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Numero do processo: 11040.904323/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-006.216
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando a decisão é exarada por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa, devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e, também, quando a referida decisão é fundamentada e pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 23 /2 00 9- 61 Fl. 2227DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que manteve o Despacho Decisório que negou a compensação declarada em PER/DCOMP carreada aos autos. Verifica-se inicialmente que a contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins para fins de compensação com débitos. Após análise pela DRF de origem, foi emitido Despacho Decisório indeferindo o pleito da contribuinte, por inexistência de créditos disponíveis para utilização na compensação pleiteada. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde informa que foi entregue DCTF retificadora, que fundamentaria corretamente o pleito solicitado, previamente à Despacho Decisório, que todavia não a teria considerado. Por isso, solicita a revisão do Despacho Decisório, de forma a homologar os débitos compensados e extinguir a exigência fiscal. Diante dos fatos, foi solicitada diligência pela DRJ para verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, diante da existência de DCTF retificadora enviada em data anterior ao Despacho Decisório. Por seu turno, em resposta a tal solicitação, a DRF informou que não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Acrescentou que, em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existiria base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período. Reaberto o prazo para manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou nova contestação, complementando a anterior. Nesta, inicia argumentando que a diligência realizada neste processo não ocorreu, pois os processos citados na Intimação formulada são referentes a outros processos de créditos de Cofins do ano-calendário de 2004, diferente do período dos autos, sem contar que não foi feita diligência na empresa, trazendo prejuízo ao contraditório e a ampla defesa. Mesmo assim, alega que os requerimentos da Fiscalização da DRF de origem teriam sido atendidos, inclusive referentes aos pertinentes aos autos, no momento da manifestação de inconformidade destes, e que a necessidade de documentação original teria sido Fl. 2228DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 solicitada em outros processos administrativos e não neste em apreço. Logo, o ente fiscal deve se ater aos documentos juntados aos autos para solucionar o litígio e não em outras referências. A seguir contribuinte explica sua atividade, que assim se resume: __ presta serviços portuários às empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias, sendo que as empresas transportadoras estrangeiras a contratam, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários; __ as transferências dos recursos do exterior e para o exterior, são disciplinadas pelo Banco Central do Brasil - BACEN, através da Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, sendo obrigatória a intervenção de uma agência marítima como representante da empresa de navegação estrangeira, nos termos do § 2o, art. 4o, da IN RFB N° 800, de 27 de dezembro de 2007; __ há duas hipóteses de transferência de valores entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, regulados pela Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005: o envio de divisas do exterior para o País, abordando a questão das despesas portuárias, e o envio do País para o exterior, envolvendo o pagamento do transporte internacional e dedução das despesas portuárias. Nas duas hipóteses citadas, ao final das operações cambiais, o saldo no balanço de pagamentos na conta de transações correntes é o mesmo e existem contratos de câmbio, celebrados entre o transportador estrangeiro e a agência de navegação, que evidenciam as operações de prestação de serviços, considerando que a manifestante não é responsável pelo fechamento do câmbio, já que o contrato de câmbio é celebrado entre o transportador estrangeiro e a agência marítima, seu representante no Brasil; __ descreve o relacionamento do transportador estrangeiro, do agente do transportador estrangeiro e do prestador do serviço (manifestante/contribuinte), informando que se algumas notas fiscais são emitidas em face do agente do transportador estrangeiro, estas não teriam o condão de descaracterizar a natureza da operação de exportação de serviços, sendo que as notas fiscais informariam o nome do navio de bandeira estrangeira e o período de atracação no porto. Posteriormente, ataca o mérito do indeferimento do seu pleito. Salienta que origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, sendo isenta das contribuições de PIS e Cofins, nos termos do II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002, na redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, devendo o valor pago indevidamente sobre as receitas mencionadas ser objeto de restituição. Para comprovar nexo causal do ingresso de divisas, alega que faz novamente nos autos através de juntada de alguns contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e pela amostragem das notas fiscais emitidas contra estes aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no Brasil. Afirma que a existência das agências de navegação, que seria uma terceira pessoa na relação contratual com os transportadores, não desfigura o efetivo ingresso de divisas, pois estas representam os transportadores e fazem os pagamentos e recebimentos por estes. Ainda ressalta que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agências marítimas são de propriedade destas, não podendo ser exigidos da manifestante, sendo que apresenta os contratos com as transportadoras traduzidos para o idioma pátrio e alguns contratos de empresa do seu Fl. 2229DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 grupo empresarial para comprovar as relações entre a instituição financeira, o agente de navegação e o transportador estrangeiro. Então, segundo a contribuinte/manifestante, o ingresso de divisas também ficaria comprovado nos contratos formais firmados entre esta e os transportares estrangeiros, trazendo aos autos alguns exemplos. Nesta relação de atividade, seria frequente o contrato informal (solicitações por e-mail ou por telefone), que não desfiguraria a relação jurídica, sendo que poderia comprovar o relacionamento jurídico por outros instrumentos, como nota fiscal emitida contra o transportador estrangeiro ou contra seu agente/representante no Brasil, registros contábeis, ou, ainda, através de perícia técnica. Traz cópias de contratos traduzidos para o português para alicerçar sua defesa. Para reforçar sua alegação, apresenta solução de consultas que reconhecem a não incidência/isenção de PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior, mesmo mediante a intermediação do agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil, haja vista a efetividade do ingresso de divisas. Por conseguinte, argumenta que estariam provados seus os créditos decorrentes da não incidência/isenção da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de operação portuária ao transportador estrangeiro, a pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior da contribuição em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros. Por seu turno, a DRJ, por maioria de votos, indeferiu a preliminar de cerceamento de defesa/nulidade, rejeitou o pedido de diligência/perícia, bem como julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, arguindo, em síntese, que a isenção para a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação documental das operações e do ingresso de divisas no país. Acrescenta que a apresentação das provas que comprovam o alegado é de obrigação da contribuinte/manifestante, nos termos do art.333, inciso II do CPC. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Em complementação, alega nulidade da decisão recorrida pelas seguintes razões: a) a questão da comprovação das operações que passou ao largo da análise da unidade de origem, que limitou-se a indeferir por outro motivo, qual seja, inadequação à legislação; e b) utilização pela DRF como base para o Despacho Decisório de Intimação diversa à formulada no âmbito do presente processo, por erro ou por generalização da conclusão. É o Relatório. Fl. 2230DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.215, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11040.904322/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 215): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Preliminares Nulidade A Recorrente alega nulidade da decisão recorrida pelas seguintes razões: a) a questão da comprovação das operações que passou ao largo da análise da unidade de origem, que limitou-se a indeferir por outro motivo, qual seja, inadequação à legislação; e b) utilização pela DRF como base para o Despacho Decisório a Intimação nº 06/01/2012, por erro ou por generalização da conclusão. Assim, entende que estes fatos acarretam a nulidade do processo administrativo, uma vez que o lançamento não pode conter erros que prejudiquem a matéria tributável (art. 142 do CTN). Destaca que a Intimação nº 06/01/2012 faz referência a outros processos administrativos, e não ao presente processo administrativo. Dessa forma, a fiscalização, por erro, incluiu o processo em questão no resultado de sua fiscalização. O procedimento fiscal vinculado à Intimação 06/01/2012, citada no resultado da diligência, faz referência ao crédito da Cofins do período de 01/01/2004 a 31/12/2004, sendo que o Processo Administrativo em tela refere-se ao período de 01/05/2005 a 31/05/2005. Conclui que não há como argumentar que se tratam de processos com o mesmo objeto, pois está evidente nos autos que o trabalho da fiscalização levou em conta períodos de apuração diversos do período abrangido por este processo, fato que, inexoravelmente, acarreta a nulidade do lançamento, sob pena, em sentido contrário, de se ferir frontalmente o disposto no art. 142 do CTN. Passo à análise dessa preliminar. A Recorrente ora pede a nulidade da decisão recorrida, ora a nulidade do processo como um todo, requerendo, inclusive, nulidade de lançamento, quando estes autos envolvem apenas análise de direito creditório em PER/DCOMP, nada se referindo a constituição de exigência por intermédio de lançamento fiscal. Quanto à alegação de nulidade da decisão recorrida, sabe-se que as causas de nulidades são estipuladas art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, a saber: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2231DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 Não se verificou nesses autos, entretanto, qualquer das hipóteses acima previstas. A DRJ/POA, por sua vez, cuidou de analisar, com bastante minúcia, a mesma argumentação de nulidade decorrente do uso pela fiscalização da Intimação nº 06/01/2012 nos trabalhos destes autos, onde também concluiu aquele órgão julgador por sua improcedência, conforme reprodução a seguir: Preliminarmente, argumenta que a diligência realizada neste processo não ocorreu, pois os processos citados na Intimação 06/01/2012 são referentes a outros processos de créditos de Cofins do ano-calendário de 2004, diferente do período dos autos, sem contar que não foi feita diligência na empresa, trazendo prejuízo ao contraditório e a ampla defesa. Na Intimação nº 06/01/2012, de fl.64, que é citado no Despacho da DRF de fls. 290/293, consta como tendo sido solicitada informações sobre os processos administrativos 16636.001407/2009-64, 16636.001408/2009-17, 16636.001412/2009-66, 16636.001402/2009-31, 16636.001409/2009-53, 16636.001412/2009-77, 16636.001411/2009-22, 16636.001410/2009-88, 11040.904319/2009-01, 11040.904310/2009-27, 11040.904573/2009-09 e 11040.904321/2009-71. Estes processos envolvem o PIS e a Cofins dos anos de 2004 e 2005, sendo que a maioria já foi julgada por este órgão julgador administrativo. Tratam do mesmo objeto deste processo administrativo, que é a solicitação de isenção de receitas pela prestação de serviços para o exterior. O fato da DRF de origem ter citado a nº 06/01/2012, seja por erro ou por generalização da conclusão, já que o objeto do pleito é o mesmo, não prejudicou a contribuinte, tendo em vista que esta entendeu que seu pleito de crédito foi indeferido por falta de liquidez e certeza e apresentou a documentação e argumentação que julga suficiente para comprovar seu alegado direito na manifestação de inconformidade. Ou seja, a contribuinte exerceu seu direito de defesa, contradizendo a conclusão da autoridade fiscal da DRF, conforme se observa em sua detalhada contestação juntada aos autos. Logo, não se pode falar em nulidade das conclusões da DRF de origem, haja vista que não houve cerceamento do direito de defesa. A jurisprudência administrativa segue idêntico entendimento, conforme se verifica abaixo: “ CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. .. