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Numero do processo: 10950.002678/2004-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial -ITR.
Exercício: 2000.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARF.
Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Área de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à Area de preservação permanente, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
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ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Teifitorial-ITR. Exercício: 2000. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE. APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARE. Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Area de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARE. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à Area de preservação permanente, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as raz6es pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. mann - Relatora Susy G Carlos Alb eitas B a let° — Presidente K . Piocesso n' 10950.002678/2004-83 CSRF-T-2 Acórd5o n° 92024)1.170 Fl 2 07 DEL 'i!O 10 Participaram, do presente jul gamento, os Conselheiros Carlos Alberto Fr citas Barreto (Presidente), Sus y Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Alla ge, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior., Rycardo Henri que Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional., Conforme o Termo de Verificação Fiscal constante de fls, 65/68 dos autos, a fiscalização teve em mira o exercício de 2000. Tratando-se da Area de Preserva ção Permanente, tem-se que o contribuinte não comprovou a protocoliza ção do requerimento do ADA, tempestivamente, junto ao MAMA. Glosou-se, assim, a Area declarada como de preservação permanente (42,5 ha). Alterou-se, também, o valor do VIN declarado.. No que tange As Areas de pasta gens e rebanhos, o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a efetiva utiliza ção da respectiva parte do imóvel. O contribuinte apresentou impu gnação As fls, 73/94 dos autos, A Delegacia da Receita Federal de Jul gamento, As fls. 135/150 dos autos, rejeitou as preliminares argüidas e julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Teri itorial Rural- ITR Exercicio.. 2000, Ementa- Cerceamento de Delesa. A alegação do cerceamento do direitc) de delésa na ,fase do lançamento do ci édito tributário é incabivel, pois, o direito do contraditório é exelcido quando da impugnação cia autuação, momenta este em que, de fato, se install, a a fase Ilegalidade/ 1)7C011.S EDITADO EM: 2 Processo n° 10950 002678/2004-83 CSRF-T2 Acórdiio n.' 9262-01.170 Fl 3 Em processo administiativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos atos públicos, por !rotor-se de matéria reseivada ao Poder Judiciário. Áreas isentas- Prayer-wig-fa Permanente Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidaniente averbada na matricula rio imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Deciaratório Ambiental-ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis- IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do 1TR, e tern como requisito básico a refezida averbagão. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para a sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensos áreas. Sub-rogação. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fino gerador seja a propriedade, o domínio útil, ou a posse de bens imóveis, e beni assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, se não constar do titulo a prova da sua quitação, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes PRODUTOS VEGETAIS Para ser considerada a área como utilizada com Produtos Vegetais é necessária a apresentação de docuntentos comprobatórias de prorhição, tais como; laudo técnico elaborado por profissional habilitado, notas fiscais de aquisição de sementes, comprovantes do plantio, notas .fiscais da comercialização da produção, compatível coin a dimensão da área pretendida, entre outros. Valor da Terra Nua- VTN. O lançamento que tenha alterado o 1/TN declarado, utilizando valores de tora constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal- SIFT, nos termos da legislação é passível de modificação, somente, se na contestação foram oferecidos de elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados enz laudo técnico, elaborado em consonáncia com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas- ABNT. Multa de Oficio- „Imps de Mora- Taxa Selic. A multa de oficio e os juros de mora, com utilização da Taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia- SELIG, estão previstos em leis e não cabe aos órgãos julgadores administrativos apreciarem argüições de inconstimcionalidade de tais normas, e aplicação obrigatória pela autoridade tributária. Pi mess° n" 0950 00267g12004-83 CSRF-1 2 Acó, (15o n° 9202-01.170 N. 4 Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 155/170. A antiga Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto. Imposto sobre ci Propriedade Territorial Rural- ITR, Exercício. 2000 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO A circa de preservação permanente goza de isenção de IIR conforme dispõe o art. 11, inciso I, da Lei n° 8847/94 ATO DECLARATORIO AMBIENTAL , ADA. DESNECESSIDADE A area de preservação permanente não esta sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, por meio do Ato Declaratõrio Ambiental, conform disposto no art. 30 da MP n° 2 166/2001, que alterou o art. 10 da Lei n° 9.393/96, cuja aplicação dfato pretérito a sua edição encontra respaldo no art. 106, "c" do CTN VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela .fiscalização se o contribuinte não apresentar- elementos de convicção que justifiquem reconhecer wilor menor. RECURSO VOLUNTÁRIO PROPIDO EM PARTE, A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, COM base em divergência jurisprudencial (fls. 200/211). Sustentou a imprescindibilidade de comprovação da Area de Preservação Permanente, por meio da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, requerido tempestivamente perante o IBAMA. O contribuinte apresentou suas contra-razões As fls. 222/229 dos autos. Negou-se seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte (fls. 240). E o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestiva. Quanto á. comprovação da divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente, relativa à comprovação da Area de Preservação Permanente, deixo consignado meu 0- 4 Pt occsso e 10950 002078/200 4 -83 CSRF-T2 Acôrd5o fl .° 9202-01A70 Fl 5 entendimento de que o recurso nao deveria ser conhecido, por ausência de preenchimento de tal requisito de admissibilidade. Coin efeito, o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional teve como fundamento divergência jurisprudencial relativa à exigência de apresentação tempestiva do ADA para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e da área de reserva legal. Tem-se que o auto de infração refere-se ao exercício de 2000. A súmula n° 41 do CARF dispõe que: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo1BAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo cm linos geradores ocorridos at6 o exercício de 2000". Conforme se depreende do atual Regimento Interno do CARF, tem-se que: Seção II Do Recurso Especial Art, 67 Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposta contra decisão que der ci lei tributária interpretação divergente da que 11w !either dado outra câmara, turma de ccimara, 'Lama especial ou a própria CSRF. § 2 0 Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique minutia de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciagdo de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância §' 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposiçãO do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. CAPÍTULO DAS SUMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em sámula de observância obrigatória pelos membros do CARF 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar propo.sta) de enunciado de stimula quando se tratar de matéria que, por via natureza, fOr submetida a duas ou mais tutmas da CSRF § .2° As turmas daCS'RF poderão aprovar enunciado de sárnida que Irate de matéria concernente á sua atribuição § 3° As sánntlas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiada 5 Process() n" 10950.002678/2004-8.3 CSRF-12 Ac6s.dio o." 9202-01,170 FL 6 § 4 0 As sUmfdas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Can são de adoção obrigatório pelos membros do CARE Desta forma, diante dos dispositivos acima, e existindo súmula a respaldar a decisão recorrida, verifica-se que inexiste a divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. A minha posição pessoal é que se não cabe recurso especial contra decisão que aplique súmula da jurisprudência administrativa no âmbito deste tribunal, também não se pode admitir recurso especial contra decisão que tenha sido proferida no mesmo sentido de súmula consolidada, ainda que tal súmula assome posteriormente â decisão combatida, já clue, além de a súmula constituir-se ern expressão do entendimento pacifico do tribunal, também é de observância obrigatória pelos membros do CARF. Contudo, tendo em vista que se tem entendido, nesta 2 a . Turma da CSRF que em casos que tais deve ser admitido o recurso considerando a data da sua interposição, pois a época, ainda não havia a súmula.. Portanto, curvando-me a. posição majoritária do colegiado, admito o Recurso. Refere-se, o recurso especial, A questão concernente â comprovação da Area de preservação permanente, que se sustenta deva-se fazer por meio da apresentação do Ato Declaratório do IBAMA ou pela apresentação do protocolo do seu pedido dentro do prazo de seis meses da entrega da DITR. Tratando-se, a autuação, do exercicio de 2000, a questão já se encontra consolidada, nos termos da súmula n° 41 do CARF: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo-se a decisão recorrida em todos os seus termos. IP II Susy Go Ho aim
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000256/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005
DESPESAS FINANCEIRAS COM ENGARGOS DE JUROS. CONTRATO
DE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE. Operações de mútuo realizadas de
maneira regular, pautadas em contratos firmados entre as partes, conforme anexados aos autos, impõem a devida dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamento dos juros sobre os mútuos contratados.
DESPESA. DEDUTIBILIDADE. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO.
Em razão do disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/95, além de necessárias e usuais, as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com aeronaves, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao
lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social.
MULTA ISOLADA.
A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL independe da aplicação, ou não, da multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual.
Numero da decisão: 1202-000.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto ao item 01 do auto de infração, Glosa de Juros, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Geraldo Valentim Neto. Em relação ao item 02 do auto de infração, Glosa de Despesas com Aeronave, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No que concerne ao item
03, Multa Isolada, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 DESPESAS FINANCEIRAS COM ENGARGOS DE JUROS. CONTRATO DE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE. Operações de mútuo realizadas de maneira regular, pautadas em contratos firmados entre as partes, conforme anexados aos autos, impõem a devida dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamento dos juros sobre os mútuos contratados. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO. Em razão do disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/95, além de necessárias e usuais, as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com aeronaves, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. MULTA ISOLADA. A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL independe da aplicação, ou não, da multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual.
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CONTRATO DE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE. Operações de mútuo realizadas de maneira regular, pautadas em contratos firmados entre as partes, conforme anexados aos autos, impõem a devida dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamento dos juros sobre os mútuos contratados. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO. Em razão do disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/95, além de necessárias e usuais, as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com aeronaves, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. MULTA ISOLADA. A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL independe da aplicação, ou não, da multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto ao item 01 do auto de infração, Glosa de Juros, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Geraldo Valentim Neto. Em relação ao item 02 do auto de infração, Glosa de Despesas com Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.376 2 Aeronave, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No que concerne ao item 03, Multa Isolada, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.377 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, decorrente de: I glosa das despesas com encargos de amortização, no ano calendário 2004, cumulado com aplicação de multa isolada no período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos, apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução; II glosa das despesas com encargos de juros, no ano calendário 2003, cumulado com aplicação de multa isolada no período de julho a dezembro de 2003, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ apurado com base em balancetes mensais de suspensão/redução; III glosa das despesas com aeronaves objeto de arrendamento mercantil, nos anos calendário 2003, 2004 e 2005, cumulado com aplicação de multa isolada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução. Conforme detalhado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls.31423173) sobre as infrações apuradas, extraise que: I Da glosa das despesas com encargos de amortização de ativo prêmio pago na subscrição de debêntures incorporado em processo de cisão parcial: foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com encargos de amortização, no período de fevereiro de 2004 e novembro de 2005, correspondentes ao saldo residual do prêmio relativo a debêntures emitidas por TRANSARCOM S/A, empresa posteriormente incorporada pelo contribuinte; no ano calendário de 2005, a partir do mês de dezembro, a empresa fiscalizada reconheceu a sua indedutibilidade, adicionandoas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; II Da glosa das despesas com encargos de juros incorridos em função de contratos celebrados em 07/07/2003 entre Arcom S/A e Arcom Participações Ltda., denominados "Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Divida com Anuência do Credor": entre 02/12/2002 e 01/07/2003, o contribuinte captou recursos junto a seus maiores acionistas, senhores Dilson Pereira da Silva, Edson Pereira da Silva e Edilson Pereira da Silva, mediante contratos de mútuo que previam taxa de juros de 2% a.m., posteriormente alterada para 2,5% a.m., pelo prazo de 360 dias; Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.378 4 em 07/07/2003, de acordo com os Instrumentos de Cessão e Transferência de Dívida (cláusulas 1, 2 e 2.1 fls. 458, 460 e 462), o contribuinte cedeu à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, com anuência dos credores, as dívidas relativas aos contratos referidos, incluindo o principal e encargos com juros, no montante de R$ 144.509.714,43; em contrapartida, o contribuinte comprometeuse a pagar à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, na data da assinatura dos instrumentos, o montante de R$ 144.509.714,43 (cláusula 3 fls. 458, 460 e 462), ou alternativamente, liquidar a dívida no prazo de 360 dias contados da assinatura dos mesmos, podendo ocorrer pagamentos parciais antes do final do prazo estabelecido (cláusula 4 — fls. 458, 460 e 462). No caso de pagamento a prazo, ficou estabelecido que o contribuinte pagaria a título de juros o percentual equivalente à taxa Selic sobre o saldo a pagar existente no final de cada mês ou proporcional aos dias incorridos no mês (cláusula 5 — fls. 458, 460 e 462); na mesma oportunidade, foi estabelecida a obrigatoriedade de ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA pagar diretamente aos credores Dilson Pereira da Silva, Edson Pereira da Silva e Edilson Pereira da Silva, segundo as condições estabelecidas nos contratos de mútuo originais, ficando os mesmos prorrogados por mais 360 dias (o prazo original era de 360 dias) e a taxa de juros estabelecida na cláusula 2 reduzida para 0% (a taxa de juros vigente era de 2,5%), contados da assinatura dos instrumentos de cessão e transferência de dívida (cláusula 6 — fls. 458, 460 e 462); o contribuinte incorreu em despesas com encargos de juros no montante de R$ 8.853.234,52, no período de agosto a dezembro de 2003, deduzindoas na apuração do lucro real ao final do exercício; em 15/12/2003, o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA celebraram três novos contratos denominados "Instrumento Particular de Assunção, Cessão e Transferência de Divida com Anuência do Credor" (fls. 498 a 508), onde ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, desta vez, cede ao contribuinte as dívidas contraídas em decorrência de contratos de mútuo firmados com os credores acionistas, num total de R$ 109.023.237,00, equivalente ao montante principal, deduzidas as importâncias amortizadas por ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, no período de agosto a dezembro de 2003; em contrapartida, ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA comprometeuse a pagar ao contribuinte, na data da assinatura dos instrumentos (cláusula 03 — fls. 498, 502 e 506), o montante de R$ 109.023.237,00, ou alternativamente, liquidar suas obrigações de pagamento perante o contribuinte, mediante a dação em pagamento de mercadorias de seu estoque (cláusula 3.1.1). intimado dessa operação (fls. 13/16), o contribuinte informou (fl. 34) que os R$ 109.023.237,00 foram quitados pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA da seguinte forma: (i) R$ 98.733.906,46 foram utilizados para quitação de um empréstimo que mantinha junto à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (ii) R$ 10.289.330,54 foram utilizados na quitação de notas da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA contra o contribuinte (notas fiscais nos 63, 65, 69, 72, e 75); no dia 17/12/2003, deliberouse em Assembleia Geral Extraordinária o aumento do capital social do contribuinte em montante equivalente ao das dívidas com seus acionistas; Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.379 5 em procedimento de fiscalização, inferiuse que, nas operações de cessão e transferência de dívidas com anuência de credores, realizadas em 07/07/2003 e 15/12/2003, entre o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, apenas uma pequena parte dos compromissos assumidos foi efetivamente movimentada, sendo que em relação a uma parcela significativa houve mera apropriação contábil; concluiu a autoridade fiscal que as despesas relativas aos dispêndios com encargos de juros decorrentes do contrato de cessão e transferência de dívidas, celebrados entre o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, em 07/07/2003, são destituídos de causas econômicas reais e não encontram amparo em nenhum propósito negocial, ao contrário, mostramse uma opção mais onerosa para o contribuinte, não se constituindo em custos ou despesas