  tributável mínimo para efeito do cálculo do IPI, ou  seja,  utilizando­se,  caso  não  fosse  possível  apurar  o  valor  real  da  operação (o que se afirma apenas por amor à argumentação), o preço  médio corrente no mercado atacadista da praça do remetente de cada  produto,  efetuou  apuração  com  a  margem  de  lucro  bruta,  fator  totalmente  desvirtuado  da  base  apontada  pela  legislação,  o  que  evidencia,  por  oportuno,  a  total  insegurança  jurídica  na  relação  tributária,  razão  pela  qual  a  Impugnante  pede  e  espera,  desde  já,  o  cancelamento integral do AI ante a constatação de vício insanável.   II.1.2 — Presunção  do momento  de  ocorrência  do Fato Gerador  37.  Outrossim,  além  dos  equívocos  perpetrados  pela  Fiscalização  para  apuração  do  crédito  tributário  supostamente  devido,  note­se,  ainda,  que  o  momento  da  saída  (fato  gerador)  dos  produtos  importados,  objeto  da  autuação,  foi  presumido  pela  Fiscalização,  maculando,  também por esse prisma, a Autuação Fiscal. Confira­se:   "Entretanto,  diante  da  impossibilidade  de  se  identificarem  as  mercadorias  saídas  vinculadas  às  importações,  consequentemente  o  valor tributável e o elemento temporal das mesmas (...)38. Analisando  os demonstrativos de cálculo apresentados (Planilha 2), verifica­se que  os débitos de IPI apurados no Auto de Infração correspondem ao valor  total  das  entradas,  acrescida  da  margem  presumida,  ocorridas  em  determinado  período.  Assim,  por  exemplo,  o  montante  dos  débitos  apontados em Janeiro de 2012 (R$ 2.020.455,18), mencionado no item  40 do TVF (fl. 25) foi apurado em relação a todas as Declarações de  Importação  registradas  no  período,  considerando­se  a  data  em  que  fora realizado o desembaraço das mercadorias.   39. Sendo assim,  fica nítido que a D. Fiscalização considerou que as  saídas ocorreram na data do desembaraço das mercadorias, o que, por  óbvio,  é  completamente  absurdo,  e  não  guarda  coerência  com  as  práticas de mercado.   40.  Não  se  justifica  a  adoção  desse  critério  temporal  presumido,  dissociado  da  realidade  prática,  para  determinação da  incidência  do  imposto aludido, pois a documentação apresentada pela Impugnante à  Fiscalização,  em  resposta  aos  Termos  de  Fiscalização  continha  a  relação de entrada e saída de mercadorias importadas, com correlação  dos  números  de  nota  fiscal,  data  de  emissão,  descrição  do  produto,  código NCM,  código  interno  do  produto,  quantidade,  preço  unitário,  preço  total  bruto,  alíquota  de  IPI  e  valor  do  IPI,  bem  como  as  destinadas  a  outro  estabelecimento  do  próprio  remetente  ou  a  estabelecimento da firma a qual mantém relação de interdependência.   41.  Afirma­se,  entretanto,  que,  em  razão  da  atividade  exercida  pela  Impugnante,  é  difícil  presumir  o  momento  certo  da  ocorrência  da  saída,  ainda mais  por  não  se  tratar  de  produtos  perecíveis,  os  quais  devem maior observância ao prazo de validade. A presunção desse tipo  de  evento  é  indiscutivelmente  indevida,  pois  fatores  como  a  sazonalidade,  o  bom preço,  ofertas,  liquidações,  vínculos  de  compra,  dentre outros, alteram o momento da ocorrência do fato gerador.   Fl. 983DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 984            11 42.  Sobre  o  fato  gerador  do  IPI,  impende  destacar  que  o  artigo  46,  inciso  II,  do CTN,  previu a  saída  do  estabelecimento  do  contribuinte  autônomo, para  fins de determinação do critério  temporal do aludido  tributo.  (...)43. A  Impugnante apresentou à Fiscalização,  em resposta  aos  Termos  de  Fiscalização,  documentos  probatórios  de  entrada  e  saída  de  mercadorias  importadas,  bem  como  os  demais  documentos  necessários ao controle da transferência das mercadorias.(...)   44. Cumpre salientar que, sendo o fim do procedimento de lançamento,  em si mesmo considerado, um fim de aplicação objetiva da lei, nele não  se  desenrola  propriamente  um  litígio,  mas,  sim,  uma  atividade  disciplinada para a descoberta da verdade material, de tal forma que,  nesse contexto, não há espaço para premissas e presunções singelas e  pessoais, que extrapolam os estritos termos contidos na legislação.   (...)46. Portanto, não poderia (e não pode!) tão simplesmente presumir  o  valor  da  base  de  cálculo  nem  o  momento  da  ocorrência  do  fato  gerador,  como  fez  a  D.  Fiscalização.  No  caso  em  questão,  o  Sr.  Auditor,  quando  da  lavratura  do Auto  de  Infração,  não  fez  nenhuma  referência  quanto  à  saída  das  mercadorias,  bem  como  também  não  especificou qual o critério utilizado para contabilizar o montante dos  produtos  que  saíram  do  estabelecimento,  ou  seja,  para  fins  de  se  mensurar  o  critério  quantitativo  do  IPI,  a D.  Autoridade  Impugnada  quedou­se  deficiente  na  fundamentação da  forma  como quantificou  a  presunção de ocorrência do fato gerador.   (...)48.  O  Auto  de  Infração,  por  ser  um  procedimento  administrativo  por  excelência,  deve  ser  lavrado com base em regras  jurídicas muito  bem delimitadas, regras estas que, além de prescreverem uma conduta  imparcial  por  parte  dos  servidores  públicos  responsáveis  pela  sua  lavratura,  estabelecem  também  critérios  objetivos  quanto  à  forma  como deve se desenrolar o referido processo investigatório.   49. Portanto,  não existe  qualquer  razão  para  presunção do momento  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  uma  vez  que  este  poderia  ser  identificado  através  dos  documentos  fornecidos  pela  Impugnante  à  Fiscalização  durante  todo  o  procedimento  fiscalizatório  e,  por  mais  esse motivo, é que se revela inquestionável a insubsistência do Auto de  infração ora Impugnado.   II.2— MÉRITO  50.  Também  com  relação  ao mérito,  o  indigitado  AI  não merece (e não pode!) subsistir.   Vejamos.   51. Ressalta­se, a princípio, que a discussão sobre incidência de IPI na  revenda de produtos importados foi decidida pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ) no ERESP n. 1.403.532/SC, no qual restou consolidada,  em  sede  repetitiva,  a  legalidade  da  equiparação  do  importador  ao  industrial para fins de incidência do referido tributo.   52. Todavia, a presente discussão encontra­se pendente de análise pelo  Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 946.648/SC, com repercussão  geral  reconhecida.  Situação  essa  que  destaca  a  possibilidade  de  reversão do entendimento exarado no STJ. Nesse  sentido, a depender  do  que  restar  decidido  pelo  STF,  no  recurso  extraordinário  Fl. 984DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 985            12 supracitado,  pode­se  restar  superado  o  entendimento  do  STJ,  razão  pela  qual  ainda  se  justifica,  no  presente  momento,  a  impugnação  quanto à inconstitucionalidade da interpretação atribuída pela SFRFB,  no sentido da incidência do IPI quando da saída interna de mercadoria  importada.   53.  Segundo  entendimento  da  Fiscalização,  "equiparam­se  a  estabelecimento  industrial  os  estabelecimentos  importadores  de  produtos  de  procedência  estrangeira  que  derem  saída  a  esses  produtos", tudo em consonância com o disposto nos artigos 42, inciso I  e 35, inciso I, alínea a, ambos da Lei n° 4.502/64, que assim preveem:   (...)54. Contudo, I. Julgador, a despeito da Lei nº 4.502/64, sobretudo  nos  artigos  transcritos  acima,  ter,  de  fato,  previsto  a  incidência  do  então  Imposto  sobre  Consumo  na  saída  interna  de  produto  industrializado  por  estabelecimento  importador,  deve  o  intérprete,  no  caso o Sr. AFRFB, levar em consideração que normas traçadas ainda  no  âmbito  desse  antigo  imposto  não  podem  ser  automaticamente  aplicadas  ao  IPI,  sem  antes  passar  pelo  crivo  do  CTN,  editado  posteriormente  à  referida  Lei,  e  das  normas  constitucionais  que  lhe  sobrevieram, conforme restará demonstrado abaixo.   II.2.1 — A Incidência do IPI nas Saídas de Produtos Industrializados à  Luz do CTN e da CF/88  (...)II.2.2 — Momento de ocorrência do  fato  gerador  do  IPI:  "entrada  da  coisa  no  circuito  econômico  de  sua  utilização"  62. Conforme a  clássica  lição  de Aliomar Baleeiro,  o  IPI  "recai  sobre  o  produto,  sem  atenção  de  seu  destino  provável  ou  ao  processo econômico do qual proveio a mercadoria", sendo que o "CTN  escolheu,  para  fato  gerador,  três  hipóteses  diversas,  ou  momentos  característicos  da  entrada  da  coisa  no  circuito  econômico  de  sua  utilização.   63.  Assim,  no  tocante  aos  bens  importados,  pode­se  dizer  que  é  no  desembaraço  aduaneiro  que  se  dá  a  "entrada  da  coisa  no  circuito  econômico  de  sua  utilização"  configurando­se  fácil  correspondência  entre  o  fato  gerador  previsto  no  artigo  46,  inciso  I,  e  a  figura  do  importador, contribuinte elencado no artigo 51, inciso I, do CTN.   64.  De  fato,  considerando,  em  última  análise,  que  o  IPI  onera  o  consumo, a não exigência desse  tributo nas operações de  importação  de  produtos  industrializados  causaria  evidente  desequilíbrio  no  mercado interno, manifestamente lesivo à economia do País.   65.  É  dizer,  quem  importasse  produtos  já  industrializados  seria  beneficiado  por  uma  carga  tributária  menor  em  relação  àquele  que  adquirisse o mesmo produto no mercado interno, vez que apenas nesta  última  situação  hipotética  o  contribuinte  suportaria  o  ônus  fiscal  a  título  de  IPI,  constituindo  um  grave  embaraço  ao  exercício  de  sua  atividade econômica, o que se mostra incompatível com o princípio da  livre  iniciativa,  pilar  constitucional  reator  da  ordem  econômica,  de  acordo com o artigo 170, parágrafo único, da CF/88, (...)66. Nos casos  de  arrematação  de  bens  abandonados  e  levados  a  leilão,  não  é  diferente, uma vez que a ocorrência do fato gerador se dá no momento  da própria arrematação, ou seja, nesse exato  instante é que ocorre a  "entrada da coisa no circuito econômico de sua utilização", sendo esse  ato  praticado  pelo  próprio  arrematador,  apresentando­se  plena  Fl. 985DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 986            13 correspondência  entre  o  fato  previsto  no  inciso  III,  do  artigo  46,  e o  contribuinte submetido pelo inciso IV, do artigo 51, ambos do CTN.   67.  Contudo,  o  mesmo  não  ocorre  na  hipótese  de  industrialização  realizada  em  território  nacional,  na  qual,  antes  da  saída  do  estabelecimento  industrial,  se  dá  todo  o  processo  produtivo  em  que  frequentemente  se  integram  ao  produto  final  insumos,  produtos  intermediários e embalagens que já foram anteriormente onerados pelo  IPI. Para essas hipóteses, o artigo 49, do CTN12, impõe observância à  regra da não cumulatividade.   68.  Vale  dizer,  para  observância  efetiva  do  princípio  da  não­ cumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, § 3º, inciso II, da CF, se  fez  categoricamente  necessário  que  as  pessoas  que  forneçam  aos  industriais  insumos, produtos intermediários e embalagens, que sejam  produtos  industrializados,  também sejam contribuintes da  exação  sob  exame, mesmo que não exerçam diretamente atividade  industrial,  sob  pena  de  mitigar  a  não­cumulatividade  em  razão  do  rompimento  da  cadeia de saídas e entradas tributadas que a garante.   69. É por essa razão que o legislador atribuiu ao fato gerador previsto  no inciso II, do artigo 46, do CTN ("saída dos estabelecimentos"), não  apenas um, mas dois contribuintes, ou seja, não só o "industrial" a que  se  refere  o  inciso  II,  do  artigo  51,  do  CTN,  mas  também  aquele  mencionado  no  inciso  III,  do  mesmo  dispositivo,  qual  seja,  "o  comerciante  de  produtos  sujeitos  ao  imposto,  que  forneça  aos  contribuintes  definidos  no  inciso  anterior".  70.  Nesse  diapasão,  segundo  o  qual  para  cada  fato  gerador,  previstos  no  artigo  46,  do  CTN,  deve  corresponder  um  contribuinte,  arrolado no  artigo  51,  que  exerça o papel de promover, nas já transcritas palavras de Baleeiro, a  "entrada da coisa no circuito econômico de sua utilização", revela­se  imprecisa  e  indevidamente  ampliativa  a  parte  final  do  inciso  II,  do  artigo 46, ao fazer remissão não à saída dos estabelecimentos referidos  nos incisos  II e III do artigo 51, mas à saída dos estabelecimentos "a  que se refere o parágrafo único do artigo 51". (...)72. Destaca­se que,  nas operações de  importação ou de arrematação,  tanto o  importador  quanto o arrematante já recolheram o IPI ao promoverem a "entrada  da coisa no circuito econômico de sua utilização".  73. Desta feita, revela­se totalmente desconexo e desarrazoado que tais  contribuintes estejam mais uma vez obrigados a  recolher  IPI  também  nas saídas do produto importado ou arrematado, hipótese em que não  praticarão o ato na qualidade de  importador ou arrematante, mas de  mero  comerciante  daquele  produto.  Em  outras  palavras,  tal  exação  deve ser exigida apenas quando o estabelecimento comercial (varejista  ou  atacadista)  importa  produtos  industrializados  e  jamais  deve  ser  cobrado, quando, no mercado interno, os transfere ou revende.   74. Ademais, o próprio fato do inciso III, do mencionado artigo 51, do  CTN, ao definir como contribuinte "o comerciante de produtos sujeitos  ao imposto, que forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior",  portanto, aos estabelecimentos industriais,  implica, a contrário senso,  que não é contribuinte o comerciante de produtos sujeitos ao imposto  quando não os fornecer a estabelecimentos industriais.   Fl. 986DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 987            14 75. É exatamente a partir desse ponto que acredita a Impugnante ter se  equivocado o Sr. AFRFB quanto à correta interpretação da legislação  que delimita as hipóteses de incidência do IPI.   76. De fato, embora o artigo 42, da Lei ng 4.502/64, tenha equiparado  o importador e o arrematante de produtos de procedência estrangeira  ao  estabelecimento  produtor  (industrial),  nota­se, D.  Julgadores,  que  pelo  teor  do  artigo  51,  do  CTN,  não  estão  reunidos  os  elementos  necessários  e  suficientes  para  que  ocorra  a  "equiparação",  único  fenômeno  jurídico  que  pode  render  ensejo  à  tributação  por  meio  de  IPI, a quem, no rigor dos fatos, não é industrial.   II.2.3  —  Não  incidência  de  IPI  nas  saídas  dos  estabelecimentos  importadores  (...)78.  De  fato,  não  faz,  verdadeiramente,  sentido,  equiparar ao contribuinte industrial referido no inciso II, do artigo 51,  do CTN, o comerciante que, tendo importado determinada mercadoria  sujeita  ao  IPI,  a  revenda  sem  antes  ter  sido  submetido  a  qualquer  operação  que  implique  industrialização,  conforme  art.  46,  parágrafo  único do CTN, retro.   79. Assim,  ressalta­se mais  uma  vez:  a  exigência  do  IPI  no  caso  sob  exame,  somente  se  fundamentaria  se  houvesse  industrialização  pela  Impugnante  das  mercadorias.  No  entanto,  a  Impugnante  apenas  promove a transferência ou a venda a estabelecimentos de empresas do  mesmo  grupo  econômico  que  realizarão  a  revenda  ao  consumidor  final, não contribuinte do imposto.   