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Numero do processo: 13896.910103/2012-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 10 3/ 20 12 -3 6 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10469.720641/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente.
A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
Numero da decisão: 1202-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
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Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para rejeitálos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 06 41 /2 00 7- 15 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fls. 986 a 988, em que a Fazenda Nacional alega CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 120200.840, proferido pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento, fls. 965 a 679, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiram negar provimento ao recurso de ofício, tendo a seguinte ementa: Assunto: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA Anocalendário: 2001, 2002 Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada". LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COF1NS. A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA: Descabe o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte quando não houver a prova material dos pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Em suas alegações, a Embargante aduziu que no acórdão embargado houve uma contradição entre o fundamento e a conclusão do voto, uma vez que o relator fundamentouse no conteúdo da Súmula nº 29 do CARF, sendo que esta levaria à anulação dessa parte do lançamento por vício de forma. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 8 3 Mais precisamente na seguinte passagem do acórdão ora combatido: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precode à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. Tendo, portanto, o acórdão sido contraditório entre o fundamento e a conclusão do voto. Argumentou que segundo análise do art. 173, II do CTN, o prazo decadencial não se esgotou em relação aos contribuintes autuados, pois o novo lançamento segundo o art. 42, §6º da Lei nº 9.430/96 pode abranger apenas o valor que lhes compete, ou seja, aquele proveniente da divisão entre a totalidade de titulares das contas bancárias. Para a Embargante o fato de o Acórdão ter mantido o cancelamento do lançamento do IRRF, sob alegação de que não ficou demonstrada a prática do fato gerador por falta de instrução suficiente no processo, também incorre em contradição, pois o argumento ligado à imprecisão na descrição dos fatos atribuídos ao sujeito passivo, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não o seu cancelamento. Além destes questionamentos abordados acima, a Embargante colacionou jurisprudências do CARF buscando corroborar suas alegações, afirmando que o lançamento teria sua nulidade derivada de vício formal, assim como as ementas que traz aos autos. Por derradeiro, alega ser indispensável o saneamento da questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN, mais precisamente seu inciso II. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Conforme relatado a Embargante alega contradição no Acórdão de nº 120200.840, de fls. 965 a 979, o qual negou provimento ao Recurso de Ofício. Tratamse de Autos de Infração para exigência do crédito tributário referente aos anoscalendários de 2001 e 2002 da ora Embargada. Os referidos Autos são decorrentes de fiscalização efetuada a partir da constatação de omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação de depósitos bancários. Conforme citado alhures, a Embargante alega contradição no Acórdão discutido, primeiramente no momento em que o relator utilizase da Súmula 29 do CARF para fundamentar sua decisão. Entretanto, conforme se destaca, há existência de vício procedimental que afeta toda a fiscalização realizada. Isso porque, consoante já amplamente referido pelos julgadores da DRJ, não houve a regular intimação do contribuinte. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Desde logo, por ser fato de fundamental importância para a correta compreensão do caso em análise, é preciso destacar a existência da Súmula CARF Nº.: 29, cujo teor a seguir se reproduz. “Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”. Ainda neste sentido, necessário destacar o disposto na Lei Nº. 9.430, de 1996, que em seu artigo 42 assim determina: "Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, reffidarmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002). Consoante se verifica pelo anteriormente reproduzido, a Lei 9.430, exige expressamente que a Autoridade Fiscal, ao presumir como omissão de receita valores depositados em determinada conta bancária, proceda à prévia intimação de seu titular, para que Fl. 995DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 9 5 possa, em atenção ao seu próprio interesse e com provas idôneas, demonstrar a origem dos recursos depositados. No caso presente a fiscalização deixou de atuar da maneira como lhe determinam às normas que regem a matéria. Isso porque, ao concluir que o Sr. Rosimiro não era o efetivo titular da conta mantida com a Caixa Econômica Federal, identificando como titulares de fato pela referida conta corrente as seguintes pessoas EMVIPOL EMPRESA DE VIGILÂNCIA POTIGUAR LTDA; TALENTO CONSTRUÇÕ S E SERVIÇOS LTDA; HMG INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS; OLIMPO RECEPÇÕES, EVENTOS CULTURAIS E ARTISTICOS LTDA; MARINO EUGÊNIO DE ALMEIDA E HERBERTH FLORENTINO GABRIEL, a fiscalização deveria ter citado cada uma destas pessoas para que apresentassem as justificativas concernentes à cada um dos depósitos efetuados na referida conta. Entretanto, ainda que a determinação legal seja esta a que há pouco nos referimos, a Autoridade Fiscal optou por uma intimação parcial, pois, optou por escolher alguns poucos depósitos, exigindo dos titulares de fato da referida conta explicações apenas com relação a esta “amostragem”, intuindo, à partir desta apuração parcial estender o raciocínio a todos os outros depósitos realizados no período indicado no Auto de Infração. Há, portanto, vicio formal no lançamento, ou seja, erro de procedimento, uma vez que a Fiscalização deveria ter intimado a todos e não o fez. Tal vício de forma maculou de maneira irremediável o lançamento de ofício. A apresentação de claro vício formal, sana qualquer alegação de contradição que alega existir a Embargante. Referente ao IRRF, a Embargante alega haver também contradição no Acórdão prolatado. Ora, tal alegação não comporta base probatória, uma vez que sequer se trata de vício formal, pois nesse ponto se discute prova material, ou mais especificamente, a falta destas provas, não se tratando, portanto de vício no procedimento. Com o nascimento do fato gerador, natureza da constituição tributária, se faz necessário a prova do pagamento, que é pressuposto material do fato gerador. O ônus da prova era da fiscalização, que não cumpriu com aquilo que lhe competia, portanto sequer aplicamse os acórdãos colacionados pela Embargante no caso em tela, uma vez que é evidente falta de prova direta, acarretando vício no lançamento, bem como vício na base de cálculo tributável. A este respeito, indispensável a reprodução do comando normativo contido no artigo 61 e seu parágrafo primeiro, da Lei 8.981 de 1995. “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o § 2° do art. 74 da Lei 8.383/91." Fl. 996DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 Oportuno é destacar o fato de que a norma retro transcrita traz como premissa inicial para a sua aplicação a necessidade de existência de um pagamento. Dizer isto é reconhecer que o pressuposto material da norma indicada é a inarredável necessidade da ocorrência de um pagamento, que deverá ser feito à pessoa não identificada. Este é o comando contido do caput do artigo 61 da indigitada lei. Pois bem, a referida norma, em seu parágrafo primeiro, traz, ainda, a previsão de outras duas situações nas quais a aplicação da referida alíquota está prevista, são elas: “aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa”. Como se verifica, a referida norma jurídica, traz em si um rol taxativo das situações fáticas nas quais o Imposto de Renda na fonte deverá ter alíquota de 35% que foi a empregada pela Autoridade Fiscal. O que se observa no caso presente é que a Autoridade Fiscal não logrou êxito em comprovar a existência de pagamentos. O que fez a fiscalização, isto sim, foi presumir a ocorrência dos pagamentos e à partir dessa presunção aplicar a alíquota prevista na indigitada lei. Ora, se a Autoridade Fiscal, como já se disse, não comprovou a ocorrência de pagamentos, que é o pressuposto material para a aplicação da norma aplicável. Assim, a inevitável conclusão a que se chega é de que não ocorreu a regular intimação do contribuinte, fato que faz com que haja um vício insanável material. Tal realidade processual redunda na impossibilidade de manutenção do lançamento realizado. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, página 196, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 10 7 A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Nesse sentido, não se vislumbra no presente recurso o requisito necessário para que haja a alteração no julgamento, pois não há na decisão guerreada simultaneidade de idéias opostas, ou seja, não existe no acórdão o requisito intrínseco de proposições conflitantes que interfiram na intelecção da decisão. Os motivos apresentados acima já são o bastante para não acolher o presente recurso. À vista disso, conheço os Embargos de Declaração, no entanto, como não houve no voto proferido contradição capaz de viciálo, voto no sentido de rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 998DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 16327.001069/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS.
Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8
Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.753
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente a fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte
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MI: H. 72 S3-CIT2 Ft. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001069/2006-10 Recurso n° 262.099 Voluntário Acórdão n° 3102-00.753 — 1° Camara /2° Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2010 Matéria COFINS Recorrente BANCO FORD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente a fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. Assinado diItoImenIe em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO .Auleriticado diValinenIe em 00/1012010 por LUIS MARCH C) GUERRA DE CASTRO Eraiiido ern 30)12/2010 pelo 10)1111;1On° da Pazenda DE CARE F I 73 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relate) recorrid io Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão , que passo a transcrever: Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de PIS, incluindo acréscimos legais, no valor total de R$ 674..554,52 (fls. 4 — demonstrativo consolidado do crédito tributário, auto de infração -fls. 5/8). No termo de verifica cão fiscal de fls. 116/117, foram apontados, em síntese, os seguintes fatos e infrações. A contribuinte entrou com ação judicial, processo n° 1999.61.00.015292-1, com o objetivo de não se subordinar aos efeitos da Lei n° 9.718/98, e reconhecer o direito de recolher as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS tendo por base de cálculo seu faturmento nos termos da legislação anterior, LC no 70/91 e 07/70. • Foi lavrado auto de infração com exigibilidade suspensa , em relação ao período de junho de 1999 a setembro de 2003. • A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 23/08/2006 fls. 114/127), alegando em síntese o seguinte; A parcela do auto de infração relativa aos et éditos de COF17VS do período de junhol1999 a junho/2001 deverá ser cancelada, em virtude de sua extinção pelo instituto da decadência. a) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de qualquer das medidas relacionadas com discussões judiciais, elencadas no art. 151 do CTN, impede o exercicio da pretensão da fiscalização de exigir o pagamento desse crédito até que a questão posta em juizo seja dirimida pelo Poder Judiciário. b)Resta clara a ausência de qualquer divida da impugnante relativamente ao principal e aos juros de mora Assinado diglia nente em 071 1012010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado dig talmenie ern 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS FRO Emitido em 30/ 2/2010 polo Ministerio da Emend() 2 DF CAR Processo n 16327.00106912006-lo S3-C1T2 Acórclao n.° 3102-00.753 Fl. 2 Ponderando as razbes aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o P1S/Pa.sep Período de apuração; 30/06/1999 a 30/09/200.3 DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se axis 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme previsto ern lei ordinária. CRÉDITO TRIBUT'fiRIO SUB JUD10E. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses de crédito tributário discutido judicialmente. JUROS MORATÓRTOS. CABIMENTO. O não recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica o cômputo de juros moratórias, seja qual for o motivo determinante da falta. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1' instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, pleitear: a) preliminarmente: o reconhecimento da decadência dos períodos de apuração 06/1999 a 04/2000, 06/2000 a 03/2001, e 05/2001 a 06/2001; e b) no mérito: o provimento integral do recurso, mediante o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3 0 da Lei no 9:718, de 1999. o relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 0 recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Antes de adentrar na análise na análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar as matérias sobre as quais poderá se manifestar este Colegiado. Com efeito, sendo certo que o fundamento da exigência alvo do presente recurso, qual seja, inclusão de receitas alegadamente não operacionais na base de cálculo das contribuiçôes para o PIS e para financiamento da Seguridade Social, Assinado digitalinente em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Antenticacin digitalmente ern 06/102010 pot LUIS MARCELO GUERliA DE cAsTRO Emilido cm 30/12/2010 polo MinistOrio tia Fazonda I. 75 • I' Dr CAR! segundo os ditames da Lei no 9.718, de 1998, é alvo de discussão nos autos do Mandado de Segurança 1999.6 L00.015292-1, forçoso é concluir que, em obediência Súmula CARF no I I , não pode este Colegiado emitir qualquer pronunciamento acerca dessa matéria. Restaria, então, enfrentar questão prejudicial de mérito, qual seja, a ecadencia do direito de lançar, matéria que não é alvo de ação judicial movida pelo ujeito passivo. Quanto a esse aspecto, apesar do lançamento poder ser considerado igido sob o prisma da lei que vigia A. época da sua lavratura (art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991), com o advento da Súmula Vinculante no 08, do Egrégio Supremo Tribunal •edera12, passou a ser fulminado pela decadência. Como é cediço, uma vez retirado tal dispositivo do ordenamento Juridic°, a decadência do lançamento da contribuição litigiosa passou a ser disciplinada pelo arcabouço normativo que rege os demais tributos: os artigos 150, § 4 0 e 173, I do Código Tributário Nacional. Dentro desses limites, analisando os demonstrativos de fis. 09 a 13, constata-se que a exigência litigiosa compreende períodos de apuração encerrados entre 30/06/1999 e 30/09/2003 e que, em todos os períodos houve pagamento parcial da exigência. Somando esses fatores ao fato de que o tributo em discussão se insere no universo daqueles ern que o lançamento se dá na modalidade "por homologação", bem assim que não se discute a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra decadência a ser empregada é a do § 40 do art. 150 do Código Tributário Nacional? Nessa moldura, tendo em vista que, conforme se extrai da leitura do auto de infração à IL 05, a recorrente tomou ciência da exigência no dia 26/07/2006, forçoso é concluir que, quando do aperfeiçoamento do lançamento, os períodos de apuração encerrados até 30/06/2001 estavam alcançados pela decadência. Ante a tais considerações, deixo de tomar conhecimento das alegações acerca do "alargamento" da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei no 9318, de 1998 e dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente à fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cablvel apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 2 Súmula vinculante n°8 - Sao inconstitucionais o parágrafo Calico do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1,56911 977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 3 § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o credito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiaude ou simulação. Assinado digitalinenle em 07 1 10 1 2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado di9ilelerierile are 00110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAM RO 4 Emitido are 30 12/2010 pelo MinIstelio do Fazendo DF CARI: MF FL 76 Processo if 16327.00106912006-10 S3-C112 Ac6r1:15o n!' 3102-00.753 17 1. 3 Luis Marcelo Guerra de Castro Assinado dUtalmenie ern 07110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenlicado digitalmente em 03/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido Cm 30/1212010 polo Minis!Orio do Fazondo 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção P Camara Processo n° : 16327.001069/2006-10 interessado(a) : BANCO FORD TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do Despacho. Brasilia, 19 de janeiro de 2011 Chefe da'rimeia Camara da Terceira Seção ciente, com a observação abaixo: f ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / rocurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002008/2007-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário n 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 191 a 195: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 02 00 8/ 20 07 -1 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10950.002008/200718 Resolução nº 2102000.155 S2C1T2 Fl. 3 2 Tratase da Notificação de Lançamento n° 2005/609450234965067, lavrada contra o contribuinte acima identificado, para exigência do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao IRPF do Exercício de 2005, AnoCalendário de 2004: A exigência é decorrente da revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, na qual foi constatada a omissão de R$230.569,64 de rendimentos tributáveis recebidos em ação trabalhista movida contra o HSBC Bank Brasil S/A. O contribuinte declarou o montante de RS 351.879,81, mas após análise dos documentos extraídos do processo judicial, a autoridade lançadora apurou que o total de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual recebidos foi de R$ 582.449,45. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01 a 10), acompanhada de documentos (fls. 11 a 99), cujo julgamento na DRJ resultou no acórdão citado onde o crédito tributário foi mantido em parte. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Registro que o crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos tem na sua base de cálculo rendimentos recebidos acumuladamente, via medida judicial, conforme Acordo de fls. 49 a 56. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos recebidos da HSBC Bank Brasil S/A, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10950.002008/200718 Resolução nº 2102000.155 S2C1T2 Fl. 4 3 recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003797/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
A Interessada, para fazer jus ao benefício da isenção tributária, deve observar os requisitos legais previstos no art.14 do CTN. O descumprimento de pelo menos um deles permite à autoridade competente determinar a suspensão do benefício.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO REAL.
