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Numero do processo: 10469.901088/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 01 08 8/ 20 10 -1 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 62 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 48/57 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls. 37/39) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 14/07/2010 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária (retificadora) nº 42355.31828.140710.1.7.041924(fls.04/07), onde consta: a) débito informado (confessado): Cofins – Não Cumulativa, código de receita 5856, do PA setembro/2004, data de vencimento 15/10/2004, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 1.762,62; multa moratória: R$ 352,52; juros de mora: R$ 972,22; Total: R$ 3.087,36. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 2.258,33 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REALENTIDADES NÃO FINANCEIRASDECLARAÇÃO DE AJUSTE, código de receita 2430, do PA dezembro/2006 (31/12/2006), DARF no valor de R$ 208.000,00 (valor original), data do recolhimento 31/01/2007 (fl. ). Obs: Foi informado, ainda, pela contribuinte o PER/DCOMP Inicial: 15394.96347.240608.1.3.040094 que, também, trata de utilização de direito creditório referente ao citado DARF (fl. 05). O despacho decisório da DRF/Natal, de 03/08/2010, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite de crédito analisado, correspondente ao ao valor de crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.984,36. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 63 3 (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 11/08/2010 (fl. 03), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 08/11 em 08/09/2010 conforme despacho (fl.31), aduzindo, em suas razões, in verbis: (...) II Da improcedência da cobrança (...) 2.De acordo com os dados constantes da Decisão, acima transcrita, a empresa recolheu, no código 2430IRPJ, a quantia de R$ 208.000,00, que foram utilizados, integralmente, para quitar débitos, com fato gerador em DEZEMBRO/2006, relativos ao IRPJ, código 2430. 3. Entretanto, tal conclusão é inteiramente improcedente, porquanto, a DIPJ transmitida em 13/7/2010 (Cópia anexada), acusou débito de apenas R$ 121.764,39 em dezembro/2006, restando, como crédito, a diferença de R$ 86.235,61 4. Esses R$ 86.235,61 foram utilizados para quitar os débitos constantes do PER/DCOMP N° 42355.31828.140710.1.7.041924. (...) 6.O citado crédito foi informado no PER/DCOMP inicial n° 15394.96347.240608.1.3.040094 (...) Por sua vez, a DRJ/Recife, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 22/03/2012 (fls. 37/39), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos, contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 64 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Nesse sentido, o voto condutor dessa decisão está assim fundamentado (fls. 38/39), in verbis: (...) 5. A contribuinte informa que o crédito teria origem na PER/Dcomp Inicial: 15394.96347.240608.1.3.040094. 6. Observase, porém, que tal PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.04 0094 foi retificada pela (sic) PER/Dcomp nº 01617.41354.250608.17.04.8237, que, ao seu turno, também foi retificada (sic) pela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, a qual se desdobrou no contencioso gerado pela manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte nos autos do Processo 10469.091670/201081, conforme fl. 33. 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 34 a 36, a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da (sic) PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela (sic) PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da (sic) PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 34 a 36. (...) Ciente desse decisum em 10/04/2012 (fl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário por via postal em 30/04/2012 (fls.48/57), cujas razões, em síntese, são as seguintes: I – Da improcedência da cobrança e legitimidade do direito creditório pleiteado do PA 31/12/2006: que apurou na DIPJ retificadora, transmitida em 13/7/2010, na Ficha 12A, um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 121.764,39; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 65 5 que, como foram pagos R$ 208.000,00, restou um crédito de R$ 86.235,61, utilizados para quitar o débito relacionado no presente processo; que, para comprovar os valores consignados na DIPJ, bem como a sua coincidência com os registros contábeis no Livro Diário, juntou, nos autos do processo nº 10469.901670/201081, cópia do Livro Diário n° 81, autenticado na Jucern, sob n° 07/0043124, em 19/11/2007, cópia do Livro Razão do 4º trimestre/2006, cópia das DCTF de janeiro a dezembro/2006 e Cópia da DIPJ 2007, anocalendário 2006; que há perfeita coincidência entre a Demonstração do Resultado do Exercício, registrada à fl. 424, e os valores consignados na DIPJ (quadro comparativo constante do recurso); que o IRPJ totalizou R$ 1.705.960,03, e foi quitado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 46.835,82 IRFONTE (Linha 12 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 2) R$ 16.499,46 IRFONTE ENT. ADM. PÚBL. FED (Linha 14 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 3) R$ 1.520.860,36 Estimativas do IRPJ de Jan a Dez/2006 (Linha 16 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 11 da DIPJ, bem como nas DCTFs; 4) R$ 121.764,39 Saldo de IRPJ a pagar: valor pago em 31/01/2007, no código 2430, através do DARF de R$ 208.000,00 (R$ 121.764,39 utilizados para quitar o débito e R$ 86.235,61 utilizados como crédito para compensar débitos deste e de outros processos). que, como visto, os dados da DCTF, apontando como saldo do IRPJ a pagar, de 31/12/2006, a quantia de R$ 208.000,00, estão equivocados, porquanto inexiste débito desse montante; que a falta de retificação da DCTF em lide, de R$ 208.000,00 para R$ 121.764,39, não justifica a manutenção da cobrança do presente processo, vez que inexiste débito de R$ 208.000,00, mas, tão somente, de R$ 121.764,39; que houve recolhimento a maior de R$ 86.235,61, a ser compensado com débitos, como ocorreu neste e em diversos outros processos. II – Pedido de diligência: que, não obstante essa juntada de documentos naquele processo, pediu a realização de diligência, com vistas à averiguação, se julgada necessária e imprescindível; que se trata de providência, até a presente data, não realizada, porém acredita ser imprescindível à convicção do julgador. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 66 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Esta Turma, na sessão de 10/04/2013, no processo conexo nº 10469.901086/201026, Resolução nº 1802000.180, converteu o julgamento em diligência para apuração pela unidade de origem da SRF da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pela contribuinte, quanto ao anocalendário 2006. Como o direito creditório pleiteado naquele processo e nestes autos referese ao mesmo período de apuração e ao mesmo DARF, e para evitar decisões contraditórias ou divergentes e também por economina processual, entendo que, no caso, é cabível, por conseguinte, também a conversão do julgamento em diligência, em face da conexão demonstrada. Nesse sentido, destarte adoto, como razão de decidir, a mesma fundamentantação constante do voto condutor da Resolução nº 1802000.180, sessão de 10/04/2003, processo conexo nº 10469.901086/201026, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa, in verbis: (...) Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à quitação do ajuste anual do anocalendário de 2006. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que o valor total do IRPJ no período é de R$ 1.705.960,03; que após a dedução das retenções e das estimativas, o saldo de IRPJ a pagar no ajuste é de R$ 121.764,39; e que ela recolheu R$ 208.000,00, o que teria gerado o crédito no valor de R$ 86.235,61. A decisão da Delegacia de Julgamento, mantendo a negativa em relação à pretendida compensação, está assim fundamentada: [...] 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 67 7 não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34 a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 32 a 34. 9. Em função disso, as PER/Dcomp, a exemplo da presente de nº 32444.81129.140710.1.7.046427, que pretendiam se utilizar do suposto crédito, que teria origem naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, constante do referido Processo 10469.091670/201081, embora tais PER/Dcomp citem como origem do crédito a PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, que já não existe mais, na verdade, terão, todas elas, o seu pleito indeferido, tendo em vista que, como já mencionado, não restou comprovado o crédito pleiteado naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, mas, ao contrário, foi confessado e assim se manteve informado na última DCTF ativa da contribuinte que se refere a tal crédito de IRPJ, código 2430, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 32 a 34. 10. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Vêse que a decisão da DRJ decorreu de outra decisão proferida por aquele mesmo órgão no processo nº 10469.091670/201081, onde foi realizado o exame do alegado direito creditório. Aquela outra decisão da DRJ (Acórdão nº 1136.368), que não reconheceu o crédito pleiteado, está assim fundamentada: [...] 10. Percebese, portanto, que os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 11. Se a contribuinte verificar a ocorrência de erro na apuração de tributo informado em DCTF, deve providenciar a entrega da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 68 8 correspondente DCTF retificadora antes de qualquer procedimento de ofício. 12. Em consulta ao sistema DCTF, realizada por este relator, verifica se que a última DCTF apresentada pela contribuinte em que informa o IRPJ do ajuste anual do anocalendário de 2006 (período de apuração de 31/12/2006), código de receita 2430, é aquela DCTF retificadora/ativa de março de 2007, apresentada em 13/06/2008, conforme fls. 40 a 42, em que o valor ali confessado é justamente de R$ 208.000,00 e não os R$ 121.764,39 informados na sua DIPJ transmitida em 13/07/2010. Além disso, a interessada não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Conclusão 13. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, de fato, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – DCOMP (14/07/2010), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 69 9 realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que o saldo a pagar de IRPJ ajuste (apurado na DIPJretificadora) era de R$ 121.764,39 (e não R$ 208.000,00, como declarado em DCTF). Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 70 10 documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário apresentado no processo nº 10469.091670/201081 (que trata do mesmo crédito e que está sendo examinado nesta mesma sessão do CARF) cópias do Livro Diário (contendo a Demonstração do Resultado do Exercício), do Livro Razão, da DIPJ e das DCTF do período, fazendo também uma série de considerações sobre as rubricas que interferem na apuração do IRPJ. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.901088/201015 Resolução nº 1802000.272 S1TE02 Fl. 71 11 Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF/Natal atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10980.905779/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 77 9/ 20 08 -8 4 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905779/200884 Resolução nº 3401000.703 S3C4T1 Fl. 103 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 4.118,16 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração abr/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 24.042,96 e R$ 1.1898,85, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 25.941,81; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução à zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 21.823,65; acrescenta que fez constar tal informação em DCTF, DIPJ E DACON retificadores; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Alega ter demonstrado pagamento a maior de R$ 4.118,16 (valor original), que utilizou para a compensação em tela; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência abr/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual a se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte improcedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905779/200884 Resolução nº 3401000.703 S3C4T1 Fl. 104 3 A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 8109; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 21.316,08, que já haviam sido recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência Fev/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer que seja anulado o acórdão recorrido, a fim de que seja procedida à diligência fiscal necessária à solução da controvérsia; subsidiariamente, caso não acolhido o primeiro pedido, pugna pela homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905779/200884 Resolução nº 3401000.703 S3C4T1 Fl. 105 4 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme o art. 28 da Instrução Normativa nº 600 de 28 de dezembro de 2005, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905779/200884 Resolução nº 3401000.703 S3C4T1 Fl. 106 5 processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de vista, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante à falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e existindo pagamento a maior deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado, o valor que é devido, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte, do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 13839.002786/2007-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No caso, há recolhimentos parciais, motivo da negativa do provimento do recurso.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar multas com a mesma natureza jurídica, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-002.619
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DE PRECISÃO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No caso, há recolhimentos parciais, motivo da negativa do provimento do recurso. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar multas com a mesma natureza jurídica, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 27 86 /2 00 7- 73 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior que negaram provimento. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002786/200773 Acórdão n.º 9202002.619 CSRFT2 Fl. 169 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0143, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão em questão possui a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2002 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações que tenha pago ou creditado aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, no prazo e na forma estabelecidos na legislação. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, na preliminar reconhecer a decadência até a competência 06/2002, inclusive, nos termos do art. 150 § 4º do CTN. Votou Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Para esclarecimento, há dois litígios em questão: a) regra decadencial a ser aplicada; e b) qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, por descumprimento de obrigação tributária principal, após o advento da Medida Provisória 449/2008. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Quanto à regra decadencial a ser aplicada, a decisão recorrida está em divergência com a decisão expressa no acórdão 20501579, que levou em consideração, para a definição da regra decadencial a aplicar, a ausência de recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas; 2. Para a recorrente, como não houve antecipação de pagamento sobre as rubricas constante do lançamento, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN; 3. Quanto à aplicação de novo cálculo da multa nos lançamentos, a recorrente afirma que a decisão recorrida está em divergência com a decisão expressa no acórdão 240100120, que decidiu que não há como aplicar a retroatividade benigna, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância, devendo ser mantida, assim, a multa aplicada; 4. Diante do exposto, a recorrente espera que seu recurso seja acolhido e provido. Por despacho, fls. 0159, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002786/200773 Acórdão n.º 9202002.619 CSRFT2 Fl. 170 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com divergências comprovadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Como já ressaltado, há dois assuntos em questão: a) regra decadencial a ser aplicada; e b) qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, por descumprimento de obrigação tributária principal, após o advento da Medida Provisória 449/2008. Analisaremos cada um deles. A primeira questão presente no recurso versa sobre qual regra decadencial deve ser aplicada. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN,averiguada por rubrica, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento nas rubricas lançadas. Para ao cordão recorrido, devese aplicar a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002786/200773 Acórdão n.º 9202002.619 CSRFT2 Fl. 171 7 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Destarte, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Cabe destacar, que na análise dos autos encontramos registro no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF) que o Fisco verificou recolhimentos efetuados, fls. 058. Portanto, claro está que existiram recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso da nobre PGFN Quanto ao segundo ponto, referente a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002786/200773 Acórdão n.º 9202002.619 CSRFT2 Fl. 172 9 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13839.002786/200773 Acórdão n.º 9202002.619 CSRFT2 Fl. 173 11 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar, de entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, somente na questão da multa, como solicitado pela recorrente, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11070.721217/2011-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA.
Carece de interesse recursal a discussão sobre matéria que não foi determinante do indeferimento do pleito do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS MAS NÃO VENDIDOS.
O valor dos insumos aplicados na industrialização de produtos em elaboração ou acabados mas não vendidos deve ser excluído da apuração no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, e acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164 - Súmula STJ nº 411)
Numero da decisão: 3403-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Alegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. EXCLUSÃO. Excluemse da Receita de Exportação o valor das vendas ao exterior de produtos situados fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62A do RI CARF REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS MAS NÃO VENDIDOS. O valor dos insumos aplicados na industrialização de produtos em elaboração ou acabados mas não vendidos deve ser excluído da apuração no último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, e acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62A do RICARF REsp 993164 Súmula STJ nº 411) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INTERESSE RECURSAL. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 12 17 /2 01 1- 19 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Carece de interesse recursal a discussão sobre matéria que não foi determinante do indeferimento do pleito do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e a correção do ressarcimento pela taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Alegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, ocasionalmente, o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório LUPO MINERAÇÃO LTDA. formulou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao período de apuração de 01/07/2010 a 30/09/2010, no valor de 34.494,13. O pleito foi parcialmente deferido pela DRF/Santo Ângelo RS. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e o Despacho Decisório constantes dos autos, A glosa, no valor de R$ 3.621,35, deveuse às seguintes irregularidades: a) Inclusão na Receita de Exportação dos valores relativos às exportações dos produtos não tributados, em relação às mercadorias vendidas em bruto, com classificação fiscal 7103.10.00, que corresponde na TIPI à notação NT. b) Inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido do valor das aquisições de insumos de pessoas físicas. c) Informação incorreta no DCP (Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido), pois a empresa deixou de informar no cálculo do mês de dezembro de cada ano o valor correspondente à exclusão dos insumos que geram direito aos créditos utilizados na industrialização de produtos em elaboração ou acabados, mas não vendidos, bem como no mês de janeiro do ano seguinte o seu acréscimo “através da informação na linha 24 do DCP”. d) Não escrituração no livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, o valor do crédito Presumido do IPI solicitado. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.721217/201119 Acórdão n.º 3403002.333 S3C4T3 Fl. 193 3 Em Manifestação de Inconformidade, o requerente controverte a exclusão dos valores referentes aos insumos adquiridos de pessoa física, a glosa da receita de exportação de produtos NT e o acréscimo do valor de insumos excluídos no ano anterior. Quanto à não escrituração dos ressarcimentos postulados no livro RAIPI, esclarece tratarse de erro meramente formal. A 3ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 10040.016, de 09 de agosto de 2012, fls. 153 a 164, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados (NT). AQUISIÇÕES ONDE NÃO HAJA INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA Tendo a Lei 9.363/96 instituído um benefício fiscal a determinados contribuintes, com conseqüente renúncia fiscal, deve ela ser interpretada restritivamente. Assim, se a Lei dispõe que farão jus ao crédito presumido, com o ressarcimento das contribuições COFINS e PIS incidentes sobre as aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, não há que se falar no favor fiscal quando não houver incidência das contribuições na última aquisição, como no caso de aquisições de insumos de pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. O pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI exige a escrituração prévia dos créditos no Livro Registro de Apuração do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 168 a 188 após síntese dos fatos relacionados com a lide e repisar os fundamentos legais do benefício, retoma a insurgência contra a exclusão na Receita de Exportação dos valores relativos às exportações dos produtos não tributados, que tacha de ilegítima em face do art. 2º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Repudia as restrições impostas pela Instrução Normativa SRF nº 315, de 3 de abril de 2003, e pela Instrução Normativa SRF nº 419, de 10 de maio de 2004. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Apoiandose da mesma forma em jurisprudência administrativa e judicial, rechaça a exclusão da base de cálculo do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Quanto ao acréscimo do valor de insumos excluídos no ano anterior, entende que o ajuste não deve prosperar, uma vez que o contribuinte não exclui valor da base de cálculo, mas também não inclui em seus cálculos o acréscimo no mês do valor excluído no ano anterior. Aduz que a falta de escrituração dos créditos de IPI no livro de apuração não é condição para a fruição do beneficio, sendo mero erro formal da Recorrente, sem dolo ou má fé. Lembra que, no Mandando de Segurança nº 2008.71.05.0061322, que tramita na 1ª Vara Federal da Circunscrição de Santo ÂngeloRS, foilhe concedida a segurança para declarar o direito da Impetrante, ora Recorrente, ao ressarcimento do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, devidamente corrigido pela SELIC, relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas, e que denegálo é crime de desobediência. Com base na interpretação analógica do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e na Súmula STJ nº 411, pede a incidência da taxa Selic sobre o valor dos créditos. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 168 a 188 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA3ª Turma nº 10040.016, de 09 de agosto de 2012. Ajuste da Receita de Exportação – REx, pela exclusão do valor das receitas de exportação de produtos nãotributados Recapitulando o procedimento fiscal, no cálculo da REx, foram computadas, tãosomente, as vendas para o exterior de produtos industrializados pelo próprio estabelecimento, desconsiderandose as receitas de exportação de produtos NT (pedras preciosas em bruto). A propósito, tal ajuste está em ressonância com o disposto no art. 3º, § 12, inc. I, da Portaria MF nº 93, de 30 de abril de 2004, vigente para o período de apuração. Confirase (sublinhado na transcrição): Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.721217/201119 Acórdão n.º 3403002.333 S3C4T3 Fl. 194 5 § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Convém ressaltar também que a matéria já está assentada no CARF, com entendimento plasmado na Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) veda expressamente o creditamento do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Nada a reparar na decisão recorrida, nem no procedimento da DRF/Santo Ângelo. Glosa do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas Ressalvando meu entendimento pessoal e observando o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, reproduzo a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, em julgamento conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, transitada em julgado em 06/08/2012 e à qual me curvo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 1. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. 2. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. 3. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.721217/201119 Acórdão n.º 3403002.333 S3C4T3 Fl. 195 7 aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Forte no art. 62A do RICARF, reconheço o direito do recorrente de utilizar o valor das aquisições de insumos aos produtores rurais pessoas físicas, devidamente comprovadas nos autos, na composição da base de cálculo do credito presumido do IPI, reformandose a decisão recorrida que vetou essa utilização. Acréscimo do Valor de Insumos Excluídos no Ano Anterior De acordo com o TVF, na apuração efetuada pelo contribuinte no DCP entregue, deixouse de informar, no cálculo dos meses de dezembro e de janeiro de cada ano (linha 23 e 24 do DCP), o valor dos insumos que geraram direito ao crédito utilizados na industrialização de produtos em elaboração ou acabados mas não vendidos, ajustes (exclusão e adição, respectivamente) determinados pelos arts. 7º e 8º da INSRF nº 419, de 2004. Por essa razão, a Fiscalização implementouos de ofício, com base no Demonstrativo dos Estoques de Produtos em Elaboração ou Acabados e Não Vendidos, que detalha, por estabelecimento, os produtos em elaboração ou acabados constantes dos estoques ao final de cada ano. A insurgência recursal é portanto despropositada, haja vista que se trata de metodologia de cálculo expressamente prevista na Portaria MF nº 93, de 2004, art. 3º, §§ 3º e 4º, e à qual o contribuinte deverá conformarse. Escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI O recorrente rechaça hipotéticas conseqüências para o fato de não ter escriturado o RAIPI. Na visão de Ada Pellegrini Grinover, Antônio Magalhães Gomes Filho e Antônio Scarance Fernandes, o interesse em recorrer repousa no binômio adequação mais necessidade ou Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.721217/201119 Acórdão n.º 3403002.333 S3C4T3 Fl. 196 9 utilidade, entendendose a adequação como a relação existente entre a situação lamentada pelo autor ao vir a juízo e o provimento jurisdicional concretamente solicitado, que deve ser apto a corrigir o mal de que o autor se queixa, sob pena de não ter razão de ser. A necessidade, por sua vez, indica a possibilidade de se obter a satisfação do direito material somente com a intervenção do Estado, por meio de agente investido de jurisdição, o que se aplica, também, ao caso dos recursos. Por fim, a utilidade significa a possibilidade de se obter, com a ação (ou, mais especificamente, com os recursos) situação mais vantajosa, sob o ponto de vista prático. De acordo com o interessenecessidade, exigese que se lance mão de um recurso para atingir o resultado prático pretendido pelo recorrente. Por outro lado, o interesseutilidade consiste no fato de que a interposição de um recurso deve ser acompanhada pela possibilidade de o recorrente obter alguma vantagem prática acaso provida sua insurgência. No caso concreto, constato que a falta de escrituração do RAIPI não foi determinante das glosas procedidas pela Fiscalização. Assim por carência do pressuposto recursal interesse, voto por não conhecer do recurso quanto a essa matéria. Correção monetária do valor do ressarcimento mediante abono de juros calculados pela taxa Selic Constrangido pelo art. 62A do RICARF, reproduzo novamente a decisão reproduzo a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, que declinou expressamente que: [...] 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). [...] Assim sendo, reconheço o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela Autoridade Tributária, posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido. Conclusão Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso, para autorizar a inclusão, na base de cálculo do benefício, do valor das aquisições de insumos a pessoas físicas, devidamente comprovadas nos autos, e o abono de juros, calculados pela taxa Selic, a partir da data do protocolo do pedido, sobre o valor do ressarcimento. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Alexandre Kern Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10925.900927/2008-39
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 42813.93667.111104.1.3.046856 (fls.97/101), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) referente ao período de apuração: julho/2004, vencimento: 13/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.922,80). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 00 92 7/ 20 08 -3 9 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900927/200839 Resolução nº 1802000.282 S1TE02 Fl. 3 2 Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.074, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 42813.93667.111104.1.3.046856 (fls.97/101), transmitida em 11/11/2004, por meio do qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) referente ao período de apuração: julho/2004, vencimento: 13/08/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.922,80). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.074, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900927/200839 Resolução nº 1802000.282 S1TE02 Fl. 4 3 O Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.105) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre de 2004 (fl.08) na qual altera para “zero”, o débito do IRPJ – estimativa mensal. relativo ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.922,80). É cediço, que o IRPJ determinado mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 – Ficha 11 Calculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo de IRPJ em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/01/2004, Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 2.922,80, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004; b) se o pagamento do IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do IRPJ por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900927/200839 Resolução nº 1802000.282 S1TE02 Fl. 5 4 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000085/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.242
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Arlindo da Costa e Silva e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP nº 37.262.8559) lavrado em face do contribuinte para cobrança das contribuições devidas à Seguridade Social, parcela dos segurados empregados (desconto) e dos contribuintes individuais (retenções), as quais competem à empresa o desconto e o recolhimento aos cofres públicos, importando no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .0 00 08 5/ 20 10 -8 3 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 256 2 valor de R$ 172.143,75 (Cento e setenta e dois mil, cento e quarenta e três reais e setenta e cinco centavos), no período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2008. Segundo o relato fiscal (fls. 34/38), o lançamento é decorrente dos seguintes fatos, geradores: a) Valores pagos aos segurados empregados regidos pelo Regime Geral da Previdência Sócia não oferecidos à tributação a título de auxílio alimentação, gratificações, complemento de salários, abonos salariais e pelo exercício de cargos de chefia, valores extraídos das folhasdepagamento do contribuinte; b) Remuneração paga aos contribuintes individuais (autônomos) não oferecidas à tributação cujos valores foram extraídos do empenho de despesas pagas no exercício; c) Valores pagos aos contribuintes individuais transportadores autônomos, identificados também do empenho de despesas; Informa ainda a Auditoria ter efetuado a comparação das multas passíveis de aplicação tendo em vista as modificações havidas no ordenamento jurídico introduzidas pela MP 449/2008. O Município de Rubinéia apresentou impugnação contestando o lançamento fiscal pelas seguintes razões: a) Pagamentos feitos aos contribuintes individuais: afirma a legalidade do crédito tributário no que tange à certeza do fato gerador, mas afirma incerto o montante do débito apurado; anexa demonstrativo em que aponta inconsistências no levantamento fiscal, tais como documentos em duplicidade, débitos que não correspondem aos documentos, apontamentos de serviços prestados por pessoas jurídicas, etc; b) Pagamentos feitos aos transportadores pessoas físicas: invoca o princípio da legalidade tributária estrita para dizer que a União não pode modificar a alíquota de tributo através de Decreto; afirma a existência do risco da bitributação, uma vez que ninguém poderia garantir que o contribuinte individual em questão não tenha recolhido mensalmente o valor da contribuição social a que estava obrigado; afirma ser imprescindível à Auditoria efetuar tal verificação, pelo quê pede que seja feita ou postula por tempo para apurar tais circunstâncias; c) Valores não inclusos nas folhas de pagamento: abordaos nos seguintes termos: c.1) Auxílio alimentação: afirma que a base legal informada pela Auditoria não guarda consonância com a matéria; aduz que a legislação exclui do salário de contribuição a parcela paga in natura ou via convênios com empresas que liberam créditos