Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
6441881 #
Numero do processo: 10580.732576/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201606

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10580.732576/2012-51

anomes_publicacao_s : 201607

conteudo_id_s : 5609645

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2201-003.242

nome_arquivo_s : Decisao_10580732576201251.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH

nome_arquivo_pdf_s : 10580732576201251_5609645.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.

dt_sessao_tdt : Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016

id : 6441881

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048416420888576

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.732576/2012­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.242  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  VERA LUCIA CANGUSSU SILVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2011  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso, por intempestivo.                 Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente e Relator.      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Carlos  Cesar  Quadros  Pierre  e  Ana  Cecilia Lustosa da Cruz.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  ano­calendário  2010,  consubstanciado  na  Notificação  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 25 76 /2 01 2- 51 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Lançamento,  pela  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 1.578,53.  A autoridade fiscal apurou:  a) Omissão de Rendimento do Trabalho no valor de R$ 3.562,66;  b)  Omissão  de  Rendimento  Recebido  de  Pessoa  Jurídica  decorrente de Ação Trabalhista no valor de R$ 3.400,37 e IRRF  de R$ 175,30 e   c) Compensação  indevida de  imposto de  renda  retido na  fonte,  no valor de R$ 862,15.  Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  O contribuinte contestou o lançamento através do instrumento de  fls.  02,  alegando  em  síntese,  que  o  valor  da  compensação  indevida de  imposto de  renda retido na  fonte de R$ 566,19, da  fonte  pagadora  CNPJ  05.898.818/0001­97  foi  retificada  em  13/06/2012.  As  demais  infrações  a  contribuinte  manifesta  concordância.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, por meio do Termo  de fl. 35 transferiu a parte não impugnada para o processo nº 18050.720067/2014­48.  A 21ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou improcedente a impugnação  apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  RETIDO  NA FONTE.  O  direito  à  compensação  de  imposto  de  renda  está  condicionado  à  comprovação  da  efetiva  retenção  na  fonte  pagadora dos rendimentos.  Impugnação Improcedente  Intimada da decisão de primeira instância em 18/07/2014, conforme Edital de  fl.  61,  a  autuada  apresenta  petição,  em  13/11/2014,  fl.  72,  solicitando  que  se  analise  a  Declaração de Rendimentos revisada da fonte pagadora Vera Lucia Cangussu Silveira.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator    De  início,  cumpre  aferir  a  tempestividade  do  apelo  apresentado  pela  contribuinte.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.732576/2012­51  Acórdão n.º 2201­003.242  S2­C2T1  Fl. 3          3 O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, a suplicante tomou ciência da decisão de primeira  instância  em  18/07/2014,  conforme  Edital  de  fl.  61.  Considerando  que  18/07/2014  foi  uma  sexta­feira,  dia  de  expediente  normal  na  repartição,  o  primeiro  dia  útil  após  a  ciência  da  decisão  de  primeiro  grau  foi  dia  21/07/2014,  uma  segunda­feira,  sendo  que  nesse  caso,  o  último  dia  para  a  apresentação  do  recurso  seria  19/08/2014,  uma  terça­feira.  Ocorre  que  o  recurso  foi  apresentado  em  13/11/2014,  fl.  72,  após  ultrapassado  o  prazo  de  30  dias  do  recebimento da decisão de primeira instância.  É  forçoso  concluir,  portanto,  pela  intempestividade  do  recurso  o  que  torna  definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do  art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Isso posto, não deve ser conhecido o recurso voluntário.    Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

score : 1.0
6344245 #
Numero do processo: 10983.721668/2012-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Caso o recurso não demonstre divergência indicando até 2 (duas) decisões paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. ASPECTO TEMPORAL. MATERIALIDADE. PARADIGMAS. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis, que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta à legalidade do lançamento.
Numero da decisão: 9101-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto à matéria de nulidade de lançamento, não conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Quanto à matéria do recurso de ofício, não conhecer do recurso por maioria de votos, vencido o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora. (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201603

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Caso o recurso não demonstre divergência indicando até 2 (duas) decisões paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. ASPECTO TEMPORAL. MATERIALIDADE. PARADIGMAS. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis, que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta à legalidade do lançamento.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10983.721668/2012-73

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5580299

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9101-002.268

nome_arquivo_s : Decisao_10983721668201273.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 10983721668201273_5580299.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto à matéria de nulidade de lançamento, não conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Quanto à matéria do recurso de ofício, não conhecer do recurso por maioria de votos, vencido o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora. (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016

id : 6344245

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:19 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048416679886848

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 1.114          1 1.113  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10983.721668/2012­73  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.268  –  1ª Turma   Sessão de  03 de março de 2016  Matéria  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TJ ADMINISTRADORA DE BENS S/A e OUTROS    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2002  NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.  Caso  o  recurso  não  demonstre  divergência  indicando  até  2  (duas)  decisões  paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual  não deve ser conhecido.   ASPECTO  TEMPORAL.  MATERIALIDADE.  PARADIGMAS.  INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.  Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação  distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis,  que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta  à legalidade do lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  quanto  à  matéria  de  nulidade  de  lançamento, não conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane  Silva Costa (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal  de  Araújo.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  André  Mendes  Moura.  Quanto à matéria do recurso de ofício, não conhecer do recurso por maioria de votos, vencido o  Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.    (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 68 /2 01 2- 73 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.115          2 (Assinado digitalmente)  CRISTIANE SILVA COSTA ­ Relatora.    (Assinado digitalmente)  ANDRÉ MENDES DE MOURA ­ Redator designado.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira  Valadão,  Cristiane  Silva Costa,  Adriana Gomes  Rego,  Luís  Flávio  Neto,  André Mendes  de  Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto  Rodrigues Amadio  (Suplente Convocada), Maria Teresa Martinez Lopes  (Vice­Presidente)  e  Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).      Relatório  Trata­se de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício  de 150% referente  a  fato gerador ocorrido  em 30/09/2007,  como  se verifica dos  trechos dos  respectivos Autos de Infração reproduzidos a seguir:    Fato Gerador     Valor Apurado     (R$) Multa (%)  30/09/2007     65.900.917,46     150,00  Consta do Relatório de Atividade Fiscal, que acompanha o Auto de Infração:  Resumidamente, pode­se dizer que realizados os procedimentos fiscais foram  verificados  dois  tipos  de  infrações  relacionadas  a  omissões  de  receitas  e  ganhos. O primeiro tipo de infração configura­se como omissão de ganho de  capital na alienação de bens imóveis. O referido ganho ocorreu na alienação  dos bens imóveis pelo seu valor reavaliado a preço de mercado no momento  da subscrição e integralização de capital em empresa controlada. Ou seja, a  TJ Administradora de Bens S/A, que reavaliara terrenos de sua propriedade  incorporou ao seu capital social o valor da reavaliação e, ao mesmo tempo,  subscreveu capital em controlada integralizando o dito capital com a entrega  dos  terrenos  avaliados  a  preço  de  mercado,  de  forma  que,  ao  final  da  operação, o valor completamente realizado da reavaliação passou a constar  tanto  no  passivo  (capital  social)  quanto  no  ativo  (participação  em  controlada), sem a correspondente menção a qualquer saldo de reavaliação  a realizar. (...)  Realização de ganho de capital  Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.116          3 A  infração  referente  à  realização  de  ganho  de  capital,  foi  considerada  em  vista  da  falta  de  declaração  e  pagamento  de  tributos  incidentes  sobre  o  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação  de  bens  imóveis.  Como  foi  dito  anteriormente, a empresa reavaliou terrenos de sua propriedade, incorporou  o  valor  da  reserva  de  reavaliação  ao  seu  capital  social  e,  ainda,  entregou  (alienou)  os  terrenos  ao  preço  reavaliado  em  troca  de  participação  societária  em  empresa  controlada.  Ao  final  desta  seqüência  de  atos,  na  contabilidade da TJ Administradora de Bens, no lado do passivo, constava o  capital social aumentado no valor da reserva de reavaliação incorporada e,  no  lado  do  ativo,  constava  a  participação  societária  composta  pelo  valor  reavaliado dos terrenos, sem qualquer destaque na conta de “Investimentos”  do correspondente saldo a realizar. Diante deste quadro, agravado pelo fato  de  que  sob  o  regime  de  tributação  do  lucro  presumido  não  há  qualquer  controle  dos  valores  diferidos  em  livro  fiscal  (Lalur),  não  há  como  não  reconhecer  que o  padrão de  contabilização  é  idêntico  ao  da  realização da  reserva de reavaliação e que de fato ocorreu o ganho de capital  (...)  Quanto  às  irregularidades  irregularidades  relacionadas  à  reserva  de  reavaliação,  a  informação  trazida  na  leitura  da  6ª  alteração  do  contrato  social da TJ Administradora de Bens S/A foi corroborada pela escrituração  dos  livros  contábeis  referentes  aos  anos­calendário  2007  e  2008. De  sorte  que  ficaram confirmados nos  livros contábeis a) a  incorporação ao capital  da reserva de reavaliação, b) a subscrição e a integralização com a entrega  de terrenos, bem assim, c) o registro da participação societária recebida em  troca  dos  terrenos  pelo  valor  integral  desses  bens  avaliados  a  preço  de  mercado. Em outras palavras,  a  verificação dos  livros  contábeis  referentes  ao  ano­calendário  2008  revelou  a  presença  de  lançamentos  contábeis  compatíveis com os procedimentos de realização de reserva de reavaliação  (...)  De  todos  esses  arquivamentos  o  mais  importante  e  definitivo  para  a  configuração  da  realização  do  fato  gerador  concernente  à  realização  da  reserva de reavaliação é a “6ª Alteração Contratual” (que foi assinada em  29/10/2007).  Como  veremos  mais  a  frente,  em  razão  das  pretensões  do  sujeito  passivo  de  anular  os  efeitos  tributários  dos  atos  realizados,  os  arquivamentos  posteriores  à  “6ª  Alteração  Contratual”  também  são  considerados importantes instrumentos probatórios.  (...)  Conclusões sobre o exame dos atos societários  Diante  das  constatações  acima,  formuladas  como  resultado  do  exame  dos  atos societários ­ considerados estes individualmente ou em suas interações  com os demais ­, formou­se convicção de que:  a) De um lado, as deliberações contidas na “6ª Alteração Contratual”, por  bem  refletirem  a  vontade  das  partes  envolvidas,  são  consideradas  como  Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.117          4 idôneas e hábeis para gerar os efeitos comuns a tais deliberações (inclusive  efeitos  tributários). A  idoneidade e  fidelidade das deliberações às vontades  das partes ficou patenteada seja pela ratificação dos seus dizeres nos quatro  atos  societários  subseqüentes  à  “6ª  Alteração  Contratual”,  seja  pela  sua  confirmação por quase quatro anos, e mesmo, pela correspondência entre as  ditas deliberações e os lançamentos contábeis por ela determinados.   b) Por outro  lado, a pretendida  revogação de deliberações  formalizada na  ata da AGE de 1º/04/2011 ­ que visava modificar os dizeres sobre o aumento  do  Capital  Social  presentes  na  “6ª  Alteração  Contratual”  e  que  teria  reflexos  nos  atos  societários  subseqüentes  ­  não  tem  o  condão  de  descaracterizar a ocorrência do fato gerador que, pela presença de todos os  seus  elementos  essenciais  formadores,  ocorrera  ao  final  do  3º  trimestre de  2007. Nesse sentido, não é demais ressaltar que, a tentativa de modificar o  teor  dos  assentamentos  societários  para  descaracterizar  o  fato  jurígeno  ocorrido,  além  de  ser  juridicamente  impossível  para  exações  tributárias,  torna­se evidentemente inidônea diante da existência de procedimento fiscal  em  curso  sobre  a  matéria  cuja  modificação  se  pleiteia  e,  por  isso,  o  documento derivado dessa tentativa torna­se inequivocamente inidôneo para  gerar os efeitos pretendidos  A  contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa,  que  foi  parcialmente  acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Data do fato gerador: 30/09/2007   Integralização  de  Capital  Social  em  outra  empresa.  Bens  Reavaliados.  Caracterização de Alienação. Fato Gerador. Ganho de Capital.   Constatado que os bens do ativo imobilizado, incorporados ao patrimônio de  outra  pessoa  jurídica  na  integralização  de  capital  social,  eram  bens  reavaliados,  caracterizada  a  sua  alienação  devendo  ser  observado  a  existência de eventual ganho de capital.   Considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  no  momento  em  que  se  efetivou  a  transferência dos bens  reavaliados,  legitimada pelo  competente  registro  no  Registro  de  Imóveis.  Reserva  de  Reavaliação.  Imóveis  transferidos  em  integralização  de  capital  social  em  outra  empresa.  Lucro  Presumido.  Tributação.   Na  apuração  de  ganho  de  capital  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  presumido  ou  arbitrado,  os  valores  acrescidos  em  virtude  de  reavaliação  somente  poderão  ser  computados  como  parte  integrante  dos  custos  de  aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar (o que não ocorreu)  que  os  valores  acrescidos  foram  computados  na  determinação  da  base  de  cálculo do imposto de renda, inclusive no caso de bens originados de cisão.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.118          5 Data do fato gerador: 30/09/2007   IRPJ. CSLL. Lucro Presumido. Fato Gerador trimestral. Decadência. Prazo   O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente  ao  imposto  de  renda,  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  extingue­se  em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos  do  §  4º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  se  ausente  a  hipótese  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Se  os  lançamentos  efetuados  foram  cientificados  antes  desta  data,  não  há  que  se  cogitar  da  existência de decadência.   Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício.  Incabível.   Constatado que na  conduta da  fiscalizada não  se verificaram as  condições  previstas  nos  arts.71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  1964,  incabível  a  duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº  9.430/96  (com  a  nova  redação  do  artigo  dada  pela Medida  Provisória  nº  351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).   Solidariedade  Tributária.  Empresa  Ligada.  Interesse  Comum.  São  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidária a  pessoa  que  atua  de  forma  direta,  realiza  individual  ou  conjuntamente  com  outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador,  ou que,  em comum com outras,  esteja  em  relação ativa  com o ato,  fato ou  negócio que dá origem à tributação. Afasta­se da responsabilidade solidária  a pessoa jurídica ligada que, a despeito de possuir  interesse nas atividades  da Fiscalizada,  não  praticou  atos  que  a  vinculasse  diretamente  à  situação  que fez surgir o fato gerador.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 30/09/2007   Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ­ CSLL.   No mérito,  tratando­se da mesma matéria fática, aplica­se aos lançamentos  decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).   Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte   A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara negou provimento ao recurso de ofício e  deu provimento ao recurso voluntário, em julgamento cuja ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  DATA  DO  FATO  GERADOR:  30/09/2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DISSOCIAÇÃO.  FATOS  DESCRITOS. IMPUTAÇÃO EQUIVOCADA NO ASPECTO TEMPORAL DA  HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.   Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.119          6 Ao  verificar­se  clara  e  evidente  contradição  entre  a  descrição  no  relatório  fiscal  e  a  imputação  temporal  constante  do  auto  de  infração,  configura­se  vício material insanável do lançamento de ofício. Recurso de Oficio Negado.  Recurso Voluntário Provido.   Destaca­se do voto do relator em julgamento do recurso voluntário, tratando  do tema:  O  auditor  fiscal  aponta  em  seu  relatório  que  a  6ª  Alteração  do  contrato  social  da  contribuinte  é  o  documento  mais  relevante  e  definitivo  para  a  realização  do  fato  gerador,  como  asseverou  a  fls.  757/759  e  764/765  do  referido relatório, a saber:  De todos esses arquivamentos o mais importante e definitivo para a  configuração da realização do fato gerador concernente à realização  da reserva de reavaliação é a 6ª Alteração Contratual [..] (fls. 759)  [...]  a  6ª  Alteração  Contratual  da  Sociedade  Limitada  TJ  Administradora  de  Bens,  assinada  em  20/10/2007  e  arquivada  na  Junta Comercial do Estado de Santa Catarina – Jucesc em 29/01/2008  [...] (fls. 757/758)  [...]  na  6ª  Alteração  Contratual  ocorreram,  de  fato,  o  aumento  de  Capital  Social  pela  incorporação  da  reserva  de  reavaliação  de  imóveis [...] (fls. 759).  Mencionamos que as principais provas da ocorrência do fato gerador  em questão são a 6ª Alteração Contratual e a escrituração contábil do  sujeito passivo (fls. 764/765).”  De outro lado, no corpo do auto de infração a autoridade lançadora indica  como sendo o momento da ocorrência do fato gerador a data de 30/09/2007,  denotando, assim, evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal  e a imputação temporal constante do auto de infração.  Os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional  não foram conhecidos pela Turma, conforme acórdão cuja ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2007  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ­  NÃO  CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO ­ IMPOSSIBILIDADE  DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os  embargos de declaração  visam ao  saneamento  de  vícios  existentes  no  voto,  sendo  inviável  qualquer  análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na  decisão  de  conclusões  inconciliáveis  entre  si.  O  que  importa  para  fins  de  cabimento  dos  embargos  de  declaração  é  que  a  concomitância  de  idéias  inconciliáveis  também  influa  na  intelecção  da  decisão,  comprometendo,  consequentemente, a produção de regulares efeitos, o que não se constatou  no julgado pelo colegiado. Omissão é a falta de manifestação expressa sobre  algum ‘ponto’ (fundamento de fato ou de direito) ventilado na causa e, sobre  Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.120          7 o qual deveria manifestar­se o colegiado, o que, igualmente, também não se  evidenciou perante a decisão embargada.   A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  quanto  às  seguintes matérias:  (a)  Nulidade do lançamento, apontado os seguintes acórdãos paradigmas:  (a.1)  Acórdão  nº  CSRF  01/05.716,  no  qual  consta  que  “Se  o  ato  alcançou os  fins postos  pelo  sistema,  sem que  se verifique prejuízo as  partes  e  ao  sistema  de  modo  que  o  torne  inaceitável,  ele  deve  permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar  concretamente,  e  não  apenas  em  tese.  O  exame  da  impugnação  evidencia  a  correta  percepção  do  conteúdo  e  da  motivação  do  lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa  que  integra  a  "formalização"  do  ato.  Os  atos  com  vício  de  motivo  não  podem  ser  convalidados,  uma  vez  que  tais  vícios  subsistiriam no  novo  ato.  Já  os  vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a  ilegalidade  desde  que  não  se  cause  cerceamento  do  direito  de  defesa  ao  administrado.”  (a.2) Acórdão 104­17279, no qual se decidiu que “O Auto de Infração e  demais  termos  do  processo  fiscal  só  são  nulos  nos  casos  previstos  no  art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal).”  A Procuradoria  ainda menciona  outros  2  acórdãos  cuja  ementa  não  se  reproduz no presente relatório, mas cuja admissibilidade será tratada no  voto a seguir.  (b)  Não conhecimento do recurso de ofício,  indicando como paradigma o  Acórdão nº 101­93767,  que decidiu que: “Anulada a decisão  singular  por  cerceamento de defesa, perde o objeto o recurso de ofício interposto.”  Com fundamento nestas razões, a Procuradoria da Fazenda Nacional requer o  provimento ao recurso para afastar a nulidade do lançamento, sucessivamente requerendo seja  reconhecida a nulidade por vício formal e o não conhecimento do recurso de ofício.   O  recurso  especial  foi  admitido,  conforme  despacho  às  fls,  do  que  qual  se  reproduz a conclusão:  Atendidos  os  pressupostos  de  tempestividade  e  legitimidade,  previstos  nos  arts.  67e  68  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  e  tendo  sido  comprovadas as divergências jurisprudencial para tanto para a nulidade de  lançamento por vício material, quanto para a decisão de negar provimento  ao  recurso  de  ofício,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  especial  da  Procuradoria da Fazenda Nacional.  A  contribuinte  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial,  requerendo  o  não conhecimento do recurso, porque não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e  os paradigmas.  Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.121          8     Voto Vencido  Conselheira Cristiane    O recurso é tempestivo, razão pela qual passo à análise das demais condições  para seu conhecimento:    A nulidade do lançamento  A  respeito  da  nulidade  do  lançamento,  a  Recorrente  sustenta  divergência  apontando  2  acórdãos  como  paradigmas:  CSRF  01/05.716  e  104­17279.  Do  primeiro  paradigma (CSRF 01/05.716), destaque­se a ementa tratando da nulidade:  Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo  as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer  válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e  não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção  do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo  do  ato  administrativo  com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa  que  integra  a  "formalização"  do  ato.  Os  atos  com  vício  de  motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no  novo ato. Já os  vícios de  formalização podem ser convalidados,  sanando a  ilegalidade  desde  que  não  se  cause  cerceamento  do  direito  de  defesa  ao  administrado.  A situação fática relatada neste acórdão paradigma é a de reconhecimento de  nulidade  em  ausência  de  descrição  precisa  no  lançamento  fiscal.  Consta  do  voto  do  Conselheiro relator: "A questão a ser solucionada por esta Turma julgadora cinge­se ao exame  da  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  do  direito  de  defesa".  Quanto  ao  acórdão  recorrido, no caso dos presentes autos, trata de uma nulidade por motivação deficiente do Auto  de Infração, descrita pelo acórdão recorrido como " evidente contradição entre a descrição no  relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração ".   Note­se que as situações descritas em acórdão paradigma e acórdão recorrido  não são idênticas, mas bastante similares, justificando o conhecimento do recurso especial.   O segundo paradigma identificado pela Recorrente (Acórdão 104­17279) tem  a seguinte ementa:  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  POR  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  INCOMPLETA  ­  O  auto  de  infração  deverá  conter,  Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.122          9 obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais,  a  capitulação  legal  e  a  descrição dos fatos. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente  as acusações que lhe forma imputadas, rebatendo­as, uma a uma, de forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito,  descabe  proposição  de  nulidade do lançamento por cerceamento de defesa.  NULIDADE DO  PROCESSO FISCAL  POR  VÍCIO  FORMAL  ­ O  Auto  de  Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos  no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal)  Vislumbra­se neste segundo paradigma situação similar do acórdão recorrido,  ambos tratando de insuficiência da motivação do auto de infração.  Portanto,  entendo  que  há  similitude  fática  entre  os  casos,  como  soluções  jurídicas  divergentes,  razão  pela  qual  conheço  do  recurso  especial  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional quanto à nulidade.    O não conhecimento do recurso de ofício  Nesse  ponto,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  pretende  a  reforma  da  decisão  recorrida,  que  negou  provimento  ao  recurso  de  ofício,  para  que  seja  negado  conhecimento a este recurso. Para tanto, apresenta o acórdão paradigma n. 101­93767. Ocorre  que este paradigma trata de situação bastante diferente da presente.   O  acórdão  recorrido  entendeu  pela  nulidade  do  auto  de  infração,  diante  da  "evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante  do auto de infração".   Já  o  acórdão  paradigma  tratou  de  situação  bastante  diferente.  Com  efeito,  naquele  caso,  houve o  reconhecimento  de  nulidade  da decisão  de  primeira  instância,  do  que  decorreria  a  negativa  de  conhecimento  ao  recurso  de  ofício,  pois  outra  decisão  de  primeira  instância, no futuro, seria proferida. Destaque­se trecho do voto da Relatora:  Ocorre  que,  apreciando  o  recurso  voluntário  interposto  contra  a  decisão,  nos autos do processo 10508.000348/00­78, esta Câmara, por unanimidade  de votos, anulou a decisão de primeira instância por ter ocorrido preterição  do  direito  de  defesa  (Acórdão  n°101­93.766,  sessão  de  20  de  março  de  2002).  Não  subsistindo  a  decisão  recorrida,  o  recurso  de  ofício  perde  seu  objeto,  razão pela qual não o conheço.  Portanto,  não há  similitude  fática que  justifique o  conhecimento do  recurso  especial a respeito de tal ponto.    Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.123          10 Diante  disso,  voto  conhecer  parcialmente  o  recurso  especial  da  Procuradoria da Fazenda Nacional, apenas para conhecimento da primeira divergência  relacionada à nulidade do lançamento.    (Assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado.  Por  outro  lado,  não  obstante  as  considerações  da  I.  Relatora,  tão  bem  expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir do exame de admissibilidade do recurso, em  relação ao ponto "nulidade do lançamento".  Entendo que não restou caracterizada a divergência entre o acórdão recorrido  e os paradigmas apresentados pela recorrente.  Sobre a nulidade,  a  recorrente discorreu sobre dois  tópicos: primeiro,  sobre  inexistência da nulidade, e segundo, sobre a natureza do vício.  Conforme  o  voto  da  relatora,  foram  apresentados  como  paradigmas  os  acórdãos  CSRF/01­05.716  e  104­17279,  da  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  Destaca  a  recorrente  que  no  acórdão  CSRF/01­05.716  entende­se  que  "a  deficiência  no  pressuposto  da motivação  é  sanável  e  não  enseja  a  nulidade  do  lançamento,  ainda mais sob a pecha de vício material". Vale transcrever a parte da ementa sobre o assunto:  NORMAS PROCESSUAIS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE  DEFESA  –  ATO  MERAMENTE  IRREGULAR  ­  Se  o  ato  alcançou  os  fins  postos  pelo  sistema,  sem  que  se  verifique  prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável,  ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa  deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame  da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da  motivação  do  lançamento.  Não  se  deve  confundir  o  motivo  do  ato  administrativo  com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com  vício  de motivo  não  podem  ser  convalidados,  uma vez  que  tais  vícios  subsistiriam  no  novo  ato.  Já  os  vícios  de  formalização  podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se  cause cerceamento do direito de defesa ao administrado.  Ocorre que a nulidade apontada pela decisão recorrida não trata da situação  posta  no  paradigma, mas  sim  de  erro  no  aspecto  temporal  da  hipótese  de  incidência,  o  que  consiste em afronta à materialidade do lançamento, que encontra previsão legal na norma que  tipifica a infração tributária e no art. 142 do CTN. O voto da decisão recorrida deixa bem claro  Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.124          11 que a nulidade decorre precisamente da identificação incorreta do aspecto temporal, que enseja  vício  de  natureza material. Não  se  fala  em  vício  na motivação. A motivação  do  ato  é  outra  coisa,  trata  do  suporte  fático  da  autuação  e  do  exercício  de  se  operar  a  subsunção  do  fato  à  norma.  No  acórdão  paradigma  fala­se  que  apenas  os  vícios  de  formalização  podem  ser  convalidados. Ocorre que  aspecto  temporal  do  lançamento não  é vício de  formalização, mas  sim vício de ordem material.   As  situações  tratadas  entre  decisão  recorrida  e  acórdão  paradigma  são  diferentes, e não se prestam a caracterizar nenhuma divergência.   Tampouco o acórdão 104­17279, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de  Contribuintes apresenta similitude com o caso em análise. Vale transcrever a ementa na parte  que interessa:  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA ­ O auto de infração  deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais,  a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência  total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o  contribuinte  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma  a  uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões preliminares como também razões de mérito, descabe a  proposição  de  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  do  direito de defesa.  O que se fala no acórdão paradigma é que o cerceamento de defesa não resta  caracterizado  caso  a  parte  não  seja  prejudicada  diante  de  irregularidades  no  lançamento  que  sejam  saneáveis.  Não  há  nenhuma  correlação  com  o  caso  em  debate,  que  trata  de  vício  material, incorreta identificação do aspecto temporal, que afronta a legalidade do lançamento.  O paradigma a ser apresentado deveria tratar de autuação com erro na identificação do aspecto  temporal, e apresentar decisão no qual, ainda que estivesse caracterizado o erro, não implicaria  em ilegalidade, e que o vício material seria contornável.   Não há que se falar, portanto, em decisões divergentes.  Diante de todo o exposto, voto do sentido não conhecer do recurso especial,  em relação ao ponto "nulidade do lançamento".    (Assinado Digitalmente)  André Mendes de Moura                  Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.125          12     Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA

