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Numero do processo: 10805.900815/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 54 1 53 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.900815/200844 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.161 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2013 Assunto PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA Recorrente UNIMED DO ABC COOPERATIVA DE TRABALHO M.E. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 81 5/ 20 08 -4 4 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.161 S3C2T2 Fl. 55 2 A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confirase: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a titulo de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota seja superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhido seja menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de compensação, conforme art. 147 do CTN. Fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confirase: Observese que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.161 S3C2T2 Fl. 56 3 extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I. b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito. c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte desta Receita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. No presente caso, a contribuinte pediu a compensação de débito com créditos seus decorrentes de pagamento a maior de PIS. Analisando o pedido, DRF emitiu despacho decisório eletrônico, indeferindo a compensação, porque, embora tenha encontrado o pagamento alegadamente a maior, constatou que o mesmo ainda estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente. Leiase: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um a um os pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não conformada, a cooperativa apresentou manifestação de inconformidade, pedindo a reforma do despacho decisório, porquanto a vinculação do pagamento a maior à Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.161 S3C2T2 Fl. 57 4 quitação de outra obrigação se devia a erro contido em sua DCTF, a qual foi retificada pela recorrente depois de constatado o equívoco pela DRF. A recorrente afirmou, ainda, em sua manifestação de inconformidade, que o pagamento a maior de PIS foi ocasionado pelo fato de a cooperativa ter recolhido PIS no regime de apuração nãocumulativo, quando deveria ter recolhido PIS sob o regime de apuração cumulativa. O acórdão recorrido, porém, não acolheu a manifestação de inconformidade, uma vez que “a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação”. Assentou, ainda, a DRJ, que o erro de aplicação do regime de apuração do PIS, cumulativo ou nãocumulativo, não comprovaria automaticamente o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de proválo. Contra o acórdão recorrido, a cooperativa interpôs recurso voluntário, pugnado que a compensação fosse homologada. Nessa oportunidade, juntou também comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração do PIS, que coincidem com a sua DCTF retificadora. Entendo, porém, que julgamento deve ser convertido em diligência. Efetivamente, deve ser reformado o acórdão recorrido, quando negou reconhecer efeitos à DCTF retificadora, pelo fato desta ter sido apresentada depois de proferido o despacho decisório. Isso por que o simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior nem resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Assim, diferentemente do que disse o despacho decisório, ratificado pelo acórdão recorrido, o direito à repetição do indébito, por meio de compensação, não está vinculado à apresentação ou não da DCTF retificadora, mas, sim, está atrelado à existência do pagamento indevido, nos termos do art. 170 do CTN. Sem divergir desse entendimento, decidiu o CARF: PROCESSO 10384.901597/200944 Acórdão nº 3301001.857(3ªCâmara/1ªTurmaOrdinária/3ª Seção), de 22 de maio de 2013. Relator: AndradaMárcioCanutoNatal COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.161 S3C2T2 Fl. 58 5 homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Por conseguinte, não merecer prosperar o aresto recorrido, quando manteve o despacho decisório, que, ao invés de perquirir a ocorrência do pagamento indevido, limitouse a analisar perfunctoriamente a DCTF original da recorrente. Com efeito, percebese que a DCTF retificadora só foi apresentada depois do despacho decisório, em razão da DRF ter restringido a análise do pedido de compensação ao cruzamento eletrônico de dados, sem facultar à contribuinte o direito de apresentar documentação adicional necessária à apreciação do seu pleito, como determina o art. 39 da Lei nº 9.784/1999: Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. De acordo com a Lei nº 9.784/1999, somente depois de intimado o interessado sobre a necessidade de documentos adicionais para análise de seu pedido, é que autoridade pode indeferir sua pretensão. Nesse sentido, dispõe o art. 40 do mesmo diploma legal: Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Não é por outro motivo, que o art. 4º da Instrução Normativa nº 210/2002, vigente à época dos fatos, determina que a autoridade competente tenha o poderdever de realizar diligências, caso sejam necessárias para verificar a exatidão das informações prestadas. Observese: Art. 4 o A autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Dessa forma, apresentada a DCTF retificadora pela empresa, que afastou o obstáculo apontado pelo despacho decisório, caberia ao acórdão recorrido ou deferir o pedido; ou converter o julgamento em diligência, para certificar o pagamento a maior; ou, ainda, anular a decisão da DRF, por não ter respeitado o devido processo legal, disciplinado pelos arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784/1999 c/c o art. 4º da Instrução Normativa nº 210/2002. Em lugar disso, a DRJ optou por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.161 S3C2T2 Fl. 59 6 Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte a apresentar dados adicionais, se necessário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10950.726726/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator
EDITADO EM: 07/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 07/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 07/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de autos de infração no valor de R$ 36.961.808,53 lavrado para constituição de crédito tributário referente a: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição PIS/PASEP – importação, Contribuição COFINS – importação, Juros de Mora – calculados até 30/11/2012, Multa do Controle Administrativo, e Multa Proporcional (150%), em função de declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado, conforme apontado na descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 3.590, 3.596, 3.597, 3.673, 3.738, 3.804) e “Relatório de Ação Fiscal (fls. 3.479 a 3.503). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 26 72 6/ 20 12 -3 2 Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 3 2 Depreendese dos autos que a autuação em comento é resultado de procedimento de fiscalização aduaneira, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09105002012002359 (fl. 02), datado de 24/07/2012, com o objetivo de efetuarse procedimento fiscal (fiscalização) relacionados aos tributos/contribuições incidentes em operações de comércio exterior: II, IPI, MULDI, PIS, COFINS e PASEP no período entre 01/2007 a 07/2012. As declarações de importação foram registradas pela interessada para importação de diversos tipos de mercadorias relacionadas à equipamentos de informática (impressoras), tais como cartuchos, tintas, partes e peças, conforme descrito em campo apropriado das diversas declarações de importação, cujas cópias dos extratos e documentos relacionados foram acostadas aos autos às folhas 107 a 1.188, 1.199 a 3.315. Inicialmente a fiscalização informa que em diligência realizada ao estabelecimento da interessada, em 27/07/2012, encontrou o imóvel fechado (abandonado) e inclusive com as portas arrombadas (fotos no relatório). Relata a fiscalização que, por ocasião de diligência realizada no estabelecimento da interessada em 02/05/2011 (Processo administrativo fiscal n° 10950.724599/201156) foram encontrados e retidos alguns documentos relacionados às declarações de importação que foram objeto de autuação anterior. Entre os documentos retidos na empresa fiscalizada, estavam faturas comerciais, originais e cópias, faturas proformas, tax proforma, planilhas com cálculo dos custos mercadorias, planilha de formas de pagamentos das importações, sendo que alguns desses documentos eram originais e outros cópias. Conforme se depreende do “Relatório de Ação Fiscal” (fls. 3.316 a 3.358) daquele procedimento fiscal, comparando as faturas que instruíram as Declarações de Importação à época dos despachos com as faturas e demais documentos que foram encontradas junto ao estabelecimento da interessada, a autoridade fiscal chegou à conclusão, no âmbito daquele procedimento fiscal, de que para fins de declaração de valor, em cada uma das declarações de importação, foram utilizadas faturas comerciais falsas, onde em regra os valores unitários das mercadorias eram inferiores àqueles constantes das faturas verdadeiras emitidas pelos exportadores (naquele caso 28 exportadores diferentes). Destaca os seguintes pontos (fls. 3.485 e 3.486): a) Documentos como comercial invoice, proforma invoice, tax invoice, com as mesmas mercadorias mas claramente com valores unitários diferentes. b) Documentos citados em a) com leiautes e assinatura diferentes. c) Documentos com valores diferentes e com a mesma numeração, ou que a numeração de um conste em outro. d) Nos documentos denominados “Rateio de Impostos e Despesas de Importação” referente a diversas DI's temos: –uma coluna com o titulo “Mercadoria US$' em que consta o valor das mercadorias no documento com menor valor. –uma coluna com o titulo “Custo unitário dólar P.F.” onde consta o preço unitário das mercadorias que consta no documento de valor maior. Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 4 3 –uma coluna com o título “Custo P.F. Dolar total” onde consta o valor total do documento com valor maior. e) Nos documentos com o título “FECHAMENTO NOME DO EXPORTADOR” referente a diversas DI's temos: –uma linha com a denominação “FATURA” em que está o valor do documento com valor maior. –uma linha com a denominação “BANCO” em que está o valor do documento com valor menor. –Uma linha com a denominação “SALDO” em que está a diferença entre os dois valores acima. f) Documentos com diferenças nos valores declarados de 28 (vinte e oito) exportadores diferentes e de países diferentes. g) Não consta nesses documentos que estão sendo oferecidos descontos nas compras. Tendo por base as informações e documentos coletados no âmbito daquele processo administrativo, foi realizada uma análise de todas as declarações de importação da interessada e que apresentavam os mesmo exportadores e também o mesmo tipo de mercadoria. A conclusão foi de que a autuada também subfaturou outras operações de importação (além daquelas já autuadas) com a finalidade de iludir o pagamento dos tributos devidos quando do registro das declarações de importação. À folhas 3.487 a 3.499 do relatório, a fiscalização detalha, por exportador (em quantidade de 16) e por declaração de importação, quais as declarações de importação autuadas anteriormente (Processo administrativo fiscal n° 10950.724599/201156), o percentual subfaturado para aquele tipo de mercadoria. Apresenta planilha onde demonstra que houve diferença (a menor) no valor declarado pela interessada nas operações que menciona. Indica que os valores declarados nas operações em apreço são próximos aqueles comprovadamente subfaturados. Conclui a fiscalização que a fraude praticada é decorrente do fato de a empresa ter omitido o preço verdadeiro das mercadorias importadas nas declarações de importação em análise, onde declarou um valor falso e inferior ao efetivamente praticado conforme os documentos retidos, isto é, ocorreu a prática de subfaturamento. Considerando a comprovação (já realizada anteriormente por ocasião da análise das operações de importação envolvendo as mercadorias em questão) de que o valor declarado não era aquele efetivamente praticado, a autoridade fiscal desconsiderou os valores declarados e, com base em valoração aduaneira realizada em outro procedimento fiscal, lavrou a presente autuação com base nos preços de mercadorias semelhantes autuadas anteriormente (arbitramento com fulcro no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01). Além da exigência relativa aos tributos, a autoridade fiscal aplicou a multa prevista no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01, por existir diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado. Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 5 4 Aplicou ainda a multa de ofício com agravamento, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei 9.430/96, visto entender que ficou caracterizada a intenção dolosa e presente a fraude. Informa, ao final de seu relatório, que foi protocolizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 10950.726729/201276. Intimada, Edital n° 0328/12SAANA (Afixado em 14/12/2012 e desafixado em 28/12/2012, fl. 3.817), a interessada apresentou impugnação às folhas 3.823 a 3.841, anexando os documentos de folhas 3.842 a 3.845. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o lançamento deve ser declarado nulo em razão da ausência de ordem escrita do Superintendente da Receita Federal do Brasil ou do Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá autorizando o segundo exame dos períodos base de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, já fiscalizados em quatro outras ações fiscais distintas, processos n° 10950.005471/200975, 10950.720133/201181, 10950.724599/201156 e 10950.724783/201104. Deveria ter sido dada autorização expressa no MPF; Que, parte do lançamento não prospera em razão da decadência, que deve ser contada a partir do registro da declaração de importação correspondente (artigos 752 e 753 do Decreto n° 6.759/09). A revisão aduaneira deve respeitar as regras estabelecidas no Decreto n° 6.759/09, artigo 638. Logo, o instituto da decadência alcança todos os fatos geradores correspondentes às declarações de importação registradas até 02/01/2008. Cita o Acórdão n° 0728.807 desta Turma de Julgamento; Que, os demonstrativos de apuração das contribuições (fls. 3.682/3.704 e 3.748/3.770) não fazem qualquer referência a respeito da apuração dos valores apresentados, cerceando o direito de defesa da impugnante, cita o exemplo da DI n° 08/10194435; Que, em relação à valoração aduaneira, o lançamento foi construído em cima de uma presunção de existência de subfaturamento objeto de fiscalização anterior. O suposto “subfaturamento” apurado noutra fiscalização, ocorridos basicamente em 2006 e 2007, não pode ser utilizado como suporte para presumir que todas as importações seguintes (até 2011) também foram subfaturadas, isto porque os preços de mercado dos produtos e suprimentos de informática despencaram ao longo dos anos; Que, não houve qualquer análise da escrituração contábil da autuada, nem registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor subfaturado. Os indícios apurados não são suficientes para comprovar a prática de subfaturamento; Que, o arbitramento realizado não atende nenhum dos critérios estabelecidos nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Que, a acusação fiscal no Processo n° 10950.005471/200975 tratava de erro de classificação fiscal das DI’s n° 07/14378596,07/14551680, 07/14632630 e, 07/15643791. Já a acusação fiscal no Processo n° 10950.724783/201104 tratava de erro de classificação fiscal das DI’s n° 07/12351927, 07/15025885, 08/01857362, 08/02142588 e, 08/04000969. A fiscalização naqueles processos não tiveram certeza e segurança de que teria havido o suposto subfaturamento quando examinaram as declarações, optando pelo lançamento com base no valor aduaneiro declarado; Que, não concorda com a aplicação da multa qualificada, visto que o lançamento está construído em cima de mera presunção; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 6 5 Período de apuração: 25/07/2007 a 18/01/2011 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Alterada a base de cálculo dos tributos, por mudança no correspondente valor aduaneiro, tornase exigível a diferença dos tributos, resultante desse ato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação correspondente. Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada, nos termos do 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. De seu turno, insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De início, requer a decretação de nulidade do lançamento “em face da ausência de ordem escrita do Superintendente da Receita Federal do Brasil ou do Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá, autorizando o reexame dos períodosbase de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, já fiscalizados em quatro outras ações fiscais distintas, conforme Processos [...]”. Transcreve o artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda para confirma tal condição. Nulidade do Auto de Infração, também, por ausência de demonstração da composição da base de cálculo das Contribuições. “Os Demonstrativos de Apuração da Cofins (fls. 3682/3704) e do PIS (3748/3770) iniciam com o valor da contribuição devida e não fazem qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a conferência dos valores exigidos e, por conseqüência, o cerceamento do direito de defesa da Recorrente”. Demonstra o problema em caso específico – DI nº 08/10194435. Contesta os procedimentos de Valoração Aduaneira adotados pela Fiscalização Federal. Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 7 6 Primeiro, argumenta que o lançamento teria sido construído encima de simples presunção, calcada em prática de subfaturamento identificada em relação a operações de importação realizadas ainda no ano de 2006, levando os AuditoresFiscais à presunção da infração nas operações seguintes, processadas até o ano de 2011, sem considerar que “os preços de mercado dos produtos e suprimentos de informática despencaram ao longo dos anos”. E acrescenta, O Relatório de Ação Fiscal (fls. 3479/3503) não faz qualquer alusão quanto ao fato dos Auditores Fiscais terem examinado a escrituração contábil (diário e razão) da autuada, ou realizado qualquer diligência, a fim de: (i) apurar se as importações haviam sido contabilizadas ou não, (ii) cruzar valores das declarações de importação com os respectivos contratos de câmbio, (iii) apurar a efetiva escrituração dos valores correspondentes ao fechamento dos contratos de câmbio. Também, não faz nenhum registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor subfaturado. Que o lançamento não atende aos critérios estabelecidos nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/01, base legal indicada pela Fiscalização no Auto de Infração controvertido. Ainda mais, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento inova ao considerar regular o procedimento com base no artigo 68 da Lei nº 10.833/03, por tratarse de disposição legal jamais citada nos autos. Adiante, que nove Declarações de Importação auditadas no procedimento já haviam sido valoradas e consideradas em situação regular, constatandose, apenas, erro de classificação fiscal. Quanto a isso, acusa omissão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que deixou de pronunciarse a respeito do assunto. Protesta contra a multa de 150% sobre o valor da diferença de Impostos apurada, “tendo em vista que o lançamento foi construído em cima de mera presunção de subfaturamento nas importações, sem nenhum elemento de prova e que contraria qualquer raciocínio lógico dos fatos”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. A Recorrente afirma que “os Demonstrativos de Apuração da Cofins (fls. 3682/3704) e do PIS (3748/3770) iniciam com o valor da Contribuição devida e não fazem qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a conferência dos valores exigidos e, por conseqüência, o cerceamento do direito de defesa [...]”. Exemplifica com a DI nº 08/10194435. Uma vez que tenha sido feita menção à dificuldade de conferir a exatidão dos valores exigidos, pela falta de referência ao método de apuração, já que o Auto de Infração Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 8 7 parte do valor da Contribuição devida, iniciei pelo exame da base de cálculo considera. Quanto a ela, não encontrei nenhuma dificuldade em compreender os critérios utilizados pela Fiscalização Federal. A Declaração de Importação nº 08/10194435, citada pela Recorrente, consta de uma planilha à folha 3.496 do Processo, no Relatório de Ação Fiscal, onde está claramente demonstrada a base de cálculo informada na Declaração, o percentual de subfaturamento considerado para o caso específico (assim como os critérios para que se chegasse a esse percentual), a base de cálculo redefinida e a diferença. A nova base de incidência é obtida pela divisão da base de cálculo informa pelo percentual de 24,56%, que é a diferença entre o todo, 100%, e os 75,44% de subfaturamento considerados. É uma regra de três: se o informado é 24,56% do todo, quanto é 100%? De fato, como disse, não encontrei qualquer dificuldade em compreender essa demonstração; contudo, existem outros valores sobre os quais não há como dizer o mesmo. Embora os critérios de apuração da base de cálculo e sua demonstração sejam perfeitamente compreensíveis, não logrei êxito em atestar o valor das Contribuições devidas. Por exemplo. Considerando o Valor Aduaneiro Real indicado na mesma planilha de folha 3.496, no montante de R$ 1.225.977,60, para a mesma Declaração de Importação nº. 08/10194435 (fls. 3134 e seguintes), utilizandose a metodologia de cálculo definida na Instrução Normativa SRF nº. 463/04, temse: PIS = alíquota PIS x (Valor Aduaneiro x X + alíquota Cofins x Y) PIS = 1,65% x (1.225.977,60 x 1,228746 + 7,6% x 0,110092)1 PIS = R$ 24.855,85 Esse valor não confere com o valor de R$ 27.428,19 (folha 3.754) informado no Auto de Infração. Tratase de uma questão que necessita ser esclarecida. VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a razão da diferença acima seja esclarecida e, se for o caso, os cálculos sejam refeitos. Abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Após, retorne para decisão final. Sala de Sessões, 28 de janeiro de 2014. 1 X = 1 + 0,09 x [ 0+0,05 x (1 + 0)] (10,01650,0760,09) Y = 0,09 ÷ (10,01650,0760,09) Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/201232 Resolução nº 3102000.293 S3C1T2 Fl. 9 8 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16095.720400/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM FOPAG - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega, sem apresentar comprovante de recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados.
Simplesmente alegar nulidade, ou que o lançamento foi realizado por presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações.
MULTA SOBRE JUROS -
A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL
O sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendo-lhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo.
Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA - 150% - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM.
A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação.
AGRAVAMENTO DA MULTA - ART. 44, § 2o DA LEI 9430.
Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei
O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendo-a em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM FOPAG - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega, sem apresentar comprovante de recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados. Simplesmente alegar nulidade, ou que o lançamento foi realizado por presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações. MULTA SOBRE JUROS - A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL O sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendo-lhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo. Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica. QUALIFICAÇÃO DA MULTA - 150% - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM. A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. AGRAVAMENTO DA MULTA - ART. 44, § 2o DA LEI 9430. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendo-a em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM FOPAG NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega, sem apresentar comprovante de recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados. Simplesmente alegar nulidade, ou que o lançamento foi realizado por presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações. MULTA SOBRE JUROS A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL O sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 04 00 /2 01 2- 13 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendolhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo. Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica. QUALIFICAÇÃO DA MULTA 150% AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM. A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. AGRAVAMENTO DA MULTA ART. 44, § 2o DA LEI 9430. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendoa em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Trata a presente AIOP, lavrado sob os n. 51.031.3221, 51.031.3230 e 51.031.3248 referemse às seguintes contribuições: a) Levantamento “AP” – FOLHA DE PAGAMENTO “... contribuições previdenciárias da PARTE DA EMPRESA, devidas ao INSS, e as destinadas à ENTIDADES E FUNDOS, discriminados no anexo FDL, incidentes sobre o salário de contribuição dos segurados empregados da autuada (...), relativas ao período de 01.2009 a 13.2009, e não foram recolhidas, e não declaradas em GFIP’s – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social”. b) Levantamento “RA” – VALORES DECLARADOS NA RAIS “...contribuições previdenciárias da PARTE DA EMPRESA, da PARTE DOS SEGURADOS, e as destinadas à ENTIDADES E FUNDOS, discriminados no anexo FDL, incidentes sobre o salário de contribuição dos segurados empregados da autuada (...), relativas ao período de 01.2010 a 13.2010, não foram recolhidas, e não declaradas em GFIP’s – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social”. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 54 e 55, os valores constantes do Auto de Infração, referemse a contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, e não declaradas em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, e nem recolhidas em GPS Guias da Previdência Social. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Tal procedimento, acrescenta o auditor fiscal, caracteriza em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inciso I , parágrafo 1°, do artigo 168A, da Parte Especial do Decretolei n° 2.848, de 07.12.1940 Código Penal Brasileiro , com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.983, de 14.07.2000, e está sendo objeto de Representação Fiscal para Fins Penais; 2º) Serviram de base ao lançamento, as folhas de pagamento de salários dos segurados empregados, do período do débito, sendo que, além desses documentos, embora reiteradamente intimada a tanto, nenhum outro foi apresentado pela autuada; 3º) Das contribuições consignadas nas folhas de pagamento, foram deduzidas as declarados em GFIP antes do início da ação fiscal; 4º) O demonstrativo dos valores apurados, com a respectiva dedução dos valores confessados em GFIP, constitui o RL Relatório de Lançamentos, e o valor remanescente, objeto desta autuação, constitui o DAD Discriminativo Analítico do Débito; 5º) Conforme previsão do artigo 35A da Lei N° 8.212/91, a multa de ofício a ser aplicada ao débito é a prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ou seja, de 75% (inciso I), duplicada pela omissão do contribuinte em declarar os valores das contribuições previdenciárias devidas nas GFIPs (parágrafo primeiro) e na forma do artigo 71 da Lei n° 4.502/64, caracterizando em tese, ocorrência de crime de Sonegação Fiscal, que está sendo objeto de Representação Fiscal para Fins Penais acrescidos de mais 50% cinquenta por cento Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 4 5 pelo não atendimento as intimações (parágrafo 2o), resultando em 225 % (duzentos e vinte cinco por cento); e 6º) Com fundamento no artigo 124 da Lei n° 5.172 de 25/10/1966, consideramos o sócio administrador da autuada, José Luis San Martin Elexpe, SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL pelo presente débito pelas razões expostas no TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, que acostamos como parte integrante do presente Auto de Infração, sendo que a qualificação do mesmo e o período de respectiva atuação na empresa constitui o "Relatório de Vínculos". Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 13/12/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2012. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 79 a 93. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls. 162 e seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. BASES DE CÁLCULO. APURAÇÃO. EXAME DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não configura presunção das bases de cálculo das contribuições previdenciárias a apuração dos respectivos valores a partir do exame das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. BASES DE CÁLCULO. APURAÇÃO COM SUPORTE NOS DADOS DA RAIS. PRESUNÇÃO. LEGALIDADE. A recusa da empresa em disponibilizar suas folhas de pagamento ao auditor fiscal legitima a apuração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas a partir dos valores da massa salarial por ela informados na sua Relação Anual de Informações Sociais RAIS, tendo em vista o disposto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Ainda que não configurada a fraude, pode a multa de ofício ser duplicada no caso de ocorrência de sonegação fiscal, bem como ser aumentada de metade na situação prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola a presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no ato jurídico do lançamento tributário e se reportaria a evento futuro de cobrança. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Constatada a ocorrência de qualquer das situações de fato previstas no caput do art. 135 do Código Tributário Nacional, impõese a responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito tributário constituído. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. JUNTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE RESTRITA ÀS HIPÓTESES LEGAIS. No processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto federal nº 70.235/72, a regra é de que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nas hipóteses do § 4º do art. 16 do referido normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido .Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 160 a 189, onde em síntese alega: 1. A fiscalização presume quais sejam os valores dos salários dos funcionários da Vaska e, arbitrariamente, estipula os valores que servem de base à autuação, motivo pelo qual o auto já seria nulo; 2. Para a aplicação da multa de 225% seria indispensável a plena caracterização da prática fraudulenta pela recorrente, pois, inobstante a inconstitucionalidade e desproporcionalidade que maculam e multa nesse percentual, fato é que mesmo a jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Súmula nº 14) só a autoriza em casos extremos, quando há comprovação inequívoca de dolo, fraude ou Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 5 7 simulação– o que não ocorreu –, devendo a multa, destarte, ser reduzida para o máximo de 75%; 3. É imprescindível que também seja afastado o posicionamento do Fisco referente à incidência de juros de mora sobre a multa constituída, assim porque o art. 44 da Lei nº 9.430/96 não faz qualquer menção à incidência de juros sobre as multas aplicáveis em caso de lançamento de ofício, como por ser este o entendimento manifesto pelo próprio CARF em diversos julgamentos, tais como os reproduzidos na defesa (fls. 107 e 108); e 4. Deve ser igualmente afastado o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela fiscalização, tendo em vista que não há qualquer abuso de poder ou dolo comprovados, aptos a justificarem a inclusão do sócio José Luiz San Martin Elexpe no polo passivo da ação. Igualmente irresignado com o lançamento, o sócio José Luiz San Martin Elexpe também impugnouo por meio do expediente de fls. 79 a 93, onde repete as alegações já expendidas pela empresa e, ainda, acrescenta o seguinte acerca do Termo de Sujeição Passiva Solidária referido no item 8 do Relatório Fiscal: 5. A solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional pressupõe que dois ou mais devedores tenham interesse comum na constituição do fato gerador, ou seja, que ambos estejam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, de modo que, somente na impossibilidade das provas diretas serem produzidas, está a fiscalização autorizada a adotar medida extrema baseada na comprovação pelo menos dos fatos que constituem indícios; 6. O fato de a Vaska possuir outros débitos tributários, como aduzido no Termo de Sujeição Passiva, não autoriza, por si, a sujeição passiva de seu sócio administrador, vez que não há previsão legal para tanto; 7. O Termo de Sujeição Passiva contra o qual a recorrente se insurge não aponta em momento algum quais seriam os fatos, comprovados documentalmente, que demonstrariam de forma inequívoca que o ora Impugnante agiu com dolo, ou seja, o Termo é genérico, em flagrante desconformidade com o art. 31, do Decreto n° 70.235/72, o que acaba por ensejar o cerceamento de defesa do Impugnante sobre as questões fáticas arguidas; e 8. A fiscalização não conseguiu demonstrar o nexo de causalidade entre os supostos indícios apurados, e o fato que se deseja apurar (aqui o impugnante reproduz texto de autoria de Luiz Eduardo Schoueri, bem como de acórdão proferido pelo CARF, com o intuito de demonstrar que “os agentes da Receita Federal do Brasil realmente partiram de presunções simples, ou seja, aquelas decorrentes de suas próprias ilações e não de elementos que caracterizam a prova concreta, convincente e inequívoca do envolvimento do Impugnante”); Ao final, ambos os impugnantes protestam pela ulterior juntada de provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1271. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou muito menos presunção dos fatos geradores descritos. A nulidade é declarada, quando viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destacase ter o auditor cumprido todos os passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão Termo de Intimação Fiscal, com a competente intimação para apresentação dos documentos e esclarecimentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Os valores apurados como fatos geradores foram obtidos nas folhas de pagamento da própria empresa, razão pela qual não merece guarida o argumento de que a fiscalização apurou os valores por mera presunção. No relatório fiscal é possível identificar no item 3, que o auditor apreciou antes de indicar as verbas como base de cálculo de contribuições. Observase que mesmo depois de ter a autoridade julgadora afastado pontualmente as alegações do recorrente, este, em seu recurso simplesmente repetiu as alegações e requereu a apresentação oportuna de outras provas. Ora, que momento seria mais oportuno do que na impugnação ou mesmo quando da apresentação do recurso, para que fossem apresentadas as provas pertinentes a comprovar que as ilações apresentadas pelo auditor mostraramse inverídicas. Como argumenta o próprio recorrente, a busca da verdade material deve prevalecer, mas para tanto, competiria ao recorrente comprovar que os valores lançados em sua contabilidade encontravamse incorretos. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos valores ou mesmo fundamentação das contribuições, baseandose em presunções, não lhe confiro razão, conforme descrito acima.. Não só o relatório fiscal e complementar se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Para tanto seria simples para o recorrente confrontar as base de cálculo descritas nos referidos relatórios com suas FOPAG e GFIP, o que não o fez. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 6 9 Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Importante informar, que meros argumentos não afastam os fatos e documentos descritos pela autoridade fiscal, para atestar o lançamento de contribuições. Ademais, mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância, não trouxe o recorrente, qualquer documento para comprovar suas alegações, pelo contrário repetiu praticamente os argumentos trazidos em sua impugnação. Basta uma leitura do relatório fiscal e complementar, bem como, dos inúmeros anexos que o compõem para que se chegue a mesma conclusão trazidas pelo auditor fiscal no lançamento em questão e em todos os demais lavrados durante o mesmo procedimento. Conforme já afastado em sede de preliminar, entendo que longe está o lançamento em questão de fundarse em mera presunção. DO QUESTIONAMENTO SOBRE A MULTA IMPOSTA Quanto ao questionamento que incabíveis a qualificação e o agravamento da multa, inicialmente convém transcrever a decisão de primeira instância que manteve o lançamento. Senão vejamos: Enfrentemos, agora, a afirmação de que, para a aplicação da multa de 225%, é necessária a plena caracterização da prática fraudulenta pelo sujeito passivo, consoante entendimento pacificado no âmbito do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por meio da Súmula nº 14, a qual, de fato, assim dispõe: 8 “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Lembremonos, antes de prosseguir, que para a multa atingir o percentual de 225%, é necessária a aplicação conjunta do inciso I e dos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a seguir reproduzidos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Deveras, 75% (inciso I) + 75 % (duplicação prevista no § 1º) 150% + 75% (aumento de metade de 150%, conforme o § 2º) 225% Voltando à alegação do sujeito passivo, temos que ela é procedente apenas no que se refere às situações de fato aventadas no enunciado da referida súmula do CARF e, cumulativamente, à duplicação estabelecida no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Dizendoo mais claramente, tal afirmação da defesa procede: 1º) apenas no que se refere à omissão de receita ou de rendimentos, porque é destas situações, exclusivamente, que trata o enunciado da súmula nº 14; e 2º) apenas no tocante à duplicação estabelecida no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, porque é somente nesse parágrafo que a fraude é trazida para o ambiente do referido diploma, via a menção do art. 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, assim redigido: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Com tais ideias, vejamos como o auditor notificante motiva, em seu relatório, a aplicação da multa de 225%: “5. Conforme previsão do artigo 35A da Lei N° 8.212/91, a multa de ofício a ser aplicada ao débito é a prevista no artigo 44 da Lei N° 9.430, de 27/12/1996: 75% setenta e cinco por cento (inciso I) , duplicada pela omissão do contribuinte em declarar os valores das contribuições previdenciárias devidas nas GFIPs (parágrafo primeiro) e na forma do artigo 71 da Lei N° 4.502/64, caracterizando em tese, ocorrência de crime de Sonegação Fiscal, que está sendo objeto de Representação Fiscal para Fins Penais acrescidos de mais 50% cinquenta por Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 7 11 cento pelo não atendimento as intimações (parágrafo 2º), resultando em 225 % (duzentos e vinte cinco por cento).” Fácil de perceber que o comportamento imputado ao sujeito passivo, que deu origem à penalização ora impugnada, não se subsume, por qualquer aspecto, ao enunciado proveniente do CARF, seja por não corresponder a omissão de receita ou de rendimentos, mas sim a omissão “em declarar os valores das contribuições previdenciárias devidas nas GFIPs”, seja por ter sido enquadrado no art. 71 da Lei nº 4.502/64, que dispõe sobre a sonegação fiscal, e não no art. 72, que, segundo vimos, alude à fraude. Vejamos, a propósito, o mencionado art. 71: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A confirmar que a omissão dos referidos dados em GFIP caracteriza o crime de sonegação fiscal, o art. 337A do Código Penal brasileiro prescreve o seguinte: Sonegação de contribuição previdenciária Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (grifamos) Omitir “de documento de informações previsto na legislação previdenciária”, diz o Código, o que nos remete a estes dispositivos da Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Como a primeira conduta do sujeito passivo noticiada no item 5 do relatório fiscal (a qual, ressaltese, não é infirmada pela defesa) se amolda à hipótese descrita nos normativos penais que vimos de citar, correta se mostra a duplicação da multa de que cuida o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com o que o percentual previsto no inciso I passa de 75% para 150%. Ao mesmo tempo, é indubitável que a segunda conduta do contribuinte, descrita no mesmo item 5 e no item 3 do relatório fiscal e igualmente não contestada pela defesa – qual seja, o não atendimento às diversas intimações para apresentação de documentos e/ou prestação de esclarecimentos à fiscalização, conforme os Termos anexados às fls. 03, 04, 09, 10, 13, 17, 18 e 21 –, corresponde à descrita no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (v. transcrição acima), do que resulta também correta a imposição do aumento previsto nesse parágrafo (cuja aplicação, destaquese independe de “comprovação inequívoca de dolo, fraude ou simulação”, como parece supor a impugnante), e, por consequência, a majoração daquele percentual de 150% para 225%. Ao ler os argumentos trazidos pelo julgador, confesso que acompanhando seu raciocínio em relação a legislação que rege a matéria, cheguei a conclusão diversa da apresentada pelo recorrente. Procedeu a autoridade fiscal inicialmente, a qualificação da multa consubstanciado no art. 44, § 1ºda lei 9430 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como o lançamento em questão, deuse já na vigência da lei 11.941/2009, nos casos de lançamento de ofício cabível a aplicação da multa de 75%, conforme, bem aplicado pelo auditor em relação aos fatos geradores ocorridos na vigência da referida lei, ou seja, após a competência 12/2008. Quanto a aplicação da multa qualificada (150%), devemos debruçarmonos, sobre o relatório fiscal e demais documentos que compõem o auto de infração para identificar se a situação fática enquadrase aos casos elencados no art. 71, 72 e 73 da lei 4.502/64, abaixo transcrita: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Inicialmente entendo, que a qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemto do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação, o que s.m.j não demonstrou a autoridade fiscal. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 8 13 Pessoalmente, tive a oportunidade de apreciar casos de simulação, donde deixou claro o auditor que a intenção do sujeito passivo em acobertando uma situação fática de verdadeira simulação entre empresas, valeuse da redução de tributos, mediante a utilização de sistemática de tributação pelo SIMPLES. Todavia, não é o caso, que identifico nos presentes autos. A mera não apresentação de documentos, por si só, não autoriza a qualificação, quando possível ao auditor de forma, simples, valer de outros documentos apresentados para apurar a base de cálculo e montante devido. É cabível a aplicação de autos de infração de obrigação acessória, pela não apresentação de documentos, não apresentação de informações e outros esclarecimentos necessários a identificar a ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, a legislação previdenciária autoriza a realização de arbitramento das bases de cálculo, ou mesmo aferição indireta das mesmas bases. Vale destaque no presente caso, procedeu o auditor ao lançamento, por meio de outros documentos apresentados pela própria empresa. Ora, a definição das referidas condutas é evidenciada pela literalidade dos próprios dispositivos legais, sendo que o auditor em seu relatório destaca a ocorrência da conduta descrita no art. 71 da 9.430 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Inicialmente entendo, que a qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. No presente lançamento, a aplicação do referido dispositivo acaba por ser afastada, posto não ter demonstrado a autoridade fiscal, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos em que preceitua o próprio dispositivo legal, acima elencado. Conforme citado pelo julgador, no ambito das contribuições previdenciárias, face ser matéria nova, ainda não identificamos súmulas no âmbitos deste Conselho, capazes de melhor delimitar o entendimento acerca das possibilidades de qualificar a multa aplicada, todavia, nos últimos meses, tem tido os conselheiros desta Câmara a oportunidade de apreciar casos pontuais de forma a identificar quando realmente cabível dita qualificação. Assim, entendo que não merece prosperar a multa qualificada. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Já quanto ao agravamento da multa, o dispositivo legal que devemos apreciar, para identificar a correta aplicação é o art. 44, § 2o da lei 9430. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Pessoalmente, tive a oportunidade de apreciar casos de simulação, donde deixou claro o auditor que a intenção do sujeito passivo em acobertando uma situação fática de verdadeira simulação entre empresas, valeuse da redução de tributos, mediante a utilização de sistemática de tributação pelo SIMPLES, sendo que a retenção de informações tinha por objetivo justamente dificultar a pratica do ato indevido. Observemos, que não procedeu a autoridade fiscal a aplicação de outro auto de infração relacionado a mesma conduta, qual seja, omitir documentos durante o procedimento fiscal. O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Destaco, aqui trecho do acordão n. 9202002768 de relatoria da Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, onde fica demonstrada a função do agravamento em questão: a) com efeito, pode, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte apresente extratos bancários, como pode buscar tais informações diretamente junto às instituições financeiras; b) caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscalas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expede as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; c) no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; d) neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 9 15 e) como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; Com isso chegase a conclusão que a mera não entrega de documento, por si só, não autoriza a qualificação, quando possível ao auditor de forma, simples, valer de outros documentos apresentados pelo recorrente para apurar a base de cálculo e montante devido. Assim, rejeitos os argumentos do recorrente no sentido de ausência de fundamentos tanto para qualificação da multa, como para o seu agravamento, estando devido o percentual de 225% aplicado. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, 8. No caso concreto, aplicouse a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e os juros de mora disciplinados no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por força dos arts. 35 e 35A da Lei n° 8.212, de 1991, nos termos da Lei n° 11.941, de 2009, conversão da Medida Provisória n° 449, de 2008. 8.1. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a incidência da SELIC “sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições", ou seja, "débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições". 8.2. Além disso, não há óbice à incidência de juros sobre a multa, pois esta integra a própria obrigação principal (CTN, art. 113, § 3º) e os juros incidem sobre a totalidade do crédito tributário (CTN, art. 161). Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício ´´e aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 10 17 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Face a decisão proferida, entendo plenamente aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como razão para determinar a procedência da multa aplicada. QUANTO AO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA Quanto a este ponto argumentou o julgador de primeira instância, quando da apreciação dos argumentos trazidos pelo impugnante: Embora no início do campo “Contexto” do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 66 a 68) seja feita referência ao inciso I do art. 124 do CTN, não foi este o dispositivo da Lei nº 5.172/66 com base no qual o AFRFB notificante procedeu à responsabilização do sócio José Luis San Martin Elexpe, como se constata pela leitura do texto a seguir reproduzido, extraído do mesmo Termo: “Considerando que o sr. José Luis San Martin Elexpe, é sócio administrador da empresa desde a sua constituição em 17/08/1976, conforme tela de consulta da ficha cadastral da JUCESP, e portanto administrador da empresa tanto a época das infrações à Lei acima relatadas, e contemporaneamente a recusa de prestar qualquer esclarecimento à fiscalização, cabe a sua responsabilização pessoal pelos créditos ora apurados, sendo elaborado o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária , com fulcro no inciso III do artigo 135 do CTN , "in verbis": (grifamos) "art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Por tal motivo, eximimonos de enfrentar as considerações aqui expendidas pela defesa. Alegação da defesa O fato de a Vaska possuir outros débitos tributários, como aduzido no Termo de Sujeição Passiva, não autoriza, por si, a sujeição passiva de seu sócio administrador, vez que não há previsão legal para tanto. A presente alegação decorre, certamente, da seguinte afirmação do auditor fiscal no aludido Termo de Sujeição Passiva Solidária: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 11 19 “Não fossem as flagrantes infrações a legislação tributaria cometidas pelo sr. José Luis, a empresa é contumaz devedora dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” A nosso ver, a afirmação de que “a empresa é contumaz devedora dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil” não necessariamente possui o significado que a impugnante parece lhe haver atribuído, qual seja o de que a empresa possui “outros débitos tributários”. Com efeito, tomandose como exemplo o inciso I do art. 2º da Lei nº 13.711/2011, do Estado do Rio Grande do Sul, de acordo com o qual considerase devedor contumaz o contribuinte que “deixar de recolher débitos declarados em Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, em 8 (oito) meses de apuração do imposto nos últimos 12 (doze) meses anteriores ao corrente”, é possível que a qualificação da autuada como contumaz devedora dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil seja resultante de não ter ela, a empresa, recolhido contribuição previdenciária alguma durante todo o ano de 2009, consoante assim narrado no Termo sob análise: “Não obstante, no ano calendário de 2009, a empresa nos apresentou as folhas de pagamento de salários dos segurados empregados, onde consta mensalmente a consignação individualizada da contribuição previdenciária de cada um dos mais de duzentos segurados empregados com vínculo empregatício com a mesma. No entanto NENHUM CENTAVO DESSA CONTRIBUIÇÃO RETIDA foi recolhida ao INSS através de Guias da Previdência Social GPS caracterizando assim "em tese" crime de apropriação indébita previdenciária.” Noutras palavras, a causa da qualificação da autuada como devedora contumaz pode não ter sido a existência de outros débitos que não os apurados na própria auditoria em que lavrados os Autos de Infração nº 51.031.3213, 51.031.3221. 