Suspensa a isenção tributária, a Interessada passa a se submeter à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Se a Contribuinte não possui as condições legais para ser tributada pelo Lucro Real, correto o procedimento fiscal do arbitramento de lucros.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: ISENÇÃO. SUSPENSÃO. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A Interessada, para fazer jus ao benefício da isenção tributária, deve observar os requisitos legais previstos no art.14 do CTN. O descumprimento de pelo menos um deles permite à autoridade competente determinar a suspensão do benefício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO REAL. Suspensa a isenção tributária, a Interessada passa a se submeter à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Se a Contribuinte não possui as condições legais para ser tributada pelo Lucro Real, correto o procedimento fiscal do arbitramento de lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Recurso voluntário desprovido.
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SUSPENSÃO. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A Interessada, para fazer jus ao benefício da isenção tributária, deve observar os requisitos legais previstos no art.14 do CTN. O descumprimento de pelo menos um deles permite à autoridade competente determinar a suspensão do benefício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO REAL. Suspensa a isenção tributária, a Interessada passa a se submeter à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Se a Contribuinte não possui as condições legais para ser tributada pelo Lucro Real, correto o procedimento fiscal do arbitramento de lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 37 97 /2 00 7- 10 Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Tratamse de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 575/627), cumulados com juros e multa de ofício, referentes aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, lavrados para cobrança de crédito tributário apurado na modalidade lucro arbitrado, em razão da suspensão da isenção tributária da Recorrente. Por razões de economia processual, reproduzo a seguir o relatório constante do Acórdão nº 0713.056, de 04/07/08, da 3ª Turma da DRJ/FNS. “Tratase de exigência de crédito tributário no montante de R$ 14.142.298,33, cujo principal é discriminado no quadro abaixo, com exigência de multa de ofício no percentual de 75%, relativo aos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, tendo em vista ter sido Suspensa a Isenção Tributária da interessada e constituído o crédito tributário na modalidade Lucro Arbitrado. (...). Os procedimentos de fiscalização foram abordados em dois processos administrativos, o de nº 10909.001217/200741, que tratou da Suspensão da Isenção Tributária, foi juntado aos presentes autos, os quais tratavam inicialmente do lançamento de ofício. Resumo A contenda em análise nos presentes autos teve início com o procedimento fiscal no curso do qual foram expedidos dois documentos alertando a interessada sobre o entendimento da fiscalização, que propunha a Suspensão da Isenção Tributária da interessada, visto que esta teria: a) remunerado seus dirigentes; b) aplicado seus recursos em atividades estranhas aos seus objetivos sociais; e c) deixado de cumprir obrigações acessórias. A fiscalização também esclareceu que a interessada não poderia ser classificada como entidade Imune, pois, “não se pode Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 4 3 afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis”. Também foi destacada a opção feita pela interessada no preenchimento das DIPJ, que sempre se autoenquadrou como entidade Isenta, circunstância que inviabilizaria a lavratura de ato com o propósito de Suspender a Imunidade. A interessada apresentou petições se contrapondo aos documentos expedidos pela fiscalização, enfatizando ser entidade religiosa e alegando que a verdade material deveria prevalecer. Também contestou a ocorrência das infrações indicadas pela fiscalização. Sobreveio Parecer confeccionado pela SARAC/DRF/ITJ, no qual o Ato Declaratório Executivo que Suspendeu a Isenção se apoiou. A fundamentação da Suspensão da Isenção segue a linha do que fora proposto pela fiscalização, embora tenham sido apreciados os argumentos apresentados pela interessada. Como conseqüência, foi lavrado Auto de Infração para a exigência do IRPJ e tributos reflexos, por meio do Arbitramento do Lucro, pois a escrita da interessada foi tida como imprestável para a apuração pelo Lucro Real, já que teria sempre “se tratado como sendo uma entidade religiosa, imune aos tributos e contribuições”. Além disso, não teria sido contabilizada movimentação financeira em conta própria no período de 2002 a 2004, por ocasião da incorporação das contas correntes da Caixa de Evangelização, entidade com CNPJ próprio, em afronta ao princípio da entidade. Tanto na Manifestação de Inconformidade apresentada contra a Suspensão da Isenção, como na impugnação ao Auto de Infração, a interessada argumentou ser entidade religiosa, favorecida pela Imunidade Tributária, que lhe foi negada sem o devido processo legal. Voltou a argumentar que a verdade material deve prevalecer e procurou demonstrar a sintonia dos gastos incorridos com as finalidades descritas em seu Estatuto Social. Ainda trouxe à colação jurisprudência administrativa para demonstrar que o Arbitramento do Lucro ocorre apenas em condições extremas; contestou a afronta ao princípio da entidade, e buscou refúgio na Lei das Sociedades Anônimas, nº 6.404/1976, argumentando que eventual tributação deveria recair sobre as Igrejas Membro e não sobre ela. Do Procedimento Fiscal Consta nas fls. 144 a 149, Notificação Fiscal da qual a interessada tomou ciência em 25/04/07, por meio da qual a fiscalização comunicou ter constatado não estarem sendo cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do benefício da Isenção, havendo prazo de trinta dias para a apresentação de alegações e provas. Como fatos que determinariam a Suspensão da Isenção foram apontados: a) a remuneração de seus dirigentes; b) a aplicação de recursos em atividades estranhas aos seus objetivos sociais; e c) deixar de cumprir obrigações acessórias. No mesmo documento, após transcrição dos primeiros artigos do Estatuto Social, a fiscalização registrou: Como se percebe, foi criada uma entidade para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 5 4 Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para culto de seus fiéis. As Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é que existência de 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.303/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro Itajaí/SC. Em 26 de janeiro de 2007, a própria CONVENÇÃO, fls. 37, declara que é uma entidade das igrejas e que tem por finalidade a orientação, a organização e a fiscalização das Igrejas membros, as quais se submetem às regras por elas instituídas na formulação do que os estatutos estabelecem. Conceituando CONVENÇÃO, segundo o Dicionário Aurélio: A própria CONVENÇÃO assume sua condição de Associação Civil, entregando as DIPJs para a Receita Federal, informando se uma ASSOCIAÇÃO CIVIL, fls. 26 a 33. À Luz dos fatos, passaremos a tratar a CONVENÇÃO como sendo uma Associação Civil, prevista no art. 53 e seguintes do Código Civil Brasileiro. Estando sujeita às regras das pessoas jurídicas isentas e não das pessoas jurídicas imunes. Em 03/07/07 a interessada tomou ciência de outro documento expedido pela fiscalização, a Informação Fiscal, contida nas fls. 150 a 153, que se inicia com histórico da Notificação Fiscal, e tem como principais elementos os trechos abaixo: Quanto às alegações do contribuinte, que foi afastada a imunidade sem o devido processo legal, fls. 283, não podem ser acolhidas, pois se trata de pessoa jurídica isenta, conforme já descrito acima. Não se pode tirar algo de quem não tem. O contribuinte não tem imunidade tributária. Dessa forma, não podemos abrir um processo legal para afastar a imunidade tributária. (Transcreve o art. 150, VI, “c”, § 4º da CF, e os arts. 9º e 14 do CTN) O contribuinte é uma entidade, criada para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Fls. 02 Para fazer jus à imunidade tributária, deveria estar contido no que autoriza o inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Interpretação literal. Em momento algum podese afirmar que o contribuinte seja: Templo de qualquer culto; partido político; entidade sindical dos trabalhadores; instituição de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos. Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 6 5 Depois, fazendo referência a documentação contida nos autos, a autoridade fiscal reafirmou as infrações: remuneração de dirigentes; aplicação dos recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais da entidade; e não cumprimento de obrigações acessórias. Em 26/09/07 foi expedido o Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, que culminou na proposição de Suspensão do Benefício da Isenção Tributária, ementado como segue: “SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. FALTA DE OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. ASSOCIAÇÃO CIVIL. OCORRÊNCIA DE INFRAÇÕES. Período: anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Gozar de isenção tributária reclama pleno atendimento aos requisitos formais e materiais previstos na legislação ordinária. Associação civil que apresenta DIPJs, com autoenquadramento, como isenta do IRPJ e pratica infração pela inobservância dos requisitos legais, se sujeita à suspensão da isenção tributária, através de ato declaratório suspensivo do benefício, nos termos do § 2º do art. 12, parágrafo único do art. 13 e § 3º do art. 15, da Lei nº 9.532/97, combinado com o art. 32, da Lei nº 9.430/96 e art. 174 do Decreto nº 3.000/99. Deferimento da suspensão da isenção tributária.” No Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007 é feito um cuidadoso histórico dos procedimentos fiscais adotados, bem como dos argumentos e dos documentos apresentados pela interessada. No início da parte que fundamenta a decisão é fixada uma “moldura jurídica” para o caso como segue: A expressão “entidades sem fins lucrativos”, prevista no art. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, engloba diversas instituições, tais como as associações civis ou sociedade civil que devem prestar serviços para os quais houverem sido instituídas; além disso, deverão colocar à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, destacamse ainda as instituições recreativas, culturais e científicas entre outras. No caso dos autos tratase de uma “ASSOCIAÇÃO CIVIL ou SOCIEDADE CIVIL” conforme prova abaixo destacada: a) pelo registro do estatuto da CIADESCP, como segue: “Certifico e dou fé que o Estatuto da Convenção (...), registro de Sociedades Civis (Pessoa Jurídica)...” (fls. 19, verso). b) pelas “Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJs” prestadas pela própria CIADESCP e entregues oficialmente para a Secretaria da Receita Federal, conforme provam as DIPJs dos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, onde o AUTOENQUADRAMENTO foi o seguinte: “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32, respectivamente).” [...] Nos quatro anoscalendário a CIADESCP fez o seu AUTO ENQUADRAMENTO como ASSOCIAÇÃO CIVIL; nunca informou que era imune, nem que tinha outro tipo de enquadramento (fls. 26, 28, 30 e 32). Logicamente não informou porque, realmente, não corresponderia com as suas disposições estatutárias, que objetivamente a enquadram como “associação civil”. Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 7 6 A referida “moldura jurídica” está estabelecida em decorrência do AUTOENQUADRAMENTO feito, pela própria CIADESCP, em cada época que apresentou suas DIPJ’s, nos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, onde declarou que a instituição enquadravase, naquele período, como “Forma de Tributação do Lucro: Isenta do IRPJ” e o “Tipo de Entidade: Associação Civil” (fls. 26, 28, 30 e 32).” A Auditoria Fiscal da Receita Federal respeitou, rigorosamente, este AUTO ENQUADRAMENTO feito pela CIADESCP, para realizar a fiscalização tributária e expedir a Notificação Fiscal (fls. 01/06), na qual relatou os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência das infrações. Pelas razões retro mencionadas o autoenquadramento ou a “moldura jurídica” acima destacada, NÃO PODERÁ SER ALTERADA, pela CIADESCP, ATRAVÉS DAS ALEGAÇÕES APRESENTADAS (fls. 269/320 e 686/703) contra a presente Notificação Fiscal (fls. 01/06 e fls. 682/685) com a pretensão de querer considerála com direito à “imunidade tributária” e/ou reenquadrála como outro tipo de entidade. Tal pretensão esbarra: a) na impossibilidade jurídica, diante da inexistência de previsão legal de se fazer um reenquadramento pela via da impugnação à Notificação Fiscal (fls. 01/06); b) na impossibilidade de alterar os fatos, já relatados na Notificação Fiscal (fls. 01/06), que determinam a suspensão do benefício de isenção tributária, por infração aos requisitos legais e que já está pendente de decisão sobre a procedência ou não das alegações, com vista à expedição de ato declaratório suspensivo do benefício de exclusão do crédito tributário. O Estatuto da CIADESCP, datado de 26/07/1986 apresentava como objetivo social à promoção da “pregação do evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos obreiros ativos e inativos, bem como a assistência social, educacional e beneficente” [sic; fls. 14]; em 06/07/1994 foi aprovado o estatuto subseqüente com alteração do seu objetivo social para o seguinte: “promover a pregação do Evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos ministros, bem como a assistência social, educacional e beneficente” (fls. 20); estes são os objetivos estatutários que se mantiveram no período da ocorrência das infrações no relatório fiscal. Constam três parágrafos abordando a diferença entre isenção e imunidade feita pela doutrina, e o encerramento desse ponto como segue: O art. 15 da Lei 9.532/97, conjugado com o art. 174 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 e alterações posteriores), fixam os requisitos e condições que a ASSOCIAÇÃO CIVIL deverá cumprir para ter direito à isenção tributária; estabelecem igualmente, a previsão, no caso da prática de infração a estes dispositivos com sujeição da associação civil à suspensão do benefício. Diante do exposto ficou evidente que são impróprias e estranhas, ao caso dos autos, todas as alegações da CIADESCP relativas à imunidade tributária. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 8 7 Em seguida foram enfrentados diversos argumentos de defesa, dentre os quais destaco: c) “CERCEAMENTO DE DEFESA/ AFASTADA IMUNIDADE SEM O DEVIDO PROCESSO LEGAL/ NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO/ ART. 5º, INCISO IV DA CF, ART. 75 DO CÓDIGO CIVIL” (fls. 283/286 e fls. 687/688): A Notificada está equivocada pelos argumentos da presente tese. Não é demais repetir, que foi a própria Notificada a autora do seu autoenquadramento como ISENTA. Além disso, não são procedentes as afirmações da CIADESCP de que “este órgão Federal não possibilita ao contribuinte outra qualificação mais próxima da realidade da organização religiosa, quando menciona o “tipo de entidade”; e que “O mesmo acontece com o “Código da Natureza Jurídica” (fls. 283). Estas afirmações são improcedentes porque o sistema ao abrir a tela para a “Nova Declaração” pediu, em cada um dos anos das infrações (2002 até 2005), o “CNPJ”, o “Anocalendário” (...) a “Forma de Tributação do Lucro: ...” (entre outras, como já mencionado acima, abriu a opção para clicar em: “Imune do IRPJ” ou “Isenta do IRPJ”). A CIADESCP não teve dúvida, nos quatro anos em que ocorreram as infrações, clicou em “Isenta do IRPJ”. Não poderia ter errado quatro anos seguidos; ou melhor, até hoje apresenta a sua declaração como isenta. É lógico que as janelas posteriores, como “Tipo de Entidade” ofereceram opções que se ajustavam aos casos de ISENÇÃO e não de imunidade. Além disso, estas possibilidades jurídicas de opções NÃO são possibilitadas por “este órgão Federal” e sim pela legislação reguladora da matéria tributária; rigorosamente de acordo com a norma jurídica vigente. Igualmente não é procedente a alegação de que a Auditoria Fiscal afastou a suposta imunidade da Notificada sem dar oportunidade de defesa. Não procede porque a Auditoria Fiscal encontravase se encontra impossibilitada, de fato e juridicamente, de lavrar notificação fiscal visando à suspensão de imunidade que NÃO FOI DECLARADA pela CIADESCP, nos anos calendário: 2002, 2003, 2004 e 2005. A suspensão só pode ser contra algo que existe e o que existe é apenas o decorrente do autoenquadramento = ISENTA DO IRPJ. E foi neste sentido que a Auditoria Fiscal se pronunciou nas razões que fundamentam a Notificação Fiscal, como segue: “A própria CONVENÇÃO assume sua condição de Associação Civil, entregando as DIPJ’s para a Receita Federal,” (fls. 02); e, depois nos esclarecimentos prestados: “Quanto às alegações do contribuinte, que foi afastada a imunidade sem o devido processo legal, fls. 283, não podem ser acolhidas, pois se trata de pessoa jurídica isenta, conforme já descrito acima. Não se pode tirar algo de quem não tem.” (fls. 683); deste esclarecimento foi reaberto o prazo para a associação civil se manifestar, como realmente aconteceu, sem alterar a situação já estabelecida nos autos (fls. 686/703). Assim, restou demonstrado que na “moldura jurídica” desse processo encontrase em análise as ocorrências das infrações que motivam a suspensão da ISENÇÃO tributária; portanto, não é e não poderia ser objeto de estudo uma eventual suspensão de imunidade, inclusive, porque não foi objeto de auto enquadramento. Diante do exposto, não ocorreu afastamento sumário de eventual direito de imunidade, não existe prova de cerceamento de defesa e não há amparo legal para que seja declarada a nulidade desta notificação fiscal, que tem como objeto a suspensão da isenção tributária. Por fim, foram listadas as infrações incorridas pela interessada, como segue: Concluída a análise dos elementos que estabeleceram o contraditório, a seguir serão destacados os fatos, que caracterizam o descumprimento das condições ou Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 9 8 requisitos legais do benefício da “isenção condicionada” de tributos federais, evidenciados pela Auditoria Fiscal (fls. 01/06 e 463/466) já confrontado com os argumentos e provas apresentadas pela CIADESCP (fls. 125/356 e fls. 467/493) e de acordo com entendimentos doutrinário, jurisprudenciais e dispositivos legais específicos: a) a CIADESCP remunerou, de forma direta, seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros), por serviços prestados, quando pagou os seus salários/prebendas, mantendo a responsabilidade jurídica de empregadora; a título de exemplo, destacase o caso de Nirton dos Santos que era Dirigente/Presidente da Notificação (fls. 04), no anocalendário 2003 e recebeu neste ano, diretamente, da CIADESCP o valor de R$ 5.500,00 (fls. 258); outro exemplo, destaca o caso de Arcelino Victor de Mello que era Dirigente/VicePresidente da Notificada (fl. 04), no anocalendário 2004 e recebeu neste ano, diretamente, da CIADESCP o valor de R$ 35.000,00 (fls. 252); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; b) a CIADESCP remunerou, de forma indireta, seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros), por serviços prestados, quando pagou os seus salários/prebendas, mantendo a responsabilidade jurídica de empregadora; a título de exemplo, destacase o caso de Valmor Leonel Batista que era Dirigente/2º VicePresidente da Notificada (fls. 04), no anocalendário 2005 e recebeu neste ano, indiretamente, da CIADESCP (que repassava os valores para a Caixa de Evangelização da Assembléia de Deus de SC e Sudoeste do Paraná; ver folhas 276) os seguintes valores: R$ 33.641,00 (ano: 2003, fls. 237), R$ 55.716,00 (ano: 2004, fls. 239) e R$ 59.058,00 (ano: 2005, fls. 241); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; c) a CIADESCP remunerou, de forma indireta, seus dirigentes, por serviços prestados, ao pagar uma Previdência Complementar, custeada com dinheiro da própria “associação civil” (CIADESCP); ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; d) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar valores desviando recursos para outras pessoas jurídicas denominadas Igrejas Assembléias de Deus; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; e) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar rendimentos, denominados de “prebendas”, em favor dos denominados Ministros; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 10 9 f) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar auxílio médico para diversas pessoas físicas; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; g) a CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; ou seja, aplicou seus recursos em atividades estranhas aos objetivos sociais ao pagar auxílio funeral; ao proceder desta forma, descumpriu o disposto no art. 12, § 2º, alínea “b”, combinado com o art. 15, § 3º, ambos da Lei nº 9.532/97; A partir dos elementos do processo administrativo nº 10909.0001217/2007 41 e do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Itajaí expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26/09/2007 (fl. 522), por meio do qual Suspendeu a Isenção Tributária da interessada nos anos calendário 2002, 2003, 2004 e 2005. A ciência da interessada ocorreu em 05/10/2007. Como conseqüência, passando a interessada à condição de pessoa jurídica tributável da mesma forma que as demais, foi lavrado o auto de infração do IRPJ e seus decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), com o seguinte registro na descrição dos fatos (fl. 538): Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Contribuinte manteve escrituração como entidade imune. Enquadramento Legal: art. 530, inciso II, do RIR/99. No Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de fls. 579 a 588, que compõe o mencionado auto de infração, constam mais elementos que esclarecem os motivos do lançamento, dos quais destaco: 01) DO CONTRIBUINTE CONVENÇÃO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS “ASSEMBLÉIA DE DEUS” EM SC SO PR obteve o registro de seus estatutos sob o nº 529 no livro 03 do Registro de Sociedades Civis Pessoa Jurídica em 26 de setembro de 1986. Tendo por objetivo: promover a pregação do evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos obreiros ativos e inativos, bem como assistência social, educacional e beneficente. Fls. 14 a 19. Em 06 de julho de 1994, em Assembléia Geral Extraordinária, foi aprovado o cancelamento total do estatuto anterior e aprovado o novo estatuto. Registrado sob o nº 0960, no Livro A04 do Registro de Títulos e Documentos e das Pessoas Jurídicas em Itajaí SC. Fls. 20 a 23. Estatuto Geral “...Art. 1º A Convenção das Igrejas Evangélicas “Assembléia de Deus” em Santa Catarina e Sudoeste do Paraná é formada pela união indissolúvel de todas as igrejasmembro registradas com o mesmo nome e pelo Ministério, passando a ser Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 11 10 denominada neste EstatutoCONVENÇÃO, com sede e foro na cidade de Itajaí, Estado de Santa Catarina, à Av. Marcos Konder, 1313. Art. 2º A CONVENÇÃO tem por objetivo primordial promover a pregação do Evangelho, trabalhos missionários, amparo e manutenção dos ministros, bem como a assistência social, educacional e beneficente. Art. 3º A CONVENÇÃO foi fundada em 20 de setembro de 1948 e tem duração por tempo indeterminado. Art. 7º A CONVENÇÃO será administrada por uma Diretoria denominada JUNTA EXECUTIVA composta por quatro pastores, eleitos anualmente pela Assembléia Convencional Ordinária, sendo os cargos assim constituídos; A um presidente; b – um vicepresidente; c – um secretário; d – um tesoureiro. (...).” Como se percebe, foi criada uma entidade para representar uma classe, qual seja: as Igrejas Membros da Assembléia de Deus. Criouse em 31/10/75 a CEADESCP CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS, para estabelecer e deferir os pedidos assistenciais. A CEADESCP é subordinada a CIADESCP. Fls. 36 Os recursos financeiros para a CIADESCP são provenientes de 10% (dízimo) dos proventos dos obreiros (pastores, evangelistas e presbíteros), repassado pelas igrejas membros. Os recursos financeiros para a CEADESCP são provenientes 4,4% das arrecadações das Igrejas membros, sendo 3,3% destinado à Caixa de Assistência Social e 1,1% destinado à Evangelização. Fls. 49 e 50. A administração da CIADESCP é constituída anualmente em assembléia especialmente convocada, por voto secreto, conforme abaixo, FLS. 34: (tabela mostrando os componentes da diretoria e seus mandatos) [...] A contabilidade do contribuinte não está preparada para apurar o lucro real do período, até mesmo porque o próprio contribuinte sempre se tratou como sendo uma entidade religiosa, imune aos tributos e contribuições. Em 22 de fevereiro de 2007, a CONVENÇÃO DAS IGREJAS EV ASSEMBLEIA DEUS SC SO PR CNPJ 82.606.823/000120, informa que incorporou as contascorrente e cobrança de outra entidade, qual seja: CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO CNPJ 83.242.230/000194. Utilizou também as contascorrente para movimentação financeira de uma entidade para outra, sem a preocupação dos registros contábeis. O quer se dizer aqui é que não houve respeito ao princípio da entidade. Não há registros nos livros contábeis, de empréstimos entre CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 12 11 IGREJAS MEMBROS. No período de 2002 a 2004, não foi contabilizada a movimentação financeira em conta própria de Bancos Conta Movimento. [...] Diante da impossibilidade em apurar o lucro real do período, passamos a arbitrar o lucro, conforme legislação abaixo. Demonstração das receitas do contribuinte, conforme seu Razão Contábil, fls. 154 e seguintes: (tabela fls. 583, 584 e 585) Foi promovido o arrolamento de bens e registrado que não foi formalizada Representação Penal para Fins Penais, pois tratase de processo com conhecimento do Ministério Público, conforme Ofício/Gab. Nº 508/2005 e nº 164/2001 da Procuradoria da República no Município de Itajaí/SC. Da Defesa Manifestação de Inconformidade (fls. 1449 a 1505). Protocolo em 06/11/07. A peça tem início com referência à Lei das Sociedades Anônimas, nº 6.404/1976, art. 265, que expressaria uma tendência do agrupamento permanente das empresas, na forma de conglomerados, os quais, porém, não adquiririam personalidade jurídica própria. De modo que no caso dos autos, sendo o grupo formado pela união das igrejas evangélicas assembléia de Deus, caso incidisse tributação, seria no CNPJ daquelas. Assim, a decisão da DRF/ITJ confrontaria com o disposto nos inciso I, II, VIII e § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Em seguida é feito um histórico sobre o conteúdo do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007, bem como dos argumentos de defesa apresentados no curso do procedimento fiscal, com ênfase na questão da imunidade, amparada em textos de doutrina. Ao final requereu a improcedência ou revogação do Parecer SARAC/DRF/ITJ nº 84/2007 e do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26/09/2007, assim como o reconhecimento da imunidade ou da isenção, com base nos seguintes argumentos resumidos abaixo: 1 – O Ato Declaratório nº 23/2007 está firmado, contudo não menciona o cargo e a matrícula do serventuário federal, devendo ser nulificado. 2 Preliminares 2.1 – Cerceamento de defesa: a) indeferimento da perícia; b) indeferimento da audiência pública; c) indeferimento de ofício a instituição bancária Besc –Itajaí – SC art. 5º, inciso LV, da Carta Magna, para anular o feito a partir daquele ato. 2.2 Cerceamento de defesa. Afastada imunidade sem o devido processo legal. Nulidade da notificação. Art. 5º, inciso LV da CF, art. 75 do Código Civil, para anular o feito a partir daquele ato. Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 13 12 Pelo parecer do SARAC, afastaram o reconhecimento do “erro de fato”, “erro de direito” e a primazia da realidade quando interpretaram pela inexistência da imunidade da recorrente. Acontece que, quando do cadastramento junto ao “programa CNPJ 2.1”, cadastrase como “pessoa jurídica”; em seguida cadastrase pelo código 101 “inscrição do primeiro estabelecimento”; abre a página da identificação, foi optado pelo que mais se aproxima da organização como sendo o código 3999 “outras formas de associação”; finaliza como enquadramento da “atividade econômica” sendo o código 94.910/00 “atividades de organização religiosas”, daí é expedido o COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL. O erro do enquadramento é de fácil percepção, e possibilidade ampla de reconhecimento pela recorrida, pois, enquadrada na letra “e) Isenta de IRPJ” quando poderia ter sido realizado na letra “d) Imune de IRPJ”, ora as organizações religiosas gozam de imunidade, por mais que persista o erro de enquadramento ou erro de direito, tudo está abraçado pela primazia da realidade. A recorrente é o “braço administrativo” das igrejas, ou melhor, é o “coração administrativo” das igrejas assembléia de Deus, tendo total aplicação a imunidade perseguida. A Constituição Federal de 1988 reza, em seu art. 5º, inciso LV, que “os litigantes, em processo judicial ou administrativo e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a elas inerentes”. Conseqüentemente, é direito assegurado a todos o chamado “devido processo legal”, ou na expressão inglesa due process of law, o que significa que todos têm direito, em defesa de sua pessoa e deus bens, na regra que foi inserida desde o art. 75 do Código Civil: “a todo direito corresponde uma ação, que o assegura”. No campo tributário, é de se realçar o comendo do Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal (Decreto n. 70.235/72). O código de atividade foi admitido pela Notificante e daí reconhecida como organização religiosa, conseqüentemente está na condição de imune e não isenta como argüi. De acordo com o procedimento previsto na Lei 9.430/96, em primeiro lugar a entidade deve receber a notificação fiscal com informação da suspensão, que no caso presente, obrigatoriamente, deveria ser contra a IMUNIDADE, de plano o auditor passou a suspender a ISENÇÃO. Conforme já decidiu o Conselho Superior, é caso de nulidade do feito em desrespeito ao devido processo legal. “Normas Processuais Nulidade. A supressão de etapa obrigatória na tramitação do processo administrativo fiscal pode ocasionar o cerceamento de defesa do contribuinte e causa a nulidade dos atos posteriores à fase suprimida que dela dependeriam. Preliminarmente acolhida. Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do processo (Processo nr. 13941.000068/9988. Recurso nr.121.069. Sessão 13.04.00. Acórdão nr. 10611.255. Consas. Thaisa J. Pereira Relatora)” Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 14 13 Em virtude dos direito Constitucionais ceifados diante do afastamento da imunidade tributária da CIADESCP, e passando a tratar como associação isenta, deve a presente notificação fiscal ser anulada e outra ser lavrada, abrindo prazo para a defesa da suspensão da imunidade, em conformidade com o art. 5º, inciso LV da CF, art. 75 do Código Civil, assim também preservando os princípios reconhecidos no art. 2º caput e inciso I da Lei 9.784/99. 2.3 Imunidade elemento viabilizador dos direitos sociais. [...] Sendo assim, a imunidade tributária das organizações religiosas e demais instituições condicionamse apenas ao preenchimento dos requisitos dispostos no art. 14 do CTN, que foi recepcionado pela atual Constituição, ou seja, a nãodistribuição de parcela de seu patrimônio ou de sus rendas, a aplicação integral no país de seus recursos e escrituração contábil regular. Cabe aqui um parêntese acerca da nova redação dada pela mencionada Lei Complementar 104/2001, ou inciso I, do art. 14 do CTN, que determina aos entes imunes “não distribuírem qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”, dispositivo que somente admite interpretação conforme à norma constitucional, que se limita a exigir dessas entidades a nãolucratividade, entendida, assim, a nãoparticipação nos resultados, a nãoexploração comercial e a não distribuição de lucros aos seus membros, sob pena de desvirtuarse o espírito da norma. Entretanto o legislador ordinário no afã de restringir o gozo desse benefício impõe a essas instituições exigências novas, não contempladas pela legislação competente aqui referida e, muito menos ainda, pela norma constitucional vigente. 2.4 Direito adquirido. A recorrente foi criada em 1948 tendo seu registro junto a Receita Federal desde 22.03.1973, no cadastro consta como “organização religiosa”m tendo como impasse que a recorrida admitiu tal registro e diz que a recorrente não é “organização religiosa” mas sim “associação”, portanto, podendo gozar dos benefícios da isenção e não da imunidade, que por erro, declarou pelo DIPJ como isenta. Assim, por excesso de formalismo, foi declarado nulo no período de 2002 a 2005. Como queira o parecer do SARAC, mesmo afastando a imunidade, por orientação de nossos doutrinadores; “... não pode ser exigível o reconhecimento do imposto pelo contribuinte que se utilizou o benefício fiscal estritamente dentro dos parâmetros legais, mesmo que, posteriormente fosse verificada a existência de qualquer motivo que ensejar o indeferimento do pedido e reconhecimento da redução do imposto.” Para melhor nortear o direito da recorrente, nossos Tribunais têm orientado que não podese aplicar com excesso de rigorismos as exigências burocráticas, como presente caso, onde tudo foi devidamente justificado, senão vejamos; Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 15 14 “É da essência dos precedentes do E. STJ repudiar o cancelamento da isenção por mera irregularidade burocrática, nas hipóteses em que não se nega a entidade educacional o atingimento de fins filantrópicos, máxime porque a Carta Federal contempla textualmente a isenção” (Resp nr. 251.944/RN Resp nr. 392/025/SC) Ainda, a lei de Introdução ao Código Civil concede ao julgador visão ampliada aos fins sociais; Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Assim, tanto necessária é a recorrente para existência das Igrejas e suas organização administrativa, tida e havida como “organização religiosa” criada há mais de cinqüenta (50) anos, podendo ser reconhecido seu direito adquirido como já assim interpretou o Superior Tribunal de Justiça; “Direito Adquirido. Entidade Filantrópica. Imunidade Tributária. A Seção, por maioria, concedeu, sob a conotação do direito adquirido, a segurança para fins de manutenção do regime de isenção e imunidade tributária à entidade beneficente, mormente por se tratar de entidade que sobrevive com o mesmo perfil há mais de quarenta anos, e sem condições de atender às exigências criadas pelo novo ordenamento jurídico, não obstante o entendimento de que as leis tributárias não respeitam direito adquirido por força, tão somente, dos atos constitutivos de tais entidades.” (MS 8.499DF, Rel. originário Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Castro Meira, julgado em 26/2/2004.) Pela análise superficial dos fatos e da existência da recorrente, têmse motivos plausíveis para afastar a suspensão perseguida pelo parecer do SARAC e revogar o ato declaratório nr. 23/2007, devendo, ser analisado com o aplicativo contido no inciso I do art. 108 do CTN c/c o art. 53 da Lei 9.784/99. 2.5 Organização religiosa criação necessária p/ expansão da religião/Abrangência da imunidade a todas atividades correlatas/ Art. 1º e art. 2031 do Código Civil. Não se trata de “matéria estranha ao caso dos autos” pois a interpretação objetiva e pessoa do AuditorFiscal Luiz Carlos Menon trouxe a NOTIFICAÇÃO FISCAL datada de 17.04.2007, assim, referiuse, f. 02; “Não se pode afirmar em momento algum que é um templo, que tenha em sua essência a finalidade de difundir a religião, pregando o evangelho, ou mesmo servindo para o culto de seus fiéis. As igrejas Evangélicas Assembléia de Deus é que se prestam para a finalidade acima mencionada. Prova disso é que existência de 153 Igrejas Sedes, fls. 34. Citamos como exemplo o CNPJ 84.308.303/000166 Igreja Evangélica Assembléia de Deus Rua Andrade, 35 Centro ItajaíSC.” demonstra que a imunidade dada as organizações religiosas aparece com a existência de templo+difundir o evangelho+servindo culto aos fiéis,+somente as igrejas estão incumbidas de tal fim, como já comentado, se tem alguém que pode difundir o evangelho são os obreiros e membros e não o espaço físico, mas a doutrina e a jurisprudência têm interpretação pacificada. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 16 15 A NORMA DE NÃO INCIDÊNCIA encontra na letra b, do inciso VI do art. 150 da CF há já pacificaram a interpretação, tanto pela doutrina como pela jurisprudência da mais alta Corte. No doutrinar de Celso Ribiero Bastos e Ives Gandra Martins menciona “A equipe de Limongi França reduz a expressão ao lugar em que os cultos se realizam é o lugar onde se realizam cerimônias ou cultos religiosos. Também denomina o edifício destinado ao culto religioso. Com esse vocábulo se designa as em que se realizam as sessões da Maçonaria.” É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir imposto sobre os templos de qualquer culto (CF Emenda 1/69, art. 19, III, b) (Enciclopédia Saraiva do Direito, Saraiva, 1982, v. 72, p. 205). Ampliam aqueles doutrinadores a imunidade traçada pela CF/69 quando comentam a CF/88 e assim se pronunciam: “Entendendo que não apenas o prédio em que o culto ocorre, mas todas as atividades correlatas são imunes, desde que dirigidas às suas finalidades superiores” Da doutrina ao caso concreto, no interpretar da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, onde pelo magistério do seu relator e acompanhado pelos demais, estende a imunidade não só ao prédio, mas, ao patrimônio, rendas e serviços de organização religiosa (MITRA DIOCESANA) ligada à Igreja Católica: RE 325822/SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO. Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES. Julgamento: 18/12/2002. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. EMENTA: Recurso extraordinário. 2. Imunidade tributária de templos de qualquer culto. Vedação de instituição de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades. Artigo 150, VI, “b” e § 4º, da Constituição. 3. Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. 4. A imunidade prevista no art. 150, VI, “b”, CF, deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços “relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas”. 5. O § 4º do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas “b” e “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas. 6. Recurso extraordinário provido. Quando o Código Civil instituído em 10.01.2002, acrescido da Lei 10.825 de 22.12.03, percebeu o legislador da impossibilidade do cumprimento estabelecido às igrejas, quando daí passou a vigorar o seguinte texto: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: ... IV as ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS; ... Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 17 16 Par. 1º São livres a criação, a organização, a estrutura interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. Art. 2031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. Parágrafo Único. O disposto neste artigo não se aplica às ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS nem aos partidos políticos. Os dispositivos civil reconhecem a impossibilidade das igrejas serem administradas por elas mesmas, quando então encontramos os “braços administrativos” ou “coração administrativo” nominadas como “organizações religiosas” que possibilitam a sobrevivência, organização e assistência social à seus integrantes. A igreja católica se organiza através da CNBB e da Mitra Diocesana. Não é demais lembrar que o mesmo direito e interpretação dados à igreja acima mencionada e suas organizações são estendidas às demais em todo território nacional, por força do art. 5º II e 150, I onde encontramos garantias fundamentais e o “princípio da estrita legalidade tributária.” É de clara evidência que a recorrente é uma organização imprescindível para a organização das Igrejas Evangélicas do Estado de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná, o que por si só deve receber o benefício da imunidade tributária, diante a extensão reconhecida, pela doutrina, Constituição Federal, Lei Adjetiva Civil e como pá de cal pelo Supremo Tribunal Federal. 2.6 Do confisco. Conforme “relação de bens e direito para arrolamento”, os bens da recorrente atingem o montante de R$ 604.172,18 (seiscentos e quatro mil cento e setenta e dois reais e dezoito centavos), enquanto que o “demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo atingiu a importância de R$ 14.142.298,33 (quatorze milhões cento e quarenta e dois mil, duzentos e noventa e oito reais e trinta e três centavos). Ou seja, vinte e uma (21) vezes maior o valor apurado diante do patrimônio da recorrente. Diante disso deve ser reconhecida a pretensão do nãoconfisco estabelecido no art. 150 inciso IV, pois, o reconhecimento está a disposição no sistema tributário devendo ser aplicado pelo intérprete ou julgador, pois é uma garantia fundamental. 2.7 Reconhecimento da elisão fiscal. [...] É legítima a eleição propositada de formas jurídicas (lícitas, obviamente) que resultem ou possam resultar em menor incidência tributária ... Deve ser reconhecida a elisão fiscal no ato declaratório nr. 23/2007, não sendo acatado o parecer do SARAC, visto o caminho escolhido pela entidade para Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 18 17 tributação (isenta ou imune) não modifica seus traços de organização religiosa imune, devendo ser acatado o princípio da primazia da realidade ou erro de fato ou de direito. 2.8 Da ilegalidade do arrolamento de bens. ... ato este deve ser nulificado visto a publicação do ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO RFB nr. 9, de 05.06.2007 onde consta em seus artigos o seguinte: Art. 1º Não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento de recurso voluntário. Art. 2º A autoridade administrativa de jurisdição do domicílio tributário do sujeito passivo providenciará o cancelamento, perante os respectivos órgãos de registro, dos arrolamentos já efetuados. Ora, em vigor o ato declaratório nr. 9, deve ser reconhecida a ilegalidade do arrolamento datado de 25.09.2007 e com cientificação de 05.10.07, por violação orientadora do STF e acatado pelo órgão federal. 3.1 A posição do conflito na ótica da recorrente e sua estrutura administrativa e financeira. Neste item a interessada faz referência aos atos expedidos no cursos da fiscalização, que teria “afastado de plano a imunidade tributária” e reclamado a “suspensão da isenção referente aos anoscalendário 2002/2005. Sobre sua finalidade transcreve trechos de seu Estatuto Social e afirma: Definidos são os rumos da organização, pois, evangelizar=Pregar o evangelho; missionar; doutrinar/evangelização=ação de evangelizar; doutrinação/evangelismo=doutrina política e religiosa baseada no Evangelho. Quanto à palavra beneficência=Ato ou hábito de fazer o bem; caridade/beneficente=que faz o bem; caridoso/beneficiação=ato de beneficiar; melhoramento; favorecimento. Apresenta os organogramas da CIADESCP e da CEADESCP e conclui: Assim, não podendo prosperar a pretensão do ato declaratório, processo e parecer, com nulificação e estendidas as suas conseqüências de enquadramento da recorrente como empresa PRESTADORA DE SERVIÇOS e tributação inerente. 3.2.1 Enquadramento da recorrida como “Associação Civil” ou “Sociedade Civil” letra “a”. A interessada pede a aplicação por analogia de dispositivo contido na Lei nº 6.404/76, trazendo à colação texto de doutrina que trata da formação de conglomerados econômicos, e conclui este item: Ora, a legislação e sua interpretação já orientam tais casos como acima magistralmente lecionado, mesmo que não tivesse acobertada a recorrente pelo manto da imunidade ou da isenção, como queiram interpretar os auditores, o grupo é formado pela união das igrejas evangélicas assembléia de Deus, caso incidisse Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 19 18 tributação seria no CNPJ daquelas, tal decisão confronta os incisos I, II, VIII e § 3º do art. 50 da Lei 9.784/99 . 3.2.2 Das declarações da DIPJ’s letra “b”. Repete argumentos apresentados no item 2.2 Cerceamento de Defesa. 