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Numero do processo: 13149.000067/95-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE: O disposto no art. 147, § 1, do Código Tributário Nacional, não impede o contribuinte de impugnar informações por ele mesmo prestadas na DITR no âmbito do processo administrativo fiscal, daí ser nula a decisão de primeira instância que recusa apreciar argumentos nesse sentido expendidos na impugnação. Anulada a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 202-09254
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Anulada a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SELSON ETAIR PINNO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José de Almeida Coelho. Sala das Sess:/- , em 10 de junho de 1997 /PI 1' 9, 1' arc ,. : Vinícius Neder de Lima I :y dente . ti p*, - ..i"o :lie o itweiro ' elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Cabral Garofano, Helvio Escovedo Barcellos, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Tarásio Campelo Borges e Antonio Sinhiti Myasava. mdm/mas-rs 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 Recurso : 100.489 Recorrente : SELSON ETAIR PINNO RELATÓRIO O Recorrente, através da Impugnação de fls. 01 e documentos que anexou, contesta o lançamento do UR194 e acessórios, relativamente ao imóvel inscrito na Receita Federal sob o Código 3463714-1, sob a alegação de que cometeu erro no preenchimento da DITR/94 ao não declarar uma área de 600/ha utilizada na apicultura, conforme comprova o Laudo de fls. 02. A Autoridade Singular julgou improcedente a impugnação, mediante a Decisão de fls. 11/12, assim ementada: "ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL EXERCÍCIO/1994 Retificação declaração - Admite-se a retificação da declaração se atendidos os pressupostos do artigo 147 do Código Tributário Nacional, em seu parágrafo primeiro. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE." Tempestivamente, o Recorrente interpôs o Recurso de fls. 15/23, onde, em suma, aduz que comprova a atividade de apicultura pela aquisição de equipamentos conforme as notas-fiscais anexadas (fls. 17/21). Às fls. 26/29, em observância ao disposto no art. l' da Portaria MF n2 260/95, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas contra-razões, opinando, em síntese, - manutenção da decisão recorrida. 4r‘. É o relatório. 2 ' •, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Conforme relatado, o Recorrente contesta o lançamento do ITR194 referente ao imóvel em foco, com alegações que implicam negar as informações por ele mesmo prestadas nas quais o dito lançamento se fundou. Este Colegiado já firmou entendimento de que o disposto no art. 147, § 1, do CTN, não impede o referido procedimento. Embora não haja dúvidas quanto à impossibilidade de o Contribuinte apresentar declaração retificadora visando a reduzir ou a excluir tributo sem atendimento das condições estabelecidas no referido dispositivo legal (comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado do lançamento), isto não elide o seu direito de impugnar, no âmbito do processo administrativo fiscal, informações por ele mesmo prestadas, sob pena de afrontar ao princípio da verdade material e ao amplo direito de defesa garantido pela Constituição. O fato de a norma complementar em comento estabelecer, como condição de admissibilidade do pedido de retificação da declaração, a que ele seja anterior à notificação do lançamento, deixa claro que as suas disposições regulam procedimentos que antecedem ao lançamento propriamente dito. Assim, uma vez constituído o crédito tributário, a suspensão da sua exigibilidade, através de reclamações e recursos, só está adstrita aos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, é o que dispõe o art. 151, I, do Código Tributário Nacional. Aliás, outro não é o entendimento da Administração Tributária sobre este assunto, conforme expresso pela Coordenação do Sistema de Tributação, em situação análoga, através da Orientação Normativa Interna n' 15/76, a saber: 'Cabe impugnação contra lançamento efetuado a maior por erro cometido pelo contribuinte ao prestar a declaração de rendimentos, inobstante vedada a retificação propriamente dita desta última." E, especificamente, nas instruções estabelecendo procedimentos relativos à administração do ITR e seus consectários, como nos dá conta, por exemplo, os itens abaixo transcritos da NORMA DE EXECUÇÃO SRF/COSAR/COSIT/M 02/96: 3 -.5 - .,_ A - MINISTÉRIO DA FAZENDA ***--.;. •'1.4*Irl, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13149.000067/95-37 Acórdão : 202-09.254 , C } 49. A reclamação, formalizada através de Solicitação de Retificação de Lançamento - SRL/ITR, ou de impugnação, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. 49.1 - A reclamação que versar sobre matéria de fato, isto é, discordância do contribuinte quanto aos dados informados por ele na DITR, deverá estar acompanhada dos documentos relacionados no ANEXO IX, conforme o caso, comprobatórios do erro de fato alegado. 54.1 - sendo a decisão favorável ou favorável em parte ao contribuinte, demandará nova emissão de notificação/DARF, que será comandada no Sistema ITR - MÓDULO DADOS DE LANÇAMENTO, via opção RETIFICAÇÃO (3LANCANTER), quando forem necessárias alterações cadastrais, mantendo-se a data de vencimento original. Quando se tratar de alteração do VTN utilizado no lançamento do imóvel rural, ela será feita via opção Lançamento Especial (7ESPECIAL); 53 Isto posto, tendo em vista a equivocada interpretação do disposto no art. 147, § i, do CTN pela decisão recorrida, que implicou preterição do direito de defesa do Recorrente, voto pela sua anulação para que outra seja proferida com apreciação das alegações e provas apresentadas neste processo pelo Contribuinte, inclusive as apresentadas às fls. 15/23, que deverão ser entendidas como complemento da impugnação. Sala das Sessões, em 10 de junho de 1997 ----- ----__ -..‘_____,-- ANT -4 -4' •S O RIBEIRO ./v 4
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000250/2002-47
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente geram direito ao crédito do IPI as aquisições de matéria-prima ou de produto intermediário que integre o produto final ou que sofra alterações em virtude de ação direta sobre o produto final no processo de industrialização.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-11190
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Sílvia de Brito Oliveira
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Segundo Conselho de Contribuintes •;;,.friCi MF"SipunClo Conselho de Contribuintes Pubdiejlo no M O 9 elo pot da 161r / Processo n° : 13657.000250/2002-47 de Recurso n° : 133.236 R3.113 Acórdão n° : 203-11.190 Recorrente : UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG CRÉDITOS BÁSICOS. Somente geram direito ao crédito do IPI as aquisições de matéria-prima ou de produto intermediário que integre o produto final ou que sofra alterações em virtude de ação direta sobre o produto final no processo de industrialização. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2006 Antonio erra Neto Presidente gb I 11111 %mi I s , vt • ol eira ' elatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Valdemar Ludvig, Odassi Guerzoni Filho, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Fanl/inp r“ I A r A/t c COM C) -6cot:FEIA.- , _10 IN ff 1 4fr 2° CC-MF ; Ministério da Fazenda EIIti ar t") TiN.IS. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 Recorrente : UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, protocolizou, em 26 de fevereiro de 2002, pedido de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4° trimestre de 2001, no valor de R$1.577.674,76 (um milhão quinhentos e setenta e sete mil seiscentos e setenta e quatro reais e setenta e seis centavos). Com fundamento no relatório de verificação fiscal de fls. 544 a 546, o pedido foi parcialmente deferido, tendo sido glosado o valor de R$ 262.005,98 (duzentos e sessenta e dois mil cinco reais e noventa e oito centavos), por tratar-se de créditos relativos a bens que não se caracterizariam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem cujas aquisições pudessem gerar direito a crédito. O valor do ressarcimento deferido foi utilizado para compensar parte do débito objeto do pedido de compensação de que trata o Processo n° 13657.000253/2002-81, apenso a este, e o saldo remanescente do débito foi objeto de carta cobrança. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora-MG (DRJ/JFA) manteve o indeferimento dos créditos relativos àqueles materiais, adotando o entendimento do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, sobre os materiais passíveis de gerar crédito do IP'. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de fls. 598 a 605 para aduzir que a interpretação da legislação referente ao IPI não pode afastar-se do princípio constitucional da não-cumulatividade a que se sujeita esse imposto e alega, em síntese, que: 1— os bens objeto da glosa do crédito enquadram-se no conceito de Sumo e são produtos intermediários na cadeia produtiva da recorrente, integrando o produto industrializado; II — s6 se enquadram no conceito de uso e consumo os bens adquiridos para uso último e final e os bens em questão são peças de reposição de máquinas e equipamentos essenciais para elaboração do produto final. Ao Fmal, solicitou a recorrente o provimento do seu recurso para obter o ressarcimento total do crédito inicialmente pleiteado. É o relatório. IS • -.4 4. net. cutIVERE COM; Q0°81,140t." fiftASILIA )c( 2 VISTO 4 .1 A FAZEN . A - 2 ' 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CO% O ORIGINAL fp> RRAGILIA yx det: O-- Processo n° : 13657.000250/2002-47 VISTO Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. De início, esclareça-se que a recorrente fabrica e comercializa bens de consumo que compreendem gêneros alimentícios, produtos de limpeza e cosméticos e os bens cuja aquisição sofreu a glosa dos créditos do IPI, relacionados à fl. 521, são: 1- material utilizado na limpeza de peças; 2- peças utilizadas nas bombas centrífugas; 3 - material eletr. eletrônico utilizado em toda a fábrica; 4- material utilizado na limpeza da fábrica e higiene dos funcionários; 5 - chapa utilizada na confecção de peças e manutenção de equipamentos; 6- material de uso geral na fábrica; 7 - material eletr. eletrônico utilizado nas máquinas e equipamentos em geral; 8- peça utilizada no sistema eletrônico geral da fábrica; 9 - papel toalha para limpeza dos funcionários; 10- material utilizado no tratamento de efluentes; 11 - peças de reposição utilizadas na refinaria do óleo; 12- peças de reposição para máquinas de embalagem; 13 - material utilizado limpeza/tratamento água da caldeira; 14- peças de reposição usadas na tubulação aço inox da fábrica; 15 - sabão utilizado na limpeza do piso da fábrica; 16 - anéis diversos de uso geral na manutenção da fábrica; 17 - equipamento eletrônico de uso em toda fábrica; e tlik 3 • 22CC-MF Ministério da Fazenda n. tefr t;:x" Segundo Conselho de Contribuintes . •, •"L- kr? Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 18 - peças utilizadas nos compressores de ar. Relativamente ao princípio da não-cumulatividade, sem dúvida, ele possui matriz constitucional, mas seu destinatário é o legislador infra-constitucional e não o aplicador da lei. Nesse ponto, note-se que o legislador optou pela apuração do tributo por meio de compensações entre os valores do imposto pago nas entradas e os cobrados nas saídas como forma de atender ao referido princípio constitucional, assim dispondo o art. 146 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 — Regulamento do lPI (Ripi/98): An. 146. A não-cumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo. (.4 Assim, instituiu o legislador um sistema de débitos e créditos que, ao final do período de apuração, pode resultar saldo credor ou devedor. Nesse sistema, os créditos são decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem para emprego na industrialização, conforme preconiza o art. 147 do Ripi/98, ipsis litteris: An. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: 1 — do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Observe-se que o supracitado dispositivo legal presume que matéria-prima e produto intermediário seriam, em princípio, apenas os bens que integrassem o produto final, por isso a parte final do dispositivo tratou de ampliar o conceito para alcançar bens que, conquanto não integrem o produto final, sejam consumidos no processo de industrialização, exceto bens do ativo permanente. Ora, tratando-se então de insumos que não integram o produto final, o cerne da questão diz respeito ao consumo desses insumos no processo de industrialização e sobre isso, há interpretação consolidada no âmbito da Secretaria da Receita Federal, da qual comungo, veiculada no Parecer Normativo da então Coordenação do Sistema de Tributação (CST) no 65, de 1979, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 1979, pela qual infere-se como condição necessária para gerar direito ao crédito que esses bens guardem semelhança com as matérias-primas e produtos intermediários que, efetivamente, se integram ao produto final. S.b pm;. Li A f latg"A - ERE COM O ORIGINAL"COrcif 4 gRa )1 1 Ity visto • . • 2.2 CC-MFMinistério da Fazenda n.-Sp -wj.r.< Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13657.000250/2002-47 Recurso n° : 133.236 Acórdão n° : 203-11.190 Dessa forma, em conformidade com o referido Parecer, além das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se incorporam ao produto final, quaisquer outros bens não compreendidos no ativo permanente que, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, forem consumidos no processo de industrialização, entendido esse consumo como alterações sofridas pelo bem, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, geram direito ao crédito do imposto. Na situação em exame, os bens objeto da glosa de créditos não podem, de pronto, serem classificados como matérias-primas ou produtos intermediários que integram os produtos finais do fabricante, tampouco tratam-se de bens que sofram alterações em virtude de ação direta sobre os produtos em fabricação e, compulsando os autos, verifica-se que a recorrente não logrou apresentar descrição do seu processo produtivo, laudos técnicos ou avaliações com vista a fazer prova de que esses bens, com efeito, integram os produtos que industrializa ou sofrem alterações por agirem diretamente sobre esses produtos. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso. Sala das .essões em 22 de agosto de 2006 n c 440 y SI 1 p, • rro. . IVERA st i r, FAIENt'A • CONiERE COM O ORIUgiaç BRASLIA icu (Oro vberro 5 Page 1 _0078100.PDF Page 1 _0078200.PDF Page 1 _0078300.PDF Page 1 _0078400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10855.003865/2002-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. IRPF. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9900-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, Vice-Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, Vice-Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais).
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NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. IRPF. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 38 65 /2 00 2- 09 Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, VicePresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/200209 Acórdão n.º 9900000.897 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário por divergência, fls. 0987, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que negou provimento a seu recurso especial, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997 a 2001 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O acréscimo patrimonial a descoberto situase dentre as hipóteses de lançamento por homologação em que o fato gerador do imposto de renda se concretiza no dia 31 de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 o , do CTN). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento/ao recurso especial.” Esclarecendo a questão, o litígio versa sobre qual regra decadencial, das expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Insurgese contra o acórdão proferido pela CSRF que negou provimento a seu recurso, confirmando a declaração de decadência de constituir crédito tributário do anocalendário de 1996; 2. Há decisões divergentes (Acórdãos 0103.215 e 01 02.167); 3. A decisão a quo aplicou a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, decidindo que havia decaído o direito de constituição do crédito referente a fatos geradores concretizados em 31/12/1996, já que a ciência do lançamento ocorreu em 29/08/2002; 4. Para a PGFN, como não houve recolhimento parcial deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 CTN, conforme paradigmas devidamente indicados e comparados, analiticamente; 5. Em face do exposto, requer o conhecimento e provimento de seu recurso, para afastar a decadência referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996. Por despacho, fls. 01012, deuse seguimento ao recurso da PGFN. O sujeito passivo – devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/200209 Acórdão n.º 9900000.897 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise de suas razões recursais. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma está na regra decadencial a ser aplicada. A decisão a quo aplicou a regra expressa no Art. 150 do CTN, já a recorrente pleiteia a aplicação da regra decadencial expressa no Art. 173, pela ausência de recolhuimento parcial. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.003865/200209 Acórdão n.º 9900000.897 CSRFPL Fl. 5 7 Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destarte, como não houve recolhimentos parciais, deve ser aplicada a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, com o proviemnto do recurso da PGFN. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 CONCLUSÃO: Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria, para afastar a decadência referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1996, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13855.000509/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para que sejam apreciados os argumentos trazidos pela recorrente, em sede de recurso voluntário, acerca de matéria diferenciada daquela levada ao judiciário. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porque o crédito lançado não foi objeto de aferição indireta. Vencida na votação a Conselheira Relatora por entender pela nulidade do lançamento, devido à falta de fundamentação legal da aferição indireta. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no Recurso houver matéria distinta daquela discutida no processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 05 09 /2 01 1- 12 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para que sejam apreciados os argumentos trazidos pela recorrente, em sede de recurso voluntário, acerca de matéria diferenciada daquela levada ao judiciário. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porque o crédito lançado não foi objeto de aferição indireta. Vencida na votação a Conselheira Relatora por entender pela nulidade do lançamento, devido à falta de fundamentação legal da aferição indireta. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 782 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face do sujeito passivo para a cobrança dos seguintes débitos: 1. DEBCAD nº 37.285.5784 – contribuição previdenciária devida por produtores rurais pessoas físicas, nos termos do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, incidente sobre a comercialização de sua produção rural, com subrogação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária pelo cumprimento da obrigação respectiva, conforme 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91. 2. DEBCAD nº 37.285.5792 – contribuição destinada ao SENAR. Conforme Relatório Fiscal (fls. 56/60), a base de cálculo foi obtida através das planilhas apresentadas pela empresa contendo informações referentes às aquisições de mercadorias de produtores rurais pessoas físicas, tais como: competência, data de entrada, nota fiscal, data de emissão, CPF e nome do fornecedor, assim como o valor contábil. Conforme auditor, a presente autuação destinase à prevenção da decadência, tendo em vista a existência de Mandado de Segurança (nº 2001.61.02.0121598) impetrado pela autuada com a finalidade de ter reconhecida a inexistência de relação jurídica tributária que a obrigue ao recolhimento da contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II da Lei nº 8.212/91. Após negada a concessão da segurança, foi apresentada Apelação. Em razão da medida cautelar proposta pela empresa, ao recurso foi atribuído efeito suspensivo. Intimada, a empresa apresentou Impugnação, dentro do prazo legal, defendendo a nulidade e, alternativamente, a improcedência do lançamento (fls. 539/578). Em 18 de agosto de 2011, a 9ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou procedente a autuação (fls. 650/657). Devidamente intimado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 673/685), reiterando apenas um dos argumentos dispostos na Impugnação, qual seja, a nulidade da autuação devido à deficiência da apuração da base imponível. No entender da Recorrente, a fiscalização apurou a base de cálculo utilizandose de simples planilha informativa elaborada pela empresa, afrontando o disposto no artigo 142 do CTN. Neste contexto, sustentou que a apuração deveria pautarse na aferição indireta, o que não foi feito. Ao final, defendeu que na remota hipótese de aceitação do procedimento utilizado, não havia fundamentação legal para tanto. Encaminhados os autos para julgamento na 2ª Seção/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, não foi conhecido o recurso por ponderar os Conselheiros de que em decorrência da interposição de ação judicial com idêntico objeto teria ocorrido renúncia à instância administrativa. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Intimado o sujeito passivo, achou por bem embargar a decisão alegando que a matéria discutida no recurso voluntário não guardaria identidade com o Mandado de Segurança nº 2001.61.02.0121598. Enquanto na ação judicial estava sendo questionada a inconstitucionalidade da cobrança do FUNRURAL e SENAR, no processo administrativo a discussão estava restrita à legalidade da aferição indireta (fls. 706/713). Admitidos (fls. 779/780), foram os autos incluídos em pauta para julgamento. É o relatório! Fl. 784DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 783 5 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Afirma a Embargante que a omissão apontada reside no fato de que a matéria tratada em seu recurso voluntário diverge daquela apresentada nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.61.02.0121598. Conforme fls. 433 (certidão de objeto e pé do referido Mandado de Segurança), a empresa em 2001 ajuizou ação judicial pleiteando o reconhecimento de inexistência de relação jurídica tributária para o fim de desobrigarse ao pagamento da contribuição social incidente sobre a comercialização da produção rural, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pelas Leis nºs 8.540/92 e 9.528/97 e art. 25 da Lei nº 8.870/94, bem como, o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos. Denegada a segurança, foi protocolado recurso de Apelação cujo recebimento ocorreu apenas no efeito devolutivo, sendo que, posteriormente, com a interposição de medida cautelar (fls. 434), foi conferido também o efeito suspensivo. Em relação ao recurso voluntário, a empresa não pleiteou a inconstitucionalidade da cobrança, mas apenas defendeu a apuração equivocada da base de cálculo. Vejamos a transcrição das razões expostas no recurso voluntário: “6. Aduziu a Turma Julgadora que a RECORRENTE teria apresentado planilhas contendo informações referentes à aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas, sendo certo que os valores foram conferidos pela fiscalização, por amostragem, e isso, para os nobres julgadores, teria sido suficiente para dar validade aos números apresentados. 