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Numero do processo: 13841.000612/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1993 a 31/01/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/05.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido.
APURAÇÃO DA COFINS. LEI 9718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. ISONOMIA COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula Carf nº 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não há como estender às empresas comerciais a mesma apuração da Cofins prevista para as instituições financeiras, sob o argumento do princípio constitucional da isonomia.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/05. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do pagamento a maior ou indevido. APURAÇÃO DA COFINS. LEI 9718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. ISONOMIA COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula Carf nº 2, este tribunal administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não há como estender às empresas comerciais a mesma apuração da Cofins prevista para as instituições financeiras, sob o argumento do princípio constitucional da isonomia. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 06 12 /2 00 3- 01 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 234 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 235 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, abaixo transcrito: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar pedido de restituição de Cofins “1º período”, protocolado em 02/12/2003, no montante de R$ 157.746,94 (fl. 01), relativos a valores recolhidos no período de dezembro de 1993 a fevereiro de 1999, conforme relacionados na planilha de fls. 02/03. Após informar, preliminarmente, que a protocolização do pedido em formulário deveuse “em razão de não haver conseguido esta contribuinte proceder ao envio por meio eletrônico (Internet) através do programa fornecido pela SRF”, a contribuinte assevera que “valendose dos preceitos que lhe são assegurados pela Constituição da República de 1988, bem como o tratamento diferenciado dispensado aos contribuintes da COFINS, invocar a aplicação do princípio constitucional da isonomia tributária”, entendo que devem ser estendidas aos demais contribuintes “as prerrogativas que beneficiaram as entidades financeiras no que diz respeito à exclusão do pagamento da Cofins”. Em síntese, a interessada pretende ter aplicado ao seu caso o mesmo tratamento dispensado às instituições financeiras, quanto às exclusões e deduções da base de cálculo do tributo. Adverte, ainda, que, em face do instituto da denúncia espontânea, não poderá ser exigida a multa de mora pelo atraso no pagamento “dos débitos a serem oportunamente protocolados para a compensação com os valores destinados à restituição objetivada neste pleito”. Anexa ao pedido cópia dos DARFs relativos aos referidos recolhimentos (fls. 04/31). Posteriormente, com base no crédito alegado, a contribuinte encaminhou várias declarações de compensação (DCOMPs), cujos extratos estão acostados às fls. 54 e seguintes. Por meio do despacho decisório de fls. 167/170, a DRF Limeira indeferiu o pedido, bem como não homologou as compensações declaradas, nos termos da seguinte ementa: ISONOMIA ENTRE CONTRIBUINTES. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de arguições sobre a aplicação de princípios constitucionais relativos a atos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. DECADÊNCIA – O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário. A interessada foi cientificada da referida decisão em 04/12/2008 (fl. 172), por meio da intimação de fl. 171, que também se prestou a encaminhar carta de cobrança dos débitos indevidamente compensados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 236 4 Em 24/12/2008, a interessada protocolou sua manifestação de inconformidade conforme peça de fls. 181/192, por meio da qual aduz, em síntese, que: a) “evidenciou, de forma perfeitamente clara e sustentada, que na LC nº 70/91, as instituições financeiras foram beneficiadas com tratamento diferenciado, no que toca ao recolhimentos da COFINS, permitindolhe a exclusão do pagamento da referida contribuição social sobre o faturamento, conforme artigo 1º da Lei Complementar antes citada”; b) “o tratamento imposto pelo legislador infraconstitucional não se amolda à melhor exegese dada aos dispositivos insertos na lei ápice (Lei nº 8.212, de 1991), dando motivação justa e correta ao pleito deduzido pela recorrente em seu pedido inaugural”, porquanto a Constituição Federal (CF) veda a instituição de tratamentos desiguais entre os contribuintes. Assim sendo, restou violado o princípio constitucional da isonomia; c) “contudo, em que pese a sólida argumentação posta no requerimento inaugural, a decisão recorrida limitouse a concluir que não compete à autoridade administrativa a apreciação de arguições sobre aplicação de princípios constitucionais relativos a atos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico”. Nesse sentido, verificase, “visivelmente”, que a decisão recorrida “não enfrentou as questões deduzidas pela recorrente em seu requerimento originário, o que deverá ser objeto de análise por força deste recurso, possibilitando a reforma do decisum ora atacado, para fins de deferimento da restituição dos valores recolhidos a título de COFINS no período de 11/93 a 01/99; d) seu pleito deve ser reconhecido, “especialmente, pelo fato da decisão vergastada limitarse a reconhecer a impossibilidade, na esfera administrativa, da invocação do princípio constitucional da isonomia tributária, face a ausência de competência legal do agenteautoridade, para tanto”; e) “a decadência reconhecida na decisão, não deve ser ratificada em nível deste recurso”. Isto porque “a decisão quanto a decadência não foi devidamente fundamentada”, fato este que “dificulta a argumentação da recorrente no âmbito deste inconformismo”. Em face disto, postula “a nulidade da decisão administrativa, parcialmente, no que toca ao reconhecimento da decadência, que deverá, por força deste inconformismo e da argumentação ora deduzida, ser modificada, para fins de reconhecerse a inocorrência da decadência, caso não seja antes nulificado o despacho decisório, por não ter sido devidamente fundamentado, em que pese a capacidade cultural e intelectual da autoridade administrativa que subscreveu o decisum”. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1430.216, de 19/07/2010, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1993 a 31/01/1999 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 237 5 tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/1993 a 31/01/1999 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual tece basicamente as mesmas considerações efetuadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 238 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Da análise de presente processo, constatase que são três as questões a serem decididas neste julgamento: 1) prescrição do direito de pedir a restituição em 5 anos; 2) impossibilidade de analisar questões atinentes à inconstitucionalidade da lei tributária; e 3) não incidência da multa de mora nos débitos eventualmente não compensados em face da denúncia espontânea. 1) PRESCRIÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO O prazo para os contribuintes apresentar a restituição foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 239 7 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 240 8 Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013) Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). (grifei) Portanto, seguindo a linha das decisões acima alinhavadas, há que se reconhecer que o contribuinte detinha o prazo de dez anos, contados da data do pagamento, para pedir restituição dos valores pretensamente recolhidos a maior da Cofins. Considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 02/12/2003, todos os pagamentos efetuados a partir de 02/12/1993 podem ser objetos de análise de seu direito creditório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 241 9 2) MÉRITO O contribuinte efetuou pedido de restituição de valores que teria pago a maior da Cofins do período de novembro/93 a janeiro/1999, requerendo desde já a possibilidade de efetuar compensações com futuros débitos de sua titularidade. Alegando o princípio constitucional da isonomia tributária previsto no art. 150, inc. II da CF, requer o direito de recolher a Cofins nos mesmos moldes das instituições financeiras. A contribuinte é uma sociedade limitada cujo objeto social é o comércio de máquinas, implementos e peças agrícolas. Nesta condição, para o período em questão, estava obrigado ao recolhimento da Cofins nos termos da Lei Complementar nº 70/91, da qual transcrevo alguns artigos de maior relevância: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. A mesma lei, em seu art. 11, elevou em oito pontos percentuais a alíquota da CSLL das instituições financeiras e no seu parágrafo único isentouas do pagamento da Cofins. A decisão recorrida está correta, à medida em que reconhecer a possibilidade de uma empresa comercial recolher a Cofins nos mesmos moldes das instituições financeiras é negar validade à lei instituidora e regulamentadora da contribuição, o que é vedado aos tribunais administrativos, conforme Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Apesar de não apreciada a argüição de suposta ofensa ao princípio da isonomia, observo que na situação aqui colocada não reconheço a mácula apontada. Isto porque as atividades das instituições financeiras em nada se parece com as atividades das empresas comerciais em geral. Elas têm especificidades tão distintas que levaram o legislador infraconstitucional a dar tratamento diferenciado a elas. Neste sentido transcrevo abaixo trecho Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 242 10 do voto do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, no Acórdão nº 20312.507, da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, o qual estou de inteiro acordo. “Como se sabe, o principio da igualdade implica em tratar os iguais de forma igual e em diferenciar os desiguais, sendo que estes devem ser diferenciados na medida de suas desigualdades conforme a lição célebre de Ruy Barbosa, in Oração aos Moços. A questão, então, passa a ser como discriminar, e quais os discrímenes a serem adotados. Celso Antonio Bandeira de Mello, in Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade, atualmente editado pela Malheiros Editores, analisa com rigor a questão e leciona que primeiro temse que investigar qual o critério discriminador, segundo, a relação entre o discriminador e o tratamento jurídico construído em função do discrímen eleito; terceiro, se a discriminação resulta, in concreto, de acordo com a Constituição. No caso em tela, o discriminador é a atividade das entidades financeiras, bastante diferenciada e que pode, sim, ser eleita como discrímen, já que não há vedação constitucional neste sentido. As entidades financeiras, responsáveis pela intermediação entre os que emprestam e os que tomam emprestados, possuem a peculiaridade de renovarem, a cada período de tempo préestabelecido — no geral, um mês — o que compram e o que vendem, que é o capital comprado dos aplicadores e vendido aos tomadores de empréstimos. Bem ao contrário das atividades comerciais no geral, nas quais as empresas vendem produtos uma única vez, sem as renovações periódicas. Assim, nas empresas não financeiras a incidência do PIS e da COFINS é computada a cada venda, uma única vez. Estas Contribuições, ao incidirem sobre o faturamento ou receita bruta das empresas, ocasionam bis in idem imposto repetido sobre a mesma base de cálculo: bis, repetição, in idem, sobre o mesmo , mas em operações distintas, de um fornecedor para outro e do último para o consumidor final. Não há repetição da incidência numa mesma operação, como aconteceria no caso da intermediação financeira, caso não permitidas as deduções próprias das instituições financeiras. Se nas atividades não financeiras não há renovação das vendas — comprase um produto uma única vez, sem se renovar tal compra , não acontece o cômputo renovado do PIS e da COFINS. Já os empréstimos são renovados a cada mês, dado que a taxa de juros normalmente é mensal. É como se as instituições financeiras vendessem o valor emprestado a cada mês. Assim sendo, se não pudessem deduzir os custos pagos aos aplicadores — a quem compram o capital também periodicamente , as bases de cálculo do PIS e da COFINS seriam renovadas mensalmente, no que repercutiriam diretamente na taxa de juros dos empréstimos. A título de exemplo, tomese um empréstimo mensal com taxa de juros igual a 3,00% (três por cento). Se a instituição financeira não pudesse deduzir do valor emprestado (faturamento) o custo dessa intermediação financeira, tal como permitido pelo art. 3°, § 6°, I, "a" da Lei n°9.718/98, com a redação dada pela MP n° 2.15835/2001, a taxa de juros, ao invés de 3,00%, seria 6,65% (3,00% de juros mais 3,00% de COFINS mais 0,65% de PIS). Destarte, o discrímen atividade financeira, além de ser permitido constitucionalmente, é também uma necessidade, como demonstrado acima. Por outro lado, o tratamento jurídico construído em função do discrimen eleito, bem como o que dele resulta, em concreto, estão de acordo com a Constituição, pois a discriminação feita pela legislação tributária não permite às instituições financeiras Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 243 11 todo tipo de dedução, mas somente aquelas que, se acaso não permitidas, inviabilizariam a intermediação financeira. Dito de outra forma: a discriminação estabelecida não ultrapassa os limites do que é peculiar à atividade financeira. Tanto é assim que as despesas administrativas, não dedutíveis nas bases de cálculo do PIS e da COFINS das empresas não financeiras, também não o são nas instituições financeiras (§ 1° do art. 1° da Lei n°9.701/98, com a redação dada pelo art. 3° da MP n°2.15835/2001).” Também a título de ilustração esta questão foi colocada no judiciário, sendo que o STF negou seguimento ao recurso extraordinário interposto com a seguinte ementa: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. EXTENSÃO DE TRATAMENTO DIFERENCIADO. ISONOMIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. 1. O acolhimento da postulação da autora extensão do tratamento tributário diferenciado concedido às instituições financeiras, às cooperativas e às revendedoras de carros usados, a título do PIS/PASEP e da COFINS implicaria converterse o STF em legislador positivo. Isso porque se pretende, dado ser ínsita a pretensão de ver reconhecida a inconstitucionalidade do preceito, não para eliminálo do mundo jurídico, mas com a intenção de, corrigindo eventual tratamento adverso à isonomia, estender os efeitos de norma contida no preceito legal a universo de destinatários nele não contemplados. Precedentes. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 402.7488 PE. Relator Ministro Eros Grau. 22/04/2008) 3) AFASTAMENTO DA MULTA DE MORA O contribuinte pede subsidiariamente o afastamento da cobrança da multa de mora na cobrança dos débitos compensados em caso de não homologação das declarações de compensação em face da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da leitura do dispositivo legal acima transcrito resta claro que a denúncia espontânea só é valida se vier acompanhada do pagamento do tributo. No presente caso apesar do contribuinte ter confessado o débito por meio das declarações de compensação, esta confissão não veio acompanhada do pagamento e sim de uma pretensa compensação que dependerá sempre de sua homologação posterior, expressa ou tácita. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13841.000612/200301 Acórdão n.º 3301002.262 S3C3T1 Fl. 244 12 Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, pois para o pagamento a extinção do crédito tributário não está vinculada a nenhuma condição e o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, diante do exposto, apesar de reconhecer que não houve a prescrição do pedido de restituição, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 35387.000472/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001
PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA A legislação determina no §3° do art. 31 da Lei n° 8.212 e §1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO. Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003. DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Código Tributário Nacional - CTN determina que a aplicação da Legislação Tributária observe os artigos 105 e 106 do citado Códex. Assim na forma do art. 106, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negava provimento.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espindola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001 PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA A legislação determina no §3° do art. 31 da Lei n° 8.212 e §1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO. Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003. DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Código Tributário Nacional - CTN determina que a aplicação da Legislação Tributária observe os artigos 105 e 106 do citado Códex. Assim na forma do art. 106, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito. Recurso Voluntário Provido.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente COMPANHIA SIDERURGICA PAULISTA COSIPA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2001 PREVIDENCIÁRIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA A legislação determina no §3° do art. 31 da Lei n° 8.212 e §1º do Decreto 3.048/99 que para caracterizar a cessão de mão de obra se impõe a colocação dos segurados empregados à disposição da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. NÃO EXIGÊNCIA DE RETENÇÃO. Os serviços de transportes de cargas deixaram de ser passíveis de retenção, com a alteração do Decreto nº 3.048/1999, realizada pelo Decreto nº 4.729/2003. DA RETROATIVIDADE BENIGNA O Código Tributário Nacional CTN determina que a aplicação da Legislação Tributária observe os artigos 105 e 106 do citado Códex. Assim na forma do art. 106, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 38 7. 00 04 72 /2 00 7- 34 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negava provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espindola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35387.000472/200734 Acórdão n.º 2402004.077 S2C4T2 Fl. 981 3 Relatório Tratase de crédito de contribuição previdenciária referente à ausência de retenção e recolhimento de 11% (onze por cento) sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra no período de 02/1999 a 09/2001. Nos termos do relatório fiscal de fls. 23/43, o lançamento foi efetivado com base nas notas fiscais ou faturas emitidas no período de 02/1999 a 10/1999, sendo que no período de 11/1999 a 09/2001 não houve apresentação de notas pela autuada, restando à fiscalização o lançamento dos valores de retenção sobre a base de cálculo apurada pela média mensal do período de 02/1999 a 10/1999. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 46/166. Os autos foram convertidos em diligência às fls. 460/463. Às fls. 468/471 foi juntada Informação Fiscal em que a fiscalização aponta para a real ocorrência de cessão de mão de obra e consequente ocorrência do fato gerador. Às fls. 847/856 foi proferido acórdão pelo CRPS que, por maioria, decidiu pela anulação da decisão para intimar a Recorrente da informação fiscal. Intimada do resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação de fls. 861/866. Em nova análise foi proferido acórdão de fls. 943/978 que deu parcial provimento à impugnação apresentada, reconhecendo a necessidade de retificação do crédito uma vez que, no período em que houve arbitramento pela fiscalização, não restou comprovada a ocorrência de fato gerador (prestação de serviços), concluindose pela exclusão do crédito nas competências de 11/1999 a 09/2001. Não houve recurso de ofício porquanto não alcançado o limite para tanto. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 888/901 segundo o qual: 1) A NFLD é nula por falta de especificidade do lançamento e cerceamento de defesa, na medida em que não ficou demonstrado se existia subordinação dos empregados contratados à tomadora ou sequer se a empresa contratada de fato colocou a mão de obra a disposição nas dependências da contratante; 2) A fiscalização não juntou cópia do contrato e das NFs no procedimento fiscal. Tais documentos foram juntados apenas depois pela Recorrente; 3) Não houve descrição rigorosa e minuciosa das características da suposta cessão de mão de obra na prestação de serviços de transporte de cargas, gerando flagrante prejuízo ao contraditório e ampla defesa; Fl. 982DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4) Ainda que a legislação veja este tipo de serviço como cessão de mão de obra, é necessário que se verifique no caso concreto se todas as características da cessão estão contempladas; 5) O contrato não estabelecia que a contratada colocaria veículo e motorista a disposição do tomador, com retribuição por tempo determinado. Pelo contrário, a prestação do serviço foi paga considerando o peso, a quantidade e os valores realmente transportados; 6) A prestação do serviço foi executada mediante empreitada na medida em que a contratada realizou determinado serviço estabelecido em contrato, sem disponibilizar equipe à contratante; 7) Tanto estava equivocado o enquadramento dos serviços de transporte de carga como cessão de mão de obra que em 10/06/2003 o Decreto n° 4.729/03 excluiu esse serviço do rol de atividades assim consideradas e sujeitas a retenção; 8) Inaplicável a multa vez que ausente irregularidade por parte da Recorrente. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35387.000472/200734 Acórdão n.º 2402004.077 S2C4T2 Fl. 982 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Nulidade Pretende a Recorrente a declaração de nulidade do auto de infração sob a alegação de que este não trouxe elementos suficientes para demonstrar a existência de subordinação na relação entre tomador e contratada, impossibilitando que a Recorrente pudesse elaborar defesa rebatendo cada um dos pontos levantados pela Fiscalização. O parágrafo único do art. 168 da Lei n° 10.406/2002 aduz que as nulidades devam ser pronunciadas pelo julgador quando a encontrar provada, não lhe sendo permitido suprilas ainda que a requerimento das partes: “Art. 168. [...] Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido suprílas, ainda que a requerimento das partes.” O lançamento de fato encontrase eivado de vícios de fundamentação. Entretanto, o artigo 59, § 3°, do Decreto n° 70.235/72 preceitua que quando puder o julgador decidir pelo mérito a favor do sujeito passivo não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 59. São nulos: [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Sendo assim, passase a análise do mérito. No Mérito Da obrigação de retenção por tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra A cessão de mão de obra está prevista na Lei n° 8.212/91 através do artigo 31, §§ 1°, 2° e 3° e no Regulamento da Previdência Social no artigo 219, §§ 1° a 4° e 7°: Lei n° 8.212/91: Fl. 984DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Decreto n° 3048/99: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Da análise do relatório fiscal de fls. 23/29 verificase que a Fiscalização lavrou o auto de infração com base exclusivamente na previsão legal de retenção sobre os serviços de transporte de cargas e no objeto do contrato de prestação de serviços, sem análise quanto ao cumprimento dos critérios previstos em lei para configuração da cessão de mão de obra. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35387.000472/200734 Acórdão n.º 2402004.077 S2C4T2 Fl. 983 7 Neste sentido, não obstante o objeto do contrato apontado estivesse contido no rol das atividades que seriam de sofrer a retenção dos valores em apreço, o lançamento não se fez acompanhar de elementos probantes de que os empregados das contratadas estiveram efetivamente à disposição do contratante, o que caracterizaria de modo inequívoco a cessão de mão de obra. Nos termos dos dispositivos que tratam da matéria, para que se configure a cessão de mão de obra, independentemente da natureza do serviço, necessário que o pessoal utilizado (segurados empregados das contratadas)fique à disposição exclusiva do tomador sendo este último quem determina o que, como e quando fazer, gerenciando de forma efetiva a realização do serviço. A cessão de mão de obra, portanto, não pode ser presumida. Há que restar materialmente comprovada. No caso dos autos, à época dos fatos geradores o serviço de transporte de carga estava incluso no rol dos serviços submetidos à retenção. Todavia, a previsão do referido serviço dentre as atividades submetidas à regra de tributação por si só não demonstra a obrigação da Recorrente em reter os 11%, vez que não comprovado pela Fiscalização que a mão de obra esteve à disposição da empresa tomadora em caráter de subordinação. Sendo assim, não demonstrado o cumprimento dos critérios que configurariam a cessão de mão de obra, quais sejam: i) colocação do empregado da contratada à disposição do contratante, ii) em suas dependências ou de terceiros; iii) realização de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa, não há que se falar em obrigação tributária por parte da Recorrente. Da retroatividade benigna O lançamento ora analisado se refere às competências de 02/1999 a 09/2001. É cediço que toda a fiscalização foi realizada com base na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, na forma estabelecida pelo art. 144, caput, do CTN. O Decreto n° 4.729/2003, posterior ao início da ação fiscal, alterou o inciso XIX do artigo 219, § 2°, para retirar do rol de atividades submetidas à retenção a operação de transporte de cargas isentando as empresas que prestam serviços dessa natureza da retenção em comento: Redação anterior: § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] XIX operação de transporte de cargas e passageiros; Redação atual (Decreto n° 4.729/03): § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] Fl. 986DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) O Código Tributário Nacional, nos artigos 105 e 106, assim prevê: Aplicação da Legislação Tributária Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; [...] Assim, ainda que restasse comprovada a condição basilar de que na prestação do serviço pela contratada seus empregados houvessem ficado à disposição da contratante (regime de subordinação), por não ter o ato sido definitivamente julgado, compulsório contemplar a Recorrente com o benefício da retroatividade benigna previsto no comando do art. 106 do CTN. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10880.936039/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1102-001.165
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Pagamento indevido a título de estimativa de CSLL. Recorrente MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 60 39 /2 00 9- 07 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 364 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase recurso voluntário interposto por MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 11 e 12 do processo digital) de débitos de tributos federais com o crédito de R$ 3.301.767,94 decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de CSLL em 19/04/2000. A Derat/São Paulo, mediante despacho decisório eletrônico, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pelo fato de ter decorrido mais de cinco anos entre a data da arrecadação do DARF e a data da transmissão da PER/DCOMP. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade na qual informou que houve engano no preenchimento da data do período de apuração no DARF e que a data do início da contagem do prazo é a da entrega da declaração de ajuste. A mencionada 2ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1627.902, de 23 de novembro de 2010, por meio do qual manteve o não reconhecimento do direito creditório alegado. Cumpre esclarecer que, por tratarem do mesmo direito creditório, a mesma decisão foi proferida para o julgamento da lide contida neste e em outros vinte processos. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 365 3 As estimativas pagas devem ser levadas ao ajuste anual como dedução do valor devido no ano (§4°, inciso IV do artigo 2° da Lei n° 9.430/96), só então configurandose o saldo a restituir, se for o caso, não cabendo falar em pagamento a maior da própria estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em que deduz os seguinte argumentos: Em sede preliminar, a) A decisão recorrida contém vício insanável e deve ser declarada nula porque partiu da equivocada premissa de que o presente processo continha o mesmo teor de outros processos que pleiteavam o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de IRPJ. b) Os fundamentos para o indeferimento das compensações envolvendo crédito de IRPJ e CSLL são diferentes. No caso do IRPJ, a Derat indeferiu as compensações sob a alegação de que não foi confirmada porque o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Porém, no caso da CSLL, a razão teria sido o fato de ter decorrido mais de cinco anos entre a data da arrecadação do DARF e a data da transmissão da PER/DCOMP. c) Ademais, a legislação que determina a tributação dos lucros auferidos no exterior, motivo do recolhimento indevido, até o ano de 1999, não alcançava a CSLL. Razão pela qual a empresa obteve liminar que reconhecia o direito de não se sujeitar a esta tributação de 1996 a 1998. d) O fato de não ter analisado as razões de defesa no tocante à CSLL configura a preterição do direito de defesa prevista no artigo 59, II, do PAF. Por conseguinte, o ato praticado pela autoridade julgadora deve ser anulado. No mérito, e) O pagamento indevido havia sido efetuado em 19/04/2000, enquanto que o PER/DCOMP foi transmitido em 18/04/2005. Portanto, não foi ultrapassado o prazo de cinco anos. Além disso, a jurisprudência do STJ já foi firmada no sentido de que o prazo para a restituição dos indébitos solicitados antes da vigência da LC nº 118/05 submetese à “sistemática dos cinco mais cinco”. f) Em 26/04/2001 obteve liminar em mandado de segurança que reconheceu o direito de a empresa não se sujeitar ao recolhimento da CSLL sobre rendimentos auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, somente distribuídos em 2000. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 366 4 g) Por equívoco, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior na base de cálculo para a apuração da estimativa de março/2000. h) Em decorrência desse equívoco, efetuou a maior o recolhimento da estimativa referente a esse mês. Recolheu R$ 3.415.839,34, quando o correto seria recolher R$ 114.071,40. Assim, possui um indébito passível de compensação no montante de R$ 3.301.767,95. i) Ao contrário do que alega o acórdão recorrido, tratase de recolhimento a maior e não de estimativa mensal. j) Nos termos do artigo 19 da MP nº 1.8586, se houvesse valor a ser adicionado a título de rendimentos auferidos no exterior, ele deveria ser feito em 31 de dezembro e não no decorrer do exercício. k) O DARF não foi localizado no sistema da Receita Federal por causa do equívoco no período de apuração informado. Ao invés de 19/04/2000, o correto seria 31/03/2000. Tal erro não foi detectado em tempo hábil, razão pela qual não foi possível efetuar o REDARF. l) O valor referente a rendimentos auferidos no exterior não compôs a apuração do ajuste anual em razão da liminar concedida no mandado de segurança. m) A situação em tela não se confunde com aquela disciplinada no artigo 170A do CTN porque não se pretende a compensação de tributo discutido judicialmente, mas, sim, de tributo recolhido indevidamente em março de 2000. n) A veracidade de suas alegações pode ser comprovada através de seus registros contábeis, os quais fazem prova da regular existência do crédito. o) Esclarece que incorreu em erro formal no preenchimento do PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997. p) Seu pedido encontra amparo no direito de propriedade, do devido processo legal, na legalidade, na moralidade administrativa e na verdade material. Ao final, requer que seja anulada a decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, seja homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 367 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De fato, a DRJ proferiu decisões com o mesmo conteúdo para as compensações da recorrente originárias de créditos consubstanciados por pagamentos indevidos de tributos diferentes. O teor do acórdão recorrido é absolutamente idêntico ao que foi proferido para processos onde se discutia o reconhecimento do crédito decorrente do pagamento a maior a título de estimativa do IRPJ do mês de março de 2000. Não obstante este processo tratar de reconhecimento de crédito de natureza semelhante, o pagamento indevido aqui foi efetuado a título de estimativa da CSLL daquele mesmo mês. Independentemente disso, o referido engano pode ser superado na medida em que se entenda que a DRJ pretendia, em verdade, emitir o mesmo raciocínio veiculado nos processos que trataram do pedido de compensação da referida estimativa do IRPJ, qual seja, não reconhecer o direito creditório pleiteado porque não se poderia restituir estimativas pagas, as quais deveriam ser deduzidas no ajuste anual, em conformidade com o estabelecido no artigo 2º, IV, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, só se poderia requerer restituição/compensação de eventual saldo negativo apurado no referido ajuste anual. Tal entendimento, de fato, é o correto e vem sendo seguidamente adotado nos diversos julgamentos proferidos nesta Casa. Nada obstante, verifico que o presente caso não trata da estimativa que deveria ser paga na conformidade do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Isso porque a recorrente agiu de forma equivocada ao calcular a antecipação que seria devida no mês de março de 2000. Com efeito, na apuração desse mês, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior quando o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 dispõe que tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. Por tal motivo, recolheu a título de estimativa do mês de março de 2000, o valor de R$ 3.415.839,34, quando o correto seria recolher R$ 114.071,40. No entanto, a recorrente alegou um outro motivo para a ocorrência do pagamento indevido que não existiu nos processos semelhantes que analisaram os créditos decorrentes da estimativa do IRPJ. Neste sentido, salientou que a legislação que determina a tributação dos lucros auferidos no exterior, motivo do recolhimento indevido, até o ano de 1999, não alcançava a CSLL e que, por essa razão, obteve liminar que reconhecia o direito de não se sujeitar a tributação sobre rendimentos auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, somente distribuídos em 2000. Tais fatos estão relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos apontam para a verossimilhança dessas alegações. Haveria, portanto, pagamento maior que o devido na data do respectivo recolhimento, configurando um indébito passível de restituição/compensação no montante de R$ 3.301.767,95. Isso, a despeito do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 368 6 A possibilidade de restituição/compensação de pagamentos indevidos a título de estimativa já é matéria consolidada no âmbito do CARF desde a edição da seguinte súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a verificação efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte e documentação juntada aos autos com os sistemas de controle da Receita Federal, pois a autoridade julgadora negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de março de 2000, se o valor pago a maior não foi efetivamente apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à instância a quo para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à DRJ para análise do mérito do pedido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936039/200907 Acórdão n.º 1102001.165 S1C1T2 Fl. 369 7 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10855.002022/2003-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREJUDICIALIDADE. Diante do reconhecimento de que as atividades do contribuinte não estão sujeitas ao IPI em decisão administrativa irrecorrível, resta prejudicada a análise de recurso que verse sobre classificação fiscal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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PREJUDICIALIDADE. Diante do reconhecimento de que as atividades do contribuinte não estão sujeitas ao IPI em decisão administrativa irrecorrível, resta prejudicada a análise de recurso que verse sobre classificação fiscal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: PAULO GUILHERME DEROULEDE (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 20 22 /2 00 3- 68 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Inicialmente transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: Tratase de auto de infração lavrado em 30/05/2003 para exigir o crédito tributário de R$ 6.279.819,91 correspondente ao IPI, multa e juros de mora. 0 termo de constatação (fls. 365 e seguintes do 2° volume) nos dá conta de que o estabelecimento efetua operações de industrialização de etiquetas, placas e painéis de alumínio e de plástico, personalizados, e sob encomenda de outras empresas que enviam os desenhos e demais especificações técnicas, conforme demonstrado pela fiscalização. Entretanto, o estabelecimento se autoenquadra como prestadora de serviços de artes gráficas e nos períodos de apuração abrangidos pelo auto de infração, deu saída aos produtos de sua fabricação sem lançamento do IPI. A fiscalização enquadrou os produtos sob o código 3919.90.00 da Tipi/96 e efetuou o lançamento do imposto considerado devido. Regularmente notificado do auto de infração, o contribuinte, em 30/06/2003, apresentou a impugnação de fls. 448/464, instruída com os documentos de fls. 465 e ss. Alegou, em síntese, que não é estabelecimento industrial, mas sim prestador de serviços na área de artes gráficas. Disse que seus produtos são personalizados e produzidos sob encomenda dos clientes. Informou que sua atividade está enquadrada no item 77 da lista de serviços anexa ao DL n° 406, de 31/12/1968, não se sujeitando nem ao IPI e nem ao ICMS, conforme reiteradas decisões do STJ e do extinto TFR. Ainda que se entenda ser cabível a exigência do IPI, a classificação fiscal preconizada pela fiscalização não procede. Os produtos devem ser classificados ou na posição 4908 ou na posição 4911, porque sendo o suporte acessório em relação ao impresso, perderam a característica de obras ou artefatos de plástico. Requereu o cancelamento do auto de infração.: A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SUMULAS 143 DO TFR E 156 DO STJ. INAPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1º, do DL n° 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10855.002022/200368 Acórdão n.