operacionais dedutíveis, na forma exigida pelos arts. 277 e 299 do RIR/99; diante disso, foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com encargos financeiros no montante de R$ 8.853.234,52, referente aos valores pagos pelo contribuinte à empresa ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, no período de agosto a dezembro de 2003, a título de juros sobre os contratos de mútuo originalmente celebrados com os acionistas do contribuinte e, posteriormente, renegociados com a participação da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, por serem despesas desnecessárias. III Da glosa das despesas com aeronaves: utilizando o critério do número de voos, a autoridade fiscal apurou, com base nos elementos apresentados pelo contribuinte e pela INFRAERO, que 57,21% dos voos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos voos realizados pela aeronave PRLIA, destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, eis que realizados com destino a localidades que não guardam nenhuma relação com suas atividades operacionais, em dias não úteis e fora do horário comercial; o contribuinte não logrou demonstrar a conexão das aeronaves arrendadas com a atividade de comércio atacadista, limitandose a meras alegações e não apresentando documentos comprobatórios da vinculação dos voos à sua atividade empresarial; além do disposto no art. 299 do RIR/99, a Lei n° 9.249/95, em seu art. 13, incisos II e III, acrescenta mais uma condição restritiva, a de que os gastos estejam intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; as disposições constantes do art. 25 da Instrução Normativa SRF n° 11/96 representam o entendimento firmado pela Administração Tributária sobre quais os bens considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, em regulamentação ao contido no art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/1995; diante disso, foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com a utilização das aeronaves, referente às parcelas do arrendamento mercantil, aos dispêndios com a remuneração dos pilotos, aos gastos com hangaragem, manutenção, reparos e conservação dos aviões, seguros e combustíveis, bem como as tarifas pagas à Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária — INFRAERO e as taxas pagas à Agência Nacional de Aviação Civil — ANAC. Embora comprovadas por documentação apresentada durante a fiscalização, tais despesas foram consideradas indedutíveis para fins de apuração do lucro liquido tributável, porque tidas pela fiscalização como não necessárias à manutenção das Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.380 6 atividades operacionais do contribuinte, nos termos dos arts. 277 e 299 do RIR/99 e do art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/1995. IV – Da multa isolada tendo em vista a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução, os respectivos lançamentos foram cumulados com aplicação de multa isolada, em decorrência da glosa das despesas com encargos de amortização (período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005), da glosa das despesas com encargos de juros (período de julho a dezembro de 2003) e glosa das despesas com aeronaves objeto de arrendamento mercantil (anos calendário 2003, 2004 e 2005). Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação em que, em suma: I – alegou ilegalidade da cumulação da multa isolada com a multa de ofício, pela impossibilidade de incidência de duas multas sobre a mesma base de cálculo; II renunciou ao direito de defesa quanto à glosa das despesas relativas aos encargos de amortização das debêntures, comprovando, mediante DARFs, o pagamento do IRPJ e da CSLL respectivos, mas não se conformou com a cobrança de multa isolada, cumulada com multa de oficio, imposta sobre a glosa de IRPJ e CSLL referente às despesas de amortização das debêntures, especialmente nos meses de janeiro a novembro de 2005, porque não estaria configurada a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "h" da Lei n° 9.430/96. Aduziu que a adição ao lucro líquido tributável, efetuada em dezembro de 2005, teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados em 2005 e correspondentes às despesas com os encargos de amortização, entendendo que, diante da postergação do pagamento das parcelas mensais, quitadas em uma única parcela no mês de dezembro de 2005, não estaria caracterizada a ausência de recolhimento a ensejar a cobrança de multa isolada; III – quanto à glosa das despesas financeiras com encargos de juros III.1 sobre os contratos de mútuo e das posteriores operações de cessão e transferência das dividas para a ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA: Alegou que as operações de mútuo questionadas pela fiscalização jamais acarretaram qualquer prejuízo ao Erário e que a renúncia dos acionistas aos valores correspondentes aos juros incidentes em uma das etapas das operações de mútuo fora um ato de gestão financeira, praticado com o único propósito de atenuar a insuficiência de caixa registrada pelo contribuinte, tudo dentro da liberdade de contratar, que rege as transações privadas e está expressamente consagrada pelo art. 421 do Código Civil Brasileiro; III.2 sobre a regularidade das operações relacionadas aos contratos de mútuo: Alegou existência de contrato escrito, adequação da taxa de juros e correto oferecimento à tributação do valor correspondente aos juros recebidos, mediante a apresentação de todos os instrumentos contratuais pertinentes, nos termos do Parecer Normativo n° 138, de 1975, da antiga CST; Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.381 7 IV – Quanto à glosa das despesas com a utilização de aeronaves IV.1 sobre o critério adequado à apuração da parcela das despesas relacionadas às atividades operacionais do contribuinte: Criticou o critério utilizado pela autoridade fiscal que analisou dados sobre o número de voos feito por cada um dos aviões e, identificando os trajetos que tinham como destino as fazendas de propriedade de um dos acionistas do contribuinte, e elaborou cálculos com o objetivo de medir a proporção entre a utilização dos aviões para finalidades privativas e para fins empresariais, concluindo pela indedutibilidade da totalidade das despesas relacionadas às aeronaves utilizadas. Segundo ela, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal são viciados, porque partem de critérios não adequados à realização da proporção pretendida, pois foram considerados apenas o número de voos realizados, sem levar em conta as distâncias voadas ou o tempo gasto em cada uma das viagens. Esse critério teria sido arbitrariamente escolhido, não havendo qualquer justificativa para a sua adição, nem do ponto de vista da legalidade nem do ponto de vista da razoabilidade. IV.2 sobre a não comprovada vinculação entre as aeronaves e as atividades operacionais do contribuinte: Alegando a necessidade, normalidade e usualidade de parte das despesas, reconheceu parcialmente os débitos do IRPJ e da CSLL lançados, correspondentes à adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da parte das despesas glosadas que, segundo seus cálculos, realmente podem ser consideradas dissociadas de sua atividade operacional. Nos cálculos efetuados após a autuação, o contribuinte apurou e alocou todas as horas voadas, não contempladas nos demonstrativos da Infraero, considerando a distância entre as localidades e o tempo médio consumido em cada viagem. Alegou que, no regular desempenho de suas atividades empresariais, seus dirigentes precisam se locomover constantemente entre as filiais localizadas nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de ser distribuidora exclusiva da empresa norteamerica Energizer Inc., representando a companhia em 16 Estados da Federação brasileira. Justificou a utilização das aeronaves no desenvolvimento de suas atividades empresariais, permitindo a realização de necessárias visitas aos seus clientes, viabilizando visitas a instituições financeiras com as quais são negociadas operações financeiras que fogem à alçada das agências bancárias de Uberlândia, além de permitir o transporte dos executivos aos aeroportos de São Paulo e Belo Horizonte, para embarcar em vôos comerciais regulares para diversas outras localidades. Alegou, ao final, que “o que torna uma despesa dedutível para fins de apuração do lucro liquido tributável não é a sua essencialidade para a sobrevivência da empresa, mas sim a sua necessidade”. IV.3 Subsidiariamente, sobre a ausência de fundamento legal para a glosa das despesas em relação à CSLL: Alegou que, como a legislação do IRPJ é apenas subsidiariamente aplicável à CSLL, no que diz respeito à dedutibilidade das despesas para a identificação da base de cálculo, as regras instituídas para o IRPJ não se aplicam à CSLL, devendo ser excluídas da base de cálculo da CSLL todas as despesas relacionadas à manutenção das aeronaves e demais gastos a elas relacionados, porque não elencadas na lista de despesas indedutíveis da base de cálculo da contribuição. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.382 8 O relator da decisão a quo delimitou a lide, a partir da impugnação, aos seguintes temas: (i) glosa de despesas com encargos de juros, (ii) glosa de despesas com utilização de aeronaves na parte em que a interessada alega estar vinculada à atividade da empresa, e (iii) multa isolada. O lançamento foi julgado procedente na DRJ/Juiz de Fora pelos fundamentos a seguir. Quanto às despesas de juros: a glosa incidiu tãosomente sobre os juros incorridos a partir de 07/07/2003, data em que a contribuinte cedeu à Arcom Participações Ltda. a divida que mantinha junto aos três acionistas, porque, no mesmo contrato de cessão de divida, a contribuinte aceitou pagar juros à cessionária calculados pela taxa SELIC (cláusula 5), enquanto seus três acionistas aceitaram não receber nada a titulo de juros (taxa de 0%) da Arcom Participações Ltda. (cláusula 6), embora também acionistas desta. Diante disso, questionaram os julgadores quanto à falta de oferecimento do beneficio de renúncia aos juros ao contribuinte. Se o único propósito era atenuar a insuficiência de caixa registrada pela contribuinte, tal propósito seria ainda mais prestigiado se nos contratos de cessão de divida celebrados em 07/07/2003 tivesse sido estipulado que a contribuinte, ao invés de pagar juros à Arcom Participações Ltda. com base na taxa SELIC, deixasse de pagar os citados juros, já que esta também não iria pagar juros aos credores, controladores das duas empresas; Sobre as despesas com utilização de aeronaves: o art. 13 da Lei n° 9.249/95 restringiu o direito de dedutibilidade de despesas, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. No caso das despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, exceto quando intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. No caso, a fiscalizada, apesar de intimada para tanto, não logrou êxito em comprovar que as despesas com utilização de aeronaves cumpriram os requisitos estabelecidos no art. 13 da Lei n° 9.249/95. Da mesma forma, nenhum elemento que pudesse realizar essa comprovação foi trazida na fase de impugnação ao lançamento. Em relação ao critério adotado pela autoridade (número de vôos) para levantar o percentual de utilização das aeronaves, tal discussão revelase desnecessária pois, mesmo se utilizado o critério proposto pela defendente (horas de vôos), permanece o fato de que cabe ao contribuinte provar, mediante documentação hábil e idônea, que as despesas encontramse intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens e serviços. Por fim, em relação à CSLL, não há muito a acrescentar a não ser que o caput do art. 13 da Lei n° 9.249/95 veda expressamente a dedução, da base de cálculo da contribuição, das despesas não intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços. Como a impugnante não logrou êxito em provar que as despesas com aeronaves, incluindo aquelas com remuneração dos pilotos, hangaragem, manutenção, reparos, conservação, seguros e combustíveis, tarifas pagas à INFRAERO e taxas pagas à ANAC, atendem a esta exigência, correta o lançamento; Concluiu que a multa de oficio aplicável em razão da falta de pagamento do imposto ou contribuição devidos (art. 44, I ou II, conforme o caso) tem fundamentação jurídica distinta da multa isolada aplicável em virtude da falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.383 9 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DESPESA. NECESSIDADE. As despesas que se revelarem desnecessárias ou inusuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real. DESPESA. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO. Além de necessárias e usuais, por força do art. 13 da Lei n° 9.249/95 as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. MULTA ISOLADA. A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL é autônoma e, portanto, independe da aplicação, ou não, da multa de oficio por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual. Cientificado, na pessoa de seu procurador, da decisão de primeira instância, em 09/03/2009 (fl. 3342), o contribuinte apresentou, em 07/04/2009, recurso voluntário (fls.3345), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, aduzindo, em suma: (i) Sobre a multa isolada decorrente da glosa das despesas de encargos de amortização, questiona a imposição (a) no período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005 por impossibilidade de incidência de duas multas sobre a mesma base de cálculo e (b) no período de janeiro a novembro de 2005, porque não se configurou a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96. Isso porque, em relação a esse período, a Recorrente não deixou de recolher os valores correspondentes às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Houve apenas uma postergação do pagamento das parcelas mensais, pois a adição ao lucro líquido tributável realizada em dezembro de 2005 teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados nesse período e correspondentes às despesas com os encargos de amortização (fls. 3026/3027). Aponta omissão da decisão recorrida na questão, violando o dever de motivação das decisões administrativas, nos termos do art. 93, X, da Constituição Federal; (ii) Sobre a glosa das despesas financeiras com encargos de juros, considera ter demonstrado as justificativas econômicas e financeiras para a sequência de transações implementada por ele, seus acionistas e a ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA., pela narrativa apresentada, a qual atesta a bilateralidade das negociações realizadas e deve ser suficiente para afastar a afirmação da autoridade fiscal, ratificada pelo acórdão recorrido, segundo a qual as operações de contratação e transferência dos mútuos teria sido mero artifício para a criação de despesas dedutíveis. Alega que pretendia, com a primeira operação (cessão da dívida em 07/07/2003), obter o alargamento do prazo inicialmente contratado, assim como a decisão de reduzir os juros a zero foi apenas um ato de gestão, considerando a saúde financeira do grupo. A retomada da dívida, em dezembro de 2003 (segunda operação), também foi vantajosa por propiciar a extinção do mútuo devido aos seus acionistas através de uma dação em pagamento das mercadorias constantes do seu estoque. Para os acionistas credores, a renúncia ao recebimento de juros foi compensada pela troca de devedores, estando a nova devedora em melhores condições Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.384 10 de solvência do que a devedora original, bem como a extinção das obrigações através de um aumento da participação societária no seu capital social gerava expectativa de aumento nos dividendos a receber, após suportarem uma perda patrimonial em prol da saúde financeira das empresas do grupo. (iii) Questiona a indedutibilidade da totalidade das despesas relacionadas às aeronaves utilizadas, que incluiu despesas relacionadas às suas atividades operacionais. Aduz que efetuou cálculo por critério que elege como o mais correto e recolheu os tributos IRPJ e CSLL em montante que entende devido, no que tange às despesas incorridas com a manutenção das aeronaves em voos feitos em beneficio pessoal dos acionistas, defendendo a manutenção de parte das despesas deduzidas que se relacionam diretamente com as atividades operacionais. Pede, ao final, o conhecimento e provimento do recurso voluntário, in verbis, para: (i) reconhecer a suficiência dos pagamentos realizados pela Recorrente, dentro do prazo legal para impugnação, relativos ao IRPJ e à CSLL decorrentes da glosa das despesas referentes à amortização do prêmio das debêntures; e (ii) afastar a imposição cumulada da multa isolada em relação ao IRPJ e à CSLL, e, especificamente na parte referente à glosa das despesas com a amortização do prêmio das debêntures, afastar a multa isolada referente aos meses de janeiro a novembro de 2005; e (iii) cancelar integralmente a autuação fiscal no que tange à glosa das despesas financeiras com encargos de juros; e (iv) reconhecer a suficiência dos pagamentos realizados pela Recorrente, dentro do prazo legal para apresentação da presente impugnação, relativos ao IRPJ e CSLL decorrentes da glosa das despesas referentes à utilização de aeronaves, exclusivamente na parte não vinculada à atividade operacional da Recorrente; e (v) cancelar a autuação fiscal no que tange à glosa das despesas referentes à utilização de aeronaves, na parte relativa às despesas comprovadamente atreladas à atividade empresarial da Recorrente, ou, subsidiariamente, cancelar a atuação fiscal relativamente à glosa dessas despesas para fins de apuração da base de calculo da CSLL. Este o relatório. Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.385 11 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conheço do recurso diante da tempestividade e demais pressupostos recursais. Inicialmente, quanto ao primeiro item do pedido, cabe registrar que não compete a este órgão julgador manifestarse sobre eventuais pagamentos efetuados após o lançamento, em relação à parcela do auto de infração sobre a qual não diverge o contribuinte. Os órgãos julgadores estão limitados à apreciação da lide. Compete à unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte o controle do crédito tributário e a eventual exclusão das parcelas pagas durante a fase de julgamento. Considerando que o litígio restringese a parte da autuação, conforme bem delimitado pela decisão recorrida, cabe analisar em segunda instância as duas espécies de glosas sobre as quais se insurge o Recorrente, além da multa isolada cumulada com a multa de oficio, incluindo a parcela referente à multa isolada calculada a partir da glosa das despesas de amortização das debêntures. A análise das razões meritórias será iniciada pelas glosas de despesas, cuja autuação se deu, basicamente, pela conclusão de impossibilidade de caracterização como custos ou despesas operacionais dedutíveis, nos termos exigidos pelos arts. 277 e 299 do RIR/99. Estabeleceu o legislador que a apuração do lucro operacional decorre da apuração do resultado das atividades que constituem objeto da pessoa jurídica (art. 277), sendo dedutíveis na determinação do lucro real apenas as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas, desde que pagas ou incorridas e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (art. 299), não havendo espaço para liberalidades de qualquer natureza. Da glosa de despesas com encargos de juros À luz daqueles dispositivos, foram glosadas as despesas com encargos de juros decorrentes dos contratos de cessão de dívidas (“instrumento particular de cessão e transferência de dívida com anuência do credor”) celebrados, em 07/07/2003, entre o contribuinte (cedente), ora Recorrente, e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (cessionária). A existência de contratos escritos, assim como a usualidade da taxa de juros adotada, para fins de dedutibilidade das despesas de juros, consoante orientação do Parecer Normativo CST n° 138, de 1975, não foi objeto de questionamento por parte da autoridade lançadora, não fazendo parte da lide. Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.386 12 Conforme relatado, a Recorrente, inicialmente, havia contraído empréstimos com três de seus maiores acionistas e apropriado, a título de despesas financeiras, os juros de 2,5% incorridos mensalmente até 07/07/2003. Nesta data, foram celebrados com ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA contratos de cessão daquelas dívidas contraídas perante os acionistas, com encargos de juros equivalentes à taxa Selic, caso não houvesse pagamento imediato do principal acrescido dos juros incorridos até aquela data. Enquanto a Recorrente se comprometeu sob juros Selic, no mesmo contrato, os credores aceitaram não receber nada a título de juros (taxa zero) da nova devedora (ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA). Entre julho e dezembro de 2003, a Recorrente apropriou contabilmente as despesas financeiras relativas aos encargos com juros incorridos à taxa Selic. Em 15/12/2003, a Recorrente reassumiu as dívidas, tendo como contrapartida, pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, o pagamento do montante integral em moeda corrente ou, alternativamente, mediante dação em pagamento de mercadorias integrantes de seu estoque. O valor do empréstimo junto aos credores acionistas, no montante atualizado de R$ 98.733.906,46, foi quitado na oportunidade, juntamente com diversas notas fiscais emitidas pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA em face da Recorrente. Logo em seguida, houve o aumento do capital social da Recorrente em montante equivalente ao das dívidas contraídas com seus acionistas. Fechouse, assim, o ciclo, sem que houvesse praticamente circulação de moeda, mas apenas registros contábeis dos valores mais relevantes. Como se nota, os credores acionistas, no curto prazo de cinco meses desde a cessão da dívida, finalmente aumentaram o capital social da Recorrente. Essa situação, por si só, indica a não usualidade ou normalidade das operações. Ainda mais em se constatando que os três acionistas credores detinham a quase totalidade do capital social da Recorrente (conforme se extrai da lista de presença de acionistas anexada à ata da assembleia geral extraordinária realizada em 17/12/2003, às fls. 9697) e eram também os únicos sócios da empresa ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (conforme se extrai do instrumento de alteração do contrato social de 07/06/2003, às fls.183185). Tratase aqui, indubitavelmente, de operação entre pessoas jurídicas sob controle comum, cuja bilateralidade restou prejudicada, pois as mesmas partes respondiam pelo crédito e pelo débito. Os credores acionistas exigiam juros à taxa de 2,5% a.m. da Recorrente, mas passaram a exigir zero de juros da nova devedora. Enquanto isso, a Recorrente deixou de pagar juros à taxa de 2,5% a.m. de seus acionistas para pagar juros equivalentes à taxa Selic à sua nova credora, quando poderia, perfeitamente, como bem colocado pelo relator a quo, ter renegociado diretamente com os credores originais, sem precisar engendrar formalmente todas aquelas operações. A mera redução da taxa de juros não é suficiente para abonar a operação. Ademais, foi constatado pela autoridade fiscal no TVF (fl.3163) o elevado grau de endividamento contraído pela Recorrente: no período de dezembro de 2002 a julho de 2003 da ordem de R$ 292.374.378,56, considerando o capital social no montante de R$ 14.836.500,00 em dezembro de 2002 (fls. 69), e no montante de R$ 18.575.000,00 em abril de 2003 (fls. 83). Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.387 13 O alto grau de endividamento vem reforçar a ideia de que uma negociação direta para melhoria nas condições de pagamento deveria ter sido travada diretamente com os credores acionistas, todavia, “optou” a Recorrente por envolver outra pessoa para negociar com aqueles credores, enquanto “se conformava” com a redução dos juros e a dilação do prazo de pagamento. A meu ver, não faz qualquer sentido a alegação de que a dificuldade de caixa para pagar os juros originais (devidos aos seus próprios acionistas) pudesse ser suprida pelo pagamento de juros menores a outra pessoa jurídica, especialmente quando se tem controladores comuns. Cito trecho do voto condutor do acórdão recorrido que reflete o meu entendimento, in verbis: Se o único propósito era atenuar a insuficiência de caixa registrada pela contribuinte, tal propósito seria ainda mais prestigiado se nos contratos de cessão de divida celebrados em 07/07/2003 tivesse sido estipulado que a contribuinte, ao invés de pagar juros à Arcom Participações Ltda. com base na taxa SELIC, deixasse de pagar os citados juros, já que esta também não iria pagar juros aos credores, controladores das duas empresas. De fato, para os investidores, a alternativa de conceder empréstimo à pessoa jurídica em lugar de fazer importe visando aumentar o capital social traz algumas vantagens. Além de garantir a remuneração do investimento independentemente do resultado financeiro e permitir o retorno do valor investido sem as formalidades de uma redução de capital, as despesas financeiras a título de juros podem ser dedutíveis na apuração da receita tributável da mutuária. Evidentemente, a dedutibilidade dos juros na apuração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ deve observar certos parâmetros legais, os quais exigem o relacionamento íntimo com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora para que a despesa seja considerada indispensável (art. 299 do RIR/99). Assim, são consideradas necessárias as despesas decorrentes de transações ou operações demandadas pela atividade operacional da pessoa jurídica. No presente caso, a desnecessidade das despesas financeiras correspondentes à dívida decorrente dos contratos de mútuo com os credores acionistas da Recorrente restou evidente pelo repasse da dívida a pessoa ligada (ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA) sem qualquer encargo financeiro a ser devido aos mesmos credores, os quais, não por coincidência, eram controladores comuns de ambas as empresas. Não seria de se esperar que pessoas absolutamente independentes contratassem operações de mútuo da forma como foram contratadas. Vale referir que o Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu por diversas vezes no sentido de que são consideradas não necessárias aquelas correspondentes a empréstimos repassados a empresa interligada sem qualquer encargo financeiro (Acórdãos 10807360/2003, 10321142/2003, 10313446/93 e 10179646/90). Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.388 14 Ademais, em se tratando de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, as quais giram sob controle comum, há que se analisar os benefícios econômicos eventualmente gerados sob a ótica global. Sob qualquer ângulo que se olhe, as transações realizadas entre o contribuinte, ora Recorrente e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA não representaram qualquer ganho para o grupo, gerando apenas um pretenso direito à dedução dos juros acordados. Nesse caso, faltou justificativa econômica à operação, uma vez que resultados positivos e negativos de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico tendem a se anular quando da análise global de seus resultados. A participação da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA nas transações não teve qualquer outra função que não a de gerar despesas de juros na contabilidade da Recorrente. Por fim, a alegação de que não houve prejuízo à Administração Tributária deve ser afastada, tendo em conta, justamente, a redução indevida do lucro real pela apropriação de juros que, dadas as circunstâncias, não deveria ter sido apropriado, por desnecessários, em evidente afronta aos arts. 277 e 299 do RIR/99. Cabe referir que, considerando a acusação fiscal, suportada pela minuciosa descrição dos fatos, a apontar para a desnecessidade das despesas de juros decorrentes daquele contrato no período glosado, eventual imputação de simulação à operação, em nada alteraria a natureza do lançamento. Situação semelhante já foi analisada pelo Conselho de Contribuintes, tendo ficado consignado que a imputação da simulação do contrato é irrelevante para a caracterização da desnecessidade da despesa, como se vê abaixo: IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE CONTRATOS FUTUROS DE TAXAS DE CÂMBIO DE CRUZEIROS REAIS POR DÓLAR COMERCIAL. RESSARCIMENTO POR DESISTÊNCIA DE CONTRATO. Quanto uma empresa assina 150 contratos de promessa de compra e venda de dólar comercial, com empresas que não tem qualquer posição naquela moeda e nem tem capacidade econômica e nem financeira (microempresas, empresas de pequeno médio porte) e empresas não identificadas e, ainda, desiste da compra ou venda do dólar comercial e paga o ressarcimento (multa contratual) por desistência de contrato, estas operações não preenchem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade para serem apropriados como custos ou despesas operacionais, independentemente da imputação da simulação de contratos.(Data da Sessão: 21/05/2002; Relator(a): Kazuki Shiobara; Nº Acórdão: 10193826) Nesse sentido, voto no sentido de manter hígido o lançamento nessa parte. Da glosa de despesas com a utilização de aeronaves A partir da vigência da Lei nº 9.249, de 26/12/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, além de observar o disposto no art. 299 c/c art. 277, ambos do RIR/99, as despesas com a utilização de aeronaves objeto de arrendamento mercantil depende da relação dessas despesas com a produção ou Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.389 15 comercialização dos bens ou serviços, nos termos do art. 13 da referida lei, expressamente mencionado no auto de infração sob análise, que dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (destaquei) Assim, a par de serem necessárias à atividade da empresa ou à manutenção da respectiva fonte produtora de suas receitas, as despesas com arrendamento mercantil, depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis, como é o caso dos autos, devem estar intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. A Administração Tributária regulamentou a Lei n° 9.249/95, através da Instrução Normativa SRF nº 11, de 22 de fevereiro de 1996, definindo quais seriam os bens relacionados ou não com a produção e a comercialização, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. A referida norma infralegal traz, nos limites de sua competência regulamentar, os parâmetros de definição dos bens móveis ou imóveis que podem ser considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços do interessado, dispondo, ipsis litteris: Art. 25. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.390 16 outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Parágrafo único. Consideramse intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: a) Os bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade ; b) Os bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração; c) os bens móveis utilizados nas atividades operacionais, instalados em estabelecimento da empresa; d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matériaprima, produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção; e) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda; f) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos; g) os veículos de transporte coletivo de empregados; h) os bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou processos; i) os bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação como objeto de sua atividade; j) os bens móveis e imóveis objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei nº 6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora; l) os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel, pela pessoa jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade. (destaquei) Cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, nos termos da legislação de regência, incluindo a IN SRF nº 11/96. Em que pese este órgão julgador não estar vinculado a tal espécie normativa, no caso sob análise, diante de sua patente legalidade, deve ser tomada como parâmetro interpretativo na busca da solução do litígio, estendendo a leitura dos itens referentes a veículos terrestres de modo a englobar as aeronaves objeto do presente recurso. Ainda assim, por exclusão, a única hipótese na qual poderia a Recorrente lograr êxito em comprovar o alegado Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.391 17 seria a hipótese prevista na alínea e do parágrafo único (“veículos... utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda”). Conforme consta do TVF (fl.3166), o contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal n.° 4, lavrado em 12/05/2008, foi devidamente intimado, em relação às aeronaves de matrículas PRDPS e PRLIA, objeto de arrendamento mercantil, dentre outros esclarecimentos, a: Vincular os gastos relacionados às referidas aeronaves à atividade operacional da pessoa jurídica e à manutenção da fonte produtora, demonstrando a sua usualidade, normalidade e necessidade, mediante a apresentação de roteiros de negócios, demonstrativos de contratos de vendas firmados, pedidos de produtos, etc, efetivados nas viagens com utilização das mesmas; (destaquei) Em resposta à intimação, a Recorrente limitouse a justificar a utilização das aeronaves no desempenho de suas operações comerciais em todo o território nacional, informando manter aproximadamente 150.000 clientes, 1.500 funcionários, além de 2.600 fornecedores, estes, em sua grande maioria, localizados fora de sua cidade sede Uberlândia – MG, e, ainda, manter filiais em diversos Estados da Federação. Informa que a relação de fornecedores demonstra claramente a necessidade de constante locomoção dos dirigentes e funcionários da Recorrente para negociar preços, prazos, e condições de entrega e alega, literalmente, que: O volume de seus negócios, fruto de expressiva atuação no mercado atacadista, e a complexa logística de suas operações, exigem deslocamento constante de seus executivos, tornando indispensável a utilização de aeronaves, sem as quais seria impossível obter uma administração dinâmica, ágil e eficiente. [...] No caso da Intimada, as referidas aeronaves são constantemente utilizadas para apoio ás atividades da empresa, especialmente nas visitas a clientes e fornecedores situados em outras localidades, ás sedes de instituições financeiras situadas em São Paulo e Belo Horizonte — através das quais negocia operações financeiras fora da alçada das agências em Uberlândia aos escritórios de advocacia e consultoria situados em São Paulo e Brasilia, e também como no atendimento de sinistros e acidentes ocorridos com sua frota rodoviária, no transporte de clientes interessados em conhecer suas instalações e produtos, e em manter reuniões para fechamento de novos contratos. São utilizados ainda para deslocamento de executivos aos aeroportos de São Paulo e Belo Horizonte, de onde partem para outras localidades através de conexões com linhas regulares. Para atender esse item da intimação, a Intima da apresenta um relatório elaborado a partir das informações contidas nos Demonstrativos das Tarifas a Cobrar de Clientes fornecidos pela lnfraero, que indicam os planos de vôo, mas não registram os Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.392 18 respectivos trechos de retorno dos vôos feitos a partir de aeródromos não tarifados, em função disso a empresa inclui o tempo de retorno destes vôos. Em face da ausência desses dados nos demonstrativos da lnfraero, a Intimada procedeu à apuração das horas efetivamente voadas e à alocação dessas horas em relação aos respectivos destinos, levando em conta a distância entre as localidades, o tempo médio consumido em cada viagem, e a característica da aeronave e consolidou todas essas informações no relatório anexado." A transcrição da resposta à intimação é relevante para demonstrar que a Recorrente se preocupou em justificar a utilização das aeronaves, mas não apresentou qualquer documentação referente a “roteiros de negócios, demonstrativos de contratos de vendas firmados, pedidos de produtos, etc, efetivados nas viagens”, conforme solicitado na intimação. Nesse momento, diante da ausência de provas, a autoridade fiscal poderia ter encerrado o procedimento de fiscalização, mas, ao contrário, diligentemente, empenhou esforços para demonstrar que a utilização das aeronaves, de fato, não se restringia às atividades operacionais, conforme alegado pelo contribuinte. Vale transcrever o detalhado relato da autoridade fiscal, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls.3142 e ss), sobre a apuração da infração: o contribuinte alegou utilizar aeronaves em apoio às atividades operacionais da empresa, especificamente nas visitas a clientes e fornecedores situados em outras localidades, às sedes de instituições financeiras e em atendimento de sinistros e acidentes ocorridos com sua frota rodoviária (fls. 30 e 31) e apresentou relação com os nomes de 3.103 cidades atendidas pela empresa (fls. 688 a 711) e 553 municípios onde estão localizados seus fornecedores (fls. 633 a 687); dados extraídos dos relatórios fornecidos pela Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária — INFRAERO, relativos aos planos de vôo registrados para as aeronaves de matrículas PRDPS e PRLIA (fls. 1.334 a 1.389), objeto de arrendamento pelo contribuinte, consolidados na planilha de fls. 3.308 a 3.055 onde é indicada a quantidade absoluta e percentual dos vôos das aeronaves por localidade/aeródromo de destino, realizados no período de 01/01/2003 a 31/12/2005, demonstram que os vôos efetuados no referido período destinaramse a apenas 42 localidades distintas. Atestam ainda (fls. 3.038 a 3.040) que de um total de 215 vôos realizados pela aeronave de matricula PRDPS, 121 (56,28%) destinaramse a Fazenda São José do Parnaíba em TupaciguaraMG e 2 (0,93%) destinaramse a Fazenda Santa Escolástica em Pedra PretaMT, perfazendo 123 vôos (57,21%), e que de um total de 566 vôos realizados pela aeronave de matricula PRLIA, 148 (26,15%) destinaramse a Fazenda São José do Parnaíba em TupaciguaraMG, 178 (31,45%) destinaramse a Fazenda F5 em TupaciguaraMG e 2 (0,35%) destinaramse a Fazenda Santa Escolástica em Pedra PretaMT, perfazendo 328 vôos (57,95%); Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.393 19 as fazendas em questão são de propriedade de Dilson Pereira da Silva, acionista da empresa sob ação fiscal, e não constam das relações de clientes e fornecedores apresentadas pelo contribuinte; análise mais apurada dos deslocamentos das aeronaves destinados às referidas localidades (Fazenda São José do Parnaíba, Fazenda F5 e Fazenda Santa Escolástica), evidenciam um total de 451 vôos, sendo 209 vôos (46,34%) realizados em fins de semana/feriados, 108 vôos (23,95%) realizados as sextas feiras, véspera de fins de semana, 33 vôos (7,32%) realizados as segundasfeiras e 101 vôos (22,39%) realizados nos demais dias úteis (fls. 3.041 a 3.056). Dos 242 vôos realizados em dias úteis, tendo como referência as fazendas acima citadas, 153 (63,22%) foram realizados no período compreendido entre as 16:00 hs e 8:00 hs; diante disso, concluiu que 57,21% dos vôos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos vôos realizados pela aeronave PRLIA, destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, eis que realizados com destino a localidades que não guardam nenhuma relação com suas atividades operacionais, em dias não úteis e fora do horário comercial.” Segundo o relatório, como o contribuinte não logrou demonstrar a conexão das aeronaves arrendadas com a atividade desenvolvida pela empresa (comércio atacadista de vasta gama de mercadorias), com a fonte e lucros da empresa, mas limitouse a fazer meras alegações, não apresentando documentos comprobatórios da vinculação dos voos à sua atividade empresarial, conforme determina a IN SRF nº 11/96, foram glosadas as despesas pertinentes à utilização das referidas aeronaves, nos termos dos arts. 277 e 299 do RIR/99 e do art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/95. Observase que, diante dos elementos apresentados pelo contribuinte, em resposta à intimação e pela INFRAERO, foi utilizado um critério – número de trechos voados, para aferir o grau de vinculação da utilização de aeronaves com o objeto social da empresa – comércio atacadista de mercadorias. Insurgese a Recorrente contra o critério adotado pela fiscalização, o qual não teria levado em conta as distâncias voadas e o tempo gasto em cada viagem, defendendo sua substituição pelo critério do tempo de voo. Em seus cálculos, por este critério, apurou um percentual de utilização das aeronaves para fins particulares bem inferior ao apurado pelo auditor, e recolheu os tributos devidos no montante por ela apurado. Entendo que o critério adotado pela fiscalização, longe de arbitrário, representa uma demonstração lógica da realidade dos fatos, tendo sido suficientemente clara a justificativa de sua utilização quando se analisa os dados apresentados. Independentemente do tempo de voo, verificase que a maior parte deles (quase 60%) originouse ou destinouse a áreas rurais de propriedade de um de seus principais acionistas, sem qualquer relação com as localidades dos fornecedores ou clientes da Recorrente. Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.394 20 Ademais, o critério indica que os voos se destinaram a apenas 42 localidades, quando a Recorrente informou que realiza negócios em mais de três mil municípios e tem fornecedores espalhados em mais de quinhentos deles. Notese que autoridade fiscal, ao apurar que 57,21% dos voos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos voos realizados pela aeronave PRLIA destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, em momento algum atestou que o restante dos voos teria sido realizado para finalidades operacionais. Ao contrário do que constou da decisão citada como paradigma pela Recorrente (Acórdão n° 10706.215, de 2001), no caso em tela, não houve prova cabal de que as viagens se realizaram em benefício da empresa. Diante de robusta prova, caberia ao contribuinte desconstituíla através de elementos comprobatórios da vinculação das operações aéreas às suas atividades operacionais, especialmente a utilização das aeronaves por cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda, o que não ocorreu. Sendo ônus do contribuinte comprovar a adequação das despesas às suas finalidades sociais, para fins de dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não restou demonstrado nos autos a comprovação da vinculação do uso das aeronaves com a sua atividade operacional de comercialização de bens, não sendo cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 13 da Lei n° 9.249/95. O procedimento da fiscalização de ter despendido esforços para coletar inúmeras informações a respeito de planos de voo, dados da Infraero, trajetos e itinerários percorridos pelas aeronaves para, em seguida, declarar a indedutibilidade da totalidade das despesas incorridas pela Recorrente a esse título, ao contrário do que entende a Recorrente, em nada descaracteriza a situação verificada nos autos – de falta de comprovação da vinculação daquelas com a atividade operacional da empresa. Pelo contrário, em meu sentir, o trabalho fiscal demonstra de forma substanciosa que, ainda que desejasse, a Recorrente não teria como comprovar a vinculação da maior parte das despesas efetuadas com as aeronaves, haja vista as evidências coletadas em sentido contrário. Resta analisar o pedido subsidiário da Recorrente de desconsideração da adição das referidas despesas na base de cálculo da CSLL porquanto, consoante seu entendimento, não contempladas na legislação específica que traz um rol taxativo das despesas que são consideradas indedutíveis, independentemente de sua classificação como necessária e usual, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Neste ponto, não merece prosperar o argumento, haja vista que, se até a edição da referida lei, contavase apenas com o art. 47 da Lei nº 4.506/64 (fundamento legal do art. 299 do RIR/99), a partir dela não resta a menor dúvida de que, em relação a certas despesas, as características de necessidade e usualidade/normalidade não bastam para fins de apuração tanto do lucro real quanto da base de cálculo da CSLL. Incluemse nessa toada as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, ressalvadas as hipóteses de intrínseca relação com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.395 21 Assim, também neste item devem ser mantidos os lançamentos de IRPJ e CSLL. Da multa isolada Sobre o tema, são dois os questionamentos da Recorrente. Em relação à multa isolada lançada de ofício para o período de janeiro a novembro de 2005, aduz que não se configurou a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96, já que, em relação a esse período, a Recorrente não deixou de recolher os valores correspondentes às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Segundo ela, houve apenas a postergação do pagamento das parcelas mensais, pois a adição ao lucro líquido tributável, realizada em dezembro de 2005 (referente ao reconhecimento da indedutibilidade da despesa de amortização) teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados nesse período e correspondentes às despesas com os encargos de amortização. Equivocase a Recorrente. A regra da postergação de pagamento deve ser observada nas autuações decorrentes de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, quando constatado que o imposto foi pago em período de apuração posterior ao em que seria devido, nos termos do art. 273 do RIR/99. Assim, tratandose de apuração mensal de base de cálculo por estimativa ou através de balancetes de suspensão ou redução, não cabe aplicar ao caso, ainda que analogicamente, a teoria da postergação do pagamento, já que ficou caracterizada a falta de recolhimento, nos prazos exigidos, das antecipações devidas em decorrência da opção pela tributação anual do lucro real. Ademais, no caso das multas isoladas devidas no período de janeiro a novembro de 2005, aplicamse, basicamente as mesmas razões da não caracterização de concomitância ou duplicidade de exigências sobre uma mesma base de cálculo, independentemente do resultado apurado ao final do exercício. O lançamento de multas isoladas cumuladas com as multas de ofícios sobre as glosas de despesas teve por fundamento legal o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996, cuja redação original rezava, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:[...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.396 22 A tese da concomitância, logo, bis in idem, em relação aos lançamentos de multa isolada e multa de ofício referentes ao mesmo anocalendário, alegada pela recorrente, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, a meu ver, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendo que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. Assim, nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, aplicase retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traria consequências, na medida em que a falta de recolhimento representaria um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. A regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido. Distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. São distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.397 23 estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente ou anualmente, sendo sua base de cálculo a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. A falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Reforçando essa distinção, temse a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada de 75% para 50%. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não estaria incluído na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Acrescentese que o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Voto Vencedor Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Redator Designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria “glosa de despesas com encargos de juros”, registro, de início, a excelência do voto da ilustre Conselheira Relatora Viviane Vidal Wagner com relação às demais matérias enfrentadas nesse julgamento. Em linhas gerais, para o que importa ao presente voto, a D. Autoridade Fiscal desconsiderou a dedução, na apuração do IRPJ, dos valores correspondentes aos juros devidos em razão de contratos de mútuo celebrados pela Recorrente e seus acionistas e, posteriormente, negociados com a Arcom Participações Ltda. Em síntese, a operação de mútuo se realizou da seguinte forma: entre dezembro de 2002 e julho de 2003, a Recorrente celebrou com seus acionistas, Edson Pereira da Silva, Edílson Pereira da Silva e Dílson Pereira da Silva, contratos de mútuo, nos quais fixouse o prazo de 360 dias para pagamentos e convencionouse uma taxa de juros de 2,5 % ao mês. Assim, em decorrência desses contratos de mútuo, a Recorrente passou à condição de devedora de seus acionistas. Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.398 24 Em 7 de julho de 2003, a Arcom Participações Ltda. assumiu a dívida da Recorrente perante os seus acionistas mediante contratos de cessão de dívidas. Assim, ficou acordado que a Arcom Participações Ltda. assumiria a dívida da Recorrente para com seus acionistas e, em contrapartida, a Recorrente pagaria à Arcom Participações Ltda. o montante correspondente ao valor do mútuo, atualizado à taxa de 2,5% ao mês até a data da cessão, e a partir de então pagaria juros mensais calculados à taxa SELIC até a data do efetivo pagamento. Concomitantemente a esta operação, os credores que passaram a ser da Arcom Participações Ltda. aceitaram a redução dos juros para zero e a prorrogação do vencimento dos mútuos por mais 360 dias. Posteriormente, em 15 de dezembro de 2003 foram celebrados novos contratos de cessão de dívidas através dos quais a Arcom Participações Ltda. cedeu à Recorrente os contratos de mútuo outrora recebidos. Por conta dessa nova transação, a Recorrente voltou à condição de devedora de seus acionistas e referida dívida foi convertida em capital social, após a emissão de novas ações subscritas com esses créditos. Ao contrário do que entendeu a fiscalização, a operação realizada pela Recorrente teve suas justificativas econômicas, quais sejam: (i) primeiramente do ponto de vista da Recorrente a primeira operação de cessão de dívida para a Arcom Participações Ltda. representou aumento do prazo para liquidação das obrigações com a redução da taxa de juros que passaram a ser calculados à taxa SELIC, (ii) do ponto de vista da Arcom Participações Ltda., esta teve vantagem econômica no sentido de que assumiu a dívida perante os acionistas da Recorrente e recebeu como troca da assunção o valor dos mútuos, acrescidos da taxa SELIC; ou seja, passou à condição de devedora de um valor inferior àquele que lhe devia a Recorrente. Dessa forma, inegável a vantagem econômica nessa primeira etapa da operação. A segunda etapa também foi vantajosa, na medida em que possibilitou a extinção do mútuo devido aos seus sócios através de uma dação em pagamentos das mercadorias de seu estoque. Dessa forma, não poderia a fiscalização interferir na administração da pessoa jurídica de forma a alegar e se pronunciar sobre o que deveria ou não ser feito na referida gestão. A operação só não foi propriamente vantajosa para os acionistas mutuantes mas devese levar em consideração que os acionistas frequentemente abrem mão de vantagens econômicas para buscar uma estabilização da situação financeira das pessoas jurídicas nas quais possuem ações. Assim, através da operação acima relatada comprovase a bilateralidade das negociações realizadas, afastando a afirmação da D. Autoridade Fiscal e do acórdão recorrido, segundo o qual as operações de contratação e transferência dos mútuos teriam sido mero artifício para a criação de despesas dedutíveis. Outrossim, vale ressaltar que todas as transações mencionadas se comprovaram mediante a apresentação dos instrumentos contratuais pertinentes, como se observa a título de exemplo às fls. 366/393 e 411/421. Cumpre ressaltar, a esse respeito, que o Parecer Normativo CST nº 138/1975 estabelece que será possível a dedutibilidade das despesas incorridas com o pagamento de juros sobre empréstimos contratados desde que haja cláusula expressa em contrato. Vejamos: Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.399 25 “São admitidos como despesas operacionais os juros abonados aos empréstimos e saldos credores de contas correntes de sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros de pessoa jurídica, desde que haja contrato escrito com cláusula expressa. As taxas percentuais ajustadas não poderão ser superiores às comumentes utilizadas no mercado financeiro, e nem às relativas aos empréstimos menos onerosos obtidos pela pessoa jurídica. Disciplinamento idêntico, aplicável aos empréstimos realizados entre pessoas jurídicas associadas ou interdependentes.” Sendo assim, e nos termos do referido Parecer Normativo, os mútuos efetuados pela Recorrente, por estarem corretamente previstos em contratos, já possibilitariam a dedução dos juros correspondentes. Quanto ao ajuste às taxas do mercado, não resta dúvidas de que foi cumprido, visto que a taxa de juros utilizada foi a SELIC. Além disso, todas as etapas da operação foram comprovadas documentalmente, o que atesta a regularidade das operações de mútuo celebradas pela Recorrente, que não causaram nenhum prejuízo ao erário público, ao passo que os tributos incidentes foram recolhidos adequadamente. Dessa forma, deve ser afastada a conclusão da D. Autoridade Fiscal quanto à indedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamentos dos juros sobre os mútuos contratados. Oportuno se faz transcrever o raciocínio exposto pelo Conselheiro Raul Pimentel no julgamento do Recurso nº 128.659 pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Naquela oportunidade, o ilustre Conselheiro não concordou com a D. Autoridade Fiscal quanto às irregularidades em operações de cessão de dívidas nos seguintes termos: “No meu entender, os conjuntos de provas contidos nos presentes autos, juntados pela própria fiscalização, apresentam se suficientes para afastar, de logo, a existência de gesto de liberalidade, uma vez que se trata de operações normalmente praticadas na atividade financeira, com transferências de direitos e obrigações e todas respaldadas em documentação adequada ao tipo de transação que representam. Por sua vez, esta Câmara já expressou o seu entendimento, através do Acórdão 10193.145, de que para a caracterização de irregularidade ou liberalidade na cessão de créditos, há necessidade de prova inequívoca de que as operações realizadas fogem aos padrões normais que seriam realizadas com terceiros, sendo insuficiente para descaracterizar as operações a simples suspeita da autoridade fiscal. Portanto, se a assunção de direitos e obrigações pela incorporada operouse por contrato prévio, juridicamente perfeito e sobre os quais o fisco jamais lançou suspeita de irregularidade, existência de fraude ou dolo nas operações nele contratadas, não cabe a glosa das despesas decorrentes da liquidação daqueles valores pela simples suspeita de existência de ato de mera liberalidade.” Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.400 26 Referido julgado recebeu a seguinte ementa: DESPESA DECORRENTE DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES POR EMPRESA INCORPORADA — AUSÊNCIA DE PROVA DE ATO DE USURALIDADE: Se a assunção de direitos e obrigações pela incorporada operouse por contrato prévio, sobre os quais o fisco jamais lançou suspeita de irregularidade, existência de fraude ou dolo nas operações contratadas, não cabe a glosa das despesas decorrentes da liquidação daqueles valores pela simples suspeita de existência de ato de mera liberalidade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES CONTROLADAS — AUMENTO DE CAPITAL NA INCORPORADA VISANDO O EQUILÍBRIO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO PERDA DE CAPITAL — AMORTIZAÇÃO DE AGIO: Não há impedimento legal na subscrição e aumento de capital de empresa controlada que venha a ser incorporada posteriormente pela controladora, mormente se no há sinais de existência de irregularidade nas operações ou existência inequívoca de ato de liberalidade. Por outro lado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, atendidas as disposições contidas nos artigos 375 e 376 do RIR194. PROVISÃO PARA PERDA EM INVESTIMENTO EM RAZÃO DE AJUSTE A VALOR DE MERCADO — FALTA DE COMPROVAÇÃO: Temse por justificada a glosa da provisão para perda em investimento em razão de ajuste a valor de mercado se tal valor deixa de ser comprovado, ocorrendo a postergação no recolhimento dos tributos devidos quando a provisão é revertida no exercício seguinte, impondose o seu ajuste na formação do lucro real daquele exercício. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS: Uma vez alterados os valores dos prejuízos fiscais compensáveis remanescentes de decisão de primeiro grau, impõese sua retificação em razão do que está sendo decido em julgamento de segunda instância, considerados eventuais recolhimentos sobre os excessos de compensação. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CSLL — PIS/REPIQUE: O julgamento do lançamento principal do IRPJ faz coisa julgada, na mesma instância de julgamento, nos lançamento decorrentes, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Ademais, transcrevo outra ementa no mesmo sentido. Vejamos: “IRPJ/CSLL/PIS/COFINS/IRRF SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS Só resta elidida a presunção legal "juris tantum" com as comprovações da origem e da efetiva entrega de numerário à pessoa jurídica. IRPJ CSlL IRrF Se os valores Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.401 27 do mútuo foram entregues à pessoa jurídica e lhe beneficiaram, correta a dedução dos juros correspondentes, não se configurando hipótese de pagamento sem causa. JUROS DE MORA SELIC Correta a exigência dos juros moratórios computados à taxa Selic, pois conforme a legislação de regência, não se lhe podendo afastar no âmbito de um julgamento administrativo. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10807255 do Processo 11075001125200199, Data: 28/01/2003). Assim, estando comprovadas através de contratos todas as operações realizadas pela Recorrente e diante da possibilidade de dedução de encargos de juros na apuração do IRPJ, inclusive nos termos da legislação e do posicionamento deste E. CARF, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de dedução dos referidos encargos decorrentes dos contratos de mútuo realizados. É como voto. (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000580/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
MULTA DE 150%.
A não declaração das receitas ou a declaração de pequena parcela desta receita caracteriza a intenção de sonegar tributos, sendo aplicável a multa de 150%. A não declaração em DIPJ e DCTF dos tributos devidos caracteriza a intenção de sonegar tributos. A mudança freqüente de domicilio fiscal no curso da fiscalização, inclusive com cadastro de endereço errado, acompanhada da não declaração das receitas auferidas, caracteriza sonegação de tributos e, por isso, implica na multa de 150%.
MAJORAÇÃO DE 50% DA MULTA.
Caso o contribuinte não forneça seus fatos tributáveis e estes venham a ser apurados pelo Fisco com base em informações de terceiros, cabe majorar a multa aplicada em 50%.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
LUCRO ARBITRADO.
Caso o contribuinte não apresente os livros a que está obrigado, cabe a adoção de oficio do sistema do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos.
LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. RECEITA CONHECIDA.