51.031.3230 e 51.031.3248– e assim nos parece, tendo em vista que o auditor notificante não faz menção a qualquer outra importância eventualmente devida pela VASKA a título de tributo administrado pela RFB. Seja como for, estamos de acordo com a impugnante em que a existência de outros débitos não autoriza, per si, a sujeição passiva de seu sócio administrador. Em realidade, existência de qualquer débito da pessoa jurídica – e não apenas de outros que não os exigidos por meio dos autos de infração citados no parágrafo anterior – não é, por si só, causa suficiente à imputação da aludida responsabilidade à pessoa do sócio, consoante a reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Entretanto, se a presente alegação do contribuinte é procedente em tese, ela não se presta aos propósitos da defesa pelo simples fato de que o Termo de Sujeição Passiva de fls. 66 a 68 não foi lavrado em virtude, tão só, da existência de débitos, mas, Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 sobretudo, pelas práticas assim articuladas naquele documento, dentre outras: “Durante a ação fiscal, a empresa apesar de regular e reiteradamente intimada, apresentou unicamente as folhas de pagamento dos segurados empregados do AC 2009.” “Ainda sob a tutela do sr José Luis, a empresa deixou de declarar em GFIP's o total da massa salarial dos segurados empregados da empresa no AC 2009 e 2010, caracterizando "em tese" crime de Sonegação Fiscal de Contribuições Previdenciárias, e acarretando enormes prejuízos aos segurados empregados que lhe prestavam serviços, pois a ausência de seus nomes e respectivas remunerações nas GFIPs, lhes causarão sérios problemas quando necessitarem de benefícios previdenciários junto ao INSS.” “Não obstante, no ano calendário de 2009, a empresa nos apresentou as folhas de pagamento de salários dos segurados empregados, onde consta mensalmente a consignação individualizada da contribuição previdenciária de cada um dos mais de duzentos segurados empregados com vínculo empregatício com a mesma. No entanto NENHUM CENTAVO DESSA CONTRIBUIÇÃO RETIDA foi recolhida ao INSS através de Guias da Previdência Social GPS caracterizando assim "em tese" crime de apropriação indébita previdenciária.” Se tais ocorrências legitimam ou não o chamamento do referido sócio à responsabilidade é tema que abordaremos no próximo item deste voto. Por ora, o importante é que, com base nos textos acima reproduzidos, temos por evidenciada a inadequação da presente alegação da defesa ao caso concreto sob análise. Alegação da defesa O Termo de Sujeição Passiva contra o qual o Impugnante se insurge não aponta em momento algum quais seriam os fatos, comprovados documentalmente, que demonstrariam de forma inequívoca que o ora Impugnante agiu com dolo, ou seja, o Termo é genérico, em flagrante desconformidade com o art. 31, do Decreto n° 70.235/72, o que acaba por ensejar o cerceamento de defesa do Impugnante sobre as questões fáticas arguidas. Primeiramente, não é verdade que o Termo de Sujeição Passiva Solidária não aponta os fatos que deram ensejo à sua emissão. Simples leitura do item anterior deste voto, onde se encontram reproduzidos os textos que noticiam as práticas constatadas pelo auditor fiscal, é bastante para infirmálo. Em segundo lugar, não se vislumbra no art. 135 Código Tributário Nacional que a comprovação, pelo fisco, de que o sócioadministrador tenha agido com dolo seja condição sine qua non para se lhe imputar a responsabilidade ora questionada pela defesa. Revejamos, a propósito, o citado dispositivo: CTN Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/201213 Acórdão n.º 2401003.179 S2C4T1 Fl. 12 21 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Da mesma forma, que me manifestei quando da qualificação da multa não entendo que logrou êxito o auditor em demonstrar o cumprimento dos requisitos do art. 135 III do CTN, argumentos esses capazes de demonstrar quais os atos praticados seriam considerados excesso de poderes capaz de justificar a imputação pessoal. Embora, tenha o julgador encaminhado seu voto no sentido, de que o fato da empresa nada recolher a titulo de contribuição previdenciária, mesmo tendo quase 200 empregados e de nada declarar, ou mesmo deixar de entregar documentos, no entender desta relatora não são capazes de justificar a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos apurados. Primeiro temos que ter em mente que o sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendolhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo. Por outro lado, para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica. O que entendo devido é a indicação no relatório de vínculos e de co responsáveis a indicação do sócio responsável, mas neste caso independente de atos pessois. QUANTO A JUNTADA DE DOCUMENTOS Conforme já enfrentando pelo julgador e já descrito em outro tópico desse voto o recorrente teve duas oportunidade de apresentar documentos capazes de demonstrar sua alegações, mas não o fez, razão porque não entendo deva ser oportunizado outros momentos para apresentação de outros elementos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO, para rejeitar as preliminares de nulidade dos lançamentos e excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendoa em 112,5% nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10215.720162/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62-A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), c/c art. 2º § 2º, inciso I da Portaria CARF nº 01, de 2002, nos termos do voto da Relatora (LC nº 105/01).
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), c/c art. 2º § 2º, inciso I da Portaria CARF nº 01, de 2002, nos termos do voto da Relatora (LC nº 105/01). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 471480, com a exigência do crédito tributário no valor de R$126.850,28, a título de Imposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .7 20 16 2/ 20 08 -6 1 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 691 2 Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado para o anocalendário de 2003. O lançamento se fundamenta, nas seguintes infrações: (a) omissão de receitas operacionais de venda de mercadorias apurada a partir das Notas Fiscais emitidas; (b) omissão de receitas apurada a partir de valores creditados na conta corrente derivados dos extratos bancários apresentados por instituição financeira, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142144. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 481488 com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.429,85 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada. III – O Auto de Infração às fls. 489496 com a exigência do crédito tributário no valor de R$246.600,37 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada. IV – O Auto de Infração às fls. 497505 a exigência do crédito tributário no valor de R$88.336,26 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada. Houve lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a Adelar Jaco Novawiski, CPF 277.268.78215, Sady de Brito, CPF 572.330.12172, Rubens Zílio, CPF 502.936.30925, S. Campos da Silva, CNPJ 00.644.305/000136, Rosecler Faccin, CPF 000.420.78903, Moisés Marcos Faccin, CPF 546.318.58915, Lotérica Progresso Ltda, CNPJ 04.062.008/000133 e Rogério da Silva Hirata, CPF 522.737.25191, fls. 509524. Cientificados, fls. 526540, a Recorrente apresentaram a impugnações, fls. 544 643. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 21.620, de 05.05.2011, fls. 648660: “Impugnação Procedente em Parte” para excluir do “pólo passivo Rogério da Silva Hirata, Lotérica Progresso Ltda e S. Campos da Silva”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 692 3 CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO. É permitido à autoridade fiscal o uso da intimação por edital depois da demonstração de que foi improfícua a tentativa de intimação por apenas um dos meios ordinários. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência/perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar. Notificados no período de 03.01.2012 a 14.03.2012 (edital), fls. 665671, os Recorrentes apresentaram em 06.02.2012, o recurso voluntário, fls. 672687. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pelas Recorrentes com interesse de agir atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Em relação à omissão de receitas apurada a partir de valores creditados na conta corrente derivados dos extratos bancários apresentados por instituição financeira, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142 144, temse que o fundamento de validade do procedimento fiscal que possibilita a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no exercício da sua competência atribuída ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para examinar a movimentação financeira do contribuinte1 reside na Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, a saber: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Conforme se depreende do exame dos autos, a RFB obteve acesso de forma regular aos dados da movimentação financeira da Recorrente, por meio de RMF dirigida à instituição financeira, amparada nesta determinação normativa que autoriza o procedimento sem a necessidade de prévia autorização judicial. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 693 4 observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF2. Na esfera judicial, o mencionado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, entretanto, é objeto de análise pelo rito do art. 543A do Código de Processo Civil junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) mediante Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo Ministro Relator Ricardo Lewandowisk3: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator [...]Isto posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º, do RISTF. Com o escopo de esclarecer que o Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP, em verdade, submetese ao rito do art. 543B do Código de Processo Civil, vale transcrever a decisão do Agravo de Instrumento nº 765.714/SP exarada em decisão monocrática pelo mesmo pelo Ministro Relator Ricardo Lewandowisk 4: Decisão: Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se 2 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 601.314/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Tribunal Pleno. Brasília, DF, 22 de dezembro de 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > .Acesso em: 09 fev.2012. 4 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento nº 765.714/SP. Ministro Relator: Ricardo Lewandowski. Decisão Monocrática. Brasília, DF, 19 de outubro de 2010. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28AI%24%2ESCLA%2E+E+765714% 2ENUME%2E%29&base=baseMonocraticas> .Acesso em: 09 fev.2012. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 694 5 manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. Neste sentido, inferese que restou pacificado o entendimento de que, em relação ao Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP, houve o Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 695 6 sobrestamento do julgamento dos demais recursos com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte, que devem permanecer no Tribunal de origem. No âmbito administrativo, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), assim dispõe: 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por seu turno, a Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento do julgamento dos processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF, prevê: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento [...] § 1º No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o Conselheiro Relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; [...] § 3º Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTAMENTO. Tendo em vista que os autos contêm o procedimento de acesso pela RFB aos dados da movimentação financeira da Recorrente, por meio de RMF dirigida à instituição financeira, sem prévia autorização judicial discutido no âmbito do Recurso Extraordinário em Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo STF, cujo efeito é sobrestar o julgamento dos demais recursos com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte, a Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/200861 Resolução nº 1801000.296 S1TE01 Fl. 696 7 mesma sorte deve alcançar os processos administrativos fiscais, por força dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF e do § 1º do artigo 2º da Portaria CARF nº 01, de 2012. Em assim sucedendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, até o pronunciamento definitivo do STF no Recurso Extraordinário em Repercussão Geral n° 601.314/SP, em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, conforme o disposto no inciso I do § 1º do art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 3 de janeiro de 2012 e no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004268/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1998 a 30/09/2002
Ementa:
PIS - BASE DE CÁLCULO - DECADÊNCIA. O objeto social da contribuinte compatibiliza as receitas lançadas com a legislação de regência. Constatado recolhimento o § 4º art. 150 do CTN é o dispositivo aplicável. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro/1998.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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O objeto social da contribuinte compatibiliza as receitas lançadas com a legislação de regência. Constatado recolhimento o § 4º art. 150 do CTN é o dispositivo aplicável. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro/1998. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 42 68 /2 00 3- 13 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Nas fls. 858/865 Recurso Especial de Divergência com reexame de admissibilidade na fl. 901, articulado contra o Acórdão de fls. 842/850. A admissibilidade veio parcial e exclusivamente quanto à questão da decadência e inclusão das receitas distintas de faturamento, nos termos do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A Recorrente inicia com prejudicial de decadência, quanto aos meses de janeiro e fevereiro de 1998, alegando que a forma legal a ser adotada é a do que preleciona o § 4º do artigo 150 do CTN e não conforme o art. 45 da Lei nº 8.212/91 porque julgado inconstitucional e ainda que a inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN é patente uma vez que sobrexistem pagamentos conforme comprovam documentos anexos aos autos. Continua enfrentando o conceito de não tributação de receitas diferentes das de vendas e de prestação de serviços. Transcreve ementa do E. STF decretando a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Argumenta que não tendo os ingressos financeiros a natureza de venda ou prestação de serviços não podem ser incluídos na base de cálculo da contribuição sob comento. Sem contra razões. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade a partir dos fundamentos contidos no despacho de nº 340000.488 de fl.901. Uma abordagem relativa à permissão para o enfrentamento das questões postas no Recurso se faz necessária. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.004268/200313 Acórdão n.º 9303002.860 CSRFT3 Fl. 908 3 A admissibilidade deste Recurso proferiu seguimento ao mesmo para tratar do dissenso quanto a inclusão ou não na base de cálculo da Contribuição para o PIS de receitas distintas de faturamento alcançando fatos posteriores a fevereiro de 1999, inclusive, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e não admitiu o apelo quanto a rateio condominial para recuperação de despesas decorrente de aluguel e de custo adicional mensal estipulado em valor por metro quadrado ou ainda, valor mensal independente de metragem. (fl. 849). Isto porque o paradigma que fixou os requisitos necessários para que a recuperação de despesas por rateio condominial não fosse considerada receita não foi específico deixando margem para uma cobrança por estimativa ao contrário da decisão recorrida que afirma categoricamente a partir de diligência inclusive que a situação é outra acarretando ausência de analogia. De todos sabido que o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, porque incompatível com o conceito de faturamento. Para que se tenha o domínio preciso do que venha a ser faturamento no caso presente, é necessário conhecer o objeto social da recorrente que se faz presente no seu Estatuto Social à fl. 24, in verbis: Art. 3ª O objeto da sociedade é a administração de bens móveis e imóveis e a exploração comercial de terminais rodoviários. Portanto, as receitas que a Recorrente pugna por não serem inseridas na base de cálculo do PIS neste caso, afastando a incidência da Lei nº 9.718/98, decorrentes de aluguéis rateios de custos condominiais se inserem precisamente nos objetivos da sociedade empresária porque administradora de bens imóveis. Quanto aos períodos base de 31 de janeiro e 28 de fevereiro de 1998, entendoos fora do alcance fiscal quer pela inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 quer pela comprovação de recolhimentos (fl. 201) que permite adotar o § 4º do art. 150 do CTN uma vez que a ciência do lançamento se deu em 31.03.2003. Diante do exposto, voto por conceder parcial provimento ao Recurso afastando do lançamento os períodos base de janeiro e fevereiro de 1998. Sala das Sessões, 18 de fevereiro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA – Relator. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904582/2012-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 82 /2 01 2- 08 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/11), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/201208 Acórdão n.º 3803004.931 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/201208 Acórdão n.º 3803004.931 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/201208 Acórdão n.º 3803004.931 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720092/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 92 /2 00 9- 72 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de PIS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (PIS nãocumulativo), conforme pedido constante nos autos. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/200972 Acórdão n.º 3302002.429 S3C3T2 Fl. 11 3 Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1024.176, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de PIS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de PIS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 19/20), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de PIS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS para terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 10 da lei 10.637/02 determina que a base de cálculo do PIS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI — não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003).” A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente , importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16/12/94, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/200972 Acórdão n.º 3302002.429 S3C3T2 Fl. 12 5 terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o PIS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.637/02, a saber: “Lei 10.637, de 30/12/2002. Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/200972 Acórdão n.º 3302002.429 S3C3T2 Fl. 13 7 valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do PIS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720180/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do despacho decisório; e 3) por unanimidade de votos, no exame do mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
RELATÓRIO
TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de dezembro/2004.
