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Numero do processo: 16327.907262/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO.
São cabíveis embargos de declaração para corrigir omissão de acórdão.
No caso, o contribuinte apresentou, ainda que indiretamente, em sede de recurso voluntário, pedido de diligência junto aos seus tomadores de serviço, que não foi analisado pelo acórdão embargado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Pedido de Diligência Indeferido.
Numero da decisão: 1102-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, para sanar a omissão apontada, e assim indeferir o pedido de diligência, rerratificando o Acórdão nº 1102-000.988, de 4 de dezembro de 2013, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para corrigir omissão de acórdão. No caso, o contribuinte apresentou, ainda que indiretamente, em sede de recurso voluntário, pedido de diligência junto aos seus tomadores de serviço, que não foi analisado pelo acórdão embargado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Embargos de Declaração Acolhidos. Pedido de Diligência Indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, para sanar a omissão apontada, e assim indeferir o pedido de diligência, rerratificando o Acórdão nº 1102-000.988, de 4 de dezembro de 2013, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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OMISSÃO DO JULGADO. CABIMENTO. São cabíveis embargos de declaração para corrigir omissão de acórdão. No caso, o contribuinte apresentou, ainda que indiretamente, em sede de recurso voluntário, pedido de diligência junto aos seus tomadores de serviço, que não foi analisado pelo acórdão embargado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Embargos de Declaração Acolhidos. Pedido de Diligência Indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos, para sanar a omissão apontada, e assim indeferir o pedido de diligência, rerratificando o Acórdão nº 1102000.988, de 4 de dezembro de 2013, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 72 62 /2 00 8- 10 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.907262/200810 Acórdão n.º 1102001.194 S1C1T2 Fl. 438 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório O Acórdão 1102000.988, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 398 a 405), julgado na sessão plenária de 4 de dezembro de 2013, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PROVA. Os documentos apresentados demonstram a existência de saldo negativo do ano de 2004 em valor equivalente ao reconhecido pela autoridade fiscal, não tendo sido produzidas provas suficientes para reconhecer qualquer parcela adicional de crédito. Recurso Voluntário Negado. Cientificado do acórdão em 3/6/2014, data em que efetuou a consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária (fl. 413), o contribuinte apresentou embargos de declaração no dia 9/6/2014 (fl. 415 a 418), com fulcro no art. 65 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Afirma o embargante que o acórdão embargado foi omisso, quando não se manifestou sobre o pedido de diligência perante os tomadores de serviço de assessoria em operações de câmbio. Acrescenta que tal omissão se torna ainda mais evidente quando se verifica, a partir da leitura do relatório do acórdão, que o contribuinte efetivamente pediu a realização de diligências em seu recurso voluntário. No despacho de fls. 434 a 436, reconhecendo a omissão apontada, propus a admissão do recurso, entendimento referendado pelo Presidente da Turma, que determinou a inclusão do processo em pauta. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste despacho dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.907262/200810 Acórdão n.º 1102001.194 S1C1T2 Fl. 439 3 É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso foi apresentado no prazo do 1o do art. 65 do anexo II do RICARF, sendo, portanto, tempestivo. Por atender às demais condições de admissibilidade, merece ser conhecido. O embargante afirma que o julgado embargado não se manifestou sobre o pedido de diligência perante os tomadores de serviço de assessoria em operações de câmbio. Como esclarecido no despacho de fls. 434 a 436, na condição de relator da decisão embargada, não apreciei o pedido de realização de diligência por entender que ele somente havia sido postulado na manifestação de inconformidade, mas não repetido no recurso voluntário. Isso porque o pedido de diligência foi apenas mencionado de forma indireta no recurso voluntário, mas não foi manifestamente postulado no final do recurso. De qualquer modo, com a interposição dos embargos, achei por bem trazer a matéria para a apreciação da Turma Julgadora, para evitar possível cerceamento de defesa. O pedido de diligência foi assim colocado na manifestação de inconformidade (fl. 14): (viii) Subsidiariamente, na remota hipótese de a D. Autoridade Julgadora entender que os documentos juntados não são suficientes a comprovar o montante do crédito, deve ser deferido o pedido de diligência às fontes pagadoras para verificar se os valores retidos por elas foram devidamente repassados aos Cofres Públicos, já que é a Administração a única entidade competente para exigir o cumprimento de obrigações tributárias. A decisão de primeira instância indeferiu o pedido por entender que ele não formulava quesitos específicos, que o processo estava suficientemente instruído e que o julgamento prescindia de outras verificações. De fato, não há necessidade de realização de novas diligências. Recordese que o crédito total pleiteado era de R$ 212.708,30 e que o valor reconhecido foi de R$ 210.989,31, estando em discussão o montante de R$ 1.718,99 de IRRF, código 1708, retido pela fonte pagadora de CNPJ nº 60.701.190/000104. Os autos estão devidamente instruídos com as notas fiscais e extratos bancários que demonstram as retenções efetuadas, e o acórdão embargado realizou meticulosa conferência de todos o valores, excluindo notas de anocalendário diverso, e concluiu não existirem novos valores a reconhecer. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.907262/200810 Acórdão n.º 1102001.194 S1C1T2 Fl. 440 4 Todas as retenções constantes das notas fiscais admitidas foram consideradas no cálculo, não tendo sido excluídos valores sob o argumento de que a fonte pagadora não teria repassado as retenções para os Cofres Públicos, sendo desnecessária a verificação solicitada. Não se pode perder de vista que o ônus da prova incumbe a quem alega, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. Desse modo, nos processos de compensação, cabe ao contribuinte a comprovação do seu crédito, não sendo lícito a transferência dessa tarefa para o Fisco, em especial quando não se demonstra criteriosamente qual a prova a que não se tem acesso, e que poderia ser obtida em sede de diligência junto à fonte pagadora. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração opostos, para sanar a omissão apontada, e assim indeferir o pedido de diligência, rerratificando o Acórdão nº 1102000.988, de 4 de dezembro de 2013, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 09/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000077/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO.
Considerando a inexistência de omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o exame de fundamentação não apreciada pelo colegiado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o exame de fundamentação não apreciada pelo colegiado. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão ou contradição na decisão embargada, impõese a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o exame de fundamentação não apreciada pelo colegiado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 77 /2 00 5- 58 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801004.542 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra termos parciais em que foi proferido o Acórdão nº 3801002.042, de 21 de agosto de 2013, sob o argumento da existência de omissão no acórdão. Em síntese, sustenta que o óleo ABPF tem como função produzir calor e é utilizado em equipamentos destinados à geração de energia térmica. Sustenta que a autorização para o aproveitamento de crédito ligado à energia térmica somente surgiu com a Lei n° 11.488/2007. Assim, antes de 2007, não havia autorização legal para esse aproveitamento. Discorda do entendimento da Turma que afastou a glosa de crédito decorrente da aquisição de óleo utilizado para gerar energia térmica dos períodos de 01/12/2004 a 31/12/2004. Por fim, requereu que os embargos de declaração fossem conhecidos e acolhidos, a fim de sanar o vício acima apontado e préquestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801004.542 S3TE01 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A Fazenda Nacional sustenta que houve uma omissão no Acórdão. Convém lembrar que, em regra, a omissão é a falta de apreciação de um ponto específico relevante. Como será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão. A primeira observação a fazer é que a Fazenda Nacional equivocouse em relação à interpretação do acórdão embargado. A efetiva compreensão do decidido pelo colegiado passa necessariamente pelo exame do conceito de insumo. Destarte, o Colegiado a partir do exame dos elementos comprobatórios, em especial a descrição do processo produtivo, manifestouse no sentido de que o óleo combustível TP ABPF configura insumo de acordo com o processo produtivo, conforme excerto abaixo: Ao contrário dos demais combustíveis, o óleo combustível TP A BPF, que é utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), configura insumo, visto que é consumido diretamente no processo fabril.(grifouse) Como visto, no acórdão guerreado há menção explícita de que o óleo combustível é um insumo em face de que ele é consumido diretamente no processo fabril, sendo irrelevante para essa caracterização que ele tenha a função de produzir calor e é utilizado em equipamentos destinados à geração de energia térmica. Tenhase presente que a autoridade fiscal que efetuou a glosa também não discutiu essa matéria sob o ângulo de geração de energia térmica. A fiscalização federal apenas afirmou que este bem não se enquadra no conceito de insumo. Neste ponto específico é que o colegiado discordou. Deste modo, não ficou caracterizada uma suposta omissão, pelo contrário evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria sob outro fundamento, o que não é viável no recurso de embargos de declaração. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13204.000077/200558 Acórdão n.º 3801004.542 S3TE01 Fl. 13 4 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13971.005407/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa.
Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.
Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 07 /2 01 0- 78 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizandose dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 10/2005 a 06/2010. O Relatório Fiscal (fls. 62/86) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são oriundos das remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços às pessoas jurídicas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Isso porque, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas referidas empresas, todas optantes pelo SIMPLES, constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, que foram instituídas com o propósito de abrigar a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes desta. Dessa forma, a autuada deixou de recolher a contribuição previdenciária patronal devida, incidente sobre a remuneração dos segurados, pois 95% dos empregados foram registrados nos CNPJ das empresas vinculadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/12/2010 (fls. 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 99/145), alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização, na tentativa de vincular a impugnante às empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, inscrita no SIMPLES, se se apegou a algumas questões, valendose de parcas provas, sem se atentar à realidade das operações de natureza têxtil, onde é muito comum a abertura de empresas por antigos empregados, para regularmente atender aos antigos patrões, algumas vezes com caráter de exclusividade e outras não. Os depoimentos colhidos pela fiscalização não se prestam ao fim pretendido, pois são fruto de perguntas direcionadas e tendenciosas, tudo com o objetivo de montar uma realidade inexistente de fato; 2. ela mantém contratos de prestação de serviços com as empresas Patrick Malhas e Novatextil, a teor de tais instrumentos a contratada é responsável por todos os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais, relativos aos empregados utilizados na execução dos serviços objeto deste contrato, tampouco estabelecem qualquer vínculo empregatício em relação ao pessoal que a contratada empregar para execução dos serviços ora contratados; 3. quanto às alegadas transferências de empregados de uma empresa para outra, afirma que as mesmas se deram conforme as Fl. 675DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 conveniências de cada uma das empresas envolvidas, sendo que a ausência de pagamento das verbas rescisórias decorre, única e tão somente, da relação de confiança instalada entre elas, no sentido de que os trabalhadores não terão os seus direitos preteridos. O fato de a contabilidade de todas as empresas ser de responsabilidade do Sr. Raul de Oliveira é irrelevante, pois é dado aos profissionais desta área atender a vários clientes simultaneamente; é perfeitamente possível que a sociedade outorgue procuração para que um estranho ao quadro societário a represente; 4. no tocante as despesas, pretensamente suportadas pela impugnante, cumpre dizer que, além de não comprovadas as referidas alegações, ainda que esta situação fosse verdade, isto seria facilmente explicável, vez que as terceiras empresas, por conta das industrializações procedidas, têm créditos contra a impugnante, que poderiam ser parcialmente compensados com estas despesas; 5. no tocante ao maquinário, aduz é muito normal à cessão de uso, a título gratuito, por empresas que encomendam industrialização de terceiros, para que estes o operem; em muitos casos há máquinas "encalhadas" de um lado e pessoas interessadas em utilizálas de outro, havendo empréstimos apenas por questões de amizade ou relações comerciais; tanto isto é verdade que a Patrick Malhas, por ex., recebeu em comodato máquinas da empresa Erdeck Comércio e Representações; além disso, consoante documentos anexos 6, comprovam que as referidas empresas também o adquirem, em seu nome, máquinas e equipamentos, o que obviamente desqualifica a pretendida vinculação patrimonial; 6. no ramo de confecções é comum a montagem apenas de um setor administrativo, para conduzir a industrialização procedida por terceiras empresas. O que vale, em tais negócios, é o knowhow dessas pessoas; o envio de insumos, para terceiros os transformarem em produtos acabados é uma atividade tipicamente industrial e licita, não havendo motivos para lhe aplica a pecha de fraude; ao contrário do alega a fiscalização não há em ordem de serviços, mas, sim, “direito a exigir eficiência e qualidade na fabricação dos produtos”; 7. inexiste prova material de pessoalidade, nãoeventualidade, subordinação e nem de onerosidade entre a impugnante e os funcionários/sócios das terceiras empresas, não havendo, ao contrário do que pretende a fiscalização, como se falar em relação de emprego; 8. no que tange ao levantamento das contribuições incidentes sobre os supostos valores pagos por fora da folha de pagamento cumpre registrar que, diante da falta da lavratura do termo de apreensão dos recibos que serviram de base para a fiscalização, não foram respeitadas as formalidades inerentes ao processo previstas no art. 9º, do Decreto 70.235/1972, logo, os referidos documentos não podem ser convalidados e conseqüentemente, o levantamento padece do vício de nulidade; nos termos da teoria dos frutos podres, toda e qualquer pretensa evidência, colhida de uma prova inválida, também deve ser tida por improcedente; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 4 5 9. na base de cálculo das contribuições em análise foram incluídas diversas verbas indevidas, tais como: auxiliadoença, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, aviso prévio indenizado, 13 ° salário auxilio creche e adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de horasextras, devendo eles ser excluídos, mas como não é possível proceder de tal forma, forçosamente se conclui pela incerteza e iliquidez do débito reclamado, impondo como medida de justiça o seu cancelamento por completo. Caso não se repute totalmente nulas as notificações fiscais, então deverão ser excluídos os valores acima mencionados, mediante a formalização das diligências necessárias e reabertura de prazo para defesa; 10. o agente fiscal cometeu um grande equivoco ao fundir as duas espécies de penalidade aplica (multa isolada + multa de oficio), mediante aplicação retroativa da Lei 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste auto de infração decorre do não recolhimento de tributo, o ilustre fiscal alterou a natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de oficio como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores; assim, na remota hipótese de se entender pela subsistência de alguma das penalidades, deve ser aplicada ao caso em concreto as disposições contidas no art. 35, da Lei 8.212/1991, que como se sabe tem sua multa iniciada em 12%, progressiva no tempo, podendo chegar a até 100%; 11. o pressuposto para a aplicação da multa de oficio majorada, tanto na redação original do art. 44, da Lei 9.430/1996, como na redação atual, dada pela Lei 11.488/2007, é que esteja configurada ao menos uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei 4.502/1964; da leitura dos referidos dispositivos se colhe que todas as condutas neles descritas somente podem ser consideradas como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova, o que não ocorreu no caso em comento, inconcebível, portanto a sua aplicação; 12. afirma que as contribuições apuradas na competência 11/2005 e anteriores restam fulminadas pelo instituto da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0731.808 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 603/613) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas na caracterização do fato gerador e na aplicação da multa. