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Numero do processo: 11330.000972/2007-63
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO: GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação, passível de autuação.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I- excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II- aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogado Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO: GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação, passível de autuação. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; II aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogado Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 09 72 /2 00 7- 63 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 573 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 574 3 . Relatório Tratase de auto de infração, AI n° 37.059.5785 (CFL 68), de 31/05/2007, por omissão ou informação a menor das remunerações pagas pela empresa aos seus empregados e contribuintes individuais, prestadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, ensejando a lavratura da autuação, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e § 5o, também acrescentado pela Lei 9.528 de 10/12/1997 combinado com art 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Os cálculos estão demonstrados na planilha "Cálculo de Valor da Multa e Quantidade de Segurados por Competência", anexos aos autos. O sujeito passivo foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. O órgão julgador de primeiro grau administrativo emitiu decisão considerando o lançamento fiscal procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão, irresignado apresentou Recurso Voluntário, argumentando em síntese: a autuação foi lavrada após o termino do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal "MPF" e deve ser cancelada; a decadência parcial da autuação; não é possível exigir da recorrente multa formal pela apresentação das GFIP's com erros de preenchimento e, ao mesmo tempo, cobrar os valores supostamente devidos a titulo de contribuição previdenciária propriamente dita; a legislação aplicada é ilegal e inconstitucional. o cálculo da multa aplicada deveria ser único e não por competência; por fim, requer o cancelamento da autuação fiscal. É o Relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 575 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de lima. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, desse modo será analisado. DA DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em concreto, tratase de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores), período de 05/2000 a 12/2003 (planilha, fl. 101). Destarte, deve ser aplicada a regra Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 576 5 do art. 173, inciso I, do CTN. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal em 04/06/2007 (fl. 2 dos autos digitalizados). REGRA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Destarte, as competências lançadas para o período de 05/2000 a 11/2001, inclusive, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial. A contar de 01/01/2002 fluiria o prazo final para o lançamento fiscal em 31/12/2006. A ciência do contribuinte se deu em 04/06/2007. A competência 12/2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento do prazo legal para cumprimento da obrigação, ou seja, em janeiro de 2002; assim o prazo decadencial, para esta competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, o qual findaria em 31 de dezembro de 2007. O contribuinte foi cientificado da notificação fiscal em 04/06/2007. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ quando decidiu quanto a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, para a competência dezembro: Processo : EEARES 200401099782EEARES – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 674497 , Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES ,Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/02/2010 Decisão : Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN.DECADÊNCIA.ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 577 6 em questão são relativos ao períodode1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partirdejaneirode1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Data da Decisão 09/02/2010 , Data da Publicação 26/02/2010 Destarte, encontramse abrangido pela fluência do prazo decadencial as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. art. 173, inciso I do CTN. MPF Consta nos autos demonstrativo de emissão e prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (fl. 14) com validade até 28/07/2007, portanto a autuação está coberta pelo prazo de validade do MPF. O contribuinte tem acesso pela internet para verificar o controle das prorrogações do MPF. A prorrogação do MPF está disciplinada no art. 13 da Portaria RFB 4.066 de 02 de maio de 2007. Ademais, de acordo com o disposto no Enunciado nº 25 do CRPS, não há ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete reduzir o alcance de tal dispositivo. Enunciado Nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Desse modo, a autuação foi lavrada dentro do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA TRIBUTÁRIA Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 578 7 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária, nos termos dos artigos 114 e 155 do CTN, respectivamente. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. A multa decorrente do descumprimento da obrigação principal está prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. De outro modo, a multa por descumprimento de obrigação acessória, no caso em comento, está prevista no art. 32, IV, e § 5o, da Lei 8.212/91. Portanto, multas distintas, com capitulação legal distintas, sendo suas exigências válidas no ordenamento jurídico brasileiro. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A multa aplicada na autuação fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado nos Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada ilegal, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n° 2 do CARF: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 579 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO POR COMPETÊNCIA DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. O contribuinte é sabedor de que a GFIP deve ser apresentada mensalmente, assim, se existe incorreções em vários meses o cálculo da multa deve ser feito por mês apresentado incorretamente, tanto quantos estiverem com incorreções. Desse modo, é de difícil compreensão escolher apenas uma competência para efetuar o cálculo da multa, porquanto subestimado o valor. A autuação fiscal é única e compreende o cálculo das competências em que a GFIP foi apresentada com incorreção. O respaldo legal e normativo é o art. art. 32, IV, e §§ 3o, 4o. e 5o, da Lei 8.212/91 c/c o art. 647 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14/07/2005, A recorrente não contestou diretamente os levantamentos que resultaram nos cálculos da multa da autuação fiscal. Assim, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto 70. 235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no âmbito federal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas em GFIP foram alteradas pela lei 11.941/09, que beneficiam a recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 580 9 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei 8.212 de 1991. Agora, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para: I excluir da autuação fiscal as competências 05/2000 a 11/2001, inclusive, em razão da decadência pela regra do art. 173, inciso I do CTN; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.000972/200763 Acórdão n.º 2803003.756 S2TE03 Fl. 581 10 II aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. . Fl. 581DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10552.000433/2007-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 33 /2 00 7- 57 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. 2 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 097, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 081, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2005 GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 7º, da Lei n. 8.212/1991, e 225, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustando se ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009) APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio. Recurso Voluntário Provido em Parte 3 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), de retificar a decisão recorrida e a NFLD objeto do presente processo administrativo no sentido que a multa moratória que deve ser aplicada sobre os créditos lançados é a disposta no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Em síntese, o litígio em questão trata de forma de aplicação da regra de retroatividade da lei, determinada pelo art. 106 do CTN, em lançamento de obrigação tributária principal. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que a decisão foi equivocada e solicita que a multa deve ser mantida, mas limitada em 75% (setenta e cinco por cento). Por despacho, fls. 0284, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, que seja improvido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. 4 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 5 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 6 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. 7 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. 8 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, e dou razão à recorrente nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira 9 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10675.906644/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2004
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 66 44 /2 00 9- 71 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 265 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 266 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 267 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 268 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 269 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 270 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 271 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 272 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 273 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 274 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 275 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 276 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 277 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 278 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 279 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 280 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 281 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 282 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 283 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 284 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 285 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 286 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 287 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 288 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 289 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.906644/200971 Acórdão n.º 9303002.975 CSRFT3 Fl. 290 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10746.904187/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 7/ 20 12 -0 2 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.836, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904187/201202 Resolução nº 3803000.561 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000335/00-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1994, 1995
VALORES EM MOEDA ESTRANGEIRA NÃO INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INAPTIDÃO PARA CONFIGURAR ORIGEM DE RECURSOS EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO,
A posse de valores em moeda estrangeira, não estando informada nas DIRPF, nem comprovada por eventuais outros meios, não se traduz em fonte de recursos apta a justificar acréscimo patrimonial a descoberto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INAPTIDÃO PARA CONFIGURAR ORIGEM DE RECURSOS EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, A posse de valores em moeda estrangeira, não estando informada nas DIRPF, nem comprovada por eventuais outros meios, não se traduz em fonte de recursos apta a justificar acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 03 35 /0 0- 71 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 23.435,31 relativo aos anoscalendário 1994 e 1995. A autuação decorreu da constatação de acréscimo patrimonial a descoberto, tendo em vista o excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, nos períodos examinados. Registrese que as aplicações em comento se referem a pagamentos efetuados à construtora Encol S/A. naqueles anos, bem como à aquisição de um veículo em 1995, constante na declaração de bens pelo valor de R$ 34.077,39. Em sua impugnação o contribuinte alegou, em síntese, ter ocorrido a decadência no tocante aos meses de 1994, e que os rendimentos juntados atestam a inexistência do acréscimo patrimonial a descoberto (fls. 38/50). Mantida a autuação pela DRJ/SP2 (fls. 60/68), o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 78/117), deduzindo as seguintes razões: preliminarmente, pugnou pela declaração da decadência em relação à exação do anocalendário 1994, pois, na espécie, tratase de lançamento por homologação, incidindo a regra do art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional; o acréscimo patrimonial a descoberto não existiu, pois os pagamentos feitos a Encol S/A. deramse com recursos em espécie recebidos do Club Atlético Green Gross, no Equador, quando o recorrente laborou como jogador profissional de futebol. Juntou declaração emitida pelo clube de futebol equatoriano, na qual é afirmado que o recorrente foi jogador de futebol do clube no período de 02/92 a 11/92, lá percebendo, nesse período laboral, a quantia de trinta e cinco mil dólares norteamericanos; os contribuintes não estão obrigados a fazer declaração de bens mensal para que o Fisco apure acréscimo patrimonial e "carneleão"; o acréscimo patrimonial somente poderia ser feito em bases anuais, não tendo amparo legal o acréscimo patrimonial feito mensalmente; não há dúvida de que não houve acréscimo patrimonial a descoberto; que é inadmissível o entendimento do fisco de que o imposto devido deveria ter sido recolhido sob a forma de carnêleão e, ainda, é defeso ao fisco a apuração mensal para verificação do acréscimo patrimonial a descoberto; no pertinente ao veículo constante da declaração de bens, no valor de R$ 34.077,99, o lançamento no fluxo de caixa está errado, pois o recorrente o financiou junto ao banco América do Sul, contraindo um empréstimo no valor de R$ 21.000,00, e este não foi considerado no fluxo de caixa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13830.000335/0071 Acórdão n.