Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,199)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,222)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,779)
- Primeira Turma Ordinária (15,762)
- Primeira Turma Ordinária (15,629)
- Segunda Turma Ordinária d (15,628)
- Segunda Turma Ordinária d (14,157)
- Primeira Turma Ordinária (12,924)
- Primeira Turma Ordinária (12,211)
- Segunda Turma Ordinária d (12,204)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,248)
- Quarta Câmara (83,572)
- Terceira Câmara (65,494)
- Segunda Câmara (54,178)
- Primeira Câmara (18,596)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,058)
- Segunda Seção de Julgamen (112,105)
- Primeira Seção de Julgame (74,506)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,893)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,723)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,164)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,573)
- HELCIO LAFETA REIS (3,497)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,196)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,885)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,541)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,522)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,883)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,463)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,743)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16327.919408/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO
Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1201-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.919408/2009-51
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5858200
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.106
nome_arquivo_s : Decisao_16327919408200951.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 16327919408200951_5858200.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7255015
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308457791488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.919408/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.106 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria IRPJ Recorrente UNIBANCO LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 94 08 /2 00 9- 51 Fl. 306DF CARF MF 2 Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD), fl. 41, emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº 10216.41205.100305.1.3.045865 e não homologou a compensação declarada, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o DARF discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Tal DARF, conforme a referida DCOMP possui: período de apuração – 01/06/2004; data de arrecadação – 30/07/2004; código de receita – 2319 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL); valor total R$790.641,03. O Despacho Decisório é de 10/12/2009 e a transmissão da DCOMP ocorreu em 10/03/2005. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 20/01/2010 (fl. 2), alegando, em síntese, que: (...) II – DO DIREITO II.A DA EFETIVA PRESENÇA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO INVOCADO (...) De início, convém ressaltar que o direito do Manifestante ao crédito de IRPJ (cód. 2319) decorrente do recolhimento a maior efetuado a esse título não pode ser contestado por argumentos de índole meramente secundária (ordem formal), tal como pretende a digna Autoridade Fiscal, visto que se trata de direito plenamente amparado na Constituição Federal e na respectiva legislação tributária aplicável, como melhor se verificará a seguir. A não homologação da compensação pleiteada no Per/Dcomp em referência (doc.02), decorrente de despacho eletrônico, parece ter ocorrido no preenchimento na DCTF, visto que o valor efetivamente devido a titulo de IRPJ, do mês de junho de 2004, monta em R$ 773.569,65, conforme consignado na competente DIPJ anocalendário 2004 (doc.03), e não de R$ 790.641,03, conforme constara na DCTF (doc.04). Desta forma, tendo em vista que a manifestante efetuou o recolhimento de DARF (doc. 05), no valor de R$ 790.641,03 em 30/07/2004, e havia apurado na ocasião, o valor devido de IRPJ de R$ 773.569,65, concluise que, a manifestante possui um indébito passível de compensação, no montante de R$ 17.071,38, Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 3 3 valor esta declarado na PERDCOMP objeto da presente manifestação, conforme abaixo demonstrado: Outubro de 2004: Valor devido de IRPJ : R$ 773.569,65 Valor pago de IRPJ via DARF: R$ 790.641,03 Valor do recolhimento a maior: R$ 17.071,38 A corroborar com o informado na DIPJ, anexamos à presente manifestação cópia do Balancete da empresa no mês de junho de 2004, onde consta lançado na rubrica contábil 8941000002 — Imposto de Renda —, o valor devido de IRPJ no montante de R$ 771.569,65, que somados ao acerto efetuado pela contabilidade em julho de 2004 de R$ 2.000,00, chegase ao valor indicado de IRPJ.(docs.06 e 07). Assim sendo, concluise que, o procedimento adotado resultou em crédito suficiente para efetivar a compensação realizada por meio do PER/DCOMP objeto da presente manifestação. Assim, não existem motivos para a não homologação da presente compensação, visto que está devidamente declarada. Desta feita, inferese que o equívoco de ordem formal é claro e fora nodal para a concretização da glosa combatida, visto que o Despacho Decisório tomou como supedâneo as informações desencontradas constantes nos informes alhures. Informações estas que, aliás, foram erroneamente prestadas pelo Manifestante, de modo que, corrigindose tais lapsos, resta evidenciado o lídimo direito creditório do Manifestante. De mais a mais, fica evidente que o Despacho Decisório atacado é manifesto fruto de erro de fato constante na DCTF do 2º trimestre de 2004, eis que foi o próprio Manifestante quem declarou de forma errônea informações imperiosas para que os sistemas da Receita Federal do Brasil pudessem cruzar a origem do indébito pretendido, de forma que, uma vez corrigido tal lapso, resta evidente que a glosa em questão não pode subsistir, frente ao que determina os primados norteadores da atividade administrativa, em especial, o da Verdade Material. Visto que, ante a cabal demonstração dos lapsos perpetrados pelo Manifestante, carece de ser corrigido de ofício o quanto equivocadamente declarado no respectivo informe, eis que maculado por flagrante erro de preenchimento, só que esse equívoco de ordem puramente formal não importa dizer em qualquer vedação ao lídimo direito patrimonial do Manifestante frente ao Fisco. Por essa razão, requerse que este C. Órgão de Julgamento realize a conjugação entre a realidade material envolvida com a formal vertida nos informes fiscais em referência, de modo que, na necessária busca da Verdade Material, constatandose erro Fl. 308DF CARF MF 4 de fato, é deverpoder deste Órgão reformar o r. Despacho Decisório no quanto aqui atacado, reconhecendo o direito creditório e homologando o presente expediente compensatório. (...) Desta feita, resta evidente que pelo mero equivoco de ordem formal (erro no preenchimento das competentes DCTFs) não pode o Manifestante ter o seu direito creditório tolhido pela r. autoridade fiscal. Ademais, válido ainda frisar que, o lídimo direito de qualquer contribuinte ao imediato ressarcimento daquilo que recolheu indevidamente ou a maior, seja pela via da compensação, seja pela via da restituição do indébito, encontra ancoro na Carta Magna, mormente no direito de propriedade (art. 5º, XXII) e do devido processo legal (art. 5º, LIV), como nos primados da Legalidade (art. 150, I) e da Moralidade Administrativa (art. 37, caput). Isso porque, todo ato administrativo perpetrado com vistas à cobrança de determinado tributo manifestamente indevido ou a maior, bem como que obstaculizar a sua devolução, mostrase frontalmente contrário aos ditames dos preceitos constitucionais retro alinhavados. (...) Desta feita, fica evidenciado que eventuais equívocos de índole acessória constantes das declarações apresentadas pelo Manifestante, individualmente analisados, não suportam o indeferimento do presente pedido de compensação, visto que o direito do Manifestante à compensação do crédito aqui pleiteado resta devidamente comprovado nos autos, bem como garantido na Constituição Federal e na legislação tributária em vigor. II DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requerse: (i) o acatamento das razões aqui lançadas com a correspondente declaração e INSUBSISTÊNCIA do Despacho Decisório atacado; (ii) seja declarado o CANCELAMENTO da cobrança noticiada ao Manifestante; (iii) o RECONHECIMENTO integral do direito creditório pleiteado com a consequente HOMOLOGAÇÃO integral da compensação levada a efeito. 3. À fl. 72, consta despacho da Autoridade Preparadora encaminhando os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 3.1. À fl. 71, consta Histórico das Comunicações, atestando entrega e ciência do DD pelo Contribuinte em 21/12/2009. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 4 5 Decisão da DRJ/SPO Em 12/09/2014 a 4°Turma de Julgamento da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme ementa que trago abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a totalidade da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário A Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual repisa seus argumentos trazidos em Manifestação de Inconformidade no sentido de que houve mero erro de informação na DCTF mas que a existência do crédito resta comprovada através de sua DIPJ, DARF, LALUR e Escrituração Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese a presente discussão se refere à crédito de IRPJ do mês de junho de 2004 no montante de R$ 17.071,38 decorrente da diferença entre o valor de IRPJ recolhido no montante de R$ 790.641,03 e o que seria devido, segundo a Recorrente, no montante de R$ 773.569,65. A Recorrente traz os seguintes argumentos: Fl. 310DF CARF MF 6 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 5 7 Traz também, explicações sobre as despesas de doação para Projeto Culturais incentivados: Do conjunto probatório trazido aos autos e explicações relacionadas, me parece estar devidamente evidenciada a existência do crédito pleiteado pela Recorrente, não obstante o erro cometido no preenchimento da DCTF Isso porque, os valores constantes em DIPJ e LALUR ratificam o cálculo apresentado pela Recorrente que resultaria em IRPJ a pagar montante de R$ 773.569,65 o que comparado ao montante recolhido no valor de R$ 790.641,03 resultaria no exato valor do crédito pleiteado. Além disso, os balancetes trazidos aos autos comprovam e dão validade às informações constantes nos documentos fiscais. Veja, a própria turma da DRJ reconhece a existência do DARF no valor de R$ 790.641,02 e a informação constante na DIPJ, vejamos aqui trecho do voto do acórdão da DRJ: 7.2. E, com efeito, na DIPJ do anocalendário de 2004 original (transmitida em 30/06/2005), constatase que na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução), mês de junho/2004, Linha 13 (Imposto de Renda a Pagar) consta o valor de R$773.569,65, contrastando com o valor declarado na DCTF de junho/2004 R$790.641,03. 8. Para comprovar o pagamento a maior que o devido, a Recorrente apenas trouxe cópias do referido DARF, da DCTF do 2º trimestre de 2004, da DIPJ anocalendário de 2004; da presente DCOMP; da planilha de Demonstração do Lucro Real e de balancetes do período. Notese que a ela caberia o ônus de provar a existência do crédito pleiteado, visto que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8.1. Mantémse, no presente caso, a necessidade de comprovação do quanto alegado (ou seja, da ocorrência do Fl. 312DF CARF MF 8 pagamento a maior que o devido), por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial, entre outros, os Livro Diário e Razão, além de transcrição no LALUR (visto que a base de cálculo do imposto mensal por estimativa foi apurada com base em balanço/balancete de suspensão/redução em todos os meses de 2004), bem como a respectiva documentação de respaldo – de modo a esclarecer quais os valores efetivamente corretos em relação aos por ela informados nas declarações e pagamentos efetuados à Receita Federal do Brasil , em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Ora, me alinho com o racional adotado pela DRJ, contudo, discordo da conclusão. Isso porque, me parece cristalino pela documentação trazida aos autos pela Recorrente em conjunto com as devidas explanações que houve, sim, equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações (acertadas) da DIPJ e, por fim, restou comprovado o recolhimento a maior em razão do DARF juntado aos autos. Este Conselho é reconhecido no mundo jurídico brasileiro por decidir as causas que lhe são submetidas com aplicação de refinada expertise na legislação e na prática tributária, além de se pautar, invariavelmente, pela busca constante da verdade material. Isso porque, diante da extrema complexidade da legislação e das obrigações tributárias no Brasil, não é anormal, mesmo para as grandes empresas que têm condições de manter caras estruturas de "compliance" fiscal, cometer erros e equívocos. Contudo, tais erros e equívocos não pode dar origem ao enriquecimento sem causa do Fisco. Este é o caso que se apresenta nos autos. Houve erro no preenchimento de uma das obrigações acessórias relacionadas ao pagamento do tributo. Uma vez comprovado o erro e o recolhimento do tributo que se alega ter sido efetuado, não há razão para penalizar o contribuinte. Desta feita, em homenagem do Princípio da Verdade Material, aceito a documentação apresentada junto ao Recurso Voluntário e com base nisso entendo procedente o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.919408/200951 Acórdão n.º 1201002.106 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721314/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
GLOSAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE DA DESPESA.
À falta de comprovação quanto à necessidade, usualidade e normalidade das despesas glosadas pela fiscalização, em relação às atividades da empresa, implica considerá-las indedutíveis.
POSTERGAÇÃO
A alegação de postergação de pagamento do tributo, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, não pode ser comprovada apenas mediante os registros contábeis.
MULTA QUALIFICADA.
Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação.
