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5369042 #
Numero do processo: 10805.900815/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/2008­44  Resolução nº  3202­000.161  S3­C2T2  Fl. 55          2 A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF  indicado  na  DCOMP  como  origem  de  crédito  aproveitado  na  compensação  ter  sido  integralmente  utilizado  na  quitação  de  débitos  informados pela própria contribuinte.  O  ato  combatido  aponta  como  causa  da  não  homologação  o  fato  de  que,  embora  localizado  o  pagamento  apontado  na  DCOMP  como  origem  de  crédito,  o  valor  correspondente  fora  utilizado  para  a  extinção anterior de débito confessado pela interessada.  Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito  utilizado  na  compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo  disponível  (é  dizer,  não  havia  crédito  líquido  e  certo)  para  suportar  uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso  que  o  Despacho  Decisório  foi  emitido  corretamente,  já  que  baseado  nas informações disponíveis para a Administração Tributária.  Alega  a  interessada  que  a  referida  declaração  de  compensação  se  deu  pelo  motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não­cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de  maio  de  2003,  excluiu  as  cooperativas  desse  regime,  incluindo  no  regime  cumulativo,  com  efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora.  Porém  afirma  a  DRJ  que  esse  fato,  não  implica,  por  si  só,  que  os  valores  recolhidos seriam indevidos. Confira­se:  Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não cumulativo,  quando  o  correto  seria  pelo  regime  cumulativo,  de  forma  alguma  implica,  por  si  só,  que  os  valores  recolhidos  seriam  indevidos.  Com  efeito, nada impede que os valores devidos a titulo de PIS pelo regime  não  cumulativo  sejam  inferiores  aos  devidos  segundo  o  regime  cumulativo, pois, mesmo que a alíquota seja superior no primeiro caso,  existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com  que o valor recolhido seja menor do que o realmente devido.  Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à  Administração  Tributária  revela  que  o  crédito  utilizado  na  compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo  disponível  (é  dizer,  não  havia  crédito  líquido  e  certo)  para  suportar  uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso  que  o  Despacho  Decisório  foi  emitido  corretamente,  já  que  baseado  nas informações disponíveis para a Administração Tributária.  Por  sua  vez,  a DCTF  retificadora  foi  apresentada  após  a  ciência  do  despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o  direito  de  crédito e  de  comprometer  a  decisão  que não  homologou a  declaração de compensação.  Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez  do  crédito  com  que  pretendeu  extinguir  a  obrigação  tributária,  através  da  declaração  de  compensação,  conforme  art.  147  do  CTN.  Fato  que  não  ocorreu  no  caso  narrado.  Logo  o  direito creditório não pode ser admitido. Confira­se:  Observe­se  que  o  chamado  ônus  da  prova  é  da  contribuinte  no  que  tange  a  existência  e  regularidade  do  crédito  com  que  pretendeu  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/2008­44  Resolução nº  3202­000.161  S3­C2T2  Fl. 56          3 extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade  Tributária  que  dispunha  de  crédito  capaz  de  extinguir  um  débito,  o  contribuinte  assume  a  incumbência  de  demonstrar  sua  liquidez  e  certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade  do  crédito  não  existia  na  faze  em  que  aconteceu  a  conferência  eletrônica  da  compensação  e  sua  liquidez  e  certeza  não  foi  demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante.  Concluindo,  faltando  aos  autos  a  comprovação  da  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  o  direito  creditório  não  pode  ser  admitido  e  a  compensação  que  dele  se  aproveita  não  pode  ser  homologada.  Cientificado  do  acórdão,  acima  destacado,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário, afirmando que:  a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da  compensação pleiteada, conforme Anexo I.  b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito.  c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a  identificação do erro por parte desta Receita.  O  processo  digitalizado  foi  distribuído  e,  posteriormente,  encaminhado  a  este  Conselheiro Relator na forma regimental.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  os  requisitos  de  admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.  No presente  caso,  a  contribuinte  pediu  a  compensação  de  débito  com créditos  seus decorrentes de pagamento a maior de PIS.   Analisando o pedido, DRF emitiu despacho decisório eletrônico,  indeferindo a  compensação, porque, embora tenha encontrado o pagamento alegadamente a maior, constatou  que  o mesmo  ainda  estava  vinculado  à  quitação  de  outra  obrigação  devida  pela Recorrente.  Leia­se:  A partir  das  características  do DARF discriminado no PER/DCOMP  acima identificado, foram localizados um a um os pagamentos, abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizado para a quitação de débitos  do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos  débitos informados no PER/DCOMP.   Não  conformada,  a  cooperativa  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  pedindo  a  reforma  do  despacho  decisório,  porquanto  a  vinculação  do  pagamento  a maior  à  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/2008­44  Resolução nº  3202­000.161  S3­C2T2  Fl. 57          4 quitação de outra obrigação se devia a  erro contido em sua DCTF,  a qual  foi  retificada pela  recorrente depois de constatado o equívoco pela DRF.  A  recorrente  afirmou,  ainda,  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  que  o  pagamento  a  maior  de  PIS  foi  ocasionado  pelo  fato  de  a  cooperativa  ter  recolhido  PIS  no  regime  de  apuração  não­cumulativo,  quando  deveria  ter  recolhido  PIS  sob  o  regime  de  apuração cumulativa.  O  acórdão  recorrido,  porém,  não  acolheu  a  manifestação  de  inconformidade,  uma vez que “a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não  tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que  não homologou a declaração de compensação”.   Assentou, ainda, a DRJ, que o erro de aplicação do regime de apuração do PIS,  cumulativo  ou  não­cumulativo,  não  comprovaria  automaticamente  o  pagamento  a  maior,  cabendo ao contribuinte o ônus de prová­lo.  Contra o acórdão recorrido, a cooperativa interpôs recurso voluntário, pugnado  que a compensação fosse homologada. Nessa oportunidade,  juntou  também comprovantes da  origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração do  PIS, que coincidem com a sua DCTF retificadora.  Entendo, porém, que julgamento deve ser convertido em diligência.   Efetivamente,  deve  ser  reformado  o  acórdão  recorrido,  quando  negou  reconhecer efeitos à DCTF retificadora, pelo fato desta ter sido apresentada depois de proferido  o despacho decisório.   Isso por que o simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento  suficiente  para  afastar  o  direito  à  restituição  de  tributo  pago  a  maior  nem  resultar  em  enriquecimento ilícito da Fazenda Pública.   Assim,  diferentemente  do  que  disse  o  despacho  decisório,  ratificado  pelo  acórdão  recorrido,  o  direito  à  repetição  do  indébito,  por  meio  de  compensação,  não  está  vinculado à apresentação ou não da DCTF retificadora, mas, sim, está atrelado à existência do  pagamento indevido, nos termos do art. 170 do CTN.  Sem divergir desse entendimento, decidiu o CARF:  PROCESSO 10384.901597/2009­44  Acórdão  nº  3301­001.857(3ªCâmara/1ªTurmaOrdinária/3ª  Seção),  de  22 de maio de 2013.  Relator: AndradaMárcioCanutoNatal  COMPENSAÇÃO.  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.   Caracterizado  o  recolhimento  a  maior  da  Cofins  é  cabível  o  reconhecimento  do  direito  creditório.  A  apresentação  da  DCTF  retificadora  somente  após  a  ciência  do Despacho Decisório  que  não  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/2008­44  Resolução nº  3202­000.161  S3­C2T2  Fl. 58          5 homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para  descaracterizar o direito creditório.   Recurso Voluntário Provido   Direito Creditório Reconhecido  Por  conseguinte,  não merecer  prosperar  o  aresto  recorrido,  quando manteve  o  despacho decisório, que, ao invés de perquirir a ocorrência do pagamento indevido, limitou­se  a analisar perfunctoriamente a DCTF original da recorrente.   Com  efeito,  percebe­se  que  a DCTF  retificadora  só  foi  apresentada  depois  do  despacho decisório, em razão da DRF ter restringido a análise do pedido de compensação ao  cruzamento  eletrônico  de  dados,  sem  facultar  à  contribuinte  o  direito  de  apresentar  documentação adicional necessária à apreciação do seu pleito, como determina o art. 39 da Lei  nº 9.784/1999:   Art.  39.  Quando  for  necessária  a  prestação  de  informações  ou  a  apresentação  de  provas  pelos  interessados  ou  terceiros,  serão  expedidas  intimações  para  esse  fim,  mencionando­se  data,  prazo,  forma e condições de atendimento.   Parágrafo  único.  Não  sendo  atendida  a  intimação,  poderá  o  órgão  competente,  se  entender  relevante  a  matéria,  suprir  de  ofício  a  omissão, não se eximindo de proferir a decisão.  De acordo com a Lei nº 9.784/1999, somente depois de intimado o interessado  sobre  a  necessidade  de  documentos  adicionais  para  análise  de  seu  pedido,  é  que  autoridade  pode indeferir sua pretensão. Nesse sentido, dispõe o art. 40 do mesmo diploma legal:   Art.  40.  Quando  dados,  atuações  ou  documentos  solicitados  ao  interessado  forem  necessários  à  apreciação  de  pedido  formulado,  o  não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva  apresentação implicará arquivamento do processo.  Não  é  por  outro  motivo,  que  o  art.  4º  da  Instrução  Normativa  nº  210/2002,  vigente  à  época  dos  fatos,  determina  que  a  autoridade  competente  tenha  o  poder­dever  de  realizar diligências, caso sejam necessárias para verificar a exatidão das informações prestadas.  Observe­se:   Art.  4  o  A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  a  restituição  poderá  determinar  a  realização  de  diligência  fiscal  nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo,  a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame de  sua  escrituração contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações prestadas.  Dessa  forma,  apresentada  a  DCTF  retificadora  pela  empresa,  que  afastou  o  obstáculo apontado pelo despacho decisório, caberia ao acórdão recorrido ou deferir o pedido;  ou converter o julgamento em diligência, para certificar o pagamento a maior; ou, ainda, anular  a decisão da DRF, por não ter respeitado o devido processo legal, disciplinado pelos arts. 39 e  40 da Lei nº 9.784/1999 c/c o art. 4º da Instrução Normativa nº 210/2002. Em lugar disso, a  DRJ optou por julgar improcedente a manifestação de inconformidade.   Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10805.900815/2008­44  Resolução nº  3202­000.161  S3­C2T2  Fl. 59          6 Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma  vez que, diante da apresentação da DCTF  retificadora,  impende que  esta  seja  analisada para  verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo.  Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a  unidade preparadora certifique o quantum  representaria o crédito da recorrente,  com base na  documentação existente nos autos,  intimando a contribuinte a apresentar dados adicionais, se  necessário.  É como voto.  Thiago Moura de Albuquerque Alves     Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES

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5430863 #
Numero do processo: 10950.726726/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 07/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 07/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1  1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10950.726726/2012­32  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3102­000.293  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de janeiro de 2014  Assunto  Auto de Infração  Recorrente  DOMIMAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Decidem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  pela  conversão  do  julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto a seguir.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator  EDITADO EM: 07/05/2014   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica  Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  no  valor  de  R$  36.961.808,53  lavrado  para  constituição  de  crédito  tributário  referente  a:  Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  Contribuição  PIS/PASEP  –  importação,  Contribuição COFINS – importação, Juros de Mora – calculados até 30/11/2012, Multa  do  Controle  Administrativo,  e Multa  Proporcional  (150%),  em  função  de  declaração  inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto) e diferença apurada entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente  praticado,  conforme  apontado  na  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  (fls.  3.590,  3.596,  3.597,  3.673,  3.738,  3.804)  e  “Relatório de Ação Fiscal (fls. 3.479 a 3.503).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 26 72 6/ 20 12 -3 2 Fl. 3944DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 3          2  Depreende­se dos autos que a autuação em comento é resultado de procedimento  de fiscalização aduaneira, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal  (MPF) n°  09105002012002359  (fl.  02),  datado  de  24/07/2012,  com  o  objetivo  de  efetuar­se  procedimento fiscal (fiscalização) relacionados aos tributos/contribuições incidentes em  operações  de  comércio  exterior:  II,  IPI, MULDI, PIS, COFINS  e PASEP no  período  entre 01/2007 a 07/2012.  As declarações de importação foram registradas pela interessada para importação  de  diversos  tipos  de  mercadorias  relacionadas  à  equipamentos  de  informática  (impressoras), tais como cartuchos, tintas, partes e peças, conforme descrito em campo  apropriado  das  diversas  declarações  de  importação,  cujas  cópias  dos  extratos  e  documentos  relacionados  foram  acostadas  aos  autos  às  folhas  107  a  1.188,  1.199  a  3.315.  Inicialmente  a  fiscalização  informa  que  em  diligência  realizada  ao  estabelecimento  da  interessada,  em  27/07/2012,  encontrou  o  imóvel  fechado  (abandonado) e inclusive com as portas arrombadas (fotos no relatório).  Relata a fiscalização que, por ocasião de diligência realizada no estabelecimento  da interessada em 02/05/2011 (Processo administrativo fiscal n° 10950.724599/201156)  foram  encontrados  e  retidos  alguns  documentos  relacionados  às  declarações  de  importação que foram objeto de autuação anterior.  Entre os documentos retidos na empresa fiscalizada, estavam faturas comerciais,  originais  e  cópias,  faturas proformas,  tax  proforma,  planilhas  com cálculo  dos  custos  mercadorias,  planilha  de  formas  de  pagamentos  das  importações,  sendo  que  alguns  desses documentos eram originais e outros cópias.  Conforme  se  depreende  do  “Relatório  de  Ação  Fiscal”  (fls.  3.316  a  3.358)  daquele procedimento fiscal,  comparando as  faturas que  instruíram as Declarações de  Importação  à  época  dos  despachos  com  as  faturas  e  demais  documentos  que  foram  encontradas  junto  ao  estabelecimento  da  interessada,  a  autoridade  fiscal  chegou  à  conclusão, no  âmbito daquele procedimento  fiscal,  de que para  fins de declaração de  valor, em cada uma das declarações de importação, foram utilizadas faturas comerciais  falsas,  onde  em  regra  os  valores  unitários  das  mercadorias  eram  inferiores  àqueles  constantes  das  faturas  verdadeiras  emitidas  pelos  exportadores  (naquele  caso  28  exportadores diferentes).  Destaca os seguintes pontos (fls. 3.485 e 3.486):  a) Documentos  como  comercial  invoice,  proforma  invoice,  tax  invoice,  com as  mesmas mercadorias mas claramente com valores unitários diferentes.  b) Documentos citados em a) com leiautes e assinatura diferentes.  c)  Documentos  com  valores  diferentes  e  com  a  mesma  numeração,  ou  que  a  numeração de um conste em outro.  d)  Nos  documentos  denominados  “Rateio  de  Impostos  e  Despesas  de  Importação” referente a diversas DI's temos:  –uma  coluna  com  o  titulo  “Mercadoria  US$'  em  que  consta  o  valor  das  mercadorias no documento com menor valor.  –uma  coluna  com  o  titulo  “Custo  unitário  dólar  P.F.”  onde  consta  o  preço  unitário das mercadorias que consta no documento de valor maior.  Fl. 3945DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 4          3  –uma coluna com o título “Custo P.F. Dolar total” onde consta o valor total do  documento com valor maior.  e) Nos documentos com o título “FECHAMENTO NOME DO EXPORTADOR”  referente a diversas DI's temos:  –uma linha com a denominação “FATURA” em que está o valor do documento  com valor maior.  –uma linha com a denominação “BANCO” em que está o valor do documento  com valor menor.  –Uma linha com a denominação “SALDO” em que está a diferença entre os dois  valores acima.  f)  Documentos  com  diferenças  nos  valores  declarados  de  28  (vinte  e  oito)  exportadores diferentes e de países diferentes.  g)  Não  consta  nesses  documentos  que  estão  sendo  oferecidos  descontos  nas  compras.  Tendo  por  base  as  informações  e  documentos  coletados  no  âmbito  daquele  processo  administrativo,  foi  realizada  uma  análise  de  todas  as  declarações  de  importação  da  interessada  e  que  apresentavam  os  mesmo  exportadores  e  também  o  mesmo tipo de mercadoria.  A  conclusão  foi  de  que  a  autuada  também  subfaturou  outras  operações  de  importação  (além  daquelas  já  autuadas)  com  a  finalidade  de  iludir  o  pagamento  dos  tributos devidos quando do registro das declarações de importação.  À  folhas 3.487 a 3.499 do  relatório, a  fiscalização detalha,  por  exportador  (em  quantidade de 16) e por declaração de importação, quais as declarações de importação  autuadas  anteriormente  (Processo  administrativo  fiscal  n°  10950.724599/201156),  o  percentual  subfaturado  para  aquele  tipo  de  mercadoria.  Apresenta  planilha  onde  demonstra  que  houve  diferença  (a  menor)  no  valor  declarado  pela  interessada  nas  operações que menciona.  Indica que os valores declarados nas operações em apreço são próximos aqueles  comprovadamente subfaturados.  Conclui a fiscalização que a fraude praticada é decorrente do fato de a empresa  ter  omitido  o  preço  verdadeiro  das  mercadorias  importadas  nas  declarações  de  importação  em  análise,  onde  declarou  um  valor  falso  e  inferior  ao  efetivamente  praticado conforme os documentos retidos, isto é, ocorreu a prática de subfaturamento.  Considerando a comprovação (já realizada anteriormente por ocasião da análise  das  operações  de  importação  envolvendo  as mercadorias  em questão)  de  que  o  valor  declarado não era aquele efetivamente praticado, a autoridade  fiscal desconsiderou os  valores  declarados  e,  com  base  em  valoração  aduaneira  realizada  em  outro  procedimento  fiscal,  lavrou  a  presente  autuação  com base nos  preços  de mercadorias  semelhantes autuadas anteriormente (arbitramento com fulcro no artigo 88 da Medida  Provisória n° 2.15835/01).  Além  da  exigência  relativa  aos  tributos,  a  autoridade  fiscal  aplicou  a  multa  prevista  no  parágrafo  único  do  artigo  88  da  Medida  Provisória  n°  2.15835/01,  por  existir diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado.  Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 5          4  Aplicou ainda a multa de ofício com agravamento, conforme previsto no § 1°, do  artigo 44, da Lei 9.430/96, visto entender que ficou caracterizada a intenção dolosa e  presente a fraude.  Informa,  ao  final  de  seu  relatório,  que  foi  protocolizada  Representação  Fiscal  para Fins Penais, processo n° 10950.726729/201276.  Intimada,  Edital  n°  0328/12SAANA  (Afixado  em  14/12/2012  e  desafixado  em  28/12/2012,  fl.  3.817),  a  interessada  apresentou  impugnação  às  folhas  3.823  a  3.841,  anexando  os  documentos  de  folhas  3.842  a  3.845.  Em  síntese,  traz  as  seguintes  alegações:  Que,  o  lançamento  deve  ser  declarado  nulo  em  razão  da  ausência  de  ordem  escrita  do  Superintendente  da  Receita  Federal  do  Brasil  ou  do  Delegado  da  Receita  Federal do Brasil em Maringá autorizando o segundo exame dos períodos base de 2007,  2008,  2009,  2010  e  2011,  já  fiscalizados  em  quatro  outras  ações  fiscais  distintas,  processos  n°  10950.005471/200975,  10950.720133/201181,  10950.724599/201156  e  10950.724783/201104.  Deveria  ter  sido dada  autorização expressa no MPF; Que, parte do  lançamento  não  prospera  em  razão  da  decadência,  que  deve  ser  contada  a  partir  do  registro  da  declaração de importação correspondente (artigos 752 e 753 do Decreto n° 6.759/09). A  revisão aduaneira deve respeitar as regras estabelecidas no Decreto n° 6.759/09, artigo  638. Logo, o instituto da decadência alcança todos os fatos geradores correspondentes  às declarações de importação registradas até 02/01/2008. Cita o Acórdão n° 0728.807  desta Turma de Julgamento; Que, os demonstrativos de apuração das contribuições (fls.  3.682/3.704 e 3.748/3.770) não  fazem qualquer  referência  a  respeito da apuração dos  valores apresentados, cerceando o direito de defesa da impugnante, cita o exemplo da  DI  n°  08/10194435;  Que,  em  relação  à  valoração  aduaneira,  o  lançamento  foi  construído  em  cima  de  uma  presunção  de  existência  de  subfaturamento  objeto  de  fiscalização  anterior.  O  suposto  “subfaturamento”  apurado  noutra  fiscalização,  ocorridos  basicamente  em  2006  e  2007,  não  pode  ser  utilizado  como  suporte  para  presumir  que  todas  as  importações  seguintes  (até  2011)  também  foram  subfaturadas,  isto  porque  os  preços  de  mercado  dos  produtos  e  suprimentos  de  informática  despencaram  ao  longo  dos  anos;  Que,  não  houve  qualquer  análise  da  escrituração  contábil da autuada, nem registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor  subfaturado.  Os  indícios  apurados  não  são  suficientes  para  comprovar  a  prática  de  subfaturamento;  Que,  o  arbitramento  realizado  não  atende  nenhum  dos  critérios  estabelecidos nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Que, a  acusação fiscal no Processo n° 10950.005471/2009­75 tratava de erro de classificação  fiscal das DI’s n° 07/14378596,07/14551680, 07/14632630 e, 07/15643791.  Já  a  acusação  fiscal  no  Processo  n°  10950.724783/201104  tratava  de  erro  de  classificação fiscal das DI’s n° 07/12351927, 07/15025885, 08/01857362, 08/02142588  e, 08/04000969.  A fiscalização naqueles processos não tiveram certeza e  segurança de que  teria  havido  o  suposto  subfaturamento  quando  examinaram  as  declarações,  optando  pelo  lançamento com base no valor aduaneiro declarado; Que, não concorda com a aplicação  da  multa  qualificada,  visto  que  o  lançamento  está  construído  em  cima  de  mera  presunção;  Assim  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  sintetizou,  na  ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II   Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 6          5  Período de apuração: 25/07/2007 a 18/01/2011  BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO.  Constatado  que  os  preços  das  mercadorias  consignados  nas  declarações  de  importação  e  correspondentes  faturas  não  correspondem  à  realidade  das  transações  e  são  inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento.  Portanto,  exigíveis  os  tributos  aduaneiros  devidos.  Alterada  a  base  de  cálculo  dos  tributos, por mudança no correspondente valor aduaneiro, torna­se exigível a diferença  dos tributos, resultante desse ato.  MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.  Cabível  a multa de ofício agravada, de 150% sobre o  II  apurado. Constatada a  fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício.  MULTA ADMINISTRATIVA.  Constatada  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente  praticado  nas importações é correta a exigência da multa administrativa.  REVISÃO ADUANEIRA.  A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da  data do registro da declaração de importação correspondente.  Considera­se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da  exigência do crédito tributário apurado.  Tendo  exonerado  crédito  tributário  em  valor  superior  ao  limite  de  alçada,  a  Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada, nos termos  do 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº  9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008.  De  seu  turno,  insatisfeita  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  empresa  apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  De início, requer a decretação de nulidade do lançamento “em face da ausência  de ordem escrita do Superintendente da Receita Federal do Brasil ou do Delegado da Receita  Federal do Brasil em Maringá, autorizando o reexame dos períodos­base de 2007, 2008, 2009,  2010  e  2011,  já  fiscalizados  em  quatro  outras  ações  fiscais  distintas,  conforme  Processos  [...]”.  Transcreve  o  artigo  906  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  para  confirma  tal  condição.  Nulidade  do  Auto  de  Infração,  também,  por  ausência  de  demonstração  da  composição da base de cálculo das Contribuições. “Os Demonstrativos de Apuração da Cofins  (fls. 3682/3704) e do PIS (3748/3770) iniciam com o valor da contribuição devida e não fazem  qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a  conferência dos valores exigidos e, por conseqüência, o cerceamento do direito de defesa da  Recorrente”. Demonstra o problema em caso específico – DI nº 08/1019443­5.  Contesta os procedimentos de Valoração Aduaneira adotados pela Fiscalização  Federal.  Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 7          6  Primeiro, argumenta que o lançamento teria sido construído encima de simples  presunção,  calcada  em  prática  de  subfaturamento  identificada  em  relação  a  operações  de  importação  realizadas  ainda  no  ano  de  2006,  levando  os  Auditores­Fiscais  à  presunção  da  infração  nas  operações  seguintes,  processadas  até  o  ano  de  2011,  sem  considerar  que  “os  preços  de  mercado  dos  produtos  e  suprimentos  de  informática  despencaram  ao  longo  dos  anos”.  E acrescenta,   O Relatório de Ação Fiscal  (fls. 3479/3503) não  faz qualquer alusão quanto ao  fato dos Auditores Fiscais terem examinado a escrituração contábil (diário e razão) da  autuada, ou realizado qualquer diligência, a fim de: (i) apurar se as importações haviam  sido  contabilizadas  ou não,  (ii)  cruzar  valores  das  declarações  de  importação com os  respectivos  contratos  de  câmbio,  (iii)  apurar  a  efetiva  escrituração  dos  valores  correspondentes  ao  fechamento  dos  contratos  de  câmbio.  Também,  não  faz  nenhum  registro de que houve o efetivo pagamento do suposto valor subfaturado.  Que o  lançamento  não  atende  aos  critérios  estabelecidos  nos  incisos  I  e  II  do  artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158­35/01, base legal indicada pela Fiscalização no Auto  de Infração controvertido.  Ainda  mais,  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  inova  ao  considerar regular o procedimento com base no artigo 68 da Lei nº 10.833/03, por tratar­se de  disposição legal jamais citada nos autos.  Adiante,  que  nove  Declarações  de  Importação  auditadas  no  procedimento  já  haviam  sido  valoradas  e  consideradas  em  situação  regular,  constatando­se,  apenas,  erro  de  classificação  fiscal.  Quanto  a  isso,  acusa  omissão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento, que deixou de pronunciar­se a respeito do assunto.  Protesta  contra  a  multa  de  150%  sobre  o  valor  da  diferença  de  Impostos  apurada,  “tendo  em  vista  que  o  lançamento  foi  construído  em  cima  de  mera  presunção  de  subfaturamento  nas  importações,  sem  nenhum  elemento  de  prova  e  que  contraria  qualquer  raciocínio lógico dos fatos”.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.  Preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  tomo  conhecimento  do  Recurso  Voluntário.  A  Recorrente  afirma  que  “os  Demonstrativos  de  Apuração  da  Cofins  (fls.  3682/3704)  e  do PIS  (3748/3770)  iniciam  com  o  valor  da Contribuição  devida  e  não  fazem  qualquer referencia a respeito da apuração dos valores apresentados, inviabilizando, assim, a  conferência  dos  valores  exigidos  e,  por  conseqüência,  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  [...]”. Exemplifica com a DI nº 08/1019443­5.  Uma vez que  tenha sido feita menção à dificuldade de conferir a exatidão dos  valores  exigidos,  pela  falta  de  referência  ao método de  apuração,  já  que  o Auto  de  Infração  Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 8          7  parte do valor da Contribuição devida, iniciei pelo exame da base de cálculo considera. Quanto  a  ela,  não  encontrei  nenhuma  dificuldade  em  compreender  os  critérios  utilizados  pela  Fiscalização Federal.  A Declaração de Importação nº 08/1019443­5, citada pela Recorrente, consta de  uma  planilha  à  folha  3.496  do  Processo,  no Relatório  de Ação  Fiscal,  onde  está  claramente  demonstrada  a  base  de  cálculo  informada  na  Declaração,  o  percentual  de  subfaturamento  considerado  para  o  caso  específico  (assim  como  os  critérios  para  que  se  chegasse  a  esse  percentual), a base de cálculo redefinida e a diferença. A nova base de incidência é obtida pela  divisão da base de cálculo informa pelo percentual de 24,56%, que é a diferença entre o todo,  100%, e os 75,44% de subfaturamento considerados.   É uma regra de três: se o informado é 24,56% do todo, quanto é 100%?  De  fato,  como disse,  não  encontrei  qualquer dificuldade em compreender  essa  demonstração; contudo, existem outros valores sobre os quais não há como dizer o mesmo.  Embora os  critérios de apuração da base de cálculo e  sua demonstração sejam  perfeitamente compreensíveis, não logrei êxito em atestar o valor das Contribuições devidas.  Por  exemplo.  Considerando  o  Valor  Aduaneiro  Real  indicado  na  mesma  planilha  de  folha  3.496,  no  montante  de  R$  1.225.977,60,  para  a  mesma  Declaração  de  Importação  nº.  08/1019443­5  (fls.  3134  e  seguintes),  utilizando­se  a metodologia  de  cálculo  definida na Instrução Normativa SRF nº. 463/04, tem­se:  PIS = alíquota PIS x (Valor Aduaneiro x X + alíquota Cofins x Y)  PIS = 1,65% x (1.225.977,60 x 1,228746 + 7,6% x 0,110092)1   PIS = R$ 24.855,85  Esse valor não confere com o valor de R$ 27.428,19 (folha 3.754) informado no  Auto de Infração.  Trata­se de uma questão que necessita ser esclarecida.  