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7023042 #
Numero do processo: 10880.910147/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação dos débitos até o limite do direito creditório comprovado em diligência.
Numero da decisão: 1201-001.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para homologar as compensações do crédito pleiteado até o limite original reconhecido de R$ 20.894,98. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação dos débitos até o limite do direito creditório comprovado em diligência.

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1201­001.910  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2017  Matéria  Compensação  Recorrente  MENG ENGENHARIA COMERCIO E INDUSTRIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003  COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.  Cabe  a  homologação  da  compensação  dos  débitos  até  o  limite  do  direito  creditório comprovado em diligência.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial  provimento ao Recurso Voluntário, para homologar as compensações do crédito pleiteado até o  limite original reconhecido de R$ 20.894,98.  (assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli ­ Relator.  EDITADO EM: 13/11/2017  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de  Almeida,  Eva Maria  Los,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Luis  Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 01 47 /2 00 6- 07 Fl. 1984DF CARF MF     2 A Recorrente  transmitiu DCOMP  (fls.  6/10),  pleiteando  a  compensação  de  crédito a título de IRPJ relativo ao primeiro trimestre de 2000 com determinados débitos de sua  responsabilidade.  O  Despacho  Decisório  (fl.2)  não  homologou  o  pleito  do  contribuinte  em  razão de alegada insuficiência de saldo credor.  A  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  12/14).  Sustenta que a análise equivocadamente se restringiu apenas ao crédito oriundo de pagamento  em DARF, não tendo sido considerado o saldo credor apurado nas DIPJ Retificadoras.  Aduz que possui  créditos  legítimos provenientes  da alteração do percentual  de presunção de lucro (de 32% para 8%) aplicável aos prestadores de serviços de construção  civil com fornecimento de materiais, conforme reconhecido em Solução de Consulta da qual é  parte.  Em  sessão  de  28  de  dezembro  de  2009,  a  7ª  Turma  da  DRJ/SP1,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  por meio  do  Acórdão nº 16.23.929 (fls. 180/184), cuja ementa ora transcrevo:  COMPENSAÇÃO EM DCOMP.  Não  comprovada  a  existência  de  direito  creditório  veda­se  ao  contribuinte efetuar as compensações em DCOMP.  RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.  O  reconhecimento  do  crédito  depende  da  efetiva  comprovação  do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.  Cientificada  da  decisão  em  04/02/2010  (fls.  186),  a  Recorrente  interpôs  Recurso Voluntário (fls. 190/203) instruído com vasta documentação (fls. 204/1.219). Reitera  as alegações de defesa e pede perícia ou diligência para confirmar o fornecimento de materiais  na prestação dos serviços e, conseqüentemente, o direito ao crédito.  O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência (Resolução  nº 1202.000.075 ­ fls. 1.221/1.226), pois, segundo o I. Relator:  a)  se  o  contribuinte  realiza  a  prestação  de  serviços  da  construção  civil  com  o  emprego  de  materiais,  nos  termos  da  solução  de  consulta  SRRF/8a  RF/DISIT  N°  186/2003,  fls.108/111; ­  b)  se  o  contribuinte  realiza  exclusivamente  a  prestação  de  serviços da construção civil com o .emprego de materiais, ou se  parte  dos  serviços  são  unicamente  com  emprego  de  mão­de­ obra,  discriminando  respectivos  valores  no  período  de  ­ apuração sob análise.  c)  se  as  DIPJ  retificadoras  apresentadas  pelo  contribuinte  retratam  a  realidade  dos  fatos,  bem  como  se  diante  de  tais  retificadoras,  houve  pagamento  indevido  de  IRPJ  não  aproveitado em outros débitos.  Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10880.910147/2006­07  Acórdão n.º 1201­001.910  S1­C2T1  Fl. 3          3 Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou no relatório de  diligência  de  fls.  1.971/1.975),  sugerindo  o  reconhecimento  parcial  do  direito  ao  crédito  de  acordo com a planilha de fls. 1.970.  A  contribuinte,  após  intimada,  se  manifestou  às  fls.  1.979/1.980,  concordando com o teor do relatório fiscal.  Em  seguida  os  autos  retornaram  a  este  Conselho  e  foram  a  mim  redistribuídos.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli  O  recurso  é  tempestivo  e  cumpre  os  requisitos  legais,  razão  pela  qual  dele  tomo conhecimento.  A presente discussão  diz  respeito  à  legitimidade  e  suficiência  do  direito  ao  crédito de  IRPJ  relativo à  segunda quota do primeiro  trimestre de 2000,  informado em DIPJ  Retificadora que foi transmitida após a contribuinte alterar o coeficiente de presunção do lucro,  de 32% para 8%, conforme exarado em resposta à Consulta formalizada ao fisco.  Com  efeito,  restou  comprovado  que  a  Recorrente  poderia  ter  se  valido  do  percentual presuntivo de lucro de 8%. Assim, como equivocadamente aplicou o percentual de  32%, o direito creditório oriundo desse pagamento a maior deve ser reconhecido.  Entretanto,  após  revisão  da  DIPJ  Retificadora  que  registra  a  alteração  do  percentual  em  questão,  o  fisco  fez  uma  re­apuração  (planilha  de  fls.  1.970),  a  qual  indica  a  existência de crédito de R$ 20.894,98, que é um inferior ao ora pleiteado (de R$ 25.738,11).  Mais  precisamente,  em  resposta  à  diligência,  a  autoridade  fiscal  assim  concluiu:  Conforme  se  apurou  através  das  cópias  dos  contratos  de  serviços prestados (fls. 1839 a 1935) e notas fiscais de serviços  prestados  (fls.  1263  a  1322),  o  contribuinte  executava  a  prestação  de  serviços  com  o  respectivo  emprego  de  materiais,  comprovando  assim,  uma  receita  de  R$  1.039.012,88.  0  contribuinte  também  apurou  o  valor  de  R$  1.070.455,10  (  fls.  1324  a  1485),  relativo  à  receita  liquida  de  venda  de  mercadorias, que também incide 8%, perfazendo um total de R$  2.109.467,98.  Tendo  em  vista  a  discrepância  dos  valores  oferecidos  à  tributação  na  DIPJ/2001,  Ano­Base  2000  retificadora  de  fls.  1209 a 1212 e o apurado no item acima, refizemos a Ficha 14 A  Fl. 1986DF CARF MF     4 ­  Apuração  do  Imposto  de  Renda  sobre  o  Lucro  Presumido,  1  trimestre:  Ficha  14  A­  Apuração  do  Imposto  de  Renda  s/  o  Lucro  Presumido: l.2 Trim.    DIPJ/2001  Retificado  01. Rec. Bruta Suj. ao Perc. 8%  1.891.064,13  2.109.467,98  05. RESULT.APL.PERC.S/REC.BRUTA  151 .285,13  168 .757,44  06. Rend. E Ganhos Liq. Apl. R. Fixa/  5 .422,85  5.422,85  16. Demais Rec.  e Ganhos de Capital  22 . 000,00  22.000,00  21.  BC do IMP.  S/ 0 LUCRO PRESUMIDO  178.707,98  196 .180,29  IMPOSTO APURADO C/ B/ LUCRO PRESUMIDO      22. À Alíquota de 15%  26.806,20  29 .427,04    11. 870,80  13.618,03  29.  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  38.677,00  43.045,07  [...]  Conforme  demonstrado  acima,  os  valores  que  compuseram  a  Receita  bruta,  foi  composto  de  prestação  de  serviços  da  construção civil, com emprego de materiais (R$ 1.039.012,88) e  com  a  venda  de  mercadorias  (R$  1.070.455,10),  não  tendo  assim, executado nenhum serviço com emprego de apenas a mão­ de­obra .  [...]  A  retificadora  analisada  neste  processo  se  refere  ao  1.  2  trimestre de 2000, 2. 2 quota e, pelo analisado e comprovado, o  contribuinte  recolheu os valores de R$ 32.388,34  (28/04/2000),  R$  32.712,22  (31/05/2000)  e  R$  33.194,81  (  30/06/2000),conforme fls. 1207 e 1208.  Entretanto,  como  foi  demonstrado  anteriormente,  após  ter  sido  refeita  a Ficha  14 A,  no  1.  2  trimestre  foi  apurado  o  valor  de  Imposto  de  Renda  a  Pagar  de  R$  43.045,07.  Assim  sendo,  demonstramos  abaixo  e  na  planilha  01  (f1.1.939  ),  que  passa  fazer parte deste, o seguinte:  · Com relação ao 1o DARF, recolhido em 28/04/2000 (R$  32.388,34)  o  ­valor  foi  totalmente  utilizado  na  compensação do Imposto  , de Renda a Pagar apurado na  retificadora  (fl.  1209);,  conforme  DCTF  (fl.  1212)  e  sistema online FISCEL de fls. 1213;  · Com relação ao 2 o DARF, que é objeto deste processo,  recolhido  em  31/05/2000  (R$32.712,22)  temos  a  esclarecer o seguinte:  Conforme  sistema  online FISCEL de  fls.  1214  e  1215,  do  valor  recolhido  R$  32.712,22,  foram  alocados  os  valores de R$ 6.288,66  (a  fim de  compensar o  restante  do  valor  do  imposto  de  renda  a  pagar  relativo  à  1a  quota),  e  mais  o  apurado  na  retificadora,  ou  seja,  R$  38.677,00,  mais  R$  622,57  (juros  Selic)  e  R$  62,88  (juros  de  mora).  Cabe  esclarecer  que,  foi  cobrado  o  valor de R$ 62,88 a titulo de juros de mora, em razão do  contribuinte ao retificar a DCTF de fl. 1212, discriminou  como período de apuração "1 otrimestre/00" e não como  Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10880.910147/2006­07  Acórdão n.º 1201­001.910  S1­C2T1  Fl. 4          5 declarado  na  original  "1  o  trim/2000/1a  quota",  entendendo­se assim que o valor a ser recolhido, deveria  ser em quota única, vencida em 28/04/2000 e, não como  havia já havia declarado na original em 03 (três) quotas  sucessivas.  · Esclarecendo,  foi  bloqueado  para  os  processos  nos.  10880.910147/2006­07  (Per/Dcomp  no  18944.40877.281003.  1.3.04­4560),  fl.  1215  e  10880.904014/2008­55  (Per/Dcomp  no  08698.39754.131103.1.3.04­9243)  o  valor  de  R$ 25.738,11,  quando  na  realidade  deveria  ser  R$ 20.894,98  conforme  demonstrado  na  planilha  01  de  f1.1.939 , que passa a fazer parte deste.  Ao  comentar  o  resultado  da  diligência  (fls.  1.979),  a  Recorrente  assim  se  pronunciou:  A  empresa  concorda  com  o  descrito  no  referido  relatório  e,  consequentemente,  com  o  resultado  apresentado,  uma  vez  que  restou  reconhecido  que  a  empresa  executava  a  prestação  de  serviços com o respectivo emprego de materiais, submetendo­se  à aliquota de 8% sobre a base  tributável do  lucro presumido e  não 32%.  Assim, requer­se o retorno dos autos ao Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF  para  finalizar  o  julgamento  do  Recurso Voluntário interposto pela empresa.  Diante  do  exposto,  DOU  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  para  homologar  as  compensações  do  crédito  ora  pleiteado,  até  o  limite  original reconhecido de R$ 20.894,98.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli                                Fl. 1988DF CARF MF

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7097534 #
Numero do processo: 15504.020583/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 15/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 15/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  15504.020583/2009­38  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­006.244  –  2ª Turma   Sessão de  29 de novembro de 2017  Matéria  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TELEMIG CELULAR SA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 15/12/2009  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº  14 DE  04 DE DEZEMBRO DE  2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  em  dar­lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.     (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 83 /2 00 9- 38 Fl. 621DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo  de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e  Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz  (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.      Relatório  Trata­se de auto de infração, DEBCAD: 37.217.408­6, no valor  total de R$  418.691,70  (quatrocentos  e dezoito mil,  seiscentos  e noventa  e um  reais  e  setenta  centavos),  lavrado  contra  o  contribuinte  identificado  acima,  por  apresentar  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  no  período de 01/2004 a 13/2005,  com dados não correspondentes  aos  fatos geradores de  todas  contribuições previdenciárias, resultando na aplicação da multa, prevista no § 5º do artigo 32  da Lei nº 8.212, de 19991, em relação às competências 01, 02, 07, 10 e 13/2004, e 01, 02, 07 e  12/2005, por ser a mais benéfica, conforme demonstrativo de fls. 14/15.  A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG  julgado  a  impugnação  procedente  em  parte,  mantendo em parte o crédito tributário.  Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/07/2014, foi dado provimento  parcial ao Recurso Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 2302­003.246 (fls. 581/589), com o  seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que  a multa do AIOA CFL 68, seja calculada considerando as disposições do artigo 32­A, inciso I,  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  da  Lei  çnº  11.941/2009”.  O  acórdão  encontra­se  assim  ementado:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005  DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.  Sujeitam­se  ao  regime  referido  no  art.  173  do  CTN  os  procedimentos  administrativos  de  constituição  de  créditos  tributários  decorrentes  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  uma  vez  que  tais  créditos  tributários  decorrem  sempre  de  lançamento  de  ofício,  jamais  de  lançamento  por  homologação,  circunstância  que  afasta,  peremptoriamente,  a  incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.  Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15504.020583/2009­38  Acórdão n.º 9202­006.244  CSRF­T2  Fl. 3          3 AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CFL  68.  ENTREGA  DE  GFIP  COM  OMISSÕES OU INCORREÇÕES.  Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  GFIP  com  incorreções  ou  omissão  de  informações  relativas  a  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.  No  período  anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica­se o artigo 32,  IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no  artigo  32­A  da  mesma  Lei  nº  8.212/91  for  mais  benéfica,  em  obediência ao artigo 106, II, do CTN.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Provido em Parte  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  29/08/2014  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/09/2014, Recurso Especial (fls. 590/599).  Em  seu  recurso  visa  a  reforma  do  acórdão  recorrido  em  relação  ao  cálculo  da  multa  mais  benéfica ao contribuinte ­ retroatividade benigna ­ Obrigação Acessória.   Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª  Câmara, de 25/04/2016 (fls. 600/605).  O  recorrente,  em  suas  alegações,  requer  seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso, para  reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação  do art. 32­A, inciso I, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35­A, do mesmo diploma legal,  para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do  julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV,  da norma revogada) ou a do art. 35­A da MP nº 449/2008.   Cientificado do Acórdão nº 2302­003.246, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da PGFN,  em 18/08/2016,  o  contribuinte não apresentou contrarrazões.  É o relatório.    Fl. 623DF CARF MF     4 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora.  Pressupostos De Admissibilidade  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho  de  Exame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial,  fls.  600.  Assim,  não  havendo  qualquer  questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido,  passo a apreciar o mérito da questão  Do mérito  Aplicação da multa ­ retroatividade benigna   Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32­A, da  Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente.  Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15504.020583/2009­38  Acórdão n.º 9202­006.244  CSRF­T2  Fl. 4          5 RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  Fl. 625DF CARF MF     6 previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15504.020583/2009­38  Acórdão n.º 9202­006.244  CSRF­T2  Fl. 5          7 O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  ∙ Norma anterior,  pela  soma da multa  aplicada nos moldes  do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   Fl. 627DF CARF MF     8 ∙ Norma atual,  pela  aplicação da multa  de  setenta  e  cinco  por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15504.020583/2009­38  Acórdão n.º 9202­006.244  CSRF­T2  Fl. 6          9 do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  Fl. 629DF CARF MF     10 resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de  2009.  Conclusão  Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA  FAZENDA  NACIONAL,  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO,  para  que  a  retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04  de dezembro de 2009.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                              Fl. 630DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.900811/2008-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.905
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 88          1 87  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.900811/2008­39  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­00.905  –  1ª Turma Especial   Sessão de  15 de março de 2012  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  CEB LAJEADO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2003  PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE.  Constitui  crédito  tributário  passível  de  compensação  o  valor  efetivamente  comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual.  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ANÁLISE  INTERROMPIDA.   Inexiste  reconhecimento  implícito de direito  creditório quando a apreciação  da  Per/DComp  restringe­se  a  aspectos  como  a  possibilidade  do  pedido.  A  homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma  vez  superado  este  ponto,  depende  da  análise  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade do  crédito  pela  autoridade  administrativa que  jurisdiciona  a  Recorrente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam,  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  jurisdição  da Recorrente  para  se  pronunciar  sobre  o  valor  do  direito  creditório  pleiteado  e  a  respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.  (documento assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes ­ Presidente  (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora     Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 89          2 Composição  do  Colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Marcos  Vinícius  Barros  Ottoni,  Maria  de  Lourdes  Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.     Relatório  A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 05.01.2004, fls. 08­13, utilizando­se  do  crédito  relativo  ao pagamento  a maior no valor  total  de R$64.707,74  de  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  código  nº  2362, efetuado em 31.10.2002.  Em  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  Eletrônico,  fl.  37,  as  informações  relativas  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  foram  analisadas  das  quais  se  concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente  utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação.  Cientificada  em 05.05.2008,  fl.  56,  a Recorrente  apresentou  a manifestação  de  inconformidade  em  04.06.2008,  fls.  01­04,  argumentando  em  síntese  que  discorda  da  conclusão da análise do pedido.   Suscita que apurou a IRPJ a pagar no valor de R$234.275,32 no final do ano­ calendário  2002.  Argúi  que  houve  erro  no  preenchimento  da  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) por não ter  informado na Ficha 12A a título de  IRPJ  mensal  paga  por  estimativa  o  valor  de  R$561.814,56  para  fins  de  cálculo  do  saldo  negativo no valor de R$327.539,24, a despeito do fato de ter confessado os referidos débitos  em  Declarações  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF)  indicando  que  foram  integralmente extintos mediante pagamentos com DARF.  Esclarece que nos presentes autos, para  fins de compensação  tributária,  tem  direito  ao  reconhecimento  do  crédito  indicado  na  Per/DComp,  que  está  contido  no  saldo  negativo de IRPJ a que tem direito. Solicita a produção de todos os meios de prova em direito  admitidas.  Por  conseguinte,  requer  que  seu  direito  creditório  seja  reconhecido  e  a  compensação  homologada,  porque  se  originam  de  valores  regularmente  escriturados,  recolhidos e declarados.  Está  registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº  03­41.439, de 28.01.2011, fls. 58­64:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”.   Restou ementado  Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Data do fato gerador: 30/10/2002  ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 90          3 A  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou a maior de  imposto  de  renda ou CSLL  a  título  de  estimativa mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.  CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE.  ALTERAÇÃO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  RETIFICAÇÃO  DA  DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa,  não  há  previsão  para  alteração  no  direito  creditório,  o  que  torna  inadmissível  a  retificação da DCOMP.  COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.  Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se  falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não  ser homologada a compensação.  Notificada  em  19.04.2011,  fl.  65­verso,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  17.05.2011,  fls.  67­72,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  e  reitera  os  argumentos  apresentados  na  impugnação. Acrescenta  que  apresentou  a Declaração  Integrada  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  retificadora  indicando  o  saldo  negativo  correto.  Reitera  que  o  erro  escusável  nos  dados  declarados  não  tem  o  condão  de  extinguir  seu  direito,  de  modo  que  a  realização  de  diligência  é  imprescindível.  Assim  novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à  data  do  protocolo.  Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de  apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza  do valor de tributo pago a maior.   Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 91          4 O  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  anual,  prevê  que  a  pessoa  jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizá­lo ao final  do período de apuração na dedução do devido ou para compor o  saldo negativo, ocasião em  que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a  vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do  IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em  sede  de  norma  complementar.  Sobre  a  retroatividade  de  seus  efeitos,  vale  ressaltar  que  a  legislação  tributária  abrange  as  normas  complementares  que  incluem  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  superiores,  necessários  à  perfeita  execução  das  leis.  Como  têm  caráter  meramente  elucidativo  e  explicitador,  apresentam  nítida  feição  interpretativa, podendo operar efeitos  retroativos para atingir  fatos anteriores ao seu advento.  Assim,  em  relação  à  compensação  tributária,  tem­se  que  o  permissivo  regulamentar  de  utilização  do  crédito  proveniente  de  pagamento mensal  a maior  de  estimativa  do  IRPJ  e  da  CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes  no  processo  e  nos  meios  de  prova  em  direito  admitidos.  Para  que  haja  o  reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior  de  tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados  informados  em  todos os  livros de  escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem como os  documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta  forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título  de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2.  A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma  questão  de  direito,  pacificou  o  entendimento,  de  acordo  com  o  Acórdão  nº  1801­00.597  proferido  pela  Conselheira  Relatora Maria  de  Lourdes Ramirez  na  sessão  de  julgamento  de  28.06.2011 no processo nº 19647.010657/2006­10, no seguinte sentido:  A  questão  que  se  coloca  para  análise  nestes  autos  se  refere  à  possibilidade  de  haver  recolhimento  indevido  ou  a  maior  no  cálculo  e  pagamento  de  estimativas  mensais  no  curso  do  ano­ calendário  e,  havendo  tal  possibilidade,  se  isto  geraria  um  indébito  a  favor  do  contribuinte  passível  de  restituição  e  compensação.                                                              1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73  da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional,  Instrução  Normativa  RFB  nº  973,  de  27  de  novembro  de  2009,  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  30  de  dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e  art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.   2  Fundamentação  legal:  art.  37  da Constituição Federal,  art.  14,  art.  15,  art.  16,  art.  17,  art.  26­A  e  art.  29  do  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 92          5 Nesse  sentido  registro  que  a  questão  é  tormentosa  e  não  se  encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito  longe disso,  há divergências inúmeras acerca da questão.   Há  aqueles  que  comungam  do  entendimento  esposado  pelas  autoridades  administrativas  da  DRF  e  DRJ,  consignado  nas  decisões  proferidas  nestes  autos,  no  sentido  de  que  para  as  pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o  crédito  ou  o  débito  decorrente do  confronto  do  pagamento  das  estimativas,  de que  trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996,  com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em  31 de dezembro de cada ano­calendário. Antes do encerramento  do  ano­calendário  não  haveria,  pois,  que  se  falar  em  tributo  a  restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos  que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL.  Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de  renda  e  da  contribuição  social  para  as  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real  somente  se  concretizaria  no  final de cada ano­calendário, seria a partir deste evento que se  encontraria  o  saldo  do  imposto  a  pagar  ou  a  recuperar,  nos  termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996:  Art. 6° ....  § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será:  I ­ pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do  ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;  II  ­  compensado com o  imposto  a  ser  pago a partir do mês  de  abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa  de  requerer,  após  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  a  restituição do montante pago a maior.  Por  conta  dessa  interpretação  não  haveria  que  se  falar  em  fluência  de  juros  a  partir  do  recolhimento  indevido  da  estimativa,  mas,  somente  a  partir  do mês  subseqüente  do  ano­ calendário  seguinte,  dado  que  a  geração  do  indébito  somente  ocorreria  em  31/12  de  cada  ano,  com  o  surgimento  do  saldo  negativo de IRPJ ou de CSLL.  A  interpretação  é  válida  e  encontra  robustos  fundamentos.  Ao  afastar  entendimentos  contrários no  sentido de que o artigo 74  da  Lei  n°.  9.430,  de  1996,  que  regula  a  compensação,  ao  se  referir  as  vedações,  não  dispôs  expressamente  acerca  de  qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior  ou  indevidamente,  essa  corrente  teoriza o  entendimento  de que  não  haveria  necessidade  de  se  inserir  dispositivo  específico  nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na  própria  legislação que regulamenta a apuração e o pagamento  de estimativas mensais.  Nesse  contexto,  em  relação  às  críticas  quanto  às  restrições  contidas  em atos  normativos  infra­legais,  como por  exemplo,  o  discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto  na  IN  SRF  n°  460,  de  2004),  destacam  que  tais  normas  administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 93          6 direitos,  mas  sim  disciplinar  ou  regulamentar  o  exercício  de  prerrogativas  previstas  em  Lei,  esta  em  sentido  formal.  Seria  possível,  assim,  fazer  referência  a  um  ato  administrativo  subseqüente  em  relação  à  situação  pretérita,  desde  que  a  situação fosse prevista em lei.   Esta  relatora  por  muito  tempo  comungou  desse  entendimento.  Entretanto,  surgem  interpretações  em  outros  sentidos,  também  apoiadas  em  fortes  e  sólidos  argumentos.  Depois  de  refletir  sobre  o  assunto  e  sobre  os  posicionamentos  doutrinários  estudados,  passo  a  fazer  minhas  considerações.  Nesse  sentido  peço  permissão  para  reproduzir  as  palavras  da  Ilustre  Conselheira  Edeli  Pereira  Bessa,  proferidas  em  recentes  julgados  nesta  1a.  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  que  há  muito  tempo  vem  estudando o tema com profundidade.  Cumpre  ressaltar,  assim,  que  é  certo  que  a  legislação  consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art.  895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias  à  efetivação  de  compensação  pelos  contribuintes.  No  mesmo  sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº.  9.430/96,  pela  Medida  Provisória  nº.  66/2002,  atualmente  transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002)  [...]  §  14.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF  disciplinará  o  disposto neste artigo,  inclusive quanto à  fixação de critérios de  prioridade  para  apreciação  de  processos  de  restituição,  de  ressarcimento e de compensação.  (Incluído pela Lei nº. 11.051,  de 2004)  E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da  definição  de  procedimentos  operacionais,  como  na  fixação  de  restrições  materiais  já  presentes  na  lei  que  estabelece  a  incidência  tributária ou concede benefícios  fiscais. Contudo, ao  operar  sob este  segundo direcionamento,  tem­se a dita  eficácia  retroativa da norma  interpretativa,  que  se  verifica ainda que a  Administração Tributária assim não a declare expressamente.  Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a  restrição  inserta  a  partir  da  Instrução  Normativa  SRF  nº.  460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a  Administração  Tributária  definir,  para  além  das  normas  que  estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento  é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento  indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de  estimativas.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 94          7 Poderia  se  cogitar  de  tal  possibilidade  em  razão  destes  recolhimentos  não  se  constituírem,  propriamente,  em  pagamentos,  na medida  em  que  não  extinguem  uma  obrigação  tributária  principal,  aproximando­se,  mais,  de  obrigações  acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração  anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se  sujeitar  à  regra  geral  de  apuração  trimestral  destas  bases  de  cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração  Tributária  se  posicionasse  contrariamente  à  formação  de  indébitos  de  estimativas  a  qualquer  tempo,  e  não  apenas  na  vigência  das  Instruções  Normativas  que  veicularam  a  dita  proibição.  Neste  aspecto,  relevante  notar  que  durante  a  vigência  das  Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no  período  de  29/10/2004  a  30/12/2008  (até  ser  publicada  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  900/2008),  a  Receita  Federal  buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de  estimativas recolhidas a maior, assim dispondo:  Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004  Art.  10. A pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  presumido  ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto  de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real anual que  efetuar pagamento  indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de  estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL  do período.  Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005  Art.  10. A pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  presumido  ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto  de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real anual que  efetuar pagamento  indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de  estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL  do período.  Assim,  as  antecipações  recolhidas  deveriam  ser,  primeiro,  confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só  então,  se  evidenciada  a  existência  de  saldo  negativo,  seria  possível  a  utilização  do  indébito.  E  este  crédito,  na  forma  da  interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº.  03/2000,  seria  atualizado  com  juros  à  taxa  SELIC  a  partir  do  mês subseqüente ao do encerramento do ano­calendário:  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 95          8 O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL,  no  uso  de  suas  atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei  Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº  9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532,  de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  e  da  Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser  restituídos  ou  compensados  com  o  imposto  de  renda  ou  a  contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês  de  janeiro  do  ano­calendário  subseqüente  ao  do  encerramento  do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados  a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de  apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação  e de um por cento relativamente ao mês em que estiver  sendo  efetuada.  EVERARDO MACIEL   Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento,  ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição  da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir:  Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008   Art.  11. A pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  presumido  ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto  de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de  cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o  valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do  período de apuração em que houve a retenção ou para compor o  saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.  Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de  1996,  já  previu,  expressamente  os  casos  em  que  é  vedada  a  compensação:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  [...]  §  3º  Além  das  hipóteses  previstas  nas  leis  específicas  de  cada  tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação  mediante  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  da  declaração  referida  no § 1º:  I ­ o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do  Imposto de Renda da Pessoa Física;   II  ­  os  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições  devidos  no  registro da Declaração de Importação.   Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 96          9 III ­ os débitos relativos a tributos e contribuições administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  que  já  tenham  sido  encaminhados à Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional para  inscrição em Dívida Ativa da União;  IV  ­  o  débito  consolidado  em  qualquer  modalidade  de  parcelamento  concedido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ­  SRF  V  ­  o  débito  que  já  tenha  sido  objeto  de  compensação  não  homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de  decisão definitiva na esfera administrativa; e  VI ­ o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento  já  indeferido  pela  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita Federal ­ SRF, ainda que o pedido se encontre pendente  de decisão definitiva na esfera administrativa.  [...]  É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a  atenção  da  Administração  Tributária,  especialmente  quanto  a  eventuais abusos na alegação de  indébitos desta natureza,  com  vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se  formaria ao final do ano­calendário.  Todavia,  confrontando  as  disposições  normativas  e  o  conteúdo  da  Lei  nº.  9.430/96,  observa­se  que  a  supressão  da  vedação  veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor  se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL.  De  outro  giro  é  possível  interpretar,  também,  que  a  Lei  nº.  9.430/96,  ao  autorizar  a  dedução  das  antecipações  recolhidas,  admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput  de seu art. 2o:  Art.2º A pessoa  jurídica sujeita a  tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº.  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de  1995,  com  as  alterações  da  Lei  nº.  9.065,  de  20  de  junho  de  1995.  §1o  O  imposto  a  ser  pago  mensalmente  na  forma  deste  artigo  será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo,  da alíquota de quinze por cento.  §2o  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada  mensalmente,  que  exceder  a  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por cento.  §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 97          10 dezembro de  cada ano,  exceto nas hipóteses  de  que  tratam os  §§1º e 2º do artigo anterior.  §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:  I ­ dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os  limites  e  prazos  fixados  na  legislação  vigente,  bem  como  o  disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995;  II  ­dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;  III ­do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real;  IV ­do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou­ se)  Diante  deste  contexto,  tem­se  que  as  estimativas  recolhidas  a  maior  não  poderiam  ser  deduzidas  na  apuração  anual  da  CSLL/IRPJ  –  já  que  o  recolhimento  efetuado  a  maior  não  observou  o  regramento  acima,  posto  que  feito  a  maior  que  o  devido  ­  e  o  crédito  daí  decorrente,  poderia  ser  utilizado  em  compensação,  mediante  apresentação  de  DCOMP,  evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes.  Eventualmente  a  contribuinte  pode,  por  facilidade  operacional,  computar estimativas recolhidas  indevidamente na formação do  saldo  negativo,  mas  este  procedimento  em  nada  prejudica  o  Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de  formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele  aplicáveis.  Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a  estimativa  mensal,  não  se  vislumbra,  ante  o  contexto  exposto,  obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste  indébito  antes  de  seu  prévio  cômputo  na  apuração  ao  final  do  ano­calendário.  Comprovado  o  erro  e,  por  conseqüência,  o  indébito,  o  pedido  de  restituição  ou  a  declaração  de  compensação  já  podem  ser  apresentados,  incorrendo  juros  de  mora  contra  a  Fazenda  a  partir  do  mês  subseqüente  ao  do  pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95  c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do  ajuste  anual,  o  contribuinte  deve  confrontar,  apenas,  as  estimativas  que  considerou  devidas,  sob  pena  de  duplo  aproveitamento do mesmo crédito.   Ainda,  interpretando­se  que  somente  as  estimativas  devidas  na  forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração  anual  do  IRPJ  ou  da  CSLL,  conclui­se  que,  mesmo  após  o  encerramento  do  ano­calendário,  se  o  contribuinte  identificar  um  erro  em  sua  apuração  e  ele  repercutir  não  só  em  sua  apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de  suspensão/redução,  tem  ele  o  direito  de  pleitear  o  indébito  na  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 98          11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de  apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL.  Esta interpretação, frise­se, tem por pressuposto a ocorrência de  erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui  abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo  das  estimativas,  formalizada  definitivamente  quando  o  contribuinte determina o valor  inicialmente recolhido com base  na  receita  bruta  e  acréscimos  ou  em  balancetes  de  suspensão/redução.   Logo,  não  é  admissível  que  o  contribuinte,  após  apurar  e  recolher  estimativa  com  base  em  balancete  de  suspensão/redução,  sem o prévio confronto  com o valor devido  com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito  o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda  sistemática  para  cálculo  da  estimativa.  Da  mesma  forma,  não  lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e  acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes  de  suspensão/redução,  para  pleitear  a  diferença  como  se  indébitos fossem.   A  legislação tributária está erigida no sentido da definitividade  daquela  opção  de  cálculo  ao  exigir,  por  exemplo,  que  os  balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data  fixada  para  o  seu  pagamento.  O  art.  35  da  Lei  nº.  8.981,  de  1995,  referenciado  no  art.  2o  da  Lei  nº.  9.430,  de  1996,  assim  dispõe  acerca  dos  balanços  ou  balancetes  de  suspensão  ou  redução de estimativas:  Art.  35.  A  pessoa  jurídica  poderá  suspender  ou  reduzir  o  pagamento  do  imposto  devido  em  cada  mês,  desde  que  demonstre,  através  de  balanços  ou  balancetes  mensais,  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto,  inclusive  adicional,  calculado  com  base  no  lucro  real  do  período  em  curso.  § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo:   a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e  fiscais e transcritos no livro Diário;   b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do  imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos  no decorrer do ano­calendário.  §  2º  O  Poder  Executivo  poderá  baixar  instruções  para  a  aplicação do disposto no parágrafo anterior.  E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51,  de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada  no  levantamento  dos  referidos  balanços  ou  balancetes  de  suspensão ou redução:  Art. 10. A pessoa jurídica poderá:  I ­ suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que  o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 99          12 período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto  de  renda  pago,  correspondente  aos  meses  do  mesmo  ano­ calendário,  anteriores  àquele  a  que  se  refere  o  balanço  ou  balancete levantado.  II  ­  reduzir  o  valor  do  imposto  ao montante  correspondente  à  diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e  a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do  mesmo  ano­calendário,  anteriores  àquele  a  que  se  refere  o  balanço ou balancete levantado.  § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda  pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão,  não  poderá  ser  utilizada  para  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  em  meses  subseqüentes  do  mesmo  ano­calendário,  calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º.  §  2º  Caso  a  pessoa  jurídica  pretenda  suspender  ou  reduzir  o  valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano­ calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete.  [...]  Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10:  [...]  § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por  todas  as  adições  determinadas  e  exclusões  e  compensações  admitidas  pela  legislação  do  imposto  de  renda,  observado  o  disposto nos arts. 25 a 27.  §  2º  O  disposto  no  parágrafo  anterior  alcança,  inclusive,  o  ajuste  relativo  ao  diferimento  do  lucro  inflacionário  não  realizado do período em curso, observados os critérios para sua  realização.  § 3º Para  fins de determinação do  resultado, a pessoa  jurídica  deverá  promover,  ao  final  de  cada  período  de  apuração,  levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação  específica,  dispensada  a  escrituração  do  livro  "Registro  de  Inventário".  §  4º  A  pessoa  jurídica  que  possuir  registro  permanente  de  estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente  estará  obrigada  a  ajustar  os  saldos  contábeis,  pelo  confronto  com  a  contagem  física,  ao  final  do  ano­calendário  ou  do  encerramento  do  período  de  apuração,  nos  casos  de  incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade.  §  5º O  balanço  ou  balancete,  para  efeito  de  determinação  do  resultado do período em curso, será:  a) levantado com observância das disposições contidas nas leis  comerciais e fiscais;  b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento  do imposto do respectivo mês.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 100          13 § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para  fins  de  determinação  da  parcela  do  imposto  de  renda  e  da  contribuição  social  sobre o  lucro, devidos no decorrer do ano­ calendário.  [...]  Art.  14.  A  demonstração  do  lucro  real  relativa  ao  período  abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts.  10  a  13,  deverá  ser  transcrita  no Livro  de Apuração do Lucro  Real ­ LALUR, observando­se o seguinte:  I  ­  a  cada  balanço  ou  balancete  levantado  para  fins  de  suspensão  ou  redução  do  imposto  de  renda,  o  contribuinte  deverá determinar um novo lucro real para o período em curso,  desconsiderando  aqueles  apurados  em  meses  anteriores  do  mesmo ano­calendário.  II  ­  as  adições,  exclusões  e  compensações,  computadas  na  apuração  do  lucro  real  correspondentes  aos  balanços  ou  balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do  LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real  do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B  do referido Livro.  Destaque­se,  ainda, que não há  indébitos quando, após  efetuar  recolhimentos  estimados  com  base  na  receita  bruta,  o  contribuinte  passa  a  suspendê­los  ou  reduzi­los  por  meio  dos  balancetes,  demonstrando  que  o  valor  do  imposto/contribuição  já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o  devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução).   As  únicas  alternativas  no  curso  do  ano  calendário  são:  pagar  com  base  na  receita  bruta,  reduzir  esse  valor  com  base  no  balancete  ou  suspender  o  pagamento  com  base  também  em  balancete.  Ou  seja,  se  o  valor  pago  no  decorrer  do  período  superar o devido com base em balancete de suspensão/redução,  o  máximo  efeito  que  o  contribuinte  pode  extrair  dos  referidos  balancetes  é  deixar  de  pagar  o  tributo,  até  que  ele  se  torne  novamente  devido,  seja  pela mera apuração da  estimativa  com  base  na  receita  bruta,  seja  com  base  no  lucro  acumulado  em  balancetes de redução.  Logo,  o  pagamento  indevido  de  estimativas  caracteriza­se  na  hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente  pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja  com  base  no  balancete  de  suspensão/redução,  essa  diferença  é  passível  de  restituição  ou  compensação,  e  esse  pedido  ou  utilização pode, inclusive, ser  feito no curso do ano­calendário,  já que independente de evento futuro e incerto.  Neste  sentido,  aliás,  já  se  manifestou  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  meio  da  Divisão  de  Tributação  da  9a  Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009,  em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo  administrativo no 10909.000244/2009­69:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 101          14 SALDO  NEGATIVO.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO.  Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá  ser restituído ou compensado com o  imposto de renda devido a  partir  do mês  de  janeiro  do  ano­calendário  subseqüente  ao  do  encerramento  do  período  de  apuração,  mediante  a  entrega  do  PER/Dcomp.  A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o  valor  efetivamente  recolhido  e  o  apurado  com  base  na  receita  bruta  ou  em  balancetes  de  suspensão/redução,  está  sujeita  à  restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp.  Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº  8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900,  de 2008, arts. 2º a 4º e 34.  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  SALDO  NEGATIVO.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO.  Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá  ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida  a partir do mês de janeiro do ano­calendário subseqüente ao do  encerramento  do  período  de  apuração,  mediante  a  entrega  do  PER/Dcomp;  A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o  valor  efetivamente  recolhido  e  o  apurado  com  base  na  receita  bruta  ou  em  balancetes  de  suspensão/redução,  está  sujeita  à  restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp.  Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº  8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900,  de 2008, arts. 2º a 4º e 34.  Aproveito,  ainda,  o  desfecho  do  retro  mencionado  Acórdão,  adotando­o neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro  o valor da estimativa ora discutido nos autos:  Imperioso,  portanto,  para  homologação  da  compensação,  a  confirmação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a  contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que  a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa  com  base  em  receita  bruta,  seja  com  base  em  balancete  de  suspensão/redução,  a  sua  adequação  para  a  formação  do  indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova  de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL  devida  no  ajuste  anual,  ou  para  formação  do  correspondente  saldo negativo.  E  isto  porque,  em  verdade,  o  fato  de  o  único  fundamento  da  decisão  ser  a  impossibilidade  de  aproveitamento  de  indébitos  decorrentes  de  recolhimentos  estimados,  não  permite  concluir  pela  integridade  da  formação  do  crédito.  A  autoridade  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 102          15 administrativa  centrou  sua  decisão,  exclusivamente,  na  possibilidade  do  pedido,  e  assim  não  analisou  a  efetiva  existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a  apreciação  do  mérito  pela  autoridade  administrativa  competente, quanto aos demais requisitos para homologação da  compensação.  Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática.  A  Recorrente  apresentou  a  DIPJ  original  em  que  nenhuma  dedução  foi  informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter  confessado  os  referidos  débitos  indicando  que  foram  integralmente  extintos  mediante  pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1.  Tabela 1 ­ Cálculo na IRPJ informado na DIPJ original do ano­calendário de  2002    Descrição  R$  Ficha 11 – Cálculo da IRPJ por Estimativa  Janeiro  23.872,46  Fevereiro  34.613,13  Março  35.989,97  Abril  35.989,97  Maio  52.219,33  Junho  58.570,75  Julho  57.221,12  Agosto  63.434,64  Setembro  64.707,74  Outubro  68.125,55  Novembro  67.069,90  Dezembro  0,00  Total  561.814,56  Ficha 12A – Cálculo da IRPJ   Cálculo da IRPJ  234.275,32  IRPJ Mensal Paga por Estimativa  0,00  IRPJ a Pagar  234.275,32    Tendo  em  vista  a  verificação  do  erro  no  preenchimento,  a  Recorrente  diz  apresentar  a  DIPJ  retificadora  apurando  saldo  negativo  de  IRPJ,  que  considera  correto.  Em  relação  à  matéria,  vale  esclarecer  que  a  declaração  retificadora  tem  a  mesma  natureza  da  declaração originariamente apresentada, substituindo­a integralmente, inclusive para os efeitos  de  restituição,  em  função  da  data  de  sua  entrega3.  Deste  modo,  os  dados  constantes  no  documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp.  E  isto  porque,  em  verdade,  o  fato  de  o  único  fundamento  da  decisão  ser  a  impossibilidade de aproveitamento de  indébitos decorrentes de  recolhimentos estimados, não  permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou  sua  decisão,  exclusivamente,  na  possibilidade  do  pedido,  e  assim  não  analisou  a  efetiva  existência do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. Superada esta questão, necessário                                                              3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999.   Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900811/2008­39  Acórdão n.º 1801­00.905  S1­TE01  Fl. 103          16 se  faz  a  apreciação  do mérito  pela  autoridade  administrativa  competente,  quanto  aos  demais  requisitos para homologação da compensação.  Cumpre registrar,  inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada  de  uma  nova  decisão  quanto  ao  mérito  de  sua  compensação,  os  débitos  compensados  permanecem  com  a  exigibilidade  suspensa,  por  não  se  verificar  decisão  definitiva  acerca  de  seus procedimentos. E,  caso  tal  decisão não  resulte na homologação  total  das  compensações  promovidas, deve­lhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitando­lhe a  discussão  do mérito  da  compensação  nas  duas  instâncias  administrativas  de  julgamento,  nos  termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  Os  efeitos  do  acatamento  da preliminar  da  possibilidade  de  deferimento  da  Per/DComp,  cujo  pretenso  direito  creditório  se  refere  ao  pagamento  de  estimativa  em  valor  indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja  analisado  o  mérito  do  pedido,  ou  seja,  a  origem  e  a  procedência  do  crédito  pleiteado,  em  conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que  comprovada  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim definidos  em preceitos  legais,  bem  como  com  os  registros  internos  da  RFB.  Também  devem  ser  examinados  conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados  em datas distintas, se for o caso4.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ  no  ano­calendário  de  2002, mas  sem  homologar  a  compensação  por  ausência  de  análise  do  mérito  pela  autoridade  preparadora,  com  o  conseqüente  retorno  dos  autos  à  unidade  de  jurisdição  da  Recorrente,  para  verificação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito pretendido em Per/DComp,  inclusive no que diz  respeito à  juntada por anexação dos  processos  administrativos,  cujas  declarações  tenham  por  base  o  mesmo  crédito,  ainda  que  apresentado sem datas distintas, se for o caso.   (documento assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                              4 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24  de abril de 2008.                                Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 13822.000177/2005-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.

