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Numero do processo: 10925.901299/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 99 /2 00 9- 90 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 411 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 412 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 413 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 414 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 415 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.901299/200990 Acórdão n.º 1803002.384 S1TE03 Fl. 416 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 69 5/ 20 09 -1 1 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO SPITZ, lavrouse contra o epigrafado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2005, fls. 296 a 302, exigindo R$ 768.198,09 de imposto e R$ 576.148,56 de multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Os esclarecimentos da autuação encontramse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 207 a 214, na planilha de depósitos justificados de fls. 215 e 216 e na de créditos não justificados de fls. 217 a 295, integrantes do auto de infração, conforme consignado à fl. 300. No Termo de Verificação consta que a presente autuação decorreu da fiscalização da movimentação bancária, referente ao anocalendário de 2005, do contribuinte José Arnaldo Spitz, que declarou possuir somente uma conta corrente, de n° 11.4002 da agência 10012 da Caixa Econômica Federal, da qual o autuado era cotitular, e que, em síntese, alegou serem os depósitos decorrentes de pagamentos de clientes da empresa Teleficha Comércio de Cartões ME, CNPJ 01.950.461/000198, excetuados os de salário e de dois empréstimos. O autuado foi pessoalmente intimado, em 22/08/2008 — fls.39 a 66, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos existentes em sua conta bancária, no anocalendário de 2005, mas não apresentou qualquer resposta. Ao ser intimado, em 14/10/2008 — fls. 67 a 69, a identificar e separar os depósitos com finalidade particular dos efetuados por conta da atividade da pessoa jurídica da qual ele e o irmão eram sócios, com a devida comprovação, respondeu, por intermédio de procurador, que não havia depósitos particulares na conta bancária fiscalizada e declarouse sem condições de informar as receitas e despesas da pessoa jurídica e também impossibilitado de separar os créditos bancários consignados nos extratos, alegando necessitar as fotocópias dos cheques que compuseram os depósitos. Ao ser intimada a apresentar contratos, notas fiscais e outros documentos que embasaram a elaboração de seu Livro Caixa, a empresa Teleficha declarou não possuir conta bancária própria e que somente foram escrituradas como receita o percentual recebido pela distribuição de cartões telefônicos físico e virtuais de operadoras de telefonia móvel, fls. 109 a 118, apresentando alguns contratos e notas fiscais dos meses de novembro a Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 4 3 dezembro de 2005, afirmando serem as únicas que mantinha arquivadas, fls. 489 a 566 do Anexo I. A autoridade autuante, no Termo de Verificação, salientou a não apresentação da escrituração contábil da empresa Teleficha e que, nos contratos de prestação de serviços apresentados, foi verificado que a TIM Sul e a Brasil Telecom transferiam a posse dos cartões para aquela empresa, que ficava obrigada a pagar o valor integral acertado na operação, independente do êxito na revenda aos interessados. Também, ressaltou que, como nas respostas às intimações efetuadas aos titulares da conta bancária investigada, eles afirmaram a impossibilidade de separar os créditos bancários consignados nos extratos em razão desses agruparem vários cheques de clientes, foi efetuada Requisição de Informações Financeiras à CEF para obtenção do desdobramento dos depósitos bancários de valor superior a R$ 30.000,00, os quais foram integralmente repassados ao fiscalizado, fls. 119 a 148, para que ele identificasse os depósitos particulares e os comerciais, com a devida comprovação. Porém, o contribuinte respondeu afirmando que "os dados obtidos não se demonstraram suficientemente esclarecedores", em razão de não possuir a microfilmagem dos cheques e de a escrita da empresa somente revelar o valor global da venda efetuada, fls. 149 a 151, apresentando somente a correlação de alguns depósitos e documentos, fls. 152 a 181. Os depósitos acatados como justificados por esses documentos estão relacionados na planilha às fls. 212 e 213. No Termo de Verificação consta que a "cobrança simples" pagas pela Fasamed Comércio Farmacêutico, identificada nos documentos fornecidos pela CEF, fls. 122 a 148, foi devidamente comprovada por meio de ordem de compra de fls. 152 a 154. Também foi destacado que mesmo de posse da cópia de alguns cheques, suscitados como imprescindíveis, o contribuinte não conseguiu correlacionálos com depósitos, fls. 182 a 194. Como não foi identificado qualquer depósito no valor das cópias de cheques apresentadas, a autoridade fiscal concluiu que, embora nominais à Teleficha, não foram vinculados aos depósitos na conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Assim, o lançamento somente admitiu como comprovada a origem dos depósitos relacionadas na planilha de fls. 215 e 216, além dos atribuídos à Fasemed, tendo sido os sem origem justificada, fls. 217 a 295, considerados como omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n° Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 5 4 9.430, de 1996, observado o rateio entre os dois titulares da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF. Cientificado do lançamento em 20/05/2009, conforme "AR" de fl. 305, o contribuinte apresentou, em 19/06/2007, por intermédio de procurador — fl. 323, a impugnação de fls. 307 a 322, acompanhada dos documentos de fls. 324 a 488, acatada como tempestiva pelo órgão de origem, fl. 489. Alega ter apresentado os extratos bancários solicitados da conta corrente de n° 11.4002 da agência 10012 da CEF, referentes ao anocalendário de 2005, e declarado à fiscalização não possuir outras contas bancárias e que 99,99% da movimentação da conta corrente referiase a depósitos de cheques oriundos da atividade comercial da empresa Teleficha Comércio de Cartões Ltda. — ME, da qual é sócio juntamente com seu irmão, Luiz Alberto Spitz, co titular da conta corrente. Traça histórico da empresa Teleficha, asseverando ser uma empresa familiar, cujo capital de giro inicial teria sido o crédito obtido na empresa TIM por meio de hipoteca de seu imóvel residencial. Dessa forma iniciou a atividade de "retirar os cartões telefônicos na T1M, e providenciar a distribuição nos pontos de vendas, RECEBENDO os pagamentos, quitando o crédito, fazendo jus assim, a 10% do valor do cartão, conforme contrato em anexo". Afirma que a entrega nos pontos de vendas era efetuada por colaboradores, todos parentes do contribuinte, sendo o valor total das vendas contabilizado diariamente na empresa e depositado na conta bancária dos sócios, em dinheiro e cheques, estimados em mais de 200 diariamente, para quitar as Notas Fiscais da operadora e possibilitar nova obtenção de crédito para prosseguir em sua atividade. Ressalta receber muitas vezes cheques de terceiros, que somados aproximavamse do valor da entrega, ratificando ser impossível comprovar todos os depósitos efetuados. Assevera que os valores questionados pela fiscalização não podem ser caracterizados como renda omitida, em razão de serem originários de crédito obtido junto à operadora de telefonia e para ela terem retornado, resultando que somente o percentual contratado era disponibilidade da empresa Teleficha, a qual foi tributada e os respectivos impostos recolhidos pela pessoa jurídica. Insiste que todos os valores creditados na conta corrente são pertencentes às operadoras de telefonia, à exceção da margem contratual da empresa Teleficha, dos salários e dos empréstimos pessoais. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 6 5 Alega que a comprovação de suas afirmações está "nos pagamentos feitos e nas saídas dos valores da conta corrente" e que "as notas fiscais de pagamento/reembolso de cartões feitos as operadoras de telefonia (anexas) demonstram com meridiana clareza tal situação". Enfatiza que a movimentação bancária "anormal" parou de ocorrer a partir de dezembro de 2005, quando a Teleficha Ltda. passou a ter conta corrente própria. Insiste na dificuldade de atender "as disposições da fiscalização", afirmando ser a identificação dos créditos bancários humanamente impossível e economicamente inviável, em razão de a entrada de valores ter sido efetuada de forma difusa e sem muito controle e, também, porque não possuía as cópias dos cheques, cuja obtenção de microfilmagem custaria R$ 28,00 por folha, onde no verso estaria identificado o cliente da Teleficha. Declara ter sido utilizada a conta pessoal dos sócios e irmãos somente na fase inicial do negócio e para evitar burocracia. Ratifica ser fácil a identificação da saída dos recursos para as operadoras de telefonia, por meio de notas fiscais pagas/reembolsadas pela Teleficha. Entende que os valores mensais da apuração de rendimentos comprovariam tratarse do mesmo capital de giro obtido com a hipoteca do imóvel residencial, suscitando que os valores mensais jamais teria ultrapassado o limite concedido pelas operadoras. Salienta ter sempre atendido as intimações da fiscalização, considerando tendenciosa e ilegal a forma de apuração adotada pelo lançamento e alegando que a CEF, apesar de ter afirmado que apresentaria a cópia de título de sua compensação, não o fez. Insiste que diariamente eram depositados mais de 200 cheques dos mais variados valores, que apareceram nos extratos bancários de forma consolidada, sem os valores individualizados. Aduz que a própria tabela de créditos bancários considerados como de origem não comprovada atestaria que os recebimentos da empresa Teleficha se davam de diferentes formas: por boletos de cobrança, dinheiro ou cheques. Esclarece não haver correlação entre as Notas Fiscais da Teleficha e os depósitos, em razão daquelas representarem o total das vendas e não os valores e títulos recebidos. Informa que a Teleficha, à época dos fatos, era optante do Simples, não estando sujeita à escrituração contábil e Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 7 6 com os lançamentos efetuados de forma simplificada no Livro Caixa. Alega que das quatro microfilmagens de cheques obtidos junto a CEF, duas estavam ilegíveis, impossibilitando a verificação da origem do recebimento. Sustenta ter acostado aos autos cópia de tela do sistema da CEF atestando que todos os boletos emitidos tinham como credor a empresa Teleficha, mas a conta creditada era a dos sócios, porque a pessoa jurídica não possuía conta bancária. Afirma que a fiscalização já considerou duas importâncias recebidas na forma de COB COMP, que foram objeto de intimação à CEF. Dessa forma, considera inconsistente e conflitante que os demais créditos com o histórico COB COMPE sejam mantidos no lançamento, os quais totalizariam R$ 657.752,24, conforme planilha que afirma estar anexando "(doc.6)". Insurgese contra a autuação baseada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, alegando que a presunção legal não é absoluta e não deve ser aplicada isoladamente, sem que sejam avaliadas as circunstâncias de cada caso, sustentando que o § 5° possibilitaria a sua não utilização em razão de considerar evidenciado que a movimentação financeira decorre da atividade comercial da empresa Teleficha Ltda. Cita decisão do Conselho de Contribuintes que entende corroborar sua tese de que a evidência exclui a responsabilidade, afirmando estar juntando aos autos cópia integral do acórdão. Aduz que o seu patrimônio e de familiares não correspondem ao de pessoas que tenham usufruído e ocultado mais de cinco milhões de reais. Considera arbitrária a exigência baseada unicamente em créditos em conta corrente, em razão da pessoa física não estar obrigada à escrituração contábil, afirmando que o lançamento com base somente em presunção contradiz os princípios da reserva legal e da estrita legalidade, sendo imprescindível que a fiscalização demonstre efetivamente a renda auferida. Traz diversos questionamentos acerca da tributação com base em depósitos bancários, enfatizando que a movimentação financeira não caracterizaria renda. Insiste que a movimentação financeira autuada é da empresa Teleficha, enquadrada no sistema de tributação Simples e que só passou a ter conta bancária em dezembro de 2005, ressalvando que a margem de lucro da pessoa jurídica era no máximo de 10% do valor dos depósitos e que qualquer apuração de variação patrimonial deveria ter sido efetuada na Brasil Telecom ou na Tim Celular, a quem pertencia 90% dos recursos Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 8 7 transitados por sua conta corrente, conforme entende ser a determinação dos arts. 43 e 45 do Código Tributário Nacional. Considera inaceitável não terem sido acatados como origem de depósitos bancários a atividade da empresa Teleficha, destacando ter sido comprovado que a empresa e os sócios não possuíam outras contas bancárias e que a conta corrente fiscalizada refletia a movimentação bancária dos três envolvidos. Aduz que o limite de R$ 80.000,00, definido no art. 849, § 2°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR, deveria ter sido aplicado para cada titular da conta, suscitando que a presunção de omissão de rendimentos desapareceria quando os depósitos não comprovados fossem inferiores a esse limite. Afirma que os depósitos bancários somente ensejariam lançamento quando fosse demonstrada a relação entre o valor omitido e o respectivo depósito, fato que considera não caracterizado no presente caso. Sustenta que os créditos bancários deveriam ter sido apurados mensalmente e não somados no final do ano calendário, considerando que em alguns meses não haveria incidência de IR em razão do limite de isenção. Enfatiza que a dificuldade de elucidação individualizada de cada depósito, por não estar a pessoa física obrigada a possuir escrituração bancária, teria levado o Conselho de Contribuintes a "admitir a redução de até 50%" antes da edição do DecretoLei n° 241 de 1988. Solicita a produção de prova pericial a cargo de pessoa habilitada, especificando os quesitos, e que a CEF seja intimada a apresentar cópia de todos os microfilmes de cheques depositados na conta corrente fiscalizada e dos boletos de cobrança emitidos e quitados mediante COB COMP. Finaliza solicitando o deferimento da prova pericial, a desconstituição do auto de infração e que, caso mantido o lançamento, sejam excluídos da base de cálculo os boletos recebidos, os cheques devolvidos, os empréstimos, o salário e o limite anual de R$ 160.000,00, além do cálculo do imposto devido "na fórmula do carnê leão". Pede ainda a produção das demais provas admitidas no direito admissíveis, em especial a documental que acompanha a presente impugnação e relaciona os documentos apresentados junto com a impugnação. A DRJ julgou o impugnação procedente em parte, nos termo da ementa a seguir: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea, que, se tratando de presunção legal, transfere ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EFETUADOS POR PESSOA JURÍDICA. FINALIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São tributáveis os créditos bancários na conta correntes de sócios, mesmo que provenientes de pessoa jurídica, para os quais não houve a respectiva escrituração e nem foram apresentados as correspondentes notas fiscais, de maneira a comprovar a que título se deu a transação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados a débito, nas contas bancárias, relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 10 9 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos e também o de perícia, por prescindível, quando as questões levantadas encontramse dentro do ônus probatório do requerente e independe de conhecimento técnico especializado não dominado pelo julgador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 11 10 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. Na realidade a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da presunção legal. A intimação a apenas um titular, ainda que todos sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários, sendo que a própria renda já é presumida. No caso concreto inferese conforme documentos que a conta da Caixa é conta conjunta com o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ. Está claro nos autos que o Sr. JOSE ARNALDO SPITZ, foi intimado a apresentar extratos bancários e ao mesmo tempo comprovar a origem dos depósitos no mesmo. Não está claro se o referido cotitular recebeu uma relação individualizada de depósitos para comprovar. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providencias: 1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se o Sr. José Arnaldo Spitz, recebeu por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem, ou tão somente, foi solicitado ao mesmo que apresentase os extratos e demonstrase a origem de todos os depósitos. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 12 11 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.592 S2C2T2 Fl. 13 12 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10209.000807/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/10/2000
ACE - 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE - 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador.
2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE - 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador.
