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Numero do processo: 37311.000521/2004-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a possível existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o questionamento apontado. Aplica-se a regra de decadência constante do Código Tributário Nacional - CTN. Correta a aplicação do art. 173, II do CTN por anulação de lançamento originário por vício formal. A falta de cientificação do corresponsável é vício na formalização do ato administrativo, que pode ser reparado com a ciência. Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos em parte, nos termos do voto do relator, para: I- declarar decadente a competência 04/97; II - manter as demais competências, nos termos da decisão embargada. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a possível existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo CARF correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o questionamento apontado. Aplica-se a regra de decadência constante do Código Tributário Nacional - CTN. Correta a aplicação do art. 173, II do CTN por anulação de lançamento originário por vício formal. A falta de cientificação do corresponsável é vício na formalização do ato administrativo, que pode ser reparado com a ciência. Embargos Acolhidos em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     2  Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata­se  de  embargos  apresentados  pelo  contribuinte  acima  mencionado  alegando omissão sobre o fato de que na primeira NFLD 35.386.599­0, lavrada em 28/03/2003,  que substituiu a notificação atual em discussão (NFLD 35.654.494­0), já havia transcorrido o  prazo decadencial, não podendo ser aplicado o art. 173, II do CTN ao caso.   Houve omissão, também, quanto à situação anterior à Lei 9.711/98, de modo  que  não  houve  apreciação  da  responsabilidade  solidária  da  tomadora  de  serviços.  Somente  poderia  ser  atribuída  se  ficasse  constatada  o  inadimplemento  das  contribuições  junto  à  prestadora de serviços. A obrigatoriedade da tomadora de apurar e reter os valores (art. 31 da  Lei 8.212/91) só surgiu com a Lei 9.711/98, com vigência a partir de 01/02/99.  É o relatório.  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37311.000521/2004­03  Acórdão n.º 2803­003.732  S2­TE03  Fl. 762          3 Voto             Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  Trata­se de embargos de declaração, interposto tempestivamente, em razão de  a empresa supracitada alegar omissão do Acórdão guerreado.  O  Regimento  Interno  do  CARF,  Portaria MF/GM  256,  de  22  de  junho  de  2009, prevê no art. 65 e seguintes o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que  restarem  omissos,  obscuros  ou  contraditórios  em  algum  de  seus  termos,  sendo  estes  os  requisitos indeclináveis para seu acatamento.  Assim  sendo,  reconhece­se  os  embargos  do  contribuinte  no  sentido  de  se  analisar e esclarecer suas razões.  DECADÊNCIA  O  contribuinte  alega  que  a  primeira  NFLD  35.386.599­0  (substituída)  foi  lavrada em 28/03/2003 e que já havia transcorrido o prazo decadencial.  A  nova  notificação  NFLD  35.654.494­0,  emitida  em  05/02/2004,  informa  período de  lançamento: 04/97 e 09/98. Não consta  recolhimento  antecipado de contribuições  sociais. Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN.  A contar os 5 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado, a competência 04/97 estaria decadente a partir de  01/01/2003 e a competência 09/98 a partir de 01/01/2004.  O Mandado de Procedimento Fiscal  – MPF  (fl.  37  dos  autos  digitalizados)  informa  que  se  trata  de  ação  fiscal  para  substituição  da  NFLD  35.386.599­0  com  Decisão­ Notificação DN 21.426.4/0079/2003.  A Decisão­Notificação DN 21.426.4/0079/2003 foi emitida em 15/04/2003 e  anulou  o  lançamento  fiscal  (NFLD  35.386.599­0  lavrada  em  28/03/2003)  por  falta  de  cientificação do corresponsável solidário, prestador do serviço (fls. 161/165).  Desse  modo,  tem­se  que  a  competência  04/97  estaria  decadente  e  a  competência 09/98 estaria mantida na notificação substituída NFLD 35.386.599­0, lavrada em  28/03/2003.  Nota­se que por qualquer das regras do CTN, art. 150, § 4o ou art. 173, inciso  I, a competência 09/98 não estaria decadente para a notificação substituída NFLD 35.386.599­ 0, emitida em 28/03/2003.  Como  conclusão,  tem­se  que  a  competência  04/97  está  decadente  e  a  competência 09/98 está mantida no novo lançamento fiscal em discussão NFLD 35.654.494­0,  com ciência do contribuinte em 09/02/2004 (fl. 3).  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     4  VÍCIO FORMAL  Informa a decisão recorrida que a anulação do lançamento originário se deu  por vício formal, assim, com base no art. 173, II do CTN não há que se falar em decadência do  novo  lançamento,  pois  o  prazo  para  constituir  o  crédito  se  extingue  após  5  (cinco)  anos  contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o  lançamento efetuado.  Como a ciência do lançamento substituto se deu em 09/02/2004 e a decisão  que tornou nulo o lançamento anterior por vício formal foi em 15/04/2003, o novo lançamento  foi feito dentro do prazo previsto de cinco anos, nos termos do art. 173, II do CTN.  Quanto à aplicação da regra para anulação do lançamento originário por vício  formal,  tem­se  que  a  hipótese  prevista  no  art.  173,  inciso  II,  do CTN  estabelece  apenas  um  novo prazo para que a autoridade fiscal efetue novo  lançamento  tributário corrigindo o vício  formal  que  originou  a  anulação,  contendo  os  mesmos  elementos  substanciais  que  se  encontravam  no  anterior,  não  podendo  outros  serem  incluídos.  Tal  ato  é  mera  formalidade,  como menciona  o  Ilustre  Prof. Hugo  de Brito Machado,  "Curso  de Direito  Tributário",  28a  edição, pg. 241.  O vício formal que resultou na anulação do lançamento originário se deu em  razão da falta de cientificação do lançamento fiscal por parte do corresponsável (prestador do  serviço).  Defeito  ou  falta,  meramente  formal,  cuja  correção  foi  atendida  no  lançamento  substituto.  Há de se  ressaltar que não houve alteração do objeto ou do fato gerador do  lançamento  fiscal,  apenas  a  emissão  de  novo  lançamento  com  mesmo  fato  gerador  e  fundamentação  legal,  agora  com  a  cientificação  do  corresponsável,  para  atender  as  formalidades legais e necessárias do processo administrativo fiscal.  Assim sendo, não há que se falar em anulação do lançamento originário por  vício material, nem em lançamento por presunção.  Desse modo,  entende­se  ser  correta  a aplicação  do art.  173,  II  do CTN por  anulação de lançamento originário por vício formal. A falta de cientificação do corresponsável  é  vício  na  formalização  do  ato  administrativo,  que  pode  ser  reparado  com  a  ciência  do  corresponsável.  Como se pode notar dos autos os interessados foram cientificados dos atos da  fiscalização  e  tiveram  todas  as  suas  razões  analisadas.  Destarte,  não  há  que  se  falar  em  ferimento ao contraditório, ampla defesa e à legalidade.  A mera ocorrência de falta de citação do corresponsável solidário (prestador  do serviço) configura erro de  fato que pode ser  reparado com a  correção do vício  formal. O  vício formal está no elemento forma do ato administrativo, enquanto o vício material está no  objeto. (Solução de Consulta Interna COSIT Nº 8, de 08/03/2013).  SITUAÇÃO ANTERIOR À LEI 9.711/98  O contribuinte assevera que houve omissão quanto à situação anterior à Lei  9.711/98. A responsabilidade do  tomador do serviço somente poderia ser atribuída se  ficasse  constatada  o  inadimplemento  das  contribuições  junto  à  prestadora  de  serviços.  A  obrigatoriedade da  tomadora de  apurar e  reter os valores  (art.  31 da Lei 8.212/91)  só  surgiu  com a Lei 9.711/98, com vigência a partir de 01/02/99.  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 37311.000521/2004­03  Acórdão n.º 2803­003.732  S2­TE03  Fl. 763          5 Como demonstrado no acórdão embargado, o art. 31, §§ 1o, 3o  e 4o, da Lei  8.212/91, anterior a redação da Lei 9.711/98, já admitia ao tomador dos serviços a retenção de  importância  devida  para  garantia  do  cumprimento  da  obrigação  legal.  Para  se  eximir  da  responsabilidade solidária o tomador tinha o dever de solicitar do prestador a comprovação do  recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída  em  nota  fiscal  ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados,  quando  da  sua  quitação,  exigindo cópia das guias de recolhimento quitadas e folha de pagamento específicas relativas  aos serviços.  Lei 8.212/91  Art.  31.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços  prestados,  exceto  quanto  ao  disposto  no  art.  23,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem.  (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o  executor  e  admitida  a  retenção  de  importâncias  a  este  devidas  para  garantia  do  cumprimento  das  obrigações  desta  Lei,  na  forma estabelecida em regulamento.  §  2º  Exclusivamente  para  os  fins  desta  Lei,  entende­se  como  cessão de mão­de­obra a colocação à disposição do contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades  normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma  de  contratação.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.1997).  §  3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  este  artigo  somente  será  elidida  se  for  comprovado  pelo  executor  o  recolhimento  prévio  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  incluída  em  nota  fiscal  ou  fatura  correspondente aos serviços executados, quando da quitação da  referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei  nº 9.032, de 28.4.1995).  §  4º  Para  efeito  do  parágrafo  anterior,  o  cedente  da  mão­de­ obra  deverá  elaborar  folhas  de  pagamento  e  guia  de  recolhimento distintas para cada empresa  tomadora de serviço,  devendo  esta  exigir  do  executor,  quando  da  quitação  da  nota  fiscal  ou  fatura,  cópia  autenticada  da  guia  de  recolhimento  quitada  e  respectiva  folha  de  pagamento.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95).  Entretanto,  não  comprovou  ter atendido o dispositivo  legal vigente à  época  do  lançamento  fiscal,  tampouco  o  adimplemento  das  contribuições  junto  à  prestadora  de  serviços.  A  lei  em  vigor,  cuja  invalidade  ou  inconstitucionalidade  não  foi  declarada,  deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     6  âmbito  administrativo,  afastar  aplicação  de  legislação  nos  termos  do  art.  26­A  do  Decreto  70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais ­ CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  em  acolher  os  embargos  de  declaração  em  parte  para  esclarecer as alegações do contribuinte quanto às possíveis omissões e: I ­ declarar decadente a  competência 04/97; II – manter as demais competências, nos termos da decisão embargada.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima                              Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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5714761 #
Numero do processo: 10980.000051/2003-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. Ao final da realização de diligências para apuração de compensações alegadas, que tem como resultado valor e informações distintas das informadas pela Recorrente em sua impugnação e Recurso Voluntário, relacionando todos os processos de crédito da Recorrente, e apontando ainda débito em aberto, há que se levar em conta a informação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram a presente, para reconhecer que do lançamento realizado a Recorrente compensou legitimamente R$ 819.269,89, sendo exigível o valor remanescente de R$ 779.356,27, conforme apurado em diligência. Sustentou oralmente pela o Recorrente o Dr. Wesley Franco, OAB/SP 341.556. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. Ao final da realização de diligências para apuração de compensações alegadas, que tem como resultado valor e informações distintas das informadas pela Recorrente em sua impugnação e Recurso Voluntário, relacionando todos os processos de crédito da Recorrente, e apontando ainda débito em aberto, há que se levar em conta a informação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram a presente, para reconhecer que do lançamento realizado a Recorrente compensou legitimamente R$ 819.269,89, sendo exigível o valor remanescente de R$ 779.356,27, conforme apurado em diligência. Sustentou oralmente pela o Recorrente o Dr. Wesley Franco, OAB/SP 341.556. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     2 (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente da  turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern,  Ivan Allegretti, Domingos  de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).    Relatório  Trata­se  de  Auto  de  infração  lavrado  contra  a  empresa Kraft  Foods  Brasil  S.A.,  veiculando  crédito  tributário  da  COFINS,  em  que  foi  apurada  diferença  entre  o  valor  escriturado e o declarado/pago, no período de 01 a 07/2001, 11 e 12/2001 e 02/2002.  A  Recorrente  apresentou  impugnação  informando  que  no  que  se  refere  às  competências  01/2001  a  07/2001,  11/2001,  12/2001  e  02/2002,  cuidou  de  determinar  o  montante da COFINS devida e promoveu o recolhimento da Contribuição, conforme memória  de cálculos por ela juntada.  Contudo,  em  preliminar,  aduz  que  a  Autoridade  Fazendária  cometeu  equívoco que macularia o auto, pois  incluiu indevidamente receitas de exportação na base de  cálculo da COFINS, quando da lavratura do auto de infração.  As inclusões indevidas de receitas de exportação foram de R$ 1.911.976,00 e  R$  1.412.710,00  para  novembro  de  dezembro  de  2001  e  que,  portanto,  o  valor  a  recolher  a  título  de COFINS  seria  totalmente  distinto  daquele  apontado  pela Autoridade  Fiscalizadora,  valor este que foi recolhido pela Recorrente, como afirmado anteriormente.  Alega a Recorrente que as Autoridades Fazendárias não esgotaram  todas as  possibilidade  de  averiguação  da  documentação  que  comprovasse  tratar­se  o  valor  de  R$  1.510.668,70,  de  lançamento  equivocado  na  DCTF,  no  que  se  refere  ao  fato  gerador  de  02/2002, posto que efetuou a compensação de crédito presumido de IPI com a COFINS.  Aduz que realizou as compensações, mas que, por equívoco, não constou na  DCTF  correspondente,  mas  que  verificou  que  realmente  havia  divergência  decorrente  da  apuração  das  bases  de  cálculo  e  que,  por  essa  razão,  decidiu  recolher  a  diferença  por  ela  calculada  no  montante  de  R$  51.930,85  que  se  somados  ao  R$  1.510.668,70  resultam  exatamente no valor lançado.  Defende  ainda  que  tendo  efetuado  a  retificação  da DCTF,  após  o  início  da  fiscalização,  a Autoridade Fazendária deveria  verificar  que  se  tratou  de  simples  erro  formal,  sendo que, na realidade, de acordo com seu argumento, o próprio Fisco poderia ter efetivado tal  retificação de ofício.  Descreve longamente sobre presunção e conclui que a Autoridade Fazendária  se baseou em presunção para o lançamento, mas a diferença apontada se refere efetivamente à  compensação  realizada  pela  Recorrente,  apenas  não  tendo  sido  declarada  em  DCTF  no  momento oportuno.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10980.000051/2003­50  Acórdão n.º 3403­003.355  S3­C4T3  Fl. 7          3     A DRJ  julgou  parcialmente  procedente  a  Impugnação,  dividindo  o  auto  de  infração por períodos, pois no período de 01/2001 a 07/2001 a Recorrente acatou totalmente o  lançamento  realizado,  e  no  período  de  11/2001  e  12/2001  a Recorrente  concordou  em  parte  com o lançamento, tendo apenas requerido as exclusões das receitas de exportação da base de  cálculo.  Com  respeito  ao  período  de  apuração  02/2002,  a  interessada  concorda  em  parte com o lançamento, tendo em vista que não teria recolhido nem declarado o montante de  R$ 51.930,85 de Cofins.   Assim, a análise da DRJ sobre procedência e  improcedência do  lançamento  dos  períodos  de  apuração,  relativo  à  01/2000  a  07/2001  e  parte  dos  períodos  de  11/2001  a  12/2001 e 02/2001, foi excluído do julgamento, limitando­se ao questionamento apenas quanto  aos períodos de 11/2001 a 12/2001 e 02/2002.  Em relação a 11/2001 e 12/2001 a DRJ excluiu as receitas de exportação da  base de cálculo do auto de infração que, conforme relata, haviam sido excluídas em períodos  anteriores  pelas Autoridades  Fazendárias  que,  provavelmente,  se  equivocaram  quanto  a  esse  ponto.  O lançamento de 02/2002 foi integralmente mantido.  Descreve  a  Decisão  o  pleito  formulado  pela  Recorrente,  de  que  havia  entregue a DCTF original com incorreção, posto que não teria feito constar dessa declaração,  em  18/03/2002,  compensação  de  valores  advindos  de  ressarcimento  de  IPI  com  a  COFINS  devida nesse período de apuração, no montante de R$ 1.510.668,70.  Alega  ainda  que  em  17/10/2002  teria  promovido  a  entrega  de  pedido  de  alteração de DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2002, fazendo constar a compensação por  ela realizada.  A  DRJ  fundamente  sua  decisão  afirmando  que  a  constatação  do  não­ recolhimento  da  Contribuição  não  é  simples  presunção  do  Fisco,  mas,  sim,  a  verificação  objetiva de que, à época da ação fiscal, a Recorrente não  tinha recolhido e nem, de qualquer  forma, declarado como devida a COFINS referente ao período de 02/2002.  Portanto, cabível o lançamento de ofício na forma como realizado, sendo que  o próprio pedido de alteração da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2002 foi protocolado  posteriormente ao início da ação fiscal, ocorrida em 17/09/2002, estando ainda, pelo que consta  dos autos, sujeita à apreciação pela Receita.  Quanto  a  alegação  de  que  a  Autoridade  Fiscalizadora  deveria  corrigir  de  ofício o suposto erro da Recorrente, a DRJ fundamentou que não se tratou de erro, mas sim de  declaração prestada pela própria Recorrente, quando da realização da ação fiscal.  Afirma que após o início da ação fiscal há, sim, perda de espontaneidade pela  Recorrente, não cabendo, no caso se falar em "erro" na prestação de informações ao Fisco, via  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     4 DCTF, corrigível de ofício, posto que, para o período de apuração 02/2002, inexistia, na DCTF  correspondente,  a  declaração  do  valor  correspondente  da COFINS,  o  que  seria  obrigação  da  Recorrente.  E quanto ao pedido de compensação do débito da COFINS, a DRJ observa  que  tal  pedido  estaria  vinculado  a  7  (sete)  outros  processos  administrativos  de  pedidos  de  ressarcimento do IPI, sendo que somente se poderia falar em aproveitamento de tais créditos,  para  extinção  do  débito  da  COFINS  referido,  após  o  reconhecimento  do  direito  creditório  anteriormente à ação fiscal, nos respectivos processos administrativos, o que a Recorrente não  comprova que teria ocorrido.  A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando principalmente, que a  exigência mantida pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita, relativo à cobrança  de 02/2002, não pode prevalecer,  em razão de  sua exigência  estar em  total desconformidade  com o ordenamento  jurídico e a doutrina predominante; diz ainda que a DRJ não considerou  em  sua  decisão  os  argumentos  jurídicos  e  os  aspectos  fáticos  relacionados  na  peça  impugnatória.  Requer  que  sejam  apensados  no  processo  todas  as  provas  para  comprovação  efetiva de que a autuação referente a fevereiro de 2002 é improcedente.  Ressalta  a  necessidade  de  unir  ao  presente,  os  processos  ns.º  13836.000233/2001­11, 13888.001236/2001­66, 13839.001119/2001­88, 13836.000411/2001­ 11,  13832.000124/2001­36,  13973.000460/2001­71  e  13888.000109/2002­21,  pois  estes  englobam  a  discussão  acerca  da  compensação  do  valor  de  Cofins,  sendo  necessário  que  o  julgamento  se  proceda  em  conjunto,  para  evitar  decisões  supervenientes  e  também  para  homenagem ao princípio da economia processual.  O processo foi levado ao antigo Segundo Conselho de Contribuintes, em que  restou  decidido,  por  unanimidade  de  votos,  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  Delegacia  de  origem  para  verificação  dos  processos  citados  pelo  contribuinte,  para  que  seja  analisada a natureza dos processos de compensação e de créditos pendentes de julgamento, e  após,  juntada  das  decisões  finais  dos mesmos  ser  devolvido  ao  Colegiado  responsável  para  prosseguimento do Recurso Voluntário.  Em resposta à Diligência  solicitada, a DRF se pronunciou após verificar os  processos relacionados. Do total devido pela contribuinte, foi compensado o valor total de R$  813.661,12, nos seguintes processos: 13836.000233/2001­11 (10980.005471/2003­22) o valor  de  R$  14.970,14;  13836.000411/2001­11  (10980.005470/2003­88)  o  valor  de  R$  2.762,58;  13973.000460/2001­71  (10980.005535/2003­95)  o  valor  de  R$  53.844,61  e  13888.000109/2002­21 (10980.005474/2003­66) o valor de R$ 742.083,79.  No relatório de diligência de fls. 192/193 não consta compensação de débito  de Cofins relativo ao mês de fevereiro/2002. O processo retornou à Segunda Instância, tendo o  CARF decidido pela realização de nova diligência, abaixo descrita:    Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10980.000051/2003­50  Acórdão n.º 3403­003.355  S3­C4T3  Fl. 8          5   A  diligência  retornou  com  as  respostas  aos  questionamentos  formulados  e  com a conclusão de que ainda se encontra em aberto o valor de R$ 779.356,27, não tendo sido  comprovado nenhum recolhimento ou compensação, conforme fls. 244//246.  A  Recorrente  se  manifestou  em  19  de  março  de  2014  e  alegou  que  a  competência  de  02/2002  estaria  totalmente  paga,  assim  como  que  as  diligências  foram  deficientes, mas todo o conjunto probatório demonstraria que não haveria débito da COFINS,  motivo pelo qual junta documentação para fazer prova de suas alegações.  Aduz  que  a  diligência  não  foi  devidamente  cumprida  e  alega  pagamentos  realizados posteriormente, descritos em sua petição de fls. 252/259.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista    O presente processo tem como objeto a competência de 02/2002 da COFINS,  em  que  a  Recorrente  alegou  que  havia  compensado  grande  parte  do  valor  com  crédito  presumido de IPI e feito o pagamento do valor remanescente, apenas tendo falhado ao não ter  informado na sua DCTF o referido crédito utilizado em compensação.  Foram  realizadas  diligências,  que  apuraram  que  a  versão  constante  na  impugnação não correspondia totalmente à realidade, mas mesmo assim o CARF determinou a  realização de nova diligência que apurou que encontra­se em aberto o valor de R$ 779.356,27  após compensação de R$ 819.269,89.  Veja que o valor efetivamente compensado é completamente distinto daquele  afirmado em impugnação e no Recurso Voluntário, sendo que tais desdobramentos processuais  decorrem  não  por  conta  da  suposta  deficiência  das  diligências,  mas  sim  pela  ausência  de  informações da própria Recorrente, conforme demonstra a informação fiscal:  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     6   Com  isso  o  processo  administrativo  adquiriu  marcha  não  usual,  em  que  a  Receita  Federal  foi  obrigada  a  verificar  todas  as  compensações  realizadas,  chegando  a  conclusões  e  informações  distintas  das  prestadas  pela  Recorrente  em  sua  impugnação  e  seu  Recuso Voluntário, esgotando a sua informação fiscal às fls. 244/246, que apontou o valor do  débito em R$ 779.356,27.  Por outro  lado, o processo deve chegar a um  termo  final  e,  por essa  razão,  que  a  legislação  impõe  prazos  aos  contribuintes  para  a  apresentação  de  suas  provas,  determinando  a  impossibilidade  inovação  de  seu  pedido  ou  a  apresentação  a  posterior  de  documentação que, na realidade, deveria ter sido acostada em sua impugnação como forma de  demonstrar o quanto alegado.  Ante  o  exposto,  julgo  procedente  em  parte  o  Recurso  Voluntário  reconhecendo  que  do  lançamento  realizado  a  Recorrente  compensou  legitimamente  R$  819.269,89,  nos  termos  do  resultado  da  diligência,  sendo  exigível  o  valor  remanescente,  destacando­se que nenhum dos créditos pode ser exigido em duplicidade.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista  ­  Relator                             Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA

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Numero do processo: 10680.912787/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 173          2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o  Despacho  Decisório  emitido  eletronicamente  (fl.  07),  referente  ao  PER/DCOMP nº 19185.90370.311005.1.3.04­4435.  A Declaração de Compensação gerada pelo  programa PER/DCOMP  foi  transmitida com o objetivo de  ter  reconhecido o direito creditório  correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de  transmissão  de  R$1.882,46,  representado  por  Darf  recolhido  em  15/09/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido  PER/DCOMP.  De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do  DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  compensação  declarada  NÃO FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se:arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de  25  de  outubro  de 1966  (Código Tributário Nacional CTN),art.  74  da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE   Cientificado  do  Despacho  Decisório  em  30/04/2009,  conforme  documento  de  fl.  48,  o  interessado  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  02/04,  em  02/06/2009,  cujo  conteúdo,  em  síntese, o seguinte:  ­ registra, inicialmente, a tempestividade da defesa;   ­ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu  a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito,  mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo  perfeitamente  suficiente  para  a  compensação  a  ser  realizada  (documentação anexa);  ­ esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos  os  requisitos  da  legislação  então  em  vigor,  e  que  a  controvérsia  que  persiste nos autos refere­se, exclusivamente, à existência do crédito no  equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a  compensação  de  crédito  já  compensado  em  processo  administrativo  diverso;   ­ fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN),  afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do  despacho  decisório  ora  questionado,  devendo  ser  reconhecida  e  homologada a compensação procedida, desconstituindo­se a exigência  das diferenças apontadas pelo Fisco Federal;  ­  assim,  ao  final,  requer  seja  homologado o  direito de  compensação,  por  todos  fundamentos  aqui  apresentados.  Na  hipótese  de  não  se  conhecer  a  referida  homologação,  garantindo­lhe  o  direito  constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 174          3 Receita  Federal  do  Brasil  apresente  as  supostas  duplicações  de  compensações alegadas no referido despacho decisório.  Por  sua  vez,  a  DRF  de  origem  se  manifesta  a  respeito  da  tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.”  Julgando  o  litígio  estabelecido,  a  Autoridade  Julgadora  de  1ª  Instância  Administrativa,  decide  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  não  reconhecendo o direito creditório postulado, nos  termos da ementa e dispositivo do Acórdão  recorrido, a seguir transcrito:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/08/2004   PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há  que se falar de crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Acórdão   Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de  votos,  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  para  não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório  e voto que passam a integrar o presente julgado..”  Cientificada  da  decisão  de  1ª  Instância  de  Julgamento  administrativo  em  09/04/201  (AR  de  e­fl  60),  por meio  do  Termo  de Ciência  e  Notificação  de  e­fls.  55/57,  a  contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do  qual sustenta que:  (a)  a  conclusão  do  fisco  de  que  o  pagamento  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  o  débito  possivelmente  “partiu  do  equívoco  da  recorrente,  que  deixou  de  retificar  a  DCTF  a  fim  de  explicitar  a  inexistência  do  débito  daquela  contribuição  após  tomar  ciência  do  pagamento  indevido  e  proceder  à  sua  compensação  com  débito  diverso, mero  erro  material, por óbvio”;   (b)  a  DRJ  inovou  ao  julgar  a  manifestação  de  inconformidade,  referindo­se ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que  mencionado  Decreto  extrapola  previsão  legal  dos  limites  da incidência do PIS Folha;  (c)  a  decisão  de  Ia  instância  contraria  o  entendimento  da  Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de  15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de  contribuintes  do PIS  Folha,  entendendo pela  incidência  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 175          4 exclusiva  sobre  o  PIS  Faturamento,a  qual  possui  efeito  vinculante para a administração, nos termos do art. 100,  inc.  II do CTN.  (d)  O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF  nº  145,  de  1999,  e  nº  247,  de  2002,  são  ilegais  quando  prevêem a  incidência do PIS Folha na hipótese de deduções  de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito  à  cooperativa  de  trabalho,  não  está  prevista  na  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001;  (e)  a  Recorrente  não  procedeu  a  qualquer  dedução  prevista  na  Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001,  que  pudesse  justificar  a  cobrança  do  PIS  Folha  (até  porque  as  deduções  dos  incisos  I  a  V  do  artigo  32  do  Decreto  nº  4.524/2002  dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho);  (f)  a  Recorrente  não  deduziu  da  base  de  cálculo  do  PIS  Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do  artigo  32  do  Decreto  nº  4.524/2002),  tendo  depositado  em  juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade  prevista na Lei nº 9.718, de 1998.  Afirma que sob  pena  de  se  contrariar  a  realidade  fática,  a  obediência  ao  princípio  da  legalidade  e  a  própria  solução  de  consulta,  que  vincula  a  administração  pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância.  E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da  Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004 e cópia de balancete  parcial  referente  ao  mês  do  período  de  apuração  do  PIS  Folha,  dito  como  pago  indevidamente(código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social.  Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído.  É o relatório.  VOTO  Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ  O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, devendo ser conhecido.  A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor  recolhido  sob  o  código  de  receita  8301  (PIS  FOLHA  DE  PAGAMENTO),  consoante  consignado na DComp em causa.  O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente  processo  entendeu  que  o  crédito  referente  ao  PIS  folha,  na  forma  solicitado  pela  contribuinte,  seria  inexistente,  eis  que  já  vinculado  a  suposto  débito  de  PIS  Folha,  motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 176          5 Conforme  relatado,  em  seu  recurso  voluntário,  a  contribuinte  aduz  que  possivelmente  tal  conclusão  “partiu  do  equívoco  da  recorrente,  que  deixou  de  retificar  a  DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do  pagamento  indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material,  por óbvio”  Para  melhor  esclarecimento,  adoto  as  palavras  do  julgador  Márcio  André  Moreira  Brito,  em  voto  proferido  no  Acórdão  nº  11­46.072  –  da  2ª  Turma  da  DRJ/REC,  quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido:  “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de  13/06/1984  representa  confissão  de  dívida  dos  débitos  nelas  declarados,  sendo  pacífico  o  entendimento  judicial,  consolidado  na  Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo  da DCTF,  o  contribuinte  reconhece  débito  fiscal  “constitui  o  crédito  tributário,  dispensada  qualquer  outra  providência  neste  sentido  por  parte do fisco.  Conquanto  não  padeça  de  qualquer  vício  o Despacho Decisório que,  na  análise  do  indébito,  norteou­se  em  informações  de  caráter  confessional  prestadas  pelo  próprio  contribuinte,  a  este  é  facultado,  caso  se  julgue  prejudicado,  interpor,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  da  ciência, Manifestação  de  Inconformidade  para  desconstituir,  total  ou  parcialmente,  tal confissão,  já que o art. 214, do Código Civil, prevê  que ‘A confissão é  irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de  erro de  fato ou coação’. No entanto, do ônus  probante que sobre  ele  recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e  art.  333,  I,  do  CPC),  deve  o  contribuinte  se  desincumbir  quando  da  interposição  deste  recurso,  ao  qual  devem  ser  anexadas  as  correspondentes  provas,  na  forma  do  art.  16,  III,  do  Decreto  nº  70.235/72,  sob  pena  de  preclusão,  ressalvadas  as  hipóteses  previstas  no §4º, deste artigo.”.  Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou­ se:  “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios  apurados  com  base  em  informações  prestadas  pelo  próprio  contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido.  Estando  correto  o  entendimento  expresso  no  Despacho  Decisório,  caberia  ao  manifestante,  na  condição  de  postulante  de  um  direito  a  crédito  compensável,  apresentar  provas  cabais  da  ocorrência  do  pagamento indevido ou a maior.”  In casu, o Acórdão  recorrido dá  conta que a documentação anexada  aos  autos  pela  contribuinte  é  essencialmente  constituída  de  cópia  da DComp  e  do  seu  estatuto  social,  concluindo que  tal documentação, por  si  só, não é suficiente para comprovar a existência de  pagamento indevido de PIS – Folha de Salário.  Em seu voto,  seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o  relator  do Acordo recorrido esclarece que:  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 177          6 “Nesse  aspecto,  tomando­se  o  citado  estatuto  social,  ainda  que  se  considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida  pela  legislação  cooperativista,  não  há  como  afirmar,  nem  o  manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do  recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria  legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação  e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do  Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a  cooperativa que  fizer uso de qualquer das  exclusões da  receita bruta  previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep  incidente sobre a folha de salários.  Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de  inconformidade  apresentada,  não  há  como  reconhecer  o  direito  creditório postulado,  lembrando que  é condição  indispensável para a  homologação  da  compensação  pretendida  que  o  crédito  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública  seja  líquido  e  certo  (art.  170  do  CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.”  Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus  argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre  outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº  412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do  PIS  Folha,  entendendo  pela  incidência  exclusiva  sobre  o  PIS  Faturamento,a  qual  possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa  cópia da referida Solução de Consulta.  Sobre  tal  consulta,  esclarece  que  entendendo  estar  sujeita  apenas  ao  recolhimento do PIS sobre  a Folha de Salários,  afastando­se a  incidência  sobre o PIS  Faturamento,  formulou  Consulta  Fiscal  demonstrando  o  seu  enquadramento  como  federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a  consulta foi formulada.  Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja  cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto:  “A  interessada  informa  que  é  uma  federação  de  cooperativas  dedicadas  à  assistência  médico­hospitalar,  na  forma  da  Lei  n°  5.674/71  e  de  seu  estatuto.  Diz  que,  no  desenvolvimento  de  suas  atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo  pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à  sua  sobrevivência  atuação,  tratando­se  também  de  ato  cooperativo,  destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau.  Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de  agosto  2001,  ao  qual  faz  menção  aos  sindicatos,  as  federações  e  confederações,  concluindo  que  são  isentas  da  Cofins  as  receitas  das  atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS  com base na folha de salários.”  A  referida  solução  de  consulta  proferida  pela  Superintendência  Regional  da  Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide:  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 178          7 “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos  do  processo,  ela  não  preenche  as  condições  para  o  tratamento  fiscal  previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24  de agosto de 2001, devendo  ter o  tratamento  fiscal geral aplicável às  pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei)  Verifica­se  que  a  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  6ª  Região  Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida  Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de  dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido.  É  verdade  que  a  Solução  de  Consulta  vincula  o  consulente.  Mas,  tal  vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta.  De  modo  que,  em  caso  de  a  Solução  de  Consulta  não  contemplar  a  hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001,correspondente  ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o  ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto  nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido.   Embora  a  recorrente  alegue  não  ter  efetuado  tais  deduções  quando do  cálculo  dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista  na  Lei  nº  9.718,  de  1998,  depositados  judicialmente,  e,  embora  tenha  anexado  planilha  de  cálculo de  apuração do PIS Faturamento  e Balancete Parcial  referente ao mesmo período de  apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que  trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de  cálculo.  Ressalte­se  que  provar  significa  contextualizar  elementos  relevantes  e  não  somente  anexar documentos.  Por  outro  lado,  em  seu  recurso  voluntário,  a  contribuinte  menciona  ter  impetrado  Mandado  de  Segurança  nº  2002.38.00020473­2,  no  qual  foram  efetuados  depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460.   Em consulta ao sistema e­processo, verifica­se que  tal Mandado de Segurança  encontra­se controlado por meio do Processo nº 10680.010675/2002­89 e foi preventivamente  impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o  PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º  do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.158­35/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”.  O  Mandado  de  Segurança  nº  2002.38.00020473­2  encontra­se  em  fase  de  Recurso  especial  nº  1.366.315  ­ MG  (2012/0089610­9),  sobrestado,  pelo  o  fato  de  que,  nas  palavras  da Decisão  proferida  pelo  o  relator Ministro Humberto Martins,  “referida  temática  encontra­se  afetada  à  Primeira  Seção  do  STJ,  aguardando  o  julgamento  do  REsp  1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos  (art. 543­C do CPC)”  A  Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a  consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no  âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº  412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece:  “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada:   Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 179          8 (...);   IV  ­  sobre  fato  objeto  de  litígio,  de  que  o  consulente  faça  parte,  pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial;   (...).”(grifei).  Viu­se acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em  18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em  ambos  a  contribuinte  pretendia  ser  tributado  pelo  PIS  Folha  e  não  sobre  o  PIS  Faturamento.  Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na  RFB  a  sua  consulta,  se  antes  ou  depois  de  ter  impetrado  o Mandado  de  Segurança  e  em  quais  termos  foi  a mesma  formulada,  de modo  a  saber  se  a  sua  consulta  teria  ou  não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima  transcrito.   Necessário, portanto,  ter o conhecimento dessa informação, para que se decida  com segurança acerca do presente litígio.  Assim, tendo em vista que:  ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão  dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte;  ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32  do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002;  ●  a  contribuinte  impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo  ,  objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de  pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e  do art. 13 da MP nº 2.158­35/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”;  ●  igualmente,  por  entender  estar  sujeita  apenas  ao  recolhimento  do  PIS  sobre  a  Folha  de  Salários,  afastando­se  a  incidência  sobre  o  PIS  Faturamento,  formulou  Consulta  Fiscal  demonstrando  o  seu  enquadramento  como  federação,  prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158;  ●  tendo  havido  recolhimento  de  PIS  sobre  a  folha  de  pagamento  e  depósito  judicial sobre o faturamento, mostra­se viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese,  algum recolhimento indevido a título da referida contribuição;  ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções  previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações;  ●  sendo  determinante  para  o  julgamento  dos  presentes  autos  a  anexação  das  informações e documentos, já acima mencionados;  Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para:  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912787/2009­42  Resolução nº  3302­000.448  S3­C3T2  Fl. 180          9 i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação  probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte utilizou­se das deduções previstas  no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido,  anexando documentação probatória;  ii)  Informar  quando  foi  efetuada  a  consulta  formulada  pela  contribuinte,  anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de  2004;  iii)Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª  Região Fiscal acerca de:   a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução  Normativa  nº  230,  de  25  de  Outubro  de  2002,  tendo  em  vista  o Mandado  de  Segurança  preventivo nº 2002.38.00020473­2 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002;   b) Se diante dos  termos da consulta  formulada pela contribuinte,  a Solução de  Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.°  4.524/2002  e  na  MP  2.158­35/2001  a  Receita  Federal,  afastou  igualmente  a  hipótese  da  cumulação  do  Pis  Folha  com  o  Pis  Faturamento  prevista  no  art.  15  da MP  2.158­35/2001,  reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002;  iv).Intimar  a  contribuinte  a  apresentar  as  principais  peças  (Petição,  sentença  e  Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.00020473­2, que deverão ser anexados aos  autos;  v) prestar demais informações que entendam necessários;  vi)  dar  ciência  do  resultado  da  diligência  para  a  contribuinte,  concedendo­lhe  prazo para manifestação;  vii) retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento.  (Assinado digitalmente)  Maria da Conceição Arnaldo Jacó ­ Relatora  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA

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Numero do processo: 10746.904236/2012-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 8          1  7  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10746.904236/2012­07  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3803­000.609  –  3ª Turma Especial  Data  15 de outubro de 2014  Assunto  Compensação  Recorrente  JOÃO ALVES DE ALMEIDA ­ GOIANO ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Por  maioria  de  voto,  converteu­se  o  julgamento  em  diligência,  para que a  repartição de origem analise os documentos  juntados  aos  autos  e  se  pronuncie  acerca  da  satisfação  dos  débitos  da  recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro  Corintho Oliveira Machado.  (Assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio  Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.    RELATÓRIO  Por  meio  de  Despacho  Decisório  foi  indeferido  o  pleito  constante  do  Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior.  A  fiscalização  contrapondo­se  ao  alegado  pela  parte  interessada,  constatou  a  existência  de  um  ou mais  débitos,  havendo  o  crédito  declarado  sido  integralmente  utilizado  para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a  realização da compensação pretendida.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 23 6/ 20 12 -0 7 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 9          2  Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a  contribuinte  deduziu  a  sua  discordância  ao  despacho  decisório,  de  acordo  com  as  seguintes  razões  de  defesa:  (a)  o  despacho  decisório  foi  emitido  antes  da  retificação  da  DCTF  e  da  DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornou­se possível a Receita localizar o  crédito  alegado;  e  (c)  demonstrado  a  existência  do  crédito  aludido  nos  moldes  de  planilha  contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente.  A  título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e  DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para  postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho.  Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que  por meio  do Acórdão  nº  03­52.884,  em  27/06/2013,  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano Calendário: 2009  APRESENTAÇÃO DE  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.  Para  se  comprovar  a  existência  de  crédito  decorrente  de  pagamento  a  maior,  comparativamente  com  o  valor  do  débito  devido  a  menor,  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  na  escrituração  contábil  fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada  período  de  apuração.  A  simples  entrega  de  declaração  retificadora,  por  si  só,  não  tem  o  condão  de  comprovar  a  existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe  ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada  das  provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega  possuir  junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.  A  restituição  de  créditos  tributários  só  pode  ser  efetuada  com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito  passivo;  no  caso,  o  crédito  pleiteado é inexistente.    Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito  à  isenção  alegado  pela  contribuinte  na  comercialização  de  seus  produtos  (sucos)  e  não  aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento  a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e  da  Cofins  em  relação  às  receitas  auferidas  por  comerciantes  atacadistas  e  varejistas,  decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58­A e 58­B, da Lei nº 10.833/03.  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 10          3  Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de  apuração  de  valor  devido  a  menor,  apurado  em  data  posterior  à  época  da  entrega  das  declarações originais.  Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por  si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria  originado  o  crédito  pleiteado  pela  contribuinte  em  seu  pedido  de  restituição;  que  tais  retificações  deveriam  ter  ocorrido  anteriormente  a  qualquer  procedimento  administrativo  ou  notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147,  ambos  do  CTN;  e  que  não  comprovada  a  liquidez  e  certeza  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no  despacho decisório.  Após  ser  cientificado  do  decidido  no Acórdão  nº,  por meio  de AR,  conforme  subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso  voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente:  Verificou  que  um  de  seus  produtos  vendidos  (bebida:  refresco  e  energético)  pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02,  e  na  NCM  2202.10.00  e  NCM  22012.90.00,  como  também  que  recolheu  a  maior  valores  atinentes  a  essas  contribuições,  razão  pela  qual  transmitiu  a  Per/DComp  em  30/12/10,  pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/2012­15)  Em  razão  do  indeferimento  de  sua  manifestação  de  inconformidade  e,  para  demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja:  Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída  e Apuração  de  ICMS dos  anos  de  2007  a  2010), Notas  Fiscais  de  entrada  dos  anos  2007  a  2010, Blocos  fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de  Inventário correspondente  aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010.  No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer  pelo provimento do seu recurso.  Consta  dos  autos  despacho  proferido  por  autoridade  administrativa  da  SAORT/DRFB  em  Palmas/TO,  mencionando  que  a  contribuinte  apresentou  o  recurso  voluntário  acompanhado  dos  documentos  acima  descritos  em  05/12/2013  e  que  ante  a  impossibilidade  de  juntar  aos  autos  digitais  os  originais  dos  documentos  entregues,  foi  o  mesmo intimado ­ TIF SAORT nº 180/2013 ­ para apresentação dos itens discriminados no TIF  em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia  de cada um dos documentos a serem protocolados.  Consta ainda desse despacho as seguintes informações:  Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado  apresentou  um  DVD­R  contendo  vários  arquivos,  os  quais  não  possuem  as  características  necessárias  ao  processamento  no  ambiente  do  Sistema  do  Processo  Digital  da  RFB  (alguns  arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não  foram entregues os  relatórios/recibos do Sistema de Validação e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais,  conforme  orientação  constante  do Anexo  I  do  termo  de  Intimação  Fiscal  SAORT nº  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 11          4  108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados  com  o  auxílio  do  SVA  o  que  torna  impossível  a  validação  e  a  autenticação dos mesmos.  Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado  não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que  os  autos  sejam  encaminhados  ao  CARF  sem  os  elementos  apresentados  em mídia  digital  (arquivos  constantes  do DVD­R)  para análise do recurso.    É o relatório.  VOTO    Conselheiro Jorge Victor Rodrigues    O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  necessários  à  sua  admissibilidade, dele conheço.  A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos  contábeis  e  fiscais  já  elencados  no  relatório,  complementarmente,  aos  oferecidos  como  elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade.  O  acórdão  recorrido  versa  sobre  o  pedido  de  restituição/compensação,  formalizado  pela  Recorrente  perante  a  repartição  preparadora  em  30/12/10,  quando  arguiu  possuir  crédito  tributário  proveniente  de  pagamento  realizado  a  maior  que  o  devido  (vide  processo 10746.904200/2012­15) para compensar com débitos tributários próprios.  Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação  monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas  por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos  arts 58­A e 58­bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH  22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00.  Desde  logo  cumpre  esclarecer,  que  sob  à  ótica  do  direito  material,  o  tema  "  direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58­ A  e  58­B,  da  lei  nº  10833/03",  não  foi  enfrentado  efetivamente  pelo  juízo  a  quo,  eis  que  o  mesmo  se  pronunciou  exclusivamente  acerca  da  ausência  de  comprovação  da  liquidez  e  da  certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por  entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de.  Portanto,  infere­se que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao  Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos,  complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante.  DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 12          5  A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de  apresentação  das  provas  atinentes  ao  direito  alegado  é  o  mesmo  da  formalização  da  manifestação de inconformidade/impugnação.  Destarte  o  dispositivo  no  §  4º  deste mandamus,  c/c  o  art.  38  e  §§,  da  Lei  nº  9+784/99,  veio  a  propiciar  à  modulação  dos  efeitos  dessa  regra,  sinalizando  com  a  possibilidade  da  apresentação  de  prova  noutro  momento  processual.  Este  também  é  o  entendimento  pacífico  cristalizado  por  meio  da  jurisprudência  administrativa  emanada  do  CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o  deslinde  da  querela,  consoante  demonstram  os  extratos  de  julgados  colacionados  adiante  na  forma de ementa, confira­se:  Ementa  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­calendário:  1999  VERDADE  MATERIAL.  PROVA  INCONTESTE.  A  juntada  de  prova  cuja  simples  leitura,  em  documento  de  uma  só  folha,  permite  constatar  as  alegações  sustentadas  pela  recorrente,  e  cuja  inadmissibilidade  motivada  pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser  considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao  princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo.  (Acórdão  1302­001.493,  sessão  de  27/08/2014  ­  13840.000215/00­18, Rel. Eduardo de Andrade).  ____________________________________________________  (...).  PRODUÇÃO  DE  PROVAS  NO  VOLUNTÁRIO.  POSSIBILIDADE  PARA  SE  CONTRAPOR ÀS  RAZÕES  DO  JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA  VERDADE MATERIAL.  Como  regra  geral,  a  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação, precluindo do direito de fazê­lo em outro momento  processual.  Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava  aptos  a  comprovar  seu  direito,  ao  não  ser  bem  sucedido  no  julgamento  de  1ª  instância,  razoável  se  admitir  a  juntada  das  provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a  produção  de  novos  documentos  destinados  a  contrapor  fatos  ou  razões posteriormente trazidas aos autos.  Ademais,  seria  por  demais  gravoso,  e  contrário  ao  princípio  da  verdade  material,  a  manutenção  da  glosa  de  deduções  sem  a  análise das provas constantes nos autos.  E ainda, sendo esta a última instância administrativa,  tal postura  exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder  Judiciário,  o  que  exigiria  do  Fisco  a  análise  das  provas  apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do  processo (Acórdão nº 1102.000­940, sessão de 08/10/2013, PAF  16327.001040/2008­91, Rel. José Evande carvalho Araújo).  ____________________________________________________  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 13          6  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2007  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DO  CONTRIBUINTE.  CONFERÊNCIA  ELETRÔNICA.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  A  DESTEMPO.  OBSTÁCULO.  INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO  VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.  Deve  ser  verificada  a  procedência  do  pedido  de  compensação  fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base  em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte  na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde  que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente.  Não há que  se  falar  em preclusão do direito de apresentação de  provas  em  fase  recursal  quando  tenha  sido  dada  ciência  ao  requerente  da  necessidade  de  instrução  do  processo  apenas  por  ocasião da decisão de primeira instância.  Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102­001.959,  sessão  de  25/07/2013  ­  10166.911735/200978,  Rel.  Ricardo  Paulo Rosa).  ___________________________________________________    O  entendimento  profligado  por meio  da  jurisprudência  acima  transcrita  tem  a  finalidade precípua de  consolidação do princípio da verdade material,  pressuposto basilar do  Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção  probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz,  quando apresentadas após a impugnação.  A  conselheira  Andréa  Medrado  Darzé,  em  "Preclusão  no  Processo  Adm.  Tributário:  Um  Falso  Problema",  in  "VII  Congresso  Nacional  de  Estudos  Tributários,  Derivação  e Positivação  no Direito Tributário"  (2011,  p.  7879)  com apoio  na  jurisprudência  dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta:  "  A  regra  de  preclusão  do  direito  de  o  impugnante  produzir  provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16,  §  4º,  do  Decreto  nº  70.235/72,  é  cogente,  de  aplicação  obrigatória,  apenas  podendo  ser  excepcionada  nas  hipóteses  relacionadas neste mesmo dispositivo legal.  Isso  não  significa,  todavia,  impossibilidade  de  a  prova  vir  a  ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após  a impugnação.  A  razão  desta  assertiva  é  singela,  mas  decisiva:  a  produção  probatória  no  processo  administrativo  tributário  compete  concorrentemente às partes e ao Juiz.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 14          7  Assim,  mesmo  na  hipótese  de  a  prova  ser  trazida  aos  autos  quando  já precluso o direito de  ao particular  fazê­lo,  o  julgador  pode  e  deve  analisá­la,  desde  que  se  trate  de  prova  necessária  para a apreciação da matéria litigada.  Afinal,  diferentemente  do  que  se  verifica  em  relação  ao  impugnante,  o  legislador não estabeleceu  limite  temporal para a  iniciativa probatória da autoridade julgadora."  Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova  após a  impugnação, seja pela aplicação da  legislação  tributária, ou mediante a  jurisprudência  administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna.  Portanto  não  há  se  falar  em  preclusão  temporal  neste  caso.  Ao  contrário,  os  exemplos  mencionados  servem  para  demonstrar  a  possibilidade  de  se  imprimir  maior  celeridade  ao  julgamento  do  feito,  com  a  oportunidade  criada  a  partir  da  colação  desses  documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a  necessidade de remessa dos autos à  repartição preparadora. Até mesmo por  ser a opção pelo  acolhimento  da  prova  apresentada  a  destempo,  uma  discricionariedade  do  julgador,  notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob  análise.  No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos  materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa.  Essa autoridade limitou­se a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais  os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os  documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo­ lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato.  Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014  apresentou um DVD­R contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as  características  necessárias  ao  processamento  no  ambiente  do  sistema  de  Processo Digital  da  RFB,  além  de  não  haver  sido  entregue  os  relatórios/recibos  do  Sistema  de  Validação  e  /autenticação  de Arquivos Digitais,  conforme orientação  constante do Anexo  I  do Termo de  Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente.  Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o  auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos.  Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos  em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização.  Igualmente  ao  apresentar  na  repartição  preparadora  os  documentos  originais  para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no §  7º  do  art.  2º  e  art.  8º  da  Portaria MF  nº  527/2010,  que  autoriza  a  formalização  de  recursos  mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte.  A  persecução  da  verdade  material  no  âmbito  do  processo  administrativo  tributário,  como  dito,  deve  funcionar  para  ambos  os  lados,  portanto,  pugno  pela  conversão  deste  julgamento  em  diligência  à  repartição  de  origem,  para  que  sejam  analisados  todos  os  documentos  indicados  pela  Recorrente  no  recurso  voluntário,  com  vistas  à  apuração  e  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904236/2012­07  Resolução nº  3803­000.609  S3­TE03  Fl. 15          8  pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente  para  a  liquidação  dos  débitos  indicados  no  Per/DComp  transmitido  para,  posteriormente  facultar­lhe  a  oportunidade  , mediante  a  concessão  de  tempo  razoável,  para  comparecer  aos  autos se assim lhe aprouver.  Cumprido  com  o  desiderato  devem  os  autos  retornarem  do  órgão  preparador  para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente.  É como voto  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator    Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 11128.002487/2010-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/02/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/02/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 268          1 267  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11128.002487/2010­25  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.498  –  3ª Turma Especial   Sessão de  17 de setembro de 2014  Matéria  II/PIS­COFINS­IMPORTAÇÃO ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SIRIO LIBANÊS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 27/02/2008  MATÉRIA  SUBMETIDA  AO  JUDICIÁRIO.  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 27/02/2008  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  SUB  JUDICE.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE.  É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para  constituir  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  encontrava­se  suspensa  por  força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve  permanecer  com  a  exigibilidade  suspensa  enquanto  não  modificados  os  efeitos da medida judicial.  JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.  LEGALIDADE.  Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir  decadência  declaram  a  mora  e  o  dies  a  quo  da  sua  contagem  para  fins  da  incidência  no  ato  da  sua  cobrança,  se  e  quando  se  erguer  a  eficácia  do  lançamento com o desprovimento da ação judicial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 24 87 /2 01 0- 25 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração;  em  não  conhecer  do  recurso  quanto  à  matéria  submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado,  Belchior Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.  Relatório  O  presente  processo  é  constituído  de  autos  de  infração,  lavrado  para  exigência  de  crédito  tributário  referente  a  Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  Cofins­Importação  e  PIS­Importação,  incidentes  sobre  a  importação  de  equipamentos  de  procedência  estrangeira  destinados,  conforme  declarado  pela  Interessada,  à  utilização nas atividades essenciais da entidade.  Conforme  a  descrição  dos  fatos,  os  desembaraços  das  Declarações  de  Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação,  em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.028971­7, aviado na 22ª  Vara  Federal  de  São  Paulo,  em  que  foi  determinado  que  se  procedesse  ao  desembaraço  aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica.  O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico­ tributária  que  a  obrigue  a  recolher  impostos  e  contribuições  sociais  federais  devidos  na  importação,  tendo  como  fundamento  a  imunidade  de  que  goza  em  relação  aos  impostos  e  isenção às contribuições.  Houve  decisão  favorável  ao  deferimento  de  tutela  antecipada,  e,  posteriormente,  a  confirmação  por  meio  de  sentença,  sem  decisão  definitiva  transitada  em  julgado até a data das  autuações. Ante  este provimento,  os  autos de  infração  foram  lavrados  com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até  a decisão final.  Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que:  a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do  crédito  tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de  infrações por parte do  contribuinte,  não  se  trata  o  caso  de  aplicação  de  penalidade,  decorrendo  disso  que  o  instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento;  b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de  fato que autorizariam a sua imposição;  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002487/2010­25  Acórdão n.º 3803­006.498  S3­TE03  Fl. 269          3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido  declarada  de  utilidade  pública  federal,  fazendo  jus,  portanto,  à  imunidade  prevista  na  Constituição Federal;  d)  o  Ato  Declaratório  n°  9/06  do  Procurador  Geral  da  Fazenda  Nacional  reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão;  Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que:  a) a  interessada  indicou  ­ na declaração de  importação ­ não haver valor de  crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade  Aduaneira;  b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto  que  sob  a  ótica  da  Fazenda  a  interessada  deixou  de  recolher,  por  ocasião  do  registro  da  declaração de importação, os tributos em questão;  c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência  do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto  de  Infração  ou  Notificação  de  Lançamento;  visto  que  a  redação  do  dispositivo  legal  não  permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização;  d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto  de  Infração  assegura maior  benefício  ao  exercício  do  direito  de  defesa  e  do  contraditório  à  Interessada,  pois  este  instrumento  possui  não  apenas  a Disposição  Legal  Infringida,  mas  a  Descrição do Fato;  Quanto ao mérito:  a)  da  incidência  dos  tributos  na  importação,  em  face  de  imunidade  ­  não  conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em  renúncia às instâncias administrativas.  b)  da  incidência  dos  juros  de mora  no  lançamento  ­  sustentou  que mesmo  inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal  prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte.  Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem  exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes  até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 27/02/2008  AÇÃO  JUDICIAL.  EFEITOS.  LANÇAMENTO  DESTINADO  A  PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL.  A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o  dever  da  autoridade  administrativa  de  constituir  o  crédito  tributário.  A  propositura  de  qualquer  ação  judicial  anterior,  concomitante ou posterior a procedimento  fiscal,  com o mesmo  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 objeto  da  autuação,  importa  em  renúncia  ou  desistência  à  apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a  matéria divergente terá prosseguimento normal.  Cientificada da decisão em 15/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou  recurso voluntário, em 29/10/2013, em que reitera os termos da impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Preliminar  de  Nulidade  ­  Auto  de  Infração  como  meio  inadequado  à  constituição do crédito tributário  A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em  virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento,  uma  vez  que  o  crédito  constituído  encontra­se  com  a  exigibilidade  suspensa,  não  tendo  cometido  qualquer  infração  à  legislação.  Vista  unicamente  sob  o  seu  ângulo,  tem  razão  a  Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada  pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004.   Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia  em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são  os  eventos  que  motivaram  a  constituição  do  crédito  tributário.  Neste  prisma,  o  campo  Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário  como  do  fato  jurídico  da  ocorrência  da  infração  consistente  na  falta  de  recolhimento,  ao  desamparo da imunidade invocada.   001 ­ IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE ­ II  001  ­  IMPORTAÇÃO  NÃO  AMPARADA  POR  IMUNIDADE  ­  IPI  001  ­  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  COFINS ­ IMPORTAÇÃO ­ DI  001  ­  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DO  PIS/PASEP ­ IMPORTAÇÃO ­ DI  0  importador  submeteu  a  despacho  aduaneiro  de  importação,  pleiteando  IMUNIDADE  TRIBUTARIA  para  o  Imposto  de  Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e  para  as  contribuições  sociais  (PIS  e  COFINS)  incidentes  na  importação  das  mercadorias  descritas  e  amparadas  pelas  declarações  de  importação  no  09/0233039­4  e  10/1264240­4  (anexo I).  Cumpre  observar  que  a  alegada  imunidade  abrange apenas  os  impostos  sobre  patrimônio,  renda  e  serviços  das  entidades  previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002487/2010­25  Acórdão n.º 3803­006.498  S3­TE03  Fl. 270          5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na  alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que  remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de  tributos.  Esta  definição,  por  sua  vez,  é  tratada  pelo  Código  Tributário  Nacional  (aprovado  pela  Lei  no  5.172/66  e  recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III.  [...]  Além  de  todo  o  exposto  acerca  da  não  extensão  da  imunidade  constitucional,  o  importador  ao  pleitear  a  imunidade  dos  tributos  não  apresentou,  no  curso  do  despacho,  documentação  que  atestasse  o  cumprimento  dos  requisitos  necessários  para  obtenção da  renuncia  fiscal  dos  tributos bem  como Certificado  de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta  seu  caráter  de  assistência  social,  pleiteando  a  liberação  das  mercadorias com base na ação  judicial preventiva supracitada.  Portanto,  entende  esta  fiscalização  que  o  beneficio  fiscal  da  imunidade não pode ser concedido à autuada.  [...]  A multa prevista no art. 44,  inciso I da Lei no 9.430/96 não foi  aplicada  em  cumprimento  ao  disposto  no  §  1º  do  artigo  63  do  mesmo  dispositivo  Legal  (a  Decisão  Judicial  suspendeu  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  em  29/11/2004,  anterior  ao  registro das DI's).  O  registro  do  fato  jurídico  tributário  implicou  no  lançamento,  que  corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro.  O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito ­  que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação  judicial  aviada  sob  o  nº  2004.61.00.028971­7[1].  Assim,  não  obstante  descrita  a  infração,  o  Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade.  Dado  o  contorno  sob  o  qual  se  lavra Auto  de  Infração  para  prevenção  de  decadência ­ quando sua materialidade encontra­se em discussão na esfera judicial e presente a  infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira ­, pode­se  sustentar que este  instrumento não é  impróprio para a constituição do crédito  tributário, pelo  fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento.  Este  entendimento  encontra­se  bem  ajustado  ao  que  dispõe  o  art.  9º  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  não  distingue  os  usos  do  Auto  de  Infração  e  da Notificação  de  Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis:  Art.  9o  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos)                                                              1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato,  ausente das exigências para a Notificação de Lançamento,  ao  tempo em que o  seu  inciso  III  aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição  de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Parágrafo  único.  Prescinde  de  assinatura  a  notificação  de  lançamento emitida por processo eletrônico.  A doutrina,  por  sua  vez,  apenas  identifica  o  uso  indistinto  de  um  ou  outro  instrumento  de  que  as  Administrações  Tributárias  tem  se  servido  para  introduzir  suas  imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins:  "O  auto  de  infração,  no  âmbito  da  Receita  Federal  e  a  Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  (NFLD), utilizada  pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de  documentos  fiscais  elaborados  pela  Administração  para  corporificar atos de  imposição. O auto de infração ou a NFLD  frequentemente  engloba  no  mesmo  suporte  físico  vários  atos  impositivos  referentes  a  diversas  relações  jurídicas,  ora  não  sancionatórias,  como  o  lançamento,  ou  relações  jurídicas  sancionatórias, como aplicação de multa por   Paulo  de  Barros  Carvalho,  na  mesma  vertente,  noticia  o  uso  do  auto  de  infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade:  Em  súmula,  dois  atos  administrativos,  ambos  introdutores  de  norma  individual  e  concreta  no  ordenamento  positivo:  um,  de  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002487/2010­25  Acórdão n.º 3803­006.498  S3­TE03  Fl. 271          7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é  fato  lícito e o  consequente  uma  relação  jurídica  de  tributo;  outro,  o  auto  de  infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição  de  um  delito  e,  no  consequente,  a  instituição  de  liame  jurídico  sancionatório,  cujo  conteúdo  da  prestação  tanto  pode  ser  um  valor  pecuniário  (multa)  como  uma  conduta  de  fazer  ou  não  fazer.  Tudo  seria  simples,  realmente,  se  o  auto  de  infração  apenas  conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e  concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob  a epígrafe "auto de infração", deparamo­nos com dois atos: um  de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de  penalidade,  pela  circunstância  de  o  sujeito  passivo  não  ter  recolhido, em  tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda.  Dá­se a  conjunção, num único  instrumento material,  sugerindo  até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser  normas  jurídicas  distintas  postas  por  expedientes  que,  por  motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo  suporte físico.  Pela  frequência  com  que  ocorrem  essas  conjunções,  falam  alguns,  em  "auto  de  infração"  em  sentido  largo  (dois  atos  no  mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar  a  peça  portadora  de  norma  individual  e  concreta  de  aplicação  de penalidade a quem cometeu ilícito tributário.  A  lição  acima  destaca  a  natureza  distinta  dos  atos  administrativos  do  lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos  e,  via  de  regra,  postos  no  mesmo  instrumento  de  constituição  das  exigências,  o  Auto  de  Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização  da  relação  jurídica  tributária  tendente  a  prevenir  decadência,  mesmo  que  inexista  a  penalidade.  Pelo exposto, rejeito a preliminar.  Mérito  Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade  Trava­se  no  processo  judicial  nº  2004.61.00.028971­7  discussão  sobre  a  in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos ­  tais como os lançados no presente Auto de Infração ­, que não estejam classificados no rol dos  impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos.  Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que  este debate não pode ser  travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que  aqui  se  der  ou  negar  tornar­se­á  sem  efeito  ante  decisão  superveniente  em  rumo  diverso  no  aludido  processo.  Logo,  de  raso,  deve­se  aplicar  a  Súmula  CARF  nº  1,  eis  que  presente  a  conexão de matérias[2].                                                              2   Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer  modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 Da incidência dos juros de mora no lançamento  Cabe  lembrar  que  o  presente  processo  é  dependente  da  ação  nº  2004.61.00.028971­7.  O  provimento  judicial  definitivo,  a  seu  tempo,  deitará  por  terra  este  processo.  Alternativamente,  o  desprovimento  referenderá  a  incidência  prevenida,  suscitará  a  mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com  amparo  do  art.  61,  §  3º,  cujo  lapso  de  tempo  de  sua  aplicação  estender­se­á  até  o  mês  do  pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para  prevenir decadência, os  juros podem ser  incluídos no  lançamento, sem o caráter de ser valor  fixo, como o são o principal e a multa.   Demais  disso,  considero  que  os  juros  não  estão  constituídos  na  data  e  na  linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que  ao estarem presentes em todo e qualquer  lançamento representam o conteúdo declaratório da  mora  até  o  momento  em  que  não  haja  impugnação,  para  fins  da  incidência  futura,  na  conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o  lançamento,  seja  com  o  trânsito  em  julgado  do  desprovimento  do  pedido  em  ação  judicial  ou  com  a  definitividade da decisão em processo administrativo.   Os  juros  não  estão  a  incidir  (no  que  entendo  ser  o melhor  sentido  jurídico  deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é  definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sê­lo somente quando, em tempo  futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse  diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a  quo  do  intervalo  de  tempo  até  o mês  do  pagamento,  na ocasião  da  cobrança.  Se  se pudesse  dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência  protraindo­se no tempo até a quitação do crédito tributário?   Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento,  em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra,  não representa prejuízo algum à Recorrente.  Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração;  por  não  conhecer  do  recurso  quanto  à  matéria  submetida  à  apreciação  do  Judiciário;  e  por  negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento.  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                                                                                                                                                                           sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do  processo judicial.                            Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.002487/2010­25  Acórdão n.º 3803­006.498  S3­TE03  Fl. 272          9     Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10680.011823/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2003 NULIDADE - AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. O artigo 58 da Lei 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. Restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação d esses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO ANTECIPADO. SUMULA CARF 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso dos autos houve pagamento antecipado, fazendo incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do CARF. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - CORESP A Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais - RepLeg” e a “Relação de Vínculos - VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: Por maioria de votos: a) em analisar e decidir a questão, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em converter o julgamento em diligência; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso,a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg- e a -Relação de Vínculos - VÍNCULOS-, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) .em dar provimento parcial ao recurso. a fim de - devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN - excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2001. anteriores a 05/2001, nos termos do voto do Relator. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2003 NULIDADE - AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. EXPOSIÇÃO DOS SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS. O artigo 58 da Lei 8.213/91 requer a demonstração do prejuízo à saúde do segurado e, assim, exige por parte do empregador que produza e mantenha documentos de controle da exposição aos agentes nocivos. Restou demonstrado nos autos que os segurados estão expostos a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja, agente nocivo acima do limite de tolerância permitido pela legislação e que as medidas adotadas não são eficazes na eliminação ou atenuação d esses agentes a níveis legalmente aceitáveis, e que são prejudiciais à saúde ou à integridade física do trabalhador. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO ANTECIPADO. SUMULA CARF 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso dos autos houve pagamento antecipado, fazendo incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do CARF. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - CORESP A Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais - RepLeg” e a “Relação de Vínculos - VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: Por maioria de votos: a) em analisar e decidir a questão, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em converter o julgamento em diligência; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso,a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg- e a -Relação de Vínculos - VÍNCULOS-, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) .em dar provimento parcial ao recurso. a fim de - devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN - excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2001. anteriores a 05/2001, nos termos do voto do Relator. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     2  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de  infração.  No  caso  dos  autos  houve  pagamento  antecipado,  fazendo  incidir  a  regra  decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do  CARF.  RELAÇÃO DE CO­RESPONSÁVEIS ­ CORESP  A Relação de Co­Responsáveis ­ CORESP”, o “Relatório de Representantes  Legais ­ RepLeg” e a “Relação de Vínculos ­ VÍNCULOS”, anexos a auto de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade meramente informativa.  MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Incide  na  espécie  a  retroatividade  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional,  devendo  a multa  lançada  na  presente  autuação  ser  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de 1991,  com a  redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações  principais, se mais benéficas ao contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado:  I)  Por maioria de votos: a) em analisar e decidir a questão,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido  o  conselheiro  Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em converter o  julgamento em diligência; b) em dar provimento parcial  ao  Recurso,  no  mérito,  para  que  seja  aplicada  a  multa  prevista  no  Art.  61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Redator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Marcelo  Oliveira,  que  votaram  em  manter a multa aplicada;  II)  Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial  ao  recurso,a  fim  de  decidir  que  a  Relação  de  Co­ Responsáveis  ­  CORESP",  o  "Relatório  de  Representantes  Legais  ­  RepLeg­  e  a  ­Relação  de  Vínculos  ­  VÍNCULOS­,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às  pessoas  ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade meramente informativa, nos termos do voto do  Relator; b)  .em dar provimento parcial ao recurso. a fim  de ­ devido à regra decadencial expressa no Art. 150 do  CTN  ­  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a  competência  04/2001.  anteriores  a  05/2001,  nos  Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 3          3 termos  do  voto  do  Relator.  Redator:  Adriano  Gonzáles  Silvério.     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira   Presidente ­ Relator        (assinado digitalmente)  Adriano Gonzáles Silvério        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  ADRIANO  GONZALES  SILVERIO,  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  DANIEL  MELO  MENDES  BEZERRA,  MAURO  JOSE  SILVA,  MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     4    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  Decisão  da  Delegacia  da  Secretaria  da Receita  Previdenciária  (DRP),  Belo  Horizonte  / MG,  fls.  01009  a  01026,  que  julgou  procedente  o  lançamento,  oriundo  de  descumprimento  de  obrigação  tributária  legal  principal, fl. 001.  Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 052 a 099, o  lançamento  refere­se  a  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição para o adicional  de riscos ambientais do trabalho (RAT).  Ainda  segundo  o  RF,  estão  sendo  cobrados  valores  adicionais  devido,  em  síntese,  a  empresa  ter  apresentado  de  forma  deficiente  documentação  das  demonstrações  ambientais,  incompatibilidade  entre  documentos  apresentados,  informações  omitidas  ou  declaradas  em Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  (GFIP)  sem a necessária sustentabilidade, e a evidente caracterização de situação ensejadora, no que se  refere a ruído no ambiente de trabalho, considerando que o fornecimento de Equipamento de  Proteção Individual (EPI) foi feito de forma equivocada.  Os motivos  que  ensejaram  o  lançamento  estão  descritos  no  RF  e  nos  demais  anexos da NFLD.  Contra  o  lançamento,  a  recorrente  apresentou  impugnação,  fls.  0259  a  0286,  acompanhada de anexos.  Diante  dos  argumentos  da  defesa,  a  DRP  solicitou  esclarecimentos  à  fiscalização, fl. 0854.  A fiscalização respondeu aos questionamentos da DRP, fl. 0928 a 0964.  A DRP encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo  para defesa, fl. 0968.  A  recorrente  apresentou novas argumentações,  fls. 0973 a 0990, acompanhada  de anexos.  A  DRP  analisou  o  lançamento  e  a  impugnação,  julgando  procedente  o  lançamento.  Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  fls.  01032 a 01066, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que:  1.  A  autuação  é  nula,  pois  não  há  pressupostos  legais  e  formais da autuação;  2.  Não  consta  no  lançamento  qualquer  menção  ao  Código  CNAE da empresa, que tem relação direta com o grau de  risco;  Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 4          5 3.  O Discriminativo Analítico de Débito (DAD) traz as bases  de  cálculo, mas  não  há  informações  de  onde  as mesmas  foram retiradas, prejudicando a defesa da recorrente;  4.  O Fiscal não demonstrou ampla capacitação para dissertar  sobre temas primordiais da autuação;  5.  O  lançamento  é  nulo,  pois  há  contradições  explícitas  existentes nos argumentos da fiscalização;  6.  A motivação não tem sentido jurídico;  7.  Não  há  certeza  se  a  fiscalização  utilizou  de  aferição  ou  não, pois o Fisco entra em contradição nesse sentido, fls.  0854 e 0928;  8.  Há  contradição  na  alegação  de  fornecimento  de  EPI  em  2003;  9.  Há nulidade da decisão, devido ao indeferimento de prova  pericial;  10.  Os co­responsáveis devem ser excluídos do lançamento;  11.  A  regra  quanto  ao  prazo  decadencial  deve  ser  a  determinada no Código Tributário Nacional (CTN);  12.  Há  ausência  de  fundamentação  legal  ou  fática  para  a  cobrança do adicional;  13.  A recorrente fornece EPI;  14.  As  ilações  do  Fiscal  quanto  ao  PCMSO  e  os  exames  alterados  não  ocupacionais  nada  provam  ou  sustentam  a  absurda cobrança;  15.  A  Fiscalização  não  tem  competência  técnica  para  aferir  resultados de exames médicos;  16.  A  recorrente  anexa  planilha  onde  busca  demonstrar  o  fornecimento de EPI;  17.  Pelo  exposto,  requer  o  reconhecimento  de  nulidade  do  lançamento, da decisão e solicita provimento ao recurso.  Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão,  fls. 01096.  A Segunda Turma Ordinária,  da Quarta Câmara,  analisou  o  recurso  e  decidiu  converter o julgamento em diligência, nos termos elencados na resolução, fls. 01103.  Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     6  Várias foram as informações prestadas pela Secretaria da Receita Federal, pelo  Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT).  O sujeito passivo não foi cientificado dessas informações, não sendo, portanto,  oportunizado momento para o contraditório, caso desejasse.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  O  CARF  analisou  a  questão  e  decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência,  para a ciência do sujeito passivo dos documentos anexados.  A Delegacia cientificou o sujeito passivo, fls. 01240.  O sujeito passivo apresentou suas razões, alegando, em síntese, que:  1.  A manifestação é tempestiva;  2.  O Fisco negou­se à cumprir a diligência determinada pelo CARF;  3.  Não resta à Recorrente outro entendimento que não reafirmar a nulidade  da  autuação  por  completa  ausência  de  materialidade,  motivação  e  comprovação da ocorrência do fato gerador glosado;  4.  É imprescindível prova pericial e caso esta não seja realizada fica clara a  necessidade de decretação de nulidade e a insubsistência da autuação;  5.  De forma completamente descabida e  injustificada, nem o  INSS nem o  Ministério  do  Trabalho  entendem­se  competentes  para  a  realização  do  trabalho pericial demandado nos autos;  6.  Como  demonstram  as  respostas  dos  órgãos,  o  INSS  afirma  sua  impossibilidade  de  realização  da  perícia  ao  argumento  de  que  as  atividades pertinentes  à  realização do  trabalho pericial  ultrapassariam a  atuação  legal  dos  médicos  peritos  do  INSS,  sugerindo,  por  sua  vez,  o  encaminhamento da solicitação aos médicos que atuam como Auditores  no Ministério do Trabalho (MTE) ;  7.  Já o MTE, Instado a se manifestar, também afirmou que as competências  exigidas  para  atuação  de  seus  médicos,  presente  caso,  fugiriam  às  atribuições  legalmente  destinadas  aos  componentes  do  Sistema  de  Inspeção do Trabalho;  8.  A recorrente não entende o motivo dos órgãos públicos não responderem  à solicitação;  9.  Portanto, outra solução não é possível que não a decretação de nulidade  da  autuação,  sobretudo  pela  ausência  de  qualquer  respaldo  fático  que  embase o procedimento fiscal;  10.  A  autuação  baseia­se  em  aferição  sem  fundamento  e/ou  comprovação  fática das alegações que a embasem;  11.  O lançamento não seguiu as determinações do Art. 142, do CTN;  Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 5          7 12.  Quanto  ao mérito,  a  recorrente  reitera  que  procede  adequadamente  sua  gestão ambiental;  13.  Parte do crédito foi fulminado pela decadência;  14.  Não há fundamentação  legal ou  fática para a cobrança do adicional em  questão;  15.  De  todo  o  exposto,  solicita  o  acolhimento  e  provimento  de  seus  argumentos.    Os autos foram enviados ao CARF, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     8    Voto Vencido  Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Por possuir todos os requisitos para sua admissibilidade, conheço do recurso  e passo à análise das razões contidas na autuação e as razões recursais do sujeito passivo.  Em primeiro lugar, o sujeito passivo alega que a autuação é nula, pois não há  nos autos os pressupostos legais e formais da autuação.  Com todo respeito à recorrente, discordamos de seu argumento.  Na  autuação,  especialmente  no  disposto  no  RF,  encontramos  todos  os  requisito determinados na legislação para tanto.  CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.    Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Há  na  acusação  fiscal  os  motivos  do  fato  gerador,  a  matéria  tributável,  o  montante do crédito a identificação do sujeito passivo e a penalidade aplicada, multa.  Portanto, não há razão neste argumento da recorrente.    Em  outro  argumento  a  recorrente  alega  que  não  foi  demonstrado  como  se  chegou  à base  de  cálculo,  já  que  só  há  a  informação  no Discriminativo Analítico  de Débito  (DAD).  Informamos à  recorrente que  a  autuação demonstrou, de  forma clara,  como  determinou a base de cálculo, item 1.7 do RF, fls. 097, possibilitando, assim, que se discutisse  a questão no litígio, respeitando a ampla defesa.  Portanto, não há razão nesse argumento da recorrente.    Quanto à capacitação do Fisco, esta baseia­se em disposição legal, que, côo  informado no RF, possui competência para verificar o cumprimento, ou não, das determinações  legais quanto ao controle dos riscos ambientais do trabalho.  Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 6          9 O  sujeito  passivo  possui  o  direito,  na  lide,  de  discutir  se  a  autuação  está  correta, foi elaborada conforme a legislação, mas não há que se falar sobre incompetência do  agente público fiscal.  Assim, não há razão no argumento.    Ao  contrário  do  que  afirma  a  recorrente,  não  encontramos  motivos,  seja  expostos  pelo  sujeito  passivo,  seja  por  análise procedida  de  ofício,  sobre  supostas  nulidades  constantes na autuação.  A legislação determina os casos que provocam nulidades no processo.  Decreto 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  No presente  caso,  a  autuação  foi  lavrada  por  agente  competente  e o  amplo  direito de defesa foi corretamente respeitado.  Deve­se  consignar  que  já  houve  no  processo,  inclusive,  realização  de  diligência, com a elaboração da devida informação fiscal, fls. 0928, e as obrigatórias ciência e  abertura de prazo para apresentação de argumento pela recorrente.  A  acusação  é  clara  e  há  a  exposição  dos  fundamentos  jurídicos  para  a  elaboração do lançamento.  Assim, não há razão no argumento.    Em  outro  ponto,  à  recorrente  alega  que  não  há  certeza  se  a  fiscalização  utilizou de aferição ou não.  Na análise do argumento, verificamos que a recorrente usa trechos esparsos  da informação fiscal para buscar  justificar que o Fisco utilizou a aferição, sem motivá­la, fls.  0974:  "O  crédito  objeto  do  processo  em  referência  foi  levantado  utilizando­se  a  documentação  apresentada  pela  empresa  e  não  por  aferição  indireta,  conforme  consta  no  despacho  de  fls.  854..."  Contudo, ainda na página 928, menciona:  "Tal  atitude  foi  adotada  pela  auditoria  devido  complexidade  desse levantamento, das divergências existentes nos documentos  apresentados  que  não  demonstram  com  clareza  necessária  o  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     10  enquadramento  de  cada  segurado  ao  longo  do  período  auditado".    Equivocado  o  entendimento  da  recorrente,  pois  a  “atitude”  destacada  pelo  Fisco foi a de se reunir, antes do lançamento, com a empresa, a fim de repassar planilha com a  descrição  dos  segurados  em  que  os  riscos  ambientais  do  trabalho  não  foram  corretamente,  conforme a legislação, gerenciados.  Pelo contrário, o Fisco reitera, em sua informação, que não aferiu a base de  cálculo  das  contribuições,  mas,  simplesmente,  aplicou  às  alíquotas  adicionais  previstas  a  legislação.  Portanto, não há razão no argumento da recorrente.    A recorrente afirma que há nulidade da decisão, devido ao indeferimento de  prova pericial.  Primeiramente,  cabe  deixar  claro  que  a  decisão  analisou  e  decidiu  sobre  o  pleito de perícia:  “33. Sendo  o Auditor Fiscal  da Previdência  Social,  nos  termos  do artigo 33 da Lei n 2 8.212/91 e artigo 229 do RPS, aprovado  pelo  Decreto  n2  3.048/99,  combinados  com  a  Instrução  Normativa  SRP  n  2  03/2005,  a  autoridade  competente  para  verificar  a  regularidade  e  a  conformidade  das  demonstrações  ambientais  da  empresa,  os  controles  internos  da  empresa  relativos  ao  gerenciamento  dos  riscos  ocupacionais,  a  veracidade  das  informações  declaradas  em  GFIP  e  o  cumprimento das obrigações  relativas  ao  acidente de  trabalho,  indefiro o pedido de perícia requerido, nos termos do artigo 11,  da Portaria MPS n2 520, de 19/05/2004, visto que os fatos que  ensejaram  o  presente  levantamento  estão  sobejamente  demonstrados  nos  autos,  não  necessitando  da  realização  de  qualquer prova pericial”  Ressalte­se  que  a  decisão  respeitou  o  que  determina  a  legislação,  já  que  analisou e indeferiu o pedido de perícia por considerá­la prescindível.  Decreto 70.235/1972:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.  ...  Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será  também  julgado  o  mérito,  salvo  quando  incompatíveis,  e  dela  constará  o  indeferimento  fundamentado  do  pedido  de  diligência ou perícia, se for o caso.  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 7          11 Portanto,  como  o  indeferimento  do  pedido  de  perícia  foi  devidamente  fundamentado, por ser prescindível, não há nulidade, nem a conseqüente razão no arguemnto.    Quanto á exclusão dos corresponsáveis, atualmente há Súmula do CARF que  define a questão:  “Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.”  Portanto, há razão neste argumento da recorrente.    Quanto  á  regra  decadencial  a  ser  aplicada  ao  caso,  há,  também,  razão  no  argumento.  Sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da  contribuição previdenciária  é  a  totalidade  da  remuneração paga ou  creditada pelos  serviços,  independentemente  do  título  que  se  lhe  atribua,  tanto  em  relação  ao  tomador  do  serviço  (empresa), quanto do segurado contribuinte.  Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos  levar em conta  se  houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a  totalidade  desses  pagamentos  que  se  denomina  Salário­de­Contribuição  (SC),  que  é  todo  e  qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de  forma  direta  ou  indireta,  em  dinheiro  ou  sob  a  forma  de  utilidades,  habituais  em  relação  ao  segurado empregado.  Elucidativo  o  texto  contido  em  decisão  proferida  na  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/2007­47, pelo nobre Conselheiro Francisco  Assis de Oliveira Júnior:  “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta,  ainda  resta  dirimir  a  questão  relacionada  ao  recolhimento  específico da rubrica eventualmente  lançada, conforme defende  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  ou  se  seria  suficiente  para  caracterização  de  pagamento  antecipado  o  recolhimento  genérico  relativo  aos  valores  consolidados  na  folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo.  Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada  deve  considerar  a  regra  matriz  relacionada  efetivamente  à  definição  de  qual  seria  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Nesse  sentido,  observamos  que  à  luz  do  que  dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento  Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     12  jurídico  a  ser  considerado  para  efeito  de  análise  do  recolhimento  total  ou  parcial  refere­se  à  remuneração  total  paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o  trabalho, qualquer que seja a  sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 1999).  Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o  tributo  em  relação a  determinada  rubrica  que  acredita  não  ter  incidência  da  contribuição  previdenciária,  tal  fato  não  descaracteriza  a  antecipação  de  pagamento  para  o  restante  calculado  e  recolhido  indicado  pela  folha  de  pagamento  do  empregador.   Em  verdade,  o  fracionamento  dessas  rubricas  revela­se  necessário  para  identificação dos  requisitos  estabelecidos para  verificação  da  não  incidência  do  salário  de  contribuição  em  conformidade com as  inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Contudo,  o  conjunto  de  situações  e  específicas  que  caracterizam  a  contra­prestação  onerosa  do  empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de  cada  uma  dessas  rubricas  que  são,  em  seu  conjunto,  a  remuneração  devida  ao  segurado.  Em  outras  palavras,  cada  rubrica é espécie do gênero remuneração.   Desse  modo,  para  efeito  de  identificação  do  pagamento  antecipado,  não  deve  ser  exigido  o  recolhimento  específico  de  uma  ou  outra  rubrica  paga  pelo  empregador,  mas  sim  a  consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na  folha de pagamento.”  Portanto,  claro  está  que  qualquer  recolhimento  está  contido  no  termo  remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150  do CTN.  