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3302002.295 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; sessão de 24/09/2013) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 .... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Fl. 2232DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 O erro na capitulação legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamento, quando comprovado, pela correta descrição dos fatos nele contida e pela defesa apresentada pela contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 3201001.365 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; sessão de 27/07/2013) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa do Auto de Infração que contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados. (3801002.767 – 1ª Turma Especial; sessão de 29 de janeiro de 2014).” No mesmo sentido, não se pode deixar de observar que a solicitação de documentação da contribuinte através de intimação é válida, não sendo necessária a visita à sede da empresa para se obter as informações para a verificação da liquidez e certeza do crédito se a Fiscalização obtém informações para formar sua convicção sobre o litígio e esclarecê-lo. Outrossim, referências a solicitações/informações de outros processos/despachos decisórios devem ser apreciados nos próprios, já que por si só não são a razão principal do indeferimento no processo em apreço e a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade naqueles. Por isso, como foram apreciadas as provas juntadas aos autos pela contribuinte na manifestação de inconformidade, ficam superadas as alegações contra estas referências, pois o conjunto probatório apresentado pela defesa, que as englobaria, não foi suficiente para comprovar seu direito creditório, conforme se demonstrará na apreciação do mérito do litígio. Por conseguinte, a preliminar de cerceamento de defesa/nulidade das conclusões da DRF de origem, em resposta a intimação da DRJ que solicitava a verificação da liquidez e certeza, não procede. Assim, deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que a decisão foi devidamente fundamentada em análise dos documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Cerceamento de Defesa e Pedido de Perícia Segundo a Recorrente, o v. Acórdão nº 10-49.544, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA aponta, mormente no voto divergente, que a análise dos documentos juntados pela Recorrente à Impugnação passou ao largo da unidade de origem, que sequer questionou os demonstrativos juntados ao processo, assim como a documentação carreada aos autos, afirmando categoricamente que, se caso persistissem dúvidas quanto à documentação, seria de se cogitar, inclusive, a hipótese de remessa dos autos em perícia para que a unidade de origem verificasse de maneira mais acurada a documentação pertinente às operações embasadoras do direito creditório. Portanto, o CARF, na sua função imparcial de "juízo" dos litígios tributários em segunda instância administrativa, não pode negar à análise da documentação acostada aos autos, bem como toda aquela que se encontra no estabelecimento da Recorrente, que comprova a realidade inerente às operações realizadas pela Recorrente, objetivando o reconhecimento da não incidência do PIS/Cofins na prestação de serviços portuários efetuada a armadores estrangeiros domiciliados no exterior. Consequentemente, a realização de diligência já requerida quando do oferecimento da Manifestação de Inconformidade, deve agora ser deferida para a realização de perícia Fl. 2233DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 técnica, e por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento indevido do PIS e da Cofins, sob pena de cerceamento de defesa. Passo à correspondente análise. De fato, é robusta a documentação acostada aos autos pela Recorrente. Vejo que a Recorrente se esforçou para reunir a gama de documentos aqui juntados, diversos carreados, inclusive, após a apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, o indeferimento de pedido de conversão do julgamento em diligência/perícia, quando fundamentado, como o foi pelo órgão julgador a quo, não tem o condão de representar cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória. O inconformismo diante de uma decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. Ademais, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1.972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa quando o julgador a quo proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Neste ponto, ressalto haver limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, a autoridade julgadora de segunda instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária dela (prova), o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, este julgador formará livremente sua convicção. Assim, a insatisfação do contribuinte, sobre este ponto, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de segunda instância. Quanto à reafirmação do pedido de perícia, entendo por sua desnecessidade, porquanto a realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficiente mente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. Portanto, estas preliminares também hão de ser rechaçadas. Mérito Os autos tratam da análise do PER/DCOMP nº 18432.28048.130209.1.3.04-3243, por meio do qual a Recorrente informa crédito de pagamento indevido ou a maior cuja gênese seria o recolhimento, em 15/06/2005, para a Cofins, código de receita 5856 (Cofins não cumulativa), período de apuração 05/2005, no valor de R$ 965.265,28, do qual o valor creditória seria R$ 709.947,13. Por intermédio do Despacho Decisório nº de Rastreamento 848647215, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS não homologou a Declaração de Compensação, em razão da insuficiência de crédito disponível, uma vez que o Fl. 2234DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido totalmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. A Recorrente apresentou, inicialmente, Manifestação de Inconformidade onde alegou que transmitira DCTF retificadora para corrigir o débito do período de apuração de seu crédito (Cofins de 05/2005), mas referida retificadora não teria sido considerada no Despacho Decisório. A DRJ/POA, então, baixou os autos em diligência, para "análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, inclusive com a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciar-se a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após o encontro de contas". No curso da diligência, a unidade de origem salientou que a DCOMP 18432.28048.130209.1.3.04-3243 foi lastreada em crédito referente a pagamento a maior de COFINS em decorrência de retificações na DACON feitas com base no entendimento de que a intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira, tomadora de serviços portuários não descaracteriza a exportação desses serviços, conforme Solução de Consulta nº 58, de 7 da abril de 2006. Em sua análise, porém, a unidade de origem concluiu que "não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, previstas no inciso II do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período". A partir de então, com a reabertura de prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, instaurou-se o litígio administrativo tendo como tema central a possibilidade, ou não, de a Recorrente valer-se da não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Inicialmente, faz-se necessário transcrever a norma que disciplina o assunto em debate, em sua redação original: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Posteriormente, essa norma foi alterada pelo art. 21 da Lei 10.865/2004, que passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, consoante art. 53 do mesmo diploma legal, com nova redação a seguir: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Da leitura da norma, extraímos a necessidade do preenchimento de dois requisitos cumulativos para a configuração da não incidência da Cofins quanto ao caso, a saber: a) prestação de serviços para a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e Fl. 2235DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. Na analise do presente caso, entendo que os referidos requisitos foram satisfeitos pela Recorrente. Vejamos. A Recorrente tem como objeto principal a exploração do terminal de contêineres do Porto de Rio Grande/RS, na qualidade de operador portuário. E, nessa condição, presta serviços portuários (carga, descarga etc.) a empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, mediante contratos. Para a consecução de suas atividades e, em razão natureza inerente a essas atividades, as empresas transportadoras estrangeiras - pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de carga relativas a importações e exportações brasileiras - contratam a Recorrente, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários, sendo estes os responsáveis pelo pagamento dos serviços prestados pela Recorrente mediante prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. Essa relação de intermediação e seus conceitos são expostos pela Recorrente em seu recurso. Vale transcrevê-la: a) Transportador Estrangeiro São as empresas transportadoras estrangeiras, pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de cargas relativas a importações e exportações brasileiras e que contratam a Recorrente, através de seus agentes/representantes no Brasil, para a execução de serviços portuários. b) Agente do Transportador Estrangeiro (agência marítima) É o representante obrigatório no Brasil dos interesses do transportador estrangeiro, administrando os contratos de prestação de serviços em nome do seu principal. Ele recebe do exterior (câmbio tipo 03) ou utiliza receitas auferidas pelo transportador estrangeiro, transferíveis ao exterior, para fazer face aos pagamentos dos serviços contratados pelo transportador estrangeiro. Assim, a agência de navegação efetua a contratação do câmbio, conforme Carta Circular nº 3.280, de 09/05/2005, emitida pelo Banco Central do Brasil e paga aos fornecedores e efetua a prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. c) Prestador de Serviços Ele executa as operações de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou oriundas do ou ao exterior, cumprindo o contrato firmado com o transportador estrangeiro. Também fatura tais serviços ao transportador estrangeiro aos cuidados do seu agente no Brasil e recebe os valores em reais do agente no Brasil, através dos recursos provenientes do exterior, conforme as normas emitidas pelo Banco Central do Brasil. A presença de intermediário, agente do transportador estrangeiro, na operação não descaracteriza a situação de não incidência da Cofins. Nesse sentido foi a conclusão da Solução de Consulta SRRF/08 nº 58, de 07/04/2006, exarada no Processo Administrativo nº 11050.003099/2005-45, em resposta à demanda da própria Recorrente, levando em conta sua situação particular: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou Fl. 2236DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Nos termos acima, tem-se, ainda, já com a alteração das redações das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins pela Lei nº 10.865/2004, a Solução de Consulta SRRF/07 nº 23, 22/03/2011, no Processo Administrativo 10768.007322/2010-41, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO. Para fins de não incidência ou isenção da Cofins sobre a receita decorrente da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, o pagamento deve necessariamente representar ingresso de divisas no País. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FAVOR DE ARMADOR ESTRANGEIRO. REPRESENTANTE DO ARMADOR ATUANDO NO PAÍS COMO MERO MANDATÁRIO. Na hipótese de prestação de serviços, efetuada por empresa domiciliada no País, para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que aludem o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 14, III, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. [...] Ainda, tem-se a Solução de Consulta Cosit nº 346, de 26 de junho de 2017, com a seguinte ementa (trecho): [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO-INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.158-35, de 2001, para o fim de reconhecimento da não-incidência/isenção da Cofins. Fl. 2237DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 [...] Enfim, a Administração Tributária reconhece que a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que alude o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. Portanto, neste ponto não há controvérsia. A controvérsia pauta-se na comprovação da efetiva prestação de serviços ao transportador estrangeiro e, consequentemente, no ingresso de divisas. A farta documentação carreada aos autos pela Recorrente, abrangendo notas fiscais de serviço, contratos com armadores estrangeiros, bem como declarações firmadas por estes, e respectivas tabelas de preços praticados, demonstram a efetividade dos serviços prestados e, por decorrência, o ingresso de divisas. Verifica-se nos documentos acostados aos autos que a Recorrente, em virtude de contrato de prestação de serviços com armadores no exterior, às fls. 361-592, 1.433- 1.588 e 1.601-1.665, presta serviços portuários a estes e emite nota fiscal de serviços, às fls. 593-1.163 e 1.278-1.421, em nome dos tomadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus representantes/agentes marítimos, os quais atuam como intermediários nessa operação. Considero, portanto, ser incontroversa a comprovação dos serviços prestados diante de arcabouço documental que traz os detalhes da operação de prestação de serviços. No que diz respeito ao ingresso de divisas, embora a fiscalização e a DRJ tenham concluído competir à Recorrente a apresentação dos contratos cambiais para sua comprovação, entendo não ser ônus da dela a apresentação de tais documentos. Conforme mencionado anteriormente, a própria Fazenda Pública entende não descaracterizada a situação de não incidência da Cofins quando, na operação de prestação de serviço para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, haja representante do armador estrangeiro atuando no país como mero mandatário. Nessa situação, havendo o intermediário na operação, este é quem legalmente detém os referidos contratos, em razão da sistemática deste tipo de operação. Logo, não pode a Recorrente ser compelida a apresentar documento da qual não é proprietária e da qual sequer tem posse. Por sua vez, a norma isentiva da Cofins, Lei 10.833, de 2003, não estipulou que competiria ao prestador de serviço a comprovação do ingresso de divisas, em especial nessa situação em que há operação de intermediação. Dessa forma, sendo permitida a intermediação de mandatário do armador estrangeiro na prestação de serviço sem descaracterizar a não incidência da Cofins, a exigência dos contratos cambiais - como único instrumento de comprovação dos ingressos de divisas - a quem não os detenha acaba por impossibilitar, na prática, o uso deste benefício fiscal (não incidência legal), o que, certamente, não é a finalidade da norma isentiva. Dessa forma, compreendo que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. A corroborar as conclusões acima, valho-me da pertinente análise do mesmo assunto e mesmo contribuinte efetuada pelo Conselheiro Walker Araújo no bojo do Processo Administrativo nº 17437.720221/2015-65, Resolução nº 3302-000.772, de 21/06/2018: O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio - diga- se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido -, não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.007-1.615) para prestar Fl. 2238DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços (fls.1.616-2.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: [...] IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por Fl. 2239DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-006.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.904323/2009-61 afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 2240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901550/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1201-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL, ano-calendário 2003; e prolatar novo Despacho Decisório, retomando-se novo rito processual.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL, ano-calendário 2003; e prolatar novo Despacho Decisório, retomando-se novo rito processual. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis à comprovação do direito alegado, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2003; e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 15 50 /2 00 8- 18 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13896.901550/200818 Acórdão n.º 1201002.998 S1C2T1 Fl. 150 2 Relatório SAINTGOBAIN QUARTZOLIT LTDA., já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 1661.622, proferido pela 5ª Turma da DRJ São Paulo/SP, em 23 de setembro de 2014. 2. Tratase de declaração de compensação (PER/DCOMP 28142.23147.100204.1.3.046184), transmitida em 10.02.2004, em que o contribuinte compensou débito próprio com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de CSLL, referente ao período de apuração 12/2003, recolhido em 31.12.2003, no valor originário de R$ 596.401,35. 3. A autoridade local, mediante Despacho Decisório, emitido em 18.07.2008, não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, nos seguintes temos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito originai na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 596.401,35 Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada (grifo nosso)(efls. 07). 4. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que o crédito pleiteado é decorrente saldo negativo de CSLL, anocalendário 2003, apurado na DIPJ/2004. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, em 23.09.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. Não deve ser homologada a compensação vinculada a DARF, inexistente nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Cientificada da decisão de primeira instância, em 10.06.2015, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 03.07.2015, em que aduz, em resumo, os seguintes argumentos (efls. 142; 6981): Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13896.901550/200818 Acórdão n.º 1201002.998 S1C2T1 Fl. 151 3 i) por um lapso informou no PER/DCOMP o tipo de crédito pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2003, o qual consta da ficha 17 da DIPJ/2004, no valor de R$596.401,35; ii) apurou estimativas mensais, no período de janeiro a novembro de 2003, com base na receita bruta; somente em dezembro realizou balancete de suspensão e redução; não sofreu retenção de CSLL na fonte; iii a DRJ "extirpou a integralidade do direito creditório efetivamente angariado, apurado e declarado" ao afastar referido crédito sob o argumento de preenchimento equivocado da declaração, o que atenta contra os princípios da verdade real, legalidade e motivação dos atos administrativos; iv) o crédito estaria homologado tacitamente pelo lapso temporal de cinco anos a contar da data da transmissão da DIPJ e, posteriormente, de maneira expressa no próprio voto condutor do acórdão recorrido ao afirmar: "Como se vê, o crédito indicado, corresponde ao saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2004"; v) a não homologação da compensação caracterizaria indevido enriquecimento da Administração Fazendária ante um equívoco formal no descumprimento de uma obrigação acessória; vi) em função da emissão do Despacho Decisório não foi possível retificar o PER/DCOMP, mas se o fosse o crédito seria reconhecido na íntegra, uma vez que o direito creditório é suficiente para quitar o débito compensado; vii) a ocorrência de erro formal no preenchimento de declaração, cuja retificação foi impossibilitada, deve ser feita de ofício, em observância ao princípio da verdade material; [cita jurisprudências administrativas] viii) por fim, requer o provimento do recurso voluntário e a homologação integral da compensação declarada, sem prejuízo da produção qualquer tipo de prova admitida em Direito. 7. Saliento que a petição juntada às efls. 146148 trata de matéria não pertinente ao feito, motivo pelo qual não deve ser analisada. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 9. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 10. Cingese a controvérsia a verificar direito creditório informado em declaração de compensação como decorrente de pagamento indevido ou maior de CSLL, em vez de saldo negativo de CSLL, no valor originário de R$ 596.401,35. A compensação não foi homologada Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13896.901550/200818 Acórdão n.º 1201002.998 S1C2T1 Fl. 152 4 por inexistência de crédito, uma vez que o pagamento utilizado não fora localizado nos sistemas da Receita Federal. 11. O art. 170 do Código Tributário Nacional CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 12. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 13. Fazse necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 14. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. 15. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindose à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 16. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. 17. Analiso, inicialmente, a alegação da recorrente no sentido de que o crédito estaria homologado tacitamente pelo lapso temporal de cinco anos a contar da data de transmissão da DIPJ e, posteriormente, de maneira expressa, pelo próprio voto condutor do acórdão recorrido, ao afirmar que o crédito informado na DCOMP seria decorrente de saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2004. 18. Em relação à homologação tácita de compensação declarada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 74, §5 da Lei 9.430/96, o prazo de cinco anos é contado da data da entrega da declaração de compensação e não da entrega da DIPJ em que conste eventual saldo negativo. 19. No tocante ao voto condutor do acórdão recorrido, o julgador, ao citar que o crédito informado no PER/DCOMP seria decorrente de saldo negativo de CSLL e não de pagamento indevido ou a maior, utilizou tal assertiva para demonstrar que tal equívoco "não configura mero erro formal por serem inúmeras as implicações materiais observadas no procedimento Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13896.901550/200818 Acórdão n.º 1201002.998 S1C2T1 Fl. 153 5 de análise de cada tipo de crédito e específicos os critérios de análise do direito creditório passível de reconhecimento". Portanto, não se trata de hipótese de homologação expressa do crédito postulado. 20. Passo a análise da questão de fundo. 21. Informa a recorrente que, por lapso, informou no PER/DCOMP o tipo de crédito pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário 2003, o qual consta da ficha 17 da DIPJ/2004, no valor de R$ 596.401,35. Informa ainda que apurou estimativas mensais, no período de janeiro a novembro de 2003, com base na receita bruta; somente em dezembro de 2003 realizou balancete de suspensão e redução; e, por fim, que não sofreu retenção de CSLL na fonte. 22. De fato, de acordo com a DIPJ/2004, verificase que a recorrente apurou e recolheu CSLL, com base na receita bruta, nos meses de janeiro a dezembro de 2003, e, com base em balancete de suspensão ou redução, elaborado no mês de dezembro/2003, apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 596.401,35. Foram juntados aos autos comprovantes de recolhimento, DIPJ/2004 e balancete de suspensão (efls. 25 36; 4548). 23. Conforme visto acima, uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Conclusão 24. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL, anocalendário 2003, e prolatar novo Despacho Decisório, retomandose novo rito processual. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 10247.000006/2006-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 01 14.686, da 1ª Turma da DRJ/BEL, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito pela ora recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 06 /2 00 6- 41 Fl. 48DF CARF MF 2 Transcrevo, a seguir, parcialmente, o relatório: Versa o presente processo sobre declaração de compensação n° 02797.04980.111105.1.3.045900 em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, 1708, PA 26/09/2002, arrecadação 27/09/2002, R$ 1.643,88 para compensar débito de IRRF, 1708, 4' semana dezembro/2002, vencimento 02/01/2003, R$ 1.643,88. Por intermédio do Despacho Decisório n° 006/200641 (fls.16/17), a unidade de origem julgou não homologada a compensação em função de ausência de direito creditório. Fundamentando sua decisão, a unidade de origem alega que foram verificados dois pagamentos no valor de R$ 1.643,88, sendo o primeiro em 27/09/2002 (utilizado na presente declaração de compensação), já alocado a um débito no sistema, não tendo remanescido nenhum crédito deste recolhimento. Quanto ao segundo pagamento, realizado em 30/09/2002, a autoridade administrativa afirma ainda estar disponível para compensação, devendo o contribuinte apresentar outra DCOMP com os dados corretos. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 13/09/2006 (fl.18), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.19/21) em 26/09/2006, via representante legal (fl.6), alegando em síntese que: 1. Devido a um erro no processamento do pagamento a ser efetivado em favor da prestadora de serviços Perita Consultoria e Assessoria Educacional s/c Ltda, a qual acabou por cancelar a NF emitida em setembro/2005, a recorrente acabou por fazer o recolhimento de dois DARF's para a mesma base, ambos indevidos, pagos em 27/09/2002 e 30/09/2002; 2. Sem fato gerador da obrigação, acabou por recolher indevidamente dois DARF's de R$ 1.643,88, ficando com crédito de impostos de R$ 3.287,76; 3. Referido indébito foi compensado com impostos da mesma natureza, ou seja, existia um débito de R$ 1.643,88, código 1708, ref. a NF de 12/2002, logo foi compensado com um dos créditos de R$ 1.643,88; • 4. restou ainda o crédito de R$ 1.643,88, relativo ao outro DARF recolhido indevidamente, sendo que foi compensado na PER/DCOMP 27823.85671.090206.1.3.042658; 5. Conforme a DCTF do 4° trimestre/2002, o débito de IRRF, 1708, 4 a semana de dezembro, R$ 1.643,88, foi pago através de compensação com o mencionado crédito vinculado; 6. Conforme a DCTF do 2° trimestre/2003, o débito de IRRF, 1708, 1' semana de abril, R$ 636,11, foi quitado através de pagamento (R$ 115,23) e compensação (R$ 520,88); 7. Muito embora os valores não estejam perfeitamente identificados em declarações de compensação, tais recolhimentos podem perfeitamente ser identificados no conta corrente de recolhimento de tributos da recorrente, onde certamente se identificará que existem os recolhimentos mencionados, bem como a vinculação com os débitos posteriores; 8. Assim, não há que se falar em requerer nova compensação com o DARF de 30/09/2002, pois os créditos referidos já foram integralmente apropriados, incluindo o crédito relativamente a este processo. Portanto, não existem mais créditos ou eventuais débitos. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10247.000006/200641 Acórdão n.º 1001001.321 S1C0T1 Fl. 3 3 Cientificada em 02/07/2009 (fl 36), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 23/09/2009 (fl 37). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A DRJ assim decidiu: Inicialmente, cumpre esclarecer estar incorreto o tratamento dado pelo contribuinte aos alegados créditos em sua manifestação de inconformidade, somando os dois pagamentos de igual valor para demonstrar que seu crédito é de R$ 3.287,76 e não dois créditos de R$ 1.643,88, um DARF arrecadado em 27/09/2002 e o outro em 30/09/2002 (vide fl.33). Ressaltese ainda que nesses autos o crédito utilizado é o DARF recolhido em 27/09/2002 (vide fls.2/3), ou seja, o crédito que diz respeito ao DARF recolhido em 30/09/2002 é estranho a esse processo. O contribuinte pretende se utilizar de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, 1708, recolhimento 27/09/2002 (vide fl.3), R$ 1.643,88. O Fisco, por sua vez, afirma ser inexistente o crédito utilizado pois o pagamento em questão já se encontraria alocado a débito constante de sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Conforme fl.23, o contribuinte apresentou DCTF retificadora referente ao 4° trimestre/2002 em 17/11/2005 e, nesta declaração, informou a compensação de débito IRRF, 1708, R$ 1.643,88 (fl.24) com o crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, 1708, no valor de R$ 1.643,88, arrecadação 27/09/2002. Ainda nessa DCTF relacionou a DCOMP 02797.04980.111105.1.3.045900, referente a esses autos. Ocorre que de acordo com fl.30, o contribuinte apresentou em 14/05/2003 a DCTF referente ao 1° trimestre/2003, original. Nesta declaração, informou a quitação de dois débitos de IRRF (fls.31/32) com crédito de pagamento indevido ou a maior. As telas de fls.28/29, extraídas de sistema da RFB, revelam que o pagamento alocado a esses dois débitos é o efetuado em 27/09/2002 (também utilizado nesses autos) e não o recolhimento de 30/09/2002. Assim, restou caracterizado que o contribuinte se utilizou na DCOMP 02797.04980.111105.1.3.045900 de crédito inexistente, visto que já alocado para quitação de outros débitos. Notese ainda que a alocação aos débitos de fls.31/32 foi realizada em 14/05/2003, portanto, anterior à referente ao débito compensado nesses autos, feita em 17/11/2005. Em seu recurso, a recorrente (resumidamente), alega: A requerente efetivou o processo baseado em elementos que dispunha (comprovantes de quitação), diferente do .apontado pelo .sistema de arrecadação face ao erro mencionado, mas isto não implica na inexistência de crédito por recolhimento indevido, conforme já demonstrou. É lógico que de acordo com este Fl. 50DF CARF MF 4 fato superveniente ao pedido inicial, os parâmetros de análise desta PERDCOMP ficariam prejudicados e somente seriam solucionados, caso a requerente fizesse uma das seguintes alternativas : 1. Apresentação de um REDARF para alterar a data do fato gerador constante do DARF constante do sistema de pagamentos de 2711212002 para 2610912002. Isto faria com que o DARF apresentado pelo sistema estaria em acordo com a PER/DCOMP apresentada e as DCTF já entregues. Contudo, .mesmo que permitido, tal procedimento se feito agora apenas tumultuaria o processo em análise, pois os elementos para análise já foram colhidos do sistema de arrecadação; 2. Entrega de Um novo PERDCOMP vinculado o pagamento com período de apuração hoje existente no sistema de arrecadação (27112/2002), embora errado; e entrega de retificações de DCTF para também vincular os débitos de impostos com o crédito constante do sistema de ( 27/1212002). Assim, entendemos que de posse dos recolhimentos existentes e levantados pelo sistema de arrecadação da Receita, das ,DCTF's entregues pela .requerente mostrando débitos existentes no ano calendário de 2002, de forma clara se evidencia, independente do erro material cometido pelo banco arrecadador, neste momento levantado e noticiado nestes autos, o crédito de R$ 1.643,88 foi regulamente compensado com os seguintes impostos: • IRF Código 1708 de R$ 483,86 de 02/2003 ; • IRF Código 1708 de R$ 639,14 de 0312003 ; • IRF Código 1708 de R$ 636,11 de 0412003, dos quais : R$ 520,88 compensados pela PerdComp 27823.85671.090206.1.3.04, deferida e saldo remanescente de R$ 115,23 , recolhido diretamente em DARF, dados : PA: 3110312003, Código da Receita: 1708, Data de Vencimento: 3110312003, Valor do Principal: 115,23, quitado em 091abril/2003. Assim, não há que se falar em requerer nova compensação com o DARF de 30/09/2002, pois os créditos referidos já foram integralmente apropriados, incluindo o crédito relativamente a este processo. Portanto não existem mais créditos ou eventuais débitos. Culmina, pedindo: Por uma questão de celeridade e economia processual , os fatos aqui demonstrados podem ser .analisados, evitando a propositura de nova declaração compensação, pois o crédito é o mesmo noticiado inicialmente, devendo a decisão prol da pela 1 8 turma de julgamento ser integralmente reformada por este respeitoso conselho, com o final reconhecimento da compensação noticiada pelo contribuinte. Em relação ao pleito da recorrente, a alteração das informações prestadas, tanto na DCTF como na PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitidas, é efetuada mediante apresentação de uma nova declaração retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem, tal como mencionado e fundamentado pela DRJ. Entendo não haver reparos à decisão da DRJ, a qual peço a devida vênia para resumir (já transcrito acima): Ocorre que de acordo com fl.30, o contribuinte apresentou em 14/05/2003 a DCTF referente ao 1° trimestre/2003, original. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10247.000006/200641 Acórdão n.º 1001001.321 S1C0T1 Fl. 4 5 Nesta declaração, informou a quitação de dois débitos de IRRF (fls.31/32) com crédito de pagamento indevido ou a maior. As telas de fls.28/29, extraídas de sistema da RFB, revelam que o pagamento alocado a esses dois débitos é o efetuado em 27/09/2002 (também utilizado nesses autos) e não o recolhimento de 30/09/2002. Assim, restou caracterizado que o contribuinte se utilizou na DCOMP 02797.04980.111105.1.3.045900 de crédito inexistente, visto que já alocado para quitação de outros débitos. Notese ainda que a alocação aos débitos de fls.31/32 foi realizada em 14/05/2003, portanto, anterior à referente ao débito compensado nesses autos, feita em 17/11/2005. Portanto, a referida DCOMP restou resolvida e a própria recorrente reconhece o fato ao afirmar em seu recurso, parte final: Por uma questão de celeridade e economia processual , os fatos aqui demonstrados podem ser .analisados, evitando a propositura de nova declaração compensação, pois o crédito é o mesmo noticiado inicialmente, devendo a decisão prol da pela 1 8 turma de julgamento ser integralmente reformada por este respeitoso conselho, com o final reconhecimento da compensação noticiada pelo contribuinte (grifei). Portanto, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917933/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.978
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Trata o presente de PER/DCOMP apresentada eletronicamente, que restou indeferida, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho decisório é nulo porque não buscou a verdade material que é o elemento fundamental da validade dos atos administrativos; que o valor recolhido a título de COFINS se tornou indevido por ter incidido sobre as demais receitas nãooperacionais uma vez que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia dado suporte à referida exigência foi declarado inconstitucional; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 93 3/ 20 11 -8 0 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.917933/201180 Resolução nº 3201001.978 S3C2T1 Fl. 3 2 que as informações constantes na DCTF não são válidas porque o cálculo do débito declarado considerou as prescrições contidas no dispositivo declarado inconstitucional; que para provar o alegado, juntou cópia da ficha Razão com o registro das “outras receitas” que foram, também, tomadas como base de cálculo para a incidência das contribuições declaradas inconstitucionais e cópia da ficha Razão da conta de Cofins e PIS a recolher, na qual há o registro da apuração dessas contribuições sobre as demais receitas, cujos valores foram recolhidos nos DARF indicados nos PER/Dcomp; que no caso das provas contábeis apresentadas serem insuficientes para formar o juízo que seja determinada a realização de diligência; A DRJ julgou improcedente a impugnação. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: I Dos Fatos A Recorrente expõe que o objeto do presente processo consiste no pedido de restituição (PER) decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (REsp 346.084/PR), que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre toda e qualquer receita do contribuinte. II Do Direito A Recorrente relata que os fundamentos da negativa do pedido de restituição são dois: no despacho decisório, foi o de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte; na decisão recorrida, foi o da ausência de provas da base de cálculo da COFINS que se pretende restituir. Em seguida discorre sobre a PER/DCOMP como tendo força constitutiva e autônoma. Conclui afirmando que houve pagamento a maior vinculado a DARF. A Recorrente alega que não pode ser responsabilizada pela não apresentação de DCTF retificadora. Nessa linha, o despacho decisório seria nulo pois não buscou a verdade material. A decisão ora recorrida também não observou o princípio da verdade material. Alega a legitimidade do crédito pleiteado em razão dos valores indevidamente recolhidos. Relata a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que erroneamente considerou como base de cálculo a receita bruta. Cita jurisprudência do CARF. Passa a descrever os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e alegar quanto a invalidade das declarações preenchidas com base no dispositivo declarado inconstitucional. Sustenta que o débito confessado em DCTF está majorado, pois foi apurado de forma inválida. Argumenta quanto a superficialidade do exame centrado apenas na DCTF. No tocante a prova do crédito requerido, a Recorrente alega que juntou a folha do livro razão. Em continuidade, diz que uma simples análise da DIPJ evidencia que o valor recolhido a título de COFINS foi indevido. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.917933/201180 Resolução nº 3201001.978 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente tem plena certeza das razões e provas acostadas aos autos, e em caso de dúvidas requer a realização de diligência fiscal. Elenca os quesitos para a diligência. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.968, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.917911/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.968): "Inicialmente cabe reforçar o alegado pela Recorrente quanto a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/98 em decisão plenária do STF. Além disso, o mesmo foi revogado pela Lei n.º 11.941/09, não havendo, portanto, mais que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Assim o ponto relativo a inconstitucionalidade está pacificado. O cerne do presente processo está, todavia, na capacidade de comprovação do crédito por parte da Recorrente. No processo administrativo fiscal, incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Assim, para o caso concreto que trata de pedido de restituição, as alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Nesse ponto, a Recorrente acredita ser suficiente a apresentação de folha do livro razão e da DIPJ. Diante da existência de escrituração do contribuinte, comprovada por meio da apresentação do livro Razão, bem como da apresentação da DIPJ, surge a dúvida quanto ao recolhimento indevido sobre receitas financeiras da COFINS. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa fé. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.917933/201180 Resolução nº 3201001.978 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.917933/201180 Resolução nº 3201001.978 S3C2T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720376/2011-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF