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador e das multas lançadas. Tratandose de lançamento de ofício, a multa a ser aplicada é a de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, ou a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, dependendo da data do fato gerador da contribuição, haja vista as alterações da legislação pertinente, introduzida pela MP nº 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Esses fundamentos legais foram devidamente registrados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e nas planilhas de cálculos comparativos da aplicação da multa. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/420) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Fl. 679DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 62/86) e seus anexos (fls. 01/61 e 87/600) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Discriminativo Sindético de Debito (DSD); planilhas de cálculos comparativos de aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/600) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Dentro desse contexto, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância não examinou os itens 145 a 161 da sua peça de impugnação e, com isso, deixou de apreciar, no cálculo da multa, as GFIP’s apresentadas pelas terceiras pessoas. Tal alegação não será acatada, já que a decisão de primeira instância mencionou que “(...) os argumentos apresentados pela defendente não desqualificam o procedimento fiscal, ou porque são irrelevantes, ou porque não trouxeram aos autos nenhuma prova de suas alegações, ou porque tais não podem ser analisados isoladamente como pretende. O que prevalece, no presente caso, é o somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam apenas indícios, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo sentido, que conduz à inevitável conclusão de que as empresas estão intimamente interligadas, fato que não acontece em simples relações comerciais”. Além disso, a decisão de primeira instância registrou que apreciou as folhas de pagamento das terceiras pessoas no momento em que mencionou que “(...) os valores constantes dos levantamentos FO, FF, FS e F7 e desdobramentos, foram extraídos das folhas de pagamento das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA. ME e Confecções Sevem LTDA. ME, sendo por elas declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Fl. 680DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 6 9 Informações à Previdência Social GFIP, observadas as peculiaridades devidas das rubricas declaradas”. E, nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão – no caso em tela a utilização de terceiras pessoas na contratação de mão de obra –, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Com relação à alegação de que os recibos de pagamentos por fora (extrafolha) não foram entregues pela Recorrente e nem houve o termo de apreensão desses recibos, cumpre esclarecer que a Recorrente foi devidamente intimada para a apresentação das pastas referentes aos documentos dos empregados, e, junto a estes documentos, encontravam se tais recibos de pagamentos. Os valores constante dos recibos de pagamentos não constavam da folha de pagamento, tampouco foram declarados em GFIP, conforme cópias de fls. 250/356 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 (processo 13971.005406/201023). Com isso, esses valores foram lançados como salário de contribuição (base de cálculo), sendo, portanto, correto o procedimento adotado pelo Fisco e não será acatada a alegação da Recorrente de nulidade desse procedimento. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada, em parte, a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 11/2005 teriam sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 682DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento fiscal em tela referese às competências 10/2005 a 06/2010 e foi efetuado em 08/12/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 02). Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que a empresa simulou ou fraudou uma situação que não aparenta a realidade dos fatos contábeis, eis que o Fisco evidenciou que, do ponto de vista formal, havia apenas uma empresa, a Recorrente, conforme os fatos delineados no Relatório Fiscal (itens 9 a 11, fls. 70/95, processo 13971.005406/201023). Tais fatos evidenciaram que a escrituração contábil da Recorrente não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, escampando para uma Fl. 683DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 simulação na contratação da mão de obra por meio de interpostas pessoas jurídicas (empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME), e serão enumerados no item seguinte. Ao contrário do afirmado pela Recorrente e considerando que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação (simulação ou fraude), entendese pela aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a alegação de decadência não será acatada, eis que as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência e o lançamento fiscal referese ao período de 10/2005 a 06/2010, fora do período decadencial, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, rejeito a alegação de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame das demais questões. Com relação à caracterização da relação jurídica material dos segurados empregados, constatase que o Fisco concluiu que, durante o período fiscalizado, havia apenas uma única empresa, qual seja, a Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente). E, afirma que essa relação material dos empregados era distinta da relação formal estabelecida com as empresas: Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, todas optante pelo SIMPLES a época dos fatos geradores. No presente caso analisado, os elementos informativos apontam que não há três empresas, relativamente aos trabalhadores remunerados, mas apenas uma, a saber, a Recorrente (Vog Comercial Têxtil Ltda), pelos seguintes motivos: 1. a Recorrente iniciou suas atividades em 01/10/2002, com o nome de Novatêxtil Ltda, tendo como sócios o casal Odete e Vilmar Glasenapp (sócio da Villa Confecções Ltda., até 01/10/2002), ambos com 50% de participação e objeto social o ramo de indústria e comércio e representação de confecções em malha, com sede na Rua: Gustavo Zimmermann, número 4.075, Bairro Itupava, Blumenau/SC. Em janeiro de 2003 o sócio Vilmar foi substituído na sociedade pela sua filha menor, representada pelo pai. Odete Glasenapp passou a responder pela empresa. E em sua 5ª alteração alterou o nome empresarial para VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda., e o seu objeto social passou a ser "desenvolvimento de produtos da moda em malha, show room, indústria, comércio e exportação de artigos do vestuário em geral, tendo como atividade secundária o fornecimento de alimentos através de seu próprio refeitório"; 2. a Novatêxtil Ltda – ME, iniciou suas atividades em 01/08/2003, tendo como sócios Alirio José Nardeli (administrador) – exfuncionário de Villa Confecções Ltda., no período de 02/05/2000 a 30/08/2003 –, e Gisela de Souza também era funcionária da Villa Confecções Ltda. até 03/2003, e objetivo social de explorar o ramo de "indústria, comércio e facção de artigos do vestuário em geral. Em 20/07/2004, Alirio José Nardeli foi substituído na sociedade por Raul de Oliveira (contador) e a partir de 01/08/2004, foi registrado na própria empresa como encarregado do setor de costura. Enquanto que Gisela de Souza, Fl. 684DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 8 13 além de fazer parte do quadro societário da empresa Novatêxtil Ltda. – ME, a partir de 01/05/2008 foi registrada pela Recorrente como inspetora de qualidade de produtos oriundas das facções. Várias foram as alterações contratuais relativas à mudança de endereço, todas no sentido de acompanhar as mudanças de endereço da VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda. Atualmente os segurados empregados de ambas empresas trabalham juntos no mesmo endereço; 3. a Patrick Malhas Ltda ME iniciou suas atividades em 01/08/2003. Seu objetivo era a "industrialização de artigos têxteis, corte de malhas, estampa e embalagem de artigos em malha, tendo como sócios Nelson Stolb (administrador) que até 01/08/2003 também era funcionário da Villa Confeccções Ltda., Lorimar Rohweder e René Beck. Na 3º alteração contratual (abril de 2010), o seu objeto social passou a ser "fabricação de tecidos de malha por conta e ordem de terceiros" e novos sócios Renaldo Testoni e Bianca Testoni assumiram a sociedade. A maioria dos seus empregados também no mesmo endereço que os empregados das empresas Novatêxtil Ltda. – ME, e VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda; 4. A Confecções Sevem Ltda – ME, foi constituída em 01/05/1997, tendo como sócios Nilson Nivaldo de Oliveira e Rosane Fiedier de Oliveira exfuncionária da Villa Confecções Ltda. Mas, apesar de manter 45 empregados registrados e trabalhando em um endereço fora da sede da autuada, em entrevista Rosane Fiedier de Oliveira declarou “que o Sr. Vilmar Glasenapp é responsável pelo pagamento de salário dos seus empregados, todas as despesas, tributos, processos trabalhistas, etc..., inclusive paga um salário” pra ela na condição de sócia gerente. Ou seja, eles são “sócios” mas não correm nenhum risco econômico; 5. as despesas como água, luz, telefone, refeitório, matérias de consumo, matéria prima, despesas operacionais e as demandas trabalhistas, incorridas pelas contratadas são todas suportadas pela Recorrente; 6. apesar de cada uma das empresas vinculadas possuírem conta em banco, existem procurações envolvendo todos os “supostos sócios”, o contador, a financeira e Vilmar Glasenapp, dando plenos poderes para estes movimentarem as referidas contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com a relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da autuada em anexo. Os documentos de caixa apresentados pelas empresas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela impugnante. Dentre os poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível, vale transportes, aluguéis, Fl. 685DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 dentre outros. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da Recorrente como responsável. Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a Iracema Baer responsável pelo setor financeiro e para Vilmar Glasenapp e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações leva a marca "novatêxtil"; 7. o contador deixou de apresentar a contabilidade das empresas vinculadas, justificandose que as mesmas são optante pelo Simples. Apresentou apenas o razão da conta caixa, o qual, haja vista a discrepância existente entre os dados apresentados e as contas pagas, não serve para qualquer análise. As referidas empresas apresentam as contas como pagas por ela, sem, no entanto, registrar esses pagamentos porque na verdade foram pagos pelo caixa/financeiro da Recorrente; 8. as máquinas e equipamentos são de propriedade da Recorrente, os quais, por meio de um Contrato de Comodato e Prestação de Serviços foram transferidos para o imobilizado da empresas “simuladas”, sem qualquer garantia ou fiador. No referido contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral". Ou seja, frise – se novamente, os empregados registrados nas empresas optante pelo SIMPLES fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas a título de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na autuada cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio; 9. no período fiscalizado, da análise do demonstrativo de resultado das empresas, fls. 88 e 89, verificase que faturamento das interpostas pessoas jurídicas não era suficiente para cobrir as despesas com as suas respectivas folhas de pagamento, enquanto que a folha de pagamento da Recorrente não chegou a 3% do seu faturamento. A Recorrente é o único cliente destas, para quem as mesmas fornecem toda a mão de obra através de contrato de prestação de serviço com exclusividade. A requerente encaminha toda a matériaprima por meio de nota de remessa para industrialização por encomenda enquanto que as supostas prestadoras de serviço devolvem as mercadorias como serviço prestado; 10. entrevistas realizadas com os segurados das empresas arroladas e informações extraídas do sistema informatizado CNIS, extratos de fls. 214/237 demonstraram o movimento de registro de empregados entre as empresas, os quais na maioria das vezes permaneceram executando as mesmas funções no mesmo local. Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracteriza a fraude objetiva ou simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência da relação obrigacional com as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME ser apenas formal e não material. E, estando presentes os Fl. 686DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 9 15 requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da real relação obrigacional tributária entre as partes: segurados empregados e a Recorrente. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). A Recorrente alega que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, nem poderia aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco poderá descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária, que foi o caso dos autos. De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o Fl. 687DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Para tanto, o Fisco informa que o lançamento fiscal tem como fundamento o fato de que as empresas vinculadas estão sendo utilizadas pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela, e delineia, dentre outros, os seguintes motivos: “[...] CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 9. Introdução 9.1. A VOG mantém em torno de 280 empregados alocados nessas empresas vinculadas, constituídas para serem optantes pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Tais empresas estão em nome de seus empregados e operam exclusivamente para a VOG em suas instalações ou em tomo dela, usando seus próprios maquinários e equipamentos, sendo administradas por ela através do seu financeiro, ou seja, ela paga todas as despesas desses CNPJ vinculados como energia elétrica, água, telefone, alimentação, tributos, folhas de pagamentos etc. (...) DA CONTABILIDADE BLUMECON 0 contador Raul de Oliveira é outro parceiro do Sr. Vilmar desde a Villa Confecções. É dele a responsabilidade de constituir essas ME e "sócio" da Novatêxtil. E o assessor direto do proprietário e tem procuração para administrar a VOG e as firmas vinculadas. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 10 17 Curioso é que a Blumecon paralisou as suas atividades previdenciárias de abril de 2004 até fevereiro de 2010. Simplesmente não registrou ninguém, não declarou nada e não contribuiu com nada para o INSS (nem mesmo sobre o pró labore). Mas como assessorar um negócio do tamanho da VOG, envolvendo vários CNPJ e outros pequenos terceirizados sozinho. Simples. Utilizando a mão de obra de empregados registrados em outras ME. Alessandro Muller (o Sandro), conhecido no bairro como "sócio" do sr. Raul e responsável por todas as folhas de pagamento e GFIP geradas pela Blumecon Sandra Helena de Oliveira (esposa do sr. Raul) eram registrados na Stolle de fevereiro/2005 até março/2010;e Fabiana Jensen registrada na Confecções Seven. Só a partir de abril de 2010, esses empregados foram registrados na Blumecon. Sobre o trabalho de Sandra Helena na Representada, na entrevista com o encarregado do setor Sr. Nelson Stolb , que era o "sócio" dessa firma até o final de 2009, declarou desconhecer essa empregada e que jamais trabalhou na estamparia. (...) DA ESTRATÉGIA DE MARKETING Como se pode observar no organograma, no setor industrial/produção (na base da pirâmide) estão os colaboradores registrados no CNPJ das firmas do SIMPLES (que abrigou os funcionários vindos da Novatêxtil e sua filial e da Stolle) e no setor administrativo, que comprovadamente mantém o controle empresarial, estão os registrados na VOG. Enquanto que a Contabilidade Blumecon, sob a supervisão do sr. Raul de Oliveira, é a responsável pelo departamento pessoal, RH, controle de ponto, seleção e admissão do pessoal sob as ordens do Sr. Vilmar, direcionando o pessoal selecionado para os CNPJ convenientes. Recordo que até o inicio de 2010, a Blumecon exerceu suas atividades com a colaboração de empregados, cujos registros se deram nos CNPJ dessas firmas do Simples. (...) Os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados –, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, Fl. 689DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp – VOG. (...) DO REFEITÓRIO e ANIVERSARIANTES DO MÊS Em fevereiro de 2007 quando da 4a . alteração contratual da empresamãe para incluir um segundo objetivo social "fornecer alimentação aos colaboradores..." a VOG formalizou o fornecimento de refeição para todos os seus colaboradores, registrados em diversos CNPJ (Novatêxtil e filial , Stolle, Seven e VOG), incluindo em seu mobilizado todo o mobiliário da cozinha, sendo que o registro do pessoal da cozinha sempre esteve na Representada. Refeições à parte, toda a despesa com alimentação do pessoal (supermercado, padaria, lanchonete etc) como podemos ver nos documentos de caixa sempre foi pago pela VOG. A lista de consumo mensal nas padarias da região vem discriminada nos valores dos recibos o nome do responsável de cada firma, por ex., Rosane da Seven, Bernadete da filial, Odete da Novatêxtil, Nelson da Estamparia (Stolle) com os recibos em nome da empresamãe (carimbo padrão da empresa – era Novatêxtil). É no restaurante que a empresa também comemora o aniversário de todos os empregados que trabalham no mesmo local, cuja lista de aniversariantes é de responsabilidade da recepcionista (registrada na VOG) e que mensalmente é exposta ali. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS e PROCURAÇÕES Apesar dessas empresas vinculadas terem conta em banco, entre eles existem as procurações envolvendo todos os "supostos sócios", o contador, a financeira e o sr. Vilmar para eles movimentarem as contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com o relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da VOG. Os documentos de caixa apresentados pelas firmas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela empresamãe. Mesmo dentro destes poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível!, vale transportes, aluguéis, etc. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da VOG como responsável. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 11 19 Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a sra. Iracema e para o Sr. Vilmar e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações levam a marca "novatêxtil". DOS PAGAMENTOS POR FORA (EXTRAFOLHA) (...) Solicitado a pasta de documentação dos empregados, foi constatado através de recibos de pagamentos que os funcionários de destaque recebem "por fora" quantias muito superiores às declaradas em GFIP. Esses recibos são assinados e arquivados mensalmente em suas pastas no RH. Os valores não sofrem o desconto do INSS e o FGTS vem somado a mais nos recibos. Assim são os ordenados dos seguintes funcionários: 1. Iracema Baer – financeira – registrada na Novatêxtil e na VOG. 2. Manfredo Baer (esposo de Iracema) – chefe do PCP – registrado na VOG. 3. Gisela Krueger – inspetora de qualidade das facções – registrada na VOG e sócia da Representada. 4. Astrid Litzenberger – encarregada de corte – registrada na Novatêxtil. 5. Ledir Lunelli – carregada da talhação – registrada na VOG. 6. Renaldo Testoni – encarregado da fiação – registrado na Stolle. DO CONTROLE DO VALE TRANSPORTE, DOS ALUGUEIS e VÍCIOS / ERROS SEMELHANTES Outro exemplo que a VOG administra os empregados registrados em seus diversos CNPJ é o controle de pagamento do vale transporte encontrado nos documentos de caixa da empresamãe: cada qual com a guia de pagamento em cada CNPJ (em nome do Consórcio Siga) e a relação nominal discriminada acompanhando o boleto de cobrança emitido pela administração da empresa. Assim também o pagamento de quem usa o transporte por Vans. Não é diferente o pagamento do aluguel, ele vem em planilha para a VOG, discriminando a firma, mas controlado e quitado pela VOG, embora a contabilidade procure encaminhar para o registro contábil de cada uma delas. Os "sócios" dessas firmas de fato são empregados da VOG. Tiramos por ex. os pagamentos dos 13o salários de todo o período fiscalizado. Embora sob o titulo de prólabore, a empresa faz questão de pagar o salário do "sócio Fl. 691DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 empregadores" e é lançado na folha de pagamento de cada um desses CNPJ como para os demais funcionários. Mais um detalhe semelhante: o contador deixou de encaminhar a GFIP e pagar o INSS do 13o salário de 2006 de todas essas firmas do SIMPLES (da Novatêxtil e sua filial, da Stolle e da Seven). Ou seja, na condição de que o que faz para uma dessas firmas, faz para as demais; quando paga um documento, paga para todas as outras, quando deixa de pagar para uma, deixa para todas. São erros (ou vícios) semelhantes de quem administra todo o negócio de forma única. DO RELATÓRIO DE PAGAMENTO DE DUPLICATAS e OPERADOR DA CONTA A VOG emitia um relatório apenas para controlar as duplicatas a pagar em ordem de vencimento em nome dela e no final da página anotava à mão (manuscrito) o valor do material consumido em cada um de seus CNPJ. Outra prova da administração da VOG pelo sr. Vilmar Glasenapp são os vários protocolos de autorização de movimentação da conta Rail Bankline da empresa como sendo ele próprio o operador do sistema para o pagamento das despesas de todas as firmas. DO COMODATO DOS EQUIPAMENTOS E MAQUINAS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Como tudo é administrado pela empresamãe, a opção encontrada para "simular' a operação de empresa independente dando transparência de legalidade ao ato de transferir o imobilizado para os CNPJ vinculados, sem cobrar aluguel dele mesmo , foi o uso de "CONTRATO DE COMODATO e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS", onde a VOG entra no negócio com todos os equipamentos, as máquinas, o pagamento de todos os custos industriais e os encargos e a Representada registra os empregados para a mão de obra da produção. Sequer garantia as empresas firmam entre elas nem fiador. No contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral" (no ex. do contrato com a Novatêxtil). Significa, portanto, que os empregados registrados nessas ME fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas pela empresamãe a titulo de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na VOG cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio. Numa rápida análise, percebese que o faturamento dessas fumas do Simples não é o suficiente para cobrir a folha de pagamento. O comodato justificaria o não pagamento dos equipamentos e das máquinas: imobilizados fundamentais para a execução dos serviços. Ou seja, os CNPJ dessas empresas vinculadas existem exclusivamente para o registro de cerca de Fl. 692DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 12 21 95% dos empregados do grupo na prestação de serviço de mão de obra, apenas. DA TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS Entrevistas realizadas com os funcionários e documentos do FGTS/CNIS demonstram o movimento de registros entre as empresas e esses empregados permaneceram, em sua maioria, executando suas funções no mesmo local. 0 RH e a contabilidade são os mesmos para todas as firmas e usam o mesmo sistema de informação/software da VOG e trabalha com os dados de todos os empregados ao mesmo tempo como se fosse uma única empresa, dividida em departamentos (inclusive para os funcionários da Seven). Portanto tudo é gerado ali. De fato, única empresa. Foram mais de 40 entrevistas com empregados registrados em todos esses CNPJ citados e a praticamente 100% afirmaram que "os donos disso tudo são o casal Vilmar e Odete" Glasenapp e eles quem administram. (...) DA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO FINANCEIRO A gestão administrativofinanceira da VOG e dessas ME é exercida pelos proprietários do negócio. Seus parentes, amigos e empregados estão no contrato social dessas empresas apenas como parte figurativa do processo, isto 6, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. Tudo é feito na sua administração: o atendimento, a compra, a venda, o expediente, a produção, a execução do serviço tem a marca VOG / NOVATEXTIL e são realizados sob o comando dos srs. Vilmar e Odete Glasenapp. Esses CNPJ na verdade foram utilizados para simular a terceirização de serviço de mão de obra com exclusividade. O sr. Vilmar (e os mentores do negócio) tem procuração entre si com poderes ilimitados para gerir as firmas vinculadas e a VOG e assim movimentar suas contas conforme as suas necessidades como podemos ver nos pagamentos feitos via internet onde ele paga as contas ao mesmo tempo de todas as empresas ou nos extratos bancários onde aparecem pagamentos, DOC, TED e transferência entre as contas para todos os CNPJ envolvidos. O objetivo da utilização dessas firmas é desenvolver a atividade com várias empresas paralelas: nas do SIMPLES estão registrados 95% dos empregados e contabilizadas os custos da mãodeobra e na VOG (lucro presumido) registra poucos empregados e é usada exclusivamente para o faturamento. Essas ME de fato só existem para registrar os empregados, no papel. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Ela não dispõem de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Tratase de uma "simulação" quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; tem massa salarial incompatível com seu faturamento; "desenvolve" suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens etc. Concluise que esses CNPJ vinculados estão sendo utilizados pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela. [...]”. (Relatório Fiscal, fls. 70/95; processo 13971.005406/201023) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação, já que os elementos informativos acostados aos autos apontam para a inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e para a efetiva contratação dos segurados empregados pela Recorrente. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal e na peça de impugnação, não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos de que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresa Candói Indústria de Pasta e Papel Ltda nem aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Essas alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto firmado entre a Recorrente e as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, expostos na sua tese de defesa –, caberia à Recorrente apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como a real inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) e nos documentos acostados aos autos de fls. 96/420 –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 13 23 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, uma vez ausente a autonomia organizacional das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), acrescida do fato de serem os sócios da empresa Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente) procuradores dessas empresas intermediárias, estáse diante de típica relação de fraude ou simulação objetiva, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação obrigacional não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude no ato de constituição das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME, que foram legalmente constituídas, e apurar as pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, já que houve a demonstração de que as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME não tinham quaisquer relação empregatícia com os segurados empregados. Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência da contribuição social previdenciária no real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o auditor fiscal Fl. 695DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, inciso VII. Com relação à base de cálculo, a Recorrente afirma que houve a inclusão de verbas com caráter indenizatório e solicita a exclusão de tais verbas dos valores lançados. Tal alegação não será acatada, eis que não houve a comprovação de que as verbas mencionadas pela Recorrente compuseram a base de cálculo dos valores lançados, tratandose apenas de afirmações sem a devida comprovação. Acrescentase a isso que as verbas pagas aos segurados empregados a título de saláriomaternidade, horasextras, bem como os adicionais noturno, de periculosidade e de insalubridade, possuem natureza salarial e compõem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, a teor do art. 28 da Lei 8.212/1991. Por sua vez, as verbas oriundas do auxíliodoença (15 primeiros dias), do terço constitucional de férias, do avisoprévio indenizado, das férias indenizadas e do auxílio creche possuem natureza indenizatória e, caso houvesse a comprovação nos autos de que tais verbas compuseram a base de cálculo, elas poderiam ser excluídas dos valores lançados, fato este não evidenciado nos autos. Além disso, as remunerações (verbas) lançadas no presente Auto Infração foram declaradas em GFIP pelas empresas vinculadas, exceto o levantamento PF “salário por fora”. Logo, rejeitase a pretensão recursal. No que tange à multa qualificada de 150%, entendo que houve a demonstração dos fundamentos fáticos e jurídicos da multa agravada pelo Fisco. A multa qualificada no percentual de 150% foi aplicada sobre os valores lançados para as competências 12/2008 a 06/2010. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência a regra do art. 44 da Lei 9.430/1996 para as multas oriundas da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Aplica se a multa qualificada nos casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Esses fundamentos jurídicos foram esposados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] 15. Da Multa Qualificada Nos próximos parágrafos, abordaremos os aspectos relacionados A aplicação da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstraremos que no presente caso, é de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 2 x 75% = 150%, por restar caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 a Lei 4.502/64. 15.1. A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. (...) Fl. 696DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 14 25 15.4. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da fiscalizada, se encaixam em uma das definições estampadas nos arts. 71, 72 e 73, acima transcritas. A conduta a ser analisada no presente caso 6: simular a contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas (as três empresas vinculadas), constituídas em separado para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. 15.5. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito. 15.6. Desta forma, a multa de oficio de 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, §1o da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) para as competência 12/2008 a 06/2010.[...]” (processo 13971.005406/201023) Assim, entendese que a multa aplicada de 150% foi tipificada legalmente nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), conforme os tipos abstratos do art. 44 da Lei 9.430/96 combinados com os arts. 71, 72, 73 da Lei 4.502/1964. Nesse caminhar, o Relatório Fiscal delineou que o negócio jurídico estabelecido entre a Recorrente e as empresas intermediárias (Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME) ocorreu com a finalidade de simular a realidade fática, concluindo que esta foi constituída com o fim de absorver a mão de obra empregada no processo produtivo da própria Recorrente, para obter os benefícios do “Simples” na redução dos encargos tributários. Esse raciocínio decorre dos elementos fáticos registrados nos itens 9 a 11 do Relatório Fiscal (fls. 70/95), que também foram devidamente registrados na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Para melhor descrever a situação de fato antes transcrita vale transcrever a conclusão do auditor fiscal “os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família Glasenapp administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp” [...]”. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Percebese, então, que a Recorrente utilizouse das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME para simular a realidade fática evidenciada pelo Fisco, visando esconder o fato gerador da contribuição previdenciária, já que ficou demonstrado que a Recorrente utilizouse de interpostas pessoas jurídicas para absorver a mão de obra empregada no seu processo produtivo. Logo, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que houve a prática de interpostas pessoas na contratação da mão de obra. O mesmo entendimento, apenas sendo distinta a espécie de tributos, foi manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 34: “Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Em relação ao pretenso aspecto confiscatório da multa lançada, melhor sorte não socorre a Recorrente, a teor do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 que positivou o princípio do nãoconfisco. Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional (CTN), tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio nãoconfisco. Vêse, claramente, que o CTN extrema os conceitos de tributo e de multa, não havendo identidade entre estes. O princípio do não confisco (art. 150, IV) somente se aplica a tributos. Com isso, rejeitase a pretensão recursal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). 1 Lei 8.212/1991: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 15 27 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 699DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005407/201078 Acórdão n.º 2402004.379 S2C4T2 Fl. 16 29 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a Fl. 701DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.005364/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DO RESULTADO. REGIME DE CAIXA.