3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE - 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador.
4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE - 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/10/2000 ACE 18. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR NÃO MEMBRO. DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. UTILIZAÇÃO DA PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. Pode ser aceita a intevenção de operadores de outro país não integrante do Acordo, desde que, atendidas as condições de expedição direta, exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. 2. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 18 somente é permitida se a operação de importação for realizada por conta e ordem do interveniente, condição que, obrigatoriamente, deve ser informada em compo próprio do Certificcado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. 3. No âmbito do Regime Origem do MERCOSUL, por falta de previsão normativa, é vedada a aperação de trigulação comercial de mercadoria originária de Estado Parte do ACE 18 com a interveniência de operador de terceiro país não membro do Acordo, caracterizada pela compra de operador do Estado Parte produtor seguida de revenda para operador do Estado Parte importador. 4. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no ACE 18 a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 07 /2 00 5- 82 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 41.598,26, objeto do Auto de Infração fls. 02/12. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação no 00/10361027, em 27/10/2000, submeteu a despacho aduaneiro 380,572 tonelada métrica de GLP (BUTANO), classificável na NCM/SH código 2711.13.00 e NALADI SH 2711.13.00 utilizandose da redução de 100% da alíquota do Imposto de Importação conforme Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai. Esclarece a fiscalização de forma minudente no relatório de fls. 04/08, a seguir resumidamente demonstrado: a) No Certificado de Origem apresentado está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 00RY1258D emitida pela YPF situada na Argentina e não apresentada no despacho; b) a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de nº PIFSB nº 1060/2000, fl. 21, emitida em 21.11.2000 pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 112 3 situada em Trinidad e Tobago, país não membro do MERCOSUL; c) no conhecimento de embarque, fl.20, que assegura a propriedade da mercadoria, verificase que não está consignada a Petrobras International Finance Company, sa empresa situada em Trinidad e Tobago e emissora da fatura comercial apresentada para despacho aduaneiro; d) a “A PFICO é a empresa que consta na Declaração como exportador (fls.25), o que acarreta Trinidad e Tobago ser o país de aquisição. e) ratifica ainda a fiscalização: “Nesta operação está caracterizada a intervenção de um terceiro país não membro do Acordo na qualidade de exportador, visto que a empresa através da correspondência UMREMAN/CMB 019/02 de 19/08/02 , (fls.30 a 32), confirma que adquire a mercadoria da Argentina, revende para sua subsidiária, a empresa a Petrobras International Finance Company e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador. E ainda, mesmo que a empresa exportadora, situada em Trinidad e Tobago se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário nos termos do Decreto nº 1.914 de 22 de maio de 1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, que no campo 24 – Observações do Certificado de Origem faça constar que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente.” (sic). Cientificado do lançamento em 28/09/2005, conforme fls.03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 31/10/2005 a impugnação de fls. 36/45, nos termos a seguir resumidos: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal esclarecendo a operação comercial em foco, ou seja, a Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, GLP (BUTANO), produzido na Argentina, junto à empresa YPF S/A, reduzindo a alíquota de 100% com base no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), firmado entre os aludidos países; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela YPF, de nº 00RY1258D, e outra pela PIFSB, de nº PIFSB1060/00, expedida pela PFICO, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Argentina; a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 destacando que razão alguma assiste ao órgão autuante pois não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro país, nos termos da Resolução nº 252, pois esta apenas reproduziu em seu artigo nono a íntegra do artigo 2º da Resolução 232, o qual não definiu a figura do operador; – ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com os países integrantes do acordo, mormente a Argentina, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman, “ou seja houve um equívoco no preenchimento da Declaração de Importação” na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; a PIFCO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda. O próprio AuditorFiscal reconheceu que o contribuinte procedeu a importação de produtos derivados de petróleo da YPF S/A, situada na Argentina, com transporte diretamente para o Brasil, conforme Certificado de Origem; quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu próprio corpo; o Certificado de Origem foi expedido na Argentina, contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a YPF S/A, e a certificação, propriamente dita , do Ministério da Indústria e Comércio daquele país. O Certificado de Origem trouxe a indicação da fatura comercial expedida pela YPF de nº 00RY1260D. Tudo conforme previsto na norma; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, a fim de que seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96; – tendo sido o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argúi que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1º, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de Lei Complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 113 5 – ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a mora, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a referida taxa como taxa de juros moratórios; – tendo a taxa SELIC a característica de taxa de remuneração de capital investido, quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; cita respeitável jurisprudência. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 69/84), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, para a) considerar devido o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação, no valor de R$ 16.045,00, acrescido da multa de mora e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável; e b) exonerar o crédito tributário relativo à multa de ofício de 75%, prevista artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96, no valor de R$ 12.033,75, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 27/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. Em 20/7/2010, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 76). Inconformada, em 9/8/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 77/103, no qual, em relação ao parcela do auto de infração julgada procedente, reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou que fosse observado os julgados do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais que decidiram favoravelmente à recorrente, por diversas vezes, a matéria sobre supostas Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 irregularidades em operação de triangulação comercial, especialmente, em relação a que aqui está sendo tratada. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese ao tratamento tributário e aduaneiro dado à operação de importação de GLP (BUTANO), formalizada por meio da Declaração de Importação (DI) no 00/10361027, registrada em 27/10/2000. Para a fiscalizãção, a autuada descumpriu as regras do regime de origem, logo, não fazia jus à redução tarifária de 100% (cem por cento) da alíquota do Imposto de Importação (II), prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da República Federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai, executado no Brasil pelo Decreto 550/1992. De modo contrário, sustenta a recorrente que foram atendidos todos requisitos do regime origem, logo, a referida operação de importação estaria contemplada com à preferencia tarifária fixada no citado Acordo. Os requisitos da operação de importação exigidos para que as mercadorias originárias dos Estados Partes beneficiemse do tratamento tarifário preferencial previsto no referido Acordo encontramse estabelecidos no artigo 10º do Regulamento de Origem das Mercadorias no MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, promulgado pelo Decreto 1.568/1995, que dispõe sobre a execução do referido Protocolo, e que tem o seguinte teor: Artigo 10º Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. A esses efeitos se considera expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do MERCOSUL; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância de autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito estiver justificado por razões geográficas ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estiverem destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o transporte ou depósito, nenhuma operação diferente das de carga ou descarga ou manipulação Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 114 7 para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. c) poderá aceitarse a intervenção de operadores de outro país desde que, atendidas as disposições de a) e b), exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. (grifos não originais) No caso, inexiste controvérsia quanto ao atendimento dos requisitos atinentes à expedição direta do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador, no caso, respectivamente, Argentina e Brasil, uma vez que o conhecimento de carga (fl. 21), que serviu de lastro à operação, informa que a mercadoria foi embarcada na Argentina e entregue no Brasil. Também não há qualquer dúvida sobre a origem da mercadoria, que é originária da argentina. O ponto fulcral da controvérsia cingese ao atendimento dos requisitos Regime de Origem do MERCONSUL, especificamente o atendimento das exigências relativas a operação de intervenção do operador de outro país não participante do ACE18, no caso, a empresa exportadora Petrobras International Finance Company Pifco, situada nas Ilhas Cayman. Da leitura da alínea “c” do referenciado artigo 10º, inferese que, em relação à operação comercial, a norma expressamente admite a interveniência de um operador econômico de outro país não integrante dos Estados Partes do ACE18. No entanto, para essa situação excepcional, a norma em comento exige que a operação atenda duas condições. A primeira, que o operador interveniente do terceiro país emita fatura comercial. A segunda, que o Certificado de Origem seja emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. Em consonância e complementando o disposto na alínea “c” do referenciado artigo 10º, exige o Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.914/1996, que criou novo modelo do Certificado de Origem do MERCOSUL, instituído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, que, no caso de operações comerciais em que há interveniência de operador econômico de um terceiro país não participante do Acordo, que se faça constar do campo 14 (Observações) do Certificado a informação de que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. Para melhor compreensão dessa exigência, reproduzse a seguir o texto da quarta nota que consta no dorso do novo formulário, in verbis: NOTAS O presente certificado: [...] poderá ser aceita a interveniência de um operador de outro país, sempre que sejam atendidas as disposições previstas neste certificado. Em tais situações o Certificado será emitido pelas Entidades Certificantes habilitadas para tal fim, que fará constar no campo 14 – Observações – que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente. (grifos não originais). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Aliás, as referidas notas encontramse reproduzidas no Certificado de Origem apresentado para amparar a operação de importação em apreço (fl. 25). O texto da nota em destaque, de forma clara, esclarece que, havendo a interveniência de um operador de outro país, a operação de importação deve ser realizada por conta e ordem do operador interveniente, no caso, a Pifco, situação que não se vislumbra na operação de importação em apreço. Com efeito, noticiam os autos que, na operação de importação em tela, a intervenção da operadora Pifco, situada em um terceiro país não membro do Acordo, deuse na qualidade de exportadora e não como real importadora, como exige a nota em comento. No caso, a função de importador de fato e direito foi exercida pela Petróleo Brasileiro S/A. – Petrobras, o que caracteriza a operação em comento como tendo sido realizada em nome e sob a responsabilidade integral da própria Petrobras (importadora de fato e direito). No caso, não houve operação de importação por conta e ordem de interveniente situado em outro país não participante do Acordo, mas sim importação realizada pela própria autuada de pessoa jurídica localizada em terceiro país não integrante do Acordo, no caso Trinidad e Tobago, que foi o país da aquisição informado na DI que amparou o despacho aduaneiro de importação da mercadoria (fls. 21/24). Aliás, sobre esse fato inexiste controvérsia nos autos, posto que, por meio da correspondência de fls. 33/35, a própria importadora e autuada (Petrobras) confirma que a mercadoria fora comprada na Argentina pela exportadora Pifco, que, posteriormente, revendeu lhe, para fim de importação para o Brasil, o operação que foi realizada pela própria autuada, conforme explicitado na referida DI. As informações contidas na citada DI e nos demais documentos que instruíram o correspondente despacho aduaneiro de importação, também corroboram a conclusão aqui esposada de que, no caso em questão, não teve operador interveniente e tampouco operação de importação por conta ordem de interveniente, mas operação de importação realizada diretamente pela autuada sem a interveniência de operador de outro país estranho ao Acordo, conforme explicitado nos fragmentos de textos que seguem transcritos: a) informação extraída do verso do Conhecimento de Carga (fl. 22), in verbis: ENDOSSED TO THE ORDER OF PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY FOR AND BEHALF OF REPSOL – YPF TRADING Y TRANSPORTE S. A (RYTTSA). ENDOSSED TO PETROLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRAS PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY P. O. BOX 1092 GRAND CAYMAN – CAYMAN ISLAND b) informação extraída das fichas da DI (fls. 14, 26 e 27), ipsis litteris: Importador CGC: 33.000.167/074490 PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS [...] Exportador Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 115 9 Nome: PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY Logradouro: BANKAMERICA BUILDING, FORT STREET Numero:00000 Complemento: P. O. BOX 1092 Cidade: GEORGE TOWN Estado: GRAN CAYMAN País de Aquisição: TRINIDAD E TOBAGO [...] Fabricante/Produtor Nome: YPF S/A Logradouro: AV. ROQUE SAENES PENA Numero:000777 Complemento: Cidade: BUENOS AIRES Estado ARGENTINA País de Origem: ARGENTINA Com base nessas informações, fica evidenciado que aqui não se trata de descumprimento de mera formalidade, como alegou a recorrente, mas da falta de atendimento de requisito material necessário para que a operação fosse contemplada com a redução tarifária do ACE – 18, ou seja, que a mercadoria originária dos Estados Partes fosse importada dos correspondentes País, o que não ocorreu no caso em apreço. Além disso, ainda que fosse caracterizada a operação de importação por conta e ordem da Pifco, o que se admite apenas para argumentar, sob ponto vista formal, a ausência dessa informação no campo 14 (Observações) do Certificado de Origem de fls. 24/25, certamente, implicaria descumprimento da exigência determinada no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE – 18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Aliás, no campo 14 referido Certificado, consta a seguinte informação: Por cuenta y orden de REPSOLYPF TRADING Y TRANSPORTE, S.A. Po de la Castellana, 278 —28046 Madrid, Espana Com essa informação, o referido Certificado ampararia uma operação de importação por conta e ordem da interveniente REPSOL YPF TRADING Y TRANSPORTE S.A, o que não se vislumbra na operação de importação em questão. Por todas essas razões, fica cabalmente demonstrado que a operação de importação em tela não atende os requisitos materiais fixados na alínea “c” do artigo 10º do Regulamento de Origem do MERCOSUL, que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao ACE18, executado pelo Decreto 1.568/1995, e tampouco o requisito formal determinado no Décimo Quarto Protocolo Adicional ao ACE–18, executado pelo Decreto 1.914/1996. Desse modo, resta impossibilitada a aplicação do tratamento preferencial tarifário pleiteado pela autuada na referida DI e, noutro giro, o acerto da fiscalização ao Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 proceder o lançamento do crédito tributário devido na referida operação importação, sem qualquer redução tributária. A recorrente alegou que a documentação coligida aos autos atendia fielmente ao que determinava o art. 2º da Resolução nº 232, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), executada pelo Decreto 2.865/1998, a seguir transcrito: Artigo 2º Incorporar ao Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: "Segundo Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". "Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação". (grifos não originais) Sem adentrar no mérito se a operação de importação em tela atende ou não aos requisitos do citado preceito normativo, é certo que ele, expressamente, permite que a mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI seja faturada de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, “identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”. Entretanto, não se pode olvidar que o referido comando normativo aplicase apenas às operações de importação submetidas ao Regime Geral de Origem da ALADI, atualmente consolidado pela Resolução nº 252, do Comitê de Representantes, executada pelo Decreto 3.325/1999. É pertinente ressaltar que no texto consolidado da Resolução nº 252, o texto do artigo 2º Resolução nº 232 encontrase reproduzido na íntegra no ARTIGO NONO. Por força dessa circunstância, a operação de triagulação comercial permitida no citado comando normativo, inequivocamente, não se aplica ao caso em tela, regido peloas regras do Regulamento de Origem do MERCOSUL, aprovado pela Decisão nº 6, do Conselho do Mercado Comum do MERCOSUL, e que integra o Anexo I do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, executado pelo Decreto 1.568/1995 Para justificar a sua pretensão, a recorrente colacionou ao recurso em apreço farta jurisprudência administrativa do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relativa ao Regime Geral de Origem da ALADI, matéria estranha ao objeto da presente controvérsia. Por essa razão, deixase de fazer qualquer comentário a respeito. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10209.000807/200582 Acórdão n.º 3102002.276 S3C1T2 Fl. 116 11 Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10235.001221/2005-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTOS. NULIDADE
Não há de ser anulado o lançamento erigido através de regular processo administrativo fiscal.
LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL.
Apenas os valores relativos às despesas de consumo são dedutíveis no livro Caixa sendo indedutíveis as aplicações de capital.