Esta posição foi consolidada por Súmula do CARF:  “Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.”  Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 8          13 Nesse  sentido,  como  o  sujeito  passivo  foi  cientificado  do  lançamento  em  05/2006,  fls. 001, e constam do  lançamento  contribuições apuradas no período de 04/1999 a  07/2003, estão extintas, pela decadência, as contribuições apuradas até a competência 04/2001.  anteriores a 05/2001.  Portanto, há razão neste argumento da recorrente.    Quanto  à  questão  central  do  lançamento  –  gerenciamento  dos  riscos  ambientais nos locais de trabalho dos segurados à serviço do sujeito ´passivo – destaco que já  me posicionei, conforme resolução constante dos autos, sobre a necessidade de análise pericial  para a lavratura do lançamento em questão.  Com o passar do  tempo e  após os vários debates que participamos  sobre o  assunto, alterei meu posicionamento.  De fato, a fiscalização analisa documentos – que devem estar de acordo com  às determinações contidas nas normas – sobre um passado, que não há como avaliar em perícia  efetuada no presente momento.  Assim,  passaremos  à  análise  das  razões  da  autuação  e  dos  argumentos  do  sujeito passivo.  Nesta análise, verificamos que o Fisco agiu como determina a legislação.  O Fisco motivou o lançamento pela:  1.  Existência  do  agente  nocivo  ruído  no  ambiente  de  trabalho,  e  que  o  emprego  de  EPI  ­  em  face  de  sua  utilização  de  forma  irregular  e  sem  o  necessário  cumprimento  de  todas  as  normas  previstas  na  legislação, torna­o ineficaz do ponto de vista técnico e  legal,  e  por  conseguinte,  não  gera  a  atenuação  especificada; e  2.  Apresentação deficiente de numerosos documentos das  demonstrações  ambientais  da  empresa,  a  incompatiblidade  entre  alguns  PPP's  e  LTCAT's  que  deveriam  guardar  informações  consistentes  entre  si,  informações  omitidas  ou  declaradas  em  GFIP  sem  a  necessária sustentabilidade.  Essas  razões  estão  claramente  demonstradas  e  comprovadas,  não  tendo  a  recorrente, até o momento, obtido êxito em desqualificá­las.  No RF há a descrição pormenorizada desses motivos, fls. 052, como também  na  informação  fiscal,  fls.  0928,  totalmente  analisadas  e  ratificadas  pela  decisão  de  primeira  instância, fls. 1016, itens 24 a 32, que ­ por sua qualidade, cuidado e perfeição ­ transcrevo e  utilizo como razões de decidir:  Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     14  24.  Quanto  aos  argumentos  de  ausência  de  fundamentação  legal  ou  fática  para  cobrança  do  adicional,  visto  que  seus  empregados não estão expostos ao agente ruído, pois as medidas  de proteção coletiva e  individual o neutralizam, não podem ser  acolhidos, pelas seguintes razões, verificadas pela fiscalização e  constantes  do  Relatório  da  NFLD,  As  fls.52  a  99  e  das  Informações Fiscais de fls.928 a 961:  24.1.  nos PPRA's constam que a empresa reconhece que  em todas as unidades industriais da Usina os níveis  de  ruído  extrapolam  o  limite  máximo  de  85  decib6is,  sem  contudo  especificar,  para  cada  função/setor, qual seria o nível de ruído que estaria  afetando  cada  trabalhador.  Entretanto,  conforme  consta no anexo I do Relatório da NFLD os níveis  de  ruído  informados  em  todos  os  PPP's  para  o  período  compreendido  entre  1982  a  08/04/2003,  registram  o  valor  impreciso  de  que  os  mesmos  seriam  maiores  que  91  d(B)A.  Portanto,  como  saber  quais  trabalhadores  estariam  na  faixa  de  ruído de 85 a 91 d(B)A, já que no PPRA afirma­se  que "os níveis de ruído extrapolam o limite máximo  de 85 decibels" e nos PPP's encontra­se registrada  a  informação  de  que  "os  níveis  de  ruído  são  maiores que 91 d(B)A;   24.2.  o  que  a  auditoria  fiscal  quer  demonstrar  quando  descreve  um  a  um  os  PPRA's  apresentados  para  cada ano e as alterações havidas de um ano para  outro,  é  a  evolução  deste  Programa  ao  longo  do  período  auditado  compreendido  entre  01/1999  a  07/2003,  onde  se  apresenta  o  descumprimento  de  diversas  formalidades  legais  em  todos  eles,  já  apontadas  mo  Relatório  Fiscal,  principalmente  a  constatação de que para o agente nocivo ruído, em  nenhum  deles  consta,  sequer,  previsto  para  a  realização  de  Medidas  de  Proteção  Coletiva  objetivando­se  A  eliminação  ou  A  atenuação  dos  níveis de ruído;   24.3.  em  relação  ao  documento  05  (fls.314  a  356)  apresentado  pela  defesa,  consta  uma  relação  de  justificativas  de  alteração  de  ruído  para  alguns  setores, onde se apresentam como sendo evidências  objetivas  as  cópias  das  fotos  dos  equipamentos  e  locais  que  foram  contemplados  e  as  respectivas  descrições  das  medidas  tomadas.  Porém,  constatou­se  que  em  nenhuma  delas  encontra­se  registrada a data de sua efetiva realização nem as  medições  comparativas  anteriores  e  posteriores  para comprovação de sua eficácia. Portanto, além  de  não  se  comprovar  se  tais  medidas  foram  eficazes,  não  se  comprova  também  se  foram  realizadas dentro do período auditado, de 01/1999  a 07/2003;   24.4.  conforme demonstrado no Relatório Fiscal, o  fato  concreto que se constatou no período auditado foi  Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 9          15 a  predominância  do  aumento  dos  níveis  de  ruído  nas áreas industriais mais importantes da Usina —  Aciaria  Laminagão  e  Trefilaria  ­setores  onde  se  concentra  a  maior  parte  dos  trabalhadores  expostos ao agente nocivo ruído;  24.5.  da  análise  dos  totais  dos  trabalhadores  afetados  tivemos um saldo de "apenas" 15 deles cujos níveis  tiveram  uma  alteração  para  níveis  abaixo  de  90  d(B)A,  em  um  universo  de  752  trabalhadores  expostos  lotados  nesses  3  setores  (Aciaria,  Laminação  Trefilaria)  —  número  extraído  do  PPRA datado em 01 de julho de 2003 — sendo que  desse  saldo  de  trabalhadores  que  passaram  para  valores abaixo do limite de 90 d(B)A — tivemos um  saldo de 13 na Trefilaria e de 06 na Aciaria. Já no  sentido contrário, na Laminagdo tivemos um saldo  negativo  de  04  trabalhadores  que  não  estavam  expostos a níveis acima de 90 d(B)A e passaram a  estar expostos;  24.6.  no  entanto,  salienta­se  que  das  16  funções  que  tiveram  os  níveis  de  ruído  diminuído  para  níveis  abaixo  do  limite  de  tolerância  estabelecido  pela  legislação  previdenciária,  ou  seja,  abaixo  de  90d(B)A., apenas 06 delas ficaram abaixo do limite  de  tolerância  estabelecido  pela  legislação  trabalhista que  é de 85 d(B)A  sendo as  seguintes:  Operador  de  Equipamento  de  Produção  1(BM08­ AC — BJF08­AC), Inspetor de Qualidade(BM18­L  —  BJF39­L),  Operador  de  Equipamento  de  Produção  III(BM19­L  —  BJF40­L),  Operador  de  Equipamento  de  Produção  11(BM20­L —  BJF41­ L),  Inspetor  de Qualidade(BM26­L — BJF47­L)  e  Técnico  de  Inspeção  e  Desenvolvimento  de  Manutenção(BM06­MT  —  BJF20­MT).  Para  as  outras  10  funções  os  níveis  de  ruído  continuaram  acima  de  85d(B)A,  valor  esse  que,  já  a  partir  de  novembro de 2003, passou a ser também o limite de  tolerância  estabelecido  pela  legislação  previdenciária;  24.7.  conclui­se,  que  mesmo  considerando  os  investimentos  apresentados,  a  situação  ambiental  da  empresa  pouco  se  alterou,  pois  se  de  um  lado  tivemos  a  diminuição  dos  níveis  de  ruído  para  níveis  abaixo  de  90  d(B)A —  possivelmente  pelas  medidas elencadas pela defesa no Doc. 05 —, para  16  funções  (lembrem­se  que  10  delas  continuam  com os  níveis  acima de  85  d(B)A),  de  outro  lado,  tivemos o aumento para níveis acima de 90 d(B)A  para  12  funções.  Ora,  se  em  março  de  2001  tínhamos 51  funções apresentando níveis de  ruído  acima de 90 d(B)A e dois anos e um mês depois, em  abril de 2003,  tivemos ainda 47  funções acima de  Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     16  90  d(B)A,  poderemos  considerar  que  a  empresa  priorizou  as  medidas  de  proteção  coletiva,  canalizando para elas os investimentos suficientes?  Evidentemente que não!;  24.8.  e o que é pior, para as demais 35 funções, onde os  níveis de ruído se apresentavam acima do limite de  tolerância  estabelecido  pela  legislação  previdenciária  em março  de  2001,  ou  seja,  acima  de 90 d(B)A, e continuaram acima desse limite em  abril  de  2003,  a  empresa  não  comprovou  documentalmente  se  todas  as  medidas  de  caráter  coletivo  foram  esgotadas,  se  não  foram  possíveis  ou  suficientes  ou  se  encontravam  em  estudo,  planejamento  ou  em  implantação,  conforme  estabelecido pela NR­09;   24.9.  concluindo,  pode­se  reafirmar  tendo  como  base  a  análise  das  medições  constantes  nos  LTCAT's  apresentados  nos  setores  da  área  industrial  da  empresa  mais  importante  do  ponto  de  vista  do  agente nocivo ruído, que realmente a empresa não  empreendeu,  no  período  auditado  de  01/1999  a  07/2003,  os  esforços  necessários,  no  que  diz  respeito às medidas de proteção coletiva, visando A  diminuição ou a atenuação dos níveis de ruído em  seu ambiente de trabalho, pois considera­se que os  fatos  acima  relatados  corroboram  taxativamente  tal afirmativa;   24.10.  concluindo,  pode­se  reafirmar  mais  uma  vez,  categoricamente,  com  base  na  análise  do  documento  ambiental  PPRA  que,  mesmo  considerando­se as medidas apresentadas no Doc.  05,  As  f  Is  314  a  356,  realmente  a  empresa  não  empreendeu,  no  período  auditado  de  01/1999  a  07/2003,  os  esforços  necessários,  no  que  diz  respeito As medidas de proteção coletiva,  visando  A  diminuição  ou A  atenuação  dos  níveis  de  ruído  em seu ambiente de trabalho, pois considera­se que  os fatos acima relatados corroboram taxativamente  tal afirmativa;  24.11.  conforme  se  constatou  através  da  análise  dos  registros  constantes  dos  documentos  ambientais  apresentados  pela  empresa  a  Auditoria  e  já  fartamente  demonstrado  através  do  Relatório  Fiscal  e  dessa  Informação  Fiscal,  a  empresa  não  conseguiu eliminar ou atenuar os níveis do agente  nocivo ruído presente em seu ambiente de trabalho  para  valores  abaixo  do  limite  de  tolerância  estabelecido  pela  Legislação  Previdenciária  e  realmente  expôs  os  segurados  enquadrados  pela  Auditoria ao risco  inerente a esse agente nocivo e  não  comprovou  se  tal  fato  ocorreu  por  falta  de  vontade  política,  inviabilidade  técnica  ou  financeira, fato que a empresa em momento algum  reconhece,  aliás,  muito  pelo  contrário  se  defende  Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 10          17 com  argumentos  de  que  faz  um  esforço  constante  nesse sentido, porém a realidade dos números fala  por si;  24.12.  salienta­se  que,  em  nenhum  momento,  a  empresa  apresentou A Auditoria  qualquer  planejamento  ou  projeto, nem a curto, médio ou a longo prazo tendo  como  objetivo  a  solução  desse  problema.  Na  prática,  a  política  que  a  empresa  executou  foi  a  adoção de EPI como a principal linha de defesa de  seus  trabalhadores  expostos  ao  ruído.  Tal  fato  já  seria o suficiente para o lançamento deste crédito,  conforme já demonstrado no Relatório Fiscal;  24.13.  entretanto,  conforme  também  já  demonstrado  no  Relatório  Fiscal,  a  empresa  não  comprovou,  através  da  documentação  apresentada,  a  eficácia  da utilização de EPI como  forma de proteção aos  seus  trabalhadores  expostos  ao  agente  nocivo  ruído;   24.14.  para a comprovação do cumprimento da exigência  estabelecida na letra "a" do item 9.3.5.5 da NR 09,  em relação ao risco ruído, depreende­se que para  que o EPI utilizado pelo usuário tenha a eficiência  necessária  a  empresa  deverá  demonstrar,  no  mínimo, a que níveis de ruído equivalente ele está  exposto — exigência que só se cumpriu a partir de  13/03/2001  com  a  apresentação  do  primeiro  LTCAT, ficando, portanto descoberto o período de  01/1999  a  12/03/2001,  e  qual  a  atenuação  pretendida pela utilização do EPI, sendo que para  os  protetores  auditivos,  o  que  comprovaria  que  esse  grau  de  atenuação  seria  conseguido  é  exatamente a identificação de seu tipo e de seu CA  (Certificado de Aprovação);  24.15.  conforme  já  fartamente  demonstrado  no  Relatório  Fiscal  e  na  Informação  Fiscal,  no  documento  ambiental apresentado PPRA consta a  informação  genérica  de  que  os  níveis  de  ruído  em  toda  área  industrial  extrapolam o  limite de  tolerância de 85  d(B)A,  bem  como  se  registram  os  níveis  de  ruído  emitidos  por  cada  fonte  geradora,  porém  não  constam  os  níveis  de  ruído  equivalente  a  que  estiveram  expostos  os  trabalhadores  das  diversas  áreas  industriais,  sendo  que  como  medida  de  proteção  individual  consta  a  utilização  de  dois  tipos  de  protetores  (Protetores  auriculares  de  inserção  e  Protetores  auditivos  modelo  Audio  fone), porém sem a determinação de quais funções  estariam  utilizando  um  ou  outro,  e,  ainda  sem  a  especificação  do  respectivo  CA.  Já,  no  primeiro  LTCAT  apresentado,  datado  em  13/03/2001,  constam  os  níveis  de  ruído,  mas  não  constam  as  Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     18  especificações  dos  EPI's.  No  segundo  LTCAT  apresentado, datado 09/04/2003, constam os níveis  de ruído e uma relação de protetores auditivos com  a  respectiva  atenuação  pretendida  caso  o  trabalhador  utilizasse  um  deles.  Nas  Fichas  de  Controle de EPI constam a informação genérica —  protetores  auditivos  —  sem  a  discriminação  nem  do  seu  tipo  nem  do  seu  CA.  Diante  desses  fatos,  pergunta­se: Como  poderia  a  empresa  comprovar  que os seus trabalhadores que estiveram expostos a  níveis  de  ruído  acima  do  limite  de  tolerância  estabelecido pela  legislação previdenciária,  foram  devidamente protegidos pela utilização de protetor  auditivo  se  ela  própria  não  tem  as  informações  mínimas  necessárias,  —  ou  se  as  tem  não  as  registrou nos documentos próprios para se avaliar  a eficiência do EPI? A resposta, evidentemente, só  pode ser uma: é impossível! ;   24.16.  a  empresa  se  defende  da  conclusão  da  Auditoria  acima relatada, em relação à falta de especificação  dos  EPI's  com  o  argumento  que  em  "outros"  documentos  da  empresa  se  encontrariam  as  especificações  dos  EPI's  a  serem  utilizados  pelos  trabalhadores  expostos  ao  agente  nocivo  ruído.  Seriam  eles  o  P.C.A.  (Programa  de  Conservação  Auditiva)  e  "as  normas  internas  que  devem  ser  observadas  que  visam  à  saúde  e  segurança  dos  empregados  e  prestadores  de  serviços",  cujas  cópias  foram  anexadas  a  esse  processo,  sob  a  forma de  (doc. 13) às  fls. 442 a 506,  (doc.  10) às  fls. 664 a 743, respectivamente;  24.17.  na  análise  da  documentação  apresentada  sob  o  titulo  de  normas  internas  (doc.10)  observou­se  os  aspectos, conforme se descreve a seguir: (fls. 443 a  450 ­Titulo: Manuseio e Utilização de Eletrodos de  Grafite Unidade: GPAC Data: 13/02/2006):  a.  primeiramente,  ressalta­se  que  a  data  desse  documento  é  bem posterior ao período auditado que abrange 01/1999 a  07/2003.  Mas,  mesmo  assim,  para  que  não  paire  dúvidas  sobre  a  conclusão  da  Auditoria,  esse  documento  foi  analisado tendo sido constatado que a única menção sobre  EPI foi registrada às fls. 444, conforme se relata a seguir:  No item "Aspectos de Segurança Comuns para a Atividade",  para  o  aspecto  intitulado  "Permanência  em  ambiente  industrial  com  ruído",  registrou­se  "o  que  fazer",  como  sendo "Fazer o uso do protetor auditivo na área industrial".  Verificou­se,  portanto,  que  nesse  documento  a  situação  continuou a mesma, ou seja, especificação genérica do EPI;  b.  fls. 451 a 456 ­Titulo: Manuseio e Utilização de Eletrodos  de  Grafite  Unidade:  GPAC  data:  17/06/1998  Nesse  documento  nada  se  falou  sobre EPI  para  o  agente  nocivo  ruído.   Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 11          19 c.  fls  456  a  468  ­  Titulo:  Trabalho  em  Ambiente  Industrial  Unidade: GPAC data: 12/10/2005 ­ a data desse documento  é bem posterior ao período auditado que abrange 01/1999 a  07/2003.  Pelo  mesmo  motivo  descrito  acima,  esse  documento foi analisado tendo sido constatado os seguintes  registros sobre EPI para o agente nocivo ruído: ­  fls. 457:  No  item  "Uso  de  Equipamento  de  Proteção  Individual",  registrou­se no item "EPI's Básicos", Abafador de Ruído e  no  item  "Porque  utilizar"  registrou­se  "Permanência  em  ambiente industrial com nível de ruídos elevados"; ­ fls 458:  item 3 Considerações, registrou­se: "É obrigatório o uso de  protetor  auricular  (abafador  de  ruídos)  no  interior  das  cabines..."   d.  fls.  469  a  479  ­  Titulo:  Trabalho  em  Ambiente  Industrial  Unidade:  Aciaria  data:  19/10/2001  ­  nesse  documento  encontram­se  os  seguintes  registros  sobre  EPI  para  o  agente nocivo ruído: fls. 470 item "Uso de Equipamento de  Proteção Individual", registrou­se no item “EPI", Abafador  de  Ruído  e  no  item  "Porque  utilizar"  registrou­se  "Permanência  em  ambiente  industrial  com  nível  de  ruídos  elevados"; ­.fls. 471 item 3 Considerações, registrou­se: "É  obrigatório  o  uso  de  protetor  auricular  (abafador  de  ruídos) no interior das cabines..."   e.  fls.  480  a  489  ­  Titulo:  Trabalho  em  Ambiente  Industrial  Unidade:  Aciaria  Data:  26/03/2001  nesse  documento  encontram­se  os  seguintes  registros  sobre  EPI  para  o  agente nocivo ruído: fls. 481 item "Uso de Equipamento de  Proteção Individual", registrou­se no item "EPI", Abafador  de  Ruído  e  no  item  "Porque  utilizar"  registrou­se  "Permanência  em  ambiente  industrial  com  nível  de  ruídos  elevados"  ,  no  item  3  Considerações,  registrou­se:  "É  obrigatório  o  uso  de  protetor  auricular  (abafador  de  ruídos) no interior das cabines..."   f.  fls.490  a  500  Titulo:  Trabalho  em  Ambiente  Industrial  Unidade:  Aciaria  Data:  10/03/2000  ­  nesse  documento  encontram­se  os  seguintes  registros  sobre  EPI  para  o  agente nocivo ruído: fls. 491 item "Uso de Equipamento de  Proteção Individual", registrou­se no item "EPI", Abafador  de  Ruído  e  no  item  "Porque  utilizar"  registrou­se  "Permanência  em  ambiente  industrial  com  nível  de  ruídos  elevados"  ,  no  item  3  Considerações,  registrou­se:  "É  obrigatório  o  uso  de  protetor  auricular  (abafador  de  ruídos) no interior das cabines..."  g.  fls.  501  a  506  Titulo  Trabalho  em  Ambiente  Industrial  Unidade:  Aciaria  data:  10/0/1998  nesse  documento  encontram­se  os  seguintes  registros  sobre  EPI  para  o  agente nocivo ruído: fls. 502 no item "Uso de Equipamento  de Proteção Individual", registrou­se no item "Introdução",  a obrigatoriedade do uso de Abafador de Ruído e no item 3  Considerações,  registrou­se:  "Não  é  obrigatória  a  Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     20  utilização  de  EPI's  no  interior  de  salas,  escritórios  e  cabines".   24.18.  conclusão  ­  verificou­se  que  o  único  registro  constante nesses documentos em relação ao agente  nocivo  ruído  é  a  recomendação  de  utilização  do  EPI "Abafador de Ruído" para a área industrial da  Aciaria,  sob  a  justificativa  de  que  tal  recomendação  se  daria  peia  "Permanência  em  ambiente industrial com nível de ruídos elevados".  Porém, não se registrou qual seria o entendimento  da empresa para a definição de quais seriam esses  níveis de ruído considerados por ela elevados. Pois  bem,  de  acordo  com  a  Legislação  Trabalhista,  os  níveis de ruído considerados elevados são aqueles  que  excedem ao  limite de  tolerância de  85  d(B)A.  Mas,  por  um  motivo  de  ordem  prática,  vamos  considerar  que  a  empresa  entende  que  ruídos  elevados são aqueles estabelecidos pela Legislação  Previdenciária  para  o  período  auditado,  ou  seja,  acima de 90 d(B)A  24.19.  Então,  ao  se  analisar  as  planilhas  anexadas  pela  empresa a esse processo, sob o titulo de "Consumo  de  Protetores  Auditivos",  ás  f  Is.  367  a  368,  verificou­se  a  seguinte  situação  em  relação  ao  consumo do referido EPI:  Estatística  de  consumo  do  EPI  "ABAFADOR  DE  RUIDO"  fornecido pela empresa  ANO       consumo total  1999       110  2000       88  2001       103  2002       28  2003       Zero  consumo total no período   329  24.20.  tomando­se  corno  referência  apenas  os  setores  mais  importantes  do  ponto  de  vista  do  agente  nocivo  ruído,  Aciaria,  Laminação  e  Trefilaria,  elaborou­se, a partir das informações contidas nos  PPRA's a seguinte planilha:  POPULAÇA0 EXPOSTA AO RUÍDO   ANO  ACIARIA  LAMINAQA0  TREFILARIA  1999   200     318     309  2000  193    319    308  2001  182    282    239  Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 12          21 2002  192    309    251  2003   192     309     251  MEDIA  191,80     307,40    271,60  soma das médias    771  24.21.  ora,  mesmo  considerando­se  uma  situação  completamente "absurda" de que os trabalhadores  que receberam esse EPI o receberia uma única vez,  e não mais faria a sua reposição — salienta­se que  o prazo estabelecido para a reposição desse tipo de  EPI  nas  empresas  siderúrgicas  é  normalmente  de  apenas  "um  ano"  —  era  de  se  esperar  que  a  empresa distribuísse, "no mínimo" 771 deles, pois,  conforme  planilha  acima,  foi  essa  a  média  do  número de segurados expostos ao ruído no período  de 1999 a 2003, nos setores de Aciaria, Laminado  e Trefilaria, pois apesar de a norma ora analisada  se  referir  ao  setor  de  Aciaria  acredita­se  que  o  mesmo  critério  —  "obrigatoriedade  de  utilização  de Abafador de Ruído pelo motivo de permanência  em  ambiente  industrial  com  nível  de  ruídos  elevados" —, por uma questão de coerência, seria  utilizado para todas as áreas industriais;  24.22.  e  ainda,  como  havia  essa  obrigatoriedade  de  utilização  do  EPI  do  tipo  "Abafador  de  ruído",  a  empresa  deveria  registrar  essa  informação  no  PPP,  mas  muito  pelo  contrário,  como  já  foi  relatado anteriormente, o único EPI para o agente  nocivo  ruído  informado  em  todos  os  PPP's  apresentados a Auditoria foi o de CA "5674";  24.23.  observou­se, também, que no documento datado em  13/02/2006 —  embora  o  mesmo  não  contemple  o  período  auditado,  conforme  já  relatado  acima —,  foi registrada novamente a recomendação genérica  de uso de "protetor auditivo", em substituição a uso  de "abafador de ruído" como vinha sendo feito nos  documentos datados de 1998 a 2005, sem qualquer  explicação  de  qual  seria  o  motivo  para  essa  alteração. Teria a empresa concluído que o tipo de  protetor auditivo, "abafador de ruído", não estava  proporcionando  uma  proteção  eficiente  ao  trabalhador?  24.24.  na  análise  da  documentação  apresentada  sob  o  titulo  de  "Programa  de  Conservação  Auditiva"  (doc.  13)  observou­se  os  aspectos,  conforme  se  descreve a seguir:   a  primeiramente,  ressalta­se que as datas de  todas as  fichas  de  Avaliação  da  Conservação  do  Equipamento  de  Proteção  Auditiva  que  foram  anexadas  a  esse  processo,  sem  qualquer  Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     22  exceção, são bem posteriores ao período auditado que abrange  01/1999  a  07/2003,  portanto  não  poderiam  fazer  prova  nesse  processo. Mas, mesmo assim, para que não paire dúvidas sobre  a conclusão da Auditoria, esse documento também foi analisado;   b.  inicialmente, já no sub­titulo desse documento, observou­se  que o mesmo objetiva — como sua própria denominação indica  —  a  avaliação  da  conservação  do  equipamento  de  proteção  auditiva  (EPA)  que  o  trabalhador  está  portando  no  dia  da  realização  de  seu  Exame  Médico  Periódico  e  não  a  sua  determinação  e  —  muito  menos —  a  sua  especificação,  como  quer se defender a empresa, conforme consta no rodapé das fls.  273;  c)­  observou­se  que,  a  partir  de  um  formulário  padrão,  os  campos  relativos  aos  Dados  Pessoais,  aos  Dados  do  Equipamento  de Proteção Auditiva,  ao Estado  de Conservação  do  EPA  "Encontrado"  —  e  demais  dados,  são  registrados  no  momento da entrevista realizada pelo examinador;  d)­ pôde­se constatar que esse documento, sem qualquer sombra  de dúvidas, realmente objetiva verificar o estado conservação do  EPA que o trabalhador "esta portando" no dia da realização de  seu Exame Médico Periódico, pelo  seu próprio  texto,  conforme  observação descrita acima;   e)­ em todos os formulários apresentados encontra­se o seguinte  registro:  "Treinamento  individual"  "Declaro  que  durante  o  EXAME  AUDIOMÉRTICO  PERIÓDICO  realizado  no  Centro  Médico  da  Belga Mineira  Juiz  de  Fora,  fui  informado  sobre  o  resultado do meu exame e orientado sobre a presença de RUÍDO  no  local de  trabalho e ainda que deverei  fazer uso  ininterrupto  do Equipamento de Proteção Auditiva em ambiente de trabalho  ruidoso.  Os  protetores  auditivos  que  escolhi  para  proteção  foram avaliados no quesito conservação e fui orientado a usá­lo  corretamente,  fazer  a  higienização  adequadamente  e  trocá­los  quando  necessário,  visando  impedir  a  ocorrência  de  déficit  auditivo." (grifos nossos);   f)­  essa  declaração  também  não  deixa  qualquer  dúvida  de  que  esse documento objetiva sim, verificar o estado de conservação  do EPA e não sua especificação e ainda, que a sua periodicidade  de  troca  é  determinada  pelo  próprio  trabalhador  e  não  pela  empresa,  conforme  determinação  normativa  já  fartamente  referida no Relatório Fiscal;  g)­ conclusão: Verificou­se que nesse documento consta que no  dia  da  realização  dos  exames médicos  periódicos,  é  feita  uma  avaliação  do  estado  de  conservação  do  EPA  portado  pelo  trabalhador,  além  de  apresentar  uma  declaração  assinada  por  ele, de que foi informado sobre o resultado do seu exame, sobre  a presença de ruído no local de trabalho, sobre a obrigação de  fazer uso do EPA em ambientes ruidosos, sobre o seu uso correto  e  sobre  sua  higienização  adequada.  Porém,  constatou­se  que,  embora  assim  manifestou  a  defesa,  nele  não  consta  a  especificação do EPI a ser utilizado, não podendo o mesmo ser  aceito para  tal  finalidade. Salienta­se que  todas as orientações  ao  trabalhador  acima  referidas  são  obrigações  da  empresa  Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 13          23 estabelecida pela Legislação e o cumprimento delas não a exime  das  demais  obrigações  também  exigidas  pela  Legislação.  Ademais, os exames médicos periódicos — como o próprio nome  diz  —  são  realizados  periodicamente  e  naturalmente  o  trabalhador é convocado antecipadamente para a realização dos  mesmos,  tendo  assim,  a  chance  de  trocar  ou  higienizar  adequadamente o seu EPI em data próxima ao seu exame — já  que a empresa não estabelece em suas normas internas os prazos  de troca — para evitar possíveis punições, caso se apresente ao  exame com seu EPI em estado de conservação inadequado;  24.25.  quanto a compra e consumo de EPI's, esclarece­se  que em momento algum a Auditoria afirmou que a  empresa  não  adquiria  e  não  fornecia  protetores  auriculares  aos  seus  trabalhadores.  0  que  a  Auditoria afirma é que a empresa não especificou  os  tipos  de  EPI's  a  serem  utilizados  por  seus  trabalhadores, quer seja por critério individual ou  por  Grupos Homogêneos  de  Exposição,  conforme  ficou fartamente comprovado no Relatório Fiscal e  nessa  Informação  Fiscal.  Somente  no  LTCAT  04/2003 ela listou os protetores auriculares com as  atenuações alcançáveis por cada um deles,  porém  não  identificou  qual  deles  seria  utilizado  pelo  trabalhador;  24.26.  a  auditoria  afirma,  também,  que  a  empresa  não  comprovou  o  fornecimento  individual  de  EPI  a  cada  trabalhador,  o  que,  evidentemente,  se  faria  através das Fichas de Controle Individual de EPI's,  onde  se  verificou  que  não  se  encontram  especificados  os  protetores  auditivos  a  serem  utilizados  pelos  trabalhadores,  não  constam  a  identificação  do  protetor  auditivo  que  teria  sido  fornecido,  nem  sua  data  de  fornecimento  nem  tampouco  a  respectiva  rubrica  ou  assinatura  do  trabalhador  no  ato  de  seu  recebimento  e,  ainda,  não  quantifica  quantos  protetores  auditivos  lhes  teriam  sido  fornecidos,  não  servindo  as  mesmas,  portanto,  como  prova  de  fornecimento  dos  referidos EPI's, impossibilitando­se dessa forma, a  avaliação  da  eficácia  de  sua  adoção  como  forma  de  proteção  ao  trabalhador  exposto  ao  agente  nocivo ruído ;  24.27.  portanto,  o  fato  que  a  auditoria  afirmou  no  Relatório  Fiscal  'As  fls.  43  foi  o  seguinte:..."a  utilização de EPI, para que seja eficaz do ponto de  vista técnico, deve  seguir criteriosamente  todas as  exigências  legais  e  normativas  —,  o  emprego  de  EPI  não  deverá  ser  considerado  para  efeito  de  atenuação  dos  riscos  ambientais  causados  pela  presença  do  agente  nocivo  ruído  visto  que  ficou  fartamente  comprovado  o  não  atendimento  as  regras e normas estabelecidas";   Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     24  24.28.  portanto,  a  apresentação  pela  empresa  de  planilhas  demonstrando  a  distribuição  de  EPI's  para  os  seus  diversos  setores,  não  substitui,  em  hipótese  nenhuma,  a  apresentação  do  controle  individualizado de seu  fornecimento a cada um de  seus  trabalhadores  com  todas  as  anotações  devidas.  Tal  forma de  proteção é  por  sua  própria  natureza  de  caráter  "individual",  sendo  a  Oitima  chance  de  defesa  do  trabalhador  e  dessa  forma,  "individualmente",  deve  ser  tratada  para  que  seja  considerada eficaz;   24.29.  quanto  ao  controle  e  registro  de  fornecimento  de  EPI's  em  Fichas  de  Controle  de  Individuais,  apresenta­se  a  seguir  a  fundamentação  legal  a  respeito  de  quais  as  informações  devem  constar  nos  laudos  técnicos  de  condições  ambientais  do  trabalho  e  demais  documentos  das  demonstrações  ambientais:  a)­  A  Norma  Regulamentadora  NR  6 —  EQUIPAMENTO  DE  PROTEÇÃO  INDIVIDUAL —  já  estabelece  em  seu  item  6.2  a  seguinte determinação:   6.2­  0  equipamento  de  proteção  individual,  de  fabricação  nacional ou importado, só poderá ser posto à venda ou utilizado  com a  indicação do Certificado de Aprovação — CA, expedido  pelo  órgão  nacional  competente  em  matéria  de  segurança  e  saúde no trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.  b)­ a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, em seu artigo 58, §§  1° a 40 , estabeleceu o seguinte: art. 58...  §  1º  A  comprovação  da  efetiva  exposição  do  segurado  aos  agentes  nocivos  será  feita  mediante  formulário,  na  forma  estabelecida  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  emitido  pela  empresa  ou  seu  preposto,  com  base  em  laudo  técnico  de  condições  ambientais  do  trabalho  expedido  por  médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos  termos  da  legislação  trabalhista.  (Redação  dada  pela  Lei  n°  9.732, de 11.12.98).  §  2º  Do  laudo  técnico  referido  no  parágrafo  anterior  deverão  constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção  coletiva  ou  individual  que  "diminua"  a  intensidade  do  agente  agressivo  a  limites  de  tolerância  e  recomendação  sobre  a  sua  adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei  n° 9.732, de 11.12.98).  § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com  referência  aos  agentes  nocivos  existentes  no  ambiente  de  trabalho  de  seus  trabalhadores  ou  que  emitir  documento  de  comprovação  de  efetiva  exposição  em  desacordo  com  o  respectivo laudo estará sujeita â penalidade prevista no Art. 133  desta  Lei.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  n°  9.528,  de  10.12.97).  §  4­°  A  empresa  deverá  elaborar  e  manter  atualizado  perfil  profissiográfico  abrangendo  as  atividades  desenvolvidas  pelo  Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 14          25 trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de  trabalho,  cópia  autêntica  desse  documento.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97).  C)­ a IN INSS/DC 84 de 17/12/02, em seu art. 155, inciso VII e  no art. 158, estabeleceu da seguinte forma os critérios mínimos  para os laudos técnicos emitidos a partir de 29/04/95:  Art. 155. Dos laudos técnicos emitidos a partir de 29 de abril de  1995 deverão constar os seguintes elementos:  ...  VII  —  informação  sobre  a  existência  e  aplicação  efetiva  de  Equipamento  de  Proteção  Individual  (EPI),  a  partir  de  14  de  dezembro de 1998, ou Equipamento de Proteção Coletiva (EPC),  a partir de 14 de outubro de 1996,_que neutralizem ou atenuem  os  efeitos da nocividade dos agentes  em relação aos  limites de  tolerância estabelecidos, devendo constar também:  a)  se  a  utilização  do  EPC  ou  do  EPI  reduzir  a  nocividade  do  agente  nocivo  de modo  a  atenuar  ou  a  neutralizar  seus  efeitos  em relação aos limites de tolerância legais estabelecidos;  b)  ­as  especificações  a  respeito  dos EPC  e  dos EPI  utilizados,  listando os Certificados de Aprovação  (CA) e,  respectivamente,  os prazos de validade, a periodicidade das trocas e o controle de  fornecimento aos trabalhadores;  ...  Art. 158. A simples informação da existência de EPI ou de EPC,  por si s6, não descaracteriza o enquadramento da atividade. No  caso  de  indicação  de  uso  de EPI,  deve  ser  analisada  a  efetiva  utilização dos mesmos durante toda a jornada de trabalho, bem  como,  analisadas  as  condições  de  conservação,  higienização  periódica e substituições a tempos regulares, na dependência da  vida  al  dos  mesmos,  cabendo  a  empresa  explicitar  essas  informações no LTCAT/PPP.  24.30.  a  legislação  citada  acima  estabelece  os  critérios  obrigatórios  que  devem  ser  obedecidos  para  o  enquadramento  dos  segurados  expostos  a  agentes  nocivos  em  seu  ambiente  de  trabalho  e  as  informações mínimas que devem ser prestadas nos  documentos  emitidos  para  fazer  prova  perante  a  Previdência Social;  24.31.  a  Lei  n°  8.213  estabelece  que  essas  informações  deverão  se  espelhar  em  laudos  técnicos  das  condições ambientais do trabalho, o qual deverá se  manter  atualizado.  Por  sua  vez,  a  referida  lei  estabelece  também  que  nesses  laudos  técnicos  deverão  constar  informação  sobre  a  existência  de  tecnologia  de  proteção  coletiva  ou  individual  que  "diminua"  a  intensidade  do  agente  agressivo  a  Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     26  limites  de  tolerância.  Essa  mesma  lei  estabelece  também  que  a  empresa  deverá  elaborar  e manter  atualizado  perfil  profissiográfico  abrangendo  as  atividades desenvolvidas pelo trabalhador;   24.32.  fica  evidente  que  para  atender  as  determinações  acima citadas, a empresa deverá saber a que níveis  de  ruído  cada  um  de  seus  empregados  estão  expostos,  e,  a  partir  dessa  informação,  deverá  especificar  o  protetor  auditivo  que,  se  utilizado  corretamente,  irá  "diminuir"  a  intensidade  desse  agente agressivo a limites de tolerância;  24.33.  com  relação  ã  especificação  do  EPI,  somente  a  partir da emissão do LTCAT datado em 09/04/2003  que a empresa começou a discriminar, por tipo de  EPI,  as  respectivas  atenuações  alcançáveis  pela  utilização correta de cada um deles, porém no item  "Notas"  desse  mesmo  LTCAT,  encontra­se  o  registro  onde  se  afirma  que  o  funcionário  usa  protetor auricular, mas não se especifica qual deles  seria;   24.34.  Como  exemplo  transcreve­se  as  recomendações  constantes  às  fls.  138  relativas  ao  funcionário  paradigma  Giancarlo  Assis  Custódio,  que  esteve  exposto ao nível médio de ruído de 102,16 d(B)A   Atenuações de Protetores Auriculares  Tipo de protetor     Atenuação alcançável em d(B)A  Conjugado  capacete  seg.  protetor  facial  e  auditivo  (MAS  do  Brasil)     91,91  Protetor auricular tipo concha (Protin)     94,91  Protetor auricular tipo espuma (3M do Brasil)   89,16  Protetor tipo concha (Msa do Brasil)     84,16  Protetor Auricular (Pomp)     85,16  Conjugado  tipo  capacete  de  seg  e  protetor  auditivo(MSAdo  Brasil)     94,91  24.35.  Observou­se,  na  leitura  da  tabela  acima,  que  ha  para  cada  tipo  de  protetor  uma  atenuação  alcançável  pela  sua  utilização,  sendo que  o  único  protetor que atenuaria o nível de ruído que estava  afetando o funcionário tomado como exemplo, para  valores  abaixo  do  limite  de  tolerância  trabalhista  seria o Protetor tipo concha (Msa do Brasil) e para  valores  abaixo  do  limite  de  tolerância  previdenciário os tipos: auricular tipo espuma (3M  do  Brasil),  concha  (Msa  do  Brasil)  e  o  auricular  (Pomp);  24.36.  ás  fls 115 observou­se o registro de que o ruído a  que estava exposto o funcionário Amilton Ferreira  Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 15          27 Lopes  teria  sido  atenuado  de  99,03  d(B)A  para  91,73  d(B)A.  Infere­se,  portanto  que  o  mesmo  utilizou  o  protetor  tipo  "Conjugado  tipo  capacete  de  seg  e  protetor  auditivo  (MSA  do  Brasil)",  e,  portanto, mesmo com a utilização do referido EPI  estaria exposto a níveis de ruído acima do limite de  tolerância previdenciário;   24.37.  os  exemplos  anteriores  demonstram  como  é  importante  conhecer  exatamente  qual  o  nível  de  ruído  a  que  o  trabalhador  está  exposto,  para  se  especificar o EPI adequado visando se alcançar a  atenuação  desejada,  pois  cada  tipo  de  EPI  irá  proporcionar um valor diferente de atenuação;  24.38.  porém,  é  muito  importante  salientar  que,  mesmo  que a empresa tivesse especificado o EPI adequado  para a proteção de cada um de seus empregados —  obrigação essa que, efetivamente, ela não atendeu,  conforme  já  fartamente  comprovado  no  Relatório  Fiscal e na Informação Fiscal —, o documento que  realmente  comprovaria  o  seu  fornecimento  aos  seus  empregados  seria  a  Ficha  de  Controle  Individual  de EPI's  de  cada um deles,  contendo o  registro, em época própria, da devida identificação  do  seu  tipo,  CA,  data  de  seu  fornecimento  e  assinatura  do  empregado  no  ato  do  recebimento.  Essas  informações  que  deveriam  constar  nas  Fichas  de  Controle  Individual  de  EPI's  é  que  serviriam  de  base  para  a  complementação  dos  dados  exigidos  para  o  preenchimento  correto  dos  laudos técnicos e dos PPP's, conforme determinado  pela legislação;  24.39.  as  fichas  de  EPI's  que  foram  juntadas  a  esse  processo  pela  defesa  não  trouxeram  nenhuma  novidade  em  relação  Aquelas  anexadas  pela  Auditoria  As  fls.  246  a  255,  pois  nelas,  também,  não  se  encontram  especificados  os  protetores  auditivos a serem utilizados pelos trabalhadores e,  muito  menos,  constam  a  identificação  do  protetor  auditivo que teria sido fornecido, nem sua data de  fornecimento  nem  tampouco  a  respectiva  rubrica  ou  assinatura  do  trabalhador  no  ato  de  seu  recebimento  e,  ainda,  não  quantifica  quantos  protetores auditivos lhes teriam sido fornecidos;  24.40.   finalmente,  é muito  importante  salientar —  a  fim  de  que  não  se  prosperem  as  indagações  emitidas  pela  defesa,  de  que  a  Auditoria  Previdenciária  teria  invadido  as  áreas  de  Engenharia  de  Segurança  e  da  Medicina  do  Trabalho —  que,  a  análise dessa Auditoria se pautou, exclusivamente,  nos dados relativos ao gerenciamento do ambiente  de  trabalho  da  empresa,  todos  eles,  sem qualquer  Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     28  exceção,  extraídos  fielmente  dos  registros  constantes  nos  documentos  ambientais  apresentados A mesma,  que  após  sua  elaboração,  efetuou  o  confronto  deles  com  as  exigências  estabelecidas  pela  Legislação  Previdenciária,  Trabalhista  e  nas Normas Regulamentadoras,  que  conforme  já  descrito  no  item  2.3.2  dessa  Informação Fiscal e no Relatório Fiscal, às fls. 54,  vieram  a  ser  expressamente  adotadas  pela  Legislação  da  Previdência  Social  a  partir  da  entrada em vigor da Lei 9.732 de 11/12/1998 e do  Decreto 3.048 de 06/05/99, quando passaram a ser  amplamente  aplicadas  para  fins  de  análise  e  concessão  de  benefícios  relativos  a  riscos  ocupacionais  e  custeio  das  aposentadorias  especiais.   25  Por todo o exposto, conclui­se que não basta que o  contribuinte  possua  PPRA  /  LTCAT  com  indicação/recomendação  do  uso  de  EPI's  e  que  estes  eliminam  ou  reduzam  os  agentes  nocivos,  conferindo  proteção  eficaz,  é  necessário  que  efetivamente  fique  comprovada  a  proteção  pretendida,  o  que  no  presente  caso,  não  ficou  comprovado, pois a fiscalização demonstrou que os  EPI,s,  da  forma  como  são  fornecidos  e  utlizados  pelos  empregados  não  são  eficazes  na  eliminação/atenuação dos agentes nocivos A saúde  do trabalhador.  26  0  item  9.3.5.4.  da  NR­09,  abaixo  transcrito,  deixa  claro  que  o  uso  de  Equipamento  de  Proteção  Individual  somente  é  admitido  após  adoção  de  medidas de proteção coletiva:  "9.3.5.4.Quando comprovado pelo empregador ou instituição, a  inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva  ou  quando  estas  não  forem  suficientes  ou  encontrarem­se  em  fase  de  estudo,  planejamento  ou  implantação  ou  ainda  em  caráter  complementar  ou  emergencial,  deverão  ser  adotadas  outras medidas obedecendo­se à seguinte hierarquia:  a)­  medidas  de  caráter  administrativo  ou  de  organização  do  trabalho;  b)­ utilização de Equipamento de Proteção Individual — EPI"  27.  Assim,  antes  da  utilização  de  Equipamentos  de  Proteção  Individual — EPI, a referida norma discorre sobre várias etapas  que  devem  ser  cumpridas  pela  empresa  para  que  a  adoção  do  EPI possa se efetivar no ambiente (nocivo) de trabalho. A norma  estabelece uma pirâmide hierárquica, admitindo apenas o uso de  EPI em última estância, quando cumpridas as seguintes etapas:  a)­ deverão ser adotas as medidas necessárias suficientes para a  eliminação, a minimiza cão ou o controle dos riscos ambientais;  b)­  implantar,  hierarquicamente,  medidas  de  proteção  coletiva  que eliminem ou reduzam a utilização ou a formação de agentes  Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 16          29 prejudiciais  à  saúde;  previnam  a  liberação  ou  disseminação  desses agentes no ambiente de trabalho; reduzam os níveis ou a  concentração desses agentes no ambiente de trabalho;  c)­ se comprovado pelo empregador, a  inviabilidade  técnica da  adoção  de  medidas  de  proteção  coletiva  ou  quando  estas  não  forem  suficientes  ou  encontrarem­se  em  fase  de  estudo,  planejamento  ou  implantação  ou  ainda  em  caráter  complementar  ou  emergencial,  deverão  ser  adotadas  outras  medidas  obedecendo­se  à  seguinte  hierarquia:  1ª)  medidas  de  caráter  administrativo  ou  de  organização  do  trabalho;  2º)­  utilização de Equipamento de Proteção Individual — EPI.  28.  Além disto a utilização de EPI na empresa deve envolver no  mínimo:  a)  a  seleção  adequada  tecnicamente  ao  risco  a  que  o  trabalhador está esposto e à atividade exercida, considerando­se  a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e o  conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário;  b)­  programa  de  treinamento  dos  trabalhadores  quanto  à  sua  correta utilização e orientação sobre as  limitações de proteção  que o EPI oferece;  c)­ estabelecimento de normas ou procedimento para promover o  fornecimento, o uso, a guarda, a higieniza ção e conservação, a  manutenção  e  a  reposição  do  EPI,  visando  a  garantir  as  condições de proteção originalmente estabelecidas;  d)­ caracterização das  funções ou atividades dos trabalhadores  com a respectiva identificação dos EPI utilizados para os riscos  ambientais.  29.  Quanto  aos  laudos  e  decisões  trabalhistas  anexados  (a  titulo  de  prova  emprestada),  cabe  registrar  que  ante  as  evidências extraídas do conjunto de documentos analisados  pela  fiscalização  e  trazidas  aos  autos,  através  das  informações  constantes  do  Relatório  Fiscal,  bem  como  da  Informação  Fiscal  de  fls.  928  a  961,  os  mesmos  não  são  capazes  de  alterar  a  realidade  que  ensejou  o  lançamento  fiscal, fartamente fundamentada e documentada nos autos.  30.  No  tocante  aos  demais  argumentos  fáticos  aduzidos  na  defesa  e  documentos  anexados,  ressalte­se  que  foram  analisados  pela  fiscalização  e  constam  das  informações  fiscais  de  fls.  928  a  961  e  963  a  964,  encaminhadas  à  notificada para manifestação, (fls.968/969)   31.  Quanto  às  alegações  apresentadas  em  relação  ao  pronunciamento  fiscal  de  fls.  928  a  961  e  963/964,  encaminhado  à  notificada  para  manifestar­se,  cabe  registrar  que  as  mesmas  foram  analisadas,  porém  não  se  verificou  fatos  novos  que  possam  alterar  o  lançamento  fiscal ou necessitar de esclarecimentos da fiscalização.   Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     30  32.  Por  todo  o  exposto,  conclui­se,  sem  sobra  de  dúvida,  que  está  sobejamente  demonstrado  nos  autos  que  os  trabalhadores arrolados na presente NFLD, estão expostos  a condições especiais que prejudiquem sua saúde, ou seja,  agente  nocivo  (RUÍDO),  acima  do  limite  de  tolerância  permitido pela  legislação, e que as medidas adotadas pela  empresa  não  são  eficazes  na  eliminação  ou  atenuação  d  esses  agentes  a  níveis  legalmente  aceitáveis,  e  que  são  prejudiciais â saúde ou â integridade física do trabalhador,  não prevalecendo os argumentos aduzidos na defesa de que  nenhum dos  empregados  arrolados  pela  fiscalização  estão  expostos  a  qualquer  risco,  que  ensejam  o  pagamento  do  adicional ao SAT cobrado na presente NFLD.”  Por  todo  o  exposto,  quanto  ao  mérito,  nesta  questão,  nego  provimento  ao  recurso do sujeito passivo.    CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo  para:  1.  devido  à  regra  decadencial  expressa  no  Art.  150  do  CTN, excluir do lançamento as contribuições apuradas  até a competência 04/2001. anteriores a 05/2001; e   2.  decidir  que  a  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”,  o  “Relatório  de  Representantes  Legais  –  RepLeg”  e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente informativa.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.011823/2007­97  Acórdão n.º 2301­004.119  S2­C3T1  Fl. 17          31   Voto Vencedor  Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado.  A  divergência  ora  apontada  em  relação  ao  voto  do  Conselheiro  Relator  refere­se exclusivamente em relação à retroatividade da multa, após as alterações empreendidas  pela Lei nº 10.941/09.   Em  relação  à  multa  há  de  se  registrar  que  o  dispositivo  legal  que  lhe  dá  supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão  relativa à  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 106, da Lei nº  5.172, de 25 de outubro de 1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a  gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91,  já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à  época do  lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser  verificado o fato punido.   Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a  novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado.   Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,  do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo  ser  a multa  lançada na  presente  autuação  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009,  se mais benéfica ao contribuinte.       (assinado digitalmente)  Adriano Gonzáles Silvério                Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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Numero do processo: 15559.000161/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     2   Relatório  Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2005.  Data da lavratura da NFLD: 25/05/2007.  Data da Ciência da NFLD: 28/05/2007.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento no Rio de  Janeiro  II/RJ, que  julgou procedente em parte o  lançamento  tributário  formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD nº 37.100.322­9,  consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio  da  Seguridade  Social,  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras  Entidades e Fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a  segurados obrigatórios do RGPS que lhe prestaram serviços em cada mês, declaradas em GFIP,  porém  não  recolhidas  aos  cofres  da  Seguridade  Social  na  forma  e  no  prazo  previstos  na  legislação tributária, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 93/95.  De  acordo  com  a  resenha  fiscal,  trata­se  de  um  procedimento  de  auditoria  fiscal  por  fato  gerador  especifico,  com  o  objetivo  de  analisar  e  regularizar  divergências  apontadas no batimento GFIP  (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência  Social)  X  GPS  (Guia  da  Previdência  Social).  Assim,  os  créditos  constantes  do  presente  levantamento  referem­se  às  diferenças  apuradas  no  citado  batimento,  tendo  por  base  os  relatórios  emitidos  pelo  sistema  informatizado  do  INSS  (CVALDIV),  extraídos  do  sistema  AGUIA  em  22/05/2007,  as  GFIP  em  meio  papel  apresentadas  pela  empresa  e  as  GPS  respectivas.  Os  créditos  de  titularidade  do  Sujeito  Passivo  utilizados  no  presente  lançamento encontram­se expostos no "Relatório de Documentos Apresentados ­ RDA", a fls.  51/57  e  no  "Relatório  de Apropriação  de Documentos Apresentados  ­ RADA",  a  fls.  59/71,  integrantes do lançamento fiscal.   O crédito lançado (valor originário, juros e multa) encontra­se fundamentado  na legislação constante do anexo "Fundamentos Legais do Débito". A multa foi aplicada com  redução  de  50%  para  os  fatos  geradores  declarados  em  GFIP,  de  acordo  com  o  Art.  239  parágrafo 11° do Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 3265/99.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 161/183.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  II/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 13­19.700 – 7ª Turma da DRJ/RJII,  a  fls.  219/229,  julgando  procedente  o  lançamento,  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade;  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15559.000161/2007­49  Acórdão n.º 2302­003.479  S2­C3T2  Fl. 321          3 O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  14/10/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 251.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  255/283,  requerendo,  ao  fim,  de  improcedência da NFLD.    Relatados sumariamente os fatos ora relevantes.  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     4   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O  Sujeito  Passivo  foi  válida  e  eficazmente  cientificado  do Acórdão  nº  13­ 19.700 – 7ª Turma da DRJ/RJII,  no dia 14/10/2008,  terça­feira,  dia útil,  conforme Ofício nº  1183/2008  ­  DRF/NIU/EAC/SECAT  e  Comprovante  de  Recebimento  a  fl.  247  e  251,  respectivamente.    Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito  tributário  de  natureza  previdenciária,  a  matéria  pertinente  ao  oferecimento  de  recursos  administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de  30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão  de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável.   Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97)      Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99  Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e  da  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  seguridade  social,  respectivamente,  caberá  recurso  para  o  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  (CRPS),  conforme  o  disposto  neste  Regulamento  e  no  Regimento  do  CRPS.  (Alterado  pelo  Decreto nº 6.03/2007)  §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para  o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão  e  da  interposição  do  recurso,  respectivamente.  (Redação  dada  pelo Decreto nº 4.729/2003)    Cumpre  trazer à baila que os processos administrativos  fiscais  relativos aos  créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007,  para  a  Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil,  cujo  iter  procedimental  passou  a  ser  regido,  desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas  no art. 25 daquele Diploma Legal.  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15559.000161/2007­49  Acórdão n.º 2302­003.479  S2­C3T2  Fl. 322          5 Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007.  Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  cabe  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do Brasil  planejar,  executar,  acompanhar  e avaliar  as  atividades  relativas  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação,  cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas  alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de  24 de  julho de 1991, e das  contribuições  instituídas a  título de  substituição.   (...)    Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem  às  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando­ se  em  relação  a  essas  contribuições,  no  que  couber,  as  disposições desta Lei.   (...)    Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do  Brasil os processos administrativo­fiscais,  inclusive os relativos  aos  créditos  já  constituídos  ou  em  fase  de  constituição,  e  as  guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência  Social  ou  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta  Lei.    Art. 25. Passam a ser  regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de  março de 1972:    I  ­  a  partir  da  data  fixada  no  §1º  do  art.  16  desta  Lei,  os  procedimentos  fiscais  e  os  processos  administrativo­fiscais  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  referentes  às  contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei;  II  ­  a  partir  da  data  fixada  no  caput  do  art.  16  desta  Lei,  os  processos administrativos de consulta relativos às contribuições  sociais mencionadas no art. 2º desta Lei.  §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a  que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a:  I  ­  procedimentos  fiscais,  instrumentos  de  formalização  do  crédito tributário e prazos processuais;  II  ­  competência  para  julgamento  em  1a  (primeira)  instância  pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada.  §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos  processos de restituição, compensação, reembolso,  imunidade e  isenção das contribuições ali referidas.  §3º Aplicam­se, ainda, aos processos a que se refere o inciso II  do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996.    Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os  prazos  recursais  devem  ser  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se o do vencimento. Estatuiu,  igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou  vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o  ato.  É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à  autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo  para  a  impugnação  da  exigência.  Tal  prerrogativa,  contudo,  lhe  foi  excluída  pela  lei  nº  8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde  que,  a  contar  de  então,  não  mais  dispõe  a  referida  autoridade  de  poder  discricionário  para  prorrogar os prazos recursais.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.    Art.  6º  A  autoridade  preparadora,  atendendo  a  circunstâncias  especiais,  poderá,  em despacho  fundamentado:  (Revogado pela  Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)   I ­ acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência;  (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)   II ­ prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização  de  diligência.  (Revogado  pela  Lei  nº  8.748,  de  1993)  (grifos  nossos)     No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado do  Acórdão  nº  13­19.700  –  7ª  Turma  da  DRJ/RJII,  no  dia  14/10/2008,  terça­feira,  dia  útil,  conforme Ofício nº 1183/2008 ­ DRF/NIU/EAC/SECAT e Comprovante de Recebimento a fl.  247 e 251,  respectivamente,  iniciando­se, por conseguinte,  a  fluência do  trintídio  recursal na  quarta­feira  imediatamente  seguinte,  diga­se,  no  dia  15/10/2008,  dia  útil.  Sendo  de  30  dias  contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 13 dias do  mês de novembro do mesmo ano, inclusive, quinta­feira, dia útil.  Saliente­se, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é  contínuo,  não  sendo  suspenso  ou  interrompido  por  fins  de  semana  ou  feriados  nacional,  estadual  ou  municipal,  salvo  se  estes  coincidirem  com  a  data  de  início  ou  de  término  do  referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço.  Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os  efeitos  jurídicos, exatamente no dia 15/10/2008, o que  implica na  fixação do dia 13/11/2008  como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário.  No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos  Correios no dia 14 de novembro de 2008, como assim denuncia o Carimbo aposto no Envelope  de  Postagem  a  fl.  285,  há  que  se  reconhecer,  portanto,  a  intempestividade  do  recurso  interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado.  Nesse mesmo sentido, o Despacho da DRF em Nova Iguaçu/RJ, a fl. 319.  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15559.000161/2007­49  Acórdão n.º 2302­003.479  S2­C3T2  Fl. 323          7   Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art.  63, I, da Lei nº 9.784/99, o qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no  âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos  dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração.  Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999.  Art.  63.  O  recurso  não  será  conhecido  quando  interposto:  (grifos nossos)   I ­ fora do prazo; (grifos nossos)   II ­ perante órgão incompetente;  III ­ por quem não seja legitimado;  IV ­ após exaurida a esfera administrativa.  §1º  Na  hipótese  do  inciso  II,  será  indicada  ao  recorrente  a  autoridade  competente,  sendo­lhe  devolvido  o  prazo  para  recurso.  §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração  de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão  administrativa.    Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no  prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornando­a definitiva  no âmbito administrativo, a teor do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, sob  cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce.   Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 42. São definitivas as decisões:  I­  de  primeira  instância  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos)   II  ­  de  segunda  instância  de  que  não  caiba  recurso  ou,  se  cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;  III ­ de instância especial.  Parágrafo  único.  Serão  também  definitivas  as  decisões  de  primeira  instância  na  parte  que  não  for  objeto  de  recurso  voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.    Por  tais  razões,  pugnamos  pelo  não  conhecimento  do  presente  Recurso  Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade.    2.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos  expendidos,  voto  pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso  Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva.   Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     8   É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                               Fl. 327DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 35582.001702/2004-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2   ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular  a decisão recorrida.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Luciana  de  Souza  Espíndola  Reis,  Ronaldo  de  Lima  Macedo  e  Thiago  Taborda  Simões. Ausentes  os  conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues  e  Lourenço Ferreira do  Prado.  Fl. 718DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001702/2004­23  Acórdão n.º 2402­004.274  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 6º, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela  Lei  9.528/1997  c/c  o  art.  225,  inciso  IV  e  §  4º  do  Decreto  3.048/1999,  que  consiste  em  a  empresa  apresentar  a  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  em  relação  aos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  para  as  competências  01/1999 a 03/2004.  Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa apresentou as GFIP’s com  erro de preenchimento nos campos discriminados no demonstrativo de fls. 06/17.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  04/08/2004  (fl.01).  A Notificada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que:  1.  há nulidade do  lançamento, na medida em que este omite os artigos  das normas legais específicas dadas como infringidas. Argúi, ainda, a  nulidade do  lançamento pela  falta de intimação dos demais supostos  devedores do presente crédito;  2.  sustenta  a  ilegalidade  da  caracterização  de  grupo  econômico  pela  fiscalização,  posto  que  realizada  com  base  em  presunção.  Nesse  passo, pondera que não há qualquer relação de subordinação entre as  empresas, não bastando a mera vinculação;  3.  No  mérito,  destaca  que  a  documentação  apresentada  no  curso  da  fiscalização,  relativa à especificação dos  serviços prestados por seus  cooperados,  bem  como  os  comprovantes  de  recolhimento  da  contribuição,  cópias  anexas,  não mereceu a devida consideração por  parte da autoridade fiscal.  Insurge­se contra os  termos da “descrição  sumária da infração”, que reputa arbitrários e subjetivos;  4.  por  fim,  contesta  a  aplicação  de  juros moratórios  pela  taxa  SELIC,  sustentando a sua ilegalidade.  Embora intimadas por via postal, em 25/08/2004 (fls. 510/517), as empresas  Uniwork  Coperativa  de  Trabalho  LTDA.  e  E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda.,  supostas  integrantes do grupo econômico, não impugnaram o lançamento.  A Delegacia da Receita Previdenciária  em Duque de Caxias – por meio da  Decisão­Notificação (DN) 17.422.4/0203/2005 (fls. 522/525) – considerou o lançamento fiscal  procedente em sua totalidade.  Fl. 719DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 Sem  apresentação  de  recursos,  houve  a  lavratura  de  Termo  de  Revelia  e  Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância.  Processo  foi  encaminhado  ao  setor  de  cobrança  judicial.  A  Procuradoria  Especializada  do  Fisco  determina  que  o  processo  retorno  à  fase  administrativa  para  que  as  empresas  sejam  notificadas  sobre  o  débito,  abrindo­se  prazo  para  defesa,  bem  como  certificando­as de eventual revelia.  A  empresa  E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda.,  suposta  integrante  do  grupo  econômico,  apresentou  recurso, manifestando  seu  inconformismo pela obrigatoriedade  do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua alegação fática de  que não integraria o grupo econômico delineado pelo Fisco.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) em Nova Iguaçu/RJ informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 720DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001702/2004­23  Acórdão n.º 2402­004.274  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do  recurso  interposto.  Cumpre  esclarecer  que  somente  a  empresa  E­Dablio  Consultoria  e  Projetos Ltda apresentou recurso voluntário.  Quanto às prejudiciais, há questão que merece ser analisada.  Da análise inicial dos autos, verifica­se questão prejudicial ao julgamento do  recurso  encaminhado,  face  à  ocorrência  de  cerceamento  da  garantia  da  ampla  defesa  e  da  supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados.  Após  a  apresentação  da  peça  de  impugnação  –  oportunidade  em  que  a  empresa  Uniway  Cooperativa  de  Profissionais  Liberais  Ltda  alegava  que  não  existiria  a  caracterização de grupo econômico, tendo em vista que não haveria relação de controle ou de  subordinação  entre  as  empresas  apontadas  pelo  Fisco  como  integrantes  do  suposto  grupo  econômico, havendo apenas uma presunção de grupo econômico –, a Delegacia de Julgamento  proferiu decisão  indeferindo as  alegações  expostas nessa peça de  impugnação, nos  seguintes  termos:  “[...]  9. No que  se  refere a  argüição  de  nulidade  pela  falta  de  intimação  dos  integrantes  do  Grupo  Econômico,  não  assiste  razão  a  impugnante,  na  medida  em  que  as  empresas  foram  regularmente  cientificadas  do  procedimento  fiscal  pela  via  postal,  como  revelam  os  documentos  de  fls.  510/517.  [...]”  (processo  35582.001702/2004­23,  Decisão­Notificação  (DN)  17.422.4/0203/2005, fls. 522/525)  Com a prolação da decisão de primeira  instância,  inicialmente não houve a  apresentação de  recurso  voluntário. Com  isso,  o Fisco  lavrou Termo de Revelia  e Termo de  Trânsito  em  Julgado  da  decisão  de  primeira  instância,  e  encaminhou  os  autos  ao  setor  de  cobrança judicial.  Posteriormente, a Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada) determinou  o  retorno  do  processo  à  fase  administrativa  para  que  as  empresas  sejam  notificadas  sobre  o  débito,  abrindo­se  prazo  para  defesa,  bem  como  certificando­as  de  eventual  revelia.  Por  sua  vez,  o  Fisco  determinou  a  reabertura  de  prazo  para  a  interposição  de  recurso  para  todas  as  empresas integrantes do suposto grupo econômico, nos seguintes termos:  “[...]  1.  Trata­se  de  Decisão­Notificação  —  DN  emitida  em  30/05/2005,  sob  o  n°  17.422.4/0203/2005,  que  julgou  pela  procedência do auto­de­infração ­ AI lavrado sob o DEBCAD n°  35.699.846­0.  2. 0 referido AI foi  lavrado quando da ação fiscal desenvolvida  na empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda ­  72.387.665/0001­00  (integrante  de  grupo  econômico),  porém,  Fl. 721DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6 são responsáveis solidárias pelo crédito previdenciário lançado  por  meio  deste  AI,  além  da  empresa  Uniwav  Cooperativa  de  Profissionais Liberais Ltda, todas as demais empresas participes  do grupo econômico, a  saber: Uniway Serv. Coop. de Trab. de  Profissionais  Liberais  Ltda  ­  CNPJ  •  73.206.245/0001­43,  Uniwork  Cooperativa  de  Trabalho  Ltda  —  CNPJ  73.206.245/0001­43  ,  E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda  ­  CNPJ 03.721.322/0001­18.  3.  Todas  as  empresas  identificadas  no  item  supra  –  item  2  do  presente  Despacho,  foram  chamadas  a  se  manifestarem  nos  autos,  conforme  fls.  1  (notificação pessoal  da  empresa Uniway  Cooperativa  de  profissionais  Liberais  Ltda),  fls.  509  (cópia  de  Edital  Publicado  no  Jornal  do  Comércio  de  12/11/2004  –  empresa  Uniway  Serv.  Cooperat.  de  Trab.  de  Profissionais  Ltda),  fls.  510  (carta  enviada  à  Uniwork  Cooperativa  de  Trabalho LTDA – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de  assinatura em AR) e fls. 514 (carta enviada à empresa E­Dablio  Consultoria e Projetos Ltda – recebida em 25/08/2004 conforme  aposição de assinatura em AR).  4.  No  entanto,  nos  autos  consta  apenas  a  comprovação  do  recebimento  da  ON  pela  empresa  Uniway  Cooperativa  de  Profissionais  Liberais  Ltda  ­  72.387.665/0001­00,  em  13/07/2005 (fls. 526).  5. As  fls. 544, consta Despacho da Procuradoria Especializada  do  INSS  devolvendo  o  processo  a  Seção  do  Contencioso  Administrativo para que  todas as empresas participes do grupo  econômico recebam cópia da presente Decisão­Notificação ­DN.  6.  Dessa  foram,  esta  Seção  reencaminha  cópia  da  Decisão­ Notificação  n°  17.422.4/0203/2005  as  demais  empresas  participes do grupo econômico, a saber: Uniway Serv. Coop. de  Trab.  de  Profissionais  Liberais  Ltda  ­  CNPJ  73.206.245/0001­ 43,  Uniwork  Cooperativa  de  Trabalho  Ltda  —  CNPJ  73.206.245/0001­43  ,  E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda  –  CNPJ 03.721.322/0001­18.  7. Ressalte­se que o presente Despacho está sendo encaminhada  a todas as empresas que integram o grupo econômico, uma vez  que  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  interposição  de  recurso  dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS  está sendo reaberto pelo presente Despacho e começará a  fluir  após a ciência de  todas as empresas participes do grupo. [...]”  (processo 35582.001702/2004­23) (g.n.)  No  retorno  do  processo  à  fase  administrativa,  conforme  determinação  da  Fazenda Nacional, a empresa E­Dablio Consultoria e Projetos Ltda interpôs recurso alegando,  em síntese, os seguintes fatos:  1.  a sua constituição como empresa somente ocorreu em março de 2000,  logo não há de se falar em contribuições nas competências 01/1999 a  02/2000;  2.  ela  não  pertence  a  grupo  econômico  algum,  e  em  tal  condição  não  pode  ser  considerada  solidária  aos  débitos  mencionados  no  lançamento  fiscal,  pois  o  único  vinculo  existente  entre  a  e­Dablio  Fl. 722DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001702/2004­23  Acórdão n.º 2402­004.274  S2­C4T2  Fl. 5          7 Consultoria  e Projetos Ltda  e  a  cooperativa Uniway  era  um  vínculo  comercial, onde a primeira contratava os serviços da segunda;  3.  Conforme  impugnação  da  Cooperativa  Uniway,  a  qual  sofreu  a  fiscalização,  não  restou  comprovada,  durante  a  fiscalização,  a  existência  do  controle  por  parte  de  uma  das  cooperativas  sobre  as  outras  e  muito  menos  da  empresa  limitada  sobre  as  cooperativas,  portando  a  autoridade  fiscalizadora  fundamentou­se  em  simples  presunção  e  informações  comerciais  constantes  no  site  www.uniway.com.br,  onde  constava  a  e­Dablio  Consultoria  e  Projetos Ltda, como sua cliente;  4.  Conforme Contrato Social  (doc. 3) o  responsável pela administração  da  empresa  e­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda.  era  seu  Sócio­ Gerente  Pedro Azambuja  Pinheiro Machado,  portando  não  há  de  se  falar em controle e direção, pois o Sr. Pedro não fazia parte da direção  e muito menos controlava a Cooperativa Uniway;  5.  o AI DEBCAD n° 35.699.846­0, de 30/07/2004, nunca foi entregue a  e­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda,  apenas  a  empresa  tomou  conhecimento em 07/08/2006, quando sua procuradora recebeu cópias  da NFLD em questão. Isto, por uma única razão, não há vínculo entre  a empresa UNIWAY e a E­DABLIO, que é uma empresa limitada e a  Uniway,  cooperativa.  Dessa  forma,  afirma  que  não  faz  parte  do  mesmo  grupo  econômico  que  a  cooperativa  Notificada  e,  para  comprovar as suas alegações, junta aos autos cópias de documentos.  Considerando  a  garantia  da  ampla  defesa  e  da  supressão  de  instância,  entende­se que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações postas  na  peça  recursal,  eis  que  essa  decisão  não  analisou,  de  forma  suficiente,  todos  os  pontos  abordados pela peça de impugnação, no momento em que não houve uma demonstração fática  de que  todas  as  empresas  comporiam ou não o grupo econômico delineado pelo  lançamento  fiscal.  Segundo  a  Recorrente  (E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda),  ela  não  tornou  conhecimento  imediato  da  autuação,  sendo  que  isso  impossibilitou,  dentro  do  prazo  regulamentar, a sua produção de prova na  fase de  impugnação, e,  com isso, somente na  fase  recursal  foram  apresentadas  as  questões  fáticas  e  jurídicas  da  impugnação  do  lançamento  fiscal.  Com  a  finalidade  de  afastar  qualquer  dúvida  acerca  do  sujeito  passivo  da  relação obrigacional tributária do presente processo, já que a Recorrente (E­Dablio Consultoria  e Projetos Ltda) alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a  documentação existente na empresa (fato novo para o processo) – tais como as questões fáticas  expostas  nos  itens  1  a  5  retromencionados  –,  deverá  a  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática  somente  apresentada  em  sede  de  recurso  voluntário  (fato  superveniente  ao momento  de  sua  apresentação),  visando demonstrar que o Fisco  cumpriu,  ou não,  a  legislação de  regência na  época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes,  entende­se  eficaz  a  baixa  do  processo  em  diligência  para manifestação  do  Fisco  quanto  aos  argumentos  apresentados  na  peça  recursal  ou  na  peça  de  impugnação,  dando­se  uma chance  Fl. 723DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 para que a Recorrente (E­Dablio Consultoria e Projetos Ltda) emende a peça inicial (peça de  impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações.  Dentro  desse  contexto  da  decisão  de  primeira  instância,  cumpre  esclarecer  que  tal  decisão  deve  ser  pautada  dentro  princípio  da  motivação.  Esta  motivação  exige  da  Administração  o  dever  de  justificar  seus  atos,  apontando­lhes  os  pressupostos  fáticos  e  jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado,  demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre  o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de toda a matéria fática  na fase recursal, se a Recorrente (E­Dablio Consultoria e Projetos Ltda) não a apresentou em  decorrência de uma causa dada pelo próprio Fisco, corroborado pelo retorno do processo à fase  administrativa  e  pela  reabertura  de  prazo,  conforme  determinação  da  Fazenda  Nacional  (Procuradoria Especializada e Fisco).  Isso permitirá que tal matéria  fática seja analisada pela  primeira instância e evitará a garantia da supressão de instância e da ampla defesa.  Esse  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  art.  50  da  Lei  9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato.  Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do  processo administrativo federal:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  I ­ neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;  II ­ imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...)  Diante  disso,  entende­se  que  a  decisão  de  primeira  instância  não  está  devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (itens  a  5  dessa  decisão)  e  sinalizadas  na  peça  de  impugnação  pela  empresa  autuada  (Uniway  Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda). Nesse particular não há outra solução a ser dada  ao  presente  processo,  anulando­se  a  decisão  de  primeira  instância  em  decorrência  da  constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada  nos autos.  A  Recorrente  (E­Dablio  Consultoria  e  Projetos  Ltda)  possui  o  direito  de  verificação  e  análise de  todos  seus  argumentos na primeira  instância. Não procedendo dessa  forma,  ocorrerá  a  supressão  de  instância  do  direito  de  defesa  da  Recorrente,  motivo  de  nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja  de  forma  excepcional  e  justificada,  que  foi:  impossibilidade  de  se  manifestar,  no  prazo  regulamentar,  da  autuação  em  decorrência  da  falta  de  ciência  de  todos  os  sujeitos  passivos (solidariedade). Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, após o retorno do  processo  à  fase  administrativa,  houve  a  reabertura  de  prazo  para  que  as  empresas  (sujeitos  passivos),  pertencentes  ao  suposto  grupo  econômico,  apresentassem  peça  de  contestação  (recurso), sendo isso determinado pela Fazenda Nacional.  Da  forma  como  foi  prolatada  a  decisão  de  primeira  instância,  o  direito  do  sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla.  E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser  observada  no  processo  administrativo  fiscal.  A  propósito  do  tema,  é  salutar  a  adoção  dos  ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo  Tributário  no Município  de  Florianópolis,  esclarece  de  forma  precisa  e  cristalina:  “A  ampla  defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta­ Fl. 724DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001702/2004­23  Acórdão n.º 2402­004.274  S2­C4T2  Fl. 6          9 se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa  opor­se  a  pretensão  do  fisco,  fazendo­se  serem  conhecidas  e  apreciadas  todas  as  suas  alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as  suas alegações”.  Ressalte­se,  também,  que  há  determinação  legal  para  que  se  verifique  o  direito  dos  cidadãos,  nos  termos  do  art.  2o  da  Lei  9.784/1999  e  do  art.  5o,  inciso  LV,  da  Constituição Federal/1988.  Lei 9.784/1999:  Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão  observados, entre outros, os critérios de:  I ­ atuação conforme a lei e o Direito; (...)  VI  ­  adequação  entre  meios  e  fins,  vedada  a  imposição  de  obrigações,  restrições  e  sanções  em  medida  superior  àquelas  estritamente  necessárias  ao  atendimento  do  interesse  público;(...)  VIII  ­ observância  das  formalidades  essenciais  à  garantia  dos  direitos dos administrados; (...)  X  ­  garantia  dos  direitos  à  comunicação,  à  apresentação  de  alegações  finais,  à  produção  de  provas  e  à  interposição  de  recursos, nos processos de que possam resultar  sanções e nas  situações de litígio; (...)  XII  ­  impulsão,  de  ofício,  do  processo  administrativo,  sem  prejuízo da atuação dos interessados;  .........................................................................................................  Constituição Federal/1988:  Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes: (...)  LV  ­  aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo,  e  aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.)  Assim,  é  dever  da  Administração  Pública  garantir  o  direito  dos  cidadãos  contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e  coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea.  Fl. 725DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em  caso de decretação de nulidade.  Decreto 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  (...)  Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente  para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.)  Portanto,  por  ser  autoridade  julgadora  competente  para  a  decretação  da  nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela  nulidade da decisão de primeira instância.  Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que o Fisco  deverá  cientificar os  sujeitos passivos dessa decisão – ou  seja,  deverá dar  ciência  a  todas  as  empresas  que  integram  o  suposto  grupo  econômico  delineado  pela  auditoria  fiscal  –,  emitir  nova  decisão,  dar  ciência  de  todas  as  diligências  e  de  seus  respectivos  resultados  (pronunciamentos  da  fiscalização  e  do  órgão  julgador),  reabrir  prazos  e  tomar  as  devidas  providências para a continuação do contencioso.  Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado  para que se possa  julgar a procedência ou não do  lançamento  fiscal, bem como a  análise do  recurso voluntário interposto.  CONCLUSÃO:  Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja  proferida  uma  nova  decisão  consubstanciada  em  motivação  fática  e  jurídica,  presentes  nos  autos, bem como seja oferecido aos sujeitos passivos um novo prazo para manifestação.  Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 726DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10882.908015/2011-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.908015/2011­54  Recurso nº  111.111   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.741  –  1ª Turma Especial   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  DCOMP ­ ELETRONICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  PRO­COLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/01/2004  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Não caracteriza pagamento de  tributo  indevido ou a maior,  se o pagamento  consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil  como  utilizado  integralmente  para  quitar  débito  informado  em  DCTF  e  a  contribuinte não prova  com documentos  e  livros  fiscais  e contábeis  erro  na  DCTF.  PER/DCOMP.  DECLARAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  LANÇAMENTO  DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.  Prescinde  de  lançamento  de  ofício  a  não­homologação  de  declaração  de  compensação  e  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados  por  meio desta declaração.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 15 /2 01 1- 54 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  PAULO SERGIO CELANI ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sergio  Celani,  Marcos  Antônio  Borges,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte­DRJ/BHE,  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório  que  não  homologou  PER/DCOMP  transmitida  pela  contribuinte  com  o  objetivo  de  compensar  débitos  nele  declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior.  Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho:  “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO  FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de  outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de  inconformidade alegando, em síntese, o que se segue:  ­ que o despacho é  eletrônico e não passou pelo  crivo de um auditor  fiscal,  sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema  informatizado  e  que  lhe  falta  fundamentação  e  motivação  devendo  ser  declarado  nulo;  ­ que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que  estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  e  poderá  determinar  a  realização  de  diligência fiscal;  ­  que  transmitiu  Declaração  de  Compensação  de  COFINS,  apurado  em  30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia  nenhum  débito  anterior  a  ele  vinculado  e  que,  agora,  a  RFB  vem  inquirir  que  o  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 4          3 crédito  utilizado  na  compensação  foi  utilizado  antes  para  quitação  do  débito  de  COFINS  de  30/06/04  quando  já  havia  perecido  o  direito  do  Fisco  de  cobrar  o  pretenso débito;  ­ que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de  suspensão da exigibilidade;  ­  que  passou mais  de  5  anos  e  o  débito  não  pode  ser  exigido,  pois  com  a  aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório  A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte:  “DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se admite  compensação com crédito que não se  comprova  existente.”  No  recurso  voluntário,  a  contribuinte  alega  que  não  houve  qualquer  antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não  foi  homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que  a  contribuinte  pagasse  o  débito;  que,  em  decorrência  disto  tudo,  “não  há  que  se  falar  em  crédito  tributário  constituído  pelo  lançamento,  motivo  pelo  qual,  em  face  de  sua  inércia,  deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art.  150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.”  É o relatório.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  para julgamento nesta turma especial.  Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no  recurso voluntário.  Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza  Apesar  de  a  recorrente  não  atacar  os  fundamentos  do  despacho  decisório,  traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório.  A RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  da  contribuinte,  referente  a  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, é  instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando  crédito disponível a ser restituído.  Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada.  O  fundamento  legal  está  expresso  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo  165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN).  Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o  DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum.  E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF.  Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte  tem  direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo  indevido ou maior que o devido;  erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  reforma,  anulação  revogação  ou  rescisão  de  decisão condenatória.  Não  foi  atendido  o  art.  170  do  CTN  que  diz  que  a  lei  poderá  autorizar  a  compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública..  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 6          5 E  a  liquidez  e  certeza  não  foram  comprovada  pela  contribuinte,  a  quem  incumbia  esse  ônus,  à  luz  do  art.  333  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  aplicável  subsidiariamente  ao  caso, que determina que o ônus da prova  incumbe a quem alega  fato  constitutivo de direito.  Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante.  Veja­se, como exemplo, a ementa do acórdão 3801­00.190, de 22/05/2012,  relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes:  “Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 31/12/2002  COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA  DO DESPACHO DECISÓRIO.  A  simples  retificação  de  DCTF  não  é  elemento  de  prova  suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.  A  compensação  não  pode  ser  homologada  quando  o  sujeito  passivo não comprova a origem de seu direito creditório.  Recurso Voluntário Negado.”  Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo  entendimento  os  Acórdãos  3802­001.290,  de  25/09/2012,  relatado  pelo  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  e  3802­001.593,  de  27/02/2013,  relatado  pelo  Conselheiro  Francisco José Barroso Rios.  Transcrevo a parte que interessa do primeiro:  Acórdão nº 3802­001.290:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  COMPROVADO  NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA  MANTIDA.  Na  ausência  da  comprovação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  utilizado  no  procedimento  compensatório,  deve  ser mantida  a  decisão  recorrida  que  não  homologou  a  compensação  declarada pelo mesmo motivo.  (...)”  O  direito  de  crédito  deve  ser  provado  e  apenas  créditos  líquidos  e  certos  podem ser compensados ou restituídos.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 7          6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário.  A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário.  A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões  da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações  recursais. Destaco o seguinte:  Com base no art. 5º, §1º, do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, conclui­se que a  DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito  tributário nela declarado.  Com  fundamento  no  §  2º  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430,  27/12/1996,  a  compensação  declarada  à  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  O  §  5º  deste  artigo  diz  que  o  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.  Transcorrido esse prazo após a  transmissão do PER/DCOMP e não  tendo o  fisco  se  manifestado,  considera­se  extinto  o  débito  nele  confessado,  independentemente  da  confirmação do crédito utilizado: opera­se a homologação tácita.  No  caso,  como  a  própria  contribuinte  reconhece,  a homologação  tácita  não  ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da  transmissão do PER/DCOMP.  Os  parágrafos  6º  e  7º  do  mesmo  artigo  determinam  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a  autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­lo a efetuar, no prazo de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente compensados.  O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação  com as seguintes palavras:  “Fica  o  sujeito  passivo  CIENTIFICADO  deste  despacho  e  INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da  ciência  deste,  efetuar  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  à  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento,  no mesmo  prazo,  nos  termos dos §§ 7º  e 9º do art.  74 da Lei nº 9.430, de 1996,  com  alterações  posteriores.  Não  havendo  pagamento  ou  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade,  os  débitos  indevidamente  compensados,  com  os  acréscimos  legais,  serão  inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.”  Dos  fundamentos  acima,  decorre  que  não  é  necessário  auto  de  infração  ou  notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908015/2011­54  Acórdão n.º 3801­003.741  S3­TE01  Fl. 8          7 em DCTF  ou  em DCOMP,  logo,  não  há  que  se  falar  em  decadência  do  direito  de  lançar  o  crédito tributário no caso presente.  Conclusão  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo­se  a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator                                Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10980.726539/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. Desde 22 de novembro de 2005, para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considera-se efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO AOS TRIBUTOS REFLEXOS. Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária objetivou deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Conclui-se pela correção da decisão de primeira instância, haja vista que esta examinou o lançamento em seu aspecto formal e material, à luz das disposições expressas na legislação que regulamenta o processo administrativo fiscal. NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. ESQUEMA DE SONEGAÇÃO CONSTATADO. MODUS OPERANDI. Constitui mecanismo de evasão tributária perpetrado por grupo empresarial o artifício pelo qual a empresa operacional (BS COLWAY) vende produtos a seus clientes e estes, em vez de lhe pagar diretamente o preço respectivo, efetua o pagamento a outra empresa do grupo, uma factoring de fachada (MISSISSIPI), de forma fatiada, em benefício de diversas empresas/entidades/fundos pertencentes ao grupo. Esse esquema se evidencia perfeitamente em uma, dentre as diversas modalidades de operações utilizadas, na qual o preço total era pago fatiado da seguinte forma: a) 50% do preço em favor de BS Franquias; b) 5% do preço em favor das associações ABIP ou ABIPEC; c) 15% do preço em favor de Fundo para Ações de Propaganda Corporativa; d) 10% do preço em favor de Fundo de Custeio de Transportes; e) 5% do preço em favor de Fundo para Contingências Jurídico/Tributárias; e f) 15% do preço para a entidade Instituto Bom Aluno do Brasil. O emprego de tais artifícios evidencia simulação nas causas jurídicas dos pagamentos, consubstanciada na emissão de documentos ideologicamente falsos, e também o conluio entre a) a pessoa jurídica que vende os produtos, b) a pessoa jurídica que recebe os valores (factoring de fachada), c) as pessoas jurídicas do próprio grupo que emitem os documentos que intentam dar causa aos recebimentos, e d) também os clientes, que eventualmente assinam contratos ideologicamente falsos e efetuam o pagamento fatiado, em algumas vezes simulando doações, estando cientes de que o preço integral se refere aos produtos adquiridos. RECEBIMENTO DAS RECEITAS DO EMPREENDIMENTO, POR MEIO DE EMPRESA DE FACTORING DO MESMO GRUPO ECONÔMICO, FATIADAS COMO SE FOSSEM PAGAMENTOS A OUTRAS EMPRESAS, FUNDOS CONTÁBEIS E ENTIDADES IMUNES/ISENTAS DO GRUPO. ARTIFÍCIO DOLOSO. MULTA QUALIFICADA. Constitui artifício doloso determinante da imposição de multa de ofício qualificada a prática de vender os produtos e receber o preço respectivo não diretamente e contra nota fiscal emitida pelo próprio vendedor, e sim por meio de uma empresa de factoring de fachada do próprio grupo e de forma fatiada, com pagamentos feitos em benefício de outras empresas, fundos contábeis e entidades isentas/imunes criadas pelos proprietários do empreendimento. FACTORING. COMPROVAÇÃO DAS ATIVIDADES. A mera apresentação de contratos prevendo a realização futura de operações de factoring não comprova que estas ocorreram. Incumbe ao interessado na comprovação da efetividade das alegadas operações da espécie a apresentação de toda a documentação relativa à negociação dos recebíveis transacionados, com ênfase para aqueles previstos na Resolução nº 013, de 2005, do Conselho de Atividades Financeiras COAF. RECEBIMENTO DE DOAÇÕES POR MEIO DE FACTORING. ILOGICIDADE DA ALEGAÇÃO. Não merece acolhida, por ilógica e carente de comprovação documental, a alegação de que empresa de factoring teria negociado com entidades imunes/isentas recebíveis relativos a doações voluntárias que lhes seriam feitas. VALORES RECEBIDOS POR EMPRESA DE FACTORING A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES PARA FUNDOS CONTÁBEIS. Constituem omissão óbvia de receita os valores recebidos por empresa de factoring em nome de fundos contábeis, Fundo para ações de propaganda corporativa, Fundo de Custeio de Transporte, Fundo para Contingências Jurídico Tributárias, que não foram reconhecidos como receitas nem por ela própria e nem por qualquer outra pessoa jurídica. RECEITAS ATRIBUÍDAS A EMPRESA FRANQUEADORA E QUESTIONADAS PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Tendo determinada empresa de factoring de fachada recebido valores questionados pela fiscalização, que atribui a outra empresa do mesmo grupo econômico, dedicada à atividade de franquias, cumpre a cabal comprovação de dois fatos: 1º) que houve a efetiva prestação dos serviços de franquias, objetos dos pagamentos; e 2º) que a empresa franqueadora lhe vendeu os recebíveis respectivos, propiciando assim que recebesse em seu nome os valores questionados. A mera apresentação de contratos estabelecendo teóricos vínculos de franquias não comprovam que se estabeleceu de fato a relação de franquia, e que os pagamentos feitos se referem a serviços efetivamente prestados, mormente quando o conjunto das evidências indica que a empresa franqueadora foi utilizada apenas como instrumento em esquema de evasão tributária. RECEITA OMITIDA. ALEGAÇÃO DE TRATAR-SE DE RECEITAS DE OUTRAS EMPRESAS. Tratando-se de sonegação perpetrada com utilização de empresa de factoring de fachada, não prevalece a alegação de que parte dos valores recebidos por meio desta se refere a receitas de outras empresas do grupo com atividades efetivas aluguel de imóveis e táxi aéreo, quando resta comprovado que todas as receitas dessas atividades foram recebidas diretamente pelas empresas respectivas, sem transitar pela factoring de fachada. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO DE FATO E GERENTE DA SOCIEDADE. Responde pessoal e solidariamente pelo crédito tributário o sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. CSLL E DEMAIS DECORRENTES O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1301-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier quanto a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwar Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier quanto a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwar Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. Desde 22 de novembro de 2005, para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considera-se efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO AOS TRIBUTOS REFLEXOS. Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária objetivou deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Conclui-se pela correção da decisão de primeira instância, haja vista que esta examinou o lançamento em seu aspecto formal e material, à luz das disposições expressas na legislação que regulamenta o processo administrativo fiscal. NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador. O indeferimento de pedido de perícia, que tenha por objetivo a demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode ser tomado como cerceamento do direito de defesa. ESQUEMA DE SONEGAÇÃO CONSTATADO. MODUS OPERANDI. Constitui mecanismo de evasão tributária perpetrado por grupo empresarial o artifício pelo qual a empresa operacional (BS COLWAY) vende produtos a seus clientes e estes, em vez de lhe pagar diretamente o preço respectivo, efetua o pagamento a outra empresa do grupo, uma factoring de fachada (MISSISSIPI), de forma fatiada, em benefício de diversas empresas/entidades/fundos pertencentes ao grupo. Esse esquema se evidencia perfeitamente em uma, dentre as diversas modalidades de operações utilizadas, na qual o preço total era pago fatiado da seguinte forma: a) 50% do preço em favor de BS Franquias; b) 5% do preço em favor das associações ABIP ou ABIPEC; c) 15% do preço em favor de Fundo para Ações de Propaganda Corporativa; d) 10% do preço em favor de Fundo de Custeio de Transportes; e) 5% do preço em favor de Fundo para Contingências Jurídico/Tributárias; e f) 15% do preço para a entidade Instituto Bom Aluno do Brasil. O emprego de tais artifícios evidencia simulação nas causas jurídicas dos pagamentos, consubstanciada na emissão de documentos ideologicamente falsos, e também o conluio entre a) a pessoa jurídica que vende os produtos, b) a pessoa jurídica que recebe os valores (factoring de fachada), c) as pessoas jurídicas do próprio grupo que emitem os documentos que intentam dar causa aos recebimentos, e d) também os clientes, que eventualmente assinam contratos ideologicamente falsos e efetuam o pagamento fatiado, em algumas vezes simulando doações, estando cientes de que o preço integral se refere aos produtos adquiridos. RECEBIMENTO DAS RECEITAS DO EMPREENDIMENTO, POR MEIO DE EMPRESA DE FACTORING DO MESMO GRUPO ECONÔMICO, FATIADAS COMO SE FOSSEM PAGAMENTOS A OUTRAS EMPRESAS, FUNDOS CONTÁBEIS E ENTIDADES IMUNES/ISENTAS DO GRUPO. ARTIFÍCIO DOLOSO. MULTA QUALIFICADA. Constitui artifício doloso determinante da imposição de multa de ofício qualificada a prática de vender os produtos e receber o preço respectivo não diretamente e contra nota fiscal emitida pelo próprio vendedor, e sim por meio de uma empresa de factoring de fachada do próprio grupo e de forma fatiada, com pagamentos feitos em benefício de outras empresas, fundos contábeis e entidades isentas/imunes criadas pelos proprietários do empreendimento. FACTORING. COMPROVAÇÃO DAS ATIVIDADES. A mera apresentação de contratos prevendo a realização futura de operações de factoring não comprova que estas ocorreram. Incumbe ao interessado na comprovação da efetividade das alegadas operações da espécie a apresentação de toda a documentação relativa à negociação dos recebíveis transacionados, com ênfase para aqueles previstos na Resolução nº 013, de 2005, do Conselho de Atividades Financeiras COAF. RECEBIMENTO DE DOAÇÕES POR MEIO DE FACTORING. ILOGICIDADE DA ALEGAÇÃO. Não merece acolhida, por ilógica e carente de comprovação documental, a alegação de que empresa de factoring teria negociado com entidades imunes/isentas recebíveis relativos a doações voluntárias que lhes seriam feitas. VALORES RECEBIDOS POR EMPRESA DE FACTORING A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES PARA FUNDOS CONTÁBEIS. Constituem omissão óbvia de receita os valores recebidos por empresa de factoring em nome de fundos contábeis, Fundo para ações de propaganda corporativa, Fundo de Custeio de Transporte, Fundo para Contingências Jurídico Tributárias, que não foram reconhecidos como receitas nem por ela própria e nem por qualquer outra pessoa jurídica. RECEITAS ATRIBUÍDAS A EMPRESA FRANQUEADORA E QUESTIONADAS PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Tendo determinada empresa de factoring de fachada recebido valores questionados pela fiscalização, que atribui a outra empresa do mesmo grupo econômico, dedicada à atividade de franquias, cumpre a cabal comprovação de dois fatos: 1º) que houve a efetiva prestação dos serviços de franquias, objetos dos pagamentos; e 2º) que a empresa franqueadora lhe vendeu os recebíveis respectivos, propiciando assim que recebesse em seu nome os valores questionados. A mera apresentação de contratos estabelecendo teóricos vínculos de franquias não comprovam que se estabeleceu de fato a relação de franquia, e que os pagamentos feitos se referem a serviços efetivamente prestados, mormente quando o conjunto das evidências indica que a empresa franqueadora foi utilizada apenas como instrumento em esquema de evasão tributária. RECEITA OMITIDA. ALEGAÇÃO DE TRATAR-SE DE RECEITAS DE OUTRAS EMPRESAS. Tratando-se de sonegação perpetrada com utilização de empresa de factoring de fachada, não prevalece a alegação de que parte dos valores recebidos por meio desta se refere a receitas de outras empresas do grupo com atividades efetivas aluguel de imóveis e táxi aéreo, quando resta comprovado que todas as receitas dessas atividades foram recebidas diretamente pelas empresas respectivas, sem transitar pela factoring de fachada. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO DE FATO E GERENTE DA SOCIEDADE. Responde pessoal e solidariamente pelo crédito tributário o sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. CSLL E DEMAIS DECORRENTES O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 68; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 33          1 32  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.726539/2011­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.583  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de julho de 2014  Matéria  IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/FACTORING  Recorrente  BS COLWAY PNEUS LTDA (Responsáveis Solidários :Francisco Simeão,  Luis Bonachi Filho, BS Empreendimentos Imobiliários S/A, Chácara Suíça  S/A, Portal do Aroporto com INDL e de Logística LTDA, Trinchette Parte S/A  e Vip Jet Aero Taxi Ltda).  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NOTIFICAÇÃO  POR  EDITAL.  