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Numero do processo: 12259.001080/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 10 80 /2 00 9- 14 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12259.001080/200914 Acórdão n.º 2403002.661 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 35.740.3290, referente ao período de 01/1995 a 12/1995, na qual pretende o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente à cota patronal, à parte dos segurados e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, assim como as contribuições sociais destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Relatório Fiscal, fls. 25/30, consigna que a autuação em epígrafe decorre da apuração de diferenças entre o valor devido calculado com base nas remunerações pagas aos segurados empregados constantes da folha de pagamento em confronto com os valores efetivamente recolhidos. Relata, ainda, que o contribuinte, apesar de intimado, não apresentou os documentos que originaram os lançamentos na conta “Indenizações Trabalhistas – 52199001”, verificados nos livros razão analíticos e confirmados nos livros diário do período em questão, apresentando tão somente termos de conciliação das Juntas de Conciliação e Julgamento de Campinas. Portanto, foram considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias, além das verbas salariais constantes das conciliações apresentadas pelo contribuinte, os valores debitados na conta “Indenizações Trabalhistas” que não transitaram pela folha de pagamento. Ressaltese, contudo, que para a apuração da base de cálculo verificada na conta contábil mencionada, foram deduzidos os valores constantes nos termos de conciliação apresentados. Assim, os valores verificados na contabilidade somente foram utilizados nos casos em que a empresa não apresentou os processos trabalhistas que originaram a escrituração contábil. A autuação foi lavrada no importe de R$ 78.513,02 (setenta e oito mil quinhentos e treze reais e dois centavos), tendo a sua notificação ocorrido em 27/12/2005, fl. 03. Por fim, cumpre destacar que o presente processo inicialmente foi tombado sob o número 11330.000400/200784, tendo, posteriormente, recebido a numeração 12259.001080/200914, sendo esta última a atual. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa ofertou impugnação por meio do instrumento de fls. 92/98. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão nº 1217.296, fls. 173/178, para reconhecer a procedência do lançamento, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – NFLD. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei nº 8.212/1991, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. A SIMPLES CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL EFETUADA PELA EMPRESA NÃO CONSTITUI PROVA DA NATUREZA JURÍDICA DOS PAGAMENTOS EFETUADOS. O fato de o contribuinte ter classificado em sua contabilidade os pagamentos efetuados a seus empregados como sendo de natureza indenizatória, não constitui prova da natureza jurídica dos referidos pagamentos, não estando dispensado o contribuinte de apresentar a documentação que lhe foi solicitada pelo Fisco, com o fim de verificar a correição da classificação contábil. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 285/296, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando, em síntese, a inaplicabilidade da decadência decenal prevista nos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, devendo ser reconhecida a decadência nos termos do CTN. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12259.001080/200914 Acórdão n.º 2403002.661 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 405, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ocorre que o período de apuração compreendeu as competências 02/1995 a 12/1995 e a notificação ocorreu apenas em 2005, fl.03, por essa razão, fora ultrapassado quase dez (dez) anos da data do fato gerador mais recente lançado. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional, razão pela qual não há mais que se falar em crédito tributário. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001047/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário.
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada para a apresentação de documentação contábil, deixa de atender ao que fora solicitado pela fiscalização, o fiscal possui a prerrogativa de efetuar o lançamento mediante a adoção do procedimento de aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, transferindo o contribuinte o ônus da prova em demonstrar eventual equívoco que possa ter sido perpetrado quando do lançamento. Precedentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada para a apresentação de documentação contábil, deixa de atender ao que fora solicitado pela fiscalização, o fiscal possui a prerrogativa de efetuar o lançamento mediante a adoção do procedimento de aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, transferindo o contribuinte o ônus da prova em demonstrar eventual equívoco que possa ter sido perpetrado quando do lançamento. Precedentes. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 112 1 111 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001047/201007 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.658 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente VIAÇÃO BRISTOL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. CABIMENTO. Uma vez que a recorrente, devidamente intimada para a apresentação de documentação contábil, deixa de atender ao que fora solicitado pela fiscalização, o fiscal possui a prerrogativa de efetuar o lançamento mediante a adoção do procedimento de aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, transferindo o contribuinte o ônus da prova em demonstrar eventual equívoco que possa ter sido perpetrado quando do lançamento. Precedentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 47 /2 01 0- 07 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.001047/201007 Acórdão n.º 2401003.658 S2C4T1 Fl. 113 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por VIAÇÃO BRISTOL LTDA., em face do acórdão de fls., por meio do qual foi considerada improcedente a impugnação e mantida a integralidade do crédito tributário constituído pelos autos de infração a seguir indicados: a) AI 37.216.9732 (PAF 19515.001047/201007): lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT b) AI 37.233.1840 (PAF 19515.001048/201043): lavrado para a cobrança de contribuições parte da empregado, descontadas e não repassadas aos órgãos públicos; c) AI 37.233.1858 (PAF 19515.001046/201054): lavrado para cobrança de contribuições destinadas a terceiros. d) AI 37.233.1831 (AI 68) (PAF 19515.001042/201076): lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP os fatos geradores das contribuições lançadas nos autos de infração supra; e) AI 37.233.1807 (AI 78) (PAF 19515.001188/201011): lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente, na competência de 13/2007, para o CNPJ 61.420.394/000121, o ter solicitado a compensação no valor de R$ 177.867,92, (i) sem ter informado o período inicial e final da compensação pleiteada, sem (ii) a prestar esclarecimentos e comprovar por demonstrativo e memória de cálculo do valor compensado (iii) ter informado código de outras entidades como 0000, ao invés de 3139 correspondente aos terceiros