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Numero do processo: 10730.904492/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 04 49 2/ 20 09 -6 0 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904492/200960 Resolução nº 3801000.818 S3TE01 Fl. 268 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DComp nº 39706.35316.150806.1.3.046025, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 29/12/2005, a título de Cofins, atinente ao período de apuração dezembro05, com débito da própria interessada. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DRF Niterói não homologou a compensação declarada, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débito de Cofins, período de apuração dezembro05, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada, a Interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de folha 2, na qual alega, em síntese: Tratarse de empresa prestadora de serviços no ramo de Engenharia e que exerce atividades de conservação e restauração de estradas, conservação de áreas verdes e tem como clientes Órgãos Públicos Federais, Estaduais e Municipais; Que apura impostos federais por estimativa mensal e usa como base de cálculo as receitas efetivamente auferidas no mês (regime de caixa); Enquadrarse para fins de recolhimento da Cofins e do PIS, tanto nos regimes cumulativo quanto não cumulativo; O recolhimento em questão, código 5856, foi apurado tomandose como base de cálculo o valor de R$ 2.491.651,39. Posteriormente verificou ter usado base de cálculo a maior, em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme Lei 10.865/04, artigo 10, inciso XX, sujeitamse à alíquota da contribuição cumulativa. Assim, verificou recolhimento a maior .no montante de R$ 102.121,66. Em tempo, retificou a DCTF do período acima em 21/05/2009. Solicita homologação da compensação e cancelamento da cobrança decorrente do indeferimento.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904492/200960 Resolução nº 3801000.818 S3TE01 Fl. 269 3 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904492/200960 Resolução nº 3801000.818 S3TE01 Fl. 270 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF conforme Recibo 39.42.02.69.9894 de 21/05/2009. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na apuração em dezembro de 2005 de Cofins não cumulativos na qual verificouse pagamento a maior em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme LEI 10.865/04 (sic), Art 10. inciso XX, sujeitamse à alíquota da contribuição cumulativa. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Portanto, mesmo que haja a retificação extemporânea da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904492/200960 Resolução nº 3801000.818 S3TE01 Fl. 271 5 Apesar da complementação da documentação comprobatória ter sido apresentada apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o pagamento a maior em decorrência da inclusão na base cálculo de Cofins não cumulativo de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada que se sujeitaria à alíquota da contribuição cumulativa. O Art 10. inciso XX da Lei 10.833/2003 assim dispõe: Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014) E segundo entendimento da Receita Federal exposto na Solução de Consulta Nº 21 de 27 de Outubro de 2006: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Para fins de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, enquadramse no conceito de obras de construção civil as obras e serviços auxiliares e complementares de construção, tais como aquelas relacionadas no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 1999. Consoante o citado Ato Declaratório enquadramse como construção civil as seguintes atividades: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; sondagens, fundações e escavações; construção de estradas e logradouros públicos; construção de pontes, viadutos e monumentos; terraplenagem e pavimentação; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Assim, segundo a recorrente, ela apurou o imposto referente a dezembro de 2005 código 5856, com base de cálculo no valor de RS2.491.651 e constatou que houve Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904492/200960 Resolução nº 3801000.818 S3TE01 Fl. 272 6 recolhimento com a alíquota de 7,6%; onde deveria ser de 3,00%, originando um recolhimento a maior no valor de R$102.121,66(cento e dois mil cento e vinte um reais sessenta e seis centavos). Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · Cópias autenticadas da Nfs. para comprovação da Base de Cálculo; · Cópias autenticadas das páginas do Livro Diário que contém a escrituração contábil, bem como Termo de Abertura c Encerramento; · Cópias autenticadas dos Contratos de Serviços: · Cópia autenticada dos DARF; · Cópia do Contrato Social: · Demonstrativo Base de Cálculo da Cofins Regime Não Cumulativo; · Demonstrativo Base de Cálculo credito da Cofins Regime Não Cumulativo. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS, conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721248/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 48 /2 00 9- 24 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 138.395,59, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 2201001.757 S2C2T1 Fl. 3 3 Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Eliene Simone Silva Oliveira apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 2201001.757 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 2201001.757 S2C2T1 Fl. 5 7 não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.721248/200924 Recurso nº: 923.161 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.757. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 2201001.757 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725018/2010-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2008 a 01/01/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR.
RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS A QUE SE DEIXOU DE ATENDER. DIREITO CREDITÓRIO A QUE SE VEDA O RECONHECIMENTO, POIS AUSENTE SEUS PRESSUPOSTOS LEGAIS. VERIFICOU-SE QUE HÁ TRABALHADORES QUE ESTÃO AUSENTES DAS GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO. DEIXOU-SE DE PROVAR A OCORRÊNCIA DE RECOLHIMENTO EM RAZÃO DESTES TRABALHADORES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2008 a 01/01/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS A QUE SE DEIXOU DE ATENDER. DIREITO CREDITÓRIO A QUE SE VEDA O RECONHECIMENTO, POIS AUSENTE SEUS PRESSUPOSTOS LEGAIS. VERIFICOU-SE QUE HÁ TRABALHADORES QUE ESTÃO AUSENTES DAS GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO. DEIXOU-SE DE PROVAR A OCORRÊNCIA DE RECOLHIMENTO EM RAZÃO DESTES TRABALHADORES. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 01/01/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMALIZAÇÃO IRREGULAR. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS A QUE SE DEIXOU DE ATENDER. DIREITO CREDITÓRIO A QUE SE VEDA O RECONHECIMENTO, POIS AUSENTE SEUS PRESSUPOSTOS LEGAIS. VERIFICOUSE QUE HÁ TRABALHADORES QUE ESTÃO AUSENTES DAS GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO. DEIXOUSE DE PROVAR A OCORRÊNCIA DE RECOLHIMENTO EM RAZÃO DESTES TRABALHADORES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 18 /2 01 0- 40 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 711 2 Relatório O presente processo administrativo fiscal encerra o Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação –PER/DCOMP, referente a retenção de 11%, da Lei 9.711/1998, para as competências 07/2008 a 12/2008, conforme pedidos, de fls. 05 a 50. A DRF da circunscrição do contribuinte remeteulhe a intimação, de fls. 62 recebida, em 17/12/2010, AR, fls. 63, onde, lhe faz diversas exigências. Penso eu que a requerente em razão da intimação tenha apresentado os documentos, de fls. 64 a 203; 206 a 415; 418 a 445. A DRF da circunscrição do contribuinte intimou a empresa Alcatel Lucent Brasil S.A, fls. 447 e 449 recebidas, em 04/03/2011, AR, fls. 450, onde, lhe faz diversas exigências. A empresa intimada respondeu a intimação por meio dos documentos, de fls. 451 a 462. A delegacia de origem emitiu nova intimação ao contribuinte requerente da restituição, fls. 463, onde se faz novas exigências, recebida, em 11/03/2011, AR, de fls. 464. A requerente AMT respondeu a intimação conforme documentos, de fls. 465 a 536. A DRF – Belo Horizonte emitiu o Despacho – Decisório DD Nº 553, fls. 584 a 586, através do qual indeferiu o pedido de restituição. A requerente foi cientificada do DD, em 18/04/11, AR, de fls. 597. A requerente, em 19/05/2011, apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 588 a 603, acompanhada dos documentos, de fls. 604 a 612. A empresa apresentou a petição, de fls. 674. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0242.219 8ª Turma da DRJ/BHE, em 23/01/2013, fls. 677 a 681, pelo qual a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e o direito crédito não foi reconhecido. A empresa requerente tomou conhecimento do Acórdão, conforme AR, as fls. 683, recebido, em 14/03/2013. A empresa apresentou Recurso Voluntário, em 08/04/2013, conforme petição, de fls. 687, com razões recursais, as fls. 688 a 703, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais estão assim resumidas. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 712 3 Mérito. · que o crédito se origina de retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços, após a compensação destas com os recolhimentos da folha de salários, devendo ser restituído o remanescente, não havendo dúvidas de que a recorrente sofre retenção sobre as notas fiscais emitidas; · que despesas de viagens e estadias não sofrem incidência tributária, sendo irrelevante a sua menção no despacho decisório, ainda, que as despesas de viagem e estadia fossem pagas como ajuda de custo, não seriam tributadas, pois não possuem caráter salarial ou retributivo, cita MGD, comentando o artigo 457, da CLT, para quem a diárias independentemente do valor não tem caráter retributivo, cita o entendimento do TST sobre ajuda de custo especial, para quem, ainda, que essa seja superior a 50% do salário não se inclui no salário; · que o despacho decisório é baseado e ficções e presunções, cita JESM; GA;FF; GUC; SM, cabendo ao sujeito ativo, nos termos do artigo 142, do CTN, o ônus de provar a indevido praticado com todos os seus detalhes, o que não ocorreu no presente caso, cita IGSM e volta a citar SM, que cabe ao fisco constituir e provar o direito ao crédito tributário · que a empresa provou a utilização de mão de obra na execução de seus serviços de forma clara e objetiva e que a alegação do relatora a quo é inverídica “a contribuinte não discorda da fiscalização quando fala do pagamento de despesas a pessoas que não figuravam nas folhas de pagamento e GFIP”, devendo a RFB apurar o suposto débito da recorrente e restituir a diferença; · que houve enriquecimento ilícito da fazenda ao imputar a recorrente débito baseado em ficções e presunções, uma vez que não produziu provas cabais quanto a existência de débito, cita MHD; ocorrendo tal enriquecimento, pois a fazenda indeferiu o pedido de restituição, sem apurar o débito da recorrente, sem abatêlos dos PER/DCOMP apresentados; · Dos pedidos e requerimentos: a) que seja reformada a decisão recorrida, conhecido e provido o recurso, cancelandose todas as exigências contidas na notificação; b) a restituição das quantias pleiteadas nos PER/DCOMP; c) protesta pela produção de todos os meios de prova permitidos em direito; d) que a decisão motivada e fundamentada seja comunicada à autuada, por escrito; e) acolhimento das razões para que seja julgado extinto o presente feito. A DRF – origem, anexou aos autos, nova petição da empresa, fls. 705 a 707 pela qual requer a juntada de instrumento de mandato. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 713 4 O órgão preparador não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 708. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01, fls. 709. É o Relatório. (Assinado digitalmente). Conselheiro Eduardo de Oliveira. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 714 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O fisco não discorda de que o pedido de restituição se refere ao excedente das retenções da Lei 9.711/98, mas, por outro lado não confirma a existência do suposto crédito alegado pela recorrente, uma vez que os documentos apresentados não comprovaram a regularidade das contribuições devidas a seguridade social. A restituição só existe se o contribuinte comprovar o seu direito a ela, nos termos do artigo 89, caput, da Lei 8.212/91 c/c as exigências da IN/RFB 900/2008, ato normativo em vigor quando do requerimento deste pedido de restituição, muito menos duvidou o fisco que não há retenções em face da prestação do serviços e das notas apresentadas, este não é o foco da questão. O artigo 28, parágrafo 8º, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a seguir transcrito, é claro em dizer que as diárias integram a remuneração pelo seu valor total, quando excederam a cinquenta por cento desta. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Dessa forma, sendo um comando legal qualquer outra interpretação é irrelevante, pois a Administração Pública, na qual incluise o fisco tem do dever constitucional de observar as leis, artigo 37, caput, da CRFB/88. A ajuda de custo mencionada pela recorrente tem outra finalidade e não visa a suprir as necessidades de despesas em razão de viagem, basta ler a alínea “g”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 e mesmo que o contribuinte recorrente chamasse de ajuda de custo o que é pago para suprir as necessidade do trabalhador quando em viagens a serviço tal parcela é diária, pois não importa o nomen iuris, nas sim sua natureza jurídica, artigo 4º, I, da Lei 5.172/66. As decisões do TST citadas pelo contribuinte, buscando demonstrar que a diária não é base de cálculo da contribuição leva a interpretação diametralmente oposta, baste ler a citação feita pela recorrente que ora transcrevo, pois a decisão do TST muito bem separa ajuda de custo e diárias, deixando claro que essas últimas quando excedente de cinquenta por cento da remuneração integra a base de cálculo da contribuição. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 715 6 O despacho decisório não está baseado em ficções ou presunções, mas na simples constatação feita na documentação apresentada pela recorrente no curso do processo de restituição, de que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e as folhas de pagamento não registram e não contém todos os trabalhadores que prestam serviços para a empresa, haja vista que muitos prestadores de serviços foram encontrados na escrituração fiscal e não se encontram relacionados na GFIP e nas folhas de pagamento, conforme no itens 3; 3.2 e 3.3, do DD, de fls. 584 e 586. Desta forma, fica evidente que o rol de doutrinas citadas não se aplicam ao caso, pois não há ficção ou presunção, mas sim situações comprovadas nos documentos apresentados pelo contribuinte/recorrente, bem como no presente caso não temos lançamento como se demonstrará abaixo. O contribuinte está equivocado no presente caso não se aplica o artigo 142, da Lei 5.172/66, pois o presente processo não encerra lançamento tributário de ofício, ou seja, lançamento feito pelo fisco, o presente feito gira em torno de pedido de restituição feito pelo contribuinte e nesta caso cabe a ele atender ao contido no artigo 89, da Lei 8.212/91 e na IN/RFB 900/2008, ato que disciplina o pedido de restituição. Assim, o ônus da prova não é do fisco, mas sim do contribuinte, ele é que tem que provar que é detentor do direito creditório que está sendo reclamado, aplicandose no presente caso, o artigo 333, I, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Novamente, equivocase a recorrente não há alegação inverídica no acórdão a quo, pois o fisco não disse que a recorrente requerente da restituição não demonstrou a utilização da mão de obra, até porque não há retenção se não houver cessão de mão de obra isso é inerente a sistemática de tributação, o que o acórdão de primeiro afirmou foi o que a DRF constatou a utilização de mão de obra que não está declarada em GFIP e nas folhas de pagamento, o que permite concluir que há recolhimento a menor da contribuição previdenciária em razão dessa omissão. A recorrente mais um equivoco comete, o fisco não está se enriquecendo de forma ilícita, pois ele não está exigindo contribuição que não lhe é devida, mas sim é o contribuinte que esta querendo buscar tal enriquecimento, uma vez que não prova o seu direito a restituição, pois o fisco demonstrou que a recorrente não declara em seus documentos fiscais/trabalhistas/previdenciários a totalidade dos trabalhadores que utiliza, bem como a massa salarial e muito menos o recolhimento das contribuições relativas a tais trabalhadores. O fisco não é órgão consultor do contribuinte cabe a ele contribuinte promover o adequado preenchimento, fornecimento e gerenciamento das informações e documentos fiscais, tributários, trabalhistas e comerciais que permitam o correto recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, a ausência de informações corretas e adequadas, como a não declaração de Fl. 715DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.725018/201040 Acórdão n.º 2803003.595 S2TE03 Fl. 716 7 trabalhadores em GFIP e sua não inclusão em folha de pagamento, leva a convicção de que totalidade das contribuições não são recolhidas e é dever do contribuinte regularizar tal situação e não do fisco é para isso que serve as declarações retificadoras, o recolhimento espontâneo de dívidas e a possibilidade de confissão de dívida com seu eventual parcelamento, mas tal regularização é dever do contribuinte, o fisco não tem a obrigação de fiscalizar o contribuinte para regularizar a sua documentação declarada ou preenchida incorretamente. Cabe ao contribuinte provar a regularidade de sua atuação e seu direito creditório, nos termos exigidos pela legislação. Assim sendo, não comprovado pelo contribuinte a regularidade das informações, declarações e recolhimentos previdenciários efetivados e não demonstrado a existência do direito creditório não há como reconhecer o pleito, rejeitando, pois, todos os pedidos da recorrente, exceto o de cientificação escrita, uma vez que essa é a determinação legal e a prática do fisco, sendo pedido desnecessário. Indefiro o pedido de produção de provas posteriores, pois aplicase a esse o que determina o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72 e findo o julgamento não há por que produzir novas provas. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912785/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face do Acórdão nº 0238.0482ª Turma da DRJ/BHE, prolatado em 20 de março de 2012. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “DO DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 78 5/ 20 09 -5 3 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 165 2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 05), referente ao PER/DCOMP nº 28791.90017.241106.1.7.047499. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 2.064,43, representado por Darf recolhido em 15/03/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse:arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 166 3 Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Julgando o litígio estabelecido, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos da ementa e dispositivo do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 09/04/201 (AR de efl 62), por meio do Termo de Ciência e Notificação de efls. 56/58, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual sustenta que: (a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito possivelmente “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; (b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que mencionado Decreto extrapola previsão legal dos limites da incidência do PIS Folha; (c) a decisão de Ia instância contraria o entendimento da Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 167 4 exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. (d) O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; (e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002 dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho); (f) a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância. E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004, cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente (código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor recolhido sob o código de receita 8301 (PIS FOLHA DE PAGAMENTO), consoante consignado na DComp em causa. O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente processo entendeu que o crédito referente ao PIS folha, na forma solicitado pela contribuinte, seria inexistente, eis que já vinculado a suposto débito de PIS Folha, motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 168 5 Conforme relatado, em seu recurso voluntário, a contribuinte aduz que possivelmente tal conclusão “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio” Para melhor esclarecimento, adoto as palavras do julgador Márcio André Moreira Brito, em voto proferido no Acórdão nº 1146.072 – da 2ª Turma da DRJ/REC, quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido: “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Conquanto não padeça de qualquer vício o Despacho Decisório que, na análise do indébito, norteouse em informações de caráter confessional prestadas pelo próprio contribuinte, a este é facultado, caso se julgue prejudicado, interpor, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, Manifestação de Inconformidade para desconstituir, total ou parcialmente, tal confissão, já que o art. 214, do Código Civil, prevê que ‘A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou coação’. No entanto, do ônus probante que sobre ele recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e art. 333, I, do CPC), deve o contribuinte se desincumbir quando da interposição deste recurso, ao qual devem ser anexadas as correspondentes provas, na forma do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses previstas no §4º, deste artigo.”. Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou se: “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios apurados com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido. Estando correto o entendimento expresso no Despacho Decisório, caberia ao manifestante, na condição de postulante de um direito a crédito compensável, apresentar provas cabais da ocorrência do pagamento indevido ou a maior.” In casu, o Acórdão recorrido dá conta que a documentação anexada aos autos pela contribuinte é essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da DComp e do seu estatuto social, concluindo que tal documentação, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Em seu voto, seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o relator do Acordo recorrido esclarece que: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 169 6 “Nesse aspecto, tomandose o citado estatuto social, ainda que se considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida pela legislação cooperativista, não há como afirmar, nem o manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa cópia da referida Solução de Consulta. Sobre tal consulta, esclarece que entendendo estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a consulta foi formulada. Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto: “A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n° 5.674/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência atuação, tratandose também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto 2001, ao qual faz menção aos sindicatos, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários.” A referida Solução de Consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 170 7 “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei) Verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. É verdade que a Solução de Consulta vincula o consulente. Mas, tal vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta. De modo que, em caso de a Solução de Consulta não contemplar a hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. Embora a recorrente alegue não ter efetuado tais deduções quando do cálculo dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, depositados judicialmente, e, embora tenha anexado planilha de cálculo de apuração do PIS Faturamento e Balancete Parcial referente ao mesmo período de apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Ressaltese que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. Por outro lado, em seu recurso voluntário, a contribuinte menciona ter impetrado Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, no qual foram efetuados depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460. Em consulta ao sistema eprocesso, verificase que tal Mandado de Segurança encontrase controlado por meio do Processo nº 10680.010675/200289 e foi preventivamente impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. O Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732 encontrase em fase de Recurso especial nº 1.366.315 MG (2012/00896109), sobrestado, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” A Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece: “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 171 8 (...); IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial; (...).”(grifei). Viuse acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em 18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em ambos a contribuinte pretendia ser tributado pelo PIS Folha e não sobre o PIS Faturamento. Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na RFB a sua consulta, se antes ou depois de ter impetrado o Mandado de Segurança e em quais termos foi a mesma formulada, de modo a saber se a sua consulta teria ou não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima transcrito. Necessário, portanto, ter o conhecimento dessa informação, para que se decida com segurança acerca do presente litígio. Assim, tendo em vista que: ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte; ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; ● a contribuinte impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo , objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”; ● igualmente, por entender estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158; ● tendo havido recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e depósito judicial sobre o faturamento, mostrase viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição; ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações; ● sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação das informações e documentos, já acima mencionados; Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912785/200953 Resolução nº 3302000.446 S3C3T2 Fl. 172 9 i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii)Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 18470.720252/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. RESPONSABILIDADE TANTO PELOS TRIBUTOS QUANTO PELAS MULTAS.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, sendo desinfluente que o crédito tributário já esteja formalizado por meio de lançamento, que apenas o materializa. Decisão do STJ, em sede de recursos repetitivos, no REsp nº 932.012-MG e respectivos embargos declaratórios.