LIVRO CAIXA RETIFICADO PELO CONTRIBUINTE
Goza de presunção da validade a retificação levada à efeito pelo próprio recorrente, em obediência aos regramentos legais, devendo pois ser considerado para todos os fins legais.
LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES E COMPROVAÇÕES
A fim de que possam ser consideradas pela autoridade fiscal como dedutíveis, as despesas escrituradas em Livro Caixa devem obedecer aos conceitos e definições legais e tem de ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos, cujo ônus é do contribuinte.
MULTA ISOLADA. (CARNE-LEÃO). IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO.
Não cabe a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) quando incidentes sobre uma mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 15.957,20 referente à multa isolada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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LANÇAMENTOS. NULIDADE Não há de ser anulado o lançamento erigido através de regular processo administrativo fiscal. LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL. Apenas os valores relativos às despesas de consumo são dedutíveis no livro Caixa sendo indedutíveis as aplicações de capital. LIVRO CAIXA RETIFICADO PELO CONTRIBUINTE Goza de presunção da validade a retificação levada à efeito pelo próprio recorrente, em obediência aos regramentos legais, devendo pois ser considerado para todos os fins legais. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES E COMPROVAÇÕES A fim de que possam ser consideradas pela autoridade fiscal como dedutíveis, as despesas escrituradas em Livro Caixa devem obedecer aos conceitos e definições legais e tem de ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos, cujo ônus é do contribuinte. MULTA ISOLADA. (CARNELEÃO). IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) quando incidentes sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 12 21 /2 00 5- 18 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 405 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela de R$ 15.957,20 referente à multa isolada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (03/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (fls.03/12 ), Exercício 2002, Ano Calendário 2001, no valor total de R$84.481,18, incluindo imposto, multa de oficio de 75% e juros de mora, lavrado em decorrência das seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas; b) Dedução Indevida de despesas de Livro Caixa; c) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de Carne Leão; 0 sujeito passivo, inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 02/12/2005(fl.07), apresentou impugnação em 03/01/2006 (fl. 60/76), alegando, em síntese, que: a) Pelo Livro Caixa apresentado em 2002 verificase que as despesas nele consignadas "erradamente" somam R$87.193,15 e pelo novo Livro Caixa foi apresentado apenas R$47.709,36 (R$87.193,15 R$39.483,79); b) Acontece que o Livro Caixa original ostenta o valor de R$125.182,53; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 406 3 c) Como a Fazenda Nacional não pode aproveitarse do "erro" do contribuinte, o valor acima deverá representar as despesas contraídas durante o Exercício de 2001; d) A correção desses erros acaba por eliminar o fato gerador, deixando, obviamente, de existir tributo, segundo o art.114, do CTN; e) Deve prevalecer com a correção dos erros aritméticos o primeiro Livro Caixa; f) Quando a digna Autoridade Fiscal convenceu o contribuinte/impugnante que deveria elaborar um "novo" Livro Caixa não imaginara que, mesmo assim, o mesmo receberia "nova"glosa, agravando a situação tributária do mesmo; g) Em decorrência do novo entendimento da digna autoridade fiscal entende o contribuinte/impugnante que foi violado o principio da boa fé que rege todas as relações jurídicas; h) Considerando que todas as despesas foram necessárias para o exercício digno da profissão de advogado não há como ser consideradas inválidas para efeito de tributação; i) Nesse sentido é a não aceitação das despesas do profissional liberal como a compra de modernos instrumentos de trabalho, tais como computadores, impressoras, livros, sob a alegação de que se trata de despesas operacionais e não de consumo, ultrapassando o ano fiscal; j) Diante dos fundamentos expendidos, pede que seja considerado como válido o primeiro Livro Caixa que ostenta o valor de R$125.182,53; 1) Houve clara omissão da DRF/AP quanto às despesas compulsórias relativas a instrução (R$5.100,00) e médicas (R$1.315,92); m) Prejuízo pela não incidência dos juros e correção monetária do carnêleão recolhido antecipadamente; n) Ilegalidade da aplicação da multa isolada de 75%, por ser incompatível com a ordem jurídica tributária justa, citando, em sua defesa, precedente do CC, em que é o recorrente, referente ao processo n° 10235.000951/200259; o) Parte da documentação que firmam o Livro Caixa já se encontra nos autos, juntando aos autos os documentos das despesas que foram glosadas; Em vista das alegações acima, requer: a) Declarar nula a aplicação da multa isolada; b) Julgar totalmente ou parcialmente procedente a presente impugnação. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 407 4 Dessa forma, temse que o contribuinte não impugnou a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, resultando no valor de R$ 10.418,23, conforme planilha abaixo, relativo ao principal do imposto suplementar, sem prejuízo da incidência de multa de oficio e juros de mora, pelo que tais créditos devem ser apartados para cobrança imediata. EXERCÍCIO 2002 DISCRIMINAÇÃO VALORES (EM R$) BASE DE CALCULO DECLARADA 558.436,62 INFRAÇÕES NÃO IMPUGNADAS 37.884,48 TOTAL 596.321,10 ALÍQUOTA 27,5% PARCELA A DEDUZIR 4.320,00 IMPOSTO DEVIDO 159.668,30 IR PAGO 149.250,07 IR NÃO CONTESTADO 10.418,23 Permanece como objeto deste litígio a quantia de R$ 10.858,04 referente ao IRPF/2002, mais os correspondentes acréscimos legais de multa de oficio e juros de mora. É o relatório.” Passo adiante, a 2a Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CONSUMO. APLICAÇÕES DE CAPITAL. Apenas o valor relativo As despesas de consumo é dedutível no livro Caixa. De outro lado, as aplicações de capital são indedutíveis. São despesas dedutíveis as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como material de escritório, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação. Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto 6, não se extingam com sua mera utilização. MULTA ISOLADA. (CARNÊLEÃO). REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE 75% PARA 50%. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 408 5 A lei nova que prevê penalidade menos severa que a vigente ao tempo da prática da infração deverá ser aplicada retroativamente aos fatos pretéritos ainda não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte Cientificado em 07/02/2008, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2008 (fls.361/395), reiterando sua argumentação apresentada na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares a serem analisadas. Contudo o recorrente requer “medida liminar” “para sustar qualquer procedimento fiscal por parte da DRFB/AP com relação à inscrição na Divida Ativa do valor de R$ 10.418,23 e seu consectário de R$ 7.813,67.”, “utilizando por analogia os arts. 797 e 798, do Código de Processo Civil.” (sic) Quanto a medida liminar requerida, sem adentrar ao mérito de sua pertinência, entendo que não assiste razão ao recorrente, pela falta de interesse/objeto, haja vista que, nos termos do processo administrativo fiscal delineadas no Decreto 70.235, bem como pela dicção do Código Tributário Nacional ex vi do seu artigo 151, inciso III, o crédito tributário encontrase atualmente, por força do julgamento do presente recurso administrativo, com exigibilidade suspensa, o que por si só já afasta o provimento pleiteado pelo recorrente, que portanto, não merece ser acolhida. A única exceção no que tange ao crédito tributário lançado à época, diz respeito a parcela da exigência de imposto no valor de R$ 10.418,23, que deverá ser submetida à imediata cobrança em autos apartados (fl. 352), vez que se trata de parcela não impugnada pelo contribuinte, ora recorrente, que portanto, se tornou definitiva. Sem nomear de preliminar, argui o recorrente a nulidade do Auto Infração, que em seu sentir malferiu diversos preceitos constitucionais, entre eles o da isonomia, bem como incorreu em “erros de lançamento”. Neste ponto, entendo que o processo administrativo de que trata, transcorreu da forma prevista pela legislação de regência, não havendo qualquer mácula que o torne nulo, haja vista o preenchimento dos requisitos legais e respeito aos ditames do PAF, devendo ser afastada a argüição de nulidade suscitada pelo contribuinte, em síntese, por inexistir vício que comprometa o lançamento, ou mesmo desrespeito a qualquer direito do ora recorrente. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 409 6 Quanto ao mérito, propriamente dito, o recorrente inicialmente se insurge contra a aplicação da multa isolada de 75%, taxandoa a de ilegal e que seria “incompatível com a ordem jurídica tributária justa.” De se destacar que, quanto a este ponto, a autoridade administrativa encontra se vinculada à legislação de regência, a saber, o artigo 116, inciso III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN), sendo obrigada a seguir a aplicação da legislação pertinente. Ora, não há que se falar em ilegalidade da norma aplicada, quando existe expressa previsão legal vigente a embasar sua aplicação. Mesmo se a intenção do recorrente foi taxar de inconstitucional e não de ilegal a multa aplicada, não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF apreciar alegação de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula CARF nº2 que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, a legislação é por demais clara, sendo certo que no caso em análise, o contribuinte somente pode considerar (e escriturar) como dedutíveis as despesas referentes ao custeio e necessárias a sua atividade, que sempre devem vir acompanhadas das competentes documentações necessárias, por ocasião da fiscalização. No presente caso, apesar de entender como dedutíveis as despesas com água, luz e telefone, inclusive eventualmente os livros utilizados no exercício da profissão de advogado, como no presente caso, verifico que a documentação apresentada pelo recorrente se compõem de: a) documentos que apesar de se referirem a despesas dedutíveis, se referem a outro imóvel (Av. Presidente Vargas, n.831) diverso daquele consignado na abertura do Livro Caixa (R. Cora Coralina, 902), b) outros comprovantes de despesas que não estão em nome do contribuinte não podem, portanto, ser considerados pela fiscalização, c) documentos referentes a aquisição de bens não comprovadamente utilizados no exercício da profissão. Quanto a validade do Livro Caixa retificado, tendo em vista que a retificação do Livro Caixa, foi apresentada pelo próprio contribuinte, não há que cogitar qualquer violação ao principio da boa fé, devendo este, o retificado, prevalecer para todos os efeitos legais. Quanto a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, consoante jurisprudência Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, não é devida concomitantemente com a multa de ofício. Neste sentido, diversos julgados desde Egrégio Conselho, in verbis: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10235.001221/200518 Acórdão n.º 2801002.851 S2TE01 Fl. 410 7 oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. E ainda, verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº. 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) Quanto às decisões administrativas colacionadas pelo recorrente, não podem ser aplicadas ao caso dos presentes Autos, como precedente, na medida em que não existe lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituindo, pois, norma complementar do Direito Tributário. Desta forma, não pode ser estendida genericamente a outros casos, eis que somente se aplica sobre a questão em análise e apenas vincula as partes envolvidas naquele litígio. Diante do exposto, julgo PROCEDENTE EM PARTE o presente recurso, para afastar a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, na medida da concomitância com a multa de ofício, equivalente à R$ 15.957,20. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10850.905394/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 53 94 /2 01 1- 06 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905394/201106 Acórdão n.º 3801004.157 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10820.001179/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS.
Sujeitam-se à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional.
NULIDADE.
Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO.
Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo.
MULTA AGRAVADA.