FNDE, INCRA,SEBRAE, SEST E SENAT FPAS 612. impossibilitando o sistema SEFIP de calcular a contribuição devida aos terceiros. As contribuições lançadas em todos os processos foram consideradas como incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e em decorrência de glosas de compensação na competência de 13/2007, tendo sido os PAF 19515.001048/201043, PAF 19515.001046/201054, PAF 19515.001042/201076, PAF 19515.001188/201011 juntados aos autos por anexação, motivo pelo qual são julgados em conjunto. Consta do relatório fiscal, comumente a todos os autos de infração supra, empresa apresentou a Folha de Pagamento aos segurados empregados de forma incompleta, sem as Folhas analíticas e não apresentou as referentes ao décimo terceiro salário de 2006 e 2007. Foi intimado a apresentálas mas não atendeu à solicitação. Declarou em GFIP (Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social) parcialmente a remuneração dos segurados, retificandoa seguidamente após o início da ação fiscal. Também esclareceu que o Livro Diário e Livro Razão no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária não foram apresentados pelo Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 contribuinte, nem todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos mesmos O fiscal, apontou, ainda ter constatado a impossibilidade de execução de serviços contratados de transporte de passageiros em ônibus, tendo em vista o baixo número de segurados declarados em GFIP. Assim, levou a efeito o lançamento por aferição indireta com base nas informações da RAIS 2006 e 2007 e sistemas da previdência social. Por fim, no que se refere à compensação efetuada assim consignou o auditor: Quanto à competência 13/2007, embora tenha sido intimado e reintimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, do Termo de Intimação Fiscal n.o 2 e do Termo de Solicitação de Esclarecimentos n.1, o contribuinte não apresentou a Folha de Pagamento, tendo informado em GFIP exportada 03/04/2008 (conforme anexos obtidos pelos sistemas corporativos da Previdência Social), compensação do valor devido no montante de R$177.867,94, sem ter apresentado a comprovação do mesmo, não atendendo à intimação fiscal. A empresa também não exibiu os livros contábeis, impossibilitando a comprovação dos dados informados em GFIP. O lançamento compreende as competências de 07/2006 a 13/2007, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 11/05/2010 (fls. 50). Em seu recurso preliminarmente sustenta a nulidade do presente Auto de Infração em razão tendo em vista que o ilustre auditor fiscal deixou de caracterizar os fatos geradores das contribuições lançadas. O Auditor Fiscal arbitrou o saláriodecontribuição pela suposta massa salarial informada em RAIS, sem deduzir as verbas rescisórias nem atentar para o pagamento adiantado de parcelas do décimoterceiro salário. A autuação é totalmente improcedente, vez que a Autuada recolheu todas as contribuições previdenciárias de forma correta, conforme comprovam as folhas de pagamento e as guias de recolhimento juntadas, utilizandose da compensação de valores retidos nos moldes do art. 31 da Lei n.° 8212/91. Inexistem diferenças a serem recolhidas, a não ser que se queiram exigir os pagamentos em duplicidade, com o que ocorreria o "bis in idem", ou excesso de exação fiscal. Que a presunção de remunerações não pode ser admitida para fins de criação de contribuições previdenciárias, possuindo contabilidade regular, o que justifica a anulação do Auto de Infração. Esclarece que é coparticipante de um Consórcio junto com a empresa Via Sul Transportes Urbanos, prestando serviços à Secretaria Municipal de Transportes do Município de São Paulo, gerenciados pela São Paulo Transportes S/A, única empresa para a qual presta serviços. Faz alusão aos documentos extraídos do processo Mandado de Segurança n.° 2007.61.00.0199560 para afirmar que as empresas cedentes de mão de obra não se sujeitam à contribuição patronal e sim à retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.001047/201007 Acórdão n.º 2401003.658 S2C4T1 Fl. 114 5 serviço, valores estes que já foram objeto de retenção pela São Paulo Transportes, não mais cabendo o seu lançamento no presente processo, de modo que o Contrato de Concessão entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e empresa líder do Consórcio já prevê na Cláusula 19.1.25 o desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS. Que o faturamento das empresas que prestam serviços à São Paulo Transportes é público e pode ser obtido no site www.sptrans.com.br/indicadores/historico/receitas_despesas, onde está expressamente demonstrado que sobre os valores recebidos mensalmente fora levado a efeito a retenção de 11% sobre os valores. Conclui, portanto, que tem um crédito a compensar de R$ 11.073.255,33, em valor histórico, enquanto o valor principal do lançamento nos Autos de Infração n.° 37.216.9732 (contribuições da empresa), 37.233.1840 (contribuições dos segurados) e 37.233.1858 (contribuições para terceiros) somam R$ 7.899.115,33. Finaliza aduzindo que o MPF inicial que previa a fiscalização dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 foi alterado sem a sua ciência para a inclusão de fiscalização de contribuições previdenciárias no período de 07/2006 a 12/2007, situação que configurou o cerceamento de seu direito de defesa. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente pretende seja anulado o lançamento em virtude de que não foram materializados os fatos geradores das contribuições lançadas. Sem razão. Nada mais fez o ilustre auditor, senão de exercer suas funções em consonância com o art. 33 da Lei 8.212/91. O lançamento foi levado a efeito em observância ao que determina a legislação, especialmente aquilo o que disposto no art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, de modo que a recorrente teve plena e inequívoca ciência de todos os fundamentos de fato e direito que ensejaram a necessidade da constituição do crédito tributário, inclusive com relação a valores, base de cálculo e forma de cálculo. O relatório fiscal da infração e de aplicação dos consectários legais cabíveis apontaram de forma clara e inequívoca a falta cometida, o seu período, bem como esclareceu a forma de cálculo das contribuições, de modo que fora garantindo à recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa e ao contraditório. Assim reza o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade. Ainda em sede de preliminar, alega que a alteração do objeto da fiscalização inicialmente dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 para a verificação das contribuições previdenciárias dos anos de 2006 e 2007. Todavia, os documentos integrantes dos autos comprovam que o procedimento realizado pelo Auditor Fiscal, além de estar em conformidade com as normas em Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.001047/201007 Acórdão n.