VOTO  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  razão  da  diferença acima seja esclarecida e, se for o caso, os cálculos sejam refeitos.  Abra­se prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte.   Após, retorne para decisão final.  Sala de Sessões, 28 de janeiro de 2014.                                                              1 X = 1 + 0,09 x [ 0+0,05 x (1 + 0)]    (1­0,0165­0,076­0,09)        Y =   0,09 ÷ (1­0,0165­0,076­0,09)    Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10950.726726/2012­32  Resolução nº  3102­000.293  S3­C1T2  Fl. 9          8  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator     Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 16095.720400/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM FOPAG - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega, sem apresentar comprovante de recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados. Simplesmente alegar nulidade, ou que o lançamento foi realizado por presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações. MULTA SOBRE JUROS - A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL O sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendo-lhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo. Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica. QUALIFICAÇÃO DA MULTA - 150% - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM. A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. AGRAVAMENTO DA MULTA - ART. 44, § 2o DA LEI 9430. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendo-a em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM FOPAG - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega, sem apresentar comprovante de recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados. Simplesmente alegar nulidade, ou que o lançamento foi realizado por presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações. MULTA SOBRE JUROS - A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional - CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL O sujeito passivo da obrigação é a empresa, somente atribuindo responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendo-lhe apresentados documentos que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo. Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa)., existem previsões legais de autuação do estabelecimento, quais sejam AI específico pela não apresentação de documentos, .autos de infração pela ausência de contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação em GFIP. Ou seja, da análise da situação demonstrada nos autos, além das práticas comuns adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica. QUALIFICAÇÃO DA MULTA - 150% - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM. A qualificação da multa imposta não nasce do mero inadimplemento do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação. AGRAVAMENTO DA MULTA - ART. 44, § 2o DA LEI 9430. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não atender o contribuinte, intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica adotada pela empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa, mantendo-a em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16095.720400/2012­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.179  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de setembro de 2013  Matéria  DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES  Recorrente  VASKA INDUSTRIAL E COMÉRCIO DE METAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO ­ GFIP. SEGURADOS EMPREGADOS DESCRITOS EM  FOPAG ­ NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA ­ PARCELA DESCONTADA  DOS SEGURADOS EMPREGADOS   A  não  impugnação  expressa  dos  fatos  geradores  objeto  do  lançamento  importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O  recorrente  apenas  alega,  sem  apresentar  comprovante  de  recolhimento  das  contribuições descontadas dos segurados empregados.  Simplesmente  alegar  nulidade,  ou  que  o  lançamento  foi  realizado  por  presunção não determina a improcedência do lançamento quando o recorrente  não junta elementos probatórios capazes de comprovar suas alegações.  MULTA SOBRE JUROS ­   A aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz  parte do  crédito  apurado. O art.  161 do Código Tributário Nacional  ­ CTN  autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a  multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim,  fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os  mesmos  procedimentos  e  os  mesmos  critérios  de  cobrança,  devendo,  portanto,  sofrer  a  incidência  de  juros  no  caso  de  pagamento  após  o  vencimento.  TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA ­ AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO  DE  ELEMENTOS  QUE  JUSTIFIQUEM  A  IMPUTAÇÃO  DE  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PESSOAL  O  sujeito  passivo  da  obrigação  é  a  empresa,  somente  atribuindo  responsabilidade pessoal aos sócios quando atos dos mesmos deixam claro a  intenção  de  fraudar,  causar  dano  ao  ente  público.  Conforme  dito     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 04 00 /2 01 2- 13 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2  anteriormente  o  recorrente  não  causou  embaraço  a  fiscalização,  inclusive  tendo­lhe  apresentados  documentos  que  permitiram  ao  fisco  confrontar  as  folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse isso,  teria o auditor  apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo.  Para cada uma das faltas imputadas ao recorrente (sujeito passivo empresa).,  existem  previsões  legais  de  autuação  do  estabelecimento,  quais  sejam  AI  específico  pela  não  apresentação  de  documentos,  .autos  de  infração  pela  ausência  de  contabilização  devida  dos  fatos  contábeis,  não  inclusão  de  valores  em  FOPAG,  não  informação  em  GFIP.  Ou  seja,  da  análise  da  situação  demonstrada  nos  autos,  além  das  práticas  comuns  adotadas  pelas  empresas objeto de autos de  infração, não vislumbrei a  indicação de outros  atos  pessoais  do  administrador  da  empresa,  que  ensejassem,  neste  primeiro  momento o posição de sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica.  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  ­  150%  ­  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO DE ELEMENTOS QUE JUSTIFIQUEM.  A  qualificação  da  multa  imposta  não  nasce  do  mero  inadimplemento  do  recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não  evidenciado  pela  autoridade  fiscal  a  intenção  de  agir  com  dolo,  fraude  ou  mesmo simulação.   AGRAVAMENTO DA MULTA ­ ART. 44, § 2o DA LEI 9430.  Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do ART. 44e o § 1odeste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação  para:  I  ­  prestar  esclarecimentos; II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.  11  a  13  da  Lei  no  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991;  III  ­  apresentar  a  documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei  O  dispositivo  legal  que  autoriza  o  agravamento  é  claro,  sempre  que  não  atender o  contribuinte,  intimações, com vistas a melhor esclarecer a pratica  adotada  pela  empresa  no  cumprimento  da  legislação  tributária,  procederá  a  autoridade fiscal ao agravamento da multa. Não estamos falando no presente  caso  de  mera  não  apresentação  de  documento,  que  pode  ser  facilmente  substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação de  qualquer  outro  documento  fiscal,  contábil,  oportunizando  ao  fisco  fácil  acesso as bases de cálculo e  fatos geradores decorrente do exercício de  sua  atividade.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 3          3   ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) excluir do polo passivo José Luiz Martin  Elexpe; e II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para afastar  a qualificação da multa, mantendo­a em 112,5%. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares,  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que reduziam a multa  de ofício ao patamar de 75% e afastavam os juros sobre a multa.      Elias Sampaio Freire ­ Presidente      Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4    Relatório  Trata  a  presente  AIOP,  lavrado  sob  os  n.  51.031.322­1,  51.031.323­0  e  51.031.324­8 referem­se às seguintes contribuições:  a)  Levantamento  “AP”  –  FOLHA  DE  PAGAMENTO  “...  contribuições  previdenciárias da PARTE DA EMPRESA, devidas ao INSS, e as destinadas à ENTIDADES  E  FUNDOS,  discriminados  no  anexo  FDL,  incidentes  sobre  o  salário  de  contribuição  dos  segurados empregados da autuada (...), relativas ao período de 01.2009 a 13.2009, e não foram  recolhidas, e não declaradas em GFIP’s – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por  Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social”.  b)  Levantamento  “RA”  –  VALORES  DECLARADOS  NA  RAIS  “...contribuições previdenciárias da PARTE DA EMPRESA, da PARTE DOS SEGURADOS,  e as destinadas à ENTIDADES E FUNDOS, discriminados no anexo FDL, incidentes sobre o  salário  de  contribuição  dos  segurados  empregados  da  autuada  (...),  relativas  ao  período  de  01.2010  a  13.2010,  não  foram  recolhidas,  e  não  declaradas  em  GFIP’s  –  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social”.  Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 54 e 55, os valores constantes do  Auto  de  Infração,  referem­se  a  contribuições  previdenciárias  descontadas  dos  segurados  empregados,  e  não  declaradas  em  GFIP  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social,  e  nem  recolhidas  em GPS Guias  da  Previdência Social. Ainda nos termos do mencionado relatório:   1º) Tal procedimento, acrescenta o auditor fiscal, caracteriza em tese, crime  contra  a  Seguridade  Social,  previsto  no  inciso  I  ,  parágrafo  1°,  do  artigo  168A,  da  Parte  Especial do Decreto­lei n° 2.848, de 07.12.1940 Código Penal Brasileiro  ,  com as alterações  introduzidas pela Lei n° 9.983, de 14.07.2000, e está sendo objeto de Representação Fiscal para  Fins Penais;   2º) Serviram de base ao lançamento, as folhas de pagamento de salários dos  segurados  empregados,  do  período  do  débito,  sendo  que,  além  desses  documentos,  embora  reiteradamente intimada a tanto, nenhum outro foi apresentado pela autuada;   3º) Das contribuições consignadas nas folhas de pagamento, foram deduzidas  as declarados em GFIP antes do início da ação fiscal;   4º)  O  demonstrativo  dos  valores  apurados,  com  a  respectiva  dedução  dos  valores  confessados  em  GFIP,  constitui  o  RL  Relatório  de  Lançamentos,  e  o  valor  remanescente, objeto desta autuação, constitui o DAD Discriminativo Analítico do Débito;   5º) Conforme previsão do artigo 35­A da Lei N° 8.212/91, a multa de ofício a  ser aplicada ao débito é a prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, ou seja, de 75%  (inciso  I),  duplicada  pela  omissão  do  contribuinte  em  declarar  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  devidas  nas  GFIPs  (parágrafo  primeiro)  e  na  forma  do  artigo  71  da  Lei  n°  4.502/64,  caracterizando  em  tese,  ocorrência  de  crime  de  Sonegação  Fiscal,  que  está  sendo  objeto de Representação Fiscal para Fins Penais acrescidos de mais 50% cinquenta por cento  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 4          5 pelo  não  atendimento  as  intimações  (parágrafo  2o),  resultando  em  225  %  (duzentos  e  vinte  cinco por cento); e   6º)  Com  fundamento  no  artigo  124  da  Lei  n°  5.172  de  25/10/1966,  consideramos  o  sócio  administrador  da  autuada,  José  Luis  San  Martin  Elexpe,  SOLIDARIAMENTE  RESPONSÁVEL  pelo  presente  débito  pelas  razões  expostas  no  TERMO DE  SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA,  que  acostamos  como  parte  integrante  do  presente  Auto  de  Infração,  sendo  que  a  qualificação  do  mesmo  e  o  período  de  respectiva  atuação na empresa constitui o "Relatório de Vínculos".  Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu­se em 13/12/2012, tendo a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2012.   Não conformada com a notificação,  foi apresentada defesa pela notificada,  fls.  79 a 93.   A  Decisão­Notificação  confirmou  a  procedência  total  da  autuação,  fls.  162  e  seguintes:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  31/12/2010  CRÉDITO  PREVIDENCIÁRIO. BASES DE CÁLCULO. APURAÇÃO.  EXAME DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO.  INEXISTÊNCIA.  Não configura presunção das bases de cálculo das contribuições  previdenciárias  a  apuração dos  respectivos  valores a  partir  do  exame  das  folhas  de  pagamento  apresentadas  pelo  sujeito  passivo.  CRÉDITO  PREVIDENCIÁRIO.  BASES  DE  CÁLCULO.  APURAÇÃO  COM  SUPORTE  NOS  DADOS  DA  RAIS.  PRESUNÇÃO.  LEGALIDADE.  A recusa da empresa em disponibilizar suas folhas de pagamento  ao auditor  fiscal  legitima a apuração das bases de cálculo das  contribuições  previdenciárias  devidas  a  partir  dos  valores  da  massa  salarial  por  ela  informados  na  sua  Relação  Anual  de  Informações Sociais RAIS, tendo em vista o disposto no § 3º do  art. 33 da Lei nº 8.212/91.  CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI  FEDERAL.  IMPOSSIBILIDADE.  Descabe  às  autoridades  que  atuam  no  contencioso  administrativo  proclamar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  federal  regularmente  posto  e  em  vigor,  vez  que  tal  mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6  MULTA  DE  OFÍCIO.  INEXISTÊNCIA  DE  FRAUDE.  SONEGAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.  Ainda que não configurada a fraude, pode a multa de ofício ser  duplicada no caso de ocorrência de sonegação fiscal, bem como  ser aumentada de metade na situação prevista no § 2º do art. 44  da Lei nº 9.430/96.  JUROS  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  COMPETÊNCIA.  EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.  A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola  a  presente  jurisdição,  uma  vez  que  a  exigência  não  está  consubstanciada  no  ato  jurídico  do  lançamento  tributário  e  se  reportaria a evento futuro de cobrança.  JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE.  Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada,  haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação  vigente.  SÓCIO  ADMINISTRADOR.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.  Constatada  a  ocorrência  de  qualquer  das  situações  de  fato  previstas  no  caput  do  art.  135  do Código  Tributário Nacional,  impõe­se  a  responsabilização  do  sócio  administrador  da  empresa pelo crédito tributário constituído.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS.  JUNTADA  APÓS  O  PRAZO  DE  IMPUGNAÇÃO.  POSSIBILIDADE  RESTRITA ÀS HIPÓTESES LEGAIS.  No  processo  administrativo  fiscal  disciplinado  pelo  Decreto  federal nº 70.235/72, a regra é de que a prova documental deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  exceto  nas  hipóteses do § 4º do art. 16 do referido normativo.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  .Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso  fls. 160 a 189, onde em síntese alega:  1.  A fiscalização presume quais sejam os valores dos salários dos funcionários da Vaska e,  arbitrariamente, estipula os valores que servem de base à autuação, motivo pelo qual o  auto já seria nulo;   2.  Para a aplicação da multa de 225% seria indispensável a plena caracterização da prática  fraudulenta  pela  recorrente,  pois,  inobstante  a  inconstitucionalidade  e  desproporcionalidade  que  maculam  e  multa  nesse  percentual,  fato  é  que  mesmo  a  jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Súmula nº 14)  só a autoriza em casos extremos, quando há comprovação inequívoca de dolo, fraude ou  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 5          7 simulação– o que não ocorreu –, devendo a multa, destarte, ser reduzida para o máximo  de 75%;   3.  É  imprescindível  que  também  seja  afastado  o  posicionamento  do  Fisco  referente  à  incidência de juros de mora sobre a multa constituída, assim porque o art. 44 da Lei nº  9.430/96 não  faz qualquer menção à  incidência de  juros  sobre as multas aplicáveis em  caso de lançamento de ofício, como por ser este o entendimento manifesto pelo próprio  CARF em diversos julgamentos, tais como os reproduzidos na defesa (fls. 107 e 108); e   4.  Deve  ser  igualmente  afastado  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  lavrado  pela  fiscalização,  tendo  em  vista  que  não  há  qualquer  abuso  de  poder  ou  dolo  comprovados,  aptos  a  justificarem a inclusão do sócio José Luiz San Martin Elexpe no polo passivo da ação.  Igualmente  irresignado  com  o  lançamento,  o  sócio  José  Luiz  San  Martin  Elexpe também impugnou­o por meio do expediente de fls. 79 a 93, onde repete as alegações já  expendidas pela empresa e, ainda, acrescenta o seguinte acerca do Termo de Sujeição Passiva  Solidária referido no item 8 do Relatório Fiscal:  5.  A solidariedade prevista no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional pressupõe  que dois ou mais devedores tenham interesse comum na constituição do fato gerador, ou  seja, que ambos estejam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, de modo  que, somente na impossibilidade das provas diretas serem produzidas, está a fiscalização  autorizada a adotar medida extrema baseada na comprovação pelo menos dos fatos que  constituem indícios;   6.  O fato de a Vaska possuir outros débitos tributários, como aduzido no Termo de Sujeição  Passiva, não autoriza, por si, a sujeição passiva de seu sócio administrador, vez que não  há previsão legal para tanto;   7.  O  Termo  de  Sujeição  Passiva  contra  o  qual  a  recorrente  se  insurge  não  aponta  em  momento  algum  quais  seriam  os  fatos,  comprovados  documentalmente,  que  demonstrariam  de  forma  inequívoca  que  o  ora  Impugnante  agiu  com  dolo,  ou  seja,  o  Termo é genérico, em flagrante desconformidade com o art. 31, do Decreto n° 70.235/72,  o que acaba por ensejar o cerceamento de defesa do Impugnante sobre as questões fáticas  arguidas; e   8.  A  fiscalização  não  conseguiu  demonstrar  o  nexo  de  causalidade  entre  os  supostos  indícios  apurados,  e  o  fato  que  se  deseja  apurar  (aqui  o  impugnante  reproduz  texto  de  autoria de Luiz Eduardo Schoueri, bem como de acórdão proferido pelo CARF, com o  intuito de demonstrar que “os agentes da Receita Federal do Brasil realmente partiram  de presunções simples, ou seja, aquelas decorrentes de  suas próprias  ilações e não de  elementos que caracterizam a prova concreta, convincente e inequívoca do envolvimento  do  Impugnante”);  Ao  final,  ambos  os  impugnantes  protestam  pela  ulterior  juntada  de  provas.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  encaminhou  o  processo  a  este  Conselho para julgamento.  É o relatório.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8    Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  1271.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES:  PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO  Destaca­se,  ainda em sede de preliminar que o procedimento  fiscal atendeu  todas  as determinações  legais,  não havendo, pois, nulidade por  cerceamento de defesa, ou  muito  menos  presunção  dos  fatos  geradores  descritos.  A  nulidade  é  declarada,  quando  viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destaca­se ter o auditor cumprido todos  os passos necessários a  realização do procedimento: autorização por meio da emissão Termo  de  Intimação  Fiscal,  com  a  competente  intimação  para  apresentação  dos  documentos  e  esclarecimentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação  dentro  do  prazo  autorizado,  com  a  apresentação  ao  contribuinte  dos  fatos  geradores  e  fundamentação  legal que  constituíram  a  lavratura do AI ora contestado,  com as  informações  necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes.  Os  valores  apurados  como  fatos  geradores  foram  obtidos  nas  folhas  de  pagamento  da  própria  empresa,  razão  pela  qual  não  merece  guarida  o  argumento  de  que  a  fiscalização apurou os valores por mera presunção. No relatório fiscal é possível identificar no  item  3,  que  o  auditor  apreciou  antes  de  indicar  as  verbas  como  base  de  cálculo  de  contribuições.  Observa­se  que  mesmo  depois  de  ter  a  autoridade  julgadora  afastado  pontualmente  as  alegações  do  recorrente,  este,  em  seu  recurso  simplesmente  repetiu  as  alegações e requereu a apresentação oportuna de outras provas. Ora, que momento seria mais  oportuno  do  que  na  impugnação  ou  mesmo  quando  da  apresentação  do  recurso,  para  que  fossem  apresentadas  as  provas  pertinentes  a  comprovar  que  as  ilações  apresentadas  pelo  auditor mostraram­se inverídicas.  Como  argumenta  o  próprio  recorrente,  a  busca  da  verdade  material  deve  prevalecer, mas para tanto, competiria ao recorrente comprovar que os valores lançados em sua  contabilidade encontravam­se incorretos.  Note­se, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por  não  ter  a  autoridade  realizado  a  devida  indicação  dos  valores  ou mesmo  fundamentação  das  contribuições,  baseando­se  em  presunções,  não  lhe  confiro  razão,  conforme  descrito  acima..  Não  só  o  relatório  fiscal  e  complementar  se  presta  a  esclarecer  as  contribuições  objeto  de  lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma  pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Para  tanto  seria  simples  para  o  recorrente  confrontar  as  base  de  cálculo  descritas  nos  referidos  relatórios  com suas FOPAG e GFIP, o que não  o  fez. Sem contar,  ainda,  o  relatório FLD –  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 6          9 Fundamentos  Legais  do  Débito  que  traz  toda  a  fundamentação  legal  que  embasou  o  lançamento.   Superadas as preliminares passo ao exame do mérito.  DO MÉRITO  Importante  informar,  que  meros  argumentos  não  afastam  os  fatos  e  documentos  descritos  pela  autoridade  fiscal,  para  atestar  o  lançamento  de  contribuições.  Ademais, mesmo depois de proferida a decisão de primeira instância, não trouxe o recorrente,  qualquer  documento  para  comprovar  suas  alegações,  pelo  contrário  repetiu  praticamente  os  argumentos trazidos em sua impugnação.  Basta  uma  leitura  do  relatório  fiscal  e  complementar,  bem  como,  dos  inúmeros anexos que o compõem para que se chegue a mesma conclusão trazidas pelo auditor  fiscal  no  lançamento  em  questão  e  em  todos  os  demais  lavrados  durante  o  mesmo  procedimento.  Conforme  já  afastado  em  sede  de  preliminar,  entendo  que  longe  está  o  lançamento em questão de fundar­se em mera presunção.   DO QUESTIONAMENTO SOBRE A MULTA IMPOSTA  Quanto ao questionamento que incabíveis a qualificação e o agravamento da  multa,  inicialmente  convém  transcrever  a  decisão  de  primeira  instância  que  manteve  o  lançamento. Senão vejamos:  Enfrentemos,  agora,  a  afirmação  de  que,  para  a  aplicação  da  multa de 225%, é necessária a plena caracterização da prática  fraudulenta  pelo  sujeito  passivo,  consoante  entendimento  pacificado  no  âmbito  do  próprio  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – CARF, por meio da Súmula nº 14, a qual, de  fato, assim dispõe:  8 “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo.”  Lembremo­nos, antes de prosseguir, que para a multa atingir o  percentual de 225%, é necessária a aplicação conjunta do inciso  I  e  dos  §§  1º  e  2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  a  seguir  reproduzidos:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  §  2o  Os  percentuais  de  multa  a  que  se  referem  o  inciso  I  do  caput  e  o  §  1º  deste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado, de intimação para:  I prestar esclarecimentos;   II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a  13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III  apresentar a  documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  Deveras, 75% (inciso I)  + 75 % (duplicação prevista no § 1º)  150%   + 75% (aumento de metade de 150%, conforme o § 2º)  225%   Voltando  à  alegação  do  sujeito  passivo,  temos  que  ela  é  procedente  apenas  no  que  se  refere  às  situações  de  fato  aventadas  no  enunciado  da  referida  súmula  do  CARF  e,  cumulativamente, à duplicação estabelecida no § 1º do art. 44 da  Lei nº 9.430/96, in verbis:  Dizendo­o mais claramente, tal afirmação da defesa procede:  1º)  apenas  no  que  se  refere  à  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  porque  é  destas  situações,  exclusivamente,  que  trata o enunciado da súmula nº 14; e  2º) apenas no tocante à duplicação estabelecida no § 1º do art.  44 da Lei nº 9.430/96, porque é somente nesse parágrafo que a  fraude  é  trazida  para  o  ambiente  do  referido  diploma,  via  a  menção  do  art.  72  da  Lei  nº  4.502,  de  30/11/1964,  assim  redigido:  Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Com tais  ideias, vejamos como o auditor notificante motiva, em  seu relatório, a aplicação da multa de 225%:  “5.  Conforme  previsão  do  artigo  35A  da  Lei  N°  8.212/91,  a  multa de ofício a ser aplicada ao débito é a prevista no artigo 44  da Lei N° 9.430, de 27/12/1996: 75% setenta e cinco por cento  (inciso I)  , duplicada pela omissão do contribuinte em declarar  os valores das contribuições previdenciárias devidas nas GFIPs  (parágrafo  primeiro)  e  na  forma  do  artigo  71  da  Lei  N°  4.502/64,  caracterizando  em  tese,  ocorrência  de  crime  de  Sonegação  Fiscal,  que  está  sendo  objeto  de  Representação  Fiscal para Fins Penais acrescidos de mais 50% cinquenta por  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 7          11 cento  pelo  não  atendimento  as  intimações  (parágrafo  2º),  resultando em 225 % (duzentos e vinte cinco por cento).”  Fácil  de  perceber  que  o  comportamento  imputado  ao  sujeito  passivo,  que  deu  origem  à  penalização ora  impugnada,  não  se  subsume,  por  qualquer  aspecto,  ao  enunciado  proveniente  do  CARF,  seja  por  não  corresponder  a  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos, mas sim a omissão “em declarar os valores das  contribuições previdenciárias devidas nas GFIPs”, seja por  ter  sido  enquadrado  no  art.  71  da  Lei  nº  4.502/64,  que  dispõe  sobre a sonegação fiscal, e não no art. 72, que, segundo vimos,  alude à fraude. Vejamos, a propósito, o mencionado art. 71:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A confirmar  que a omissão dos referidos dados em GFIP caracteriza o crime  de  sonegação  fiscal,  o  art.  337­A  do  Código  Penal  brasileiro  prescreve o seguinte:  Sonegação de contribuição previdenciária Art. 337­A.  Suprimir  ou  reduzir  contribuição  social  previdenciária  e  qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:  I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de  informações  previsto  pela  legislação  previdenciária  segurados  empregado,  empresário,  trabalhador  avulso  ou  trabalhador  autônomo  ou  a  este  equiparado  que  lhe  prestem  serviços;  (grifamos)  Omitir  “de  documento  de  informações  previsto  na  legislação  previdenciária”,  diz  o  Código,  o  que  nos  remete  a  estes  dispositivos da Lei nº 8.212/91:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  –  declarar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  ao  Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço –  FGTS,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos  por  esses  órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  do  INSS  ou  do Conselho Curador  do  FGTS;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  (...)  § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo  constitui  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados  para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12  Como a primeira conduta do sujeito passivo noticiada no item 5  do  relatório  fiscal  (a  qual,  ressalte­se,  não  é  infirmada  pela  defesa) se amolda à hipótese descrita nos normativos penais que  vimos de citar, correta se mostra a duplicação da multa de que  cuida  o  §  1º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  com  o  que  o  percentual previsto no inciso I passa de 75% para 150%.  Ao  mesmo  tempo,  é  indubitável  que  a  segunda  conduta  do  contribuinte, descrita no mesmo item 5 e no item 3 do relatório  fiscal e igualmente não contestada pela defesa – qual seja, o não  atendimento  às  diversas  intimações  para  apresentação  de  documentos  e/ou  prestação  de  esclarecimentos  à  fiscalização,  conforme os Termos anexados às fls. 03, 04, 09, 10, 13, 17, 18 e  21 –, corresponde à descrita no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei  nº  9.430/96  (v.  transcrição  acima),  do  que  resulta  também  correta a imposição do aumento previsto nesse parágrafo (cuja  aplicação,  destaque­se  independe  de  “comprovação  inequívoca  de  dolo,  fraude  ou  simulação”,  como  parece  supor  a  impugnante),  e,  por  consequência,  a  majoração  daquele  percentual de 150% para 225%.  Ao ler os argumentos trazidos pelo julgador, confesso que acompanhando seu  raciocínio  em  relação  a  legislação  que  rege  a  matéria,  cheguei  a  conclusão  diversa  da  apresentada pelo recorrente.  Procedeu  a  autoridade  fiscal  inicialmente,  a  qualificação  da  multa  consubstanciado no art. 44, § 1ºda lei 9430  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Como o  lançamento  em questão,  deu­se  já  na  vigência  da  lei  11.941/2009,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício  cabível  a  aplicação  da  multa  de  75%,  conforme,  bem  aplicado pelo auditor em relação aos fatos geradores ocorridos na vigência da referida lei, ou  seja, após a competência 12/2008.  Quanto a aplicação da multa qualificada  (150%), devemos debruçarmo­nos,  sobre o relatório fiscal e demais documentos que compõem o auto de infração para identificar  se a situação fática enquadra­se aos casos elencados no art. 71, 72 e 73 da lei 4.502/64, abaixo  transcrita:   § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Inicialmente entendo, que a qualificação da multa imposta não nasce do mero  inadimplemto do recorrente, ou mesmo da mera emissão da Representação fiscal, quando não  evidenciado pela autoridade fiscal a intenção de agir com dolo, fraude ou mesmo simulação, o  que s.m.j não demonstrou a autoridade fiscal.   Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 8          13 Pessoalmente,  tive  a  oportunidade  de  apreciar  casos  de  simulação,  donde  deixou claro o auditor que a intenção do sujeito passivo em acobertando uma situação fática de  verdadeira simulação entre empresas, valeu­se da redução de tributos, mediante a utilização de  sistemática de tributação pelo SIMPLES.  Todavia,  não  é  o  caso,  que  identifico  nos  presentes  autos.  