80.  Ora,  para  que  se  possa  enquadrar  determinada  pessoa  jurídica  como  equiparada  a  industrial,  a  atividade  por  ela  exercida  deve  possuir fortes pontos de identificação com a atividade fabril, de modo  que para fins fiscais, as demais diferenças sejam irrelevantes.   81. Ademais, as razões que fundamentam o lançamento, ora combatido,  baseiam­se em "ficção" inadequada à incidência do IPI, imposta sobre  as operações de revenda ou transferência de produtos importados por  estabelecimentos que não são industriais e não podem ser validamente  a  eles  equiparados,  atribuindo  tratamento  igual  a  situações  completamente  diferentes  e,  portanto,  violando  o  constitucional  princípio  da  Igualdade,  previsto  nos  artigos  59,  caput  e,  especificamente  em  matéria  tributária,  no  inciso  I  e  150,  inciso  II,  ambos da CF, (...)82. Como é sabido, o princípio da igualdade tem por  objetivo  também garantir  tributação  justa  e,  por  essa  razão,  se  exige  que, ao ser criada ou aplicada a lei tributária, não se pode discriminar  os contribuintes que se encontram em situação  jurídica equivalente e,  também, discrimine, na medida de suas desigualdades, os contribuintes  que  não  se  encontram  em  situação  jurídica  equivalente  (importador  versus industriais e comércio de produtos nacionais versus comércio de  produtos importados).   83.  Sendo  as  referidas  disposições  interpretadas  de  acordo  com  a  verdadeira hipótese de incidência trazida pela CF/88 e pelo CTN, tem­ se  que  o  importador  (e,  portanto,  a  Impugnante)  apenas  seria  equiparado  ao  estabelecimento  industrial  e,  por  conta  disso,  estaria  obrigado  a  efetuar  o  recolhimento  do  IPI,  quando  da  saída  das  mercadorias importadas, se, de fato, as tivesse submetido a algum tipo  Fl. 987DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 988            15 de  processo  industrial,  o  que,  frise­se  novamente,  não  ocorreu  no  presente caso.   84.  Ora,  como  é  cediço,  os  estabelecimentos  comerciantes  (por  exemplo,  a  Impugnante)  não  exercem  qualquer  atividade  industrial,  nem  mesmo  praticam  (ou  praticaram)  qualquer  ato  relacionado  ao  processo de industrialização.   85.  Ou  seja,  in  casu,  é  incontroverso  que  a  Impugnante  apenas  transferiu  ou  revendeu  os  produtos  importados,  não  sendo  legítima,  pois, sua equiparação a estabelecimento industrial de pessoas que não  tem qualquer papel no processo produtivo.   86. Dessa forma, interpretando o CTN à luz do contido na Constituição  Federal,  verifica­se  que,  em  relação às  saídas,  para  que  o  IPI  possa  incidir,  faz­se  necessário  que  se  trate  da  saída  de  produto  industrializado,  assim  entendido  o  produto  que  tenha  sido  submetido  (pelo  estabelecimento)  a  qualquer  operação  que  lhe  modifique  a  natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo.   (...)II.2.4  —  Exigência  de  IPI  sobre  as  operações  de  saída  do  estabelecimento  importador  implica  bis  in  idem  88.  O  entendimento  sustentado  pela  D.  Fiscalização,  de  que  todo  estabelecimento  comercial  que  realize  a  saída  de  mercadorias  por  ele  importada  é  considerado,  em  relação  a  esta  operação,  equiparado  a  industrial  e,  por conta disso, está obrigado ao recolhimento do IPI também na saída  interna desses produtos, implica verdadeira ocorrência de bis in idem.   (...)90.  Veja­se,  o  bis  in  idem,  vedado  com  veemência  por  nosso  ordenamento jurídico, se dá pela incidência de tributação duas ou mais  vezes  quanto  ao  mesmo  fato  jurídico  imponível  (delimitados,  alternativamente, pelos artigos 46 e 51, do CTN e artigos 23 e 44 do  Decreto­Lei nº 37/1966).   91.  Diante  disso,  torna­se  desprovida  de  fundamento  qualquer  alegação no sentido de tais  incidências não se caracterizam como bis  in  idem,  vez  que  tais  fatos  geradores  "se  deram  em  duas  etapas  distintas". 92. Isso porque, a intenção do legislador, desde os idos da  Lei  nº  4.502/64,  sempre  foi  delinear  duas  incidências  clássicas  a  depender  de  onde  se  dava  a  produção  do  bem  industrializado,  se  ocorrida  no  exterior  o  fato  gerador  se  dá  no  desembaraço,  se  no  território nacional, no momento da saída do estabelecimento produtor.   Muito bem.   93. E nem se alegue que essa dupla tributação também seria mitigada  pelo  fato  do  direito  ao  crédito  do  IPI  vinculado  à  importação  a  ser  lançado  na  escrita  fiscal  no  encerramento  do  período  de  apuração,  uma vez que, se o objetivo da legislação fosse apenas tributar o "valor  agregado, é dizer, o lucro" (preço de compra onde embutida a margem  de  lucro  da  empresa  estrangeira  (­)  preço  de  venda,  onde  está  embutida  a  margem  de  lucro  da  empresa  brasileira  importadora),  certamente o imposto que se faria incidir nessa operação seria o IRPJ  e a CSLL e, não, o IPI.   Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 989            16 II.2.5 — Ofensa ao artigo 98 do CTN e ao Acordo Geral sobre Pautas  Aduaneiras e Comércio (Acordo GATT/47)   94. A improcedência do Auto de Infração decorre, ainda, dos Acordos  Internacionais  celebrados  pelo  Estado  Brasileiro,  hierarquicamente  superiores aos atos legais internos, por força do disposto no artigo 98,  do Código Tributário Nacional.   95.  A  exigência  fiscal  acaba  por  dispensar  tributação  mais  gravosa  sobre  produtos  adquiridos  do  exterior,  comparando­se  com  a  carga  tributária incidente sobre produtos similares adquiridos de fabricantes  nacionais,  em  ofensa  ao  Acordo  Geral  sobre  Pautas  Aduaneiras  e  Comércio (GATT) e, por conseguinte, ao disposto no Código Tributário  Nacional.   96.  Vale  ressaltar  que  o Brasil  é  signatário  do  Acordo,  conforme  se  observa  da  Lei  nº  313,  de  30/07/1948, Decreto  Legislativo  nº  43,  de  20/06/1950, o Decreto Legislativo nº 30, de 03/09/1951, a Lei nº 4.138,  de  17/09/1962,  o  Decreto  nº  76.032,  de  25/07/1995  e  o  Decreto  nº  1.355/94.   97. Ademais, as operações realizadas objeto da autuação fiscal, foram  realizadas com produtos fabricados e importados de países signatários  do GATT.   98. Nos termos do que estabelece o artigo 98 do CTN, os tratados e as  convenções  internacionais,  no  âmbito  tributário,  prevalecem  sobre  a  legislação interna, nos seguintes termos:   (...)101. Assim, dúvidas não  restam quanto à obrigatória observância  do  disposto  no  Acordo  Geral  sobre  Pautas  Aduaneiras  e  Comércio  (GATT),  o  qual  visa  promover  o  comércio  entre  os  países  aderentes  com o intuito de minorar a discriminação comercial.   102. Note­se, D. Julgadores, nos termos do artigo 32 do citado Acordo  (GATT), que dispõe sobre tratamento nacional no tocante a tributação  e  regulamentação  internas,  as  partes  contratantes  reconheceram  que  os impostos não seriam aplicados a produtos importados ou nacionais,  de modo a proteger a produção nacional.   103.  Referido  Tratado  estabelece  ainda  que  os  produtos  importados  não  estão  sujeitos,  direta  ou  indiretamente,  a  impostos  ou  outros  tributos  internos  de  qualquer  espécie  superiores  aos  que  incidem,  direta ou indiretamente, sobre produtos nacionais. Vejamos:   (...)104.  Não  pode,  assim,  a  legislação,  tampouco  a D.  Fiscalização,  instituir  tratamento  diferenciado  de  modo  que  a  carga  tributária  relativamente  ao  IPI  exigido  da  Impugnante,  por  ocasião  das  saídas  dos produtos importados, seja exacerbadamente maior do que a carga  tributária  incidente sobre os produtos adquiridos no mercado  interno  nacional,  contrariando cabalmente o disposto no GATT e,  por via de  consequência, no artigo 98 do CTN.   (...)106. Para que não pairem dúvidas quanto ao  tratamento desigual  imposto à Impugnante, note­se, no quadro exemplificativo abaixo, que  a  tributação  das  saídas  do  estabelecimento  importador  implicará  Fl. 989DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 990            17 incidência  de  carga  tributária  substancialmente  maior  àqueles  que  adquiram  produtos  importados,  já  que  apenas  nessa  situação  haverá  incidência de IPI na margem agregada pelo contribuinte. Confira­se:   107. Ora, da análise simplória do quadro demonstrativo acima, nota­se  que  a  carga  tributária  (a  título  de  IPI)  incidente  sobre  os  produtos  adquiridos  do  exterior  é  muito  maior  nas  operações  em  que  houve  importação, comparando­se com a operação de aquisição de industrial  no mercado interno, visto que, partindo do mesmo preço de aquisição  ($200),  e mesmo  valor  agregado  pelo  atacadista  ($100),  tem­se  uma  carga  de  IPI  de  $  45  no  caso  de  importação  e  de  $  30  no  caso  de  aquisição nacional.   108. Portanto, dúvidas não restam quanto à ilegitimidade da autuação  fiscal  que  acaba  por  violar  tanto  os  princípios  constitucionais  instituídos no ordenamento  jurídico e previsto nos artigos 52, caput e  nos incisos I e II, do artigo 150, ambos da CF, quanto o artigo 98 do  Código Tributário Nacional.   II.2.6  —  Insubsistência  dos  Valores  Exigidos  a  título  de  Multa  de  Ofício  109.  Ainda  que  o  lançamento  não  fosse  nulo  ou  mesmo  improcedente, em razão de não ter ocorrido o fato gerador do IPI e dos  diversos  equívocos  de  apuração  e  indevidas  presunções  e  arbitramentos de base de cálculo e de momento de ocorrência do fato  gerador,  a  multa  aplicada  não  pode  ser  mantida,  pois,  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  havia  jurisprudência  pacífica  convalidando  o  entendimento  aplicado  pela  Impugnante,  conforme  restará explicitado a seguir.   II.2.7.1  —  Inaplicabilidade  de  multa  àqueles  que  tenham  agido  em  conformidade  com  decisões  de  última  instância,  proferidas  em  processos de outros contribuintes, ou em decisão de primeira instância,  do  próprio  contribuinte  110.  As  operações  que  foram  consideradas  como  fatos  geradores  do  IPI  foram procedidas  em  2012,  período  em  que  a  jurisprudência  considerava  de  forma  pacífica  que  não  havia  incidência nas operações de saída dos estabelecimentos importadores.   111.  A  orientação  jurisprudencial  desperta  confiança  legítima  nos  contribuintes,  que  adotam práticas  com  base  nas  decisões  proferidas  pelos órgãos de julgamento, agindo com boa­fé objetiva, que deve ser  observada pelos julgadores, de modo a não ser mantida a penalidade  aplicada.   (...)113. Mais recentemente, em razão dos denominados planejamentos  tributários,  a  dogmática  tributária  passou  a  analisar  com  maior  regularidade  o  princípio  da  boa­fé  objetiva,  especialmente  para  verificação da aplicação de multa.   114.  O  órgão  administrativo  de  julgamento  no  âmbito  de  tributos  federais tem enfrentado a questão da boa­fé, tendo chegado a afastar a  aplicação  de  multa  de  ofício,  ou  de  reduzi­la,  com  base  no  instituto  penal  do  "erro  de  proibição",  em  razão  da  nova  orientação  adotada  naquela instância de julgamento.   115.  Assim,  o  antigo  Conselho  de  Contribuintes(..),  atual  CARF,  afastou  a  incidência  de  multa  agravada  aplicada  sobre  operação  de  Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 991            18 planejamento  considerada  simulada,  sob  o  fundamento  de  que  o  contribuinte  agiu  de  boa­fé,  em  conformidade  com  o  entendimento  anteriormente  vigente.  Neste  caso,  a  jurisprudência  administrativa  induziu  o  sujeito  passivo  a  acreditar,  de  forma  legítima,  que  não  praticava  qualquer  ato  infracional,  razão  pela  qual  não  poderia  ser  penalizado de forma qualificada nem sofrer eventuais sanções penais.   (...)117.  Portanto,  as  decisões  administrativas  e  judiciais  podem  despertar confiança  legítima nos contribuintes que, agindo de boa­fé,  não poderão sofrer  sanções, exatamente em razão da  impossibilidade  de  atribuição  de  eficácia  retroativa  à  reforma  do  entendimento  anteriormente manifestado.   (...)119. Marco Aurélio Greco destaca três institutos consagrados pelo  direito  tributário  positivo  que  demonstram  os  efeitos  da  confiança  legítima despertada pelos atos da Administração:  (i) o artigo 146 do  CTN, que "prestigia a estabilidade das relações jurídicas e a eficácia  não  retroativa  do  novo  critério  jurídico"(..)  em  relação  ao  mesmo  sujeito  passivo;  (ii)  o  artigo  100  e  seu  parágrafo  único,  que  exclui  penalidades,  juros  e  atualização  monetária  da  base  de  cálculo  dos  tributos àqueles que tiverem observado as normas e práticas emanadas  das  autoridades;  e  (iii)  a  consulta  fiscal,  que  resguarda  o  sujeito  passivo enquanto não apreciada e em relação aos fatos futuros.  120. No âmbito do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, há  previsão  expressa  de  inaplicabilidade  de  multa  àqueles  que  tenham  agido em conformidade com o entendimento firmado na jurisprudência  ou em repostas à consulta.   121.  O  artigo  76,  da  Lei  nº  4.502,  de  1964,  numa  interpretação  teleológica, estabelece que não serão aplicadas penalidades, enquanto  prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto de  acordo com interpretação fiscal adotada pela jurisprudência.   122. Referido preceito está reproduzido no artigo 486 do Regulamento  do  IPI  aprovado  pelo  Decreto  nº  4.544/2002  e  no  artigo  567  do  Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010.   123.  No  presente  caso,  destaca­se  que  o  STJ  tinha  jurisprudência  pacífica no sentido do afastamento da Incidência de IPI nas Saídas dos  Estabelecimentos  Importadores,  além  do  posicionamento  firmado  quando do julgamento do RESP nº 841.269, proferido em 2006. Apenas  em 2013, com o  julgamento REsp 1.393.102, é que a Segunda Turma  do E. STJ passou a decidir de modo contrário àquilo que vinha sendo  sistematicamente  decidido  pelo  Tribunal  Superior,  não  podendo,  jamais, tal interpretação ser aplicada retroativamente.   124.  Portanto,  havendo modificação  do  entendimento  jurisprudencial  ou  da  Administração,  manifestado  no  exercício  das  suas  funções  regulamentar e de julgamento, a própria legislação estabelece que tal  alteração  interpretativa  não  pode  ensejar  a  penalização  do  sujeito  passivo.   125. Nesse sentido, já se posicionou o CARF(..), que cancelou a multa  de  ofício  aplicada,  em  razão  de  o  contribuinte  ter  agido  em  Fl. 991DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 992            19 conformidade  com  o  entendimento  firmado  pela  instância  de  julgamento.   126. Além disso, o art. 100, parágrafo único, do CTN, estabelece que  não caberá a exigência de multa e juros àqueles que tenham observado  as práticas reiteradas da Administração.   127. Não há dúvidas que, apesar de não ter havido qualquer mudança  legislativa  e  a  despeito  de  a  Impugnante  deter  centenas  de  estabelecimentos  e  realizar  operações  de  importações  com  posterior  transferência  dos  produtos  ou  revenda  há  dezenas  de  anos,  apenas  recentemente  passou  a  sofrer  exigência  do  imposto,  de  modo  arbitrariamente retroativo, com aplicação de severa penalidade, o que  evidencia que havia uma prática reiterada da Administração.   