º 2401003.658 S2C4T1 Fl. 115 7 vigor, previa inicialmente que a fiscalização darseia inclusive no tocante a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, conforme bem apontou a DRJ no seguinte excerto do voto condutor: a ação fiscal foi instaurada mediante o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.90.002008 022126, emitido em 27/03/2008, com as devidas prorrogações, sendo a última com validade até 16/05/2010, cópias às fls. 01/02 e fls. 10/11; conforme se verifica às fls. 01, o MPF inicial, emitido em 27/03/2008, já autorizava a fiscalização dc contribuições previdenciárias c para Outras Entidades c Fundos referente ao período de 07/2006 a 12/2007: Assim, também rejeito esta preliminar. MÉRITO Do procedimento de aferição indireta No tocante ao mérito, sustenta possuir contabilidade regular e que efetuou o devido recolhimento das contribuições objeto do lançamento, que se constitui em bis in idem. Conforme já relatado, foi realizada a aferição indireta da base de cálculo das contribuições sociais através dos dados obtidos nos arquivos das RAIS relativas a 2006 e 2007, constantes dos sistemas corporativos da Previdência Social, tendo em vista a não apresentação ou apresentação deficiente de documentos, conforme discriminado no Relatório Fiscal, sendo referidos valores informados pela própria empresa na RAIS. E a não apresentação dos documentos motivou a lavratura do Auto de Infração Debcad n° 37.233.1815 (PAF 19515.001044/201065), pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, parágrafos 2o e 3o , da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, c/c o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, o qual já fora julgado por esta Turma na assentada de julho de 2014, quando se apurou, realmente, que tais documentos não estavam disponíveis ou mesmo foram apresentados à fiscalização. O julgado restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de apresentar documentação contábil que lhe fora requerida em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Logo, diante de uma série de intimações levada a efeito para a apresentação de documentação, bem como para que pudesse a contribuinte demonstrar o efetivo e correto recolhimento das contribuições previdenciárias a seu cargo, verificase que esta mantevese inerte. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Logo, não havia outro caminho a ser tomado pelo auditor autuante, que agiu em consonância com o previsto no art. 33 da Lei 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...]. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Ou seja, tendo em vista a recusa da recorrente em apresentar a documentação, ou mesmo provar que possuía contabilidade regular, já que não juntou documentos nos autos que possam infirmar as alegações da autoridade lançadora, a meu ver o procedimento de aferição indireta se fez devidamente justificado e cabível, não havendo, pois, que se falar em qualquer presunção da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, sobretudo em face do contribuinte ter deixado de exercer a contento o seu ônus em provar que o lançamento estava equivocado, pela inversão do ônus da prova em favor do Fisco. Sobre a possibilidade de terem sido lançados valores de contribuições já pagos pela recorrente, ressalto que o v. acórdão assim apontou: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.001047/201007 Acórdão n.º 2401003.658 S2C4T1 Fl. 116 9 Não foram considerados no lançamento créditos decorrentes de valores recolhidos em Guias da Previdência Social GPS com código de recolhimento 2100, pois conforme informado no Relatório Fiscal, não constam guias recolhidas pela empresa sob o código 2100 (Empresas em Geral CNPJ). Em consulta ao contacorrente da empresa no sistema informatizado de débitos, verificase que de fato, não há qualquer recolhimento efetuado pela empresa através de GPS com o código de recolhimento 2100, sendo que para todo o período do levantamento constam somente GPS com o código de recolhimento 2909, relativo a reclamatórias trabalhistas, não sendo cabível a dedução destes valores recolhidos no presente Auto de Infração. Os valores considerados como créditos no presente lançamento referemse ao parcelamento efetuado pela Impugnante, período de 07/2006 a 07/2007 e 12/2007, Debcad n° 36.207.5158, conforme demonstrado nos relatórios RDA Relatório de Documentos Apresentados, fls. 10/11, e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 12/15. Também não foram deduzidos do lançamento a remuneração declarada em GFIP, pois conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa declarou parcialmente a remuneração dos segurados em GFIP, rctificandoa seguidamente após o início da ação fiscal, constatandose a impossibilidade de execução de serviços de transporte de passageiros em ônibus, tendo em vista o baixo número de segurados declarados em GFIP. Logo, todo e qualquer recolhimento que tenha sido efetuado pela recorrente, acaso fosse existente, veio a ser considerado, não havendo que se falar de bis in idem. Assim, não acolho referida argumentação. Da retenção de Valores pela empresa SPTRANS A recorrente sustenta que sofreu retenções de contribuições previdenciárias quando da prestação de serviços pelo consórcio Via Sul, cuja tomadora de serviços era a São Paulo Transportes. Alegou que tais retenções não foram consideradas quando do lançamento, de modo que, mais uma vez, o lançamento se encontra viciado por este motivo. Ao analisar os termos e documentos anexados à impugnação e mesmo no recurso, não vejo que tenha a recorrente comprovado mesmo que fazia parte de referido Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 consórcio de empresas ou que qualquer pagamento lhe tenha sido creditado em decorrência da prestação de tais serviços, o que demonstraria, a meu ver, pelo menos, uma possibilidade de qua tais retenções de fato ocorreram. Aliás, diante das informações acerca dos recolhimentos que foram considerados quando do presente lançamento (somente aqueles objeto de uma única LDC) e das demais considerações do fiscal autuante no sentido de que a recorrente não efetuava recolhimentos e as vezes declarava em GFIP um único funcionário, o que veio a ser confirmado pelo v. acórdão recorrido, apurase que fora verificado por mais de uma oportunidade se existiam recolhimentos passíveis de serem alocados no presente DEBCAD. E de tais verificações, nenhum recolhimento veio a ser constatado. Em nenhum momento a recorrente trouxe prova das retenções em seu recurso, alegando simplesmente que ocorreram, mas não junta uma nota fiscal sequer que venha a demonstrar que tal poderia ter mesmo ocorrido com relação aos valores objeto do presente lançamento. Sobre o assunto, valhome do seguinte trecho do v. acórdão de primeira instância (fls. 194), o qual adoto como razões de decidir, em face da objetividade com que decidiu a questão: No entanto, não podem ser aceitas as alegadas retenções demonstradas na tabela apresentada no item XI da Impugnação, fls. 111/113. Não há prova de que as retenções foram de fato efetuadas. Sem a comprovação de terem sido efetuadas as retenções, não existe crédito em favor da Autuada. Não foram apresentadas as Notas Fiscais com o devido destaque do valor a ser retido nem os respectivos registros contábeis. Não há comprovação de recolhimento, em nome da Autuada, por parte da tomadora de serviços. O alegado crédito não tem, portanto, sua existência comprovada. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e da Previdência Social comprovase que não consta recolhimento relativo a retenção de valor por empresa tomadora de serviços em favor da Autuada. A Impugnante tampouco traz aos autos comprovação de ter sofrido a retenção que alega. Conforme já exposto, no conta corrente da empresa no sistema informatizado constam tão somente recolhimentos em Guias da Previdência Social GPS, com código de pagamento 2909, correspondente ao recolhimento de contribuições devidas em reclamatórias trabalhistas. Dos autos AI 37.233.1831, AI 37.233.1807 lavrados pelo Descumprimento de Obrigação Acessória. Com relação ao lançamento da multa, todos os argumentos dos recursos voluntários nos autos dos processos anexados n. PAF 19515.001042/201076 e PAF 19515.001188/201011, são idênticos aos constantes nos demais, já tendo sido objeto de apreciação por esta Eg. Turma. Assim, em razão da manutenção do lançamento em razão dos argumentos supra descritos, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção, também, dos Autos de Infração de obrigação acessória. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.001047/201007 Acórdão n.º 2401003.658 S2C4T1 Fl. 117 11 Conclusão Assim, ante o exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos voluntários, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/10/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900589/2006-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2003
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2003 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, não há que se falar em nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 89 /2 00 6- 07 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 88 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade (fis. 10/16) de INDUSVAL FINANCEIRA, CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A., supra qualificada, apresentada em face do Despacho Decisório de fis. 02. Em 13.06.2003, o contribuinte entregou a Declaração de Compensação de fls. 01 e 06/09 (PER/DCOMP n° 37954.83296.130603.1.3.0477), na qual declara a compensação de pretenso crédito de Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior contido no recolhimento efetuado em 15.05.2003 (PA 04/2003), com débitos da própria Cofins com vencimento em 13.06.2003 (PA 05/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 02 o contribuinte foi cientificado, em 27.02.2008 (fls. 05), que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o valor indevidamente compensado (principal: R$ 20.036,74)). Irresignado, o contribuinte apresentou em 28.03.2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/16, alegando, em apertada síntese, a nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que existiria um outro DARF, no valor de R$ 122.224,58, referente ao mesmo período de apuração do DARF discriminado no PER/DCOMP, mas que, por um lapso, não foi informado pelo contribuinte mediante retificação do PER/DCOMP. Pleiteia, assim, a homologação integral da compensação e cancelamento da cobrança, bem como, ante a existência de fato novo informado, seja o processo encaminhado à DEINF/SPO para nova análise do PER/DCOMP. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 90 4 Descabe reparo ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, por revelarse inexistente o crédito pleiteado. In casu, os alegados créditos seriam oriundos de recolhimentos que, não obstante, estavam integralmente alocados para a quitação de débitos confessados pelo contribuinte. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega a preliminar de nulidade do despacho decisório, por falta de motivação e de fundamentação do ato, e, no mérito, que a origem ao crédito objeto da • PER/DCOMP em questão (R$ 20.036,74), resulta da diferença entre o valor do DARF (R$ 229.987,36) e o valor efetivamente devido (R$ 209.950,62). É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 7987, PA 30/04/2003. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de COFINS, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS Código de Receita 7987, PA 30/04/2003, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 92 6 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente a recorrente indicou no PER/DCOMP um DARF, no valor total de R$ 229.987,36, referente a COFINS Código de Receita 7987, PA 30/04/2003, pleiteando a compensação de um pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 20.036,74. Na manifestação de inconformidade alegou que havia um outro DARF relativo ao mesmo período de apuração, o qual, se fosse considerado pela autoridade fiscal, evidenciaria a existência do crédito compensado. No entanto, conforme consta na decisão recorrida, o contribuinte, em sua DCTF retificadora entregue em 23.08.2004, declarou um débito de COFINS referente ao período em questão no valor de R$ 339.733,77, vinculando os dois DARF mencionados, evidenciando a inexistência do crédito alegado pelo interessado. No recurso voluntário apresentado, por sua vez, a recorrente alega que o valor apurado a título de COFINS, referente ao mês de abril/2003, na verdade seria de R$ 209.950,62, o que daria origem ao crédito objeto da PER/DCOMP em questão (R$ 20.036,74), resultado da diferença entre o valor do DARF (R$ 229.987,36) e o valor efetivamente devido (R$ 209.950,62). Alega ainda que o valor efetivamente apurado estaria consignado na DIPJ do anocalendário 2003 (DOC. 06), exercício 2004 e que procedeu à retificação da DCTF, referente ao 2° trimestre de 2003 (DOC. 07). Conforme já ressalvado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. Dos elementos de prova presentes nos autos verificase que consta copia de uma DIPJ 2004, ano calendário 2003, entregue em 26/06/2004, na qual foi calculado um valor de R$ 209.950,62, referente a contribuição COFINS para o período de apuração de abril/2003. Já a DCTF retificadora, entregue em 23/08/2004, aponta um débito de COFINS referente ao período em questão no valor de R$ 339.733,77. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.900589/200607 Acórdão n.º 3801004.368 S3TE01 Fl. 93 7 Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 02/12/2008, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979184/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/08/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/08/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 3 1 2 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979184/200974 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.556 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente TRANSPORTADORA GATAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/08/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 84 /2 00 9- 74 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979184/200974 Acórdão n.º 3801004.556 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 31,51, ocorrido em 13/08/2004, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 03] 7I.93896.I4II05.I.2. 040355, relativo ao período de apuração jul/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979184/200974 Acórdão n.º 3801004.556 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 4.847,99,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/08/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979184/200974 Acórdão n.º 3801004.556 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979184/200974 Acórdão n.º 3801004.556 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.720412/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 12 /2 00 9- 86 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 154.049,05, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720412/200986 Acórdão n.