Mantém-se a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1102-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria "MPF", os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Sujeitam-se à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantém-se a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Omissão de Receitas. Juros Recebidos Recorrente BRACOL HOLDING LTDA. Recorrida 3ª Turma da DRJ/RPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Sujeitamse à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 11 79 /2 01 0- 01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 3 2 INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões, em relação à matéria "MPF", os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela BRACOL HOLDING LTDA. contra o Acórdão n. 1437.522 proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO em face do julgamento que manteve na íntegra os Autos de Infração de IRPJ e CSLL. Os Autos de Infração de IRPJ e CSLL, respectivamente nos valores totais de R$ 1.245.947,41 e de R$ 448.541,07, foram lavrados após a Fiscalização ter apurado, no ano calendário de 2005, omissão de receitas de juros não escriturados no valor de R$ 1.877.840,93. De acordo com o Relatório do Acórdão recorrido, relata o fisco que, em procedimento fiscal realizado na empresa BASF S/A – CNPJ 48.539.407/000118, constatou se que: a) Houve transação simulada de "compra" do estabelecimento da Bracol de CNPJ n° 01.597.168/003961 pela empresa BASF S/A. Tal transação, na verdade, não passou de simples compra de créditos indevidos de IPI pela BASF S/A; b) No contrato relativo à referida transação, datado de 20/03/2003, na cláusula VII (Preço), nos itens 3 e 3.1 há previsão de remuneração com base na taxa SELIC. c) Há aditivo do contrato mencionado na alínea anterior, datado de 17/06/2003, que também trata da referida remuneração. d) Na escrituração contábil da BASF S/A foram registrados os valores correspondentes à remuneração citada nas alíneas "b" e "c" acima mencionadas. A fiscalização consultou a escrituração contábil do sujeito passivo (Bracol Holding Ltda) referente ao ano de 2005, que foi apresentada em arquivos digitais, e não identificou escrituração de valores correspondentes às remunerações devidas pela BASF S/A. Foi encontrado apenas um registro efetuado em 31/03/2005 no valor de R$ 336.965,20, a crédito da conta 91301000012 (Juros recebidos). A contribuinte foi intimada várias vezes a informar se houve escrituração dos valores das citadas remunerações e quais as contas contábeis em que foram realizados tais registros. Como não houve resposta, em 27/11/2009, os AFRFB estiveram na sede da empresa, onde, mais uma vez, o seu procurador alegou que não dispunha da documentação requerida. Como as intimações não foram atendidas, a multa de ofício foi agravada em 50%, a teor do § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Foi efetuado o lançamento de ofício tributandose o valor total dos juros escriturados e pagos pela BASF S/A para a contribuinte, excluindose apenas o valor de R$ 336.965,20, que foi registrado na sua contabilidade. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com as impugnações de fls. 139 a 158 (IRPJ) e fls. 180 a 199 (CSLL), subscritas pelos procuradores Fernando Dantas Casillo Gonçalves e Tiago Dias de Amorim (fls. 159/173), alegando: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 5 4 · O auto de infração é nulo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), art. 59, I, porque os AFRF autuantes não possuem competência para constituir o crédito tributário do IRPJ, que é privativa de servidores vinculados à Derat/SP, por ser o IRPJ tributo cujas questões fiscais devem ser realizadas por fiscais com jurisdição no domicílio fiscal da empresa, ou seja, São Paulo, capital; · O auto de infração também é nulo porque a “Autorização para Reexame de Período já Fiscalizado” emitida pelo Superintendente não transferiu a competência de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo e de servidores jurisdicionados no município de São Paulo, capital, para a DRF/Araçatuba e seus servidores; · Outra causa da nulidade do auto de infração reside no fato de que não se respeitou os termos do MPFF. Por esse documento o local indicado para a realização dos trabalhos fiscais foi somente o endereço da impugnante localizado no município de São Paulo, capital, jamais tendo sido permitida a realização de atividades no município de Araçatuba, Estado de São Paulo, como pretenderam os supracitados AFRFB em total inobservância aos termos do MPFF. Além disso, não existiu válida delegação de competência da Derat/SP para a DRF/Araçatuba, porque isso também deveria estar escrito no MPFF, considerando a legislação aplicável, sendo mais um motivo para a nulidade de todos os trabalhos fiscais e do presente auto de infração; · Mesmo na hipótese do MPFF não estar viciado com as irregularidades apontadas anteriormente, persiste uma circunstância geradora da nulidade de todo o trabalho fiscal. O auto de infração é nulo, porque os trabalhos fiscais que lhe embasaram estão viciados por terem sido realizados com fundamento em MPFF sem validade jurídica, uma vez que foi emitido por autoridade atuando em delegação de competência relacionada à função de Delegado da Receita Federal do Brasil (RFB), violando o art. 6º, § 4º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. A realização de trabalhos fiscais por outra unidade da RFB submetida a mesma Região Fiscal e diferente da unidade com jurisdição sobre o contribuinte ocasiona a necessidade do MPFF ser emitido exclusivamente pelo próprio Superintendente; · O auto de infração deve ser cancelado em razão da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, que tem validade de 60 (sessenta) dias, salvo se for prorrogado por ato escrito, nos termos do art. 7º, § 2º do PAF. Todos os procedimentos fiscais realizados a partir da emissão do citado termo o foram de forma irregular pela perda de sua validade; · A impugnação merece ser provida, porque a impugnante não foi intimada previamente a se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, ofendendo o art. 44 da Lei nº 9.784,de 1999. Os autuantes deveriam ter intimado a Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 6 5 impugnante e concedido um prazo razoável para a preparação dos documentos para análise no seu estabelecimento no município de São Paulo, Capital. Não foram observados os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784, de 1999, já citada; · Para a validade do lançamento seria imprescindível que o auto de infração contivesse os fundamentos jurídicos do lançamento, especialmente os dispositivos que estabelecem ser a impugnante sujeito passivo, bem como os relativos à base de cálculo e alíquotas utilizadas para a apuração do quantum debeatur supostamente devido aos cofres públicos. Deveriam ter sido citados os arts. 146, 147, I (que define como contribuinte a pessoa jurídica domiciliada no Brasil), 219 (que define o lucro real como base de cálculo para o caso da impugnante), 541 e 542 (que define a alíquota aplicável e adicional); · A fundamentação jurídica inadequada afronta a Constituição Federal (CF), arts. 5º, LV, 37, o princípio da publicidade, o Código Tributário Nacional (CTN), arts. 3º, 142 a 144, e o PAF, art. 10, IV; · Na presente autuação os motivos de direito não existem, pois a fiscalização não demonstrou juridicamente de forma adequada, precisa e clara, os dispositivos legais necessários para garantir a fundamentação jurídica do lançamento do IRPJ, não bastando, para garantir esse embasamento, dispositivos que apenas tratam de aspectos específicos e operacionais do tributo federal; Houve cerceamento do direito de defesa por não terem sido demonstradas as razões jurídicas necessárias para o lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário. O fisco cerceou seu direito de defesa, pois não demonstrou como apurou tributos se os valores das operações não foram apropriados como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e por ter efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre essas mesmas bases de cálculo; · Houve ofensa ao art. 9º do PAF, uma vez que foi cientificada do auto de infração, mas não foram apresentados os seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração. Tal fato prejudicou o seu direito de exercer a defesa no prazo de 30 (trinta) dias, conforme garantido pela legislação, uma vez que somente tomou conhecimento do inteiro teor os documentos citados pelo AFRF no auto de infração no dia 15/12/2009, ou seja, uma semana depois da ciência da autuação. A perda desse prazo causou prejuízo à defesa, porque considerando terem os documentos relacionados ao caso sido emitidos há mais de cinco anos e, muitos deles, de titularidade de empresa na qual não mais participam a família “Bertim”, todo o prazo de trinta dias deveria ser aproveitado para a busca de todos os documentos. Assim, o auto de infração deve ser cancelado, porque não foi apresentado à impugnante juntamente com todos os seus anexos, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 7 6 ou, ao menos, ser cancelada a ciência da impugnante, com a reabertura de novo prazo para apresentação de impugnação; · O lançamento é nulo pois o fisco, ao apurar o IRPJ devido, não levou em consideração a existência de valores negativos do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 1.279.949,53 e R$ 470.351,13, respectivamente, conforme comprovam as fichas 12 A e 17 da DIPJ 2006 encaminhada à RFB, o que não resultaria imposto devido; · O auto de infração deve ser cancelado, pois ocorreu a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; · O auto de infração deve ser cancelado, pois a fiscalização não demonstrou que a impugnante praticou o fato gerador do tributo. Considerando que os supostos juros foram pagos em produtos e não em dinheiro, como reconhecido pelos próprios autuantes, não existe contabilização de receita da forma realizada no auto de infração, porque isso somente seria possível se houvesse pagamento em dinheiro que não foi o caso; · A multa agravada de 112,5% deve ser cancelada, pois não está presente no processo nenhuma das hipóteses previstas no parágrafo 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que somente não apresentou todos os documentos solicitados porque eles não estavam em seu poder e tendo em vista o curto prazo concedido para o levantamento de todos os documentos relativos à período superior a cinco anos; · Requereu, caso não seja cancelado o auto de infração, que seja reaberto o prazo de trinta dias para impugnar, em razão do não fornecimento dos anexos da autuação; · Requereu que também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos o advogado no seguinte endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 3311, 6º andar, São Paulo, Capital. Os membros da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto acordaram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa abaixo: Acórdão 1437.522 3ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 30 de abril de 2012 Processo 10820.001179/201001 Interessado BRACOL HOLDING LTDA. CNPJ/CPF 01.597.168/000199 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS RECEBIDOS. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 8 7 Sujeitamse à tributação pelo imposto de renda os juros auferidos pelas pessoas jurídicas. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Incabível a dedução do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ, quando resultante de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. O início do procedimento fiscal previne a jurisdição, na hipótese de competência concorrente entre as unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 9 8 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo. MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, quando se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em suma: Nulidades: a) A nulidade do feito, pelo indeferimento do pedido de reabertura de prazo para impugnação, tendo em vista que não houve a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos; b) A incompetência dos AFRFB de Araçatuba para constituírem o crédito tributário do IRPJ; c) A Autorização para Reexame do Período já fiscalizado não transferiu competência para a DRF Araçatuba; d) Os descumprimentos às normas dos MPF emitido; e) O fato de que o MPF deveria ser emitido pela Superintendente da Receita Federal f) A perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; g) A falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da fiscalização, conforme art. 44 da Lei 9.784/99; h) A inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 10 9 i) O cerceamento do direito de defesa ao não ter a fiscalização demonstrado como pode ser possível exigir tributos da Recorrente se os valores das operações não foram apropriadas como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e ter este contribuinte efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre estas mesmas bases de cálculo; j) Não observância dos direitos e deveres previstos na Lei 9.784/99; l) A falta de apuração do IR considerando o valor negativo existente na contabilidade da empersa; No Mérito, repisa os argumentos já expostos na impugnação, alegando em síntese: a) A inexistência de infração; b) A decadência; c) A inexistência da prática do fato gerador; d) A penalidade confiscatória Requereu, por fim, o provimento do recurso voluntário para ser cancelado o Acórdão recorrido em razão de não ter sido reaberto o prazo para apresentação de nova impugnação e não ter sido apreciado diversas e importantes razões de defesa, com o retorno dos autos para primeira instância proceder novo julgamento. Sucessivamente, requer que seja reformado o Acórdão recorrido com o total cancelamento do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A recorrente apresentou em seu recurso voluntário vários argumentos de nulidades dos autos de infração objeto do processo em epígrafe, os quais serão abaixo analisados. a) A nulidade do feito, pelo indeferimento do pedido de reabertura de prazo para impugnação, tendo em vista que não houve a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos O contribuinte em sua impugnação e novamente em seu recurso voluntário alegou ter sofrido prejuízo ao exercício de sua defesa por ter os Auditores Fiscais, por ocasião da intimação dos autos de infracão, deixado de entregar naquele momento os anexos e de todos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 11 10 os materiais que fundamentaram a elaboração dos autos de infração, descumprindo as determinações do art. 9o do Decreto n. 70.235/72, que assim prescreve: Decreto n. 70.235/72 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Compulsando o processo o que se constata na verdade é que o contribuinte foi diversas vezes devidamente intimado (intimação pessoal) a entregar documentações, a prestar esclarecimentos, a contribuir com a fiscalização, todavia sempre dificultou o andamento dos trabalhos. Em verdade nada trouxe o contribuinte aos autos, seja na impugnação ou no recurso, para provar o alegado de prejuízo ao seu exercício da ampla defesa. Nem mesmo a petição de solicitação da documentação que alega não ter sido entregue pela Fiscalização. Por outro lado, analisando os autos de infração de IRPJ e CSLL verificouse que foram lavrados cumprindo as formalidades legais essenciais previstas no art. 10 do PAF, tais como: a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias e a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, o Demonstrativo de Apuração dos tributos e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, contendo as condições necessárias para produzir o efeito que lhes compete, conforme determina o CTN, art.142. Eles se fizeram acompanhar do Termo de Verificação de Infração Fiscal, no qual foram descritos todos os fatos e apurações feitas pela fiscalização, todos os valores das receitas de juros omitidas, discriminados mês a mês. Por não vislumbrar no procedimento fiscal constante do presente processo prejuízos ao exercício de defesa do contribuinte deixo então de acatar esse argumento de nulidade. b) A incompetência dos AFRFB de Araçatuba para constituírem o crédito tributário do IRPJ; O Decreto nº 70.235, de 1972 regula a hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, ou seja, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não jurisdiciona o contribuinte: Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 12 11 (...) § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (ressaltei) (...) Art. 9º § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º. A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Renumerado de 2º para 3º, pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93)(ressaltei) Portanto, o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. c) A Autorização para Reexame do Período já fiscalizado não transferiu competência para a DRF Araçatuba; d) Os descumprimentos às normas dos MPF emitido; e) O fato de que o MPF deveria ser emitido pela Superintendente da Receita Federal; f) A perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal; Tratandose os itens “c”, “d”, “e”, e “f” a respeito de supostas nulidades do MPF, passase a analisalos conjuntamente. Primeiramente, cabe destacar que a ação fiscal em tela, executada por auditores fiscais lotados na DRF/Araçatuba, encontrase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002009 044565 (fls.4/5 ) emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo, o que, desde já, afasta a nulidade “f” levantada pela recorrente. Em relação ao MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, cumpre registrar que consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 13 12 O MPF constituise, assim, em instrumento de controle que se presta, tão somente, a possibilitar à RFB acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos auditoresfiscais, de modo a verificar, por exemplo, se a fiscalização empreendida está sendo realizada adequadamente, de acordo com os critérios definidos por lei e pela Administração. Sendo assim, não cabe interpretar que qualquer irregularidade no MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (CF, art.37), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Inclusive esse entendimento já se encontra sedimentado no presente Conselho, a saber: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105330 do Processo 13982001173200170 Data 05/12/2005 Ementa recurso "ex officio" MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma Acórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data 28/01/2008 Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002 NULIDADES. AUSÊNCIA Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 14 13 DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido. Quanto à extrapolação de prazo de fiscalização, esclarecese que o MPF Fiscalização nº 08.1.90.002009 044565 (fls.4/5 ) foi prorrogado eletronicamente nos termos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, conforme DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES abaixo: MPF prorrogado até: 01 de Março de 2010. MPF prorrogado até: 30 de Abril de 2010. MPF prorrogado até: 29 de Junho de 2010. MPF prorrogado até: 28 de Agosto de 2010. MPF prorrogado até: 27 de Outubro de 2010. MPF prorrogado até: 26 de Dezembro de 2010. Considerando que os autos de infração foram lavrados e cientificados no dia 11/11/2010 não há que se falar em expiração do prazo da fiscalização que se findaria em 26/12/2010. g) A falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da fiscalização, conforme art. 44 da Lei 9.784/99; Alega a contribuinte não ter sido devidamente intimada do prazo de 10 dias previsto no art. 44 da Lei n. 9.784/99 para se manifestar acerca do Termo de Encerramento da Fiscalização. Não procede tal alegação porquanto o presente processo ter sido formalizado em obediência ao Decreto n. 70.235/72, concedido os prazos lá previstos, não restando necessidade de aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela requerente. Vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o PAF, que é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. h) A inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; Com relação à alegação de nulidade por ausência de fundamentação jurídica ou motivação inadequada do auto de infração em desrespeito ao art. 9º do PAF, novamente não assiste razão à contribuinte uma vez que resta devidamente informada nos autos de infração a origem da autuação, ou seja, omissão de receitas de juros não escrituradas decorrente de uma operação de venda de estabelecimento com aproveitamento dos créditos de IPI lá existentes. Tal fato foi inclusive reconhecido e relatado pela própria contribuinte em sua impugnação. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 15 14 Os motivos e a fundamentação jurídica dos autos de infração estão devidamente demonstrados em suas peças, todas devidamente cientificada ao contribuinte, que inclusive foi exaustivamente e previamente intimado a se manifestar nos Termos de Constatação Fiscal sobre os fatos que ensejariam a lavratura dos autos de infração. Dessa forma, não vislumbramos ter havido qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa do contribuinte. i) O cerceamento do direito de defesa ao não ter a fiscalização demonstrado como pode ser possível exigir tributos da Recorrente se os valores das operações não foram apropriadas como custo na sua DIPJ 2005, se todas as operações foram escrituradas por seu fornecedor e ter este contribuinte efetuado o pagamento dos tributos federais devidos sobre estas mesmas bases de cálculo; Não merecem prosperar as alegativas da Recorrente. Os autos de infração foram lavrados justamente por omissão de receita, não declarados, não contabilizados e nem oferecida à tributação. Há nos autos provas da própria fonte pagadora (BASF S/A) afirmando ter realizado os pagamentos, cópia do contrato da operação jurídica que ensejou a receita omitida, bem como cópia dos livros contábeis da BASF S/A contabilizando a operação. Portanto não se pode alegar ofensa ao direito de defesa se foi dado ao contribuinte diversas oportunidades para se manifestar e explicar acerca da existência ou não das receitas omitidas, seja por ocasião dos Termos de Constatação Fiscal, por ocasião da Impugnação e mesmo do Recurso Voluntário, mas mesmo assim nada foi dito pela empresa. j) Não observância dos direitos e deveres previstos na Lei 9.784/99; Conforme já relatado na alínea “g”, no processo administrativo tributário federal devem ser observadas as regras contidas no Decreto nº 70.235 /72 e não na Lei 9.784/99. l) A falta de apuração do IR considerando o valor negativo existente na contabilidade da empresa; A contribuinte alega, também, que o fisco não levou em consideração a existência de valores negativos do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 1.279.949,53 e R$ 470.351,13, respectivamente, conforme comprovam as fichas 12A e 17 da DIPJ 2006 encaminhada à RFB. De acordo com o Acórdão recorrido a contribuinte declarou em sua DIPJ 2006 apurou tais valores negativos de IRPJ e CSLL, levando em consideração os valores declarados a título de imposto de renda e CSLL mensal pagos por estimativa (fl. 17). Tais estimativas, entretanto, não foram efetivamente pagas por meio de Darf, mas sim por compensação solicitada em processos fiscais de restituição/ressarcimento, os quais foram indeferidos por falta de apresentação de documentos que comprovassem o crédito alegado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 16 15 Não obstante a tal constatação pela autoridade julgadora de 1ª instância, vale destacar que o contribuinte foi devidamente intimado por ocasião da fiscalização a apresentar livros contábeis (Razão e Diário), planilhas de saldos, arquivo de lançamentos contábeis, tabela de plano de contas, tabela de centro de custo/despesa, e todos os demais que reputassem necessários para informação da fisacalização. Dessa forma, os alegados saldos negativos de IRPJ e CSLL não foram comprovados pela contribuinte, razão pela qual não se pode considerálos na apuração dos tributos devidos do presente lançamento. Quanto ao MÉRITO, julgamos também pelo improvimento do presente recurso voluntário, mantendose na íntegra a decisão de 1ª Instância, pelas razões a seguir. m) A inexistência de infração; A contribuinte alega que, como os supostos juros foram pagos em produtos e não em dinheiro, não existindo contabilização de receita da forma realizada no auto de infração. A esse respeito dispõe o CTN, em seu art. 43, que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, determinando em seu § 1º que a incidência do imposto independe da denominação da receita, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela LC nº 104, de 10/01/2001): CTN Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Ficou comprovado no processo que a contribuinte, na transação realizada com a BASF, auferiu receita de juros e, embora, não tenha sido recebida em dinheiro deve ser oferecida à tributação. A recorrente, por outro lado, não apresentou qualquer documentação ou argumentação jurídica capaz de ilidir a caracterização do ilícito fiscal. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 17 16 n) A decadência; A contribuinte alega que, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, decaiu o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento. Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, relativamente ao IRPJ e CSLL, verificase que a contribuinte optou pela apuração anual dos citados tributos, ocorrendo o fato gerador em 31 de dezembro de 2005. Dessa forma, considerandose que o fato gerador ocorreu em 31/12/2005 e a ciência do auto de infração em 11/11/2010, concluise, tendo em vista o disposto no CTN, art. 150, §4º, que não houve decadência relativamente àqueles tributos. o) A penalidade confiscatória A recorrente traz ainda a alegação da natureza confiscatória da multa aplicada por violar o art. 150, IV da Constituição Federal de 1988. Ocorre que tal multa está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores, e tal diploma legal encontrase em vigor e foi legitimamente inserto na ordem jurídica pátria, por isso, considerando a estrita vinculação legal da atividade administrativa, não poderia a fiscalização, tampouco este colegiado, afastar sua aplicação, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 10820.001179/201001 Acórdão n.º 1102000.907 S1C1T2 Fl. 18 17 Registrese ainda que a ofensa do dispositivo legal que veicula a multa imposta a princípios constitucionais não é matéria oponível na via administrativa e, sobre isso, foi editada a Súmula nº 2, aprovada na sessão plenária de 18 de setembro de 2007, de aplicação obrigatória por este colegiado, por observância ao disposto no art. 72, § 4º, do precitado Regimento Interno. Referida Súmula possui o seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo exposto, conhecemos do presente recurso voluntário, visto que atendidos os pressupostos legais, entretanto NEGO PROVIMENTO pelas razões supra descritas. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Numero do processo: 12269.004681/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003
CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão.
Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS.
É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977.
GRATIFICAÇÃO E PAGAMENTOS EM FOLHA COMPLEMENTAR. PARCELAS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO.
A contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados.
Incide contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a empregados a título de gratificação não eventual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão. Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977. GRATIFICAÇÃO E PAGAMENTOS EM FOLHA COMPLEMENTAR. PARCELAS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. A contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. Incide contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a empregados a título de gratificação não eventual. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO Recorrente CC PAVIMENTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de 05 anos a contar da data da decisão. Não foi transcorrido o prazo de 05 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. ESTÁGIO. DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. É segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), na condição de empregado, o estagiário que presta serviços a empresa, em desacordo com a Lei 6.494/1977. GRATIFICAÇÃO E PAGAMENTOS EM FOLHA COMPLEMENTAR. PARCELAS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. A contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. Incide contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a empregados a título de gratificação não eventual. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 46 81 /2 00 9- 60 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 02/2003 a 06/2003. O Relatório Fiscal (fls. 10/17) informa que a primeira a ação fiscal teve início em 05/10/2006, com ciência do MPF n° 10.1.01.00.2008.00991, lavrada a NFLD de DEBCAD 37.019.0068, com ciência em 28/12/2006, todavia este lançamento foi considerado nulo, por vício formal, conforme Acórdão n°.0216.358 exarado pela 7' Turma de Julgamento em Belo Horizonte, na sessão datada de 27/11/2007. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a decisão de nulidade decorreu de erro na aplicação da multa, em razão do enquadramento feito pelo auditorfiscal de salários de contribuição definidos mediante aferição indireta, tendo equivocadamente informado que estes valores estavam declarados em GFIP, o que implicou na redução em 50% no valor da multa de mora, determinandose, em conseqüência a emissão de novo documento de lançamento. O Fisco informa que a base de cálculo foi apurada por aferição indireta prevista na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 33, parágrafos 3° e 6°, e consignadas no levantamento EXT PAGAMENTO EXTRA FOLHA, pois foi constado, quando do exame da escrituração contábil da empresa e análise dos elementos apresentados à fiscalização, que sua contabilidade não registra o movimento real das remunerações pagas aos segurados empregados que lhe prestam serviços. As folhas de pagamento e gratificações extras foram encontradas nos controles financeiros da empresa. Como elemento motivador da adoção do procedimento da aferição cita os seguintes fatos: (i) a conta de despesa não registra o movimento real dos pagamentos realizados pela empresa, não informando assim a real remuneração dos segurados empregados; (ii) os serviços administrativos e de contabilidade da empresa são realizados na Empresa Ribas Construtora Ltda; (iii) a empresa C.C. Pavimentadora Ltda e a empresa Ribas Construtora Ltda são empresas de grupo familiar; (iv) na empresa Ribas Construtora Ltda foi apreendidos documentos de controles financeiros de pagamentos de remuneração em que constam também pagamentos a empregados da empresa C.C. Pavimentadora Ltda e que como estes pagamentos foram feitos fora da folha foram considerados para fins de apuração da remuneração dos segurados da empresa; (v) da análise dos livros Diário e Razão, constatouse que a conta 4.1.1.04 .00122 Salários e Ordenados, registra apenas os salários declaradas em folha de pagamento, sendo omitidos os registros das gratificações pagas aos seus empregados, bem como os pagamentos feitos e registrados em folha suplementar. Cita como exemplo de falta de registro de pagamento, ocorrências relativas aos segurados empregados Noeli da Costa, Evir Cristian Lara Ventura e José Amâncio Soares. Acresce o Auditor que além dos pagamentos “por fora” de gratificações que não foram contabilizados e nem incluídos em folhas de pagamentos, a empresa deixou de registrar, em época própria, pagamentos de salários a segurados empregados, citando como exemplo o fato ocorrido com os empregados Eder Fuck e João Batista Teodoro Cardoso. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 07/12/2009 (fls. 01 e 20), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24/53), alegando, em síntese, que: 1. Preliminar. Defende que a lavratura de novo auto de infração sobre os fatos geradores objeto da NFLD 37.019.0068, julgada nula por enquadramento equivocado da multa, só poderia ser emitido dentro do prazo de cinco anos do pagamento contados do fato gerador, o que, se não feito até março de 2008, houve a decadência do direito de lançar. Sustenta a impropriedade da exigência fiscal dizendo que ao caso não se aplica a regra estabelecida no art. 173, inciso II no CTN, tendo em vista que “a nulidade do débito lançado não ocorreu por vício formal do lançamento, mas sim por vício material havido no lançamento que atingiu, inclusive, o valor lançado, por errônea tipificação da multa aplicável, tanto assim que o fisco não emitiu um novo lançamento, mas sim 3(três) autos de infração”. Aduz que somente o vício formal possibilita a realização de um novo lançamento, sobre os mesmos fatos e que, no caso, houve alteração dos fatos, razão pela qual não se poderá cogitar na reabertura de prazo para novo lançamento, muito menos para a realização de 3 (três) lançamento como agora feito. Assevera que, ao caso, não se aplica a regra do inciso II do art. 173 do CTN, estando, portanto, configurada a decadência do direito de lançar, por força do transcurso do prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador; 2. Relativamente aos fatos geradores que motivaram a autuação, diz que a fiscalização presumiu a existência de vínculo empregatício, pois os trabalhadores relacionados pelo Fisco prestaram serviço na condição de autônomos. Cita como exemplo o nome de Eder Fluck que, segundo a impugnante no período do levantamento do débito (fevereiro/2003) seu vínculo com a empresa era na condição de estagiário. Alega que a fiscalização considerou como segurados empregados da empresa trabalhadores que nunca foram por ela registrados nessa qualidade, sem, contudo ter demonstrado os pressupostos inerentes à relação de emprego, levando em conta, para tanto, única e exclusivamente os pagamentos efetuados àqueles profissionais desprezando o fato de se tratarem de profissionais liberais. O lançamento se deu com base em mera presunção, porque o Fisco não provou a relação de emprego existente entre a empresa e os prestadores de serviços considerados empregados pela fiscalização. Acrescenta que em não havendo elementos que caracterizem a relação de emprego, não há que se cogitar da existência de vínculo empregatício e muito menos de contribuição lançada sobre a remuneração de supostos empregados e que não é do Fisco a competência para definir o vínculo empregatício e sim, à vista do contido no artigo 643, da CLT, é competência privativa da Justiça do Trabalho; 3. Relativamente à contribuição apurada sobre as gratificações pagas aos empregados da empresa, diz que, a rigor técnico, não podem ser qualificadas como “salário”, porque não correspondem à Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 4 5 retribuição por serviços prestados e, em conseqüência, não se sujeitam à incidência de contribuição previdenciárias. Assevera que para a aplicação do artigo 22, inciso I da Lei 8.212/1991, é necessário analisar o artigo 457, da Consolidação das Leis do Trabalho, não podendo o INSS considerar de forma simplista o salário como sendo tudo que o empregado recebe do empregador em decorrência da relação de emprego. Diz que a verba paga a título de gratificação além não ter sido expressa ou tacitamente ajustada com o empregado, representa mero ato de liberalidade patronal, sem se revestir do caráter de habitualidade e insuscetível de ser considerada como salário e que a inclusão de tal verba para composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, afronta o artigo 110, do Código Tributário Nacional. Isto porque, segundo o impugnante, a partir do momento em que o fiscal considera como salário as gratificações pagas aos empregados, alarga a base de cálculo da contribuição previdenciária; 4. Pede, ao final, seja julgada procedente a impugnação e cancelada a autuação com imediata suspensão de seus efeitos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão no 0930.651 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 68/77) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil em Gravataí/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto da decadência tributária, pois já teria ocorrido o prazo de 5 anos da decisão definitiva de nulidade. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio da NFLD n° 37.019.0068, de 26/12/2006, conforme Acórdão n° 0216.358, de 27/11/2007, proferido pela 7a Turma da DRJ/BHE, que registrou: “[...] Após a ciência da interessada, os autos deverão ser remetidos à Delegacia da Receita Federal de origem para as providências necessárias à lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em substituição à presente, que ora se anula. (...) Assim sendo, a contribuição apurada não foi objeto de lançamento por parte da empresa, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, fato comprovado com a lavratura do Auto de Infração de n° 37.019.0092 . O lançamento aqui registrado considerou que as contribuições apuradas foram lançadas em GFIP e, em conseqüência, aplicou se com redução da multa em 50% (cinqüenta por cento) o que não poderia ser, tendo em vista que o § 4o do artigo 35 supracitado aplicase tão somente no caso de as contribuições terem sido informadas naquele documento. O fato ocorrido gerou a cobrança de multa a menor do que devido, o que é considerado um vício de saneamento inviável. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de anular o presente débito com determinação no sentido de que seja efetuado novo lançamento em uma outra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. [...]” (g.n.) (Acórdão n° 0216.358 da 7a Turma da DRJ/BHE) Percebese que foi devidamente noticiado, no conteúdo do Acórdão n° 02 16.358, que haveria a constituição de um novo lançamento fiscal em substituição à lavratura da Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 5 7 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.019.0068, que ora se anulava por conter vício formal. Constatase que, em decorrência do enquadramento equivocado, em opção no sistema informatizado de processamento do documento de lançamento, causou erro na valor da multa de mora. Isso ocasionou um defeito no processo de formação do lançamento fiscal originário, configurado como vício formal, sendo que isso permitese o lançamento fiscal substitutivo. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal e não material, este pretendido pela Recorrente, pois a auditoria fiscal delineou todos os elementos do crédito tributário previstos no art. 142 do CTN1, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Em outras palavras, o motivo determinante, pressuposto de existência material do lançamento permanece incólume, porém o lançamento carece de correção quanto ao vício procedimental na aplicação exclusivamente da multa de mora, vício este oriundo do enquadramento equivocado na opção do sistema informatizado de processamento do documento de lançamento. Para tanto, nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), ficou consignado que haveria a incidência da multa de mora calculada com base na obrigação vencida incluída em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), nos seguintes termos: “[...] ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA Competências: 02/2003, 04/2003 a 06/2003 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, til, "'a"" , 'b"' e "c', parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO (NFLD): 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ale quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% após o 15, dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa, PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não 1 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO DO DEBITO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). [...]” (NFLD n° 37.019.0068) De mais a mais, a multa de mora é um encargo decorrente do atraso de pagamento, originado do inadimplemento do contribuinte, e distinto do valor originário da obrigação principal. A regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade da decisão que anulou a NFLD n° 37.019.0068 deverá levar em consideração a regra estampada no inciso I do artigo 42 do Decreto 70.235/1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (g.n.) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de primeira instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de primeira instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 6 9 administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 07/12/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 20 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, apontam que a decisão veiculada por meio do Acórdão 0216.358 da 7a Turma DRJ/BHE, que, por vício formal, anulou o lançamento tributário anteriormente efetuado, foi proferida em 27/11/2007. Com isso, o lançamento fiscal substitutivo poderia ser lavrado até 27/11/2012, e foi lavrado em 07/12/2009. Logo, o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Dentro desse contexto da decadência, a Recorrente alega a nulidade do lançamento por inadequação jurídica do instrumento de constituição do crédito, haja vista a formulação à época de somente um documento de lançamento, no caso, a Notificação Fiscal de Lançamento (NFLD) de n° 37.019.0068, e agora de três documentos, o que desvirtua a equivalência com o documento substituído. Afirma na sua argumentação que não houve substituição do lançamento anterior, mas sim a lavratura de novos autos de infração, dentre os quais o presente lançamento fiscal, porém fora do prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 173 do CTN. Essa alegação não procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que a Recorrente foi notificada do primeiro lançamento antes de decorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, e, no lançamento substitutivo, foi notificada antes de decorridos 5 (cinco) anos da decisão que anulou o lançamento anterior, conforme já amplamente discutido. Cumpre esclarecer que, com o advento da Lei 11.457/2007, todos os procedimentos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, inclusive a nomenclatura dos documentos fiscais, passaram a ser regidos pelas normas do Decreto 70.235/1972, dispondo em seu art. 9°: Art. 9o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009). Aliás, não é outra a previsão do §7o do artigo 37 da Lei 8.212/1991, alterado pela Lei 11.941/2009, em que está consignado que “(...) o crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte”. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No presente caso, o lançamento anterior foi lavrado em 28/12/2006, utilizandose do documento de NFLD (lançamento da obrigação principal, abrangendo os valores relativos às contribuições patronais, às contribuições dos segurados e às destinadas aos Terceiros/Outras Entidades), perfazendo no campo identificado como “valor atualizado” o montante de R$4.663,98 (valor originário da obrigação principal), conforme documento de fls. 03, do Anexo I do presente processo. Por sua vez, o lançamento substitutivo seguiu as modificações legislativas que alteraram a nomenclatura do instrumento de formalização de exigência de contribuições previdenciárias, em substituição ao modelo anterior, foram emitidos três documentos de lançamento: (i) processo 12269.004679/200991, apurase as contribuições devidas pela empresa e as destinadas ao SAT/GILRAT; (ii) processo 12269004680/200915, os valores decorrentes das contribuições descontadas dos segurados; e (iii) processo 12269.004681/2009 60, as contribuições destinadas as outras Entidades/Terceiros. Assim, foi preservado o montante inicial lançado anteriormente (valor originário), conforme a soma do campo identificado como “valor atualizado”. Diante disso, não acato a alegação de nulidade do lançamento fiscal por inadequação jurídica do instrumento de constituição do crédito, eis que a mudança formal na nomenclatura do documento fiscal, decorrente de ordem imperativa legal, não ensejou qualquer cerceamento à garantia da ampla defesa nem ao devido processo legal. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco presumiu a existência de vínculo empregatício, pois os trabalhadores relacionados pela autoridade fiscal prestaram serviço na condição de estagiários ou autônomos. Argumenta ainda que inexiste contribuição sobre pagamento de gratificações. Com relação à alegação da Recorrente de que os segurados seriam estagiários, tal fato não próspera pelas seguintes razões: (i) a Recorrente não apresentou os Termos de Compromisso com interveniência da instituição de ensino, conforme previam os artigos 5o e 6o do Decreto 87.497/1982, este regulamentou a Lei 6.494/1977; (ii) não demonstrou que cumpria a regra do art. 4o, alínea “b”, desse Decreto, eis que a duração do estágio era de 3 (três) meses, renovável por igual período, acompanhada de ausência de data da celebração do contrato entre as partes; (iii) não realizou o seguro contra acidentes pessoais em favor dos estagiários; (iv) não demonstrou a matrícula regular dos estudantes; dentre outros. Decreto 87.497/1982 – Regulamentou a Lei nº 6.494/1977, que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de 2º grau regular e supletivo: Art. 4º. As instituições de ensino regularão a matéria contida neste Decreto e disporão sobre: a) inserção do estágio curricular na programação didático pedagógica; b) cargahorária, duração e jornada de estágio curricular, que não poderá ser inferior a um semestre letivo; c) condições imprescindíveis, para caracterização e definição dos campos de estágios curriculares, referidas nos §§ 1º e 2º do artigo 1º da Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 7 11 d) sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular. Art. 5º. Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso. Art. 6º. A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. (g.n.) § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. Com isso, percebese que é necessário o Termo de Compromisso para a caracterização da inexistência de vínculo empregatício. Além disso, a Recorrente não demonstrou que os estagiários tinham seguro contra acidentes pessoais nem que eles cumpriam cargahorária (duração e jornada de estágio curricular) superior a um semestre letivo. É importante esclarecer que o seguro contra acidentes pessoais exigido pela Lei 6.494/1977 é requisito essencial para que o estagiário deixe de ser beneficiário do RGPS. O mesmo dispositivo, ao afastar o vínculo de emprego, preocupase com a previdência do estagiário contra os infortúnios a que se sujeita no ambiente de trabalho: Lei 6.494/1977: Art. 4º. O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Com o advento da Lei 11.788, de 25/09/2008, foi estabelecido um novo regramento para a concessão de estágio de estudantes, e permaneceu como requisito da configuração de um estágio o seguro contra acidentes pessoais, podendo a obrigação ser assumida pela instituição de ensino interveniente: Lei 11.788/2008: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7odesta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. ......................................................................................................... Art. 9o. As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações: (...) IV contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; (g.n.) (...) Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino. Diante desse contexto fático, percebese, então, que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos estabelecidos pela Lei 6.494/1977, vigente até 24/09/2008, quando foi revogada pela Lei 11.788, de 25/09/2008, tornando os valores pagos aos segurados empregados (designados pela Recorrente de estagiários) salário de contribuição previdenciária, a teor da regra estampada na alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 8 13 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Constatase que o segurado empregado Eder Fulck, o qual a Recorrente alega à condição de estagiário, efetivamente ele foi estagiário em outra empresa (RIBAS CONSTRUTORA LTDA), distinta da Recorrente, conforme Termo de Compromisso de estágio e Aviso de Término de Estágio (fls. 57/58), no período de 15/08/2002 até 15/02/2003, tendo como participantes a Escola estadual Presidente Arthur Costa e Silva e a empresa concedente do estágio RIBAS CONSTRUTORA LTDA. Percebese ainda que o término desse estágio aconteceu em 15/02/2003 e a remuneração considerada como fato gerador do lançamento foi registrada na competência 05/2003, conforme comprovase no relatório de lançamento de fls. 13, do anexo I. Dentro do contexto fático e da alegação da caracterização de vínculo empregatício, em face do enquadramento de trabalhadores como segurados empregados, cumpre esclarecer que essa situação não configura como motivo do presente lançamento fiscal, eis que os valores apurados são decorrentes da verba paga a título de gratificação, esta evidenciada nas folhas complementares de pagamento (extra folha, nos controles financeiros apreendidos pelo Fisco), conforme documentos acostados aos autos (fls. 09/15 do Anexo I). A alegação de que a verba paga a título de gratificação não poderia ser qualificada como “salário”, porque não corresponderia a retribuição por serviços prestados e não foi expressamente ou tacitamente ajustada com o empregado, representando mero ato de liberalidade patronal, portanto desprovida de habitualidade, tal alegação também não merece ser acatada. Esse entendimento decorre do fato de que a verba designada de gratificação foi paga em folha complementar (por fora da folha normal, suplementar) e não foi devidamente registrada na contabilidade da Recorrente. Para tanto, o pagamento extra folha foi devidamente registrado no Relatório Fiscal (fls. 10/17) com os seguintes termos: “[...] 2. NARRATIVA DOS FATOS 2.1. As remunerações foram apuradas por aferição indireta, por não constar nas folhas de pagamento e, em razão da contabilidade da empresa não refletir a realidade dos lançamentos contábeis, conforme determina a legislação previdenciária e também as normas técnicas de contabilidade, estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC. 2.2. Ao constatar, no exame da escrituração contábil e na análise dos elementos apresentados que a construtora não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, os salários de contribuições foram obtidos com base nos controles financeiros apreendidos pela Fiscalização, onde constam relacionados os valores líquidos das remunerações das folhas de pagamentos, bem como gratificações não incluídas em folhas de pagamentos. Este procedimento fiscal está amparado legalmente, conforme o disposto na Lei 8.212/91, abaixo transcritos: (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 2.2.1.1. Na visita in loco à empresa, constamos que os serviços administrativos de contabilidade e recursos humanos são realizados no prédio da empresa Ribas Construtora Ltda., que fica ao lado, tendo o Sr. Ivo José Ames, como Contador Departamento de Contabilidade, fone 33441121 e o Sr. Luciano da Silva Teixeira Departamento. de Recursos Humanos, fone 33441055: 2.2.1.2. Na análise foi possível constatar de que tratase de empresas familiares, pois o sóciogerente da C.C. Pavimentadora Ltda., Cristiano Lindner Ribas é filho do sócios gerentes Jandir dos Santos Ribas, CPF: 118.993.28068, CI 4005438355SSP/RS, e Marisa Lindner Ribas, Período: 08/05/1980 a 15/03/2006, CPF: 489.863.05020, CI 9013012597SSP/RS, residentes na Rua Desembargador Augusto Loureiro Lima, 141, apto.301, CEP 90470120, Bairro • Petrópolis, em Porto Alegre/RS; 2.2.1.3.Na ação fiscal desenvolvida na empresa Ribas Construtora Ltda. foram apreendidos documentos de controles financeiros de pagamentos de remunerações, em que constam também pagamentos a empregados da empresa C.C. Pavimentadora Ltda. Como nestes controles financeiros constam pagamentos realizados por fora das folhas de pagamentos, foram também utilizados para apuração de remuneração de segurados nesta empresa. (...) 2.2.3 . Na análise dos livros contábeis (Diário e Razão) verificamos que a conta 4.1.1.04.00122 Salários e Ordenados registra apenas os salários declarados nas folhas de pagamento, sendo omitidos os pagamentos de gratificações, além de pagamentos por fora (PF) discriminados em folha de pagamento suplementar, ficando caracterizada a exclusão de registro de fato contábil para encobrir fato gerador de contribuição previdenciária, numa demonstração inequívoca de que a escrituração não retrata a totalidade dos pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados. Por esta infração, foi lavrado auto de Infração. [...]” A materialidade dos fatos constantes no Relatório fiscal encontrase comprovada pelos documentos de fls. 41/57. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial do gratificação alegando que é paga por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganho eventual). Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer, eis que a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente registrou os valores nos controles financeiros apreendidos pela Fisco (extra folha). Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da maneira com os valores foram disponibilizados para os segurados empregados: sem quaisquer registros na contabilidade da Recorrente (Livro Diário e Livro Razão) e registrados nos controles financeiros apreendidos pelo Fisco, os quais contêm os valores líquidos das remunerações das folhas de pagamentos e as gratificações não incluídas em folhas de pagamentos. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004681/200960 Acórdão n.º 2402004.335 S2C4T2 Fl. 9 15 Como a remuneração decorrente da folha complementar (suplementar, controles financeiros apreendidos pelo Fisco) foi omitida da escrituração contábil, isso configura que os valores eram destinados a retribuir o trabalho, independentemente da sua forma de pagamento, a teor do inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720342/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ENTENDIMENTO AMPARADO NO DEVER DE COLABORAÇÃO DO CONTRIBUINTE COM A ADMINISTRAÇÃO, NO § 1º DO ART. 17-O DA LEI 6.938/91, E NO § 1º DO ART. 7 DO DECRETO 70.235/72.