3.3.1 Da remuneração dos dirigentes letra “a”. [...] Como os membros da diretoria também são membros Presidentes de Igrejas sedes, confundemse como remunerados pelo cargo da entidade, quando na realidade são remunerados como Pastores Presidentes de Igrejas sedes e não como pagamento da diretoria. (ANEXO 2 DA PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO E NOVAMENTE JUNTADO COMO ANEXO 4 DESTE RECURSOS Atas das assembléias ordinárias de Igrejas sedes onde os membros da diretoria exercem a função de pastores presidentes; 3 Folhas de pagamentos (exemplos anuais) e diário de lançamentos das referidas igrejas constando o pagamento efetuado via convênio pela CIADESCP). [...] Equivocase o nobre Auditor, quando alega que a Notificação assume juridicamente a responsabilidade como empregadora e, que paga os salários prebendas e obreiros das Igrejas. Preambularmente, quando afirma que a organização religiosa assume responsabilidades trabalhistas, a interpretação pacífica da Justiça Especializada é no sentido da não existência de vínculo empregatício com pastores, evangelistas, presbíteros, missionários, senão vejamos: (transcreve ementa do TST) Faz referência aos arts. 2º, 3º, 9º, 14 e 44 da Lei nº 10.741/2003, Estatuto do Idoso, que entende aplicável ao caso dos autos, e prossegue: Contabilmente a Notificada registra somente para efeito fiscal as entradas e saídas dos valores pelos quais ela faz os repasses das Igrejas sedes. Outro sim reiteramos para o Auditor que as folhas de pagamento eram cadastradas e confeccionadas pelas CONVENÇÃO e CAIXA para uniformização e padronização de todas as Igrejas, respeitandose os descontos legais e pagamentos das contribuições inerentes (INSS; UNIMED; IRRF; UNIODONTO), afim de que uma só entidade uniformizasse as informações que dizem respeito da Receita Federal e Poderes Públicos. Além do mais, economizase (CPMF) para uma simples contabilização de números com relação às remessas das Igrejas e retorno para cumprimento dos pagamentos (anexo 3 DA PRIMEIRA IMPUGNAÇÃO E anexo 4 DESSE RECURSO; Razão das contas de manutenção de ministros, prebendas e obreiros; mensalidade seguro de vida; convênio previdência complementar) [...] Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 20 19 No interpretar da jurisprudência consolidada pelo Conselho onde a contabilidade deve preencher objetividade, distante da contabilidade empresarial: “Esta escrituração, no entanto, não precisa atender a todas as regras da boa técnica contábil. Basta que seja suficiente para comprovar o preenchimento dos requisitos apontados nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Esta linha de pensamento, digase de passagem foi sufragada pelo E. 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, quando decidiu não ser necessária “a adoção de escrituração comercial, segundo a boa técnica contábil, e com observância das normas constantes da legislação tributária, nos moldes que é exigida das demais empresas submetidas ao regime de tributação, com base no lucro real ou presumido. A escrituração exigida objetiva, tãosomente, a verificação pela fiscalização do cumprimento dos requisitos contidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172, de 1966” Assim, afastando a conclusão do parecer do ato declaratório e processo pelo que neste item consta, e também no próprio interpretar do Conselho Federal devendo ser mantida a isenção ou reconhecida a imunidade 3.3.2 Da aplicação em recursos em atividades estranhas letra “b”. Conforme mencionado na primeira impugnação 2.2 DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS AOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS (f.5/4.2) Mencionado anteriormente que a CIADESCP e a CEADESCP traçam um paralelo de objetivos e administração que vem sendo explicado desde o organograma e se segue demais teses de defesa. Transcreve trechos dos Estatutos Sociais das citadas entidades. 3.3.3 Deixar de cumprir com as obrigações acessórias letra “c”. Nega ter deixado de cumprir com obrigações acessórias e argumenta: [...] Neste período a conta caixa, suportou os débitos e créditos relativos a movimentação financeira conforme livros diários período 2002 a 2004 em poder da própria Receita Federal. Todos os depósitos e saques por cheque foram registrados como movimento de dinheiro no caixa. Outrossim, as receitas, despesas e investimentos estão nas declarações DIPJ 2002 a 2005, perfeitamente compatíveis com a movimentação de banco. O documento de f. 38 é de clara evidência que a incorporação se deu em 2002 a 2005, não como relatado em 2007. A incorporação da Caixa ao contrário do alegado pelo Sr. Fiscal se encontra amparado por ata circunstancial (ANEXO 4 DA primeira impugnação) e os devidos lançamentos contábeis efetuados em 30/04/2002 no livro diário da entidade (esse em poder da Receita Federal), cujos lançamentos anexamos a presente, ainda neste mesmo diário encontramse lançamentos contábeis das receitas e pagamentos das manutenções de ministros e obreiros, cujos valores Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 21 20 eram meramente contábeis sem CPMF, uma vez que os pagamentos eram efetuados pelas igrejas (ANEXO 5 da primeira impugnação e desse recurso). Resolução CFC 530/81. Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, p Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Quanto à falta do registro de empréstimo, assim, podemos traduzir, os empréstimos eram lançados (não pela emissão dos cheques, mas sim pela conta caixa). (ANEXO 6 da primeira impugnação e anexo 3 do presente recurso) O direito tributário já contemplou situações onde o apego ao perfectível ou legalismo, quando há muito assim vem agindo sem dolo, criouse a TEORIA DO ABUSO DE FORMA; [...] Somase ainda ao presente caso, cabendo a Notificada invocar o CAMINHO MENOS ONEROSO; [...] 4.1 A CIADESCP remunerou, de forma direta seus dirigentes (pastores, evangelistas, presbíteros e demais obreiros) letra “a” e “b”. [...] É pacífico que Pastores e demais obreiros não têm vínculo empregatício, mas necessitam de uma subsistência mensal, mais ainda largamente respondido e materializado pelos anexos 2 da primeira impugnação tendo como item 2.1; também mencionado na segunda impugnação e neste recurso respondido no item 3.3.1, sendo tal argumentação imprestável para sustentar a notificação e o ato declaratório. (Anexo 2 da primeira impugnação e para dirimir qualquer dúvida estão sendo juntadas neste recurso como anexo 3) 4.2. A CIADESCP remunerou, de forma direta seus dirigentes ao pagar a previdência complementar letra “c”. Comprovouse que o convênio com a previdência complementar tem como instituidora a recorrente, quando os valores são pagos pelas igrejas sem o desconto dos pastores e obreiros e repassado a instituição financeira por força contratual. Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 22 21 Consta nas informações prestadas às fls. 42 que aditada em 12.04.07, no item 6 BRADESCO PREVIDÊNCIA, SEGURO DE VIDA. A entidade mantém com o BRADESCO PREVIDÊNCIA E SEGUROS convênio para assegurar aos que aderem aos planos de aposentadoria complementar e seguro de vida, que é suportada pelas contribuições recebidas pelas igrejas, sem reembolso dos obreiros. Também respondido no item 2.1 da primeira impugnação, mencionado na segunda e conta desse recurso no item 3.3.2, sendo tal argumentação imprestável para sustentar a notificação e o ato declaratório. 4.3 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a Igreja Evangélica Assembléia de Deus letra “d”. Insustentável tal pretensão visto o contido nos estatutos e regimentos da recorrente, devendo servir de base para afastar tal pretensão o contido no item 3.1 dessa peça. 4.4 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a remuneração ou prebendas em favor dos ministros letra “e”. Ipsis literis do mencionado na resposta 4.1. 4.5 A CIADESCP não aplicou integralmente seus recursos desviando a pagar auxílio médico e funeral em favor dos ministros letras “f” e “g”. Tudo devidamente respondido e comprovado conforme item 2.1 e 2.2 da primeira impugnação e neste recurso no item 3.3.2. Caso prospere o ato declaratório, parecer SARAC e a notificação fiscal, passarão as igrejas e a recorrente por um colapso devastador, colocandoa em grandes dificuldades imediatamente os Pastores e as igrejas que dependem diretamente da Notificada. Ademais, a Notificada agiu de pronto atendimento aos pedidos feitos pelo AuditorFiscal, independentemente da sua formalização, tudo em conformidade com o que preconiza o inciso V do art. 14 e incisos II e III do art. 340, todos do CPC c/c art. 4º e incisos I, II, III, IV da Lei 9.784/99. Finaliza, afirmando que em momento algum recebeu ou recebe subvenção do governo federal, estadual ou municipal, tendo como renda exclusiva em conformidade com o organograma anteriormente apresentado. [...] Impugnação ao Lançamento (fls. 593 a 624) (protocolo de 06/11/2007) Inicia essa peça apresentando argumentos contrários ao arbitramento do lucro, trazendo à colação decisões do Conselho de Contribuintes e da 1ª instância administrativa, que esclarecem ser essa uma forma de tributação possível apenas em condições extremas, como a existência de falhas insanáveis na escrita do contribuinte. E desenvolve sua argumentação como segue: Ora, foram entregues as DIPJ’s, os livros; diário e razão, muito embora não lançados os movimentos de banco (bancoconta movimento), TODAS AS Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 23 22 RECEITAS E DESPESAS INERENTES A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA FORAM LANÇADOS VIA CAIXA, e confirmado o anteriormente dito, SUPORTOU PASSIFICAMENTE OS DÉBITOS E CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJO OS RESULTADOS TODOS FORAM LANÇADOS NOS RESPECTIVOS LIVROS, o que não deve prosperar este termo, conforme interpretação do Conselho; [...] No interpretar da jurisprudência consolidada pelo Conselho onde a contabilidade deve preencher objetividade, distante da contabilidade empresarial; “Esta escrituração, no entanto, não precisa atender a todas as regras da boa técnica contábil. Basta que seja suficiente para comprovar o preenchimento dos requisitos apontados nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Esta linha de pensamento, digase de passagem foi sufragada pelo E. 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, quando decidiu não ser necessária “a adoção de escrituração comercial, segundo a boa técnica contábil, e com observância das normas constantes da legislação tributária, nos moldes que é exigida das demais empresas submetidas ao regime de tributação, com base no lucro real ou presumido. A escrituração exigida objetiva, tãosomente, a verificação pela fiscalização do cumprimento dos requisitos contidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172, de 1966” [...] Caso persista a declaração de isenção, deve, portanto ser reconhecido o arbitramento de lucro presumido como excesso de rigorismo ou nítido caráter de punição, que deve ser acolhido este recurso para afastar o arbitramento do lucro presumido e que venha ser aplicado o lucro real. Prossegue reproduzindo os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, caso seja mantida a tributação pelo Lucro Real, pede que sejam observados os seguintes itens: Em conformidade com inciso I do art. 32 da Lei 9.430 de 27.12.1996, incisos X e XII do art. 2º, parágrafo 1º do art. 56 (cinco dias para reconsideração); parágrafo 3º do art. 56 (explicitar os motivos da não reconsideração, por redação dada pela Lei 11.417 de 19.12.06); art. 61 (declarar o efeito suspensivo) e art. 64º, 64º A, 64º B todos da Lei 9.784/99”. Analisando os argumentos da Contribuinte, os membros da 3ª Turma da DRJ/FNS, proferiram o Acórdão nº 0713.056, de 04/07/08 (fl. 1803/1830), que restou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003, 2004,2005 IMUNIDADE. ENTIDADE RELIGIOSA. O constituinte, ao declarar na norma inserta na letra b do art. 150, da Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 24 23 Constituição Federal, que é vedado instituir imposto sobre "templos de qualquer culto", pretendeu fosse abrangido pela imunidade tributária não o "prédio" onde realizado o culto, mas a instituição como um todo. Precedente: TRF400117259. Relatora Vivian Josete Pantaleão Caminha, Processo: 200104010578424. É permitida a tributação do patrimônio, da renda e dos serviços de entidades religiosas, apenas quando não se relacionam com suas finalidades essenciais. Circunstância não comprovada nos autos. Lançamento improcedente. Em razão do valor exonerado, o presidente da 3ª Turma da DRJ/FNS recorreu de ofício (fl. 1833). No CARF, consoante Acórdão nº. 140200.421, de 28/01/2011 (fl. 1839/1867), os membros da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção, por maioria de votos, deram provimento ao recurso de ofício para (i) superar a nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26/09/07, que havia suspendido a isenção da Contribuinte (entendendo que se tratava, de fato, de hipótese de isenção e não de hipótese de imunidade como havia entendido a DRJ); e (ii) determinar à 3ª Turma da DRJ/FNS que elaborasse nova decisão apreciando as matérias em litígio na impugnação do sujeito passivo contra os lançamentos veiculados nos autos de infração (fls. 526 a 578) emitidos pela autoridade fiscal. A Contribuinte apresentou embargos de declaração (fl. 1875/1887) (i) questionando a falta da declaração de voto vencido do Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de oliveira, pleiteando fosse sanada essa omissão; e (ii) pleiteando a apreciação de alegações de mérito. Em 04/07/2011 os embargos foram rejeitados (fl. 1890/1892). Em 30/08/2011 a Contribuinte apresentou novos embargos declaratórios (fl. 1900/1908). No entanto, tendo em vista a falta de previsão legal para tal oposição, em cumprimento à decisão do CARF os autos foram devolvidos à origem para nova decisão. Assim, em 05/07/2013, a 3ª Turma da DRJ/FNS proferiu o Acórdão 07 31.898 que, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fl. 1912/1974). O aresto restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ISENÇÃO. SUSPENSÃO. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A Interessada, para fazer jus ao benefício da isenção tributária, deve observar os requisitos legais previstos no art.14 do CTN. O descumprimento de pelo menos um deles permite à autoridade competente determinar a suspensão do benefício. Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 25 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO REAL. Suspensa a isenção tributária, a Interessada passa a se submeter à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Se a Contribuinte não possui as condições legais para ser tributada pelo Lucro Real, correto o procedimento fiscal do arbitramento de lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de provas, quando presentes nos autos elementos suficientes para a formação e convicção do julgador e conseqüente deslinde do feito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1986/2085), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 26 25 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminar A Recorrente repisa os pedidos de diligência e perícia contábil, com intuito de comprovar a regularidade de suas contas no tocante a remuneração de seus dirigentes e a aplicação dos recursos nas atividades próprias da entidade. Tenho me posicionado no sentido de que a perícia é cabível apenas para a averiguação de fatos que dependem de conhecimentos especializados para serem demonstrados, sendo desnecessária quando os fatos puderem ser comprovados documentalmente, como no caso de apresentação de relatórios, livros e documentos contábeis e fiscais. Sendo assim, cabia à Recorrente ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do direito que alega possuir. Mérito Conforme declaração de voto do acórdão ora recorrido: “Em síntese, de tudo que acima foi exposto podese concluir que: • a fiscalização entendeu que a Interessada não é entidade imune e, em razão da inobservância dos requisitos legais da isenção, lavrou o auto de infração; • a DRJ/FNS entendeu que a entidade Autuada é imune e, uma vez inaplicáveis os requisitos próprios da isenção, decidiu, no mérito, pela improcedência do lançamento; • já o CARF, concordando com a fiscalização, entendeu que a decisão da DRJ é equivocada, pois a imunidade dos templos não poderia ser estendida à entidade Autuada. No entendimento do CARF, desde que atendesse aos requisitos da lei, a entidade seria, no máximo, isenta. Como o atendimento aos requisitos legais da isenção não foi objeto de apreciação pela primeira instância, o CARF anulou o Acórdão da DRJ para “para que se aprecie as demais matérias discutidas na impugnação”. Nesse diapasão, limitada a analisar o atendimento, pela Recorrente, dos requisitos legais para fazer jus à isenção, o conselheiro relator, nessa parte seguido pelos demais, assim se pronunciou: Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 27 26 2.2.1 Da remuneração dos dirigentes. Quanto a remuneração dos dirigentes, assim a Autoridade Fiscal se pronunciou. “A administração da CONVENÇÃO é constituída anualmente em assembléia especialmente convocada, por voto secreto, conforme abaixo: ... Art.12, § 2º c/c art.15 § 3o da Lei n° 9.532/97 assim determina “... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos”: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados (grifo nosso) A CONVENÇÃO paga os salários/prebendas dos obreiros das Igrejas Evangélicas de Deus, assumindo juridicamente a responsabilidade como empregadora, mesmo que o dinheiro para o pagamento seja retirado diretamente do caixa de cada Igreja, onde o obreiro presta seus serviços. Anexamos cópia de documentos, de três membros dirigentes da convenção, comprovando essas operações, fls. 236 a 265. A CONVENÇÃO manteve convênios com BrasilPrev, com Bradesco Previdência Complementar e Seguro de Vida. Tais convênios foram custeados, principalmente, com dinheiro dos fiéis, e não há reembolso integral por parte daqueles que são beneficiados com estes convênios. Declaração da CONVENÇÃO, fls.41 e 42. Assim fica claro que a CONVENÇÃO está remunerando de forma indireta os seus dirigentes, oferecendo uma Previdência Complementar, com dinheiro da própria entidade.” Quanto a acusação da Autoridade Fiscal, a Impugnante aduz, em síntese, que não existe impedimento à remuneração de dirigente de entidade imune, uma vez que o trabalho é realizado em favor da entidade religiosa (CIADESCP), tendo como vedação tão somente a distribuição da parcela do patrimônio. Também, na disciplina legal da imunidade tributária não há qualquer óbice à remuneração dos dirigentes de instituições imunes, pois a simples remuneração por serviços prestados não configura distribuição de recursos, isto é, o pagamento a diretor ou qualquer espécie de gerente das instituições imunes não representa nenhuma violação aos preceitos básicos da imunidade, especialmente porque não tipifica distribuição disfarçada de lucros. Com relação aos convênios, defendese dizendo que os valores pagos são suportados pelas Igrejas sedes que por sua vez repassam os valores pagos pela CONVENÇÃO. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 28 27 Verificase, assim, que não há controvérsia quanto aos fatos, isto é, foram efetuados pagamentos a dirigentes, como também é confirmada a existência de convênios em benefícios dos mesmos. Entretanto, fisco e autuada divergem quanto aos efeitos de tais pagamentos, sendo que para aquele o ato é incompatível com o benefício da isenção e esse entende que não há óbice legal quanto a remuneração de dirigentes de instituição imune. Analisandose os documentos carreados pela Fiscalização como prova de que a CONVENÇÃO remunera seus dirigentes, constatase que os três membros elencados declaram como ocupação principal ser “SACERDOTE OU MEMBRO DE ORDENS OU SEITAS RELIGIOSA” não se verificando, nos exercícios nos quais receberam remuneração por serviços prestados à Autuada, nenhum documento que comprova a ocorrência de pagamentos pela atividade como dirigente, conforme transcrição abaixo: NOME DO CONTRIBUINTE: VALMOR LEONEL BATISTA OCUPAÇÃO PRINCIPAL: SACERDOTE OU MEMBRO DE ORDENS OU SEITAS RELIGIOSA. De acordo com a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), fls. 852/864, o Sr. Valmor Leonel Batista recebeu valores da autuada (CNPJ 82.606.823/000120) somente no exercício de 2006. NOME DO CONTRIBUINTE: ARCELINO VICTOR DE MELLO OCUPAÇÃO PRINCIPAL: SACERDOTE OU MEMBRO DE ORDENS OU SEITAS RELIGIOSA. De acordo com a DIRPF, o Sr. Arcelino Victor de Mello recebeu valores da autuada (CNPJ 82.606.823/000120) somente nos exercícios de 2004 e 2006, fls. 868/869 e 870/873. NOME DO CONTRIBUINTE: NIRTON DOS SANTOS OCUPAÇÃO PRINCIPAL: SACERDOTE OU MEMBRO DE ORDENS OU SEITAS RELIGIOSA De acordo com a DIRPF, o Sr. Nirton dos Santos recebeu valores da autuada (CNPJ 82.606.823/000120) somente nos exercícios de 2003 e 2006, fls. 874 e 881. Desse modo, pelos documentos carreados aos autos, constatase que os Srs. VALMOR LEONEL BATISTA, ARCELINO VICTOR DE MELLO e NIRTON DOS SANTOS receberam por serviços prestados à CONVENÇÃO como Sacerdote ou Membro de Ordens ou Seitas Religiosas, no entanto, inexiste qualquer prova de que receberam remuneração como dirigentes da Entidade. Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 29 28 É sabido que o pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo funcional da entidade, de acordo com seu plano de carreira, em iguais condições com os demais funcionários que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição disfarçada de patrimônio. Assim, pela insuficiência de provas de que a Entidade remunerou seus dirigentes, pelo motivo analisado, o ato que suspendeu a isenção da pessoa jurídica não deve permanecer. 2.2.2 Da aplicação dos recursos em atividades estranhas aos seus objetivos sociais. Quanto ao tema, a Fiscalização consigna que, fls. 148: Art.12, § 2° c/c art.15 § 3 o da Lei n° 9.532/97 assim determina "... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos": a) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais (grifo nosso) Os gastos, já mencionados no item 4.1, com Previdência Complementar e Seguro de Vida não são objetivo social da entidade CONVENÇÃO, ferindo assim o que preceitua a legislação em comento. Anexo Razão Contábil, fls.43 a 84. Contas de Auxilio Especial e Auxilio Emergencial, onde são destinados recursos financeiros para os Templos/Igrejas. Isso também não constitui objeto social da CONVENÇÃO. A Interessada, contrapondose a argumentação da Fiscalização, aduz que, fls. 1.414/1.415: Ora, pela própria notificação o auditor demonstra a interligação entre Auxilio especial, emergencial, Previdência, seguro de vida, visto os recurso dos fieis serem destinados aos templos/Igrejas e principalmente obreiros. Vejase que a CIADESCP está totalmente interligada a existência e estrutura das Igrejas, defendido e exposto pela notificada, anteriormente (2.2.A APLICAÇÃO DOS RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS AOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS (f.5/4.2)), sendo imprescindível para sua continuidade e administração, tais aplicações, visto se coadunar com os objetivos sociais. Constatase, mais uma vez, não haver nenhuma controvérsia quanto ao tema, isto é, a Autuada realmente aplicou recursos em previdência complementar e seguro de vida. Entretanto, defende que tais aplicações são imprescindíveis e se conformam com os objetivos sociais da entidade. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 30 29 Conforme imputado pela Fiscalização, os pagamentos feitos a título de previdência complementar e seguro de vida ocorreram em benefício dos dirigentes da CONVENÇÃO, sendo qualificado como remuneração indireta. No entanto, conforme exposto no item 2.2.1, não existe nenhuma comprovação nos autos que os Srs. VALMOR LEONEL BATISTA, ARCELINO VICTOR DE MELLO e NIRTON DOS SANTOS receberam remuneração como dirigentes da Entidade. Portanto, o ato que suspendeu a isenção da pessoa jurídica não deve permanecer pelas razões já expostas no item anterior. 2.2.3 Do descumprimento de obrigações acessórias. A Fiscalização aduz que, fls. 148: Art.12, § 2º c/c art.15 § 3º da Lei n° 9.532/97 assim determina “... para gozo da isenção ... estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos”: a) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão (grifo nosso) Em 22 de fevereiro de 2007, fls.38, a CONVENÇÃO informa que incorporou as contascorrente e cobrança de outra entidade, qual seja: CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO CNPJ 83.242.230/000194. Utilizou também as contascorrente para movimentação financeira de uma entidade para outra, sem a preocupação dos registros contábeis. O que quer se dizer aqui é que não houve respeito ao principio da entidade. Não há registros nos livros contábeis, de empréstimos entre CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e IGREJAS MEMBROS. No período de 2002 a 2004, não foi contabilizado a movimentação financeira em Bancos Conta Movimento, fls. 13. Por seu turno, a Impugnante assim se manifestou, fls. 922/927: Neste período a conta caixa suportou os débitos e créditos relativos a movimentação financeira, conforme livros diários período 2002 a 2004, em poder da própria Receita Federal. Todos os depósitos e saques por cheque foram registrados como movimento de dinheiro no caixa. Outrossim, as receitas, despesas e investimentos estão nas declarações DIPJ 2002 a 2005, perfeitamente compatíveis com a movimentação de banco. [...] O documento de f. 38 é de clara evidência que a incorporação se deu em 2002 a 2005, não como relatado em 2007. A incorporação da Caixa, ao contrário do alegado pelo Sr. Fiscal, se encontra amparado por ata circunstancial ( ANEXO 4 ) e os Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 31 30 devidos lançamentos contábeis efetuados em 30/04/2002 no livro diário da entidade (esses em poder da Receita Federal), cujos lançamentos anexamos a presente, ainda neste mesmo diário encontramse lançamentos contábeis das receitas e pagamentos das manutenções de ministros e obreiros, cujos valores eram meramente contábeis sem CPMF, uma vez que os pagamentos eram efetuados pelas igrejas (ANEXO 5). [...] O direito tributário já contemplou situações onde o apego ao perfectível ou legalismo, quando há muito assim vem agindo sem dolo, criouse a TEORIA DO ABUSO DE FORMA [...] Quanto a falta do registro de empréstimo, assim, podemos traduzir, os empréstimos eram lançados ( não pela emissão dos cheques, mas sim pela conta caixa). (ANEXO 6 ) [...] E clarividência que a Notificada não deixou de cumprir com as obrigações acessórias, o que deve ser afastado o pedido de suspensão e a revogação da notificação. Da análise dos fatos apresentados, resta claro que o princípio da entidade não foi observado, pois há uma mistura entre as contas das entidades CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e IGREJAS MEMBROS, fato este não negado pela Impugnante. No entanto, relativizou os efeitos desta conduta, o que chamou de “apego ao perfectível ou legalismo”, aduzindo que “se a forma utilizada pelo contribuinte for lícita (vale dizer, prevista ou não defesa em lei), ela não pode ser considerada abusiva”. Nesse aspecto, entendo que a razão não se encontra com a Impugnante. Notese que a conduta da Autuada vai de encontro a dispositivo legal que prevê expressamente que a detentora de isenção/imunidade, em se tratando de entidades relacionados no art. 150, VI, alínea “c”, da CRFB/88, deve manter escrituração completa de suas receitas e despesas, de forma a garantir a exatidão dos seus registros. Atentese ao disposto do art. 12 da Lei nº 9.532/1997, abaixo colacionado. Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 32 31 c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Desse modo, pela razão acima exposta, sob a ótica de que a pessoa jurídica em comento é uma “associação civil ou sociedade civil”, conforme Acórdão CARF nº 140200.421, 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, fls. 1.861, correto está o procedimento que suspendeu a isenção da pessoa jurídica, permanecendo, assim, o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 23, de 26 de setembro de 2007. A decisão recorrida merece ser mantida por seus próprios fundamentos. Como se viu, resta claro nos autos que a Recorrente não observou o princípio da entidade, misturando contas das entidades CONVENÇÃO, CAIXA DE EVANGELIZAÇÃO e IGREJAS MEMBROS, em desobediência às normas legais que exigem que entidade imune/isenta mantenha escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão, bem assim como sua documentação comprobatória. Logo, considerando a delimitação do litígio imposta pelo Acórdão CARF nº 140200.421, bem assim o descumprimento dos requisitos legais para o gozo da isenção tributária, de se declarar improcedentes tanto a manifestação de inconformidade contra o ato de suspensão de isenção, quanto a impugnação contra o lançamento fiscal. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10909.003797/200710 Acórdão n.º 1402001.907 S1C4T2 Fl. 33 32 Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10930.001500/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CO-TITULARES. INTIMAÇÃO.
Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas-correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Aplicação do Enunciado nº 29 da Súmula deste CARF.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS
O art. 42, § 3º, inc. II da Lei nº 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Os valores que se enquadrarem dentro dos referidos limites devem ser excluídos do lançamento. Aplicação do Enunciado nº 61 da Súmula deste CARF.