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9303­005.811  –  3ª Turma   Sessão de  17 de outubro de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  Recorrente  CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME  NÃO CUMULATIVO.  Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de  PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama  e  Vanessa  Marini  Cecconello,  que  lhe  deram  provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o  frete  no  transporte  de  pessoal  e  itens  do  ativo  permanente.  Votou  pelas  conclusões  o  conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Charles Mayer  de Castro  Souza, Andrada Márcio Canuto Natal,  Jorge Olmiro  Lock  Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 77 /2 00 5- 05 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  contribuinte  contra  o  Acórdão  nº  3401­002.979,  de  18/03/2015,  proferido  pela  1ª  Turma  Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita  na parte de interesse:  (...)  ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.  A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  competência  o  julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.  Apenas  os  bens  integrantes  do  Ativo  Imobilizado,  adquiridos  posteriormente  a  01/05/2004  e  diretamente  ligados  ao  processo  produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão  direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.  DESPESAS,  CUSTOS  E  ENCARGOS  COMUNS  VINCULADOS  A  RECEITAS  SUJEITAS  À  INCIDÊNCIA  CUMULATIVA  E  NÃO  CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.  No  caso  da  existência  de  despesas,  custos  e  encargos  comuns  vinculadas  a  receitas  sujeitas  à  incidência  cumulativa  e  não  cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e  coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por  meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art.  3º, da Lei nº 10.637, de 2002.  Intimada  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou  embargos  de  declaração,  os  quais, todavia, não foram admitidos.  Irresignada,  interpôs  recurso  especial  suscitando  divergência  em  relação  às  seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos  gastos  que  dão  direito  a  crédito  da  contribuição  não  cumulativa;  e  b) quanto  ao  conceito  de  insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402­002.396, 3402­ 002.605 e 9903­003.069 (primeiro tema) e 3202­00.226 (segundo tema).  Por  intermédio  do  despacho  de  admissibilidade  do  Presidente  da  Quarta  Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso.  Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 4          3 O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­005.802, de  17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/2007­73, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­005.802):  "Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos  que  o  recurso  especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido.  Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da  Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a  depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do  PIS/Cofins  não  cumulativos  os  gastos  realizados  em  etapa  anterior  à  produção  do  produto  final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser  assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação  de  créditos  sobre  eles  incidentes  (p.  ex.,  os  gastos  realizados  na  etapa  agrícola,  portanto,  anterior  à  industrialização).  A  própria  ementa  do  Acórdão  paradigma  de  nº  3402­002.605  comprova esse fato:  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Insumos,  para  fins  de  creditamento  da  Contribuição  Social  não­ cumulativa,  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de qualidade do produto ou  serviço  daí  resultantes.  As  Leis  de  Regência  da  não  cumulatividade  atribuem  o  direito  de  crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção  ou  fabricação"  de  bens  destinados  à  venda,  inexistindo  amparo  legal  para  secção  do  processo  produtivo  da  sociedade  empresária  agroindustrial em cultivo de matéria­prima para consumo próprio e em  industrialização  propriamente  dita,  a  fim  de  expurgar  do  cálculo  do  crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.  Os  custos  incorridos  com  bens  e  serviços  aplicados  na  floresta  de  eucaliptos  guardam  relação  de  pertinência  e  essencialidade  com  o  processo  produtivo  da  pasta  de  celulose  e  configuram  custo  de  produção, razão pela qual  integram a base de cálculo do crédito das  contribuições não­cumulativas. (g.n.)  Feita  essa  breve  introdução,  vemos  que,  de  fato,  enquanto  o  acórdão  recorrido  consubstanciou  o  entendimento  de  que  o  termo  "insumo"  não  pode  ser  interpretado  como  todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas  apenas  aqueles  bens  e  serviços  que,  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  sejam  efetivamente  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  açúcar  e  álcool  (os  produtos  fabricados  pela  Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 3202­00.226, em divergência, adotou conceito bem  mais largo, a conhecida tese do IRPJ.  Contudo,  a  despeito  de  conhecido  o  recurso,  vemos  que  o  acórdão  recorrido  não  merece reparos.  Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 5          4 No  regime  não  cumulativo  do  PIS/Cofins,  os  créditos  a  que  tem  direito  a  pessoa  jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no  ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte:  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:    I ­ bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e  aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei  nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)   b)  nos  §§  1o e  1o­A  do  art.  2o desta  Lei;  (Redação  dada  pela  lei  nº  11.787, de 2008)   II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços  e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o art.  2o da Lei  no 10.485,  de  3 de  julho  de  2002, devido pelo  fabricante ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)   III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação  dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)   IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica, utilizados nas atividades da empresa;   V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado  de Pagamento de  Impostos  e Contribuições  das Microempresas  e das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)   VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;   VIII  ­  bens  recebidos  em  devolução  cuja  receita  de  venda  tenha  integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme  o disposto nesta Lei;   IX  ­  armazenagem de mercadoria  e  frete na  operação de  venda,  nos  casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.   X ­ vale­transporte, vale­refeição ou vale­alimentação, fardamento ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009)   XI ­ bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização  na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.  (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.)  Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 6          5 Não  há,  nos  diplomas  legais  referidos,  qualquer  dispositivo  conceituando  o  termo  “insumo”,  tampouco  atribuindo  a  sua  definição  àquela  adotada  pela  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI,  o  que  só  o  legislador  infralegal  fez  ao  editar  as  Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos  apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa:  IN SRF nº 247, de 2002:  Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode  descontar  créditos,  determinados  mediante  a  aplicação  da  mesma  alíquota, sobre os valores:   (...)  § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­se como  insumos:  I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:  a)  as  matérias­primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o  desgaste,  o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas,  em  função da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II – utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma  vez  que  muitos  contribuintes  passaram  a  emprestar  ao  termo  “insumo”  significado  muito  mais  elástico  do  que  aquele  aparentemente  conferido  pelas  normas  infralegais  que  regulamentaram  as  Leis  n.ºs  10.637,  de  2002,  e  10.833,  de  2003,  e  cuja  origem  é,  evidentemente,  a  legislação  do  IPI, mas  apenas  quanto  a  uma parte  dos  créditos  –  aqueles  bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já  que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontram­se autorizados em alínea  diversa (alínea “b”).  O  cerne  da  questão,  portanto,  está  em  definir  o  conceito  de  insumo  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da Cofins:  se  este  se  apresenta  numa  perspectiva muito  ampla,  em  ordem  a  abarcar,  como  querem  alguns,  todo  ou  qualquer  custo  ou  despesa  operacional  da  pessoa  jurídica  (tese  do  IRPJ),  ou  se,  como  pretendem  outros,  apresenta­se  de modo mais  restritivo,  mais  próximo  ao  que  ocorre  na  legislação  do  IPI.  Há,  ainda,  uma  posição  intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção  ou na prestação de serviço.  De  todo  modo,  entendemos  que,  no  presente  caso,  não  cabe  conceituar  o  termo  "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um  pesticida,  por  exemplo,  não  é  –  nem  jamais  poderia  ser!  –  insumo  na  industrialização  do  açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo.  O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP  n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente  convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos  Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 7          6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da  Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas  da  fabricação  de  um  produto  ou  da  prestação  de  um  serviço  pudesse  ser  realizado  por  empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam:  1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a  eficiência  econômica,  gerando  condições  para  um  crescimento  mais  acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a  instituição da Cofins não­cumulativa visa corrigir distorções relevantes  decorrentes  da  cobrança  cumulativa  do  tributo,  como  por  exemplo  a  indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da  distribuição  da  produção  por  um  número  maior  de  empresas  mais  eficientes  –  em  particular  empresas  de  pequeno  e  médio  porte,  que  usualmente são mais intensivas em mão de obra.  Assim,  considerar  como  insumos  todos  os  gastos  realizados  da  etapa  agrícola  da  produção  do  açúcar  e  do  álcool,  como  pretende  a  Recorrente,  é  admitir  que,  no  referido  conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do  legislador.  Diverso,  contudo,  é,  a nosso  juízo,  o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja  atividade,  a  mineração,  consiste  no  processo  de  extração  de  minerais da  terra.  Ainda  que  posteriormente  à  retirada  do minério  algum  beneficiamento  seja  por  ela mesma  realizado,  como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é  que  há,  neste  caso,  um  todo  indissociável,  não  se  podendo  cindir  a  retirada  do minério  do  solo,  para  o  efeito  de  determinar  o  que  é  ou  não  é  insumo,  sob  pena  de  descaracterizar  a  própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não  tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo.  Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são  estabelecimentos  agroindustriais  que  produzem,  a  partir  da  cana,  o  açúcar,  o  melaço,  a  aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros  estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade  industrial  propriamente  dita),  a  aquisição  de  cana  gera,  sim,  o  direito  à  apropriação  dos  créditos  correspondentes,  não,  contudo,  os  gastos  realizados,  pela  própria  Recorrente,  no  plantio e colheita da cana de açúcar. Pode­se até achar inconveniente, mas é assim que a lei é.  No  caso  específico,  foram  os  seguintes  os  itens  glosados  (apenas  os  referidos  no  recurso  especial  e  na  ordem  em  que  elencados),  glosa  com  a  qual,  pelas  razões  antes  explicitadas, concordamos:  a) Material  Intermediário  –  Serviços  de Manutenção:  partes  e  peças  de  veículos,  caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de  veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.;  b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente.  À falta de maiores  informações, entendemos que os bens do ativo permanente são  aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso  (Acórdão  nº  3402­002.605).  Nesse  contexto,  não  há  o  direito  ao  crédito,  conforme,  a  contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da  Lei nº 10.637, de 2002).  Ante  o  exposto,  conheço  do  recurso  especial  interposto  pela  contribuinte  e,  no  mérito, nego­lhe provimento."  Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13822.000177/2005­05  Acórdão n.º 9303­005.811  CSRF­T3  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e,  no mérito, o colegiado negou­lhe provimento.  assinado digitalmente  Rodrigo da Costa Pôssas                                    Fl. 657DF CARF MF

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7099262 #
Numero do processo: 10920.000441/2001-72
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1995 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DE JULGAMENTO Contradição endógena ao resultado do julgamento consignada na folha de rosto do acórdão em relação à fundamentação do voto gera a necessidade de saneamento como consequência lógica ou necessária para a supressão do equívoco.
Numero da decisão: 9900-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9900-001.005, de 15/12/2016, sanar a contradição apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: Relator

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Relatório    Trata­se de embargos de declaração opostos pelo ilustre Conselheiro Heitor  de  Souza  Lima  Junior,  redator  designado  pelo  voto  vencedor  do  acórdão  9900­001.005,  objeto de julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o  Acórdão nº 9101­00.138 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CSRF.    Em relação ao acórdão 9101­00.138, recorda­se que a 1ª Turma da CSRF  havia,  por  unanimidade  de  votos,  negado  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda Nacional, consignando a seguinte ementa:  “Ementa:  IRPJ  ­  DECADÊNCIA  ­  A  ausência  ou  insuficiência  de  recolhimento  não  desnatura  o  lançamento,  pois  o  que  se  homologa  é  a  atividade  exercida  pelo  sujeito  passivo,  da  qual  pode  resultar  ou  não  crédito  tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária  de apuração, para o IRPJ aplica­se a regra decadencial prevista no § 4º  do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo  fraude  ou  simulação,  quando  o  dies  a  quo  do  prazo  desloca­se  do  fato  gerador  para  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  no  qual  o  lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). ”    Insatisfeita  com  essa  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Extraordinário  contra o  r.  acórdão,  trazendo,  entre outros,  em  síntese,  que o  entendimento  jurisprudencial  em que  se  fundamenta o  presente  recurso,  e  que  foi  recentemente  firmado  Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10920.000441/2001­72  Acórdão n.º 9900­001.024  CSRF­PL  Fl. 879          3 pelo  STJ,  é  no  sentido  de  que,  não  havendo  recolhimento  antecipado  do  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito  tributário reger­se­á pelo disposto no art. 173,1, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo  diploma legal.     Em sessão plenária de 15.12.2016, o Colegiado, por maioria de votos, deu  provimento ao recurso extraordinário, consignando a seguinte ementa:  “Exercício: 1995  DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  LANÇADOS  POR  HOMOLOGAÇÃO.  MATÉRIA  DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543­C DO CPC. REGRA DO  ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL.  O art. 62­A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 ­ SC,  decidido na sistemática do art. 543­C do Código de Processo Civil, o que faz com  a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito  passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude  ou  simulação.  No  caso  em  questão,  não  há  evidência  de  ter  ocorrido  recolhimento a título de antecipação da contribuição referente aos trimestres em  litígio. Assim, aplicável a regra do art. 173, I, do CTN.   Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da  Fazenda  Nacional  e,  no mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento,  com  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem,  vencidos  os  conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama  (relatora),  Gerson  Macedo  Guerra,  Ana  Paula  Fernandes,  Vanessa  Marini  Cecconello  e  Érika  Costa  Camargo  Autran,  que  lhe  negaram  provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Luis  Flávio  Neto,  Demetrius  Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto  Rodrigues Amadio) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir  o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.”    Considerando  a  decisão  formalizada  no  acórdão  e  decisum,  foram  opostos  Embargos de Declaração apreciados em Despacho às fls. 868 a 869, transcrito em parte:  “[...]  A propósito, nota­se nítida contradição a ser sanada na decisão, constante  da  ata  da  sessão  e  reproduzida  no Acórdão  formalizado,  uma  vez  que  o  voto vencedor foi no sentido de que "Retornem­se os autos à instância a  Fl. 884DF CARF MF     4 quo  para  apreciação  das  demais  matérias  constantes  do  Recurso  Especial, uma vez que a decadência sob análise foi reconhecida pela 1a.  Turma  da  CSRF  a  partir  de  argumento  levantado  em  Tribuna  pelo  patrono da recorrente (vide voto de fls. 778/779)"  Já  o  decisum  reproduzido  em  ata  e  formalizado  no  Acórdão  recorrido  registra  "(...)  dar­lhe  provimento,  com  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem. (...)"  Caracterizada, assim, clara contradição entre o voto vencedor e a decisão  formalizada no Acórdão.  Diante  do  exposto,  proponho  os  presentes  embargos,  a  fim  de  que  o  Recurso Extraordinário sofra nova apreciação por parte deste Colegiado,  por  conter  o  Acórdão  vergastado  clara  contradição  entre  a  decisão  constante  do  Acórdão  e  seus  fundamentos,  a  ser  sanada  mediante  a  prolação de novo Acórdão.  [...]”    É o relatório.  Voto               Conselheira Tatiana Midori Migiyama, relatora.    Depreendendo­se  da  análise  dos  embargos  de  declaração  opostos  pelo  ilustre  conselheiro,  deve­se  conhecê­los,  considerando  clara  evidência  da  contradição apontada em Despacho de Admissibilidade dos Embargos.    Como  relatado,  vê­se  que  o  Colegiado,  em  sessão  plenária,  entendeu, por maioria de votos, pela aplicação do art. 173,  inciso  I, do CTN para a  contagem  do  prazo  decadencial,  considerando  a  especificidade  desse  processo.  Considerando  tal  decisão,  analisando  o  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional (há o mérito que não foi apreciado na CSRF, considerando que o Colegiado  aplicou  o  art.  150,  §  4º  do  CTN),  deve­se  sanar  tal  contradição,  acolhendo  os  embargos  de  declaração  sem  efeitos  infringente  para  retificar  a  decisão,  conforme  segue:  · De:  Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10920.000441/2001­72  Acórdão n.º 9900­001.024  CSRF­PL  Fl. 880          5 “por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do  Recurso  Extraordinário  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria de votos, em dar­lhe provimento, com retorno dos  autos  à  unidade  de  origem,  vencidos  os  conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama  (relatora),  Gerson  Macedo  Guerra, Ana Paula Fernandes, Vanessa Marini Cecconello  e  Érika  Costa  Camargo  Autran,  que  lhe  negaram  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei  (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio)  e  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.  · Para:  “por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do  Recurso  Extraordinário  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento,  com  retorno  ao  Colegiado  a  quo  para  apreciação  das  demais  matérias  trazidas  em  Recurso  Especial,  vencidos  os  conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama  (relatora),  Gerson  Macedo  Guerra, Ana Paula Fernandes, Vanessa Marini Cecconello  e  Érika  Costa  Camargo  Autran,  que  lhe  negaram  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei  (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio)  e  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.    Com tal retificação, não haverá mais contradição com a conclusão  trazida no voto vencedor do acórdão do Recurso Extraordinário:  Fl. 886DF CARF MF     6 “Retornem­se  os  autos  à  instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  matérias  constantes  do  Recurso  Especial,  uma  vez  que  a  decadência sob análise foi reconhecida pela 1a. Turma da CSRF a  partir  de  argumento  levantado  em  Tribuna  pelo  patrono  da  recorrente (vide voto de fls. 778/779)"    Em vista do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de  declaração,  sem  efeitos  infringentes,  sanando  o  vício  apontado,  nos  termos  já  descritos.    É como voto.    (Assinado digitalmente)  Tatiana Midori Migiyama                             Fl. 887DF CARF MF

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Numero do processo: 10865.903919/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.

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1301­002.677  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de outubro de 2017  Matéria  IRPJ ­ Perdcomp  Recorrente  FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  AUSÊNCIA  DE  PRAZO  PARA  VERIFICAÇÃO  DE  CERTEZA  E  LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL  PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.  A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e  liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150,  §  4ª  do  CTN,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação.  Inexiste  na  legislação  tributária  prazo  limite  para  verificação  da  certeza  e  liquidez do crédito pleiteado.   PERDCOMP.  PAGAMENTO  POR  ESTIMATIVA.  POSSIBILIDADE  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº  84.   Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na  data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos  termos da Súmula CARF nº 84.  BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS.  INCLUSÃO DAS DEMAIS  RECEITAS  NÃO  COMPREENDIDAS  NO  CONCEITO  DE  RECEITA  BRUTA.  A  base  de  cálculo  das  estimativas  é  determinada mediante  a  aplicação  dos  percentuais  definidos  no  art.  223  do  RIR/99.  As  demais  receitas  não  abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base  de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos  dar  provimento  parcial  para  reconhecer  o  direito  de  crédito  de  R$  786.828,18  (valor  principal),     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 19 /2 00 8- 04 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 638          2 acrescido  da  multa  de  mora  incidente  sobre  esse  valor,  homologando­se  as  compensações  declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Milene de Araújo Macedo ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Amélia  Wakako  Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de  Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.    Relatório  Por  bem  relatar  o  ocorrido,  valho­me  do  relatório  elaborado  pelo  órgão  julgado a quo, complementando­o ao final:  "Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho  Decisório  em  que  foi  apreciada Declaração  de Compensação  (PER/DCOMP),  por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributo  (IRPJ­estimativa,  código  de  arrecadação  2362),  concernente  ao  período  de  apuração 01/2003.  Por  despacho  decisório,  não  foi  reconhecido  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada  a  compensação  declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  os  pagamentos  informados  foram  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões:  ­ que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores  expressos  no  quadro  "Utilização  dos  pagamentos  encontrados  para  o  Darf  discriminado  no  PER/DCOMP",  os  quais  não  corresponderiam  aos  efetivamente  declarados.  Os  valores  do  alegado  crédito  apropriados  nos  PER/DCOMP  n.os  28623.05598.250804.1.3.04­7067,  22743.16824.020904.1.3.04­0251,  08891.60465.080904.1.3.04­5809,  30276.47095.140904.1.3.04­9480  e  15738.53242.210906.1.7.04­5707,  seriam,  respectivamente,  R$  1.959,26,  R$  17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam  no despacho decisório;  Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 639          3 ­  que  haveria  saldo  suficiente  para  compensação  do  tributo  informado  em  PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo  ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00.  Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é  devido  em  relação  à  PER/DCOMP  não  homologada,  improcedendo  o  valor  constante  no  DARF  encaminhado  e  vinculado  ao  Processo  Administrativo  em  referência'".  E o relatório."  No  julgamento  realizado  em  29/03/2011,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, por meio do  Acórdão nº 14­33.111 ­ 5ª Turma, assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2003  DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO.  Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de  compensação formalizada, impõe­se o seu indeferimento.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe  ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada  das  provas  hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto  à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela  autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  23/05/2011,  a  Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011.   Em  virtude  da  semelhança  dos  recursos  apresentados,  valho­me  do  trecho  extraído  da  Resolução  nº  1802­000.333  ­  2ª  Turma  Especial,  de  08/10/2013,  nos  autos  do  processo  nº  10865.903920/2008­21,  que  trata  do  mesmo  direito  creditório  ora  analisado  e  assim relatou as alegações contidas no recurso voluntário apresentado pela contribuinte:  DOS FATOS  ­  dispõe  a  legislação  que  a  pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação com base  no  lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto  e  adicional,  em  cada  mês,  determinados sobre base de cálculo estimada;  ­  assim  procedeu  a  Recorrente,  tendo  recolhido  as  estimativas  mensais  do  imposto durante todo o ano­calendário;  Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 640          4 ­ todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente  recolheu  aleatoriamente  (posto  que  sem  uma  apuração  efetiva  da  receita  bruta  auferida) mas de boa­fé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida  (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$  800.000,00), corroborando o alegado;  ­ outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatou­se  que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora  quitado da seguinte forma:  •  R$  56.470,37  ­  Darf  recolhido  em  30/05/2003,  com  multa  e  juros,  totalizando R$ 70.390,31;  •  R$  10.711,46  ­  mediante  compensação  por  meio  do  DComp  21298.07778.21050.31304.97­40;  •  R$  76.208,64  ­  mediante  compensação  por  meio  do  DComp  16895.65143.21050.31304.84­88;  •  R$  19.116,06  ­  mediante  compensação  por  meio  do  DComp  17482.92249.03110.31304.85­60 (já homologada).  ­  desta  forma,  se  verifica  que  o  valor  integral  da  guia  embatida  não  foi  utilizado  para  a  quitação  da  estimativa  mensal  de  31/01/2003,  e  este  montante,  portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui  junto a este órgão,  tendo  sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma  tabela  relacionando  várias  outras  compensações  realizadas  a  partir  deste  mesmo  crédito);  ­ o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado,  tendo  a  Recorrente  demonstrado  o  equívoco  dos  números  constantes  no  referido  despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto;  ­ contudo, a DRJ manteve a decisão de não­homologação da compensação sob  outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e,  conseqüentemente,  sua  esfera  de  competência,  posto  que  o  processo  deveria  ter  retornado  à  Fiscalização  para  nova  decisão  quanto  à  homologação  ou  não  da  compensação  declarada,  devido  ao  fato  da Autoridade  Julgadora  haver  afastado  o  único óbice apontado pela Fiscalização;  ­  tal  situação acarretou  supressão de  instância em  face da Recorrente,  posto  que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de  documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento  utilizado),  visto que  sua Manifestação de  Inconformidade não abrangeu a  situação  apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente;  ­ em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida  acerca  da  existência  do  crédito,  destaca­se  que  o  atual  fundamento  para  a  não­ homologação  das  compensações  apenas  apontaria  um  equívoco  de  interpretação  quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de  ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente  ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (ano­calendário de 2003);  ­ todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual  equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de  ter  ressarcido valores  recolhidos  indevidamente, a  título de  imposto  sobre a  renda,  razão  pela  qual  junta  aos  autos  toda  a  documentação  contábil  pertinente  à  Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 641          5 demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha  como fora utilizado aludido crédito;  ­  por  derradeiro,  se  coloca  à  inteira  disposição  para  o  fornecimento  de  quaisquer  outros  documentos  que  se  fizerem necessários,  requerendo,  desde  já,  se  necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a  homologação das compensações efetuadas;  DA DECADÊNCIA  ­  conforme  dito  no  item  anterior,  a  Fiscalização  não  homologou  as  compensações  declaradas  sob  o  fundamento  (ÚNICO)  de  que  o  crédito  era  insuficiente,  posto  que  já  utilizado  para  o  pagamento  de  outros  débitos,  demonstrando  o  alegado  com  números  equivocados  e  distorcidos  do  efetivamente  declarado;  ­  em  face  desta  situação,  a  Recorrente  apresentou  suas  razões  de  defesa,  demonstrando  a  incorreção  do  apontado  pela  Fiscalização  e  juntando  documentos  hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão;  ­ a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual  reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente;  ­ contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as  compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não  seria passível de ressarcimento;  ­ caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização  para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso  do apontado;  ­  se  o  óbice  apontado  no  v.  acórdão  fosse  causa  de  não­homologação  pela  Fiscalização, esta deveria  ter consignado  também este  fundamento no  r. Despacho  Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de  apresentar  todas  as  suas  razões  de  defesa  já  na Manifestação  de  Inconformidade,  assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado.  Entretanto, isto não ocorreu;  ­  tal  fato  foi  apenas  apontado  no  v.  acórdão  e,  assim,  o  seu  acatamento  culminaria  em  verdadeira  supressão  de  instância,  posto  que  não  seria  possível  contestar algo de que ainda não se tinha ciência;  ­  se  a  fiscalização  não  apontou  o  "Tipo  do  Crédito"  como  óbice  à  compensação, não poderia a autoridade julgadora fazê­lo, pois esta matéria não era  objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte  de insurgir­se em face dela;  ­  aos  nobres  Julgadores  caberia  apenas  afastar  o  óbice  apontado  pela  Fiscalização e,  assim,  eventualmente  e na mais  otimista  das  hipóteses,  retornar  os  autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação;  ­  outrossim,  tendo  sido  afastado  o  óbice  apontado  pela  Fiscalização  no  r.  despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para  que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por  novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de  afastar  a  decisão  de  não­homologação  sob  fundamento  diverso  do  apontado  pela  Fiscalização;  Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 642          6 DA COMPENSAÇÃO  ­  a  compensação  efetuada  se  encontra  em  perfeita  sintonia  com  as  normas  legais  vigentes,  tendo  ocorrido,  eventualmente,  apenas  um  equívoco  quanto  ao  preenchimento do campo "tipo do crédito";  ­ o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior"  (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o  "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de  fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido;  ­  desconsiderar  os  valores  recolhidos  a  maior  pela  Recorrente,  conforme  demonstra  a  farta  documentação  contábil  anexada  à  presente,  seria  o  mesmo  que  tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese,  por óbvio, manifestamente inconstitucional;  ­ portanto,  é medida de  justiça o  reconhecimento do  crédito  informado pela  Recorrente  na  íntegra,  sendo  homologadas  as  compensações  declaradas  em  sua  integralidade;  DO PEDIDO  ­  dado  o  fato  de  a  5a  Turma  da DRJ/Ribeirão  Preto  haver  afastado  o  óbice  apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo  de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de não­homologação, sob outro  fundamento,  requer,  respeitosamente,  seja  parcialmente  reformado  o  v.  acórdão,  para  o  fim  de  afastar  a  "decisão  de  não­homologação  sob  fundamento  diverso  do  apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas  em sua integralidade;  ­ caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação,  requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual  demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto  ao  tipo  do  crédito  ser  óbice  ao  legítimo  direito  de  ressarcimento  dos  montantes  indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja  julgada  totalmente  procedente  o  recurso  interposto,  homologando­se  as  compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça."  É o relatório.  Voto             Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora  O recurso é tempestivo e dele conheço.  PRELIMINAR   Alega a  recorrente que a  fiscalização não homologou a compensação sob o  fundamento de que o  crédito  seria  insuficiente pois  teria  sido utilizado para o pagamento de  outros  débitos,  entretanto,  ao  analisar  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  5a  Turma  da  DRJ/Ribeirão  Preto  afastou  o  óbice  apontado  pela  fiscalização  no  Despacho  Decisório  e  decidiu  pela  não­homologação  sob  fundamento  diverso  do  apontado  pela  fiscalização. Fundamentou­se no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem  Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 643          7 de mera antecipação do  tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento  indevido ou a maior passível de restituição.   Entende  a  recorrente  que  já  tendo  transcorrido  o  prazo  decadencial  de  05  (cinco)  anos,  o  Fiscal  não  poderia  proferir  novo  despacho  de  não­homologação,  sob  outro  fundamento. Assim,  requereu, a  reforma do acórdão, para o  fim de afastar a decisão de não­ homologação  sob  fundamento  diverso  do  apontado  pela  fiscalização,  considerando  homologadas as compensações declaradas em sua integralidade.  Na  análise  dos  pedidos  de  ressarcimento/compensação,  a  investigação  da  autoridade  fiscal  tem por escopo verificar  a certeza e  liquidez do crédito  tributário,  requisito  necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei)  Dessa  forma,  procedeu  corretamente  o  julgador  de  primeira  instância  que,  após superar o motivo  inicialmente apontado pela  fiscalização para indeferimento do crédito,  prosseguiu na verificação da certeza e  liquidez do crédito e  identificou situação, a  seu  juízo,  igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez.  Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5  anos  para  que  o  Fisco  pudesse  não  homologar  a  compensação  por  novo  fundamento,  não  assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN  é  aplicável  aos  lançamentos  de  ofício  realizados  para  constituição  de  créditos  tributários. A  análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco  anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações,  o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação foi enviada em 13/10/2004  e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 44 a 48), portanto,  antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos.   Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que  sejam  afastadas  as  decisões  de  não­homologação  sob  fundamento  diverso  do  apontado  pela  fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos.  MÉRITO  Relativamente  ao mérito,  a  recorrente  requereu  a  análise  da  documentação  contábil  anexada  ao  recurso  voluntário,  a  qual  demonstra  a  existência  do  crédito  informado,  afirmando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito não poderia ser óbice ao legítimo  direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento  ilícito.  De  fato,  nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  84,  os  valores  de  estimativa  recolhidos  a  maior  caracterizam  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível  de  restituição ou compensação. Assim, o valor do DARF recolhido em 19/03/2003, no valor total  de R$ 858.160,00  seria  passível de  restituição, diversamente do decidido no Acórdão nº 14­ 33.111,  pela  5ª  Turma  da  DRJ/RPO.  Todavia,  como  bem  pontuado  na  Resolução  nº  1802­ 000.333 – 2ª Turma Especial de 08/10/2013, nos autos do processo nº 10865.903920/2008­21,  Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 644          8 que  trata  de  pedido  de  compensação  cujo  direito  creditório  é  o  mesmo  ora  apreciado,  necessária a verificação, à luz da documentação contábil e fiscal, do valor da estimativa devido  em  janeiro/2003,  comprovação  de  sua  quitação,  bem  assim,  a  apuração  de  recolhimento  a  maior e sua disponibilidade, em virtude da existência de outras compensações com o mesmo  crédito utilizado no presente processo.  Assim, em cumprimento à Resolução nº 1802­000.333 – 2ª Turma Especial  de 08/10/2013,  a unidade preparadora prestou  as  seguintes  informações  às  fls.  664 a 670 do  processo nº 10865.903920/2008­21:  "O  contribuinte  foi  intimado  para  cumprirmos  a  diligência  solicitada  pelo  CARF  e  apresentou  o  Livro  Razão  e  o  Diário  da  época,  juntamente  com  outros  documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ.  