7. Contudo, em que pese o esforço da Turma Julgadora, na ânsia de fazer prevalecer os trabalhos desenvolvidos pela fiscalização, não conseguiu elidir o quanto disposto no art. 447, da IN nº 971/09, da Receita Federal do Brasil, que segue abaixo reproduzido, e que, digase de passagem, sequer foi enfrentado na decisão ora recorrida, não obstante tivesse sido amplamente mencionado e debatido na impugnação apresentada pela RECORRENTE:” Diante do que foi alegado, na minha ótica, a matéria discutida na ação judicial não possui similaridade com aquela enfrentada na seara administrativa. Por causa disso, afastei a aplicação da Súmula nº 01 do CARF, abaixo transcrita, para o fim de acatar os embargos e analisar a matéria que deixou de ser apreciada: Fl. 785DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,sendo cabível o lançamento apenas para prevenção da decadência, e a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Conforme relatório elaborado pelo auditor (fls. 56), em 25.01.2010 o contribuinte ao tomar ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls. 61/62), foi intimado para apresentar vários documentos, dentre eles, os arquivos digitais das notas fiscais de entradas e saídas referentes ao período fiscalizado, na forma estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 86/2001 e Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001 (item 3.1). Não havendo a apresentação dos arquivos acima, foram expedidas várias intimações solicitando a apresentação de informações sobre as aquisições dos produtos rurais produzidos por pessoas físicas (fls. 77). Assim feito, o contribuinte apresentou planilhas contendo as seguintes informações: competência, data de entrada, nota fiscal, data de emissão, CPF, nome de fornecedor e valor contábil e CFOP (fls. 78 a 406). Na época, também foram entregues os resumos mensais dos livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias (fls. 407 a 431 por amostragem), devidamente assinados pelo procurador da empresa. De acordo com o auditor, por causa da dificuldade imposta pelo sujeito passivo e diante do grande volume de Livros (meio papel) gerados pela empresa, no período (fls. 57), o débito foi apurado com base nas planilhas apresentadas. A legislação previdenciária estabelece no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91 que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, vejamos a norma: “ Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 786DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 784 7 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (grifo nosso) Regulamentando a norma, o art. 447, inciso II, da IN RFB nº 971/09 estabelece que a aferição indireta será utilizada quando a empresa ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente, vejamos: “Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente;” O fato de a empresa não ter entregue os arquivos digitais solicitados (das notas fiscais de saída e de entrada), fornecendo, na oportunidade, tão somente as planilhas e os resumos dos livros fiscais, autoriza o auditor a lançar de ofício o débito, apurando a base de cálculo de acordo com os valores declarados pelo próprio contribuinte. Todavia, entendo que o lançamento efetuado com base na respectiva metodologia (no meu entender, aferição indireta) deveria ter sido motivado de modo a legalizar o procedimento. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A motivação está intimamente relacionada à proteção do administrado na medida em que lhe dá acesso a todos os elementos da imputação garantindo, por conseguinte, a correta tipificação do fato, a adequação no enquadramento legal da infração, a apuração correta da base de cálculo, viabilizando, por conseguinte, a ampla defesa e o contraditório, proteção esta igualmente protegida pela Constituição Federal (art. 5º, inciso LV, Constituição Federal/88). O art. 142 do CTN atribui à autoridade administrativa o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, in verbis: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” A ausência de fundamento legal a respeito da aferição indireta utilizada nos autos enseja a nulidade do lançamento. Eis o disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72: “Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;” Este entendimento vem sendo acatado pelo CARF: “CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DESCARACTERIZAÇÃO DE VINCULO PACTUADO AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. Uma vez que houve aferição indireta pela apresentação deficiente de documentos, deveria constar no relatório fiscal a menção ao dispositivo do art. 33, § 3° da Lei n° Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 785 9 8.212/1991. Ausência de fundamento legal é causa de nulidade da NFLD. PROCESSO ANULADO. (Acórdão 240100238, Sessão de 08/05/2009, Recurso n o 255035, processo no 15885.000188/200811, 1 a . Turma da 4a. Câmara, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). ” Não menos importante, ressalto o julgamento proferido no PAF 13855.000508/201160 (Recorrente: Minerva S/A), de Relatoria do Conselheiro Ivacir Júlio de Souza (2ª Seção/4ª Câmara/3ª Turma Ordinária), em 16 de abril de 2013, a respeito do mesmo. Transcrevo a seguir suas palavras: “Cumpre ressaltar que o que esta sendo considerado escrituração fiscal, também, não passam de meras cópias produzidas pela empresa. Assim, de plano, entendo que se a empresa não apresentou os livros contábeis exigíveis, na forma do comando do art. 142 do CTN, deveria ter sido aplicado o preceituado nos § § 1° , 2 o , 3 ° e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91 e concomitante procedimento de aferição indireta : ... Compulsório ressaltar que o lançamento quando efetuado por arbitragem deve indicar precisamente a fundamentação legal sob a qual se sustenta o procedimento, seja no anexo de Fundamentos Legais – FLD ou mesmo no Relatório Fiscal. DOS FUNDAMENTOS LEGAIS DAS RUBRICAS: Ressaltando que muito embora as Autoridades Autuantes tenham se valido de procedimentos indiretos para constituir o crédito, não consta nos autos fundamentação legal para aferição indireta. ... No âmbito da Receita Federal do Brasil, com previsão pelo menos desde a Instrução IN MF/RFB nº 829, de 18/03/2008, no art. 596 mantida nos arts. 446/447 da IN MF/RFB nº IN 971, de 13 de novembro de 2009, vigente à época do lançamento, aferição indireta é um procedimento especial que requer sejam observadas ao orientações abaixo transcritas: ... Muito embora tenha sido efetuado lançamento com base em meras informações da empresa, de forma indireta portanto, como se observa às fls.16, o Relatório de Fundamentos Legais das rubricas – FLD, não revela os fundamentos de aferição indireta.” Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Assim é que, não havendo certeza sobre a base de cálculo imponível, autorizado está a implementação da aferição indireta. Todavia, este procedimento deve ser motivado para o fim de legitimar a cobrança. Não sendo, tornase nulo o lançamento. Por todo o exposto: CONHEÇO dos Embargos Declaratórios para que sejam apreciados os argumentos trazidos pela Recorrente acerca da matéria diferenciada daquela levada ao Judiciário. Em relação ao Recurso Voluntário, CONHEÇO, por tempestivo, para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, anulando o lançamento devido à falta de fundamentação legal da aferição indireta. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de Novembro de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 786 11 Voto Vencedor DO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DA AFERIÇÃO INDIRETA Atrevome a divergir, data venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora por entender que, no caso presente, a base de cálculo do lançamento ora em debate não se houve por apurada por arbitramento, mas, sim, por coleta direta da matéria tributável dos documentos formalmente exigidos pela Fiscalização e apresentados pelo Contribuinte. Merece ser destacado, ab initio, que lançamento tributário em apreciação tem por fundamento legal a substituição tributária prevista no Inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91 que impinge à empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa a obrigação acessória de reter e recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na forma estabelecida pelo RPS, até o dia dez do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia dez do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007) Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 A Legislação Tributária elegeu como documentos apropriados para o registro e apuração da base de cálculo em realce receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural – as notas fiscais de compra e venda de tal produção rural, bem como o lançamento contábil nos livros fiscais. No caso em apreço, o Contribuinte foi intimado, mediante Termo próprio, a apresentar arquivos digitais das notas fiscais de entrada e saída referentes ao período fiscalizado. Diante do não atendimento à intimação fiscal, a empresa houvese, reiteradamente, por intimada a apresentar tais documentos, conforme Termos de Intimação 01, 02, 03 e 04, quedandose inerte, igualmente. Na sequência, mediante o TIF nº 06, a empresa foi uma vez mais intimada a apresentar relação contendo informações sobre as aquisições de produtos rurais adquiridos de produtores rurais pessoas físicas. Tal intimação, nestes termos, se deu em virtude das dificuldades manifestadas pelo Contribuinte para gerar os arquivos digitais solicitados nas diversas intimações anteriores, acima referidas. Nessa esteira, o Sujeito Passivo apresentou, para cada um de seus estabelecimentos, planilha contendo as seguintes informações de interesse do Fisco, referentes às aquisições de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, expostas a fls. 78/406: a) competência; b) data de entrada; c) número da nota fiscal; d) data de emissão da nota fiscal; e) CPF do produtor rural pessoa física; f) Nome do fornecedor; g) Valor contábil da operação; h) CFOP; Na mesma oportunidade, também foram entregues à Fiscalização os resumos mensais dos livros fiscais de entrada e saída de mercadorias, devidamente assinados pelo representante legal da empresa, para que a Fiscalização procedesse à conferência das informações relacionadas nas referidas planilhas com os lançamentos no livros contábeis. Procedida a conferência, da análise das planilhas em realce, constatou a Fiscalização que o Contribuinte houvera adquirido produtos rurais de diversos produtores rurais pessoa física, cujas contribuições previdenciárias de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não se houveram por retidas, tampouco recolhidas ao erário, em total inobservância da responsabilidade tributária que lhe fora atribuída pelo art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.000509/201112 Acórdão n.º 2302003.491 S2C3T2 Fl. 787 13 à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. As bases de cálculo do lançamento foram apuradas a partir dos valores contábeis da operação, nos montantes informados pela empresa fiscalizada em suas planilhas, conferidas pela Fiscalização mediante batimento com os resumos dos livros fiscais de entrada e saída de mercadorias. Conforme detalhadamente ilustrado, as bases de cálculo não se houveram por apuradas por aferição indireta, mas, sim, a partir do valor contábil das operações de compra e venda de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, informados pelo Contribuinte, e conferidos pela Fiscalização mediante batimento com os resumos dos livros fiscais de entrada e saída de mercadorias. De outro eito, mas trigo de outra safra, aditese que sendo de 01/03/2007 a 31/12/2008 o Período de apuração do vertente lançamento, a este não se aplicam as disposições inscritas na Instrução Normativa nº 971/2009, invocada pelo Recorrente, em atenção ao princípio Tempus Regit Actum, não havendo que se falar, pois, em nulidade por desrespeito ao art. 447 da susocitada Instrução Normativa. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que o vertente lançamento tem por fundamentação jurídica a norma tributária encartada no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, a qual não se houve por alcançada pelos efeitos proferidos no julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852 / MG, e seus preceitos, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Quanto às questões de fato e de Direito que guardam identidade com as matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário, estas não poderão ser conhecidas por este Sodalício Administrativo em razão das disposições insculpidas no §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, acolho os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para CONHEÇER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário e, no mérito, NA PARTE CONHECIDA, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/12/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2015 por JULIANA CAMPOS DE CARVALH O CRUZ, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11516.002669/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
SÚMULA CARF Nº 35
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO DECRETO Nº 3.724/01.
Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF aos bancos pela autoridade fiscal.
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO.
Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05.
IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do contribuinte, cabendo a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS E TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE.
Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados e tributados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos declarados e tributados tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes.
TAXA SELIC
Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
Numero da decisão: 2102-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 47.820,00. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora
Assinado Digitalmente
Núbia Matos Moura Redatora Designada
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 SÚMULA CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO DECRETO Nº 3.724/01. Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF aos bancos pela autoridade fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do contribuinte, cabendo a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS E TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados e tributados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos declarados e tributados tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 47.820,00. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Redatora Designada EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO DECRETO Nº 3.724/01. Cumpridos os requisitos do Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF aos bancos pela autoridade fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Aplicação do Enunciado nº 38 da Sumula deste CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 69 /2 00 5- 65 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova, nestes casos, é do contribuinte, cabendo a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS E TRIBUTADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados e tributados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos declarados e tributados tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. TAXA SELIC Em atenção à Súmula nº 04 deste CARF, é aplicável a variação da taxa Selic como juros moratórios incidentes sobre créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 47.820,00. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento, e Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, que também excluíam da base de cálculo a distribuição de lucro no valor de R$ 45.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti – Relatora Assinado Digitalmente Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.124 3 Núbia Matos Moura – Redatora Designada EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 742/755, para exigência de IRPF em razão da apuração de: a) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e/ou FAPI (anocalendário 2001); b) omissão de ganho de capital na alienação de um veículo Mercedes, placa LZY 0002, em maio de 2001; e c) presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, nos meses de janeiro a dezembro de 2000. Foi elaborada também Representação Fiscal Para Fins Penais, sob o nº 11516.002669/200565. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 767/809, por meio da qual alega que requereu o parcelamento dos débitos referentes ao resgate das contribuições de previdência privada do Unibanco AIG Previdência e do ganho de capital na alienação do veículo placa LZY 0002. No que diz respeito aos depósitos bancários, alegou, em síntese, que: o procedimento fiscal foi feito ao arrepio da Lei nº 9.311/1996, vigente à época dos fatos geradores, violando, assim, os princípios da legalidade e da irretroatividade da lei. Alega que não seria possível a aplicação retroativa do disposto na Lei nº 10.174/01, em razão do art. 144 do CTN, pelo fato de que existia dispositivo expresso na legislação anterior vedando a utilização; deixou de ser cumprido o art. 4º, §§ 5º e 6º, do Decreto nº 3.724/2001, ressaltando que o mesmo prevê a necessidade de “relatório circunstanciado” elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da RMF, o que não teria sido observado pela fiscalização. Não existindo o referido relatório, não estariam preenchidas as exigências e requisitos formais que dão suporte à utilização das informações bancárias para embasar o auto de infração, ferindo § único do art. 142 do CTN; seria nulo o procedimento fiscal, posto que seria inválido o MPF–F que o autorizou, já que foi emitido por autoridade incompetente (delegado substituto). Aduz que ainda que se cogitasse em delegação de competência, restaria descumprida a determinação contida no art. 7º, inciso VII da Portaria nº 3.007/2001, posto que não constou do MPF o ato de delegação; Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 não houve fundamento fático para a quebra do seu sigilo bancário, pois a Lei Complementar nº 105/2001 impôs condições objetivas para minimizar a invasão de privacidade dos cidadãos, dentre elas a de que os exames das informações devem ser considerados indispensáveis. Assim, somente nas hipóteses previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 seria possível a quebra do sigilo bancário estabelecida pela Lei Complementar nº 105/2001. Entretanto, não teria sido indicado nos autos a fundamentação legal para a obtenção das informações bancárias, o que cerceia o seu direito de defesa e prejudica a validade do ato administrativo, ferindo o art. 2º, parágrafo único, incisos VII e VIII, da Lei nº 9.784/99; ainda no que diz respeito à irregular quebra do seu sigilo bancário, que sua movimentação bancária teria superado em mais de 18 (dezoito) vezes os recursos declarados somente porque o AFRF levou em conta apenas o prólabore e a distribuição de lucros recebidos da Planel no total de R$105.000,00 quando deveria ter considerado também, no cálculo desta proporção, os rendimentos decorrentes da alienação das cotas da empresa Blocaus, de R$ 400.000,00, já conhecidos antes da emissão dos RMF, comprovados às fls. 61 a 86; estaria decadente o direito do Fisco de exigir quaisquer valores cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre janeiro e outubro de 2000, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; com relação ao mérito do lançamento, subdividiu sua defesa em três itens, a saber: i) a desnecessidade de coincidência de datas e valores para a comprovação dos rendimentos; ii) os rendimentos declarados em sua Declaração de Ajuste Anual deveriam ser utilizados para comprovar a origem dos depósitos; e iii) para afastar a presunção legal de omissão, bastaria demonstrar a procedência dos valores depositados, e não a operação que lhes deu causa. Por fim, discorreu sobre a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e pugnou pela exclusão dos juros com base na variação da taxa SELIC. Na análise de tais argumentos, os membros da DRJ em Florianópolis consideraram o lançamento procedente, e julgaram não impugnadas as infrações relativas aos itens 001 e 002. As preliminares de nulidade foram rejeitadas. Inconformado, o contribuinte interpõe o Recurso Voluntário de fls. 943/1001, por meio do qual, após um resumo dos fatos, alega em síntese que: as exigências relativas aos itens 001 e 002 do lançamento foram objeto de parcelamento e por isso não seriam tratadas em sede de recurso, o qual visava somente a reforma da parcela do lançamento relativa à omissão por depósitos bancários; seu sigilo bancário fora irregularmente quebrado, pois o lançamento violou o disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96, sendo que as alterações promovidas pela Lei nº 10.171/01 não poderiam surtir efeitos em período anterior a sua vigência (no caso em tela, sobre os fatos geradores ocorridos no ano de 2000); foi violado o art. 5º, § 5º do Decreto nº 3.724/2001, pois a fiscalização deixou de observar a forma e os requisitos previstos para a expedição do RMF, e a DRJ deixou de analisar esta questão em um item próprio, limitandose a tratar da questão “de relance”; também um outro requisito legal para a expedição do RMF deixou de ser cumprido, pois não houve demonstração de competência, já que o MPF constante à fl. 01 dos autos foi assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, autoridade está que não está no Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.125 5 rol das autoridades competentes para a emissão do MPF, conforme previsto no art. 6º da Portaria nº 3.007/2001. Alega que no caso vertente não foi juntada aos autos cópia da portaria específica de nomeação do agente administrativo signatário do MPF (Delegado Substituto); não houve fundamento fático para a quebra do seu sigilo bancário, razão pela qual foi violado o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 – neste particular, alegou que o fiscal autuante deixou de considerar o valor recebido em razão da venda de suas cotas da empresa Blocaus, nos valor de R$ 400.000,00, operação que já era de conhecimento da autoridade fiscal; a decisão recorrida teria inovado ao afirmar que a quebra do sigilo bancário não se deveu ao fato de a movimentação financeira ter superado em dez vezes seus rendimentos, mas sim na existência de embaraço à fiscalização; discorreu sobre a ausência de embaraço à fiscalização; estaria decadente o direito do Fisco de exigir os créditos tributários cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre os meses de janeiro e outubro de 2000, já que a ciência do lançamento somente ocorreu em 07.11.2005; quanto ao mérito, não haveria necessidade de coincidência de datas e valores entre os depósitos e as justificativas para suas origens; deveriam ser acolhidos como origem para os depósitos os valores declarados em sua DIRPF; a comprovação da procedência dos recursos seria suficiente a afastar a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acolhidos os valores para os quais foram apresentados cheques e outros documentos; a forma de apuração da omissão fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 seria muito semelhante à apuração de saldo credor de caixa, e esta a sistemática que deveria ter sido utilizada na apuração da omissão em tela; para refutar a documentação trazida pelo contribuinte seria necessário que o Fisco produzisse provas, o que não foi feito; deveriam ter sido considerados como comprovados os depósitos decorrentes do distrato feito entre ele e a empresa RK&S; os valores depositados em um mês deveriam ser considerados como origem para os depósitos do mês seguinte; e a ilegalidade da utilização da taxa Selic no cômputo dos juros incidentes sobre o lançamento. Os pedidos formulados no Recurso constam às fls. 997/1001. O processo foi a seguir remetido a este Conselho para julgamento. Na sessão de julgamentos de 19.08.2009, esta turma determinou a conversão de julgamento em diligência com o seguinte objetivo: Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Por isso, voto no sentido de CONVERTER este julgamento em DILIGÊNCIA, para que a autoridade lançadora seja instada a se manifestar, informando: a) quais os valores excluídos da base de cálculo do lançamento, no que diz respeito ao item 003 do Auto de Infração, quanto aos anoscalendário 2000 e 2001, esclarecendo o porquê da diferença entre os valores apontados nos relatórios de fls. 08/11 e aqueles constantes da intimação de fls. 464 e seguintes; e b) o que motivou a exclusão de tais valores da referida base de cálculo. Prestadas tais informações, o Interessado deverá ser intimado para se manifestar em 30 dias. Em cumprimento a tal diligência, os autos foram remetidos à DRF em Florianópolis, que lavrou o Termo de Diligência de fls. 1054/1055. Neste termo, restou esclarecido que os valores considerados como de origem comprovada para fins de lançamento foram os seguintes: (...) 