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4833033 #
Numero do processo: 13149.000067/95-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE: O disposto no art. 147, § 1, do Código Tributário Nacional, não impede o contribuinte de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR no âmbito do processo administrativo fiscal, daí ser nula a decisão de primeira instância que recusa apreciar argumentos nesse sentido expendidos na impugnação. Anulada a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 202-09254
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro

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Anulada a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SELSON ETAIR PINNO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José de Almeida Coelho. Sala das Sess:/- , em 10 de junho de 1997 /PI 1' 9, 1' arc ,. : Vinícius Neder de Lima I :y dente . ti p*, - ..i"o :lie o itweiro ' elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Cabral Garofano, Helvio Escovedo Barcellos, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Tarásio Campelo Borges e Antonio Sinhiti Myasava. mdm/mas-rs 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 Recurso : 100.489 Recorrente : SELSON ETAIR PINNO RELATÓRIO O Recorrente, através da Impugnação de fls. 01 e documentos que anexou, contesta o lançamento do UR194 e acessórios, relativamente ao imóvel inscrito na Receita Federal sob o Código 3463714-1, sob a alegação de que cometeu erro no preenchimento da DITR/94 ao não declarar uma área de 600/ha utilizada na apicultura, conforme comprova o Laudo de fls. 02. A Autoridade Singular julgou improcedente a impugnação, mediante a Decisão de fls. 11/12, assim ementada: "ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL EXERCÍCIO/1994 Retificação declaração - Admite-se a retificação da declaração se atendidos os pressupostos do artigo 147 do Código Tributário Nacional, em seu parágrafo primeiro. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE." Tempestivamente, o Recorrente interpôs o Recurso de fls. 15/23, onde, em suma, aduz que comprova a atividade de apicultura pela aquisição de equipamentos conforme as notas-fiscais anexadas (fls. 17/21). Às fls. 26/29, em observância ao disposto no art. l' da Portaria MF n2 260/95, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, opinando, em síntese, - manutenção da decisão recorrida. 4r‘. É o relatório. 2 ' •, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Conforme relatado, o Recorrente contesta o lançamento do ITR194 referente ao imóvel em foco, com alegações que implicam negar as informações por ele mesmo prestadas nas quais o dito lançamento se fundou. Este Colegiado já firmou entendimento de que o disposto no art. 147, § 1, do CTN, não impede o referido procedimento. Embora não haja dúvidas quanto à impossibilidade de o Contribuinte apresentar declaração retificadora visando a reduzir ou a excluir tributo sem atendimento das condições estabelecidas no referido dispositivo legal (comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado do lançamento), isto não elide o seu direito de impugnar, no âmbito do processo administrativo fiscal, informações por ele mesmo prestadas, sob pena de afrontar ao princípio da verdade material e ao amplo direito de defesa garantido pela Constituição. O fato de a norma complementar em comento estabelecer, como condição de admissibilidade do pedido de retificação da declaração, a que ele seja anterior à notificação do lançamento, deixa claro que as suas disposições regulam procedimentos que antecedem ao lançamento propriamente dito. Assim, uma vez constituído o crédito tributário, a suspensão da sua exigibilidade, através de reclamações e recursos, só está adstrita aos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, é o que dispõe o art. 151, I, do Código Tributário Nacional. Aliás, outro não é o entendimento da Administração Tributária sobre este assunto, conforme expresso pela Coordenação do Sistema de Tributação, em situação análoga, através da Orientação Normativa Interna n' 15/76, a saber: 'Cabe impugnação contra lançamento efetuado a maior por erro cometido pelo contribuinte ao prestar a declaração de rendimentos, inobstante vedada a retificação propriamente dita desta última." E, especificamente, nas instruções estabelecendo procedimentos relativos à administração do ITR e seus consectários, como nos dá conta, por exemplo, os itens abaixo transcritos da NORMA DE EXECUÇÃO SRF/COSAR/COSIT/M 02/96: 3 -.5 - .,_ A - MINISTÉRIO DA FAZENDA ***--.;. •'1.4*Irl, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 , C } 49. A reclamação, formalizada através de Solicitação de Retificação de Lançamento - SRL/ITR, ou de impugnação, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. 49.1 - A reclamação que versar sobre matéria de fato, isto é, discordância do contribuinte quanto aos dados informados por ele na DITR, deverá estar acompanhada dos documentos relacionados no ANEXO IX, conforme o caso, comprobatórios do erro de fato alegado. 54.1 - sendo a decisão favorável ou favorável em parte ao contribuinte, demandará nova emissão de notificação/DARF, que será comandada no Sistema ITR - MÓDULO DADOS DE LANÇAMENTO, via opção RETIFICAÇÃO (3LANCANTER), quando forem necessárias alterações cadastrais, mantendo-se a data de vencimento original. Quando se tratar de alteração do VTN utilizado no lançamento do imóvel rural, ela será feita via opção Lançamento Especial (7ESPECIAL); 53 Isto posto, tendo em vista a equivocada interpretação do disposto no art. 147, § i, do CTN pela decisão recorrida, que implicou preterição do direito de defesa do Recorrente, voto pela sua anulação para que outra seja proferida com apreciação das alegações e provas apresentadas neste processo pelo Contribuinte, inclusive as apresentadas às fls. 15/23, que deverão ser entendidas como complemento da impugnação. Sala das Sessões, em 10 de junho de 1997 ----- ----__ -..‘_____,-- ANT -4 -4' •S O RIBEIRO ./v 4

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4834415 #
Numero do processo: 13657.000250/2002-47
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente geram direito ao crédito do IPI as aquisições de matéria-prima ou de produto intermediário que integre o produto final ou que sofra alterações em virtude de ação direta sobre o produto final no processo de industrialização. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-11190
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Sílvia de Brito Oliveira

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Segundo Conselho de Contribuintes •;;,.friCi MF"SipunClo Conselho de Contribuintes Pubdiejlo no M O 9 elo pot da 161r / Processo n° : 13657.000250/2002-47 de Recurso n° : 133.236 R3.113 Acórdão n° : 203-11.190 Recorrente : UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG CRÉDITOS BÁSICOS. Somente geram direito ao crédito do IPI as aquisições de matéria-prima ou de produto intermediário que integre o produto final ou que sofra alterações em virtude de ação direta sobre o produto final no processo de industrialização. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2006 Antonio erra Neto Presidente gb I 11111 %mi I s , vt • ol eira ' elatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Valdemar Ludvig, Odassi Guerzoni Filho, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Fanl/inp r“ I A r A/t c COM C) -6cot:FEIA.- , _10 IN ff 1 4fr 2° CC-MF ; Ministério da Fazenda EIIti ar t") TiN.IS. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 Recorrente : UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, protocolizou, em 26 de fevereiro de 2002, pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4° trimestre de 2001, no valor de R$1.577.674,76 (um milhão quinhentos e setenta e sete mil seiscentos e setenta e quatro reais e setenta e seis centavos). Com fundamento no relatório de verificação fiscal de fls. 544 a 546, o pedido foi parcialmente deferido, tendo sido glosado o valor de R$ 262.005,98 (duzentos e sessenta e dois mil cinco reais e noventa e oito centavos), por tratar-se de créditos relativos a bens que não se caracterizariam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem cujas aquisições pudessem gerar direito a crédito. O valor do ressarcimento deferido foi utilizado para compensar parte do débito objeto do pedido de compensação de que trata o Processo n° 13657.000253/2002-81, apenso a este, e o saldo remanescente do débito foi objeto de carta cobrança. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora-MG (DRJ/JFA) manteve o indeferimento dos créditos relativos àqueles materiais, adotando o entendimento do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, sobre os materiais passíveis de gerar crédito do IP'. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de fls. 598 a 605 para aduzir que a interpretação da legislação referente ao IPI não pode afastar-se do princípio constitucional da não-cumulatividade a que se sujeita esse imposto e alega, em síntese, que: 1— os bens objeto da glosa do crédito enquadram-se no conceito de Sumo e são produtos intermediários na cadeia produtiva da recorrente, integrando o produto industrializado; II — s6 se enquadram no conceito de uso e consumo os bens adquiridos para uso último e final e os bens em questão são peças de reposição de máquinas e equipamentos essenciais para elaboração do produto final. Ao Fmal, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para obter o ressarcimento total do crédito inicialmente pleiteado. É o relatório. IS • -.4 4. net. cutIVERE COM; Q0°81,140t." fiftASILIA )c( 2 VISTO 4 .1 A FAZEN . A - 2 ' 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CO% O ORIGINAL fp> RRAGILIA yx det: O-- Processo n° : 13657.000250/2002-47 VISTO Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. De início, esclareça-se que a recorrente fabrica e comercializa bens de consumo que compreendem gêneros alimentícios, produtos de limpeza e cosméticos e os bens cuja aquisição sofreu a glosa dos créditos do IPI, relacionados à fl. 521, são: 1- material utilizado na limpeza de peças; 2- peças utilizadas nas bombas centrífugas; 3 - material eletr. eletrônico utilizado em toda a fábrica; 4- material utilizado na limpeza da fábrica e higiene dos funcionários; 5 - chapa utilizada na confecção de peças e manutenção de equipamentos; 6- material de uso geral na fábrica; 7 - material eletr. eletrônico utilizado nas máquinas e equipamentos em geral; 8- peça utilizada no sistema eletrônico geral da fábrica; 9 - papel toalha para limpeza dos funcionários; 10- material utilizado no tratamento de efluentes; 11 - peças de reposição utilizadas na refinaria do óleo; 12- peças de reposição para máquinas de embalagem; 13 - material utilizado limpeza/tratamento água da caldeira; 14- peças de reposição usadas na tubulação aço inox da fábrica; 15 - sabão utilizado na limpeza do piso da fábrica; 16 - anéis diversos de uso geral na manutenção da fábrica; 17 - equipamento eletrônico de uso em toda fábrica; e tlik 3 • 22CC-MF Ministério da Fazenda n. tefr t;:x" Segundo Conselho de Contribuintes . •, •"L- kr? Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 18 - peças utilizadas nos compressores de ar. Relativamente ao princípio da não-cumulatividade, sem dúvida, ele possui matriz constitucional, mas seu destinatário é o legislador infra-constitucional e não o aplicador da lei. Nesse ponto, note-se que o legislador optou pela apuração do tributo por meio de compensações entre os valores do imposto pago nas entradas e os cobrados nas saídas como forma de atender ao referido princípio constitucional, assim dispondo o art. 146 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 — Regulamento do lPI (Ripi/98): An. 146. A não-cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo. (.4 Assim, instituiu o legislador um sistema de débitos e créditos que, ao final do período de apuração, pode resultar saldo credor ou devedor. Nesse sistema, os créditos são decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem para emprego na industrialização, conforme preconiza o art. 147 do Ripi/98, ipsis litteris: An. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: 1 — do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Observe-se que o supracitado dispositivo legal presume que matéria-prima e produto intermediário seriam, em princípio, apenas os bens que integrassem o produto final, por isso a parte final do dispositivo tratou de ampliar o conceito para alcançar bens que, conquanto não integrem o produto final, sejam consumidos no processo de industrialização, exceto bens do ativo permanente. Ora, tratando-se então de insumos que não integram o produto final, o cerne da questão diz respeito ao consumo desses insumos no processo de industrialização e sobre isso, há interpretação consolidada no âmbito da Secretaria da Receita Federal, da qual comungo, veiculada no Parecer Normativo da então Coordenação do Sistema de Tributação (CST) no 65, de 1979, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 1979, pela qual infere-se como condição necessária para gerar direito ao crédito que esses bens guardem semelhança com as matérias-primas e produtos intermediários que, efetivamente, se integram ao produto final. S.b pm;. Li A f latg"A - ERE COM O ORIGINAL"COrcif 4 gRa )1 1 Ity visto • . • 2.2 CC-MFMinistério da Fazenda n.-Sp -wj.r.< Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 Dessa forma, em conformidade com o referido Parecer, além das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se incorporam ao produto final, quaisquer outros bens não compreendidos no ativo permanente que, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, forem consumidos no processo de industrialização, entendido esse consumo como alterações sofridas pelo bem, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, geram direito ao crédito do imposto. Na situação em exame, os bens objeto da glosa de créditos não podem, de pronto, serem classificados como matérias-primas ou produtos intermediários que integram os produtos finais do fabricante, tampouco tratam-se de bens que sofram alterações em virtude de ação direta sobre os produtos em fabricação e, compulsando os autos, verifica-se que a recorrente não logrou apresentar descrição do seu processo produtivo, laudos técnicos ou avaliações com vista a fazer prova de que esses bens, com efeito, integram os produtos que industrializa ou sofrem alterações por agirem diretamente sobre esses produtos. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso. Sala das .essões em 22 de agosto de 2006 n c 440 y SI 1 p, • rro. . IVERA st i r, FAIENt'A • CONiERE COM O ORIUgiaç BRASLIA icu (Oro vberro 5 Page 1 _0078100.PDF Page 1 _0078200.PDF Page 1 _0078300.PDF Page 1 _0078400.PDF Page 1

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5849264 #
Numero do processo: 10855.003865/2002-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. IRPF. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9900-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, Vice-Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Otacílio  Dantas  Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão  (Presidente  da  1ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF),  Antônio  Carlos  Guidoni  Filho  (Vice­ Presidente  da  1ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF),  Rafael  Vidal  de  Araújo  (Presidente  da  2ª  Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice­Presidente da 2ª Câmara da  1ª  Seção  do CARF), Valmar Fonseca  de Menezes  (Presidente  da 3ª Câmara da  1ª  Seção  do  CARF),  Valmir  Sandri  (Vice­Presidente  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF),  Jorge  Celso  Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição  à conselheira Karem Jureidini Dias, Vice­Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz  Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki  Nishioka (Vice­Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo  (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice­Presidente da 2ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF),  Ivacir  Júlio  de  Souza  (conselheiro  convocado)  substituiu  circunstancialmente  (até  a  votação  do  item  7  da  pauta)  o  conselheiro  Marcelo  Oliveira  (Presidente  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF),  Manoel  Coelho  Arruda  Júnior  (Vice­ Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF),  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  (Vice­Presidente  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF),  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente  da  1ª  Câmara  da  3ª  Seção  do CARF), Nanci Gama  (Vice­Presidente  da  1ª Câmara  da  3ª  Seção  do CARF),  Joel  Miyasaki  (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice­ Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas  (Presidente da 3ª  Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice­Presidente da 3ª Câmara  da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente  da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice­ Presidente  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF),  Antônio  Lisboa  Cardoso  (substituição  da  conselheira Susy Gomes Hoffman, Vice­Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais).  Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/2002­09  Acórdão n.º 9900­000.897  CSRF­PL  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se de Recurso Extraordinário por divergência, fls. 0987, interposto pela  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  contra  acórdão  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF) que negou provimento a seu recurso especial, nos seguintes termos:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 1997 a 2001  DECADÊNCIA  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  ­  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  O  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  situa­se  dentre  as  hipóteses  de  lançamento  por  homologação  em  que  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  se  concretiza  no  dia  31  de  cada  ano­calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da  ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 o , do CTN).  Recurso especial negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  provimento/ao recurso especial.”    Esclarecendo  a  questão,  o  litígio  versa  sobre  qual  regra  decadencial,  das  expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso.  Em seu recurso a Procuradoria alega, em síntese, que:  1.  Insurge­se  contra  o  acórdão  proferido  pela CSRF  que  negou  provimento  a  seu  recurso,  confirmando  a  declaração  de  decadência  de  constituir  crédito  tributário do ano­calendário de 1996;  2.  Há  decisões  divergentes  (Acórdãos  01­03.215  e  01­ 02.167);  3.  A decisão a quo  aplicou a  regra decadencial  expressa  no § 4º, Art. 150 do CTN, decidindo que havia decaído  o  direito  de  constituição  do  crédito  referente  a  fatos  geradores  concretizados  em  31/12/1996,  já  que  a  ciência do lançamento ocorreu em 29/08/2002;  4.  Para  a  PGFN,  como  não  houve  recolhimento  parcial  deve  ser  aplicada  a  regra  expressa  no  I,  Art.  173  do  Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 CTN,  conforme  paradigmas  devidamente  indicados  e  comparados, analiticamente;  5.  Em  face  do  exposto,  requer  o  conhecimento  e  provimento  de  seu  recurso,  para  afastar  a  decadência  referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário  de 1996.  Por despacho, fls. 01012, deu­se seguimento ao recurso da PGFN.  O  sujeito  passivo  –  devidamente  intimado  –  não  apresentou  suas  contra  razões.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/2002­09  Acórdão n.º 9900­000.897  CSRF­PL  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  –  recurso  tempestivo  e  divergência confirmada e não reformada ­ conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise  de suas razões recursais.  Inicialmente,  cabe  salientar  que,  embora  não  esteja  previsto  no  atual  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela  Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em  sessão  de  julgamento  ocorrida  até  30/06/2009,  será,  nos  termos  do  artigo  4º  do  RICARF,  processado  de  acordo  com  o  rito  previsto  no  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007.  A  divergência  entre  os  acórdãos  recorrido  e  paradigma  está  na  regra  decadencial a ser aplicada.   A decisão a quo aplicou a regra expressa no Art. 150 do CTN, já a recorrente  pleiteia a aplicação da regra decadencial expressa no Art. 173, pela ausência de recolhuimento  parcial.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  através  de  alteração  promovida  pela  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que  “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62­A  do anexo II).  No  que  diz  respeito  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  temos  o  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0),  julgado  em  12  de  agosto  de  2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que  teve o Acórdão submetido ao regime do artigo  543­C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL  .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/2002­09  Acórdão n.º 9900­000.897  CSRF­PL  Fl. 5          7 Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC  definiu  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no  inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de  certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito.  Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de  seu direito material.   Em Direito  Tributário,  a  decadência  está  disciplinada  no  art.  173  e  no  art.  150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no  Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário.  Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência ­ que  deve ser aplicada ao caso ­ encontra­se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue­ se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido  efetuado o lançamento.   CTN:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”    Destarte,  como não houve  recolhimentos parciais, deve ser aplicada a  regra  decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, com o proviemnto do recurso da PGFN.          Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     8   CONCLUSÃO:  Diante  do  exposto,  DOU  PROVIMENTO  ao  Recurso  Extraordinário  interposto pela Procuradoria, para afastar a decadência referente a fatos geradores ocorridos no  ano calendário de 1996, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                                Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 13855.000509/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para que sejam apreciados os argumentos trazidos pela recorrente, em sede de recurso voluntário, acerca de matéria diferenciada daquela levada ao judiciário. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porque o crédito lançado não foi objeto de aferição indireta. Vencida na votação a Conselheira Relatora por entender pela nulidade do lançamento, devido à falta de fundamentação legal da aferição indireta. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 781          1 780  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13855.000509/2011­12  Recurso nº  003.491   Embargos  Acórdão nº  2302­003.491  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de novembro de 2014  Matéria  Contribuições Previdenciárias Sociais  Embargante  Minerva S/A  Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.  A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou  depois  do  lançamento,  que  tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  verse  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  ao  contencioso  administrativo,  conforme  determinado  pelo  §3º  do  art.  126  da  Lei  no  8.213/91.  O  julgamento  administrativo  limitar­se­á  à  matéria  diferenciada,  se  no  Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  COMERCIALIZAÇÃO  DE  PRODUÇÃO  RURAL.  PRODUTOR  RURAL  PESSOA  FÍSICA.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE.  A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da  produção,  independentemente  de  estas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  na  forma  estabelecida em regulamento.  Embargos Acolhidos.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 05 09 /2 01 1- 12 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da  Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos,  em acolher os Embargos de Declaração para que sejam apreciados os argumentos trazidos pela  recorrente,  em  sede  de  recurso  voluntário,  acerca  de matéria  diferenciada  daquela  levada  ao  judiciário. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porque o crédito  lançado  não  foi  objeto  de  aferição  indireta.  Vencida  na  votação  a  Conselheira  Relatora  por  entender  pela  nulidade  do  lançamento,  devido  à  falta  de  fundamentação  legal  da  aferição  indireta. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.     Liege Lacroix Thomasi – Presidente   Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora  Arlindo da Costa e Silva – Redator designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  André  Luís  Mársico  Lombardi,  Leonardo  Henrique  Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.  Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 782          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  em  face  do  sujeito  passivo  para  a  cobrança dos seguintes débitos:  1.  DEBCAD  nº  37.285.578­4  –  contribuição  previdenciária  devida  por  produtores rurais pessoas físicas, nos termos do artigo 25 da Lei nº 8.212/91,  incidente sobre a comercialização de sua produção rural, com sub­rogação da  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  pelo  cumprimento  da  obrigação respectiva, conforme 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91.  2. DEBCAD nº 37.285.579­2 – contribuição destinada ao SENAR.    Conforme Relatório Fiscal  (fls.  56/60),  a base de  cálculo  foi  obtida  através  das  planilhas  apresentadas  pela  empresa  contendo  informações  referentes  às  aquisições  de  mercadorias de produtores rurais pessoas físicas, tais como: competência, data de entrada, nota  fiscal, data de emissão, CPF e nome do fornecedor, assim como o valor contábil.  Conforme auditor, a presente autuação destina­se à prevenção da decadência,  tendo  em  vista  a  existência  de Mandado  de  Segurança  (nº  2001.61.02.012159­8)  impetrado  pela autuada  com a  finalidade de  ter  reconhecida a  inexistência de  relação  jurídica  tributária  que a obrigue ao recolhimento da contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II da Lei  nº 8.212/91. Após negada a  concessão da segurança,  foi  apresentada Apelação. Em razão da  medida cautelar proposta pela empresa, ao recurso foi atribuído efeito suspensivo.  Intimada,  a  empresa  apresentou  Impugnação,  dentro  do  prazo  legal,  defendendo a nulidade e, alternativamente, a improcedência do lançamento (fls. 539/578).  Em 18 de agosto de 2011, a 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou  procedente a autuação (fls. 650/657).  Devidamente  intimado,  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  673/685), reiterando apenas um dos argumentos dispostos na Impugnação, qual seja, a nulidade  da autuação devido à deficiência da apuração da base imponível.  No  entender  da  Recorrente,  a  fiscalização  apurou  a  base  de  cálculo  utilizando­se de simples planilha informativa elaborada pela empresa, afrontando o disposto no  artigo  142  do CTN. Neste  contexto,  sustentou  que  a  apuração  deveria  pautar­se  na  aferição  indireta,  o  que  não  foi  feito.  Ao  final,  defendeu  que  na  remota  hipótese  de  aceitação  do  procedimento utilizado, não havia fundamentação legal para tanto.  Encaminhados  os  autos  para  julgamento  na  2ª  Seção/3ª  Câmara/2ª  Turma  Ordinária,  por  unanimidade  de  votos,  não  foi  conhecido  o  recurso  por  ponderar  os  Conselheiros de que em decorrência da interposição de ação judicial com idêntico objeto teria  ocorrido renúncia à instância administrativa.   Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 Intimado o sujeito passivo, achou por bem embargar a decisão alegando que a  matéria discutida no recurso voluntário não guardaria identidade com o Mandado de Segurança  nº  2001.61.02.012159­8.  Enquanto  na  ação  judicial  estava  sendo  questionada  a  inconstitucionalidade  da  cobrança  do  FUNRURAL  e  SENAR,  no  processo  administrativo  a  discussão estava restrita à legalidade da aferição indireta (fls. 706/713).  Admitidos (fls. 779/780), foram os autos incluídos em pauta para julgamento.  É o relatório!  Fl. 784DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 783          5 Voto Vencido  Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz  O  recurso  cumpriu  com  o  requisito  de  admissibilidade,  devendo  ser  conhecido e examinado.  Afirma a Embargante que a omissão apontada reside no fato de que a matéria  tratada  em  seu  recurso  voluntário  diverge  daquela  apresentada  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança nº 2001.61.02.012159­8.  Conforme  fls.  433  (certidão  de  objeto  e  pé  do  referido  Mandado  de  Segurança),  a  empresa  em  2001  ajuizou  ação  judicial  pleiteando  o  reconhecimento  de  inexistência  de  relação  jurídica  tributária  para  o  fim  de  desobrigar­se  ao  pagamento  da  contribuição  social  incidente  sobre  a  comercialização  da  produção  rural,  prevista  no  art.  25,  incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nºs 8.540/92 e 9.528/97 e art. 25  da Lei nº 8.870/94, bem como, o direito de  compensar os valores  indevidamente  recolhidos.  Denegada a segurança, foi protocolado recurso de Apelação cujo recebimento ocorreu apenas  no  efeito  devolutivo,  sendo que,  posteriormente,  com a  interposição  de medida  cautelar  (fls.  434), foi conferido também o efeito suspensivo.  Em  relação  ao  recurso  voluntário,  a  empresa  não  pleiteou  a  inconstitucionalidade  da  cobrança,  mas  apenas  defendeu  a  apuração  equivocada  da  base  de  cálculo. Vejamos a transcrição das razões expostas no recurso voluntário:  “6.  Aduziu  a  Turma  Julgadora  que  a  RECORRENTE  teria  apresentado  planilhas  contendo  informações  referentes  à  aquisição  de  produto  rural  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  sendo  certo  que  os  valores  foram  conferidos pela fiscalização, por amostragem, e isso, para  os  nobres  julgadores,  teria  sido  suficiente  para  dar  validade aos números apresentados.  7. Contudo, em que pese o esforço da Turma Julgadora,  na  ânsia  de  fazer  prevalecer  os  trabalhos  desenvolvidos  pela  fiscalização,  não  conseguiu  elidir  o  quanto  disposto  no art. 447, da IN nº 971/09, da Receita Federal do Brasil,  que  segue  abaixo  reproduzido,  e  que,  diga­se  de  passagem, sequer foi enfrentado na decisão ora recorrida,  não  obstante  tivesse  sido  amplamente  mencionado  e  debatido  na  impugnação  apresentada  pela  RECORRENTE:”  Diante  do  que  foi  alegado,  na  minha  ótica,  a  matéria  discutida  na  ação  judicial  não  possui  similaridade  com  aquela  enfrentada  na  seara  administrativa.  Por  causa  disso, afastei a aplicação da Súmula nº 01 do CARF, abaixo transcrita, para o fim de acatar os  embargos e analisar a matéria que deixou de ser apreciada:  Fl. 785DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     6  “Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,sendo  cabível  o  lançamento  apenas  para  prevenção  da  decadência,  e  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento administrativo, de matéria distinta da constante  do processo judicial.”.  Conforme  relatório  elaborado  pelo  auditor  (fls.  56),  em  25.01.2010  o  contribuinte ao tomar ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 61/62),  foi  intimado  para  apresentar  vários  documentos,  dentre  eles,  os  arquivos  digitais  das  notas  fiscais  de  entradas  e  saídas  referentes  ao  período  fiscalizado,  na  forma  estabelecida  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  86/2001  e  Ato  Declaratório  Executivo  Cofis  nº  15/2001  (item  3.1).  Não  havendo  a  apresentação  dos  arquivos  acima,  foram  expedidas  várias  intimações solicitando a apresentação de informações sobre as aquisições dos produtos rurais  produzidos por pessoas físicas (fls. 77).   Assim  feito,  o  contribuinte  apresentou  planilhas  contendo  as  seguintes  informações:  competência,  data  de  entrada,  nota  fiscal,  data  de  emissão,  CPF,  nome  de  fornecedor  e  valor  contábil  e  CFOP  (fls.  78  a  406).  Na  época,  também  foram  entregues  os  resumos mensais  dos  livros  fiscais  de  entradas  e  saídas  de mercadorias  (fls.  407  a  431  por  amostragem), devidamente assinados pelo procurador da empresa.  De  acordo  com  o  auditor,  por  causa  da  dificuldade  imposta  pelo  sujeito  passivo e diante do grande volume de Livros  (meio papel) gerados pela empresa, no período  (fls. 57), o débito foi apurado com base nas planilhas apresentadas.  A  legislação  previdenciária  estabelece  no  art.  33,  §§  3º  e  6º  da  Lei  nº  8.212/91  que  ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  a  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício a importância devida, vejamos a norma:  “  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar,  executar,  acompanhar  e  avaliar  as  atividades  relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais previstas no parágrafo único do art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  1o  É  prerrogativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009).  Fl. 786DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 784          7 §  2o  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário da  Justiça,  o  síndico ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas nesta Lei.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009).  §  3o  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009).  ...  § 6º Se,  no  exame da escrituração contábil  e de qualquer  outro documento da empresa, a fiscalização constatar que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus da prova em contrário.” (grifo nosso)  Regulamentando  a  norma,  o  art.  447,  inciso  II,  da  IN  RFB  nº  971/09  estabelece que a aferição indireta será utilizada quando a empresa ou o segurado recusar­se a  apresentar  qualquer  documento,  ou  sonegar  informação,  ou  apresentá­los  deficientemente,  vejamos:  “Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se:  I ­ no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro  documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  da  remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do  faturamento e do lucro;  II  ­  a  empresa,  o  empregador  doméstico,  ou  o  segurado  recusar­se a apresentar qualquer documento, ou sonegar  informação, ou apresentá­los deficientemente;”  O  fato  de  a  empresa  não  ter  entregue  os  arquivos  digitais  solicitados  (das  notas fiscais de saída e de entrada), fornecendo, na oportunidade, tão somente as planilhas e os  resumos dos  livros  fiscais, autoriza o auditor a  lançar de ofício o débito, apurando a base de  cálculo de acordo com os valores declarados pelo próprio contribuinte.   Todavia,  entendo  que  o  lançamento  efetuado  com  base  na  respectiva  metodologia (no meu entender, aferição indireta) deveria ter sido motivado de modo a legalizar  o procedimento.  Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 A  motivação  está  intimamente  relacionada  à  proteção  do  administrado  na  medida em que lhe dá acesso a todos os elementos da imputação garantindo, por conseguinte, a  correta tipificação do fato, a adequação no enquadramento legal da infração, a apuração correta  da base de cálculo, viabilizando, por conseguinte,  a ampla defesa e o contraditório, proteção  esta  igualmente  protegida  pela  Constituição  Federal  (art.  5º,  inciso  LV,  Constituição  Federal/88).   O art. 142 do CTN atribui à autoridade administrativa o dever de verificar a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação da penalidade cabível, in verbis:  “Art.  142  ­  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”  A ausência de fundamento legal a respeito da aferição indireta utilizada nos  autos  enseja  a  nulidade  do  lançamento.  Eis  o  disposto  no  art.  10,  inciso  III  do  Decreto  nº  70.235/72:  “Decreto nº 70.235/72:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV  ­  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável;”    Este entendimento vem sendo acatado pelo CARF:  “CUSTEIO ­ NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO  ­  DESCARACTERIZAÇÃO  DE  VINCULO  PACTUADO  ­  AFERIÇÃO INDIRETA ­ AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO  LEGAL.   ­ Uma vez que houve aferição indireta pela apresentação  deficiente  de  documentos,  deveria  constar  no  relatório  fiscal a menção ao dispositivo do art.  33,  § 3°  da Lei  n°  Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 785          9 8.212/1991.  Ausência  de  fundamento  legal  é  causa  de  nulidade  da  NFLD.  PROCESSO  ANULADO.  (Acórdão  2401­00238,  Sessão  de  08/05/2009,  Recurso  n  o  255035,  processo  no  15885.000188/2008­11,  1  a  .  Turma  da  4a.  Câmara, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira).  ”  Não  menos  importante,  ressalto  o  julgamento  proferido  no  PAF  13855.000508/2011­60 (Recorrente: Minerva S/A), de Relatoria do Conselheiro Ivacir Júlio de  Souza (2ª Seção/4ª Câmara/3ª Turma Ordinária), em 16 de abril de 2013, a respeito do mesmo.  Transcrevo a seguir suas palavras:  “Cumpre  ressaltar  que  o  que  esta  sendo  considerado  escrituração  fiscal,  também, não passam de meras cópias produzidas pela empresa. Assim, de plano, entendo que  se a empresa não apresentou os livros contábeis exigíveis, na forma do comando do art. 142  do CTN, deveria ter sido aplicado o preceituado nos § § 1° , 2 o , 3 ° e 6º do art. 33 da Lei  8.212/91 e concomitante procedimento de aferição indireta :   ...   Compulsório ressaltar que o lançamento quando efetuado  por  arbitragem  deve  indicar  precisamente  a  fundamentação  legal  sob  a  qual  se  sustenta  o  procedimento,  seja  no  anexo  de  Fundamentos  Legais  –  FLD ou mesmo no Relatório Fiscal.  DOS FUNDAMENTOS LEGAIS DAS RUBRICAS:  Ressaltando que muito embora as Autoridades Autuantes tenham  se  valido  de  procedimentos  indiretos  para  constituir  o  crédito,  não  consta  nos  autos  fundamentação  legal  para  aferição  indireta.   ...  No âmbito da Receita Federal do Brasil, com previsão ­ pelo  menos desde a Instrução IN MF/RFB nº 829, de 18/03/2008,  no art. 596 ­ mantida nos arts. 446/447 da IN MF/RFB nº IN  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  vigente  à  época  do  lançamento,  aferição  indireta  é  um  procedimento  especial  que  requer  sejam  observadas  ao  orientações  abaixo  transcritas:   ...  Muito  embora  tenha  sido  efetuado  lançamento  com  base  em  meras  informações  da  empresa,  de  forma  indireta  portanto,  como  se  observa  às  fls.16,  o  Relatório  de  Fundamentos  Legais  das  rubricas  –  FLD,  não  revela  os  fundamentos de aferição indireta.”   Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Assim  é  que,  não  havendo  certeza  sobre  a  base  de  cálculo  imponível,  autorizado  está  a  implementação  da  aferição  indireta.  Todavia,  este  procedimento  deve  ser  motivado para o fim de legitimar a cobrança. Não sendo, torna­se nulo o lançamento.  Por todo o exposto:  CONHEÇO  dos  Embargos  Declaratórios  para  que  sejam  apreciados  os  argumentos  trazidos  pela  Recorrente  acerca  da  matéria  diferenciada  daquela  levada  ao  Judiciário. Em  relação  ao Recurso Voluntário, CONHEÇO,  por  tempestivo,  para DAR­LHE  TOTAL  PROVIMENTO,  anulando  o  lançamento  devido  à  falta  de  fundamentação  legal  da  aferição indireta.  É como voto.    Sala das Sessões, em 06 de Novembro de 2014.      Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora.    Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 786          11 Voto Vencedor  DO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS   DA AFERIÇÃO INDIRETA    Atrevo­me  a  divergir,  data  venia,  do  entendimento  esposado  pela  Ilustre  Relatora por entender que, no caso presente,  a base de cálculo do  lançamento ora em debate  não se houve por  apurada por arbitramento, mas,  sim, por coleta direta da matéria  tributável  dos documentos formalmente exigidos pela Fiscalização e apresentados pelo Contribuinte.    Merece ser destacado, ab initio, que lançamento tributário em apreciação tem  por  fundamento  legal  a  substituição  tributária  prevista  no  Inciso  III  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212/91 que impinge à empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa a  obrigação acessória de reter e recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  na forma estabelecida pelo RPS, até o dia dez do mês subsequente ao da operação de venda ou  consignação  da  produção,  independentemente  de  estas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22,  e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do  inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade  Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001).  I  ­  2%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   II  ­  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (...)  Art.  30.  A  arrecadação  e  o  recolhimento  das  contribuições  ou  de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93)   (...)  III­  a  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o  art. 25, até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda  ou consignação da produção, independentemente de estas operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;  (Redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007)    Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     12 A Legislação Tributária elegeu como documentos apropriados para o registro  e apuração da base de cálculo em realce ­ receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  rural  –  as  notas  fiscais  de  compra  e  venda  de  tal  produção  rural,  bem  como  o  lançamento contábil nos livros fiscais.  No caso em apreço, o Contribuinte foi  intimado, mediante Termo próprio, a  apresentar  arquivos  digitais  das  notas  fiscais  de  entrada  e  saída  referentes  ao  período  fiscalizado. Diante do não atendimento à intimação fiscal, a empresa houve­se, reiteradamente,  por  intimada  a  apresentar  tais  documentos,  conforme Termos  de  Intimação  01,  02,  03  e  04,  quedando­se inerte, igualmente.  Na sequência, mediante o TIF nº 06, a empresa foi uma vez mais intimada a  apresentar relação contendo informações sobre as aquisições de produtos rurais adquiridos de  produtores  rurais  pessoas  físicas.  Tal  intimação,  nestes  termos,  se  deu  em  virtude  das  dificuldades  manifestadas  pelo  Contribuinte  para  gerar  os  arquivos  digitais  solicitados  nas  diversas intimações anteriores, acima referidas.  Nessa  esteira,  o  Sujeito  Passivo  apresentou,  para  cada  um  de  seus  estabelecimentos, planilha contendo as seguintes informações de interesse do Fisco, referentes  às aquisições de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, expostas a fls. 78/406:  a)  competência;  b)  data de entrada;  c)  número da nota fiscal;  d)  data de emissão da nota fiscal;  e)  CPF do produtor rural pessoa física;  f)  Nome do fornecedor;  g)  Valor contábil da operação;  h)  CFOP;    Na mesma oportunidade, também foram entregues à Fiscalização os resumos  mensais  dos  livros  fiscais  de  entrada  e  saída  de  mercadorias,  devidamente  assinados  pelo  representante  legal  da  empresa,  para  que  a  Fiscalização  procedesse  à  conferência  das  informações relacionadas nas referidas planilhas com os lançamentos no livros contábeis.  Procedida  a  conferência,  da  análise  das  planilhas  em  realce,  constatou  a  Fiscalização  que  o  Contribuinte  houvera  adquirido  produtos  rurais  de  diversos  produtores  rurais pessoa física, cujas contribuições previdenciárias de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91  não  se  houveram  por  retidas,  tampouco  recolhidas  ao  erário,  em  total  inobservância  da  responsabilidade tributária que lhe fora atribuída pelo art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade  Social, não  lhe sendo  lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou  em desacordo  com o disposto na Lei  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar,  executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação,  Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/2011­12  Acórdão n.º 2302­003.491  S2­C3T2  Fl. 787          13 à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas a outras entidades e fundos.   (...)  §5º  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas  sempre  se presume  feito oportuna e  regularmente pela  empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com  o disposto nesta Lei.    As  bases  de  cálculo  do  lançamento  foram  apuradas  a  partir  dos  valores  contábeis da operação, nos montantes informados pela empresa fiscalizada em suas planilhas,  conferidas pela Fiscalização mediante batimento com os resumos dos livros fiscais de entrada e  saída de mercadorias.   Conforme detalhadamente ilustrado, as bases de cálculo não se houveram por  apuradas por aferição indireta, mas, sim, a partir do valor contábil das operações de compra e  venda de  produtos  rurais  de  produtores  rurais  pessoa  física,  informados  pelo Contribuinte,  e  conferidos pela Fiscalização mediante batimento com os resumos dos livros fiscais de entrada e  saída de mercadorias.   De outro eito, mas  trigo de outra safra,  adite­se que sendo de 01/03/2007 a  31/12/2008 o Período de apuração do vertente lançamento, a este não se aplicam as disposições  inscritas  na  Instrução  Normativa  nº  971/2009,  invocada  pelo  Recorrente,  em  atenção  ao  princípio Tempus Regit Actum, não havendo que se falar, pois, em nulidade por desrespeito ao  art. 447 da susocitada Instrução Normativa.    Cumpre­nos chamar a atenção para o fato de que o vertente lançamento tem  por fundamentação jurídica a norma tributária encartada no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001,  a  qual  não  se  houve  por  alcançada  pelos  efeitos  proferidos no julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852 / MG, e seus preceitos, até o  presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de  inconstitucionalidade,  seja  na  via  difusa  seja  na  via  concentrada,  exclusiva  do  Supremo  Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Ademais,  perfilando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 Quanto  às  questões  de  fato  e  de  Direito  que  guardam  identidade  com  as  matérias  levadas à apreciação do Poder Judiciário, estas não poderão ser conhecidas por este  Sodalício Administrativo  em  razão das disposições  insculpidas no §3º do  art.  126 da Lei no  8.213/91.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991  Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.    A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas  idênticas,  por  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  dando  ensejo  à  edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante:  Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.      CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  acolho  os  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  para  CONHEÇER  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário  e,  no  mérito,  NA  PARTE  CONHECIDA, NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto    Arlindo da Costa e Silva, Redator designado.                  Fl. 794DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 11516.002669/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO DECRETO Nº 3.724/01. Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF aos bancos pela autoridade fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do contribuinte, cabendo a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS E TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados e tributados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos declarados e tributados tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
Numero da decisão: 2102-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 47.820,00. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora Designada EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO DECRETO Nº 3.724/01. Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF aos bancos pela autoridade fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do contribuinte, cabendo a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS E TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados e tributados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos declarados e tributados tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 47.820,00. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora Designada EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 1.123          1 1.122  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.002669/2005­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­003.151  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de novembro de 2014  Matéria  IRPF, Depósitos Bancários  Recorrente  NEIDER FRANCISCO PANOSSO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001  SÚMULA CARF Nº 35  O  art.  11,  §  3º,  da  Lei  nº  9.311/96,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  CPMF  para  a  constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica­se retroativamente.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  INOCORRÊNCIA.  REQUISITOS  DO  DECRETO Nº 3.724/01.  Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de  RMF aos bancos pela autoridade fiscal.   PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  MPF  ASSINADO  PELO  DELEGADO  DA  RECEITA  FEDERAL  SUBSTITUTO.  DESCABIMENTO.  Não merece  acolhida  a  alegação  de  nulidade  do  lançamento  decorrente  de  fiscalização  iniciada  através  de Mandado  de  Procedimento  Fiscal  assinado  pelo Delegado da Receita Federal Substituto,  já que, na ausência do  titular,  este assume  todas as  suas  funções,  razão pela qual  integra o  rol de pessoas  competentes  para  tanto,  conforme  elencado  no  art.  6º  da  Portaria  SRF  nº  6087/05.  IRPF.  DECADÊNCIA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  ORIGEM  COMPROVADA.   O  imposto  de  renda  pessoa  física  é  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos  tributários  é  de  cinco  anos  contados  do  fato  gerador,  que  no  caso  da  presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários  sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano­calendário.  Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 69 /2 00 5- 65 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   2 DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em  seu  art.  42,  autoriza  a presunção  de  omissão  de  rendimentos  com base  nos  valores depositados  em conta bancária para os quais o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do  contribuinte,  cabendo  a  ele  a  comprovar  a origem dos  recursos  informados  para acobertar a movimentação financeira.  IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE  CÁLCULO  DO  VALOR  DOS  RENDIMENTOS  DECLARADOS  E  TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE.  Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração  do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da  Lei  nº  9.430/96  o  valor  dos  rendimentos  declarados  e  tributados  pelo  contribuinte. Tal medida se  justifica pelo  fato de que não se pode presumir  que  os  rendimentos  declarados  e  tributados  tenham  sido  utilizados  de  qualquer  outra  forma,  e  não  tenham  transitado  pelas  contas  bancárias  do  contribuinte.  IRPF.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  SÚMULA CARF Nº 30  Na  tributação  da  omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um mês  não  servem  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos  em  meses  subseqüentes.  TAXA SELIC   Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic  como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial  ao  recurso, para que  seja  excluído  da  base  de  cálculo  do  lançamento  o  montante  de  R$  47.820,00.  Vencidos  os  Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta  de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da  base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto  vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.   Assinado Digitalmente   Jose Raimundo Tosta Santos ­ Presidente  Assinado Digitalmente   Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora  Assinado Digitalmente  Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.124          3 Núbia Matos Moura – Redatora Designada  EDITADO EM: 26/11/2014  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  JOSE  RAIMUNDO  TOSTA  SANTOS  (Presidente),  BERNARDO  SCHMIDT,  ROBERTA  DE  AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS  ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.    Relatório  Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de  fls.  742/755,  para  exigência  de  IRPF  em  razão  da  apuração  de:  a)  omissão  de  rendimentos  recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e/ou FAPI (ano­calendário  2001); b) omissão de ganho de capital na alienação de um veículo Mercedes, placa LZY 0002,  em  maio  de  2001;  e  c)  presunção  de  omissão  de  rendimentos  fundada  na  existência  de  depósitos  bancários  cuja  origem deixou  de  ser  comprovada,  nos  termos  do  art.  42  da Lei  nº  9.430/96, nos meses de janeiro a dezembro de 2000.  Foi  elaborada  também  Representação  Fiscal  Para  Fins  Penais,  sob  o  nº  11516.002669/2005­65.  Inconformado, o contribuinte apresentou a  impugnação de  fls. 767/809, por  meio  da  qual  alega  que  requereu  o  parcelamento  dos  débitos  referentes  ao  resgate  das  contribuições de previdência privada do Unibanco AIG Previdência e do ganho de capital na  alienação do veículo placa LZY 0002.  No que diz respeito aos depósitos bancários, alegou, em síntese, que:  ­ o procedimento  fiscal  foi  feito ao arrepio da Lei nº 9.311/1996, vigente à  época dos fatos geradores, violando, assim, os princípios da legalidade e da irretroatividade da  lei. Alega que não  seria possível  a  aplicação  retroativa do disposto na Lei nº 10.174/01,  em  razão do art. 144 do CTN, pelo fato de que existia dispositivo expresso na legislação anterior  vedando a utilização;   ­  deixou  de  ser  cumprido  o  art.  4º,  §§  5º  e  6º,  do  Decreto  nº  3.724/2001,  ressaltando  que  o mesmo  prevê  a  necessidade  de  “relatório  circunstanciado”  elaborado  pelo  Auditor­Fiscal  para  embasar  a  expedição  da  RMF,  o  que  não  teria  sido  observado  pela  fiscalização.  Não  existindo  o  referido  relatório,  não  estariam  preenchidas  as  exigências  e  requisitos formais que dão suporte à utilização das informações bancárias para embasar o auto  de infração, ferindo § único do art. 142 do CTN;  ­ seria nulo o procedimento fiscal, posto que seria  inválido o MPF–F que o  autorizou,  já  que  foi  emitido  por  autoridade  incompetente  (delegado  substituto).  Aduz  que  ainda  que  se  cogitasse  em  delegação  de  competência,  restaria  descumprida  a  determinação  contida no art. 7º, inciso VII da Portaria nº 3.007/2001, posto que não constou do MPF o ato de  delegação;  Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   4 ­ não houve  fundamento  fático para a quebra do seu sigilo bancário, pois a  Lei  Complementar  nº  105/2001  impôs  condições  objetivas  para  minimizar  a  invasão  de  privacidade  dos  cidadãos,  dentre  elas  a  de  que  os  exames  das  informações  devem  ser  considerados indispensáveis. Assim, somente nas hipóteses previstas no art. 3º do Decreto nº  3.724/2001 seria possível a quebra do sigilo bancário estabelecida pela Lei Complementar nº  105/2001. Entretanto, não teria sido indicado nos autos a fundamentação legal para a obtenção  das informações bancárias, o que cerceia o seu direito de defesa e prejudica a validade do ato  administrativo, ferindo o art. 2º, parágrafo único, incisos VII e VIII, da Lei nº 9.784/99;  ­ ainda no que diz respeito à irregular quebra do seu sigilo bancário, que sua  movimentação bancária  teria superado em mais de 18 (dezoito) vezes os  recursos declarados  somente  porque  o  AFRF  levou  em  conta  apenas  o  pró­labore  e  a  distribuição  de  lucros  recebidos da Planel ­ no total de R$105.000,00 ­ quando deveria  ter considerado também, no  cálculo  desta  proporção,  os  rendimentos  decorrentes  da  alienação  das  cotas  da  empresa  Blocaus, de R$ 400.000,00, já conhecidos antes da emissão dos RMF, comprovados às fls. 61 a  86;  ­ estaria decadente o direito do Fisco de exigir quaisquer valores cujos fatos  geradores tivessem ocorrido entre janeiro e outubro de 2000, nos termos do art. 150, § 4º do  CTN;  ­ com relação ao mérito do lançamento, subdividiu sua defesa em três itens, a  saber:  i)  a  desnecessidade  de  coincidência  de  datas  e  valores  para  a  comprovação  dos  rendimentos;  ii) os rendimentos declarados em sua Declaração de Ajuste Anual deveriam ser  utilizados  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos;  e  iii)  para  afastar  a  presunção  legal  de  omissão, bastaria demonstrar a procedência dos valores depositados, e não a operação que lhes  deu causa.  Por  fim,  discorreu  sobre  a  aplicação  da  presunção  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96 e pugnou pela exclusão dos juros com base na variação da taxa SELIC.  Na  análise  de  tais  argumentos,  os  membros  da  DRJ  em  Florianópolis  consideraram o lançamento procedente, e julgaram não impugnadas as infrações relativas aos  itens 001 e 002. As preliminares de nulidade foram rejeitadas.  Inconformado, o contribuinte interpõe o Recurso Voluntário de fls. 943/1001,  por meio do qual, após um resumo dos fatos, alega em síntese que:  ­ as exigências relativas aos itens 001 e 002 do lançamento foram objeto de  parcelamento  e  por  isso  não  seriam  tratadas  em  sede  de  recurso,  o  qual  visava  somente  a  reforma da parcela do lançamento relativa à omissão por depósitos bancários;  ­ seu sigilo bancário fora irregularmente quebrado, pois o lançamento violou  o disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96, sendo que as alterações promovidas pela Lei nº  10.171/01  não  poderiam  surtir  efeitos  em  período  anterior  a  sua  vigência  (no  caso  em  tela,  sobre os fatos geradores ocorridos no ano de 2000);  ­  foi  violado  o  art.  5º,  §  5º  do  Decreto  nº  3.724/2001,  pois  a  fiscalização  deixou de observar a forma e os requisitos previstos para a expedição do RMF, e a DRJ deixou  de analisar esta questão em um item próprio, limitando­se a tratar da questão “de relance”;  ­  também um outro  requisito  legal para a expedição do RMF deixou de ser  cumprido, pois não houve demonstração de competência, já que o MPF constante à fl. 01 dos  autos foi assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, autoridade está que não está no  Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.125          5 rol  das  autoridades  competentes  para  a  emissão  do  MPF,  conforme  previsto  no  art.  6º  da  Portaria nº 3.007/2001. Alega que no caso vertente não foi juntada aos autos cópia da portaria  específica de nomeação do agente administrativo signatário do MPF (Delegado Substituto);  ­  não  houve  fundamento  fático  para  a  quebra  do  seu  sigilo  bancário,  razão  pela qual foi violado o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 – neste particular, alegou que o fiscal  autuante deixou de considerar o valor  recebido em  razão da venda de suas cotas da empresa  Blocaus,  nos  valor  de  R$  400.000,00,  operação  que  já  era  de  conhecimento  da  autoridade  fiscal;  ­ a decisão recorrida teria inovado ao afirmar que a quebra do sigilo bancário  não  se  deveu  ao  fato  de  a  movimentação  financeira  ter  superado  em  dez  vezes  seus  rendimentos, mas sim na existência de embaraço à fiscalização;  ­ discorreu sobre a ausência de embaraço à fiscalização;  ­  estaria decadente o direito do Fisco de  exigir  os  créditos  tributários  cujos  fatos geradores tivessem ocorrido entre os meses de janeiro e outubro de 2000, já que a ciência  do lançamento somente ocorreu em 07.11.2005;  ­  quanto  ao  mérito,  não  haveria  necessidade  de  coincidência  de  datas  e  valores entre os depósitos e as justificativas para suas origens;  ­  deveriam  ser  acolhidos  como  origem  para  os  depósitos  os  valores  declarados em sua DIRPF;   ­  a  comprovação  da  procedência  dos  recursos  seria  suficiente  a  afastar  a  presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acolhidos os valores para os quais  foram apresentados cheques e outros documentos;  ­ a forma de apuração da omissão fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 seria  muito semelhante à apuração de saldo credor de caixa, e esta a sistemática que deveria ter sido  utilizada na apuração da omissão em tela;  ­ para refutar a documentação trazida pelo contribuinte seria necessário que o  Fisco produzisse provas, o que não foi feito;  ­ deveriam ter sido considerados como comprovados os depósitos decorrentes  do distrato feito entre ele e a empresa RK&S;  ­ os valores depositados em um mês deveriam ser considerados como origem  para os depósitos do mês seguinte; e  ­  a  ilegalidade  da  utilização  da  taxa Selic  no  cômputo  dos  juros  incidentes  sobre o lançamento.  Os pedidos formulados no Recurso constam às fls. 997/1001.  O processo foi a seguir remetido a este Conselho para julgamento.  Na sessão de julgamentos de 19.08.2009, esta turma determinou a conversão  de julgamento em diligência com o seguinte objetivo:  Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   6 Por  isso,  voto  no  sentido  de CONVERTER  este  julgamento  em  DILIGÊNCIA, para que a autoridade lançadora seja instada a se  manifestar, informando:  a)  quais  os  valores  excluídos  da  base  de  cálculo  do  lançamento, no que diz respeito ao item 003 do Auto de Infração,  quanto  aos  anos­calendário  2000  e  2001,  esclarecendo  o  porquê da diferença entre os valores apontados nos relatórios de  fls.  08/11  e  aqueles  constantes  da  intimação  de  fls.  464  e  seguintes; e  b) o que motivou a exclusão de tais valores da referida base  de cálculo.  Prestadas tais informações, o Interessado deverá ser intimado  para se manifestar em 30 dias.    Em  cumprimento  a  tal  diligência,  os  autos  foram  remetidos  à  DRF  em  Florianópolis,  que  lavrou  o  Termo  de  Diligência  de  fls.  1054/1055.  Neste  termo,  restou  esclarecido que os valores considerados como de origem comprovada para fins de lançamento  foram os seguintes:  (...)  2)  Na  elaboração  da  planilha  "Depósitos  sem  origem"  foram  excluídos  os  depósitos  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas do próprio contribuinte e também os valores de depósitos  estornados.  3)  Foram  aceitas  justificativas  apresentadas  pelo  contribuinte  (fls.480 a 482; 536 a 537; 647 a 648, 653 a 655; 660 a 662; 719  a  723),  de  'modo  que  o  valor  inicialmente  considerado  como  sendo de origem não comprovada sofreu redução, como pode ser  visto  na  retificação  realizada  na  planilha  "Depósitos  sem  origem" (fls.465 a 467; 701 a 702; 739 a 41).  Outrossim,  no  que  diz  respeito  à  aceitação  dos  rendimentos  recebidos  da  PLANEL, foi esclarecido que:  Por fim, deve ser esclarecido que os valores dos rendimentos que  o  Sr.  Neider  recebeu  da  empresa  PLANEL  ENGENHARIA  E  CONSTRUÇÕES  LTDA.  no  ano  calendário  de  2000  foram  objeto  de  análise  no  curso  da  fiscalização.  Com  base  nas  informações  prestadas  pelo  contribuinte  fiscalizado  (fl.  648)  e  pela  empresa  PLANEL  (fls.558  a  569)  foi  verificado  se  os  pagamentos  efetuados  pela  empresa  PLANEL  tinham  coincidência de valores e datas com os valores relacionados na  planilha "Depósitos sem origem" (fls. 739 a 741).  Em seguida, o contribuinte foi  intimado do resultado desta diligência,  tendo  apresentado a manifestação de fls. 1099/1104 por meio da qual requer que a autoridade fiscal  preste maiores esclarecimentos acerca da diligência efetuada.  Os esclarecimentos solicitados foram prestados às fls. 1107/1111.  Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.126          7 Novamente,  às  fls.  1113/1115  o  contribuinte  apresenta  manifestação,  por  meio  da  qual  reiterou  o  pedido  de  que  fossem  acolhidos  os  rendimentos  declarados  como  origem para os depósitos bancários que ensejaram o lançamento.  Diante de tais manifestações, os autos retornaram ao CARF para julgamento.  Na  sessão  de  15  de  maio  de  2012  foi  determinado  o  sobrestamento  do  recurso, por força do disposto no art. 62, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF.  Em face da alteração no regimento Interno deste Conselho, retornam os autos  agora para julgamento de mérito.  É o Relatório.      Voto Vencido  Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora   O recurso é tempestivo ­ pois o Recorrente teve ciência de decisão recorrida  em 03.08.2006, tendo protocolado seu Recurso em 22.08.2006 ­ razão pela qual dele conheço.  A matéria em litígio em sede deste Recurso Voluntário versa somente sobre a  infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários  cuja  origem  deixou  de  ser  comprovada  pelo  Recorrente,  nos  termos  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96 (quanto às demais infrações objeto do lançamento, foi requerido o seu parcelamento).  Em sua defesa, o Recorrente suscita algumas questões preliminares. São elas:  a) seu sigilo bancário fora irregularmente quebrado, por violação ao § 3º do art. 11 da Lei nº  9.311/96; b) foi violado o art. 5º, § 5º do Decreto nº 3.724/2001, pois a fiscalização deixou de  observar  a  forma  e  os  requisitos  previstos  para  a  expedição  do  RMF,  e  a  DRJ  deixou  de  analisar esta questão em um item próprio, limitando­se a tratar da questão “de relance”; c) não  houve demonstração de competência,  já que o MPF constante à fl. 01 dos autos  foi assinado  pelo Delegado da Receita Federal Substituto; d) não houve fundamento fático para a quebra do  seu sigilo bancário, razão pela qual foi violado o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001; e) a decisão  recorrida  teria  inovado ao afirmar que a quebra do sigilo bancário não se deveu ao fato de a  movimentação financeira ter superado em dez vezes seus rendimentos, mas sim na existência  de  embaraço  à  fiscalização;  f)  estaria  decadente  o  direito  do  Fisco  de  exigir  os  créditos  tributários cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre os meses de janeiro e outubro de 2000,  já que a ciência do lançamento somente ocorreu em 07.11.2005.  Passa­se à sua análise antes de analisar o mérito do lançamento.  a)  violação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96  Tal  pedido  merece  ser,  de  plano,  rechaçado,  em  face  do  disposto  no  Enunciado nº 35 da Súmula deste CARF, que assim dispõe:  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   8 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações da CPMF para a constituição do crédito tributário  de outros tributos, aplica­se retroativamente.  Sendo  assim,  deve  ser  aplicado  aqui  o  caput  art.  72  do Regimento  Interno  deste Conselho, que assim determina:  Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos membros do CARF.  b) Violação ao art. 5º, § 5º do Decreto nº 3.724/2001  Alega  o  Recorrente  que  o  lançamento  seria  nulo  por  não  terem  sido  observadas  as  disposições  do Decreto  nº  3.724/01,  afirmando  ainda  que  a  decisão  recorrida  teria deixado de analisar este ponto de sua defesa.  Com efeito, deve­se ressaltar que a decisão recorrida analisou sim este pedido  do Recorrente, como se depreende às fls. 960/964 dos autos. Por isso, não há que se falar em  nulidade da decisão recorrida por eventual cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  há  qualquer  nulidade  no  lançamento  quanto  a  este  particular, tendo em vista que consta do Auto de Infração (especificamente às fls. 783/784 dos  autos  digitais)  a  motivação  para  a  expedição  das  RMF  aos  bancos  nos  quais  o  Recorrente  mantinha  conta.  No  item  “b”  das  considerações  da  autoridade  fiscal  autuante  consta  o  esclarecimento  de  que  a  movimentação  bancária  do  Recorrente  correspondeu  a  18  vezes  o  rendimento declarado por ele no ano de 2000 – o que por si só já justificaria a expedição das  requisições de movimentação financeira.  