Na DIPJ/2004  retificadora  foi  assinalado  que  a  base  de  cálculo  foi  apurada  com base na receita bruta e acréscimos.  As  receitas  informadas  no  demonstrativo  da  base  de  cálculo  foram  confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de  dezembro de 1995, o percentual  a  ser  aplicado  sobre a  receita bruta  é de oito por  cento:  "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. "    Conta  Receita  Valor  3.1.11.1  Vendas Produção Própria  8.093.340,95  3.1.12.1  Receita Exportação  18.093,60  3.1.31.1  Receita Vendas não Agrícolas  3.601,50  3.3.91  Outras Receitas Operacionais  3.885,67  Receita Bruta  8.118.921,72  Percentual  8%  Base de Cálculo Operacional  649.513,74  3.3.61.1.1  Variações Cambiais ­ Realiz.  51.687,09  3.3.61.3.2  Outros Ganhos Financeiros  4.294,02  3.5.11.2  Ganho Venda Bens do Imobilizado  3.478,53  3.5.21.3.1.001  Ganho c/Arrendamento Al  1.742,18  Base de Cálculo do Imposto de Renda  710.715,56  A Alíquota de 15%  106.607,33  Adicional  69.071,56  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  175.678,89    Há  divergência  entre  o  valor  apurado  nesta  diligência  e  o  informado  pelo  contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram  no conceito de receita bruta.  2­ Valor Extinto do Débito  O  contribuinte  declarou  em  DCTF  que  o  IRPJ  devido  por  estimativa  em  janeiro de 2003 era de apenas R$ 162.507,06 o qual teria sido extinto da seguintes  forma:  Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 645          9 Valor Total do Débito Declarado em DCTF  162.507,06  DARF  56.470,37  Compensação 16896.65143.210503.1.3.04­8488  76.208,64  Compensação 21298.77782.10503.1.3.04­9740  10.711,46  Compensação 17482.92249.031103.1.3.04­8560  19.116,60  3­ Existência e Disponibilidade do Valor Recolhido a Maior  Nota­se  que  o  pagamento  indicado  como  crédito  neste  processo  não  foi  utilizado para a extinção do débito, conforme declarado em DCTF.  [...]  O  processo  10865.906007/2009­67  se  refere  à  análise  da  declaração  de  compensação  n.°  31174.29044.140704.1.3.04­5847,  que  também  se  encontra  no  CARF  e  os  valores  bloqueados  se  referem  às  declarações  de  compensação  que  já  foram homologadas.  Note­se que os valores bloqueados coincidem com os valores informados pelo  contribuinte na Manifestação de Inconformidade.  Considerando  o  saldo  existente  de  R$  446.240,12  registrado  no  Sief/Documento  de  Arrecadação/Consulta/Pagos,  seria  possível  homologar  as  seguintes compensações, ainda não homologadas automaticamente ou com valor do  crédito reservado, ressaltando que o saldo remanescente não corresponde à simples  subtração  do  crédito  atual  do  débito  compensado,  porque  sobre  o  crédito  há  incidência de Selic:    Declaração de Compensação  Crédito Atual  Débito  Saldo Remanescente  10769.54888101203.1.3.04­8007  446.240,12  10.031,54  437.532,94  01850.16010.101203.1.3.04­0542  437.532,94  10.231,91  428651,85  33592.14380.151203.1.3.04­0927  428.651,85  99.374,63  306470,23  29074.46584.140104.1.3.04­5810  306.470,23  160.434,85  204.778,82  14871.19827.110204.1.3.04­3907  204.778,82  46.533,48  165.66,98  00276.82602.130204.1.3.04­6617  0,00  23.284,67  145.535,59  03485.14044.090304.1.3.04­0586  145.535,59  44.689,39  107.959,37  17367.95130.060404.1.3.04­8354  107.959,37  37.003,31  77.202,74  12913.16306.140404.1.3.04­9595  77.202,74  10.909,21  68.135,15    39244.91004.200404.1.3.04­3600  68.135,15  5.146,91  62.899,68  16381.41214.120504.1.3.04­3884  62.899,68  44.813,25  26.013,32  27295.85419.080604.1.3.04­8730  26.013,32  51.431,75  0,00  5863.47312240604.1.3.04­3488  0,00  16.821,20  0,00  34281.33318.070704.1.3.04­5417  0,00  44.805,76  0,00  31174.29044.140704.1.3.04­5847  0,00  18.036,19  0,00  07688.32390.110804.1.3.04­8105  0,00  50.405,87  0,00  26738.72508.270904.1.3.04­3147  0,00  158.244,77  0,00  23748.26956.280904.1.3.04­6545  0,00  30.767,32  0,00  16793.98742.051004.1.3.04­9914  0,00  38.499,23  0,00  00603.97859.131004.1.3.04­1724  0,00  12.763,10  0,00  11400.23324.091104.1.3.04­4442  0,00  35.867,86  0,00  Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 646          10 Na  sessão  de  julgamento  realizada  em  30/07/2014,  a  2ª  Turma  Especial  identificou  erro  no  valor  do  de  crédito  apurado  e  devolveu,  novamente,  o  processo  10865.903920/2008­21 à unidade de origem, através da Resolução nº 1802­000.544, para que  fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificá­lo,  como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos a partir do saldo correto.  Na Informação Fiscal de fls. 726 a 727 do processo nº 10865.903920/2008­ 21, a unidade preparadora reconheceu o equívoco no resultado da diligência anterior e refez os  cálculos considerando­se o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos  sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem  em que as declarações de compensação  foram entregues,  tendo sido verificado que o crédito  que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que  utilizaram este crédito.  Verifica­se,  portanto,  que  o  Relatório  de Diligência  Fiscal,  anexado  às  fls.  664 a 670 do processo 10865.903920/2008­21, elaborado pela unidade de origem identificou  divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89)  e  o  valor  informado  pelo  contribuinte  (R$  162.507,07).  A  diferença  decorre  da  aplicação  indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no  conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art.  225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas:  Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados  positivos  decorrentes  de  receitas  não  abrangidas  pelo  artigo  anterior,  serão  acrescidos  à  base  de  cálculo  de  que  trata  esta  Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de  1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ).  §  1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  rendimentos  tributados pertinentes às aplicações  financeiras de  renda  fixa e  renda  variável,  bem  como  aos  lucros,  dividendos  ou  resultado  positivo  decorrente  da  avaliação  de  investimento  pela  equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei  nº 9.430, de 1996, art. 2º ).   § 2º  O  ganho  de  capital  nas  alienações  de  bens  do  ativo  permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda  variável,  corresponderá  à  diferença  positiva  verificada  entre  o  valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de  1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ).  Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada do Relatório de  Diligência  Fiscal  às  fls.  664  a  674  do  processo  nº  10865.903920/2008­21,  que  apurou  divergência entre o valor nela apurado de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte  de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho  como correto o valor apurado na diligência fiscal.  Dessa  forma,  entendo  que  a  diferença  a menor  da  base  de  cálculo  apurada  pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do  crédito  pleiteado  sobre  o  recolhimento  a  maior,  consubstanciado  no  DARF  pago  em  19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim,  Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 647          11 deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido  de multa e juros de mora.  Importante  ressaltar  que  parte  do  valor  reconhecido  de  R$  786.828,18,  foi  utilizado  nas  compensações  já  homologadas,  a  seguir  relacionadas,  conforme  Informação  Fiscal  prestada  em  procedimento  de  diligência  fiscal  nos  autos  do  processo  10865.904653/2009­90 às fls. 1.085, que trata da análise de compensação utilizando o mesmo  direito creditório do presente processo:  PER/DCOMP  Valor  Débito  Data Situação  Atual  Situação da  Declaração  Motivo da Situação  da Declaração  Processo Nº  39035.35092.280704. 1.7.04­4892  12.676,68 11/07/2012  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  AGUARDANDO  PROCEDIMENTOS  DE  COMPENSAÇÃO     28623.05598.250804. 1.3.04­7067  2.453,78 21/1 1/2008  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  HOMOLOGAÇÃO  CONCLUÍDA  10865.903912/2008­84  22743.16824.020904. 1.3.04­0251  22.331,36 21/1 1/2008  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  HOMOLOGAÇÃO  CONCLUÍDA  10865.903913/2008­29  08891.60465.080904. 1.3.04­5809  35.110,22 21/1 1/2008  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  HOMOLOGAÇÃO  CONCLUÍDA  10865.903914/2008­73  30276.47095.140904. 1.3.04­9480  19.478,48 06/1 1/2008  HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  HOMOLOGAÇÃO  CONCLUÍDA  10865.903915/2008­18  15738.53242.210906. 1.7.04­5707  2.558,50  23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO  TOTAL  HOMOLOGAÇÃO  CONCLUÍDA  10865.902975/2008­13    Conclusão  Em conclusão, por  todo  o  exposto,  voto por  reconhecer o direito  creditório  sobre  o  valor  de  R$  786.828,18  (principal)  acrescido  de  multa  de  mora,  devendo  as  compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido.  Na  apuração  do  saldo  disponível  para  as  compensações  ainda  não  homologadas  devem  ser  considerados  também  os  juros  de  mora  recolhidos  e  excluídos  os  valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido.  (assinado digitalmente)  Milene de Araújo Macedo                Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10865.903919/2008­04  Acórdão n.º 1301­002.677  S1­C3T1  Fl. 648          12                   Fl. 648DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.725097/2012-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício.
Numero da decisão: 1001-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA

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1001­000.231  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  06 de dezembro de 2017  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  DISTRIBUIDORA DE MATERIAL DE PROPAGANDA ALMEIDA LTDA ­  EPP   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2012  SIMPLES NACIONAL   O  contencioso  administrativo  relativo  ao  Simples  Nacional  será  de  competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente  federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão  de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer  do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s  Conselheiro(a)s José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente e Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de  Sousa  (Presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  José  Roberto  Adelino  da  Silva  e  Eduardo  Morgado Rodrigues.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 50 97 /2 01 2- 90 Fl. 135DF CARF MF     2 Trata­se de solicitação de reenquadramento no Simples Nacional na forma de  pedido de  reconsideração da  exclusão por comunicação obrigatória. Por bem descrever o pleito  reproduzo o relatório do acórdão recorrido (e­fls. 93/98):  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  em  face  do  ‘Despacho Decisório  nº  10830/SEORT/0.492/2014’  de  fls.  46/48,  emitido  pela  Seção  de  Orientação  e  Análise  Tributária (SAORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Campinas – SP, que  indeferiu a  solicitação do contribuinte  de fls. 02/03 requerendo o restabelecimento de sua condição de  optante do Simples Nacional após sua exclusão por comunicação  obrigatória  em  virtude  do  exercício  de  atividade  vedada,  nos  termos do inciso II, do art. 74, da Resolução CGSN 94/2011.   Cientificada  do  indeferimento  em  25/09/2014  (‘Comunicado  10830/SEORT/2.405/2014’  de  fl.  49  e  AR  de  fl.  74),  a  pessoa  jurídica  interessada  apresentou  em 16/10/2014,  por  intermédio  de  procuradora  regularmente  constituída  (instrumento  de  mandato de fls. 58/59), a manifestação de inconformidade de fls.  51/52 sustentando, em  síntese,  que houve  inclusão de atividade  errada;  que  não  houve  intenção  de  ser  excluída  do  Simples  Nacional; e que, após tomar ciência do erro, fez a correção em  03/08/2012.   Apresenta  documentos  e  solicita  o  deferimento  e  inclusão  novamente da empresa no Simples Nacional.   É o relatório.  Após  tomar  ciência  do  contido  do  Indeferimento  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade.  A  decisão  de  primeira  instância  (e­fls.  93/97)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  por  entender  que  não  há  amparo  legal  para  reconsiderar a exclusão da empresa do Simples Nacional por comunicação obrigatória:  Na espécie, conforme determina a legislação que rege o Simples  Nacional,  pela  tela  de  fl.  45  do  ‘Histórico  dos  Eventos  do  Simples  Nacional’  e  pela  tela  de  fl.  87  do  sistema  ‘Consulta  CNPJ’  constata­se  que  em  03/07/2012  efetivou­se  o  registro  e  processamento  da  comunicação  obrigatória  da  alteração  das  atividades da empresa, promovida na ‘Alteração e Consolidação  do  Contrato  Social  da  Empresa’  de  fls.  15/25,  datada  de  24/05/2012 e  registrada  na  Junta Comercial  do Estado  de  São  Paulo (JUCESP) em 22/06/2012 (data do evento). Comunicação  esta que produziu seus efeitos a partir de 01/07/2012.   Não  há  amparo  na  legislação  pertinente  para  que  a  alteração  posterior  de  atividades,  promovida  na  ‘Alteração  e  Consolidação  do  Contrato  Social  da  Empresa’  de  fls.  04/13,  datada  de 31/07/2012  e  registrada  na  JUCESP  em 03/08/2012  (data do evento), que retirou a atividade  impeditiva ao Simples  Nacional,  restabeleça  a  tributação  por  essa  sistemática  de  apuração.   A  rigor,  o  pedido  formulado  pela  empresa  litigante  equivale  a  um  pedido  de  reconsideração  da  exclusão  por  comunicação  obrigatória.  No  entanto,  conforme  prevê  o  art.  16  da  Lei  Complementar nº 123, de 2006, somente por meio de uma nova  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10830.725097/2012­90  Acórdão n.º 1001­000.231  S1­C0T1  Fl. 136          3 opção,  a  ser  feita  até  o  último  dia  útil  do  mês  de  janeiro,  é  possível reingressar novamente no Simples Nacional.  (...)  Conclusão   Assim, uma vez que não há amparo legal para reconsiderar a  exclusão  da  empresa  do  Simples Nacional  por  comunicação  obrigatória,  voto  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  ratificando  a  decisão  da  Delegacia de jurisdição da contribuinte.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  através  de  intimação  em  30/03/2016  (e­fl.  99)  a  Interessada  interpôs  recurso voluntário,  postado em 27/04/2016  (e­fl.  133),  em  que  aduz,  em  resumo,  que  solicitou  a  reinclusão  no  Smles  tendo  em  vista  que  a  exclusão  ocorreu  em  virtude  de  alteração  contratual  equivocada,  em  que  incluiu  atividade  vedada pela legislação do Simples :        Voto             Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Relator  O recurso é tempestivo, mas dele não conheço por não haver previsão legal  para este contencioso e explico a seguir as razões de tal conclusão.   Caso  o  contribuinte  inclua  em  seu  contrato  social  o  exercício  de  atividade  impeditiva  ao  Simples  Nacional  opera­se,  de  pleno  direito,  a  exclusão  da  empresa  desta  sistemática de apuração, conforme dispõem os artigos 28 e seguintes, da Lei Complementar nº  123, de 2006.  Observo que o art. 39 da Lei Complementar 123/2006 prevê um contencioso  administrativo  relativo  ao Simples Nacional de  competência do órgão  julgador  integrante da  estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção  ou  a  exclusão  de  ofício,  observados  os  dispositivos  legais  atinentes  aos  processos  administrativos  fiscais desse ente. Ou  seja,  faculta­se o  contencioso  em  caso de  lançamento,  indeferimento da opção ou a exclusão de ofício. Não há previsão para contencioso para o caso  Fl. 137DF CARF MF     4 de negativa de pedido de reinclusão na sistemática quando o próprio contribuinte demandou a  exclusão obrigatória através da inclusão em seu contrato social de atividade vedada.   Por fim concordamos com a conclusão da primeira instância segundo a qual  não há amparo na legislação pertinente para que a alteração posterior de atividades, promovida  na  ‘Alteração  e  Consolidação  do  Contrato  Social  da  Empresa’  de  fls.  04/13,  datada  de  31/07/2012 e  registrada na  JUCESP em 03/08/2012  (data do evento), que  retirou a atividade  impeditiva ao Simples Nacional, restabeleça a tributação por essa sistemática de apuração. Por  aderir  ao  entendimento  (mas  diferir  no  dispositivo)  peço  vênia  para  reproduzir  a  fundamentação daquele acórdão recorrido:  A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo  art. 17, inciso X, condições impeditivas para recolher os tributos  na sistemática do Simples Nacional o exercício de atividade de  transporte rodoviário coletivo  intermunicipal e  interestadual de  passageiros.   Lei nº 123/2006   Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional   Art.17.  Não  poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a  empresa  de  pequeno porte:   (...)   VI  ­  que  preste  serviço  de  transporte  intermunicipal  e  interestadual  de  passageiros,  exceto  quando  na  modalidade  fluvial  ou  quando  possuir  características  de  transporte  urbano  ou metropolitano ou realizar­se sob fretamento contínuo em área  metropolitana  para  o  transporte  de  estudantes  ou  trabalhadores;;   (...)   Existindo no contrato social da empresa o exercício de atividade  impeditiva ao Simples Nacional opera­se, de plano, os efeitos da  exclusão  dessa  sistemática  de  apuração,  conforme  dispõem  os  artigos 28 e seguintes, da Lei Complementar nº 123, de 2006:   Lei nº 123/2006   Da Exclusão do Simples Nacional   Art.28.  A  exclusão  do  Simples Nacional  será  feita  de  ofício  ou  mediante comunicação das empresas optantes.   Parágrafo  único.  As  regras  previstas  nesta  seção  e  o modo  de  sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor.   (...)   Art.30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação  das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar­se­á:   I ­ por opção;   II ­ obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das  situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou   Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.725097/2012­90  Acórdão n.º 1001­000.231  S1­C0T1  Fl. 137          5 (...)   § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita  Federal:   I ­ na hipótese do inciso I do caput deste artigo, até o último dia  útil do mês de janeiro;   II  ­ na hipótese do  inciso II do caput deste artigo, até o último  dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a  situação  de vedação;   § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo dar­se­á na  forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor.   § 3º A alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  equivalerá  à  comunicação obrigatória de exclusão do  Simples  Nacional  nas  seguintes  hipóteses:  (Incluído  pela  Lei  Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011)  (Produção  de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011)   (...)   II  ­  inclusão  de  atividade  econômica  vedada  à  opção  pelo  Simples Nacional;  (Incluído  pela Lei Complementar nº  139,  de  10 de novembro de 2011) (Produção de efeitos – vide art. 7º da  Lei Complementar nº 139, de 2011)   (...)   Art.31.  A  exclusão  das  microempresas  ou  das  empresas  de  pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos:   I  ­  na  hipótese  do  inciso  I  do  caput  do  art.  30  desta  Lei  Complementar,  a  partir  de  1º  de  janeiro  do  ano­calendário  subseqüente, ressalvado o disposto no §4º deste artigo;   II  ­  na  hipótese  do  inciso  II  do  caput  do  art.  30  desta  Lei  Complementar,  a  partir  do  mês  seguinte  da  ocorrência  da  situação impeditiva;   (...)   § 4º No caso de a microempresa ou a empresa de pequeno porte  ser excluída do Simples Nacional no mês de janeiro, na hipótese  do  inciso  I  do  caput  do  art.  30  desta  Lei  Complementar,  os  efeitos da exclusão dar­se­ão nesse mesmo ano.   (...) (Sublinhados acrescidos)   Na espécie, conforme determina a legislação que rege o Simples  Nacional,  pela  tela  de  fl.  45  do  ‘Histórico  dos  Eventos  do  Simples  Nacional’  e  pela  tela  de  fl.  87  do  sistema  ‘Consulta  CNPJ’  constata­se  que  em  03/07/2012  efetivou­se  o  registro  e  processamento  da  comunicação  obrigatória  da  alteração  das  atividades da empresa, promovida na ‘Alteração e Consolidação  Fl. 139DF CARF MF     6 do  Contrato  Social  da  Empresa’  de  fls.  15/25,  datada  de  24/05/2012 e  registrada  na  Junta Comercial  do Estado  de  São  Paulo (JUCESP) em 22/06/2012 (data do evento). Comunicação  esta que produziu seus efeitos a partir de 01/07/2012.   Não  há  amparo  na  legislação  pertinente  para  que  a  alteração  posterior  de  atividades,  promovida  na  ‘Alteração  e  Consolidação  do  Contrato  Social  da  Empresa’  de  fls.  04/13,  datada  de 31/07/2012  e  registrada  na  JUCESP  em 03/08/2012  (data do evento), que retirou a atividade  impeditiva ao Simples  Nacional,  restabeleça  a  tributação  por  essa  sistemática  de  apuração.   A  rigor,  o  pedido  formulado  pela  empresa  litigante  equivale  a  um  pedido  de  reconsideração  da  exclusão  por  comunicação  obrigatória.  No  entanto,  conforme  prevê  o  art.  16  da  Lei  Complementar nº 123, de 2006, somente por meio de uma nova  opção,  a  ser  feita  até  o  último  dia  útil  do  mês  de  janeiro,  é  possível reingressar novamente no Simples Nacional.   Lei nº 123/2006   Art.  16.  A  opção  pelo  Simples  Nacional  da  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa  e  empresa  de  pequeno porte  dar­se­á  na  forma a  ser  estabelecida  em ato  do  Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano­calendário.   §  1o  Para  efeito  de  enquadramento  no  Simples  Nacional,  considerar­se­á  microempresa  ou  empresa  de  pequeno  porte  aquela  cuja  receita  bruta  no  ano­calendário  anterior  ao  da  opção  esteja  compreendida  dentro  dos  limites  previstos  no  art.  3o desta Lei Complementar.   Conclusão   Assim,  uma  vez  que  não  há  amparo  legal  para  reconsiderar  a  exclusão  da  empresa  do  Simples  Nacional  por  comunicação  obrigatória,  voto  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade apresentada, ratificando a decisão da Delegacia  de jurisdição da contribuinte.  Desta forma, voto por não conhecer e do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)   Lizandro Rodrigues de Sousa                               Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.725097/2012­90  Acórdão n.º 1001­000.231  S1­C0T1  Fl. 138          7   Fl. 141DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.721091/2011-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida, de questão meramente processual, e as decisões paradigma, que versaram sobre direito material, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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Acórdão nº  9101­003.140  –  1ª Turma   Sessão de  04 de outubro de 2017  Matéria  IRPJ ­ LUCROS NO EXTERIOR  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S A    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  AUSÊNCIA  DE  SIMILITUDE  FÁTICA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DIVERGÊNCIA  NA  INTERPRETAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  Diante  de  falta  de  comunicação  entre  o  suporte  fático  tratado  pela  decisão  recorrida,  de  questão  meramente  processual,  e  as  decisões  paradigma,  que  versaram  sobre  direito  material,  impossível  atendimento  do  requisito  de  admissibilidade  concernente  à  divergência  na  interpretação  da  legislação  tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 91 /2 01 1- 90 Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.713          2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente  em exercício).    Relatório  Trata­se de Recurso Especial (e­fls. 1623/1653) interposto pela Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  ("PGFN")  em  face  da  decisão  proferida  no  Acórdão  nº  1401­ 001.579 (e­fls. 1603/1620), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão  de 05/04/2016, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da LIGHT SERVIÇOS DE  ELETRICIDADE S A ("Contribuinte").  Resumo Processual  A  autuação  fiscal  (e­fls.  1091/1129),  relativa  ao  anos­calendário  de  2006,  2007  e  2008,  discorre  sobre  tributação  de  lucros  auferidos  no  exterior.  A  Contribuinte  era  controladora das empresas LIR ENERGY LIMITED ("LIR") e LIGHT OVERSEAS LIMITED  ("LOI"), e esclareceu que estaria vinculada à decisão judicial que foi extinta com resolução de  mérito,  que  foi  objeto  de  sua  desistência  em  razão  de  adesão  a  parcelamento,  e  que  teria  determinado,  dentre  outros  comandos,  pela  aplicação  da  IN  SRF  nº  213,  de  2002,  e  por  consequência,  pela  inclusão  da  variação  cambial  na  apuração  dos  lucros  no  exterior  das  controladas. Por outro lado, entendeu a Fiscalização que o cômputo da base de cálculo, ao levar  em  consideração  os  resultados  da  variação  cambial,  estaria  em  desacordo  com  a  legislação  vigente, arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15 e 116 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 1º  da Lei nº 9.532, de 1997, com a alteração prevista no art. 74 da MP nº 2.158­35, de 2001, razão  pela qual lavrou os autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação  (e­fls.  1143/1186),  que  foi  julgada  improcedente  (e­fls.  1466/1479) pela  decisão  da  primeira  instância (DRJ).   Foi  interposto  recurso  voluntário  (e­fls.  1490/1530).  A  segunda  instância  (Turma Ordinária do CARF) deu provimento ao recurso (e­fls. 1603/1620).  A PGFN interpôs recurso especial (e­fls. 1623/1653). O despacho de exame  de admissibilidade de e­fls. 1656/1667 deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou  contrarrazões (e­fls. 1688/1697).  A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa.  Da Fase Contenciosa  A Contribuinte apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela 8ª  Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão nº 12­43.984, na sessão de 16/02/2012, nos termos  da ementa a seguir.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.714          3 LUCROS DE CONTROLADAS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO  DA CONTROLADORA.  Os  lucros auferidos no exterior disponibilizados por intermédio  de  controladas  devem  ser  adicionados  ao  lucro  líquido  da  controladora para determinação do lucro real, sendo que, para  fins  de  tributação  no  Brasil,  deve­se  considerar  que  os  lucros  serão  disponibilizados  na  data  do  balanço  no  qual  forem  apurados pela investida.  (Artigo  25  da  Lei  9.249/95,  e  artigo  74  da Medida  Provisória  2.15834/2001).  RESULTADO  DE  PARTICIPAÇÃO  SOCIETÁRIA  EM  CONTROLADA  NO  EXTERIOR.  RECONHECIMENTO  DE  LUCROS PELA CONTROLADORA. REGRAS AUTÔNOMAS.  A  apuração  do  resultado  da  avaliação  dos  investimentos  no  exterior,  pelo  método  da  equivalência  patrimonial,  não  se  confunde com a tributação dos lucros auferidos por controladas,  no exterior.  (Parágrafo 6º., do artigo 25, da Lei nº.9.249/95)  JUROS DE MORA.  É legítima a cobrança de juros de mora calculados com base na  taxa Selic, nos termos do artigo 5º, parágrafo 3º, da Lei 9.430 de  1996, pois não representa ofensa ao disposto no parágrafo 1º.,  do artigo 161, do CTN.  Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 1ª Turma Ordinária da  4ª Câmara  da  Primeira  Seção  do CARF,  na  sessão  de  05/04/2016,  por meio  do Acórdão  nº  1401­001.579, decidiu no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  DESISTÊNCIA DA AÇÃO EFEITOS  A  desistência  da  ação,  após  a  defesa,  é  ato  bilateral  sacramentado pela autoridade judicial que resolve a lide e torna  imutável a solução. Daí não ser possível falar em desistência de  ação sem resolução de mérito. Haverá uma efetiva renúncia ao  direito  em  que  a  ação  se  esteia  e  o  dispositivo  da  codificação  processual  que  abarca  essa  hipótese  é  o  art.  269.  Assim,  o  conteúdo decisório faz lei entre as partes.  A PGFN  interpôs  recurso  especial.  Discorre  que  a  autuada,  na  ação  fiscal,  justificou a não inclusão dos lucros disponibilizados no exterior das controladas LIR e LOL por  entender que os resultados no exterior reconhecidos pela método da equivalência patrimonial  incluem a variação cambial positiva e negativa, conforme art. 74 da MP 2.158­35/2001 c/c art.  7º,  §1°  da  IN  SRF  213/2002.  E,  ao  fazer  a  apuração  considerando  a  variação  cambial  do  período,  consumaram­se  prejuízos,  fazendo  com  que  fosse  apurado  resultado  negativo  de  Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.715          4 equivalência.  Relata  a  existência  de Mandado  de  Segurança  impetrado  em  20/02/2003  pela  Contribuinte que tinha como objetivo o direito de não recolher o IRPJ e a CSLL sobre o lucro  acumulado  pelas  controladas  LIR  e  LOI,  sediadas  no  exterior,  bem  como  futuros  lucros  a  serem  auferidos  (2002  e  futuros),  enquanto  não  fossem  disponibilizados,  tendo  em  vista  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  do  art.  74,  caput  e  parágrafo  único  da  MP  n.º  2.158­ 35/2001. Ainda, o MS dispunha sobre o não recolhimento do IRPJ e a CSLL sobre os valores  relativos aos resultados de equivalência patrimonial, nestes incluída a variação cambial de tais  investimentos, afastando assim a aplicação do art. 7º, §1º da IN n.º 213/2002, para os períodos  de 2002 e seguintes. Em 12/08/2003 foi proferida decisão denegatória da segurança impetrada,  e  opostos  embargos,  o Poder  Judiciário  confirmou que  a  tributação  efetuada  pela  autoridade  fiscal estaria correta. A Contribuinte  interpôs Apelação que não  foi  julgada, porque  resolveu  desistir totalmente do MS e renunciou ao direito alegado, em razão da adesão ao Parcelamento  previsto na Lei nº 11.941, de 2009. A demanda foi extinta com resolução de mérito, nos termos  do art. 269, inc. V do CPC. Com o desfecho, teria interpretado a Contribuinte, erroneamente,  que, como o posicionamento da Fazenda Nacional era pela  legalidade da  IN SRF nº 213, de  2002, e como a instrução normativa determina a inclusão da variação cambial na tributação dos  lucros das controladas no exterior, então a apuração da base tributável estaria correta. Aponta  como paradigmas os Acórdãos nº 101­97­070 e 9101­002.294, que entenderam que a decisão  judicial deve ser cumprida nos seus limites objetivos e que a variação cambial não configura  receita tributável, nem despesa dedutível. No mérito, aduz que a decisão transitada em julgado  proferida  no MS  2003.51.01.005514­8,  não  salvaguarda  o  procedimento  da  Contribuinte  de  incluir  a  variação  cambial  (negativa)  na  tributação  do  IRPJ  e  CSLL,  mas  tem  como  efeito  impedir nova demanda judicial acerca do direito subjetivo que se renunciou. E, em se tratando  da variação cambial, a legislação não dispõe sobre a sua inclusão na base de cálculo dos lucros  no  exterior,  entendimento  ratificado  pelo  CARF  e  pelo  STJ.  Requer  pelo  provimento  do  recurso.  O  Despacho  de  Exame  de  Admissibilidade  de  e­fls.  1656/1667  deu  seguimento ao recurso da PGFN.  A Contribuinte  apresentou  contrarrazões.  Protesta  quanto  a  admissibilidade  do  recurso,  por  entender  que  os  acórdãos  paradigmas  não  se  prestam  para  caracterizar  a  divergência na interpretação da legislação tributária prevista no art. 67, Anexo II do RICARF.  Discorre que os paradigmas tratam especificamente da inclusão da variação cambial na base de  cálculo dos lucros no exterior, enquanto que a decisão recorrida em nenhum momento abordou  o assunto. Na realidade,  teria  tratado de questão de ordem processual,  relativa aos efeitos da  desistência  da  ação  e  sua  projeção  na  relação  jurídica  entre  as  partes.  Ainda,  o  recurso  da  PGFN não indica quais seriam os pontos divergentes entre decisão recorrida e paradigmas, até  porque  não  há  nenhum  conflito  de  testes,  por  trataram  de  conjunturas  fáticas  distintas.  Inclusive,  em  relação  quanto  ao  paradigma  nº  9101­002.294),  houve  tentativa  da  Fazenda  Nacional em discutir o tema da coisa julgada, mas, justamente por não ter havido divergência,  a CSRF não conheceu do recurso especial quanto à coisa julgada, por folgada maioria de 9x1  votos,  reforçando  que  tal  “paradigma”  versou  apenas  tão  somente  da  inclusão  da  variação  cambial. Quanto ao mérito, a Contribuinte, por força de decisão judicial transitada em julgado  com  resolução  de  mérito,  passou  a  incluir  a  variação  cambial  na  tributação  de  resultados  auferidos no exterior pelo método de equivalência patrimonial, conforme  interpretação da  IN  SRF nº 213, de 2002, dada pela sentença judicial. Aduz que a coisa julgada material obrigou a  Contribuinte a computar, na apuração do lucro real, os resultados de equivalência patrimonial  incluindo  a  variação  cambial.  Requer  que  o  recurso  da  PGFN  não  seja  conhecido,  e,  caso  admitido, não seja provido.  Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.716          5 É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura, Relator.  Sobre  a  admissibilidade,  a Contribuinte  em  contrarrazões  protesta  pelo  não  conhecimento do recurso da PGFN, pelo fato de a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas  tratarem de situações diferentes.  Vale, a princípio, contextualizar com maior clareza a contenda dos autos.  A Contribuinte, controladora das empresas no exterior LIR e LOI, ao apurar  os lucros auferidos, considerou os resultados advindos da variação cambial. Assim, ofereceu à  tributação os seguintes valores:    Controlada: LIR  Ano  Resultado da Equivalência  Patrimonial (R$)  2006  47.041.058,47  2007  (­) 85.921.850,63 , ou seja,  ZERO  2008  577.048.647,97      Controlada: LOI  Ano  Resultado da Equivalência  Patrimonial (R$)  2006  (­) 3.678.024,34, ou seja,  ZERO  2007  (­) 31.685.829,92, ou seja,  ZERO  2008  (­)12.836.170,01, ou seja,  ZERO    Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.717          6 Esclareceu  a  Contribuinte  que  considerou  os  valores  da  variação  cambial  porque  estaria  vinculada  a  decisão  judicial  que  determinou,  dentre  outros  comandos,  pela  aplicação  do  disposto  no  art.  7º,  §1º,  da  IN  SRF  nº  213,  de  2002.  A  demanda  teve  início  quando a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança, que tinha como objetivo: (1) direito  de  não  recolher  o  IRPJ  e  a  CSLL  sobre  o  lucro  acumulado  pelas  controladas  LIR  e  LOI,  sediadas  no  exterior,  bem  como  futuros  lucros  a  serem  auferidos  (2002  e  futuros),  enquanto  não  fossem  disponibilizados,  tendo  em  vista  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  do  art.  74,  caput e parágrafo único da MP n.º 2.158­35/2001; e (2) não recolhimento do IRPJ e a CSLL  sobre os valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial, nestes incluída a variação  cambial de tais investimentos, afastando assim a aplicação do art. 7º, §1º da IN n.º 213/2002,  para os períodos de 2002 e seguintes.   Foi  proferida  decisão  denegatória  da  segurança  impetrada.  A  Contribuinte  opôs embargos sem sucesso, vez que o Poder Judiciário confirmou que a  tributação efetuada  pela autoridade fiscal estaria correta. Irresignada, a Contribuinte interpôs Apelação que não foi  julgada, porque resolveu desistir totalmente do MS e renunciou ao direito alegado, em razão da  adesão ao Parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009.  Em face da desistência apresentada, a demanda foi extinta com resolução de  mérito, nos termos do art. 269, inc. V do CPC.  Entendeu  a  Contribuinte,  portanto,  que  como  um  dos  objetivos  do MS  no  qual ela era autora seria o não recolhimento dos resultados apurados com base no art. 7º, §1º da  IN n.º  213/2002,  que  determinava  pela  inclusão  da variação  cambial  na  base  de  cálculo  dos  lucros no exterior, e como desistiu da ação, então teria restado consumada situação jurídica no  qual estaria obrigada a apurar os resultados com base no art. 7º, §1º da IN n.º 213/2002, razão  pela qual incluiu os valores advindos da variação cambial.  Ocorre que tal entendimento não foi compartilhado pela Fiscalização.  Tomando como referência os valores a título de lucros auferidos no exterior,  com base na interpretação sistêmica da legislação tributária, arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de  1995, arts. 15 e 116 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, e art. 74 da MP  nº 2.158­35, de 2001, e precedentes do CARF e do STJ, no qual firmaram entendimento de que  a  variação  cambial  não  compõe  a  base  de  cálculo  na  apuração  dos  lucros  no  exterior,  a  autoridade autuante apurou o seguinte:        Controlada: LIR (valores em R$)  Ano  Lucros auferidos,  valor que deveria ser  tributado  Valor que foi  oferecido à tributação  pela Contribuinte  Diferença objeto de  lançamento de ofício  2006  189.054.860,31   47.041.058,47   142.013.801,84  Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.718          7 Controlada: LIR (valores em R$)  2007  156.450.607,29   ZERO  156.450.607,29  2008  138.552.519,17  577.048.647,97  ZERO    Controlada: LOI (valores em R$)  Ano  Lucros auferidos,  valor que deveria ser  tributado  Valor que foi  oferecido à tributação  pela Contribuinte  Diferença objeto de  lançamento de ofício  2006  29.253.564,08   ZERO   29.253.564,08  2007  24.304.787,49   ZERO   24.304.787,49  2008  4.187.043,27  ZERO   4.187.043,27    Ocorre  que,  ao  apreciar  o  litígio,  o  voto  vencedor  da  decisão  recorrida  centrou­se no seguinte objeto, de ordem processual: a decisão judicial no MS teria vinculado  ou  não  a  Contribuinte  a  apurar  a  base  de  cálculo  das  controladas  no  exterior  levando  em  consideração  os  resultados  da  variação  cambial,  ainda  que  decorrente  de  desistência  formalizada pela autora?  Transcrevo parte da fundamentação da decisão:  Da  leitura  do  referido  dispositivo,  podemos  concluir  que  a  desistência sem resolução de mérito é aquela manifestada antes  da  resposta  do  réu.  A  decisão  judicial  que  formaliza  essa  desistência não  tem o condão de  resolver o mérito,  ou  seja,  só  faz coisa julgada formal. Encerra o processo, mas são extingue a  lide. Não há direito positivado a vincular qualquer das partes e  nova demanda com o mesmo objeto pode ser proposta em novo  processo.  É diferente, porém, no caso de já haver resposta do réu, mas de  que forma?  No Resp 1267995, o STJ assim se posicionou:  "1.  Segundo  a  dicção  do  art.  267,  §  4º,  do  CPC,  após  o  oferecimento da resposta, é defeso ao autor desistir da ação sem  o  consentimento  do  réu.  Essa  regra  impositiva  decorre  da  bilateralidade formada no processo, assistindo igualmente ao réu  o direito de solucionar o conflito". (nossos destaques)   Isso  é  necessário  justamente  pelo  fato  de  a  sentença,  nessa  segunda hipótese, resolver a lide quanto ao mérito, que transita  em julgado materialmente e vincula as duas partes.  Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.719          8 Diferentemente  do  que  alega  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  a  renúncia  não  é  ato  unilateral.  Seus  efeitos  são  bilaterais  justamente  porque  só  são  produzidos  com  a  concordância  do  réu,  no  caso,  da  União  representada  pela  própria PFN.   A  desistência  é,  pois,  um  ato  bilateral  sacramentado  pela  autoridade judicial que resolve a lide e torna imutável a solução.  Daí não ser possível falar em desistência de ação sem resolução  de  mérito.  Pelo  contrário.  