A dedução das Áreas de Preservação Permanente das áreas tributáveis pelo ITR carece da protocolização de Ato Declaratório Ambiental anteriormente ao início da ação fiscal, tendo em vista a necessidade de o contribuinte observar o seu dever de colaboração com a administração tributária, e considerando o disposto no § 1º do art. 17-O da Lei nº 6.938/91, c/c o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Vinícius Magni Verçoza e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ENTENDIMENTO AMPARADO NO DEVER DE COLABORAÇÃO DO CONTRIBUINTE COM A ADMINISTRAÇÃO, NO § 1º DO ART. 17O DA LEI 6.938/91, E NO § 1º DO ART. 7 DO DECRETO 70.235/72. A dedução das Áreas de Preservação Permanente das áreas tributáveis pelo ITR carece da protocolização de Ato Declaratório Ambiental anteriormente ao início da ação fiscal, tendo em vista a necessidade de o contribuinte observar o seu dever de colaboração com a administração tributária, e considerando o disposto no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/91, c/c o § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Vinícius Magni Verçoza e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 42 /2 00 8- 13 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) exigindo crédito tributário no montante total de R$ 46.546,01 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda São Jorge/1", com área declarada de 488,3 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF 2.323.7880, localizado no Município de Piraí/RJ. O lançamento glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2004 como sendo de preservação permanente de 250,0 ha, e rejeitou o Valor da Terra Nua (VTN) informado, arbitrandoo com base no VTN/ha médio, apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT). No relatório da decisão atacada consta assim descrito o teor da impugnação vertida pela contribuinte: Cientificada do lançamento, em 02/10/2008 (AR/cópia de fls. 166), a interessada protocolou sua impugnação, em 29/10/2008, anexada às fls. 81/87, instruída com os documentos/extratos de fls. 91, 92, 93/105, 106/107, 108/113, 114, 115/116, 117/118, 119/132, 136, 137/139, 140, 141, 142, 144, 146, 148, 150, 152/154, 155/156, 158, 160/161, 163 e 164/165. faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação de |Lançamento; a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA é contraditória à Lei 9.393/96, e destituída de qualquer embasamento legal; essa exigência, imposta por ato administrativo da Receita Federal, para fins de isenção das áreas ambientais do ITR, fere direito líquido e certo dos proprietários rurais, constituindo patente ilegalidade; ainda que por hipótese seja considerada legal, a falta de entrega do ADA não é fato gerador do ITR sobre as áreas ambientais do imóvel; o ADA é um simples formulário burocrático, no qual o próprio produtor rural, sem a participação do órgão competente, realiza o seu preenchimento, ficando sob sua responsabilidade o conteúdo das informações prestadas; a Lei 4.771/65 (citada na Lei 9.393/96) foi exaustiva na definição das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que inviabiliza exigir, por meio de ato administrativo, qualquer tipo de documento para definir o que a Lei já dispôs. Muito menos, se a própria Lei não admitiu expressamente tal exigência; com o advento da Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, a questão restou definitivamente superada, posto que passou a constar do art. 10 da Lei 9.393/96, o disposto no criado § 7º, que transcreve, ficando tais áreas dispensadas de prévia comprovação por parte do declarante; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 290 3 enfim, de acordo com a citada legislação, NÃO É NECESSÁRIA A OBTENÇÃO DE QUALQUER ESPÉCIE DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA RELATIVA ÀS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, INCLUINDOSE AÍ O ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL; não aplicar tal dispositivo (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96) aos lançamentos já efetuados, contraria o disposto no art. 106, II, alínea “c” do CTN; mesmo não sendo necessário, para comprovar a área de preservação permanente declarada, estimada em 250,0 ha, providenciou a protocolização junto ao IBAMA do referido ADA, em 26/09/2007, só retificando após vistoria técnica no imóvel, para 275,0 ha, em 18/01/2008; justifica a não apresentação, naquela primeira oportunidade, dos laudos então exigidos, instruindo a sua defesa com o Laudo de Avaliação elaborado pelo engº agrônomo Carlos Patrício, em janeiro/2008, confirmado e aceito pelo autuante, mediante o qual foi apurado VTN de R$ 883.875,30, utilizado para lançamento do imposto do exercício de 2004; apresenta, mais uma vez o Laudo de Vistoria elaborado pelo engº florestal Evandro da Silva Batista, em janeiro/2008, também confirmado pelo Auditor Fiscal; em relação aos dois ADA apresentados, o primeiro com a área de preservação permanente de 250,0 ha e, o segundo, com a área alterada para 275,0 ha, apurada após vistoria técnica no imóvel, alega o Auditor Fiscal que não foi apresentado para o ano de 2004; assim, o Auditor Fiscal acatou Laudo de Avaliação e de Vistoria Técnica, elaborados em 01/2008 para apurar o imposto em 2004, porque não aceitar o ADA protocolado em 09/2007 para o mesmo exercício de 2004; invocando o princípio da razoabilidade, demonstra o cálculo do imposto que entende devido, considerada a área de preservação permanente de 275,0 ha, e demais alterações decorrentes; que o grau de utilização deverá ser diminuído e sem que a tributação do ITR deverá ter por base o VALOR DA TERRA NUA E NÃO O VALOR DA TERRA NUA TRIBUTÁVEL QUE GERA O INCENTIVO DEMINUINDO O VALOR A RECOLHER, E por fim, devidamente comprovada, por meio de laudos técnicos, a área de preservação permanente e o VTN do imóvel, espera que a presente impugnação seja acolhida, reformulando o cálculo do imposto devido e cancelandose a presente notificação. A instância de primeiro grau, considerando não impugnada expressamente a matéria relativa ao VTN, consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Exigese que as áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do cálculo do ITR, sejam objeto do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/3/2013, juntando documentos e aduzindo as seguintes razões, a seguir sumarizadas: trouxe na impugnação laudo técnico de vistoria, elaborado por profissional habilitado confirmando a existência de 275,0 ha de área de preservação permanente; nos termos do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96, a declaração para fins de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, do que se conclui que tal norma não do contribuinte não está obrigado a entregar o ADA como condição para o gozo da isenção, citando decisões administrativas e judiciais que iriam nesse sentido; a exigência de ADA é obrigação acessória, não autorizando sua falta de entrega a glosa das Áreas de Preservação Permanente (APP) existentes no imóvel; a natureza da ADA é declaratória, permitindo que o IBAMA ratifique as áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente, validando a sua retirada da base de cálculo do ITR, devendo assim ser interpretado o art. 17O da Lei nº 6.938/81, e o § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382/02; na ausência da ratificação pelo IBAMA, laudo técnico emitido por engenheiro competente permite tal ratificação, atestando a veracidade das informações, em consonância com o princípio da verdade material; a existência das áreas de preservação permanente, conforme o art. 2º da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), prescindem de qualquer declaração do poder público; o prazo para entrega do ADA foi previsto em mera Instrução Normativa da RFB e/ou art. 10, § 3º do Decreto nº 4.382/02, não tendo amparo legal; o laudo técnico apresentado comprova, com detalhes e cabalmente, o enquadramento da área tratada como APP; traz decisões administrativas e judiciais que, entende, respaldam seus argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para fins de reconhecimento da isenção do ITR encontrase no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 291 5 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. §§ 2º a 5º (omissis) Tratase, portanto, de exigência assentada em lei, e ainda que a notificada considere revestirse aquela do caráter de obrigação acessória, tal conclusão não favorece suas pretensões, pois os parágrafos únicos dos arts. 175 e 194 do Código Tributário Nacional (CTN) são bastante claros acerca da necessidade dos contribuintes cumprirem obrigações acessórias, ainda que eventualmente não estejam obrigadas ao pagamento do tributo. Nesse sentido, temse o entendimento tanto do Supremo Tribunal Federal (RE nº 250.844/SP, DJe de 19/10/2012), quanto da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (EDcl nos EDcl no REsp nº 1.116.792/PB, DJe de 6/9/2012), em julgamento do qual se transcreve o seguinte excerto de ementa: Afirmouse que os deveres instrumentais, previstos na legislação tributária, ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam, inclusive, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos arts. 175 e 194, parág. único do CTN; Dessarte, não há impedimento normativo para que a não tributação das APP pelo ITR esteja condicionada ao cumprimento de deveres formais, já que mesmo situações versando sobre imunidade, matéria de índole constitucional, podem assim restar limitadas. Asseverese, por outro lado, que a eventual dispensa de comprovação prévia relativa às áreas de interesse ambiental, conforme o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.9363, de 13 de dezembro de 1996, alude ao fato de que o contribuinte não tem de municiar o Fisco, quando da entrega da DITR, dos elementos probatórios que amparam as deduções pleiteadas, como sói acontecer com os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Porém, uma vez sob procedimento fiscal, cabe ao contribuinte trazêlos para atestar o cumprimento das condições legais, de modo que possa excluir as áreas ambientais declaradas da incidência do ITR; nesse sentido, outrossim, o disposto no art. 10, § 3º, I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002. E, ainda que se reconheça a existência de decisões do STJ em sentido diverso do acima compartilhado, o fato é que estas, quando afastaram a tributação das APP pelo gravame contestado, não o fizeram ao lume do disposto no § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Portanto, na ausência de disposição normativa que imponha a observância a tais decisões por parte dos membros deste Colegiado, delas dissinto, por entender não perfilarem o melhor entendimento da questão ao não abordarem os efeitos daquela prescrição legislativa sobre a matéria. Nessa linha, vale também registrar que não está sob discussão se a existência das áreas de preservação permanente, conforme o art. 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), prescindem ou não de declaração do poder público, mas sim dos requisitos para que áreas do gênero possam ser excluídas da tributação pelo ITR. Com efeito, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 as repercussões tributárias dessa existência carecem de normatização própria, que ultrapassa a esfera da legislação estritamente ambiental. Noutro giro, é inegável que a entrega do ADA visa possibilitar ao IBAMA a verificação das informações prestadas pelos contribuintes em suas DITR, até mesmo porque aquele órgão é que dispõe de estrutura operacional e técnica apta a checar, in loco, as feições reais do imóvel e cotejálas a descrição contida naquela declaração. Assim, entregue o ADA conforme respectivo protocolo, há uma presunção relativa de que as áreas ali consignadas possuem, sendo o caso, interesse para fins de preservação dos sistemas ecológicos, permitindo a sua dedução da área tributável do imóvel. Ulterior fiscalização ambiental, entretanto, pode constatar a falta de correção das informações prestadas no ADA e na DITR, do que se dará a devida ciência à RFB. Dessa premissa, contudo, não se pode inferir, como equivocadamente cogita a contribuinte, de que ausência dessa "ratificação" por parte da fiscalização do IBAMA poderia ser "suprida" por laudo técnico particular, de lavra de engenheiro ambiental. A legislação prevê a fiscalização pelo IBAMA não só pelo inegável expertise que os técnicos desse órgão possuem na matéria, mas também pelo fato de que as vistorias e verificações por eles realizadas são levadas a efeito por agentes públicos, no exercício de suas competências funcionais. Nesse contexto, não há como aceitar, com base no princípio da verdade material, que o laudo pericial trazido pela contribuinte possa preencher a exigência legal do ADA. Esse princípio não pode preponderar na espécie, porquanto estabelecida pelo próprio legislador regra visando preservar o interesse público mediante a perspectiva de que um ato ou procedimento administrativo, promovido por órgão ambiental, venha a aferir a conformidade do conteúdo da DITR com a realidade dos fatos e com as normas de regência. Quanto ao prazo para apresentação do ADA, cabe asseverar, primeiramente, que não é matéria afeta à lei a fixação de prazo para o cumprimento de obrigações acessórias; por exemplo, o prazo para a entrega de declarações tais como DCTF e DIPJ costumam ser fixados, periodicamente, por meio da edição de Instruções Normativas da RFB, normas de caráter regulamentar exaradas com fulcro nos arts. 100, I do CTN, e 16 da Lei nº 9.779, de 10 de janeiro de 1999. Desta sorte, ainda que a disciplina do ADA enquanto documento a ser preenchido e entregue à administração federal seja de competência do IBAMA, não vislumbro óbices para que os efeitos tributários sejam atribuídos somente aos ADAs entregues dentro de um determinado prazo, definido por ato infralegal da RFB. Não obstante tais considerações, convém ponderar que o mero fato de a entrega do ADA ter se dado a destempo não configura motivo suficiente, por si só, para limitar o direito do contribuinte ao gozo da isenção a que faz jus no que diz respeito ao ITR. Poderia ensejar, por exemplo, a imposição de sanção pela protocolização do documento fora do prazo previsto, mas não a impossibilidade de se deduzir, da base de cálculo do imposto, as áreas preservadas. Vale lembrar que o art. 2º, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, impõe à administração pública o dever de observância dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo que o seu inciso XIII prescreve que nos processos administrativos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720342/200813 Acórdão n.º 2802003.207 S2TE02 Fl. 292 7 serão observados os critérios de interpretação da norma administrativa da forma que melhor atender o fim público a que se dirige. Destaquese, entretanto, que tais assertivas não favorecem ao contribuinte que infringe seu dever de colaboração para com a administração tributária, apresentando o ADA não só de maneira intempestiva, como também tão somente após premido pelo início de ação fiscal em seu desfavor, momento em que já não está abrigado pelo benefício da espontaneidade, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. No particular, a contribuinte colacionou ao processo ADAs do exercício 2007 às fls. 111/112, transmitidos via internet e recepcionados pelo IBAMA em 26/9/007 e 18/1/2008, contemplando APP de 250,0 ha e 275,0 ha, respectivamente; ou seja, depois do início do procedimento fiscal o qual se deu em 17/9/2007 (fls. 9/12), não sendo possível, consequentemente, sua aceitação para fins de comprovação das APP relativamente ao ano calendário 2003. Ademais, os ADAs apresentados a partir do exercício de 2007 como no caso em tela são válidos apenas para o exercício em vigor, devendo ser tal apresentação realizada anualmente até 30 de setembro do anocalendário, forte no disposto no art. 9º da IN Ibama nº 96, 30 de março de 2006, e posteriores arts. 6º e 7º da IN Ibama nº 5, 25 de março de 2009. O prazo para sua retificação, segundo essas normas, estendese até 31 de dezembro. Por conseguinte, eventuais retificações realizadas do exercício 2007 em diante possuem o escopo limitado de modificar as informações constantes nos ADAs relativos aos mesmos respectivos exercícios, não tendo o efeito retroativo a períodos passados, como pretende a contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16636.000085/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/12/2003 a 12/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA ALTERADA EM RAZÃO DE JULGAMENTO DO STF. INCLUSÃO NO REFIS.
Não há que se conhecer do Recurso Voluntário, quando o próprio Recorrente admite que não tem efetivamente direito ao crédito e que sua intenção era ingressar em parcelamento especial, fazendo pedido nesse sentido, inovando, pois, a discussão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/12/2003 a 12/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA ALTERADA EM RAZÃO DE JULGAMENTO DO STF. INCLUSÃO NO REFIS. Não há que se conhecer do Recurso Voluntário, quando o próprio Recorrente admite que não tem efetivamente direito ao crédito e que sua intenção era ingressar em parcelamento especial, fazendo pedido nesse sentido, inovando, pois, a discussão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 00 85 /2 00 8- 55 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de pedido de compensação de crédito de IPI, decorrente da aquisição de insumos tributados empregados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, com suporte em decisão judicial, processo n 2000.71.10.0045186, para a compensação de débitos da COFINS. A DRF, em Pelotas, não homologou as compensações, sob o fundamento de que a legislação não contempla a hipótese de compensação anteriormente ao trânsito em julgado, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que a compensação tem suporte em decisão de 2 instância, atacada pela interposição de Recurso Extraordinário, recebido somente com efeito devolutivo, e que a referida decisão teria autorizado a compensação dos créditos pleiteados com outros débitos para com a União Federal, sem condicionar tal utilização ao trânsito em julgado da sentença. Defende ainda que a limitação à compensação não se aplica às ações judiciais interpostas antes da entrada em vigor do artigo 170A do CTN, ocorrida em 10 de janeiro de 2001. Também encontrase apenso ao presente processo, o processo 16641.000162/200806, que tem por objeto lançamento de multa isolada de 75%, pela compensação indevida, com a utilização de crédito decorrente de ação judicial ainda não transitada em julgado, tendo por fundamento legal o artigo 18, parágrafo 2 , da Lei 10.833. A Recorrente apresentou Impugnação contra esse lançamento, em que repete a sua argumentação de que a compensação se deu de forma legítima. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o artigo 170A do Código Tributário Nacional não diferencia a decisão judicial da qual tenha sido emanada a ordem de compensação, exigindo o trânsito em julgado da ação para ela ser realizada. A Decisão menciona que o artigo 74 da Lei n 9.430/1996 também dispõe sobre a compensação de crédito judicial transitado em julgado, e o artigo 37 da Instrução Normativa n 210/2002. Ressalta a Decisão que as compensações realizadas antes do trânsito em julgado não encontrariam amparo no próprio acordão, que não a teria excepcionado, e por essa razão a Recorrente prestou declaração falsa ao preencher sua PER/DCOMP informando que a decisão judicial teria transitado em julgado em 08 de maio de 2003, eis que o processo encotnrava no Supremo Tribunal Federal em decorrência do Recurso Extraordinário n 398.186, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Menciona a Decisão que o referido RE foi submetido ao regime da repercussão geral, vinculado ao julgamento do Recurso Extraordinário n 562.980/SC, ocorrido em sessão de 06 de maio de 2009, que decidiu, por maioria, que no período anterior à vigência Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16636.000085/200855 Acórdão n.