O  fato  da  decisão  recorrida  ter  se  referido  à  sua  recusa  em  oferecer  à  autoridade fiscal os extratos solicitados vem apenas a corroborar a motivação para a expedição  das RMF no caso em tela, não havendo que se falar em qualquer nulidade.  Vale ressaltar ainda, quanto a este ponto, que a fiscalização que deu origem  ao  lançamento  ora  analisado  foi  motivada  por  provocação  do  Ministério  Público  Federal,  conforme ofício n°1693/04 — UTC/PR/SC (fl. 6).  c) MPF assinado por Delegado Substituto  Alega o Recorrente que seria nulo o lançamento pelo fato de o MPF ter sido  assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, sendo que não haveria nos autos o ato  através do qual teria havido a “delegação de competência” ao Delegado Substituto para assinar  o referido MPF.  Entretanto,  a  decisão  recorrida  é  irretocável  neste  particular,  e  merece  ser  mantida por seus próprios fundamentos, como se depreende do trecho a seguir transcrito:  Logo, na ausência, por qualquer motivo, do Delegado da Receita  Federal,  o  Delegado  Substituto,  nomeado  por  portaria  especifica,  assume  automaticamente  o  cargo,  sendo  investido,  também automaticamente, com todas as competências do titular,  inclusive  a  competência  para  a  emissão  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal.  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.127          9 A competência para a emissão dos Mandados de Procedimento  Fiscal não é privativa da pessoa, mas do cargo de Delegado da  Receita Federal. Ainda que como sustituto, o ocupante do cargo  é  que  tem a  prerrogativa da  emissão do mandado. Com efeito,  afastandose ou ficando impedido o Delegado da Receita Federal  todas as atribuições inerentes o cargo passam automaticamente  a serem exercidas por seu substituto.  Portanto, não há que se falar em delegação de competência, cuja  transferência  de  poderes  independe  de  afastamento  temporário  do  titular  dos  mesmos.  No  mais  das  ­Vezes,  a  delegação  de  competência é motivada para dar maior desenvoltura à execução  das  atividades  administrativas,  eximindo  o  titular  a  quem  incumbe  a  pratica  dos  atos,  possibilitand6  a  este  maior  disponibilidade para dedicar­se A. execução de outras atividades  inerentes ao cargo.  (...)  Ademais,  a  jurisprudência  deste  CARF  é  unânime  em  reconhecer  a  possibilidade de o MPF  ser assinado pelo delegado  substituto,  como demonstra a  ementa do  seguinte julgado:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Exercício: 1999, 2000, 2001 MANDADO DE PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  AUTORIDADE  EMITENTE  ­  DELEGADO  SUBSTITUTO  ­  SUBSTITUIÇÃO DO DELEGADO  TITULAR  ­  HIGIDEZ ­ Um dos princípios informadores do serviço público é  a  continuidade.  A  ausência  regulamentar  da  autoridade  do  cargo público deve  implicar na  imediata  substituição por outro  agente  público,  mormente  nos  cargos  de  fiscalização.  O  Delegado  substituto  da  delegacia  da  Receita  Federal,  no  exercício da titularidade, detém todas as competências do titular,  inclusive a de emitir Mandado de Procedimento Fiscal. (...)  (Acórdão nº 10616881, julgado em 25.04.2008)  Assim, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada.  d) Violação ao art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e e) Fundamento utilizado  pela decisão recorrida  Estes dois itens já foram analisados no item ‘b’ supra.  f) Decadência  De  acordo  com  a  defesa,  o  fato  gerador  do  IRPF  no  caso  em  tela  seria  mensal, e o prazo decadencial deveria ser computado com base no art. 150, § 4º do CTN.   Sua pretensão não merece acolhida.  Sem entrar aqui no mérito da discussão sobre qual a norma a ser utilizada no  caso concreto (se o art. 150 § 4º do CTN, ou o art. 173, I do mesmo diploma legal), fato é que a  jurisprudência hoje pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   10 de que o fato gerador do IRPF é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este  entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa:  IRPF  –  DECADÊNCIA  –  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  ORIGEM COMPROVADA. O  imposto de  renda pessoa  física é  tributo  sujeito  ao  regime  do  denominado  lançamento  por  homologação,  sendo  que  o  prazo  decadencial  para  a  constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do  fato  gerador,  que,  segundo  o  entendimento  majoritário  da  Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada,  ocorre  em 31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário.  Ultrapassado  esse  lapso  temporal,  sem a expedição de  lançamento de ofício, opera­se a  decadência,  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte  está  tacitamente  homologada  e  o  crédito  tributário  extinto,  nos  termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156,  inciso V, ambos do  CTN.  Recurso especial negado.  (Ac.  nº  CSRF/04­00.553,  julgado  em  21.03.2007,  Rel.  Cons.  Gonçalo Bonet Allage)  Por  isso,  aliás,  foi  editada  a Súmula CARF nº  38,  segundo  a qual:  “O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.”.  Sendo assim, o pleito do Recorrente não merece acolhida, já que o Fisco teria  – considerando o disposto no art. 150, § 4° do CTN ­ até 31.12.2005 para efetuar o lançamento  relativo  ao  fato  gerador  do  IRPF  ocorrido  em  31.12.2000.  No  caso,  como  a  ciência  do  lançamento se deu em 07.11.2005 – não há que se falar em decadência.   Mérito: Quanto à origem dos depósitos  No que diz  respeito ao mérito do  lançamento, o Recorrente afirma que não  haveria  necessidade  de  coincidência  de  datas  e  valores  entre  os  depósitos  e  as  justificativas  para  suas  origens  e  que  deveriam  ser  acolhidos  como  origem  para  os  depósitos  os  valores  declarados em sua DIRPF.   Afirmou  ainda,  quanto  ao  mérito,  que  a  comprovação  da  procedência  dos  recursos seria suficiente a afastar a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devendo ser  acolhidos os valores para os quais  foram apresentados cheques e outros documentos; e ainda  que  a  forma  de  apuração  da  omissão  fundada  na  referida  norma  seria  muito  semelhante  à  apuração  de  saldo  credor  de  caixa,  e  esta  a  sistemática  que  deveria  ter  sido  utilizada  na  apuração da omissão em tela.   Diante  de  tais  alegações,  é  forçoso  esclarecer  que  a  Lei  nº  9.430/96  estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser  revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove  a  origem  daqueles  rendimentos.  Por  isso  que  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  janeiro  de  1997,  cabe  sempre  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  origem  dos  valores  transitados  por  sua  conta  bancária. Nestes  casos,  o  ônus  da  prova  não  é mais  da  autoridade  Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.128          11 fiscal  (no  sentido  de  comprovar  a  ocorrência  de  eventual  omissão)  e  sim  do  próprio  contribuinte (de que não houve qualquer omissão).  Sendo  esta  uma  determinação  legal,  não  cabe  ao  julgador  administrativo  avaliar  sobre  o  seu  acerto  ou  sua  tecnicidade,  mas  somente  aplicá­la.  Neste  sentido,  este  Conselho  editou  a  Súmula  nº  1,  segundo  a  qual:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”.   Exclusão dos rendimentos recebidos e declarados  O Recorrente  pugna  pela  exclusão  do  lançamento  de  determinados  valores  cuja comprovação teria sido feita em sede de Impugnação.   A  primeira  destas  exclusões  se  refere  aos  valores  recebidos  da  empresa  RK&S. Segundo ele, tais valores se referiam à devolução de um montante adiantado por ele em  relação  a  um  contrato  firmado  com  a  referida  empresa  e  que  teria  sido  posteriormente  rescindido.  Sobre tais alegadas comprovações, assim se manifestou a DRJ:   — depósitos  realizados nos dias 18/10/2000 e 25/10/2000, nos  valores  de  R$3.500,00  e  R$6.500,00  (fls.  353  e  355).  Na  impugnação o contribuinte alega que os depósitos originaram­se  da rescisão de contrato de prestação de  serviços que  teria  tido  com  a  empresa  RK&S  Engenharia  de  Estruturas  Ltda.  e  corresponderiam a devolução de valores adiantados.  Durante  a  ação  fiscal,  em  atendimento  a  intimação  para  comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte juntou, as fls.  714  a  718,  cópias  dos  cheques  emitidos  pela  empresa  RK&S  Engenharia  de  Estruturas  Ltda.  e,  à  fl.  646,  "TERMO  DE  ENTENDIMENTO",  datado  de  01  de  agosto  de  2.000,  com  o  seguinte teor:  I  —  Fica  convencionado  entre  as  partes  a  liquidação  total  do  acordo verbal,  realizado em meados de maio/1998, entre a RK&S  ENGENHARIA DE ESTRUTURAS LTDA., SOHO LTDA. E Neider  Francisco  Panosso,  cujo  Termo  de  Entendimento  encerra  totalmente  todas  as  pendências  existentes.  Para  tanto,  a  RK&S  ENGENHARIA  DE  ESTRUTURAS  LTDA.,  acima  qualificada,  devolve  a  Neider  Panosso,  a  importância  de  R$10.000,00  (dez  mil  reais),  importância  esta  representada  por  03  (três)  Notas  Promissórias,  no  valor  de  R$3.500,00  (três  mil  e  quinhentos  reais) a primeira, com vencimento no dia 18/10/2000, e as demais  no valor de R$3.250,00 (três mil duzentos e cinquenta reais), cada  uma,  com  vencimento  nos  dias  18/11/2000  e  18/12/2000,  respectivamente. [..]  O  "Termo  de  Entendimento"  juntado  pelo  requerente  é  um  contrato particular, despido de qualquer formalidade, do qual se  depreende trata de um "acordo verbal ' não podendo ser aceito.  Tal documento não constitui prova consistente de que os valores  depositados correspondem mesmo a devolução de adiantamentos  Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   12 de pagamentos de serviços contratados e rescindidos, conforme  alegado. O novo Código Civil assim dispõe:  (...)  E mais:  (...)  Como  se  vê,  o  instrumento  particular  vale  entre  as  partes  contratantes, que se obrigam diante dele. Mas, para que surtam  efeitos  perante  terceiros,  os  documentos  devem  revestir­se  de  formalidades mínimas prescritas em lei.  O  contrato  apresentado  é  tão­somente  instrumento  particular,  desprovido de qualquer registro publico ou outro meio capaz de  demonstrar  a  efetividade  das  operações  que  nele  se  encerram.  De  acordo  com  o  artigo  221  do Código  Civil,  os  instrumentos  particulares não operam efeitos em relação a terceiros, antes de  registrados  no  devido  registro  público,  o  que  faz  com  que  o  contrato  trazido  pelo  contribuinte  não  sirva  para  comprovar  a  natureza  dos  cheques  emitidos  pela  RK&S  Engenharia  de  Estruturas Ltda. em favor do impugnante.  Tal  decisão  deve  ser  mantida.  Não  só  pelos  argumentos  acima  transcritos,  mas  também pelo  fato de que não há  a efetiva prova da natureza dos valores  recebidos pelo  Recorrente.  Para  que  esta  prova  fosse  feita,  deveria  ele  trazer  aos  autos  a  comprovação  dos  valores  anteriormente  pagos  à  RK&S,  de  forma  a  comprovar  documentalmente  a  transação  anterior que justificaria a alegada devolução dos valores pela RK&S a ele.  Na  falta de prova,  e  sem que se  tenha certeza  sobre a natureza dos valores  depositados, é de se manter o lançamento quanto aos mesmos.  Ainda no que diz respeito aos depósitos alegadamente comprovados, assim se  manifestou a decisão recorrida sobre os demais documentos trazidos aos autos pelo Recorrente:  — deposito realizado em 30/03/2000, no valor de R$2.345,00 (fl.  333):  o  contribuinte  pretende  justificar  o  deposito  em  dinheiro  de  R$2.345,00  na  CEF  com  a  assertiva  de  que  a  parcela  de  R$757,00  refere­se  a  três  cheques  compensados  no mesmo  dia  no  Banco  BCN. Como  se  vê,  não  há  sequer  a  coincidência  de  valores;  deveria,  então,  o  contribuinte  comprovar  que  na  composição  do montante  depositado  estavam os  três  cheques  e  não o fez.  — depósitos em dinheiro realizados em 05/07/2000, no valor de  R$200,00 e R$147,87 (fls. 341 e 342): 0 contribuinte alega que  foi pró­labore recebido da Plane, no entanto não junta qualquer  comprovação de que a empresa tenha lhe efetuado o depósito.  — depósito efetuado em 28/08/2000, no valor de R$5.600,00 (fl.  461):  o  contribuinte  pretende  justificar  o  deposito  em  dinheiro  de R$5.600,00 no HSBC em 28/08/00 com um cheque sacado na  mesma data no BCN no valor de R$973,00.  Como se vê,  tal decisão foi devidamente fundamentada e analisou um a um  os  depósitos  cuja  comprovação  pretendia  o  Recorrente.  Contra  ela,  porém,  o  Recorrente  limitou­se a  reiterar os argumentos  já expostos em sede de  Impugnação,  sem trazer qualquer  Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.129          13 argumentação nova que contraditasse a decisão recorrida. Desta forma, merece ser mantida a  decisão também quanto a estas supostas comprovações.  O  recorrente  pugna  também  que  sejam  excluídos  da  base  de  cálculo  do  lançamento  valores  recebidos  no  ano  de  2000  e  declarados  em  sua DIRPF,  notadamente  os  valores  recebidos  da  empresa  PLANEL  (a  título  de  pro­labore  e  lucro)  e  ainda  os  valores  recebidos pela venda de sua participação societária na empresa Blocaus.   No que diz respeito aos rendimentos da PLANEL, o extrato da DIRF de fls.  575  demonstra  que  o Recorrente  recebeu  no  ano­calendário  de  2000  rendimentos  brutos  no  valor  de  R$  60.000,00,  sobre  os  quais  incidiu  uma  retenção  de  IRRF  no  valor  total  de  R$  12.180,00. Tais rendimentos deixaram de ser considerados como origem para os depósitos pela  autoridade  lançadora  em  razão  da  inexistência  de  coincidência  de  datas  e  valores  entre  os  montantes  líquidos  recebidos  e os  créditos  efetuados  em suas  contas bancárias –  informação  esta  que  foi  corroborada  em  sede  de  diligência  anteriormente  determinada  por  esta  turma  julgadora.  Neste aspecto, porém, entendo que merece ser acolhida a pretensão recursal e  reformada a  decisão  recorrida. Este Conselho  vem decidindo  que os  rendimentos  declarados  pela  pessoa  física  podem  e  devem  ser  considerados  como  origem  para  fins  de  apuração  do  IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal  medida  se  justifica  pelo  fato  de  que  não  se  pode  presumir  que  os  rendimentos  recebidos  e  declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de  qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.  Assim,  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  o  valor  correspondente  ao  montante líquido destes rendimentos, ou seja, R$ 47.820,00.  Já no que diz respeito aos valores recebidos a título de distribuição de lucros,  o Recorrente trouxe aos autos para comprová­los cópia do Livro Razão da empresa PLANEL  (fls. 584/593) do qual constam lançamentos de pagamentos de distribuições de lucros a ele nos  meses  de  junho,  julho  e  agosto,  cada  qual  no  valor  de  R$  15.000,00.  O  somatório  destas  parcelas perfaz os R$ 45.000,00 constantes de  sua DIRPF,  cuja  exclusão pleiteia da base de  cálculo deste lançamento. Diante da documentação acostada aos autos, e pelas mesmas razões  acima  expostas no que diz  respeito  ao pro­labore  recebido,  entendo que  este montante deva  também ser excluído da base de cálculo do lançamento.  Por  fim,  no  que  diz  respeito  aos  R$  400.000,00  relativos  à  venda  de  suas  cotas na empresa Blocaus, seu pedido não merece acolhida.  Neste  ponto,  a  decisão  recorrida  foi  bem  fundamentada,  tendo  negado  a  pretensão do Recorrente pelos seguintes motivos:  Alegações  genéricas,  de  que  os  depósitos  decorreriam  dos  rendimentos informados na DIRPF e dos oriundos da alienação  de  cotas  da  empresa  Blocaus  (R$400.000,00)  não  podem  ser  acatadas como hábeis ao afastamento da presunção. Em regra,  ou o contribuinte demonstra a origem de cada um dos depósitos  por documentos hábeis e  idôneos coincidentes em data e valor,  de  forma  individualizada,  ou  então  deve  arcar  com  o  peso  da  presunção legal. Tal ônus, ressalte­se, é atribuição da lei, e não  da vontade da autoridade fiscal.  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS   14 Contra  tal decisão o Recorrente deixou de apresentar quaisquer argumentos  em sede de Recurso Voluntário, fazendo menção a tais valores somente em sede de resposta à  diligência determinada por esta turma julgadora. Diante de tal situação, e considerando a falta  de provas de que tais valores tenham sido depositados em suas contas, não se pode acolher o  montante pretendido como origem para os depósitos bancários em questão.  Depósitos de um mês para o mês seguinte  Alega  o Recorrente  que  ­  os  valores  depositados  em  um mês  deveriam  ser  considerados como origem para os depósitos do mês seguinte. Tal pedido, porém, não merece  acolhida, em face da jurisprudência já consolidada a este respeito.  Vale  ressaltar que o Enunciado nº 30 da Súmula deste Conselho estabelece  que:  Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos  em  meses  subsequentes.  Ilegalidade da taxa SELIC  Por fim, também não merece acolhida o pedido de exclusão da aplicação da  taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula  nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  segundo a qual:  “A partir  de 1º de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”.  Por  isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de  Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa.  Diante  de  todo  o  exposto,  VOTO  no  sentido  de  REJEITAR  AS  PRELIMINARES argüidas, e no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja  excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 92.820,00.  Assinado Digitalmente   Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti   Voto Vencedor  Conselheira Núbia Matos Moura, redatora designada  Discordo da ilustre relatora somente no que diz respeito aos valores recebidos  a título de distribuição de lucros da empresa PLANEL, no valor de R$ 45.000,00.  É bem verdade que relativamente aos rendimentos oferecidos à tributação nas  Declaração  de  Ajuste  Anual  entendo  que  é  razoável  admitir­se  que  tais  recursos  tenham  transitado nas contas bancárias do recorrente, de sorte que filio­me a corrente que defende que  tais  recursos  sejam  excluídos  da  tributação,  ainda  que  o  contribuinte  não  demonstre  a  vinculação entre os créditos havidos em suas contas bancárias e referidos rendimentos.  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/2005­65  Acórdão n.º 2102­003.151  S2­C1T2  Fl. 1.130          15 Contudo, tal entendimento não pode ser estendido aos rendimentos isentos e  não tributáveis. Veja que o contribuinte pretende ver excluídos dos créditos efetivados em suas  contas  bancárias  a  quantia  de R$ 45.000,00,  recebida  em  decorrência  de  lucros  distribuídos,  que são rendimentos isentos, sem demonstrar a vinculação, com datas e valores coincidentes,  entre tais rendimentos e os créditos bancários investigados. Segundo consta do Livro Razão da  empresa PLANEL, houve pagamentos de  lucros  ao contribuinte nos meses de  junho,  julho e  agosto,  nos  valores  de  R$ 15.000,00,  cada  um.  Contudo,  do  exame  dos  créditos  levados  à  tributação no lançamento não se verifica nenhum depósito correspondente em data e valor.  Aqui deve­se registrar que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente admite  a exclusão do lançamento de créditos, cuja origem esteja comprovada. Isto porque o objetivo  maior  do  referido  dispositivo  legal  é  de  possibilitar  a  exigência  do  correto  pagamento  do  imposto  de  renda.  Assim,  excluir  dos  créditos  investigados  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis sem a devida demonstração de que tais rendimentos efetivamente transitaram pelas  contas bancárias do contribuinte é fazer letra morta do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  Nestes  termos,  voto  por  manter  a  tributação  em  relação  ao  valor  de  R$ 45.000,00,  que  o  contribuinte  afirma  tratar­se  de  lucros  distribuídos,  sem,  contudo,  demonstrar a vinculação entre tais rendimentos e os créditos havidos em suas contas bancárias.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura                Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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Numero do processo: 10680.720283/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF.GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. ELISÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratar-se de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação tem-se pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem. Reconhece-se a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319) MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias e etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (conforme Acórdão 9202-003.128 - CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres, que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 494          2 ocorrência  do  fato  gerador  ou  retarda  o  seu  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária.   A  multa  qualificada  não  é  aplicada  somente  quando  existem  nos  autos  documentos  com  fraudes  materiais,  como  contratos  e  recibos  falsos,  notas  frias  e  etc.,  decorre  também  da  análise  da  conduta  ou  dos  procedimentos  adotados  pelo  contribuinte  que  emergem  do  processo.  (conforme  Acórdão  9202­003.128 ­ CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014)  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso.  Votou  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida. Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  César Quadros  Pierre,  José  Valdemir  da  Silva  e  Flavio Araujo Rodrigues Torres, que davam provimento ao recurso.   Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.  Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto como relatório, em parte, aquele elaborado  pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 460), complementando­o ao final:  Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrado o  auto  de  infração de fls. 377 a 389, referente a Imposto de Renda Pessoa  Física,  anos­calendário 2007 e 2008,  formalizando a  exigência  de imposto suplementar no valor de R$ 34.208,62, acrescido de  multa de ofício qualificada  (150%) e  juros  de mora calculados  até fevereiro de 2012.  A  autuação  decorreu  de:  1)  omissão  de  rendimentos  recebidos  de pessoa jurídica a título de reajuste das parcelas recebidas por  alienação de bem imóvel nos totais de R$_1.843,64 (2007) e R$  9.218,20  (2008);  2)  omissão  de  ganho  de  capital  auferido  nos  meses de  setembro de 2007 a maio de 2008  (R$ 43.841,61, em  setembro  e  R$  21.920,80,  em  cada  um  dos  demais meses),  em  decorrência  da  alienação  do  Lote  3­A, Quadra H,  Loteamento  Vila  da  Serra,  Nova  Lima, MG,  em  setembro  de  2007,  para  a  Construtora Valle Ltda., a prazo.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 495          3 (...)  O  contribuinte,  bem  como  João  Henrique  Franco  Garcia  e  Rômulo Franco Garcia são identificados, no Registro de Imóvel  (fls.  15  a  17),  como  adquirentes  de  ¼  do  imóvel,  em  2002,  e  alienantes, para Construtora Valle, da mesma fração adquirida.  Igualmente são os alienantes indicados na Escritura Pública de  fls.  25  a  33  e,  juntamente  com  os  demais  alienantes,  firmam  recibo de quitação objeto da averbação 7­25.319 (fl. 17).  Garcia  Construções  e  Participações  Ltda.  figura,  no  Contrato  Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel (fls. 20 a  24),  como alienante de ¼ do  imóvel,  em  substituição a Bráulio  Franco Garcia, João Henrique Franco Garcia e Rômulo Franco  Garcia.  Os  pagamentos  pactuados  no  referido  contrato  foram  depositados  em  conta  bancária  de  titularidade  de  Garcia  Participações Ltda.  (...)  Bráulio  Franco  Garcia  informou  na  Declaração  de  Bens  e  Direitos  constante da Declaração de Ajuste Anual do  exercício  2008  que  teria  alienado  o  lote  em  questão  para  Garcia  Construções  e  Participações  Ltda.  por  R$  112.600,00,  praticamente o valor de aquisição (R$ 112.599,21).  Creio ainda que bem resume a autuação a seguinte afirmação, que transcrevo  da Impugnação, na folha 438:  "Em  síntese,  a Fiscalização afirmou que  não  houve a  primeira  venda  do  lote  de  terreno,  em  março  de  2007,  à  Garcia  Construções  e  Participações  Ltda.,  por  parte  de  seus  sócios,  entre eles o ora Impugnante. Aduziu que a venda do  terreno se  deu  diretamente  pelos  sócios  (pessoas  físicas)  à  Construtora  Valle, em setembro de 2007"  (...)  Na  construção  dessa  presunção  as  dignas  auditoras­fiscais  negaram qualquer  validade  jurídica  aos  documentos  que  serão  comentados a seguir e que destroem essa presunção ­ o contrato  de  compra  e  venda,  firmado  entre  a  Construtora  Valle  e  a  Garcia  Construções  e  Participações  Ltda.;  a  escrituração  da  Garcia  Construções  e  pArticipações  Ltda  (que  a  própria  Fiscalização deu como boa ­ vide documento anexo); e ainda os  pagamento  feitos  pela  adquirente,  Construtora  Valle,  mediante  depósitos na conta bancária da vendedora (Garcia...)."  Apresentada a Impugnação, assim a analisou a DRJ em Belo Horizonte/MG:  ­  em  relação  à  primeira  venda,  que  foi  descaracterizada  pela  Fiscalização,  disse que não houve a transferência da propriedade, mediante título translativo no Registro de  Imóveis  e  o  pagamento  pela  alegada  compra­venda  entre  as  pessoas  jurídicas  só  foi  contabilizado  pela  Garcia  posteriormente,  "já  que  o  dinheiro  estava  em  conta  conjunta  das  mencionadas pessoas físicas";  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 496          4 ­  fatos  registrados  em  escrituração  contábil  que  não  estão  lastreados  em  documentos hábeis são inócuos como elementos de prova;  ­ estéril a alegação do  impugnante de que o  lançamento estaria  fundado em  presunção, eis que embasado em documentos hábeis e idôneos, hábeis à comprovação do valor  e  data  da  alienação,  bem  como  à  identificação  dos  alienantes  e  adquirentes,  não  havendo  reparos a serem feitos quanto ao  fato gerador e valor apurado considerados nos  itens 0001 e  0002 do auto de infração;  ­  verifica­se que o  contribuinte  agiu  com o propósito de omitir  o  ganho de  capital efetivamente obtido por ocasião da alienação para a Construtora Valle, criando apenas  contabilmente uma alienação anterior do bem para a empresa de que é sócio. Tal conduta está  prevista na Lei 4.502/1964, art. 71 e justifica a imposição da multa de ofício qualificada (Lei  9.430/1996, art. 44, I, §1º, com redação dada pela Lei 11.488/2007, art. 14).  E  assim  deu­se  o  julgamento  recorrido,  para  considerar  improcedente  a  impugnação e manter o crédito tributário exigido, com aplicação da multa de 150%.  Cientificado dessa decisão em 13/06/2012, conforme Aviso de Recebimento  na  folha  470,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  em  12/07/2012  (protocolo  na  folha  472). Em sede de recurso, repisa as mesmas razões expendidas na impugnação e em resumo,  aduz o seguinte:  ­  o  fato  de  não  ter  havido  "a  transferência  da  propriedade" mediante  título  registrado não é razão para se manter a autuação e deve­se buscar na legislação do imposto de  renda (artigo 117 do RIR/1999) a definição do fato gerador da obrigação, para concluir que não  é  o  registro  do  título  no  Registro  de  Imóveis  que  interessa,  mas  quaisquer  operações  que  importem alienação, cessão, promessa de cessão, etc... de bens;  ­  em  relação  ao  pagamento,  afirma  que  foram  feitos  pela  adquirente  do  terreno,  Construtora  Valle,  mediante  depósitos  na  conta  bancária  da  Garcia  Construções  e  Participações Ltda. Houve ainda sua contabilização;  ­ ressalta que a venda pelo Recorrente à empresa da qual é sócio foi noticiada  à Receita Federal quando da entrega tempestiva da DIRPF de 2008, ano base 2007;  ­ entende ainda descabida a aplicação da multa qualificada, haja vista que não  se provou qualquer conduta dolosa.  REQUER  que  seja  reformado  o  Acórdão  recorrido  para  considerar  improcedente a autuação fiscal, cancelando­se qualquer cobrança.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  conforme  relatado  e,  obedecidas  as  demais  formalidades legais, dele tomo conhecimento.  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 497          5 A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do  processo, transforma do em meio magnético (arquivo.pdf)  Bem a discussão resume­se no seguinte: três pessoas físicas (irmãos), dentre  eles Bráulio, aqui Recorrente, são sócios de uma pessoa jurídica, a Garcia Ltda. Em 2002, as  pessoas físicas adquiriram parte de um terreno, conforme Escritura Pública.   Alega­se,  então,  que  em março  de  2007  essas  pessoas  físicas,  sem  registro  imobiliário competente, venderam à pessoa  jurídica da qual são sócios, pelo mesmo valor de  compra, o imóvel em questão. Existe registro na contabilidade da empresa.  Com  data  de  05  de  setembro  de  2007,  existe  um  "Contrato  Particular  de  Promessa de Compra e Venda de Imóvel", onde o imóvel é vendido pela Garcia Ltda a outra  pessoa jurídica, a Construtora Valle Ltda.  No registro imobiliário nunca constou a primeira venda, dos sócios à Garcia  Ltda, e por isso a Escritura, ao ser passada, em 03 de março de 2008, foi feita diretamente das  pessoas físicas à compradora Valle Ltda.  Ao apresentar sua DIRPF em abril de 2008, o Recorrente informou a venda  do terreno à Garcia Ltda e, como se dera pelo mesmo preço de compra, não foi apurado ganho  de capital.  Enfim,  deve­se  resolver  se  de  fato  houve  a  transmissão  do  bem  da  pessoa  física de Bráulio Franco Garcia (e outros) para a Garcia Ltda e, posteriormente, essa transferiu  à Valle Ltda, ou se a primeira venda deve ser desconsiderada e apurado o ganho de capital, na  pessoa física do Recorrente, como entenderam as Auditoras Fiscais autuantes.  A primeira alegação do recurso é que para fins tributários deve­se observar a  legislação do imposto de renda e não ater­se apenas aos conteúdos e formas do direito civil e  considerar­se  que  somente  o  registro  do  título  translativo  em  Cartório  consubstanciaria  a  transferência da propriedade.   É de ser lembrado então o artigo 109, do CTN:  Art.  109.  Os  princípios  gerais  de  direito  privado  utilizam­se  para pesquisa da definição, do  conteúdo e do alcance de  seus  institutos,  conceitos  e  formas,  mas  não  para  definição  dos  respectivos efeitos tributários.  E aí interpreta Luciano Amaro que:  "...não se nega ao direito tributário a prerrogativa de dar efeitos  iguais para diferentes institutos de direito privado (por exemplo:  pode  a  lei  dar  para  fins  tributários,  à  doação,  ao  aporte  na  integralização  de  capital,  etc.,  os  mesmos  efeitos  da  compra  e  venda). Mas é a lei tributária que (se quiser) deve dá­los, e não o  intérprete. Não há razão para supor que o legislador tributário,  quando mencione, por exemplo, o negócio de compra e venda de  imóvel, ignore a existência da promessa de compra e venda, da  cessão de direitos de promitente comprador, do aporte de capital  etc.  Se  ele  quiser  também  atingir  um  desses  outros  negócios  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 498          6 jurídicos,  basta  que  o  faça  expressamente,  seguindo,  aliás,  o  exemplo da própria Constituição, que, ao estatuir a competência  tributária sobre a transmissão de imóveis, refere expressamente  a cessão de direitos à sua aquisição (art. 156, II). Aliás, essa é a  prática  do  nosso  legislador  ordinário  do  imposto  de  renda,  quando prevê a tributação de ganho de capital na venda de bens  e na realização de outros contratos que  têm o mesmo conteúdo  econômico.  Mas  esses  outros  contratos  são  atingidos  não  por  terem igual conteúdo econômico, e sim porque a lei lhes conferiu  igual tratamento jurídico."(AMARO, Luciano. Direito Tributário  Brasileiro.  Saraiva,  15ª  ed.,  2009,  p.  227,  apud  PAULSEN,  Leandro.  Direito  tributário:  Constituição  e  Código  Tributário....15.  ed.  ­  Porto  Alegre  :  Livraria  do  Advogado  Editora, ESMAFE, 2013, p. 904)  Assim,  a  legislação  do  imposto  de  renda,  como  percebeu  o  Recorrente,  atribuiu efeitos tributários a outros contratos envolvendo a transmissão de direitos sobre bens,  que tenham o mesmo "conteúdo econômico" da compra e venda.  Então,  parece­me  que  não  pela  simples  ausência  da  Escritura,  se  desconsideraria  uma  compra  e  venda,  sob  o  aspecto  tributário.  Mas  vejamos  o  questão  do  "conteúdo econômico".  A  interpretação  da  norma  tributária,  até  para  a  segurança  do  contribuinte,  deve ser primordialmente  jurídica, mas  a  consideração econômica não pode ser  abandonada.  Assim,  uma  relação  jurídica  sem  qualquer  finalidade  econômica,  digo,  cuja  única  finalidade  seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito.  Em  qualquer  caso,  tenho  sempre  defendido  a  teoria  da  prevalência  da  substância  sobre  a  forma e que a  "verdade material"  aplica­se  tanto  a  favor do Contribuinte,  quanto a favor do Fisco.  A doutrina italiana do Professor Francesco Tesauro aponta a diferença entre  evasão  e  elisão  (elusione)  dizendo  que  os  contribuintes,  no  propósito  de  um  certo  resultado  econômico, são livres, no exercício de sua autonomia negocial, para escolher e seguir a estrada  fiscalmente  menos  onerosa.  Existe,  entretanto,  uma  economia  (lícita)  de  imposto  e  uma  economia "elisiva".   A  'elusione' pode ser definida como uma forma de economia fiscal que está  conforme a letra, mas não conforme a ratio da norma tributária. Um método de interpretação  antielisivo  reconhece máximo  relevo  aos  elementos  sistemáticos,  valoriza  a  ratio  do  tributo,  utiliza argumentos como "o espírito" (escopo) da lei, a "realidade" (a natureza) das coisas, etc...   Outra técnica  'antielusiva' consiste em re­qualificar os negócios jurídicos de  modo a fazer emergir, de sua aparência formal e exterior, o verdadeiro negócio posto adiante  pelas  partes.  Neste  caso,  é  operada  uma  "re­qualificação"  dos  negócios,  ou  mesmo  uma  "superação"  da  "forma"  que  os  contratantes  tenham  dado  ao  contrato  (princípio  "substance  over form").  