aos empregados, para afirmar que o pagamento em espécie tem a mesma natureza desses; refuta a necessidade de inscrição no PAT para que o auxílio não seja tributável, afirmandoa representativa de mera burocracia, sem nenhum benefício para o trabalhador, que não tem tais valores incluídos nos seus benefícios previdenciários; acrescenta, por fim, no que tange aos servidores públicos Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 257 3 civis federais e também aos militares, de acordo com o disposto nas Leis que estabelecem seus regimes, o auxílio alimentação não é tributável; c.2) Gratificações e cargos de chefia: afirma entender não haver incidência tributárias não sendo cabível a retenção já que não são incorporados ao salário pago, ao teor de jurisprudência trabalhista, que transcreve; c.3) Abonos salariais e complementos: afirma sua exclusão da basede cálculo com supedâneo no item 7 da alínea ' e ' do § 9° do art. 22 da Lei n° 8212/93. d) Ao final, pleiteou a improcedência do lançamento. Encaminhados os autos para julgamento, a DRJ/RPO manteve parcialmente o crédito tributário (fls. 59/72), excluindo do lançamento algumas parcelas relacionadas aos pagamentos feitos aos contribuintes individuais por serviços diversos e por serviços de transporte, a saber: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 258 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 259 5 Após exclusão, foi retificada a planilha de fls. 137/173 (planilha demonstrativa dos pagamentos a contribuintes individuais e valores não retidos) com repercussão no Levantamento CI1 PAGTO CONTIRBUINTE INDIVIDUAL, nas respectivas competências e CI2 na competência de 12/2008 (fls. 71), a saber: Na conclusão, os membros da DRJ/RPO retificaram o valor do lançamento, ficando o crédito retificado do seu valor original/atualizado em R$ 103.338,43 (cento e três mil, trezentos e trinta e oito reais e quarenta e três centavos) fls. 72. Intimada do julgado, a empresa apresentou recurso voluntário defendendo, em síntese, o que segue: a) Que o acórdão acolheu em parte a justificativa apresentada, no entanto, deixou de acolher os seguintes pagamentos: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 260 6 b) Quanto ao pagamento a prestador de serviços na condição de transportador pessoa física, aduziu ser possível os tribunais administrativos declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, já que teria a Administração Pública o poder de autotutela; c) Quanto às retenções, reiterou que a ausência de retenção enseja verificar se o transportador autônomo não recolhera o total a que estava obrigado o que não foi feito. d) Dos valores não inclusos nas folhas de pagamento foi abordado o seguinte: d.1) Auxílio alimentação: afirma que a base legal informada pela Auditoria não guarda consonância com a matéria; aduz que a legislação exclui do salário de contribuição a parcela paga in natura ou via convênios com empresas que liberam créditos aos empregados, para afirmar que o pagamento em espécie tem a mesma natureza desses; refuta a necessidade de inscrição no PAT para que o auxílio não seja tributável, afirmandoa representativa de mera burocracia, sem nenhum benefício para o trabalhador, que não tem tais valores incluídos nos seus benefícios previdenciários; acrescenta, por fim, no que tange aos servidores públicos civis federais e também aos militares, de acordo com o disposto nas Leis que estabelecem seus regimes, o auxílio alimentação não é tributável; d.2) Gratificações e cargos de chefia: afirma entender não haver incidência tributárias não sendo cabível a retenção já que não são incorporados ao salário pago, ao teor de jurisprudência trabalhista, que transcreve; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15868.000085/201083 Resolução nº 2302000.242 S2C3T2 Fl. 261 7 d.3) Abonos salariais e complementos: afirma sua exclusão da basede cálculo com supedâneo no item 7 da alínea ' e ' do § 9° do art. 22 da Lei n° 8212/93. e) Ao final, pleiteou a reforma do julgado e a realização de diligência para que o Município possa arcar com o que lhe é devidamente cabível. Encaminhados os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segue o julgamento. Eis o relatório. Protocolado recurso dentro do prazo legal, passo a análise das questões suscitadas. Referese o lançamento à cobrança das contribuições devidas à Seguridade Social, parcela dos segurados empregados (desconto) e dos contribuintes individuais (retenções), as quais compete à empresa o desconto e o recolhimento aos cofres públicos, importando no valor de R$ 172.143,75 (Cento e setenta e dois mil, cento e quarenta e três reais e setenta e cinco centavos), no período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2008. Consta no relatório fiscal que a autuação está baseada na análise de demonstrativos anexados à DEBCAD nº 37.262.8524, conforme fls. 34. Todavia, tais demonstrativos não encontram disponibilizados nestes autos de modo que dificulta o julgamento da ação fiscal ora em análise. Por todo o exposto, Por todo o exposto, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que seja apensado aos presentes autos os demonstrativos a que versa o relatório fiscal constante nas fls. 34/38, então anexados à DEBCAD nº 37.262.8524, de modo a possibilitar a análise completa da infração destacada pela autoridade fazendária. Do resultado, seja o contribuinte intimado para que possa se manifestar, se for do seu interesse, retornando, posteriormente, os autos a este Colegiado para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de Julho de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724270/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006
FRACIONAMENTO OU DESMEMBRAMENTO DO IMÓVEL RURAL EM VÁRIAS MATRÍCULAS NO REGISTRO DE IMÓVEIS. ÁREAS CONTÍNUAS.
O ITR não veda o fracionamento ou desmembramento do imóvel rural em diversas matrículas no Registro de Imóveis. No entanto, tratando-se de áreas contínuas, a tributação do ITR se faz de forma unificada, conforme estabelece a legislação do imposto.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. DOLO. FRAUDE.
Incabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, c/c os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964, pelo fato de o contribuinte fracionar ou desmembrar o imóvel em diversas matrículas no Registro de Imóveis e tributá-los separadamente, com a presunção de fraude e dolo, sem a comprovação segura do dolo especifico na conduta da vontade livre e consciente, com a intenção deliberada de fracionar para sonegar.
Numero da decisão: 2201-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa e ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator.
Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ÁREAS CONTÍNUAS. O ITR não veda o fracionamento ou desmembramento do imóvel rural em diversas matrículas no Registro de Imóveis. No entanto, tratandose de áreas contínuas, a tributação do ITR se faz de forma unificada, conforme estabelece a legislação do imposto. MULTA QUALIFICADA DE 150%. DOLO. FRAUDE. Incabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, c/c os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964, pelo fato de o contribuinte fracionar ou desmembrar o imóvel em diversas matrículas no Registro de Imóveis e tributálos separadamente, com a presunção de fraude e dolo, sem a comprovação segura do dolo especifico na conduta da vontade livre e consciente, com a intenção deliberada de fracionar para sonegar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa e ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do relator. Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 42 70 /2 00 9- 11 Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10530.724270/200911 Acórdão n.º 2201002.161 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Brasília/DF, que manteve em parte da autuação relativo a falta de pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercícios 2005 e 2006, no valor de R$ 9.360.947,23, com multa qualificada de 150% pela simulação na alienação de parte do imóvel. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 03/13) com ciência em 01.12.2009 (AR fls. 659) relativo à falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercícios 2005, 2006, no valor de R$ 9.360.947,23. Termo de verificação Fiscal (fls. 14 a 24). Impugnação (fls. 666 a 688) A decisão recorrida (fls. 1159 a 1183) com ciência em 06.06.2011 (fls. 1189), cancelou parte da autuação: a) A alteração da área total do imóvel, nos exercícios de 2005 e de 2006, respectivamente de 15.507,3 ha para 28.116,4 e de 4.471,2 ha para 23.241,3 ha; b) A glosa efetuada pela fiscalização da área servida de pastagem declarada de 432,0 ha no exercício de 2005; c) A multa de ofício qualificada sobre o crédito tributário suplementar. Foi excluída da exigência a das áreas utilizada na produção vegetal de 1.267,3 ha no exercício de 2005 e de 903,3ha no exercício de 2006, vez que comprovada existência de produção no imóvel. A emenda da decisão esta assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005, 2006 DA NULIDADE LANÇAMENTO Contendo o Auto de Infração todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando a contribuinte exercer plenamente o seus direito de defesa, não há que se Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES 4 falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). EXAME DA ILEGALIDADE E DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. INADMISSIBILIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DA UNIFICAÇÃO DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ÁREAS CONTÍNUAS Tratandose de imóveis com áreas contínuas, está correto o procedimento da fiscalização ao englobar todas as áreas em um único imóvel rural, em consonância com a legislação do ITR e demais orientações emanadas dos órgãos normativos da RFB. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR. ÁREA DE PASTAGEM COMPROVAÇÃO DO REBANHO A dimensão de área de pastagem é calculada com a aplicação do índice de lotação da região sobre a quantidade de animais existentes no imóvel rural, seja em nome do proprietário ou do arrendatário. Para consideração dessa área é imprescindível a apresentação de documentos que comprovem a existência desses animais no ano base do lançamento na área, tais como: notas fiscais de aquisição de vacinas, comprovantes de vacinação, notas fiscais da comercialização desses animais, declaração/certidão firmada por órgão vinculado á respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, entre outros, relativamente ao imóvel, não bastando, para tal, o contrato de arrendamento, por si só. DA ÁREA EM DESCASO As área em descaso são áreas que foram ,utilizadas com produtos vegetais que precisam recuperar o solo. Para que esta área possa ser declarada como área utilizada necessário que exista laudo técnico onde conste expressamente recomendação para que aquela área Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10530.724270/200911 Acórdão n.º 2201002.161 S2C2T1 Fl. 4 5 específica seja mantida em descaso, ou submetida a processo de recuperação. DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL Tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos, cabe ser restabelecida parcialmente a área de produtos vegetais originariamente declarada. MULTA QUALIFICADA DE 150%. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, dentre as hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72. e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. LAPSO MANIFESTO Constatada omissão na apuração do imposto calculado, que não importa em nulidade do feito, mas enseja o seu saneamento, é de se proceder a retificação do lançamento, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VALOR DA TERRA NUA (VTN) ARBITRADO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em parte Recurso Voluntário (fls. 1190 a 1215) protocolado em 04.11.2011, sustenta em síntese: a) Nulidade da autuação devido ao desrespeito aos direitos fundamentais da propriedade, do devido processo legal e da ampla defesa; b) Houve obediência às áreas contínuas e descontínuas, com isso o percentual aplicado é gerado automaticamente pelo programa do ITR; c) Pede a redução da multa arbitrada para o mínimo legal de 75% sobre a diferença recolhida, uma vez que não houve dolo ou fraude. É o breve relatório. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES 6 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase da exigência do ITR dos exercícios de 2005 e 2006 pela (a) falta de comprovação do VTN valor da terra nua declarado na DITR; (b) Falta de comprovação do Grau de Utilização do imóvel; (c) Falta de apresentação do Laudo de Levantamento Georeferenciado e (c) Falta de comprovação de alienação de partes do imóvel. Sustenta inicialmente que houve cerceamento do direito de defesa pelo desrespeito ao direito de propriedade em não se considerar a exclusão de parte o imóvel alienada, uma área de 12.609,10 ha. no AnoCalendário de 2005 e de uma área de 18.770,10 ha. no AnoCalendário de 2006. Essa alienação sustentada pelo Recorrente na realidade consistiu em diversos desmembramentos com fracionamentos do mesmo imóvel. A decisão recorrida se perdeu no exame desse desmembramento, com exaustivas explicações e justificativas em razão de o relatório de fiscalização entender que houve simulação no fracionamento do imóvel. As razões de recurso não ficaram atrás perderam paginas e paginas argumentando que não houve simulação, o direito de propriedade permitir e garantir o desmembramento, por essa razão haveria ofensa ao direito de propriedade e a lei tributária não poderia desrespeitar, daí não se poder falar em simulação. De fato, o direito permite ao proprietário fracionar o imóvel, respeitada a lei do parcelamento do solo, se urbano ou o modulo rural, se rural. No entanto, não é esse o objeto da lide. Não se cuida de qualquer ato simulado, mas do exame da legislação do ITR, conforme fixou a decisão recorrida ao considerar imóvel rural às áreas contínuas matriculadas ou não num único imóvel para fins do ITR, cujo fundamento é o art. 1o, § 2o, da Lei n° 9.393/1996. Confirase: "Art. 1o O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em Io de janeiro de cada ano. (...) §2° Para os efeitos desta Lei, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município." (grifei) O art. 9o do Decreto n° 4.382/2002, do Regulamento do ITR também dispõe: Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10530.724270/200911 Acórdão n.º 2201002.161 S2C2T1 Fl. 5 7 Do Imóvel Rural Art. 9" Para efeito de determinação da base de cálculo do ITR considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que, em relação a alguma parte do imóvel, o sujeito passivo detenha apenas a posse (Lei n" 9.393, de 1996, art. 1, § 2)." (grifei) Os Manuais de Perguntas e Respostas, das Declarações do ITR de 2005 e 2006, também trouxeram a seguinte orientação: "048 O que é imóvel rural? Para efeito do ITR considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras confrontantes, do mesmo titular, localizada na zona rural do município, ainda que, em relação a alguma parte da área, o declarante detenha apenas a posse, (grifouse) (Lei n°9.393, de 1996, art. Io, §2°; RITR/2002, art. 9o; INSRFn°256, de 2002, art. 8°) 049 O que é área continua? Para efeito do ITR, considerase área contínua a área total do prédio rústico, mesmo que fisicamente dividida por ruas, estradas, rodovias, ferrovias ou por canais ou cursos de água. Assim, se uma pessoa adquiriu dois, três ou quatro imóveis, de dois, três ou quatro proprietários diversos, mediante escrituras públicas distintas, os respectivos bens são unidades autônomas para o Código Civil e para a Lei de O próprio Recorrente sustenta que os imóveis desmembrados decorrem de uma mesma Matricula no Registro de Imóveis, conforme destacou a decisão recorrida. Todas essas glebas, como confirmou a impugnante, são originárias da matrícula n° 1.530, às fls. 1.033/1.047, do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Formosa do Rio Preto/BA, e que foram desmembradas de uma área total de 71.614,0 ha, registrada em 12.01.1999, em nome da requerente. Ainda que não decorresse inicialmente da mesma área ou fossem diversas matriculas, importa serem as áreas continuas para se considerar um único imóvel para efeito de tributação do ITR. Sustenta a Recorrente que a matrícula original é a de n° 1530 do Cartório do Registro de Imóveis de Formosa do Rio PretoBA. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Destaca, que no anobase 2005, a DECLARAÇÃO DO ITR D IAC/DIT (fls.156/161) não omitiu as informações, declarou área total 15.507,3 ha, por força dos desmembramentos discriminados a fls. 59/61. No anobase 2006, a DECLARAÇÃO DO ITR D IAC/DIT (fls. 162/167), também não omitiu as informações, declarou área total do imóvel de 4.471,2 há., por força dos desmembramentos discriminados a fls. 61/62. Finaliza dizendo que todos os desmembramentos foram objetos de escritura pública, com o respectivo registro imobiliário, conforme destacou na impugnação. Enfim, o ITR não veda qualquer desmembramento do imóvel junto ao Registro Imobiliário, apenas não admite esse fracionamento para feito da Declaração e do pagamento do imposto, que considera as áreas contínuas matriculadas ou não num único imóvel para fins do ITR (art. 1o, § 2o, da Lei n° 9.393/1996): Multa qualificada Aqui assiste razão a Recorrente Considerou a fiscalização e a decisão recorrida que houve dolo e simulação na conduta de desmembrar os imóvel com a finalidade de reduzir o tributo e pratica reiterada e continuada da infração e assim qualificou a penalidade para exigir a multa de 150%. Confira se: No presente caso, a exigência do imposto suplementar com a aplicação da multa agravada de 150,0% se deu por ter a autoridade fiscal concluído que a divisão da área do imóvel em inúmeras áreas menores, mantendo a propriedade para a própria impugnante, com criação diferente NIRF sem a devida declaração em um único imóvel por se tratarem de área contínuas, conforme preceitua a legislação do ITR. com já analisado, com a finalidade de reduzir o montante do imposto devido, caracteriza o intuito de fraude definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, por constituir crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos mediante omissão de informação a prestação de declaração falsa. Logo, no que diz respeito à qualificação da multa de ofício hipótese em concreto , o seu enquadramento legal consta corretamente do Auto de Infração. especificamente à fl. 23 dos autos, que expressamente cita o inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96, já transcrito. Ao contrário do que afirma a contribuinte, as informações contidas no relatório fiscal elaborado pela autoridade autuante não se baseou em mera presunção, cabendo transcrever, novamente, excerto da "Descrição dos Fatos" versando sobre a conduta da contribuinte. "Ao analisar toda a conduta do contribuinte, foi verificada a realização de uma série de procedimentos que tiveram como resultado a redução do pasamento de tributos federais. As condutas analisadas se estenderam por mais de um Ano Calendário (2005 e 2006). Desta forma, ficou configurada a prática reiterada para a diminuição do imposto devido, por meio de declarações inidôneas/inexatas à Administração Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10530.724270/200911 Acórdão n.º 2201002.161 S2C2T1 Fl. 6 9 Federal da situação real do fato; (...)" (grifos nosso e do original) Ademais, não é possível que, ingenuamente, possa se aceitar a prática reiterada do desmembramento do imóvel, sem a sua regular declaração como áreas contínuas em conformidade com o § 2° do art. 1° da Lei n° 9.393/96. que define o fato gerador do ITR. como simples declaração inexata, situação que se caracteriza pela ocorrência de meros erros escusáveis, de natureza pontual, o que não é o caso, em que o dolo se tipifica a partir da infração continuada, com escopo de reduzir os impostos devidos. (grifamos para destacar) A ação revelase intencional, a partir do momento em que é possível identificar na sua consecução diversos atos relacionados entre si, de forma reiterada, durante vários exercícios, com a conseqüente supressão ou redução de tributos mediante omissão de informação e prestação de declaração falsa. Assim, deve persistir a aplicação da multa de ofício qualificada sobre o crédito tributário suplementar apurado pela fiscalização. Essa foi a razão para qualificar a penalidade, com a multa de 150%. Pratica reiterada e infração continuada não é nunca foram motivos para a qualificação da penalidade. A lei é muito clara (art. 44 § 1o, da Lei n ° 9.430, de 1996, c/c arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964), apenas o dolo, a fraude e o conluio permitem qualificar a penalidade, nela incluindo a simulação e a dissimulação por se tratar de espécie de fraude. A Recorrente se perde em diversos questionamentos sobre a inexistência de dolo e fraude nos desmembramentos do imóvel. A fiscalização não se referiu ao ato de desmembrar, mas na conseqüência e nos resultados desses atos com dos sucessivos desmembramentos, com o efeito tributário e a penalidade aplicável. Os desmembramentos do imóvel em diversas matricular no Registro de Imóveis não é vedado, por isso não se pode falar em fraude, simulação ou dolo nesse ato de fracionar o mesmo imóvel. Não há propriamente acusação de fraude nos desmembramentos, como pensa a autuada na longa exposição que faz sobre o tema, embora pudesse existir com a declaração do ITR prestada. Mas para tipificar a qualificadora é necessário aferir o elemento subjetivo ou intencional do autuado, prova que não há nos autos. Mesmo o dolo referido pela decisão recorrida em razão dos desmembramentos, precisa da comprovação do aspecto subjetivo do infrator, ou seja, a intenção consciente de desmembrar para sonegar, ocultar, esconder, reduzir tributo. Prova que não há e não foi sequer cogitada na constituição do crédito pela autuação Importa para o ITR se esse imóveis compõe uma única gleba continua de terra. O Recorrente infringiu a lei ao fracionar o imóvel na declaração do ITR – DIAT, com Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES 10 isso agiu com acerto a autuação e a decisão recorrida ao considerar uma única propriedade e assim apurara o tributo., mas daí a dizer que houve dolo nessa conduta há uma distancia que exige prova firme e segura do elemento intencional do infrator, coisa que não há nos autos Falta exatamente essa comprovação, o elemento intencional a vontade, livre e consciente de desmembrar para sonegar. Esse elemento subjetivo não foi aferido pela fiscalização, o autuado não foi sequer ouvido em depoimento ou interrogatório para se buscar essa difícil comprovação. Difícil pela prova da subjetividade, mas necessária para a afirmação da conduta. Pratica reiterada ou continuada não é e nunca foi motivo para qualificar a penalidade e não há prova da intenção de o desmembramento dos imóveis ter sido realizado com a deliberada finalidade de sonegar, com concurso do dolo – elemento subjetivo do tipo penal tributário do art. 71, da Lei n° 4.502, de 1964. Ante o exposto, pelo meu voto, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10530.724270/200911 Acórdão n.º 2201002.161 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10630.720342/2010-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE.CERTIFICADO.
