Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (17,076)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,633)
- Segunda Turma Ordinária d (15,570)
- Primeira Turma Ordinária (15,424)
- Primeira Turma Ordinária (15,364)
- Segunda Turma Ordinária d (14,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,855)
- Segunda Turma Ordinária d (12,110)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,186)
- Quarta Câmara (83,129)
- Terceira Câmara (64,792)
- Segunda Câmara (53,333)
- Primeira Câmara (17,991)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,186)
- 1ª SEÇÃO (6,736)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (119,455)
- Segunda Seção de Julgamen (111,340)
- Primeira Seção de Julgame (73,849)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,435)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,113)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,481)
- HELCIO LAFETA REIS (3,274)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,823)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,597)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,397)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,949)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,880)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2025 (17,368)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 10880.907626/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/11/2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.907626/2014-48
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.927
nome_arquivo_s : Decisao_10880907626201448.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880907626201448_6012552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7757872
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911601520640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.907626/201448 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.927 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ÔNUS DA PROVA Recorrente HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/11/2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 26 /2 01 4- 48 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.907626/201448 Acórdão n.º 3301005.927 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarado pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/RPO, no acórdão n° 14052.949, negou provimento ao apelo.. Em recurso voluntário, aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.907626/201448 Acórdão n.º 3301005.927 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.922, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900868/201419, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.922): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur do IPI, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.907626/201448 Acórdão n.º 3301005.927 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar o IPI pago. Dessa forma, não há como se afirmar qual ou quais valores integraram a base de cálculo do IPI ao arrepio do art. 47 do CTN. Em pedido de sua iniciativa, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo do IPI; b) Sustentar o indébito no livro de apuração do IPI e em notas fiscais; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF e demais livros fiscais. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.907626/201448 Acórdão n.º 3301005.927 S3C3T1 Fl. 6 5 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902840/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.902840/2014-92
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6002523
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.889
nome_arquivo_s : Decisao_10580902840201492.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10580902840201492_6002523.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7726077
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911612006400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.902840/201492 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.889 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 28 40 /2 01 4- 92 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.563. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902840/201492 Acórdão n.º 3401005.889 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721348/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Ementa:
PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO COM GARANTIA FISCAL
Não há como desconsiderar o vínculo formal do bem arrendado, no que diz respeito a sua única função de garantir eventual perda sofrida pelo arrendador, em decorrência da falta de pagamento das contraprestações pelo arrendatário.
A Lei n° 9.430/96, artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo, ao consignar as expressões operações garantidas ou com garantia real, não indicou rol de garantias específicas, nem mesmo reportou-se aos respectivos dispositivos do Código Civil, justamente, pelo fato de que, o comando da lei (norma cogente) dirigiu-se aos casos, nos quais o credor dispõe de certeza (garantia), materializada por bem patrimonial formalmente vinculado à operação, com valor suficiente e com o objetivo de fazer frente ao débito.
Tanto que, para tal situação, a Lei nº 9.430/96 só autoriza o credor considerar a perda com crédito, como despesa dedutível, após dois anos do inadimplemento e se iniciados e mantidos os procedimentos de cobrança pela via judicial.
Numero da decisão: 1302-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório votou pelas conclusões do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Ementa: PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO COM GARANTIA FISCAL Não há como desconsiderar o vínculo formal do bem arrendado, no que diz respeito a sua única função de garantir eventual perda sofrida pelo arrendador, em decorrência da falta de pagamento das contraprestações pelo arrendatário. A Lei n° 9.430/96, artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo, ao consignar as expressões operações garantidas ou com garantia real, não indicou rol de garantias específicas, nem mesmo reportou-se aos respectivos dispositivos do Código Civil, justamente, pelo fato de que, o comando da lei (norma cogente) dirigiu-se aos casos, nos quais o credor dispõe de certeza (garantia), materializada por bem patrimonial formalmente vinculado à operação, com valor suficiente e com o objetivo de fazer frente ao débito. Tanto que, para tal situação, a Lei nº 9.430/96 só autoriza o credor considerar a perda com crédito, como despesa dedutível, após dois anos do inadimplemento e se iniciados e mantidos os procedimentos de cobrança pela via judicial.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.721348/2013-14
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996550
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.424
nome_arquivo_s : Decisao_16327721348201314.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16327721348201314_5996550.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório votou pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7714814
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911616200704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721348/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.424 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria GLOSAS. PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. LEASING. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GARANTIA REAL. DEDUTIBILIDADE Recorrente BANCO ITAUCARD S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Ementa: PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO COM GARANTIA FISCAL Não há como desconsiderar o vínculo formal do bem arrendado, no que diz respeito a sua única função de garantir eventual perda sofrida pelo arrendador, em decorrência da falta de pagamento das contraprestações pelo arrendatário. A Lei n° 9.430/96, artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo, ao consignar as expressões operações garantidas ou com garantia real, não indicou rol de garantias específicas, nem mesmo reportouse aos respectivos dispositivos do Código Civil, justamente, pelo fato de que, o comando da lei (norma cogente) dirigiuse aos casos, nos quais o credor dispõe de certeza (garantia), materializada por bem patrimonial formalmente vinculado à operação, com valor suficiente e com o objetivo de fazer frente ao débito. Tanto que, para tal situação, a Lei nº 9.430/96 só autoriza o credor considerar a perda com crédito, como despesa dedutível, após dois anos do inadimplemento e se iniciados e mantidos os procedimentos de cobrança pela via judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 48 /2 01 3- 14 Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 3 2 conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório votou pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1270.272, de 13/11/2014, da 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: DEDUTIBILIDADE. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GARANTIA REAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. A dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos está subordinada ao atendimento das condições estabelecidas na lei tributária. Verificase que a fiscalização considerou indevida a exclusão de perdas em operações de crédito no valor de R$ 102.600.805,83, reduziu o prejuízo fiscal e, no tocante à CSLL, lançou o crédito tributário resultante da aplicação da alíquota de 9% sobre a base de cálculo reconstituída. Esclareceuse que essa alíquota (e não a de 15%) foi utilizada porque havia determinação judicial nesse sentido. Tal autuação (que reduziu o prejuízo fiscal e constituiu o crédito tributário de CSLL) foi consubstanciada no processo n° 16327.721347/201370. Em sequência, houve outro procedimento fiscal, visando, exclusivamente, lançar, com exigibilidade suspensa, a diferença de 6% da alíquota (para alcançar o total dos 15%) sobre a mesma base de cálculo da CSLL que havia sido reconstituída no procedimento anterior. Nesse último lançamento, portanto, reside o objeto do presente processo. Diante do reconhecimento pela recorrente quanto à procedência de alguns aspectos da autuação (os quais a fiscalização tratou nos itens II e III do Termo de Verificação Fiscal), a lide ficou limitada a discutir se os créditos decorrentes de contratos de arrendamento mercantil, nos quais a recorrente é arrendadora, devem ou não ser considerados como créditos com garantia para fins de que a dedutibilidade das perdas verificadas nessas operações sejam regidas pela regra veiculada no inciso III, do § 1°, do artigo 9°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 4 3 A DRJ ratificou os fundamentos do julgamento proferido no referido Proc. 16327.721347/201370, no sentido de que as operações de arrendamento mercantil caracterizam operações com garantia real. Sendo assim, a recorrente somente poderia considerar dedutíveis as perdas decorrentes, se atendidos as exigências estabelecidas pelo inciso III, do § 1°, do artigo 9°, da Lei n° 9.430/96. A recorrente ressalta que o presente processo e o Proc. 16327.721347/2013 70 têm por objeto, matéria idêntica. Salienta que o lançamento do presente processo é mera decorrência do fato de que uma parte do crédito tributário referente à CSLL, à época da autuação, estava com a exigibilidade suspensa por decisão judicial favorável à recorrente. À vista desta situação, o processo foi distribuído para a Conselheira Talita Pimenta Felix que, em 05/10/2016, compunha esta Turma e havia sido designada para relatar o referido Proc. 16327.721347/201370, o qual foi considerado pela 1ª Turma da 4 ª Câmara da 1ª Seção, como processo principal desse caso (artigo 6°, § 2°, do Anexo II, do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015). Nada obstante, verificase que o referido Proc. 16327.721347/201370 já foi julgado por esta Turma, nos termos do Acórdão nº 1302002.319, de 26/07/2017, em que, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntario, registrandose a seguinte ementa: AJUSTE DO PREJUÍZO FISCAL. DEDUTTBILIDADE. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GARANTIA REAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. Os créditos decorrentes de contratos de arrendamento mercantil, nos quais a Recorrente é arrendadora, devem ser considerados como créditos com garantia para fins de que a dedutibilidade das perdas verificadas nessas operações sejam regidas pela regra veiculada no inciso II, do § 1°, do artigo 9º, da Lei n° 9.430/96. A dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos está subordinada ao atendimento das condições estabelecidas na lei tributária. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Retornandose ao presente processo, destacamse os seguintes fundamentos, com base nos quais a fiscalização glosou as despesas referentes a perdas em operações de arrendamento mercantil, consideradas dedutíveis em 2008 pela recorrente: a) são operações de crédito com garantia real, os contrato de arrendamento mercantil, enquanto que a recorrente as considerou como, sem garantia; b) as operações relacionadas às fls.1364/2083, no total de R$98.641.101,77, não poderiam ter sido deduzidas como perdas no anocalendário de 2008, Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 5 4 mas apenas em 2009, 2010, 2011, 2012 ou 2013 (inciso III, do § 1°, do artigo 9°, da Lei n° 9.430/96); c) na operação de arrendamento mercantil financeiro, o bem arrendado é de propriedade do arrendador (o interessado), o que faz com que as operações de arrendamento estejam, por si só, amparadas por "outras garantias reais", referidas no art. 9°, da Lei n° 9.430, de 1996; A DRJ ratificou esse entendimento e acrescentou as razões a seguir, com base nas quais manteve as referidas glosas: a) a Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974 (com as alterações da Lei n° 7.132, de 1983), dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil, o arrendamento mercantil recai sobre bens adquiridos pela arrendadora (credora), de acordo com especificação da arrendatária (devedor), para uso desta última; b) a Resolução CMN nº 2.309, de 28 de agosto de 1996, que disciplina e consolida as normas relativas às operações de arrendamento mercantil, dispõe que, no arrendamento mercantil financeiro, as contraprestações e demais pagamentos devidos pelo arrendatário (devedor) devem ser suficientes para a recuperação do custo do bem arrendado, bem como, que a operação se transforma em compra e venda se o arrendatário vier a exercer a opção de compra antes do prazo mínimo legal; A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 26/12/2014 e interpôs recurso voluntário, em 21/01/2015. Reapresentou os fundamentos da impugnação, dos quais destacamse os seguintes pontos: a) a arrendadora é a proprietária do bem arrendado, sendo que ao arrendatário cabe apenas a posse direta do bem e o direito de utilizálo conforme suas finalidades; b) se o bem arrendado é de propriedade da sociedade arrendadora, não é necessária, por decorrência lógica, nenhuma garantia sobre tal bem; c) em qualquer garantia real, há vinculação de um determinado bem do devedor ao pagamento da dívida. Ou seja, se o bem é do credor (sociedade arrendadora), não há que se falar, sob qualquer ângulo de visão, em garantia de qualquer natureza; d) a própria definição de garantia real, utilizada pela DRJ/RJ1 no item 39 da decisão recorrida, extraída da conhecida obra de Plácido e Silva, vai ao encontro de tal afirmação: "Garantia Real (...). Ocorre no penhor, na hipoteca, na caução de títulos. E se diz real, precisamente pela natureza da garantia, incidente sobre bens patrimoniais de alguém, não sobre seu crédito ou fé pessoal"; e) a propriedade é o mais completo dos direitos subjetivos, a matriz dos direitos reais e, nesse sentido, não há razão lógica ou jurídica que suporte Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 6 5 a conclusão fiscal ora combatida pois, reiterese, não há garantia sobre bem próprio; f) mesmo que assim não fosse, o que se admite para argumentar, a doutrina civilista , ao comentar o artigo 1.225 do Código Civil é pacífica ao afirmar que não existe direito real e, consequentemente, garantia dessa natureza se a lei assim não o declara (numerus clausus); g) as garantias reais são aquelas previstas nos artigos 1.225 e 1419 do Código Civil ou, à opção do legislador, as criadas por meio da fonte imediata do direito, a lei; h) ao contrário do que a DRJ/RJ1 afirma no item 43 da decisão a quo, a existência de garantia real sobre determinado bem depende, sim, de expressa previsão legal; i) se não há previsão no Código Civil ou em qualquer outra legislação esparsa, é certo que o crédito decorrente de operação de arrendamento mercantil não possui garantia real; j) a lei tributária, como fonte imediata que é, poderia explicitar que determinado negócio teria, para fins fiscais, garantia real, tal como expressamente o fez, por exemplo, com a venda com reserva de domínio, cujo crédito, sob a ótica exclusiva do instituto, não possui garantia real; k) se o legislador tributário não o fez expressamente em relação ao crédito decorrente do arrendamento mercantil, não há, claramente, fundamento legal para a manutenção da presente autuação; l) a Lei n° 6.099/74 foi editada para disciplinar, de forma específica, o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil, notadamente em relação à base do imposto de renda, ora discutida. m) o legislador tributário, mesmo podendo fazêlo reiterese, por meio da Lei n° 6.099/74, editada para esse fim específico não tornou o crédito decorrente do arrendamento mercantil, para fins tributários, como de garantia real; n) pelo contrário, a Lei n° 6.099/74 expressamente dispôs, em seus artigos 3º e 12°, que o bem objeto do arrendamento mercantil integra o ativo imobilizado da arrendadora que, consequentemente, pode tomar como custo a depreciação de tal bem; o) ou seja, a citada Lei n° 6.099/74 reafirma que o bem é de propriedade do arrendador e, via reflexa, que inexiste, mesmo sob a ótica tributária, garantia real sobre tal valor. p) a Resolução CMN n° 2.309, de 28/08/1996, citada pela autoridade julgadora de primeira instância, em nada altera o disposto acima, uma vez que tal normativo nada dispõe acerca da situação discutida nos autos e, Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 7 6 mesmo que assim não fosse, como ato infralegal que é, nem poderia fazê lo; q) Tal raciocínio se aplica, também, à Solução de Consulta Interna da Cosit n° 34, de 19/08/2008, mencionada pela DRJ/RJ1, que possui caráter meramente interpretativo e não substitui, por certo, a lei; r) a premissa adotada pela fiscalização, ratificada pela DRJ/RJ1, no sentido de que o conceito de crédito garantido, decorrente do já citado § 3º do artigo 9° da Lei n° 9.403/96, abrange, para efeitos de dedutibilidade das perdas, o contrato de arrendamento mercantil é, com o devido respeito, equivocada. A saber, dispõe o § 3º do referido artigo que, "para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais "; s) o legislador tributário excepcionou os créditos decorrentes dos negócios jurídicos típicos que, por sua expressa opção, devem ser considerados como "garantidos" para fins de dedutibilidade de perdas, quais sejam, "vendas com reserva de domínio " e de "alienação fiduciária em garantia"; t) ao considerar como "garantidos" para fins de dedutibilidade os créditos decorrentes de "operações com outras garantias reais", é certo que o legislador, como já dito, se referiu às citadas modalidades de garantia previstas no Código Civil (penhor, hipoteca e anticrese ) ou àquelas previstas, eventualmente, na legislação esparsa; u) o legislador não excepcionou expressamente o contrato de arrendamento mercantil na Lei n 9.430/96; o Código Civil não confere tal característica ao contrato de arrendamento mercantil; e não há previsão na Lei n° 6.099/74 ou em qualquer outro diploma legislativo ou normativo no sentido de que o crédito ora discutido é "garantido"; v) não cabe à fiscalização criar tal definição e fundamentar o lançamento tributário em um dispositivo legal inexistente, sob pena de afronta aos artigos 97,1 e 110 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 8 7 Na forma relatada, a recurso voluntário centrouse na glosa das despesas relativas a perdas com operações de arrendamento mercantil, firmadas pela recorrente (arrendadora/credora) e terceiros (arrendatários/devedores). A recorrente sustentou que o arrendamento mercantil constituise em operação de crédito, sem garantia real. Pois, como o bem objeto do arrendamento é de propriedade da arrendadora, não haveria como a arrendatária dar em garantia, bem que não lhe pertence. Salientou que, em realidade, somente a garantia pessoal do arrendatário (fidejussória) teria sido exigida pela recorrente. Com esse entendimento, a recorrente colheu a dedutibilidade de tais perdas, após um ano do inadimplemento, baseandose nas disposições do inciso II do § 1° do referido artigo 9°. No entanto, o acórdão recorrido manteve a conclusão da fiscalização de que tais operações são garantidas pelo próprio bem, objeto do arrendamento. Sendo assim, seriam operações de crédito com garantia real. E, como tal, entre outras condições legais, somente após dois anos do inadimplemento, as respectivas perdas poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real (Lei n° 9.430/96, artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo). Nessa linha, o acórdão recorrido destacou os seguintes fundamentos: Para o crédito com garantia ser deduzido como perda, exigese que, além de estar vencido há mais de dois anos, a pessoa jurídica já tenha iniciado o procedimento judicial para seu recebimento, ou o arresto das garantias: Art. 9° As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1° Poderão ser registrados como perda os créditos: (...) III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Dessa forma, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais, os créditos com garantia só podem ser registrados como perdas se vencidos há mais de dois anos. Art. 9° (...) § 3° Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. (...) Segundo a Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974 (com as alterações da Lei n° 7.132, de 1983), que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil, o arrendamento mercantil recai sobre bens adquiridos pela arrendadora (credora), de acordo com especificação da arrendatária (devedor), para uso desta última: Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 9 8 Art 1° O tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil regerseá pelas disposições desta Lei. Parágrafo único Considerase arrendamento mercantil, para os efeitos desta Lei, o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta. Por sua vez, a Resolução do Banco Central do Brasil Bacen n° 2.309, de 28 de agosto de 1996, que disciplina e consolida as normas relativas às operações de arrendamento mercantil, dispõe que, no arrendamento mercantil financeiro, as contraprestações e demais pagamentos devidos pelo arrendatário (devedor) devem ser suficientes para a recuperação do custo do bem arrendado, bem como, que a operação se transforma em compra e venda se o arrendatário vier a exercer a opção de compra antes do prazo mínimo legal: Art. 5° Considerase arrendamento mercantil financeiro a modalidade em que: I as contraprestações e demais pagamentos previstos no contrato, devidos pela arrendatária, sejam normalmente suficientes para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um retorno sobre os recursos investidos; II as despesas de manutenção, assistência técnica e serviços correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de responsabilidade da arrendatária; III o preço para o exercício da opção de compra seja livremente pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem arrendado. (...) Art. 8° Os contratos devem estabelecer os seguintes prazos mínimos de arrendamento: I para o arrendamento mercantil financeiro: a) 2 (dois) anos, compreendidos entre a data de entrega dos bens à arrendatária, consubstanciada em termo de aceitação e recebimento dos bens, e a data de vencimento da última contraprestação, quando se tratar de arrendamento de bens com vida útil igual "ou inferior a 5 (cinco) anos; b) 3 (três) anos, observada a definição do prazo constante da alínea anterior, para o arrendamento de outros bens; II para o arrendamento mercantil operacional, 90 (noventa) dias. (...) Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 10 9 Art. 10. A operação de arrendamento mercantil será considerada como de compra e venda a prestação se a opção de compra for exercida antes de decorrido o respectivo prazo mínimo estabelecido no art. 8° deste Regulamento. Para o autuante, na operação de arrendamento mercantil financeiro, o bem arrendado é de propriedade do arrendador (o interessado), o que faz com que as operações de arrendamento estejam, por si sós, amparadas por "outras garantias reais", referidas no art. 9°, da Lei n° 9.430, de 1996: O interessado alega que, na Lei n° 9.430, de 1996, a expressão "operações com outras garantias reais" se refere apenas às modalidades de garantias reais previstas no Código Civil: penhor, hipoteca e anticrese. A Lei n° 9.430 de 1996, para fins de dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, considera que o crédito está garantido se proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia, ou de operações com outras garantias reais: Art. 9° (...) § 3° Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. (...) Na venda com reserva de domínio, a propriedade é reservada como garantia ao vendedor, até que todo o preço seja pago. Na alienação fiduciária, o cliente adquire a posse imediata do bem pretendido, mas o credor pode retomar o bem, em caso de inadimplemento. O arrendamento mercantil é um contrato complexo, que reúne características não só dos sobreditos institutos, como, ainda, do aluguel, da compra e venda e do financiamento. A garantia assegura o cumprimento da obrigação. Quando não recai sobre pessoas (garantia pessoal), é dita garantia real, assim definida em De Plácido, Vocabulário Jurídico, 4a ed, p. 344: Garantia Real. É a que se funda no oferecimento ou entrega de um bem móvel, imóvel ou semovente, para que nele se cumpra a exigência ou execução da obrigação, quando não é cumprida ou paga pelo devedor. A garantia real revela, pois, o ônus real sobre a coisa, pertencente ao devedor ou mesmo a estranho que intervém no contrato, em que se funda a dívida, como garantia do devedor. Ocorre no penhor, na hipoteca, na caução de títulos. E se diz real, precisamente pela natureza da garantia, incidente sobre bens patrimoniais de alguém, não sobre seu crédito ou fé pessoal. Na forma do art.1.419 do Código Civil, o bem dado em garantia fica sujeito por vínculo real ao cumprimento da obrigação: Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 11 10 Art. 1.419. Nas dívidas garantidas por penhor, anticrese ou hipoteca, o bem dado em garantia fica sujeito, por vínculo real, ao cumprimento da obrigação. Embora o arrendamento mercantil não tenha sido explicitado no sobredito artigo, no arrendamento mercantil o bem sujeita o devedor, por vínculo real, ao cumprimento da obrigação, de forma que está incluído entre as "operações com outras garantias reais", de que trata o já reproduzido § 3° do art.9° da Lei n° 9.430 (nosso item 36). Tanto é assim que, sobrevindo a insolvência do arrendatário, com relação ao pagamento das prestações contratadas, o arrendador tomalhe o bem, com cujo produto liquidará o valor porventura devido. Diferentemente do que o interessado alega, o reconhecimento da existência de vínculo de garantia real independe de previsão legal expressa