º 2802003.153 S2TE02 Fl. 203 3 O recurso foi julgado pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 6/3/2008, que considerou decaído o lançamento relativo ao anocalendário 1994, mantendo a autuação quanto ao anocalendário 1995. Esse entendimento foi sumarizado no acórdão de nº 10616.790, assim ementado (fls. 121/132): IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APD ANOCALENDÁRIO 1994 FATO GERADOR COMPLEXIVO QUE SE APERFEIÇOOU EM 31/12/1994 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO QÜINQÜÊNIO DECADENCIAL CONTADO A PARTIR DO FATO GERADOR LANÇAMENTO EFETUADO APÓS CINCO ANOS DO FATO GERADOR CADUCIDADE A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. Os rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, estão sujeitos incidência do imposto de renda e ao ajuste anual. Na "espécie, o fato gerador é considerado ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Tal imposto se enquadra na moldura do lançamento por homologação. Para esse, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador. 0 lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto. VALORES EM ESPÉCIE COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA AUSÊNCIA DE REGISTRO DOS VALORES NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL IMPOSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO COMO FONTE DE RECURSOS Não basta simplesmente afirmar que detinha valores em espécie, a justificar os excessos de aplicações sobre as fontes de recursos em fluxo de caixa que' apurou acréscimo patrimonial a descoberto. Mister que tais valores constem nas declarações de imposto de renda do recorrente, como bens e direito, para que, então, possam ser utilizados como fonte de recursos no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto. AQUISIÇÃO DE BEM QUE IMPLICOU EM ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EMPRÉSTIMO BANCÁRIO CONSIDERAÇÃO NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 0 empréstimo bancário foi considerado no• fluxo de caixa como fonte de recursos. A Fazenda Nacional, inconformada, interpôs recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), arrazoando que, como não houve recolhimento do tributo, o prazo decadencial no caso regese pelo art. 173, I do Código Tributário Nacional e não pelo art. 150, § 4º desse diploma., motivo pelo qual não há falar em decadência relativamente ao ano de 1994. A CSRF, comungando com esse entendimento, deu provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao CARF para apreciação das demais matérias Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 constantes do recurso voluntário do contribuinte, sendo o feito redistribuído para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Observo, inicialmente, que o recurso especial interposto não abrangeu o lançamento atinente ao anocalendário 1995, quedando incontroverso o respectivo julgamento de mérito consubstanciado no acórdão nº 10616.790, e portanto, restando mantida a autuação referente ao exercício de 1996. Cabe apreciar, então, os argumentos de mérito levantados pelo contribuinte quanto ao lançamento do imposto de renda de pessoa física do anocalendário 1994, não abordados por aquela decisão face ao reconhecimento, já superado pela CSRF, como visto, da decadência para esse ano. No que diz respeito às questões de natureza predominantemente jurídica, reproduzo excerto da precitada decisão de recurso voluntário, que enfrenta com percuciência essas questões, motivo pelo qual passa, com a devida vênia, a integrar a fundamentação deste Voto: Relacionamos os três pontos aventados pelo recorrente: I. os contribuintes não estão obrigados a fazer declaração de bens mensal para que o Fisco apure acréscimo patrimonial e "carnêleão"; II. o acréscimo patrimonial somente poderia ser feito em bases anuais, não tendo qualquer amparo legal o acréscimo patrimonial feito mensalmente; III. não há dúvida que não houve acréscimo patrimonial a descoberto; que é inadmissível o entendimento do fisco de que o imposto devido deveria ter sido recolhido sob a forma de carnêleão, e, ainda, é defeso ao fisco a apuração mensal para verificação do acréscimo patrimonial a descoberto. Primeiramente, esclareçase que não foi imputado ao recorrente qualquer ônus a titulo de carnêleão. Apenas, montouse um fluxo de caixa mensal, indicando os meses em que houve excesso de aplicação em face das fontes de recursos, a indicar acréscimo patrimonial a descoberto em determinados meses, o que é uma presunção legal relativa de omissão de rendimento (fls. 28 e 29). Segue a legislação reitora da controvérsia: Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13830.000335/0071 Acórdão n.º 2802003.153 S2TE02 Fl. 204 5 (...) II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei nº 7.713, de 1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º a 6º omissis". Lei nº 8.134, de1990: "Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (...) Art. 9° As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. Parágrafo único. A declaração, em modelo aprovado pelo Departamento da Receita Federal, deverá ser apresentada até o dia vinte e cinco do mês de abril do ano subseqüente ao da percepção dos rendimentos ou ganhos de capital. Primeiramente, percebese que foi a Lei n° 8.134/90 que introduziu a declaração de ajuste anual da pessoa física nos moldes hoje em curso. Em todo caso, permanece intocável .a sistemática de apuração mensal do imposto, na forma do ainda vigente art. 2° da Lei nº 7.713/88, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Antes de prosseguir, um pequeno apanhado doutrinário sobre a classificação dos fatos geradores quanto a sua forma de exteriorização. Por essa classificação, o fato gerador pode ser instantâneo, que se exterioriza por um fato único (como a saída do produto do estabelecimento para o IPI), complexivo ou periódico, que se exterioriza por uma série de fatos econômicos e se aperfeiçoa em um único momento (como exemplo, o imposto de renda), e continuado, que se exterioriza por uma situação de fato, de caráter continuo, que se renova em determinado período de tempo (como o IPTU). Como antes já dito, não há dúvida de que o fato gerador do imposto de renda sobre rendimentos passíveis de ajuste anual é complexivo. Contudo, embora sendo o fato gerador anual, o imposto é devido mensalmente, na forma do art. 2° da Lei n° 7.713/88. Quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos do art. 9 ° da Lei n° 8.134/90, apurarseá o valor em definitivo, abatidas todas as antecipações efetuadas no decorrer do anocalendário. Atentese que..as infrações relativas à omissão de rendimentos são apuradas mensalmente, como ocorre, por exemplo, com os rendimentos omitidos que justificam o excesso de aplicação sobre as fontes de recurso, porém o total da omissão é acrescido aos rendimentos oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual, tudo sendo submetido às alíquotas da tabela progressiva. Assim, não há que se falar em fato gerador mensal, já que os rendimentos oferecidos à tributação e os omitidos (no caso vertente, os valores que representam o excesso de aplicação sobre as fontes de rendimentos no fluxo de caixa) aperfeiçoam o fato gerador complexivo do imposto de renda em 31/12. No caso concreto aqui em debate, apesar de a autoridade lançadora ter discriminado os meses da ocorrência do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os rendimentos foram colacionados àqueles já ofertados na declaração de ajuste anual (fls. 05 e 06). Aqui, vale ressaltar que sob a égide primitiva da Lei n° 7.713/88, que introduziu na legislação do imposto de renda o sistema de bases correntes, o fato gerador foi mensal apenas para o anocalendário 1989. 0 imposto era apurado mensalmente, e as pessoas físicas pagavam, mensalmente, com base nessa apuração. Porém, a partir do anocalendário 1990, a Lei n° 8.134/90 introduziu a declaração de ajuste anual, e o fato gerador passou a ser anual, porém manteve a tributação dos rendimentos a medida de sua percepção. Por tudo, vêse que a questão da apuração mensal da omissão de rendimentos exteriorizada no fluxo de caixa que indicou o acréscimo patrimonial a descoberto obedeceu à sistemática das Leis n° 7.713/88 e 8.134/90, à medida da percepção dos rendimentos que representam os excessos de aplicação em face das fontes, sendo, ao final, tudo colacionado aos rendimentos tributáveis no ajuste anual. Assim, sem razão o recorrente, sendo absolutamente hígido o fluxo de caixa de fls. 28 e 29, que indicou os meses em que as aplicações de recursos excederam as fontes, a indicar a existência de rendimentos omitidos. No pertinente às razões de fato levantadas para infirmar a apuração de variação patrimonial a descoberto no anocalendário 1994, melhor sorte não favorece o contribuinte. É alegado, em resumo, que os pagamentos à Encol S/A. se deram com a utilização de valor de saldo remanescente de quantia recebida durante o período em que o recorrente trabalhou como jogador profissional de futebol no Club Atlético Green Cross do Equador (US$ 35.000,00), conforme documentos de fls. 21, 23 e 30. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13830.000335/0071 Acórdão n.º 2802003.153 S2TE02 Fl. 205 7 A declaração do referido clube (fl. 23) apenas descreve determinados acontecimentos passados, no caso, a suposta percepção do numerário acima referido, entretanto, é apta tão somente a comprovar a declaração em si, mas não a veracidade das informações nela consignadas, a teor do disposto nos arts. 368 e 373 do Código de Processo Civil. Já as narrativas de fls. 21 e 30, sendo informações de lavra do próprio interessado, desacompanhadas de quaisquer documentos que as corroborem, mais precárias ainda se configuram provas hábeis a comprovar a versão dos fatos ventilada. Há inclusive, clara divergência entre tal versão e o informado pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual, nas quais menção sequer existe da propriedade de tal quantia de moeda estrangeira em espécie, que, em tese, poderia ter respaldado as aplicações de recursos apuradas pela fiscalização. Assim, face à ausência de prova que ampare as alegações do contribuinte, de nenhum reparo carece a autuação. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a autuação relativa ao anocalendário 1994. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15971.000777/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 07/02/2002
EXCLUSÃO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Cláusulas isoladas tratando da possibilidade de fiscalização e controle indireto pela contratante sobre os serviços contratados não caracterizam locação da mão de obra quando ausentes provas contundentes do efetivo comando sobre o pessoal empregado na execução dos serviços prestados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 07/02/2002 EXCLUSÃO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE PROVA. Cláusulas isoladas tratando da possibilidade de fiscalização e controle indireto pela contratante sobre os serviços contratados não caracterizam locação da mão de obra quando ausentes provas contundentes do efetivo comando sobre o pessoal empregado na execução dos serviços prestados. Recurso Voluntário Provido
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Exclusão. Recorrente ECO SAFRA SOCIEDADE SIMPLES EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/02/2002 NULIDADE. MÉRITO. POSSÍVEL DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Apesar de caracterizada a omissão da decisão recorrida na apreciação de argumentos que lhe foram opostos, em consonância com o determinado no § 3º do artigo 59 do PAF, o julgamento em segunda instância não pronunciará sua nulidade quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 07/02/2002 EXCLUSÃO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE PROVA. Cláusulas isoladas tratando da possibilidade de fiscalização e controle indireto pela contratante sobre os serviços contratados não caracterizam locação da mão de obra quando ausentes provas contundentes do efetivo comando sobre o pessoal empregado na execução dos serviços prestados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 07 77 /2 00 7- 49 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 310 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recurso voluntário interposto por ECO SAFRA SOCIEDADE SIMPLES EPP contra acórdão preferido pela DRJ/Ribeirão Preto que concluiu pela procedência da sua exclusão do regime do SIMPLES FEDERAL. A DRF/AraraquaraSP, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 59/2007, determinou a referida exclusão, com efeitos a partir de 07/02/2002, motivada pelas seguintes razões (fls. 68 a 71): O objeto social da empresa é a “atividade rural, serviços de preparo de solo, plantio, cultivo e colheita” e o serviço prestado, conforme declaração do próprio contribuinte, restringese apenas ao corte de canadeaçúcar mecanizado para destilarias; Esses serviços, por si só, não seriam impeditivos à opção pelo SIMPLES. A análise dos contratos de prestação de serviço firmados com a COMPANHIA MULLER DE BEBIDAS (contratante) revela que o seu objeto é a “prestação de serviços de colheita mecanizada de cana para a safra, em áreas de propriedade da contratante, bem assim naquelas objeto de parceria agrícola ou arrendamento rural, feitas em seu nome ou em nome de terceiros, porém com o seu compromisso para a compra da cana colhida”. A cláusula que melhor define a forma de execução dos serviços é a cláusula 3ª, onde está esboçado que “a execução dos serviços objeto deste contrato, será fiscalizada e controlada por representantes devidamente habilitados da contratante, devendo os profissionais envolvidos na execução dos trabalhos, acatarem e implementarem todas as recomendações emanadas”. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 311 3 A partir da leitura detalhada dos contratos de prestação de serviços fica evidente a ocorrência de locação de mão de obra. Suas cláusulas 4 (“é responsabilidade da contratada a qualidade da mãodeobra por ela fornecida, obrigandose ainda a registrar todos os empregados utilizados na prestação de serviços”) e 5 (“a contratada assume integralmente a responsabilidade por todos os salários e encargos trabalhistas, previdenciários, securitários e infortunísticas dos empregados utilizados na prestação dos serviços, obrigandose, ainda por todas as despesas daí decorrentes”) encaixamse perfeitamente no conceito de locação de mão de obra estabelecido pelo Parecer Cosit nº 69/99. A vedação desse tipo de serviço à opção pelo SIMPLES está enquadrada na alínea “f” do inciso XII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. Os efeitos da exclusão ocorrerá desde a opção, em 07/02/2002, tendo em vista execução de serviços incompatíveis desde a constituição da empresa, de acordo com o artigo 24, IX, da IN/SRF nº 608/2006. O teor das alegações deduzidas na manifestação de inconformidade foi melhor sintetizado no recurso voluntário, como a seguir transcrito: a) Que a controvérsia se resumia à natureza jurídica dos serviços prestados pela manifestante. b) Que há diferenças claras entre prestação de serviços especializados de colheita mecanizada de cana, e locação de mão de obra. A colheita da safra do ano, mecanicamente, é serviço determinado. A contratada é responsável pelo resultado dos serviços. Na locação de mão de obra o que se contrata são pessoas com intermediação da empresa locadora. As pessoas são colocadas a serviço da locatária e os serviços são genericamente descritos. c) Havia uma estrutura operacional (maquinário) necessário para o serviço, que era de propriedade da contratada, e sob sua inteira responsabilidade. Na locação de mão de obra, a estrutura operacional é de propriedade e responsabilidade da locatária. d) Na prestação de serviços não há obrigação da contratada fornecer determinada pessoa, mas qualquer pessoa (não há pessoalidade dos obreiros). A contratada é quem comanda seus empregados. Na locação de mão de obra, a locadora é responsável apenas pelo vínculo empregatício, mas os funcionários ficam à disposição da tomadora da mão de obra. e) E uma outra diferença diz respeito à formação do preço. Na prestação de serviços, o preço decorre de uma proposta da contratada aí compreendidos vários custos (materiais, equipamentos, mão de obra, etc...) e margem de lucro. Na locação de mão de obra, o contrato estabelece uma obrigação da contratante de reembolsar a contratada apenas dos custos diretos e indiretos com mão de obra, mais um valor relativo à administração. f) Os serviços contratados de colheita mecanizada, demandam que a prestadora dos serviços possua maquinário próprio e específico para tanto, que são as máquinas colhedoras de cana, o que inclusive consta do contrato (cláusula segunda) e da declaração da Cia Muller. Foi anexada a listagem do Ativo Imobilizado da Eco SAFRA e fotografias das máquinas colhedoras de cana e demais equipamentos, além das notas fiscais de reparos das citadas máquinas, faturadas em nome da Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 312 4 Recorrente, o que bem demonstra que não atuava apenas com mão de obra, mas prestava um serviço, onde era detentora de maquinário específico, operado por funcionários da empresa, responsabilizandose por sua movimentação, manutenção e reparo. g) Foi juntada documentação comprobatória do quadro de empregados da Recorrente, composto de um motorista, um mecânico e seis operadores de máquinas agrícolas, uma estrutura bastante singela, pois o elemento fundamental nesse tipo de serviço são as máquinas. Para colher 150 mil toneladas de cana manualmente, por exemplo, seriam necessárias em média 83,3 trabalhadores durante 180 dias, cortando 10 toneladas por dia. A contratada possui apenas 8 empregados. h) Não havia qualquer ingerência no