Na apuração do resultado da atividade rural prevalece o regime de caixa, devendo ser consideradas as receitas recebidas e as despesas pagas em relação a cada ano-calendário.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2102-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento parcial, para tributar os depósitos bancários como receita da atividade rural. Realizou sustentação oral o Dr. Marcos Caetano da Silva, OAB/GO nº 11.767.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 28/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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APURAÇÃO DO RESULTADO. REGIME DE CAIXA. Na apuração do resultado da atividade rural prevalece o regime de caixa, devendo ser consideradas as receitas recebidas e as despesas pagas em relação a cada anocalendário. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 53 64 /2 00 7- 58 Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.628 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento parcial, para tributar os depósitos bancários como receita da atividade rural. Realizou sustentação oral o Dr. Marcos Caetano da Silva, OAB/GO nº 11.767. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 28/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 1.686 a 1.714, interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 1.664 a 1.679, que julgou procedente em parte o lançamento de fls. 1.234 a 1.254, relativo aos anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004, lavrado em 02/08/2007, com ciência do RECORRENTE em 14/08/2007 (fl. 1.257). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 3.887.767,12, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 1.235 a 1.239, o presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos: (i) provenientes da atividade rural, nos anoscalendário 2001 e 2002 (item 001 do lançamento); bem como, (ii) de depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário 2001 a 2004 (item 002 do lançamento). Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.629 3 O Recurso Voluntário do contribuinte já foi analisado pelo CARF, tendo esta colenda turma proferido o voto de fls. 3.481 a 3.496 “no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para a) desqualificar a multa aplicada ao item 001 do lançamento, reduzindoa a 75%; b) reconhecer a decadência do direito do Fisco de exigir crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido em 2001 (itens 001 e .002 do lançamento); c) desqualificar a multa aplicada ao item 002 do lançamento, no que diz respeito ao fato gerador ocorrido em 31.12.2004; d) excluir da base de cálculo do item 002 o valor de R$ 75.000,00 no ano calendário 2002”. Importante salientar que a DRJ de origem, já havia decidido pela procedência parcial da impugnação do contribuinte, para cancelar o lançamento relativo a omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural do exercício de 2004, anocalendário 2003 (item 001 do lançamento), conforme acórdão de fls. 1.658/1.673. Em face do acórdão proferido pelo CARF, houve interposição de recurso especial pelo Procurador da Fazenda Nacional (fls. 3.500/3.519), cuja admissibilidade foi aceita apenas em relação à decadência relativa aos débitos do anocalendário 2001 (fls. 3.569/3.571). Paralelamente, o RECORRENTE apresentou pedido de desistência parcial do recurso administrativo, referente a todo o crédito mantido após a decisão do CARF, devido à adesão ao parcelamento concedido pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 3.586/ 3.588). Assim, não houve desistência em relação à matéria questionada pela Fazenda Nacional em Recurso Especial (decadência dos débitos relativos ao anocalendário 2001 e redução das multas de ofício aplicadas). Neste sentido, o contribuinte desistiu do recurso em relação aos seguintes créditos: a) Todo débito lançado referente ao anocalendário 2002, exceto a quantia de R$ 75.000,00 excluída da base de cálculo da matéria tributável pela decisão do CARF; b) Todo débito lançado referente ao anocalendário 2003, exceto quanto aos valores correspondentes à redução da multa de 150% para 75%, conforme decisão do CARF; e c) Todo débito lançado referente ao anocalendário 2004, exceto quanto aos valores correspondentes à redução da multa de 150% para 75%, conforme decisão do CARF. A parte do lançamento mantida pelo CARF e que não foi objeto do Recurso Especial da Fazenda foi transferida para o processo 10120.000703/201196, devido à adesão ao parcelamento concedido pela Lei nº 11.941/2009, conforme quadro constante à fl. 3.609: Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.630 4 Quando do julgamento do Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu PROVIMENTO para reconhecer que não houve decadência dos créditos relativos ao anocalendário 2001, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 2001, não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual (fls. 05 a 06). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2003 e o termo final no dia 31/12/2007. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 14/08/2007, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido. Importante reiterar que o Recurso Especial foi admitido apenas em relação à decadência relativa aos débitos do anocalendário 2001. Neste sentido, foi determinado o retorno dos autos para esta turma julgadora, a fim de que fossem apreciadas as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte. Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.631 5 Portanto, o que está agora em debate é, tãosomente, o lançamento dos créditos relativos ao anocalendário 2001, exceto a questão referente à redução da multa de ofício (que não foi admitida como objeto do Recurso Especial), devendo ser mantida, portanto, a decisão desta Colenda Turma que desqualificou a multa de ofício. DA DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO De acordo com o auto de infração de fls. 1.234/1.254, o lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No decorrer da ação fiscal, foram detectados vários lançamentos relacionados à atividade rural, tendo sido oficiada a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, que respondeu positivamente para prática de atividades rurais por parte do RECORRENTE. Portanto, em relação ao anocalendário 2001, o lançamento decorreu dos seguintes fatos: “O contribuinte apresentou livrocaixa com a documentação para cada mês dos anoscalendário de 2001 a 2004, sendo que para o anocalendário de 2001 apresentou um total de receita para atividade rural no valor de R$ 2.355.444,63 enquanto que o somatório das notas fiscais dos frigoríficos foi o montante de R$ 2.617.402,29, por isso usamos a receita maior, conforme planilha anexa; a despesa apresentada no livrocaixa foi de R$ 2.362.132,64, mas houve uma glosa na despesa porque o contribuinte lançou o valor de R$ 375.000,00 a titulo de custo de benfeitorias nas fazendas Soberana I e Goiânia efetuada em anos anteriores, que não puderam ser comprovadas e também porque foram realizadas em anos anteriores. Mas por opção dos 20% do arbitramento ser mais benéfico para o contribuinte então foi utilizado o arbitramento, sendo tributado o valor de R$ 523.480,00 a titulo de omissão de receita da atividade rural. (...) Do total dos depósitos em suas contas, parte foi considerada como atividade rural e outra parte, que não foi justificada, tendo em vista que o contribuinte apresentou para justificar essa parte apenas cópias de canhotos de cheques, juntamente com planilha onde consta o nome de várias pessoas, sem indicação de CPF, alegando que teria sido tomado de empréstimo, dizendo que nas cópias das canhotos teria a data de pagamento dos empréstimos. Fizemos intimação para vários contribuintes e não tivemos resposta e no caso do Sr. Paulo Alexandrino respondeu negativamente a questão do empréstimo. Essas alegações do Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.632 6 contribuinte quanto aos empréstimos não foram suficientes ..., pois cópias de canhotos de cheques não são suficientes para comprovar tais empréstimos. Sendo assim consideramos como omissão de receita os depósitos de origem não comprovada, ou seja: para o anocalendário de 2001 o total dos depósitos bancários foi de R$ 3.022.232,00 e foi comprovada a receita de atividade rural no montante de R$ 2.617.402,29, restando portanto R$ 404.829,71 como depósitos não comprovados. (...)” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Por economia processual, transcrevo adiante trechos do relatório elaborado pelo Conselheira Relatora desta Turma (Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti), às fls. 3.481/3.496, no que diz respeito às alegações de defesa apresentada pelo RECORRENTE: “ que a origem dos depósitos bancários seria justificada por empréstimos tomados, o que seria comprovado através das cópias dos canhotos dos cheques utilizados para quitação destes empréstimos, bem como dos cheques emitidos para pagamento dos juros. Alega que também anexou à sua impugnação cópia do microfilme dos cheques e planilha de Excel por meio da qual demonstra datas e valores e contas dos depósitos envolvidos; (...) que não estaria correta a glosa do custo das benfeitorias por ele realizadas, para as quais foi trazida aos autos documentação hábil e idônea que comprovaria a efetividade das mesmas; que a decisão recorrida teria alterado o fundamento da glosa, fazendo assim um novo lançamento que não seria mais permitido em razão da ocorrência da decadência. Esta alteração implicaria em nulidade insanável, tornando nulo o lançamento; quanto à glosa das benfeitorias, que o custo de aquisição das mesmas corresponde a 90% do valor dos respectivos imóveis, já que o valor da terra nua foi estimado em 10% dos mesmos. Assim, o custo de aquisição, ao invés de ser deduzido no ano da aquisição dos imóveis, o foi no ano de 2001. Elaborou quadro demonstrativo dos valores deduzidos, demonstrando as fls. do processo nas quais estariam os documentos comprobatórios de suas alegações; que houve erro no cálculo do valor do resultado da atividade rural para o ano de 2001, pois este deveria ser de R$ 255.719,65, e não 20% de R$ 523.480,00; Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.633 7 (...) reitera que a omissão por depósitos bancários deve ter como base de cálculo somente 20% dos depósitos de origem não comprovada, já que toda a sua receita decorre do exercício da atividade rural; quanto à omissão por depósitos bancários, alega que deveriam ser considerados os empréstimos tomados e os valores relativos a descontos de duplicatas. Discrimina, ano a ano os valores que deveriam ser considerados e excluídos da base de cálculo dos lançamentos. (...)” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Da omissão de receitas da atividade rural no anocalendário 2001 O lançamento de omissão de receitas da atividade rural decorre da glosa de despesa de R$ 375.750,00, classificada pelo RECORRENTE como a título de custo de benfeitorias nas fazendas Soberana I e Goiânia, efetuadas em anos anteriores, que não puderam ser comprovadas através de documentação hábil e idônea e também porque foram realizadas em anos anteriores. O RECORRENTE afirma em seu recurso que tais custos, deduzidos do resultado da atividade rural do anocalendário 2001, estariam comprovados nos autos através das escrituras de compras dos próprios imóveis, conforme planilha por ele elaborada à fl. 1.695: Ressaltamos que, após retificação da numeração dos autos, os documentos citados pelo RECORRENTE encontramse, agora, acostados às fls. 1.119/1.132. Alega o RECORRENTE que o custo de aquisição das benfeitorias correspondeu a 90% do custo total de aquisição dos respectivos imóveis, porque o valor da Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.634 8 terra nua foi estimado em 10% do valor total do imóvel. Ademais, afirma expressamente que tais despesas com benfeitorias não foram deduzidas no ano da aquisição das fazendas, somente tendo sido realizada tal dedução na da declaração do anocalendário de 2001. Ocorre que não deve prevalecer o entendimento do RECORRENTE, na medida em que o art. 63 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) prevê que, para a apuração do resultado da atividade rural, devem ser consideradas as despesas pagas no respectivo ano calendário “Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 14).” Ainda sobre o tema, o art. 62 do Decreto nº 3.000/99 determina que os investimento na atividade rural serão considerados despesas no mês do pagamento: “Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): (...)” Do acima exposto, concluise que, para a apuração do resultado da atividade rural, devem ser consideradas as receitas e despesas ocorridas no respectivo anocalendário, não havendo permissão legal para dedução das mencionadas despesas em período diverso do que efetivamente foram incorridas. Neste sentido, é a jurisprudência deste CARF, no esteio do entendimento já firmado pelo antigo Conselho de Contribuintes: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova é do contribuinte, cabe a ele Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.635 9 comprovar a origem dos recursos informados para justificar os dispêndios e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Devem ser considerados como aplicações de recursos os valores das despesas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa nos meses em que efetivamente ocorreram, mediante comprovação. (...)” (processo nº 10410.004206/200987; julgado em 20/02/2014; 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF) “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 ATIVIDADE RURAL APURAÇÃO DO RESULTADO REGIME DE CAIXA Na apuração do resultado da atividade rural prevalece o regime de caixa, devendo ser consideradas as receitas recebidas e as despesas pagas em cada período de apuração. ATIVIDADE RURAL DESPESAS DE INVESTIMENTO DEDUÇÃO São passíveis de dedução apenas as despesas de investimento havidas com a aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural. (...) Recurso negado.” (processo nº 16408.001109/200615; julgado em 17/12/2008; 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes) “ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS Admitese como despesa de custeio o valor gasto, dentro do anocalendário, com a aquisição de veículo utilizado na atividade rural. Recurso provido.” (processo nº 10670.001007/200361; julgado em 22/02/2006; 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes) Fl. 3635DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.636 10 No caso, as despesas que o RECORRENTE pretende deduzir no ano calendário 2001, no valor total de R$ 375.750,00, decorrentes da aquisição de benfeitorias preexistentes em imóveis rurais, foram todas incorridas em períodos anteriores. Conforme as cinco escrituras acostadas às fls. 1.119/1.132, tais despesas decorrem dos anoscalendário 1995 (fls. 1.119/1.121), 1997 (fls. 1.127/1.130) e 2000 (fls. 1.122/1.124, fls. 1.125/1.126 e fls. 1.131/1.132). Neste sentido, correta a glosa do valor de R$ 375.750,00 efetuada pela fiscalização, haja vista não se tratar de custo/investimento incorrido no anocalendário 2001. Assim, devese manter a tributação do percentual de 20% (vinte por cento) do total da receita da atividade rural (20% de R$ 2.617.402,29 = R$ 523.480,00), conforme prevê o art. 71 do Decreto nº 3.000/99, pois esta base de cálculo é mais benéfica para o RECORRENTE na medida em que o resultado da atividade rural (diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário) seria de R$ 630.719,65. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no anocalendário 2001 No que diz respeito ao demais depósitos detectados nas contas bancárias do RECORRENTE e que não tiveram origem comprovada com a atividade rural, no total de R$ 404.829,71, entendo que deve ser mantido o lançamento de imposto de renda, inclusive pelos mesmos fundamentos já expostos no voto de fls. 3.484/3.496, que julgou o caso em relação aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Explicase Em sua defesa, o RECORRENTE alega que não foram deduzidos os empréstimos por descontos de duplicatas, anocalendário de 2001, no importe de R$ 91.547,92, conforme valores discriminados à fl. 1.704: Com a dedução do valor acima, alegou que o “total dos empréstimos a serem comprovados em 2001” seria de R$ 313.281,79 (= R$ 404.829,71 – R$ 91.547,92). O RECORRENTE afirma que os empréstimos por descontos de NPR (nota promissória do produtor rural) foram creditadas quando dos empréstimos mas, em função de ter havido uma ultrapassagem do limite de crédito disponibilizado pelo Bradesco, o banco não aceitou o pagamento das NPR pelo Frigorifico e debitou da própria conta o valor. Assim, entendeu que tal operação seria um simples empréstimo. Fl. 3636DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.637 11 Neste sentido, afirmou que “se não forem excluídos os empréstimos por descontos de duplicatas do total dos créditos/depósitos, estará se computando os mesmos duas vezes, uma quando se faz o empréstimo com garantia da NPR em adiantamento da receita, e outra vez quando se recebe a própria duplicata do frigorífico”. Mediante a tabela acima, o RECORRENTE pretende demonstrar que os valores dos créditos alocados do lado esquerdo da planilha por ele elaborada (créditos, estariam em duplicidade com o valor alocados do lado direito da planilha. Segundo ele, considerar os créditos da operação de desconto comercial e também do pagamento efetuado pelo Frigorífico, implicaria em considerar duas vezes um mesmo pagamento. No entanto (inclusive em razão da segurança jurídica), entendo que devem ser aplicadas ao caso as mesmas razões apontadas pela Conselheira Relatora em seu voto para refutar as alegações do RECORRENTE em relação ao anocalendário 2002 (fls. 3.493/3.494): “Entendo que as alegações do Recorrente não merecem acolhida por estarem desacompanhadas das provas que atestem sua veracidade. Isto porque não há como afirmar, sem margem de dúvida, que o crédito da operação de desconto comercial seja correspondente ao DOC efetuado pela Friboi – o que poderia ensejar a duplicidade na tributação. Na falta de provas que o demonstrem, as alegações do Recorrente não merecem acolhida. (...) Além disso, é imperioso reiterar que os rendimentos auferidos com o exercício da atividade rural já foram excluídos da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários, de forma que os créditos efetuados por empresas como a Friboi acabaram por não constar da base de cálculo desta parte do lançamento, não se podendo, por isso mesmo, falar em duplicidade.” Além do acima exposto, o contribuinte afirma que a origem dos depósitos bancários seria justificada por empréstimos tomados, e tenta comprovar suas alegações através das cópias dos canhotos dos cheques utilizados para quitação destes empréstimos, bem como dos cheques emitidos para pagamento dos juros. Aqui também é válido transcrever os argumentos utilizados pela Conselheira Relatora para manutenção do lançamento (fl. 3.490): “Para justificar estes depósitos, o Recorrente alega ter tomado empréstimos, e busca justificalos com canhotos de cheque, documentação esta que não foi aceita pela fiscalização, que chegou inclusive a intimar terceiros para comprovar a efetividade destes empréstimos. Às fls. 1234 dos autos, constam os cálculos efetuados pela fiscalização para encontrar a base de cálculo desta parcela do lançamento, sendo certo que a mesma deduziu o valor das receitas anuais auferidas com a atividade rural do total dos depósitos sem origem comprovada.” Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.638 12 Ou seja, restou decidido nos autos que os canhotos dos cheques não fazem prova de que tais ordens de pagamento se referiam à quitação de supostos valores (e correspondente juros) tomados por empréstimo pelo contribuinte. Devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” É legal, portanto, a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Não basta alegar que os recursos em conta são oriundos de empréstimos, tendo em vista que deveria ter comprovado tal alegação; sobretudo quando a própria pessoa que – supostamente – forneceu o empréstimo nega a realização de tal operação, conforme informado pela autoridade fiscal na descrição dos fatos (fl 1.238), ao afirmar que, durante a fiscalização, foi realizada intimação para vários contribuintes que não forneceram resposta, mas “no caso do Sr. Paulo Alexandrino respondeu negativamente”. Em nenhum momento (seja na impugnação ou no recurso voluntário) o RECORRENTE apresentou qualquer documentação hábil e idônea que comprovasse a efetividade dos empréstimos. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.639 13 O art. 16, § 4º, do mesmo Decreto, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: “a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Como o caso do RECORRENTE não se encaixa em nenhuma das hipóteses acima indicadas, deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na suas contas bancárias durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.640 14 ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.641 15 Por fim, o RECORRENTE argumenta que a infração decorrente da omissão por depósitos bancários deveria ter como base de cálculo somente 20% dos depósitos de origem não comprovada, já que toda a sua receita decorre do exercício da atividade rural. Sobre este tema entendo, mais uma vez, precisos os argumentos utilizados pela Conselheira Relatora em seu voto (fls. 3.491/3.492): “(...) Defende, ainda, que por ser a atividade rural a sua única fonte de rendimentos, deveria a base de cálculo dos depósitos bancários ser correspondente a 20% do montante dos depósitos, nos termos de julgados por ele colacionados em sua defesa. Reiterou que a prova cabe a quem acusa, e que caberia à fiscalização ter comprovado que aqueles valores depositados em conta bancária não correspondiam à atividade rural para que pudesse tributálos por outra forma, que não utilizandose da tributação favorecida dos rendimentos desta atividade. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural pode se dar de duas formas: i) tendo como base de cálculo o valor total das receitas assim auferidas, deduzido do valor das despesas com a mesma atividade; ou ii) tendo como base de cálculo o valor correspondente a 20% do total das receitas auferidas. Decorre daí que a tributação dos rendimentos auferidos com a atividade rural é bastante benéfica, razão pela qual a sua utilização deve ser feita com bastante cautela pelas autoridades fiscais. Isto significa que os rendimentos da atividade rural não se presumem, mas devem ser cabalmente comprovados, sob pena de o contribuinte não poder se beneficiar das regas especificas desta modalidade de tributação. Esta é a determinação legal contida no art. 71, § 1° do RIR/99, verbis: Art. 71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 52). § 1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. § 2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e § 1º). Nos termos do parágrafo 1° acima transcrito, fica claro que caberia ao Recorrente demonstrar, de forma inconteste, que os rendimentos auferidos eram decorrentes da atividade rural, sob pena de não poder tributálos à razão de 20% do total auferido. Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.005364/200758 Acórdão n.º 2102003.050 S2‐C1T2 Fl. 3.642 16 Ainda que o Recorrente não exercesse nenhuma outra atividade e se dedicasse exclusivamente à atividade rural – como alega – este fato não implicaria na necessária presunção de que a totalidade de seus rendimentos decorre da atividade rural. A omissão pode ser decorrente de qualquer outra fonte. Ressaltese que, na hipótese vertente, a fiscalização somente considerou os rendimentos da atividade rural (e assim os tributou) porque obteve prova inconteste de que esta era a natureza de tais rendimentos. Por fim, não bastassem as razões já aduzidas, é preciso ressaltar que se alguma presunção existe, esta é a de que os depósitos bancários de origem não comprovada devem ser considerados rendimentos omitidos; esta é a presunção legal aplicável à espécie. (...)” Assim, considero insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada relativo ao anocalendário 2001. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento das omissões apuradas no anocalendário 2001, devendo ser observada a desqualificação da multa de ofício, conforme decidido por esta Turma anteriormente. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10882.908006/2011-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/10/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 06 /2 01 1- 63 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908006/201163 Acórdão n.º 3801003.732 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13027.000148/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF.