A  mera  não  apresentação de documentos, por si só, não autoriza a qualificação, quando possível ao auditor  de  forma,  simples,  valer de outros documentos  apresentados para  apurar  a base de  cálculo  e  montante devido. É cabível a aplicação de autos de infração de obrigação acessória, pela não  apresentação  de  documentos,  não  apresentação  de  informações  e  outros  esclarecimentos  necessários  a  identificar  a  ocorrência  do  fato  gerador.  Da  mesma  forma,  a  legislação  previdenciária autoriza a realização de arbitramento das bases de cálculo, ou mesmo aferição  indireta das mesmas bases. Vale destaque no presente caso, procedeu o auditor ao lançamento,  por meio de outros documentos apresentados pela própria empresa.  Ora,  a  definição  das  referidas  condutas  é  evidenciada  pela  literalidade  dos  próprios  dispositivos  legais,  sendo  que  o  auditor  em  seu  relatório  destaca  a  ocorrência  da  conduta descrita no art. 71 da 9.430  Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte  da  autoridade  fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais;  II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal ou o crédito tributário correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  Inicialmente entendo, que a qualificação da multa imposta não nasce do mero  inadimplemento  do  recorrente,  ou mesmo  da mera  emissão  da Representação  fiscal,  quando  não  evidenciado  pela  autoridade  fiscal  a  intenção  de  agir  com  dolo,  fraude  ou  mesmo  simulação. No presente lançamento, a aplicação do referido dispositivo acaba por ser afastada,  posto não ter demonstrado a autoridade fiscal, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos  termos  em  que  preceitua  o  próprio  dispositivo  legal,  acima  elencado.  Conforme  citado  pelo  julgador,  no  ambito  das  contribuições  previdenciárias,  face  ser  matéria  nova,  ainda  não  identificamos súmulas no âmbitos deste Conselho, capazes de melhor delimitar o entendimento  acerca das possibilidades de qualificar a multa aplicada, todavia, nos últimos meses, tem tido  os conselheiros desta Câmara a oportunidade de apreciar casos pontuais de forma a identificar  quando realmente cabível dita qualificação.  Assim, entendo que não merece prosperar a multa qualificada.  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14  Já  quanto  ao  agravamento  da  multa,  o  dispositivo  legal  que  devemos  apreciar, para identificar a correta aplicação é o art. 44, § 2o da lei 9430.  § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ prestar esclarecimentos;(Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488, de 2007)   II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)   III  ­ apresentar a documentação  técnica de que  trata o art. 38  desta Lei.(Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei  nº 11.488, de 2007)  Pessoalmente,  tive  a  oportunidade  de  apreciar  casos  de  simulação,  donde  deixou claro o auditor que a intenção do sujeito passivo em acobertando uma situação fática de  verdadeira simulação entre empresas, valeu­se da redução de tributos, mediante a utilização de  sistemática  de  tributação  pelo  SIMPLES,  sendo  que  a  retenção  de  informações  tinha  por  objetivo justamente dificultar a pratica do ato indevido.  Observemos, que não procedeu a autoridade fiscal a aplicação de outro auto  de  infração  relacionado  a  mesma  conduta,  qual  seja,  omitir  documentos  durante  o  procedimento fiscal. O dispositivo legal que autoriza o agravamento é claro, sempre que não  atender  o  contribuinte,  intimações,  com  vistas  a  melhor  esclarecer  a  pratica  adotada  pela  empresa no cumprimento da legislação tributária, procederá a autoridade fiscal ao agravamento  da multa. Não estamos falando no presente caso de mera não apresentação de documento, que  pode ser facilmente substituído por outro entregue pela empresa, mas sim, de não apresentação  de qualquer outro documento fiscal, contábil, oportunizando ao fisco fácil acesso as bases de  cálculo e fatos geradores decorrente do exercício de sua atividade.  Destaco, aqui  trecho do acordão n. 9202­002768 de relatoria da Dra. Maria  Helena Cotta Cardozo, onde fica demonstrada a função do agravamento em questão:  a) ­ com efeito, pode, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte  apresente  extratos  bancários,  como  pode  buscar  tais  informações  diretamente junto às instituições financeiras;   b) caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por  busca­las  diretamente  com  o  contribuinte  e,  para  tanto,  expede  as  intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtar­se em cumpri­las,  sob pena de sanção legal;   c) no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º do art. 44 da  Lei nº 9.430, de 1996;  d)  neste  sentido,  não  podemos  concordar  com  o  entendimento  do  ilustre  Relator  que,  grosso  modo,  admite  o  descumprimento  de  intimações  fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de  o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma.  Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 9          15 e) como  se  observa,  a  prosperar  tal  entendimento,  isso  aniquilaria  todo  o  trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam  a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes;  Com isso chega­se a conclusão que a mera não entrega de documento, por si  só, não autoriza a qualificação, quando possível ao auditor de forma, simples, valer de outros  documentos apresentados pelo recorrente para apurar a base de cálculo e montante devido.   Assim,  rejeitos  os  argumentos  do  recorrente  no  sentido  de  ausência  de  fundamentos tanto para qualificação da multa, como para o seu agravamento, estando devido o  percentual de 225% aplicado.  DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA  DE OFÍCIO.  Alega  o  recorrente  que  ilegal  a  cobrança  de  juros  sobre  a multa  de  ofício,  contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela  autoridade julgadora,   8. No caso concreto, aplicou­se a multa de ofício prevista no art.  44 da Lei n° 9.430, de 1996, e os juros de mora disciplinados no  art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por força dos arts. 35 e 35A da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  nos  termos  da  Lei  n°  11.941,  de  2009,  conversão da Medida Provisória n° 449, de 2008.  8.1. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, determina a  incidência  da  SELIC  “sobre  os  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições", ou seja, "débitos cuja origem remonta a tributos  e contribuições".  8.2.  Além  disso,  não  há  óbice  à  incidência  de  juros  sobre  a  multa, pois esta integra a própria obrigação principal (CTN, art.  113,  §  3º)  e  os  juros  incidem  sobre  a  totalidade  do  crédito  tributário (CTN, art. 161).  Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito  de ofício ´´e aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código  Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto  porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo  parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e  os mesmos  critérios  de  cobrança,  devendo,  portanto,  sofrer  a  incidência  de  juros  no  caso  de  pagamento após o vencimento.  No  mesmo  sentido,  manifestou­se  por  maioria  a  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/2001­19, Acordão 9202­01.806 de 24 de outubro  de 2011, cuja ementa transcrevo abaixo:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  IRRF   Ano calendário:1997   JUROS  DE  MORA  COM  BASE  NA  TAXA  SELIC  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE.  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16  O  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN  autoriza  a  exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a  multa  de  ofício  integra o “crédito” a  que  se  refere o  caput  do  artigo Recurso especial negado.  É  legítima a  incidência de  juros  sobre a multa de ofício,  sendo  que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.  Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.  Recurso Especial Negado.  A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se  completam.  A  primeira,  diz  respeito  à  própria  possibilidade  genérica  da  incidência de  juros sobre a multa, e centra­se na  interpretação  do artigo 161 do CTN; a  segunda questão  envolve a discussão  sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de  juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic.  Sobre a  incidência de  juros de mora o  citado art.  161 do CTN  prevê o seguinte:  “Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês.  §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.”  Inicialmente  entendo  que  o  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a  multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito”  a que se refere o caput do artigo.  Ou  seja,  tanto  a  multa  como  o  tributo  compõem  o  crédito  tributário, devendo­lhes ser aplicado os mesmos procedimentos e  os  mesmos  critérios  de  cobrança,  devendo,  portanto,  sofrer  a  incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento.  Ademais,  não  haveria  porque  o  valor  da  multa  permanecer  congelado no tempo.  Por  seu  turno  o  §  1.º  do  art.  161  do CTN,  ao  prever  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  os  créditos  não  satisfeitos  no  vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a  lei de  modo  diverso.  Abriu,  dessa  forma,  possibilidade  ao  legislador  ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a  da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre  a multa de oficio com base na taxa Selic.  O  artigo  43  da  Lei  nº  9.430/96  traz  previsão  expressa  da  incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis:  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 10          17 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento." (grifei)  Esse  entendimento  se  coaduna  com  a  Súmula  nº  45  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos,  que  já  previa  a  correção  monetária da multa:  "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas  à correção monetária."  Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando  tanto  taxa  de  juros  reais  quanto  de  correção  monetária,  justificase a sua aplicação sobre a multa.  Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região:  “TRIBUTÁRIO.  AÇÃO  ORDINÁRIA.  REPETIÇÃO.  JUROS  SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI  Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL.  1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto  ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de  cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe  o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso  de  pagamento  após  o  vencimento. Não  haveria  porque  o  valor  relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43  da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros  sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3.  Segundo  o  Enunciado  nº  45  da  Súmula  do  extinto  TFR  "As  multas  fiscais,  sejam  moratórias  ou  punitivas,  estão  sujeitas  à  correção  monetária."  4.  Considerando  a  natureza  híbrida  da  taxa SELIC,  representando  tanto  taxa de  juros  reais quanto de  correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.”  (APELAÇÃO  CÍVEL  Nº  2005.72.01.0000311/  SC,  Relator:  Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares)  “TRIBUTÁRIO.  ART.  43  DA  LEI  9.430/96.  MULTA  DE  OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.  LEGITIMIDADE.  1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros  moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte.  Inteligência  do  artigo  43  da  Lei  9.430/96  c/c  art.  113,  §  3,  do  CTN.  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     18  2. Improvida a apelação.”  (APELAÇÃO CÍVEL Nº  2004.70.00.0263869/ PR, Relator:  Juiz  Federal Décio José da Silva).  Destarte,  entendo  que  é  legítima  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa de ofício, sendo que tais  juros devem ser calculados pela  variação da SELIC.  Face a decisão proferida, entendo plenamente aplicável a incidência de juros  sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como  razão para determinar a procedência da multa aplicada.  QUANTO AO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA  Quanto a este ponto argumentou o julgador de primeira instância, quando da  apreciação dos argumentos trazidos pelo impugnante:  Embora  no  início  do  campo “Contexto” do Termo de  Sujeição  Passiva Solidária (fls. 66 a 68) seja  feita referência ao inciso I  do art. 124 do CTN, não foi este o dispositivo da Lei nº 5.172/66  com  base  no  qual  o  AFRFB  notificante  procedeu  à  responsabilização do  sócio  José Luis San Martin Elexpe,  como  se constata pela  leitura do  texto a  seguir reproduzido, extraído  do mesmo Termo:  “Considerando que o  sr.  José Luis  San Martin Elexpe,  é  sócio  administrador  da  empresa  desde  a  sua  constituição  em  17/08/1976,  conforme  tela  de  consulta  da  ficha  cadastral  da  JUCESP,  e  portanto  administrador  da  empresa  tanto  a  época  das  infrações  à  Lei  acima  relatadas,  e  contemporaneamente  a  recusa de prestar qualquer esclarecimento à fiscalização, cabe a  sua  responsabilização  pessoal  pelos  créditos  ora  apurados,  sendo elaborado o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária  , com fulcro no inciso III do artigo 135 do CTN , "in verbis":  (grifamos)  "art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado."  Por  tal motivo, eximimonos de enfrentar as  considerações aqui  expendidas pela defesa.  Alegação da defesa  O  fato  de  a  Vaska  possuir  outros  débitos  tributários,  como  aduzido  no  Termo  de  Sujeição  Passiva,  não  autoriza,  por  si,  a  sujeição  passiva  de  seu  sócio  administrador,  vez  que  não  há  previsão legal para tanto.  A presente alegação decorre, certamente, da seguinte afirmação  do  auditor  fiscal  no  aludido  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária:  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 11          19 “Não  fossem  as  flagrantes  infrações  a  legislação  tributaria  cometidas  pelo  sr.  José  Luis,  a  empresa  é  contumaz  devedora  dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.”  A  nosso  ver,  a  afirmação  de  que  “a  empresa  é  contumaz  devedora  dos  tributos  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil”  não  necessariamente  possui  o  significado  que  a  impugnante  parece  lhe  haver  atribuído,  qual  seja  o  de  que  a  empresa possui “outros débitos tributários”.  Com efeito, tomandose como exemplo o inciso I do art. 2º da Lei  nº 13.711/2011, do Estado do Rio Grande do Sul, de acordo com  o qual considerase devedor contumaz o contribuinte que “deixar  de  recolher  débitos  declarados  em  Guia  de  Informação  e  Apuração do ICMS – GIA, em 8 (oito) meses de apuração do  imposto nos últimos 12 (doze) meses anteriores ao corrente”, é  possível que a qualificação da autuada como contumaz devedora  dos  tributos  administrados  pela Receita Federal  do Brasil  seja  resultante  de  não  ter  ela,  a  empresa,  recolhido  contribuição  previdenciária  alguma  durante  todo  o  ano  de  2009,  consoante  assim narrado no Termo sob análise:  “Não  obstante,  no  ano  calendário  de  2009,  a  empresa  nos  apresentou  as  folhas  de  pagamento  de  salários  dos  segurados  empregados,  onde  consta  mensalmente  a  consignação  individualizada da contribuição previdenciária de  cada um dos  mais  de  duzentos  segurados  empregados  com  vínculo  empregatício  com  a  mesma.  No  entanto  NENHUM CENTAVO  DESSA CONTRIBUIÇÃO RETIDA foi recolhida ao INSS através  de Guias da Previdência Social GPS caracterizando assim "em  tese" crime de apropriação indébita previdenciária.”  Noutras  palavras,  a  causa  da  qualificação  da  autuada  como  devedora  contumaz  pode  não  ter  sido  a  existência  de  outros  débitos  que  não  os  apurados  na  própria  auditoria  em  que  lavrados os Autos de Infração nº 51.031.3213, 51.031.3221.  51.031.3230 e 51.031.3248– e assim nos parece, tendo em vista  que  o  auditor  notificante  não  faz  menção  a  qualquer  outra  importância  eventualmente  devida  pela  VASKA  a  título  de  tributo administrado pela RFB.  Seja como for,  estamos de acordo com a  impugnante em que a  existência  de  outros  débitos  não  autoriza,  per  si,  a  sujeição  passiva de seu sócio administrador. Em realidade, existência de  qualquer débito da pessoa jurídica – e não apenas de outros que  não  os  exigidos  por  meio  dos  autos  de  infração  citados  no  parágrafo  anterior  –  não  é,  por  si  só,  causa  suficiente  à  imputação  da  aludida  responsabilidade  à  pessoa  do  sócio,  consoante  a  reiterada  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça e do Supremo Tribunal Federal.  Entretanto, se a presente alegação do contribuinte é procedente  em tese, ela não se presta aos propósitos da defesa pelo simples  fato de que o Termo de Sujeição Passiva de fls. 66 a 68 não foi  lavrado  em  virtude,  tão  só,  da  existência  de  débitos,  mas,  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     20  sobretudo, pelas práticas assim articuladas naquele documento,  dentre outras:  “Durante  a  ação  fiscal,  a  empresa  apesar  de  regular  e  reiteradamente  intimada,  apresentou  unicamente  as  folhas  de  pagamento dos segurados empregados do AC 2009.”  “Ainda  sob  a  tutela  do  sr  José  Luis,  a  empresa  deixou  de  declarar  em  GFIP's  o  total  da  massa  salarial  dos  segurados  empregados da empresa no AC 2009 e 2010, caracterizando "em  tese"  crime  de  Sonegação  Fiscal  de  Contribuições  Previdenciárias, e acarretando enormes prejuízos aos segurados  empregados que lhe prestavam serviços, pois a ausência de seus  nomes  e  respectivas  remunerações  nas  GFIPs,  lhes  causarão  sérios  problemas  quando  necessitarem  de  benefícios  previdenciários junto ao INSS.”  “Não  obstante,  no  ano  calendário  de  2009,  a  empresa  nos  apresentou  as  folhas  de  pagamento  de  salários  dos  segurados  empregados,  onde  consta  mensalmente  a  consignação  individualizada da contribuição previdenciária de  cada um dos  mais  de  duzentos  segurados  empregados  com  vínculo  empregatício  com  a  mesma.  No  entanto  NENHUM CENTAVO  DESSA CONTRIBUIÇÃO RETIDA foi recolhida ao INSS através  de Guias da Previdência Social GPS caracterizando assim "em  tese" crime de apropriação indébita previdenciária.”  Se tais ocorrências legitimam ou não o chamamento do referido  sócio  à  responsabilidade  é  tema  que  abordaremos  no  próximo  item deste voto. Por ora, o importante é que, com base nos textos  acima  reproduzidos,  temos  por  evidenciada  a  inadequação  da  presente alegação da defesa ao caso concreto sob análise.  Alegação da defesa O Termo de Sujeição Passiva contra o qual  o  Impugnante  se  insurge  não  aponta  em momento  algum quais  seriam  os  fatos,  comprovados  documentalmente,  que  demonstrariam de forma inequívoca que o ora Impugnante agiu  com  dolo,  ou  seja,  o  Termo  é  genérico,  em  flagrante  desconformidade com o art. 31, do Decreto n° 70.235/72, o que  acaba por ensejar o cerceamento de defesa do Impugnante sobre  as questões fáticas arguidas.  Primeiramente, não é verdade que o Termo de Sujeição Passiva  Solidária não aponta os  fatos que deram ensejo à sua emissão.  Simples  leitura do  item anterior  deste  voto,  onde  se  encontram  reproduzidos os textos que noticiam as práticas constatadas pelo  auditor fiscal, é bastante para infirmálo.  Em  segundo  lugar,  não  se  vislumbra  no  art.  135  Código  Tributário  Nacional  que  a  comprovação,  pelo  fisco,  de  que  o  sócioadministrador tenha agido com dolo seja condição sine qua  non para se lhe imputar a responsabilidade ora questionada pela  defesa.  Revejamos, a propósito, o citado dispositivo:  CTN  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16095.720400/2012­13  Acórdão n.º 2401­003.179  S2­C4T1  Fl. 12          21 praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  (...)  III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Da mesma  forma,  que me manifestei  quando  da  qualificação  da multa  não  entendo que logrou êxito o auditor em demonstrar o cumprimento dos requisitos do art. 135 III  do CTN, argumentos esses capazes de demonstrar quais os atos praticados seriam considerados  excesso de poderes capaz de justificar a imputação pessoal.  Embora, tenha o julgador encaminhado seu voto no sentido, de que o fato da  empresa  nada  recolher  a  titulo  de  contribuição  previdenciária,  mesmo  tendo  quase  200  empregados e de nada declarar, ou mesmo deixar de entregar documentos, no entender desta  relatora não são capazes de justificar a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos  apurados.  Primeiro  temos  que  ter  em  mente  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação  é  a  empresa,  somente  atribuindo  responsabilidade  pessoal  aos  sócios  quando  atos  dos  mesmos  deixam claro a intenção de fraudar, causar dano ao ente público. Conforme dito anteriormente  o recorrente não causou embaraço a fiscalização, inclusive tendo­lhe apresentados documentos  que permitiram ao fisco confrontar as folhas de pagamentos, com as RAIS e GFIP. Não fosse  isso, teria o auditor apurado o crédito por aferição indireta arbitrando todas as bases de cálculo.  Por  outro  lado,  para  cada  uma  das  faltas  imputadas  ao  recorrente  (sujeito  passivo  empresa).,  existem previsões  legais  de  autuação  do  estabelecimento,  quais  sejam AI  específico  pela  não  apresentação  de  documentos,  .autos  de  infração  pela  ausência  de  contabilização devida dos fatos contábeis, não inclusão de valores em FOPAG, não informação  em GFIP. Ou  seja,  da  análise  da  situação  demonstrada  nos  autos,  além  das  práticas  comuns  adotadas pelas empresas objeto de autos de infração, não vislumbrei a indicação de outros atos  pessoais do administrador da empresa, que ensejassem, neste primeiro momento o posição de  sujeito passivo, junto com o pessoa jurídica.  O  que  entendo  devido  é  a  indicação  no  relatório  de  vínculos  e  de  co­ responsáveis a indicação do sócio responsável, mas neste caso independente de atos pessois.  QUANTO A JUNTADA DE DOCUMENTOS  Conforme  já  enfrentando  pelo  julgador  e  já  descrito  em  outro  tópico  desse  voto o recorrente teve duas oportunidade de apresentar documentos capazes de demonstrar sua  alegações, mas não o fez,  razão porque não entendo deva ser oportunizado outros momentos  para apresentação de outros elementos.  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     22    CONCLUSÃO  Voto  por  CONHECER  DO  RECURSO,  para  rejeitar  as  preliminares  de  nulidade dos lançamentos e excluir do polo passivo José Luiz Martin Elexpe; e, no mérito, dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  afastar  a  qualificação  da multa, mantendo­a  em 112,5%  nos termos do voto proferido.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                              Fl. 280DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 10215.720162/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62-A, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho de Recursos Fiscais (RICARF), c/c art. 2º § 2º, inciso I da Portaria CARF nº 01, de 2002, nos termos do voto da Relatora (LC nº 105/01). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 690          1 689  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10215.720162/2008­61  Recurso nº              Resolução nº  1801­000.296  –  Turma Especial / 1ª Turma Especial  Data  08 de outubro de 2013  Assunto  Sobrestamento do Julgamento: Lei Complementar nº 105, de 2001  Recorrente  MADEPAULA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA,  ADELAR JACO NOVAWISKI, SADY DE BRITO, RUBENS ZÍLIO,  ROSECLER FACCIN E MOISÉS MARCOS FACCIN   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  sobrestar  o  julgamento  nos  termos  do  art.  62­A,  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  de  Recursos Fiscais  (RICARF),  c/c  art.  2º  §  2º,  inciso  I  da Portaria CARF nº  01,  de  2002,  nos  termos do voto da Relatora (LC nº 105/01).   (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora   Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Massao  Chinen,  Marcos  Vinícius  Barros  Ottoni,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.    RELATÓRIO    I ­ Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls.  471­480, com a exigência do crédito tributário no valor de R$126.850,28, a título de Imposto     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .7 20 16 2/ 20 08 -6 1 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 691          2 Sobre  a Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  juros  de mora  e multa  proporcional  qualificada  e  agravada, apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado para o ano­calendário  de 2003.  O lançamento se fundamenta, nas seguintes infrações:  (a) omissão de  receitas operacionais de venda de mercadorias apurada  a partir  das Notas Fiscais emitidas;  (b) omissão de receitas apurada a partir de valores creditados na conta corrente  derivados  dos  extratos  bancários  apresentados  por  instituição  financeira,  em  atendimento  às  Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142­144.  Em  decorrência  de  serem  os  mesmos  elementos  de  provas  indispensáveis  à  comprovação dos  fatos  ilícitos  tributários  foram constituídos os  seguintes créditos  tributários  pelos lançamentos formalizados neste processo:  II ­ O Auto de Infração às fls. 481­488 com a exigência do crédito tributário no  valor  de R$53.429,85  a  título  de Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada.  III – O Auto de Infração às fls. 489­496 com a exigência do crédito tributário no  valor  de R$246.600,37  a  título  de Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins), juros de mora e multa proporcional qualificada e agravada.  IV  – O Auto  de  Infração  às  fls.  497­505  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor de R$88.336,26 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de  mora e multa proporcional qualificada e agravada.  Houve lavratura de Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a Adelar  Jaco Novawiski, CPF 277.268.782­15, Sady de Brito, CPF 572.330.121­72, Rubens Zílio, CPF  502.936.309­25,  S.  Campos  da  Silva,  CNPJ  00.644.305/0001­36,  Rosecler  Faccin,  CPF  000.420.789­03, Moisés Marcos Faccin, CPF 546.318.589­15, Lotérica Progresso Ltda, CNPJ  04.062.008/0001­33 e Rogério da Silva Hirata, CPF 522.737.251­91, fls. 509­524.  Cientificados, fls. 526­540, a Recorrente apresentaram a impugnações, fls. 544­ 643.  Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01­ 21.620, de 05.05.2011, fls. 648­660: “Impugnação Procedente em Parte” para excluir do “pólo  passivo Rogério da Silva Hirata, Lotérica Progresso Ltda e S. Campos da Silva”.  Restou ementado  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2003   SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.  Não  é  o  interesse  econômico  no  resultado  ou  no  proveito  da  situação  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  principal, mas  o  interesse  jurídico,  vinculado  à  atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.  Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 692          3 CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO.  É  permitido  à  autoridade  fiscal  o  uso  da  intimação  por  edital  depois  da  demonstração de que foi improfícua a tentativa de intimação por apenas um dos meios  ordinários.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA.  Devem  ser  indeferidos  os  pedidos  de  diligência/perícia,  quando  forem  prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de  realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar.  Notificados  no  período  de  03.01.2012  a  14.03.2012  (edital),  fls.  665­671,  os  Recorrentes apresentaram em 06.02.2012, o recurso voluntário, fls. 672­687.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    VOTO  Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O recurso voluntário apresentado pelas Recorrentes com interesse de agir atende  aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº  70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do  inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional.   Em relação à omissão de receitas apurada a partir de valores creditados na conta  corrente  derivados  dos  extratos  bancários  apresentados  por  instituição  financeira,  em  atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142­ 144, tem­se que o fundamento de validade do procedimento fiscal que possibilita a Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  no  exercício  da  sua  competência  atribuída  ao  Auditor­ Fiscal da Receita Federal do Brasil para examinar a movimentação financeira do contribuinte1  reside na Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, a saber:  Art.  6o As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal em curso e  tais exames sejam considerados  indispensáveis pela  autoridade administrativa competente.  Conforme  se  depreende  do  exame  dos  autos,  a  RFB  obteve  acesso  de  forma  regular  aos  dados  da movimentação  financeira  da  Recorrente,  por  meio  de  RMF  dirigida  à  instituição  financeira,  amparada  nesta  determinação  normativa  que  autoriza  o  procedimento  sem  a  necessidade  de  prévia  autorização  judicial.  Ademais,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de                                                              1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002.   Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 693          4 observar a legislação, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto em relação à norma que  já  tenha  sido  declarada  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  STF2.  Na  esfera  judicial, o mencionado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001,  entretanto, é objeto de  análise pelo rito do art. 543­A do Código de Processo Civil junto ao Supremo Tribunal Federal  (STF) mediante  Recurso  Extraordinário  em Repercussão Geral  nº  601.314/SP  pelo Ministro  Relator Ricardo Lewandowisk3:  EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001).  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  LEI  10.174/2001  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO GERAL.  Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Cármen Lúcia  e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI  Relator  [...]Isto  posto,  manifesto­me  pela  existência  de  repercussão  geral neste  recurso extraordinário nos  termos do art. 543­A, § 1º, do  Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º, do RISTF.  Com  o  escopo  de  esclarecer  que  o  Recurso  Extraordinário  em  Repercussão  Geral  nº  601.314/SP,  em  verdade,  submete­se  ao  rito  do  art.  543­B  do Código  de  Processo  Civil, vale transcrever a decisão do Agravo de Instrumento nº 765.714/SP exarada em decisão  monocrática pelo mesmo pelo Ministro Relator Ricardo Lewandowisk 4:  Decisão: Trata­se de agravo de instrumento contra decisão que negou  seguimento  a  recurso  extraordinário  interposto  de  acórdão,  cuja  ementa segue transcrita:  “TRIBUTÁRIO.  SIGILO  BANCÁRIO.  LEI  COMPLEMENTAR  105/2001.  CONSTITUCIONALIDADE.  VEDAÇÃO  DA  LEI  9.311/96  (ART.  11,  §  3º).  