A apuração do lucro arbitrado deve ser feita com base na receita conhecida, só sendo aplicável outra forma de quantificação caso não seja possível a identificação das receitas do contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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SI-CITI Fl. 602 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10240.000580/2009-11 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.674 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria Auto Infração IRPJ Recorrente Loccar Locadora de Veículos Ltda. Recorrida ia Turma da DRJ em Belém E ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 MULTA DE 150%. A não declaração das receitas ou a declaração de pequena parcela desta receita caracteriza a intenção de sonegar tributos, sendo aplicável a multa de 150%. A não declaração em DIPJ e DCTF dos tributos devidos caracteriza a intenção de sonegar tributos. A mudança freqüente de domicilio fiscal no curso da fiscalização, inclusive com cadastro de endereço errado, acompanhada da não declaração das receitas auferidas, caracteriza sonegação de tributos e, por isso, implica na multa de 150%. MAJORAÇÃO DE 50% DA MULTA. Caso o contribuinte não forneça seus fatos tributáveis e estes venham a ser apurados pelo Fisco com base em informações de terceiros, cabe majorar a multa aplicada em 50%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. Caso o contribuinte não apresente os livros a que está obrigado, cabe a adoção de oficio do sistema do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. RECEITA CONHECIDA. A apuração do lucro arbitrado deve ser feita com base na receita conhecida, só sendo aplicável outra forma de quantificação caso não seja possível a identificação das receitas do contribuinte. 1 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 603 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. • VALMAR F 11.11;;C DE ENEZES - Presidente. r:a-TS EDUARDOi E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 11/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação. Em 05/03/2009, é lavrado auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (proc. fls. 86 a 130). Conforme termo de verificação (proc. 131 a 135), constatou-se diferença entre os rendimentos informados nas DIRFs das fontes pagadoras e aqueles informados nas declarações da autuada, nos seguintes termos: Ano- Calendário Rendimento DIRE - Fontes Pagadoras Rendimento DIPJ — Empresa Fiscalizada Débitos DCTF — Empresa Fiscalizada Pagamentos DARF — Empresa Fiscalizada 2005 R$ 23.854.850,95 R$ 280.297,96 R$ 00,00 R$ 00,00 2006 R$ 35.078.308,30 RS 00,00 R$ 00,00 R$ 00,00 0 Fisco explica que, por exata razão, intimou o contribuinte apresentar seus livros e documentos. Diz que foi solicitada dilação do prazo e que esta foi concedida, mas que o contribuinte não atendeu ao solicitado. Informa que foi pedido para as empresas que informaram pagamento de rendimento nas DIRFs os documentos comprobatório das informações. Os valores das DIRFs foram confirmados e tabulados (proc. fls. 136 a 187), conforme os documentos fornecidos. Considerando que a autuada não apresentou nenhum dos livros e documentos solicitados e nem explicou a diferença entre sua declarações e as de seus clientes, foi feito o arbitramento do lucro com base na receita apurada de oficio. A fiscalização explica que na apuração do PIS e COFINS, foram excluídas as receitas correspondentes ao código 6147, em razão da tributação integral na fonte (IN SRF n° 480, de 2004). A fiscalização destaca ainda as alterações de endereço da matriz. Diz que, até 09/08/2004, o contribuinte era domiciliado em Aparecida de Goiania, quando se mudou para São Paulo. Conta que em 19/02/2008, o autuado mudou-se para Porto Velho, cadastrando 2 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 604 endereço não localizado. Destaca que no curso da fiscalização, precisamente em 28/01/2009, o contribuinte alterou seu endereço novamente para São Paulo. 0 Fisco esclarece que aplicou a multa qualificada em razão do contribuinte não atender às intimações e de declarar na sua DIPJ e DCTF valores que não correspondiam a verdade, bem como informar endereços inexistentes. 0 contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 507 a 520). Explica que foi intimada para apresentar documentos e que pedi prorrogação por mais 40 dias, mas que o Fisco só admitiu prorrogação de 20 dias. 0 que não foi suficiente. Diz que, em razão das suas alterações de endereço, foi cientificada por edital, sem que a fiscalização tivesse feito qualquer esforço para cientificar pessoalmente, de auto de infração lavrado com base em apenas as informações de terceiros. Alega que o arbitramento é medida extrema e que possui todos os livros. Sustenta que s6 caberia o arbitramento se ficasse comprovada a inexistência dos livros. Informa que a base de cálculo determinada pelo Fisco não é correta. Também, argumenta que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo dos tributos lançados. Explica que: De fato, no lucro presumido e no lucro arbitrado, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é a receita bruta. Logo, se prevalece o entendimento, conforme jurisprudência do STF, de que o ICMS, enquanto ônus fiscal, não compreende o conceito de faturamento e, conseqüentemente, de receita bruta, por não constituir receita própria, mas sim receita alheia, é mais que óbvio que o mesmo não pode compor a base de cálculo, além do PIS e da COFINS, também do IRRI e da CSLL para fins de arbitramento do lucro. Diz que não deveria ter sido lançada a multa de 150%, mas sim a de 75%, pois a simples falta de pagamento declaração inexata não justifica a multa qualificada. Adiciona que não restou demonstrado que o contribuinte tenha agido com dolo. Alega que não caberia a majoração da multa, pois jamais se negou a atender ao solicitado. Explica que o que ocorreu foi falta d3e prazo suficiente. Reclama que as intimações posteriores ao pedido de livros inicial foram por edital, de sorte que não teve conhecimento delas. Em 12/05/2009, é lavrada informação fiscal (proc. fl. 521), onde se explica que o contribuinte mudou de domicilio no correr da fiscalização, sem dar qualquer informação aos auditores. Na informação, se explica a prorrogação de competência e se informa que o contribuinte foi intimado da autuação por via postal e que apresentou impugnação em 30/04/2009. Em 28/08/2009, a la Turma da DRJ em Belém, por unanimidade de votos, considera procedente o lançamento (proc. fls. 540 a 554). No voto, é destacado que as decisões administrativas e judiciais citadas pela defesa não vinculam o julgador administrativo, quando não se trata da mesma parte. Diz que apenas as súmulas vinculantes dos STF poderiam vincular o julgamento administrativo, mas que não é o caso. Recapitula que a impugnante foi intimada em 17/11/2008 a apresentar seus livros, mas que até a lavratura do auto, em 05/03/2009, não apresentou qualquer elemento solicitado. Destaca as alterações de domicilio e o cadastramento de endereço incorreto. Conclui que a fiscalização agiu corretamente ao estabelecer a 3 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 605 sistemática do lucro arbitrado para o contribuinte e ao identificar a receita do contribuinte por meio de diligências em terceiros. Sustenta que o ICMS integra o preço recebido e, por conseqüência compõe a receita bruta, não devendo ser excluído da base de cálculo. Argumenta que o contribuinte, além de se ocultar cadastrando endereço errado, tentou sonegar, ao apresentar declarações que não informam os fatos tributáveis, sendo cabível a multa qualificada de 150%. Conclui que ficou demonstrada a intenção de sonegar tributos e que o agravamento da multa é correto porque o contribuinte não atendeu ao solicitado. Em 10/02/2010, o contribuinte é cientificado via postal (proc. fl. 556 v). Em 04/03/2010, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 565 a 580), pelo qual contesta a decisão, repetindo seus argumentos. A PGFN apresentou contrarrazões (proc. fls. 581 a 601), onde sustenta o lançamento em todos os seus aspectos e refuta os argumentos de defesa. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe notar que um dos argumentos da defesa consiste em alegar que o ICMS deve ser retirado da base de cálculo dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Conforme o contribuinte, o valor do ICMS não pode compor a base de apuração do lucro arbitrado ou presumido. Não obstante, cabe registrar que tal argumentação é totalmente impertinente no caso em concreto, pois o autuado não é contribuinte do ICMS. Ou seja, como se constata nas notas fiscais obtidas pela fiscalização (proc. fls. 195 a 504) a empresa é contribuinte do ISSQN e não do ICMS. Afastado este argumento, cabe analisar as outras questões. Cabe o arbitramento, pois o contribuinte foi intimado e não apresentou os livros e documentos. Também é correto, e de acordo com a legislação, a apuração da base de cálculo do lucro arbitrado por meio das receitas apuradas com a informação de terceiros. Frise- se ainda que o Fisco não se contentou com a mera DIRF, mas buscou informações junto às fontes pagadoras, para confirmar as DIRFs. Além disso, o contribuinte não nega que tenha auferido tais valores, e apenas alega que a legislação não permitiria o arbitramento com base na receita apurada, alegando que o conceito de receita conhecida limita a possibilidade de lançamento de oficio à receita informada pelo próprio contribuinte, e não àquela apurada pelo Fisco. Cabe frisar que neste aspecto o contribuinte está enganado, pois a apuração por arbitramento do lucro foca principalmente a consideração da efetiva receita do contribuinte, quer informada por este, quer apurada pelo Fisco. Apenas em caso de impossibilidade de se conhecer a receita é que podem ser aplicados outros critérios de apuração. Quanto a aplicação da multa de 150%, a fiscalização agiu corretamente, pois restou caracterizada a intenção do contribuinte de onegar tributos. 4 Processo n° 10240.000580/2009-11 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.674 Fl. 606 De fato, o contribuinte declarou, na DIPJ referente a 2005, menos de 1% de suas receitas, e na do ano seguinte 0% de suas receitas. Além disso, informou nas DCTFs correspondentes que não ter qualquer débito. Com isso, fica evidente que procurou ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos tributáveis. É importante destacar a relevância do cumprimento das obrigações acessórias, quer as que determinam informar os fatos tributáveis ocorridos (DIPJ), quer as que determinam a formalização dos débitos e a informação de seu status (DCTF). E por meio destas declarações que o Fisco verifica os cumprimento das obrigações pelos contribuintes. No presente caso, é absolutamente improvável que as informações prestadas nas DIPJs e DCTFs tivessem decorrido de erro. Ao contrário, a relevância da divergência e a tentativa de parecer inoperante aos olhos do Fisco demonstram cabalmente a intenção do contribuinte em esconder do Fisco os fatos tributáveis. Ao lado das informações falsas em diversas declarações, vale notar a conduta do contribuinte. De fato, o não atendimento das intimações comprova que o contribuinte de fato buscou sonegar os fatos tributáveis ocorridos em 2005 e 2006. Além disso, as reiteradas mudança de domicilio demonstram claramente que o contribuinte visava fugir de suas responsabilidades fiscais, tentando impedir que a fiscalização descobrisse a matéria tributável que o contribuinte se negou a informar nas suas DIPJs e DCTFs. Não fosse pouco, até endereço falso o contribuinte cadastrou como domicilio fiscal. Portanto, resta evidente a intenção em sonegar os valores que acabaram sendo lançados de oficio e foi correta a aplicação da multa de 150%. Também, foi correta a majoração da multa em 50%, elevado o montante da multa para 225%. A legislação é bastante clara e prevê o agravamento das multas (aplicadas por de falta de declaração e recolhimento de tributos, quer ela seja de 75%, quer ela seja de 150%) em 50%, quando o contribuinte não presta esclarecimentos. Porém, como se percebe, a previsão legal deste agravamento (de 50% do valor da multa) está conectada, desde sua origem, as multas lançadas em razão da não declaração e não recolhimento de tributos. Ou seja, a idéia de agravar a multa está conectada umbilicalmente às situações onde o Fisco descobre fatos tributáveis (cuja declaração e recolhimento estavam a cargo do contribuinte, mas que este nem declarou e nem recolheu) e faz o lançamento de oficio. No caso concreto, pelas diversas omissões do contribuinte (quer em declarar, quer em atender à intimação para apresentar livros e documentos), o Fisco foi a campo de apurou sozinho os fatos tributáveis. Por isso, é correta o agravamento da multa. Por tais razões voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 14 de mare() de 2012. , Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 5
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000329/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.324
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 464DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1812.810 proferido pela 4ª Turma da DRJ Santa Maria (fl. 307), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao lançamento, realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 275/279), exigindo o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 157.808,29 (cento e cinquenta e sete mil e oitocentos e oito reais e vinte e nove centavos), incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora. Da ação fiscal restou a constatação da seguinte irregularidade: 1) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: • Anocalendário: 2005 • Multa de oficio: 75% Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração. Enquadramento Legal: Art. 849 do RIR/99 e art. 1° da Lei n° 11.119/05. Art. 44, inciso I, e art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal (lis. 282/292) relata minuciosamente as oportunidades dadas ao contribuinte, ao longo de mais de oito meses desde o inicio da ação fiscal, para que comprovasse com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos relativos aos depósitos bancários, considerando as comprovações realizadas, restando os valores consignados nas planilhas (fls. 289/291), que resultaram no Demonstrativo Consolidado dos depósitos não comprovados (fl. 292), os quais, por sua vez, deduzidos os valores declarados como recebidos de pessoas físicas, resultaram no valor liquido a tributar lançado de R$ 274.529,20 (fl. 279). O contribuinte, dentro do prazo, por seu procurador, apresentou impugnação alegando, em extenso arrazoado, o que se resume a seguir. Que a movimentação bancária realizada teve por origem em operações de mútuo realizada com diversos amigos e clientes, em decorrência das limitações de crédito impostas pelas instituições financeiras. Com dificuldades de realizar operações bancárias em seu nome, bem como auxiliar amigos com as mesmas dificuldades, foi obrigado a movimentar suas contas bancárias mediante a troca de cheques, circunstância que motivou a elevada circulação de valores em contas vinculadas ao seu CPF, mas a origem dos recursos sempre tiveram duas fontes: receita de seu labor como advogado (cujos valores foram submetidos tributação) e/ou pelas trocas de cheques que realizou em seu favor ou em favor de terceiros. Entende que, ainda que considerável, o fluxo de valores (entradas e saídas), não significa rendimentos ou acréscimos patrimoniais, sendo pois, inviável a utilização da conta bancária como parâmetro de cobrança do imposto de renda. Afirma que a movimentação bancária, de per si, não pode ser considerada renda, pois necessariamente não corresponde ao resultado econômico do trabalho ou do capital, ainda que associados. No caso dos autos, a movimentação bancária no período auditado correspondeu Fl. 465DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 441 3 ao trabalho (e esta parcela foi tributada) ou a troca de cheques, afastando por completo a possibilidade desta parcela ser considerada renda tributável. Outro fato necessário c suficiente que se constitui na hipótese de incidência (proventos de qualquer natureza), se caracteriza pelo acréscimo patrimonial do contribuinte, que não ocorreu no período auditado. Conclui que se não é renda e se não houve acréscimo patrimonial, é certo que não se pode imputar a ocorrência do fato gerador do IRPF, razão pela qual entende ser insustentável a manutenção da exigência. Informa que a autoridade tributária entendeu que diante do não sucesso em esclarecer todos os depósitos, estava autorizada a arbitrar a base de calculo do IRPF, utilizando como paradigma a movimentação bancária. Colaciona, na peça impugnatória, diversas decisões, com o que pretende demonstrar que os valores que circularam em suas contas bancárias não se constituem em fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Requer a juntada dos documentos em anexo, que, todavia, não apresenta e a produção de prova oral mediante a oitiva de pessoas com as quais realizou operações de troca de cheques, a fim de comprovar a similitude das operações tributadas e aquelas não tributadas. Ao final, em face do exposto, requer o julgamento de insubsistência do presente Auto de In fração. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão Aquela objeto da decisão. TROCA DE CHEQUES. COMPROVAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de Fl. 466DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 318/323, o recorrente alega que foi investigado como se fosse alguém que detenha imensurável patrimônio, quando na verdade, se trata de um modesto advogado e professor, sem qualquer espécie de patrimônio físico, salvo o patrimônio moral que sempre preservou, através de uma conduta retilínea. Argumenta que quase tudo que ganhou desde o ano do em de 1994 foi investido em conhecimento, realizando curso de especialização, doutorado e mestrado. Durante todo esse período se serviu de amigos que ora lhe emprestavam dinheiro, ora faziam troca de cheques, para que as contas fossem movimentadas e tivesse condições de satisfazer paulatinamente os débitos, que em cadeia se acumularam no exercício de 2004/2005. Não se trata, portanto, de renda capaz de incidir impostos, mas sim de valores tomados por empréstimos de amigos e em estabelecimentos bancários, para adimplir compromisso dos empréstimos. Observa que grande parte dos valores depositados eram dinheiros de clientes, que via de regra são repassados aos advogados e este repassa aos mesmos, não tendo sido comprovado individualmente, em razão de já ter decorrido quase cinco anos da movimentação. Colaciona jurisprudência dos tribunais com o entendimento de que a simples movimentação bancária não implica em renda capaz de incidir o imposto. Ao contrário, os depósitos bancários não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis, não se sustentando o procedimento fiscal que se baseia em mera presunção resultante da comparação entre a soma dos depósitos e o montante dos rendimentos declarados, uma vez que os depósitos bancários, embora possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam por si só rendimentos tributáveis. Comenta a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, preceituando que é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Por fim, requer a aplicação analógica do entendimento dos tribunais pátrios de que se aplica a prescrição intercorrente na execução de divida ativa, sendo possível também a ocorrência prescricional na autuação em fase administrativa. Requer seja oportunizada a defesa oral quando do julgamento, para que se possa apresentar as razões de inocência e até mesmo para que esta Corte conheça o contribuinte. Consta, ainda, dos autos pedido do recorrente para juntada de Informativo de Jurisprudência, a fim de corroborar na tese delineada no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das pelas processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 442 5 Inicialmente, cumpre esclarecer que não houve quebra administrativa do sigilo bancário do contribuinte, consoante Termo de Início de Fiscalização (fl. 02), expedido no seguinte contexto: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma dos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Decreto 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 (vinte) dias Período de apuração: 01/01/2005 A 31/12/2005 1 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período acima especificado. Os elementos solicitados na presente intimação deverão ser encaminhados ao(s) Auditor Fiscal signatário na DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SANTO ANGELO, situada A Av. Brasil, n° 1400 Santo Angelo/RS CEP: 98.801590. Com efeito, não houve fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, por meio de procedimento administrativo, com suporte na Lei Complementar nº 105, de 2001. Os extratos foram solicitados do contribuinte, que os entregou espontaneamente, conforme se verifica nas correspondências às fls. 11 e 14. No que tange à prescrição intercorrente, conforme determina o artigo 151, III, do CTN, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Neste intere, não há que se falar em decadência, pois o lançamento foi efetuado no prazo legal, nem em prescrição, pois a definitividade do crédito tributário, apta a aparelhar uma execução fiscal, somente ocorrerá após decisão final no processo administrativo. É evidente que presente uma causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário o sujeito ativo fica impedido de realizar atos de cobrança e a inscrição do débito em dívida ativa ou no CADIN. Como corolário, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, conforme dispõe o artigo 174 do CTN. Neste sentido, a jurisprudência mansa e pacífica deste Órgão, deu origem à Sumular CARF nº 11, que dispõe: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 468DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 443 7 Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 470DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 8 renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte foram minuciosamente analisados, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 282/292, sendo excluídos todos os depósitos que correspondem a valores não tributáveis e também os identificados como declarados na DIPF, restando lançados, com descrição pormenorizada (após as inúmeras vezes em que o contribuinte teve a oportunidade de provar a origem dos recursos) os valores dos depósitos em relação aos quais não foram apresentados documentos ou os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a origem dos créditos. Caberia ao recorrente refutar os fundamentos indicados pela fiscalização para tributação dos créditos bancários listados às fls. 289/291 – onde não consta a tributação de depósitos com origem em empréstimos bancários – mediante a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos. Por outro lado, não foram apresentados elementos de prova sobre as trocas de cheques que o recorrente alega ter efetuado, sendo certo que a declaração particular não prova o fato Fl. 471DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11070.000329/200918 Acórdão n.º 210101.324 S2C1T1 Fl. 444 9 declarado, nos termos do artigo 368, § único, do CPC. Os baixos valores e a periodicidade dos descontos evidenciam tratarse de cheques relacionados às atividades desenvolvidas pelo recorrente. Por oportuno, cabe ressaltar que comprovar a origem dos depósitos não é apenas apresentar o recibo de depósito, que na maioria das vezes nem indica que o efetuou, mas comprovar, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, a natureza da operação. Tanto isso é verdade que o § 2° do artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece que os valores com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submetendose às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Daí porque a fiscalização elaborou quadros demonstrativos em que cada depósito foi analisado individualizadamente e indicado o motivo pelo qual foi considerado sem origem comprovada. A decisão recorrida, foi muito incisiva no mesmo sentido. Confirase o excerto: Em sua peça impugnatória, apesar de toda a legislação retrotranscrita lhe impor o ônus de demonstrar a origem de seus créditos bancários constantes do Auto de Infração, o impugnante não apresenta quaisquer documentos hábeis ou mesmo outros meios de prova que demonstrasse de forma inequívoca a origem dos referidos depósitos. Alega que os mesmos se referem a troca de cheques, todavia, fica no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Destarte. a legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a conservar em ordem e manter em boa guardar os documentos das operações ocorridas ao longo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, o que não ocorre na espécie. Assim, teve o autuado, seja na fase de preparação do lançamento ou fase impugnatória, oportunidade de exibir documentos que comprovassem as alegações apresentadas. Por fim, resta esclarecer que a apresentação de defesa oral prescinde de qualquer petição neste sentido, sendo suficiente o comparecimento do interessado à sessão de julgamento, que é pública, nos termos do artigo 58 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 472DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 10 Fl. 473DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 37338.000294/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS SEM O PRÉVIO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO.
As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, assim, somente após o cancelamento da isenção seria possível exigir da empresa o
recolhimento das contribuições de responsabilidade do empregador.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004
IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, por não se caracterizar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o fato de não haver previsão legal para realização de sustentação oral durante o julgamento.
ÔNUS DA PROVA DE FATO EM QUE SE SUSTENTA O LANÇAMENTO. ENCARGO DO FISCO.