º 3302002.235 S3C3T2 Fl. 1.602 3 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. A falta de lançamento do IPI rende ensejo ao lançamento do oficio. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Etiquetas impressas, consistentes em películas de plástico auto adesivas, aplicáveis à temperatura ambiente e por pressão mecânica, que não necessitam de umedecimento ou de adição de adesivo, classificamse sob o código 3919.90.00, por força da RGI n° 1. Lançamento Procedente Contra esta decisão, a contribuinte interpôs Recursos Voluntários dirigidos ao 2º Conselho de Contribuintes, para tratar da não incidência do IPI em suas atividades, e para o 3º Conselho de Contribuintes, onde discutiu a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal. No âmbito do 2º Conselho, após analise da matéria relativa à incidência do IPI nas atividades desenvolvidas pela Recorrente, assim restou ementada a decisão proferida da lavra da eminente Conselheira Nayra Bastos Manatta: IPI. SERVIÇOS DE ARTES GRÁFICAS PERSONALIZADOS E POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Diante do provimento ao Recurso Voluntário, entendeu por bem, a FGNF, interpor Recurso Especial, que foi admitido pelo Despacho nº 20202 (fls.698) exarado no seguinte sentido: Diante do exposto, recebo o recurso especial de divergência interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional no tocante A "possibilidade de incidência cumulativa do ISS e IPI sobre operação caracterizada como prestação de serviço". Na Câmara Superior, o Recurso especial não foi admitido (fls. 767), em julgamento que assim ficou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PAF. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não caracterizada a divergência em face do acórdão recorrido ter decidido questão diversa daquela enfrentada pelos acórdãos Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 paradigmas, não se toma conhecimento do recurso pela falta de pressuposto objetivo. Recurso especial não conhecido. Contra esta decisão foi proposto embargos de declaração, que não foram conhecidos. Após a ciência dos interessados, o Recurso Voluntário relativo a questão da classificação fiscal foi a mim distribuído para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como descrito no relatório acima transcrito, o auto de infração sob análise continha dois temas em discussão, quais sejam: (i) a incidência do IPI nos serviços gráficos sob encomenda; e, (ii) a classificação fiscal a ser adotada. Como bem ressaltou a Relatora da decisão proferida no âmbito do 2º Conselho de Contribuintes, a questão da incidência do IPI nos serviços de artes gráficas sob encomenda era tema preliminar a ser analisado, pois prejudicial a análise do segundo tema posto em julgamento. Transcrevo o trecho do voto: A segunda questão tratada no recurso referese à classificação tarifária das etiquetas fabricadas pela recorrente que o Fisco entende deva ser o código 3919.90.00 da TIPI196, e a recorrente nas posições 4908 ou 4911 da mesma TIPI. Ocorre que a questão acerca da possibilidade de a recorrente ser contribuinte do IPI, uma vez que executa serviços de artes gráficas personalizados e sob encomenda do cliente, constante do item 77 da lista de serviços anexa ao DL n° 406/68, é questão prejudicial .4 análise do mérito da classificação fiscal adotada pela recorrente. Em outras palavras, se decido que as atividades não estavam sujeitas ao IPI, irrelevante a análise de qual seria a classificação fiscal correta a ser adotada. Não por outro motivo, o Recurso Voluntário endereçado ao antigo 3º Conselho de Contribuintes, ficou “sobrestado”, aguardando a análise da matéria cuja competência regimental era atribuída ao extinto 2º Conselho. Como já destacado, entendeuse pela não Incidência do IPI nas atividades gráficas sob encomenda realizadas pela Recorrente. Vale destacar trecho da decisão proferida pela relatora do colegiado administrativo de 2ª instância: Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10855.002022/200368 Acórdão n.º 3302002.235 S3C3T2 Fl. 1.603 5 A recorrente, conforme comprovado nos autos, no exercício de suas atividades, é contratada pelos seus clientes para produzir adesivos personalizados a serem aplicados em diversas superficies. Tais adesivos são fabricados por encomenda, nos modelos fornecidos pelo próprio cliente e para o seu uso exclusivo, conforme comprovam os exemplos dos serviços prestados pela recorrente, trazidos aos autos. Os adesivos produzidos pela recorrente não podem, em absoluto, ser vendidos livremente no mercado, até mesmo porque contêm o nome e a logomarca do encomendante, sendo, portanto, de uso exclusivo de cada um de seus clientes. Na atividade desempenhada pela recorrente o seu trabalho profissional de serviços gráficos especializados, personalizados e sob encomenda é que caracterizam a atividade desenvolvida e o serviço prestado, até mesmo porque no mercado são encontrados diversos tipos de adesivos para uso geral, entretanto, não desejando a encomendante um produto de uso comum, contrata os serviços da recorrente para que esta faça os seus próprios adesivos, personalizados. Vêse, portanto, que é o trabalho profissional desenvolvido pela recorrente no ramo de serviços gráficos que caracteriza a sua produção. Assim, ante a decisão proferida pelo órgão máximo administrativo, as atividades desenvolvidas pela Recorrente estão fora do campo de incidência do IPI, e, no tocante a questão da classificação fiscal a ser adotada, o Recurso Voluntário e a decisão proferida no âmbito da DRJ perdem seu objeto. Diante do exposto VOTO POR NÃO CONHECER o Recurso Voluntário diante do reconhecimento da não incidência do IPI. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003242/2003-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. Segundos embargos que reiteram os fundamentos dos primeiros embargos, já rejeitados por não haver omissão no julgamento.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Helder Massaaki Kanamaru, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. Segundos embargos que reiteram os fundamentos dos primeiros embargos, já rejeitados por não haver omissão no julgamento. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Helder Massaaki Kanamaru, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Este Colegiado, por meio do Acórdão 3403001.253, de 5 de outubro de 2011, deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 42 /2 00 3- 78 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, Dje 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 272/275), no qual alegando vício de omissão em razão de o acórdão não ter apontado os fundamentos que assemelhariam o presente feito àquele no qual foi proferido o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, em regime de Recurso Repetitivo (REsp 1035847/RS). Os embargos foram rejeitados por meio do Acórdão nº 3403002.570, de 23 de outubro de 2013, cuja ementa foi a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. O entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recurso repetitivo, de que a taxa Selic deve ser aplicada no período compreendido entre a data de apresentação do pedido pelo contribuinte e a data do efetivo ressarcimento pela Administração, toma como pressuposto, para sua aplicação, a oposição da Administração em realizar o efetivo ressarcimento. Esta oposição, segundo o mesmo Tribunal, não se configura apenas pela existência de um ato normativo, mas pela resistência da Administração em reconhecer o direito do contribuinte. Embargos rejeitados. A Fazenda Nacional opõe agora os segundos embargos de declaração, reiterando o mesmo fundamento de existência de omissão quanto à configuração de situação em relação ao qual deva ser aplicado o entendimento do STJ. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 3403003.051 S3C4T3 Fl. 279 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Os segundos embargos reiteram os fundamentos dos primeiros embargos, já rejeitados por entender este Colegiado que não há omissão no julgado. Pelas mesmas razões, portanto, devem ser rejeitados estes segundos embargos. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722383/2011-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/06/2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO CLARA, OBJETIVA E PRECISA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUADA E CORRETA. DESCRIÇÃO E MOTIVAÇÃO DO FATO CORRETAMENTE APRESENTADO. EXAÇÃO JUDICIALMENTE CONTESTADA PELO CONTRIBUINTE COM DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. DIREITO CONSTITUCIONAL DE AÇÃO E DIREITO LEGAL DE CONTESTAR E CAUCIONAR O TRIBUTO. AUSÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO ORDENAMENTO JURÍDICO. EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/06/2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO CLARA, OBJETIVA E PRECISA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUADA E CORRETA. DESCRIÇÃO E MOTIVAÇÃO DO FATO CORRETAMENTE APRESENTADO. EXAÇÃO JUDICIALMENTE CONTESTADA PELO CONTRIBUINTE COM DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. DIREITO CONSTITUCIONAL DE AÇÃO E DIREITO LEGAL DE CONTESTAR E CAUCIONAR O TRIBUTO. AUSÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO ORDENAMENTO JURÍDICO. EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrente LATICÍNIO MB LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/06/2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO CLARA, OBJETIVA E PRECISA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. ADEQUADA E CORRETA. DESCRIÇÃO E MOTIVAÇÃO DO FATO CORRETAMENTE APRESENTADO. EXAÇÃO JUDICIALMENTE CONTESTADA PELO CONTRIBUINTE COM DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. DIREITO CONSTITUCIONAL DE AÇÃO E DIREITO LEGAL DE CONTESTAR E CAUCIONAR O TRIBUTO. AUSÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO ORDENAMENTO JURÍDICO. EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Oseas Coimbra Junior votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 23 83 /2 01 1- 50 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 104 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 105 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.325.1521, CFL.99, “outras situações a capitular”, estando a infração capitulada no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 06 a 09, com período de apuração de 05/2005 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIAF, de fls. 22 e 23. A infração foi capitulada pelo agente fiscal, conforme trecho de seu REFISC, que transcrevo. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/06/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa, em 20/07/2011, as fls. 50 a 56, acompanhada dos documentos, de fls. 57 a 70. A DRJ/JFA pelo despacho nº 63, de fls. 72, baixou os autos em diligência. O agente fiscal lançador emitiu o despacho, de fls. 74, em razão da diligência. O contribuinte foi cientificado da diligência e sua resposta, bem como lhe foi concedido prazo de trinta dias para manifestação, intimação e AR, respectivamente, fls. 77 e 78. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0944.852 5ª, Turma DRJ/JFA, em 03/07/2013, fls. 85 a 88. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório pela primeira vez, em 02/11/2013, conforme Termo de Ciência Por Decurso de Prazo, acostado, as fls. 92. Porém, consta, as fls. 93, Termo de Abertura de Documento, o qual informa que o contribuinte tomou conhecimento do Acórdão de primeiro grau e da Intimação de Comunicação, em 02/12/2013. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 106 4 Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 95 a 101, recebido, em data ilegível, conforme carimbo de recepção, de fls. 95, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que a recorrente na qualidade de responsável tributária tem a obrigação de apurar e recolher o tributo e esse procedimento foi realizado, tendo sido isso comprovado pelo agente fiscal lançador, que no item 9.8.2 do se REFISC, diz o que transcrevo: · que a verdadeira motivação da autuação é a que a seguir transcreve a recorrente: · que na legislação tributária que rege a emissão de nota fiscal não há a exigência de destaque da retenção das contribuições previdenciárias sobre a aquisição da produção rural, sendo que só a lei poderia impor tal obrigação; · que o artigo 78, da IN RFB Nº 971/2009 utilizado para fundamentar a decisão a quo diz que a recorrente é responsável pela arrecadação, mediante desconto e recolhimento, mas nada fala sobre a necessidade de destaque em nota fiscal; · Dos pedidos: a) acatamento do recurso, reformandose a decisão de primeiro grau, julgando a lançamento improcedente. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Aos autos foram encaminhados ao CARF, fls. 103. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/02/2014. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo, tendo em vista que não se pode verificar a data de recepção deste, haja vista que tal elemento esta ilegível no carimbo de recepção e considerandose o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Todavia, cumpre salientar que a autoridade preparadora é responsável por tal ato, pois do Termo de Ciência Por Decurso de Prazo, acostado, as fls. 92, podese deduzir que tal recurso poderia ser INTEMPESTIVO, uma vez que tal ciência se deu, em 02/11/2013, pois quando a cientificação é realizada por tal meio, é irrelevante se o dia da cientificação é útil ou não, começando a contagem nesse dia. Tendo sido realizada a intimação como acima descrito para que nova intimação em outra data, 02/12/2013, conforme Termo de Abertura de Documento, fls. 93. Mérito. Assiste razão a recorrente ao dizer que a ela recorrente cabe o dever de na qualidade de responsável tributária promover a apuração, arrecadação e recolhimento da contribuição social previdenciária sobre o valor da produção rural por ela adquirida, nos termos o artigo 30, inciso III, da Lei 8.212/91. Entretanto, não é possível verificar a veracidade da transcrição feita pelo recorrente, pois a peça processual pela recorrente referida não consta destes autos. A motivação da atuação esta consignada no REFISC, de fls. 06 a 09, item 2.1, abaixo transcrito, bem como no item 1, da resposta da diligência, despacho, de fls. 74. 1. Em atendimento ao solicitado, informo que a EMPRESA interessada NÃO EFETUOU AS RETENÇÕES da contribuição previdenciária do Produtor Rural Pessoa Física incidente sobre a comercialização de produção rural – vide Notas Fiscais de Entrada de Produto rural – fls. 29 a 46 do presente processo; (o realce é meu). Mais uma vez a transcrição feita pela recorrente não pode ser verificada, pois não se cuida de peça processual que faça parte desses autos. A exigência de destaque da retenção em nota fiscal não precisa ser determinada pela legislação de emissão da nota fiscal qualquer legislação tributária é competente para tal, basta ver o artigo 31, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711, parágrafo 1º, que mandava fazer o destaque da retenção dos onze por cento, no caso de cessão de mão de obra. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 108 6 O artigo 115, da Lei 5.172/66 diz que o fato gerador da obrigação acessória – dever instrumental é qualquer situação, a que a legislação imponha o dever de cumprimento ou abstenção e no caso legislação não é sinônimo de lei é conceito muito mais amplo que alberga, inclusive, atos administrativos, artigo 110, do citado veículo introdutor de norma. A possibilidade de criação de obrigação acessória por ato administrativo já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ que admitiu sua regularidade em razão da necessidade de estabelecer controles adicionais no campo tributário, observese a ementa abaixo. EMEN: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CONSOLIDAÇÃO DE BALANCETES MENSAIS NA DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. CRIAÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL POR INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. COMPLEMENTAÇÃO DO SENTIDO DA NORMA LEGAL. 1. A Instrução Normativa 90/92 não criou condição adicional para o desfrute do benefício previsto no art. 39, § 2º, da Lei 8.383/91, extrapolando sua função regulamentar, mas tãosomente explicitou a forma pela qual deve se dar a demonstração do direito de usufruir dessa prerrogativa, vale dizer, criando o dever instrumental de consolidação dos balancetes mensais na declaração de ajuste anual. 2. Confronto entre a interpretação de dispositivo contido em lei ordinária art. 39, §2º, da Lei 8.383/91 e dispositivo contido em Instrução Normativa art. 23, da IN 90/92 , a fim de se verificar se este último estaria violando o princípio da legalidade, orientador do Direito Tributário, porquanto exorbitante de sua missão regulamentar, ao prever requisito inédito na Lei 8.383/91, ou, ao revés, apenas complementaria o teor do artigo legal, visando à correta aplicação da lei, em consonância com o art. 100, do CTN. 3. É de sabença que, realçado no campo tributário pelo art. 150, I, da Carta Magna, o princípio da legalidade consubstancia a necessidade de que a lei defina, de maneira absolutamente minudente, os tipos tributários. Esse princípio edificante do Direito Tributário engloba o da tipicidade cerrada, segundo o qual a lei escrita em sentido formal e material deve conter todos os elementos estruturais do tributo, quais sejam a hipótese de incidência critério material, espacial, temporal e pessoal , e o respectivo conseqüente jurídico, consoante determinado pelo art. 97, do CTN, 4. A análise conjunta dos arts. 96 e 100, I, do Codex Tributário, permite depreenderse que a expressão "legislação tributária" encarta as normas complementares no sentido de que outras normas jurídicas também podem versar sobre tributos e relações jurídicas a esses pertinentes. Assim, consoante mencionado art. 100, I, do CTN, integram a classe das normas complementares os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas espécies jurídicas de caráter secundário cujo objetivo precípuo é a explicitação e complementação da norma legal de caráter primário, estando sua validade e eficácia estritamente vinculadas aos limites por ela impostos. 