APROVEITAMENTO  DE  DADOS  PARA  CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.  1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes  fiscais  tributários de  documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse  processo  instaurado  e  quando  tais  documentos  fossem  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  competente.  A  jurisprudência  se                                                              2 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  3  BRASIL.  Supremo  Tribunal  Federal.  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/SP.  Ministro  Relator:  Ricardo  Lewandowski.  Tribunal  Pleno.  Brasília,  DF,  22  de  dezembro  de  2009.  Disponível  em:  <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EPRCR%2E+ADJ2+601314%2EPRCR%2E%29&base=baseRepercussao > .Acesso em: 09 fev.2012.  4  BRASIL.  Supremo  Tribunal  Federal.  Agravo  de  Instrumento  nº  765.714/SP.  Ministro  Relator:  Ricardo  Lewandowski.  Decisão  Monocrática.  Brasília,  DF,  19  de  outubro  de  2010.  Disponível  em:  <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28AI%24%2ESCLA%2E+E+765714% 2ENUME%2E%29&base=baseMonocraticas> .Acesso em: 09 fev.2012.  Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 694          5 manifestou, afirmando que o processo seria o  judicial  e a autoridade  competente seria a judiciária.  2.  Em  2001,  essa  matéria  foi  alterada,  tendo  sido  editada  a  Lei  Complementar  105.  Não  há  inconstitucionalidade  nessa  legislação,  pois,  na  coexistência  de  dois  bens  ou  valores  protegidos  constitucionalmente, deve­se sobrepor o que visa atender ao interesse  público e não ao  interesse privado. Os direitos  fundamentais não são  absolutos  e  podem  sofrer  abalo  se  colocados  em  conflito  com  outro  valor que deva ter preferência.  3.  A  fiscalização  pela  autoridade  administrativa  é  instrumento  de  arrecadação  tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao  princípio  da  capacidade  contributiva  (tributando  quem  capacidade  detém)  e  ao  da  isonomia  (tributando  todos  aqueles  que  podem  ser  tributados),  corolários  dos  objetivos  da  República  de  construção  de  uma  sociedade  justa  e  solidária  e  de  redução  das  desigualdades  sociais.  4.  Diante  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis,  a  utilização  dos  dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo  a  tributos  diversos  é  vedada para  anos  anteriores  ao  de  2001. Fatos  ocorridos e  já consumados não se  regem por  lei nova, mas sim pelas  leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro.  5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o  legislador  impunha  à  Secretaria  da  Receita  Federal  “o  sigilo  das  informações  prestadas”  e  vedava  sua  utilização  para  a  constituição  de  crédito  relativo a outros tributos. Tratava­se de norma que impunha o sigilo e  vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da  CPMF,  resguardando  um  direito  do  contribuinte,  e  sendo,  portanto,  norma material  ou  substantiva  e  não  processual  ou  adjetiva  sobre  a  qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional.  6.  Apelação  provida  em  parte”  (fls.  49­50).  No  RE,  fundado  no  art.  102, III, a, da Constituição, alegou­se ofensa, em suma, ao art. 5º, X e  XII,  da mesma Carta. No  caso,  o  recurso  extraordinário  versa  sobre  matéria ­ sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre  a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco,  sem  autorização  judicial  (Lei  complementar  105/2001,  art.  6º).  Aplicação  retroativa  da  Lei  10.174/2001,  que  alterou  o  art.  11,  §  3º,  da  Lei  9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF,  também  pudessem  ser  utilizadas  para  apurar  eventuais  créditos  relativos  a  outros  tributos,  no  tocante  a  exercícios  anteriores  a  sua  vigência  ­  cuja  repercussão  geral  já  foi  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal Federal (RE 601.314­RG/SP, de minha relatoria). Isso posto,  preenchidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dou  provimento  ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com  fundamento  no  art.  328,  parágrafo  único,  do  RISTF,  determino  a  devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado  o disposto no art. 543­B do CPC, visto que no recurso extraordinário  discute­se questão idêntica à apreciada no RE 601.314­RG/SP.  Neste  sentido,  infere­se  que  restou  pacificado  o  entendimento  de  que,  em  relação  ao  Recurso  Extraordinário  em  Repercussão  Geral  nº  601.314/SP,  houve  o  Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 695          6 sobrestamento do  julgamento dos demais  recursos com fundamento  em  idêntica controvérsia  até o pronunciamento definitivo da Corte, que devem permanecer no Tribunal de origem.  No âmbito administrativo, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais (RICARF), assim dispõe:  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.   §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.  Por seu turno, a Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, que determina  os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento do julgamento dos processos de que  trata o § 1º do art. 62­A do RICARF, prevê:  Art. 2º ­ Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento [...]  §  1º  ­  No  caso  da  identificação  se  verificar  antes  da  sessão  de  julgamento do processo:  I – o Conselheiro Relator deverá elaborar requerimento fundamentado  ao  Presidente  da  respectiva  Turma,  sugerindo  o  sobrestamento  do  processo;  II – o Presidente da Turma, com base na competência de que  trata o  art.  17,  caput e  inciso VII do Anexo  II  do RICARF, determinará, por  despacho:  a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo;  [...]  § 3º  ­ Na ocorrência de sobrestamento, nos  termos dos §§ 1º e 2º, as  respectivas  Secretarias  de  Câmara  deverão  receber  os  processos  e  mantê­los  em  caixa  específica,  movimentando­os  para  a  atividade  SOBRESTAMENTO.  Tendo em vista que os  autos  contêm o procedimento de  acesso pela RFB  aos  dados  da  movimentação  financeira  da  Recorrente,  por  meio  de  RMF  dirigida  à  instituição  financeira, sem prévia autorização judicial discutido no âmbito do Recurso Extraordinário em  Repercussão Geral nº 601.314/SP pelo STF, cujo efeito é sobrestar o  julgamento dos demais  recursos com fundamento em idêntica controvérsia até o pronunciamento definitivo da Corte, a  Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720162/2008­61  Resolução nº  1801­000.296  S1­TE01  Fl. 696          7 mesma sorte deve alcançar os processos administrativos fiscais, por força dos §§ 1º e 2º do art.  62­A do RICARF e do § 1º do artigo 2º da Portaria CARF nº 01, de 2012.   Em  assim  sucedendo,  voto  no  sentido  de  sobrestar  o  julgamento  do  presente  recurso  voluntário,  até  o  pronunciamento  definitivo  do  STF  no  Recurso  Extraordinário  em  Repercussão Geral n° 601.314/SP, em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, conforme  o disposto no inciso I do § 1º do art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 3 de janeiro de 2012 e no art.  62­A do Anexo  II da Portaria MF nº 256, de 22 de  junho de 2009, que aprova o Regimento  Interno do CARF.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva      Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10680.004268/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1998 a 30/09/2002 Ementa: PIS - BASE DE CÁLCULO - DECADÊNCIA. O objeto social da contribuinte compatibiliza as receitas lançadas com a legislação de regência. Constatado recolhimento o § 4º art. 150 do CTN é o dispositivo aplicável. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro/1998. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2     Relatório  Nas  fls.  858/865  Recurso  Especial  de  Divergência  com  reexame  de  admissibilidade na fl. 901, articulado contra o Acórdão de fls. 842/850.  A  admissibilidade  veio  parcial  e  exclusivamente  quanto  à  questão  da  decadência e inclusão das receitas distintas de faturamento, nos termos do art. 3º, §1º da Lei nº  9.718/98.  A  Recorrente  inicia  com  prejudicial  de  decadência,  quanto  aos  meses  de  janeiro e fevereiro de 1998, alegando que a forma legal a ser adotada é a do que preleciona o §  4º  do  artigo  150  do  CTN  e  não  conforme  o  art.  45  da  Lei  nº  8.212/91  porque  julgado  inconstitucional e ainda que a inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN é patente uma vez que  sobrexistem pagamentos conforme comprovam documentos anexos aos autos.    Continua enfrentando o conceito de não tributação de receitas diferentes das  de vendas e de prestação de serviços.  Transcreve ementa do E. STF decretando a inconstitucionalidade do § 1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/98.  Argumenta  que  não  tendo  os  ingressos  financeiros  a  natureza  de  venda  ou  prestação de serviços não podem ser incluídos na base de cálculo da contribuição sob comento.  Sem contra razões.    É o relatório.      Voto             Conselheiro  FRANCISCO  MAURÍCIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA    O Recurso preenche condições de admissibilidade a partir dos  fundamentos  contidos no despacho de nº 3400­00.488 de fl.901.  Uma  abordagem  relativa  à  permissão  para  o  enfrentamento  das  questões  postas no Recurso se faz necessária.  Fl. 927DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.004268/2003­13  Acórdão n.º 9303­002.860  CSRF­T3  Fl. 908          3 A admissibilidade deste Recurso proferiu  seguimento  ao mesmo para  tratar  do dissenso quanto a inclusão ou não na base de cálculo da Contribuição para o PIS de receitas  distintas de faturamento alcançando fatos posteriores a fevereiro de 1999, inclusive, nos termos  do  art.  3º,  §  1º  da  Lei  nº  9.718/98  e  não  admitiu  o  apelo  quanto  a  rateio  condominial  para  recuperação de despesas decorrente de aluguel e de custo adicional mensal estipulado em valor  por metro quadrado ou ainda, valor mensal independente de metragem. (fl. 849).  Isto  porque  o  paradigma  que  fixou  os  requisitos  necessários  para  que  a  recuperação  de  despesas  por  rateio  condominial  não  fosse  considerada  receita  não  foi  específico  deixando  margem  para  uma  cobrança  por  estimativa  ao  contrário  da  decisão  recorrida  que  afirma  categoricamente  a  partir  de  diligência  inclusive  que  a  situação  é  outra  acarretando ausência de analogia.  De  todos  sabido  que  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  declarou  a  inconstitucionalidade do parágrafo 1º,  art. 3º da Lei nº 9.718/98, porque  incompatível com o  conceito de faturamento.  Para que se tenha o domínio preciso do que venha a ser faturamento no caso  presente,  é  necessário  conhecer  o  objeto  social  da  recorrente  que  se  faz  presente  no  seu  Estatuto Social à fl. 24, in verbis:  Art. 3ª ­ O objeto da sociedade é a administração de bens móveis e imóveis e  a exploração comercial de terminais rodoviários.  Portanto, as receitas que a Recorrente pugna por não serem inseridas na base  de cálculo do PIS neste caso, afastando a incidência da Lei nº 9.718/98, decorrentes de aluguéis  rateios de custos condominiais se inserem precisamente nos objetivos da sociedade empresária  porque administradora de bens imóveis.  Quanto  aos  períodos  base  de  31  de  janeiro  e  28  de  fevereiro  de  1998,  entendo­os  fora  do  alcance  fiscal  quer  pela  inconstitucionalidade  do  art.  45  da Lei  8.212/91  quer  pela  comprovação  de  recolhimentos  (fl.  201)  que  permite  adotar  o  §  4º  do  art.  150  do  CTN uma vez que a ciência do lançamento se deu em 31.03.2003.  Diante  do  exposto,  voto  por  conceder  parcial  provimento  ao  Recurso  afastando do lançamento os períodos base de janeiro e fevereiro de 1998.  Sala das Sessões, 18 de fevereiro de 2014.   FRANCISCO  MAURÍCIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA  –  Relator.                             Fl. 928DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10930.904582/2012-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     2 Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.  Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em  que  pretende  compensar  apontado  crédito  de  natureza  tributária  para  com  débito  por  ele  apurado,  ambos  indicados  em PER/DCOMP  (e­fl  2/11),  referente  aos  períodos  e  valores  ali  descritos e analisados no bojo deste processo.  O  pagamento  foi  identificado,  mas  constatou­se  que  o  mesmo  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho  Decisório,  dessa  forma,  o  direito  creditório  não  foi  reconhecido  e  a  compensação  declarada  resultou não homologada.  Intimado  a  recolher  o  crédito  tributário  decorrente  da  não  homologação  da  compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando  o que se segue:  a)  Afirma  seu  direito  ao  recebimento  do  recurso,  bem  assim  o  regular  processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente;  b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve  esclarecimentos  quanto  à  suposta  indisponibilidade  de  crédito  e  não  foi  analisada  qualquer  situação que legitima o crédito postulado;  c)  Alega  não  ter  meio  de  se  defender  por  desconhecimento  da  indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive  em  relação  ao  significado  de  “disponibilidade  de  crédito”,  o  que  lhe  parece  se  tratar  do  encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através  do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído;  d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado  a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a  qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta  indisponibilidade,  dessa  forma a  não  homologação  desta  compensação  ocorreu  por  uma questão  de  sistema de  informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado;  e)  Afirma,  quanto  ao  mérito,  que  utilizou  de  valores  que  indevidamente  integravam  a  base  de  cálculo  do  tributo,  conforme  teses  já  julgadas  pelo  Supremo Tribunal  Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior;  f)  Alega  que  não  há  como  apresentar  os  documentos  comprobatórios  do  direito  alegado,  já  que  nem  a  autoridade  administrativa  sabe  ao  certo  o  motivo  do  indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção  posterior das provas.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/2012­08  Acórdão n.º 3803­004.931  S3­TE03  Fl. 11          3 A  3ª  Turma  da  DRJ/CTA  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  e  não  reconheceu  o  direito  creditório,  ementando  sua  decisão  nos  seguintes  termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...]  NULIDADE. PRESSUPOSTOS.  Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INTIMAÇÃO  PARA ESCLARECIMENTOS.  A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do  procedimento  fiscal  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de  defesa,  que  é  assegurado na  fase  do  contraditório,  inaugurada  com a manifestação de inconformidade.  COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF.  Aplica­se  a  disposição  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998,  até  a  sua  revogação  pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  uma  vez  que  o  julgamento  do  STF  pela  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  contida  naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi  em  Recurso  Extraordinário  e  não  em  ADIN,  só  aproveitando,  por  isso,  às  partes  envolvidas,  não  podendo  beneficiar  ou  prejudicar terceiros.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do  qual  repete os argumentos expostos em manifestação de  inconformidade, chegando a afirmar  tratar­se de um acórdão eletrônico,  à semelhança do despacho decisório,  sem que  tenha sido  submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.    Dos pedidos de nulidade.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     4 O  contribuinte  defende  a  nulidade  do  despacho  decisório  e  do  acórdão  da  DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa.  Entendemos  que  não  seja  obrigatória,  na  fundamentação  do  despacho  decisório,  a  indicação  expressa  dos  dispositivos  legais  e  constitucionais  em  que  se  sustenta,  desde  que  haja  consonância  dos  argumentos  utilizados  com  a  jurisprudência  e  com  o  ordenamento jurídico vigente.  Ressaltamos  que  o  despacho  decisório  é  processado  de  forma  eletrônica,  realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil  ­ RFB.  Como  confessado  pelo  próprio  contribuinte  sua  DCTF  do  período  estava  erroneamente  preenchida,  e  esta  informação  estava  inserida  no  sistema  da  RFB,  ou  seja,  de  fato  o  contribuinte  não  possuía  créditos  a  serem  ressarcidos  no  confronto  dos  valores  declarados  como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF).  As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas  nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses  de  nulidade  presente  no  despacho  decisório,  muito  menos  ofensa  aos  princípios  do  contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e  teve  a  oportunidade  de  provar  seu  direito  creditório  em  pelo  menos  duas  oportunidades  distintas,  uma  quando  da  manifestação  de  inconformidade  e  outra  quando  interpôs  recurso  voluntário.  O Despacho Decisório  aponta  como  enquadramento  legal  os  artigos  165  e  170  do  CTN  e  artigo  74  da  Lei  9.430/96.  Tanto  o  artigo  170  do  CTN  quanto  o  74  da  Lei  9.430/96,  reforçam  o  direito  do  contribuinte  em  compensar  os  seus  débitos  com  crédito  líquidos  e  certos,  fica  claro  que  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  é  que  ficou  comprometida  ante  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  em  especial  no  confronto  da  DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do  Despacho Decisório por falta de fundamentação.  Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão  proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de  um  colegiado  que  fundamentou  coerentemente  sua  decisão  com  base  no Decreto  70.235,  de  1972, além de  trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de  Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla  defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte.    Mérito e comprovação do crédito.                                                              1   Art. 59. São nulos:    I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;            II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de  defesa.            § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam  conseqüência.            § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências  necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.            § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de  nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta. (Incluído pela  Lei nº 8.748, de 1993)            Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e omissões diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior não  importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes  houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/2012­08  Acórdão n.º 3803­004.931  S3­TE03  Fl. 12          5 As  compensações  se  prestam  ao  encontro  de  contas,  entre  um  débito  tributário  e  um  crédito  líquido  e  certo  da  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública,  conforme  determina o artigo 170 do CTN.  “Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.”  Neste mesmo sentido expressa­se o artigo 74 da Lei 9.430.  Daí concluir­se que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a maior  do  tributo,  desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua  defesa,  em especial a manifestação de  inconformidade, com documentos que  respaldem suas  afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a  base de cálculo do  tributo, conforme  teses  já  julgadas pelo Supremo Tribunal Federal,  e que  por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior.  Apesar  de  se  referir  a  algumas  teses  de  forma  genérica,  o  contribuinte  não  expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito  menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o  que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito.  Na  mesma  esteira,  admitindo­se  por  hipótese,  o  direito  subjetivo  do  contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual  seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido.   O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que  justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação.  Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido,  não  identificamos  Notas  Fiscais,  Escrita  Fiscal,  Escrita  Contábil,  Livro  de  Apuração,  Livro  Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas,  ou qualquer outro documento que possibilite,  minimamente que seja, a sua aferição.   No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de  provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é  assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36:  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     6 Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973­CPC:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou  a  resposta  (art.  297),  com os  documentos  destinados  a  provar­ lhe as alegações.  Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este  provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB.  Da apresentação das provas.  O  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina,  ainda,  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A  análise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento  correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual  seja,  na  manifestação  de  inconformidade,  contudo,  esta  turma  recursal  tem  firmado  entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de  recurso  voluntário,  quando  estas  não  dependam  de  análise  técnica  aprofundada  e  sejam  complementares  às  provas  trazidas  em Manifestação  de  Inconformidade,  entretanto,  mesmo  neste  momento  processual,  nenhuma  prova  foi  carreada  aos  autos.  Não  há  como  deferir  o  pedido  do  contribuinte  por  produção  de  provas  posteriores  a  este  ato,  por  absoluta  falta  de  previsão legal.  Conclusão.  Pelo  exposto,  rejeito  as  preliminares  de  nulidade  e  no  mérito  NEGO  PROVIMENTO.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904582/2012­08  Acórdão n.º 3803­004.931  S3­TE03  Fl. 13          7 João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO

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Numero do processo: 11020.720092/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. PIS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS     2 (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS ­ Relatora.    EDITADO EM: 27/02/2014    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede,  Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.       Relatório  Trata­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  PIS  recolhido  pelo  regime  da  não  cumulatividade.   Por  retratar  a  realidade  dos  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  de  primeira  instância administrativa, verbis:  “O  contribuinte  supracitado  solicitou  ressarcimento  de  contribuição  não­cumulativa  (PIS  não­cumulativo),  conforme  pedido constante nos autos.  O  pedido  foi  deferido  parcialmente,  visto  que  o  contribuinte  não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das  cessões de créditos de ICMS.  O  interessado  apresentou,  tempestivamente,  manifestação  de  inconformidade,  endereçada  a  esta  Delegacia  de  Julgamento,  onde discorda da glosa efetuada.  Alega  que  haveria  uma  alteração  qualitativa  da  classificação  contábil,  que  não  implicaria  em  receita  tributável,  e,  por  isso,  não existe previsão legal para a tributação.  Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse,  ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta  e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a  exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de  sua transferência para terceiros.  Traz  doutrina  e  jurisprudência  para  fundamentar  seus  raciocínios de defesa.”  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/2009­72  Acórdão n.º 3302­002.429  S3­C3T2  Fl. 11          3 Após  analisar  as  alegações  trazidas  pela  Recorrente,  a  Segunda  Turma  da  DRJ  de  Porto  Alegre  lavrou  o  acórdão  nº  10­24.176,  por  meio  do  qual  manteve  a  glosa  realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  CESSÃO  DE  ICMS  ­  INCIDÊNCIA  DE  PIS/PASEP  E  COFINS   A  cessão  de  direitos  de  ICMS  compõe  a  receita  do  contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a  COFINS  até  a  edição  dos  arts.7°,  8°  e  9°  da  Medida  Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.  Rest/Ress. Indeferido ­ Comp. não homologada”  Irresignada,  a  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  por  meio  do  qual  reiterou as razões trazidas em sua impugnação.  É o relatório.    Voto             Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  conheço.  Trata­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  de  PIS,  decorrente  do  resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela  contribuinte  em  sua  atividade,  os  quais  foram  devidamente  quantificados  e  apresentados  à  fiscalização  (valor positivo) e  (2) na  indicação do valor devido a  título de PIS,  regularmente  declarado em DCTF (valor negativo).  Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 19/20),  in  casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não  calculou seu débito de PIS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber:  “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte  efetuou  operações  de  transferências  de  créditos  de  ICMS  para  terceiros, mas  não  reconheceu  as  receitas  decorrentes  dessas  alienações de direitos a terceiros.  Não obstante, o art. 10 da lei 10.637/02 determina que a base de  cálculo do PIS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  classificação  contábil  ou  denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as  exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°:  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS     4 Lei 10.637, de 30/12/2002.  Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §  1°  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §  2°  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  II ­ (VETADO)  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  IV  ­  de  venda  de  álcool  para  fins  carburantes;  (NR  da  lei  10.865/04).  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI  —  não  operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  imobilizado. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003).”  A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do  circulante, realizável a longo prazo ou permanente ­, importa no  auferimento  de  receitas.  É  o  que  dita  a  Resolução  n°  774,  de  16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou  o  apêndice  à  Resolução  sobre  os  Princípios  Fundamentais  de  Contabilidade:  Resolução N° 774, de 16/12/94, do CFC:  2.6.3  ALGUNS  DETALHES  SOBRE  AS  RECEITAS  E  SEU  RECONHECIMENTO  A  receita  é  considerada  realizada  no  momento  em  que  há  a  venda  de  bens  e  direitos  da  Entidade  ­  entendida  a  palavra  "bem"  em  sentido  amplo,  incluindo  toda  sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos  e  imóveis  ­,  com  a  transferência  da  sua  propriedade  para  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/2009­72  Acórdão n.º 3302­002.429  S3­C3T2  Fl. 12          5 terceiros,  efetuando  estes  o  pagamento  em  dinheiro  ou  assumindo compromisso firme de fazê­lo num prazo qualquer.”  Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade  de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o PIS devido no período,  deixou de considerar na base de  cálculo do  tributo o valor  relativo  ao Crédito de  ICMS não  cumulativo,  o  que  gerou  a  conclusão  de  recolhimento  a  menor  do  tributo.  O  problema,  portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito.  Neste  sentido,  tendo  o  Fisco  constatado  que  a  Recorrente  não  apurou  (não  lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestar­se sobre o direito ao ressarcimento de créditos  que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem  glosar  parte  dos  créditos  pleiteados. Ou  seja,  na  análise  da  procedência  ou  não  dos  créditos  apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de  tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi  anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido).  Parece­me, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro.  Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento  pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado e lançado pela  contribuinte.  Promoveu  verdadeira  compensação  de  ofício  sem  que,  contudo,  o  valor  do  débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo  lançamento.  Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente  deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS  (correspondente ao crédito de  ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e,  consequentemente, deixou de constituir este tributo.  Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em  seu  entender  seria  devido  pela  Recorrente.  Deveria,  então,  promover,  em  primeiro  lugar,  o  lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de  ofício).   Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título  de  tributo,  estes  devem  estar  definitivamente  constituídos  –  seja  através  de  lançamento  por  homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN).   Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais  valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não  foi  efetuado nenhum  lançamento de ofício,  os valores  em questão  jamais  foram  constituídos  definitivamente.  Assim,  falta­lhes  requisito  essencial  para  a  pretensa  cobrança,  por  parte  da  Autoridade Fiscal.  Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento.  Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os  contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS     6 sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria  o  de  (i)  verificar  a  procedência  (e  deferimento)  do  crédito  pleiteado  e,  posteriormente,  (ii)  avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação  de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08).   Ou  seja,  a  administração,  da  mesma  forma,  não  procederia  à  mencionada  restituição. De  toda  forma, equivocado o procedimento que  foi  adotado no presente caso, de  glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e  manutenção  em  aberto  de  “débitos”  da  contribuição.  Afinal,  na  análise  da  procedência  do  direito ao “crédito” o Fisco deveria  ter deferido  integralmente o direito do contribuinte e, em  momento  posterior,  se  fosse  o  caso  (ou  seja,  se  houvesse  crédito  constituído  e  aberto),  promover  a  quitação  de  eventual  “débito”  (constituído  e  em  aberto)  com  o  “crédito”  reconhecido,  efetuando,  nestes  termos,  a  compensação  de  oficio  e  a  restituição  do  valor  (crédito) remanescente.   Assim,  também  sob  esse  prisma  está  inadequado  o  procedimento  adotado  pela Autoridade Fiscal.  De  todo  modo,  considerando  que  o  débito  em  questão  não  foi  sequer  constituído,  não  haveria  também  condições  de  se  promover  a  compensação  de  ofício  nos  moldes referidos.   Tendo  em  vista  que  o  julgamento  é  realizado  por  um  órgão  colegiado,  em  vista da possibilidade de meus pares não  concordarem com minhas  conclusões preliminares,  por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa.  Vejamos.  De  acordo  com  os  autos,  a  autoridade  administrativa  entende  que  deve  ser  incluído  na  base  de  cálculo  do PIS  e Cofins  o  produto  da  venda  de  créditos  acumulados  de  ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de  receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.637/02, a saber:  “Lei 10.637, de 30/12/2002.  Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.” (destaquei)  Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão  depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o  critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que  se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa.   Em  meu  entender,  exatamente  neste  ponto  que  o  legislador  deixou  de  se  preocupar com a forma, definindo­se pela essência, quando acenou que a tributação independe  de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita.  Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de  ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar.  Inicialmente,  é  necessário  esclarecer  que  o  saldo  credor  de  ICMS,  no  demonstrativo  contábil  da  apuração  do  resultado  do  exercício,  será  sempre  o  valor  do  "débito"  do  ICMS,  pois  é  o  resultado  negativo  da  conjunção  dos  créditos  referentes  aos  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720092/2009­72  Acórdão n.º 3302­002.429  S3­C3T2  Fl. 13          7 valores  de  ICMS  pago  pela  Recorrente  nas  aquisições  (registrados  na  conta  de  passivo  exigível)  com  os  débitos  deste  mesmo  ICMS  recebidos  pela  Recorrente  nas  operações  de  venda.   Em  razão  do  princípio  da  não  cumulatividade,  nas  operações  de  venda  de  mercadorias,  a  nota  fiscal  é  emitida  com  o  destaque  do  ICMS  devido,  que  é  pago  pelo  contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente  quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a  recuperar.  Conforme  lecionado  pelo  ilustre  Conselheiro  Gileno  Gurjão  Barreto1,  “Os  créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada  pelo PIS e  está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os  créditos  serão ativo  próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos  seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o  que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.”  A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação  estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção  de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente  haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento  em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial.  Desta  forma,  com  razão a Recorrente  em não  incluir na base de cálculo do  PIS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS.      Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o  direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo.    (assinado digitalmente)  FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS ­ Relatora                                                                1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/2003­16, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 201­79.964.                Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS     8                 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