O ônus de provar o fato constitutivo do direito da Fazenda de exigir as contribuições do sujeito passivo é do fisco, somente cabendo a inversão desse encargo nos casos legalmente previstos.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-002.397
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) quanto ao recurso voluntário: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) mérito, dar provimento ao recurso; II) negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS SEM O PRÉVIO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, assim, somente após o cancelamento da isenção seria possível exigir da empresa o recolhimento das contribuições de responsabilidade do empregador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/07/2004 IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade da decisão de primeira instância, por não se caracterizar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, o fato de não haver previsão legal para realização de sustentação oral durante o julgamento. ÔNUS DA PROVA DE FATO EM QUE SE SUSTENTA O LANÇAMENTO. ENCARGO DO FISCO. O ônus de provar o fato constitutivo do direito da Fazenda de exigir as contribuições do sujeito passivo é do fisco, somente cabendo a inversão desse encargo nos casos legalmente previstos. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) quanto ao recurso voluntário: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e b) mérito, dar provimento ao recurso; II) negar provimento ao recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 322 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.850.8269, consolidada em 05/02/2004 no valor de R$ 26.041.854,36 (vinte e seis milhões, quarenta e um mil, oitocentos e cinquenta e quatro reais e trinta e seis centavos), na qual são exigidas as contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e adicional para custeio da aposentadoria especial, além das contribuições para outras entidades e fundos. Nos termos do Relatório Fiscal, fls.101 e segs., a entidade, mesmo regularmente intimada, não apresentou a documentação que poderia comprovar a sua condição de beneficente de assistência social e a existência de direito adquirido à isenção da cota patronal previdenciária. Afirmase ainda que o sujeito passivo deixou de recolher o adicional de contribuição para custeio da aposentadoria especial dos empregados constantes do Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT do ano de 2004 como sujeitos a exposição a agentes nocivos à saúde, dados esses que serviram de base para apuração nos anos anteriores. A notificada apresentou impugnação, fls. 105 e segs., na qual alega que é necessária a realização de diligência fiscal para verificação documental, uma vez que a Auditoria limitouse a comparecer ao Setor Jurídico da entidade, deixando de verificar os elementos constantes do Departamento de Recursos Humanos. Acerca da existência de direito adquirido à isenção, acostou Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fls. 110, conforme decisão de 20/03/1973. O órgão de julgamento da SRP determinou, fls. 113/114, a emissão de relatório fiscal complementar visando esclarecer quais documentos necessários à comprovação da condição de entidade beneficente de assistência social não foram apresentados pela empresa, bem como para que o Auditor Fiscal se pronunciasse sobre o certificado acostado na defesa. A Auditoria se pronunciou à fl. 116, asseverando que emitiu novo relatório fiscal, todavia, o documento apresentado pelo sujeito passivo não comprovaria o direito adquirido, posto que datado de 1979, não atendendo assim ao disposto no art. 321 da Instrução Normativa IN INSS/DAF n.º 100/2003. O sujeito passivo voltou a se pronunciar à fl. 119 para solicitar a desconstituição do crédito, uma vez que estaria juntando toda a documentação necessária a comprovar a sua condição de entidade filantrópica. Foram juntados: Lei de Reconhecimento de Utilidade Pública Federal (n.º 888, de 24/08/1949); Lei de Reconhecimento de Utilidade Pública Municipal (n.º 7.579, de 12/06/1992); Declaração de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Belém Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 (PA); Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social apresentando o histórico de Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social; Estatuto da Entidade; Registro de Ata de Reunião Ordinária da Entidade; Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (concedido em 20/03/1973); Relatório de Gestão do Exercício de 2004. Mais uma vez o processo foi baixado em diligência, fls. 183/185, para que a Auditoria, após verificação da documentação acostada, lançasse pronunciamento acerca da existência de direito adquirido à isenção. Às fls. 187/188 consta Informação Fiscal, na qual a Auditoria expõe que a empresa, de acordo com o art. 321 da IN n.º 100/2003, possui direito adquirido e que em sede de diligência fiscal, demonstrou atender ao que dispõe o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Todavia, solicita que seja feita consulta para verificar se a entidade vinha apresentando ao INSS relatório circunstanciado de suas atividades. O Serviço de Orientação da Arrecadação da Delegacia da Receita Previdenciária em Belém foi instado a se pronunciar acerca da validade dos Certificados de Entidade de Fins Filantrópicos e sobre a regularidade na entrega pela notificada dos relatórios anuais de atividade. Após idas e vindas do processo sem que efetivamente os órgãos da Delegacia da Receita Previdenciária chegassem a conclusão segura sobre a condição de isenta da entidade notificada, ver despachos e documentos de fls. 191/248, o processo foi encaminha a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belém, que declarou o crédito procedente em parte, reconhecendo a decadência para o período de 01/1994 a 11/1999, recorrendo de ofício de sua decisão (ver fls. 265/275). Quanto ao período não decadente (12/1999 a 07/2004), concluiu a DRJ que a entidade não demonstrou que atendia ao inciso III do art. 321 da IN n.º 100/2003 (ausência de remuneração a diretores), assim, não poderia reivindicar o direito adquirido. Em adição, asseverou o órgão de primeira instância que não foi protocolizado no INSS requerimento de isenção, portanto, a notificada não fazia jus à isenção. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 311 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o processo é nulo posto que a empresa não foi intimada da data do julgamento de primeira instância, sendo assim impedida de fazer sustentação oral, o que prejudicou sua defesa; b) o Instituto Ofir Loiola detinha o direito adquirido a isenção por cumprir os requisitos do caput do art. 321 da Instrução Normativa n°100/2003; c) o direito adquirido por derivar da Constituição Federal não pode ser atropelado; d) a utilização do inciso III da IN n.º 100/2003 na fundamentação da DRJ é impreciso, posto que não existem incisos no referido artigo, mas apenas parágrafos, os quais não podem contrariar o disposto na cabeça do artigo; e) o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 encontrase revogado, por esse motivo não poderia fundamentar a decisão recorrida; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 323 5 f) mesmo que esse dispositivo estivesse vigente, não restou comprovado que a entidade teria desatendido aos seus ditames; g) está demonstrado nos autos a apresentação dos relatórios circunstanciados anuais de suas atividades dos anos de 1999/200012001/2002/2003/2004 e 2005 junto ao Órgão Previdenciário através de petição datada de 16 de junho de 2006. Ao final pede a declaração de improcedência do crédito. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 7.993.511,57 (sete milhões, novecentos e noventa e três mil, quinhentos e onze reais e cinqüenta e sete centavos), portanto, acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Recurso Voluntário I Nulidade em razão da impossibilidade do exercício do direito de fazer sustentação oral no julgamento a quo Não devo acatar a suscitada nulidade em razão da falta de intimação do contribuinte acerca do julgamento de primeira instância, fato que lhe teria ferido o direito de defesa por impossibilitar a realização de sustentação oral. É que o devido processo legal, principio informador da Ordem Constitucional estabelecida pela Carta de 1988, garante às partes litigantes que os processos, judiciais ou administrativos sejam conduzidos de acordo com os procedimentos estabelecidos pela legislação de regência, garantindose que nenhuma parte seja submetida a um regime de exceção. Por outro lado, a ampla defesa e o contraditório devem ser exercidos nos momentos e formas processualmente previstas, assegurando isonomia das partes litigantes na defesa de seus interesses. É de se observar que o decreto n° 70.235/1972 não prevê a possibilidade da parte realizar sustentação oral, sendo a referida previsão, isso para os julgamentos de segunda instância, uma decorrência do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. Ainda, o fato dos atos da Receita Federal do Brasil não disporem acerca da possibilidade de se realizar sustentação oral no julgamento realizado nas DRJ, em nada se mostra restritiva no exercício do direito de defesa da parte litigante. Notese que a parte litigante pode, de acordo com as previsões das regras processuais, exercer seu direito de defesa por escrito ou oralmente. O fato de, em determinado momento, as regras fixarem que tal exercício se faça exclusivamente por um, ou outro modo, não configura ofensa ao devido processo legal. Afasto, assim, a preliminar argüida pela Recorrente. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 324 7 II A existência do direito adquirido à isenção O fundamento de validade da imunidade/isenção das entidades beneficentes de assistência social quanto ao recolhimento das obrigações previdenciárias tem sede no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal, nesses termos: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para dar eficácia ao comando constitucional chegou ao ordenamento pátrio a Lei n. 8.212/1991 que, em seu art. 55, prescrevia: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. Assim, é necessário que se investigue a princípio se a recorrente poderia ser enquadrada nos casos de direito adquirido, de modo que ficasse desobrigada de encaminhar ao INSS o pleito isentivo. O caso pede que se faça uma retrospectiva da legislação anterior a edição da Lei n.º 8.212/1991, de modo que possamos concluir pela existência de direito adquirido para a recorrente. Em 1959, com o advento da Lei n.º 3.577, surgiu no direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração. Esse diploma normativo foi revogado pelo DecretoLei n. 1.572/1977, que dispôs em seu art. 1. : "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) Todavia, as entidades que já gozavam do benefício e aquelas que estavam em vias sua aquisição foram ressalvadas nos parágrafos do art. 1.º do mesmo diploma legal: § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. A exegese dos dispositivos acima permite concluir que, a partir da edição do Decreto Lei n.º 1.572/1977 foram fechadas as portas para concessão de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde, como já frisamos, mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 325 9 Verificase, então, no caso sob análise, que se a recorrente tiver comprovado a posse do Título de Reconhecimento de Entidade de Utilidade Pública emitido pelo Governo Federal e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebiam remuneração. De acordo com o documento de fl. 139, a recorrente detinha o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1973, conforme decisão proferida em sessão do Conselho Nacional de Serviço Social realizada no dia 20/03/1973, julgando o processo n.º 260.630/72. Quanto ao título de Utilidade Pública Federal, comprova o documento de fl. 120, que a entidade o obteve pela Lei n.º 888, de 24/10/1949. Verificase, nesse sentido, que a entidade notificada, a época da edição do Decreto n.º 1.572/1977 era portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e também do Título de Utilidade Pública Federal. A DRJ motivou sua decisão pela procedência parcial do crédito no fato da entidade não haver comprovado que seus diretores não recebiam remuneração. A meu ver, o ônus de fazer prova quanto a esse requisito seria do fisco e não do sujeito passivo. Essa inversão do encargo probatório a luz do direito processual pátrio não é admissível, salvo nos casos previstos legalmente. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do acusador o encargo de provar a existência de fato necessário a embasar o seu direito. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, não tendo a Auditoria demonstrado que o sujeito passivo remunerava seus diretores quando da vigência da Lei n.º 3.577/1959, não se pode querer transferir à empresa o encargo de fazer prova em contrário. Esse é o entendimento que tem prevalecido nos tribunais pátrios, conforme de depreende desse julgado da Segunda Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. IPTU. ENTIDADE AUTÁRQUICA. IMUNIDADE. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. DESVIRTUAMENTO DO USO. ÔNUS DA PROVA AO MUNICÍPIO.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência já firmada nesta Corte Superior impõe ao município o ônus de apresentar prova impeditiva, modificativa e extintiva ao gozo da imunidade constitucional assegurada às autarquias, cabendo àquele demonstrar que os imóveis pertencentes à entidade estão desvinculados da destinação institucional. 2. "O STJ firmou o entendimento de que recai sobre o Município o ônus de provar que o patrimônio da Autarquia está Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 desvinculado dos seus objetivos institucionais e, conseqüentemente, não é abrangido pela imunidade tributária prevista no art. 150, § 2º, da Constituição." (REsp 1.184.100/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 13.4.2010, DJe 19.5.2010.)Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1215119 / RJ, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 04/04/2011) Até se admite a inversão do dever de provar, todavia, essa situação fica restrita a ocorrência de hipótese legalmente prevista, o que não é o caso que se apresenta nesse julgamento, uma vez que a empresa disponibilizou ao fisco, durante a diligência fiscal, todos os documentos necessários à verificação de sua situação perante à Seguridade Social. Diante desses fatos, forçoso reconhecer que a recorrente era possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1.º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nesse sentido, para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não estar amparada no prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n.º 100/2003: Art. 313. O INSS verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 307. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 307, a fiscalização emitirá Informação Fiscal (IF), na qual relatará os fatos, a fundamentação legal e as circunstâncias que os envolveram, juntará as provas ou indicará onde essas possam ser obtidas e encaminhará a IF à autoridade hierarquicamente superior, que deverá providenciar a ciência à entidade do inteiro teor da IF. § 2° A entidade terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência da IF, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer APS da GerênciaExecutiva circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3° Decorrido o prazo previsto no § 2° deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço ou Seção de ORAR decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção (AC).§ 4° Havendo apresentação de defesa, o Serviço ou Seção de Análise de Defesas e Recursos (ANDEREC) decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção (AC). § 5º Sendo a decisão do ANDEREC favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia da ORAR emitirá o referido documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37338.000294/200591 Acórdão n.º 240102.397 S2C4T1 Fl. 326 11 os requisitos contidos no art. 307, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7° Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Do § 6.º acima não resta dúvida de que a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do ato cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Assim, reconhecendose que a entidade era detentora do direito adquirido à isenção, nos termos do § 1.º do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não pode prosperar o presente lançamento, posto que carente do prévio ato de cancelamento do benefício tributário. O Recurso de Ofício (decadência) Na situação sob enfoque, verifico que o recurso de ofício deve ser desprovido, uma vez que as contribuições foram integralmente exoneradas pelo reconhecimento do direito adquirido da entidade à isenção. Nesse sentido, não seria aplicável a contagem do prazo decadencial. Devo votar, então, por negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício, por afastar a preliminar suscitada e, no mérito, pelo provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13984.000647/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NA AUTUAÇÃO. INVIABILIDADE DE RECONHECIMENTO EM GRAU DE RECURSO. DEBATE SOBRE A ÁREA DE PASTAGENS. DEFINIÇÃO A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DO REBANHO APASCENTADO NO IMÓVEL AUDITADO. Não
havendo controvérsia na autuação sobre determinada área do imóvel auditado (APP), inviável prosperar o debate na via do processo administrativo fiscal.