A isenção prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal exige que a pessoa jurídica requeira junto ao Instituto Nacional do Seguro Social o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com todos os requisitos legais cumpridos.
MINISTRO DE CONFISSÃO RELIGIOSA. REMUNERAÇÃO.INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Valores pagos por entidades religiosas diretamente aos seus Ministros à título de sustento pastoral , devem comprovar os dispêndios vinculados sob pena de serem considerados remuneração sobretudo se diferenciados para os vários Ministros cada qual segundo sua importância.
MULTA DE MORA
Na forma do revogado art. 35, I, II, III da Lei n Lei 8.212/91, os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos, são acrescidos de multa de mora e juros de mora. A redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, aduz que os débitos serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, a lei não retroage para prejudicar, há que se observar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores conforme o comando do artigo 149 do Código Tributário Nacional - CT e assim também quanto a multa de ofício, com previsão para lançamentos de fatos geradores ocorridos e notificados a partir da lei 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação às competências até 11 e 13/2005 nos termos do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional- CTN. Vencido os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro que votou pelas conclusões. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário determinando o recálculo da multa de mora, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disposto no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e nos termos do art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro nas questões da multa e no enquadramento dos segurados e vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que entendeu pela nulidade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Julio de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE.CERTIFICADO. A isenção prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal exige que a pessoa jurídica requeira junto ao Instituto Nacional do Seguro Social o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com todos os requisitos legais cumpridos. MINISTRO DE CONFISSÃO RELIGIOSA. REMUNERAÇÃO.INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Valores pagos por entidades religiosas diretamente aos seus Ministros à título de sustento pastoral , devem comprovar os dispêndios vinculados sob pena de serem considerados remuneração sobretudo se diferenciados para os vários Ministros cada qual segundo sua importância. MULTA DE MORA Na forma do revogado art. 35, I, II, III da Lei n Lei 8.212/91, os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos, são acrescidos de multa de mora e juros de mora. A redação dada pela Lei no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 42 /2 01 0- 67 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 11.941, de 2009, aduz que os débitos serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, a lei não retroage para prejudicar, há que se observar a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores conforme o comando do artigo 149 do Código Tributário Nacional CT e assim também quanto a multa de ofício, com previsão para lançamentos de fatos geradores ocorridos e notificados a partir da lei 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação às competências até 11 e 13/2005 nos termos do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN. Vencido os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro que votou pelas conclusões. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário determinando o recálculo da multa de mora, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disposto no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e nos termos do art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro nas questões da multa e no enquadramento dos segurados e vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que entendeu pela nulidade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Julio de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Conforme Relatório Fiscal de fls.26 a 33, o contribuinte foi autuado por inadimplir obrigações referentes às contribuições destinadas a outras entidades – TERCEIROS – incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados denominados “obreiros” no período 01/2005 a 12/2005. inclusive o 13° salário. No decorrer da fiscalização contatouse que a recorrente não possui ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS , e, tampouco o CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS, bem como não foi certificada nos termos da Lei 12.101, de 27/11/2009, o que fez com que a Autoridade autuante concluísse que a autuada não faz jus ao benefício da isenção. O relatório a quo consta registrado às fls. 164. Aduz que que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi na íntegra conforme abaixo: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 4 5 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 5 7 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.164, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 24 de maio de 2011, exarou o Acórdão n° 02.32.437, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.175, reiterou as alegações que fizera em instância “ad quod ” Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro, o recurso interposto em 08 de julho de 2011 é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DA DECADÊNCIA De plano, ressaltese que no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF de fls. 13 bem como nos 4 ( quatro) Termos de Intimação Fiscal de fls.14 a 16 a Autoridade autuante não requereu que fossem apresentados comprovantes de recolhimento. Aduz que não se verifica colacionado nos autos o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF impedindo saber se este fora emitido. Às fls. 26 a 33 do Relatório Fiscal se descrimina os documentos anexados no Auto de Infração e não faz menção do sobredito TEAF. Às fls. 167, para não conhecer a ocorrência do instituto da decadência o I. Julgador a quo sustentou sua decisão com base nos argumentos sobre pagamento antecipado, contribuição e fato gerador, abaixo transcritos: “ Cabe , no entanto, observar que a existência de pagamento antecipado vinculase a contribuição da mesma espécie, não irradia seus efeitos para fatos geradores distintos e nem abarca contribuição que o sujeito passivo não reconhece como devida” Como se nota, ao arrazoar sobre pagamentos antecipados, fatos geradores e contribuição estabeleceuse certa confusão conceitual que , por crucial, norteou a decisão. O tributo denominado contribuição previdenciária é constituído de inúmeros e diferenciados fatos geradores, que em razão de serem da mesma espécie sofrem as incidência previdenciárias legalmente previstas para a classe a que pertencem. Ao efetuar o recolhimento de tal tributo, ainda que o valor não corresponda ao adimplemento do total das obrigações ou não contemple todos os fatos geradores, o feito caracterizara, por óbvio, um parcial pagamento. A eventual identidade de fatos geradores não gera natureza jurídica distinta para cada grupo assim individuado de molde a alterar suas espécies. Não se tratar de dinheiro carimbado para cada grupo de fatos geradores. Os pagamentos realizados não são recolhidos aos cofres públicos segregados por rubricas ou grupos de fatos. Na exegese do “caput” do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, a pretensão do legislador ao falar de pagamento antecipado foi simplesmente para demonstrar o que caracteriza o lançamento por homologação. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 6 9 DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E DO § 1º DO ARTIGO 150 DO CTN. A simples leitura do caput do artigo 150 do CTN fará compreender que o legislador pretendeu, tãosomente, exprimir o denominado lançamento por homologação definindo que são aqueles cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame de autoridade da autoridade administrativa. Relevante destacar que aqui, também, o legislador não condicionou o reconhecimento da decadência em razão de se observar antecipados pagamentos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Como conseqüência de ter havido ou não pagamento antecipado pelo sujeito passivo obrigado de fazêlo, na forma do § 1º do artigo 150 CTN, resulta que caberá ao fisco homologar, no sentido de confirmar expressa ou tacitamente, o pagamento realizado: “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Há, portanto, uma determinação atribuída ao contribuinte para que ele realize, por sua própria conta, com base nos elementos previstos em lei (critério material, espacial, temporal, pessoal e quantitativo), a apuração do "quantum debeatur”. Em contrapartida, cabe ao Fisco, nos termos do caput, do artigo 150, do CTN e respectivo parágrafo 1°, rever, em tempo hábil, o procedimento adotado pelo contribuinte (escrituração, pagamento do tributo etc) homologando expressamente a atividade. Não o fazendo em tempo hábil, restará tacitamente homologada a circunstância, qualquer que seja ela, adimplidas ou não as obrigações. Assim, duas são as atitudes que podem ser adotadas pelo Fisco: ou ele homologa expressamente o procedimento adotado pelo contribuinte, operandose, dessa forma, a extinção do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 156, VII, do CTN, ou ele não o faz expressamente mas , por inércia, tacitamente corrobora o procedimento do sujeito passivo. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 É cediço que a decadência é o perecimento do deverpoder da Administração de efetuar o lançamento tributário devido ao decurso de certo lapso temporal. Pela regra específica para os lançamentos por homologação, o direito de constituir o crédito por intermédio do lançamento se extingue no prazo de cinco anos contados na data da ocorrência do fato gerador na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional – CTN. A decadência fulmina o direito potestativo da Fazenda Pública, inexoravelmente, e os pagamentos não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal, qüinqüenal.O direito potestativo não pode ficar ao arbítrio temporal exclusivo da Autoridade Administrativa para que o exerça se e quando quiser. Assim, em prol da segurança jurídica, o § 4°, do artigo 150, do CTN estabelece o prazo máximo para a homologação: “ § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. A simples leitura do artigo 150 supra traduz literal conclusão. Aduz que no lançamento por homologação o contribuinte deva efetuar um procedimento de autolançamento seguido de pagamento antecipado ao exame da autoridade administrativa, que posteriormente , se tudo estiver correto, o fisco, no prazo qüinqüenal , expressamente, fará a devida homologação sob pena de não o fazendo, por inércia de exercer seu poder potestativo, a homologação ocorra de modo tácito validando salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação qualquer que tenha sido o procedimento do sujeito passivo, inclusive o não cumprimento das obrigações, verbis: “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos do autor)”. O sobredito entendimento sobre pagamento antecipado querer se referir antecipação à ação do fisco, fica patente quando se observa que mesmo que efetuado com substancial atraso em relação à data do vencimento, se o contribuinte o fizer antes de eventual ação fiscal, tal pagamento não sofrerá penalidades de multa de mora agravada em razão do benefício do instituto da denúncia espontânea previsto na seção IV – Das Responsabilidade por Infrações no art. 138 do Código tributário Nacional – CTN, verbis: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 7 11 “ Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Na forma do comando do artigo 4º do Código Tributário Nacional – CTN, distinguir fato gerador é importante para determinar a natureza jurídica específica do tributo: “ A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação....” Em se tratando a autuação em razão de inadimplência de obrigação tributária principal por não recolhimento dos valores referentes às incidências sobre fatos geradores do TRIBUTO contribuição previdenciária, o simples fato de se tratar de fatos distintos não desnatura a espécie jurídica do tributo. Portanto, qualquer recolhimento sobre fatos geradores submetidos à incidência em tela estará sendo efetuado para adimplir contribuições da mesma espécie tributária posto que até mesmo as guias de recolhimentos do tributo em comento não fazem distinções específicas e pormenorizadas por rubrica. Há que se reparar que o também o legislador é genérico ao se referir às obrigações de adimplir tributos e suas espécies. Neste sentido, é oportuno trazer à lume o disposto no art. 2° da Lei n 11.457/2007, quando o legislador ao tratar da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em relação a matéria em tela não define fatos geradores mas sim contribuições sociais : “ Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição.( Vide Decreto n° 6.103, de 2007) ” “ Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 (...) Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: I as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; ( Vide art. 104 da Lei n° 11.196, de 2005). II as dos empregadores domésticos, incidentes sobre o saláriodecontribuição dos empregados domésticos a seu serviço; III as dos trabalhadores, incidentes sobre seu saláriode contribuição; IV as das associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional, incidentes sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos; V as incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural; VI as das empresas, incidentes sobre a receita ou o faturamento e o lucro; e VII as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.” Isto exposto, não se tem dúvidas que a contribuição previdenciária é tributo constituído de vários fatos geradores cujas ocorrências se exige adimplir antes de eventual ação fiscal dado que se trata de tributo de lançamento por homologação. O total recolhimento antecipado à ação presencial fiscal, faz adimplir, por óbvio, toda a obrigação por competência. Fazêlo em parte implica que ocorrera “ pagamento antecipado ” entretanto parcial. DAS GUIAS DE RECOLHIMENTOS DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS É relevante destacar que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, à exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra no documento de modo claro e efetivo quais os fatos geradores ou quais rubricas estariam sendo contempladas com tais pagamentos. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais para homologar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer recolhimento na forma difusa como é procedido no que concerne a classificar como “ pagamento antecipado” irradia seus efeitos e tem o condão de alcançar qualquer rubrica que eventualmente seja de sofrer as incidências tributárias previstas. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 8 13 DOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA Discordando que o pagamento antecipado ao qual se refere o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional – CTN implica verificar adimplementos de rubricas de forma isolada, ressalto que o legislador ao exortar o pagamento, em todas as oportunidades, referiuse ao tributo como um todo. Na forma do comando do artigo 4º do mesmo códex supra, conhecer distintamente a essência do fato gerador é importante para determinar a natureza jurídica do tributo: “ A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação....” As contribuições sociais, inclusive as de seguridade social, dentre estas as previdenciárias, com todos os fatos geradores definidos em lei como sujeitos à incidência tributária, com o advento da Constituição Federal de 1988, ganharam tratamento constitucional tributário, aplicandolhes toda a sistemática reservada aos tributos pela Carta Magna (CF, art. 145 e seguintes combinado com o art. 195 e seguintes). Do supra exposto, se observa que o tributo denominado contribuição previdenciária é constituído de inúmeros fatos geradores. É relevante notar que o legislador ao classificar o que seria o lançamento por homologação também não se referiu a rubricas ou aos fatos geradores mas, sim, aos tributos: “lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento...” À propósito, ressaltese o disposto no artigo 3º do CTN define tributo sem aludir a fatos geradores : “ Tributo é toda prestação pecuniária compulsória...” Então, de todo o exposto, sobre a decadência, sendo pacífico que a jurisprudência entende que a os fatos geradores da contribuição previdenciária definem sua natureza jurídica como sendo um tributo de lançamento por homologação não é razoável buscar verificar a situação de um fato gerador isoladamente. O que estará em questão é o do direito de lançar o tributo na competência em que se verificou a ocorrência deste. Na hipótese de ter que verificar se ocorreu “pagamento antecipado”, a busca se voltará para qualquer valor recolhido na competência decaída e não para um ou outro fato distintamente até porque, como visto alhures, a guia de recolhimento do pagamento não permite fazer distinção. Às fls. 26 a 33 do Relatório Fiscal revelam, que o lançamento foi realizado em razão da inadimplência parcial do sujeito passivo no que se verifica ao adimplemento da PARTE PATRONAL. Eis que recolhidos valores referentes à qualquer outra responsabilidade, isto faz caracterizar “ pagamentos antecipados”. Considerando tudo que foi exposto e ainda que a notificação, segundo fls. 34, ocorreu em 29/12/2010, restam caracterizados os exigidos “ pagamentos antecipados” para Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 reconhecer decaídas as competências novembro de 2005 e anteriores sob o comando do preceituado no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis ”Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos do autor)”. DO MÉRITO DAS MULTAS Relevante ressaltar que Recorrente foi notificada em 29/12/20109 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 01/2005 a 13/2005 cuja penalidade prevista para infrações do gênero, à época, se subsumia ao preceituado nos incisos I, II e II do art. 35 da Lei n° 8.212/91. Neste sentido, exortese o comando do artigo 144 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” Destaquese que o presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. No Relatório de Fundamentos Legais – FLD, de fls. 07, item 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA, registramse penalidades fundamentadas sob os incisos I, II e II do art. 35 da Lei n 8.212/91 somente para as competências 08 de 2005 e 12/2005. Na forma do registro de fls. 01, que resume o total dos valores apontados nos relatórios DISCRIMINATIVO DO DÉBITO – DD , fls. 05 a 06, aplicaramse multa de mora com percentual de 24 % para todas as competências ainda que não tenham sido tipificadas nos devidos relatórios. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720342/201067 Acórdão n.º 2403001.791 S2C4T3 Fl. 9 15 O art. 35 e seus incisos I, II e III supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” O contribuinte, nada alegou neste sentido. DOS DEMAIS QUESTIONAMENTOS Como ficou realçado alhures, o auto em comento tem as mesmas bases de cálculo e fatos geradores da autuação referida pelo DEBCAD 37.271.6539, que consta do processo n° 10630.720337/201054 considerado pela Autoridade atuante como principal. O relatório a quo descreve o mesmo conteúdo do sobredito processo razão pela qual motivou os mesmos argumentos de defesa em sede de impugnação e recursal. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 Aduz que anuí as conclusões daquele Acórdão a quo. Motivado por promover economia processual, corroboro aquele “decisium” de primeira instância ao tempo em que nego provimento às razões apresentadas em Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Desse modo, diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para EM PRELIMINAR, com fulcro no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, reconhecer fulminados pelo instituto da decadência os créditos constituídos até às competências 11/2005 e 13/2005 e, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que o recálculo da multa de mora observe o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10805.001806/99-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 10/10/1989 a 13/10/1995
PIS/DECADÊNCIA.
O prazo para solicitar restituição de tributos é de cinco anos, contado do pagamento.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.198
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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O prazo para solicitar restituição de tributos é de cinco anos, contado do pagamento. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negaram provimento ao recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 2 Relatório A presente lide versa sobre pedido de restituição protocolado em 26 de agosto de 1999, de valores relativos ao PIS, entre agosto de 1989 e setembro de 1995. A contribuinte alegou que pagou a referida contribuição com fundamento nos DecretosLeis 2.445 e 2449, ambos de 1988, posteriormente considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Fez os cálculos aos moldes da Lei Complementar n° 7, de 1970 que, em seu art.6°, parágrafo único, estabeleceu que a base de cálculo para aplicação da alíquota do PIS de 0,75% é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Em julgamento neste CARF a solicitação foi deferida nos exatos termos do pedido. Irresignada, a PGFN interpôs Recurso Especial contra o acórdão não unânime. Recorreu do prazo de restituição adotado pela Câmara a quo. O contribuinte apresentou contrarrazões. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial interposto pela PGFN, em boa forma. Como relatado, a matéria que é submetida ao colegiado é o prazo de restituição de tributo. Quanto a ele, dispõe o Código Tributário Nacional que o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial de tributo, de qualquer modalidade de pagamento, que tenha sido cobrado ou pago espontaneamente, em razão de disposição legal aplicável, que venha a ser desconsiderada, desde que o pedido ou a restituição de ofício seja realizado dentro dos cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Vejase o artigo 165 e 168: Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10805.001806/9926 Acórdão n.º 930301.198 CSRFT3 Fl. 381 3 ...................................................................................................... Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Acrescento, ainda, que considero absolutamente indispensável a comprovação de que o tributo não foi repassado, por qualquer via, a outrem. Não vou enfrentar essa questão posto que não subiu para apreciação deste Colegiado, mas gosto de consignar minha posição por inteiro. No presente caso, temos informação de que o pedido foi realizado em 26 de agosto de 1999, e os períodos dos fatos geradores ocorreram entre agosto de 1989 e setembro de 1995. É fato que a matéria não está pacificada no âmbito deste CSRF, havendo interpretações, ao meu sentir em desacordo com as normas já mencionadas. Diz o art. 156 do CTN: Art. 156 Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no Art. 150 e seus parágrafos § 1 e § 4; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2 do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; 4 X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (acrescentado pela LC000.104 2001) Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO 4 Assim, combinandose os artigos 165 e 168, temos a seguinte conclusão direta: A restituição é devida, seja qual for a modalidade de pagamento do tributo, desde que o pedido seja realizado no período de cinco anos contados do pagamento. É de ser observado, ainda, que a edição da Lei Complementar nº 118, parágrafo 3º pôs fim a qualquer pretensão de interpretação alheia ao que dispõe o CTN. Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Notese que, conforme argumentou a PGFN, o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição. No presente caso, temos informação de que o pedido foi realizado em 26 de agosto de 1999, e os períodos dos fatos geradores ocorreram entre agosto de 1989 e setembro de 1995, estando portanto parcialmente decaído o prazo para solicitar restituição de tributos. Assim, voto por prover o Recurso da PGFN, nos exatos termos do pedido. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO Processo nº 10805.001806/9926 Acórdão n.º 930301.198 CSRFT3 Fl. 382 5 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 12/08/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BAR RETO
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Numero do processo: 10480.907262/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
PRELIMINAR. NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MUDANÇA DE FUNDAMENTAÇÃO. DRJ. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não há cerceamento do direito de defesa quando a decisão recorrida se limita
a examinar e rejeitar novos argumentos apresentados pelo sujeito passivo na
manifestação de inconformidade.
PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a correta identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MUDANÇA DE FUNDAMENTAÇÃO. DRJ. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não há cerceamento do direito de defesa quando a decisão recorrida se limita a examinar e rejeitar novos argumentos apresentados pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade. PER/DCOMP. IDENTIFICAÇÃO EQUIVOCADA DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a correta identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN 2 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 19/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado (fls. 67): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O despacho decisório da DRF/Recife, ao não homologar a compensação, adotou a seguinte fundamentação: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN Processo nº 10480.907262/200941 Acórdão n.º 3802000.872 S3TE02 Fl. 88 3 “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP.” (fls. 04). O contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a não identificação do crédito seria decorrente de uma falha procedimental, uma vez que, após o encaminhamento do PER/Dcomp Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação , a empresa teria deixado de realizar a retificação das respectivas Dctf Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais , para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados. Sustentou que, apesar disso, a compensação deveria ser homologada, porquanto o erro de procedimento não anularia a existência do crédito, que seria decorrente de decisão judicial transitada em julgado em 09/09/2004 (mandado de segurança nº 80.558/PE 2001.83.00.0145250, impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Pernambuco). O acórdão da DRJ, após ressaltar que eventuais erros na Dctf não nulificam os créditos do interessado, manteve a decisão recorrida, uma vez que a sentença judicial foi rescindida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (AR nº 5471PE Processo n° 2006.05.00.0442426/03), com efeito ex tunc, consoante liminar na Reclamação (Rcl/6917), deferida pelo Supremo Tribunal Federal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7580, alega que a decisão da DRJ teria alterado a fundamentação inicial adotada pelo despacho decisório (assentada na falha procedimental, e não na análise da existência do crédito decorrente da ação judicial), configurando cerceamento do direito de defesa. No mérito, sustenta que a liminar deferida pelo STF Supremo Tribunal Federal na reclamação não anulou os efeitos do decidido pelo TRF Tribunal Regional Federal da 5ª Região na ação rescisória. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 13/09/2011 (fls. 70) e o protocolo do recurso, em 11/10/2011 (fls. 75). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. I. Do cerceamento do direito de defesa: Embora a legitimidade do crédito não tenha sido objeto de exame no despacho decisório da DRF/Recife, a preliminar de cerceamento do direito de defesa deve ser afastada, porque, na verdade, a apreciação da matéria foi decorrente do teor das razões apresentadas pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN 4 Com efeito, verificase, a partir da análise da fundamentação do despacho decisório, que a não homologação da compensação ocorreu em razão da ausência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na PER/Dcomp: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” (fls. 04). O Recorrente, por outro lado, alegou que a não identificação do crédito seria decorrente de uma falha procedimental na compensação, uma vez que, após o encaminhamento do PER/Dcomp, a empresa teria deixado de realizar a retificação das respectivas Dctfs para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados. Ao mesmo tempo, sustentou que a compensação deveria ser homologada, porquanto o erro de procedimento não anularia a existência dos créditos, que seriam decorrentes de decisão judicial transitada em julgado (mandado de segurança nº 80.558/PE 2001.83.00.0145250). Diante dessas alegações, a DRJ entendeu por bem examinar a procedência do crédito, concluindo que este seria inexistente, devido a decisões supervenientes do TRF da 5ª Região na ação rescisória (AR 5471PE 2006.05.00.0442426/03) e do STF na reclamação (Rcl nº 6917), a primeira rescindindo com efeitos ex nunc a sentença proferida no mandado de segurança nº 80.558/PE (2001.83.00.0145250) e a segunda, suspendendo a modulação temporal do julgado realizada pelo Tribunal Regional Federal. Notase, portanto, que, ao enfrentar a matéria, a DRJ o fez visando apreciar a procedência da alegação do Recorrente, que, na oportunidade, consoante destacado, sustentara que, apesar do erro procedimental, a compensação não poderia deixar de ser homologada em face da existência do direito ao crédito. Não houve, assim, uma mudança na fundamentação, mas apenas exame expresso de nova alegação apresentada pelo interessado, razão pela qual não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. II. Do mérito: A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo a compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN Processo nº 10480.907262/200941 Acórdão n.º 3802000.872 S3TE02 Fl. 89 5 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo – denominada PER/Dcomp – revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No caso em exame, a análise dos autos mostra claramente que não houve a correta identificação dos créditos e débitos compensados. Nem mesmo a origem do crédito decorrente de sentença judicial foi adequadamente apontada pelo sujeito passivo no PER/Decomp. Tal circunstância inviabiliza a homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Por outro lado, ainda que fosse superável o equívoco na formalização do fato extintivo, não se pode deixar de considerar que a sentença judicial da qual decorria o crédito do Recorrente e o débito da Fazenda Nacional foi rescindida pelo TRF da 5ª Região (AR 5.471). O STF, por sua vez, na Reclamação nº 6917 suspendeu o efeito ex nunc atribuído pelo TRF, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN 6 conforme se depreende da seguinte passagem da decisão monocrática do Ministro Joaquim Barbosa, que deferiu a medida cautelar: [...] A restrição dos efeitos temporais de decisão judicial coloca, em posições antípodas, de um lado, a eficácia da função jurisdicional e a legítima expectativa dos jurisdicionados à resolução dos litígios nos termos da melhor solução possível, baseada no texto legal. Do outro, está a necessidade de preservação de legítimas expectativas fundadas na existência de normas cuja validade ou invalidade se tinha por estabilizada. Tratase de medida extrema, pois visa assegurar a confiança no sistema jurídico, até então tido por estável, contra mudança normativa (de origem legislativa ou judicial), às expensas também de confiança no sistema jurídico, isto é, da certeza do jurisdicionado na capacidade dos mecanismos destinados à análise, à correção e à evolução normativa. Considero plausível a argumentação acerca da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, como guardião último da Constituição e Corte que detém a aptidão para utilizar amplos meios de estabilização de expectativas (Súmula Vinculante, repercussão geral da matéria versada como condição de admissibilidade do recurso extraordinário etc), para aplicar decisões com efeitos meramente prospectivos. No caso em exame, consta expressamente da súmula de julgamento do RE 377.457, disponível no site da Corte (www.stf.jus.br), que “o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos, vencidos os Senhores Ministros Menezes Direito, Eros Grau, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Carlos Britto”. A circunstância de o respectivo acórdão não ter sido publicado não impede a aplicação da orientação firmada durante o respectivo julgamento (cf., e.g., o RE 471.264, rel. min. Eros Grau, Segunda Turma, DJe de 27.06.2008 e o RE 386.511, rel. min. Marco Aurélio, Primeira Turma, DJe de 19.09.2008). Em relação à aplicação da orientação firmada pela Corte, registro os seguintes arestos, v.g.: RE 517.414AgREDcl, rel. min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 28.11.2008; AI 706.866AgREDcl, rel. min. Eros Grau, Segunda Turma, DJe de 14.11.2008; RE 467169AgR, rel. min. Cármen Lúcia, Primeira Turma, DJe de 21.11.2008; RE 524.763 rel. min. Ricardo Lewandowski, decisão monocrática, DJe de 17.11.2008 e o RE 464.618 rel. min. Carlos Britto, decisão monocrática, DJe de 10.10.2008. Em sentido semelhante, a singela circunstância de a orientação firmada no precedente estar sujeita à modificação também é insuficiente para afastar sua aplicabilidade. Fazse necessária a existência de densa probabilidade de reversão da orientação para que ela deixe de ser considerada na atividade jurisdicional. Presente, ainda, o periculum in mora, consistente no na permanência do impedimento para constituição do crédito tributário. Ante o exposto, concedo a medida cautelar pleiteada, para suspender o acórdão reclamado na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória.” Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso, pela rejeição da preliminar e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN Processo nº 10480.907262/200941 Acórdão n.º 3802000.872 S3TE02 Fl. 90 7 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN
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