Numero da decisão: 3001-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.720376/201186 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.798 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DACON. Recorrente ARAÚJO & SARAIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 03 76 /2 01 1- 86 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Adoto por transcrição o suscinto relatório elaborado pelo Relator do v. Acórdão recorrido (fls. 43), verbis. DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento, no valor de R$ 12.583,25, em vista de atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, relativo ao 2º semestre do anocalendário de 2007, entregue em 24/11/2009, enquanto o prazo legal findou em 07/04/2008. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados na Notificação.DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou impugnação não se contrapondo contra o lançamento em si. Alega, apenas, que a multa pelo atraso do respectivo DACON já está sendo cobrada por meio do processo nº 10245.000395/201010. Com os argumentos de fls. 44, a autoridade recorrida manteve a autuação, negando acolhida à impugnação formulada pelo sujeito passivo, pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 42), verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora do prazo previsto na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Regularmente cientificada em 07.03.2014 (fls. 48/53), ingressou a empresa com Recurso em 26 de março de 2014 (fls. 56), para reiterar sua impugnação (fls. 3) e requerer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10245.720376/201186 Acórdão n.º 3001000.798 S3C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo, posto que o contribuinte foi cientificado do teor do Ac´rdão recorrido em 07 de março de 2014 (fls. 48/53) e ingressou com o Recurso Voluntário em 26 de março do mesmo ano de 2014 (fls. 56), pelo que dele tomo conhecimento. No presente processo cuidase de auto de infração lavrado por ter o contribuinte entregue com atraso o DACON relativa ao 1º semestre do anocalendário de 2007, que somente foi entregue em 24 de novembro de 2009, quando o prazo para tal providência esgotouse em 05 de outubro de 2007, ou seja, a DACON foi entregue quase dois anos após o prazo fatal para seu encaminhamento aos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na impugnação e no recurso limitouse a recorrente a sustentar que não cometera qualquer infração e que a multa estava sendo cobrada em duplicidade, porém sem apresentar qualquer documento capaz de corroborar sua narrativa. Por economia processual, transcrevo os argumentos do v. Acvórdão guerreado (fls. 43/44), verbis.. A impugnação é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Como visto, a impugnante não questiona a multa pelo atraso do DACON. Suscita, apenas, a sua cobrança em duplicidade já que consta do processo nº 10245.000395/201010, relativo a auto de infração do IRPJ, em processo de parcelamento tributário. Verificado o citado processo, não foi encontrada correspondência (código de receita e período de apuração) entre o valor lançado e os débitos parcelados. Devo lembrar, em função do que dispõe o art. 16, III do PAF2 (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), que não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido. A matéria é bem conhecida neste Conselho, e tem vasta jurisprudência no mesmo sentido daquele esposado pelo v. Acórdão recorrido. Aliás, nesta mesma sessão já julgamos outros processos referentes à aplicação de multa acessória aos contribuintes que entregaram a DACON fora dos prazos legalmente estipulados pela legislação de regência. Vejamos algumas ementas sobre o mesmo tema, verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2007 ....................................(omissis).................................... Fl. 73DF CARF MF 4 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.(Acórdão nº 3201003.943 2ª Câmara/1ª Turma, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 21 de junho de 2018). (Destaque nosso). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.(Acórdão nº 3302005.848 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferdo em 25.09.2018). (Destaque nosso). ....................................(omissis).................................... ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. (Acórdão nº 3402006.097 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 30 de janeiro de 2019). (Destaque nosso). Diante do exposto, e tendo em vista que a empresa deveria ter entregue ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON até 05 de outubro de 2007 mas só fez a entrega em 24 de novembro de 2009 portanto, mais de 2 anos após o prazo legal estipulado pela legislação para tal providência VOTO no sentido de tomar conhecimento do recurso para lhe negar provimento, coerente com a iterativa jurisprudência deste Conselho e desta própria 1ª Turma Extraordinária. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10245.720376/201186 Acórdão n.º 3001000.798 S3C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.723613/2015-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.986
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 61 3/ 20 15 -8 5 Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10920.723613/201585 Resolução nº 3201001.986 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1889DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000450/2003-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF PENSÃO DE EX-COMBATENTE DA FEB - ISENÇÃO
As pensões e os proventos concedidos, entre outras hipóteses, de acordo com o artigo no art, 1° da Lei n° 2.579/55, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex-combatente da Forca Expedicionária Brasileira - FEB, são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR199).
Recurso provido,
Numero da decisão: 2102-000.622
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termo do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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Recurso provido, Vistos, relatados e disc sIos presentes autos. ACORDAM os -nbros do olegiado, rpor unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termo do voto 9 lator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nübia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Ewan Telles de Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuida-se de recurso voluntário de fls. 29 a 30 dos autos, interposto pela contribuinte CLACILDES NEVES DA CRUZ, contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 19 a 22. 0 lançamento é relativo ao ano-calendário 2001, e foi realizado através de notificação de lançamento emitida em 13/02/2003 (fl. 02 dos autos), da qual a RECORRENTE teve ciência em 19/02/2003 (fl. 16 dos autos). O credito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.851,20. 0 lançamento deu-se em face do desconto simplificado de montante maior que o legal mente permitido. De acordo com o demonstrativo das inflações (fl. 03 dos autos), em sua DIN; do ano-calendário 2001, a RECORRENTE deduziu, a titulo de desconto simplificado, valor maior que admitido pelo artigo 10 da Lei n° 9.250/1995, alterado pelo artigo 12 da Medida Provisória n° 1.753/1998. Assim, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da contribuinte: (i) desconto simplificado de R$ 16.732,00 para R$ 5.832,00; (ii) base de cálculo do imposto de R$ 12.428,00 para R$ 23.328,00; (iii) imposto devido de R$ 244,00 para R$ 2.095,20 Em 24/02/2003, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fl. 01, defendendo a improcedência do lançamento em face da Declaração Retificadora de Imposto de Renda acostada à fl. 13, processada em 24/02/2003; que classifica os rendimentos apurados em 2001 como "isentos ou não-tributáveis"; por provirem do FEB (Força Expedicionária Brasileira). Requereu, portanto, a improcedência da presente notificação de lançamento. A DRJ, As fls. 19 a 22 dos autos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, através de acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF ,Evercicio: 2002 ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Regularizados os cálculos da declaração de ajuste, ficam mantidos os valores lançados. Lançamento Procedente" 2 Processo n° 1370700045012003-48 S2-C1T2 Acerdzio n." 2102-00.622 Fl. 41 Em sua decisão, a DRJ argumentou que "o pedido de retificacão de declaração, para alteração dos rendimentos tributáveis, é incabível, pelo que dispõe o art,147, §1 °, do Código Tributário Nacional CTN". Afirmou ainda, que a contribuinte não acostou aos autos, documentos que comprovassem que a receita auferida classifica-se na isenção relativa a rendimentos pagos h contribuintes da FEB, nos terms dos artigos 39 da RIR/1999, 60, inciso XII, da Lei n° 7.713/1988, 1° da Lei n° 2.579/1955 e 1°, § 2°, alínea "c" da Lei n° 5.315/1967. A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 24/07/2007 (ti, 25v dos autos), apresentou recurso voluntário de fls. 29 e 30, em 14/08/2007. Em suas razões, reconheceu a falha nos assentamentos de sua declaração referente ao ano-calendário 2001 (fl. .31) e na retificação da mesma (fl. 32), Anexou aos autos o informe de rendimento fornecido pelo Ministério da Defesa — Exercito Brasileiro — SEF — CPEx, (fl. 33), onde consta como rendimentos isentos e não tributáveis no valor de R$ 29.160,00 (linha 4) lançados como pensão FEB ou Vitalícia (Guerra do Paraguai). Assim, requereu o conhecimento do recurso voluntário, para julgar improcedente o lançamento tributário. Este recurso voluntário compôs o 8' lote, sorteado para este relator ., em Sessão Pública. o relatório. Voto Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A controvérsia dos autos reside em ser ou não a RECORRENTE beneficiária de pensão concedida aos ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB). De acordo corn o art. 39 do Decreto IV 3.000/1999, não entrarão no cômputo do rendimento bruto das pessoas fisicas: ,) as pensões e or proventos concedidos de acm do com o Decreto-Lei n 2 8 794 e o Dec, elo-Lei n 2 8 795, ambos de 23 de jcmeiro de 1946, e Lei n 2 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei n 2 424?, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei n 2 8.0.59, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei n2 7 713, de 1988, art 62, inciso MI)," 0 artigo 10 da Lei no 2.579/1955 determina que: -Os militares, convocados ou 17 -ão, que tenham servido no teatro de operações da Itália, no período de 1944-45, em qualquer tempo julgados inválidos ou incapazes - mesmo depois de 3 ti ansfeados para a reserva - reformados, aposentados ou licenciados do serviço por sofrerem de tuberculose ativa, alienagão mental, neoplasia maligna, cegueira, lepra ou paralisia, sera() considerados, quando verificada a enfermidade pela Junta Militar de Saúde, como se em serviço ativo estivessem, e reformados ou aposentados corn as vantagens da Lei número 288, de 8 de junho de 1948, combinada com o art. 10 do Decreto-lei n" 8 795, de 23 de janeiro de 1946, e coin o art. 303 da Lei número 1.316, de 20 de janeiro de 1951, com a interpretação do Decreto número 