De outro lado, no tocante à matéria controvertida, deve-se
deferir uma área de pastagens em linha com a quantidade de reses que constou nos laudos juntados aos autos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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APP. MATÉRIA NÃO CONTROVERTIDA NA AUTUAÇÃO. INVIABILIDADE DE RECONHECIMENTO EM GRAU DE RECURSO. DEBATE SOBRE A ÁREA DE PASTAGENS. DEFINIÇÃO A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DO REBANHO APASCENTADO NO IMÓVEL AUDITADO. Não havendo controvérsia na autuação sobre determinada área do imóvel auditado (APP), inviável prosperar o debate na via do processo administrativo fiscal. De outro lado, no tocante à matéria controvertida, devese deferir uma área de pastagens em linha com a quantidade de reses que constou nos laudos juntados aos autos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte Isolde Margarida Manfe, CPF/MF nº 141.866.759 53, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 28/06/2004, auto de infração (fls. 20 e seguintes), com ciência postal em 1º/07/2004, decorrente da revisão da DITRexercício 2000, do imóvel NIRF nº 4928962, denominado Fazenda São João da Boa Vista. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.992,76 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.994,57 A autoridade fiscal glosou a área de pastagem de 497,9 hectares, o que reduziu o grau de utilização do imóvel de 100% para 0,4%, elevando a alíquota do ITR de 0,15% para 4,70%. A contribuinte havia declarado uma média anual de 195 cabeças de animais de grande porte e 17 de pequeno porte no ano 2000 na DITR, o que resultou em um rebanho ajustado de 200 cabeças, que, em função do índice de rendimento para a pecuária do município do imóvel (0,5 cabeça de animal por hectare), implicaria em uma área de pastagem aceita de 400 hectares, pois esta seria inferior à pastagem declarada (499,9 hectares), na óptica da autoridade fiscal. Entretanto, intimada a comprovar a existência dos rebanhos apascentados no imóvel rural, somente logrou trazer cópia de dois contratos de arrendamentos e fichas de vacinação em nome dos arrendatários (e de um terceiro empregado de um dos arrendatários), porém estas não indicavam o imóvel de localização dos gados, bem como os arrendatários tinham outros imóveis rurais, o que levou a fiscalização a considerar não comprovada a área de pastagem, glosando integralmente tal título da DITRexercício 2000. Por relevante, vêse que o imóvel tem uma área total de 501,9 hectares, não tendo sido declarada nenhuma área a título de preservação permanente ou utilização limitada (fl. 20). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, asseverando a existência de uma área de preservação permanente de 220,17 hectares (127,08 hectares de mata; 86,3 hectares de área acidentada e com afloramento de rochas; e 6,79 hectares de banhados), comprovada a partir de laudo técnico assinado por engenheiro agrônomo, e a existência de 130 animais apascentados no imóvel e uma área de pastagens de 281,78 hectares. A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0410.358, de 22 de setembro de 2006 (fls. 52 e seguintes), que restou assim ementado: Ementa: ÁREA DE PASTAGEM. Não tendo sido apresentada documentação comprobatória de erro no preenchimento da declaração e nem da existência de animais em número maior do que o declarado, que justifique Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13984.000647/200499 Acórdão n.º 210201.829 S2C1T2 Fl. 2 3 inclusão da área de pastagem considerada para ,fins de apuração do ITR, não há justificativa para alteração do lançamento de oficio. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 06 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, para que a área de Preservação Permanente possa ser excluída da incidência de ITR. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 16/10/2006 (fl. 60). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 16/11/2006 (fl. 61), tendo feito o depósito recursal de 30%. No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: I. apresentou ADA no ano de 1997 ao Ibama, com uma APP de 133,7 hectares, dado que a Receita Federal deveria saber, pois há convênio entre a Receita e o Ibama, sendo certo que tal área é agora comprovada por laudo técnico, inclusive corrigindo equívoco de laudo anterior juntado a estes autos, pois as áreas com afloramento de rochas não fazem parte da APP; II. agora junta fichas de vacinação dos gados, no imóvel auditado, da época do exercício fiscalizado; III. o imóvel tem uma área de pastagem nativa de 336,2 hectares, uma área de benfeitoria de 2,0 hectares e que apascentava 163 cabeças de animais de grande porte e 80 cabeças de animais de médio porte. Juntou novo laudo técnico, com as informações ligeiramente diferentes da que constou acima, secundado pela competente ART, asseverando a existência da APP de 133,7 hectares, 366,2 hectares de pastagens nativas, 130 animais de grande porte e 40 de pequeno porte (fls. 69 a 71). Ainda, acostados aos autos o ADA apresentado ao Ibama em 1997 (fl. 87) e as fichas de vacinação de rebanho, em nome dos dois arrendatários, com registro de 173 doses em julho de 1999 (fl. 89). Colocado em pauta de Julgamento na antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, resolveu o colegiado converter o julgamento em diligência, com a seguinte fundamentação: A recorrente teve a área de pastagem glosada por não atender ao índice mínimo de rendimento para pecuária estabelecido para o município de Campo Belo do Sul/SC, a teor da norma contida no §1.°, artigo 15, da IN SRF n.° 43/97, que instituiu o índice de 0,5 cabeça por hectare em razão do comando insculpido no artigo 10, §3.°, da Lei n.° 9.393/96. A recorrente pretende comprovar a área de pastagem com Contratos de Cessão aos Srs. Ari Vieira Varela, Luís Carlos Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Moreira e Clóvis Tadeu Pereira Mota, num total de aproximadamente 130 cabeças de animais de grande porte. Trouxe aos autos fichas de vacinação apresentadas por esses supostos arrendatários de áreas de seu imóvel rural, que não foram aceitas por não se referirem expressamente ao imóvel de sua propriedade. Ocorre que é possível, da análise dos dados cadastrais dos referidos arrendatários, verificar se: I. possuem imóveis rurais no mesmo município ou próximo ao imóvel rural da recorrente, informando área de pastagem à época; 2. possuem efetivamente cabeças de animais de grande porte na quantidade mencionada; 3. são arrendatários do imóvel da recorrente ou de outros imóveis rurais; 4. utilizaram a área de pastagem do imóvel da recorrente. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, verificando as declarações de ITR (se houver), IRPF e dados cadastrais dos arrendatários mencionados pela recorrente, inclusive procedendo à intimação, responda aos quesitos supramencionados. Os arrendatários foram intimados a comprovar o apascentamento de gados no imóvel auditado, tendo o Sr. Ari Vieira Varela declarado em testemunho que as terras sempre foram ocupadas com uma lotação um pouco acima da capacidade (fl. 128), tendo apenas trazido uma única nota fiscal de produtor com venda de 61 reses, de setembro de 2000 (fl. 129); Já o outro arrendatário, Sr. Luiz Carlos Moreira, filho da autuada, apresentou notas fiscais (831931, 831934, 649501 e 807411), controles de Vacinação nºs 051864, 422712, 632122, 642420 e 639842 e cópia do Cadastro de Criador arquivada na CIDASC com o acompanhamento das vacinas. Assim concluiu a autoridade que presidiu a diligência (fl. 143), verbis: Os arrendatários, não obstante confirmarem os contratos de arrendamento já juntados ao presente processo, conforme Termo de Depoimento e Termo de Entrega de Documentos, não possuem documentação além de algumas Notas Fiscais de Produtor e Fichas de Vacinação, nos quais consta o nome conhecido da localização da propriedade — Capela Nossa Senhora dos Prazeres, os quais foram juntados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/10/2006, segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/11/2006 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13984.000647/200499 Acórdão n.º 210201.829 S2C1T2 Fl. 3 5 (fl. 61), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/11/2006, quintafeira, pois o dia 15/11/2006 foi feriado nacional, conforme Portaria MPOG nº 971, de 08 de novembro de 2005. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, aqui não se debatera qualquer reconhecimento de área de preservação permanente APP, pois tal área não foi objeto glosa ou controvérsia no âmbito da autuação, sendo certo que nada foi declarado a título de APP na DITR auditada. Não havendo glosa da APP no procedimento fiscal, inviável instaurarse discussão administrativa sob ponto não controvertido na autuação. Dessa forma, a materialidade tributária aqui em discussão restringese à área de pastagens (R$ 497,9 hectares), glosada pela autoridade autuante, ao argumento de que o contribuinte não comprovou a existência de tal área. Parece não haver dúvidas quando a utilização pecuária da Fazenda São João da Boa Vista, ora auditada, como se pode ver pelos contratos de arrendamento juntados aos autos, pelos depoimentos harmônicos dos arrendatários de que desenvolviam atividade pecuária no imóvel, prestados e informados à autoridade que presidiu a diligência determinada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho, pelas notas fiscais de produtor rural e pelos certificados de vacinação. A dificuldade é definir a área de pastagens, pelas provas contraditórias acostadas aos autos. Vejase. A contribuinte declarou na DITRexercício 2000 um rebanho ajustado de 200 cabeças (195 animais de grande porte e 17 de pequeno porte) que, considerando o índice de rendimento para pecuária, determinado pelo art. 15, § 1º, da IN SRF nº 43/97, para o município de Campo Belo do Sul –SC (0,5 cabeça de animal por hectare – fl. 22), implicaria em uma área de pastagem de 400 hectares, menor que a área declarada de 497,90 hectares. Na impugnação, a autuada asseverou que havia no imóvel 130 animais apascentados e uma área de pastagens de 281,78 hectares. Considerando que os animais citados eram de grande porte e o índice de rendimento pecuário do imóvel, chegarseia a área de pastagens de 260 hectares. No recurso voluntário, e aqui somente se toma o laudo técnico juntado, pois subscrito por profissional competente (há inconsistências nas informações no corpo do recurso voluntário, como se vê pela área de pastagens informada, de 336,2 hectares, que somada à pretensa APP, de 133,7 hectares, e a área de benfeitoria, não perfazem a área total do imóvel, o que é suficiente para não se considerar os dados do rebanho informado no corpo do recurso, pois majorados em relação ao próprio laudo que o secunda), no qual se informa uma área de 366,2 hectares de pastagens nativas, 130 animais de grande porte e 40 de pequeno porte. As notas fiscais e controles de vacinação juntados não são conclusivos para esclarecer as contradições acima. Entretanto, tanto na impugnação como no laudo acostado no recurso voluntário, apreendese a existência de 130 animais de grande porte na propriedade, em uma média anual. Ainda, não se pode negar a existência de animais de pequeno porte, como inclusive se vê pelo controle de vacinação de fl. 89, e aí também se toma como correto o quantitativo de 40 animais de pequeno porte apascentado no imóvel auditado, que constou no laudo trazido no recurso voluntário (fl. 70). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Com o rebanho acima, utilizando os fatores de ajuste de fl. 03 (o animal de pequeno porte, ovinos e caprinos, representa a quarta parte de um animal de grande porte, bovinos, bufalinos, eqüinos, asininos e muares – art. 16, II, “a”, da IN SRF nº 43/97), temse um rebanho ajustado de 140 animais, que, considerando o índice de rendimento para pecuária, determinado pelo art. 15, § 1º, da IN SRF nº 43/97, para o município de Campo Belo do Sul – SC (0,5 cabeça de animal por hectare – fl. 22), implicaria em uma área de pastagem de 280 hectares, em linha, ressaltese, com a área de pastagens informada na impugnação (281,78 hectares). Pesado e medido, aqui se defere uma área de pastagens de 280 hectares. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de pastagens de 280 hectares. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002900/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Maricultura Sergipe S/A foi lavrado o auto de infração de fls. 02/03, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2001, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada em decorrência da falta de apresentação tempestiva do ADA. A Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 220200.530, que se encontra às fls. 196/199 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 AREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. JUROS TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no "período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 2 3 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Recurso negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 19/10/2010 (fls. 203) a Contribuinte interpôs recurso especial às fls. 208/223, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste Colegiado no tocante à necessidade de prévia averbação da área de reserva legal para sua exclusão da base de cálculo do ITR (acórdãos nºs 30133.352 e 30333.631). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2202 00.15/2011, de 28/03/2011 (fls. 243/244). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 247/251. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente se o recurso especial interposto pela Recorrente deve ser admitido. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos nºs 30133.352 e 30333.631, in verbis: Acórdão nº 30133.352 Ementa: ITR EXERCÍCIO 1998 INCONSTITUCIONALIDADE. À instância administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I "a", e III, "b", da Constituição Federal. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃ0 LIMITADA — COMPROVAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do ADA como condição para o gozo da redução do ITR nos casos de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, teve vigência apenas a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 partir do exercício de 2001, em vista de ter sido instituída pelo art. 170 da Lei n° 6.938/81, na redação do art. 1" da Lei n". 10.165/2000. AEA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL) A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA e de prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, elaborado nos moldes da NBR ABNT 8.799, o restante de área de reserva legal e de área de preservação permanente, bem como do Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vierem a ser questionados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Acórdão nº 30333.631 ITR/1997. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA Incabível a incidência do ITR quando houver a comprovação da referida área mesmo que .fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na INSRF n° 43 de 07/05/1997 com a redação dada pelo art. 10 da 1NSRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa ã área de preservação permanente, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo 1°, da Lei n. 9.393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. Recurso voluntário parcialmente provido. Com efeito, pelo exame da ementa dos paradigmas colacionados resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à necessidade de averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. O ITR é regido pela Lei nº 9.393/1996, que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 3 5 “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal De acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 4 7 II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. No tocante à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, trecho do voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10510.002900/200516 Acórdão n.º 920202.121 CSRFT2 Fl. 5 9 Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, verifico que não restou comprovada nos autos a averbação na matrícula do imóvel (fls. 24/26) da área de reserva legal declarada pela contribuinte, não havendo como ela se beneficiar de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Destarte, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11020.006059/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006
DIFICULDADE FINANCEIRA. RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. ART.
136 DO CTN.
Eventual dificuldade financeira suportada pela empresa, que acarretou na inadimplência do tributo, não elide a obrigação tributária.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade e ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do RICARF.
BIS IN IDEM. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO.
Inocorre o bis in idem quando cada auto de infração corresponde a
descumprimento de uma determinada e específica obrigação tributária.
PROVA DOCUMENTAL. NÃO APRESENTAÇÃO OPORTUNA POR
OCASIÃO DA IMPUGNAÇÃO.
A prova documental deve, regra geral, ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-002.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 30/09/2006 DIFICULDADE FINANCEIRA. RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. ART. 136 DO CTN. Eventual dificuldade financeira suportada pela empresa, que acarretou na inadimplência do tributo, não elide a obrigação tributária. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade e ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do RICARF. BIS IN IDEM. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. Inocorre o bis in idem quando cada auto de infração corresponde a descumprimento de uma determinada e específica obrigação tributária. PROVA DOCUMENTAL. NÃO APRESENTAÇÃO OPORTUNA POR OCASIÃO DA IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve, regra geral, ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Recurso voluntário negado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11020.006059/200855 Acórdão n.º 2402002.865 S2C4T2 Fl. 100 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 16/09/2008 para exigir contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAI, SESI e SEBRAE), no período de 12/2004 a 09/2006. De acordo com o relatório fiscal (fls. 23/24), compõem o presente lançamento os seguintes levantamentos: (i) FP FOLHA PGTO EMPREGADOS SEM GFIP – diferença entre a remuneração constante nas folhas de pagamento e o que já havia sido confessado em GFIP, bem como o que foi confessado a menor no Lançamento de Débito Confessado – LDC nº 35.950.9908; e (ii) LTC — LANÇAMENTOS CONTÁBEIS – remunerações pagas aos colaboradores Antonio Bordin, Renita Turmin Bellan e Paulo Pellin, contabilizados na conta contábil nº 4.1.2.04.001.3926 (“Serviços de Terceiros”) juntamente com valores que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 31/70) pleiteando pela total improcedência da autuação. A d. DRJ julgou o lançamento totalmente procedente (fls. 72/76), sob o argumento de que: (i) a administração pública está vinculada à lei; (ii) é irrelevante a análise de dolo ou culpa; (iii) não há bis in idem; (iv) a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação; (v) o Decreto nº 70.235/72 não prevê a oitiva de testemunha. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 82/96) alegando que: (i) não teve a intenção de não declarar os valores lançados neste processo; (ii) os valores contabilizados na conta de “serviços de terceiros”, relativamente aos empregados Antônio Bordin, Renita Bellan e Paulo Pellin, são decorrentes de empréstimo e de adiantamento de salários; (iii) a multa aplicada é confiscatória; (iv) houve bis in idem; e (v) deve ser deferido o pedido de produção de provas. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que não tinha condições financeiras de realizar o pagamento de todos os encargos incidentes sobre sua folha de pagamento, razão pela qual não é lícito concluir que houve intenção de não declarar todos os valores em GFIP. Contudo, cabe ressaltar que o presente lançamento versa sobre o não recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, e não sobre multa por não declaração de valores em GFIP. Assim, independentemente da intenção da Recorrente de declarar valores na GFIP, temse que os valores devidos a título de contribuição de terceiro não foram recolhidos, motivo pelo qual não há qualquer subsistência nos argumentos expostos. Além disso, temse ainda que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, nos termos do art. 136 do CTN, razão pelo qual qualquer discussão quanto à culpabilidade da Recorrente revelase inócua. A Recorrente defende também que os pagamentos efetuados aos segurados empregados Antônio N. Bordin, Renita T. Ballan e Paulo F. Pellin, foram contabilizados de forma equivocada na conta “serviços de terceiros”, pois representam empréstimos e adiantamento de salários. Afirma que já regularizou a situação, que não teve a intenção de sonegar e que a multa aplicada deve ser baixada. Entretanto, não é possível baixar a penalidade imposta neste processo por ter a empresa, supostamente, regularizado a questão formal relativa a parte dos fatos geradores objetos da autuação, haja vista que, como já dito, este caso versa sobre falta de recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, e não sobre multa por descumprimento de obrigação acessória, conforme dispõe o art. 291, § 2º, do Regulamento da Previdência Social. A Recorrente requer também seja reconhecida a inconstitucionalidade e a ilegalidade da multa aplicada, face o seu caráter confiscatório, devendo ser aplicada a multa prevista no Código de Defesa do Consumidor. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11020.006059/200855 Acórdão n.º 2402002.865 S2C4T2 Fl. 101 5 Ocorre que, não compete a este Conselho afastar a aplicação da lei com base em arguições de supostas ilegalidades/inconstitucionalidades, motivo pelo qual deixo de apreciar os requerimentos do contribuinte quanto a este ponto. Ademais, quanto à alegação da aplicação da multa prevista no Código de Defesa do Consumidor, este E. Conselho Administrativo já pacificou o entendimento de que esta legislação não se aplica às relações tributárias, in verbis: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2005.Ementa: CORESP. RELAÇÃO DE SÓCIOS. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.. MULTA DE MORA. PREVISÃO EM LEI. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INAPLICÁVEL AOS TRIBUTOS. (...) Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.O Código de Defesa do consumidor não tem aplicação sobre a cobrança de tributos, nem mesmo subsidiariamente. Recurso Voluntário Negado”. (Segundo Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20500444 do Processo 16062000149200789. Julgado em 14/03/2008) Quanto à alegação de que haveria bis in idem entre as diversas autuações efetuadas, a Recorrente não logrou demonstrar onde estaria esta situação. Ante a ausência de qualquer demonstração do bis in idem pela Recorrente, o I. Julgador da DRJ de Porto Alegre/RS, após especificar o objeto de todas as autuações lavradas contra a empresa por força da fiscalização, mostrou que inexiste o bis in idem alegado pelo contribuinte. Por fim, quanto à alegação de que haveria cerceamento de defesa, também não há razão no argumento da Recorrente. Isso porque, conforme já destacado acima, em vez de pleitear a produção de provas, a Recorrente deveria trazer, por ocasião da sua impugnação, todos os documentos probatórios que entendia necessários para o julgamento da questão. Este E. Conselho Administrativo entende que somente em situações excepcionais, onde fique claramente demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna, será cabível o pedido para apresentação posterior de documentos, in verbis: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/11/1991 IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 pela produção posterior de prova. (...)”. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 30239633 do Processo 102450005559323. Julgado em 08/07/2008) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003009/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício. 1999
Ementa: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — suprimento de numerário, que
se caracteriza pelo registro da entrega de recursos financeiros por sócios e administradores sem comprovação de origem e efetividade não visa apenas a dimensionar a omissão de receita, mas também é fato indiciário para presumi-la. No entanto, no presente feito, não houve qualquer prova desse fato indiciário.
PASSIVO FICTÍCIO — se o valor não comprovado do passivo for
insignificante — no presente feito, foi inferior a 0,1% — em relação ao montante investigado e comprovado, deixa de se caracterizar como fato indiciário da presunção de omissão de receita.