Numero da decisão: 1302-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio Rodrigo Frizzo Redator
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. RESPONSABILIDADE TANTO PELOS TRIBUTOS QUANTO PELAS MULTAS. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, sendo desinfluente que o crédito tributário já esteja formalizado por meio de lançamento, que apenas o materializa. Decisão do STJ, em sede de recursos repetitivos, no REsp nº 932.012-MG e respectivos embargos declaratórios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Redator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. RESPONSABILIDADE TANTO PELOS TRIBUTOS QUANTO PELAS MULTAS. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. O que importa é a identificação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 02 52 /2 01 0- 68 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 270 2 momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, sendo desinfluente que o crédito tributário já esteja formalizado por meio de lançamento, que apenas o materializa. Decisão do STJ, em sede de recursos repetitivos, no REsp nº 932.012MG e respectivos embargos declaratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Redator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão no 1236.355, proferido pela DRJ/RJ1 no processo administrativo que teve início com Auto de Infração (fls.38/42) relativo ao ano calendário de 2007. Por meio do referido processo administrativo é exigido da recorrente o imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), no valor de R$ 7.074.572,98, acrescido de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. Conforme, verificase no Termo de Intimação Fiscal n° 01 (fls. 27/28), a recorrente foi intimada em 09/06/2010 (fls. 29) a fim de “prestar esclarecimentos sobre a compensação de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, pela SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA., no ano calendário de 2007”. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 271 3 Logo, podese notar que a intimação se deu em data posterior a incorporação da empresa (SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA.) pela recorrente, que se realizou em 31 de dezembro de 2.007. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de (fls. 35/37), o auditor fiscal fundamentou o procedimento fiscal no fato de a empresa (SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA CNPJ N° 58.133.588/000131), por ocasião de sua incorporação pela recorrente (WARRANT EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA CNPJ N° 01.740.510/000168), em 31 de dezembro de 2007, compensar o prejuízo fiscal na apuração do lucro real do ano calendário de 2007 sem observar o limite de trinta por cento (30%) do lucro líquido ajustado, conforme determina o art. 15 da Lei nº 9.065/1995. Esclarece o TVF (fls. 35/37) que a empresa incorporada (SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA) pela recorrente apurou um lucro real no valor de R$ 77.816.071,22 no período de 01/01/2007 à 31/12/2007, vindo a compensar a importância de R$ 51.643.113,35 a título de prejuízos fiscais apurados em anos anteriores. O valor da compensação atingiu 66,36% do valor apurado como lucro real do ano de 2007. Assim, exigiuse da recorrente, na qualidade de sucessora da empresa SOCIEDADE EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA, a diferença de IRPJ (R$ 28.298.291,98) que deixou de ser recolhida em razão da referida compensação indevida. Todavia, inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação de (fls.75/85), acompanhada dos documentos de (fls. 86/185), alegando, em síntese: na vigência do art. 64 do Decreto lei nº 1.598/1977 asseguravase, sem qualquer limite quantitativo, a compensação de prejuízos fiscais com o lucro obtido no exercício, assim como a transferência, à sociedade incorporadora, dos prejuízos acumulados pela sociedade incorporada, respeitada, sempre, o prazo previsto no caput (§5º do art. 64); com o advento da Lei nº 9.065/1995, foi mantida a sistemática de abatimento dos prejuízos fiscais, porém objetivando garantir “parcela expressiva de arrecadação”, houve por bem limitar a compensação dos prejuízos fiscais acumulados em 30% do montante do lucro líquido ajustado; ao longo do tempo, sempre se assegurou às sociedades que tem o seu patrimônio reduzido por perdas, a dedução de tais prejuízos na conformação da base de cálculo do imposto de renda; se há um dispositivo de lei que impede a transferência do prejuízo à sociedade incorporadora, haja vista a revogação pelo Decreto Lei 1.730/1979, do § 5º do art. 64 do Decreto Lei nº 1.598/1977, e se há uma outra norma cujo objetivo declarado é assegurar o direito do contribuinte à compensação do prejuízo, até mesmo integralmente, há que se concluir não ser aplicável, em caso de extinção de sociedade por incorporação, a limitação Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 272 4 de 30% a que se refere o art. 15 da Lei 9.065, pois a sua aplicação, nesse caso, implicaria perda do próprio direito à compensação dos prejuízos não integralmente compensados quando da extinção da sociedade; a compensação de prejuízos fiscais não é um benefício fiscal, como alega o agente autuante, mas sim um direito do contribuinte que já há muitos anos vem sendo reconhecido pelo ordenamento jurídico pátrio; portanto é equivocada a invocação do §6º do art. 150 da Constituição Federal pelo agente autuante; não existe uma lei específica vedando à compensação do prejuízo fiscal quando da extinção da sociedade com a sua incorporação, além do que a aplicação da norma contida na Lei nº 9.065/1995 afronta ao comando contido no art. 110 do CTN, que norteia e limita o alcance das normas tributárias abstratas e concretas; deve ser declarada a ilegalidade do lançamento fiscal, pois que infringe o conceito de renda contido no art. 43 do CTN, bem como em virtude da inexistência de suporte legal para a aplicabilidade da trava de 30% nas situações de extinção da sociedade; é pacífico, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que o sucessor não responde por penalidades impostas ao sucedido; conforme acórdão nº 10217285, somente se exige multa do sucessor na hipótese em que a multa já estivesse constituída pelo Fisco quando da sucessão; os tribunais administrativos possuem diversos precedentes sobre o assunto, destacandose os acórdãos nºs 10806.682/2001, 10806.683/2001 do Primeiro Conselho de Contribuintes e 0104258/2002, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão sob nº. 1236.355, de 30/03/2011 (fls. 198/213), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. INCORPORAÇÃO. A partir do ano calendário de 1995, a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. É cabível a exigência de ofício do imposto incidente sobre a diferença compensada a maior na declaração final da Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 273 5 incorporada, uma vez que não existe qualquer exceção ao limite imposto pela lei. MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Na sucessão empresarial, a sucessora é responsável pelos créditos tributários devidos pela sucedida, não somente aqueles relativos a tributos, mas também os decorrentes de penalidades pecuniárias devidas pelo descumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, independentemente do lançamento de ofício ocorrer antes ou depois do evento sucessório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 30/06/2011, tendo interposto Recurso Voluntário em 01/08/2011 (fls. 218/232), em síntese reiterando os argumentos já trazidos na impugnação, acrescentando apenas, preliminarmente, o cerceamento de defesa e, no mérito, tópico no qual argumenta que o STF, ao apreciar a constitucionalidade da trava dos 30% não o fez com relação a empresas em vias de extinção. Nesse passo, esta corte ao analisar o presente caso decidiu (fls. 256/264) em data de 07/08/2012 pelo sobrestamento do julgamento nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF. No entanto, o dispositivo utilizado para realizar o sobrestamento do julgamento (art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF) foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, situação esta que afastou o sobrestamento no presente processo, ensejando assim o julgamento do recurso voluntário interposto pela ora recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCIO RODRIGO FRIZZO relator: O recurso voluntário é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Da Preliminar Arguida – Do Pleno Exercício da Ampla Defesa A recorrente em seu recurso voluntário trouxe ao lume a fundamentação alegando o cerceamento em sua ampla defesa, sobre as seguintes assertivas: Não obstante ter sido o julgamento proferido por maioria, a recorrente não teve acesso ao voto divergente, o qual, evidentemente, certamente trará elementos imprescindíveis Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 274 6 ao exercício da ampla defesa da recorrente, garantia constitucional inafastável. Em que pese o arrazoado pela recorrente, é evidente o equívoco cometido, pois o fato de o acórdão recorrido não ter sido provido por unanimidade não significa que existiu um voto divergente que não lhe foi dado ciência, apenas que um dos membros da turma julgadora não acompanhou o voto do relator, o qual, frisese, foi voto vencedor. Ademais, analisando os autos, não se pode dizer que foi tolhido à recorrente o direito de exercer sua ampla defesa e o contraditório, pois todos os fatos que motivaram o lançamento tributário, bem como toda a fundamentação do auto de infração, lhe foram cientificados, oportunizandolhe a apresentação de impugnação e recurso voluntário nos prazos legais, não existindo qualquer vício neste sentido que possa ser arguido. Sendo assim, voto por afastar a preliminar de mérito suscitada pela recorrente, pois entendo que inexiste o cerceamento de defesa apontado. 2. Do Mérito 2.1. Da impossibilidade de limitação à compensação de prejuízos quando da extinção da empresa. O cerne da questão controversa nos autos encontrase na impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais acima da limitação de 30%, mesmo quando da extinção da pessoa jurídica através de sua incorporação. A matéria atualmente é tratada pelo art. 510, Dec. 3.000/99, que assim prescreve: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). É certo que a legislação que limitou a compensação de prejuízos fiscais teve como finalidade garantir o mínimo de arrecadação durante um anocalendário, controlando esta possibilidade e garantindo o recolhimento de impostos sobre o lucro auferido pelos contribuintes. Contudo, muito embora haja a limitação ao contribuinte de compensar seus prejuízos fiscais de uma só vez, é certo que tal limitação não tem por fim retirar o seu direito de compensalos integralmente, permitindo que se continue compensando nos exercícios seguintes. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 275 7 Isto pode ser visualizado através da exposição de motivos da MP n.º 998/95, posteriormente convertida na Lei 9.065/95, nos termos abaixo transcritos: Art. 15 e 16 do Projeto decorrem da Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n.