Numero da decisão: 2102-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CO-TITULARES. INTIMAÇÃO. Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas-correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Aplicação do Enunciado nº 29 da Súmula deste CARF. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS O art. 42, § 3º, inc. II da Lei nº 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Os valores que se enquadrarem dentro dos referidos limites devem ser excluídos do lançamento. Aplicação do Enunciado nº 61 da Súmula deste CARF.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COTITULARES. INTIMAÇÃO. Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contascorrentes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Aplicação do Enunciado nº 29 da Súmula deste CARF. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. LIMITES LEGAIS O art. 42, § 3º, inc. II da Lei nº 9.430/96 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Os valores que se enquadrarem dentro dos referidos limites devem ser excluídos do lançamento. Aplicação do Enunciado nº 61 da Súmula deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 15 00 /2 00 6- 15 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 206/208 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2002 e 2003, e o contribuinte dele foi cientificado em 13.12.2006, como faz prova o AR de fls. 210. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 214/230, na qual alegou que: a autuação estaria calcada em prova ilícita, consistente na quebra irregular do seu sigilo bancário, pois ainda que fosse constitucional, teria violado o art. 93, inc. IX, da Constituição Federal; teria havido cerceamento do seu direito de defesa, pois o Fisco "deveria intimar o contribuinte para comprovar a origem dos recursos e não quebrar de plano o sigilo, com a conseqüente autuação, como no caso em tela, sobretudo, quando o ora Impugnante apresentou as microfilmagens do registro de depósitos/créditos, acreditando haver comprovado a origem dos recursos"; os recursos tidos como omitidos de ganho de capital se referem a indenização trabalhista, férias, abono pecuniário nãogozados e segurodesemprego, razão pelas quais não configuram acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda; que não é qualquer depósito bancário que pode ser alcançado pelo Imposto de Renda, mas tãosomente aqueles que realmente se enquadrem nos acréscimos patrimoniais; a matéria tributária foi descrita de forma deficiente, com afronta à legislação reguladora do Processo Administrativo Fiscal; e discorreu sobre mês a mês dos depósitos efetuados, no intuito de justificar a origem dos mesmos. Concluiu pela improcedência do lançamento e pela sua imprecisão, e se insurgiu ainda contra a cobrança da multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), por ter efeito confiscatório. Por fim, requereu a investigação da atuação das autoridades fiscais, em face do disposto no art. 316 do CP. Na análise da Impugnação, os membros da 2ª Turma da DRJ em Curitiba decidiram pela parcial manutenção do lançamento, reputando como comprovada a origem de parte dos depósitos que ensejaram o lançamento. Deste julgado, é possível extrair a seguinte ementa: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001500/200615 Acórdão n.º 2102003.161 S2C1T2 Fl. 332 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão Aquela objeto da decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. SIGILO BANCÁRIO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. RECUSA DE FORNECIMENTO. A recusa do contribuinte em fornecer sua movimentação bancária no curso do procedimento fiscal é motivo para a Administração Tributária requisitála diretamente à instituição financeira, independentemente de autorização judicial. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE QUESITOS. INDEFERIMENTO. Considerase não formalizado o pedido de perícia que não vem acompanhado dos quesitos a serem respondidos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. 0 art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente em Parte Fl. 333DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 299/292, no qual reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, reforçando as justificativas quanto a origem de cada um dos depósitos e pugnando pela expedição de ofício à empresa Campagro lnsumos Agrícolas Ltda. para informar se ele prestou ou não algum serviço a ela, bem como para informar a origem de TED efetuada em seu favor. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 21.08.2008, como atesta o AR de fls. 276. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.09.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Recorrente suscita algumas questões preliminares ao seu recurso e no mérito alega ter a comprovação da origem dos depósitos que originaram o lançamento. Compulsando os autos, porém, uma questão que não foi suscitada pelo Recorrente chama a atenção e merece ser analisada de ofício por ocasião do julgamento deste Recurso Voluntário. É que a relação das contascorrentes em que foram efetuados os depósitos que deram origem ao presente lançamento consta às fls. 209 dos autos. São elas: Dentre as referidas contas, é importante salientar que as de nº 000255284 00052398 eram conjuntas entre o Recorrente e a Sra. Tania Lobo Muniz (como atestam os documentos de fls. 94 e 102). Ocorre que a despeito desta cotitularidade (devidamente comprovada nos autos ainda em sede do procedimento fiscal), não consta dos autos qualquer informação acerca da intimação da Sra. Tania para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados nas contas das quais eram cotitulares, sendo certo que o Recorrente foi o único intimado a fazêlo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001500/200615 Acórdão n.º 2102003.161 S2C1T2 Fl. 333 5 Tendo adotado tal postura, fica claro que a autoridade fiscal deixou de respeitar o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Isto porque, sendo conjuntas as referidas contascorrentes, deveriam todos os cotitulares das contas ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores lá depositados, previamente à efetivação do lançamento o que não ocorreu na hipótese em exame. Não existe a figura do “titular principal” da conta, todos os titulares são aptos a movimentar as contas bancárias conjuntas na forma que desejarem, razão pela qual se enquadram no conceito de “titular” constante do art. 42 acima transcrito e devem ser também intimados para fins de comprovação da origem dos depósitos efetuados, sob pena de não se configurar a presunção legal contida na mencionada norma. Neste sentido é o entendimento deste Conselho de Contribuintes a respeito da matéria, como se vê dos seguintes julgados: DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO CONHECIDA. CONTA CONJUNTA. ARTIGO 42, § 6º DA LEI 9.430, DE 1.996. Ausência de intimação do cotitular da mesma conta corrente bancária. Lançamento realizado sem a devida intimação do(s) co(s)titular(es) da conta corrente bancária contém erro material. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o valor do tributo cobrado. Hipótese de nulidade do lançamento. Embargos de Declaração acolhidos. (Ac. nº 10248.844, Rel. Cons. Silvana Mancini Karam) Este entendimento acabou por se consolidar na Súmula CARF Nº 29, que assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deve ser reconhecida a nuidade do lançamento em relação às contas na Caixa Econômica Federal nºs 000255284 e 00052398. Quanto à primeira destas contas, a relação de fls. 211/213 dos autos demonstra que nenhum depósito efetuado nela foi considerado como origem para este lançamento. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Já em relação à segunda conta mencionada (00052398), diversos são os depósitos lá efetuados que foram utilizados para compor a base de cálculo deste lançamento. Assim, em razão da nulidade acima apontada, devem ser excluídos da base de cálculo os valores de R$ 38.575,00 em relação ao anocalendário 2002 e R$ 110.474,60 em relação ao anocalendário 2003. Com tais exclusões, fica cancelado o lançamento no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 2003 e quanto aos fatos geradores ocorridos em 2002, a base de cálculo fica reduzida a R$ 24.528,00. Assim, e considerando que nenhum dos depósitos constantes da relação de fls. 211/213 é superior a R$ 12.000,00, deve ser aplicado aqui o disposto no § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que assim determina: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Tal norma é clara no sentido de determinar que se o somatório dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 não for superior a R$ 80.000,00, devem eles ser excluídos da base de cálculo do lançamento. É o que determina ainda o Enunciado nº 61 da Súmula deste CARF: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Excluindose os valores em questão, fica cancelada a infração também em relação ao anocalendário 2002. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001500/200615 Acórdão n.º 2102003.161 S2C1T2 Fl. 334 7 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10920.003269/2004-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL - INDENIZAÇÃO
A verba paga sob a rubrica auxílio combustível tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Declçaração de voto
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 69 /2 00 4- 51 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Declçaração de voto EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 02/12/2010, a então 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento proferiu decisão que deu provimento, por unanimidade, ao Recurso Voluntário interposto pelo Interessado, conforme se denota do Acórdão n. 2101 000.901: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2000 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. A verba paga sob a rubrica "auxilio combustível" tern por objetivo indenizar gastos com uso de veiculo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora A. remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. Recurso voluntário provido. Acórdão n° 210100.901 la Câmara/la Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2010 Segundo consta, a Câmara recorrida entendeu que o “auxíliocombustível” tem natureza indenizatória e que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito, estando, por conseqüência, fora do campo de incidência do IRPF. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003269/200451 Acórdão n.º 9202003.499 CSRFT2 Fl. 9 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, por meio de seu i. Representante, sob o fundamento de que o decisum recorrido estaria em descompasso com a jurisprudência de outras Câmaras – Acórdão n. 10420995 (fls. 73/81): IRPF EXERCÍCIO DE 2001, • ANOCALENDÁRIO DE 2000 AUXILIO COMBUSTÍVEL É tributável a verba que, embora denominada de auxílio combustível/indenização de transporte, é paga de forma generalizada e tem natureza remuneratória. Recurso negado. Submetido ao exame de admissibilidade, a i. Presidente entendeu pela admissibilidade/seguimento por preenchidos os pressupostos de admissibilidade [tempestividade, devida fundamentação e divergência (art. 15, §§2º e 6º, da Portaria MF n. 147/2007)] – fls. 83/84: [...] À leitura da própria ementa já ressalta a divergência. Porque enquanto o ocorrido conclui que o auxilio combustível recebido pelos fiscais do Estado de Santa Catarina tem natureza indenizatória o paradigma afirma, diante do mesmo fato, que a natureza desta rubrica é salarial e, portanto tributável para o imposto de renda das pessoas físicas. O Contribuinte foi devidamente intimado do decisum e recurso, tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 87/92]. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235 de 06 de março de 1972, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima, razão porque dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Foi lavrado Auto de Infração de fls., por meio do qual se exige o pagamento de determinada importância, a título de IRPF, por suposta omissão de rendimentos (auxílio combustível): Fl. 33 [...] O contribuinte apresentou declaração retificadora em que exclui dos rendimentos tributáveis valores recebidos a titulo de indenização de transporte. Pautase em decisão proferida pela Justiça Estadual, proposta contra o Secretário de Administração do Estado de Santa Catarina, responsável pela tributação na fonte, dos referidos rendimentos. Segundo consignou o Contribuinte [fl. 01], “tal verba – denominada indenização por uso de veículo próprio está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”. Nessa linha foi o entendimento da Câmara a quo, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Voluntário interposto [fls. 66/69]: [...] É cediço que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda e de proventos de qualquer natureza, a teor do art. 43 do CTN. Por essa definição, as verbas de caráter indenizatório (reposição ou recomposição patrimonial) não se submetem a tal tributo. Partilho do entendimento de que aqui se trata de nãoincidência, e não de isenção, o que, se correto for, dispensaria, de fato, a edição de lei com a finalidade de não se cobrar o tributo. Não há por que isentar aquilo que está fora do campo de incidência. No caso sob análise, tratase de indenização em cujo cálculo se levam em conta inclusive aspectos como variações do preço do automóvel, preço do combustível e despesas de manutenção, tudo a evidenciar a vinculação às despesas havidas com a utilização de um bem particular em serviço público e a reforçar o caráter indenizatório do auxílio. Eventuais desvios da própria legislação, com extensões do beneficio a servidores que desempenham outras ocupações (por exemplo: a diretor de empresa pública, como cita a decisão recorrida), não podem modificar a natureza indenizatória Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003269/200451 Acórdão n.º 9202003.499 CSRFT2 Fl. 10 5 original, genuína, do valor pago. É necessário analisar caso a caso. Para corroborar tal entendimento, o voto condutor consignou jurisprudência que decidiu na linha do reconhecimento da não incidência do IR sobre o “auxílio combustível”: "AUXILIO COMBUSTÍVEL — INDENIZAÇÃO — A verba paga sob a rubrica 'auxílio combustível' tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF." (Acórdão n° 10247.982, de 19.10.2006, da 2"Câmara do 1° CC) "INDENIZAÇÃO POR UTILIZAÇÃO DE VEICULO PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO — A tributação independe da denominação dos rendimentos bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, situação que não se verifica em relação à indenização pelo uso de veículo próprio para o desempenho de funções de inspeção ou fiscalização de tributos recebidas por ocupantes do cargo de Auditor Fiscal de Tributos Estaduais, posto que de mesma natureza jurídica daquela paga a Servidor Público da União." (Acórdão n° 10615287, de 26.01.2006, da 6° Câmara do 1° CC) Na condição de relator destaco que o exame da matéria passa, obrigatoriamente, “pela análise da natureza jurídica do auxílio combustível recebido pelo servidores. Há que se identificar se se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da função, do encargo ou do trabalho. Tenho que o referido “auxílio combustível” se constitue meio necessário para que o servidor possa exercer seu mister. A eventual discussão que a não exigência de prestação de contas da forma com que foi gasta o citado auxílio é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta o “auxílio combustível” do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial. Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente à finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a diferença. Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os recursos destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Nas palavras de Luigi Vittorio Berliri, citado por Roque Antonio Carrazza, em sua Obra Imposto sobre a Renda, 2a. Edição, Ed. Malheiros, 2006, pág. 37, “A renda tributável não pode ser constituída senão por uma nova riqueza, produzida do capital, do trabalho ou de um e outro conjuntamente, e que seja destacada de uma causa produtiva, conquistando uma autonomia própria e uma aptidão própria e independentemente para produzir concretamente outra riqueza.” Pelo que se depreende da norma ora transcrita, as despesas acima referidas são necessárias para que o servidor possa desempenhar o seu mister. Assim, têm natureza indenizatória. Pelos fundamentos acima expostos, concluo que o referido auxílio combustível – denominado indenização por uso de veículo próprio está prevista no art. 1º, §2, inciso VIII, da Lei Estadual n. 7.881/89 e regulamentada pelo art. 3º do Decreto n. 4.606/90, como retribuição aos servidores que realizam atividades de inspeção e fiscalização de tributos e utilizam veículo próprio no desempenho desse mister”, não se constitue em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.003269/200451 Acórdão n.º 9202003.499 CSRFT2 Fl. 11 7 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Trata o presente processo, de redução do valor a restituir inicialmente apurado pelo Contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, anocalendário de 1999, tendo em vista a reclassificação de rendimentos recebidos a título de Auxílio Combustível, de Isentos/Não Tributáveis para Tributáveis. A despeito das alegações de defesa, a decisão de Primeira Instância bem registra que a verba ora tratada, a despeito de sua denominação, não se destina apenas àqueles que exercem funções externas, mas sim é paga de forma generalizada: “Por outro lado, no que respeita à verba denominada ‘Auxílio Combustível’ paga aos servidores do Estado de Santa Catarina, seu pagamento encontrase regulamentado pelo art. 3°, incisos I e II do Decreto n.° 4.606, de 06 de fevereiro de 1990, com a redação dada pelo art. 1° do Decreto n.° 663, de 19 de setembro de 1991. Dessa norma destacamos: ‘Art. 3° O valor da indenização pelo uso de veículo próprio de que trata o inciso VIII do § 2° do artigo 10 da Lei n° 7.881, de 22 de dezembro de 1989, será calculado mediante a aplicação da fórmula a seguir, observados os critérios estabelecidos nos incisos I e II; (...) I — metade do valor apurado na forma deste artigo será atribuída pelo desempenho das atividades previstas no item I do Anexo I ou pelo exercício de cargo ou função em órgão da estrutura organizacional da Secretaria de Estado do Planejamento e Fazenda; II — a outra metade será atribuída pelo desempenho das atividades previstas nos itens 2, e ou 4 ou pela antecipação prevista na alínea "a" da Nota III do Anexo I.’ A título exemplificativo, as atividades previstas no item I do Anexo I a que se refere o inciso I acima, são as seguintes: ‘Pelo exercício das funções inerentes à fiscalização de tributos, inclusive informação em processos, inscrição e alteração cadastral , verificação em máquina registradora e/ou terminal ponto de venda, plantões fiscais em: Coordenadorias Regionais, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Setores Fiscais, Postos Fiscais fixos e móveis ou em volantes devidamente certificados pelo Corfe.’ (grifamos) Conforme se depreende desse texto, a legislação estadual, apesar de estabelecer distinção entre as diversas atividades exercidas pelos seus servidores a fim de definir o valor a ser pago, não estabelece como requisito para seu pagamento que as atividades sejam desenvolvidas fora da unidade de lotação, quando existiria, pelo menos potencialmente, a necessidade de despesas com locomoção para o desempenho de suas funções. Dessa forma, tanto o servidor que realiza trabalhos externos, como o de auditoria dos livros fiscais na sede do contribuinte, quanto aquele que desempenha atividades dentro do órgão de lotação, inscrição e alteração cadastral, por exemplo, percebem o mesmo valor a título de auxilio combustível. Apesar de a legislação atribuir a esta verba a denominação de ‘indenização’, o fato de ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. Ressaltase, por outro lado, seu cunho remuneratório, uma vez que é paga a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades. (...) Concluise, desta forma, que a verba em discussão tem natureza remuneratória, integrando a base de cálculo do Imposto de Renda.” Assim, evidenciase que o Auxílio Combustível, pago pelo Governo de Santa Catarina, não constitui indenização pelos gastos com combustível, mas sim remuneração paga de forma generalizada, portanto tem natureza de rendimento tributável. Diante do exposto, tendo em vista que o Contribuinte não logrou comprovar a natureza indenizatória do Auxílio Combustível recebido regularmente e de forma genérica, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721739/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. (Súmula CARF nº 01).