score : 1.0
6383781 #
Numero do processo: 10540.000897/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201603

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10540.000897/2010-06

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5591732

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 20 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9202-003.852

nome_arquivo_s : Decisao_10540000897201006.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10540000897201006_5591732.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016

id : 6383781

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048416708198400

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10540.000897/2010­06  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.852  –  2ª Turma   Sessão de  09 de março de 2016  Matéria  Retroatividade benigna , natureza da multa nos lançamentos previdenciários  anteriores a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MUNICÍPIO DE MALHADA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  ­  MULTA  ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C//C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  ­  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA  ­  PEDIDO  DE  PARCELAMENTO ­ DESISTÊNCIA DO RECURSO ­ DEFINITIVIDADE  DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Tendo  o  contribuinte  optado  pelo  parcelamento  dos  créditos,  resta  configurada  a  renúncia,  devendo  ser  declarada  a  definitividade  do  crédito,  ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.  Recurso Especial do Procurador Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 08 97 /2 01 0- 06 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   2   ACORDAM os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao  recurso para declarar a definitividade do crédito  tributário, por desistência do  sujeito passivo.     (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  O presente processo  envolve  a  lavratura do Auto de  Infração de Obrigação  Principal ­ (AI) DEBCAD n° 37.297.191­1, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  parcela  a  cargo  dos  segurados,  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  em  nome  do  órgão  público  em  epígrafe, referente às competências 12/2006 a 12/2008, recebido por meio de carta com aviso  de  recebimento,  fls.  394  do Processo  n°  10540.000902/2010­72  (DEBCAD n°  37297.196­2)  conexo aos presentes autos, no valor atualizado de R$ 260.006,44 (duzentos e sessenta mil, seis  reais e quarenta e quatro centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes.  Ainda conforme o Relatório Fiscal, fls. 01/29, e dos Relatórios de fls. 01/95  do  Processo  n°  10540.000902/2010­72  (DEBCAD  n°  37297.196­2)  conexo  aos  presentes  autos, os valores que integram a presente autuação referem­se às contribuições dos segurados  empregados.  Em  sessão  plenária  de  11/07/2012,  foi  dado  provimento  parcial  ao  recurso  Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 2302­001.936 (fls. 167 a 182), assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009  É  OBRIGATÓRIO  O  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  RETIDA  DA  REMUNERAÇÃO  DO  SEGURADO.  APROPRIAÇÃO  INDÉBITA  As  empresas  são  obrigadas  a  arrecadar  e  recolher  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  estes  a  partir  de  04/2003,  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva  remuneração.  PARCELAS  SALARIAIS  INTEGRANTES  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  RECONHECIMENTO  PELO  CONTRIBUINTE  ATRAVÉS  DE  FOLHAS  DE  PAGAMENTO  E  OUTROS  DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.  O reconhecimento através de documentos da própria empresa da  natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos  segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da  base de cálculo.  MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.  Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação  vigente  à  época  da  lavratura,  a  contribuição  social  previdenciária  está  sujeita  à  multa  de  mora,  na  hipótese  de  recolhimento em atraso.  O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do  inciso  II  do  art.  106  do  CTN  é  de  ser  observado  quando  uma  nova  lei  cominar  a  uma  determinada  infração  tributária  uma  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   4 penalidade menos  severa que  aquela  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da prática da infração.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  de  tributo  devido  e  não  recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido  pela  MP  n°  449/08  deve  operar  como  um  limitador  legal  do  valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase  anterior  ao  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a  metodologia  de  cálculo  fixada  pelo  revogado  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91  se  11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o  artigo  35A,  da  Lei  n.º  8.212/91,  na  redação  dada  pela MP  n.º  449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.  JUROS/SELIC   As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias,  pagas  com  atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  SELIC,  nos  termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.  Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que  é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com  a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  com base na  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC  para títulos federais.  Recurso Voluntário Provido em Parte  O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional que interpôs,  tempestivamente,  em  23/08/2013,  o  Recurso  Especial  (fls.  183/190).  Em  seu  recurso  restabelecer  a  multa  aplicada  nos  termos  da  autuação,  já  que  o  art.  35  da  Lei  n°  8212/91  deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art.  35­A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96.   Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho  fls. 191 a  194.  O recorrente traz como alegações:  · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº  449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009, não pode ser entendido  de  forma  isolada  do  contexto  legislativo  no  qual  está  inserido,  sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas  pela MP nº 449 à legislação previdenciária.   · A redação do art. 35­A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das  contribuições  previdenciárias  indicadas  no  artigo  35  da  Lei  nº  8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44  da Lei nº 9.430/96.  · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve  prevalecer,  na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  configurada  a  falta  ou  recolhimento  do  tributo  e/ou  a  falta  de declaração  ou  declaração  inexata,  a  multa  de  ofício  prevista  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  diante da literalidade do art. 35A.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 4          5 · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de  que  a multa de mora  prevista no  art.  35,  da Lei  nº8.212/91  em  sua  redação  antiga  (revogada)  está  inserida  em  sistemática  totalmente  distinta  da  multa  de  mora  prescrita  no  art.  61  da  Lei  nº9.430/96.  Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no  art.  106  do  CTN,  pois,  para  a  interpretação  e  aplicação  da  retroatividade  benigna,  a  comparação  é  feita  em  relação  à  mesma  conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade.  · Requer ao final seja dado total provimento ao presente  recurso, para  reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação  do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada  pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei  nº  8.212/91,  devendo­  se  verificar,  na  execução  do  julgado,  qual  norma  mais  benéfica:  se  a  multa  anterior  (art.  35,  II,  da  norma  revogada) ou a do art. 35­A da Lei nº 8.212/91.  É o relatório.      Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   6 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  PRELIMINARES OA MÉRITO  Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ter  seu  patamar  restabelecido  àquele  lançado  pela  autoridade  fiscal,  entendo  que  antes  de  adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece  ser primeiramente enfrentada.  Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela  Fazenda  Nacional,  o  sujeito  passivo  apresentou  às  fls.  613,  requerimento  de  desistência,  considerando  ter  o  contribuinte  requerido  parcelamento  do  lançamento  em  questão,  senão  vejamos:  "O  Ente  público  solicita  desistência  irrevogável  e  irretratável  de  todas  as  modalidades  de  parcelamento,  inclusive  de  suas  autarquias  e  fundações,  que  contemplem  débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012."  De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao  fixar  como  critério  formal  para  adesão  ao  parcelamento  instituído  a  renúncia  por  parte  do  contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o  teor do citado artigo:  Art.  14.  Para  aproveitar  as  condições  de  que  trata  esta  Portaria,  o  sujeito  passivo  deverá  desistir  de  forma  irrevogável de  impugnação ou recurso administrativos, de  ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de  execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer  alegações de direito sobre as quais se fundam os processos  administrativos e ações judiciais.  Diante  disto,  não  há  mais  litígio  em  questão,  uma  vez  que  o  contribuinte  renunciou  ao  seu  direito  de  discutir  o  lançamento  efetuado.  Assim,  deve­se  declarar  a  definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração.  Frise­se  que  ao  aderir  ao  parcelamento  e  desistir  do  procedimento  administrativo,  renúnciando as  alegações de direito,  o parcelamento do débito  será  realizado  tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário.   CONCLUSÃO  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 5          7 Diante  do  exposto,  CONHEÇO  E  DOU  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto  de  infração  originalmente  lavrado,  haja  vista  o  pedido  de  desistência  apresentado  sujeito  passivo.  É como voto.  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

score : 1.0
6392715 #
Numero do processo: 13678.000132/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. RESTITUIÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. RETENÇÃO SOBRE 13º SALÁRIO. MOLÉSTIA PROFISSIONAL. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. Exclui-se do cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria para os portadores de moléstia profissional, a qual deve ser comprovada por laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. RESTITUIÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. RETENÇÃO SOBRE 13º SALÁRIO. MOLÉSTIA PROFISSIONAL. COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS. Exclui-se do cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria para os portadores de moléstia profissional, a qual deve ser comprovada por laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 13678.000132/2005-33

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5592708

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2402-005.303

nome_arquivo_s : Decisao_13678000132200533.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

nome_arquivo_pdf_s : 13678000132200533_5592708.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.

dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016

id : 6392715

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048416798375936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1308; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 417          1  416  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13678.000132/2005­33  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.303  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF. RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA PROFISSIONAL  Recorrente  SEBASTIÃO VICENTE DA SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005  IRPF.  RESTITUIÇÃO.  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA.  RETENÇÃO  SOBRE  13º  SALÁRIO.  MOLÉSTIA  PROFISSIONAL.  COMPROVAÇÃO. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS.   Exclui­se  do  cômputo  do  rendimento  bruto  os  proventos  de  aposentadoria  para os portadores de moléstia profissional, a qual deve ser comprovada por  laudo pericial oficial.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 01 32 /2 00 5- 33 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     2    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira  do Prado.       Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ronaldo  de  Lima  Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie  Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 418          3    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pelo  sujeito  passivo  acima  identificado contra decisão que declarou improcedente a sua manifestação de inconformidade  contra decisão que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o  13.° salário.  Os principais aspectos envolvidos no PAF até o julgamento da defesa podem  ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância:  "A  autoridade  "a  quo"  justifica  a  decisão  com  base  no  pronunciamento da Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias  Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, Parecer n°  0154­07, de 26 de março de 2007, fl. 140.  Ciente  em 10/05/2007  (fl.  145­verso),  o  contribuinte  entrou  em  01/06/2007  com  manifestação  de  inconformidade  147  a  187,  instruída  com os  documentos  de  fls. As  fls.  188/257 e  260/339,  alegando  em  síntese,  que  por  ser  portador  de  moléstia  profissional,  seus  rendimentos  de  aposentadoria  são  isentos.  Discorda  do  mencionado  parecer,  alegando,  em  síntese,  que  existe  nexo  causal  entre  o  ambiente  de  trabalho  e  a  perda  auditiva, alem disso, a aposentadoria por tempo de serviço não  descaracteriza a existência da doença profissional.  Ademais,  requer  que  seja  juntada  a  integra  do  processo  que  originou o parecer, bem como as respostas aos ofícios emitidos à  Superintendência  de  Recursos  Humanos  de  FURNAS  e  ao  médico Edil Vilela.  Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte  cita decisões judiciais e acórdãos do Conselho de Contribuintes,  bem como entendimentos de juristas."  A  DRJ  declarou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  fls.  365/368. Prevaleceu o entendimento de que o parecer da Junta Médica do Núcleo de Saúde e  Perícias Médicas do Ministério da Fazenda em Minas Gerais não reconheceu a existência de  moléstia grave, descabendo a isenção pretendida.  Cientificado  da  decisão  em  24/10/2007,  fl.  373,  o  sujeito  passivo  interpôs  tempestivamente  recurso  em 21/11/2007,  fls.  374/394,  acompanhado dos  documentos  de  fls.  395/411, no qual, apresentou, em síntese, as alegações abaixo.  Se  o  órgão  de  primeira  instância  tivesse  aplicado  a  interpretação  literal  prevista  no  art.  111  do Código Tributário Nacional  ­ CTN  teria  deferido  o  seu  pedido,  haja  vista que a documentação acostada comprova a existência da moléstia grave e por conseguinte  o direito à isenção do IRPF.  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     4  Os laudos acostados que foram elaborados seguindo as normas estabelecidas  pela Receita Federal do Brasil ­ RFB confirmam que a doença do recorrente não é passível de  controle e se insere na isenção do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988.  O laudo médico pericial, a decisão do médico oficial da Previdência Social,  bem como, os próprios laudos periciais em formulários próprios da RFB, anexados, por si só  são suficientes para espancar de vez a interpretação errônea praticada pelos membros da Turma  de Julgamento.  O parecer médico  em que  se baseou  a decisão  recorrida deixou de  analisar  vários documentos comprobatórios da existência da doença profissional, quais sejam:  a) fl. 48 — exame audiométrico realizado em 23.03.72 quando da admissão;  b)  fl.  49.  exame  audiométrico  realizado  em  16.09.81,  demonstrando  a  existência de diacusia;  c) fls. 50/51 — exame de 1982 confirmando a diacusia;  d) fls. 52/53, Laudo Médico Periódico indicando que o Recorrente trabalhava  em  local  de  elevado  índice  de  ruídos,  em  contato  com  óleo,  solventes,  tricloroetano  e  lã  de  vidro, causadores de doença profissional;  e)  fls.  56/57,  Folha  de  Exame  Periódico  onde  se  verifica  os  riscos  e  problemas  detectados  no  requerente  em  1995,  como:  exposição  a  choque  acústico  e  a  tricloroetano  /outros  solventes,  risco  de  acidente  grave,  trabalho  em  altura,  bem  como,  depressão e ansiedade;  f) fls 58, exame audiométrico realizado em 04.08.97 classificando a doença  do Recorrente no CID 83.3 — Z­57­0;  g)  fls.  60,  folha  de  exame  periódico  comprovando  a  doença  ocupacional  classificada como efeitos do ruído sobre o ouvido interno, Cid 388.1/4;  h) fls. 61/64, Laudo Médico realizado por otorrino responsável pelos exames  de audiometria nos empregados de Furnas, comprovando o nexo causal e incapacidade  do recorrente em virtude do índice de ruído elevado;  i)  fls.  65/66,  receitas  médicas  e  fls.  67  documento  comprovando  a  evolução do zumbido no ouvido;  j)  fls.  68,  confirmação  através  de  receituário  de Furnas  da  doença  em  virtude dos efeitos de ruídos sobre o ouvido interno, o qual se trata de risco de natureza  ocupacional;  k)  fls.  86,  atestado  confirmando  que  a  doença  em  virtude  dos  efeitos  de  ruídos sobre o ouvido interno, o qual se trata de risco de natureza ocupacional, é sequela  irreversível e não melhora com medicação;  l) fls. 94/139, exames audiométricos realizados durante o período trabalho em  Furnas, os quais comprovam a doença profissional do requerente.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 419          5  Afirma  que  o  parecer  emitido  pela  Junta  do  Ministério  da  Fazenda  não  obedece  ao  princípio  constitucional  da  legalidade,  criando  empecilhos  não  previstos  em  lei  para a concessão do benefício da isenção.  Não  há  lei  isentiva  quaisquer  disposições  que  dê  guarida  as  seguintes  conclusões do referido parecer i) não é possível estabelecer nexo causal; ii) considerando o fato  que o PAIR não progride quando o paciente é afastado da exposição;  iii) que a presença de  PAIR por si só, não significa incapacidade para o trabalho; iv) o interessado foi aposentado por  tempo de serviço, e não por incapacidade laborativa.  Afirma  haver  cumprido  estritamente  a  legislação  pertinente,  com  apresentação,  para  fins  de  obtenção  do  direito  à  isenção,  do  laudo  pericial  de  médico  especializado, bem como, do parecer de médico oficial do INSS que, categoricamente concluiu  ser o mesmo portador de doença profissional. Sendo este último o documento essencial para  materialização do direito ao benefício fiscal requerido.  A declaração de improcedência do seu pedido contrariou frontalmente a lei, a  doutrina, a  jurisprudência e até mesmo as  respostas dadas pela Receita Federal em consultas  versando sobre o tema. Cita soluções de consulta emanadas da RFB e decisões administrativas.  O  laudo  do  INSS  somente  poderia  ser  afastado  mediante  decisão  fundamentada  e  que  contestasse  efetivamente  a  sua  consistência  técnica,  não  devendo  prevalecer o entendimento de que as conclusões de outro parecer emitido pela administração  tenham mais força de que aquele emitido pela perícia da Autarquia Previdenciária.  Apresenta  diversos  argumentos  técnicos  no  sentido  de  demonstrar  as  fragilidades do Parecer da Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias Médicas do Ministério  da Fazenda em Minas Gerais.  O órgão a quo, ao tomar como único fundamento as conclusões do parecer da  Perícia do Ministério da Fazenda, desprezando outras provas constantes dos autos, laborou em  grande equívoco, posto que as conclusões jurídicas não cabe ao médico perito, mas aos órgãos  de julgamento administrativo.  Em homenagem ao princípio da verdade material requer a juntada de outros  documentos que confirmam a existência da moléstia.  Finalmente,  alegando  ser  portador  da  doença  com  CID  Z_67.0,  H90.3,  H83.3;  H81.3  e  H91.01,  devidamente  reconhecida  por  médico  oficial,  defende  que  a  única  conclusão  plausível  deve  ser  pelo  reconhecimento  da  isenção  prevista  no  art.  6°  ,  da  Lei  n.  7.713/88 com as alterações posteriores e, portanto, pelo provimento ao recurso, com restituição  dos valores constantes do pedido inicial.  Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento.  É o relatório.  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     6    Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator  Admissibilidade  Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim,  por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso.  Mérito  O mérito da causa resume­se em concluir se o laudo emitido pelo INSS deve  prevalecer sobre o Parecer da Junta Médica do Ministério da Fazenda e, em caso afirmativo, se  a moléstia a que foi acometido o recorrente confere­lhe o direito à isenção e, por conseguinte, à  restituição pleiteada.  Façamos inicialmente um relato das provas que interessam para o deslinde do  feito.  Às fls. 03/08 consta laudo emitido em 01/09/2004 por médico do trabalho, no  qual se conclui que o recorrente foi acometido de moléstia decorrente de exposição à ruído na  sua atividade laboral, com diagnóstico de CID Z 57.0 , H 90.3 e­H 83.3, a partir de 04/08/1997,  doença esta que não é passível de controle.  Há despacho de médico do INSS em processo de requerimento de isenção do  IRPF  concluindo,  com  base  no  laudo  do  médico  do  trabalho,  que  o  recorrente  faz  jus  ao  benefício fiscal, posto que acometido da moléstia profissional desde 04/08/1997. O despacho é  datado de 13/10/2004. Vale a pena transcrever a parte conclusiva do despacho:  " 3 — Pelo verificado, concluímos que o requerente labutou em  locais  com  níveis  elevados  de  pressão  sonora,  que  possui  padecimento comprovado que consta na legislação, que inclui a  previdenciária e a da Receita Federal, sendo portador de doença  especificada em lei que lhe dá direito à isenção do IRPF­ doença  profissional;  4  —  Pelo  exposto  consideramos  que  o  requerente  faz  jus  á  isenção de pagamento de Imposto de Renda de Pessoa Física."  A Real Grandeza  ­ Fundação de Previdência  emitiu declaração de  fl. 10 de  que  o  contribuinte  recebe  daquela  instituição  benefício  vitalício,  o  qual  conforme  laudo  do  INSS faz jus a isenção do IRPF que vem sendo comandada na folha de pagamento desde abril  de 2005.  O  contribuinte  foi  aposentado  por  tempo  de  serviço  pelo Regime Geral  de  Previdência Social ­ RGPS a partir de 01/09/1995, conforme carta de concessão de fl. 11.  Foram acostados diversos documentos para comprovar a moléstia  tais como  laudos médicos não oficiais, exames médicos, consultas e outros (fls. 54/95)  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 420          7  Há  dois  ofícios  da  Junta Médica  do Ministério  da  Fazenda  requerendo  ao  Superintendente de Recursos Humanos de Furnas e do Médico do Trabalho Edil Vilela (o que  emitiu  o  laudo  de  fl.  3)  informações  complementares  acerca  de  verificações  realizados  no  recorrente e no seu local de trabalho (fls. 97/98).  Reproduzo  abaixo  Parecer  Médico  n.°  0154/07  da  Junta  Médica  do  Ministério  da  Fazenda,  fl.  147,  onde  indefere­se  o  pedido  de  isenção,  por  não  se  tratar  de  moléstia profissional.    Com  base  neste  Parecer  foi  emitido  o  Despacho  Decisório  indeferindo  o  pedido  de  restituição,  fls.  150/151,  contra  o  qual  foi  apresentada  manifestação  de  inconformidade declarada improcedente pela DRJ, nos termos do relatório.  Ressalte­se ainda que com a defesa foi acostado outro laudo médico, fl. 258,  este datado de 13/04/2007, emitido pelo Serviço Médico da Prefeitura Municipal de São João  da Barra, o qual atesta o contribuinte foi acometido desde 04/08/1997 da moléstia profissional  "PAIRO"  Assim,  a  controvérsia  gira  em  torno  de  definir  que  documento  deve  prevalecer,  o  laudo  do  INSS  que  atesta  a  existência  de  doença  profissional  ou  parecer  do  Ministério da Fazenda, que não reconhecia a anomalia como doença profissional.  Ressalte­se, por oportuno, que esta  instância  julgadora administrativa  tem o  dever  de  solucionar  o  litígio  a  partir  dos  laudos  médicos  juntados  aos  autos,  não  ficando,  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     8  todavia, adstrita a qualquer dos laudos, pois é cediço que o julgador não se vincula, de forma  absoluta, a qualquer laudo pericial, devendo apenas fundamentar adequadamente sua decisão.   Obviamente que havendo laudo pericial e não se convencendo o julgador do  acerto dele, deve submeter o caso a nova perícia, pois não parece razoável que o julgador, que  não  é  perito,  possa  afastar  as  conclusões  de  um  laudo  de  profissional  competente.  Porém,  havendo  laudos  díspares  no  processo,  à  luz  das  demais  provas  juntadas  aos  autos,  pode  o  julgador solucionar diretamente a lide.  A isenção decorrente do acometimento de moléstia profissional vem prevista  no inciso XIV do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988 e alterações, nos seguintes termos:  "Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:   (...)  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;  (...)"  A Lei n.° 9.250/2005 dispôs acerca da comprovação da doença profissional  ou moléstia grave nos seguintes termos:  "  Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e  XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a  redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de  1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial,  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios.   §  1º  O  serviço  médico  oficial  fixará  o  prazo  de  validade  do  laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.  (...)"  Assim,  entendo  que  o  sujeito  passivo  está  acobertado  pela  documentação  exigida pela  lei para comprovar que  foi  acometido de doença profissional desde 04/08/1997,  conforme os dois laudos emitidos por serviços médicos profissionais do INSS e da Prefeitura  Municipal de São João da Barra.  Por outro lado, com a minha visão de leigo, tenho que o Parecer do Serviço  Médico  do  Ministério  da  Fazenda  em  Minas  Gerais,  acima  reproduzido,  traz­me  menos  convencimento  de  que  o  Laudo  Médico  Pericial  de  fl.  03  que  foi  tomado  como  base  para  elaboração dos dois laudos exarados por serviços médicos oficiais.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13678.000132/2005­33  Acórdão n.º 2402­005.303  S2­C4T2  Fl. 421          9  O Parecer afirma não se poder estabelecer um nexo causal entre a doença e a  vida  laboral  do  contribuinte.  Observo  que  o  Laudo  do  Médico  do  Trabalho  conclui  com  extenso  e  fundamentado  arrazoado  acerca  da  vinculação  entre  a  moléstia  e  o  histórico  ocupacional do sujeito passivo. Peço licença para colar aqui a parte conclusiva do laudo:    Outro  ponto  que  adotado  como  fundamento  pelo  Parecer  do  MF  é  que  a  moléstia,  tecnicamente denominada de "PAIR" não progride quando o paciente é afastado da  exposição.  Ora  se  os  laudos  oficiais  afirmam  que  desde  1997  o  paciente  já  havia  sido  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     10  identificado com  tal moléstia e que a mesma não seria passível de  reversão, não há, no meu  pouco entendimento, motivo para se deixar de reconhecer a doença profissional pelo fato de a  doença não vir a se agravar com o passar do tempo. Atestando o documento previsto em lei que  o interessado foi acometido pelo mal e que este não tem controle, não haveria o que se falar em  necessidade de agravamento para que a doença seja tratada como ocupacional.  Mais um argumento do Parecer é o de que a "PAIR" por si só não representa  incapacidade para o trabalho. Esse motivo não encontra respaldo na lei, uma vez que não há a  exigência legal de que a moléstia profissional seja incapacitante para a vida laboral, todavia, a  isenção  somente  abrange os  proventos de  aposentadoria  e  reforma, mas  não  se proíbe que o  beneficiário possa exercer alguma atividade profissional.  Por  fim,  o  quarto  e  último  motivo  apresentado  no  Parecer  MF  para  não  reconhecer a existência da doença profissional é o fato do contribuinte não ter se aposentado  pelo INSS por invalidez. Data venia, este argumento me parece dezarrazoado e excedente das  exigências legais.  Primeiro porque na lei, como já frisei, não há exigência relativa à necessidade  de que a doença provoque a total incapacidade do trabalhador para reconhecimento da isenção  e  depois  pelo  fato  de  que  a  aposentação  pode  ocorrer  até  depois  de  contraída  a  moléstia  profissional.  Imagine uma pessoa que laborou em condições prejudiciais a saúde, digamos  por  dez  anos,  caso  seja  acometido  de  doença  profissional  que  lhe permita  trabalhar,  ele  não  seria  aposentado  nem  por  invalidez,  tampouco  por  tempo  de  serviço, mas  poderia  continuar  trabalhando  até  atingir  o  tempo  mínimo  exigido  pelo  INSS  para  concessão  do  benefício.  Pergunto, neste caso a doença profissional não seria reconhecida pelo fato do contribuinte não  haver se aposentado por invalidez? O bom senso diz que não.  Diante dessas ponderações, encaminho para que se reconheça a existência de  doença profissional e, por conseguinte, o direito à isenção.  Conclusão  Voto por dar provimento ao recurso.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

score : 1.0
6359992 #
Numero do processo: 10680.008315/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão da distribuição de lucros como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. A justificativa do acréscimo patrimonial, seja por doação ou qualquer outro meio, deve ser comprovada através de documento hábil e idônea. O fato de a doação estar consignada na declaração do doador e do donatário, não é meio suficiente de prova.
Numero da decisão: 2201-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente-Substituto e Relator. EDITADO EM: 14/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201602

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto, a inclusão da distribuição de lucros como origem de recurso no fluxo financeiro, só pode ser aceita se restar comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO. A justificativa do acréscimo patrimonial, seja por doação ou qualquer outro meio, deve ser comprovada através de documento hábil e idônea. O fato de a doação estar consignada na declaração do doador e do donatário, não é meio suficiente de prova.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10680.008315/2008-11

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5584813

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2201-002.897

nome_arquivo_s : Decisao_10680008315200811.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH

nome_arquivo_pdf_s : 10680008315200811_5584813.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente-Substituto e Relator. EDITADO EM: 14/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016