comando dos empregados da contratada. Também é importante frisar que os sócios da contratada sempre estiveram presentes durante os trabalhos (estes são inclusive técnicos em máquinas agrícolas, conforme consta do contrato social da ECO SAFRA), comandando seu pessoal e direcionando os trabalhos e a utilização dos equipamentos, conforme declaração da própria contratante. i) A leitura feita pela fiscalização, da cláusula terceira do contrato de prestação de serviços, isolada das demais clausulas, está equivocada e não deve prevalecer. j) A leitura da cláusula 11ª, onde o preço é cobrado em razão de quantas toneladas de cana são colhidas, bem demonstra que se trata de contrato típico de prestação de serviços, levando em consideração todos os custos e lucro; e não somente custos com mão de obra. 1) Analisandose as planilhas de custos da contratada, anexadas aos contratos, há custos de manutenção, depreciação de maquinário, combustíveis e lubrificantes, administração e mão de obra. Se se tratasse apenas de locação de mão de obra, os custos seriam apenas de salários e encargos de pessoal mais taxa de administração. Na locação de mão de obra, o custo com os empregados é que prevalece, enquanto que no caso deste processo prevalece o maquinário e sua depreciação, e o uso de combustíveis e lubrificantes. m) Foram citados vários julgados administrativos no âmbito da SRF e Conselhos de Contribuintes, além de decisões em processos de Consulta, onde se reafirma que prestação de serviço de mecanização agrícola, com uso de máquinas e implementos agrícolas não se enquadram na vedação ao Simples. Só estariam excluídas empresas que se dedicam à locação, cessão ou empreitada exclusivamente de mão de obra. Colheita mecânica e transporte rural não se confundem com locação de mão de obra. É importante observar se há estrutura operacional própria e responsabilidade pelo resultado dos serviços. n) Para finalizar, na Manifestação de Inconformidade foi solicitada perícia, tendo sido indicado assistente técnico por parte da Recorrente, e elaborados quesitos, para comprovar que inexiste locação de mão de obra. Foram juntados declaração da contratante sobre o fato de que é a Recorrente quem comanda o trabalho e seus funcionários; listagem do ativo imobilizado da Recorrente onde constam as máquinas, veículos e guindastes empregados na prestação dos serviços; fotos desses equipamentos; notas fiscais onde o serviço é calculado por tonelada de cana colhida e onde se indica a proporção do custo da mão de obra no preço total; livro registro de empregados; nota fiscal da alimentação dos empregados cujo custo é arcado pela Recorrente; comprovante de endereço de sócio da Recorrente que reside na região da Cia Muller de Bebidas; e planilha utilizada para especificação do preço do serviço;:dentre outros documentos. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 313 5 A 6ª Turma da já mencionada DRJ/Ribeirão Preto proferiu, então, o Acórdão nº 1422.645 (fls. 195 a 198), de 18 de março de 2009, por meio do qual indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Suas razões de decidir foram as mesmas suscitadas pela unidade de origem. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 202 a 235) no qual inicia por descrever as características dos serviços contratados que já haviam sido externadas na manifestação de inconformidade e que podiam ser comprovadas na farta documentação juntada aos autos. Depois, em síntese, acrescentou os seguintes argumentos: Preliminarmente, devese declarar a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa uma vez que ela ignorou todas suas alegações. A DRJ silenciou sobre as cláusulas que melhor definem o contrato. Há que se interpretar os contratos de forma a privilegiar a intenção das partes. A declaração da contratante, juntada na manifestação de inconformidade, foi ignorada. Se houvesse dúvidas quanto aos termos do contrato, haveria que se deferir o seu pedido subsidiário de perícia. A jurisprudência administrativa é unânime em anular decisões com caráter de cerceamento do direito de defesa. A análise global das cláusulas inseridas nos contratos firmados com a COMPANHIA MULLER DE BEBIDAS e aos demais documentos carreados ao processo revelam que aqueles se tratam de contratos de empreitada. Não se caracterizam como locação de mão de obra na forma como definida no Parecer Cosit nº 69/99 que fundamentou o ato de exclusão. Cita trechos de julgados administrativos que corroboram seu entendimento. Ao final, pede que seja declarado insubsistente o ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL. Em caráter subsidiário, que seja declarada nula a decisão recorrida que indeferiu o seu pedido de perícia e não se manifestou sobre todos os pontos alegados. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 314 6 Como se vê, a unidade de origem entendeu que a recorrente estaria impedida de optar elo regime do SIMPLES FEDERAL com base na vedação contida na alínea “f” do inciso XII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, verbis: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (grifei) Sua convicção foi motivada pelo conteúdo do que foi estabelecido nas 3ª, 4ª e 5ª cláusulas dos contratos de prestação de serviços firmados com a empresa COMPANHIA MULLER DE BEBIDAS vigentes nos períodos de colheita de canadeaçúcar das safras dos anos de 2002 a 2007 (fls. 30 a 57). Tais cláusulas, essencialmente, continham os trechos a seguir transcritos do contrato referente à safra de 2007 (fls. 49 e 50): Cláusula 3") A execução dos serviços objeto deste contrato, será fiscalizada e controla por representantes devidamente habilitados da CONTRATANTE devendo os profissionais envolvidos na execução dos trabalhos, acatarem e implementarem todas as recomendações emanadas. (...) Cláusula 4°) É de inteira responsabilidade da CONTRATADA, a qualidade da mãodeobra por ela fornecida, obrigandose ainda e expressamente, a registrar todos os empregados utilizados na prestação dos serviços, ficando assegurada a CONTRATANTE, sempre que constar deficiência técnica por parte de qualquer profissional da CONTRATADA, ou cuja permanência seja considerada inconveniente, o direito de pedir, o que será feito por escrito, a sua imediata substituição, obrigandose a CONTRATADA a procedêla. Cláusula 5ª) A CONTRATADA, na qualidade de única empregadora, assume integralmente a responsabilidade por todos os salários e encargos trabalhistas, previdenciários, securitários e infortunísticas dos empregados utilizados na prestação dos serviços objeto deste contrato, obrigandose, ainda, por todas as despesas dai decorrentes. Os acidentes do trabalho envolvendo empregados da CONTRATADA serão de sua única e exclusiva responsabilidade, sendo que responderá exclusivamente nas ações que pretendam o recebimento de indenizações materiais e por danos morais, se for o caso. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 315 7 Apesar de toda a substância das alegações e documentos trazidos na manifestação de inconformidade, a DRJ apenas reproduziu os argumentos utilizados pela unidade de origem sem o efetivo enfrentamento das questões que lhe foram opostas. Só esse fato, já seria suficiente para dar razão à pretensão da recorrente quanto à anulação da decisão proferida pela instância a quo. Nada obstante, em respeito ao § 3º do artigo 59 do PAF (Decreto nº 70.235/72), o qual determina que “quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”, há que se dar prosseguimento ao julgamento. Com efeito, de tudo que consta no processo, verificase que são fracos os argumentos utilizados para impedir a opção da recorrente pelo regime do SIMPLES FEDERAL. As cláusulas 1ª dos diferentes contratos são unânimes em definir seu objeto como a prestação de serviços de colheita mecanizada de cana para as diferentes safras em áreas de propriedade da contratante ou por esta arrendada ou, ainda, estabelecida em parceria. Outrossim, as cláusulas 2ª pressupõem que a recorrente (empresa contratada) está devidamente capacitada, jurídica e tecnicamente, para a execução dos serviços, os quais terão uma duração condicionada ao encerramento da safra. Além disso, os diversos contratos estipulam a remuneração do serviço prestado numa relação de valor em moeda corrente (começando, no ano de 2002, em R$ 5,14, e terminando, no ano de 2007, em R$ 10,99) por tonelada do produto colhido. Segundo a recorrente, toda quinzena, eram elaboradas planilhas das quantidades (tonelagem) de cana colhidas para o cálculo do pagamento referente ao período. Ou seja, numa perfeita sincronia com a natureza do serviço prestado. Não se vislumbra, como seria de se esperar num contrato de locação de mão de obra, qualquer relação direta com a quantidade ou qualificação da mão de obra contratada. Portanto, como alega a recorrente, uma análise global de todas as cláusulas contratuais já coloca em dúvida o enquadramento da situação fática na hipótese legal, qual seja, a de que o serviço contratado corresponderia à mera locação de mão de obra. Isso se confirma até mesmo com a leitura completa do item 4 do ato normativo que foi utilizado pela unidade origem, e repetido pela instância a quo, como fundamento para o ato de exclusão do regime, ou seja, o Parecer Cosit nº 69/99: 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga afazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãodeobra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 316 8 disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. (grifei) Ora, nos dizeres do próprio Parecer, na locação de mão de obra, não há a obrigação de execução da obra completa ou de produção de um resultado determinado. Mas, não é isso que dizem os contratos celebrados pela recorrente. Todos preveem uma obra completa ou um resultado determinado, qual seja, a colheita completa da safra do correspondente ano. Ademais, a recorrente trouxe com suas alegações diversos elementos para descaracterizar o argumento de que o contrato tratou de uma simples locação de mão de obra. Neste sentido, considero relevantes: (i) a declaração da contratante confirmando a natureza do serviço prestado (fls. 143 e 144); (ii) a listagem do seu ativo imobilizado utilizado na atividade de colheita da canadeaçúcar, com cópia dos registros contábeis, bem como cópia de fotos de máquinas colhedoras e demais equipamentos de sua propriedade (fls. 146 a 159 e 236 a 249); (iii) os exemplos de notas fiscais que comprovam sua responsabilidade sobre as despesas de manutenção do maquinário empregado nos serviços prestados (fls. 160 a 170); (iv) a planilha que evidencia a reduzida participação da mão de obra na de composição do preço dos serviços prestados (fls. 189 e 251); e (v) os exemplos de notas fiscais que também evidenciam a reduzida participação da mão de obra na composição do preço dos serviços prestados (fls. 190, 191 e 252 a 275). Afora isso, é bastante plausível a explicação da recorrente para a inclusão das cláusulas contratuais que previam a possibilidade de fiscalização e controle indireto, com possíveis recomendações, da contratante sobre os serviços prestados. Segundo ela, tais cláusulas foram colocadas no contrato apenas para satisfazer a necessidade de cautela manifestada pela contratante quanto à manutenção de um ritmo de trabalho contínuo à colheita. Isso porque a falta de matéria prima (cana picada) poderia trazer sérios prejuízos a sua atividade econômica. A meu ver, essas cláusulas isoladas não podem, de fato, transmutar a natureza dos serviços prestados. Seria necessário uma prova mais contundente do efetivo comando sobre a mão de obra empregada na execução dos serviços. Essa prova indiscutivelmente não foi produzida nos autos. Por fim, vale lembrar que esta mesma Turma Julgadora já se posicionou de forma semelhante em recente julgado, confirase a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. A lei do SIMPLES proíbe a opção pelo sistema por pessoa jurídica que realize operações relativas à prestação de serviço de locação de mãodeobra. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15971.000777/200749 Acórdão n.º 1102001.215 S1C1T2 Fl. 317 9 Na locação de mãodeobra, a locadora assume a obrigação de contratar empregados sob sua exclusiva responsabilidade, que ficarão subordinados hierarquicamente à locatária, que por sua vez determinará e comandará os serviços a serem executados, sendo que a remuneração se dá, em regra, em função das horashomem trabalhadas. Hipótese em que se pretende excluir do SIMPLES empresa com base em contratos que não comprovam que se contratou somente mãodeobra, nem que ela estava subordinada aos desígnios da contratante, nem que o pagamento se dava em horas homem trabalhadas. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 1102000.971, de 07/11/2013, Relator: Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000023/2011-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRRF. Pagamentos sem Causa ou a Beneficiário não Identificado
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Multa Qualificada. Interposição de Pessoas. Simulação
Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Súmula CARF n º 34).
Responsabilidade Solidária
É pacífica a jurisprudência dos Tribunais Superiores, no sentido de que, no caso de dissolução irregular de sociedade, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos devidos pela sociedade é atribuída aos efetivos administradores - no caso, os interponentes ocultos - aqueles que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1801-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SIMULAÇÃO Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Súmula CARF n º 34). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É pacífica a jurisprudência dos Tribunais Superiores, no sentido de que, no caso de dissolução irregular de sociedade, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos devidos pela sociedade é atribuída aos efetivos administradores no caso, os interponentes ocultos aqueles que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 23 /2 01 1- 45 Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório José Ricardo Sossai e outros recorrem a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contra acórdão proferido pela 1a. Turma da DRJ em Curitiba/PR que, de forma unânime, julgou procedente em parte as exigências consubstancias dos autos. Contra a recorrente foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, no valor total de R$ 755.576,69, aí incluídos os valores principais, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta irregularidades apuradas em procedimento fiscal, praticadas nos anos de 2005, 2006 e 2007. Relata a auditoria fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 3.857 e ss), que em 05/04/2002, foi constituída pelos sócios Ivoli Jorge Tempesta e Traude Schutz a empresa El Shaday Transportes Ltda, que tinha por objeto o transporte rodoviário de cargas. Em 31/10/2005 retiraramse da sociedade os sócios originais ingressando no quadro societário Luiz Carlos Chrizosttimo e Elizeu Rodrigues de Mello. Em 19/03/2007 promoveuse distrato social da empresa e a baixa por liquidação voluntária. No decorrer do período a empresa teria apresentado declaração pelo Simples, no ano de 2005, pelo Lucro Presumido, em 2006, e pelo SimplesExtinção, em 2007. O início do procedimento deuse com a intimação por via postal, em 14/05/2010, do atual sóciogerente, Luis Carlos Chrizosttimo. Seguiramse outras intimações de praxe voltadas à esclarecer sua atividade operacional, à movimentação financeira e apresentação de escrituração contábil/fiscal dos anoscalendário 2006 e 2007; a falta de atendimento dessas intimações culminou na lavratura do Termo de Embaraço à Fiscalização. Foram retidos os Livros Diário e Razão, assim como algumas notas fiscais de venda de ativos. Diante da falta de apresentação dos extratos bancários foram emitidas RMF as instituições bancárias. Foram elaborados demonstrativos dos créditos bancários e intimada, a empresa, a justificar a origem dos recursos. Apenas 2 (dois) valores teriam sido comprovados. Relata, ainda, que pelas informações cadastrais obtidas junto às instituições bancárias, apurouse a outorga de poderes para movimentação das contas a terceiros. Assim, as contas junto ao Banco do Brasil e junto ao Bradesco foram movimentadas por Jose Ricardo Sossai e Nivado Braido, com a outorga de Ivoli Jorge Tempesta. Foram efetuadas diversas diligências para identificação da origem e destinação dos recursos movimentados pela pessoa jurídica, identificandose diversos destinatários, que relacionam. A análise pormenorizada do tramite dos recursos apontariam a sua destinação a 3 (três) únicas pessoas: JOSE RICARDO SOSSAI, NIVALDO BRAIDO e IVOLI JORGE TEMPESTA, responsáveis pela movimentação das contas bancárias sendo IVOLI JORGE. TEMPESTA como sócio, e os outros dois na qualidade de procuradores da empresa. Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 3 3 Em depoimento prestado no âmbito de diligência especialmente efetuada junto a Luis Carlos Chrizosttimo, este teria declarado: (i) que ingressou no quadro societário da empresa EL SHADAY em atendimento à solicitação formulada por JOSE RICARDO SOSSAI; (ii) que nunca efetuou nenhum ato de gestão na empresa, muito menos o desembolso de valores para ingressar em seu quadro societário; (iii) que as intimações lavradas pelos auditores em seu desfavor sempre foram entregues a JOSE RICARDO SOSSAI ou ao escritório contábil "GLOBO", os quais incumbiamse de lavrar a resposta e apresentála para sua assinatura; (iv) que desconhece qualquer transação efetuada pela empresa com NILTON GONÇALVES DOS SANTOS. Relata que foi formalizada representação fiscal para exclusão da empresa do Simples, objeto do processo n° 11634.001595/201061, em virtude de indícios de interposição societária fraudulenta, embaraço à fiscalização e prática reiterada de infrações à legislação tributária. O ato declaratório de exclusão não foi contestado o que tornou definitiva a exclusão, obrigando a tributação de seus resultados pelo lucro real. A inexistência de escrituração fiscal regular levou ao arbitramento dos lucros. A totalidade dos depósitos bancários de origem não comprovada foi considerada receita omitida por presunção, com exceção do ano de 2005, em que houve a apresentação de DCTF, DIPJ e DACON. Nesse ano as exigências foram calculadas sobre a diferença entre os créditos bancários não comprovados e as receitas declaradas. Assim, foram constituídos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Apurou, ainda, a auditoria fiscal, que o valor de R$ 140.000,00 recebido pela empresa por conta do contrato de arrendamento mercantil contratado com o Banco Safra, teria sido transferido para uma conta de terceiros, não lançada na escrituração e cuja fundamentação econômica não foi comprovada e/ou identificada. Da mesma forma os diversos saques em espécie, realizados entre os dias 02 e 12 de fevereiro de 2007, na conta do Banco Bradesco, cuja destinação não restou comprovada pelo responsável pelas operações, sr. NIVALDO BRAIDO, evidenciou o intuito de dissimular a destinação dos recursos. Assim, o pagamento efetuado a NILTON GONÇALVES DOS SANTOS e os saques, em espécie efetuados por NIVALDO BRAIDO, foram reputados pagamentos a beneficiários não identificados, exigindo se o IRRF na alíquota de 35%, sobre os valores reajustados, demonstrados à efl. 3.979. A dissolução da empresa foi considerada irregular pela auditoria fiscal, já que não teriam sido quitadas todas as obrigações fiscais no momento da extinção, assim como pela constatação de interposta pessoa no quadro societário Luis Carlos Chrizosttimo para dissimular o emprego dos recursos financeiros da empresa para pagamento de despesas, direta ou indiretamente, de responsabilidade dos contribuintes JOSE RICARDO SOSSAI, NIVALDO BRAIDO e IVOLI JORGE TEMPESTA. Entendeu a auditoria que as pessoas físicas retronominadas exerceram de fato a gestão da empresa, movimentando sua conta bancária e executando os demais atos de gestão; com exceção de alguns períodos em que IVOLI JORGE TEMPESTA e NIVALDO BRAIDO formalmente constaram de seu quadro societário, agiram com tais poderes de forma velada, constatada apenas por meio da ação fiscal, o que levou a responsabilização solidária pelo crédito tributário de JOSE RICARDO SOSSAI, NIVALDO BRAIDO e IVOLI JORGE TEMPESTA, conforme artigos 124 e 135 do CTN, cientificandoos dos Termos de Sujeição Passiva Solidária Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A multa de ofício foi qualificada pelo intuito de fraude e formalizada representação fiscal para fins penais. Os interessados foram cientificados do lançamento nas seguintes datas: a) José Ricardo Sossai, em 31/01/2011 (fls. 3.264); b) Ivoli Jorge Tempesta, em 01/02/2011 (fls. 3.265); e c) Nivaldo Braido, em 31/01/2011 (fls. 3.266) e protocolaram, em 28/02/2011, a impugnação de fls. 3.2693.306. Em preliminares alegaram a decadência dos lançamentos dos anos de 2005 e 2006. No mérito, quanto a tributação sobre pagamentos a beneficiários não identificados, afirmaram que os autuantes deixaram de intimar todos os impugnantes para comprovação da origem e destino dos recursos, mormente no ano de 2007. E acrescentaram: a) que não houve pagamento da pessoa jurídica El Shaday a beneficiário não identificado; b) que os valores creditados na conta corrente da extinta El Shaday foram de vendas de caminhões que, por estarem vinculados a instituições bancárias, tiveram seus recursos liberados somente em nome da empresa; c) que os cadastros bancários, bem como o cadastro junto ao Detran, nunca foram alterados, necessitando sempre a assinatura dos exsócios, já que eram caminhões adquiridos nos anos de 2003/2004 e 2005; d) a baixa da El Shaday junto aos órgãos Municipal, Estadual e Federal, se deu dentro da lei; e) o sócio liquidante, Sr. Luiz Carlos Chrizosttimo, outorgou procuração ao Sr. Nivaldo Braido para que este, investido de poderes, pudesse liquidar ativos e passivos porventura supervenientes f) os valores sacados na conta corrente da extinta El Shaday, foram oriundos da Cia Itaú Leasing de Arrendamento Mercantil; g) as retiradas da conta corrente foram para pessoas identificadas. Discorreram sobre o conteúdo do art. 142 do Código Tributário Nacional, enfatizando a necessidade de correta identificação do sujeito passivo. Transcreveram a Súmula n° 29 do CARF e alegam que, embora fossem intimadas várias pessoas, tais como Ricardo (este de alguns atos fiscais) e Braido, não foram intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários o impugnante Ivoli Jorge Tempesta e os demais participantes da sociedade: Traude Schutz, Luiz Carlos Chrizosttimo e Elizeu Rodrigues de Mello. Adicionam que essa intimação poderia consolidar e validar o ato fiscal, e que seria imprescindível porquanto, a teor da aludida súmula, todos os cotitulares das contas devem ser intimados, sendo que, por cotitulares, pode se entender todos os que participaram na sociedade. Afirmaram que a empresa El Shaday foi regularmente baixada e não existiram despesas estranhas ao seu objeto social, para concluir que as pessoas físicas dos Srs. Braido e Ivoli só seriam responsabilizados pelas dividas tributárias da pessoa jurídica se optassem por parcelar a divida em nome próprio e que jamais poderiam ser automaticamente responsabilizados pela fiscalização. Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 4 5 Asseveraram que, pela nova legislação, os sócios ou administradores só responderão nos atos que intervierem, corroborando o prescrito no art. 134 do CTN, e que, nessa perspectiva, os senhores Ricardo e Ivoli estariam fora do auto de infração Argumentaram que movimentação bancária não é base de cálculo para as exações lançadas e que não poderia ter sido formalizado o arbitramento, porquanto sua contabilidade não seria imprestável, comprovado pelas cópia dos livros que anexam. Taxaram de absurda a exigência por violar a capacidade contributiva e qualificaram de confiscatória a multa exigida. Consideraram ilegal os juros calculados com base na Selic. Invocaram o cerceamento de defesa em face de diligências promovidas junto a terceiros, sem seu conhecimento e reclamaram o cancelamento do ato de exclusão do simples que consideraram eivado de vícios A Turma Julgadora de 1a. Instância declarou a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas aos 1o., 2o. e 3o. trimestres de 2005, de PIS e COFINS relativamente aos meses de janeiro a novembro de 2005 e de IRRF relativamente ao fato gerador 03/05/2005, ainda que considerada a regra de contagem prevista no art. 173 do CTN, pela configuração do evidente intuito de fraude. Observou aquela autoridade que a recorrente se encontra definitivamente excluída do Simples por não ter se manifestado, a tempo, do ato de exclusão. Afastou as alegações de cerceamento de defesa e de desobediência ao art. 142 do CTN. Qualificou de irregular a desconstituição da pessoa jurídica e entendeu simulada a cessão de quotas dos antigos sócios, Traude Schutz Tempesta e Nivaldo Braido para Luiz Carlos Chrizosttimo e Elizeu Rodrigues de Mello. Apoiandose nas conclusões da auditoria fiscal confirmou a responsabilidade solidária dos impugnantes. Quanto ao mérito, enfatizou que o art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996, que autoriza a presunção legal de omissão de receitas formulada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, determina que haja intimação regular prévia do titular dos recursos para comprovação da origem dos valores. No caso dos autos, no entanto, a intimação prévia não foi regular, visto que encaminhada a pessoa que não era o sócio de fato da empresa, sr Luiz Carlos Chrizosttimo, último gestor da titular da conta, condição veementemente contestada pelo próprio Fisco. Observou que foi solicitada à Seção de Fiscalização que promovesse a intimação dos responsáveis tributários para, querendo, comprovassem a origem dos recursos qualificados como receitas omitidas, o que foi recusado. Considerou, assim, que, sobre um mesmo fato, o Fisco aplicou interpretações que levam a conclusões opostas. É o que se verifica dos seguintes trechos: Como se constata, o Fisco sustenta que: (i) ao promover a intimação na pessoa do Sr. Luiz Carlos Chrizosttimo, a pessoa jurídica teria sido intimada; (ii) e que essa intimação seria regular pelo fato de o mesmo ter Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 figurado como administrador em alteração contratual levada a registro público. E isso porque o ato inscrito no registro público goza da presunção de autenticidade, até prova em contrário. Em outras palavras, até onde alcanço, o Fisco está a sustentar que, à mingua de provas em contrario, ha que prevalecer a presunção de que o Sr. Luiz Carlos Chrizosttimo não apenas participou efetivamente da pessoa jurídica El Shaday, como respondeu por sua administração. Mas isso apenas para fins de aperfeiçoamento da intimação, como requisito ao surgimento da presunção legal. Ao mesmo tempo, também afirma que sobejam provas de que o mesmo Sr. Luiz Carlos Chrizosttimo jamais participou efetivamente daquela sociedade, quanto mais de sua administração, tanto é que sua interposição fraudulenta no contrato social foi causa determinante para a exclusão do Simples da pessoa jurídica e também é causa ensejadora da imposição de multa qualificada e do chamamento de terceiros a responder pelos débitos tributários, com sua dispensa de tal condição. Aquela Turma considerou, portanto, que a pessoa jurídica El Shaday Transportes Ltda, não foi regularmente intimada assim entendida a intimação realizada na pessoa de quem dispunha de poderes efetivos para representála a comprovar a origem dos recursos que aportaram em suas contas bancárias. E, não tendo sido intimada, considerou que não se instaurou em seu desfavor a presunção legal de que tais valores caracterizam receitas omitidas. Logo, tendo o lançamento sido erigido sobre essa presunção, nessa parte, foi considerado improcedente, o que levou a exoneração integral das exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Quanto ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados assinalou aquela autoridade que, tendo sido simulada a alteração do quadro societário da empresa, a intimação, na pessoa de Nivaldo Braido para, em nome da pessoa jurídica, comprovar os beneficiários e as operações que ensejaram a aplicação dos recursos sacados do banco, foi válida. Mas, em resposta, Nivaldo Braido afirmou desconhecer a destinação dos recursos, o que enseja a exigência do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados. As argüições de ilegalidade da taxa selic e de confisco foram afastadas. Notificação para ciência da decisão foi encaminhada a JOSE RICARDO SOSSAI, e recepcionada em 29/07/2011 (AR fl. ...). Em 18/08/2011 os recorrentes JOSE RICARDO SOSSAI E OUTROS manejaram recurso voluntário. Em alegações preliminares invocaram a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e a falta de intimação de todos os co responsáveis. Entendeu, a defesa, que a Turma Julgadora teria se “arrependido” de determinar, em diligência, a intimação dos demais coresponsáveis a comprovar a origem dos recursos financeiros. Em extenso arrazoado discorrem sobre “capacidade financeira”, afirmando que houve falta de intimação para esclarecimento do movimento bancário a todos os co titulares das contas, nos termos da Súmula CARF n º 29. No que toca a tributação de IRRF reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação e afirma que, na inicial, foram ofertados documentos que embasaram as operações com indicação dos beneficiários: Sra. Erani Catarina Negri Brunetta, como beneficiária do Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 5 7 valor de R$ 120.000,00 e Transportes Sparapan Ltda.ME, como beneficiário do valor de R$ 200.000,00, razão que deve levar a reforma do acórdão. Reproduz argüições a respeito da desobediência ao art. 142 do CTN para concluir que não restou provado que foram auferidos benefícios econômicos por parte dos recorrentes, o que impossibilitaria a responsabilização com base no art. 135 do CTN Novamente repete as alegações a respeito da multa confiscatória, da ilegalidade da Selic e das diligências promovidas no curso do procedimento. Ao final pede pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Cumpre, inicialmente, delimitar os limites do litígio a ser apreciado. Duas foram as infrações imputadas aos recorrentes: 1) omissão de receitas apurada a partir da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, culminando na exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas; 2) pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não comprovados, que levaram à exigência de IRRF. O acórdão da Turma Julgadora de 1a. instância exonerou totalmente os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas apuradas por presunção legal – depósitos bancários de origem não comprovada. A parte litigiosa, portanto, que resta a ser apreciada no presente recurso diz respeito ao IRRF exigido sobre pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados, no valor total de R$ 674.374,14. Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Por tal razão as alegações das recorrentes contra a presunção de omissão de receitas pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovadas são impertinentes, neste momento, e não serão apreciadas. Preliminarmente Antes de adentrar à análise do mérito, propriamente dito, julgo importante consignar os seguintes fatos. Como relatou a auditoria fiscal a pessoa jurídica EL SHADAY foi constituída em 05/04/2002 (contrato social fls. 107) pelos sócios IVOLI JORGE TEMPESTA (CPF 818:942.01949) e TRAUDE SCHUTZ TEMPESTA (CPF 774.580.10959). Pela 2a. alteração de contrato social, datada de 12/01/2004, o sócio IVOLI JORGE TEMPESTA se retirou da sociedade – transferindo suas quotas à TRAUDE SCHUTZ TEMPESTA – sendo admitido o sócio NIVALDO BRAIDO (CPF 439.088.61934). Na 5a. alteração contratual, datada de 31/10/2005 (fl. 122) os sócios NIVALDO BRAIDO e TRAUDE SCHUTZ TEMPESTA deliberaram por reduzir o capital social da empresa, de R$ 461.000,00 para R$ 2.000,00. A diferença, no valor de R$ 459.000,00 foi reembolsada aos sócios, da seguinte forma: R$ 345.000,00 para a sócia TRAUDE SCHUTZ TEMPESTA, com débito em contacorrente; R$ 114.000,00 para NIVALDO BRAIDO, com débito em contacorrente. Pela mesma 5a. alteração os sócios TRAUDE SCHUTZ TEMPESTA e NIVALDO BRAIDO, se retiraram da empresa, cederam e transferiram as quotas remanescentes da EL SHADAY a LUIZ CARLOS CHRIZOSTTIMO (CPF 324.986.59900) e ELIZEU RODRIGUES DE MELLO (CPF 262.578.16882). Em 19/12/2006 é formalizado o distrato social da EL SHADAY (fl. 125). Pelo acesso às fichas cadastrais mantidas pelas instituições financeiras Banco Bradesco e Banco do Brasil, com as quais a empresa mantinha relacionamento operacional, a auditoria fiscal apurou que referidas contas bancárias, durante os anos de 2005, 2006 e 2007, foram movimentadas por procuradores. A conta no Banco do Brasil foi movimentada por JOSÉ RICARDO SOSSAI (CPF 534.656.79920) e NIVALDO BRAIDO, com poderes conferidos por instrumento outorgado por IVOLI JORGE TEMPESTA em 19/01/2004. Por outra procuração pública, lavrada em 31/05/2005, os poderes para movimentar a conta corrente do Banco do Brasil foram outorgados por IVOLI JORGE TEMPESTA somente a JOSÉ RICARDO SOSSAI. A conta do Banco Bradesco foi movimentada por JOSÉ RICARDO SOSSAI e NIVALDO BRAIDO, com poderes concedidos pela mesma procuração pública de 19/01/2004. Recursos da empresa EL SHADAY foram utilizados para pagamento de compra de insumos e bens da empresa CAMPNEUS LÍDER DE PNEUMÁTICOS LTDA, de propriedade de JOSÉ RICARDO SOSSAI, assim como foram utilizados para pagamento de Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 6 9 quotas de consórcio que JOSÉ RICARDO SOSSAI mantinha junto à GAPLAN ADMINISTRADORA DE BENS LTDA.rs Diversos outros pagamentos efetuados pela empresa, identificados pela auditoria fiscal, foram objeto de circularização junto aos respectivos beneficiários (Albino Mazarro, Valério Lopes de Souza, Posto Astorga Ltda.), que informaram, invariavelmente, que referidos recursos foram destinados a pagamento de despesas pessoais de JOSÉ RICARDO SOSSAI (fls. 3.111 e ss). O mesmo se deu com outros pagamentos efetuados pela empresa, identificados pela auditoria e circularizados. L.A. Duarte & Cia Ltda. recebeu cheques da EL SHADAY para pagamento de mercadorias adquiridas de empresas representadas por NIVALDO BRAIDO. IVOLI JORGE TEMPESTA efetuou pagamentos com recursos da EL SHADAY a MARIA ISABEL FRACAROLLI DO CARMO, a fim de quitar dívida pessoal (fl. 3.122). E, assim, podemos citar inúmeros outros pagamentos efetuados com recursos da empresa EL SHADAY, pelos procuradores IVOLI JORGE TEMPESTA, JOSÉ RICARDO SOSSAI e NIVALDO BRAIDO, sempre destinados a quitação de despesas pessoais ou de empresas que representavam (fls. 3.123 e ss). Em depoimento prestado no âmbito de diligência especialmente efetuada junto a Luis Carlos Chrizosttimo, este teria declarado: (i) que ingressou no quadro societário da empresa EL SHADAY em atendimento à solicitação formulada por JOSE RICARDO SOSSAI; (ii) que nunca efetuou nenhum ato de gestão na empresa, muito menos o desembolso de valores para ingressar em seu quadro societário; (iii) que as intimações lavradas pelos auditores em seu desfavor sempre foram entregues a JOSE RICARDO SOSSAI ou ao escritório contábil "GLOBO", os quais incumbiamse de lavrar a resposta e apresentála para sua assinatura; (iv) que desconhece qualquer transação efetuada pela empresa com NILTON GONÇALVES DOS SANTOS. Mérito Quanto as argüições a respeito da ilegalidade de quebra de sigilo bancário, limitome a transcrever a Súmula.CARF n º 2, que retrata o posicionamento consentâneo deste órgão de julgamento; Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pagamentos sem Causa Diante da necessidade de identificar a origem e a destinação dos recursos financeiros que transitaram pelas contas bancárias da pessoa jurídica a auditoria fiscal, como Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 dito, promoveu diversas diligências em contribuintes identificados nos documentos bancários de saques e de créditos nas referidas contas. Assim, a fiscalização identificou: 1) pagamentos não contabilizados realizados com recursos da pessoa jurídica EL SHADAY destinados a quitação de quotas de consórcio da GAPLAN ADMINISTRADORA DE BENS CNPJ 47.820.097/000158 – em operações que NIVALDO BRAIDO figurava como adquirente/devedor; 2) que NIVALDO BRAIDO ainda quando sócio gerente da EL SHADAY, foi responsável por um pagamento não contabilizado, efetuado em beneficio de NILTON GONÇALVES DOS SANTOS (CPF 804.530.58949), em 03/05/2005, no valor de R$ 140.000,00, proveniente do contrato de arrendamento mercantil n º 75.097.3455, firmado com o Banco Safra S/A; 3) que NIVALDO BRAIDO, na condição de procurador da EL SHADAY, foi responsável por diversos saques em espécie, efetuados no mês de fevereiro/2007, na conta do Banco Bradesco de titularidade da pessoa jurídica e não contabilizados. Intimado em diversas oportunidades (fls. 2.442/2.444; 2.446/2.448), NIVALDO BRAIDO respondeu: 1) quanto ao pagamento do consórcio GAPLAN com recursos da pessoa jurídica, que não possuiria controle sobre a forma de pagamento de suas obrigações, que se davam ora com recursos em espécie, ora com recursos de terceiros; 2) quanto ao pagamento efetuado em benefício de NILTON GONÇALVES DOS SANTOS, que provavelmente fora destinado a “honrar compromissos anteriores” da pessoa jurídica; 3) que os saques em espécie tiveram lastro em empréstimos contraídos pela titular da conta e consistiram no pagamento por veículos vendidos em outubro de 2005, mas que não foram objeto de transferência no DETRAN à época. Como permaneceram em nome da empresa EL SHADAY, quando da posterior alienação fiduciária dos veículos efetuada por seus adquirentes, por ocasião de sua venda a terceiros a instituição financeira teria liberado tais importâncias em nome do proprietário que constava dos certificados dos veículos. Tendo se retirado do quadro societário da empresa, em 31/10/2005, sem, todavia, promover a respectiva atualização no cadastro bancário, realizou os saques e repassou os valores aos "segundos adquirentes" dos veículos, consoante documentos colacionados na oportunidade (fls. 2451/2463). Mas na resposta à fl. 2.451, informou desconhecer a destinação dada aos recursos: "Informo que me retirei da sociedade El Shaday Transportes Ltda, em 31/10/2005, sendo que não houve alteração no cadastro bancário, e atendendo a solicitação dos segundos adquirentes, autorizei tais saques, repassando aos mesmos, de tal forma que desconheço a destinação dada a tais importâncias." Nas razões recursais, afirmam, os recorrentes, que repassaram os valores para a empresa Transportes Sparapan LtdaME (fls. 3.279) e para a senhora Erani Catarina Negri Brunetta (fls. 3.280). Afirmam que os recursos ingressaram na conta bancária da El Shaday em operações de financiamentos dos veículos placas ALQ0568 e ALQ0570, que haviam sido Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 7 11 alienados anos antes, mas cujos documentos no DETRAN ainda se encontravam em seu nome, razão pela qual os recursos foram liberados para si, e não às pessoas que, àquela altura, já seriam as verdadeiras proprietárias dos veículos. Mas tal afirmação comprova, apenas, a origem dos recursos depositados nas contas da EL SHADAY. Não justificam a causa que teria dado à saída desses mesmos recursos, a título de pagamentos efetuados pela EL SHADAY. Vêse, claramente, que o valor de R$ 140.000,00 recebido pela EL SHADAY por conta do contrato de arrendamento mercantil junto ao Banco Safra foi sumariamente transferido para NILTON GONÇALVES DOS SANTOS. O responsável pela transferência, NIVALDO BRAIDO, não justificou a razão do repasse dos recursos, bem como não comprovou a sua contabilização. Tal fato se subsume ao prescrito pela legislação. Pagamento efetuado por pessoa jurídica, sem comprovação da operação ou de sua causa fica sujeito à incidência do IRRF, calculado a alíquota de 35%, com reajustamento da base de cálculo (art. 674, caput e parágrafos do RIR/99). Os recursos entregues a terceiros, acionistas ou titular da pessoa jurídica, contabilizados ou não, também .se sujeitam a incidência na fonte pela alíquota préestabelecida. De formaidêntica, os diversos saques em espécie, realizados entre os dias 02 e 12 de fevereiro de 2007, da conta do Banco Bradesco, cuja destinação não restou comprovada pelo responsável pelas operações, sr. NIVALDO BRAIDO, são operações que também estão sujeitas incidência do IRRF. Nem venha a defesa alegar que a auditoria fiscal não verificou a real capacidade econômicofinanceira dos laranjas LUIS CARLOS CHRIZOSTTIMO e ELIZEU RODRIGUES DE MELLO. O trabalho exaustivo e muito bem efetuado salta aos olhos pela fartura de provas. Como apurou a auditoria fiscal o sr LUIS CARLOS CHRIZOSTTIMO é pessoa humilde, sem posses, borracheiro, tendo sido convencido pela astúcia de JOSE RICARDO SOSSAI, a assinar documentos de teor ininteligível, mas que significaram a transferência, ficta, para seu nome, de uma pessoa jurídica. Assim, restou demonstrado nos autos que IVOLI JORGE TEMPESTA, JOSÉ RICARDO SOSSAI e NIVALDO BRAIDO concorreram para que a empresa EL SHADAY fosse fictamente transferida para “laranjas”, que nunca integralizaram qualquer parcela do capital social da empresa, nem nunca exerceram qualquer ato societário, de administração, gestão ou gerência da sociedade. A intenção de IVOLI JORGE TEMPESTA, JOSÉ RICARDO SOSSAI e NIVALDO BRAIDO, com a transferência da empresa para “laranjas”, também restou claramente comprovada nos autos. Ocultar a real origem e, principalmente, a destinação dos recursos financeiros movimentados pela EL SHADAY: pagamento de despesas pessoais, de seus amigos e/ou familiares, ou de empresas das quais eram responsáveis. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco Federal, pela interposição de pessoas no quadro societário, pela utilização de recursos da pessoa jurídica para pagamento de despesas pessoais de seus procuradores bancários pela simulação de dissolução regular de sociedade. A multa qualificada, nessas condições, fica justificada. Nesse sentido vem Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 decidindo este órgão administrativo de julgamento, como se verifica da seguinte súmula, de observância obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF n º 34. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Restando comprovado que IVOLI JORGE TEMPESTA e JOSÉ RICARDO SOSSAI eram quem, de fato, geriam a empresa, justificada está a responsabilização desses indivíduos pelo adimplemento do crédito tributário. É que o art. 124, I do CNT, determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Inquestionável, in casu, o interesse comum, dos sócios e administradores ocultos – os de fato – da pessoa jurídica, IVOLI JORGE TEMPESTA e JOSÉ RICARDO SOSSAI, nos resultados do empreendimento. Em razão da comprovada interposição de pessoas no quadro societário, a pessoa jurídica interposta realizou negócios em nome próprio, mas os respectivos efeitos econômicos foram repassados exclusivamente à esfera dos interponentes – os sócios e administradores ocultos, IVOLI JORGE TEMPESTA e JOSÉ RICARDO SOSSAI. Nesse contexto, os interponentes – sócios e administradores ocultos – são os sujeitos passivos dos tributos relativos às receitas omitidas pela pessoa jurídica, independentemente da forma contratual apresentada. Também é pacífica a jurisprudência dos Tribunais Superiores, no sentido de que, no caso de dissolução irregular de sociedade, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos devidos pela sociedade é atribuída aos efetivos administradores. Assim, basta que reste configurada a relação de causalidade, entre o ilícito societário – no caso, a dissolução irregular – e a impossibilidade de adimplemento do crédito tributário pela sociedade para que se exija, dos sócios de fato, o adimplemento do crédito tributário. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11634.000023/201145 Acórdão n.º 1801002.173 S1TE01 Fl. 8 13 Fl. 4793DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10850.001351/2005-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior, extingue-se no prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, aos pedidos administrativos protocolizados anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não se aplicando-lhes, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: Relator Marcos Antonio Borges
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior, extingue-se no prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, aos pedidos administrativos protocolizados anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não se aplicando-lhes, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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E CORRETAGEM DE PREV. PRIVADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior, extinguese no prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador, aos pedidos administrativos protocolizados anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não se aplicando lhes, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 13 51 /2 00 5- 01 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 129 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 130 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), referentes ao período entre fevereiro de 1999 e abril de 2000, no valor de R$ 89.840,88, sob a alegação de que, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a inclusão da totalidade das receitas na base de cálculo das contribuições. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls. 32/35, indeferiu a solicitação da contribuinte, sob a alegação de que os recolhimentos já foram atingidos pela decadência, haja vista, em resumo, que transcorreram mais de cinco anos entre os pagamentos e a formalização do pedido, a teor do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 3º da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005. Quanto ao mérito, indeferiu o pedido porquanto somente ao Senado Federal cabe suspender a execução de todo ou em parte de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo, o que ainda não aconteceu. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 37/48, alegando, em resumo, que, conforme entendimento do STJ, após o advento da LC nº 118, de 2005, o prazo para repetição deve ser contado da seguinte forma: “relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.05.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova”. Assim, para os pagamentos ocorridos antes de 09/06/2005 o correspondente pedido de restituição pode ser formalizado no prazo de dez anos, contados da ocorrência dos fatos geradores até o limite máximo de 09/06/2010. Como a impugnante protocolizou o pedido em 07/06/2005, estaria dentro do prazo. Quanto ao mérito, argumenta que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou a base de cálculo das contribuições para incluir todas as receitas auferidas pelas empresas, seria inconstitucional, e que o STF já decidiu acerca dessa inconstitucionalidade em vários julgados. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 131 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2000 RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 132 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão envolve dois pontos, quais sejam (i) prazo decadencial para compensação de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte e (ii) direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, no que tange à decadência, a repetição de indébito é tratada no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Devemos atentar ainda para o que dispõe os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que fixou o termo inicial do prazo para a restituição dos valores indevidamente recolhidos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN e com efeitos retroativos, o que equivale dizer que o prazo para restituição/compensação passou a ser de 5 anos, contados da data do pagamento indevido. O STF, por sua vez, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 133 6 supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em tela, o pedido de restituição foi protocolizado em 07/06/2005, , relativos aos períodos de apuração de 01/02/1999 a 30/04/2000. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, não se Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.001351/200501 Acórdão n.º 3801004.322 S3TE01 Fl. 134 7 aplicandolhe, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos indevidos não havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo, devendose aplicar o prazo de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador . No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo STF, e que, por isso, faz jus ao crédito. Para que se possa analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a restituição pleiteada. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12157.000532/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/11/1998, 01/02/2000 a 31/03/2000
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO PRESTADA EM DCTF. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE.