128.  Tem­se,  portanto,  que  deve  ser  cancelada  a  multa  aplicada  no  caso dos presentes autos, assim como os juros exigidos, tendo em vista  que  a  Impugnante  agiu  em  conformidade  com  a  orientação  jurisprudencial  firmada  anteriormente  e  em  práticas  reiteradas  da  Administração, pelo que não pode sofrer qualquer punição pelos atos  praticados.   II.3 — Decadência em relação ao principal 129. O IPI é tributo sujeito  ao lançamento por homologação, haja vista que as respectivas regras  legais atribuem ao contribuinte o dever de calcular os valores devidos  e  antecipar  o  pagamento,  sem  o  prévio  exame  das  Autoridades  Administrativas.   130.  Sendo  assim,  tal  tributo  está  sujeito  ao  prazo  decadencial  instituído pelo artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, contado  da ocorrência do fato gerador.   131. É  incontroverso que houve recolhimento de IPI no desembaraço  dos produtos importados.   132.  Tal  dispositivo  é  aplicável  sempre  que  não  restar  caracterizado  ato praticado com dolo, fraude ou simulação, afastando­se a incidência  do disposto no art. 173, inciso I, do CTN.   133.  Partindo­se  da  premissa  de  que  ao  IPI  é  aplicável  a  regra  de  decadência  prevista  no  art.  150,  §4º,  do  CTN,  é  possível  verificar  a  ocorrência  de  decadência,  tendo  em vista  que  a  primeira  notificação  acerca  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  ora  impugnado  se  deu  em  24/01/2017, abrangendo  fatos que a D. Fiscalização presumiu  teriam  ocorrido entre 02/01/2012 e 23/01/2012, já atingidos pela decadência.   134. Nestes termos, a Impugnante requer, em preliminar de mérito, que  parte dos créditos tributários sejam cancelados, em face da extinção do  crédito  tributário  pela  decadência,  conforme artigo 156,  inciso V,  do  CTN.   11.4— Decadência do direito à aplicação de penalidades 135. O Auto  de  Infração  aplicou  multa  de  oficio,  também  após  o  transcurso  do  prazo decadencial.   Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 993            20 136.  O  art.78  da  Lei  nº  4.502/64  dispõe  que  o  direito  de  impor  penalidades decai após cinco anos, contados da data da infração, nos  seguintes termos:   (...)137.  Ora,  trata­se  de  norma  especial  para  contagem  de  sanção  punitiva,  que  remete,  inequivocamente,  à  data  da  infração,  não  se  aplicando, nem por hipótese, a regra do art. 173 do CTN.   138. Deste modo, além de ser descabida a exação e, por consequente, a  multa,  bem  como  de  inexistir  qualquer  pressuposto  legal  para  se  aventar  a  presença  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  é  inconteste  que  quando a intimação foi enviada, há muito já estava decaído o direito de  se impor tal penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos entre  02/01/2012 e 23/01/2012.   II.5 — Da  impossibilidade  de  cobrança  de  juros  moratórios  sobre  a  multa de ofício 139. As autoridades  fiscais aplicam  juros moratórios,  calculados de acordo com a variação da Taxa SELIC, a partir do mês  subsequente  à  expiração  do  prazo  para  pagamento  ou  impugnação,  sobre a multa de ofício constituída em lançamentos fiscais.   140.  No  entanto,  deve  ser  afastada  a  cobrança  de  juros  moratórios  sobre  as  multas  constituídas  nos  Autos  de  Infração  ora  impugnados,  tendo em vista que afrontam:   a)  o  artigo  161,  do  CTN,  o  qual  dispõe  que  somente  "o  crédito  não  integralmente pago no vencimento é acrescido de  juros de mora, seja  qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das  penalidades cabíveis", ou seja, apenas e tão somente o valor principal  deve ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito do Fisco exigir a  multa correspondente, sem que a mesma seja atualizada;   b) o princípio da legalidade, assegurado pela CF/88 (artigos 52, inciso  II) e pelo CTN (artigo 97). Está condicionada à prévia existência de lei  toda  e  qualquer  oneração  que  se  pretenda  introduzir  no  regramento  das obrigações às quais  se  submete o  sujeito passivo  e  tal  regra não  está sendo observada pela Fiscalização ao adotar os artigos 29 e 30,  da Lei nº 10.522/02, na apuração do crédito em discussão;   c)  por  conseguinte,  também  há  ofensa  ao  artigo  2º,  I,  da  Lei  nº  9.784/99,  tendo  em  vista  que  os  atos  da  Autoridade  Administrativa  estão totalmente vinculados à lei; e, por fim, d) os artigos 142, do CTN,  e  artigo  10,  do  Decreto  nº  70.235/72,  e,  por  conseguinte,  ofensa  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa  (artigo  5º,  LV,  da  CF).  De  fato,  tal  penalidade  (juros  sobre  multa  de  ofício)  não  foi  objeto  de  regular  lançamento  e,  assim,  não  foi  conferido  à  Impugnante  o  direito  pleno  para  contestá­la  previamente  à  constituição  definitiva  do  crédito  tributário.   (...)142.  Portanto,  não  são  devidos  juros  moratórios,  calculados  de  acordo com a variação da Taxa SELIC, sobre os valores constituídos a  título de multa de ofício.   III— PEDIDO 143. Ante o exposto, pede e espera a ora  Impugnante,  seja recebida e acolhida in totum a presente IMPUGNAÇÃO, para que  seja  cancelada  a  exigência  fiscal  na  sua  totalidade  (principal, multa,  Fl. 993DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 994            21 juros Selic e demais encargos legais) quer em face das razões aduzidas  em  sede  preliminar,  quer  no  tocante  ao  mérito,  nos  termos  em  que  pleiteados  e  determinados,  por  conseguinte,  o  arquivamento  do  processo administrativo instaurado.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  considerou  improcedente  a  impugnação, sob a seguinte ementa (fl. 809):    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  SAÍDAS  NO  MERCADO  INTERNO  DE  PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGEIRA.  EQUIPARAÇÃO  A  INDUSTRIAL.  FALTA  DE  LANÇAMENTO DO IMPOSTO.   É equiparado a industrial o estabelecimento que der saída no mercado  interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto  não lançado nas notas fiscais.   ARBITRAMENTO DO VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO.   Na  impossibilidade  de  aferição  do  valor  tributável  mínimo  pelos  critérios definidos, por ser omissa e insuficiente a documentação fiscal  expedida  pelo  sujeito  passivo,  há  previsão  legal  para  o  seu  arbitramento.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de  apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO.  ANTECIPAÇÃO  DO  PAGAMENTO.  AUSÊNCIA.  IMPOSIÇÃO  DA  PENALIDADE.  DIES  A  QUO  DA  CONTAGEM  DA  EXTINÇÃO  PUNITIVA.   O  lançamento  por  homologação  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Não  ocorrendo  a  antecipação do pagamento,  condição  sine quae nom para que haja a  extinção  do  crédito  tributário  e  do  direito  da  Fazenda  Pública  de  constituí­lo  pelo  decurso  do  prazo  de  cinco  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  remete,  indubitavelmente,  ao  prazo  decadencial de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  O  direito de  impor a penalidade  somente  se  extingue  com o decurso do  prazo de cinco anos contados da data da ocorrência da  infração. No  caso  concreto  a  infração  ­  falta  de  lançamento  e  recolhimento  do  imposto, somente  se materializou após o encerramento do período de  apuração.   Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário Mantido  Inconformada  com  a  decisão  da DRJ,  a Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  854/907),  no  qual  reforça  os  argumentos  expendidos  na  manifestação de inconformidade, que serão objeto de análise no voto.   É o relatório.      Fl. 994DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 995            22 Voto   Conselheira Liziane Angelotti Meira ­ Relatora.  A  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário,  cujas  alegações  abordaram  os  seguintes pontos:  1. PRELIMINARMENTE: Nulidade do Auto de Infração   1.1  Inobservância da legislação e Equívocos na Metodologia do Levantamento  para Determinação do Crédito Tributário   1.2 Presunção do momento de ocorrência do Fato Gerador   2. MÉRITO   2.1 A Incidência do IPI nas Saídas de Produtos Industrializados à Luz do CTN e  da CF/88 24  2.2 Momento de ocorrência do fato gerador do IPI: "entrada da coisa no circuito  econômico de sua utilização"   2.3 Não incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores   2.4 Exigência de IPI sobre as operações de saída do estabelecimento importador  implica bis in idem   2.5 Ofensa ao artigo 98 do CTN e ao Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e  Comércio (Acordo GATT/47)   2.6 Do  cancelamento  da  exigência  em  razão  da  necessidade  de modulação  os  efeitos  da  modificação  da  jurisprudência  do  STJ,  dominante  na  data  de  ocorrência dos fatos geradores — segurança jurídica   2.7 Insubsistência dos Valores Exigidos a título de Multa de Ofício   2.8 Decadência em relação ao principal   2.9 Decadência do direito à aplicação de penalidades   2.10 Da impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício   Cumpre  informar  que  o  presente  processo  tem  muitas  similaridades  com  o  processo  no.  16561.720088/2014­78.  Da  mesma  forma  que  nesse  processo,  no  presente  processo não foram juntados documentos que embasaram o Auto de Infração. Assim, de forma  similar  à  Resolução  no.  3302­000.606  –  3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária,  propomos  diligência para juntar os referidos documentos, nos termos que seguem.   Dentre  diversas  questões  suscitadas  pela  Recorrente,  há  insurgência  contra  a  metodologia  utilizada  pelo  fiscal  para  apurar  o  valor  devido  pelo  IPI  referente  ao  período  fiscalizado.  Fl. 995DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 996            23 Segundo  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.11/31,  a  fiscalização,  diante da suposta ausência ou insuficiência de documentos e provas, valeu­se do arbitramento  sobre o  valor  e  elemento  temporal  (§2º  do  art.  197,  e §  único  do  art.  196  do RIPI/10),  para  apurar o valor devido pelo IPI não recolhido no período sob fiscalização, conforme se verifica  no trecho que segue:  DA APURAÇÃO  27. Primeiramente,  verificamos  nos  sistemas  da  RFB  as  importações  realizadas pelo contribuinte, num segundo momento analisamos SPED  (NF­e) em confronto com o arquivo Excel do contribuinte, com o fim de  determinar  os  valores  de  IPI  devidos  e  não  recolhidos  e/ou  não  declarados.  28. Da  verificação  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  pudemos  constatar  que  o  mesmo,  como  já  dissemos,  é  um  centro  de  distribuição  que  promove  a  saída  de  mercadorias  estrangeiras  de  importação direta com destino a estabelecimentos da própria empresa  fiscalizada ou a estabelecimentos de firma coma qual mantém relação  de  interdependência,  e,  portanto,  equiparado  a  industrial,  o  que  implica na aplicação do previsto no art.195, inciso I do RIPI, e ainda  do condicionamento previsto no inciso II do mesmo artigo, vale dizer,  os  produtos  foram  remetidos  a  outro  estabelecimento  da  mesma  empresa que opera na venda a varejo.   29. Verificamos também que o fiscalizado não destacou e não recolheu  os valores de IPI devidos.  30. Que dos diversos Termos de Intimações Fiscais em que se intimou o  contribuinte a apresentar dados concretos de saída, com discriminação  de data, número da Nota Fiscal, quantidade, valor tributável, valor de  IPI destacado, pouca resposta efetiva nos foi entregue, como bem já  colacionamos  respostas  do mesmo  em  itens  anteriores. Vale  a  pena  destacar,  apresentou  em  arquivo Excel  apenas  listas  gigantescas  de  saídas sem discriminar a que produto importado se referiam.  31. Diante de todo o já exposto, considerando a grande quantidade de  produtos  importados  pelo  contribuinte,  a  definição  de  “produto”  segundo o ADN CST 5, de 04/05/82, a falta de cooperação do mesmo,  concluímos  ser  impraticável  a  obtenção  do  preço médio  corrente  no  mercado  atacadista  da  praça  do  remetente,  assim  como  impossível  discriminar  com  exatidão,  todas  as  saídas  de  um  dado  produto  importado.  32. Dessa  forma,  considerando  as  constatações  descritas  até  aqui,  considerando as aquisições feitas no exterior, considerando ser assim o  estabelecimento  equiparado  a  industrial,  e,  seguindo  a  sequência  determinada pelo RIPI para a obtenção do Valor Tributável, não nos  restou  outra  saída  senão  a  aplicação  do  VALOR  TRIBUTÁVEL  MÍNIMO, como a seguir abordaremos. (grifou­se)  No trecho transcrito, verifica­se que um dos motivos que levaram a fiscalização  utilizar o método de arbitramento para apuração do crédito tributário, nos termos do artigo 197,  §2º, e 196, parágrafo único, inciso I, do RIPI/10, foi o fato da autoridade fiscal afirmar que as  Fl. 996DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 997            24 descrições  de mercadorias  entregues  pelo  contribuinte  não  coincidiam  com  as  descrições  de  mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação.  Ou  seja,  segundo  a  fiscalização  não  foi  possível  realizar  um  cotejo  entre  a  descrição da mercadoria importada e a descrição mercadoria vendida no mercado interno para,  assim,  apurar  o  real  valor  da  operação  de  venda  ou  determinar  o  correto  preço  corrente dos  produtos sob análise, nos termos do inciso I, do artigo 195, do RIPI/10.  Referida  afirmação por parte da  fiscalização partiu da  análise dos documentos  fornecidos  pela  Recorrente,  os  quais  destacamos  o  arquivo  SINTEGRA  e  a  lista  de  saídas  entregue pelo contribuinte outrora citado no TVF.  Por  sua vez, a Recorrente alegou que os documentos  fornecidos à  fiscalização  são deverás suficientes para se apurar a correta base de cálculo do imposto e, assim, determinar  o real preço corrente, a saber:  44. Ao contrário do quanto sustentado pela r. decisão, a documentação  apresentada pela Recorrente à Fiscalização,  em resposta aos Termos  de  Fiscalização  continha  a  relação  de  entradas  e  saídas  de  mercadorias  importadas,  com correlação dos números de nota  fiscal,  data de emissão, descrição do produto, código NCM, código interno do  produto, quantidade, preço unitário, preço total bruto, alíquota de IPI  e valor do IPI, bem como as saídas destinadas a outro estabelecimento  do  próprio  remetente  ou  a  estabelecimento  da  firma  a  qual  mantém  relação  de  interdependência,  o  que  não  justifica  a  adoção  desse  critério temporal para suposta incidência do aludido imposto.  