id : 6359992

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417035354112

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.008315/2008­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.897  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de fevereiro de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  LUCIANA DUCA COSTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005  Ementa:  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO  INICIAL DO  PRAZO DE DECADÊNCIA.  Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do  pagamento do imposto, deve­se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c  art. 543­C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009),  conforme prevê § 4º do  art. 150 do CTN. Como o acréscimo patrimonial a  descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de  Ajuste  Anual,  o  termo  inicial  do  prazo  de  decadência  conta­se  a  partir  do  encerramento do ano­calendário.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.  No  caso  de  omissão  de  rendimentos  com  base  em  acréscimo  patrimonial  a  descoberto, a  inclusão da distribuição de  lucros como origem de recurso no  fluxo  financeiro,  só  pode  ser  aceita  se  restar  comprovada,  mediante  documentação hábil e idônea, a efetividade da transferência de numerário.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO.  A justificativa do acréscimo patrimonial,  seja por doação ou qualquer outro  meio, deve ser comprovada através de documento hábil e idônea. O fato de a  doação estar consignada na declaração do doador e do donatário, não é meio  suficiente de prova.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 83 15 /2 00 8- 11 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.      Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Presidente­Substituto e Relator.    EDITADO EM: 14/03/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente  Substituto), Marcio  de  Lacerda Martins  (Suplente  Convocado),  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia  Lustosa  da  Cruz.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Heitor  de  Souza  Lima  Júnior  (Presidente).  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, anos­calendário 2003 e 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls.  06/13, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 264.411,80.  A fiscalização apurou, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/24):  • omissão de rendimentos apurados a partir de levantamento de  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto  (APD),  tendo  em  vista  realização  de  gastos  não  respaldados  por  rendimentos  declarados/comprovados.  • Glosa de deduções pleiteadas a título de despesas médicas, nos  valores  de  R$3.075,60  e  R$6.308,37,  exercícios  2004  e  2005,  respectivamente, pelos motivos expostos às fls. 23.  Cientificada  do  lançamento,  a  contribuinte  apresenta  impugnação  alegando,  conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ...  a  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  199  a  220),  em  30/07/2008,  contestando o  lançamento. Principia recapitulando  os fatos. Prossegue alegando, em síntese, que na data da ciência  do  lançamento  já  teria  ocorrido  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  exigir  imposto  relativamente  a  fatos  geradores  ocorridos de janeiro a maio de 2003.  Discorda  do  entendimento  da  autoridade  lançadora  quanto  às  doações  recebidas  de  seu  genitor,  Otacílio  de  Araújo  Costa,  CPF 070.067.996­00, no total de R$750.000,00. Pondera que o  doador tinha disponibilidade financeira devidamente declarada,  apta  a  suportar  as  doações  efetuadas.  Invoca  a  informalidade  entre  pais  e  filhos  para  justificar  seu  posicionamente  de  que  é  descabido  exigir  outros  elementos  de  prova  além  dos  que  já  apresentou  à  fiscalização,  bem  como  informa  que  as  doações  recebidas foram diretamente aplicadas na aquisição dos imóveis  que  lista  às  fls.  206  e  207,  sem  transitar  por  suas  contas  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 3          3 bancárias.  Protesta  pelo  cômputo,  a  título  de  origem  de  recursos,  de  percepção  de  lucros  distribuídos  pela  Pessoa  Jurídica da qual é sócia (Rede Brasil Participações Ltda.).  Defende  que  os  documentos  já  apresentados  (Livro  Razão  e  Comprovante  de  Rendimentos  e  Retenção  de  Fonte),  corroborados  pelos  novos  documentos  trazidos  aos  autos  comprovam  a  percepção,  no  ano­calendário  2003,  em  espécie,  de lucros distribuídos no valor de R$64.000,00.  A  contribuinte,  ao  longo  de  sua  impugnação,  invoca  posições  jurisprudenciais,  doutrinárias  e  julgados  do  Conselho  de  Contribuintes para robustecer seus argumentos, concluindo que  o  lançamento  está  lastreado  em mera  presunção,  não  podendo  prosperar.  A  impugnação  está  instruída  com  os  documentos  de  fls.  221  a  275, a saber, cópias de: informação extraída do Comprot acerca  destes autos; documentos de identificação da contribuinte; Livro  Diário  2003 de Rede Brasil Participações Ltda.  e  notas  fiscais  referentes a operações de venda de gado bovino por Otacílio de  Araújo Costa.  A  7ª  Turma  da  DRJ  em  Belo  Horizonte/MG  julgou  improcedente  a  impugnação, conforme ementas abaixo transcritas:  PRELIMINAR.  DECADÊNCIA.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL.  FATO GERADOR.  O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL (APD).  São  tributáveis  as  quantias  correspondentes  ao  acréscimo  patrimonial  da  pessoa  física,  quando  esse  acréscimo  não  for  justificado  pelos  rendimentos  isentos,  tributáveis,  não­ tributáveis,  tributados  exclusivamente  na  fonte  ou  objeto  de  tributação definitiva.  VARIAÇÃO  PATRIMONIAL.  ORIGEM  DE  RECURSOS.  DOAÇÕES. LUCROS DISTRIBUÍDOS. PROVA.  A aceitação de doações e percepção de lucros distribuídos como  origem  de  recursos  para  fins  de  apuração  de  variação  patrimonial  está  condicionada  à  comprovação,  por  meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  da  efetiva  transferência  de  recursos entre os envolvidos.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     4 A  contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  16/04/2012  (fl.  303)  e,  em  15/05/2012,  interpôs  o  recurso  de  fls.  307/333,  sustentando,  exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cinge­se a  controvérsia, nesta  segunda  instância,  à omissão de  rendimentos  apurados  a  partir  de  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto  (APD),  relativamente  a  fatos  ocorridos nos anos­calendário 2003 e 2004.  Antes  de  se  entrar  no mérito  da  questão,  cumpre  enfrentar  a  preliminar  de  decadência suscitada pela recorrente.  Em  relação  à  alegação  de  decadência,  este  Órgão  tem  reiteradamente  decidido  que  as  alterações  legislativas  do  imposto  de  renda,  ao  atribuir  ao  sujeito  passivo  a  incumbência de apurar e antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade  administrativa, classifica­se na modalidade de lançamento por homologação, na forma do art.  150 do CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Nos casos em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, consoante  se extrai da DIRPF/2003 às fls. 154/159, deve­se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c  art. 543­C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2009), contando­se o  prazo de decadência a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN,  supracitado.  Contudo, a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial  a descoberto deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos  auferidos  pelas  pessoas  físicas,  em  consonância  com  as  disposições  da Lei  nº  7.713/1988,  e  tributadas na Declaração de Ajuste Anual.   Portanto,  no  caso  dos  autos,  o  fato  gerador  do  IRPF  relativo  ao  ano­ calendário de 2003 perfez­se em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 4          5 contagem do prazo de decadência inicia­se em 01 de janeiro de 2004 e, considerando o lapso  temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a  data fatal completa­se em 31 de dezembro de 2008. Como a ciência do lançamento ocorreu em  30/06/2008  (fl.  07),  o  crédito  tributário  relativo  ao  ano­calendário  de  2003  não  havia  sido  atingido pela decadência.  Quanto ao mérito,  cumpre  trazer a  lume a  legislação que serviu de base ao  lançamento, no caso, os arts. 1º, 2o e 3o da Lei no 7.713/1988 (fl. 215):  Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir  de  1º  de  janeiro  de  1989,  por  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliados no Brasil,  serão  tributados pelo  imposto de renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Art.  2o  O  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente,  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital forem percebidos.  Art.  3o  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta  Lei.  § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidas  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  [...]  § 4o ­ A tributação independe da denominação dos rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título. (grifei)  Da  leitura  dos  dispositivos  legais  acima mencionados,  depreende­se  que  se  devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para  se apurar a evolução patrimonial do contribuinte, cujo período de apuração dos rendimentos e  deduções, conforme mencionado, completa em 31 de dezembro de cada ano­calendário.   Trata­se  de  uma  presunção  legal  do  tipo  juris  tantum  (relativa),  pois  demonstrada  pelo  fisco  a  existência  de  acréscimos  patrimoniais  a  descoberto  presume­se  a  ocorrência  de  omissão  de  rendimentos,  cabendo  ao  contribuinte  justificar  a  origem  de  tais  acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva.  Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêm de  fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí­las à tributação devida.  Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que recebeu de  seu  pai  doação  no  montante  de  R$  750.000,00  e  aplicou  o  valor  recebido  diretamente  em  imóveis, razão pela qual não houve o trânsito do numerário na conta bancária. Assevera ainda  que recebeu da Rede Brasil Participações Ltda., CNPJ 02.038.219/0001­05, lucros distribuídos  Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     6 no valor de R$ 64.000,00; entretanto o citado montante não foi considerado como origem da  planilha de acréscimo patrimonial a descoberto.  De  pronto,  cumpre  esclarecer  que  os  dados  constantes  da  Declaração  de  Rendimentos  e  de  bens  do  contribuinte  são  informações  prestadas  voluntariamente,  sob  sua  responsabilidade,  e  sujeitos  a  comprovação,  se  o  fisco  entender  necessária.  O  art.  806  do  Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/1999), assim determina:  Art.  806.  A  autoridade  fiscal  poderá  exigir  do  contribuinte  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários  acerca  da  origem  dos  recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que  as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição  do patrimônio (Lei nº 4.069/1962, art 51, § 1º).  No que se refere à revisão da declaração, o art. 836 do RIR/1999 estabelece:  Art.  836.  As  declarações  de  rendimentos  estarão  sujeitas  a  revisão  das  repartições  lançadoras,  que  exigirão  os  comprovantes necessárias (Decreto­lei nº 5.844, art. 74).  Da  leitura  dos  dispositivos  legais  resta  claro  que  todo  o  contribuinte  do  imposto  de  renda  está  sujeito  a  comprovar,  mediante  documentos  e  esclarecimentos,  os  rendimentos auferidos e as alterações ocorridas em seu patrimônio sempre que intimado a fazê­ lo, quando da revisão da declaração de rendimentos.  No caso em exame, foi exigida, conforme Termos de Intimação de fls. 25, 29  e 337, a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, do recebimento dos numerários,  da  doação  consignada  pela  contribuinte  em  sua  DIRPF/2005  (fl.  173),  bem  como  da  distribuição de lucros informada na DIRPF/2004 (fl. 156). Entretanto; tal comprovação não foi  apresentada. Às fls. 16/17 dos autos, a autoridade autuante justifica a não inclusão da suposta  doação e da distribuição de lucros como origem de recursos no fluxo patrimonial.  É  preciso  esclarecer,  primeiramente,  que  uma  doação,  para  poder  ser  considerada como origem de recursos deve preencher alguns requisitos. Além de ser necessário  seu registro nas declarações de rendimentos do doador e do donatário, é imprescindível que a  transferência do numerário esteja cabalmente demonstrada.  Não  obstante  a  doação  constar  na  declaração  da  recorrente,  fl.  173,  essa  informação, isoladamente, não pode ser considerada como meio suficiente de prova. A questão  se  resume, portanto, na comprovação de que o doador efetivamente entregou o numerário ao  donatário. A falta de comprovação da  transferência do recurso, na qualidade de doação, para  que  haja  a  indicação  correta da  entrada  do  recurso  no  fluxo  financeiro,  é  fator  determinante  para a desconsideração dos mesmos.  Impende  deixar  assentado  que  a  informalidade  dos  negócios  entre  parentes  próximos não pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal  informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da  confiança  entre  as  partes  (um  empréstimo  sem  nota  promissória,  por  exemplo),  mas  não  se  pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte  com a Fazenda Pública,  já que a relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei.  Logo,  o  grau  de  parentesco  com  o  doador  ou  a  forma  convencionada  entre  as  partes  diz  respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova do recebimento do  dinheiro, e não pode ser oposta à Fazenda Pública. Esse tem sido o entendimento deste Órgão,  conforme ementas abaixo transcritas:   Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.008315/2008­11  Acórdão n.º 2201­002.897  S2­C2T1  Fl. 5          7 DOAÇÃO  ­  A  justificativa  do  acréscimo  patrimonial,  seja  por  doação ou qualquer outro meio, deve ser comprovada através de  documento hábil para tal. O fato de a doação estar consignada  na declaração do doador e do donatário não é meio suficiente de  prova. (Ac. 104­7.314/90)  DOAÇÃO  ­  Não  se  considera  justificado  o  acréscimo  patrimonial  pela  alegação  de  percepção  de  doação  de  valor  significativo,  quando  não  formalizada  segundo  as  regras  jurídicas pertinentes ou comprovada a efetiva  transferência do  valor  correspondente.  (Ac.  106­11619,  sessão de 10/11/2000,  e  Ac.CSRF/01­748/87) (grifei)  O  raciocínio  supra  aplica­se  também  à  distribuição  de  lucros,  fundamentalmente  porque  a  recorrente  não  incluiu  em  sua  DIRPF/2004  o  valor  dos  lucros  distribuídos por Rede Brasil Participações Ltda., CNPJ 02.038.219/0001­05 (fls. 171/173). Não  obstante a apresentação dos livros fiscais da pessoa jurídica, bem como a identificação do lucro  de R$ 64.000,00,  nos  sistemas  informatizados  administrados  pela SRFB,  como não  houve  a  apresentação  da  efetiva  transferência  dos  recursos  (TVF  de  fls.  14/24  e  intimações  às  fls.  31/33, 35/38 e cópias de AR às fls. 42 e 44), não há como considerar o valor de R$ 64.000,00  como origem de recurso na planilha que apurou o Acréscimo Patrimonial a Descoberto.  Ante  a  todo  o  exposto,  voto  por  rejeitar  a  preliminar  e,  no  mérito,  negar  provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                          Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

score : 1.0
6386285 #
Numero do processo: 10715.005896/2010-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201604

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10715.005896/2010-09

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5591941

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 9303-003.773

nome_arquivo_s : Decisao_10715005896201009.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

nome_arquivo_pdf_s : 10715005896201009_5591941.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016

id : 6386285

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417094074368

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 245          1 244  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10715.005896/2010­09  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.773  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  UNITED AIRLINES, INC.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008  ADMISSIBILIDADE  DO  RECURSO  ESPECIAL.  COMPROVAÇÃO  DA  DIVERGÊNCIA.  Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove  a  divergência  jurisprudencial  consubstanciada  na  similitude  fática  entre  as  situações  discutidas  em  ambos  os  acórdãos,  recorrido  e  paradigma,  com  decisões  distintas;  que  tenham  sido  prolatadas  na  vigência  da  mesma  legislação,  que  a  matéria  tenha  sido  prequestionada,  que  o  recurso  seja  tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que  ocorreu  no  caso  sob  exame,  onde  há  similitude  fática  entre  as  situações  discutidas  no  recorrido  e  no  paradigma,  a  saber:  exigência  da  multa  pelo  atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.  As  decisões  foram  proferidas  na  vigência  da  mesma  legislação  ­  após  as  alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou­se a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se,  ainda,  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado,  no  tempo  regimental, por quem de direito.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008  PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A  denúncia  espontânea  não  alcança  as  penalidades  infligidas  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais,  como  os  decorrentes  da  inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração  aduaneira,  mesmo  após  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 58 96 /2 01 0- 09 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 246          2 advento da nova  redação do art.  102 do Decreto­Lei nº 37/1966, dada  pelo  art. 40 da Lei nº 12.350/2010.   Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do  recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos  Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao  recurso  especial,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea,  devendo  o  processo  retornar  à  instância a quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele  Colegiado.  Vencidos  os  Conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Érika  Costa  Camargos  Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente    HENRIQUE PINHEIRO TORRES ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).     Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­004.894,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa acima citada.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões.  É o relatório, em síntese.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 247          3 Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.553, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/2010­33 , paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.553):  "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos  demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido.  De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma nº 3802­001.128, de 28/06/2012, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in  casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­Lei nº 37/1966, com a  redação dada pela Lei nº 10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita  acima.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o  recurso foi apresentado, no tempo  regimental, por quem de direito.  Mais  uma  vez,  ressalte­se  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida  na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, §  2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.  Frise­se  que,  tanto  no  paradigma  quanto  no  recorrido,  enfrentou­se  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  nas  infrações  aduaneiras  relativas  ao  descumprimento  do  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 248          4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito,  sendo  que,  no  paradigma,  afastou­se  a  possibilidade  de  aplicação  da  denúncia  espontânea  a  esse tipo de  infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional,  desprezando,  completamente,  em  seus  fundamentos,  a  novel  legislação.  Já  no  acórdão  recorrido,  tanto  o CTN quanto  a  nova  redação  do  §  2º  do  art.  102  do Decreto  Lei  37/1966  foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob  exame.  Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a  alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois  não  são  os  fundamentos  adotados  pelo  colegiado  que  configuram  a  divergência.  No  caso,  diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do  paradigma), ambos  realizados na vigência dos mesmos dispositivos  legais,  entendo presentes  os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial.  Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 249          5 O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.  Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 250          6 e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular  que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária, administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária ou administrativa seja passível de denunciação à  fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado  tipo  de  infração  do  alcance  do  efeito  excludente  da  responsabilidade por denunciação espontânea da  infração cometida.  A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme  expressamente  determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da  infração. São dessa modalidade as  infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia  espontânea  não  tem  o  condão  de  desfazer  ou  paralisar  o  fluxo  inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras,  toda                                                                                                                                                                                           b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 251          7 infração  que  tem  o  fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas,  infração  objeto  da  presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória.  Nesta  última  hipótese,  se  a  informação  for  prestada  antes  do  início  do  procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configura­se  e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo  ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a  denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese  alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que  a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível,  em  face  da  exclusão  da  responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação  da  penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade  dos  deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 252          8 mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.  Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.                                                               6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005896/2010­09  Acórdão n.º 9303­003.773  CSRF­T3  Fl. 253          9 [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                            Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

score : 1.0
6396859 #
Numero do processo: 10120.720254/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITE DA LIDE. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. MANUAL DE PERGUNTAS E RESPOSTAS. Conforme o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” elaborado pela Receita Federal para o exercício de 2008, ano-calendário de 2007, era possível a dedução das despesas efetuadas com plano de saúde de filho ou cônjuge, mesmo quando este não tivesse sido incluído na declaração como dependente. Essa permissão era afastada caso o beneficiado tivesse considerado aquela despesa em sua própria declaração, ou caso tivesse realizado declaração simples. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.762,44. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. EDITADO EM: 31/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARTIN DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Ausente justificadamente a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITE DA LIDE. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. MANUAL DE PERGUNTAS E RESPOSTAS. Conforme o próprio “Manual de Perguntas e Respostas” elaborado pela Receita Federal para o exercício de 2008, ano-calendário de 2007, era possível a dedução das despesas efetuadas com plano de saúde de filho ou cônjuge, mesmo quando este não tivesse sido incluído na declaração como dependente. Essa permissão era afastada caso o beneficiado tivesse considerado aquela despesa em sua própria declaração, ou caso tivesse realizado declaração simples. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10120.720254/2011-04

anomes_publicacao_s : 201606

conteudo_id_s : 5594085

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2202-003.394

nome_arquivo_s : Decisao_10120720254201104.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO

nome_arquivo_pdf_s : 10120720254201104_5594085.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.762,44. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. EDITADO EM: 31/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARTIN DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Ausente justificadamente a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO.

dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016

id : 6396859

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:18 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417396064256