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Numero do processo: 10768.720180/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do despacho decisório; e 3) por unanimidade de votos, no exame do mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de dezembro/2004. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 20232.55141.3000605.1.3.04-5370. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos apensados ao presente. O despacho decisório de fls. 403, baseado no parecer conclusivo n.º 222/2008 (fls. 398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04. Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese: que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação; que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas. Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 12-23.236 (fls. 544/552), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 556), a interessada interpôs, em 04/05/2009, o recurso voluntário de fls. 577/586. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou: que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04; que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificá-lo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN; que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa. Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. 639/652), por maioria de votos, “dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010 (FLS. 653), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676, para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para “reformar o r. acórdão recorrido, restaurando-se a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela não-homologação da compensação”. Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 14/04/2011, na decisão de fls. 680/684, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho. Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls. 701). Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 050/2013 (fls. 1.684/1.690), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados): que “Visando subsidiar a análise do mérito relativo ao possível direito creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706, a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados no mês de dezembro/2004, demonstrando a composição do cálculo, indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das contas alteradas que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações, lançamento pertinente ao valor a pagar e a respectiva retificação; 3) Apresentar cópia do LALUR relativo ao ano-calendário de 2004;”; que, em resposta, a interessada “alega[ou], resumidamente, que novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, não decorreria de alterações no resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1- aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração, após Laudo Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2- exclusão, para fins fiscais, ao cálculo do IRPJ, de perdas de valores inicialmente reconhecidos como receitas, as quais teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR, (tais perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas de comunicação, pela utilização da interconexão de redes, que, após discussões técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de serviços, teria sido estabelecido um faturamento a maior no valor de R$ 202.321.051,30); 3- que referidos ajuste teriam sido parcialmente compensados com a adição de multas indedutíveis no valor de R$ 45.427.57,70, consequente recálculo dos incentivos fiscais e compensação de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam ser visualizados nas planilhas anexadas.”; que “a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha 11 linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.608.318.038,13, da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$ 202.321.051,30, e é essa diferença que a empresa aponta como valor inicialmente reconhecido como receita e posteriormente excluído como perda.”; que “Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue: 1- A interessada não evidencia nenhum erro que possa alterar o valor original informado na DCTF. Oferece uma explicação atemporal, ou seja, não explicita quando teria ocorrido cada fato. Os fatos narrados deixam a impressão de ter havido apenas duas alterações, quando, em DCTF, apresentou três versões para o valor do débito de estimativa de dezembro/2004, o que se confirma através dos quadros apresentados pela interessada, demonstrando as mutações da estimativa, de fls. 925 e 926, comparados com os valores constantes no quadro de DCTF, acima reproduzido. Reduz a estimativa de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito. Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária de um questionamento quanto a valores que anteriormente teriam sido de receita pela utilização de interconexão de redes. Referido valor é praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls. 860, ou seja, segundo essa tabela, do total dos R$ 202.321.051,30 que reduziram a receita de interconexões de rede, 99,99% são atribuídos aos exercícios de 2002 e 2003.”. Porém, como determinam os artigos 230, do RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, “os ajustes de exercícios anteriores não poderão influenciar os subsequentes, ou seja, não poderiam alterar o resultado do exercício de 2004, como fez a interessada, muito menos reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se ocorreram no ano de 2004 (fato não demonstrado), deveriam ser contabilizados usando a conta lucros e prejuízos acumulados do exercício, para não alterar o resultado de dezembro/2004. Tais possíveis receitas de interconexões, que foram consideradas nos anos de 2002 e 2003, foram apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de R$ 46.315.351,34 em fls. 1.049 (cópia da parte A do LALUR 2002). A provisão é uma despesa indedutível que deve ser adicionada ao lucro líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo indicar que naquela despesa estaria embutida a receita de interconexão correspondente. 2- Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e (...) 3- O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70) e a redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em nada explica ou justifica a diminuição ocorrida. 4- Quanto ao incentivo fiscal de redução de IRPJ, também não precisou se já estava ou não usufruindo, pois não necessita da expedição do laudo para ter direito a usufruí-lo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a entrada do pedido, caso este não tenha sido apreciado neste prazo. No entanto, alega a concessão do incentivo, nada esclarecendo quanto ao mesmo. Não informa quando teria ocorrido a concessão e se vinha ou não gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais de 120 dias.”; que “considerando-se que é da interessada a obrigação de comprovar que o crédito utilizado para compensação possui os requisitos de liquidez e certeza, constata-se, do acima exposto, que a interessada não logrou êxito, não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro/2004.” Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 18/02/2013, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.699/1.766), alegando (grifos do original retirados): que, “quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo”, mesmo porque “a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações”, ressalvada “a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação”; que, “em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco cometeu grave erro conceitual ao considerar que tais exclusões deveriam ter sido baixadas contra o patrimônio líquido”, sendo tais exclusões referentes a “receitas devidas por outras operadoras à Requerente pela cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes” e que não se confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não se sujeita aos requisitos de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96. Na PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita que a empresa acredita ser devida; no caso em análise, ao revés, a Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a alteração contábil via retificação. Portanto, não há que se falar em necessidade de reconhecer a receita e posteriormente a perda, pois são hipóteses absolutamente diversas.”; que “a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e sempre estiveram) à inteira disposição do Fisco na sede da companhia, bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.”; que, “em relação ao Lucro da Exploração, a empresa possui direito ao benefício fiscal consubstanciado no Laudo Constitutivo 111/2002 e o o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela Receita Fedeal em processo autônomo”. Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê-las juntado tempestivamente; Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificou-se antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP; Não há falar em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do crédito empregado na compensação, porque somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela apresentação de sua escrituração contábil, fazer prova das razões para a exclusão de receitas e a consideração do “Lucro da Exploração”. Limitou-se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração faz prova em favor do sujeito passivo. Ademais, afirmou inveridicamente que seus livros fiscais sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705, pelo que revelou-se seu argumento mera retórica de defesa. Com referência às receitas excluídas, a interessada se insurgiu quanto à consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos de tais valores. No entanto, em várias passagens, a manifestação de inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados por outras companhias telefônicas, suas devedoras, razão pela qual não teriam eles ingressados em suas contas. E, relativamente ao Lucro de Exploração, as razões de inconformidade amparam-se em mero entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851). Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF. Reporta-se a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita. Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que “Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares” não há como se admitir que o Fisco analise em 2013 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado, bem como acórdão desta Turma de Julgamento em favor da nulidade de despacho decisório por deficiência na fundamentação. Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2013. Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente. Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o “sinal trocado”. Reporta-se ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento. No mérito, reporta-se às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30, discorrendo sobre a interconexão de redes resultante de chamadas de longa distância, envolvendo a operadora de rede de longa distância, bem como as operadoras que disponibilizam a infraestrutura de origem e de destino da ligação, dentre as quais apenas a primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da infraestrutura de redes. Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego – DETRAF em face da outra operadora. Todavia, a complexidade dos cálculos freqüentemente resulta em divergências em relação aos valores devidos, e a contestação destes resulta em anulação da receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Diante deste contexto, inexiste violação ao regime de competência, bem como são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno de receita. Argumenta que, segundo as normas contábeis, as receitas só devem ser reconhecidas para fins contábeis quando haja fundada certeza na sua existência e mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa de aumento do lucro, submetendo-se a ajustes ante a grande possibilidade de incorreção nos cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram “devedoras” da Recorrente, pois ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações. Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anos-calendário 2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco. Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza lançamento de ofício nos caos em que a inobservância do regime de competência resulta em postergação do imposto ou redução indevida do lucro real. E no presente caso houve antecipação do pagamento do imposto, equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução. Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões técnicas entre as empresas, foram consideradas procedentes parte das contestações apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior. A exclusão deste valor está demonstrada no LALUR à fl. 1380, e quadro demonstrativo identifica os valores adicionados ao LALUR e o saldo das respectivas contas contábeis de interconexão contestada. Reportando-se a registros na Parte B do LALUR, indica que do total de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir. Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria os lançamentos registrados no LALUR, e seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificando-s sob a frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo seu sistema de gestão, desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Diz que a documentação apresentada reflete com exatidão as partidas registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos. Observa que a DRJ entendeu dispensável a perícia porque os elementos necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que listou em tabelas acima as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B). Com referência à alteração do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002 para sua filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a inclusão das respectivas receitas no cálculo de receitas incentivadas. Reporta-se à jurisprudência administrativa no sentido de que a apresentação de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ não é requisito para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade com a jurisprudência deste Conselho. Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004, argumenta que o indébito daí decorrente não foi utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente. Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de homologação tácita das compensações, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do despacho decisório; e 3) por unanimidade de votos, no exame do mérito, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO TELEMAR NORTE LESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no período de apuração de dezembro/2004. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de compensações realizadas pela interessada acima identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de 2004. O Per/Dcomp que primeiro empregou o crédito foi o de número 20232.55141.3000605.1.3.04-5370. Posteriormente, outros vieram nos autos dos processos apensados ao presente. O despacho decisório de fls. 403, baseado no parecer conclusivo n.º 222/2008 (fls. 398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º 460/04. Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese: que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art. 10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp. Mas que, atualmente, a questão se encontra disciplinada pela IN SRF n.º 900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação; que, ainda que considerada a primeira instrução normativa, esta jamais pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi empregado crédito decorrente de pagamento indevido de tributo estimado, mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas. Conclusos os autos, a 6ª Turma desta DRJ lavrou o acórdão n.º 12-23.236 (fls. 544/552), em que, por maioria de votos, decidiu pela aplicabilidade da IN SRF n.º 460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10 dessa instrução normativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/04/2009 (fls. 556), a interessada interpôs, em 04/05/2009, o recurso voluntário de fls. 577/586. Nesta peça, a defesa repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou: que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas e não de compensação de pagamento indevido; que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04; que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a Administração não poderia simplesmente indeferir o pedido, mas deveria retificá-lo de ofício para a forma que entendesse correta, tratando o caso como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do CTN; que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior, mas sim de pagamento indevido de estimativa. Em sessão realizada em 09/07/2010, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu (fls. 639/652), por maioria de votos, “dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora”. Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010 (FLS. 653), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676, para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para “reformar o r. acórdão recorrido, restaurando-se a decisão de primeira instância administrativa em sua integralidade de forma a manter a decisão pela não-homologação da compensação”. Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 14/04/2011, na decisão de fls. 680/684, considerou não satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade e negou seguimento ao recurso, encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições regimentais daquele Conselho. Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls. 701). Em cumprimento à decisão do CARF, a Diort/Demac/RJO emitiu o parecer n.º 050/2013 (fls. 1.684/1.690), no qual, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas, consignou (grifos do original retirados): que “Visando subsidiar a análise do mérito relativo ao possível direito creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706, a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados no mês de dezembro/2004, demonstrando a composição do cálculo, indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das contas alteradas que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações, lançamento pertinente ao valor a pagar e a respectiva retificação; 3) Apresentar cópia do LALUR relativo ao ano-calendário de 2004;”; que, em resposta, a interessada “alega[ou], resumidamente, que novo cálculo da estimativa de dezembro/2004, não decorreria de alterações no resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1- aproveitamento de benefício fiscal de Lucro da Exploração, após Laudo Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2- exclusão, para fins fiscais, ao cálculo do IRPJ, de perdas de valores inicialmente reconhecidos como receitas, as quais teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR, (tais perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas de comunicação, pela utilização da interconexão de redes, que, após discussões técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de serviços, teria sido estabelecido um faturamento a maior no valor de R$ 202.321.051,30); 3- que referidos ajuste teriam sido parcialmente compensados com a adição de multas indedutíveis no valor de R$ 45.427.57,70, consequente recálculo dos incentivos fiscais e compensação de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam ser visualizados nas planilhas anexadas.”; que “a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha 11 linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.608.318.038,13, da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$ 202.321.051,30, e é essa diferença que a empresa aponta como valor inicialmente reconhecido como receita e posteriormente excluído como perda.”; que “Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue: 1- A interessada não evidencia nenhum erro que possa alterar o valor original informado na DCTF. Oferece uma explicação atemporal, ou seja, não explicita quando teria ocorrido cada fato. Os fatos narrados deixam a impressão de ter havido apenas duas alterações, quando, em DCTF, apresentou três versões para o valor do débito de estimativa de dezembro/2004, o que se confirma através dos quadros apresentados pela interessada, demonstrando as mutações da estimativa, de fls. 925 e 926, comparados com os valores constantes no quadro de DCTF, acima reproduzido. Reduz a estimativa de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito. Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária de um questionamento quanto a valores que anteriormente teriam sido de receita pela utilização de interconexão de redes. Referido valor é praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls. 860, ou seja, segundo essa tabela, do total dos R$ 202.321.051,30 que reduziram a receita de interconexões de rede, 99,99% são atribuídos aos exercícios de 2002 e 2003.”. Porém, como determinam os artigos 230, do RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, “os ajustes de exercícios anteriores não poderão influenciar os subsequentes, ou seja, não poderiam alterar o resultado do exercício de 2004, como fez a interessada, muito menos reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se ocorreram no ano de 2004 (fato não demonstrado), deveriam ser contabilizados usando a conta lucros e prejuízos acumulados do exercício, para não alterar o resultado de dezembro/2004. Tais possíveis receitas de interconexões, que foram consideradas nos anos de 2002 e 2003, foram apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de R$ 46.315.351,34 em fls. 1.049 (cópia da parte A do LALUR 2002). A provisão é uma despesa indedutível que deve ser adicionada ao lucro líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo indicar que naquela despesa estaria embutida a receita de interconexão correspondente. 2- Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e (...) 3- O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70) e a redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em nada explica ou justifica a diminuição ocorrida. 4- Quanto ao incentivo fiscal de redução de IRPJ, também não precisou se já estava ou não usufruindo, pois não necessita da expedição do laudo para ter direito a usufruí-lo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a entrada do pedido, caso este não tenha sido apreciado neste prazo. No entanto, alega a concessão do incentivo, nada esclarecendo quanto ao mesmo. Não informa quando teria ocorrido a concessão e se vinha ou não gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais de 120 dias.”; que “considerando-se que é da interessada a obrigação de comprovar que o crédito utilizado para compensação possui os requisitos de liquidez e certeza, constata-se, do acima exposto, que a interessada não logrou êxito, não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa ao mês de dezembro/2004.” Irresignada com o aludido parecer, do qual tomou ciência em 18/02/2013, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 1.699/1.766), alegando (grifos do original retirados): que, “quando foi proferido o segundo despacho decisório analisando a compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996) contados a partir do seu protocolo”, mesmo porque “a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para as compensações”, ressalvada “a entrega de PER/DCOMP retificador, que na prática representa nova declaração de compensação com novo prazo para homologação”; que, “em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco cometeu grave erro conceitual ao considerar que tais exclusões deveriam ter sido baixadas contra o patrimônio líquido”, sendo tais exclusões referentes a “receitas devidas por outras operadoras à Requerente pela cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes” e que não se confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não se sujeita aos requisitos de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96. Na PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita que a empresa acredita ser devida; no caso em análise, ao revés, a Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a alteração contábil via retificação. Portanto, não há que se falar em necessidade de reconhecer a receita e posteriormente a perda, pois são hipóteses absolutamente diversas.”; que “a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e sempre estiveram) à inteira disposição do Fisco na sede da companhia, bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.”; que, “em relação ao Lucro da Exploração, a empresa possui direito ao benefício fiscal consubstanciado no Laudo Constitutivo 111/2002 e o o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela Receita Fedeal em processo autônomo”. Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê-las juntado tempestivamente; Não se verificou a homologação tácita porque o despacho decisório inicial não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do caso, depois de afastar a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. Ademais, a denegação inicial de seu intento verificou-se antes de transcorrido o prazo de homologação tácita da DCOMP; Não há falar em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do crédito empregado na compensação, porque somente a atividade de lançamento é limitada pelos prazos estipulados no CTN. Inexiste restrição temporal à verificação de certeza e liquidez do crédito e o art. 264 do RIR/99 obriga o sujeito passivo a conservar os elementos referentes à sua atividade enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela apresentação de sua escrituração contábil, fazer prova das razões para a exclusão de receitas e a consideração do “Lucro da Exploração”. Limitou-se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração faz prova em favor do sujeito passivo. Ademais, afirmou inveridicamente que seus livros fiscais sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705, pelo que revelou-se seu argumento mera retórica de defesa. Com referência às receitas excluídas, a interessada se insurgiu quanto à consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos de tais valores. No entanto, em várias passagens, a manifestação de inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados por outras companhias telefônicas, suas devedoras, razão pela qual não teriam eles ingressados em suas contas. E, relativamente ao Lucro de Exploração, as razões de inconformidade amparam-se em mero entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851). Reitera a arguição de homologação tácita da compensação, em razão da nulidade do despacho decisório anterior, na medida em que este CARF concluiu pela invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante, ou seja, para todos os efeitos legais, é como se nunca tivesse sido proferido o primeiro despacho, anulado pelo CARF. Reporta-se a outro excerto doutrinário para adotar conceito de anulação nos casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não prevê qualquer possibilidade de suspensão ou reinício da fluência do prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório válido interrompe o prazo de homologação tácita. Ressalta que, embora o CARF tenha deixado consignado que “Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares” não há como se admitir que o Fisco analise em 2013 compensações transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP cujo despacho decisório inicial foi anulado, bem como acórdão desta Turma de Julgamento em favor da nulidade de despacho decisório por deficiência na fundamentação. Afirma a inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de 2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas em 2013. Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o ato lavrado por autoridade incompetente. Invoca o art. 146 do CTN para firmar que, depois de expedido o despacho decisório, a análise da validade da compensação fica restrita à fundamentação utilizada no despacho decisório, sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios jurídicos após o momento processual oportuno. Transcreve doutrina e defende a aplicação dos argumentos dirigidos a lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança de tributos compensados pela Recorrente, correspondente a um lançamento de ofício com o “sinal trocado”. Reporta-se ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita, concluindo que o erro de direito não autoriza a revisão do lançamento tributário ou do despacho decisório que não homologa a compensação. Caso se constate vício na fundamentação de tais atos administrativos, a conseqüência deve ser o cancelamento da exigência fiscal ou o deferimento do pleito de compensação. Finaliza citando ementa de decisão judicial em favor de seu entendimento. No mérito, reporta-se às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30, discorrendo sobre a interconexão de redes resultante de chamadas de longa distância, envolvendo a operadora de rede de longa distância, bem como as operadoras que disponibilizam a infraestrutura de origem e de destino da ligação, dentre as quais apenas a primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da infraestrutura de redes. Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego – DETRAF em face da outra operadora. Todavia, a complexidade dos cálculos freqüentemente resulta em divergências em relação aos valores devidos, e a contestação destes resulta em anulação da receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Diante deste contexto, inexiste violação ao regime de competência, bem como são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno de receita. Argumenta que, segundo as normas contábeis, as receitas só devem ser reconhecidas para fins contábeis quando haja fundada certeza na sua existência e mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa de aumento do lucro, submetendo-se a ajustes ante a grande possibilidade de incorreção nos cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram “devedoras” da Recorrente, pois ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações. Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anos-calendário 2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco. Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza lançamento de ofício nos caos em que a inobservância do regime de competência resulta em postergação do imposto ou redução indevida do lucro real. E no presente caso houve antecipação do pagamento do imposto, equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução. Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões técnicas entre as empresas, foram consideradas procedentes parte das contestações apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior. A exclusão deste valor está demonstrada no LALUR à fl. 1380, e quadro demonstrativo identifica os valores adicionados ao LALUR e o saldo das respectivas contas contábeis de interconexão contestada. Reportando-se a registros na Parte B do LALUR, indica que do total de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir. Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria os lançamentos registrados no LALUR, e seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificando-s sob a frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo seu sistema de gestão, desprovidos de qualquer valor para os fins exigidos pela legislação fiscal e comercial. Diz que a documentação apresentada reflete com exatidão as partidas registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos. Observa que a DRJ entendeu dispensável a perícia porque os elementos necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que listou em tabelas acima as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B). Com referência à alteração do incentivo fiscal do Lucro da Exploração, demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002 para sua filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a inclusão das respectivas receitas no cálculo de receitas incentivadas. Reporta-se à jurisprudência administrativa no sentido de que a apresentação de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ não é requisito para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade com a jurisprudência deste Conselho. Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004, argumenta que o indébito daí decorrente não foi utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente. Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada ou, então, seja declarada a nulidade do despacho decisório porque proferido por autoridade incompetente.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO    TELEMAR  NORTE  LESTE  S/A,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  8ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  –  I  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  manifestação  de  inconformidade  interposta  contra  despacho  decisório  que  não  homologou  compensação  de  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  IRPJ  no  período  de  apuração  de  dezembro/2004.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  Trata  o  presente  processo  de  compensações  realizadas  pela  interessada  acima  identificada, com emprego de crédito oriundo de pagamento supostamente indevido ou  a maior no valor de R$ 41.767.504,54, referente à estimativa de IRPJ de dezembro de  2004.  O  Per/Dcomp  que  primeiro  empregou  o  crédito  foi  o  de  número  20232.55141.3000605.1.3.04­5370.  Posteriormente,  outros  vieram  nos  autos  dos  processos apensados ao presente.  O  despacho  decisório  de  fls.  403,  baseado  no  parecer  conclusivo  n.º  222/2008  (fls.  398/402), não homologou as compensações, com fundamento no art. 10 da IN SRF n.º  460/04.  Cientificada do despacho decisório em 08/01/2009 (fls. 419), a interessada manifestou  sua inconformidade com ele no dia seis do mês seguinte. Alegou, em síntese:  · que o único fundamento da não homologação foi a vedação imposta no art.  10 da IN SRF n.º 460/04, vigente à época da apresentação dos Per/DComp.  Mas  que,  atualmente,  a  questão  se  encontra  disciplinada pela  IN SRF n.º  900/08, a qual aboliu a vedação que motivou a denegação da compensação;  · que,  ainda  que  considerada  a  primeira  instrução  normativa,  esta  jamais  pretendeu impedir as compensações feita nos moldes dos autos, em que foi  empregado crédito decorrente de pagamento  indevido de  tributo estimado,  mas, sim, vedar a compensação de estimativas regularmente recolhidas.  Conclusos  os  autos,  a  6ª  Turma  desta  DRJ  lavrou  o  acórdão  n.º  12­23.236  (fls.  544/552),  em  que,  por  maioria  de  votos,  decidiu  pela  aplicabilidade  da  IN  SRF  n.º  460/04 ao caso e concluiu pela incidência, na espécie, da vedação contida no artigo 10  dessa instrução normativa.  Cientificada da decisão de primeira  instância em 01/04/2009 (fls. 556), a  interessada  interpôs,  em  04/05/2009,  o  recurso  voluntário  de  fls.  577/586.  Nesta  peça,  a  defesa  repetiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e asseverou:  · que o art. 10 da IN SRF n.º 460/04 é regra de aproveitamento de estimativas  e não de compensação de pagamento indevido;  · que a IN SRF n.º 900/08 revogou a IN SRF n.º 460/04;  · que se a IN SRF n.º 460/04 realmente obstasse a compensação efetuada, a  Administração  não  poderia  simplesmente  indeferir  o  pedido,  mas  deveria  retificá­lo de ofício para a  forma que entendesse correta,  tratando o caso  como compensação de saldo negativo, como orienta o § 2º do art. 147 do  CTN;  · que o caso não é de compensação de valores de estimativas pagas a maior,  mas sim de pagamento indevido de estimativa.  Em  sessão  realizada  em  09/07/2010,  a  1ª  Turma  da  1ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  decidiu  (fls.  Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 4          3 639/652),  por  maioria  de  votos,  “dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa,  mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade  preparadora”.  Intimada do acórdão do CARF em 05/11/2010  (FLS.  653),  a Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional (PGFN) interpôs, na mesma data, o recurso especial de fls. 656/676,  para a Câmara Superior de Recusos Fiscais (CSRF), com pedido para “reformar o r.  acórdão recorrido, restaurando­se a decisão de primeira instância administrativa em sua  integralidade de forma a manter a decisão pela não­homologação da compensação”.  Recebido o recurso especial, o presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do  CARF,  em  14/04/2011,  na  decisão  de  fls.  680/684,  considerou  não  satisfeitos  os  pressupostos  regimentais  de  admissibilidade  e  negou  seguimento  ao  recurso,  encaminhando os autos ao presidente da CSRF para reexame, em face de disposições  regimentais daquele Conselho.  Em 17/05/2011, o presidente da CSRF manteve a negativa de seguimento ao recurso  especial (fls. 685/686). A interessada foi cientificada desta decisão em 21/09/2011 (fls.  701).  Em  cumprimento  à  decisão  do  CARF,  a  Diort/Demac/RJO  emitiu  o  parecer  n.º  050/2013  (fls.  1.684/1.690),  no  qual,  concluindo  pelo  não  reconhecimento  do  direito  creditório e, conseqüentemente, pela não homologação das compensações declaradas,  consignou (grifos do original retirados):  · que  “Visando  subsidiar  a  análise  do  mérito  relativo  ao  possível  direito  creditório em tela a interessada foi intimada, fls.704/705, através do Termo  de Intimação nº 711/2012, da qual foi cientificada em 30/05/2012, fls. 706,  a: 1) Apresentar cópia autenticada dos Balancetes de Verificação levantados  no  mês  de  dezembro/2004,  demonstrando  a  composição  do  cálculo,  indicando as contas utilizadas; 2) Apresentar o Razão das  contas  alteradas  que permitiram a obtenção do novo cálculo da estimativa de dezembro/2004,  assim como do Diário onde foram transcritos os registros destas alterações,  lançamento  pertinente  ao  valor  a  pagar  e  a  respectiva  retificação;  3)  Apresentar cópia do LALUR relativo ao ano­calendário de 2004;”;  · que,  em  resposta,  a  interessada  “alega[ou],  resumidamente,  que  novo  cálculo  da  estimativa  de  dezembro/2004,  não  decorreria  de  alterações  no  resultado contábil da empresa, mas se originaria das seguintes alterações: 1­  aproveitamento  de  benefício  fiscal  de  Lucro  da  Exploração,  após  Laudo  Constitutivo para o Estado do Espirito Santo; 2­ exclusão, para fins fiscais,  ao  cálculo  do  IRPJ,  de  perdas  de  valores  inicialmente  reconhecidos  como  receitas,  as quais  teriam sido anteriormente adicionadas, via LALUR,  (tais  perdas seriam relativas ao repasse da remuneração, feita por outras empresas  de  comunicação,  pela  utilização  da  interconexão  de  redes,  que,  após  discussões  técnicas entre as empresas envolvidas na prestação de  serviços,  teria  sido  estabelecido  um  faturamento  a  maior  no  valor  de  R$  202.321.051,30);  3­  que  referidos  ajuste  teriam  sido  parcialmente  compensados  com  a  adição  de  multas  indedutíveis  no  valor  de  R$  45.427.57,70,  consequente  recálculo  dos  incentivos  fiscais  e  compensação  de prejuízos fiscais acumulados. Acrescentou que referidos ajustes poderiam  ser visualizados nas planilhas anexadas.”;  · que “a diferença entre o declarado para a estimativa de dezembro em ficha  11 linha 01 “Base de Cálculo do Imposto de Renda”, R$ 1.608.318.038,13,  da DIPJ original, e o declarado em mesma ficha linha 01 “Base de Cálculo  do Imposto de Renda”, R$ 1.405.996.986,83, da DIPJ retificadora, é de R$  Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 5          4 202.321.051,30,  e  é  essa  diferença  que  a  empresa  aponta  como  valor  inicialmente  reconhecido  como  receita  e  posteriormente  excluído  como  perda.”;  · que “Relativamente ao que argumenta a interessada cabe expor o que segue:  1­  A  interessada  não  evidencia  nenhum  erro  que  possa  alterar  o  valor  original  informado  na DCTF. Oferece  uma  explicação  atemporal,  ou  seja,  não  explicita  quando  teria  ocorrido  cada  fato. Os  fatos  narrados  deixam  a  impressão  de  ter  havido  apenas  duas  alterações,  quando,  em  DCTF,  apresentou  três  versões  para  o  valor  do  débito  de  estimativa  de  dezembro/2004,  o  que  se  confirma  através  dos  quadros  apresentados  pela  interessada,  demonstrando  as  mutações  da  estimativa,  de  fls.  925  e  926,  comparados  com  os  valores  constantes  no  quadro  de  DCTF,  acima  reproduzido.  Reduz  a  estimativa  de  R$  86.729.499,25  para  R$  44.961.994,71, mas não apresenta as mutações que teriam zerado o débito.  Alega, sem demonstrar, que a diferença de R$ 202.321.051,30 é originária  de  um  questionamento  quanto  a  valores  que  anteriormente  teriam  sido  de  receita  pela  utilização  de  interconexão  de  redes.  Referido  valor  é  praticamente referente aos períodos de 2002 e 2003, conforme tabela de fls.  860,  ou  seja,  segundo  essa  tabela,  do  total  dos  R$  202.321.051,30  que  reduziram  a  receita  de  interconexões  de  rede,  99,99%  são  atribuídos  aos  exercícios de 2002 e 2003.”. Porém, como determinam os artigos 230, do  RIR/99, e 186, da Lei n.º 6.404/76, “os ajustes de exercícios anteriores não  poderão  influenciar  os  subsequentes,  ou  seja,  não  poderiam  alterar  o  resultado  do  exercício  de  2004,  como  fez  a  interessada,  muito  menos  reduzindo a base de cálculo da estimativa de dezembro. Referidos ajustes, se  ocorreram  no  ano  de  2004  (fato  não  demonstrado),  deveriam  ser  contabilizados usando a  conta  lucros  e prejuízos acumulados do  exercício,  para  não  alterar  o  resultado  de  dezembro/2004.  Tais  possíveis  receitas  de  interconexões,  que  foram  consideradas  nos  anos  de  2002  e  2003,  foram  apresentadas como provisão para devedores duvidosos (uma adição ao lucro  líquido para obtenção do Lucro Real) como se vê com relação ao valor de  R$  46.315.351,34  em  fls.  1.049  (cópia  da  parte  A  do  LALUR  2002).  A  provisão  é  uma  despesa  indedutível  que  deve  ser  adicionada  ao  lucro  líquido. A interessada não apresenta nenhum elemento que possa no mínimo  indicar  que  naquela  despesa  estaria  embutida  a  receita  de  interconexão  correspondente. 2­ Não apresenta o RAZÃO e sim extratos de contas. Não  apresentou os lançamentos no DIÁRIO referentes às alterações efetuadas, e  (...) 3­ O fato de considerar a multa dedutível (no valor de R$ 45.427.57,70)  e a  redução do prejuízo compensado (R$ 60.696.315,39) apenas diminui o  impacto da redução efetuada no valor da estimativa de dezembro/2004. Em  nada  explica  ou  justifica  a  diminuição  ocorrida.  4­  Quanto  ao  incentivo  fiscal  de  redução  de  IRPJ,  também  não  precisou  se  já  estava  ou  não  usufruindo,  pois  não  necessita  da  expedição  do  laudo  para  ter  direito  a  usufruí­lo. A redução pode ser usufruída pelo contribuinte 120 dias após a  entrada  do  pedido,  caso  este  não  tenha  sido  apreciado  neste  prazo.  No  entanto,  alega  a  concessão  do  incentivo,  nada  esclarecendo  quanto  ao  mesmo. Não  informa quando  teria ocorrido a concessão e se vinha ou não  gozando os benefícios, caso tenha tivesse entrado com a solicitação a mais  de 120 dias.”;  · que “considerando­se que é da interessada a obrigação de comprovar que o  crédito  utilizado  para  compensação  possui  os  requisitos  de  liquidez  e  certeza, constata­se, do acima exposto, que a  interessada não  logrou êxito,  Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 6          5 não restando comprovada a redução no valor da estimativa de IRPJ relativa  ao mês de dezembro/2004.”  Irresignada  com  o  aludido  parecer,  do  qual  tomou  ciência  em  18/02/2013,  a  interessada  apresentou  nova  manifestação  de  inconformidade  (fls.  1.699/1.766),  alegando (grifos do original retirados):  · que,  “quando  foi  proferido  o  segundo  despacho  decisório  analisando  a  compensação, já tinha se operado a homologação tácita dos PER/DCOMPs  aqui tratados pelo transcurso de cinco anos (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996)  contados a partir do seu protocolo”, mesmo porque “a legislação não prevê  qualquer  possibilidade  de  suspensão  ou  reinício  da  fluência  do  prazo  decadencial  de  que  dispõe  o  Fisco  para  as  compensações”,  ressalvada  “a  entrega  de  PER/DCOMP  retificador,  que  na  prática  representa  nova  declaração de compensação com novo prazo para homologação”;  · que, “em relação à exclusão de receitas anteriormente adicionadas, o Fisco  cometeu  grave  erro  conceitual  ao  considerar  que  tais  exclusões  deveriam  ter  sido  baixadas  contra  o  patrimônio  líquido”,  sendo  tais  exclusões  referentes  a  “receitas  devidas  por  outras  operadoras  à  Requerente  pela  cessão de meios de rede (interconexão) que anteriormente foram oferecidas  à tributação, mas que a Requerete concluiu serem inexistentes” e que não se  confundem com provisão para devedores duvidosos (PDD), e, portanto, não  se  sujeita  aos  requisitos  de  dedutibilidade  do  art.  9º  da  Lei  9.430/96.  Na  PDD, como se sabe, há um efetivo risco de inadimplemento de uma receita  que  a  empresa  acredita  ser  devida;  no  caso  em  análise,  ao  revés,  a  Requerente apurou erro no reconhecimento de uma receita, o que justifica a  alteração  contábil  via  retificação.  Portanto,  não  há  que  se  falar  em  necessidade  de  reconhecer  a  receita  e  posteriormente  a  perda,  pois  são  hipóteses absolutamente diversas.”;  · que “a opção por apresentar extratos do sistema de contabilidade integrada  da Requerente (SAP) é justamente para facilitar o trabalho da Fiscalização  uma vez que a análise do livro razão é impraticável. (...) Entretanto, caso se  entenda necessária a análise dos livros razão e diário, os mesmos estão (e  sempre  estiveram)  à  inteira  disposição  do  Fisco  na  sede  da  companhia,  bastando uma intimação para a apresentação dos mesmos.”;  · que,  “em  relação  ao  Lucro  da  Exploração,  a  empresa  possui  direito  ao  benefício  fiscal  consubstanciado  no  Laudo  Constitutivo  111/2002  e  o  o  entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais de que  não é requisito para a fruição do benefício seu efetivo reconhecimento pela  Receita Fedeal em processo autônomo”.  Culminou a manifestação de inconformidade com os pedidos de deferimento de perícia  contábil e de integral provimento à manifestação de inconformidade.  É o relatório.  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  · A perícia seria desnecessária porque o feito fiscal contém todos os elementos  necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida  de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais.  Se a interessada entendia que outras provas cabiam nos autos, deveria tê­ las juntado tempestivamente;  · Não se verificou a homologação  tácita porque o despacho decisório  inicial  não foi anulado pelo CARF, que apenas determinou o avanço da análise do  Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 7          6 caso,  depois  de  afastar  a  impossibilidade  de  formação  de  indébitos  em  recolhimentos por estimativa. Ademais,  a denegação  inicial de  seu  intento  verificou­se  antes  de  transcorrido  o  prazo  de  homologação  tácita  da  DCOMP;  · Não há  falar  em decadência do direito de a Fazenda apurar a origem do  crédito  empregado  na  compensação,  porque  somente  a  atividade  de  lançamento  é  limitada  pelos  prazos  estipulados  no CTN.  Inexiste  restrição  temporal  à  verificação  de  certeza  e  liquidez  do  crédito  e  o  art.  264  do  RIR/99  obriga  o  sujeito passivo  a  conservar  os  elementos  referentes  à  sua  atividade  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes;  · No mérito, a interessada deixou passar em branco a oportunidade de, pela  apresentação de  sua  escrituração contábil,  fazer  prova  das  razões  para  a  exclusão de receitas e a consideração do “Lucro da Exploração”. Limitou­ se a carrear documentos outros, em boa parte oriundos de seu sistema de  gestão, quando é cediço que, a teor do Decreto n.º 3.000/99, a escrituração  faz  prova  em  favor  do  sujeito  passivo.  Ademais,  afirmou  inveridicamente  que seus  livros  fiscais  sempre estiveram à disposição do Fisco, que não a  teria intimado. Falou, assim, como se não existisse o termo de fls. 704/705,  pelo que revelou­se seu argumento mera retórica de defesa.  · Com  referência  às  receitas  excluídas,  a  interessada  se  insurgiu  quanto  à  consideração, pela Diort/Demac, como provisão para devedores duvidosos  de  tais  valores.  No  entanto,  em  várias  passagens,  a  manifestação  de  inconfomidade deixou claro que esses montantes estavam sendo contestados  por  outras  companhias  telefônicas,  suas  devedoras,  razão  pela  qual  não  teriam  eles  ingressados  em  suas  contas.  E,  relativamente  ao  Lucro  de  Exploração,  as  razões  de  inconformidade  amparam­se  em  mero  entendimento do CARF, cujas decisões não vinculam esta DRJ. Não merece  reproche, assim, o trabalho fiscal neste aspecto.  Cientificada da decisão de primeira instância em 12/06/2013 (fl. 1814/1815), a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/07/2013 (fls. 1817/1851).  Reitera  a  arguição  de  homologação  tácita  da  compensação,  em  razão  da  nulidade  do  despacho  decisório  anterior,  na  medida  em  que  este  CARF  concluiu  pela  invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não homologar as  compensações, o que consiste na anulação do mesmo. Cita doutrina e assevera que a anulação  do despacho decisório originário pelo Tribunal Administrativo restabelece o status quo ante,  ou  seja,  para  todos  os  efeitos  legais,  é  como  se  nunca  tivesse  sido  proferido  o  primeiro  despacho, anulado pelo CARF.  Reporta­se  a  outro  excerto  doutrinário  para  adotar  conceito  de  anulação  nos  casos de vício de motivação do ato, correspondente a fundamentos jurídicos inadequados para  denegação do pleito do contribuinte. Cita julgados administrativos, anota que a legislação não  prevê  qualquer  possibilidade  de  suspensão  ou  reinício  da  fluência  do  prazo  decadencial  de  que dispõe o Fisco para analisar as compensações e conclui que somente despacho decisório  válido interrompe o prazo de homologação tácita.  Ressalta  que,  embora  o  CARF  tenha  deixado  consignado  que  “Inexiste  reconhecimento  implícito  de  direito  creditório  quando  a  apreciação  da  Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 8          7 restituição/compensação restringe­se a aspectos preliminares” não há como se admitir que o  Fisco analise em 2013 compensações  transmitidas validamente em 2005. Transcreve ementa  de decisão da DRJ/RJO em favor da homologação tácita depois de transcorridos 5 (cinco) anos  da entrega da DCOMP cujo despacho decisório  inicial  foi anulado, bem como acórdão desta  Turma  de  Julgamento  em  favor  da  nulidade  de  despacho  decisório  por  deficiência  na  fundamentação.  Afirma a  inequívoca natureza de despacho decisório do ato administrativo de  2013 que não homologou a compensação por novos fundamentos, discordando da interpretação  exteriorizada pela autoridade julgadora de 1a instância, até porque o ato invoca a competência  expressa nos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012 para tanto. Assim, pede o  reconhecimento da homologação tácita da compensação declarada em 2005 e analisada apenas  em 2013.  Acrescenta, porém, que se o despacho decisório não foi proferido pelo Delegado  da Receita Federal do Brasil, como apontado na decisão recorrida, deve ser declarado nulo o  ato lavrado por autoridade incompetente.  Invoca  o  art.  146  do  CTN  para  firmar  que,  depois  de  expedido  o  despacho  decisório, a análise da  validade da  compensação  fica  restrita à  fundamentação utilizada no  despacho decisório,  sendo vedado ao Fisco adotar novos critérios  jurídicos após o momento  processual  oportuno.  Transcreve  doutrina  e  defende  a  aplicação  dos  argumentos  dirigidos  a  lançamento também ao despacho decisório emitido com a finalidade de autorizar a cobrança  de  tributos  compensados  pela Recorrente,  correspondente  a  um  lançamento  de ofício  com o  “sinal trocado”. Reporta­se ao princípio da segurança jurídica na forma da doutrina que cita,  concluindo  que  o  erro  de  direito  não  autoriza  a  revisão  do  lançamento  tributário  ou  do  despacho  decisório  que  não  homologa  a  compensação.  Caso  se  constate  vício  na  fundamentação  de  tais  atos  administrativos,  a  conseqüência  deve  ser  o  cancelamento  da  exigência  fiscal  ou  o  deferimento  do  pleito  de  compensação.  Finaliza  citando  ementa  de  decisão judicial em favor de seu entendimento.  No mérito, reporta­se às justificativas para redução da estimativa de IRPJ devida  em dezembro/2004 de R$ 86.729.499,25 para R$ 44.637.246,90, inicialmente esclarecendo os  motivos para exclusão de receitas anteriormente adicionadas no valor de R$ 202.321.051,30,  discorrendo  sobre  a  interconexão  de  redes  resultante  de  chamadas  de  longa  distância,  envolvendo  a  operadora  de  rede  de  longa  distância,  bem  como  as  operadoras  que  disponibilizam  a  infraestrutura  de  origem  e  de  destino  da  ligação,  dentre  as  quais  apenas  a  primeira recebe o valor da ligação, e repassa às duas últimas o valor correspondente ao uso da  infraestrutura de redes.  Esclarece que ao final de cada período de apuração reconhecia contabilmente a  receita a receber em razão de cessão dos meios de rede para encaminhamento das chamadas  para outras operadoras, emitindo Documento de Declaração de Tráfego – DETRAF em face  da  outra  operadora.  Todavia,  a  complexidade  dos  cálculos  freqüentemente  resulta  em  divergências  em  relação  aos  valores  devidos,  e  a  contestação  destes  resulta  em  anulação  da  receita por meio de uma conta retificadora de receita, cujo valor é adicionado ao lucro real até  que o processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras.  Diante deste contexto,  inexiste violação ao regime de competência, bem como  são inaplicáveis as regras de PDD, porque não se trata de inadimplemento, mas sim de estorno  de  receita.  Argumenta  que,  segundo  as  normas  contábeis,  as  receitas  só  devem  ser  Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 9          8 reconhecidas  para  fins  contábeis  quando  haja  fundada  certeza  na  sua  existência  e  mensuração, ao passo que os cálculos em questão são passíveis de erro, não podendo ser causa  de  aumento do  lucro,  submetendo­se  a ajustes  ante  a grande possibilidade de  incorreção nos  cálculos. Assim, as outras companhias telefônicas não eram “devedoras” da Recorrente, pois  ainda não havia dívida líquida, certa e vencida até o julgamento das contestações.  Se, como entendeu a autoridade fiscal, a apuração do IRPJ nos anos­calendário  2002 e 2003 fosse retificada para tais ajustes, a incidência de juros seria prejudicial ao Fisco.  Por sua vez, o art. 273 do RIR/99 somente autoriza  lançamento de ofício nos caos em que a  inobservância  do  regime  de  competência  resulta  em  postergação  do  imposto  ou  redução  indevida  do  lucro  real.  E  no  presente  caso  houve  antecipação  do  pagamento  do  imposto,  equivalente à contabilização posterior de custo ou dedução.  Quanto à prova das exclusões, diz que em dezembro/2004, após as discussões  técnicas  entre  as  empresas,  foram  consideradas  procedentes  parte  das  contestações  apresentadas, concluindo que o valor de R$ 202.321.051,30 efetivamente foi faturado a maior.  A  exclusão  deste  valor  está  demonstrada  no  LALUR  à  fl.  1380,  e  quadro  demonstrativo  identifica  os  valores  adicionados  ao  LALUR  e  o  saldo  das  respectivas  contas  contábeis  de  interconexão contestada. Reportando­se a registros na Parte B do LALUR, indica que do total  de adições no valor de R$ 322.352.345,16, ainda restaria saldo de R$ 120.031.293,86 a excluir.  Por sua vez, a escrituração contábil e fiscal juntada às fls. 909/1668 comprovaria  os  lançamentos  registrados  no  LALUR,  e  seria  mais  do  que  suficiente  para  demonstrar  a  origem da redução do lucro tributável em dezembro/2004. Aduz que a decisão recorrida expõe  recusa genérica aos documentos, e parece se esquivar da sua análise, desqualificando­s sob a  frágil e insustentável alegação de que teriam sido apresentados apenas extratos gerados pelo  seu  sistema  de  gestão,  desprovidos  de  qualquer  valor  para  os  fins  exigidos  pela  legislação  fiscal  e  comercial.  Diz  que  a  documentação  apresentada  reflete  com  exatidão  as  partidas  registradas no livro razão da Requerente, escriturado em sistema de processamento eletrônico  de dados denominado SAP, e que esta impressão sequer é exigida pelos atos normativos.  Observa  que  a  DRJ  entendeu  dispensável  a  perícia  porque  os  elementos  necessários para a solução do litígio já estariam nos autos e que a apresentação dos extratos do  SAP busca facilitar o trabalho fiscal, vez que a análise do Livro Diário é impraticável conforme  amostragem que junta ao recurso voluntário. Finaliza destacando que  listou em tabelas acima  as páginas do LALUR 2002 e 2003 em que se encontram as adições de receitas contestadas, e  no LALUR 2004 as exclusões (bem como o controle na Parte B).  Com  referência  à  alteração  do  incentivo  fiscal  do  Lucro  da  Exploração,  demonstrou que ela decorreu exclusivamente da emissão do Laudo Constitutivo nº 0111/2002  para  sua  filial no Espírito Santo e, conseqüentemente, a  inclusão das  respectivas  receitas no  cálculo de receitas incentivadas. Reporta­se à jurisprudência administrativa no sentido de que  a  apresentação  de  pedido  de  reconhecimento  do  direito  à  redução  do  IRPJ  não  é  requisito  para fruição do benefício, e conclui que a decisão recorrida apenas manifesta inconformidade  com a jurisprudência deste Conselho.  Por fim, quanto aos questionamentos acerca da retificação de DIPJ que anulou a  estimativa  devida  em  dezembro/2004,  argumenta  que  o  indébito  daí  decorrente  não  foi  utilizado nesta compensação, de modo que sua argüição é impertinente.   Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 10          9 Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário para homologar a  compensação  declarada  ou,  então,  seja  declarada  a  nulidade  do  despacho  decisório  porque  proferido por autoridade incompetente.      Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 11          10 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A recorrente argúi a homologação tácita da compensação em razão da nulidade  do despacho decisório anterior. Em seu entendimento, o fato de esta Turma de Julgamento ter  concluído pela  invalidade dos motivos apontados pelo primeiro despacho decisório para não  homologar as compensações representaria a anulação do mesmo.  