Desde 22 de novembro de 2005, para que seja válida a notificação por edital,  basta  a  demonstração  de  que  foi  improfícua  a  tentativa  de  notificação  por  apenas um dos meios ordinários  (notificação pessoal ou postal ou por meio  eletrônico), sem ordem de preferência. Considera­se efetuada a notificação 15  (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode  ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado  da  intimação,  ou  uma  única  vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DESNECESSIDADE  DE  MENÇÃO AOS TRIBUTOS REFLEXOS.  Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo ou contribuição  contido  no  MPFF  ou  no  MPFE,  também  configurarem,  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova,  infrações  a  normas  de  outros  tributos  ou  contribuições,  estes  serão  considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização, independentemente de menção expressa.  DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN.  Demonstradas  as  condutas  simuladas  e  fraudulentas,  aplica­se  a  regra  decadencial  do  art.  173,  I,  do  CTN,  pela  qual  o  dies  a  quo  do  prazo  decadencial  se  desloca  para  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  ao  que  o  Fisco poderia efetuar o lançamento.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 65 39 /2 01 1- 11 Fl. 16286DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     2 MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  É cabível a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o  envolvido  na  prática  da  infração  tributária  objetivou  deixar  de  recolher,  intencionalmente, os tributos devidos.  NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.  O julgador não é obrigado a rebater  todos os argumentos apresentados pelo  recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada.  Conclui­se pela correção da decisão de primeira instância, haja vista que esta  examinou  o  lançamento  em  seu  aspecto  formal  e  material,  à  luz  das  disposições  expressas  na  legislação  que  regulamenta  o  processo  administrativo fiscal.  NULIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA  DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não  se  revela  necessária  a  realização  de  perícia  quando  os  elementos  constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do  julgador.  O  indeferimento  de  pedido  de  perícia,  que  tenha  por  objetivo  a  demonstração de elementos, cujo ônus da prova é do contribuinte, não pode  ser tomado como cerceamento do direito de defesa.  ESQUEMA DE SONEGAÇÃO CONSTATADO. MODUS OPERANDI.  Constitui mecanismo de evasão tributária perpetrado por grupo empresarial o  artifício pelo qual a empresa operacional  (BS COLWAY) vende produtos a  seus  clientes  e  estes,  em  vez  de  lhe  pagar  diretamente  o  preço  respectivo,  efetua  o  pagamento  a  outra  empresa  do  grupo,  uma  factoring  de  fachada  (MISSISSIPI),  de  forma  fatiada,  em  benefício  de  diversas  empresas/entidades/fundos pertencentes ao grupo. Esse esquema se evidencia  perfeitamente  em  uma,  dentre  as  diversas  modalidades  de  operações  utilizadas, na qual o preço total era pago fatiado da seguinte forma: a) 50%  do preço em favor de BS Franquias; b) 5% do preço em favor das associações  ABIP  ou  ABIPEC;  c)  15%  do  preço  em  favor  de  Fundo  para  Ações  de  Propaganda Corporativa; d) 10% do preço em favor de Fundo de Custeio de  Transportes;  e)  5%  do  preço  em  favor  de  Fundo  para  Contingências  Jurídico/Tributárias; e  f) 15% do preço para a entidade Instituto Bom Aluno  do  Brasil.  O  emprego  de  tais  artifícios  evidencia  simulação  nas  causas  jurídicas  dos  pagamentos,  consubstanciada  na  emissão  de  documentos  ideologicamente  falsos,  e  também  o  conluio  entre  a)  a  pessoa  jurídica  que  vende os produtos, b) a pessoa  jurídica que  recebe os valores  (factoring de  fachada), c) as pessoas jurídicas do próprio grupo que emitem os documentos  que  intentam  dar  causa  aos  recebimentos,  e  d)  também  os  clientes,  que  eventualmente  assinam  contratos  ideologicamente  falsos  e  efetuam  o  pagamento fatiado, em algumas vezes simulando doações, estando cientes de  que o preço integral se refere aos produtos adquiridos.  RECEBIMENTO DAS RECEITAS DO EMPREENDIMENTO, POR MEIO  DE  EMPRESA  DE  FACTORING  DO  MESMO  GRUPO  ECONÔMICO,  FATIADAS  COMO  SE  FOSSEM  PAGAMENTOS  A  OUTRAS  EMPRESAS, FUNDOS CONTÁBEIS E ENTIDADES IMUNES/ISENTAS  DO GRUPO. ARTIFÍCIO DOLOSO. MULTA QUALIFICADA.  Fl. 16287DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 34          3 Constitui  artifício  doloso  determinante  da  imposição  de  multa  de  ofício  qualificada a prática de vender os produtos e receber o preço respectivo não  diretamente  e  contra  nota  fiscal  emitida  pelo  próprio  vendedor,  e  sim  por  meio de uma empresa de  factoring de fachada do próprio grupo e de forma  fatiada,  com  pagamentos  feitos  em  benefício  de  outras  empresas,  fundos  contábeis  e  entidades  isentas/imunes  criadas  pelos  proprietários  do  empreendimento.  FACTORING. COMPROVAÇÃO DAS ATIVIDADES.  A mera apresentação de contratos prevendo a realização futura de operações  de  factoring não comprova que estas ocorreram.  Incumbe ao  interessado na  comprovação  da  efetividade  das  alegadas  operações  da  espécie  a  apresentação  de  toda  a  documentação  relativa  à  negociação  dos  recebíveis  transacionados,  com ênfase  para  aqueles  previstos  na Resolução  nº  013,  de  2005, do Conselho de Atividades Financeiras COAF.  RECEBIMENTO  DE  DOAÇÕES  POR  MEIO  DE  FACTORING.  ILOGICIDADE DA ALEGAÇÃO.  Não merece  acolhida,  por  ilógica  e  carente  de  comprovação  documental,  a  alegação  de  que  empresa  de  factoring  teria  negociado  com  entidades  imunes/isentas  recebíveis  relativos  a  doações  voluntárias  que  lhes  seriam  feitas.  VALORES  RECEBIDOS  POR  EMPRESA  DE  FACTORING  A  TÍTULO  DE CONTRIBUIÇÕES PARA FUNDOS CONTÁBEIS.  Constituem  omissão  óbvia  de  receita  os  valores  recebidos  por  empresa  de  factoring  em  nome  de  fundos  contábeis,  Fundo  para  ações  de  propaganda  corporativa,  Fundo  de  Custeio  de  Transporte,  Fundo  para  Contingências  Jurídico Tributárias, que não foram reconhecidos como receitas nem por ela  própria e nem por qualquer outra pessoa jurídica.  RECEITAS  ATRIBUÍDAS  A  EMPRESA  FRANQUEADORA  E  QUESTIONADAS PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  Tendo  determinada  empresa  de  factoring  de  fachada  recebido  valores  questionados pela fiscalização, que atribui a outra empresa do mesmo grupo  econômico, dedicada à atividade de franquias, cumpre a cabal comprovação  de  dois  fatos:  1º)  que  houve  a  efetiva  prestação  dos  serviços  de  franquias,  objetos  dos  pagamentos;  e  2º)  que  a  empresa  franqueadora  lhe  vendeu  os  recebíveis  respectivos,  propiciando  assim  que  recebesse  em  seu  nome  os  valores  questionados.  A  mera  apresentação  de  contratos  estabelecendo  teóricos vínculos de franquias não comprovam que se estabeleceu de fato a  relação  de  franquia,  e  que  os  pagamentos  feitos  se  referem  a  serviços  efetivamente  prestados, mormente  quando o  conjunto  das  evidências  indica  que  a  empresa  franqueadora  foi  utilizada  apenas  como  instrumento  em  esquema de evasão tributária.  RECEITA OMITIDA. ALEGAÇÃO DE TRATAR­SE DE RECEITAS DE  OUTRAS EMPRESAS.  Tratando­se de sonegação perpetrada com utilização de empresa de factoring  de fachada, não prevalece a alegação de que parte dos valores recebidos por  Fl. 16288DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     4 meio desta se refere a  receitas de outras empresas do grupo com atividades  efetivas aluguel de imóveis e táxi aéreo, quando resta comprovado que todas  as  receitas  dessas  atividades  foram  recebidas  diretamente  pelas  empresas  respectivas, sem transitar pela factoring de fachada.  PROVA  DOCUMENTAL.  MOMENTO  DE  APRESENTAÇÃO.  PRECLUSÃO TEMPORAL.  A prova documental deverá ser apresentada com a impugnação, sob pena de  ocorrer  a  preclusão  temporal.  Não  restou  caracterizada  nenhuma  das  exceções do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF).  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  FUNDAMENTOS  LEGAIS.  CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.  Se  a  autoridade  executora  do  procedimento  de  fiscalização  logra  êxito  na  demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que  constituem  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias,  resta  configurada  a  responsabilidade  tributária  pelo  crédito  tributário  constituído,  sendo  autorizada,  assim,  a  inclusão  de  referida  pessoa  no  pólo  passivo  das  obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária  RESPONSABILIDADE  PESSOAL.  SÓCIO  DE  FATO  E  GERENTE  DA  SOCIEDADE.  Responde  pessoal  e  solidariamente  pelo  crédito  tributário  o  sócio de fato que constituiu e geriu a sociedade, praticando atos fraudulentos  que ensejaram a falta de recolhimento dos tributos lançados.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONFISCO.  INCONSTITUCIONALIDADE  OU  ILEGALIDADE  DE  NORMAS.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.  Os  percentuais  da multa  de  ofício,  exigíveis  em  lançamento  de  ofício,  são  determinados  expressamente  em  lei,  não  dispondo  as  autoridades  administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas  legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.  CSLL E DEMAIS DECORRENTES  O  decidido  quanto  ao  lançamento  do  IRPJ  deve  nortear  a  decisão  dos  lançamentos decorrentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  deste  colegiado,  por  maioria  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  suscitadas. Vencido  o Conselheiro Carlos Augusto  de Andrade  Jenier  quanto  a  preliminar  de  decadência.  No  mérito,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento  aos  recursos voluntários.  (assinado digitalmente)  Valmar Fonseca de Menezes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Fl. 16289DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 35          5 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Edwar  Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 16290DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     6     Relatório  Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório da decisão recorrida.  Este  processo  trata:  a)  dos  autos  de  infração  de  Imposto  de Renda  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  (fls.  3.987/4.001),  de Contribuição  para  o  PIS/PASEP  (fls.  4.017/4.035),  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  (fls.  4.084/4.106)  e  de  Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido  – CSLL  (fls.  4.002/4.016), mediante os  quais  se  exige da autuada o crédito tributário total de R$ 151.339.907,27, já incluídos juros moratórios  calculados até o mês de dezembro de 2011, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito  Tributário do Processo estampado às fls. 3.985/3.986;  e  b)  dos  autos  de  infração  de  fls.  13.779/13.838,  resultantes  de  diligência  fiscal,  que  formulam  exigência  complementar  no  total  de  R$  41.202.376,44,  constante  do  Demonstrativo Consolidado de fls. 13.741, conforme menção na parte final deste Relatório.  Os fatos e circunstâncias relevantes à feitura do lançamento original mas que  também repercutem no lançamento complementar, incluindo as irregularidades imputadas, que  se encontram detalhados no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal de  fls. 4.280/4.344 e apêndices de fls. 4.345/4.360, levaram a fiscalização a concluir que a autuada  se encontra organizada e sediada  juntamente com outras pessoas  jurídicas a ela  relacionadas,  formando  um  único  fundo  de  comércio  e  um  único  empreendimento.  Em  decorrência  do  entendimento fiscal de que formavam um único fundo de comércio e uma única empresa, todo  o movimento  foi  tributado  em  conjunto  no CNPJ da  autuada,  atribuindo­se  responsabilidade  solidária a terceiros, conforme adiante se verá.  Os fatos se encontram sintetizados no TVEPF nos seguintes termos:  “10. Eis o resumo dos fatos apurados pela Fiscalização:  a)  a  BS  COLWAY  utilizou­se  de  um  CNPJ  alcunhado  ‘MISSISSIPI’  para  contabilidade  paralela,  omissão  de  receitas  e  controle  de  recebimentos  de  clientes  e  de  pagamentos a fornecedores e pessoas ligadas;  b) a BS COLWAY utilizou­se de diversos CNPJ para diluição de receitas da  BS COLWAY e  para  distribuição  de  lucros  aos  sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES  NETO e LUIZ BONACIN FILHO, e pessoas ligadas a estes;  c)  a  BS  COLWAY  utilizou­se  de  alguns  CNPJ  indevidamente  declarados  ‘imunes’  ou  ‘associações’  para  sonegar  tributos  e  contribuições  de  atividade  econômica  completamente dissociada de objetivos sociais de OSCIP e Associações;  d) a receita diluída e omitida pertence toda ela à atividade econômica da BS  COLWAY, sendo esta o contribuinte identificada e autuada;  e) a autuação fiscal se dá mediante Autos de Infração com multa qualificada  de 150% por fraude e simulação;  Fl. 16291DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 36          7 f) os sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN  FILHO são responsáveis solidários pelo crédito tributário por interesse comum na situação e  por fraude à lei;  g)  as  pessoas  jurídicas  de  BS  EMPREENDIMENTOS,  VIP  JET,  TRINCHETTE,  CHÁCARA  SUÍÇA,  PORTAL  DO  AEROPORTO  e  PORTAL  DO  PORTO,  qualificadas  neste  Termo  em  apartado  próprio,  são  responsáveis  solidários  pelo  crédito  tributário por interesse comum na situação que deu origem às autuações;  h)  o  patrimônio  acumulado  nestas  pessoas  jurídicas  acima mencionadas  é  patrimônio da BS COLWAY, pois advindo da atividade econômica desta, e i) para garantia do  crédito tributário são arrolados os bens do contribuinte e responsáveis, bens estes sujeitos a  registro,  sem  prejuízo  de  que  a  Fazenda  Nacional  perquira  a  existência  de  outros  bens,  sujeitos ou não a registro, suficientes à satisfação da exigência tributária.”  A  metodologia  empregada  pelo  grupo  autuado  se  encontra  descrita  nos  seguintes termos:  “BS COLWAY: Uso de diversos CNPJ para uma única empresa  53.  A  documentação  coletada  por  esta  Auditoria  Fiscal  junto  aos  clientes  circularizados, analisada em conjunto com a contabilidade da BS COLWAY (e demais pessoas  jurídicas  ligadas),  indica  que,  na  venda  de  seus  produtos  e  mercadorias,  a  BS  COLWAY  sistematicamente diluiu a  contabilização e o  reconhecimento de  suas  receitas  entre diversos  CNPJ tais como a BS FRANQUIAS S/A, ABIP, INSTITUTO BS COLWAY e INSTITUTO BOM  ALUNO DO BRASIL, além da própria BS COLWAY PNEUS LTDA. As análises e verificações  relacionadas a esta segregação de receitas encontram­se demonstradas no Anexo “Apuração  de Omissão de Receitas da BS COLWAY – Grupo 2110118 – Créditos Clientes Diversos.  54. Esta diluição ou pulverização de  receitas da BS COLWAY  foi  levada a  cabo pela BS COLWAY utilizando­se de:  a) Vendas subfaturadas na BS COLWAY mediante emissão de Nota Fiscal de  Venda de pneus remoldados ou novos pela BS COLWAY e/ou INSTITUTO BS COLWAY,  b) Recibos e Notas Fiscais complementares do preço de transação na venda  de pneus emitidas em nome de outros CNPJ, a título de ‘doações’, ‘prestação de serviços’ ou  contribuição para ‘fundos’ administrados pela MISSISSIPI;  c)  Um  CNPJ  para  operar  especificamente  como  ‘caixa  e  bancos’  da  BS  COLWAY sob o falso manto de ‘factoring’ ou ‘financeira’ (MISSISSIPI);  d)  Outro  CNPJ  como  repositório  de  ativo  imobilizado  (BS  EMPREENDIMENTOS);  e) Contabilidade paralela em nome de MISSISSIPI, CNPJ 07.093.216/0001­ 98, para controlar os recebimentos mediante comprovantes  (notas e recibos) apresentados a  seus clientes.”  Os critérios utilizados para a apuração da receita total do empreendimento se  encontram descritos no TVEPF nos seguintes termos:  Fl. 16292DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     8 “Critérios para Apuração de Receitas Totais e Omissão  160. Na apuração das receitas totais da BS COLWAY esta Auditoria Fiscal  utilizou a escrituração contábil paralela da BS COLWAY registrada no CNPJ da Mississipi e:  a)  considerou  como  receitas  todos  os  créditos  ao  grupo  contábil  210118 –  CRÉDITOS CLIENTES DIVERSOS, de natureza ‘adiantamento de clientes’;  b)  reduziu  deste  montante  apurado  conforme  alínea  anterior  todos  os  lançamentos de reclassificação contábil em que débito e crédito foram lançados a contas do  mesmo grupo 210118, e  c)  reduziu  do  montante  apurado  conforme  alínea  ‘a’  supra  todos  os  lançamentos de reclassificação contábil ou estorno em que o débito correspondente ao crédito  ao grupo 210118 não tenha sido lançada a conta de ativo (códigos de contas iniciando com  ‘1’).  161. Esta apuração de Receitas Totais e de Omissão de Receitas encontra­se  demonstrada  no  Anexo  ‘Apuração  de  Omissão  de  Receitas  da  BS  COLWAY  –  Grupo  2110118  –  Créditos  Clientes  Diversos’  deste  Termo  e  foi  elaborada  com  base  no  Razão  contábil  do  grupo  de  contas  210118  –  CRÉDITOS  CLIENTES  DIVERSOS  encontrado  na  contabilidade  da  BS  COLWAY  no  CNPJ  da MISSISSIPI.  Neste  Anexo,  a  coluna  ‘Receitas’  destaca os lançamentos a crédito considerados receita, já desconsiderados os lançamentos de  reclassificação contábil dentro do grupo 210118, isto é, a Fiscalização não considerou como  receitas os créditos ao grupo 210118 cuja contrapartida seja a débito do mesmo grupo.  162.  A  Omissão  de  Receitas  é  apurada  pela  diferença  entre  as  receitas  contabilizadas à conta sintética 210118 (§ anterior) e o montante de receitas declaradas nas  respectivas DIPJ.”  Também  foi  mencionada  ocorrência  relativa  a  Superveniência  Ativa  e  Passivo Fictício, mas que não repercutiu diretamente no lançamento, verbis:  “164.  Este  tópico  SUPERVENIÊNCIA  ATIVA  E  PASSIVO  FICTÍCIO  encontra­se detalhado e suficientemente desenvolvido em APÊNDICE deste Termo, específico  sobre ‘CRÉDITOS AMBIENTAIS’.  165.  Verificamos  que  durante  o  AC  2006  a  BS  COLWAY,  na  data  de  28/12/2006, contabilizou um ativo dito ‘DIREITO CRÉDITOS AMBIENTAIS’ unilateralmente  avaliado em R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais).  166. No  dia  seguinte,  29/12/2006,  a BS COLWAY  alienou  o  tal  ‘DIREITO  CRÉDITOS AMBIENTAIS’ por R$ 43.000.000,00 (quarenta e três milhões de reais).  167.  Contudo,  como  demonstrado  e  esclarecido  em  APÊNDICE  específico  deste Termo, a Auditoria Fiscal entendeu que a dita alienação de CRÉDITOS AMBIENTAIS  pelo  montante  de  R$  43.000.000,00  não  deve  ser  tributada  isoladamente  dos  demais  fatos  tributáveis apurados na Fiscalização.  168. Por este motivo se observa que, após a demonstração da apuração da  omissão  de  receitas,  quando  da  apuração  das  bases  de  cálculo  de  IRPJ  e  CSLL  (Anexos  ‘Auditoria Fiscal: DIPJ x Plano de Contas x Omissão de Receitas’), a Fiscalização utilizou­ se  das  mesmas  fichas  da  DIPJ  da  autuada,  porém  desconsiderando  o  valor  de  R$  Fl. 16293DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 37          9 13.000.000,00  informado  como  ‘Receitas  de  Alienação  de  Bens  e  Direitos  do  Ativo  Permanente’ na linha 39 da Ficha 06 da DIPJ/2007, reduzindo­o a R$ 0,00.”  As  parcelas  do  lançamento  relativas  às  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  Cofins se encontram esclarecidas em item próprio às fls. 4.3284/329.  Com  respeito  à  Sujeição  Passiva  Solidária,  o  TVEPF  verte  os  seguintes  esclarecimentos:  “Da Sujeição Passiva Solidária  205.  Por  todo  o  exposto  nesta  Fiscalização  e  fartamente  demonstrado  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  restou  comprovado  que  a  BS  COLWAY  omitiu  receitas  e  sonegou  tributos  e  contribuições  mediante  o  desvio  de  faturamento  para  outros  CNPJ  domiciliadas no mesmo endereço da BS COLWAY, com os mesmos sócios e administradores.  Destarte, o patrimônio desviado da BS COLWAY ficou represado na MISSISSIPI que por sua  vez o direcionou à BS EMPREENDIMENTOS e à VIP JET, e estas distribuíram seus ‘lucros’  com  seus  sócios  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  e  LUIZ  BONACIN  FILHO,  e  respectivos cônjuges e filhos, bem como as suas holdings patrimoniais familiares.  206. Portanto, estes são os responsáveis solidários pelos créditos tributários  constituídos,  vez  que  estes  CNPJ  conformam  um  único  objeto  social  e  um  único  fundo  de  comércio,  e  estes  CNPJ  e  respectivos  sócios  são  os  beneficiários,  mais  propriamente  depositários,  de  valores  auferidos  pela  BS  COLWAY  e  seu  esquema  mediante  fraudes  tributárias.  207.  Por  isso  respondem  solidariamente  pelo  presente  crédito  tributário  lavrado sobre BS COLWAY PNEUS LTDA, as seguintes pessoas  físicas e  jurídicas, as quais  são  pessoas  ligadas  e  partes  relacionadas  em  relação  à  autuada  (razão  social  e  CNPJ,  e  respectivos  sócios),  porquanto  destinatárias,  beneficiárias  e  depositárias  dos  lucros  obtidos  mediante o esquema evasivo:  • 02.995.038/0001­77, BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A  • 02.211.747/0001­14, VIP JET AEROTAXI LTDA;  • 05.098.733/0001­24, CHÁCARA SUÍÇA PARTICIPAÇÕES S/A  • 05.098.386/0001­30, TRINCHETTE PARTICIPAÇÕES S/A  • 609.010.128­15, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO  • 086.350.309­82, LUIZ BONACIN FILHO  208.  Os  efeitos  da  Solidariedade  Passiva  alcançam,  inclusive,  as  pessoas  jurídicas a seguir, constituídas pela BS EMPREENDIMENTOS, sócia majoritária juntamente  com  as  pessoas  de  FRANCISCO  SIMEÃO RODRIGUES NETO  e  LUIZ  BONACIN  FILHO,  sem prejuízo na identificação posterior de outros interessados e beneficiários:  o 10.857.559/0001­96, PORTAL DO PORTO CONDOMÍNIO INDUSTRIAL  E DE LOGÍSTICA LTDA;  Fl. 16294DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     10 o 13.477.127/0001­48, PORTAL DO AEROPORTO LOGÍSTICA LTDA  209. A responsabilidade passiva solidária imputada a essas pessoas encontra  guarida  no  disposto  no art.  124,  inciso  I,  do Código Tributário Nacional  (CTN),  que  assim  assevera:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  –  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  210. A  lucratividade obtida diretamente por essas pessoas  físicas  sócias da  BS COLWAY e demais empresas ligadas, mediante a fraude à lei tributária, é justamente o elo  de comunhão legal que estabelece a possibilidade de cobrança tributária doas mesmas. Há o  interesse  comum entre  elas  e a BS COLWAY  na  situação que  constituiu  o  fato  gerador  dos  tributos e contribuições ora lançados.  211.  A  economia  resultante  do  não  pagamento  desses  tributos  e  contribuições incidentes ou decorrentes das vendas da BS COLWAY beneficiou diretamente a  essas pessoas físicas e suas ‘empresas veículo’, uma vez que a importância economizada não  recolhida  aos  cofres  públicos  ficou  à  disposição  dos  mesmos  na  MISSISSIPI,  na  BS  EMPREENDIMENTOS,  na  BS  FRANQUIAS,  ou  ainda  pior,  foi  recebida  destas  ‘empresas’  mediante ‘distribuição de lucros’ (vide respectivos livros Diário e transcrições nos respectivos  Termos de Sujeição Passiva Solidária).”  Devido ao entendimento fiscal de que a conduta do grupo autuado se pautou  por fraude e simulação, foi imposta a multa de ofício qualificada de 150%.  Os  termos  (08)  de  Sujeição  Passiva  Solidária  relativos  ao  lançamento  original, veiculando os motivos determinantes da sujeição respectiva, se encontram acostados  nos autos.  As  impugnações  trazem  alegações  vertidas  pela  autuada  se  encontram  enfeixadas em tópicos cujos títulos serão reproduzidos. Em síntese apertada, são as seguintes:  1  –  QUESTÃO  DE  ORDEM  –  DA  NULIDADE  DA  INTIMAÇÃO  REALIZADA  suscita a nulidade da intimação por edital, contestando a justificativa utilizada  pela fiscalização, de que teria sido improfícua a intimação pessoal. Afirma que o insucesso de  uma ou duas tentativas pela via postal ou pessoal não legitima a adoção da intimação editalícia.  Afirma  que  o  representante  legal  da  impugnante  se  encontrava  ausente,  viajando  de  férias.  Também  reclama  que  o  edital  teria  sido  publicado  antes  da  impressão  do  auto  de  infração.  Aponta, ainda, que a autenticação digital e a impressão vieram a ocorrer apenas em 22/12/2011  e 28/12/2011, respectivamente, após a publicação do edital;  destaca que a ação fiscal durou um ano, três meses e alguns dias e questiona  se seria  impróprio os autuantes aguardarem alguns dias a chegada do seu representante legal.  Afirma  que  a  ausência  de  intimação  regular  imprimiu  nulidade  ao  lançamento  tributário,  devendo ser lavrado novo auto, em respeito à legislação aplicável, reabrindo a possibilidade de  nova defesa;  2 – DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA  Fl. 16295DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 38          11 reforça a reclamação vertida no item anterior, aduzindo ser necessário que o  julgador reexamine a legalidade do ato e, na sua insubsistência jurídica, o declare nulo, tendo  em vista que os autuantes teriam descumprido com as regras de intimação previstas no art. 23,  I,  II  e  II  do Decreto nº 70.235, de 1972,  eis que simplesmente encaminham a  intimação por  edital. Enfatiza que a metodologia adotada para a intimação da impugnante e dos responsáveis  solidários fere de morte o princípio da legalidade;  3 ESCLARECIMENTOS PRELIMINARES  historia que, na condição de pessoa jurídica de direito privado regularmente  constituída,  iniciou  suas  atividades  na  data  de  26/07/1999,  quando  iniciou  a  compra  de  seu  ativo imobilizado, com o intuito de remoldar pneus para comercialização.  Adiciona que, devido a dificuldades de implantação do seu parque industrial,  a primeira comercialização de pneus veio a ocorrer somente no último dia do mês de agosto de  2000, razão pela qual, de forma alguma, atos e fatos anteriores, tais como aquisições de bens,  podem ser questionados, com base em suposta sonegação fiscal;  Afirma que esses esclarecimentos preliminares são necessários não só a título  ilustrativo, mas também para justificar seu inconformismo, porquanto teriam sido consideradas  como responsáveis  solidárias empresas que não  têm qualquer correlação com suas atividades  (venda de pneus), principalmente em razão da data de sua constituição, composição societária,  início de suas atividades, objetivos sociais e o período fiscalizado.  Acrescenta que,  talvez por  razões de  conveniência,  tal  circunstância deixou  de  ser  relatada  e/ou  citada  no  procedimento  administrativo,  bem  como  no  relatório  final  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  preferindo  os  autuantes  voltarem  suas  atenções  única  e  exclusivamente  para  a  impugnante  e  as  repercussões  decorrentes  na  suposta  solidariedade  passiva.  Arremata  que  o  lançamento,  tal  como  composto,  não  merece  ter  provimento  em  relação à empresa impugnante, principalmente da maneira como foi iniciado e concluído;  4 – SITUAÇÃO FÁTICA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO  ­ relata que recebeu, em 14/09/2010, Termo de Início de Procedimento Fiscal  que  não  faz  referência  à  CSLL.  Reclama  que  os  auditores  fiscais  ultrapassaram  os  limites  definidos no MPF e incluíram a CSLL no Termo de Início de Procedimento Fiscal que lhe foi  apresentado.  Também  reclama  que  o  TVEPF  foi  autenticado  digitalmente  em  22/12/2011  e  impresso em 28/12/2011, ou seja, o documento teria se originado formalmente no período da  intimação por  edital,  o que  implicaria  a nulidade  absoluta da  intimação, porquanto  esta  teria  visado  unicamente  restringir  o  lapso  temporal  para  apresentação  de  defesa.  Enfatiza  que  o  processo  contém  quase  nove mil  páginas  e  envolve  diversos  contribuintes,  inclusive  com  o  cruzamento de  informações,  de  sorte que o prazo de 30  (trinta) dias  é vital  para  a defesa de  seus interesses;  ­  reclama  que  o  relatório  anexado  aos  autos  não  contém  os  elementos  necessários para que seja possível vincular as operações realizadas na BS COLWAY com as  sociedades  apontadas  como  responsáveis  solidárias.  Também  reclama  que  foram  arrolados  bens  adquiridos  antes  do  período  fiscalizado.  Arremata  afirmando  ser  possível  perceber  claramente o abuso cometido contra si, onde todos os fatos alegados, bem como as declarações  obtidas estão completamente distorcidas, motivo pelo qual, entendendo ser descabido, ilegal e  inconstitucional o procedimento iniciado pela autoridade fazendária, questiona o lançamento;  Fl. 16296DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     12 5  NULIDADE  DA  IMPOSIÇÃO  FISCAL  POR  INCORRETA  E  IMPRECISA  DESCRIÇÃO  DA  INFRAÇÃO AVERIGUADA  E  POR  AUSÊNCIA  DE  ADEQUADA  CAPITULAÇÃO  LEGAL  –  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  aduz  que,  ao  descrever  a  infração,  a  fiscalização  omitiu  a  fundamentação  legal  em que  baseou  a  imposição  tributária,  tornando nula  a  exigência,  não  passando de um  juízo  temerário  caracterizador  de  cerceamento  de  defesa,  impeditiva  do  direito  de  discutir  a  legalidade  da  exação.  Afirma  que  nos  autos  de  infração  de  fls.  3.987/4.106  não  existe  a  descrição  da  infração,  apenas  a  informação  genérica  de  insuficiência  de  recolhimento  e/ou  falta/insuficiência  de  recolhimento.  Argumenta  que,  considerando  a  natureza  dos  autos  de  infração  e  os  valores  envolvidos,  caberia  aos  autuantes  uma  descrição  pormenorizada  da  composição  dos  valores  lançados,  e  não  apenas  remeter  o  contribuinte  a  “termos,  demonstrativos,  anexos  e  documentos”  relacionados.  Diz  não  ser  possível  alegar  que  os  ‘termos  demonstrativos,  anexos  e  documentos’  justificam  os  autos  de  infração,  pois  estes  deveriam  descrever  em  detalhes  a  composição  do  débito  e  não  ter  que,  de  certa  forma,  ‘adivinhar’  os  termos  e  montantes  calculados.  Argumenta  que  a  ausência  da  demonstração  analítica da composição dos valores lançados e a indicação expressa e necessária da legislação  que  teria  sido  violada  configura  evidente  cerceamento  de  defesa  que  ofende  o  direito  assegurado no inciso LV, do art. 5º da Constituição Federal;  6  – O ABUSO DO DIREITO COMO LIMITE AO EXERCÍCIO DOS  PODERES DISCRICIONÁRIOS  ­  expõe  que  a  fiscalização  a  intimou  por  edital  e  arrolou  sujeitos  passivos  solidários sem obediência às normas legais, atuação que exorbita os limites do exercício de seu  poder  discricionário.  Após  discorrer  sobre  entendimentos  doutrinários  acerca  do  abuso  do  direito,  afirma  que  os  autuantes  resolveram  afixar  um  edital  visando  sua  intimação  e  dos  responsáveis solidários, sem que tivesse ocorrido qualquer fato ou justificativa para tanto;  ­  enfatiza  que  se  trata  de  pessoas  jurídicas  ativas,  com  sócios  presentes  e  localização  absolutamente  conhecida  dos  autuantes.  Acrescenta  que  não  ocorreu  qualquer  espécie de recusa em receber intimação, até porque os sócios se encontravam em férias.  Também  informa  que  foram  nomeadas  sujeitos  passivos  solidários  pessoas  jurídicas que não possuem qualquer correlação com a venda de pneus; que possuem atividades  lícitas,  pagam  pontualmente  seus  tributos  e  foram  constituídas  antes  da  própria  impugnante,  além de possuírem patrimônio adquirido antes do período fiscalizado;  7 – DECADÊNCIA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO  ­ explana que o pagamento antecipado do tributo extingue o crédito tributário  sob  condição  resolutória,  e  que  só  depois  da  homologação  é  que  o  crédito  tributário  estará  extinto.  Adiciona  que  o  CTN  fixa  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador, para a decadência do direito de homologar o pagamento antecipado, e que, expirado  esse prazo, ocorrerá a extinção efetiva do crédito tributário, pela homologação tácita. Diz ser  este o caso, porquanto o auto de infração foi  lavrado em 28/12/2011, de sorte que a Fazenda  Pública  teria  perdido  o  direito  de  efetuar  lançamentos  alusivos  a  período  anterior  à  data  de  28/12/2006, por força da homologação tácita. Afirma que não se pode alegar que o termo de  início  de  procedimento  fiscal  teria  o  condão  de  suspender  a  fruição  do  prazo  decadencial,  porquanto a duração do processo investigativo extrapolou todos os limites legais, bem como o  princípio da razoabilidade;  Fl. 16297DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 39          13 8  –  DA  PRESUNÇÃO  DE  LANÇAMENTO  –  INEXISTÊNCIA  DE  FATO GERADOR  ­ afirma que os fundamentos que embasam o auto de infração têm suporte em  presunções  extraídas  de  conclusões  vagas  e  hipotéticas,  não  se  podendo  admitir  possa  prevalecer  a  autuação,  bem  como  seus  drásticos  efeitos,  com  fundamentos  superficiais  e  desprovidos de substância. Reitera a  improcedência de autuação calcada em mera presunção,  porquanto  presume  que  as  receitas  da  impugnante  seriam  fatiadas  entre  diversos  CNPJ  e  ficavam disponíveis na MISSISSIPI. Afirma que esta exerce as atividades constantes de seus  objetivos  sociais,  que  não  vende  pneus  ou  qualquer  outro  tipo  de  mercadoria.  Afirma  que,  apenas,  em  estrita  consonância  com  seus  objetivos  sociais,  presta  serviços  de  cobrança  e  de  administração  de valores,  procedendo  a  pagamentos  instruídos  por  clientes,  a  débito  de  suas  contas  correntes,  e  compra  recebíveis,  na  forma  de  empresa  de  fomento mercantil,  uma vez  que, de fato e de direito é uma factoring;  9  –  DOS  OBJETIVOS  SOCIAIS  DA  SOCIEDADE  EMPRESÁRIA  MISSISSIPI  ­ argumenta que a sociedade empresária Mississipi tem os seguintes objetivos  sociais:  a) compra de ativos, no caso os  recebíveis (cheques pré datados e/ou outros  títulos);  b)  administração  dos  créditos  resultantes  das  operações  de  compra  dos  recebíveis  de  clientes  da  impugnante  (diferença  entre  o  total  negociado  e  o  custo  a  eles  debitado pela compra de pneus) e;  c) a prestação contínua e cumulativa de assessoria mercadológica e creditícia,  de seleção de riscos, de gestão de crédito, de acompanhamento de contas a receber e de outros  serviços;  ­ assegura que esses objetivos sociais obedecem a Convenção Diplomática de  Ottawa,  de  maio  de  1988,  da  qual  o  Brasil  foi  signatário,  art.  28  da  Lei  8.981,  de  1995,  ratificado pela Resolução 2.144/95, do Conselho Monetário Nacional, e que define os limites  de atuação das pessoas jurídicas no ramo de fomento mercantil. Reforça que, por definição, é  ela  uma  Factoring  e,  como  tal,  não  exerce  uma  atividade  financeira,  de  sorte  que  não  faz  captação  de  recursos  de  terceiros,  não  desconta  títulos  e  não  faz  financiamentos,  como  os  bancos. Afirma que a Mississipi possui contrato atípico com a impugnante e alguns clientes, do  qual constam as seguintes prerrogativas:  a)  de  receber  cheques,  títulos,  duplicatas  ou  quaisquer  outros  documentos  comprobatórios de crédito, devidamente endossados, e que constituirão volume financeiro para  a obtenção de valores de crédito em sua ‘conta corrente’ junto à Mississipi;  b) prestar os serviços de pagamentos de débitos junto a fornecedores, bancos,  ou  quaisquer  outros.  Assim,  os  respectivos  documentos  de  quitação  dos  valores  pagos  em  nome  dos  clientes  seus  deverão  ser  entregues  quitados,  servindo  os  mesmos  como  comprovantes da realização da tarefa outorgada à Mississipi;  Fl. 16298DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     14 ­ afirma que a remuneração da Mississipi é convencionada contratualmente,  ficando o  cliente  que  encaminhou os  recebíveis  com  um crédito  em uma  ‘conta’,  sendo que  referido crédito  também pode ser usado para compra de pneus da BS COLWAY, bem como  outras despesas do cliente, desde que determinado pelo mesmo.  Acrescenta que a impugnante não aceita o recebimento desses recebíveis não  vencidos  como  pagamento  dos  pneus  que  comercializa,  por  medida  de  segurança  e  risco  (inadimplência), permanecendo, portanto, o adquirente de pneus com esses ônus, cujo controle  é feito (contas a receber/pagar) pela Mississipi;  Afirma  que  a  existência  de  clientes  da  impugnante  e  que  contrataram  os  serviços  da  Mississipi  não  desfigura  a  operação;  pelo  contrário,  apenas  retrata  o  vínculo  contratual entre as partes e legitima as operações. Afirma que existe uma separação clara das  receitas,  sendo  que  a  Mississipi  recebe  apenas  o  contratualmente  previsto  pelos  serviços  prestados e não um percentual sobre o total de venda da impugnante. Sintetiza que a Mississipi  administra apenas contas a pagar e receber, cobrando valor contratualmente definido por isso,  em razão do volume de trabalho;  Argumenta  ser possível  constatar que não existe qualquer  irregularidade  no  contrato firmado entre a  impugnante e a Mississipi, motivo pelo qual não se pode ‘presumir’  sonegação dentro do exercício de uma atividade regular, lícita e devidamente declarada perante  os órgãos competentes;  Diz não se poder alegar divergência encontradas nos  lançamentos contábeis  de clientes da impugnante como fator justificativo do ‘esquema’ de sonegação.  Sustenta que a diversidade entre o cruzamento de informações (metodologia  de  contabilização)  apenas  comprova  que  não  existe  qualquer  espécie  de  simulação  no  caso  presente;  Sustenta  que  a  afirmação  dos  autuantes  de  que  a Mississipi  representa  seu  faturamento  ou  receitas  seria  o  mesmo  que  considerar  determinada  agência  bancária  como  ‘caixa’ de determinada empresa e que as demais apenas estariam utilizando, de forma fraudada,  outro CNPJ, quando deveriam utilizar os mesmos;  Afirma  que  a  Mississipi  nunca  forneceu  qualquer  tipo  de  mercadoria  a  alguém ou a qualquer empresa, e por essa razão não poderia deixar de cobrar por isso;  10  DOS OBJETIVOS  SOCIAIS  DA  SOCIEDADE  EMPRESÁRIA  BS  FRANQUIAS S/A  ­  reportando­se  aos  objetivos  sociais  da  sociedade  empresária  BS  FRANQUIAS  S/A,  afirma  que,  pelo  contrato  entre  esta  e  seus  clientes,  a  franqueadora,  na  condição  de  detentora  dos  direitos  sobre  a  marca  BS  AUTO  CENTER,  outorgava  ao  franqueado  um  conjunto  de  metodologias  decorrentes  de  seu  ‘saber  fazer’,  mediante  remuneração  mensal  pela  prestação  de  serviços  permanentes  visando  o  êxito  do  franqueado  na  comercialização  dos  produtos  da  marca  BS  COLWAY,  de  produtos  e  mercadorias de marcas diversas fornecidas por empresas do grupo econômico BS e de peças e  acessórios cujas marcas sejam fornecidas por outras empresas mediante condições de privilégio  ou  de  exclusividade,  e  ainda  o  êxito  na  prestação  de  serviços  automotivos  de  manutenção/substituição  de  componentes  de  suspensão,  direção,  freios,  montagem  de  peças/acessórios  diversos  e  serviços  de  geometria, montagem e balanceamento  de  pneus,  no  caso  específico  dos  Auto  Center’s  franqueados.  Adiciona  que,  em  decorrência  do  contrato  Fl. 16299DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 40          15 individual  celebrado  com  os  franqueados,  a  BS  FRANQUIAS  cobrava  pelos  serviços  que  prestava,  com  a  emissão  de  nota  fiscal  própria,  de  forma  que  suas  receitas  não  possuem  qualquer  vínculo  com  a  venda  de  pneus  da  impugnante.  Afirma  que  os  serviços  prestados  compõem suas receitas, que estão  totalmente declaradas e  informadas, e cujos  tributos  foram  devidamente recolhidos;  ­  afirma  que  a  BS  FRANQUIAS  tem  como  acionistas  apenas  Francisco  Simeão  e  Luiz  Bonacin  Filho,  e  que  seus  lucros  foram  devidamente  contabilizados  e  declarados. Qualifica de ilegal a descaracterização do CNPJ da BS FRANQUIAS, por exercer  atividades  totalmente  distintas  da  BS  COLWAY,  não  podendo  ser  taxada  como  mero  instrumento para  justificar  eventual  sonegação  fiscal. Garante que as notas  fiscais que anexa  (fls. 9.0879/126) comprovariam o que afirma;  11 – A RENDA TRIBUTÁVEL DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ E  CSLL  ­ aduz que a exigência tributária, sem restrições, do IRPJ e CSLL nos anos de  2007, 2008 e 2009,  sobre as  rubricas “Insuficiências de Recolhimento” não deve prevalecer,  pois a  totalidade do imposto devido foi devidamente recolhida. Argumenta que o Imposto de  Renda deve incidir sobre a renda, que corresponde ao lucro das pessoas jurídicas. Adiciona que  o objetivo principal de  qualquer pessoa  jurídica de  fins  econômicos  é  a obtenção de  lucro  e  para  tanto  desenvolve  uma  continuidade  complexa  de  operações  das  quais  decorrem  uma  multiplicidade de custos, despesas e receitas. Discorre sobre a apuração periódica de resultados  e levantamento de demonstrativos e afirma que esse corte periódico para a avaliação do lucro  não cria a descontinuidade das operações e que o resultado positivo ou negativo apurado em  um exercício sofre as influências de exercícios anteriores e pode ter variações que só ocorram  ou  sejam  detectadas  nos  exercícios  subsequentes.  Por  isso,  argumenta  que  a  empresa  que  possui prejuízos acumulados deve, inicialmente compensá­los nos anos subsequentes sob pena  de ocorrência de uma tributação maior que a devida;  ­  argumenta  que,  considerando  que  os  autuantes  presumiram  como  suas  receitas de outras pessoas jurídicas, no mínimo deveriam abater os prejuízos fiscais existentes  acumulados  e,  posteriormente,  compensar  os  pagamentos  realizados  do mesmo  tributo  pelas  outras  pessoas  jurídicas.  Arremata  que  o  lançamento  deve  ser  declarado  nulo  porquanto  os  autuantes  não  teriam  considerado  os  créditos  decorrentes  de  pagamento  do  próprio  tributo,  assim como as demais despesas, as quais reduziriam o imposto a ser pago. Também afirma que  não reduziram o  lucro e a base positiva obtida com os prejuízos fiscais acumulados e a base  negativa da CSLL;  12  DA  INDEVIDA  DESQUALIFICAÇÃO  DE  LUCRO  PRESUMIDO  PARA LUCRO REAL  ­ classifica de indevida a desqualificação de lucro presumido para lucro real.  Argumenta  que,  no  ano  calendário  de  2006,  suas  receitas  totais  importaram R$  58 milhões,  mas  a  fiscalização  desconsiderou  o  valor  de  R$  13  milhões,  de  sorte  que  sua  receita  foi  reduzida para R$ 45 milhões, valor este que autorizaria sua opção pelo lucro presumido.  Por  esse  motivo,  argumenta  que  a  apuração  do  IRPJ  e  CSLL  deve  ser  efetuada considerando a opção pelo lucro presumido, e que também o PIS/PASEP e a COFINS  devem respeitar o regime cumulativo de apuração;  Fl. 16300DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     16 13 – PIS E COFINS  ­ reportando­se às contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, discorre sobre  as alíquotas devidas pelas pessoas jurídicas que recolhem pela sistemática da cumulatividade e  afirma que recolheu todos os valores devidos relativos ao ano de 2007, exatamente nos termos  da legislação aplicável à espécie. Com respeito aos anos de 2008 e 2009, relata que adotou a  sistemática da não cumulatividade – a cujo respeito discorre e que recolheu os valores previstos  na  legislação.  Acrescenta  que  as  diferenças  apuradas  decorrem  da  reunião  das  receitas  de  diversos CNPJ, o que considera irregular. Também reclama que os autuantes não consideraram  todos  os  créditos  decorrentes  da  reunião  de  diversos CNPJ. Afirma que  os  autuantes  teriam  utilizado dois pesos e duas medidas;  14 – PIS E COFINS – IMPORTAÇÃO DE PNEUS  ­  argumenta  que  a  fiscalização,  desconsiderando  o  fato  de  que,  após  o  fechamento  de  sua  indústria,  começou  a  importar  pneus  (ano  de  2008);  e  que  os  autuantes  efetuaram o lançamento sem considerar o regime monofásico de tributação do PIS/PASEP e da  COFINS.  Reporta­se  à  Instrução  Normativa  SRF  nº  594/2005  e  discorre  sobre  o  disciplinamento da  tributação do PIS e COFINS sobre “pneus novos de borracha da posição  40.13”,  da  TIPI,  enfatizando  que  foi  atribuída  a  condição  de  contribuinte  ao  importador  do  produto. Afirma que,  considerando que o  regime monofásico de  incidência  foi  simplesmente  desconsiderado,  deve  ser  declarada  a  nulidade  do  lançamento,  com  o  recálculo  dos  valores  devidos a título de PIS e COFINS;  15 – DA COMPENSAÇÃO  ­  argumenta  que os  autuantes  adotaram  alguns  critérios  visando  à  apuração  dos tributos e reconhecimento de ‘despesas’, bem como a compensação dos tributos pagos pela  impugnante, mas  reclama que  tais  critérios  são  injustos, porquanto o  total de receitas  lhe  foi  imputado,  mas  não  foram  considerados  créditos  adicionais,  assim  como  não  foram  consideradas  despesas  de  outras  empresas  não  relacionadas  ao  ramo  de  pneus.  Também  reclama que os prejuízos fiscais não foram compensados na apuração do IRPJ e da CSLL.  Enfatiza  que  as  conclusões  dos  autuantes  são  contraditórias,  injustas  e  causam  uma  verdadeira  confusão,  pois  consideram  tudo  como  um  único  CNPJ,  mas  no  momento de  reconhecer  créditos  e direitos,  o que  ‘vale’  é  apenas o  ramo de pneus,  ou  seja,  desconsideram as atividades fins das outras sociedades;  16 – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  a) Período de abrangência e limites  ­ alega que os autuantes, sob o argumento de suposto ‘interesse comum’ entre  a impugnante e diversas empresas, elegeu todas e os sócios Francisco Simeão Rodrigues Neto  e Luiz Bonacin Filho como sujeitos passivos solidários, em evidente afronta a diversas normas  legais. Transcreve excerto do Termo de Verificação Fiscal e diz que os autuantes concluíram  que a impugnante omitiu receitas de venda de pneus e distribuiu suas receitas entre as pessoas  jurídicas  e  físicas  que  mencionou.  Afirma  categoricamente  que  a  responsabilidade  solidária  deve ser  limitada aos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 e que qualquer patrimônio adquirido  antes desse período deve ser excluído dos ônus inerentes a eventual arrolamento;  ­  contesta  a  assertiva  fiscal  de  que  teria  se  utilizado  de  dezoito  CNPJ  do  mesmo ramo econômico, com os mesmos sócios e pessoas  ligadas em uma mesma estrutura  física  e  com  apenas  uma  estrutura  administrativa,  afirmando  que  as  receitas  das  sociedades  Fl. 16301DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 41          17 estão  absolutamente  separadas  e  não  existe  identidade  de  sócios,  conforme  comprovam  documentos  societários  que  anexa.  Sustenta  a  efetividade  da  separação  das  atividades  empresariais;  ­  em  caráter  sucessivo,  argumenta  que  a  sujeição  passiva  solidária  não  se  pode dar sobre o valor total lançado. Aduz que foram incluídas empresas pertencentes a outras  pessoas que nada têm a ver com a BS COLWAY e outras empresas em que Francisco Simeão e  Luiz  Bonacin  Filho  são  sócios,  por  isso,  a  sujeição  passiva  solidária  deve  ser  limitada  aos  valores  que  efetivamente  pudessem  ter  sido  transferidos  para  cada  sociedade  empresária  em  questão,  ou  seja,  ao  real  benefício  econômico  obtido  pela  mesma,  em  atenção  ao  próprio  princípio  da  proporcionalidade/razoabilidade.  Afirma  ser  inconcebível  que  acionistas  de  determinadas empresas, de outro ramo, sem qualquer ligação com pneus, pudessem ser assim  consideradas como devedores solidários total dos autos de infração lavrados;  b) Objetivo social da BS COLWAY PNEUS LTDA  ­ tece considerações sobre o objetivo social da BS COLWAY Pneus Ltda e a  produção de pneus remoldados. Enfatiza o  risco  inerente a essa atividade, em decorrência da  vedação legal de se importar carcaças de pneus, que ocorria por forças de liminares judiciais, e  afirma  que,  em  face  da  real  possibilidade  de  os  importadores  de  carcaça  serem  autuados  e  responsabilizados por multas elevadíssimas,  tornou­se necessário separar as atividades da BS  COLWAY de toda e qualquer outra atividade do grupo BS, por se tratar de atividade de risco.  Afirma que não foram criados diversos CNPJ com intuito de segregar receitas  da BS COLWAY, e sim de separar as atividades com intuito de preservar as outras atividades,  afastando­as  dos  riscos  inerentes  às  atividades  de  importação  de  carcaças  e  venda  de  pneus  remoldados;  Contestando a  assertiva  fiscal  de que os devedores  solidários  compartilham  da  mesma  estrutura,  corpo  diretivo,  gerencial,  funcionários,  instalações  físicas  e  sede  num  único endereço em Piraquara – PR, afirma que, embora estejam em um mesmo ‘condomínio de  armazéns de logística e escritórios’, poderiam estar localizados em um mesmo prédio no centro  da  cidade,  em  cujos  diversos  andares  e  conjuntos  de  escritórios,  existissem  várias  outras  empresas, sem nenhuma relação entre si. Acrescenta que, no Condomínio onde se localizam as  empresas Trinchette e Vip Jet Aerotaxi Ltda, também se localizam outras dezenas de empresas  sem qualquer vínculo com a BS COLWAY;  Descreve os endereços das empresas BS Empreendimentos, Vip Jet Aerotaxi,  Chácara Suíça, Portal do Aeroporto e Portal do Porto e afirma que não  se  trata de  empresas  localizadas  em  uma  mesma  estrutura  física,  até  porque  parte  delas  está  localizada  em  municípios diferentes;  Com  respeito  à  assertiva  fiscal  de  ser  costume  da  BS  COLWAY  fornecer  crédito a pessoas ligadas (auto centers), na forma de créditos não cobrados ou de fornecimento  sem  recebimento,  constituindo  prática  de  distribuição  disfarçada  de  lucro,  afirma  que  seus  clientes têm um crédito rotativo e, como facilmente se comprova em sua contabilidade, todos  os meses pagam por suas compras realizadas em data anterior e fazem novas compras a prazo.  Afirma  que  as  ilações  difamatórias  contra  si  carecem  de  melhor  fundamentação e provas, porquanto a materialidade das infrações foram apenas presumidas;  Fl. 16302DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     18 c)  Objeto  social  das  sociedades  empresárias  arroladas  como  sujeito  passivo solidário  ­ discorre sobre o objeto social das sociedades arroladas como sujeito passivo  solidário. Com respeito à Vip Jet Aerotáxi Ltda, afirma que a mesma foi constituída em 1997,  ano  que  importou  a  aeronave  Learjet  31A  e  que,  desde  então,  presta  serviços  de  táxi  aéreo  unicamente  e,  consoante  normas  nacionais,  depende  de  autorização  operacional  específica,  concedida  pela  ANAC.  