Numero da decisão: 1302-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa qualificada, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Flavio Machado Vilhena Dias - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: GLOSAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE DA DESPESA. À falta de comprovação quanto à necessidade, usualidade e normalidade das despesas glosadas pela fiscalização, em relação às atividades da empresa, implica considerá-las indedutíveis. POSTERGAÇÃO A alegação de postergação de pagamento do tributo, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, não pode ser comprovada apenas mediante os registros contábeis. MULTA QUALIFICADA. Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10945.721314/2014-47
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5867909
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.625
nome_arquivo_s : Decisao_10945721314201447.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10945721314201447_5867909.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa qualificada, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator (assinado digitalmente) Flavio Machado Vilhena Dias - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7314580
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308474568704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.721314/201447 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.625 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2018 Matéria GLOSAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. OMISSÃO DE RECEITA. VENDA DE IMÓVEL Recorrente DANI & CIA LTDA. (DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BACIQUETTI LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: GLOSAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE, USUALIDADE E NORMALIDADE DA DESPESA. À falta de comprovação quanto à necessidade, usualidade e normalidade das despesas glosadas pela fiscalização, em relação às atividades da empresa, implica considerálas indedutíveis. POSTERGAÇÃO A alegação de postergação de pagamento do tributo, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, não pode ser comprovada apenas mediante os registros contábeis. MULTA QUALIFICADA. Não comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, não se admite a qualificação da multa de ofício, nos termos definidos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a multa qualificada, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil e Lizandro Rodrigues de Sousa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 13 14 /2 01 4- 47 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Flavio Machado Vilhena Dias Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0266.657, de 25 de setembro de 2015, da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de mérito e no mérito julgou improcedente a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVADO. INDEDUTIBILIDADE. Não comprovado que as despesas glosadas pela fiscalização estavam ligadas à atividade da empresa, as mesmas são indedutíveis, em razão da desnecessidade, sendo cabível a autuação. POSTERGAÇÃO PAGAMENTO Não basta a simples alegação da ocorrência de postergação de pagamento do tributo, sendo indispensável a comprovação do seu efetivo pagamento e não apenas a contabilização. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 4 3 O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Conforme destacado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em 15/05/2014 iniciaramse os procedimentos de fiscalização, em relação aos anos calendários de 2010 e 2011, constatouse: a) a omissão de receita não operacional, por falta de contabilização de venda de bens do ativo imobilizado; e b) a contabilização indevida de despesas, passíveis de glosa, como a seguir detalhado: Glosa de Despesas A Recorrente contabilizou diversas despesas, nos anos calendários de 2010 e 2011, sem que preenchessem os requisitos legais quanto à necessidade, normalidade e usualidade para as atividades da empresa, estabelecidos nos artigos 299 e 300 do RIR, de 1999, Decreto n° 3000, de 1999. O detalhamento das despesas glosadas consta das planilhas anexadas ao processo. As cópias dos documentos que embasaram esta planilha também estão anexados ao processo. Tais despesas foram contabilizadas como "Diversos", "Despesas" ou " Vendas" e não possuem elementos suficientes para identificação da operação e têm idoneidade duvidosa. Também glosaramse valores contabilizados como despesas: Juros e Financiamentos Glosouse o valor de R$ 30.000,00 que é parte da devolução de empréstimo, portanto, não constitui despesa. Também foi glosada a importância de R$ 25.369,99, parte do principal de empréstimo pago e não constitui despesa. Apresentouse documento emitido pela Caixa Econômica Federal para comprovar despesa de R$ 43.191,28. O documento apresentado extrato bancário não permite identificar a inclusão de encargos financeiros nos valores debitados, muito menos a sua quantificação. Despesas com Marketing Além de não preencherem os requisitos legais de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os documentos apresentados, em sua maioria, discriminam de maneira generalizada o serviço ou a mercadoria, não possuindo elementos suficientes para identificação da operação, além de possuírem idoneidade duvidosa. Omissão de receita A empresa omitiu receita não operacional, caracterizada pela não contabilização de venda do ativo imobilizado de sua propriedade. O valor da venda foi de R$ 1.300.000,00, parcelado. O Contrato de Compra e Venda contém cláusula que determina o pagamento direto aos sócios da empresa. Tal decisão foi considerada pela DRJ como atitude deliberada da empresa, com o intuito de omitir a receita não operacional para pagar menos tributo que o Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 5 4 efetivamente devido. Desta forma, foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre o valor dos tributos devidos a este título. Razões de Defesa A Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 29/09/2015 (fl. 565) e interpôs Recurso Voluntário, em 27/10/2015 (fl. 590). São razões podem ser resumidas nos termos a seguir: Preliminar de Nulidade Em preliminar, alega que não obstante ter sido intimada para ciência do auto de infração (22/09/2014), não teria recebido cópia integral do auto de infração, na forma prevista na legislação. Por esse motivo, alega que teria sidolhe retirado o direito de defesa. Invoca o Decreto n° 70.235, de 1972 e ilustra com manifestação de Helly Lopes Meirelles. Alega cerceamento do direito de defesa e agressão ao princípio constitucional da isonomia. Da venda do ativo imobilizado regular contabilização Alega que teria havido erro por parte da Fiscalização. Pois, teria procedido à adequada contabilização da venda do imóvel. A venda do imóvel teria sido realizada em pagamentos parcelados, tendo início em 05/05/2010, somente findando em 20/11/2012; apenas parte da área teria sido vendida: 4.502,50 m2 de uma área total de 12.830,50 m2. O contrato teria cláusula resolutiva, considerando tratarse de pagamentos parcelados; o inadimplemento do contrato colocaria fim ao pacto com a devolução dos valores pagos. Defende que pelo fato de a transação ter sido formalizada por meio de Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel, não teria o poder legal de transmitir a propriedade do bem imóvel, de modo que a transmissão de propriedade somente poderia se perfazer, mediante a com a emissão da Escritura Pública e seu respectivo registro perante o Cartório de Registro de Imóveis. Desta forma, o auto de infração padeceria de vício em seu lançamento, uma vez que somente poderia ser considerada realizada a venda, quando do efetivo registro da escritura junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Dadas as características do contrato, a autuada somente contabilizou a venda do bem após vencidas as condições resolutivas previstas no contrato, tais como pagamentos parcelados e a efetiva escrituração do bem em favor da Cooperativa Copagril. A cópia do Livro Razão da empresa referente ao AC 2012 poderia comprovar que a empresa realizou o lançamento da venda do imobilizado, com a realização do pagamento do imposto relativo ao ganho de capital, na forma prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 6 5 Da denúncia espontânea Na remota hipótese de se admitir pela obrigação do lançamento mensal dos valores em função do contrato de compra e venda, a demonstração do lançamento realizado pela empresa antes de qualquer atuação fiscal caracterizaria a denúncia espontânea, de modo que deveria ser afastada toda e qualquer pretensão de cobrança de multa. Invoca o art. 138 do CTN e transcreve passagem de Aliomar Baleeiro. Apuração do ganho de capital Salienta que, caso houvesse a determinação quanto à origem dos valores alienação de bem do ativo imobilizado o lançamento somente poderia ser em relação ao efetivo valor do ganho de capital, conforme art. 418 do RIR, de 1999. Ainda que não se admita a observância do regime de competência, a previsão do art. 273 do RIR, de 1999 milita em favor da autuada. Contabilização das despesas A despeito dos comentários (baseados em presunção e sem qualquer comprovação técnica) sobre grafias dos documentos, a glosa foi efetuada pelo entendimento de que tais despesas não eram dedutíveis na forma como contabilizadas. Invoca os arts. 299 e 300 do RIR, de 1999 para argumentar que a simples previsão legal ao caso em comento e a inexistência de uma única prova de que os valores constantes das notas fiscais não foram efetivamente pagos evidenciam a improcedência do auto de infração. A presunção no lançamento fiscal não é admitida, uma vez que não existe até a presente data a regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN. Desta forma, insiste em alegar que teria sido regularmente realizada a escrituração contábil e fiscal; que o ônus da prova acerca da irregularidade ou ilegitimidade da escrituração contábil seria do fisco, que não haveria se falar em inversão do ônus da prova. Multa Qualificada Alega que, o fisco teria entendido que a não escrituração dos valores relativos à venda do ativo imobilizado constituiria prática deliberada de omissão de receitas, justificando a qualificação da multa. Ressalta que, os motivos arrolados não justificariam a qualificação da multa. Como demonstrado, não haveria qualquer tentativa de sonegação de tributos, houve sim, a consideração da venda do imóvel, após a transferência junto ao registro de imóveis, dentro do AC de 2012. No presente caso, com a simples demonstração da contabilização da venda do imóvel seria suficiente para jogar por terra qualquer alegação de fraude ou simulação. Ilustra com jurisprudência administrativa. Pedidos Requereu o acolhimento da preliminar de nulidade, e na hipótese de afastamento, provimento ao recurso voluntário, exonerandose inclusive a multa de 150%. É o relatório. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço do recurso. Preliminar de nulidade A Recorrente alega a nulidade do lançamento, argumentando que somente recebeu o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, não recebendo a integralidade da cópia do processo que embasou o feito fiscal. O Decreto n° 70.235/72 assim prescreve, acerca do Processo Administrativo Fiscal: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) [...] Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I. a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Notese que, dentre os elementos obrigatórios do auto de infração não está incluída a cópia integral do processo; a disposição legal infringida, a penalidade aplicável e a descrição dos fatos correspondentes reportamse aos elementos necessários para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. Contudo, ainda que assim não entenda o sujeito passivo, a ele está facultada a obtenção da cópia integral do processo, mediante solicitação à RFB, conforme preceitua a Lei n° 9.250, de 1995: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 38. Os processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, salvo quando se tratar de: I encaminhamento de recursos à instância superior; II restituições de autos aos órgãos de origem; III encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. § 1° Nos casos a que se referem os incisos I e II deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na repartição. § 2° E facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Não consta do processo, nem mesmo foi mencionada pela Recorrente qualquer petição desta natureza. A propósito, as infrações apontadas pelo fisco foram apuradas a partir da verificação dos documentos apresentados pelo próprio contribuinte, de modo que, não se pode alegar desconhecimento de seu conteúdo. Acerca da nulidade aventada pelo impugnante, o artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. " Não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constatase que o Auto de Infração em questão foi prolatado por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. Os motivos do lançamento foram precisamente identificados pela autoridade competente e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela Recorrente permite concluir que a motivação dos lançamentos foi compreendida, tanto que impugnada e objeto do recurso voluntário em questão. Dessa forma, concluise que a argumentação acerca da nulidade apresentada pela Recorrente não tem razão de ser: o ato em questão não resultou em cerceamento do direito de defesa, uma vez que a Recorrente foi devidamente cientificada do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Mérito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 9 8 O auto de infração em discussão neste processo tem como discussão dois temas, a) a omissão de receitas não operacionais e b) a dedução de despesas não necessárias ou não comprovadas. Tendo em vista a argumentação apresentada pela Recorrente, temse: Venda do ativo imobilizado O fisco apurou a omissão de receitas não operacionais, caracterizada pela não contabilização de venda do ativo imobilizado de propriedade da Recorrente, no valor de R$ 1.300.000,00. Os pagamentos foram efetuados parceladamente e o fisco considerou como ocorrido o fato gerador nas datas e valores dos efetivos recebimentos: maio/2010 a novembro/2012. A Recorrente argumenta que a compra/venda apontada pelo fisco iniciouse em maio/2010, mas somente findou em 20/11/2012 e que a área vendida 4.502,50 m2 é parte de uma área total de 12.830,50 m2. O pacto entre as partes foi formalizado com cláusula resolutiva e não tem o poder legal de transmitir a propriedade do bem imóvel, que somente se dá com a emissão da Escritura Pública de Compra e Venda e seu registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Neste contexto, argumenta que somente contabilizou a venda do bem após vencidas as condições resolutivas previstas no contrato. Menciona o lançamento da venda do imobilizado no ano de 2012, com o pagamento do imposto relativo ao ganho de capital apurado, na forma prevista no Regulamento do Imposto de Renda. Apresenta diversos documentos no intuito de comprovar suas alegações. Contesta ainda a apuração do imposto devido a este título apurado pelo fisco, argumentando que o lançamento somente poderia ocorrer em relação ao valor do ganho de capital. O Contrato de Compra e Venda apresentado pela autuada na fase de auditoria, anexado às fls. 356 a 361 do processo, contém as seguintes informações: Do Objeto da Compra e Venda (...) contratam a venda e compra da porção equivalente a 4.502,50 m2 a serem desmembrados do imóvel denominado Chácara 336/A, (...) com todas as benfeitorias nele existentes, imóvel este que encontrase registrado junto ao CRI de Marechal Cândido Rondon sob a matrícula 24.080, que conta em sua totalidade com 12.830,50m2, de propriedade da compromitente. (...) Do Preço O valor total da venda do imóvel resta ajustado por meio do presente instrumento em R$ 1.300.000,00, o qual será pago da seguinte maneira: R$ 650.000,00 a serem pagos no ato da assinatura deste instrumento. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 10 9 seis parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 35.000,00, sendo a primeira vencível em data de 10 de junho de 2010 e a última em data de 10 de novembro de 2010. vinte e quatro parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 18.333,34, sendo a primeira vencível em data de 10 de dezembro de 2010 e a última em data de 10 de novembro de 2012. Parágrafo único: os pagamentos supra serão efetuados diretamente nas mãos dos sócios da compromitente que ficam obrigados a emitir o devido recibo. (...) Da Rescisão Se os compromitentes, após o pagamento do sinal, recusaremse a outorgar a escritura definitiva em favor da compromissária, esta poderá exigir a restituição, em dobro (...) Por sua vez, o documento apresentado pela Recorrente junto com a impugnação, emitido pelo Cartório de Registro de Imóveis contém as seguintes informações: IMÓVEL Consta do LOTE URBANO n° 09 (...) com a área de 4.502,50m2, com uma construção de alvenaria com área de 1.146,61 m2(...) Nos termos da Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 29 de dezembro de 2011 (...) o imóvel constante da presente matrícula, foi adquirido por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL COPAGRIL, (...) por compra feita de DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS BACIQUETTILTDA (...) Pelo valor de R$ 1.300.000,00 (...) Condições: DO VALOR E DA FORMA DE PAGAMENTO: Que o preço certo e ajustado da venda é de R$ 1.300.000,00, pagos da seguinte forma: R$ 1.098.333.26 foram pagos em moeda nacional, parcelado conforme contrato firmado em 04 de maio de 2010. (...) o saldo no valor de R$ 201.666,74 deverá ser pago em moeda nacional em 11 parcelas fixas mensais no valor de R$ 18.333,34 cada uma, sendo o vencimento da primeira em data de 10/01/2012 e as demais em igual dia dos meses subseqüentes, cuja quitação darseá contra recibo. Da leitura dos documentos acima, constatase: • Ambos os documentos referemse à aquisição de fração de 4.502,50 m2 de terreno com área total de 12.830,50m2. • A Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel identificado pelo cartório data de 29/12/2011 e o registro no Cartório de Registro de Imóveis ocorreu em 03/02/2012. • O imóvel identificado no Registro de Imóveis à fl. 523 é composto pela área de 4.502,50 m2, com uma construção de alvenaria com área de 1.146,61 m2. • O imóvel identificado no Contrato de Compra e Venda referese à porção equivalente a 4.502,50 m2 a serem desmembrados do imóvel denominado Chácara 336/A, com todas as benfeitorias nele existentes; tal documento não Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 11 10 menciona a existência de construção de alvenaria, apesar de fazer alusão a benfeitorias. • O Contrato de Compra e Venda apresentado ao fisco quando da auditoria previa a outorga da escritura definitiva em favor da compromissária após o pagamento do " sinal", sob pena de multa. Considerando as informações acima, constatase que: Diferente do argumento utilizado pela Recorrente, a escritura definitiva do imóvel estava prevista para efetivação "logo após o pagamento do sinal', de modo que a transferência do imóvel após o pagamento do valor parcelado tal como aventada pela Recorrente está em desacordo com pacto efetuado. Acrescentese ainda que, a escritura pública apresentada foi lavrada antes do pagamento integral das parcelas pactuadas, em 03/02/2012 e não em dezembro/2012, como menciona a Recorrente. Verificando as DIPJs apresentadas pela autuada referentes ao período de 2010 a 2012, são encontradas as seguintes informações: BALANÇO PATRIMONIAL Período DIPJ AC 2009 DIPJ AC 2010 DIPJ AC 2011 DIPJ AC 2012 39. Terrenos R$ 7.500,00 R$ 7.500,00 R$ 7.500,00 R$ 3.748,49 40.Edifícios e Construções R$ 102.908,34 R$ 102.908,34 R$ 120.545,33 R$ 0,00 41.Construções em Andamento R$ 71.050,77 R$ 75.050,77 R$ 75.050,77 R$ 0,00 Considerando as informações do demonstrativo acima, fornecidas pela própria Recorrente em suas DIPJs, constatase que o Ativo Imobilizado Terrenos somente foi alterado pelo contribuinte no AC de 2012. Ainda verificando as informações prestadas pela Recorrente nas DIPJs, tem se: DIPJ AC 2010 DIPJ AC 2011 DIPJ AC 2012 1° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 0,00 R$ 999,51 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienado R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 2° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 9.000,15 R$ 0,00 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 3° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 0,00 R$ 39.933,43 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 1.238,04 4° trimestre 66.Receitas Alien.Bens Direitos Invest.,Imob.e Intangível R$ 266,49 R$ 0,00 R$ 0,00 70.()Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 12 11 O demonstrativo acima indica as receitas não operacionais advindas da alienação de bens e direitos; a receita da alienação do imóvel apontado pelo fisco, no valor de R$ 1.300.000,00 não foi localizada nas informações prestadas pelo contribuinte, nem mesmo no AC de 2012, quando o impugnante alega seu oferecimento à tributação. Apesar de a Recorrente mencionar a apuração e pagamento do IRPJ referente ganho de capital auferido quando da alienação em questão, não foi apresentada tal apuração nem os pagamentos correspondentes, assim como também não foram localizados nos sistemas informatizados da RFB quaisquer pagamentos a este título. Por outro lado, o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000, de 1999 (RIR, de 1999) assim prescreve acerca do assunto: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31). § 1° Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 31, § 1°). § 2 O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. [...] Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (Decretolein° 1.598, de 1977, art. 31, §2°). Parágrafo único. Caso o contribuinte tenha reconhecido o lucro na escrituração comercial no período de apuração em que ocorreu a venda, os ajustes e o controle decorrentes da aplicação do disposto neste artigo serão efetuados no lAlUR. Pela leitura do dispositivo legal acima transcrito, percebese que o legislador identificou com clareza a forma de tributação para o caso em questão: o lucro pode ser reconhecido na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração, exatamente como apurou o fisco ao efetuar o lançamento. Ainda que a apuração em comento tenha por base o valor contábil do bem, a Recorrente não apresentou qualquer documento destinado a comprovar o valor contábil do bem alienado, de modo que, ao fisco não houve alternativa a não ser tributar a totalidade do rendimento auferido com esta alienação. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 13 12 A Recorrente também não apresentou qualquer documento ou mesmo alegação a respeito, limitase a contestar o apurado de forma genérica. Postergação Com referência à postergação aventada pela Recorrente, cabe lembrar que esta hipótese somente pode ser considerada quando do pagamento do imposto devido fora do prazo previsto em lei, em função da contabilização efetuada a destempo. No caso em questão, não foi comprovado o pagamento do imposto devido, de modo que, não há que se falar em postergação. Denúncia espontânea A Recorrente também menciona a ocorrência da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. De pronto, cabe lembrar que a denúncia espontânea é prevista quando do efetivo pagamento do tributo devido e dos juros de mora correspondentes, portanto, inaplicável ao caso vertente, uma vez que sequer foi comprovado o pagamento do imposto devido. Glosa de despesas O fisco efetuou a glosa de diversas despesas, considerando que os respectivos não preenchem os requisitos legais para serem consideradas necessárias, usuais e normais para as atividades da empresa; também foram glosadas despesas não efetivamente comprovadas pelo contribuinte na fase da auditoria. A Recorrente rechaça a glosa efetuada, argumentando, em síntese, que não existe prova de que os valores constantes das notas fiscais não foram efetivamente pagos pela autuada e que não estão equiparadas à sua atividade específica. Conclui que o lançamento em questão foi efetuado por presunção legal que, até a presente dada não foi regulamentada pela legislação ordinária. De pronto, cabe esclarecer que a presunção legal tem previsão na legislação tributária vigente (exemplificando, o art. 281, do RIR, de 1999); contudo, não cabe aqui dissertar acerca do assunto, considerando que o lançamento em discussão não foi efetuado por presunção legal. O Lucro Real, base para apuração do IRPJ é o lucro líquido do período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. Por sua vez, o lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, determinado com observância dos preceitos da legislação comercial. O Lucro Operacional, nos termos do RIR, de 1999: LUCRO OPERACIONAL Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 11). Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 14 13 Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 11, § 1°). [...] Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2o). § 3° O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Diante dos esclarecimentos acima, em respeito aos dispositivos legais afetos à matéria, para que sejam computadas na apuração do lucro operacional, as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e da manutenção da manutenção da fonte produtora, e somente são admitidas se usuais ou normais no tipo de transação, operação ou atividade da empresa. Como se vê, não basta comprovar o efetivo pagamento da despesa fato este nem discutido neste processo; as despesas devem preencher os requisitos legais previstos na lei. As despesas contabilizadas como "Despesas c/ alimentação" e "Material de Consumo" glosadas pelo fisco são aquelas constantes das planilhas anexadas ao processo, cujos dados foram extraídos dos documentos fornecidos pelo contribuinte e também anexados ao processo. Da análise destes documentos, temse: • A grande parte dos documentos apresentados corresponde a "Notas Fiscais de Venda ao Consumidor", em valores não usuais, e emitidos por estabelecimentos que fornecem alimentação a varejo: Lanchonete e Garapeira Águia Dourada, Lanchonete Bom Lanches, Bar e Lanchonete Asa Branca, Mercado Superação, Bar e Mercearia dos Amigos, Mercado Frankfurt, Mercado Sete, Pesque e Pague Petri, Confeitaria Maravilhas do Céu, Embutidos Mercedes. • A discriminação do produto nestes documentos limitase à descrição genérica de "lanches", "café", "despesas", "vendas", "diversos"; ou seja, não se pode sequer identificar o produto adquirido, nem a quem foi destinado: não tem a identificação do comprador, considerando tratarse de documento destinado a consumidor final. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 15 14 • Os demais documentos, também correspondentes a "Nota Fiscal de Venda ao Consumidor', advém de Loja Noili (comércio varejista de roupas), Informática e Livraria Paraná, VM Transporte Rodoviário, todos em valores pouco usuais considerando tratarse de consumidor final, e também com descrição genérica dos produtos adquiridos: "despesas", "materiais diversos", "vendas diversas". Com efeito, a simples descrição genérica dos produtos constantes dos documentos apresentados já impede a constatação da necessidade da aquisição para a manutenção da fonte produtora. Acrescentando a este impedimento, a aquisição de quaisquer dos produtos comercializados pelos fornecedores apontados comerciantes varejistas pelos valores constantes dos documentos apresentados, é absolutamente fora do usual para o porte e o ramo de atividade exercido pela autuada. Ainda que não se possa identificar o produto pretensamente adquirido pela autuada, grande parte dos fornecedores tem como objeto gêneros alimentícios. Acerca da despesa com alimentação do trabalhador, o RIR, de 1999 assim prescreve: Alimentação do Trabalhador Art. 369. Admitirseão como dedutíveis as despesas de alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados, observado o disposto no inciso V do parágrafo único do art. 249 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, § 1°). Parágrafo único. Quando a pessoa jurídica tiver programa aprovado pelo Ministério do Trabalho, além da dedução como despesa de que trata este artigo, fará também jus ao benefício previsto no art. 581. A Recorrente não trouxe ao processo qualquer documento ou alegação a comprovar a necessidade e usualidade das despesas deduzidas; também não foi apresentada qualquer comprovação acerca do fornecimento de alimentação indistintamente a seus empregados. Neste contexto, as despesas glosadas pelo fisco computadas pela Recorrente na apuração do lucro operacional da empresa estão em total desconformidade com a legislação tributária vigente, de modo que, mantémse a glosa efetuada pelo fisco. Juros de financiamentos e variações monetárias passivas Também foram glosadas pelo fisco despesas com "juros e financiamentos", "variações monetárias passivas" . Estas despesas foram glosadas em decorrência da ausência da sua comprovação. A Recorrente não traz ao processo alegações específicas acerca da questão, limitase a argumentar que o fisco não comprovou a inexistência do efetivo pagamento e que sua escrituração contábil faz prova em seu favor. O CTN, acerca do assunto: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 16 15 comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. O RIR, de 1999, acerca da escrituração do contribuinte: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). À vista dos dispositivos legais acima transcritos, constatase que o sujeito passivo deve manter em boa guarda todos os documentos que ampararam sua escrituração até que ocorra a prescrição dos créditos tributários correspondentes. Desta feita, todos os documentos que ampararam a apuração dos impostos e contribuições devidos em função da legislação vigente devem estar disponíveis ao fisco para verificação, dentro do prazo previsto em lei. Neste contexto, caberia à Recorrente comprovar a legalidade dos procedimentos por ela executados; não comprovados os fatos registrados em sua escrituração e a sua subsunção à legislação vigente, submetese à ação do fisco e às sanções previstas em lei: não comprovada a despesa e a sua previsão legal de dedutibilidade, legítima a glosa efetuada pelo fisco, na apuração dos impostos/contribuições efetivamente devidos. Multa qualificada de 150% O fisco aplicou a multa de ofício qualificada de 150% quanto ao crédito tributário apurado em função da omissão de receitas não operacionais. Motivou a qualificação da multa pela intenção deliberada da omissão, considerando a cláusula constante do Contrato de Compra e Venda do Imóvel, que previu, expressamente, o pagamento das parcelas diretamente aos sócios. A Recorrente contesta a aplicação da multa qualificada, argumentando, em síntese, que o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado na autuação e que os motivos apresentados pelo fisco não justificam a qualificação da multa. A inexistência de qualquer tentativa de sonegação pode ser comprovada com a contabilização da venda do imóvel em 2012. De pronto, cabe lembrar que apesar de mencionar a contabilização da receita em questão, o contribuinte não apresentou esta contabilização nem a comprovação do pagamento do imposto correspondente; este pagamento também não foi localizado nos sistemas informatizados da RFB. A conduta da Recorrente em direcionar o pagamento destinado à empresa para as pessoas físicas dos sócios demonstra que a autuada deliberadamente agiu no intuito de retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do fato gerador da obrigação Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 17 16 principal por parte da autoridade fazendária, com a finalidade de eximirse do pagamento do imposto devido. A Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, acerca do assunto: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A situação fática do processo que originou a qualificação da multa referente à omissão de receitas não operacionais enquadrase no dispositivo legal acima transcrito, caracterizando a conduta dolosa do contribuinte, submetendo o imposto omitido à multa qualificada prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Neste contexto, pelos mesmos motivos, mantémse o lançamento referente à CSLL. Jurisprudência Administrativa Tendo em vista ainda, que a Recorrente dentre outros fundamentos, arrima suas razões em entendimento emanado de jurisprudências administrativas como fonte de direito tributário, cumpre considerar que o art. 100, inc. II, do Código Tributário Nacional, dispõe que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de direito tributário, como normas complementares das chamadas fontes primárias, quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Ressalvando a hipótese do art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, que versa sobre a edição de súmula vinculante na esfera administrativa, inexiste norma legal que atribua às decisões administrativas, no âmbito do processo administrativo fiscal a eficácia normativa prevista no CTN; dessa forma, elas têm eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas. Portanto, sem propósito arrimar razões de discordância em ementas de acórdãos do CARF, que são eficazes apenas em relação à matéria circunscrita nos autos do Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 18 17 processo respectivo em que foram proferidos, mormente porque, à míngua do inteiro teor do acórdão, não há sequer como o julgador aquilatar, cabal e insofismavelmente, a natureza e limites da matéria versada, nem como aferir os parâmetros de alcance e temporalidade da ementa paradigma. Jurisprudência Judicial Com relação às manifestações do Poder Judiciário, citadas pela Recorrente, cabe esclarecer que, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas em lei, não vinculam a autoridade administrativa de primeiro grau. Somente poderiam ser opostas à Administração quando das hipóteses previstas no art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002 na versão dada pela Lei n° 12.844, de 2013, ou a existência de processo judicial regularmente instaurado em nome do próprio contribuinte e autorização expressa da autoridade judiciária em prol do que se pretende. A Administração Pública está pautada pelo princípio da legalidade, que significa dizer que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar e civil, conforme o caso. Os lançamentos referentes ao IRPJ e à CSLL têm origem no mesmo fundamento factual, de modo que, não afastadas as irregularidades apontadas pelo fisco, que apurou o crédito tributário devido da forma como prescrita na legislação tributária vigente, deve ser mantido o lançamento. Doutrina Considerando ainda que a Recorrente traz à baila manifestações de ilustres juristas, esclareço que a doutrina que permeia a peça de defesa não se sobrepõe às prescrições legais, tampouco às orientações normativas regularmente editadas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que elas não produzem efeito vinculante sobre os atos administrativos em geral. Conclusão Concluindo, diante de tudo acima exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 19 18 Voto Vencedor Flávio Machado Vilhena Dias Redator do voto vencedor. No ponto em que se analisa a qualificação da multa imposta pelo agente autuante, ousase, data venia, em discordar do douto Conselheiro Relator. No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente alega que não restou comprovada nenhuma conduta dolosa que pudesse ensejar a qualificação da multa, uma vez que, em suas palavras, "o intuito doloso deve ser plenamente demonstrado na autuação, sob pena de não restar evidenciado o ardil característico da fraude, elemento indispensável para ensejar o lançamento da multa qualificada". De pronto, devese esclarecer que, como já pacificado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a simples omissão de receitas não é suficiente para se fundamentar a qualificação da multa. Há, inclusive, súmula neste sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, para a qualificação da multa, cabe ao agente autuante comprovar a prática, pelo contribuinte, das condutas descritas na legislação. No presente caso, como se denota termo de verificação fiscal, a única justificativa para a qualificação da multa seria o fato de o contribuinte ter deixado de levar à tributação receitas, que posteriormente foram identificadas como tributáveis pelo agente fiscal. Vejase trecho neste sentido: O contrato de compra e venda do citado imóvel, contém no parágrafo único da Cláusula Segunda, que trato "Do preço" e da forma de pagamento (a seguir reproduzido), determinação para pagamento direto aos sócios da empresa: "Parágrafo Único: os pagamentos supra, serão efetuados diretamente em mãos dos sócios da compromitente que ficam obrigados a emitir o devido recibo." Tal decisão, permite concluir que, deliberadamente, a empresa omitiu a receita não operacional, fruto da venda do seu ativo imobilizado, para, em consequência, pagar menos tributo do que o efetivamente devido. Dessa forma, conforme previsto no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (Artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999). aplicamos a multa de 150¨% sobre o valor dos tributos devidos, incidentes sobre a omissão de receita não operacional apontada. Pelo o que se percebe do trecho transcrito (e esta é a única fundamentação para a qualificação da multa, ressaltese) e de toda a documentação carreada nos autos, não houve, por parte da fiscalização, imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas pelo contribuinte a ensejar a qualificação da multa. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 20 19 Como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Citase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Repisese: não há nos autos qualquer imputação e/ou comprovação de condutas dolosas praticadas de acordo com os dispositivos acima transcritos. É fato, é claro, que o contribuinte deixou de levar à tributação algumas receitas que seriam tributáveis, mas não se pode olvidar que este mesmo contribuinte apresentou à fiscalização todos os elementos para que estas receitas pudessem ser identificadas. Assim, a única conclusão a que se pode chegar é que não houve conduta dolosa. Se estivesse agindo com dolo, ao certo, que nem os contratos em que a fiscalização apurou omissão de receitas seriam entregues, muito menos os demais documentos contábeis e fiscais. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10945.721314/201447 Acórdão n.º 1302002.625 S1C3T2 Fl. 21 20 Ainda, não se pode olvidar a orientação da citada súmula CARF nº 14, que é de aplicação vinculada pelos órgãos colegiados do conselho, e que preceitua a necessidade de comprovação das condutas dolosas do contribuinte, no caso de omissão de receitas, a ensejar qualificação da multa. Portanto, voto, neste ponto, por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a qualificação da multa, por ausência de comprovação pela fiscalização das condutas dolosas praticadas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003064/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.523
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.003064/2009-31
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868178
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.523
nome_arquivo_s : Decisao_10925003064200931.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10925003064200931_5868178.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7315485