Deve prevalecer o lançamento de omissão de rendimentos, fundado em informação contida em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), mormente quando realizada diligência, que confirma as informações que deram causa ao lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DIRF. Deve prevalecer o lançamento de omissão de rendimentos, fundado em informação contida em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), mormente quando realizada diligência, que confirma as informações que deram causa ao lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 01 48 /2 00 7- 72 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13027.000148/200772 Acórdão n.º 2102003.175 S2C1T2 Fl. 80 2 Relatório Contra CLARICE DE CASTRO CAMPOS foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 20/23, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 1.939,79, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, no valor de R$ 3.896,92. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, Acórdão DRJ/SPOII n 1733.520, de 22/07/2009, fls. 71/75, com a seguinte fundamentação: No caso em questão, pesquisandose os registros da Receita Federal do Brasil, constatase que a contribuinte, no Ano Calendário 2004 teve 3 (três) fontes (pessoas jurídicas) pagadoras de rendimentos com e sem vínculo empregatício. Tela de consulta na fl. 15. Especificamente em relação ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, CNPJ 92.829.100/000143, verificase que a contribuinte recebeu rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código 0588) no valor de R$ 8.421,71 (oito mil e quatrocentos e vinte e um reais e setenta e um centavos) com imposto retido de R$ 361,77 (trezentos e sessenta e um reais e setenta e sete centavos), valores estes que compõem o Comprovante de Rendimentos (fl. 04) e os extratos da ficha financeira (fls. 05/09) apresentados na impugnação e que foram informados na Declaração de Ajuste Anual AnoCalendário 2004. Verificase, também, que a contribuinte recebeu rendimentos do trabalho com vínculo empregatício (código 0561) da mesma fonte pagadora (fl. 15) no valor de R$ 3.896,92 (três mil e oitocentos e noventa e seis reais e noventa e dois centavos), que corresponde aos valores lançados na presente notificação. Dessa forma, a fonte pagadora emite dois Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte relativos ao AnoCalendário 2004, sendo um comprovante para cada natureza do rendimento, ou seja, um relativo ao trabalho com vínculo empregatício e o outro relativo ao trabalho sem vínculo empregatício. Portanto, a contribuinte não justifica que não houve omissão rendimentos advindos do Instituto de Previdência do Estado do Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13027.000148/200772 Acórdão n.º 2102003.175 S2C1T2 Fl. 81 3 Rio Grande do Sul, apresentando apenas um dos Comprovante de Rendimentos. Poderia, por exemplo, comprovar que recebeu apenas os rendimentos declarados com a apresentação dos extratos de sua conta corrente bancária relativos ao ano 2004 ou documento protocolado solicitando retificação da DIRF ao Instituto de Previdência de Estado do Rio Grande do Sul. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 25/01/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 32, a contribuinte apresentou, em 23/02/2010, recurso voluntário, fls. 33/36, onde reafirma que não recebeu os rendimentos considerados omitidos no lançamento, juntando aos autos correspondência encaminhada ao Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, onde solicita esclarecimentos e providências acerca do referido rendimento. Considerando a insistência da recorrente em negar o recebimentos dos rendimentos considerados omitidos no lançamento, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2102000.149, de 18/07/2013, determinando o retorno dos autos à repartição de jurisdição da contribuinte, com a finalidade de verificar junto à fonte pagadora a confirmação ou não dos elementos contidos na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), mediante apresentação de documentação comprobatória. Em atendimento à diligência solicitada, intimouse o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, que confirmou todas as informações contidas na Dirf, conforme resposta, fls. 67/69. Ato contínuo, deuse ciência à contribuinte de Informação Fiscal, fls. 70/71, a qual contêm os resultados da diligência e concessão de prazo para a manifestação da recorrente sobre a matéria. Decorrido, o prazo de 30 dias da ciência da Informação Fiscal, a contribuinte não se manifestou e o processo retornou para julgamento. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13027.000148/200772 Acórdão n.º 2102003.175 S2C1T2 Fl. 82 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento, que imputou à contribuinte a infração de omissão de rendimentos recebidos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, no valor de R$ 3.896,92. No recurso, a contribuinte insiste em afirmar que não recebeu tais rendimentos. Diante de tais fatos, e vislumbrando a possibilidade de erro no preenchimento da Dirf, que fundamentou o lançamento, esta Turma converteu o julgamento em diligência. Todavia, como resultado da diligência, obtevese a confirmação por parte da fonte pagadora, responsável pelo preenchimento da Dirf, de todas as informações nela contidas. Logo, a tese defendida pela recorrente não se confirmou. Aliás, devese dizer que cientificada do resultado da diligência, a contribuinte não se manifestou, razão porque deve o lançamento ser mantido integralmente, nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.009437/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.256
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e REJEITAR os embargos, com os esclarecimentos pertinentes.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e REJEITAR os embargos, com os esclarecimentos pertinentes. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 94 37 /2 00 7- 74 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do contribuinte em que se alega omissão no Acórdão nº 140400.289, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que DEU PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 CONTRATOS DE FRANQUIA. NATUREZA. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO O contrato de franquia, sendo de natureza complexa, encampa um conjunto de deveres indissociáveis, sendo certo que a eventual divisão desse conjunto em contratos autônomos acarretará a sua própria descaracterização. Nessa linha, a disponibilização de materiais didáticos, promocionais, publicitários e administrativos, prevista nos contratos de franquia, por representar atividade meio que concorre para a viabilização da cessão do direito de uso, não pode, no caso dos autos, se submeter a tratamento tributário diverso do previsto no art. 518, inciso III, alínea “c” do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). LUCRO PRESUMIDO. FORNECIMENTO DE MATERIAIS VINCULADOS A CONTRATOS DE FRANQUIA DE ESCOLAS DE IDIOMA. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. Configura cessão de direitos de qualquer natureza o contrato de franquia em que se prescreve a cessão de direitos de uso da marca, do nome e logotipo de empresa do segmento de escolas de idiomas, assim como, a cessão de direitos de uso dos métodos de ensino e sistemas administrativos, mercadológicos, comerciais e operacionais. Constituemse remuneração indireta do contrato de franquia, as receitas decorrentes de fornecimentos, a empresas franqueadas, de materiais que veiculam a marca e a tecnologia de ensino da empresa franqueadora, ainda que efetuados por empresas designadas por esta última. Tais fornecimentos, regidos pelas normas restritivas do contrato, devem receber o tratamento tributário específico previsto para as receitas decorrentes de cessão de direitos de qualquer natureza, submetendose ao percentual de presunção do lucro de 32% (trinta e dois por cento). MULTA QUALIFICADA. Verificado no caso concreto que o contribuinte agiu com erro de direito e ante a ausência do evidente intuito de fraude, deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e afastada a hipótese de fraude, deve o prazo decadencial ser contado da data da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.009437/200774 Acórdão n.º 1401001.256 S1C4T1 Fl. 936 3 O resultado de julgamento restou assim assentado: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos; e dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, com relação à aplicação do coeficiente do lucro presumido, mantendo o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Bezerra Neto. A Conselheira Karem Jureidini Dias fará declaração de voto; b) por unanimidade de votos, afastar a qualificadora; c) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do IRPJ do quarto trimestre de 2001 e três primeiros trimestres de 2002 e da CSLL do anocalendário de 2001 e três primeiros trimestres de 2002. A embargante aponta 1(uma) omissão que se liga ao fato de haver o Acórdão embargado ter sido omisso com relação a sua contestação em fase recursal uma inovação da DRJ ao lançar mão de novos fundamentos que infirmariam a versão original dos autos. (...) Anotese que, dentre os argumentos levantados em suas razões recursais, a Embargante tratou acerca do fato de que a decisão exarada pela DRJ/Campinas, na realidade, infirmou o fundamento original do lançamento, no qual se basearam os Agentes Fiscais, conforme item "c", acima pontuado. Fundamentalmente, o que se verificou é que, enquanto os Agentes Fiscais Autuantes sustentaram o lançamento no entendimento de que a Recorrente, ora Embargante, ao vender seus produtos (materiais didáticos, promocionais e administrativos) estava, na realidade, exercendo a atividade de cessão de direito de uso e metodologia, a decisão da DRJ trilhou caminho diverso, não entendendo que a operação mercantil era o suporte físico da cessão de direito de uso, mas sim que a operação mercantil efetivamente existia, entretanto, no âmbito de um contrato de franquia. Daí concluiu que o contrato de franquia não poderia ser segmentado para fins de tributação e, ademais, que a atividade de franquia se resumiria à atividade de cessão de direitos de qualquer natureza para fins de aplicação do coeficiente para apuração do lucro presumido, enquadrável no artigo 519, III, "c" do RIR/99. Vejase que há uma diferença entre os fundamentos, as premissas, do lançamento e da decisão da DRJ: os agentes fiscais não reconhecem a ocorrência das operações de compra e venda, porque entendem que o negócio jurídico levado a efeito pela Embargante tem essência de cessão de direito de uso e metodologia. Diferentemente, a decisão da DRJ parte do pressuposto de que as operações de compra e venda efetivamente existem, materializandose no âmbito do contrato de franquia. Ora, ao tomar outra direção, DRJ INFIRMA os fundamentos do lançamento, possivelmente porque nota que é absurda a tese de que o know how estaria no material didático, trazendo uma INOVAÇÃO, que se traduz num novo lançamento, o que não é admitido pela ordem jurídica pátria, uma vez que não cabe à Autoridade Julgadora formalizar lançamento. É de se ressaltar que o argumento acima foi extensamente debatido nas razões recursais da ora Embargante, inclusive com supedâneo em precedentes jurisprudenciais que atestam seu cabimento. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Vejase, outrossim, que foi combatida pela ora Embargante a utilização pela DRJ/Campinas, nos presentes autos, das razões de decidir externadas no Voto proferido no AIIM constante do processo administrativo n° 10830.006552/200614, da Wizard Brasil Livros e Consultoria Ltda, o que também foi contestado pela ora Embargante em suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse 1(uma) omissão que se liga ao fato de haver o Acórdão embargado ter sido omisso com relação a sua contestação em fase recursal uma inovação da DRJ ao lançar mão de novos fundamentos que infirmariam a versão original dos autos. Passase primeiro a contextualizar os presentes embargos declaratórios: O objeto da lide passou pela análise de um Auto de Infração para exigência de IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 2001 a 2005, decorrente da aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido. Entendeu a fiscalização e também em linhas gerais o voto condutor do Acórdão embargado que a atividade declarada de “comércio varejista de livros” não era verdadeira, pois sua real atividade econômica seria a de cessão de direitos de metodologia detidos pela Wizard. Tendo em vista que a venda de material didático seria apenas um meio para aplicação deste método, entendeu a fiscalização que a Recorrente deveria ter aplicado o percentual de 32% para a obtenção do lucro presumido, relativo à atividade de prestação de serviços, e não o percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), relativo ao comércio. Nessa mesma linha de entendimento o voto condutor do Acórdão embargado tratou de afirmar que o faturamento decorrente da venda de materiais, que veiculam a marca e a tecnologia de ensino da franqueadora, efetuado sob a égide das normas de um contrato de franquia, deve ser tratado como remuneração do contrato e não como remuneração de simples operações de compra e venda. A princípio cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via bastante larga. Para ser preciso, transcrevese abaixo os exatos termos do Recurso voluntário onde constaria o argumento não rebatido no voto vencedor: (...) A fiscalização e a decisão da DRJ confundem o próprio objeto da franquia que passa como visto, pela cessão do direito de uso da marca, pela assistência técnica e pela transferência do "knowhow", com a venda dos produtos e, em vista da Recorrente obter lucratividade com as suas atividades, a fiscalização resolveu por entender que mesmo não sendo objeto da franquia, a venda dos produtos teria de ser Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.009437/200774 Acórdão n.º 1401001.256 S1C4T1 Fl. 937 5 enquadrada, para fins tributários como cessão de direito de uso! E, como exaustivamente demonstrado nesta peça recursal, a decisão da DRJ ao verificar que tal argumento constante do lançamento é insubsistente, inovou ao indicar que a venda dos produtos estaria englobada na atividade de franquia e não poderia ter sido oferecida a tributação para fins de apuração IRPJ pelo lucro presumido, pela base de cálculo presumida à aliquota de 8% própria das atividades comerciais. Cabe ainda esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto, como de fato foi feito. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Muito embora o que foi dito acima resguarde o julgador de atingir uma completude absoluta no deslinde da matéria, nem isso precisava aqui ser utilizado. Isso porque o ponto a respeito do qual foi atribuído o suposto vício de omissão foi tratado pelo Acórdão embargado por vias indireta, pois na verdade se confunde com o próprio mérito da questão. Afinal, a linha de entendimento do Acórdão embargado, não destoa do que foi apregoado pelo fiscal autuante. Como afirmado pela fiscalização, os materiais didáticos, publicitários, promocionais e administrativos envolvidos nas vendas em discussão, são o suporte físico da cessão de direitos de uso da marca e da metodologia WIZARD, que são neles veiculadas, e por isso tais fornecimentos subordinamse necessariamente à cessão dos direitos de uso contida no contrato de franquia, não podendo ser caracterizadas tais operações como simples operações de compra e venda. Vejase que essa foi inclusive a linha de entendimento do Acórdão ora embargado: Equivocase a defesa ao argumentar que, dada à complexidade das relações jurídicas envolvidas em um contrato de franquia, seria possível a sua fragmentação: de um lado, o contrato de franquia; e de outro, o fornecimento de materiais, pois não existe um contrato de fornecimento de materiais dentro de um contrato de franquia, sob pena de descaracterização deste último. O contrato de fornecimento e outros mais são meros acessórios (atividades meio) ao contrato principal de cessão de direitos (atividade fim). De toda sorte, agora apenas para argumentar, o Acórdão não deixou de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão, uma vez que é consagrado no âmbito administrativo que a inovação se dá a partir da decisão final (Acórdão embargado) em relação ao lançamento e não de uma decisão intermediária (decisão de piso) em relação ao lançamento, afinal o que prevalece sempre é a decisão do CARF e não da DRJ. Por fim, a falta de menção no voto condutor ao Acórdão divergente trazido pelo Contribuinte também não dá margem à acolhimento desses embargos. A uma porque, no recurso voluntário nem mesmo esse fato foi mencionado; a duas porque a declaração de voto da Conselheira Karem traz à baila os argumentos principais do referido voto e, por fim, pelos mesmos motivos mencionados acima, de que não cabe ao Julgador a analisar especificamente Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 todas as questões suscitadas na defesa, mormente quando não são imprescindíveis ao deslinde da questão. Mas, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Portanto, também afasto essa suposta omissão e assim rejeito os embargos da contribuinte, com os esclarecimento a eles pertinentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720139/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão.
CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA.