Compulsando­se os autos, especificamente as respostas aos termos de intimação  (p.  45  e  seguintes),  verifica­se  que  na  fase  fiscalizatória  a Recorrente  forneceu  à  autoridade  fiscal uma gama de documento, dentre os quais:   Mídias magnéticas (DVD) devidamente validadas e autenticadas por meio do  Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digiais (SVA), contendo o  seguinte conteúdo:  · Cópia dos Atos Constitutivos bem como das alterações ocorridas até a  presente data;  · Arquivos  digitais,  contendo  os  registros  contábeis  e  notas  fiscais  ­  escrituração  contábil  digital  do  Sistema SPED  ­  Período:  01/2012  a  12/2012;  · Arquivos  magnéticos  de  notas  fiscais  emitidas  no  formato  SINTEGRA ­ Período : 01/2012;  Mídias magnéticas  (DVD) devidamente validada e autenticada por meio do  Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digiais (SVA), contendo o  seguinte conteúdo:  · Arquivos  magnéticos  de  notas  fiscais  emitidas  no  formato  SINTEGRA ­ Período : 01/2010 a 12/2011;  Fl. 997DF CARF MF Processo nº 15983.720016/2017­40  Resolução nº  3301­001.071  S3­C3T1  Fl. 998            25 Planilha  contendo  Dados  das  Saídas  de  produtos  Importados  referente  ao  período de 2012;  Planilhas com a relação dos produtos comercializados;  CD  contendo  a  planilha  em  excel  com  a  informações  das  notas  fiscais  de  saídas referente às mercadorias importadas;  CD  (mídia)  contendo  a  planilha  em  excel  (tabela  Código  X  Mercadorias/Serviços) do período de 2012;  Contudo, os documentos  juntados pela Recorrente nas  respostas aos  termos de  intimação fiscal não estão encartados aos autos, obstando, assim, a devida análise desta relatora  a  respeito da afirmação prestada pela autoridade  fiscal  sobre a  impossibilidade de se  realizar  um  cotejo  entre  a  descrição  da  mercadoria  importada  e  a  descrição  mercadoria  vendida  no  mercado interno.  Por um lado, um dos motivos preponderantes que justificaram o arbitramento do  valor  tributável  foi  a  impossibilidade  de  realizar  um  cotejo  entre  a  descrição  da mercadoria  importada  e  a  descrição  mercadoria  vendida  no  mercado  interno,  posto  que  segundo  a  fiscalização os documentos fornecidos pelo contribuinte foram insuficientes para  tanto e, por  outro lado; por outro lado, a Recorrente afirma que, com base no suporte documental constante  dos autos,  é possível  se  inferir  todos os dados necessários para a correta aferição da  suposta  base de cálculo do imposto. Assim, entendo que há necessidade de se converter o julgamento  em diligência para que seja disponibilizado aos autos todos os documentos mencionados.  Neste  cenário,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  fiscalização:  a) disponibilizar os documentos mencionados, de modo a conferir ao Colegiado  sua  plena  análise;  sendo  que,  na  impossibilidade  de  fazê­lo,  poderá  a  fiscalização  imputar  a  obrigação à Recorrente;  b) demonstrar de forma exemplificada a discrepância contida nas descrições de  mercadorias constante nas Notas Fiscais de saída (vide arquivo SINTEGRA) com as descrições  de mercadorias registradas nas adições das Declarações de Importação, de modo a justificar a  utilização do critério de arbitramento.  Após  concluída  a  diligência,  a  unidade  de  origem  deverá  cientificar  o  contribuinte, dando­lhe prazo de 30 dias para se pronunciar.  Concluídas as  etapas anteriores, o processo deve ser devolvido ao CARF para  que se prossiga no julgamento.       (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira  Fl. 998DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.902571/2017-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014 CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. DISPÊNDIOS COM FRETE. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS E DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMI ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A transferência de minérios extraídos de minas para a usina onde será beneficiado para que seja obtido o produto final constitui-se em etapa essencial e imprescindível para a manutenção do processo produtivo, mormente quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas. Ademais, é característica da atividade da empresa a produção do próprio insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção ou comprometimento do processo produtivo. Assim, essencial e imprescindível a contratação de frete junto á terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, frete este pago em decorrência do transporte de minerais das minas até a usina onde é obtido o produto final, no caso, minério de ferro beneficiado, caracterizando-se este dispêndio como insumo. Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes de transporte de insumos (matérias-primas) e produtos em elaboração ou semi- elaborados entre estabelecimentos da mesma empresa geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa. DISPÊNDIOS COM FRETE. DE PRODUTOS ACABADOS - MINÉRIO DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE AGUARDANDO EXPORTAÇÃO E TERMINAIS PORTUÁRIOS PARA EXPORTAÇÃO. Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os minérios beneficiados, já vendidos, cujo transporte é feito para terminais portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque para o exterior caracterizam-se como produtos vendidos cujo frete é suportado pelo vendendor, onde o crédito é garantido por dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO. Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida. Incluem-se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas. MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO . Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica da atividade da recorrente, tais gastos devem gerar créditos para a Contribuição do PIS/PASEP e COFINS no sistema da não cumulatividade, por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL Incluem-se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental (com o objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os gastos com prestação de consultoria e monitoramento de vibração das cavidades naturais existentes no terreno de lavra de minérios, gastos com prestação de serviços de execução e prospecção espeleológica. Não se enquadram nesse conceito os gastos com prestação de serviços de medicina do trabalho e segurança, por serem comuns a todas as empresas, portanto não essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente
Numero da decisão: 3301-006.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reverter as glosas referentes: fretes de insumos e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da empresa (unidade mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério - usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados à exportação; gastos com insumos na fase de pré-beneficiamento; gastos com o beneficiamento do minério; gastos com insumos por obrigação legal. Vencida a conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI

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access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-31T19:09:13Z | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 975          1 974  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA ECONOMIA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.902571/2017­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­006.103  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2019  Matéria  Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS  Recorrente  MMX MINERAÇÃO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014  CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.  São  insumos,  para  efeitos  do  inciso  II  do  artigo  3º  da  lei  nº  10.637/2002,  todos  os  bens  e  serviços  essenciais  ao  processo  produtivo  e  á  prestação  de  serviços  para  a  obtenção  da  receita  objeto  da  atividade  econômica  do  seu  adquirente,  podendo  ser  empregados  direta  ou  indiretamente  no  processo  produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo  produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria  atividade da pessoa jurídica.   Desta  forma,  deve  ser  estabelecida  a  relação  da  essencialidade  do  insumo  (considerando­se  a  imprescindibilidade  e  a  relevância/importância  de  determinado  bem  ou  serviço,  dentro  do  processo  produtivo,  para  o  desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica)  com  o  objeto  social  da  empresa,  para  que  se  possa  aferir  se  o  dispêndio  realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,   Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes  Maia Filho, ao  julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo,  ao  qual  está  submetido  este  CARF,  por  força  do  §  2º  do  Artigo  62  do  Regimento Interno do CARF.   DISPÊNDIOS  COM  FRETE.  FRETE  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  E  DE  PRODUTOS  EM  ELABORAÇÃO  OU  SEMI  ELABORADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  A  transferência  de  minérios  extraídos  de  minas  para  a  usina  onde  será  beneficiado  para  que  seja  obtido  o  produto  final  constitui­se  em  etapa  essencial  e  imprescindível  para  a  manutenção  do  processo  produtivo,  mormente  quando  se  considera  a  distância  que  separa  as  unidades  mineradoras da usina e a diversidade de locais onde se situam as minas.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 25 71 /2 01 7- 89 Fl. 975DF CARF MF     2 Ademais,  é  característica  da  atividade  da  empresa  a  produção  do  próprio  insumo, até mesmo como forma se certificar de que não haverá interrupção  ou comprometimento do processo produtivo.   Assim,  essencial  e  imprescindível  a  contratação  de  frete  junto  á  terceira  pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa,  frete  este  pago  em  decorrência  do  transporte  de  minerais  das  minas  até  a  usina  onde  é obtido  o  produto  final,  no  caso, minério  de  ferro  beneficiado,  caracterizando­se este dispêndio como insumo.   Portanto, em sendo insumos, os valores decorrentes da contratação de fretes  de  transporte  de  insumos  (matérias­primas)  e  produtos  em  elaboração  ou  semi­  elaborados  entre  estabelecimentos  da mesma  empresa  geram  créditos  da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa.   DISPÊNDIOS  COM  FRETE.  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ­  MINÉRIO  DE FERRO JÁ BENEFICIADO DESTINADO Á EXPORTAÇÃO. FRETE  NO  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E ARMAZÉNS PARA ESTOQUE  AGUARDANDO  EXPORTAÇÃO  E  TERMINAIS  PORTUÁRIOS  PARA  EXPORTAÇÃO.  Os dispêndios com frete de produtos já beneficiados e vendidos, ou seja, os  minérios  beneficiados,  já  vendidos,  cujo  transporte  é  feito  para  terminais  portuários ou mesmo para armazéns com o objetivo de aguardar o embarque  para  o  exterior  caracterizam­se  como  produtos  vendidos  cujo  frete  é  suportado pelo vendendor,  onde o  crédito  é  garantido por dispositivo  legal,  neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.  USINA DE MINÉRIO DE FERRO. GASTOS COM INSUMOS NA FASE  PRÉ BENEFICIAMENTO.  Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do  terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica  da  atividade  da  recorrente,  tais  gastos  devem  gerar  créditos  para  a  Contribuição  do PIS/PASEP  e COFINS no  sistema da não  cumulatividade,  por  serem  essenciais  para  a  obtenção  da  receita  da  atividade  desenvolvida.  Incluem­se nesta fase os gastos com manutenção da infra estrutura das minas.  MINÉRIO  DE  FERRO.  GASTOS  COM  O  BENEFICIAMENTO  DO  MINÉRIO .  Diante da essencialidade dos gastos incorridos para pesquisa, preparação do  terreno, escavação, extração para obtenção do minério, matéria prima básica  da  atividade  da  recorrente,  tais  gastos  devem  gerar  créditos  para  a  Contribuição  do PIS/PASEP  e COFINS no  sistema da não  cumulatividade,  por serem essenciais para a obtenção da receita da atividade desenvolvida  GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL  Incluem­se  nesse  conceito  os  gastos  com  consultoria  ambiental  (com  o  objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são  necessários),  os  gastos  com  prestação  de  consultoria  e  monitoramento  de  vibração  das  cavidades  naturais  existentes  no  terreno  de  lavra  de minérios,  gastos  com  prestação  de  serviços  de  execução  e  prospecção  espeleológica.  Não  se  enquadram  nesse  conceito  os  gastos  com  prestação  de  serviços  de  medicina  do  trabalho  e  segurança,  por  serem  comuns  a  todas  as  empresas,  portanto  não  essencial  e  relevante  para  obtenção  da  receita  vinculada  a  atividade da recorrente      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 976          3 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  dar  parcial  provimento  para  reverter  as  glosas  referentes:  fretes  de  insumos  e  produtos  semi  elaborados  entre  estabelecimentos  da  empresa  (unidade  mineradora  e  complexo  industrial  de  beneficiamento de minério ­ usina); fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já  destinados  à  exportação;  gastos  com  insumos  na  fase  de  pré­beneficiamento;  gastos  com  o  beneficiamento  do minério;  gastos  com  insumos  por  obrigação  legal.  Vencida  a  conselheira  Liziane Angelotti Meira, que manteve a glosa de fretes entre estabelecimentos.  Assinado digitalmente  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Ari Vendramini ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira,  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'Oliveira,  Salvador  Cândido  Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e  Ari Vendramini (Relator)    Relatório  1.    Os  presentes  autos  tiveram  origem  em  procedimento  de  fiscalização  para  verificação dos créditos da não cumulatividade, relativos a receitas de exportação, objetos dos  PER  –  PEDIDOS  ELETRÔNICOS  DE  RESSARCIMENTO,  aqui  relacionados,  da  Contribuição  para  o PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA e  da COFINS NÃO CUMULATIVA.  Vinculados a tais PER estavam Declarações de Compensação ­DCOMPs, também transmitidas  eletronicamente  pela  ora  recorrente,  sendo  que  para  cada  PER  foi  vinculado  um  processo  administrativo,  como demonstrado  na  tabela. Nestes  autos,  a  recorrente  transmitiu  a PER n°  272794642816081311097390,  visando  o  ressarcimento  de  direito  creditório,  decorrente  da/o  Cofins não cumulativo ­ exportação, do 2o TRIM 2013, no valor de R$ 957.582,52, vinculando  a ele diversas DCOMP'      PIS/PASEP NÃO CUMULATIVA  PERÍODO DE APURAÇÃO  PER Nº  PROCESSO ADM Nº  1º TRIM 2013  07863.33572.140613.1.1.08­1944  10680.902569/2017­18  2º TRIM 2013  13539.58117.160813.1.1.08­2730  10680.902570/2017­34  1º TRIM 2014  17839.05923.270614.1.1.08­7016  10680.904482/2017­77  2º TRIM 2014  10601.11364.141014.1.1.08­0400  10680.904485/2017­19  3º TRIM 2014  23840.16224.091214.1.1.08­5643  10680.904486/2017­55    COFINS NÃO CUMULATIVA  PERÍODO DE APURAÇÃO  PER Nº  PROCESSO ADM Nº  1º TRIM 2013  22860.92415.140613.1.1.09­0419  10680.902568/2017­65  2º TRIM 2013  27279.46428.160813.1.1.09­7390  10680.902571/2017­89  Fl. 977DF CARF MF     4 1º TRIM 2014  38881.14812.270614.1.1.09­7662  10680.904483/2017­11  2º TRIM 2014  20115.88267.141014.1.1.09­4906  10680.904484/2017­66  3º TRIM 2014  41431.13586.091214.1.1.09­0731  10680.904487/2017­08    2.    