º 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje ‘vacatio legis’ em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. (grifo não original) A garantia do direito do contribuinte à compensação integral dos seus prejuízos observa os princípios da legalidade e da capacidade contributiva, permitindo que se tribute sua renda efetiva na medida em que se equalizam seus prejuízos e ganhos reais (aumento patrimonial) no decorrer de seu funcionamento comercial. Assim, entendo que se trata de um direito do contribuinte, e não um benefício fiscal, o fato de este poder compensar seu prejuízo acumulado, pois há o respeito ao necessário acréscimo patrimonial para incidência do imposto sobre a renda. Negar ao contribuinte a compensação de seus prejuízos fiscais seria o mesmo que admitir a tributação do patrimônio do contribuinte mesmo que não houvesse acréscimo patrimonial, caracterizando uma bitributação – pois quando da constituição daquele patrimônio já houve sua tributação – e contrariedade aos preceitos dos art. 43 e 44, do CTN, transcritos abaixo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Neste mesmo sentido, peço vênia para servirme do brilhante entendimento exarado pelo Conselheiro Valmir Sandri, em sua declaração de voto quando em julgamento do processo n.º 13807.003133/200436, nos termos seguintes: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 276 8 (...) O fato é que, o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarsea a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação. Assim, a compensação pelo contribuinte do prejuízo fiscal por ele suportado, não se trata, como entende alguns, de uma benesse e/ou favor concedida pelo poder público, mas sim de uma regra para evitar que se tribute uma não renda, ou seja, o próprio patrimônio do contribuinte. (...) Vale destacar, também, as razões nas quais se apoiou o Conselheiro Marcos Takata em recente voto de sua relatoria, no processo n.º 16095.00635/200809, em que tratou a matéria, como segue: (...) De outra parte, o direito à compensação do estoque de prejuízos fiscais (e de bases negativas), longe de ser um benefício fiscal, é a realização do princípio da capacidade contributiva, da renda efetiva na empresa, e da relatividade da independência dos períodos – relatividade essa que foi expressamente consagrada pelo art. 6º, §§ 5º e 6º, do Decreto lei 1.598/77. Benefício fiscal concorre para acréscimo patrimonial, ao passo que a compensação de prejuízos (e de base negativas) concorre para a neutralidade patrimonial. (...) Portanto, a compensação de prejuízo fiscal se caracteriza como um direito do contribuinte a fim de que haja tributação apenas sobre o efetivo acréscimo patrimonial, em respeito ao critério material do imposto sobre a renda. Noutro giro, o art. 227, §3º, da Lei n.º 6.404/76, expressamente prevê a extinção da empresa incorporada após a aprovação pela assembleiageral do laudo de avaliação, nos termos seguintes: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 3º Aprovados pela assembleiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Neste raciocínio, de que a legislação que instituiu a limitação para compensação do prejuízo fiscal teve por finalidade apenas garantir um mínimo de arrecadação, garantindo o direito do contribuinte de compensar integralmente seu prejuízo nos exercícios seguintes, concluo que, nos casos de extinção da empresa que tenha auferido lucro no último anocalendário em que manteve sua atividade, mas que também possua estoque de prejuízo fiscal, não se pode limitar sua compensação integral mesmo que ultrapasse os 30% do lucro, pois do contrário não será mais possível a compensação deste prejuízo. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 277 9 Tal entendimento pode ser consubstanciado através do voto abaixo destacado, com as devidas adaptações, o qual corrobora que o prejuízo fiscal proporcional ao patrimônio transferido, no caso de cisão, seria de impossível compensação acaso ficasse restringido ao limite legal de 30%, vejase: (...) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS O artigo 33 do Decreto lei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. (CARF. Acórdão n.º 10194.515. Rel. Sandra Maria Faroni. Sessão de 17/03/2004) (grifo não original) Não há que se dizer, destarte, que as hipóteses de afastamento da limitação de 30% para compensação de prejuízo fiscal são apenas aquelas expressamente previstas, pois estas previsões excepcionais tem como pressuposto a continuidade da empresa, não havendo previsão para os casos em que há um enorme prejuízo fiscal no encerramento da empresa que teve lucro em seu último balanço. Desta mesma maneira, incabível a alegação de que a operação realizada pela sucedida da recorrente esbarraria no óbice dos art.s 32 e 33, do Decretolei n.º 2.341/1987, pois estes são inaplicáveis ao presente caso. Enquanto o primeiro artigo versa sobre a mudança de controle e atividade ocorridos entre a apuração do prejuízo e sua compensação, o segundo se refere ao caso de existir prejuízos apurados na empresa sucedida, e estes são compensados pela empresa sucessora. Nenhuma das duas circunstâncias se verifica nestes autos. Ao contrário, como traz o próprio TVF (fls. 35), antes de ser incorporada pela recorrente, a empresa sucedida fechou o balanço, apurou seu lucro e realizou a compensação do saldo de seu prejuízo fiscal, como se observa do excerto abaixo: Em 31 de dezembro de 2007, a SOCIEDADE EXPORTADORA CITOMA LTDA, CNPJ 58.133.588/000131, foi incorporada pela empresa WARRANT EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA, acima identificada. Nesta data, a CITOMA apurou um lucro real, correspondente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, no valor de R$ 77 816 071,22, deste valor foi compensado a importância de Cr$ 51 643 113 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 278 10 ,35 a título de prejuízos fiscais apurados em anos anteriores (...). (grifo não original) Logo, não existe vedação para a operação realizada pela empresa sucedida (CITOMA), pois a vedação legal é de a incorporadora compensar estoque de prejuízos fiscais da incorporada, e não o contrário. Desta maneira, nos termos já aduzidos acima e com fundamento no princípio da estrita legalidade tributária, previsto no art. 150, I, da CF, não se pode negar à contribuinte seu direito de compensação integral de seu prejuízo fiscal acumulado diante sua extinção por incorporação. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário a fim de exonerar o integralmente o crédito tributário, pois entendo legítima a compensação de prejuízos fiscais acima da chamada “trava dos 30%” quando há a extinção da empresa, seja por dissolução, liquidação ou incorporação. 2.2. Da responsabilidade da sucessora pela multa aplicada Quanto ao tema da responsabilidade da empresa sucessora pela multa punitiva aplicável à conduta tomada pela sucedida, tenho para mim que esta não deve ser imponível contra a empresa sucessora se não constituída antes da sucessão. Isto pois, entendo plenamente aplicável ao direito tributário o princípio constitucional da responsabilidade pessoal, que proíbe a imposição de pena por qualquer ilícito cometido por outrem, segundo preceitua o art. 5º, XLV, da CF, in verbis: XLV nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; O acórdão da DRJ recorrido fundamentouse na aplicação conjunta dos art.s 129 e 132, ambos do CTN, para manter a responsabilidade da empresa sucessora inclusive sobre a multa punitiva, como se demonstra abaixo (fls. 210/211): 16. O art. 132 do CTN assim dispõe: Art. 132 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 17. Ressaltese que o referido artigo está inserido na seção que trata da “Responsabilidade dos Sucessores” inaugurada pelo art. 129 do referido diploma legal, in verbis: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 279 11 “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” Convém salientar que o artigo inaugural, acima transcrito, expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão, mas também pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data. Além disso, o referido dispositivo também declara os sucessores responsáveis pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data. 19. Firmado, portanto, o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos, por não atingido o direito de constituição da Fazenda Pública, pelo lançamento de ofício a que se refere o art. 142 do CTN. A meu entender, os preceitos legais em comento preveem que a responsabilidade do sucessor será somente pelos créditos definitivamente constituídos na data da sucessão e, também, por aqueles em curso de constituição, ou seja, que já existe procedimento fiscalizatório em andamento quando da sucessão. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça já assentou entendimento contrário em recente julgado, sob o regime de recurso repetitivo (art. 543C, do CPC), através do EDcl no REsp n.º 923.012MG, sendo assim ementado: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 280 12 (...) 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. (STJ. EDcl no REsp n.º 923.012/MG. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho. DJe 24/04/2013) O art. 62A, do RICARF, preceitua que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ no regime do art. 543C, do CPC, devem ser reproduzidas por este Conselho. Portanto, muito embora tenha entendimento contrário, acaso fosse mantido o lançamento do principal, tendo em vista o aresto do STJ supratranscrito e o preceituado no art. 62A do RICARF, obrigatoriamente manterseia também a multa de ofício como de responsabilidade da recorrente. Todavia, uma vez que nos termos dos argumentos tecidos no tópico anterior votei por exonerar integralmente o crédito tributário, o recurso voluntário perdeu seu objeto neste ponto. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para dar provimento quanto ao item “2.1”, negar provimento quanto aos itens “1” e “2.2” nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 281 13 A lide consiste em decidir sobre a possibilidade, ou não, de utilização de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, sem a limitação de que tratam o art. 42 da Lei nº 8.981/1995 e o art. 15 da Lei nº 9.065/1995 (“trava” de 30%), no momento em que a empresa se extingue, incorporada por outra sociedade. Eis os dispositivos em comento: Lei nº 8.981/1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Lei nº 9.065/1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Os argumentos da interessada, já elencados anteriormente, centramse em que o pressuposto lógico para a limitação na compensação de prejuízos fiscais anteriores seria a continuidade das atividades da empresa. Dada sua extinção por incorporação, a incorporadora não pode se aproveitar dos prejuízos fiscais acumulados pela incorporada e, desta forma, não se aplicaria a limitação no momento da extinção da incorporada. A matéria tem sido objeto de acirrados debates neste CARF, abrangendo, com pequenas variações, tanto as bases de cálculo negativas de CSLL quanto os prejuízos fiscais de IRPJ. Peço vênia para destacar excerto do voto condutor do acórdão nº 10515.9081, da lavra do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que bem espelha meu pensamento sobre a matéria: Portanto, como se vê, o que importa analisar no presente processo é se, na situação específica de apuração do imposto em virtude de incorporação, é admissível a compensação dos prejuízos fiscais acumulados sem observância do limite de 30% previsto na legislação. Em apertada síntese, alega a recorrente que, em decorrência do evento de incorporação, a empresa incorporada encerra suas atividades, caracterizando a descontinuidade da pessoa jurídica. Nessa linha, afirma que, se a incorporadora não 1 Acórdão nº 10515.908, de 16/08/2006, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 282 14 pode compensar os prejuízos fiscais da incorporada, e esta, por sua vez, não pode compensar integralmente seus prejuízos por ocasião do seu encerramento, estarse ia, simplesmente, fulminando o direito à compensação. Concluiu argumentando que há de se fazer uma interpretação sistemática da legislação visando assegurar ao contribuinte o direito à compensação integral dos seus prejuízos fiscais, sem qualquer limitação, quando de se tratar de declaração final por ocorrência de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Em primeiro plano se deve esclarecer que o entendimento esposado pela recorrente não encontra amparo na legislação que rege matéria. Com efeito, como bem afirmou a decisão recorrida, tratandose de declaração final decorrente de incorporação, em virtude da absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, verbis: [...] No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. [...] Não se identifica, portanto, disposição de lei capaz de recepcionar a pretensão da recorrente. O mesmo processo supramencionado foi levado à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A eminente Relatora, Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, proferiu voto2 que põe por terra os argumentos dos que pretendem possível a não aplicação da trava na compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, na situação de extinção por incorporação. Mais uma vez, peço vênia para transcrever: [...] Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº 307389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, 2 Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 283 15 exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva, O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer beneficio fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação das prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 284 16 "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relatar, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm “crédito” oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização” dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo .favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício .fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encenado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI) (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 285 17 benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: [...] De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1°. da Lei 9065/1995, a saber: [...] Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: [...] Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nas anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Art.41. 0 limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. [...] Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 286 18 esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei n° 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei n° 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5º do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5° do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3° (omissis) IV São revogados os parágrafos 6° e 8º do artigo 64, remunerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7°, e, passando o parágrafo 5° a vigorar com a seguinte redação: "§ 5° O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional”. Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: "O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: [...] Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 287 19 Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando "entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade". Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado Ao final, o aresto restou assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Ac. 910100.401, de 02/10/2009, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro) As conclusões acima são, a meu ver, irretocáveis, cabendo destacar os seguintes pontos, em síntese: · Há norma cogente que determina a limitação à compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores a trinta por cento do lucro real do período. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18470.720252/201068 Acórdão n.º 1302001.521 S1C3T2 Fl. 288 20 · Quando desejou estabelecer exceções a essa limitação, o legislador o fez expressamente, com as empresas inseridas no Befiex e com a exploração de atividades rurais. Em sentido contrário, não há qualquer exceção expressa quanto á extinção da empresa que apurou os prejuízos fiscais por incorporação ou outro motivo. · A compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas da CSLL) é expressiva de benefício fiscal em favor do contribuinte, a ser interpretado restritivamente, é instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado, e não constitui direito adquirido3. · O aspecto temporal do conceito de renda traz consigo que o fato gerador tributário deve ser apurado em um dado período de tempo, também chamado período de apuração. Qualquer interferência de fatos anteriores somente pode ser tratada como exceção, a ser expressamente prevista em lei. Nessa linha, o STF já decidiu que prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam o fato gerador tributário4. · Entendimento diferente implicaria burla, ainda que indireta, à vedação do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987. No que tange ao segundo ponto em litígio, a saber, a possibilidade de aplicação de multa de ofício à sucessora, por fatos geradores ocorridos antes do evento empresarial (incorporação) que deu causa à extinção da sucedida, o Colegiado acompanhou o voto do ilustre Conselheiro Relator, no sentido de manter a multa de ofício como responsabilidade da sucessora (ora recorrente), especialmente diante do quanto decidido pelo STJ, no regime do art. 543C do CPC, no Recurso Especial nº 923.012MG e respectivos embargos declaratórios. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 3 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. 4 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907147/2012-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 47 /2 01 2- 46 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907147/201246 Acórdão n.º 3801002.680 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002240/2003-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 24 0/ 20 03 -2 7 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13819.002240/200327 Resolução nº 3801000.811 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1420.173, de 22 de agosto de 2008, da 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), referente ao processo administrativo n° 13819.002240/200327, em que foi julgado o lançamento procedente em parte, cancelandose a multa de oficio, por força da retroatividade benigna, porém manteve o crédito tributário apurado após a revisão do lançamento de fl. 65. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relatou os autos: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao período entre abril e dezembro de 1998, exigindo selhe imposto de R$ 47.761,36, multa de oficio de R$ 35.821,02 e juros de mora de R$ 44.214,96, perfazendo o total de R$ 127.797,34. O enquadramento legal encontrase à fl. 6. O lançamento devese à não localização de pagamentos informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no período acima. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que efetuou os recolhimentos conforme cópias dos DARF que anexa. Conforme despacho decisório de fl. 65, o lançamento foi revisto de oficio, sendo cancelado o segundo decêndio de setembro de 1998, os demais foram mantidos. Por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade, entendeu a DRJ/RPO por conhecer impugnação apresentada, porém entendeu por manter o lançamento em parte, aplicando, contudo, a retroatividade benigna para excluir a multa de ofício. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1998 a 31/12/1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13819.002240/200327 Resolução nº 3801000.811 S3TE01 Fl. 4 3 Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 127/128, postulando a reforma da decisão, por entender improcedente o auto de infração, entendendo a contribuinte que os tributos já estariam adimplidos. Junta a contribuinte diversas cópias autenticadas de DARF´s pagas a fls. 140/193. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13819.002240/200327 Resolução nº 3801000.811 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conhec o. Consoante se verifica no voto do acórdão ora recorrido, há a informação a fls. 115 (ou fls. 113, pela numeração de autos físicos) que os pagamentos alegados tanto em impugnação, quanto agora em recurso voluntário, já foram utilizados nos débitos constantes na DCTF original, ou seja, os valores lançados no auto de infração se referem aos débitos declarados na DCTF complementar, conforme documentos de fls. 81 a 87 (ou fls. 79 a 85, pela numeração de autos físicos). A declaração complementar, diferentemente da DCTF retificadora, não tem o condão de substituir a original, assim os valores nela informados são adicionados aos contidos na original e constituemse também em confissão de dívida. A impugnante não apresentou cópia dos livros fiscais e contábeis que pudessem contestar os valores lançados, de modo a acolher inquestionavelmente a sua alegação. A mera alegação de pagamento, com a juntada das DARF’s pagas, não lhe exime do débito que lhe está sendo cobrado no auto de infração que lhe foi imposto neste processo administrativo, contudo, se analisadas as DCTFs em conjunto com a DCTF complementar, verificase que os valores se repetem. Poderia ser que houvesse duplicidade ou simplesmente valores idênticos. A título de exemplo, vejamos o IPI do 2º. Dec/Abr de 1998, que na DCTF aponta o valor de R$ 1.987,80, que o contribuinte comprova ter pago em DARF de fls. 140, contudo este mesmo valor está novamente lançado em DCTF Complementar. Com isso, o contribuinte lançou duas vezes o valor de R$ 1.987,80 para o 2º. Dec/Abr. Caberia ao contribuinte o ônus de provar o erro realizado e de que haveria a duplicidade de valores, por meio de livros e documentos fiscais. Não o fazendo, leva a crer que há dois valores idênticos sendo devidos: um pago, outro não. Se a contribuinte errou ao realizar na DCTF complementar, fazendo a reprodução de valores, deveria ela apresentar documentação hábil a comprovar seu direito. Aliás, o acórdão da DRJ/RPO fundamenta em igual sentido: “como a impugnante não apresentou cópia dos livros fiscais e contábeis que pudessem contestar os valores lançados, não há como acolher a sua alegação.” Contudo, há fortes indícios da presença de pagamentos em duplicidade. Desse modo, há uma dúvida substancial que impede o julgamento do processo no estado em que sem encontra, em razão da clara possibilidade de existência de pagamentos em duplicidade. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que se apure: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13819.002240/200327 Resolução nº 3801000.811 S3TE01 Fl. 6 5 1. Se os valores declarados em DIPJ ou por outra meio de prova (fiscal, contábil e etc.), confirmam a existência de pagamentos declarados em duplicidade; 2. Abra vista de 30 dias para a contribuinte se manifestar; e, Retorne o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002139/00-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/01/1996
SEMESTRALIDADE PASEP.
O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte.
RESTITUIÇÃO PASEP.
Não se reconhece direito creditório quando restar evidenciado que os recolhimentos foram efetuados em montante menor que o devido.