º 2201001.744 S2C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) a auto de infração é nulo por ter apontado como rendimentos omitidos valores recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, que é destinada aos Membros do Ministério Público, e o autuado não é um deles; b) o lançamento é decadente, nos termos do art. 150 do CTN; c) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória. Os valores recebidos não estariam sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; d) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos magistrados estaduais; e) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; f) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e manifestou se contrário ao referido procedimento, alegando, em síntese, que o lançamento fiscal não poderia ser revisto sem que antes fosse declarado nulo. Teria havido uma clara mudança de critério jurídico na apuração da base de cálculo, bem como, a utilização de outras tabelas e alíquotas, violando o 146 do CTN. Ao menos, deveria ser declarada a decadência parcial do lançamento referido ao ano de 2004, nos termo do art. 150, § 4º, do CTN, pois o novo lançamento somente foi realizado em 2010. Além de reiterar os argumentos trazidos na impugnação, alegou que: a) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; b) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão de primeira instância, Carolina Almeida da Cunha Guedes apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720412/200986 Acórdão n.º 2201001.744 S2C2T1 Fl. 4 5 Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Sobrestamento do Feito – Art. 62A da Portaria nº 256/2009 De acordo com o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil (CPC). Transcrevese o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim sendo, penso que não é o caso de sobrestamento do feito com base no art. 62A da Portaria nº 256/2009, pois, no caso dos autos, a autoridade fiscal apurou o imposto de forma adequada, ou seja, utilizou a tabela vigente no mês de referência do rendimento. Vejase a ementa do julgado destacado pela defesa com vista a justificar o sobrestamento (Recurso Extraordinário n. 614406/RS): TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe 043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL 0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ). In casu, não há sentido para a aplicação do art. 543B, haja vista que, nesta hipótese, já o terá sido empregada a tabela mais favorável ao contribuinte, ou seja, a forma de tributação dos rendimentos ocorreu respeitando o mês de referência em que o rendimento foi obtido. Destarte, pelos fundamentos expostos entendo que não é o caso aplicação do art. 62A da Portaria nº 256/2009. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Decadência Parcial do Crédito Lançado No que toca a preliminar de decadência relativa ao anocalendário de 2004, impende registrar que o § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional fixou o prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o § 4º do art. 150, do CTN: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720412/200986 Acórdão n.º 2201001.744 S2C2T1 Fl. 5 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Durante o anocalendário o sujeito passivo submete à tributação os rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da Declaração de Ajuste Anual, ou seja, no encerramento do anocalendário. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído, por ser do tipo complexo (complexivo), completando, desta feita, no último dia do ano. Portanto, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2004 perfez se em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2005 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2009. Deste modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 05/03/2009, não havia ainda sido atingido pela decadência. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Com efeito, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte na qualidade de beneficiário dos rendimentos não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. Em verdade, não há como atribuir a responsabilidade tributária exclusiva da fonte pagadora que não efetuou a retenção do imposto, pois a lei ao disciplinar a elaboração da declaração anual de rendimentos expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720412/200986 Acórdão n.º 2201001.744 S2C2T1 Fl. 6 9 É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720412/200986 Acórdão n.º 2201001.744 S2C2T1 Fl. 7 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720412/200986 Recurso nº: 922.456 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.744. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10820.002189/2003-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 1/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 26/08/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 11020.909277/2009-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 92 77 /2 00 9- 24 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) nº 04112.29222.131205.1.3.044705, em 13/12/2005, informando como crédito, em valor original, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins, o montante de R$ 2.864,29. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL) emitiu Despacho Decisório Eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais originais e informa que apresentou DACON e DCTF retificadora simultaneamente com sua manifestação, nas quais constaria o valor correto da contribuição apurada. Alega que os valores originalmente calculados e declarados observaram ao sistema cumulativo, quando na verdade a empresa já estaria enquadrada dentro da sistemática não cumulativa, sendo alguns produtos tributados com substituição tributária, gerando um saldo menor a recolher. Informa que anexou planilha onde estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão e também anexa cópias das declarações fiscais (DCTF e DACON) retificadoras. Ao final, requer a acolhida da manifestação para que seja deferido seu pleito. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 1033.319, de 18/08/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.909277/200924 Acórdão n.º 3802003.725 S3TE02 Fl. 157 3 O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, para homologar as compensações realizadas. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do Despacho Decisório o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, cujo êxito só resta possível, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Como bem ressaltou a decisão de primeira instância, a simples entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer comprovação capaz de demonstrar a divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado, conforme trecho abaixo: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Em sua defesa, a empresa alega erro no valor originalmente declarado e apresenta planilha de difícil compreensão, na qual, somente após o cotejamento com os valores informados nas declarações retificadoras, foi possível compreender os cálculos demonstrados e deduzir/conferir os saldos de contribuições apontados ao final de cada período. Contudo, permanecem sem comprovação os novos valores devidos alegados pelo interessado, bem como o alegado crédito da não cumulatividade apontado na mesma planilha em cada período. O contribuinte não indica a origem dos novos valores apresentados com e sem a incidência das contribuições ou mesmo junta qualquer prova ou documento contábil que confirme os novos valores indicados. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: “ Art.333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” (...) Concluise que o crédito líquido e certo que faz jus a recorrente já foi totalmente concedido. Portanto, a entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.911826/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 82 6/ 20 09 -1 1 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911826/200911 Resolução nº 3801000.841 S3TE01 Fl. 180 2 Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. O acórdão de fls. restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911826/200911 Resolução nº 3801000.841 S3TE01 Fl. 181 3 contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Requereu seja a presente compensação homologada. É o que importa relatar. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911826/200911 Resolução nº 3801000.841 S3TE01 Fl. 182 4 Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: Art. 20. O art. 2º da Lei n.º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n.º 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1º A: "Art. 2º ................................................................................. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911826/200911 Resolução nº 3801000.841 S3TE01 Fl. 183 5 § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, fazse necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.721066/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA PROCESSUAL. PRECLUSÃO.
Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3202-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente JAVA SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA E CARLOS ALBERTO SANTANA GOMES (Responsável Solidário) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA PROCESSUAL. PRECLUSÃO. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferirse o princípio do duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “JAVA SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 66 /2 01 3- 30 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos, narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/23: a) O contribuinte entregou as DACON’s recepcionadas pela SRFB em relação ao ano calendário de 2009, com os valores "zerados". b) Informações contidas nas DCTF's do ano de 2009 com os valores referentes ao PIS e a COFINS foram entregues "zeradas" no 1º semestre e com valores irrelevantes no 2º semestre. c) Foram feitas retenções de PIS e COFINS pelos tomadores de serviços da fiscalizada, conforme verificado pelas DIRF's recepcionadas pela SFRB. Com base nas informações obtidas na análise dos elementos acima, e considerando os valores constantes nas notas fiscais de 2009, apresentada pela fiscalizada, apresentado à esta fiscalização, foi então elaborada planilha demonstrativa de apuração do PIS, da COFINS em relação ao ano calendário de 2009. A planilha de apuração, elaborada por esta fiscalização, demonstra insuficiência de declaração/recolhimento de PIS e da COFINS, pela fiscalizada, em relação ao ano calendário de 2009. A multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como insuficiência de recolhimento nos autos de infração do Pis e da Cofins, se justifica tendo em vista o que preceitua o artigo 44, I e §1° da Lei n° 9.430/96 combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte, embora tenha auferido receitas com a atividade operacional, deixou de proceder à tributação dela, e com isso deixou também proceder ao recolhimento no que se referem aos tributos federais administrados pela SRFB 3. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001 em face de Carlos Alberto Santana Gomes (fls. 24/25), pois ele seria o responsável pela gestão da empresa autuada, nos termos da cláusula quarta da alteração contratual arquivada em 09/10/2008 na Junta Comercial do Estado da Bahia, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, item 6. 4. Em decorrência da falta apurada, foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 07/02/2013: 4.1.Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 03/04): Total do crédito tributário, R$ 305.570,32, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 02/2013. Fundamento legal citado nas fls. 05/06; 4.2.Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 11/12): Total do crédito tributário, R$ 66.206,98, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 02/2013. Fundamento legal citado nas fls. 13/14. 5. A empresa autuada e o responsável solidário apresentaram impugnação de fls. 534/547, em 07/03/2013, da qual se extraem as seguintes passagens: a além do equívoco ocorrido na lavratura do AI, o valor arbitrado a título de multa pelo cometimento das supostas omissões de informação mostrase demasiadamente oneroso para os Contribuintes, conforme descrito acima, sendo que, o artigo 150, IV, CRFB/88 estabelece a vedação à utilização do tributo, com efeito, confiscatório; Fl. 662DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10580.721066/201330 Acórdão n.º 3202001.313 S3C2T2 Fl. 662 3 b Portanto podese concluir que a aplicação da multa sob comento, se levada a efeito, inevitavelmente configurará um confisco ao patrimônio dos contribuintes, razão pela qual deve ser declarada nula de pleno direito, extirpandoa do Auto de Infração; c No entanto, caso não seja esse o entendimento, pelos próprios moldes e fundamentos acima aduzidos até o dado momento, vale a certeza de que, em decorrência do princípio da razoabilidade e proporcionalidade, configurados no contexto da presteza dos contribuintes no decorrer de todo o procedimento fiscal, deve ser considerado e levandose em conta para apuração e cálculo das penalidades, multas e correções monetárias aplicadas ao mesmo; d deve se ter uma relação temática de pertinência entre a finalidade eminentemente pública e meia para a consecução dessa atividade, pois há de se respeitar o seleto rol de direitos fundamentais para que seja alcançada a finalidade pública com justo êxito; e a penalidade aplicada representa ofensa ao princípio da razoabilidade, pois as penalidades deveriam visar somente desestimular a prática de infrações. A carga tributária do país é alta, o que faz com que o contribuinte tenha dificuldades em quitar os tributos, o que dizer então das multas; f os autos de infração não respeitaram os diversos princípios que regem o sistema tributário, entre eles, a da tutela, da autotutela, e da propriedade; g não ocorreu máfé por parte do contribuinte, a própria fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal demonstra que todas as intimações foram atendidas e jamais houve a tentativa de sonegar ou omitir dados ou informações; h os contribuintes não agiram nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964; i o princípio da capacidade contributiva não foi respeitado no procedimento fiscal em exame; j Para que se pretenda legitima a imputação da multa de mora há que se auferir a culpabilidade do contribuinte. A multa de mora é entendida como acréscimo de natureza penal e não tributária, nem civil; k A manutenção das penalidades e dos juros de mora aplicados fere os princípios da segurança jurídica, da