Questiona  como  poderia  dispor  de  recursos  de  vendas  de  pneus  e  afirma  estar  proibida,  por  lei,  de  comercializar  pneus. Afirma  que  as  notas  fiscais  anexadas  exemplificativamente  comprovam  que  efetivamente  presta  serviços  de  Táxi  aéreo,  e  que  é  dessa forma que aufere recursos para honrar seus compromissos;  ­ com respeito à BS Empreendimentos Imobiliários S/A, relata que a mesma  foi  constituída  no  ano  de  1999  e  seu  objeto  social  é  a  administração  de  bens  próprios  e  participação no capital de outras  sociedades, não possuindo o  ramo de comércio de bens  em  seus fins societários. Assegura que não existe nos autos qualquer prova de qual montante foi  transferido indevidamente para o CNPJ dessa empresa, bem como a respectiva forma. Afirma  que  a  BS  EMPREENDIMENTOS  aufere  expressivos  recursos  decorrentes  da  locação  de  imóveis próprios, conforme comprovam os documentos que anexa. Argumenta que caberia aos  autuantes discriminar o montante transferido e o destino dos recursos, tal como a aquisição de  determinado  imóvel, mas  isso não  foi  feito. Contesta o arrolamento de  imóveis dessa pessoa  jurídica e afirma que o único terreno adquirido e pago em 2008 provém de receitas oriundas da  locação de bens imóveis;  ­  também contesta  a  assertiva  fiscal  inserida no  item 92 do TVEPF de que  essa  pessoa  jurídica  seria  apenas  um  ‘almoxarifado’  seu,  e  o  registro  de  que  em  sua  contabilidade  aparecem  lançamentos  de  despesas  pessoais  de  seus  sócios,  aduzindo  a  irrelevância do registro, tendo em vista que se submete à tributação pelo lucro presumido;  ­ com respeito à Chácara Suíça Participações S/A, relata que foi constituída  em  2002,  tendo  como  objetivo  social  a  participação  no  capital  de  outras  sociedades,  como  cotista  ou  acionista.  Registra  que  todos  os  seus  imóveis  foram  adquiridos  antes  do  período  fiscalizado e da  constituição da própria BS COLWAY. Acrescenta que não existe nos  autos  qualquer prova de que parte das receitas da impugnante tenha sido transferida à Chácara Suíça  Participações S/A;  ­ com  respeito à Trinchette Participações S/A,  relata que foi constituída em  2002, tendo como objetivo social a participação no capital de outras sociedades, como cotista  ou acionista. Verte alegações similares ao item anterior;  ­ com respeito à Portal do Aeroporto Logística Ltda, relata que foi constituída  em 03 de março de 2001,  tendo como objetivo social  investimentos comerciais e  industriais,  além do armazenamento e logística de distribuição de mercadorias. Tece considerações sobre a  aquisição do imóvel “onde foi constituído o condomínio que originou referida pessoa jurídica”,  argumentando  que  teria  ocorrido  antes  da  constituição  da  impugnante.  Ressalta  que  aufere  receitas provenientes da locação de seus barracões, não auferindo qualquer espécie de receitas  decorrentes da venda de pneus. Acrescenta que não restou comprovada qualquer transferência  de recursos da impugnante para a mesma;  ­ com respeito à Portal do Porto – Condomínio Industrial e de Logística Ltda,  relata  que  foi  constituída  em  11/05/2009,  tendo  como  objetivo  social  administração  de  bens  próprios,  pela  locação  de  armazéns  industriais  e  de  logística,  bem  como  a  participação  no  capital  de  outras  empresas, mas  que  se  encontra  em  fase  pré  operacional,  sendo  que  possui  Fl. 16303DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 42          19 apenas  um  terreno  onde  serão  construídos  barracões  industriais  e  de  logística.  Historia  a  aquisição do terreno e salienta a falta de comprovação de que recursos da impugnante teriam  sido transferidos para aquela pessoa jurídica;  17 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS FRANCISCO  SIMEÃO RODRIGUES NETO E LUIZ BONACIN FILHO  Reportando­se ao art. 135, III, do CTN, argumenta que nosso sistema jurídico  não agasalha a  teoria da responsabilidade sem culpa subjetiva, pelo que algumas disposições  esparsas,  em  sentido  contrário,  seriam  ineficazes.  Afirma  que  a  disposição  legal  é  clara  no  sentido de separar a responsabilidade normal do contribuinte pelos créditos tributários oriundos  de  operações  regulares,  da  responsabilidade  pessoal  dos  diretores  pelos  créditos  tributários  oriundos  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos. Afirma que o simples fato de os Srs. Francisco Simeão e Luiz Bonacin serem sócios  da impugnante não caracteriza que tenham recebido valores indevidamente, ou que tenham se  aproveitado de qualquer valor em benefício próprio. Apontam a inexistência de provas de que  tenham auferido qualquer benefício financeiro ilegal da impugnante. Registram a presunção de  que  a  fiscalização  está  com  a  intenção  de  prejudicá­los,  porquanto  afirmam  que  “a  lucratividade  obtida  diretamente  por  essas  pessoas  físicas  sócias  da BS COLWAY e demais  empresas  ligadas,  mediante  fraude  tributária,  é  justamente  o  elo  de  comunhão  legal  que  estabelece  a  possibilidade  de  cobrança  tributária  das  mesmas.”  Enfatizam  que  a  responsabilidade  tributária  solidária  ou  a  sujeição  passiva  solidária  só  pode  ser  imputada  às  pessoas  físicas dos  sócios nos casos em que  reste provado que os valores  sonegados  tenham  sido transferidos para os mesmos;  18 – FUNDOS E SKY DUST  ­  qualifica  de  infundada  a  assertiva  fiscal  de  que,  a  partir  de  15/05/2008,  passou  a  cobrar  contribuições  para  fundos  com  o  intuito  de  sonegar  tributos.  Afirma  que  o  Fundo para Contingências Jurídico tributárias se destina à salvaguarda jurídica das demandas  que viessem a ocorrer em virtude da comercialização e transporte de pneus e que o Fundo para  Ações de Propaganda Corporativa se destinava a prover à constituição de reserva destinada a  ações  de  propaganda  corporativa  e  o  Fundo  para  Custeio  de  Transporte  foi  criado  com  a  concordância expressa dos clientes, com o objetivo de prover recursos que salvaguardassem a  integridade  das  cargas  de  pneus  transportadas  para  os  mesmos,  indenizando=os  por  perdas  eventuais. Afirma que devem ser excluídos do lançamento os valores constantes dos ‘fundos’  do auto de infração, eis que não lhe pertencem. Também contesta a assertiva fiscal de que as  operações  de  empréstimos  triangulares  ocorridos  entre  a  impugnante,  SKY  DUST,  via  Mississipi  teria  o  condão  de  reforçar  a  identidade  entre  as  entidades.  Afirma  que  a  única  relação existente é entre a impugnante e a SKY DUST, não havendo qualquer transferência de  dívidas entre BS COLWAY e SKY DUST através da Mississipi. Enfatiza que a operação está  devidamente documentada e declarada, inexistindo motivo para se presumir transferência ilegal  de recursos ao exterior;  19 – DA INEXISTÊNCIA DA MULTA OU SUA REDUÇÃO  ­  contesta  a  multa  de  ofício  lançada,  qualificando­a  de  desproporcional  e  desprovida de qualquer  fundamento  lógico, assumindo caráter  confiscatório,  ferindo diversos  princípios  constitucionais.  Afirma  que  as  penalidades  impostas  poderão  conduzi­la  à  insolvência,  caso  seja vencida. Afirma que  as  limitações  constitucionais  ao poder de  tributar  implicam o exame dos efeitos confiscatórios do tributo, das multas e dos juros, que não podem  Fl. 16304DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     20 levar à quebra do contribuinte, sem ofensa às normas gerais de direito tributário. Sustenta que o  percentual da multa (150%) é evidentemente abusivo, configurando verdadeiro confisco.  Finaliza  aduzindo  que  a  fixação  da  multa  feita  nestes  autos  resulta  em  confisco  de  seu  patrimônio,  ferindo  princípios  constitucionais  basilares:  da  moralidade  e  vedação do enriquecimento sem causa; da propriedade e do não confisco de tributos/multas;  20 – DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL  discorre sobre a necessidade de realização de prova pericial, ao argumento de  que os valores levantados pela fiscalização se encontram extremamente distorcidos. Argumenta  que deve ser analisada  toda a documentação fiscal e contábil  e a correlação existente entre a  impugnante  e  a  administradora  de  recebíveis  MISSISSIPI.  Afirma  que  a  perícia  levará  à  conclusão de que aquela nada mais fez do que administrar recebíveis, nos termos previstos em  seu contrato social. Reafirma que reputa  indispensável a  realização de perícia contábil  fiscal,  pois entende que assim  restará cabalmente demonstrada a  inexistência de crédito  tributário  a  ser exigido pela Fazenda Nacional;  21 – PROGRAMAS SOCIAIS DESENVOLVIDOS PELA BS COLWAY  ­ no objetivo de demonstrar a  inconsistência da assertiva fiscal de que  teria  criado  entidades  imunes  visando  apenas  a  não  pagar  tributos  devidos,  discorre  sobre  os  programas sociais por ela desenvolvidos para, ao final, afirmar que as ‘entidades imunes’ não  foram  criadas  para  sonegar  tributos,  beneficiar  sócios  e/ou  terceiros,  mas  sim  pra  prestar  relevantes serviços à sociedade brasileira.  Finaliza expondo os quesitos que pretende ver respondidos e qualificando seu  perito.  As impugnações apresentadas pelas pessoas jurídicas a quem foi atribuída a  condição  de  responsáveis  solidárias  também  se  encontram  estruturadas  de  forma  similar  à  impugnação apresentada pela autuada. Em regra repetem, com as adaptações pertinentes a cada  caso,  as  mesmas  alegações  também  enfeixadas  em  tópicos  com  títulos  semelhantes  aos  da  autuada. Os seguintes títulos, já resumidos anteriormente, são comuns a todas as impugnações:  “Questão de Ordem – Da Nulidade da Intimação Realizada”, “Da Ofensa ao  Princípio  da  Legalidade  Tributária”,  “Esclarecimentos  Preliminares”,  “Situação  Fática  do  Processo  Administrativo”,  “O  Abuso  do  Direito  Como  Limite  ao  Exercício  dos  Poderes  Discricionários”, “Decadência – Extinção do Crédito Tributário”, “Da Inexistência de Multa ou  sua  Redução”,  “Da  Necessidade  de  Realização  de  Prova  Pericial”  e  “Quesitos  a  Serem  Respondidos pelo Perito”.  Todas  as  impugnações  dos  responsáveis  solidários,  em  tópico  intitulado  “SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA  –  Artigo  124,  I  do  Código  Tributário  Nacional”,  contestam a existência de interesse comum entre as sociedades empresárias e argumentam que,  para  configurar  a  responsabilidade  prevista  no  dispositivo mencionado,  haverá  que  existir  a  responsabilidade  e  o  responsável  deverá  estar  vinculado  ao  fato  gerador  não  por  interesse  econômico,  mas  sim  por  interesse  jurídico,  que  se  caracteriza  pela  existência  de  direitos  e  deveres iguais entre as pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica em que consiste  o fato gerador do tributo. Aduzem que a pessoa estranha à relação jurídica não possui interesse  jurídico  porque  não  possui  direito  ou  dever  em  controvérsia.  Discorre  sobre  o  conceito  de  interesse comum. Afirmam que o art. 124, I, do CTN só se aplica aos casos em que o mesmo  fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa, ou seja, havendo mais de uma  Fl. 16305DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 43          21 pessoa  enquadrada  na  condição  legal  de  contribuinte,  o  que  não  seria  o  caso  dos  autos,  porquanto  os  autuantes  alegam  que  a  BS  COLWAY  omitiu  receitas  e  sonegou  tributos  e  contribuições  mediante  desvio  de  faturamento  decorrentes  da  comercialização  de  pneus,  ou  seja, não havendo vínculo entre essas receitas e as receitas de cada impugnante, de sorte que  não há que se falar em responsabilidade solidária.  Enfatizam a discrepância entre as atividades de cada empresa e a autuada.  Argumentam que os  autuantes deveriam discriminar o montante  transferido  para cada impugnante e o destino dos recursos,  tal como a aquisição de determinado imóvel,  mas que isso não foi feito. Acrescentam que, caso tivesse sido adotada tal providência, até seria  justificável o arrolamento de um ou outro imóvel, mas que não se pode afirmar que a totalidade  dos imóveis dos impugnante foi adquirida com recursos oriundos de sonegação fiscal ocorrida  na BS COLWAY. Argumentam que o simples fato de pertencer ao mesmo grupo econômico  não revela corealização de fatos geradores.  Todas  as  impugnações  dos  responsáveis  solidários,  em  tópico  intitulado  “SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – ASPECTO TEMPORAL”, apontam que a fiscalização  concluiu que –no período fiscalizado, nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 a autuada omitiu  receitas da venda de pneus e as distribuiu entre as pessoas  jurídicas e  físicas arroladas como  responsáveis  solidários.  Por  isso,  afirmam  categoricamente  que  a  responsabilidade  solidária  deve ser limitada àqueles anos, de sorte que qualquer patrimônio adquirido anteriormente deve  ser excluído dos ônus inerentes e de eventual arrolamento. Também enfatizam que a sujeição  passiva  solidária  deve  ser  limitada  aos  valores  que  efetivamente  foram  transferidos  a  cada  sociedade empresária em questão, ou seja, ao real benefício econômico obtido pela mesma, em  atenção  ao  princípio  da  proporcionalidade/razoabilidade.  E  ainda,  que,  no  caso  de  bem  adquirido no período fiscalizado, há que se provar qual foi a origem do dinheiro, ou seja, se é  aquela  alegada  pelos  autuantes,  ou  se  provém  de  recursos  comprovadamente  auferido  nas  atividades próprias.  Nas  impugnações  apresentadas  pelas  pessoas  Jurídicas  Portal  do Aeroporto  Logística  Ltda  e  Portal  do  Porto  Condomínio  Industrial  e  de  Logística  Ltda,  consta  tópico  específico intitulado “Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária – Incorreta e Imprecisa  a Descrição do Suposto Interesse Comum Entre a Impugnante e a BS COLWAY”, contestando  a  assertiva  fiscal  inserida  nos  itens  208  e  210  do  TVF,  ao  argumento  de  que  a  BS  EMPREENDIMENTOS, constituída na data de 03/02/1999, adquiriu os imóveis descritos nas  matrículas  nº  57.701,  57.702  e  31.737,  todas  do  Registro  de  Imóveis  de  São  José  dos  Pinhais/PR, com  recursos próprios,  acumulados  e oriundos das atividades constantes de  seus  objetivos sociais (locação de bens imóveis), que não se vinculam a venda de pneus. Também se  afirma que o imóvel descrito na matrícula nº 4.398 foi recebido como integralização de capital,  na data de 13/05/2002, e que o mesmo teria sido adquirido em 19/04/1996, antes do início das  atividades da autuada, portanto. Afirma que o alegado esquema de sonegação não é suficiente  para justificar a origem dos recursos utilizados na aquisição do imóvel.  Na impugnação apresentada por VIP JET AEROTÁXI LTDA também existe  tópico  sob  o  mesmo  título,  onde  se  argumenta  que  essa  pessoa  jurídica  foi  criada  em  06/10/1997,  enquanto  a  autuada  foi  constituída  em  26/08/1998,  e  que  a  primeira  comercialização de pneus somente veio a ocorrer no mês de agosto de 2000. Enfatiza que, de  forma alguma, atos e fatos anteriores, tais como aquisições de bens, podem ser questionados,  com base em suposta sonegação fiscal. Também é afirmado que essa impugnante não distribuiu  Fl. 16306DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     22 lucros  aos  sócios  Francisco  Simeão  e Luiz  Bonacin,  e  que  suas  receitas  são  constituídas  de  prestação de serviços de táxi aéreo, não possuindo vinculação com venda de pneus.  Afirma que a premissa adotada pelos autuantes é falha, razão pela qual o auto  de infração é nulo.  Além  dos  tópicos  comuns  já  referidos,  as  impugnações  dos  Srs.  Simeão  Rodrigues  Neto  e  Luiz  Bonacin  Filho,  em  termos  idênticos,  veiculam  tópico  específico  intitulado: “Dos Objetivos Sociais da Sociedade Empresária BS Franquias S/A”, esclarecendo  que  o  contrato  de  franquia  empresarial  firmado  entre  o  franqueado  e  o  franqueador  (BS  Franquia) outorga ao franqueado um conjunto de metodologias decorrentes de seu saber fazer,  mediante  remuneração  mensal  pela  prestação  de  serviços  permanentes,  visando  o  êxito  da  franqueada  na  comercialização  dos  produtos  da  marca  BS  COLWAY,  de  produtos  e  mercadorias de marcas diversas fornecidas por empresas do grupo econômico BS e de peças e  acessórios cujas marcas sejam fornecidas por outras empresas mediante condições de privilégio  ou  de  exclusividade,  e  ainda  o  êxito  na  prestação  de  serviços  automotivos  de  manutenção/substituição  de  componentes  de  suspensão,  direção,  freios,  montagem  de  peças/acessórios  diversos  e  serviços  de  geometria, montagem e balanceamento  de  pneus,  no  caso  específico  dos  Auto  Centers  franqueados.  Adicionam  que,  em  decorrência  desses  contratos, cobrava pelos serviços que prestava, com a emissão de nota fiscal própria e integral  recolhimento dos  tributos conseqüentes, ou seja,  suas  receitas não possuem qualquer vínculo  com a venda de pneus da BS COLWAY. Informam que a única condição existente era a de que  os  produtos  adquiridos  pelos  franqueados  deveriam  obedecer  uma  exclusividade,  ou  seja,  o  fornecedor  de  pneus  obrigatoriamente  deveria  ser  da  Bs Colway  ou  outra  empresa  indicada  pela BS Franquias.  Com respeito à informação dos autuantes de que a BS Franquias teria servido  como instrumento de distribuição de lucros da BS COLWAY, recebidos via Mississipi, e que  foram beneficiados os sócios Francisco Simeão e Luiz Bonacin e respectivos cônjuges e filhos,  dizem  ser  importante  destacar  que  tal  sociedade  nunca  teve  os  filhos  e  cônjuges  como  acionistas, o que torna impossível terem sido beneficiado com alguma distribuição de lucros.  Afirmam que a empresa BS Franquias tem como acionistas apenas Francisco  Simeão e Luiz Bonacin e que os lucros obtidos foram devidamente contabilizados e declarados,  o que torna ilegal a descaracterização do CNPJ da BS Franquias.  As mesmas impugnações também veiculam tópico específico intitulado “Dos  Objetivos  Sociais  da  Sociedade Empresária  BS Empreendimentos  Imobiliários  S/A”,  onde  é  afirmado que  essa pessoa  jurídica  foi  constituída na data de 19/02/1999,  tendo  iniciado  suas  atividades na data de 03/02/1999, ou seja, em período bem anterior ao processo de fiscalização,  e que seu objeto social é a administração de bens próprios e participação no capital de outras  sociedades, não apresentando o ramo de comércio de bens em seus fins societários.  Afirmam  que  não  existem  nos  autos  a mínima  prova  de  qual montante  foi  transferido indevidamente para o CNPJ da BS Empreendimentos Imobiliários S/A, bem como  a  forma pela qual  teria ocorrido  tal  transferência. Asseguram que essa pessoa  jurídica aufere  recursos  expressivos decorrentes de  suas  atividades  (locação de  imóveis  próprios),  conforme  documentos  que  anexa.  Afirmam  que  a  esmagadora  maioria  dos  imóveis  da  BS  Empreendimentos  foi  adquirida  antes  do  período  fiscalizado,  motivo  pelo  qual  é  ilegal  a  afirmação de que essa empresa serviu como instrumento de distribuição disfarçada de lucros.  Outro tópico exclusivo dessas impugnações tem o seguinte título:  Fl. 16307DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 44          23 “RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DO  SR.  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES NETO – ARTIGO 135, I e III”.  A alegação é que as condutas e circunstâncias elencadas nos art. 134 e 135 do  CTN  não  possuem  liame  com  a  solidariedade  baseada  no  interesse  comum,  sendo  que  a  previsão legal não pode ser estendida para abarcar situações que não se referiam ao interesse  coincidente das partes em relação ao fato gerador.  Reportam­se  aos  art.  134  e  135  do  CTN  e  afirmam  que  a  norma  legal  condiciona  a  responsabilidade  solidária  de  terceiros  a  dois  requisitos  impostergáveis:  a  impossibilidade de o contribuinte satisfazer a obrigação principal e o fato de o responsável ter  uma vinculação indireta, através de ato comissivo ou omissivo, com a situação que constitui o  fato gerador da obrigação tributária.  Argumentam que, se o caput do art. 134 introduziu dois requisitos expressos  para  a  caracterização  da  responsabilidade  solidária  de  terceiro,  não  há  como,  em  nome  da  doutrina  e  da  jurisprudência  aplicáveis  à  espécie,  desprezar  esses  requisitos  e  imputar  responsabilização  a  terceiras  pessoas,  que  são  tão  somente  sócio/acionista/diretor  de  outras  empresas,  mas  que  possuem  objetivos  sociais  perfeitamente  delineados  e  que  não  possuem  qualquer vínculo jurídico com a BS COLWAY.  Reportando­se ao art. 135 do CTN, afirmam que a disposição legal é clara no  sentido de separar a responsabilidade normal do contribuinte pelos créditos tributários oriundos  de  operações  regulares,  da  responsabilidade  pessoal  dos  diretores  ou  gerentes  pelos  créditos  tributários  oriundos  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social ou estatutos. Afirmam que, somente pelo fato de ser Diretor Presidente da BS COLWAY  não  caracteriza  que  sua  pessoa  física  recebeu  os  valores  indevidamente  ou  que  tenha  se  aproveitado  de  qualquer  valor  em  benefício  próprio.  Questionam  como  pode  a  fiscalização  afirmar que foi o beneficiário de esquema de sonegação, se não foi demonstrada ou apontada  prova cabal e idônea de que os valores tivessem beneficiado o mesmo.  Essas  impugnações  também  trazem  um  derradeiro  tópico  exclusivo  intitulado:  “DA PRESUNÇÃO DE BENEFÍCIO ECONÔMICO  ILEGALIDADE – TERMO  DE RESPONSABILIDADE NULO”, onde ressaltam que os autuantes não comprovaram que  essas  pessoas  físicas  auferiram  receita/renda  indevida  em  decorrência  de  esquema  de  sonegação.  Foram juntados os documentos de fls. 8.859/11.207.  Em  face  das  alegações  dos  impugnantes,  no  dia  17/04/2012  foi  lavrado  o  despacho  de  diligência  de  fls.  11.215/11.219,  solicitando  a  realização  das  verificações  ali  referidas.  No curso da diligência foram envidadas intimações às pessoas jurídicas:  BS COLWAY PNEUS LTDA; BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS  S/A; VIP JET AEROTAXI LTDA; ABIP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA  DE  PNEUS  REMOLDADOS;  ABIPNEUS  –  ASSOCIAÇÃO  BRASILEIRA  DOS  IMPORTADORES, DISTRIBUIDORES E EXPORTADORES DE PNEUS; BS FRANQUIAS  S/A;  INSTITUTO BOM ALUNO DO BRASIL  e MISSISSIPI  FOMENTO DE NEGÓCIOS  S/A, que apresentaram as respostas e documentos que consideraram pertinentes.  Fl. 16308DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     24 De sua parte, os autores da diligência elaboraram o Relatório de Diligências  Fiscais de fls. 13.652/13.690, mais os 4 Anexos de fls. 13.691/13.726.  A  documentação  produzida/juntada  no  curso  da  diligência  se  encontra  acostada às fls. 11.22113.728.  Em face das assertivas veiculadas no aludido Relatório de Diligências de que  deveriam ser promovidas, de ofício, alterações no lançamento, mas constatado que as mesmas  não haviam sido adotadas, por meio do despacho de fls. 13.737 foi determinado o retorno dos  autos à origem para adoção das providências previstas no § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235,  de 1972.  Por consequência,  foram elaborados o Termo de Início de Fiscalização e de  Verificação  Fiscal  de  fls.  13.742/13.778  e  os  autos  de  infração  de  fls.  13.779/13.838,  formulando exigência  complementar no  total  de R$ 41.202.376,44, discriminada no novo  Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo estampado às fls. 13.741.  Também foram lavrados novos Termos de Sujeição Passiva Solidária, que se  encontram acostados às fls. 13.859/13.903.  Constam  desse  novo  Termo  de  Verificação  Fiscal  os  seguintes  esclarecimentos acerta do lançamento suplementar:  “Após  as  diligências  determinadas  pela  DRJ/Curitiba,  esta  Fiscalização  obteve  novas  informações  e  elementos  que  melhor  caracterizam  os  fatos  apurados  anteriormente no curso do MPFF 09.1.01.002010014644.  Em suma, após o encerramento daquela Fiscalização e durante a diligência  solicitada pela DRJ/Curitiba nos autos verificamos a necessidade de:  a)  Exclusão  de  custos  e  despesas  de  outros  CNPJ  incorretamente  considerados na apuração do Auto de Infração Original sobre a BS COLWAY, com reflexo nas  bases de cálculo do IRPJ e CSLL, e  b) Exclusão de DARF pagos por outros CNPJ, incorretamente considerados  na apuração do Auto de Infração Original sobre a BS COLWAY, com reflexo direto no IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS exigíveis.  Em  relação  à  omissão  de  receitas  apuradas  pela  Fiscalização,  a  BS  COLWAY e demais empresas no mesmo Grupo Econômico (arroladas pela fiscalização como  sujeitos passivos solidários) apresentaram documentos em sede de impugnação que indicariam  que as receitas de aluguel da BS EMPREENDIMENTOS e de aluguel de aeronave(s) da VIP  JET já teriam sido oferecidas à tributação, à parte da BS COLWAY, em CNPJ próprio dessas  empresas.No curso daquelas diligências fiscais e no exame de documentos juntados em sede de  impugnação,  confirmamos  que  estas  receitas  de  aluguel  foram  realmente  tributadas  na  BS  EMPREENDIMENTOS e na VIP JET, à parte da BS COLWAY.  Portanto,  devem  ser  excluídos  da  apuração  levada  a  efeito  sobre  a  BS  COLWAY,  todos  os  custos  e  despesas  da BS EMPREENDIMENTOS  trazidos  para  a mesma  apuração. Os custos da VIP JET não foram considerados pela fiscalização por serem de valor  ínfimo.  Todavia,  este  ajuste  não  reduzirá  o  total  de  receitas  omitidas  pela  BS  COLWAY já considerado na autuação fiscal inicial. Ao contrário, este ajuste terá o efeito de  Fl. 16309DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 45          25 aumentar  não  só  os  impostos  e  contribuições  devidos  como  os  impostos  e  contribuições  a  pagar conforme passamos a descrever.  Neste  cálculo do  IRPJ e da CSLL devidos  foram reanalisados  os  eventuais  prejuízos e bases de cálculo negativas da CSLL anteriormente apurados pela Fiscalização e  constantes dos demonstrativos às folhas mencionadas a seguir.  (...)  Em  resumo,  há  três  tipos  de  infração  na  presente  Autuação  Fiscal  Complementar:  • Glosa de custos da BS EMPREENDIMENTOS indevidamente considerados  nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL Originais lavrados contra a BS COLWAY;  •  Glosa  de  despesas  da  BS  EMPREENDIMENTOS  indevidamente  considerados  nos  Autos  de  Infração  de  IRPJ  e  CSLL  Originais  lavrados  contra  a  BS  COLWAY;  • Glosa de deduções de pagamentos (DARF) de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS  da  BS  EMPREENDIMENTOS  e  da  VIP  JET,  indevidamente  considerados  nos  Autos  de  Infração Originais de IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS lavrados contra a BS COLWAY.”  Conforme  se  vê  às  fls.  13.764/13.768,  os  autuantes  registraram  seu  entendimento a respeito de não ter ocorrido decadência do direito de lançar, porquanto o termo  inicial do lustro seria a data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela  notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento,  conforme julgados do Superior Tribunal de Justiça.  Os fundamentos legais se encontram consignados no campo próprio de cada  auto de infração complementar.  As comprovações das ciências dos interessados, todas datadas de 06/12/2012,  se encontram documentadas por Termos às fls. 13.905 a 13.934.  Em  03/12/2013,  os  interessados  apresentaram,  tempestivamente,  a  impugnação comum de fls. 13.946/14.018, veiculando as alegações adiante sintetizadas:  1 – Situação fática do processo administrativo  Reiteram,  na  essência,  a  argumentação  já  vertida  sob  o  mesmo  título  na  impugnação original. Acrescentam que apresentaram impugnações tempestivas em que teriam  provado, basicamente, que as informações prestadas pelos autuantes são absurdas e infundadas.  Relatam  que  a  diligência  foi  determinada  para  que  os  fatos  fossem melhor  apreciados,  possibilitando  a  correção  dos  graves  erros  cometidos  pelos  autuantes,  acrescentando  que,  por  grosseiros,  deveria  ter  sido  declarada  a  nulidade  do  lançamento,  porquanto  teriam  demonstrado  e  provado  que  os  responsáveis  solidários  pessoas  jurídicas  exercem  atividades  empresariais  não  relacionadas  à  industrialização  e  comercialização  de  pneus.  Enfatizam  que  o  lançamento,  tal  como  constituído,  não  comporta  remendos,  reparos,  consertos, pois a causa que lhe deu origem seria falsa.  Fl. 16310DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     26 Reportam­se ao novo lançamento fiscal e afirmam que, ao rever seu próprio  trabalho,  os  autuantes  concluíram  que  haviam  errado  em  favor  do  contribuinte  e  assim  ampliaram o lançamento em quase 50 milhões de reais. Sustentam que os autuantes incorreram  nos mesmos equívocos, gerando nova nulidade. Discorrem sobre a conta ‘créditos de clientes  diversos’ e afirmam que, de maneira alguma esses créditos pertenciam a BS COLWAY, e sim  a diversos  clientes da Mississipi. Apontam outros  equívocos que  teriam  sido  cometidos pela  fiscalização  e  solicitaram  a  determinação  de  nova  diligência  com  o  objetivo  de  levantar  os  valores que ingressaram na Mississipi e que, de verdade, eram valores pertencentes às outras  pessoas jurídicas.  Enfatizam  a  existência  efetiva  da  empresa  Mississipi  e  os  contratos  de  prestação de serviços formalizados em seu nome.  2 – Origem das receitas de aluguéis  Discorrem sobre as atividades da empresa BS Empreendimentos Imobiliários  e enfatiza que 98% de seus imóveis foi adquirida antes do período fiscalizado;  3 – Receitas de Táxi Aéreo  Discorrem sobre as atividades da empresa VIP JET;  4 – Receitas de Franquias  Discorrem sobre a atividade de franquia;  5 – Receitas de factoring  Afirmam  que  na  diligência  restaram  provadas  as  atividades  da  sociedade  Mississipi. Discorrem sobre os contratos que esta assinou com seus clientes e afirmam que a  Mississipi  recebe  apenas  o  contratualmente  previsto  pelos  serviços  prestados,  e  não  um  percentual sobre o total de venda da BS Colway, por exemplo;  6 – Livro de Registro de Empregados  Afirmam que as rescisões ocorridas se deram dentro das normas legais e que  ficou  provado  que  não  ocorreu  qualquer  espécie  de  transferência  entre  as  pessoas  jurídicas  envolvidas. Afirmam que o fato de algum funcionário ter trabalhado na BS COLWAY e depois  ter sido reaproveitado em outra pessoa jurídica arrolada no processo, por si só, não configura  nada, principalmente uma sucessão empresarial;  7 Instituições beneficiárias de doações  Afirmam  que  foram  disponibilizados  todos  os  documentos  solicitados  para  fins de elucidar qualquer espécie de questionamento sobre o tema;  8 – Origem dos Fundos  Afirmam que, com respeito aos fundos constituídos pela BS COLWAY, foi  esclarecido  seus  objetivos  e  que  foi  demonstrado  que  os  valores  a  eles  destinados  não  constituem receitas da BS COLWAY;  9 – Decadência – Extinção do crédito tributário  Fl. 16311DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 46          27 Reportam­se  ao  inciso  VII  do  art.  156  do  CTN  e  relatam  que  em  data  de  26/06/2012 a fiscalização iniciou novo procedimento fiscal, e que recebeu um novo termo de  início  de  fiscalização,  sendo que,  em 06/12/2012,  lhe  foi  dada  ciência dos  autos  de  infração  complementares. Argumentam que, em decorrência de tal fato, teria ocorrido a decadência do  direito  de  constituir  eventual  crédito  tributário  no  período  anterior  à  data  de  06/12/2007,  conforme jurisprudência do STJ que traz à colação;  10  –  Ilegalidade  da  Nova  Autuação  –  Erros  Grosseiros  cometidos  pelos  Auditores Fiscais.  Tecem  críticas  acerbas  ao  entendimento  fiscal  acerca  das  receitas  da  Mississipi e discorre sobre suas atividades. Apresentam quadros (fls. 13.978/13.982) tendentes  a  retratar  toda  a  existência  contábil  da  BS  COLWAY  PNEUS  LTDA,  das  empresas  constituídas  como  sujeitos  passivos  nos  autos  e  de  outras  empresas  ‘equivocadamente  omitidas’ pela fiscalização, e afirmam que, sem esses outros clientes, o valor inveridicamente  considerado pela fiscalização não fecha.  Reiteram  que  a  BS  COLWAY  não  se  utilizou  da  Mississipi  para  a  viabilização  de  contabilidade  paralela,  omissão  de  receitas,  etc.  Afirma  que  se  utilizou  da  Mississipi como prestadora de serviços de cobrança, e que todos os serviços estão detalhados  na contabilidade da contratante e da contratada;  Afirmam que a fiscalização não pode, a menos que constitua prova material e  palpável, presumir sonegação fiscal, e que o contribuinte é  livre, face ao  leque tributário que  lhe é oferecido, para optar pelo regime de tributação que quiser para suas empresas, desde que  estas se enquadrem nas exigências impostas pela legislação;  11 – Contradição – Responsabilidade Solidária – Interesse Comum X Grupo  Econômico  Afirmam  que,  conforme  teriam  demonstrado  nas  impugnações,  é  falsa  a  acusação de que as receitas que transitaram pela Mississipi decorriam somente de atividades da  BS COLWAY. Adicionam que as empresas arroladas, além de pertencerem a grupo econômico  completamente distinto das empresas do grupo econômico da BS COLWAY PNEUS LTDA,  exercem atividades sociais diferentes. Acrescentam que, não havendo identidade de objetivos  societários  entre  elas  e  a  autuada,  não  há  que  se  falar  em  responsabilidade  solidária  por  interesse comum.  Argumentam  que,  após  determinada  a  diligência  fiscal,  os  autuantes  alteraram  o  fundamento  da  sujeição  passiva  solidária  de  ‘interesse  comum’  para  ‘grupo  econômico’, sem o menor constrangimento e senso de justiça. Aduzem não ser possível trocar  pneu  com  o  carro  em  movimento,  e  afirmam  que  é  o  que  está  a  ocorrer,  uma  vez  que,  inicialmente,  os  autuantes  alegaram  que  haveria  interesse  comum  entre  as  empresas  BS  COLWAY  e  as  responsáveis  solidárias  mas,  provado  que  isso  não  aconteceu,  os  autuantes  passaram a alegar, de forma desleal e  injusta, a existência de grupo econômico, novo motivo  para a manutenção da responsabilidade solidária.  Discorrem  sobre  as  atividades  e  localização  das  empresas  e  afirmam  que,  quanto  aos  bens,  não  existe  qualquer  confusão,  uma  vez  que  cada  empresa  tem  sua  contabilidade muito bem organizada e seus imóveis devidamente registrados. Adicionam que o  fato de terem contratado a Mississipi para proceder às cobranças de seus créditos e celebrar os  Fl. 16312DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     28 pagamentos  de  sua  ordem,  não  significa  ‘confusão’  de  recursos  financeiros  e  sim  que,  a  exemplo de agências bancárias, a Mississipi opera com dezenas de empresas.  Qualificam de falsa a existência de um único corpo diretivo e afirmam que os  próprios  sócios  das  empresas  não  são  os  mesmos,  e  que  os  autuantes  estão  dissociados  da  realidade fática.  Discorrem  sobre  as  atividades  da  BS  FRANQUIAS,  seus  serviços  e  suas  receitas. Arrematam afirmando  ser  ilegal  a descaracterização do CNPJ da BS Franquias,  por  esta exerce suas atividades normalmente, não podendo ser taxada como mero instrumento para  justificar eventual sonegação fiscal na BS COLWAY;  12 – Grupo Econômico – Responsabilidade Tributária Solidária –  Necessidade de Participação dos Integrantes no Fato Gerador  Aduzem  que  os  grupos  econômicos  e/ou  societários  nada mais  são  do  que  uma concentração de empresas, sob a forma de integração (participações societárias, resultando  no  controle  de  uma  ou  umas  sobre  as  outras),  obedecendo  todas  a  uma  única  direção  econômica.  Argumentam  que  a  existência  de  grupo  econômico  pressupõe  a  existência  de  coordenação  entre  os  entes  coligados,  de  forma  que  resulte  numa  orientação  empresarial  comum.  Afirmam  ser  necessário  que  as  atividades  exercidas  tenham  algum  grau  de  complementaridade,  a  fim  de  possibilitar  a  maximização  dos  recursos.  Acrescentam  ser  necessário existir sinergia entre as empresas e ‘empreendimento comum’.  Afirmam  que  a  responsabilidade  solidária  não  decorre  unicamente  da  configuração  da  existência  do  grupo  econômico,  mas  também  da  participação  conjunta  das  empresas  na  situação  configuradora  do  fato  gerador  de  determinado  tributo. Adicionam  que  não basta a existência do grupo econômico, porque sua atribuição depende – como condição  adicional  –  da  constatação  de  que  as  pessoas  jurídicas  envolvidas  tiveram  participação  na  situação configuradora do fato gerador, significando que o último passo exige a avaliação da  conformidade com as regras do CTN. Enfatizam que as empresas do Grupo Ventura & Orion,  arroladas como responsáveis solidárias do débito lançado contra a BS COLWAY, nada têm a  ver com o Grupo Econômico desta, eis que seus sócios e atividades são diversos;  13 – Sky Dust Corp  Historiam a criação da empresa Sky Dust e alterações em seu corpo social e  arrematam: “Ao contrário do que afirmam no Termo de Início de Fiscalização e como ficou  demonstrado, a BS Colway Pneus não possui qualquer ligação financeira com a Skydust.  Possui,  sim,  Nota  Promissória  por  ela  subscrita  em  favor  da  Pinhais  Empreendimentos  Imobiliários  Ltda  e  que,  por  força  da  incorporação  ocorrida  em  2006  passou a fazer parte de seu Ativo.”  Acrescentam que  também a Mississipi não assumiu qualquer  tipo de dívida  para  com  a  Skydust,  e  que  unicamente  serviu  de  intermediária  no  pagamento  efetuado  por  Francisco  Simeão  dessa  nota  promissória  subscrita  pela  Skydust.  Também  qualificam  de  inverídica  a  afirmação  de  que  a  BS COLWAY  tenha  emprestado  algum  dinheiro  à  Skydust  Corp.  Afirmam  que,  por  força  de  cláusula  contratual,  o  débito  de  responsabilidade  da  vendedora Sky Dust, no valor de R$ 3.612.183,72, passou a ser de responsabilidade do aludido  senhor;  14 – Sujeição Passiva Solidária – Limites Temporais  Fl. 16313DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 47          29 Argumentam que a responsabilidade solidária deve ser  limitada aos anos de  2006,  2007,  2008  e  2009  e  que  qualquer  patrimônio  adquirido  antes  desses  anos  deve  ser  excluído dos ônus inerentes e de eventual arrolamento. Também argumentam que, no máximo,  a responsabilidade tributária solidária deve ser limitada ao real benefício econômico auferido  pelo responsável solidário, em atenção ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, e  não sobre a totalidade da exigência fiscal.  15 – Presunção de lançamento – Inexistência de Fato Gerador  Sob  o  título  acima  (fls.  14.002/14.006,  reproduzem  integralmente  as  alegações vertidas sob o mesmo título na impugnação original (fls. 8.768/8.772);  16 – Apuração do crédito tributário – Ausência de critério  Classificam de injustos os critérios adotados no lançamento, afirmando que o  total de receitas foi imputado à BS COLWAY, mas não foram considerados créditos adicionais  em  decorrência  do  pagamento  de  tributos  de  outras  pessoas  jurídicas  que  fazem  parte  do  processo,  mas  não  foram  eleitas  como  responsáveis  solidárias,  tais  como  BS  Franquias,  Mississipi, IBS etc. Também afirmam os prejuízos fiscais acumulados não foram compensados  para fins de apuração do IRPJ, e que a base negativa da CSLL não reduziu a base positiva do  mesmo tributo nos períodos subsequentes;  17 – Da Inexistência da Multa ou sua Redução  Reiteram argumentação vertida na impugnação da autuada;  18 – Da necessidade da realização de prova pericial Reiteram argumentação  vertida na impugnação da autuada;  Ao  final,  requerem  a  realização  de  perícia,  nomeando  o  mesmo  perito  já  indicado na impugnação original, e declinando os quesitos que pretendem ver respondidos.  Foram juntados os documentos de fls. 14.019/14.437.  Em 08/01/2013, a  totalidade dos  interessados apresentaram a petição de  fls.  14.441/14.458,  resumindo  e  reiterando  os  pontos  que  consideram  mais  relevantes  das  impugnações apresentadas, as quais, segundo afirma, “devem ser apreciadas em conjunto com  a presente petição para fins de julgamento pela 1ª Turma de Julgamento de Curitiba, sob pena  de nulidade.”  A DRF/CURITIBA através do Acórdão 06­40.094, de 04/04/2013 decidiu a  matéria, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2007, 2008, 2009  CIÊNCIA  PESSOAL  OBSTADA.  VALIDADE  DE  CIÊNCIA  POR  EDITAL.  É hígida  intimação por edital quando os  representantes  legais da autuada se  recusam  a  receber  os  autuantes  para  ciência  pessoal  e,  também  recusam  o  recebimento de correspondência contendo os autos de lançamento.  Fl. 16314DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     30 ALEGAÇÃO DE VIAGEM. IRRELEVÂNCIA.  Tendo  os  autuantes  comparecido  à  empresa  no  dia  09/12/2011  para  dar  ciência  do  lançamento,  é  irrelevante  a  alegação  de  que  um  dos  administradores iria viajar dez dias depois, no dia 19/12/2011.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DESNECESSIDADE  DE  MENÇÃO AOS TRIBUTOS REFLEXOS.  Na hipótese em que infrações apuradas em relação a tributo ou contribuição  contido  no  MPFF  ou  no  MPFE,  também  configurarem,  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova,  infrações  a  normas  de  outros  tributos  ou  contribuições,  estes  serão  considerados  incluídos  no  procedimento  de  fiscalização, independentemente de menção expressa.  DECADÊNCIA.  MEDIDA  PREPARATÓRIA  INDISPENSÁVEL  AO  LANÇAMENTO.  Por  força  do  parágrafo  único  do  art.  173  do  CTN,  a  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento  constitui  o  termo  de  início  do  lustro  decadencial, desde que até essa data não  tenha ainda ocorrido a decadência  contada pela regra do caput e incisos do mesmo artigo.  ESQUEMA DE SONEGAÇÃO CONSTATADO. MODUS OPERANDI.  Constitui mecanismo de evasão tributária perpetrado por grupo empresarial o  artifício pelo qual a empresa operacional  (BS COLWAY) vende produtos a  seus  clientes  e  estes,  em  vez  de  lhe  pagar  diretamente  o  preço  respectivo,  efetua  o  pagamento  a  outra  empresa  do  grupo,  uma  factoring  de  fachada  (MISSISSIPI),  de  forma  fatiada,  em  benefício  de  diversas  empresas/entidades/fundos pertencentes ao grupo. Esse esquema se evidencia  perfeitamente  em  uma,  dentre  as  diversas  modalidades  de  operações  utilizadas, na qual o preço total era pago fatiado da seguinte forma: a) 50%  do preço em favor de BS Franquias; b) 5% do preço em favor das associações  ABIP  ou  ABIPEC;  c)  15%  do  preço  em  favor  de  Fundo  para  Ações  de  Propaganda Corporativa; d) 10% do preço em favor de Fundo de Custeio de  Transportes;  e)  5%  do  preço  em  favor  de  Fundo  para  Contingências  Jurídico/Tributárias; e  f) 15% do preço para a entidade Instituto Bom Aluno  do  Brasil.  O  emprego  de  tais  artifícios  evidencia  simulação  nas  causas  jurídicas  dos  pagamentos,  consubstanciada  na  emissão  de  documentos  ideologicamente  falsos,  e  também  o  conluio  entre  a)  a  pessoa  jurídica  que  vende os produtos, b) a pessoa  jurídica que  recebe os valores  (factoring de  fachada), c) as pessoas jurídicas do próprio grupo que emitem os documentos  que  intentam  dar  causa  aos  recebimentos,  e  d)  também  os  clientes,  que  eventualmente  assinam  contratos  ideologicamente  falsos  e  efetuam  o  pagamento fatiado, em algumas vezes simulando doações, estando cientes de  que o preço integral se refere aos produtos adquiridos.  RECEBIMENTO DAS RECEITAS DO EMPREENDIMENTO, POR MEIO  DE  EMPRESA  DE  FACTORING  DO  MESMO  GRUPO  ECONÔMICO,  FATIADAS  COMO  SE  FOSSEM  PAGAMENTOS  A  OUTRAS  EMPRESAS, FUNDOS CONTÁBEIS E ENTIDADES IMUNES/ISENTAS  DO GRUPO. ARTIFÍCIO DOLOSO. MULTA QUALIFICADA.  Constitui  artifício  doloso  determinante  da  imposição  de  multa  de  ofício  qualificada a prática de vender os produtos e receber o preço respectivo não  diretamente  e  contra  nota  fiscal  emitida  pelo  próprio  vendedor,  e  sim  por  Fl. 16315DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 48          31 meio de uma empresa de  factoring de fachada do próprio grupo e de forma  fatiada,  com  pagamentos  feitos  em  benefício  de  outras  empresas,  fundos  contábeis  e  entidades  isentas/imunes  criadas  pelos  proprietários  do  empreendimento.  FACTORING. COMPROVAÇÃO DAS ATIVIDADES.  A mera apresentação de contratos prevendo a realização futura de operações  de  factoring não comprova que estas ocorreram.  Incumbe ao  interessado na  comprovação  da  efetividade  das  alegadas  operações  da  espécie  a  apresentação  de  toda  a  documentação  relativa  à  negociação  dos  recebíveis  transacionados,  com ênfase  para  aqueles  previstos  na Resolução  nº  013,  de  2005, do Conselho de Atividades Financeiras COAF.  RECEBIMENTO  DE  DOAÇÕES  POR  MEIO  DE  FACTORING.  ILOGICIDADE DA ALEGAÇÃO.  Não merece  acolhida,  por  ilógica  e  carente  de  comprovação  documental,  a  alegação  de  que  empresa  de  factoring  teria  negociado  com  entidades  imunes/isentas  recebíveis  relativos  a  doações  voluntárias  que  lhes  seriam  feitas.  VALORES  RECEBIDOS  POR  EMPRESA  DE  FACTORING  A  TÍTULO  DE CONTRIBUIÇÕES PARA FUNDOS CONTÁBEIS.  Constituem  omissão  óbvia  de  receita  os  valores  recebidos  por  empresa  de  factoring  em  nome  de  fundos  contábeis,  Fundo  para  ações  de  propaganda  corporativa,  Fundo  de  Custeio  de  Transporte,  Fundo  para  Contingências  Jurídico Tributárias, que não foram reconhecidos como receitas nem por ela  própria e nem por qualquer outra pessoa jurídica.  RECEITAS  ATRIBUÍDAS  A  EMPRESA  FRANQUEADORA  E  QUESTIONADAS PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  Tendo  determinada  empresa  de  factoring  de  fachada  recebido  valores  questionados pela fiscalização, que atribui a outra empresa do mesmo grupo  econômico, dedicada à atividade de franquias, cumpre a cabal comprovação  de  dois  fatos:  1º)  que  houve  a  efetiva  prestação  dos  serviços  de  franquias,  objetos  dos  pagamentos;  e  2º)  que  a  empresa  franqueadora  lhe  vendeu  os  recebíveis  respectivos,  propiciando  assim  que  recebesse  em  seu  nome  os  valores  questionados.  A  mera  apresentação  de  contratos  estabelecendo  teóricos vínculos de franquias não comprovam que se estabeleceu de fato a  relação  de  franquia,  e  que  os  pagamentos  feitos  se  referem  a  serviços  efetivamente  prestados, mormente  quando o  conjunto  das  evidências  indica  que  a  empresa  franqueadora  foi  utilizada  apenas  como  instrumento  em  esquema de evasão tributária.  RECEITA OMITIDA. ALEGAÇÃO DE TRATAR­SE DE RECEITAS DE  OUTRAS EMPRESAS.  Tratando­se de sonegação perpetrada com utilização de empresa de factoring  de fachada, não prevalece a alegação de que parte dos valores recebidos por  meio desta se refere a  receitas de outras empresas do grupo com atividades  efetivas aluguel de imóveis e táxi aéreo, quando resta comprovado que todas  Fl. 16316DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     32 as  receitas  dessas  atividades  foram  recebidas  diretamente  pelas  empresas  respectivas, sem transitar pela factoring de fachada.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  LIMITAÇÃO  AOS  BENS  ADQUIRIDOS PELOS SOLIDÁRIOS APÓS OS FATOS GERADORES.  Com  respeito  ao  exame  da  sujeição  passiva  solidária,  a  competência  do  julgador  administrativo  consiste  em  examinar  se,  em  face  dos  elementos  objetivos  em  confronto  com  a  legislação,  terceiros  devem  responder  pelos  débitos  questionados.  O  julgador  administrativo  carece  de  competência  e  tampouco seria oportuno determinar quais bens componentes dos patrimônios  dos  responsáveis  poderão  ou  não  ser  excluídos  em  futura  ação  que  eventualmente seja promovida pela Fazenda Nacional.  PERÍCIA DESNECESSÁRIA. INVIABILIDADE.  Versando o contraditório sobre a efetividade de fatos cuja efetiva ocorrência  acarreta  necessariamente  vultoso  conjunto  de  documentos  probatórios,  e  tendo  sido  realizada  diligência  especificamente  para  que  os  interessados  apresentassem tais documentos, sem que o fizessem, não se defere a perícia  requerida, por desnecessária, mormente porque a efetividade dos fatos pode  ser  constatada  por  qualquer  pessoa  desprovida  de  conhecimentos  especializados.  É o relatório.  Fl. 16317DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 49          33     Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  Os  recursos  voluntários  apresentados  (da  empresa  autuada  e  responsáveis  solidários)  são  tempestivos  e  assentes  em  lei.  Deles  conheço  e  passo  a  examiná­los  conjuntamente  por  matéria,  pois,  no  caso,  repisam  as  mesmas  alegações  iniciais  (impugnações), respaldando­se nas mesmas contestações e argumentações, aduzindo variações  com relação ao quanto decidido em primeira instância.  Do extenso relatório sintetizo os  fatos extraindo do Termo de Verificação e  Encerramento de Procedimento Fiscal  (TVEPF) o  registro preciso do quanto constatado pela  fiscalização, in verbis:  “4. Em resumo, a Fiscalização constatou que a BS COLWAY utilizou­se de  outro  CNPJ  pertencente  aos  mesmos  sócios  proprietários  para  centralizar  o  faturamento e os recebimentos de vendas da BS COLWAY, diluindo as receitas da  BS COLWAY entre diversos CNPJ fantasma, deslocando a base tributável de forma  a reduzir drasticamente, mediante fraude e simulação, a  imposição  tributária a que  esteve sujeita.  5. Verificou­se que no CNPJ da empresa fantasma denominada MISSISSIPI  funciona  em  paralelo  a  contabilidade  da  BS  COLWAY  como  um  todo,  contendo  todos os registros de vendas de produtos e mercadorias da BS COLWAY, bem como  o controle de repasses de valores da BS COLWAY diretamente a outros CNPJ dos  mesmos  sócios  proprietários,  com  o  objetivo  de  evasão  fiscal  e  distribuição  de  valores aos sócios pessoas físicas da BS COLWAY, e a seus familiares.  6. Verificou­se também que alguns destes CNPJ beneficiários de remessas de  valores,  ou  de  créditos  a  receber,  são  entidades  autodenominadas  “imunes”  (IBS,  IBAB,  ABIP/ABIPEC)  e  eventualmente  na  roupagem  de  OSCIP  sem  contudo  cumprirem os requisitos legais mínimos para tais enquadramentos ­ associações e/ou  OSCIP.  7. Comparando o total de receitas contabilizadas na MISSISSIPI com a soma  das receitas declaradas em cada um dos demais CNPJ, apurou­se R$ 516 milhões de  receitas nos AC 2006 a 2009, com supressão fraudulenta de mais de R$ 154 milhões  sonegados em IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (principal, multa e juros).  8.  A  seguir,  quadro  resumo  contendo  as  receitas  contabilizadas  na  BS  COLWAY  (“A”),  nos  demais  CNPJ  utilizados  pela  BS  COLWAY  (“B”),  e  as  receitas  não  contabilizadas  na  BS  COLWAY  mas  controladas  no  CNPJ  da  MISSISSIPI (“A” + “B” + “D”), sendo que a coluna “D” apresenta a diferença não  contabilizada como receita em qualquer um dos CNPJ do esquema. No período, o  montante de receitas não oferecidos à tributação na BS COLWAY eqüivale à soma  das colunas “B” e “D”, ou cerca de R$ 340 milhões. O total da coluna “E” confere  com  os  subtotais  mensais  de  receitas  totais  apuradas  conforme  razão  do  grupo  210118 da contabilidade da MISSISSIPI:  Fl. 16318DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     34 (...)  9. O presente Termo de Verificação acompanha Autos de  Infração do  IRPJ,  CSLL, PIS e COFINS dos AC 2006 a 2009,  lavrados em face da BS COLWAY e  seus responsáveis solidários, no total de R$ 154 milhões ­ valor principal, multa de  ofício qualificada de 150% e juros legais.  