Consta da decisão recorrida o seguinte relato:
Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 20232.55141.3000605.1.3.04-5370. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos apensados ao presente.
O despacho decisório de fls. 403, baseado no parecer conclusivo n.º 222/2008 (fls. 398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04.
Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese:
que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação;
que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas.
Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 12-23.236 (fls. 544/552), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa.
Cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 556), a interessada interpôs, em 04/05/2009, o recurso voluntário de fls. 577/586. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou:
que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido;
que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04;
que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificá-lo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN;
que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa.
Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. 639/652), por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora.
Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010 (FLS. 653), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676, para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para reformar o r. acórdão recorrido, restaurando-se a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela não-homologação da compensação.
Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 14/04/2011, na decisão de fls. 680/684, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho.
Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls. 701).
Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 050/2013 (fls. 1.684/1.690), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados):
que Visando subsidiar a análise do mérito relativo ao possível direito creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706, a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados no mês de dezembro/2004, demonstrando a composição do cálculo, indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das contas alteradas que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações, lançamento pertinente ao valor a pagar e a respectiva retificação; 3) Apresentar cópia do LALUR relativo ao ano-calendário de 2004;;
que, em resposta, a interessada alega[ou], resumidamente, que novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, não decorreria de alterações no resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1- aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração, após Laudo Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2- exclusão, para fins fiscais, ao cálculo do IRPJ, de perdas de valores inicialmente reconhecidos como receitas, as quais teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR, (tais perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas de comunicação, pela utilização da interconexão de redes, que, após discussões técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de serviços, teria sido estabelecido um faturamento a maior no valor de R$ 202.321.051,30); 3- que referidos ajuste teriam sido parcialmente compensados com a adição de multas indedutíveis no valor de R$ 45.427.57,70, consequente recálculo dos incentivos fiscais e compensação de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam ser visualizados nas planilhas anexadas.;
que a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha 11 linha 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda, R$ 1.608.318.038,13, da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$ 202.321.051,30, e é essa diferença que a empresa aponta como valor inicialmente reconhecido como receita e posteriormente excluído como perda.;
que Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue: 1- A interessada não evidencia nenhum erro que possa alterar o valor original informado na DCTF. Oferece uma explicação atemporal, ou seja, não explicita quando teria ocorrido cada fato. Os fatos narrados deixam a impressão de ter havido apenas duas alterações, quando, em DCTF, apresentou três versões para o valor do débito de estimativa de dezembro/2004, o que se confirma através dos quadros apresentados pela interessada, demonstrando as mutações da estimativa, de fls. 925 e 926, comparados com os valores constantes no quadro de DCTF, acima reproduzido. Reduz a estimativa de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito. Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária de um questionamento quanto a valores que anteriormente teriam sido de receita pela utilização de interconexão de redes. Referido valor é praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls. 860, ou seja, segundo essa tabela, do total dos R$ 202.321.051,30 que reduziram a receita de interconexões de rede, 99,99% são atribuídos aos exercícios de 2002 e 2003.. Porém, como determinam os artigos 230, do RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, os ajustes de exercícios anteriores não poderão influenciar os subsequentes, ou seja, não poderiam alterar o resultado do exercício de 2004, como fez a interessada, muito menos reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se ocorreram no ano de 2004 (fato não demonstrado), deveriam ser contabilizados usando a conta lucros e prejuízos acumulados do exercício, para não alterar o resultado de dezembro/2004. Tais possíveis receitas de interconexões, que foram consideradas nos anos de 2002 e 2003, foram apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de R$ 46.315.351,34 em fls. 1.049 (cópia da parte A do LALUR 2002). A provisão é uma despesa indedutível que deve ser adicionada ao lucro líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo indicar que naquela despesa estaria embutida a receita de interconexão correspondente. 2- Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e (...) 3- O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70) e a redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em nada explica ou justifica a diminuição ocorrida. 4- Quanto ao incentivo fiscal de redução de IRPJ, também não precisou se já estava ou não usufruindo, pois não necessita da expedição do laudo para ter direito a usufruí-lo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a entrada do pedido, caso este não tenha sido apreciado neste prazo. No entanto, alega a concessão do incentivo, nada esclarecendo quanto ao mesmo. Não informa quando teria ocorrido a concessão e se vinha ou não gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais de 120 dias.;
que considerando-se que é da interessada a obrigação de comprovar que o crédito utilizado para compensação possui os requisitos de liquidez e certeza, constata-se, do acima exposto, que a interessada não logrou êxito, não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro/2004.
Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 18/02/2013, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.699/1.766), alegando (grifos do original retirados):
que, quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo, mesmo porque a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações, ressalvada a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação;
que, em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco cometeu grave erro conceitual ao considerar que tais exclusões deveriam ter sido baixadas contra o patrimônio líquido, sendo tais exclusões referentes a receitas devidas por outras operadoras à Requerente pela cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes e que não se confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não se sujeita aos requisitos de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96. Na PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita que a empresa acredita ser devida; no caso em análise, ao revés, a Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a alteração contábil via retificação. Portanto, não há que se falar em necessidade de reconhecer a receita e posteriormente a perda, pois são hipóteses absolutamente diversas.;
que a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e sempre estiveram) à inteira disposição do Fisco na sede da companhia, bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.;
que, em relação ao Lucro da Exploração, a empresa possui direito ao benefício fiscal consubstanciado no Laudo Constitutivo 111/2002 e o o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela Receita Fedeal em processo autônomo.
Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade.
É o relatório.
A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:
A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê-las juntado tempestivamente;
Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificou-se antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP;
Não há falar em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do crédito empregado na compensação, porque somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes;
No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela apresentação de sua escrituração contábil, fazer prova das razões para a exclusão de receitas e a consideração do Lucro da Exploração. Limitou-se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração faz prova em favor do sujeito passivo. Ademais, afirmou inveridicamente que seus livros fiscais sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705, pelo que revelou-se seu argumento mera retórica de defesa.
Com referência às receitas excluídas, a interessada se insurgiu quanto à consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos de tais valores. No entanto, em várias passagens, a manifestação de inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados por outras companhias telefônicas, suas devedoras, razão pela qual não teriam eles ingressados em suas contas. E, relativamente ao Lucro de Exploração, as razões de inconformidade amparam-se em mero entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto.
Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851).
Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF.
Reporta-se a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita.
Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares não há como se admitir que o Fisco analise em 2013 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado, bem como acórdão desta Turma de Julgamento em favor da nulidade de despacho decisório por deficiência na fundamentação.
Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2013.
Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente.
Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o sinal trocado. Reporta-se ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento.
No mérito, reporta-se às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30, discorrendo sobre a interconexão de redes resultante de chamadas de longa distância, envolvendo a operadora de rede de longa distância, bem como as operadoras que disponibilizam a infraestrutura de origem e de destino da ligação, dentre as quais apenas a primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da infraestrutura de redes.
Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego DETRAF em face da outra operadora. Todavia, a complexidade dos cálculos freqüentemente resulta em divergências em relação aos valores devidos, e a contestação destes resulta em anulação da receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras.
Diante deste contexto, inexiste violação ao regime de competência, bem como são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno de receita. Argumenta que, segundo as normas contábeis, as receitas só devem ser reconhecidas para fins contábeis quando haja fundada certeza na sua existência e mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa de aumento do lucro, submetendo-se a ajustes ante a grande possibilidade de incorreção nos cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram devedoras da Recorrente, pois ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações.
Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anos-calendário 2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco. Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza lançamento de ofício nos caos em que a inobservância do regime de competência resulta em postergação do imposto ou redução indevida do lucro real. E no presente caso houve antecipação do pagamento do imposto, equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução.
Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões técnicas entre as empresas, foram consideradas procedentes parte das contestações apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior. A exclusão deste valor está demonstrada no LALUR à fl. 1380, e quadro demonstrativo identifica os valores adicionados ao LALUR e o saldo das respectivas contas contábeis de interconexão contestada. Reportando-se a registros na Parte B do LALUR, indica que do total de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir.
Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria os lançamentos registrados no LALUR, e seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificando-s sob a frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo seu sistema de gestão, desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Diz que a documentação apresentada reflete com exatidão as partidas registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos.
Observa que a DRJ entendeu dispensável a perícia porque os elementos necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que listou em tabelas acima as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B).
Com referência à alteração do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002 para sua filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a inclusão das respectivas receitas no cálculo de receitas incentivadas. Reporta-se à jurisprudência administrativa no sentido de que a apresentação de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ não é requisito para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade com a jurisprudência deste Conselho.
Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004, argumenta que o indébito daí decorrente não foi utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente.
Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do despacho decisório; e 3) por unanimidade de votos, no exame do mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de dezembro/2004. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 20232.55141.3000605.1.3.04-5370. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos apensados ao presente. O despacho decisório de fls. 403, baseado no parecer conclusivo n.º 222/2008 (fls. 398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04. Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese: que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação; que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas. Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 12-23.236 (fls. 544/552), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 556), a interessada interpôs, em 04/05/2009, o recurso voluntário de fls. 577/586. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou: que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04; que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificá-lo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN; que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa. Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. 639/652), por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora. Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010 (FLS. 653), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676, para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para reformar o r. acórdão recorrido, restaurando-se a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela não-homologação da compensação. Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 14/04/2011, na decisão de fls. 680/684, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho. Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls. 701). Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 050/2013 (fls. 1.684/1.690), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados): que Visando subsidiar a análise do mérito relativo ao possível direito creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706, a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados no mês de dezembro/2004, demonstrando a composição do cálculo, indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das contas alteradas que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações, lançamento pertinente ao valor a pagar e a respectiva retificação; 3) Apresentar cópia do LALUR relativo ao ano-calendário de 2004;; que, em resposta, a interessada alega[ou], resumidamente, que novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, não decorreria de alterações no resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1- aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração, após Laudo Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2- exclusão, para fins fiscais, ao cálculo do IRPJ, de perdas de valores inicialmente reconhecidos como receitas, as quais teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR, (tais perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas de comunicação, pela utilização da interconexão de redes, que, após discussões técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de serviços, teria sido estabelecido um faturamento a maior no valor de R$ 202.321.051,30); 3- que referidos ajuste teriam sido parcialmente compensados com a adição de multas indedutíveis no valor de R$ 45.427.57,70, consequente recálculo dos incentivos fiscais e compensação de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam ser visualizados nas planilhas anexadas.; que a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha 11 linha 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda, R$ 1.608.318.038,13, da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$ 202.321.051,30, e é essa diferença que a empresa aponta como valor inicialmente reconhecido como receita e posteriormente excluído como perda.; que Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue: 1- A interessada não evidencia nenhum erro que possa alterar o valor original informado na DCTF. Oferece uma explicação atemporal, ou seja, não explicita quando teria ocorrido cada fato. Os fatos narrados deixam a impressão de ter havido apenas duas alterações, quando, em DCTF, apresentou três versões para o valor do débito de estimativa de dezembro/2004, o que se confirma através dos quadros apresentados pela interessada, demonstrando as mutações da estimativa, de fls. 925 e 926, comparados com os valores constantes no quadro de DCTF, acima reproduzido. Reduz a estimativa de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito. Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária de um questionamento quanto a valores que anteriormente teriam sido de receita pela utilização de interconexão de redes. Referido valor é praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls. 860, ou seja, segundo essa tabela, do total dos R$ 202.321.051,30 que reduziram a receita de interconexões de rede, 99,99% são atribuídos aos exercícios de 2002 e 2003.. Porém, como determinam os artigos 230, do RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, os ajustes de exercícios anteriores não poderão influenciar os subsequentes, ou seja, não poderiam alterar o resultado do exercício de 2004, como fez a interessada, muito menos reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se ocorreram no ano de 2004 (fato não demonstrado), deveriam ser contabilizados usando a conta lucros e prejuízos acumulados do exercício, para não alterar o resultado de dezembro/2004. Tais possíveis receitas de interconexões, que foram consideradas nos anos de 2002 e 2003, foram apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de R$ 46.315.351,34 em fls. 1.049 (cópia da parte A do LALUR 2002). A provisão é uma despesa indedutível que deve ser adicionada ao lucro líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo indicar que naquela despesa estaria embutida a receita de interconexão correspondente. 2- Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e (...) 3- O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70) e a redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em nada explica ou justifica a diminuição ocorrida. 4- Quanto ao incentivo fiscal de redução de IRPJ, também não precisou se já estava ou não usufruindo, pois não necessita da expedição do laudo para ter direito a usufruí-lo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a entrada do pedido, caso este não tenha sido apreciado neste prazo. No entanto, alega a concessão do incentivo, nada esclarecendo quanto ao mesmo. Não informa quando teria ocorrido a concessão e se vinha ou não gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais de 120 dias.; que considerando-se que é da interessada a obrigação de comprovar que o crédito utilizado para compensação possui os requisitos de liquidez e certeza, constata-se, do acima exposto, que a interessada não logrou êxito, não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro/2004. Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 18/02/2013, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.699/1.766), alegando (grifos do original retirados): que, quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo, mesmo porque a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações, ressalvada a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação; que, em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco cometeu grave erro conceitual ao considerar que tais exclusões deveriam ter sido baixadas contra o patrimônio líquido, sendo tais exclusões referentes a receitas devidas por outras operadoras à Requerente pela cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes e que não se confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não se sujeita aos requisitos de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96. Na PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita que a empresa acredita ser devida; no caso em análise, ao revés, a Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a alteração contábil via retificação. Portanto, não há que se falar em necessidade de reconhecer a receita e posteriormente a perda, pois são hipóteses absolutamente diversas.; que a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e sempre estiveram) à inteira disposição do Fisco na sede da companhia, bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.; que, em relação ao Lucro da Exploração, a empresa possui direito ao benefício fiscal consubstanciado no Laudo Constitutivo 111/2002 e o o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela Receita Fedeal em processo autônomo. Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê-las juntado tempestivamente; Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificou-se antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP; Não há falar em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do crédito empregado na compensação, porque somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela apresentação de sua escrituração contábil, fazer prova das razões para a exclusão de receitas e a consideração do Lucro da Exploração. Limitou-se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração faz prova em favor do sujeito passivo. Ademais, afirmou inveridicamente que seus livros fiscais sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705, pelo que revelou-se seu argumento mera retórica de defesa. Com referência às receitas excluídas, a interessada se insurgiu quanto à consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos de tais valores. No entanto, em várias passagens, a manifestação de inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados por outras companhias telefônicas, suas devedoras, razão pela qual não teriam eles ingressados em suas contas. E, relativamente ao Lucro de Exploração, as razões de inconformidade amparam-se em mero entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851). Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF. Reporta-se a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita. Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares não há como se admitir que o Fisco analise em 2013 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado, bem como acórdão desta Turma de Julgamento em favor da nulidade de despacho decisório por deficiência na fundamentação. Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2013. Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente. Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o sinal trocado. Reporta-se ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento. No mérito, reporta-se às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30, discorrendo sobre a interconexão de redes resultante de chamadas de longa distância, envolvendo a operadora de rede de longa distância, bem como as operadoras que disponibilizam a infraestrutura de origem e de destino da ligação, dentre as quais apenas a primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da infraestrutura de redes. Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego DETRAF em face da outra operadora. Todavia, a complexidade dos cálculos freqüentemente resulta em divergências em relação aos valores devidos, e a contestação destes resulta em anulação da receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Diante deste contexto, inexiste violação ao regime de competência, bem como são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno de receita. Argumenta que, segundo as normas contábeis, as receitas só devem ser reconhecidas para fins contábeis quando haja fundada certeza na sua existência e mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa de aumento do lucro, submetendo-se a ajustes ante a grande possibilidade de incorreção nos cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram devedoras da Recorrente, pois ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações. Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anos-calendário 2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco. Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza lançamento de ofício nos caos em que a inobservância do regime de competência resulta em postergação do imposto ou redução indevida do lucro real. E no presente caso houve antecipação do pagamento do imposto, equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução. Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões técnicas entre as empresas, foram consideradas procedentes parte das contestações apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior. A exclusão deste valor está demonstrada no LALUR à fl. 1380, e quadro demonstrativo identifica os valores adicionados ao LALUR e o saldo das respectivas contas contábeis de interconexão contestada. Reportando-se a registros na Parte B do LALUR, indica que do total de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir. Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria os lançamentos registrados no LALUR, e seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificando-s sob a frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo seu sistema de gestão, desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Diz que a documentação apresentada reflete com exatidão as partidas registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos. Observa que a DRJ entendeu dispensável a perícia porque os elementos necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que listou em tabelas acima as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B). Com referência à alteração do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002 para sua filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a inclusão das respectivas receitas no cálculo de receitas incentivadas. Reporta-se à jurisprudência administrativa no sentido de que a apresentação de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ não é requisito para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade com a jurisprudência deste Conselho. Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004, argumenta que o indébito daí decorrente não foi utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente. Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente.