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308514414592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.003064/200931 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.523 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria DCOMP.PIS/COFINS. Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com embalagens, fretes das embalagens, e gás combustível para empilhadeira e mantida a glosa no que tange à despesa com condomínio. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 64 /2 00 9- 31 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Cofins NãoCumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) O GLP relacionado à glosa foi empregado nas empilhadeiras destinadas à movimentação das maçãs, de modo que o combustível está diretamente ligado ao processo produtivo; (v) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (vi) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.967. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de COFINS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.509, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003017/200997, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.509): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 6 5 em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 7 6 essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens, gás combustível para empilhadeiras e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 9 8 produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 10 9 atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 11 10 Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) 2.3. Do gás combustível para empilhadeira Por fim, no que tange ao gás combustível para empilhadeira, concordo com os fundamentos do Recorrente neste ponto. Isso porque, não resta dúvidas que este item é essencial ao próprio processo produtivo da recorrente, integrando o custo de produção dos produtos em tela. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 12 11 Nesse mesmo sentido, inclusive, já se manifestou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ao julgar processo análogo ao presente (Proc. nº 18088.720677/201252, Acórdão n. 3403002.648): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços” que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. Afasto, portanto, a glosa realizada pela fiscalização quanto ao combustível para empilhadeiras. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito ao crédito no que tange aos seguintes itens: (a) embalagens; (b) fretes das embalagens; (c) gás combustível para empilhadeiras e (d) condomínio. É como voto. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, é de se concluir que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 13 12 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.003064/200931 Acórdão n.º 3301004.523 S3C3T1 Fl. 14 13 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens, fretes das embalagens e gás combustível para empilhadeira, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37280.000615/2005-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
É de cinco anos o prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais previdenciárias.
Numero da decisão: 2201-004.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de cinco anos o prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais previdenciárias.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 37280.000615/2005-60
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5872839
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.550
nome_arquivo_s : Decisao_37280000615200560.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 37280000615200560_5872839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7341253
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308539580416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 462 1 461 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37280.000615/200560 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.550 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente ESTADO DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de cinco anos o prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 06 15 /2 00 5- 60 Fl. 462DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 324/347) apresentado em face da Decisão Notificação nº 17.403.4/0249/2005 (fls. 297/319), que considerou procedente o lançamento fiscal consubstanciado na NFLD nº 35.563.2039, pela qual foram constituídos créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias exigidas com base no instituto da solidariedade (prestação de serviços através da cessão de mãodeobra). O lançamento referese a competências compreendidas no período de 01/1997 a 12/1998 e se aperfeiçoou pela ciência do sujeito passivo em 08/03/2005 (fl. 256). Em sede de impugnação (fls. 262/287), o Estado do Rio de Janeiro alegou, em síntese, que: 1. O prazo para a impugnação é muito exíguo, o que fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 2. Houve cerceamento do direito de defesa, já que o INSS não deferiu a vista dos autos expressamente requerida, bem como porque a NFLD não contém a correta descrição dos fatos, não sendo assim possível à defesa compreender do que está sendo acusada. 3. A NFLD é nula no que diz respeito à responsabilidade do dirigente da autuada. 4. A autuação abrange apenas parcelas já decaídas. 5. Ilegalidade da taxa Selic. 6. Seria necessário fiscalizar a empresa prestadora de serviços de cessão de mãodeobra. 7. Inconstitucionalidade e ilegalidade da retenção de 11%. A primeira instância administrativa manteve integralmente o lançamento em decisão de que tomou ciência o sujeito passivo em 16/09/2005 (fl. 323). O recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 18/10/2005 (fls. 324/347) e nele foram reiterados os argumentos de impugnação, pedindose a declaração de nulidade ou de improcedência da autuação. Em uma primeira análise desse recurso, o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS anulou a NFLD em análise por entender ter sido lavrada com vício formal (fls.354/356). Essa decisão foi, entretanto, revista pela decisão de fls. 398/399. Em uma segunda assentada, o julgamento do recurso foi convertido em diligência pela Resolução nº 20500149 (fls. 401/407), para que a unidade informasse "se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos". A resposta da fiscalização está no documento de fl. 412, de onde se destaca: 5 Já o Mandado de n° 09108909 de 26/11/2003 foi encerrado em 16/12/2004, com os processamentos dos levantamentos de débitos e REFERESE ao presente processo.( fls 403 a 406). Fl. 463DF CARF MF Processo nº 37280.000615/200560 Acórdão n.º 2201004.550 S2C2T1 Fl. 463 3 6 Os Mandados foram seqüenciais e executados pelos mesmos auditores. 7 Às fls 218 à 221 encontrase anexos o Mandado de Procedimento Fiscal n° 09108909 e suas prorrogações, assim como, às fls 223 e 224 temos o Termo de Início da Auditoria Fiscal TIAF e o Termo de Intimação para apresentação de Documentos TIAD, ambos assinados no mesmo dia, em 08/12/2003 e também as prorrogações do TIAD às fls 225 a 228, e ainda temos o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF às fls 236 a 241. O contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência (fls. 430/431) requerendo a juntada do MPF 09108909, de 26/11/2003, e reiterando os termos do recurso. Retornando a este colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Em homenagem ao princípio da economia processual, passo diretamente à análise da questão da decadência que é suficiente para resolver definitivamente a controvérsia contida nesse processo. Nesse caso, tendo o Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarado a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, restou incontroversa a aplicação do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento das contribuições previdenciárias. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, resta verificar se a contagem deve ser efetuada através das regras constantes do art. 150, § 4º, caso haja antecipação de pagamento, ou, não havendo, pela regra do art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Na hipótese em análise, o crédito tributário é referente a competências compreendidas no período de 01/1997 a 12/1998. Assim, considerandose apenas o fato gerador mais recente (12/1998), o prazo para a constituição do crédito tributário encerrarseia em 30/12/2003 pela regra do art. 150, § 4º do CTN, e em 31/12/2004, pela regra do art. 173, I do mesmo código. O lançamento aperfeiçoouse pela ciência do sujeito passivo em 08/03/2005 (fl. 256), data na qual o prazo para sua realização já estava extinto pela decadência por qualquer uma das regras de contagem adotada. Fl. 464DF CARF MF 4 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar integral provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.909927/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.432
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.909927/2012-48
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862312
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.432
nome_arquivo_s : Decisao_13839909927201248.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 13839909927201248_5862312.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7283120
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308543774720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.909927/201248 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.432 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 27 /2 01 2- 48 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.749, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.909927/201248 Acórdão n.º 3301004.432 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004000/2005-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a existência de omissão na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
PIS/COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES NÃO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis lubrificantes não utilizados na produção, por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo impede a geração de créditos.
Numero da decisão: 9303-006.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-006.220, de 24 de janeiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário e equipamento de proteção individual, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.".
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de omissão na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. PIS/COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES NÃO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis lubrificantes não utilizados na produção, por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo impede a geração de créditos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.004000/2005-54
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869906
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.732
nome_arquivo_s : Decisao_10930004000200554.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 10930004000200554_5869906.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-006.220, de 24 de janeiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário e equipamento de proteção individual, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7326475
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308599349248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 993 1 992 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.004000/200554 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303006.732 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de omissão na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. PIS/COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES NÃO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis lubrificantes não utilizados na produção, por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo impede a geração de créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303006.220, de 24 de janeiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário e equipamento de proteção individual, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 40 00 /2 00 5- 54 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 994 2 convocado), que negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303006.222, que decidiu por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis. O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros como receitas para fins de incidência da contribuição do PIS. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 995 3 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. No presente caso, as glosas referentes a Alimentação, Cesta básica, Vale transporte,Assistência médica/odontológica, Matérias de manutenção/conservação, Materiais químicos e de laboratórios, Materiais de limpeza; Materiais de expediente, .Outros materiais de consumo, Serviços de segurança e vigilância, Serviços de conservação e limpeza, Serviços de manutenção e reparos, Outros serviços de terceiros, Gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. A Embargante insurgese aos autos, após síntese dos fatos relacionados com a lide, o qual suscita vício de obscuridade e de omissão, quanto as razões de decidir pela reversão das glosas dos créditos tomados sobre os custos de combustíveis e lubrificantes. Explica que, em que pese conste, no dispositivo do voto, referência ao provimento do recurso no que toca a combustíveis e lubrificantes, não há, na fundamentação do acórdão, qualquer manifestação a respeito do tema. Ressalta que não foram glosados os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Por fim, ainda aponta contradição entre o dispositivo do acórdão e o dispositivo do voto, já que neste último consta que foi dado provimento ao recurso do contribuinte para reverter, entre outras, a glosa referente a equipamento de proteção individual, ao passo que, no dispositivo do acórdão constou provimento em menor extensão para "reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis". No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Com efeito, a Fazenda Nacional e Contribuinte apresentaram Recurso Especial de divergência com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 330200.861, proferido pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a crédito de COFINS não cumulativa sobre despesas com equipamentos de proteção individual. Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto à exclusão, da base de cálculo do PIS, do valor da indenização de seguro recebida pela Contribuinte. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigma, o acórdão n° 280300.087. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 815/816. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 996 4 Não conformada com tal decisão, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, requerendo que seja conhecido e dado provimento ao presente recurso para reformar a decisão recorrida e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, atualizando pela SELIC, ensejando, por conseqüência, a homologação das compensações vinculadas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401001.713 e 930301.741. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 941/948. Houve Reexame de admissibilidade do Recurso Especial, fls. 949/950, o Presidente do CARF, manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara. Do julgamento do Recurso Especial, o Colegiado decidiu da seguinte forma: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Por sua vez, a Embargante aduz que a motivação do acórdão, agregada á constatação de que a DRF só glosou despesas com combustíveis não utilizados no processo produtivo, conduz à dúvida se a Turma concluiu ser insumo todo combustível e lubrificante, independente da forma de sua utilização, ou se houve equívoco na redação da parte dispositiva do acórdão. Em que pese os argumentos da Embargante, entendo que houve apenas o erro na confecção do acórdão, que, antes da edição do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, poderia ser sanado por um simples despacho do Presidente da Turma. Acontece que com o advento do art. 67 do citado decreto, os erros de escrita existentes na decisão só poderão ser sanados mediante prolação de um novo acórdão. Em respeito ao Decreto, acolho os embargos para sanear a omissão do acórdão embargado, sendo reratificado da seguinte forma: 1. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS Mas, concentrandose a atenção da divergência dos autos, propriamente, relembrese que o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 997 5 b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS, referente aos combustíveis e lubrificantes utilizados exclusivamente utilizados no processo produtivo. De fato, assiste razão a Embargante, compulsando aos autos verifico que a DRF glosou apenas Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria). Deste modo, as glosas referentes a gastos com combustíveis lubrificantes não utilizados na produção, por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 998 6 No que tange a pretensão da Embargante ao sustentar que a DRF, glosou apenas despesas com combustíveis não utilizados no processo produtivo, discordo, ao percorrer todo o processo, detectei apenas a glosa relacionada "combustíveis e lubrificantes" não especificado de modo claro, de sorte que, estou autorizando apenas a reversão das glosas de combustíveis e lubrificantes utilizados exclusivamente no processo de produção. Quanto a suposta contradição entre o dispositivo do acórdão e o dispositivo do voto. A Embargante aduz que neste último consta que foi dado provimento ao recurso do contribuinte para reverter, entre outras, a glosa referente a equipamento de proteção individual. Por outro lado, no dispositivo do acórdão constou provimento em menor extensão para “reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis”. Consta no dispositivo do acórdão embargado o seguinte: Diante de tudo que foi exposto, voto no seguinte sentido: i) nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto a inclusão da base de cálculo do COFINS, do valor da indenização de seguro recebido pela Contribuinte. ii) dou parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo, referente aos gastos com uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual e Lubrificantes e combustíveis, bem como, para excluir da cálculo do PIS valores líquidos lançados na contabilidade da recorrente referente a Indenizações de Seguros. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Observase da leitura do dispositivo, apenas o Conselheiro vencido Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. portanto, não há qualquer contradição do que foi decidido. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de conhecer e acolher em parte os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303006.220, de 24 de janeiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário e equipamento de proteção individual, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.". Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10930.004000/200554 Acórdão n.º 9303006.732 CSRFT3 Fl. 999 7 É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.914406/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.914406/2011-21
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862341
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.461
nome_arquivo_s : Decisao_13839914406201121.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 13839914406201121_5862341.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7283149
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308622417920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.914406/201121 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.461 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 44 06 /2 01 1- 21 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.778, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.914406/201121 Acórdão n.º 3301004.461 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002578/2007-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF- Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011.