Como bem observa a recorrente, esta Turma de Julgamento, acolhendo proposta  de  voto  apresentada  por  esta  Relatora,  já  declarou  a  nulidade  de  despachos  decisórios  por  vícios de motivação. Neste sentido, o Acórdão nº 1101­000.882 restou assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2003   DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DOS  MOTIVOS  PARA  NÃO  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  NULIDADE.  É nulo o despacho decisório que omite os motivos do não­reconhecimento do direito  creditório.  A não homologação, naquele caso, resultou da falta de comprovação de parcelas  de  composição  do  crédito  correspondente  a  saldo  negativo  de  IRPJ,  na  medida  em  que  retenções  na  fonte  não  haviam  sido  comprovadas  ou  apenas  comprovadas  parcialmente.  A  ausência de qualquer esclarecimento fundamentando estas constatações restou patente quando,  no julgamento de 1a instância, foram demonstrados, na decisão recorrida, os procedimentos que  teriam  sido  adotados  para  as  correspondentes  glosas.  De  toda  sorte,  as  evidências  assim  reunidas ainda se mostravam inferências promovidas pela autoridade julgadora de 1a instância,  em face das quais esta Relatora assim se manifestou:  De  toda  sorte,  resta  patente  que  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  somente  conseguiu apreciar as razões de defesa da contribuinte porque dispunha de acesso aos  sistemas  informatizados  da  Receita  Federal,  de  modo  a  agregar  conteúdo  às  justificativas apresentadas no despacho decisório. Em conseqüência, somente ao tomar  ciência desta decisão em 27/02/2012, a contribuinte pôde se defender plenamente dos  motivos  agregados  ao  despacho decisório  como  justificativas  para  não­homologação  das compensações declaradas de 14/01/2004 a 20/10/2006.  É  certo  que  relativamente  aos  efeitos  da  não  homologação,  ou  indeferimento,  da  compensação  veiculada  no  processo  administrativo  nº  13708.001134/2003­83,  possivelmente a  contribuinte  tivera  ciência das  razões para aquele ato,  de modo que  poderia  inferir  as  razões  para  a  confirmação  parcial  da  estimativa  utilizada  na  composição  do  saldo  negativo.  Todavia,  a  ausência  desta  justificativa  expressa  no  despacho  decisório  impede  a  apreciação,  pela  autoridade  julgadora,  das  razões  de  defesa da contribuinte. De fato, não é possível dar ou deixar de dar razão à recorrente  no suposto de que fosse aquele o motivo para a glosa da estimativa na determinação do  saldo negativo.  Diante  deste  contexto,  clara  está  a  nulidade  do  despacho  decisório  de  não­ homologação das compensações,  resultante da omissão das  razões de convencimento  daquele  ato,  consoante  lecionam  Marcos  Vinicius  Neder  e  Maria  Teresa  Martinez Lopez  in Processo Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora  Dialética, São Paulo, 2002):  Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 12          11 A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional  do  julgador. Ou  seja,  a decisão  deve harmonizar­se  com a  fundamentação,  de  sorte  a  estabelecer­se, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e,  ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à  conclusão  a  que  se  chega,  apta  ao  convencimento  de  terceiros.  Assim,  além  de  a  autoridade administrativa apresentar as  razões de  fato e de direito que a  levaram para  determinada  conclusão,  também  deve  demonstrar  o  nexo  causal  existente  entre  elas.  Destarte,  a  omissão  das  razões  de  convencimento,  o  descompasso  lógico  entre  as  conclusões  e  as  premissas  (carência  de  motivação  intrínseca)  e  a  omissão  de  fato  decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de  motivação, ambos passíveis de invalidação.   O resultado desta omissão é o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que  não  tem a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de  seu crédito nas duas  esferas  do  contencioso  administrativo.  Daí  a  nulidade  prevista  no  Decreto  nº  70.235/72:  Art 59. São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II ­ Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição  do direito de defesa.  §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente  dependam ou sejam conseqüência.  § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as  providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.  3º Quando  puder  decidir  do mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria  a  declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o  ato ou suprir­lhe a falta.   Considerando  que  a  nulidade  afeta  o  ato  que  impediria  a  homologação  tácita  das  compensações, impõe­se reconhecer que nesta data não é mais possível erigir qualquer  questionamento  contra  as  compensações  aqui  apreciadas.  Inócuo,  assim,  declarar  a  nulidade,  apenas,  da  decisão  recorrida,  com vistas  a  restabelecer­se  integralmente  o  direito de defesa da contribuinte a partir da exposição dos motivos que poderiam ter  fundamentado a não­homologação das compensações.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário, para afastar o ato de não­homologação questionado.  Nestes termos, os vícios que conduzem à nulidade do ato decisório são, apenas,  aqueles que resultam em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Naquele caso, a  omissão das razões de convencimento da autoridade administrativa que produziu o ato de não­ homologação impediu que o sujeito passivo de defendesse das glosas de deduções computadas  na composição do saldo negativo utilizado em compensação.   Naquela mesma sessão de julgamento também foi exarado o Acórdão nº 1101­ 000.883,  declarando  a  nulidade  de  despacho  decisório  de  não  homologação,  também  por  omissão dos motivos de não reconhecimento do direito creditório, nos mesmos termos acima  expostos. Todavia, referido acórdão foi embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em  razão  de  obscuridade,  requerendo  esclarecimentos  acerca  do motivo  pelo  qual  a  Turma  não  considerou, como causa interruptiva do prazo previsto no citado dispositivo legal, o despacho  decisório emitido em 04/05/2011, que não homologou as DCOMPs apresentadas.  Para suprir o vício apontando, os embargos foram acolhidos, assim expondo esta  Relatora no voto condutor do Acórdão nº 1101­000.933:   Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 13          12 Assim, ante a omissão das razões de convencimento daquele ato, declarou­se a nulidade  do  despacho  decisório  de  não­homologação  das  compensações,  com  fundamento  no  art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, dado o cerceamento ao direito de defesa da  contribuinte, que não teve a oportunidade de discutir adequadamente o mérito de seu  crédito nas duas esferas do contencioso administrativo.   Neste ponto, esta Relatora entendeu pertinente esclarecer que a declaração de nulidade  do  despacho  decisório  se  impunha  por  não  ser  mais  possível  reparar  os  efeitos  do  cerceamento ao direito de defesa mediante declaração de nulidade, apenas, da decisão  recorrida,  de  modo  a  facultar  nova  defesa  à  interessada  a  partir  da  exposição  dos  motivos que poderiam ter fundamentado a não­homologação das compensações. E isto  porque  na  data  do  julgamento  do  recurso  voluntário  (11/04/2013),  já  havia  transcorrido  o  prazo  previsto  para  formulação  do  ato  de  não­homologação  das  compensações, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelas  Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003:  Art.  74. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)   § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito  passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e  aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  §  2o  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.  (Incluído pela Lei nº  10.637, de 2002)  [...]§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo  será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.  (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  [...]§  7o  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa  deverá  cientificar  o  sujeito  passivo  e  intimá­lo  a  efetuar,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União,  ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.833, de 2003)   §  10. Da  decisão  que  julgar  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)   §  11.  A  manifestação  de  inconformidade  e  o  recurso  de  que  tratam  os  §§  9o  e  10  obedecerão  ao  rito  processual  do  Decreto  no  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  enquadram­se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional,  relativamente  ao  débito  objeto  da  compensação.  (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)  [...] (negrejou­se)  Nestes  termos,  a  compensação  declarada  à  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário. Esta extinção somente deixa de  existir  se a autoridade  competente  edita o  ato  de  não­homologação  da  compensação  em  até  5  (cinco)  anos  da  entrega  da  DCOMP.  Transcorrido  este  prazo  sem  a  manifestação  da  autoridade  competente,  o  crédito tributário está definitivamente extinto pela compensação.   Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 14          13 Contudo, para desfazer o efeito extintivo da DCOMP, o ato de não­homologação deve  ser válido, ou ao menos passível de convalidação. E requisito essencial de validade dos  despachos ou  decisões  administrativas  – modalidade  na  qual  se  inclui  o  ato de  não­ homologação  –  é  a  sua  elaboração  sem  cerceamento  ao  direito  de  defesa  do  interessado,  ou  seja,  com  exposição  dos  motivos  que  sustentam  o  ato,  como  bem  exposto por Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez  in Processo  Administrativo Fiscal Comentado (p. 414, Editora Dialética, São Paulo, 2002),  no excerto doutrinário transcrito no acórdão embargado:  A motivação do ato deve observar os princípios da congruência e da presunção racional  do  julgador. Ou  seja,  a decisão  deve harmonizar­se  com a  fundamentação,  de  sorte  a  estabelecer­se, entre elas, um liame de lógica formal do tipo premissa/conseqüência e,  ainda, não deve refletir apenas a convicção do julgador, mas ser premissa necessária à  conclusão  a  que  se  chega,  apta  ao  convencimento  de  terceiros.  Assim,  além  de  a  autoridade administrativa apresentar as  razões de  fato e de direito que a  levaram para  determinada  conclusão,  também  deve  demonstrar  o  nexo  causal  existente  entre  elas.  Destarte,  a  omissão  das  razões  de  convencimento,  o  descompasso  lógico  entre  as  conclusões  e  as  premissas  (carência  de  motivação  intrínseca)  e  a  omissão  de  fato  decisivo para o juízo (carência de motivação extrínseca), caracterizam falta ou vício de  motivação, ambos passíveis de invalidação.  E, caso não se admita a classificação do ato de não­homologação como despacho ou  decisão na forma do art. 59,  inciso II do Decreto nº 70.235/72,  importa  ter em conta  que  sua  subsistência  como  ato  administrativo  de  qualquer  espécie  dependeria,  necessariamente, de motivação nos termos da Lei nº 9.784/99:  Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos  fundamentos jurídicos, quando:   I ­ neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;  [...]  §  1o  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  [...]  Nestes  termos,  a  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente  para  sustentar  a  afirmação  de  inexistência  do  direito  creditório  apontado  pelo  sujeito  passivo  na  DCOMP. Isto porque, se assim não fosse, bastaria à autoridade administrativa iniciar  os  trabalhos  de  análise  da  compensação,  e  apontar  algum  vício  aparente,  para  se  desincumbir  do  ônus  que  o  legislador  lhe  impôs  de  declarar  a  inadmissibilidade  da  compensação no prazo legal.  Por certo há despachos decisórios que, mesmo não abordando por completo o mérito  da  compensação,  prestam­se  como  causa  interruptiva  do  prazo  legal  de  não­ homologação.  É  o  caso,  por  exemplo,  das  análises  que  se  restringem  a  aspectos  preliminares  da  compensação,  como  legitimidade,  prescrição  ou  possibilidade  do  pedido. O mesmo  se  diga  em  relação  aos  atos  de  não­homologação  decorrentes  da  impossibilidade  de  análise  do  direito  creditório  por  falta  de  colaboração  do  sujeito  passivo que tem o dever de guarda da documentação de suporte do crédito tributário.  E  também  os  atos  de  não­homologação  que  se  fundam  em  expressos  indícios  consistentes e convergentes acerca da inexistência do direito creditório. Contudo, em  tais  circunstâncias há  ato  válido,  devidamente motivado,  que permite  a  defesa  pelo  interessado,  e assim  impede a homologação  tácita da  compensação pelo  transcurso  do prazo legal. Em tais condições, novas análises pela autoridade administrativa são  possíveis  durante  o  contencioso  administrativo,  de  modo  a  solucionar  dúvidas  decorrentes da defesa que o sujeito passivo pode validamente produzir.   Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 15          14 Mas,  se  aqueles  óbices  preliminares  não  são  opostos,  e  a  análise  da  compensação  centra­se  na  própria  existência  do  direito  creditório,  a  não­homologação  somente  existe, como ato administrativo, quando expressa motivos que a sustentem. A existência  formal do ato, praticado por autoridade competente e cientificado ao sujeito passivo,  de  nada  vale  quando  o  seu  conteúdo  não  reúne  razões  compreensíveis  para  a  não­ homologação da compensação. Haveria burla ao prazo legal de não­homologação das  compensações  caso  se  admitisse  irrestritamente  que  novas  análises  fossem  exteriorizadas pela autoridade administrativa durante o contencioso administrativo, ou  a partir da declaração de nulidade do despacho decisório.  No presente caso, a análise material do direito creditório possivelmente foi realizada,  mas  como  não  foi  exteriorizada  por  completo  no  ato  administrativo  cientificado  ao  sujeito  passivo,  ela  não  integrou  sua  motivação  em  tempo  hábil.  Ou  seja,  motivos  existem, mas eles não integram o ato administrativo em debate. Trata­se de um vício à  primeira vista formal – na formatação do ato –, mas que repercute no próprio conteúdo  do  ato  administrativo  cientificado  ao  sujeito  passivo,  e  assim  revela  seus  reais  contornos  de  vício  material,  que  somente  poderia  ser  convalidado  se  o  Fisco  ainda  dispusesse de tempo para não­homologação das compensações.   Por  sua  vez,  a  DCOMP  transmitida mais  recentemente  pelo  sujeito  passivo  data  de  03/12/2007,  e  o  prazo  para  sua  não­homologação  expirou  em  03/12/2012.  Logo,  em  11/04/2013, quando apreciado o recurso voluntário, nada mais poderia ser feito para  suprir o vício de motivação constatado no despacho decisório que motivou o presente  litígio.  Como  referido  despacho  decisório  não  reunia  os  requisitos  de  validade  para  caracterizar­se  como  causa  interruptiva  do  prazo  legal  de  não­homologação,  pertinente foi a declaração de sua nulidade no voto condutor do acórdão embargado.   Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  ACOLHER  os  embargos  de  declaração,  para  suprir  a  omissão  apontada,  mas  sem  lhes  dar  efeitos  infringentes,  subsistindo o provimento dado ao recurso voluntário. (negrejou­se)  No  presente  caso,  o  primeiro  despacho  decisório  resultou  de  análises  preliminares  da  compensação,  das  quais  resultou  a  conclusão  de  que  não  seria  possível  a  formação de qualquer indébito a partir de um recolhimento a título de estimativa. A motivação,  neste  contexto,  foi  válida  e  coerente  com  as  conseqüências  dela  decorrentes,  permitindo  à  contribuinte compreender as razões da não homologação e manifestar sua defesa contra o ato  decisório que lhe foi cientificado.   Evidente, portanto, que a anterior decisão desta Turma, ao acolher as alegações  da recorrente e afastar a motivação exposta pela autoridade administrativa competente, não está  declarando a nulidade do despacho decisório  anteriormente  editado. Se assim fosse,  todas as  decisões favoráveis aos sujeitos passivos, no âmbito do contencioso administrativo, resultariam  em  nulidade  dos  atos  decisórios  contestados.  A  nulidade  somente  se  verifica  quando  o  ato  administrativo  é  inválido  para  produzir  qualquer  efeito,  em  razão  da  inobservância  dos  requisitos essenciais para sua conformação regular.  Destaque­se, inclusive, que o voto de lavra desta Relatora, condutor do Acórdão  nº 1101­00.329 proferido nestes  autos,  assim antecipou a  abordagem da questão  agora posta  pela recorrente:  E  isto  porque,  ao  contrário  do  que parece  pretender  a  recorrente,  o  fato  de  o único  fundamento  da  decisão  ser  a  impossibilidade  de  aproveitamento  de  indébitos  decorrentes  de  recolhimentos  estimados,  não  permite  concluir  pela  integridade  da  formação  do  crédito.  A  autoridade  administrativa  centrou  sua  decisão  em  aspecto  preliminar,  qual  seja,  a  possibilidade  do  pedido,  e  assim  não  analisou  a  efetiva  Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 16          15 existência  do  crédito.  Superada  esta  preliminar,  necessário  se  faz  a  apreciação  do  mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para  homologação da compensação.  Registro,  inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no  sentido  de  que,  enquanto  a  contribuinte  não  for  cientificada  de  uma  nova  decisão  quanto  ao mérito  de  sua  compensação,  os  débitos  compensados  permanecem  com  a  exigibilidade  suspensa,  por  não  se  verificar  decisão  definitiva  acerca  de  seus  procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações  promovidas,  deve­lhe  ser  facultada  nova  manifestação  de  inconformidade,  possibilitando­lhe  a  discussão  do  mérito  da  compensação  nas  duas  instâncias  administrativas de julgamento.  Significa dizer que o primeiro ato de não homologação foi válido, mas superada  a  preliminar  que  o  justificou  a  homologação  da  compensação  fica  dependente  da  análise  do  direito creditório utilizado pelo sujeito passivo, subsistindo o litígio administrativo em torno da  compensação até que a autoridade administrativa dê continuidade na análise de mérito e, caso  constate aspectos em desfavor do sujeito passivo, permita­lhe produzir a competente defesa nas  duas instâncias administrativas de julgamento.  Como bem observado na  decisão  recorrida,  se  a Turma  Julgadora  pretendesse  declarar  a nulidade do despacho decisório  inicialmente produzido nestes  autos, outra deveria  ter sido a condução do julgado:  É  cediço  que,  sempre  que  declarada  a  nulidade  do  ato,  a  autoridade  julgadora  expressamente  manifesta  o  fato,  apontando  os  atos  inquinados  e  determinando  as  providências necessárias à regularização do feito. Este é o comando que se extrai do  art. 59, § 2º, do PAF, bem como do caput do art. 249 do CPC:  PAF,  art.  59,  §  2.º.  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução do processo.  CPC,  art.  249.  O  juiz,  ao  pronunciar  a  nulidade,  declarará  que  atos  são  atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos,  ou retificados.  No  caso  em  tela,  o  colegiado  de  instância  superior  houve  por  bem  limitar­se  a  “reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa,  mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade  preparadora”. Fez, assim, incidir a hipótese consignada no § 1º do já transcrito artigo  do CPC, que assim estabelece:  CPC, art. 249. § 1.º O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não  prejudicar a parte.  Ou seja, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa –  locus do prejuízo para a  interessada no despacho decisório –  foi,  de plano, afastada  pelo CARF, restando ao E. Conselho, por conseguinte, determinar o avanço da análise  do caso, sem que se fizesse necessário, tanto que não feito, pronunciar a nulidade do  despacho decisório.  Impróprio,  também,  afirmar nulo o  ato decisório porque nele  estão veiculados  fundamentos jurídicos inadequados para denegação do pleito do contribuinte. A mencionada  “inadequação” deve ser avaliada sob a ótica do direito de defesa do sujeito passivo, de modo  que  uma motivação, mesmo  inadequada,  não  resultará  em  nulidade  do  ato  se  sua  exposição  permitir ao sujeito passivo se defender regularmente.  Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 17          16 Quanto à ausência de previsão legal para suspensão ou reinício da fluência do  prazo decadencial de que dispõe o Fisco para analisar as compensações,  cumpre esclarecer  que  a  lei  apenas  fixa  prazo  para  a  não­homologação  da  compensação,  e mantém  os  débitos  compensados com exigibilidade suspensa até que o contencioso administrativo decida sobre a  sua  homologação.  O  mencionado  prazo  foi  observado,  editando­se  o  primeiro  ato  de  não  homologação válido e, assim, hábil a impedir a homologação tácita da compensação. A partir  daí,  a  extinção  definitiva  do  crédito  tributário  objeto  de  compensação  somente  poderá  se  verificar  por  homologação  expressa,  quer  pela  autoridade  administrativa  que  venha  a  reconhecer o direito creditório utilizado em compensação, quer pela autoridade julgadora que  assim declare. Neste interregno, o crédito tributário permanece com exigibilidade suspensa, e  ao  final  do  contencioso  administrativo  poderá  ser  extinto  pela  mencionada  homologação  expressa, ou restabelecido para cobrança, em razão de decisão desfavorável ao sujeito passivo.  Logo,  não  têm  lugar,  aqui,  as  referências  trazidas  pela  recorrente  acerca  da  homologação tácita de compensações depois de transcorridos 5 (cinco) anos da apresentação da  DCOMP, porque concernentes a decisões que declararam a nulidade do despacho decisório que  pretendeu não homologá­las, circunstância ausente nestes autos.  Mais  à  frente,  a  recorrente  invoca  o  disposto  no  art.  146  do CTN,  e  doutrina  acerca do tema, para opor­se à adoção de novos critérios jurídicos após o momento processual  oportuno.  Assevera  que  o  CARF  verificou  a  existência  de  erro  de  direito  no  despacho  decisório  anterior  –  impossibilidade  de  compensação  de  pagamento  a maior  de  estimativas  antes do encerramento do ano­calendário – o que não autoriza a revisão do ato administrativo  pela DRF.  Como  já  dito,  a  análise  da  compensação  foi  interrompida  em  aspectos  preliminares,  e  o  primeiro  ato  de  não  homologação  restou  validamente  motivado  pelas  constatações nele expostas. Esta preliminar foi superada durante o contencioso administrativo,  e  o  julgamento  acerca  desta  matéria  tornou­se  definitivo  no  âmbito  administrativo.  Assim,  apenas  em  relação  a  este  aspecto  preliminar  a  autoridade  administrativa  está  impedida  de  deduzir outros critérios jurídicos para sustentá­la. Admitida a possibilidade de compensação de  indébito  resultante  de  pagamento  a  maior  de  estimativas  antes  do  encerramento  do  ano­ calendário,  a  autoridade  administrativa  pode  retomar  as  análises  antes  interrompidas,  manifestando­se pela primeira vez a respeito do mérito da compensação, o que não caracteriza  a revisão aventada pela recorrente.   Tem razão a recorrente quando discorre sobre a impossibilidade de alteração de  critério jurídico do lançamento, especialmente porque o Decreto nº 7.574/2011 assim orienta:  Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do  processo,  forem  verificadas  incorreções,  omissões  ou  inexatidões,  de  que  resultem  agravamento  da  exigência  inicial,  inovação ou alteração da  fundamentação  legal  da  exigência,  será efetuado  lançamento complementar por meio da  lavratura de auto de  infração  complementar  ou  de  emissão  de  notificação  de  lançamento  complementar,  específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o,  com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o).  §1o O lançamento complementar será formalizado nos casos:  I  ­  em  que  seja  aferível,  a  partir  da  descrição  dos  fatos  e  dos  demais  documentos  produzidos  na  ação  fiscal,  que  o  autuante,  no  momento  da  formalização  da  exigência:  Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 18          17 a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou   b)não  incluiu  na  determinação  do  crédito  tributário  matéria  devidamente  identificada; ou   II ­ em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade  lançadora  quando  da  ação  fiscal  e  relacionados  aos  fatos  geradores  objeto  da  autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial.  §2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo  de:  I ­ complementar o lançamento original; ou   II  ­  substituir,  total  ou  parcialmente,  o  lançamento  original  nos  casos  em  que  a  apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser  efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada.  §3o  Será  concedido  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  da  ciência  da  intimação  da  exigência  complementar,  para  a  apresentação  de  impugnação  apenas  no  concernente  à  matéria modificada.  §4o O auto de  infração ou  a notificação de  lançamento de que  trata o caput  devem ser  objeto  do  mesmo  processo  em  que  for  tratado  o  auto  de  infração  ou  a  notificação  de  lançamento complementados.  §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será  objeto de um único acórdão. (negrejou­se)  Os  limites  assim  fixados  para  o  lançamento  complementar  implicitamente  vedam a  alteração da  interpretação  jurídica  acerca de  fatos  que  já  eram de conhecimento da  autoridade lançadora.  Já no âmbito do processo decisório da compensação, a autoridade administrativa  dispõe de um prazo decadencial para se manifestar e evitar a homologação  tácita prevista na  lei. Por  sua vez,  inexiste qualquer vedação à  fundamentação do ato de não homologação em  aspectos preliminares, de modo que a contribuinte permanece sujeita a verificações acerca de  seu  indébito  enquanto  esta  análise  não  for  realizada,  ou  restar  dispensada  por  decisão  administrativa  que,  definitivamente,  acolha  a  preliminar  suscitada  pela  autoridade  administrativa como impeditiva da compensação.   Somente  se  a  autoridade  administrativa  supera  as  preliminares,  e  esgota  sua  competência manifestando­se acerca do mérito da compensação, é possível cogitar da adoção  de critérios jurídicos, implícitos ou explícitos, não mais passíveis de alteração. Já no presente  caso,  sendo a primeira vez que a autoridade administrativa  se manifesta acerca do mérito do  direito creditório, não se verifica qualquer alteração de critério jurídico, mas apenas o regular  desenvolvimento do procedimento de análise da compensação, dentro da dialética processual  no âmbito administrativo.  Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a preliminar de  homologação tácita das compensações aqui veiculadas.  Prosseguindo, a recorrente afirma a inequívoca natureza de despacho decisório  do  ato  administrativo  de  2013  que  não  homologou  a  compensação  por  novos  fundamentos,  discordando  da  interpretação  exteriorizada  pela  autoridade  julgadora  de  1a  instância,  e  inclusive  suscitando a nulidade do despacho decisório proferido,  caso  ele  tenha sido  lavrado  por autoridade incompetente.  Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 19          18 Disse a autoridade julgadora de 1a instância:  Não  por  acaso,  para  cumprir  a  decisão  de  segunda  instância,  a  autoridade  preparadora  não  precisou  se  valer  de  novo  despacho  decisório,  documento  que  –  necessariamente da lavra do titular da Unidade da circunscrição do sujeito passivo –  decide,  sempre  com  base  em  parecer  conclusivo  emitido  por  AFRFB,  pela  homologação  ou  não  da  compensação  revisada.  Tal  procedimento  foi  realizado  somente  quando  da  análise  inicial.  Para  a  complementação  da  análise  determinada  pelo acórdão CARF, bastou a emissão de novo parecer, que entendo como instrumento  meramente complementar ao primeiro.  Não  procede  a  argumentação  assim  exposta.  A  análise  do  mérito  da  compensação,  depois  de  superada  a  preliminar  de  possibilidade  da  compensação,  é  ato  decisório que deve observar os  requisitos  legais  e normativos para  sua produção. Ainda que  complementar, referido ato somente pode ser praticado por autoridade competente.  Por sua vez, o Decreto nº 7.574/2011 assim regulamenta a matéria:  Art.112.A  autoridade  administrativa  competente  para  promover  a  homologação  da  compensação  declarada  será  definida  em  ato  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, §§ 2o e 7o).  E a Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, à época, assim dispunha:  Art. 75 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a compensação é o titular  da  DRF,  da  Derat,  da  Demac/RJ  ou  da  Deinf  que,  à  data  do  despacho  decisório,  tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.   §1º Tratando­se de compensação de crédito relativo a tributo incidente sobre operação  de comércio exterior, será competente para reconhecer o direito creditório do sujeito  passivo, para fins do disposto no caput , a autoridade a que se refere o caput ou o § 1º  do art. 70.   §2ºA homologação de compensação de crédito do IPI com débito relativo aos tributos  administrados  pela  RFB  será  promovida  pelo  titular  da  DRF,  da  Derat  ou  da  Demac/RJ que, à data da homologação,  tenha jurisdição sobre o domicílio tributário  do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou os referidos créditos.   §3º A homologação de compensação de crédito relativo ao ITR com débito relativo aos  tributos  administrados  pela  RFB  será  promovida  pelo  titular  da DRF,  da Derat,  da  Demac/RJ ou da Deinf em cuja jurisdição territorial estiver localizado o imóvel.   §4º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º aplica­se inclusive à compensação de débito  relativo ao ITR.   §5º O  AFRFB  que,  em  procedimento  de  fiscalização,  verificar  que  o  sujeito  passivo  promoveu compensação  indevida de débitos relativos aos  tributos administrados pela  RFB  deverá  imediatamente  representar  à  autoridade  da  RFB  competente  para  proceder à análise da compensação. (negrejou­se)  Por sua vez, o despacho decisório em discussão foi editado por Auditora­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  lotada  na  DIORT/DEMAC/RJO,  que  assim  explicitou  sua  competência para decidir a matéria:  Diante de todo o acima exposto, com fundamento nas informações contidas nos autos e  nos  sistemas  informatizados  da  RFB,  considerando­se  que  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito  constituem  requisito  indispensável  para  a  restituição/compensação,  em  Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 20          19 obediência ao disposto no artigo 170 da Lei no. 5.172, de 1966 – Código Tributário  Nacional, e, tudo mais que do processo consta; no uso da competência do artigo 229,  parágrafo 3º, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº  203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista a delegação de competência disposta no  artigo  6º  da  Portaria  DEMAC/RJO  nº  63,  de  18/07/2012,  publicada  no  D.O.U.  de  20/07/2012,  em  consonância  com  o  que  dispõem  os  artigos  75  e  76  da  Instrução  Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, DECIDO: (negrejou­se)  Por  sua  vez,  às  fls.  33/34  da  Seção  1  do  Diário  Oficial  da  União  nº  140,  publicado em 20 de julho de 2012, consta o que segue:  7ª REGIÃO FISCAL  DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES  CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO  PORTARIA No­ 63, DE 18 DE JULHO DE 2012  O DELEGADO  DA DELEGACIA  ESPECIAL  DA  RECEITA  FEDERAL DO  BRASIL  DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO, no uso das atribuições que  lhe  são  conferidas  pelos  artigos  302  e  314  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012,  publicada no DOU de 17 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e  12 do Decreto­Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, regulamentado pelo Decreto nº  83.937, de 6 de setembro de 1979, com as alterações do Decreto nº 86.377, de 17 de  setembro de 1981, resolve:  [...]  Art.  5  º  Delegar  Competência  aos  Auditores­Fiscais  Chefes  das  Equipes  de  Arrecadação  e  Cobrança  da  Diort  e,  em  suas  faltas  ou  impedimentos,  ao  substituto  eventual, para:  I ­ reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de  declaração  de  compensação,  bem  assim  homologar  compensação  de  créditos  tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  cujo  valor  histórico  creditício  a  restituir  e  a  compensar  encerrem  a  importância  igual  ou  inferior  a  R$  5.000.000,00 (cinco milhões de reais);  [...]  Art. 6 º Delegar Competência aos Auditores­Fiscais em exercício na Diort para:  I ­ reconhecer direito creditório decorrente de pedido de restituição, ressarcimento e de  declaração  de  compensação,  bem  assim  homologar  compensação  de  créditos  tributários, se for o caso, em processo administrativo relativo a tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  cujo  valor  histórico  creditício  a  restituir  e  a  compensar  encerrem  a  importância  igual  ou  inferior  a  R$  1.000.000,00 (um milhão de reais);  [...]  V  ­  decidir  sobre  restituição,  compensação  ou  ressarcimento  quando  o  pedido  for  considerado  não  formulado  ou  a  compensação  considerada  não  declarada  ou  ainda  quando a compensação for totalmente não homologada. (negrejou­se)  Nestes  termos,  qualquer  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  exercício na DIORT/DEMAC/RJ poderia não­homologar compensação, independentemente do  direito  creditório  em  litígio,  o  que  evidencia  a  competência  da  autoridade  que  produziu  o  despacho decisório aqui em debate.  Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 21          20 Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  despacho  decisório  de  fls.  1684/1690,  sob  a  alegação  de  incompetência  da  autoridade que o exarou.  No  mérito,  constata­se  nos  autos  que,  intimada  a  justificar  a  redução  da  estimativa  devida  em  dezembro/2004  de  R$  86.729.499,25  para  R$  44.637.246,90  (fl.  704/705),  depois  de  pedir  prorrogação  de  prazo  para  atendimento  e  ser  por  duas  vezes  reintimada  (fls.  709/851),  a  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  de  fls.  857/908  nos  quais destaca­se a informação de que o crédito não decorre de alterações no resultado contábil  da  Companhia,  mas  sim  de  aproveitamento  de  benefício  fiscal  de  Lucro  da  Exploração  e  exclusões de perdas antes adicionadas, compensadas com a adição de multas indedutíveis (fls.  857/908).  No que tange à exclusão de perdas antes adicionadas, a contribuinte apresentou  cópias do LALUR e consolidou os ajustes no seguinte quadro demonstrativo:       Indicou,  assim,  a  exclusão  de  R$  202.321.051,30,  vinculada  às  adições  anteriores  que  totalizaram R$  322.352.345,16,  como  justificativa  para  a  redução  da  base  de  cálculo  estimada  de  dezembro/2014.  E,  à  semelhança  do  que  dito  em  recurso  voluntário,  desenvolveu  argumentação  para  justificar  o  reconhecimento  de  receitas,  posteriormente  questionadas  pela  operadora de  rede  de  longa distância,  ensejando o  registro  correspondente  em  conta  retificadora  de  receita,  associada  à  correspondente  adição  ao  lucro  real  até  que  o  processo de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras.   A autoridade  fiscal  firmou o  entendimento de que  tais  exclusões,  em verdade,  corresponderiam a ajustes de exercícios anteriores, e assim não poderiam alterar a apuração de  dezembro/2004.  Todavia,  a  recorrente  alega  que  os  ajustes  dependeriam  da  conclusão  definitiva  do  processo  de  contestação,  fato  que,  se  comprovado,  poderia  justificar  o  registro  postergado dos efeitos da perda, na medida em que seu provisionamento seria indedutível para  fins de apuração do lucro real.  Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 22          21 Ainda, restou consignado no despacho decisório que as adições passadas de tais  perdas  teriam  sido  registradas  como  provisão  para  devedores  duvidosos,  porém  o  registro  mencionado como exemplo, no valor de R$ 46.315.351,34 (fl. 1049), está descrito no LALUR  como  “Provisão  para Perdas  no Contas Receber”,  histórico  compatível  com  a  retificação  de  receitas que a contribuinte alega ter contabilizado e adicionado ao lucro real até que o processo  de contestação seja definitivamente concluído entre as operadoras. Aliás, observa­se que na  mesma demonstração do lucro real há o registro, algumas linhas acima, da adição de provisão  para devedores duvidosos, motivador de adição no valor de R$ 445.914.250,20.  Assim,  a  admissibilidade  das  exclusões  promovidas  pela  contribuinte  na  apuração  de  dezembro/2004  depende  da  comprovação  de  que  o  processo  de  contestação  iniciado com a operadora de  longa distância estivesse definitivamente concluído,  tornando­se  definitiva a perda de receita inicialmente provisionada e adicionada ao lucro real. Ou seja, não  basta a contribuinte demonstrar que as exclusões promovidas em dezembro/2004 são inferiores  à soma das adições anteriores. É indispensável a prova de que o valor excluído é composto por  perdas se tornaram definitivas até dezembro/2004.  Equivocada,  portanto,  a  alegação  de  que  a  comprovação  dos  lançamentos  registrados no LALUR seria mais do que suficiente para demonstrar a origem da redução do  lucro  tributável  em  dezembro/2004.  A  exclusão  deve  estar  vinculada  a  perdas  efetivas,  sob  pena  de  os  valores  em  discussão  ainda  se  caracterizarem  como  provisão  e  permanecerem  indedutíveis.  No  que  tange  à  alteração  do  Lucro  da  Exploração,  a  contribuinte  juntou  à  resposta da intimação fiscal demonstrativo da apuração do lucro real do ano­calendário 2004,  na  qual  a  exclusão  correspondente  passa  de  R$  79.871.614,82  para  R$  87.082.683,79  (fls.  924/925), acompanhado de planilha de recálculo do incentivo (fl. 926), com detalhamento das  operações por Estado da Federação, a evidenciar a diferença registrada em relação às operações  no Estado do Espírito Santo (fl. 927).  A planilha de fl. 927 aponta que a contribuinte não alocou qualquer parcela de  receita auferida no Estado do Espírito Santo, no valor de R$ 667.104.184,00, como beneficiada  pelo incentivo do Lucro da Exploração, ao passo que na retificação posteriormente promovida  este valor  foi dividido nas parcelas de R$ 281.133.188,00 e R$ 385.970.996,00, beneficiadas  com redução de 25% e 75%, respectivamente. A autoridade fiscal, portanto, não atentou para  estas  informações  quando  observou  que  a  contribuinte  não  precisou  se  já  estava  ou  não  usufruindo do incentivo fiscal.  De outro lado, a contribuinte juntou à manifestação de inconformidade o Laudo  Constitutivo nº 111/2002, com vigência de 2001 a 2010 (fls. 1775/1779), em favor de sua filial  no Espírito  Santo,  e  embora  ela  não  se  reporte  ao  reconhecimento,  pela Receita Federal,  da  redução de IRPJ daí decorrente, necessário se faz questioná­la a respeito, na medida em que o  mencionado laudo já existia antes da entrega da DIPJ do ano­calendário 2004, e não é possível  compreender porque a retificação dos cálculos somente foi promovida posteriormente.   Assim,  para  além  da  possibilidade  da  atribuição  de  efeitos  retroativos  ao  ato  que ensejou o recálculo, ou da admissibilidade da redução do imposto independentemente de  sua existência, conforme a orientação decisória que venha a adotar este Colegiado, necessária  se faz a verificação da existência do mencionado ato e a avaliação dos cálculos da redução para  determinação da exclusão correspondente ao Lucro da Exploração.  Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10768.720180/2007­14  Resolução nº  1101­000.121  S1­C1T1  Fl. 23          22 Note­se que tem razão a autoridade julgadora quando consigna que a questão se  revela,  antes  de  tudo,  probatória.  Todavia,  a  adoção  de  uma  nova  interpretação  dos  fatos  apresentados  pela  contribuinte  à  autoridade  fiscal  impõe  a  reabertura  da  oportunidade  de  produção  desta  prova  pela  contribuinte.  De  outro  lado,  também  tem  a  razão  a  contribuinte  quando  se  opõe  à  alegação  de  que  os  extratos  gerados  pelo  seu  sistema  de  gestão  seriam  desprovidos  de  qualquer  valor  para  os  fins  exigidos  pela  legislação  fiscal  e  comercial.  Referidos elementos são um início de prova das operações escrituradas, e para negar­lhes valor  autoridade  fiscal  deve  demonstrar  que  eles  não  integram  a  escrituração  eletrônica  do  sujeito  passivo.  Ainda,  também  tem  razão  a  recorrente  quando  afirma  impertinentes  os  questionamentos formulados pela autoridade julgadora de 1a instância acerca da retificação de  DIPJ que anulou a estimativa devida em dezembro/2004. A autoridade fiscal nada opôs a este  respeito, e o indébito daí decorrente, de fato, não foi utilizado nesta compensação.   Por  tais  razões,  considerando  a  necessidade  de  prosseguimento  das  análises  fiscais  em  relação  aos  pontos  acima  mencionados,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  CONVERTER o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a provar que:  · A  exclusão  de  R$  202.321.051,30  computada  no  lucro  real  do  balancete  de  suspensão/redução  levantado  em  dezembro/2004  corresponde a perdas de  receitas  antes provisionadas e vinculadas  a  processos  de  contestação  que,  iniciados  com  operadoras  de  longa  distância,  foram  definitivamente  concluídos  no  ano­calendário  de  2004; e  · O Laudo Constitutivo nº 111/2002, em favor de sua filial no Espírito  Santo,  enseja  as  exclusões  nos  valores  registrados  no  balancete  de  suspensão/redução  levantado  em  dezembro/2004,  também  informando  se  houve  reconhecimento  do  incentivo  de  redução  de  IRPJ  pela Receita Federal,  juntando  o  ato  correspondente,  em  caso  positivo.  A  prova  da  regularidade  dos  fatos  e  valores  alegados  deverá  ser  promovida  a  partir da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, a ser submetida a exame da autoridade  fiscal  competente.  Ao  final  dos  trabalhos  a  autoridade  fiscal  deve  produzir  relatório  circunstanciado,  descrevendo  suas  análises  e  conclusões  daí  resultantes,  dele  cientificando  a  interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de  defesa.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora      Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 11020.915062/2009-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO. Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso. MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4. A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplica-se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas “Súmula CARF nº 2 e n º 4. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 4          1 3  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.915062/2009­42  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­002.790  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de fevereiro de 2014  Matéria  DCOMP  Recorrente  D'ZAINER PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/11/2004  DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO.   A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam  o  processo  administrativo,  o  vício  apontado  como  razão  do  pedido  de  nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.  INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO.  Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão  recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso.  MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4.  A multa  de mora quanto  à  exigência  juros  de mora  encontram previsão  no  artigo  61  da  Lei  nº  9.430/96,  que  autoriza  cobrança  sobre  os  débitos  tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei,  aplica­se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada  pelas Súmulas “Súmula CARF nº 2 e n º 4.  INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.  É  vedado  a  administração  apreciar  e  pronunciar  sobre  matéria  de  inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 62 /2 00 9- 42 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO     2   Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.     Domingos de Sá Filho ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos  Traanchesi Ortiz.     Relatório    A  Recorrente  apresentou  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição  visando  utilizar em processo de compensação o valor R$ 44.815,91, atualizado, oriundo de pagamento  a  maior  ou  indevido  de  COFINS  com  débito  de  IPI  (código  5123­01)  no  valor  de  R$  40.609,13, período de apuração novembro de 2008. No entanto, por meio do despacho de fl. 6  o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível.  O inconformismo demonstrado na peça recursal se refere em síntese:  a) Nulidade do Despacho Decisório por vício de ausência de fundamentação  desvio  de  finalidade,  prejuízo  ao  contraditório  administrativo,  à  ampla  defesa  e  ao  devido  processo legal; b) No mérito, sustenta em nome do princípio da verdade material o direito de  juntar documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação, visto que, o direito  creditório pode ser comprovado a qualquer  tempo. c)  inaplicabilidade da multa de ofício, em  face  do  princípio  constitucional  do  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade;  d)  Da  inaplicabilidade  da  taxa  SELIC  como  juros  de  mora dado o limite estabelecido pelo Código Tributário Nacional.  Em que pese alegação do direito de provar o crédito, deixou a recorrente de  trazer à colação qualquer documento.  A  discussão  nasce  com  o  indeferimento  de  crédito  para  compensação  de  débitos, conforme se extraí do Despacho Decisório de fl.6  É o relatório.    Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11020.915062/2009­42  Acórdão n.º 3403­002.790  S3­C4T3  Fl. 5          3 Trata­se  de  recurso  tempestivo  e  atende  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, motivo que deve ser conhecido.  Em razão das preliminares apresentadas impõe conhecê­las inicialmente.  Andou  bem  o  Julgado  “a  quo”  ao  rejeitar  as  preliminares,  claramente  constata­se tratar de alegações desprovidas de conteúdo jurídico.  Vício  alegado  do  Despacho  Decisório.  A  motivação  encontra  bem  bosquejada, com razão a decisão de piso ao afirmar que o mesmo preenche todos os requisitos  formais e materiais para sua validade, visto que, descreve com precisão que o motivo de negar  a  compensação  é  a  inexistência  do  crédito  apontado,  em  razão  do  DARF  indicado  ter  sido  utilizado  em  quitação  de  outros  débitos,  inclusive  mencionando  o  número  do  pagamento.  Assim  como,  não  se  vislumbra desvio  de  finalidade,  pois  serviu  como meio  de  obstacular  a  pretensão da recorrente em ver quitado débito com suposto crédito, contra essa decisão lhe foi  oportunizado  apresentar  Manifestação  de  Inconformidade,  e  da  decisão  que  manteve  o  entendimento  do  despacho  denegatório,  Recurso  Voluntário.  A  descrição  é  suficientemente  clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados.  Portanto,  os  princípios  constitucionais  do  contraditório,  ampla  defesa  e  do  devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar as preliminares.  No mérito melhor sorte não merece o inconformismo da recorrente.  No  recurso  não  há  uma  linha  sequer  quanto  ao  mérito,  como  é  de  conhecimento geral, o recurso visa modificar o julgado apontando o desacerto do julgador. No  caso presente verifica­se apenas alegação de que por se tratar de direito creditório esse pode ser  provado a qualquer tempo, e, nada mais.  Não se contesta a motivação do indeferimento da compensação, que no caso  se refere à inexistência de saldo disponível do recolhimento apontado como sendo a maior ou  indevido. Portanto, deve manter a decisão recorrida in totum.  Argüição  de  que  a  multa  aplicada  se  revela  confiscatório,  bem  como,  aplicação da Taxa Selic contraria disposições do Código Tributário Nacional, não encontram  eco na jurisprudência forense e tampouco administrativa.  Tanto a penalidade, multa, quanto exigência juros encontra prevista pela Lei  nº  9.430/96,  sobre  os  débitos  tributários  para  com  a  União  Federal,  não  pago  nos  prazos  previstos em lei, aplica­se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic:  “Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO     4  §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.   §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere o  §  3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento”.  O Supremo Tribunal Federal já decidiu reiteradamente que aplicação da Taxa  Selic não ofende o texto máximo, e, a sua exigência decorre de previsão legal.   Esse assunto encontra pacificado no CARF por meio das Súmulas nº 2 e nº 4:  “Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais”.  É  vedado  ao  administrador  administrativo  apreciar  alegação  de  inconstitucionalidade de norma, pois a última palavra cabe ao Poder Judiciário.  “Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”    Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                                Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO

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5320851 #
Numero do processo: 14041.000156/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 122          1 121  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14041.000156/2009­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.766  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  VIA ENGENHARIA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996  LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE  QUE  FOI  REALIZADO DENTRO DO  PRAZO DECADENCIAL.  VÍCIO  MATERIAL.   Conforme  previsto  no  art.  173,  II,  do  CTN,  o  direito  da  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  anos  contados  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento anteriormente efetuado.   Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o  sujeito passivo  teve ciência da decisão que anulou o  lançamento anterior, o  lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o  lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 56 /2 00 9- 65 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES     2    Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  recurso voluntário para declarar a nulidade do  lançamento por vício material  por  falta de  elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por  vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes  que votou pela inexistência vício material em função da possibilidade de aplicação da data de  ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.      Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente      Nereu Miguel Ribeiro Domingues ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Thiago  Taborda  Simões,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/2009­65  Acórdão n.º 2402­003.766  S2­C4T2  Fl. 123          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrada  em  18/02/2009,  decorrente  do  não  recolhimento  dos  valores  referentes  à  contribuição  a  cargo  da  empresa  (cota  patronal)  e  da  contribuição  ao  financiamento dos benefícios  concedidos  em  razão do  grau de  incidência de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT),  no  período  de  01/03/1996 a 31/12/1996.  De acordo com o Relatório Fiscal  (fls. 27/35), este  lançamento foi efetuado  em  decorrência  da  anulação  das  NFLD’s  nº  35.019.609­5  e  35.019.608­7  pelo  Conselho  de  Recursos da Previdência Social – CRPS.  A  Recorrente  interpôs  impugnação  (fls.  41/71)  requerendo  a  total  improcedência do lançamento.  A  d.  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Brasília  –  DF,  ao  analisar o presente  caso  (fls.  75/86),  julgou o  lançamento procedente,  entendendo que  (i)  na  hipótese  de  lançamento  substitutivo,  o  prazo  decadencial  é  de  5  anos  a  contar  da  decisão  definitiva que  anulou o  lançamento anterior;  (ii)  as decisões administrativas  só  são validas  a  partir  da  ciência  do  interessado;  (iii)  as  duas  empresas  respondem  solidariamente  e  sem  benefício  de  ordem;  (iv)  é  regular  a  notificação  somente  em  face  da  Via  Engenharia;  (v)  a  Recorrente poderia  ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o  fez,  é  correta  a  aplicação  da  aferição  indireta;  (vi)  é  devida  a  multa  incidente  sobre  as  contribuições  previdenciárias  não  recolhidas;  (vii)  as  decisões  colacionadas  não  constituem  normas  complementares  de  direito  tributário;  e  (viii)  ao  final  deve  ser  comparada  a  multa  aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica.  A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 89/99) argumentando que: (i) o  prazo  decadencial  conta­se  5  anos  após  a  lavratura  do  acórdão  que  anulou  os  lançamentos  anteriores  por  vício  formal;  (ii)  o  crédito  já  decaiu  para  o  legítimo  contribuinte;  (iii)  a  autoridade  tributária  arbitrou  quem  seria  o  responsável  pelo  tributo  e  discricionariamente  perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a  incidência da multa.  Analisando o  recurso  interposto,  este Conselho determinou a  conversão  em  diligência (fls. 107/109), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente)  que  comprove  a  data  em  que  o  contribuinte  foi  notificado  das  decisões  que  anularam  as  NFLD’s  nº  35.019.609­5  e  35.019.608­7;  (ii)  cópia  da  carta  encaminhada  ao  contribuinte,  mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s  nº 35.019.609­5 e 35.019.608­7.  Em  resposta  à  determinação  formulada  por  este  Conselho  (fls.  118/119),  a  autoridade  fiscal  informou  que  não  localizou  os  documentos  solicitados  por  ocasião  da  conversão em diligência.  É o relatório.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES     4    Voto             Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator  Primeiramente,  cabe  mencionar  que  o  presente  recurso  é  tempestivo  e  preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc.  II,  do  CTN  é  de  5  anos  a  contar  da  data  em  que  foi  proferido  o  acórdão  que  anulou  o  lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004).  Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto,  definitiva  desde  a  sua  lavratura.  Afirma,  consequentemente,  que  o  crédito  tributário  está  decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação  do sujeito passivo.  No entanto, sem razão a Recorrente no ponto.  Analisando o art. 173, II, do CTN, verifica­se que o prazo decadencial para o  Fisco substituir o lançamento anulado por vícioformal é de 5 anos contados da data em que se  tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis:  “Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: (...)  II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,  por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”.  Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é  definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo.  Em  primeiro  lugar,  o  artigo  42,  II,  do Decreto  70.235/1972  considera  uma  decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a  sua interposição. Veja­se:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  ­  de  primeira  instância  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  II  ­  de  segunda  instância  de  que  não  caiba  recurso  ou,  se  cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;  III ­ de instância especial.  Parágrafo  único.  Serão  também  definitivas  as  decisões  de  primeira  instância  na  parte  que  não  for  objeto  de  recurso  voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.  Verificado o não cabimento de recurso ou então o  transcurso do prazo para  sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva.  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/2009­65  Acórdão n.º 2402­003.766  S2­C4T2  Fl. 124          5 Contudo,  a  decisão  somente  pode  ser  considerada  definitiva,  para  qualquer  finalidade, se ela for válida.  A  decisão,  para  que  seja  válida  e  produza  seus  efeitos,  como  todo  ato  administrativo,está  sujeita  à  publicidade,  nos  termos  do  artigo  37,  caput,  da  Constituição  Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999:  CF  Art.  37.  A  administração  pública  direta  e  indireta  de  qualquer  dos  Poderes  da União,  dos  Estados,  do Distrito  Federal  e  dos  Municípios  obedecerá  aos  princípios  de  legalidade,  impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,  ao seguinte:  Lei 9.784/1999  Art.  2o  A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo  único.  Nos  processos  administrativos  serão  observados, entre outros, os critérios de:  V  ­  divulgação  oficial  dos  atos  administrativos,  ressalvadas  as  hipóteses de sigilo previstas na Constituição;  No  entanto,  não  basta  apenas  a  publicidade  dos  atos  administrativos  pelos  meios  oficiais.  Deve  haver  a  publicação  restrita  às  partes  que  integram  o  processo  administrativo.  Os  artigos  26  a  28  da  Lei  9.784/1999  determinam  a  obrigatoriedade  da  intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo:  Art.  26. O órgão competente perante o qual  tramita o processo  administrativo  determinará  a  intimação  do  interessado  para  ciência de decisão ou a efetivação de diligências.  Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que  resultem  para  o  interessado  em  imposição  de  deveres,  ônus,  sanções  ou  restrição  ao  exercício  de  direitos  e  atividades  e  os  atos de outra natureza, de seu interesse.  Neste  sentido,  as  intimações  expedidas  no  processo  administrativo  se  materializam  com  a  ciência  do  sujeito  passivo,  de  acordo  com  o  que  prevê  o  artigo  23  do  Decreto 70.235/1972:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES     6  Verifica­se, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida  e  eficaz  precisa  necessariamente  cumprir  todos  os  requisitos  de  validade  previstos  na  legislação,  quais  sejam,  (i)  publicidade,  (ii)  intimação  do  interessado  e  (iii)  prova  de  que  o  sujeito passivo  foi cientificado do seu  teor. Somente com o cumprimento desses  requisitos é  que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva.  Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial  prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou  o  lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o  lançamento  anterior, como afirma a Recorrente.  Muito  embora  não  vingue  o  entendimento  do  contribuinte  neste  ponto,  entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explica­se.  No  presente  caso,  como  já  mencionado,  este  Conselho  determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  restasse  comprovada  a  expedição  da  intimação  da  Recorrente,  por  meio  de  cópia  da  carta  encaminhada  à  parte,  a  respeito  das  decisões  que  anularam  as NFLD’s  nº  35.019.609­5  e 35.019.608­7,  bem como  cópia  do AR  assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade  fiscal informou que não localizou os documentos solicitados.  Ou  seja,  a  autoridade  fiscal  não  comprovou  o  marco  inicial  do  prazo  decadencial  para  o  lançamento  substituto,  qual  seja,  a  data  da  intimação  da  Recorrente  das  decisões que anularam os  lançamentos  anteriores.Consequentemente, não  restou comprovado  que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II,  do CTN.  Importa  salientar  que  a  previsão  do  artigo  23,  II,  §2º,  II  do  Decreto  70.235/1972 não se aplica ao presente caso.  Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é  fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo  foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição  da intimação.  Assim,  considerando  que  o  Fisco  deixou  de  fundamentar  no  relatório  fiscal,bem  como  por  ocasião  das  demais  oportunidades  concedidas  pelo  órgão  julgador,  o  termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verifica­se que houve  desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão  ser  motivados  e,  consequentemente,  ofensa  ao  artigo  5°,  LV,  da  Constituição  Federal,  que  garante  ao  sujeito  passivo  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  requisitos  indispensáveis  para  a  validade da autuação.  Sendo  assim,entendo  que  a  atuação  padece  de  vício  material,  ante  a  deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização  o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi  efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do  Decreto 70.235/1972.  Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos  do  lançamento  (no  caso,  comprovação  de  que  o  lançamento  foi  efetuado  dentro  do  prazo  decadencial),  ela  certamente  estará  infringindo  a  disposição  legal  pertinente,  importando  na  existência de um vício material.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000156/2009­65  Acórdão n.º 2402­003.766  S2­C4T2  Fl. 125          7 Nesse  sentido,  leciona  Leandro  Paulsen1:  “Vícios  materiais  são  os  relacionados à validade e à incidência da lei.”  Veja­se,  assim,  que  a  ocorrência  do  vício  material  está  diretamente  ligada  com a deformidade do conteúdo do  lançamento, que acaba por exigir  indevidamente  tributos  do  sujeito  passivo,  em  ofensa,  inclusive,  ao  princípio  da  legalidade,  situação  inaceitável  nas  relações do fisco com o contribuinte.  Diante  do  exposto,  voto  pelo CONHECIMENTO  do  recurso  para DAR­ LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material.  É o voto.    Nereu Miguel Ribeiro Domingues.                                                              1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12.  ed. ­ Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194.                              Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES

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