Não esqueço que haja na legislação brasileira o parágrafo único do artigo 116  do CTN, que introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 2001,  trouxe a chamada "norma  antielisiva" e teve sua constitucionalidade questionada no STF (ADIN 2.446). Mas mesmo para  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 499          7 os  que  entendem  pela  sua  não  autoaplicabilidade  por  causa  da  remissão  a  observância  de  "procedimentos  a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária",  destaco  que  ensina  o  Professor  Tesauro  que  nos  ordenamentos  nos  quais  não  exista  uma disposição  antielisiva que  autorize  expressamente  a  re­qualificação  dos  negócios,  as  administrações  tributárias  e  os  juízes  recorrem  igualmente  à  técnica  supracitada,  para  possibilitar  assim  a  tributação  aos  negócios  "elisivos".  Remete  especialmente  ao  caso  da  experiência  francesa,  onde  afirma  que  a  jurisprudência tributária do Conselho de Estado expôs a noção de "abuso de direito" (tocante  aos  "atos  simulados")  às  operações  jurídicas  realizadas  cuja  regularidade  não  é  posta  em  dúvida,  mas  que  têm,  como  único  objetivo,  perseguir  um  tratamento  fiscal  mais  vantajoso.  (TESAURO, Francesco. Istituzioni di Diritto Tributário. 1 parte, 9ª ed. Utet Giuridica. Milano.  2009. p. 248/250)  Marco Aurélio Greco diz sobre o "planejamento tributário" que:  "na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir  antes do  fato gerador  e mediante atos  lícitos,  salvo  simulação;  na segunda fase, ainda predomina a liberdade de agir antes do  fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento  é  contaminado  não  apenas  pela  simulação,  mas  também  pelas  outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e  a  fraude  à  lei...."(GRECO,  Marco  Aurélio.  Planejamento  Tributário.  3ª  ed.  Dialética:2011,  p.319  apud  PAULSEN,  Op.  Cit., p.925)(sublinhei)  Não encontro na situação que se concentra nestes autos finalidade ou escopo  econômico  para  a  transferência  do  terreno  das  pessoas  físicas  para  a Garcia  Ltda. Noto  que  apesar de serem sócios da empresa, não se falou em "integralização de capital", mas defendeu­ se  sempre  que  houvera  uma  "venda". Assim,  a  empresa  teria  "comprado"  o  imóvel  de  seus  sócios e esse negócio não foi registrado em Cartório.   Alega­se  que  está  registrado  na  contabilidade  da  empresa,  mas  como  já  expuseram  as  Autoridades  Fiscais,  o  mero  registro  contábil,  sem  o  suporte  documental,  de  pouco  vale,  mesmo  porque  a  empresa  é  gerida  pelos  próprios  sócios,  que  têm  interesse  no  registro.  Também observo que não se conseguiu comprovar que a empresa pagara aos  sócios pela compra do terreno. O Recorrente não conseguiu apresentar prova deste pagamento  e, no Termo de Verificação Fiscal, está assentado que fora alegado que a conta da empresa era  "conjunta" com os sócios, então não houve circulação do dinheiro.  Assim, apesar do citado contrato particular de Promessa de Compra e Venda  de Imóvel (fl. 20) entre a Garcia Ltda e a Valle Ltda, em que também se funda o recurso, para  afirmar que o imóvel havia sido transferido para a pessoa jurídica pelos sócios, entendo que se  aplique ao caso o conceito de "simulação":   “A  simulação  é  a  modalidade  de  ilícito  tributário  que,  com  maior  freqüência,  costuma  ser  confundida  com  elisão....na  simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à  vontade efetiva....A causa da ocultação está sempre voltada para  a  obtenção  de  algum  benefício  que  não  poderia  ser  atingido  pelas  vias  normais,  o  que  demonstra  tratar­se  de  um  ato  antecipadamente  deliberado  pelas  partes  envolvidas,  que  se  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 500          8 volta para um fim específico.” (MARTINS. Ives Gandra da Silva;  MENEZES,  Paulo  Lucena  de,  Elisão  Fiscal  RDDT  nº  63,  dezembro 2010, p.159)  Esse Contrato  e o  registro na contabilidade, portanto,  seriam simulações de  vontade, antecipadas pelas pessoas físicas que tinham, ao "transferir" o imóvel para a empresa  de  sua  propriedade,  o  único  escopo  de  evitar  a  tributação  pelo  "ganho  de  capital",  nelas  próprias.    Dessa  feita,  não  desconheço  que  haja  tal Contrato,  que  aliás  foi  depois,  no  curso da fiscalização, descaracterizado pelas Diligências junto à compradora Valle Ltda, mas  entendo que o mesmo deva ser  superado  e o negócio  re­qualificado  (nos  termos da doutrina  supracitada) para se concluir que a primeira venda, registrada na contabilidade da Garcia Ltda.  não  teve  nenhum escopo  econômico  (ou  o business  purpose  test, do direito  tributário  norte­ americano) e tal registro, assim como o Contrato, outra finalidade não visava que não contornar  a tributação do ganho de capital nas pessoas físicas. Seria aceita como lícita a economia fiscal  quando  decorrente  de  negócio  que,  além  de  evitar  o  imposto,  tivesse  um  objetivo  negocial  explícito.      Quanto ao fato dos pagamentos terem sido feitos pela Valle Ltda na conta da  empresa Garcia Ltda, já se apontara que havia uma confusão entre o dinheiro dos sócios e da  empresa, nessas contas, tanto que, na alegada venda do terreno dos sócios à Garcia Ltda, não se  conseguiu  demonstrar  efetivo  pagamento,  ou  transferência  de  valores,  por  essa  razão.  (destacado no Termo de Verificação Fiscal, fl. 413)    Quanto ao fato de ter noticiado à Receita Federal, na DIRPF/2008, a venda  do  terreno  à Garcia  Ltda.,  observo  que  a  declaração  de  ajuste  anual  do  imposto  de  renda  é  entregue no ano seguinte (exercício) e que no caso a mesma foi entregue depois dos fatos aqui  em  comento,  logicamente  informando­os  da  forma  como  convinha  ao  Recorrente.  Não  obstante, o imposto de renda é tributo sujeito a lançamento por homologação e as informações  apresentadas  pelo  contribuinte  não  são  definitivas,  cabendo  ao  Fisco,  dentro  do  prazo  decadencial,  homologá­las ou não. Neste  caso, nessa  ação  fiscal,  o Fisco buscou demonstrar  que as informações não correspondiam à realidade e não as homologou, com a lavratura deste  Auto  de  Infração,  em  procedimento  de  ofício.  Portanto,  a  DIRPF/2008  entregue  unilateralmente não é "prova" de que a venda tenha­se dado da forma como ali se dispôs.    DA MULTA QUALIFICADA  Na  presente  Ação  Fiscal  foi  aplicada  a  multa  de  150%,  qualificada,  enquadrada no artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007.  Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, "é a espécie de multa que tem  por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por  elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator  de  atuar  com  dolo,  fraudar  ou  simular  situação  perante  o  Fisco"  (CARVALHO,  Paulo  de  Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581)  Na lição de VENOSA:  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 501          9 A  fraude  é  vício  de  muitas  faces.  Está  presente  em  um  sem­ número  de  situações  na  vida  social  e  no  Direito.  Sua  compreensão mais acessível é a de  todo artifício malicioso que  uma pessoa emprega com intenção de  transgredir o Direito ou  prejudicar interesses de terceiros. A má­fé encontra guarida não  só na fraude, mas também em outros vícios, como dolo, coação e  simulação. (VENOSA. Silvio de Salvo, Direito Civil, 4ª ed. Parte  Geral. Atlas: 2004, p. 505/506)  Não  existe  uma  "presunção"  de  infração,  o  que  se  encontrou  aqui  foi  a  simulação de um negócio jurídico, a partir da ausência de propósito negocial em uma alegada  venda sobre a qual não conseguiu o contribuinte comprovar a efetividade. A finalidade única  foi, então, a economia do imposto.  Não  há  que  se  imaginar  que  tudo  deu­se  sem  intenção  e  planejamento  dos  agentes (dolo) e que essa intenção não envolvia a redução de carga tributária sobre os valores  envolvidos.  A  lei  4.502/64,  art.  72,  conceituou  fraude  como  “toda  ação  ou  omissão  dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da  obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de  modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.”  Já por dolo ou conduta dolosa entende­se:  “...a  consciência  e  a  vontade  de  realização  dos  elementos  objetivos  do  tipo  de  injusto  doloso...  é  saber  e  querer  a  realização  do  tipo  objetivo  de  um  delito.  O  dolo  é,  de  certo  modo,  a  imagem  reflexa  subjetiva  do  tipo  objetivo  da  situação  fática  representada  normativamente.  A  conduta  dolosa  é  mais  perigosa  –  e  deve  ser  punida  mais  gravemente  –  do  que  a  culposa.”  (PRADO,  Luiz  Regis.  Curso  de  Direito  Penal  Brasileiro,  6  ed.  Rio  de  Janeiro:  Revista  dos  Tribunais,  2006,  p.113,  Apud  PAULSEN,  Leandro.  Direito  Tributário:  Constituição  e  Código  Tributário....15.  ed.  ­  Porto  Alegre  :  Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062)  Vejamos  o  Acórdão  9202­003.128  ­  CSRF,  2ª  turma,  que  trata  especificamente da matéria:  A  fraude  se  caracteriza  por  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  ocultação,  e  pressupõe,  sempre,  a  intenção  de  causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se  subtrair,  no  todo  ou  em  parte,  a  uma  obrigação  tributária.  Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional,  específico,  onde,  utilizando­se  de  subterfúgios,  escamoteia  na  ocorrência  do  fato  gerador  ou  retarda  o  seu  conhecimento por parte da autoridade fazendária.   (...)  A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos  autos  documentos  com  fraudes  materiais,  como  contratos  e  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/2012­01  Acórdão n.º 2801­003.958  S2­TE01  Fl. 502          10 recibos  falsos,  notas  frias  etc.,  decorre  também  da  análise  da  conduta  ou  dos  procedimentos  adotados  pelo  contribuinte  que  emergem do processo. (Acórdão 9202­003.128, CSRF, 2ª Turma,  de 27 de março de 2014)  Assim, a partir da análise do caso feita neste Voto e inclusive das lições dos  Mestres,  acima  transcritas,  entendo  que  houve,  nos  presentes  autos,  demonstrada  intenção  (dolo) de fraudar (simulação) o Fisco, autorizando a manutenção da multa, conforme aplicada.  CONCLUSÃO  Em razão do  todo aqui exposto, VOTO por negar provimento ao recurso,  mantendo a exigência fiscal.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada                                Fl. 502DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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Numero do processo: 11080.006685/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/2009­18  Acórdão n.º 3302­002.854  S3­C3T2  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente e Relator.     EDITADO EM: 27/02/2015  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,  Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio  Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.    Relatório  Por  bem  representar  os  fatos,  transcrevo  e  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida, como segue:  Trata o presente processo de lançamento de ofício de Cofins não cumulativa  envolvendo períodos desde  julho de 2005 até dezembro de 2007  (fls. 224 a 236 –  Cofins e fls. 249 a 261). Conforme os relatórios de ação fiscal (fls. 240 a 248 e 265 a  273), constatou­se que houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, cujos valores  são o objeto do lançamento. No relatório, considerou­se que a transferência onerosa  de  créditos  de  ICMS  a  terceiros  é  receita  da  fiscalizada,  tendo  sido  citada  a  legislação de referência, em especial as Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ainda, seguindo  o  relatório,  tais  valores  não  podem  ser  confundidos  com  a  exportação  em  si  e  a  possibilidade desses valores  serem excluídos da  receita bruta só  se deu a partir de  janeiro  de  2009,  com  a  Lei  10.945/09.  Ao  efetuar  a  tributação,  se  estaria  reestabelecendo o equilíbrio na operação. A empresa foi cientificada em 06/10/2009  (fl. 276).  Irresignada,  apresentou  impugnação  em  28/10/2009  (fls.  278  a  318).  Indica  que  a  produção  da  recorrente  é,  predominantemente  exportada,  com  imunidade  constitucional. Os respectivos créditos de ICMS podem ser transferidos. Transcreve  o  art.  149  da  Constituição  Federal  e  o  art.  25  da  Lei  Complementar  87/96.  Argumenta  que  os  créditos  de  ICMS  não  podem  ser  considerados  como  receita  bruta,  tratando­se  de  benefícios  fiscais.  Alega  que  não  seria  legítimo  que  a  Constituição  Federal  assegure  o  princípio  da  não  cumulatividade,  imunizando  exportações, para depois permitir a tributação pelo PIS e Cofins sobre os decorrentes  créditos  escriturados  e  transferidos.  Tal  situação  apenas  transferiria  receita  dos  Estados para a União.  Ainda de acordo com a impugnação, a tributação pelas referidas contribuições  do crédito de ICMS da empresa exportadora seria um “bis in idem”, sendo que trata­ se  de  tributo  embutido  nos  insumos  pagos,  porém  restituível,  conforme  previsão  constitucional e legal. Aduz que a matéria já estaria sendo superada no judiciário e,  mesmo, nos julgados administrativos, transcrevendo decisões da justiça federal, TRF  da  4a Região  e  do Conselho  de Contribuintes.  Por  fim,  requer  o  cancelamento  do  auto de infração.  Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/2009­18  Acórdão n.º 3302­002.854  S3­C3T2  Fl. 4          3 A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha a esta  DRJ para apreciação.  Em 14/06/2013, veio a empresa novamente aos autos, solicitando juntada de  petição na qual noticia o julgamento pelo STF do Recurso Extraordinário nº 606107,  proferido em sede de repercussão geral, consoante disposto no art. 543­B do CPC,  versando sobre a matéria objeto do presente processo administrativo.  Compre  registrar,  também,  que  foi  determinada  a  análise  do  processo  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  nº  502673522.2013.404.7100/RS, impetrado pela empresa. Em decorrência, o processo  administrativo foi encaminhado prioritariamente para apreciação. A decisão judicial  foi anexada aos autos nas fls. 351 a 354.  A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre ­ RS julgou procedente o  lançamento,  nos  termos  do  Acórdão  no  10­44.840,  de  28/06/2013,  cuja  ementa  abaixo  se  transcreve.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007  CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE COFINS.  A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte,  sendo base de cálculo para o PIS e a Cofins até a vigência dos  arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de  2008.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007  CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS.  A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte,  sendo base de cálculo para o PIS e a Cofins até a vigência dos  arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de  2008.  Ciente  desta  decisão  em  02/07/2013  (conforme  Termo  de  Abertura  de  Documento),  a  interessada  ingressou,  no  dia  09/07/2013,  com  Recurso  Voluntário,  no  qual  renova  os  fundamentos  da  impugnação  sobre  a  natureza  da  receita  decorrente  da  cessão  de  crédito de ICMS e a obrigatoriedade do dos Conselheiros do CARF aplicarem a Portaria MF nº  586/2010 para reproduzir o julgamento do RE 606.107 pelo STF.  Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Relator.  Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/2009­18  Acórdão n.º 3302­002.854  S3­C3T2  Fl. 5          4   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais.  Dele se conhece.  Como  relatado,  trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  lavrado  em  razão da falta de inclusão, pelo autuado, a receita de cessão de crédito de ICMS, decorrente de  exportação, na base de cálculo do PIS e da Cofins.  Alega  a  Recorrente  a  necessidade  da  Turma  de  Julgamento  reproduzir  o  julgamento do RE 606.107 pelo STF.  Esta  Turma  de  Julgamento  enfrentou  a  matéria  posta  em  julgamento  na  sessão  de  24/07/2013,  quando  foi  julgado  o  recurso  voluntário  contido  no  Processo  nº  15586.001586/2010­85, cujo voto condutor do respectivo Acórdão nº 3302­002.228, da lavra  da  Ilustre Conselheira Maria  da Conceição Arnaldo  Jacó  tomo  a  liberdade  de  reproduzir  na  íntegra.  DA TRIBUTAÇÃO DO PIS E COFINS SOBRE RECEITA DE CESSÃO DE  CRÉDITOS  DE  ICMS,  CUJA  NÃO  INCIDÊNCIA  SÓ  TERIA  OCORRIDO  LEGALMENTE A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DE 2009 (LEI N° 11.945/2009).  A  discussão  atinente  à  exigibilidade  do  PIS  e  COFINS  sobre  os  valores  referentes a  transferência de crédito de  ICMS para  terceiros, por meio do Recurso  Extraordinário  nº  606107  interposto  pela  União  Federal  contra  acórdão  proferido  pelo  TRF  da  4ª  Região,  que  assentou  não  incidirem  PIS  e  Cofins  sobre  a  transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de  que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96, foi submetida à sistemática de  Repercussão  Geral  (tema  283),  prevista  no  §  1º  do  art.  543­A  do  CPC,  com  a  redação da Lei 11.418/2006, por se tratar a questão de análise do conceito de receita,  base econômica que delimita as contribuições PIS e COFINS, envolvendo, pois, o  tema  da  competência  tributária,  tendo  entendido  a Ministra  relatora  Ellen  Gracie  tratar­se  de  questão  relevante  do  ponto  de  vista  econômico,  político,  social  ou  jurídico, que ultrapassa os interesses subjetivos da causa.  E  nesta  condição,  nos  termos  do  art.  543­B  do Código  de  Processo Civil  ­  CPC, referido RE 606107 foi julgado na sessão de 22 de maio de 2013, tendo sido  proferida  a  decisão  definitiva  de mérito  pelo  o  STF,  cuja Ministra  relatora,  Rosa  Weber,  em  seu  voto,  decidiu  manter  a  decisão  do  Tribunal  de  origem,  em  seus  próprios  fundamentos,  por  entender,  dentre  outros  argumentos,  que  os  valores  de  créditos de ICMS decorrentes de exportações transferidos a terceiros não constituem  receita  tributável, mas  custo/despesa  recuperável,  com a  finalidade  de  desonerar  a  empresa exportadora.  Ainda segundo a Ministra, o art. 149, §2º, I, da CF, aplicável ao PIS/Cofins,  imuniza as  receitas decorrentes de exportação, de modo que  tais contribuições não  devem incidir sobre os valores relativos dos referidos créditos de ICMS transferidos  a terceiros.  A Ministra  citou  alguns  precedentes  do  STF  (RE  nº  217.233,  RE  474.432,  AgR no RE 327.414 e AgR no RE 205.355) e votou pelo desprovimento do recurso  da União, tendo sido seguida pela maioria dos Ministros, vencido apenas o Ministro  Dias Toffoli.  Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/2009­18  Acórdão n.º 3302­002.854  S3­C3T2  Fl. 6          5 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora,  conheceu  e  negou  provimento  ao  recurso  extraordinário,  vencido  o  Ministro Dias Toffoli. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa.  Falaram, pela recorrente, o Dr. Luiz Carlos Martins Alves, Procurador  da  Fazenda  Nacional,  e,  pela  recorrida,  o  Dr.  Danilo  Knijnik.  Plenário, 22.05.2013.”  A  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  Junho  de  2009,  que  aprova  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  e  dá  outras  providências, estabelece em seu art. 62­A, in verbis:.  “Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.” (Portaria MF nº 586/2010)  Assim, tendo em vista o julgamento do mérito do RE 606107 pela sistemática  da Repercussão Geral, referente à mesma matéria ora em litígio, aplica­se as disposições do art.  62­A do RICARF.  Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para  excluir  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  objeto  do  lançamento,  a  referida  receita  de  transferência onerosa de créditos de ICMS.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA  ­ Relator                                Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA

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Numero do processo: 10840.904458/2011-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 3          2 VARIAÇÃO  CAMBIAL  POSITIVA.  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  MÉTODO  DE  RATEIO  PROPORCIONAL.  RECURSO  REPETITIVO.  REPRODUÇÃO  DA  DECISÃO DO STF.  A  reprodução  de  decisão  do  STF  em  julgamento  na  sistemática  do  recurso  repetitivo,  que  baseou­se  no  entendimento  de  que  a  receita  originada  da  variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é  considerada  receita  decorrente  de  exportação,  implica  considerar  tal  receita  como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio  proporcional para atribuição de créditos no regime da não­cumulatividade da  Cofins  e  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  como  receita  de  exportação  e  como  receita  bruta  total,  acrescendo  tanto  o  numerador  quanto  o  denominador da rateio.  ÁLCOOL  PARA  FINS  CARBURANTES.  INCIDÊNCIA  CUMULATIVA  DA CONTRIBUIÇÃO.  A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser  incluída no  cálculo de  receitas de  exportação para apuração da  relação percentual  a  ser  aplicada  à  soma  dos  gastos  que  dão  direito  a  crédito  presumido  mercado  externo, porque se enquadra no regime não­cumulativo de apuração.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  ÔNUS DA PROVA.  Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.  INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado:  I)  Por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao  recurso  em relação à preliminar  suscitada de nulidade da decisão da DRJ;  II)  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  cancelar  as  exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às  aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados  no corte e carregamento de cana­de­açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança  da contribuição social, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de  exportação  como  receita  de  mercado  externo  e,  no  cálculo  do  rateio  proporcional,  no  numerador  e  no  denominador;  III)  Pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  em  relação  as  demais  matérias.  Vencidos  os  Conselheiros  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel,  Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral  ao recurso em face das demais matérias.      Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 4          3 (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sergio Celani, Marcos Antônio  Borges,  Cássio  Schappo, Maria  Inês  Caldeira  Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.    Relatório  Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide.  “A  interessada  pleiteia,  por meio  de Declaração de Compensação,  o  crédito  relativo  à  COFINS,  mercado  externo,  do  terceiro  trimestre  de  2006,  apurado  de  conformidade  com  o  art.3°  da  Lei  n°  10.833/2003,  que  após  a  dedução  com  a  COFINS  devida,  nos  termos  do  art.  6°,  §1°,  Inciso  I  da  mesma  Lei,  resultou,  segundo  entendimento  da  empresa,  em  um  remanescente  a  compensar  de  R$  170.146,10.  O  Serviço  de  Fiscalização,  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls.  298/311), constatou as seguintes incorreções:  1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas  e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas;  2  –  aquisição  de  cana­de­açúcar  em  desacordo  com  a  legislação  de  contribuinte pessoa física e jurídica;  3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes  utilizados  nos  veículos  para  cultivo  e  transporte  de  cana­de­açúcar;  desconto  de  créditos  sobre  os  valores  das  aquisições  de Óleo Diesel  tributado  à  alíquota  zero;  Lubrificantes;  Mercadorias  e  Serviços  não  aplicados  no  sistema  produtivo  da  empresa;  4  ­  Despesas  de  Fretes  e  Armazenagem  de  Mercadorias/Produtos,  sem  apresentar  os  documentos  hábeis  e  idôneos  (notas  fiscais)  para  ter  direito  ao  respectivo crédito;  5  ­  Receitas  de  exportações  de  álcool  carburante  (incidência  cumulativa)  classificadas incorretamente como receitas não­cumulativas pela contribuinte;  6  –  Variação  Cambial  decorrente  das  exportações  efetuadas  pela  empresa  incluídas indevidamente no valor das exportações.  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 5          4 Após  a  auditoria,  foi  glosado  o  valor  de R$ 153.534,34  no  trimestre,  sendo  que  a  empresa  tem  direito  ao  ressarcimento  nos  montantes  de  R$  16.611,76,  no  mesmo período, para compensação, conforme a legislação vigente.  Cientificada do Despacho Decisório de fl. 313, e inconformada, a contribuinte  apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls.323/336.  Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do  rateio  proporcional,  alegando  que  não  é  esta  a  forma  prevista  pelas  normas  aplicáveis.  Afirma  que  toda  a  cana­de­açúcar  adquirida  pela  Manifestante  tem  como  único  destino  a  produção  de  açúcar  e  etanol,  e,  por  conseguinte,  tem  direito  ao  crédito  presumido.  Continua,  rebatendo  que  não  utilizou  crédito  presumido  de  COFINS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução  Normativa nº 660/2006.  Quanto  ao  crédito  presumido  de  aquisição  de  cana­de­açúcar  de  pessoa  jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004.  Refere­se aos  insumos utilizados no processo produtivo, defende os créditos  do óleo diesel com alíquota zero e,  ainda, óleo e  lubrificante desconsiderados, são  utilizados  em  fase  procedimental  intrínseca  à  atividade  principal  e  defende  a  ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004.  Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadram­se  no regime não­cumulativo”.  Defende  que  os  documentos  apresentados  comprovam  a  armazenagem  de  álcool  para  exportação  e  combate  o  entendimento  do  Auditor­fiscal  que  somente  seria  possível  crédito  sobre  o  frete  pago  para  aquisição  de  cana­de­açúcar  e  transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como  receita de exportação.  Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.”  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto­ DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir:  “Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃO­ CUMULATIVA.  INSUMOS.  PROCESSO  PRODUTIVO.  UTILIZAÇÃO.  Para  efeitos  de  apuração dos  créditos  da Contribuição  para  a  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  não­cumulativa,  entende­se  como  insumos  utilizados  na  fabricação ou  produção de  bens  destinados  à  venda apenas  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 6          5 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃO­ CUMULATIVA.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS.  PROCESSO  PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.  Apenas  os  serviços  diretamente  utilizados  na  fabricação  dos  produtos  é  que  dão  direito  ao  creditamento  da  Contribuição  para  o Financiamento  da  Seguridade  Social  ­ Cofins  incidente  em suas aquisições.  CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO.  Inexistindo  sistema  de  contabilidade  de  custos  integrada  e  coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve  ser feita por rateio proporcional.  ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME.  A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida  sua  forma  de  tributação,  cumulativa, mesmo após  a  instituição  do regime não­cumulativo de apuração.  VARIAÇÃO CAMBIAL ­ RECEITA FINANCEIRA.  As  variações  monetárias  ativas  dos  direitos  de  crédito  e  das  obrigações  do  contribuinte,  em  função  da  taxa  de  câmbio,  são  consideradas receitas financeiras.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃO­ CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.  Em  relação  às  despesas  de  exportação,  apenas  as  despesas  de  frete  do  produto  destinado  à  venda,  ou  de  armazenagem,  comprovadas  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  geram  direito  ao crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social ­ Cofins.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  COMPETÊNCIA.  A  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria,  do  ponto  de  vista  constitucional.  IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  As  alegações  apresentadas  na  impugnação  devem  vir  acompanhadas  das  provas  documentais  correspondentes,  sob  risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.”  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 7          6 Contra  esta  decisão,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  no  qual  repete as alegações da impugnação e acrescenta:  i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão  recorrida, afirmou­se que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão  também seria genérica. Segundo a  recorrente,  todos os pontos entendidos como controversos  pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou  de apreciar argumentos e documentos colacionados.  ii)  Os  créditos  da  Cofins  devem  ser  apurados  segundo  o  critério  de  rateio  proporcional, conforme Lei nº 10.833, de 2003.  iii) Que  juntou notas  fiscais de remessa e de  transporte e conhecimentos de  transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque.  É o relatório.  Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 8          7   Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  Admissibilidade do recurso voluntário.  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta  turma especial.  Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa.  Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho:  “2 . Bens utilizados como insumos  A  este  respeito,  observo  que  a  recorrente, muito  embora  tenha  atacado  todos  os  itens  do  lançamento  de  maneira  genérica,  especificamente reportou­se a óleo diesel, lubrificantes, despesas  de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários  para  suas  atividades,  razão  pelo  qual  deveriam  ter  sido  admitidos pela autoridade fiscal”.  Importante  destacar  que  a  recorrente  não  se  reportou  especificamente a um determinado  item,  identificando os dados  da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou  mesmo  o  item  destacado  nas  planilhas  incluídas  no  referido  Relatório  da  Ação  Fiscal  (fls.  403/420).  Concentrou  seus  protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em  relação  aos  bens  que  entende  se  tratarem  de  insumos  (aliás,  assim  também  procedeu  em  relação  aos  demais  itens  do  lançamento  especificamente  apontadas  no  recurso).  Assim  sendo,  entendo  que  o  julgamento  também  deve  analisar  a  questão  nos  mesmos  termos  genéricos  postos  pela  recorrente,  sem  se  debruçar  especificamente  e  individualizadamente  nos  itens indicados no auto de  infração e termo de verificação pela  fiscalização  (identificados  pelas  respectivas  notas  fiscais  de  aquisição).”  Verifico  que  na  manifestação  de  inconformidade  a  contribuinte  trata  especificamente  dos  itens  óleo  diesel,  lubrificantes,  despesas  de  armazenagem  e  frete  e  depreciação.  Quanto  aos  demais  bens  e  serviços  entendidos  pela  fiscalização  como  não  integrantes  do  conceito  de  insumo,  não  foram  abordados,  tendo  sido  defendido  que  todos  deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao  conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados.  A  DRF  deixou  claro  qual  o  seu  entendimento  sobre  o  conceito  do  termo  “insumo”,  o mesmo  do  IPI,  e  que  os  gastos  com  aquisições  de  bens  e  serviços  que  não  se  enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito.  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 9          8 Se  a  contribuinte  apenas  argumenta  contra  o  entendimento  adotado  pela  fiscalização  quanto  ao  conceito  em  questão  e  nada  diz  contra  o  enquadramento  naquele  conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta.  Veja­se  que  no  recurso  voluntário,  ela  afirmou  que  “todos  os  pontos  entendidos  como  controversos  pela  contribuinte  foram  abordados  na  manifestação  de  inconformidade”.  Se  todos  os  pontos  controversos  foram  abordados,  os  não  abordados,  entre  eles,  o  enquadramento  dos  bens  e  serviços  excluídos  do  cálculo  do  crédito  no  conceito  restritivo de insumo, são tidos como incontroversos.  Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito  de  insumo  é  o  mais  restritivo,  semelhante  ao  do  IPI,  e  que  não  foi  demonstrado,  sequer  argumentado, que  algum bem o  serviço  específico,  além daqueles  citados  acima, deveria  ser  enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente  sobre todos os itens.  O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão  recorrida. Cito:  “Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997).”  Ressaltando  que  os  pontos  atacados  na  manifestação  de  inconformidade  foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar  suscitada.  Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003.  No  recurso  voluntário,  os  gastos  especificamente  abordados  pela  recorrente  são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas  de armazenagem e frete e depreciação.  Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais  amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ.  A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da  Cofins.  A Lei nº 10.833, de 2003, determina:  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 10          9 “Art.  2o  Para  determinação  do  valor  da COFINS aplicar­se­á,  sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o,  a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes;  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei)  Para  gerarem  crédito,  os  gastos  glosados  pela  fiscalização  deveriam  enquadrar­se no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003,  pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo.  Tendo  em  vista  que  a  recorrente  alega  justamente  isto,  pois,  segundo  ela,  todos  os  gastos  necessários  ao  processo  produtivo  poderiam  ser  incluídos  no  cálculo  dos  créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para  o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo.  