5. É cediço que, nos termos do art. 113, § 2º, do Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 109 7 CTN, em torno das relações jurídicotributárias relacionadas ao tributo em si, exsurgem outras, de conteúdo extrapatrimonial, consubstanciadas em um dever de fazer, nãofazer ou tolerar. São os denominados deveres instrumentais ou obrigações acessórias, inerentes à regulamentação das questões operacionais relativas à tributação, razão pela qual sua regulação foi legada à "legislação tributária" em sentido lato, podendo ser disciplinados por meio de decretos e de normas complementares, sempre vinculados à lei da qual dependem. 6. In casu, a norma da Portaria 90/92, em seu mencionado art. 23, ao determinar a consolidação dos resultados mensais para obtenção dos benefícios da Lei 8.383/91, no seu art. 39, § 2º, é regra especial em relação ao art. 94 do mesmo diploma legal, não atentando contra a legalidade mas, antes, coadunandose com os artigos 96 e 100, do CTN. 7. Deveras, o E. STJ, quer em relação ao SAT, IOF, CSSL etc, tem prestigiado as portarias e sua legalidade como integrantes do gênero legislação tributária, já que são atos normativos que se limitam a explicitar o conteúdo da lei ordinária. 8. Recurso especial provido. EMEN:(RESP 200500238958, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:20/11/2006 PG:00278 ..DTPB:.) (realizei o destaque). Assim sendo, não há impedimento de criação de tal exigência via legislação. No que refere ao artigo 78, V, da IN RFB 971/2009, a razão está com a recorrente não há neste dispositivo a exigência de destaque da “retenção”, que em verdade nem é retenção e mero desconto, arrecadação e recolhimento. Porém, isso é irrelevante, pois a autuação não está fundada na necessidade de destaque da “retenção” em nota fiscal, mas, sim, como explicitado nos dois trechos que transcrevi das peças processuais e que repito, abaixo, ela se fundamenta na ausência de arrecadação mediante a “retenção” das contribuições em razão da aquisição da produção rural, artigo 25 c/c o artigo 30, III, da Lei 8.212/91. 1. Em atendimento ao solicitado, informo que a EMPRESA interessada NÃO EFETUOU AS RETENÇÕES da contribuição previdenciária do Produtor Rural Pessoa Física incidente sobre a comercialização de produção rural – vide Notas Fiscais de Entrada de Produto rural – fls. 29 a 46 do presente processo; (o realce é meu). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 110 8 Desta forma, não vejo vício que possa levar a nulidade do lançamento, tendo em vista que a atuação está suficientemente esclarecida e com fundamentação adequada. No entanto, analisandose a situação por outro ângulo de observação, entendo que a conduta da empresa contribuinte recorrente quanto a obrigação acessória descrita nesses autos, não é violadora das suas obrigações nos termos específicos para esse lançamento. O exercício regular de um direito constitucional e legal não pode implicar em penalização para o exercente do direito. Podese observar das decisões judiciais que colacionei como anexo a esse acórdão que no Acórdão da Apelação Civil do TRF1 está consignado que a empresa que tem a responsabilidade tributária de promover o desconto, arrecadação e recolhimento tem legitimidade para discutir judicialmente a exigibilidade da exação, veja a transcrição abaixo. 1. Consagrouse na jurisprudência pátria entendimento no sentido de que o adquirente, o consignatário e a cooperativa, na condição de substitutos legais tributários, detêm ampla legitimidade para discutir judicialmente a exigibilidade da contribuição ao FUNRURAL, e não para postular sua restituição, mediante repetição de indébito ou compensação. (os grifos são meus). No caso em análise foi isso que fez a recorrente promoveu a discussão do tributo judicialmente e obteve decisão a seu favor que afastou a exigibilidade da exação e de forma concomitante para se resguardarse de eventuais dissabores futuros de forma previdente e por vontade própria promoveu o depósito judicial das importâncias devidas, no termos do artigo 151, II, da Lei 5.172/66. Assim, dessa maneira, só três eventos podem ocorrer: 1) o pedido do contribuinte ao judiciário é definitivamente julgado procedente, ou seja, a exação é indevida, não há nada a recolher e muito menos obrigação acessória a cumprir e o depósito deve ser restituído ao depositante. NESSE CASO A AUTUAÇÃO É IMPROCEDENTE; 2) o pedido do contribuinte ao judiciário é definitivamente julgado procedente em parte, ou seja, a exação é indevida em parte. Porém, existe contribuição a recolher em parte do período, bem como há obrigação acessória a cumprir em relação a essa parte, devendo o depósito ser restituído ao depositante, na parte que lhe foi procedente e na parte improcedente convertido em renda e liberado ao fisco. NESSE CASO A AUTUAÇÃO FISCAL É IMPROCEDENTE, POIS NA PARTE PROCEDENTE DA AÇÃO JUDICIAL NÃO HÁ EXAÇÃO E NA PARTE IMPROCEDENTE DA AÇÃO JUDICIAL, APESAR DE EXISTIR EXAÇÃO, O FISCO FOI SATISFEITO PELO DEPÓSITO CONVERTIDO EM RENDA, DIREITO CONSTITUCIONAL DO EXERCÍCIO DE AÇÃO E DIREITO LEGAL DE CONTESTAR A EXAÇÃO E CAUCIONAR O TRIBUTO; 3) o pedido do contribuinte ao judiciário é definitivamente julgado improcedente, ou seja, a exação é considerada devida in totum, existe contribuição a recolher em todo o período, bem como existe obrigação acessória a cumprir para todo o período, devendo o depósito ser convertido em renda e liberado ao fisco, totalmente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 111 9 NESSE CASO A AUTUAÇÃO FISCAL É IMPROCEDENTE, POIS APESAR DO PEDIDO EM AÇÃO JUDICIAL TER SIDO JULGADO IMPROCEDENTE, O QUE FAZ COM QUE EXISTA EXAÇÃO EM TODO O PERÍODO, O FISCO FOI SATISFEITO PELO DEPÓSITO CONVERTIDO EM RENDA, DIREITO CONSTITUCIONAL DO EXERCÍCIO DE AÇÃO E DIREITO LEGAL DE CONTESTAR A EXAÇÃO E CAUCIONAR O TRIBUTO. No presente caso, o agente fiscal lançador deixou claro em sua resposta à diligência, item 2, de fls. 74, a seguir transcrita que a recorrente promoveu o depósito do montante integral em juízo. 2. Informo, ainda, que a Empresa efetuou depósito do montante integral devido em juízo; Desta forma, o contribuinte utilizou a prerrogativa, do artigo 151, II, da Lei 5.172/66 para suspender a exigibilidade do crédito, apesar dessa exigibilidade ter sido afastada pelo decisão judicial em apelação, como supramencionado. Mutatis Mutandis, pareceme aqui caber a aplicação da Teoria Penal Conglobante, pois se o contribuinte pode ir a juízo para contestar a exação e pode promover o seu depósito, como tal conduta ou o exercício regular de um direito pode ser violador do ordenamento e ser penalizado por outro lado, veja o trecho transcrito. De acordo com a teoria acima aludida, o fato típico pressupõe que a conduta esteja proibida pelo ordenamento jurídico como um todo, globalmente considerado. Assim, quando algum ramo do direito, civil, trabalhista, administrativo, processual ou qualquer outro, permitir o comportamento, o fato será considerado atípico. O direito é um só e deve ser considerado como um todo, um bloco monolítico, não importando sua esfera (a ordem é conglobante). Seria contraditório autorizar a prática de uma conduta por considerála lícita e, ao mesmo tempo, descrevêla em um tipo como crime. Ora, como, por exemplo, o direito civil pode consentir e o direito penal definir como crime uma mesma ação, se o ordenamento jurídico é um só. O direito não pode dizer: pratique boxe, mas os socos que você der estão definidos como crime. Se o fato é permitido expressamente, não pode ser típico. Com isso, o exercício regular do direito deixa de ser causa de exclusão da ilicitude para transformarse em excludente de tipicidade, pois, se o fato é um direito, não pode estar descrito como infração penal. Se eu tenho o direito de cortar os galhos da árvore do vizinho que invadem meu quintal, de usar o desforço imediato para a defesa da propriedade, se o médico tem o direito de cortar o paciente para fazer a operação, como tais condutas podem estar ao mesmo tempo definidas como crime? 1 Assim com esses esclarecimentos entendo que a infração é improcedente. 1 CAPEZ, Fernando. As Teorias do Direito Penal O que é a "teoria da tipicidade conglobante"? Disponível em http://www.lfg.com.br 29 outubro. 2009. Acessado em: 02 jul 2014. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 112 10 CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. ANEXO AO ACÓRDÃO PESQUISA SITE TRF1 APELAÇÃO CÍVEL 2010.38.01.0014354/MG Processo na Origem: 32628420104013801 RELATOR(A) : DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA APELANTE : LATICINIOS MB LTDA ADVOGADO : FRANCISCO PRUDENTE DE SOUZA E OUTROS(AS) APELADO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : LUIZ FERNANDO JUCA FILHO EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (FUNRURAL). EMPREGADOR RURAL, PESSOA NATURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGIMITIDADE ATIVA DA EMPRESA ADQUIRENTE PARA REQUERER A INEXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. PRECEDENTES. 1. Consagrouse na jurisprudência pátria entendimento no sentido de que o adquirente, o consignatário e a cooperativa, na condição de substitutos legais tributários, detêm ampla legitimidade para discutir judicialmente a exigibilidade da contribuição ao FUNRURAL, e não para postular sua restituição, mediante repetição de indébito ou compensação. 2. Nesse diapasão: “1. A adquirente de produto agrícola, por ser mera retentora da contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos obtidos do produtor rural, detém legitimidade ativa ad causam para postular a declaração de inexigibilidade da contribuição para o Funrural sobre o comércio daquele, mas não para a restituição ou compensação do tributo. Precedentes do STJ. 2. Dessa forma, o acórdão recorrido deve ser reformado na parte que consignou a ilegitimidade da cooperativa para questionar a validade da exação....”(AGRESP 200300190382, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 19/03/2009). 3. O Supremo Tribunal Federal, em recente julgado, consolidou entendimento no sentido da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97), até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional 20/98, venha a instituir a contribuição. Entendeuse que a incidência da referida exação sobre a comercialização de produtos agrícolas pelo produtor rural, pessoa natural, configura bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar. 4. Nessa linha, consignou aquela Excelsa Corte que: “... Considerando as exceções à unicidade de incidência de contribuição previstas nos artigos 239 e 240 das Disposições Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 113 11 Constitucionais Gerais, concluiuse que se estaria exigindo do empregador rural, pessoa natural, a contribuição social sobre a folha de salários, como também, tendo em conta o faturamento, da COFINS, e sobre o valor comercializado de produtos rurais (Lei 8.212/91, art. 25), quando o produtor rural, sem empregados, que exerça atividades em regime de economia familiar, só contribui, por força do disposto no art. 195, § 8º, da CF, sobre o resultado da comercialização da produção. Além disso, reputouse que a incidência da contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização pelo empregador rural, pessoa natural, constituiria nova fonte de custeio criada sem observância do art. 195, § 4º, da CF, uma vez que referida base de cálculo difere do conceito de faturamento e do de receita.” ( Informativo STF nº 573, 1º a 5 de fevereiro de 2010. Proposta da União no sentido da modulação dos efeitos da decisão plenária rechaçada pela Suprema Corte de Justiça Nacional. 5. Conforme entendimento firmado pela Sétima Turma desta e. Corte, a Lei nº 10.256/2001 não teve o condão de "constitucionalizar" a exação questionada. ( AG 0006162 60.2011.4.01.0000/MG, Rel. Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, eDJF1 p.376 de 10/06/2011). 6. Apelação parcialmente provida. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas: Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação, nos termos do voto do Relator. BrasíliaDF, 02 de abril de 2012 (data do julgamento). DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA Relator XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO Pelo exposto, dou parcial provimento à apelação, para afastar a exigibilidade da contribuição ao FUNRURAL incidente sobre o produto da comercialização da produção agrícola, quando adquirida pela impetrante de produtor rural empregador, pessoa natural. É como voto. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL 2010.38.01.0014354/MG Processo na Origem: 32628420104013801 RELATOR(A) : DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA APELANTE : LATICINIOS MB LTDA ADVOGADO : FRANCISCO PRUDENTE DE SOUZA E OUTROS(AS) APELADO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : LUIZ FERNANDO JUCA FILHO Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 114 12 EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : V. ACÓRDÃO DE FLS. 152/161 EMENTA PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO, OU FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NO ACÓRDÃO – PREQUESTIONAMENTO. 1. Inexistência de omissão, obscuridade e/ou contradição no acórdão embargado (CPC, art. 535). 2. A obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, constante do texto constitucional, não impõe ao Magistrado a obrigação de responder a todos os questionamentos das partes, nem, ao menos, utilizarse dos fundamentos que elas entendem serem os mais adequados para solucionar a causa posta em apreciação, bastando a fundamentação suficiente ao deslinde da questão. 3. Os embargos de declaração não constituem instrumento adequado para a rediscussão de questões examinadas pelas instâncias ordinárias. O prequestionamento, por meio de embargos declaratórios, com vistas à interposição de recurso extraordinário e/ou recurso especial, somente é cabível quando configuradas omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargada. Precedentes do STJ. 4. O Supremo Tribunal Federal, em recente julgado, consolidou entendimento no sentido da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97), até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional 20/98, venha a instituir a contribuição. Entendeuse que a incidência da referida exação sobre a comercialização de produtos agrícolas pelo produtor rural, pessoa natural, configura bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar. 5. Embargos de Declaração rejeitados. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas: Decide a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator. BrasíliaDF, 26 de novembro de 2012 (data do julgamento). XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : CRISTINA LUISA HEDLER RECORRIDA : LATICINIOS MB LTDA ADVOGADO : FRANCISCO PRUDENTE DE SOUZA E OUTROS(AS) D E C I S Ã O Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 115 13 Constitucional. Tributário. Processual Civil. Contribuição Social. FUNRURAL. Empregador Rural. Pessoa Física. Lei 10.256/2001, art. 1º. RE 718.874/RS. Representativo de Controvérsia. Repercussão Geral Reconhecida. Recurso Extraordinário. Sobrestamento. Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela FAZENDA NACIONAL com fundamento na alínea “b”, III do artigo 102, da Constituição Federal, contra Acórdão deste Tribunal, em que foi reconhecida, com base em paradigma do Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, denominada “FUNRURAL”, prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/1991, na redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992, em relação ao empregador rural, pessoa física. Sustenta a Recorrente violação ao art. 52, X da Constituição Federal ao argumento de que não poderia esta Corte adotar, como razão de decidir, única e exclusivamente, a declaração de inconstitucionalidade da norma enquanto sua aplicação não for suspensa pelo Senado Federal, por meio de resolução própria. A matéria já foi analisada pelo excelso Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no RE 363.852/MG, representativo abarcado pelo RE 596.177/RS, paradigma que teve o mérito julgado pelo Plenário do excelso Pretório, em 1º/08/2011, quando restou declarada a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97), desobrigando o recolhimento, para a Previdência Social, da Contribuição incidente sobre a Comercialização da Produção Rural – FUNRURAL por empregador rural, pessoa física, com alíquota de 2% sobre a receita bruta Ocorre que, recentemente, o Plenário do STF, em Sessão datada de 23/08/2013, nos autos do RE 718.874/RS, também interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), relator o Ministro RICARDO LEWANDOWSKI reconheceu, por unanimidade, a existência de repercussão geral sobre a matéria atinente à “validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1º da Lei 10.256/2001”, ao seguinte fundamento: (...) A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10640.722383/201150 Acórdão n.º 2803003.445 S2TE03 Fl. 116 14 fundamento na Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. A circunstância de terse a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10.256/2001, na parte que modifica o caput do artigo 25 da Lei 8.212/1991, pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na forma prevista no art. 97 da Lei Maior, já é suficiente para demonstrar a existência de questão que extrapola o mero interesse subjetivo das partes envolvidas neste processo. Além disso, a repercussão geral do tema referente à constitucionalidade da exigência de contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização da sua produção, foi reconhecida no RE 596.177/RS, da minha relatoria. Contudo, não houve nessa oportunidade tampouco no julgamento do RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio o exame da matéria sob o enfoque presente neste recurso, a saber: a exigência do tributo com fundamento em lei editada após a Emenda Constitucional 20/1998. (grifei) Diante desse contexto, sendo certo que está pendente de julgamento o referido paradigma – RE 718.874/RS –, determino o sobrestamento do Recurso Extraordinário interposto nos presentes autos, nos termos do artigo 543B, § 1º, in fine, do Código de Processo Civil, acrescido pela Lei 11.418/2006; e da Emenda Regimental n. 21, de 30.04.2007, do Supremo Tribunal Federal, com vigência a partir de 03.05.2007. Intimemse. Brasília, 28 de outubro de 2013. Desembargador Federal Mário César Ribeiro Presidente Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902525/2012-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 25 /2 01 2- 23 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 23.120,12. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/01/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/01/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902525/201223 Acórdão n.º 3801003.521 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003494/2002-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1999
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de IPI sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ.
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
IPI. FATO GERADOR. OMISSÃO DE RECEITA. ASPECTO TEMPORAL.