moralidade e da legalidade l Requer a declaração de nulidade do auto de infração ou ao menos a redução dos valores aplicados a título de multa com a supressão da duplicidade determinada pelo § 1º do artigo 40 da Lei nº 9.430/1996, em face dos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva; m Requer a juntada dos documentos em apenso, bem como procurações, contratos sociais, documentos de identificação dos contribuintes e dos advogados.” Fl. 663DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 A DRJSão Paulo I/SP decidiu pela improcedência da impugnação (efls. 630/638), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2009 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. O tributo devido apurado com base nas notas fiscais emitidas pela empresa autuada que não for recolhido ou confessado deve ser objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. O tributo devido apurado com base nas notas fiscais emitidas pela empresa autuada que não for recolhido ou confessado deve ser objeto de lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados, contribuinte e responsável solidário apresentaram recurso voluntário conjunto (efls. 643/652), alegando, em síntese: que, quando do julgamento da impugnação, não foram observados os seguintes temas: a) Não foram corretamente observados os valores retidos pelas fontes pagadoras, e que não foram abatidos do auto de infração originário, conforme planilha apensada aos autos juntamente com a impugnação; b) Não foram observadas as figuras do substituto tributário e do bis in idem. OU seja, os valores que estão sendo alegados que não foram recolhidos, foram objeto de retenção dos valores pelas respectivas fontes pagadoras, bem como, estão sendo objeto de nova tributação sobre os mesmos valores; e c) Por fim, não foram observados os respectivos descritivos de confisco, que restam claros e evidentes, conforme planilhas contidas na impugnação, de que os valores que estão sendo atribuídos aos Recorrentes já foram objeto de retenção na fonte pagadora, a qual atraiu para si o ônus de comprovar as respectivas retenções, as quais constam nas NF’s apuradas pela Auditora. No mesmo sentido, fizeram as seguintes afirmações: que os valores arbitrado pela auditora, quando da lavratura do auto de infração, deixou de considerar diversas retenções e concluiu que a recorrente tivesse agido em desconformidade com os princípios legais sobre o tema, aplicandolhe multa com agravante, quando na bem da verdade não houve agravante algum; Fl. 664DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10580.721066/201330 Acórdão n.º 3202001.313 S3C2T2 Fl. 663 5 que não se trata de sonegação alguma, uma vez que houve boafé na conduta adotada pela recorrente durante o procedimento fiscal, que sempre contribuiu, fornecendo à autoridade fiscal todos os documentos, relatório e dados solicitados; que diversos valores que foram informados no auto de infração foram, de acordo com planilha juntada com a impugnação, objeto de retenção pelas respectivas fontes pagadoras, ocorrendo o fato simples de substituição tributária. É de fácil constatação de que a responsabilidade, muito embora acabe recaindo sobre o contribuinte, no caso em tela representado pela Recorrente, seja da fonte pagadora, que ao reter valores de PIS e COFINS e não fazer o devido repasse dos valores, imputou a Recorrente o fator de pagar dobrado pro valores que já lhe foram retido. Com isso, afirma que temos além da figura do substitutivo tributário situação do bis in idem; que se trata de uma situação real de confisco, ao ser [a recorrente] vítima de multa aplicada e majorada ao valor máxima (...), [aplicada] sobre valores que não lhe são de competência direta o pagamento, já que foram retidos nas respectivas fontes pagadoras; e que resta claro e evidente a nulidade total do auto, já que não foram observados diversos pontos suscitados na defesa de forma legal e fundamentada sobre os incidentes verificados no auto de infração impugnado. Merecendo reforma total da decisão de Primeira Instância para que sejam reparados os erros e fatos acima expostos, que estão representados pelo princípio da capacidade contributiva do contribuinte, do confisco claro e evidente praticado e do princípio da razoabilidade que não foram efetivamente observados. Ao final, requereu o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Da leitura do recurso voluntário, vêse que este está em total dissonância com as matérias que foram trazidas como defesa na impugnação. Na impugnação, as questões de defesa trazidas limitaramse às seguintes: (a) a ofensa ao princípio da proibição ao confisco, em razão do percentual de 150% da multa aplicada; (b) que, adotandose os princípios da razoabilidade e proporcionalidade na apuração e cálculo das penalidades, multas e correções monetárias aplicadas deveria ser levado em conta a presteza dos autuados durante todo o procedimento fiscal; (c) que o lançamento, mesmo se tratando de ato administrativo vinculado, poderia sofrer limitações quanto ao seu alcance e objeto, em razão do princípio da razoabilidade; (d) que deveria ser observado o princípio da capacidade contributiva em relação à capacidade de os autuados poderem ou não arcar com os pagamentos que lhes foram impostos; (e) da inaplicabilidade dos encargos moratórios (multa e juros de mora), em razão de a multa de mora, para sua aplicação, exigir que seja auferida a culpabilidade do contribuinte. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 No recurso voluntário, os recorrentes trouxeram matérias absolutamente estranhas àquelas abordadas na impugnação: afirmaram tratarse de caso de substituição tributária, em que já teria havido recolhimento das contribuições pelas fontes pagadoras, e que a autuação estaria incorrendo em bis in idem, de forma a representar tal fato verdadeiro confisco. Acontece que em nenhum momento essas matérias foram alegadas como defesa na impugnação, razão pela qual sequer foram objeto de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno jurídico denominado de preclusão. Não tendo sido a matéria deduzida quando do oferecimento da impugnação, é defeso ao contribuinte inovar em fase recursal, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, enfrentada pela autoridade julgadora a quo, vez que os limites do litígio, na forma estabelecida no art. 14 do Decreto nº. 70.235/72, são definidos na impugnação, não restando instaurado o litígio em relação à matéria não impugnada. Daí que, como as razões de defesa trazidas no recurso voluntário não foram deduzidas a tempo, quando do oferecimento da impugnação, em primeira instância, não se pode delas conhecer. Com essas considerações, em razão de a matéria trazida a debate no recurso ter sido atingida pela preclusão, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 666DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720228/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO.
Conforme a expressa dicção do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, o prazo para a interposição do competente Recurso Voluntário pelo contribuinte.
Inobservado o prazo legal, verifica-se a perempção do recurso interposto, e, com isso, a impossibilidade de seu conhecimento.