2) Na elaboração da planilha "Depósitos sem origem" foram excluídos os depósitos decorrentes de transferências de outras contas do próprio contribuinte e também os valores de depósitos estornados. 3) Foram aceitas justificativas apresentadas pelo contribuinte (fls.480 a 482; 536 a 537; 647 a 648, 653 a 655; 660 a 662; 719 a 723), de 'modo que o valor inicialmente considerado como sendo de origem não comprovada sofreu redução, como pode ser visto na retificação realizada na planilha "Depósitos sem origem" (fls.465 a 467; 701 a 702; 739 a 41). Outrossim, no que diz respeito à aceitação dos rendimentos recebidos da PLANEL, foi esclarecido que: Por fim, deve ser esclarecido que os valores dos rendimentos que o Sr. Neider recebeu da empresa PLANEL ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. no ano calendário de 2000 foram objeto de análise no curso da fiscalização. Com base nas informações prestadas pelo contribuinte fiscalizado (fl. 648) e pela empresa PLANEL (fls.558 a 569) foi verificado se os pagamentos efetuados pela empresa PLANEL tinham coincidência de valores e datas com os valores relacionados na planilha "Depósitos sem origem" (fls. 739 a 741). Em seguida, o contribuinte foi intimado do resultado desta diligência, tendo apresentado a manifestação de fls. 1099/1104 por meio da qual requer que a autoridade fiscal preste maiores esclarecimentos acerca da diligência efetuada. Os esclarecimentos solicitados foram prestados às fls. 1107/1111. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.126 7 Novamente, às fls. 1113/1115 o contribuinte apresenta manifestação, por meio da qual reiterou o pedido de que fossem acolhidos os rendimentos declarados como origem para os depósitos bancários que ensejaram o lançamento. Diante de tais manifestações, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Na sessão de 15 de maio de 2012 foi determinado o sobrestamento do recurso, por força do disposto no art. 62, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF. Em face da alteração no regimento Interno deste Conselho, retornam os autos agora para julgamento de mérito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O recurso é tempestivo pois o Recorrente teve ciência de decisão recorrida em 03.08.2006, tendo protocolado seu Recurso em 22.08.2006 razão pela qual dele conheço. A matéria em litígio em sede deste Recurso Voluntário versa somente sobre a infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo Recorrente, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (quanto às demais infrações objeto do lançamento, foi requerido o seu parcelamento). Em sua defesa, o Recorrente suscita algumas questões preliminares. São elas: a) seu sigilo bancário fora irregularmente quebrado, por violação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96; b) foi violado o art. 5º, § 5º do Decreto nº 3.724/2001, pois a fiscalização deixou de observar a forma e os requisitos previstos para a expedição do RMF, e a DRJ deixou de analisar esta questão em um item próprio, limitandose a tratar da questão “de relance”; c) não houve demonstração de competência, já que o MPF constante à fl. 01 dos autos foi assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto; d) não houve fundamento fático para a quebra do seu sigilo bancário, razão pela qual foi violado o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001; e) a decisão recorrida teria inovado ao afirmar que a quebra do sigilo bancário não se deveu ao fato de a movimentação financeira ter superado em dez vezes seus rendimentos, mas sim na existência de embaraço à fiscalização; f) estaria decadente o direito do Fisco de exigir os créditos tributários cujos fatos geradores tivessem ocorrido entre os meses de janeiro e outubro de 2000, já que a ciência do lançamento somente ocorreu em 07.11.2005. Passase à sua análise antes de analisar o mérito do lançamento. a) violação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/96 Tal pedido merece ser, de plano, rechaçado, em face do disposto no Enunciado nº 35 da Súmula deste CARF, que assim dispõe: Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. b) Violação ao art. 5º, § 5º do Decreto nº 3.724/2001 Alega o Recorrente que o lançamento seria nulo por não terem sido observadas as disposições do Decreto nº 3.724/01, afirmando ainda que a decisão recorrida teria deixado de analisar este ponto de sua defesa. Com efeito, devese ressaltar que a decisão recorrida analisou sim este pedido do Recorrente, como se depreende às fls. 960/964 dos autos. Por isso, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por eventual cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não há qualquer nulidade no lançamento quanto a este particular, tendo em vista que consta do Auto de Infração (especificamente às fls. 783/784 dos autos digitais) a motivação para a expedição das RMF aos bancos nos quais o Recorrente mantinha conta. No item “b” das considerações da autoridade fiscal autuante consta o esclarecimento de que a movimentação bancária do Recorrente correspondeu a 18 vezes o rendimento declarado por ele no ano de 2000 – o que por si só já justificaria a expedição das requisições de movimentação financeira. O fato da decisão recorrida ter se referido à sua recusa em oferecer à autoridade fiscal os extratos solicitados vem apenas a corroborar a motivação para a expedição das RMF no caso em tela, não havendo que se falar em qualquer nulidade. Vale ressaltar ainda, quanto a este ponto, que a fiscalização que deu origem ao lançamento ora analisado foi motivada por provocação do Ministério Público Federal, conforme ofício n°1693/04 — UTC/PR/SC (fl. 6). c) MPF assinado por Delegado Substituto Alega o Recorrente que seria nulo o lançamento pelo fato de o MPF ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, sendo que não haveria nos autos o ato através do qual teria havido a “delegação de competência” ao Delegado Substituto para assinar o referido MPF. Entretanto, a decisão recorrida é irretocável neste particular, e merece ser mantida por seus próprios fundamentos, como se depreende do trecho a seguir transcrito: Logo, na ausência, por qualquer motivo, do Delegado da Receita Federal, o Delegado Substituto, nomeado por portaria especifica, assume automaticamente o cargo, sendo investido, também automaticamente, com todas as competências do titular, inclusive a competência para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.127 9 A competência para a emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal não é privativa da pessoa, mas do cargo de Delegado da Receita Federal. Ainda que como sustituto, o ocupante do cargo é que tem a prerrogativa da emissão do mandado. Com efeito, afastandose ou ficando impedido o Delegado da Receita Federal todas as atribuições inerentes o cargo passam automaticamente a serem exercidas por seu substituto. Portanto, não há que se falar em delegação de competência, cuja transferência de poderes independe de afastamento temporário do titular dos mesmos. No mais das Vezes, a delegação de competência é motivada para dar maior desenvoltura à execução das atividades administrativas, eximindo o titular a quem incumbe a pratica dos atos, possibilitand6 a este maior disponibilidade para dedicarse A. execução de outras atividades inerentes ao cargo. (...) Ademais, a jurisprudência deste CARF é unânime em reconhecer a possibilidade de o MPF ser assinado pelo delegado substituto, como demonstra a ementa do seguinte julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL AUTORIDADE EMITENTE DELEGADO SUBSTITUTO SUBSTITUIÇÃO DO DELEGADO TITULAR HIGIDEZ Um dos princípios informadores do serviço público é a continuidade. A ausência regulamentar da autoridade do cargo público deve implicar na imediata substituição por outro agente público, mormente nos cargos de fiscalização. O Delegado substituto da delegacia da Receita Federal, no exercício da titularidade, detém todas as competências do titular, inclusive a de emitir Mandado de Procedimento Fiscal. (...) (Acórdão nº 10616881, julgado em 25.04.2008) Assim, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada. d) Violação ao art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e e) Fundamento utilizado pela decisão recorrida Estes dois itens já foram analisados no item ‘b’ supra. f) Decadência De acordo com a defesa, o fato gerador do IRPF no caso em tela seria mensal, e o prazo decadencial deveria ser computado com base no art. 150, § 4º do CTN. Sua pretensão não merece acolhida. Sem entrar aqui no mérito da discussão sobre qual a norma a ser utilizada no caso concreto (se o art. 150 § 4º do CTN, ou o art. 173, I do mesmo diploma legal), fato é que a jurisprudência hoje pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 de que o fato gerador do IRPF é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso especial negado. (Ac. nº CSRF/0400.553, julgado em 21.03.2007, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) Por isso, aliás, foi editada a Súmula CARF nº 38, segundo a qual: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.”. Sendo assim, o pleito do Recorrente não merece acolhida, já que o Fisco teria – considerando o disposto no art. 150, § 4° do CTN até 31.12.2005 para efetuar o lançamento relativo ao fato gerador do IRPF ocorrido em 31.12.2000. No caso, como a ciência do lançamento se deu em 07.11.2005 – não há que se falar em decadência. Mérito: Quanto à origem dos depósitos No que diz respeito ao mérito do lançamento, o Recorrente afirma que não haveria necessidade de coincidência de datas e valores entre os depósitos e as justificativas para suas origens e que deveriam ser acolhidos como origem para os depósitos os valores declarados em sua DIRPF. Afirmou ainda, quanto ao mérito, que a comprovação da procedência dos recursos seria suficiente a afastar a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acolhidos os valores para os quais foram apresentados cheques e outros documentos; e ainda que a forma de apuração da omissão fundada na referida norma seria muito semelhante à apuração de saldo credor de caixa, e esta a sistemática que deveria ter sido utilizada na apuração da omissão em tela. Diante de tais alegações, é forçoso esclarecer que a Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que, apesar de ser relativa, só pode ser revista contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Nestes casos, o ônus da prova não é mais da autoridade Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.128 11 fiscal (no sentido de comprovar a ocorrência de eventual omissão) e sim do próprio contribuinte (de que não houve qualquer omissão). Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Exclusão dos rendimentos recebidos e declarados O Recorrente pugna pela exclusão do lançamento de determinados valores cuja comprovação teria sido feita em sede de Impugnação. A primeira destas exclusões se refere aos valores recebidos da empresa RK&S. Segundo ele, tais valores se referiam à devolução de um montante adiantado por ele em relação a um contrato firmado com a referida empresa e que teria sido posteriormente rescindido. Sobre tais alegadas comprovações, assim se manifestou a DRJ: — depósitos realizados nos dias 18/10/2000 e 25/10/2000, nos valores de R$3.500,00 e R$6.500,00 (fls. 353 e 355). Na impugnação o contribuinte alega que os depósitos originaramse da rescisão de contrato de prestação de serviços que teria tido com a empresa RK&S Engenharia de Estruturas Ltda. e corresponderiam a devolução de valores adiantados. Durante a ação fiscal, em atendimento a intimação para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte juntou, as fls. 714 a 718, cópias dos cheques emitidos pela empresa RK&S Engenharia de Estruturas Ltda. e, à fl. 646, "TERMO DE ENTENDIMENTO", datado de 01 de agosto de 2.000, com o seguinte teor: I — Fica convencionado entre as partes a liquidação total do acordo verbal, realizado em meados de maio/1998, entre a RK&S ENGENHARIA DE ESTRUTURAS LTDA., SOHO LTDA. E Neider Francisco Panosso, cujo Termo de Entendimento encerra totalmente todas as pendências existentes. Para tanto, a RK&S ENGENHARIA DE ESTRUTURAS LTDA., acima qualificada, devolve a Neider Panosso, a importância de R$10.000,00 (dez mil reais), importância esta representada por 03 (três) Notas Promissórias, no valor de R$3.500,00 (três mil e quinhentos reais) a primeira, com vencimento no dia 18/10/2000, e as demais no valor de R$3.250,00 (três mil duzentos e cinquenta reais), cada uma, com vencimento nos dias 18/11/2000 e 18/12/2000, respectivamente. [..] O "Termo de Entendimento" juntado pelo requerente é um contrato particular, despido de qualquer formalidade, do qual se depreende trata de um "acordo verbal ' não podendo ser aceito. Tal documento não constitui prova consistente de que os valores depositados correspondem mesmo a devolução de adiantamentos Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 de pagamentos de serviços contratados e rescindidos, conforme alegado. O novo Código Civil assim dispõe: (...) E mais: (...) Como se vê, o instrumento particular vale entre as partes contratantes, que se obrigam diante dele. Mas, para que surtam efeitos perante terceiros, os documentos devem revestirse de formalidades mínimas prescritas em lei. O contrato apresentado é tãosomente instrumento particular, desprovido de qualquer registro publico ou outro meio capaz de demonstrar a efetividade das operações que nele se encerram. De acordo com o artigo 221 do Código Civil, os instrumentos particulares não operam efeitos em relação a terceiros, antes de registrados no devido registro público, o que faz com que o contrato trazido pelo contribuinte não sirva para comprovar a natureza dos cheques emitidos pela RK&S Engenharia de Estruturas Ltda. em favor do impugnante. Tal decisão deve ser mantida. Não só pelos argumentos acima transcritos, mas também pelo fato de que não há a efetiva prova da natureza dos valores recebidos pelo Recorrente. Para que esta prova fosse feita, deveria ele trazer aos autos a comprovação dos valores anteriormente pagos à RK&S, de forma a comprovar documentalmente a transação anterior que justificaria a alegada devolução dos valores pela RK&S a ele. Na falta de prova, e sem que se tenha certeza sobre a natureza dos valores depositados, é de se manter o lançamento quanto aos mesmos. Ainda no que diz respeito aos depósitos alegadamente comprovados, assim se manifestou a decisão recorrida sobre os demais documentos trazidos aos autos pelo Recorrente: — deposito realizado em 30/03/2000, no valor de R$2.345,00 (fl. 333): o contribuinte pretende justificar o deposito em dinheiro de R$2.345,00 na CEF com a assertiva de que a parcela de R$757,00 referese a três cheques compensados no mesmo dia no Banco BCN. Como se vê, não há sequer a coincidência de valores; deveria, então, o contribuinte comprovar que na composição do montante depositado estavam os três cheques e não o fez. — depósitos em dinheiro realizados em 05/07/2000, no valor de R$200,00 e R$147,87 (fls. 341 e 342): 0 contribuinte alega que foi prólabore recebido da Plane, no entanto não junta qualquer comprovação de que a empresa tenha lhe efetuado o depósito. — depósito efetuado em 28/08/2000, no valor de R$5.600,00 (fl. 461): o contribuinte pretende justificar o deposito em dinheiro de R$5.600,00 no HSBC em 28/08/00 com um cheque sacado na mesma data no BCN no valor de R$973,00. Como se vê, tal decisão foi devidamente fundamentada e analisou um a um os depósitos cuja comprovação pretendia o Recorrente. Contra ela, porém, o Recorrente limitouse a reiterar os argumentos já expostos em sede de Impugnação, sem trazer qualquer Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.129 13 argumentação nova que contraditasse a decisão recorrida. Desta forma, merece ser mantida a decisão também quanto a estas supostas comprovações. O recorrente pugna também que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento valores recebidos no ano de 2000 e declarados em sua DIRPF, notadamente os valores recebidos da empresa PLANEL (a título de prolabore e lucro) e ainda os valores recebidos pela venda de sua participação societária na empresa Blocaus. No que diz respeito aos rendimentos da PLANEL, o extrato da DIRF de fls. 575 demonstra que o Recorrente recebeu no anocalendário de 2000 rendimentos brutos no valor de R$ 60.000,00, sobre os quais incidiu uma retenção de IRRF no valor total de R$ 12.180,00. Tais rendimentos deixaram de ser considerados como origem para os depósitos pela autoridade lançadora em razão da inexistência de coincidência de datas e valores entre os montantes líquidos recebidos e os créditos efetuados em suas contas bancárias – informação esta que foi corroborada em sede de diligência anteriormente determinada por esta turma julgadora. Neste aspecto, porém, entendo que merece ser acolhida a pretensão recursal e reformada a decisão recorrida. Este Conselho vem decidindo que os rendimentos declarados pela pessoa física podem e devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Assim, deve ser excluído da base de cálculo o valor correspondente ao montante líquido destes rendimentos, ou seja, R$ 47.820,00. Já no que diz respeito aos valores recebidos a título de distribuição de lucros, o Recorrente trouxe aos autos para comproválos cópia do Livro Razão da empresa PLANEL (fls. 584/593) do qual constam lançamentos de pagamentos de distribuições de lucros a ele nos meses de junho, julho e agosto, cada qual no valor de R$ 15.000,00. O somatório destas parcelas perfaz os R$ 45.000,00 constantes de sua DIRPF, cuja exclusão pleiteia da base de cálculo deste lançamento. Diante da documentação acostada aos autos, e pelas mesmas razões acima expostas no que diz respeito ao prolabore recebido, entendo que este montante deva também ser excluído da base de cálculo do lançamento. Por fim, no que diz respeito aos R$ 400.000,00 relativos à venda de suas cotas na empresa Blocaus, seu pedido não merece acolhida. Neste ponto, a decisão recorrida foi bem fundamentada, tendo negado a pretensão do Recorrente pelos seguintes motivos: Alegações genéricas, de que os depósitos decorreriam dos rendimentos informados na DIRPF e dos oriundos da alienação de cotas da empresa Blocaus (R$400.000,00) não podem ser acatadas como hábeis ao afastamento da presunção. Em regra, ou o contribuinte demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, de forma individualizada, ou então deve arcar com o peso da presunção legal. Tal ônus, ressaltese, é atribuição da lei, e não da vontade da autoridade fiscal. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 Contra tal decisão o Recorrente deixou de apresentar quaisquer argumentos em sede de Recurso Voluntário, fazendo menção a tais valores somente em sede de resposta à diligência determinada por esta turma julgadora. Diante de tal situação, e considerando a falta de provas de que tais valores tenham sido depositados em suas contas, não se pode acolher o montante pretendido como origem para os depósitos bancários em questão. Depósitos de um mês para o mês seguinte Alega o Recorrente que os valores depositados em um mês deveriam ser considerados como origem para os depósitos do mês seguinte. Tal pedido, porém, não merece acolhida, em face da jurisprudência já consolidada a este respeito. Vale ressaltar que o Enunciado nº 30 da Súmula deste Conselho estabelece que: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Ilegalidade da taxa SELIC Por fim, também não merece acolhida o pedido de exclusão da aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES argüidas, e no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 92.820,00. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, redatora designada Discordo da ilustre relatora somente no que diz respeito aos valores recebidos a título de distribuição de lucros da empresa PLANEL, no valor de R$ 45.000,00. É bem verdade que relativamente aos rendimentos oferecidos à tributação nas Declaração de Ajuste Anual entendo que é razoável admitirse que tais recursos tenham transitado nas contas bancárias do recorrente, de sorte que filiome a corrente que defende que tais recursos sejam excluídos da tributação, ainda que o contribuinte não demonstre a vinculação entre os créditos havidos em suas contas bancárias e referidos rendimentos. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11516.002669/200565 Acórdão n.º 2102003.151 S2C1T2 Fl. 1.130 15 Contudo, tal entendimento não pode ser estendido aos rendimentos isentos e não tributáveis. Veja que o contribuinte pretende ver excluídos dos créditos efetivados em suas contas bancárias a quantia de R$ 45.000,00, recebida em decorrência de lucros distribuídos, que são rendimentos isentos, sem demonstrar a vinculação, com datas e valores coincidentes, entre tais rendimentos e os créditos bancários investigados. Segundo consta do Livro Razão da empresa PLANEL, houve pagamentos de lucros ao contribuinte nos meses de junho, julho e agosto, nos valores de R$ 15.000,00, cada um. Contudo, do exame dos créditos levados à tributação no lançamento não se verifica nenhum depósito correspondente em data e valor. Aqui devese registrar que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente admite a exclusão do lançamento de créditos, cuja origem esteja comprovada. Isto porque o objetivo maior do referido dispositivo legal é de possibilitar a exigência do correto pagamento do imposto de renda. Assim, excluir dos créditos investigados rendimentos isentos e não tributáveis sem a devida demonstração de que tais rendimentos efetivamente transitaram pelas contas bancárias do contribuinte é fazer letra morta do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Nestes termos, voto por manter a tributação em relação ao valor de R$ 45.000,00, que o contribuinte afirma tratarse de lucros distribuídos, sem, contudo, demonstrar a vinculação entre tais rendimentos e os créditos havidos em suas contas bancárias. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10680.720283/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF.GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. ELISÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO.