Numero da decisão: 3201-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Monica Monteiro Garcia de los Rios, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 31/01/1996 SEMESTRALIDADE PASEP. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte. RESTITUIÇÃO PASEP. Não se reconhece direito creditório quando restar evidenciado que os recolhimentos foram efetuados em montante menor que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Monica Monteiro Garcia de los Rios, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 267 1 266 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002139/0092 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.473 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente TELECOMUNICAÇÕES DE SERGIPE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995 Ementa:RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Em linha com o julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, do Supremo Tribunal Federal, o art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, não se aplica aos pedidos de repetição de indébito formulados antes do início da sua vigência, aplicandose, nesses casos, a orientação jurisprudencial vigente à época, qual seja, a de que esse prazo seria de dez anos a contar do fato gerador de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo sido submetido ao regime do art. 543B do Código de Processo Civil, esse julgamento é de observância obrigatória entre os membros do CARF, nos termos do art. 62A, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 31/01/1996 SEMESTRALIDADE PASEP. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte. RESTITUIÇÃO PASEP. Não se reconhece direito creditório quando restar evidenciado que os recolhimentos foram efetuados em montante menor que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 21 39 /0 0- 92 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Monica Monteiro Garcia de los Rios, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras e Joel Miyazaki. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente momentaneamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa e das razões recursais: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade relativamente à Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, à fl. 01, bem como não homologou a declaração de compensação objeto do processo administrativo nº 10768.720150/200708, apensado ao presente. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte por meio do Parecer de fls. 102 a 106, e do Despacho Decisório, de fl. 107, indeferiu o pleito do contribuinte, face a impossibilidade do reconhecimento do direito creditório alegado. Relativamente ao período de recolhimento de abril/1989 a setembro/1995, considerou extinto o direito de pleitear a restituição e quanto ao período de outubro/1995 a janeiro/1996 entendeu não ter ocorrido pagamento indevido ou a maior que justificasse o reconhecimento de crédito a favor da interessada. Conseqüentemente, a Delegacia não homologou a compensação efetuada através da DCOMP objeto do processo nº 10768.720150/200708. Cientificada da decisão em 17.12.2007, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 117 a 141) alegando, em síntese, que: Não se pode aplicar ao presente caso o Ato Declaratório SRF nº 96/99 e a LC 118/2005, pois se trata de hipótese restrita a recolhimentos indevidos realizados pelo contribuinte no período de 1989 a 1996 declarados inconstitucionais por decisão do STF, cujas normas reguladoras tiveram a sua execução suspensa pela Resolução nº 49 do Senado Federal. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10510.002139/0092 Acórdão n.º 3201001.473 S3C2T1 Fl. 268 3 Diversas decisões do Conselho de Contribuintes são no sentido de que o direito de pleitear a restituição tem como prazo inicial a data da publicação do Senado que retira a eficácia de Lei declarada inconstitucional. Como o pedido de restituição foi protocolado em 03/10/2000, dentro estava do prazo decadencial de cinco anos contados da publicação da Resolução do Senado nº 49 de 10/10/1995. Tal Resolução produziu efeito erga omnes e ex tunc. O art. 3º da LC nº 118/05 possui efeito modificativo e aplicação ex nunc. A planilha apresentada pela fiscalização demonstra não ter sido considerada a semestralidade do PASEP, conseqüentemente não restou comprovado o recolhimento indevido ou a maior. Não procede o contido no Parecer Conclusivo nº 245/2007, ao afirmar que o art. 14 do Decreto nº 71.618/72, que regulamenta a aplicação da LC 8/70, se refere a prazo de recolhimento e não definição da base de cálculo do PASEP. No mesmo sentido, incorreto está quando concluiu que os pagamentos efetuados pela interessada foram menores que o devido. Através do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2143/2006, de 30 de outubro de 2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional concluiu que o § único do art. 6º da LC nº 7/70 trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS. Tal entendimento já está pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais e demais Conselhos. Existem julgados nos quais o PASEP é mencionado especificamente. A Súmula do 1º CC orienta no sentido da semestralidade do PIS. Se a Autoridade administrativa houvesse considerado a semestralidade expressamente prevista pelo art. 14 do Decreto nº 71.618/72, que regulamentou a LC 8/70, sem a correção monetária da base de cálculo, em hipótese nenhuma haveria diferenças a recolher, não somente no período da decisão, como também nos demais períodos, já que não houve decadência do direito de restituir. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1322.929, de 26/12/2008, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995 Ementa:RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. As argüições de inconstitucionalidade, que visam afastar a aplicação de norma legal inserta no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 31/01/1996 SEMESTRALIDADE PASEP. Inexiste ato normativo administrativo versando expressamente no sentido de que o art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP. RESTITUIÇÃO PASEP. Não se reconhece direito creditório quando restar evidenciado que os recolhimentos foram efetuados em montante menor que o devido. Solicitação Indeferida Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando, basicamente, os argumentos de mérito já apresentados na manifestação de inconformidade. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 1 Introdução O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a celeuma travada nos presentes autos desdobrase em torno do direito creditório. Em um primeiro desdobramento, temse a discussão posta quanto ao termo a quo para fins de contagem do prazo para pleitear a restituição. Em Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10510.002139/0092 Acórdão n.º 3201001.473 S3C2T1 Fl. 269 5 seguida, debatese a existência, ou não, de pagamento a maior em razão da semestralidade da Contribuição para o Pasep. 2 Termo a quo para fins de contagem de prazo para pleitear a restituição A instância a quo entendeu que a contagem de prazo realizada pela Recorrente estava equivocada, eis que, em qualquer caso, o prazo para pleitear a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário. No caso concreto, a Recorrente alegou que o prazo para pedir a repetição do PIS recolhido a maior em razão dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, teve início com a publicação da Resolução do Senado nº 49, de 1995, que conferiu efeitos erga omnes à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 148.7542. A celeuma foi tratada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgamento este que foi submetido ao regime do art. 543B do Código de Processo Civil, a saber: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Grifouse) (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Ora, considerando que a Recorrente transmitiu a sua declaração de compensação em 30/09/2003, em relação a pagamentos efetuados nas competências de abril/1989 e janeiro/1996, verificase que a ela se aplicava a orientação jurisprudencial vigente à época, que lhe permitia pleitear dez anos. Desse modo, a aplicação do referido julgado leva à conclusão inexorável de que não foram alcançados pela decadência os créditos decorrentes de pagamentos realizados entre 30/09/1993 a 31/01/1996, mas tão somente os créditos decorrentes de pagamentos realizados entre 01/04/1989 e 29/09/1993. Há que se ressaltar que, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a decisão do STF ora transcrita deve ser acatada pelos membros deste CARF. Assim, considerando que o termo a quo defendido pela Recorrente não é sequer mencionado na decisão em questão, não se pode acolher integralmente a sua pretensão, sob pena de se contrariar previsão regimental. 3 Existência de pagamento a maior A decisão recorrida enveredouse no sentido do despacho decisório, que, por sua vez, houve por bem não reconhecer o direito creditório quanto aos pagamentos realizados no período não abrangido pela decadência. Os motivos para essa decisão foram dois: primeiro porque a partir do início da vigência da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, a base de cálculo da Contribuição para o PASEP não seria mais pautada na semestralidade; segundo porque a Recorrente teria utilizado alíquota inferior àquela aplicável nos períodos de setembro/95 a dezembro/95. Nesse contexto, não haveria pagamento a maior de Contribuição do PASEP de modo a justificar a pretensão recursal. Por força da Resolução do Senado Federal nº 10, de 2005, a Medida Provisória nº 1.212, de 1995, entrou em vigor somente após o nonagésimo dia a contar da sua publicação. Logo, antes disso, vigorava a regra da semestralidade encartada no art. 14 do Decreto nº 71.618, de 1972. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10510.002139/0092 Acórdão n.º 3201001.473 S3C2T1 Fl. 270 7 Na visão da fiscalização, contudo, esse dispositivo infralegal não diria respeito à base de cálculo, e sim ao prazo para o recolhimento da Contribuição para o Pasep. Confirase: Em resposta à petição apresentada pela interessada às fls. 70, cumpre ressaltar que o prazo estabelecido no artigo 14 do Decreto n° 71.618, de 1972, se refere ao prazo de recolhimento, tendo em vista que a base de cálculo de um tributo está intrinsecamente relacionada com o aspecto material da hipótese de incidência. Dessa forma, não é possível admitir que o fato gerador ocorra em determinado mês, relativamente à base de cálculo apurada em outro. O art. 14 do Decreto nº 71.618, de 1972, está assim disposto: Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior. A polêmica suscitada pela fiscalização é falaciosa e o artigo subseqüente deixa isso claro, a saber: Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até o último dia do mês em que forem devidas. Com efeito, a despeito de qualquer parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional em sentido contrário, fato é que a legislação não dá margem a dúvidas: o dispositivo regulamentador referese à base de cálculo da Contribuição para o PASEP. Nesse contexto, assiste razão à Recorrente, que cita inclusive diversos precedentes do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive da sua Câmara Superior, a saber: PIS/PASEP SEMESTRALIDADE Ao analisar o disposto no artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70, há de se concluir que “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Já, em relação ao PASEP, a contribuição será calculada , em cada mês, com base nas receitas e nas transferências apuradas no sexto mês anterior, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 71.618/72. A base de cálculo das contribuições em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior e a do PASEP o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (Grifouse) (Acórdão nº CSRF/0201.461, Rel. Cons. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 09/09/2003) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 No que diz respeito à diferença de alíquotas no período de setembro/95 a dezembro/95, a Recorrente não contestou a fundamentação da decisão recorrida, mesmo porque, se o fizesse, estaria sendo contraditória, pois a alíquota de 0,65% somente passou a ser aplicável às sociedades de economia mista quando a Medida Provisória nº 1.212, de 1995, entrou em vigor, ou seja, somente após o nonagésimo dia a contar da sua publicação, nos termos da Resolução SF nº 10, de 2005. 4 Conclusão Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito creditório referente a valores pagos indevidamente entre abril/89 e setembro/93, bem como para conceder o crédito do período posterior deduzido dos valores recolhidos a menor no período entre setembro/95 a dezembro/95. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 19515.002412/2008-78