30.119, de 1 de novembro de 1951, e coin o direito à etapa de asilado nas condições previstas na citada Lei n" 1 316, de 20 de janeiro de 1951", A RECORRENTE acostou ao recurso voluntário (fl. 33) "Comprovante de Rendimentos" expedido pelo Ministério do Exército, do qual vale transcrever o seguinte: "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (2001) Pessoa Física Beneficiária dos Rendimentos CPF 281_530.907-63 NOME COMPLETO: CLACILDES DAS NEVES CRUZ Rendimentos Tributdveis, Deduções e Imposto Retido na Fonte Total dos Rendimentos (Inclusive Férias) 0,00 ) Rendimentos Isentos e Não tributáveis 6 Outros Pensão FEB ou Vitalícia (Guerra do Paraguai) 29.600,00" No caso, não margeia dúvida quanto aos seguintes fatos: (1) a RECORRENTE errou ao preencher a DIPF do ano-calendário 2001, considerando como tributáveis os rendimentos percebidos a titulo de pensão FEB; e (ii) realizou a destempo a retificadora da mesma DIPF para corrigir o erro. Para defender o seu direito A. isenção, a RECORRENTE vale-se de documento expedido pelo Ministério do Exército, do tipo "Comprovante de Rendimentos", cujo modelo foi o aprovado à época pelo Secretário da Receita Federal, através da Instrução Normativa n° 120, de 28 de dezembro de 2000. De acordo corn o art. 5° da Instrução Normativa RFB n° 120/2000, "ci lOnte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do imposto a pagar ou memento do imposto a restituir ou a compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais". Assim, é incontestável que a fonte pagadora dos recursos, no caso, o Ministério do Exército, atesta que a pensão recebida pela RECORRENTE é a concedida como berdeira de militar ex-combatente de FEB. Em razão do exposto, entendo que deve ser acatado Processo n° 13707.000450/200.3-48 S2-C1T2 Acerclilo n ° 2102-00.622 Fl. 42 o "Comprovante de Rendimentos" como prova do direito ao gozo da isenção pela RECORRENTE. Nesse mesmo sentido, vale transcrever julgamentos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; verbis: "PENSÃO MILITAR — ISENÇÃO — Os proventos recebidos por viúva de Ex -Combatente da Forgo Expedicionária Brasileira — FEB — são isentos na forma do artigo 36 do Decreto 58.400 de 1.966 (antigo RIR); atual artigo 39, Inciso Decreto 3,000 de 1,999 (RIR199). Recurso provido. (Ac. 102-47.186)" "IRPF — EX-COMBATENTE DA FEB — PENSÃO ISENÇÃO. As pensões e os proventos concedidos, entre outras hipóteses, de acordo corn o artigo no art. I" da Lei n" 2.579/55, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex-combatente da Forgo Expedicionária Brasileira — FEB, são isentos do impost() de renda, nos termos do artigo 60, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXY, do RIR/99). Recurso voluntário provido. (Recurso n°149849; julgado em 13/06/2007)" Assim, considerando-se que o lançamento tributário teni como fundamento único o limite do desconto simplificado na DIFF da RECORRENTE, e por serem isentos os rendimentos declarados (por erro, como tributáveis), em virtude de decorrerem de pensão herdada de ex-participante da FEB, entendo que deve prevalecer o principio da verdade material e ser cancelada a exigência. Em razão do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, julgando improcedente o lançamento. Sala das Sessties, em 13 de maio de 2010 icap. Carlos Andrei—Tongues Pereira Lima 5
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903340/2008-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 05-32.615, proferido pela 4ª Turma da DRJ/CPS, que considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta, para reconhecer o direito creditório de R$7.619,76, em contraposição à quantia pleiteada de R$20.178,74, constante da DCOMP analisada pelo processamento eletrônico Por economia processual e por entender que resume bem o início da contenda, adoto o relatório da decisão "a quo" e passo a transcrevê-lo abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 40 /2 00 8- 25 Fl. 227DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório Eletrônico (DDE), n° de rastreamento 781207497 (fls. 43), cientificado à interessada em 25/08/2008 (AR de fls. 54), em que se decidiu pela não homologação das compensações de que trata o PER/DCOMP n° 16054.21744.260406.1.3.02-5902, por não restar confirmado o direito creditório utilizado, correspondente ao saldo negativo de IRPJ do ano- calendário 2002, consoante a fundamentação abaixo: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$20.178,74 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$27.116,46 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado Para verificação dos valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www. receita.fazenda.gov. br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção e-CAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Parágrafo I o do art. 6 o e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5 o da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Cientificada, em 25/08/2008, conforme AR de fls. 54, da solução aplicada às declarações de compensação transmitidas, a contribuinte, por seu representante legal, interpôs, em 19/09/2008, manifestação de inconformidade de fls. 01/02, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) diz, inicialmente, que tomou conhecimento da notificação em 21/08/2008, com o recebimento do despacho decisório pelo correio, deduzindo que a dívida cobrada se refere aos débitos compensados no PER/DCOMP mencionado, com o crédito de IRPJ apurado no ano-base de 2002, no valor de R$ 20.178,74; 2) informa que ocorreu erro no preenchimento da DIPJ/2003, na ficha 12, linha 16 (estimativas), registrando o valor de R$8.730,10, e na linha 13, como sendo R$18.386,36 a título de imposto de renda na fonte, quando o correto seria apenas a informação de R$20.178,74, na linha 13, comprovadamente relacionado na ficha de composição do crédito do citado PER/DCOMP; 4) em razão do equívoco cometido, apurou indevidamente como saldo credor a quantia de R$27.116,16, em contraposição ao correto valor de R$20.178,74, verificável pelo IRRF já mencionado, destacando que o lapso já foi solucionado com a retificação da DIPJ/2003 em 19/09/2008; 4) afirma ser flagrante a nulidade do despacho decisório, quer pelo erro cometido pela contribuinte, quer pela ausência de motivação da Receita Federal Fl. 228DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 do Brasil em desconsiderar totalmente os comprovados IRRF utilizados como composição do crédito pretendido, agravado, ainda, pelo fato de não ter o Fisco consultado os controles internos de que dispõe, para melhores esclarecimentos; 5) uma vez corrigido o erro cometido no preenchimento da DIPJ/2003, com o envio da declaração retificadora, e também pela confirmação por parte do Fisco da existência do crédito registrado na DIPJ/2003, fica cabalmente comprovada a inexatidão da não-homologação do referido PER/DCOMP, pelo que entende nada dever aos cofres públicos; 6) ao final, diante da total improcedência do despacho decisório, já que a Receita Federal do Brasil não considerou os dados inscritos na declaração retificadora, relativos a imposto de renda retido na fonte, requer: "A consideração do saldo credor mencionado na DIPJ/2003 ano base 2002 em sua ficha 12A com saldo negativo no valor de R$20.178,74, uma vez que o crédito já está devidamente comprovado e conseqüentemente o cancelamento do Despacho Decisório. " Já a 4ª Turma da DRJ/CPS, julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA SOBRE A PESSOA JURÍDICA -IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA DE VALORES. Comprovado que a DIPJ/2003 foi preenchida incorretamente, mas retificada posteriormente à ciência do despacho decisório, acarretando a igualdade entre os saldos negativos de IRPJ, do ano-calendário de 2002, constantes da DIPJ/2003 retificadora e da DCOMP analisada, afigura-se viável analisar os pleitos de compensação apresentados. ANTECIPAÇÕES DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Os valores comprovadamente retidos pelas fontes pagadoras podem ser utilizados na compensação parcial das estimativas mensais do imposto, bem como deduzidos diretamente do resultado final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada, a com a decisão, a Recorrente apresentou peça recursal demonstrando seu inconformismo, alegando, em síntese: a) Preliminarmente, argumentou que houve desrespeito ao princípio da verdade material, por ter negado o direito creditório pleiteado sem que as fontes retentoras terem sido intimadas para prestar melhores esclarecimentos e também por não ter considerado a possibilidade da Recorrente fazer a comprovação do alegado através de suas escriturações contábeis; b) Para a Recorrente, ainda, está caracterizada a carência de fundamentação decisão recorrida, já que houve apenas indicação dos dispositivos infringidos de maneira genérica, e, Fl. 229DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 c) No mérito alega que o Acórdão relativo também deve ser reformado em razão de o crédito (de IRPJ) compensado ser líquido e certo, conforme se depreende pela leitura da ficha 12A DIPJ ano base 2002 e, também as informações relativas aos impostos retidos da Recorrente relacionados na composição do crédito da PER/DCOMP Após a propositura do recurso voluntário, a Recorrente juntou aos autos petição prestando informações acerca de parcelamento de trata a reabertura da Lei nº11.941/2009, instituídas pelas Leis nº 12.865/2013 e 12.973/2014. Contudo, não ficou demonstrada a relação da matéria discutidas neste autos com o conteúdo da petição em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. PRELIMINARMENTE Em suas razões recursais, a Recorrente, em sede de preliminar, alega a Recorrente que "não deve a autoridade fiscal retroceder diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstâncias", e que, por não ter solicitado os necessários comprovantes às fontes retentoras, bem como por não ter oportunizado à Recorrente a apresentação de suas escriturações contábeis, teria infringido o princípio da verdade material. Ora, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações nos teremos do Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, no âmbito administrativo fiscal, o ônus de provar o direito ao suposto crédito, incumbe a Recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72: (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: Fl. 230DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se: a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Registre-se que a contribuinte tem o dever de fornecimento é prevista nas normas de regência (art. 733 do RIR, vigente à época, exigir o Informe de Rendimentos da fonte pagadora, cuja obrigação /99). Assim, não há se falar em desrespeito ao princípio verdade material, em razão da desnecessidade de intimação das fontes retentoras ou do próprio contribuinte para produção de provas, já que é deste último o ônus probante da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, abrangendo, destarte, a própria análise de mérito. Por outro lado, arguiu-se também, a nulidade da decisão por carência de motivação, já que em sua fundamentação houve apenas indicação, de forma genérica, dos dispositivos supostamente infringidos pela Recorrente. Todavia, não constato tal nulidade visto houve a devida fundamentação tanto que é que a Recorrente pode se de defender plenamente, não ocorrente em momento algum cerceamento do direito de defesa, nos mesmos moldes como decidido pelo acórdão de piso, cujos argumentos seguem transcritos abaixo e os tomo como parte do fundamento deste voto: "De fato, houve o indeferimento do direito creditório pleiteado, sob o fundamento de que o saldo negativo de IRPJ informado pela contribuinte no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito (R$20.178,74) mostra-se divergente do apurado na DIPJ do ano-calendário de 2002 (R$27.116,46). Esta é a motivação que levou ao indeferimento do pleito, pela impossibilidade técnica de se dirimir a divergência no processamento eletrônico das compensações. Ainda, cumpre notar que não se verifica nestes autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, ver bis: "Art. 59. São nulos; I— os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. " A única razão para o indeferimento do pleito foi, portanto, a divergência de valores, decorrente de preenchimento incorreto da DIPJ/2003 pela contribuinte. Nos casos da espécie, em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo ordenamento jurídico vigente, é entendimento desta Turma de Julgamento que as divergências entre os saldos negativos indicados na DIPJ e nos PER/DCOMP apresentados podem ser supridas por esta instância administrativa, de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação dos