Haverá  uma  efetiva  renúncia  ao  direito  em  que  a  ação  se  esteia  e  o  dispositivo  da  codificação  processual que abarca essa hipótese é o art. 269:   Art. 269. Haverá resolução de mérito:  I ­ quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor;  II ­ quando o réu reconhecer a procedência do pedido;  III ­ quando as partes transigirem;  IV ­ quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição;  V  ­  quando  o  autor  renunciar  ao  direito  sobre  que  se  funda  a  ação.  As hipóteses acima resolvem o mérito da ação, estão submetidas  ao  mesmo  regime  jurídico,  qual  seja,  o  de  que  o  conteúdo  decisório faz lei entre as partes.   Quando o autor renuncia ao direito em que se funda uma ação  em que a outra parte guerreava a posição oposta, significa que o  réu  ganhou  a  ação.  É  equivalente  ao  juiz  rejeitar  o  pedido  do  autor. A sentença judicial de mérito faz coisa julgada material.  No caso  específico aqui analisado,  fixou­se o poder de o Fisco  exigir  a  tributação  nos  termos  da  sua  Instrução Normativa  IN  213/02  (reconhecimento  da  variação  cambial)  e  o  dever  de  o  particular  apurar  a  obrigação  tributária  nos  termos da mesma  normativa. É evidente que isso não significa que o Fisco possui a  faculdade  para  alterar  seu  entendimento  para  o  caso  concreto  ao  seu  talante;  até  porque  a  atividade  de  lançamento  é  vinculada, vinculação esta adstrita na presente hipótese à norma  fixada pela decisão judicial.   Uma vez que o sujeito passivo apurou o valor devido conforme o  art.  7º  da  Instrução  Normativa  nº  213/02,  o  qual  havia  sido  fixado como o direito a ser aplicado para as partes por meio de  sentença  de  mérito  transitada  em  julgado,  não  há  como  a  autoridade  fiscal  se  insurgir  sob  o  pretexto  de  considerar  equivocada a regulação promovida pelo ato normativo.  Como se pode observar, a decisão tratou de matéria estritamente processual,  relativa aos efeitos da desistência cuja consumação estaria vinculada ao consentimento do réu.   Por sua vez, as decisões paradigma não trataram do aspecto processual.  Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.720          9 Discorrem  sobre  direito  material,  precisamente  sobre  inclusão  da  variação  cambial na base de cálculo dos lucros no exterior. Ocorre que tal questão sequer foi enfrentada  pelo  acórdão  recorrido,  justamente  porque  o  voto  vencedor  enfrentou,  preliminarmente,  a  questão  processual,  sobre  os  efeitos  da  desistência.  E,  tendo  assistido  razão  à  Contribuinte,  tornou­se prescindível apreciar o mérito, direito material.  Vale transcrever a ementa do acórdão paradigma nº 101­97.070:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002   NULIDADE­  Erros  na  apuração  do  crédito,  se  restarem  provados,  poderão  acarretar  o  provimento  total  ou  parcial  do  recurso, não implicando nulidade do lançamento.   LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE COLIGADAS E  CONTROLADAS NO EXTERIOR­ Na vigência das Leis 9.249/95  e Lei 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento  ou crédito (conforme definido na IN 38/96 e na ei n° 9.532/97), e  o que se tributavam eram os dividendos. A partir da MP 2.158­ 35/2001, a tributação independe de pagamento ou crédito (ainda  que presumidos), passando a incidir sobre os lucros apurados, e  não mais sobre dividendos.   LUCROS  ORIUNDOS  DE  INVESTIMENTO  NA  ESPANHA  ­  Nos  termos  da  Convenção  Destinada  a  Evitar  a  Dupla  Tributação  e Prevenir  a Evasão Fiscal  em Matéria de  Imposto  sobre  a  Renda  entre  Brasil  e  a  Espanha,  promulgada  pelo  Decreto n° 76.975, de 1976, em se tratando de lucros apurados  pela sociedade residente na Espanha e que não sejam atribuíveis  a estabelecimento permanente situado no Brasil, não pode haver  tributação no Brasil.   LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR INTERMÉDIO DE  CONTROLADAS INDIRETAS­ Para fins de aplicação do art. 74  da  MP  n°  2.158­35,  os  resultados  de  controladas  indiretas  consideram­se auferidos diretamente pela investidora brasileira,  e sua  tributação no Brasil não se submete às regras do tratado  internacional  firmado  com  o  país  de  residência  da  controlada  direta, mormente quando esses resultados não foram produzidos  em  operações  realizadas  no  pais  de  residência  da  controlada,  evidenciando  o  planejamento  fiscal  para  não  tributá­los  no  Brasil.   VARIAÇÃO CAMBIAL ­ Tendo em vista as razões contidas na  da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da  MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não  constitui  nem  despesa  dedutível  nem  receita  tributável,  indicando necessidade de lei expressa nesse sentido.   LANÇAMENTO  DECORRENTE  ­  CSLL  ­  O  decidido  para  o  lançamento  de  IRPJ  estende­se  ao  lançamento  que  com  ele  compartilha o mesmo fundamento factual, quando não há razão  de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso.   Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.721          10 JUROS  DE  MORA­A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos  federais.( Súmula I  CC n° 4)   JUROS  SOBRE  MULTA­  Em  relação  a  fatos  geradores  ocorridos antes de 1º de janeiro de 1997, só há dispositivo legal  autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a  multa  no  caso  de  lançamento  de  multa  isolada,  não  porém  quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida  da  multa  proporcional.  Nesse  caso,  só  podem  incidir  juros  de  mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto  de  infração,  conforme  previsto  no  §  1º  do  art.  161  do  CTN.  (Grifei)  O  acórdão  manifesta­se  expressamente  sobre  a  não  inclusão  da  variação  cambial  nos  lucros  do  exterior.  Contudo,  não  há  nenhuma  situação  processual  no  qual  se  pudesse traçar uma comparação com os presentes autos.   A  respeito  do  segundo  acórdão  paradigma,  nº  9101­002.294,  transcrevo  a  ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  ART. 7º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 213, DE 2002.  ALCANCE. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO  CAMBIAL DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR.  O  alcance  da  disposição  contida  no  art.  7º  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  213,  de  2002,  restringe­se  aos  lucros  auferidos  no  exterior,  não  tratando  da  variação  cambial  de  investimentos no exterior.  O processo trata de autuação fiscal da própria Contribuinte, relativa ao ano­ calendário  de  2005. Registre­se  que  naqueles  autos,  a  PGFN  apresentou  dois  paradigmas:  o  primeiro, no qual tratava dos limites objetivos do cumprimento da decisão judicial (Acórdão nº  3201­001.444), e o segundo, sobre a inclusão da variação cambial na base de cálculo dos lucros  no exterior. O Colegiado votou, por maioria,  em não conhecer do primeiro paradigma,  e dar  seguimento  apenas  para  o  segundo  paradigma.  Por  isso,  o  voto  do  relator  tratou  apenas  da  matéria atinente ao segundo paradigma, mérito, sem adentrar na questão processual.   Poder­se­ia  dizer  que  naquele  julgamento,  por  maioria,  entendeu­se  que  a  devolução  do  segundo  paradigma  (que  tratou  apenas  do  direito material)  foi  suficiente  para  apreciação  do  recurso  especial.  Assim,  a  matéria  atinente  ao  direito  processual  seria  prescindível para apreciação.   Ocorre que a divergência deve se dar entre decisão recorrida dos presentes  autos  e  paradigma.  A  decisão  recorrida  discorreu  sobre  os  efeitos  da  desistência  cuja  consumação estaria vinculada ao consentimento do réu. Por sua vez, a decisão paradigma não  Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16682.721091/2011­90  Acórdão n.º 9101­003.140  CSRF­T1  Fl. 1.722          11 apreciou  tal questão, por considerá­la prescindível para a solução do  litígio,  tomando como  parâmetro de comparação a decisão recorrida dos autos do processo paradigma. Não há como  se  aplicar  a  decisão  do  paradigma,  de  considerar  prescindível  a  questão  processual,  aos  presentes autos, vez que a decisão recorrida nos presentes autos não é mesma decisão recorrida  nos autos do processo paradigma.  Ora, são situações distintas, que não permitem o seguimento do recurso.  Em nenhum dos processos paradigma apresentados foi enfrentada a questão  processual apresentada pela decisão recorrida.  Assim, em face de situações fáticas distintas,  impossível a comparação para  fins de verificar se houve divergência na  interpretação da  legislação  tributária nos  termos do  art. 67 do Anexo II do RICARF.  Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da  PGFN.    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura                                    Fl. 1722DF CARF MF

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Numero do processo: 16561.720133/2013-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não conheceu da questão a respeito da CSLL. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora. (assinado digitalmente) Andre´ Mendes de Moura - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO

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A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.

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Acórdão nº  9101­003.145  –  1ª Turma   Sessão de  4 de outubro de 2017  Matéria  IRPJ ­ DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO  Recorrente  CENTRAL ENERGETICA VALE DO SAPUCAI LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO­TRIBUTÁRIO.  O  conceito  do  ágio  é  disciplinado  pelo  art.  20  do Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977  e  os  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997,  e  trata­se  de  instituto jurídico­tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva  histórica e sistêmica.  APROVEITAMENTO  DO  ÁGIO.  INVESTIDORA  E  INVESTIDA.  EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.  São  dois  os  eventos  em  que  a  investidora  pode  se  aproveitar  do  ágio  contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao  alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora  e a investida transformam­se em uma só universalidade (em eventos de cisão,  transformação e fusão).  DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.  A  amortização,  a  qual  se  submete  o  ágio  para  o  seu  aproveitamento,  constitui­se  em  espécie  de  gênero  despesa,  e,  naturalmente,  encontra­se  submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99,  submetendo­se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.  DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.  Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente.  As  despesas  devem  decorrer  de  operações  necessárias,  normais,  usuais  da  pessoa  jurídica.  Não  há  como  estender  os  atributos  de  normalidade,  ou  usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas  com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.  CONDIÇÕES  PARA  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  TESTES  DE  VERIFICAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 33 /2 01 3- 11 Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.393          2 A  cognição  para  verificar  se  a  amortização  do  ágio  passa  por  verificar,  primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386  do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram­ se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do  investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do  negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes  independentes e reorganizações societárias com substância econômica.  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  HIPÓTESE  DE  INCIDÊNCIA.  INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.  Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas  (1)  real  sociedade  investidora,  aquela  que  efetivamente  acreditou  na  mais  valia  do  investimento,  fez  os  estudos  de  rentabilidade  futura,  decidiu  pela  aquisição  e  desembolsou  originariamente  os  recursos,  e  (2)  pessoa  jurídica  investida.  Deve­se  consumar  a  confusão  de  patrimônio  entre  essas  duas  pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam  a  se  comunicar  diretamente.  Compartilhando  do  mesmo  patrimônio  a  controladora  e  a  controlada  ou  coligada,  consolida­se  cenário  no  qual  os  lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela  pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma­se o  momento  em  que  o  contribuinte  aproveita­se  da  amortização  do  ágio,  mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o  lançamento  fiscal  com  base  no  regime  de  tributação  aplicável  ao  caso  e  estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  DESPESA  DE  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  REPERCUSSÃO  DOS  AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL.  MOMENTOS  DA  EXISTÊNCIA  DO  INVESTIMENTO.  AQUISIÇÃO.  DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO.  I  ­ Construção empreendida pelo Decreto­lei nº 1.598, de 1977, encontra­se  em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das  S/A"),  no  qual  se  buscou  modernizar  os  conceitos  de  contabilização  de  investimentos  decorrentes  de  participações  societárias,  inclusive  com  a  adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três  momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do  investimento,  assim  tratados:  (1º)  o  da  aquisição  do  investimento,  normatizando­se  a  figura  do  "ágio",  que  consiste  no  sobrepreço  pago  na  aquisição,  (2º)  o  momento  em  que  o  investimento  gera  frutos  para  o  investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do  investimento.  II  ­ O  segundo momento  operacionalizou  sistema  no  qual  os  resultados  de  investimentos  em  participações  societárias  pudessem  ser  devidamente  refletidos no  investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem  objeto  de  bitributação.  De  um  lado,  os  resultados  da  investida  seriam  refletidos  no  investidor,  fazendo  com  que  tanto  na  investida  quando  no  investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o  lucro  líquido  e  a base  de  cálculo  tributável. De  outro,  determinou­se que  o  Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.394          3 investidor  poderia  efetuar  ajuste,  no  sentido  de  excluir  da  base  de  cálculo  tributável  os  resultados positivos  auferidos  pela  investida,  viabilizando­se  a  neutralidade  do  sistema  e  a  convergência  para  fins  fiscais  das  bases  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.  III  ­ A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro  (aquisição) e  terceiro  (desfazimento)  momentos.  No  desfazimento,  o  ágio  deve  ser  considerado  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  ganho  de  capital.  Na  aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se  ocorridas  as  hipóteses  de  aproveitamento  previstas  expressamente  na  legislação.  IV ­ Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e  CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias  e  os  correspondentes  resultados  auferidos,  em  seus  diferentes  momentos:  aquisição, desenvolvimento e desfazimento.  REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA.  Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das  despesas  disposto  no  art.  47,  da  Lei  nº  4.506,  de  1964,  e  com  repercussão  tanto  na  apuração  do  IRPJ  quando  da  CSLL,  conforme  art.  13  da  Lei  nº  9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A  multa  de  ofício,  penalidade  pecuniária,  compõe  a  obrigação  tributária  principal,  e,  por  conseguinte,  integra  o  crédito  tributário,  que  se  encontra  submetido  à  incidência  de  juros  moratórios,  após  o  seu  vencimento,  em  consonância  com  os  artigos  113,  139  e  161,  do  CTN,  e  61,  §  3º,  da  Lei  9.430/96.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso Especial, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não conheceu da questão  a  respeito  da  CSLL.  No mérito,  por  voto  de  qualidade,  acordam  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros Daniele  Souto Rodrigues Amadio  (relatora), Cristiane  Silva Costa,  Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir  o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rego ­ Presidente em exercício.    (assinado digitalmente)  Daniele Souto Rodrigues Amadio ­ Relatora.  Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.395          4   (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correâ,  Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente  em exercício).    Relatório  Tratam­se  de  Autos  de  Infração  (E­fls.  994  ss.)  cientificados  à  contribuinte em 11.11.2013 para a exigência de IRPJ e CSLL relativos aos anos calendário  2008  a  2010,  juntamente  com  juros  de mora  e multa  proporcional  de  75%,  em  razão  da  acusação  fiscal  de  indedutibilidade  de  despesas  decorrentes  da  amortização  do  ágio  registrado  pela  Cargill  Agrícola  S.A.  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  quando da  aquisição de  investimento  na Central Energética Vale do Sapucaí LTDA, que  posteriormente  foi  transferido para a Cargill Holding Participações Ltda. e para a Cargill  Simoni Participações Ltda, conforme detalhado no Termo de Encerramento  (E­fls. 891  ss.), ao qual se remete para uma leitura mais detalhada.    Um resumo da matéria autuada, porém, pode ser  retirada do relatório do  acórdão recorrido, sob sua óptica, que a seguir transcreve­se:    “Em conformidade  com o Termo de Encerramento  de  fls.  891/909,  o  ágio  em  discussão  tem  origem,  resumidamente,  na  aquisição,  por  parte  da  empresa  CARGILL AGRÍCOLA S/A, de 62% da COMPANHIA ENERGÉTICA VALE  DO  SAPUCAÍ  LTDA  (CEVASA  a  AUTUADA).  Tal  investimento  foi,  em  momento  posterior,  utilizado  para  aumentar  o  capital  da  pessoa  jurídica  CARGILL HOLDING PARTICIPAÇÕES LTDA, que, por  sua vez,  também o  utilizou para aumento de capital da pessoa jurídica CARGIL SIMONI.  Por fim, a CARGILL SIMONI foi incorporada pela CEVASA (incorporação às  avessas),  que  passou  a  amortizar  o  ágio.  A  CARGILL  HOLDING  PARTICIPAÇÕES  LTDA  e  a  CARGILL  SIMONI  foram  constituídas  em  10/10/2005, tendo como sócio principal a CARGILL AGRÍCOLA.    Embora  a  Fiscalização  não  os  tenha  indicado  de  forma  segregada,  mas,  sim,  conjuntamente  com  a  descrição  dos  fatos,  extraio  do  referido  Termo  de  Encerramento o que poderiam ser considerados os fundamentos da autuação.    A meu ver, são eles:    i) a CARGILL HOLDING, ao receber as quotas da CEVASA como aumento de  Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.396          5 capital  feito  pela  CARGILL  AGRÍCOLA,  antes  de  repassar  tais  quotas  para  CARGILL  SIMONI,  criou  RESERVA  DE  CAPITAL  DE  ÁGIO  para,  em  seguida, transferi­la para o resultado e neutralizar o efeito via LALUR;  ii)  a  CARGILL  SIMONI,  ao  receber  as  quotas  da  CEVASA,  reconstituiu  a  RESERVA ESPECIAL DE ÁGIO;  iii)  a  aquisição  das  quotas  da  CEVASA  não  foi  efetuada  pela  CARGILL  SIMONI, mas, sim, pela CARGIL AGRÍCOLA, que mantém o investimento por  meio da CARGILL HOLDING;  iv) a CARGILL SIMONI recebeu as quotas da fiscalizada em AUMENTO DE  CAPITAL;  v)  o  planejamento  tributário  é  efetivado  a  partir  do  momento  em  que  é  viabilizada  a  INCORPORAÇÃO,  evento  que  possibilitou  a  dedução  da  amortização do ágio;  vi) o  argumento de que a  "incorporadora e a  incorporada pretendem unificar e  centralizar as suas atividades sociais, através de um processo de incorporação, de  forma a  racionalizar operações,  otimizar a administração e minimizar despesas  através  da  economia  em  escala.  Esta  reorganização  torna­se  conveniente  levando­se  em  consideração  os  custos  sempre  crescentes  de  se  manter  duas  estruturas societárias distintas. Desta forma, a incorporação da incorporada pela  incorporadora atenderá aos interesses das sociedades e dos respectivos sócios" é  uma "falácia", vez que as despesas operacionais da CARGILL SIMONI foi, em  2007, de R$ 124.934,34;  vii) a CARGIL SIMONI apresentou declaração de imposto de renda do ano de  2005 como INATIVA, e, relativamente aos anos de 2006 e de 2007, ressalvado o  relacionado  ao  investimento  recebido  como  aumento  de  capital  com  integralização das quotas da CEVASA, não apresentou movimento, de modo que  resta  patente  que  ela  serviu  apenas  como  veículo  para  o  propósito  pretendido,  qual seja, a redução da incidência tributária via amortização do ágio;  viii)  como  os  sócios  que  detinham  a  integralidade  do  capital  votante  da  CARGILL  SIMONI  e  da  CARGILL  HOLDINGS  eram  os  mesmos  que  adquiriram a CEVASA, a avaliação que deu causa ao ágio foi direcionada para a  expectativa  de  rentabilidade  futura,  sendo  desconsiderado  o  valor  dos  bens  ou  mesmo do fundo de comércio;  ix)  a  apuração  do  ágio  foi  precedida  de  projeções  feitas  com  base  em  dados  oferecidos  pela  administração  da  empresa,  de  forma que  o  escopo  do  trabalho  não incluiu investigação acerca da veracidade dos dados;  x) a incorporação às avessas, embora prevista na lei, não afasta a relevância das  circunstâncias que podem cercar o caso concreto;  xi)  o  laudo  de  avaliação  que  foi  dirigido  à  CARGILL  AGRÍCOLA  possivelmente objetivava subsidiar a  INCORPORAÇÃO, e não o ágio pago no  investimento,  vez  que  quando  de  sua  elaboração  já  haviam  sido  fixados  os  preços da transação, motivo pelo qual ele não é hábil para atender o disposto no  § 3º do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977;  xii)  considerados  os  registros  efetuados  nas  DIPJs,  o  ágio  permaneceu  contabilizado na CARGILL AGRÍCOLA, CARGILL HOLDING e na CARGIL  SIMONI,  nas  duas  primeiras  como  investimento  e  na  última  segregado  em  INVESTIMENTO e ÁGIO;  xiii)  a  contabilização  do  ágio  na  CEVASA  foi  justificado  pela  sua  própria  rentabilidade futura, o que não se pode admitir no caso presente, vez que não há  justificativa  para  que  uma  determinada  empresa,  por  meio  de  um  simples  lançamento  contábil,  faça  refletir  a  sua  própria  rentabilidade  futura,  ainda  que  esta esteja atrelada a certos ativos;  Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.397          6 xiv)  a  amortização  do  ágio  em  questão  é  fruto  de  um  abuso  de  direito  e  as  operações  societárias  realizadas  refletem  um  "fenômeno  da  multiplicação  do  ágio",  representado  pelo  fato  de  as  quotas  da  empresa  circularem  dentro  do  Grupo e, depois, retornarem ao titular inicial;  xv)  se  o  investimento  não  foi  efetuado  pela  fiscalizada,  ainda  que  fossem  observadas as demais condições  legais,  ela não poderia  reduzir o  seu  resultado  pela dedução de valores pagos por outra empresa; e  xvi)  a  amortização  do  ágio,  para  fins  tributários,  deve  observar  as  regras  estabelecidas  pela  legislação  fiscal,  não  se  subordinando  às  determinações  da  CVM, que dispõem sobre a proteção a ser conferida aos acionistas, relativamente  à distribuição de lucros e dividendos.  Registro ainda que a Fiscalização, analisando resposta da contribuinte acerca das  operações societárias realizadas, conclui que o objetivo de tais operações foi tão  somente o aproveitamento da amortização do ágio, isto é, a economia tributária.  No que diz respeito ao percentual da multa de ofício, a autoridade fiscal, embora  faça referência à necessidade de seu exame, limita­se a reproduzir fragmentos do  art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Observo, contudo, que foi aplicado o percentual  de 75%.”    A  contribuinte  apresentou  Impugnação  (E­fl.  913  ss.),  sustentando  os  seguintes pontos, organizados pelo relatório da decisão da DRJ, que ora se aproveita:    "3.  Cientificada  em  11/11/2013  (AR  fl.910),  apresentou  em  12/12/2013  a  impugnação  de  fls.  913963,  onde  afirma,  que  embora  a  autoridade  fiscal  tenha  glosado a amortização do ágio, não ocorreu nenhum questionamento sobre i) que o  ágio foi gerado em operação de compra e venda de participação societária realizada  entre empresas independentes;  ii)  o  valor  do  ágio  é  decorrente  de  tal  operação,  iii)  houve  o  registro  e  a  contabilização deste ágio e  iv) os critérios do  laudo que  fundamentou o ágio pago  pela,  o  qual  se  justificou  por  conta  da  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  ora  reclamante;  4.  Invoca,  resumidamente,  que  a  autuação  não  merece  prosperar  pelas  seguintes  razões:  i)  ocorreu  a  decadência  uma  vez  que  o  ágio  em  análise  foi  registrado  e  utilizado  inicialmente  no  ano  calendário  de  2007;  ii)  caso  não  seja  acatada  a  preliminar  de  decadência,  a  autuação  não  deve  prevalecer  uma  vez  que,  afastar  a  possibilidade  de  aproveitamento  do  benefício  fiscal,  com  base  em  preceitos  contábeis e normativos emitidos pela CVM é ignorar que o incentivo visa aquecer e  valorizar  a  economia  brasileira;  iii)  que  fundamentar  as  conclusões  pela  indedutibilidade das despesas com base em conceitos atinentes à legislação contábil,  sem observar que, no tocante ao aproveitamento e efeitos do ágio, referida legislação  difere  em muito  da  legislação  tributária  vigente  à  época,  devendo  ser  desprezada  quando em confronto com a legislação fiscal; iv) que o alegado abuso de direito foi  fundamentado  em  cada  operação,  sem  considerar  a  realidade  fática  e  o  propósito  negocial  verificados  no  contexto  integral  do  negócio  jurídico  que  ocasionou  o  reconhecimento  do  ágio  em  tela,  contrariando  a  mais  abalizada  doutrina  e  jurisprudência do CARF; v)  faz menção às operações  implementadas pela Cargill,  com vistas a aquecer o segmento do “Açúcar e Álcool”;  vi) que a utilização das sociedades holdings se deu por necessidade de proteção aos  acionistas remanescentes; que nada há de errado em relação ao  laudo de avaliação  do ágio e, por fim, que a autoridade fiscal teria confundido os fatos ocorridos e as  datas a estes concernentes, conforme demonstrará;  5.  Discorre  sobre  o  instituto  decadência  alegando  que  o  fisco  está  impedido  de  Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.398          7 questionar  o  ágio  que  foi  registrado  no  ano  calendário  de  2006,  sendo  que  no  presente  caso  se  analisa  a  procedência  de  ágio  registrado,  declarado  ao  fisco  e  utilizado na DIPJ2008, referente ao ano de 2007, enquanto que o auto de infração foi  cientificado em 12/11/2013;  6. Alega que o CARF vem decidindo que o fisco não pode promover revisão do ágio  registrado, contabilizado em período já atingido pela decadência, conforme ementas  e extratos dos votos, que transcreve;  7. Sustenta que como se verifica da DIPJ2008, ano calendário de 2007, recolheu o  IRPJ/CSLL  devidos  no  período  com  pagamento  de  estimativas  mensais  e  IRRF,  sendo  inegável  a  aplicação  do  artigo  150,  §  4  º  do  CTN,  nos  termos  da  jurisprudência do STJ;  8. Conclui que não tendo o lançamento questionado o cálculo do valor do ágio, resta  a impossibilidade de promover revisão do ágio registrado, contabilizado em período  já atingido pela decadência para o fim de glosar a sua amortização com base em  julgamento de valor não efetuado tempestivamente.  9. Prossegue tecendo considerações acerca do contexto negocial que deu origem ao  ágio  em  análise  para  sustentar  que  a  estruturação  havida,  visou  apenas  à  proteção  dos acionistas minoritários e não uma suposta multiplicação do ágio, conforme alega  a autoridade fiscal.  10.  Sustenta  que  buscou  o  Grupo  Cargill  com  este  negócio  manter  parceiros  especializados que pudessem lhe auxiliar no crescimento desse projeto, adquirindo  participação majoritária do capital social da Impugnante (e não integral) e mantendo  no quadro de acionistas desta produtores de cana da região altamente especializados  no setor do Açúcar e Álcool (i.e., a Canagril Cana Agrícola Ltda. " Canagril"), que  iriam abastecer a Impugnante com os insumos necessários para a ampliação de sua  produção.  11. E que, dentro do contexto da parceria firmada com seus acionistas minoritários  (joint  venture)  e  em  razão  da  forma  parcelada  pactuada  para  pagamento  do  preço  pela  aquisição  do  controle  da  Impugnante,  a  Cargill  Agrícola  optou  por,  logo  na  seqüência da aquisição, transferir o referido controle para a empresa Cargill Holding  e, ato contínuo, para a empresa Cargill Simoni, de modo que a divida ainda pendente  de  pagamento  remanescesse  com  a  Cargill  Agrícola,  mas  o  investimento  fosse  segregado desta.  Isso permitiu o  afastamento da dívida da  sociedade que passou a  ser a sócia direta da Impugnante (i.e., a dívida remanesceu na Cargill Agrícola e a  participação societária direta na Impugnante passou a ser da Cargill Simoni).  12. Elaborou ilustração da operação ocorrida.   (…)  13.  Faz  uma  série  de  digressões  e,  conclui  que,  não  há  como  sustentar  a  falta  de  propósito  negocial  ou  mesmo  qualquer  abuso  de  direito  na  geração  do  ágio  em  apreço, uma vez que tal ágio é legítimo e teria sido gerado até mesmo se a própria  Cargill Agrícola  não  tivesse  transferido  a  participação  que  detinha  diretamente  na  Impugnante  à Cargill Simoni,  algo que  somente  fez por questões  societárias  e em  respeito ao direito dos acionistas minoritários como será abaixo mais bem explicado.  14. No item seguinte disserta acerca da natureza de incentivo fiscal do ágio e sobre a  impossibilidade  de  questionamento  de  condutas  desejadas,  restando  afastada  a  possibilidade de se  falar em planejamento fiscal. Afirma que o ágio é considerado  pela legislação tributária como um legítimo incentivo fiscal, portanto, sequer merece  discutir  a  existência  ou  não  de  propósito  negocial  para  cada  uma  das  etapas  da  estruturação feita pelo Grupo Cargill, já que introduzidas pela própria legislação.  15.  Transcreve  doutrina  acerca  de  Planejamento  Tributário,  para  defender  que  os  incentivos  fiscais  criados  pelo  Estado  estão  inseridos  no  âmbito  das  condutas  desejadas e induzidas por este, que concede um prêmio para que seus contribuintes  atuem  de  determinada  maneira  a  gerar  uma  nova  realidade  desejada  pelo  Estado.  Assim, uma vez que a conduta é desejada pelo Estado, não há como conceber que  Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.399          8 quando for implementada pelo contribuinte, com o resultado esperado pela norma de  incentivo  (no  caso  impulsionar  a  economia  nacional),  possa  ser  a  conduta  questionada  pela  autoridade  fiscal.,  conforme  leciona Marco Aurélio Greco:  “Ora,  quando o contribuinte decide agir no sentido indicado pelo ordenamento e, com isto,  usufruir  de  menor  tributação,  não  estamos  perante  hipótese  de  planejamento  tributário nem de elisão" (Destaques nossos)  16. Mais uma vez se utiliza julgado do CARF para afirmar que em prevalecendo o  argumento  da  autoridade  fiscal,  seria  de  se  questionar  os  benefícios  Fiscais  concedidos  às  empresas  instaladas  na  Zona  Franca  de  Manaus,  as  quais  tiveram  apenas  fins  fiscais. Portanto, não pode prevalecer o argumento de que  teria criado  artificialmente situação para se beneficiar indevidamente.  17.  Assim,  atestado  que  a  operação  que  deu  ensejo  ao  ágio  não  só  decorre  de  negociação  real  entre  partes  não  relacionadas,  mas  que  também  teve  pagamento  efetivo do preço pactuado, é dever do Estado conceder a sanção positiva (premial)  prevista na norma indutora da conduta desejada por este (impulsionar o crescimento  econômico nacional), devendo ser afastada a glosa perpetrada pela autoridade fiscal  e mantida a amortização tributária do ágio em questão.  18. Prossegue atacando as alegações de abuso de direito levantadas pela autoridade  fiscal  acerca  dos  supostos  propósitos  que  deveriam  ter  sido  verificados  na  constituição  e  utilização  da Cargill Holding  e Cargill  Simoni  para  que  se  pudesse  acatar a utilização do ágio em apreço.  19.  Entende  que  a  autoridade  fiscal  peca  ao  analisar  isoladamente  cada  operação/evento  sem  levar  em  conta  o  contexto/pano  de  fundo  e  os  intentos  do  conjunto  negocial  das  operações/eventos  implementados,  isso  porque  insiste  a  autoridade fiscal em procurar substancia econômica e propósito negocial na criação  e utilização da Cargill Holding e Cargill Simoni na operação em análise, levantando  de  forma genérica, argumentos  relativos ao  tempo de  existência destas,  aos  custos  incorridos por estas no tempo e sua existência, dentre outros.  20.  Apega­se  à  interpretação  no  âmbito  do  planejamento  tributário  defendida  por  Greco,  para  alegar  que  a  reestruturação  não  trouxe  benefício  fiscal  adicional  ao  Grupo Cargill, posto que estes poderiam ter sido aproveitados sem a reestruturação  ora tratada.  Entende que por estas razões se mostram frágeis às argumentações contidas no auto  de infração para confrontar isoladamente a substância e o propósito de existência das  empresas Cargill Holding e Cargill Simoni no contexto negocial da estréia do Grupo  Cargill no setor de Açúcar e Álcool.  21.  Transcreve manifestações  jurisprudenciais  do  CARF  e  conclui  afirmando  que  não merece subsistir a autuação, posto que fundada na análise superficial e isolada  das empresas Cargill Holding e Cargill Simoni  sem se ater ao contexto negocial e  aproveitamento da amortização tributária do ágio.  22. Ataca as conclusões do fisco acerca do propósito negocial da Cargill Holding e  da Cargill Simoni que  sempre  foi o de permitir  a  amortização do ágio  em debate,  justificando esta conclusão no fato de elas  terem permanecido inativas desde a sua  constituição,  não  tendo  registro  de  qualquer  empregado  e  ou  movimentação  financeira e, ainda, o fato de que a existência da Cargill Simoni limitouse à "apenas"  17  meses  desde  a  sua  criação,  o  que  evidenciaria  também  a  sua  ausência  de  propósito e/ou substância.  23. Sustenta que a autoridade fiscal o acusa de ter planejado a constituição da Cargill  Holding e Cargill Simoni  somente para posteriormente  realizar  incorporação desta  última e se aproveitar do incentivo fiscal da amortização do ágio tributário.  Ainda que entenda não ser necessário explicar os motivos específicos e isolados para  a constituição da Cargill Holding e da Cargill Simoni, o fará novamente, apenas a  título de argumentação, para que não reste qualquer dúvida:  a) as empresas Cargill Holding e Cargill Simoni foram constituídas no ano de 2005,  Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.400          9 antes  de  se  iniciarem  as  negociações  efetivas  com  Maurílio  Biagi  Filho  para  aquisição do investimento em discussão;  b) como reconhecido pelo CARF, empresas tidas como holdings, dentro do contexto  societário,  não  são  sociedades  operacionais,  servindo  propósito  estrutural  de  segregação, organização e gerenciamento de investimentos, não sendo inerente a tais  tipos  societários,  portanto,  folhas  extensas  de  pagamentos  e/ou  complexas  movimentações financeiras;  c)  que  as  empresas  serviram  a  propósitos  específicos  de  proteger  os  direitos  dos  acionistas minoritários e para permitir uma melhor gestão inicial deste novo negócio  dentro do amplo universo de negócios detidos pelo Grupo Cargill em outros setores  da economia brasileira;  d) que o CARF  já  se manifestou por  afastar  as acusações Fiscais  contra  empresas  tidas  como  veículos  utilizadas  como  suposto  artifício  para  aproveitamento  do  incentivo fiscal;  e) que à luz destas manifestações jurisprudenciais falta base à autoridade fiscal para  contestar a substancia e o propósito da constituição da Cargill Holding e da Cargill  Simoni;  24. Justifica que houve necessidade de constituição das empresas Cargill Holding e  Cargill  Simoni  por  razões  de  ordem  societária  e  em  estrita  consonância  com  as  regras de proteção aos direitos dos acionistas minoritários, uma vez que embora o  preço  de  compra  tenha  sido  pactuado  a  prazo,  o  fato  é  que,  com  a  assinatura  do  contrato de compra e venda e o fechamento do negócio, a Cargill Agrícola passou a  ser a quotista majoritária da ora impugnante de forma imediata, sendo a participação  remanescente  de  37,12%  detida  pela  quotista  minoritária  Canagril.  Prossegue  afirmando  que,  se  a  participação  na  Impugnante  não  fosse  transferida  à  Cargill  Holding e à Cargill Simoni, eventual futura incorporação da impugnante na Cargill  Agrícola  como  sugerido  pela  autoridade  fiscal,  seria,  sem  sombra  de  dúvidas,  passível  de  questionamento  pela  quotista  minoritária  (Canagril)  uma  vez  que  tal  incorporação permitiria que a dívida da compra e venda ainda existente na Cargill  Agrícola  acabasse  sendo  por  ela  "herdada"  ou  "assumida"  parcialmente  pela  impugnante e, indiretamente, pela Canagril. Ou seja: como a Canagril passaria a ser  quotista da sociedade resultante da incorporação sugerida pelo auditor (neste caso a  Cargill  Agrícola),  tal  sociedade  seria  devedora  do  preço  de  compra  a  prazo  das  quotas da Impugnante ainda não pago, de uma hora para outra, a Canagril (parceira  na joint venture) passaria a ser também, ainda que indiretamente, devedora do preço  de aquisição da participação que a Cargill Agrícola havia adquirido da impugnante.  25.  Ante  o  exposto  conclui  que  a  futura  incorporação  da  Cargill  Simoni  na  ora  impugnante  não  só  preservou  os  intentos  pactuados  no  negócio  em  apreço,  como  também  não  acarretou  qualquer  assunção  pela  Cargill  de  dívida  relacionada  à  aquisição da reclamante, como proíbe a CVM.  26. Transcreve manifestação do CARF favorável à utilização de empresas holdings  para  evitar  abusos  de  poder  que  pudessem  ferir  os  direitos  dos  acionistas  minoritários.  27.  Sugere  que  a  autoridade  fiscal  não  teria  compreendido  o  negócio  realizado  e  como  prova,  afirma  que  este  teria  esquecido  de  considerar  que  o  pagamento  do  preço com ágio da participação de 62,88% do capital da ora impugnante pela Cargill  Agrícola  ocorreu  em  5  parcelas  consecutivas.  Com  isso,  caso  a  Cargill  Agrícola  fosse  incorporada  pela  impugnante  ou  viceversa  a  dívida  em  análise  seria  sim  transferida para a empresa que resultasse desta incorporação, caracterizando o abuso  do direito de poder nos exatos  termos do  inciso II do artigo 15 da Instrução CVM  319 ("a assunção, pela companhia, como sucessora legal, de forma direta ou indireta,  de endividamento associado à aquisição de seu próprio controle").  28. Contestando as conclusões da autoridade fiscal transcreve parte das orientações  contidas na Nota Explicativa CVM nº 349, onde resta destacado que “os dividendos  Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.401          10 dos acionistas não controladores não podem ser diminuídos pelo montante do ágio  amortizado, o que, no seu entender, faz ruir todos os argumentos utilizados no auto  de infração para confrontar a existência e substância das empresas Cargill Holding e  Cargill Simoni.  29.  Defende  a  legalidade  da  incorporação  da  Cargill  Simoni,  contestando  os  argumentos  de  que  tal  evento  permitiu  a  fruição  do  incentivo  fiscal  decorrente da  amortização do ágio e de que não existiam razões relevantes para que tal operação  fosse conduzida.  30.  Sustenta  que  a  autoridade  fiscal  extrai  tais  eventos  do  contexto  em  que  estão  inseridos  para  justificar  a  glosa,  esquecendo­se  que  a  legislação  condiciona  o  aproveitamento do ágio ao evento de incorporação, sem exigir qualquer justificativa  para sua realização.  31. Afirma que: o evento de incorporação ocorreu após mais de 1 ano da estréia do  Grupo no setor do Açúcar e Álcool, isto é, em 12/11/2007. Ou seja, foi somente após  tomar conhecimento mais apurado deste mercado que o Grupo Cargill decidiu pela  incorporação  da  Cargill  Simoni  na  Impugnante,  algo  que,  digase  de  passagem,  poderia  ter  ocorrido  até  bem  antes  desse  prazo  e  que  ainda  assim  seria  válidada,  como demonstram as pacíficas decisões do C. CARF a esse respeito que transcreve.  