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Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do despacho decisório; e 3) por unanimidade de votos, no exame do mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 18 0/ 20 07 -1 4 Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de dezembro/2004. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 20232.55141.3000605.1.3.045370. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos apensados ao presente. O despacho decisório de fls. 403, baseado no parecer conclusivo n.º 222/2008 (fls. 398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04. Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese: · que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação; · que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas. Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 1223.236 (fls. 544/552), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 556), a interessada interpôs, em 04/05/2009, o recurso voluntário de fls. 577/586. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou: · que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; · que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04; · que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificálo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN; · que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa. Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 4 3 639/652), por maioria de votos, “dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010 (FLS. 653), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676, para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para “reformar o r. acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela nãohomologação da compensação”. Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 14/04/2011, na decisão de fls. 680/684, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho. Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls. 701). Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 050/2013 (fls. 1.684/1.690), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados): · que “Visando subsidiar a análise do mérito relativo ao possível direito creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706, a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados no mês de dezembro/2004, demonstrando a composição do cálculo, indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das contas alteradas que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações, lançamento pertinente ao valor a pagar e a respectiva retificação; 3) Apresentar cópia do LALUR relativo ao anocalendário de 2004;”; · que, em resposta, a interessada “alega[ou], resumidamente, que novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, não decorreria de alterações no resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1 aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração, após Laudo Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2 exclusão, para fins fiscais, ao cálculo do IRPJ, de perdas de valores inicialmente reconhecidos como receitas, as quais teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR, (tais perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas de comunicação, pela utilização da interconexão de redes, que, após discussões técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de serviços, teria sido estabelecido um faturamento a maior no valor de R$ 202.321.051,30); 3 que referidos ajuste teriam sido parcialmente compensados com a adição de multas indedutíveis no valor de R$ 45.427.57,70, consequente recálculo dos incentivos fiscais e compensação de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam ser visualizados nas planilhas anexadas.”; · que “a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha 11 linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.608.318.038,13, da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$ Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 5 4 202.321.051,30, e é essa diferença que a empresa aponta como valor inicialmente reconhecido como receita e posteriormente excluído como perda.”; · que “Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue: 1 A interessada não evidencia nenhum erro que possa alterar o valor original informado na DCTF. Oferece uma explicação atemporal, ou seja, não explicita quando teria ocorrido cada fato. Os fatos narrados deixam a impressão de ter havido apenas duas alterações, quando, em DCTF, apresentou três versões para o valor do débito de estimativa de dezembro/2004, o que se confirma através dos quadros apresentados pela interessada, demonstrando as mutações da estimativa, de fls. 925 e 926, comparados com os valores constantes no quadro de DCTF, acima reproduzido. Reduz a estimativa de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito. Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária de um questionamento quanto a valores que anteriormente teriam sido de receita pela utilização de interconexão de redes. Referido valor é praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls. 860, ou seja, segundo essa tabela, do total dos R$ 202.321.051,30 que reduziram a receita de interconexões de rede, 99,99% são atribuídos aos exercícios de 2002 e 2003.”. Porém, como determinam os artigos 230, do RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, “os ajustes de exercícios anteriores não poderão influenciar os subsequentes, ou seja, não poderiam alterar o resultado do exercício de 2004, como fez a interessada, muito menos reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se ocorreram no ano de 2004 (fato não demonstrado), deveriam ser contabilizados usando a conta lucros e prejuízos acumulados do exercício, para não alterar o resultado de dezembro/2004. Tais possíveis receitas de interconexões, que foram consideradas nos anos de 2002 e 2003, foram apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de R$ 46.315.351,34 em fls. 1.049 (cópia da parte A do LALUR 2002). A provisão é uma despesa indedutível que deve ser adicionada ao lucro líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo indicar que naquela despesa estaria embutida a receita de interconexão correspondente. 2 Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e (...) 3 O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70) e a redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em nada explica ou justifica a diminuição ocorrida. 4 Quanto ao incentivo fiscal de redução de IRPJ, também não precisou se já estava ou não usufruindo, pois não necessita da expedição do laudo para ter direito a usufruílo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a entrada do pedido, caso este não tenha sido apreciado neste prazo. No entanto, alega a concessão do incentivo, nada esclarecendo quanto ao mesmo. Não informa quando teria ocorrido a concessão e se vinha ou não gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais de 120 dias.”; · que “considerandose que é da interessada a obrigação de comprovar que o crédito utilizado para compensação possui os requisitos de liquidez e certeza, constatase, do acima exposto, que a interessada não logrou êxito, Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 6 5 não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro/2004.” Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 18/02/2013, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.699/1.766), alegando (grifos do original retirados): · que, “quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo”, mesmo porque “a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações”, ressalvada “a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação”; · que, “em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco cometeu grave erro conceitual ao considerar que tais exclusões deveriam ter sido baixadas contra o patrimônio líquido”, sendo tais exclusões referentes a “receitas devidas por outras operadoras à Requerente pela cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes” e que não se confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não se sujeita aos requisitos de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96. Na PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita que a empresa acredita ser devida; no caso em análise, ao revés, a Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a alteração contábil via retificação. Portanto, não há que se falar em necessidade de reconhecer a receita e posteriormente a perda, pois são hipóteses absolutamente diversas.”; · que “a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e sempre estiveram) à inteira disposição do Fisco na sede da companhia, bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.”; · que, “em relação ao Lucro da Exploração, a empresa possui direito ao benefício fiscal consubstanciado no Laudo Constitutivo 111/2002 e o o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela Receita Fedeal em processo autônomo”. Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê las juntado tempestivamente; · Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 7 6 caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificouse antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP; · Não há falar em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do crédito empregado na compensação, porque somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; · No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela apresentação de sua escrituração contábil, fazer prova das razões para a exclusão de receitas e a consideração do “Lucro da Exploração”. Limitou se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração faz prova em favor do sujeito passivo. Ademais, afirmou inveridicamente que seus livros fiscais sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705, pelo que revelouse seu argumento mera retórica de defesa. · Com referência às receitas excluídas, a interessada se insurgiu quanto à consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos de tais valores. No entanto, em várias passagens, a manifestação de inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados por outras companhias telefônicas, suas devedoras, razão pela qual não teriam eles ingressados em suas contas. E, relativamente ao Lucro de Exploração, as razões de inconformidade amparamse em mero entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851). Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF. Reportase a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita. Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que “Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 8 7 restituição/compensação restringese a aspectos preliminares” não há como se admitir que o Fisco analise em 2013 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado, bem como acórdão desta Turma de Julgamento em favor da nulidade de despacho decisório por deficiência na fundamentação. Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2013. Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente. Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o “sinal trocado”. Reportase ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento. No mérito, reportase às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30, discorrendo sobre a interconexão de redes resultante de chamadas de longa distância, envolvendo a operadora de rede de longa distância, bem como as operadoras que disponibilizam a infraestrutura de origem e de destino da ligação, dentre as quais apenas a primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da infraestrutura de redes. Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego – DETRAF em face da outra operadora. Todavia, a complexidade dos cálculos freqüentemente resulta em divergências em relação aos valores devidos, e a contestação destes resulta em anulação da receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Diante deste contexto, inexiste violação ao regime de competência, bem como são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno de receita. Argumenta que, segundo as normas contábeis, as receitas só devem ser Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 9 8 reconhecidas para fins contábeis quando haja fundada certeza na sua existência e mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa de aumento do lucro, submetendose a ajustes ante a grande possibilidade de incorreção nos cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram “devedoras” da Recorrente, pois ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações. Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anoscalendário 2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco. Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza lançamento de ofício nos caos em que a inobservância do regime de competência resulta em postergação do imposto ou redução indevida do lucro real. E no presente caso houve antecipação do pagamento do imposto, equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução. Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões técnicas entre as empresas, foram consideradas procedentes parte das contestações apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior. A exclusão deste valor está demonstrada no LALUR à fl. 1380, e quadro demonstrativo identifica os valores adicionados ao LALUR e o saldo das respectivas contas contábeis de interconexão contestada. Reportandose a registros na Parte B do LALUR, indica que do total de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir. Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria os lançamentos registrados no LALUR, e seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificandos sob a frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo seu sistema de gestão, desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Diz que a documentação apresentada reflete com exatidão as partidas registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos. Observa que a DRJ entendeu dispensável a perícia porque os elementos necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que listou em tabelas acima as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B). Com referência à alteração do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002 para sua filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a inclusão das respectivas receitas no cálculo de receitas incentivadas. Reportase à jurisprudência administrativa no sentido de que a apresentação de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ não é requisito para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade com a jurisprudência deste Conselho. Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004, argumenta que o indébito daí decorrente não foi utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 10 9 Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 11 10 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi a homologação tácita da compensação em razão da nulidade do despacho decisório anterior. Em seu entendimento, o fato de esta Turma de Julgamento ter concluído pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações representaria a anulação do mesmo. Como bem observa a recorrente, esta Turma de Julgamento, acolhendo proposta de voto apresentada por esta Relatora, já declarou a nulidade de despachos decisórios por vícios de motivação. Neste sentido, o Acórdão nº 1101000.882 restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DOS MOTIVOS PARA NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que omite os motivos do nãoreconhecimento do direito creditório. A não homologação, naquele caso, resultou da falta de comprovação de parcelas de composição do crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ, na medida em que retenções na fonte não haviam sido comprovadas ou apenas comprovadas parcialmente. A ausência de qualquer esclarecimento fundamentando estas constatações restou patente quando, no julgamento de 1a instância, foram demonstrados, na decisão recorrida, os procedimentos que teriam sido adotados para as correspondentes glosas. De toda sorte, as evidências assim reunidas ainda se mostravam inferências promovidas pela autoridade julgadora de 1a instância, em face das quais esta Relatora assim se manifestou: De toda sorte, resta patente que a autoridade julgadora de 1a instância somente conseguiu apreciar as razões de defesa da contribuinte porque dispunha de acesso aos sistemas informatizados da Receita Federal, de modo a agregar conteúdo às justificativas apresentadas no despacho decisório. Em conseqüência, somente ao tomar ciência desta decisão em 27/02/2012, a contribuinte pôde se defender plenamente dos motivos agregados ao despacho decisório como justificativas para nãohomologação das compensações declaradas de 14/01/2004 a 20/10/2006. É certo que relativamente aos efeitos da não homologação, ou indeferimento, da compensação veiculada no processo administrativo nº 13708.001134/200383, possivelmente a contribuinte tivera ciência das razões para aquele ato, de modo que poderia inferir as razões para a confirmação parcial da estimativa utilizada na composição do saldo negativo. Todavia, a ausência desta justificativa expressa no despacho decisório impede a apreciação, pela autoridade julgadora, das razões de defesa da contribuinte. De fato, não é possível dar ou deixar de dar razão à recorrente no suposto de que fosse aquele o motivo para a glosa da estimativa na determinação do saldo negativo. Diante deste contexto, clara está a nulidade do despacho decisório de não homologação das compensações, resultante da omissão das razões de convencimento daquele ato, consoante lecionam Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002): Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 12 11 A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. O resultado desta omissão é o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não tem a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Daí a nulidade prevista no