Conforme  o  art.  153,  IV,  §  3º  II,  da  CF/88,  o  imposto  sobre  produtos  industrializados (IPI), de competência da União, será não­cumulativo, compensando­se o que  for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.  E,  segundo  o  art.  155,  II,  §2º,  I,  da  CF/88,  o  imposto  sobre  operações  relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual  e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal,  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  relativa  à  circulação  de  mercadorias  ou  prestação  de  serviços  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal.  Até  pouco  tempo  atrás,  apenas  a  estes  dois  tributos,  classificados  no  CTN  como impostos sobre a produção e a circulação, aplicava­se a não­cumulatividade.  Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam  crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de  modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles.  Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos  firmados  sobre  quais  bens  e  serviços  seriam  alcançados  pela  não­cumulatividade  própria  de  impostos incidentes sobre a produção e a circulação.  É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e  serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 11          10 ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da  COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas.  Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por  certo,  admitiu  que  aquilo  que  se  tinha  como  o  seu  conteúdo  deveria  servir  para  nortear  a  concretização  do  comando  legal  bem  como  as  condutas  das  pessoas  a  quem  a  norma  se  destinava.  Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior  do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente.  Assim,  devem  ser  rechaçados  argumentos  segundo  os  quais  o  conceito  de  “insumo”  somente  poderia  ser  igual  ao  utilizado  pela  legislação  do  IPI  se  a  lei  assim  determinasse.  Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por  lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal não­cumulativo, pode e deve ser  utilizada para obtenção do conceito de “insumo”.  Também  não  deve  ser  aceito  argumento  segundo  o  qual  todos  os  gastos  dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluir­se­iam no conceito  de  insumo  para  fins  de  abatimento  dos  valores  a  serem  recolhidos  como  COFINS  e  contribuição  para  o  PIS/PASEP,  pois,  isto  implicaria  considerar  letra  morta  muitos  dos  dispositivos  das  Leis  nºs.  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  apresentam  rol  de  bens,  cujas  aquisições  podem  ser  incluídas  na  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  destas  contribuições.  Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação  ou  prestação  de  serviços  ensejassem  o  direito  ao  crédito,  não  usaria  o  termo  “insumo”;  reproduziria  legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao  IRPJ dariam aquele direito.  Assim,  da  leitura  dos  dispositivos  que  trataram  da  não­cumulatividade  da  COFINS  e  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  com  base  no  que  foi  dito  acima,  aos  bens  conceituados  como  insumo  à  luz  da  legislação  do  IPI,  a  saber,  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em  decorrência  de  contato  direto  com  estes,  devem  ser  acrescentados:  os  serviços  utilizados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  e  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda;  outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens  destinados  à  venda;  outros  gastos  expressamente  citados  nas  Leis  nºs.  10.637/2002  e  10.833/2003.  Em  reforço  a  tal  entendimento,  vejam­se  alguns  trechos  da  Exposição  de  Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002:  “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação  na  cobrança  das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  o  faturamento.  Após  a  instituição  da  cobrança  monofásica  em  vários  setores  da  economia,  o  que  se  pretende,  na  forma desta  Medida  Provisória,  é,  gradualmente,  proceder­se  à  introdução  da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 12          11 PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o  Financiamento da Seguridade Social (Cofins).  3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do  sistema  tributário  brasileiro  sem,  entretanto,  pôr  em  risco  o  equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de  Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica  do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao  que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.  ...  7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da  Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem  ou serviço, para o valor das aquisições realizadas.  ...  9.  A  alíquota  foi  fixada  em  1,65%  e  incidirá  sobre  as  receitas  auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de  créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda  e  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado,  ademais  de,  entre  outras, despesas financeiras.  ...  44.  Com  relação  ao  atendimento  das  condições  e  restrições  estabelecidas  pelo  art.  14  da  Lei  de  Responsabilidade  Fiscal,  cumpre  esclarecer  que:  a)  a  introdução  da  incidência  não  cumulativa  na  cobrança do PIS/Pasep,  prevista  nos  arts.  1º  a  7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a  alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada,  precisamente,  para  compensar  o  estreitamento  da  base  de  cálculo; ...  ...”  E,  na  Mensagem  de  Veto  nº  1.243,  de  30/12/2002,  a  razão  que  levou  o  Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais  se tentava alterar a MP,  foi  que,  se  fossem  sancionados,  romper­se­ia  a  premissa  sobre  a  qual  foi  construída  a  nova  modalidade  de  incidência  da  contribuição,  devidamente  acertada  com  a  comissão  especial  constituída  no  âmbito  da  Câmara  dos  Deputados  para  tratar  da  matéria,  a  qual  previa  neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação.  Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da  Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto  em risco pela  introdução da  cobrança não­cumulativa, e a carga  tributária correspondente  ao  que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida.  Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer  limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas.  É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos  todos  os  gastos  na  apuração  do  crédito  a  ser  descontado,  a  arrecadação  tributária  não  se  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 13          12 manteria,  o  que  nos  leva  a  concluir  que  o  conceito  de  insumo  não  poderia  ser  alargado  em  relação àquele então aceito.  Por  tudo  isso,  correto  o  entendimento  expressado  pela  RFB  ­  órgão  responsável  pela  administração  tributária  da  União,  a  quem  compete  interpretar  e  aplicar  a  legislação  tributária  federal,  ao  editar  os  atos  normativos  e  as  instruções  necessárias  à  sua  execução ­ que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF  nº 358/03, e a  IN SRF nº 404/2004 adotou  interpretação para o conceito de  insumo, com  base na concepção tradicional da legislação do IPI:  Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência não­cumulativa da  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na  forma estabelecida pela Lei nº  10.833, de 2003, [...]”:  “Art.  7º  Sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme  art.  4º,  aplica­se  a  alíquota  de  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento).  Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  I ­ das aquisições efetuadas no mês:  a) [...];  b)  de  bens  e  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados como insumos:  b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados  à venda; ou  b.2) na prestação de serviços;  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 14          13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Esta  turma  decidiu  no  mesmo  sentido,  por  voto  de  qualidade,  conforme  acórdão nº 3801­002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes,  de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original:  “Com  efeito,  o  conceito  de  insumo  no  âmbito  do  direito  tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº  10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis:  Art. 1º (...)  §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos  seguintes  custos,  sobre  os  quais  incidiram  as  contribuições  referidas no caput:  I  de  aquisição  de  insumos,  correspondentes  a  matérias­ primas,  a  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem,  bem  assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado  interno  e  utilizados  no  processo  produtivo.  Destarte,  em  tributos  não  cumulativos  o  conceito  de  insumo  corresponde  a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem.  Ampliar  este  conceito  implica  em  fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo  e passivo.  Nesse  sentido,  recentemente  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento  do Recurso Especial  1.020.991 RS,  assim  se pronunciou:  PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS.  CREDITAMENTO.  LEIS  Nº  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃOCUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  EXPLICITAÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS  EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN.  1.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional,  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  2.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto  nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 15          14 3.  Possibilidade  de  creditamento  de  PIS  e  COFINS  apenas  em  relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente  sobre o produto em fabricação.  4.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  5. Recurso especial a que se nega provimento.  (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio  Kukina)  Por  pertinente,  transcreve­se  o  seguinte  excerto  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Relator  no  julgamento  deste  recurso  especial:  No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo  com a  edição das  Instruções Normativas SRF 247/02  e SRF  404/04, mas  apenas  a  explicitação  da  definição  deste  termo,  que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do  creditamento  é  que  os  bens  e  serviços  empregados  sejam  utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo,  não  se  relacionam  a  insumo  as  despesas  decorrentes  de  mera  administração interna da empresa.  Assim, a parte  recorrente não  faz  jus à obtenção de créditos de  PIS  e  COFINS  sobre  todos  os  serviços  mencionados  como  necessários  à  consecução do objeto da  empresa,  como pretende  relativamente  aos  valores  pagos  à  empresas  pela  representação  comercial  (comissões),  pelas  despesas  de  marketing  para  divulgação  do  produto,  pelos  serviços  de  consultoria  prestados  por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial,  jurídica,  contábil,  comércio  exterior,  etc),  pelos  serviços  de  limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços  não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto  na  legislação,  visto  não  incidirem  diretamente  sobre  o  produto em fabricação.  Quando  a  lei  entendeu  pela  incidência  de  crédito  nesses  serviços  secundários,  expressamente  os  mencionou,  a  exemplo  do  creditamento  de  combustíveis  e  lubrificantes  previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifou­se)”  Mercadorias  e  Serviços não  aplicados  no  sistema produtivo da  empresa  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 16          15 Rateio proporcional  É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional.  Esta  turma  já  se  deparou  com  questão  semelhante,  no  processo  11075.000705/2007­54,  de  relatoria  do  Conselheiro  Flávio  de  Castro  Pontes,  que  assim  se  manifestou:  “Não  se  pode  perder  de  vista  que  a  recorrente  somente  tem  direito  ao  ressarcimento  de  créditos  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios  previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a  (...)  § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­cumulativa  da  contribuição para o PIS/Pasep,  em  relação apenas a parte de  suas  receitas,  o  crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos  vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004)  §  8º  Observadas  as  normas  a  serem  editadas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no  § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o  crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:  I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema  de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou   II  –  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos  comuns  a  relação  percentual  existente  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não­cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifou­se)  O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita  à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto  estabelece­se  uma  proporção  entre  receitas  de  alíquota  zero  e/ou  exportação  e  a  receita bruta total. Destaca­se que não existe uma norma específica regulamentando  essa matéria.  Como  amplamente  demonstrado,  o  conceito  de  receita  bruta  total  está  estabelecido  no  art.  1º,  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  abaixo  transcrito:  Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  §1º Para efeito do disposto neste artigo, o  total  das  receitas  compreende a  receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia  e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifou­se)  Assim, no conceito de [receita] bruta incluem­se as receitas da venda de bens  e  serviços  e  todas  as  demais  receitas.  Desta  forma,  no  item  receita  bruta,  como  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 17          16 acertadamente  procedeu  a  autoridade  fiscal,  incluem­se  as  receitas  financeiras,  as  receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos.  Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep.  Conclui­se que  todas  as  receitas  auferidas pela pessoa  jurídica,  inclusive as  receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a  ser  aplicada  aos  custos,  despesas  e  encargos  comuns;  porém,  no  numerador  desta  relação,  devem­se incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem  no regime cumulativo da contribuição.  Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo  produtivo.  Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre  o conceito de insumo,  tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas  unidades  da  Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  que  já  decidiram  neste  processo;  que  é  ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do  Código de Processo Civil;  que,  no Processo Administrativo Fiscal Federal,  a prova deve ser  feita  na  impugnação  ou,  excepcionalmente,  no  recurso  voluntário;  que  a  contribuinte,  até  o  presente,  não  alegou  nem  demonstrou  que  os  gastos  com  bens  ou  serviços  excluídos  pela  fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; deve­se manter a decisão, quanto  aos  gastos  com  bens  e  serviços  constantes  das  planilhas  “Bens  Utilizados  como  Insumo”  e  “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização.  Gastos com óleo diesel e lubrificantes.  Observa­se no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que  todos  os  lubrificantes  adquiridos  foram  utilizados  no  transporte  de  cana­de­açúcar  e  que  a  empresa  a  utilizou  como  insumo  na  industrialização  de  diversos  produtos,  como  açúcar  e  álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto cana­de­ açúcar no período fiscalizado.  Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados  diretamente  na  fabricação  ou  produção  de  açúcar  ou  álcool;  que  somente  seriam  admitidos  créditos  destes  insumos  se  houvesse  produção  e  faturamento  de  cana­de­açúcar,  proporcionalmente à receita de cana­de­açúcar auferida; que, não tendo havido exportação de  cana­de­açúcar,  eventual  crédito  estaria  vinculado  apenas  ao mercado  interno,  a  fiscalização  concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado.  A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos  utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda.  Logo,  não  são  apenas  os  insumos  da  indústria  que  ensejam  o  crédito;  os  utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma.  Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os  gastos  com combustíveis  e  lubrificantes utilizados neste  transporte,  e  com aqueles utilizados  nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários.  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 18          17 Cana­de­açúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool.  Máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  corte  da  cana­de­açúcar  são  utilizados  no  processo  produtivo  deste  produto;  máquinas  e  equipamento  utilizados  no  carregamento  da  cana­de­ açúcar  para  as  instalações  industriais  de  fabricação  de  açúcar  e  álcool  são  utilizados  no  processo produtivo destes bens.  Assim,  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  nestas  máquinas  e  equipamentos  são  utilizados  como  insumos  na  produção  ou  fabricação  de  açúcar  e  álcool  destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da  contribuição na sua aquisição, por  força do art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com  redação  dada  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004,  ressalvando­se  os  casos  de  álcool  carburante,  tratado na seqüência deste voto.  Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de  insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi­ la  de  modo  a  não  admitir  o  crédito  apenas  porque  no  período  em  discussão  não  houve  exportação da cana­de­açúcar.  Conforme  atestado  no  relatório  fiscal,  no  período,  houve  venda  de  açúcar,  que é produzido a partir da cana­de­açúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido  exclusivamente de álcool carburante.  O  fato  de  não  ter  havido  exportação  de  cana­de­açúcar  repercute  sim  no  rateio, mas não elimina o direito ao crédito.  Por  outro  lado,  no  citado  Relatório  de  Ação  Fiscal,  verifico  afirmativa  da  autoridade  fiscal  de  que a  aquisição  de  óleo diesel  não  sofreu  cobrança  da  contribuição,  porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja  direito ao crédito.  Pelo  exposto  nesta  seção:  1º)  As  aquisições  tributadas  de  lubrificantes  utilizados  no  transporte  de  cana­de­açúcar  até  a  usina  dão  direito  ao  crédito  e  devem  ser  incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  com  redação  dada  pela Lei  nº  10.865,  de  2004,  deve  ser mantida  a  decisão  administrativa  quanto  às  exclusões  referentes  às  aquisições  de  óleo  diesel  à  alíquota  zero.  Receita da exportação de álcool combustível.  A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas  de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em  contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool  para  fins  carburantes,  tanto  no  mercado  interno  quanto  no  externo,  não  integra  a  base  de  cálculo  da  apuração  da  Cofins  e  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  não  cumulativas,  representando  receitas  cumulativas,  não  podendo  aumentar  o  percentual  dos  créditos  não­ cumulativos.  A  receita de venda de  álcool para  fins carburantes  sujeitava­se à  incidência  não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei  nº 10.865, de 2004.  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 19          18 A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs:  “Art.  5º  As  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  –  PIS/Pasep  e  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins  devidas  pelas  distribuidoras  de  álcool  para  fins  carburantes  serão  calculadas,  respectivamente,  com  base  nas  seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)  I  –  um  inteiro  e  quarenta  e  seis  centésimos  por  cento  e  seis  inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre  a  receita  bruta  decorrente  da  venda  de  álcool  para  fins  carburantes,  exceto  quando  adicionado  à  gasolina;  (Incluído  pela Lei nº 9.990, de 2000)  II  –  sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento  e  três  por  cento  incidentes  sobre  a  receita  bruta  decorrente  das  demais  atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)”  A Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001,  reduziu  a  zero  a  alíquota  das  contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e  concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois.  E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram:  Art. 1º ...  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  (...)  IV ­ de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21  de  julho  de  2000,  no  10.147,  de  21  de  dezembro  de  2000,  e  no  10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à  incidência monofásica da contribuição;   “Art.  8o  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:  (...)  VII – as receitas decorrentes das operações:  a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o;  Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a  Lei nº 9.990, de 2000, a  receita da venda deste produto permaneceu fora da sistemática não­ cumulativa das contribuições, não integrando a base de cálculo da contribuição não cumulativa.  A  alteração  efetuada  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004,  apenas  deu  maior  especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de  2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as  outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool  para fins carburantes.  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 20          19 O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF  nº 1, de 2005:  “Artigo  único.  As  receitas  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  produtoras  (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para  fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  às  alíquotas  de  0,65%  (zero  vírgula  sessenta  e  cinco  por  cento)  e  de  3%  (três  por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela  incidência  não­cumulativa  das  referidas  contribuições  de  que  tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003.  Assim, com relação à  receita de exportação de álcool, mantém­se a decisão  recorrida.  Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade  agropastoril.  Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados  pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na  IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitando­se a defender que fossem afastadas estas normas.  Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é  regra  viciada  ante  a  comandos  constitucional  (art.  195,  §12,  da  CF/1988)  e  legal  mais  específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003).  Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou  inconstitucionalidade.  Deste modo, poder­se­ia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso,  porém, a alegação não merece ser acolhida.  Invocar a não­aplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma  constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros  das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009.  Alegações  de  caráter  constitucional  não  podem  ser  apreciadas  por  este  Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis.  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”  Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos,  seja porque trata­se de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisá­los.  Não obstante, valho­me das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo  nº 10840.003379/2005­94, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal  na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de  pessoa jurídica, produtores rurais.  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 21          20 Transcrevo  os  seguintes  trechos  que  contêm  estas  razões,  válidas  para  a  Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep:  “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria,  a  partir  do  período  de  apuração  de  agosto  de  2004,  só  podem  ser  utilizados  para abater os débitos da COFINS não­cumulativa, devendo ser  somados aos  créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto  se  deve  ao  fato  de  que  a  referida  compensação  só  pode  ser  efetuada  quanto  aos  créditos  apurados  no  artigo  3o  da  Lei  n°  10.833/2003,  por  força  do  disposto  no  parágrafo I e seu  inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os  incisos  11e   12  do  artigo  3o  da  Lei  n°  10.833/2003,  que  tratavam  do  crédito  presumido da  agroindústria,  foram  revogados  pelo  artigo  16,  alínea  "b"  da  Lei  n°  10.925/2004.   A  nova  sistemática  de  apuração  do  crédito  presumido  da  agroindústria  foi  estabelecida  pelo  artigo  8°  da  referida  Lei  n°  10.925/2004,  a  partir  de  agosto  de  2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003,  não  é  passível  de  compensação  ou  ressarcimento,  a  partir  do  referido  período  de  apuração.  Quanto  às  aquisições  de  cana  de  açúcar  adquirida  de  pessoa  jurídica,  o  Auditor­fiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS  não­cumulativa  calculados  sobre  os  valores  das  aquisições  de  cana­de­açúcar  de  empresa jurídica que exerce atividade agropecuária.   Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação  das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu  que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso  de  venda  de  insumos  destinados  à  industrialização  dos  produtos  fabricados  pela  fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária,  o  que,  em  princípio,  vedaria  a  utilização  de  quaisquer  créditos  decorrentes  destas  operações.  A  partir  de  01/08/2004,  as  empresas  produtoras  podem  descontar  o  crédito  presumido  decorrente  destas  aquisições,  em  função  do  disposto  no  item  III  do  parágrafo 1º do artigo 8o da  referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que  não  consta mais  da Lei  n°  10.833/2003, não  sendo passível  de  compensação ou  ressarcimento.”  Fretes utilizados no transporte de cana­de­açúcar  No relatório fiscal verifica­se que a fiscalização constatou que a contribuinte  apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de cana­de­açúcar, como  se  fosse  um  insumo  normal:  aplicou  a  alíquota  própria  do  sistema  não  cumulativo  sobre  os  valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício.  Ora,  os  valores  dos  fretes  pagos  à  pessoa  jurídica  integram  o  custo  de  aquisição  da  cana­de­açúcar  e  devem  ter  tratamento  tributário  igual  ao  desta,  de modo  que,  assim  como  os  valores  das  aquisições  de  cana­de­açúcar  de  pessoas  físicas  e  jurídicas,  os  valores  dos  fretes  destas  aquisições  devem  ser  incluídos  no  crédito  presumido  da  indústria,  devendo, por  isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se  depreende  dos  arts.  8º  e  15  de  Lei  nº  10.925,  de  2004,  e  arts.  1º  e  2º  do Ato Declaratório  Interpretativo nº 15, de 2005:  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 22          21 Correta  a  fiscalização  que  calculou  os  valores  destes  créditos  da  mesma  forma dos créditos com aquisição de cana­de­açúcar, alocando os valores na coluna “Mercado  Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados  para ressarcimento ou compensação.  Despesas de armazenagem de produtos.  A  fiscalização  reconheceu  que  as  despesas  de  fretes  e  armazenagem  sobre  vendas  ensejam  direito  a  crédito,  por  isso  aceitou  a  inclusão  destas  despesas  no  cálculo  do  crédito presumido.  As despesas não  reconhecidas  referem­se  à  locação de  espaço de  tancagem  para  armazenagem e movimentação  de  produto  álcool  carburante  para  exportação,  o  qual  se  submete  à  incidência  cumulativa  da  Cofins  e  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  conforme  tópico específico acima.  Tendo  em  vista  que  somente  são  permitidos  descontos  de  créditos  sobre  despesas  relativas  a  produtos  sujeitos  à  contribuição  não­cumulativa,  conforme  artigo  10,  inciso  VII,  alínea  "a",  combinado  com  o  art.  1º,  parágrafo  3º,  inciso  IV  e  com  o  art.  3º,  parágrafo  7º,  da Lei  nº.  10.833/2003,  e  art.  5º  da Lei  nº  9.718,  de  27/11/1998,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  11.727,  de  23/6/2008,  agiu  com  acerto  a  autoridade  fiscal  em  excluir  do  cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa.  Variação cambial.  No Relatório  da Ação  Fiscal,  observa­se  que  a  autoridade  fiscal  constatou,  após  analisar  planilha  de  cálculo  da  contribuinte,  que  esta  considerou  como  receitas  de  exportação  notas  fiscais  de  complemento  de  preço,  as  quais,  segundo  a  própria  autoridade  administrativa,  referir­se­iam  à  variação  cambial  do  dólar  e,  por  isso,  deveriam  ser  enquadradas como receita financeira.  Conclui­se da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito  a variações cambiais originadas em operações de exportação  O  Supremo  Tribunal  Federal­STF  proferiu  decisão  de  mérito  no  RE  627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da  incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial  ativa obtida nas operações de exportação de produtos.  Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber.  “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  IMUNIDADE.  HERMENÊUTICA.  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA.  OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.  I  ­  Esta  Suprema  Corte,  nas  inúmeras  oportunidades  em  que  debatida a questão da hermenêutica  constitucional aplicada ao  tema  das  imunidades,  adotou  a  interpretação  teleológica  do  instituto,  a  emprestar­lhe  abrangência  maior,  com  escopo  de  assegurar à norma supralegal máxima efetividade.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 23          22 II  ­  O  contrato  de  câmbio  constitui  negócio  inerente  à  exportação,  diretamente  associado  aos  negócios  realizados  em  moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo  de exportação de bens e serviços, pois  todas as transações com  residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação  cambial, consistente na troca de moedas.  III – O legislador constituinte ­ ao contemplar na redação do art.  149,  §  2º,  I,  da  Lei  Maior  as  “receitas  decorrentes  de  exportação”  ­  conferiu  maior  amplitude  à  desoneração  constitucional,  suprimindo  do  alcance  da  competência  impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação,  que  nela  encontrem  a  sua  causa,  representando  consequências  financeiras  do  negócio  jurídico  de  compra  e  venda  internacional.  A  intenção  plasmada  na  Carta  Política  é  a  de  desonerar  as  exportações  por  completo,  a  fim  de  que  as  empresas  brasileiras  não  sejam  coagidas  a  exportarem  os  tributos  que,  de  outra  forma,  onerariam  as  operações  de  exportação, quer de modo direto, quer indireto.  IV  ­  Consideram­se  receitas  decorrentes  de  exportação  as  receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da  regra  de  imunidade e  afastar  a  incidência da  contribuição  ao  PIS e da COFINS.  V ­ Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a  tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  receita  decorrente  da  variação  cambial  positiva  obtida  nas  operações  de  exportação  de  produtos.  VI  ­ Ausência de afronta aos arts.  149, § 2º,  I,  e 150, § 6º,  da  Constituição Federal.  Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicando­se  aos  recursos  sobrestados, que  versem  sobre o  tema decidido, o  art. 543­B, § 3º, do CPC.”  Tendo em vista o disposto no art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no  presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela  Cofins  e  pela  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  tanto  no  sistema  cumulativo  quanto  no  não  cumulativo.  Porém,  uma  vez  que  foram  consideradas  pelo  STF  receitas  decorrentes  de  exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno,  e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos  comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador,  integrando a receita  bruta  total,  de  modo  que  a  fiscalização  deverá  corrigir  os  cálculos,  adequando­os  a  esta  decisão.  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/2011­62  Acórdão n.º 3801­004.622  S3­TE01  Fl. 24          23 Conclusão.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  negar  provimento  em  relação  à  preliminar  suscitada  de  nulidade  da  decisão  da  DRJ;  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar  as  exclusões  no  cálculo  dos  gastos  que  dão  direito  ao  crédito  presumido dos valores  referentes  às  aquisições de  combustíveis  e  lubrificantes utilizados  em  máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana­de­açúcar, desde que  nas  aquisições  tenha  ocorrido  a  cobrança  da  contribuição  social,  e  incluir  os  valores  das  variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e,  no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador.  Nas demais matérias, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani.                              Fl. 434DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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5874361 #
Numero do processo: 19515.006022/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. Cabível o agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixe de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamentem.