32. Prossegue afirmando que, uma vez que o ágio verificado no investimento havia  sido  efetivamente pactuado e pago entre partes  independentes  tendo  sido  apurado,  registrado  e  comprovado  de maneira  apropriada  não  havia motivos  que  pudessem  impedir que a Impugnante se utilizasse deste incentivo fiscal previsto na legislação  tributária pertinente. Desse modo, não havia razão para que a Impugnante evitasse o  aproveitamento deste benefício que inegavelmente beneficiaria sua joint venture no  setor  do  Açúcar  e  Álcool  como  um  todo.  E  mais,  que  optar  pela  proibição  da  operação de incorporação seria equivalente a obrigar a Impugnante, o Grupo Cargill  e  a  própria  Canagril  (acionista  minoritária),  a  seguirem  o  caminho  mais  oneroso  dentre  dois  possíveis.  Esse  tema  já  foi  amplamente  debatido  perante  o  C.  CARF,  tendo  sido  a  posição  dominante  aquela  que  entende  pela  inexistência  de  qualquer  norma no ordenamento pátrio que obrigue contribuintes a adotarem sempre condutas  que  impliquem o maior  recolhimento  de  tributos  (salvo  quando o  caminho menos  oneroso  se  dá  por meio  da  realização  de  condutas  ilícitas  o que  não  é  o  caso  dos  presentes autos). Assim, podese concluir que os contribuintes são livres para adotar  a  estrutura  que melhor  lhes  aprouver,  podendo  sim,  portanto,  adotar  posturas  que  resultem  em  uma  redução  da  carga  tributária  sofrida,  ainda  mais  quando  esta  redução  decorre  de  uma  conduta  desejada  pelo  Estado  e  consagrada  como  um  incentivo fiscal.  33. Socorrese de jurisprudência administrativa para sustentar que são improcedentes  os argumentos utilizados pela autoridade fiscal.  34. Noutro tópico ataca a legislação tributária atinente ao ágio e seu distanciamento  das  regras  contábeis,  bem  como  defende  a  validade  da  chamada  incorporação  às  avessas,  sustentando  que  não  se  faz  relevante  ao  direito  tributário  se  o  aproveitamento do ágio na “incorporação reversa” faz ou não sentido do ponto de  vista da ciência contábil, o fato é que o aproveitamento deste nestas operações está  previsto  no  artigo  8º da Lei  nº 9.532,  de 1997. Alega  que o  tratamento  dado pela  legislação tributária ao ágio é completamente distinto daquele dado pela legislação  contábil, não sendo, portanto factível a utilização de conceitos e conclusões tidas no  âmbito da contabilidade para determinar a validade do cumprimento estrito que deu  à  legislação  tributária.  Transcreve  doutrina  e  acrescenta  que  a  própria  CVM,  por  meio das Notas Explicativas à Instrução nº 349/2001, reconhece a distinção entre o  tratamento que deve ser dado ao ágio registrado nos lançamentos contábeis e aquele  previsto pela legislação tributária.  35.  Volta  a  sustentar  que  o  CARF  já  reconheceu  a  licitude  das  incorporações  às  avessas, não havendo nenhum impedimento legal que impeça sua realização, razão  Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.402          11 pela qual não devem prevalecer as argumentações do fisco.  36. Defende  a  validade  do  laudo de  avaliação  que  fundamenta  o  ágio  em  análise,  tendo em vista que o mesmo cumpre ao disposto no §3º do artigo 20 do DecretoLei  nº 1.598, de 1977, que somente exige um simples demonstrativo para fundamentar o  ágio apurado em rentabilidade futura.  37.  Defende  a  inaplicabilidade  das  regras  de  IRPJ  para  a  apuração  da  CSLL,  conforme  já analisou o CARF,  razão pela qual merece  ser  anulada  a  exigência da  contribuição.  38. Ataca a inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, por falta de respaldo  legal e transcreve manifestação do CARF sobre o assunto.  39. Ao final, requer:  a)  seja  a  presente  Impugnação  acolhida  e  julgada  procedente,  para  que  seja  reconhecida a nulidade do auto de infração,  tendo em vista haver decaído o direito  do Fisco de questionar, por meio da realização de juízo de valor, fatos que surtiram  efeitos  tributários  plenos  no  anocalendário  de  2007,  não  sendo  mais  possível  questionar o ágio contabilizado e amortizado em tal período o que, inevitavelmente,  impede que sejam questionados seus efeitos futuros ou;  b)  se  não  se  acatar  a  decadência  acima  mencionada,  não  poderá  prevalecer  a  exigência,  já  que  pautada  em  meros  conceitos  contábeis  em  confronto  a  normas  fiscais que disciplinam a amortização tributária do ágio. Isso sem contar serem estas  normas  tributárias  claros  incentivos  fiscais  que  induzem  a  conduta/resultado  dos  contribuintes, não sendo possível, como fez o auto em tela, questionar a validade de  operações  cujo  resultado  foi  e  continua  sendo  esperado  pelo  Estado  quando  da  concessão do incentivo em questão (impulsionar o crescimento econômico nacional)  ou;  c) ainda que se mantenha a discussão no campo da substância e propósito negocial  das operações/eventos realizados, também não merecerá manutenção do lançamento,  haja vista que pauta sua análise em apuração isolada/individualizada de cada evento,  sem  levar  em  consideração  o  conjunto/contexto  das  operações  que  geraram  e  permitiram  a  amortização  tributária  do  ágio  em  questão,  onde  se  vislumbra  (i)  a  intenção  do  Grupo  Cargill  de  entrar  no  setor  do  Açúcar  e  Álcool  por  meio  de  investimento do formato de joint venture e (ii) proteger o direito de seus parceiros  (acionistas  minoritários)  no  referido  projeto,  evitando  ações  que  pudessem  ser  caracterizadas como abuso do direito de controle, e ainda;  d)  requer  que  sejam  afastadas  (i)  a  aplicação  das  regras  atinentes  a  eventual  indedutiblidade  do  IRPJ,  na  remota  hipótese  dos  argumentos  anteriores  não  prevalecerem, à CSLL, e (ii) da aplicação de juros sobre a multa de ofício, já que em  complete dissonância com os preceitos legais que disciplinam a matéria.”    Na  sequência,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Curitiba (E­fl. 701 ss.) proferiu decisão, por unanimidade de votos, afastando a preliminar  de  decadência  e  julgando  procedente  a  impugnação  para  cancelar  o  crédito  tributário  exigido, sob a seguinte ementa:     “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010  ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. PRECLUSÃO/DECADÊNCIA.INEXISTÊNCIA.  A  obrigação  tributária  e,  conseqüentemente,  o  início  do  prazo  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  por  meio  do  lançamento  surge  apenas  com  a  ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das  despesas  de  amortização  de  ágio.  Antes  das  amortizações  não  poderia  a  fiscalização  questionar  a  formação  do  ágio  ou  a  sua  transferência  para  a  Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.403          12 contribuinte,  pois  tais  fatos  não  tinham,  até  então,  reflexos  fiscais,  pois  não  representavam  fatos  geradores  de  obrigações  tributárias.  Alegação  de  preclusão/decadência rejeitada.  AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PREMISSAS.  As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7º, inciso III,  e  8º  da  Lei  9.532  de  1997,  são:  i)  o  efetivo  pagamento  do  custo  total  de  aquisição,  inclusive o ágio;  ii) a realização das operações originais entre partes  não  ligadas;  iii)  seja  demonstrada  a  lisura  na  avaliação  da  empresa  adquirida,  bem como a expectativa de rentabilidade futura.  Cumprida essas premissas, cancela­se a glosa.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado”    A  Primeira  Turma Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  porém,  julgando  o  recurso  de  ofício,  reverteu  tal  decisão  por  voto  de  qualidade, como revela a ementa do Acórdão n. 1301­002.052 (E­fls. 1107 ss.):     “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Exercício: 2009, 2010, 2011  Ementa:  AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDIÇÃO. INOBSERVÂNCIA. A amortização de  ágio, nos termos da autorização trazida pelo inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de  1997,  impõe  que  a  pessoa  jurídica  beneficiária  observe  as  condições  previstas  na  legislação de regência. No caso vertente, ainda que se abstraiam fatos relacionados  às  operações  que  deram  causa  ao  sobrepreço,  resta  fora  de  dúvida  de  que  a  apresentação da demonstração a que alude o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei  nº 1.598/77, com data posterior à aquisição da participação societária  foi efetuada,  revela  evidente  violação  à  condição  explicitada  na  norma  referenciada,  tornando  indedutível a despesa apropriada no resultado.  ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.  Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio incorrido na aquisição de  participação societária não pode ser transferido por meio de aumento de capital.  CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO.  Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de  1997,  a  faculdade  de  amortização  de  ágio,  nas  condições  ali  referidas,  limitase  à  apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica.  MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.  PROCEDÊNCIA.  A incidência de juros de mora com base na taxa selic sobre a multa de ofício lançada  encontra lastro na legislação de regência.”    Em  face  do  referido  acórdão,  a  contribuinte  interpôs Recurso  Especial  (E­fls.  1137  ss.)  trazendo  como  temas  divergentes,  com os  respectivos  paradigmas,  a  (i)  possibilidade  de  transferência  de  ágio  registrado  em  operações  realizadas  entre  partes  independentes/não  relacionadas  (acórdãos  n.  1201­001.364  e  1102­000.982);  (ii)  regularidade  do  Laudo  (acórdão  n.1201­001.438);  (iii)  dedutibilidade  das  despesas  de  amortização de ágio da base de cálculo da CSLL (acórdão n. 9101­002.310); (iv) aplicação  de juros sobre multa, conforme artigos 161 do Código Tributário Nacional e 61 da Lei nº  9.430/96 (acórdão n. 9101­000.722).    Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.404          13 Ao  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  foi  dado  seguimentos  por  Despacho  de  Admissibilidade  (E­fls.  1333  ss.)  que  compreendeu  demonstrada as divergências quanto a todas as matérias indicadas.     Por  fim,  a  Fazenda  Nacional  ofereceu  contrarrazões  (E­fls.  1340  ss.),  também combatendo os quatros pontos apresentados pela contribuinte em seu recurso.    Passa­se, então, à sua apreciação.     Voto Vencido  Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio ­ Relatora.     Conhecimento do Recurso Especial    O conhecimento do Recurso Especial condiciona­se ao preenchimento de  requisitos  enumerados  pelo  artigo  67  do Regimento  Interno  deste Conselho,  que  exigem  analiticamente  a  demonstração,  no  prazo  regulamentar  do  recurso  de  15  dias,  de  (1)  existência de  interpretação divergente dada à  legislação  tributária por diferentes câmaras,  turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma  divergente;  (3)  prequestionamento  da  matéria,  com  indicação  precisa  das  peças  processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois  primeiros  paradigmas  no  caso  de  apresentação  de  um  número  maior,  descartando­se  os  demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão  recorrido;  além  da  (6)  juntada  de  cópia  do  inteiro  teor  dos  acórdãos  indicados  como  paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas,  impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da  internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso,  desde que na sua integralidade.     Observa­se  que  a  norma  ainda  determina  a  imprestabilidade  do  acórdão  utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie  (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103­A da Constituição Federal);  (ii)  decisão  judicial  transitada  em  julgado  (arts.  543­B  e  543­C  do  Código  de  Processo  Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido  reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente.    No caso  concreto,  entendendo­se preenchidos  tais  requisitos,  nos  termos  do despacho de admissibilidade, vota­se por CONHECER o Recurso Especial.  Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.405          14         Mérito    Coerentemente  com  a  análise  de  conhecimento  procedida,  devolve­se  a  este colegiado o julgamento da possibilidade de transferência de ágio registrado em operações  realizadas entre partes independentes ou não relacionadas, regularidade do laudo de avaliação,  dedutibilidade das despesas de amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, bem como  incidência de  juros  sobre a multa de ofício,  temas  sobre os  aquis  se passará  a manifestar na  sequência, pontualmente.    I.  Transferência do ágio à pessoa jurídica não relacionada    A  primeira  matéria  então  devolvida  à  julgamento  requer  a  definição  da  possibilidade  de  transferência  do  ágio  registrado  entre  partes  independentes  ou  não  relacionadas mediante a subscrição de aumento de capital  inegralizado com a conferência  das ações adquiridas com ágio.     Isso porque, decidiu­se no  acórdão  recorrido que,  para  fins de  aplicação  dos artigos 7o.  e 8o. da Lei n. 9.532/97, o dever de segregação do custo de aquisição, na  avaliação de  investimento  em sociedade coligada ou  controlada pelo valor de patrimônio  líquido seria de quem nele incorreu e o direito à amortização do ágio segregado não seria  deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço.    Ocorre que esses dispositivo trazem as seguintes exigências:    “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra,  em virtude de incorporação,  fusão ou cisão, na qual detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória  nº 135, de 30.10.2003)  I  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  ou  deságio  cujo  fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 1977,  em  contrapartida à  conta  que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II  ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o  de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº  Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.406          15 1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o  de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto­lei n°  1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada  mês  do  período  de  apuração;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.718, de 1998) (...)  § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo  do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda  de capital e de depreciação, amortização ou exaustão.   § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver  sido  transferido, na hipótese de  cisão, para o patrimônio da  sucessora, esta deverá registrar:  a)  o  ágio,  em  conta  de  ativo  diferido,  para  amortização  na  forma prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização  na forma prevista no inciso IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será  considerado  custo  de  aquisição,  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  do  direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio  ou acionista, na hipótese de devolução de capital;  b)  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência  do  fundo  de  comércio  ou  do  intangível  que  lhe  deu causa.  §  4º  Na  hipótese  da  alínea  "b"  do  parágrafo  anterior,  a  posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  física  ou  jurídica  usuária  ao  pagamento dos  tributos  e  contribuições que deixaram de  ser  pagos,  acrescidos  de  juros  de  mora  e  multa,  calculados  de  conformidade com a legislação vigente.  §  5º  O  valor  que  servir  de  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser  registrado em conta do ativo, como custo do direito.”    “Art.  8º  O  disposto  no  artigo  anterior  aplica­se,  inclusive,  quando:  a)  o  investimento  não  for,  obrigatoriamente,  avaliado  pelo  valor de patrimônio líquido;  Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.407          16 b)  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que detinha a propriedade da participação societária.”    Da  leitura  desses  enunciadoss  que  regulam  a  figura  do  ágio,  não  se  observa restrição legal ou contábil à sua transferência juntamente com o investimento a ele  relacionado,  mas  substancialmente  infere­se  da  legislação  vigente  que  a  origem  do  ágio  seja  legítima,  com  independência  das  partes,  pagamento,  demonstração  da  rentabilidade  futura, dentre outros.   Igualmente,  não  se  identifica  determinação  para  que  a  mencionada  confusão patrimonial que autorizar a amortização do ágio ocorra com relação ao suposto  investidor original; requer­se o investimento adquirido com ágio, a ser deduzido quando da  confusão patrimonial por sua detetentora ou pela própria investida no caso de incorporação  reversa ou às avessas.   Assim,  pensa­se  que  a  manutenção  do  crédito  exigido  deveria  estar  pautada  na  ilegitimidade  do  ágio  em  questão,  no  lugar  da  impossibilidade  de  sua  transferência, mas não se entende haver consistentes demonstrações de que a operação não  teria  ocorrido  entre  partes  relacionadas,  sem  efetiva  contraprestação  em  moeda  ou  com  vícios  capazes  de  infirmar  a  sua  validade,  ao  contrário,  o  Termo  de  Encerramento  da  Fiscalização registra que:     “É incontestável que o §6° do art. 386 do RIR/99 está dirigido para casos em que  uma empresa adquire participação societária com ágio.  Posteriormente, o adquirente é incorporado pelo adquirido. Seria o caso de após  a Cargill Agrícola  ter  adquirido  a CEVASA,  viesse  a  ser  incorporado  por  ele.  Veja que não há qualquer malabarismo. O ágio foi pago, vindo ser tornado um  custo do investimento, que se equipara a uma despesa incorrida. Dessa forma, o  disposto legal normatiza a dedutibilidade na apuração do resultado.”    Com relação aos motivos da operação haver sido realizada nos termos em  que se sucederam, esclarece a contribuinte em seu recurso especial:    “Em  2006,  o  Grupo  Cargill  ingressou  no  segmento  de  “Açúcar  e  Álcool”  no  Brasil  mediante  a  aquisição  de  62,88%  de  participação  do  capital  social  da  Recorrente,  antes  detida  pelo  Sr.  Maurílio  Biagi  Filho  (parte  totalmente  desvinculada do Grupo Cargill).    A  aquisição  de  participação  do  capital  social  restou  comprovada  nos  autos  durante  a  fase  de  fiscalização,  quando  a  Recorrente  apresentou  o  contrato  de  compra  e  venda  que  deu  suporte  à  referida  operação,  os  comprovantes  de  pagamento do preço avençado e o laudo de avaliação do valor justo de mercado  da  Recorrente,  que  justificou  a  fundamentação  econômica  do  ágio  pago  (expectativa futura de rentabilidade da Recorrente).    Como  veiculado  na  mídia  da  época,  o  Grupo  Cargill  optou  por  estruturar  a  Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.408          17 aquisição  do  controle  da  Recorrente  no  modelo  “joint  venture”  (ou  empreendimento  conjunto),  mantendo  os  vendedores  como  parceiros  minoritários no negócio recémadquirido.    Em  outras  palavras,  com  esta  estrutura  o  Grupo  Cargill  buscou  manter  como  seus  sócios  parceiros  produtores  de  cana­de­açúcar  altamente  especializados  (e.g.  a Canagril Cana Agrícola Ltda.  –  “Canagril”),  os quais  iriam  abastecer  a  Recorrente com os insumos necessários para a ampliação de sua produção.    Como constatado pela D. Fiscalização, o pagamento em dinheiro pela aquisição  do  controle  acionário  da  Recorrente  feito  pela  Cargill  Agrícola  para  o  Sr.  Maurílio Biagi Filho se deu em 05 parcelas, que se tornaram devidas conforme a  ocorrência dos eventos discriminados na cláusula 2.2. do contrato de compra e  venda da participação societária.    A D. Fiscalização resumiu bem as parcelas pagas pela aquisição do investimento  na Recorrente (fls. 5 do Termo de Encerramento da Fiscalização):    ‘Na  realidade  foram  pagos R$25.988.238,29  em  12/06/2006,  R$79.893.257,81  em 11/09/2006, R$14.236.695,03 em 11/06/2007 e finalmente R$15.438.481,56  em 11/06/2008, totalizando R$135.556.672,69 conforme recibos (...)’ (destacou­ se)    Verifica­se,  assim,  que  apesar  de  o  contrato  de  aquisição  do  investimento  na  Recorrente  ter  sido  celebrado  em  08.06.2006,  a  dívida  assumida  pela  Cargill  Agrícola relativamente ao pagamento a prazo do preço de aquisição se extinguiu  somente dois anos depois, na metade do ano de 2008, mais especificamente no  mês de junho.    Dentro do  contexto da parceria  firmada com seus acionistas minoritários  (joint  venture) e em razão da forma parcelada pactuada para pagamento do preço pela  aquisição  do  controle  da  Recorrente,  a  Cargill  Agrícola  optou  por,  logo  na  sequência  da  aquisição,  transferir  o  referido  controle  para  a  empresa  Cargill  Holding e, ato contínuo, para a empresa Cargill Simoni, de modo que a dívida  ainda  pendente  de  pagamento  remanescesse  com  a  Cargill  Agrícola,  mas  o  investimento fosse segregado desta.    Nesse passo, diga­se que as “empresas veículo” questionadas (Cargill Holding e  Cargill  Simoni),  como  bem  destacado  pela  própria  D.  Fiscalização,  foram  constituídas  no  ano  de  2005,  antes  mesmo  que  se  iniciassem  as  negociações  efetivas  com  o  Sr.  Maurílio  Biagi  Filho  para  aquisição  do  investimento  na  Recorrente.    Em  12.11.2007,  mais  de  um  ano  depois  da  aquisição  do  investimento,  a  Recorrente incorporou a Cargill Simoni.    Como mencionado  acima,  por  se  tratar  de  empreendimento  em  formatO  joint  venture para aproveitar a experiência e a posição de mercado dos antigos donos  da  Recorrente,  que  se  continuaram  na  empresa  como  sócios  minoritários,  o  Grupo  Cargill  não  tinha  como  objetivo  adotar  estruturas  que  pudessem  prejudicar seus novos parceiros.    Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.409          18 Caso tivesse ocorrido incorporação direta da Recorrente pela Cargill Agrícola ou  caso a Recorrente tivesse incorporado Cargill Agrícola, como quer o v. acórdão  recorrido, inevitavelmente os sócios minoritários da Recorrente teriam sido sido  prejudicados.    Isso  porque  a  incorporação  da  Recorrente,  na  qual  os  parceiros  eram  sócios  minoritários,  pela  Cargill  Agrícola,  que  assumiu  a  dívida  de  pagar  de  forma  parcelada  o  preço  pela  aquisição  do  controle  da  Recorrente,  ou  vice­versa  implicaria imputar uma parte desta dívida para os parceiros.    Caso  a  Cargill  Agrícola  incorporasse  a  Recorrente,  os  sócios  minoritários  da  Recorrente  passariam  a  ser  sócios  minoritários  da  Cargill  Agrícola,  em  cujo  patrimônio  estava  a  dívida  contraída  em  razão  da  aquisição  do  controle  da  Recorrente.    Neste  cenário,  indubitavelmente  os  resultados  auferidos  pelos  sócios  minoritários  seriam  prejudicados  pelo  passivo  contraído  pela Cargill  Agrícola,  que não lhes dizia respeito.    De  outra  forma,  caso  a  Recorrente  incorporasse  a  Cargill  Agrícola,  a  dívida  contraída  em  razão  da  aquisição  do  controle  da  Recorrente  seria  vertida  ao  patrimônio  da  própria Recorrente. Também neste  cenário,  indubitavelmente  os  resultados auferidos pelos sócios minoritários seriam prejudicados pelo passivo  contraído pela Cargill Agrícola, que não lhes dizia respeito.    De fato, se a participação na Recorrente não fosse primeiro transferida, eventual  futura  incorporação  entre  a  Recorrente  e  a  Cargill  Agrícola  seria  passível  de  questionamento  pela  quotista  minoritária  (Canagril),  uma  vez  que  tal  incorporação  permitiria  que  a  dívida  da  compra  e  venda  ainda  existente  na  Cargill Agrícola acabasse sendo por ela “herdada” ou “assumida” parcialmente  pela Recorrente e, indiretamente, pela Canagril.    Conforme  prevê  o  art.  15  da  Instrução  CVM  319,  a  incorporação  direta  que  resulta no compartilhamento de dívida da controladora contraída para aquisição  do  controle  caracterizaria  “abuso  do  poder  de  controle”  e  poderia  ser  questionada:    “Art.  15  ­  Sem  prejuízo  de  outras  disposições  legais  ou  regulamentares,  são  hipóteses de exercício abusivo do poder de controle: (...)  II  ­  a  assunção,  pela  companhia,  como  sucessora  legal,  de  forma  direta  ou  indireta, de endividamento associado à aquisição de seu próprio controle, ou de  qualquer  outra  espécie  de  dívida  contraída  no  interesse  exclusivo  do  controlador;”    Assim,  visando  não  apenas  evitar  possíveis  questionamentos,  mas  principalmente  não  prejudicar  os  novos  parceiros,  o  Grupo  Cargill  adotou  os  passos  referidos nos  itens 25.1 e 25.2  acima para  transferir  o  investimento e o  respectivo  ágio para a Cargill Holding e, de  forma subsequente, para a Cargill  Simoni.    Como se vê, a intenção do Grupo Cargill era e sempre a de preservar e proteger  o interesse de seus parceiros minoritários no negócio que marcou sua entrada no  Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.410          19 setor  sucroalcooleiro  no  Brasil,  evitando  assim  que  estes  pudessem  ser  prejudicados  de  qualquer  forma  ou  mesmo  que  questionassem  as  estruturas  implementadas,  o  que  inevitavelmente  ocorreria  caso  se  tivesse  adotado  a  “sugestão” de incorporação direta do v. acórdão recorrido.    Ainda, importante frisar que, como a Cargill Agrícola possuía empreendimentos  em  diversos  ramos  de  negócios  e  diferentes  setores  da  economia  agrícola  brasileira, e sendo a Recorrente seu primeiro  investimento no setor de açúcar e  álcool, a transferência deste investimento para a Cargill Holding e para a Cargill  Simoni  visou  também  à  necessária  separação  entre  a  Recorrente  e  os  demais  empreendimentos agrícolas mantidos pelo Grupo Cargill no País, permitindo um  melhor  gerenciamento  até  que  o  Grupo  adquirisse  a  “expertise”  necessária  no  ramo sucroalcooleiro.    Em  casos  similares  que  envolvem  o  investimento  de  um  grande  grupo  econômico  em  um  ramo  de  negócio  específico,  este  C.  CARF  reconhece  propósito  negocial  de  estruturas  que  visam  à  segregação  de  investimentos  conforme o setor econômico ou ramo negocial a que se referem.    Também  se  reconhecer  propósito  negocial  deste  tipo  de  estrutura  no  acórdão  1201­00.548:  “Infração  002.  Amortização  indevida  de  ágio.  Não  ocorrência.  Operação  de  aproveitamento de ágio  regular, como previsão de rentabilidade future  fundada  em laudo produzida por empresa de auditoria independente, fulcrada apenas no  aspecto monetário (valor em caixa), e não em ativos.  Operação  que  se  originou  na  cisão  de  postos  de  combustíveis  da  BR  Distribuidora e possuía propósito comercial e negocial especifico pela empresa  autuada, qual seja entrar no mercado de distribuição de combustíveis. Troca de  ativos  envolvendo  empresas  distintas  (Petrobrás  e  Repsol).  Utilização  de  empresa veículo, não ocorrência em razão do propósito negocial e comercial que  envolveram  a  operação  (existência  de  justificativa  que  não  para  economizer  tributos). Falha no trabalho fiscal quando imputou todo o ágio aproveitado como  de fundo de comércio.” (grifou­se)    Dessa forma, a simples necessidade de segregação das atividades da Recorrente,  já indica, por si só, a existência de propósito negocial para transferir o ágio para  empresas holding em vez de incorporar diretamente a Recorrente na adquirente  originária.    Em suma, a transferência do investimento na Recorrente da Cargill Agrícola para  a Cargill Holding e depois para a Cargill Simoni, não pode ser entendida como  óbice  para  a  amortização  fiscal  do  ágio  ora  discutido,  porque  a  própria  D.  Fiscalização  entende  que  referido  ágio  já  era  no  momento  da  aquisição  do  controle  da Recorrente pela Cargill Agrícola e  também porque  houve evidente  propósito negocial na transferência do ágio (proteção aos minoritários em razão  da  dívida  contraída  para  aquisição  e  segregação  de  negócios  por  ramo  de  atuação).”    Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.411          20 Assim  sendo,  adota­se  também  as  razões  do  acórdão  n.  9101­002.892  sobre  o  tema  da  transferência  do  ágio,  as  quais  já  acompanhei  em  julgamento  neste  colegiado, produzidas em voto da Conselheira Cristiane Silva Costa:    “Diante disso,  tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio  com  a  utilização  de  holding  de  investimento,  denominada  informalmente  de  "empresa veículo".  O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação dos artigos  artigo  7º  e  8º,  da  Lei  nº  9.532/1997.  Lembro  o  teor  do  artigo  7º,  da  Lei  nº  9.532/1997:  (...)  E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis:  (...)   Em  comentários  aos  citados  dispositivos  legais,  Marcos  Vinicius  Neder  e  Lavínia  Moraes  de  Almeida  Nogueira  Junqueira  tratam  da  possibilidade  de  holding  e  incorporação  reversa,  sem  prejuízo  do  reconhecimento  do  ágio  dedutível:  A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução  do  ágio,  no  caso  da  "incorporação  reversa",  algo  que  não  estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a  ser  dedutível  também  no  momento  em  que  a  investida  incorpora  a  investidora.  Trata­se,  claramente,  da  incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa  que  autoriza  deduzir  o  ágio  na  "incorporação  reversa"  teve  como objetivo  estimular  o  interesse  da  iniciativa privada na  aquisição  de  participação  societária  em  empresas  públicas  em fase de privatização. (...)"   A  Lei  não  proibiu  o  aproveitamento  do  ágio  no  caso  de  incorporação  de  empresas  holdings,  constituídas  pelos  controladores  indiretos  com  o  propósito  de  adquirir,  consolidar e gerir a participação na empresa  investida. Não  apenas  isso  não  foi  proibido  como  foi  expressamente  autorizado,  na medida  em  que  a  Lei  permitiu  a  dedução  do  ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida  na  empresa  que  nela  detém  a  participação  acionária  e  estimulou os processos de privatização (...)  A  norma  tributária,  ao  conceder  o  incentivo  tributário  de  aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não  fez  restrição  ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como  comentamos  anteriormente,  inclusive  ao  permitir  a  dedução  do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da  Instrução  CVM  349/2001,  que  dispõe  sobre  o  tratamento  contábil  do  ágio  na  incorporação  reversa  de  holdings  em  Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.412          21 empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos  contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade  de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...)  A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio  quando  a  empresa  incorporada,  adquirente  do  investimento,  fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse  recebido  recursos  de  seu  sócio  ou  acionista  em  aumento  de  capital,  ou  ainda  quando  tivesse  recebido  a  participação  acionária  em  subscrição  de  ações  de  sua  emissão.  Logo,  o  tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação  reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela  Lei"  (Análise  do  Tratamento  Contábil  e  Fiscal  do  Ágio  em  Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto  há  a  Interposição  de  Holding,  in  Controvérsias  Jurídico­ Contábeis,  4ª  Volume,  São  Paulo,  Dialética,  2013,  fls.  161,  162 e 179).  Destaco  ainda  voto  vencido  do  acórdão  recorrido,  apresentado  pelo  ex­ Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior:  Considerando o detalhamento dos  fatos e do direito  feito por  meio  do  relatório,  principalmente  quanto  à  diagramação  das  operações societárias ocorridas permito­me ir direto ao ponto  nevrálgico  que  permeou  o  presente  lançamento,  qual  seja,  a  utilização de operações societárias sucessivas que culminaram  na  passagem  de  ágio  anteriormente  constituído  na  empresa  ACCOR Participações S/A (ACOPART) para a autuada, com  sua consequente amortização fiscal.   Digo  isto,  pois,  como  evidenciado,  restou  incontroversa  e,  portanto,  impassível  de  questionamento,  a  origem  e  a  formação  dos  ágios  objeto  de  transferência  para  a  Recorrente. Os mesmos pautaram­se em aquisições feitas pela  Cia  Sinal  de  participações  em  1999  (ágio  na  aquisição  do  investimento  na  Sinal  Participações)  e  em  2006  (ágio  na  aquisição  dos  investimentos  nas  empresas  “Cia  Sinal”  e  “Sinal”  junto  aos  grupos  Brascan  e  Espírito  Santo,  respectivamente), dispensando­se assim maiores  comentários  acerca  de  sua  procedência.  Sustenta  a  Recorrente,  que  o  intuito da reorganização societária ocorrida dentro do grupo  ACCOR,  que  envolveu  a  criação  da  SOBRASER,  visou  segregar ativos  relacionados a  suas atividades  financeiras  e  não­financeiras,  considerando  a  futura  intenção  do  grupo  à  época  em  transformá­la  uma  sociedade  de  crédito,  investimento  e  financiamento  (instituição  financeira),  que  apesar de não levado a cabo após a reestruturação ocorrida,  por  alegadas  questões  conjunturais  de  ordem  legislativo­ tributária  e  econômica,  foi  objeto  de  amplo  estudo  interno  conforme  denota  prospecto  anexado  aos  autos  (fls  2773  a  2898).  Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.413          22 Por  outro  lado,  o  fisco  ataca  as  sucessivas  operações  societárias ocorridas  internamente no grupo ACCOR após a  incorporação  pela ACOPART  das  adquiridas  “Cia  Sinal”  e  “Sinal  Participações”  (detentoras  de  investimento  na  autuada), principalmente a criação e efemeridade da empresa  SOBRASER Participações  Ltda,  para  a  qual  foi  vertido  por  meio  de  cisão  o  investimento  na  Recorrente  e  os  ágios  anteriormente constituídos.   Em  suma,  a  acusação  que  paira  sobre  a  Recorrente  (itens  5.2.3  e  6  do  TVF,  fls  2059  a  2065)  foi  de  ter  constituído  empresa  sem  efetiva  finalidade  empresarial  (exercício  de  atividade  econômica,  representada  pela  produção  de  bens  e/ou  serviços)  em  desrespeito  a  preceitos  do  Código  Civil  (arts 966,  981 e 982) para  tão  somente  transferir o  ágio da  ACOPART  a  autuada,  possibilitando  nela  sua  amortização  fiscal. Seria um clássico exemplo de ocorrência da alcunhada  “empresa  veículo”,  tão  combatida  em  vários  julgados  deste  colegiado.   Segundo  o  fisco  não  haveria  causa  econômica  além  da  economia  fiscal  para  a  criação  da  SOBRASER  em  19.04.07  por representantes legais da ACCOR Participações S/A e pela  própria  ACOPART,  que  teria  sido  utilizada  apenas  como  artifício para a dedutibilidade na autuada do ágio pago pelas  aquisições  efetuadas  pela  ACOPART  no  ano  anterior,  tanto  que  em  um  período  de  10  dias  (entre  10.08.2007  e  20.08.2007)  teria  recebido  parte  do  acervo  patrimonial  da  ACOPART relativo ao investimento na autuada, bem como o  ágio oriundo de operações com terceiro s, e sido incorporada  por sua própria investia (a Recorrente) de forma reversa.  A  DRJ  corrobora  o  entendimento  da  autoridade  lançadora,  concluindo que apenas um contrato social regular e um CNPJ  não significam a existência de uma sociedade empresária.   Enaltece  que  o  uso  de  uma  empresa  veículo  como  a  SOBRASER em sua acepção corriqueira em dissonância aos  ditames do Código Civil para a mera  transferência artificial  do ágio, representa o alardeado abuso de direito.  A  Recorrente  por  sua  vez,  destaca  que  o  grupo  ACCOR  poderia  ter  alcançado  o mesmo  resultado  de  outras  formas,  qual  seja  de  amortização  do  ágio  na  autuada,  inclusive  de  forma  direta  sem  a  criação  da  ACOBRASPART  e  da  SOBRASER, uma vez que a  partir  da  incorporação da “Cia  Sinal” e da “Sinal” em 21.05.2007 a ACOPART já faria jus a  sua  dedução,  bastando,  por  exemplo,  apenas  incorporar  a  autuada  para  que  o  benefício  fiscal  em  debate  pudesse  ser  gozado legitimamente no âmbito de suas atividades. Só não o  fez  por  uma  série  de  entraves  burocráticos  que  decorreriam  da  extinção  do  CNPJ  da  autuada  junto  a  órgãos  públicos,  Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.414          23 fornecedores  (incluindo  credenciados)  e  clientes,  bem  como  organizacionais, no âmbito do grupo ACCOR.  Em  suma,  sustenta  que  a  SOBRASER  foi  uma  sociedade  de  propósito  específico,  para  a  qual  não  eram  necessários  empregados,  nem  a  realização  de  outros  negócios  desconectados de  sua  razão de existir, não  sendo necessário  que tivesse longa existência. (...)  Tenho acompanhado nesta casa as mais variadas discussões  acerca  do  direito  a  amortização  fiscal de  ágio  lastreado em  rentabilidade  futura  previsto  nos  arts  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97  (regulamentado  pelo  art.  386,III  do  RIR/99),  que  surgiu à sua época como forma de incentivo às privatizações.  Já  foram  trazidos  a  julgamento  inúmeros  debates  acerca  da  legitimidade  de  sua  formação,  inclusive  pela  utilização  de  empresas  veículo,  analise  das  partes  envolvidas  (ágio  de  si  mesmo),  questionamento acerca  de  sua  forma de pagamento  (incorporação  de  ações),  contendas  sobre  os  critérios  dos  laudos de avaliação que o  suportam,  e como no presente no  caso  a  análise  de  litígios  que  envolvem  o  uso  de  sucessivas  operações  societárias  visando  implementar  seu  aproveitamento.  Pois bem. Particularmente entendo que deve ser reprimida a  utilização  de  reorganizações  societárias  para  fins  de  amortizações  fiscais  de  ágio  quando  o  resultado  delas  provenientes  propicia  de  forma  simulada  a  obtenção  de  resultados  que  não  seriam  lídimos  pelas  vias  normais  e  diretas, sem a aplicação de métodos heterodoxos.  Todavia,  no  presente  caso  enxergo  que  o  direito  a  amortização  do  ágio  fiscal  no  CNPJ  da  autuada,  não  necessitaria  da  estrutura  utilizada  pelo  grupo  ACCOR  e  atacada  pela  fiscalização,  podendo  realmente  ser  obtido  de  forma  direta,  uma  vez  que  com  a  incorporação  das  “Cia  Sinal” e da “Sinal” a ACOPART teria o legítimo de direito de  amortizar o ágio pago nestas aquisições,  inclusive aquele  já  carregado pela Cia Sinal.  Neste  cenário,  bastaria  apenas  incorporar  a  autuada,  o  que  seria plenamente possível, de forma a proceder a amortização  fiscal  do  ágio  no  âmbito  das  atividades  operacionais  da  TICKET.  O resultado obtido pela reorganização societária engendrada  teve o mesmo efeito do cenário ortodoxo acima descrito.   Não vejo como usar o verbo simular para operação em que o  resultado obtido é o mesmo independente das vias eleitas para  sua obtenção.  Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.415          24 A  mim  resta  muito  claro,  que  os  motivos  que  levaram  a  criação da ACOBRASPART e principalmente da SOBRASER  tiveram nítido intuito organizacional e não sonegatório como  tentar fazer crer a fiscalização.   Os  indícios  apontados  pela  autoridade  fiscal  e  o  suposto  desrespeito  a  dispositivos  do  Código  Civil  quanto  a  uma  suposta  falta  de  propósito  negocial  e  econômico  da  SOBRASER somente perfariam prova contra a Recorrente, se  por meio da reorganização realizada o resultado obtido fosse  defeso pelas vias ordinárias. Não é o que ocorre.  Nesta  ordem  de  considerações,  filio­me  à  corrente  jurisprudencial  deste  pretório  e  ao  entendimento  dos  pareceristas que assessoram a Recorrente no sentido de que o  uso de roupagem jurídica diferenciada, mas que não interfere  no  resultado  obtido  é  um  direito  disponível  e  acessível  ao  contribuinte,  sem  que  tal  exercício  possa  ser  oposto  pelas  autoridades  fiscais,  sob  pena  de  ingerência  na  atividade  econômica do contribuinte.  