Numero da decisão: 2202-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. (Súmula CARF nº 01). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 17 39 /2 01 1- 49 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Foi efetuada notificação de lançamento contra JOÃO FERREIRA, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no exercício de 2010, anocalendário 2009. O contribuinte tomou ciência da exigência em 21 de fevereiro de 2011 (fl. 24) e apresentou impugnação (fl. 02), em 17 de março de 2011, alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos eram decorrentes de diferença salarial na forma acumulada e não poderiam sofrer a incidência da alíquota máxima, mas sim diluição do imposto a pagar com cálculo mediante utilização de tabela progressiva mensal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação, cuja ementa foi assim redigida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Para rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário de 2009, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Cientificado da decisão de primeira instância em 6 de novembro de 2012 (fl. 41), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 28 de novembro de 2011 (fls. 44 e 45), no qual alega, em resumo, que se trata de valor acumulado recebido, sem ter havido diluição e que o recolhimento do imposto deuse na vigência do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009. Argumenta, ainda, que deve ser deduzido o valor da despesa com advogado. Ao final, solicita que sejam revisados os cálculos do imposto. Por meio do Ofício nº 74/2014/EAJUD/DRF/RJ2, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II (DRF/RJO II) informou à Procuradoria Regional da União (fls. 335 a 349) a existência de duas ações judiciais propostas pelo fiscalizado: a) Ação Judicial nº 2014.51.01.0088565, que tem por objeto a restituição do IRRF incidente sobre o valor do principal recebido na reclamatória trabalhista; b) Ação Judicial nº 2014.51.01.008864 4, que tem por objeto a restituição do IRRF incidente sobre os juros de mora recebidos na reclamatória trabalhista. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tratase de notificação de lançamento contra JOÃO FERREIRA, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no exercício de 2010, anocalendário 2009. Observase pelos documentos anexados aos autos (fls. 335 a 349), que o contribuinte fiscalizado ajuizou duas ações na Justiça Federal do Rio de Janeiro, nas quais Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18470.721739/201149 Acórdão n.º 2202002.996 S2C2T2 Fl. 353 3 pleiteia a restituição do IRRF incidente sobre o valor do principal e dos juros de mora recebidos na reclamatória trabalhista. Em consulta ao sítio da Justiça Federal do Rio de Janeiro, verificase que as referidas ações (2014.51.01.0088565 e 2014.51.01.0088644) estão tramitando junto à 18ª Vara Federal daquela Seção Judiciária, conforme Certidão de fls. 131 e 132 do processo judicial. As ações propostas judicialmente pelo contribuinte autuado possuem o mesmo objeto deste processo, o que significa a sua renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01, que assim dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009783/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/01/2007
CERTIFICADO DE ENTIDADES BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL - CEBAS. RETROATIVIDA.
Tendo a entidade filantrópica protocolado requerimento para a renovação do CEBAS, este, quando concedido, tem efeitos retroativos.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-004.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, desconstituindo assim a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2000 a 31/01/2007 CERTIFICADO DE ENTIDADES BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL - CEBAS. RETROATIVIDA. Tendo a entidade filantrópica protocolado requerimento para a renovação do CEBAS, este, quando concedido, tem efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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RETROATIVIDA. Tendo a entidade filantrópica protocolado requerimento para a renovação do CEBAS, este, quando concedido, tem efeitos retroativos. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, desconstituindo assim a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 83 /2 00 7- 13 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Associação de Cegos Louis Braille interposto em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG), que restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 09/07/2000 a 08/01/2007 Ementa CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE. COTA PATRONAL. A natureza beneficente da entidade, para fins de isenção das contribuições previdenciárias (cota patronal), deve ser comprovada por meio de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social atualizado, além do preenchimento dos demais requisitos legais para tanto. Inexistindo prova nos autos nesse sentido, não há como conferir a entidade a isenção pretendida. Lançamento Procedente" O processo ora em apreço originouse da Informação Fiscal, emitida em 08/01/2007, pelo Serviço de Orientação da Arrecadação/DRPBH, com a proposta de cancelamento da isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Consta nos autos que a fiscalização constatou que a contribuinte deixou de ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a partir de 09/07/2000, em inobservância ao artigo 55, inciso II, da Lei 8.212, de 1991; bem como registrou em contas de compensação, os valores atribuídos a Gratuidades Concedidas/Assistência Social Financeira, desatendendo o artigo 55, inciso III, da mesma Lei, na sua redação original, sem as alterações introduzidas pela Lei 9732, de 11 de dezembro de 1998; conforme demonstrado de fls. 1 a 5. A ora recorrente tomou ciência da Informação Fiscal, através do Oficio n° 11401.1/003/2007 (fls. 78), em 24/01/2007, conforme Aviso de Recebimento/AR, fls. 78 v, tendo apresentado defesa tempestiva em 06/02/2007, fls. 79 a 87, e anexos, fls. 88 a 122, alegando, em síntese, que a informação fiscal de que a entidade deixou de atender, a partir de 09/07/2000, a exigência do inciso II do artigo 55 da Lei 8212/91, é totalmente improcedente, uma vez que; a) antes do vencimento do prazo de validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, em 08/07/2000, pediu a renovação, via postal, cuja data de postagem foi colocada no envelope pela Agência do Correio; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.009783/200713 Acórdão n.º 2803004.224 S2TE03 Fl. 229 3 b) embora, solicitado pelo CNAS, não teve como comprovar a data de postagem do requerimento de renovação de isenção, pois essa constava do envelope extraviado no próprio CNAS; c) em maio de 2001, foi expedido novo certificado, porém, com validade a partir de 17/05/2001; apresentou recurso para que fosse providenciada a correção, pois o erro ocorreu porque o CNAS extraviou o envelope contendo a data de postagem; d) entre o término da validade, 08/07/2000, sábado, e a data em que foi feito o registro do processo, 17/07/2000, segundafeira, transcorreram apenas 5 (cinco) dias úteis, prazo médio gasto pelo correio para entrega de documentos, aliado ao fato de que as correspondências nem sempre são abertas no mesmo dia, tornando óbvio que o documento foi postado antes do dia 08/07/2000, sábado; e) a data constante do registro, 17/07/2000, é o dia em que o requerimento foi protocolado pelo CNAS e não o dia em que a correspondência foi recebida pelo mesmo Órgão; f) o Órgão Público expediu novo certificado de renovação retificando o anterior com data inicial de validade em 17/07/2000; g) todos os fatos ocorridos em 2000 e 2001 foram alcançados pela prescrição qüinqüenal, como dispõe a Constituição Federal c/c o artigo 173, caput, do Código Tributário Nacional; Ao analisar a defesa apresentada pela contribuinte, a DRJ se posicionou pela procedência da Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção e conseqüente emissão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, a partir de 09/07/2000. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em apenas uma lauda, aduzindo, em apertado escorço, que tratase de uma matéria exclusivamente de direito e o fato de permanecer apenas 5 dias úteis sem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS não é motivo para cancelar a imunidade. Quando muito, conta se novo prazo a partir de 16/07/2000. Aduziu, ainda, que os exercícios anteriores a 2003 já foram alcançadas pela prescrição qüinqüenal. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Fazendo o juízo de prelibação, observase que o recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Filantropia CEBAS Analisando a manifestação apresentada pelo próprio Serviço de Orientação de Arrecadação Previdenciária (fls. 188/190), em seu item 5, "conforme pode ser observado, o CEAS expedido pelo CNAS em 05/02/2007, alem de ter validade para o período de 17/07/2000 a 16/07/2003, também assegura a validade do CEAS concedido em 09/07/1997, 'por ter sido renovado pela Resolução CNAS n. 65, de 16/05/2001' que julgou o processo n. 14006.001792/200056." Assim sendo, não paira dúvida de que tem razão a recorrente. É bem verdade que houve alteração no critério de uso do beneficio com a edição da Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009, que assevera em seu artigo 31 que “o direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo”. Ora, a entidade protocolou no órgão público, devidamente instruído, o pedido de certificação na época que ainda estava vigente a sistemática de concessão do CEBAS com data retroativa ao protocolo. No período considerado pelo fisco a legislação foi alterada diversas vezes no que diz respeito à exigência do certificado: Lei 8.212/91 “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;” (...) A Medida Provisória 446, de 7 de novembro de 2008, revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91 e estipulou as condições necessárias para o benefício, contudo manteve a exigência do Certificado. Estabeleceu, ainda, que os pedidos de concessão originária de Certificado que não tenham sido objeto de julgamento pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, até a data de publicação da Medida Provisória, seriam remetidos ao Ministério responsável, “de acordo com a área de atuação da entidade, que os julgará, nos termos da legislação em vigor à época do requerimento”. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.009783/200713 Acórdão n.º 2803004.224 S2TE03 Fl. 230 5 MP 446/98 “Art. 3º A certificação será concedida à entidade beneficente que demonstre, nos doze meses que antecederam ao do requerimento, o cumprimento do disposto nas Seções I, II e III deste Capítulo, de acordo com a respectiva área de atuação. § 1º Nas situações previstas em regulamento, a demonstração do cumprimento do disposto no caput poderá ter como base os primeiros doze meses contidos nos dezesseis meses que antecederem ao do requerimento. § 2º O período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços conveniados com o Sistema Único de Saúde SUS ou com o Sistema Único de Assistência Social SUAS, em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.” (...) “Art. 36. Os pedidos de concessão originária de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que não tenham sido objeto de julgamento pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória serão remetidos ao Ministério responsável, de acordo com a área de atuação da entidade, que os julgará, nos termos da legislação em vigor à época do requerimento.” Posteriormente, a Medida Provisória n.º 446 foi rejeitada pelo Congresso Nacional, conforme Ato do Presidente da Câmara dos Deputados, retornando a vigorar o artigo 55 da Lei n.º 8212/91. Ei o teor do ato que comunicou a rejeição da MP 446: “O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS faz saber que, em sessão realizada no dia 10 de fevereiro de 2009, o Plenário da Casa rejeitou a Medida Provisória nº 446, de 10 de novembro de 2008, que "Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, e dá outras providências". Não houve a publicação de Decreto Legislativo para regular os efeitos advindos da Medida Provisória rejeitada pelo Congresso. Em 30 de novembro de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a Lei n.º 12.101 que dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulou os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social e alterou outras leis que tratavam do tema. Pelo que dispôs o artigo 31 “o direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo”. Ocorre que a entidade protocolou pedido junto ao órgão competente e, após longo prazo de espera, teve a publicação do ato de concessão de sua certificação com prazo de vigência desde a publicação oficial. Medida que contraria, inclusive, o disposto na parte final do art. 36 da MP n.º 446, que assegurava ao contribuinte ter seu pedido julgado nos termos da Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 legislação vigente à época do requerimento. E a legislação vigente á época assegurava a retroatividade: “Art. 208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). (...) § 2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo.” Vale destacar, ainda, o Ato Declaratório nº 05/2011, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, dispensando a interposição de recurso “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei nº 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte”. A ProcuradoriaGeral da Fazenda se manifestou em seu parecer, nos seguintes termos: “4. Primeiramente, vale ressaltar que este Parecer não trata das demandas em que se pleiteia a declaração da existência de direito adquirido ao reconhecimento da natureza de filantrópica, nas quais se pleiteia a manutenção do direito ao CEBAS não obstante a desobediência aos requisitos de legislação superveniente. Neste ponto, a jurisprudência é pacífica a favor do pleito fazendário de que não há direito adquirido. 5. Neste parecer, temse em foco a controvérsia sobre os efeitos da concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, se meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc, ou se constitutivo, de modo que possui efeitos ex nunc. 6. O Poder Judiciário entendeu, conforme se observa da jurisprudência pacífica do STJ, no sentido de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc. De acordo com o Ministro Castro Meira, no julgamento do Resp 478239/RS, Segunda Turma.” A Jurisprudência nos Tribunais foi pacificada e definiu que a certificação é ato declaratório administrativo ex tunc, retroagindo portanto no tempo. É bem verdade que o posicionamento doutrinário e jurisprudencial é contrário aos dispositivos da legislação revogada (art. 55, II, da Lei nº 8.212/91, do Decreto nº 2.536/98 e do Decreto nº 3.048/99), mas a construção consolidada com base na legislação revogada não se alterou com as novas disposições da Lei nº 12.101/2009 (art. 31). EDcl no AgRg no REsp 737907/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Julgado em 16/04/2009, DJe 29/04/2009. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.009783/200713 Acórdão n.º 2803004.224 S2TE03 Fl. 231 7 Insta salientar, outrossim, que a própria manifestação da fiscalização informa que a renovação do CEBAS da recorrente abrange o período ora discutido, sendo concedido através da Resolução CNAS n. 65, que julgou o processo n. 14006.001792/200056. Ademais, os Estatutos Sociais da entidade demonstram tratarse de entidade beneficente de assistência social. Aplica, ainda, todos os recursos nos seus objetivos sociais e não distribui lucros aos seus associados, diretores ou empregados. Nesse sentido, dou provimento ao recurso voluntário manejado pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, desconstituindo assim a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 13896.910070/2012-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 0/ 20 12 -2 4 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910070/201224 Resolução nº 3801000.872 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 225DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910070/201224 Resolução nº 3801000.872 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910070/201224 Resolução nº 3801000.872 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 227DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910070/201224 Resolução nº 3801000.872 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 228DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910070/201224 Resolução nº 3801000.872 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 229DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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