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1803-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 12 /2 00 8- 78 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 3 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HADCO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento. 2. De acordo com o Termo de encerramento de ação fiscal (fls. 899/905), a empresa foi autuada pela presunção de omissão de receitas por depósitos de origens não comprovadas relacionadas em planilhas específicas 3. O relatório fiscal possui 4 planilhas anexas, agrupadas por assunto, a saber: PLANILHA 1, com a referência: “Lançamentos sem documentação comprobatória e não escriturados”, PLANILHA 2, com a referência: “Conta Garantia/Empréstimos – lançamentos com documentação comprobatória insuficiente e não escriturados”. PLANILHA 3, com a referência: “Depósitos em dinheiro – lançamentos sem documentação comprobatória e escriturados” e PLANILHA 4, com a referência: “Venda de fundo de comércio – lançamentos com documentação apresentada e escriturados” (fl. 900). 4. Destaco trecho do Termo, que descreve a base tributável dos lançamentos: 2 – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS Fatos geradores 9. A PLANILHA 1, (citada nos itens 6 e 8), apresenta os lançamentos de nºs de ordem 03 a 48; 68 a 78; 81 a 87; 188 a 204; 323 a 393, 403 a 426, 542 e 587, (185 lançamentos), nos quais não foram entregues qualquer documentação comprobatória pela HADCO, sem escrituração decorrente. Para comprovar sobre a não existência desta escrituração, constam no ANEXO 1, as copias das fls. Livro Diário nº 05 e 06 (registrados na Junta comercial do estado de São Paulo, em 23/08/2005, sob o nºs 151946 e 151947, com 337 e 271 fls. respectivamente, remuneradas por esta fiscalização), onde mostram que nas datas dos fatos geradores, não houve escrituração a respeito. 10. A PLANILHA 2, já citada apresenta os lançamentos de nºs de ordem 1 e 2, nos quais foram apresentados documentação insuficiente para comprovação dos lançamentos citados. Também não houve escrituração dos mesmos. Referemse ao grupo: “CONTA GRANTIDA/EMPRÉSTIMOS”, conforme detalha as razões pelas quais se considerou como não comprovado estes lançamentos. O ANEXO 2 apresenta a cópia das fls do Livro Diário nº 05, em que comprova a sua não escrituração, bem como o extrato da conta 1286 2/100.000 apresentada pelo contribuinte. 11. Do mesmo modo, a PLANILHA 3, já citada, apresenta os lançamentos de nºs de ordem 58, 60 e 61, nos quais não houve documentação comprobatória, sendo no entanto escriturados. Referemse ao grupo: “DEPÓSITO EM DINHEIRO”. Ainda nesta planilha, a coluna 10 – “Justificativa sobre a não comprovação”, Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 4 3 detalha as razões sobre a não comprovação destes lançamentos. O ANEXO 3, apresenta a cópia das fls. do Livro Diário nº 5 onde mostra a escrituração destes lançamentos, com o histórico: “numerários em trânsito”, bem como copia do estrato do HSBC 004090436876, para o período compreendido entre 01 e 17 de julho de 2003, na tentativa inicial de comprovação. (...) 13. A PLANILHA 4, (citada nos itens 6 a 8) apresenta os lançamentos de nºs de ordem 88, 89 e 89 complementar, nos quais foram entregues documentação comprobatória pela HADC e escriturados. 14. No campo 10 da PLANILHA 4, apresenta a justificativa para a autuação. Devese ressaltar que se trata de venda de fundo de comércio, relativo a um ponto comercial, que a HADCO tinha, à Rua Oscar Freire, São Paulo, SP, fundo este não declarado em DIP, bem como não escriturado corretamente. (fls. 901/902) Constatouse que as receitas auferidas pelo contribuinte e escrituradas no livro razão foram declaradas pelo ao fisco estadual, ao passo que os valores devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP não foram totalmente declarados ao fisco federal. 3. Ainda segundo o relatado, em obediência à Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, artigo 1º, inciso I, alínea “a” e “b”, os débitos lançados foram formalizados em autos de infrações apartados, sendo um para o controle dos créditos tributários constituídos relativos a IRPJ e CSLL e outro para PIS/PASEP e COFINS. 4. Desse modo, este autos tratam, especificamente, da exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 5. Ante o relato fiscal destaco os seguintes trechos que delimitam a situação fática dos autos, bem como o fato gerador da autuação, in verbis: “1. FATOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO A presente ação fiscal foi iniciada em 07/04/2011, conforme Termo de Início de Fiscalização de 07/04/2011. O contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido, através da DIPJ entregue em 22/06/2009. Tratase de empresa individual, constituída em 20/08/1999, que adota o nome fantasia “Cestão São Luiz”, pertencente a Sra. Marinalva Margarida da Silva Abdrade, CPF nº 010.781.77481, atuando no ramo do “comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 5 4 especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente. Outros temos fiscais também foram lavrados durante a presente ação fiscal, conforme faremos constar dos autos dos processos administrativos a serem formalizados. Após analisarmos o Livro Razão, o Livro de Apuração do ICMS, a DIPJ, as DCTFs, os DACONs e os pagamentos efetuados, elaboramos os demonstrativos intitulados “Receitas Auferidas – Apuração Efetuada pela Fiscalização com Base no Livro Razão”, “Cálculo do IRPJ a lançar”, “Cálculo da COFINS A Lançar” e “Cálculo do PIS/PASEP a Lançar”. A partir desse demonstrativo, pudemos fazer as seguintes constatações: 1. As receitas auferidas pelo contribuinte e escrituradas no Livro Razão foram declaradas pelo contribuinte ao fisco estadual (SEFAZ PE), porém não foram integralmente declaradas ao fisco federal; 2. Os valores devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP não foram totalmente declarados ao fisco federal, nem foram extintos por nenhuma das formas previstas no artigo 156 da Lei 5.172/1996 – Código Tributário Nacional. Face o exposto, ao não declarar seus débitos tributários à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nem extinguilos de alguma maneira, na forma da legislação de regência, o contribuinte infringiu a legislação tributária praticando as infrações especificadas nos respectivos autos de infração. (fls. 19/20)” 7. Após devidamente intimado do lançamento em 23/06/2008, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. A decisão da primeira instância (fls. 1114/1134) restou assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contas bancárias da empresa cujas operações que lhes deram origem em consta bancárias da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse receitas omitidas. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE IMOVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Considerase zero, para fins de apuração de ganho de capital, o valor contábil de bem imóvel alienado e não escriturado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 6 5 É direito do contribuinte a utilização, no lançamento fiscal, dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados de períodos anteriores. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins Anocalendário: 2003 VENDA DE BEM DO ATIVO PERMANENTE. Excluise da incidência do PIS as receitas decorrentes de alienação de bem integrante do ativo permanente. Assunto: normas gerais de direito tributário LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas circunstâncias em que fique caracterizada a ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 8. Tendo em vista que a o contribuinte encontravase na situação INAPTA, a Delegacia da Receita afixou edital em dependência franqueada ao público, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972. 9. Considerado cientificado no 16º dia da afixação do referido edital (27/05/2013) conforme fl. 1142, o contribuinte apresentou recurso voluntário intempestivamente (fls. 1148/1175), o qual em síntese tem como argumentos recursais o que segue: a) preliminarmente, sustenta a tempestividade do Recurso Voluntário, tendo em vista que: i) a recorrente havia pleiteado que todas as intimações e/ou notificações decorrentes do presente eito fossem efetuadas em nome de seus patronos e tal pedido não foi sequer analisado; ii) as provas apresentadas merecem ser analisadas sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa que regem o contencioso administrativo; Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 7 6 iii) a administração deveria ter esgotado as tentativas de intimação previstas, antes de optar pela intimação por edital; b) ainda como preliminar, suscita a nulidade do auto de infração pelos seguintes motivos: i) não existe nos autos prova alguma de que a recorrente teria omitido receitas e não escriturado a venda de ativo; ii) não há a devida individualização do auto de infração, que, digase de passagem, nem número tinha, o que dificultou a defesa da recorrente, havendo – assim – ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa; iii) há vícios relativo ao mandado de procedimento fiscal; c) suscita também a ocorrência de decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, com base no art. 173, I do CTN; d) no mérito, alega que a autoridade fiscal baseouse em meros indícios e sobre esses fez incidir PIS, COFINS, CSLL e IRPJ; e) sustenta que a incidência dos ditos tributos deveria ocorrer sobre os acréscimos patrimoniais e somente depois de consideradas as deduções das despesas operacionais, o que fere o princípio da capacidade contributiva da recorrente. f) entende que a mera movimentação financeira ou a existência de certo montante em conta corrente não demonstra acréscimo financeiro do contribuinte. g) de forma subsidiária, entende que ainda que se entenda pela tributação com base nas movimentações bancárias, devese levar em consideração as despesas dedutíveis prevista na legislação; h) aduz que houve encerramento da pessoa jurídica, com isso devese aplicar a limitação de 30% descrita no art. 42 da Lei nº 8.981/95; i) sustenta que em virtude do princípio da verdade material não merece albergue a alegação do fisco, no sentido de que a recorrente teria efetuado a venda de ativo imobilizado não escriturado em sua contabilidade, havendo assim, presunção de omissão de receitas tributáveis; j) por fim, defende a impossibilidade de inclusão do oICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. 10. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 8 7 Conselheiro Artur José André Neto, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preliminarmente, enfrento a questão de admissibilidade do recurso voluntário. A respeito desse ponto a recorrente investe especial atenção e antes de adentrar aos motivos de contraponto à decisão da primeira instância administrativa defende a tempestividade do Recurso protocolado. Segunda ela havia pleiteado nos autos que todas as intimações e/ou notificações decorrentes do presente feito fossem efetuadas em nome de seus patronos e tal pedido não foi sequer analisado. Ocorre que as intimações em procedimentos fiscais não são feitas com base nos dados de eventual impugnação apresentada. O procedimento leva em consideração o domicílio tributário cadastrado pelo contribuinte junto a Receita Federal, sendo dever deste mantêlo devidamente atualizado. Assim, o pedido do patrono, em nada influenciaria as eventuais intimações encaminhadas à empresa. Quanto a segunda alegação de que caberia ao Fisco esgotar todas as intimações previstas antes de optar pela intimação por edital, equivocase a recorrente nesse ponto. Vejamos. Aplicase aos atos que compõem o processo administrativo fiscal o Decreto 70.235/1972. Ao tratar do procedimento de intimação do contribuinte, o art. 23 do referido diploma prevê as seguintes formas de intimação: i) pessoal, podendo ser feita pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição o fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. No caso de recusa, exigese declaração escrita de quem o intimar. ii) por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. iii) por meio eletrônico, com prova de recebimento mediante o envio ao domicilio tributário do sujeito passivo ou registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; ou iv) por edital quando resulta improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quanto o sujeito passivo tiver sua inscrição inapta perante o cadastro fiscal. Esse poderá ser publicado no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação ou em órgão oficial local (uma única vez). Sendo assim, não necessariamente, é preciso esgotar todos os meios de intimação para que seja possível a intimação por edital. Ademais, os meios de intimação previsto no referido artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 9 8 Reconhecemos que o legislador teve a preocupação de delimitar o alcance do procedimento de intimação por edital para aqueles casos improfícuos por algum motivo e aqueles em que o sujeito passivo estiver com sua inscrição inapta. No presente caso, correta a intimação por edital, tendo em vista que a situação fática amoldase perfeitamente à segunda hipótese de cabimento mencionada alhures, uma vez que o contribuinte encontrava com sua inscrição inapta perante a fazenda. O edital nº 138/2013 (fl. 1142) possui o seguinte texto: “Pelo presente edital, afixado em dependência franqueada ao Público, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972 e alterações, por encontrarse na situação INAPTA, fica o contribuinte abaixo identificado, CIENTIFICADO do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujo o processo encontrase nesta repartição e a recolher aos cofres da Fazenda Nacional no prazo de 30 (trinta) dias, contado do 16º (décimo sexto) dia da afixação deste, quando o contribuinte será considerado cientificado. Transcorrido o prazo supra, sem que tenha havido pagamento/parcelamento ou a interposição de medida suspensiva, o processo será encaminhado à COBRANÇA EXECUTIVA.” Sendo assim, conforme o § 2º, do art. 23 do Decreto 70.235/72, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. In casu, podemos considerar como o contribuinte foi cientificado o acórdão nº 1627.075 prolatado pela 7ª Turma da DRJ/SP1, nos termos do edital e da legislação vigente, no dia 28/05/2013, considerando que o edital foi afixado em 10/05/2013. O recurso voluntário foi protocolado intempestivamente em 06/09/2013, haja vista que a data limite para interposição da peça recursal expirou no dia 27/06/2013. Dessa forma, afasto também a alegação do contribuinte de que a não apreciação das provas apresentadas, fere o princípio do contraditório e da ampla defesa, sendo que o recurso está inapto para apreciação dos argumentos de mérito. Sendo assim não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por tratase de peça intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002412/200878 Acórdão n.º 1803002.344 S1TE03 Fl. 10 9 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723144/2010-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive.