Peço  vênia  inclusive,  para  a  transcrição  de  outras  possíveis  operações societária elencadas pela Recorrente que levariam  ao mesmo fim obtido, sem ofensa a legislação instituidora do  guerreado benefício fiscal. (...)  A norma legal prevê a possibilidade de transferência de ágio  entre empresas na ocorrência de fusão, cisão e incorporação.  Assim,  o  patrimônio  da  empresa  sucedida  passa  para  o  patrimônio da sucessora,  representado pelos bens, direitos e  obrigações. No caso da  existência de ágio no patrimônio da  empresa  sucedida,  será  o  mesmo  transferido  para  o  patrimônio da sucessora. (...)  Para mim ficou meridianamente claro que a ACOBRASPART  e  a  SOBRASER  foram  criadas  para  evitar  contratempos  organizacionais  e  burocráticos  que  seriam  enfrentados  pela  autuada, caso fosse incorporada diretamente pela ACOPART  e não para redução  ilícita da carga  tributária, posto que  tal  empresa  já  fazia  jus  a  dedução  fiscal  do  ágio  em  razão  das  incorporações  da  “Cia  Sinal”  e  da  “Sinal”,  bastando  somente, como destacado,  incorporar a autuada para que os  efeitos  fiscais  da  amortização  também  se  irradiassem  para  suas atividades.  Adoto  as  razões  do  voto  vencido,  acima  colacionado,  para  confirmar  a  legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na  criação das empresas acima citadas.  Acrescento  que  é  legítima  a  transferência  de  ágio  em  operação  societária,  fundamentando­se a hipótese no artigos 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20,  do Decreto nº 1.598/1976.  Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.416          25 O artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 teve redação alterada nos anos de 2007 (Lei  nº  11.638/2007)  e  2008  (Medida  Provisória  nº  449/2008). Como  tratamos  nos  autos de fatos ocorridos entre 2007 a 2010 reproduzo a seguir a redação vigente  do dispositivo legal em cada um dos anos calendários.  No ano­calendário de 2007, a redação do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 era a  seguinte:  Art.  248.  No  balanço  patrimonial  da  companhia,  os  investimentos  em  coligadas  sobre  cuja  administração  tenha  influência  significativa,  ou  de  que  participe  com  20%  (vinte  por  cento)  ou mais  do  capital  votante,  em  controladas  e  em  outras  sociedades  que  façam  parte  de  um  mesmo  grupo  ou  estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da  equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas:  (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)  I ­ o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada  será  determinado  com  base  em  balanço  patrimonial  ou  balancete  de  verificação  levantado,  com  observância  das  normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no  máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de  patrimônio  líquido  não  serão  computados  os  resultados  não  realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com  outras  sociedades  coligadas  à  companhia,  ou  por  ela  controladas;  II  ­  o  valor  do  investimento  será  determinado  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  de  patrimônio  líquido  referido  no  número anterior, da porcentagem de participação no capital da  coligada ou controlada;  III ­ a diferença entre o valor do investimento, de acordo com  o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente;  somente será registrada como resultado do exercício:  a)  se  decorrer  de  lucro  ou  prejuízo  apurado  na  coligada  ou  controlada;  b)  se  corresponder,  comprovadamente,  a  ganhos  ou  perdas  efetivos;  c) no caso de companhia aberta, com observância das normas  expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.  §  1º  Para  efeito  de  determinar  a  relevância  do  investimento,  nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo  de  aquisição  os  saldos  de  créditos  da  companhia  contra  as  coligadas e controladas.  §  2º  A  sociedade  coligada,  sempre  que  solicitada  pela  companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete  de verificação previsto no número I.  Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.417          26 No  ano  de  2008  e  seguintes,  aplica­se  a  redação  conferida  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  publicada  em  03  de  dezembro  daquele  ano  e  posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009:  Art.  248.  No  balanço  patrimonial  da  companhia,  os  investimentos  em  coligadas  ou  em  controladas  e  em  outras  sociedades  que  façam  parte  de  um mesmo  grupo ou  estejam  sob  controle  comum  serão  avaliados  pelo  método  da  equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas:  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  I ­ o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada  será  determinado  com  base  em  balanço  patrimonial  ou  balancete  de  verificação  levantado,  com  observância  das  normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no  máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de  patrimônio  líquido  não  serão  computados  os  resultados  não  realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com  outras  sociedades  coligadas  à  companhia,  ou  por  ela  controladas;  II  ­  o  valor  do  investimento  será  determinado  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  de  patrimônio  líquido  referido  no  número anterior, da porcentagem de participação no capital da  coligada ou controlada;  III ­ a diferença entre o valor do investimento, de acordo com  o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente;  somente será registrada como resultado do exercício:  a)  se  decorrer  de  lucro  ou  prejuízo  apurado  na  coligada  ou  controlada;  b)  se  corresponder,  comprovadamente,  a  ganhos  ou  perdas  efetivos;  c) no caso de companhia aberta, com observância das normas  expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.  §  1º  Para  efeito  de  determinar  a  relevância  do  investimento,  nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo  de  aquisição  os  saldos  de  créditos  da  companhia  contra  as  coligadas e controladas.  §  2º  A  sociedade  coligada,  sempre  que  solicitada  pela  companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete  de verificação previsto no número I.  De  toda  sorte,  respeitadas  as  condições  tratadas  pelo  dispositivo  da  Lei  nº  6.404/1976,  desde  a  original  redação,  a  Lei  nº  6.404/1976  obrigava  que  o  investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial.  Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.418          27 O artigo  20,  do Decreto nº  1.598/1976  tinha  a  seguinte  redação ao  tempo  dos  fatos tratados nestes autos (anos de 2006 a 2008), regulando o desdobramento do  custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura:  Art.  20  –  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da  participação, desdobrar o custo de aquisição em:  I  –  valor  de  patrimônio  líquido na  época  da  aquisição,  determinado de  acordo  com o disposto no artigo 21; e  II ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição  do investimento e o valor de que trata o número I.  § 1º  ­ O valor de patrimônio  líquido e o  ágio ou deságio  serão  registrados em  subcontas distintas do custo de aquisição do investimento.  § 2º ­ O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu  fundamento econômico:   a)  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ou  inferior ao custo registrado na sua contabilidade;   b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos  resultados nos exercícios futuros;   c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.   § 3º ­ O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração.  Consta  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (Decreto  nº  3.000/1999)  reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis:  Art. 385.  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade  coligada  ou  controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da  participação, desdobrar o custo de aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 20):  I ­ valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado  de  acordo  com o disposto no artigo seguinte; e  II ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição  do investimento e o valor de que trata o inciso anterior.  § 1º  O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto­Lei nº 1.598,  de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O  lançamento  do ágio  ou deságio deverá  indicar,  dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ou  inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos  resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.419          28 Ao  tratar  do  ágio  sobre  expectativa  de  rentabilidade  futura,  o  artigo  20,  do  Decreto  nº  1.598/1976  ­  como  também  sua  reprodução  no  RIR/99  ­  trata  indistintamente  das  hipóteses  de  aquisição  da  participação,  sem  qualquer  restrição.  Portanto,  a  exigência  da  aplicação  do  método  de  equivalência  patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como  também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976.  A  transferência  de  ágio  efetuada  pela  Recorrida  ­  em  operações  societárias  descritas no relatório deste acórdão ­, portanto, decorre da regular transferência  de investimento em observância a estas normas.  Ressalto  que  o  artigo  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/1997,  ao  tratar  da  confusão  patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência  ao "investidor original", ao contrário do que entendeu a nobre prolatora de voto  vencedor  no  acórdão  recorrido. A  exigência  legal  é  de  investimento  adquirido  com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela  empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida  caso ocorra incorporação reversa.  Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de  confusão  patrimonial  (fundada  pelos  artigos  7º  e  8º,  acima  citados)  entre  investidora  original  e  investida  original,  na  medida  em  que  a  legislação  não  atribui  interpretação  restritiva  nesse  sentido.  Afinal,  há  que  se  ponderar  se  a  origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento,  demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, um vez demonstrada  a legítima origem do ágio, não há restrição legal ou contábil à sua transferência  juntamente com o investimento a ele relacionado.  Diante  disso,  voto  por  conhecer  e  dar  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte, adotando razões de decidir do voto vencido acima reproduzido.”    Nesse mesmo sentido, não vejo vedação legal à transferência do ágio, uma  vez configurada a legitimidade de sua formação.     II.  Inexistência de previsão legal quanto ao prazo do laudo de avaliação     Um  segundo  motivo  apresentado  pelo  acórdão  recorrido  para  a  manutenção  das  exigência  refere­se  ao  afastameto  do  laudo de  avaliação  como prova  do  fundamento econômico do ágio sob a justificativa de haver sido emitido posteriormente ao  momento  da  operação,  precisamente,  três  meses  depois  –  salientando­se  não  haver  questionamento quanto ao seu conteúdo.    Com  efeito,  o  regramento  jurídico  vigente  à  época  dos  fatos  analisados,  além de não estabelecer um forma específica de prova de tal fundamento, tampouco fixou  prazo para a elaboração da demonstração a ser arquivada pelo contribuinte como prova da  Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.420          29 escrituração do ágio, como se pode observar da redação que possuía o artigo 20, parágrafo  3o., do Decreto­Lei n. 1.598/77, transcrita a seguir:     “Art. 20. (...)   § 2º. O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu  fundamento econômico: (...)  b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos  resultados nos exercícios futuros; (...)  § 3º. O  lançamento com os  fundamentos de que  tratam as  letras a e b do § 2º.  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante da escrituração. (...)”     Ainda que se entenda que se possa laborar interpretação no sentido de que,  fazendo uma integração com o caput do dispositivo, esse arquivamento deveria ocorrer no  lançamento  do  ágio,  previsão  específica  nesse  sentido  veio  somente  e  justamente  com  a  mudança de redação procedida no texto do dispositivo pela Lei n. 12.973/2014, que passou  expressamente  a  exigir  a  elaboração  específica  de  laudo  por  perito  independente  como  meio de prova e determinando a forma e o prazo para a sua elaboração. Leia­se:   “Art. 20.   (...) § 3º. O valor de que trata o inciso II do caput deverá ser baseado em laudo  elaborado por perito  independente que deverá  ser protocolado na Secretaria da  Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deverá ser registrado em Cartório de  Registro de Títulos e Documentos, até o último dia útil do 13º (décimo terceiro)  mês  subsequente  ao  da  aquisição  da  participação.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.973, de 2014)  (...)”    Pensa­se, assim, que ainda que se queira buscar dar uma interpretação no  sentido  de  que  haveria  um  momento  determinado  para  a  apresentação  da  prova  –  relembrando­se a ausência de obrigação de elaboração do laudo especificamente –, muito  mais forte é a circunstância de que o legislador viu a necessidade de prever o meio de prova  e  suas  condições  formais  e  temporais  de  apresentação,  o  que  não  é  possível  ver  como  explicitação de uma regra já existente, mas sim, e portanto, como uma nova norma que se  quiss inserir no ordenamento, que como tal não se aplica a fatos anteriores.     Não fosse suficiente – e inclusive impeditiva da exigência em questão – a  ausência  de  previsão  legal  da  elaboração  do  laudo  de  avaliação  e  do  momento  da  apresentação da prova, observa­se que mesmo a redação atual do dispositivo não exige que  o  laudo  esteja  concluído  no  instante  do  fechamento  da  operação  de  aquisição  do  investimento com ágio, mas estabelece um prazo de 13 meses a contar da data da aquisição  da participaçõ societária.    Isso  demonstra  não  haver  razão  que  sustente  a  razoabilidade  da  Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.421          30 manutenção do crédito tributário, nos presentes autos, por motivo da conclusão do laudo de  avaliação três meses depois da operação. E assim o é, não só pela busca na nova lei de um  parâmetro para demarcação de um prazo – para o que se reitera não haver previsão legal –,  como também pelo motivo que se acredita respaldar o esatablecimento pelo  legislador de  um intervalo que não fosse tão ínfimo como imaginado pelo acórdão recorrido.    E  assim  o  é  justamente  em  função  da  dinâmica  negocial  que  envolve  inúmeras tratativas, determinação de valores e complexas providências com o fechamento  da operação, de modo que a conclusão específica do laudo que não ocorra exatamente antes  do  fechamneto  da  operação  não  representa,  a  meu  ver,  continua­se  podendo  dizer  contemporâneo  aos  atos  societários,  sobretudo  porque  um  documento  como  esse  não  é  produzido  instantanemante,  de  modo  que  um  laudo  concluído  três  meses  depois,  provavelmente já vinha sendo produzido com mais antecedência.    Afinal,  muito  embora  o  laudo  deva  possuir  confiabilidade  suficiente  a  credenciá­lo como meio de prova do fundamento econômico do ágio a fim de sustentar a  sua  quantificação,  fato  é  que  a  valoração  é  algo  que  possui  aspecto  de  subjetividade  e  podem ocorrer variações inclusive após a sua conclusão, daí porque entendo também não  ser determinante o seu arquivamento antes do fechamento da operação.     Registra­se que, no caso concreto,  sustenta a contribuinte que  “a própria  D. Fiscalização reconhece, o laudo de avaliação econômica da Recorrente apresentado nos  autos  foi  elaborado  por  empresa  conceituada  no  mercado,  tendo  como  data­base  o  dia  31.05.2006,  data  anterior  àquela  em  que  foi  concretizada  efetivamente  a  aquisição  pela  Cargill Agrícola do investimento na Recorrente (que ocorreu em 08.06.2006).”    Indo­se  além,  ainda  que  assim  não  fosse,  se  o  obejtivo  do  laudo  é  a  demonstração  do  fundamento  econômico  do  ágio,  também  não  vejo  problema  em  ser  produzido posteriormente à operação, desde que avalie a situação que o justificou ao tempo  e considerando­se às  circunstâncias que formavam o contexto da negociação. Me parece,  aliás, que essa é a formação de laudos de diferenets natureza, inclusive. Vnão vejo que seja  ele que definirá, necessariamente, o valor do negócio, mas a convenção entre as partes.    Nesse  sentido  exposto,  concorda­se  com  a  orientanção  seguida  pelo  acórdão  n.  1202­001.438,  apresentado  como  paradigma,  no  qual  se  analisava  um  laudo  apresentado seis meses depois, do que se retira o seguinte trecho:    “O  demonstrativo,  no  caso  em  tela,  fora  veiculado  por  meio  do  Relatório  de  Avaliação, apresentado cerca de  seis meses após a aquisição da participação.  Restou  claro  que,  em  nenhummomento  a  fiscalização  questionou  o  conteúdo  deste relatório, não apontando nenhuma falha  técnica que dissesse respeito ao  mérito e as conclusões ali expostas.  Assim,  cabe  adentrar  nas  questões  formais,  novamente,  para  esclarecer  que  Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.422          31 além de não haver previsão legal para a confecção de laudo técnico, inexistia à  época  da  formação  do  ágio,  qualquer  dispositivo  no  pátrio  ordenamento  jurídico que determinasse algum prazo para apresentação deste demonstrativo.  Atualmente vigora a Lei nº 12.973/2014, que dispõe em seu art. 20, § 3º, sobre a  exigência  de  um  laudo  elaborado  por  perito  independente,  no  entanto,  se  referindo a comprovação da “mais ou menos­valia, que corresponde à diferença  entre  o  valor  justo  dos  ativos  líquidos  da  investida,  na  proporção  da  porcentagem  da  participação  adquirida,  e  o  valor  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput”  (inciso  II) e de  forma alguma  fazendo menção à comprovação do ágio  (no presente artigo elencado no inciso III).  Desta forma o prazo que estipula referido artigo, do ‘(...) último dia útil do 13º  (décimo  terceiro)  mês  subsequente  ao  da  aquisição  da  participação.”  Para  apresentação  do  laudo,  não  se  aplica  à  apresentação  de  demonstrativo  que  comprove o ágio por expectativa de rentabilidade futura.’ (...)  Superando a questão, segue passagem do acórdão nº 1101­000.899 (Sessão de  11/06/2013): (...)  Este comprovante deve expressar  razões que  justifiquem a aquisição, mas não  precisa  ser,  necessariamente,  elaborado  antes  ou  concomitantemente  com  a  operação. (...) E, no presente caso, o laudo apresentado pela contribuinte toma  por referência o faturamento da empresa adquirida contemporâneo à aquisição,  e  aponta  o  retorno dos  investimentos  suplementares  em 2,9  anos  (35 meses)  (fl.  302). Ou seja, se considerada a rentabilidade future pelo prazo de 5 anos, seria  possível um pagamento maior que o efetuado.  (Acórdão nº 1201­001.438 – 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  Rel.  Luís  Fabiano  Alves  Penteado  –  Sessão de 07 de junho de 2016 – Grifos nossos – Doc. 03)”    Por  fim,  em  reforço  ao  que  colocado,  vê­se  que  a Delegacia  da Receita  Federal de Julgamento em Curitiba assim julgou a questão no presente processo:     “O  Laudo  de  Avaliação  Econômico­Financeira  e  Caracterização  de  Ágio  na  Compra  da  CEVASA,  doc.  fls.  73.  tem  como  data  base  31/05/2006  e  foi  elaborado  pela  empresa  Century  Business  Consultantes  Ltda,  com  base  na  projeção do fluxo de caixa. Portanto, a projeção está correta à medida em que  espelhou a  situação da CEVASA à época e que  foi  efetuada a negociação das  quotas. O fato de constar do laudo a data de 01/09/2006, também não constitui  empecilho à medida em que pode representar o marco em que a versão final foi  apresentada  à  interessada  (Cargil  Agrícola).  Ainda  com  relação  à  data  que  consta do documento observe­se que à  fl.79 a empresa que preparou o Laudo  assim se manifestou: ‘As projeções foram feitas baseadas em Reais a preços de  maio  de  2006,  data  base  do  trabalho,  de  forma  que  o  fluxo  de  caixa  não  é  afetado pela inflação’ (...)  III.2.b. O objetivo do trabalho efetuado pela empresa Century à fl. 79 demonstra  que  ‘foi  o  de  efetuar  a  avaliação  econômico­financeira  da  empresa  Central  Energética Vale do Sapucaí – CEVASA com a finalidade de caracterizar o ágio  na  aquisição  da  empresa’.  Ou  seja,  o  presente  instrumento  preenche  os  requisitos do §3º do artigo 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, razão pela qual  entendo  que  o  mesmo  não  pode  ser  afastado  sem  que  seja  apresentada  uma  razão muito forte para isso.”  Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.423          32     Por  essas  razões,  entende­se  que  a  conclusão  do  laudo de  avaliação  três  meses  depois  do  fechamento  da  operação,  mas  a  ela  se  referindo,  não  pode  servir  de  justificativa para a manutençao da autuação.       III.  Possibilidade de exclusão na base de cálculo da CSLL    A  terceira  matéria  devolvida  a  julgamento  refere­se  à  inexistência  de  previsão  legal  para  que  se  exija  a  adição  à  base  de  cálculo  da  CSLL  das  parcelas  correspondentes  à  amortização  do  ágio,  diferentemente  do  que  se  decidiu  no  acórdão  recorrido  no  sentido  de  se  aplicar  à  contribuição  as  regras  de  apuração  do  IRPJ  que  determinam a sua adição ao lucro real.    A  esse  respeito,  considera­se  que  a  indedutibilidade  de  uma  despesa  na  apuração da base de cálculo da CSLL não submete­se exclusivamente ao argumento de que  seria indedutível na determinação do lucro real, mas requer previsão legal nesse sentido.    Além  disso,  a  amortização  contábil  do  ágio  impacta  a  redução  do  lucro  líquido do exercício, afetando a apuraçao da contribuição, ao menos que houvesse previsão  expressa  no  sentido  de  determinar  a  adição  dos  valores,  e  não  se  exigindo  norma  autorizativa da referida dedução.     Cita­se,  com  essa  orientação,  voto  desta  turma  em  julgamento  realizado  em 03 de maio de 2016, do que  resultou o acórdão n. 9101­002.310, cuja ementa e voto  vencedor se reproduz a seguir:     “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL  Anocalendário:  2004, 2005, 2006, 2007  CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE.  A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício.  Havendo  determinação  legal  expressa  para  que  ela  não  seja  computada  na  determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR,  aumentando,  portanto,  a  base  tributável.  Não  há,  porém,  previsão  no  mesmo  sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso  sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  ADIÇÃO  À  BASE  DE  CÁLCULO.  INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995.  Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pela  equivalência  patrimonial.  Inaplicabilidade,  ao  caso,  do  art.  57  da  Lei  n  8.981/1995, posto que  tal dispositivo não determina que haja  identidade com a  base de cálculo do IRPJ.  IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA.  Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.424          33 A  aplicação,  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  das  mesmas  normas  de  apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas  jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo.  Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerer indedutível  um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a  simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do  lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  Recurso  Especial  do  Contribuinte  conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria  de  votos,  vencidos  os  Conselheiros  Adriana  Gomes  Rêgo  (Relatora),  Marcos  Aurélio Pereira Valadão, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto.  Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Helio Eduardo de Paiva  Araújo (Suplente Convocado).  (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente  (Assinado digitalmente)  ADRIANA GOMES RÊGO Relatora  (Assinado digitalmente)  HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO Redator  Designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARCOS  AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  LUÍS  FLÁVIO  NETO,  ADRIANA  GOMES  REGO,  HÉLIO  EDUARDO  DE  PAIVA  ARAÚJO  (Suplente  Convocado),  ANDRÉ  MENDES  DE  MOURA,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado),  RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA  POMPEU, MARIA  TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.”    “Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo, Redator Designado  Em  que  pese  o  brilhante  posicionamento  da  Ilustre  Conselheira  Relatora  Dra  Adriana Gomes  Rêgo,  data  máxima  vênia,  dele  ouso  divergir  no  que  tange  a  existência  (ou  não)  de  base  legal  para  que  se  proceda  com  a  adição  ao  lucro  liquido  de  eventual  parcela  de  amortização  de  ágio  que  tenha  sido  lançado na  contabilidade da empresa.  No entendimento da Relatora, não se trata nestes autos da hipótese de absorção  da participação em controlada ou coligada em virtude de incorporação, fusão ou  cisão, de que trata a Lei nº 9.532/1997 em seus arts. 7º e 8º), mas de participação  mantida na investidora.  A discussão, então, para Relatora, cingese à possibilidade de uma pessoa jurídica  que  tem  um  investimento  avaliado  pelo  método  da  equivalência  patrimonial  adquirido com ágio,  poder deduzir da base de cálculo da CSLL, despesas com  amortização desse ágio.  Pois bem.  Pelo que se depreende dos autos, e especialmente pelo que está expressamente  descrito no  auto  de  infração,  a  autoridade  fiscal,  bem  como  a  Ilustre Relatora,  entenderam  que  a  adição  que  o  contribuinte  efetuou  para  fins  de  apuração  do  lucro  real,  mas  não  efetuou  para  fins  de  CSLL,  correspondia  a  ajuste  por  diminuição do valor do  investimento avaliado pelo MEP, e promoveu a adição  indicando como fundamento legal o art. 2º, § 1º, alínea “c”, da Lei n 7.689/99.  Se essa  fosse a verdade dos  fatos,  inquestionável seria a adição feita de ofício.  Contudo, as cópias do LALUR apresentadas à fiscalização indicam que o valor  Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.425          34 adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real (e não adicionado para  fins deapuração da base de cálculo da CSLL),  se  refere à  amortização do ágio  decorrente de participação societária na empresa, nada tendo à ver com o MEP.  Ou seja, o que se está aqui a tratar, não é de elementos fáticos probatórios, mas  tão somente da existência ou não de base para que o Fisco, ao exigir à adição de  despesas com amortização para fins da apuração do Lucro Real, assim também o  faça/exija para a CSLL.  Não vislumbro qualquer diferença entre o ágio não incentivado ou aquela da Lei  9.532/97,  pois  a  questão  aqui  não  se  trata  de  avaliar  se  aquele  benefício  (dedutibilidade do ágio nos casos de fusão, cisão ou incorporação) alcançariam a  CSLL.  Não é este o tema do litígio travado nestes autos.  O ponto aqui é discutir se a despesa com ágio (incentivado ou não, ou seja, ágio  amparado ou não pelos termos da Lei 9.532/97), deve ser adicionada à base de  cálculo da CSLL.  Cumpre ressaltar que, outro poderia ser o meu entendimento, caso o fundamento  legal da autuação tivesse se dado com base na desconsideração da despesa com  ágio (glosa), nos termos do art. 299 do RIR/99, o que também não é o caso dos  presentes.  A  questão,  portanto,  como  aqui  se  verifica,  não  se  refere  a  considerações  probatórias  relativas  a  meras  comprovações  de  despesas,  mas  sim,  exclusivamente, de adequada compreensão do regramento legal especificamente  aplicável à matéria.  Pois bem.  No que se refere à análise dos contornos próprios da definição da base de cálculo  da CSLL, essencial se verifica a análise das expressas disposições do art. 2º da  Lei 7.689/88, que, ao instituíla, assim especificamente destacou:  Art.  2 A  base  de  cálculo  da  contribuição  é  o  valor  do  resultado  do  exercício,  antes da provisão para o imposto de renda.  § 1 Para efeito do disposto neste artigo:  (...)  c)  O  resultado  do  períodobase,  apurado  com  observância  da  legislação  comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034 de 1990)  1  adição  do  resultado  negativo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja  contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação  dada pela Lei n 8.034, de 1990)  3  adição do  valor das provisões não dedutíveis  da  determinação do  lucro  real,  exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de  1990)  4  exclusão  do  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  5  exclusão  dos  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido  computados  como  receita;  (Incluído  pela  Lei n 8.034, de 1990)  6  exclusão  do  valor,  corrigido  monetariamente,  das  provisos  adicionadas  na  forma do  item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase.  (Incluído  pela Lei n 8.034, de 1990)  As  disposições  contidas  no  caput  do  Art.  57  da  Lei  8.981/95,  por  sua  vez,  visando  estabelecer  os  específicos  e  particulares  contornos  aplicáveis  a  esta  Contribuição, especificamente destacou:  Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.426          35 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988)  as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive  no  que  se  refere  ao  disposto  no  art.  38,mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas  previstas  na  legislação  em  vigor,  com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de  1995)  Ora,  conforme  se  verifica  da  leitura  dessas  disposições  –  ao  contrário  do  que  afirma a decisão de primeira instância, o mencionado art. 57 da Lei 8.981/95 não  autoriza, de forma alguma, a aplicação indiscriminada das disposições regentes  do Imposto de Renda na verificação dos contornos de incidência da CSLL, mas  preserva,  expressamente,  os  ditames  próprios  da  definição  de  sua  base  de  cálculo,  da  forma  como  realizado  pelas  disposições  até  então  vigentes,  mantendo, assim,  as normas  contidas na mencionada Lei  7.689/88,  nos  termos  ali então especificamente apontados.  A  partir  dessas  considerações,  verificase  que,  conforme  destacado  das  disposições do art. 2º, parágrafo 1º, alínea ‘c’ da Lei 7.689/88, ali expressamente  se faz referência aos específicos ajustes (exclusões e adições) a serem aplicados  ao  resultado  do  períodobase,  apurado  a  partir  da  aplicação  das  expressas  disposições  da  legislação  comercial,  distinguindo  a  composição  da  base  de  cálculo da Contribuição em questão, assim, às  regras próprias da  legislação do  Imposto sobre a Renda.  Assim, para admitirse como valida qualquer exclusão e/ou adição na apuração da  base  de  cálculo  da  CSLL,  fazes  essencial,  no  caso,  a  existência  de  legislação  especificamente  a  ela  relacionada,  sem  a  qual,  estarseia  admitindo  a  possibilidade de interpretação ampliativa de normas restritivas de direito, o que,  definitivamente,  não  tem  qualquer  cabimento  em  nosso  ordenamento  jurídico  pátrio.  Nessa linha, fixando o ponto de partida do nosso pensamento sobre a matéria, as  regras de dedutibilidade de despesas que sejam aplicáveis na apuração do lucro  real, não podem ser estendidas, sem a necessária préexistência de previsão legal,  à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.  Fixada  essa  premissa  necessária,  relevante  destacar,  ainda,  que  a  amortização  contábil  do  ágio  impacta  (reduz)  o  lucro  líquido  do  exercício.  Havendo  determinação  legal  expressa  para  que ela não  seja  computada na  determinação  do  lucro real, o  respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando,  portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se  refere  à  base  de  cálculo  da  Contribuição  Social,  o  que,  a  nosso  sentir,  torna  insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora.  Nessa linha, portanto, penso que o que se deve exigir e verificar não é a previsão  legal expressa para que seja admitida  a dedução do ágio  iniludivelmente pago,  mas sim a inexistência de vedação para essa operacionalização, o que, no caso,  efetivamente é o que se verifica em relação à CSLL.  A matéria  aqui  apresentada  já  foi  objeto  de  específico  enfrentamento  nesta  1ª  Turma  Ordinária,  especificamente  nos  autos  do  PAF  16682.720281/201017,  tendo  como  relator  o  Conselheiro  Valmir  Sandri,  o  qual  ora  acompanho,  especificamente quando afirma:  “Inicialmente,  registro,  com  a  devida  vênia,  ser  equivocado  o  entendimento  manifestado na decisão recorrida, quanto ao alcance do art. 57 da Lei n 8.981, de  1995.  Tal dispositivo preceitua que se aplicam à CSLL as mesmas normas deapuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  IRPJ,  mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas  previstas  na  legislação  em  vigor,  com  as  alterações  introduzidas  por  Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.427          36 aquela  Lei.  Logo,  regras  de  dedutibilidade  de  despesas  que,  por  expressa  disposição  legal,  sejam  aplicáveis  na  apuração  do  lucro  real  não  podem  ser  estendidas,  sem previsão  legal,  à  apuração  da base de  cálculo  da Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido.  A norma legal disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL, vigente à  época do fato gerador, dispõe:  Lei n 7.689/88  Art.  2º A base de  cálculo da  contribuição  é  o valor  do  resultado do  exercício,  antes da provisão para o imposto de renda.  §1º Para efeito do disposto neste artigo:   (...)  c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial,  será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  1  adição  do  resultado  negativo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase cuja  contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase;  (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  3  adição do  valor das provisões não dedutíveis  da  determinação do  lucro  real,  exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de  1990)  4  exclusão  do  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990)  5  exclusão  dos  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, (Incluído pela Lei  n 8.034, de 1990)  6  exclusão  do  valor,  corrigido  monetariamente,  das  provisos  adicionadas  na  forma do  item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase.  (Incluído  pela Lei n 8.034, de 1990)  (...)  Pelo que se depreende dos autos, e especialmente pelo que está expressamente  descrito  no  auto  de  infração,  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  a  adição  que  o  contribuinte efetuou para  fins de  apuração do  lucro  real, mas não efetuou para  fins  de CSLL,  correspondia  a  ajuste  por  diminuição  do  valor  do  investimento  avaliado  pelo MEP,  e  promoveu  a  adição  indicando  como  fundamento  legal  o  art. 2º, § 1º, alínea “c”, da Lei n 7.689/99.  Pois bem.  Se essa fosse a verdade dos fatos, inquestionável seria a adição feita de ofício.  Contudo, as cópias do LALUR apresentadas à fiscalização indicam que o valor  adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real (e não adicionado para  fins de apuração da base de cálculo da CSLL), se refere à amortização do ágio  decorrente de participação societária na empresa (...).  A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício.  Havendo  determinação  legal  expressa  para  que  ela  não  seja  computada  na  determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR.  Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da  Contribuição  Social,  o  que  torna  insubsistente  a  adição  feita  de  ofício  pela  autoridade lançadora.  Na  linha  desse  entendimento,  inclusive,  destacamse  precedentes  desta  Corte  Administrativa,  que,  sob  esse  específico  foco,  assim  inclusive  já  se  manifestaram,  destacandose,  apenas  a  título  de  exemplificação,  o  seguinte  e  específico aresto:  Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.428          37 Número do Processo: 18471.000003/200585  Contribuinte: VALEPAR S/A  Tipo do Recurso: Recurso Voluntário / Recurso de Ofício  Data da Sessão: 06/12/2006  Relator(a): Márcio Machado Caldeira  N Acórdão:10322.749  Decisão:  Por  maioria,  DAR  provimento  ao  recurso  voluntário  para  acolher  a  preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao  anocalendário de 1999 e, em conseqüência, não tomar conhecimento do recurso  ex officio em relação ao anocalendário de 1999, vencido o conselheiro Cândido  Rodrigues  Neuber  que  não  a  acolheu  e,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  ex  officio  para  restabelecer  a  exigência  fiscal  relativa ao anocalendário de 2001 referente à CSLL constante na DIPJ porém  não inclusa na DCTF.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  –  CSLL  –  DECADÊNCIA  Tratandose  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  início  da  contagem do prazo decadencial é a data do respective fato gerador, decaindo o  direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento após o prazo de cinco anos,  na forma do disposto no parágrafo 4 do artigo 150 do CTN.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  ADIÇÃO  À  BASE  DE  CÁLCULO.  INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995  Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da  amortização  do  ágio  pago  na  aquisição  de  investimento  avaliado  pela  equivalência patrimonial.  Inaplicabilidade,  ao  caso,  do  art.  57  da  Lei  n  8.981/1995,  posto  que  tal  dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ.    LANÇAMENTO – ERRO FORMAL – ANOCALENDÁRIO DE 2001.  Atendendo  o  lançamento  os  requisitos  legais,  descrevendo  a  infração  com  perfeita  identificação  dos  valores  efetivamente  levados  à  tributação  e  com  o  devido  enquadramento  legal,  não há  irregularidade  formal  que  possa  ensejar o  seu cancelamento.  JUROS DE MORA – CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidents  sobre  débitos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –  SELIC para títulos federais. (Súmula 1 C.C. nº 4).  JUROS DE MORA TAXA SELIC.  São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no  vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito  no montante integral. (Sumula 1 C.C. nº 5) Preliminar acolhida, recurso de ofício  parcialmente provido. (Publicado no D.O.U. n 230 de 30/11/2007).  Desta forma, entendo que não há base legal para se proceder com a adição das  despesas de amortização de ágio, haja vista a ausência de fundamento legal para  tanto.  Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial  para  afastar  a  necessidade  de  adição  à  base  de  cálculo  da CSLL  das  despesas  com  amortização  de  ágio.  Uma  vez  afastada  a  exação  principal,  por  decorrência  lógica,  afastamse  também  as  multas,  sejam  aquelas  lançadas  de  ofício,  bem  como  as  lançadas  isoladamente,  ainda  que  estas  últimas  tenham  sido  lançadas  concomitantemente com as primeiras, de tal forma que se exonera todo o crédito  Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.429          38 tributário lançado.  Sala de Sessões, 03 de maio de 2016.  (documento assinado digitalmente)  Hélio Eduardo de Paiva Araújo Redator  Designado”    Nesse sentido, independentemente do posicionamento que se tenha quanto  às  questões  tratadas  nos  tópicos  anteriores,  entende­se  que  devam  ser  desconstituídos  os  créditos relativos à CSLL.    IV. A não incidência de juros sobre a multa     Alcançando  o  último  tópico  do  presente  voto,  passa­se  à  manifestação  sobre a incidência de juros sobre a multa.    Inicialmente,  se  compreende  que  o  artigo  161,  parágrafo  primeiro,  do  Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob  taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto:    “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação  de  quaisquer  medidas  de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.   § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à  taxa de um por cento ao mês.”    Registra­se,  primeiramente,  que  se  compreende  que  a  expressão  crédito  tributário se refira ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento  por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como  decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a  forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional.     Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance  ao  termo  “crédito”  como  utilizado  pelo  legislador  para  alcançar  as  multas,  porque  a  redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no  vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.     Neste  caso,  seria  ilógico  se  compreender,  portanto,  que  as multas  então  estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se  consegue  alcançar  a  partir  deste  enunciado  é  a  de  que,  muito  embora  ele  autorize  a  imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não  alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento.  Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.430          39   A partir dessa norma geral, compreende­se que se deve entender legítima  a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras  que  envolvem  o  tema  deve  ser  feita  dentro  dessa  moldura  que  estabeleceu,  como  sói  ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96:    “Art. 61. Os  débitos  para com a União, decorrentes de  tributos  e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de  2010)  § 1º  A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou  da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.  § 3º  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de  mora  calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês  subseqüente ao vencimento do prazo  até o mês  anterior ao do pagamento e de  um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)  (Vide Lei nº 9.716, de 1998)”    O  que,  num  momento  inicial,  poderia  indicar  duas  interpretações  possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições” abarcar tão somentes estes ou também as multas a eles relacionadas, parece  restar  reduzida  apenas  à  primeira  leitura,  justamente  em  face  do  alcance  permitido  pela  regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades.    Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário  Nacional,  muito  embora  a  legislação  federal  possa  impor  suas  penalidades  pelo  não  recolhimento  de  tributos  (leia­se,  impostos  e  contribuições)  e  possa  fixar  seus  próprios  íncides de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a  incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento.    Por  essas  razões,  vota­se  por  DAR  PROVIMENTO  aos  recurso  da  contribuinte, desconsitutindo­se o crédito tributário ora exigido.    (assinado digitalmente)  Daniele Souto Rodrigues Amadio  Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.431          40   Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado.  Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, manifesto­me no sentido de  abrir divergência quanto ao mérito.  As matérias devolvidas foram:   a) Possibilidade de transferência de ágio registrado em operações realizadas  entre partes independentes/não relacionadas;  b) Regularidade do Laudo de Avaliação;  c) Dedutibilidade das despesas de amortização de ágio da base de cálculo da  CSLL;  d)  Aplicação  de  juros  sobre  multa,  conforme  artigos  161  do  Código  Tributário Nacional e 61 da Lei nº 9.430/96.  Os itens (a) e (b), por estarem no contexto da matéria amortização de despesa  de ágio, serão  tratados em conjunto no  tópico I do presente voto. O  item (c) será  tratado no  tópico II e o item (d) no tópico III.  Passo ao exame.  I ­ Despesa de Amortização de Ágio.  Propõe­se,  inicialmente,  discorrer  sobre  uma  análise  histórica  e  sistêmica  sobre o tema, para depois tratar do caso concreto.  1. Conceito e Contexto Histórico  Pode­se entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo  (mercadoria, investimento, dentre outros).   Tratando­se  de  investimento  decorrente  de  uma  participação  societária  em  uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é  formado quando uma primeira pessoa  jurídica  adquire  de  uma  segunda  pessoa  jurídica  um  investimento  em  valor  superior  ao  seu  valor  patrimonial.  O  investimento  em  questão  são  ações  de  uma  terceira  pessoa  jurídica,  que  são  avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações  da  empresa B,  avaliadas  patrimonialmente  em  60  unidades. A  empresa C  adquire,  junto  à  empresa  A,  as  ações  da  empresa  B,  por  100  unidades.  A  empresa  C  é  a  investidora  e  a  empresa B é a investida.  Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio.  Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.432          41 Adotando­se  os  padrões  da  ciência  contábil,  apesar  das  ações  estarem  avaliadas patrimonialmente em 60 unidades,  deveriam ainda  ser objeto de majoração,  ao  ser  considerar,  primeiro,  se  o  valor  de  mercado  dos  ativos  tangíveis  seria  superior  ao  contabilizado. Assim, supondo­se que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades,  o  valor  de  mercado  seria  de  70  unidades,  considera­se  para  fins  de  apuração  70  unidades.  Segundo,  caso  se  constate  a presença de  ativos  intangíveis  sem  reconhecimento  contábil  no  valor de 12 unidades, tem­se, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre  o  valor  pago  (100  unidades)  e  o  valor  de  mercado  mais  intangíveis  (60  +  10  +  12  =  82  unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição  da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades.  Ocorre  que  o  legislador,  ao  editar  o  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  27/12/1977,  resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários.  Isso  porque  positivou  no  art.  20  do  mencionado  decreto­lei  que  o  denominado ágio poderia  ter  três  fundamentos  econômicos,  baseados:  (1) no  sobrepreço dos  ativos;  e/ou  (2) na expectativa de  rentabilidade  futura do  investimento  adquirido  e/ou  (3) no  fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º  da  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997,  autorizaram  a  amortização  do  ágio  nos  casos  (1)  e  (2),  mediante atendimento de determinadas condições.  Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos  fundamentos  econômicos,  consolidou­se  a  prática  de  se  adotar,  em  praticamente  todas  as  operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no  caso  (2):  expectativa  de  rentabilidade  futura  do  investimento  adquirido. O  ágio  passou  a  ser  simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento.  Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da  empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades,  poderia  justificar  o  sobrepreço  de  40  unidades  integralmente  com  base  no  fundamento  econômico de expectativa de  rentabilidade  futura do  investimento  adquirido. Na  realidade,  a  legislação tributária ampliou o conceito do goodwill.  E como dar­se­ia o aproveitamento do ágio?  Em duas situações.   Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao  alienar  a empresa B para uma outra pessoa  jurídica. Assim,  se vendesse a empresa B para a  empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades.  Isso porque, ao patrimônio  líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a  base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades,  perfazendo 50 unidades.  Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida)  promoverem  uma  transformação  societária  (incorporação,  fusão  ou  cisão),  de modo  em  que  passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa  C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia  passar  a  ser  amortizado,  para  fins  fiscais,  no  prazo  de  sessenta meses,  resultando  em  uma  redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar.  Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.433          42 Naturalmente,  no  Brasil,  em  relação  ao  ágio,  a  contabilidade  empresarial  pautou­se pelas  diretrizes  da  contabilidade  fiscal,  até  a  edição  da Lei  nº  11.638,  de  2007. O  novo  diploma  norteou­se  pela  busca  de  uma  adequação  aos  padrões  internacionais  para  a  contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre  a  forma  e  a  orientação  por  princípios  sobrepondo­se  a  um  conjunto  de  regras  detalhadas  baseadas  em  aspectos  de  ordem  escritural  1.  Nesse  contexto,  houve  um  realinhamento  das  normas  contábeis  no  Brasil,  e  por  consequência  do  conceito  do  goodwill.  Em  síntese,  ágio  contábil  passa  (melhor dizendo, volta) a  ser a diferença  entre o valor da  aquisição  e o valor  patrimonial  justo  dos  ativos  (patrimônio  líquido  ajustado  pelo  valor  justo  dos  ativos  e  passivos).  E  recentemente,  por  meio  da  Lei  nº  12.973,  de  13/05/2014,  o  legislador  promoveu uma aproximação do conceito jurídico­tributário do ágio com o conceito contábil da  Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de  análise do presente voto.  Enfim,  resta  evidente  que  o  conceito  do  ágio  tratado  para  o  caso  concreto,  disciplinado pelo art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº  9.532,  de  10/12/1997,  alinha­se  a  um  conceito  jurídico  determinado  pela  legislação  tributária.   Trata­se, portanto, de instituto jurídico­tributário, premissa para a sua análise  sob uma perspectiva histórica e sistêmica.  2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses  Apesar  de  já  ter  sido  apreciado  singelamente  no  tópico  anterior,  o  destino  que  pode  ser  dado  ao  ágio  contabilizado  pela  empresa  investidora merece  uma  análise mais  detalhada.  Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976  trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica:  Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II ­ pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo  o patrimônio em outras sociedades.  E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas  partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica  investidora e a pessoa jurídica  investida,  sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço.  Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar  do  ágio  contabilizado:  (1)  a  investidora  deixa  de  ser  a  detentora  do  investimento,  ao  alienar  a  participação  da  pessoa  jurídica  adquirida  com  ágio;  (2)  a  investidora  e  a  investida transformam­se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação  e fusão).                                                              1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª  ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31.  Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.434          43 Pode­se dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente,  com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações.  3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida  No  primeiro  evento,  trata­se  de  situação  no  qual  a  investidora  aliena  o  investimento  para  uma  terceira  empresa.  Nesse  caso,  o  ágio  passa  a  integrar  o  valor  patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base  de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo Decreto­Lei nº 1.598, de 27/12/1977,  arts. 391 e 426 do RIR/99:  Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio  de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação  do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 25, e Decreto­Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º,  inciso III).  Parágrafo  único.  Concomitantemente  com  a  amortização,  na  escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este  artigo,  será  mantido  controle,  no  LALUR,  para  efeito  de  determinação  do  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação do investimento (art. 426).  (...)  Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou  perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em  coligada  ou  controlada  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  (art.  384),  será  a  soma  algébrica  dos  seguintes  valores  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto­Lei nº 1.730,  de 1979, art. 1º, inciso V):  I  ­ valor de patrimônio  líquido pelo qual o investimento estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros  de 1979 e 1980, na determinação do lucro real;  III  ­  provisão  para  perdas  que  tiver  sido  computada,  como  dedução,  na  determinação  do  lucro  real,  observado o  disposto  no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei)  Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento  que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação.  4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida  Já  o  segundo  evento  aplica­se  quando  a  investidora  e  a  investida  transformarem­se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O  ágio  pode  se  tornar  uma  despesa  de  amortização,  desde  que  preenchidos  os  requisitos  da  Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.435          44 legislação  e  no  contexto  de  uma  transformação  societária  envolvendo  a  investidora  e  a  investida.  Contudo,  sobre  o  assunto,  há  evolução  legislativa  que  merece  ser  apresentada.  Primeiro,  o  tratamento  conferido  à participação  societária  extinta  em  fusão,  incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977:  Art  34  ­  Na  fusão,  incorporação  ou  cisão  de  sociedades  com  extinção  de  ações  ou  quotas  de  capital  de  uma  possuída  por  outra,  a  diferença  entre  o  valor  contábil  das  ações  ou  quotas  extintas  e  o  valor  de  acervo  líquido  que  as  substituir  será  computado  na  determinação  do  lucro  real  de  acordo  com  as  seguintes  normas:  (Revogado  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)   I  ­  somente  será  dedutível  como  perda  de  capital  a  diferença  entre  o  valor  contábil  e  o  valor  de  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  o  contribuinte  poderá,  para  efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;  (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   II  ­  será  computado  como  ganho  de  capital  o  valor  pelo  qual  tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil  das  ações  ou  quotas  extintas,  mas  o  contribuinte  poderá,  observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a  parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que  esse  seja  realizado.  (Revogado  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)   § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte  do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente  se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   a)  discriminar  os  bens  do  acervo  líquido  recebido  a  que  corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a  determinação  do  valor  realizado  em  cada  período­base;  e  (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de  controle  do  ganho  de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção  monetária  anual,  por  ocasião  do  balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo  permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   §  2º  ­  O  contribuinte  deve  computar  no  lucro  real  de  cada  período­base  a  parte  do  ganho  de  capital  realizada  mediante  alienação  ou  liquidação,  ou  através  de  quotas  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão  deduzidas  como  custo  ou  despesa  operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda  de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação,  fusão ou cisão estivesse  Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.436          45 avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no  inciso  I,  o  valor  contábil  deveria  ser  maior  do  que  o  acervo  líquido  avaliado  a  preços  de  mercado,  e  tal  situação  se  mostraria  viável,  especialmente,  quando,  imediatamente  após  à  aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2.  Ocorre  que  tal  previsão  se  consumou  em  operações  um  tanto  quanto  questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagando­se  ágio,  para,  em  logo  em  seguida,  promover  a  incorporação  da  investidora  pela  investida.  As  operações ocorriam quase simultaneamente.  E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação  societária,  sofreu  alteração  legislativa.  Vale  transcrever  a  Exposição  de  Motivos  da MP  nº  1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997.   11.  O  art.  8º  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição,  por  uma  pessoa  jurídica,  de  participação  societária  no  capital  de  outra,  avaliada  pelo  método da equivalência patrimonial.  Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a  esse  assunto,  diversas  empresas,  utilizando  dos  já  referidos  "planejamentos  tributários",  vem  utilizando  o  expediente  de  adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação,  com a  finalidade única de gerar ganhos de natureza  tributária,  mediante  o  expediente,  nada  ortodoxo,  de  incorporação  da  empresa lucrativa pela deficitária.  Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão  de  acontecer,  mas,  com  certeza,  ficarão  restritos  às  hipóteses  de  casos  reais,  tendo  em  vista  o  desaparecimento  de  toda  vantagem  de  natureza  fiscal  que  possa  incentivar  a  sua  adoção exclusivamente por esse motivo.  Não  vacilou  a  doutrina  abalizada  de  LUÍS  EDUARDO  SCHOUERI4  ao  discorrer, com precisão sobre o assunto:  Anteriormente  à  edição  da  Lei  nº  9.532/1997,  não  havia  na  legislação  tributária  nacional  regulamentação  relativa  ao  tratamento  que  deveria  ser  conferido  ao  ágio  em  hipóteses  de  incorporação  envolvendo  a  pessoa  jurídica  que  o  pagou  e  a  pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio.  O  que  ocorria,  na  prática,  era  a  consideração  de  que  a  incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do  ágio, independentemente de sua fundamentação econômica.  (...)                                                              2 Ver Acórdão nº 1101­000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa.,  p. 15.  3  Exposição  de Motivos  publicada  no Diário  do  Congresso Nacional  nº  26,  de  02/12/1997,  pg.  18021  e  segs,  http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016.  4  SCHOUERI,  Luís  Eduardo.  Ágio  em  reorganizações  societárias  (aspectos  tributários).  São  Paulo  : Dialética,  2012, p. 66 e segs.  Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.437          46 Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei  nº  9.532/1997,  adveio  um  cenário  diferente  em  matéria  de  dedução  fiscal  do  ágio.  Desde  então,  restringiram­se  as  hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso  de  incorporação  entre  pessoas  jurídicas,  com  a  imposição  de  limites máximos de dedução em determinadas situações.  Ou seja,  nem  sempre o ágio contabilizado pela pessoa  jurídica  poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do  evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação  ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado  poderá  ser  deduzido,  a  depender  da  fundamentação econômica  que lhe seja conferida.  Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição  da MP 1.602, de 1997:  O  artigo  8º  altera  as  regras  para  determinação  do  ganho  ou  perda de capital  na  liquidação de  investimento em coligada ou  controlada  avaliado  pelo  valor  do  patrimônio  líquido,  quando  agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas  regras,  os  ágios  existentes  não  mais  serão  computados  como  custo  (amortizados  pelo  total),  no  ato  de  liquidação do  investimento,  como eram de acordo com as normas ora modificadas.  O  ágio  ou  deságio  referente  à  diferença  entre  o  valor  de  mercado  dos  bens  absorvidos  e  o  respectivo  valor  contábil,  na  empresa  incorporada  (inclusive  a  fusionada  ou  cindida),  será  registrado na própria conta de  registro dos  respectivos bens, a  empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que  absorva  o  patrimônio  da  cindida),  produzindo  as  repercussões  próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente  de  expectativa  de  resultado  futuro  poderá  ser  amortizado  durante os cinco anos­calendário subsequentes à incorporação,  à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de  apuração. (...)   Percebe­se  que,  em  razão  de  um  completo  desvirtuamento  do  instituto,  o  legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997,  sobre  situações  específicas  tratando  de  eventos  de  transformação  societária  envolvendo  investidor e investida.   Inclusive,  no  decorrer dos  debates  tratando do  assunto,  chegou­se  a  cogitar  que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal.  Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria  ter  tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº  1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997).  Na  realidade,  a  Exposição  de Motivos  deixa  claro  que  a motivação  para  o  dispositivo  foi  um  maior  controle  sobre  os  planejamentos  tributários  abusivos,  que                                                              5  Relatório  da  Comissão Mista  publicada  no  Diário  do  Congresso  Nacional  nº  27,  de  03/12/1997,  pg.  18024,  http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016.  Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.438          47 descaracterizavam  o  ágio  por meio  de  analogias  completamente  desprovidas  de  sustentação  jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização.  E  qual  foram  as  novidades  trazidas  pelos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997?  Primeiro,  há  que  se  contextualizar  a  disciplina  do  método  de  equivalência  patrimonial (MEP).  Isso porque o ágio aplica­se apenas em investimentos sociedades coligadas e  controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como  principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou  controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas.  As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser  refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio  líquido da  sociedade  investida  não  são  computados  na  determinação  do  lucro  real  da  investidora. Vale  transcrever  os  dispositivos  dos  arts.  387,  388  e  389  do  RIR/99  que  discorrem  sobre  o  procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora.  Art.  387.  Em  cada  balanço,  o  contribuinte  deverá  avaliar  o  investimento  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  da  coligada  ou  controlada,  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  248  da  Lei  nº  6.404, de 1976, e as seguintes normas (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 21, e Decreto­Lei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III):  (...)  Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387,  I),  deverá  ser  ajustado  ao  valor  de  patrimônio  líquido  determinado  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  anterior,  mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta  de investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 22).  (...)  Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por  aumento  ou  redução  no  valor  de  patrimônio  líquido  do  investimento, não será computada na determinação do lucro real  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 23, e Decreto­Lei nº 1.648,  de 1978, art. 1º, inciso IV).  (...)  Resta  nítida  a  separação  dos  patrimônios  entre  investidora  e  investida,  inclusive  as  repercussões  sobre  os  resultados  de  cada  um.  A  investida,  pessoa  jurídica  independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são  por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido  em razão de  resultados positivos, por meio do MEP há uma  repercussão na contabilidade da  investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos  é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é  excluída  na  apuração  do  Lucro  Real.  Com  certeza,  não  faria  sentido  tributar  os  lucros  na  investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu  precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida.  Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.439          48 E  esclarece  o  art.  385  do  RIR/99  que  se  a  pessoa  jurídica  adquirir  um  investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio  líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da  aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do  investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes:  Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico  (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  da  escrituração  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  20,  §  3º).  (grifei)  Como  se  pode  observar,  a  formação  do  ágio  não  ocorre  espontaneamente.  Pelo  contrário,  deve  ser  motivado,  e  indicado  o  seu  fundamento  econômico,  que  deve  se  amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1)  valor  de mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior  ou  inferior  ao  custo  registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras  razões econômicas.  E,  conforme  já  dito,  por  ser  a motivação  adotada  pela quase  totalidade  das  empresas,  todos os holofotes dirigem­se ao fundamento econômico com base em expectativa  de rentabilidade futura da empresa adquirida.  Trata­se precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada  ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a  desembolsar  pelo  investimento  um  valor  superior  ao  daquele  contabilizado  no  patrimônio  Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.440          49 líquido  da  vendedora.  Por  sua  vez,  tal  expectativa  deve  ser  lastreada  em  demonstração  devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art.  385 do RIR/99.  E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997,  consolidados  no  art.  386  do RIR/99. Como  já  dito,  em  eventos  de  transformação  societária,  quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou  deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação:  Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  o  inciso  I  do  §  2º  do  artigo  anterior,  em  contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu  causa;   II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo  fundamento seja o de  que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida  a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração;   IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o  de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços  correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês  do período de apuração.(...) (grifei)  Fica  evidente  que  os  arts.  385  e  386  do  RIR/99  guardam  conexão  indissociável,  constituindo­se em norma  tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos  casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia.  5. Amortização. Despesa.  Definido que o aproveitamento do ágio pode dar­se por meio de despesa de  amortização, mostra­se pertinente apreciar do que trata tal dispêndio.  No RIR/99 (Decreto­Lei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização  encontra­se no Subtítulo  II  (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção  III  (Custos,  Despesas Operacionais e Encargos).   O  artigo  299  do  diploma  em  análise  trata,  no  art.  299,  na  Subseção  I,  das  Disposições Gerais sobre as despesas:  Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.441          50 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à manutenção  da  respectiva  fonte  produtora  (Lei  nº  4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização  das  transações  ou  operações  exigidas  pela  atividade  da  empresa  (Lei  nº  4.506,  de  1964, art. 47, § 1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §  2º).  §  3º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  também  às  gratificações  pagas  aos  empregados, seja qual for a designação que tiverem.  Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da  empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de  transações, operações ou atividades da empresa.  Por  sua  vez,  logo  após  as  Subseções  II  (Depreciação  de  Bens  do  Ativo  Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização,  no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6.  Percebe­se que a amortização constitui­se em espécie de gênero despesa, e,  naturalmente, encontra­se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do  RIR/99.  6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente  No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou  da vontade humana.  O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social.   No  que  concerne  ao  direito  tributário,  são  escolhidos  fatos  decorrentes  da  atividade econômica,  financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em  razão  de  atividades  normais,  que  são  eleitos  porque  guardam  repercussão  com  a  renda  ou  o  patrimônio. São condutas  relevantes de pessoas  físicas ou  jurídicas,  de ordem econômica ou  social, ocorridas no mundo dos  fatos, que são colhidas pelo  legislador que  lhes confere uma  qualificação jurídica.                                                              6  Art.  324.  Poderá  ser  computada,  como  custo  ou  encargo,  em  cada  período  de  apuração,  a  importância  correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a  formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e Decreto­Lei nº 1.598,  de 1977, art. 15, § 1º).  § 1º  Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de  aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º).  § 2º   Somente  serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas  neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º).  § 3º  Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de  seu custo, o  saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que  se extinguir o direito ou  terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º).  § 4º   Somente será permitida a amortização de bens e direitos  intrinsecamente relacionados com a produção ou  comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III).  Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.442          51 Por  exemplo,  o  fato  de  auferir  lucro, mediante  operações  espontâneas,  das  atividades  operacionais  da  pessoa  jurídica,  amolda­se  à  hipótese  de  incidência  prevista  pela  norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos.  Da  mesma  maneira,  a  pessoa  jurídica,  no  contexto  de  suas  atividades  operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contrata­se um prestador  de serviços, compra­se uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da  empresa, que surgem naturalmente.   Ocorre  que,  em  relação  aos  casos  tratados  relativos  á  amortização  do  ágio,  proliferaram­se  situações  no  qual  se  busca,  especificamente,  o  enquadramento  da  norma  permissiva de despesa.  Tratam­se  de  operações  especialmente  construídas,  mediante  inclusive  utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional  incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas  no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias  ou meses, serem objeto de operações de transformação societária.  Tais  eventos  podem  receber qualificação  jurídica  e  surtir  efeitos  nos  ramos  empresarial, cível, contábil, dentre outros.   Situação completamente diferente ocorre no  ramo  tributário. Não há norma  de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de  operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de  normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações  atípicas,  não  consentâneas  com  uma  regular  operação  econômica  e  financeira  da  pessoa  jurídica.  Admitindo­se  uma  construção  artificial  do  suporte  fático,  consumar­se­ia  um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade  contributiva  e da  isonomia,  vez que seria  conferida a uma determinada  categoria de despesa  uma premissa  completamente diferente, uma  liberalidade não aplicável  à grande maioria dos  contribuintes.  7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização  Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir  com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização.  Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar  do  ágio  contabilizado:  (1)  a  investidora  deixa  de  ser  a  detentora  do  investimento,  ao  alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora  e  a  investida  transformam­se  em  uma  só  universalidade  (em  eventos  de  cisão,  transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação.  Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e  nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para  o debate:  Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.443          52 Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade  coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá,  por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de  aquisição em (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20):  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e  II  ­ ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o  custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso  anterior.  §  1º O  valor  de  patrimônio  líquido  e  o  ágio  ou  deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição  do  investimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º).  § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os  seguintes,  seu  fundamento econômico  (Decreto­Lei nº 1.598, de  1977, art. 20, § 2º):  I ­ valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada  superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade;  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base  em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.  § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos  I  e  II  do  parágrafo  anterior  deverá  ser  baseado  em  demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  da escrituração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º).  Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado  segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.  7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10):  (...)  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  um  sessenta  avos,  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  de  apuração; (...) (grifei)  Percebe­se  claramente,  no  caso,  que  o  suporte  fático  delineado  pela  norma  predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A  pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou  cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio.  Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.444          53 A conclusão é ratificada analisando­se a norma em debate sob a perspectiva  da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7.  Esclarece  o  doutrinador  que  a  hipótese  de  incidência  se  apresenta  sob  variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade.   Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao  determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária.  E  a  norma  em  análise  se  dirige  à  pessoa  jurídica  investidora  originária,  aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou  os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa  jurídica investida.   Ocorre  que,  em  se  tratando  do  ágio,  as  reorganizações  societárias  empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo.  Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire  com  ágio  participação  societária  da  pessoa  jurídica  B.  Em  seguida,  utiliza­se  de  uma  outra  pessoa  jurídica,  C,  e  integraliza  o  capital  social  dessa  pessoa  jurídica C  com  a  participação  societária  que  adquiriu  da  pessoa  jurídica  B.  Resta  consolidada  situação  no  qual  a  pessoa  jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em  seguida,  sucede­se  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  pessoa  jurídica  B  absorve  patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa.  Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica  A  (investidora)  e  a pessoa  jurídica B  (investida)  cuja participação  societária  foi  adquirida  com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa  jurídica  A  (investidora),  em  razão  de  reorganizações  societárias  empreendidas  por  grupo  empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C,  ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deu­se  pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B.  Da  mesma  maneira,  encontram­se  situações  no  qual  a  pessoa  jurídica  A  realiza  aportes  financeiros  na  pessoa  jurídica  C  e,  de  plano,  a  pessoa  jurídica  C  adquire  participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve  patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio.  Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência  da norma em questão. A pessoa  jurídica que  adquiriu o  investimento,  que acreditou na mais  valia  e  que  desembolsou  os  recursos  para  a  aquisição  foi,  de  fato,  a  pessoa  jurídica  A  (investidora).  No  outro  pólo  da  relação,  a  pessoa  jurídica  adquirida  com  ágio  foi  a  pessoa  jurídica  B.  Ou  seja,  o  aspecto  pessoal  da  hipótese  de  incidência,  no  caso,  autoriza  o  aproveitamento  do  ágio  a  partir  do  momento  em  que  a  pessoa  jurídica  A  (investidora)  e  a  pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade.  São as  situações mais  elementares. Contudo, há  reorganizações  envolvendo  inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante).                                                              7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs.  Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.445          54 Vale  registrar  que  goza  a  pessoa  jurídica  de  liberdade  negocial,  podendo  dispor  de  suas  operações  buscando  otimizar  seu  funcionamento,  com  desdobramentos  econômicos, sociais e tributários.  Contudo, não necessariamente  todos os  fatos  são  recepcionados pela norma  tributária.   A  partir  do  momento  em  que,  em  razão  das  reorganizações  societárias,  passam  a  ser  utilizadas  novas  pessoas  jurídicas  (C,  D,  E,  F,  G,  e  assim  sucessivamente),  pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa  jurídica  B),  e  o  evento  de  absorção  não  envolve  mais  a  pessoa  jurídica  A  e  a  pessoa  jurídica B, mas  sim pessoa  jurídica distinta  (como, por exemplo, pessoa  jurídica F  e pessoa  jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 torna­se impossível, vez que o fato imponível  (suporte  fático,  situado  no  plano  concreto)  deixa  de  ser  amoldar  à hipótese  de  incidência da  norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal.  