A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito.
A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratar-se de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação tem-se pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem.
Reconhece-se a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319)
MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO.
A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária.
A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias e etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (conforme Acórdão 9202-003.128 - CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres, que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF.GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. ELISÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratar-se de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação tem-se pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem. Reconhece-se a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319) MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizando-se de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias e etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (conforme Acórdão 9202-003.128 - CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Recurso Voluntário Negado.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. ELISÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratarse de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação temse pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem. Reconhecese a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319) MULTA QUALIFICADA. DOLO E FRAUDE. MANUTENÇÃO. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, inclusive de simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se escapar, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 02 83 /2 01 2- 01 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 494 2 ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias e etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (conforme Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres, que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 460), complementandoo ao final: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 377 a 389, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2007 e 2008, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 34.208,62, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora calculados até fevereiro de 2012. A autuação decorreu de: 1) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de reajuste das parcelas recebidas por alienação de bem imóvel nos totais de R$_1.843,64 (2007) e R$ 9.218,20 (2008); 2) omissão de ganho de capital auferido nos meses de setembro de 2007 a maio de 2008 (R$ 43.841,61, em setembro e R$ 21.920,80, em cada um dos demais meses), em decorrência da alienação do Lote 3A, Quadra H, Loteamento Vila da Serra, Nova Lima, MG, em setembro de 2007, para a Construtora Valle Ltda., a prazo. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 495 3 (...) O contribuinte, bem como João Henrique Franco Garcia e Rômulo Franco Garcia são identificados, no Registro de Imóvel (fls. 15 a 17), como adquirentes de ¼ do imóvel, em 2002, e alienantes, para Construtora Valle, da mesma fração adquirida. Igualmente são os alienantes indicados na Escritura Pública de fls. 25 a 33 e, juntamente com os demais alienantes, firmam recibo de quitação objeto da averbação 725.319 (fl. 17). Garcia Construções e Participações Ltda. figura, no Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel (fls. 20 a 24), como alienante de ¼ do imóvel, em substituição a Bráulio Franco Garcia, João Henrique Franco Garcia e Rômulo Franco Garcia. Os pagamentos pactuados no referido contrato foram depositados em conta bancária de titularidade de Garcia Participações Ltda. (...) Bráulio Franco Garcia informou na Declaração de Bens e Direitos constante da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008 que teria alienado o lote em questão para Garcia Construções e Participações Ltda. por R$ 112.600,00, praticamente o valor de aquisição (R$ 112.599,21). Creio ainda que bem resume a autuação a seguinte afirmação, que transcrevo da Impugnação, na folha 438: "Em síntese, a Fiscalização afirmou que não houve a primeira venda do lote de terreno, em março de 2007, à Garcia Construções e Participações Ltda., por parte de seus sócios, entre eles o ora Impugnante. Aduziu que a venda do terreno se deu diretamente pelos sócios (pessoas físicas) à Construtora Valle, em setembro de 2007" (...) Na construção dessa presunção as dignas auditorasfiscais negaram qualquer validade jurídica aos documentos que serão comentados a seguir e que destroem essa presunção o contrato de compra e venda, firmado entre a Construtora Valle e a Garcia Construções e Participações Ltda.; a escrituração da Garcia Construções e pArticipações Ltda (que a própria Fiscalização deu como boa vide documento anexo); e ainda os pagamento feitos pela adquirente, Construtora Valle, mediante depósitos na conta bancária da vendedora (Garcia...)." Apresentada a Impugnação, assim a analisou a DRJ em Belo Horizonte/MG: em relação à primeira venda, que foi descaracterizada pela Fiscalização, disse que não houve a transferência da propriedade, mediante título translativo no Registro de Imóveis e o pagamento pela alegada compravenda entre as pessoas jurídicas só foi contabilizado pela Garcia posteriormente, "já que o dinheiro estava em conta conjunta das mencionadas pessoas físicas"; Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 496 4 fatos registrados em escrituração contábil que não estão lastreados em documentos hábeis são inócuos como elementos de prova; estéril a alegação do impugnante de que o lançamento estaria fundado em presunção, eis que embasado em documentos hábeis e idôneos, hábeis à comprovação do valor e data da alienação, bem como à identificação dos alienantes e adquirentes, não havendo reparos a serem feitos quanto ao fato gerador e valor apurado considerados nos itens 0001 e 0002 do auto de infração; verificase que o contribuinte agiu com o propósito de omitir o ganho de capital efetivamente obtido por ocasião da alienação para a Construtora Valle, criando apenas contabilmente uma alienação anterior do bem para a empresa de que é sócio. Tal conduta está prevista na Lei 4.502/1964, art. 71 e justifica a imposição da multa de ofício qualificada (Lei 9.430/1996, art. 44, I, §1º, com redação dada pela Lei 11.488/2007, art. 14). E assim deuse o julgamento recorrido, para considerar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido, com aplicação da multa de 150%. Cientificado dessa decisão em 13/06/2012, conforme Aviso de Recebimento na folha 470, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/07/2012 (protocolo na folha 472). Em sede de recurso, repisa as mesmas razões expendidas na impugnação e em resumo, aduz o seguinte: o fato de não ter havido "a transferência da propriedade" mediante título registrado não é razão para se manter a autuação e devese buscar na legislação do imposto de renda (artigo 117 do RIR/1999) a definição do fato gerador da obrigação, para concluir que não é o registro do título no Registro de Imóveis que interessa, mas quaisquer operações que importem alienação, cessão, promessa de cessão, etc... de bens; em relação ao pagamento, afirma que foram feitos pela adquirente do terreno, Construtora Valle, mediante depósitos na conta bancária da Garcia Construções e Participações Ltda. Houve ainda sua contabilização; ressalta que a venda pelo Recorrente à empresa da qual é sócio foi noticiada à Receita Federal quando da entrega tempestiva da DIRPF de 2008, ano base 2007; entende ainda descabida a aplicação da multa qualificada, haja vista que não se provou qualquer conduta dolosa. REQUER que seja reformado o Acórdão recorrido para considerar improcedente a autuação fiscal, cancelandose qualquer cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 497 5 A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transforma do em meio magnético (arquivo.pdf) Bem a discussão resumese no seguinte: três pessoas físicas (irmãos), dentre eles Bráulio, aqui Recorrente, são sócios de uma pessoa jurídica, a Garcia Ltda. Em 2002, as pessoas físicas adquiriram parte de um terreno, conforme Escritura Pública. Alegase, então, que em março de 2007 essas pessoas físicas, sem registro imobiliário competente, venderam à pessoa jurídica da qual são sócios, pelo mesmo valor de compra, o imóvel em questão. Existe registro na contabilidade da empresa. Com data de 05 de setembro de 2007, existe um "Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel", onde o imóvel é vendido pela Garcia Ltda a outra pessoa jurídica, a Construtora Valle Ltda. No registro imobiliário nunca constou a primeira venda, dos sócios à Garcia Ltda, e por isso a Escritura, ao ser passada, em 03 de março de 2008, foi feita diretamente das pessoas físicas à compradora Valle Ltda. Ao apresentar sua DIRPF em abril de 2008, o Recorrente informou a venda do terreno à Garcia Ltda e, como se dera pelo mesmo preço de compra, não foi apurado ganho de capital. Enfim, devese resolver se de fato houve a transmissão do bem da pessoa física de Bráulio Franco Garcia (e outros) para a Garcia Ltda e, posteriormente, essa transferiu à Valle Ltda, ou se a primeira venda deve ser desconsiderada e apurado o ganho de capital, na pessoa física do Recorrente, como entenderam as Auditoras Fiscais autuantes. A primeira alegação do recurso é que para fins tributários devese observar a legislação do imposto de renda e não aterse apenas aos conteúdos e formas do direito civil e considerarse que somente o registro do título translativo em Cartório consubstanciaria a transferência da propriedade. É de ser lembrado então o artigo 109, do CTN: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. E aí interpreta Luciano Amaro que: "...não se nega ao direito tributário a prerrogativa de dar efeitos iguais para diferentes institutos de direito privado (por exemplo: pode a lei dar para fins tributários, à doação, ao aporte na integralização de capital, etc., os mesmos efeitos da compra e venda). Mas é a lei tributária que (se quiser) deve dálos, e não o intérprete. Não há razão para supor que o legislador tributário, quando mencione, por exemplo, o negócio de compra e venda de imóvel, ignore a existência da promessa de compra e venda, da cessão de direitos de promitente comprador, do aporte de capital etc. Se ele quiser também atingir um desses outros negócios Fl. 497DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 498 6 jurídicos, basta que o faça expressamente, seguindo, aliás, o exemplo da própria Constituição, que, ao estatuir a competência tributária sobre a transmissão de imóveis, refere expressamente a cessão de direitos à sua aquisição (art. 156, II). Aliás, essa é a prática do nosso legislador ordinário do imposto de renda, quando prevê a tributação de ganho de capital na venda de bens e na realização de outros contratos que têm o mesmo conteúdo econômico. Mas esses outros contratos são atingidos não por terem igual conteúdo econômico, e sim porque a lei lhes conferiu igual tratamento jurídico."(AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, 15ª ed., 2009, p. 227, apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 904) Assim, a legislação do imposto de renda, como percebeu o Recorrente, atribuiu efeitos tributários a outros contratos envolvendo a transmissão de direitos sobre bens, que tenham o mesmo "conteúdo econômico" da compra e venda. Então, pareceme que não pela simples ausência da Escritura, se desconsideraria uma compra e venda, sob o aspecto tributário. Mas vejamos o questão do "conteúdo econômico". A interpretação da norma tributária, até para a segurança do contribuinte, deve ser primordialmente jurídica, mas a consideração econômica não pode ser abandonada. Assim, uma relação jurídica sem qualquer finalidade econômica, digo, cuja única finalidade seja a economia tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. Em qualquer caso, tenho sempre defendido a teoria da prevalência da substância sobre a forma e que a "verdade material" aplicase tanto a favor do Contribuinte, quanto a favor do Fisco. A doutrina italiana do Professor Francesco Tesauro aponta a diferença entre evasão e elisão (elusione) dizendo que os contribuintes, no propósito de um certo resultado econômico, são livres, no exercício de sua autonomia negocial, para escolher e seguir a estrada fiscalmente menos onerosa. Existe, entretanto, uma economia (lícita) de imposto e uma economia "elisiva". A 'elusione' pode ser definida como uma forma de economia fiscal que está conforme a letra, mas não conforme a ratio da norma tributária. Um método de interpretação antielisivo reconhece máximo relevo aos elementos sistemáticos, valoriza a ratio do tributo, utiliza argumentos como "o espírito" (escopo) da lei, a "realidade" (a natureza) das coisas, etc... Outra técnica 'antielusiva' consiste em requalificar os negócios jurídicos de modo a fazer emergir, de sua aparência formal e exterior, o verdadeiro negócio posto adiante pelas partes. Neste caso, é operada uma "requalificação" dos negócios, ou mesmo uma "superação" da "forma" que os contratantes tenham dado ao contrato (princípio "substance over form"). Não esqueço que haja na legislação brasileira o parágrafo único do artigo 116 do CTN, que introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 2001, trouxe a chamada "norma antielisiva" e teve sua constitucionalidade questionada no STF (ADIN 2.446). Mas mesmo para Fl. 498DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 499 7 os que entendem pela sua não autoaplicabilidade por causa da remissão a observância de "procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária", destaco que ensina o Professor Tesauro que nos ordenamentos nos quais não exista uma disposição antielisiva que autorize expressamente a requalificação dos negócios, as administrações tributárias e os juízes recorrem igualmente à técnica supracitada, para possibilitar assim a tributação aos negócios "elisivos". Remete especialmente ao caso da experiência francesa, onde afirma que a jurisprudência tributária do Conselho de Estado expôs a noção de "abuso de direito" (tocante aos "atos simulados") às operações jurídicas realizadas cuja regularidade não é posta em dúvida, mas que têm, como único objetivo, perseguir um tratamento fiscal mais vantajoso. (TESAURO, Francesco. Istituzioni di Diritto Tributário. 1 parte, 9ª ed. Utet Giuridica. Milano. 2009. p. 248/250) Marco Aurélio Greco diz sobre o "planejamento tributário" que: "na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase, ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei...."(GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319 apud PAULSEN, Op. Cit., p.925)(sublinhei) Não encontro na situação que se concentra nestes autos finalidade ou escopo econômico para a transferência do terreno das pessoas físicas para a Garcia Ltda. Noto que apesar de serem sócios da empresa, não se falou em "integralização de capital", mas defendeu se sempre que houvera uma "venda". Assim, a empresa teria "comprado" o imóvel de seus sócios e esse negócio não foi registrado em Cartório. Alegase que está registrado na contabilidade da empresa, mas como já expuseram as Autoridades Fiscais, o mero registro contábil, sem o suporte documental, de pouco vale, mesmo porque a empresa é gerida pelos próprios sócios, que têm interesse no registro. Também observo que não se conseguiu comprovar que a empresa pagara aos sócios pela compra do terreno. O Recorrente não conseguiu apresentar prova deste pagamento e, no Termo de Verificação Fiscal, está assentado que fora alegado que a conta da empresa era "conjunta" com os sócios, então não houve circulação do dinheiro. Assim, apesar do citado contrato particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel (fl. 20) entre a Garcia Ltda e a Valle Ltda, em que também se funda o recurso, para afirmar que o imóvel havia sido transferido para a pessoa jurídica pelos sócios, entendo que se aplique ao caso o conceito de "simulação": “A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão....na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva....A causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratarse de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se Fl. 499DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 500 8 volta para um fim específico.” (MARTINS. Ives Gandra da Silva; MENEZES, Paulo Lucena de, Elisão Fiscal RDDT nº 63, dezembro 2010, p.159) Esse Contrato e o registro na contabilidade, portanto, seriam simulações de vontade, antecipadas pelas pessoas físicas que tinham, ao "transferir" o imóvel para a empresa de sua propriedade, o único escopo de evitar a tributação pelo "ganho de capital", nelas próprias. Dessa feita, não desconheço que haja tal Contrato, que aliás foi depois, no curso da fiscalização, descaracterizado pelas Diligências junto à compradora Valle Ltda, mas entendo que o mesmo deva ser superado e o negócio requalificado (nos termos da doutrina supracitada) para se concluir que a primeira venda, registrada na contabilidade da Garcia Ltda. não teve nenhum escopo econômico (ou o business purpose test, do direito tributário norte americano) e tal registro, assim como o Contrato, outra finalidade não visava que não contornar a tributação do ganho de capital nas pessoas físicas. Seria aceita como lícita a economia fiscal quando decorrente de negócio que, além de evitar o imposto, tivesse um objetivo negocial explícito. Quanto ao fato dos pagamentos terem sido feitos pela Valle Ltda na conta da empresa Garcia Ltda, já se apontara que havia uma confusão entre o dinheiro dos sócios e da empresa, nessas contas, tanto que, na alegada venda do terreno dos sócios à Garcia Ltda, não se conseguiu demonstrar efetivo pagamento, ou transferência de valores, por essa razão. (destacado no Termo de Verificação Fiscal, fl. 413) Quanto ao fato de ter noticiado à Receita Federal, na DIRPF/2008, a venda do terreno à Garcia Ltda., observo que a declaração de ajuste anual do imposto de renda é entregue no ano seguinte (exercício) e que no caso a mesma foi entregue depois dos fatos aqui em comento, logicamente informandoos da forma como convinha ao Recorrente. Não obstante, o imposto de renda é tributo sujeito a lançamento por homologação e as informações apresentadas pelo contribuinte não são definitivas, cabendo ao Fisco, dentro do prazo decadencial, homologálas ou não. Neste caso, nessa ação fiscal, o Fisco buscou demonstrar que as informações não correspondiam à realidade e não as homologou, com a lavratura deste Auto de Infração, em procedimento de ofício. Portanto, a DIRPF/2008 entregue unilateralmente não é "prova" de que a venda tenhase dado da forma como ali se dispôs. DA MULTA QUALIFICADA Na presente Ação Fiscal foi aplicada a multa de 150%, qualificada, enquadrada no artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, "é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco" (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Na lição de VENOSA: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 501 9 A fraude é vício de muitas faces. Está presente em um sem número de situações na vida social e no Direito. Sua compreensão mais acessível é a de todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir o Direito ou prejudicar interesses de terceiros. A máfé encontra guarida não só na fraude, mas também em outros vícios, como dolo, coação e simulação. (VENOSA. Silvio de Salvo, Direito Civil, 4ª ed. Parte Geral. Atlas: 2004, p. 505/506) Não existe uma "presunção" de infração, o que se encontrou aqui foi a simulação de um negócio jurídico, a partir da ausência de propósito negocial em uma alegada venda sobre a qual não conseguiu o contribuinte comprovar a efetividade. A finalidade única foi, então, a economia do imposto. Não há que se imaginar que tudo deuse sem intenção e planejamento dos agentes (dolo) e que essa intenção não envolvia a redução de carga tributária sobre os valores envolvidos. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Vejamos o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata especificamente da matéria: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. (...) A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e Fl. 501DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.720283/201201 Acórdão n.º 2801003.958 S2TE01 Fl. 502 10 recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014) Assim, a partir da análise do caso feita neste Voto e inclusive das lições dos Mestres, acima transcritas, entendo que houve, nos presentes autos, demonstrada intenção (dolo) de fraudar (simulação) o Fisco, autorizando a manutenção da multa, conforme aplicada. CONCLUSÃO Em razão do todo aqui exposto, VOTO por negar provimento ao recurso, mantendo a exigência fiscal. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 502DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11080.006685/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA.
Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
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NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2010 a 31/01/2012 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 66 85 /2 00 9- 18 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/200918 Acórdão n.º 3302002.854 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de lançamento de ofício de Cofins não cumulativa envolvendo períodos desde julho de 2005 até dezembro de 2007 (fls. 224 a 236 – Cofins e fls. 249 a 261). Conforme os relatórios de ação fiscal (fls. 240 a 248 e 265 a 273), constatouse que houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, cujos valores são o objeto do lançamento. No relatório, considerouse que a transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros é receita da fiscalizada, tendo sido citada a legislação de referência, em especial as Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ainda, seguindo o relatório, tais valores não podem ser confundidos com a exportação em si e a possibilidade desses valores serem excluídos da receita bruta só se deu a partir de janeiro de 2009, com a Lei 10.945/09. Ao efetuar a tributação, se estaria reestabelecendo o equilíbrio na operação. A empresa foi cientificada em 06/10/2009 (fl. 276). Irresignada, apresentou impugnação em 28/10/2009 (fls. 278 a 318). Indica que a produção da recorrente é, predominantemente exportada, com imunidade constitucional. Os respectivos créditos de ICMS podem ser transferidos. Transcreve o art. 149 da Constituição Federal e o art. 25 da Lei Complementar 87/96. Argumenta que os créditos de ICMS não podem ser considerados como receita bruta, tratandose de benefícios fiscais. Alega que não seria legítimo que a Constituição Federal assegure o princípio da não cumulatividade, imunizando exportações, para depois permitir a tributação pelo PIS e Cofins sobre os decorrentes créditos escriturados e transferidos. Tal situação apenas transferiria receita dos Estados para a União. Ainda de acordo com a impugnação, a tributação pelas referidas contribuições do crédito de ICMS da empresa exportadora seria um “bis in idem”, sendo que trata se de tributo embutido nos insumos pagos, porém restituível, conforme previsão constitucional e legal. Aduz que a matéria já estaria sendo superada no judiciário e, mesmo, nos julgados administrativos, transcrevendo decisões da justiça federal, TRF da 4a Região e do Conselho de Contribuintes. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/200918 Acórdão n.º 3302002.854 S3C3T2 Fl. 4 3 A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha a esta DRJ para apreciação. Em 14/06/2013, veio a empresa novamente aos autos, solicitando juntada de petição na qual noticia o julgamento pelo STF do Recurso Extraordinário nº 606107, proferido em sede de repercussão geral, consoante disposto no art. 543B do CPC, versando sobre a matéria objeto do presente processo administrativo. Compre registrar, também, que foi determinada a análise do processo no prazo de 30 (trinta) dias, nos autos do Mandado de Segurança nº 502673522.2013.404.7100/RS, impetrado pela empresa. Em decorrência, o processo administrativo foi encaminhado prioritariamente para apreciação. A decisão judicial foi anexada aos autos nas fls. 351 a 354. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1044.840, de 28/06/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS e a Cofins até a vigência dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS e a Cofins até a vigência dos arts.7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Ciente desta decisão em 02/07/2013 (conforme Termo de Abertura de Documento), a interessada ingressou, no dia 09/07/2013, com Recurso Voluntário, no qual renova os fundamentos da impugnação sobre a natureza da receita decorrente da cessão de crédito de ICMS e a obrigatoriedade do dos Conselheiros do CARF aplicarem a Portaria MF nº 586/2010 para reproduzir o julgamento do RE 606.107 pelo STF. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/200918 Acórdão n.º 3302002.854 S3C3T2 Fl. 5 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de auto de infração lavrado em razão da falta de inclusão, pelo autuado, a receita de cessão de crédito de ICMS, decorrente de exportação, na base de cálculo do PIS e da Cofins. Alega a Recorrente a necessidade da Turma de Julgamento reproduzir o julgamento do RE 606.107 pelo STF. Esta Turma de Julgamento enfrentou a matéria posta em julgamento na sessão de 24/07/2013, quando foi julgado o recurso voluntário contido no Processo nº 15586.001586/201085, cujo voto condutor do respectivo Acórdão nº 3302002.228, da lavra da Ilustre Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó tomo a liberdade de reproduzir na íntegra. DA TRIBUTAÇÃO DO PIS E COFINS SOBRE RECEITA DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS, CUJA NÃO INCIDÊNCIA SÓ TERIA OCORRIDO LEGALMENTE A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DE 2009 (LEI N° 11.945/2009). A discussão atinente à exigibilidade do PIS e COFINS sobre os valores referentes a transferência de crédito de ICMS para terceiros, por meio do Recurso Extraordinário nº 606107 interposto pela União Federal contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, que assentou não incidirem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96, foi submetida à sistemática de Repercussão Geral (tema 283), prevista no § 1º do art. 543A do CPC, com a redação da Lei 11.418/2006, por se tratar a questão de análise do conceito de receita, base econômica que delimita as contribuições PIS e COFINS, envolvendo, pois, o tema da competência tributária, tendo entendido a Ministra relatora Ellen Gracie tratarse de questão relevante do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassa os interesses subjetivos da causa. E nesta condição, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil CPC, referido RE 606107 foi julgado na sessão de 22 de maio de 2013, tendo sido proferida a decisão definitiva de mérito pelo o STF, cuja Ministra relatora, Rosa Weber, em seu voto, decidiu manter a decisão do Tribunal de origem, em seus próprios fundamentos, por entender, dentre outros argumentos, que os valores de créditos de ICMS decorrentes de exportações transferidos a terceiros não constituem receita tributável, mas custo/despesa recuperável, com a finalidade de desonerar a empresa exportadora. Ainda segundo a Ministra, o art. 149, §2º, I, da CF, aplicável ao PIS/Cofins, imuniza as receitas decorrentes de exportação, de modo que tais contribuições não devem incidir sobre os valores relativos dos referidos créditos de ICMS transferidos a terceiros. A Ministra citou alguns precedentes do STF (RE nº 217.233, RE 474.432, AgR no RE 327.414 e AgR no RE 205.355) e votou pelo desprovimento do recurso da União, tendo sido seguida pela maioria dos Ministros, vencido apenas o Ministro Dias Toffoli. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.006685/200918 Acórdão n.º 3302002.854 S3C3T2 Fl. 6 5 “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário, vencido o Ministro Dias Toffoli. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Luiz Carlos Martins Alves, Procurador da Fazenda Nacional, e, pela recorrida, o Dr. Danilo Knijnik. Plenário, 22.05.2013.” A Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências, estabelece em seu art. 62A, in verbis:. “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (Portaria MF nº 586/2010) Assim, tendo em vista o julgamento do mérito do RE 606107 pela sistemática da Repercussão Geral, referente à mesma matéria ora em litígio, aplicase as disposições do art. 62A do RICARF. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, objeto do lançamento, a referida receita de transferência onerosa de créditos de ICMS. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10840.904458/2011-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 58 /2 01 1- 62 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à COFINS, mercado externo, do terceiro trimestre de 2006, apurado de conformidade com o art.3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 170.146,10. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 298/311), constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa; 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos, sem apresentar os documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao respectivo crédito; 5 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 6 – Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa incluídas indevidamente no valor das exportações. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 5 4 Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 153.534,34 no trimestre, sendo que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 16.611,76, no mesmo período, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 313, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls.323/336. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de COFINS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defende os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime nãocumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditorfiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar e transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 6 5 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidente em suas aquisições. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, comprovadas com documentos hábeis e idôneos, geram direito ao crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.” Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 7 6 Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da Cofins devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme Lei nº 10.833, de 2003. iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho: “2 . Bens utilizados como insumos A este respeito, observo que a recorrente, muito embora tenha atacado todos os itens do lançamento de maneira genérica, especificamente reportouse a óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários para suas atividades, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal”. Importante destacar que a recorrente não se reportou especificamente a um determinado item, identificando os dados da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas incluídas no referido Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420). Concentrou seus protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em relação aos bens que entende se tratarem de insumos (aliás, assim também procedeu em relação aos demais itens do lançamento especificamente apontadas no recurso). Assim sendo, entendo que o julgamento também deve analisar a questão nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens indicados no auto de infração e termo de verificação pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição).” Verifico que na manifestação de inconformidade a contribuinte trata especificamente dos itens óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Quanto aos demais bens e serviços entendidos pela fiscalização como não integrantes do conceito de insumo, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro qual o seu entendimento sobre o conceito do termo “insumo”, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 9 8 Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. Vejase que no recurso voluntário, ela afirmou que “todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade”. Se todos os pontos controversos foram abordados, os não abordados, entre eles, o enquadramento dos bens e serviços excluídos do cálculo do crédito no conceito restritivo de insumo, são tidos como incontroversos. Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito de insumo é o mais restritivo, semelhante ao do IPI, e que não foi demonstrado, sequer argumentado, que algum bem o serviço específico, além daqueles citados acima, deveria ser enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente sobre todos os itens. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão recorrida. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Ressaltando que os pontos atacados na manifestação de inconformidade foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar suscitada. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da Cofins. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 11 10 ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 12 11 PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 13 12 manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 14 13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 15 14 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 16 15 Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 17 16 acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 18 17 Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi la de modo a não admitir o crédito apenas porque no período em discussão não houve exportação da canadeaçúcar. Conforme atestado no relatório fiscal, no período, houve venda de açúcar, que é produzido a partir da canadeaçúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido exclusivamente de álcool carburante. O fato de não ter havido exportação de canadeaçúcar repercute sim no rateio, mas não elimina o direito ao crédito. Por outro lado, no citado Relatório de Ação Fiscal, verifico afirmativa da autoridade fiscal de que a aquisição de óleo diesel não sofreu cobrança da contribuição, porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja direito ao crédito. Pelo exposto nesta seção: 1º) As aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, deve ser mantida a decisão administrativa quanto às exclusões referentes às aquisições de óleo diesel à alíquota zero. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 19 18 A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, de 2000, a receita da venda deste produto permaneceu fora da sistemática não cumulativa das contribuições, não integrando a base de cálculo da contribuição não cumulativa. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 20 19 O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 21 20 Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Fretes utilizados no transporte de canadeaçúcar No relatório fiscal verificase que a fiscalização constatou que a contribuinte apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de canadeaçúcar, como se fosse um insumo normal: aplicou a alíquota própria do sistema não cumulativo sobre os valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício. Ora, os valores dos fretes pagos à pessoa jurídica integram o custo de aquisição da canadeaçúcar e devem ter tratamento tributário igual ao desta, de modo que, assim como os valores das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas, os valores dos fretes destas aquisições devem ser incluídos no crédito presumido da indústria, devendo, por isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se depreende dos arts. 8º e 15 de Lei nº 10.925, de 2004, e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 2005: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 22 21 Correta a fiscalização que calculou os valores destes créditos da mesma forma dos créditos com aquisição de canadeaçúcar, alocando os valores na coluna “Mercado Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados para ressarcimento ou compensação. Despesas de armazenagem de produtos. A fiscalização reconheceu que as despesas de fretes e armazenagem sobre vendas ensejam direito a crédito, por isso aceitou a inclusão destas despesas no cálculo do crédito presumido. As despesas não reconhecidas referemse à locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação de produto álcool carburante para exportação, o qual se submete à incidência cumulativa da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme tópico específico acima. Tendo em vista que somente são permitidos descontos de créditos sobre despesas relativas a produtos sujeitos à contribuição nãocumulativa, conforme artigo 10, inciso VII, alínea "a", combinado com o art. 1º, parágrafo 3º, inciso IV e com o art. 3º, parágrafo 7º, da Lei nº. 10.833/2003, e art. 5º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008, agiu com acerto a autoridade fiscal em excluir do cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 23 22 II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904458/201162 Acórdão n.º 3801004.622 S3TE01 Fl. 24 23 Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. Nas demais matérias, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.006022/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO.
Cabível o agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixe de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.
As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamentem.
Numero da decisão: 1402-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e retificar o Acórdão 1402-001.694 para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e apreciá-lo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. Cabível o agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixe de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamentem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e retificar o Acórdão 1402-001.694 para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e apreciá-lo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Verificadas omissão e contradição no acórdão embargado, cumpre esclarecer a extensão do resultado do julgamento do recurso, sanando, assim, a omissão e a contradição levantadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configura qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 60 22 /2 00 9- 58 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 753 2 Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. Cabível o agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixe de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de defesa devem ser apresentadas com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamentem. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e retificar o Acórdão 1402001.694 para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e apreciálo nos seguintes moldes: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Carlos Pelá que votaram por dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 754 3 Relatório Cheff’s Bar e Lanches Comércio de Refeições Ltda ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 13ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): 1. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 205/213, tratase de crédito lançado contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação ao anocalendário de 2004, vez que em decorrência do procedimento fiscal realizado foi constatada omissão de receitas da atividade, de origem não comprovada, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais multa e juros), fls. 214/268. 2. Do conteúdo descrito no referido Termo de Verificação Fiscal e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: 2.1. O procedimento fiscal teve início em 30/01/2009, com a emissão de Termo de Início da Ação Fiscal (fls 03), cientificado pessoalmente ao Contribuinte na pessoa do sócio da empresa (José Rubens Garcia). Consta do referido Termo o código de acesso para consulta ao Mandado de Procedimento Fiscal no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da Internet. Ademais, o indigitado representante da Autuada recebeu uma via do MPF, consoante fls. 31. 2.2. Em 19/03/2009 foi emitida e recebida a Intimação n° 01, fls. 35/6, dando prazo de 10 (dez) dias para apresentação dos seguintes documentos, relacionados à movimentação financeira do ano de 2004: extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem às movimentações financeiras da empresa; documentação hábil a corroborar a escrituração fiscal/contábil e a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias de titularidade da empresa relacionadas em forma de planilha, fls. 35. 2.3. Em 31/03/2009, a empresa apresentou documentação, vide rol às fls. 37. 2.4. Em 31/03/2009, foi emitida e recebida a Intimação n° 02 (fls. 38/9) que, de fato, reintimou o Contribuinte para a prestação das informações solicitação por intermédio da Intimação n° 01, especificamente no atinente à conta de titularidade da empresa mantida junto ao Banco Bradesco S/A. 2.5. Às fls. 40/1, consta a Intimação n° 03, emitida em 18/05/2009, cientificada ao Contribuinte em 19/05/2009, via Aviso de Recebimento AR, fls. 42, por Fl. 754DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 755 4 intermédio da qual a Autoridade Fiscal reitera as solicitações constantes na Intimação n° 02. 2.6. Às fls. 43, consta Termo de Recebimento de Documentos n° 03 dando conta da apresentação de documentos anteriormente solicitados, extratos de movimentação bancária. Às fls. 44/71, foram anexados os extratos apresentados. 2.7. Em 10/06/2009 foi emitida a Intimação nº 04, fls. 72/3, cientificada ao Contribuinte em 15/06/2009, via Aviso de Recebimento – AR, fls. 74, solicitando a apresentação dos seguintes documentos: extratos bancários complementares relativos a todas às contas bancárias que deram origem às movimentações financeiras da empresa; documentação hábil a corroborar a escrituração fiscal/contábil e a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias de titularidade da empresa relacionadas atinentes à conta mantida junto Banco Bradesco S/A. 2.8. Às fls. 75/6 e 78/9, constam, respectivamente, as Intimações n° 05 e n° 06, emitidas, respectivamente, em 25/06/2009 e 30/07/2009, cientificadas ao Contribuinte em 26/06/2009 e 31/07/2009, via Aviso de Recebimento AR, fls. 77 e 80, por intermédio das quais a Autoridade Fiscal reitera as solicitações constantes na Intimação n° 04. 2.9. Às fls. 81/2, consta a Intimações n° 07, emitida em 03/09/2009, cientificada ao Contribuinte em 04/09/2009, via Aviso de Recebimento AR, fls. 83, por intermédio da qual a Autoridade Fiscal reitera as solicitações constantes na Intimação n° 04 e, adicionalmente, na forma de planilha, solicita esclarecimentos acerca de movimentações identificadas na conta mantida pela Autuada junto ao UNIBANCO S/A. 2.10. Ainda, por intermédio da Intimação n° 08, de 13/09/2009, cientificada ao Contribuinte em 15/10/2009, via Aviso de Recebimento AR, fls. 86, a Autoridade Fiscal reitera as solicitações constantes na Intimação n° 07. 2.11. Ademais, constam às fls. 87/98, documentos referentes às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, pertinentes ao procedimento fiscal em tela, cujos destinatários forma BANCO BILBAO VIZCAYA ARGENTARIA BRASIL S/A, BANCO BRADESCO S/A (Ag: 0313, Conta: 100.4999/Ag: 2826, Conta: 10.3381/Ag: 3114, Conta: 183.2034) e BANCO SANTANDER BRASIL S/A (Cta: 3530169 0081959800). 2.12. Em resposta, às fls. 99/160, foram anexadas às informações encaminhadas pelas instituições financeiras às supracitadas RMF. 2.13. Às fls. 171/3, consta a Intimação n° 09, emitida em 26/11/2009, cientificada ao Contribuinte em 30/09/2009, via Aviso de Recebimento AR, fls. 181, acompanhada dos anexos de fls. 161/170; 174/180 e 182/194, por intermédio da qual a Autoridade Fiscal solicita: comprovação, mediante apresentação de documentação hábil, os recursos depositados/creditados nas diversas contas que indica e pontualmente identificados pela Autoridade Fl. 755DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 756 5 Fiscal; esclarecimento sobre as funções exercidas pelo Sr. Alexandre Roberto da Silva na empresa em virtude dos poderes outorgados a este, consoante procuração acostada às fls. 116/7. 2.14. Às fls. 197, consta Intimação n° 001, em nome de Alexandre Roberto da Silva, datada de 09/12/2009, cientificada, via postal AR, em 12/12/2009, fls. 198, a partir da qual a Autoridade Fiscalizadora solicita esclarecimentos acerca das movimentações financeiras efetuadas em nome da Autuada enquanto procurador daquela e, ainda, esclarecer e comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados em tais movimentações. 