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de seu depósito no montante integral afasta a cobrança de multa administrativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.796
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e afastar a multa aplicada nas competências onde foi realizado o depósito do montante integral do crédito combatido.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de seu depósito no montante integral afasta a cobrança de multa administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723144/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.796 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente LIDER SIGNATURE SA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de seu depósito no montante integral afasta a cobrança de multa administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e afastar a multa aplicada nas competências onde foi realizado o depósito do montante integral do crédito combatido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 31 44 /2 01 0- 60 Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado. Transcrevo excerto da r. decisão: Conforme Relatório Fiscal e anexos, o Auto de Infração em epígrafe, DEBCAD 37.232.0163, se refere a crédito tributário do período janeiro de 2005 a dezembro de 2006, no valor de R$ 110.320,08 relativo a contribuições sociais previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos a segurados que prestaram serviços à autuada através da cooperativas de trabalho médico UNIMED – contrato 3207, o qual foi objeto de depósito judicial na ação de Mandado de Segurança – Processo 2007.38.00.033.2430 – 18ª Vara Federal de Minas Gerais, em que autora pleiteia o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação. Registra, ainda, o Relatório Fiscal, que foram cientificadas do lançamento fiscal, como solidárias, as empresas do mesmo grupo econômico; que o crédito constituído através do presente AI não foi incluído no comparativo de multa por tratarse de depósito do montante integral relativo à contribuição discutida em juízo, e, ainda, que sobre o valor lançado incidiu a multa de mora vigente à época. O r. acórdão – fls 1974 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência parcial · Inconstitucionalidade da cobrança sobre serviços prestados por cooperativas. · Para que se conste no dispositivo da decisão o descabimento da multa sobre tributo cuja exigibilidade foi suspensa em razão do depósito do montante integral. · Requer o provimento do recurso, com o cancelamento do lançamento e, caso assim não entenda, pelo reconhecimento da decadência dos períodos anteriores à 14.09.2005 e aplicação da exclusão da multa. As responsáveis solidárias LIDERÁVIA CORRETORA, LÍDER TÁXI AÉREO, VECTOR TÁXI AÉREO, AERO BRASIL E COMPOSITE TECHNOLOGY interpuseram os respectivos recursos, impugnando os mesmos fatos e pleiteando pela inexistência de sujeição passiva solidária. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 5 4 É o relatório. Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Inicialmente cumpre esclarecer que o mérito da demanda pagamento a cooperativas encontrase sob o crivo judicial, o que afasta o pronunciamento da instância administrativa sobre este ponto conforme art. 38 parágrafo único da lei 6.830/80 e 126 §3º da lei 8.213/91. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 7 6 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, aplicase a regra do art 150, §4º, pois o relatório RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS registra créditos parciais. Assim sendo, aplicandose o art. 150, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 08/2005, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 08/09/2010. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. GRUPO ECONÔMICO E SOLIDARIEDADE PASSIVA Vejamos decisão exarada no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0009717 26.2014.4.03.0000/SP, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 19 de maio de 2014. Decido. Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 8 7 Cingese a controvérsia à caracterização da existência de grupo econômico de fato, a viabilizar a responsabilidade tributária solidária das empresas dele integrante. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 124, inciso II, estipula que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Por sua vez, o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; De acordo com tais dispositivos, este Tribunal, de forma pacífica, entende que comprovada a existência de grupo econômico de fato, a responsabilidade é solidária de todas as empresas que o integram. No caso dos autos, compreendo pela caracterização do grupo econômico. Visualizase íntima ligação entre as empresas executadas, conectadas com intuito de formação de um conglomerado empresarial com mesmo objetivo social, inclusive com as sedes fixadas em mesmo endereço. Há apenas uma subdivisão em estruturas formais, mas que se utiliza de várias empresas para o desempenho de atividades de siderurgia e de jornalismo. È possível notar, ainda, a identidade de dirigentes no controle das diversas sociedades, o que demonstra a existência de uma unidade voltada para a obtenção dos lucros empresariais. Além disso, as mudanças estruturais nas sociedades agravantes sugerem a ocorrência de fraude. A identificação da fraude prescinde de ação autônoma para tal desiderato, sendo possível, pela análise dos documentos no feito executivo, o reconhecimento de sua presunção, com a conseqüente inclusão das empresas participantes no pólo passivo da ação, exatamente como ocorrido. Ao contrário do alegado, não há necessidade de dissolução irregular para se estender o alcance subjetivo da execução, desde que comprovada a situação do grupo econômico. Por fim, cabe mencionar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça também comunga da possibilidade da desconsideração da personalidade jurídica da empresa executada, no caso da existência de grupos econômicos. Confirase: Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 9 8 "DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. LOCAÇÃO. EXECUÇÃO. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA RESERVADA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃOOCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. Refoge à competência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, o exame de suposta afronta a dispositivo constitucional, por se tratar de matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição da República. 2. O afastamento, pelo Tribunal de origem, da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da parte recorrida, em face da revaloração das provas dos autos, não importa em cerceamento de defesa, mormente quando tal decisão não se baseou em ausência de prova, mas no entendimento de que os pressupostos autorizativos de tal medida não se encontrariam presentes. 3. A desconsideração da pessoa jurídica, mesmo no caso de grupos econômicos, deve ser reconhecida em situações excepcionais, quando verificado que a empresa devedora pertence a grupo de sociedades sob o mesmo controle e com estrutura meramente formal, o que ocorre quando diversas pessoas jurídicas do grupo exercem suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial, e, ainda, quando se visualizar a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé com prejuízo a credores. 4. Tendo o Tribunal a quo, com base no conjunto probatório dos autos, firmado a compreensão no sentido de que não estariam presentes os pressupostos para aplicação da disregard doctrine, rever tal entendimento demandaria o reexame de matéria fático probatória, o que atrai o óbice da Súmula 7/STJ. Precedente do STJ. 5. Inexistência de dissídio jurisprudencial. 6. Recurso especial conhecido e improvido. (REsp 968.564/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 02/03/2009)" Às fls 91, o relatório fiscal descreve o grupo econômico envolvido, com as respectivas participações acionárias. Tudo de acordo também com a lei 8212/91, o Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048,de 06/05/1999 e IN RFB 971, que transcrevo: Lei 8212/91 Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 10 9 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto 3.048/99 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 2001). IN RFB 971 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Ainda nessa linha, a CLT, em seu art. 2º: § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego,solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Aqui não estamos a falar da responsabilidade solidária do art. 124 do CTN e sim do que previsto no art. 30,IX da lei 8212/91, com espectro muito mais amplo, não se exigindo interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A lei previdenciária busca uma maior garantia do crédito, bastando para a responsabilidade solidária a mera integração ao grupo econômico. O quadro trazido pela fiscalização às fls 91 demonstram os personagens do grupo econômico, com suas participações acionárias, demonstrando o vínculo jurídico de controle, resultando em coordenação na consecução de seus objetivos, não havendo reparo a ser efetuado. Dessa feita, correto o enquadramento como grupo econômico das empresas relacionadas. Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 11 10 DA MULTA APLICADA Tratase de auto de infração lavrado para prevenir a decadência, com crédito suspenso em razão de depósito do seu montante integral, assim sendo, não há que se falar em aplicação de multa administrativa. Vejamos jurisprudência deste Conselho: DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. (...) . Processo 10680.725067/201082, acórdão 2302003.231 "LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. Não é cabível a imposição de penalidade quando o auto de infração é lavrado para prevenir a decadência de tributos com exigibilidade suspensa em virtude de depósitos judiciais." (AC 2402002.819 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingos)." CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e afastar a multa aplicada nas competências onde foi realizado o depósito do montante integral do crédito combatido. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723144/201060 Acórdão n.º 2803003.796 S2TE03 Fl. 12 11 Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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