A informação prestada em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF acerca da existência de crédito tributário, a teor do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124/84, configura confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente para sua exigência, o que dispensa a atividade de lançamento para constituição deste mesmo crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO PRESTADA EM DCTF. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez confessado o crédito tributário por meio de instrumento próprio, mostra-se desnecessária a realização de lançamento, não havendo com isso que se falar em decadência, que se dirige ao direito de constituição do crédito tributário, sendo que, enquanto pendente discussão administrativa acerca da exigência fiscal, o prazo prescricional sequer começou a fluir, não se encontrando a Fazenda Pública em condição de inércia ante o direito à pretensão executória.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DECLARAÇÃO PRESTADA EM DCTF. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. A informação prestada em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF acerca da existência de crédito tributário, a teor do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, configura confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente para sua exigência, o que dispensa a atividade de lançamento para constituição deste mesmo crédito tributário. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO PRESTADA EM DCTF. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez confessado o crédito tributário por meio de instrumento próprio, mostrase desnecessária a realização de lançamento, não havendo com isso que se falar em decadência, que se dirige ao direito de constituição do crédito tributário, sendo que, enquanto pendente discussão administrativa acerca da exigência fiscal, o prazo prescricional sequer começou a fluir, não se encontrando a Fazenda Pública em condição de inércia ante o direito à pretensão executória. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 05 32 /2 00 8- 16Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Cuida o presente processo de cobrança de Cofins, período de apuração dezembro/1997 a novembro/1998, fevereiro/2000 e março/2000, a partir de compensação por medida judicial informada em DCTF. Tendo em conta o sem número de incidentes processuais, bem detalhados pela decisão recorrida, adoto o seu relatório na confecção deste julgado, verbis: “Às fls.0223. foram juntadas cópias do processo 10880.007913/200301, protocolizado para controlar débitos da Cofins de 0203/2000 que foram transferidos do processo de representação 13807.009788/200175, as quais informam que: a Eqamj da Dicat/Derat/SP informou que a ação judicial apontada pela empresa como fundamento para compensar a Cofins de 0203/2000 foi a ação de repetição de indébito 92.00311679, relativa ao Finsocial recolhido no período de 10/89 a 08/91, na qual obteve a liquidação de seu credito na fase de execução, optando, porém, por restituir o indébito via compensação. Disse ainda que a contribuinte também propôs a medida cautelar 96.0013043 4 e a ação 96.0020724 0, visando a compensação do Finsocial pago a maior no mesmo periodo, sendo essa ação a base declarada em DCTF para compensações efetuadas entre 12/97 e 11/98, além de 0203/2000. A ação teve seu tramite ordinário e, em decisão do STJ, foi fixada a correção monetária aplicandose os índices IPC, INPC. UFIR e expurgos inflacionários, para os períodos ali especificados. o processo foi encaminhado à Equipe de Auditoria Fiscal (Eqafi) que informou (cópia as fls. 03) ter a União sido condenada a restituir o Finsocial acima de 0,5% na ação 92.00311679, e ocorrido o trânsito em julgado da sentença que julgou improcedente os embargos de execução da União e declarou válida a cobrança da quantia respectiva. A Eqafi verificou ainda não ter ocorrido homologação da desistência ou renuncia a essa execução, razão pela qual entendeu não ser possível a compensação pretendida, retornando os autos Eqamj. a empresa foi intimada a apresentar documentos que comprovassem suas alegações, após o que a Eqamj atestou que houve prolação de sentença extinguindo a execução. Diante disso, enviou o processo à Eqafi para analise. a Eqafi informou, entre outros, que houve apelação da autora na ação 92.00311679 e, como a empresa, embora intimada, não apresentasse a base de calculo do Finsocial, a autoridade fiscal limitouse a verificar os recolhimentos de Finsocial relativos ao período de 01/90 a 07/91. Após elaborar Demonstrativo resumo das vinculações de Cofins a Eqafi constatou restar em aberto débito dos períodos de 07/98 (parcial) e 0811/98 ) e 0203/2000. Assim, propôs. entre outras, o prosseguimento da cobrança desses débitos de Cofins que restaram em aberto. Após recebimento da cobrança em 11/06/2008 (fls.28), a empresa informou em expediente de fls. 2930 que apresentou recurso protocolizado em 07/07/2008, Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 12157.000532/200816 Acórdão n.º 3401002.722 S3C4T1 Fl. 11 3 requerendo sua análise nos termos do § 9.° do art. 74 da lei 9.430/96, bem como a suspensão do processo de cobrança. Às fls. 4063 constam cópias desse recurso, no qual a empresa apresenta, em suma, as seguintes alegações: 1. Afirma que a análise do processo deve ser realizada nos termos da lei 9.430/96, vez que os pedidos de compensação pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação, nos termos do § 4.° do art.74 dessa lei. Assim. entende cabível a apresentação do presente recurso como manifestação de inconformidade com o respectivo efeito suspensivo. 2. Relata que a autoridade fiscal iniciou a analise da compensação antes do encerramento dos processos judiciais referentes à compensação, intimando a empresa a apresentar documentos relativos às ações judiciais, como desistência da execução da ação de repetição de indébito e cálculos do crédito a restituir. 3. Remete ao despacho da Eqamj (fls. 13) que noticiou prolação de sentença extinguindo a execução na ação de repetição de indébito do contribuinte. Alega que não houve análise pela autoridade fiscal do recurso de apelação interposto, e que não se insurgiu contra a extinção da execução, questão essa imutável. 4. Não concorda com o procedimento fiscal que restringiu os períodos a restituir, descartando valores de 0912/89. pois apresentou as cópias requeridas da DIRF, exercícios 90 e 91, além das decisões judiciais terem reconhecido o direito ao crédito do período recolhido. Requer a inclusão de tais créditos nos cálculos. 5. Alega que não foi realizada a demonstração dos cálculos realizados para apuração do crédito, principalmente no tocante aos índices de correção fixados pela justiça, inexistindo no processo qualquer planilha de apuração do credito além daquela juntada pela recorrente. Requer a realização de novos cálculos conforme as decisões judiciais, inclusive com os índices ali fixados. Anexa cópias de balancetes fiscais que comprovariam a base de calculo. 6. A manifestante afirma que houve erro na imputação dos créditos aos débitos compensados, eis que foi incluído indevidamente como débito a compensar o valor de Cr$ 174.074.492,25, supostamente do fato gerador de 01/94, mas que na verdade referese a 12/93, e que foi compensado em outro processo judicial não analisado aqui, razão pela qual deve ser desconsiderado da análise. Apresenta cópia da DIRPJ e balancete analítico para comprovar sua alegação. A empresa conclui que devem prevalecer apenas os débitos dos períodos de 12/97 a 11/98 e 02 03/2000, que reconhece como compensados com créditos oriundos da ação de repetição de indébito 92.00311679 (anexa planilha de fls. 58). 7. Requer ainda a suspensão do processo ate o trânsito em julgado da ação 96.00207240, e caso já ocorrida, a homologação de sua compensação, vez que atendidos os requisitos legais para sua convalidação. Às fls. 9294 a Eqafi informou que: (i) a partir dos valores constantes dos balancetes apresentados pelo contribuinte , elaborou demonstrativo contendo a base de cálculo do Finsocial de 09/89 a 12/89, bem como, partindo dos dados declarados pela empresa nas DIRPJ anoscalendário 93 e 94, apurou os valores da Cofins devida para 12/93 (Cr$ 174.074.492,26) e 01/94 (Cr$ 71.818.686,48), constatando, de fato, a ocorrência de erro no demonstrativo do contribuinte de fls. 61 quanto à Cofins de 01/94. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 (ii) o débito de Cofins de 01/94 foi objeto de análise no relatório de representação do processo 10880.007913/200301, estando vinculado à ação judicial 88.00388914. (iii) refez os cálculos da compensação do Finsocial com os débitos de Cofins considerando inclusive o Finsocial de 0912/89 e excluindo o débito da Cofins de 01/94. Para tanto, apurou o valor de Finsocial à alíquota de 0,5% a partir das bases de cálculo informadas na DIRPJ, imputandoo aos recolhimentos de Finsocial confirmados constantes do demonstrativo de pagamentos (fls. 7983). (iv) constatou, assim, existirem saldos de pagamentos que foram compensados com os débitos de Cofins discriminados no demonstrativo de apuração de débitos (fls.7983 e 8788), aplicandose a correção monetária determinada pelo STJ em acórdão transitado em julgado (fls. 187190). Verificou ainda que os saldos de pagamentos de Finsocial foram suficientes para suportar os débitos de Cofins de 12/97 a 11/98. além de parte do debito de 02/2000, conforme demonstrativo resumo de vinculações de Cofins (fls. 8991). Concluiu restar débitos de Cofins do período 02/2000 (em parte) e 03/2000, dos quais foi prosseguida a cobrança. A empresa impetrou o MS 2008.61.00.0164150 no qual requereu, conforme relatório de fis. 9798, medida liminar objetivando recebimento de manifestação de inconformidade protocolada em 07/07/2008, nos efeitos previstos no § 11 do art.74 da lei 9.430/96. A liminar foi deferida em 20/08/2008 (decisão de fls. 97107). Às fls. 113116, constam termos de vistas do processo pelo representante da empresa bem como solicitação de cópia deste processo. Em 19/09/08 a empresa apresentou recurso dirigido ao Conselho de Contribuintes (fls. 118146, documentos anexos às fls. 147153), em síntese alegando que: 1. A análise da compensação deve set norteada pelo art. 74. da Lei nº 9.430/96, e art.48, §§ 1° e 3º, inciso I, da IN SRF n° 600/2005. 2. Impetrou o Mandado de Segurança n° 2008.61.00.0164150, cuja liminar foi deferida reconhecendo a suspensão de exigibilidade em razão de manifestação de inconformidade, enquanto perdurasse seu julgamento. Assim, deve ser suspenso o procedimento de cobrança, pois foi reconhecida a possibilidade de interposição dc recurso. 3. O processo 10880.007913/200301 foi instaurado para acompanhar os valores compensados objeto dos processos judiciais n° 96.00130434 e 96.0020724 0. A Equipe de Análise de Medidas Judiciais e Controle do Crédito subjudice realizou a análise da compensação e calculou os créditos passíveis de compensação, o que acarretou valores considerados devidos em virtude da insuficiência de crédito (fls. 2123). 4. Inconformada com referida decisão , a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.4051), a qual foi analisada pela Eqitd da Diort/Derat/SP em decisão de fls. 9294, que constatou: ‘Em vista do exposto, propomos encaminhar o presente processo e o processo n°10880.007913/200301 para a Eqamj/Dicat para as seguintes providências: 1) suspender a exigibilidade dos débitos de Cofins dos períodos de dezembro/97 a novembro/98 (fl. 87), além do débito parcial Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 12157.000532/200816 Acórdão n.º 3401002.722 S3C4T1 Fl. 12 5 fevereiro 2000 no valor de R$ 966,65 (fl. 91), até nova decisão judicial; 2) prosseguir na cobrança dos débitos de Cofins dos períodos de apuração de fevereiro/2000, no valor parcial de R$ 1.101.508,88 (fl. 91) e de março/2000 (fl. 88); 3) encaminhar o processo com os débitos suspensos para a PFN/São Paulo solicitando parecer que confirme, ou não, a suspensão dos débitos, em função da apelação apresentada pelo contribuinte no processo de execução da Ação Ordinária nº 92.00311679; 4) prosseguir no acompanhamento da ação judicial.’ 5. A decisão proferida, no entanto, não pode prevalecer pois abrangeu períodos de apuração estranhos ao presente processo, constituído para análise dos períodos de apuração de 02/2000 e 03/2000. A análise da autoridade administrativa ocorreu cm 28/05/2008, incluindo em seus cálculos os períodos de 12/97 a 11/98, os quais não haviam sido objeto do procedimento fiscal, nem foram objeto de analise ou constituição por parte da autoridade fiscal, exceção dos períodos de 05 e 06/98, formalmente constituídos por auto de infração devidamente impugnado no processo 11831.005023/200303. 6. Portanto, os fatos geradores ocorridos nos períodos de 12/97 a 04/98 e 07/98 a 11/98 foram atingidos pela decadência/prescrição, eis que deixaram de ser analisados e constituídos dentro do quinquênio legalmente previsto, não podendo prevalecer a decisão de incluilos nos cálculos. 7. Todos os períodos compensados foram declarados em DCTF, sendo obrigação da autoridade fiscal analisálos para determinação de sua correção, sob pena de não mais poder fazêlo em virtude do decurso do prazo qüinqüenal previsto nos art.142 e 150 do CTN. Tanto é assim que para 05/98 e 06/98 foi lavrado auto de infração, não se justificando a ausência de procedimento para os demais períodos. 8. A liminar deferida não coibiu a decadência, apenas suspendeu a exigibilidade do credito correspondente conforme art.151 do CTN. A Lei nº 9.430/96, art.63, também estabelece a necessidade de lançamento de oficio nos casos de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. 9. O art. 146, III, ‘b’, da CF, determina que cabe a Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. especialmente sobre prescrição e decadência tributária. E o CTN foi recepcionado pela CF/88 com eficácia de Lei Complementar. 10. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o direito do Fisco prendese à necessidade da administração pública proceder ao lançamento, fato não ocorrido no prazo de cinco anos dos fatos geradores. Como a inclusão dos fatos geradores de 12/97 a 04/98 e 07/98 a 11/98 ocorreu em 05/2008, sem antes lavrarse o lançamento, ocorreu homologação tácita. 11. Conforme o art. 150, § 4°. do CTN, o crédito tributário está extinto pela inexistência de lançamento. Independente da Cofins ser tributo por homologação, também se configura a decadência consoante art.173, I, do CTN. Não sendo realizado o lançamento, considerase extinto o crédito pela decadência, de acordo com art.156, V. do CTN. Concluise ilegal a inclusão da Cofins de 12/97 a 04/98 e Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 07/98 a 11/98 na análise realizada no presente processo, vez que ocorrida a extinção de eventual credito tributário, face à decadência, a qual não se suspende nem se interrompe. 