Numero da decisão: 1402-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e retificar o Acórdão 1402-001.694 para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e apreciá-lo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. Cabível o agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixe de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamentem.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e retificar o Acórdão 1402-001.694 para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e apreciá-lo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2322; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 752          1 751  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.006022/2009­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.905  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  4 de fevereiro de 2015  Matéria  SIMPLES  Recorrente  CHEFF'S BAR E LANCHES COMÉRCIO DE  REFEIÇÕES LTDA ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.  Verificadas omissão e contradição no acórdão embargado, cumpre esclarecer  a extensão do resultado do julgamento do recurso, sanando, assim, a omissão  e a contradição levantadas.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  NULIDADES.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.   A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando  houver  prejuízo  à  defesa  ou  ocorrer  intervenção  de  servidor  ou  autoridade  sem  competência  legal  para praticar  ato  ou  proferir  decisão. Não  configura  qualquer  dessas  hipóteses,  em  especial  a  preterição  do  direito  de  defesa,  rechaçam­se as alegações do sujeito passivo.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.   A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONFISCO.  INCONSTITUCIONALIDADE  OU  ILEGALIDADE  DE  NORMAS.  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 60 22 /2 00 9- 58 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 753          2 Os  percentuais  da multa  de  ofício,  exigíveis  em  lançamento  de  ofício,  são  determinados  expressamente  em  lei,  não  dispondo  as  autoridades  administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas  legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.  MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO.  Cabível  o  agravamento  da multa  nos  casos  em que  o Contribuinte,  embora  regularmente intimado, deixe de atender às  intimações da Autoridade Fiscal  no prazo.  ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.  As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem  os motivos de fato e de direito em que se fundamentem.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM  CONTA  BANCÁRIA.  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ÔNUS  DA  PROVA.  A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão  de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em  sua conta corrente ou de investimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos  e  retificar  o  Acórdão  1402­001.694  para  reconhecer  a  tempestividade  do  recurso  voluntário e apreciá­lo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao  recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.  (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes  da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 754          3 Relatório  Cheff’s  Bar  e  Lanches  Comércio  de  Refeições  Ltda  ME  recorre  a  este  Conselho  contra  decisão  de  primeira  instância  proferida  pela  13ª  Turma  da DRJ  São  Paulo  01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  1.  Conforme  Termo  de Verificação  Fiscal  de  fls.  205/213,  trata­se  de  crédito  lançado contra o Contribuinte  acima  identificado  (optante pelo SIMPLES  ­  Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos  e Contribuições),  em  relação  ao  ano­calendário de 2004, vez que  em decorrência do procedimento  fiscal  realizado  foi  constatada  omissão  de  receitas  da  atividade,  de  origem  não  comprovada, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no  presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores  devidos e demonstrativos de acréscimos legais ­ multa e juros), fls. 214/268.  2.  Do  conteúdo  descrito  no  referido  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  dos  elementos  acostados  aos  autos,  destacam­se  as  seguintes  intimações,  documentos e informações:  2.1. O procedimento fiscal teve início em 30/01/2009, com a emissão de Termo  de Início da Ação Fiscal (fls 03), cientificado pessoalmente ao Contribuinte  na  pessoa  do  sócio  da  empresa  (José  Rubens  Garcia).  Consta  do  referido  Termo o código de acesso para consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal  no  endereço  eletrônico  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio  da  Internet.  Ademais,  o  indigitado  representante  da  Autuada  recebeu uma via do MPF, consoante fls. 31.  2.2.  Em 19/03/2009 foi emitida e recebida a Intimação n° 01, fls. 35/6, dando  prazo  de  10  (dez)  dias  para  apresentação  dos  seguintes  documentos,  relacionados à movimentação financeira do ano de 2004: extratos bancários  relativos  às  contas  bancárias  que  deram  origem  às  movimentações  financeiras  da  empresa;  documentação  hábil  a  corroborar  a  escrituração  fiscal/contábil e a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas  bancárias de titularidade da empresa relacionadas em forma de planilha, fls.  35.  2.3.  Em 31/03/2009, a empresa apresentou documentação, vide rol às fls. 37.  2.4.  Em 31/03/2009, foi emitida e recebida a Intimação n° 02 (fls. 38/9) que, de  fato,  reintimou o Contribuinte para  a prestação das  informações  solicitação  por  intermédio  da  Intimação  n°  01,  especificamente no  atinente  à  conta  de  titularidade da empresa mantida junto ao Banco Bradesco S/A.  2.5. Às fls. 40/1, consta a Intimação n° 03, emitida em 18/05/2009, cientificada  ao Contribuinte em 19/05/2009, via Aviso de Recebimento ­ AR, fls. 42, por  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 755          4 intermédio da qual a Autoridade Fiscal  reitera as  solicitações constantes na  Intimação n° 02.  2.6. Às  fls.  43,  consta  Termo  de  Recebimento  de  Documentos  n°  03  dando  conta da apresentação de documentos anteriormente  solicitados, extratos de  movimentação  bancária.  Às  fls.  44/71,  foram  anexados  os  extratos  apresentados.  2.7.  Em  10/06/2009  foi  emitida  a  Intimação  nº  04,  fls.  72/3,  cientificada  ao  Contribuinte  em  15/06/2009,  via  Aviso  de  Recebimento  –  AR,  fls.  74,  solicitando  a  apresentação  dos  seguintes  documentos:  extratos  bancários  complementares  relativos  a  todas  às  contas  bancárias  que deram origem às  movimentações  financeiras  da  empresa;  documentação  hábil  a  corroborar  a  escrituração  fiscal/contábil  e  a  origem  dos  recursos  depositados  e/ou  creditados  nas  contas  bancárias  de  titularidade  da  empresa  relacionadas  atinentes à conta mantida junto Banco Bradesco S/A.  2.8. Às fls. 75/6 e 78/9, constam, respectivamente, as Intimações n° 05 e n° 06,  emitidas,  respectivamente,  em  25/06/2009  e  30/07/2009,  cientificadas  ao  Contribuinte em 26/06/2009 e 31/07/2009, via Aviso de Recebimento ­ AR,  fls.  77  e  80,  por  intermédio  das  quais  a  Autoridade  Fiscal  reitera  as  solicitações constantes na Intimação n° 04.  2.9. Às fls. 81/2, consta a Intimações n° 07, emitida em 03/09/2009, cientificada  ao Contribuinte em 04/09/2009, via Aviso de Recebimento ­ AR, fls. 83, por  intermédio da qual a Autoridade Fiscal  reitera as  solicitações constantes na  Intimação  n°  04  e,  adicionalmente,  na  forma  de  planilha,  solicita  esclarecimentos  acerca  de  movimentações  identificadas  na  conta  mantida  pela Autuada junto ao UNIBANCO S/A.  2.10.  Ainda, por intermédio da Intimação n° 08, de 13/09/2009, cientificada ao  Contribuinte  em  15/10/2009,  via  Aviso  de  Recebimento  ­  AR,  fls.  86,  a  Autoridade Fiscal reitera as solicitações constantes na Intimação n° 07.  2.11.  Ademais, constam às fls. 87/98, documentos referentes às Requisições de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF,  pertinentes  ao  procedimento  fiscal  em  tela,  cujos  destinatários  forma  BANCO  BILBAO  VIZCAYA ARGENTARIA BRASIL S/A, BANCO BRADESCO S/A (Ag:  0313,  Conta:  100.499­9/Ag:  2826,  Conta:  10.338­1/Ag:  3114,  Conta:  183.203­4)  e  BANCO  SANTANDER  BRASIL  S/A  (Cta:  353­0169­ 008195980­0).  2.12.  Em  resposta,  às  fls.  99/160,  foram  anexadas  às  informações  encaminhadas pelas instituições financeiras às supracitadas RMF.  2.13.  Às  fls.  171/3,  consta  a  Intimação  n°  09,  emitida  em  26/11/2009,  cientificada ao Contribuinte em 30/09/2009, via Aviso de Recebimento ­ AR,  fls.  181,  acompanhada dos  anexos de  fls.  161/170;  174/180 e 182/194, por  intermédio  da  qual  a  Autoridade  Fiscal  solicita:  comprovação,  mediante  apresentação de documentação hábil, os recursos depositados/creditados nas  diversas  contas  que  indica  e  pontualmente  identificados  pela  Autoridade  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 756          5 Fiscal; esclarecimento sobre as funções exercidas pelo Sr. Alexandre Roberto  da  Silva  na  empresa  em  virtude  dos  poderes  outorgados  a  este,  consoante  procuração acostada às fls. 116/7.   2.14.  Às fls. 197, consta Intimação n° 001, em nome de Alexandre Roberto da  Silva,  datada  de  09/12/2009,  cientificada,  via  postal  ­ AR,  em  12/12/2009,  fls. 198, a partir da qual a Autoridade Fiscalizadora solicita esclarecimentos  acerca  das  movimentações  financeiras  efetuadas  em  nome  da  Autuada  enquanto procurador daquela e, ainda, esclarecer e comprovar a origem dos  recursos depositados e/ou creditados em tais movimentações.  2.15.  Em  resposta,  às  fls.  199,  a  indigitada  pessoa  física  apenas  informa  que  trabalhou  exercendo  cargo  de  confiança  na  Autuada  sendo  autorizado  a  movimentar  a  conta  corrente  da  daquela,  nada  apresentando  em  termos  de  documentação.  2.16.  Ademais, às fls. 203, encontra­se o Termo de Sujeição Passiva Solidária,  a  partir  do  qual  Alexandre  Roberto  da  Silva,  CPF  148.019.648­77,  nos  termos do art. 124, c/c os artigos 135 e 137 do CTN e, ainda, art. 210, V, do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR  (Decreto  n°  3.000/99),  é  considerado  como  solidariamente  responsável  pelos  créditos  lançados  no  presente processo e pessoalmente responsável pelas infrações à lei cometidas  como procurador da empresa.   2.17.  No  referido  Termo  de  Verificação  Fiscal,  após  resumos  dos  acontecimentos  ocorridos  durante  o  procedimento  fiscal,  ratificando  o  não  atendimento às Intimações efetuadas, especialmente a de n° 09, concluiu­se  que os valores de depósitos e/ou créditos consignados nas Intimações n° 08 e  n° 09  foram originados de valores não registrados na escrituração fiscal  da  empresa, caracterizando, assim, a omissão de receita, conforme o disposto no  art. 42 da Lei n° 9.430/96.  2.17.1.  A  empresa  apresentou  em  sua  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  ­  Simples  ­  PJSI  2005,  ano­calendário  de  2004,  os  valores  estampados no item 1.8 do mencionado Termo, fls. 207.  2.17.2.  Dos extratos bancários analisados, detectou­se que muitos históricos de  movimentações guardam relação com a receita da atividade da empresa. Os  valores apurados a partir daqueles, constantes das Intimações n° 08 e n° 09,  estão demonstrados no item '1.9' do Termo em epígrafe, fls. 207/8.  2.17.3.  Assim, a receita total declarada pela Autuada perfez o montante de R$  35.864,06,  enquanto  o  montante  total  da  movimentação  financeira  sem  origem comprovada verificada perfez R$ 4.662.223,90.  2.17.4.  Destarte,  a  Autuada  deixou  de  recolher  os  tributos  devidos  na  sistemática  do  SIMPLES  sobre  a  base  de  cálculo  de  R$  4.662.223,90,  sujeitando­se ao lançamento de ofício nos termos do art. 926 do RIR.  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 757          6 2.17.5.  Adicionalmente,  informa  a  Autoridade  Lançadora  que  em  virtude  do  não  atendimento  às  intimações  supracitadas  nos  prazos  marcados  a  penalidade restou agravada, nos termos do art. 959, I, do RIR.  2.17.6.  Em virtude da constatação da ocorrência de excesso de receita bruta no  ano­calendário de 2004, tendo em vista o limite estabelecido pelo art. 2°, II,  da Lei n° 9.317/96, foi formalizada a Representação Fiscal para Exclusão de  Ofício do Simples, nos termos do art. 15, IV, da Lei n° 9.317/96, conforme  fls. 273/5.  2.17.7.  No atinente à sujeição passiva solidária estabelecida entre a Autuada e  Alexandre Roberto da Silva,  a Autoridade Fiscal  assentou, no  item  '6.7'  do  Termo em epígrafe, que a ciência deste dar­se­ia em apartado pelo "Termo de  Sujeição  Passiva  Solidária",  acompanhado  das  cópias  dos  documentos  componentes das autuações fiscais.  2.18.  Integram o  presente processo,  além dos Autos de  Infração  por  tributo  e  dos  respectivos  demonstrativos  de  multa  e  juros  de  mora,  Demonstrativo  Consolidado  do  Crédito  Tributário  do  Processo,  fls.  01,  os  anexos  com  o  demonstrativo  de  percentuais  aplicáveis  sobre  a  receita  bruta  (fls.  214/5)  e  com o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 216/222),  bem  como  o  demonstrativo  de  apuração  dos  imposto/contribuição  sobre  diferenças apuradas, fls. 223/8.  2.19.  Foram  anexados  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal  os  seguintes  discriminativos e documentos:  (a)  Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta e respectiva  fundamentação legal (fls. 214/5);  (b)  Demonstrativo  de  apuração  dos  valores  não  recolhidos  (fls.  216/222)  incidentes  sobre  os  valores  declarados,  resultantes  da  aplicação  dos  percentuais corretos conforme discriminados no demonstrativo anterior;  (c)  Demonstrativo  da  apuração  do  imposto/contribuição  sobre  diferenças  apuradas  (fls.  223/8),  incidentes  sobre  a  parcela  referente  à  omissão  de  receitas;  2.20.  Em  22/12/2009  foram  lavrados  os  seguintes Autos  de  Infração,  com  os  respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo dos valores  devidos e de demonstrativo de multa e juros:  ­  Imposto de Renda Pessoa Jurídica­SIMPLES, valor de  crédito apurado: R$  94.691,33; Auto de Infração, fls. 232/6 e demonstrativos, fls. 229/231;  ­  PIS ­ Programa de Integração Social­SIMPLES, valor de crédito apurado: R$  94.691,33; Auto de Infração, fls. 240/4 e demonstrativos, fls. 237/9;  ­  CSLL  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido­SIMPLES,  valor  de  crédito  apurado:  R$  151.542,89;  Auto  de  Infração,  fls.  248/252  e  demonstrativos, fls. 245/7;  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 758          7 ­  COFINS  ­  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social­ SIMPLES, valor de  crédito  apurado: R$ 303.086,16; Auto de  Infração,  fls.  256/260 e demonstrativos, fls. 253/5;  Contribuição  para  Seguridade  Social  –  INSS  –  SIMPLES,  valor  de  crédito  apurado: R$ 619.058,15; Auto de  Infração,  fls. 264/8 e demonstrativos,  fls.  261/3.  2.20.1.  Anota­se  que  consta,  no  bojo  de  cada Auto  de  Infração,  a  respectiva  fundamentação  legal  relativa  ao  tributo  e  aos  acréscimos  legais  (multa  e  juros).  2.20.2.  Destaca­se  que  o  enquadramento  legal  da  multa  de  ofício  aplicada,  encontra­se  no  artigo  44,  I,  contudo,  nas  circunstâncias  que  ensejaram  o  agravamento da multa, a fundamentação está insculpida n o artigo 44, I, c/c  art. 44, § 2°, todos da Lei n° 9.430/96, e o enquadramento legal dos juros de  mora  aplicado  consta  do  artigo  61,  §  3°,  da  mesma  Lei  anteriormente  referida.    2.21. O Contribuinte  foi cientificado, via postal, do Termo de Verificação, de  todos  os Autos  de  Infrações  e  do Termo  de Encerramento  em  23/12/2009,  conforme AR acostado às fls. 271. O Termo de encerramento da Ação Fiscal  foi juntado às fls. 269/270.  DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA  3.  O  sujeito  passivo  apresentou,  tempestivamente  (fls.  477),  impugnação  às  autuações (fls. 277/318). Suas alegações, em síntese, foram:  3.1. Apesar  de  a  Impugnante,  diligentemente,  ter  apresentado  toda  a  documentação  solicitada  a  Autoridade  Fiscal  procedeu  à  quebra  do  sigilo  bancário da Insurgente, mediante emissão da Requisição de Informação sobre  Movimentação Financeira (RMF) junto ao Banco Bradesco, em total afronta  aos  princípios  basilares  que  asseguram  a  intimidade  e  o  sigilo  de  dados,  como estampado nos incisos X e XII, do art. 5°, da Constituição.  3.2. Com  base  nas  informações  solicitadas  a  referida  Autoridade  constatou  movimentação  bancária,  por  procuração,  efetuada  pelo  Sr.  Alexandre  Roberto  da  Silva,  CPF  n°  148.019.648­77,  funcionário  da  empresa  que  exercia  cargo  de  confiança  junto  à  Impugnante  e  movimentou  valores  na  conta corrente daquela, contudo nunca em seu próprio proveito.  3.3. Ademais,  sendo  os  sócios  da  Defendente  pessoas  simples,  de  pouca  instrução,  e  afirmando  que  a  lanchonete  da  qual  são  proprietários  lhes  proporciona baixíssimo rendimento, apenas para a subsistência, confiaram ao  indigitado  funcionário,  contratado  com  o  fim  específico  de  assessoramento  para  movimentações  financeiras,  a  movimentação  da  conta  corrente  da  empresa.  3.4. Alega,  ainda,  que  foi  esclarecido  que  o  dito  funcionário  não  possuía  registro profissional, sendo mantido na informalidade.  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 759          8 3.5. Ademais,  assevera  que  a  maior  parte  da  movimentação  financeira  se  refere,  em  princípio,  aos  tíquetes  que  comercializava,  restando­lhe  apenas  um  pequeno  deságio,  referente  a  1%  (um  por  cento)  do  faturamento  verificado (sic).  3.6. Ressalta que  tais movimentações financeiras  forma sempre  realizadas por  conta e ordem, e em benefício, do contribuinte, mas tais não compunham, de  nenhuma  maneira,  a  renda  do  estabelecimento  comercial,  pois  repassadas,  invariavelmente, às operadoras de tíquetes.  3.7. Ataca, ainda, o fato de que as constatações da Autoridade Fiscal se deram  com base em documentos obtidos por meio ilícito e, portanto, inadmissíveis  no processo, por disposição constitucional  insculpida no art. 5°, LVI, sendo  defeso  à  referida  Autoridade  requerer  extratos  bancários  ou,  ainda,  outros  documentos,  tais  como  instrumentos  de  mandato  apresentados  pelo  contribuinte à instituição financeira contratada.  3.8. Articula, em adição, que apesar da considerável movimentação financeira  apresentada  pela  Impugnante,  decorrente  de  recebimentos  das  empresas  de  "tickets",  os  custos  suportados  pela  Impugnante  são  igualmente  altos,  de  modo que em hipótese alguma os valores creditados como lucro podem ser  considerados como base de cálculo para qualquer tributo federal.  3.9. De  outra  banda,  sustenta  que,  no  transcurso  do  procedimento  fiscal,  informou  que  foi  vítima  de  contumazes  e  reiterados  roubos  em  seu  estabelecimento  comercial,  razão  pela  qual  deixou  de  apresentar  alguns  documentos que seriam aptos a prestar os devidos esclarecimentos, pois que  extraviados.  3.10.No  desenvolvimento  de  seu  raciocínio,  torna  a  enfatizar  a  evidente  discrepância  entre  as  enormes  quantias  supostamente  movimentadas  e  sua  condição de microempresa, sendo totalmente sem cabimento a conclusão de  que a Impugnante teria condições de realizar tantas aquisições.  3.11.Ademais, pormenoriza a "operação de desconto" que efetuava quando da  "compra"  dos  tíquetes  (vale  refeição),  para  ratificar  que  os  valores  movimentados em suas contas­corrente não compõe o seu faturamento, senão  no quanto referente ao "deságio" (equivalente a 1% do valor  total) cobrado  na referida "operação".   3.12.Em complemento, entende por inadmissível a exigência de conhecimento  técnico­tributário  de  pessoas  simples,  como  os  sócios  da Autuada,  que  são  acostumados à informalidade inerente à cultura de seus pares, quando mesmo  aqueles  com  conhecimento  na  área  jurídica  ou  contábil  enfrentam  dificuldades face a complexa legislação tributária pátria.   3.13.Como  preliminar  de  nulidade,  torna  a  enfatizar  que  a  Autoridade  Fiscal  utilizou­se de meios não admitidos pelo ordenamento no desenvolvimento do  procedimento  fiscal que culminou nas combatidas  lavraturas, mencionando,  especialmente, a quebra do sigilo bancário. Colaciona jurisprudência anterior  à Lei Complementar n° 105.   Fl. 759DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 760          9 3.14.Quanto à questão de fundo, erige o argumento de que os valores creditados  em suas contas­corrente não se enquadram no conceito de  receita,  trazendo  como  suporte opiniões doutrinárias  e,  em conclusão, assevera que  receita  é  somente  aquele  ingresso  que  se  incorpora  ao  patrimônio  do  contribuinte.  Colaciona julgado administrativo.   3.15.Abordando a questão da presunção, mormente quanto à previsão do art. 42  da  Lei  n°  9.430/96,  após  discorrer  longamente  sobre  o  tema,  expressa  o  entendimento  de  que  a  presunção  jamais  poderá  ser  resultado  da  iniciativa  criativa  e  original  do  legislador,  devendo  esta  apoiar­se  na  repetida  e  comprovada  correlação natural  de dois  fatos  considerados,  o  conhecido e o  desconhecido.   3.16.Do exposto, conclui que nem sempre o volume de depósitos injustificado  leva  ao  rendimento  omitido  correlato.  Colaciona  doutrina  e  afirma  que  a  presunção  legal  estribada  em  depósitos  bancários  encontra  os  seguintes  óbices:    ­  não está calcada em experiência anterior;  ­  não  é  possível  estabelecer  uma  correlação  direta  entre  o  montante  dos  depósitos e a omissão de rendimentos;  ­  o  encargo  probatório  é  totalmente  transferido  para  o  contribuinte,  com  manifesta impossibilidade de produção de provas.  3.17.  De outro giro, combatendo a sujeição solidária passiva estabelecida entre  a impugnante e o Sr. Alexandre Roberto da Silva, ratifica que este era mero  empregado da Defendente, sem registro, que apenas movimentava, por conta  e ordem da insurgente, as respectivas contas­corrente desta.  3.18.  Contraditando  a  multa  de  ofício  imposta,  argumenta  que  não  houve  qualquer irregularidade ou infração praticada pela impugnante que ensejasse  a imposição de multa correspondente a 112,5% do valor do tributo, sendo tal  imposição  abusiva  e  confiscatória,  restando  feridos  os  preceitos  constitucionais plasmados no art. 5°, XXII e no art. 150, IV.  3.19.  Sustentando  que  o  intuito  da  vedação  ao  confisco  é  a  defesa  da  propriedade  privada,  tal  princípio  abrange  tanto  a  imposição  de  tributo  quanto a aplicação de penalidade. Colaciona doutrina e jurisprudência.  3.20.  Articula,  ainda,  violação  ao  princípio  da  proporcionalidade,  vez  que  inexiste  a  razoável  compatibilidade  entre  a  sanção  prevista  e  a  violação  na  qual incorreu a Impugnante.  3.21. Por falta de previsão legal expressa, contesta a incidência de juros de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  com  fundamento  no  art.  61,  §  3°,  da  Lei  n°  9.430/96. Colaciona jurisprudência.  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 761          10 3.22.  Alega, ademais, que em virtude de o CTN prever a incidência de juros no  percentual de 1%, resta desconforme o ordenamento a cobrança de juros com  base na taxa SELIC. Escora­se em jurisprudência colacionada.  3.23.  Pelo  exposto,  requer  que  seja  acolhida  e  provida  a  Impugnação  apresentada a fim de que seja julgada improcedente a lavratura dos presentes  Auto de Infração, com o consequente cancelamento do débito em epígrafe e  arquivamento do processo administrativo correspondente.  3.24.  Por  fim,  requer  que  as  publicações  e  intimações  referentes  ao  presente  feito  sejam  encaminhadas  exclusivamente  em  nome  dos  patronos  que  nomeia.  DA IMPUGNAÇÃO DO SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL  4. Às  fls.  393/443,  encontra­se  a  Impugnação  de Alexandre Roberto  da Silva  que,  sumariamente,  apresenta  os  seguintes  argumentos  novos,  vez  que  no  mais apenas ratifica os argumentos apresentados na defesa da Autuada  (mesmo conteúdo e patronos):  4.1.  Apresenta  breve  resumo  dos  acontecimentos  relevantes  do  processo,  fazendo  menção  específica  à  intimação  dirigida  o  ora  Impugnante  com  relação a qual apresentou a sua resposta na qual assenta a informação de que  exerceu cargo de confiança, com autorização para movimentação dos valores  na  conta  corrente  da  Autuada,  nunca  em  proveito  próprio,  requerendo  a  retirada do seu nome do presente processo.  4.2.  Ademais,  enfatizando  a  tese  de  que  a  inclusão  do  ora  Impugnante  no  processo  em  epígrafe  teve  por  base  documentos  obtidos  por meio  ilícito  e,  assim, inadmissíveis no processo em virtude do preceituado no art. 5°, LVI,  da  Constituição  Federal  e,  ainda,  por  desrespeito  aos  incisos  X  e  XII  do  mesmo indigitado artigo constitucional.  4.3.  Complementa arguindo que a aplicação dos artigos 197 e 198 do Código  Tributário  Nacional,  inclusive  o  §  1°  do  art.  145  da  Constituição,  que  permitem  às  Autoridades  Administrativas  a  obtenção  das  informações  necessárias  à  fiscalização,  devem  limitar­se  aos  direitos  individuais  supracitados.  4.4.  Aprofundando  seu  raciocínio  acerca  da  defendida  garantia  constitucional  atinente ao sigilo bancário, suscita a Lei Complementar n° 105 e o Decreto  n° 3.724/01, não havendo qualquer prova da existência de interesse público  relevante a quebra de sigilo bancário verificado no caso em tela viola direito  individual  e  implica  em  desrespeito  à  garantia  estampada  no  princípio  do  devido  processo  legal.  Colaciona  jurisprudência  anterior  à  edição  da  supracitada Lei Complementar n° 105.  4.5.  Finaliza  afirmando  que  não  houve  presunção  de  delito  ou  crime  para  se  requer a quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, já que baseado em  mero  "palpite" ou  jogo de  adivinhação da Autoridade Fiscal desprovido de  qualquer elemento  concreto de  irregularidade, não  justificando a  adoção de  medida drástica e incompatível com os direitos e garantias individuais.  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 762          11 4.6. No  tocante  à  responsabilidade pessoal  imputada  ao ora  Impugnante,  com  fulcro  no  art.  135  do  CTN,  afirma  não  ter  incorrido  em  nenhuma  das  hipóteses  previstas  no  referido  artigo  não  tendo  a  Autoridade  Lançadora  demonstrado a respectiva subsunção ao propor a sujeição passiva de terceiro  estranho ao processo.  4.7. Diante do que  expõe,  requer  a  exclusão do ora  Impugnante  como  sujeito  passivo solidário do pólo passivo da presente demanda.  4.8. Diante  do  que  apresenta,  requer  sejam  desconsideradas  as  informações  bancárias extraídas da conta corrente da Autuada, em especial a procuração  outorgada  ao  ora  Impugnante  por  estar  este  em  descompasso  com  as  previsões do art. 5°, I, 'a' e 'b', do Decreto Federal n° 3.724/01.  4.9. Em  adição,  requer  o  reconhecimento  do  Impugnante  como  parte  absolutamente  ilegítima, com a  imediata exclusão deste do pólo passivo do  presente processo, deixando de constar como sujeito passivo solidário.    4.10.  Por  fim,  requer  que  as  publicações  e  intimações  referentes  ao  presente  feito  sejam encaminhadas,  exclusivamente,  em nome dos patronos  que nomeia.    DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA A EXCLUSÃO DO  SIMPLES  5.  Às  fls.  478/9,  foi  acostado  o  Ato  Declaratório  executivo  DERAT/SPO  n°  59/2010 e a respectiva Intimação, cuja ciência do Sujeito Passivo se deu, via  postal, em 02/10/2010, com efeitos a partir do dia 01/01/2005 em virtude de  a receita bruta no ano­calendário de 2004 ter ultrapassado o limite legal.  5.1. A  Impugnante  hostilizou  tempestivamente  o  indigitado Ato Declaratório,  consoante  fls.  512, por  intermédio de Manifestação de  Inconformidade,  fls.  483/506, erigindo, em síntese, os seguintes argumentos:  5.1.1.  A  situação  excludente  expressada  no  Ato  Declaratório  combatido  encontra­se  em  discussão  administrativa,  ainda  pendente  de  decisão  e,  consequentemente,  seus  efeitos  estão  suspensos  sob  pena  de  ofensa  aos  princípios  do  devido  processo  legal,  do  contraditório  e  da  ampla  defesa.  Apóia­se em doutrina que reproduz.  5.1.2.  No  tocante  à  origem  dos  valores  identificados  como  receitas  omitidas,  reapresenta os argumentos discorridos na Impugnação apresentada contra os  Autos de Infração consubstanciados no presente processo.   5.1.3.  Ratifica os argumentos atinentes à inexistência da incidência tributária e  descaracterização das receitas com base nos depósitos bancários apresentados  na Impugnação interposta contra os créditos tributários discutidos. Apresenta  julgado administrativo.  5.1.4.  Diante  do  exposto,  requer  seja  acolhida  e  provida  a  presente  Manifestação de  Inconformidade, a  fim de que seja  julgado completamente  Fl. 762DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 763          12 improcedente  o  Ato  Declaratório,  bem  como  o  posterior  arquivamento  do  processo administrativo correspondente.    5.1.5. Por fim, requer que as publicações e intimações referentes ao presente  feito  sejam  encaminhadas,  exclusivamente,  em  nome  dos  patronos  que  nomeia.    DO JULGAMENTO  6. Em 06 de  fevereiro de 2012,  foi proferido no presente processo o Acórdão  DRJ/SP 1 n° 16­36.033, emanado desta 13a Turma, fls. 525/558, tendo como  relator  o  mesmo  deste  Acórdão,  que  teve  por  resultado  a  Impugnação  Procedente  em Parte,  acatada  a  exclusão  do  pólo  passivo  do  sr. Alexandre  Roberto da Silva, e o Crédito Tributário Mantido.  6.1. Entretanto, na data de 10/02/2012, antes de cientificado o Contribuinte do  indigitado  Acórdão,  sobreveio  a  ciência,  primeiramente  informada  à  DERAT/SPO,  da  existência  do  Mandado  de  Segurança,  processo  n°  0011753­16.2010.403.6100,  impetrado pela  Impugnante contra a RFB, com  decisão  monocrática  proferida  em  03/02/2012,  ainda  não  transitada  em  julgado (fls. 559/572).  6.2. Em  consequência,  fez­se  necessária  apreciação  do  conteúdo  debatido  no  referido processo  judicial que  culminou na  alteração do conteúdo decisório  expressado no presente Acórdão, vez que constatou­se  identidade de objeto  discutido nas duas esferas (administrativa/judicial).  6.3. Destarte,  o  conteúdo  deste  Acórdão  sobrepõe­se,  integralmente,  ao  do  Acórdão DRJ/SP 1 n° 16­36.033, que deixa de produzir efeitos.  É o relatório.  A  decisão  de  primeira  instância,  representada  no  Acórdão  da  DRJ  nº  16­ 36.634  (fls.  575­604)  de  14/03/2012,  por  unanimidade  de  votos,  considerou  parcialmente  procedente  o  lançamento  apenas  para  excluir  do  pólo  passivo  o  coobrigado,  Sr.  Alexandre  Roberto da Silva. A decisão foi assim ementada.  “Assunto: Processo Administrativo Fiscal – PAF  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  procedem  as  arguições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbram  nos  autos  quaisquer  das  hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo  havido,  por  parte  do  contribuinte,  conhecimento  e  ciência  de  todos  os  requisitos  que  compuseram  a  autuação;  contendo  o  auto  de  infração  suficiente  descrição  dos  fatos  e  correto  enquadramento  legal,  sanadas as  irregularidades, dada ciência  e  oportunizada  a  manifestação  do  autuado,  ou  seja,  atendida  integralmente  a  legislação  de  regência,  não  se  verifica  cerceamento do direito de defesa.  Fl. 763DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 764          13 IMPUGNAÇÃO  ACOMPANHADA  DE  PROVAS. NÃO  ATENDIMENTO.  A  Impugnação,  no  âmbito  do  Processo  Administrativo  Fiscal,  deve ser apresentada com as provas que suportem os motivos de  fato  e de direito  em que  se  fundamente precluindo o direito de  apresentar as provas que possuir em outro momento, excetuadas  as previsões legais expressamente ressalvadas, conforme art. 16  e § 4° do Decreto 70.235/72.  PROPOSITURA  DE  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  À  DISCUSSÃO  ADMINISTRATIVA  QUANDO  HÁ  IDENTIDADE  DE  OBJETOS.  Por  força do Princípio da Unidade Jurisdicional, a decisão judicial é  soberana e sobrepõe­se a qualquer manifestação administrativa  eventualmente  produzida,  de  forma  que,  nos  casos  de  objetos  idênticos, opera­se a renuncia à discussão administrativa.  No  entanto,  as  discussões  suscitadas  apenas  no  âmbito  administrativo  deverão  ter  seu  prosseguimento  normal,  com  a  finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla  defesa.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM  CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.  A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal  de  omissão  de  rendimentos  que  autoriza  o  lançamento  do  imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos  recursos  creditados em sua conta  corrente ou de investimento.  OMISSÃO  DE  RECEITAS. DETERMINAÇÃO  DO  IMPOSTO. REGIME  DE  TRIBUTAÇÃO. Verificada  a  omissão  de  receita,  o  imposto  a  ser  lançado  de  ofício  deve  ser  determinado  de  acordo  com  o  regime de  tributação a que  estiver  submetida a pessoa  jurídica  no período­base a que corresponder a omissão.  MULTA  AGRAVADA.  APLICAÇÃO.  Correta  a  aplicação  do  agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora  regularmente  intimado,  deixa  de  atender  às  intimações  da  Autoridade Fiscal no prazo.  JUROS  DE  MORA.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO.  O  crédito  não  integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer  medidas de garantia previstas em lei  tributária. A utilização da  taxa  SELIC  para  o  cálculo  dos  juros  de  mora  decorre  de  lei,  sobre  cuja  aplicação não  cabe  aos  órgãos  do Poder Executivo  deliberar.  Fl. 764DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 765          14 Correta a aplicação da  taxa SELIC para a  cobrança dos  juros  moratórios  lançados,  conforme  previsão  legal  expressa  no  art.  61, § 3o da Lei n° 9.430/1996.  