2.15. Em resposta, às fls. 199, a indigitada pessoa física apenas informa que trabalhou exercendo cargo de confiança na Autuada sendo autorizado a movimentar a conta corrente da daquela, nada apresentando em termos de documentação. 2.16. Ademais, às fls. 203, encontrase o Termo de Sujeição Passiva Solidária, a partir do qual Alexandre Roberto da Silva, CPF 148.019.64877, nos termos do art. 124, c/c os artigos 135 e 137 do CTN e, ainda, art. 210, V, do Regulamento do Imposto de Renda RIR (Decreto n° 3.000/99), é considerado como solidariamente responsável pelos créditos lançados no presente processo e pessoalmente responsável pelas infrações à lei cometidas como procurador da empresa. 2.17. No referido Termo de Verificação Fiscal, após resumos dos acontecimentos ocorridos durante o procedimento fiscal, ratificando o não atendimento às Intimações efetuadas, especialmente a de n° 09, concluiuse que os valores de depósitos e/ou créditos consignados nas Intimações n° 08 e n° 09 foram originados de valores não registrados na escrituração fiscal da empresa, caracterizando, assim, a omissão de receita, conforme o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 2.17.1. A empresa apresentou em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples PJSI 2005, anocalendário de 2004, os valores estampados no item 1.8 do mencionado Termo, fls. 207. 2.17.2. Dos extratos bancários analisados, detectouse que muitos históricos de movimentações guardam relação com a receita da atividade da empresa. Os valores apurados a partir daqueles, constantes das Intimações n° 08 e n° 09, estão demonstrados no item '1.9' do Termo em epígrafe, fls. 207/8. 2.17.3. Assim, a receita total declarada pela Autuada perfez o montante de R$ 35.864,06, enquanto o montante total da movimentação financeira sem origem comprovada verificada perfez R$ 4.662.223,90. 2.17.4. Destarte, a Autuada deixou de recolher os tributos devidos na sistemática do SIMPLES sobre a base de cálculo de R$ 4.662.223,90, sujeitandose ao lançamento de ofício nos termos do art. 926 do RIR. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 757 6 2.17.5. Adicionalmente, informa a Autoridade Lançadora que em virtude do não atendimento às intimações supracitadas nos prazos marcados a penalidade restou agravada, nos termos do art. 959, I, do RIR. 2.17.6. Em virtude da constatação da ocorrência de excesso de receita bruta no anocalendário de 2004, tendo em vista o limite estabelecido pelo art. 2°, II, da Lei n° 9.317/96, foi formalizada a Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples, nos termos do art. 15, IV, da Lei n° 9.317/96, conforme fls. 273/5. 2.17.7. No atinente à sujeição passiva solidária estabelecida entre a Autuada e Alexandre Roberto da Silva, a Autoridade Fiscal assentou, no item '6.7' do Termo em epígrafe, que a ciência deste darseia em apartado pelo "Termo de Sujeição Passiva Solidária", acompanhado das cópias dos documentos componentes das autuações fiscais. 2.18. Integram o presente processo, além dos Autos de Infração por tributo e dos respectivos demonstrativos de multa e juros de mora, Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 01, os anexos com o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 214/5) e com o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 216/222), bem como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 223/8. 2.19. Foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal os seguintes discriminativos e documentos: (a) Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta e respectiva fundamentação legal (fls. 214/5); (b) Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 216/222) incidentes sobre os valores declarados, resultantes da aplicação dos percentuais corretos conforme discriminados no demonstrativo anterior; (c) Demonstrativo da apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 223/8), incidentes sobre a parcela referente à omissão de receitas; 2.20. Em 22/12/2009 foram lavrados os seguintes Autos de Infração, com os respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo dos valores devidos e de demonstrativo de multa e juros: Imposto de Renda Pessoa JurídicaSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 94.691,33; Auto de Infração, fls. 232/6 e demonstrativos, fls. 229/231; PIS Programa de Integração SocialSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 94.691,33; Auto de Infração, fls. 240/4 e demonstrativos, fls. 237/9; CSLL Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 151.542,89; Auto de Infração, fls. 248/252 e demonstrativos, fls. 245/7; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 758 7 COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 303.086,16; Auto de Infração, fls. 256/260 e demonstrativos, fls. 253/5; Contribuição para Seguridade Social – INSS – SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 619.058,15; Auto de Infração, fls. 264/8 e demonstrativos, fls. 261/3. 2.20.1. Anotase que consta, no bojo de cada Auto de Infração, a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). 2.20.2. Destacase que o enquadramento legal da multa de ofício aplicada, encontrase no artigo 44, I, contudo, nas circunstâncias que ensejaram o agravamento da multa, a fundamentação está insculpida n o artigo 44, I, c/c art. 44, § 2°, todos da Lei n° 9.430/96, e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado consta do artigo 61, § 3°, da mesma Lei anteriormente referida. 2.21. O Contribuinte foi cientificado, via postal, do Termo de Verificação, de todos os Autos de Infrações e do Termo de Encerramento em 23/12/2009, conforme AR acostado às fls. 271. O Termo de encerramento da Ação Fiscal foi juntado às fls. 269/270. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 3. O sujeito passivo apresentou, tempestivamente (fls. 477), impugnação às autuações (fls. 277/318). Suas alegações, em síntese, foram: 3.1. Apesar de a Impugnante, diligentemente, ter apresentado toda a documentação solicitada a Autoridade Fiscal procedeu à quebra do sigilo bancário da Insurgente, mediante emissão da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) junto ao Banco Bradesco, em total afronta aos princípios basilares que asseguram a intimidade e o sigilo de dados, como estampado nos incisos X e XII, do art. 5°, da Constituição. 3.2. Com base nas informações solicitadas a referida Autoridade constatou movimentação bancária, por procuração, efetuada pelo Sr. Alexandre Roberto da Silva, CPF n° 148.019.64877, funcionário da empresa que exercia cargo de confiança junto à Impugnante e movimentou valores na conta corrente daquela, contudo nunca em seu próprio proveito. 3.3. Ademais, sendo os sócios da Defendente pessoas simples, de pouca instrução, e afirmando que a lanchonete da qual são proprietários lhes proporciona baixíssimo rendimento, apenas para a subsistência, confiaram ao indigitado funcionário, contratado com o fim específico de assessoramento para movimentações financeiras, a movimentação da conta corrente da empresa. 3.4. Alega, ainda, que foi esclarecido que o dito funcionário não possuía registro profissional, sendo mantido na informalidade. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 759 8 3.5. Ademais, assevera que a maior parte da movimentação financeira se refere, em princípio, aos tíquetes que comercializava, restandolhe apenas um pequeno deságio, referente a 1% (um por cento) do faturamento verificado (sic). 3.6. Ressalta que tais movimentações financeiras forma sempre realizadas por conta e ordem, e em benefício, do contribuinte, mas tais não compunham, de nenhuma maneira, a renda do estabelecimento comercial, pois repassadas, invariavelmente, às operadoras de tíquetes. 3.7. Ataca, ainda, o fato de que as constatações da Autoridade Fiscal se deram com base em documentos obtidos por meio ilícito e, portanto, inadmissíveis no processo, por disposição constitucional insculpida no art. 5°, LVI, sendo defeso à referida Autoridade requerer extratos bancários ou, ainda, outros documentos, tais como instrumentos de mandato apresentados pelo contribuinte à instituição financeira contratada. 3.8. Articula, em adição, que apesar da considerável movimentação financeira apresentada pela Impugnante, decorrente de recebimentos das empresas de "tickets", os custos suportados pela Impugnante são igualmente altos, de modo que em hipótese alguma os valores creditados como lucro podem ser considerados como base de cálculo para qualquer tributo federal. 3.9. De outra banda, sustenta que, no transcurso do procedimento fiscal, informou que foi vítima de contumazes e reiterados roubos em seu estabelecimento comercial, razão pela qual deixou de apresentar alguns documentos que seriam aptos a prestar os devidos esclarecimentos, pois que extraviados. 3.10.No desenvolvimento de seu raciocínio, torna a enfatizar a evidente discrepância entre as enormes quantias supostamente movimentadas e sua condição de microempresa, sendo totalmente sem cabimento a conclusão de que a Impugnante teria condições de realizar tantas aquisições. 3.11.Ademais, pormenoriza a "operação de desconto" que efetuava quando da "compra" dos tíquetes (vale refeição), para ratificar que os valores movimentados em suas contascorrente não compõe o seu faturamento, senão no quanto referente ao "deságio" (equivalente a 1% do valor total) cobrado na referida "operação". 3.12.Em complemento, entende por inadmissível a exigência de conhecimento técnicotributário de pessoas simples, como os sócios da Autuada, que são acostumados à informalidade inerente à cultura de seus pares, quando mesmo aqueles com conhecimento na área jurídica ou contábil enfrentam dificuldades face a complexa legislação tributária pátria. 3.13.Como preliminar de nulidade, torna a enfatizar que a Autoridade Fiscal utilizouse de meios não admitidos pelo ordenamento no desenvolvimento do procedimento fiscal que culminou nas combatidas lavraturas, mencionando, especialmente, a quebra do sigilo bancário. Colaciona jurisprudência anterior à Lei Complementar n° 105. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 760 9 3.14.Quanto à questão de fundo, erige o argumento de que os valores creditados em suas contascorrente não se enquadram no conceito de receita, trazendo como suporte opiniões doutrinárias e, em conclusão, assevera que receita é somente aquele ingresso que se incorpora ao patrimônio do contribuinte. Colaciona julgado administrativo. 3.15.Abordando a questão da presunção, mormente quanto à previsão do art. 42 da Lei n° 9.430/96, após discorrer longamente sobre o tema, expressa o entendimento de que a presunção jamais poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, devendo esta apoiarse na repetida e comprovada correlação natural de dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. 3.16.Do exposto, conclui que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Colaciona doutrina e afirma que a presunção legal estribada em depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada em experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade de produção de provas. 3.17. De outro giro, combatendo a sujeição solidária passiva estabelecida entre a impugnante e o Sr. Alexandre Roberto da Silva, ratifica que este era mero empregado da Defendente, sem registro, que apenas movimentava, por conta e ordem da insurgente, as respectivas contascorrente desta. 3.18. Contraditando a multa de ofício imposta, argumenta que não houve qualquer irregularidade ou infração praticada pela impugnante que ensejasse a imposição de multa correspondente a 112,5% do valor do tributo, sendo tal imposição abusiva e confiscatória, restando feridos os preceitos constitucionais plasmados no art. 5°, XXII e no art. 150, IV. 3.19. Sustentando que o intuito da vedação ao confisco é a defesa da propriedade privada, tal princípio abrange tanto a imposição de tributo quanto a aplicação de penalidade. Colaciona doutrina e jurisprudência. 3.20. Articula, ainda, violação ao princípio da proporcionalidade, vez que inexiste a razoável compatibilidade entre a sanção prevista e a violação na qual incorreu a Impugnante. 3.21. Por falta de previsão legal expressa, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Colaciona jurisprudência. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 761 10 3.22. Alega, ademais, que em virtude de o CTN prever a incidência de juros no percentual de 1%, resta desconforme o ordenamento a cobrança de juros com base na taxa SELIC. Escorase em jurisprudência colacionada. 3.23. Pelo exposto, requer que seja acolhida e provida a Impugnação apresentada a fim de que seja julgada improcedente a lavratura dos presentes Auto de Infração, com o consequente cancelamento do débito em epígrafe e arquivamento do processo administrativo correspondente. 3.24. Por fim, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas exclusivamente em nome dos patronos que nomeia. DA IMPUGNAÇÃO DO SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL 4. Às fls. 393/443, encontrase a Impugnação de Alexandre Roberto da Silva que, sumariamente, apresenta os seguintes argumentos novos, vez que no mais apenas ratifica os argumentos apresentados na defesa da Autuada (mesmo conteúdo e patronos): 4.1. Apresenta breve resumo dos acontecimentos relevantes do processo, fazendo menção específica à intimação dirigida o ora Impugnante com relação a qual apresentou a sua resposta na qual assenta a informação de que exerceu cargo de confiança, com autorização para movimentação dos valores na conta corrente da Autuada, nunca em proveito próprio, requerendo a retirada do seu nome do presente processo. 4.2. Ademais, enfatizando a tese de que a inclusão do ora Impugnante no processo em epígrafe teve por base documentos obtidos por meio ilícito e, assim, inadmissíveis no processo em virtude do preceituado no art. 5°, LVI, da Constituição Federal e, ainda, por desrespeito aos incisos X e XII do mesmo indigitado artigo constitucional. 4.3. Complementa arguindo que a aplicação dos artigos 197 e 198 do Código Tributário Nacional, inclusive o § 1° do art. 145 da Constituição, que permitem às Autoridades Administrativas a obtenção das informações necessárias à fiscalização, devem limitarse aos direitos individuais supracitados. 4.4. Aprofundando seu raciocínio acerca da defendida garantia constitucional atinente ao sigilo bancário, suscita a Lei Complementar n° 105 e o Decreto n° 3.724/01, não havendo qualquer prova da existência de interesse público relevante a quebra de sigilo bancário verificado no caso em tela viola direito individual e implica em desrespeito à garantia estampada no princípio do devido processo legal. Colaciona jurisprudência anterior à edição da supracitada Lei Complementar n° 105. 4.5. Finaliza afirmando que não houve presunção de delito ou crime para se requer a quebra de sigilo bancário da empresa fiscalizada, já que baseado em mero "palpite" ou jogo de adivinhação da Autoridade Fiscal desprovido de qualquer elemento concreto de irregularidade, não justificando a adoção de medida drástica e incompatível com os direitos e garantias individuais. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 762 11 4.6. No tocante à responsabilidade pessoal imputada ao ora Impugnante, com fulcro no art. 135 do CTN, afirma não ter incorrido em nenhuma das hipóteses previstas no referido artigo não tendo a Autoridade Lançadora demonstrado a respectiva subsunção ao propor a sujeição passiva de terceiro estranho ao processo. 4.7. Diante do que expõe, requer a exclusão do ora Impugnante como sujeito passivo solidário do pólo passivo da presente demanda. 4.8. Diante do que apresenta, requer sejam desconsideradas as informações bancárias extraídas da conta corrente da Autuada, em especial a procuração outorgada ao ora Impugnante por estar este em descompasso com as previsões do art. 5°, I, 'a' e 'b', do Decreto Federal n° 3.724/01. 4.9. Em adição, requer o reconhecimento do Impugnante como parte absolutamente ilegítima, com a imediata exclusão deste do pólo passivo do presente processo, deixando de constar como sujeito passivo solidário. 4.10. Por fim, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas, exclusivamente, em nome dos patronos que nomeia. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA A EXCLUSÃO DO SIMPLES 5. Às fls. 478/9, foi acostado o Ato Declaratório executivo DERAT/SPO n° 59/2010 e a respectiva Intimação, cuja ciência do Sujeito Passivo se deu, via postal, em 02/10/2010, com efeitos a partir do dia 01/01/2005 em virtude de a receita bruta no anocalendário de 2004 ter ultrapassado o limite legal. 5.1. A Impugnante hostilizou tempestivamente o indigitado Ato Declaratório, consoante fls. 512, por intermédio de Manifestação de Inconformidade, fls. 483/506, erigindo, em síntese, os seguintes argumentos: 5.1.1. A situação excludente expressada no Ato Declaratório combatido encontrase em discussão administrativa, ainda pendente de decisão e, consequentemente, seus efeitos estão suspensos sob pena de ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Apóiase em doutrina que reproduz. 5.1.2. No tocante à origem dos valores identificados como receitas omitidas, reapresenta os argumentos discorridos na Impugnação apresentada contra os Autos de Infração consubstanciados no presente processo. 5.1.3. Ratifica os argumentos atinentes à inexistência da incidência tributária e descaracterização das receitas com base nos depósitos bancários apresentados na Impugnação interposta contra os créditos tributários discutidos. Apresenta julgado administrativo. 5.1.4. Diante do exposto, requer seja acolhida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja julgado completamente Fl. 762DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 763 12 improcedente o Ato Declaratório, bem como o posterior arquivamento do processo administrativo correspondente. 5.1.5. Por fim, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas, exclusivamente, em nome dos patronos que nomeia. DO JULGAMENTO 6. Em 06 de fevereiro de 2012, foi proferido no presente processo o Acórdão DRJ/SP 1 n° 1636.033, emanado desta 13a Turma, fls. 525/558, tendo como relator o mesmo deste Acórdão, que teve por resultado a Impugnação Procedente em Parte, acatada a exclusão do pólo passivo do sr. Alexandre Roberto da Silva, e o Crédito Tributário Mantido. 6.1. Entretanto, na data de 10/02/2012, antes de cientificado o Contribuinte do indigitado Acórdão, sobreveio a ciência, primeiramente informada à DERAT/SPO, da existência do Mandado de Segurança, processo n° 001175316.2010.403.6100, impetrado pela Impugnante contra a RFB, com decisão monocrática proferida em 03/02/2012, ainda não transitada em julgado (fls. 559/572). 6.2. Em consequência, fezse necessária apreciação do conteúdo debatido no referido processo judicial que culminou na alteração do conteúdo decisório expressado no presente Acórdão, vez que constatouse identidade de objeto discutido nas duas esferas (administrativa/judicial). 6.3. Destarte, o conteúdo deste Acórdão sobrepõese, integralmente, ao do Acórdão DRJ/SP 1 n° 1636.033, que deixa de produzir efeitos. É o relatório. A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 36.634 (fls. 575604) de 14/03/2012, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento apenas para excluir do pólo passivo o coobrigado, Sr. Alexandre Roberto da Silva. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal – PAF Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 764 13 IMPUGNAÇÃO ACOMPANHADA DE PROVAS. NÃO ATENDIMENTO. A Impugnação, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, deve ser apresentada com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamente precluindo o direito de apresentar as provas que possuir em outro momento, excetuadas as previsões legais expressamente ressalvadas, conforme art. 16 e § 4° do Decreto 70.235/72. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA QUANDO HÁ IDENTIDADE DE OBJETOS. Por força do Princípio da Unidade Jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de objetos idênticos, operase a renuncia à discussão administrativa. No entanto, as discussões suscitadas apenas no âmbito administrativo deverão ter seu prosseguimento normal, com a finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO. Correta a aplicação do agravamento da multa nos casos em que o Contribuinte, embora regularmente intimado, deixa de atender às intimações da Autoridade Fiscal no prazo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 765 14 Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei n° 9.430/1996. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O art. 265 do Código Civil, Lei n° 10.406/02, define que a solidariedade não se presume, resultando da lei ou da vontade das partes. Para caracterização da solidariedade passiva tributária deve haver perfeita subsunção dos fatos às normas, com evidenciação das situações reclamadas pelo ordenamento ou indícios suficientes que permitam tal colmatação com grande grau de certeza. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações ao escritório dos procuradores em razão de inexistência de previsão legal para intimação em endereço diverso do domicílio do sujeito passivo.” Contra a aludida decisão a interessada foi cientificada em 14/09/2012 (A.R. de fl. 625) e o coobrigado, Sr. Alexandre Roberto da Silva, em 17/09/2012 (A.R. de fl. 626). A interessada interpôs recurso voluntário em 16/10/2012 (fls. 627664) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. O recurso foi apreciado por esta Turma, na sessão de 08/05/2014, sendo proferido o acórdão 1402001.694, que, por unanimidade de votos, não o conheceu face à sua intempestividade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Quando da formalização do voto percebi que, por lapso, anotei a data de protocolo do recurso como sendo 18/10/2012, quando a correta é 16/10/2012 conforme carimbo aposto à fl. 627 dos autos. Tal lapso levoume a encaminhar meu voto no incorreto sentido de não conhecer do recurso por intempestivo. Na seqüência, opus os Embargos de Declaração de fls. 736/737. É o relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 766 15 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Admitidos, os embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes para ratificar o Acórdão embargado nos termos deste Voto. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da discussão judicial De início, há que se consignar que a Autuada impetrou Mandado de Segurança nº 001175616.2010.403.6100 a fim de solicitar a declaração de nulidade das informações e documentos obtidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB junto aos Bancos Bradesco e Unibanco, requerendo a desconsideração destas para fins de fiscalização no âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08190002009002404, processo administrativo nº 19515.006022/200958. Com efeito, a sentença monocrática concedeu a segurança solicitada afastando a aplicação do art. 5º, § 4º e § 6º, da Lei Complementar nº 105/01. Nessa esteira, em virtude da ação judicial interposta, a DRJ considerou a renúncia à via administrativa, no que toca ao direito de recorrer, bem como desistência da Impugnação apresentada, na parte em que verificada a identidade de objeto com a indigitada ação judicial. Assim se pronunciou aquela instância julgadora. Com efeito, não poderá ter prosseguimento reclamação ou recurso administrativo que veicule pedido com o mesmo objeto do formulado em ação judicial. A opção do sujeito passivo em submeter a controvérsia à tutela do Poder Judiciário faz presumir a renúncia ao seu direito de ver apreciada a mesma matéria na esfera administrativa. Frisese, adicionalmente, que tendo por esteio o previsto no art. 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, in verbis, o lançamento, consubstanciado no processo em epígrafe, deve seguir com tramitação normal, exceto quanto aos atos executórios, até ao ponto em que deva se ater à futura decisão judicial que transite em julgado. Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 767 16 Ademais, observase que na Impugnação apresentada também foi trazida matéria distinta da discutida em juízo, tendo o sujeito passivo direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada. Nada mais lógico, digase de passagem, pois a existência de ação judicial não deve prejudicar, ipso facto, o controle da legalidade dos atos administrativos, dentre os quais figura como espécie o lançamento tributário. Assim, deixase de se analisar no presente Voto, tãosomente, as matérias referentes à alegação de quebra do sigilo bancário, com fulcro na Lei Complementar nº 105/01. Ademais, mesmo sabendose que a decisão acerca do quanto discutido em juízo é matéria prejudicial às demais matérias articuladas no Recurso, com o intuito de respeitar plenamente as garantias ao contraditório e à ampla defesa, estas últimas serão apreciadas. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 205/213) permite a constatação de que a Autoridade Autuante narrou, com clareza e coerência, os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. Constam do referido termo os dispositivos legais que fundamentaram os Autos de Infração lançados, estando ainda presentes no processo administrativo os demonstrativos de cálculo dos tributos devidos. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação ao Contribuinte/Solidariamente Responsável, tendolhes sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificados do lançamento, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados nas Impugnações apresentadas em 22/01/2010 (fls. 277/318 e 393/443), nas quais demonstraram conhecer plenamente os fatos que lhes foram imputados. Assim, tendo Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 768 17 sido os interessados regularmente cientificados do lançamento e dos relatórios componentes, inexiste qualquer omissão nesse sentido. Ressaltese que o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Verificado que o Sujeito Passivo conhecia a origem dos tributos lançados, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, tendolhe sido concedido o tempo hábil (prazo legal) para apresentar suas contrariedades, não há que se cogitar em cerceamento do respectivo direito de defesa. Da natureza dos depósitos não comprovados e das meras alegações. Quanto aos valores considerados como receitas omitidas, que deram azo aos lançamentos tributários sub examine, a Recorrente alega, em síntese, que tais valores foram oriundos do “desconto de tíquetes” e, por conseguinte, não se enquadrariam no conceito de receita, vez que não se incorporaram no seu patrimônio (traduziramse em meros repasses às operadoras dos tíquetes). Ademais, contesta a presunção trazida pelo previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96 vez que não é possível estabelecer correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos, sendo o encargo probatório totalmente transferido para si. Nesse passo, adoto os fundamentos da decisão de piso como razão de decidir na forma a seguir apresentada. De início, ressaltese que a receita bruta, base de cálculo da tributação para os optantes pelo SIMPLES, compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Assim, partindose do conceito contábiltributário acima expressado e que traduz a inteligência do § 2º, do art. 2º da Lei nº 9.317/96, há de se concluir, de plano, que a íntegra do resultado operacional da empresa, ainda que decorrente de transações de conta alheia, amoldase, perfeitamente, ao conceito jurídico de receita para os fins ora abordados. De toda sorte, cabia à Recorrente demonstrar, com comprovação por meio documental hábil e suficiente, a composição dos valores verificados nas contascorrentes de sua titularidade, especialmente os concernentes aos créditos, presumidamente entendidos como receitas omitidas, para que, somente então, fosse possibilitado o conhecimento e a apuração da sua efetiva receita bruta. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 769 18 Assim, ao desatender à solicitação detalhada expressada na Intimação n° 09, fls. 161/180, a Defendente deu azo à incidência da presunção legal, adiante abordada, plasmada no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em adição, ao questionar os créditos tributários decorrentes da supracitada presunção legal sem comprovar as alegações aludidas na sua peça vestibular de defesa, a Insurgente desatendeu norma cogente, vez que o art. 16 do Decreto n° 70.235/72, especialmente em seu inciso III e § 4°, determina que a defesa, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, será apresentada com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamente precluindo o direito de apresentar as provas que possuir em outro momento, excetuadas as previsões legais expressamente ressalvadas. Ainda, revelamse sem efeitos práticos as meras alegações erigidas pela Defendente, especialmente quando alega que a maior parte da movimentação financeira referir seia ao mero repasse dos valores dos tíquetes que comercializava (assemelhada à operação de desconto), do que lhe restava apenas um pequeno deságio, referente a 1% (um por cento) da receita presumida, vez que desprovida de qualquer comprovação. Não tendo a Interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos alegados ou atacados, ficam por sua conta e risco as consequências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme vaticinado no artigo 136 do Código Tributário Nacional. Ademais, sabendose que a Recorrente, para o exercício em referência, era optante pelo SIMPLES, insta observar que, por expressa disposição legal, estava obrigada a manter em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros obrigatórios: Caixa e Registro de Inventário (art. 7°, § 1°, da Lei n° 9.317/96). Ainda, meras alegações, desprovidas de comprovação hábil e idônea, de lucro diminuto e da inexistência de acréscimo patrimonial mostramse insuficientes para afastar as debatidas autuações. De outra banda, igualmente não merece guarida a articulação respeitante ao desconhecimento técnicotributário dos sócios da Recorrente já que, em virtude do vaticinado no art. 3° do DecretoLei n° 4.657/42, Lei de Introdução ao Código Civil, "ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Da presunção de omissão de receitas. A fim de abordar a questão suscitada pela Defendente quanto à previsão constante do art. 42 da Lei n° 9.430/96, vale lembrar que toda presunção, em apertada síntese, é consequência deduzida de um fato conhecido para possibilitar a aferição/conhecimento de um fato desconhecido. Indício é todo rastro, vestígio, circunstância, suscetível de conduzir, por inferência, ao conhecimento do fato desconhecido. Um único elemento indiciário, via de regra, não tem qualquer valor, vez que tal sugere que algo aconteceu, mas é insuficiente para caracterizar o fato que se quer provar. Entretanto, vários indícios, indicando na mesma direção, Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 770 19 fazem prova do fato probando. O fato conhecido (indício) provoca uma atividade mental, por via da qual se pode chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. Como resultado de citado exercício mental chegase a uma presunção, que compreende um processo lógico, um raciocínio pelo qual, da existência de um fato reconhecido como certo, se deduz a existência do fato que se quer provar. A presunção é o resultado do raciocínio, que se guia nos conhecimentos gerais universalmente aceitos e por aquilo que ordinariamente acontece para chegarse ao conhecimento do fato probando. Ademais, as presunções são geralmente divididas em legais (normalmente subdividida em absoluta e relativa) e simples. Haja vista que a questão em foco aborda presunção legalmente prevista, o presente Voto debruçarseá, tãosomente, sobre as presunções legais. Relevante mencionar o posicionamento (classificação) apresentado por Maria Rita Ferragut (A Prova no Processo Tributáiro. Coordenadores: Marcos Vinícius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi, Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética, 2010, pp. 111/138.), que divide a presunção legal em hominis e relativa e, explicando a primeira, assim esclarece: A presunção hominis caracterizase, portanto, como uma proposição individual e concreta reveladora de um raciocínio lógico presuntiva realizado pelo aplicador da norma, que, a partir do conhecimento de indícios, da inexistência de provas em sentido contrário a eles, e da relação de implicação estabelecida segundo o que ordinariamente acontece, forma sua convicção, declarando normativamente a existência de fato jurídico indiretamente conhecido. (original sem destaques) Em tais casos, a lei estabelece, com base no quanto observado de forma reiterada nos casuísmos concretos baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário esta a cargo do contribuinte , a ocorrência do fato probando. Observese que a abordada inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita pelo ordenamento jurídico pátrio, constando, inclusive, prevista no artigo 334, IV, da Lei n° 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil CPC), cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: ... IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Ademais, tornando a citar a opinião expressada por Maria Rita Ferragut (A Prova no Processo Tributário. Coordenadores: Marcos Vinícius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi, Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética, 2010, pp. 111/138.): (...) a presunção hominis estabelece conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa da perspectiva jurídica. Segundo entendemos, inexiste diferença entre as provas diretas e indiretas no que concerne à certeza jurídica, já que ambas constituem verdade suficiente e nenhuma confere certeza absoluta da Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 771 20 ocorrência fenoménica do evento descrito no fato. As duas espécies de prova apenas transformam, em linguagem competente, a versão dos eventos, já que este é inatingível por terse esgotado no tempo. (original sem destaques) Desta sorte, emerge preclaro: a combatida previsão estampada no art. 42 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu a presunção legal (hominis) de que os valores creditados em conta corrente ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, quando não comprovada a sua origem por meio de documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Por relevância, transcrevese o artigo legal. Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (grifei) Diante do exposto, repisese, a aventada presunção legal ganha espaço somente e na medida em que os créditos verificados nas contas bancárias do Contribuinte restem não esclarecidos/comprovados por documentação necessária e suficiente. Ressaltese que se aplicam à Autuada todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abarcados pela sistemática do SIMPLES, desde que tais omissões sejam apuráveis com base nos livros e documentos a que estiver obrigada a Contribuinte, por força do art. 18 da citada Lei n° 9.317/96. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 772 21 Destarte, o princípio no qual se fundamentam as disposições constantes do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, consiste, justamente, no fato de que a manutenção de escrituração regular e da documentação suporte daquela leva à comprovação da origem dos créditos em conta corrente bancária do Contribuinte, cumprindo ao Fisco, nesse caso, apenas verificar o devido oferecimento à tributação dos ingressos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. Ausente documentação hábil e idônea a comprovar a origem dos depósitos bancários, em virtude da propalada presunção legal, estarseia à frente de ingressos à margem da escrituração, hipótese presumível e legalmente indicativa de omissão de receitas, sendo referida parcela distinta daquela eventualmente objeto de identificação na escrituração e/ou nos documentos mantidos pela pessoa jurídica. Neste ponto, observase que a Autoridade Fiscal diferenciou, perfeita e objetivamente, os valores considerados declarados e a parcela referente à omissão de receita, por intermédio dos seguintes demonstrativos: · Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 216/222) incidentes sobre os valores declarados, resultantes da aplicação dos percentuais corretos conforme discriminados no demonstrativo anterior; · Demonstrativo da apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 223/8), incidentes sobre a parcela referente à omissão de receitas; Assim, a caracterização da ocorrência do fato gerador em discussão não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação e o fato desconhecido auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o valor creditado em conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Observese, contudo, que não se desobriga a autoridade de comprovar o(s) fato(s) que dá(ão) origem à omissão de receitas ou aquele definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum a militar em favor do Fisco. A carga probatória atribuída à Administração Tributária nos casos da presunção legal em tela resumese em demonstrar que o Contribuinte, apesar de intimado, não comprovou a origem dos depósitos bancários. A relação causaefeito decorrente do fato verificado e a consequência da inação da Autuada no eficiente esclarecimento solicitado é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova, cabendo ao Sujeito Passivo da relação jurídica evidenciar que a prática do ato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Assim, intimada a Contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete a esta, e não ao Fisco, demonstrar a origem de cada um dos depósitos questionados, se quiser eximirse da ilação legal prevista, ou, ainda, comprovar que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 773 22 No presente caso, conforme consta dos autos e acima articulado, a Autoridade Fiscal intimou a Autuada para comprovar a origem de depósitos em contas bancárias, indicou as instituições bancárias e as respectivas contas, histórico e valores transacionados, tudo objetiva e claramente demonstrado, na forma de planilhas (fls. 161/180), e não foi atendida pelo Sujeito Passivo. Neste ponto, merece ser esclarecido, em virtude de alegações da Recorrente quanto à inexistência de sinais exteriores de riqueza, que não se estão tributando os depósitos bancários nem, tampouco, que sejam estes fato gerador dos tributos lançados. O objeto da tributação em epígrafe é uma importância financeira à disposição da Fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, foi considerada receita omitida, por disposição legal expressa, segundo a legislação acima reproduzida. Em consequência, sabido que a Contribuinte era optante pelo SIMPLES, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, correspondeu à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo mencionado Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Em adição, há de ser enfatizado que além de a Defendente não ter comprovado a origem dos indigitados depósitos durante o procedimento fiscal, consoante predito, juntamente com a Impugnação e com o Recurso, mais uma vez, apenas apresentou argumentos desacompanhados de provas necessárias, suficientes e cabais. Diante de tudo quanto articulado, tendo o procedimento fiscal observado amplamente à legislação de regência e permanecendo a Recorrente inerte no tocante à comprovação da origem dos rendimentos presumidos como receita tributável auferida, despidos de qualquer mácula, não merecem reparo os lançamentos ora em apreço. Da legalidade da multa de ofício. Contraditando a multa de ofício imposta, a Defendente argumenta que não houve qualquer irregularidade ou infração praticada que ensejasse a imposição de multa correspondente a 112,5% do valor do tributo, sendo tal imposição abusiva e confiscatória, restando feridos os preceitos constitucionais plasmados no art. 5°, XXII e no art. 150, IV. Ademais, sustenta ter havido no caso violação ao princípio da proporcionalidade, vez que inexistente a razoável compatibilidade entre a sanção prevista e a violação na qual incorreu a Impugnante. Primeiramente, é de se observar da análise dos demonstrativos de multa e juros de mora, anexos dos Autos de Infração, que sobre os valores de receita declarados pelo Contribuinte foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, conforme previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (insuficiência de recolhimento). Já a multa de 112,5%, prevista no § 2° do mesmo artigo, foi aplicada, somente, para o caso de omissão de receitas não esclarecidas pelo Sujeito Passivo, apesar de regulamente instado para tanto. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 774 23 De outro prisma, diante dos argumentos aduzidos na matéria da multa de ofício aplicada no percentual de 112,5%, cabe, de início, esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Demais disso, não compete à Autoridade Administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constitucional Federal, art. 102. Adicionalmente, tendo em vista o vaticinado no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, é legalmente vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Destarte, a Autoridade Administrativa que subscreve a presente decisão só pode deixar de aplicar determinado ato legal se o mesmo tiver sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com eficácia erga omnes, ou se houver resolução do Senado suspendendo a eficácia da aplicação deste dispositivo legal, ou, ainda, se tiver sido determinada a extensão dos efeitos de decisões com este conteúdo pelo Presidente da República, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. Assim, não se encontrando presente no caso vertente quaisquer destas situações, não há como se acolher à inconstitucionalidade aventada na peça de defesa quanto aos encargos moratórios. Assim, tendo em vista que o fundamento da atacada penalidade encontra amparo na previsão constante do art. 44, I c/c § 2°, I do mesmo artigo, da Lei n° 9.430/96, norma em vigor, não há como a Autoridade Julgadora, vinculada à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos. Por relevância, reproduzse as previsões citadas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Em adição, não se pode olvidar que o agravamento da multa de ofício para o percentual de 112,5%, decorreu do não atendimento às intimações para a apresentação dos extratos de movimentações financeiras e, especialmente, para a prestação de esclarecimentos quanto à origem dos depósitos bancários detectados em conta corrente de sua titularidade e questionados pela Autoridade Fiscalizadora, a partir das informações fornecidas pelas instituições financeiras. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 775 24 A causa a ensejar o agravamento da penalidade consiste na evidência de embaraço ao célere desenvolvimento do procedimento fiscal tendente à apuração de eventual crédito tributário, diante da falta de apresentação dos esclarecimentos solicitados. No presente caso, não paira dúvidas de que as omissões praticadas pela Autuada acarretaram maior ônus procedimental à Fiscalização que, se não teve por inviabilizada a apuração do crédito tributário reputado devido, no mínimo, enfrentou maior retardo e dificuldade no conhecimento e na apuração dos fatos jurígenos tributários envolvidos no caso. Demais disso, a Autoridade Fiscal bem consignou, especialmente no item '4.1' do Termo de Verificação Fiscal, fls. 210, os fatos que ensejaram a subsunção da conduta omissiva da Impugnante ao agravamento da multa prevista no art. 959, I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, que traduz a inteligência do quanto previsto no art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Diante do raciocínio expendido, não merece reparo a aplicação da multa no percentual de 112,5%, conforme efetuado e demonstrado pela Autoridade Lançadora, vez que pautado no ordenamento de regência e bem configuradas as circunstâncias fáticas que permitiram a perfeita colmatação destas à norma. Dos juros calculados à taxa SELIC No que tange aos argumentos da Recorrente de que a taxa SELIC seria inaplicável no presente lançamento, cabe observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95, não cabendo à instancia julgadora administrativa apreciar a validade da norma. Ademais, tal matéria já está sumulada neste Conselho (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Cabível, portanto, a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio A Recorrente questiona a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que amparam sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 776 25 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está, pois, na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. Também nesse sentido é a multa de ofício débito decorrente de tributos e contribuições. Isso porque ela resulta, nos exatos termos da alínea a do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização à falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. A jurisprudência neste Conselho é predominante no sentido de que é cabível a apreciação da matéria pelo contencioso administrativo e de que a aplicação da taxa Selic à multa de ofício é correta. Nesse sentido já se manifestou este E. Colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.006022/200958 Acórdão n.º 1402001.905 S1C4T2 Fl. 777 26 JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos para retificar o Acórdão 1402 001.694, de 08/05/2014, nos termos acima analisados, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, negando provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16643.000028/2011-82
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
Sobrestamento do Julgamento. Processos Interligados. Dependência. Decorrência.
Ainda que um processo decorra da sorte de outro litígio, não há previsão processual tributária para sobrestar-se o julgamento. Em se tratando de matérias distintas, embora interligadas, e havendo a impossibilidade do julgamento em conjunto de ambos litígios, aplica-se o já decidido no processo principal no processo que cuida de matéria decorrente.
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Nulidade Da Decisão. Mudança de Critérios. Inovação
Não constitui mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio, em sede de decisão de julgamento, por inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142 do CTN), a decisão guerreada colacionar outras razões que explicitam a licitude e correção do lançamento tributário, além de defender os próprios fundamentos deste lançamento.
Numero da decisão: 1801-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora; I) No julgamento da prejudicial, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque e Joselaine Boeira Zatorre, que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o trânsito julgado de decisão administrativa definitiva no processo nº 16643.000421/2010-45; II) No julgamento do mérito, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Joselaine Boeira Zatorre e Rogério Aparecido Gil, que votaram pela exoneração dos juros moratórios sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 Sobrestamento do Julgamento. Processos Interligados. Dependência. Decorrência. Ainda que um processo decorra da sorte de outro litígio, não há previsão processual tributária para sobrestar-se o julgamento. Em se tratando de matérias distintas, embora interligadas, e havendo a impossibilidade do julgamento em conjunto de ambos litígios, aplica-se o já decidido no processo principal no processo que cuida de matéria decorrente. Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Nulidade Da Decisão. Mudança de Critérios. Inovação Não constitui mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio, em sede de decisão de julgamento, por inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142 do CTN), a decisão guerreada colacionar outras razões que explicitam a licitude e correção do lançamento tributário, além de defender os próprios fundamentos deste lançamento.