A omissão de receita pode ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A diferença positiva ou negativa entre a soma das quantidades de produtos em estoque é apurada no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário.
IPI. FATO GERADOR. ALÍQUOTA. ASPECTO QUANTITATIVO.
Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo desses elementos com a registrada pelo sujeito passivo, exigir-se-á o IPI correspondente, o qual, no caso do fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e pregos mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 1999 LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de IPI sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. IPI. FATO GERADOR. OMISSÃO DE RECEITA. ASPECTO TEMPORAL. A omissão de receita pode ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A diferença positiva ou negativa entre a soma das quantidades de produtos em estoque é apurada no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. IPI. FATO GERADOR. ALÍQUOTA. ASPECTO QUANTITATIVO. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo desses elementos com a registrada pelo sujeito passivo, exigir-se-á o IPI correspondente, o qual, no caso do fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e pregos mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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O lançamento de IPI sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. IPI. FATO GERADOR. OMISSÃO DE RECEITA. ASPECTO TEMPORAL. A omissão de receita pode ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A diferença positiva ou negativa entre a soma das quantidades de produtos em estoque é apurada no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. IPI. FATO GERADOR. ALÍQUOTA. ASPECTO QUANTITATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 34 94 /2 00 2- 63 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.026 2 Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo desses elementos com a registrada pelo sujeito passivo, exigirseá o IPI correspondente, o qual, no caso do fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e pregos mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1013 com a exigência do crédito tributário no valor de R$685.039,02 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa de ofício proporcional, no período de 08.01.1998 a 31.12.1998. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.027 3 O lançamento fundamentase nas seguintes infrações: Item 1 Produto saído do estabelecimento industrial sem emissão de nota fiscal: Falta de lançamento de imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada através de AUDITORIA DE PRODUÇÃO em que constatouse diferença (falta) de produtos no inventário final, no montante de 370.765,15 Kg, no ano calendário de 1998, tendo em vista o descrito no item 02 do Relatório de Descrição dos Fatos que desde já é parte integrante do presente Auto de Infração. Para o cálculo do Imposto de Produtos Industrializado devido, seguiuse o artigo 343 do Regulamento do IPI/82 (Decreto n° 87.981/82), considerandose a maior alíquota de IPI (10%) praticada pelo contribuinte na comercialização de seus produtos. O cálculo da base tributável foi realizado a partir do preço médio de venda, respeitandose o disposto no artigo 41, par. 2º da Lei 9.430/96, conforme demonstrado abaixo. Receita de Venda no Merc.Int.Fab.Própria (Ficha 07/item 06 da DIPJ)= R$13.883.823,59 Receita da Export.ndo incent.de produtos (Ficha 07/item 05 da DIPJ)= R$11.712,00 Total da Receita = R$13.895.535,59 Total de Kg de mercadorias vendidas(ANEXO 6) = 2.024.515,42 Preço Médio (R$13.895.535,59 : 2.024.515,42 Kg) = R$6,86/Kg Omissão em R$ (Difer. de Estoque x Preço Médio) = 370.765,16 x 6,86 = R$2.543.448,93. Item 2 Produto saído do estabelecimento industrial sem emissão de nota fiscal: Falta de lançamento de imposto caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, apurada através de SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO de origem não comprovada, no ano calendário de 1998, nos valores e datas abaixo demonstrados, tendo em vista o descrito no item 03 do Relatório de Descrição dos Fatos que desde já é parte integrante do presente Auto de Infração. Para o calculo do Imposto de Produto Industrializado (IPI) devido, seguiuse o artigo 343 do Regulamento do IP1/82 (Decreto n ° 87.981/82), considerandose a maior alíquota de IPI (10%) praticada pelo contribuinte na comercialização de seus produtos. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 13, art. 14, art. 19, art. 21, art. 25, art. 35 e art. 108 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 2004, art. 2º do DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 142, art. 144 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 41 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26de dezembro de 1977, art. 1º do DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 53 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 15 da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 1º e art. 2º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994 e do Regulamento do IPI, constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, art. 22, art. 29, art. 54, art. 55, art. 59, art. 62, art. 63, art. 107, art. 112, art. 343 do Regulamento do IPI, constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, RIPI, de 2002, bem como art. 23, Fl. 940DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.028 4 art. 32, art. 109, art. 110, art. 114, art. 117, art. 118, art. 182, art. 183, art. 185, todos do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 2.637 de 25 de julho de 1998, RIPI, de 1998. Cientificada em 19.07.2002, fl. 10, a Recorrente apresentou a impugnação em 16.08.2002, fls. 823842, com as razões a seguir transcritas. Faz um relato sobre o procedimento fiscal e defende: Como defesa indireta de mérito, a impugnante levanta a preliminar de erro na identificação do períodobase de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, o que por si só, fulmina de morte a pretensão da Fazenda Nacional. Os demonstrativos anexos ao auto de infração noticiam que a fiscalização considerou, para a hipótese de suprimento de caixa, que os fatos geradores ocorreram nas respectivas datas, porém, curiosamente, em relação à suposta omissão apurada por auditoria de estoques, entendeu que todos os fatos geradores teriam ocorrido em 31.12.98, sem observar a forma de apuração (decendial) do IPI, como impõe o direito aplicável. [...] É de meridiana clareza, mesmo porque texto expresso de lei, que a exação do IPI, quando decorrente de auditoria da produção, também deve obedecer "cada período de apuração abrangido pelo levantamento", o que pelo rigor de nosso direito positivo não disponibiliza à Fazenda a faculdade de constituir o crédito tributário em bases anuais, adotando de forma cômoda e simplista, os estoques iniciais e finais, compras e vendas em valores globais, anuais, sem observar o comando legal que impõe sejam observados "cada período de apuração", que no caso também deveria ser decendial. A exigência de tributo que tem como base tributável valores obtidos em auditoria de produção, nos termos do artigo 343, §§ do RIPI/82, mesmo texto confirmado no artigo 423, §§, do RIPI/98, é uma das formas de arbitramento, que s6 deve ser levada a efeito em casos excepcionais. A doutrina e a jurisprudência são pacificas no sentido de que o arbitramento tributário só deve ser levado a efeito em situações extremas, sem qualquer outra circunstância além dos seguintes casos: a) inexistência de documentação hábil e idônea que possa dar suporte aos lançamentos contábeis; b) ainda que existente tal documentação, a mesma seja imprestável para se apurar o valor real dos tributos, e c) ainda que existente a documentação, o sujeito passivo se nega a fornecêla ao fisco. Repetindo. lnexiste outra hipótese para o arbitramento, qualquer que seja ele, além daquelas acima elencadas. O que deve ficar em destaque e em primeiro plano, é o fato de a fiscalização em momento algum ter feito, ainda que de forma indireta, qualquer critica à documentação e registros contábeis da impugnante, bem como no todo ou em parte que os mesmos não seriam idôneos. [...] Em relação à metodologia adotada de ofício para apuração do tributo diz que: Fl. 941DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.029 5 Como deflui dos dados analisados e constantes dos autos, o critério adotado pela fiscalização na determinação da efetiva fabricação dos produtos, está fundado em presunção relativa que desserve, em si mesmo considerada, para descrever com propriedade as reais quantidades produzidas, nos exatos termos que foram considerados pela autoridade lançadora. A acusação fiscal só teria consistência se levada a efeito em uma investigação mais profunda nos registros, documentação e características físicas dos produtos fabricados pela impugnante, ou, ainda, se pelo menos demonstrasse coerência em relação aos dados confrontados entre si mesmos. A clássica forma EF = EI + C V não é uma panacéia para todos os males, mormente quando a Fazenda Nacional pretende, levianamente, AI acusar o contribuinte do IPI de ter praticado ilícito fiscal de omissão de receita operacional, porquanto é sabido que o simplismo, fatalmente, conduz à conclusões que se afastam da realidade e chegam a atingir as raias do absurdo. Consoante descrito na peça acusatória, diz a fiscalização que em levantamento de estoque, servindose da fórmula acima, apurou uma diferença a menor, na ordem de 370.765,15 Kg de matériaprima no fim do ano de 1998, e concluiu que esta diferença só poderia ser conseqüência direta da prática de venda de produtos industrializados sem emissão de documento fiscal. A conclusão de venda de produtos sem emissão de nota fiscal de saída, precipitada digase de passagem, tem supedâneo no fato aparente de que somando se, em quilos, o estoque inicial de matériasprimas às compras e diminuídas as vendas escrituradas, o estoque final registrado estava aquém do esperado. Na fase instrutória do lançamento, com muita propriedade, a impugnante justificou a pseudo diferença pelo fato de que jamais deu maior importância ao real peso das mercadorias vendidas no corpo das notas fiscais de saída. [...] No caso sob exame a autoridade lançadora não partiu de premissas e sim de uma presunção relativa, na medida em que limitouse a construir, a partir da movimentação de insumos no estabelecimento industrial, o raciocínio, não provável, de que: se todos os produtos eram fabricados com a mesma matériaprima e se no encerramento do ano ocorreu diferença a menor no final estoque final, é porque a empresa produziu e vendeu mercadoria sem emissão de nota fiscal de saída.[...] Em síntese, no caso presente, tal como fora proposto pela autoridade lançadora, a diferença constatada no estoque final de matériaprima é tão somente um indício. Acrescentase o fato de que a totalidade das vendas realizadas pela impugnante destinamse a pessoas jurídicas; que até prova em contrário, não adquirem mercadorias desacompanhadas da competente documentação fiscal. Outro fato que deveria ser tratado com o devido respeito, é que embora todos os produtos fabricados pela impugnante se servem de matériasprimas comuns, a diversidade de formas e tamanhos (consequentemente de peso), constantes da linha de produção, não autorizavam que se tomasse como denominador o peso total das mercadorias vendidas no ano em relação ao volume de venda em dinheiro, para se chegar ao preço médio dos produtos e quantificar a base tributável. [...] A conseqüência natural do procedimento fiscal ora atacado, é que o resultado final foi profundamente danoso para o contribuinte, na medida em que sendo Fl. 942DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.030 6 arbitrada a produção, também foi arbitrada a base tributável, sem que fosse levada a efeito perícia técnica sobre todos os produtos fabricados. [...] A escrita, documentos e controles subsidiários (fichas técnicas) disponibilizaram ao autuante todos os elementos que permitiam apreçar os produtos por seus valores reais com suas respectivas alíquotas. Por isto, não se poderia tomar uma média aritmética simples anual para arbitrar a base tributável, em vez de adotar a média ponderada pelo valor de cada produto, que seria a correta. No que se refere à quebra no processo produtivo, menciona que: Ora, se a Fazenda Nacional intimou a administrada a manifestarse sobre o resultado do trabalho fiscal, os esclarecimentos prestados pela mesma deveriam, por respeito ao direito do contraditório e da ampla defesa garantidos pela Constituição, ser tomados com a devida importância e merecer manifestação expressa da autoridade lançadora no que fosse pertinente. [...] Nada foi considerado no levantamento, o que é absolutamente inadmissível e macula o procedimento fiscal de forma irreversível. Chega as raias do absurdo. Sequer merece comentários o fato de que, sem exceção, em todo processo produtivo ocorrem quebras, ainda que pequenas, de ordem química ou física, que sempre devem ser levadas em consideração nos trabalhos de auditoria de produção, sem o que estarseia chegando à conclusão dissociada da realidade e do bom senso. Por tudo até aqui exposto, ressalta notório que a fiscalização se utilizou da cobrança de tributos como forma de sanção, o que afronta o artigo 3° do Código Tributário Nacional. Atinente à alíquota considerada, informa que: Como se não bastassem todas as impropriedades anteriormente demonstradas, a fiscalização, após a equivocada determinação da base de cálculo, adotou uma alíquota de 10% (dez por cento). Ocorre que a Impugnante, no período lançado, comercializava inúmeros produtos sujeitos à alíquota zero, o que pode ser constatado na Nota Fiscal n.° 028011, de 23.04.98, que está sendo anexada a titulo exemplificativo. Evidentemente, o permissivo de eleger a maior alíquota nos casos de arbitramento não chega a alcançar os produtos isentos ou com alíquota zero, que não são tributados por força de Lei em razão da essencialidade ou qualquer outro motivo. Imaginemos que a empresa somente comercializasse produtos com alíquota "zero" e, se de fato, fosse constatada omissão de receitas, não poderia ser constituído o crédito tributário em relação ao IPI, embora pudessem ser exigidos IRPJ, Contribuição Social, Pis e Cofins. Nesse contexto, é flagrante a impropriedade/nulidade do lançamento porque que constitui crédito tributário para situações em que os aspectos valorativos resultam em nenhum valor de IPI a pagar. [...] Em relação ao suprimento de caixa, menciona que: Neste tópico, não obstante a própria fiscalização reconheça que lhe foram apresentados os contratos de mútuo, os cheques emitidos pelo supridor, os extratos Fl. 943DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.031 7 bancários comprovando os depósitos e os pagamentos do empréstimo, tudo com absoluta coincidência de datas e valores, entendeu o ilustre autuante que a empresa não comprovara adequadamente os suprimentos. [...] Portanto, perfeitamente comprovada a origem e a efetividade da entrega dos valores supridos, não há como sobreviver a exigência tributária. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Com essas considerações, diante das evidências e da prova documental produzida, confia a impugnante, em nome da lógica do bom senso, que: Sejam acolhidas as preliminares, defesa indireta de mérito, de erro na identificação do período de apuração e de nulidade em razão da incerteza do crédito tributário exigido. Caso ultrapassadas as preliminares, seja deferida a prova pericial. Caso os elementos constantes dos autos, no entender de V. Sa., sejam suficientes para o acolhimento das razões formuladas, espera pela total improcedência da ação fiscal. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0917.310, de 27.09.2007, fls. 894915: “Impugnação Procedente em Parte” para considerar como correta a quebra no processo produtivo na ordem de 2% (dois por cento). Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/1998, 08/01/1998, 19/01/1998, 04/05/1998, 04/08/1998 IPI. AUDITORIA DE ESTOQUE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE SAÍDA. Constatado em procedimento de auditoria de estoque que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados sem a emissão da nota fiscal, impõese a constituição do crédito tributário em procedimento de oficio (artigo 343 do RIPI11982), pois a falta apurada no confronto da produção calculada com base em elementos subsidiários com a produção registrada pelo estabelecimento configura omissão de receitas, por presunção legal (RIPI182, art. 343, §§ 1° e 2°). IPI. LANÇAMENTO PELA MAIOR ALÍQUOTA. PRODUTOS COM ALÍQUOTA ZERO. A incidência da alíquota zero não exclui o produto do rol dos tributados, devendo este compor os quantitativos para a apuração de receita omitida e, Fl. 944DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.032 8 conseqüentemente, ser tributado pela maior alíquota praticada pela contribuinte, conforme dispõe o art. 343, § 1°, do RIPI/1982, c/c art. 2°, § 1°, do RIPI/2002. IPI. QUEBRAS DE ESTOQUE NO PROCESSO PRODUTIVO. O percentual de quebra, que é inerente ao processo produtivo, se considerado razoável e dentro de limites normalmente admissíveis deverá ser acatado pela autoridade julgadora, somente o afastando mediante pronunciamento do órgão técnico competente. Portanto, incide em erro a autoridade fiscal quando simplesmente o denega ou deixa de abordálo sem causa que justifique tal procedimento (art. 344 do RIPI/1982). SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO, EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS. Se a pessoa jurídica não provar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos objeto da operação, coincidente em datas e valores, bem como a efetividade da entrega do numerário, presumirseá que aquelas importâncias tiveram origem em receita omitida na escrituração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/1998, 08/01/1998, 19/01/1998, 04/05/1998, 04/08/1998 JUROS MORATÓRIOS/TAXA SELIC O cálculo dos juros de mora pela taxa Se lic é determinação legal contida no art. 61, §3 0, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não cabendo à autoridade administrativa afastar a tal aplicação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998, 08/01/1998, 19/01/1998, 04/05/1998, 04/08/1998 PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligencias solicitadas quando a autoridade julgadora entendeas desnecessárias c prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor, bem como em decorrência do entendimento de que ao peticionário cumpre necessariamente a instrução dos autos e o fornecimento de dados que julgue indispensáveis ao deslinde das controvérsias, se deles, indiscutivelmente, é o único guardião. Notificada em 23.11.2007, fl. 919, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.12.2007, fls. 920927, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta: A decisão recorrida, por ter contrariado integralmente a prova já produzida nos autos, há de ser integralmente reformada. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.033 9 Segundo se constata do auto de infração, os créditos tributários constituídos em face da recorrente têm origem em supostas omissões de receitas decorrentes de: (a) saídas de mercadorias sem emissão de notas fiscais apuradas em auditoria de produção e (b) saídas de mercadorias sem emissão de notas fiscais apuradas através de suprimento de numerário de origem não comprovada. Ocorre que a recorrente, além de ter aduzido todas as razões que levam à total improcedência do lançamento, trouxe aos autos toda a prova necessária à comprovação de suas razões que, lamentavelmente, foram rechaçadas pela autoridade julgadora de primeiro grau por motivos totalmente inconsistentes e dissociados da realidade. Com efeito, o deslinde da controvérsia estabelecida nestes autos depende, sobretudo, do exame das provas acostadas pela recorrente. DA SUFICIENTE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DA DIFERENÇA DE ESTOQUE APURADA PELA FISCALIZAÇÃO: LAUDO DO IPEM/RJINMETRO. Em relação à suposta omissão de receitas apurada através de auditoria da produção, cabe lembrar que a recorrente juntou aos autos laudo técnico produzido pelo Instituto de Pesos e Medidas do Rio de Janeiro (IPEM/RJ) órgão executor do INMETRO. Inicialmente, informa a recorrente que a opção por este órgão devese ao fato de ser o IPEM/RJ um órgão público e tecnicamente responsável por aferições de pesos e medidas, não havendo na estrutura da administração pública nenhuma outra entidade que preste tal serviço. A contratação do referido laudo técnico justificase por não haver outro meio à disposição da recorrente para refutar o resultado da auditoria fiscal e, consequentemente, comprovar que inexiste o alegado saldo de estoque na quantidade e valor apurado pela fiscalização. Portanto, a recorrente, utilizandose de todos os meios de defesa que estavam à sua disposição, obteve o laudo do IPEM que atesta uma verdade absoluta, qual seja: O TOTAL DAS MERCADORIAS PRODUZIDAS E VENDIDAS DURANTE O ANO DE 1998 ALCANÇARAM 0 TOTAL DE 2.341.327,13 kg, RESULTANDO NUMA DIFERENÇA DE ESTOQUE DE 53.951,21 kg, QUE CORRESPONDE A UMA PERDA NO PROCESSO PRODUTIVO DE, COMPATÍVEIS, 1,95%. Assim, de acordo com laudo técnico e especializado, elaborado pelo &TA° público competente, o total de matérias primas correspondentes às vendas de produtos realizadas pela recorrente corresponde a um peso diferente (e superior) àquele apontado pela fiscalização. [...] Na verdade, a contestação do relatório fiscal não demanda grande dificuldade. Todo o trabalho da fiscalização partiu do confronto do estoque inventariado em kg com o peso dos produtos vendidos. Como se vê, não há discrepância quanto quantidades inventariadas nem a quantidade dos produtos vendidos, mas tão somente quanto ao peso dos produtos vendidos. Nesta ordem de idéias, bastou à recorrente comprovar, mediante laudo oficial, que o total de produtos vendidos corresponde a um peso diferente e superior Fl. 946DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.034 10 àquele apontado pela fiscalização, até porque, repitase, não houve qualquer divergência quanto à quantidade de produtos vendidos. Portanto, os "meandros" dos cálculos apresentados pela recorrente atestam simplesmente que a quantidade de cada um dos itens comercializados multiplicados pelo seu peso, totalizaram: 2.341.327,13kg. Com efeito, a recorrente, ao providenciar o laudo do IPEM/RJINMETRO, tomou os seguintes cuidados: (a) vinculou a aferição ao presente processo administrativo e (b) requereu ao órgão público a pesagem exatamente dos mesmos produtos comercializados em 1998. A vinculação do laudo oficial ao presente processo administrativo se fez necessária para espancar qualquer dúvida quanto a um eventual caráter aleatório no levantamento do IPEM, porquanto a recorrente, por óbvio, solicitou ao órgão público que fosse aferido o peso das mesmas mercadorias que comercializou em 1998. OS SUPRIMENTOS DE CAIXA ESTÃO PLENAMENTE COMPROVADOS O lançamento de oficio também exige diferenças do IPI em razão de suposta omissão de receitas decorrente de suprimentos feitos ao caixa da recorrente pela sócia Maria José Dantas Sieberer de origem alegadamente injustificada. [...] Pela conclusão da decisão recorrida, os extratos bancários juntados aos autos pela recorrente (da supridora e da suprida) não seriam suficientes a comprovar a origem dos recursos, sendo imprescindível que se comprovasse de onde teriam partido os valores indicados nos extratos bancários da supridora. Evidentemente que a recorrente não se pode conformar com tal conclusão, tendo em vista sua total discrepância com a coletânea de julgados deste Conselho de Contribuintes. [...] Logo, há suficiente prova da origem dos recursos, com coincidência de datas e valores, não havendo motivo que justifique a manutenção dessa parcela do lançamento, mesmo porque, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a origem remota (de onde vieram os recursos) da supridora foi devidamente demonstrada e comprovada documentalmente. Finalizando reitera as demais razões formuladas na impugnação e, principalmente, aquelas constantes do expediente em que fez a juntada de provas (Laudo Extratos Bancários), onde estão perfeitamente demonstrados os cálculos que comprovam a correção do estoque inventariado e a origem dos suprimentos de caixa. Conclui Assim, com as presentes considerações e tudo mais que do processo consta, notadamente pela cristalina prova documental produzida, espera e confia a recorrente ver suas razões prestigiadas com o integral provimento de seu apelo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ORDINÁRIA/4ª CÂMARA/3ª SJ nº 3401002.227, de 24.04.2013, fls. 929932: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso, por ser de competência da Primeira Seção.”. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.035 11 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/1998, 08/01/1998, 19/01/1998, 04/05/1998, 04/08/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. COMPETÊNCIA PARA JULGAR LANÇAMENTOS REFLEXOS DO IRPJ. É da Primeira Seção do CARF a competência para julgar Recursos Voluntários que tratem de lançamento de tributos , quando procedimentos do lançamento sejam conexos, decorrentes ou reflexos de procedimento que exija IRPJ. Fez sustentação oral pela Recorrente seu procurador Dr. Remis Estol, OAB/RJ nº 45.196. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. Tratase de o Auto de Infração às fls. 1013 com a exigência do crédito tributário no valor de R$685.039,02 a título de IPI, juros de mora e multa de ofício proporcional, no período de 08.01.1998 a 31.12.1998. Cabe ressaltar que nos presente autos não serão reexaminados os argumentos pertinentes ao lançamento principal de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), e reflexos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Programa de Integração Social (PIS) formalizados no processo principal nº 10730.003493/200219, que se refere ao mesmo sujeito passivo e a comprovação dos ilícitos depende dos mesmos elementos de prova1. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA ORDINÁRIA/1ª CÂMARA/1ª SJ nº 1102000.821, de 04.12.2012 (fls. 984966 do processo principal nº 10730.003493/200219 que se encontra no eprocesso): “Acordam os membros do colegiado, 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.036 12 por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 AUDITORIA DE PRODUÇÃO E ESTOQUE. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. As diferenças apuradas entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque no final do período de apuração configuram omissão de receitas, por presunção legal, ressalvada ao contribuinte a prova de sua improcedência. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. Para afastar a presunção de omissão de receitas, devem ser comprovadas, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos à pessoa jurídica por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular de empresa individual ou pelo acionista controlador da companhia. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Consta no Voto condutor: O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A recorrente demanda a nulidade da decisão recorrida por entender que a autoridade julgadora a quo, ao limitarse a expor dúvidas relativas ao laudo técnico elaborado pelo INMETRO, sem ter em nenhum momento demonstrado a sua improcedência, e nem sequer convertido o julgamento em diligência, terlheia cerceado o seu direito de defesa. A preliminar não merece prosperar. A autoridade julgadora a quo não se furtou de examinar todos os argumentos aduzidos bem como todas as provas acostadas aos autos, inclusive o aludido laudo, juntado aos autos cerca de um ano após a Fl. 949DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.037 13 impugnação original. A propósito deste, cumpre observar que não houve propriamente nenhum questionamento quanto ao laudo em si: o que faltou, no entender da autoridade julgadora, foi a recorrente fazer a devida conexão entre os dados apontados neste laudo e os demonstrativos elaborados pela recorrente com vistas a comprovar que suas vendas e seu estoque final seriam distintos daqueles apurados pela fiscalização. Portanto, ocorreu tão somente que a decisão recorrida não atribuiu ao conjunto probatório apresentado pela recorrente valor suficiente a elidir a imputação que lhe foi feita pela fiscalização. Ademais, a conversão ou não do julgamento em diligência situase na esfera da discricionariedade da autoridade julgadora, na medida em que sinta ou não a necessidade de elementos adicionais para firmar a sua convicção, não advindo, portanto, da eventual não determinação de realização de diligência qualquer cerceamento do direito de defesa. No mérito, ressalta a recorrente que não questiona a validade da auditoria de produção como meio eficaz de investigação fiscal, inclusive no caso específico da sua atividade, mas que, entretanto, o que não se admite é o emprego desta metodologia sem o zelo e a profundidade que lhe são próprios, conforme teria ocorrido no presente caso. Analisandose os autos, verificase o contrário do alegado. Em 04/06/2002, muito antes da lavratura do contestado auto de infração, a autoridade fiscal deu ciência à recorrente do Termo de Constatação e Verificação Fiscal e respectivos demonstrativos anexos (fls. 174 a 286), no qual apresentou à recorrente toda a metodologia empregada na apuração dos estoques iniciais e finais, das compras e das vendas efetuadas, e das diferenças apuradas, abrindo prazo para sua manifestação. A empresa manifestouse, tendo a fiscalização inclusive acatado diversas das observações, correções e ajustes propostos pela empresa, conforme se verifica no Termo de Descrição dos Fatos anexo ao auto de infração (fls. 12 a 18). Assim, por exemplo, na totalização das vendas efetuada pela fiscalização com base nas quantidades em quilos de mercadorias que deram saída conforme os registros constantes das notas fiscais, a fiscalização acatou as correções apontadas pela recorrente, ratificando o somatório dos pesos constante das Notas Fiscais emitidas, que fora por ela apresentado em planilha. Da mesma forma, também acatou a fiscalização a planilha apresentada pela recorrente contendo o somatório dos pesos referentes às compras de matéria prima granulada e não granulada, ratificando assim o somatório por ela empreendido. O mesmo ocorreu também com relação ao cálculo e somatório dos pesos referentes às quantidade de mercadorias em estoque, tanto inicial quanto final, abrangendo as matérias primas, os produtos acabados e os semiacabados. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.038 14 De posse de todos os elementos relevantes (estoques iniciais e finais, compras e vendas), a aplicação da fórmula EF=EI+CV é método universalmente adotado para a apuração de estoques, bem como reconhecido pela legislação fiscal como meio legítimo para apuração de eventual omissão de receitas, especialmente a partir da edição do artigo 41 da Lei no 9.430/1996, fundamento legal que embasa o auto de infração aqui discutido. As diferenças constatadas por meio da auditoria de produção, ao contrário do que alega a recorrente, não constituem meros indícios de omissão de receita. Constituem, isto sim, presunção legal de omissão de receita, conquanto presunção relativa, na medida em que pode ser elidida por meio de provas a serem apresentadas pela recorrente. Em lançamentos desta natureza, a jurisprudência do CARF há tempo se consolidou no sentido de que um dos cuidados a serem observados é o de efetuar o levantamento considerando não apenas um único componente ou matéria prima, senão antes o maior número de insumos dentre aqueles utilizados na produção. No caso concreto, esta diretriz foi cumprida, na medida em que foi adotada a unidade de massa (kg) como padrão para a conversão de todos os elementos necessários ao cálculo, e não sem antes oportunizar à fiscalizada a conferência de todos os cálculos efetuados. Neste contexto, não há que se falar em inconsciência do lançamento, ou em falta de zelo ou profundidade na sua confecção. O que a fiscalização não acatou, por ocasião do lançamento, foi a alegação feita pela recorrente de que haveria erro formal no preenchimento de todas as notas fiscais emitidas pela recorrente no período fiscalizado, na medida em que o peso informado em todas elas não corresponderia ao peso efetivo das mercadorias vendidas, por conta de erro no cadastro de produtos no sistema de faturamento da empresa. Ora, a fiscalização não acatou tal alegação por absoluta falta de demonstração, pela recorrente, de sua ocorrência, mesma razão que posteriormente levou também a autoridade julgadora a quo à mesma conclusão. Para comprovar o alegado erro, em um primeiro momento, ainda durante a fiscalização, a recorrente invocou o fato de duas notas fiscais terem sido emitidas com os pesos zerados. Entretanto, conforme bem observou a autoridade julgadora a quo, este fato não possui a menor representatividade estatística num universo de 10.636 notas fiscais. Já na fase que precedeu à prolação da decisão recorrida, trouxe a recorrente aos autos o laudo do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro IPEM, datado de 30/10/2002, no qual estão relacionados os diversos produtos fabricados pela empresa, identificados por referência, artigo e descrição, e indicamse os respectivos pesos. Segundo a recorrente, embora produzido quatro anos após o ano fiscalizado, tomou ela o Fl. 951DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.039 15 cuidado de vincular a aferição ao presente processo administrativo e de requerer ao órgão público a pesagem exatamente dos mesmos produtos por ela comercializados em 1998. Supostamente com base nas informações constantes do referido laudo, promoveu a recorrente o recálculo do peso total de todas as mercadorias vendidas no período, e, por consequência, o recálculo também do peso total do estoque final de mercadorias. Com este recálculo, a diferença entre o estoque final inventariado e o assim calculado cairia para apenas 53.951,21 kg, o que corresponderia exatamente à quebra no processo produtivo, equivalente a 1,95%, muito próxima daquela informada pela empresa durante a ação fiscal, de 1,81%. Ocorre que, conforme bem observou a autoridade julgadora a quo, a recorrente não fez nenhuma vinculação entre a conferência de peso feita pelo IPEM e as notas fiscais emitidas, de modo a demonstrar concretamente a ocorrência do alegado erro. No demonstrativo elaborado pela fiscalização, cada uma das notas fiscais está referenciada com o respectivo peso. A recorrente não juntou aos autos sequer uma única nota fiscal correlacionando as mercadorias vendidas ao referido laudo, de modo a demonstrar que os produtos nela discriminados teriam peso distinto daquele que consta no documento emitido. De fato, por meio de simples demonstrativos, anexos às fls. 628 a 635, apresentando quantidade de cada item que teria sido comercializado no ano, multiplicado pelo respectivo peso que tal item teria, de acordo com a pesagem feita, pretende a recorrente comprovar que as mercadorias comercializadas no ano totalizaram 2.341.327,13 kg, e não 2.024.515,42 kg, como fora apurado pela fiscalização com base nas notas fiscais emitidas. E que, consequentemente, o estoque final calculado pela fórmula EF=EI+CV equivaleria a 426.353,17 kg, e não 743.164,88 kg, como fora apurado pela fiscalização. Sem qualquer procedência as alegações da recorrente de que a decisão recorrida não teria adotado o laudo técnico produzido porque teria dúvidas sobre o procedimento adotado pelo INMETRO, e de que, se agisse conforme recomendado na decisão recorrida, teria de alterar ou corrigir os seus arquivos magnéticos apresentados ao fisco, o que não é permitido pela legislação. Ora, conforme visto, a decisão recorrida não fez — e tampouco o faz este relator — qualquer questionamento quanto ao fato de que os produtos que foram apresentados pela recorrente ao INMETRO possuem o peso que aquele órgão tecnicamente aferiu. E, por outro lado, a demonstração inequívoca do suposto erro formal que teria sido praticado não demanda qualquer alteração ou correção dos seus arquivos magnéticos. Além de não ter a recorrente comprovado, portanto, de forma consistente, a ocorrência do alegado erro formal na emissão de todas as suas notas fiscais emitidas no ano de 1998, devese Fl. 952DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.040 16 levar em conta ainda a observação feita pela fiscalização de que os pesos informados pela recorrente nas notas fiscais estavam corroborados pelos respectivos conhecimentos de transporte, que são documentos emitidos por terceiros. Portanto, não tendo a recorrente sido capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas apurada pela fiscalização com base em auditoria da produção, deve ser mantido este item da autuação, embora já com o ajuste promovido pela DRJ, que, ao analisar as alegações da empresa atinentes às quebras no processo produtivo, e observando que ela “indicou uma quebra de 1,81% (fl. 13) que em outra ocasião viria a se transformar numa perda de 2% (fl. 623) e por fim em 1,95% ...”, decidiu pela aplicação do percentual de 2% ao caso concreto. Com relação ao outro item da autuação (omissão de receitas por não comprovação da origem e/ou da efetividade da entrega de numerário), o recurso apresentado dedicalhe dois curtos parágrafos, nos quais apenas observa a recorrente que já trouxe à colação farta documentação que comprovaria tanto a origem dos valores quanto a sua efetiva entrega. As referidas provas são os extratos bancários próprios e de sua sócia, Sra. Maria José Dantas Sieberer, supridora dos recursos, e os contratos de mútuo entre ambos celebrados. A questão, entretanto, já foi adequadamente analisada pela decisão de piso, que, neste aspecto, também não merece reparo. Ocorre que aqui também se está a tratar de presunção legal de omissão de receitas, cuja característica principal é a inversão do ônus da prova. No caso da presunção legal em comento, é sólida e remansosa a jurisprudência do CARF no sentido de que incumbe à pessoa jurídica, para o fim de ilidir a acusação fiscal, provar, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com os registros contábeis, cumulativamente os dois fatos: a efetiva entrega e a origem dos respectivos recursos. A falta de comprovação de qualquer uma das duas circunstâncias previstas na norma atraem a incidência da presunção legal em comento. O legislador estabeleceu esta presunção legal de omissão de receitas justamente por conhecer o fato de que o sócio, sendo ao mesmo tempo gestor dos seus próprios recursos, bem como dos recursos da pessoa jurídica, possui facilidade para utilizarse do artifício de, por meio dessas transferências, tentar promover a regularização de recursos provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. Daí porque a imposição da dupla exigência, bem como das formalidades impostas pela lei. No caso, somente a efetiva entrega dos recursos foi provada, mediante a apresentação dos extratos bancários e comprovantes de transferência entre contas. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.041 17 A origem dos recursos aportados pela sócia, contudo, de acordo com as razões apresentadas ainda na fase impugnatória, estaria nos sucessivos pagamentos feitos à sócia por conta dos empréstimos por ela feitos à empresa em datas anteriores, num círculo sem fim. Ora, neste aspecto a jurisprudência do CARF também é sólida e remansosa no sentido de que a simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovar o requisito da origem. Conforme antes apontado, para ilidir a presunção de que os recursos transferidos à pessoa jurídica teriam origem em receitas por ela mesma auferidas (e omitidas ao fisco), há de ser provada uma origem inicial externa à própria pessoa jurídica. Neste sentido, a origem dos recursos pode estar caracterizada, por exemplo, dentre inúmeras outras possibilidades, pela venda de um imóvel, pelo resgate de uma aplicação, pelo recebimento de proventos, pela liberação de um empréstimo, pelo recebimento de uma herança, etc. No caso concreto, a recorrente não apresentou qualquer justificativa de origem para o primeiro empréstimo efetuado pela sócia à recorrente, no valor de R$ 150.000,00, feito na data de 10.11.1997. Ocorre que a fiscalização, com relação a este empréstimo, incorretamente tomou como data do fato gerador a data da sua quitação, isto é, a data da devolução dos valores à sócia. Por este motivo (erro na identificação correta da data do fato gerador), a autoridade julgadora a quo cancelou a respectiva tributação, embora tenha consignado na decisão prolatada que a origem dos recursos não foi demonstrada (o que de fato não foi). A partir daí, conforme já referido, a alegação da recorrente é de que os recursos emprestados pela sócia tem sua origem na quitação deste primeiro empréstimo, cuja origem, conforme visto, não foi comprovada. Portanto, também com relação a este item da autuação fiscal, não foi a recorrente capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas, pelo que deve ser mantida a autuação relativa aos empréstimos que não tiveram sua origem comprovada e que não foram atingidos pelo cancelamento promovido pela decisão recorrida. Para concluir, quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos (CSLL, PIS e Cofins), devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do lançamento principal (IRPJ), em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sobre o nexo de causalidade que informa os presentes autos e o principal nº 10730.003493/200219, temse que o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, determina: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou Fl. 954DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.042 18 notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, o Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. O Código de Processo Civil determina: Art. 103 Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo2. O lançamento de IPI sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Cabe esclarecer que a exigência relativa ao IRPJ foi mantida em sede de segunda instância de julgamento, de modo que é procedente lançamento de IPI em relação às matérias litigiosas então tratadas. No que se refere aos argumentos referentes ao suprimento de caixa temse que decorre da apuração de IRPJ e se caracteriza pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, e foi exaustivamente tratados no Acórdão da 2ª TURMA ORDINÁRIA/1ª CÂMARA/1ª SJ nº 1102000.821, de 04.12.2012 (fls. 984966 do processo principal nº 10730.003493/200219 que se encontra no eprocesso) Ressaltese que o mencionado processo principal nº 10730.003493/200219 encontrase no eprocesso e consta que houve interposição de Embargos de Declaração até a presente data ainda não analisado, em conformidade com as informações ali constantes. No que se refere às questões diferenciadas trazidas pela Recorrente temse que a Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. 2 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.043 19 O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal3. A decisão de primeira instância e o Auto de Infração estão motivados de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da Lavratura do Auto de Infração apontado argumentos contra: (a) a metodologia utilizada pela Administração Pública para apuração do tributo, inclusive no que se refere à data do fato gerador, (b) ao percentual de quebra utilizado no processo produtivo e (c) a alíquota adotada de ofício. Sobre o aspecto temporal do fato gerador do IPI, a partir de 1°.11.1993, os pagamentos devem ser efetuados até o último dia útil do decêndio subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores5. Essa foi a informação abordada no Auto de Infração, ou seja, ali foi indicado corretamente pelas autoridades ficais a data do fato gerador do tributo sem qualquer incorreção, ou seja, foi informado o aspecto temporal do fato gerador, nos termos do art. 114 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 52 e art. 53 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e art. 2° a Lei n° 8.850, Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.044 20 A omissão de receita pode ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A diferença positiva ou negativa entre a soma das quantidades de produtos em estoque é apurada no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário6. Analisando os fatos econômicos apurados de ofício, verificase o Auto de Infração está formalizado de forma correta e assim o crédito tributário foi constituído pelo lançamento direto de modo que as receitas omitidas foram tributadas nos respectivos períodos de apuração decendiais de acordo com a legislação de regência da matéria. Nesse sentido, as datas das saídas de produtos sem emissão de notas fiscais, objeto da ação fiscal, não contém incorreções. Em relação ao percentual de quebra utilizado no processo produtivo, a legislação determina que as quebras alegadas pelo contribuinte, nos estoques ou no processo de industrialização, para justificar diferenças apuradas pela fiscalização, serão submetidas ao órgão técnico competente, para que se pronuncie, mediante laudo, sempre que, a juízo de autoridade julgadora, não forem convenientemente comprovadas ou excederem os limites normalmente admissíveis para o caso7. A autoridade de primeira instância de julgamento, aplicando as normas de regência, no Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0917.310, de 27.09.2007, fls. 894915, restou fixada na parte dispositiva: “Impugnação Procedente em Parte” para considerar como correta a quebra no processo produtivo na ordem de 2% (dois por cento). Assim, o lapso manifesto encontrase sanado. Atinente à alíquota adotada de ofício, temse que constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do IPI, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes de custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo desses elementos com a registrada pelo sujeito passivo, exigirseá o IPI correspondente, o qual, no caso do fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Apurada, também receitas cuja origem não seja comprovada, considerarse Ão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o IPI, mediante adoção do critério estabelecido em lei8. Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento9. 6 Fundamentação legal: art. 41 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 58 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 2004. 8 Fundamentação legal: art. 108 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 2004. 9 Fundamentação legal: art. 41 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.045 21 Examinando os fatos econômicos apurados de ofício, verificase o Auto de Infração está formalizado de forma correta e assim o crédito tributário foi constituído pelo lançamento direto de modo que sobre as receitas omitidas incide a alíquota de 10% (dez por cento), que é a alíquota mais elevada, e utilizado preço médio, já que a Recorrente não possui registros contábeis que possibilitem fazer a separação dos produtos acordo com a legislação de regência da matéria. Por essa razão o lançamento está correto. Nesse sentido, as autoridades fiscais agiram corretamente formalizando o Auto de Infração de IPI, de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês10. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200911 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo 10 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 12 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.003494/200263 Acórdão n.º 1801001.861 S1TE01 Fl. 1.046 22 administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade14. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 14 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15987.000231/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.030 1 1.029 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15987.000231/200981 Recurso nº 15.987.000231200981 Voluntário Acórdão nº 3403002.979 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria PIS NÃO CUMULATIVIDADE PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 31 /2 00 9- 81 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 3 trimestre de 2007, no valor de R$ 1.274.466,98. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 27, de 7 de março de 2012, fls. 406 a 416, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 155.598,64, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS REQUERIDOS CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 07/07 204.432,72 186.549,01 204.432,72 17.883,71 08/07 655.262,04 572.078,45 655.262,04 83.183,59 09/07 570.370,86 515.839,52 570.370,86 54.531,34 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.031 3 Total 155.598,64 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 429 a 457, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.216, de 4 de março de 2013, fls. 657 a 705, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 758 a 803, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.032 5 Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 758 a 803 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.216, de 4 de março de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 610/612, o valor do crédito deferido foi pago por meio da emissão da Ordem Bancária 2012OB801247 em 21/09/2012, fls. 651, conforme despacho de fls. 656, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.033 7 ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.034 9 recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/07/2007 a 30/09/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.035 11 Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000231/200981 Acórdão n.º 3403002.979 S3C4T3 Fl. 1.036 13 Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13971.720071/2008-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO.
As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. A escrituração de créditos pelo contribuinte deve ser feita à luz de documentação hábil e idônea, contendo informações mínimas que assegurem sua liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 71 /2 00 8- 52 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório SCHMITZ AGROINDUSTRIAL LTDA. transmitiu, em 20/08/2007, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº 38245.96556.200807.1.1.097220, de créditos de COFINS, relativo ao segundo trimestre de 2007, no valor de R$ 73.352,30. Com base no Parecer SAORT/DRF/Blumenau nº 246/08 (fls. 732 a 781), emitiuse o Despacho Decisório de fls. 782, deferindo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 56.438,13, a título de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções apuradas em cada mês do trimestre e das glosas realizadas no curso da análise do processo. A glosa, no valor de R$ 16.914,17, deveuse ao creditamento indevido do valor de: aquisições não reconhecidas como matériasprimas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo, em que se verificou a inclusão de diversos itens não enquadráveis para fins de desconto de créditos, tais como partes e peças de manutenção, inclusive lubrificantes, utilizadas em veículos automotores não inseridos no processo produtivo, sementes, formicidas, adubos, fertilizantes e produtos para reflorestamento e plantação de hortaliças, produtos para instalações de fábrica de conservas (materiais elétricos e hidráulicos, calhas, etc), filtros, materiais elétricos (caixas plásticas, capacitadores, disjuntores, fusíveis, disjuntores, fusíveis, reatores e chaves comutadoras), materiais para construção, instalações hidráulicas e manutenção em geral, chaves diversas para ferramentaria, Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 964 3 materiais de higiene e consumo, peças para motoserra utilizadas na agroindústria, pneus, produtos para tratamento de água; aquisições de mudas, óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais, não enquadradas no conceito de insumo: por não restar comprovada a sua vinculação direta ao processo produtivo; mesmo em relação ao óleo diesel, que eventualmente poderia ser utilizado para alimentação de geradores, que fazem parte do processo produtivo, faltaram controles que identificassem o quanto desta aquisição foi utilizado especificamente no processo produtivo; aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (suspensão), visto que, conforme a respectiva planilha de aquisições, cotejada com o arquivo digital contendo os registros das notas fiscais de entradas, se constatou que 7 (sete) das notas foram incluídas no arquivo contendo o LRE —Livro Registro de Entradas com a indicação de crédito da contribuição; serviços utilizados como insumos relativos à manutenção de veículos e motosserras não enquadrados no conceito de insumo, despesas descritas como armazenagem e frete na operação de venda (conforme relacionadas pela contribuinte) com a inclusão de "outras despesas", que, em síntese, se referiam a serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação, diária, liberação, capatazia e serviços de agenciamento, despesas estas glosadas não serem relativas A. armazenagem ou frete, não tendo amparo legal que possibilite o desconto dos créditos; conhecimentos de transporte rodoviário de cargas — CTRC's emitidos sem as formalidade legais: visto que os documentos (CTRC's) forma emitidos sem as formalidades legais e não conterem informações básicas à identificação do serviço contratado, entre elas a quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais e valores relativos aos produtos transportados e até mesmo quando ao custeio do frete, se pago pelo fornecedor (frete pago) ou adquirente (frete a pagar), restando não observadas as normas insculpidas nos incisos VIII e IX do art. 64 do anexo 5 do Regulamento do ICMS, e foram considerados inidôneos para fins de desconto de créditos de PIS/Pasep; serviços de transporte de funcionários: por não existir previsão legal que ampare a apropriação de créditos relativos a estas despesas; serviço de transporte de bem adquirido para o ativo imobilizado, incluído indevidamente como Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda”, encargos de depreciação de bens do ativo permanente imobilizado não enquadrados no conceito de bens "para utilização na produção de bens destinados A venda ou na prestação de serviços", haja vista terem sido adquiridos para utilização na atividade agrícola reflorestamento; encargos de depreciação sobre bens usados e adquiridos de pessoa física, visto que estas aquisições, bem como a sua depreciação, não geram créditos da contribuição; Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 encargos de depreciação de bem em processo de aquisição por meio de arrendamento mercantil, incluído indevidamente na base de cálculo de crédito da contribuição. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 803 a 817, o interessado contesta as glosas com os seguintes argumentos: glosas com aquisições não reconhecidas como matériasprimas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo: quanto às glosas de insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556, alega ter verificado que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta apresentadas no despacho decisório; relaciona os vários fornecedores, as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se referem e a sua utilização. Glosas com aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais , não enquadradas no conceito de insumo: alega que não lhe foi solicitado qualquer tipo de controle de consumo de combustíveis nem de qualquer outro insumo e que as glosas realizadas foram baseadas em meras suposições; explica que: i. o óleo diesel é utilizado para manter os geradores, na frota de caminhões de carga e, principalmente, nos tratores, utilizados dentro do parque fabril para transporte e movimentação de madeiras e de contêineres; ii. o gás é utilizado em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/madeiras e na carga e descarga destes, bem como em máquinas termo encolhíveis utilizadas para embalar produtos; iii. a gasolina é utilizada em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/materiais e na carga e descarga destes; em veículos de pequeno porte utilizados para o deslocamento interno de produtos dentro da empresa e para o transporte na aquisição de diversos insumos, tais como etiquetas, embalagens, parafusos, peças de manutenção; em motosserras utilizadas para corte das ponteiras de toras, a fim de auxiliar o processo de serragem destas em tábuas e sarrafos; em roçadeiras e motosserras utilizadas para limpeza e desbaste de florestas de pinus, iv. os óleos lubrificantes e hidráulicos são utilizados nos geradores elétricos, sendo que destaca que os motores são os mesmos utilizados em caminhões de transporte pesado; em motores e dispositivos hidráulicos de máquinas e equipamentos; em motores, câmbio e freios. Glosas de aquisições efetuadas com suspensão: em que alega que a Nota Fiscal caracterizada no despacho decisório, no valor de R$ 980,00, não se refere à aquisição realizada com suspensão, pelo que junta a referida Nota Fiscal e requer que seja reconsiderada na memória de cálculo; Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 965 5 Glosas com aquisições de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: alega que a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento: a) Dos serviços de fumigação: alega, em síntese, que é o tratamento químico que se dá à madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletização em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Trimph, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. b) Das despesas de capatazia: alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Glosas de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas — CTRC'S emitidos sem as formalidades legais: alega que as glosas basearamse em meras suposições com base em amostragem de conhecimentos de transporte, descaracterizando todos CTRC cujos CNPJ eram coincidentes com os da amostra, dizendo anexar CTRCs que apresentam as informações necessárias para vinculação dos serviços prestados.Requer a aplicação dos índices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento e/ou compensação.Em Manifestação de Inconformidade de fls. 803 a 817, o interessado contesta as glosas com os seguintes argumentos: glosas com aquisições não reconhecidas como matériasprimas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo: quanto às glosas de insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556, alega ter verificado que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta apresentadas no despacho decisório; relaciona os vários fornecedores, as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se referem e a sua utilização. Glosas com aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais , não enquadradas no conceito de insumo: alega que não lhe foi solicitado qualquer tipo de controle de consumo de combustíveis nem de qualquer outro insumo e que as glosas realizadas foram baseadas em meras suposições; explica que: • o óleo diesel é utilizado para manter os geradores, na frota de caminhões de carga e, principalmente, nos tratores, utilizados Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 dentro do parque fabril para transporte e movimentação de madeiras e de contêineres; • o gás é utilizado em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/madeiras e na carga e descarga destes, bem como em máquinas termo encolhíveis utilizadas para embalar produtos; • a gasolina é utilizada em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/materiais e na carga e descarga destes; em veículos de pequeno porte utilizados para o deslocamento interno de produtos dentro da empresa e para o transporte na aquisição de diversos insumos, tais como etiquetas, embalagens, parafusos, peças de manutenção; em motosserras utilizadas para corte das ponteiras de toras, a fim de auxiliar o processo de serragem destas em tábuas e sarrafos; em roçadeiras e motosserras utilizadas para limpeza e desbaste de florestas de pinus, • os óleos lubrificantes e hidráulicos são utilizados nos geradores elétricos, sendo que destaca que os motores são os mesmos utilizados em caminhões de transporte pesado; em motores e dispositivos hidráulicos de máquinas e equipamentos; em motores, câmbio e freios. Glosas de aquisições efetuadas com suspensão: em que alega que a Nota Fiscal caracterizada no despacho decisório, no valor de R$ 980,00, não se refere à aquisição realizada com suspensão, pelo que junta a referida Nota Fiscal e requer que seja reconsiderada na memória de cálculo; Glosas com aquisições de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: alega que a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento: • Dos serviços de fumigação: alega, em síntese, que é o tratamento químico que se dá à madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletização em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Trimph, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. • Das despesas de capatazia: alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 966 7 requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Glosas de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas — CTRC'S emitidos sem as formalidades legais: alega que as glosas basearamse em meras suposições com base em amostragem de conhecimentos de transporte, descaracterizando todos CTRC cujos CNPJ eram coincidentes com os da amostra, dizendo anexar CTRCs que apresentam as informações necessárias para vinculação dos serviços prestados. Requer a aplicação dos índices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento e/ou compensação. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07020.264, de 18 de junho de 2010, fls. 919 a 932, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO, COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos. de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 935 a 955, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a contestação das glosas. a. Das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos, insistindo no caráter de insumo dos itens glosados: • Aquisições ao fornecedor “Empimaq" ref. NF 414 e 506, que se referem a material de manutenção utilizado em tratores que movimentam as toras do pátio até a serraria; • Aquisições ao fornecedor “Maqcen" ref. NF 4.343 e 4.370, que se referem a material de manutenção utilizado em empilhadeiras utilizadas no movimentação de produtos; • Aquisição ao fornecedor ”Dimorol"ref. NF 25.128, que se refere o correntes utilizados em empilhadeiras para levantar os garfos que movimentam os produtos; • Aquisições ao fornecedor “Walter Schmidt" ref. NFs 4.991, 5961, 6.784, 7.198 e 8.593, que se referem a materiais utilizados no sistema elétrico dos máquinas utilizadas no produção; • Aquisição ao fornecedor “Sanrello” ref. NF 22.155, que se refere a materiais utilizados na manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo, mais precisamente sensores utilizados na automação de máquinas; • Aquisição ao fornecedor “Drilmaq" ref. NF 1.999, que se refere o materiais e peças de reposição utilizados no manutenção de máquinas e equipamentos; • Aquisição ao fornecedor “Rolablu" ref. NF 8.997, que se refere o rolamentos de reposição utilizados em empilhadeiras que movimentam produtos; • Aquisições ao fornecedor”Empiblu" ref. NF's 11.755, 11.705, 11.799, 11.890, 11.943, 11.950, 12.022 e 12.057, que se referem a peças para manutenção de empilhadeiras utilizadas na movimentação de produtos; • Aquisições ao fornecedor "Matelétrica" ref. NF's 92.525 e 93.054, que se referem a materiais elétricos utilizados para manutenção de máquinas e das instalações elétricas; • Aquisição ao fornecedor "Schrader" ref. NF 126.667, que se a filtros e lubrificantes utilizados por máquinas e equipamentos na Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 967 9 produção, empilhadeiras utilizadas na produção e geradores a diesel, cujos motores são de caminhão; • Aquisições ao fornecedor "Quimatra" ref. NF's 12.954 e 13.055, que se referem à aquisição de agentes para tingimento, utilizados na composição de vernizes/tintas aplicados para acabamento e pintura dos produtos finais, e que por se tratar de material intermediário, a classificação fiscal correta é 1.101 ao invés de 1.556. c) Glosas com aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais , não enquadradas no conceito de insumo: alega que não lhe foi solicitado qualquer tipo de controle de consumo de combustíveis nem de qualquer outro insumo e que as glosas realizadas foram baseadas em meras suposições; explica que: • o óleo diesel é utilizado para manter os geradores, na frota de caminhões de carga e, principalmente, nos tratores, utilizados dentro do parque fabril para transporte e movimentação de madeiras e de contêineres; • o gás é utilizado em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/madeiras e na carga e descarga destes, bem como em máquinas termo encolhíveis utilizadas para embalar produtos; • a gasolina é utilizada em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/materiais e na carga e descarga destes; em veículos de pequeno porte utilizados para o deslocamento interno de produtos dentro da empresa e para o transporte na aquisição de diversos insumos, tais como etiquetas, embalagens, parafusos, peças de manutenção; em motosserras utilizadas para corte das ponteiras de toras, a fim de auxiliar o processo de serragem destas em tábuas e sarrafos; em roçadeiras e motosserras utilizadas para limpeza e desbaste de florestas de pinus, • os óleos lubrificantes e hidráulicos são utilizados nos geradores elétricos, sendo que destaca que os motores são os mesmos utilizados em caminhões de transporte pesado; em motores e dispositivos hidráulicos de máquinas e equipamentos; em motores, câmbio e freios. d) Das aquisições de bens com suspensão: informa que o produto LX.PN 241 D 1130x2620, adquirido ao amparo da NF nº 25.203, de 19/06/2007, a Gota Adesivos e Fitas Ltda., no valor de R$ 980,00, tratase de material abrasivo tipo "lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira). Explica que a nota fiscal citada não informa a aquisição com suspensão pelo simples fato de que o fornecedor, ao emitiia, não aplicou a suspensão, e a Recorrente, ao recebêla, também não exigiu a suspensão. Contudo, o fato de outras notas fiscais deste fornecedor terem sido emitidas com suspensão não Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 10 impede que possam ocorrer aquisições sem se valer da suspensão, já que se trata de uma faculdade do contribuinte, não uma imposição. Em outras palavras, a suspensão não se presume, ela deve constar efetivamente do documento inerente. Com relação à prova inconteste, exigida na decisão recorrida, explica que, em momento algum do procedimento fiscal, foilhe exigido que apresentassem outras informações além do arquivo magnético e da cópia de notas fiscais para este caso. e) Das despesas de serviços de fumigação em contêiner, capatazia e armazenagem: • Fumigação: insiste no caráter de insumo do serviço, enquanto tratamento químico que se dá a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos, e que o fato de não ser realizado dentro das dependências da recorrente não retira o serviço da cadeia produtiva. • Despesas de capatazia, transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, ocorrem devido a estadia dos contêineres entre o dia em que estes chegam ao porto e o dia de embarque no navio, constituindose, em verdade, na movimentação da armazenagem temporária dos contêineres em local seguro e apropriado. Pugna por que seja consideradas como continuidade do frete das unidades industriais da recorrente até o seu destino final. f) Dos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas CTRVS emitidos sem as formalidades legais: alega que as glosas basearamse em meras suposições com base em amostragem de conhecimentos de transporte, descaracterizando todos CTRC cujos CNPJ eram coincidentes com os da amostra, dizendo anexar CTRCs que apresentam as informações necessárias para vinculação dos serviços prestados. Rechaça a utilização da regulamentação do ICMS do Estado de Santa Catarina como suporte para a glosa. Requer sejam reconhecidos os valores pertinentes aos CTRC's, cujas cópias das notas fiscais foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade, já que as mesmas possuem os elementos capazes de identificar perfeitamente as operações, contendo as informações que foram grifadas pelo julgador singular em sua decisão, quando da utilização do art. 64, do Regulamento de ICMS de Santa Catarina. Pede ainda a atualização dos créditos pela taxa Selic ou outro índice a ser determinado, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e data das compensações promovidas pela Recorrente, às compensações de ofício, e a data do ressarcimento em espécie. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 968 11 O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com o processo nº 13971.720064/200851, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 935 a 955 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.264, de 18 de junho de 2010. Matérias controvertidas Devolveuse a esta instância recursal o mérito das glosas da base de cálculo dos créditos da contribuição do valor (i) das aquisições de itens que escapam do conceito de insumo; (ii) de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais, não enquadradas no conceito de insumo e (iii) com suspensão da contribuição; (iv) dos serviços portuários; (v) dos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas emitidos sem as formalidades legais e; (vi) e do acréscimo de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conceito de insumo adotado neste voto Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 12 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Compulsando os autos, não logrei encontrar descrição do processo produtivo da ora recorrente. Todavia, de acordo com a Cláusula Segunda do Contrato Social Consolidado (cópia na fl. 861), constato que constituemse objetos da sociedade a fabricação de móveis e artefatos de madeira; a produção e comercialização de conservas de legumes, tubérculos, vagens, frutas , hortaliças folhosas, palmitos e outros vegetais; atividade agroindustrial de plantio de hortaliças, especiarias hortícolas condimentares e frutas; produção e comercialização do xaropes e sucos naturais de frutas; produção e comercialização de briquetes de madeira e compostagem orgânica de resíduos e cascas de pinus, eucalipto e outras madeiras; atividade agroindustrial de plantio, reflorestamento e extração de toras para posterior industrialização; transporte rodoviário de cargas e a participação em outras sociedades. Ao mérito das glosas. Glosa das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos Sem exceção, todos os itens objeto das glosas relacionadas referemse a partes e peças e material para manutenção de tratores, empilhadeiras, máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já beneficiados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento a título de insumo, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. Melhor sorte teria a reclamação contra a glosa das aquisições amparadas pelas NF 12.954 e 13.055 caso, efetivamente correspondessem aos agentes para tingimento a que alude o recurso voluntário, pois subsumirseíam no conceito de insumo que aqui se defende. Todavia, em pesquisa na Internet1, constatei que o item Quimalub Speed, em vez de agente de tingimento, é cera desmoldante e protetor para prensas alta freqüência e finger joint. Assim sendo, pela mesma razão, a glosa das aquisições desse item também merece ser mantida. Glosa das aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e gás Os gastos com os referidos itens, escriturados com o CFOP 1.101 (Compra Para Industrializaçâo) e 1.653 (Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final), foram glosados porque não quedou efetivamente comprovada sua efetiva utilização no processo produtivo. Especificamente em relação ao óleo diesel, a Fiscalização entendeu necessário a apresentação de um controle auxiliar, que atestasse o uso no processo produtivo. 1 http://www.quimatra.com.br/produtos/2/6 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 969 13 Na Manifestação de Inconformidade, há descrição de como os referidos itens são utilizados no processo produtivo, argumento repetido no recurso voluntário. Por tal descrição, infiro que, de fato, se cuida de itens de aplicação típica na atividade do recorrente segundo seu objeto social, seja na alimentação de geradores de energia elétrica, ou na movimentação de tratores, caminhões, motosserras e em veículos em geral, mesmo que na atividade de extração de madeiras próprias, atividades objetadas na decisão recorrida Assim, por entender que os gastos com combustíveis e lubrificantes (Diesel Aditivado, Gasolina Comum, óleo Mobil Super HP e hidráulico), no contexto do processo produtivo da recorrente, subsumemse no conceito de insumo esposado neste voto, acolho os argumentos recursais para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653 (Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final). Glosas de aquisições efetuadas com suspensão da contribuição A glosa, neste ponto, referese à aquisição documentada pela NF 25.203, emitida por Gota Adesivos e Fitas Ltda., de 19/06/2007, no valor de R$ 980,00. A Fiscalização considerou que, a exemplo de outras aquisições do mesmo produto ao mesmo fornecedor, a operação teria sido cursada com suspensão da Contribuição. O argumento recursal é o de que a nota fiscal não faz qualquer menção ao instituto, fato que lhe autorizaria a tomada de crédito. A decisão recorrida, a seu turno, sob a consideração do sistema do distribuição do ônus da prova, considerou que, em que pese o equívoco por parte da autoridade fiscalizadora, o contribuinte não se desincumbiu de provar que o produto em questão LX.PN .241D 1130x2620 é material abrasivo tipo "lixa", utilizado no processo produtivo em contato direto com os produtos (lixar madeira), segundo a descrição da recorrente seria passível de gerar créditos. O fato é que a Fiscalização atestou que as aquisições ao fornecedor GOTA ADESIVOS & FITAS. LTDA CNPJ 01.693.525/000112 não são tributadas em função do regime suspensivo amparado pelo Ato Declaratório Executivo nº 5, de 30 de março de 2005, publicado no Diário Oficial da União de 1° de abril do mesmo ano, conste ou não da nota fiscal a referência ao benefício. Assim, tratandose de aquisição não onerada pela contribuição, não há direito à tomada de créditos a teor do que dispõe o inciso II do § 2 do art. 3° das leis de regência. Mantenhase a glosa. Das glosas de conhecimentos de transporte rodoviário de cargas inábeis para ensejar a tomada de crédito Conforme relatado, a Fiscalização glosou tomada de crédito sobre fretes pagos ao amparo de conhecimentos de transporte que não permitiram a certificação completa da operação por não conterem informações tais como quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais, valores relativos aos produtos transportados, e informação quanto ao custeio do frete, se pago pelo fornecedor "frete pago" ou adquirente "frete a pagar". A Fiscalização fez referência a norma constante do regramento do ICMS do Estado de Santa Catarina. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 14 As glosas referemse a documentos emitidos por transportadores com CNPJ 02.843.765/000119 (8 CTRCs) e 02.482.410/000141 (9 CTRCs). A recorrente reclama do procedimento baseado em amostragem, do emprego de legislação estranha à contribuição de que se trata e pugna pelo crédito referente aos CTRCs que juntou à MI, que conteriam as informações tidas como necessárias para a perfeita identificação da operação. A reclamação é improcedente. A Fiscalização analisou todos os CTRCs, infirmando tão somente 17 (dezessete) deles. Os demais, portanto, foram admitidos. Embora, efetivamente, a legislação referida seja impertinente, a glosa foi oportuna e correta: os créditos só podem ser apropriados am amparo de documentação fiscal que assegure sua liquidez e certeza, não garantidos por conhecimentos de transporte que não referem quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais, valores, relativos aos produtos transportados, e informação sobre quem suporta o encargo. A tomada de crédito das contribuições sociais não cumulativas há de ser feita à vista de documentação idônea e hábil para esse fim, contendo informações mínimas que certifiquem sua liquidez e certeza. Mantenhase a glosa. Glosa dos gastos referentes à aquisição de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda A glosa em questão referese à aquisição de serviços portuários relacionados a contêineres tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação; diária, liberação, capatazia e serviços de agenciamento, não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. Compulsando os autos, constatei que as notas fiscais referidas na planilha de cálculo apresentada pelo contribuinte referemse a despesas com movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio. Segundo minha convicção, essas operações não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, como pretende a recorrente, razão pela qual entendo que as glosas devem ser mantidas. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Nego. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720071/200852 Acórdão n.º 3403003.097 S3C4T3 Fl. 970 15 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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