Mesmo antes do advento do artigo 543-B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência dessubjetivação, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543-B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Diante disso, constata-se que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceu-se um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993.
Numero da decisão: 9101-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF- Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004 CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011. Mesmo antes do advento do artigo 543-B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência dessubjetivação, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543-B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Diante disso, constata-se que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceu-se um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.002578/2007-10
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859116
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.496
nome_arquivo_s : Decisao_10380002578200710.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 10380002578200710_5859116.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7261450
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308651778048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 483 1 482 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.002578/200710 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.496 – 1ª Turma Sessão de 3 de abril de 2018 Matéria CSLL COISA JULGADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RB COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no artigo 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 18.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 CSLL. LEI 7.689/1988. EFEITOS SOBRE A COISA JULGADA. PARECER PGFN 492/2011. Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência “dessubjetivação”, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 25 78 /2 00 7- 10 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 484 2 tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Diante disso, constatase que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceuse um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN em face do acórdão nº 1401001.387, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 EFEITOS DA COISA JULGADA. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade.” Segundo o voto condutor do aresto recorrido, as alterações promovidas pelo Pode Legislativo que modificaram a Lei nº 7.689/1988 não têm o condão de afetar a decisão judicial que transitou em julgado, reconhecendo a inconstitucionalidade da lei mencionada, nos termos do REsp nº 1.118.893, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 485 3 A PGFN foi cientificada do acórdão recorrido no dia 02/10/2015, à efl 430. Recurso Especial fazendário interposto na mesma data. Nessa oportunidade, apresenta os acórdãos paradigmas nº 1402000.920 e 130100.997, os quais estariam em colisão com o aresto ora combatido. O acórdão nº 1402000.920 tem a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 LIMITES DA COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/1988. APTIDÃO DAS LEIS Nº 8.981/1995, 9.430/1996 E ALTERAÇÕES POSTERIORES, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja de novo exigível com base em normas legais supervenientes. As Leis nº 8.981/1995 e 9430/1996, além das alterações posteriores, constituem fundamento legal apto para exigir a CSLL de todos os contribuintes.” Já o acórdão nº 130100.997 assim se resume: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 2006 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. CSLL. BASE DE CÁLCULO. AJUSTES. NECESSIDADE. Constatado que a base de cálculo da exação não foi apurada em conformidade com a legislação de regência, eis que não foram considerados os ajustes pertinentes (adições, exclusões e compensações), há que se promover a devida retificação, reduzindose, por decorrência, o montante apurado por meio de procedimento de ofício.” A PGFN reúne os argumentos abaixo, no apelo a esta instância especial: 1) o cerne da questão em debate cingese à abrangência temporal da decisão judicial transitada em julgado, a favor do sujeito passivo, considerando a inadmissão de seus efeitos normativos, prospectivos e futuristas, tendo em vista: Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 486 4 i. supervenientes alterações legislativas, nos aspectos formais e materiais, das regras incidentes sobre relação tributária continuativa e a relação destas alterações com a coisa julgada material; ii. que a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, declarada como motivo da decisão judicial, requerida incidentalmente, no exercício do controle difuso, não integra o dispositivo da decisão transitada em julgado. Essa perspectiva tem o reforço do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, tanto em controle concentrado como em controle em via de exceção, quando se afirmou, no âmbito da Corte Suprema, a constitucionalidade da exação tributária em lume, ressalvados os artigos 8º e 9° da Lei 7.689/1988 (ADI nº 15/DF, Relator: Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, Julgamento: 14/06/2007, Órgão Julgador: Tribunal Pleno); 2) sendo certo que a relação jurídico tributária é de trato sucessivo, o decidido no mandamus não deve se sobrepor às alterações legislativas posteriores. Isso porque a imutabilidade da coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, mas não sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, pois não há que se falar em coisa julgada sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade e em observância à inteligência do princípio da congruência da decisão judicial com a demanda; 3) a ação judicial invocada pela recorrente não apreciou as alterações posteriores (que não integram a causa de pedir da demanda), motivo pelo qual não integram a lide. Assim, não há impedimento ao surgimento dos créditos tributários, oriundos da subsunção dos fatos geradores posteriores à decisão às hipóteses de incidência referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; 4) o Supremo Tribunal Federal, pelas vias do controle concentrado e difuso, afirmou a inconstitucionalidade tão somente dos artigos 8° e 9° da Lei 7.689/1988, restando por constitucional os demais dispositivos instituidores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tendo em vista o caráter dúplice das ações em controle concentrado; 5) segundo o esclarecido no Parecer PGFN/CRJ 975/2011, a demanda que deu origem ao REsp 1.118.893/MG foi de Embargos à Execução Fiscal (Processo Originário 1997.38.00.0604543/MG), em que se questionou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL, instituída pela Lei 7.689/1988, anocalendário 1991, para contribuinte que possuía sentença judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade formal e material da exação sob a égide da citada Lei 7.689/1988, e a consequente inexistência de relação jurídicotributária; 6) nos termos do REsp 1.118.893/MG (Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima), a Primeira Seção do STJ encampou a tese de não ter havido Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 487 5 alteração substancial no regramento da CSLL a justificar o afastamento do decidido, na sentença transitada em julgado favorável à contribuinte; 7) ocorre que a questão discutida se restringiu ao caso concreto de contribuinte que pugnou a validade da CDA 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL segundo a Lei 7.689/1988, no exercício de 1991, em virtude de possuir decisão transitada em julgado de reconhecimento da inconstitucionalidade de cobrança de CSLL, nos moldes da Lei 7.689/1988; 8) o alcance da decisão do REsp 1.118.893/MG, consoante o defendido pelo sujeito passivo, não merece ser acatado, pois este não corresponde à adequada interpretação do julgado proferido na sistemática do recurso repetitivo; 9) podese concluir pela obrigatoriedade da CSLL, tendo em vista as alterações legislativas posteriores, os limites objetivos do trânsito em julgado da sentença proferida na ação ajuizada pela contribuinte, bem como em observância aos entendimentos judiciais e administrativos já consagrados, destacandose decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal favorável à constitucionalidade da instituição da CSLL, não se aplicado ao caso dos autos o decido pelo STJ em sede de recurso repetitivo, pois este é referente ao exercício de 1991, anterior a inúmeras alterações legislativas que modificaram substancialmente o regime jurídico da CSLL; 10) ao final, requerse seja conhecido e provido o presente Recurso Especial para reformar o acórdão atacado e restabelecer o crédito tributário, conforme apurado no lançamento efetuado pelo Fisco. O sujeito passivo foi cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Especial fazendário no dia 14/10/2106, à efl. 438. Na mesma data foi intimado a apresentar contrarrazões. Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O Recurso Especial fazendário é tempestivo. No entanto, impõese consignar que o acórdão nº 130100.997, ofertado como paradigma, foi reformado pelo acórdão nº 9101 002.087, em sessão de 20/01/2015, portanto, anteroriormente à interposição do presente apelo. Nesse sentido, não se conhece do Recurso Especial da PGFN quanto ao indigitado acórdão nº 130100.997. Por outro lado, inexiste impedimento ao conhecimento do recurso quanto ao acórdão paradigma nº 1402000.920. De acordo com o descrito em auto de infração, à efl. 07, a Fiscalização constatou o seguinte: “Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida, não recolhida nem Declarada em DCTF referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, na forma como Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 488 6 apresentado nos Balanços trimestrais e DIPJ, partes integrantes do presente Auto de Infração. Cabe ressaltar que embora detentora de ação judicial contra a constitucionalidade da CSLL (nº 90.05.05466 2) transitado em julgado em 06/11/92, a empresa não estava desobrigada do pagamento da citada contribuição em relação aos períodos acima mencionados, dado que os efeitos da referida ação judicial não alcançam os fatos geradores em referência, por serem de períodos posteriores a alterações legislativas de cuja incidência a relação jurídica decorre, incidindo na espécie o art.471 do CPC, na forma como justificado no parecer PGN/CRJN nº 01277/94, cuja copia integra o presente Auto de infração.” Enquadramento legal dado: artigo 2ºe §§ da Lei nº 7.689/1988, artigo 28 da Lei nº 9.430/1006 e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. Tais são os dispositivos legais referidos na acusação que teriam alterado a Lei nº 7.689/1988: a) Lei nº 9.430/1996: “Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei.” b) Lei nº 10.637/2002: “Art. 37. Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2003, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será de 9% (nove por cento).” Na Impugnação, o sujeito passivo expôs os fatos com maior clareza, além de aduzir os fundamentos de sua defesa perante a primeira instância da jurisdição administrativa: “Em 06 de novembro de 1992, a Impugnante, em ação judicial ingressa pela ACADE — ASSOCIAÇÃO CEARENSE DOS ATACADISTAS E DISTRIBUIDORES DE ESTIVAS, associação de classe a qual a Impugnante é associada, contra a Fazenda Nacional, obteve a segurança jurídica (ação transitada em julgado) eximindoa do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela MP nº 22/88, transformada na Lei nº 7.689/88, lei esta que, na referida ação, foi considerada inconstitucional. Portanto, a Lei nº 7.689/88, para a relação jurídica entre a Impugnante e a Fazenda Nacional, está morta. Inúmeras empresas estão desobrigadas do recolhimento da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO criada pela Lei 7.689/88 por força de decisão transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade de toda a Lei n° 7.689/88. Entretanto o Fisco, baseandose em Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, autuou muitas dessas empresas. Segundo esse Parecer, a obrigação das empresas contribuírem para a seguridade social sobre o lucro decorre de norma constitucional expressa, e a declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, obtida por muitas empresas, não impede a aplicação da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei 8.212/91) e disciplinamento especifico posterior, considerando exigível a contribuição a partir do balanço de encerramento de 1991. Ora, está em vigor ainda a Lei n° 7.689/88, que criou a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO e a posterior Lei n° 8.212/91 não cuidou de recriar a Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 489 7 referida exação tributária, fazendo apenas referência à contribuição sobre o lucro como fonte de custeio da seguridade social. Logo, prevalecem os efeitos da coisa julgada que reconheceu a inconstitucionalidade da CONTRIBUIÇÃO para as empresas que questionaram a matéria em juízo e foram vencedoras. Repitase, nada mudou em relação ao cálculo, ou qualquer procedimento em relação ao contribuinte.O uso dos recursos advindos dos contribuintes é que passaram a ter destinação diferente. [...] Uma vez obtida a sentença, e no presente caso o trânsito em julgado declarando a Lei n° 7.689/88 inconstitucional, e tendo em vista que a relação entre o Fisco e a Impugnante é continuativa, essa decisão produz efeitos futuros. Se assim não fosse, estaria a Impugnante obrigada a recorrer à Justiça todo mês para ver valer o seu direito. Esse também é o pensamento da Juíza Lúcia Valle Figueiredo, relatora do AMS 49.915SP, do TRF 3° Região, 4' Turma, (DJSP 8.2.93, p. 111), que na ementa fez constar: [...] Vale lembrar que no processo de n° 90.05.054662, a Impugnante não discutia a CSLL em relação a um determinado período. A lide objetivava a constitucionalidade da Lei n° 7.689/88, e a decisão foi pela concessão de segurança, no sentido de ser declarada inconstitucional a referida lei. O d. AFRF, ao justificar a ineficiência da decisão judicial, obtida pela Impugnante, para os efeitos futuros fatos geradores, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, após o trânsito e julgado da sentença , traz, como embasamento legal, o art. 471, inciso I do CPC, que dispõe: [...] Segundo este dispositivo, alegado pela própria Fazenda, se ela, por qualquer razão, considerar bom o seu direito, deverá impetrar na esfera judicial, por meio da Procuradoria da Fazenda Nacional, ação revisional do que foi estatuído na sentença, não podendo essa questão ser discutida no âmbito administrativo. Fato este que, até o momento, não ocorreu. Portanto, a decisão transitada em julgado está em pleno vigor. Havendo uma decisão judicial transitada em julgado, tal decisão não pode ser reexaminada na esfera administrativa. [...]” Uma vez vencido no julgamento da Impugnação, o sujeito passivo recorreu ao CARF, que deu provimento ao Recurso Voluntário. O voto condutor do acórdão recorrido tomou a seguinte trilha argumentativa para prover o recurso interposto: “A matéria aqui discutida já foi julgada de maneira definitiva pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob o regime de recursos repetitivos (Representativo de Controvérsia) contido no artigo 543C, do Código de Processo Civil, que assim entendeu: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 490 8 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (RESP nº 1.118.893, STJ, 1ª Seção, Rel. Ministro Arnaldo Esteves, Julgamento realizado em 23/03/2011) Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 491 9 Diante do julgamento acima mencionado, percebese que o fundamento de autuação do Fisco, bem como o argumento utilizado pela DRJ não se sustentam, pois estes alegam que as alterações legislativas posteriores não estariam abarcadas pela decisão obtida pela Recorrente em seu Mandando de Segurança. Percebese justamente o contrário. Conforme entendimento já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, as Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária, motivo pelo qual está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios posteriores em respeito à coisa julgada material. Nesse sentido, o voto condutor proferido no julgamento do Resp 1.118.893, tornase essencial, razão pelo qual adoto e transcrevo parte daquele voto, o qual resolve de vez a controvérsia aqui instaurada: [...] Com efeito, a sentença do mandado de segurança nº 90.05.05466 transitou em julgado em 06/11/1992. Embora as Leis nº 8.034/1990, 8.212/1991 e 8.383/1991 e a Lei Complementar nº 70/1991 já estivessem em vigor nessa data, outras leis, no entanto, que modificaram a Lei nº 7.689/1988, foram aprovadas no curso do devido processo legislativo após o trânsito em julgado da sentença do antedito mandado de segurança nº 90.05.05466, a exemplo das Leis nº 8.541/1992 (publicada em 24/12/1192), 8.981/1995 e 9.430/1996, afora a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/1994, a Emenda Constitucional nº 10/1996 e a decisão do Supremo Tribunal Federal prolatada no julgamento da ADI nº 15/DF. Como se pode ver no trecho do voto condutor do acórdão recorrido supratranscrito, a decisão ora combatida valeuse dos argumentos reunidos no julgamento do REsp nº 1.118.893. Não obstante as reverências devidas ao Superior Tribunal de Justiça, a decisão proclamada no julgamento do precitado Recurso Especial não surte efeitos sobre o caso aqui apreciado. No intuito de expor as razões que sustentam tal entendimento, trazse à colação o que já foi assinalado com maestria pelo Ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no acórdão 9101002.530, ao julgar questão semelhante (os efeitos do REsp nº 1.118.893 sobre a decisão proferida no julgamento da apelação contra a sentença exarada nos autos do mandado de segurança nº 90.01.052797MG): “A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em (sic) desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 492 10 qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF – Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG.” A exemplo do que se ressaltou no acórdão nº 9101002.530, cabe aduzir ao fato de que a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994 quanto em 1996 — anos anteriores aos anos calendário de 2003 e 2004 – foi constitucionalmente reafirmada pelas Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996, ao recorreram à expressão “mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”. Ademais, como se adiantou em linhas precedentes, após o trânsito em julgado da decisão prolatada no mandado de segurança nº 90.05.05466, diversas normas foram editadas antes de 2003 (primeiro anocalendário do lançamento de ofício) para tratar da CSLL: Lei nº 8.541/1992 (artigos 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (artigos 19 e 20), 9.430/96 (artigos 28 a 30, sendo que o artigo 28 remete aos artigos 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei), 10.637/2002 (artigos 35 a 37 e 45), afora as Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996. Desse rol, apenas a Lei nº 8.541/1992 foi abarcada pelo REsp nº 1.118.893. Vale dizer: não se pode pretender que os efeitos do REsp nº 1.118.893 sejam estendidos ao caso ora em julgamento, pois o Superior Tribunal de Justiça não examinou as alterações legislativas aqui relacionadas, que dizem respeito ao fato gerador da CSLL. Adicionalmente, insta salientar que o auto de infração, como já destacado, traça o enquadramento legal com base nas Leis 9.430/1996 e 10.637/2002. Isto posto, é inevitável a percepção que os dispositivos acima, não obstante o alicerce que emprestam ao lançamento de ofício, não são lembrados no REsp nº 1.118.893. Assim, pela perspectiva ora apontada, desacolhese a extensão dos efeitos do REsp nº 1.118.893 ao caso ora apreciado, sem descumprir o artigo 62, § 2º, do RICARF – Anexo II. No passo subsequente, é preciso trazer à baila o fato de que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 146.733, em 29/06/1992, o Pleno do Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede controle difuso, a constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (com exceção do artigo 8º). Tal entendimento foi confirmado no julgamento do RE nº 138.284, também pelo Pleno do STF, em 01/07/1992, e no julgamento da ADI nº 15/DF, em 14/06/2007. Recordese que o acórdão do RE nº 138.284 transitou em julgado em 29/09/1992, sendo que, em 12/04/1995, foi publicada a Resolução do Senado Federal n º 11, de 04/04/1995, que suspendeu a execução do já referido artigo 8º da Lei nº 7.689/1988. Em face do exposto, impõese suscitar a tendência de dessubjetivação do controle de constitucionalidade na modalidade difusa, a constituir uma mudança de paradigma, segundo revelam os seguintes exemplos, nas lembranças do Parecer PGFN nº 492/2011: “i) entendimento, manifestado pelo STF, no julgamento da ADIN nº 4071, no sentido de que a existência de prévia decisão do seu Plenário considerando constitucional determinada norma jurídica, ainda que em sede de Recurso Extraordinário (em controle difuso, portanto), torna manifestamente improcedente ADIN posteriormente ajuizada contra essa mesma norma. Tal entendimento Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 493 11 evidencia que a natureza e a extensão dos efeitos oriundos das decisões dadas, pelo STF, em controle concentrado e em controle difuso de constitucionalidade não diferem substancialmente; do contrário, caso as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade apenas vinculassem as partes da demanda concreta, a ADIN antes referida deveria ter sido conhecida e julgada improcedente, justamente a fim de conferir eficácia vinculante erga omnes ao juízo de constitucionalidade da lei analisada; (ii) aplicação do art. 27 da Lei nº 9.868/99 (que, tradicionalmente, servia como instrumento de manejo restrito ao âmbito do controle concentrado de constitucionalidade) às decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso, de forma a lhes modular os efeitos temporais por razões atinentes à “segurança jurídica ou de excepcional interesse social”, o que apenas parece fazer algum sentido caso se admita que a força dessas decisões extrapola o âmbito das demandas concretas por elas especificamente disciplinadas, estendendose, também, a todas as outras demandas em que se discuta a mesma questão nela debatidas; (iii) criação do instituto da repercussão geral e a sua previsão como requisito de admissibilidade dos recursos extraordinários (ex vi do art. 102, §3º, da CF/88, incluído pela Emenda Constitucional n. 45, de 30 de dezembro de 2004), de modo a permitir que apenas aqueles recursos que tratem de questões constitucionais relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa, cheguem à apreciação da Suprema Corte; (iv) já há manifestação monocrática, oriunda do STF, da lavra do Ministro GILMAR FERREIRA MENDES e acompanhada pelo Min. EROS GRAU, considerando cabível – e procedente Reclamação Constitucional ajuizada em face da desobediência, por juiz singular, de decisão proferida pela Suprema Corte nos autos do HC n. 82959/SP12 (em controle difuso, portanto), sob o fundamento de que as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam eficácia vinculante erga omnes, independentemente da posterior edição de Resolução pelo Senado Federal, elaborada na forma do art. 52, X da CF/88, a qual teria apenas, hodiernamente, o condão de imprimir publicidade a tais decisões. Tratase de decisão monocrática proferida nos autos da Reclamação Constitucional nº 4.335/AC, cujo julgamento se encontra, atualmente, sobrestado em razão do pedido de vista feito pelo Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, em 19/04/2007; (v) em outro relevante julgamento, proferido nos autos das ADIN nº 3345 e 3365, restou definido que os “motivos determinantes” subjacentes às decisões proferidas pela Suprema Corte em sede de controle difuso de constitucionalidade ostentam “efeitos vinculantes transcendentes”, de modo que sua eficácia vinculante extrapola a esfera restrita e específica das demandas individuais nas quais tais decisões são proferidas, vinculando o destino das demais que enfrentem questão jurídica semelhante.” Perante tal panorama, mostrase irretorquível, mormente à luz da luminosa explanação do Parecer PGFN nº 492/2011, que as decisões em controle de constitucionalidade, quando proferidas pelo órgão Plenário do STF, independentemente de posterior expedição de Resolução do Senado, assumem um caráter objetivo, porquanto desprendidas do caso concreto, uma vez que a questão submetida à jurisdição da Corte Suprema é analisada em tese, ainda que incidentalmente. Por esse ângulo, o recurso extraordinário deixa de ser uma simples via de resolução de conflitos de interesses entre as partes, de caráter subjetivo, para tornarse um modo de defesa da ordem constitucional objetiva. Em suma, em tais circunstâncias, o Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 494 12 julgamento do recurso extraordinário deve ser visto como uma atividade jurisdicional que transcende os interesses subjetivos. Como clarifica o Parecer PGFN nº 492/2011, a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairão sobre os desdobramentos futuros da declaração de existência (ou inexistência) da relação jurídica de direito material de trato sucessivo, enquanto permanecerem inalterados os suportes fáticos e jurídicos existentes ao tempo de sua prolação. Uma vez alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes no momento da prolação da sentença, esta naturalmente deixará de produzir efeitos desde então. Registrese que a alteração legislativa não é a única possibilidade de mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão judicial transitada em julgado. A consolidação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em sentido diverso da decisão judicial transitada em julgado pode representar significativa mudança no suporte jurídico sob o qual o juízo de certeza nela contido se formou, e assim fazer cessar a eficácia vinculante dela emanada. É cediço que o advento de precedente objetivo e definitivo do STF, em controle concentrado, possui força para alterar o sistema jurídico vigente. De fato, quando o STF, no exercício sua missão institucional, reconhece a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de um determinado dispositivo legal, o que daí resulta é a resolução definitiva acerca da aptidão, ou não, da incidência desse dispositivo. Claro que isso deverá refletirse, por consequência, nas relações jurídicas que tenham suporte no dispositivo cuja constitucionalidade fora objeto do controle concentrado. Isso porque, dada a função institucional do STF, o advento de um precedente em controle concentrado possui o condão de conferir ao dispositivo legal apreciado o atributo de uma norma definitivamente interpretada pelo órgão judicial que tem a última palavra sobre o tema. Daí que, considerando tal atributo, todas as dúvidas tornamse solucionadas em face de um juízo de certeza sobre o assunto. Por tal viés, compreendese que as decisões definitivas incorporamse ao sistema jurídico vigente, acrescentandolhe um elemento até então inexistente, que consiste no juízo de certeza acerca da constitucionalidade, ou não, de uma determinada lei, ou acerca da interpretação correta de uma determinada norma constitucional. Em outras palavras, esse juízo de certeza se prende ao próprio dispositivo legal interpretado, cuja aplicação deverá estar nele pautado. Contudo, nos dias atuais, tanto impactam o sistema jurídico vigente as decisões do STF em controle concentrado como em controle difuso, independentemente de posterior edição de Resolução do Senado prevista no artigo 52, inciso X, da Constituição da República de 1988. Mesmo antes do advento do artigo 543B do CPC/1973, as decisões do STF em controle difuso já exibiam a tendência “dessubjetivação”, já ostentado um caráter objetivo e geral. Portanto, o atributo da definitividade já impregnava tais decisões, independentemente de terem sido seguidas ou não de Resolução do Senado. Com essa visão, o Parecer PGFN nº 492/2011 manifesta que, por serem objetivos e definitivos, os precedentes do STF em controle difuso de constitucionalidade possuem força para alterar ou impactar o sistema jurídico, nos seguintes termos: (i) os posteriores a 3 de maio de 2007 (lembrando que 3 de maio de 2007 corresponde à data de alteração regimental do STF, decorrente da aprovação da Lei nº 11.488/2006), seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, contanto que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (ii) os anteriores a 3 de maio de 2007, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário e confirmados em julgamentos posteriores do STF. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10380.002578/200710 Acórdão n.º 9101003.496 CSRFT1 Fl. 495 13 Diante disso, constatase que, com o trânsito em julgado do acórdão proferido no julgamento do RE nº 138.284, em 29/09/1992, estabeleceuse um precedente que se constituiu num parâmetro objetivo de constitucionalidade, confirmando o pronunciamento anteriormente exarado, quando do julgamento do RE nº 146.733, embora o trânsito em julgado deste último tenha ocorrido em 13/04/1993. Convém ter em mente que a autuação fiscal alcançou fatos geradores de CSLL de 2003 e 2004. Por conseguinte, antes desse interregno já havia sido emitido pelo STF um precedente objetivo e definitivo apto a afetar a coisa julgada que se consolidara em 03/09/1992. Como visto, não pode prevalecer o argumento de relativização da coisa julgada, já que não se retrocedeu para alcançar fatos passados antes da circunstância jurídica nova, isto é, antes do precedente objetivo e definitivo decorrente do julgamento do RE nº 138.284. Nessa linha, a decisão do STF, no julgamento da ADI nº 15/DF, apenas reafirmou o entendimento da Corte manifestado em sede de controle difuso de constitucionalidade, como se pode constatar nos acórdãos referidos em sua ementa. Concluise, pois, que a sentença transitada em julgado, proferida nos autos do mandado de segurança nº 90.05.0546690.05.05466 não possui eficácia sobre os fatos geradores de CSLL relatados na autuação fiscal, motivo por que deve ser mantido o lançamento de ofício. Presentes os argumentos acima colacionados, conheço do Recurso Especial fazendário para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720840/2015-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO.