e deflui da própria natureza jurídica do arrendamento mercantil. A matéria, aliás, já foi objeto de Solução de Consulta InternaSCI da Coordenação Geral de TributaçãoCosit (SCI n° 34, de 19.08.2008), cuja ementa enfeixa o entendimento de que os créditos relativos à operação de arrendamento mercantil podem, sim, ser registrados como perdas e estão lastreados em garantia real: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos decorrentes de atividade de arrendamento mercantil. Os créditos relativos à operação de arrendamento mercantil poderão ser registrados como perda, enquadrandose no inciso III do art. 9° da Lei n° 9.430, de 1996, isto é, com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou arresto (sequestro) da garantia; estando tais créditos garantidos pela presença de garantias reais, tal como tipificado no § 3° do mencionado artigo. Da dita SCI, extraemse, ainda: Ora, viuse no relatório que no arrendamento mercantil a manutenção da propriedade do bem arrendado por todo o contrato é a principal garantia do contrato de arrendamento mercantil; e isso é bem verdade. A propriedade do arrendador serve única e exclusivamente como garantia de que o arrendatário quitará o seu débito, uma vez que o arrendador adquire o bem em nome próprio, mas para uso e gozo do arrendatário, tanto assim que não há o desiderato por parte do arrendador em ter a posse ou, até mesmo, extrapolando, a propriedade do bem, esta sendo constituída única e exclusivamente para que seja viabilizado o contrato de arrendamento mercantil. Portanto, existe a presença de garantia contra insolvência no contrato de arrendamento mercantil. O fato do bem dado em garantia ser de propriedade do próprio arrendador, não obsta, como visto na definição e essência do Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 12 11 termo, a constituição de uma "garantia real". Consoante o léxico consultado, o "proprietário estranho", que não o arrendatário, aqui seria o próprio arrendador, que não estando interessado na posse ou propriedade do bem, nesta constituise apenas em benefício do contrato de arrendamento mercantil, que lhe permitirá fruir taxas e lucros financeiros. Ainda, o bem arrendado é uma garantia real porque se funda em um "bem patrimonial" de alguém (no caso, do arrendador). Ademais, impende reafirmar que o critério de dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos, na determinação do lucro real, não é condicionado à área de atividade da pessoa jurídica, podendo, assim, as empresas de arrendamento mercantil utilizaremse da previsão legal de dedução como perda dos créditos não recebidos, consoante o disposto no artigo 9° da Lei n°9.430, de 1996. À vista das razões da recorrente e da fundamentação da DRJ, não há como desconsiderar o vínculo formal do bem arrendado, com a sua única função de garantir eventual perda sofrida pelo arrendador, em decorrência da falta de pagamento das contraprestações pelo arrendatário. Não há como comparar, portanto, o arrendamento mercantil, com uma operação em que o credor dispõe, por exemplo, somente de aval ou fiança do devedor. Como dito, no arrendamento mercantil, há a certeza (garantia) de que o bem arrendado, uma vez reintegrado na posse do arrendador, será revertido para amortizar a dívida. Diferentemente das operações com aval ou fiança, em que, a inexistência de vínculo a um bem específico, expõe o credor ao risco de não localizar patrimônio algum em nome do devedor, passível de penhora e expropriação judicial. Em tais operações, efetivamente, não há garantia real (em sentido latu). Já nas de arrendamento mercantil, não há como negar. A operação está garantida, com vínculo formal (real, também em sentido latu): o bem arrendado. Nessa linha de raciocínio, é possível concluir que as citadas disposições da Lei n° 9.430/96 (artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo), ao consignar as expressões operações garantidas ou com garantia real, não indicou rol de garantias específicas, nem mesmo reportouse aos referidos dispositivos do Código Civil, justamente, pelo fato de que, o comando da lei (norma cogente) dirigiuse aos casos, nos quais o credor dispõe de certeza (garantia), materializada por bem patrimonial formalmente vinculado à operação, com o objetivo de fazer frente ao débito. Tanto que, para tal situação, a Lei nº 9.430/96 só autoriza o credor considera a perda com crédito, como despesa dedutível, após dois anos do inadimplemento e se iniciados e mantidos os procedimentos de cobrança pela via judicial (artigo 9°, § 1°, inciso III c.c. § 3º do mesmo artigo). Assim seguindo, não há como acolher as razões da recorrente. Por todo o exposto, seguindo o entendimento desta Turma (maioria), já expressado no processo do qual estes autos são decorrentes (Acórdão nº 1302002.319, de 26/07/2017, Proc. 16327.721347/201370), voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16327.721348/201314 Acórdão n.º 1302003.424 S1C3T2 Fl. 13 12 Fl. 2271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901905/2009-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.901905/2009-39
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6014554
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.233
nome_arquivo_s : Decisao_10783901905200939.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10783901905200939_6014554.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7766328
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911621443584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.901905/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.233 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 7 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente INTERFRUIT ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EXERCÍCIO 1998 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR Não comprovada a existência de crédito, a favor do contribuinte, é de negar se a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 12 43.703, da 8ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 19 05 /2 00 9- 39 Fl. 82DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório (fl.10) que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP. Transcrevo, a seguir o relatório: Trata o processo de PER/DCOMP referente a crédito de IRPJ (2362) no valor de R$2.354,07, originado de suposto pagamento a maior referente ao período de apuração de 30042003, cujo DARF foi no montante de R$2.366,50, conforme DCOMP às fls.28 e 30, enviada em 20012005. O despacho decisório eletrônico da DRF/Vitória não reconheceu o direito creditório da Interessada, não homologando a compensação declarada, pelo fato de o respectivo pagamento já ter sido totalmente utilizado para o mesmo período. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade em 30042009, após ter tido ciência do despacho em 02042009, alegando que: efetuou o total de recolhimentos através de darfs, com código de receita 2362 referente ao exercício de 2003 no total de R$13.568,94, conforme darfs em anexo; conforme apuração demonstrada na Ficha 12A da DIPJ/2004, apurouse em 31/12/2003, IRPJ no valor de R$11.214,87, restando, portanto, saldo credor de R$2.354,07. A Interessada acostou aos autos recolhimentos de estimativas ocorridos em 2003, no valor total de R$13.568,94, e DIPJ retificada em 07042009, (fls.11/15), que assinala o saldo credor acima mencionado. Cientificada em 22/03/2012 (fl 58), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 12/04/2012 (fl 59). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente, basicamente, argumenta: · O processo tributário se norteia pelos princípios constitucionais (explícitos e implícitos) entre os quais o da vinculabilidade da tributação; · O indeferimento, em realidade se baseia em normativa interna da RFB, a qual desatende aos contornos da legislação; · Em que pese o posicionamento adotado pela Receita Federal do Brasil, vislumbramos fortes argumentos de defesa visando afastar tal restrição. Há de ser dito que o direito ao crédito tributário, como qualquer outro crédito, se incorpora ao patrimônio de seu titular, sendo, portanto, de sua propriedade. Ora, se o crédito tributário de titularidade do sujeito passivo compõe o seu patrimônio, ou melhor, é de sua propriedade, tratase, por isso, de verdadeiro direito Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.901905/200939 Acórdão n.º 1001001.233 S1C0T1 Fl. 3 3 fundamental, protegido pelo art. 5g, caput e inc. XII, da CF/88, cujo exercício não pode ser restringido por legislação infraconstitucional; · Cita o artigo 37, da Constituição Federal CF; · Na mesma linha, a impossibilidade de realizar a compensação faz com que o Imposto de Renda passe a gravar a receita, situação que não se coaduna com a regra constitucional que autoriza a incidência desse imposto sobre a "renda", entendida como o acréscimo patrimonial verificado em determinado período. Da mesma forma, a alíquota efetivamente praticada, tendose em vista a impossibilidade de compensação, passa a ser muito maior que a legalmente prevista. O direito de compensação ainda é da própria técnica de apuração do IRPJ e da CSLL. · Na espécie os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados trimestralmente, poderão ser compensados ou restituídos a partir do encerramento do trimestre. Neste caso, a incidência de juros se dará a partir do mês subseqüente ao do encerramento do trimestre. · No caso, o pedido de compensação foi efetuado após a vigência da Lei 10.637, de 20.12.2002. Nessa linha de raciocínio, os valores decorrentes dos recolhimentos indevidos, podem ser compensados com débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, nos exatos termos do art. 49 da Lei n.Q 10.637/02. · Afigurase inviável juridicamente, não reconhecer o direito à compensação tributária com fundamento em instrumento legal interno da RFB, editado depois da promulgação da Lei n.e 10.637/02. A IN SRF 600/2005, citada na decisão, é inaplicável ao caso em análise porque limita lei, asseauradora da compensação tributária entre quaisquer tributos e contribuições arrecadados pela RFB (Lei n.e 9.430/96. art. 747). · Insta frisar que a DCOMP foi transmitida sob a vigência da legislação antes mencionada e sob a égide da IN RFB n. 900, de 30 de dezembro de 2008, devendo ser · O fator determinante, para o conhecimento do 'recurso voluntário' a prova trazida aos autos (escrituração respaldada em documentos suficientes e idôneos) existindo ainda a comprovação da materialidade do pagamento a maior do IRPJ. Cita jurisprudência deste CARF e conclui: Por todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da decisão, espera e requer a Recorrente a admissão, processo e julgamento do recurso com a atribuição do efeito suspensivo, e ao exame do mérito a reversão da decisão (no aspecto em que sucumbiu a Recorrente) com a anulação completa do auto de infração. Fl. 84DF CARF MF 4 Reproduzo (parcialmente) a decisão da DRJ: Do exame do PERDCOMP acostada aos autos, fls.28 e 30, constatase que a Interessada apresentou declaração apontando como crédito valor de R$2.354,07, originado de suposto pagamento a maior referente ao período de apuração de 30042003, cujo DARF foi no montante de R$2.366,50. Portanto, a Interessada indicou no PERDCOMP como crédito, pagamento a maior de estimativa referente ao mês de abril de 2003. Por outro lado, na manifestação de inconformidade alega que o crédito referese a saldo credor verificado na apuração do resultado em 31122003, na Ficha 12A. Para tanto, acostou aos autos DIPJ retificadora enviada em 07/04/2009, cinco dias após a ciência do despacho por ela contestado. O que se constata é que a Interessada pretendeu em 30/04/2009, por meio de sua manifestação de inconformidade, retificar os dados de seu PERCOMP no que se refere à origem do crédito. O artigo 57, da Instrução Normativa RFB nº.600, de 28122005, determina que o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Não é este o presente caso. Ainda que assim não se entenda, a Interessada não acostou aos autos documentos que embasem os valores que constaram na retificadora da DIPJ. Inicialmente, cabe ressaltar que o CARF não é competente para discutir matérias constitucionais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Em relação ao pedido, observase que, com base nos registros eletrônicos (internos) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de fato, ela não possui tal crédito. O valor, por ela apontado, foi devidamente alocado ao declarado como devido. A retificação da DIPJ, por si só, em nada modifica a situação inicial, posto que ela tem caráter meramente informativo, diferentemente da DCTF que tem caráter declaratório. Quanto a isto, cabe mencionar a súmula CARF 92: Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Como antes dito, a DCTF constituise em confissão de dívida e, portanto, o débito, nela declarado, considerase confessado. Apenas a sua retificação alteraria essa condição. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.901905/200939 Acórdão n.º 1001001.233 S1C0T1 Fl. 4 5 para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. (grifei) Consoante o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifei) Ou seja, a certeza e liquidez do crédito são condições sine qua non para autorizar a compensação. Portanto, inexiste direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte como pagamento indevido ou maior. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001929/2004-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
A verba paga sob a rubrica auxílio combustível, quando paga indistintamente a servidores que realizem ou não suas atividades fora da repartição e, ainda, não tendo sido comprovada, pelo contribuinte, nos autos, como utilizada em gastos efetivos de locomoção quando da realização de atividades externas, tem natureza remuneratória, devendo, assim, sofrer a incidência de imposto de renda.