12. Colaciona jurisprudência do STJ e STF no sentido dos argumentos expostos e Súmula Vinculante n° 8, do STF, que declarou ser o prazo para cobrança de 5 anos, conforme o CTN. 13. Pelo exposto, requer a exclusão dos períodos de apuração de 12/97 a 04/98 e 07/98 a 11/98 da análise do presente processo e do cálculo para a cobrança, vez que extintos pela decadência. Em despacho de 23/09/2008 (fls. 170), a Eqamj da Derat/SP relata os fatos já narrados e, como a manifestação do contribuinte protocolizada em 07/07/2008 (fls. 4063) ainda não houvesse sido julgada. encaminhou o processo a esta Delegacia de Julgamento para prosseguimento do feito. A DRJ/SPI constatou que: (i) a manifestação de fls. 4062 referese, no item 1 do pedido (fls.50), a valores exigidos no presente processo (12157.000532/200816); (ii) a decisão judicial que deferiu a liminar faz referência expressa manifestação de inconformidade formalizada em 07/07/2008 (fls. 97 e 104); (iii) o despacho da Eqamj da Dicat/Derat/SP de fls.170 constatou que não havia sido apreciada a manifestação protocolizada em 07/07/2008 (fls. 4062); e (vi) o despacho da Dicat/Derat/SP de fls. 9294, de 12/08/2008, conquanto sirva de subsídio à apreciação do caso, não possui caráter decisório, eis que o julgamento da manifestação apresentada pela contribuinte em 07/07/2008 (f1s.40 62), tratada como manifestação de inconformidade por força da decisão judicial de 20/08/2008 (fls. 96107), cabe apenas à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por força do art. 174, III da Portaria MF nº 95/2007, vigente à época, e art. 212, III da Portaria MF nº 125/2009. vigente nos dias atuais, Diante disso, a DRJ/SP1 efetuou o julgamento da manifestação de fls.4062, resultando no acórdão 1619.132, de 21/10/2008 (fls. 203212), o qual deferiu em parte a solicitação da contribuinte. Às fls.226 consta o Memorando EQITD/DIORT nº 376/2008, encaminhando o Parecer ASSEJUR/PFN/SP n. 288/2008 (fls. 227233), provocado por consulta da Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle de Crédito SubJudice – Eqamj, recomendando não processar a compensação até julgamento do recurso de apelação interposto pela requerente nos autos do processo n° 92.00311679 junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF3. Consoante Decisão 2577/2009, de 15/12/2009, transitada em julgado o TRF3 homologou a desistência requerida pela interessada (fls. 291293). A contribuinte foi cientificada do acórdão (fls. 234, verso) e apresentou recurso ao Conselho de Contribuintes (fls. 235264), documentos anexos as fls. 265 275.” A Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara, desta Seção de Julgamentos, por intermédio do acórdão 310100.341, de 05/02/2010, anulou a decisão de primeira instância por entender que houve julgamento da manifestação de inconformidade de outro processo (10880.007913/200301), enquanto o recurso referente ao processo 12157.000532/200816 encontravase às fls. 118 e ss. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 12157.000532/200816 Acórdão n.º 3401002.722 S3C4T1 Fl. 13 7 Nesta peça o contribuinte argumentou a decadência/prescrição da cobrança relativa ao período de apuração dezembro/97 a novembro/98, porquanto não foi realizado o lançamento das compensações indicadas em DCTF, para estes fatos geradores, dentro do qüinqüênio legal estatuído no art. 150, § 4º do CTN. Devolvido o processo à DRJ São Paulo I/SP foi exarada nova decisão, desta feita reputando a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que os débitos reclamados, dezembro/1997 a novembro/1998, foram compensados com os créditos oriundos da ação de repetição do Finsocial, motivo pelo qual deveriam ser tratados no mesmo processo, bem assim, que não haveria que se falar na necessidade de lançamento, muito menos em decadência/prescrição, uma vez que os valores estavam informados em DCTF e a RFB se limitou a proceder ao efetivo encontro de contas entre os créditos e débitos do contribuinte. Em recurso voluntário o contribuinte repercutiu a fundamentação da manifestação de inconformidade, frisando que os períodos de dezembro/1997 a novembro/1998 não poderiam ser exigidos neste processo, pois, quando de sua formalização, não constavam do rol respectivo, além do que não foram objeto de lançamento, como ocorreu com os períodos de maio e junho/1998 (PA 11831.005023/200303), de maneira que teria se verificado a decadência do direito de constituir o crédito tributário ou, alternativamente, a prescrição da pretensão executiva da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Como se extrai do relatório, o caso sub examine é complexo em função da série de incidentes ocorridos ao longo de seu trâmite, todavia, desbravado o cipoal fático, a solução tornase simples, como adiante se demonstrará. Antes, por se cuidar de exigência de crédito tributário lastreado em procedimento de revisão de DCTF, destaco que o contencioso administrativo se desenvolve em obediência a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0164150, que determinou o processamento do recurso administrativo nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96, encontrandose o feito atualmente no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme consulta ao sítio virtual (www.trf3.jus.br), realizada em 17/07/2014. Feita a advertência, cumpre balizar a questão objeto de julgamento. Neste sentido, o presente processo envolve a compensação de períodos de apuração de dezembro/1997 a novembro/1998, fevereiro/2000 e março/2000, conforme despacho de fls. 92/94. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 O recorrente, por seu turno, questiona a consideração do período dezembro/1997 a novembro/98 (exceção aos meses maio e junho/1998, cobrados no PA 11831.005023/200303) no abatimento do direito creditório reconhecido pela ação de repetição de indébito 92.00311679, decorrente de Finsocial, por entender, em primeiro lugar, que não figurava como objeto do PA 10880.007913/200301 e, em segundo lugar, que deveria ser cobrado mediante lançamento, que, não efetuado em prazo hábil, foi colhido pela decadência. Pois bem, tocante à alegação de não composição do processo administrativo 10880.007913/200301, revendo os despachos lançados no presente processo observei que, de fato, aludido feito foi aberto para controle dos débitos de Cofins dos meses de fevereiro e março/2000, declarados em DCTF como compensados (ação judicial 92.0311679), no entanto, durante o processamento destas compensações verificouse a existência de outras, também vinculadas ao mesmo direito creditório, que foram imputadas no encontro de constas, conforme cópia de despacho juntada à fl. 02 do presente processo, valendo registrar que tal despacho foi lançado no aludido PA 10880.007913/200301. O fato de sobredito processo ser aviado, originalmente, para controlar os débitos de fevereiro e março/2000 não consubstancia empecilho algum à agregação de outros débitos, desde que o direito creditório utilizado na compensação seja comum, como verifiquei ser o caso vertente (vide DCTFs de fls. 301/313). Não há irregularidade alguma neste procedimento, conquanto representa nada mais que a observância ao princípio da economia processual. Notese, o recorrente não contesta que tenha realizado a compensação – ao contrário, confirma textualmente sua execução –, mas tãosomente que, para ser exigida, necessitaria de formalização mediante lançamento. Ocorre que, nos termos do despacho de fls. 92/94, o período de apuração dezembro/1997 a novembro/1998 não está sendo exigido, cobrado, neste processo uma vez que o direito creditório foi suficiente para sua amortização integral, como asseverado na seguinte passagem: “Verificamos que os saldos de pagamentos de Finsocial são suficientes para suportar os débitos de Cofins dos períodos de apuração de dezembro/97 a novembro/98, além do débito parcial de fevereiro/2000 no valor de R$ 966,65, conforme o Demonstrativo Resumo de Vinculações de Cofins (fls. 89 a 91), restando em aberto os débitos de Cofins dos períodos de apuração de fevereiro/2000, no valor parcial de R$ 1.101.508,88, e de março/2000.” (destacado) Ou seja, após os ajustes necessários, a cobrança remanescente açambarca apenas os períodos de apuração fevereiro e março/2000, justamente a parcela que o contribuinte não contesta. Ora, é completamente desarrazoada a tese defendida pelo recorrente, pois pretende que, mesmo realizada a compensação, não seja procedido o abatimento do valor correspondente ao seu direito creditório, por entender necessário o lançamento. Como reconhece expressamente o contribuinte, a Cofins é tributo sujeito ao denominado lançamento por homologação, de maneira que a compensação, à época, foi realizada no âmbito deste procedimento pelo próprio contribuinte, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91,que a declarou à Administração Tributário por intermédio da DCTF. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 12157.000532/200816 Acórdão n.º 3401002.722 S3C4T1 Fl. 14 9 Acolher o raciocínio sustentado equivaleria, em meu entender, a admitir que aquele que presta declaração de tributo em DCTF e o recolhe normalmente, poderia, antes do transcurso de 05 (cinco) anos, requerer a sua restituição sob a alegação que, por não ter havido a formalização mediante lançamento, seria indevido, o que é inconcebível. O desiderato do lançamento é a constituição do crédito tributário, não sendo este, porém, o único instrumento de que dispõe a Administração Tributária para a empreitada, ao passo que a própria legislação prevê a confissão de dívida como sucedâneo desta atividade, que, na esfera federal, é regulada pelo DecretoLei nº 2.124/84, verbis: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Segundo o parágrafo primeiro, em outras palavras, o documento que, formalizando o cumprimento de obrigação acessória, comunicar a existência de débitos para com a Fazenda Nacional constituirá confissão de dívida e será instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. Este é exatamente o papel da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, que, como já asseverado, para o caso em julgamento trouxe a comunicação da existência dos débitos de Cofins do período de dezembro/1997 a novembro/1998, dispensando assim o lançamento, pois o crédito tributário já está aparelhado para a sua exigência. Outrossim, quanto à alegação de obrigatoriedade de lançamento em razão da sua efetivação para os meses de maio e junho/1998 (PA 11831.005023/200303), não há qualquer norma que obrigue tal providência, pois o crédito tributário, insisto, já está constituído através da DCTF, como confissão de dívida. Acentuo, para que não pairem dúvidas, que a confissão de dívida apenas dispensa a realização do lançamento, porquanto ambos tem o mesmo escopo (instrumentalizar a exigência do crédito tributário), todavia não tem o condão de impedir o lançamento, cujo único cuidado exigível será evitar a cobrança em dobro do débito, nada mais. Aliás, no caso específico do PA 11831.005023/200303, em consulta ao sistema específico, verifiquei que se tratava de auto de infração eletrônico cujo fundamento Fl. 413DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 10 indicado foi o já conhecido “Proc. Jud. não Comprov.”, mas, como estes autos não estão em julgamento, a seu respeito não me manifestarei. Portanto, se não há necessidade alguma de lançamento para o período de apuração contestado – dezembro/1997 a novembro/1998 –, seja porque foi confessado em DCTF, seja porque totalmente absorvido pelo crédito tributário, não há que se falar em decadência. Ainda que tenha pouca influência no deslinde da questão, porém, vale recordar que o contribuinte, em uma atitude dúbia, simultaneamente compensou os débitos de Cofins em epígrafe e promoveu a execução judicial do indébito de Finsocial apurado na ação judicial 92.00311679, execução esta inclusive embargada pela Fazenda Nacional, cuja homologação da desistência de seu prosseguimento transitou em julgado apenas em 12/03/2010, de modo que, até então não havia possibilidade desta compensação ser liquidada, encontrandose o crédito tributário suspenso, eis que pendente discussão judicial acerca de aspectos do direito creditório decorrente do indébito. As questões atinentes à desnecessidade de lançamento e à decadência foram enfrentadas com extrema percuciência pela decisão a quo, não havendo muito mais a acrescentar. Respeitante à aventada prescrição da pretensão executiva do crédito tributário, também não a vislumbro. Com efeito, o que habilita o início da contagem do prazo prescricional, segundo o Código Tributário Nacional, é a definitividade do crédito tributário, o que só será alcançado com o encerramento do contencioso administrativo e a fixação da incontrovérsia na seara administrativa, o que, neste processo, ainda não ocorreu. O que caracteriza a prescrição, assim como a decadência, é a inércia na adoção das providências tendentes a salvaguardar o direito ao crédito tributário, o que não se verifica quando a Fazenda Nacional ainda não pode promover a cobrança respectiva, no caso dos autos, justamente porque ainda pende discussão sobre a exigência. Deste modo, enquanto não encerrado o procedimento contencioso administrativo o prazo prescricional ainda não começou a fluir. Esta conclusão encontra respaldo no escólio do Professor Paulo de Barros Carvalho1 : “(...). Lavrado o ato de lançamento, o sujeito passivo é notificado, por exemplo, a recolher o débito dentro de trinta dias ou a impugnálo no mesmo espaço de tempo. É evidente que nesse intervalo a Fazenda ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo, por via de conseqüência, ser considerada inerte. Se o suposto devedor impugnar a exigência, de acordo com as fórmulas de procedimento administrativo específico, a exigibilidade ficará suspensa, mas o prazo de prescrição não terá sequer iniciado.” Em face de todo o exposto, infiro que não há como acolher a pretensão do contribuinte, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. 1 Curso de direito tributário. 10ª ed. revista e aumentada.São Paulo: Saraiva, 1998. pág. 319. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 12157.000532/200816 Acórdão n.º 3401002.722 S3C4T1 Fl. 15 11 Robson José Bayerl Fl. 415DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/09/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 16095.000440/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. POSSIBILIDADE. Verificada a ocorrência de inexatidões materiais no r. acórdão embargado, devem ser acolhidos embargos de declaração para que se promova a necessária retificação.