Dos  trabalhos de fiscalização foram formalizados os  lançamentos por autos de  infração,  por  descumprimento  da  legislação  de  regência  dos  tributos,  sendo  glosados  os  créditos  apurados,  sob  a  fundamentação  constante  do Termo  de Verificação  Fiscal  e  tabelas  anexas de fls. 89/116, constantes destes autos digitais. Estes autos de infração são o objeto dos  presentes autos, tendo como reflexos os processos a estes apensados.    3.    Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do  Acórdão da DRJ/JUIZ DE FORA, combatido nestes autos pela recorrente :    Trata­se  de  autos  de  infração  lavrados  contra  a  empresa  acima  identificada, em que foram lançados Cofins, no valor principal de R$  6.483.588,64,  e  PIS,  no  valor  principal  de  R$  1.407.621,21,  acompanhados de juros de mora (calculados até 06/2017) e multa de  ofício 75%. O valor  consolidado do crédito  tributário  corresponde a  R$ 17.104.745,37.  Na “Descrição  dos Fatos  e Enquadramento Legal”, que  acompanha  os autos de infração, a infração apurada está assim discriminada:    Foi emitido Termo de Verificação Fiscal  (TVF) para um conjunto de  PER, abaixo relacionados, em função de procedimento de fiscalização  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias,  pelo  contribuinte  acima  identificado,  relativas  aos  créditos  das  contribuições  para  o  PIS  e  para a COFINS, pelo regime não cumulativo:    O TVF traz que:  // ­ PROCEDIMENTOS INICIAIS DE FISCALIZAÇÃO  (...)  /// ­ FUNDAMENTAÇÃO LEGAL UTILIZADA  (...)    IV­ DOS FATOS APURADOS  (...)  Com  base  nas  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  cotejo  com o seu processo produtivo,  passamos a examinar os  insumos empregados na produção.  Desta  análise,  constatamos  erro  na  adoção  do  conceito  de  insumos e,  consequentemente, na amplitude da base de cálculo dos créditos  com  direito  a  dedução/ressarcimento  na  apuração  de  PIS  e  COFINS na modalidade não cumulativa.  Como  já  descrito,  a  legislação  de  regência  não  assegura  o  direito de apurar crédito  sobre  todo e qualquer custo, despesa  ou  encargo,  ainda  que  necessário  à  atividade  da  pessoa  jurídica.  Para  serem  considerados  insumos,  os  bens  e  os  serviços  devem  ser  aplicados  ou  consumidos  durante  a  fabricação do produto ou a prestação do serviço e, com relação  aos  serviços,  prestados  por  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País. Conclui­se que a condição imposta para o aproveitamento  dos créditos é a aplicação ou consumo, tanto de serviços quanto  de bens, durante o processo produtivo de bem destinado à venda  ou à prestação de serviços.  Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 977          5 Logo,  o  termo  insumo  não  pode  ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gere  custo/despesa,  como  pretendeu  o  contribuinte,  mesmo  que  necessário  para  a  atividade da pessoa jurídica, mas somente o que efetivamente se  aplicou ou consumiu diretamente na produção ou fabricação do  produto destinado à venda.  Assim,  elaboramos  planilhas:(Anexos  I,  II,  III,  IV  e  V),  que  passam  a  fazer  parte  integrante  deste  termo,  para  demonstrar  todo procedimento adotado na presente ação fiscal e, sobretudo,  elencar  os  bens  ou  serviços  que,  embora  utilizados  pelo  contribuinte,  devido  às  restrições  impostas  pela  legislação  de  regência,  não  foram  considerados  como  insumos  e,  portanto,  tiveram os respectivos créditos glosados. Não obstante, citamos  e  fazemos  referências  ao  conteúdo  de  cada  anexo,  conforme  segue:  Anexo  I  ­  DEMONSTRATIVO  FORNECEDORES  E  OPERAÇÕES OBJETO DE GLOSA.  Planilha relacionando os fornecedores de produtos ou serviços,  na primeira  coluna, e a descrição dos produtos ou serviços, os quais foram  desconsiderados por esta fiscalização para efeito de geração de  crédito(GLOSA), na segunda coluna.  Como pode  ser  constatado,  na  supramencionada planilha,  são  produtos ou  serviços que não participam diretamente do processo produtivo  do contribuinte: extração e processamento do minério de ferro.  Minério de ferro que é o produto final, que é o objeto de venda e  que  enseja  débito  de  PIS/COFINS,  a  ser  compensado  com  os  respectivos  créditos.  Em  que  pese  serem  produtos  e  serviços  úteis,  tais  como:  consultorias  ambientais  e  outras,  abertura  e  conservação  de  acessos,  projetos,  serviço  de  limpeza  e  apoio  administrativo,  serviço  de  despacho  aduaneiro,  obras  de  infra  estrutura,  movimentação  interna  de  produtos  e  rejeitos  e  transporte  em  território  nacional,  de  mercadoria  destinada  à  exportação.  Cabe destacar aqui, pela relevância, as operações de transporte  ou  remoção  de  produtos,  subprodutos  ou  rejeitos.  Tais  operações  são  posteriores  ao  processo  produtivo,  afastando  o  conceito  de  insumos,  necessário  para  considerá­las  como  geradores  de  crédito.  Quanto  ao  transporte  de  produtos  acabados,  ou  seja,  após  o  término  do  processo  produtivo,  independente  se  entre  o  local  de  produção até  o  estoque,  bem  como  do  estoque  até  o  armazém  portuário  para  futuro  embarque,  essas  operações  não  estão  contempladas  como  ensejadoras de crédito.  Anexo II ­ DEMONSTRATIVO BASE CÁLCULO ­ GLOSAS  Planilha  com  totalizações mensais  de  valores  das  operações  e  respectivos fornecedores, que foram objeto de glosa.  Anexo III ­ DEMONSTRATIVO CÁLCULO GLOSAS CRÉDITO  Planilha  que  se  inicia  com  os  totais  das  bases  de  cálculo,  demonstrados  no  anexo  II,  e  que  segue  com  o  cálculo  das  contribuições  (PIS/COFINS)  glosadas,  rateadas  na  proporção  das receitas auferidas no mercado interno e mercado externo.  Fl. 979DF CARF MF     6 Anexo  IV  ­  DEMONSTRATIVO  APURAÇÃO,  DEDUÇÕES  E  CONTROLE DO SALDO POSITIVO.  Planilha  com  os  cálculos  dos  débitos  e  créditos  mensais  bem  como a  demonstração das deduções e dos saldos dc cada contribuição.  Anexo  V  ­  DEMONSTRATIVO  SALDOS  NEGATIVOS  DE  CRÉDITO,  LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO.  Demonstração  do  crédito  apurado  na  fiscalização  (coluna D),  que  foi  o  resultado  entre  o  crédito  apurado  pelo  contribuinte  (coluna  B)  e  os  valores  dos  créditos  glosados  (coluna  C),  rateado  na  proporção  das  receitas  do  mercado  interno  e  mercado  externo  (co!unas  E  a  H).  Finalmente  foram  discriminadas as deduções utilizadas pelo  contribuinte  (coluna  I), para se chegar nos valores negativos de créditos, que foram  objeto  de  lançamento  por  meio  de  lavratura  de  Auto  de  Infração(coluna J).  Tais  valores  foram  o  resultado  do  crédito  apurado  pelo  contribuinte,  diminuído  das  glosas  e  das  deduções  efetuadas  pelo contribuinte(B ­ C ­ 1 ).  V— CONCLUSÃO Em função do presente trabalho e decorrente  das  glosas  demonstradas,  considerando  as  deduções  já  efetuadas,  ao  contrário  da  pretensão  do  contribuinte,  restou  saldo a recolher de PIS/COFINS, cujos valores foram objeto de  lançamento por meio de Auto de Infração.   Este  relatório  é  comum  às  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  COFINS  não  cumulativas  e  aos  Per/Dcomp  do  período  fiscalizado,  tendo  em  vista  os  mesmos  elementos  de  prova  e  análise.    A empresa apresenta impugnação, na qual alega que:    II ­ DOS FATOS  (...)  Nos  termos autorizados pela  legislação regente, a Manifestante  acumula créditos de referida Contribuição, uma vez que realiza  exportações do produto por ela explorado  (minério de  ferro) e,  em  virtude  disto,  regularmente  apresenta,  perante  a  Receita  Federal  do  Brasil  em  Belo  Horizonte  ­  MG,  Pedidos  de  Ressarcimento daquelas contribuições.  (...)  Entretanto,  a  Fiscalização  não  acatou  os  créditos  apropriados  pela  Manifestante,diga­se  desde  já,  por  desconhecimento  da  atividade  desenvolvida,  em  especial  no  que  tange  ao  processo  produtivo empregado para a consecução do seu objeto social.  Neste ponto, importante esclarecer que, paralelamente a análise  do PER/DCOMP em questão, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em Belo Horizonte  ­ MG levou a efeito procedimento de  fiscalização em face da Manifestante que culminou na lavratura  dos  Autos  de  Infração  assentados  no  Processo  Administrativo  Tributário de n° 15504.724.382/2017­13.  Desta  forma,  naquela  oportunidade,  restaram  constituídos  créditos  tributários  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  referentes aos exercícios de 2013 e 2014 ­ período de apuração  que engloba o objeto do presente feito ­ utilizando­se para tanto,  dos  mesmos  argumentos  usados  por  este  Fisco  para  a  não  homologação do Pedido de Ressarcimento em análise.  Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 978          7   Por  conseguinte,  necessário  se  faz  o  apensamento  daquele  processo  administrativo  (n°  15504,724.382/2017­13)  ao  presente  feito,  para  que  não  haja  o  risco  de  serem prolatadas  decisões  divergentes  para  demandas  que  possuem  o  mesmo  objeto.  (...)  II.1  DA  ATIVIDADE  DE  EXTRAÇÃO  E  BENEFICIAMENTO  DO  MINÉRIO  DE  FERRO  E  DOS  PRINCIPAIS  INSUMOS  UTILIZADOS,  (...)  Fase 01 ­ Extração  Nesta  fase,  é  promovida  a  extração  do  minério  de  ferro  na  forma de material  bruto,  também chamado de minério "ROM"  (run of mine) que será executada, principalmente, por meio de  explosivos, retroescavadeiras e tratores.  Logo  após,  é  feito  o  carregamento  dos  caminhões  que  transportarão o minério (ROM) até a planta de beneficiamento  (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído encontra­ se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos  de  beneficiamento.  Fase 02 ­ Beneficiamento  (...)  2.1 ­ Britagem  (...)  2.2 ­ Concentração  (...)  Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por caminhões para o terminai ferroviário.  No terminal, o minério será carregado em trens e levado até os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar  ao  Porto,  finalmente  é  embarcado  em  navios  e  exportado  para  o  comprador  destinatário.  (...)  III ­ DO DIREITO  DO REAL CONCEITO DE INSUMO  (...)  Contudo, a Fiscalização Federal, ao não reconhecer os créditos  da  Manifestante,  restringiu  a  compreensão  do  conceito  de  insumo  para  fins  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS, deixando, assim, de homologar os créditos solicitados para  ressarcimento  no  PER/DCOMP  objeto  deste  processo  administrativo.  A bem da verdade, o que fez a Fiscalização foi estabelecer uma  analogia  direta  entre  o  conceito  de  insumo para  a  sistemática  da Contribuição  ao PIS  e  da COFINS não­cumulativas  com  o  conceito de insumo adotado para o IPI, cujo pressuposto de fato  reside  na  industrialização  de  produtos,  e  cuja  não  cumulatividade  em  nada  se  assemelha  à  aplicada  à  Contribuição do PIS e da COFINS, que tem como pressuposto  de  fato  a  receita,  isso  porque,  o  conceito  de  insumo  adotado  pela  Fiscalização  admite  como  insumos  geradores  de  crédito  Fl. 981DF CARF MF     8 apenas  as  despesas  com  matérias  primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  intermediários  que  se  incorporem  ao  produto  final  ou, pelo menos, desgastam­se peio  contato  físico  com o produto em fabricação,desconsiderando, inclusive, que o  regime  da  não  cumulatividade  é  voltado  não  apenas  a  produtores  de  bens, mas  também  prestadores  de  serviços,  que  não lidam com despesas dessa natureza.  Porém, tal conceito é muito restrito para fins de preservar a não  cumulatividade do PIS e da COFINS.  É  que,  tratando­se  de  tributo  direto  que  incide  sobre  a  totalidade das receitas auferidas pela empresa, impõe­se que se  permita  a  apuração  de  créditos  relativamente  a  todas  as  despesas  realizadas  junto  a  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  Contribuição,  necessárias  à  obtenção  de  receita.  Assim,  em  matéria  de  PIS  e  COFINS  não  há  como  limitar­se  à  idéia  de  crédito físico, porquanto essas contribuições não se baseiam nas  despesas  necessárias  para  a  produção  ou  fabricação  de  um  produto, mas  sim nas  despesas  necessárias  para a  geração de  receita.  Discorre sobre o tema,  trazendo acórdãos do CARF e decisões  na esfera judicial e finaliza:  Vê­se,  pois,  que  devem  ser  considerados  como  insumos  que  ensejam a apuração de créditos, os gastos relativos a serviços e  bens, cuja aquisição configure dispêndio essencial à exploração  da atividade da pessoa jurídica.  (...)  III2 ­ DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA  MANIFESTANTE.  III2.1­  DOS  BENS  E  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  Segundo as alegações da Fiscalização, a Manifestante não  faz  jus  ao  crédito  de  PIS  sobre  alguns  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  sob  a  alegação  de  que  não  foram  consumidos  diretamente na  extração e produção do minério de  ferro  (lista  em  anexo).  Cita­se,  como  exemplo,  alguns  bens  e  serviços  glosados.  • Transporte de minério de ferro dos terminais até o porto.  •  Transporte  de minério  de  ferro  dos  terminais  até  o  terminal  ferroviário.  • Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos  e rejeitos.  •  Obras  de  infraestrutura  de  mina  (drenagem  das  minas  e  abertura  de  acessos)  e  operações  com  caminhão  pipa,  para  captação e transporte de água.  •  Serviços  de  terraplanagem,  bacias  de  sedimentação  e  drenagem,  • Manutenção  e  limpeza manual  e mecanizada  das  instalações industriais.  • Consultoria ambiental.  •  Serviços  de  perícia  técnica  relacionados  à  segurança  do  trabalho.  Na  verdade,  conforme  já  exposto  em  tópico  específico,  a  Fiscalização  entendeu  por  bem  limitar  o  conceito  de  insumo  para fins de observância à não­cumulativtdade da Contribuição  ao PIS e da COFINS, considerando apenas o crédito  físico, ou  seja, apenas os bens e serviços que se exaurem no contato físico  com o produto em fabricação.  Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 979          9 No entanto, sob pena de inviabilizar a não­cumulatividade eleita  pelo legislador ordinário, o limite até aonde se pode considerar  uma despesa como insumo é a capacidade do insumo em gerar  receita  para  a  empresa.  Repisa­se:  devem  ser  considerados  como  insumos  que  ensejam  a  apuração  do  crédito  os  gastos  relativos  a  bens  e  serviços,  cuja  aquisição  configure  dispêndio  essencial à exploração da atividade da pessoa jurídica.  (...)  III.2.2 ­ DOS TRANSPORTES DO MINÉRIO DE FERRO.  (...)  Vê­se  que  o  inciso  IX  do dispositivo  legal  supracitado,  admite  expressamente  o  creditamento  relativo  aos  custos  com  armazenagem  de  mercadorias  e  com  fretes  na  operação  de  vendas  contratados  junto  a  pessoas  jurídicas  e  desde  que  suportados pelo vendedor.  Neste sentido, a interpretação sistemática da legislação é a que  se impõe no caso, pois trata­se de matéria a ser examinada sob  a  luz  da  não­cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS, e não propriamente sob a luz de exclusões de crédito  tributário.  