débitos declarados". Fl. 231DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 Assim, afasto as preliminares de nulidade arguidas, conforme arrazoado anteriormente delineado. NO MÉRITO Consoante já mencionado, a compensação pretendida não foi integralmente homologada, em razão de divergência entre o valor do saldo negativo inscrito na DIPJ/2003, confrontado com o registrado DCOMP analisada, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório, do ano-calendário de 2002, relativo ao IRPJ. De acordo com do Despacho Decisório, analisadas as informações prestadas pelo contribuinte, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Por sua vez, a DRJ considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta, para reconhecer o direito creditório de R$7.619,76, em contraposição à quantia pleiteada de R$20.178,74, constante da DCOMP analisada pelo processamento eletrônico. Nas suas razões de recurso, a Recorrente destaca o direito que possui em compensar integralmente tributo pago a maior. Contudo, pela análise dos autos, está claro que Recorrente não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse existência da totalidade do direito creditório alegado. Isso porque, a DIPJ, embora seja um documento importante, não comprova as alegações do autor por se tratar de mera declaração sem efeitos de confissão de dívidas, tendo, pois, apenas efeitos informativos (Instrução Normativa SRF n° 014/2000). Portanto, a DIPJ, como elemento probatório, não supre a inércia da contribuinte em apresentar a escrituração contábil e fiscal, por ser uma prestação de informações unilateral que sequer está sujeita à revisão por parte da Administração Tributária. Nesta toada, conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, qualquer alteração no pedido desnatura o objeto. Ou seja, era impossível para a autoridade administrativa, no momento do Despacho Decisório, identificar o crédito que a Recorrente alega possuir. Ora, havendo alteração nas declarações do contribuinte que reduza o valor do tributo, por determinação legal, o dever de Fl. 232DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 comprovar é do contribuinte, o qual deve apresentar documentos contábil-fiscais para comprovar o crédito. Para o deferimento de direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. É digno registrar que não se está negando o direito do contribuinte de compensar o crédito oriundo de pagamento a maior, contudo, a determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Para demonstração da existência do crédito fiscal, faz-se necessário no mínimo o Livro Diário, que é registrado na junta comercial com a transcrição do Balanço, o Livro Razão, ou quaisquer outros documentos contábil-fiscais da empresa suficientes para comprovar o crédito. E no caso específico, para demonstrar a origem do crédito, seria indispensável a juntada aos autos dos comprovantes de retenção das fontes da pagadoras. Tais demonstrativos de retenção, cuja guarda é obrigatória à pessoa jurídica, é condição indispensável para a dedutibilidade do imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração. Registre-se que a contribuinte tem o dever de exigir o Informe de Rendimentos da fonte pagadora, cuja obrigação de fornecimento é prevista nas normas de regência (art. 733 do RIR/99). Neste sentido, como bem decidido no acórdão recorrido, cujas razões adota-se como parte da fundamentação do presente voto: "Tal documento consiste prova hábil, em favor da beneficiária dos pagamentos, da antecipação do imposto de renda devido ao final do período de apuração confrontado na declaração de rendimentos da contribuinte, independentemente do recolhimento do valor retido pela fonte pagadora, hipótese na qual, desta última será exigido o cumprimento da respectiva obrigação tributária, por ser a Fl. 233DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 responsável legal pelo pagamento do imposto efetivamente descontado da contribuinte, sob pena de responder pelo crime de apropriação indébita. (...) Ressalte-se que, no presente caso, em que pese o fato de não ter a contribuinte carreado aos autos qualquer documento comprobatório da retenção do imposto na fonte, consulta às DIRF, entregues pelas empresas pagadoras (fls. 68), permite confirmar que o Banco Panamericano S/A, CNPJ 59.285.411/0001-13, providenciou o pagamento à contribuinte do valor de R$105.026,40, sobre o qual foi retida a quantia de R$7.619,76, a título de imposto de renda retido na fonte. Tal quantia, porque comprovada, é dedutível do imposto de renda apurado ao final do período, que no caso presente, inexiste (zero), razão pela qual a importância retida se transforma em saldo negativo de IRPJ, no mesmo montante. Sem essas informações é impossível verificar a exatidão das informações declaradas pela Recorrente. Repise-se, não se está negando a existência de eventual crédito, mas é imprescindível a demonstração de erro no preenchimento da DCTF, que não pode ser feito apenas através da DIPJ, mas sim através de documentos contábil-fiscais da empresa. Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou nenhum documento relevante em sede de recurso voluntário. Outrossim, importante destacar que é exatamente em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábil- fiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter efetuado a homologação de ofício, uma vez identificada a correição das informações prestadas. O contrário - homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ - não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Da mesma forma, o princípio da legalidade, pelo qual ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, a menos que seja previsto em lei, também está sendo obedecido, pois a previsão de demonstração da liquidez e certeza do crédito é uma determinação legal. Se há dúvidas quanto à certeza do crédito, não se pode homologar a compensação, sob pena de descumprimento legal. Ressalta-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados, (inclusive, a petição acerca de parcelamento que nada interfere no julgamento do recurso voluntário apreciado), e as informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos, nos autos, elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do CTN, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235/2, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Fl. 234DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-000.758 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10882.903340/2008-25 Assim, de acordo com o já exposto, conclui-se que não foram carreados aos autos, pela Recorrente, os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e dos argumentos contidos no recurso voluntário. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000260/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Considerando-se ter a autoridade administrativa retificado o lançamento considerando decaído parte do crédito tributário e apropriado os pagamentos relativos ao lançamento, às alegações acerca destes temas perde o objeto.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
Numero da decisão: 2401-006.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Considerando-se ter a autoridade administrativa retificado o lançamento considerando decaído parte do crédito tributário e apropriado os pagamentos relativos ao lançamento, às alegações acerca destes temas perde o objeto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Considerandose ter a autoridade administrativa retificado o lançamento considerando decaído parte do crédito tributário e apropriado os pagamentos relativos ao lançamento, às alegações acerca destes temas perde o objeto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 02 60 /2 00 7- 11 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório OLIVEIRA OLIVEIRA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1721.470/2007, às e fls. 162/165, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais devidas ao INSS, arrecadadas pela empresa, repassadas parcialmente ao cofre público, em relação ao período de 02/2001 a 06/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 63/66 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no DEBCAD n° 37.073.3533. Conforme consta do Relatório Fiscal: 1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) de contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte arrecadada pelo empregador mediante desconto da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. 2. Verificada a ausência do repasse à Seguridade Social, das contribuições sociais dos segurados empregados, no período de 02/2001 a 04/2007, e dos contribuintes individuais, no período de 10/2003 a O4/2007, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração, o que configura, em tese, apropriação indébita previdenciária, de acordo com o disposto no art. 168A, inciso l, do Código Penal, Decretolei 2.848, de 07/12/1940, na redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, sendo que o fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal _ Ministerio Público Federal, em relatório à parte. (...) Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 4 3 5. A origem das contribuições devidas é proveniente das importâncias declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Realizada ação fiscal por fato gerador específico, tendo em vista os valores declarados em GFIP, para cumprimento da cobrança manual de divergências GFIP X GPS no período de 06/2000 a O4/2007. Considerando as informações constantes dos sistemas (...) A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, excluindo as competências cujos valores são inferiores a R$ 1,00, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 176/183, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, preliminarmente que seja decretada a decadência do período de 02/2001 a 04/2002, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. O contribuinte, consubstanciado em entendimentos jurisprudenciais, solicita, ad referendum, a possibilidade de parcelar o débito inconteste, citando a Lei n° 11.457/2007 (SuperReceita), art. 32, § 3°, inciso I que admite o parcelamento para os Estados, Distrito Federal, suas autarquias e fundações e uma decisão judicial que considerou extinta a punibilidade pelo não recolhimento de contribuições inseridas no crime do art. 95, “d” (não recolhimento de contribuições arrecadadas dos segurados ou do público), da Lei n° 8.212/91, pelo deferimento de parcelamento em momento anterior ao recebimento da denúncia. Afirma que durante o tramite do processo alhures, honrou outras competências que encontravamse em aberto, conforme cópia das guias em anexo. Assim, sendo o pagamento uma das modalidades de extinção do credito tributário, o autuado, requer a homologação expressa, com a conseqüente baixa dos meses de 12/05, 13/05, 0l/06, 02/06, 03/06, 04/06, 05/06, 06/06 e 07/06. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. A contribuinte em 11/09/2008, apresentou aditivo ao recurso informando ter efetuado o pagamento de todas as competências não decaídas. Posteriormente houve um Ofício da Justiça Federal solicitando a autoridade lançadora que manifestasse sobre as GPS juntadas. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 5 4 Em resposta ao ofício encimado, houve um despacho da autoridade administrativa de efls. 491/494, informando o seguinte: 1. Em atenção ao Ofício em referência, com cópia em anexo, pelo qual foi solicitado a esta Delegacia da Receita Federal do Brasilinformações sobre as Guias da Previdência SocialGPS, recolhidas por OLlVElRAOLIVEIRA MATERIAIS PARA CONSTRUÇAO LTDA, cujas cópias reprográficas› vieram anexas ao ofício, com numeração de fls. 655/745, para que se esclareça se as mesmas importam em pagamento integral dos débitos, objeto da' NFLD n.° 37.073.3533°, excluindose desta os débitos prescritos de acordo com a Súmula Vinculante n.° 08 do STF, foi enviado o OFÍCIODRFB/SANTOS/GAB N° 569/2009, do dia 25 próximo passado. 2. Ao final das informações prestadas, solicitouse dilação do prazo para poder retificar o Auto de Infração 37.073.3533, devido a decadência e a existência de GPS pagas até a data da lavratura do Al e que não foram apresentadas à fiscalização, como, também, para poder apropriar ao processo as GPS recolhidas após a lavratura do Al. 3. Entretanto, como o processo em questão, que se encontra com a 3.3 Câmara da 2.8 Seção do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF do Ministério da Fazenda para julgamento do recurso administrativo interposto pela empresa, poderá chegar a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil DRFB fora do prazo solicitado, optouse por realizar manualmente os cálculos solicitados por esse juízo, para se chegar ao saldo devedor, deixando para proceder a retificação do processo físico e a retificação junto aos sistemas informatizados da Receita Federal do BrasilFIFB após a chegada do Auto de Infração 37.073.3533. 