JUROS  DE  MORA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A  multa  de  ofício  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  é  considerada  débito  para  com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado  inadimplido a partir de seu vencimento.  SOLIDARIEDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O art. 265 do Código  Civil,  Lei  n°  10.406/02,  define  que  a  solidariedade  não  se  presume,  resultando  da  lei  ou  da  vontade  das  partes.  Para  caracterização  da  solidariedade  passiva  tributária  deve  haver  perfeita  subsunção  dos  fatos  às  normas,  com  evidenciação  das  situações  reclamadas  pelo  ordenamento  ou  indícios  suficientes  que permitam tal colmatação com grande grau de certeza.  INTIMAÇÃO.  DOMICÍLIO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  ENDEREÇO  DIVERSO.  IMPOSSIBILIDADE.  Indefere­se  o  pedido  de  endereçamento  de  intimações  ao  escritório  dos  procuradores  em  razão  de  inexistência  de  previsão  legal  para  intimação em endereço diverso do domicílio do sujeito passivo.”  Contra a aludida decisão a interessada foi cientificada em 14/09/2012 (A.R.  de fl. 625) e o coobrigado, Sr. Alexandre Roberto da Silva, em 17/09/2012 (A.R. de fl. 626).  A interessada interpôs recurso voluntário em 16/10/2012 (fls. 627­664) onde  repisa os argumentos apresentados em sua impugnação.  O  recurso  foi  apreciado  por  esta  Turma,  na  sessão  de  08/05/2014,  sendo  proferido o acórdão 1402­001.694, que, por unanimidade de votos, não o conheceu face à sua  intempestividade. O acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  INTEMPESTIVIDADE.  Por  intempestivo,  não  se  conhece  do  Recurso  Voluntário  protocolizado  após  o  prazo  de  trinta  dias,  a  contar  da  ciência  da  decisão  de  primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72.  Quando  da  formalização  do  voto  percebi  que,  por  lapso,  anotei  a  data  de  protocolo  do  recurso  como  sendo  18/10/2012,  quando  a  correta  é  16/10/2012  conforme  carimbo aposto à  fl. 627 dos autos. Tal  lapso  levou­me a encaminhar meu voto no  incorreto  sentido de não conhecer do recurso por intempestivo.  Na seqüência, opus os Embargos de Declaração de fls. 736/737.  É o relatório.  Fl. 765DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 766          15 Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar  Admitidos, os embargos devem ser acolhidos, com efeitos  infringentes para  ratificar o Acórdão embargado nos termos deste Voto.  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  Da discussão judicial  De  início,  há  que  se  consignar  que  a  Autuada  impetrou  Mandado  de  Segurança  nº  001175616.2010.403.6100  a  fim  de  solicitar  a  declaração  de  nulidade  das  informações e documentos obtidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB junto aos  Bancos Bradesco e Unibanco, requerendo a desconsideração destas para fins de fiscalização no  âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0819000­2009­002404, processo administrativo  nº 19515.006022/2009­58.  Com  efeito,  a  sentença  monocrática  concedeu  a  segurança  solicitada  afastando a aplicação do art. 5º, § 4º e § 6º, da Lei Complementar nº 105/01.  Nessa  esteira,  em  virtude  da  ação  judicial  interposta,  a  DRJ  considerou  a  renúncia  à  via  administrativa,  no  que  toca  ao  direito  de  recorrer,  bem  como  desistência  da  Impugnação apresentada, na parte em que verificada a  identidade de objeto com a  indigitada  ação judicial.  Assim se pronunciou aquela instância julgadora.  Com  efeito,  não  poderá  ter  prosseguimento  reclamação  ou  recurso  administrativo  que  veicule  pedido  com  o  mesmo  objeto  do  formulado  em  ação  judicial. A opção do sujeito passivo em submeter a controvérsia à  tutela do Poder  Judiciário faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria  na esfera administrativa.  Frise­se, adicionalmente, que tendo por esteio o previsto no art. 62, parágrafo  único,  do  Decreto  nº  70.235/72,  in  verbis,  o  lançamento,  consubstanciado  no  processo  em  epígrafe,  deve  seguir  com  tramitação normal,  exceto  quanto  aos  atos  executórios, até ao ponto em que deva se ater à futura decisão judicial que transite  em julgado.   Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a  suspensão  da  cobrança  do  tributo  não  será  instaurado  procedimento  fiscal  contra  o  sujeito  passivo  favorecido  pela  decisão,  relativamente,  à matéria  sobre  que  versar a  ordem de  suspensão.   Parágrafo  único.  Se  a  medida  referir­se  a  matéria  objeto  de  processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto  aos atos executórios.  Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 767          16 Ademais,  observa­se  que  na  Impugnação  apresentada  também  foi  trazida  matéria distinta da discutida em juízo, tendo o sujeito passivo direito ao contencioso  administrativo  para  que  seja  apreciada  a  matéria  diferenciada.  Nada  mais  lógico,  diga­se  de  passagem,  pois  a  existência  de  ação  judicial  não  deve  prejudicar,  ipso  facto, o controle da legalidade dos atos administrativos, dentre os quais figura como  espécie o lançamento tributário.  Assim,  deixa­se  de  se  analisar  no  presente  Voto,  tão­somente,  as  matérias  referentes à alegação de quebra do sigilo bancário, com fulcro na Lei Complementar nº 105/01.  Ademais, mesmo  sabendo­se  que  a  decisão  acerca  do  quanto  discutido  em  juízo  é  matéria  prejudicial  às  demais  matérias  articuladas  no  Recurso,  com  o  intuito  de  respeitar  plenamente  as  garantias  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa,  estas  últimas  serão  apreciadas.  Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa  Inicialmente,  cabe  esclarecer  que,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  as  hipóteses  de  nulidade  são  taxativamente  previstas  nos  arts.  59  e  60  do Decreto  nº  70.235, de 6 de março de 1972:   “Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio. (Grifou­se).  Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado  em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração  de  nulidade  somente  pode  ser  suscitada  em  caso  de  lavratura  por  pessoa  incompetente.  Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão  em nulidade e  serão  sanadas quando  resultarem  em prejuízo para o  sujeito passivo,  salvo  se  este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.   A leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 205/213) permite a constatação  de que a Autoridade Autuante narrou, com clareza e coerência, os fatos verificados durante a  ação  fiscal  e  sua  subsunção  às  normas  legais  de  regência.  Constam  do  referido  termo  os  dispositivos legais que fundamentaram os Autos de Infração lançados, estando ainda presentes  no processo administrativo os demonstrativos de cálculo dos tributos devidos.  Foram  disponibilizadas  cópias  dos  documentos  integrantes  da  autuação  ao  Contribuinte/Solidariamente  Responsável,  tendo­lhes  sido  conferido  tempo  hábil,  após  regularmente  cientificados  do  lançamento,  para  apresentar  seus  questionamentos,  consubstanciados nas Impugnações apresentadas em 22/01/2010 (fls. 277/318 e 393/443), nas  quais  demonstraram  conhecer  plenamente  os  fatos  que  lhes  foram  imputados.  Assim,  tendo  Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 768          17 sido os  interessados  regularmente cientificados  do  lançamento  e dos  relatórios  componentes,  inexiste qualquer omissão nesse sentido.  Ressalte­se  que  o  direito  constitucional  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo  judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a  parte  interessada  exerce  o  direito  à  ampla  defesa,  cujo  conceito  abrange  o  princípio  do  contraditório.  A  observância  da  ampla  defesa  ocorre  quando  é  dada  ou  facultada  a  oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo,  com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de  decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de  impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios  constitucionais da ampla defesa e do contraditório.  Verificado  que  o  Sujeito  Passivo  conhecia  a  origem  dos  tributos  lançados,  que  tomou  plena  ciência  dos  relatórios  integrantes  da  autuação,  tendo­lhe  sido  concedido  o  tempo  hábil  (prazo  legal)  para  apresentar  suas  contrariedades,  não  há  que  se  cogitar  em  cerceamento do respectivo direito de defesa.  Da natureza dos depósitos não comprovados e das meras alegações.  Quanto aos valores considerados como receitas omitidas, que deram azo aos  lançamentos  tributários  sub  examine,  a Recorrente  alega,  em  síntese,  que  tais  valores  foram  oriundos  do  “desconto  de  tíquetes”  e,  por  conseguinte,  não  se  enquadrariam  no  conceito  de  receita, vez que não se incorporaram no seu patrimônio (traduziram­se em meros repasses às  operadoras dos tíquetes).  Ademais,  contesta  a  presunção  trazida  pelo  previsto  no  art.  42  da  Lei  n°  9.430/96 vez que não é possível estabelecer correlação direta entre o montante dos depósitos e  a omissão de rendimentos, sendo o encargo probatório totalmente transferido para si.  Nesse passo, adoto os fundamentos da decisão de piso como razão de decidir  na forma a seguir apresentada.  De início, ressalte­se que a receita bruta, base de cálculo da tributação para os  optantes  pelo  SIMPLES,  compreende  o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria, o preço dos serviços prestados e o  resultado auferido nas operações de conta alheia,  excluídas  as  vendas  canceladas,  as  devoluções  de  vendas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados,  destacadamente  do  comprador  ou  contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário.  Assim,  partindo­se  do  conceito  contábil­tributário  acima  expressado  e  que  traduz a inteligência do § 2º, do art. 2º da Lei nº 9.317/96, há de se concluir, de plano, que a  íntegra  do  resultado  operacional  da  empresa,  ainda  que  decorrente  de  transações  de  conta  alheia, amolda­se, perfeitamente, ao conceito jurídico de receita para os fins ora abordados.  De  toda  sorte,  cabia  à Recorrente  demonstrar,  com  comprovação  por meio  documental  hábil  e  suficiente,  a  composição  dos  valores  verificados  nas  contas­correntes  de  sua titularidade, especialmente os concernentes aos créditos, presumidamente entendidos como  receitas omitidas, para que, somente então, fosse possibilitado o conhecimento e a apuração da  sua efetiva receita bruta.  Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 769          18 Assim, ao desatender à solicitação detalhada expressada na Intimação n° 09,  fls. 161/180, a Defendente deu azo à incidência da presunção legal, adiante abordada, plasmada  no art. 42 da Lei n° 9.430/96.  Em  adição,  ao  questionar  os  créditos  tributários  decorrentes  da  supracitada  presunção  legal  sem  comprovar  as  alegações  aludidas  na  sua  peça  vestibular  de  defesa,  a  Insurgente  desatendeu  norma  cogente,  vez  que  o  art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72,  especialmente  em  seu  inciso  III  e  §  4°,  determina  que  a  defesa,  no  âmbito  do  Processo  Administrativo Fiscal,  será apresentada com as provas que suportem os motivos de fato e de  direito em que se fundamente precluindo o direito de apresentar as provas que possuir em outro  momento, excetuadas as previsões legais expressamente ressalvadas.  Ainda,  revelam­se  sem  efeitos  práticos  as  meras  alegações  erigidas  pela  Defendente, especialmente quando alega que a maior parte da movimentação financeira referir­ se­ia ao mero repasse dos valores dos tíquetes que comercializava (assemelhada à operação de  desconto), do que  lhe restava apenas um pequeno deságio,  referente a 1% (um por cento) da  receita presumida, vez que desprovida de qualquer comprovação.  Não tendo a Interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os  fatos alegados ou atacados, ficam por sua conta e risco as consequências de tal negligência. A  responsabilidade  por  infrações  tributárias  independe  da  intenção  do  agente,  conforme  vaticinado no artigo 136 do Código Tributário Nacional.  Ademais,  sabendo­se  que  a Recorrente,  para  o  exercício  em  referência,  era  optante  pelo SIMPLES,  insta  observar  que,  por  expressa  disposição  legal,  estava  obrigada  a  manter em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas  eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os documentos e demais papéis que serviram  de base para a escrituração dos livros obrigatórios: Caixa e Registro de Inventário (art. 7°, § 1°,  da Lei n° 9.317/96).  Ainda, meras alegações, desprovidas de comprovação hábil e idônea, de lucro  diminuto e da  inexistência de acréscimo patrimonial mostram­se  insuficientes para afastar as  debatidas autuações.  De outra banda,  igualmente não merece guarida a articulação respeitante ao  desconhecimento técnico­tributário dos sócios da Recorrente já que, em virtude do vaticinado  no art. 3° do Decreto­Lei n° 4.657/42, Lei de Introdução ao Código Civil, "ninguém se escusa  de cumprir a lei, alegando que não a conhece".  Da presunção de omissão de receitas.  A  fim  de  abordar  a  questão  suscitada  pela  Defendente  quanto  à  previsão  constante do art. 42 da Lei n° 9.430/96, vale lembrar que toda presunção, em apertada síntese,  é consequência deduzida de um fato conhecido para possibilitar a aferição/conhecimento de um  fato desconhecido.  Indício  é  todo  rastro,  vestígio,  circunstância,  suscetível  de  conduzir,  por  inferência, ao conhecimento do fato desconhecido. Um único elemento indiciário, via de regra,  não  tem  qualquer  valor,  vez  que  tal  sugere  que  algo  aconteceu,  mas  é  insuficiente  para  caracterizar o fato que se quer provar. Entretanto, vários indícios, indicando na mesma direção,  Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 770          19 fazem prova do fato probando. O fato conhecido (indício) provoca uma atividade mental, por  via da qual se pode chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele.  Como  resultado  de  citado  exercício mental  chega­se  a  uma  presunção,  que  compreende um processo lógico, um raciocínio pelo qual, da existência de um fato reconhecido  como certo,  se deduz  a  existência do  fato que  se quer provar. A presunção é o  resultado do  raciocínio,  que  se  guia  nos  conhecimentos  gerais  universalmente  aceitos  e  por  aquilo  que  ordinariamente acontece para chegar­se ao conhecimento do fato probando.  Ademais,  as  presunções  são  geralmente  divididas  em  legais  (normalmente  subdividida em absoluta e relativa) e simples.  Haja  vista  que  a  questão  em  foco  aborda  presunção  legalmente  prevista,  o  presente Voto debruçar­se­á, tão­somente, sobre as presunções legais.  Relevante mencionar o posicionamento (classificação) apresentado por Maria  Rita Ferragut (A Prova no Processo Tributáiro. Coordenadores: Marcos Vinícius Neder, Eurico  Marcos Diniz  de  Santi, Maria Rita  Ferragut.  São  Paulo: Dialética,  2010,  pp.  111/138.),  que  divide a presunção legal em hominis e relativa e, explicando a primeira, assim esclarece:  A  presunção  hominis  caracteriza­se,  portanto,  como  uma  proposição  individual e concreta reveladora de um raciocínio lógico presuntiva realizado pelo  aplicador da norma, que, a partir do conhecimento de indícios, da inexistência de  provas  em  sentido  contrário  a  eles,  e  da  relação  de  implicação  estabelecida  segundo  o  que  ordinariamente  acontece,  forma  sua  convicção,  declarando  normativamente a existência de fato jurídico indiretamente conhecido.  (original sem destaques)  Em  tais  casos,  a  lei  estabelece,  com  base  no  quanto  observado  de  forma  reiterada  nos  casuísmos  concretos  ­  baseando­se,  portanto,  na  aplicação  de  um  critério  de  razoabilidade  ­,  que  ocorrida  determinada  situação  fática,  pode­se  presumir,  até  prova  em  contrário ­ esta a cargo do contribuinte ­, a ocorrência do fato probando.  Observe­se  que  a  abordada  inversão  legal  do  ônus  da  prova  é  perfeitamente aceita pelo ordenamento jurídico pátrio, constando, inclusive, prevista no artigo  334,  IV,  da Lei  n°  5.869,  de  11/01/1973  (Código  de Processo Civil  ­ CPC),  cujos  preceitos  aplicam­se subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal:  "Art. 334. Não dependem de prova os fatos:  ...  IV  ­  em  cujo  favor  milita  presunção  legal  de  existência  ou  de  veracidade."  Ademais,  tornando a citar a opinião expressada por Maria Rita Ferragut  (A  Prova no Processo Tributário. Coordenadores: Marcos Vinícius Neder, Eurico Marcos Diniz de  Santi, Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética, 2010, pp. 111/138.):  (...)  a  presunção  hominis  estabelece  conclusão  provável  do  ponto  de  vista  fático, mas certa da perspectiva  jurídica. Segundo entendemos,  inexiste diferença  entre  as  provas  diretas  e  indiretas  no  que  concerne  à  certeza  jurídica,  já  que  ambas  constituem  verdade  suficiente  e  nenhuma  confere  certeza  absoluta  da  Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 771          20 ocorrência fenoménica do evento descrito no fato. As duas espécies de prova apenas  transformam,  em  linguagem  competente,  a  versão  dos  eventos,  já  que  este  é  inatingível por ter­se esgotado no tempo.  (original sem destaques)  Desta sorte, emerge preclaro: a combatida previsão estampada no art. 42 da  Lei n° 9.430/96 estabeleceu a presunção legal (hominis) de que os valores creditados em conta  corrente ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, quando não comprovada a  sua  origem  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea,  constituem  receita  omitida.  Por  relevância, transcreve­se o artigo legal.  Art.42.Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §1o  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  §2o  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I  ­  os  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria pessoa física ou jurídica;  II  ­  no  caso  de  pessoa  física,  sem  prejuízo  do  disposto  no  inciso  anterior,  os  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a  R$  12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do  ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta  mil reais).  (grifei)  Diante  do  exposto,  repise­se,  a  aventada  presunção  legal  ganha  espaço  somente  e  na  medida  em  que  os  créditos  verificados  nas  contas  bancárias  do  Contribuinte  restem não esclarecidos/comprovados por documentação necessária e suficiente.  Ressalte­se  que  se  aplicam  à  Autuada  todas  as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes  nas  legislações  de  regência  dos  impostos  e  contribuições  abarcados  pela  sistemática  do  SIMPLES,  desde  que  tais  omissões  sejam  apuráveis  com  base  nos  livros  e  documentos  a  que  estiver  obrigada  a  Contribuinte,  por  força  do  art.  18  da  citada  Lei  n°  9.317/96.  Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 772          21 Destarte,  o  princípio  no  qual  se  fundamentam  as  disposições  constantes  do  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  consiste,  justamente,  no  fato  de  que  a  manutenção  de  escrituração  regular  e  da  documentação  suporte  daquela  leva  à  comprovação  da  origem  dos  créditos em conta corrente bancária do Contribuinte, cumprindo ao Fisco, nesse caso, apenas  verificar o devido oferecimento à tributação dos ingressos decorrentes da atividade da pessoa  jurídica. Ausente documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos bancários,  em  virtude  da  propalada  presunção  legal,  estar­se­ia  à  frente  de  ingressos  à  margem  da  escrituração,  hipótese  presumível  e  legalmente  indicativa  de  omissão  de  receitas,  sendo  referida parcela distinta daquela eventualmente objeto de identificação na escrituração e/ou nos  documentos mantidos pela pessoa jurídica.  Neste  ponto,  observa­se  que  a  Autoridade  Fiscal  diferenciou,  perfeita  e  objetivamente, os valores considerados declarados e a parcela  referente à omissão de receita,  por intermédio dos seguintes demonstrativos:  · Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 216/222)  incidentes  sobre  os  valores  declarados,  resultantes  da  aplicação  dos  percentuais  corretos  conforme  discriminados  no  demonstrativo  anterior;  · Demonstrativo da apuração do imposto/contribuição sobre diferenças  apuradas  (fls.  223/8),  incidentes  sobre a parcela  referente  à omissão  de receitas;  Assim, a caracterização da ocorrência do fato gerador em discussão não se dá  pela  mera  constatação  de  um  crédito  bancário,  considerado  isoladamente,  abstraída  das  circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da  origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da  lei. Existe, portanto, uma correlação  lógica entre o  fato conhecido  ­  ser beneficiado com um  crédito  bancário  sem origem ou  não  oferecido  à  tributação  ­  e  o  fato  desconhecido  ­  auferir  rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que  o  valor  creditado  em  conta  bancária,  sem qualquer  justificativa,  provém de  rendimentos  não  declarados.  Observe­se,  contudo,  que  não  se  desobriga  a  autoridade  de  comprovar  o(s)  fato(s) que dá(ão) origem à omissão de  receitas ou aquele definido na  lei  como necessário  e  suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum a militar em favor do Fisco.  A  carga  probatória  atribuída  à  Administração  Tributária  nos  casos  da  presunção legal em tela resume­se em demonstrar que o Contribuinte, apesar de intimado, não  comprovou  a  origem  dos  depósitos  bancários.  A  relação  causa­efeito  decorrente  do  fato  verificado  e  a  consequência  da  inação  da  Autuada  no  eficiente  esclarecimento  solicitado  é  estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova, cabendo ao Sujeito  Passivo da  relação  jurídica  evidenciar que  a prática do  ato que  lhe  está  sendo  imputado não  corresponde à realidade.  Assim, intimada a Contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram  incomprovados, compete a esta, e não ao Fisco, demonstrar a origem de cada um dos depósitos  questionados,  se  quiser  eximir­se  da  ilação  legal  prevista,  ou,  ainda,  comprovar  que  os  respectivos valores foram oferecidos à tributação.  Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 773          22 No  presente  caso,  conforme  consta  dos  autos  e  acima  articulado,  a  Autoridade  Fiscal  intimou  a  Autuada  para  comprovar  a  origem  de  depósitos  em  contas  bancárias,  indicou  as  instituições  bancárias  e  as  respectivas  contas,  histórico  e  valores  transacionados, tudo objetiva e claramente demonstrado, na forma de planilhas (fls. 161/180), e  não foi atendida pelo Sujeito Passivo.  Neste ponto, merece ser esclarecido, em virtude de alegações da Recorrente  quanto à inexistência de sinais exteriores de riqueza, que não se estão tributando os depósitos  bancários nem, tampouco, que sejam estes fato gerador dos tributos lançados.  O objeto da tributação em epígrafe é uma importância financeira à disposição  da Fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, foi considerada  receita omitida, por disposição legal expressa, segundo a legislação acima reproduzida.  Em  consequência,  sabido  que  a Contribuinte  era  optante  pelo  SIMPLES,  a  omissão  de  receita,  decorrente  de  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada,  correspondeu  à  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  tributados  pelo  mencionado  Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, in  verbis:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  Em  adição,  há  de  ser  enfatizado  que  além  de  a  Defendente  não  ter  comprovado  a  origem  dos  indigitados  depósitos  durante  o  procedimento  fiscal,  consoante  predito,  juntamente  com  a  Impugnação  e  com  o Recurso, mais  uma  vez,  apenas  apresentou  argumentos desacompanhados de provas necessárias, suficientes e cabais.  Diante  de  tudo  quanto  articulado,  tendo  o  procedimento  fiscal  observado  amplamente  à  legislação  de  regência  e  permanecendo  a  Recorrente  inerte  no  tocante  à  comprovação  da  origem  dos  rendimentos  presumidos  como  receita  tributável  auferida,  despidos de qualquer mácula, não merecem reparo os lançamentos ora em apreço.  Da legalidade da multa de ofício.  Contraditando  a multa  de  ofício  imposta,  a Defendente  argumenta  que  não  houve  qualquer  irregularidade  ou  infração  praticada  que  ensejasse  a  imposição  de  multa  correspondente  a  112,5%  do  valor  do  tributo,  sendo  tal  imposição  abusiva  e  confiscatória,  restando feridos os preceitos constitucionais plasmados no art. 5°, XXII e no art. 150, IV.  Ademais,  sustenta  ter  havido  no  caso  violação  ao  princípio  da  proporcionalidade, vez que inexistente a razoável compatibilidade entre a sanção prevista e a  violação na qual incorreu a Impugnante.  Primeiramente,  é  de  se  observar  da  análise  dos  demonstrativos  de multa  e  juros de mora, anexos dos Autos de Infração, que sobre os valores de receita declarados pelo  Contribuinte foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, conforme previsto no inciso I  do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (insuficiência de recolhimento). Já a multa de 112,5%, prevista no  §  2°  do  mesmo  artigo,  foi  aplicada,  somente,  para  o  caso  de  omissão  de  receitas  não  esclarecidas pelo Sujeito Passivo, apesar de regulamente instado para tanto.  Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 774          23 De  outro  prisma,  diante  dos  argumentos  aduzidos  na  matéria  da  multa  de  ofício aplicada no percentual de 112,5%, cabe, de início, esclarecer que a vedação ao confisco  pela Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.  Demais disso, não compete à Autoridade Administrativa apreciar a arguição e  declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em  caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102.  Adicionalmente,  tendo  em  vista  o  vaticinado  no  art.  26­A  do  Decreto  n°  70.235/72,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  é  legalmente  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Destarte,  a Autoridade Administrativa  que  subscreve  a  presente  decisão  só  pode deixar de aplicar determinado ato legal se o mesmo tiver sido declarado inconstitucional  pelo Supremo Tribunal Federal, com eficácia erga omnes, ou se houver  resolução do Senado  suspendendo a eficácia da aplicação deste dispositivo legal, ou, ainda, se tiver sido determinada  a  extensão  dos  efeitos  de  decisões  com  este  conteúdo  pelo  Presidente  da  República,  pelo  Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador­Geral da Fazenda Nacional. Assim,  não  se  encontrando  presente  no  caso  vertente  quaisquer  destas  situações,  não  há  como  se  acolher à inconstitucionalidade aventada na peça de defesa quanto aos encargos moratórios.  Assim,  tendo  em  vista  que  o  fundamento  da  atacada  penalidade  encontra  amparo na previsão  constante do  art.  44,  I  c/c § 2°,  I  do mesmo artigo,  da Lei n° 9.430/96,  norma  em  vigor,  não  há  como  a Autoridade  Julgadora,  vinculada  à  lei  vigente  e  às  normas  regulamentares, deixar de aplicá­la sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos. Por  relevância, reproduz­se as previsões citadas:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:   I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  ...  § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  Em adição, não se pode olvidar que o agravamento da multa de ofício para o  percentual  de  112,5%,  decorreu  do  não  atendimento  às  intimações  para  a  apresentação  dos  extratos de movimentações  financeiras e,  especialmente, para a prestação de esclarecimentos  quanto  à  origem  dos  depósitos  bancários  detectados  em  conta  corrente  de  sua  titularidade  e  questionados  pela  Autoridade  Fiscalizadora,  a  partir  das  informações  fornecidas  pelas  instituições financeiras.  Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 775          24 A  causa  a  ensejar  o  agravamento  da  penalidade  consiste  na  evidência  de  embaraço ao célere desenvolvimento do procedimento fiscal  tendente à apuração de eventual  crédito tributário, diante da falta de apresentação dos esclarecimentos solicitados.  No  presente  caso,  não  paira  dúvidas  de  que  as  omissões  praticadas  pela  Autuada  acarretaram  maior  ônus  procedimental  à  Fiscalização  que,  se  não  teve  por  inviabilizada  a  apuração  do  crédito  tributário  reputado  devido,  no  mínimo,  enfrentou  maior  retardo e dificuldade no conhecimento e na apuração dos fatos jurígenos tributários envolvidos  no caso.  Demais  disso,  a  Autoridade  Fiscal  bem  consignou,  especialmente  no  item  '4.1' do Termo de Verificação Fiscal, fls. 210, os fatos que ensejaram a subsunção da conduta  omissiva da Impugnante ao agravamento da multa prevista no art. 959, I, do Regulamento do  Imposto  de Renda,  aprovado  pelo Decreto  n°  3.000/99,  que  traduz  a  inteligência  do  quanto  previsto no art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96.  Diante do raciocínio expendido, não merece reparo a aplicação da multa no  percentual de 112,5%, conforme efetuado e demonstrado pela Autoridade Lançadora, vez que  pautado  no  ordenamento  de  regência  e  bem  configuradas  as  circunstâncias  fáticas  que  permitiram a perfeita colmatação destas à norma.  Dos juros calculados à taxa SELIC  No  que  tange  aos  argumentos  da  Recorrente  de  que  a  taxa  SELIC  seria  inaplicável  no  presente  lançamento,  cabe  observar  que  a  sua  utilização  está  expressamente  prevista  no  artigo  13  da  Lei  n°  9.065/95,  não  cabendo  à  instancia  julgadora  administrativa  apreciar a validade da norma.  Ademais, tal matéria já está sumulada neste Conselho (Súmula CARF nº 4):   A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  Cabível, portanto, a exigência dos  juros moratórios calculados com base na  taxa SELIC.  Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio  A  Recorrente  questiona  a  cobrança  de  juros  de  mora  à  taxa  Selic  sobre  a  multa de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados  deste Conselho que amparam sua tese.  A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro  iniciou­se com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe:  Art.  84.  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:   Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 776          25 I ­ juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal  Interna; (...)  Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC:  Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a  alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28  de  janeiro de 1994,  com a  redação dada pelo art.  6º  da Lei nº  8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981,  de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea  "a.2"  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  serão  equivalente  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...)  Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente  nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso. (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês do pagamento.  Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de  ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento.  O cerne da questão está, pois, na  interpretação que se deve dar à expressão  “débitos decorrentes de tributos e contribuições”.   De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na  legislação  faz  nascer  o  débito.  Portanto,  o  débito  decorre  do  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições nos prazos.  Também  nesse  sentido  é  a multa  de  ofício  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições.  Isso  porque  ela  resulta,  nos  exatos  termos  da  alínea  a  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  da  punição  aplicada  pela  fiscalização  à  falta  de  pagamento  ou  recolhimento  dos  tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória.  A jurisprudência neste Conselho é predominante no sentido de que é cabível  a apreciação da matéria pelo contencioso administrativo e de que a aplicação da  taxa Selic à  multa de ofício é correta.   Nesse  sentido  já  se manifestou este E. Colegiado quando do  julgamento do  Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa:  Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/2009­58  Acórdão n.º 1402­001.905  S1­C4T2  Fl. 777          26 JUROS  DE  MORA  —  MULTA  DE  OFÍCIO  —  OBRIGAÇÃO  PR1NICIPAL —  A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento  do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não  pagamento,  incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional,  sobre  o  qual,  assim,  devem incidir os juros de mora à taxa Selic.  Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de  juros de mora sobre a multa de  oficio.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto por  acolher os  embargos para  retificar o Acórdão 1402­ 001.694, de 08/05/2014, nos termos acima analisados, rejeitando a preliminar de nulidade e, no  mérito, negando provimento ao recurso voluntário.      (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator                                Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 16643.000028/2011-82
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 Sobrestamento do Julgamento. Processos Interligados. Dependência. Decorrência. Ainda que um processo decorra da sorte de outro litígio, não há previsão processual tributária para sobrestar-se o julgamento. Em se tratando de matérias distintas, embora interligadas, e havendo a impossibilidade do julgamento em conjunto de ambos litígios, aplica-se o já decidido no processo principal no processo que cuida de matéria decorrente. Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Nulidade Da Decisão. Mudança de Critérios. Inovação Não constitui mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio, em sede de decisão de julgamento, por inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142 do CTN), a decisão guerreada colacionar outras razões que explicitam a licitude e correção do lançamento tributário, além de defender os próprios fundamentos deste lançamento.