Não caracterizada a infração à lei, deve o sócio-administrador ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. SIMPLES NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, ou o mero não recolhimento de tributos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3401-004.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa física, para excluí-la do pólo passivo, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. O relator, Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, acompanhado pelo Cons. Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), foi vencido na proposta preliminar de nulidade da decisão de piso, devendo incorporar tal circunstância em seu voto, conforme previsão regimental.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl), Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. Não caracterizada a infração à lei, deve o sócio-administrador ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. SIMPLES NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, ou o mero não recolhimento de tributos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13830.720840/2015-56
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859583
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.409
nome_arquivo_s : Decisao_13830720840201556.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 13830720840201556_5859583.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa física, para excluí-la do pólo passivo, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. O relator, Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, acompanhado pelo Cons. Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), foi vencido na proposta preliminar de nulidade da decisão de piso, devendo incorporar tal circunstância em seu voto, conforme previsão regimental. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan- Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl), Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
dt_sessao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7263848
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308680089600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.313 1 1.312 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.720840/201556 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401004.409 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2018 Matéria ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrentes INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS CONFIANÇA WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO. Não caracterizada a infração à lei, deve o sócioadministrador ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. SIMPLES NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, ou o mero não recolhimento de tributos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado pela pessoa física, para excluíla do pólo passivo, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. O relator, Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, acompanhado pelo Cons. Renato Vieira de Ávila (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 40 /2 01 5- 56 Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.314 2 convocado), foi vencido na proposta preliminar de nulidade da decisão de piso, devendo incorporar tal circunstância em seu voto, conforme previsão regimental. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), André Henrique Lemos, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl), Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. a 942 a 943, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e das multas de ofício qualificada e agravada, no percentual de 150%, referente ao período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2014, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 15.703.044,93, com a atribuição de responsabilidade solidária ao sócioadministrador WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO, doravante denominado simplesmente WLADIMIR. 2. Em conformidade com o relatório fiscal, situado às fls. 954 a 959, o lançamento de ofício ocorreu em razão de a autoridade fiscal, em procedimento fiscalizatório do estabelecimento da contribuinte INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS CONFIANÇA (doravante denominada simplesmente BEBIDAS CONFIANÇA), ter verificado incompatibilidade entre as vendas de bebidas informadas em notas fiscais eletrônicas (no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital SPED) e as informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), tendo WLADIMIR agido com infração à lei com relação a tal conduta. 3. Intimada por meio de abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal CAC), em 13/05/2005, conforme termo de abertura de documento de fl. 971, a contribuinte BEBIDAS CONFIANÇA apresentou impugnação, situada às fls. 1227 a 1238. 4. Intimado por meio de envio postal em 06/05/2005, conforme aviso de recebimento de fl. 973, o responsável solidário WLADIMIR apresentou impugnação, situada às fls. 977 a 986. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.315 3 5. Em 27/11/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0958.649, situado às fls. 1265 a 1275, que entendeu ser a impugnação procedente em parte, decidindo, em síntese, manter a exigência do IPI, no valor de R$ 5.840.923,46, dos juros moratórios, no valor de R$ 1.100.736,16 e da sujeição passiva de WLADIMIR, reduzindo a multa de ofício de R$ 8.761.385,31 (150%) para R$ 4.380.692,65 (75%), em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2014 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. No julgamento administrativo, não são de se acolher os argumentos que tocam, direta ou indiretamente, a constitucionalidade ou legalidade das normas aplicáveis à matéria em discussão, de conformidade com o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. RESPONSABILIZAÇÃO DO SÓCIO ADMINISTRADOR. POSSIBILIDADE. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE Ensejam a aplicação da responsabilidade pessoal e solidária do sócio administrador a adoção de condutas irregulares que buscam dificultar a atuação da Fiscalização, como por exemplo, apresentação de DIPJ “zeradas” e com a declaração de não existência de informações do imposto, além de irregularidades na transmissão da Escrituração Fiscal Digital. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE SONEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No que diz respeito ao IPI, a constatação da emissão da nota fiscal afasta a hipótese de sonegação porque nela neste estão expostos todos os elementos constitutivos do crédito tributário, a saber, o sujeito passivo, o destinatário da mercadoria, a natureza desta e do negócio jurídico praticado entre as partes. Ausente a hipótese de sonegação, deve a penalidade ser destituída do percentual de acréscimo relativo à qualificação, aplicandose o percentual básico de 75%. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 6. Intimados por meio de envio postal em 15/12/2015, conforme aviso de recebimento de fl. 1281, a contribuinte BEBIDAS CONFIANÇA apresentou recurso voluntário, situado às fls. 1283 a 1293, e o responsável solidário WLADIMIR apresentou recurso voluntário em 04/01/2016, situado às fls. 1296 a 1304, argumentando, em síntese: (i) inconstitucionalidade das normas legais e regulamentares que regem a incidência do IPI sobre Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.316 4 bebidas; (ii) a impossibilidade legal de atribuição de responsabilização do sócio administrador pela ausência de dolo, além de não estar caracterizada a sonegação; (iii) se mantida a responsabilização do sócioadministrador, a cobrança não deveria ser direcionada a ele ao menos até que se esgotasse a possibilidade de exigência da empresa, na condição de contribuinte, o que somente poderia ser aferido mais adiante, numa eventual ação de execução fiscal; (iv) impossibilidade de exigência da multa do impugnante, por força do parágrafo único do artigo 134 do CTN, que exclui as penalidades de caráter moratório de sua abrangência; (v) inexistência da responsabilidade pessoal do sócio WLADIMIR, bem como reconhecimento da alteração dos fundamentos legais da autuação por parte da decisão recorrida, que afastou a aplicação do artigo 134 do CTN (responsabilidade do tipo subsidiária) e alterou a fundamentação do inciso I para o inciso III, do artigo 135 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. Os recursos de ofício e voluntários preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 8. Passase à análise do recurso voluntário interposto pela contribuinte BEBIDAS CONFIANÇA. Realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "O cerne da Impugnação apresentada pela Indústria e Comércio de Bebidas Confiança (fls. 1227 a 1238) diz respeito à constitucionalidade da forma de incidência do IPI sobre as denominadas “bebidas quentes” (classificadas nos códigos 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da TIPI) (...). Finalmente, alega em defesa de sua tese uma série de julgados e alguns entendimentos doutrinários acerca da matéria, além da existência de algumas distorções econômicas provocadas pela referida sistemática de tributação" (seleção e grifos nossos). 9. De fato, a partir da leitura das razões do recurso voluntário, é possível se constatar que as alegações da contribuinte são de índole eminentemente constitucional, o que atrai a aplicação do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, em estreita consonância com a Súmula CARF nº 2, segundo a qual e Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.317 5 10. Assim, a decisão deve ser mantida por seus próprios fundamentos, aos quais acresço os acima relacionados. 11. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte BEBIDAS CONFIANÇA. 12. Passase à análise do recurso voluntário interposto pelo responsável solidário WLADIMIR e, para tanto, realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "Segundo se constata nos autos, o Impugnante exerceu a administração da sociedade no período abrangido pela autuação, conforme se vê na consolidação do contrato social da pessoa jurídica (fls. 885 a 887). Da impossibilidade legal de atribuição de responsabilização do sócio administrador e da natureza da responsabilidade. O relato da Fiscalização demonstra as seguintes práticas (reconhecidas implicitamente pelo Impugnante ao atribuílas a funcionário da pessoa jurídica): falta de informação quanto aos débitos de IPI em DCTF, apresentação de DIPJ “zeradas” e com a declaração de não existência de informações do imposto, falta de recolhimento, irregularidades na transmissão da Escrituração Fiscal Digital e destaque de valores inferiores ao devido. Tal quadro não deixa duvidas de que foram adotadas condutas irregulares que buscaram deliberadamente dificultar a atuação da Fiscalização, o que só pode configurar infração à lei para os efeitos do inciso III do art. 135 do CTN. Neste momento, cabe um comentário acerca do fato de a Fiscalização ter citado, na fundamentação legal que embasa a responsabilização do sócio administrador, o inciso I do art. 135 do CTN: Impõese a atribuição da responsabilidade solidária para sócio WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO, CPF 796.543.71120, por força do disposto no artigo 135, inciso I, combinado com o 134, inciso VII, do CTN (Lei nº 5.172/1966), já que referido sócio administrador agiu com infração de lei quando, reiteradamente ao longo de 4 anos, fez assinalar nas DIPJs apresentadas que não possui informações relativas ao IPI, num setor de tributação considerável em função da essencialidade, como é o caso de bebida alcoólica, e fez omitir informação em DCTF deixando de declarar os débitos de IPI. Os dispositivos legais citados acima se referem a infração à lei na extinção de sociedades de pessoas: (...). Mas não consta dos autos nada que indique a extinção da pessoa jurídica. Antes pelo contrário, há declarações entregues, Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.318 6 arquivos enviados pelo SPED, ADE’s de enquadramento emitidos, além da situação ATIVA no sistema CNPJ. Além disso, no campo “Tipo de Responsabilidade Tributária” do Auto de Infração se lê “Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto”. Ora, disso só pode resultar que houve, de fato, equívoco na capitulação legal dos fatos, sendo certo que a capitulação correta seria no inciso III do art. 135 do CTN. Não se vê aí nenhum espaço para nulidade porque a Impugnação deve atacar os fatos descritos na autuação e não a sua capitulação legal. E os fatos estão perfeitamente descritos no Relatório Fiscal, o que permitiu ao Impugnante apresentar suas razões de defesa. Fixada a premissa de que a responsabilidade pessoal do administrador foi estabelecida de conformidade com o disposto no inciso III do art. 135 do CTN, não merece prosperar o argumento, trazido na Impugnação do Sr. WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO, de que não caberia a sua responsabilização porque as condutas não se refeririam ao fato gerador, já que as notas fiscais foram normalmente emitidas. Vale dizer, na tese defendida pelo Impugnante, não teria havido sonegação a ensejar a responsabilização pessoal do administrador da pessoa jurídica. Entretanto, não é necessária a ocorrência de sonegação para fazer incidir responsabilidade pessoal do sócio administrador, porque a ilegalidade de que trata o inciso III do art. 135 do CTN não se refere apenas a aspectos do fato gerador, mas também às demais regras previstas na legislação tributária. E, como se viu, há várias condutas reprováveis que já seriam, cada uma por si, suficientes para a responsabilização do sócio administrador.Nessa linha de raciocínio, e diferentemente do que afirma o Impugnante, a responsabilização do sócio administrador independe da existência de dolo da conduta praticada. Além disso, a responsabilidade do administrador seria, neste caso, solidária (e não subsidiária, como defende o Impugnante).O Impugnante traz, ainda, o argumento da impossibilidade de exigência da multa, por força do parágrafo único do artigo 134 do CTN Como já ficou demonstrado, a responsabilidade do sócioadministrador de que se trata no presente processo é aquela do inciso III do art. 135 do CTN. Portanto, a responsabilidade solidária, no caso dos autos, deve abranger também as multas, não sendo aplicável o disposto no art. 134 do CTN. Portanto, é de se manter a responsabilização pessoal do Sr. WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO, CPF nº 796.543.71120, tal como consta da autuação" (seleção e grifos nossos). 13. Como preleciona Daniel Monteiro Peixoto em percuciente estudo sobre o tema, ao se analisar o Código Tributário Nacional, é possível se deslindarem normas Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.319 7 punitivas, que "(...) servem para explicar a chamada 'responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138)"1 de normas ressarcitórias, que "(...) ajudam a compreender a 'responsabilidade por sucessão' (arts. 129 a 133) e a 'responsabilidade de terceiros' (arts. 134135)".2 Observese que o art. 124 do diploma em apreço se refere, antes, à regra solidarística que determina comungarem da mesma obrigação ora aqueles que apresentem interesse comum, ora os por lei designados. O requisito para a sua aplicação é a perquirição das provas e fundamentos fáticos que comprovem o "interesse comum". 14. Ocorre que, conforme observou a decisão recorrida, a acusação fiscal foi realizada com base no inciso I do art. 135 do Código Tributário Nacional, enquanto que, em seu entendimento, os fatos configuram infração à lei para os efeitos do inciso III do art. 135 do CTN: Código Tributário Nacional Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 15. Assim, aduz o julgador de primeiro piso que não haveria qualquer prejuízo para a defesa a alteração do critério jurídico do lançamento, promovendose correção da capitulação do auto de infração em fase recursal, uma vez que a impugnação deve atacar os fatos narrados pela autoridade fiscal, que permanecem hígidos, e não a sua capitulação legal. 16. Em outras palavras, a decisão a quo superou, portanto, aquilo que entendeu como uma falha da acusação fiscal com fundamento em um suposto efeito Lázaro da impugnação, que estaria investida do poder de conceder a graça da validade superveniente ao auto por ele considerado improcedente por bem compreendêlo e por bem refutálo quanto aos 1 PEIXOTO, Daniel Monteiro. Responsabilidade tributária e os atos de formação, administração, reorganização e dissolução de sociedades. São Paulo: Editora Saraiva, 2012, p. 541. 