Numero da decisão: 2402-007.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior (relator), que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. A verba paga sob a rubrica auxílio combustível, quando paga indistintamente a servidores que realizem ou não suas atividades fora da repartição e, ainda, não tendo sido comprovada, pelo contribuinte, nos autos, como utilizada em gastos efetivos de locomoção quando da realização de atividades externas, tem natureza remuneratória, devendo, assim, sofrer a incidência de imposto de renda.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.001929/2004-02
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016771
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.256
nome_arquivo_s : Decisao_11516001929200402.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11516001929200402_6016771.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior (relator), que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7770372
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911624589312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 175 1 174 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001929/200402 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.256 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria IRPF. AUXÍLIO COMBUSTÍVEL Recorrente GIAN MARCO NERCOLINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível”, quando paga indistintamente a servidores que realizem ou não suas atividades fora da repartição e, ainda, não tendo sido comprovada, pelo contribuinte, nos autos, como utilizada em gastos efetivos de locomoção quando da realização de atividades externas, tem natureza remuneratória, devendo, assim, sofrer a incidência de imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior (relator), que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 29 /2 00 4- 02 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 176 2 Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 5ª Tuma da DRJ/FNS, consubstanciada no Acórdão nº 0715.038 (fl. 98), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, temse que: Tratase de Notificação de Lançamento originada pela revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, na qual foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 89,41, conforme documentos de fls. 17/19. Por meio do formulário "Alterações Efetuadas sem Verificação de Incidência de Infração à Legislação", de fls. 19, observase que houve alteração dos rendimentos recebidos do Governo do Estado de Santa Catarina, conforme DIRF da fonte pagadora, em razão dos recebimentos a título de auxilio combustível não serem isentos e não tributáveis por falta de previsão legal. Inconformado com a exigência, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/14, na qual informa que é ocupante do cargo de Procurador do Estado de Santa Catarina, e percebe mensalmente, além de seus vencimentos, indenização pelo uso de veículo próprio para o exercício de suas funções institucionais, nos termos do Decreto Estadual n°4.131/93. Após constatar que, por equívoco administrativo, os descontos mensais a título de imposto de renda estavam computando como base de cálculo do tributo a referida verba indenizatória, procedeu a retificação das declarações de ajuste anual dos últimos cinco exercícios. Argumenta que o Executivo Estadual tem competência exclusiva para dispor sobre o regime jurídico de seus servidores e, por meio de processos legislativos próprios e legítimos, foram editados no Estado a Lei Complementar n° 100, de 30 de novembro de 1993, que institui a indenização pelo uso de transporte próprio, e o Decreto n° 4.131, de 22 de dezembro de 1993, que a regulamentou. Assim, diz que o legislador estadual, no exercício da competência exclusiva, afirmou que essa verba tem caráter indenizatório e, como tal, "não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadorias, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária". Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 177 3 Alega que a Lei n° 9.003, de 16/03/95, que dispõe sobre a reestruturação da Secretaria da Receita Federal estabelece, por meio de seu art. 7°, que o valor da indenização de transporte não é percebida na inatividade ou a título de pensão, e não constitui base de cálculo para efeito de imposto de renda e contribuição de plano de seguridade, "exatamente como fizeram a Lei Complementar Estadual n° 100/03 e o Decreto estadual n° 4.131/93 em relação indenização pelo uso de veículo próprio auferida pelos Procuradores do Estado". Supõe que o Agente Fiscal agiu com a errônea ideia de que seria imprescindível que a mesma Lei n° 9.003, ou qualquer outra de procedência federal, tivesse assentado o caráter indenizatório da indenização pelo uso de veículo próprio recebida pelos Procuradores do Estado e a sua não integração aos rendimentos para efeitos de incidência do imposto sobre à renda. Ressalta que o Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) contém regra especifica a respeito da não incidência do tributo sobre a indenização de transporte para os servidores públicos federais que utilizam veículo próprio para a execução de serviços relacionados ao exercício do cargo. Entende, contudo, que o decreto é desnecessário, uma vez que na ausência de fato gerador é desmerecida a existência de norma estabelecendo a impossibilidade de cobrança do imposto. Salienta que a incidência do imposto decorre da natureza jurídica da verba recebida, a qual, no caso em estudo, por se tratar de reparação pelos gastos efetuados pelo servidor para a realização do serviço no interesse da Administração, é exclusivamente indenizatória. Alega que o entendimento do fisco de que tais rendimentos não são isentos por falta de previsão legal desconsidera a Lei e o Decreto Estaduais mencionados; ocasiona o equívoco de que seria necessário que lei federal especificasse se determinada verba auferida por servidores estaduais possui caráter remuneratório ou indenizatório; tratou desigualmente iguais, pois considerou inválida a lei estadual citada e válida norma federal (Lei n° 9.003/95, art. 7°, combinado com o art. 39, XXIV, do Decreto n° 3.000/99), sendo que ambas expressam a natureza indenizatória da verba em questão; e malferiu princípios básicos da hermenêutica constitucional, como o princípio federativo, da igualdade, da autonomia dos Estados e da legalidade. Afirma que a indenização pelo uso de veículo próprio trata de mera recomposição patrimonial, não constituindo renda e, portanto, não ocorre a hipótese de incidência do tributo. Assim, como o fato ensejador do imposto decorre da natureza jurídica da verba, entende ser desnecessária a existência de lei que expressamente impeça a cobrança do tributo. Cita jurisprudências administrativas e judiciais nesse sentido. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 178 4 Por fim, requer o recebimento da impugnação e que se declare nula a presente notificação e a decorrente validação da retificação de sua declaração anual relativa ao exercício de 2002 (anobase 2001). A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0715.038 (fl. 98), tendo concluído que ao contrário da indenização de transporte paga pela União, em relação qual a verba paga pelo Estado de Santa Catarina apresenta profundas disparidades, a verba intitulada 'indenização por uso de veículo próprio' configura se renda do beneficiário e, por isso, está sujeita A. incidência do imposto de renda. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 110, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme descrito no relatório supra, cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de “indenização pelo uso de veículo próprio – auxílio combustível”. Sobre o tema, sirvo dos escólios do Conselheiro Rayd Santana Ferreira, que analisando caso similar – verba da mesma natureza e para mesmo Estado – assim se manifestou: Cumpre destacar o disposto no art. 43 do CTN, que descreve o fato gerador do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 179 5 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) Podemos dizer que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade de acréscimo patrimonial produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos ou de qualquer outra causa. Porém, nem todo ingresso acresce como esclarece Roque Antônio Carrazza: ... nem todo dinheiro que ingressa no universo da disponibilidade financeira do contribuinte integra a base de cálculo do IR, mas única e exclusivamente os aportes de recursos que vão engrossar, com uma conotação de permanência, o patrimônio de quem os recebe... (CARRAZZA, Roque Antônio. Imposto sobre Renda. 3ª ed. Malheiros, 2009, p.190) Pois bem, a verba, denominada indenização por uso de veículo próprio, está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”. Segundo consignou o Contribuinte, o Estado de Santa Catarina assegura aos seus servidores o direito à indenização pelo uso de veículo próprio nos trabalhos de fiscalização, tratandose de indenização, não integrando os vencimentos do servidor, conforme Lei Complementar (estadual) n° 100/93, senão vejamos: Art. 3° O limite máximo de remuneração a que se refere o art. 23, inciso II, da Constituição do Estado é fixado. para servidores ativos e inativos pertencentes aos Quadros de Pessoal dos Órgãos da administração direta. autarquias e fundações do Poder Executivo e para os servidores ativos das empresas públicas e das sociedades de economia mista cujas despesas com pessoal sejam custeadas total ou parcialmente com recursos do Orçamento Geral do Estado, em 100% ( cem por cento) do valor de remuneração do cargo de Secretário de Estado. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 180 6 (...) §3° Ficam excluídas do limite previsto neste artigo as importâncias percebidas a título de: (...) II indenização pelo uso de veículo próprio para o desempenho de funções de fiscalização ou inspeção de tributos, pagas aos integrantes do Grupo de Operações de Fiscalização e Arrecadação OFA e aos procuradores lotados na Procuradoria Geral do Estado, na forma prevista nos respectivos regulamentos. Em relação às indenizações, destaco o descrito por Leandro Paulsen: Está bastante sedimentada a jurisprudência no sentido de que as indenizações não ensejam a incidência de imposto de renda, pois, não implicam acréscimo patrimonial, apenas reparam uma perda, constituindo mera recomposição do patrimônio. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e jurisprudência. 12ª ed. Livraria do Advogado, 2010, p.734). No que diz respeito a auxílio combustível, com o objetivo de indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos, essa E. CSRF já se manifestou no sentido de reconhecer sua natureza como verba indenizatória, conforme Acórdão nº 9202003.499, referente ao processo administrativo nº 10920.003269/200451, julgado na sessão do dia 14 de dezembro de 2014, em que foi negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL INDENIZAÇÃO A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível” tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso especial negado. Pela leitura do acórdão citado, verificase a semelhança com o presente caso, conforme podemos verificar no voto do Ilmo. Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior: Foi lavrado Auto de Infração de fls., por meio do qual se exige o pagamento de determinada importância, a título de Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 181 7 IRPF, por suposta omissão de rendimentos (auxílio combustível): Fl. 33 [...] O contribuinte apresentou declaração retificadora em que exclui dos rendimentos tributáveis valores recebidos a título de indenização de transporte. Pautase em decisão proferida pela Justiça Estadual, proposta contra o Secretário de Administração do Estado de Santa Catarina, responsável pela tributação na fonte, dos referidos rendimentos. (...) Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. Tenho que o referido “auxílio combustível” se constitui meio necessário para que o servidor possa exercer seu mister. A eventual discussão que a não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta o citado auxílio é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta o “auxílio combustível” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. (...) Pelos fundamentos acima expostos, concluo que o referido auxílio combustível – denominado indenização por uso de veículo próprio está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”, não se constitui em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Ademais, para corroborar tal entendimento, consigno jurisprudência deste tribunal que decidiu na linha do reconhecimento da não incidência do IR sobre o “auxílio combustível”, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 182 8 A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível” tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão n° 2102002.308, de 19 de setembro de 2012, da 2° TO da 1° CÂ da 2° SEJUL) *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. A verba denominada “auxílio combustível” constitui ressarcimento de custos e, por força de sua natureza indenizatória, encontrase fora ao campo de incidência do imposto de renda. (Acórdão n° 2201002.218, de 15 de agosto de 2013, da 1° TO da 2 ° CÂ da 2° SEJUL) Não sendo o bastante, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional também já se manifestou nesse sentido, ao publicar o Ato Declaratório n.º 4, de 1º de dezembro de 2008, autorizando a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante "nas ações judiciais que visem obter declaração de que não incide imposto de renda sobre verba recebida por oficiais de justiça a título de 'auxíliocondução', quando pago para recompor as perdas experimentadas em razão da utilização de veículo próprio para o exercício da função pública." Neste diapasão, as despesas acima referidas são necessárias para que o servidor possa desempenhar o seu mister, tratandose de verba de natureza indenizatória, ou seja, estando fora do campo de incidência do imposto de renda. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 183 9 Por fim, mas não menos importante, destaquese que, em relação ao Recorrente, já há precedentes judiciais e administrativos, reconhecendo a natureza da verba em análise como indenizatória e, por conseguinte, a não incidência do IR. Do Precedente Judicial: Esclarece o Recorrente que: Em situação idêntica à presente, tendo sido autuado pela Receita Federal (Notificação N°11516002347/200435, referente ao ano calendário 2002) pelo mesmo motivo, o ora recorrente impetrou Mandado de Segurança contra o Delegado da Receita Federal de Santa Catarina. O feito, que tramitou na Terceira Vara Federal de Florianópolis sob n°2005.72.00.0003066, teve a liminar deferida e sentença de mérito concedendo a segurança. Sem recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de reexame o Tribunal Regional Federal da 4° Região, à unanimidade, confirmou integralmente a decisão nestes termos (cópia integral anexa): "IMPOSTO DE RENDA. AJUDA DE CUSTO. EXERCENTE DE CARGO PÚBLICO. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA. A verba paga com o objetivo de repor os valores despendidos com a utilização de veículo próprio no exercício da função pública tem caráter indenizatório e não constitui fato gerador do imposto de renda." (TRF/4R Remessa "Ex Officio" em MS n°2005.72.00.0003066/SC publicado em 09/11/2005). Interposto recurso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a decisão foi mantida com o seguinte teor (cópia integral anexa): "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUXÍLIO CONDUÇÃO. VERBA RECEBIDA POR PROCURADOR DE JUSTIÇA ESTADUAL NATUREZA INDENIZATÓRIA. CASO DE NÃO INCIDÊNCIA. 1. O denominado auxiliocondução não revela renda ou acréscimo patrimonial que justifique a incidência do Imposto de Renda. Nitidamente, percebese que a finalidade da referida verba é recompor, de certa forma, o patrimônio (no caso, o veículo) do Procurador de Justiça utilizado para o exercício de funções públicas. 2. Recurso especial a que se nega seguimento." (Recurso Especial n°859.650/SC publicado em 20/04/2007) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 184 10 A decisão, ademais, não é isolada. Para chancelar a afirmação, vide os seguintes julgados, todos relativos a Procuradores do Estado: "PROCESSUAL CIVIL. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO A SERVIDOR PÚBLICO DE AJUDA DE CUSTO POR UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PARTICULAR EM SERVIÇO. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. PRECEDENTES. 1. O reexame do conjunto probatório dos autos é vedado em sede de recurso especial, por óbice da Súmula 07 deste STJ. 2. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 3. No caso, o pagamento feito a servidor público a título de ajuda de custo por utilização de veículo próprio em serviço, consoante assentado pelo acórdão recorrido, possui natureza indeniza tória e não representou acréscimo patrimonial, não restando configurado o fato gerador de imposto de renda (REsp 731.883/RS, REsp 507.945/SC; REsp 501.173/SC; AgRg no REsp 610.662/RS; REsp 491.320/S C). 4. Recurso especial a que se nega provimento." (Recurso Especial no 877.668 SC publicado em 03/03/2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. VERBA INDENIZATÓRM. NÃOINCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. PRECEDENTES. 1. Pacifico o entendimento nesta Corte Superior no sentido de que a indenização recebida pela utilização de veículo próprio de funcionário para a execução de suas tarefas profissionais não constitui acréscimo patrimonial, afastando, assim, a incidência do imposto de renda. 2. Precedentes das 1n e 2a Turmas desta Corte Superior. 3. Recurso a que se nega seguimento." (Recurso Especial n° 815.263/SC publicado em 16/03/2006) "TRIBUTÁRIO IRRF USO DE VEICULO PRÓPRIO AUXÍLIOCOMBUSTÍVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA NÃOINCIDÊNCIA DO TRIBUTO PRECEDENTES RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO." (Recurso Especial n° 881.892/SC publicado em 28/06/2007) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 185 11 "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUXÍLIO CONDUÇÃO. VERBA RECEBIDA POR PROCURADOR DE JUSTIÇA ESTADUAL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. CASO DE NÃO INCIDÊNCIA. 1. O denominado auxiliocondução não revela renda ou acréscimo patrimonial que justifique a incidência do Imposto de Renda. Nitidamente, percebese que a finalidade da referida verba é recompor, de certa forma, o patrimônio (no caso, o veículo) do Procurador de Justiça utilizado para o exercício de funções públicas. 2. Recurso especial a que se nega seguimento." (Recurso Especial n°1.037.892/ SC publicado em 04/04/2008) Do Precedente Administrativo No âmbito deste Egrégio Conselho, destaca o Recorrente que: Em situação absolutamente idêntica ao caso aqui discutido, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Quarta Turma) acolheu recurso para declarar na sua ementa o seguinte: "AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. NATUREZA. INDENIZATÓRIA. O ressarcimento de despesas com a utilização de veículo próprio, pagos em função da quantidade de quilômetros rodados, possui natureza indenizatória. Tais valores têm por finalidade repor despesas suportadas pelo servidor no exercício de suas tarefas laborais, razão pela qual estão fora do campo de incidência do imposto de renda. Recurso Especial do Contribuinte Provido." (Processo n°11516.001933/20 cópia anexa). Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, destacando que, conforme Memorando nº 85/2009/DRFFNS – Secat de fl. 166, o crédito tributário objeto do presente processo foi extinto por remissão, tendo o recurso voluntário sido apreciado e julgado por se tratar de manifestação do contribuinte sobre o reconhecimento (ou não) de restituição decorrente de entendimento legal de não incidência de imposto de renda sobre verbas indenizatórias pelo uso de veículo próprio, nos termos do despacho de fl. 171. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 186 12 Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, dele divirjo em face do reconhecimento da natureza indenizatória do auxíliocombustível, e, por conseguinte, a da não incidência de imposto de renda. Para uma melhor contextualização da lide, é oportuno resgatar o voto condutor da instância de piso em face da matéria em apreço, que coincide com o meu entendimento: [...] Auxilio Combustível O litígio que ora se apresenta versa sobre a incidência ou não do imposto de renda sobre as verbas recebidas pelo contribuinte, servidor público estadual, ocupante do cargo de Procurador do Estado de Santa Catarina, a titulo de auxilio combustível. A questão que ora se apresenta já foi apreciada pela Quarta Turma de Julgamento desta Delegacia, em voto proferido pelo julgador Antonio Masayuki Massuyama, cujo teor adoto e transcrevo a seguir: "Há que se reconhecer que é desnecessária a edição de norma que especifique a inaplicabilidade do imposto sobre valores que não figuram no campo de incidência do tributo. Entretanto, o que importa no caso é perquirir se a verba intitulada 'indenização pelo uso de veiculo próprio' está realmente fora da hipótese tributária prevista no art. 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido, pois a 'incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção' (§ 1° do art. 43, do CTN, acrescido pela Lei Complementar n° 104/2001). Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 187 13 De acordo com o Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva (Forense, 12a ed.), indenizar 'em sentido genérico quer exprimir toda compensação ou retribuição monetária feita por uma pessoa a outrem, para a reembolsar de despesas feitas ou para a ressarcir de perdas tidas. (...) Traz a finalidade de integrar o patrimônio da pessoa daquilo de que se desfalcou pelos desembolsos, de recompôlo pelas perdas ou prejuízos sofridos (danos), ou ainda de acrescêlo dos proventos, a que faz jus A pessoa, pelo seu trabalho.' Se a palavra indenização for utilizada nesta última acepção, ou seja, remuneração do trabalho, é evidente que ela configura uma renda tributável, pois se encaixa perfeitamente na hipótese tributária. Por outro lado, se a indenização tem por finalidade 'ressarcir' o indivíduo por danos sofridos ou por despesas realizadas em beneficio de terceiros, não lid que se falar em tributação pelo IR, por absoluta incompatibilidade entre a hipótese tributária e o fato concreto. A evidência, nestes casos não ha renda, pois não constitui produto do trabalho ou do capital, como também não há acréscimo patrimonial (proventos de qualquer natureza), o que há, na verdade, é a restituição do patrimônio do titular ao status quo ante. No que se refere ao pagamento de indenização de transporte aos servidores públicos federais, o art. 60 da Lei n.° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, prevê que: Art. 60. Concederseá indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento. Por sua vez, a Portaria Normativa SRH/MP n.