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 153          1 152  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.720254/2011­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.394  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  LUIZ JESUS D'AVILA MAGALHÃES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  LIMITE  DA LIDE.  Para  a  solução  do  litígio  tributário  deve  o  julgador delimitar,  claramente,  a  controvérsia  posta  à  sua  apreciação,  restringindo  sua  atuação  apenas  a  um  território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado,  pela  pretensão  do  Fisco  e,  por  outro,  pela  resistência  do  contribuinte,  expressos,  respectivamente,  pelo  ato  de  lançamento  e  pela  impugnação/recurso.  PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE.  MANUAL DE PERGUNTAS E RESPOSTAS.  Conforme  o  próprio  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas”  elaborado  pela  Receita  Federal  para  o  exercício  de  2008,  ano­calendário  de  2007,  era  possível  a  dedução  das  despesas  efetuadas  com  plano  de  saúde  de  filho  ou  cônjuge, mesmo quando  este  não  tivesse  sido  incluído  na declaração  como  dependente.  Essa  permissão  era  afastada  caso  o  beneficiado  tivesse  considerado  aquela  despesa  em  sua  própria  declaração,  ou  caso  tivesse  realizado declaração simples.   Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  afastar  a  glosa  de  despesas  médicas  no  valor  de  R$  1.762,44. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 54 /2 01 1- 04 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     2   (Assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Dilson Jatahy Fonseca Neto ­ Relator.    EDITADO EM: 31/05/2016  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA  (Presidente),  DILSON  JATAHY  FONSECA  NETO, MARTIN  DA SILVA GESTO, MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MÁRCIO  HENRIQUE SALES PARADA. Ausente  justificadamente  a Conselheira  JUNIA ROBERTA  GOUVEIA SAMPAIO.      Relatório  Em  breves  linhas,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  em  desfavor  do  Recorrente  no  qual  se  indica  como  infração  a  “Dedução  Indevida  de  Despesas  Médicas”.  Intimado  do  lançamento,  o  Contribuinte  apresentou  impugnação,  a  qual  foi  considerada  improcedente  pela  DRJ.  Ainda  inconformado,  o  Contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário.  Chegando  ao  CARF,  o  processo  foi  convertido  em  diligência,  a  qual  já  foi  realizada,  retornando os autos para decisão.  Pois bem.  A  autoridade  fiscal  interpelou  o  Contribuinte,  por  meio  de  Termo  de  Intimação Fiscal lavrado em 31/05/2010 (fl. 12) a comprovar (i) o pagamento de contribuição à  Previdência  Privada  e  Fapi;  (ii)  despesas  médicas  com  identificação  do  paciente;  e  (iii)  despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário.   O Contribuinte apresentou em 21/06/2010, conforme Termo de Atendimento  (fl.  11),  os  documentos  que  entendeu  comprobatórios.  Também,  apresentou  Declaração  Retificadora.  A  autoridade  fiscalizadora  lavrou  o  auto  de  infração  em  20/12/2010  (fls.  24/29). Apontou como infração “Dedução Indevida de Despesas Médicas”, e glosou o valor de  R$  5.228,45  ao  argumento  de  que  o  “Valor  glosado  refere­se  a  pagamento  à  CASSI,  em  benefício de pessoas não dependentes na declaração.”   Constituiu os seguintes créditos tributários:  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 154          3   Ano­ calendário  IRPF –  Suplementar  Multa  Juros  Total  2007  1.437,82  1.078,36  392,38  2.908,56    Intimado do Auto de Infração em 31/10/2010 (fl. 30), e inconformado com o  lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação (fl. 2), na qual:    · Questionou parte da glosa (R$ 1.178,96), ao argumento de que o valor  de  despesas  médicas  realmente  foi  efetuado  em  favor  de  filho  que  cursava universidade naquele exercício;  · Acrescentou que omitiu seu filho como dependente, o que lhe geraria  direito a dedução no valor de R$ 1.584,60, além de dedução referente  à contribuição à CASSI no valor de R$ 1.762,44; e  · Que  entregara  a  documentação  relevante  em  resposta  a  intimação  fiscal.    Tendo  em  vista  que  o  próprio Contribuinte  admitia  ter  impugnação  apenas  parcialmente  a  glosa,  a  SRFB  proferiu  despacho  transferindo  a  parte  não  impugnada  (R$  1.111,14) para o processo nº 10120.720262/2011­42, em 04/02/2011 (fls. 34/35). Fê­lo com o  propósito de dar continuidade à cobrança, sob o fundamento de que o Contribuinte não o havia  impugnado.  Também  registrou  nesse  despacho  que  não  foi  recebida  resposta  da  Intimação  Fiscal.   Recebendo  carta  de  cobrança  desse  valor,  o  Contribuinte  fez  então  adendo/retificando a impugnação (fls. 39/40). Explicou que:    · Apresentara sim resposta à intimação fiscal;   · Ratificou os fundamentos da impugnação;  · Que errou ao preencher o formulário da Impugnação, registrando R$  1.178,96 quando na verdade impugnava o valor de R$ 4.319,84;   · Que  havia  tentado  apresentar  Declaração  de  Ajuste  Anual  Retificadora  após  o  recebimento  do  primeiro  Termo  de  Intimação  Fiscal,  mas  que  não  lograra  êxito  porquanto  o  sistema  estava  bloqueado; e  · Admite dever imposto suplementar no valor de R$ 861,27, mas pede  que  seja  afastada  a  multa  –  ao  menos  em  parte  –  porque  sempre  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     4 respondeu tempestivamente as intimações e porque tentou apresentar  declaração retificadora.     Como consequência do adendo, foi lavrado novo Termo de Transferência de  Crédito Tributário em 04/06/2012, reduzindo o valor  transferido para o processo de cobrança  para R$ 249,87 (fl. 55/56).   Levado a julgamento em 1ª Grau, a DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 03.048­ 841 (fls. 58/63), em 21/06/2010, que restou assim ementado:    “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  –  IRPF  Exercício: 2008  Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PARCIALMENTE  – DESPESA MÉDICA  Considera­se  não  impugnada,  portanto  não  litigiosa,  a  matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo  contribuinte.  DECLARAÇÃO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA.  ERRO  DE  PREENCHIMENTO.  Não comprovado o  erro de preenchimento da Declaração  do  Imposto  de  Renda,  com  base  nas  informações  e  documentos  constantes  no  processo  e  nos  sistemas  informatizados  da  Receita  Federal  do  Brasil,  impõe­se  a  manutenção do lançamento.  DESPESAS  COM  PLANO  DE  SAÚDE.  NECESSIDADE  DE  IDENTIFICAÇÃO  DO  BENEFICIÁRIO  E  DOS  VALORES CORRESPONDENTES A CADA UM DELES  A  dedutibilidade  das  despesas  com  planos  de  saúde  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  em  proveito  do  próprio contribuinte e de seus dependentes. Por essa razão,  não  são  dedutíveis  as  despesas  cujos  comprovantes  não  identifiquem  os  beneficiários  dos  planos  com  a  identificação  dos  valores  correspondentes  a  cada  um  dos  beneficiários do plano.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido” (fl. 58)    Os fundamentos foram:    Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 155          5 · Que o Contribuinte não impugnou, parcialmente, a dedução indevida  de despesas médicas no valor de R$ 3.446,01;   · Que  o  Contribuinte  não  juntou  provas  de  que  o  filho  era  estudante  universitário no ano­calendário 2007;   · Que  o  filho  não  pode  ser  incluído  na  declaração  como  dependente  nesse momento;  · Que, mesmo que fosse incluído, o Contribuinte não juntou aos autos  comprovante das despesas pleiteadas;  · Que o Contribuinte  tampouco  comprovou  a  sua  contribuição  para  a  Unimed.    Tomando ciência do julgamento de primeiro grau em 20/07/2012 (fls. 68/69),  o  Contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls.  71/72  e  docs.  anexos  fls.  73/102)  em  06/08/2012 (fl. 103), no qual, em resumo, alegou:    · Que  já  havia  juntado  aos  autos  prova  de  que  seu  filho  cursara  faculdade no ano­calendário de 2007 (diploma e histórico escolar);  · Que já havia comprovado as despesas médicas realizadas em favor de  seu filho junto à Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do  Brasil (CASSI);  · Que já havia comprovado as despesas realizadas junto à Unimed;  · Reconhece como correta a glosa no montante de R$ 249,87;  · Que  realizou  parcelamento  do  valor  de R$  2.448,96  junto  à  SRFB,  pedindo compensação dos valores já pagos até aquele momento com  o valor reconhecido pelo próprio Contribuinte; e  · Que  já  tinha,  à época do Recurso Voluntário, 64  (sessenta  e quatro)  anos e, portanto, tinha tramitação prioritária.    O  processo  alcançou  então  o CARF  que,  por meio  da Resolução  nº  2801­ 000.343 (fls. 108/114), datada de 10/03/2015, converteu o julgamento em diligência para que a  autoridade fiscal averiguasse:    · “Se  Diego  Trindade  D’Avila Magalhães  apresentou  DIRPF  própria  referente do exercício 2008, ano­calendário 2007;  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     6 · Se  houve  a  dedução  de  Diego  Trindade  D’Avila  Magalhães  como  dependente, bem como a dedução de despesas médicas com a Unimed  Goiânia  referente  ao  beneficiário  LUIZ  JESUS  D’AVILA  MAGALHÃES,  na DIRPF  do  exercício  2008,  ano­calendário  2007,  da Contribuinte JEANE LUSTOSA MACHADO DE ARAÚJO, CPF  267.848.151­49”    Explicou  ainda  que,  conforme  o  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas”  da  Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, o Contribuinte podia deduzir as despesas com  planos  de  saúde  de  seus  cônjuges  ou  filhos,  mesmo  que  não  fossem  declarados  como  seus  dependentes, desde que os valores não tivessem sido deduzidos nas declarações destes, ou que  estes não tivessem feito a declaração simplificada.  Em seu Relatório Fiscal  (fl. 125), a AFRFB informou: (i) que não constava  apresentação de DIRPF própria do sr. Diego Trindade D’Avila Magalhães; (ii) que não houve  dedução  de  Diego  Trindade  D’Avila  Magalhães  como  dependente  da  Contribuinte  Jeane  Lustosa Machado de Araújo; e (iii) que não houve deduções referentes à Unimed Goiânia na  declaração desta referentes ao beneficiário Luiz Jesus D’Avila Magalhães.  Intimado, o Contribuinte ratificou (fls. 131/132 e docs. anexos fls. 133/148)  tudo quando afirmado anteriormente, juntando documentação novamente.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto ­ Relator    Juízo de Admissibilidade:  Os  pressupostos  e  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  determinados  pelo  Decreto  70.235/1972  e  pelo  Regimento  Interno  do  CARF,  fazem­se  presentes.    DOS PONTOS CONTROVERTIDOS   Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são:    I.  Delimitação da lide: o que foi impugnado?   II.  É possível deduzir as despesas da CASSI?  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 156          7   DO MÉRITO  DELIMITAÇÃO DA LIDE  O auto de infração glosou o valor de R$ 5.228,45 referente ao pagamento à  CASSI uma vez que  esse valor  teria  sido pago em benefício de pessoas  não dependentes na  declaração. Em sua impugnação, o Contribuinte afirma expressamente que o valor se refere a  despesas médicas  do  filho,  que  tinha menos  de  24  anos  e  cursava  universidade  à  época  dos  fatos. Informou ainda que o valor questionado seria de R$ 1.187,96, tão somente.  Percebendo  seu  erro no  tocante  ao valor,  o Contribuinte  apresentou petição  retificando a impugnação, afirmado ter cometido erro material, e esclarecendo que impugnava  efetivamente  o  valor  de  R$  4.319,84.  Destes,  apenas  R$  1.762,44  referiam­se  à  glosa  propriamente dita, admitindo uma dedução indevida de R$ 3.466,011.  Uma vez que o Contribuinte expressamente contestou a glosa na impugnação  (“O  valor  refere­se  a  despesas  médicas  do  filho(a)  ou  enteado(a)  universitário  ou  que  está  cursando  escola  técnica  de  segundo  grau,  com  idade  até  24  anos”),  é  aceitável  a  petição  posterior que busca tão somente corrigir o valor questionado, alterando­o de R$ 1.187,96 para  R$ 1.762,44.   Essa  foi  a  mesma  conclusão  alcançada  pela  DRJ/BSB  que,  analisando  a  situação, entendeu assim:    “O  contribuinte  não  impugnou  parcialmente  a  dedução  indevida  de  despesas  médicas,  no  valor  de  R$  3.446,01.  Desta  forma,  conforme  previsto  no  art.  17  do Decreto  nº  70.235/1972,  considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  foi  expressamente  contestada,  razão  pela  qual  o  assunto  não  será  objeto  de  discussão  no  presente  julgamento.” (fl. 60)    O  Contribuinte  não  recorreu  desse  ponto.  Ainda  que  tivesse  recorrido,  o  entendimento  da  autoridade  fiscal  foi  correto:  o  lançamento  é  feito  por  meio  do  auto  de  infração, o qual indicou tão somente a dedução a título de despesas médicas com a CASSI. Se  o próprio Contribuinte admite ter pago somente R$ 1.762,96, e não R$ 5.228,45, então esse é o  limite da lide. O restante da glosa, efetivamente não tendo sido impugnada, deve ser mantida.  No  tocante  ao  pedido  de  retificação  da DIRPF,  essa  não  pode  ser  feita  em  sede de impugnação ou de recurso voluntário do lançamento. . Ressalvadas algumas matérias                                                              1  O  restante  da  impugnação  é  composto  de  outros  argumentos;  especificamente,  novas  deduções  que  o  Contribuinte  entende  ter  direito,  a  despeito  de  não  as  ter  informado  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  original.  Assim,  o Contribuinte  afirma  impugnar R$  4.319,84. Contudo,  apenas R$ 1.782,44  referem­se  à  dedução  com  despesas médicas em função da CASSI. Os R$ 2.537,40 faltantes são compostos de: (i) R$ 1.584,60 a título de  dedução por ser o Sr. Diego Trindade d’Avila Magalhães seu filho e dependente; e (ii) R$ 972,80 por pagamentos  realizados à Unimed que têm o próprio Contribuinte como beneficiário.   Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     8 de  ordem  pública,  a  competência  do  julgador  para  a  revisão  do  lançamento  restringe­se  à  hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB  (art. 149 do CTN).   Não obstante  as  lições  processuais  retro  transcritas,  conforme o Regimento  Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de  2012, temos que:  Das Competências das Unidades Descentralizadas  Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil ­ DRF, à  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Pessoas  Físicas  ­  Derpf,  às  Alfândegas  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  ALF  e  às  Inspetorias  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  IRF  de  Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos  tributos  administrados  pela  RFB,  inclusive  os  destinados  a  outras  entidades  e  fundos,  compete,  no  âmbito  da  respectiva  jurisdição,  no  que  couber,  desenvolver  as  atividades  de  arrecadação,  controle  e  recuperação  do  crédito  tributário,  de  análise  dos  dados  de  arrecadação  e  acompanhamento  dos  maiores  contribuintes,  de  atendimento  e  interação  com  o  cidadão,  de  comunicação  social,  de  fiscalização,  de  controle  aduaneiro,  de  tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento,  avaliação, organização, modernização, e, especificamente:  (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de  2013)   ...  X  ­  executar  as  atividades  relacionadas  à  restituição,  compensação,  reembolso,  ressarcimento,  redução  e  reconhecimento  de  imunidade  e  isenção  tributária,  inclusive  as  relativas a outras entidades e fundos;   ...  XXII  ­  proceder  à  retificação  de  declarações  aduaneiras,  à  revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  e  ao  cancelamento  ou  reativação  de  declarações a pedido do sujeito passivo;  (sublinhei/grifei)    Portanto, não podem os demais pedidos, além da comprovação de despesas  com a CASSI, ser resolvidos em sede desse processo, uma vez que se encontra limitado pela  Notificação de Lançamento. Cabe à Unidade de origem observar a possibilidade de revisão de  ofício, em face dos documentos apresentados.     DESPESAS COM A CASSI  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10120.720254/2011­04  Acórdão n.º 2202­003.394  S2­C2T2  Fl. 157          9 Impende  analisar  o  valor  de  R$  1.762,96  que  o  Contribuinte  efetivamente  contestou.   Repetimos,  por  ser  conveniente,  o  excerto  do  “Manual  de  Perguntas  e  Respostas” já colacionado na Resolução nº 2801­000.343:    “PLANO DE SAÚDE – DECLARAÇÃO EM SEPARADO 355 –  O contribuinte,  titular de plano de saúde, pode deduzir o valor  integral  pago  ao  plano,  incluindo  os  valores  referentes  ao  cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado?  Como  regra  geral,  somente  são  dedutíveis  na  declaração  os  valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas  dependentes  perante  a  legislação  tributária  e  incluídas  na  declaração  do  responsável  em  que  forem  consideradas  dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os  filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados  dependentes  perante  a  legislação  tributária,  apresentarem  declarações em  separado no modelo completo,  o  valor  integral  pago  ao  plano  pode  ser  deduzido  na  declaração  de  ajuste  do  titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas  declarações do outro cônjuge ou filhos.  No caso de apresentação de declaração em separado no modelo  simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as  deduções  a  que  estes  teriam  direito  são  substituídas  pelo  desconto  simplificado,  a  parcela  do  plano  de  saúde  correspondente  ao  outro  cônjuge  ou  aos  filhos  é  considerada  indedutível na declaração do titular do plano.”    Inicialmente, conforme certidão de nascimento anexada aos autos  (fl. 9), há  comprovação  de  que  o  Sr.  Diego  Trindade  d’Ávila  Magalhães  é  filho  do  Contribuinte,  e  completou 22 anos ao longo do ano­calendário de 2007. Ainda, conforme atesta o Diploma de  Graduação  e  o  Histórico  Escolar  (fls.  87/91),  o  Sr.  Diego  Magalhães  efetivamente  cursou  universidade  ao  longo desse  ano  calendário. Consequentemente,  ainda que o  filho não  tenha  sido declarado expressamente como dependente do Contribuinte, poderia ter sido, preenchendo  um dos requisitos ali elencados.   Segundo, conforme atestou o relatório fiscal, não consta DIRPF em separado  do Sr. Diego Magalhães nesse exercício. Também, não houve dedução dele como dependente  da Sra. Jeane Lustosa Machado de Araújo (fl. 125).  Terceiro,  há  nos  autos  recibo  da CASSI  no  valor  de R$  1.762,44,  no  qual  consta como beneficiário o Sr. Diego Magalhães (fl. 93).  Por tudo isso, entendo que a glosa deve ser reduzida em R$ 1.762,44, por ter  o contribuinte comprovado essa despesa.    Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA     10 DISPOSITIVO  Diante de tudo quanto exposto, voto por conhecer e dar parcial provimento ao  recurso  voluntário  para  deduzir  o  valor  de  R$  1.762,44  da  glosa  efetuada  em  função  da  comprovação da despesa.    (Assinado digitalmente)  Dilson Jatahy Fonseca Neto­ Relator                                  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA

score : 1.0
6351521 #
Numero do processo: 10880.001815/99-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que prosseguia no julgamento. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente e Redator Designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S.A. (atual denominação de TELESP PARTICIPAÇÕES S/A) contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 1997, apurado pela empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001- 04. Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos de fls. 02 a 17 e declarações de IRPJ da empresa cindida (fls. 18 a 93). Pleiteia-se a restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05), relativo a parte do saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03). A interessada apresentou ainda os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos n° 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77, além do Pedido de Compensação de débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99-92, processos esses apensados ao presente feito. O crédito indicado nos citados pedidos de compensação é aquele requerido nestes autos. A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio do qual indeferiu o pedido de restituição e, em conseqüência, não homologou os pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas. Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em 14/03/2005, representada por procuradores (fls. 353 a 355, 450 e 451), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449. Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da empresa cedente para a empresa cessionária, que a autoridade recorrida reputou não comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações de Imposto de Renda da Telecomunicações Brasileiras - Telebrás (anos-calendário 1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a 464). Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já que não possui legitimidade para apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás. Por fim, requer seja integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição. Baixado o feito em diligência, conforme despacho de fls. 518 e 519, a DRF/Brasília/DIFIS esclareceu, em informação de fls. 994 a 998, que o crédito pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo-se que todo o crédito de IRPJ, então existente, passou à empresa Telesp. No tocante à majoração do saldo negativo decorrente de retificação da DIRPJ/1998 (ano-calendário de 1997) da Telebrás, informou-se que tal fato não acarretou alteração do crédito da Telesp. Por fim, a Fiscalização considerou comprovadas as parcelas que compõem o saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos de períodos anteriores e Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF), informadas na declaração de IRPJ. Na seqüência, foram os autos enviados à DEFIS/SP, com vistas verificação da escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp), tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143. Conforme Resolução de fls. 1160 e 1161, esta Terceira Turma determinou o retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos fiscais existente na Telebrás em 31/12/1997 e em relação ao oferecimento tributação dos juros sobre o capital próprio auferidos no ano-calendário de 1997. O relatório de fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 16-20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de débitos fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores, cabe a recomposição do resultado, constatando-se a existência parcial do indébito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde a data de seu protocolo. Declara-se a homologação tácita dessas compensações, até o limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da data em que formalizadas. Solicitação Deferida em Parte Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório pleiteado, concluiu que o crédito indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05) seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da unidade de origem. Por conseguinte, considerou homologadas tacitamente as referidas compensações até o limite do crédito informado nos pedidos. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, alega que: (i) a diferença entre o saldo de IRPJ a restituir apurado pela TELEBRÁS e o apurado na decisão recorrida, quando efetuou a recomposição da base de cálculo do ano-calendário de 1997, é justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta, a restituição pleiteada é inferior ao crédito existente; e (iii) a decisão deve ser reformada no sentido de se reconhecer a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar, primeiramente, se há o interesse de agir. A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido para o patrimônio da recorrente por decorrência de uma operação de cisão parcial (a outra parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros vinculados ao referido crédito (fls. 125, 126 e 227 a 237 do presente processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77). Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99-92. Por não concordar com elementos da apuração daquele saldo negativo, a unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito próprio a partir da incorporação, pela recorrente, da empresa que detinha aqueles débitos. Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e, como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos contado das datas em que foram protocolados os referidos pedidos, as correspondentes compensações haviam sido tacitamente homologadas. Os débitos indicados nesses pedidos de compensação, salvo melhor juízo, totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar essas cópias repetidas, pode-se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos: Data do Protocolo Débitos Discriminados Valor (R$) 10/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.027.677,26 18/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: TELESP S/A 13.099.025,73 09/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP S/A 19.704.469,14 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.908.957,42 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP Participações S/A 414.490,25 09/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.697.060,29 12/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: TELESP S/A 17.189.828,72 04/05/99 Código 2372 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 578.526,54 13/05/99 Código 8109 do período de apuração 04/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 315.811,40 TOTAL: 55.935.846,75 Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e maio daquele ano variou segundo os índices de 2,38%, 3,33%, 2,35% e 2,02%, respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso deve, então, ser conhecido. Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os questionamentos que foram levantados contra a apuração do saldo negativo de 1997 efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela não concordar com o valor dos prejuízos fiscais de anos anteriores compensado naquela apuração. Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um saldo a compensar de R$ 33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332". Com efeito, o relatório do Sistema SAPLI, às fls. 332, indica que o saldo de prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88 compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso, já no despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se indeferiu o pedido de Restituição. Aquela singela manifestação da autoridade fiscal, reforçada pelo relatório do SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância. A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332, mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268). De fato, tudo indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre os documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88. Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada ano e tenta manter um controle dos saldos acumulados. Contudo, é sujeito a erros porque muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as devidas declarações retificadoras. Além disso, as alterações nos prejuízos fiscais provocadas por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no Sistema. Por isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve-se dar preferência às últimas. Destarte, assiste razão à recorrente em querer ver reconhecido a totalidade do crédito pleiteado em seu pedido de restituição. Porém, deve-se advertir a unidade de origem que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no pedido (R$ 55.000.000,00) aos débitos informados para compensação (conforme a tabela acima). Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de restituição da parcela que restar da imputação do crédito aos débitos informados para compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201602