As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Mara Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas agropecuárias são, 0,65% para o crédito de PIS/Pasep e 3% para o da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Mara Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 01 39 /2 00 6- 12 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720139/200612 Acórdão n.º 3102001.369 S3C1T2 Fl. 618 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 09 23.679, da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da contribuição ao PIS não cumulativo proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: A interessada transmitiu, em 27/01/2006, Pedido de Ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo — mercado interno, relativo ao 1° trimestre de 2005, no montante de R$ 244.711,35, e, em 10/03/2006, transmitiu, em duplicidade, outro Pedido de Ressarcimento, o que totalizou um crédito solicitado no montante de R$ 489.422,70 (fls 154/159). Posteriormente transmitiu as DCOMP relacionadas à fl. 406, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento manual por meio do presente processo. A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 219.550,02 e homologou a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido (fls. 384/408). A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 468/496), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do cooperativismo, dos créditos e da não cumulatividade da contribuição, para depois alegar que: a) não há que se falar em não homologação das compensações que utilizam créditos apurados no período anterior a 31/07/2004; b) as leis que instituíram a nãocumulatividade das contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB disciplinou ilegalmente sobre eles, ao fixar uma interpretação restritiva ao termo; c) o crédito presumido sabre estoque de abertura calculado com base em uma alíquota menor que a prevista na saída, contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário e provoca enriquecimento sem causa da União; d) nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas, pois precisam ser reordenadas e o tempo deferido não foi suficiente para tanto. Por isso solicita prazo de 90 dias para apresentar tais documentos; É o breve relatório. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720139/200612 Acórdão n.º 3102001.369 S3C1T2 Fl. 619 3 Ao apreciar o feito, a DRJ de Juiz de Fora (MG), como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: no que tange aos suscitados preceitos constitucionais, que não estaria entre as competências do julgador administrativo empreender a análise quanto à constitucionalidade das normas infraconstitucionais por questões regimentais; que não integra a lide administrativa qualquer discussão quanto a não homologação das compensações com base em créditos apurados em períodos anteriores a 31/07/2004; quanto à solicitação de concessão de prazo para a apresentação de documentos, nega tal pleito sob o justificativa de que o art. 16, §4o, do PAF (Decreto n º 70.235/72) traz regra no sentido de que seria por ocasião da manifestação de inconformidade o momento hábil a produção de provas; no que toca ao conceito de insumos, defende aquele registrado nos normativos da RFB (IN SRF n º 247/2002), que remete à legislação do IPI; em referência ao crédito presumido sobre o estoque de abertura, mantém o entendimento no sentido de que o mesmo haveria de ser apurado pela aplicação das alíquotas de 0,65 e 3%, para o PIS e Cofins, respectivamente, ex vi do art. 11, §1o, da Lei n º 10.637/2002. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Transcrevo o voto lido em sessão, que foi referendado pela unanimidade dos presentes: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, e sendo a matéria afeta à competência desta 3a. Seção do CARF, passo ao respectivo exame. Primeiramente, convém esclarecer que, embora tenha a Recorrente em diversas passagens mencionado preceitos constitucionais, em momento algum imputa qualquer inconstitucionalidade à normas de hierarquia inferior, de modo a que não vejo motivos a empreender qualquer análise ou cotejo deste jaez. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720139/200612 Acórdão n.º 3102001.369 S3C1T2 Fl. 620 4 Também não entendemos pertinente, conforme conclusões do acórdão recorrido, empreender qualquer análise quanto às eventuais glosas relativas à créditos de períodos anteriores a 31/07/2004, vez que se observa efetivamente não ter sido objeto de questionamento nos autos. Diante deste contexto, a lide fica circunscrita a três pontos específicos: (i) ao pleito de juntada de documentos novos; (ii) a amplitude do conceito de insumos; e, (iii) ao percentual do crédito presumido a ser aplicado sobre o valor do estoque do contribuinte por ocasião do seu ingresso na sistemática não cumulativa. Pois bem. No que se remete ao primeiro ponto, nos alinhamos a posição do acórdão recorrido no sentido de que o §4o, do art. 16, do Decreto n º 70.235/72, elege como momento hábil a produção de provas o da apresentação da manifestação de inconformidade, não tendo o contribuinte comprovado qualquer fato impeditivo à produção de provas em dada ocasião. Por esta razão, rejeito o pleito em questão. O segundo ponto a ser apreciado reportase ao alcance do vocábulo insumos constante do inciso II, do art. 3o, da Lei n º 10.637, de 2002, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – omissis; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Sobre a matéria, reconhecemos a larga discussão existente na doutrina e na jurisprudência administrativa e judicial acerca a aproximação ao conceito de insumo previsto na legislação do IPI proposta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em sua IN n º 247, de 2002, que se propôs a regulamentar as Leis n ºs. 10.637/02 e 10.833/03. No caso, no sentido de apenas admitir o crédito sobre os insumos diretamente utilizados no processo produtivo, que fossem incorporados ao produtos final ou desgastados com contato físico com o mesmo. Exatamente na linha de rechaçar a proposta da regulamentação está o recurso em exame, pelo qual defende a Recorrente fazer jus ao crédito sobre todos os gastos e investimentos que Fl. 663DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720139/200612 Acórdão n.º 3102001.369 S3C1T2 Fl. 621 5 concorressem para um resultado, numa clara aproximação ao conceito de custo eleito pela legislação do imposto de renda. A norma veiculada no art. 3o e seu inciso II, aos nossos olhos, não corresponde a interpretação eleita seja pelo acórdão recorrido, seja pela contribuinte. Embora não entendamos haver elementos em lei (em sentido estrito) hábil a uma interpretação restritiva sobre o conceito de insumo tal qual a proposta pela IN SRF n º 247/2002, aproximandoo da legislação do IPI, também não vemos no referido dispositivo da Lei n º 10.637/2002 a amplitude pretendida pela contribuinte. E isto na medida em que os “insumos”, de que cuidaram os incisos II’s das Leis nºs 10.637 e 10.833, estão relacionados à produção. Enfim, sem a restrição de que sejam consumidos ou integrados, respectivamente, no processo fabril ou no produto final; mas, também, sem a abertura proposta pela contribuinte de que alcançariam, inclusive, todas as despesas operacionais da pessoa jurídica. A melhor exegese do dispositivo comentado, ao nosso sentir, é representada pela admissão de todos os créditos, salvo os legalmente proibidos (como fardamento, por exemplo), desde que representem custos do processo produtivo, sem a restrição imposta pela IN SRF n º 247/2002, de que o insumo necessite do desgaste físico mediante o contato direto com o produto. A despeito do acatamento parcial da tese do contribuinte quanto a amplitude do conceito de insumos, verificamos que, em diversas ocasiões, a autoridade encarregada das fiscalizações de praxe em momento preliminar a apreciação do pedido creditório solicitou cópia das notas fiscais dos insumos, por amostragem, como forma de avaliar o pedido creditório, sem, entretanto, ter o contribuinte contribuído aos esclarecimentos respectivos. Assim, resta esta instância de julgamento prejudicada de promover qualquer avaliação. Por fim, no que se refere ao crédito presumido de que trata o §1o do art. 11 da Lei n º 10.637/2002, a ser apurado sobre o estoque em 1o de dezembro de 2002 (data do início da vigência do regime não cumulativo para o PIS), ou por ocasião da migração da sistemática de apuração do IRPJ para o lucro real (art. 11, §3o.), o valor respectivo deverá ser fruto da aplicação dos percentual de 0,65% sobre o valor do estoque, inexistindo na legislação de regência norma que autorize a aplicação de outro percentual. A apuração de créditos tomando por referência a alíquota de 1,65% aplicase, exclusivamente, aos fabricantes de produtos especificados no §5o do citado art. 11, sendo, portanto, exceção à regra geral versada no §1o. Ante ao exposto, na mesma linha empreendida pelo Relator, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720139/200612 Acórdão n.º 3102001.369 S3C1T2 Fl. 622 6 Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 665DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727349/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Presentes nos autos a discriminação clara e precisa das razões fáticas que culminaram na lavratura do auto de infração, evidencia-se a ausência do cerceamento do direito de defesa.
TAXA SELIC. SÚMULA 03.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da rubrica referente ao terço de férias, assim como para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro vencidos na questão da exclusão do terço de férias.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Presentes nos autos a discriminação clara e precisa das razões fáticas que culminaram na lavratura do auto de infração, evidencia-se a ausência do cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da rubrica referente ao terço de férias, assim como para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro vencidos na questão da exclusão do terço de férias. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Presentes nos autos a discriminação clara e precisa das razões fáticas que culminaram na lavratura do auto de infração, evidenciase a ausência do cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 49 /2 00 9- 17 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a incidência da rubrica referente ao terço de férias, assim como para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro vencidos na questão da exclusão do terço de férias. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.727349/200917 Acórdão n.º 2403002.656 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a impugnação ofertada em face do lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.254.7184, referente ao período de 01/2005 a 12/2005, no montante de R$ 2.587,35 (dois mil quinhentos e oitenta e sete reais e trinta e cinco centavos), na qual se almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias relativas às contribuições dos segurados empregados, de responsabilidade da empresa, não retidas. Segundo o Discriminativo de Débito, fl. 05, assim como o Relatório Fiscal, fls. 67/80, a autuação em epígrafe desdobrase nos seguintes levantamentos: 1. LEVANTAMENTOS FP2 E Z1: estes levantamentos englobam fatos geradores não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, compreendendo contribuições incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados apuradas na folha de pagamento e não consideradas como bases de cálculo pelo contribuinte, correspondentes às rubricas: Média de Horas Extras/DSR OUT (123), Ajuda de Custo (167), Adic. Férias. Mês Seg. (164); Dif. 1/3 Férias Mês Seg. (176) e Dif. Média He Férias Mês Seg. (210). O levantamento Z1 compreende as competências com aplicação da penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, enquanto o levantamento FP2 contempla as competências com multa aplicada em conformidade com o art. 35, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.876/99. 2. LEVANTAMENTO Z2: este levantamento engloba fatos geradores não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, compreendendo contribuições incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados apuradas nas folhas de pagamento e consideradas como base de cálculo pela empresa. Este levantamento (Z2) compreende as competências com aplicação da penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, o contribuinte apresentou defesa por meio de instrumento de fls. 1052/1094. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão nº 15 32.109, fls. 1179/1193, na qual julgou pela improcedência da impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o Procedimento Administrativo Fiscal. BASE DE CÁLCULO. ABONO SALARIAL. AJUDA DE CUSTO. Apenas os abonos expressamente desvinculados do salário não integram a base de cálculo. Apenas a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho não integra a base de cálculo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo em vigor. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 1197/1229, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Em sede preliminar, cerceamento do direito de defesa ante a ausência de consistência e clareza do auto de infração, além de erro/ausência de fundamento legal; 2. Os valores exigidos a título de ajuda de custo são equivocadas, uma vez se tratar de diárias de viagem, Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.727349/200917 Acórdão n.º 2403002.656 S2C4T3 Fl. 4 5 razão pela qual não sofre a incidência das contribuições previdenciárias; 3. Foram realizados pagamentos de contribuições no curso do procedimento fiscal que não foram abatidos pela fiscalização, promovendo, assim, sua cobrança em duplicidade considerando que já foram pagas. 4. Ilegalidade e inconstitucionalidade do SAT; 5. Erro na aplicação da multa 6. Impossibilidade de utilização da SELIC como taxa de juros remuneratórios. É o relatório. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 1243, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE Alega o contribuinte o cerceamento do direito de defesa, em razão da forma pela qual o auto foi lavrado. O Relatório Fiscal, nos seus itens, discrimina de forma suficiente os fatos que geradores que foram apurados através do cotejo das folhas de pagamento e GFIP, bem as remunerações pagas aos contribuintes individuais, explanando que os fatos geradores foram apurados através da escrituração contábil da empresa, complementados com informações constantes nas folhas de pagamento. Explica que além dos serviços contabilizados na conta contábil “Serviços Prestados Pessoa Física – 33401010”, outros foram contabilizados em contas diversas, conforme registra em planilha anexa. Portanto, vêse que os fatos ensejadores, assim como os fundamentos jurídicos foram devidamente preenchidos e esclarecidos, não restando dúvidas quanto ao lançamento referente aos levantamentos acima mencionados, não ocasionando o cerceamento do direito de defesa alegado pelo contribuinte. DO TERÇO DE FÉRIAS A autoridade fiscal descreve dentre os códigos lançados, narra que alguns referemse a terço de férias, nos levantamentos Z1 e FP2, vejase: Adic. Férias. Mês Seg. (164); Dif. 1/3 Férias Mês Seg. (176). Ocorre que sua incidência é afastada pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se percebe dos procedentes abaixo colacionados: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.727349/200917 Acórdão n.º 2403002.656 S2C4T3 Fl. 5 7 Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito a Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias, desde que seja observado o prazo de cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e, reconhecendose o direito a compensação de seus valores, observado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos a contar da data do efetivo pagamento indevido, nos termos do voto. Vencido o conselheiro Thiago Taborda Simões que votou pelo provimento também em relação ao adicional de horas extraordinárias. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. (CARF. Processo 13161.720148/201396, Data da Sessão: Relator:RONALDO DE LIMA MACEDO, Nº Acórdão: 2402 004.014) Vêse que o afastamento da incidência de contribuição previdenciária corresponde ao terço constitucional, conhecidamente denominado adicional de férias também, coincidindo com os títulos das rubricas incluídas no presente levantamento, impossibilitando, portanto, a manutenção do auto de infração concernente a esta rubrica. DA AJUDA DE CUSTO O contribuinte afirma que foram lançados contra si valores referentes à Diárias para Viagem, que foi por ele equivocadamente chamados de “Ajuda de Custo”. Ocorre que não há comprovação de que tais verbas refiramse a “Diárias para Viagem”. As folhas de pagamento juntadas pelo contribuinte ao processo em sede de impugnação, não são aptas a contrapor as razões de autuação, demonstrandose, inclusive, que tais Diárias são pagas com freqüência em diversos meses seguidos, alegando o contribuinte inclusive, que não requeria prova dos custos sofridos por estes funcionários. Por tal razão, não há que se falar em não incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.727349/200917 Acórdão n.º 2403002.656 S2C4T3 Fl. 6 9 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DAS MULTAS APLICADAS Uma vez ultrapassados os fundamentos acima e constatado que a recorrente não apresenta contraprova do mérito dos levantamentos apurados pela fiscalização, que não aqueles que já tratados acima, cabe, por último, analisar as multas aplicadas e tecerlhes alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.727349/200917 Acórdão n.º 2403002.656 S2C4T3 Fl. 7 11 multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para excluir a incidência das rubricas referentes a adicional/terço de férias, assim como para determinar o recálculo da multa de mora em relação ao valor remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 37324.008592/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/10/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE.
Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição.
Numero da decisão: 2301-004.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Cleberson Alex Friess acompanhou a votação por suas conclusões.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 19/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Cleberson Alex Friess acompanhou a votação por suas conclusões. MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 32 4. 00 85 92 /2 00 5- 88 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR Relator. EDITADO EM: 19/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Tratase de REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO — RRR, protocolado em 07/12/2005, de que trata o artigo 31 da Lei 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 9.711, de 20/11/1998, no valor originário de R$14.827,51 (quatorze mil, oitocentos e vinte e sete reais e cinquenta e um centavos). O RRR referese às contribuições retidas nas competências de abril a outubro de 2005. O DEMONSTRATIVO DE NOTAS FISCAIS / FATURAS / RECIBOS DE SERVIÇOS PRESTADOS — Anexo VI (fls. 85, 87, 89, 91, 93, 95 e 97), relaciona, por competência, o número, data de emissão, valor e respectiva retenção da fatura emitida em face do tomador Unopaso Exploração e Produção de Petróleo e Gás Ltda., objeto deste requerimento. A cada Anexo VI foi juntada a respectiva Nota Fiscal Fatura. O recolhimento da contribuições retidas estão confirmadas no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil — RFB, de fls.256 a 262. Consta de fls. 110 a 121, 137 a 142, 155 a 160, 172 a 177, 197 a 204, 215 a 220 e 232 a 237 cópias de Folhas de Pagamento e de fls. 99 a 109, 122 a 136, 143 a 154, 161 a 171, 178 a 196, 205 a 214 e 221 a 231, cópias de Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social — GFIP. De fls 33 a 84 está anexada cópia do Contrato de Prestação de Serviços, traduzido por tradutor público, celebrado entre a STRACK e UNOPASO. O pedido de restituição foi indeferido, conforme informação de fls. 391 a 394, em 25/07/2008, nos seguintes termos: Em razão dos fatos descritos, entendemos que a requerente, ao deixar de contabilizar em contas próprias as despesas incorridas, ao contabilizar valores de retirada prólabore supostamente inferiores aos efetivamente recebidos, deixar de apresentar Folha de Pagamento especifica com todos os fatos geradores, deve ter negado o reconhecimento do direito creditório da restituição dos valores requeridos, pelo que, propomos o indeferimento do referido processo. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Acórdão n.º 2301004.206 S2C3T1 Fl. 486 3 Ciente em 29/07/2008 e irresignada, a requerente recorreu da decisão que indeferiu seu pedido, em 28/08/2008, onde pondera que o Demonstrativo de Composição de Prego — DCP não possui valor jurídico e serve somente para um mero balizamento de valores e preços internos que podem se praticados pela Recorrente. Alega que os documentos apresentados inicialmente — GFIP, GPS, Folhas de Pagamento e Nota Fiscal emitida —, juntados ao RRR, provam que é devida a restituição pleiteada. Infere que os valores de honorários de consultoria informados no DCP constituem meros custos mercadológico e não custo contratual como entendeu o AFRFB. Acrescenta que o DCP é apenas guia de cálculo interno e não reflete a realidade do contrato celebrado entre a Strack e Unopaso. Assegura que o valor recebido a titulo de pro labore é condizente com a retirada mensal do sócio e que está informado tanto na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, como da Jurídica o recebimento de participação nos lucros da empresa. Noticia que os lançamentos referentes ao pagamento de veiculo da sócia Sulamita estão equivocados e serão objeto de retificação pela empresa. 0 veiculo BLAZER foi locado à empresa pela sócia e não pode ser considerado pagamento indireto de prólabore, mas sim despesas de manutenção a cargo da locatária. Reitera que:, a remuneração auferida pelos sócios está discriminada nas folhas de pagamento apresentadas e não deixa margem para entendimento contrário. Em 07/11/2008, o SEORT, em Campinas, contra arrazoou as alegações da STRACK, conforme documento de fls. 410 a 412, nos seguintes termos: 1. Não foi definida qual pessoa prestou o serviço de consultor técnico, se empregado ou sócio; 2. As informações relatadas no DCP foram consideradas para a análise do pedido de restituição; 3. Os honorários indicados no DCP não figuram nas GFIP apresentadas ; 4. Incompatível o pagamento de R$270,00, a titulo de pró labore, e R$2.490,00 ao empregado, no cargo de operador técnico; 5. Despesas de IPVA e Seguro Obrigatório configuram remuneração indireta ao sócio; 6. Não consta o nome do sócio Virgilio Andrade Resende nas folhas de pagamento especificas da tomadora Unopaso; e • 7. Não comprovou a retificação dos registros contábeis, lançados equivocadamente, nos respectivos Livros Diário. Os autos foram encaminhados ao 2° Conselho de Contribuintes, para análise do recurso, porém, retornaram a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — DRJ, por força da Portaria n° 14, de 09/12/2008, para cumprir o rito do Decreto 70.235, de 06/03/1972. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Em 23 de julho de 2010, foi prolatado Acórdão n. 0529.507 pela 9ª Turma da DRJ/CPS [fls. 418 e ss] que, em síntese, manteve a decisão contestada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE 0 VALOR DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS. EXAME DOCUMENTAL. A inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigida para a restituição. PROVAS. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Constitui ônus do contribuinte apresentar na impugnação os documentos e provas para instrução do processo, precluindo o direito de fazêlo posteriormente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte foi cientificado do decisum em 22/09/2010 [fl. 424]. Em 22/10/2010, o Interessado interpôs recurso voluntário [fls. 425/430] que, em síntese, alega: (i) O Demonstrativo de Composição de PreçoDCP não se constitui como custo contratual, apenas e tão somente como uma referência para prática de preço ser praticado, e, não necessariamente o custo contratual; (ii) Os honorários de consultoria constantes na planilha DCP servem apenas de balizamento para composição de preço e não como composição de custos contratuais, bem como, que retirada de prólabore condiz com a retirada mensal; (iii) não há qualquer irregularidade no pagamento das despesas do veículo Blazer, uma que este bem se encontra locado pela empresa; e a retirada do prólabore fora devidamente informada. Em 15/05/2012, foi prolatada Resolução n. 2302000.163 que converteu o julgamento em diligência para que a Receita Federal informasse se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se for o caso. Para impedir a restituição o débito tem que ser constituído pelo órgão fiscalizador. Devidamente intimado, o Requerente ratificou sua pretensão quanto ao direito à restituição. É o relatório. Voto Fl. 488DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Acórdão n.º 2301004.206 S2C3T1 Fl. 487 5 Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Todo processo administrativo, para que se afigure constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. A ampla defesa, desse modo, bipartese no direito à cognição formal e material ampla (que corresponde ao princípio da ampla competência decisória). Noutro lado, o crédito fiscal do Estado cristalizado no ato de lançamento e notificado ao contribuinte exprime pretensão do ente tributante sobre o patrimônio do cidadão. Pretensão de tal natureza, por submeterse à cláusula constitucional segundo a qual ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV), somente será válida quando obedecer às garantias materiais e processuais dos contribuintes (substantive due process e procedural due process). A impugnação administrativa é a resistência formal do contribuinte à pretensão fiscal do Estado sobre seus bens, e é o direito que se assegura ao cidadão como meio de ver vivificado o primado da legalidade através do devido processo legal. No presente caso, tratase de pedido restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviços relativamente ao CEI n° 50.007.90406170 tendo em vista saldo remanescente depois de efetuada compensação com os valores devidos à Previdência Social, com fulcro na Lei 8.212/91 em seu artigo 31, § 1° e 2°. Sua pretensão foi submetida à DRFB em Vitória/ES que, por meio do Parecer SEORT/DRF/MT n. 1205/2007 de 25/07/2007 [fls. 4245], julgou improcedente a solicitação realizada: Assunto: Requerimento de Restituição de Retenção de 11% sobre Notas Fiscais de Prestação de Serviços. Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição, se não optar pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor. Para maior esclarecimento, a 2ª Turma Ordinária desta Câmara resolveu converter o julgamento de diligência para que: [...] O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não cabe o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria ter lançado o crédito respectivo. Pela irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal análise deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a ampla defesa e o contraditório. Os presentes autos não servem para discussão, assim caso a Receita Federal não confie nos dados apresentados deve apurar os fatos em ação fiscal, na qual tenha acesso à toda documentação necessária, se for o caso efetue o lançamento, possibilitando o procedimento adequado e idôneo para a defesa do contribuinte. Deve a Receita Federal informar se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se for o caso. Para impedir a restituição o débito tem que ser constituído pelo órgão fiscalizador. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente. Em resposta, a autoridade fiscal manifestou [fl. 461]: Em atendimento ao que consta da presente Resolução (cópia anexa – fl. 5 ),cumprenos informar que a requerente não encontrase sob ação fiscal, bem como, não consta auto de infração ou notificação fiscal. A partir da ciência desta, poderá, a requerente, no prazo de 30 dias, manifestarse acerca desta informação. Findo o prazo, compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dar continuidade nos procedimentos Os autos foram remetidos sem a cientificação do sujeito passivo. Segundo a DRF, o pedido não foi deferido pelos seguintes fundamentos: 1. Não foi definida qual pessoa prestou o serviço de consultor técnico, se empregado ou sócio; 2. As informações relatadas no DCP foram consideradas para a análise do pedido de restituição; 3. Os honorários indicados no DCP não figuram nas GFIP apresentadas ; 4. Incompatível o pagamento de R$270,00, a titulo de pró labore, e R$2.490,00 ao empregado, no cargo de operador técnico; 5. Despesas de IPVA e Seguro Obrigatório configuram remuneração indireta ao sócio; 6. Não consta o nome do sócio Virgilio Andrade Resende nas folhas de pagamento especificas da tomadora Unopaso; e • 7. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Acórdão n.º 2301004.206 S2C3T1 Fl. 488 7 Não comprovou a retificação dos registros contábeis, lançados equivocadamente, nos respectivos Livros Diário. Pois bem, r. Pares, foi procedida a diligência para verificar a existência de procedimento fiscalizatório específico. Segundo informado, não há. No entanto, esta possível e eventual suposição não pode inviabilizar o direito do contribuinte à restituição, mormente quando não se tem notícia nos autos de que a Recorrente teria sofrido procedimento de fiscalização, e sido autuada pelo motivo destacado acima. Caso fosse essa, de fato, a preocupação do servidor, o procedimento que deveria ter sido seguido era a fiscalização da empresa para investigar se havia mesmo irregularidades nos recolhimentos realizados sobre a sua folha de salários, e não simplesmente, de forma cômoda, barrar a retenção dos valores excedentes, retidos pelos tomadores dos serviços prestados pela empresa. Logo, entendendo o fisco que o contribuinte não seguiu as determinações legais quanto à forma de contabilização das receitas vinculadas aos serviços que presta, o que poderia configurar descumprimento ao disposto no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, deveria a fiscalização ter procedido à lavratura de auto de infração para exigir a multa devida pelo contribuinte, do que, aliás, não se tem notícia, e não simplesmente indeferir a restituição pleiteada. Por esses motivos, entendo que deve ser deferida a restituição ao contribuinte dos valores destacados dos presentes autos. Dito isso e em atendimento as razões dispostas nas razões da Resolução acima numerada, conheço do recurso e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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