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GLOSA. Não comprovado de forma cabal pela recorrente a existência efetiva de Saldo de Prejuízo Fiscal a compensar com o resultado de IRPJ apurado no ano calendário, mantémse o lançamento tributário responsável pela glosa da compensação do prejuízo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PROCESSOS INTERLIGADOS. DEPENDÊNCIA. DECORRÊNCIA. Ainda que um processo decorra da sorte de outro litígio, não há previsão processual tributária para sobrestarse o julgamento. Em se tratando de matérias distintas, embora interligadas, e havendo a impossibilidade do julgamento em conjunto de ambos litígios, aplicase o já decidido no processo principal no processo que cuida de matéria decorrente. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 28 /2 01 1- 82 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. NULIDADE DA DECISÃO. MUDANÇA DE CRITÉRIOS. INOVAÇÃO Não constitui mudança dos critérios utilizados para a apuração dos tributos lançados ex officio, em sede de decisão de julgamento, por inovação nos elementos materiais constituídos através do lançamento de ofício (artigo 142 do CTN), a decisão guerreada colacionar outras razões que explicitam a licitude e correção do lançamento tributário, além de defender os próprios fundamentos deste lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora; I) No julgamento da prejudicial, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque e Joselaine Boeira Zatorre, que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o trânsito julgado de decisão administrativa definitiva no processo nº 16643.000421/201045; II) No julgamento do mérito, ficaram vencidos, os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques, Joselaine Boeira Zatorre e Rogério Aparecido Gil, que votaram pela exoneração dos juros moratórios sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1639.436/12, proferido pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo 1, efls. 202 a 211, que manteve a exigência fiscal de IRPJ, relativa ao anocalendário de 2009, consubstanciada no Auto de Infração de efls. 04 a 10, no valor de R$ 239.543,02, incluídos multa de ofício regular (75%) e juros de mora. A presente autuação fiscal decorreu da reversão dos valores de prejuízos fiscais em outra autuação, relativa aos anoscalendários de 2005 a 2009, formalizada no processo administrativo fiscal nº 16643.000421/201095, que resultou em não haver mais saldo de prejuízo para a contribuinte compensar no anocalendário em questão, ensejando o presente lançamento tributário. Cópias dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL objetos desse outro processo administrativo foram acostadas às efls. 21 a 74. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 3 3 Irresignada contra o lançamento tributário, a empresa autuada argúi que o exame do mérito deste processo deve ser sobrestado até o julgamento final dos autos 16643.000421/201095, sendo flagrante a conexão entre ambos os processos, sendo este totalmente dependente do deslinde do litígio travado naquele, haja vista ambos tratarem de saldos de prejuízos fiscais. Entende, ainda, que ambos processos deveriam ser reunidos em um só, pelo que reitera todas as argumentações de defesa esposadas naqueles autos e argumenta que se não houver a reunião dos processos para julgamento conjunto, os assuntos tratados no outro processo, no qual ocorreu a efetiva reversão de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL deverão ser novamente apreciadas neste decisório, por tratarem ambos os processos da mesma matéria de direito e fática. Houve erro no procedimento fiscal, que enseja a nulidade do lançamento tributário, ao não considerar o valor de R$ 2.164,43, saldo de prejuízo não operacional, remanescente após a autuação sofrida no processo fiscal nº 16643.000421/201095, para apurar o valor a ser glosado neste anocalendário de 2009, a título de prejuízo fiscal (não poderia ser glosado o valor integral, como foi feito). A desconsideração do ágio, levada a efeito naquele outro processo, que gerou o lucro tributável, vinculase a aquisição de investimento, baixado por incorporação de empresas, devendo ser, pois, considerado o valor de R$ 2.164,43, ainda que tratese de prejuízo não operacional (os lucros, portanto, são da mesma espécie). Ataca a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício aplicada. A Turma de Julgamento de Primeira Instância reconhece a relação de causa efeito entre ambos os processos citados pela impugnante, mas afasta a possibilidade do sobrestamento de julgamento, por absoluta ausência de previsão na norma processual tributária, bem como afasta a possibilidade de reunião dos processos em um só, por tratarem de matérias interligadas, porém distintas. Reconhece que o decidido no âmbito do processo fiscal nº 16643.000421/201095 deverá repercutir diretamente no presente litígio, por tratarse de matéria decorrente. Em assim sendo e havendo decisão de primeiro grau mantendo a autuação no referido processo, aplicase o decidido e mantémse a glosa do prejuízo fiscal consoante autuada a impugnante. No que respeita o saldo de prejuízos não operacionais no valor de R$ 2.164,43 e a nulidade da autuação por não haver computado este valor nos cálculos para proceder à glosa do Saldo de Prejuízos Fiscais, esclarece: "[...] O saldo de prejuízo fiscal não operacional, no valor de R$2.164,43 é resíduo do que teria sido produzido no anocalendário de 2003 (vide linha 44 VALOR CONTÁBIL DOS BENS E DIREITOS ALIENADOS da Ficha 06 da DIPJ/2004 AC2003), no valor de R$7.371,87. Estranhamento, não houve indicação de valores na linha 42 RECEITAS ALIEN. BENS/DIREITOS DO ATIVO PERMANENTE da Ficha 06 da DIPJ/2004 AC2003. [...] Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Há inconsistência nas informações prestadas na DIPJ/2004. A empresa somente indicou o custo, sendo que deixando indicar a receita a ele correspondente, na linha 42. [...] Além dessa inconsistência, que se verificou agora em julgamento, e não na autuação original, devese lembrar que o não aproveitamento decorre da natureza do prejuízo fiscal, que por ser não operacional, somente pode ser utilizado para compensar lucros da mesma natureza, nos termos da IN SRF n° 11/1996, art. 36. A empresa alega que a limitação supra mencionada, cuja base legal repousa no art. 31 da Lei n° 9.249/95, não se aplicaria ao seu caso, pois a desconsideração do ágio feita no processo n° 16643.000421/201095, que gerou o lucro apurado pela Fiscalização, tem a ver com aquisição de "investimento" (Ativo Permanente, na época), posteriormente baixada pela incorporação das empresa. Observese que a autuação, constante daqueles autos, foi glosa de uma despesa indevida para fins contábeis e fiscais, realizada a título de amortização de ágio por valor de rentabilidade futura. As contrapartidas da amortização de ágio são lançadas como despesas operacionais, no subgrupo Outras Receitas e Despesas Operacionais relativas, segundo o Manual de Contabilidade das Sociedades Anônimas Sétima Edição da FIPECAFI Editora Atlas (item 11.7.5, alínea "a" fls. 173). Não se tratou de uma infração não operacional, como alegou a empresa, mas sim operacional, sendo conceitualmente descabida a alegação apresentada. Argúi ainda que, nesse tópico, que seria patente o equívoco na elaboração do demonstrativo de apuração dos prejuízos fiscais (a Impugnante referese ao fato do lançamento não ter considerado o valor de R$2.164,43), e o auto de infração do IRPJ deveria ser prontamente cancelado pela ausência de certeza e liquidez da exigência fiscal. Infundada a alegação de que o lançamento deveria ser cancelado mesmo que tivesse razão a Impugnante no tocante ao valor de R$2.164,43, o que não restou demonstrado, conforme tratado logo acima. Esse tipo de alegação, se procedente, levaria à exoneração parcial do lançamento, reduzindoo, não implicando, em nenhuma hipótese, no cancelamento total da autuação, sob a tese de iliquidez e certeza da autuação. A autuação estaria em plenas condições de prosseguir em cobrança, após a correção introduzida em função do acórdão exarado, dentro das normas reguladoras do contencioso fiscal administrativo, e cuja base última é o próprio Código Tributário Nacional CTN e a Constituição Federal. [...]" A contestação concernente à impossibilidade da incidência de juros moratórios sobre a multa calculada de ofício foi afastada por ser imposição ex lege artigo 61 da Lei nº 9.430/96, vigente, e entendimento espelhado no Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 02/04/98. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 213 a 227, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que o presente litígio não pode ser enfrentando antes do processo que cuida da dedutibilidade de despesas com ágio ser julgado, pelo flagrante reflexo do decidido naqueles autos alcançar a presente lide. Argumenta, ainda, que houve inovação no julgamento de primeira instância quanto ao critério jurídico utilizado no que respeita à matéria aventada da não consideração do valor de R$ 2.164,43 no cômputo da glosa dos prejuízos fiscais destes autos, devendo ser declarada nula a decisão administrativa. Reitera os termos da defesa inicial quanto aos demais 1 Ciência por decurso de prazo em 10/08/12; Recurso Voluntário juntado em 10/07/2012 efls. 228. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 4 5 pontos e colaciona jurisprudência administrativa em seu favor sobre a matéria juros incidentes sobre a multa de ofício e o não cabimento. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. I) Das nulidades suscitadas I.a) Nulidade da autuação A recorrente argumenta que a autuação fiscal padece de vício insanável por não ter considerado o valor de R$ 2.164,43, registrado na contabilidade a título de Saldo de Prejuízo Fiscal não operacional, e haver procedido à glosa total do Saldo de Prejuízo Fiscal, ensejando a autuação com valores indevidos, devendo, por esta razão, ser totalmente insubsistente. Argumenta que como a reversão de prejuízos se deu em razão de investimentos, baixa de empresa incorporada, que o prejuízo fiscal e o lucro tributado ex officio nos autos nº 16643.000421/201095 possuem a mesma natureza, devendo ser admitido, obrigatoriamente. Equivocase a recorrente. A fiscalização não computou o referido valor, como valor remanescente ainda utilizável em anos subsequentes, dada a sua natureza não operacional, como o próprio título da conta contábil denuncia. O entendimento da recorrente de que é prejuízo de natureza compatível com o lucro apurado pela empresa é discutível e não pode ser oposto à autuação como insofismável. Destarte, a recorrente deve comprovar cabalmente que o quantum considerado na autuação, cuja presunção de legitimidade possui desde a constituição do crédito tributário, a título de matéria tributável deva ser reduzido no montante em que alega. Não há qualquer vício no lançamento tributário no fato de não considerar o valor apontado pela recorrente na glosa do prejuízo fiscal consoante considerado. I.b) Nulidade da decisão inovação em critério jurídico Em nada inovou a turma de julgamento a quo. Em face da contestação da recorrente em alegar a nulidade da autuação consoante acima discorrido, teceu considerações sobre os porquês de não haver sido admitido o valor tido pela recorrente como absolutamente inarredável dos cálculos efetuados na autuação fiscal. Explicou, meramente, o equívoco em que se funda a recorrente em entender serem prejuízo e receita de mesma natureza, porquanto compensáveis, sem ofender o artigo 31 da Lei nº 9.249/95. No acórdão explicitouse detalhadamente o porquê não serem os valores de mesma natureza e, por conseguinte, impossível a compensação de um com outro, restando ilibado o procedimento fiscal em não colocar estes valores em mesmos parâmetros de cálculos. Este trecho do decisório não foi reproduzido no recurso voluntário: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 "A empresa alega que a limitação supra mencionada, cuja base legal repousa no art. 31 da Lei n° 9.249/95, não se aplicaria ao seu caso, pois a desconsideração do ágio feita no processo n° 16643.000421/201095, que gerou o lucro apurado pela Fiscalização, tem a ver com aquisição de "investimento" (Ativo Permanente, na época), posteriormente baixada pela incorporação das empresa. Observese que a autuação, constante daqueles autos, foi glosa de uma despesa indevida para fins contábeis e fiscais, realizada a título de amortização de ágio por valor de rentabilidade futura. As contrapartidas da amortização de ágio são lançadas como despesas operacionais, no subgrupo Outras Receitas e Despesas Operacionais relativas, segundo o Manual de Contabilidade das Sociedades Anônimas Sétima Edição da FIPECAFI Editora Atlas (item 11.7.5, alínea "a" fls. 173). Não se tratou de uma infração não operacional, como alegou a empresa, mas sim operacional, sendo conceitualmente descabida a alegação apresentada." (grifos não pertencem ao original) E os acréscimos sobre a matéria debatida, veiculados no acórdão guerreado (inconsistências de informações na DIPJ/04), não foram, como ora visto, o fundamento para rebater o argumento de defesa da recorrente, mas sim pontos extras que reforçam a impossibilidade de ser aproveitado o tal prejuízo fiscal não operacional no cálculo do valor a ser glosado a título de Saldo de Prejuízos Fiscais compensáveis em 2009. Não houve, por estas incursões, qualquer inovação nos fundamentos do lançamento tributário, ou mudança de critério jurídico introduzido por decisão administrativa. Afasto a nulidade suscitada. II) Do saldo de prejuízo não operacional mérito Acompanho o entendimento esposado no acórdão guerreado sobre serem as infrações tributárias detectadas nos autos nº 16643.000421/201095 de natureza operacional, portanto, incabível, de fato, o raciocínio da recorrente de que eventual saldo de prejuízo fiscal não operacional devesse ser considerado no presente lançamento tributário. Aliás procedimento vedado pelo artigo 31 da Lei nº 9.249/95, fato jurídico reconhecido pela recorrente. As razões são as já expendidas no acórdão guerreado, cujo trecho acima transcreveuse, e não foi pontualmente contraditado pela recorrente . A dedutibilidade do ágio, como despesa, é de natureza operacional. Acrescento, não se tratando de inovação em julgamento, mas em esclarecimentos adicionais para o convencimento da recorrente sobre a natureza operacional da causa da reversão dos prejuízos fiscais, tratada nos autos nº 16643.000421/201095, trechos do artigo veiculado no Fiscosoft2: "[...] Dentre outras hipóteses, surge o ágio, como preço adicional, quando participações societárias ou ativos de uma empresa são adquiridas por um custo de aquisição superior ao valor contábil registrado nas demonstrações financeiras. O preço do custo adicional é a sua causa jurídica. O ágio só surge porque houve disposição de pagar um maior preço, a título de custo de aquisição, superior ao valor contábil do empreendimento. Essa disposição de pagamento superior ao 2 O ágio fundamentado por rentabilidade futura e suas repercussões tributárias Heleno Taveira Torres http://www.fiscosoft.com.br/a/5wy8/oagiofundamentadoporrentabilidadefuturaesuasrepercussoes tributariashelenotaveiratorres Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 5 7 preço contábil deve ser motivada em fundamentos econômicos que possam ser demonstrados pela adquirente: sua causa. Em geral, a aquisição de empresas deverá levar em conta o método de avaliação do investimento, como o custo de aquisição, no Brasil, ou daquele denominado "método de compra" (purchase method), atualmente empregado pela contabilidade internacional. O método de compra (§ 17, do IAS 22, atual IFRS 3) impõe que o registro da combinação de negócios seja registrada como se fosse uma aquisição de ativos, mas pelo custo de aquisição, após avaliação pelo valor justo. O Purchase Method aplicado pela norma SFAS 141 considera que os ativos e passivos deverão ser registrados pelo seu valor justo e a diferença entre este e o valor pago assume a condição de goodwill (03) do negócio. E esta é uma formulação única para qualquer tipo de combinação de negócios, como gênero, que envolve fusão, incorporação, cisão, compra de ações, compra de todo o patrimônio líquido, assunção de passivos, compra de parte dos ativos líquidos ou mesmo a aquisição de controle acionário (04). É a praxe atual das regras americanas e internacionais (05). O goodwill do direito americano quase se assemelha à noção de "ágio" do direito brasileiro, mesmo que persista uma diferença específica que os distingue, porquanto ogoodwill corresponde ao valor adicional pago pela aquisição que supera o valor justo (fair value) pago pelos ativos e passivos adquiridos (06), como se verifica atualmente nos Estados Unidos. Carvalho, Lemes e Costa descrevem, com precisão, o regime do goodwill, a partir da IRFS 3: "Em outras palavras, o goodwill adquirido é o excesso do custo de aquisição sobre o valor justo dos itens adquiridos e representa um pagamento antecipado feito pela adquirente pelos benefícios econômicos futuros dos ativos que não foram individualmente identificados e separadamente reconhecidos na combinação. Seu reconhecimento será como um ativo, na data da aquisição." (07) Comumente, falase do ágio como parcela do preço dos ativos acrescido ao justo preço. Neste caso, são levados em conta para determinação do preço do negócio, bens intangíveis, como clientela, relações comerciais, marca e outros aspectos que afetam o valor do negócio de modo vantajoso. Mas também há no direito americano o goodwill como valor presente das expectativas de lucros futuros, como fundamento econômico equivalente ao "ágio" baseado em projeções de lucratividade futura. [...] Porém, como se deve preservar o valor contábil, pelo patrimônio líquido da investida, ou adquirida, o ágio será a parte adicional, mensurada como a diferença positiva entre o valor contábil e o custo de aquisição. Por isso, define Bulhões Pedreira, o ágio na aquisição de participação societária pode ser entendido como "parte do custo de aquisição do investimento que corresponde ao direito de participar em valores que não se acham registrados na escrituração da controlada ou coligada" (08). Quer dizer, o ágio é propriamente uma parcela do "custo de aquisição", quando esta vêse avaliada pelo "patrimônio líquido", um adicional que, a título de "custo", no sentido jurídico de "despesa" para a investidora, causa redução do patrimônio líquido da sociedade adquirente, mas que agora se deve somar ao valor do "patrimônio líquido" adquirido. É, portanto, o ágio, uma despesa relativa ao preço adicionado ao valor contábil do investimento adquirido, razão pela qual se justifica sua dedução, mormente necessária à expansão das atividades e da capacidade lucrativa da empresa. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 1.1 Contabilização do ágio na legislação societária [...] A soma do valor da equivalência patrimonial do investimento e do valor do ágio ou deságio, registrados em contas distintas, deve ter como resultado o valor do custo de aquisição do investimento. Assim, o custo de aquisição de uma sociedade deveria desdobrarse em duas subcontas (art. 20, do Decretolei nº 1.598 de 26.12.1977): a) uma que contemplasse o valor do patrimônio líquido do investimento; e outra b) que indicasse a diferença entre este valor e o custo de aquisição atual, o efetivo valor pago pela adquirente, que se for superior, receberá a designação de "ágio". A equivalência patrimonial tem a função de identificar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente de distribuição dos lucros. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método ordinário de custo de aquisição para sua avaliação (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76), como explicitado acima. E, assim, a contabilização de tais investimentos sofrerá o desdobramento em duas contas: na conta investimento, onde o patrimônio líquido da investida será aferido por equivalência patrimonial, na proporção do capital investido; e na conta ágio ou deságio, hábil a identificar a diferença entre o custo de aquisição e a conta investimento. Em dois casos, o regramento jurídico do art. 7º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determina o registro em contrapartida a conta do ativo diferido do passivo do balanço, o da rentabilidade futura da coligada ou controlada (i) e o caso da aquisição de fundo de comércio ou outras razões econômicas (ii). A Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, porém, admitiu que, alternativamente, poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III em conta do patrimônio líquido (09). No caso do ágio pago e registrado sob o fundamento econômico de rentabilidade futura, portanto, aquele deve compor subconta do ativo diferido (art. 179, V, da Lei nº 6.404/76), a fazer parte do ativo permanente da adquirente, na medida que se trata de despesa inerente à formação do resultado operacional da empresa, em virtude da razoável segurança que se tem quanto à sua realização futura desses saldos diferidos, sujeitos à amortização no período. [...]" (grifos não pertencem ao original) Correto, por consequencia, o procedimento fiscal conforme efetuado e descabida a pretensão da recorrente em utilizar o valor de saldo de prejuízo fiscal não operacional para reduzir a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração lavrado contra si, ou, com menos razão, suscitar qualquer vício que enseja a nulidade deste lançamento tributário. III) Do sobrestamento do julgamento Não há qualquer dúvida que a decisão do processo no qual se debate a reversão dos prejuízos fiscais acumulados pela empresa recorrente há de repercutir no objeto destes autos. Todavia, não há hipótese de sobrestamento de julgamento no direito processual fiscal e também não há como reunir este processo para julgamento conjunto com o processo nº 16643.000421/201045, pois encontramse em fases processuais distintas. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 6 9 Os autos nº 16643.000421/201045 encontramse em fase de análise de Recurso Especial recentemente interposto pela ora recorrente, em 02/03/20153. Acostei a estes autos cópia do acórdão nº 1101000.913/13 , efls. 235 a 261, cujas ementas transcrevo: ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Assim restou deliberado: "Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR o incidente de impedimento da participação no julgamento de Conselheiro que tenha assinado o Mandado de Procedimento Fiscal MPF que originou o lançamento em debate, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa aplicada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício; nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." Acompanho o decidido em primeira instância, primeiro esclarecendo que, embora as matérias deste e daqueles autos são interrelacionadas, a matéria objeto daqueles autos não será rediscutida neste, pois tratam os dois processos de matérias distintas. A matéria objeto aqui é glosa de prejuízo fiscal compensado indevidamente por inexistente, enquanto no outro foi glosa de despesa com ágio, que resultou em reversão do saldo de prejuízos fiscais acumulados. Em segundo, aplicando o decidido no Acórdão nº 1101000.913/13, por reflexo, nestes autos, ou seja, havendo sido mantida a autuação e a reversão do saldo de prejuízo fiscal, em segunda instância de julgamento, há que se manter nestes autos, também a autuação por glosa de prejuízo fiscal, por saldo inexistente. IV) Dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício No que respeita aos acréscimos legais ao crédito tributário cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, 3 *pesquisa efetuada no eprocesso em 18 de março de 2015. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União. O Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966), dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária. A exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A Lei nº. 9.430, de 1996, no parágrafo único do artigo 43, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não pertencem ao original) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Em contra posição aos julgados citados pela recorrente, registro: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 7 11 JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138 – 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). A 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim também já se posicionou no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, extraemse os seguintes trechos: "O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União." No mesmo sentido, ainda, a seguintes Súmulas editadas por este CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16643.000028/201182 Acórdão n.º 1801002.354 S1TE01 Fl. 8 13 Após a interposição de Recurso Especial, pela recorrente, estes autos deverão ser apreciados conjuntamente com os autos nº 16643.000421/201045, quanto à admissibilidade do referido Recurso Especial e, se for o caso, serem julgados conjuntamente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois a sorte dos presentes autos está vinculada ao decidido naquele. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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