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 10880.001815/99-79

anomes_publicacao_s : 201604

conteudo_id_s : 5583058

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 1401-000.384

nome_arquivo_s : Decisao_108800018159979.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO

nome_arquivo_pdf_s : 108800018159979_5583058.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016

id : 6351521

ano_sessao_s : 2016

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório (Relator) que prosseguia no julgamento. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente e Redator Designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por TELEFÔNICA BRASIL S.A. (atual denominação de TELESP PARTICIPAÇÕES S/A) contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata o presente feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 1997, apurado pela empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. - Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001- 04. Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos de fls. 02 a 17 e declarações de IRPJ da empresa cindida (fls. 18 a 93). Pleiteia-se a restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05), relativo a parte do saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03). A interessada apresentou ainda os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos n° 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77, além do Pedido de Compensação de débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99-92, processos esses apensados ao presente feito. O crédito indicado nos citados pedidos de compensação é aquele requerido nestes autos. A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio do qual indeferiu o pedido de restituição e, em conseqüência, não homologou os pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas. Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em 14/03/2005, representada por procuradores (fls. 353 a 355, 450 e 451), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449. Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da empresa cedente para a empresa cessionária, que a autoridade recorrida reputou não comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações de Imposto de Renda da Telecomunicações Brasileiras - Telebrás (anos-calendário 1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a 464). Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já que não possui legitimidade para apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás. Por fim, requer seja integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição. Baixado o feito em diligência, conforme despacho de fls. 518 e 519, a DRF/Brasília/DIFIS esclareceu, em informação de fls. 994 a 998, que o crédito pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo-se que todo o crédito de IRPJ, então existente, passou à empresa Telesp. No tocante à majoração do saldo negativo decorrente de retificação da DIRPJ/1998 (ano-calendário de 1997) da Telebrás, informou-se que tal fato não acarretou alteração do crédito da Telesp. Por fim, a Fiscalização considerou comprovadas as parcelas que compõem o saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos de períodos anteriores e Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF), informadas na declaração de IRPJ. Na seqüência, foram os autos enviados à DEFIS/SP, com vistas verificação da escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp), tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143. Conforme Resolução de fls. 1160 e 1161, esta Terceira Turma determinou o retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos fiscais existente na Telebrás em 31/12/1997 e em relação ao oferecimento tributação dos juros sobre o capital próprio auferidos no ano-calendário de 1997. O relatório de fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 16-20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de débitos fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores, cabe a recomposição do resultado, constatando-se a existência parcial do indébito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde a data de seu protocolo. Declara-se a homologação tácita dessas compensações, até o limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da data em que formalizadas. Solicitação Deferida em Parte Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório pleiteado, concluiu que o crédito indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05) seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da unidade de origem. Por conseguinte, considerou homologadas tacitamente as referidas compensações até o limite do crédito informado nos pedidos. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, alega que: (i) a diferença entre o saldo de IRPJ a restituir apurado pela TELEBRÁS e o apurado na decisão recorrida, quando efetuou a recomposição da base de cálculo do ano-calendário de 1997, é justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta, a restituição pleiteada é inferior ao crédito existente; e (iii) a decisão deve ser reformada no sentido de se reconhecer a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar, primeiramente, se há o interesse de agir. A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada. O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido para o patrimônio da recorrente por decorrência de uma operação de cisão parcial (a outra parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros vinculados ao referido crédito (fls. 125, 126 e 227 a 237 do presente processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99-55 e 10880.007966/99-77). Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99-92. Por não concordar com elementos da apuração daquele saldo negativo, a unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito próprio a partir da incorporação, pela recorrente, da empresa que detinha aqueles débitos. Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e, como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos contado das datas em que foram protocolados os referidos pedidos, as correspondentes compensações haviam sido tacitamente homologadas. Os débitos indicados nesses pedidos de compensação, salvo melhor juízo, totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar essas cópias repetidas, pode-se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos: Data do Protocolo Débitos Discriminados Valor (R$) 10/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.027.677,26 18/02/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99 Devedor: TELESP S/A 13.099.025,73 09/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP S/A 19.704.469,14 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.908.957,42 10/03/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99 Devedor: TELESP Participações S/A 414.490,25 09/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 1.697.060,29 12/04/99 Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99 Devedor: TELESP S/A 17.189.828,72 04/05/99 Código 2372 do período de apuração 03/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 578.526,54 13/05/99 Código 8109 do período de apuração 04/99 Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo 315.811,40 TOTAL: 55.935.846,75 Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e maio daquele ano variou segundo os índices de 2,38%, 3,33%, 2,35% e 2,02%, respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso deve, então, ser conhecido. Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os questionamentos que foram levantados contra a apuração do saldo negativo de 1997 efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela não concordar com o valor dos prejuízos fiscais de anos anteriores compensado naquela apuração. Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um saldo a compensar de R$ 33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332". Com efeito, o relatório do Sistema SAPLI, às fls. 332, indica que o saldo de prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88 compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso, já no despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se indeferiu o pedido de Restituição. Aquela singela manifestação da autoridade fiscal, reforçada pelo relatório do SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância. A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332, mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268). De fato, tudo indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre os documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88. Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada ano e tenta manter um controle dos saldos acumulados. Contudo, é sujeito a erros porque muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as devidas declarações retificadoras. Além disso, as alterações nos prejuízos fiscais provocadas por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no Sistema. Por isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve-se dar preferência às últimas. Destarte, assiste razão à recorrente em querer ver reconhecido a totalidade do crédito pleiteado em seu pedido de restituição. Porém, deve-se advertir a unidade de origem que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no pedido (R$ 55.000.000,00) aos débitos informados para compensação (conforme a tabela acima). Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de restituição da parcela que restar da imputação do crédito aos débitos informados para compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:39 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417846951936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 1.384          1 1.383  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.001815/99­79  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1401­000.384  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de fevereiro de 2016  Assunto  Compensação.  Recorrente  TELEFÔNICA BRASIL S.A. (atual denominação de TELESP  PARTICIPAÇÕES S/A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência.  Vencido  o  Conselheiro  Ricardo  Marozzi  Gregório  (Relator)  que  prosseguia no julgamento. Designado o Conselheiro Antonio Bezerra Neto para redigir o voto  vencedor.    Documento assinado digitalmente.  Antonio Bezerra Neto ­ Presidente e Redator Designado.   Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator.    Participaram da  sessão  de  julgamento  os Conselheiros: Guilherme Adolfo  dos  Santos  Mendes,  Ricardo  Marozzi  Gregorio,  Marcos  de  Aguiar  Villas  Boas,  Fernando  Luiz  Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 01 81 5/ 99 -7 9 Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.385          2 Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  TELEFÔNICA  BRASIL  S.A.  (atual  denominação  de  TELESP  PARTICIPAÇÕES  S/A)  contra  acórdão  proferido  pela  DRJ/São  Paulo  I  que  concluiu  pela  procedência  parcial  da manifestação  de  inconformidade  acerca de pedido de restituição cumulado com compensações de crédito decorrente de IRPJ.   Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso:  Trata o presente  feito de pedido de restituição de saldo negativo de Imposto de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  relativo  ao  ano­calendário  de  1997,  apurado  pela  empresa Telecomunicações Brasileiras S.A. ­ Telebrás, CNPJ n° 00.336.701/0001­ 04.  Em virtude de cisão parcial da Telebrás, ocorrida em 28 de fevereiro de 1998, parte de  seu acervo liquido foi transferida à interessada, conforme documentos e demonstrativos  de  fls.  02 a 17  e declarações de  IRPJ da empresa  cindida  (fls.  18 a 93). Pleiteia­se  a  restituição do valor atualizado de R$ 55.000.000,00 (fls. 01 e 05),  relativo a parte do  saldo negativo de IRPJ, de R$ 65.731.081,00 (fl. 27), que integra o crédito no montante  de R$ 105.150.983,00, transferido em decorrência da cisão (fl. 03).  A  interessada  apresentou  ainda  os  Pedidos  de  Compensação  de  Crédito  com  Débito de Terceiros, constantes destes autos (fls. 125, 126 e 227 a 237) e dos Processos  n°  10880.004917/99­55  e  10880.007966/99­77,  além  do  Pedido  de  Compensação  de  débito próprio, objeto do Processo n° 10880.004916/99­92, processos esses apensados  ao  presente  feito.  O  crédito  indicado  nos  citados  pedidos  de  compensação  é  aquele  requerido nestes autos.  A DERAT/SP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 341 a 345, por meio  do  qual  indeferiu  o  pedido  de  restituição  e,  em  conseqüência,  não  homologou  os  pedidos de compensação, uma vez não demonstrada a liquidez e certeza do crédito, ante  a ausência de esclarecimentos no tocante a diversas inconsistências apuradas.  Em 10/02/2005, a contribuinte tomou ciência dessa decisão (fl. 347, verso). Em  14/03/2005,  representada  por  procuradores  (fls.  353  a  355,  450  e  451),  apresentou  a  manifestação de inconformidade de fls. 378 a 449.  Alega a interessada, em síntese, que a transferência da titularidade do crédito da  empresa  cedente  para  a  empresa  cessionária,  que  a  autoridade  recorrida  reputou  não  comprovada, está devidamente lastreada pelo Laudo de Avaliação e pelas declarações  de  Imposto  de  Renda  da  Telecomunicações  Brasileiras  ­  Telebrás  (anos­calendário  1997 e 1998), já anexados aos autos, e também pelos lançamentos contábeis (lis. 452 a  464).  Acrescenta que não pode ser prejudicada pelo não atendimento da intimação, já  que  não  possui  legitimidade  para  apresentar  os  documentos  e  esclarecimentos  solicitados pelo Fisco, relativos à Telebrás.  Por fim, requer seja  integralmente reconhecido o direito creditório demonstrado  inicialmente. Alternativamente, pleiteia a intimação da Telebrás para que ela apresente  todos os documentos solicitados e posterior deferimento do pedido de restituição.  Baixado  o  feito  em  diligência,  conforme  despacho  de  fls.  518  e  519,  a  DRF/Brasília/DIFIS  esclareceu,  em  informação  de  fls.  994  a  998,  que  o  crédito  pleiteado nestes autos integra o saldo de "Tributos Diferidos e a Recuperar", registrado  Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.386          3 na empresa Telebrás em fevereiro de 1998, concluindo­se que todo o crédito de IRPJ,  então existente, passou à empresa Telesp.  No  tocante  à  majoração  do  saldo  negativo  decorrente  de  retificação  da  DIRPJ/1998  (ano­calendário  de  1997)  da  Telebrás,  informou­se  que  tal  fato  não  acarretou alteração do crédito da Telesp.  Por  fim,  a  Fiscalização  considerou  comprovadas  as  parcelas  que  compõem  o  saldo negativo em questão (recolhimentos por estimativa, compensações com créditos  de  períodos  anteriores  e  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte  ­  IRRF),  informadas  na  declaração de IRPJ.  Na  seqüência,  foram os  autos  enviados  à DEFIS/SP,  com  vistas  verificação  da  escrituração contábil dos créditos e de sua utilização, pela empresa cessionária (Telesp),  tendo sido produzido o relatório de fls. 1141 a 1143.  Conforme  Resolução  de  fls.  1160  e  1161,  esta  Terceira  Turma  determinou  o  retorno dos autos à DRF/Brasilia, para esclarecimentos no tocante ao saldo de prejuízos  fiscais  existente  na Telebrás  em  31/12/1997  e  em  relação  ao  oferecimento  tributação  dos  juros  sobre o capital próprio auferidos no ano­calendário de 1997. O  relatório de  fls. 1179 e 1180 informa as conclusões da Fiscalização.    Ao apreciar a  impugnação apresentada, a 3ª Turma da já mencionada DRJ/São  Paulo I proferiu o Acórdão nº 16­20.158, de 21 de janeiro de 2009, por meio do qual decidiu  pela procedência parcial da manifestação de inconformidade.  Assim figurou a ementa do referido julgado:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  VERIFICAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  TRIBUTO.  COMPROVAÇÃO  PARCIAL DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO.  A verificação da regularidade da apuração da base de cálculo do tributo deve ser feita  no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da  certeza  e  liquidez  do  crédito  invocado  pelo  sujeito  passivo,  para  extinção  de  débitos  fiscais. Evidenciada a compensação a maior de prejuízos fiscais de períodos anteriores,  cabe a recomposição do resultado, constatando­se a existência parcial do indébito.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1999  PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDOS EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  Consoante a legislação tributária vigente, os pedidos de compensação constantes destes  autos e dos processos apensos foram convertidos em declarações de compensação desde  a data de  seu protocolo. Declara­se a homologação  tácita dessas compensações, até o  limite do crédito nelas informado, porquanto não apreciadas no prazo de cinco anos da  data em que formalizadas.  Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.387          4 Solicitação Deferida em Parte    Cumpre esclarecer que o voto condutor dessa decisão, depois de apresentar os  diversos pontos que foram objeto de questionamento para fins de análise do direito creditório  pleiteado,  concluiu  que  o  crédito  indicado  no  pedido  de  restituição  (fls.  01  e  05)  seria  insuficiente para as compensações a ele vinculadas. Entretanto, por força do que dispõem os §§  4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, todos os pedidos de compensação contidos no presente  processo e seus apensos foram convertidos em declaração de compensação e o prazo para sua  homologação tácita foi expirado antes da ciência, pelo contribuinte, do despacho decisório da  unidade  de  origem.  Por  conseguinte,  considerou  homologadas  tacitamente  as  referidas  compensações até o limite do crédito informado nos pedidos.  Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente,  alega  que:  (i)  a  diferença  entre  o  saldo  de  IRPJ  a  restituir  apurado  pela  TELEBRÁS  e  o  apurado  na  decisão  recorrida,  quando  efetuou  a  recomposição  da  base  de  cálculo  do  ano­ calendário de 1997, é  justificada por uma compensação de prejuízos fiscais equivocadamente  efetuada pela DRJ; (ii) ainda que se admita que a recomposição da base de cálculo está correta,  a  restituição pleiteada  é  inferior  ao  crédito  existente;  e  (iii)  a decisão deve ser  reformada no  sentido  de  se  reconhecer  a  integralidade  do  crédito  pleiteado  para  que  a  parcela  não  compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada.    É o relatório.     Voto Vencido    Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator     O recurso voluntário é tempestivo, mas para ser conhecido há que se verificar,  primeiramente, se há o interesse de agir.  A recorrente solicita que se reconheça a integralidade do crédito pleiteado para  que a parcela não compensada no presente processo e seus anexos possa ser aproveitada.  O crédito pleiteado é aquele indicado no pedido de restituição (fls. 01 e 05), qual  seja, correspondente a R$ 55.000.000,00. Esse valor se refere a uma parte do saldo negativo de  IRPJ do ano­calendário de 1997 que havia sido apurado pela TELEBRÁS e, depois, transferido  para  o  patrimônio  da  recorrente  por  decorrência  de  uma  operação  de  cisão  parcial  (a  outra  parte, informa o item 32 do recurso, foi utilizada para compensações diretas na contabilidade  da empresa). Posteriormente, a empresa protocolou Pedidos de Compensação de Créditos com  Débitos  de  Terceiros  vinculados  ao  referido  crédito  (fls.  125,  126  e  227  a  237  do  presente  processo, bem como nos processos apensos de nº 10880.004917/99­55 e 10880.007966/99­77).  Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.388          5 Além disso, vinculado ao mesmo crédito, protocolou também um Pedido de Compensação com  débito próprio no processo apenso de nº 10880.004916/99­92.  Por  não  concordar  com  elementos  da  apuração  daquele  saldo  negativo,  a  unidade de origem indeferiu o pedido de restituição. Contudo, a DRJ verificou que os pedidos  de compensação com débitos de terceiros passaram a ser pedidos de compensação com débito  próprio  a  partir  da  incorporação,  pela  recorrente,  da  empresa  que  detinha  aqueles  débitos.  Ademais, por conta do que consta nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, constatou que  todos aqueles pedidos de compensação foram convertidos em declarações de compensação e,  como o despacho decisório da unidade de origem foi proferido depois do prazo de cinco anos  contado  das  datas  em  que  foram  protocolados  os  referidos  pedidos,  as  correspondentes  compensações haviam sido tacitamente homologadas.   Os  débitos  indicados  nesses  pedidos  de  compensação,  salvo  melhor  juízo,  totalizam o valor de R$ 55.935.846,75. Isto porque há cópias do mesmo pedido que se repetem  em algumas folhas deste e dos outros processos. Depois de fazer uma depuração para eliminar  essas cópias repetidas, pode­se concluir que foram protocolados os seguintes pedidos:  Data do Protocolo  Débitos Discriminados  Valor (R$)  10/02/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.027.677,26  18/02/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 01/99  Devedor: TELESP S/A  13.099.025,73  09/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99  Devedor: TELESP S/A  19.704.469,14  10/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.908.957,42  10/03/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 02/99   Devedor: TELESP Participações S/A  414.490,25  09/04/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  1.697.060,29  12/04/99  Códigos 2172 e 8109 do período de apuração 03/99  Devedor: TELESP S/A  17.189.828,72  04/05/99  Código 2372 do período de apuração 03/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  578.526,54  Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.389          6 13/05/99  Código 8109 do período de apuração 04/99   Devedor: Cia Telefônica da Borda do Campo  315.811,40  TOTAL:  55.935.846,75    Todavia, considerando que a taxa SELIC nos meses de fevereiro, março, abril e  maio  daquele  ano  variou  segundo  os  índices  de  2,38%,  3,33%,  2,35%  e  2,02%,  respectivamente, é possível que haja ainda algum saldo a restituir quando se fizer a imputação  do crédito aos débitos nas suas datas de vencimento. Por isso, há interesse de agir e o recurso  deve, então, ser conhecido.   Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos  os  questionamentos  que  foram  levantados  contra  a  apuração  do  saldo  negativo  de  1997  efetuada pela TELEBRÁS, o único motivo para a DRJ ter declarado que o crédito indicado no  pedido de restituição seria insuficiente para as compensações a ele vinculadas foi o fato de ela  não  concordar  com  o  valor  dos  prejuízos  fiscais  de  anos  anteriores  compensado  naquela  apuração.  Ao  invés  dos  R$  45.289.350,88  compensados,  a  DRJ  entendeu  que  só  havia  um  saldo  a  compensar  de  R$  33.966.654,66.  Foi  motivada  pelo  fato  de  autoridade  fiscal  que  efetuou a diligência pela DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o  mesmo constante do SAPLI à fl. 332".  Com  efeito,  o  relatório  do  Sistema SAPLI,  às  fls.  332,  indica  que  o  saldo  de  prejuízos fiscais da TELEBRÁS era de R$ 33.966.654,66. Isso destoou dos R$ 45.289.350,88  compensados conforme indicava a DIRPJ/98 (fls. 314). Por isso,  já no despacho decisório da  unidade  de  origem,  essa  questão  foi  uma  das  razões  pela  qual  se  indeferiu  o  pedido  de  Restituição.  Aquela  singela  manifestação  da  autoridade  fiscal,  reforçada  pelo  relatório  do  SAPLI, foi suficiente para a convicção do julgamento na primeira instância.  A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso  porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no  relatório do SAPLI  às  fls. 332, mas,  também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal tomou por  base  em  seu  relatório  o  valor  compensado.  Para  comprovar  que  o  valor  do  saldo  negativo  constante  do  LALUR  era  realmente  de  R$  45.289.350,88,  junta  com  o  recurso  cópias  das  Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268).   De fato,  tudo  indica que a autoridade  fiscal deve  ter se equivocado. Dentre os  documentos juntados na citada diligência, só consta a cópia da Parte A do LALUR (fls. 1175).  Nada obstante,  não  é na Parte A que  se  encontra a  informação do  saldo de prejuízos  fiscais  acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se verifica às fls. 1268, o valor do saldo de  prejuízos acumulados era, efetivamente, de R$ 45.289.350,88.  Não se deve esquecer que o Sistema SAPLI é um mero banco de dados que é  alimentado pelas informações prestadas pelos próprios contribuintes (nas DIRPJ até 1998 e nas  DIPJ a partir de 1999). O Sistema colhe os valores de prejuízos apurados e aproveitados a cada  ano  e  tenta  manter  um  controle  dos  saldos  acumulados.  Contudo,  é  sujeito  a  erros  porque  muitas vezes correções diversas são feitas no LALUR sem que se tome o cuidado de enviar as  devidas  declarações  retificadoras. Além disso,  as  alterações  nos  prejuízos  fiscais  provocadas  Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.390          7 por autos de infração e resultados de julgamentos nem sempre são devidamente informadas no  Sistema.  Por  isso,  entre  as  informações  contidas  no  SAPLI  e  no  LALUR,  deve­se  dar  preferência às últimas.  Destarte,  assiste  razão  à  recorrente  em querer ver  reconhecido  a  totalidade  do  crédito pleiteado em seu pedido de  restituição. Porém, deve­se advertir  a unidade de origem  que o saldo a restituir será somente a parcela que restar da imputação do crédito indicado no  pedido  (R$  55.000.000,00)  aos  débitos  informados  para  compensação  (conforme  a  tabela  acima).  Pelo  exposto,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  de  restituição  da  parcela  que  restar  da  imputação  do  crédito aos débitos informados para compensação.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator      Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator Designado   Ouso  divergir  do  sempre  bem  fundamentado  voto  do  Conselheiro  Ricardo  Marozzi  apenas por não achar que o processo estava pronto para  julgamento. Nesse  sentido,  propus baixá­lo em diligência para que a fiscalização aprofundasse melhor as investigações a  respeito do saldo de prejuízos fiscais compensado que impacta, por sua vez, no montante a ser  restituído.  O Relator foi preciso no relato dos fatos relevantes que me aproveito aqui para  esclarecer a controvérsia:  Como bem esclarecido no recurso, depois de terem sido superados quase todos os  questionamentos  que  foram  levantados  contra  a  apuração  do  saldo  negativo  de  1997  efetuada  pela  TELEBRÁS,  o  único  motivo  para  a  DRJ  ter  declarado  que  o  crédito  indicado  no  pedido  de  restituição  seria  insuficiente  para  as  compensações  a  ele  vinculadas  foi  o  fato  de  ela  não  concordar  com o  valor  dos  prejuízos  fiscais de  anos  anteriores  compensado  naquela  apuração.  Ao  invés  dos  R$  45.289.350,88  compensados,  a  DRJ  entendeu  que  só  havia  um  saldo  a  compensar  de  R$  33.966.654,66. Foi motivada pelo fato de autoridade fiscal que efetuou a diligência pela  DRF/Brasília ter dito que "o saldo de prejuízo fiscal no LALUR é o mesmo constante  do SAPLI à fl. 332".  Ao invés dos R$ 45.289.350,88 compensados, a DRJ entendeu que só havia um  saldo  a  compensar  de R$ 33.966.654,66.  Foi motivada  pelo  fato  de  autoridade  fiscal  que efetuou a diligência pela DRF/Brasília  ter dito que "o saldo de prejuízo  fiscal no  LALUR é o mesmo constante do SAPLI à fl. 332".  Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 10880.001815/99­79  Resolução nº  1401­000.384  S1­C4T1  Fl. 1.391          8 Com  efeito,  o  relatório  do  Sistema  SAPLI,  às  fls.  332,  indica  que  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  da  TELEBRÁS  era  de  R$  33.966.654,66.  Isso  destoou  dos  R$  45.289.350,88 compensados conforme  indicava a DIRPJ/98  (fls. 314). Por  isso,  já no  despacho decisório da unidade de origem, essa questão foi uma das razões pela qual se  indeferiu  o  pedido  de  Restituição.  Aquela  singela  manifestação  da  autoridade  fiscal,  reforçada  pelo  relatório  do  SAPLI,  foi  suficiente  para  a  convicção  do  julgamento  na  primeira instância.  A recorrente, contudo, alega que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Isso  porque não só o valor de R$ 33.966.654,66 aparece no relatório do SAPLI às fls. 332,  mas, também, o valor de R$ 45.289.350,88. Assim, diz a recorrente, a autoridade fiscal  tomou por base em seu relatório o valor compensado. Para comprovar que o valor do  saldo negativo constante do LALUR era realmente de R$ 45.289.350,88, junta com o  recurso cópias das Partes A e B do LALUR da TELEBRÁS (fls. 1267 e 1268).   De fato, tudo  indica que a autoridade fiscal deve ter se equivocado. Dentre  os  documentos  juntados  na  citada  diligência,  só  consta  a  cópia  da  Parte  A  do  LALUR (fls. 1175). Nada obstante, não é na Parte A que se encontra a informação  do saldo de prejuízos fiscais acumulados, e, sim, na Parte B. Nesta Parte, como se  verifica às fls. 1268, o valor do saldo de prejuízos acumulados era, efetivamente, de  R$ 45.289.350,88. (Grifei)  Muito embora concorde em linhas gerais com tudo quanto o relator colocou em  seu  voto,  discordo  apenas  da  conclusão  tomada  no  sentido  de  não  se  aprofundar  mais  em  relação a essa divergência.  O  Sistema  SAPLI  é  um  banco  de  dados  confiável  que  é  alimentado  pelas  informações prestadas pelos próprios contribuintes através de suas declarações de rendimentos.  Se  houve  inconsistências,  essas  tem  que  ser  demonstradas  e  devidamente  esclarecidas.  Também é sabido como bem colocou o próprio relator que:  (...)  as  alterações  nos  prejuízos  fiscais  provocadas  por  autos  de  infração  e  resultados  de  julgamentos  nem  sempre  são  devidamente  informadas  no  Sistema.  Por  isso, entre as informações contidas no SAPLI e no LALUR, deve­se dar preferência às  últimas."  Sendo assim, e apenas por dever de cautela, baixo o feito em diligência para que  a fiscalização aprofunde a investigação, intimando o contribuinte se for o caso, no sentido de  esclarecer  tais  inconsistências,  chegando  a  uma  conclusão  a  respeito  do  verdadeiro  saldo  de  prejuízos fiscais ora em questão.  Se  for  possível,  trazer  também  aos  autos  a  evolução  de  forma  ampla  da  formação  desses  prejuízos  através  dos  respectivos  LALUR/Sapli;  bem  assim  verificar  a  existência de algum auto de infração que tenha porventura impactado nesses prejuízos.  Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia  do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre  as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento  do julgamento.   Documento assinado digitalmente.  Antonio Bezerra Neto ­ Redator Designado     Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO

score : 1.0
6450257 #
Numero do processo: 16624.001160/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Dimob. Multa por Atraso na Entrega. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Prescrição Intercorrente. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1302-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201607

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Dimob. Multa por Atraso na Entrega. O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja a aplicação da multa prevista na legislação tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Penalidade. Alteração Legislação. Princípio da Retroatividade Benigna. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Prescrição Intercorrente. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Inconstitucionalidade De Normas. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 02) Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 16624.001160/2009-15

anomes_publicacao_s : 201607

conteudo_id_s : 5613652

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 1302-001.934

nome_arquivo_s : Decisao_16624001160200915.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

nome_arquivo_pdf_s : 16624001160200915_5613652.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016

id : 6450257

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:44 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417857437696

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16624.001160/2009­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.934  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de julho de 2016  Matéria  DIMOB ­ Multa por Atraso  Recorrente  GB REALTY EMPREENDS E PARTICIPAÇÕES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2006  DIMOB. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.  O descumprimento da obrigação acessória por parte dos contribuintes enseja  a aplicação da multa prevista na legislação tributária.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  PENALIDADE.  ALTERAÇÃO  LEGISLAÇÃO.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  A  lei aplica­se a ato ou  fato pretérito quando  lhe comine penalidade menos  severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.  Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.  (Súmula CARF nº 11)  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  (Súmula CARF nº 02)  SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos membros  do  CARF  (artigo  72  do  Anexo II do Ricarf).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 11 60 /2 00 9- 15 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Rogério  Aparecido  Gil,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Marcos  Antonio  Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).      Relatório  Este  litígio  foi  objeto  da Resolução  nº  1801­000.332,  deliberada  em  03  de  junho  de  2014,  complementada  posteriormente  pela  Resolução  nº  1801­000.375/14  (para  ciência da recorrente do resultado da diligência), e­fls. 204 a 207 e 224 a 225, respectivamente,  pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos:   RELATÓRIO E VOTO  A  empresa  entregou  a  Declaração  de  Informações  sobre  Atividades  Imobiliárias  (Dimob)  com  atraso/falta  de  informações,  relativamente  ao  ano­ calendário de 2006, sendo notificada a pagar multa no valor de R$ 130.000,00.  A obrigação acessória,  à época dos  fatos,  era  regida pelas  seguintes normas  tributárias infra e legais: Lei nº 9.779/99, art. 16; MP nº 2158­35/2001, art. 57; IN  SRF nº 304/2003 e IN SRF 576/2005.  A entrega intempestiva da declaração em questão é inconteste.  A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP exarou o Acórdão  nº 0540.582/13, e­fls. 151 a 159, mantendo a autuação da recorrente.  A empresa interpôs Recurso Voluntário às e­fls. 166 a 200 tempestivamente,  argüindo  a  ilegalidade  das  normas  infra­legais  que  exigem  e  disciplinam  o  recolhimento da multa em questão.  Ocorre  que,  em  2012,  novas  regras  vieram  a  ser  editadas  para  disciplinar  a  cominação de multas devidas pelo não cumprimento de obrigações acessórias:  Lei nº 12.766, de 2012   Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 3          3 exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  b)  R$1.500,00  (mil  e  quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham  optado pelo autoarbitramento;  (grifos não pertencem ao original)  Em  Parecer  Normativo,  nº  03/2013,  a  Cosit  (Coordenação  do  Sistema  de  Tributação)  explicita  o  alcance  da  norma  nova  em  relação  aos  fatos  pretéritos,  aplicando o princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade tributária  (art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN):  Esclarece o PN Cosit nº 03 / 2013:  (...)  2.1.  A  multa  tinha  um  escopo  genérico:  quando  não  houvesse  nenhuma  específica,  ela  seria  aplicada  a  quaisquer  situações  que  decorressem  do  descumprimento  de  uma  obrigação  acessória.  Várias  situações  contidas  em  atos  normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa.  2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.158­35,  de 2001, que passou a ser:  Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  b)  R$1.500,00  (mil  e  quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração apresentada,  tenham apurado  lucro  real ou  tenham  optado pelo autoarbitramento;  II  ­  por  não atendimento à  intimação  da Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil,  para  apresentar  declaração,  demonstrativo  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     4 ou  escrituração  digital  ou  para  prestar  esclarecimentos,  nos  prazos  estipulados  pela  autoridade  fiscal,  que  nunca  serão  inferiores  a  45  (quarenta  e  cinco)  dias: R$1.000,00  (mil  reais)  por mês­calendário;  III  ­  por  apresentar  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2%  (dois  décimos  por  cento),  não  inferior a R$100,00  (cem  reais),  sobre  o  faturamento  do  mês  anterior  ao  da  entrega  da  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  equivocada,  assim  entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias  e serviços.  §  1º  Na  hipótese  de  pessoa  jurídica  optante  pelo  Simples  Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III  deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).  §  2º  Para  fins  do  disposto  no  inciso  I,  em  relação  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração,  tenham  utilizado  mais  de  uma  forma  de  apuração  do  lucro,  ou  tenham  realizado  algum  evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa  de que trata a alínea “b” do inciso I do caput.  § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando  a  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  for  apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento  de ofício.” (NR)  2.3.  A  multa  genérica  para  descumprimento  de  obrigação  acessória  passou  para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo  ou  escrituração  digital1  por  qualquer  sujeito  passivo,  ou  que  os  apresentar  com  incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a  apresentação  dos  documentos  descritos  no  caput  não  podem  ser  inferiores  a  45  (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal  é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.158­35, de 2001? (iv) Continuam vigentes  as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002,  do art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º  da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004?  6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela  fiscalização  ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei.  (...)  6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (e­Lalur),  a  IN RFB nº 1.052, de 2010  (EFD), a  IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a  IN  RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionam­se apenas às pessoas jurídicas de direito  privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regra­matriz da multa  do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação.   (...)  6.1.3. Os dispositivos das  IN devem ser alterados para conterem a sua nova  base legal.  6.1.4. Nas multas anteriormente  lançadas que, no caso concreto,  sejam mais  gravosas que a nova multa, a  lei nova mais benéfica deve retroagir, tratando­se de  ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do  CTN.  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 4          5 Compulsando os autos, verifica­se que não se pode concluir com certeza qual  o  regime  de  tributação  adotado  pela  recorrente  em  sua  última  declaração  apresentada.   Para a acertada cominação da multa isolada em apreço, mister é que:  a)  os  autos  retornem à  unidade  de  jurisdição  da  recorrente  e  informe­se,  no  presente,  qual  o  regime  de  tributação  optado  pela  recorrente  em  sua  última DIPJ  apresentada;  b) se a entrega em atraso da Dimob ocorreu antes de qualquer procedimento  de ofício.  Destas  informações  fiscais,  compendiadas  em  relatório,  a  recorrente  deverá  tomar  ciência,  facultando­se­lhe  prazo  regulamentar  para  se  manifestar.  Após  retornem os autos para esta Conselheira prosseguir ao julgamento do litígio.  (grifos no origial)  Às  e­fls.  231  a  232  a  autoridade  fiscal  designada  ao  cumprimento  das  diligências solicitadas informou:  [...]  2  –  Em  despacho  exarado  pela  1a  Turma  da DRJ/CPS,  em  26/01/2012,  os  autos  foram  baixados  em  diligência,  após  o  quê,  ficou  comprovado  que  a  impugnante  efetivamente  praticou  operações  imobiliárias  no  ano­calendário  em  questão  e,  de  fato,  apresentou  extemporaneamente  a  respectiva Dimob,  a  qual  foi  entregue em 06/04/2008 (sic), quando a data para entrega era até 29/02/2007.  [...]  4  ­  Após  apreciação  de  recurso  tempestivo  do  interessado,  o  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através da Resolução nº 1801000.332  e,  posteriormente,  da  Resolução  nº  1801000.375,  ambas  da  1ª  Turma  Especial,  solicitou diligências,  tendo em vista que, com a edição da Lei nº 12.766, de 2012,  foram  criadas  novas  regras  para  a  cominação  de  multas  devidas  pelo  não  cumprimento  de  obrigações  acessórias,  como  é  o  caso.  A  correta  aplicação  do  dispositivo implica conhecer:  ­  o  regime  de  tributação  adotado  pela  recorrente  em  sua  última  declaração  apresentada, e  ­ se a entrega em atraso da Dimob ocorreu antes de qualquer procedimento de  ofício.  5 – Isto posto, respondendo aos quesitos acima, esclareço que:  ­ O  regime  de  tributação  adotado  pela  empresa  permanece  sendo  o  do  Lucro Presumido, conforme nova pesquisa efetuada, em anexo;  ­ Não havia qualquer tipo de procedimento fiscalizatório instaurado em nome  da empresa ANTES da entrega da DIMOF em atraso, conforme informação contida  no seu Dossiê Eletrônico, em anexo;  ­ A  notificação  de  Lançamento  é  gerada  automaticamente APÓS  o  sistema  detectar a entrega da declaração em atraso. Portanto, a entrega da DIMOB foi em  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     6 atraso, mas espontânea, pois ocorreu ANTES de qualquer procedimento de ofício  por parte da Autoridade Administrativa.  (grifos não pertencem ao original)  Devidamente  cientificada  da  realização  das  diligências,  a  recorrente  manifestou­se da seguinte forma:  a) reitera os argumentos do Recurso Voluntário;  b) requer a prescrição intercorrente, pela imposição da multa ter sido lavrada  a mais de cinco anos;  c) se não acatada a prescrição requer a redução da multa para o valor de R$  6.500,00,  em  vista  das  normas  editadas  posteriormente,  mais  benéficas,  a  saber,  artigo  57,  inciso I, alínea 'a', c/c o § 3º da MP nº 2.159­35, com redação dada pela Lei nº 12.766/12.  É o relatório. Passo ao voto.    Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora  O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo.  I)  Da  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  das  normas  tributárias  legais  e  infralegais  A Recorrente no Recurso Voluntário ataca o artigo 16 da Lei nº 9.779/99, a  seguir transcrito, por delegar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) competência para  dispor  sobre  o  cumprimento  de  obrigações  acessórias  e,  por  consequência,  as  Instruções  Normativas que  regem a entrega das DIMOB ­ Declaração sobre  Informações de Atividades  Imobiliárias:  Art. 16.  Compete  à  Secretaria  da  Receita Federal  dispor  sobre  as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições  por  ela administrados,  estabelecendo,  inclusive,  forma, prazo  e  condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.  E  também  taxa de  inconstitucional a Medida Provisória nº 2.158­35/01 que  em seu artigo 57 disciplinou sobre o descumprimento das obrigações acessórias.  O  acórdão  recorrido  esclareceu  à  recorrente  que  a  atividade  do  lançamento  tributário é vinculada e obrigatória, bem como a atividade do julgamento administrativo, não  sendo permitido  apreciar  ilegalidade  ou  constitucionalidade das  normas  tributárias. Dispõe  o  artigo 142, em seu § único, do CTN:   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 16624.001160/2009­15  Acórdão n.º 1302­001.934  S1­C3T2  Fl. 5          7 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.      Parágrafo único. A atividade administrativa de  lançamento é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A Medida Provisória nº 2.158­35/01 e a Lei nº 9.799/09 não foram declaradas  inconstitucionais  e  estão  em  plena  vigência,  pelo  que  as  Instruções  Normativas  RFB  que  disciplinam os deveres  relacionados às obrigações acessórias e albergadas por esta legislação  também encontram­se em cumprimento e devem ser observadas pelos contribuintes.  Ademais,  no  que  respeita  às  argüições  de  inconstitucionalidade/ilegalidade  das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se  pronunciar  sobre  o  assunto,  sendo mansa  e  pacífica  a  jurisprudência  firmada  neste  sentido,  conforme se depreende da Súmula CARF nº 02:  Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.   Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma  divergir  do  enunciado,  nos  termos  do  artigo  72,  caput,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09):  Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória  pelos membros do CARF.   Afasto as arguições da recorrente neste tópico.  II) Da prescrição intercorrente  A recorrente alega que o lançamento da penalidade objeto dos autos deve ser  declarado prescrito, por emitido a mais de cinco anos. Trata­se, pois, de alegação de prescrição  intercorrente (ocorrida no curso do processo administrativo fiscal).  Esta matéria também já é objeto de súmula editada por este Conselho:  Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no  processo administrativo fiscal.  III) Da nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158­35/01, dada  pela Lei nº 12.766, de 2012 e da retroatividade benigna  Cabe razão à recorrente nesta questão.  Considerando que  a  empresa  é  optante pelo  regime de  tributação  do Lucro  Presumido  e  que  a  Notificação  de  Lançamento  de  e­fls.  42  foi  emitida  após  a  entrega  espontânea da Dimob,  consoante nos  informa a  autoridade  fiscal  às  e­fls.  231 e 232, há que  aplicar­se as disposições legais a seguir transcritas e recalcular o valor da multa por atraso na  entrega da Dimob, por força do princípio da retroatividade da legislação tributária quando, no  curso do processo, comine ao ato praticado pelo contribuinte penalidade menos severa que a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, consagrado no artigo 106, alínea "c", do CTN.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO     8 Art.  57  da  MP  nº  2.159­35/01,  com  redação  dada  pelo  art.  8º  da  Lei  nº  12.766/12:  Art.  57. O  sujeito  passivo que  deixar  de apresentar nos  prazos  fixados  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será  intimado para apresentá­los ou para prestar esclarecimentos nos  prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  e sujeitar­se­á às seguintes multas:  I ­ por apresentação extemporânea:  a)  R$500,00  (quinhentos  reais)  por  mês­calendário  ou  fração,  relativamente  às  pessoas  jurídicas  que,  na  última  declaração  apresentada, tenham apurado lucro presumido;  [...]  § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando  a  declaração,  demonstrativo  ou  escrituração  digital  for  apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento  de ofício.  A recorrente entregou a Dimob em atraso em 06 de abril de 2009, quando o  prazo legal para a referida entrega era em 28 de fevereiro de 2007, portanto, 26 meses após a  data fixada.  Destarte, pela aplicação do dispositivo acima, a penalidade devida é da ordem  de R$6.500,00 (500,00 x 26 = 13.000,00 /2).  Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich                                   Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO

score : 1.0
6392608 #
Numero do processo: 12326.004552/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Presidente e Relator Assinado Digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201605