º 3403003.289 S3C4T3 Fl. 6 3 da Lei n 9.779/1999, não haveria direito ao aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos quando o produto final for isento do tributo sujeito à alíquota zero. Relativamente ao lançamento da multa isolada, a DRJ decidiu que com base no artigo 18 da Lei n 10.833/2003 devese aplicar a multa isolada, quando o débito não seja passível de compensação por expressa disposição legal, e, em sua visão, foi exatamente isso o que ocorreu, e concluiu pela manutenção da cobrança da multa. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário defendendo que sua compensação foi realizada de forma legítima e, por essa razão, não poderia ter sido apenada, visto que a compensação se refere a processo ajuizado antes da alteração do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que passou a valer apenas a partir de 10 de janeiro de 2001, com base em decisão do Superior Tribunalo de Justiça (AgRg no Agravo de Instrumento n 872.309 SP). A Recorrente ainda argumentou fato novo, consistente no fato de que com o julgamento, pelo STF, da impossibilidade de creditamento, ela procurou parcelar todos os valores decorrentes do processo administrativo, mas apenas foram disponibilizados os valores relativos à multa isolada. E advoga que parcelado o valor da multa isolada não haveria qualquer lógica em não se autorizar o parcelamento do presente processo, que trata das compensações declaradas que foram indicadas de forma expressa ao parcelamento. Assim, requer que o Conselho determine a legalidade da compensação realizada, devido à irretroatividade do artigo 170A do CTN, e a inclusão do débito contido no presente processo no parcelamento da Lei n 11.941/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Realmente, analisando os documentos dos autos, verificase que a Ação Judicial proposta pela Recorrente data de 16 de outubro de 2000, data que é anterior ao obstáculo previsto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, conforme jurisprudência pacífica do STJ "... 5. Por fim, é entendimento pacífico da Primeira Seção desta Corte que o disposto no art. 170A do CTN, a exigir o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 104/01, ou seja, a partir de 11.01.2001, o que se verifica na espécie. Nesse sentido: AgRg no REsp. 1.240.038/PR, Rel. Min. OG FERNANDES, DJe 02.05.2014 e AgRg no REsp. 1.429.680/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 28.03.2014, dentre outros." AgRg nos EDcl no REsp 1202553 / PR AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL2010/01353870 Dessa forma, não havia obstáculo legal para a compensação realizada pela Recorrente, que havia obtido ordem judicial para tanto, e estava, pois, apta a realizar a compensação por sua conta e risco. Ou seja, alterado o curso de sua ação, como efetivamente ocorreu, a Recorrente teria que recolher aos cofres públicos as quantias indevidamente compensadas, acrescidas de juros, conforme o caso. No presente processo, a Recorrente informa que efetuou o parcelamento da multa isolada que lhe foi aplicada e que pretendia parcelar a quantia principal, mas que esta não foi liberada pela Receita Federal do Brasil e, por isso, alegando fato novo requer que este Colegiado profira julgamento sobre a matéria, determinando a sua inclusão no parcelamento da Lei n 11.941/2009. A Recorrente não chega a fazer pedido expresso de desistência de seu Recurso, mas acaba inovando, pois admite que não teria direito ao crédito pleiteado em decorrência de julgamento do Supremo Tribunal Federal e, ao final, requer a sua inclusão no Refis, alegando equívoco da Receita Federal do Brasil. Não consta nos autos o porquê efetivamente a Recorrente não conseguiu incluir tal crédito no parcelamento, tendo feito o parcelamento da multa isolada que lhe foi aplicada, mas tal matéria refoge ao âmbito do presente processo, que, ao meu ver, perdeu seu objeto ante o julgamento do Supremo Tribunal Federal e o reconhecimento, pela própria Recorrente, que não teria direito ao crédito pleiteado. A Recorrente, como observado anteriormente, tinha direito a realizar a compensação, mas esta não tendo sido feito e iniciado o processo administrativo, com a superveniência de decisão contrária do STF e a admissão da Recorrente, não faz nenhum sentido julgar acerca da compensação, posto que inexiste crédito. No tocante ao ingresso do débito no Refis, a Recorrente deverá adotar a própria para que seu apela seja considerado, visto que neste processo administrativo não se julga a suposta negativa de ingresso no Refis, mas sim o procedimento de compensação. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 16636.000085/200855 Acórdão n.º 3403003.289 S3C4T3 Fl. 7 5 Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 18186.000180/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. Art. 173, I, DO CTN. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. Apresentará voto vencedor Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Ana Maria Bandeira Redatora designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. Art. 173, I, DO CTN. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 80 /2 00 7- 49 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. Apresentará voto vencedor Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Ana Maria Bandeira – Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 220 3 Relatório Tratase de crédito lançado (NFLD DEBCAD n° 35.580.3810) contra a empresa Albatroz Segurança e Vigilância Ltda., identificado no montante de R$ 80.218,47 (oitenta mil duzentos e dezoito reais e quarenta e sete centavos), consolidado em 27/06/2003. De acordo com o relatório fiscal de fls. 31/33: As contribuições devidas correspondem à parte patronal, desconto dos segurados, financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros, relativas ao período de 10/96 a 12/98. Os fatos geradores referemse a remunerações pagas aos segurados empregados, relativas a acordos/processos trabalhistas, apuradas por meio da verificação dos livros contábeis da empresa; A empresa, embora devidamente notificada, por meio de TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, datado de 27/03/2003, deixou de apresentar a documentação pertinente aos processos trabalhistas, o que gerou a lavratura do auto de infração n. 35.510.6787. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação (Fls. 35/54) acompanhada de documentos (Fls. 55/115) alegando, em síntese: Que não poderia prosperar a ação fiscalizadora, pois não alicerçada em princípios que regem sua exatidão, liquidez e certeza; Que o fisco não poderia se utilizar de métodos unilaterais não fundados em lei; Que a autuação tornouse abusiva e inválida; Que há afronta aos princípios da legalidade, verdade material, investigação e oficialidade; Que a taxa Selic não deveria ser aplicada sobre contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE. Em 09/01/2006, foram os autos baixados em diligência fiscal. Referida diligência resultou em despacho (Fls. 173/174) no qual a autoridade fiscal informa que a empresa apresentou contratos de prestação de serviços, notas fiscais, todas as folhas de pagamento mês a mês e demais documentos solicitados; documentos referentes aos processos/acordos trabalhistas; documentos contábeis e os respectivos livros diários e que, ao final, foi verificado que a empresa era filiada a Sindicato favorecido por liminar cujo tero desobriga ao recolhimento das contribuições decidas ao SESC/SENAC. Em análise ao despacho da autoridade fiscal, a DRJ/SPO julgou necessária realização de nova diligência fiscal, sob o fundamento de que foram verificados recolhimentos Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 não apropriados ao processo e que, tendo sido apresentados novos documentos, deveria o fiscal verificar os valores exatos a serem objeto de autuação, deduzindo aqueles que por ventura já tenham sido pagos. Em face da decisão de nova diligência e intimação para apresentação de documentos, a empresa Recorrente apresentou manifestação (Fls. 191/194) baseada exclusivamente em alegações de decadência e prescrição do crédito lançado. Não houve apresentação dos documentos solicitados (Fls. 204). A DRJ/SPO se manifestou novamente (Fls. 217/225) determinando a realização de terceira diligência, na tentativa de tomar ciência dos documentos referentes à autuação em comento. Além disso, no que tange à pretensão da ora Recorrente em relação à decadência e prescrição do crédito previdenciário, a DRJ acolheu parcialmente para reconhecer a decadência dos créditos tributários de competência de 10/1996 a 11/1997. Iniciada a diligência (Fls. 218/219), a empresa Recorrente apresentou nova manifestação (Fls. 221/222) reiterando os termos da manifestação anterior para que fosse declarada decadência ou prescrição do crédito previdenciário e, ainda, alegando que a documentação já apresentada era suficiente. Não foram novamente apresentados os documentos solicitados (Fls. 224/226). Não havendo manifestação do contribuinte quanto ao Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), os autos foram encaminhados à DRJ/SP, a qual prolatou acórdão (Fls. 235/253) reconhecendo a regularidade do procedimento fiscal em discussão e mantendo em parte o crédito tributário, em razão do reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário. Contra o acórdão foi interposto o Recurso Voluntário (Fls. 265/302) ora apreciado, no qual a Recorrente argumenta, em síntese, que: Em preliminar Houve cerceamento de defesa, uma vez que a Autoridade em momento algum comprova ou demonstra, mediante juntada de documentos, quais seriam as diferenças de apuração que deram origem ao lançamento suplementar efetuado; O lançamento é nulo por falta de vinculação, já que não comprovada a existência efetiva de serviços de mão de obra entre as empresas; Houve afronta ao princípio da verdade material, pois o lançamento não se pautou em documentos, mas sim em presunção da Autoridade Fiscalizadora; Todos os débitos em discussão encontramse fulminados pela decadência e, portanto, devem ser cancelados. No mérito Não há fato gerador que possa resultar em incidência de contribuições previdenciárias, pois os valores utilizados por base de cálculo referemse a todos os valores pagos aos funcionários e não exclusivamente àqueles pagos a título de acordo ou ação trabalhista; É ônus da fiscalização a comprovação dos valores a serem utilizados como base de cálculo. Não poderia esta se basear no valor total de cada um dos acordos, mas sim efetuar descontos das verbas que não compõem a base de calculo das contribuições previdenciárias; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 221 5 Houve inclusão de valores indevidos na base de cálculo do crédito exigido; Seria indevida a multa aplicada, uma vez que não houve infração. Inconstitucional a cobrança de juros superiores a 12% ao ano Por fim, requereu que fosse reconhecida a nulidade/improcedência do auto de infração, bem como das DEBCADs deste decorrentes e o conseqüente cancelamento dos correspondentes créditos tributários; Alternativamente, requereu a exclusão das multas e não aplicação de juros à taxa SELIC. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do Recurso. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminarmente A notificação foi lavrada em 27/06/2003, tendo o contribuinte tomado ciência da mesma, via AR (Fls. 34), em 07/07/2003, contemplando o período de 10/1996 a 12/1998. Sendo observado que houve recolhimento parcial (Fl. 31) dos valores supostamente devidos e a inexistência de dolo, fraude ou simulação, aplicarseá ao presente feito o que dispõe o art. 150, § 4°, do CTN, que determina: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Assim, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada da ocorrência do fato gerador. É o entendimento deste Tribunal em casos semelhantes: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003. COFINS E PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência para lançamento do PIS é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados, ou o primeiro dia do exercício de sua ocorrência, em caso contrário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, Proc. n° 10530.001265/200422, Terceira Câmara/Terceira Seção De Julgamento, Acórdão n° 3302 001.627, Sessão de 24/05/2012) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 222 7 crédito tributário de PIS. Súmula Vinculante no 8, do STF. CRÉDITOS APURADOS DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. UTILIZAÇÃO. O pagamento a maior, ou indevido, feito no período fiscalizado e apurado pela Fiscalização, deve ser compensado pela autoridade fiscal lançadora, desde que disponível para alocação nos sistemas da RFB, com débitos apurados nos períodos fiscalizados e posteriores ao do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, Proc. n° 10725.001887/0041, Terceira Câmara/Terceira Seção De Julgamento, Acórdão n° 3302001.601, Sessão 24/05/2012) Destarte, já reconhecida em sede de acórdão da DRJ SP I decadência parcial do crédito previdenciário referente aos exercícios de 10/1996 a 11/1997, necessário o reconhecimento da decadência dos débitos previdenciários referentes às competências de 12/1997 a 06/1998. No Mérito Analisando os autos, verificase que diante das inconsistências vislumbradas quando da atividade fiscalizatória, a Recorrente foi notificada, por mais de uma vez, a apresentar os documentos entendidos pela autoridade como necessários ao saneamento das divergências localizadas. Em não sendo cumpridas estas notificações, o Fisco decidiu por aferir indiretamente os créditos tributários em aberto. Todavia, ainda que a Recorrente não tenha apresentado os documentos solicitados para esclarecer quais valores efetivamente se referem a acordos e ações trabalhistas, isto não dá ao fisco a liberdade de entender pela ocorrência do fato gerador sem qualquer indício de que tenha ocorrido. No que diz respeito às rubricas nas quais não se verifica a natureza de acordo, não está descrita no relatório qualquer evidência que demonstre a concretude dos valores lançados como sendo decorrentes de acordos/ações judiciais, limitando se a autoridade fiscal a deduzir tais valores em razão da não apresentação de documentos. Vale dizer que, mesmo que não houvesse documentos para elucidar os lançamentos contábeis apresentados pela empresa, o fisco tem o dever de caracterizar a ocorrência do fato gerador, trazendo aos autos elementos de convicção da existência do mesmo. Ainda, quanto ao mérito, para a constituição do crédito tributário o art. 142 do Código Tributário Nacional prevê que deve ser verificada a ocorrência do fato gerador e determinada a matéria tributada. O fato gerador da obrigação principal é definido pelo art. 114 do CTN como sendo “a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. Para que se considere o fato gerador ocorrido, por sua vez, devem estar presentes as circunstâncias materiais necessárias ao surgimento da obrigação tributária (arts. 142 e 116, I, CTN). A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. A ausência dessas circunstâncias gera ao lançamento vício insanável. Nesse sentido têm sido os pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “EMENTA: DIREITO PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO – RELATÓRIO FISCAL – CLAREZA E PRECISÃO DOS FATOS GERADORES. A omissão da discriminação clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram na Notificação Fiscal quando da elaboração do relatório fiscal gera vício insanável, acarretando a nulidade do ato. Avocatória conhecida por infringência de dispositivo legal.” (Parecer n° 1.747/99, Referência NFLD 32.145.6971) No caso em análise, foram considerados fatos geradores, além daqueles que efetivamente dizem respeito a acordos e ações trabalhistas, valores localizados nos livros contábeis da Recorrente sem qualquer referência a ações judiciais ou acordos, não restando demonstrada a ligação entre os valores apontados e a circunstância material necessária ao surgimento da obrigação tributária. Versando o lançamento exclusivamente sobre verbas decorrentes de acordos e ações trabalhistas, a efetiva ocorrência destas circunstâncias deveria estar cabalmente demonstrada no relatório fiscal. No caso, ao realizar atividade fiscalizatória, deveria o Fiscal comprovar, quando do lançamento, a natureza de todos os valores dados como pagos aos funcionários no período da autuação, uma vez que, ante a inexistência de documentos para comprovar a razão desses pagamentos, não pode o Fisco simplesmente imputar a ocorrência de um fato gerador. Todavia, como se pode verificar do Relatório Fiscal de fls. 31/33, a descrição da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária é abstrata em relação a alguns pagamentos, não trazendo qualquer elemento de convicção quanto à efetiva ocorrência do fato gerador. A simples suposição da existência de serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção fática à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe, portanto, à Autoridade lançadora a motivação adequada de suas afirmativas (art. 50, II, Lei n° 9.784/99), possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, art. 5°, da Constituição Federal, qual seja o contraditório e a ampla defesa. Ainda, no âmbito do processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235/1972 e, mais especificamente no que diz respeito às contribuições previdenciárias, a Portaria RFB n° 10.875/2007, prevêem a nulidade dos “despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa” (art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 e art. 27, II, da Portaria RFB n° 10.875/07). Mais ainda, ao deixar de motivar o lançamento mediante apresentação de fatos que poderiam configurar acordos ou ações trabalhistas, a Autoridade fiscalizadora agiu contra o Princípio da Verdade Material, segundo o qual o processo fiscal tem por finalidade a garantia da legalidade da apuração do crédito tributário, devendo a conduta do Fiscal proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material efetivamente ocorrera. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 223 9 No presente caso, ao analisar a Notificação de Lançamento, impossível a verificação de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias em relação a alguns dos valores tributados, razão pela qual se impõe a CONVERSÃO DO PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que sejam apurados os valores efetivamente devidos, apontados nos livros contábeis e relatório fiscal como sendo referentes a acordos trabalhistas, considerandose os valores antecipadamente pagos pela Recorrente durante o período fiscalizado e seus respectivos abatimentos do total do crédito tributário. Conclusão Por todo o supra exposto, conheço do recurso voluntário e converto o julgamento em diligência nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira – Redatora Designada Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto ao período abrangido pela decadência. Após a edição da Súmula Vinculando nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, o cômputo da decadência se dá pela observação das disposições do Código Tributário Nacional. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 10/1996 a 12/1998 e foi efetuado em 07/07/2003, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18186.000180/200749 Acórdão n.º 2402003.344 S2C4T2 Fl. 224 11 Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/1997, inclusive. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para reconhecer que ocorreu a decadência até 11/1997, pela aplicação do art. 173, Inciso I, do CTN. É como voto. Ana Maria Bandeira. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado d igitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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