2 Ibidem. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.320 8 fatos. Tratase, claramente, de uma interpretação enviesada da máxima "dabo mihi factum, dabo tibi ius", pois cabe ao aplicador, a partir dos fatos, elucidar a norma, o que se sustenta pelo dever de conhecimento do direito a ser concretizado, independentemente de invocação prévia pelas partes ("iura novit curia"): como se sabe, mais que conhecer o direito (e aplicálo), devese sobretudo demonstrálo, sob pena de restar frustrado o direito de defesa, uma vez que os fundamentos são as verdadeiras condições de sobrevivência da decisão. 17. Registrese, até mesmo com finalidades pedagógicas, que o aplicador, em sede de recurso administrativo, não pode, a partir dos fatos, renomear e reordenar os fundamentos do lançamento a seu talante, conforme preconizado pelo art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 18. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".3 Assim, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito"4 e, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem",5 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". 19. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão tributária deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".6 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário nº 37.141, cujo acórdão foi prolatado em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".7 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 4 Ibidem. 5 Ibidem. 6 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. 7 Ibidem. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.321 9 20. Já escrevemos a respeito do tema em artigo acadêmico8 que se voltou a analisar os limites da reconstrução do lançamento tributário, conforme trecho que abaixo se transcreve: "Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".9 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".10 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindo o por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".11Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".12 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".13 A postura de fato é consentânea com a concepção materializada na expressão nemo potest venire contra factum proprium, ou nulli concedictur venire contra factum proprium, ora entendida como corolário da segurança jurídica, da proteção da confiança e da previsibilidade, entendido pelo Supremo Tribunal Federal como vera vedação a comportamentos contraditórios.14Tal vetor proibitivo de comportamento dissonante opera naqueles casos em que a contribuinte "(...) tem a sua confiança, gerada por um ato estatal anterior, frustrada por uma nova manifestação estatal posterior contraditória",15 com algum parentesco com duas velhas conhecidas do direito privado, a surrectio e a supressio, que igualmente tutelam a confiança no decurso do tempo. As preocupações em torno da bona fide são frequentes no direito e na reflexão 8 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org.). Reflexões sobre temas tributários. São Paulo: Editora Intelecto, 2017, pp. 87112. Artigo desenvolvido no contexto do Grupo de Pesquisa Direito Mackenzie, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 9 Idem, p. 134. 10 Idem, p. 135. 11 Idem, p. 136. 12 Ibidem. 13 Idem, p. 137. 14 Supremo Tribunal Federal REsp 1143216/RS, 1ª Seção, relator Ministro Luiz Fux, acórdão publicado em 09/04/2010. 15 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 401. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.322 10 sobre o seu abuso, e se manifestam em expressões antigas como tu quoque ou exceptio doli, sobretudo nas relações entre os particulares, consistindo em vetores interpretativos importantes para iluminar as relações jurídicas pautadas antes pelo primado do direito do que por disposições de império. Neste sentido, como preleciona Luís Flávio Neto, "(...) quando o Fisco emite um ato administrativo, tornando transparente a sua interpretação quanto à mais correta aplicação do Direito a uma determinada situação, instalase um farol em meio à tempestade de incertezas (...)”. Em situações como estas, que envolvem, por exemplo, decisões anteriores, “(...) a boafé objetiva, a proteção da confiança e a segurança jurídica poderiam socorrer o contribuinte, com uma aplicação mais ampla da norma geral de não autuação de condutas condizentes com interpretações oficiais do Fisco”,16 fazendo eco ao posicionamento de outros autores que se debruçaram sobre a aplicabilidade da doutrina dos atos próprios17" (seleção e grifos nossos). 21. Ademais, a alteração da fundamentação do auto de infração pela decisão de primeira instância administrativa já foi objeto de censura por este Conselho em outras oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3403002.519, proferido em sessão de 22/10/2013, cujo trecho abaixo se transcreve: [trecho do relatório] "(...) preliminarmente, a impossibilidade de o julgamento administrativo reconstruir o auto de infração, alterando a motivação e a fundamentação do lançamento. Explica que o auto de infração fundamentouse em “(i) simulação absoluta e (ii) industrialização por encomenda. Já o julgador de primeira instância afirma que (a) não houve simulação absoluta (fls. 5029, item 59), mas houve elusão fiscal, ou seja, planejamento tributário com fraude à lei e abuso de direito, cujo contexto não foi evocado pelo Auditor Fiscal no auto de infração e cujos fundamentos legais lá não constam.”" [trecho do voto] "(...) Entendo, enfim, que não se caracterizar a simulação absoluta alegada pela Fiscalização e que a fundamentação apresentada pela DRJ configura alteração não apenas a motivação como da própria fundamentação legal (...) razão pela qual voto pelo provimento do recurso para cancelar a exigência fiscal" (seleção e grifos nossos). 16 FLÁVIO NETO, Luís. "Segurança jurídica, proteção da confiança, boafé e proibição de comportamentos contraditórios no direito tributário: 'nemo potest venire contra factum proprium'". São Paulo: IBDT/Edições Loyola, Revista de Direito Tributário Atual nº 36, 2º semestre de 2016, pp. 222239. 17 RUBINSTEIN, Flávio. Boafé objetiva no direito financeiro e no direito tributário brasileiros. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, sob orientação do Professor Titular Régis Fernandes de Oliveira, 2008, pp. 4142. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.323 11 22. Deflui do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1970 que, quando, a partir de eventual perícia ou diligência determinada pela autoridade julgadora de primeira instância forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões que resultem agravamento da exigência inicial, inovação, ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. 23. Descabe, portanto, ao julgador, seja da Delegacia Regional de Julgamento ou deste Conselho, por ausência de competência ou mesmo de previsão legal, revisar a fundamentação e refazer o lançamento: a competência é decisória, e não criativa, o que esbarraria no teor por excelência do art. 146 do Código Tributário Nacional, sobre o qual já escrevemos em outras oportunidades.18 Desta forma, a falta cometida pelo auto de infração não é suprida por meio da decisão recorrida. 24. Descumprido, portanto, não apenas o dever de fundamentação, como também o desígnio dos arts. 3º e 142 do Código Tributário Nacional no sentido de ser o lançamento atividade vinculada e orientada à obtenção da liquidez e certeza do crédito tributário correspondente, pois a imprecisão na fundamentação macula o lançamento de maneira insanável e torna nula a constituição: Código Tributário Nacional Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 25. O dever de fundamentar transparece no art. 10º do Decreto nº 70.235/1970 como elemento indissociável da decisão. Por sua vez, o art. 50 da Lei nº 9.784/1999, determina que os atos administrativos deverão ser motivados, com a indicação não apenas dos fatos, como também dos fundamentos jurídicos, devendo a motivação ser "explícita, clara e congruente". Em nenhum momento se encontra clareza ou congruência na argumentação em apreço, pois desconhecidos, em absoluto, os caminhos de direito trilhados pela autoridade fiscal para alcançar o trecho dispositivo. Neste sentido, deve ser aplicado o teor da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, editada em 03/12/1969, com o seguinte teor: 18 Cf. Declaração de voto de nossa lavra no Acórdão CARF nº 3401003.431, proferido em sessão de 29/03/2017, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, e o artigo [BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org.). Reflexões sobre temas tributários. São Paulo: Editora Intelecto, 2017, pp. 87112]. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.324 12 "A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos". 26. Neste sentido também a Lei nº 13.105/2015 que, no inciso II do art. 489, dispõe como elemento essencial da decisão não apenas as questões de fato, como também as de direito, pois duas faces da etapa de fundamentação. Acrescese à preocupação do legislador com as razões do decidir o § 1º cujo preceptivo normativo considera não fundamentada a disposição que: (i) limitarse à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; (ii) empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; e (iii) invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. 27. Ainda que se defenda a existência da nulidade do auto lavrado, tampouco no mérito merece procedência a acusação fiscal, pois entendo carente de fundamentação a imputação de responsabilidade solidária atribuída a WLADIMIR, que deve ser excluído do pólo passivo, uma vez que as razões se resumem ao seguinte trecho, abaixo transcrito: "9. Impõese a atribuição da responsabilidade solidária para sócio WLADIMIR THOMAZ DE AQUINO, CPF 796.543.71120, por força do disposto no artigo 135, inciso I, combinado com o 134, inciso VII, do CTNCódigo Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), já que referido sócioadministrador agiu com infração de lei quando, reiteradamente ao longo de 4 anos, fez assinalar nas DIPJs apresentadas que não possui informações relativas ao IPI, num setor de tributação considerável em função da essencialidade, como é o caso de bebida alcoólica, e fez omitir informação em DCTF deixando de declarar os débitos de IPI" (seleção e grifos nossos). 28. As condutas atribuídas ao sócioadministrador não são suficientes para caracterizar a figura da "infração à lei", pois se coadunam com o entendimento da empresa na época dos fatos. Assim, a falta de comprovação de qualquer infração ou violação da lei ou do estatuto social, afasta a aplicação da sujeição passiva solidária da obrigação tributária. não sendo bastante a fundamentação acima para que se estabeleça a hipótese prevista pelo inciso I do art. 135 combinado com o inciso VII do art. 134, ambos do Código Tributário Nacional. Por outro lado, sendo possível se decidir do mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, é possível não pronunciála, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, tendo a maioria do colegiado, por escorreita fidelidade aos fatos, formadose em torno de sua aplicação para excluir WLADIMIR do pólo passivo. 29. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular, no sentido de declarar a nulidade da decisão recorrida em virtude da preterição do direito de defesa e, vencido sob este fundamento, no sentido de entender pela improcedência do auto de infração em virtude de carência de fundamentação quanto à atribuição da responsabilidade. 30. Uma vez resumidas as principais questões em exame, passase a conhecer, por fim, o recurso de ofício contra o valor exonerado em referência, referente à Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.325 13 decisão favorável no sentido de reduzir a multa de ofício qualificada do percentual de 150% para a multa de 75%, ponto sobre o qual se transcreve o seguinte excerto, em conformidade com a Súmula CARF nº 14, segundo a qual "(...) a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo": "(...) No tocante à graduação da penalidade em 150%, afirmou a Fiscalização que “Tais fatos revelariam a inequívoca intenção de sonegar, impondose a aplicação da multa duplicada (de 75% para 150%), além da consequente formalização da Representação Fiscal Para Fins Penais”. A esse respeito, cabe ratificar integralmente o entendimento já adotado por esta 3ª Turma de Julgamento que está perfeitamente caracterizado no trecho a seguir, colhido do Voto do Relator do Acórdão 0954.416, de 22/08/2014, quanto à impossibilidade de qualificação da multa nos caos em que houve a emissão regular das notas fiscais: '(...) Qualificar por sonegação com base em condutas afastadas do núcleo documental do fato gerador me parece legalmente inadequado. Exemplo disso, como já se disse, é o caso presente. A DCTF não se insere no núcleo de busca de conduta inadequada visado pelo legislador tributário. Por outro lado, frisese, por necessário, que declarar a menor em tal documento pode não qualificar a multa, mas constitui sim conduta reprovável punida pelo instituto do agravamento da penalidade, tão esquecido pelos autuantes. Uma análise detida do agravamento mostra ser tal instituto a forma eleita pelo legislador para reprimir condutas que, se não pertencem ao núcleo da obrigação – leiase fato gerador – gravitam em torno deste como elementos intervenientes de comportamento doloso a ser rechaçado. Vejamos o art.68, §1º, da Lei 4502/66: (...). Notese que o dispositivo pune fatores periféricos ao fato gerador, quais sejam a reincidência específica, o não cumprimento de solução de consulta, a inobservância de exigências feitas nos livros fiscais e, o que mais nos interessa, o artifício doloso na prática da infração ou ainda o retardamento do conhecimento da infração praticada (...). Note se que o dispositivo pune fatores periféricos ao fato gerador, quais sejam a reincidência específica, o não cumprimento de solução de consulta, a inobservância de exigências feitas nos livros fiscais e, o que mais nos interessa, o artifício doloso na prática da infração ou ainda o retardamento do conhecimento da infração praticada (...). Este é o panorama jurídico sob o qual formo minha convicção para tomar por ilegítima a qualificação da multa de ofício aplicada pela insuficiência de recolhimento do IPI com reiterada declaração a menor do tributo devido na DCTF'. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 13830.720840/201556 Acórdão n.º 3401004.409 S3C4T1 Fl. 1.326 14 Aplicandose o raciocínio acima referido ao caso dos autos, deve a multa de ofício ser destituída do percentual de acréscimo, aplicandose o percentual básico de 75%, ficando reduzida de R$ 8.761.385,31 para R$ 4.380.692,60" (seleção e grifos nossos). 31. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício, devendo a decisão ser mantida por seus próprios fundamentos, aos quais acresço os acima expostos. Assim, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo responsável solidário WLADIMIR para a finalidade de anular a decisão recorrida, em virtude da preterição do direito de defesa decorrente da alteração da fundamentação da acusação fiscal e, vencido neste fundamento, em análise de mérito, por excluir WLADIMIR do pólo passivo. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 1326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002162/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002162/2010-91
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862460
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.172
nome_arquivo_s : Decisao_19515002162201091.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002162201091_5862460.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7285751
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050308706304000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002162/201091 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.172 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 62 /2 01 0- 91 Fl. 120DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 121DF CARF MF Processo nº 19515.002162/201091 Acórdão n.º 2201004.172 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 122DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 19515.002162/201091 Acórdão n.º 2201004.172 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 124DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