° 08, de 07 de outubro de 1999, que estabelece os procedimentos a serem adotados pelos órgãos do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal SIPEC para a concessão da indenização de transporte ao servidor da administração pública federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo da Unido, prescreve que: Art. 2° A indenização de transporte é devida ao servidor ocupante de cargo efetivo que: I por opção e condicionada ao interesse da administração, realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção; e II executar serviços externos inerentes ás atribuições próprias do cargo ou função. Art. 3° A indenização de transporte corresponderá ao valor máximo diário de R$ 17,00 (dezessete reais). § 1° Para o pagamento da indenização consideramse somente os dias de efetivo exercício em serviços externos. "(grifouse) Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 188 14 Na indenização paga aos servidores públicos federais, evidenciase o caráter compensatório da verba paga, tendo em vista sua clara finalidade de reembolsar o funcionário pelas despesas potencialmente realizadas na execução de serviços externos. Importa ressaltar a exigência contida na norma de que a indenização seja paga apenas àqueles que realizem trabalhos 'externos'. Assim, não basta que o funcionário seja ocupante deste ou daquele cargo, tenha esta ou aquela função, mas é imprescindível que o trabalho a ser realizado seja efetivamente fora de sua repartição, pois o deslocamento, cuja despesa se pretende reembolsar, não é o realizado pelo servidor até seu local de trabalho, mas sim o que se exige dele durante sua realização. Por outro lado, no que respeita à verba denominada 'indenização pelo uso de veiculo próprio' paga aos Procuradores do Estado de Santa Catarina, seu pagamento encontrase regulamentado pelo Decreto Estadual n.° 4.131, de 22 de dezembro de 1993, conforme informado pelo impugnante, possuindo o decreto a seguinte redação: Decreto n° 4.131. de 22/12/1993: Art. 1° O valor da indenização de que trata o artigo 3°, § 3°, inciso VI, da Lei Complementar n° 100, de 30 de novembro de 1993, será calculado mediante a aplicação da fórmula estabelecida no artigo 3°, do Decreto n° 4.606, de 6 de fevereiro de 1990, com a redação que lhe atribuiu o artigo 1°, do Decreto n° 663, de 19 de setembro de 1991 e será paga aos Procuradores com competência para representar o Estado em Juízo. Parágrafo único A vantagem de que trata este artigo: I não se incorpora ao vencimento ou remuneração para fins de adicional por tempo de serviço, férias, licenças, aposentadorias, pensão, disponibilidade ou contribuição previdenciária; II indenizará as despesas pelo uso de veiculo próprio em serviço, nos deslocamentos para os órgãos do Poder Judiciário, situados nas Comarcas da sede de lotação do Procurador e nas contíguas e circunvizinhas. Art. 2° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de novembro de 1993, conforme artigo 15 da Lei Complementar n°100, de 30 de novembro de 1993. Porém, para o esclarecimento do assunto, é necessário trazer também A. colação o estabelecido no Decreto Estadual n° 4.691, de 26 de julho de 1994, que visou dirimir dúvidas em relação à aplicação do retro citado Decreto n° 4.131: Decreto n°4.691. de 26/07/1994: Dispõe sobre a aplicação do Decreto n° 4.131, de 22 de dezembro de 1993. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 189 15 [...] Art. 1° O valor da indenização a que se refere o Decreto n°4.131, de 22 de dezembro de 1993, durante sua eficácia, será pago no valor máximo resultante da aplicação da fórmula nele prevista. Art. 2° O ProcuradorGeral do Estado é autorizado a adotar as providências necessárias à implementação do disposto neste Decreto, regularizando as situações pendentes. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Conforme se depreende desses textos, a legislação estadual, apesar de prescrever a finalidade indenizatória da verba, não estabeleceu como requisito para o seu pagamento que as atividades fossem desenvolvidas fora da unidade de lotação, quando existiria, pelo menos potencialmente, a necessidade de despesas com locomoção para o desempenho de suas funções. Dessa forma, tanto o servidor que realizou trabalhos externos, com deslocamentos para os órgãos do Poder Judiciário, quanto àquele que desempenhou somente atividades dentro do órgão de lotação, inerentes a funções administrativas, por exemplo, percebem o mesmo 'valor máximo' a titulo de indenização pelo uso de veiculo próprio. Apesar de a legislação estadual atribuir a esta verba a denominação de 'indenização', o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, por outro lado, seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os Procuradores com competência para representar o Estado em Juizo, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. Portanto, ao contrário da indenização de transporte paga pela União, em relação qual a verba paga pelo Estado de Santa Catarina apresenta profundas disparidades, a verba intitulada 'indenização por uso de veiculo próprio' configurase renda do beneficiário e, por isso, está sujeita à incidência do imposto de renda. Revelada, assim, a natureza jurídica da verba em discussão, voto no sentido de considerar procedente o lançamento." [...] Nessa perspectiva, pareceme evidente que o ônus de provar o gasto efetivo da verba em apreço na atividade (fora da repartição) que, em tese, aquela pretende ressarcir, de forma a descaracterizar, ainda que parcialmente, a sua natureza remuneratória, recai integralmente sobre o Recorrente, e não sobre a autoridade lançadora. Entretanto, não se constata nos autos qualquer elemento de prova nesse sentido, limitandose o Recorrente a Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11516.001929/200402 Acórdão n.º 2402007.256 S2C4T2 Fl. 190 16 alegar, seja em sede de impugnação, seja perante a segunda instância, a natureza indenizatória do auxílio combustível. Desta forma, concluise que a verba em litígio, não obstante a sua denominação de "indenização", revestese, na verdade, de natureza remuneratória a atrair a incidência de imposto de renda. Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900923/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2004
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. No caso, adicionalmente, não foi comprovado que a variação do IGPM teria sido inferior, no período, à variação do índice específico do setor.
Numero da decisão: 9303-008.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. No caso, adicionalmente, não foi comprovado que a variação do IGPM teria sido inferior, no período, à variação do índice específico do setor.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10730.900923/2009-19
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006800
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.501
nome_arquivo_s : Decisao_10730900923200919.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10730900923200919_6006800.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7738350
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911635075072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 669 1 668 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.900923/200919 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.501 – 3ª Turma Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria 61.612.9999 PIS COMPENSAÇÃO Outros Recorrente ENEL CIEN S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. No caso, adicionalmente, não foi comprovado que a variação do IGPM teria sido inferior, no período, à variação do índice específico do setor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 23 /2 00 9- 19 Fl. 669DF CARF MF 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação eletrônico da contribuição para o PIS, relativo ao pagamento a maior, conforme comprovante de arrecadação à efl. 260. O pagamento fora efetuado em 15/12/2004, e tributo recolhido era no valor de R$ 759.004,69, relativo ao período de apuração de 30/11/2004. O pedido foi realizado no PER/DCOMP nº 32381.85065.310106.1.3.047809, de acordo com o documento de efls. 265 a 269, em 31/01/2006. Parcela de tal crédito visava á compensação de IRPJ do período de apuração de dezembro de 2015, que montava a R$ 502.206,37. A DRF em Niterói RJ emitiu despacho decisório eletrônico de nº 821034960, em 18/02/2009 (efls. 270), não homologando a compensação. O despacho informa que considerou o pagamento relativo ao DARF integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação. Cientificada do despacho, em 04/03/2009 (efl. 274), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 03 a 11, em 03/04/2009, reconhecendo, inicialmente, que o crédito que possuía era de apenas R$ 50.117,57, resultando que deveria ser reformado o despacho decisório, pois remanesceria ainda parte do crédito pleiteado. Informa que realizou pagamento com base em erro de fato, em decorrência de confusão com parte das receitas relativas à contratos de fornecimento de energia elétrica, firmados com preços pré determinados, não sujeitos à tributação pelo PIS não cumulativo. Erros na declaração em DCTF e respectivo pagamento ignoraram que o PIS efetivamente devido pelo regime não cumulativo deveria ser de R$ 708.887,12 e não de R$ 759.004,69. Corrigidos os erros apontados, haveria ainda crédito originário no valor de R$ 50.117,57 passível de utilização em compensação. |Além disso, haveria receitas sujeitas ao PIS cumulativo, A 5ª Turma da DRJ/RJ2, no documento de efls. 298 e 299, em 15/09/2010, propôs a realização de diligência para que se confirmasse as receitas decorrentes de cada contrato do período de apuração do crédito pleiteado no PER/DCOMP, discriminando o crédito relativo a cada contrato. O procedimento de diligência resultou no Termo de Encerramento de efls. 398 a 401, datado de 05/01/2012, no qual foi informado que o resultado da receita bruta somada à receita recebida no mês (11/04) diminuída da receita diferida no total de R$ 46.782.975,14, até um pouco acima daquilo que fora informado pela contribuinte como submetida ao regime cumulativo: R$ 45.995.553,30. A Delegacia, porém, registrou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte (fl. 407). A contribuinte tomou ciência das conclusões da diligência em 13/01/2012 (efl. 403), e aditou sua manifestação de inconformidade às efls. 404 a 408, em 14/02/2012, divergindo do total do valor retido nela apurado mas optou por desprezar a diferença na composição do direito creditório recolhendo, em 10/02/2012, os valores com ela compensados. Já a 17ª Turma da DRJ/RJ1, em 26/04/2012, apreciou as manifestações da contribuinte, e elaborou o acórdão nº 1245.816, às efls. 412 a 423, que as considerou improcedentes. Isso porque entendeu estarem as receitas decorrentes dos contratos analisados sujeitas à incidência do PIS não cumulativo, pois os contratos dos quais elas se originavam não tinham preço predeterminado, haja vista serem corrigidos pelo IGPM, alguns a partir de janeiro e outros a partir de outubro de 2004. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 670 3 Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 08/06/201210, às efls. 429 a 455. Em apertado resumo, extraído do relatório do acórdão recorrido, a contribuinte alega, à efl. 491: Preliminarmente, que a decisão a quo seria nula, por ofensa ao direito de petição, contraditório e ampla defesa, eis que deixou de apreciar, como prova técnica, o Ofício ANEEL nº 1.431/2006, no qual aquele órgão afirma que os índices de reajustamento de preços previstos nos contratos de compra e venda de energia elétrica enquadramse nas disposições do inciso II, do § 1º, do artigo 27, da Lei nº 9.065/95; representando a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. No mérito, que a expressão preço predeterminado empregada na Lei nº 10.833/2003 já foi, há muito, definida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da INSRF nº 21/79, em cujo subitem 3.1 conceitua tal preço como o "fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global" ou, "no caso das construções , bens ou serviços divisíveis" (...) "o fixado contratualmente para cada unidade". Prossegue o Recorrente afirmando que preço predeterminado significa preço determinado, preço fixo, ou preço certo e que, portanto, as remunerações devidas à Recorrente enquadramse em tal conceito, pois as atualizações preços visam somente preservar o poder aquisitivo da moeda na data da celebração. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no acórdão nº 3301002.608, apreciou o recurso em 25/02/2015, às efls. 487 a 517, e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Tal julgado foi assim ementado: PIS/PASEP. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplicase, no caso, a apuração nãocumulativa da contribuição. VARIAÇÃO PELO DÓLAR AMERICANO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O reajuste por moeda estrangeira não representa reposição de perdas inflacionárias, desvirtuando o conceito de preço predeterminado e implicando a apuração pelo regime não cumulativo. O referido acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas. Designado para redigir o voto vencedor o Fl. 671DF CARF MF 4 Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Luis Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ 117908. Basicamente o voto vencedor afastou a característica de contrato com preço predeterminado para aqueles ajustados pelo IGPM, pois ele não reflete os custos setoriais de produção da contribuinte, empresa do setor de produção de energia elétrica, mas sim um índice genérico de inflação. Embargos da contribuinte Intimada para ciência do acórdão nº 3301002.608, em 08/04/2015 (efl. 521), a contribuinte manejou embargos de declaração às efls. 523 a 530, em 13/04/2015. Afirma existir omissões no voto condutor do acórdão: a) ao ficar silente com relação ao Ofício nº 1431/2006SFF/ANATEL, com parecer que aproveitaria à contribuinte; e b) ao não se manifestar sobre a alegação de que deveria ser considerada a expressão preço determinado conforme disposta no art. 10 do Decretolei nº 1.598/1977, que igualmente favorece seu entendimento da matéria. O Presidente da 1ªTurma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 537 a 539, rejeitou os embargos, por entender inexistentes as omissões apontadas. Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi cientificada do despacho de admissibilidade dos embargos de efls. 537 a 539, em 03/03/2017 (efl. 544), e interpôs recurso especial de divergência em 020/03/2017 (efl.548), às efls. 549 a 579. Busca apresentar divergência quanto a duas matérias: a) violação ao direito de defesa, por recusa em apreciar todos os argumentos do recurso voluntário; e b) receitas decorrentes de contratos reajustados por índices definidos em resolução da ANEEL que estariam sujeitos ao PIS cumulativo. Indica os acórdãos nº 3402 001.891, nº 3402001.888 e nº 330101.154, para suportar a divergência a); e o aresto nº CSRF/0304.422 para suportar a divergência b). Na matéria a) o acórdão paradigma afirma configurar preterição do direito de defesa o não enfrentamento de matéria trazida no recurso voluntário, enquanto o acórdão a quo, integrado pelo despacho, que não conheceu dos embargos sobre a matéria, entendeu inexistir a obrigação de enfrentar todos as alegações do recurso. Já quanto à matéria b), o acórdão recorrido entende que a possibilidade de reajuste pelo IGPM descaracteriza preço predeterminado, no paradigma, índices de reajustes de contratos havidos no setor elétrico, com base em resoluções da ANEEL são tidos como contratos com preço predeterminado. Em 20/04/2017, o Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, no despacho de efls. 632 a 634, analisando apenas a segunda matéria, com cotejo analítico dos acórdãos paradigma nº 3402 001.891 e nº 3402001.888. Desse modo, o exame da admissibilidade do pedido em tela revelouse falho, já que não foi apreciada a primeira matéria apresentada pelo contribuinte e, quanto a segunda matéria, não foi feita qualquer consideração em relação ao acórdão paradigma nº 330101.154. Por Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 671 5 essa razão houve despacho para saneamento do feito, da parte deste relator, à efl. 651, importando em novo despacho de admissibilidade o recurso especial. O novo despacho do Presidente da 3ª Câmara, às efls. 655 a 661, datado de 19/07/2018, abordou todos os pontos indicados no saneador e afastou o acórdão nº 3301 01.154, por ter sido proferido pelo mesmo colegiado recorrido. Quanto à matéria sobre a nulidade da decisão por falta de apreciação da totalidade dos argumentos do recurso voluntário, não a admitiu por falta de prequestionamento. Relativamente ao despacho anterior, o novo despacho não admitiu matéria nova para a 3 Turma da CSRF. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência (efl. 635) do despacho de sua admissibilidade de efls. 702 a 707, em 19/05/2017, e apresentou contrarrazões, às efls. 636 a 647, em 25/05/2017. Afirma a necessidade de manterse o acórdão recorrido, com base em Parecer da própria PFN, argumentando também que a utilização do IGPM não reflete a variação de custos do setor elétrico, o que se faria necessário para considerar que os preços alterados por índices sejam considerados predeterminados. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Quanto ao mérito, a matéria em litígio já foi objeto de análise nesta Turma em muitas oportunidades. No acórdão nº 9303007.039, recentemente julgado, em 10/07/2018, que tratou do assunto, em caso de recurso especial da Fazenda, e, com voto do i. Conselheiro Demes Brito, redator designado para o voto vencedor, decidiu a matéria favoravelmente ao Fisco, ou seja: considerando que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado. Tendo em vista que para a mesma contribuinte que ora litiga, relativamente à mesma matéria, a 3ª Turma se pronunciou em análise de lote, na sessão de 07/12/2016, nos acórdãos de nºs 9303004.452 a 930300466, os quais utilizaram como paradigma o primeiro acórdão arrolado, peço vênia para reproduzir a seguir as razões de decidir do voto vencedor da lavra do i. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que penso serem suficientes para o deslinde da questão: Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de Fl. 673DF CARF MF 6 preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui redator do voto vencedor do Acórdão de número 3301002.196, de 25/02/2014, processo nº 16349.720019/201136, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. A utilização do IGPM como índice de atualização implica em descaracterizar o contrato como sendo de preço predeterminado. Disposição expressa do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, pois o IGPM não é índice que reflete a variação dos custos de produção. Não sendo o contrato de preço predeterminado aplicase a apuração nãocumulativa da Cofins. (...) Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016. Eis a ementa do Acórdão nº 9303003.470, por meio do qual se reformou referida decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar dessa decisão ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 672 7 Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Fl. 675DF CARF MF 8 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) Porém, ao contrário daquele, no presente processo, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN. Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 673 9 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente Fl. 677DF CARF MF 10 detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Em resumo, o Acórdão recorrido bem como o voto da ilustre relatora, fundamentamse no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 674 11 Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido bem como no voto da ilustre relatora, afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Fl. 679DF CARF MF 12 Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10730.900923/200919 Acórdão n.º 9303008.501 CSRFT3 Fl. 675 13 aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. A referência acima é colocada para fins de esclarecimento da questão em litígio e dos fundamentos já esposados por esse colegiado em sua apreciação, que já são suficientes para concluir pela negativa de provimento ao Recurso Especial. Entretanto, a seguir coloco meu entendimento que, em que pese, no caso, convergir com a decisão acima reproduzida, é mais restritivo ainda. Com efeito, mesmo que houvesse, nos autos, prova de que, no caso concreto, a variação efetiva do IGPM (índice utilizado no contrato) tivesse sido inferior àquela decorrente da aplicação do Índice próprio setorial, ainda assim, entendo que estaria descaracterizada a natureza de preço predeterminado para o contrato, devendo aos correspondentes valores recebidos ser aplicada a tributação consoante a sistemática não cumulativa das contribuições. Fl. 681DF CARF MF 14 Isso, porque, na verdade, qualquer índice pode ter variação inferior ou superior àquela esperada. Assim, o contribuinte, ao utilizar um índice diverso daquele próprio do setor, decidiu correr o risco de ocorrer uma variação maior ou menor. Ora, o simples fato de essa variação não ter beneficiado o contribuinte, não quer dizer que ela não seja uma variação. Em outras palavras, basta o contribuinte estar sujeito a resultados diversos daqueles decorrentes do uso do índice próprio setorial, para que o contrato seja descaracterizado como contrato a preço predeterminado. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo para manter a decisão do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.934135/2016-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/06/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/06/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.934135/2016-98
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037115
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.467
nome_arquivo_s : Decisao_10680934135201698.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10680934135201698_6037115.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7830757
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052117268168704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.934135/201698 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.467 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/06/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 41 35 /2 01 6- 98 Fl. 50DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.934135/201698 Acórdão n.º 3401006.467 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 52DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10680.934135/201698 Acórdão n.º 3401006.467 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 54DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13607.000057/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. ART. 150§ 4º CTN. NÃO OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Mesmo com a contagem do prazo na forma do art. 150§ 4º do CTN, verifica-se que o lançamento se deu dentro do lustro decadencial.
A matéria de prescrição arguida como se fosse decadência, não é aplicável ao processo administrativo fiscal a teor da Súmula CARF nº 11.
MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF 110.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido, sendo incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 DECADÊNCIA. ART. 150§ 4º CTN. NÃO OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Mesmo com a contagem do prazo na forma do art. 150§ 4º do CTN, verifica-se que o lançamento se deu dentro do lustro decadencial. A matéria de prescrição arguida como se fosse decadência, não é aplicável ao processo administrativo fiscal a teor da Súmula CARF nº 11. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF 110. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido, sendo incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13607.000057/2005-44
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036982
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.266
nome_arquivo_s : Decisao_13607000057200544.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 13607000057200544_6036982.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
id : 7829974
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052117294383104
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-17T11:40:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-17T11:40:45Z; Last-Modified: 2019-07-17T11:40:45Z; dcterms:modified: 2019-07-17T11:40:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-17T11:40:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-17T11:40:45Z; meta:save-date: 2019-07-17T11:40:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-17T11:40:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-17T11:40:45Z; created: 2019-07-17T11:40:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-17T11:40:45Z; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-17T11:40:45Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13607.000057/2005-44 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.266 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de julho de 2019 Recorrente VITAUTAS DZENKAUSKAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 DECADÊNCIA. ART. 150§ 4º CTN. NÃO OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Mesmo com a contagem do prazo na forma do art. 150§ 4º do CTN, verifica-se que o lançamento se deu dentro do lustro decadencial. A matéria de prescrição arguida como se fosse decadência, não é aplicável ao processo administrativo fiscal a teor da Súmula CARF nº 11. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF 110. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido, sendo incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 00 00 57 /2 00 5- 44 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.266 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13607.000057/2005-44 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 40/42) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Contra Vitautas Dzenkauskas, CPF 001.871.436-68, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 5 e 35, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, ano- calendário 2002, consubstanciando saldo de imposto a restituir de R$351,19. Conforme consta do Auto de Infração, o lançamento reporta-se aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 18 e 19, entre os quais foram alterados os seguintes valores: rendimentos tributáveis de R$6.847,00 para R$45.505,80, desconto simplificado de R$1.297,00 para R$9.101,16. Ocorrida a ciência em 28/12/2004 (AR - Aviso de recebimento à fl. 14), em 18/01/2005, o contribuinte apresenta a impugnação de fl. 1, instruída com os documentos de fls. 6 a 11, argumentando, em síntese, que seus proventos de reforma são isentos por ser portador de moléstia grave 'listada em lei. Posteriormente, volta a comparecer aos autos, apresentando os documentos às fls. 22 a 30. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Lançamento Procedente 03 – Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 48/56, através de procurador, sendo o relatório do necessário. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.266 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13607.000057/2005-44 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Recebo o recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 5 identificado abaixo: 06 – A DRJ por sua vez entendeu pela procedência do lançamento, justificando a decisão conforme segue: Cumpre destacar que a partir de 1° de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6°, inc. XIV da Lei n° 7.713, de 1988 e alterações deve ser 'comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No laudo médico emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social consta que o contribuinte é portador de cardiopatia isquêmica desde 05/05/1992, não fazendo menção à gravidade da doença (fl. 26). A Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica, no parecer à fl. 30, datado de 13/03/2007, reconhece ser o interessado portador de cardiopatia grave, esclarecendo que o parecer retroage à data da inspeção de saúde realizada em 08/02/2006. No processo n° 13607000305/2005l57, de interesse do contribuinte, a Junta Médica do Ministério da Fazenda emitiu o Parecer n°0389-06, de 6 de setembro de 2006, ratificado pelo Parecer n° 0551-06, de 16 de novembro de 2006 (cópias às fls. 33 e 34), no qual consta que: “A Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, após apreciação da documentação médica solicitada, conclui que o requerente preenche os critérios para o benefício pleiteada, definitivamente a partir de 12/08/2005. " Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.266 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13607.000057/2005-44 Assim, considerando que na apreciação da prova a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, acata-se como data de início da isenção dos proventos de reforma 12/08/2005. Ante o exposto, voto por considerar procedente o lançamento. 07 - O contribuinte, por sua vez, apresenta a sua irresignação alegando o seguinte em suas razões recursais a preliminar de “prescrição” e mantêm o questionamento sobre a possibilidade da isenção dos rendimentos do contribuinte por ser portador de cardiopatia grave. 08 – Quanto a preliminar de “prescrição” alegada de forma equivocada na peça recursal, posto tratar-se de tecnicamente de decadência, a recebo, por mais que não tenha sido oposta em matéria de defesa, entendo que no caso por ser matéria de ordem pública pode ser analisada nessa instância recursal e até mesmo de ofício. 09 – Contudo, afasto a preliminar aduzida, uma vez tratar-se de crédito tributário do ano-calendário de 2002, com imposto de renda na fonte, mesmo aplicando os termos do art. 150§ 4º do CTN, com a contagem do prazo decadencial a partir de 2003 verificamos que o lançamento se deu com a ciência do contribuinte em 28/05/2004 de acordo com fls. 16 dos autos, aquém do lustro decadencial. 10 – Mesmo que o contribuinte esteja se referindo a prescrição intercorrente, apesar da fundamentação tratar-se da decadência, cabe a aplicação dos termos da Súmula nº 11 do CARF abaixo reproduzida e portanto afasto a preliminar aventada: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 11 – No presente caso analisando as provas entendo que não cabe razão ao contribuinte, devendo ser mantida a decisão de piso por seus próprios fundamentos. 12 – É fato incontroverso que os rendimentos do contribuinte são provenientes de reforma do Comando da Aeronáutica de acordo com documento de fls. 10 dos autos. Fl. 69DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.266 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13607.000057/2005-44 13 – Existe um laudo médico de fls. 9, do Hospital SOCOR de Belo Horizonte, constatando que o contribuinte portador de cardiopatia grave datado de 05/05/2002, contudo, não pode ser considerado como meio de prova diante dos termos do art. 6°, inc. XIV da Lei n° 7.713, de 1988 e alterações e deve ser “comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Como bem potuado pela decisão recorrida e interpretado a teor do art. 111 do CTN. 14 – Mais além, existe informações do parecer da Junta Superior do Comando da Aeronáutica datado de 13/03/2007 de fls. 26/27 dos autos, a fim de analisar o parecer médico de 1988, abaixo reproduzido que constatou não ser cardiopatia grave, quando da reforma do contribuinte, naquela época tendo constatado que o contribuinte não tinha cardiopatia grave, de acordo com fls. 27: 15 – Posteriormente há, às fls. 33 parecer da Junta Superior do Comando da Aeronáutica datado de 13/03/2007 informando a existência de cardiopatia grave dizendo que retroage o parecer sobre o diagnóstico em 08/02/2006. 16 – Posteriormente há as fls. 36/37 parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda datado de 06/09/2006 destacando que o contribuinte tem direito ao benefício a partir de 12/08/2005, ratificados o de fls. 37. 17 – Nem mesmo a declaração do INSS de fls. 32 datado de 13/01/2006 pode ser considerado posto que consta como diagnóstico Cardiopatia Isquêmica e não a Cardiopatia Grave de acordo com o que consta na legislação. 18 - Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida que considerou como data de isenção a data de 12/08/2005, bem posterior ao do exercício a que o contribuinte pretende que seja considerada a isenção. 19 – Por derradeiro em relação a questão da intimação em nome dos procuradores do contribuinte, aplicável ao caso os termos da Súmula CARF nº 110 verbis: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão Fl. 70DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.266 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13607.000057/2005-44 20 - Diante do exposto, conheço do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, na forma da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004499/2005-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.099
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13804.004499/2005-33
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-002.099
nome_arquivo_s : Decisao_13804004499200533.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13804004499200533_6020384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7781313
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052117322694656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 807 1 806 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.004499/200533 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.099 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de maio de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins, relativo a receitas de exportação, referente a outubro de 2005. Em apertada síntese, a complexidade e a necessidade de apurar a certeza e liquidez dos créditos informados pela contribuinte implicaram o início de auditoria fiscal, ainda não realizada. A interessada apresentou documentos fiscais e outros (arquivos, documentos, inclusive mídias digitais) nos quais relaciona os dispêndios que pretende lhe sejam concedidos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 49 9/ 20 05 -3 3 Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201002.099 S3C2T1 Fl. 808 2 créditos da não cumulativadade das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Em sede de manifestação de inconformidade e recurso voluntário complementou o acervo probatório do pleito. À parte de incidentes e matérias de cunho exclusivamente processuais, já ultrapassados, o recurso da contribuinte foi submetido a apreciação nesta Turma em outras duas sessões de julgamento. Na sessão de 25/07/2017, por meio da Resolução nº 3201001.003, o julgamento do recurso foi convertido em diligência com a determinação à Unidade de Origem para a análise de todos os documentos apresentados à semelhança do que constou em outro processo do mesma contribuinte, processo nº 13804.000470/200582 Resolução nº 3201000.645, também deste Colegiado. A resolução foi assim redigida: Tal fato, ao meu sentir torna perfeitamente razoável e necessária a flexibilização das regras de preclusão estabelecidas no § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 para que se analise todos os documentos apresentados, relacionados nos Anexos da Manifestação de Inconformidade e em sede de Recurso Voluntário, dentre eles: a. Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; b. Cópia da Ficha 25 da DIPJ onde consta a base de cálculo da Cofíns Regime Nãocumulativo Incidência Total ou parcial; c. Cópia da Ficha 24 da DIPJ 2005 AnoCalendario onde consta a Apuração dos Créditos da Cofíns Regime nãocumulativo, cujas informações conferem com o DACON; d. Planilhas informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; e. Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON; e Demonstrativo do crédito da COFINS; f. Planilha Excel em mídia eletrônica com o respectivo Hash Code, informando a composição dos valores constante da DACON (linha a linha), do mês de setembro/2004, indicando as contas contábeis lançadas (item 1 do termo de Intimação); g. Livros de registro de Entradas e Saídas do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); h. Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3. 4.3.4, 4.3.5, 4.3.6, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada início e fim de mês), 4.6.1, 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme "layout" definido pela IN SRF 86/2001, do ano calendário de 2004 (item 7 do Termo de Intimação); i. Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referente a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos 4.3.4 (arquivo de itens de mercadorias/Serviços (entradas) Emitidas por Terceiros). Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201002.099 S3C2T1 Fl. 809 3 Ressaltase que este entendimento coadunase com aquele expresso por este Colegiado no julgamento do processo nº 13804.000470/200582, da mesma recorrente e com semelhança fática: Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. (Resolução 3201000.645, sessão de 23/02/2016, Cons. Relatora Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo) Assim, pactuo com a decisão exarada em processo semelhante da mesma recorrente e voto para a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos mesmos termos da Resolução nº 3201000.645, para a análise dos documentos "a" a "i", antes mencionados, dandose às partes o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez por igual, para a manifestação ao relatório de diligência. Paulo Roberto Duarte Moreira. A Unidade de Origem manifestase nos autos por meio da Informação Fiscal, de 01/02/2019 (fls. 802/803) em face de recente decisão do STF, no rito de recurso repetitivo o REsp nº 1.221.170/PR que considerou a ilegalidade da interpretação restritiva das INs SRF nº 247/2002 e 404/2002 no tocante ao conceito de insumos que permitem o creditamento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e definiu os balizamentos para adoção desses conceitos. Referese, ainda, à Nota SEI/PGFN nº 63/2018 e ao Parecer Cosit nº 05, de 17/12/2018, que trazem em seu bojo a delimitação, extensão e o alcance do julgado com fins à adequada observância da tese assentada no precedente judicial pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Expressa o signatário da Informação a opinião de que "deve ser realizada análise com base no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, por ser de natureza interpretativa e mais benéfico à contribuinte." Ao final, em razão de orientação interna do Órgão, devolve o presente processo ao CARF para que "determine quais os critérios a observar para esclarecer as possíveis dúvidas remanescentes do colegiado." É o relatório. Voto Fl. 809DF CARF MF Processo nº 13804.004499/200533 Resolução nº 3201002.099 S3C2T1 Fl. 810 4 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Pontuase inicialmente que a Resolução nº 3201001.003 que determinou a realização de diligência pela Unidade de Origem teve por fundamento a inexistência de qualquer análise fiscal em relação ao pleito creditório da contribuinte. Assim, não há que se falar em determinar critérios a observar no esclarecimento de possíveis dúvidas remanescentes do Colegiado. A determinação do Colegiado foi no sentido de que se analise o pedido de ressarcimento em face do conjunto probatório apresentado e ao final emita Relatório conclusivo acerca do direito aos créditos pleiteados com ciência à contribuinte à Procuradoria. Entendese a pertinência dos questionamentos em razão de substancial alteração na análise de direito creditório com fulcro nas INs 247/2002 e 404/2002, outrora vinculante à Autoridade Fiscal. Todavia, entendo que os critérios a serem observados na definição ou delimitação dos insumos cujos dispêndios geram créditos da não cumulatividade das Contribuições foram delineados e exaustivamente abordados na Nota SEI/PGFN nº 63/2018 e mormente no Parecer Cosit nº 05/2019. Por fim, para dar cumprimento ao que se determinou na Resolução nº 3201 001.003 ratificase integralmente o que nela constou, observando ainda que, a critério da Autoridade Fiscal, o contribuinte poderá ser intimado a apresentar a relação dos créditos pretendidos de forma que viabilize Diligência e Julgamento objetivos e eficientes. Conclusão Diante do exposto voto para ratificar os termos da Resolução nº 3201001.003 determinandose o cumprimento da diligência pela Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900060/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Numero da decisão: 2301-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.900060/2008-19
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036533
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.317
nome_arquivo_s : Decisao_15374900060200819.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Wesley Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 15374900060200819_6036533.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7829221
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052117346811904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1449; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 242 1 241 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900060/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.317 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 60 /2 00 8- 19 Fl. 242DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15374.900060/200819 Acórdão n.º 2301005.317 S2C3T1 Fl. 243 3 retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, portanto dele o conheço. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Fl. 244DF CARF MF 4 Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15374.900060/200819 Acórdão n.º 2301005.317 S2C3T1 Fl. 244 5 Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 246DF CARF MF 6 Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