GLOSA DE DESPESAS — uma vez comprovadas as despesas glosadas,
impõe-se afastar a autuação.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — a existência de ativo fictício não autoriza presumir o pagamento a beneficiários
não identificados e, como isso, legitimar a autoridade fiscal a constituir o crédito relativo ao imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 1201-000.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência quanto ao passivo fictício, às
despesas não comprovadas e às despesas não necessárias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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P Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente 3' Turma/DRJ-Rio de Janeiro/RJ-I Interessado San Diego Veículos Ltda Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício. 1999 Ementa: SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO — suprimento de numerário, que se caracteriza pelo registro da entrega de recursos financeiros por sócios e administradores sem comprovação de origem e efetividade não visa apenas a dimensionar a omissão de receita, mas também é fato indiciário para presumi-la. No entanto, no presente feito, não houve qualquer prova desse fato indiciário. PASSIVO FICTÍCIO — se o valor não comprovado do passivo for insignificante — no presente feito, foi inferior a 0,1% — em relação ao montante investigado e comprovado, deixa de se caracterizar como fato mdiciáno da presunção de omissão de receita. GLOSA DE DESPESAS — uma vez comprovadas as despesas glosadas, impõe-se afastar a autuação. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — a existência de ativo fictício não autoriza presumir o pagamento a beneficiários não identificados e, como isso, legitimar a autoridade fiscal a constituir o crédito relativo ao imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência quanto ao passivo fictício, às despesas não comprovadas e às despesas não necessárias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ( CLAUD 41110DRIGUES MALAQUIAS - Presidente. kik)) GUILHE sfE ADOLFO D S SANTOS MENDES - Relator. EDITADO EM: 30 ABA 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente). 2 Processo n° 18471.003009/2002-61 S1-C211 Acórdão n.° 1201-00-215 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso dê oficio contra a decisão de fis. 749 a 759, que afastou integralmente a exigência tributária (IRPJ, CSLL PIS, Cofins e IRRF relativos ao ano- calendário de 1998). A autuação refere-se à 5 (cinco) infrações: (i) presunção de omissão de receita por suprimento de numerário, (ii) presunção de omissão de receita por passivo fictício, (iii) glosa de despesas não comprovadas (iv) glosa de custos e despesas desnecessárias e (v) pagamentos a beneficiários não identificados. Na decisão recorrida, a autoridade julgadora considerou não caracterizadas as infrações em razão dos fundamentos que se seguem: i) o suprimento de numerário não é fato indiciário que permite a presunção de omissão de receita; ele serve apenas para quantificar a omissão comprovada a partir de outros elementos; ademais só se caracteriza o suprimento quando os valores foram entregues por sócios ou administradores, o que não teria ocorrido segundo o termo de verificação. ii) Em relação ao passivo fictício, considerou que o valor Pão comprovado pelo sujeito passivo é irrisório cin relação ao montante comprovado, o que infirmaria a presunção de omissão de receita; ‘"(-; 7 iii) De um total de 40 (quarenta) registros de despesas/custos verificados pela autoridade fiscal, foram glosados 5 (cinco); destes, três (os de número 6; 28 e 29 da lista elaborada pelo próprio agente fiscal) em razão de não comprovação. No entender, contudo, da autoridade julgadora de primeiro jau, os documentos juntados às fls. 8 a 20 do anexo 4 com provam tais despesas; iv) Dos quarenta registros, dois (itens 18 e 22) foram glosados em razão de a autoridade de o sujeito passivo não ter comprovado sua necessidade para a obtenção da receita operacional. Nos termos literais à decisão recorrida: (...) o item 18, no valor de RS4.200,00, trata-se de gasto com evento promovido para o lançamento do veiculo Dakota, sendo necessário à sua atividade; o item 22, no valor de R$6.000,00, de despesa correspondente à perfuração e montagem de poço artesiano, objetivando suprir a oficina na área de lavagem de carros, utilizado até apresente data. Junta os documentos de fls. 3, 4 e 6 do anexo 4. Em face dos esclarecimentos prestados pelo interessado, entendo que os dispêndios glosados preenchem o requisito de necessidade. v) Nos termos literais da decisão: No Termo de Verificação e Constatação de fis. 645/647, a fiscalização aponta que o interessado, intimado a compor o saldo da conta Clientes em 31/12/1998, no valor de R$966.380,11, comprovou o montante de R63 7.851,15, permanecendo não comprovada a diferença no valor de R$328.528,96. Acrescenta que "a diference não comprovada por se presumir i C1 recebida e constituir ativo fictício, está sendo tributada neste ato como PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS". O tributo só pode ser exigido quando o fato apurado ajusta-se pmfeitamente à hipótese de incidência. Por esta razão, a Fazenda Pública não pode considerar ocorrido um fato descrito abstratamente na hipótese de incidência sem a sua efetiva verificação, valendo-se de mera presunção de seu agente, a menos que esta presunção esteja prevista em lei. Nb caso, não há previsão legal para lançamento a partir de ativo fictício. A hipótese legal de "pagamentos efetuados a beneficiários não identificados", prevista no artigo 247 do RIR '1 é encontrada quando a Pessoa Jurídica, devidamente intimada, não logra êxito em identificar para quem efetuou o pagamento, ou quando o Fisco faz prova de que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e aponta como recebedor do pagamento, de fato, nada tenha recebido. A efetivação de pagamento pela pessoa jurídica é pressuposto material para a ocorrência desta hipótese. A partir de 01/01/1995, sujeita-se à incidência de imposto exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado (artigo 61 da Lei 8.98111995). Porém, cabe ao Fisco, antes de qualquer coisa, assegurar-se de que os pagamentos foram mesmo realizados, pois o fato gerador ocorre justamente pela percepção desses rendimentos pelos beneficiários. Á ocorrência do pagamento deve ser provada pela fiscalização. No presente caso, não se vislumbra a hipótese legal de "pagamentos efetuados a beneficiários não identificados", não tendo havido qualquer pagamento pelo interessado: a fiscalização presumiu já recebida diferença não comprovada, que identificou como ativo fictício. Deste modo, a exigência sob esta rubrica deve ser cancelada. É o relatório. (-\N‘H 4 Processo n° 18471.003009/2002-61 SI-C2TI Acórdão n.°1201-00-215 Fl. 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Suprimento de numerário Discordo de que o suprimento serve apenas para dimensionar a omissão. Nada obstante, deve prevalecer o entendimento da autoridade de primeiro grau em razão do seu segundo fundamento, pois a presunção de omissão de suprimento de numerário só se caracteriza quando os recursos foram entregues por sócios ou administradores. O que podemos aferir do termo de verificação de fls. 645 a 646 é que não se caracterizou o registro contábil de suprimento por parte de sócios ou administradores. Na verdade, a autoridade fiscal adotou essa presunção em hipóteses não previstas em lei. Aliás, na sua maioria, deveria a autoridade ter empregado outras hipóteses legais de presunção. Nesse item, o agente fiscal lançou depósitos bancários em dinheiro de origem não comprovada, os quais considerou como suprimento de numerário e não simplesmente como depósitos não comprovados com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. É importante destacar que não houve um simples erro de enquadramento legai Além de a autoridade lançadora ter adotado como fundamento legal o art. 229 do RIR/94 relativo ao suprimento de numerário, expressamente assim qualificou o fato indiciário. Passivo fictício No termo de fls. 646, a autoridade fiscal afirma que o contribuinte só comprovou R$ 2.207.730,12 de RS 2.208.671,13 da conta fornecedores. Assim, ficaram incomprovados RS 941,12. Realmente tenho que concordar com a DRJ de que tal valor é irrisório e, como tal, não enseja a presunção de omissão de receita, conforme jurisprudência firmada. Abaixo transcrevo acórdão ilustrativo: PASSIVO FICTÍCIO — a comprovação, em primeira instância, da existência de 99% das obrigações afasta a presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas (Ac. 1° CC 101-80.774/90 — DO 28/02/91 e 103-18.893/97 — DO 01/04/98). Despesas não comprovadas Conforme o relatório fiscal de fl. 647, o item 6 no valor de RS 6.958,79 foi considerado não comprovado pelas seguintes razões: Foi apresentada planilha denominada 'análise do tempo da oficina', cujos valores não coincidem com aquele que pretende comprovar. Foram feitas anotações manuscritas indicando o valor de R$6. 958,79, porém sem qualquer comprovação ou memória de cálculo, razão por que este item foi considerado incomprovado. No que se refere aos itens 28 e 29 de valores, respectivamente, de RS 6.791,25 e RS 64.243,08, a autoridade fiscal teceu as seguintes considerações: Foi meramente apresentada folha manuscrita com os valores constantes destes itens, porém sem qualquer comprovação ou memória de cálculo, motivo pelo qual os mesmos foram considerados incomprovados. A autoridade julgadora de primeiro grau considerou comprovadas tais despesas/custos em razão dos documentos juntados às fls. 8 a 20 do anexo 4. Todavia, é importante destacar que o julgador não explicitou os motivos pelos quais foi levado a considerar que tais elementos seriam suficientes para a comprovação. Nestas páginas, estão contidas apenas cópias dos livros contábeis do sujeito passivo (razão e diário), as quais, a principio, não são suficientes para comprovar fatores negativos na determinação da base de cálculo de tributos. Esse caso particular, contudo, podemos tratar como uma exceção por vários motivos. Primeiro, as importâncias são de pequena monta; segundo, itens similares em meses distintos foram considerados comprovados pela autoridade; terceiro, os totais mensais por tipo de despesa ("mão de obra na oficina", "lubrificantes" e "acessórios") foram glosados, o que não é razoável em face da atividade da empresa; e quarto, o controle contábil é bastante minucioso, como o relativo ao custo com acessórios (na fl. 11, consta a página do razão analítico em que é possível aferir com precisão — peça por peça identificada por nota fiscal — a composição do custo). Desse modo, considero comprovadas as despesas/custos glosados. Despesas e custos desnecessários Em relação a esse item, o julgador de primeiro grau também não foi expresso em relação às suas razões de decidir. Os documentos juntados pela parte não são detalhados. De fato, há nota fiscal do cocktail, mas não há qualquer referência ao lançamento do "Dakota". De igual sorte, em relação ao outro item, o único documento carreado é uma nota fiscal de fl. 06, a qual apenas descreve "serviços prestados" sem qualquer referência à, "poço artesiano". Assim, verificados isoladamente, tais itens deveriam ser considerados como não comprovados. No entanto, considero mais razoável a posição adotada pela decisão recorrida, pois só são dois valores de montante não significativo em um ano inteiro de operações, o que me leva a crer ter havido apenas um mero descuido ao se documentar tais fatos econômicos. 6 Processo n° 18471.003009/2002-61 S1-C2T1 Acórdão ri.° 1201-00-215 Fl. 4 Pagamentos a beneficiários não identificados Não há qualquer reparo a fazer à decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao apelo oficial. S'Ité Guilhe e Adolft(JS S tos Mendes 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA t*, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS V;t:itSlityk. Processo : 18471.003009/2002-61 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria ME n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARI, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1201-00.215. Brasília - DF, em 30 de abril de 2010 ry-, / sé Roberto França Secretá da T Câmara da Primeira Seção 2 CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000390/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO ALEGADA.
Promover a compensaçã de créditos que a contribuinte possua é uma
faculdade, cujo exercício há que ser provado. É correta a autuação decorrente de compensação alegada e não comprovada e efetuada sem atendimento às normas regulamentadoras e, ainda, desbordando da autorização judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-000.807
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO ALEGADA. Promover a compensaçã de créditos que a contribuinte possua é uma faculdade, cujo exercício há que ser provado. É correta a autuação decorrente de compensação alegada e não comprovada e efetuada sem atendimento às normas regulamentadoras e, ainda, desbordando da autorização judicial. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 Ementa: COMPENSAÇÃO ALEGADA. Promover a compensação de créditos que a contribuinte possua é uma faculdade, cujo exercício há que ser provado. É correta a autuação decorrente de compensação alegada e não comprovada e efetuada sem atendimento às normas regulamentadoras e, ainda, desbordando da autorização judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator MAURICIO TAVEIRA E SILVA Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 283 2 MÓVEIS SANDRIN LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 48/53 contra o Acórdão nº 188.461, de 07/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria RS, fls. 33/39, que julgou procedente em parte o auto de infração nº 0002550 (fls. 15/16) relativo ao IPI, referente a períodos compreendidos entre julho a dezembro de 1998, decorrente de auditoria interna na DCTF em razão de que os créditos vinculados ao Processo nº 96.04.048619, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud de outro CNPJ”, conforme fls. 16/17. A contribuinte foi devidamente cientificada do lançamento em 02/07/2003 (fl. 26). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/14, com as alegações sintetizadas pela instância a quo, nos seguintes termos: Se trata de lançamento de IPI, inclusive com multa de 75%, tendo em vista que o fisco não concordou com a compensação procedida pelo contribuinte, ora impugnante, que se entende portador de créditos referentes a indébitos tributários, por ter pagado a Contribuição para o PIS, na forma dos decretosleis nºs 2.245 e 2.249, de 1998, reconhecidos judicialmente, nos autos dos Mandados de Segurança nº 1998.00.002832 e 1999.00.042713; O lançamento foi feito à revelia da decisão judicial de hierarquia superior e da qual a PFM foi cientificada; Demonstra ter direito aos créditos opostas em compensação dos débitos lançados no AI, ora sub judice, bem como não ter agido com máfé, ou praticado qualquer infração; A defesa do contribuinte baseiase no fato de que já recebeu provimento judicial favorável, e que não se trata de rediscutilo, em face da supremacia da tutela judicial, e que só não ocorreu o trânsito em julgado por que a Fazenda insiste em recursos protelatórios; O provimento judicial foi favorável no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade das majorações do PIS por meio dos decretosleis acima referidos; Não entende a motivação da Receita Federal; Na continuação, disserta sobre a semestralidade da bse de cálculo do PIS e sobre a impossibilidade de correçãomonetária de sua base de cálculo. Repisa ainda os dispositivos legais que autorizam a compensação do crédito (Lei nº 8.383, de 1991 e Lei nº 9.430, de 1996). Requer a desconstituição do lançamento,para julgálo improcedente, reconhecendose que as contribuições,querendo dizer compensações, procedidaspelo impugnante são juridicamente eficazes e que estão corretos os valores por ele calculados, concluindose que nada deve ao Fisco atítulo do tributo lançado e da multa aplicada. Ad cautela, postula que,em caso de eventual entendimento no sentido da manutenção do lançamento, seja reduzida a multa aplciada para o percentual de 20% Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 284 3 A DRJ julgou procedente em parte o lançamento, tendo cancelado a multa de ofício. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IPI FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF A falta de confirmação da extinção dos débitos confessados em DCTF justifica o lançamento de ofício para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, em 14/03/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 48/53, acrescido dos documentos de fls. 54/279, aduzindo os seguintes argumentos: a) a necessária obediência ao princípio da legalidade. Nessa toada, indevida a exigência do PIS com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, devendo ser observada a semestralidade; b) desnecessidade de fazer prova de processo judicial, objeto do PAJ nº 11020.001756/9615, no qual fazem parte a União Federal (em grau de recurso) e o Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul (em primeira instância); c) por meio do MS nº 96.15.024546 foi reconhecido o indevido recolhimento do PIS apurado com fulcro nos referidos decretosleis e o consequente direito de apurar o crédito fiscal e compensálo; d) efetuou compensações de créditos de PIS e débitos de IPI, informadas em DCTF, mencionando o processo nº 96.15024546, gerador dos créditos. Contudo, referidas compensações não foram acatadas ante ao único argumento de que a existência do processo judicial e do reconhecimento do direito à apuração do crédito por pagamentos indevidos não estariam comprovados nos autos, a despeito de o ente tributante figurar no polo passivo no processo judicial. Por outro lado, no processo relativo ao PIS (nº 13016.000403/200382) foi reconhecida a insubsistência do lançamento, na forma do que deveria ter ocorrido neste processo e também em relação ao da Cofins nº 13016.000402/2003 38. Por fim, requer seja decretada a improcedência do lançamento ou, antes de decidir sobre a manutenção ou não do lançamento, seja considerada a suficiência ou não do crédito judicial decorrente do processo nº 96.15024546. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 285 4 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, tratase de lançamento eletrônico decorrente de auditoria interna na DCTF, pelo fato de, em relação aos períodos precitados, os créditos vinculados ao Processo nº 96.04.048619, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud de outro CNPJ”, conforme fls. 16/17. Em sua defesa a interessada aduz ter efetuado a compensação de créditos obtidos por meio do processo judicial nº 96.15.024546, decorrente da cobrança indevida do PIS com supedâneo nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88. Não assiste razão à recorrente, conforme se demonstrará. Primeiro, pois, tal como registra o lançamento, o nº do processo declarado na DCTF (96.04.048619) não coincide com aquele alegado pela interessada como sendo o que originou os créditos (96.15.024546). Em segundo, pois, ainda que a contribuinte tivesse o direito de compensar, ainda assim, não trouxe aos autos qualquer prova de que exerceu seu direito e, de fato, efetuou a compensação. O fato de possuir o direito, não é suficiente para infirmar a autuação, pois, a prosperar essa tese, um contribuinte mal intencionado poderia deixar de pagar seus tributos no aguardo de sua extinção pela decadência e, caso fosse submetido a uma fiscalização, bastaria demonstrar a existência de créditos como forma de evitar a autuação, o que, por si só, fere a lógica e o senso comum. Registrese que a compensação efetuada com supedâneo em medida judicial deve ser submetida ao rito previsto nos arts. 12, § 7º e art. 17 da IN SRF nº 21/97, pois assim determinou o legislador no § 4º do art. 66 da Lei nº 8.383/91, quando criou a possibilidade de compensação, ao mencionar que o então “Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo.”. O trâmite previsto na precitada Instrução Normativa visa cientificar à administração da compensação efetuada dentro dos limites da decisão e em obediência às demais normas que regram o assunto. De se ressaltar que o art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/91 autorizava a contribuinte efetuar a compensação tão somente entre tributos e contribuições da mesma espécie, o que não se verifica no presente caso. Por fim, no momento da alegada compensação, a decisão judicial havia autorizado a interessada a efetuar a compensação de seus créditos, seguindo a Lei nº 8.383/91, em sua escrita fiscal, “com parcelas desta contribuição” (fl. 199), ou seja, do próprio PIS, inexistindo autorização para efetuar compensação com o IPI (fls. 221, 224 e 226). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13016.000390/200341 Acórdão n.º 330100.807 S3C3T1 Fl. 286 5 Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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