Numero da decisão: 1101-001.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros desta Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. POSSIBILIDADE. Verificada a ocorrência de inexatidões materiais no r. acórdão embargado, devem ser acolhidos embargos de declaração para que se promova a necessária retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros desta Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 40 /2 00 9- 31 Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Cuidase de Autos de Infração (fls. 2675/2722) lavrados contra a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda. por suposta omissão de receitas de sua atividade a partir de diferenças apuradas entre os valores tributados e os valores constantes da nota fiscal. Em função dessas infrações foi gerado crédito tributário no valor de R$ 16.263.291,20 a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, incluídos os valores da multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora. Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, sendo que as respectivas DIPJs foram apresentados com base no lucro presumido. De acordo com Termo de verificação e constatação de irregularidades fiscais, houve omissão de receitas descrita da seguinte forma: “Imprimimos as relações de Notas Fiscais constantes dos CDs apresentados pelo contribuinte (fls. 1802 a 2233) e as cotejamos com as Notas Fiscais entregues pelo mesmo (...), verificando que havia discrepância de valores em alguns casos, o que resultou na confecção das planilhas ‘DIFERENÇA ENTRE VALORES TRIBUTADOS RELACIONADOS E OS CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS’ relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005 (fls. 2234 a 2251). As totalizações mensais dessas diferenças foram acrescentadas aos valores tributados relacionados resultando na planilha ‘TOTALIZAÇÃO MENSAL DOS VALORES TRIBUTADOS CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS’ às fls. 2252. Foram extraídas as totalizações mensais dos serviços prestados constantes nos livros registro da prestação de serviço dos anos 2004 e 2005, resultando na planilha ‘TOTALIZAÇÃO MENSAL DOS SERVIÇOS ESCRITURADOS NOS LIVROS REGISTRO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DOS ANOS 2004 E 2005’ (fl. 2253). Foram também relacionadas as totalizações mensais das entradas dos livros caixa de 2004 e 2005 (fls. 2254 a 2259). Verificamos que nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003 e nos meses de janeiro e fevereiro de 2004 houve desconto e retenção do IR na fonte em algumas Notas fiscais. Os casos em que houve o desconto foram relacionados nas planilhas ‘IRF Período 01/10/200331/12/2003’ e ‘IRF janeiro e fevereiro de 2004’ (fls. 2260 a 2290). Com os dados obtidos das DIPJ do contribuinte e os dados das planilhas acima relacionadas elaboramos a planilha com os valores a tributar nominada de ‘DIFERENÇA ENTRE OS VALORES DECLARADOS E OS CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS (VALOR A TRIBUTAR)’ (fl. 2291), sendo os valores nela relacionados cobrados através de Auto de Infração com a devida compensação do IRF descontado na fonte pelos tomadores de serviços. Tendo o contribuinte em tese incidido em sonegação e fraude como definido nos arts. 71 e 72 da Lei 4502/64 e crime contra a Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101001.182 S1C1T1 Fl. 3.239 3 ordem tributária conforme arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90 a multa será qualificada” (fl. 2673) Como a soma dos créditos tributários de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassou trinta por cento de seu patrimônio e foi superior a R$500.000,00 (quinhentos mil reais), foi formalizado termo de arrolamento de bens (fl. 2729). Em sede de impugnação (fls. 2733/2764), defendeuse, em síntese, que não estaria caracterizada a omissão de receitas, na medida em que, contratualmente, haveria um mero repasse de valores (prêmios) que não integrariam o patrimônio/lucro, faturamento ou receita da empresa. Pleiteou a aplicação ao caso, por analogia, da legislação incidente sobre as atividades das agências de publicidade, que recebem dos clientes os honorários pelos serviços prestados e os valores devidos aos veículos de divulgação e outras despesas. Suscita diversos julgados sobre temas análogos e conclui pela não ocorrência de omissão de receitas, porque não se constituiriam em receitas da atividade os valores recebidos de seus clientes e repassados para terceiros por conta e ordem de seus clientes. Em seguida, ataca a instituição de adicionais das alíquotas da CSLL por meio de MPs e se irresigna contra a multa qualificada, ocasião em que afirma não haver, na autuação, indicação precisa de qual teria sido a conduta dolosa da Impugnante capaz de caracterizar o evidente intuito de fraude. No ponto, defende que as meras presunções ou alusões ao cunho doloso, desprovidas de provas, não seriam suficientes a caracterizar a intenção fraudulenta ou a máfé da empresa. A partir da premissa de inexistência de imputação de dolo, fraude ou simulação, pleiteia o reconhecimento da decadência do crédito tributário, objeto de lançamento de ofício de IRPJ e de CSLL relativos ao 4° trimestre de 2003 e ao 1°, 2° e 3° trimestres de 2004, e aos fatos geradores de PIS e de COFINS ocorridos entre outubro de 2003 e setembro de 2004, tendo em conta que a ciência do lançamento teria se efetivado apenas em 15/10/2009, contestando, assim, a aplicação ao caso do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I, do CTN ou no art. 45 da Lei n. 8.212/91. Em julgamento havido em 16/12/2009, a d. 2ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Multa Qualificada. Sonegação. Fraude. Configura sonegação e fraude a reiterada e expressiva omissão de receitas na escrituração e nas declarações prestadas ao Fisco, impondose a aplicação da multa qualificada de 150%. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, na qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa. Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Omissão de Receitas. Empresas de Marketing de Incentivo. Incidência sobre o Preço dos Serviços. As receitas ora tributadas exofficio são aquelas decorrentes da prestação de serviços pela empresa denominada de marketing de incentivo. Nos presentes autos, não houve qualquer exigência de tributos sobre o valor dos prêmios meramente repassados, por conta e ordem das empresas tomadoras de seus serviços, aos beneficiários por elas indicados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Apreciação de Inconstitucionalidade. Órgãos Administrativos de Julgamento. Vedação Expressa. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 3029/3030) Na ocasião, a d. DRJ entendeu por serem procedentes os lançamentos, pois, “verificado que os recursos omitidos se referem de fato a receitas da autuada, entre as quais não foram incluídos os valores recebidos para serem repassados a terceiros, não se sustenta a aplicação analógica da legislação incidente sobre as atividades das agências de publicidade, porque os recursos ora tributados exofficio configuram receitas da empresa” (fl. 3041). Além disso, assentou que, “compulsando os elementos integrantes dos autos, principalmente o demonstrativo da diferença entre os valores das receitas auferidas, constantes das notas fiscais, e os valores informados em DIPJ (fls. 2291), verificase que, no período fiscalizado, perto de 80% das receitas auferidas foram subtraídas da tributação” (fl. 3043) e, “adotados tais fundamentos, a exigência da multa qualificada subsiste” (fl. 3044). Por fim, afastou a decadência a partir de entendimento segundo o qual “comprovado o dolo, fraude ou simulação, a contagem de cinco anos deve ser feita a partir da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento” (fl. 3045), de modo que, “comprovada a tempestividade da intimação que formalizou a fraude, dada à comprovação da intenção dolosa da contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, o termo de início da contagem do prazo de decadência para a formalização dos lançamentos seria justamente 03/03/2008, a expirar apenas em 03/03/2013, estando regularmente formalizados os lançamentos cientificados ao contribuinte em 15/10/2009” (fl. 3046) O contribuinte cientificado da decisão, na data de 12/01/2010, interpôs Recurso Voluntário (fls. 3061 a 3079) em 01°/02/2010, no qual apresenta os mesmíssimos argumentos da Impugnação. Houve apresentação de contrarrazões (fls. 3089/3104), defendendo que a fiscalização somente considerou os valores dos serviços prestados para lavrar o auto de infração e concordando com as conclusões da d. DRJ. Também defende a manutenção da multa qualificada, porquanto, “ao não contabilizar parte significativa de suas receitas durante três Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101001.182 S1C1T1 Fl. 3.240 5 anos consecutivos, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos que ora lhe são exigidos” (fl. 3100); assim como defende a inocorrência de decadência. Em julgamento ocorrido em 02/02/2012 pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de julgamentos deste Col. CARF (fls. 3110/3150), acordaram os membros em, (i) preliminarmente, por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003 (vencido este Cons. Relator e designada para redigir o voto vencedor a Cons. Edeli Pereira Bessa) e, (ii) no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme acórdão n. 1101000.670 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1° de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I, DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. TRIBUTAÇÃO. PRÊMIOS PAGOS A TERCEIROS. RECEITAS ALHEIAS, QUE NÃO CONFIGURAM RESULTADO OPERACIONAL DA AUTUADA NÃO PODEM SER NOTADAS COMO SE SERVIÇO FOSSEM. Prêmios pagos a terceiros não configuram resultado operacional, mas tais importes não devem constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional devolveu os autos sem interposição de recurso. Por sua vez, a autoridade administrativa local juntou, à fl. 3166, aviso de recebimento sem preenchimento, o qual teria se destinado a cientificar a contribuinte do acórdão em referência, bem como registrou vistas concedidas à representante da autuada em 22/10/2003 (fl. 3167/3168) e anexou edital (fl. 3184) que permaneceu afixado de 09/10/2013 a 23/10/2013 para intimação da contribuinte acerca deste processo administrativo. Em 30/10/2013, a contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 3185/3191), nos quais alega obscuridade no julgado, porquanto (i) “consta do relatório do v. acórdão a narrativa de fatos que não se referem ao caso desses autos” (fl. 3186); e (ii) “consta do voto vencido, proferido pelo Ilustre Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, diversas menções ao julgamento do Recurso de Ofício que sequer existe no caso dos autos” (fl. 3190). Fl. 3242DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 A partir disso, afirma que, “diante das menções duvidosas tanto no relatório quanto no voto vencido sobre os fatos, não é possível saber com clareza e certeza o resultado do julgamento do Recurso apresentado pela Embargante nos termos do voto vencedor, proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ou seja, o resultado do julgamento não demonstra credibilidade diante de sucessivos equívocos apresentados” (fl. 3190). Por tais razões, pede o acolhimento dos embargos de declaração para que se declare nulo o r. acórdão embargado “diante de sucessivos equívocos que não permitem à Embargante obter pleno conhecimento do julgamento de seu recurso, sob pena de violação ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório” (fl. 3191). Em 23/01/2014, houve despacho admitindo os embargos para saneamento das inexatidões materiais verificadas no r. acórdão n. 1101000.670, razão pela qual os embargos foram encaminhados a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Penso que o vertente recurso de embargos de declaração, opostos tempestivamente, deve ser conhecido e acolhido para o saneamento de erros materiais. Com efeito, nos termos do bem elaborado despacho da Ilustre Cons. Edeli Pereira Bessa (fls. 3236/3237), “a interessada demonstra que o relatório do acórdão formalizado não guarda relação com o presente litígio, assim como o voto vencido do Conselheiro Relator traz referências a recurso de ofício inexistente nestes autos”. Contudo, reconhecese que, “a partir da página 32 do documento, passa a abordar matéria coerente com o litígio presente nestes autos”. Em acréscimo, verificase da ata da sessão de julgamento correta alusão ao dispositivo e à ementa do acórdão embargado, nos seguintes termos: “Em preliminar, por maioria de votos, foi ACOLHIDA PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003, vencido o Conselheiro Relator Benedicto Celso Benício Junior, e designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, no mérito, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário”. Desse modo, concluise com segurança que este Relator cometeu equívoco por ocasião da formalização do acórdão, o que, a despeito de exigir correção, afasta a possibilidade de nova apreciação do litígio, o qual já foi corretamente analisado e decidido por esta d. Turma. Senão, vejamos: Do equivocado relatório presente no r. acórdão embargado: efeito integrativo Primeiramente, percebese que o relatório apresentado no r. acórdão embargado não guarda relação com o presente litígio, sendo certo que, por ocasião da formalização do acórdão, este Relator se confundiu e apontou relatório de outro caso, Fl. 3243DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101001.182 S1C1T1 Fl. 3.241 7 mostrandose de rigor o acolhimento dos aclaratórios opostos para que se promova essa retificação (erro material). Assim sendo, deve ser ACOLHIDO o recurso de embargos de declaração, para que sem qualquer alteração quanto ao mérito seja corrigido o equivocado relatório presente no r. acórdão embargado, passando a ser considerado como relatório correto aquele que se apresenta no vertente acórdão. Essa deliberação é possível em razão do efeito integrativo dos embargos de declaração, o qual tem por objetivo integrar, complementar, aperfeiçoar a decisão embargada, com vistas a exaurir a prestação jurisdicional (no caso, administrativa) que se encontrava imperfeita. Do resultado de julgamento em relação à decadência, à multa qualificada e ao mérito Além disso, afora as menções presentes no voto vencido prolatado por este Relator à fl. 2939 (fl. 31 do acórdão) acerca de inexistente recurso de ofício, o voto prossegue de forma bastante clara, sendo perfeitamente compreensível ao Contribuinte perceber o quanto foi decidido por esta Col. Turma Julgadora na ocasião. Notese que, ao tratar da decadência, este Relator reconhece “a decadência dos lançamentos atinentes a fatos geradores anteriores ao quarto trimestre de 2004, exclusive” (fl. 2945), na medida em que, “no presente caso, a natureza do trabalho impositivo evidencia que houve, sim, indicação de recolhimentos antecipados, ainda que insuficientes” e que “não há indícios de comportamento doloso, fraudulento ou simulatório, a ensejar a cominação mandatória do artigo 173, inciso I, do CTN” (fl. 2942). Por essa última razão, a propósito, posicioneime (de forma isolada na ocasião) pela redução ao patamar de 75% da multa de ofício aplicada de forma qualificada no patamar de 150%. Em relação ao mérito, manifesteime no seguinte sentido, litteris: “No mérito, a recorrente aduz que parcela substancial dos ‘rendimentos’ por ela aferidos não compõe, de fato, renda exacionável. Nesse sentido, afirma que, lado a lado com a comissão pelos serviços de marketing prestados, recebia ela, de seus contratantes, montantes que apenas transitavam pelas suas contas, sem constituírem resultado operacional, destinados a repasse a terceiros, a título de prêmios ou de outras subvenções atreladas à prestação serviçal realizada. O equívoco fazendário, insinua a postulante, teria causa no fato de os importes transferidos também serem acobertados por meio de notas fiscais de serviços. Ao considerar a totalidade destes documentos fiscais, em cotejo com o valor tributável declarado, o Fisco teria feito incidir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a receitas que pertencem a outras pessoas – a quem eram os valores creditados, segundo os ditames emanados dos tomadores dos serviços de marketing. A autoridade recorrida, em seu voto, anuiu, em tese, com a argumentação da recorrente, muito embora tenha apontado, Fl. 3244DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 acertadamente, que tais importes não deveriam constar das notas fiscais de serviços, como se preços fossem. (...) Sem prejuízo disso, o aresto guerreado entendeu que tais circunstâncias não demandariam reprimenda ao labor impositivo, uma vez que este, pretensamente, já deixara de considerar as notas fiscais marcadas com rubricas relativas a simples intermediações de pagamentos de premiações. Teriam sido tributados, com isso, apenas os valores resultantes da prestação dos serviços inerentes ao objeto social da recorrente. Por essas razões, creio que o trabalho lançador encontrase adequado e devam ser mantidos os lançamentos debatidos, porquanto incontroversamente corretos. Nego, portanto, provimento ao recurso voluntário nesta parte. ” (fls. 2942/2944) Meu posicionamento somente prevaleceu em relação ao mérito, sendo que, em relação aos demais temas, foi prolatado voto vencedor pela I. Cons. Edeli Pereira Bessa, que iniciou “A exigência aqui veiculada foi formalizada em 15/10/2009, tendo por objeto créditos tributários devidos a título de IRPJ e CSLL, do 4° trimestre de 2003 ao 4° trimestre de 2005, e, relativamente à Contribuição ao PIS e à COFINS, entre os períodos de apuração de outubro de 2003 e dezembro de 2005. Na medida em que caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento dos tributos aqui lançados, e uma vez confirmada esta acusação no presente julgamento, resta afastada a pretendida aplicação do art. 150, §4°, do CTN” (fls. 2946) Essas posições vencedoras encontramse refletidas no resultado de julgamento apresentado no r. acórdão embargado (fls. 2910/2911), nos seguintes termos: “Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência para excluir as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS de outubro e novembro de 2003, vencido o Conselheiro Relator Benedicto Celso Benício Júnior, e designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos dos relatório e votos que acompanham o presente acórdão. ” (fls. 2910/2911) Assim, entendo que deve ser ACOLHIDO o recurso de embargos de declaração, para que, extirpandose os comentários acerca de recurso de ofício inexistente (presente à fl. 2939), sejam aclarados ainda que já fosse possível compreender os motivos que determinaram (i) o reconhecimento de decadência parcial relativamente à Contribuição ao PIS e à COFINS devidos em outubro e novembro de 2003 (nos termos do voto vencedor Fl. 3245DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16095.000440/200931 Acórdão n.º 1101001.182 S1C1T1 Fl. 3.242 9 prolatado pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa); (ii) a manutenção da qualificadora da multa de ofício em razão do entendimento de existência de evidente intuito de fraude (nos termos do voto vencedor prolatado pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa); e (iii) no mérito, a negativa de provimento ao recurso voluntário, nos termos do meu voto vencedor no ponto. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e ACOLHER o vertente recurso de embargos de declaração, nos termos da argumentação supra. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 3246DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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