4. Dessa forma, excluindose do crédito tributário incluído no AI 37.073.3533 as competências 02/2001, 05/2001, 07/2001 a 11/2001, 13/2001, 03//2002 e 04/2002 que foram alcançadas pela decadência, conforme determinado pela Súmula Vinculante n.° 08 do STF, excluindose as GPS recolhidas pelo contribuinte até a data da lavratura do Al, mas que não foram apresentadas à fiscalização, e excluindose as GPS recolhidas pela empresa após a lavratura do Al, temse que o contribuinte continua em débito nas competências 12/2001, 01/2002, 02/2002, 06/2002 a 08/2002, 10/2002 a 12/2002, 01/2003 a 03/2003, 04/2004 e 07/2005, conforme quadro abaixo, cu¡os dados foram extraídos do relatório que ,acompanhou o AI 37.073.3533, DAD DISCRIMINATIVO ANALITICO DO DEBITO, com cópia anexada às informações encaminhadas por meio do OFICIO DRFB/SANTOS/GAB N.° 569/2009, e_ foram extraídos os dados das GPS, cujas cópias acompanharam o OFÍCIO N.° 317/2009 CR, de 30/04/2009, enviado por esse Órgão: (...) Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 6 5 5. No quadro acima, temos que as competências alcançadas pela decadência encontramse com a marcação “DECAD” na coluna “OBS”. Os valores ainda devidos encontramse demonstrados na coluna “A RECOLHER”. E as competências marcadas com dois asterísticos (**) na coluna “OBS” foram recolhidas a maior pelo contribuinte, 6. Para o reconhecimento das competências alcançadas pela decadência, 02/2001, 07/2001 a 11/2001, 13/2001, O3//2002 e 04/2002, foi aplicada a regra especial determinada pelo § 4.° do art. 150 do CTN, uma vez que nesta competências o contribuinte recolheu parcialmente o quantum devido. Logo, a contagem dos cinco anos deu›se a partir da ocorrência do fato gerador. 7. Para a competência 05/2001, em que o pagamento foi efetuado em 02/10/2003, e não como devido, no dia 04/06/2001, conforme se observa pela tela extraída do SISTEMA DE ARRECADAÇÃO DATAPREV, em anexo, foi aplicada a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a contagem do prazo decadencial teve início a partir “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Logo, esta competência encontrase alcançada pela decadência. 8. Para as competências 12/2001, 01/2002 e 02/2002, em que nenhum pagamento toi_ efetuado pela empresa, conforme telas extraídas do SISTEMA DE ARRECADAÇAO DATAPREV, em anexo, a regra cabível é a do inciso I do art. 173 do CTN. Assim, a contagem do prazo decadencial teve início a partir “do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Dessa forma, tais competências náo se encontram abrangidas pela decadência. 9. Concluindo, temse que a empresa OLIVEIRA OLIVEIRA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA encontrase devendo as competências 12/2001, 01/2002, 02/2002, 06/2002 a 08/2002, 10/2002 a .12/2002, 01/2003 a 03/2003, 04/2004 e 07/2005, conforme se demonstrou no' item 4. Informase, ainda, que os valores constantes do discriminativo encontramse em valor original, sem os devidos acréscimos legais. Tais recolhimentoš deverão ser feitos em guias de recolhimentos previdenciários, especificas para o processo, emitidas pela Agência da Receita Federal do Brasil em Guarujá. Em observância a resposta fiscal acima, foi elaborado Despacho Decisório DRFB/STS/N° 047/2009, retificando o lançamento nos termos da informação. Regularmente intimada, a contribuinte permaneceu inerte. É o relatório. Voto Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 7 6 Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, tratase de lançamento concernente às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais devidas ao INSS, arrecadadas pela empresa, repassadas parcialmente ao cofre público, em relação ao período de 02/2001 a 06/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 63/66 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no DEBCAD n° 37.073.3533. No recurso, a contribuinte repisa às alegações da impugnação, suscitando que seja decretada a decadência dos fatos gerados de acordo com a Súmula n° 8 do STF, consideração dos pagamentos efetuados e parcelamento do crédito remanescente. Durante o seguimento do feito, diante do ofício da JF, foi elaborado Despacho Decisório DRFB/STS/N° 047/2009, de 08 de junho de 2009, às efls. 511/519, declarando extintas às decadências 02/2001 a 11/2001 e 13/2001 nos termos da Súmula n° 8 do STF e Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 e apropriar as GPS pagas pela contribuinte após a data da lavratura da Notificação. Com efeito, intimada do Despacho encimado, a contribuinte permaneceu inerte. De sorte que a exoneração do crédito tributário já havia se consolidado em favor da contribuinte, nos termos requeridos no recurso. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que o objeto não esteja mais em litígio, motivo pelo qual trataremos apenas o pedido de parcelamento do saldo remanescente, o que fazemos a seguir: MÉRITO PEDIDO DE PARCELAMENTO A contribuinte pugna pelo parcelamento do crédito não decaído e não pago. Nesse ponto, vale esclarecer que este órgão julgador não é competente para conhecer e decidir sobre pedido de parcelamento, a teor do contido no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, redação dada pela Portaria MF 153, de 2018, artigo 1º do Anexo I, que assim dispõe: Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1a (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese pela norma antes transcrita, que não cabe a este Colegiado decidir sobre pedido de parcelamento. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15983.000260/200711 Acórdão n.º 2401006.779 S2C4T1 Fl. 8 7 Caso a recorrente tenha interesse em parcelar sua dívida, informações sobre formas e meios de obtenção de parcelamento poderão ser obtidas junto Receita Federal do Brasil. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13737.000330/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF)
Ano-calendário: 2005
IRPF. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2402-007.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) Ano-calendário: 2005 IRPF. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
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RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 13-20.929 da 3ª Turma da DRJ/RJOII (fl. 87) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, tem-se que: Foi efetuada notificação de lançamento As fls. 08 a 11 em razão de apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Consta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 7. 00 03 30 /2 00 8- 06 Fl. 123DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.437 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13737.000330/2008-06 complementação da descrição dos fatos que o depósito efetuado para Cristina Ferreira Queiroz não foi considerado como dedução para o valor tributado. 0 resultado do lançamento reduziu o saldo de imposto a restituir no valor de R$14.902,41, apurado pelo contribuinte, para imposto a restituir no valor de R$11.880,45. O Contribuinte apresentou a impugnação de fl. 01,alegando, em síntese, que o valor lançado foi decorrente de despesa com advogada e juntou o comprovante de transferência bancdria fl. 02. A DRJ, por meio do susodito Acórdão º 13-20.929 (fl. 87), julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que: Não há, nos autos, qualquer elemento que vincule a transferência bancária apresentada pelo contribuinte A fl. 02 com suposta despesa com advogado decorrente da reclamatória trabalhista, conforme alegou o interessado. (...) Acrescente-se que, em consulta ao sitio do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, verificou-se que o patrono do contribuinte da reclamatória trabalhista no 1325 (processo nº 01325-1990-022-01), em tramitação na 22ª Vara do Trabalho, é a Sra. Maria Goretti Bulhões Carvalho, OAB RJ67001, diferente, portanto, da beneficiária da transferência bancária apresentada pelo contribuinte. Cientificado, com vistas a afastar os fundamentos da decisão da DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 103, reiterando os argumentos e esclarecimentos da impugnação outrora apresentada, bem como juntando aos autos os documentos de fls. 105 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a lide em questão se restringe à apuração de omissão de rendimentos no valor de R$ 10.988,94, conforme descrição dos fatos à fl. 11. O contribuinte alega que não se trata de omissão de rendimentos, mas sim de despesa com advogado, dedutível da base de cálculo do imposto. De fato, de acordo com a fiscalização, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 10.988,94 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF)sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. A Autoridade Administrativa Fiscal complementou a descrição dos fatos, destacando que a omissão de R$ 10.988,94 referente a fonte pagadora CNPJ 42.487.983.0001- 82, foi apurada tendo em vista que o depósito efetuado para Cristina Ferreira Queiroz, não foi considerado como dedução para o valor tributado. O Contribuinte, na impugnação apresentada (fl. 02), destacou que o montante de R$ 10.988,04 foi deduzido da base de cálculo do IR, por se tratar de despesa referente a honorários advocatícios, conforme cálculos abaixo (elaborados pelo próprio Contribuinte): Fl. 124DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.437 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13737.000330/2008-06 Com vistas a comprovar o quanto alegado, o Contribuinte trouxe aos autos, naquela oportunidade (i) comprovante de transferência bancária, no valor de R$ 10.988,00, em favor de Cristina Ferreira Queiroz (CPF nº 000.589.007-13) (fl. 03) e (ii) comprovante de recolhimento IRRF decorrente da ação judicial, no valor de R$ 25.542,83 (fl. 04). A DRJ, por seu turno, em face dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo, concluiu que: Não há, nos autos, qualquer elemento que vincule a transferência bancária apresentada pelo contribuinte com suposta despesa com advogado decorrente da reclamatória trabalhista, conforme alegou o interessado; Acrescente-se que, em consulta ao sitio do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, verificou-se que o patrono do contribuinte da reclamatória trabalhista no 1325 (processo nº 01325-1990-022-01), em tramitação na 22ª Vara do Trabalho, é a Sra. Maria Goretti Bulhões Carvalho, OAB RJ67001, diferente, portanto, da beneficiária da transferência bancária apresentada pelo contribuinte. Com vistas a afastar os fundamentos adotados pelo órgão julgador de primeira instância, o Contribuinte, em seu recurso voluntário, apresentou e esclareceu que: A Drª Maria Goretti Azevedo Alves dos Santos apresentou, na ação trabalhista, substabelecimento em favor da Drª Maria Cristina Ferreira Queiroz (fl. 105); Cópia de Recibo, firmada pela Drª Maria Cristina Ferreira Queiroz, informando que recebeu do Sr. Edwin Douglas Murray, o valor de R$ 10.988,00, calculado sob o percentual de 20% do valor de R$ 54.939,98, consignado no Alvará nº 0592/05, expedido em 27 de julho de 2005 (fl. 109); Cópia do Alvará Judicial nº 0592/05, no valor de R$ 54.939,98. Fl. 125DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.437 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13737.000330/2008-06 Neste contexto, considerando a motivação da Notificação de Lançamento e, por conseguinte, da DRJ, no sentido de que não foi possível acatar a dedução do montante de R$ 10.988,00, em razão (i) da falta de vinculação da transferência bancária apresentada com suposta despesa com advogado decorrente da reclamatória trabalhista e (ii) da verificação de que o patrono do contribuinte da reclamatória trabalhista nº 1325 (processo nº 01325-1990-022-01), em tramitação na 22ª Vara do Trabalho, é a Sra. Maria Goretti Bulhões Carvalho, OAB RJ67001, diferente, portanto, da beneficiária da transferência bancária apresentada pelo contribuinte, em face dos esclarecimentos e dos documentos apresentados pelo Recorrente impõe-se a reforma da r. decisão. De fato, dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, resta claro e evidente que o montante de R$ 10.988,00, deduzido pelo contribuinte da base de cálculo do IR, refere-se ao pagamento de honorários advocatícios por serviços profissionais prestados nos autos da Reclamação Trabalhista nº 001325/90 em face da EMPRESA ASTROMARITIMA NAVEGAÇÃO S/A, distribuída para a 22ª. Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, conforme atesta o recibo de fls. 109. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 126DF CARF MF
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