Assim sendo, o referido inciso IX é extensivo aos bens e serviços  previstos no inciso II do mesmo artigo, o qual prevê o direito ao  crédito  dos  bens  e  serviços  necessários  à  consecução  das  atividades da empresa.  No  caso  das  atividades  desempenhadas  pela  Manifestante,  é  indispensável  o  transporte  de minério  de  ferro  bruto,  retirado  das suas minas, que é um produto ainda em elaboração, para a  planta  de  beneficiamento,  local  em  que  o  processo  produtivo  será concluído.  Ainda,  com  relação  ao  serviço  de  transporte  do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  ou  centros  de  distribuição,  também não há dúvidas quanto à sua essencialidade. Sem esses  transportes,  a  Manifestante  nunca  conseguiria  vender  os  seus  produtos, independentemente se no mercado interno ou externo.  (...)  III.2.2.1  ­  Toniolo  Busnello  S.A  Túneis  Terraplanagens  e  Pavimentação Conforme contratos anexados, a empresa Toniolo  Busnello prestava à Manifestante o serviço de carregamento de  minério  "ROM"­  run  of  mine,  que  é  o  minério  bruto  recém  retirado da mina, até a Usina em que era beneficiado.  Sem  este  transporte  inicial,  não  se  poderia  realizar  o  beneficiamento do minério, interrompendo sua cadeia produtiva  logo no início e, assim,  inviabilizando o objeto social da MMX  Sudeste  Mineração  S/A,  Destarte,  é  incontroverso  que  o  transporte  realizado  pela  Toniolo  Busnello  compõe  a  cadeia  produtiva  empreendida  pela  Manifestante,  sendo  considerado  insumo  nos  termos  da  legislação  que  rege  a  Contribuição  ao  PIS e a COFINS no regime nãocumulativo.(...)  III.2.2.2 ­Mecma  No  período  entre  2011  e  2014,  a  Mecma  Terraplanagem  e  Locação  de  Equipamentos  foi  responsável  pelo  transporte  do  minério  já  beneficiado  até  o  Estoque,  onde  eram  fechados  os  lotes a depender dos pedidos e especificações de cada cliente.  (...)  Fl. 983DF CARF MF     10 III.2.2.3 ­ Rodoreal Transportes Ltda ME  A  empresa  Rodoreal  Transportes  Ltda  ME  realizava,  às  expensas da  Manifestante, o transporte dos lotes de minério desde o Estoque  até o terminal ferroviário.  É  que,  após  a  separação  do  minério  de  ferro  em  lotes,  de  acordo com a especificação do produto, que se dá no Estoque,  a  Manifestante,  para  realizar  a  venda  do  produto,  precisa  transportá­lo  até  os  terminais  ferroviários,  onde  estão  localizados  os  trens  que  irão  escoar  a  sua  produção  até  o  porto.  Neste  ponto,  importante  salientar  que  o  transporte  realizado  até  o  terminal  ferroviário  também  se  enquadra,  como  demonstrado, na hipótese descrita pelo inciso IX do art. 3o da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  já  que  a  operação  realizada  peia  Rodoreal constitui, nas palavras da  lei, "frete na operação de  venda",  cujo  custo  foi  inteiramente  suportado  pela  Manifestante, conforme contratos anexos. Por consequência, o  valor do serviço deve gerar créditos da não­cumulatividade nos  termos da legislação regente.  III.2.2.4 ­ Terminal Serra Azul Ltda.  Conforme  notas  fiscais  anexas  (juntadas  por  amostragem),  a  empresa  Terminal  Serra  Azul  Ltda"  era  responsável  pela  armazenagem  dos  lotes  de  minério  e,  posteriormente,  pelo  carregamento dos  trens que  realizam o  transporte do produto  comercializado pela Manifestante até o Porto.  Assim  sendo,  sua  atividade  compõe  a  cadeia  de  frete  para  venda,  enquadrando­se no  conceito descrito peio  inciso  IX do  art.  3o  da  Lei  n°  10.833/03,  gerando  crédito  da  não­ cumulatividade a serem apropriados pela Manifestante.  III.2.2.5 ­ MRS Logística S/A  Por  sua vez,  a  empresa MRS Logística  S/A  era  a  responsável  por  transportar,  via  estrada  de  ferro,  os  lotes  minerais,  destinados à exportação, até o Porto onde seriam embarcados  nos navios de carga.  Da mesma forma que os estágios anteriores, esta fase compõe a  cadeia  contínua  de  frete  para  a  venda,  pois  se  fosse  omitida,  seria  impossível  que  a  Manifestante  realizasse  a  venda  ou  exportação de sua produção.  Mais  uma  vez,  cumpre  salientar  que  todo  o  custo  deste  transporte  era  suportado  pela  Manifestante,  atraindo,  sem  dúvida, a incidência da regra do inciso IX do art. 3o da Lei n°  10.833,  de  2003,  que  determina  que  os  custos  envolvidos  na  armazenagem  e  frete  para  venda  gerem  créditos,  caso  da  Manifestante.  (...)  III.2.3  ­  DOS  SERVIÇOS  DE  MANUTENÇÃO  DE  INFRAESTRUTURA DE MINA.  (...)  Ora, para que seja extraído o minério de ferro, é essencial que  se  tenha acesso às minas. Do contrário, a Manifestante sequer  terá condições de iniciar suas atividades.  (..)  Por  certo,  é  entendimento  pacificado  que  a  compreensão  do  conceito de insumo para a não­cumulatividade da Contribuição  ao PIS  e da COFINS deve  ser mais abrangente,  abarcando os  serviços por sua essencialidade ao processo produtivo.  Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 980          11 (...)  III.2.3.1 ­ Transportes Sarzedo Ltda ­ TSL  Como  fica  claro  nos  contratos  aqui  anexos,  a  Transportes  Sarzedo  Ltda  –  TSL  realizava  obras  de  manutenção  de  infraestrutura,  tais  como  limpeza  e  desassoreamento  de  barragens de rejeito de propriedade da Manifestante,  (...)  III.2.3.2  ­  Toniolo  Busnello  S.A  Túneis  Terraplanagens  e  Pavimentação  Em  concomitância  às  atividades  de  transporte  de  minério  "ROM", a Toniolo realizava, também, serviços de infraestrutura  de barragens, como o alteamento de barragem (contrato anexo),  que consiste no reforço das laterais e aumento da altura de uma  determinada barragem de rejeitos.  III.2.3.3  ~  Skavaminas  Mineração,  Construção  e  Transportes  Ltda.  A  empresa  Skavaminas  operava  as  obras  de  manutenção  e  estruturação  direta  de  minas,  realizando,  nos  termos  do  contrato  anexado,  serviços  como  abertura  e  manutenção  de  acessos, a drenagem e a limpeza das minas.    É o relatório    4.    Decidindo  a  matéria  impugnada,  a  DRJ/JUIZ  DE  FORA  exarou  o  Acórdão  assim ementado:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/01/2013 a 01/09/2014  APENSAÇÃO DE PROCESSOS.  A  apensação  de  processos  segue,  no  âmbito  da  RFB,  as  hipóteses  previstas  em  norma  administrativa  específica,  dentre  elas:  processo  que  analisa  o  ressarcimento  do  PIS/Cofins  não  cumulativo  ­  exportação  com  o  processo  referente  ao  lançamento  de  ofício  dele  decorrente.  GLOSA DE CRÉDITOS. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO.  EXPORTAÇÃO  Se a glosa de créditos efetivada pelo Fisco resulta em contribuição a  pagar, mostra­se correto o lançamento realizado.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido    5.    Inconformado  com  tal  decisão,  o  requerente  apresentou  Recurso  Voluntário,  onde  traz,  como  razões  de  defesa  os  mesmos  fundamentos  e  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade  dirigida  á  DRJ,  requerendo  ao  final  que  seja  provido  o  recurso  voluntário  para  que  seja  reformada  a  decisão  combatida,  cancelando­se,  por  consequencia, na totalidade, o auto de infração constante destes autos e qualquer determinação  dele decorrente.    6.    Os autos foram então a mim distribuídos para relatar.    É o relatório.    Fl. 985DF CARF MF     12 Voto             Conselheiro Ari Vendramini  7.    A  contenda  no  presente  caso  gira  em  torno  da  possibilidade  de  serem  considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em  sendo  considerados  insumos,  se  estes  podem  originar  créditos  a  serem  utilizados  como  determina  a  legislação  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep  e  da  COFINS,  na  sistemática  da  não  cumulatividade.    DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE    8.    No  caso  aqui  em  exame,  trata­se  de  empresa  que  desenvolve,  como  principal  atividade econômica que engloba toda a cadeia de mineração, dentre outras atividades, sendo  que  ás  fls.  153/174  dos  autos  digitais  encontra­se  cópia  de  Ata  de  Assembleia  Geral  Extraordinária, realizada em 28/04/2016, onde se encontra o Estatuto Social da recorrente. No  Artigo 3 do Capítulo I deste Estatuto está estabelecido o seu objeto social :    Artigo  3º.  A  Companhia  tem  por  objeto  a  indústria  e  comércio  de  minérios  em  geral,  em  todo  o  território  nacional,  compreendendo  a  pesquisa, lavra e beneficiamento; a prestação de serviços geológicos;  a importação, exportação e comércio de produtos minerais, químicos e  industriais;  as  atividades  de  transporte  e  de  operação  portuária  de  navegação;  a  comercialização  de  produtos  primários  e/ou  industrializados  (commodities),  no  mercado  interno  e  externo;  bem  como  a  participação  no  capital  de  outras  sociedades  simples  ou  empresárias, qualquer que seja o objeto social. Para atender ao objeto  social da Companhia, esta poderá constituir subsidiárias sob qualquer  forma societária.    9.    Os  seguintes  trechos  extraídos  do  texto  do  Recurso  Voluntário  apresentado  ajudam a delinear as atividades desenvolvidas pela recorrente :      ­  fls.  1.418  dos  autos  digitais  :  Assim  sendo,  para  entender  a  essencialidade de cada bem ou serviço é imprescindível rememorar o  processo  produtivo  empreendido  pela  Recorrente,  processo  este  retratado no esquema fase a fase, a seguir:  Fase 01 — Extração  Nesta fase, é promovida a extração do minério de  ferro na  forma de  material bruto, também chamado de minério "ROM" (run of mine) que  será  executada,principalmente,  por  meio  de  explosivos,  retroescavadeiras  e  tratores.  Logo  após,  é  feito  o  carregamento  dos  caminhões  que  transportarão  o  minério  (ROM)  até  a  planta  de  beneficiamento (usina), uma vez que a área onde o minério é extraído  encontra­se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos  de  beneficiamento.  Fase 02 — Beneficiamento  Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem  sintetizar, grosseiramente, em:  2.1 — Britagem  A  britagem  corresponde  ao  primeiro  estágio  mecânico  de  fragmentação  de  minérios.  O  controle  da  britagem  é  feito  pelas  operações  de  peneiramento.  Isso  significa  que  o  minério  que  não  Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 981          13 atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais  uma  ou  duas  vezes.  Em  conjunto  com  a  fragmentação,ocorre  a  classificação das partículas de minério por tamanho.  2.2— Concentração  Tem  como  objetivo  distinguir  o  minério  valioso,  chamado  de  concentrado,  e  o  descartável,  conhecido  como  rejeito.  Através  de  diferentes  processos  de  concentração  como  a  "jigagem"  ou  a  separação  magnética,  o  minério  é  separado  e  classificado  em  lotes  diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender  do  fim  a  que  se  destinam  os  lotes.  Neste  momento,  são  realizadas  diversas análises para atestar a qualidade dos lotes.  Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por  caminhões  para  o  terminal  ferroviário.  No  terminal,  o  minério  será  carregado  em  trens  e  levado  até  os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para  o comprador destinatário.     O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA  A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS.     10.    Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da  Não Cumulatividade  para  as  contribuições  sociais,  instituído  no  ordenamento  jurídico  pátrio  pela Emenda Constitucional  nº  42/2003,  que  adicionou  o  §  12  ao  artigo  95  da Constituição  Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova  e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional,  diferentemente  da  sistemática de  não  cumulatividade  instituída  para  os  tributos  IPI  e  ICMS,  que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida  por  legislação  ordinária  e não  pelo  texto  constitucional,  estabelecendo  a Carta Magna que  a  regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário.     11.    Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para  o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde  o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e  serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens  ou produtos destinados á venda.    16.    Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive  presumidos,  para  serem  utilizados  sob  diversas  formas  :  dedução  do  valor das  contribuições  devidas,  apuradas  ao  final  de  determinado  período,  compensação  do  saldo  acumulado  de  créditos  com  débitos  titularizados  pelo  adquirente  dos  insumos  e  até  ressarcimento,  em,  espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas  anteriores.    17.    Por  ser  o  órgão  governamental  incubido  da  administração,  arrecadação  e  fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução  Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela  Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi  considerada excessivamente restritiva, pois aproximou­se do conceito de insumo utilizado pela  sistemática  da  não  cumulatividade  do  IPI  –  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  Fl. 987DF CARF MF     14 estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o  creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo  produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste  pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para  que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria­prima, produto intermediário, material  de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a  perda de propriedades físicas ou químicas.    18.    Consideram­se,  também, os  insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos  diretamente  no  processo  de  produção  e,  embora  frequentemente  também  sofram  alterações  durante  o  processo  produtivo,  jamais  se  agregam  ao  produto  final,  como  é  o  caso  dos  combustíveis.    19.    Mais tarde, evoluiu­se no estudo do conceito de insumo, adotando­se a definição  de  que  se  deveria  adotar  o  parâmetro  estabelecido  pela  legislação  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica,  que  tem  como  premissa  os  artigos  290  e  299  do  Decreto  nº  3.000/1999  –  Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo  da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou  da  prestação  de  serviços  como  um  todo.  A  doutrina  e  a  jurisprudência  concluíram  que  tal  procedimento  alargaria  demais  o  conceito  de  insumo,  equiparando­o  ao  conceito  contábil  de  custos  e  despesas  operacionais  que  envolve  todos  os  custos  e despesas  que  contribuem para  atividade  da  empresa,  e  não  apenas  a  sua  produção,  o  que  provocaria  uma  distorção  na  legislação instituidora da sistemática.    20.    Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da  não  cumulatividade  para  o  IPI  e  o  ICMS  e  a  sistemática  para  a Contribuição  ao  PIS/Pasep,  verifica­se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas  Fiscais  de  aquisição  dos  insumos,  o  que  permite  o  cotejo  destes  valores  com  os  valores  recolhidos  na  saída  do  produto  ou  mercadoria  do  estabelecimento  adquirente  dos  insumos,  tendo­se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos a saída do  produto  ou  mercadoria  contra  os  valores  submetidos  na  entrada  dos  insumos,  portanto  os  valores  dos  créditos  estão  claramente  definidos  na  documentação  fiscal  dos  envolvidos,  adquirentes e vendedores.    21.    Em  contrapartida,  a  sistemática  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  ao  PIS/Pasep criou créditos, por  intermédio de  legislação ordinária, que  tem alíquotas variáveis,  assumindo diversos critérios, que, ao final se  relacionam com a receita auferida e não com o  processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao  processo  de  obtenção  da  receita,  seja  ela  de  produção,  comercialização  ou  prestação  de  serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos  ou  valor  dos  tributos  sobre os  quais  se  calculariam os  créditos,  não  estariam destacados  nas  Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação.    22.    Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo,  nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais.    23.    Há  algum  tempo  vem  o  CARF  pendendo  para  a  idéia  de  que  o  conceito  de  insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com  um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca­se a relação  existente  entre  o  bem  ou  serviço,  utilizado  como  insumo,  e  a  atividade  realizada  pelo  seu  adquirente.    Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 982          15 24.    Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou  prestado possa  ser  caracterizado como  insumo para  fins de geração de  crédito de PIS/Pasep,  devem ser levados em consideração os seguintes aspectos :  ­ pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado  especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná­lo viável.  ­ essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço  depende diretamente de  tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço  não seria prestado.  ­ possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o  insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo.    25.    Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido  como  insumo  gerador  de  crédito  de  PIS/Pasep,  é  indispensável  a  característica  de  essencialidade  ao  processo  produtivo  ou  prestação  de  serviço,  para  obtenção  da  receita  da  atividade  econômica  do  adquirente,  direta  ou  indiretamente,  sendo  indispensável  a  comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita.    26.    Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma  posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR,  que  se  tornou  emblemático  para  a doutrina  e  a  jurisprudência,  ao  definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o  conceito na ementa, assim redigida :    TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E  DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE  INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543­C DO CPC/1973  (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).  1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido  no  art.  3o.,  II,  da Lei  10.637/2002  e  da Lei  10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2.  O  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.  3. Recurso Especial  representativo da controvérsia parcialmente conhecido  e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos  à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  relativos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais, materiais de  limpeza e equipamentos de proteção  individual­ EPI.  4.  Sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC/1973  (arts.  1.036  e  seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  Fl. 989DF CARF MF     16 creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­ cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas  Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido  à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando­se  a imprescindibilidade ou a importância de terminado item ­ bem ou serviço ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Contribuinte.    28.    Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão  por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº  1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as  principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas  ações á nova realidade desenhada por tal decisão.    29.    Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer :    9. Do  voto  do  ilustre  Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia  Filho,  mostram­se  relevantes  para  este  Parecer  Normativo  os  seguintes  excertos:   “39.  Em  resumo,  Senhores  Ministros,  a  adequada  compreensão  de  insumo,  para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  usualmente  denominadas  PIS/COFINS,  deve  compreender  todas  as  despesas diretas e  indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as  que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível  da produção, separar o que é essencial  (por  ser  físico, por exemplo),  do que seria acidental, em termos de produto final.   40. Talvez acidentais  sejam apenas certas circunstâncias do modo de  ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso  das  coisas,  mas  a  essencialidade,  quando  se  trata  de  produtos,  possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo,  penso,  respeitosamente,  mas  com  segura  convicção,  que  a  definição  restritiva proposta pelas  Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004,  da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o  comando  contido  no  art.  3º,  II,  da  Lei  10.637/2002  e  da  Lei  10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'.   41.  Todavia,  após  as  ponderações  sempre  judiciosas  da  eminente  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA,  acompanho  as  suas  razões,  as  quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão)   …………………………………..  10.  Por  sua  vez,  do  voto  da  Ministra  Regina  Helena  Costa,  que  apresentou  a  tese  acordada  pela  maioria  dos  Ministros  ao  final  do  julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos:   “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da  não­cumulatividade no que  tange aos  impostos, a não­cumulatividade  representa  autêntica  aplicação  do  princípio  constitucional  da  capacidade contributiva (...)   Em sendo assim,  exsurge com clareza que, para a devida eficácia do  sistema de não­cumulatividade, é fundamental a definição do conceito  de insumo (...)   (...)   Nesse  cenário,  penso  seja  possível  extrair  das  leis  disciplinadoras  dessas  contribuições  o  conceito  de  insumo  segundo  os  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  importância  de  determinado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 983          17 contribuinte (...)   Demarcadas tais premissas, tem­se que o critério da essencialidade diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente,  o  produto ou o  serviço, constituindo elemento estrutural e  inseparável  do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos,  a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.   Por  sua  vez,  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de  cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos  de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de  proteção  individual  ­  EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego  da  aquisição  na  produção ou na execução do serviço.   Desse modo,  sob  essa  perspectiva,  o  critério  da  relevância  revela­se  mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra  do acórdão)   ……………………….  11.  De  outra  feita,  do  voto  original  proferido  pelo  Ministro  Mauro  Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos:   “Ressalta­se, ainda, que a não­cumulatividade do Pis e da Cofins não  tem  por  objetivo  eliminar  o  ônus  destas  contribuições  apenas  no  processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às  pessoas  jurídicas  industriais,  mas  a  todas  as  pessoas  jurídicas  que  aufiram  receitas,  inclusive  prestadoras  de  serviços  (...),  o  que  dá  maior  extensão  ao  contexto  normativo  desta  contribuição  do  que  aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia  produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor  ou a atividade­fim de determinado prestador de serviço.   (...)   Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...)  é que: 1º ­ O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou  para  viabilizá­los  (pertinência ao processo produtivo); 2º ­ A produção ou prestação do  serviço  dependa  daquela  aquisição  (essencialidade  ao  processo  produtivo);  e  3º  ­  Não  se  faz  necessário  o  consumo  do  bem  ou  a  prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de  emprego indireto no processo produtivo).   Ora,  se  a  prestação  do  serviço  ou  produção  depende  da  própria  aquisição  do  bem  ou  serviço  e  do  seu  emprego,  direta  ou  indiretamente,  na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  surge  daí  o  conceito  de  essencialidade  do  bem  ou  serviço  para  fins  de  receber  a  qualificação  legal de  insumo. Veja­se,  não  se  trata da essencialidade  em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade  em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados  na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são  essenciais  ao  processo  produtivo,  pois  sem  eles  as  máquinas  param.  Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de  produção.   Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no  processo produtivo ou na prestação de  serviço: é preciso que ele seja  essencial.  É  preciso  que  a  sua  subtração  importe  na  impossibilidade  Fl. 991DF CARF MF     18 mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  obste  a  atividade da empresa, ou  implique em substancial perda de qualidade  do produto ou serviço daí resultante.   (...)   Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da  Lei  n.  10.637/2002,  e  art.  3°,  II,  da Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles  bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do  produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor  do acórdão)   …………………………………….  12.  Já  do  segundo  aditamento  ao  voto  lançado  pelo  Ministro  Mauro  Campbell, insta transcrever os seguintes trechos:   “Contudo,  após  ouvir  atentamente  ao  voto  da  Min.  Regina  Helena,  sensibilizei­me com a  tese de que a essencialidade e a pertinência ao  processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição  legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de  proteção individual ­ EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser  adicionado  o  critério  da  relevância  para  abarcar  tais  situações,  isto  porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em  infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no  voto  da  Min.  Regina  Helena  especificamente  quanto  ao  ponto,  realinhando o meu voto ao por ela proposto.   Observo que  isso em nada  infirma o meu raciocínio de aplicação do  "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação  legal  obsta  a  própria  atividade  da  empresa  como  ela  deveria  ser  regularmente  exercida.  Registro  que  o  "teste  de  subtração"  é  a  própria  objetivação  segura  da  tese  aplicável  a  revelar  a  imprescindibilidade  e  a  importância  de  determinado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.”  (fls  141  a  143  da  íntegra  do  acórdão)   …………………………………………………………………..  13.  De  outra  banda,  do  voto  da  Ministra  Assusete  Magalhães,  interessam particularmente os seguintes excertos:   “É  esclarecedor  o  voto  da  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA,  no  sentido  de  que o  critério da  relevância  revela­se mais  abrangente  e  apropriado  do  que  o  da  pertinência,  pois  a  relevância,  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto ou à prestação do  serviço,  integre o processo de produção,  seja pelas  singularidades de cada cadeia produtiva  (v.g., o papel da  água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento  de  proteção  individual  ­  EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...)   Sendo  esta  a  primeira  oportunidade  em  que  examino  a  matéria,  convenci­me  ­  pedindo  vênia  aos  que  pensam  em  contrário  ­  da  posição  intermediária  sobre  o  assunto,  adotada  pelos  Ministros  REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo  o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado  seus  votos,  para  ajustar­se  ao  da  Ministra  REGINA  HELENA  COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão)   Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 984          19 ……………………………………………...  19.  Prosseguindo,  verifica­se  que  a  tese  acordada  pela maioria  dos  Ministros  foi  aquela  apresentada  inicialmente  pela Ministra  Regina  Helena Costa,  segundo a  qual  o  conceito  de  insumos na  legislação  das  contribuições  deve  ser  identificado  “segundo  os  critérios  da  essencialidade ou  relevância”,  explanados  da  seguinte maneira  por  ela própria (conforme transcrito acima):   a)  o  “critério  da  essencialidade  diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”:   a.1)  “constituindo  elemento  estrutural  e  inseparável  do  processo  produtivo ou da execução do serviço”;   a.2)  “ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade e/ou suficiência”;   b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”:   b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”;   b.2) “por imposição legal”.   20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços  que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de  prestação  de  serviço  a  terceiros,  tanto  os  que  são  essenciais  a  tais  atividades  (elementos  estruturais  e  inseparáveis  do processo)  quanto  os  que,  mesmo  não  sendo  essenciais,  integram  o  processo  por  singularidades da cadeia ou por imposição legal.   ……………………………………………………………  25.  Por  outro  lado,  a  interpretação  da Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das  contribuições  afasta  expressamente  e  por  completo  qualquer  necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem­ insumo  com o  bem  produzido  para  que  se  permita  o  creditamento,  como  preconizavam  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  247,  de  21  de  novembro de  2002,  e  a  Instrução Normativa SRF nº  404,  de 12  de  março de 2004, em algumas hipóteses.   ( grifos deste relator)    30.    No âmbito deste colegiado, aplica­se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do  Regimento Interno do CARF – RICARF :    Artigo 62 ­ (…...)   §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito  do CARF.    31.    Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002,  todos  os  bens  e  serviços  essenciais  ao  processo  produtivo  e  á  prestação  de  serviços  para  a  obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados  direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de  realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da  própria atividade da pessoa jurídica    Fl. 993DF CARF MF     20 32.    Desta  forma,  deve  ser  estabelecida  a  relação  da  essencialidade  do  insumo  (considerando­se  a  imprescindibilidade  e  a  relevância/importância  de  determinado  bem  ou  serviço,  dentro  do  processo  produtivo,  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se  possa  aferir  se  o  dispêndio  realizado  pode  ou  não  gerar  créditos  na  sistemática  da  não  cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep.    A  QUESTÃO  DOS  DISPÊNDIOS  COM  FRETES  DE  INSUMOS  E  PRODUTOS  SEMI  ELABORADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  (  UNIDADE  MINERADORA E COMPLEXO  INDUSTRIAL DE BENEFICIAMENTO DE MINÉRIO  ­  USINA)    30.    Em  exame  nos  presentes  autos  a  possibilidade  de  serem  considerados  como  insumo  os  dispêndios  incorridos  na  contratação  de  fretes  de  matérias­primas  entre  estabelecimentos da mesma empresa e de fretes de insumos e de produtos em elaboração para  transferência entre estabelecimentos da recorrente.    31.    Conforme  se  verifica  do  objeto  social  da  recorrente,  dentre  suas  atividades  temos  a  industrialização,  a  armazenagem,  o  comércio,  a  importação  e  a  exportação  de  produtos químicos, fertilizantes e suas matérias­primas, para uso próprio ou de terceiros e a  pesquisa,  a  lavra,  o  beneficiamento  e  a  industrialização  de  minérios  utilizados  como  matéria­prima na fabricação de fertilizantes de uso próprio ou de terceiros, portanto, os  minerais  desempenham  papel  de  principais  insumos  na  produção  de  fertilizantes,  que  são  extraídos de minas distantes do complexo  industrial, havendo necessidade de seu  transporte,  envolvendo frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da industrialização e produção do  fertilizante para consumo.    32.    Neste diapasão, a recorrente sustenta desenvolver atividade econômica em toda  a  cadeia  de  produção  de  fertilizantes,  sendo  responsável  não  só  pela  fabricação,  como  pela  extração dos minerais que o compõem, sendo ainda responsável pelo beneficiamento de parte  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo,  defendendo  que  as  despesas  com  frete  contratado na aquisição dos  insumos e para as  transferências de matéria­prima das minas de  extração  para  as  unidades  industrializadoras  são  essenciais  para  o  processo  produtivo  e  fabricação do produto final (fertilizante).    33.    Verifica­se, nestes autos, que a extração de minerais ocorre em minas da própria  recorrente, que é produtora dos fertilizantes, sendo que o principal  insumo para a  fabricação  do  seu  produto  são  os  minerais,  sendo  assim  necessários,  imprescindíveis  e  essenciais  á  atividade da empresa, ao processo produtivo e á obtenção da respectiva receita, porque para a  movimentação da matéria­prima até o estabelecimento produtor do fertilizante, é necessária a  contratação de  empresa  para o  transporte da matéria­prima até o  complexo  industrial,  o que  envolve o dispêndio com o  frete  respectivo,  tal  frete, por estar direta  e  imprescindivelmente  ligado ao processo produtivo como um todo, deve ser considerado como insumo.    34.    Constata­se,  ainda, que  a  transferência de matérias­primas  extraídas das minas  para as fábricas constitui­se em etapa essencial do processo produtivo, ainda mais quando se  considera  a  distância  que  separa  as  unidades  mineradoras  dos  complexos  industriais  e  a  diversidade dos locais onde as minas estão situadas.    35.    Por ser característica da atividade da recorrente a produção do próprio insumo,  até  mesmo  como  forma  de  ter  a  segurança  de  não  interrupção  do  processo  produtivo  de  fertilizante,  ou  seu  comprometimento.  Assim,  desta  forma,  mostra­se  imprescindível  a  Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 985          21 contratação  de  transporte  junto  á  terceira  pessoa  jurídica  para  transferência  entre  estabelecimentos da mesma empresa, que envolve o pagamento de frete em decorrência deste  transporte de insumos (minerais) e de produtos semi elaborados (minerais agregados a outros  insumos) das minas até o complexo industrial onde é produzido o fertilizante, inserindo­se no  conceito de insumo.    36.    Em  conclusão,  os  valores  referentes  a  contratação  de  fretes  de  insumos  (matérias­primas) e produtos semi elaborados entre estabelecimentos da própria empresa , por  serem insumos, geram créditos da Contribuição ao PIS/Pasep na sistemática não cumulativa,  pois se caracterizam como essenciais e imprescindíveis ao processo produtivo.    B  ­ OS FRETES COM PRODUTOS ACABADOS/BENEFICIADOS  JÁ DESTINADOS Á  EXPORTAÇÃO    37.    Quanto  ao  frete  de  produtos  já  beneficiados  e  vendidos,  ou  seja,  os minérios  beneficiados,  já  vendidos,  cujo  transporte  é  feito  para  terminais  portuários  ou  mesmo  para  armazéns  com  o  objetivo  de  aguardar  o  embarque  para  o  exterior  caracterizam­se  como  produtos  vendidos  cujo  frete  é  suportado  pelo  vendendor,  onde  o  crédito  é  garantido  por  dispositivo legal, neste caso, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (do valo apurado a  pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria  e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor), portanto, somente  resta reverter tais glosas, pois realizadas indevidamente.    38.    A própria recorrente descreve esta fase :    Fase 03 ­ Transporte  Finalizado  o  tratamento  na  Usina,  o  minério  de  ferro  será  transportado  até  o  Estoque  de  Produtos,  de  onde  será  levado  por  caminhões  para  o  terminai  ferroviário.  No  terminal,  o  minério  será  carregado  em  trens  e  levado  até  os  portos  via  estrada  férrea.  Após  chegar ao Porto, finalmente é embarcado em navios e exportado para  o comprador destinatário    C ­ OS GASTOS COM INSUMOS NA FASE PRÉ BENEFICIAMENTO    39.    Outra  discussão  versa  sobre  a  possibilidade  de  apuração  de  créditos  das  contribuições  na  modalidade  aquisição  de  insumos  em  relação  a  dispêndios  necessários  à  produção de um bem­insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação  de serviço a terceiros (insumo do insumo). Assim, uma das principais novidades plasmadas na  decisão  da  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  testilha  foi  a  extensão  do  conceito de insumos a todo o processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação  de serviços a terceiros    40.    Encontram­se embarcados neste conceito os gastos com a manutenção da infra­ estrutura da mina de minério,  pois  realmente os  serviços de manutenção e melhoramento de  infraestrutura  de mina  revelam­se  indispensáveis  ao  desempenho  das  funções  da mineração,  pois  possibilitam  que  as minas  de  extração  de  ferro  sejam  efetivamente  exploradas. Não  se  poderia  obter  minério  sem  a  realização  de  escavações,  lavra,  manutenção  dos  acessos  existentes e, vale lembrar, a retirada dos rejeitos e saneamento do local de extração    Fl. 995DF CARF MF     22 40    Por oportuno, reproduzo os dizeres do Parecer COSIT nº 5/2018 :      Assim, tomando­se como referência o processo de produção como um todo, é  inexorável que a permissão de creditamento retroage no processo produtivo  de cada pessoa jurídica para alcançar os insumos necessários à confecção do  bem­insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação  de serviço a terceiros, beneficiando especialmente aquelas que produzem os  próprios  insumos  (verticalização  econômica).  Isso  porque  o  insumo  do  insumo constitui “elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou  da  execução  do  serviço”,  cumprindo  o  critério  da  essencialidade  para  enquadramento no conceito de insumo.    41.    A recorrente esclarece resumidamente tal fase do processo produtivo :     Fase 01 — Extração  Nesta fase, é promovida a extração do minério de ferro na forma de material  bruto,  também  chamado  de  minério  "ROM"  (run  of  mine)  que  será  executada,principalmente,  por  meio  de  explosivos,  retroescavadeiras  e  tratores. Logo após, é feito o carregamento dos caminhões que transportarão  o minério (ROM) até a planta de beneficiamento (usina), uma vez que a área  onde  o  minério  é  extraído  encontra­se  distante  do  local  onde  ocorrem  os  processos de beneficiamento    42.    Inserem­se,  portanto,  nessa  fase  os  seguintes  dispêndios  como  geradores  de  crédito     ­ Serviço de remoção e transporte de finos de minério, produtos e rejeitos.  ­  Obras  de  infraestrutura  de  mina  (drenagem  das  minas  e  abertura  de  acessos)  e  operações  com  caminhão  pipa,  para  captação  e  transporte  de  água.  ­ Serviços de terraplanagem, bacias de sedimentação e drenagem  ­limpeza e desassoreamento de barragens de rejeito;  ­ serviços de alteamento da barragem de rejeitos  ­ serviços de abertura e manutenção de acessos,  ­ serviços de drenagem e limpeza das minas,  ­ serviços de terraplenagem e drenagem da planta industrial,  ­ serviços de limpeza e manutenção e conservaçao do maquinário pesado    D ­ GASTOS COM O BENEFICIAMENTO DO MINÉRIO    42.    A  letra do  inciso  II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº  10.833, de 2003, permitem a apuração de créditos das contribuições “bens e serviços utilizados  como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”.     42.    Mais uma vez nos socorremos do Parcer COSIT nº 5/2018 :    31,A  citação  concomitante  a  “produção”  e  “fabricação”  de  “bens”  ou  “produtos”  mostra­se  muito  relevante  na  interpretação  da  abrangência  da  hipótese  de  creditamento  das  contribuições  pela  aquisição  de  insumos  (ver  também o § 13 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003).   32. Conquanto os termos “produção” e “fabricação” sejam utilizados como  sinônimos  em algumas  normas da  legislação  tributária  federal,  no presente  dispositivo  diversos  argumentos  conduzem  à  conclusão  de  que  não  são  sinônimos, restando a “fabricação de produtos” como hipótese específica e a  “produção de bens” como hipótese geral.   33.  Inexoravelmente,  a “fabricação de  produtos” a  que  alude  o  dispositivo  Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10680.902571/2017­89  Acórdão n.º 3301­006.103  S3­C3T1  Fl. 986          23 em comento equivale ao conceito e às hipóteses de industrialização firmadas  na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).   34. Já a “produção de bens” aludida no mencionado dispositivo refere­se às  atividades  que,  conquanto  não  sejam  consideradas  industrialização,  promovem a transformação material de insumo(s) em um bem novo destinado  à  venda  ou  o  desenvolvimento  de  seres  vivos  até  alcançarem  condição  de  serem comercializados.      43.    A recorrente traz em suas razões a descrição dets fase :    Fase 02 — Beneficiamento  Na Usina, ocorrem diversos processos de beneficiamento que podem  sintetizar, grosseiramente, em:  2.1 — Britagem  A  britagem  corresponde  ao  primeiro  estágio  mecânico  de  fragmentação  de  minérios.  O  controle  da  britagem  é  feito  pelas  operações  de  peneiramento.  Isso  significa  que  o  minério  que  não  atingiu o tamanho adequado deve retornar para ser fragmentado mais  uma  ou  duas  vezes.  Em  conjunto  com  a  fragmentação,ocorre  a  classificação das partículas de minério por tamanho.  2.2— Concentração  Tem  como  objetivo  distinguir  o  minério  valioso,  chamado  de  concentrado,  e  o  descartável,  conhecido  como  rejeito.  Através  de  diferentes  processos  de  concentração  como  a  "jigagem"  ou  a  separação  magnética,  o  minério  é  separado  e  classificado  em  lotes  diferenciados de acordo com a demanda dos compradores, a depender  do  fim  a  que  se  destinam  os  lotes.  Neste  momento,  são  realizadas  diversas análises para atestar a qualidade dos lotes.    E ­ OS GASTOS COM INSUMOS POR OBRIGAÇÃO LEGAL    44.     A  decisão  do  STJ  incluiu  no  conceito  de  insumos  geradores  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  em  razão  de  sua  relevância,  os  itens  “cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço, integre o processo de produção (...) por imposição legal”.     46    .  Daí  se  constata  que  a  inclusão  dos  itens  exigidos  da  pessoa  jurídica  pela  legislação no conceito de insumos deveu­se mais a uma visão do sistema normativo do que à  verificação de essencialidade ou pertinência de tais itens ao processo de produção de bens ou  de prestação de serviços protagonizado pessoa jurídica.    47.    Entretanto,  por  serem  impeditivos  ao  funcionamento  da  atividade  se  descumpridos,  os  itens  exigidos  por  legislação  específica  devem  se  rconsiderados,  por  analogia, como essenciais ao processo produtivo.    48.    Assim,  incluem­se nesse conceito os gastos com consultoria ambiental  (com o  objetivo de obtenção de licenças ambientais, pesquisas e estudos técnicos são necessários), os  gastos  com  prestação  de  consultoria  e  monitoramento  de  vibração  das  cavidades  naturais  existentes  no  terreno  de  lavra  de  minérios,  gastos  com  prestação  de  serviços  de  execuçõ  e  prospecção espeleológica.    Fl. 997DF CARF MF     24 49.    Não  se  enquadram  nesse  conceito  os  gastos  com  prestação  de  serviços  de  medicina  do  trabalho  e  segurança,  por  serem  comuns  a  todas  as  empresas,  portanto  não  essencial e relevante para obtenção da receita vinculada a atividade da recorrente.     Conclusão    37.    Por  todo  o  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  apresentado, para     ­ REVERTER.AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS, POR GERAREM  DIREITO AOS CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE   ­fretes  de  insumos  e  produtos  semi  elaborados  entre  establecimentos  da  empresa  (unidade  mineradora e complexo industrial de beneficiamento de minério ­ usina)  ­ fretes com transporte de produtos acabados/beneficiados já destinados á exportação, pois o  crédito referente a tais gastos são garantidos por texto legal;  ­ gastos com insumos na fase de pré­beneficiamento  ­ gastos com o beneficiamento do minério  ­ gastos com insumos por obrigação legal    ­ MANTER AS GLOSAS REFERENTES AOS SEGUINTES GASTOS:  ­ serviços de medicina do trabalho e segurança  ­ consultoria,  ­ serviço de mão­de­obra em posto de abastecimento  ­ consultoria em negociação de energia,  ­ prestação de serviço de despacho adiuaneiro  ­ consultoria técnica  ­ transporte de equipe de trabalho  ­ mão de obra como morotoristas, serviços de limpeza e manutenção elétrica não vinculados  aoa processo produtivo  ­ transportes em geral  ­ serviços de apoio administrativo  ­ treinamentos    É o meu voto              Assinado digitalmente  Ari Vendramini ­ Relator                                Fl. 998DF CARF MF

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