10. Eis o resumo dos fatos apurados pela Fiscalização:  a)  a  BS  COLWAY  utilizou­se  de  um  CNPJ  alcunhado  “MISSISSIPI”  para  contabilidade paralela, omissão de receitas e controle de recebimentos de clientes e  de pagamentos a fornecedores e pessoas ligadas;  b) a BS COLWAY utilizou­se de diversos CNPJ para diluição de receitas da  BS  COLWAY  e  para  distribuição  de  lucros  aos  sócios  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN FILHO, e pessoas ligadas a estes;  c)  a  BS  COLWAY  utilizou­se  de  alguns  CNPJ  indevidamente  declarados  “imunes”  ou  “associações”  para  sonegar  tributos  e  contribuições  de  atividade  econômica completamente dissociada de objetivos sociais de OSCIP e Associações;  d) a receita diluída e omitida pertence toda ela à atividade econômica da BS  COLWAY, sendo esta o contribuinte identificada e autuada;  e) a autuação fiscal se dá mediante Autos de Infração com multa qualificada  de 150% por fraude e simulação;  f) os sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN  FILHO são  responsáveis  solidários pelo  crédito  tributário por  interesse  comum na  situação e por fraude à lei;  g)  as  pessoas  jurídicas  de  BS  EMPREENDIMENTOS,  VIP  JET,  TRINCHETTE, CHÁCARA SUÍÇA, PORTAL DO AEROPORTO e PORTAL DO  PORTO, qualificadas neste Termo em apartado próprio, são responsáveis solidários  pelo  crédito  tributário  por  interesse  comum  na  situação  que  deu  origem  às  autuações;  h)  o  patrimônio  acumulado  nestas  pessoas  jurídicas  acima  mencionadas,  é  patrimônio da BS COLWAY, pois advindo da atividade econômica desta, e i) para  garantia do crédito  tributário são arrolados os bens do contribuinte e  responsáveis,  bens  estes  sujeitos  a  registro,  sem prejuízo  de  que  a Fazenda Nacional  perquira  a  existência  de  outros  bens,  sujeitos  ou  não  a  registro,  suficientes  à  satisfação  da  exigência tributária.”  Passo a análise na mesma seqüência dos recursos apresentados.  II. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA.  Extrai­se do voto recorrido os seguintes excertos:  Conforme se vê nos Termos de Informação Fiscal nº 011 a 19/2011 (fls. 8.692  e seguintes), lavrados em 12 de dezembro de 2011 – e cujas assertivas não foram  contestadas pelos impugnantes, os autuantes compareceram ao domicílio tributário  do  grupo  empresarial  BS  COLWAY  no  dia  09/12/2011,  às  16:00  horas,  para  cientificar seus representantes legais e responsáveis tributários do lançamento. Dada  a ausência dos representantes legais, foram recebidos pelo Sr. Alexandre Freitas que,  apesar de se atribuir a condição de procurador, declarou­se incompetente para tomar  ciência  do  lançamento  e  prontificou­se  a  entrar  em  contato  com  as  pessoas  competentes. Também se prontificou a entrar em contato com a fiscalização até as  Fl. 16319DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 50          35 12:00  horas  do  dia  12/12/2011,  caso  conseguisse  agendar  o  encontro  para  que  a  ciência se efetivasse.  Entretanto,  como  os  representantes  legais  da  fiscalizada  não  deram  retorno  aos autuantes no dia e hora marcados para agendar a ciência pessoal dos autos de  infração,  estes  consideraram  improfícua  a  intimação  pessoal,  de  sorte  que  solicitaram e seus superiores autorizaram a realização da intimação por editais, que  foram afixados no período de 13 a 28 de dezembro de 2011, conforme se vê às fls.  8.719 e seguintes.  A  impugnante  suscita  a  nulidade  da  intimação  feita  por  essa  via,  argumentando que o Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto estava ausente do país no  período  de  19  de  dezembro  de  2011  a  14  de  janeiro  de  2012,  conforme  comprovantes de fls. 8.860/8.864.  A matéria  é disciplinada pelo  art.  23  do Decreto  nº  70.235,  de 1972,  cujos  dispositivos de interesse direto ao deslinde desse litígio são transcritos abaixo.  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento  ou  por  agente  do  órgão  preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa, com declaração escrita de quem o intimar;  II por via postal,  telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;  III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  (...)  §  1o  Quando  resultar  improfícuo  um  dos  meios  previstos  no  caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição  declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser  feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009, sem alteração de conteúdo)  (...)  II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado  da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)  (...)  § 2° Considera­se feita a intimação:  (...)  IV  15  (quinze)  dias  após  a  publicação  do  edital,  se  este  for  o  meio utilizado.  §  3o  Os  meios  de  intimação  previstos  nos  incisos  do  caput  deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.  § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo:  Fl. 16320DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     36 I  o  endereço  postal  por  ele  fornecido,  para  fins  cadastrais,  à  administração tributária;  O recorrente alega que o insucesso de uma ou duas tentativas pela via postal  ou pessoal não legitima a adoção da intimação editalícia, além do que a  lavratura do auto de  infração ocorreu após a afixação do edital.  Ocorre  que  a  Lei  n.°  11.196/2005,  ao  mudar  a  redação  do  artigo  23  do  Decreto  n.°  70.235/1972,  trouxe  importante  alteração  em  relação  ao  requisito  para  o  uso  da  intimação por edital.  Anteriormente, na vigência da redação original do artigo 23, o uso do edital  demandava, da autoridade fiscal, a tentativa da intimação por todos os meios ordinários então  disponíveis  (que  eram  dois:  as  intimações  pessoal  e  por  via  postal). Contudo,  a  referida  lei,  além de criar um terceiro meio de intimação ordinária (por via eletrônica), passou a permitir à  autoridade fiscal o uso da intimação por edital depois da demonstração de que foi improfícua a  tentativa de intimação por apenas um dos meios ordinários.  Ressalte­se que o fato do processo digital ter sido digitalizado e autenticado  após a afixação do edital, não macula o processo administrativo, pois não houve alteração em  seu conteúdo, apenas alterando sua forma, de físico para digital.  Por  fim, o  fato da autuada  ter apresentado  impugnação e  recurso voluntário  com mais de 100 (cem) páginas e mais de uma dezena de tópicos demonstra ter plena ciência e  compreensão dos fatos, o que resta evidente que não sofreu qualquer prejuízo em sua defesa.  Neste  passo,  não  há  reparo  a  ser  feito  em  relação  à  notificação  que  foi  realizada por edital.  III.  AUSÊNCIA  DA  CSLL  NO  MPF.  NULIDADE  DO  TERMO  DE  INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – ART. 59, DO DECRETO 70.235/1972  Aqui  a  alegação  é  que  no  MPF  original  não  havia  autorização  para  fiscalização da CSLL.  Neste ponto reforçamos que nos termos do art. 8º da Portaria RFB nº 11.371,  de 12/12/2007, em redação similar ao art. 8 da Portaria RFB n 3.014, de 29/06/2011, dispõe  que na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no  MPF­F  ou  no  MPF­E,  também  configurarem,  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova,  infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no  procedimento  de  fiscalização,  independentemente  de  menção  expressa.  Além  do  que,  a  jurisprudência pacífica do CARF entende que o MPF é ato interno de controle da fiscalização,  em nada maculando o lançamento realizado com base nele.  IV.  O  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  NULIDADE  DO  JULGAMENTO PELA DRJ/CURITIBA (PR)  Neste  tópico,  após  longo  arrazoado,  a  ora  recorrente  aduz  que  “Enfim,  considerando  que  o  objetivo  do  processo  administrativo  fiscal  nada  mais  é  do  que  autocontrole  (evitar  ilegalidades)  dos  atos  administrativos,  o  julgamento  no  processo  em  questão é absolutamente nulo, no momento em que deixa de analisar parte dos argumentos e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  sob  a  alegação  de  que  não  teria  essa  competência,  em  flagrante  desrespeito  ao  contraditório,  ampla  defesa  e  devido  processo  legal.”  Fl. 16321DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 51          37 Quanto  à  nulidade  por  falta  de  enfrentamento  de  todos  os  argumentos  veiculados na defesa, é tese que também não merece sucesso.  É que, consoante  jurisprudência assente nos  tribunais  superiores, o  julgador  não  é  obrigado  a  se  manifestar  sobre  todas  as  alegações  das  partes,  nem  a  se  ater  aos  fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já  encontrou  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão,  o  que  de  fato  ocorreu  no  caso  presente.  Nesse sentido:  O  Tribunal  de  origem  não  precisaria  refutar,  um  a  um,  todos  os  argumentos  elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas.  Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa,  as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente  apreciadas.  É  cediço,  no  STJ,  que  o  juiz  não  fica  obrigado  a  manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes,  nem  a  ater­se  aos  fundamentos  indicados  por  elas  ou  a  responder,  um  a  um,  a  todos  os  seus  argumentos,  quando  já  encontrou  motivo  suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.  Ressalte­se, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das  provas,  da  jurisprudência,  dos  aspectos  pertinentes  ao  tema  e  da  legislação  que  entender  aplicável  ao  caso  concreto.  Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art.  131.  O  juiz  apreciará  livremente  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na  sentença,  os  motivos  que  lhe  formaram  o  convencimento."  (AgRg  no  Resp.  nº  1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010).  Ou ainda:  "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já  tiver  encontrado  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão,  nem  é  obrigado a ater­se aos fundamentos por elas  indicados "  (REsp 684.311/RS,  Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006).  Portanto,  descabe  a  alegação  de  nulidade  pelo  fato  do  órgão  recorrido  supostamente não  ter  enfrentado  todas  as  alegações  apresentadas pelo  sujeito passivo na  sua  defesa.  V.  NULIDADE  DO  INDEFERIMENTO  DO  PEDIDO  DE  PROVA  PERICIAL. NECESSIDADE DA REALIZAÇÃO DA REFERIDA PROVA  Relativamente  à  alegação  do  cerceamento  do  direito  de  defesa  devido  ao  indeferimento do pedido de perícia pela DRJ, cabe dizer que no processo administrativo fiscal,  vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao  julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua  convicção, deferindo as diligências e perícias que entender necessárias ou indeferi­las, quando  prescindíveis ou impraticáveis.  Fl. 16322DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     38 Nos expressos  termos do citado art. 18 (redação dada pelo art. 1º da Lei n°  8.748/1993) o pedido de  realização de perícia/diligência deve ser analisado se  é considerado  imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, verbis:  Art.  18  ­  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessária,  indeferindo  as  que  considerarem  prescindíveis  ou  impraticável, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.  Como se percebe, o dispositivo consagra a idéia de que a prova produzida por  meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o  convencimento da  autoridade  julgadora,  que pode  ter a necessidade,  em  face da presença de  questões de difícil deslinde, de municiar­se de mais elementos de prova. Os termos da norma  “quando  entendê­las  necessária,  indeferindo  as  que  considerarem  prescindíveis  ou  impraticável”  estão  claramente  dirigidos  à  autoridade  julgadora,  que,  apenas  e  tão  somente  quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará.  A  perícia,  no  caso  em  exame,  é  absolutamente  prescindível  e  não  existe  nenhuma justificativa para sua realização, mesmo porque, o ônus da prova é do contribuinte,  que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase  impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu  a contento.  A DRJ se pronunciou pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos:  Tendo  em  vista  que  a  impugnante  afirmou  que  a  análise  de  toda  a  documentação fiscal e contábil permitiria chegar à conclusão de que a MISSISSIPI  nada mais  fez  do  que  administrar  recebíveis,  tal  qual  prevê  seu  objeto  social,  foi  determinada a realização de diligência para que lhe fosse dada a oportunidade de  apresentar  a  documentação  capaz  de  fazer  tal  comprovação.  Contudo,  a  impugnante nada apresentou.  Ora,  trata­se  apenas  de  apurar  a  efetiva  ocorrência  de  determinado  fato  alegado, o que pode perfeitamente ser feito pelos auditores fiscais encarregados da  diligência  –  inclusive  com  o  diligente  auxílio  de  profissionais  contratados  pelos  impugnantes e pelos membros deste Colegiado. Não existem aspectos técnicos nessa  apuração  que  demande  conhecimentos  especializados  de  peritos.  Não  existe  portanto, a necessidade de realização de perícia. Tomo por exemplo os pagamentos  que a pessoa jurídica Jamilson Palmeira fez à MISSISSIPI no dia 20/05/2008, cujos  comprovantes  se  encontram  acostados  às  fls.  2.2242.229,  sendo:  uma  nota  fiscal  emitida  por  BS  Franquias,  relativa  a  Royalties;  um  recibo  de  contribuição  para  a  ABIPEC  (Associação  Brasileira  dos  Importadores  de  pneus  Chineses);  um  recibo  “correspondente  ao  valor  destinado  à  constituição  de  um  ‘Fundo  para  Ações  de  Propaganda  Corporativa’;  um  recibo  “correspondente  ao  valor  destinado  à  constituição de um ‘Fundo de Custeio de Transportes’; um recibo “correspondente  ao  valor  destinado  à  constituição  de  um  ‘Fundo  para  Contingências  Jurídico/Tributárias’;  e  um  recibo “referente  à  doação  para  aplicação  social  no  Projeto Bom Aluno, conforme desejo exarado pelo Doador”.  Em  qualquer  empresa  de  factoring  que  se  vá,  será  possível  resgatar  a  documentação  relativa  a  todos  os  valores  que  recebeu,  provenientes  de  recebíveis  que tenha adquirido de terceiros, seus clientes. E caso a Mississipi fosse mesmo uma  empresa  que  tivesse  efetivamente  realizado  operações  da  espécie,  disporia  dos  mesmos  documentos,  até  porque  a  existência  destes  é  prevista  nos  contratos  das  operações simuladas que trouxe aos autos.  Fl. 16323DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 52          39 Pois  bem. Bastaria  que  a  impugnante  demonstrasse  que  esses  recebimentos  materializaram operação de factoring. E essa singela demonstração poderia ser feita  pela  simples  exibição  dos  documentos  inerentes  às  operações  da  espécie.  Não  envolve qualquer aspecto técnico que clame por conhecimentos específicos.  A perícia é absolutamente prescindível e não existe nenhuma justificativa para  sua realização, devendo, portanto, ser indeferida.  A  título  exemplificativo  destaco  recentes  ementas  dos  seguintes  acórdãos  com o mesmo entendimento, nesta parte:  Acórdão 1101­001.015 (Sessão de 04/12/2013)  NULIDADE.  Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo  proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a  alegação de nulidade.  NULIDADE.  INDEFERIMENTO  DO  PEDIDO  DE  PERÍCIA.  AUSÊNCIA  DE  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos  autos  do  processo  são  suficientes  para  formar  a  convicção  do  julgador.  O  indeferimento  de  pedido  de  perícia,  que  tenha  por  objetivo  a  demonstração  de  elementos,  cujo  ônus  da  prova  é  do  contribuinte,  não  pode  ser  tomado  como  cerceamento do direito de defesa.  Acórdão nº 1801­001.680 (Sessão de 08/10/2013)  NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.  Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com  as exigências  legais  impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto  ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário  Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.  NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA.  Não  resta  caracterizado  o  cerceamento  de  defesa,  causa  de  nulidade  processual,  quando  constata­se  que  o  contribuinte  defendeu­se  amplamente  dos  fatos  e  infrações  contra  si  impostas,  não  sofrendo  prejuízo  ou  restrição  ao  exercício  do  contraditório e da ampla defesa.  Portanto, a  turma  julgadora decidindo pela dispensa da perícia, não  implica  em nulidade.  Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula nos autos de  infração lavrados.  No  mais,  o  agir  da  autoridade  fiscal  se  deu  no  desempenho  das  funções  estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e  legais dirigidas aos contribuintes.  VI.  DECADÊNCIA.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  E  MULTA QUALIFICADA (150%)  Neste  tópico  a defesa  centra­se  nos  termos  da homologação  do  lançamento  pelo disposto no art. 150 e seus parágrafos,  ressaltando “que o CTN  também fixa o prazo de  Fl. 16324DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     40 cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a decadência do direito que tem a  autoridade  administrativa  de  homologar  o  pagamento  antecipado.  Expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  tenha  se  pronunciado  é  que  ocorrerá  a  extinção  efetiva  do  credito  tributário  através  do  pagamento  efetuado  pelo  sujeito  passivo,  mediante  a  homologação  tácita.”  Aduz  que,  é  o  caso  em  questão  para  o  lançamento  complementar,  pois  os  auditores fiscais iniciaram o NOVO procedimento fiscal, através de um TERMO DE INICIO  DE FISCALIZAÇÃO lavrado na data de 26/06/2012, em decorrência a Receita Federal perdeu  o direito de constituir eventual crédito tributário no período anterior à data de 06/12/2007, eis  que  expirou  o  prazo  qüinqüenal,  (data  da  ciência  do  novo  auto  de  infração  06/12/2012),  ocorrendo,  desta  forma,  a  homologação  tácita  dos  pagamentos  efetuados.  Colaciona  jurisprudência do STJ neste sentido.  Conclui seu arrazoado com a seguinte alegação: “Ademais, não se alegue que  o  termo  de  inicio  de  procedimento  fiscal  teria  o  condão  de  suspender  a  fruição  do  prazo  acima, isto porque a duração do processo “investigativo” extrapolou todos os limites legais,  bem como o princípio da razoabilidade.”  Do voto condutor ora recorrido cabe aqui transcrever o seguinte fragmento:  “A alegação até poderia apresentar relevância, caso o Fisco tivesse levantado  fatos  novos  e  feito  lançamento  relativo  a  novas  infrações,  novas  receitas,  etc.,  distintas daquelas que haviam sido objeto da fiscalização e do lançamento original, o  que não ocorreu. Simplesmente agravou o lançamento relativo aos mesmos fatos, às  mesmas  receitas  e  infrações,  cujo  prazo  decadencial  havia  se  reiniciado  com  a  ciência do primeiro Termo de Início de Fiscalização.”  Com relação a decadência do segundo lançamento entendo que a  reabertura  do  prazo  de  impugnação  para  o  contribuinte  manifestar­se  sobre  fatos  e  documentos  que  deveriam  fazer parte dos  autos  (originais),  haja vista que deram suporte  ao  lançamento, mas  somente  vieram  aos  autos  por  ocasião  da  diligencia  determinada  pela  DRJ,  evidencia  a  necessidade de aperfeiçoamento/saneamento do procedimento  fiscal. Uma vez que a conduta  dolosa  do  contribuinte  comprovadamente  encontra­se  no  campo  da  fraude  e  simulação,  a  contagem  do  prazo  decadencial  para  a  exigência  complementar  de  tributos  e  contribuições  rege­se pelo inciso I, do artigo 173, do CTN, cuja redação é a seguinte:.   “Art.  173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I – [...]  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.” (negritei)  Nesta linha, releva em primeiro lugar, conferir se, no caso, aplica­se a regra  especial da decadência do art. 150, do CTN (ocorrência do fato gerador) ou, a do art. 173, I, do  mesmo Código (dolo, fraude ou simulação).  Para  tanto,  valho­me,  exemplificarmente,  de  excertos  do  robusto  e  bem  elaborado TVEF que demonstra a sistemática de omissão de receitas, diluição de faturamento e  distribuição de lucros da BS COLWAY nos AC 2006 a 2009.  Fl. 16325DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 53          41 Esta diluição ou pulverização de receitas da BS COLWAY foi levada a cabo  pela BS COLWAY utilizando­se de:  a) Vendas subfaturadas na BS COLWAY mediante emissão de Nota Fiscal de  Venda  de  pneus  remoldados  ou  novos  pela  BS  COLWAY  e/ou  INSTITUTO  BS  COLWAY,  b) Recibos e Notas Fiscais complementares do preço de transação na venda de  pneus,  emitidas  em  nome  de  outros  CNPJ,  a  título  de  "doações",  "prestação  de  serviços" ou contribuição para "fundos" administrados pela MISSISIPI;  c)  um  CNPJ  para  operar  especificamente  como  "caixa  e  bancos"  da  BS  COLWAY sob o falso manto de "factoring" ou "financeira" (MISSISSIPI),  d)  outro  CNPJ  como  repositório  de  ativo  imobilizado  (BS  EMPREENDIMENTOS),  e)  contabilidade  paralela  em  nome  de  MISSISSIPI,  CNPJ 07.093.216/0001­98, para controlar os  recebimentos mediante comprovantes  (notas e recibos) apresentados a seus clientes.  Até aqui não haveria problema, isto é, não haveria reflexo tributário se:  a) a BS COLWAY não subfaturasse as suas vendas mediante a cobrança de  parte  de  sua  receita  em  nome  de  "outras"  empresas  e  entidades  umbilicalmente  ligadas à própria BS COLWAY;  b) a MISSISSIPI, por sua vez, não passasse a reter em seu CNPJ os recursos  financeiros  da  BS  COLWAY  e,  em  seguida,  o  distribuísse  entre  outros  CNPJ  ou  empresas  de  fachada  com  sede  no  mesmo  endereço  da  empresa  principal  (a  BS  COLWAY),  a  fim  de,  diluindo  as  receitas  da  BS  COLWAY  entre  outros  CNPJ,  sonegar tributos.  Com este subfaturamento e omissão de receitas na BS COLWAY mediante  o  deslocamento  de  recebimentos  para  a  MISSISSIPI  (conforme  demonstrado  em  fluxograma anterior), a BS COLWAY:  a) reduziu o seu montante de receitas tributáveis porém manteve seus custos,  reduzindo assim a sua margem e reduzindo ou mesmo eliminando o lucro tributável,  e acumulando prejuízos artificiais;  b)  ofereceu  à  tributação  pelo  lucro  presumido  parte  da  receita  omitida,  por  meio de outros CNPJ, e  c)  não  ofereceu  à  tributação  o  montante  restante  das  receitas  deslocadas  alegando tratar­se de fundos para contingências diversas bem como contribuições a  algumas OSCIP.  ...  Cabe  aqui  um  destaque  especial  ao  "cliente"  TOP  EAGLE,  de  propriedade  dos Srs. FRANCISCO SIMEAO RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN FILHO.  O  Sr.  FRANCISCO/SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  declarou  remessa  de  US$11.440.000,00  às  Ilhas  Virgens  Britânicas  para  aumento  de  capital  social  da  TOP  EAGLE.  A  remessa  foi  efetuada  ao  câmbio  de  R$1,78180/US$  1,00,  totalizando  de  R$20.384.100,00  no  AC  2009.  A  TOP  EAGLE,  na  realidade,  é  empresa de propriedade dos sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e  LUIZ BONACIN FILHO. Coincidentemente, na mesma localidade de Ilhas Virgens  Fl. 16326DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     42 Britânicas  (BVI)  tem  sede  a  offshore  SKY  DUST  que  é  cotista  da  BS  EMPREENDIMENTOS.  Ou  seja,  podemos  afirmar  que,  por meio  de  expediente  fraudulento  (uso  de  contabilidade  paralela  por  intermédio  do CNPJ  da MISSISSIPI),  a BS COLWAY  omitiu bases tributáveis e informações fiscais.  Portanto,  de  acordo  com  os  fatos  constatados,  relatados  e  comprovados,  a  conduta da BS COLWAY se enquadra em diversas hipóteses descritas no art. 1o. da  Lei 8.137/1990 que define crimes contra a ordem tributária , as quais grifamos:  Art.  1o  Constitui  crime  contra  a  ordem  tributária  suprimir  ou  reduzir  tributo,  ou  contribuição  social  e  qualquer  acessório,  mediante  as  seguintes  condutas:  (Vide  Lei  n°  9.964,  de  10.4.2000)  I ­ omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades  fazendárias;  II  ­  fraudar  a  fiscalização  tributária,  inserindo  elementos  inexatos,  ou  omitindo  operação  de  qualquer  natureza,  em  documento ou livro exigido pela lei fiscal;  III  ­  falsificar  ou  alterar  nota  fiscal,  fatura,  duplicata,  nota  de  venda,  ou  qualquer  outro  documento  relativo  à  operação  tributável;  IV  ­  elaborar, distribuir,  fornecer, emitir  ou utilizar documento  que saiba ou deva saber falso ou inexato;  V ­ negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal  ou  documento  equivalente,  relativa  a  venda  de  mercadoria  ou  prestação  de  serviço,  efetivamente  realizada,  ou  fornecê­la  em  desacordo com a legislação.  [...]  O  esquema  de  contabilidade  paralela  implantado  pela  BS  COLWAY  fazia  com que a  riqueza circulasse pelo patrimônio da BS COLWAY (via MISSISSIPI)  sem  passar  pelas  contas  de  resultado.  Este  modus  operandi  já  foi  amplamente  explicado no curso do presente TERMO. Conquanto, considerando a gravidade da  fraude aqui desvendada, o esforço tautológico é justificável.  Da análise  dos  autos,  verifica­se  que  o  contribuinte  dolosamente  organizou  um esquema de sonegação de tributos, omitindo receitas com o fim de pagar menos imposto de  renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária.  Enfim,  conforme  provam  os  documentos  constantes  dos  autos,  o  sujeito  passivo,  por  sua  ação  firme  e  abusiva  no  sentido  de  promover  um  esquema  de  sonegação,  omitindo  receitas,  com  o  fim  de  pagar  menos  imposto  de  renda,  conduta  que  se  insere  no  contexto de fraude à fiscalização tributária, demonstrou conduta consciente de quem procura e  obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa.  Destarte, resta caracterizado o intuito da fraude, que dá ensejo à aplicação da  multa de 150%.  Desta  forma,  com  relação a decadência,  curvo­me à  jurisprudência atual do  STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, § 4º, do CTN atrai a realização de um  Fl. 16327DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 54          43 pagamento. Na ausência desse pagamento, ou no caso de dolo, fraude ou simulação, como no  caso concreto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se também  após  5  (cinco)  anos, mas,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Mesmo porque o Regimento Interno  deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A, no Anexo  II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e  543C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela  Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010).  Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou  do  art.  173,  I,  ambos  do  CTN,  já  foi  objeto  de  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos  do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940).  O  julgamento  se  deu  em  12/08/2009  e  o  acórdão  foi  publicado  no DJe  de  18/09/2009, restando assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.  DECADÊNCIA DO  DIREITO  DE O  FISCO  CONSTITUIR  O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  Resp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais  figura a  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento de ofício,  ou nos  casos dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado  Fl. 16328DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     44 (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo disposto no artigo 173,  I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito Tributário Brasileiro", 10ª  ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In  casu,  consoante  assente  na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.  6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em  vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o  lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Posteriormente,  o  próprio  STJ  reviu  seu  posicionamento  quanto  ao  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  nos  EDcl  no  AgRG  no  Recurso  Especial  nº  674.497 – PR (2004/01099782).  Ressalto  que  o  ilustre  Ministro  Relator,  após  mencionar  expressamente  o  REsp nº 973.733, registra que “impõe­se o acolhimento dos presentes embargos de declaração,  a  fim de se adequar o decisório embargado à  jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ  sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em  26/02/2010, com a seguinte ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS  NÃO  EFETUADOS  E  NÃO  DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA.  ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes  a  fatos  geradores ocorridos em dezembro de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada  a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o  prazo  decadencial  teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000. Considerando que o auto de  infração  foi  lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  Fl. 16329DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 55          45 3.  Embargos  de  declaração  acolhidos,  com  efeitos  modificativos,  para  dar  parcial provimento ao recurso especial.  De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro  caso (REsp nº 973.733), o  termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como  sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível,  interpretação esta  que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o  posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completando­se o  fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de  1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995.  De se ver, portanto, de que forma essa jurisprudência deve ser reproduzida no  caso sob exame, em cumprimento das nóveis disposições regimentais.  No caso do presente processo, a ciência aos autos de infração primitivo deu­ se por edital publicado no dia 13/12/2011, há que se considerar que a intimação se efetivou no  dia 28/12/2011, por força da norma encartada no inciso IV do art. 23 do Decreto nº 70.235, de  1972 e, do lançamento complementar a ciência deu­s em 06/12/2012.  Logo,  aplicando  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  (para  os  casos com dolo, fraude ou simulação) e, tomando por base o AC/2006, (Lucro Real Anual), a  exação só poderia ser exigida a partir de 01/01/2007, logo o termo inicial para a contagem do  prazo decadencial de cinco anos dá­se em 01/01/2008 e encerrou­se em 31/12/2012, portanto,  não alcançado pelo instituto da decadência.  De todo o exposto, até aqui, rejeito as preliminares de nulidades suscitadas.  Quanto  ao  mérito  e  seguindo  o  disposto  nos  recursos  voluntários  apresentados  pela  autuada  em  08/01/2013  e  17/05/2013  (após  diligência)  e  documentação  anexada, passemos a análise.  Em  primeiro  lugar,  ressalte­se,  com  relação  a  documentação  acostada  aos  autos a  lei  estabelece o momento de  apresentação da prova documental,  qual  seja,  a  interposição da  impugnação, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, salvo os  casos  de  exceção  expressamente  determinados.  In  casu,  não  há  caracterização  de  nenhuma  das  exceções  do  aludido  dispositivo,  portanto  precluso  o  direito  de  produção  de  prova  documental  nesta  fase.  A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini  no  artigo  “Aspectos  Polêmicos  sobre  o  Momento  de  Apresentação  da  Prova  no  Processo  Administrativo Fiscal Federal” em “A Prova no Processo Tributário” — São Paulo: Dialética,  2010, p. 51, esclarecem:  (.) 0 devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade  material.  0  processo  requer  andamento,  desenvolvimento, marcha  e  conclusão. A  segurança e a observância das  regras previamente estabelecidas para a solução das  lides  constituem  valores  igualmente  relevantes  no  processo.  E,  neste  contexto,  o  instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal,  e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito  de ampla defesa ou com a busca pela verdade material.  0  artigo  16  do PAF,  em  seu  parágrafo  4o.,  estabelece  limitações  •  atividade  probatória  do  administrado  ao  determinar  que  a  prova  documental  deve  ser  Fl. 16330DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     46 apresentada  com  a  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua  apresentação por motivo de força maior ou referir­se a fato ou direito superveniente.  (grifou­se)  No caso, em verdade, o cerne da controvérsia tratada nestes autos envolve a  identificação da verdadeira atividade exercida pela sociedade empresarial MISSISSIPPI.  Em consonância com os fundamentos expendidos na decisão ora recorrida a  Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresenta contrarrazões, em 20/08/2013, aos recursos  voluntários,  a  qual  peço  vênia,  para,  a  meu modo,  abordá­las  como  razões  de  decidir,  pois  entendo se tratar da melhor interpretação às questões debatidas.  Ressalte­se  que  neste  tópico  não  estamos  tratando  dos  “Relatórios  de  Auditoria Específica” recentemente incluídos no processo (junho de 2014), pois, os mesmo são  analisados no final deste voto.  Neste  passo,  de  início,  reproduzo  os  seguintes  excertos  das  contrarrazões  apresentadas pela PFN:  Quanto  ao mérito,  propriamente  dito,  da  presente  autuação  destacamos  os  fatos  caracterizadores de grupo econômico “de  fato” no presente  caso,  conforme  constatado  pela  fiscalização  no  Termo  de  Início  de  Fiscalização  e  de Verificação  Fiscal (TIFVF), in verbis:  5.3. Grupo Econômico: fatos constatados durante a fiscalização  Além  da  confusão  patrimonial  e  um  volumoso  vai­e­vem  de  recursos entre os diversos CNPJ, há o compartilhamento de um  mesmo  edifício  sede,  de  mesmos  sócios,  de  mesmos  administradores,  mesmo  contador,  e  mesmo  procurador,  há  outros fatos caracterizadores da existência de grupo econômico.  Exemplos:  Fato 1: BS FRANQUIAS, “... a empresas do grupo econômico a  que pertence...”, 1a alteração do Estatuto, em set/2008 (fls. 1587,  grifamos):    Fato  2:  o  nome  do  Sr  MARCOS  TORRES  aparece  como  responsável legal em todos os Livros Registro de Empregados –  Fl. 16331DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 56          47 LRE  dos  CNPJ  envolvidos:  da  MISSISSIPI  (fls.  296  a  512)  e  demais “empresas”.  Fato  3:  denominação  contábil  utilizada  na  BS  EMPREENDIMENTOS,  à  conta  contábil  “30102010003  ­  LOCACAO  DE  IMOVEIS  ­  GRUPO”  para  registro  de  valores  recebidos  de  BS  COLWAY  e  MISSISSIPI  a  título  de  aluguéis  (vide balancete).  Fato  4:  transferências  de  empregados  entre  as  empresas  do  grupo  BS  COLWAY  conforme  LRE  da  MISSISSIPI  (fls.  296  a  512):  Na folha 235, registro de transferência Sr. CARLOS GONZAGA  DA SILVA, da MISSISSIPI para a BS FRANQUIAS em set/2008;  Idem anterior, na folha 238,  transferência de ROSANGELA DE  SOUZA;  Idem anterior, na folha 241, de RICARDO GUTERVIL;  Idem  anterior,  na  folha  356,  de  RENAN  GOUVEIA  CASAROTTO;  Idem anterior, na folha 364, de LUIZ GUSTAVO THIELE;  Idem  anterior,  na  folha  367,  de  MARCOS  TORRES  ALVES,  registrado  como  “GERENTE R.H”,  e  que  também  consta  como  responsável  em  todas  as  fichas  de  todos  os  LRE  do  grupo  BS  COLWAY;  Idem anterior, na folha 371, de VALERIA MELNIK;  Idem anterior, na folha 375, de JULIO ROQUE SOBOTA;  Idem anterior, na folha 378, de NADIA KARYNE DE SOUSA;  Na  pág.442,  transferência  de  DANIELE  MARIA  KLEIN,  do  INSTITUTO  BS  COLWAY  SOCIAL  para  a  MISSISSIPI,  em  28/02/07;  Na  folha  447,  registro  de  transferência  de  ALLYSSON  ZARPELLON,  da  MISSISSIPI  para  a  BS  FRANQUIAS  em  set/2008;  Idem anterior, na folha 454, de MARINEIA DELL ANHOL;  Idem  anterior,  na  folha  463,  de  CARLOS  ALBERTO  MAJHROVICZ;  Idem  anterior,  na  folha  466,  de  ROSE  MARIA  MACHADO  BARÃO;  Idem anterior, na folha 472, de FERNANDO FUGANTI;  Idem anterior, na folha 475, de FABIANO DE MELO DA CRUZ;  Idem anterior, na folha 481, de LUIS FELIPE TORTATO;  Fl. 16332DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     48 Em 02/09/2008, folha 502,  transferência de ADEMIR COLACO  RODRIGUES  JUNIOR,  do  INSTITUTO  BS  COLWAY  SOCIAL  para a MISSISSIPI;  Na folha 505 do LRE da MISSISSIPI, transferência de JOSIANE  LOBO BARBOSA, do INSTITUTO BS COLWAY SOCIAL para a  MISSISSIPI;  Na folha 508 ainda do mesmo LRE, transferência de CRISTIANE  ROSA  DINIZ  OGATA,  em  01/09/2008,  do  INSTITUTO  BS  COLWAY  SOCIAL  para  a  BS  FRANQUIAS,  e  depois  em  01/04/2009, de BS FRANQUIAS para a MISSISSIPI;  Finalmente, à folha 512, transferências de JENIFER BLECK DO  AMARAL, em 01/09/2008, do INSTITUTO BS COLWAY SOCIAL  para a BS FRANQUIAS,  e  em 01/09/2009, de BS FRANQUIAS  para a MISSISSIPI;  Fato 5: a denominada VIP JET teve até determinado momento,  de factu, endereço à Rodovia Dep João Leopoldo Jacomel, 4459,  Piraquara,  juntamente  aos  demais  CNPJ  do  grupo  como  se  observa  em  suas  notas  fiscais  onde,  a  carimbo,  informa­se  o  “novo endereço”(fls. 9128 a 9169).  Neste contexto,  insiste a autuada com sua alegação de o objeto social da  sociedade empresária MISSISSIPI continha suas atividades empresarias e que  os recursos que recebeu se referem a essas atividades.  Data maxima vênia, não é o que consta dos elementos constantes do Termo  de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal (TVEPF), que em múltiplos  trechos descrevem o esquema de sonegação constatado, in verbis:  53.  A  documentação  coletada  por  esta  Auditoria  Fiscal  junto  aos  clientes  circularizados  analisada  em  conjunto  com  a  contabilidade  da  BS  COLWAY  (e  demais  pessoas  jurídicas  ligadas) indica que, na venda de seus produtos e mercadorias, a  BS  COLWAY  sistematicamente  diluiu  a  contabilização  e  o  reconhecimento de suas receitas entre diversos CNPJ tais como  a  BS  FRANQUIAS  S/A,  ABIP,  INSTITUTO  BS  COLWAY  e  INSTITUTO  BOM  ALUNO  DO  BRASIL,  além  da  própria  BS  COLWAY PNEUS LTDA. As análises e verificações relacionadas  a  esta  segregação  de  receitas  encontram­se  demonstradas  no  Anexo  ­Apuração  de  Omissão  de  Receitas  da  BS  COLWAY  Grupo 2110118 ­ Créditos Clientes Diversos­.  54. Esta diluição ou pulverização de receitas da BS COLWAY foi  levada a cabo pela BS COLWAY utilizando­se de:  a)  Vendas  subfaturadas  na  BS  COLWAY mediante  emissão  de  Nota  Fiscal  de  Venda  de  pneus  remoldados  ou  novos  pela  BS  COLWAY e/ou INSTITUTO BS COLWAY;  b)  Recibos  e  Notas  Fiscais  complementares  do  preço  de  transação na venda de pneus, emitidas em nome de outros CNPJ,  a título de “doações”, “prestação de serviços” ou contribuição  para “fundos” administrados pela MISSISIPI;  Fl. 16333DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 57          49 c)  um  CNPJ  para  operar  especificamente  como  “caixa  e  bancos” da BS COLWAY  sob  o  falso manto de “factoring” ou  “financeira” (MISSISSIPI);  d)  outro  CNPJ  como  repositório  de  ativo  imobilizado  (BS  EMPREENDIMENTOS);  e)  contabilidade  paralela  em  nome  de  MISSISSIPI,  CNPJ  07.093.216/0001­98,  para  controlar  os  recebimentos  mediante  comprovantes (notas e recibos) apresentados a seus clientes.  55.  Neste  particular,  não  procedem  as  alegações  da  BS  COLWAY constantes de sua resposta datada de 04/05/2011 que  quanto  aos  critérios  utilizados  na  distribuição  de  pagamentos  recebidos  de  clientes  da  BS  COLWAY,  “...não  existe  qualquer  conotação nem critérios entre as pessoas  jurídicas citadas com  referência  à  distribuição  dos  pagamentos  recebidos  de  seus  clientes, nos anos calendário de 2006 e 2007. Por um lado, a BS  COLWAY em sua declaração acima  afirma não haver  critérios  prévios para rateio ou diluição das receitas entre vários CNPJ.  Por  outro  lado,  em  sua  contabilidade  paralela  a  BS COLWAY  afirma  e  reafirma  a  sua  disposição  de  diluir  e  ratear  receitas  entre vários CNPJ. Entre o que a BS COLWAY afirmou e o que a  BS COLWAY consumou, prevalecem os fatos: houve diluição de  receitas para viabilizar a sonegação fiscal.  56. Também não procede a alegação da BS COLWAY que “...na  medida em que  são pessoas  jurídicas  independentes,  possuindo  cada  uma  delas  naturezas  diferentes,  com  seus  “Objetivos  Sociais”  e  Administração  absolutamente  distintos.  pois  são  pessoas  jurídicas  distintas  na  forma  mas  não  são  distintas  em  sua essência. O “objetivo social” de cada uma é alegadamente  específico,  e  cada  uma  com  CNPJ  próprio  mas,  a  essência,  o  objeto  fático  e objetivo  real destas  empresas  é o mesmo da BS  COLWAY:  vender  pneus”.  Não  são  e  não  podem  ser  independentes  empresas  que  dependem  umas  das  outras  ou,  ainda,  que  dependem  totalmente  de  um  “caixa  comum”  (MISSISSIPI),  estando  todas  estas  empresas  sob  um  mesmo  controle societário, e em uma mesma sede física. Há um único  prédio  administrativo  no  endereço  único  e  comum,  com  um  único setor comercial, um único setor contábil, um único setor  financeiro, um único parque informático, um único PABX, etc,  e ainda uma única sala para presidência e outra para diretoria  de todos os CNPJ ligados à BS COLWAY.  Não  há  portanto,  “Administração  absolutamente  distintos”.  Como diz mestre Marco Aurélio Greco em sua excepcional obra  Planejamento Tributário:  “...o  elemento  relevante  quando  estamos  perante  uma  pessoa  jurídica  não  é  apenas  a  sua  existência  formal  (no  registro  competente  etc);  tão  importante  ou  até  mais  –  em  matéria  tributária  ­  é  a  identificação  do  empreendimento  que  justifica  sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na  medida  em  que  corresponda  à  vestimenta  jurídica  de  determinado empreendimento econômico ou profissional.”  Fl. 16334DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     50 57.  Voltando  às  explicações  dadas  BS  COLWAY,  em  mesma  resposta  ela  ainda  aduz:  “...Esses  clientes,  pelo  fato  de  comercializarem  produtos  de  nosso  fabrico  e  mercadorias  de  nossa  importação. Ora,  se  com  a  expressão  “esses  clientes”  a  MISSISSIPI  se  refere  às  empresas  do  ramo  de  auto  center  relacionadas  no  grupo  contábil  210117  da  MISSISSIPI,  constatamos  que  realmente  a  BS  COLWAY  por  intermédio  da  MISSISSIPI tem mais de R$ 42 milhões em haveres perante estes  CNPJ pertencentes a pessoas ligadas aos sócios proprietários da  BS COLWAY (vide Balancete grupo de contas 110205 CREDITO  COM OUTRAS EMPRESAS  ­ MISSISSIPI  ­  AC  2006  a  2009);  neste sentido, a contabilidade paralela da BS COLWAY informa  que esta concedeu vultoso crédito a tais auto centers, mas não há  provas que estes necessitassem de crédito, nem provas do porquê  da  inadimplência  deles  para  com  a  BS  COLWAY  não  ter  sido  objeto  de  cobrança,  nem  comercial,  nem  judicial.  Porém,  se  a  expressão “esses  clientes”  se  refere  aos  demais  clientes  da BS  COLWAY que não aqueles relacionados em contas do grupo de  contas 210117,  tal afirmação é  inapropriada pois o CLIENTES  A  RECEBER  da  BS  COLWAY  mostra  que  esta  dá  tratamento  creditício mui distinto a seus clientes: as empresas do primeiro  grupo,  além  de  pertencerem  a  pessoas  ligadas  à  BS COLWAY  tiveram,  proporcionalmente, muito  mais  crédito  que  o  segundo  grupo de clientes.  58.  Já  na  parte  derradeira  da  resposta  a  BS COLWAY  afirma  que “estes clientes  ...  estavam,  como conseqüências,  ligados às  necessidades  de  angariamento  de  crédito  e  administração  financeiras de seus compromissos (Mississipi), representação de  Marca, Publicidade, etc e demais leques de serviços e utilidades  que  as  empresas  de  nosso  Grupo  Econômico  lhes  proporcionavam, e nada mais”. Por esta afirmação se confirma,  também,  que  a  própria  BS  COLWAY  não  discorda  que  BS  COLWAY PNEUS LTDA., BS FRANQUIAS S/A , ABIP, ABIPEC,  BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, INSTITUTO BS  COLWAY, INSTITUTO BOM ALUNO DO BRASIL, MISSISSIPI  e  VIP  JET  conformam  um  todo  econômico  ao  qual  a  BS  COLWAY denominou “Grupo Econômico”.  59. Em resumo, a BS COLWAY utilizou­se de diversos CNPJ nos  quais a MISSISSIPI faz o papel de principal “Caixa e Bancos”.  Estes CNPJ não podem ser considerados empresas autônomas e  independentes da BS COLWAY vez que todas elas: a) estão sob  controle societário comum; b)  tem sede no mesmo endereço em  Piraquara/PR,  compartilhando  instalações,  funcionários,  e  administração;  c)  tem  suas  intimações  fiscais  com  ciência  no  mesmo  endereço  em  Piraquara/PR;  d)  tem  suas  intimações  fiscais  atendidas  pelos mesmos  administradores  das demais;  e)  tem  o  mesmo  responsável  perante  o  CNPJ;  f)  tem  o  mesmo  contador  responsável  por  suas  DIPJ;  g)  fazem  parte  de  uma  mesma  atividade  e  um  único  fundo  de  comércio:  a  comercialização  de  pneus  automotivos  fabricados,  adquiridos  e/ou importados pela BS COLWAY; h) são controladas em uma  mesma contabilidade paralela e centralizadora da BS COLWAY  por meio do CNPJ da MISSISSIPI; i) correspondem a centros de  custo  ou  departamentos  da  BS  COLWAY  artificialmente  divididos  em  “unidades  de  negócio”  pretensamente  “independentes”  e  com  “CNPJ  próprios”,  em  esquema  de  Fl. 16335DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 58          51 planejamento tributário abusivo conhecido pela doutrina como  autonomização de operações. (grifamos)  A sistemática de omissão de  receitas, diluição de  faturamento e distribuição  de lucros da BS COLWAY nos AC 2006 a 2009 é demonstrada de forma cabal no  fluxograma constante do item 64 do TVEPF.  Importante  registrar  que  a  empresa  MISSISSIPPI  FOMENTO  DE  NEGÓCIOS  S/A.  foi  intimada  no  TIFVF  especificamente  para  “demonstrar,  exibindo  toda  a  documentação  hábil  e  idônea  e  usual  à  atividade,  inclusive  e  especialmente  os  extratos  bancários  e  documentação  de  praxe  pertinente,  que  a  atividade  e  as  operações  de  factoring  nos  AC  2006  a  2009  efetivamente  ocorreram.”  Em resposta, declarou que estaria a disposição do Fisco em suas instalações,  pelo prazo de 20 (vinte) dias.  Ocorre que em diligência não se localizou documentação inerente a operações  de factoring verdadeiras, conforme consta do “Relatório de Diligencias Fiscais” (fls.  13.682/13683), in verbis:  “Em  diligência  à  MISSISSIPI  em  15/08/2012  não  foram  encontrados  documentos  comprobatórios  das  operações  de  desconto  ou  antecipação  de  títulos  ou  recebíveis,  a  qualquer  título.  Também  não  foram  encontradas  as  notas  fiscais  de  serviço posteriores a jan/2007.”   Por  força  da  Resolução  13,  de  30/09/2005,  Conselho  de  Controle  de  Atividades  Financeiras  –  COAF,  as  empresas  de  fomento  comercial  ou  mercantil  deverão:  a)  identificar  as  empresas contratantes e manter cadastro atualizado que deverá  conter no mínimo, dentre outras, as seguintes informações:  (i) relatório de visita contendo informações sobre faturamento bruto, despesas  e  faturamento  líquido,  do  último  semestre  civil,  quando  se  tratar  de  micro  ou  pequena empresa; (ii) demonstrações contábeis do último exercício, atualizadas até o  último semestre civil, quando se  tratar de empresas  tributadas pelo  lucro  real;  (iii)  cadastro  da  empresa  emitido  por  entidade  especializada  em  crédito  (Bureau  de  Crédito);  (iv)  análise  de  risco,  com validade  de  seis meses,  no máximo,  contendo  inclusive limite global para operações e seu respectivo comprometimento no ato da  operação; b) manter registro de todas as transações que realizaram, do qual, além da  qualificação da contratante, deverão constar, no mínimo, as seguintes  informações:  (i) especificação dos títulos ou recebíveis envolvidos na operação e seus elementos  essenciais, beneficiários e valor da operação; (ii) data de concretização da transação,  demonstrativo  discriminando,  valor  total,  diferencial  de  compra,  comissão  de  serviços ad valorem e valor líquido; e (iii) descrição dos serviços prestados.  Entretanto, nenhum documento da espécie existe nestes autos ou foi exibida a  Fiscalização,  apesar  de  ter  sido  determinada  diligência  para  que  a  autuada  tivesse  oportunidade de fazê­lo.  Em  suma,  não  trouxe  a  autuada  aos  autos  qualquer  comprovante  de  pagamento que a MISSISSIPPI tenha feito a algum cliente seu pela compra de  recebíveis ou prestado algum outro serviço.  Fl. 16336DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     52 Os  documentos  trazidos  aos  autos  não  possuem  relação  com  os  tributos  lançados  (juntada dos  contratos  que  instruíram  a  impugnação, mas  que,  por  terem  sido  assinados  em  meados  do  no  ano  de  2011,  não  são  idôneos  para  comprovar  relação  jurídica que  teria vigorado  entre  2006  e 2009),  bem como provam apenas  que  a  MISSISSIPPI  estabeleceu  com  empresas  a  possibilidade  de  realização  de  operações de factoring..  Da mesma forma os documentos apresentados pela autuada relativos a valores  que  clientes  comprovadamente  pagaram à  empresa Mississipi  e  comprovantes  das  causas dos pagamentos feitos ao Grupo BS COLWAY longe de provar a licitude das  operações  realizadas,  evidenciam  o  esquema  de  sonegação  de  receitas  da  BS  COLWAY!!  Mais uma vez nos recorremos ao primoroso TVEPF, in verbis:  190.  Dentre  as  Operações  Preocupantes  elencadas  nas  lições  de  Marco  Aurélio  Greco  em  sua  obra  “Planejamento  Tributário”,  encontramos  a  autonomização  de  operações,  o  uso  de  sociedades  e  o  deslocamento  de  base  tributável.  Para  implantar  seu  planejamento  tributário  abusivo,  a  BS  COLWAY  utilizou­se destes três tipos de operações, e seus desdobramentos.  191.  No  caso  em  tela,  a  BS  COLWAY  intentou  dividir  ou  pretendeu  “autônomas” as etapas de uma mesma e única atividade econômica exercida pela  empresa.  Para  tanto,  usou  de  sociedades  criando  diversas  empresas  fantasma,  com “CNPJ próprios”, para que cada uma delas “assumisse” uma etapa ou parte  da  atividade  econômica  da  BS  COLWAY,  além  de  “OSCIP”  e  “Associações”  indevidas.  192. “Fatiada” a empresa, parte dela em “ações filantrópicas”, viabilizou­se  o deslocamento da base tributável da BS COLWAY (lucro real) para alguns CNPJ  apurando  pelo  lucro  presumido,  e  outros  CNPJ  nem  isso,  por  se  declararem  “imunes”  (sic).  Este  expediente,  calcado  em  fraude  e  simulação,  é  evasivo  e  abusivo.  193.  Para  viabilizar  a  diluição  de  receitas  a  BS  COLWAY  procedeu  simulação  mediante  diversos  contratos,  formais  ou  não,  com  vistas  à  autonomização de suas operações mediante contratos.  Tais contratos representam “declaração enganosa de vontade”. (g.n.)  Há jurisprudência farta do CARF sobre a conduta da autuada, senão vejamos:  Acórdão CSRF/01­02.107  IRPJ  –  “INCORPORAÇÃO  ÀS  AVESSAS”  ­  MATÉRIA  DE  PROVA.  COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada abstraindo­se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Se  a  documentação  acostada  aos  autos  comprova  de  forma  inequívoca  que  a  declaração  de  vontade  expressa  nos  atos  de  incorporação  era  enganosa  para  produzir  efeito  diverso  do  ostensivamente  indicado,  a  autoridade  fiscal  não  está  jungida aos efeitos jurídicos que os atos produziriam, mas à verdadeira repercussão  econômica dos fatos subjacentes.    