Numero da decisão: 1801-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora; I) No julgamento da prejudicial, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque e Joselaine Boeira Zatorre, que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o trânsito julgado de decisão administrativa definitiva no processo nº 16643.000421/2010-45; II) No julgamento do mérito, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Joselaine Boeira Zatorre e Rogério Aparecido Gil, que votaram pela exoneração dos juros moratórios sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 Sobrestamento do Julgamento. Processos Interligados. Dependência. Decorrência. Ainda que um processo decorra da sorte de outro litígio, não há previsão processual tributária para sobrestar-se o julgamento. Em se tratando de matérias distintas, embora interligadas, e havendo a impossibilidade do julgamento em conjunto de ambos litígios, aplica-se o já decidido no processo principal no processo que cuida de matéria decorrente. Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Nulidade Da Decisão. Mudança de Critérios. Inovação Não constitui mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio, em sede de decisão de julgamento, por inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142 do CTN), a decisão guerreada colacionar outras razões que explicitam a licitude e correção do lançamento tributário, além de defender os próprios fundamentos deste lançamento.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     2 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do  art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.  NULIDADE DA DECISÃO. MUDANÇA DE CRITÉRIOS. INOVAÇÃO  Não constitui mudança  dos  critérios utilizados para  a  apuração dos  tributos  lançados  ex  officio,  em  sede  de  decisão  de  julgamento,  por  inovação  nos  elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142  do  CTN),  a  decisão  guerreada  colacionar  outras  razões  que  explicitam  a  licitude  e  correção  do  lançamento  tributário,  além  de  defender  os  próprios  fundamentos deste lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  nos  termos  do  voto  da  Relatora;  I)  No  julgamento  da  prejudicial,  ficaram  vencidos,  os  Conselheiros  Leonardo  Mendonça  Marques,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque  e  Joselaine  Boeira  Zatorre,  que  votaram  pelo  sobrestamento  do  julgamento  até  o  trânsito  julgado  de  decisão  administrativa  definitiva  no  processo  nº  16643.000421/2010­45;  II)  No  julgamento  do  mérito,  ficaram  vencidos,  os  Conselheiros  Leonardo Mendonça Marques, Joselaine Boeira Zatorre e Rogério Aparecido Gil, que votaram  pela exoneração dos juros moratórios sobre a multa de ofício.     (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  de  Lourdes  Ramirez,  Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque,  Joselaine Boeira  Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.    Relatório  Trata  de Recurso Voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  16­39.436/12,  proferido pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1, e­fls. 202 a 211, que  manteve  a  exigência  fiscal  de  IRPJ,  relativa  ao  ano­calendário  de  2009,  consubstanciada  no  Auto de Infração de e­fls. 04 a 10, no valor de R$ 239.543,02, incluídos multa de ofício regular  (75%) e juros de mora.  A  presente  autuação  fiscal  decorreu  da  reversão  dos  valores  de  prejuízos  fiscais  em  outra  autuação,  relativa  aos  anos­calendários  de  2005  a  2009,  formalizada  no  processo administrativo fiscal nº 16643.000421/2010­95, que resultou em não haver mais saldo  de prejuízo para a contribuinte compensar no ano­calendário em questão, ensejando o presente  lançamento tributário.  Cópias dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL objetos desse outro processo  administrativo foram acostadas às e­fls. 21 a 74.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 3          3 Irresignada  contra  o  lançamento  tributário,  a  empresa  autuada  argúi  que  o  exame  do  mérito  deste  processo  deve  ser  sobrestado  até  o  julgamento  final  dos  autos  16643.000421/2010­95,  sendo  flagrante  a  conexão  entre  ambos  os  processos,  sendo  este  totalmente  dependente  do  deslinde  do  litígio  travado  naquele,  haja  vista  ambos  tratarem  de  saldos de prejuízos fiscais.   Entende, ainda, que ambos processos deveriam ser reunidos em um só, pelo  que reitera todas as argumentações de defesa esposadas naqueles autos e argumenta que se não  houver  a  reunião  dos  processos  para  julgamento  conjunto,  os  assuntos  tratados  no  outro  processo, no qual ocorreu a efetiva reversão de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de  CSLL deverão ser novamente apreciadas neste decisório, por tratarem ambos os processos da  mesma matéria de direito e fática.  Houve  erro  no  procedimento  fiscal,  que  enseja  a  nulidade  do  lançamento  tributário,  ao  não  considerar  o  valor  de  R$  2.164,43,  saldo  de  prejuízo  não  operacional,  remanescente após a autuação sofrida no processo fiscal nº 16643.000421/2010­95, para apurar  o valor a ser glosado neste ano­calendário de 2009, a título de prejuízo fiscal (não poderia ser  glosado o valor  integral, como foi  feito). A desconsideração do ágio,  levada a efeito naquele  outro processo, que gerou o  lucro  tributável, vincula­se a aquisição de  investimento, baixado  por  incorporação de empresas, devendo ser, pois,  considerado o valor de R$ 2.164,43, ainda  que trate­se de prejuízo não operacional (os lucros, portanto, são da mesma espécie).  Ataca a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de  ofício aplicada.  A Turma de Julgamento de Primeira Instância reconhece a relação de causa­ efeito  entre  ambos  os  processos  citados  pela  impugnante,  mas  afasta  a  possibilidade  do  sobrestamento  de  julgamento,  por  absoluta  ausência  de  previsão  na  norma  processual  tributária, bem como afasta a possibilidade de reunião dos processos em um só, por tratarem de  matérias interligadas, porém distintas. Reconhece que o decidido no âmbito do processo fiscal  nº  16643.000421/2010­95  deverá  repercutir  diretamente  no  presente  litígio,  por  tratar­se  de  matéria decorrente. Em assim sendo e havendo decisão de primeiro grau mantendo a autuação  no  referido  processo,  aplica­se  o  decidido  e mantém­se  a  glosa  do  prejuízo  fiscal  consoante  autuada a impugnante.  No  que  respeita  o  saldo  de  prejuízos  não  operacionais  no  valor  de  R$  2.164,43  e  a  nulidade  da  autuação  por  não  haver  computado  este  valor  nos  cálculos  para  proceder à glosa do Saldo de Prejuízos Fiscais, esclarece:  "[...]  O saldo de prejuízo fiscal não operacional, no valor de R$2.164,43 é resíduo  do  que  teria  sido  produzido  no  ano­calendário  de  2003  (vide  linha  44  ­  VALOR  CONTÁBIL DOS BENS E DIREITOS ALIENADOS ­ da Ficha 06 da DIPJ/2004 ­  AC2003), no valor de R$7.371,87.  Estranhamento,  não  houve  indicação  de  valores  na  linha  42  ­  RECEITAS  ALIEN.  BENS/DIREITOS  DO  ATIVO  PERMANENTE  ­  da  Ficha  06  da  DIPJ/2004 ­AC2003.  [...]  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     4 Há  inconsistência  nas  informações  prestadas  na  DIPJ/2004.  A  empresa  somente indicou o custo, sendo que deixando indicar a receita a ele correspondente,  na linha 42.  [...]  Além dessa  inconsistência,  que  se  verificou  agora  em  julgamento,  e  não  na  autuação original, deve­se lembrar que o não aproveitamento decorre da natureza do  prejuízo  fiscal,  que  por  ser  não  operacional,  somente  pode  ser  utilizado  para  compensar lucros da mesma natureza, nos termos da IN SRF n° 11/1996, art. 36.  A empresa alega que a  limitação supra mencionada, cuja base  legal  repousa  no art. 31 da Lei n° 9.249/95, não se aplicaria ao seu caso, pois a desconsideração do  ágio  feita  no  processo  n°  16643.000421/2010­95,  que  gerou  o  lucro  apurado  pela  Fiscalização,  tem  a  ver  com  aquisição  de  "investimento"  (Ativo  Permanente,  na  época), posteriormente baixada pela incorporação das empresa.  Observe­se  que  a  autuação,  constante  daqueles  autos,  foi  glosa  de  uma  despesa  indevida para  fins contábeis e  fiscais,  realizada a  título de amortização de  ágio por valor de rentabilidade futura. As contrapartidas da amortização de ágio são  lançadas  como  despesas  operacionais,  no  subgrupo  Outras  Receitas  e  Despesas  Operacionais  relativas,  segundo  o  Manual  de  Contabilidade  das  Sociedades  Anônimas ­Sétima Edição ­ da FIPECAFI ­ Editora Atlas (item 11.7.5, alínea "a" ­  fls. 173). Não se  tratou de uma  infração não operacional, como alegou a empresa,  mas sim operacional, sendo conceitualmente descabida a alegação apresentada.  Argúi ainda que, nesse tópico, que seria patente o equívoco na elaboração do  demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais (a Impugnante refere­se ao fato do  lançamento não ter considerado o valor de R$2.164,43), e o auto de infração do IRPJ  deveria ser prontamente cancelado pela ausência de certeza e liquidez da exigência  fiscal.  Infundada a alegação de que o lançamento deveria ser cancelado mesmo que  tivesse  razão  a  Impugnante  no  tocante  ao  valor  de R$2.164,43,  o  que  não  restou  demonstrado,  conforme  tratado  logo  acima.  Esse  tipo  de  alegação,  se  procedente,  levaria  à  exoneração  parcial  do  lançamento,  reduzindo­o,  não  implicando,  em  nenhuma  hipótese,  no  cancelamento  total  da  autuação,  sob  a  tese  de  iliquidez  e  certeza  da  autuação.  A  autuação  estaria  em  plenas  condições  de  prosseguir  em  cobrança,  após  a  correção  introduzida  em  função  do  acórdão  exarado,  dentro  das  normas  reguladoras  do  contencioso  fiscal  administrativo,  e  cuja  base  última  é  o  próprio Código Tributário Nacional ­ CTN ­ e a Constituição Federal.  [...]"  A  contestação  concernente  à  impossibilidade  da  incidência  de  juros  moratórios sobre a multa calculada de ofício foi afastada por ser imposição ex lege ­ artigo 61  da  Lei  nº  9.430/96,  vigente,  e  entendimento  espelhado  no  Parecer  MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 02/04/98.  A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de e­fls. 213 a 227,  reiterando os  termos da defesa exordial, em síntese, que o presente litígio não pode ser enfrentando antes do processo  que  cuida  da  dedutibilidade  de  despesas  com  ágio  ser  julgado,  pelo  flagrante  reflexo  do  decidido  naqueles  autos  alcançar  a  presente  lide.  Argumenta,  ainda,  que  houve  inovação  no  julgamento  de  primeira  instância  quanto  ao  critério  jurídico  utilizado  no  que  respeita  à  matéria  aventada  da  não  consideração do valor de R$ 2.164,43 no cômputo da glosa dos prejuízos fiscais destes autos, devendo  ser  declarada  nula  a  decisão  administrativa.  Reitera  os  termos  da  defesa  inicial  quanto  aos  demais                                                              1 Ciência por decurso de prazo em 10/08/12; Recurso Voluntário juntado em 10/07/2012 ­ e­fls. 228.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 4          5 pontos e colaciona jurisprudência administrativa em seu favor sobre a matéria juros incidentes sobre a  multa de ofício e o não cabimento.  É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.    Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora  Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo.  I) Das nulidades suscitadas  I.a) Nulidade da autuação  A recorrente argumenta que a autuação fiscal padece de vício insanável por  não  ter  considerado o valor de R$ 2.164,43,  registrado na  contabilidade a  título de Saldo de  Prejuízo Fiscal não operacional,  e haver procedido à glosa  total do Saldo de Prejuízo Fiscal,  ensejando  a  autuação  com  valores  indevidos,  devendo,  por  esta  razão,  ser  totalmente  insubsistente. Argumenta que como a reversão de prejuízos se deu em razão de investimentos,  baixa de empresa incorporada, que o prejuízo fiscal e o lucro tributado ex officio nos autos nº  16643.000421/2010­95 possuem a mesma natureza, devendo ser admitido, obrigatoriamente.  Equivoca­se  a  recorrente.  A  fiscalização  não  computou  o  referido  valor,  como  valor  remanescente  ainda  utilizável  em  anos  subsequentes,  dada  a  sua  natureza  não  operacional, como o próprio título da conta contábil denuncia. O entendimento da recorrente de  que  é prejuízo de natureza  compatível  com o  lucro  apurado pela  empresa é discutível  e não  pode  ser  oposto  à  autuação  como  insofismável.  Destarte,  a  recorrente  deve  comprovar  cabalmente  que  o  quantum  considerado  na  autuação,  cuja  presunção  de  legitimidade  possui  desde a constituição do  crédito  tributário,  a  título de matéria  tributável deva ser  reduzido no  montante em que alega.  Não há qualquer vício no  lançamento  tributário no fato de não considerar o  valor apontado pela recorrente na glosa do prejuízo fiscal consoante considerado.  I.b) Nulidade da decisão ­ inovação em critério jurídico  Em nada  inovou  a  turma  de  julgamento a  quo. Em  face  da  contestação  da  recorrente em alegar a nulidade da autuação consoante acima discorrido,  teceu considerações  sobre os porquês de não haver sido admitido o valor tido pela recorrente como absolutamente  inarredável dos cálculos efetuados na autuação fiscal.  Explicou, meramente, o equívoco em que se funda a recorrente em entender  serem prejuízo e receita de mesma natureza, porquanto compensáveis, sem ofender o artigo 31  da Lei nº 9.249/95. No acórdão explicitou­se detalhadamente o porquê não serem os valores de  mesma  natureza  e,  por  conseguinte,  impossível  a  compensação  de  um  com  outro,  restando  ilibado o procedimento fiscal em não colocar estes valores em mesmos parâmetros de cálculos.  Este trecho do decisório não foi reproduzido no recurso voluntário:  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     6 "A empresa alega que a limitação supra mencionada, cuja base legal repousa  no art. 31 da Lei n° 9.249/95, não se aplicaria ao seu caso, pois a desconsideração do  ágio  feita  no  processo  n°  16643.000421/2010­95,  que  gerou  o  lucro  apurado  pela  Fiscalização,  tem  a  ver  com  aquisição  de  "investimento"  (Ativo  Permanente,  na  época), posteriormente baixada pela incorporação das empresa.  Observe­se  que  a  autuação,  constante  daqueles  autos,  foi  glosa  de  uma  despesa  indevida para  fins contábeis e  fiscais,  realizada a  título de amortização de  ágio por valor de rentabilidade futura. As contrapartidas da amortização de ágio são  lançadas  como  despesas  operacionais,  no  subgrupo  Outras  Receitas  e  Despesas  Operacionais  relativas,  segundo  o  Manual  de  Contabilidade  das  Sociedades  Anônimas ­Sétima Edição ­ da FIPECAFI ­ Editora Atlas (item 11.7.5, alínea "a" ­  fls.  173).  Não  se  tratou  de  uma  infração  não  operacional,  como  alegou  a  empresa,  mas  sim  operacional,  sendo  conceitualmente  descabida  a  alegação  apresentada."  (grifos não pertencem ao original)  E os acréscimos sobre a matéria debatida, veiculados no acórdão guerreado  (inconsistências de  informações na DIPJ/04),  não  foram,  como ora visto,  o  fundamento para  rebater  o  argumento  de  defesa  da  recorrente,  mas  sim  pontos  extras  que  reforçam  a  impossibilidade de ser aproveitado o tal prejuízo fiscal não operacional no cálculo do valor a  ser glosado a título de Saldo de Prejuízos Fiscais compensáveis em 2009. Não houve, por estas  incursões,  qualquer  inovação  nos  fundamentos  do  lançamento  tributário,  ou  mudança  de  critério jurídico introduzido por decisão administrativa.  Afasto a nulidade suscitada.  II) Do saldo de prejuízo não operacional ­ mérito  Acompanho o entendimento esposado no acórdão guerreado sobre serem as  infrações  tributárias  detectadas  nos  autos  nº  16643.000421/2010­95  de  natureza  operacional,  portanto, incabível, de fato, o raciocínio da recorrente de que eventual saldo de prejuízo fiscal  não operacional devesse ser considerado no presente lançamento tributário. Aliás procedimento  vedado pelo artigo 31 da Lei nº 9.249/95, fato jurídico reconhecido pela recorrente.  As  razões  são  as  já  expendidas  no  acórdão  guerreado,  cujo  trecho  acima  transcreveu­se, e não foi pontualmente contraditado pela recorrente . A dedutibilidade do ágio,  como  despesa,  é  de  natureza  operacional.  Acrescento,  não  se  tratando  de  inovação  em  julgamento, mas  em  esclarecimentos  adicionais  para  o  convencimento  da  recorrente  sobre  a  natureza  operacional  da  causa  da  reversão  dos  prejuízos  fiscais,  tratada  nos  autos  nº  16643.000421/2010­95, trechos do artigo veiculado no Fiscosoft2:  "[...]  Dentre  outras  hipóteses,  surge  o  ágio,  como  preço  adicional,  quando  participações societárias ou ativos de uma empresa são adquiridas por um custo de  aquisição superior ao valor contábil registrado nas demonstrações financeiras.  O  preço  do  custo  adicional  é  a  sua  causa  jurídica.  O  ágio  só  surge  porque  houve disposição de pagar um maior preço, a título de custo de aquisição, superior  ao  valor  contábil  do  empreendimento.  Essa  disposição  de  pagamento  superior  ao                                                              2 O ágio fundamentado por rentabilidade futura e suas repercussões tributárias  Heleno Taveira Torres  http://www.fiscosoft.com.br/a/5wy8/o­agio­fundamentado­por­rentabilidade­futura­e­suas­repercussoes­ tributarias­heleno­taveira­torres  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 5          7 preço  contábil  deve  ser  motivada  em  fundamentos  econômicos  que  possam  ser  demonstrados pela adquirente: sua causa.  Em  geral,  a  aquisição  de  empresas  deverá  levar  em  conta  o  método  de  avaliação  do  investimento,  como  o  custo  de  aquisição,  no  Brasil,  ou  daquele  denominado  "método  de  compra"  (purchase method),  atualmente  empregado  pela  contabilidade internacional. O método de compra  (§ 17, do IAS 22, atual  IFRS 3)  impõe que o registro da combinação de negócios seja registrada como se fosse uma  aquisição de ativos, mas pelo custo de aquisição, após avaliação pelo valor justo.  O Purchase Method aplicado pela norma SFAS 141 considera que os ativos e  passivos  deverão  ser  registrados  pelo  seu  valor  justo  e  a  diferença  entre  este  e  o  valor pago assume a condição de goodwill (03) do negócio. E esta é uma formulação  única  para  qualquer  tipo  de  combinação  de  negócios,  como  gênero,  que  envolve  fusão,  incorporação, cisão, compra de ações, compra de todo o patrimônio líquido,  assunção de passivos, compra de parte dos ativos líquidos ou mesmo a aquisição de  controle acionário (04). É a praxe atual das regras americanas e internacionais (05).  O goodwill do  direito  americano  quase  se  assemelha  à  noção  de  "ágio"  do  direito  brasileiro,  mesmo  que  persista  uma  diferença  específica  que  os  distingue,  porquanto ogoodwill corresponde ao valor adicional pago pela aquisição que supera  o  valor  justo  (fair  value)  pago  pelos  ativos  e  passivos  adquiridos  (06),  como  se  verifica atualmente nos Estados Unidos. Carvalho, Lemes e Costa descrevem, com  precisão, o regime do goodwill, a partir da IRFS 3:  "Em outras palavras, o goodwill adquirido é o excesso do custo de aquisição  sobre o valor justo dos itens adquiridos e representa um pagamento antecipado feito  pela  adquirente  pelos  benefícios  econômicos  futuros  dos  ativos  que  não  foram  individualmente  identificados  e  separadamente  reconhecidos  na  combinação.  Seu  reconhecimento será como um ativo, na data da aquisição." (07)  Comumente,  fala­se do  ágio  como parcela do preço dos  ativos  acrescido  ao  justo  preço.  Neste  caso,  são  levados  em  conta  para  determinação  do  preço  do  negócio,  bens  intangíveis,  como  clientela,  relações  comerciais,  marca  e  outros  aspectos  que  afetam  o  valor  do  negócio  de  modo  vantajoso.  Mas  também  há  no  direito americano o goodwill como valor presente das expectativas de lucros futuros,  como  fundamento  econômico  equivalente  ao  "ágio"  baseado  em  projeções  de  lucratividade futura.  [...]  Porém, como se deve preservar o valor contábil, pelo patrimônio  líquido da  investida,  ou  adquirida,  o  ágio  será  a  parte  adicional,  mensurada  como  a  diferença positiva entre o valor contábil e o custo de aquisição. Por isso, define  Bulhões Pedreira, o ágio na aquisição de participação societária pode ser entendido  como  "parte  do  custo  de  aquisição  do  investimento  que  corresponde  ao  direito de  participar em valores que não se acham registrados na escrituração da controlada ou  coligada"  (08). Quer  dizer,  o  ágio  é  propriamente  uma  parcela  do  "custo  de  aquisição", quando esta vê­se avaliada pelo "patrimônio líquido", um adicional  que, a  título de "custo", no  sentido  jurídico de "despesa" para a  investidora,  causa redução do patrimônio líquido da sociedade adquirente, mas que agora se deve  somar  ao  valor  do  "patrimônio  líquido"  adquirido.  É,  portanto,  o  ágio,  uma  despesa  relativa  ao  preço  adicionado  ao  valor  contábil  do  investimento  adquirido,  razão  pela  qual  se  justifica  sua  dedução,  mormente  necessária  à  expansão das atividades e da capacidade lucrativa da empresa.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     8 1.1 ­ Contabilização do ágio na legislação societária  [...]  A soma do valor da equivalência patrimonial do  investimento e do valor do  ágio ou deságio, registrados em contas distintas, deve ter como resultado o valor do  custo de aquisição do investimento. Assim, o custo de aquisição de uma sociedade  deveria  desdobrar­se  em  duas  subcontas  (art.  20,  do  Decreto­lei  nº  1.598  de  26.12.1977):  a)  uma  que  contemplasse  o  valor  do  patrimônio  líquido  do  investimento;  e  outra  b)  que  indicasse  a  diferença  entre  este  valor  e  o  custo  de  aquisição atual, o efetivo valor pago pela adquirente, que se for superior, receberá a  designação de "ágio".  A  equivalência  patrimonial  tem  a  função  de  identificar  os  investimentos  relevantes  em  empresas  controladas  ou  coligadas  conforme  os  resultados  forem  sendo  apurados  nestas  entidades,  independentemente de  distribuição  dos  lucros. E  para investimentos que não se qualificarem como relevantes, emprega­se o método  ordinário de custo de aquisição para sua avaliação (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76),  como explicitado acima. E, assim, a contabilização de  tais  investimentos sofrerá o  desdobramento em duas contas: na conta investimento, onde o patrimônio líquido da  investida  será  aferido  por  equivalência  patrimonial,  na  proporção  do  capital  investido;  e  na  conta  ágio  ou  deságio,  hábil  a  identificar  a  diferença  entre  o  custo de aquisição e a conta investimento.  Em  dois  casos,  o  regramento  jurídico  do art.  7º,  da  Lei  nº  9.532,  de  10  de  dezembro de 1997, determina o registro em contrapartida a conta do ativo diferido  do passivo do balanço, o da  rentabilidade  futura da coligada ou  controlada  (i)  e o  caso  da  aquisição  de  fundo  de  comércio  ou  outras  razões  econômicas  (ii).  A Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, porém, admitiu que,  alternativamente, poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e  III em conta do patrimônio líquido (09).  No  caso  do  ágio  pago  e  registrado  sob  o  fundamento  econômico  de  rentabilidade futura, portanto, aquele deve compor subconta do ativo diferido (art.  179, V,  da  Lei  nº  6.404/76),  a  fazer  parte  do  ativo  permanente  da  adquirente,  na  medida que se trata de despesa inerente à formação do resultado operacional da  empresa,  em  virtude  da  razoável  segurança  que  se  tem  quanto  à  sua  realização  futura desses saldos diferidos, sujeitos à amortização no período.  [...]"  (grifos não pertencem ao original)  Correto,  por  consequencia,  o  procedimento  fiscal  conforme  efetuado  e  descabida  a  pretensão  da  recorrente  em  utilizar  o  valor  de  saldo  de  prejuízo  fiscal  não  operacional para reduzir a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração lavrado contra  si,  ou,  com  menos  razão,  suscitar  qualquer  vício  que  enseja  a  nulidade  deste  lançamento  tributário.  III) Do sobrestamento do julgamento   Não  há  qualquer  dúvida  que  a  decisão  do  processo  no  qual  se  debate  a  reversão dos prejuízos fiscais acumulados pela empresa recorrente há de  repercutir no objeto  destes autos. Todavia, não há hipótese de sobrestamento de  julgamento no direito processual  fiscal e também não há como reunir este processo para julgamento conjunto com o processo nº  16643.000421/2010­45, pois encontram­se em fases processuais distintas.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 6          9 Os  autos  nº  16643.000421/2010­45  encontram­se  em  fase  de  análise  de  Recurso Especial recentemente interposto pela ora recorrente, em 02/03/20153.  Acostei a estes autos cópia do acórdão nº 1101­000.913/13 , e­fls. 235 a 261,  cujas ementas transcrevo:  ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.   Inadmissível  a  formação  de  ágio  por  meio  de  operações  internas,  sem  a  intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.   A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio,  incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.  Assim restou deliberado:  "Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR  o incidente de impedimento da participação no julgamento de Conselheiro que tenha  assinado  o Mandado de Procedimento Fiscal MPF  que  originou  o  lançamento em  debate, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina  Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do  lançamento  e  da  decisão  recorrida;  3)  por  maioria  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  ao  principal  exigido,  divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva;  4)  por  maioria  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente à multa aplicada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício  Júnior e José Ricardo da Silva; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO  ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício; nos termos do  relatório e voto que integram o presente julgado."  Acompanho  o  decidido  em  primeira  instância,  primeiro  esclarecendo  que,  embora  as matérias  deste  e  daqueles  autos  são  inter­relacionadas,  a matéria  objeto  daqueles  autos não será rediscutida neste, pois tratam os dois processos de matérias distintas. A matéria  objeto aqui é glosa de prejuízo fiscal compensado indevidamente por inexistente, enquanto no  outro  foi  glosa  de despesa  com  ágio,  que  resultou  em  reversão  do  saldo  de prejuízos  fiscais  acumulados. Em segundo, aplicando o decidido no Acórdão nº 1101­000.913/13, por reflexo,  nestes autos, ou seja, havendo sido mantida a autuação e a reversão do saldo de prejuízo fiscal,  em  segunda  instância de  julgamento,  há que se manter nestes  autos,  também a  autuação por  glosa de prejuízo fiscal, por saldo inexistente.   IV) Dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício  No que respeita aos acréscimos legais ao crédito tributário cumpre consignar  que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art.  61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1o.  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,                                                              3 *pesquisa efetuada no e­processo em 18 de março de 2015.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     10 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  [...]  § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Nesse  contexto,  a  multa  de  ofício  é  débito  para  com  a  União.  O  Código  Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966), dispõe:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1o.  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  [...]  Art. 139. O crédito  tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  [...]  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  O crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido  de  juros  de  mora.  E  o  crédito  tributário  é  definido  como  aquele  decorrente  da  obrigação  principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade  pecuniária.  A  exigibilidade  dos  tributos  e  contribuições  é  o  fundamento  para  a  própria  exigibilidade da multa de ofício.  A Lei nº. 9.430, de 1996, no parágrafo único do artigo 43, prevê:  Art.  43. Poderá  ser  formalizada exigência de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.   (grifos não pertencem ao original)  Portanto,  sendo  a  multa  de  ofício  débito  para  com  a  União,  configura­se  regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Em  contra posição aos julgados citados pela recorrente, registro:  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 7          11 JUROS SOBRE MULTA — sobre  a multa de  oficio devem  incidir  juros  a  taxa  Selic,  após  o  seu  vencimento,  em  razão  da  aplicação  combinada  dos  artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96.  (Acórdão  1202­00.138  –  1a.  Seção.  2a.  Câmara.  1a.  Turma  Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme  Adolfo dos Santos Mendes).  JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44  da  Lei  n°  9.430/96,  deverá  incidir  sobre  o  crédito  tributário  não  pago,  consistente  na diferença  entre  o  tributo  devido  e  aquilo  que  fora  recolhido,  Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art.  43  da  Lei  n"  9.430/96  é  que  poderá  incidir  juros  de  mora  sobre  a  multa  aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere­se à aplicação  de multa  isolada sem crédito  tributário, Assim, nada mais  lógico que venha  dispositivo  legal expresso para  fazer  incidir os  juros  sobre a multa que não  torna  como  base  de  incidência  valores  de  crédito  tributário  sujeitos  à  incidência ordinária da multa.   (Acórdão  1401­00.155  –  1a.  Seção.  4a.  Câmara.  1a.  Turma  Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro  Antonio Bezerra Neto).  A  1a.  Turma  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  assim  também  já  se  posicionou no Acórdão 9101­00.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010, de relatoria  da Conselheira Viviane Vidal Wagner  JUROS DE MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de  mora,  devidos à taxa Selic.  Do referido julgado, extraem­se os seguintes trechos:  "O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual  deve  incidir  os  juros  de  mora,  ao  dispor  que  o  crédito  tributário  não  pago  integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente  dos motivos do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário  há de ser uniforme.  De  acordo  com  a  definição  de  Hugo  de  Brito  Machado  (2009,  p.172),  o  crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o  Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento  do  tributo  ou  da  penalidade  pecuniária  (objeto  da  relação obrigacional)."  Converte­se em crédito  tributário  a obrigação principal  referente  à multa de  oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN:  [...]  A  obrigação  tributária  principal  surge,  assim,  com  a  ocorrência  do  fato  gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES     12 A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida  "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10).  Assim,  no momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a multa  de  ofício,  tomando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.  A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza  indenizatória,  ao  compensarem  o  atraso  na  entrada  dos  recursos  que  seriam  de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre  a multa isolada.  Eventual  alegação  de  incompatibilidade  entre  os  institutos  é  de  ser  afastada  pela  previsão  contida  na  própria  Lei  n°  9.430/96  quanto  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a multa  exigida  isoladamente. O parágrafo  único  do  art.  43  da Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído  na  forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  O  art.  61  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  ao  se  referir  a  débitos  decorrentes  de  tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos  e  contribuições  e  não  apenas  os  relativos  ao  principal,  entendimento,  dizia  então,  reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência  de juros sobre a multa exigida isoladamente.  [...]  A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante  do  crédito  tributário  constituído  pelo  tributo  mais  a  multa  de  ofício  passa  a  ser  acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos  cofres da União."  No mesmo sentido, ainda, a seguintes Súmulas editadas por este CARF:  Súmula CARF  n°  4:  A  partir  de  1°  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórias  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.    Súmula CARF nº.5: São devidos  juros de mora sobre o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.  No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância  por não confrontadas pontualmente pela recorrente.  Por  todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas  pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/2011­82  Acórdão n.º 1801­002.354  S1­TE01  Fl. 8          13 Após a interposição de Recurso Especial, pela recorrente, estes autos deverão  ser  apreciados  conjuntamente  com  os  autos  nº  16643.000421/2010­45,  quanto  à  admissibilidade do  referido Recurso Especial e,  se  for o caso,  serem  julgados conjuntamente  pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois a sorte dos presentes autos está vinculada ao  decidido naquele.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich                                   Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES

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