Numero da decisão: 1301-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por intempestividade. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Responsabilidade Recorrente MOACYR THADEU DE MENEZES (MENEZES & BURIGO DE MENEZES LTDAME) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. Conforme a expressa dicção do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, o prazo para a interposição do competente Recurso Voluntário pelo contribuinte. Inobservado o prazo legal, verificase a perempção do recurso interposto, e, com isso, a impossibilidade de seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por intempestividade. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 28 /2 01 1- 97 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório A matéria discutida nos autos, referese, na origem, à oposição da contribuinte (MENEZES & BURIGO DE MENEZES LTDAME) e dos apontados responsáveis tributários (Sr. Moacyr Thadeu de Menezes e Sra. Seuele Figueiredo da Rosa Oliveira) ao lançamento efetivado, tendo em vista a identificação, pelos agentes da fiscalização, de efetiva omissão de receitas ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, tendo sido então (via ADE do dia 08/04/2011) declarada a exclusão da empresa da sistemática do Simples (DRF/FNS no 35/2011 – fls 434), e, em seguida, apurado os montantes devidos de acordo com as regras de tributação das outras pessoas jurídicas, imputandolhe a multa de ofício qualificada (150%) e, assim, reconhecendo a responsabilidade solidária do gestor e da referida mandatária, nos termos das disposições dos artigos 124, I e 135. III do CTN. Da análise dos termos da decisão de primeira instância, chama a atenção o nãoconhecimento da impugnação originariamente oferecida pela empresacontribuinte (MENEZES & BURIGO DE MENEZES LTDAME), promovido a partir do Despacho de fls,. 462, tendo em vista que o instrumento de mandato assinado para a advogada que assinou a peça de impugnação teria sido lavrado pela Sra. Seuele Fiqueiredo da Rosa Oliveira, que, apesar de ter sido indicada como “procuradora” perante a instituição financeira para a movimentação da conta bancária, nunca apresentou nenhum instrumento de mandato que lhe conferisse poderes para tanto e nem tampouco nunca participou do quadro societário da empresa, sendo então atestada a revelia da empresa e, por isso, não conhecida a sua impugnação. A partir dessas circunstâncias específicas, atestouse a definitividade do lançamento em relação ao crédito tributário constituído (inclusive quanto às penalidades aplicadas), mantendose então, apenas, a discussão a respeito da responsabilidade solidária apresentada aos Srs. Moacyr Thadeu de Menezes e Seuele Fiqueiredo da Rosa Oliveira. Com base nessas considerações, foi então promovido o julgamento pela douta 3a Turma da DRJ/RJ1 que, analisandos as circunstâncias dos autos, reconheceu, no caso, a improcedência das impugnações apresentadas, em acórdão que assim restou ementado: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não provada a violação às disposições do Art. 142 do Código Tributário Nacional, tampouco às dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação. PROVA PERICIAL. REJEIÇÃO. Indeferese o pedido para a realização de perícia, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de regência. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11516.720228/201197 Acórdão n.º 1301001.620 S1C3T1 Fl. 3 3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido para a realização de diligências, quando concernente a provas que a lei determina sejam apresentadas com a impugnação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não elididos os fatos que lhe deram causa, mantémse a imputação de responsabilidade solidária. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. MULTA QUALIFICADA. Consolidase na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A inexigência de escrituração da norma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento dos lucros. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A não comprovação da origem de depósitos bancários enseja lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS, PIS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUEN O PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2007 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria nãoexpressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido Regularmente intimadas todas as partes indicadas (Contribuinte e responsáveis), somente pelo Sr. MOACYR THADEU DE MENEZES foi então apresentado, no dia 16/01/2014, o seu correspondente Recurso Voluntário, ausentes, portanto, recursos da empresa (MENEZES & BURIGO DE MENEZES LTDAME) e, também, da indicada Sra. SEUELE FIGUEIREDO DA ROSA OLIVEIRA. A respeito do recurso voluntário interposto pelo responsável, verifico que, opondose aos termos da r. decisão de primeira instância, aduz, em síntese: Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 A invalidade da autuação, tendo em vista fundarse em disposição legal já revogada à data de sua formalização (Lei 9.317/96, supostamente revogada pela Lei Complementar no 123/2006); A ausência de fundamento para o arbitramento dos lucros; A impossibilidade de imposição da responsabilidade tributária, com base na análise das disposições do Art. 135, inciso III do Código Tributário Nacional; Da ausência de fundamento para o “agravamento” (na verdade, “qualificação”) da multa de ofício aplicada (75% para 150%). É o que aqui vale relatar. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11516.720228/201197 Acórdão n.º 1301001.620 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. A primeira consideração a ser feita nos presentes autos, diz respeito à tempestividade do recurso interposto. De acordo com o que apontado pelas disposições do Despacho de fls. 535, o responsável, Sr. Moacyr Thadeu de Menezes, foi intimado do inteiro teor da decisão exarada pela douta DRJ no dia 16/12/2013 (Segundafeira), encerrandose, portanto, o trintídio para a oposição de seu Recurso no dia 15/01/2014 (Quartafeira). O recurso, entretanto, foi protocolado apenas no dia 16/01/2014 (Quintafeira), restando, portanto, desatendido o requisito indicado pelas disposições do Art. 33 do Decreto 70.235/72. Notese que, conforme se verifica nos autos, a impugnação originariamente apresentada pela empresacontribuinte (MENEZES & BURIGO DE MENEZES LTDAME) não foi conhecida, restando apontado nos autos a definitividade das circunstâncias relativas ao Ato Declaratório de Exclusão do Simples e, também, a aplicação dos critérios de apuração do crédito tributário e a correspondente penalidade pecuniária apontada. Além disso, pelo que se verifica, a responsável Sra. SEUELE FIGUEIREDO DA ROSA OLIVEIRA, apesar de regularmente intimada, também não recorreu da decisão. Em face dessas considerações, por não verificar, ao menos em análise sumária, qualquer discussão a respeito da validade formal do lançamento efetivado, entendo como impossível, no caso, qualquer possibilidade de superação do óbice de conhecimento do recurso, tendo em vista a sua intempestividade. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, por intempestivo, e, ainda, por não verificar nenhuma matéria que pudesse, ao menos em tese, aqui ser levantada ou conhecida de ofício. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 19/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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