Em  relação  ao  aspecto  material,  há  que  se  consumar  a  confusão  de  patrimônio  entre  investidora  e  investida,  a  que  faz  alusão  o  caput  do  art.  386  do  RIR  (A  pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,  na qual detenha participação  societária adquirida  com ágio ou deságio...). Com a  confusão  patrimonial,  aperfeiçoa­se  o  encontro  de  contas  entre  o  real  investidor  e  investida,  e  a  amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ  e da CSLL.  Na  realidade,  o  requisito  expresso  de  que  investidor  e  investida  passam  a  compor  o  mesmo  patrimônio,  mediante  evento  de  transformação  societária,  no  qual  a  investidora  absorve  a  investida,  ou  vice  versa,  encontra  fundamento  no  fato  de  que,  com  a  confusão  de  patrimônios,  o  lucro  auferido  pela  investida  passa  a  integrar  a  mesma  universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção,  investidor  e  investida  são  entidades  autônomas.  O  lucro  auferido  pela  investida  (que  foi  a  motivação  para  que  a  investidora  adquirisse  a  investida  com  o  sobrepreço),  é  tributado  pela  própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida  seria  refletido  na  investidora,  sem,  contudo,  haver  tributação  na  investidora.  A  lógica  do  sistema  mostra­se  clara,  na  medida  em  que  não  caberia  uma  dupla  tributação  dos  lucros  auferidos pela investida.   Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial,  os  lucros  auferidos  pela  então  investida  passam  a  integrar  a  mesma  universalidade  da  investidora.  Reside,  precisamente  nesse  ponto,  o  permissivo  para  que  o  ágio,  pago  pela  investidora  exatamente  em  razão  dos  lucros  a  serem  auferidos  pela  investida,  possa  ser  aproveitado,  vez  que passam a  se  comunicar,  diretamente,  a  despesa  de  amortização  do  ágio e as receitas auferidas pela investida.  Ou  seja,  compartilhando  o  mesmo  patrimônio  investidora  e  investida,  consolida­se cenário no qual a mesma pessoa  jurídica que adquiriu o  investimento com mais  valia  (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser  tributada pelos  lucros  percebidos nesse investimento.                                                               8 SCHOUERI, 2012, p. 62.  Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.446          55 Verifica­se,  mais  uma  vez,  que  a  norma  em  debate,  ao  predicar,  expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os  sujeitos  da  relação  jurídica  seriam  a  pessoa  jurídica  que  absorver patrimônio  de outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Trata­se precisamente  do  encontro  de  contas  da  investidora  originária,  que  incorreu  na  despesa  e  adquiriu  o  investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido.  Prosseguindo  a  análise  da  hipótese de  incidência  da  norma  em questão,  no  que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita­ se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que  provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável.   Registre­se que  a  consumação do  aspecto  temporal não  se  confunde com o  termo inicial do prazo decadencial.  Isso porque, partindo­se da construção da norma conforme operação no qual  "Se A é, B deve­ser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente,  a  consumação da hipótese de incidência localiza­se no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que  a  hipótese  de  incidência,  no  caso  concreto, mediante  aperfeiçoamento  dos  aspectos  pessoal,  material e temporal, concretizou­se em sua plenitude. Assim, passa­se para a etapa seguinte, o  consequente ("B deve­ser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido  o  contribuinte  (lucro  real  trimestral  ou  anual),  efetua­se  o  lançamento  fiscal  com  base  na  repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da  base de cálculo, e, por consequência, determina­se o termo inicial para contagem do prazo  decadencial.  8. Consolidação  Considerando­se  tudo  o  que  já  foi  escrito,  entendo  que  a  cognição  para  a  amortização  do  ágio  passa  por  verificar,  primeiro,  se  os  fatos  se  amoldam  à  hipótese  de  incidência,  segundo,  se  requisitos  de  ordem  formal  estabelecidos  pela  norma  encontram­se  atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado.  A primeira  verificação  parece  óbvia, mas,  diante  de  todo  o  exposto  até  o  momento,  observa­se  que  a discussão mais  relevante  insere­se  precisamente  neste momento,  situado antes da subsunção do fato à norma. Fala­se insistentemente se haveria impedimento  para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma  de  despesa.  O  ponto  é  que,  independente  da  genialidade  da  construção  empreendida,  da  reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma  não  perderá  a  condição  de  investidora  originária.  Quem  viabilizou  a  aquisição?  De  onde  vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida?  Quem  tomou  a  decisão  de  adquirir  um  investimento  com  sobrepreço?  Respondo:  a  investidora originária.   Ainda  que  a  pessoa  jurídica  A,  investidora  originária,  para  viabilizar  a  aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica  C,  ou  (2)  efetuado  aportes  financeiros  (dinheiro, mútuo)  para  a  pessoa  jurídica C,  a  pessoa  jurídica A não perderá a condição de investidora originária.   Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.447          56 Pode­se  dizer  que,  de  acordo  com  as  regras  contábeis,  em  decorrência  de  reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio  da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida).  Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa  jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários.  Isso  porque  se  trata  de  operação  que  não  se  enquadra  na  hipótese  de  incidência  da  norma,  que  elege,  quanto  ao  aspecto  pessoal,  a  pessoa  jurídica A  (investidora  originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas  entre  a  despesa  incorrida  pela  pessoa  jurídica  A  (investidora  originária  que  efetivamente  incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela  pessoa jurídica B (investida).  Mostra­se  insustentável,  portanto,  ignorar  todo  um  contexto  histórico  e  sistêmico  da norma permissiva  de  aproveitamento  do  ágio,  despesa  operacional,  para  que  se  autorize  "pinçar"  os  artigos  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  promover  uma  interpretação  isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos  construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária.  Caso  superada  a  primeira  verificação,  cabe  prosseguir  com  a  segunda  verificação,  relativa  a  aspectos  de  ordem  formal,  qual  seja,  se  a  demonstração  que  o  contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico  do  ágio.  Há  que  se  verificar  também  (3)  se  ocorreu,  efetivamente,  o  pagamento  pelo  investimento.   Enfim, refere­se a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu  dentro  de  padrões  normais  de  mercado,  com  atuação  de  agentes  independentes,  distante  de  situações  que  possam  indicar  ocorrência  de  negociações  eivadas  de  ilicitude,  que  poderiam  guardar  repercussão,  inclusive,  na  esfera  penal,  como  nos  crimes  contra  a  ordem  tributária  previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990.  9. Sobre o Caso Concreto  Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto.   Em  breve  síntese,  trata­se  da  alienação  da  participação  da  CEVASA  (investimento, a Contribuinte) para a CARGILL S/A (adquirente), com sobrepreço.  Em 08/06/2006, 11 horas, a Contribuinte foi utilizada para aumentar o capital  social  da  CARGILL  HOLDING.  Na  sequência,  no  mesmo  dia  08/06/2006,  às  13  horas,  o  mesmo  investimento  foi  utilizado  para  aumento  de  capital  da CARGILL SIMONI. Assim,  a  CARGILL S/A controlava diretamente a CARGILL HOLDING, que controlada diretamente a  CARGILL  SIMONI,  que  controlada  diretamente  a  CEVASA.  Ao  final,  em  12/11/2007,  a  CARGILL SIMONI foi incorporada pela CEVASA, que passo a amortizar o ágio 9.                                                               9 Vide voto da decisão recorrida:  Em  conformidade  com  o  Termo  de  Encerramento  de  fls.  891/909,  o  ágio  em  discussão  tem  origem,  resumidamente,  na  aquisição,  por  parte  da  empresa  CARGILL  AGRÍCOLA  S/A,  de  62%  da  COMPANHIA  Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.448          57 Diante de  todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa  pela primeira verificação (vide item 8 do voto).   Quanto  ao  aspecto  pessoal,  cabe  verificar  quem  é  efetivamente  a  pessoa  jurídica investidora e a pessoa jurídica investida.   A  pessoa  jurídica  investidora  é  o  CARGILL  S/A  que  efetuou  o  aporte  de  recursos  para  aquisição  do  investimento  (participação  societária  da  CEVASA,  Contribuinte)  com  pagamento  de  sobrepreço,  por  ter  sido  realizado  em  valor  superior  ao  do  patrimônio  líquido. O fato de os recursos para aquisição do investimento terem passado para a CARGILL  HOLDING, e para a CARGILL SIMONI, não confere à CARGILL SIMONI a condição de  investidora exigida pela  legislação. É  incontestável que foi a CARGILL S/A a empresa que  efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos  de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a  aquisição (vide item 7 do presente tópico).   Por sua vez, a pessoa jurídica investida foi a Contribuinte.  O  evento  de  incorporação  deu­se  entre  a  CARGILL  SIMONI  e  a  Contribuinte. Ou seja, não estava presente a pessoa jurídica investidora, a CARGILL S/A.  Observa­se, portanto, que a utilização das empresas CARGILL HOLDING, e  para  a  CARGILL  SIMONI  tornam  impossível  a  concretização  da  hipótese  de  incidência  da  norma.   Nesse  sentido,  o  aproveitamento  da  despesa  de  amortização  de  ágio  promovido pela Contribuinte deu­se sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese  de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997.  Assim,  deve­se  negar  provimento  em  relação  à  matéria  "possibilidade  de  transferência  de  ágio  registrado  em  operações  realizadas  entre  partes  independentes/não  relacionadas".   Enfim,  torna­se  prescindível  apreciar  a  matéria  "regularidade  do  Laudo  de  Avaliação".  Isso  porque,  como  a  hipótese  de  incidência  da  norma  não  foi  concretizada,  impossibilitando o aproveitamento da despesa, o fato de o laudo de avaliação que deu origem  ao pretenso sobrepreço ser aceito ou não é irrelevante. A legitimidade e precisão do laudo de  avaliação  só  seria  apreciada  caso  ocorresse,  de  fato,  a  comunicação  patrimonial  entre  investidor e investimento (o que não se presenciou nos presentes autos). Aí sim, em um passo  seguinte, haveria que se avaliar se o sobrepreço do investimento estaria devidamente amparado  em  demonstração  (laudo  de  avaliação).  Como  não  se  consumou  a  hipótese  de  incidência  prevista no caput do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, a questão relativa ao laudo de avaliação  tornou­se irrelevante.                                                                                                                                                                                           ENERGÉTICA  VALE  DO  SAPUCAÍ  LTDA  (CEVASA  a  AUTUADA).  Tal  investimento  foi,  em  momento  posterior, utilizado para aumentar o capital da pessoa jurídica CARGILL HOLDING PARTICIPAÇÕES LTDA,  que, por sua vez,  também o utilizou para aumento de capital da pessoa  jurídica CARGIL SIMONI.   Por  fim, a  CARGILL SIMONI foi  incorporada pela CEVASA (incorporação às avessas), que passou a amortizar o ágio. A  CARGILL HOLDING  PARTICIPAÇÕES  LTDA  e  a  CARGILL  SIMONI  foram  constituídas  em  10/10/2005,  tendo como sócio principal a CARGILL AGRÍCOLA.  Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.449          58 Nesse  contexto,  resta  consumada  a  insuficiência  recursal  para  a  matéria  "Regularidade do Laudo de Avaliação", vez que sua resolução não tem nenhuma repercussão  no resultado do presente julgamento.  Portanto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  especial  em  relação às matérias relacionadas com a despesa de amortização de ágio.  II.  Repercussão  das  regras  de  IRPJ,  atinentes  á  dedutibilidade  de  despesa de amortização de ágio, para a CSLL.  Sobre o assunto, vale iniciar dizendo que toda a construção empreendida pelo  Decreto­lei nº 1.598, de 1977, encontra­se em consonância com a edição no ano anterior (1976)  da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de  investimentos decorrentes de participações societárias,  inclusive com a adoção do método de  equivalência patrimonial (MEP).  Foram  tratados  três  momentos  cruciais  para  o  investidor,  nascimento,  desenvolvimento  e  fim  do  investimento,  respectivamente  delineados:  (1)  o  da  aquisição  do  investimento,  normatizando­se  a  figura  do  "ágio",  que  consiste  no  sobrepreço  pago  na  aquisição,  e  (2)  o momento  em  que  o  investimento  gera  frutos  para  o  investidor,  ou  seja,  a  empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento.  Em  relação  ao  segundo  momento  (desenvolvimento  do  investimento),  a  interpretação  integrada dos dois diplomas normativos consolidou a  construção de  sistema no  qual  os  resultados  de  investimentos  em  participações  societárias  pudessem  ser  devidamente  refletidos  no  investidor,  por  meio  do  MEP,  e  ao  mesmo  tempo,  não  fossem  objeto  de  bitributação.  Isso  porque,  em  se  considerando  estritamente  os  lançamentos  contábeis,  os  resultados  da  investida  seriam  refletidos  no  investidor,  fazendo  com  que  tanto  na  investida  quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese,  integrariam o lucro  líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinou­se que o investidor poderia efetuar  ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela  investida.  É  o  que  prescreve  o  art.  22  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  quando  determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do  investimento  na  data  do  balanço  (...),  deverá  ser  ajustado  ao  valor  de  patrimônio  líquido,  mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha  apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta  de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável.   Tal  repercussão é neutralizada  logo no artigo seguinte  (art. 23),  ao predicar  que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não  será computada no  lucro real  (...). Assim, o crédito em conta de  resultado seria excluído na  apuração do lucro real.  Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na  base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação  de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1).   Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.450          59 Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as  bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações  societárias e os correspondentes resultados auferidos.  A  preocupação  do  legislador  em  compatibilizar  a  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  mediante  a  operacionalização  de  ajustes  no  lucro  líquido,  é  evidente.  Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias  relativas  ao  primeiro  momento  (aquisição  do  investimento)  e  o  terceiro  momento  (desfazimento  do  investimento),  poder­se­ia  aplicar  um  entendimento  diferente  daquele  relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento).  Em  relação ao  terceiro momento  (desfazimento do  investimento),  predica  a  norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração  da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decreto­lei nº 1.598, de 1977).  E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do  investimento)  e  o  terceiro  momento  (desfazimento  do  investimento),  o  primeiro  momento  (nascimento  do  investimento)  trata  da  aquisição  do  investimento  que,  se  for  realizada  com  sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o  art.  20  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  ao  determinar  nos  incisos  I  e  II  que  o  custo  de  aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio  líquido na época da aquisição e  (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decreto­lei  nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam  computadas na determinação do  lucro  real,  não  há nenhum sentido  em se  considerar que  tal  ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL.   Cumpre registrar que o Decreto­lei nº 1.598, de 1977, foi editado em época  em  que  não  existia  a  CSLL,  só  poderia  ser  aplicado  para  o  imposto  de  renda,  por  isso  a  ausência  da  menção  à  contribuição  social  na  norma.  Então,  a  contabilização  do  ágio,  na  aquisição  do  investimento,  só  poderia  surtir  efeitos  para  fins  de  apuração  do  IRPJ.  Para  a  CSLL, sequer existiria ágio na aquisição do investimento. Por consequência, não haveria de se  falar na amortização do sobrepreço pago.  E,  admitindo­se que a  redação do art.  25 do Decreto­lei  nº 1.598, de 1977,  teria deixado grande margem de discricionariedade, e que a amortização poderia ser efetuada  sem  nenhum  critério,  é  fato  incontestável  que  tal  cenário  alterou­se  completamente  com  a  edição da edição Lei nº 9.532, de 1997.  Com o novel diploma, restou claro que a amortização do ágio não se daria  sem qualquer critério. Os arts. 7º e 8º discorrem, não por acaso, que a pessoa  jurídica que  absorver patrimônio de outra,  em virtude de  incorporação,  fusão ou cisão, na qual detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20  do Decreto­Lei  nº  1.598,  de  26  de dezembro  de  1977, poderá  amortizar o  valor  do  ágio  no  prazo mínimo de sessenta meses. E no que concerne ao deságio a determinação é ainda mais  incisiva, vez que o comando é que a empresa deverá amortizar o valor do deságio.  Resta evidente, portanto, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e  CSLL.  Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.451          60 Enfim, apreciando­se a situação sobre a perspectiva de que o ágio, além de se  submeter  a  requisitos  específicos  (arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532,  de  1997),  também  deve  enfrentar com requisitos gerais (art. 299 do RIR/99), a conclusão é a mesma.  Isso porque a despesa do ágio submetida ao regramento geral das despesas  disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99:  Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º).  §  3º O disposto  neste  artigo  aplica­se  também às  gratificações  pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.  Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe:  Art.  13.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas  as  seguintes  deduções,  independentemente  do  disposto  no  art.  47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei)  (...)  A  interpretação  dada  ao  dispositivo  pelo  Conselheiro  Marcos  Pereira  Valadão, no Acórdão nº 9101­002.396, é didática e esclarecedora:  Assim,  o  texto  legal  acima  transcrito  evidencia  claramente  o  vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos  requisitos  para  a  dedutibilidade  de  despesas,  do  contrário  não  faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se  o  texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar  "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável  àquela mesma situação.  Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47  da Lei nº 4.506, de 1964, aplicam­se tanto ao IRPJ quanto à CSLL.  A  redação  do  art.  13  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  dispõe  claramente  sobre  hipóteses  de  despesas  indedutíveis  tanto  para  o  IRPJ  quanto  para  a  CSLL,  incluindo  expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964.  Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das  despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição  à Base de Cálculo da CSLL.  Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.452          61 No mesmo  contexto,  encontra­se  a  redação  do  art.  57  da  Lei  nº  8.981,  de  1995, mencionada pela autoridade fiscal:  Art. 57. Aplicam­se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº  7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base  de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com  as alterações introduzidas por esta Lei.  Pela  expressão  normas  de  apuração  entende­se  o  cômputo  do  quantum  tributável,  o  procedimento  consistente  em determinar  a  base  de  cálculo  do  tributo, mediante  operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes  autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente a repercussão dos ajustes efetuados na apuração da  base de cálculo do IRPJ para a CSLL.  Assim,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  especial  da  Contribuinte em relação à matéria.  III. Juros sobre Multa.   Sobre  o  assunto,  juros  de  mora  sobre  multa  de  oficio,  vale  transcrever,  inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é  o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por objeto o pagamento de  tributo ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente. (grifei)   § 2º (...)  Por sua vez, o crédito  tributário decorre da obrigação principal, conforme o  artigo 139 do CTN:  Art. 139. O crédito  tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.  A  penalidade  pecuniária  tem  base  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo.  E,  como  se  pode  observar  a  penalidade  pecuniária,  decorrente  da  infração,  compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário.  Por  sua  vez,  o  CTN,  ao  discorrer  sobre  o  pagamento,  informa  que  devem  incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis:   Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifei)  Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16561.720133/2013­11  Acórdão n.º 9101­003.145  CSRF­T1  Fl. 1.453          62  § 1º (...)  E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de  1995,  segue  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  Verifica­se, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos  à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC.  Portanto,  voto no  sentido de negar provimento  ao  recurso da Contribuinte  em relação à matéria.  IV. Conclusão.  Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial  da Contribuinte.    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura                      Fl. 1453DF CARF MF

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7024107 #
Numero do processo: 13603.721301/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equipara-se a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.

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3301­004.128  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de outubro de 2017  Matéria  IPI    Recorrente  SCIB SERVICO E COMERCIO INDUSTRIA DO BRASIL EIRELI ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2010  EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.  O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá  saída  a  esses  produtos  equipara­se  a  estabelecimento  industrial,  estando  sujeito  à  obrigação  principal,  que  consiste  no  pagamento  do  tributo,  e  às  obrigações acessórias.  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente.   Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  do  Couto Chagas  (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Jose  Henrique  Mauri,  Liziane  Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 13 01 /2 01 4- 37 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 470          2   Relatório  Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância:  "Trata­se  de  impugnação  a  Auto  de  Infração  lavrado  contra  a  empresa  em  epígrafe por falta de  lançamento do  IPI nas saídas de produtos do estabelecimento  equiparado a industrial e falta de recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado,  no montante de R$ 245.911,31 (inclusos multa de ofício e juros de mora).  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  e­fls.  20/28,  a  empresa  incorreu nas seguintes infrações:  1.  FALTA  DE  LANÇAMENTO  DO  IPI  NAS  SAÍDAS  DE  PRODUTOS  IMPORTADOS: A contribuinte revendeu produtos importados no mercado interno  sem o devido destaque do IPI, conforme planilha abaixo:  2. FALTA DE APURAÇÃO DO IPI DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS  DOS MESES DE  JANEIRO E FEVEREIRO DE  2010  :A  contribuinte  deixou  de  escriturar o Livro Registro de Apuração do IPI ­ Modelo 8, para os meses de janeiro  e  fevereiro  de  2010,  e  conseqüentemente,  não  apurou  o  valor  devido  do  imposto  nesses meses.   Os saldos devedores de janeiro e fevereiro de 2010 não foram apurados nem  recolhidos  pelo  contribuinte, mas  foram  informados  na Declaração  de  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  ­  DIPJ  do  exercício  de  2011,  nos  valores  de  R$  16.488,45  e R$  24.296,66  respectivamente.  Foi  constatado,  também,  que  parte  do  valor  foi  parcelado,  processo  administrativo  n°  13603­400417/2010­10.  Sendo  assim, procedeu­se ao lançamento somente da diferença entre o valor do IPI apurado  e o recolhido.  Regularmente cientificada da autuação, a empresa ingressou com impugnação  na qual, alegou, em suma, o que se segue:  Em  preliminar  alegou  que  o  auto  de  infração  incorreu  em  dois  vícios  intransponíveis.  1) Alguns dias após receber a autuação fiscal, o sócio da SCIB verificou que  não  recebeu  a  página  "8/9"  do  "Termo  de  Verificação  Fiscal".  Com  o  intuito  de  obtê­la,  ele  pediu  uma  cópia  digital  do  presente  processo  administrativo  na  DRF/BH.  Contudo,  a  medida  não  surtiu  o  efeito  desejado:  na  cópia  que  lhe  foi  fornecida,  consta  a mesma  falha  (a  página  8/9  do "Termo de Verificação Fiscal"  não  existe).  Como  o  documento  faltante  impede  que  a  impugnante  tenha  pleno  conhecimento da acusação, o vício mencionado não pode ser desconsiderado.  2) Apesar de o AI aplicar a penalidade isolada de R$ 33.138,62 (fl. 2), não  há, nem na "Descrição dos fatos e Enquadramento legal" (fls. 5/6), nem no "Termo  de Verificação Fiscal" (fls. 20/28), nenhum comentário sobre essa multa. Existe nos  autos,  tão  somente,  um  quadro  sintético  que,  com  a  devida  vênia,  não  permite  a  exata compreensão do que foi feito (o porquê da aplicação da multa prevista no art.  80 da Lei n° 4.502/64", uma explicação pormenorizada de como se deu a escolha da  base de cálculo dentre as duas hipóteses possíveis, enfim). Diante disso, não resta a  Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 471          3 menor  dúvida  de  que  a  autuação,  no  ponto,  também  carece  de  motivação,  ensejando, assim, a decretação da nulidade do AI.  No mérito fez as seguintes considerações:  Conforme se verifica nas notas fiscais anexas (de entrada e de saída) e nos  documentos que compõem o presente processo, durante todo o período objeto do AI,  a  única  atividade  exercida  pela  impugnante  foi  a  importação  e  a  revenda  de  mercadorias  no  mercado  interno  .  Ela  não  fez  nenhuma  alteração  e/ou  beneficiamento nos produtos que nacionalizou.  Apesar  de  a  auditoria  fiscal  acusar  a  contribuinte  de  ter  cometido  outras  infrações secundárias em relação ao período de janeiro a março de 2010, a verdade  é que todo o IPI exigido nestes autos decorre da simples "revenda de mercadorias  importadas".  Pois  bem,  em  2006,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  analisando  um  caso  exatamente igual ao presente, decidiu:  'EMPRESA  IMPORTADORA.  FATO  GERADOR  DO  IPI.  DESEMBARAÇO ADUANEIRO.  I  ­ O  fato gerador do  IPI, nos  termos do artigo 46 do CTN, ocorre alternativamente na  saída  do  produto  do  estabelecimento;  no  desembaraço  aduaneiro  ou  na  arrematação  em  leilão.  II  ­  Tratando­se  de  empresa  importadora o  fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro,  não  sendo  viável  nova  cobrança  do  IPI  na  saída  do  produto  quando de sua comercialização, ante a vedação ao fenômeno da  bitributação.  III  ­  Recurso  especial  provido."  (STJ,  Primeira  Turma, REsp n° 841.269/BA, rei. ministro Francisco Falcão, DJ  14/12/2006, p. 298).'  O  mesmo  tema  foi  submetido  à  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (que  é  responsável  por  pacificar  as  questões  infraconstitucionais  que  envolvam Direito Tributário). Em 13/6/2014, o Jornal Valor Econômico noticiou o  resultado do julgamento:  'O Superior Tribunal de Justiça ­ STJ liberou os importadores de  pagarem  o  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  na  comercialização de mercadorias importadas. Com um placar de  cinco  votos  a  três,  os  ministros  consideraram  que  a  cobrança  configuraria bitributação. O tema foi levado na quarta­feira à Ia  Seção do STJ ­ que tem por objetivo unificar a jurisprudência ­  por  meio  de  cinco  processos.  São  ações  de  importadores  que  foram autuados por não recolhimento de IPI sobre a revenda de  mercadoria ou entraram na Justiça preventivamente. Dentre as  envolvidas  nas  ações  estão  companhias  que  importam  pneus  e  materiais de construção. Nos processos, os importadores alegam  que  simplesmente  revendem  produtos  que  trazem  do  exterior.  “Só  poderia  ter  nova  incidência  de  IPI  se  houvesse  industrialização  [no  Brasil]”,  diz  o  advogado  José  Antônio  Homerich Valduga, do Blasi  e Valduga Advogados Associados.  O  advogado  representa  algumas  das  empresas  cujos  processos  foram analisados pela 1a Seção.  Os casos começaram a ser julgados em fevereiro, mas tiveram a  tramitação suspensa por um pedido de vista.  (...) O  julgamento  Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 472          4 dos  casos  foi  retomado  ontem  com  o  voto­vista  do  ministro  Napoleão Nunes Mala Filho, para quem, ao cobrar o imposto, a  Fazenda  Nacional  estaria  tributando  pelo  IPI  a  circulação  de  mercadorias.  'Estaria  se  criando  um  ICMS  federal',  afirmou  durante a sessão.  O resultado, na prática, determina que as importadoras paguem  o  IPI  apenas  no  desembaraço  aduaneiro.  As  operações  subsequentes,  caso  não  haja  industrialização,  não  geram  a  necessidade do pagamento do imposto novamente.'  Como se pode perceber, se, antes, havia alguma duvida, agora não ha mais:  o  IPI  não  é  devido  na  revenda  de  mercadorias  importadas  que  não  sofreram  nenhuma  alteração  pelo  importador.  Infelizmente,  a  decisão  proferida  pela  Primeira  Seção  do  STJ  ainda  não  foi  publicada.  Assim  que  isso  acontecer,  a  impugnante a trará aos autos, o que, desde já, fica requerido.   Ante o exposto, não resta a menor dúvida de que a exigência de IPI incidente  sobre a comercialização de produtos importados é manifestamente indevida e deve  ser prontamente cancelada.   Conforme indicado nos Demonstrativos de Multa do auto de infração (fls. 12­ 13),  foi  aplicada  à  contribuinte  uma  multa  de  75%  incidente  sobre  o  IPI  não  recolhido referente a novembro e dezembro de 2010 mais outra multa de 75% sobre  o  IPI  que  deixou  de  ser  lançado  nas  notas  fiscais  de  saída  da  empresa  naquelas  competências (art. 80 da Lei n° 4.502/64).   É imperioso ressaltar, no entanto, que a falta de destaque do imposto deveu­ se não à desídia ou à negligência da impugnante, mas à absoluta convicção de que  as  operações  dela  não  configuram  fato  gerador  do  IPI  (como,  aliás,  amplamente  demonstrado acima).   Na  verdade,  seria  um manifesto  contrassenso  não  destacar  o  IPI  nas  notas  fiscais e pagá­lo ou indicar o IPI nas notas de saída e deixar de recolhê­lo. Assim,  estando o preenchimento das notas fiscais e o recolhimento do imposto.   Não cabe à fiscalização fracionar a conduta da contribuinte (que foi uma só)  para,  a  título  de  uma  suposta  inobservância  de  dever  acessório  (que  não  houve),  "extrair" novas  infrações. Repita­se, a  falta  foi e é única,  já  tendo sido,  inclusive,  exemplar  e  rigorosamente  punida  pela  penalidade  incidente  sobre  o  IPI  não  recolhido.   Ainda sobre a  impossibilidade de aplicação de duas penalidades em virtude  de uma única falta, confira­se:  'Constitui  bis  in  idem  a  punição  em  duplicidade  com  base  no  mesmo fato infracional" (TRF da Ia Região, Quarta Turma, AMS  n° 95.01.004712­1, Rei. Des. Hilton Queiroz,  j. 11/12/2000, DJ  de 26/1/2001, pg. 13).'   Observe­se, finalmente, que a aplicação cumulativa das duas multas de 75%  faz com que a penalidade represente mais de 125% do imposto exigido em relação  aos meses de novembro e dezembro de 2010, o que configura nítido confisco.  Como  se  vê,  sob  qualquer  prisma  que  se  analise  as  multas  aplicadas  à  impugnante,  fica claro que a penalidade  imposta sobre os valores não destacados  nas notas fiscais de saída deve ser cancelada.  Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 473          5 Por fim, requereu o acolhimento da defesa para que se anule, se cancele ou se  julgue  improcedente  o  auto  de  infração  em  tela  e,  via  de  conseqüência,  o  crédito  tributário nele pretendido. E, nos precisos termos do parágrafo 4o, "a", do art. 16 do  Decreto n° 70.235/72, do artigo 38 da Lei n° 9.784/1999, do princípio da verdade  material  e  da maciça  jurisprudência  favorável  à  tese,  pede  a  juntada  posterior  de  outros documentos."  A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação e o Acórdão n°  14­55.741 foi assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2010  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  CERCEAMENTO  DO DIREITO DE DEFESA  Não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  o  conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito  de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2010  EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.  O  estabelecimento  importador  de  produtos  de  procedência  estrangeira  que  dá  saída  a  esses  produtos  equipara­se  a  estabelecimento  industrial,  estando  sujeito  à  obrigação  principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações  acessórias,  consistentes,  por  exemplo,  na  emissão  de  notas  fiscais  com  o  lançamento  do  IPI  e  na  escrituração  de  livros  fiscais.  SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO  EQUIPARADO A INDUSTRIAL.  Ocorre  o  fato  gerador  do  IPI  na  saída,  a  qualquer  título,  inclusive  transferência,  de  produtos  do  estabelecimento  que  os  tenha importado.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que discute tão  somente a incidência do IPI sobre a revenda de produtos importados.  É o relatório.  Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 474          6   Voto             Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira  O recurso voluntário reúne os  requisitos  legais de admissibilidade, pelo que  dele tomo conhecimento.  Trata­se de autos de infração, para cobrança de IPI, multa de ofício de 75% e  juros Selic, no montante total de R$ 245.911,31.  Foram detectadas três infrações:  a)  Períodos  de  apuração  (PA)  de  novembro  e  dezembro  de  2010:  faltas  de  destaque, escrituração e pagamento do IPI sobre revenda de produtos importados.  b) PA de março de 2010: recolhimento a menor de IPI.  c)  PA  de  janeiro  e  fevereiro  de  2010:  falta  de  escrituração  e,  consequentemente, de apuração, declaração e recolhimento e pagamento do IPI destacado nas  notas fiscais de venda.  Na peça recursal, a recorrente restringiu­se a defender a tese de que o IPI não  incide  sobre  a  revenda  de  produto  importados,  à  luz  do  art.  46  da  Lei  n°  5.172/66  (Código  Tributário Nacional ­ CTN). A título ilustrativo, transcrevo trecho do recurso voluntário      Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 475          7     Carreou aos autos decisões que corroboram com seu posicionamento: STJ  /  REsp n° 841.269/BA; STJ / EREsp n° 1.411.749/PR; TRF, 1° Região, Acórdão n° 0000104­ 60.2010.4.01.3400/DF;  TRF,  3°  Região,  AI  n°  0005158­60.2013.4.03.0000/SP;  e  TRF,  1°  Região, AMS n° 0052759­36.2011.4.01.3800/MG).   Em  linhas  gerais,  as  decisões  do  STJ  consignam  que  as  incidências  do  IPI  previstas  nos  acima  reproduzidos  incisos  I  e  II  do CTN  seriam  excludentes,  isto  é,  ou  recai  sobre o desembaraço aduaneiro, ou sobre a revenda no mercado interno. A cobrança nas duas  etapas faria ocorrer o fenômeno da bitributação.  Apesar  de  reconhecer  que  as  decisões  do  STJ mencionadas  não  tem  poder  vinculante, reproduz ementa de julgado daquela corte (STJ / EREsp n° 228.432/RS), em que o  Ministro­Relator aborda a questão da importância de as decisões do STJ serem observadas por  tribunais inferiores.  Inicialmente, cumpre informar que a constitucionalidade da incidência do IPI  na operação de revenda de produto importado no mercado interno está sendo discutida no STF,  em sede do RE n° 946.648, que teve reconhecida sua repercussão geral. O argumento é o de  que  há  ofensa  ao  princípio  da  isonomia,  previsto  no  inciso  II  do  art.  150  da  Constituição  Federal,  pois  estaria  gerando  oneração  excessiva  ao  importador  em  relação  ao  industrial  nacional.  Contudo,  não  podemos  adentrar  nesta  discussão,  pois  não  se  encontra  no  escopo deste  colegiado afastar a aplicação de  lei,  sob o  fundamento de  inconstitucionalidade  (art. 62 da Portaria MF n° 343/15 ­ RICARF).  A incidência do IPI sobre a revenda de produtos importados está prevista nos  artigos  8°,  9°  e  34  do  RIPI/2002  (Decreto  n°  4.544/2002),  em  vigor  até  15/06/2010,  e  nos  artigos 8°, 9° e 35 do RIPI/2010 (Decreto n° 7.212/2010), que regulamentam dispositivos da  Lei n° 4.502/1964:  "Estabelecimento Industrial  Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 476          8 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das  operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado,  ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art.  3º).  Estabelecimentos Equiparados a Industrial  Art. 9º Equiparam­se a estabelecimento industrial:  I  ­  os  estabelecimentos  importadores  de  produtos  de  procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei  nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I);  (. . .)  Art. 34. Fato gerador do imposto é  (Lei nº 4.502, de 1964, art.  2º):  (. . .)  II  ­  a  saída  de  produto  do  estabelecimento  industrial,  ou  equiparado a industrial.  " (g.n.)  Reputo crucial reproduzir os incisos I e II do art. 4° da Lei n° 4.502/64, onde  se  encontra  o  fundamento  legal  da  equiparação  a  industrial  daquele  que  revender  produto  importado no mercado nacional:  "Art  .  4º Equiparam­se a  estabelecimento produtor,  para  todos  os efeitos desta Lei:  I  ­  os  importadores  e  os  arrematantes  de  produtos  de  procedência estrangeira;  II  ­  as  filiais  e  demais  estabelecimentos  que  exercerem  o  comércio de produtos importados, industrializados ou mandados  industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  (. . .)"  A meu ver, não há conflito entre os art. 4° da Lei n° 4.502/64 e incisos I e II  do CTN. Assim, devem ser aplicados os artigos 8°, 9° e 34 do RIPI/2002 (artigos 8°, 9° e 35 do  RIPI/20), que determinam a incidência do IPI sobre a revenda no mercado interno de produtos  importados.   Destaco  que  entendimento  diverso  significaria,  necessariamente,  deixar  de  observar dispositivo legal, o que nos é vedado, pelo já citado art. 62 do RICARF.  Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira  Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13603.721301/2014­37  Acórdão n.º 3301­004.128  S3­C3T1  Fl. 477          9                                 Fl. 477DF CARF MF

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