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon May 30 00:00:00 UTC 2016

numero_processo_s : 12326.004552/2009-40

anomes_publicacao_s : 201605

conteudo_id_s : 5592700

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 2201-003.201

nome_arquivo_s : Decisao_12326004552200940.PDF

ano_publicacao_s : 2016

nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH

nome_arquivo_pdf_s : 12326004552200940_5592700.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Presidente e Relator Assinado Digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.

dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016

id : 6392608

ano_sessao_s : 2016

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713048417865826304

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 182          1 181  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12326.004552/2009­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.201  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  ROBERTO DE CARVALHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  BASE  DE  CÁLCULO  E  ALÍQUOTA.  APURAÇÃO.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  incidência  do  imposto  de  renda  pela  regra  do  regime  de  caixa,  como  prevista  na  redação  do  artigo  12  da  Lei  7.713/1988,  gera  um  tratamento  desigual  entre  os  contribuintes.  Aquele  que  entrou  em  juízo  para  exigir  diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas  também  por  uma  alíquota  maior.  A  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes  na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês  a mês. Não  é  razoável,  nem proporcional,  a  incidência da  alíquota máxima  sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido  pelo  STF  no  Recurso  Extraordinário  nº  614406,  com  repercussão  geral  reconhecida.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso  para  cancelar  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  decorrentes  de  ação  trabalhista.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  Henrique  de  Oliveira  e  Eduardo  Tadeu  Farah  (Presidente  e  Relator)  que  aplicavam  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos.  Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.         Assinado Digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 45 52 /2 00 9- 40 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 183          2 EDUARDO TADEU FARAH – Presidente e Relator             Assinado Digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado.    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.  Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física, ano­calendário 2009, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls.  05/09, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual, de imposto a restituir declarado  de R$ 9.425,60 para saldo de imposto a pagar apurado de R$ 5.198,99.   De  acordo  com  descrição  dos  fatos  de  fl.  07  foi  constatada  omissão  de  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente, decorrente de Ação Trabalhista, no valor  de R$ 55.760,02.  Cientificado do  lançamento, o contribuinte apresenta  impugnação alegando,  conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ...  informa que a RFB  fez os  cálculos com base nos alvarás de  pagamento,  sem  ter  acesso  à  discriminação  entre  verbas  salariais  e  verbas  indenizatórias,  que  se  referem  a  52%  do  montante  recebido  de  R$  80.460,17,  excluídos  os  honorários  advocatícios.   4.1.  Informa  ainda,  que  está  anexando  aos  autos  documento  extraído de seu processo na justiça, contendo o cálculo efetuado  pela  Sra  Anabel  M.  Tang  Sing,  Secretária  Calculista  e  responsável pelo cálculo preliminar do IRPF.  4.2. Assim sendo entende necessário rever o cálculo para apurar  somente o montante de 48%, referente à verba salarial, sobre o  total de R$ 80.460,17.   4.3.  Aponta  que  refez  os  cálculos,  concluindo  que  o  imposto  devido seria de R$ 6.815,47, sendo que já pagou R$ 13.122,29, o  que daria um imposto a restituir de R$ 6.306,82.  4.4. No mérito alega que seu processo se refere, principalmente  a FGTS não depositado, verba esta não  sujeita ao desconto de  IR. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.  A 7ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou improcedente a impugnação,  conforme ementa abaixo transcrita:  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 184          3 RENDIMENTOS  RECEBIDOS  EM  DECORRÊNCIA  DE  DECISÃO JUDICIAL.  Os  rendimentos  recebidos  em  decorrência  decisão  judicial  devem  ser  oferecidos  à  tributação  cumulativamente  com  os  outros  rendimentos  tributáveis  informados  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  excluindo­se  as  verbas  de  natureza  indenizatória  devidamente discriminadas e comprovadas.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  23/01/2013  (fl.  41)  e,  em  20/02/2013,  interpôs  o  recurso  de  fls.  45/177,  sustentando,  essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente a título de reclamatória trabalhista, no valor de R$ 55.760,02.  Em  seu  apelo  alega  o  suplicante  que  “nos  documentos  anexados,  restará  claro que grande parte do processo deveu­se ao não recolhimento de FGTS entre 1972 e 1992,  as  verbas  provenientes  de  salários,  comissões  etc,  referiram­se  apenas  aos  últimos  5  anos  (1988­1992)”.  Concluiu  seu  recurso  asseverando  que  “Considerando  a  condição  do  contribuinte,  idoso, com renda modesta, aposentado e sem condições financeiras de oferecer  defesa  assinada  por  profissional  competente  e  experiente,  pede­se  que  (...)  a  RFB  possa,  dentro  de  sua  reconhecida  competência,  identificar  um  percentual  tributável  que  consiga  preservar o interesse do Estado brasileiro, em equilíbrio com o direito do cidadão”.  Pois bem, analisando detidamente as planilhas juntadas aos autos por acasião  do  recurso,  fls.  58/68  e  fls  71/90,  não  consegui  identificar  como  rendimento  tributável  o  percentual informado pelo suplicante em seu apelo.   Entretanto,  no  que  tange  à  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  verifica­se  que  os  cálculos  foram  efetuados  tomando  por  base  a  tabela  do  imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o § 2º do art. 62 do  RICARF (Portaria MF nº 343/2015), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior  Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelos arts. 543­C da Lei nº 5.869, de 1973 ­ Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF. Veja­se:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 185          4 Assim sendo, deve­se aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento  sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos  recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à  época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Veja­se:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  AÇÃO  REVISIONAL  DE  BENEFÍCIO  PREVIDENCIÁRIO.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  DE  FORMA  ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.  543C do CPC e do art.  8º  da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei)  Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos  autos,  ou  seja,  parcelas  atrasadas  recebidas  acumuladamente  a  título  de  reclamatória  trabalhista. Assim, deve­se  aplicar  sobre os  rendimentos pagos  acumuladamente  as  tabelas  e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.  Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  as  tabelas  vigentes  à  época  em  que  os  valores  deveriam ter sido pagos.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah        Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado  Em que pese o brilhantismo do voto do Ilustre Relator, Conselheiro Eduardo  Tadeu Farah, permito­me discordar de seu entendimento, pelas razões lançadas abaixo.  O  “Demonstrativo  de  Apuração  do  Imposto  Devido”,  acostado  à  fl.  8,  evidencia que a base de cálculo do imposto de renda apurado após as alterações efetuadas pela  Autoridade lançadora foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº  7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização  do denominado “regime de caixa”.   No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010,  o Superior Tribunal de  Justiça – STJ havia decidido,  sob o  rito do  art.  543­C do Código de  Processo  Civil  –  CPC  (recurso  repetitivo),  que  “O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 186          5 benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de acordo  com as  tabelas  e  alíquotas  vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida  mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global  pago extemporaneamente”.  Por entender que a ratio decidendi da  tese  repetitiva estava fundada em ato  ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de  ato  ilegal não poderia  constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria  torpeza  em  detrimento  do  segurado  da  previdência  social,  este  julgador  vinha  aplicando  o  entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para  que  o  cálculo  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  de  benefícios  previdenciários  recebidos  acumuladamente  fosse  apurado  mensalmente,  em  correlação  aos  parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos  fatos geradores.  Em outras palavras: a  tese  fixada como “repetitiva”, no entendimento deste  Relator, limitava­se ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a  rendimentos  recebidos  acumuladamente  decorrentes  de  litígios  outros  que  não  versasse  a  concessão/revisão  de  benefícios  previdenciários,  a  exemplo  de  reclamatórias  trabalhistas  envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não  decorria  de  ato  ilegal  da  administração.  Assim,  em  relação  aos  processos  de  rendimentos  recebidos acumuladamente decorrentes de ação  trabalhista o entendimento deste  julgador era  no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988.  Nos  casos  de  verbas  adimplidas  em  reclamatória  trabalhista,  portanto, meu  entendimento  era  no  sentido  de  se  observar  a  natureza  dos  rendimentos  recebidos,  fazendo  incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir  sobre verbas isentas e não tributáveis.  A  linha  de  entendimento  por  mim  adotada  foi  mantida  até  a  sessão  de  novembro de 2014.   Sabia­se, todavia, que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art.  12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal ­  STF  em  20/10/2010,  no  julgamento  da  questão  de  ordem  em  agravo  regimental  no Recurso  Extraordinário  nº  614406,  em  razão  da  declaração  de  inconstitucionalidade  do  referido  dispositivo  legal,  proferida  em  controle  difuso  pela  Corte  Especial  do  Tribunal  Regional  Federal da 4ª Região.   Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo  à  forma de  incidência do  imposto de renda sobre  rendimentos  recebidos acumuladamente. A  Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês,  e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez.  Naquela  assentada  veiculou­se,  no  sítio  eletrônico  do  STF,  notícia  com  o  seguinte teor, na parte que interessa:  Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo  à  forma  de  incidência  do  Imposto  de  Renda  (IR)  sobre  rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de  disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 187          6 alíquota  do  IR  deve  ser  a  correspondente  ao  rendimento  recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total  pago de uma única vez, e, portanto, mais alta.  (...)  O  julgamento  do  caso  foi  retomado  hoje  com  voto­vista  da  ministra  Cármen  Lúcia,  para  quem,  em  observância  aos  princípios  da  capacidade  contributiva  e  da  isonomia,  a  incidência do IR deve  considerar as alíquotas  vigentes na data  em  que  a  verba  deveria  ter  sido  paga,  observada  a  renda  auferida mês  a mês.  “Não  é  nem  razoável  nem proporcional  a  incidência da alíquota máxima  sobre o  valor global,  pago  fora  do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou.  A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em  sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto  pela  regra  do  regime  de  caixa,  como  prevista  na  redação  original  do  artigo  12  da  Lei  7.713/1988,  gera  um  tratamento  desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para  exigir  diferenças  na  remuneração  seria  atingido  não  só  pela  mora, mas por uma alíquota maior.  Em  seu  voto,  a  ministra  mencionou  ainda  argumento  apresentado  pelo  ministro  Dias  Toffoli,  que  já  havia  votado  anteriormente,  segundo  o  qual  a  própria  União  reconheceu  a  ilegalidade  da  regra  do  texto  original  da  Lei  7.713/1988,  ao  editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir  dessa  data  passaria  a  utilizar  o  regime de  competência  (mês a  mês).  A  norma,  sustenta,  veio  para  corrigir  a  distorção  do  IR  para os valores recebidos depois do tempo devido.  Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do  STF, ostentando a seguinte redação:  IRPF e valores recebidos acumuladamente ­ 4   É  inconstitucional  o  art.  12  da  Lei  7.713/1988  (“No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias  ao  seu  recebimento,  inclusive  de  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização”).  Com  base  nessa  orientação,  em  conclusão  de  julgamento  e  por  maioria,  o  Plenário negou provimento a  recurso extraordinário em que se  discutia  a  constitucionalidade  da  referida  norma  —  v.  Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia  apenar  o  contribuinte  duas  vezes.  Esse  fenômeno  ocorreria,  já  que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria,  deveria  ingressar  em  juízo  e,  ao  fazê­lo,  seria  posteriormente  tributado  com  uma  alíquota  superior  de  imposto  de  renda  em  virtude  da  junção  do  que  percebido.  Isso  porque  a  exação  em  foco  teria  como  fato  gerador  a  disponibilidade  econômica  e  jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse  alusão  expressa  ao  regime  de  competência,  teria  implicado  a  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 188          7 adoção  desse  regime  mediante  inserção  de  cálculos  que  direcionariam  à  consideração  do  que  apontara  como  “épocas  próprias”,  tendo  em  conta  o  surgimento,  em  si,  da  disponibilidade  econômica.  Desse  modo,  transgredira  os  princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a  configurar  confisco  e  majoração  de  alíquota  do  imposto  de  renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao  recurso  por  reputar  constitucional  o  dispositivo  questionado.  Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da  capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria  o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que  exigiria  o  pagamento  do  imposto  à  luz  dos  rendimentos  efetivamente percebidos, independentemente do momento em que  surgido o direito a eles.   RE  614406/RS,  rel.  orig. Min.  Ellen Gracie,  red.  p/  o  acórdão  Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE­614406)  Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o  resultado do julgamento da seguinte forma:  Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria,  decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento  ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe  dava provimento. Ausente, neste  julgamento, o Ministro Gilmar  Mendes.  Não  votou  a  Ministra  Rosa  Weber  por  suceder  à  Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro  Marco  Aurélio.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski. Plenário, 23.10.2014.  Colhe­se, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio,  as seguintes passagens:  Qual  é a consequência de  se  entender de modo diverso do que  assentado  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região?  Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir  de  2003,  transgressão  ao  princípio  da  isonomia.  Aqueles  que  receberam  os  valores  nas  épocas  próprias  ficaram  sujeitos  a  certa alíquota. O contribuinte que  viu  resistida a  satisfação do  direito  e  teve  que  ingressar  em  Juízo  será  apenado,  alfim,  mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem­ se  o  envolvimento  da  capacidade  contributiva,  porque  não  é  dado  aferi­la,  tendo  em  conta  o  que  apontei  como  disponibilidade  financeira,  que  diz  respeito  à  posse,  mas  o  estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à  parcela  sujeita  ao  Imposto  de  Renda.  O  desprezo  a  esses  dois  princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração  da alíquota do Imposto de Renda.  (...)  Por  isso,  no  caso,  desprovejo  o  recurso,  assentando  a  inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12­A, que resultou  da medida provisória, da conversão em  lei –, no que conferida  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 189          8 interpretação  alusiva  à  junção  do  que  alcançado  pelo  contribuinte, considerados os vários exercícios.  Verifica­se, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao  recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998,  declarando­a  inconstitucional,  em  controle  difuso,  com  julgamento  submetido  ao  rito  da  repercussão geral (CPC, art. 543­B).  O  entendimento  da  Suprema  Corte,  em  sede  de  repercussão  geral,  é  de  observância  obrigatória  pelos  membros  deste  Conselho,  conforme  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento Interno do CARF, assim descrito:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Assim,  impõe­se  a  aplicação  do  entendimento  externado  pelo  STF  em  julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que  houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com  repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente  não  se  refiram a benefícios previdenciários,  foram apurados  com  fundamento no  famigerado  art. 12 da Lei nº 7.713/1998.  Não bastasse isso, em 04/11/2015 a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu  a Nota PGFN/CRJ nº 981/2015 por meio da qual dispôs sobre vários aspectos relacionados à  análise do  julgamento do Recurso Extraordinário nº 614406/RS, acima comentado. Colhe­se,  na referida Nota, os seguintes excertos, por oportuno:  Por meio da Nota PGFN CASTF nº 1466, de 2014, a Secretaria  da Receita Federal do Brasil foi cientificada quanto à conclusão  do  julgamento  do  RE  614.406/RS,  assim  como  da  provável  inclusão da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer,  não  tendo  encaminhado,  até  a  presente  data,  quaisquer  considerações  ou  questionamentos  quanto  à  extensão,  ao  alcance oi à operacionalização do cumprimento da decisão, na  forma do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014.  Em  sequência,  esta  Procuradoria­Geral,  por  meio  de  sua  Coordenação­Geral  de  Representação  Judicial,  em  04  de  fevereiro  de  2015,  emitiu  orientação  nacional  de  dispensa  de  contestação e recursos judiciais, conforme lhe franqueia a atual  redação do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 2002.  (...)  Diante  desse  novo  contexto,  permitir­se­á  a  repetição/compensação  do  montante  do  imposto  de  renda  recolhido  a  maior,  desde  que  ainda  não  consumado  o  prazo  extintivo  do  art.  168  do CTN,  consoante  entendimento  firmado  no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 393, de 2013.   Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.004552/2009­40  Acórdão n.º 2201­003.201  S2­C2T1  Fl. 190          9 Em 29/03/2016 foi publicada no Diário Oficial da União o Despacho MF nº  SN1, de 14 de março de 2016, do Exmo. Ministro de Estado da Fazenda, com o seguinte teor:  Despacho:  Aprovo  a  NOTA  PGFN/CRJ/Nº  981,  de  04  de  novembro  de  2015,  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  que  trata  da  análise  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  614.406/RS,  submetido  à  sistemática  do  art.  543­B  do  CPC,  no  qual  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  declarou a  inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de  22  de  dezembro  de  1998,  que  disciplinava  a  incidência  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  sobre  os  rendimentos  tributáveis recebidos acumuladamente.  NELSON HENRIQUE BARBOSA FILHO  Nesse  cenário,  e  com o  devido  respeito  aos  que  pensam o  contrário,  penso  não  ser  sustentável  a  manutenção  de  lançamento  cujo  fundamento  foi  o  art.  12  da  Lei  nº  7.713/1988,  declarado  inconstitucional  pelo  STF  sem modulação  de  efeitos,  vale  dizer,  com  eficácia ex tunc.  Conclusão  Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de  omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista.    Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                    Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

score : 1.0