Decreto nº 70.235/72: Art 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Considerando que a nulidade afeta o ato que impediria a homologação tácita das compensações, impõese reconhecer que nesta data não é mais possível erigir qualquer questionamento contra as compensações aqui apreciadas. Inócuo, assim, declarar a nulidade, apenas, da decisão recorrida, com vistas a restabelecerse integralmente o direito de defesa da contribuinte a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar o ato de nãohomologação questionado. Nestes termos, os vícios que conduzem à nulidade do ato decisório são, apenas, aqueles que resultam em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Naquele caso, a omissão das razões de convencimento da autoridade administrativa que produziu o ato de não homologação impediu que o sujeito passivo de defendesse das glosas de deduções computadas na composição do saldo negativo utilizado em compensação. Naquela mesma sessão de julgamento também foi exarado o Acórdão nº 1101 000.883, declarando a nulidade de despacho decisório de não homologação, também por omissão dos motivos de não reconhecimento do direito creditório, nos mesmos termos acima expostos. Todavia, referido acórdão foi embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em razão de obscuridade, requerendo esclarecimentos acerca do motivo pelo qual a Turma não considerou, como causa interruptiva do prazo previsto no citado dispositivo legal, o despacho decisório emitido em 04/05/2011, que não homologou as DCOMPs apresentadas. Para suprir o vício apontando, os embargos foram acolhidos, assim expondo esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101000.933: Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 13 12 Assim, ante a omissão das razões de convencimento daquele ato, declarouse a nulidade do despacho decisório de nãohomologação das compensações, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, dado o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que não teve a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu crédito nas duas esferas do contencioso administrativo. Neste ponto, esta Relatora entendeu pertinente esclarecer que a declaração de nulidade do despacho decisório se impunha por não ser mais possível reparar os efeitos do cerceamento ao direito de defesa mediante declaração de nulidade, apenas, da decisão recorrida, de modo a facultar nova defesa à interessada a partir da exposição dos motivos que poderiam ter fundamentado a nãohomologação das compensações. E isto porque na data do julgamento do recurso voluntário (11/04/2013), já havia transcorrido o prazo previsto para formulação do ato de nãohomologação das compensações, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...]§ 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] (negrejouse) Nestes termos, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário. Esta extinção somente deixa de existir se a autoridade competente edita o ato de nãohomologação da compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP. Transcorrido este prazo sem a manifestação da autoridade competente, o crédito tributário está definitivamente extinto pela compensação. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 14 13 Contudo, para desfazer o efeito extintivo da DCOMP, o ato de nãohomologação deve ser válido, ou ao menos passível de convalidação. E requisito essencial de validade dos despachos ou decisões administrativas – modalidade na qual se inclui o ato de não homologação – é a sua elaboração sem cerceamento ao direito de defesa do interessado, ou seja, com exposição dos motivos que sustentam o ato, como bem exposto por Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002), no excerto doutrinário transcrito no acórdão embargado: A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional do julgador. Ou seja, a decisão deve harmonizarse com a fundamentação, de sorte a estabelecerse, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e, ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à conclusão a que se chega, apta ao convencimento de terceiros. Assim, além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas. Destarte, a omissão das razões de convencimento, o descompasso lógico entre as conclusões e as premissas (carência de motivação intrínseca) e a omissão de fato decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. E, caso não se admita a classificação do ato de nãohomologação como despacho ou decisão na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, importa ter em conta que sua subsistência como ato administrativo de qualquer espécie dependeria, necessariamente, de motivação nos termos da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] Nestes termos, a motivação deve ser explícita, clara e congruente para sustentar a afirmação de inexistência do direito creditório apontado pelo sujeito passivo na DCOMP. Isto porque, se assim não fosse, bastaria à autoridade administrativa iniciar os trabalhos de análise da compensação, e apontar algum vício aparente, para se desincumbir do ônus que o legislador lhe impôs de declarar a inadmissibilidade da compensação no prazo legal. Por certo há despachos decisórios que, mesmo não abordando por completo o mérito da compensação, prestamse como causa interruptiva do prazo legal de não homologação. É o caso, por exemplo, das análises que se restringem a aspectos preliminares da compensação, como legitimidade, prescrição ou possibilidade do pedido. O mesmo se diga em relação aos atos de nãohomologação decorrentes da impossibilidade de análise do direito creditório por falta de colaboração do sujeito passivo que tem o dever de guarda da documentação de suporte do crédito tributário. E também os atos de nãohomologação que se fundam em expressos indícios consistentes e convergentes acerca da inexistência do direito creditório. Contudo, em tais circunstâncias há ato válido, devidamente motivado, que permite a defesa pelo interessado, e assim impede a homologação tácita da compensação pelo transcurso do prazo legal. Em tais condições, novas análises pela autoridade administrativa são possíveis durante o contencioso administrativo, de modo a solucionar dúvidas decorrentes da defesa que o sujeito passivo pode validamente produzir. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 15 14 Mas, se aqueles óbices preliminares não são opostos, e a análise da compensação centrase na própria existência do direito creditório, a nãohomologação somente existe, como ato administrativo, quando expressa motivos que a sustentem. A existência formal do ato, praticado por autoridade competente e cientificado ao sujeito passivo, de nada vale quando o seu conteúdo não reúne razões compreensíveis para a não homologação da compensação. Haveria burla ao prazo legal de nãohomologação das compensações caso se admitisse irrestritamente que novas análises fossem exteriorizadas pela autoridade administrativa durante o contencioso administrativo, ou a partir da declaração de nulidade do despacho decisório. No presente caso, a análise material do direito creditório possivelmente foi realizada, mas como não foi exteriorizada por completo no ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, ela não integrou sua motivação em tempo hábil. Ou seja, motivos existem, mas eles não integram o ato administrativo em debate. Tratase de um vício à primeira vista formal – na formatação do ato –, mas que repercute no próprio conteúdo do ato administrativo cientificado ao sujeito passivo, e assim revela seus reais contornos de vício material, que somente poderia ser convalidado se o Fisco ainda dispusesse de tempo para nãohomologação das compensações. Por sua vez, a DCOMP transmitida mais recentemente pelo sujeito passivo data de 03/12/2007, e o prazo para sua nãohomologação expirou em 03/12/2012. Logo, em 11/04/2013, quando apreciado o recurso voluntário, nada mais poderia ser feito para suprir o vício de motivação constatado no despacho decisório que motivou o presente litígio. Como referido despacho decisório não reunia os requisitos de validade para caracterizarse como causa interruptiva do prazo legal de nãohomologação, pertinente foi a declaração de sua nulidade no voto condutor do acórdão embargado. Por estas razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, mas sem lhes dar efeitos infringentes, subsistindo o provimento dado ao recurso voluntário. (negrejouse) No presente caso, o primeiro despacho decisório resultou de análises preliminares da compensação, das quais resultou a conclusão de que não seria possível a formação de qualquer indébito a partir de um recolhimento a título de estimativa. A motivação, neste contexto, foi válida e coerente com as conseqüências dela decorrentes, permitindo à contribuinte compreender as razões da não homologação e manifestar sua defesa contra o ato decisório que lhe foi cientificado. Evidente, portanto, que a anterior decisão desta Turma, ao acolher as alegações da recorrente e afastar a motivação exposta pela autoridade administrativa competente, não está declarando a nulidade do despacho decisório anteriormente editado. Se assim fosse, todas as decisões favoráveis aos sujeitos passivos, no âmbito do contencioso administrativo, resultariam em nulidade dos atos decisórios contestados. A nulidade somente se verifica quando o ato administrativo é inválido para produzir qualquer efeito, em razão da inobservância dos requisitos essenciais para sua conformação regular. Destaquese, inclusive, que o voto de lavra desta Relatora, condutor do Acórdão nº 110100.329 proferido nestes autos, assim antecipou a abordagem da questão agora posta pela recorrente: E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 16 15 existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Significa dizer que o primeiro ato de não homologação foi válido, mas superada a preliminar que o justificou a homologação da compensação fica dependente da análise do direito creditório utilizado pelo sujeito passivo, subsistindo o litígio administrativo em torno da compensação até que a autoridade administrativa dê continuidade na análise de mérito e, caso constate aspectos em desfavor do sujeito passivo, permitalhe produzir a competente defesa nas duas instâncias administrativas de julgamento. Como bem observado na decisão recorrida, se a Turma Julgadora pretendesse declarar a nulidade do despacho decisório inicialmente produzido nestes autos, outra deveria ter sido a condução do julgado: É cediço que, sempre que declarada a nulidade do ato, a autoridade julgadora expressamente manifesta o fato, apontando os atos inquinados e determinando as providências necessárias à regularização do feito. Este é o comando que se extrai do art. 59, § 2º, do PAF, bem como do caput do art. 249 do CPC: PAF, art. 59, § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. CPC, art. 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados. No caso em tela, o colegiado de instância superior houve por bem limitarse a “reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Fez, assim, incidir a hipótese consignada no § 1º do já transcrito artigo do CPC, que assim estabelece: CPC, art. 249. § 1.º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. Ou seja, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa – locus do prejuízo para a interessada no despacho decisório – foi, de plano, afastada pelo CARF, restando ao E. Conselho, por conseguinte, determinar o avanço da análise do caso, sem que se fizesse necessário, tanto que não feito, pronunciar a nulidade do despacho decisório. Impróprio, também, afirmar nulo o ato decisório porque nele estão veiculados fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. A mencionada “inadequação” deve ser avaliada sob a ótica do direito de defesa do sujeito passivo, de modo que uma motivação, mesmo inadequada, não resultará em nulidade do ato se sua exposição permitir ao sujeito passivo se defender regularmente. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 17 16 Quanto à ausência de previsão legal para suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações, cumpre esclarecer que a lei apenas fixa prazo para a nãohomologação da compensação, e mantém os débitos compensados com exigibilidade suspensa até que o contencioso administrativo decida sobre a sua homologação. O mencionado prazo foi observado, editandose o primeiro ato de não homologação válido e, assim, hábil a impedir a homologação tácita da compensação. A partir daí, a extinção definitiva do crédito tributário objeto de compensação somente poderá se verificar por homologação expressa, quer pela autoridade administrativa que venha a reconhecer o direito creditório utilizado em compensação, quer pela autoridade julgadora que assim declare. Neste interregno, o crédito tributário permanece com exigibilidade suspensa, e ao final do contencioso administrativo poderá ser extinto pela mencionada homologação expressa, ou restabelecido para cobrança, em razão de decisão desfavorável ao sujeito passivo. Logo, não têm lugar, aqui, as referências trazidas pela recorrente acerca da homologação tácita de compensações depois de transcorridos 5 (cinco) anos da apresentação da DCOMP, porque concernentes a decisões que declararam a nulidade do despacho decisório que pretendeu não homologálas, circunstância ausente nestes autos. Mais à frente, a recorrente invoca o disposto no art. 146 do CTN, e doutrina acerca do tema, para oporse à adoção de novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Assevera que o CARF verificou a existência de erro de direito no despacho decisório anterior – impossibilidade de compensação de pagamento a maior de estimativas antes do encerramento do anocalendário – o que não autoriza a revisão do ato administrativo pela DRF. Como já dito, a análise da compensação foi interrompida em aspectos preliminares, e o primeiro ato de não homologação restou validamente motivado pelas constatações nele expostas. Esta preliminar foi superada durante o contencioso administrativo, e o julgamento acerca desta matéria tornouse definitivo no âmbito administrativo. Assim, apenas em relação a este aspecto preliminar a autoridade administrativa está impedida de deduzir outros critérios jurídicos para sustentála. Admitida a possibilidade de compensação de indébito resultante de pagamento a maior de estimativas antes do encerramento do ano calendário, a autoridade administrativa pode retomar as análises antes interrompidas, manifestandose pela primeira vez a respeito do mérito da compensação, o que não caracteriza a revisão aventada pela recorrente. Tem razão a recorrente quando discorre sobre a impossibilidade de alteração de critério jurídico do lançamento, especialmente porque o Decreto nº 7.574/2011 assim orienta: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 18 17 a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b)não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. (negrejouse) Os limites assim fixados para o lançamento complementar implicitamente vedam a alteração da interpretação jurídica acerca de fatos que já eram de conhecimento da autoridade lançadora. Já no âmbito do processo decisório da compensação, a autoridade administrativa dispõe de um prazo decadencial para se manifestar e evitar a homologação tácita prevista na lei. Por sua vez, inexiste qualquer vedação à fundamentação do ato de não homologação em aspectos preliminares, de modo que a contribuinte permanece sujeita a verificações acerca de seu indébito enquanto esta análise não for realizada, ou restar dispensada por decisão administrativa que, definitivamente, acolha a preliminar suscitada pela autoridade administrativa como impeditiva da compensação. Somente se a autoridade administrativa supera as preliminares, e esgota sua competência manifestandose acerca do mérito da compensação, é possível cogitar da adoção de critérios jurídicos, implícitos ou explícitos, não mais passíveis de alteração. Já no presente caso, sendo a primeira vez que a autoridade administrativa se manifesta acerca do mérito do direito creditório, não se verifica qualquer alteração de critério jurídico, mas apenas o regular desenvolvimento do procedimento de análise da compensação, dentro da dialética processual no âmbito administrativo. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações aqui veiculadas. Prosseguindo, a recorrente afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, e inclusive suscitando a nulidade do despacho decisório proferido, caso ele tenha sido lavrado por autoridade incompetente. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 19 18 Disse a autoridade julgadora de 1a instância: Não por acaso, para cumprir a decisão de segunda instância, a autoridade preparadora não precisou se valer de novo despacho decisório, documento que – necessariamente da lavra do titular da Unidade da circunscrição do sujeito passivo – decide, sempre com base em parecer conclusivo emitido por AFRFB, pela homologação ou não da compensação revisada. Tal procedimento foi realizado somente quando da análise inicial. Para a complementação da análise determinada pelo acórdão CARF, bastou a emissão de novo parecer, que entendo como instrumento meramente complementar ao primeiro. Não procede a argumentação assim exposta. A análise do mérito da compensação, depois de superada a preliminar de possibilidade da compensação, é ato decisório que deve observar os requisitos legais e normativos para sua produção. Ainda que complementar, referido ato somente pode ser praticado por autoridade competente. Por sua vez, o Decreto nº 7.574/2011 assim regulamenta a matéria: Art.112.A autoridade administrativa competente para promover a homologação da compensação declarada será definida em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, §§ 2o e 7o). E a Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, à época, assim dispunha: Art. 75 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a compensação é o titular da DRF, da Derat, da Demac/RJ ou da Deinf que, à data do despacho decisório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. §1º Tratandose de compensação de crédito relativo a tributo incidente sobre operação de comércio exterior, será competente para reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, para fins do disposto no caput , a autoridade a que se refere o caput ou o § 1º do art. 70. §2ºA homologação de compensação de crédito do IPI com débito relativo aos tributos administrados pela RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Demac/RJ que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou os referidos créditos. §3º A homologação de compensação de crédito relativo ao ITR com débito relativo aos tributos administrados pela RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat, da Demac/RJ ou da Deinf em cuja jurisdição territorial estiver localizado o imóvel. §4º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º aplicase inclusive à compensação de débito relativo ao ITR. §5º O AFRFB que, em procedimento de fiscalização, verificar que o sujeito passivo promoveu compensação indevida de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB deverá imediatamente representar à autoridade da RFB competente para proceder à análise da compensação. (negrejouse) Por sua vez, o despacho decisório em discussão foi editado por AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil lotada na DIORT/DEMAC/RJO, que assim explicitou sua competência para decidir a matéria: Diante de todo o acima exposto, com fundamento nas informações contidas nos autos e nos sistemas informatizados da RFB, considerandose que a certeza e a liquidez do crédito constituem requisito indispensável para a restituição/compensação, em Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 20 19 obediência ao disposto no artigo 170 da Lei no. 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional, e, tudo mais que do processo consta; no uso da competência do artigo 229, parágrafo 3º, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 6º da Portaria DEMAC/RJO nº 63, de 18/07/2012, publicada no D.O.U. de 20/07/2012, em consonância com o que dispõem os artigos 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, DECIDO: (negrejouse) Por sua vez, às fls. 33/34 da Seção 1 do Diário Oficial da União nº 140, publicado em 20 de julho de 2012, consta o que segue: 7ª REGIÃO FISCAL DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO PORTARIA No 63, DE 18 DE JULHO DE 2012 O DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 302 e 314 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e 12 do DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, regulamentado pelo Decreto nº 83.937, de 6 de setembro de 1979, com as alterações do Decreto nº 86.377, de 17 de setembro de 1981, resolve: [...] Art. 5 º Delegar Competência aos AuditoresFiscais Chefes das Equipes de Arrecadação e Cobrança da Diort e, em suas faltas ou impedimentos, ao substituto eventual, para: I reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de declaração de compensação, bem assim homologar compensação de créditos tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo valor histórico creditício a restituir e a compensar encerrem a importância igual ou inferior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais); [...] Art. 6 º Delegar Competência aos AuditoresFiscais em exercício na Diort para: I reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de declaração de compensação, bem assim homologar compensação de créditos tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo valor histórico creditício a restituir e a compensar encerrem a importância igual ou inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); [...] V decidir sobre restituição, compensação ou ressarcimento quando o pedido for considerado não formulado ou a compensação considerada não declarada ou ainda quando a compensação for totalmente não homologada. (negrejouse) Nestes termos, qualquer AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em exercício na DIORT/DEMAC/RJ poderia nãohomologar compensação, independentemente do direito creditório em litígio, o que evidencia a competência da autoridade que produziu o despacho decisório aqui em debate. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 21 20 Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade do despacho decisório de fls. 1684/1690, sob a alegação de incompetência da autoridade que o exarou. No mérito, constatase nos autos que, intimada a justificar a redução da estimativa devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90 (fl. 704/705), depois de pedir prorrogação de prazo para atendimento e ser por duas vezes reintimada (fls. 709/851), a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 857/908 nos quais destacase a informação de que o crédito não decorre de alterações no resultado contábil da Companhia, mas sim de aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração e exclusões de perdas antes adicionadas, compensadas com a adição de multas indedutíveis (fls. 857/908). No que tange à exclusão de perdas antes adicionadas, a contribuinte apresentou cópias do LALUR e consolidou os ajustes no seguinte quadro demonstrativo: Indicou, assim, a exclusão de R$ 202.321.051,30, vinculada às adições anteriores que totalizaram R$ 322.352.345,16, como justificativa para a redução da base de cálculo estimada de dezembro/2014. E, à semelhança do que dito em recurso voluntário, desenvolveu argumentação para justificar o reconhecimento de receitas, posteriormente questionadas pela operadora de rede de longa distância, ensejando o registro correspondente em conta retificadora de receita, associada à correspondente adição ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. A autoridade fiscal firmou o entendimento de que tais exclusões, em verdade, corresponderiam a ajustes de exercícios anteriores, e assim não poderiam alterar a apuração de dezembro/2004. Todavia, a recorrente alega que os ajustes dependeriam da conclusão definitiva do processo de contestação, fato que, se comprovado, poderia justificar o registro postergado dos efeitos da perda, na medida em que seu provisionamento seria indedutível para fins de apuração do lucro real. Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 22 21 Ainda, restou consignado no despacho decisório que as adições passadas de tais perdas teriam sido registradas como provisão para devedores duvidosos, porém o registro mencionado como exemplo, no valor de R$ 46.315.351,34 (fl. 1049), está descrito no LALUR como “Provisão para Perdas no Contas Receber”, histórico compatível com a retificação de receitas que a contribuinte alega ter contabilizado e adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Aliás, observase que na mesma demonstração do lucro real há o registro, algumas linhas acima, da adição de provisão para devedores duvidosos, motivador de adição no valor de R$ 445.914.250,20. Assim, a admissibilidade das exclusões promovidas pela contribuinte na apuração de dezembro/2004 depende da comprovação de que o processo de contestação iniciado com a operadora de longa distância estivesse definitivamente concluído, tornandose definitiva a perda de receita inicialmente provisionada e adicionada ao lucro real. Ou seja, não basta a contribuinte demonstrar que as exclusões promovidas em dezembro/2004 são inferiores à soma das adições anteriores. É indispensável a prova de que o valor excluído é composto por perdas se tornaram definitivas até dezembro/2004. Equivocada, portanto, a alegação de que a comprovação dos lançamentos registrados no LALUR seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. A exclusão deve estar vinculada a perdas efetivas, sob pena de os valores em discussão ainda se caracterizarem como provisão e permanecerem indedutíveis. No que tange à alteração do Lucro da Exploração, a contribuinte juntou à resposta da intimação fiscal demonstrativo da apuração do lucro real do anocalendário 2004, na qual a exclusão correspondente passa de R$ 79.871.614,82 para R$ 87.082.683,79 (fls. 924/925), acompanhado de planilha de recálculo do incentivo (fl. 926), com detalhamento das operações por Estado da Federação, a evidenciar a diferença registrada em relação às operações no Estado do Espírito Santo (fl. 927). A planilha de fl. 927 aponta que a contribuinte não alocou qualquer parcela de receita auferida no Estado do Espírito Santo, no valor de R$ 667.104.184,00, como beneficiada pelo incentivo do Lucro da Exploração, ao passo que na retificação posteriormente promovida este valor foi dividido nas parcelas de R$ 281.133.188,00 e R$ 385.970.996,00, beneficiadas com redução de 25% e 75%, respectivamente. A autoridade fiscal, portanto, não atentou para estas informações quando observou que a contribuinte não precisou se já estava ou não usufruindo do incentivo fiscal. De outro lado, a contribuinte juntou à manifestação de inconformidade o Laudo Constitutivo nº 111/2002, com vigência de 2001 a 2010 (fls. 1775/1779), em favor de sua filial no Espírito Santo, e embora ela não se reporte ao reconhecimento, pela Receita Federal, da redução de IRPJ daí decorrente, necessário se faz questionála a respeito, na medida em que o mencionado laudo já existia antes da entrega da DIPJ do anocalendário 2004, e não é possível compreender porque a retificação dos cálculos somente foi promovida posteriormente. Assim, para além da possibilidade da atribuição de efeitos retroativos ao ato que ensejou o recálculo, ou da admissibilidade da redução do imposto independentemente de sua existência, conforme a orientação decisória que venha a adotar este Colegiado, necessária se faz a verificação da existência do mencionado ato e a avaliação dos cálculos da redução para determinação da exclusão correspondente ao Lucro da Exploração. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/200714 Resolução nº 1101000.121 S1C1T1 Fl. 23 22 Notese que tem razão a autoridade julgadora quando consigna que a questão se revela, antes de tudo, probatória. Todavia, a adoção de uma nova interpretação dos fatos apresentados pela contribuinte à autoridade fiscal impõe a reabertura da oportunidade de produção desta prova pela contribuinte. De outro lado, também tem a razão a contribuinte quando se opõe à alegação de que os extratos gerados pelo seu sistema de gestão seriam desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Referidos elementos são um início de prova das operações escrituradas, e para negarlhes valor autoridade fiscal deve demonstrar que eles não integram a escrituração eletrônica do sujeito passivo. Ainda, também tem razão a recorrente quando afirma impertinentes os questionamentos formulados pela autoridade julgadora de 1a instância acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004. A autoridade fiscal nada opôs a este respeito, e o indébito daí decorrente, de fato, não foi utilizado nesta compensação. Por tais razões, considerando a necessidade de prosseguimento das análises fiscais em relação aos pontos acima mencionados, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a provar que: · A exclusão de R$ 202.321.051,30 computada no lucro real do balancete de suspensão/redução levantado em dezembro/2004 corresponde a perdas de receitas antes provisionadas e vinculadas a processos de contestação que, iniciados com operadoras de longa distância, foram definitivamente concluídos no anocalendário de 2004; e · O Laudo Constitutivo nº 111/2002, em favor de sua filial no Espírito Santo, enseja as exclusões nos valores registrados no balancete de suspensão/redução levantado em dezembro/2004, também informando se houve reconhecimento do incentivo de redução de IRPJ pela Receita Federal, juntando o ato correspondente, em caso positivo. A prova da regularidade dos fatos e valores alegados deverá ser promovida a partir da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, a ser submetida a exame da autoridade fiscal competente. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 11020.915062/2009-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO.
A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.
INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO.
Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso.
MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4.
A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplica-se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas Súmula CARF nº 2 e n º 4.
INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO. Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso. MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4. A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas “Súmula CARF nº 2 e n º 4. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 62 /2 00 9- 42 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição visando utilizar em processo de compensação o valor R$ 44.815,91, atualizado, oriundo de pagamento a maior ou indevido de COFINS com débito de IPI (código 512301) no valor de R$ 40.609,13, período de apuração novembro de 2008. No entanto, por meio do despacho de fl. 6 o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível. O inconformismo demonstrado na peça recursal se refere em síntese: a) Nulidade do Despacho Decisório por vício de ausência de fundamentação desvio de finalidade, prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; b) No mérito, sustenta em nome do princípio da verdade material o direito de juntar documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação, visto que, o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. c) inaplicabilidade da multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; d) Da inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora dado o limite estabelecido pelo Código Tributário Nacional. Em que pese alegação do direito de provar o crédito, deixou a recorrente de trazer à colação qualquer documento. A discussão nasce com o indeferimento de crédito para compensação de débitos, conforme se extraí do Despacho Decisório de fl.6 É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11020.915062/200942 Acórdão n.º 3403002.790 S3C4T3 Fl. 5 3 Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que deve ser conhecido. Em razão das preliminares apresentadas impõe conhecêlas inicialmente. Andou bem o Julgado “a quo” ao rejeitar as preliminares, claramente constatase tratar de alegações desprovidas de conteúdo jurídico. Vício alegado do Despacho Decisório. A motivação encontra bem bosquejada, com razão a decisão de piso ao afirmar que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, visto que, descreve com precisão que o motivo de negar a compensação é a inexistência do crédito apontado, em razão do DARF indicado ter sido utilizado em quitação de outros débitos, inclusive mencionando o número do pagamento. Assim como, não se vislumbra desvio de finalidade, pois serviu como meio de obstacular a pretensão da recorrente em ver quitado débito com suposto crédito, contra essa decisão lhe foi oportunizado apresentar Manifestação de Inconformidade, e da decisão que manteve o entendimento do despacho denegatório, Recurso Voluntário. A descrição é suficientemente clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados. Portanto, os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar as preliminares. No mérito melhor sorte não merece o inconformismo da recorrente. No recurso não há uma linha sequer quanto ao mérito, como é de conhecimento geral, o recurso visa modificar o julgado apontando o desacerto do julgador. No caso presente verificase apenas alegação de que por se tratar de direito creditório esse pode ser provado a qualquer tempo, e, nada mais. Não se contesta a motivação do indeferimento da compensação, que no caso se refere à inexistência de saldo disponível do recolhimento apontado como sendo a maior ou indevido. Portanto, deve manter a decisão recorrida in totum. Argüição de que a multa aplicada se revela confiscatório, bem como, aplicação da Taxa Selic contraria disposições do Código Tributário Nacional, não encontram eco na jurisprudência forense e tampouco administrativa. Tanto a penalidade, multa, quanto exigência juros encontra prevista pela Lei nº 9.430/96, sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic: “Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. O Supremo Tribunal Federal já decidiu reiteradamente que aplicação da Taxa Selic não ofende o texto máximo, e, a sua exigência decorre de previsão legal. Esse assunto encontra pacificado no CARF por meio das Súmulas nº 2 e nº 4: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. É vedado ao administrador administrativo apreciar alegação de inconstitucionalidade de norma, pois a última palavra cabe ao Poder Judiciário. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 14041.000156/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 56 /2 00 9- 65 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/200965 Acórdão n.º 2402003.766 S2C4T2 Fl. 123 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrada em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/03/1996 a 31/12/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/35), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 41/71) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 75/86), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário; e (viii) ao final deve ser comparada a multa aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 89/99) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 107/109), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 118/119), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vícioformal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/200965 Acórdão n.º 2402003.766 S2C4T2 Fl. 124 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/200965 Acórdão n.º 2402003.766 S2C4T2 Fl. 125 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
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