Acórdão 101­94.340 do CARF  DESCONSIDERAÇÃO  DE  ATO  JURÍDICO.  Não  basta  a  simples  suspeita  de  fraude,  conluio  ou  simulação  para  que  o  negócio  jurídico  realizado  seja  desconsiderado  pela  autoridade  administrativa,  mister  se  faz  provar  que  o  ato  negocial praticado deu­se em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso  Fl. 16337DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 59          53 de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação  tributária (art. 149 do CTN).  SIMULAÇÃO. Configura­se como simulação, o comportamento do contribuinte em  que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual  o  negócio  se apresenta  e a  substância  ou  natureza do  fato  gerador,  efetivamente,  realizado, ou seja, dá­se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o  ato por ele praticado para realização dessa vontade.  NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Configura­se negócio jurídico indireto, quando  um  contribuinte  se  utiliza  de  um  determinado  negócio,  típico  ou  atípico,  para  obtenção de uma finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa, em  que  as  partes  querem  efetivamente  o  negócio  e  os  efeitos  típicos  dele  realizado  e  submete­se a sua disciplina jurídica.    Ac. 101­94.771  Configura­se como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta  uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se  apresenta  e  a  substância  ou  natureza  do  fato  gerador  efetivamente  realizado,  ou  seja, dá­se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele  praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém  em seu bojo um disfarce, no qual  se  encontra escondida uma operação em que o  fato  revelado  não  guarda  correspondência  com  a  efetiva  realidade,  ou  melhor,  dissimular é encobrir o que é.    Acórdão 103­07.260  Há evasão ilegal de tributos quando se criam oito sociedades de uma só vez, com os  mesmos  sócios  que,  sob  a  aparência  de  servirem  à  revenda  dos  produtos  da  recorrente,  tem,  na  realidade,  o  objetivo  admitido  de  evadir  tributo,  ao  abrigo  de  tributação mitigada (lucro presumido).    Acórdão 101­95.208  IRPJ/CSLL.  CONSTITUIÇÃO  DE  EMPRESA  COM  ARTIFICIALISMO.  DESCONSIDERAÇÃO  DOS  SERVIÇOS  PRETENSAMENTE  PRESTADOS.  MULTA QUALIFICADA.  NECESSIDADE DA  RECONSTITUIÇÃO  DE  EFEITOS  VERDADEIROS.  Comprovada  a  impossibilidade  fática  da  prestação  de  serviços  por  empresa  pertencente  aos  mesmos  sócios,  dada  a  inexistente  estrutura  operacional,  resta  caracterizado  o  artificialismo  das  operações,  cujo  objetivo  foi  reduzir/a carga tributária da recorrente mediante a tributação de relevante parcela  de  seu  resultado  pelo  lucro  presumido  na  pretensa prestadora  de  serviços. Assim  sendo, devem ser desconsideradas as despesas correspondentes.  Destaco que conforme relatório e voto vencedor no Acórdão n° 107­08.326 o  planejamento tributário da KITCHENS é totalmente ilegal por restar comprovada a  simulação (relativa).  O  tema não é novo no CARF. Trago à  recordação da Câmara o “lead case”  “GRENDENE”,  Acórdão  103­05.942,  o  qual  veste  como  uma  luva  ao  caso  BS  COLWAY aqui  tratado. Aliás,  consideramos  o  expediente  levado  a  cabo  pela BS  COLWAY  ainda  mais  grave  que  o  praticado  pela  Grendene.  Como  podemos  perceber da leitura do Acórdão a Grendene diluiu receita entre 8 empresas tributadas  Fl. 16338DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     54 pelo lucro presumido, ou seja, bem ou mal, ofereceu suas receitas à tributação. Já a  BS COLWAY, ousou fragmentar suas receitas entre entidades imunes (OSCIP).  In  casu,  percebe­se  que  há  atos  de  gerência  relacionados  com  todas  as  empresas  faticamente  integrantes  do  grupo  econômico  de  fato,  manifestado  pela  existência  de  controle  único.  Além  disso,  a  auditoria  fiscal  demonstrou  que  as  empresas  compartilham  o  mesmo  edifício  sede,  os  mesmos  sócios,  os  mesmos  administradores,  mesmo  contador,  e  mesmo  procurador,  dentre  outros  fatos  caracterizadores  da  existência  de  grupo  econômico,  exploração  de  um  negócio  comum  com  seus  naturais  desdobramentos,  dentre  outros  elementos  fático­ probatórios.  Ganha relevo essa tese quando se depreende que os elementos esposados na  peça  recursal  não  são  suficientes  para  solapar  a  certeza  e  a  convicção  que  conduziram  a  decisão  de  primeira  instância  a  reconhecer  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  conforme  ficou  registrado  por  uma  série  de  fatos  que  sequer  foram  contestados  pelas  empresas  e  nem  poderiam,  dada  a  forte  significação  que  contém no sentido de dar suporte às afirmações veiculadas no TVEPF e seus anexos.  Com  isso,  os  elementos  fáticos  configuram, no plano  fático,  a existência de  grupo  econômico  entre  as  empresas  formalmente  distintas,  mas  que  atuam  sob  comando e compartilham instalações, funcionários, etc.  Em face do acima exposto,  irreparável a conclusão do acórdão da DRJ após  robusta,  judiciosa  e  detida  análise  dos  argumentos  e  documentos  trazidos  pela  autuada.  Pois  bem,  quanto  a  este  tópico  reputo  não  haver  reparos  às  conclusões  apresentadas pela fiscalização conforme descrito em longo relatório.  Acrescento, o fato é que os contribuintes podem adotar a forma jurídica que  lhes  parecer  mais  adequada,  desde  que  não  seja  ilícita,  proibida  ou  vedada  por  lei,  como  reiteradamente de modo manso e já pacificado vem decidindo esse Egrégio Colegiado.  Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades  fiscais  coibir  práticas  de  utilização  do  ordenamento  jurídico  por  meio  de  estratagemas,  formadas  como  negócios  simulados,  com  fraude  à  lei  ou  com  dolo  que  causem  prejuízo  ao  Erário Público, como no caso em apreço e acima descrito, qual seja, encadeamento lógico de  fatos  convergente  que  levam  a  formar  convicção  do  acerto,  quanto  ao  mérito,  do  trabalho  fiscal.  Ainda,  neste  tópico,  INOVA  a  recorrente  ao  afirmar  “que  o  ato  de  constituição do crédito tributário está embasado em um pressuposto de fato: a inexistência de  fato da “MISSISSIPI” e da BS FRANQUIAS”.  Constata­se,  de  forma  cristalina,  no  auto  de  infração  e  TVF  a  seguinte  acusação  fiscal:  “Em  suma,  trata  a  autuação  original  de  constatação  de  omissão  de  rendimentos  os  quais,  com  desiderato  específico  de  não  oferecê­los  à  tributação,  foram  diluídos pela fiscalizada entre outras empresas de seu mesmo grupo econômico. A Omissão de  Receitas é apurada pela diferença entre as receitas contabilizadas à conta sintética 210118 e o  montante de receitas declaradas nas respectivas DIPJ.”  Outro  assunto  inserido  pela  ora  recorrente  neste  tópico  diz  respeito  a  “Sujeição Passiva Solidária”, tema que trataremos, caso a caso, mais adiante.  Fl. 16339DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 60          55 A seguir a peça recursal aduz que “A exigência tributária, sem restrições, do  IRPJ  e  CSLL  nos  anos  de  2007  da  recorrente,  2008  e  2009,  sobre  as  rubricas  “INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTOS”  não  deve  prevalecer,  pois  a  totalidade  do  imposto devido foi devidamente recolhida, conforme comprovam os documentos contábeis da  recorrente e que foram devidamente entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil.”  Aduz, mais,   “Sendo assim, é óbvio que a empresa que possui prejuízos acumulados deve,  inicialmente, compensá­los nos anos subseqüentes, sob pena de ocorrência de uma  tributação maior que a devida e em desrespeito ao próprio conceito de lucro.  Desta  forma,  considerando  que  os  auditores  fiscais  presumiram  receitas,  as  quais são de outras pessoas jurídicas, no mínimo, deveriam, inicialmente, abater os  prejuízos fiscais existentes acumulados e, posteriormente, compensar os pagamentos  realizados do mesmo tributo pelas outras pessoas jurídicas.  Se  as  receitas  das  outras  pessoas  jurídicas  foram  imputadas  a  impugnante,  logo os pagamentos e créditos  respectivos  também devem ser  incorporados ao seu  patrimônio, sob pena de injustiça fiscal.  Dessa forma, deve ser declarado absolutamente nulo o auto de infração nesse  aspecto, eis que os auditores fiscais adotaram critérios injustos no presente caso, eis  que  consideraram  todas  as  receitas  como  se  fossem  da  impugnante,  mas  não  os  créditos  existentes  decorrente  de  pagamento  do  próprio  tributo,  assim  como  as  demais despesas, os quais, sem sombra de dúvidas, reduziria o imposto a ser pago.”  Como  bem  assentado  no  voto  condutor  a  pretensão  da  ora  recorrente  é  a  decretação  da  nulidade  do  lançamento.  Entretanto,  não  seria  o  caso  de  nulidade,  e  sim  do  aproveitamento  aventado,  caso  existissem mesmo  valores  que  devessem  ser  considerados,  o  que não ocorre no caso concreto.  Aqui,  mais  uma  vez,  valho­me  dos  argumentos  expendidos  pela  D.  Procuradoria, a ser transcritos.  Quanto  à renda  tributável  das  pessoas  jurídicas –  IRPJ  e CSLL não  há  nulidade  no  lançamento  uma  vez  que  houve  ajustamento  do  lançamento  com  a  exclusão  das  receitas  e  despesas  próprias  da  BS  Franquias,  VIP  JET  e  BS  Empreendimentos. Em suma, a tributação passou a incidir exclusivamente sobre os  valores que ingressaram na MISSISIPPI, e sobre os quais nenhuma comprovação  existe  de  que  se  tratam  de  receitas  auferidas  por  terceiros  e  já  submetidas  à  tributação  por  estes.  Destaque­se  que  em  nenhum  momento  a  autuada  e  os  demais  recorrentes  conseguiram  provar  a  razão  jurídica  pela  qual  a  MISSISSIPPI  teria  recebido  valores  que  constituíram  receitas  já  tributadas  pelas outras pessoas jurídicas acima referidas.  Quanto  à  alegação  de  indevida  desqualificação  de  lucro  presumido  para  lucro real não procede. O verdadeiro montante de receita auferida pela autuada no  ano de 2006 foi superior a 150 MILHÕES, fato que não autoriza sua opção no ano  calendário  2007,  conforme  consta  do  TVF.  Acrescente­se  que  a  recorrente  não  conseguiu demonstrar e comprovar a improcedência da assertiva fiscal.  A respeito do PIS e COFINS não cumulativo, foi seguido o mesmo critério  de apuração do lucro real. Ou seja, uma vez que todos os pagamentos a fornecedores  lançados  na  contabilidade  paralela  da  BS  COLWAY  (MISSISSIPPI)  já  se  Fl. 16340DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     56 encontram aproveitados pela BS COLWAY tanto na apuração do lucro real, quanto  na apuração do PIS e COFINS não cumulativos, não há créditos de PIS e COFINS  adicionais  a  apurar,  tão  somente  os  débitos  de  PIS  e  COFINS  decorrentes  da  omissão  de  receitas  constatadas  pela  Fiscalização,  conforme  conta  do  TVF.  A  recorrente não demonstrou/comprovou a existência de tais créditos.  Sobre PIS  e  COFINS  –  importação  de  pneus  importante  registrar  que  a  Fiscalização respeitou o mesmo critério de tributação já adotado pela recorrente no  preenchimento  do  DACON. Mais  uma  vez  a  recorrente  não  conseguiu  provar  suas alegações (discriminação de receitas).  Quanto  à  alegação  de  que  seus  prejuízos  fiscais  não  foram  objeto  de  compensação  reiteramos  que  não  existe  qualquer  relação  entre  as  receitas  da BS  EMPREENDIMENTOS E VIP JET e os valores que a MISSISSIPI recebeu e lhes  atribuiu, conforme glosa realizada pela Fiscalização nos autos de infração de IRPJ e  CSLL lavrados contra autuada. Registre­se que foi dada oportunidade específica  para a autuada comprovar suas alegações, porém nada foi apresentado.  Sobre  os  valores  recebidos  como  contribuição  para  fundos  de  ações  de  propaganda, custeio de transporte e contingências jurídico­tributárias (Fundos  e SKY Dust) a autuada não emitiu notas fiscais relativas a esses valores.  Em  suma,  a  MISSISSIPPI  recebeu  os  valores,  mas  ninguém  os  apropriou  como receita. Por não configurarem receita em nenhuma DIPJ, evidentemente  constituem receitas omitidas.  Registre­se ainda, que a acusação fiscal em nada depende do disposto no art.  116, parágrafo único do CTN, que trata de dissimulação da ocorrência do fato gerador, e não  de  simulação  e  fraude  como  aqui  veiculado.  Irrelevantes,  assim,  os  argumentos  acerca  da  necessidade de regulamentação da matéria por lei ordinária.  A partir de então, passemos a análise dos recursos voluntários apresentados  pelos “Responsáveis Solidários”.  1)  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DOS  SÓCIOS  FRANCISCO  SIMEÃO RODRIGUES NETO E LUIZ BONACIN FILHO  Nos recursos voluntários apresentados pelos sócios (responsáveis solidários)  Francisco Simeão Rodrigues Neto  e Luiz Bonacin Filho  vem à  tona  os mesmos  argumentos  relativos às nulidades  inicialmente  já analisados neste voto, aduzindo com relação à  sujeição  passiva solidária (período de abrangência e limites), inicialmente que: “a autoridade julgadora  não pode silenciar  sobre as  razões do acusado, pois no processo administrativo  tributário é  dever  do  julgador  levar  em  conta  todas  as  provas  e  fatos  de  que  tenha  conhecimento,  predominando assim, a verdade real.”  Transcreve o seguinte trecho do voto condutor ora recorrido.  16. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  16.a – Período de abrangência e limites  A  impugnante  diz  poder  afirmar  categoricamente  que  a  responsabilidade  solidária  deve  ser  limitada  aos  anos  de  2006,  2007,  2008  e  2009,  de  forma  que  qualquer  patrimônio  adquirido  antes  dos  referidos  anos  deveria  ser  excluído  dos  ônus  inerentes  a  eventual  arrolamento.  Enfatiza  que  deve  ser  afastado  todo  e  qualquer  ato  tendente  a  onerar  patrimônio  adquirido  anteriormente  ao  período  de  ocorrência dos fatos geradores questionados.  Fl. 16341DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 61          57 A  apreciação  dessa  linha  de  argumentos  extrapola  a minguada  competência  decisória  deste Colegiado. Com efeito,  sua  competência  se  exaure  em  examinar  –  confrontando os elementos objetivos com a legislação se suas condutas determinam  a responsabilização dos terceiros a quem foi atribuída a responsabilidade solidária.  Em  absoluto,  não  lhe  compete  –  tampouco  seria  oportuno  determinar  quais  bens  componentes de seus patrimônios poderão ou não ser excutidos em futura ação que  vier a ser promovida pela Fazenda Nacional.  A  pretensão  da  impugnante  deverá  ser  deduzida  oportunamente  em  face  do  Poder Judiciário, por quem seguramente receberá a apreciação merecida.  {...}  17.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DOS  SÓCIOS  FRANCISCO  SIMEÃO RODRIGUES NETO E LUIZ BONACIN FILHO  Segundo  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  respectivos  (fls.  8.661/8.664  e  8.665/8.668),  o  motivo  de  ter  sido  atribuída  responsabilidade  às  pessoas  físicas  de  Francisco  Simeão  Rodrigues  Neto  e  Luiz  Bonacin  Filho  é  que  estes  utilizaram  de  diversas  empresas  e  associações,  das  quais  são  sócios  administradores  e/ou  diretores,  para  evadir  tributos  e,  por  consequência,  fraudar  o  Fisco.  Restou comprovado à saciedade a increpação fiscal de que ambos fatiaram as  receitas do empreendimento BS COLWAY, fazendo com que suas receitas  fossem  pagas a uma  terceira empresa,  também de sua propriedade, mas não integralmente  como  vendas  dos  produtos  da  BS  COLWAY,  e  sim  fatiadas  como  se  fossem  referentes  a  pagamentos  por  serviços  de  franquias,  doações  a  entidades  diversas,  contribuições para fundos diversos, etc., possibilitando assim que a maior parte das  receitas fosse escamoteada da tributação.  Conforme  evidenciado  nos  TSPS,  ambas  as  pessoas  físicas  tiveram  participação direta na implantação e operação do esquema de sonegação, sendo que,  nas  principais  empresas  que  o  compõem,  o  Sr.  Francisco  Simeão  detém  2/3  das  quotas e o Sr. Luiz Bonacin detém o restante 1/3, como ocorre na BS COLWAY, BS  Empreendimentos, BS Franquias  e Mississipi  Fomento  de Negócios. Outras peças  do esquema seriam ‘associações’ ou OSCIP ou entidades supostamente imunes, nas  quais  o Sr.  Francisco Simeão  figura  como presidente  e  o Sr. Luiz Bonacin  figura  como diretor.  É  inequívoco  que  os  únicos  beneficiários  diretos  do  esquema  de  sonegação  são essas duas pessoas físicas, e indiretamente suas empresas. Ademais, se alguma  dúvida existisse da participação pessoal e direta desses senhores, essa dúvida seria  escamoteada,  pela  visualização  de  suas  assinaturas  nos  recibos  emitidos  para  acobertar o fatiamento das receitas.  A título de exemplo, o Sr. Luiz Bonacin assina em nome de BS Enterprises os  recibos de  fls.  2.459/2.466,  enquanto o Sr. Francisco Simeão assina a maioria dos  recibos  emitidos  em  nome  de  inúmeras  entidades  (fls.  2.437/2.447;  2.454/2.458;  2.467/2.483, etc.)  Nenhuma  dúvida  existe,  portanto,  de  que  esses  dois  senhores  criaram  e  operaram  o  esquema  de  sonegação,  do  qual  foram  os  únicos  verdadeiros  beneficiários, e de que os atos praticados nesse mister constituem infração à lei e aos  contratos sociais. E em assim sendo, deve ser mantida a  responsabilidade que  lhes  foi atribuída.  Fl. 16342DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     58 A recorrente arremata seu inconformismo com a seguinte dicção:  “Conforme  podemos  observar  pelo  entendimento  dos  i.  julgadores  administrativos,  basicamente  os  auditores  fiscais  possuem  competência  para  cometerem  injustiças,  contudo,  os  julgadores  administrativos  não  possuem  competência  para  reparar  esses  atos,  e  mesmo  assim,  pode  dizer  que  estamos  diante de um processo administrativo em que se  respeitou a  legalidade, finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório, segurança jurídica, interesse publico e eficiência (art. 2o., caput da Lei  9.784/1999)?  Para melhor elucidação, cabe aqui, transcrever os seguintes trechos do Termo  de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal que estabelece o elo de comunhão entre  os responsáveis solidários e a BS COLWAY, vejamos:  205.  Por  todo  o  exposto  nesta  Fiscalização  e  fartamente  demonstrado  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  restou  comprovado  que  a  BS  COLWAY  omitiu  receitas e  sonegou  tributos  e  contribuições mediante o desvio de  faturamento para  outros CNPJ domiciliadas no mesmo endereço da BS COLWAY, com os mesmos  sócios  e  administradores. Destarte,  o  patrimônio  desviado  da BS COLWAY  ficou  represado  na  MISSISSIPI  que  por  sua  vez  o  direcionou  à  BS  EMPREENDIMENTOS e à VIP  JET,  e  estas distribuíram seus  “lucros” com seus  sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN FILHO, e  respectivos cônjuges e filhos, bem como a suas holdings patrimoniais familiares.  206.  Portanto,  estes  são  os  responsáveis  solidários  pelos  créditos  tributários  constituídos,  vez  que  estes  CNPJ  conformam  um  único  objeto  social  e  um  único  fundo  de  comércio,  e  estes  CNPJ  e  respectivos  sócios  são  os  beneficiários,  mais  propriamente depositários, de valores auferidos pela BS COLWAY e seu esquema  mediante fraudes tributárias.  207.  Por  isso  respondem  solidariamente  pelo  presente  crédito  tributário  lavrado sobre BS COLWAY PNEUS LTDA. as seguintes pessoas físicas e jurídicas,  as quais são pessoas ligadas e partes relacionadas em relação à autuada (razão social  e CNPJ, e  respectivos  sócios),  porquanto destinatárias,  beneficiárias  e depositárias  dos lucros obtidos mediante o esquema evasivo:  ­  CNPJ  02.995.038/0001­77,  BS  EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS  S/A;  ­ CNPJ 02.211.747/0001­14, VIP JET AEROTÁXI LTDA;  ­ CNPJ 05.098.733/0001­24, CHÁCARA SUÍÇA PARTICIPAÇÕES S/A;  ­ CNPJ 05.098.386/0001­30, TRINCHETTE PARTICIPAÇÕES S/A;  ­ CPF 609.010.128­15, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO;  ­ CPF 086.350.309 82, LUIZ BONACIN FILHO;  208.  Os  efeitos  da  Solidariedade  Passiva  alcançam,  inclusive,  as  pessoas  jurídicas  a  seguir,  constituídas  pela  BS  EMPREENDIMENTOS,  sócia majoritária  juntamente  com  as  pessoas  de  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  e  LUIZ  BONACIN  FILHO,  sem  prejuízo  na  identificação  posterior  de  outros  interessados e beneficiários:  • 10.857.559/0001­96, PORTAL DO PORTO CONDOMÍNIO INDUSTRIAL  E DE LOGÍSTICA LTDA.  Fl. 16343DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 62          59 • 13.477.127/0001­48, PORTAL DO AEROPORTO LOGÍSTICA LTDA  209. A responsabilidade passiva solidária  imputada a essas pessoas encontra  guarida no disposto no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que  assim assevera:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  210. A  lucratividade  obtida  diretamente  por  essas  pessoas  físicas  sócias  da BS COLWAY e demais empresas ligadas, mediante a fraude à lei tributária,  é  justamente  o  elo  de  comunhão  legal  que  estabelece  a  possibilidade  de  cobrança  tributária  das  mesmas.  Há  o  interesse  comum  entre  elas  e  a  BS  COLWAY  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador  dos  tributos  e  contribuições ora lançados.  211.  A  economia  resultante  do  não  pagamento  desses  tributos  e  contribuições incidentes ou decorrentes das vendas da BS COLWAY beneficiou  diretamente a  essas pessoas  físicas  e  suas  “empresas  veículo”,  uma vez que  a  importância economizada não recolhida aos cofres públicos ficou à disposição  dos  mesmos  na  MISSISSIPI,  na  BS  EMPREENDIMENTOS,  na  BS  FRANQUIAS,  ou  ainda  pior,  foi  recebida  destas  “empresas”  mediante  “distribuição  de  lucros”  (vide  respectivos  livros  Diário  e  transcrições  nos  respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária).  212. Ou seja, a BS COLWAY, suas empresas ligadas, e os supramencionados  membros  das  famílias  SIMEÃO  e  BONACIN  estão  vinculados  por  interesse  econômico ao fato gerador dos tributos e contribuições lançados por intermédio dos  presentes Autos de Infração.  213.  Eis  o  papel  principal  de  cada  uma  das  pessoas  jurídicas  ligadas  conforme diagrama anterior:  a)  BS  FRANQUIAS:  serviu  à  distribuição  de  lucros  da  BS  COLWAY  recebidos  via MISSISSIPI;  foram  beneficiados  os  sócios  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN FILHO, e respectivos cônjuges e filhos.  b)  BS  EMPREENDIMENTOS:  serviu  de  respositório  de  patrimônio,  com  mais  de  cem  imóveis  registrados  neste  CNPJ,  vários  deles  dados  em  garantia  de  dívidas  e  empréstimos  da  BS  COLWAY;  foi  uma  tentativa  de  blindagem  patrimonial da BS COLWAY; a sua “sócia” (sic) SKY DUST triangulou operações  de  empréstimo  entre  a  BS COLWAY  e  a MISSISSIPI  (vide  contabilidade  da BS  COLWAY  e  item  já  referido  neste  termo);  esta  triangulação  denota  e  reforça  a  identidade entre as entidades, i.e., que é tudo BS COLWAY.  c)  BS  EMPREENDIMENTOS:  em  sua  contabilidade  aparecem  inúmeros  lançamentos  de  despesas  por  cujo  valor  e  descrição  se  verificam­se  notadamente  pessoais de seus sócios tais como telefone, cartão de crédito, condomínio e até TV  por  assinatura,  demonstrando  confusão  entre  empresa  e  sócio,  e  desrespeito  ao  postulado contábil da entidade; mesmo porque,  todos estes CNPJ conformam uma  única entidade contábil;  d) OUTRAS EMPRESAS LIGADAS (AUTO CENTERS): o costume da BS  COLWAY de fornecer crédito a pessoas ligadas, na forma de créditos não cobrados  ou de fornecimento sem recebimento, constituindo prática de distribuição disfarçada  Fl. 16344DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     60 de  lucros,  conforme  comprova  o  razão  do  grupo  de  contas  110205  ­  CREDITO  COM OUTRAS  EMPRESAS  cujo  valor  em  31/12/2009  ascende  ao  montante  de  R$117,3 milhões em “direitos” assim distribuídos:  1. R$ 60,6 milhões em créditos com um grupo específico de clientes  (“auto  centers”);  2. R$56,7 milhões  em direitos  a  receber de outras pessoas  jurídicas  ligadas,  sendo:  1. R$ 29,1 milhões com a BS COLWAY,  2. R$ 20 milhões com a BS EMPREENDIMENTOS, e  3. R$ 7,5 milhões com a VIP JET  214. Em resumo, são dois esquemas de desvio e ocultação de patrimônio  da BS COLWAY:  Primeiro, a MISSISSIPI represa patrimônio da BS COLWAY e o despeja nos  CNPJ fantasma, e os CNPJ fantasma adquirem bens e distribuem lucros; e   b)  segundo, a MISSISSIPI “fornece”  (na verdade, a BS COLWAY fornece)  mercadorias e produtos a empresas ligadas, e depois não cobra o que estas pessoas  ligadas devem à BS COLWAY.  215.  A  responsabilidade  passiva  imputada  nestes  Autos  encontra  também  guarida no disposto no art. 135, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos.  216. Portanto, os Srs. FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e LUIZ  BONACIN  FILHO  tem  dupla  responsabilidade,  solidária  e  pessoal,  pela  satisfação  da  exigência  destes  créditos  tributários  constituídos  mediante  Autos  de  Infração  em  anexo.  Pelo  inciso  I  do  135  do CTN,  são  sócios  da BS COLWAY e  demais CNPJ qualificados neste Termo, e pelo inciso III do mesmo artigo são, sem  exceção,  presidente  e  diretor  da BS COLWAY e  demais CNPJ qualificados  neste  Termo.  217. A conduta da BS COLWAY, e de sua Administração, distorceu a ciência  contábil,  afrontou  a  legislação  tributária,  em  especial,  e  ao  direito  como  esteio  da  sociedade  civil  organizada.  A  BS  COLWAY  engendrou  manobras  contábeis,  em  mais  um  episódio  de  “contabilidade  criativa”  dentre  tantos  que  tem  aflorado  na  última  década.  Não  basta  haver  mero  cumprimento  de  formalidades  legais  e  contábeis, pois  id possunt quod jure possunt (“possível é o que se pode segundo o  direito”). E neste caso, segundo o direito, a conduta da BS COLWAY é impossível.”  (grifos nossos)  Destarte, são fortes os indícios de que os sócios administradores do grupo BS  COLWAY agiram de forma consciente na tentativa de obter para sua empresa – e, em última  análise, para si próprios – o maior benefício possível às custas do Erário.  Os  Srs.  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  e  LUIZ  BONACIN  FILHO, ora presidentes, ora diretores ou administradores da BS COLWAY e demais empresas  do  grupo,  como  únicos  sócios  administradores  destas  empresas  do  grupo BS COLWAY  (só  precisavam de suas ordens e assinaturas, e de mais ninguém) utilizaram a posição de comando  Fl. 16345DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 63          61 de  forma  consciente  para  a  na  realização  de  fraude  e  sonegação  fiscal,  ensejando  a  sua  responsabilidade com base nos art. 135 e art. 124, ambos do CTN.  Tal como demonstrado, o lançamento corretamente caracterizou o vínculo de  responsabilidade de  cada  indivíduo com base no  interesse  comum  (econômico e  jurídico) de  cada um na situação que constituiu o fato gerador do tributo apurado, qual seja: a receita bruta  omitida (decorrente da comercialização de pneus e derivados). O interesse comum de cada um  dos responsáveis resta inquestionável ante a inequívoca participação conjunta dos indivíduos e  da  empresa  autuada  na  realização  do  fato  gerador  apurado,  assim  como  pelos  incontáveis  benefícios que os administradores receberam na qualidade de proprietários da empresa autuada.  2) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE VIP JET AEROTAXI LTDA  Reitera  e  ratifica  todos  os  termos  do  recurso  voluntário  apresentado  pela  empresa autuada, aduzindo, em especial que:  “Ademais, as notas fiscais ora anexadas exemplificarmente, comprovam que a  VIP  JET  efetivamente  presta  serviços  de  Táxi  Aéreo,  auferindo,  desta  forma,  recursos para honrar com os seus compromissos, inclusive tributários.  Assim, esses esclarecimentos preliminares se fazem necessários para justificar  que  o  arrolamento  da  recorrente  como  sujeito  passivo  solidário  é  ilegal,  seja  em  decorrência  de  que  não  possui  qualquer  vinculo  com  a  industrialização/importação/comercialização de pneus; seja em razão da data de sua  constituição e o próprio período de fiscalização na BS COLWAY (2006­2009).”  Com  relação  à  empresa  VIP  JET AEROTAXI  LTDA,  constata­se  que  sua  responsabilidade  decorre  por  ter  sido  beneficiaria  dos  recursos  auferidos  à  margem  da  tributação, recebidos via MISSISSIPI (valores diversos dos que escriturou a titulo de receita –  conforme fls. 13.664 e 13.666).  No  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  da  VIP  JET  restou  constatado  o  recebimento de R$ 7,9 milhões de  reais,  com os quais  foram utilizados para a aquisição de  bens. Recursos advindos da BS COLWAY através da MISSISSIPPI. Portanto, foi beneficiaria  de recursos auferidos pela BS COLWAY mediante sonegação de tributos.  3)  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DE  CHÁCARA  SUÍÇA  PARTICIPAÇÕES, TRINCHETTE PARTICIPAÇÕES   Estas  duas  empresas  (CHÁCARA  SUÍÇA  PARTICIPAÇÕES  e  TRINCHETTE  PARTICIPAÇÕES)  foram  responsabilizadas  em  razão  da  MISSISSIPPI  ter  transferido recursos escamoteados da  tributação para a BS EMPREENDIMENTOS e esta  ter  repassado  para  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  E  LUIZ  BONACIN  FILHO,  proprietários da CHÁCARA SUÍÇA e TRINCHETTE, respectivamente. Além do fato da VIP  JET,  beneficiaria  direta  dos  recursos  do  esquema  de  sonegação  ter  sido  transferida  para  o  patrimônio da CHÁCARA SUÍÇA E TRINCHETTE.  Em  seus  recursos  voluntários,  de  igual  teor,  após  repetir  os  fundamentos  e  argumentações da peça recursal da empresa autuada (BS COLWAY) alegam, em síntese, que  “conforme  se  observa  as  conclusões  dos  auditores  fiscais  e  dos  julgadores  administrativos  estão absolutamente dissociadas de qualquer  fundamento  legal,  eis que grande parte do seu  patrimônio  foi adquirido anteriormente à própria existência da BS COLWAY. Ademais, pelo  Fl. 16346DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     62 simples fato de exercerem atividades sociais diferentes já se descaracteriza a responsabilidade  solidária  em  decorrência  do  “interesse  comum”,  pois  não  existem  interesses  “em  comum”,  juridicamente falando.”  Ao meu ver, não prosperam as alegações dos recorrentes.  4)  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA DE  PORTAL DO AEROPORTO  LOGÍSTICA LTDA  A  PORTAL  DO  AEROPORTO  LOGÍSTICA  LTDA.  foi  responsabilizada  por  ser beneficiária do esquema de diluição de  faturamento e distribuição de recursos da BS  COLWAY,  além  do  fato  de  que  no  curso  da  ação  fiscal,  a  BS  EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS,  da  qual  é  sócia  (beneficiaria  de  vultuosos  repasses  do  esquema  de  sonegação) ter lhe transferido bem imóvel de valor significativo.  Alega na peça de defasa que:  Conforme  podemos  constatar  inicialmente,  a  BS  EMPREENDIMENTOS  constituída  na  data  de  03/02/1999,  recebeu  o  imóvel  descrito  na  matricula  4398  como integralização de capital, na data de 13/05/2002 (sua denominação na ocasião  era BS Franquias), sendo que a propriedade original foi adquirida em 19 de abril de  1996 pela PINHAIS EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS LTDA., ou seja,  as  atividades  da  BS  COLWAY  (constituída  na  data  de  26/08/1998),  ou  melhor  o  “esquema  de  sonegação”,  não  é  suficiente  para  justificar  a  origem  dos  recursos  utilizados para a aquisição do imóvel que constitui o PORTAL DO AEROPORTO  LTDA., repita­se a exaustão!  Conforme  podemos  observar,  as  conclusões  dos  auditores  fiscais  e  dos  julgadores administrativos estão absolutamente dissociadas de qualquer fundamento  legal,  eis  que  todo  o  patrimônio  constante  do  Portal  do  Aeroporto  foi  adquirido  anteriormente à própria existência da BS COLWAY.  5) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE PORTAL DO CONDOMÍNIO  INDUSTRIAL E DE LOGÍSTICA LTDA  A PORTAL DO CONDOMÍNIO INDUSTRIAL E DE LOGÍSTICA LTDA.  foi  beneficiada  com  a  transferência  de  bens  imóveis  do  patrimônio  da  BS  EMPREENDIMENTOS  a  qual  foi  irrigada  com  recursos  provenientes  do  esquema  de  sonegação,  buscando  evitar  que  tais  bens  respondesses  por  eventual  cobrança  judicial.  Evidenciado  o  elo  de  comunhão  legal  que  estabelece  a  responsabilidade  solidária  pelo  beneficio  auferido  no  esquema  de  diluição  de  faturamento  e  distribuição  de  recursos  da  BS  COLWAY.  Alega no recurso apresentado que:  Contudo,  conforme  demonstramos  com  os  documentos  anexados  na  impugnação,  a  BS  EMPREENDIMENTOS,  constituída  na  data  de  03/02/1999,  adquiriu  os  imóveis  descritos  com  recursos  próprios,  acumulados  e  oriundos  das  atividades  constantes  de  seus  objetivos  societários  (locação  de  bens  imóveis),  ou  seja, o “ramo” pneus não possui vinculo algum com as aquisições noticiadas.  Não bastasse isso, o relatório fiscal não contem os elementos necessários para  que  seja  possível  qualquer  espécie  de  vinculo  de  eventuais  transferências  da  Mississipi para a BS Empreendimentos com a aquisição imobiliária que deu origem  ao condomínio industrial e de logística PORTAL DO PORTO.  Fl. 16347DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 64          63 Inclusive, importante destacar que o PORTAL DO PORTO é uma sociedade  empresaria pré­operacional, motivo pela qual não presta nenhum serviço para a BS  COLWAY, ou seja, não existe qualquer vinculação de cunho comercial, econômico  e jurídico entre as sociedades empresarias em questão.  6)  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  BS  EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS  Sobre a BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS sua responsabilização  não  decorreu  da  atividade  e  receitas  com  alugueis  e  gerindo  pessoas,  sem  qualquer  interferência  da MISSISSIPI, mas  sim do  fato  da MISSISSIPI  receber  recursos  da  venda de  pneus  da  BS  COLWY  e  atribuir  parte  dessa  receita  a  BS  EMPREENDIMENTOS,  com  a  realização de remessas milionárias  (mais de R$ 20 milhões de reais),  sua relação umbilical  com BS COLWAY restou cabalmente demonstrada no seu no Termo de Sujeição Passiva.  Alega, em síntese, que:  Conforme  podemos  constatar  inicialmente,  a  BS  EMPREENDIMENTOS  constituída  na  data  de  03/02/1999,  recebeu  os  imóveis  descritos  na  “SEGUNDA  CLAUSULA  CONTRATUAL”  como  integralização  de  capital,  na  data  de  13/05/2002  (sua  denominação  na  ocasião  era  BS  Franquias),  sendo  que  as  propriedades  foram  originalmente  adquiridas  pela  PINHAIS  EMPREENDIMENTOS  IMOBILIÁRIOS  LTDA.anteriormente,  ou  seja,  as  atividades da BS COLWAY nos anos de 2006 a 2009 pode justificar a aquisição de  imóveis ocorridas antes do ano de 2002, repita­se a exaustão!  Conforme  podemos  observar,  as  conclusões  dos  auditores  fiscais  e  dos  julgadores administrativos estão absolutamente dissociadas de qualquer fundamento  legal,  eis  que  grande  parte  do  patrimônio  da  BS  Empreendimentos  foi  adquirido  anteriormente à própria existência da BS COLWAY.  Improcede, por  fim,  as  alegações dos  recorrentes de que  a  sujeição passiva  decorreu  de  mera  presunção  da  Fiscalização.  Conforme  se  constata  da  transcrição  do  precedente  supra  e  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  instrui  os  lançamentos,  a  sujeição  passiva decorre de longa investigação da origem e do modo das atividades desenvolvidas pela  Contribuinte e empresas a ela relacionadas.  Por  esta  razão,  e  também  porque  a  Fiscalização  aponta  que  Os  Srs.  FRANCISCO  SIMEÃO  RODRIGUES  NETO  e  LUIZ  BONACIN  FILHO  tinham  conhecimento  da  economia  ilícita  de  tributos  aqui  demonstrada,  correta  é  a  imputação  de  responsabilidade tributária a estes administradores na forma do art. 135, III do CTN.  Diante  de  tal  contexto,  não  há  como  afastar  a  responsabilidade  tributária  imputada pela Fiscalização.  DA INEXISTÊNCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO  Último tópico de defesa, no qual os recorrentes traz alegações de que a multa  imposta  no  patamar  de  150%  é  completamente  desproporcional  e  desprovida  de  qualquer  fundamento lógico, assumindo caráter nitidamente confiscatório.  O  tema  relativo  a  qualificação  da  multa  já  foi  objeto  de  análise  das  preliminares, juntamente com a decadência, neste voto.  Fl. 16348DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     64 Ademais,  quaisquer  alegações  de  descumprimento  de  princípios  constitucionais  por  parte  de  dispositivos  legais  que  respaldam  a  autuação,  não  podem  ser  oponíveis na esfera administrativa, sendo tal atribuição do Poder Judiciário.  Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes  do  Poder  Judiciário  e  não  é  eliminada  do  sistema  normativo,  tem  presunção  de  validade,  presunção esta que é vinculante para a administração pública.  Tal  entendimento  encontra­se  pacificado  inclusive  na  segunda  instância  do  contencioso  administrativo,  conforme  ementa  da  Súmula  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – CARF, a seguir reproduzida:  SÚMULA Nº 2 : O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Por  fim,  nesta  fase  processual  (julgamento  em  segunda  instância),  especificamente no mês de junho de 2014 (Recurso Voluntário data de 17/05/2013) a autuada e  os  responsáveis  solidários  juntaram  aos  autos  diversos  “Relatórios  de Auditoria Específica”,  acompanhado das DIPJs e DCTF da empresa Mississipi de 2006 a 2009, os quais, em suma,  concluíram que:  1)  quanto  à  autuada BS COLWAY LTDA:  que  as Receitas  indicadas  para  cada empresa são especificas de cada uma delas e serviam aos seus fins operacionais  e patrimoniais. Reiteramos ainda que cada um dos grupos de receitas, por empresa,  são condizentes com as finalidades sociais de cada uma delas, sendo que apenas as  empresas Bs Colway e Atila têm como origem de suas receitas a venda de pneus. As  demais empresas, essas constantes nos Autos como "SUJEITOS", têm suas receitas  relacionadas com atividades inerentes aos seus objetivos sociais e alheias à venda de  pneus;   2) quanto à BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA: grande  parte  de  seu  patrimônio  é  imobiliário  e  é  oriundo  da  integralização  de  capital  ocorrida na segunda alteração contratual. Tais imóveis pertenciam à empresa Pinhais  Empreendimentos  Imobiliários  e  foram  adquiridos  anteriormente  ao  período  da  fiscalização. Assim, não se pode afirmar que as receitas geradas entre os exercícios  de 2006 a 2009 foram utilizadas para tais aquisições. A atividade social geradora das  receitas  é  a  de  locação  de  bens  imóveis  e  não  a  comercialização  de  pneus  ou  atividades relacionadas a esta   3) quanto à CHÁCARA SUÍÇA PARTICIPAÇÕES S/A.: não há como os  respectivos  imóveis  terem sido adquiridos com recursos provenientes de receita de  venda de pneus, pela incompatibilidade dos períodos relativos aos fatos relacionados  com suas  aquisições, muito  anteriores  ao período  fiscalizado e  alheios à venda de  pneus;   4) quanto ao PORTAL DO PORTO CONDOMÍNIO INDUSTRIAL E DE  LOGÍSTICA LTDA: não foi  identificada nenhuma transferência para a PORTAL  DO  PORTO  CONDOMÍNIO  INDUSTRIAL  E  DE  LOGÍSTICA  LTDA.,  de  recursos originados da venda de pneus por parte da BS COLVAY PNLUS LTDA;   5)  quanto  à TRINCHETTE  PARTICIPAÇÕES  S/A:  que  os  recursos  da  empresa são advindos de seus próprios acionistas e que não há vinculo que enseje  solidariedade ou corresponsabilidade entre elas;   6) quanto à VIP JET AEROTÁXI LTDA: não se conseguiu apurar o aporte  de  recursos  da Bs Colway para  esta  empresa,  não  foram  registrados mútuos  entre  elas  e  a Vip  Jet  não  atua  no  ramo  de  importação/comercializacão  de  pneus,  com  Fl. 16349DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 65          65 empresa  que  é  de  Taxi  Aéreo,  com  comprovação  ocorrida  através  de  seus  documentos constitutivos e de sua contabilidade. Assim, não há como relacioná­la a  qualquer atividade com pneus, direta ou indiretamente; e   7)  quanto  ao  PORTAL  DO  AEROPORTO  LOGÍSTICA  LTDA:  que  o  arrolamento da mesma sujeito passivo solidário é ilegal, seja em decorrência de que  não possui qualquer vinculo com a  industrialização/comercialização de pneus, seja  em razão da data da constituição de seu patrimônio ou ainda em decorrência de sua  composição societária e do próprio período fiscalizado.  Na  linha  do  analisado  neste  voto  alhures,  com  relação  a  preclusão  inserta  no  parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim se pronunciou a D. Procuradoria da  Fazenda Nacional, em 07/07/2014, após análise dos “Relatórios de Auditoria Específica”:  “Diante disso,  percebe­se que  apenas poderá ser  admitida a  apresentação de  provas  extemporâneas  no  Processo  Administrativo  Fiscal  quando  houver  um  pedido/requerimento  expresso  formulado  pela  parte  da  interessada  dirigido  à  autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual  deve  restar  cabalmente demonstrado,  com  fundamentos  idôneos  e  comprovados,  a  impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, nos casos em  que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à  apresentação  da  impugnação  ou,  na  primeira  oportunidade,  quando  o  documento  novo apresentado se refira a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda,  que  se  destinem  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pesando em desfavor do Recorrente o ônus probatório.   Neste  contexto  normativo,  cumpre  frisar  que  não  restou  demonstrada  a  impossibilidade de sua apresentação na impugnação, consoante previsto no § 4º do  artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72.   Vale dizer, ainda, que o art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 em nada destoa do  “princípio  da  finalidade”  do  processo,  ao  contrário,  o  concretiza. A  finalidade  do  processo é a solução do conflito. A regra do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 visa  impedir  a  eternização  indesejada  do  litígio,  sem  vedar  a  possibilidade  de  apresentação  de  provas  em  caso  de  força  maior.  Ou  seja,  a  regra  está  em  plena  sintonia com o princípio.   Inclusive,  no  que  se  refere  ao  conflito  entre  regra  e  princípio,  faz­se  necessário citar a doutrina mais autorizada e atual acerca do tema, de HUMBERTO  ÁVILA,  que  leciona  que  em  determinadas  situações,  quando  a  regra  concretiza  o  princípio, é correto dar primazia à regra. Confira­se:   “2.4.7.1.2. Eficácia  interna  indireta – Relativamente às normas  mais  amplas  (princípios),  as  regras  exercem  uma  função  definitória  (de  concretização),  na  medida  em  que  delimitam  o  comportamento  que  deverá  ser  adotado  para  concretizar  as  finalidades estabelecidas pelos princípios (...)   Como já mencionado, as regras possuem uma rigidez maior, na  medida em que a sua superação só é admissível se houver razões  suficientemente  fortes  para  tanto,  quer  na  própria  finalidade  subjacente à regra, quer nos princípios superiores à ela. Daí por  que  as  regras  só  podem  ser  superadas  (...)  se  houver  razões  extraordinárias para  isso, cuja avaliação perpassa o postulado  da  razoabilidade  (...) Esse  é  o motivo  pelo  qual,  se houver  um  conflito  real  entre  um  princípio  e  uma  regra  de  mesmo  nível  Fl. 16350DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     66 hierárquico, deverá prevalecer a regra e, não, o princípio, dada  a  função  decisiva  que  qualifica  a  primeira”  (Grifos  não  constantes  do  original.  ÁVILA,  Humberto,  in  Teoria  dos  Princípios, 4ª edição, Malheiros, p. 83).   Vê­se  claramente  que  o  art.  16  do  Decreto  n.º  70.235/72  proíbe  a  juntada  extemporânea de provas, mas prevê as situações excepcionais que justificariam a sua  apresentação. Não há conflito entre o princípio e a regra em tela, mas, mesmo que  esse conflito existisse, não haveria nenhuma razão extraordinária que justificasse o  afastamento da regra.   É verdade que o caput do artigo 38 da Lei n. 9.784/1999 traz comando legal  que  tem  servido  como  amparo  para  alegações  de  que  não  teria  base  jurídica  a  limitação  à  apresentação  de  novas  provas  depois  da  apresentação  da  impugnação  (prevista  nos  parágrafos  4º  e  5º  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/1972).  Tal  dispositivo assim determina:   “Art.  38.  O  interessado  poderá,  na  fase  instrutória  e  antes  da  tomada  da  decisão,  juntar  documentos  e  pareceres,  requerer  diligências  e  perícias,  bem  como aduzir  alegações  referentes  à  matéria objeto do processo.   §  1o  Os  elementos  probatórios  deverão  ser  considerados  na  motivação do relatório e da decisão.   §  2o  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.”   Ocorre  que  esse  fundamento  não merece  acolhimento  devido  ao  artigo  69,  dessa mesma Lei, que assim determina: “Os processos administrativos específicos  continuarão  a  reger­se  por  lei  própria,  aplicando­se­lhes  apenas  subsidiariamente os preceitos desta Lei”. Ou  seja, como o Decreto 70.235/1972  tem uma disposição específica sobre a matéria, o preceito da Lei n. 9.784/1999 não  tem aplicabilidade no PAF.   Em suma, somente se admite a produção de provas pelo sujeito passivo após a  impugnação nas exceções previstas em lei no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72,  quais  sejam:  1)  quando  ficar  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  2)  quando  se  refira  a  fato  ou  a  direito  superveniente;  e  3)  quando  se  destine  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidos  aos autos. Nos demais  casos,  é a  impugnação  inicial  é a primeira  e única  oportunidade para o contribuinte apresentar as provas.  [...]  Em  face  de  todo  o  exposto,  restou  preclusa  a  oportunidade  da  autuada  e os  responsáveis  solidários  juntarem  documentos,  em  especial  após  a  interposição  de  recurso  voluntário,  uma  vez  que  os  mesmos  podiam  ter  sido  juntados  durante  a  fiscalização ou na impugnação.   Em segundo lugar, na improvável hipótese do entendimento da e. Turma seja  pelo  conhecimento  desses  novos  documentos,  destacamos  que  os  documentos  juntados denominados “Relatório de Auditoria Específica”, acompanhado das DIPJ  e DCTF da Mississipi de 2006 a 2009, com todo respeito que o autor dos referidos  laudos merece, não afastam, de forma alguma, os  irrefutáveis e conclusivos fatos  apurados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  quanto  ao  esquema  fraudulento  encontrado, conforme ressaltamos em nossas contrarrazões.   Fl. 16351DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.726539/2011­11  Acórdão n.º 1301­001.583  S1­C3T1  Fl. 66          67 Ou seja, os recorrentes apenas voltam a insistir, repisar, repetir sua tese  de  regularidade  de  suas  contabilidades  e  atividades,  agora  sob  a  roupagem  (forma) de “Relatórios de Auditoria Específica”. Porém, estes argumentos, seja  qual  for  a  forma/meio  pelo  qual  venham  as  autos,  não  conseguem  refutar  o  apurado pela a Fiscalização, a qual constatou que a BS COLWAY utilizou­se  de outro CNPJ pertencente aos mesmos sócios proprietários para centralizar o  faturamento e os recebimentos de vendas da BS COLWAY, diluindo as receitas  da BS COLWAY entre diversos CNPJ fantasma, deslocando a base tributável  de  forma  a  reduzir  drasticamente, mediante  fraude  e  simulação,  a  imposição  tributária a que esteve sujeita.   Em suma, os documentos juntados aos autos não trazem nada de novo, ou  seja,  em  nada  inovam  no  debate  posto  nestes  autos,  apenas  repetem  os  argumentos  constantes  das  impugnações  e  dos  recursos  voluntários,  os  quais  já  foram  devidamente  refutados  pelos  fatos  apurados  de  forma  cabal,  hígida  e  conclusiva pela Fiscalização, os quais foram veementemente confirmados pela  DRJ, e robustecidos pelas contrarrazões apresentadas pela PGFN.  Constata­se do acima exposto que a juntada dos referidos documentos apenas  tumultuou o andamento do processual e atrasou o julgamento da causa pelo CARF.  Entretanto,  na  improvável  hipótese  da  e.  Turma  julgadora  entender  que  os  novos documentos apresentados, de alguma forma alteram as robustas conclusões da  Fiscalização, torna­se imprescindível que essas novas informações sejam analisadas  e pormenorizada pela Fiscalização.   Assim, na hipótese de serem aceitos os referidos “Relatórios de Auditoria  Específica”, que o processo seja baixado em diligência para a fiscalização analisar a  acuracidade  dos  mesmos,  bem  como  se  eles  têm  o  devido  suporte  fático  e  documental.   Ante  o  exposto,  a  UNIÃO  (FAZENDA  NACIONAL)  requer  seja  reconhecido  como  indevida  a  juntada  de  documentos  aos  autos  posteriormente  à  apresentação do recurso voluntário, sem a comprovação da ocorrência das exceções  previstas no § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, e, caso admitida a juntada dos  documentos como prova capaz de refutar a autuação, requer seja o processo baixado  em diligência para análise da fiscalização.”  Ou seja,  conforme se verifica, os  fundamentos e a documentação acostados  nesta fase recursal não devem ser considerados por se tratar de matéria preclusa em relação ao  presente processo.  Além do que os mesmos  (Relatórios de Auditoria Especifica) não  lograram  afastar as conclusões da decisão recorrida e robustecidas pelas contrarrazões apresentadas pela  PFN, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50,  § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões  ou  propostas,  que,  neste caso, serão parte integrante do ato.  Fl. 16352DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     68 Corroborando,  reproduzo  a  seguir  as  conclusões  da  PFN  nas  suas  contrarrazões  datado  de  20/08/2013  (anterior  aos  Relatórios  de  Auditoria  Especifica)  e  memorial, também da PFN de 24/07/2014 (após analise dos Relatórios):  “Improcede também o argumento de necessidade de realização de prova  pericial  no  presente  caso,  uma  vez  que  a  recorrente  teve  a  oportunidade  de  apresentar  a  documentação  capaz  de  comprovar  que  a  MISSISSIPPI  nada  mais  fez  que  administrar  recebíveis,  tal  qual  prevê  seu  objeto  social,  porém  NADA  apresentou  a  fiscalização.  Bastaria  provar  os  recebimentos  materializara  operação  de  factoring.  Prova  exclusivamente  documental  suficiente que dispensa aspecto técnico que exija conhecimentos específicos.”  Por  todo o exposto, o presente voto é no sentido de  rejeitar as preliminares  suscitadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator                                  Fl. 16353DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES

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